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Classicismo:

a poesia épica de Camões

Apresentação

A Europa viveu um período g característico, que efetivou a transição da Idade Média para

a Idade Moderna. E o

a transição da Idade Média para a Idade Moderna. E o Sá de Miranda Fonte: hh

Sá de Miranda

Fonte: hh p ://sp l .fo to lo g .e o m / p h o fo / l/ 7 d //62/ kio cc jid /119/0521 í >6 t.jpg

que se chamou de Re­ nascimento, em função

dò redescoberta, da re­ valorização de aspectos

da antiguidade clássica,

que direcionaram as mudanças desse perío­ do para um ideal huma- nista e naturalista.

"O Renascimento cultural manifestou-se primeiro na região ita­

liano da Toscana, tendo como principais centros as cidades de Florença e Siena, de

onde se difundiu para o resto da península itálica e depois para praticamente todos os países da Europa Ocidental, impulsionado pelo desenvolvimento da imprensa de Johan- nes Gutemberg. A Itália permaneceu sempre como o local

onde o movimento apresentou maior expressão (

pt wikipedia.org/wiki/Renascimento),

centistas espalharam-se rapidamente.

)"

(http://

mas as idéias renas­

Um poeta português

chamado Francisco Sé de Miranda es­

teve na Itália durante 8 anos, nessa época, e levou o movi­ mento para Portugal, em 1527; aqui, chamou-se Classicis-

mo, numa clara referência aos clássicos em que os autores iam beber para suas composições.

E nesse período que surge uma das mais importantes

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SEAD/UtPB

I

Lterak™ Port^ ^ a

figuras da literatura portuguesa: Luís Vaz de Camões, poeta lírico, sonehsta, mas principalmente épico, autor de "Os Lu­ síadas", a epopéia portuguesa de maior destaque.

Nesta unidade, nós nos ocuparemos desse poeta, abor­ dando um pouco sua vida e a influência que seu jeito de viver teve no que compôs; e, claro, falando sobre sua obra- prima, que conta a História de Portugal, através do recurso narrativo da viagem de Vasco da Gama para as índias.

Va m os lá?!

Objetivos

Ao final da unidade, esperamos que você consiga:

• Identificar as principais características da literatura produzida em Portugal na época do Renascimento europeu;

• Relacionor aspectos da vida de Camões à produção de sua obra;

• Analisar trechos do poema épico camoniano "Os bem como sonetos líricos deste poeta;

Lusíadas",

i

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Texto 1

Bem, para iniciarmos, vamos conhecer a vida de Luís de Camões.

Na verdade, a vida de Camões ainda representa uma incógnita em muitos aspectos. Nasceu pro­ vavelmente em 1524 ou

Lisboa, Alen-

aspectos. Nasceu pro­ vavelmente em 1524 ou Lisboa, Alen- Fwit*: htlp //u p l< xid

Fwit*: htlp //u p l< xid wilimediactfg/wlkipedio/cominoris/f/íS/

Ccm%C3%B5cs%2C

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1525,

em

quer, Coimbra ou Santa­ rém - as quatro cidades reivindicam o nascimento do poeta. De família fi­

dalga da Goliza (era filho de Simõo Vaz de Camões

e de Ana

cedo), é possível que na juventude tenha frequen­ tado a Corte e talvez o Universidade de Coim­ bra, mas não há registro

de

instituição. Nesse tempo, travaria contato com escri­ tores antigos e modernos, como Homero, Virgílio, Ovídio, Petrarca, Boscán, Garcilaso e outros.

Segundo a Wikipedia, "vivia uma vida boêmia e turbulenta. ( ) Os testemunhos dos seus contemporâneos descrevem-no como um homem de porte mediano, com um cabelo loiro arruivado, cego do olho direito, hábil em todos os exercícios físicos e com urna disposição temperamental, custando-lhe pouco engajar-se em brigas. Diz-se que tinha grande valor como soldado, exibindo coragem, combatividade, senso de honra e vontade de servir, bom companheiro nas horas de folga, liberal, alegre e espirituoso quando os golpes da fortuna não lhe abatiam o espírito e entristeciam. Tinha consciência do seu mérito como homem, como soldado e como poeta" (fonte: http:// pt.wikipedia.org/

wiki/Lu%C3%ADs_de_Cam%C3%B5es).

