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índice

Capítulo 1 -
Definições e Características da Atividade 001
Introdução 002
Definições 003
Manipulação (RDC 33/2000) 003
Farmácia 003
Preparação Magistral (RDC 33/2000) 003
Preparação Oficinal (RDC 33/2000) 004
Preparação (RDC 33/2000) 004
Preparação Magistral Semi-acabada (RDC 33/2000) 004
Dispensação (RDC 33/2000) 004
Especialidade Farmacêutica (RDC 33/2000) 004
Droga (RDC 33/2000) 005
Matéria-prima (Portaria 344/98) 005
Medicamento (Portaria 344/98) 005
Entorpecente (Portaria 344/98) 005
Psicotrópico (Portaria 344/98) 005
Substância Proscrita (Portaria 344/98) 006
Precursores (Portaria 344/98) 006
Receita (Portaria 344/98) 006
Notificação de Receita (Portaria 344/98) 006
Livro de Receituário Geral (Portaria 344/98) 006
Livro de Registro Especifico (Portaria 344/98) 007
Licença de Funcionamento 007
Autorização Especial (Portaria 344/98) 007
Aditivação 007
Fracionamento (RDC 33/2000) 007
Bases Galênicas (RDC 33/2000) 008
Veículo / Excipiente 008
Cosmético (RDC 33/2000) 008
DCB (RDC 33/2000) 008
DCI (RDC 33/2000) 008
Controle da Qualidade (RDC 33/2000) 008
Desvio da Qualidade (RDC 33/2000) 009
Garantia da Qualidade (RDC 33/2000) 009
Lote ou Partida (RDC 33/2000) 009
Procedimento Operacional Padrão POP (RDC 33/2000) 009
BPMF (RDC 33/2000) 009
BPME (RDC 33/2000) 009
Calibração (RDC 33/2000) 010
Validação (RDC 33/2000) 010
Ordemde Manipulação (RDC 33/2000) 010
Número de Lote (RDC 33/2000) 010
Rastreamento (RDC 33/2000) 010
Quarentena (RDC 33/2000) 010
Qsp 011
qs 011
fsa 011
aa 011
Caracterização da Atividade Magistral 012
Beneficios proporcionados
pelo medicamento manipulado 014
Facilidade posológica 014
Possibilidade de escolha da forma farmacêutica 014
Possibilidade de resgate de medicamentos 014
Economia 014
Personalização da Terapêutica 014
União Multiprofissional em prol da saúde 015

Capítulo 2 -
Controle da Qualidade na Farmácia Magistral 016
Introdução 017
Qualidade da matéria-prima no setor magistral 019
Qualificação dos fornecedores 021
Controle da qualidade das matérias primas 022
Laboratório de Controle da qualidade 022
Instalações físicas 022
Equipamentos 022
Principais fontes bibliográficas de metodologia analitica 023
Recepção, Identificação e Amostragem
das matérias primas 024
Recepção das matérias primas 024
Identificação 024
Etiquetas 024
Amostragem 025
Características (identificação) das matérias primas 026
Caracterização organoléptica 027
Identificação físico-quimica 029
Obtenção do Teor dos fármacos 044
Conceitos de química analítica 044
Molaridade 044
Normalidade 045
Cálculo de equivalentes-grama 046
Padrões primários e Padrões secundários 047
Volumetria de neutralização 048
Preparo de fenolftaleina 048
Preparo de hidróxido de sódio 048
Aferição (ou padronização) de hidróxido de sódio 048
Doseamento de ácido glicótico 049
Doseamento de furosemida 049
Doseamento de alendronato de sódio 049
V o l u m e t r i a de Oxiredução 049
Preparação de ferroína 049
Preparação de sulfato cérico 049
Padronização de Sulfato Cérico 049
Preparação de difenilamina 050
Doseamento de acetato de vitamina E 050
Doseamento de nifedipina 050
Doseamento de hidroquinona 051
Preparação do iodato de Potássio 051
Amido 051
Doseamento de Captopril 051
Titulação Potenciométrica 051
Vantagens da titulação potenciométrica 052
Doseamento do cloridrato de ranitidina 052
Doseamento do Triac 052
Doseamento em meio não aquoso 052
Introdução 052
Natureza do solvente 053
Tipos de solventes 053
Preparo do cristal violeta 054
Preparo da naftolbezeína 054
Preparo da solução de ácido perclórico 0,1N em
ácido acético glacial 054
Padronização do ácido perclórico 0,1N 054
Preparação do acetato mercúrio 055
Doseamento do cloridrato de anfepramona 055
Doseamento do cloridrato de femproporex 055
Preparo de azul do Nilo Sl 055
Doseamento de Diazepam 055
A n i d r o v o l u m e t r i a + Potenciometria 055
Doseamento do Bromazepam 055
Doseamento do Aciclovir 056
Doseamento do Etiladrianol 056
Doseamento do diclofenaco sódico 056
E s p e c t r o f o t o m e t r i a na região do u l t r a v i o l e t a sensível . . . 056
Vantagens e Desvantagens da Espectrofotometria
na região do ultravioleta visível 057
Conceitos fundamentais em espectrofotometria 058
Lei de Lambert e Bier 059
Equipamentos utilizados em Espectrofotometria 060
Doseamento espectrofotométrico nas
regiões visíveis e ultravioleta 060
Controle da Qualidade de Produto Acabado no
Setor Magistral:
Formas Farmacêuticas Sólidas de Uso Oral 063
Métodos Físicos e Físico-químicos aplicáveis ao
controle da qualidade de Formas farmacêuticas sólidas . 065
Identificaçào 065
Cápsulas de Betametasona 065
Identificação de Carbamazepina (em cápsulas) 066
Identificação da Amitriptilina 066
Identificação da Digoxina 066
Variação de peso e Peso médio 067
Metodologia 067
Exemplos da importância do Peso Médio 069
Limites de variação e validação de processos 070
Uniformidade de doses unitárias 073
Parâmetros para uniformidade de teor no
caso de cápsulas, granulados, supositórios e óvulos 073
Formas Farmacêuticas de Maior Risco Terapêutico
e a Importância do Controle da Qualidade 074
Discutindo uniformidade de massa 076
Principais problemas que conduzem a não conformidades
em produto acabado de formas farmacêuticas sólidas:
Estudo de casos reais 078
Pesagem 078
Cálculo matemático dos componentes da fórmula 078
Unidades internacionais (Ul) 078
Homogeneização e Tamisação de Pós 079
Encapsulação 079
Outros Métodos Físicos Importantes 080
Dureza 080
Critérios de aceitação 080
Friabilidade 080
Critérios de aceitação 080
Desintegração 081
Equipamento de desintegração 081
Critérios de aceitação (Fbra IV) 081
Obtenção do Teor de Fármaco ativo em
Formas Farmacêuticas Sólidas 083
Volumetrias 083
Cápsulas de acetazolamida 083
Cápsulas de Difosfato de Cloroquina 083
Cápsulas de Fenitoína 083
Espectrometria no Ultravioleta 084
Doseamento de cápsulas de carbamazepina 084
Doseamento de cápsulas de amiodarona 084
Doseamento de digoxina 085
Doseamento de cápsulas de lovastatina 085
Doseamento de cápsulas de deflazacort 086

Capítulo 3 -
Principais Equipamentos 087
Balança Eletrônica 088
Operação 088
Pesagem Subtrativas 088
Comparando massas 089
Arredondamento interno da balança 089
Manutenção 089
Calibração 089
Checando a calibração 090
Executando a calibração 090
Aferição 090
Destiíador 091
Operação 091
Manutenção 091
Deionizador 092
Manutenção 092
pHmetro 093
Operação 093
Calibração do pHmetro ( Exemplo: Modelo Hl 8314) 093
Calibração do pHmetro ( Exemplo: Modelo Hl 9321) 094
Medida do potencial de oxi-redução 095
Manutenção 095
Observações 096
Placa encapsuladora 097
Componentes da placa 097
Operação 097
Manutenção e límpeza 097
Filtro purificador de água 098
Manutenção 098
Fluxo laminar horizontal 099
Descrição 099
Operação 100
Validação do fluxo laminar 100

Capitulo 4 -
Vidrarias e Porcelanas 101
Vidrarias e porcelanas de uso em laboratórios 102
Procedimento de limpeza 102
Procedimento de limpeza com utilização da estufa 102
Principais vidrarias utilizadas em laboratórios 103
Béquer 103
Frasco Erlenmeyer 103
Gral ou almofariz 104
Espátulas 104
Termômetros 104
Funis 105
Cálice 105
Provetas 105
Pipetas 106
Bastões ou Baguetas 106
Vidros relógio 106
Cápsula 107
Cadinhos 107
Balões 107
Buretas 108
Funil de decantação 108
Tubos de ensaio 108

Capitulo 5 -
Manipulação 109
Processos de Manipulação 110
Introdução 110
Questões a serem consideradas antes da
manipulação de uma prescrição 110
Processo de Manipulação - Laboratório de Sólidos -
Formas Farmacêuticas Sólidas de Interesse na
Farmácia Magistral: Pós, Granulados e Cápsulas 111
Introducão 111
Pós 112
Definição (USP - 23) 112
Vantagens 112
Desvantagens 113
Características 113
Classificação dos pós 113
Preparação 113
Redução do tamanho das particulas 113
Tamisação 114
Classificação dos tamises 114
Mistura (Homogeneização) 116
Misturas Eutéticas 116
Misturas Explosivas 118
Problemas especiais, Instabilidade e Incompatibilidades
de pós ou Misturas de pós 118
Pós eflorescentes 120
Substancias eflorescentes 120
Medidas Corretivas 121
Dicas para manipulação de pós 121
Formas farmacêuticas em Pó de uso oral de
interesse Magistral 122
Pós a granel ("Bulk powders") de uso interno 122
Exemplos de Formulações 123
Pós divididos (Papéis medicamentosos,
sachês e flaconetes) 124
Sugestões de excipientes para pós divididos 125
Exemplos de Formulações 125
Grânulos Efervescentes 126
Vantagens 126
Correção do paladar 126
Desvantagens 126
Procedimento de preparo de grânulos efervescentes .... 126
Exemplos de formulações 127
Envelopes com ascorbato de calcio efervescentes 127
Citrocarboanto 127
Pó Analgésico efervescente 128
Cápsulas 129
Definição (USP - 23; Ph Eur- 3rd) 129
Vantagens da Forma farmacêutica Cápsula 129
Desvantagens da forma farmacêutica cápsula 130
Composição do invólucro da cápsula 131
Conteúdo das cápsulas 131
Classificação (categoria de cápsulas) 132
Cápsulas duras (Púlvulas) 132
Cápsulas moles (softgel) 134
Cápsulas gastro-resistentes 135
Cápsula de liberação modificada 135
Revestimento entérico de cápsulas duras 135
Introdução 135
Situações em que se deve utilizar o revestimento
gastroresistente 136
Procedimento de revestimento entérico de cápsulas
gelationosas duras utilizando a máquina de
revestimento entérico 137
Procedimento de preparo do granulado
gastroresistente com o Eudragit L 100 ® 141
Alguns fármacos comercializados com
revestimento gastroresistente 142
Teste de Revestimento Entérico (USP 23/NF 18) 142
Cápsulas de Liberação Lenta (SIow release) 143
Introdução 143
Cápsulas de Liberação Prolongada 147
Definição 147
Vantagens da Formas Farmacêuticas de Liberação Prolongada. 147
Desvantagem 147
0 Mito da Liberação em 24h (Aspectos fisiológicos
envolvidos na absorção de fármacos) 148
Características ideais de um sistema de liberação prolongada . 148
Alguns fármacos que podem ser manipulados
em cápsulas de Liberação Lenta 148
Sistema de matriz hidrofílica para Liberação
Prolongada de Fármacos 149
Matrizes hidrofílicas em cápsulas 151
Alguns fármacos que podem ser manipulados em
cápsulas de Liberação Lenta 152
Procedimento para Manipulação de
Formulações em Cápsulas Duras 155
Pesagem 155
Materiais utilizados 156
Procedimento 156
Cálculo Manual para enchimento das Cápsulas 157
Cálculo do Tamanho da Cápsula 158
Método Volumétrico para enchimento das Cápsulas 160
Homogeneização / Tamização 161
Encapsulação de Pós 163
Encapsulação com máquina
encapsuladeira (para fórmulas individuais) 164
Encapsulação com Líquidos 165
Encapsulação de Massa semi-sólida 167
Encapsulação de cápsula com cápsula 169
Encapsulação de comprimidos 169
Limpeza e Polimento das Cápsulas 169
Incompatibilidades 170
Interação físico-química entre os ativos ou
entre os ativos e o excipiente 170
Interação físico-química entre os ativos e ou
excipientes com o invólucro de gelatina da cápsula 170
Aspectos físico-quimicos de interesse prático
no processo de preparação de Cápsulas 171
Cápsulas Amiláceas 171
Procedimento 171
Pastilhas, Gomas, Soluções e Suspensões Congeladas . 172
Definição 173
Tipos 173
Pastilhas duras 173
Pastilhas Soft (macias) 173
Pastilhas mastigáveis 173
Usos e aplicações 174
Uso tradicional 174
Excipientes para drogas de ação sistêmicas 174
Forma farmacêutica especialmente utilizada para paciente com
dificuldade de deglutição 174
Como excipientes de drogas que apresentam máximo benefício
quando em contato com o tecido local 174
Desvantagens 174
Pastilhas Duras e Pirulitos 175
Composição 175
Características 175
Preparação 175
Sugestões de Fórmulas Base 175
Cálculo da quantidade de sorbitol líquido a 70%
necessária para produzir uma determinada
quantidade de massa dura 178
Embalagem 179
Armazenamento e Conservação 179
Rotulagem 179
Controle da Qualidade 179
Estabilidade 180
Sugestões de Formulações 181
Relação de algumas formulações na forma de pirulitos
preparadas com base de Sorbitol 181
Pastilhas "macias" 182
Composição 182
Características 182
Desvantagens 183
Preparação 183
Sugestões de Bases 183
Incorporação de Ativos 184
Cátculo da Quantidade de base a ser utilizada em
uma formulação, levando em consideração o
peso dos ingredientes aditivados 185
Sugestões de Formulações 186
Sugestões de Formulações com Pastilhas macias 189
Incorporação dos Ativos 191
Embalagem 191
Armazenamento e Conservação 191
Rotulagem 191
Controle da Qualidade 191
Estabitidade 191
Sugestões de Formulações para Pastilhas 192

Pastilhas Mastigáveis 193


Composição 193
Características 193
Desvantagens 193
Preparação 193
Sugestões de Base 194
Aditivação 197
Embatagem 197
Armazenamento e Conservação 197
Rotulagem 197
Controle da Qualidade 198
Estabilidade 198
Sugestões de Formulações 198
Soluções e Suspensões Congeladas 201
Composição 201
Características e vantagens 201
Preparação 201
Sugestão de Base 201
Aditivação 202
Embalagem 202
Armazenamento e Conservação 203
Rotulagem 203
Controle da Qualidade 203
Estabilidade 203
Sugestões de Formulações 204
Goma de Mascar Medicamentosa 205
Vantagens 205
Algumas drogas que podem ser veiculadas na forma
de goma de mascar 205
Fórmula base 206
Embalagem 206
Armazenamento e Conservação 206
Rotulagem 206
Controle da Qualidade 206
Estabilidade 206

