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Selo de Salomão

É um hexagrama que consiste de dois triângulos entrelaçados, um voltado para cima, e o


outro para baixo. Simboliza a alma humana, sendo usado por vários Bruxos e Magos
Cerimoniais, em encantamentos e rituais que envolvam comunicação com espíritos, sabedoria,
purificação e reforço de poderes psíquicos.

A estrela de seis pontas é um símbolo muito conhecido, usado como talismã, amuleto atrativo
de energias positivas, recomendado contra qualquer tipo de adversidade, natural ou
"sobrenatural". É confeccionada como figura ou objeto e atualmente pode ser encontrada
ornamentando ambientes, roupas, publicações e objetos como medalhas, pingentes e anéis.
Nos livros de todos os bons mestres ocultistas do Ocidente existe comentário a este símbolo,
também conhecido como Estrela de Davi e Selo de Salomão, denominações que indicam sua
antiguidade. De fato, a estrela com seis pontas remonta às eras pré-cristãs, época veramente
nebulosas, e não é uma exclusividade da cultura judaica; ao contrário, pertence ao acervo de
signos mágicos de diferentes povos em diferentes épocas.

A estrela é um legado que os patriarcas de Israel receberam no contexto do sincretismo


religioso resultante do encontro das culturas hindu-arianas (Índia) e semitas da Mesopotâmia
(atual Iraque). Desde Abraão, a estrela atravessou séculos até chegar ao Rei Salomão, filho
do Rei Davi. Os segredos da estrela foram revelados a Salomão como parte de sua iniciação
nos Mistérios de Deus. Salomão, ícone representativo de sabedoria, foi, realmente, um Mago,
ou seja, um conhecedor de forças metafísicas. A "lenda histórica" conta que Salomão obteve a
revelação das Ciências Ocultas de fonte divina, Ciência esta que consiste na Cabala Judaica,
"magia" das relações de poder entre números e palavras.
A Cabala trata do controle da energia mental (ou pensamento) através de um sistema de rituais
(ações repetidas) onde se destaca a utilização de símbolos acompanhados de invocações
(falas, chamados, fórmulas verbais, versos, orações). A estrela de seis pontas é considerada
o mais poderoso dos símbolos mágicos cabalísticos, usado como objeto de meditação sempre
que se deseja uma conexão com Deus. Tal meditação pretende alcançar um estado de
consciência, que não é sono nem vigília, caracterizado pela experiência de esquecimento ou
abstração do Ego pessoal (a personalidade condicionada pelo mundo) e conseqüente
sentimento de identificação com o Eu Real, o Eu superior que é Uno ou indissociável do
Criador de Todas as Coisas. Esta unidade do homem com Deus é a razão pela qual todas as
religiões do mundo afirmam que "Deus está dentro de cada um de nós". O "Namastê",
cumprimento dos japoneses, significa "O Deus que habita em mim saúda o Deus que habita
em Você".

FUNDAMENTOS PITAGÓRICOS
Pitágoras foi um filósofo grego dedicado a estudos matemáticos e reconhecidamente um
Iniciado Ocultista. Em seu sistema de explicação da realidade, considerava o "Número" como
matriz metafísica do universo objetivo, ou seja, a realidade emana de combinações de
"entidades numéricas" realizadas num plano ontológico sutil (plano de Ser abstrato, não físico),
não perceptível aos sentidos humanos. Quando Pitágoras diz "Número" está querendo
significar ser ou seres metafísicos e primordiais. Cada número, em escala de 1 a 9, representa
uma "entidade metafísica" ou uma realidade, uma situação metafísica que evolui até se projetar
em uma realidade concreta.
Na física subatômica, partículas matrizes (elétrons, prótons, nêutrons, mésons, pósitrons, etc.)
se combinam de maneiras diferentes na composição de substâncias diferentes. Na física
atômica, elementos (hidrogênio, oxigênio, hélio) estabelecem "ligações" formando compostos,
como a água - H2O ou 2 átomos de hidrogênio e 1 átomo de oxigênio. Note-se que partículas e
átomos, invisíveis aos olhos humanos são constituintes de toda a matéria perceptível inclusive
os corpos das criaturas. Isto demonstra como, a partir da dimensão do invisível surgem as
criaturas na dimensão do visível, ou ainda, o que é invisível para a vista dos homens pode ser
tornar visível com um dispositivo ótico mais poderoso, como um microscópio eletrônico.