Afirma Moisés que, "graças aos dotes pessoais, é de crer que hou­ vesse motivado paixão em D. Maria, filha de d. Manuel e irmã de D. João III, e em Cotarina de Ataíde (que aparece em sua poesia sob o anagrama de Natércia). Talvez por isso afasta-se do convívio palacia­ no, até que segue para Ceuta, em 1549, como soldado. Perdendo um olho em batolha, regressa a Lisboa, e na procissão de Corpus Chrisfi (1552), fere Gonçalo Borges, servidor do Paço. Escapando do prisão

sob promessa de engajar-se no corpo de tropa sediado no Oriente, viaja para a índia em 1553." (MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa

através dos textos. 28. ed. São Paulo: Cultrix, 2002,

de

Só de Ma­

S U a

.

possaqem

.

nesta

p. 81)

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literatura Portuguesa

Nicola diz que "teve início assim uma longa jornada de 17 anos, em que o poeta viveu nas colônias portuguesas da África e da Ásia, chegando a morar em Macau, colônia portuguesa na China. Foram anos de dificuldades e algumas passagens pela cadeia". (NICOLA, José de. Literatura Portuguesa - das origens aos nossos dias. São Paulo:

Scipione, 1999, p. 77)

Moisés relata que, "em 1556, dá baixa e assume o cargo de 'pro­ vedor dos bens de defuntos e ausentes' em Macau, onde teria compos­ to pade dOs Lusíadas. Acusado de prevaricar, vai a Goa para defen­ der-se, mas naufraga na foz do rio Mecon, ocasião em que, segundo a lenda, salvou 'Os Lusíadas' e perdeu Dinamene, sua companhei­ ra. Em Goa, é preso e solto (1563). Em 1567 está em Moçambique, novamente encarcerado por dívidas. Liberto, vive miseravelmente, até que Diogo do Couto consegue propiciar-lhe condições de regresso à Pátria. Lá chega em 23 de abril de 1569; em 1572 dá a público Os Lusíadas, pelo que passa a fazer jus a uma pensão der 15.000 réis anu­

ais" (MOISÉS, Massaud. A literatura portuguesa através dos textos. 28. ed.

São Paulo: Cultrix, 2002, p. 81). Esse auxílio foi concedido pelo rei D. Manuel, a quem fora dedicado o poema, valor que não recebeu com regularidade. Camões morreu pobre e abandonado, em 10 de junho de 1580, sendo enterrado como indigente, em vala comum.

"Logo após a sua morte a sua obra lirica foi reunida na coletânea Rimas, tendo deixado também três obras de teatro cômico. Enquanto viveu queixou-se várias vezes de alegadas injustiças que sofrerá, e da escassa atenção que a sua obra recebia, mas pouco depois de falecer a sua poesia começou a ser reconhecida como valiosa e de alto padrão estético por vários nomes importantes da literatura europeia, ganhando prestígio sempre crescente entre o público e os conhecedores e influen­ ciando gerações de poetas em vários países. Camões foi um renovador da língua portuguesa e fixou-lhe um duradouro cânone; tornou-se um dos mais fortes símbolos de identidade da sua pátria e é uma referên­ cia para toda a comunidade lusófona internacional. Hoje a sua fama está solidamente estabelecida e é considerado um dos grandes vultos literários da tradição ocidental, sendo traduzido para várias linguas e tornando-se objeto de uma vasta quantidade de estudos críticos." (fon­ te: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_de Cam%C3%B5es)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_de Cam%C3%B5es) a) De que forma você acha que essa vida atribulada de Luís

a)

De que forma você acha que essa vida atribulada de Luís de Camões contribuiu para a excelência de sua poesia? Ou acha que nada tem a ver?

Literatura Portuguesa

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que nada tem a ver? Literatura Portuguesa I SEAD/UEPB 5 5 dica. utilize o btoco de

dica. utilize o btoco de anotações para responder as atividades!

dica. utilize o bloco de onotaçoes paro responder as atividades! b) Pode-se verificar sua bravura

dica. utilize o bloco de onotaçoes paro responder as atividades!

b) Pode-se verificar sua bravura como soldado ou sua frustração ao não ser reconhecido, em vários trechos de “Os Lusíadas”. O que você acha de o poeta transpor para sua obra características e pensamentos de si próprio?

Fontes: http://<jplood.v/ikim ed!a. org/wihpetiio/conirrtons/O/Od/

Lus%C3% AD a das.jp g

O

s

. org/wihpetiio/conirrtons/O/Od/ Lus%C 3 % AD a das.jp g O s “Os lusíadas” ) ( Os

“Os lusíadas”

) (

Os Lusíadas, que narra a aventura marítima de Vasco da Gama,

é a grande epopéia do povo lusitano. Publicada em 1572, o poema

é considerado o maior poema épico da língua portuguesa. Evidente-

mente não por conter 8816 versos decassílobos dislribuídos em 1 102 estrofes de oito versos cada, mas pelo seu valor poético e histórico.

Para a melhor compreensão do poema, levantaremos a seguir al­ guns dos seus aspectos fundamentais:

• Título - Camões foi buscar a palavra lusíadas numa epístola

escrita por André

sitanos' e, como afirma Hernôni Cidade, é 'um nome que logo nos anuncia a história heróica de todo um povo. Os Lusíadas

são os próprios lusos, em sua alma como em sua ação.'