Considerações físico-quimicas sobre Pastilhas 207


Atenção Farmacêutica 207
Tabletes Moldados (Tabletes Triturados) 208
Definição 208
Vantagens 208
Desvantagens 208
Composição básica 208
Preparação 209
Calculo da porcentagem do tablete ocupado pelo ativo 209
Calculo da porcentagem do tablete ocupado pela base 209
Calculo do peso da base por tablete 209
Determinação do peso total do tablete 210
Calculo da quantidade de cada
ingrediente da formulação prescrita 210
Exemplo de calculo 210
Sugestões de base 211
Sugestão de base para tabletes moldados 211
Sugestão de base para tabletes moldados (com manitol) 212
Exemplo de formulações 213
Tabletes com estrogenios para terapia de reposição hormonal 213
Tabletes com progesterona micronizada 10Omg 213
Controle da Qualidade 213
Armazenamento e Rotulagem 214
Excipientes, adjuvantes Farmacotécnicos e Diluentes 215
Excipiente para Formas Farmacêuticas Sólidas 215
Lactose 215
Talco 216
Amido 216
Manitol 216
Celulose microcristalina 217
Croscarmelose Sódica (Ac-Di-Sol®) 217
Povidona 217
Crospovidona 217
Caulim 217
Aerosil (Adjuvante Farmacotécnico) 218
Estearato de Magnésio (Adjuvante Farmacotécnico) 218
CMC-Na - Carboximetilcelulose Sódica 218
Carbonato de cálcio 219
Lauril Sultato de sódio (Agente molhante) 219
Docusato sódico (Agente molhante) 219
Polisorbato 20, 60, 80 (Agente molhante) 220
Óleo vegetal hidrogenado (Òleo hidrogenado de
semente de algodão) Tipo I - Lubritab® 220
Bicarbonato de sódio 220
Acetoftalato de celulose (CAP) 220
Copolímero do Ácido Metacrilico
metacrilatode metila 1:1 (Eudragit ® L - 100) 221
Glicolato sódico de amido (Explotab ®) 221
Fosfato de Cálcio dibásico (CaHP042H20) 221
Óxido de magnésio (MgO) 222
Carbonato de Magnésio 222
Excipientes: conceito, influências e categorias 222
Categorias de excipientes 222
Excipientes que influenciam a biodispinibilidade
de fármaco em formas farmacêuticas sólidas 222
Sugestões de Excipientes Especiais para Cápsulas 223
Dilucap - Sugestão de excipiente padrão para cápsulas 223
Sugestão de Excipiente para Alprazolam 224
Sugestão de Excipiente para Meloxicam 224
Sugestão de Excipiente Especial para
Diclofenaco de Sódio e de Potássio 224
Sugestão de Excipiente para Pentoxifilina 224
Sugestão de Excipiente para Finasterida 224
Sugestão de Excipiente para Sertralina 224
Sugestão de Excipiente para Metildopa 225
Sugestão de Excipiente para Amlodipina Besilato 225
Sugestão de Excipiente para Enalapril 225
Sugestão de Excipiente para Inibidores da ECA
(exceto enalapril) 225
Sugestão de Excipiente para Venlafaxina 225
Sugestão de Excipiente para Dietilestilbestrol 226
Sugestão de Excipiente para Sais Alcaloidicos e
sais de Potássio 226
Sugestão de Excipiente para Lovastatina, Pravastatina
e Sinvastatina 226
Sugestão de Excipiente para Estrógenos Conjugados 226
Sugestão de Excipiente para Clorazepato de Potássio 226
Sugestão de Excipiente para Genfibrosila 226
Sugestão de Excipiente para Ctoridrato de Fluoxetina 227
Sugestão de Excipiente para Risperidona 227
Sugestão de Excipiente para Oxandrolona 227
Sugestão de Excipiente e Diluente para T3 e T4 227
Sugestão de Excipiente para Levoftoxacina 227
Sugestão de Excipiente para Tibolona 228
Sugestão de Excipiente para L-Camitina 228
Sugestão de Excipiente para cápsula (geral) 228
Sugestões de Excipientes Especiais para cápsulas 228
Excipientes que podem ser utüizados para
aumentar a estabilidade de Misturas Eutéticas 228
Efetivos 228
Menos efetivos 228
Relativamente inefetivos 228
Agentes Molhantes (surfactantes) utilizados em
cápsulas e comprimidos 229
Agentes Alcalinizantes 229
Agentes alcatinizantes mais empregados 229
Antioxidantes 230
Oxidação 230
Antioxidantes 230
Uso de Antioxidantes 231
Antioxidantes para Sistemas Aquosos 231
Antioxidantes para Sistemas Oleosos 232
Lubrificantes, Antiaderentes e Deslizantes 233
Diluições 233
Relação dos Fármacos que devem ser diluídos 233
Técnicas de Diluição 235
Diluições Especiais 237
Processo de Manipulação - Líquidos e Semi-sólidos .... 239
Noções Básicas de Farmacotécnica 239
Farmacotécnica (definição) 239
Bibliografia Básica 239
Composição de uma fórmula 240
Coadjuvantes técnicos 240
Agentes Acidificantes 240
Agentes Alcalinizantes 240
Adsorvente 240
Propelente (Aerosol) 240
Desincorporante de Ar 241
Conservante Anti-fúngico 241
Conservante Antimicrobiano 241
Antioxidante 241
Agente Tampão 241
Agente Quelante 241
Corantes 242
Agente Clarificante 242
Agente Emulsificante 242
Agente de Revestimento 242
Flavorizantes 242
Umectantes 242
Agente Levigante 243
Base para Pomada 243
Solvente 243
Agente de Consistência 243
Base para Supositórios 243
Surfactantes (agentes tensioativos) 243
Agentes suspensores 243
Agente edulcorante 244
Agente Antiaderente (lubrificante) 244
Agente Aglutinante 244
Agentes de Tonicidade (isotonizantes) 244
Veiculo 244
Agentes de Viscosidade 245
Diluentes de Cápsulas e Comprimidos 245
Agente ' Coating' 245
Excipiente para Compressão direta de comprimidos 245
Desintegrante de comprimidos 245
Agente Opacificante 246
Agente de polimento 246
Agentes de levigação 246
Antioxidantes 249
Antioxidantes para Sistemas Aquosos 249
Antioxidantes para Sistemas Oleosos 249
Sistemas Antioxidantes para algumas formulações 250
Agentes Quelantes 251
EDTA- Dissódico 251
Agentes Acidificantes, Alcalinizantes e Tampões 251
Agentes utilizados para ajustar o pH ou para tamponar 251
pH e Tampões 251
pH 251
Acerto do pH nas Formulações Magistrais 252
Tampões 252
Importância do ajuste do pH 254
Conservantes empregados em
Preparações Orais Líquidas 255
Principais Conservantes para produtos de Uso Externo .. 256
Corantes para Preparações de Uso Interno 257
Corantes naturais 257
Diluição de corantes 258
Solução base para Diluição de Corantes 258
Corantes e Pigmentos de Uso Externo 258
Conceito 258
Alguns corantes permitidos para uso externo 258
Pigmentos 259
Essências 259
Concentrações Tradicionais de Uso 259
Solventes mais utilizados em Farmacotécnica de
Preparações Orais 260
Água 260
Processos de Purificação da Água Potável 261
Álcool Etílico (etanol) 262
Glicerina 262
Propilenoglicol 263
Polietilenoglicol 400 (Carbowax 400®) 264
Éter Sulfúrico 265
Óleo Mineral (Vaselina líquida) 266
Óleos Vegetais 266
Dimetilsulfóxido (DMSO) 266
Acetona (2-propanona) 266
Manipulação de Formas Farmacêuticas
Liquidas e Semi-sólidas 267
Soluções (definição) 267
Soluções Orais 267
Características 267
Tipos de Soluções Orais 267
Vantagem das Soluções Orais 267
Desvantagens das soluções Orais 268
Considerações Físico-químicas sobre solubilidade 268
pH ótimo para solubilidade de fármacos 275
Dicas e técnicas para Solubilização de Fármacos 276
Procedimento Geral para o preparo de uma solução 277
Sugestões de Soluções Orais 278
Xaropes 279
Vantagens dos Xaropes 279
Desvantagens 279
Preparação 279
Aditivação de Princípios Ativos em Xaropes 280
Elixires 282
Vantagens dos Elixires 282
Desvantagens 282
Preparação de Elixires 282
Exemplo de Formulação de Elixir 283
Linctus 283
Misturas 284
Gotas Orais 284
Suspensões Orais 284
Vantagens das Suspensões Orais 284
Características de uma boa suspensão 285
Tamanho das partículas 285
Fluidez 286
Composição básica de uma suspensão 287
Fármaco sólido a ser disperso 287
Agente Suspensor 287
Agentes Floculantes 288
Agentes umectantes 288
Outros adjuvantes farmacotécnicos utilizados 288
Veiculos 288
Veículos utilizados em Suspensões 289
Sugestão de veículo suspensor oral - Suspendoral 290
Veículo Suspensor com Metilcelulose 1% 291
Veículo suspensor com Goma Xantana 291
Sugestão de Excipiente para Suspensão
Extemporânea de Antibióticos 292
Procedimento geral para o preparo de Suspensões 293
Descrição do Procedimento de preparo de
suspensões (método n°3) 293
Procedimento de preparo de suspensões utilizando o veículo
supensor pré-formulado (Suspendoral) 293
Sugestões de Suspensões 295
Suspensão de Carbamazepina 295
Suspensão de Nitrofurantoína 50mg/ 5ml 295
Suspensão de Tiabendazol 500mg/5ml 295
Suspensão de Omeprazol 20mg/5ml 296
Preparações Orais Oleosas (Soluções ou Suspensões) . 297
Vantagens das Preparações Orais Oleosas 297
Composição básica da Preparação Oral Oleosa 297
Formulação Base para preparações Orais Líquidas 297
Alguns fármacos que podem ser veiculados 298
Emulsões Orais 299
Vantagens das Emulsões Orais 299
Desvantagens 299
Características de uma emulsão 299
Composição básica de uma emulsão 300
Fase Aquosa 300
FaseOleosa 300
Agente emulsificante 300
Antioxidante 300
Conservantes 301
Flavorizantes e corantes 301
Agentes Emulsificantes 301
Escolha do agente emulsificante 302
Agentes emulsificantes de ocorrência natural 302
Emulsão de óleo mineral 302
Surfactantes 303
Surfactantes Aniônicos 303
Surfactantes Catiônicos 303
Surfactantes não-iônicos 303
Sólidos f i n a m e n t e divididos 304
Flavorizando uma Emulsão Oral 304
Preparo de Emulsões Orais 304
Métodos de preparo 304
Exemplos de Formulações 307
Emulsão com vitamina D (Calciferol) 307
Emulsão com óleo de Fígado de bacalhau 307
Suspensão oral preparada com agente tensioativo não-iônico.. 307
Aplicação de Flavorizantes e m Formas
Farmacêuticas Orais 309
Relação Química com os Quatro Paladares Primários . . . . 310
Sabores ácidos (azedos) 310
Sabores Salgados 310
Sabores amargos 310
Sabores adocicados (doces) 310
Critérios para Preparação de uma Forma
Farmacêutica Palatável 311
Metodologia de Flavorização 311
Técnicas de Flavorização 312
Combinação 312
Mascaramento 313
Física 313
Quimica 313
Fisiológica 313
Considerações importantes sobre os fatores que
afetam a percepção do sabor amargo 314
Interações entre sabores 314
Veiculo 315
Viscosidade 315
Temperatura 315
Irritantes químicos orais 315
Etanol 315
Modificadores do sabor 315
Status salivar 316
Idade 316
Flavorizantes 316
Flavorizantes utilizados para mascarar alguns sabores ... 316
Sugestões de flavorizantes por classes de drogas 317
Sugestões de flavorizantes para produtos veterinários ... 317
Monografias de alguns flavorizantes especiais e
corretivos de sabores 318
Óleode Anis 318
Óleo essencial de canela 318
Óleo essencial de cravo 318
Óleo essencial de menta 319
Óleo de eucalipto 319
Extrato fluido de alcaçuz 319
Glicirrizinato de amôneo (Magnasweet®) 319
Óleo de Limão 320
Òleo essencial de laranja 320
Salicilato de metila 320
Glutamato de monossódico 321
Mentol 321
Vanilina 321
Flavorizantes Especiais para Preparações Farmacêuticas
e Soluções para a correção de sabores em
Formas Farmacêuticas 322
Banana creme anidro(flavorizante composto banana/creme... 322
Chlorexidine (Flavorizante especial para preparações
contendo Clorexidina) 322
Chocolate anidro 322
Coffee anidro(Café) 323
Creme de Menthe anidro (Creme de menta-Flavorizane
composto para fármacos amargos) 323
Honey anidro (Mel) 323
Maple 323
Marshmallow 324
Raspberry anidro (Flavorizante de Framboesa anidro) 324
Óleo de tangerina 324
Peanut Butter anidro 325
Microrevestimento de Fármacos 326
Sugestões de Formulações 326
Edulcorantes (adoçantes) 328
Principais Edulcorantes empregados em
Formulações Líquidas 330
Fórmulas Edulcoradas e Flavorizadas 331
Xarope simples (1 litro) 331
Xarope de chocolate ou cacau (veiculo edulcorado)
- Remington 331
Xaropes flavorizados (480ml) 332
Xarope de acácia (1 OOOml) 332
Veículo para suspensões orais com fármacos amargos 333
Veiculo para suspensões orais com fármacos
extremamente amargos 333
Xarope de alcaçuz 334
Xarope de ácido cítrico ou xarope de limão (USP) 334
Solução edulcorante com frutose (1 OOml) 334
Xampus 336
Componentes básicos de um xampu 336
Água 336
Detergente (tensioativo) 336
Principais Tensoativos 336
Espessantes 336
Conservantes 338
Composição Aromática (essência) 338
Corretivo de pH 338
Agentes sequestrantes 338
Opacificantes 338
Aditivos 338
Aditivação de Princípios Ativos em
Xampus (xampus base) 339
Emulsões (Cremes e Loções Cremosas) 340
Aditivação de princípios ativos em emulsões 340
0/A - Óleo/Água 340
A/O - Água/Óleo 340
Componentes de Emulsões 340
Fase aquosa 340
Fase oleosa 340
Agentes Emulsificantes 340
Conservantes 341
Essências e/ou Corantes 341
Antioxidantes 341
EHL (equilíbrio hidrófilo-lipófilo) 341
Sequestrantes 341
Preparo de Emulsões (Procedimento Geral) 341
Cremes 342
Aditivação de Princípios Ativos em Cremes 342
Loções Cremosas 343
Aditivação de Loções Cremosas 343
Pomadas 344
Excipientes para Pomadas 344
Vaselina (petrolato Branco) 344
Lanolina 344
Polietilenoglicóis 345
Gel de petrolato-Polietileno Plastibase (Unigel®) 346
Incorporação de Ativos em pomadas 347
Material Utilizado 347
Procedimentos 347
Sugestões de Formulações 348
Sugestão de Orobase Pomada 348
Pastas 349
Classificação 349
Pastas preparadas com excipientes gordurosos 349
Pastas preparadas com excipientes hidrófilos 349
Manipulação de Pastas 349
Exemplos de Formulações 350
Pasta de Lassar 350
Pasta de Unna 350
Pasta de alumínio 351
Géis 352
Espessantes derivados da Celulose 352
Carboximetilcelulose sódica (CMC) 352
Hidroxietilcelulose (Natrosol®, Cellosize®) 352
Metilcelulose 352
Polímeros de carboxivinil e derivados (Carbopóis®, carbômeros)353
Carbopol934 353
Carbopol940 353
Carbopol2020 353
Carbopol ULTREZ® 353
Aditivação de Princípios ativos em gel 354
Material Utilizado 354
Procedimento 354
Sugestões de Formulações de Géis 355
Gel de Carboximetilcelulose sódica 355
Gel de carbopol® 940-2% 355
Gel Creme 356
Sugestões de Formulações 356
Sugestão de gel-creme base 356
Sugestão de gel-creme base não-iônico para formulações
com pH extremos (ácido glicólico) ou com carga de
eletrólitos incompatível com o Carbopol 356
Aditivação de Princípios Ativos em Gel-creme base 356
Linimentos 357
Sugestões de Formulações 357
Linimento de Óleo Calcáreo 357
Ceratos 358
Procedimento Geral 358
Ungüentos 359
Preparo 359
Preparações Otológicas (óticas) ou Auriculares 360
Características de preparações óticas 360
Procedimento para preparo de Soluções Otológicas 360
Procedimento para preparo de Suspensões Otológicas ... 360
Procedimento de preparo de Pomadas Otológicas 361
Procedimento de preparo de Pós Otológicos 361
Preparações Nasais (errinos) 362
Características farmacotécnicas de
uma preparação nasal 362
Procedimento de preparo de Soluções Nasais 362
Procedimento de preparo de Suspensões Nasais 363
Sugestão de veículo geral para Soluções Nasais 364
Procedimento 364
Preparações Oftálmicas 365
Características necessárias a uma Preparação Oftálmica 365
Isotonia 365
Isobatmia 365
Limpidez 365
Precisão de composição 365
Esterilidade 365
Aditivos usados em Preparações Oftálmicas
(adjuvantes farmacotécnicos) 366
Conservantes 366
Agentes molhantes, clarificantes e emulsionantes usados em
Preparações oftálmicas 366
Antioxidantes usados em Preparações Oftálmicas 367
Agentes doadores de viscosidade usados em
Preparações Oftámicas 367
Sugestões de Soluções Tampões para uso em Colírios .... 367
Procedimento geral para Formulações Oftálmicas 369
Procedimento para soluções Oftámicas 369
Suspensões Oftálmicas (para Princípios Ativos autoclaváveis).. 369
Pomadas Oftálmicas 370
Excipientes para Pomadas Oftálmicas 370
Preparo dos excipientes para Pomadas Oftálmicas 370
Processos de preparo de pomada Oftálmica 371
Sugestões de base para Pomadas Oftálmicas 371
Procedimento geral de aditivação de princípios
ativos em Pomadas Oftálmicas 371
Procedimento de trabalho em Capela com Fluxo Laminar 372
Equipamento 372
Acessórios 372
Sugestão de procedimento 372
Esterilização 374
Esterilização por calor úmido (autoclavação) 374
Esterilização por calor seco ( estufa) 374
Esterilização por Ultra filtração (Microfiltração) 375
Manipulação Magistral de Supositórios e Óvulos 376
Excipientes utilizados para manipulação de Supositórios 376
Manteiga de cacau 376
Novata® 376
Gelatina Glicerinada 377
Polietilenoglicóis (PEG) 377
Preparação de Supositórios (Procedimento geral) 378
Regularidade de Peso 379
Supositório Especial para Tratamento de
Hemorróidas: "Rectal Rocket" 379
Fórmula base para Rectal Rocket com ácidos graxos e parafina 380
Aditivação (Cálculo da quantidade de Ativo e de base) 381
Exemplos de formulações 382
Controle da qualidade 385
Embalagem 385
Armazenamento e rotulagem 386
Estabilidade 386
Atenção Farmacêutica (Orientação ao paciente) 386
Formulações Transdérmicas - Microemulsões 387
Estrutura da pele 387
Absorção Percutânea 390
Fatores que afetam a absorção dos fármacos 391
Fatores Biológicos (relacionados à pele) 391
Fatores relacionados ao fármaco 391
Fatores relacionados à forma farmacêutica, nomeadamente,
do veículo 392
Fatores físicos (extrinsecos) 392
Fatores relacionados ao paciente 392
Adequação de Preparações Cosméticas e Farmacêuticas
para aplicação na pele 392
Regiões da pele correlacionadas com a funcionalidade
de ativos de Aplicação Tópica 393
Vantagens e Desvantagens da
Administração Transdérmica 393
Vantagens 393
Desvantagens 394
Promotores da Penetração cutânea 394
Surfactantes 394
Solventes 395
Agentes queratolíticos 395
Agenes anfifílicos 395
Técnicas e métodos facilitadores da penetração 395
Outras substâncias 395
Microemulsão Transdérmica P.L.O.
(Pluronic ® Lecithin Organogel) "Gel transdérmico" 395
Vantagens do uso de Microemulsão
Lipossomal Fosfolipídica como veículo carreador 395
Composição básica 396
Exemplos de Formulações 399
Formulações Antiinflamatórias e analgésicas para
condições músculo-esqueléticas 399
Formulações transdérmicas para o tratamento de Neuropatias 401
Formulações transdérmicas de Uso em Dermatologia 402
Formulações transdérmicas Anti-eméticas para pacientes
submetidos à quimioterapia 403
Formulações transdérmicas para uso em Veterinária 404

Capítulo 6 -
Cálculos Matemáticos e m Farmácia Magistral 405
Sistemas Numéricos 406
Algarismos arábicos 406
Algarismos romanos 406
Aritmética 408
Frações 408
Frações decimais 408
Operações com frações 408
Porcentagem 409
Expressão de concentrações em porcentagem 409
Regra de Três (Razão e Proporção) 410
Exemplos 410
Diluição de Concentração 411
Exemplo 411
Densidade 412
Densidade Aparente e Volume Aparente 412
Sistemas de Medidas e Interconversões 413
Sistema métrico 413
Sistema métrico de pesos 413
Interconversões (mais comuns em farmácia magistral) 413
Sistema Métrico de volume 414
Sistema Apotecário 414
Medidas Caseiras 414
Calibração de gotas 415
Exemplo 415
Cálculo envolvendo produtos industrializados
(alteração da dosagem padrão) 416
Cálculos de concentrações percentuais em
Preparações Líquidas 417
Aligações 417
Aligações Alternadas 417
Cálculo de miliequivalentes (mEq) 419

Unidades de medidas - Ul, UTR 420


Exemplo 420
Ul - Unidade Internacional 420
UTR = Unidade de Turbidez 420
Exemplos 420
Quantidade suficiente para (qsp) 421
Exemplo: creme 421
Exemplo: cápsulas 421
Diluições 422
Matérias primas diluídas 422
Diluições pela Farmácia magistral 422
Diluições pelo Fabricante (fornecedor) 422
Importância da correção do Teor do Princípio Ativo
em fórmulas farmacêuticas 422
Fator de equivalència 422
Situações em que se emprega o Fator de Correção ou
Fator de Equivalência 423
Substâncias Comercializadas na Forma Diluída 423
"Sal" cujo produto farmacêutico de referência é dosificado
em relação à molécula base 423
"Sal" ou "Base" hidratada cujo produto de referência é dosificado
em relação à base ou sal anidro 424
Diluições realizadas na Farmácia 425
Compostos Minerais, Teor Elementar e Fator de Correçào 425
Fitoterápicos com Ativos padronizados 425
Cálculo de Isotonia (Colírios, errinos, etc) 426
Equivalentes de determinadas substâncias em
Cloreto de Sódio 426
Exemplo 428
Ajustes de Isotonicidade pelo Método de Equivalente
em Cloreto de Sódio 428
Cálculo 428
Cálculo do HLB (hydrophilic-lipohilic balance) ou
EHL (equilibrio hidrófilo-lipófilo) 435
Cálculo do HLB em formulações de emulsões 438
Calculando a proporção de uma mistura de surfactantes 438
Quantidade de emulsficante empregada 439

Capitulo 7 -
Biofarmacotécnica 440
Parâmetros Fisico-quimicos que influenciam
biodisponibilidade dos fármacos 441
Fatores que afetam a biodisponibilidade dos fármacos 442
Efeito do lubrificante na absorção de um fármaco 442
Fatores farmacêuticos envolvidos na
Biodisponibilidade de
fármacos na Forma sólida (Cápsulas e Comprimidos) .. 443
Desintegração 443
Dissolução 444
Natureza físico-química do fármaco e a sua
influência na absorção do mesmo 446
pKa e o Perfi de pH 446
Tamanho da particula 446
Polimorfísmo 446
Coeficiente de Partição 446
Interação com excipiente 446
pH de estabilidade 446
pKa 447
Estado de ionização da molécula 447
Considerações importantes relacionadas com o
pKa e a absorção de fármacos 448
Constantes de ionização são normalmente expressas
em termos de valores de pKa 448
Cálculo do grau de ionização para fármacos de caráter ácido.. 449
Cálcuto do grau de ionização para fármacos de caráter básico. 449
Efeito do pH sobre a ionização de eletrólitos 450
Estabilidade, pH e Absorção do fármaco 450
0 perfil pH versus estabilidade e um
gráfico da constante velocidade de reação
versus o pH da droga 450
Tamanhos das partículas e absorção do fármaco 451
Cristais polimórficos , solvatos e absorção de drogas 452
Exemplo: palmitato de cloranfenicol 452
Excipientes e a Absorção de fármaco 453

Capítulo 8 -
Incompatibilidades 454
Incompatibilidade Físico-química 455
Introdução 455
Incompatibilidades Físicas 455
Solução Incompleta 456
Precipitação 456
Separação de liquidos imiscíveis 457
Liquefação de ingredientes sólidos 457
Prescrição incorreta da forma farmacêutica 458
Incompatibilidades químicas 458
Formação de compostos muito pouco solúveis 458
Reações de oxidação 459
Fotólise ou Fotodegradação 461
Redução 462
Hidrólise 462
Complexação 464
Reações de esterificação e substituição 464
Outras interações químicas 465
Incompatibilidades químicas entre fármacos
e alguns excipientes 466
Exemplos de incompatibilidades química entre os fármacos
e excipientes ou coadjuvantes 466
Incompatibilidade e Estabilidade de vitaminas em
preparações magistrais 469
Sumário de incompatibilidades comuns e
correções recomendadas 472

Capítulo 9 -
Embalagens 473
Adequação de uso e incompatibilidades 474
Considerações e requisitos para adequação e
utilização racional de embalagens para
fins farmacêuticos 474
Materiais de embalagens 474
Vidro 474
Tipos de vidro 474
Metal 475
Plásticos 475
Materiais plásticos e suas características 476
Problemas com embalagens de plásticos 477
Formas farmacêuticas e embalagens sugeridas 478

