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AO DOUTO JUIZO DA 50º VARA DO TRABALHO DE BOA VISTA/RORAIMA

Processo nº xxxxxxxxx

RÔMULO DELGADO SILVA, brasileiro, viúvo, empresário, portador da identidade


nº 113, CPF 114, residente e domiciliado na Avenida Brás Montes, casa 72-
Boa Vista- Roraima-CEP 222, em que contende com SÔNIA CRISTINA DE
ALMEIDA, já qualificada, vem, respeitosamente, perante Vossa Excelência, por
intermédio de seu advogado adiante assinado, com fulcro no art. 884 da CLT,
APRESENTAR:

EMBARGOS À EXECUÇÃO

Pelas razões de fato e de direito a seguir expostas:

I – DOS FATOS

O embargante foi surpreendido com a visita de um Oficial de Justiça em sua residência, que da
primeira vez o citou para pagamento de uma divida trabalhista de R$ 150.000,00, oriunda da
50º Vara do Trabalho de Roraima, no processo nº xxx e, em seguida, 48 horas depois,retornou
e penhorou o imóvel em que reside,avaliando-o pelo valor de mercado, em R$ 180.000,00.

II- DOS REQUISITOS ESPECÍFICOS

Destaca- se o atendimento dos seguintes requisitos dos embargos à execução:

a) A garantia integral do juízo: O embargante garantiu integralmente o


juízo através do imóvel em que reside com sua filha, avaliado em R$
180.000, 00;
b) A tempestividade: Os embargos são apresentados no prazo de 5 dias
contados da garantia no dia, observado o disposto no art. 884 da CLT;
c) As custas: fixadas no valor de R$ 44,26, que serão pagas pelo
executado ao final da execução, consoante determinado pelo art. 789-A,
V, da CLT.
III- MÉRITO

1- Impenhorabilidade do bem de família

Na reclamação trabalhista em questão, o embargado, viúvo, teve


penhorado o único imóvel que possui e em que reside com sua filha,
avaliado, pelo valor de mercado em R$ 180.000,00.

Nos termos do art. 1º da lei nº 8.009/90, o imóvel residencial próprio do


casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por
qualquer tipo de divida civil, comercial, fiscal, previdenciário ou de outra
natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam
seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta
lei.

Ressalte-se que, com base na sumula 363 do STJ, a impenhorabilidade


do bem de família abrange também o imóvel pertencente a pessoas
viúvas.
Dessa forma, o bem em questão não é passível de penhora, razão pela
qual requer que seja desconstituída a penhora realizada.

2- Correção monetária

Observa-se que nas contas homologadas, sem que a parte contrária tivesse
vista a correção monetária foi calculada considerando o mês da prestação dos
serviços.

A luz da súmula 381do TST, a correção monetária deve ser calculada pelo
índice do mês subseqüente ao da prestação dos serviços.

Diante do exposto, postula-se que os cálculos sejam refeitos no que tange á


correção monetária.

3- Multa do art. 523,§ 1º do CPC

O juiz aplicou multa de 10% prevista no art. 523,§ 1º, do CPC.

Ocorre que tal multa é indevida no processo do trabalho, uma vez que a
aplicação subsidiaria do Código de Processo Civil ao Direito Processual do
Trabalho, nos termos dos arts. 769 e 889 da CLT exigem dois requisitos: a
ausência de disposição na CLT e a compatibilidade da norma supletiva com os
princípios do Processo do Trabalho. Não se aplica, portanto, a multa prevista
no art.. 523, § 1º do CPC, ao processo Trabalhista, haja vista a existência de
disciplina específica, na CLT, acerca do procedimento de execução de
sentença, consoante se observa nos arts. 880 882 e 883 da CLT, que prevêem
o prazo e a garantia da dívida, por depósito, ou a penhora de bens quantos
bastem ao pagamento da importância da condenação, acrescido das despesas
processuais, custas e juros de mora.

Nesse sentido, é o posicionamento do TST firmado no recurso de revista


repetitivo Nº IRR-1786-24.2015.5.04.0000.

Diante do exposto, requer afastada a multa do art. 523 § 1º, do CPC.

IV- REQUERIMENTOS FINAIS

Diante do exposto, requer o recebimento dos embargos, a notificação do


embargado para manifestar-se no prazo de 5 dias e a precedência dos pedidos
formulados.

Nestes Termos,

Pede deferimento.

Local e data.

Advogado

OAB n º