• Herói - O herói de Os Lusíadas não é apenas Vasco da Gama, como se poderia pensar numa leitura mais superficial, mos sim todo o povo português (do qual Vasco da Gama é digno repre­ sentante). O próprio poeta afirma que vai cantar 'as armas e os barões assinalados' que 'navegaram por mares nunca dantes navegados'. Ou seja, todo o povo lusitano navegador que en­ frenta a morte pelos mares desconhecidos (lembre-se de que corriam várias lendas sobre o Mar Tenebroso). Mas consideran- do-se o papel desempenhado por Vasco da Gama no poema, poderiamos afirmar, sim, que ele é o herói de Os Lusíada s.

de Resende, em 1531. A palavra significa 'lu ­

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Conciliando os duas idéias,

apresenta um herói coletivo, que é todo o povo português, in­

dividualizado na figura de Vasco da Gama, que seria assim o

herói individual.

podemos afirmar que o poema

• Tema - O poeta deixa expresso o tema da epopéia já nas duas

primeiras estrofes: a glória do povo navegador português, isto é, os

navegadores que conquistaram as índias e edificaram o Império Português no Oriente ('E entre gente remota edificaram / Novo Reino, que tanto sublimaram'), bem como as memórias dos reis portugueses que tentaram ampliar o império ('E também as me­

mórias gloriosas / Daqueles reis que foram dilatando / A Fé, o

Império

gal, as glórias dos navegadores, os reis do passado; em outras

/).

Portanto, Camões cantará as conquistas de Portu­

palavras, a historio de Portugal.

(NICO LA, Josó do. llto ritu ra Portuguesa p. 82-3)

do s origens oos nossos dios. Sõo Poulo

Scipione, 1999,

Vamos transcrever, aqui, um episódio de "Os Lusíadas", que trata de algo que já foi mencionado na unidade passada, quando líamos a crônica de Fernâo Lopes: a morte de Inês de Castro, a amante do rei D. Pedro I.

CANTO III

 

(

)

120

O

velho pai sesudo, que respeita

O

murmurar do povo, e a fantasia

Estavas, linda Inês, posta em sossego,

Do

filho, que casar-se não queria,

De teus anos colhendo doce fruto.

123

Naquele engano da alma, ledo e cego, Que a fortuna não deixa durar muito, Nos saudosos campos do Mondego,

Tirar Inês ao mundo determina,

De teus fermosos olhos nunco enxuto,

Aos montes ensinando e às ervinhas

O nome que no peito escrito tinhas-

121

Do teu Príncipe ali te respondiam As lembranças que na alma lhe m ora­ vam, Q ue sempre ante seus olhos te traziam, Q uando dos teus fermosos se aportavam:

De noite em doces sonhos, que mentiam, De dia em pensamentos, que voavam. E quanto enfim cuidava, e quanto via. Eram tudo memórias de alegria.

Por lhe tirar o filho que tem preso.

Crendo co'o sangue só do morte indina

M atar do firme am or o logo aceso.

Que furor consentiu que o espoda fina,

Q ue pôde sustentar o gronde peso

Do furor Mauro, fosse alevantada

Contra uma fraca dama delicada?

124

Traziam-na os horríficos olgozcs Ante o Rei, jó movido o piedade:

Mas o povo, com falsos e ferozes Razões, à morte crua o persuade.

Ela com tristes o piedosas vozes,
122

Saídas só da mágoa, e saudade

De outras belas senhoros e Princesas

Os desejados tólamos enjeita, Q ue tudo enfim, tu, puro omor, desprezo,

Q uando um gesto suave te sujeita.

Vendo estas nomorodas estranhezas

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Do seu Príncipe, e filhos que deixavo,

Q ue mais que o próprio morte o magoavo,

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125

131

Para o Céu cristalino alevantando

Q

u a l contra a linda moço Policena,

Com lágrimas os olhos piedosos, Os olhos, porque os mãos lhe estava otando

Consolação extrema do mãe velha, Porque a sombra de Aquiles a condena,

Um dos duros ministros rigorosos;

C

o 'o

ferro o duro Pirro se aparelha;

 

E

depois nos meninos atentando,

Mas ela os olhos com que o ar sereno

Q

ue

tão queridos tinha, e tão mimosos,

(Bem com o paciente e mansa ovelhe)

Cuja orfandade como mãe temia,

Na mísera mãe postos, que endoudece,

 

Para o avô cruel assim dizia:

Ao duro sacrifício se oferece:

126

 

- Se já nas brutas feras, cuja mente Natura fez cruel de nascimento,

 

E

nas aves agrestes, que somente

132

Nas rapinas aéreas têm o intento, Com pequenas crianças viu a gente

Tais contra Inês os brutos motodores

Terem tão piedoso sentimento,

N

o

colo de alabastro, que sustinha

C

om

o co'a mãe de Nino já mostraram,

As

obras com que Amor matou de

E colos irmãos que Roma edificaram;

amores

Aquele que depois a fez Rainha;

127 As espadas banhando, e as brancos flores,

- Ó tu, que tens de humano o gesto e o peito (Se de humano é motor uma donzela Fraca e sem força, só por ter sujeito

O coração a quem soube vencê-la)

A estos criancinhas tem respeito,

Pois o não tens ò morte escura dela; Mova-te a piedade sua e minha, Pois te não move a culpa que não tinha.