Capitulo 10 -
Prazo de Validade 479
Discussão de critérios para determinação
do prazo de validade em preparações magistrais 480
Tipos de estabilidade aplicados a produtos farmacêuticos 481
Estabilidade química 481
Estabilidade física 481
Estabilidade microbiológica 481
Estabilidade terapêutica 481
Estabilidade toxicológica 481
Mecanismos mais comuns de degradação
química dos fármacos 482
Oxidação 482
Classes de drogas susceptíveis à oxidação 483
Hidrólise 483
Classes de drogas susceptíveis à Hidrólise 483
Dehidratação 484
Dehidratação por desolvação 484
Dehidratação por remoção de um próton e de
um grupo hidroxila 484
Fotólise ou fotodegradação 484
Racemização e epimerização 485
Polimerização 485
Reversão Polimórfica 485
Exemplos de drogas que podem exibir polimorfismo 486
Fatores a serem analisados para se estabelecer
o prazo de validade em formulações magistrais 486
Propriedades físicas e químicas dos ingredientes 486
Uso de conservantes e estabilizantes 486
Forma farmacêutica 486
Natureza da droga e suas características de
degradação cinética 487
Material de embalagem 487
Provável temperatura de armazenamento 487
Duração do tratamento 487
Dados científicos 487
Simüaridade com produtos de referência
(Produto manufaturado) 488
Fatores que afetam a estabilidade de
preparação farmacêutica 488
pH 488
Temperatura 488
Luz 488
Exposição à atmosfera (ao oxigênio) 488
Umidade 488
Cristalização 489
Vaporização 489
Adsorção 489
Orientação da U5P: Prazo de Validade para
preparações farmacêuticas Extemporâneas 490
Formulações sólidas e liquidas não-aquosas 490
Formulações contendo água 490
Para todas as outras formulações 490
Sugestão de uma politica de prazo de validade
para preparações magistrais 491

Capítulo 11 -
Armazenamento de matérias primas 493
Almoxarifado 494
Caracteristicas do local 494
Equipamentos 494
Recebimento de matérias primas, insumos e correlatos 495
Aspectos e integridade da embalagem 495
Comparar o pedido com a nota fiscal 495
Verificar se os produtos estão devidamente
etiquetados e identificados 495
Verificar se os produtos estão fisicamente de
acordo com a nota fiscal 495
Verificar se os laudos de análise 495
Observações 495
Requisitar ao controle da qualidade 495
Fracionamento 496
Definições 497
Temperaturas de armazenamento e conservação 497
Refrigerado 497
Temperatura ambiente 497
Temperatura ambiente controlada 497
Local fresco 497
Freezer 497
Embalagens (recipientes) 497
Recipiente fotoresistente 497
Recipiente bem fechado 497
Recipiente bem vedado 497
Recipiente hermeticamente fechado 497

Capítulo 12 -
Atenção Farmacêutica 498
Introdução 499
Conceito de atenção farmacêutica 499
Funções do farmacêutico na atenção farmacêutica 500
Níveis de atenção farmacêutica 500
Fatores de risco 500
Fatores de risco associados às caracteristicas
clinicas do paciente 500
Fatores de risco associados à doença do paciente 501
Fatores de risco associados ao tratamento
farmacoterapêutico do paciente 501
Atenção farmacêutica primária 501
Atenção farmacêutica secundária 501
Atenção farmacêutica terciária 501
Principais aspectos relacionados à
Atenção farmacêutica 502
Habilidade como pré-requisito 502
Comportamento inadequado do paciente 502
Idiossincrasia do paciente 502
Procedimentos para implantação
da atenção farmacêutica 503
Documentação 503
Plano terapêutico do seguimento farmacêutico 503
Ficha do paciente 503
Principais Componentes da ficha do paciente 503
Monitoramento 504
Dados laboratoriais 504
Evolução da doença 504
Monitoramento das doenças associadas 504
Processo de seleção do paciente 505
Seleção do paciente segundo sua enfermidade 505
Seleção do paciente segundo seus medicamentos 505
Aconselhamento ao paciente 506
Principais perguntas que os pacientes formulam
para farmacêuticos sobre sua medicação 506
Sugestões de informações aos pacientes 507
Antes de usar o seu medicamento 507
Orientações gerais (comum a todos os medicamentos)... 507
Medidas caseiras de volume 509
Orientações e esclarecimentos para Formas
Farmacêuticas Manipuladas 510
Cápsulas 510
Manuseio 510
Cor das cápsulas 510
Quantidade de cápsulas 510
Tamanho das cápsulas 510
Alterações nas cápsulas 510
Comprimidos 511
Manuseio 511
Quantidade 511
Supositórios 511
Óvulos 512
Suspensões 512
Xaropes 513
Pomadas, cremes e géis 513
Colírios 513
Pomada Oftalmológica 514
Soluções nasais (Gotas nasais) 515
Gotas auriculares 515
Bochechos e gargarejos (colutórios) 516
Creme, pomada e gel vaginal 516
Spray nasal 517
Gotas orais 517
Creme ou pomada de uso retal 518
Planos à médio prazo para a implantação da
Atenção farmacêutica 519
Barreiras para a prestação da atenção farmacêutica 519
Relativas aos recursos 519
Barreiras educacionais 519
Barreiras legais 519
Barreiras profissionais e administrativas 519

Capítulo 13 -
Documentação Sanitária 520
Escrituração de Livros de Receitas e Notificações 521
Registro Normativo 522
Livro de Receituário Geral 523
Livros de Registro Específico 523
Documentos hábeis para escrituração 523
Informações contidas nos livros 524
Mapas 524
Destino das vias do relatório BSPO 524
Relação mensal das Notificações de Receitas A - RMNRA 525
Guarda da documentação 525

Capítulo 14 -
Procedimentos Operacionais Padrão 526
Introdução 527
POP 01 - Emissão de POPs 528
POP 02 - Construção, Adaptação e Manutenção
das Instalações Físicas 533
POP 03 - Divisão das áreas internas 540
POP 04 - Sistema de Controle de Pragas Urbanas 547
POP 05 - Responsabilidades e Atribuições 552
POP 06 - Treinamento de Funcionários 558
POP 07 - Fluxograma Operacinal 564
POP 08 - Conduta de Manipuladores 579
POP 09 - Instalação e Operação de equipamentos
Laboratoriais 584
POP 10 - Verificação, limpeza e calibração
de instrumentos 587
POP 11 - Obtenção de Água Purificada 596
POP 12 - Controle ambiental nos laboratórios
e almoxarifados 612
POP 13 - Limpeza e Sanitização de Pisos, Paredes,
Ambientes, Equipamentos e Utensílios 618
POP 14 - Qualificação de Fornecedores, Compra de
Matéria-prima e materiais de embalagem 630
POP 15 - Recebimento de Matérias-primas e
Materiais de embalagem 636
POP 16 - Devolução de matérias-primas ou
materiais de embalagem 642
POP 17 - Armazenamento de matérias-primas e
Materiais de embalagem 645
POP 18 - Amostragem, análise, aprovação ou reprovação
de matérias-primas e materiais de embalagem 656
POP 19 - Controle de qualidade microbiológico
Mediante serviço terceirizado 665
POP 20 - Controle da Qualidade em processo e em
Produtos acabados 669
POP 21 - Embalagem, conservação e transporte de
Preparações magistrais 676
POP 22 - Preparação e armazenamento de bases
galênicas e soluções intermediárias 683
POP 23 - Emissão de ordem de manipulação de
Preparação magistral semi-acabada, bases galênicas,
Preparações oficinais, produtos de higiene
e Cosméticos 687
POP 24 - Manipulação no Laboratório de Sólidos 693
POP 25 - Manipulação no Laboratório de
Semi-sólidos e Líquidos 710
POP 26 - Prazo de Validade 722
POP 27 - Registros e Relatórios das Atividades
Controladas por exigência legal ou para
Manutenção da qualidade 727
POP 28 - Manipulação de Fármacos sob controle
Especial - Portaria 344 731
POP 29 - Manipulação de Preparações Oftálmicas 741
POP 30 - Sistema de Garantia da Qualidade e as
Auditorias Internas 762
índice - Anexos

Anexo 01
Relação dos principais Princípios Ativos
disponiveis na farmácia magistral 770
Agentes que afetam a calcificação 771
Aminoácidos e derivados 771
Anabólicos hormonais 772
Anorexigenos 773
Anorexigenos naturais (mucilagens) 773
Antiabortivos 773
Antiácidos 774
Antianêmicos 774
Antianginosos 774
Antiandrogênios 775
Antiarrítmicos 775
Anti-celulíticos 776
Anticoagulante /Anti-agregante plaquetário 777
Anticonvulsivantes 833
Antiespasmódicos 777
Antidepressivos 778
Antidiabéticos 781
Antidiarréicos 782
Antídotos 782
Antieméticos 783
Antienxaquecosos 783
Antiestrogênios 783
Antifribóticos 784
Antiflatulentos 784
Antifúngicos 784
Antiglaucomatosos 785
Antigotosos (hipourecemiantes) 785
Antihistamínicos 785
Antihipertensivos 786
Antiinflamatórios intestinal 787
Antiinflamatórios não esteroidais (AINES)
Analgésicos e Antipiréticos 787
Analgésicos Opióides 789
Anti-impotência 789
Antimicrobianos 789
Antineoplásicos 791
Antioxidantes 791
Antiparasitários (antihelmínticos e antiprotozoários) 792
Antiparkinsonianos 793
Antipsicóticos ou Neurolépticos 794
Antitireoidianos 794
Antireumáticos 795
Antitussígenos 795
Antiulcerosos 796
Antivaricosos 796
Antivirais 797
Antivitiligo/Antipsoríase (tratamento sistêmico) 797
Broncodilatadores 797
Cardiotônicos 798
Descongestionantes 798
Digestivos ácidos e enzimas digestivas 798
Diuréticos 799
Estimulantes da motilidade gastrintestinal
( Agentes Colinérgicos) 799
Estimulantes do apetite (orexigenos) 799
Expectorantes e mucolíticos 800
Fitohormônios e fitoestrógenos 800
Fitoterápicos (Extratos padronizados) 801
Glicorticóides 815
Hepatoprotetores, Coleréticos e Colagogos 815
Hipertensores 816
Hipocolesterêmicos 816
Hipnóticos 817
Hormônios sexuais femininos 818
Hormônios sexuais masculinos e precursores 819
Hormônios tireoidianos e derivados 819
Imunomoduladores 820
Laxantes 820
Lipotrópicos 821
Medicamentos para o tratamento
da incontinência urinária 822
Medicamentos para o tratamento da retenção Urinária .. 822
Minerais ( Dosagem elementar) 823
Mineralocorticóides 823
Mucilagens 824
Nootropicos, neurotônicos, neurotroficos,
estimulantes da memória e estimulantes do SNC,
Defatigantes 824
Progestogênios 825
Relaxantes musculares 826
Repositores de potássio 826
Sedativos ansiolíticos 827
Vasodilatadores 830
Vitaminas 831
Compostos Minerais:
teor elementar e fator de correção 832

Anexo 02
Matérias primas e Ponto de Fusão 834

Anexo 03
Ficha de Análise do Paciente 844
Definições e
Características
da Atividade

1
Capitulo 1 - Definições e Caracteristicas da Atividade

Untrodução
A farmácia magistral brasileira passou nos últimos anos por
profundas transformações, adequando-se à novos parâmetros de
qualidade, mais exigentes e à novas legislações, mais rigorosas.
Contudo, o setor cresceu muito e atualmente já existem cerca de
5.000 farmácias com manipulação no Brasil.
0 crescimento traz novos desafios decorrentes do aumento da
demanda por medicamentos manipulados, tais como, o aumento da
necessidade de atender a consumidores cada vez mais informados e
exigentes, o crescimento da competição comercial e a necessidade
de adequação à legislação.
0 principal desafio para a farmácia magistral, está na con-
quista da credibilidade que só será obtida através do crescimento
sustentado, pautado na obtenção da excelência em serviços e em
produtos e na capacitação técnica-gerencial. A implantação de sis-
temas de gestão da qualidade, treinamentos contínuos, a informati-
zação, o emprego de novas tecnologias, o cumprimento das legisla-
ções sanitárias, a política adequada de formação de preços e o mar-
keting são alguns dos caminhos recomendáveis.
É preponderante que o farmacêutico magistral conheça a "es-
sência" da sua atividade, devendo basear-se na busca de soluções
farmacotécnicas para uma terapêutica personalizada. Este foco é
importante para minimizar os atritos e os conflitos constantes entre
os produtos manipulados e os manufaturados.

2
Capítulo 1 - Definições e Caracteristicas da Atividade

2. Definições

Para uma melhor compreensão da atividade magistral é impor-


tante conhecer a definição da atividade e as terminologias aplica-
das. Estão transcritas a seguir, algumas definições de termos reali-
zadas por algumas legislações que regulamentam a atividade magis-
tral, tais como, a Resolução 33 (RDC 33/2000) e a Portaria 344/98
da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

2.1. Manipulação (RDC 33/2000):

Conjunto de operações com a finalidade de elaborar prepa-


rações magistrais e oficinais e fracionar produtos industrializados
para uso humano.
A manipulação de medicamentos é o método tradicional de
preparo de medicamentos personalizados, visando o atendimento de
necessidades específicas e às vezes únicas do profissional prescritor
(médico, dentista ou veterinário) e do paciente.

2.2. Farmácia (RDC 33/2000):

É um estabelecimento de manipulação de fórmulas magis-


trais e oficinais; comércio de drogas, medicamentos, insumos far-
macêuticos e correlatos. Compreendendo a dispensação e o atendi-
mento privativo de unidade hospitalar ou.de qualquer outra equiva-
lente de assistência médica.
0 Webster Dictionary define farmácia como: A arte ou a
profissão de preparar e preservar fármacos e, de manipular e dis-
pensar medicamentos de acordo com a prescrição médica.

2.3. Preparação Magistral (RDC 33/2000) :

É aquela preparada na farmácia para ser dispensada aten-


dendo a uma prescrição médica que estabelece sua composição, sua
forma farmacêutica, sua posologia e seu modo de usar.

3
Capítulo 1 - Definições e Características da Atividade

2.4. Preparação Oficinal (RDC 33/2000):

É aquela preparada na farmácia cuja fórmula esteja escrita


nas Farmacopéias, Compêndios ou Formulários reconhecidos pelo
Ministério da Saúde.

2.5. Preparação (RDC 33/2000):


Procedimento farmacotécnico para obtenção do produto ma-
nipulado, compreendendo a avaliação farmacêutica da prescrição, a
manipulação, o fracionamento de substâncias ou de produtos indus-
trializados, a conservação e o transporte das preparações magistrais
e oficinais.

2.6.Preparação Magistral Semi-Acabada (RDC 33/2000):


É aquela preparada e mantida no laboratório da farmácia,
devidamente identificada, obedecendo a uma ordem de manipula-
ção de uma formulação estabelecida de uso freqüente e / o u com
complexidade farmacotécnica justificada, aguardando a prescrição
correspondente para acabamento e dispensação.

2.7. Dispensação (RDC 33/2000):

Ato de fornecer e orientar o consumidor de drogas, medica-


mentos, insumos farmacêuticos e correlatos, a título remunerado ou
não.

2.8. Especialidade farmacêutica (RDC 33/2000):

Produto oriundo da indústria farmacêutica com registro na


Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

4
Capítulo 1 - Definições e Características da Atividade

2.9. Droga (RDC 33/2000):


Substância ou matéria-prima que tenha finalidade medica-
mentosa ou sanitária.

2.10. Matéria-Prima (ANVISA):


Substância ativa ou inativa que se emprega na fabricação dos
medicamentos e demais produtos abrangidos pelo Regulamento
Técnico de Boas Práticas de Manipulação da ANVISA (Agência Nacio-
nal de Vigilância Sanitária), tanto aquela que permanece inalterada,
quanto a passível de modificações.

2.11. Medicamento (Portaria 344/98):


Produto farmacêutico tecnicamente obtido ou elaborado com
finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnósti-
co.

2.12. Entorpecente (Portaria 344/98):


Substância que pode determinar dependência física ou psí-
quica e relacionada, como tal nas listas aprovadas pela Convenção
Única sobre Entorpecentes, reproduzidas nos anexos deste Regula-
mento Técnico ou seja, na Portaria 344/98.

2.13. Psicotrópico (Portaria 344/98):


Substância que pode determinar dependência física ou psí-
quica e relacionada, como t a l , nas listas aprovadas pela Convenção
sobre Substâncias Psicotrópicas, reproduzidas nos anexos deste Re-
gulamento Técnico ou seja, na Portaria 344/98.

5
Capitulo 1 - Definições e Características da Atividade

2.14. Substância Proscrita (Portaria 344/98):

Substância cujo uso está proscrito no Brasil.

2.15. Precursores (Portaria 344/98):


Substâncias utilizadas para a obtenção de entorpecentes ou
psicotrópicos e constantes das listas aprovadas pela Convenção Con-
tra o Tráfico llícito de Entorpecentes e de Substâncias Psicotrópicas,
reproduzidas nos anexos deste Regulamento Técnico.

2.16. Receita (Portaria 344/98):


Prescrição escrita de medicamento contendo orientação de
uso para o paciente, efetuada por profissional legalmente habilita-
do, quer seja de formulação magistral ou de produto industrializa-
do.

2.17. Notificação de Receita (Portaria 344/98):


Documento padronizado destinado à notificação da prescri-
ção de medicamentos: a) entorpecentes (cor amarela), b) psicotró-
picos (cor azul) e c) retinóides de uso sistêmico e imunossupressores
(cor branca). A Notificação concernente aos dois primeiros grupos (a
e b) deverá ser firmada por profissional devidamente inscrito no
Conselho Regional de Medicina, no Conselho Regional de Medicina
Veterinária ou no Conselho Regional de Odontologia; a concernente
ao terceiro grupo (c), exclusivamente por profissional devidamente
inscrito no Conselho Regional de Medicina.

2.18. Livro de Receituário Geral (Portaria 344/98):


Livro destinado ao registro de todas as preparações magis-
trais manipuladas em farmácias.

6
Capítulo 1 - Definições e Características da Atividade

2.19. Livro de Registro Específico (Portaria 344/98):


Livro destinado à anotação, em ordem cronológica, de esto-
ques, de entradas (por aquisição ou produção), de saídas (por ven-
da, processamento ou uso) e de perdas de medicamentos sujeitos ao
controle especial.

2.20. Licença de Funcionamento:


Permissão concedida pelo órgão de saúde competente dos
Estados, Municípios e do Distrito Federal para o funcionamento de
estabelecimento vinculado a empresa que desenvolva qualquer das
atividades enunciadas no artigo 2° deste Regulamento Técnico ou
seja, na Portaria 344/98.

2.21. Autorização Especial (Portaria 344/98):


Licença concedida pela Secretaria de Vigilância Sanitária do
Ministério da Saúde (SVS/MS) às empresas, instituições e órgãos para
o exercício de atividades de extração, produção, transformação,
fabricação, fracionamento, manipulação, embalagem, distribuição,
transporte, reembalagem, importação e exportação das substâncias
constantes das listas anexas a este Regulamento Técnico (Portaria
344) ou seja, sujeitas a controle especial, bem como os medicamen-
tos que as contenham.

2.22. Aditivação:
Adição de um ou mais produtos acabados ou substâncias a
um outro produto manipulado ou industrializado, para atender a
uma prescrição específica.

2.23. Fracionamento (RDC 33/2000):


Divisão de uma especialidade farmacêutica em doses que a-
tendam a prescrição médica.

7
Capitulo 1 - Definições e Características da Atividade

2.24. Bases galênicas (RDC 33/2000):


Preparações compostas de uma ou mais matérias-primas com
fórmulas definidas e destinadas a serem utilizadas como veículos ou
excipiente de preparações farmacêuticas.

2.25. Veículo / Excipiente:


Substância ou composto inerte (sem atividade farmacológica)
utilizada na diluição ou transporte do princípio ativo.

2.26. Cosmético (RDC 33/2000):


Produto para uso externo, destinado à proteção ou ao embe-
lezamento das diferentes partes do corpo.

2.27. DCB (RDC 33/2000):


Denominação Comum Brasileira do fármaco ou princípio far-
macologicamente ativo, aprovado pelo órgão federal responsável
pela vigilância sanitária.

2.28. DCI (RDC 33/2000):


Denominação Comum Internacional do fármaco ou princípio
ativo, aprovado pela Organização Mundial da Saúde.

2.29. Controle da Qualidade (RDC 33/2000):


Conjunto de operações (programação, coordenação e execu-
ção) com o objetivo de verificar a conformidade das preparações
com as especificações estabelecidas.

8
Capitulo 1 - Definições e Características da Atividade

2.30. Desvio da qualidade (RDC 33/2000):


Não atendimento aos parâmetros da qualidade estabelecidos
para um produto ou um processo.

2.31. Garantia da Qualidade (RDC 33/2000):


Esforço organizado e documentado dentro de uma empresa,
no sentido de assegurar as características do produto, de modo que
cada unidade do mesmo esteja de acordo com suas especificações.

2.32. Lote ou Partida (RDC 33/2000):


Quantidade definida de matéria-prima, material de embala-
gem ou produto, obtido em um único processo cuja característica
essencial é a homogeneidade.

2.33. Procedimento Operacional Padrão - POP (RDC


33/2000):
Descrição pormenorizada de técnicas e operações a serem
utilizadas na farmácia visando proteger e garantir a preservação da
qualidade das preparações manipuladas e a segurança dos manipu-
ladores.

2.34. BPMF (RDC 33/2000):


Boas Práticas de Manipulação em Farmácias

2.35. BPME (RDC 33/2000):


Boas Práticas de Manipulação de Produtos Estéreis.

9
Capitulo 1 - Definições e Caracteristicas da Atividade

2.36. Calibração (RDC 33/2000):


Conjunto de operações que estabelece, sob condições espe-
cificadas, a relação entre valores indicados por um instrumento ou
sistema de medição, ou valores representados por uma medida ma-
terializada ou um material de referência e os valores corresponden-
tes das grandezas estabelecidas por padrões.

