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BALANÇO DE RESULTADO ECONÔMICO

Pelo viés da visão científica do Prof. Msc. Wilson Alberto Zappa Hoog1

Nos termos da norma jurídica e contábil positivada pela Lei 10.406/02, novo código civil
tem, a nova peça contábil anual, Balanço de Resultado Econômico, com a antonomásia de
Demonstração da Conta de Lucros e Perdas, o efeito “erga omnes” 2 para o empresário e para
todos os tipos societários dos gêneros tais como: sociedades não personificadas, art 986 e 991;
sociedades estrangeiras, art.1.137 interpretados junto com a 1.195; sociedades simples e as
sociedades empresárias art. 983, exceto para as sociedades anônimas, comanditas por ações e
cooperativas, por existir lei específica que regula de forma individual a apuração do resultado.
Porém, pela melhor doutrina, acredita-se que não exista o efeito “erga omnes”, para as sociedades
empresárias do tipo limitada que deliberaram pela regência supletiva, art. 1.153, à lei das sociedades
anônimas, especificamente ao artigo 187.
O Balanço de Resultado Econômico é a terminologia ou categoria operacional encontrada
nos artigos 1.020, 1.065, 1.184, 1.186 e 1.189 da Lei 10.406/02, CC2002. Parte integrante da trípode
da prestação de contas anual, relatório, produto contábil que registra o resultado de forma contábil 3,
demonstrativo consagrado pela teoria das partidas dobradas 4, o qual sintetiza o resumo no período das
variações do sistema de resultado: positivas como receitas, ganhos e lucros, e negativas como
despesas, perdas, custos e prejuízos, durante um determinado período de tempo, normalmente um
ano. Este é o objetivo da apresentação do balanço de crédito ou econômico 5, conhecido também
como “demonstração da conta de lucros e perdas”, terminologia do art. 1.189; informação
econômica aos usuários da contabilidade, pois se destina a demonstrar a práxis do fabrico do
resultado do exercício, ou outro período, como mensal, trimestral ou semestral, pelo confronto entre
as contas de resultados, sob a forma de balanço, com colunas para débitos e créditos, sendo que esta
diferença, denomina-se rédito, que poderá ser positiva, lucro ou negativa, prejuízo.
A distribuição do rédito, lucro ou prejuízo, deve obedecer aos preceitos legais e do contrato
social, considerando a possibilidade de destinar parte para:
I- O fortalecimento do objeto social, “empresa 6”, reinvestindo no estabelecimento7, este,
entendido como o conjunto de bens para o exercício da empresa, conforme art. 1.142
do CC2002.
II- A participação dos empregados e administradores.
III- Para os sócios e partes beneficiadas.
Em nossa doutrina8, enfatizamos que “o resultado deste balanço, confronto dos débitos e
créditos”, “redito 9”, é, verdadeiramente a melhor forma contábil consuetudinária, originária da
escrituração contábil”.
Este, novo, produto contábil vem substituir a demonstração de resultado do exercício (DRE) e
a demonstração dos lucros e prejuízos acumulados (DLPA), anteriormente aplicados a todos os tipos
de sociedades. Mas, quanto aos aspectos de sua apresentação pelo viés, morfológico e funcionais a
Lei deixa uma lacuna no art. 1.189: “... e dele constarão crédito e débito, na forma da lei especial”.
Contudo, enquanto não temos esta lei especial, apresenta-se ao mundo profissionalizante e
acadêmico uma proposta, “lex ad tempus” 10 para suprir este silêncio quanto aos aspectos
morfológicos e funcionais, que atende a lógica dos fatores consuetudinários e da hermenêutica
aplicada à ciência contábil, ou seja, a “forma contábil”, a categoria operacional “balanço” e a
representação de “débitos e créditos”.

1
BALANÇO DE RESULTADO ECONÔMICO
ZAPPA HOOG E CIA SS
EXERCÍCIO FINDO EM 31 DE DEZEMBRO DE 2003
GASTOS DEBITO RENDAS CREDITO
DEDUÇÕES RECEITAS
Receitas canceladas 1.000,00 Receita de produtos 5.000,00
Abatimentos e descontos 0,00 Receita de mercadorias 5.000,00
Impostos sobre vendas e serviços 868,50 Receita de serviços 0,0
TOTAL DE DEDUÇÕES (1) 1.868,50 TOTAL DE RECEITAS (2) 10.000,00
RECEITA LÍQUIDA (3) = (2-1) 8.131,50

CUSTOS
Custo dos produtos 2.000,00
Custo das mercadorias 2.100,00
Custo dos serviços 0,00
TOTAL DOS CUSTOS (4) 4.100,00

RÉDITO – PREJUÍZO BRUTO - RÉDITO - LUCRO BRUTO (5) = (3-4) 4.031,50

DESPESAS OPERACIONAIS RECEITAS FINANCEIRAS


Com Vendas 500,00 Rendas financeiras 68,50
Administrativas 100,00
Financeiras 300,00 TOTAL DAS RECEITAS FINANCEIRAS (7) 68,50
Fundo de reintegração de ativos 100,00
TOTAL DAS DESPESAS OPERACIONAIS (6) 1.000,00 TOTAL DAS RECEITAS FINANCEIRAS 68,50