Q

ue ela dos olhos seus regadas tinho,

Se encorniçovom, férvidos e irosos,

N o futuro castigo não cuidosos.

133

Bem puderas, ó Sol, da vista destes Teus raios oportar aquele dia,

C om o da seva mesa de Tiestes,

128 Q ua n d o os filhos por mão

de Atreu comia.

Vós, ó côncavos voles, que pudestes

-

E

se, vencendo a Moura resistência,

A

voz extrema ouvir da boca fria,

A

morte sabes dar com fogo e ferro,

O

nome d o

seu Pedro, que lhe ouvistes,

Sabe também dar vida com clemência

Por m uito

grande espaço repetisses!

A quem para perdê-la não fez erro.

Mas sc to assim merece esla inocência, Põe-rrie cm perpétuo e mísero desterro,

Na G tin fria, ou lá no Líbia ardente,

Onde em lágrimas viva eternomente.

134

Assim corno a bonina, que cortada Antes do tempo foi, cândida e bela, Sendo dos mãos lascivas maltrotadci

129 Da menina que a trouxe na capela,

O cheiro traz perdido e a cor murchada:

Põe-me onde se use toda a feridade, Entre leões e tigres, e verei

Tal está morta a pálido donzela, Secas do rosto as rosas, e perdido

Se neles ochar posso a piedade

A

bronca e vivo cor, co'a doce vida,

Q

ue entre peitos humanos não achei:

 

Ali

com o amor intrínseco e vontade

135

Naquele por quem morro, criarei

 

Estas relíquias suas que oqui viste,

As

filhos d o Mondego a

morte escura

Q ue refrigério sejam da mãe triste.

Longo tempo chorando memoraram,

 

E,

por memória eterna, em fonte pura

130

As

lágrimas chorados transformaram;

O

nome lhe puseram, que inda dura,

Querio perdoar-lhe o Rei benino, Movido das polavras que o magoam; Mas o pertinaz povo, e seu destino (Que desta sorte o quis) lhe não perdoam. Arrancam das espadas de aço fino Os que por bom tal feito ali apregoam. Contra uma dama, ó peitos carniceiros, Feros vos amostrais, e cavaleiros?

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Dos amores de Inês que ali passaram.

Vede que fresca fonte rega as flores,

Q u e lágrimas são a água, e o nome amores.

CAMÕES, Luis de. Os Lusíadas. Sõo Paulo: Marlin C lcret.2002, p. 108-12)

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Atividade II G.

a) Procure atualizar a linguagem do poema, fazendo uma paráfrase do episódio, isto é, contando o acontecimento aqui narrado, com suas próprias palavras.

b) Analise o comportamento do rei, em relação a Inês, aos conselheiros, ao povo e ao filho.

em relação a Inês, aos conselheiros, ao povo e ao filho. dica. utilize o bloco dc

dica. utilize o bloco dc anotações para responder as atividades!

Texto 2

Encontramos na internet um texto que faz um comentário interes­ sante sobre este trecho de Os Lusíadas. Leia-o, compare com o episó­ dio, e tire suas conclusões.

0 episódio de Inês de Castro

Introdução

Sandra Macedo Santos

de Inês de Castro Introdução Sandra Macedo Santos A história e o mito que envolvem os

A história e o mito que envolvem os amores de D.

Inês de Castro e D. Pedro têm servido como tema para várias obras literárias. Desde autores nacionais a estran­ geiros; autores de séculos distantes a autores nossos contemporâneos, a verdade é que a morte de Inês de Castro tem servido de inspiração literária e, por tal, esta história de am or portuguesa superou a temporalidade.

É no século XVI que surgem as primeiras obras literá­

rias, de que há registro, a fazer referência a este amor:

Garcia de Resende em As Trovas à Morte de Inês de Castro, Luís de Camões no Canto III d' Os Lusíadas e Antônio Ferreira em A Castro (a primeira tragédia clás­ sica portuguesa). Desde então, podemos constatar a presença desta temática em todos os séculos, tanto na literatura erudita, como na literatura popular.

Com este trabalho proponho tratar alguns dos temas responsáveis pela imortalização de inês de Castro, tal como a repercus­ são do tema inesiano em Os Lusíadas, de Luís de Camões.