2.37. Validação (RDC 33/2000):


Ato documentado que atesta que determinado procedimen-
to, processo, material, atividade ou sistema estejam realmente
conduzindo aos resultados esperados.

2.38. Ordem de Manipulação (RDC 33/2000):


Documento destinado a acompanhar todas as etapas da ma-
nipulação de uma preparação magistral ou oficinal.

2.39. Número de lote (RDC 33/2000):


Designação de números e/ou letras que permitam identificar
o lote e, caso seja necessário, localizar e revisar todas as operações
praticadas durante todas as etapas da manipulação.

2.40. Rastreamento (RDC 33/2000):


É o conjunto de informações que permite o acompanhamento
e revisão de todo o processo da preparação manipulada.

2.41. Quarentena (RDC 33/2000):


Retenção temporária de insumos, preparações básicas ou

10
Pesagem da matéria-prima para a diluição: A pesagem da matéria-
prima para a diluição deve ser realizada com dupla checagem,
efetuada pelo manipulador e pelo farmacêutico, com o devido
registro na ficha de manipulação (v.eja modelo a seguir). Esta ficha
deverá ser devidamente arquivada (período idêntico ao da ordem de
manipulação). A balança deve estar devidamente calibrada com
registro atualizado.

Exemplo de uma Ficha de Diluição:

Fármaco Diluição 1:100 (1%) Fator de Correção: 10


Nome do fármaco 1g Lote n° Fornecedor
Corante alimentício ... 0,1 a 0,5g Lote n° Fomecedor
Diluente utilizado 98,5g Lote n° Fornecedor
Lote: n°/diluído
Fornecedor:
Fabricação:
Peso final após diluição: 100g
Assinatura do responsável pela diluição:
Assinatura do farmacêutico responsável:
Data da diluição:
Validade da diluiçào: 3 meses

M
Capítulo 1 - Definições e Características da Atividade

3. Caracterização da Atividade Magistral


Para caracterizarmos a atividade magistral precisamos estabe-
lecer uma diferenciação entre o processo artesanal de manipulação
de medicamentos e a manufatura (indústria).

0 termo manipulação pode ser definido como a preparação, a


mistura, a transformação, a embalagem ou a rotulagem de um fár-
maco ou produto em função de uma prescrição ou de uma iniciativa
baseada no relacionamento prescritor/paciente/farmacêutico no
curso da prática profissional ou com o propósito de pesquisa, en-
sino ou análise físico-química.

Já o processo industrial ou manufatura, caracteriza-se pela


produção, preparação, conversão ou processamento de um fármaco
ou produto, incluindo qualquer embalagem, reembalagem de subs-
tâncias ou rotulagem em seu recipiente, a promoção e o marke-
ting. Também inclui a preparação e promoção de produtos comer-
cialmente disponiveis para revenda por farmácias, por profissionais
ou outras pessoas. A tabela a seguir descreve os aspectos diferenci-
ais básicos entre o medicamento manipulado e o manufaturado

12
Capitulo 1 - Definições e Características da Atividade

Tabela 1: Diferenças básicas entre medicamentos manufaturados


(industrializados) e medicamentos manipulados

Medicamento Manufaturado Medicamento Manipulado

(industrializado)

Formulação padronizada para Formulação personalizada para


atender as necessidades gerais atender as necessidades específi-
de uma provável população de cas de um paciente.
pacientes

0 prescritor precisa adequar o 0 prescritor pode adequar a


paciente à apresentação comer- formulação (dose, quantidade ou
cial disponível. forma farmacêutica) a cada pa-
ciente.

A comercialização em larga esca- Permite a prescrição de formas


la, inviabiliza economicamente e farmacêuticas diferenciadas das
às vezes tecnicamente por ques- disponíveis comercialmente, bem
tões de estabilidade, a possibiLi- como, o emprego de dosagem
dade da produção de diversas específica para um determinado
formas farmacêuticas em várias paciente.
dosagens.

É importante ressaltar que o farmacêutico magistral também é


um solucionador de problemas ou dificuldades terapêuticas, através
do preparo de medicamentos específicos e diferenciados.

13
Capitulo 1 - Definições e Caracteristicas da Atividade

3 . 1 . Benefícios proporcionados pelo medicamento ma-


nipulado

3.1.1. Facilidade posológica:


Possibilidade de ajuste de doses ou concentrações do fárma-
co na forma farmacêutica.

3.1.2. Possibilidade de escolha da forma farmacêutica:

Permite que o prescritor opte pela forma farmacêutica que


mais se adeque à via de administração escolhida ou às condições do
paciente (Exemplos: forma líquida; forma sólida: cápsula, pó, table-
te sublingual, supositórios, enemas, pastilhas; formas semi-sólidas:
pomada, creme, gel; transdérmicos; formas farmacêuticas sem co-
rantes, sugar-free, sem lactose, sem conservantes, etc).

3.1.3. Possibilidade de resgate de medicamentos:

Através da manipulação podemos resgatar medicamentos que


foram descontinuados pelos laboratórios, por não serem interessan-
te economicamente, ou que sofreram alteração na dose ou forma
farmacêutica.

3.1.4. Economia:

De modo geral o produto manipulado pode apresentar um


custo menor do medicamento por eliminação de intermediações no
processo de comercialização.

3.1.5. Personalização da Terapêutica:

A prescrição magistral utiliza somente a nomenclatura ge-


14
Capítulo 1 - Definiçõese Caracteristicas da Atividade

nérica. 0 receituário é único e diferenciado. Há um aumento da


adesão ao tratamento decorrente da personalização da terapêutica.

3.1.6. União Multiprofissional em prol da Saúde (A Triade da


Saúde):

A base da farmácia magistral está no relacionamento do


Farmacêutico / Médico / Paciente.

A Tríade da Saúde

PACIENTE

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s
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FARMACÊUTICO MÉDICO

FotoOI

15
Controle da
Qualidade na
Farmácia
Magistral
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Introdução
A Farmácia Magistral representa hoje um nicho de mercado
para o para o profissional farmacêutico. Possibilita ao farmacêutico
a ascensão social e econômica com completa realização profissio-
nal, encontrando na farmácia a possibilidade de exercer com ampli-
tude todas as atividades inerentes ao verdadeiro profissional do
medicamento.
Contudo, apesar das inúmeras vantagens que o medicamento
manipulado oferece em relação ao industrializado que vão desde a
facilidade posológica até a econômica, são inúmeros os obstáculos
que dificultam o crescimento do setor. 0 maior destes obstáculos é
a falta de credibilidade do produto manipulado pela suposta ausên-
cia de um controle da qualidade rigido das matérias-primas e produ-
tos acabados, ausência de controle do processo de produção e sua
reprodutibilidade. Qualidade é a patavra de ordem e deve ser ine-
rente a qualquer produto ou prestação de serviço na atualidade e,
para a farmácia magistral fundamental para sua sobrevivência.
Dentro deste contexto de busca pela Qualidade, é importan-
te citar a participação destacada da ANFARMAG (Associação Nacio-
nal dos Farmacêuticos Magistrais) na elaboração da Resolução 33,
de maio de 2000 que trata sobre Boas Práticas de Manipulação e da
lei sancionada pelo presidente Bill Clinton em 1998 instituindo a
farmácia magistral nos Estados Unidos que culminou com a publica-
ção dentro da United States Pharmacopoeia na 24a edição (USP24)
em 2000 do Pharmacy Compounding e o conseqüente reconhecimen-
to deste setor nos Estados Unidos da América. Estes dados indicam o
caminho da qualidade para a consolidação do setor magistral.
Nos últimos anos o setor magistral apresentou um vertiginoso
crescimento, assumindo uma importância cada vez maior dentro do
mercado de medicamentos e, conseqüentemente contribuindo para
a saúde pública brasileira. Como era de se esperar, a qualidade do
produto manipulado tem sido objeto de inúmeras discussões e deba-
tes, sendo o tema mais freqüente nos últimos dois anos, principal-
mente em função da RDC 33. Aqui é importante lembrar que o cer-
ne básico desta legislação é a busca por um processo de qualidade
conduzido através das Boas Práticas de Manipulação Farmacêutica
(BPMF), onde o controle da qualidade é ferramenta indispensável

17
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

para sua verificação, para atingir um produto com qualidade farma-


copéica e que possa ser manipulado quantas vezes for necessário,
com os mesmos parâmetros de qualidade.
Analisando tecnicamente a RDC 33 podemos dizer que é uma
legislação exigente que se mostra como um grande desafio para o
setor magistral e para os órgãos de vigilância sanitária. Contudo, se
lembrarmos que o medicamento é uma ferramenta para a saúde
física e mental e que esta reflete na vida humana, esta grande res-
ponsabilidade transforma-se no privilégio de discutir os pontos fra-
cos, de demonstrar competência e segurança, de ganhar credibili-
dade e de mostrar à sociedade a importância crescente do produto
manipulado na promoção da saúde.

18
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Qualidade da matéria prima no setor magistral


Nos últimos anos, o setor magistral concentrou seus esforços
na qualidade da matéria prima farmacêutica. Hoje podemos afirmar
que o número de não conformidades para matéria prima é extre-
mamente pequeno o que reflete a preocupação do setor farmacêu-
tico, impulsionado por novas legislações e pelo remodelamento do
órgão de vigilância sanitária, agora denominado ANVISA (Agência
Nacional de Vigilância Sanitária). Contudo, não devemos deixar de
nos preocupar, pois nos últimos anos cresceu o número de importa-
dores e distribuidores de matéria- prima, o que pode significar uma
maior possibilidade de problemas. Desta forma, é importante lem-
brar o item 4.4.1 da RDC 33 que discorre sobre a aquisição de mate-
riais, cujo sub-item 4.4.1.2.1 nos fala sobre a qualificação do forne-
cedor, tornando obrigatória a comprovação de regularidade perante
a autoridade sanitária, o compromisso com a qualidade da matéria
prima através do certificado de análise e etc. Conhecer os nossos
fomecedores é etapa indispensável na consolidação do setor magis-
tral e o primeiro passo para evitar erros.
Ainda discutindo sobre as matérias primas, as perspectivas
são ainda melhores. Até o presente momento o controle da qualida-
de foi realizado por laboratórios que terceirizam a realização de
análises físico-químicas e microbiológicas. Com a implantação da
RDC 33 no item 4.6.2, sub-item 4.6.2.7 torna-se obrigatória a
realização de testes básicos como pH, o ponto de fusão e etc.
Para destacar a importância deste trabalho, vamos conside-
rar o enalapril: potente inibidor da enzima de conversão de angio-
tensina, utilizado no controle da pressão arterial.
Segundo a Farmacopéia Européia deve ser acondicionado em
recipientes bem fechados ao abrigo da luz e, um dos parâmentros
de identificação é o pH que deve estar entre 2,4 e 2,9. Ao obser-
varmos a seguir a reação química de degradação do enalapril pela
água, percebemos a importância do armazenamento sob condições
de temperatura e umidade controladas, tanto na distribuidora quan-
to na farmácia bem, como a importância de uma análise simples de
pH. 0 enalapril ao ser degradado pela água, converte-se em enapri-
lato que não tem uma absorção adequada no trato gastrointestinal,
com conseqüente alteração na biodisponibilidade e na atividade
antihipertensiva. Esta degradação pode ser observada pelo pH que
deve estar entre 2,4 e 2,9 para o enalapril como citado acima. A
faixa de pH do enaprilato deverá ser menor que 2,4 pois apresenta
19
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

características mais ácidas. Podemos assim observar que o item


4.6.2.7 da RDC 33 juntamente com a terceirização é uma importan-
te ferramenta para separar os bons dos maus fornecedores, ou seja,
QuaUficar o Fornecedor segundo a RDC 33.

ll(
.o
H H
°-f H CH3 *\.H „CH 3
H + Klanol
2° |f ' ^ T
^ H N. ...COOH
K^ H N . XOOH v ^

Knaljipril
Cr» Eaaprilato

Com u (U-wruduvão o p l l s*l:i llHllol (|ue 2,4

Assim, temos a convicção que o laboratório de controle da


qualidade é uma ferramenta indispensável para o crescimento e a
solidificação do setor magistral e, que é perfeitamente possível a
implantação do controle da qualidade dentro das farmácias magis-
trais. Desta forma, o objetivo é colocar de forma simplificada e ob-
jetiva, os conceitos de química analítica e de controle da qualidade,
aplicando-os em fármacos de grande importância terapêutica e eco-
nômica dentro da farmácia magistral. A seguir discutiremos itens
importantes ao Controle da Qualidade para a Farmácia Magistral.

20
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

1. Qualificação dos fornecedores


Ao adquirirmos uma matéria-prima de um fornecedor e
transformarmos a mesma em medicamento, assumiremos toda a
responsabilidade da qualidade do produto perante o consumidor.
Assim sendo, podemos vir a responder judicialmente, caso o medi-
camento não cumpra as especificações contidas no rótulo. A escolha
de um fomecedor idôneo, criterioso e competente trará tranqüili-
dade e segurança na relação de negócios. É importante conhecer
pessoalmente o fornecedor, suas instalações, as condições em que
são armazenadas as matérias-primas (tipo de embalagem, tempera-
tura, luminosidade, umidade, identificação e ordenação), limpeza,
como é feito o fracionamento (vestimenta e higiene dos funcioná-
rios, instrumentos de medida utilizados, embalagens utilizadas),
rapidez e pontualidade na entrega, condições de pagamento e pre-
ços, etc.
Devemos solicitar ao fomecedor o certificado de análise das
matérias-primas, não só com os resultados das análises mas também
com as especificações, a data de fabricação, a validade, as condi-
ções de conservação e armazenagem ideais, o número do lote e o
país de procedência. A relação entre a farmácia e o fomecedor de-
ve ser de parceria, visando a completa satisfação do cliente. Os
fomecedores que não atendam às especificações devem ser excluí-
dos.

21
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

2. Controle da Qualidade das Matérias-primas

2.1. Laboratório de Controle da Qualidade

2.1.1. Instalação fisica


Área física ideal: mínimo de 10 m2
Localização: preferencialmente próximo ao almoxarifado e ao labo-
ratórios de produção, porém deve ser isolado e independente das
outras instalações.
Piso: cerâmica ou piso vinílico de fácil limpeza.
Paredes: azulejo ou parede com revestimento liso e pintura a óleo.
Iluminação: natural e artificial adequada, porém com a possibilida-
de de uma área escura (para leituras cromatográficas).
Ventilação: a área deve ser ventilada com capela de exaustão.
Refrigeração: deve conter ar condicionado, mantendo a temperatu-
ra ambiente em torno de 20°C (necessário para o funcionamento e
conservação ideal dos equipamentos analíticos).
Bancadas: alvenaria ou madeira formicada com revestimento prote-
tor, impedindo a quebra de vidrarias.
Instalações elétricas: tomadas de 110 V e 220 V.
Instalações hidráulicas: as bancadas devem possuir torneiras.
Outras benfeitorias: gás, vácuo

2.1.2. Equipamentos
A instalação e os equipamentos de um laboratório de contro-
le da qualidade com recursos básicos, podem ser obtidos a custos
razoáveis. Todavia, o investimento retorna sob a forma de economi-
a, com a maior eficiência nos processos de produção, na avaliação
do desempenho dos funcionários, na segurança, no controte do de-
sempenho da empresa, na conscientização sobre a importância da
qualidade, na credibilidade e na conquista de uma posição estável
no mercado.
Os equipamentos necessários para o funcionamento de um
laboratório de controle da qualidade na farmácia de manipulação,
devem ser proporcionais à amplitude das análises que se pretende
realizar e à disponibilidade financeira para adquiri-los. Considera-
22
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

mos como ideal:


• pHmetro
• aparelho para determinação do ponto de fusão
• viscosímetro
• espectrofotômetro (visível e ultravioleta):faixa 190 a 750 nm
• estufa
• balança analítica de precisão
• mufla
• banho-maria
• centrífuga (com pelo menos 3.000 rpm)
• microscópio
• refratômetro
• dessecador
• bico de Bunsen
• tamizes para classificação de pós: 100, 150, 200 mesh
• densímetros (alcoômetros e picnômetros)
• vidrarias (provetas, buretas, condensadores, balões, Erlen-
meyers, cápsulas de porcelana, tubos de ensaio, funis de se-
paração, pipetas graduadas e volumétricas, tubos de Nessler,
balões volumétricos, termômetros, pesa-filtros, frascos para
reagentes, etc.)
• refrigerador
• cromatoplacas
• lâmpada UV
• cuba cromatográfica (para cromatografia de camada delga-
da)
• balança com dessecador para determinação de umidade

2.1.3. Principais fontes bibliográficas de metodologia analí-


tica
• Index Merck
• USP - National Formulary
• BP - British Pharmacopoeia
• Martindale
• Farmacopéia Brasileira
• Análise Farmacêutica (Andrejus Korolkovas)
• CTFA Standarts Methods - Cosmetic, Toiletry and Fragance
Association

23
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

• Manual de Soluções, Reagentes e Solventes (Morita)


• Livros de Farmacognosia
• Livros de Química Analitica
• Handbook of Pharmaceutical Excipients
• Farmacopéia Européia

2.2. Recepção, Identificação e Amostragem das maté-


rias-primas

2.2.1. Recepção das matérias-primas


Quando a matéria-prima chegar ao almoxarifado sua embala-
gem deve ser examinada visualmente, observada sua integridade,
sua conformidade com o declarado na nota fiscal; a confirmação de
peso ou votume (ainda na presença da transportadora) a necessida-
de de conservação especial e a validade.

2.2.2. Identificação
Todas as matérias-primas recém-chegadas devem ser conser-
vadas em uma área isolada considerada "quarentena", até que o
laboratório de controle da qualidade tenha determinado ou não a
sua aceitabilidade.
A área de quarentena deve ter acesso restrito de maneira a
evitar a utilização inadvertida da matéria-prima não analisada.
As matérias-primas que necessitam condições especiais de
conservação serão retidas até que as análises indiquem sua confor-
midade.
Conforme o controle da qualidade aprove ou rejeite o lote
de matéria-prima, identificá-la com etiqueta de aprovação ou re-
provação.

2.2.3. Etiquetas
As etiquetas de identificação devem seguir os seguintes pa-
drões de cores:
• Quarentena: amarela
• Aprovado: Verde
• Reprovado: Vermelho
24
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Podem ser preenchidas com os seguintes dados:

A. Quarentena
Nome da matéria-prima
Número do lote
Data do recebimento
Data da fabricação
Data da validade
Nome do fornecedor
Quantidade
Nome da transportadora
Aguardando aprovação

B. Aprovado: etiqueta de aprovação


• Nome da matéria-prima
• Número do lote
• Data do recebimento
• Data da validade
• Nome do fornecedor
• Quantidade
• Analista responsável
• Aprovado

C. Reprovado: etiqueta de reprovação


• Nome da matéria-prima
• Número do lote
• Data do recebimento
• Data da validade
• Nome do fornecedor
• Analista responsável
• Reprovado

2 . 2 . 3 . Amostragem
A amostragem deverá ser feita por uma pessoa qualificada,
sob a supervisão do controle da qualidade.
Devem ser recolhidas amostras representativas de cada em-
balagem de cada lote, caso venha mais de uma embalagem de um
mesmo lote.
25
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Utiliza-se <n + 1 (número de embalagens das quais devem


ser recolhidas amostras). Caso a matéria-prima pertença a lotes
diferentes, cada lote deve ser amostrado.
A amostragem deverá ser tomada em local limpo e apropria-
do para que não haja possibilidade de contaminação cruzada.
Deverá ser tomada uma porção do fundo, uma do meio e
uma da parte superior das embalagens com pipeta, sonda, colher ou
utensilio apropriado.
A quantidade de amostra a tomar deverá ser determinada
previamente, de acordo com a metodologia analítica a ser empre-
gada, separando um pouco mais para a amostrateca 1 .

2.3. Características (identificação) das matérias-primas


Testes qualitativos ou quantitativos simples nas matérias-
primas podem ser de grande valia para detectar alterações, adulte-
rações ou erros grosseiros dos fornecedores na separação da maté-
ria-prima podendo ser efetuados na própria farmácia.
Deve-se preparar uma ficha constando os métodos analíticos
que serão empregados 2.
Para fins de identificação, costuma-se levar-se em conta os
critérios subjetivos.
Critérios analíticos empregados para determinação da quali-
dade dos medicamentos:
Propriedades organolépticas: aspecto geral, cor, odor e sabor.
Normas e ensaios de identidade: solubilidade, ponto de fusão, es-
pectrofotometria no ultravioleta e infravermelho, cromatografia,
reações de coloração, reações de precipitação, etc.
Normas e provas de pureza: métodos quantitativos como: perda
por dessecação, grau de umidade, cromatografia líquida e gasosa,
espectrometria de massa (para estimar a concentração de uma im-
pureza tóxica), ensaios de metais tóxicos, provas de esterilidade e
pirogenicidade.
Normas e ensaios de atividade: métodos quantitativos como: es-
pectrofotometria, titulação, gravimetria e outros baseados em rea-
ções elétricas, térmicas e biológicas.