RÉDITO PREJUÍZO OPERACIONAL - RÉDITO LUCRO OPERACIONAL (8) = (5+7-6) 3.100,00

GASTOS NÃO OPERACIONAIS RENDAS NÃO OPERACIONAIS


Variações monetárias passivas 100,00 Variações monetárias ativas 200,00
Custo da alienação de bens atípicos 1.000,00 Alienação de bens atípicos 2.000,00
Perdas em participações acionárias 0,00 Ganhos em participações acionárias 500,00
Correção monetária passiva 0,00 Correção monetária ativa 0,00
Outras perdas não operacionais 0,00 Outras rendas não operacionais 0,00
GASTOS NÃO OPERACIONAIS (9) 1.100,00 TOTAL DAS RENDAS NÃO OPERACIONAIS(10) 2.700,00

RÉDITO PREJUÍZO ANTES DO IR E CS RÉDITO LUCRO ANTES DO IR E CS (11) = (8-9+10) 4.700,00

PROVISÕES
Provisão para IR e CS 1.175,00
TOTAL DAS PROVISÕES (12) 1.175,00

PARTICIPAÇÕES
Empregados 325,00
Administradores 200,00
TOTAL DAS PARTICIPAÇÕES (13) 525,00

RÉDITO, PREJUÍZO DO EXERCÍCIO RÉDITO, LUCRO DO EXERCÍCIO (14) = (11-12-13) 3.000,00

REVERSÕES
Reversão de reserva de contingência 600,00
Reversão de reserva de lucro 400,00
TOTAL DE REVERSÕES (15) 1.000,00

SALDO (LUCRO) À DISPOSIÇÃO (16) = (14+15) 4.000,00


SALDO (PREJUÍZO) À DISPOSIÇÃO -

DESTINAÇÃO DO RESULTADO DESTINAÇÃO DO RESULTADO


Lucro a ser distribuído (proposta) 1.000,00
Reservas de lucros (Proposta) 1.100,00
Reserva de contingência 400,00
Lucro Acumulado 1.500,00 Prejuízo à Absorver -
TOTAL DA DESTINAÇÃO DO RESULTADO 4.000,00

SOMA REGISTROS A DÉBITO= (1+4+6+9+12+13) 13.768,50 SOMA REGISTROS A CRÉDITO = (2+7+10+15) 13.768,50
Data, Identificação e assinatura do responsável técnico e do administrador.

2
Obs: As referências das operações matemáticas são uma memória de cálculo para a opção de resultado positivo (conforme no exemplo), devendo
ser de adaptada a cada situação real de resultado.

3
1
Prof. MSc. Wilson Alberto Zappa Hoog, e-mail zapahoog@bsi.com.br é graduado na ciência contábil, perito contábil,
mestre em direito profissionalizante para gestão de empresas, co-autor do livro: Prova Pericial Contábil - Aspectos Práticos
& Fundamentais; autor dos livros Resolução de Sociedade & Avaliação do Patrimônio na Apuração de Haveres; Novo
Código Civil - Especial para Contadores; e os livros: Manual do Auditor e Dicionário da Ambiência contábil, que estão no
prelo. Todas as obras estão atualizadas pela nova legislação e editadas pela Juruá.

2
erga omnes, do latim, quer dizer que tem força de norma jurídica para todos, ou todos se sujeitam a esta protensão civil.
3
Sistema de registro de fatos a partir do CC2002, anterior era sob a forma mercantil, art 14 do Códice Comercial.

4
Método baseado no fato de que, para cada débito temos um crédito e vice-versa, exposto pelo Frei Luca Paciolo, no ano de
1494, na cidade de Veneza, Itália, até hoje amplamente aplicado em todo o mundo.

5
Nos comentários ao artigo 1.189 do CC2002, livro Novo Código Civil especial para contadores, editora Juruá, 2003, p.
300, temos presente os aspectos consuetudinários do Balanço, o equilíbrio.

Em nossa doutrina: Dicionário da Ambiência Contábil, no prelo. A palavra empresa, segundo a teoria “da empresa” e a
6

melhor doutrina jurídica contábil contemporânea, é atividade, objeto social. Atividade como axioma contábil é o objeto,
atividade organizada de fins econômicos, exercidos sob um estabelecimento empresarial, conforme prevê o art. 1.142 do
Código Civil/2002, para se alcançar o objetivo aziendal, lucro, este delineado pela função social da sociedade, que é uma
das vertentes da função social da propriedade, Constituição Federal art. 170 inciso III.

7
Estabelecimento, conforme comentários ao artigo 1.142 do CC2002, no livro: Novo Código Civil especial para
contadores, editora Juruá, 2003. É o conjunto de bens organizado para a consecução da empresa (objeto social) e realização
do objetivo social (lucro).

8
Comentários ao artigo 1.189 do CC2002, livro: Novo Código Civil especial para contadores, editora Juruá, 2003, p.300.

9
Gino ZAPPA, teoria do “RÉDITO” na obra, II reddito di impresa (O rédito da empresa), Veneza, Itália, 1926, estudado
e citado por SÁ, Antônio Lopes de. História Geral e das Doutrinas da Contabilidade. São Paulo: Atlas, 1997, p. 112.

10
Lei temporária, essência do espírito de interpretação da legislação lastreada na doutrina, para vigorar no período do
vacation legis ou seja, período de carência da lei especial que virá regular ou melhor interpretar o art. 1.189 do CCC2002.

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