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0 amor-paixão e o inevitável fim trágico

Poderiamos tentar encontrar várias respostas para esta perenida­

de do tema inesiano, no entonto, acobaríamos por formar grupos de

respostas subjetivas. São vários os subtemas e mitos por detrás dos amores de Inês e Pedro, cada um deles tem dado lugar a inúmeras interpretações. Embora as interpretações sejam subjetivas e diferentes entre si, a verdade é que todas elas têm algo em comum: o mito do

amor-paixão, que desemboca irremediavelmente na morte. Este mito tem sido um dos preferidos ao longo dos tempos, é aquele que faz o homem sonhar, é aquele que causa uma certa compaixão e comoção. Tristão e Isolda; Romeu e Julieta; Teresa e Si mão; são todos cosais que têm como destino um fim trágico. Esse destino surge a portir do momento que decidem tentar alcançar o impossível. Todos estes casos caminharam para o abismo, abismo esse que em Amor de Perdição,

de Camilo Castelo Branco, vem bem retratado numa carta que Simâo

escreve a Teresa: Lembra-te de mim. Vive, para explicares ao mundo, com a tuo lealdade o uma sombra, o razão por que me atraíste a um abismo. [CASTELO BRANCO, Camilo, Amor de Perdição, Mem Martins, Publicações Europa-América, 1995, capítulo X, página 106]. No caso

específico de Inês de Castro, esta desafia o poder do Estado, isto é, de­ safia a vontade de Afonso IV, é esta a sua hybris. Por motivos de ordem política, Afonso IV não aceita Inês de Castro como esposa legítima de

D. Pedro e, por tal, ela terá de morrer, pois escolheu entregar-se a este

amor. O abismo é, então, a portir dessa escolha, inevitável.

No entanto, é o fim trágico (catástrofe) desta história de amor que a torna transcendente. Não houvesse nenhum obstáculo e nenhum de­ safio, seria uma história de amor igual o tantas outras. O desespero e o sofrimento progressivo (potbos) de Inês de Castro são elementos que têm sido fortemente explorados por vários escritores. Luís de Ca­ mões dedica dezenove estâncias d'Os Lusíadas ao episódio de Inês de Castro. Também aqui é explorado o caráter trágico do mito inesiano.

O episódio foca o encontro de D. Inês com Afonso IV, os pedidos de

clemência e a injustiça e ferocídode em redor da morte da amodo de

D. Pedro O início do norração deixa ontever o desfecho do mito, isto é,

sabemos à partida que o desenlace é trágico, está indiciado:

O coso triste e digno de memória, Que do sepulcro os homens desenterra. Aconteceu da mísero e mesquinha Que depois de morto foi rainha.

Camões aprofunda a dialética amor-poixão/fim trágico na estância 119, onde invoca otravés duma apóstrofe o puro Amor, atribuindo- -Ihe características dum deus despótico. Este Amor que surge com letra maiúscula poderá referir-se ao próprio Cupido (constituindo assim uma antonomásia), filho de Vênus, ou ao Amor puro, aquele amor-paixão que é avassalodor (como já vimos). Analisemos a estância:

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Literoturo Portuguesa

Tu, só fu puro Amor, com forço crua, Que os corações humanos tanto obrigo Deste causa à molesto morte sua, Como se foro pérfida inimiga. Se dizem, fero Amor, que a sede tua Nem com lágrimas tristes se mitiga, E porque queres, áspero e tirano Tuas aras banhar em sangue humano.

Há uma clara culpabilização do amor, são-lhe atribuídos caracterís­ ticas humanas (animismo), mas não dum ser humano qualquer, trata-se dum ser inexorável, áspero e tirano que exige sacrifícios, faz vítimas. Todos os adjetivos presentes nesta estância têm uma conotação negati­ va e as aliterações em "r", "m" e "f" dão ênfase à ferocidade e barba­ ridade com que este Am or trata as suas vítimas. Estas vítimas surgem, ainda, como inimigas, como se duma batalha se tratasse, esta batalha só acaba quando o Amor vê saciado o seu desejo: sangue humano, lágrimas não são o suficiente.

Bastaria olharmos para esta estância do Canto Terceiro d'Os Lusí­ adas para compreendermos como o amor-paixõo é algo tão intenso e arrebatador que poderá ter um fim tão violento como ele próprio é.

0 “eu” versus a sociedade / o “outro”

A dicotomia "eu" / sociedade é uma dicotomia inexaurível. E no século XIX, com o Romantismo, que atinge o seu esplendor, o Homem é visto como um Bom Selvagem (ROUSSEAU) que é corrompido pela sociedade ou que nunca é aceito por esta. Por tal, é natural que os intelectuais românticos tenham visto em Inês de Castro a protagonista perfeita. O amor trágico de Inês e Pedro teve lugar na época medieval (época favorita dos românticos) e viu como seu opositor a sociedade, corporizada no Estado e em Afonso IV.

No entanto, já no século XVI se registrou um interesse por esta temá­ tica. Garcia de Resende escreveu as Trovas à Morte de Inês de Castro no Cancioneiro Geral de 1516; Antônio Ferreira explorou esta temática em A Castro; e Luís de Camões concentrou o seu episódio lírico de Os Lusíadas nesta problemática.