1
Amostrateca: local para arquivamento de amostras de matéria-prima ou produtos acabados pertencentes
a cada lote analisado. As amostras analisadas aprovadas podem ser eventualmente utilizadas como parà-
metros comparativos com futuros lotes a serem analisados.
' Ficha de especificação de matérias-primas (veja na pá^ina 662).
26
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

2 . 3 . 1 . Caracterização organoléptica
São consideradas características organolépticas aquelas que
utilizam os cinco sentidos como instrumentos de análise. É impor-
tante na identificação inicial da matéria-prima que chega à farmá-
cia, sendo portanto, um método inicial de custo zero. As caracterís-
ticas organolépticas guardam relação com a integridade e a quali-
dade da matéria-prima, mas não podem ser utilizadas com fins ana-
líticos, pois são consideradas subjetivas.

Tabela 2 - Características organolépticas X Sentido

Características organolépticas Sentido


Aparência Tato, visão
Cor Visão
Odor Olfato
Sabor paladar

A - Substâncias sólidas (pó)


Aparência: amostrar uma alíquota homogênea e espalhar sobre um
papel branco. Fazer comparação visual e táctil com um padrão (a-
mostrateca), confrontando a observação com as especificações do
fornecedor e com a da bibliografia analítica adotada.
Cor: a observação da cor da amostra deve ser realizada em local
bem iluminado (luz branca) contra um fundo branco e em confronto
com padrão da amostrateca e a descrição da metodologia analítica
adotada. Descrições mais comuns: branco, quase branco, levemente
amarelado, etc...
Odor: deve ser observado em confronto com padrão da amostrateca
e bibliografia adotada. Devemos tomar precaução com substâncias
voláteis, tóxicas e irritantes (por exemplo: capsaicina, ácido clorí-
drico, ácido sulfúrico, hidróxido de amônio, e t c ) . É um parâmetro
organoléptico apenas descritivo e não deve ser considerado como
padrão de pureza, exceto para aqueles casos nos quais um odor par-
ticular é sinal de alteração (como odor de ranço em materiais gra-
xos e odor característico de hidrólise na dietilpropiona). Geralmen-
te classificado como: odor característico ou inodoro.
Sabor: não é determinado para sólidos (risco de intoxicação para o
analista).

27
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

B - Substâncias líquidas
Aparência: homogeneizar a amostra e transferir uma alíquota para
um tubo de ensaio e observar contra um fundo branco. Deve-se con-
siderar a presença ou não de resíduos, o grau de turvação e a sepa-
ração de fases.
Cor: a cor será determinada usando amostras-padrão, fazendo uma
identificação visual ou por método colorimétrico. A técnica será
realizada preferencialmente em tubos de comparação de cor rigoro-
samente iguais, sob condições que assegurem que a solução de refe-
rência colorimétrica e a substância testada sejam tratadas similar-
mente em todos os aspectos. A comparação de cores é melhor se
realizada em camadas de iguais profundidades e, sendo observadas
transversalmente contra um fundo branco, sendo particularmente
importante que as soluções sejam comparadas na mesma tempera-
tura, preferencialmente aos 25°C.
Odor: deve-se tomar precaução com líquidos voláteis tóxicos e irri-
tantes. Geralmente classificado como: odor característico ou inodo-
ro, confrontando com amostra padrão recente. No caso de óleos ou
materiais graxos, esteja atento ao odor característico de ranço.
Sabor: não é determinado para líquidos.

C - Essências e aromas
Aparência: deve-se considerar a presença ou não de resíduos e tur-
vação. Isto é possível através da observação na embalagem original
do produto, senão através de frascos transparentes.
Cor: segue-se o mesmo método descrito para líquidos.
Odor: o odor das essências será identificado utilizando-se uma fita
de papel de f i l t r o na qual mergulha-se o produto. Espera-se secar
levemente, para logo em seguida cheirá-la, comparando com seu
aroma padrão. É importante não se realizar a análise de várias es-
sências ao mesmo tempo devido à possibilidade de mistura de odo-
res, dificultando uma perfeita identificação.
Sabor: pode-se proceder à preparação de uma solução açucarada
(xarope), adicionando a mesma quantidade de aroma para a amos-
tra e para o padrão. Deve-se experimentar a amostra, enxaguar a
boca com água e logo a seguir experimentar o padrão.

D - Corantes
Aparência: fazer comparação visual com um padrão pré-
determinado, em papel branco, seguindo as especificações do for-
necedor.

28
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Cor: prepara-se uma solução de porcentagem variada, porém baixa


(translúcida), idêntica ao padrão. Em seguida analisar de acordo ao
método descrito na cor dos líquidos.
Odor: inodoro ou característico, segundo a especifícação do forne-
cedor.
Sabor: não é determinado para corantes.

2 . 3 . 2 . Identificação físico-química
0 teste de identificação é um meio de se determinar a iden-
tidade de uma substância, não fornecendo obrigatoriamente dados
sobre a sua pureza. Quando se dispõe de equipamentos, a identifi-
cação feita por espectroscopia no infravermelho pode ser uma me-
todologia de escolha.

A - Solubilidade
As indicações sobre solubilidade referem-se a determinações
feitas a 25°C. Pode-se verificar a solubilidade em solventes com a
água, álcool etílico, metanol, glicerol, clorofórmio, acetona, éter,
soluções ácidas diluidas, soluções alcalinas diluídas, óleo mineral,
óleo vegetal, acetato de etila, propilenoglicol e outros solventes
que vão interessar à manipulação específica.

Tabela 3: Classificação farmacopéica da solubilidade

Termo descritivo Quantidade de solvente


Muito solúvel Menos de uma parte *
Facilmente solúvel De 1 a 30 partes
Solúvel De 10 a 30partes
Ligeiramente solúvel De30a 100 partes
Pouco solúvel De 100 a 1.000 partes
Muito pouco solúvel De 1.000 a 10.000 partes
Insolúvel Maisde 10.000 partes

Nota: ' A expressão "partes" refere-se à dissolução de 1 $ de um sótido ou 1 mL de um liqui-


do no número de mililitros do solvente estabelecido no número de partes.

29
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

B - Determinação do pH
0 pHmetro é um aparelho indispensável na farmácia com
manipulação, sendo importante tanto no controle da qualidade da
matéria-prima como no produto acabado. A medição do pH é muito
importante, pois várias matérias-primas podem ter seu pH alterado
em função de impurezas ou instabilidades (hidrólise, por exemplo).
Esta instabilidade pode ocorrer devido ao tempo de estocagem e/ou
condições inadequadas de transporte e armazenamento.
Altas temperaturas predispõem à instabilidade. Algumas ma-
térias-primas podem ser caracterizadas através da medição do pH
de uma solução da amostra à determinada concentração.

Descrição
Passo 1: Retirar o béquer contendo solução de KCl 3 M no qual está
mergulhado o eletrodo quando o medidor não está em uso;
Passo 2: Lavar o eletrodo com jatos de água destilada e enxugá-lo
com papel de f i l t r o ;
Passo 3: Imergir o eletrodo em solução-tampão de referência, veri-
ficando-se a temperatura em que se vai operar;
Passo 4: Ajustar o valor de pH 7, mediante o botão de calibração;
Passo 5: Lavar o eletrodo com várias porções de um segundo tampão
de referência, imergindo-o neste, verificar o valor do pH registrado,
aferir o pHmetro com valor de pH 4 do segundo tampão;
Passo 6: Após a aferição, lavar o eletrodo com água destilada e com
várias porções da solução da amostra;
Passo 7: Para a diluição das amostras, deve-se usar água destilada
isenta de dióxido de carbono (água destilada fervida recentemen-
te);
Passo 8: Proceder à determinação da leitura do pH da solução da
amostra, a primeira determinação fornece o valor variável, havendo
necessidade de proceder novas leituras (ideal: 3 leituras);
Passo 9: Lavar novamente o eletrodo com água destilada, conser-
vando-o a seguir em solução de cloreto de potássio.

30
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

B.1. Sugestão de Soluções-tampão

Tampão pH 7
Fosfato monopotássico 0,2 M 50,0 mL
Hidróxido de sódio 0,2 M 29,1 mL
Água destilada qsp 200,0 mL

Tampão pH 4
Biftalato de potássio 0,2 M 50,0 mL
Ácido clorídrico 0,2 M 0,1 mL
Água destilada qsp 200,0 mL

C - Densidade
A densidade é uma propriedade física cujo valor é calculado
através do peso (em gramas) e do volume (em mililitros) de uma
dada substância pura (líquida ou sólida) ou mistura.
Exemplo: a água a 25°C tem densidade igual a 1,000; isto
significa que 1 grama de água nessa temperatura ocupa o volume de
1 mL. Adicionando-se sal na água, a densidade será alterada para
mais. Já na mistura água-álcool etílico, a densidade será menor que
1,000.
Portanto, nas misturas a densidade das substâncias adiciona-
das interferirá na densidade final, permitindo determinar possíveis
adulterações através da medição da densidade.
A densidade é útil para avaliar a pureza de certas substân-
cias, como por exemplo: álcool, óleos vegetais e minerais.
Para a determinação da densidade (densidade específica) em
líquidos e densidade aparente em pó utilizam-se densímetros de
vidro, picnômetros, provetas e balanças analíticas.

C. 1. Determinação da densidade aparente f d ^ l para pós


Para a determinação da densidade de pós (densidade aparen-
te) uti(iza-se a proveta. A densidade aparente é útil tanto na identi-
ficação da amostra como também para viabilizar o método de en-
chimento volumétrico de cápsulas, densidade aparente de pós e a
relação de peso por unidade de volume, incluindo os espaços vazios
que normalmente existem entre as partículas.
31
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

A determinação da densidade aparente requer apenas uma


proveta em uma balança.

d(ap) = P/V
d(ap) = densidade aparente
P = peso em gramas
v = volume em mililitros

C.2. Determinação da densidade relativa (método do picnômetro)


para liquidos
Passo 1: Utilizar um picnômetro limpo e seco que tenha sido previ-
amente calibrado. A calibração consiste na determinação da massa
do picnômetro vazio e da massa do seu conteúdo com água, recen-
temente destilada e fervida, medida a 20°C.
Passo 2: Colocar a amostra no picnômetro a 20°C, remover o excesso
da substância, se necessário, e pesar. Obter o peso da amostra (em
gramas) através da diferença da massa do picnômetro cheio e vazio.
Passo 3: A divisão entre a massa da amostra líquida e a massa da
água, ambas a 20°C é a densidade relativa.

, nn0r> massa da amostra líquida


d(rel)ZU U = —
massa da água

C.3. Determinaçào da densidade especifica


É calculada a partir de sua densidade relativa

D(esp)20°C = 0,99703 x d ( r e l ) + 0,0012

Nota: normalmente as monoçrafias fornecem dados de densidade espeáfica.

D - Densitometria
É a utilização de aerômetros ou densímetros para determina-
ção da densidade. Observar a temperatura que será efetuada a me-
dição da densidade, caso seja necessário faça a correção da leitura.

32
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Descrição
Verta a amostra liquida numa proveta, coloque a proveta em
posição vertical, introduza um termômetro no líquido fixando-o so-
bre o bordo da proveta. Quando a coluna termométrica ficar esta-
cionária, mergulhe no líquido o densímetro previamente molhado no
líquido em ensaio e enxugado cuidadosamente. 0 densímetro deve-
rá flutuar livremente na proveta, sem aderir às paredes e o líquido
não deverá atingir os bordos da proveta. Quando o densímetro dei-
xar de oscilar faça a leitura.

E - Alcoometria
Quando se introduz o alcoômetro centesimal (alcoômetro de
Gay Lussac) em uma mistura de água e álcool, à temperatura de
15°C, a leitura indica em centésimos e em volume o teor em álcool
absoluto na mistura hidroalcoólica.
A graduação Gay Lussac determina o número de volume de
álcool etílico contido em 100 volumes de uma mistura feita exclusi-
vamente de álcool etílico e água, determinado a 15°C.

Exemplo: 1 litro de álcool etílico a 96° GL encerra a 15°C, 960 mL de


álcool etílico absoluto.
Para se determinar a quantidade de álcool etílico por cento
em volume, em determinada temperatura, por meio da porcenta-
gem em peso, devemos levar em conta a densidade da mistura e a
do álcool puro e empregar a seguinte fórmula:

pXD

X = quantidade de álcool em volume (mL)


p = porcentagem em peso
D = densidade da mistura hidroetanólica (a uma dada temperatura)
d = densidade do álcool puro (a uma dada temperatura)

Exemplo:
Quer se saber o volume em mL de álcool etílico absoluto necessário
para preparar uma mistura hidroalcoólica a 70% em peso de etanol
(álcool 70% p/v).
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Devemos considerar a temperatura de 25°C.


Densidade do álcool absoluto a 25°C = 0,78506*
Densidade da mistura a 25°C = 0,86340*

x_ 70,0,86340 ^X__769K=>X = 11%


0,78506

Serão necessários 770 mL de álcool absoluto + 230 mL de água.

E se partíssemos do álcool a 96° GL, quanto teríamos que utilizar


desta mistura a 25°C?

Álcool a 96° GL = 960 mL de etanol em 1 litro da mistura


Álcool a 70% = contém 770 mL de etanol em 1 litro da mistura.

Portanto:
770x1000
v= -» 802 m L d o alcool a 96° GL(+agua qsp 1000 mL).
960
* valores obtidos na tabela alcoométrica na página 35

34
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Tabela 4 - Tabela alcoométrica

C 2 H 5 OH 30
(%p/p) D = 1°° D= 1 5 ° D= 2 °° D = 25 ° D = °
4" 4° 4" 4 4"
40 0,91238 0,93882 0,93518 0,93148 0,92770
41 0,94042 0,93682 0,93314 0,92040 0,92580
42 0,93842 0,93478 0,93107 0,92729 0,92311
43 0,93639 0,93271 0,92897 0,92516 0,92128
44 0,93433 0,93062 0,92685 0,92301 0,91910
45 0,93226 0,92852 0,92172 0,92085 0,91692
46 0,93017 0,92640 0,92172 0,92085 0,91692
47 0,92806 0,92126 0,92041 0,91649 0,91250
48 0,92593 0,92211 0,91823 0,91429 0,91028
49 0,92379 0,91995 0,91604 0,91208 0,90805
50 0,92162 0,91776 0,91384 0,90985 0,90580
51 0,91913 0,91555 0,91160 0,90760 0,90353
52 0,91723 0,91333 0,90936 0,90334 0,90125
53 0,91502 0,91110 0,90711 0,90307 0,89896
54 0,91279 0,90885 0,90485 0,90079 0,89667
55 0,91055 0,90659 0,90258 0,89850 0,89137
56 0,90831 0,90433 0,90031 0,89621 0,89206
57 0,90607 0,90207 0,89803 0,89392 0,88975
58 0,90381 0,89980 0,89574 0,89162 0,88744
59 0,90154 0,89752 0,89344 0,88931 0,88312
60 0,89927 0,89523 0,89113 0,88699 0,88278
61 0,89698 0,89293 0,88882 0,88466 0,88044
62 0,89468 0,89062 0,88650 0,88233 0,87809
63 0,89237 0,88830 0,88417 0,87998 0,87574
64 0,89006 0,88597 0,88183 0,87763 0,87337
65 0,88774 0,88364 0,87948 0,87527 0,87100
66 0,88541 0,88130 0,87713 0,87291 0,86863
67 0,88308 0,87895 0,87477 0,87054 0,86625
68 0,88074 0,87660 0,87241 0,86817 0,86387
69 0,87839 0,87424 0,87004 0,86479 0,61480
70 0,87602 0,87187 0,86766 0,86340 0,85908
71 0,87365 0,86949 0,86527 0,86100 0,85667
72 0,87127 0,86710 0,86287 0,85859 0,85426
73 0,86888 0,86470 0,86047 0,85618 0,85184

35
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Continuação Tabeia 4

C 2 H 5 OH
(%P/P)
D=10° D = 15 ° D = 20
° D=25° D=30°
4 4" 4" 4" 4"
74 0,86648 0,86229 0,85806 0,85376 0,81941
75 0,86408 0,85988 0,85564 0,85134 0,84698
76 0,86168 0,85747 0,85322 0,84891 0,84455
77 0,85927 0,85505 0,85079 0,84647 0,84211
78 0,85685 0,85262 0,84835 0,84403 0,83966
79 0,85442 0,85018 0,84590 0,84158 0,83720
80 0,98197 0,84772 0,81311 0,83911 0,83473
81 0,81930 0,84525 0,84096 0,83664 0,83224
82 0,84702 0,84277 0,84348 0,83415 0,82974
83 0,81153 0,84028 0,83599 0,83161 0,82724
84 0,81203 0,83777 0,83318 0,82913 0,82473
85 0,83951 0,83525 0,83035 0,82660 0,82220
86 0,83697 0,83721 0,82810 0,82103 0,84965
87 0,83441 0,83014 0,82583 0,82143 0,81708
88 0,83181 0,82754 0,82323 0,81888 0,81418
89 0,81919 0.82492 0,82062 0,81626 0,81186
90 0,82634 0,82227 0,81797 0,81362 0,80922
91 0,82386 0,81939 0,81529 0,81094 0,80655
92 0,82114 0,81668 0,81257 0,80823 0,80834
93 0,81839 0,81413 0,80983 0,80349 0,80111
94 0,81561 0,81134 0,80705 0,80272 0,79835
95 0,81278 0,80352 0,80424 0,79991 0,79555
96 0,80991 0,80566 0,80138 0,79706 0,79271
97 0,80698 0,80274 0,79846 0,79415 0,78981
98 0,80399 0,79975 0,79347 0,79117 0,78634
99 0,80094 0,79670 0,79213 0,78814 0,78382
100 0,79784 0,79360 0,78934 0,78506 0,78075

36
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

F - Viscosidade
A viscosidade dos líquidos pode ser determinada pela medida
do tempo de escoamento dos mesmos, sob determinadas condições.
Em igualdade de condições os líquidos mais viscosos escoam-se mais
lentamente. A viscosidade de uma substância é função de sua estru-
tura molecular. É muito importante a temperatura do teste, pois
esta interfere diretamente na viscosidade.
Cada líquido pode ser caracterizado por um determinado
coeficiente de viscosidade.
• Unidade de coeficiente de viscosidade: poise.
• Coeficiente de viscosidade da água a 20°C: 1 centipoise
(1 centipoise = 0,01 poise).

Tabela 5: Viscosidade em centipoise de alguns liquidos a 25°C.

Substância Viscosidade em centipoise


(cp)
Éter etílico 0,22 cp
Acetona 0,32 cp
Clorofórmio 0,54 cp
Agua 0,89 cp
Glicerina 954x10 4 cp

Há processos absolutos e relativos para a medida da viscosi-


dade. A viscosidade absoluta é medida por viscosímetros como o de
Brookfield®, através da velocidade de rotação de eixos metálicos
imersos no líquido.
A determinação da viscosidade relativa é de mais fácil exe-
cução (tempo de escoamento relacionando-o a outro líquido de vis-
cosidade conhecida, geralmente a água).

Viscosidade relativa de líquido (n)


r\ = k. t. d
t = tempo de escoamento da amostra
d = densidade da amostra
k = constante a uma dada temperatura

37
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Cálculo de k
k= x d(água), a uma dada temperatura.
t(água)

Tabela 6: Viscosidade da água em diversas temperaturas

°c T,(cP)
15 1,140
16 1,110
17 1,082
18 1,055
19 1,029
20 1,004
21 0,980
22 0,957
23 0,936
24 0,915
25 0,895

Nota: A viscosidade reiativa pode ser medida no copo de Ford", assegurando o enchimento
total do mesmo tanto para água como para a amostra na mesma temperatura.
Observaqão: a viscosidade da matéria-prima pode interferir na viscosidade do produto finat.

G - Determinação do índice de refração


0 índice de refração é uma constante física, freqüentemente
usada na determinação da identidade e da pureza de fármacos e
produtos alimentícios. Pode ser usado para determinar quantitati-
vamente a pureza das soluções ou as proporções que certos líquidos
são misturados: por exemplo, a porcentagem de açúcar no xarope e
a porcentagem de álcool na água. 0 índice de refração é uma ca-
racterística de muitas substâncias tais como gorduras, óleos graxos,
ceras, açúcares, solventes orgânicos e óleos essenciais.
A determinação do índice de refração é realizada no refra-
tômetro tipo Abbé"'' e pelo refratômetro manual.

38
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Tabela 7: índice de Refração

Substância Indice
Água destilada 1,3330
Acetona 1,3589
Clorofórmio 1,4476
Etanol(18°C) 1,3624
Eugenol 1,5400- 1,5420
Fitonadiona (25° C) 1,5230- 1,5252
Glicerina 1,4729
Salicilato de metila 1,5350- 1,5380
Trietanolamina (40°C) 1,4537- 1,4585

Descrição
Passo 1: Verificar a temperatura do liquido padrão (água destilada).
Passo 2: Colocar água destilada entre os prismas e aferir em 1,3330
pois o índice de refração da água a 20°C é 1,3330.
Passo 3: Determinar o erro inicial mediante deslocamento da crema-
Iheira até obter campo constituído de metades iguais, mas desi-
gualmente iluminadas, isto é, uma clara e outra escura.
Passo 4: lluminar o prisma com luz solar ou elétrica de modo a ter
campo bem claro. Colocar duas a três gotas do líquido problema na
face do prisma mantido horizontalmente e determinar o índice de
refração.