GEOMETRIA & MATEMÁTICA DA ESTRELA


A relação da Estrela de Davi com a Cabala e, por conseguinte com a matemática reside em um
fato evidente: a estrela é uma figura geométrica e, portanto, diretamente associada às relações
entre grandezas matemáticas. Como figura geométrica, a estrela é composição de dois
triângulos eqüiláteros (triângulo que tem os três lados iguais e, portanto os três ângulos
proporcionalmente iguais) e de iguais dimensões (com igual comprimento dos lados). Estas
igualdades são um primeiro indicativo de equilíbrio da figura.
Matematicamente, à primeira vista, a estrela está associada ao número 6. Ocorre que este
número é um número composto, ou seja, é decomponível, como uma substância química
composta homogênea é decomponível em um laboratório. A divisão de um número aos seus
componentes mínimos chama-se redução. A redução revela quais são os valores que se
relacionam na produção de um resultado. O 6, reduzido, mostra uma relação entre 3 e 2.
6 = 3x2 e é necessário falar essa proposição para perceber seu significado amplo "3
multiplicado duas vezes", ou um "3" que "se torna em "dois 3". Em operação de soma, 6=3+3 e
ambas as operações, adição e multiplicação são apenas códigos que representam uma
igualdade abstrata: 3x2= 3+3 =6. Decompor um número é como descobrir os genitores, a
origem, o como se constituiu este número. Pitagoricamente, decompor um número é encontrar
a essência de um Ser. Conhecendo o número que representa um Ser ou uma situação da
realidade terrena, poder-se-ia, teoricamente, conhecer a essência, a causa primordial de tal
Ser ou situação.

PODER DA ESTRELA
Quem usa a estrela, como um objeto, um colar, um anel, ou coloca sua figura em um ambiente,
está fazendo uma declaração de adesão aos significados que ela encerra. Voltando à
"entidade metafísica Número: 3", ainda de acordo com Pitágoras e numerosos outros mestres
esotéricos, tal Número corresponde a uma "entidade" muitíssimo elevada em termos espirituais
ou, de pureza energética: Aquele a quem todo mundo chama de Deus e que todas as religiões
descrevem como sendo "o Um que é Três".
A teologia católico-cristã ocidental reconhece esta concepção à qual denomina de Santíssima
Trindade explicando que EM Deus, que é UM, coexistem TRÊS aspectos que se manifestam
no ato de Criação. Estes três aspectos são: Pai, Filho e Espírito Santo. Criador, Criatura e a
Mente Una, esta última, que opera a união indissoluta dos dois primeiros. Quanto ao modo
como Deus pode ser TRÊS EM UM, esta é uma questão cuja resposta é simplesmente
inacessível à inteligência humana no seu estágio atual de evolução. Os teólogos chamam esta
condição de inacessibilidade de "Mistério".
Uma vez que se admita DEUS TRÊS EM UM é preciso esclarecer que este é o estado do Ser
Criador em circunstância de repouso, de não-criação, estado também misterioso que o
hinduismo denomina Pralaya ou Noite de Brahma. Os físicos contemporâneos afirmam, de
forma semelhante, que o Universo existe em dois estados simultâneos que compreendem o
SER e o NÃO-SER, ou ainda, Universo Objetivo e Universo Subjetivo. O triângulo com o
vértice (ponta) para cima é uma representação geométrica de Deus em seu estado mais puro e
elevado, sutil, abstrato, não manifestado. Quando Deus se manifesta ou cria, projeta suas
infinitas possibilidades de SER em uma constituição densa, material, física, concreta, em uma
escala ontológica (de formas de ser) que compreende diferentes graus materialidade.
Retomando a análise do triângulo: voltado para cima, representa Deus em sua misteriosa
condição de Trindade, a Realidade Celestial ou Espiritual. Em oposição, o triângulo com vértice
para baixo, significa a Criação de Deus, Realidade Terrena ou Material. A estrela de seis
pontas é, portanto, o signo da união dos dois triângulos e, portanto, signo da união entre
Criador e Criatura, do Homem unido a Deus.