Inês de Castro constituía um obstáculo e um problema para Afonso IV, mais concretamente para os interesses do Estado. Havia o perigo de Inês vir a ser rainha e tal era considerado arriscado porque Inês era filha de galegos e, uma vez rainha, a independência de Portugal podería estar ameaçado. Havia também receio de que os filhos de Inês de Castro e Dom Pedro pudessem vir a lutar contra os filhos de Dona Constança e Dom Pedro pelo trono. Não nos podemos esquecer de que esta história se desenrola em pleno século XIV, uma época de diferenciação cultural e afirmação poiítica das nacionalidades. Muitas batalhas haviam sido travadas para alcançar independência, o medo

Uterotura Portuguesa

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de perder tudo aquilo pelo qual se tinha lutado (e ainda se estava a

lutar) era bem visível. Assim, toma-se claro como o casamento de Inês

e de Pedro não era politicamente favorável aos interesses do Estado.

Cobia a Dom Afonso IV agir de acordo com os interesses nacionais, mesmo que isso significasse matar uma inocente e fazer sofrer o seu

próprio filho.

Todo o episódio dedicado a Inês de Castro n'Os Lusíadas foca este dilema. Afonso IV, juntamente com os seus conselheiros, vai ao encon­ tro de Inês pora a tirar ao mundo. No entanto, a dada altura, Afonso

IV fica comovido com os pedidos de clemência de Inês e, se não fosse

a pressão do povo, teria voltado atrás na sua decisão. Vejomos em

pormenor a estância 130:

Queria perdoar-lhe o Rei benigno, Movido das palavras que o magoam; Mas o pertinaz povo e seu destino (Que desta sorte o quis) lhe não perdoam. Arrancam das espadas de oço fino Os que por bom tal feito oli apregoam. Contra ua doma, ó peitos carniceiros, Feros vos amostrais e cavaleiros?

Podemos constatar que a vontade do Rei nesta fase era a de poupar

a conjunção

adversativa "mas" coloca o povo e o destino contra Inês e contro, inclu­ sive, a vontade de Afonso IV. As razões do povo já conhecemos, dizem respeito ao interesse nacional. Afonso IV como representante do povo

teria que responder aos seus pedidos, e caso voltasse atrás haveria também a hipótese de lhe serem postos em questão a sua bravura e absolutismo. Quanto ao destino como opositor, é um elemento que se encontra sempre presente nas tragédias, Camões dá assim ênfase a este elemento trágico.

E importante também salientar a interrogação retórica presente no final desta estância. Luís de Camões faz uma espécie de denúncia e deixa no ar o verdadeira natureza destes homens que mostram a sua valentia atacando uma dama indefesa.

Contudo, como já foi dito, coso não houvesse um interesse nacio­ nal em oposição aos amores de Pedro e Inês, esta tragédia nunca teria acontecido. Não é possível compreender inteiramente a situação e o destino de Inês sem que se considere a própria situação de Afonso IV (situação essa que analisamos nos parágrafos anteriores). Assim, Inês e Afonso IV são uma espécie de Antígona e Creonte. Ambos têm alguns traços em comum, sõo fiéis às suas posições e vontades e, por tal, so­ frem as consequências. Tol como Antígona, a figura de Inês não teria força e expressão se não houvesse um rei a fazer-lhe oposição.

Inês, sendo, até, apelidado de Rei benigno. N o entanto,

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Literatura Portuguesa

Lirismo e simbolismos presentes no episódio de Inês de Castro de Luís de Camões

É do conhecimento de todos que Os Lusíadas é umo obra de ca- riz épico onde o universo masculino é o predominante. Assim, todo o episódio de Inês de Castro entra em perfeito contraste com a restante obra. Neste episódio, a personagem central é feminina e o lirismo pre­ sente nos sonetos comonianos é transposto para estas estâncias. Luís de Camões consegue estabelecer com o leitor um contato inquestionavel­ mente emotivo. O leitor, além de emocionar-se com os versos, |amais conseguirá esquecê-los. O desespero que Camões coloca nas falas de Inês (inventados por si) faz com que um universo de terror progrida e "arraste" consigo o próprio leitor. Existem momentos em que o leitor é levado a sentir compaixão e levado também a partilhar o sofrimento das personagens da tragédia, o piedade perante tal destino trágico instala-se dando assim origem à Catarse.

Os argumentos de Inês estão carregados de alusões à mitologia pagã (tipicamente Clássico), como são os casos das referências à deu­ sa Natura, a Rômulo e a Remo. Estas referências são simbólicas, pois colocam os animais ferozes e irracionais em contraste com Afonso IV. A amante de Dom Pedro chama a atenção do rei para a piedade que é possível encontrar-se nas feras, piedade essa que não estava a conse­ guir obter do soberano.

Ao ver que não está a conseguir demover o rei da sua decisão, Inês apela a este que pense nos filhos que ficarão órfãos, filhos estes que são netos de Afonso IV (estância 127).