Correção: o aparelho está calibrado para 20°C. O erro é de aproxi-


madamente 0,4% para cada 5 graus de temperatura (a ser subtraido
se a temperatura for inferior a 20°C; somando se a temperatura for
superior a 20°C).

H - Determinação da umidade na matéria prima


Quando a porcentagem de umidade na matéria-prima sólida
não for especificada na monografia é permitido um máximo de 1%,
exceto para certos produtos químicos eflorescentes cujos limites de
tolerância são maiores.
A determinação da umidade pode ser realizada em balança
com dessecador infravermelho.
O teor maior de umidade acima do especificado, demonstra
deterioração ou má conservação das matérias-primas.

39
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

I - Teste da peneira (granulometria)


Certas matérias-primas como o talco, o dióxido de titânio, o
óxido de zinco e os fitoterápicos são utiüzados na forma de pó e
necessitam ser homogêneos. A presença de partículas maiores que o
especificado irão interferir na aparência e na performance do pro-
duto, bem como, ocasionar diferenças no enchimento das cápsulas
(ex.: fitoterápicos). Para realização deste teste, empregam-se tami-
ses de malhas definidas.

J - Classificação dos pós


Pó grosso: aquele cujas partículas em sua totalidade, passam pelo
tamis com abertura de 2mm (tamis n° 10) e, no máximo 40% pelo
tamis com abertura nominal de malhas de 0,355mm (tamis n° 44).
Pó moderadamente grosso: aqueles cujas partículas passam em sua
totalidade pelo tamis com abertura nominal de malha de 0,71 Omm,
(tamis n° 22) e, no máximo 40% pelo tamis com abertura nominal de
malha de 0,250mm (tamis n° 60).
Pó semi-fino: aquele cujas partículas passam em sua totalidade pelo
tamis de abertura nominal de malha de 0,355mm (tamis n° 44) e no
máximo 40% pelo tamis com abertura nominal de malha de 0,180mm
(tamis n° 85).
Pó fino: aquele cujas partículas passam em sua totalidade pelo ta-
mis com abertura nominal de malha de 0,180mm (tamis n° 85).
Pó finíssimo: aquele cujas partículas passam em sua totalidade pelo
tamis com abertura nominal de malha de 0,125mm (tamis n° 120).

Descrição: Para pós grossos, moderadamente grossos e semi-finos


Passo 1: Utilizar amostras de 25 a 100 gramas de pó.
Passo 2: Colocar a amostra sobre o tamis de malha selecionada.
Passo 3: Agitar o tamis em movimentos horizontais rotativos e verti-
cais, sobre um recipiente para coleta (durante cerca de 20 minu-
tos).
Passo 4: Pesar cuidadosamente o pó recolhido e a fração remanes-
cente sobre o tamis.

Obs.: Para pós finos e muito finos, proceder como descrito acima,
porém utilizando amostras de 25 gramas.

40
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

L - Determinação de resíduo pela incineração (cinzas) - drogas


vegetais
A determinação de cinzas totais destina-se a estabelecer a
quantidade de substância residual não-volátil no processo de incine-
ração especificado. As cinzas totais, incluem as derivadas de tecido
vegetal (cinzas fisiológicas) e de materiais estranhos, como areia e
terra (cinzas não-fisiológicas).

Descrição
Exemplo de procedimento geral normalmente empregado:
Passo 1: Calcinar previamente cadinho de porcelana em mufla a
450°C por 30 minutos.
Passo 2: Resfriar no dessecador.
Passo 3: Tarar o cadinho (P1).
Passo 4: Pesar exatamente 3 g da droga (P2).
Passo 5: Distribuir o material uniformemente no cadinho.
Passo 6: Colocar o cadinho inclinado sobre um suporte e iniciar a
combustão com chama pequena do bordo superior ao fundo do cadi-
nho, aumentando o aquecimento gradativamente.
Passo 7: Após completa combustão (ausência de fumaça), calcinar
em mufla a 450°C por duas horas (eliminação t o t a l do carvão).
Passo 8: Resfriar o cadinho em dessecador e pesar (P3).
Nota: caso o carvõo não tenha sido eliminado, resfriar o cadinho, adicionar ao residuo 2 mL
de água destilada ou soluqão saturada de nitrato de amônio (oxidante). evaporar em banho-
maria até secura, calcinar em mufla a 450°C até peso constante.

Cáiculos

Exemplo
P1 = cadinho = 45,0000 gramas
P2 = cadinho + droga = 48,0000 gramas
P3 = cadinho + cinzas = 45,3000 gramas
P1 - P2 = droga (total de amostra) = 3,0000 gramas
P1 - P3 = cinzas = 0,3000 gramas

Cálculo percentual
3,0000 gramas da droga 0,3000 gramas de cinzas
100 gramas da droga X
X = 10%decinzas

Nota: o procedimento para determinação de cinzas pode variar conforme a droga a ser anati-
sada, devendo ser consultada a monografia farmacopéica especifica.
41
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

M - Pesquisa de matéria orgânica estranha (drogas vegetais)


Amostras de 25g a 500g da droga bem misturada, distenda-a
em camada delgada, separe a matéria orgânica estranha à mão o
mais completamente possível, pese-a calcule a sua porcentagem na
droga examinada.

N - Microscopia
0 exame microscópico, em numerosos casos, é ú t i l na análise
de produtos farmacêuticos. Com uso do microscópico caracteriza-
mos e diferenciamos fármacos de origem vegetal, animal ou mesmo
sintéticos. Com o recurso químico (algumas gotas de iodo deci-
normal), podemos saber se a amostra é pura ou adulterada com
substâncias amiláceas. Podemos observar adulterações comuns co-
mo glucomanan com gelatina, clhorella com spirullina, vitamina C
revestida com vitamina C injetável e etc.

0 - Ponto de fusão
0 ponto de fusõo de uma substância ou fármaco é definido
como a temperatura onde ocorre a passagem do estado sólido ao
estado líquido por influência do calor. É regida por duas leis que
são:
• 1a Lei: toda substância quimicamente pura entra em fusão a
uma temperatura determinada.
• 2a Lei: durante a fusão a temperatura permanece constante.
Na prática, utilizamos o intervalo de fusão que é o intervalo
de temperatura onde ocorre a fusão do fármaco, isto porque os fá-
macos não apresentam um grau de pureza absoluto de 100%. Desta
forma, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece uma vari-
ação de +/-4°C da temperatura indicada para fusão, j á a United
States Pharmacopea (USP24) indica que o ponto de fusão deve ser
expresso como a média entre a temperatura inicial (quando há for-
mação de pequenas goticulas) e a final (completa formação de go-
tas límpidas e transparentes) de fusão. Este critério também é ado-
tado pela Farmacopéia Brasileira.
A adição de um segundo componente a um composto puro,
resultando em uma mistura, produz em geral um ponto de fusão
inferior ao composto puro. 0 grau de redução do ponto de fusão,
também está relacionado com o ponto de fusão propriamente dito.
Os compostos com ponto de fusão baixo são mais influenciados que
42
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

os compostos com ponto de fusão alto após a adição de um segundo


componente (isto é, os compostos com baixo ponto de fusão sofrem
redução mais acentuada no ponto de fusão do que aqueles cujo pon-
to de fusão é alto).
Sem dúvida nenhuma, o ponto de fusão é uma ferramenta
importante para identificação de um fármaco bem como seu grau
de pureza. Contudo, para alguns fármacos surge um outro conceito:
o comportamento de fusão que é observado para aqueles fármacos
que quando são aquecidos, sofrem decomposição. Assim, o ponto de
fusão observado não é verdadeiro mas, sim uma temperatura onde
existe uma mistura do fármaco íntegro e produtos de degradação.
Um exemplo importante é o pantoprazol que se decompõe em torno
de 190°C.

Tabela 8: Ponto de Fusão de alguns fármacos

Fármaco Ponto de Fusão (UC)


Ácido mefenâmico 230 - 231 (efervescente)
AlprazolaiV 228,0 228,5 (ponto de fusão misto.
Não deve desviar mais que 2°C)
Carnitina (L) (DL) DL:195-197c/dec/D:210-212 com de-
comp. L: 197-198 c/decomposição
Cloridrato de amilorida Anidro: 293 - 295
Dehidratado: 285 - 288 c/decomp.
Cloridrato de dietilpropiona 168 com decomposiçâo
Cloridrato de fluoxetina 158,4 - 158,9
Cloridrato de Hidroxizina 200 com decomposição
Finasterida Cerca de 257
Hidroclorotiazida 273 275
Maleato de Enalapril 143 a 145
Nimodipina* 125
Pantoprazol sódico Decompõe acima de 130 (190)
Pentoxifilina 103 a 107
Prednisolona Decompõe a 240 - 241
Sulfassalazina Decompõe em 240 - 245

Nota: ' Fármacos que apresentam o fenòmeno de polimorfismo: Prednisolona, ácido mefenâ-
mico, fosfato sódico de dexametasona, nimodipina, alprazolan, etc.
Veja na seção Anexo tabela com outros fármacos e seus respectivos pontos de fusão.

43
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

3. Obtenção do teor dos fármacos

3.1 Conceitos em Química Analítica

Utiliza-se com freqüência, a palavra "concentração" como


um termo geral que se refere a uma quantidade da substância num
volume definido de solução. Segundo as regras IUPAC (International
Union of Pure and Applied Chemistry), na análise titrimétrica quan-
titativa, usam-se soluções-padrões nas quais a unidade básica da
quantidade empregada é o mol. Entretanto, em análise farmacêuti-
ca, a concentração da maioria das soluções-padrões é dada em
normalidade. Discutiremos esses termos detalhadamente a seguir.

3 . 1 . 1 . Molaridade
Segundo a IUPAC, mol "é a quantidade de substância que
contém tantas unidades elementares quantos são os átomos em
0,012 kg de carbono 12. A unidade elementar deve ser especificada
e pode ser um átomo, uma molécula, um íon, um radical, um elé-
tron ou outra partícula ou grupo especificado destas partículas".
Por isso, algumas soluções-padrões são expressas em concen-
trações molares ou molaridade (M). Estas soluções são definidas em
termos do número de moles do soluto dissolvidos em 1 litro da solu-
ção, assim, em qualquer solução:

, , , ., . __ moles do soluto
Molandadc(M) = -volumeda soluçãoem litros

Como o conceito de "mol" se refere a uma quantidade de


substância com referência à massa especificada de carbono 12, é
possível expressar a massa molecular relativa (que a base do mol)
de qualquer substância, pelas somas das massas atômicas relativas
dos seus elementos constitutivos. Por exemplo: ácido sulfúrico
(H2S04):

44
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Tabela 9: Elemento X Massa Atômica relativa

Elemento Massa atômica relativa


Hidrogênio 1,0079X2 = 2,0158
Enxofre 32,06 X 1 = 32,06
Oxigênio 15,9994X4 = 63,9986
Massa molecular relativa 98,0744

Daí, uma solução molar de ácido sulfúrico conterá 98,074 g


de ácido sulfúrico em 1 litro de solução ou 49,037 gramas em 500
ml_ da solução.

Exemplo 1: Preparo de 500 mL de ácido sulfúrico 0,25 M.


Dados sobre o ácido sulfúrico P.A.:
Peso molecular: 98,0 / Densidade: 1,84 / Pureza: 96,0%

Resolução:
Solução 1M: 98,Og de H2S04 em I.OOOmL
Para uma solução 0,25M teremos: 98 / 4 = 24,5g de H2S04
A concentração do ácido sulfúrico é:
96,Og de H2S04 em 100g de solução
12,25 x = 1276g de solução
Usando densidade: d=m/v ou v=m/d teremos v=12,76g/1,84 = 6,9mL
Tomar 6,9mL de H2S04 a 96% e diluir para 500mL com água destila-
da.

3.1.2. Normalidade:
Embora as concentrações molares sejam as oficialmente a-
ceitas, nas análises farmacêuticas é comum utilizar conceitos que se
chamam "pesos equivalentes" e "normalidade". Nas reações de
neutralização, o conceito de peso equivalente (ou equivalente-
bgrama) é relativamente direto, mas nas titulações de oxirredução
exige-se o conhecimento do que se conhece como "número de oxi-
dação" das substâncias envolvidas na reação.
A IUPAC define como equivalente-grama "a quantidade da
substância que em determinada reação, combina-se com a quanti-
dade de hidrogênio (ou liberta ou substitui essa quantidade) que se
combina com 3 gramas de carbono 12 no metano (CH4)".
Daí, segue que uma solução normal é uma solução que tem
um equivalente da espécie por litro, de acordo com uma reação
45
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

particular. A vantagem maior do sistema de equivalentes é de que


os cálculos na análise titrimétrica são muito simples, pois no ponto
finat, o número de equivalentes da substância titulada é igual ao
número de equivalentes da solução-padrão empregada. Podemos
escrever:

Normatidade = número de equivalentes-grama


um litro da solução

3.1.3. Cálculo dos equivalentes-grama

A. Para ácidos e bases: divide-se o peso molecular pela quantidade


de prótons (ou hidroxilas) ionizáveis presentes. Se o ácido é mono-
prótico, o equivalente-grama corresponde ao mol; se for um ácido
diprótico ou triprótico, o equivalente-grama corresponde, respecti-
vamente, à metade ou à terça parte do mol.

B. Para reações de oxirredução: corresponde ao peso molecular di-


vidido pela quantidade de elétrons disponíveis para participar da
reação.

C. Para formação de complexos e reações de precipitação: é o peso


molecular dividido pela carga do cátion ou ânion que participa da
reação.

Exemplo 1: Preparo de 500 ml_ de ácido sulfúrico 0,25 N.


Dados sobre o ácido sulfúrico P.A.:
Peso molecular: 98,0 Densidade: 1,84 Pureza: 96,0%
Resolução: Para uma solução 1N de H2S04 temos
Equivalente-grama = 98,0/2 = 49g, portanto 49g de H2S04 e diluir
para LOOOmL. Assim, para 0,25N, teremos:
49/4 = 12,5g/2 = 6,125g de H2S04
A concentração do ácido sulfúrico é
96,Og de H2S04 em 100g de solução
6,125 de H2S04 x = 6,4g de solução
Usando densidade v=m/d v=6,4/1,84 = 3,5 mL
Tomar 3,5mL de H2S04 a 96% e diluir para 500mL.

46
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

3.1.4. Padrões primários e padrões secundários


Na titrimetria alguns reagentes são adotados em concentra-
ções definidas como soluções de referência. Essas substâncias são
conhecidas como padrões primários e padrões secundários.
Um padrõo primário é um composto com pureza suficiente
para permitir a preparação de uma solução padrão, mediante a pe-
sagem direta da quantidade da substância, seguida pela diluição até
um volume definido da solução. A solução que se obtém é uma solu-
ção padrão primária.
Um padrão primário deve atender às seguintes condições:
• Deve ser fácil de obter, de purificar, de secar (preferivel-
mente a 110-120°C) e de preservar em estado puro.
• A substância deve permanecer inalterada ao ar, durante a
pesagem; não deve ser higroscópica, não pode oxidar-se ao
ar e nem ser afetada pelo dióxido de carbono. Durante a es-
tocagem, a composição do padrão deve permanecer invariá-
vel.
• 0 total de impurezas não deve exceder, em geral, de0,01 a
0,02%.
• 0 padrão deve ter uma massa molecular relativa elevada, a
fim de que os erros de pesagem possam ser desprezíveis.
• A substância deve ser facilmente solúvel nas condições em
que será empregada.
• A reação com a solução padrão deve ser estequiométrica e
praticamente instantânea. 0 erro de titulação deve ser des-
prezível ou fácil de determinar exatamente por método ex-
perimental.
• Na prática, é difícil obter um padrão primário ideal. Em mui-
tas técnicas farmacopéicas de aferição de soluções, os mé-
todos preconizam a utilização de uma quantidade de padrão
primário que reaja com cerca de 20 ml_ da solução a ser pa-
dronizada (aproximadamente 80% da capacidade total de
uma bureta de 25 mL).

Algumas das substâncias empregadas mais comumente como


padrões primários estão descritas a seguir:
• reações ácido base: carbonato de sódio (Na2CC>3), tetrabora-
to dc sódio (Na,B,0,). biftalato de potássio ou hidrogenofta-
lato de potássio (KHC8H404), ácido benzóico (C6H5COOH).
• reações de formacão de compiexos: nitrato de prata (Ag-

47
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

N0 3 ), cloreto de sódio (NaCl) e alguns outros sais utilizados


em reações específicas.
• reações de precipitação: nitrato de prata, cloreto de sódio,
cloreto de potássio e brometo de potássio.
• reações de oxirredução: dicromato de potássio (K2Cr207),
bromato de potássio (KBr0 3 ), iodato de potássio (KI0 3 ), oxa-
lato de sódio (Na 2 C 2 0 4 ), trióxido de arsênio (As203)

Um padrão secundário é uma substância que pode ser usada


nas padronizações cujo teor de substância ativa foi determinado
pela comparação contra um padrão primário. Segue daí que uma
solução padrão secundária é uma solução na qual 0 soluto dissolvido
não foi determinado pela pesagem do composto dissolvido, mas pela
reação de um volume da solução contra um volume conhecido de
uma solução padrão primária.

3.2. Volumetria de neutralização

3.2.1. Preparo de fenolftaleina Sl:


Dissolva 100 mg de fenolftaleína em álcool etílico suficiente
para obter 100 mL de solução.

3 . 2 . 2 . Preparo de hidróxido d e sódio 0,1 N:


Pese cerca de 4 gramas de hidróxido de sódio R e dissolva
cuidadosamente em cerca de 100 mL de água isenta de dióxido de
carbono, resfriando sob água corrente se necessário. Complete o
voiume a 1000 mL com água isenta de dióxido de carbono.

3 . 2 . 3 . Aferição (padronização) d e hidróxido d e sódio 0 , 1 N:


Pese exatamente cerca de 400 mg de biftalato de potássio
padrão primário, previamente triturado e dessecado a 100-105°C por
duas horas. Dissolva em cerca de 50 mL de água e titule com a solu-
ção de hidróxido de sódio 0,1 N, utilizando fenolftaleína Sl como
indicador. Cada mL de hidróxido de sódio 0,1 N corresponde a 20,42
mg biftalato de potássio. Calcuie 0 fator de correção através da
fórmula:

massa de padrão pnmário


correçao = :
fator de análise X volume gasto na titulaçâo
48
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

3.2.4. Doseamento de ácido glicólico:


Pese exatamente cerca de 2 mL de ácido glicólico, dilua com
cerca de 50 mL de água e titule com hidróxido de sódio 1 N SV, uti-
lizando fenolftaleína Sl como indicador. Cada mL de hidróxido de
sódio 1 N corresponde a 76,05 mg de C2H4O3.

3.2.5. Doseamento de furosemida:


Dissolva cerca de 250 mg de furosemida em 20 mL de dime-
tilformamida R. Titule com hidróxido de sódio 0,1 N SV, utilizando
0,2 mL de azul de bromotimol Sl como indicador. Faça uma prova
em branco. Cada mL de hidróxido de sódio 0,1 N SV corresponde a
33,07 mg de dzHnClNjO^S.

3.2.6. Doseamento de alendronato de sódio:


Pese exatamente cerca de 600 mg da amostra, adicione cer-
ca de 100 mL de água e deixe sob agitação mecânica por 10 minu-
tos. Adicione 3 a 5 gotas de fenolftaleína Sl e titule com hidróxido
de sódio 0,1 N SV até viragem do incolor para rosa. Cada mL de hi-
dróxido de sódio 0,1 N corresponde a 32,51 mg de
C4H12NNa07P2.3H20.

3 . 3 . Volumetria de oxiredução

3 . 3 . 1 . Preparação de ferroina Sl (ortofenantrolina ferrosa


Sl):
Dissolva 1,48 g de cristais límpidos de sulfato ferroso R em
100 mL de água. Dissolva 150 mg de ortofenantrolina em 10 mL da
solução de sulfato ferroso. A solução de sulfato ferroso deve ser
preparada imediatamente antes da solubilização da ortofenantroli-
na. Guarde em recipientes bem fechados.

3.3.2. Preparação de sulfato cérico 0,1 N:


Dissolvem-se 34 g de sulfato cérico em 500 mL de água con-
tendo 28 mL de ácido sulfúrico concentrado, por aquecimento. Após
resfriamento, dilui-se com água e completa-se o volume a 1000 mL.

3.3.3. Padronização de sulfato cérico 0,1 N:


Dissotva cerca de 130 mg de oxalato de sódio, previamente
dessecado a 110°C até peso constante e dissolva em 50 mL de água.
Adicione 7 mL de ácido sulfúrico R e aqueça a 70°C. Titule lenta-

49
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

mente com a solução de sulfato cérico, sob agitação constante, até


que se produza coloração amarela persistente por 15 segundos. A
temperatura ao final da titulação não deve ser inferior a 60°C. Cada
mL de sulfato cérico 0,1 N corresponde a 6,7 mg de oxalato de só-
dio. Calcule o fator de correção através da fórmula:

massa de padrão primário


correçao =
fator de análise X volume gasto na titulação

3.3.4. Preparação de difenilamina Sl:


Dissolva 1,0 g de difenilamina R em 100 mL de ácido sulfúri-
co. A solução deve ser incolor.