EXPLICAÇÃO DE ELIPHAS LEVI


Em sua obra Dogma e Ritual da Alta Magia, o ocultista francês do século XIX, Eliphas Levi,
inclui os seguintes comentários sobre o Selo de Salomão:
O verbo perfeito é ternário, porque supõe um princípio inteligente, um princípio que fala e um
princípio falado. (...) O ternário está traçado no espaço pela ponta culminante do céu, o infinito
em altura, que se une por outras linhas retas ao oriente e ao ocidente. Mas a esse triângulo
visível, a razão compara outro triângulo invisível, que ela afirma ser igual ao primeiro; é o que
tem por vértice a profundeza e cuja base virada é paralela à linha horizontal que vai do oriente
ao ocidente. Estes dois triângulos, reunidos numa só figura, que é a de uma estrela de seis
raios, forma o signo sagrado do selo de Salomão, a estrela brilhante do macrocosmo. A idéia
do infinito e do absoluto é expressa por este signo, que é o grande pentáculo, isto é, o mais
simples e o mais completo resumo da ciência de todas as coisas. A própria gramática atribui
três pessoas ao verbo. A pessoa que fala; a pessoa a quem se fala; a coisa de que se fala
(pronome pessoal em primeira pessoa, pronome pessoal em terceira pessoa e objeto). O
princípio infinito, ao criar, fala de si mesmo para si mesmo. (LEVI, p 90. Pensamento, 1993).
... As formas são proporcionais e analógicas à idéias que as determinou; são o caráter natural,
a assinatura desta idéia (...) e desde que evocamos ativamente a idéia, a forma se realiza e se
produz. (...) O duplo triângulo de Salomão é explicado por São João de modo notável. Há, diz
ele, três testemunhos no Céu: o Pai, o Logos (Filho) e o Espírito Santo, e três testemunhos na
Terra: o enxofre, a água e o sangue. São João está, assim, de acordo com os mestres da
filosofia hermética (...) o enxofre significa "o éter" (espírito), a água é anima, a força vital e o
sangue, é a carne a matéria, a terra, os corpos. (...) No grande círculo das evocações
(operações mágicas), ordinariamente é traçado um triângulo, e é preciso observar bem de que
lado deve ser posto o seu cimo. Supõe-se que o espírito vem do céu, o operador deve ficar no
cimo e colocar o altar das fumigações na base; deve-se subir do abismo, o operador ficará na
base (...) Além disso, é preciso ter na fronte, no peito e na mão direita o símbolo sagrado dos
dois triângulos reunidos, formando a estrela de seis raios (...) e que é conhecida, em magia,
sob o nome de pentáculo ou Selo de Salomão". (LEVI, p 254. São Paulo: Pensamento, 1993.)

COMENTÁRIO DE MADAME BLAVATSKY


Helena Petrovna Blavatsky, fundadora da Sociedade Teosófica, cujo lema é "Não há religião
superior à verdade" e cuja filosofia resgata textos sagrados hindus, também comenta o
significado da estrela, que adverte "é erroneamente denominada Selo de Salomão", no quarto
volume de A Doutrina Secreta:
... O número seis foi considerado nos Antigos Mistérios como um emblema da Natureza física
porque o seis é a representação das seis direções de todos os corpos, as seis direções que
compõem a sua forma, a saber: as quatro direções que se estendem no sentido dos quatro
pontos cardeais, norte, sul, leste e oeste, e as duas direções de altura e profundidade que
correspondem ao Zênite e ao Nadir. (...) A mesma idéia se encontra no duplo triângulo
eqüilátero dos hindus (...) no seu país chamado signo de Vishnu, o Deus do Princípio Úmido e
da Água (...) o triângulo inferior, com seu vértice voltado para baixo, é o símbolo de Vishnu (...)
ao passo que o triângulo com o vértice para cima; é Shiva, o Princípio do Fogo... (BLAVATSKY
- v. IV - p 161. São Paulo: Pensamento, 2003).