O tu, que tens de humano o gesto e o peito (Se de humano é matar ua donzela, Fraca e sem força, só por ter sujeito O coração a quem soube vencê-lo), A estas cr/anc/nhas tem respeito, Pois o não tens à morte escura delo; Mova-te a piedade sua e minha, Pois fe não move a culpa que não tinha.

Nesta estância o rei cruel contrasta com a mulher frágil e inocente,

a oração parentética (introduzida habilmente por Camões) questiona

a natureza deste soberano. Inês é caracterizada como sendo fraca e

sem força (pleonasmo), portanto está à mercê de Dom Afonso IV. Q ual­ quer ser humano ficaria comovido perante tal cenário e, ao matar uma dama indefesa e sem culpa, Afonso IV revela-se como mais selvagem que todos os animais ferozes.

Inês é assassinada e todos os elementos da Natureza refletem esta morte (típico das produções líricas renascentistas): o sol esconde-se; os vales reproduziram em eco o último sopro de vida de Inês que continha

o nome do seu amado; e as ninfas do Mondego choraram durante

muito tempo e estas lágrimas perpetuaram-se na Fonte da Lágrimas

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(no Quinto das Lágrimas, em Coimbra). O episódio termina com a referência a esta fonte mágica, dando um aspecto ainda mais lendário

a esta história de amor.

As filhos do Mondego o morte escura Longo tempo chorando memoraram,

E, por memória eterna, em fonte pura

As lógrimas choradas transformaram

O nome lhe puseram, que indo duro,

Dos amores de Inês, que ali passaram. Vede que fresca fonte rego as flores, Que lágrimas são a águo e o nome Amores.

As ninfas do Mondego haviam testemunhado esta linda história de amor, pois foi nos souc/osos campos do Mondego que Inês e Pedro se

terão visto pela primeira vez; e nos arvoredos da Fonte dos Amores que terão tido os seus encontros secretos. Reza também a lenda que

o sangue que a amada de Dom

gravado numa rocha. Todavia, de acordo com os especialistas, a cor

avermelhada que podemos constatar na rocha deve-se à presença de uma alga, a Hildenbranthiarosea. No entanto, muitos preferem ignorar

a explicação científica para que o mito nõo perca o seu fantástico e maravilhoso.

Muito se tem escrito e dito sobre a história trágica de Inês de Cas­ tro e Dom Pedro. A História reproduz os fatos, mas a Literalura tem mistificado estes fatos, transformando esta história de amor numa das mais belas histórias de amora nível mundial. São muitos os turistas que visitam os túmulos e muitos aqueles que querem passear pelos jardins, outrora secretos, de Pedro e Inês.

Existem vários aspectos da lenda que a His­ tória não consegue comprovar [E o caso de do­ cumentos a comprovarem o casamento de Pedro e Inês e da coroação de Inês depois de morta]. Contudo, quem conhece esta história de amor prefere acreditar em toda a magia que a envol­ ve, tudo aquilo que a transformou numa parte da nossa tradição, tradição de há já seiscentos e cin­ quenta anos. Tradição que irá continuar a apai­ xonar as futuras gerações. (Fonte: http://www . notapositiva.com/trab_professores/textos_apoio/ portugues/lnes_de_Castro.htm)

Pedro derramou está, ainda hoje,

Pedro derramou está, ainda hoje, fonte: hflp://inesdecashoesspc.fi 1 es.wo»dpress.conv

fonte: hflp://inesdecashoesspc.fi1es.wo»dpress.conv'20 i 0 /02/32 / 529286_

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Referências

AAW, Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura, Mem Martins, Ed. Verbo,

1976

CAMÕES, Luís de Vaz, Os Lusíadas, 2. ed. Porto: Livraria Figueirinhas,

1999

FRANCO, Antônio, Memória de Inês de Castro. Mem Martins: Edições Europa-América, 1990

LOPES, Óscar e SARAIVA, Antônio José, História da literatura Portuguesa. 17. ed. Porto: Porto Editora, 1996

SOUSA, Maria Leonoi de, Inês de Castro - Um Tema Português na Europa. Lisboa: Edições 70, 1987

W eb

Biblioteca Virtual: http://www.portalcen.org/bv/estudante/ inesdecastro.pdf SILVA, Fernando Correia; http://www.vidaslusolonas.pt/inesdecastro. htm

portugues/lnes_de_Castro.htm

0 sonetista camões

0 SONETO é uma típica composição renascentista. A admiração pela antiguidade clássica levavo os classicistas o imitar-lhe inclusive o deta- Ihismo com que eram compostos os poemas e as demais manifestações artísticas greco-romanas. Introduzido em Portugal por Sá de Miranda, quando de sua volta da Itália, em 1527, o soneto é uma forma fixa de poema, composto por 14 versos, distribuídos em duas quadras (estrofes de quatro versos) e dois tercetos (estrofe de três versos), todos rimando entre si, e com uma chave de ouro ao final.