3.3.5. Doseamento de acetato de vitamina E:


Pese exatamente cerca de 250 mg da amostra, transfira para
balão de fundo redondo de 150 mL, acoplado a um condensador de
refluxo, com auxilio de várias porções de álcool absoluto, totalizan-
do 25 mL. Adicione 20 mL de ácido sulfúrico 5 N em álcool e ferva
sob refluxo, ao abrigo da luz, por 3 horas. Resfrie, transfira para um
balão volumétrico de 100 mL e complete o volume com álcool abso-
luto. Transfira 25,0 mL dessa solução hidrolisada para um frasco
erlenmeyer de 250 mL, adicione 20 mL de ácido sulfúrico a 12% v/v
em álcool absoluto, 20 mL de água e duas gotas de difenilamina Sl.
Titule com sulfato cérico 0,01 N SV, agitando continuamente, até o
aparecimento de coloração azul estável por pelo menos 10 segun-
dos. Faça um branco para as correções necessárias. Cada mL de
sulfato cérico 0,01 N SV, corresponde a 2,364 mg de C31H5203.

3.3.6. Doseamento de nifedipina:


Dissolva exatamente cerca de 0,1300g em uma mistura de 25
mL de álcool t-butílico e 25 mL de ácido perclórico R. Titule com
sulfato cérico amoniacal 0,1 M utilizando 0,1 mL de ortofenantrolina
ferrosa Sl como indicador até que a coloração rósea desapareça.
Titule vagarosamente ao se aproximar o ponto final da titulação.
Faça uma prova em branco. Cada mL de sulfato cérico amoniacal
0,1, M corresponde a 17,32 mg de C17H18N206.

50
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

3.3.7. Doseamento de hidroquinona:


Dissolva cerca de 250 mg de hidroquinona, exatamente pesa-
dos, em uma mistura de 100 mL de água e 10 mL de ácido sulfúrico
0,1 N, adicione 3 gotas de difenilamina Sl e titule com sulfato cérico
0,1 N SV até se obter uma coVoração vermelho-violeta. Faça uma
prova em branco para as correções necessárias. Cada mL de sulfato
cérico 0,1 N, corresponde a 5,506 mg de C6H602.

3.3.8. Preparação do lodato de potássio 0,1 N:


Dissolva 3,567g de iodato de potássio, previamente desseca-
do a 110°C a peso constante, em água para se obter 1000 mL.

3.3.9. AmidoSI:
Triture 1 g de amido R em 10 mL de água fria e despeje len-
tamente, sob agitação constante, em 200 mL de água fervente. Fer-
va a mistura até obter um fluido translúcido e pouco denso (fervura
mais prolongada que a necessária torna a solução menos sensível).
Deixe sedimentar e use somente o liquido sobrenadante límpido.
Prepare solução nova no dia do uso.

3.3.10. Doseamento de captopril:


Dissolver cerca de 300 mg de captopril, exatamente pesados,
em 100 mL de água, em frasco com rolha esmerilhada. Adicionar 10
mL de ácido sulfúrico 3,6 N, 1 g de iodeto de potássio e 2 mL de
amido Sl. Titular com iodato de potássio 0,1 N, até viragem para
azul, persistente por pelo menos 30 segundos. Faça uma prova em
branco. Cada mL de iodato de potássio 0,1 N eqüivale a 21,73 mg de
captopril.

3.4. Titulação Potenciométrica


Em 1906, Sõrensem apresentou o método potenciométrico
(eletrodo hidrogênio-platina) e definiu o conceito de pH. A idéia do
eletrodo de vidro foi desenvolvida na década de 20.
Os métodos titrimétricos caracterizam-se pelo fato de nas
imediações do ponto de equivalência, ter lugar a modificações brus-
cas de concentrações dos íons que estão sendo determinados, seja
devido à formação de compostos pouco ionízados (água, precipita-
dos ou complexos) ou ainda devido a reações de oxiredução. A de-
51
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

terminação potenciométrica do ponto final é baseada no uso de


eletrodos indicadores capazes de acusar as variações de concentra-
ção no curso das titulações. 0 ponto final é acusado pela variação
brusca do potencial do eletrodo indicador sendo que a escolha do
mesmo está condicionada à natureza da reação.
A potenciometria é um método eletrométrico que consiste
na determinação do potencial elétrico entre dois eletrodos, o indi-
cador e o de referência, os quais se encontram mergulhados na so-
lução. Nas titulações potenciométricas é suficiente determinar a
mudança de potencial em relação à quantidade de solução titulante
que foi acrescentada.

3 . 4 . 1 . Vantagens da t i t u l a ç ã o p o t e n c i o m é t r i c a
• a grande sensibilidade do método permite a sua aplicação a
soluções muito diluídas, desde que a exatidão do potenciô-
metro utilizado seja de + 1 mV;
• soluções turvas ou coradas podem ser tituladas sem proble-
mas de visualização do ponto de equivalência;
• diminuição de interferências, pois não se utiliza indicador;
• é possível titular mistura de componentes muitas vezes, fa-
zendo determinações sucessivas dos mesmos.

3 . 4 . 2 . Doseamento de cloridrato d e r a n i t i d i n a :
Dissolva exatamente cerca de 280 mg de cloridrato de raniti-
dina em água. Titule com hidróxido de sódio 0,1 N. Determine o
ponto de equivalência potenciometricamente. Cada mL de hidróxido
de sódio 0,1 N, corresponde a 35,09 mg de C13H23CIN4O3S.

3.4.3. Doseamento d e t r i a c :
Dissolva exatamente 0,6g de triac em etanol. Titule com hi-
dróxido de potássio alcoólico 0,1 N, determinando o ponto de equi-
valência potenciometricamente. Cada mL de hidróxido de potássio
aicoólico 0,1N corresponde a 62,194 mg de C14H9I3O4.

3.5. Doseamento em meio não aquoso(anidrovolumetria)

3.5.1. Introdução:
Substâncias que são bases muito fracas ou ácidos muito fra-
cos para um ponto de equivalência nítido em solução aquosa, po-

52
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

dem ser tituladas, muitas vezes, em solventes não aquosos. No caso


de bases, a titulação em meio aquoso só é possível quando sua basi-
cidade corresponde a pelo menos um pkB = 6 (dissociação 10"6). Po-
rém, se a base é mais fraca, haverá uma hidrólise do sal formado
impedindo a titulação. No entanto, fármacos com estas característi-
cas podem ser doseados em meio não aquoso, sendo o ácido acético
glacial o solvente mais utilizado na metodologia em meio não aquo-
so.

3 . 5 . 2 . Natureza do solvente:
0 solvente desempenha um papel muito importante na de-
terminação do caráter ácido-básico de uma substância, uma vez que
provê o meio necessário para que ressalte um ou outro caráter. As-
sim, a intensidade com que o soluto reage com o solvente está na
estreita dependência da força dos dois.

3 . 5 . 3 . Tipos de solventes

A.Apróticos: têm baixa constante dielétrica e são quimicamente


inertes.
Exemplos: acetona, acetonitrila, benzeno, clorobenzeno, clorofór-
mio, dicloroetileno, tetracloreto de carbono, hidrocarbonetos alifá-
ticos, 2-butanona, dioxano, isopropilcetona.

B. Protofílicos: têm alta constante dielétrica são de caráter básico e


reagem com ácidos para formar prótons solvatados, têm efeito nive-
lador sobre os ácidos.
Exemplos: amônia, anilina hidrazina, hidroxilamina, piridina, n-
butilamida, trietilamina, dimetilformamida, morfolina, etilenodia-
mina.

C. Protogênicos: têm alta constante dielétrica e são substâncias


ácidas; exercem efeito nivelador sobre as bases.
Exemplos: ácido sulfúrico, ácido fluorídrico, ácido acético glacial,
ácido propiônico, ácido fórmico, ácido clorídrico, anidrido acético,
cloreto de sulfonila.

D. Anfipróticos: apresentam alta constante dielétrica e têm propri-


edades protofilicas e protogênicas.
Exemplos: água, ácido acético glacial e álcoois (metanol, etanol e
propanol).
53
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

3.5.4. Preparo do cristal violeta Sl:


DissolvalOO mg de cristal violeta R em 100 mL de ácido acé-
tico glacial

3.5.5. Preparo de naftolbenzeina Sl:


Dissolva 250 mg de r-naftolbenzeína em 100 mL de ácido a-
cético glacial.

3.5.6. Preparo da solução de ácido perclórico 0,1 N em áci-


do acético glacial:
Transferir, quantitativamente, 8,5 mL de ácido perclórico R
para balão volumétrico de 1000 mL e adicionar sob agitação, 200 a
300 mL de ácido acético glacial. Juntar 20 mL de anidrido acético.
Completar o volume com ácido acético glacial. Transferir para fras-
co escuro e deixar em repouso por 24 horas para completar a rea-
ção.

Exemplo: preparo de 500 mL de ácido perclórico 0,1 N


Dados sobre o ácido perclórico P.A.:
Peso molecular: 100,5
Densidade: 1,67
Pureza: 70%

3.5.7. Padronização do ácido perclórico 0,1 N:


Pesar exatamente cerca de 200 mg de biftalato de potássio,
previamente dessecado a 110°C por duas horas, dissolver em 50 mL
de ácido acético glacial. Resfriar se necessário. Titular com a solu-
ção de ácido perclórico, utilizando cristal violeta acético Sl como
indicador. Faça uma prova em branco para as correções necessárias
(pode ocorrer uma reação entre o titulante e a umidade atmosférica
e com o indicador). Cada mL de ácido acético glacial corresponde a
20,42 mg de biftalato de potássio. Calcule o fator de correção atra-
vés da fórmula:

_ , massa dc padrão primário


Fatordc correçao=
fatordcanáliscX(voIumcgastonatitulação-voIumegastocombranco)

54
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

3.5.8. Preparação do acetato mercúrico SR:


Dissolva 6,0 g de acetato mercúrico R em quantidade sufici-
ente de ácido acético glacial para obter 100 mL de solução. Acondi-
cionar em frascos herméticos protegidos da luz solar direta.

3.5.9. Doseamento do cloridrato de anfepramona:


Dissolva 0,400 g, exatamente pesados, em 50 mL de ácido
acético glacial, adicione 15 mL de acetato mercúrico SR e titule
com ácido perclórico 0,1 N SV, utilizando 1-naftolbenzeína Sl como
indicador. Cada mL de ácido perclórico 0,1 N, corresponde a 24,18
mg de C13H19N03.HCl.

3.5.10. Doseamento do cloridrato de femproporex:


Pese exatamente cerca de 400 mg da amostra, dissolva em
50 mL de ácido acético glacial, adicione 5 mL de acetato mercúrico
SR, uma gota de cristal violeta Sl e titule com ácido perclórico 0,1 N
SV. Cada mL de ácido perclórico 0,1 N, corresponde a 22,47 mg de
C12H16N2.HCl.

3 . 5 . 1 1 . Preparo de azul do Nilo Sl:


Dissolva 100 mg de azul do Nilo em ácido acético glacial sufi-
ciente para obter 100 mL de solução.

3.5.12. Doseamento do diazepam:


Dissolva exatamente cerca de 0,500 g de diazepam em 50 mL
de anidrido acético R. Titule com ácido perclórico 0,1 N utilizando
azul do Nilo Sl como indicador até que se obtenha uma coloração
verde-amarelada. Cada mL de ácido perclórico 0,1 N, corresponde a
28,47 mg de C16H13CIN20.

3.6. Anidrovolumetria + Potenciometria


No processo de anidrovolumetria o ponto final é determinado po-
tenciometricamente. Dessa forma constitui-se uma poderosa ferra-
menta para análise de fármacos e medicamentos.
3 . 6 . 1 . Doseamento de bromazepam:
Dissolva 250 mg de bromazepam em 20 mL de ácido acético
anidro R. Junte 50 mL de anidrido acético R. Titule com ácido per-
clórico 0,1 N determinando o ponto final potenciometricamente.
Cada mL de ácido perclórico 0,1 N corresponde a 31,62 mg de
C14H10BrN3O.

55
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

3.6.2. Doseamento de aciclovir:


Dissolva 0,150 g em 60 mL de ácido acético glacial. Titule
com ácido perclórico 0,1 N SV, determinando o ponto final poten-
ciometricamente. Faça uma prova em branco. Cada mL de ácido
perclórico 0,1 N SV corresponde a 22,52 de CsHnNsCh.

3.6.3. Doseamento de etiladrianol:


Dissolva 0,150 g da amostra, exatamente pesados, em uma
mistura de 20 mL de ácido acético glacial e 50 mL de anidrido acé-
tico. Titule com ácido perclórico 0,1 N SV, determinando o ponto
final potenciometricamente. Cada mL de ácido perclórico 0,1 N SV
corresponde a 21,77 g de C10H16ClNO2.

3.6.4. Doseamento de diclofenaco sódico:


Dissolva 0,250g em 30 mL de ácido acético glacial. Titule
com ácido perclórico 0,1 N SV, determinando o ponto final poten-
ciometricamente. Cada mL de ácido perclórico 0,1 N SV corresponde
a 31,81 mg de C14H10Cl2NNaO2.

3.7. Espectrofotometria na região do ultravioleta-


visível (UV-Vis)
Espectrofotometria ou espectroscopia de absorção molecular
é um dos métodos mais utilizados no mundo em laboratórios quími-
cos e clínicos. Em análise farmacêutica é amplamente usado para
identificação (análise qualitativa) e doseamento (análise quantitati-
va) de fármacos e medicamentos.
Todos os métodos espectrofotométricos são baseados na in-
teração de uma substância química com energia radiante. Os tipos
de energia radiante de maior aplicação são ultravioleta (190 a 380
nm), visível (380 a 780 nm) e infra-vermelho próximo (2.500 a
16.000 nm ou 600 a 4.000 cm"1). Na maioria dos casos, o efeito des-
ta interação é a absorção de energia pela substância (fármaco) que
está sendo analisada.

56
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

3 . 7 . 1 . Vantagens e Desvantagens da Espectrofotometria na


Região do Ultravioleta-Visível
A principal vantagem da espectrofotometria na análise de
fármacos é a sensibilidade. Como por exemplo, nos métodos volu-
métricos a concentração ideal do fármaco a ser analisado deve estar
em torno de 0,1 mg/mL ou superior. Por outro lado, nos métodos
espectrofotométricos facilmente trabalhamos em concentrações da
ordem de 0,01mg/mL (10mg/mL) e alguns até mesmo 0,001 mg/mL
(1mg/mL) o que siginifica uma sensibilidade 10 a 100 vezes superi-
or. É importante citar que concentrações desta ordem sào seme-
Ihantes àquelas encontradas para fármacos nos fluidos orgânicos,
(sangue e urina) o que permite que este método de análise possa
ser utilizado inclusive em ensaios de biodisponibilidade.
Outra grande vantagem é a conveniência e uma segurança
razoável do método. Se conduzidas de forma correta e cautelosa, as
análises são facilmente executadas, rápidas, de baixo custo e segu-
ras, e se tornam ainda mais eficientes quando utilizamos equipa-
mentos automatizados que podem realizar mais de uma análise de
uma só vez.
Por outro lado algumas desvantagens devem ser menciona-
das. A primeira e com certeza a mais importante é a falta de espe-
cificidade. Esta metodologia analítica é baseada na quantidade de
energia absorvida por uma substância em um comprimento de onda
específico. Assim, torna-se muito difícil em análise farmacêutica
distinguir entre dois ou mais fármacos ou mesmo impurezas, tais
como produtos de degradação ou intermediários sintéticos, que pos-
sam estar interagindo com a mesma energia radiante.
Também devemos mencionar que o simples fato de uma
substância apresentar uma absorção na região do ultra-violeta ou
visível, não significa que possamos utilizar este método para quanti-
ficar um fármaco, seja enquanto matéria prima ou como produto
acabado. O que queremos dizer em síntese, é que algumas substân-
cias não seguem a lei de Lambert-Beer e consequentemente, não
podemos determinar a concentração de uma determinada solução.
São causas deste efeito: dispersão da luz, fluorescência, reflexões
múltiplas e soluções concentradas (acima de 0,01 M).
Por último, uma desvantagem da espectrofotometria é o uso
de padrões de referência. Infelizmente no Brasil, nem sempre dis-
pomos de substâncias de referência. Mas mesmo a nível intemacio-
nal há uma dependência dos padrões produzidos pela United States
Pharmacopeia (USP). A título de esclarecimento, a Organização
57
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Mundial de Saude (OMS), em 1992, dispunha de aproximadamente


147 substâncias químicas de referência.

3.7.2. Conceitos Fundamentais em Espectrofotometria

A. Energia radiante: é aquela cuja propagação e transporte se efe-


tua como um movimento ondulatório sem transferência da matéria.
Geralmente o termo é usado para definir a radiação eletromagnéti-
ca.
Em espectrofotometria utilizam-se certas grandezas, assim
definidas:

A.1. absorbância (A) ou absorvância (qrafia adotada na F.Bras.lV):


antigamente era chamada densidade ótica e extinção; é o logaritmo
do inverso da transmitância.

A = log-

A.2. transmitância (T): significa a relação entre o fluxo de radiação


transmitido pela substância-problema e o fluxo de radiação inciden-
te. Na prática, utiliza-se esse valor expresso em porcentagem.

A.3. absortividade (a): refere-se ao quociente da divisão da absor-


vância (A) pelo produto da concentração da substância (c) e a es-
pessura atravessada (b).
A
a == —
bc
onde b expresso em centímetros e c expresso em gramas/litro

A.4. absortividade molar (&'): anteriormente chamada índice de ab-


sorvância molar e coeficiente de extinção molar, significa o quoci-
ente da divisão da absorvância (A) pelo produto da concentração da
substância (c) e a espessura atravessada (b). É também o produto da
absortividade (a) pelo peso molecular da substância.
A
8~-- —
bc
b, expresso em centímetros e c, expresso em moles/litro

58
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

3.7.3. Lei de Lambert e Beer


De forma direta e simplificada, podemos dizer que os princí-
pios de Lambert (1729) nos informam que a absorbância (A) é linear
e diretamente proporcional ao caminho percorrido pela energia ra-
diante (A = ab), ou seja, à espessura da cubeta (b) utilizada no ex-
perimento (normalmente 1cm). Por outro lado, os princípios de Beer
(1852) determina que a absorbância (A) é diretamente proporcional
à concentração da substância (fármaco) em solução (A = C).
Assim, quando combinamos os dois princípios temos a Lei de
Lambert-Beer onde a absorbância (A) é diretamente proporcional ao
caminho percorrido (b) e à concentração da substância em solução,
desta forma temos:
A = a . b .C
a = constante de proporcionalidade;
b = espessura da cubeta em cm
C = concentração da substância em solução.

Curva de Calibração
Atenolol
(Metanol -X = 272nm- Analista Responsável: Ricardo -11/10/2000)

o 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
0 20 40 60 83 100 120 140 160 180 200
Concenlração (iig/mL)

59
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

3.7.4. Equipamentos Utilizados em Espectrofotometria


A figura a seguir representa de forma simplificada os compo-
nentes de um espectrofotômetro. Os principais componentes são:
fonte de energia que é constituída de uma lâmpada de deutério
(190-370 nm) e uma lâmpada de tungstênio (350-750 nm); o mono-
cromador que individualiza o espectro de energia, sendo o de mais
alta energia no comprimento de onda mais alto; o compartimento
onde se coloca a amostra (ou as amostras); o detector que é conti-
tuído de um fotomultiplicador que registra a energia sob a forma de
um sinal elétrico; o amplificador que amplifica o sinal para uma
voltagem suficientemente maior para ser registrada e o registrador
que traduz o sinal elétrico a um parâmetro matemático compreensí-
vel.
No mercado temos dois tipos de equipamentos: a) o mono-
feixe que avalia primeiro a cubeta contendo a amostra e posterio-
mente a cubeta contendo o padrão ou vice-versa; b) o duplo feixe,
constituído de dois sistemas de espelhos que permitem a avaliação
concomitante de amostra e padrão.

Esquema simplificado dos componentes de um espectrofotômetro

TST?

y-+£Y1 í-HMj- ^D
i o \ 11:
r A
MONOCKOMADOR
,
AMOSTKA DETECTOR AMPI.IFICADOR REGISTRADOR

3.7.5. Doseamento espectrofotométrico nas regiões visivel


e ultravioleta
Korolkovas menciona que a espectrofotometria nas zonas vi-
sível e ultravioleta é usada, principalmente, para identificação de
compostos químicos orgânicos, exemplificando que esse método é
também amplamente utilizado para doseamento de fármacos como
por exemplo, na USP XX (1980), dos 900 fármacos inscritos, 151 são
assim doseados por esta metodologia.
Este doseamento, como citatado acima, fundamenta-se no
fato de a absortividade de um composto químico ser constante, de-
pendente da intensidade da radiação incidente, do comprimento
60
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

interior da cubeta e da concentração da solução, podendo-se então


determinar espectrofotometricamente a concentração. Por outro
lado, a absortividade depende dos seguintes fatores: estrutura mo-
lecular, solvente, temperatura e comprimento da radiação.