Luis de Camões foi um excelente sonetista, como comprovam al­ guns de suas criações, que colocaremos a seguir:

Amor é um fogo que arde sem se ver, é ferida que dói, e nõo se sente;

é um contentamento descontente, é dor que desatino sem doer.

É um nõo querer mais que bem querer;

é um andar solitário enlre a gente;

é nunca contentar se de contente;

é um cuidar que ganho em se perder.

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É querer estar preso por vontode;

é servir a quem vence, o vencedor;

é ter com quem nos mata, leoldode.

M as como causar pode seu favor

nos corações humanos omizode,

se tão contrário a si é o mesmo Amor?

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Alma minha gentil, que te partiste Tão cedo desta vida descontente, Repouso lá no Céu etemamente, E vivo eu cá na terra sempre triste.

Se lá no ossento etéreo, onde subiste, Memória desto vido se consente, Não te esqueços doquclc am or ordente Q ue jó nos olhos meus tóo puro viste.

E se vires que pode merecer-te Alguma cousa a dor que me ficou Da mágoa, sem remédio, de perder-te.

Rogo o Deus, que teus orios encurtou, Q ue too cedo de cá me leve o ver-te, Q uáo cedo de meus olhos te levou.

Sele anos de pastor Jacó servia Labão, pai de Raquel serrana bela, M as não servia ao poi, servia a ela,

Q ue a elo só por prêmio pertendia.

O s dias no esperança de um só dia Passava, contentondo-se com vê-la:

Porém o poi usando de cautelo, Em lugar de Raquel lhe deu a Lia.

Atividade III

Vendo o triste pastor que com enganos Assim lhe era negada a sua poslora, Como se o não tivera merecido,

Começou a servir outros sete onos, Dizendo: Mais servira, se nõo foro Para tão longo om or tão curta o vida.

Q uem diz que Amor é falso ou engonoso, ligeiro, ingrato, vão, desconhecido, Sem falta lhe terá bem merecido

Q ue lhe seja cruel ou rigoroso.

Am or é brando, é doce e é piedoso; Q uem o contrário diz não sejc crido:

Seja por cego e opaixonodo tido, E aos homens e inda oos deuses odioso.

Se males faz Amor, em mi sc vèem; Em mim mostrando todo o seu rigor, Ao mundo quis mostrar quanto podia.

M as todas suas iras são de amor;

Todos estes seus moles são uno bem, Q u e eu por todo outro bem não trocaria.

(Fonte: http://fredb.sites.uol.com.b r/ lusdecom.htm)

(Fonte: http://fredb.sites.uol.com .b r/ lusdecom.htm) a) Temos aqui quatro sonetos de Camões abordando o mesmo

a) Temos aqui quatro sonetos de Camões abordando o mesmo tema: o amor. Leia cada um deles e procure escrever algo sobre o tipo de amor que cada um aborda.

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escrever algo sobre o tipo de amor que cada um aborda. 6 6 dica. utilize o

dica. utilize o bloco de anotações para responder as atividades!

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Resumo

O Classicismo em Portugal não diferiu muito do Renascimento eu­ ropeu, embora tenha sido menos efervescente do que na Itália, onde nasceu o movimento. As características são comuns, dizem respeito à admiração pela antiguidade clássica e a busca da imitação dessa an­ tiguidade. O resultado são textos extremamente bem cuidados, com constantes referências à mitologia greco-romana. O maior nome desse movimento, em Portugal, foi, inegavelmente, Luis de Camões, poeta épico, autor de "Os Lusíadas" (poema que identifica Portugal enquanto nação desbravadora dos mares "nunca dantes navegados"). Apesar da vida atribulada que teve, um pouco por isso também, é reverenciado como um dos nomes mais importantes da literatura portuguesa.

como um dos nomes mais importantes da literatura portuguesa. Autovaliação Com o objetivo de se autoavallar,

Autovaliação

Com o objetivo de se autoavallar, no que se relaciona à presente unidade, você pode observar se conseguiu:

• Identificar as principais características da literatura produzida em Portugal na época do Renascimento europeu;

• Relacionar aspectos da vida de Camões à produção de sua obra;

• Analisar

com

desenvoltura

os trechos

apresentados

do

poema

épico

camoniano “Os Lusíadas”, bem como sonetos líricos aqui postos;

Literatura Portugueso

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líricos aqui postos; Literatura Portugueso 1 SEAD/UEPB 6 7 dica. utilize o bloco de onotações para

dica. utilize o bloco de onotações para responder as atividades!

Referências

CAMCES, Luis de. Os Lusíadas. São Paulo: Martin Claret, 2002.

MOISIS, Massaud. A literatura portuguesa através dos textos. 28. ed.

São Pcjlo: Cultrix, 2002

NICOSA, José de. Literatura Portuguesa - das origens aos nossos dias. São

Paulo:5cipione, 1999

W eb:

portugjes/lnesdeCastro.htm

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