Doseamento na região ultravioleta:


Na prática, o fundamento deste método consiste em compa-
rar a absorvância produzida pela solução da amostra com a absor-
vância de uma solução da substância padrão de referência, no com-
primento de onda de absorção máxima (geralmente mais de 235 nm)
e depois, o mais rapidamente possível, nas mesmas condições expe-
rimentais, a do fármaco analisado, de acordo com a fórmula abaixo.
Quando se devem usar comprimentos de onda no intervalo de 190 a
210 nm, devem ser tomadas precauções especiais, tais como: usar
cubetas que sejam transparentes nesta região, purgá-las com nitro-
gênio e empregar solventes próprios para espectrofotometria.

Ca = conc. amostra (pg/mL)


Cp = conc. padrão (ng/mL)

A - Doseamento de acetato de dexametasona:


Dissolva exatamente cerca de 100 mg da amostra de acetato de
dexametasona em álcool R e dilua a 100,0 mL com o mesmo solven-
t e . Dilua 2,0 mL dessa solução a 100,0 mL com álcool R. Concomi-
tantemente, prepare uma solução-padrão de forma semelhante uti-
lizando acetato de dexametasona SQR. Meça as absorvâncias da so-
lução-amostra e da solução-padrão em torno de 233,5 nm. Calcule o
teor de C24H31F06 na amostra pesada.
Calcule o teor em C24H31F06 tomando 357 como valor de absorvância
específica.

B - Doseamento de hidroclorotiazida:
Dissolva 50 mg da amostra de hidroclorotiazida e m 10 mL de hidró-
xido de sódio 0,1 N e dilua a 100,0 mL com água. Dilua 2,0 mL dessa
solução a 100,0 mL com hidróxido de sódio 0,01 N. Prepare conco-
mitantemente, uma solução-padrão utilizando hidroclorotiazida
SQR, de forma semelhante. Meça as absorvâncias da solução-
amostra e da solução-padrão em torno de 273 nm. Calcule o teor de
C7H8CIN304S2.
61
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

C - Doseamento de carbamazepina:
Dissolva 0,1000 g em metanol R e dilua a 100,0 mL com o mesmo
solvente, dilua 5,0 mL dessa solução a 50,0 mL com metanol R. Di-
lua 5,0 mL da última solução a 50,0 mL com metanol R. Meça a ab-
sorvância em 285 nm. Calcule o conteúdo de C 15 H 12 N 2 0, consideran-
do a absorvância específica igual a 490.

Doseamento na região do visível:


0 método é o mesmo que o descrito para a região do ultravi-
oleta, com as modificações que forem necessárias. Os comprimen-
tos de ondas observados não devem diferir em mais de 5 nm dos
especificados na monografia.

62
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

4. Controle da Qualidade de Produto Acabado no


Setor Magistral: Formas Farmacêuticas Sólidas de
Uso Oral
Sabendo que podemos partir de uma matéria prima com grau
farmacêutico adequado, vamos avaliar a produção do produto mani-
pulado sendo que, reiteramos que trataremos da Forma Farmacêuti-
ca Cápsulas.
0 processo magistral, como qualquer processo farmacotéc-
nico, é realizado em várias etapas: solicitação da matéria prima e
excipientes, pesagem, mistura e homogeneização, encapsulação e
rotulagem. Neste caminho, muitos erros podem ocorrer, sendo que
a função do profissional farmacêutico e de toda equipe técnica da
farmácia de manipulação é minimizar ao máximo, a possibilidade de
erro. 0 primeiro passo para isto é definir o que é erro: segundo o
dicionário Aurélio, erro pode ser definido como "desvio do bom ca-
minho". Mas, o que é erro farmacêutico? Qual o desvio do caminho
é aceito para um produto farmacêutico?
Para responder a estas perguntas, vamos discutir brevemente
alguns pontos importantes: quando preparamos um medicamento, a
quantidade de fármaco contida na preparação farmacêutica pode
variar em geral de 90% a 110% do valor rotulado (VR), ou seja, o
erro farmacêutico pode ser quantificado e é da ordem de 10%. Ou-
tro parâmetro importante, diz respeito à uniformidade de conteúdo,
ou seja, a variação da quantidade de fármaco em cada unidade da-
quela preparação farmacèutica. Por exemplo, suponhamos nova-
mente o enalapril que produzimos 60 cápsulas: qual a variação per-
mitida na primeira cápsula, na décima cápsula, na vígésima, etc.
Segundo as farmacopéias esta variação pode ser de 85% a 115% do
valor rotulado, ou seja, novamente o erro farmacêutico existe e é
da ordem de 15% no máximo. Um erro da ordem de 15% é relativa-
mente grande para alguns setores. Podemos imaginar, por exemplo,
uma bateria de celular com uma variação de 15%? Simplesmente
não falaríamos no celular. Ou um cabo de computador com variação
de 15%? Não haveria conexão. Mas para medicamento isto é aceitá-
vel, pois entre outros pontos, estamos trabalhando para um meio
biológico vivo. Assim, podemos observar que é possível tratar as
possibilidades de erro, evitá-las e mesmo corrigi-las e, desta forma
produzirmos um medicamento com qualidade adequada.
Neste momento, chegamos a uma pergunta crucial: o que fa-
63
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

zer e como fazer a qualidade na farmácia de manipulação? A respos-


ta é simples: Boas Práticas de Manipulação Farmacêutica. Este é o
grande desafio, pois através da BPMF, podemos criar parâmetros
para execução do processo magistral, prever e corrigir erros, medir
farmacopéicamente o nosso erro e consequentemente, fornecer um
medicamento seguro que venha contribuir com o paciente.
Para explicar a importância do termo BPMF, vamos utilizar
como exemplo, o processo de manipulação de cápsulas de enalapril:
Passo 1: solicitar a matéria prima ao setor de armazenamento: ape-
sar de ser pouco freqüente, a troca de matérias primas, bem como
sua rotulagem inadequada é um dos fatores que conduzem a não
conformidades em produtos magistrais;
Passo 2: pesar o enalapril e os excipientes necessários para manipu-
lação de um determinado número de cápsulas: pesagem inadequa-
da, falta de calibração de balanças, falta de atenção, má fé do pro-
fissional, e t c . . . são responsáveis por uma parcela considerável de
não conformidades, refletindo diretamente no menor teor de fár-
maco ou mesmo excesso de fármaco na formulação. A pesagem as-
sume maior importância quanto menor for a dose do fármaco, ou
seja, pesar amoxicilina para preparar cápsulas de 500 mg é em ter-
mos farmacotécnicos, completamente diferente de pesar digoxina
125 mg ou 0,125 mg. Outro importante ponto é a pesagem de uma
quantidade superior do fármaco como medida de segurança, por
exemplo, 5% acima é um procedimento inadequado que reflete in-
segurança técnica e causa maior custo operacional, além de poder
gerar dosagens superiores às especificadas;
Passo 3: misturar, homogeneizar e encapsular: aqui reside a maior
possibilidade de erro. Quando misturamos dois sólidos distintos es-
tamos fazendo uma solução sólido-sólido. Se não misturarmos ade-
quadamente, não teremos uma solução sólida homogênea e, após
encapsular, teremos um problema grave nas mãos: a falta de uni-
formidade de conteúdo. Ou seja, apesar de termos 15% de possibili-
dade de errar, podemos estar errando mais ainda. Este fato torna-se
primordial para fármacos de baixa dosagem (abaixo de 50 mg por
unidade) e mais ainda nos fármacos de baixa dosagem e baixo índice
terapêutico, onde a dose terapêutica é próxima da dose tóxica. São
exemplos, digoxina e clonidina, dentre outros.

Para que possamos ter um processo magistral adequado é fun-


damental a aplicação do Controle da Qualidade. Como demonstrado
acima, esta ferramenta foi e é indispensável para termos uma ma-

64
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

téria prima adequada. Agora, é importante aplicá-la cada vez mais


para consolidarmos a qualidade do produto manipulado e, assim,
brevemente teremos o conhecimento necessário para implantar a
Validação do Processo Magistral.

4 . 1 . Métodos Físicos e Físico-químicos Aplicáveis ao


Controle da Qualidade de Formas Farmacêuticas Sóli-
das

Alguns testes físicos e físico-quimicos são específicos de for-


mas farmacêuticas, outros aplicam-se a vários tipos de materiais,
como por exemplo: produtos alimenticios, produtos quimicos, com-
bustíveis, lubrificantes e etc. Merecem destaque para medicamen-
tos, os seguintes:
• variação de peso e peso médio
• umidade ou perda por dessecação
• uniformidade de doses unitárias
• variação ou uniformidade de peso
• uniformidade de conteúdo
• friabilidade
• desintegração
• dissolução

4.2. Identificação
0 fármaco deve ser identificado por métodos físico-químicos
ou quimicos, sendo que as metodologias principais são reações quí-
micas em tubo de ensaio as reações colorimétricas, cromatografia
em camada delgada e as espectrofotometrias no ultravioleta ou
infravermelho além da cromatografia líquida de alta eficiência
(CLAE ou HPLC). Abaixo estão alguns exemplos.

4 . 2 . 1 . Cápsulas de Betametasona:
Para uma quantidade do pó que contenha aproximadamente
5 mg do fármaco adicione uma gota de formaldeido/ácido sulfúrico.
Produz uma coloração alaranjada. Aqueça em banho-maria por um
minuto; a cor muda para marrom. Este teste também se aplica no
creme de valerato de betametasona. Citado no livro " Basic Tests
65
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

for Pharmaceutical Dosage Forms" da Organização Mundial da Saúde


(OMS):

4.2.2. Identificação de carbamazepina (em cápsulas):


0 pó retirado das cápsulas apresenta uma intensa fluores-
cência azul sob luz ultravioleta (365nm). A seguir o espectro na re-
gião do ultra-violeta da carbamazepina.

4.2.3. Identificação de amitriptilina:


Teste de cloretos: Responde ao testes de identificação de
cloretos à solução exame, acidificada com ácido nítrico, adicione
nitrato de prata SR, forma-se um precipitado caseinoso branco, in-
solúvel em excesso de ácido nítrico, mas solúvel em excesso de hi-
dróxido de amônio 6 N.

4.2.4. Identificação da digoxina:


Suspenda cerca de 0,5 mg em 0,2 mL de álcool (60% v/v). A-
dicione 0,1 mL de ácido dinitrobenzóico SR e 0,1 mL de hidróxido de
sódio SR: desenvolve-se coloração violeta.

66
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

4.3. Variação de peso e peso médio

Este teste tem por objetivo verificar se as unidades de um


mesmo lote apresentam uniformidade de peso e aplica-se a formas
farmacêuticas sólidas, como por exemplo: cápsulas, comprimidos,
drágeas, granulados, pós e etc.

4.3.1. Metodologia:
Pese individualmente 20 unidades, retiradas ao acaso, do
mesmo lote e determine a massa média. Não mais do que 2 das 20
unidades poderão diferir da massa média encontrada em percenta-
gem superior à tabela a seguir indicada e nenhum caso poderá a
diferença exceder o dobro dessa porcentagem, acima ou abaixo.

No caso de cápsulas proceda do seguinte modo:

Cápsulas - Pese uma cápsula cheia. Sem perder quaisquer fragmen-


tos do invólucro, lave a cápsula e extraia o seu conteúdo tão com-
plemente quanto possível. No caso de cápsulas de invólucro mole,
lave este com éter R ou com outro solvente apropriado e deixe-o
exposto ao ar livre até desaparecimento do cheiro do solvente. Pese
o invólucro e calcule a massa do conteúdo por diferença. Repita a
operação em mais 19 cápsulas.

Procedimento suqerido para o setor maqistral - pese 20 cápsulas


vazias e faça a média dividindo o somatório do peso das 20 cápsulas
por 20 para encontrar o peso médio das cápsulas vazias (PMCV).
Proceda o encapsulamento e posteriormente pese as cápsulas cheias
uma a uma, subtraia de cada uma o PMCV, encontrando para cada
cápsula o conteúdo em pó. Faça o peso médio através do somatório
de todos os pesos, dividido por 20.

67
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Tabela 9: Parâmetros de Peso Médio

FORMAS LIMITE DE
PESO MÉDIO
FARMACÊUTICAS VARIAÇÃO
Comprimidos comuns,
Comprimidos sub-linguais, Até 80,0mg ± 10,0%
Comprimidos efervescentes, Entre 80,0 a 250,Omg ±7,5%
Comprimidos vaginais e acima de 250,0 mg ±5,0%
Pastilhas

Até 25,0mg ± 15,0%


Comprimidos revestidos Entre25,0e 150,0mg ±10,0%
Entre 150,0e 300,0 mg ±7,5%
Acima de 300,0 mg
± 5,0 %

Cápsulas duras e moles Até 300,0 mg ± 10,0%


Acima de 300,0 mg ± 7,5 %

Supositórios e óvulos Todos os pesos ± 5,0 %

Cremes, pomadas, pós e Até 60,0 g


± 10,0%
granulados Entre60,0ge 150,0 g ± 5,0 %

Pós estéreis e liofilizados Abaixo de 40,0 g ± 15,0%


Acima de 40,0 g ± 10,0%

68
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

4.3.2. Exemplos da importância do peso médio

Tabela 10: Cápsulas de Digoxina 0,25 mg - Peso Médio

Cápsula + Pó (mg) Pó (mg)


273,90 211,90
275,50 213,50
277,10 215,10
277,50 215,50
281,80 2.19,80
282,90 220,90
284,10 222,10
285,80 223,80
296,30 234,30
300,60 238,60
302.00 240,00
305,80 243,80
312,50 250,50
314,40 252,40
315,90 253,90
316,50 254,50
325,90 263,90
333,60 271,60
336,70 274,70
339,20 277,20
Peso Médio 239,90
Cápsula Vazia (média) 62,00

Ao observar os dados acima, podemos concluir que o peso


mínimo que uma cápsula pode apresentar é 215,91 mg, ou seja,
239,90 mg menos 23,99 que é 10% do peso médio. Podemos notar
que temos 04 cápsulas (211,90; 213,50; 215,10 e 215,50) abaixo do
peso mínimo. Por outro lado, o peso máximo que uma cápsula pode
apresentar é 263,89 mg ou seja 239,90 somado a 23,99 que é 10% do
peso médio. Novamente podemos observar que temos 03 cápsulas
acima do peso máximo (271,60; 274,70 e 277,20). Como a especifi-
cação é "não mais do que 2 das 20 unidades, poderão diferir da
massa média encontrada em percentagem superior a 10%" este
medicamento apresenta uma não conformidade para peso médio.

69
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Contudo, se tomarmos 06 (seis) dados, observamos que este


mesmo produto pode apresentar conformidade. Assim, este exemplo
reflete a importância de realizarmos o ensaio de peso médio, se-
gundo as monografias farmacopéicas.

Tabela 1 1 : Cápsulas de Digoxina 0,25mg - Peso Médio

Cápsula + Pó (mg) Pó (mg)


300,60 238,60
302,00 240,00
305,80 243,80
312,50 250,50
314,40 252,40
315,90 253,90
Peso Médio 246,53
Cápsula Vazia 62,00

Assim, como podemos concluir utilizando o exemplo acima, o


simples uso do peso médio, não conduz a um retrato real do proces-
so de manipulação magistral. Desta forma, é preciso aprofundar em
algumas ferramentas estatísticas, tais como Desvio Padrão e Coefi-
ciente de Variação. Antes contudo, faremos uma breve discussão
sobre alguns conceitos estatísticos.

4.4. Limites de variação e Validação de Processos


No exempio anterior, estudamos o Peso Médio ou Média a-
ritmética que de uma forma geral pode ser definida, como o t o t a l
das observações dividido pelo número de observações. Contudo,
apesar de ser a mais usada, pode resultar em falseamento do resul-
tado final.

— y X 1 + X 2 + X 3 + ... + Xn
X= ±±
n

Para evitarmos t a l falseamento é importante conhecer e a-


plicar os conceitos de Desvio Padrão e Coeficiente de Variacão. Se-
gundo LEITE, a intenção ao se medir o desvio é buscar uma quanti-
dade que meça a amplitude de variação em torno da média, de um
70
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

conjunto de medidas. Considerando os dois conjuntos de medidas


mencionadas pelo mesmo autor como exemplo 1:

4, 5, 6, 7, 8
l- 4, 6, 8, 10

A média de cada conjunto é igual a 6. Contudo, a amplitude


dos valores do segundo conjunto é o dobro da amplitude do primei-
ro. Nesse caso, pode-se concluir que o segundo conjunto de medidas
varia duas vezes mais que o primeiro. Outros exemplos são os dados
abaixo discutidos no "Remington: The Science and Practice of
Pharmacy" Vol 1, pg 97 que poderemos adotar como peso médio de
duas formulações:

Formulação 1

201 204 200


203 202 207
209 206 207
Peso Médio = 204,33

Formulação 2

151 154 150


153 202 257
259 256 257
PesoMédio = 204,33

Assim, o peso médio sozinho tem pouco valor. Devemos por-


tanto medir a variação e a extensão dos desvios em relação à mé-
dia, trabalhamos então com o Desvio Padrão.

V w - 1
Se observarmos os mesmos dados citados no exemplo 1 e aplicarmos
o conceito de Desvio Padrão observaremos que o primeiro conjunto
varia s, = 1,58 enquanto s2 = 3,16. A Formuíação 1 varia Si = 3,08
enquanto a Formulação 2 s2 = 52,65.

71
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Outro conceito importante em estatística é o Coeficiente de


variaçõo (CV), também chamado de estimativa do Desvio Padrão
Relativo. Este indicador é muito utilizado para expressar a relação
percentual da estimativa do desvio padrão com a média dos valores
obtidos (LEITE):

C. V. = 4x100%
X
Podemos exemplificar com os dados abaixo:

Tabela 12 - Cápsulas de Digoxina 0,25 mg - Análise Estatística

273,90 211,90
275,50 213,50
277,10 215,10
277,50 215,50
281,80 219,80
282,90 220,90
284,10 222,10
285,80 223,80
273,90 211,90 296,30 234,30
275,50 213,50 300,60 238,60
277,10 215,10 302,00 240,00
277,50 215,50 305,80 243,80
281,80 219,80 312,50 250,50
282,90 220,90 314,40 252,40
273,90 211,90 315,90 253,90 315,90 253,90
275,50 213,50 316,50 254,50 316,50 254,50
277,10 215,10 325,90 263,90 325,90 263,90
333,60 271,60 333,60 271,60 333,60 271,60
336,70 274,70 336,70 274,70 336,70 274,70
339,20 277,20 339,20 277,20 339,20 277,20
Média 244,00 Média 241,04 Média 239,90
D. Pad. 33,47 D. Pad. 27,02 D. Pad. 21,69
C. Var. 13,72% C. Var. 11,21% C. Var. 9,04%
Cáp. Vaz. 62,00 Cáp. Vaz. 62,00 Cáp. Vaz. 62,00

O conceito de Coeficiente de Variação (CV) é de grande im-


portância, pois podemos utilizá-lo como fator de definição da varia-
bilidade do processo produtivo.
72
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

4.5. Uniformidade de Doses Unitárias

0 teste avalia a homogeneidade de distribuição do fármaco


nas unidades de um determinado lote. A uniformidade de doses uni-
tárias pode ser aferida através de dois métodos: variação de peso e
uniformidade de conteúdo.
0 método de variação de peso deve ser aplicado às seguintes
formas farmacêuticas: comprimidos sem revestimento, cápsulas e
pós estéreis e, deve ser realizado quando o teor de substâncias ati-
vas no medicamento for igual ou superior a 50 mg por unidade ou
compreender mais de 50% do peso da dose unitária da forma farma-
cêutica, segundo a Farmacopéia Brasileira IV e a USP 24.
A uniformidade de conteúdo é exigida para comprimidos ou
cápsulas cujo teor de substância ativa é inferior a 50 mg por unida-
de, quando compreender menos de 50% do peso da unidade e para
todos os comprimidos revestidos. Este método é aplicável a formas
farmacêuticas cujo fármaco apresenta toxicidade elevada ou baixa
margem terapêutica, quando não são permissíveis grandes variações
na dose administrada.

4.5.1. Parâmetros para uniformidade de teor no caso de cápsu-


las, granulados, supositórios e óvulos:
A menos que outros critérios estejam especificados na mono-
grafia cada valor unitário deve estar entre 85,0 a 115% do valor ro-
tulado (VR) e o coeficiente de variação (CV) deve ser menor ou igual
a 6%. Se uma unidade estiver fora da faixa 85,0 a 115% VR mas não
ultrapassar 75,0 a 125% VR ou se o desvio for maior que 6% ou se
ambas situações ocorrerem, testar 20 unidades adicionais. Os requi-
sitos estarão cumpridos se não mais que uma das 30 unidades esti-
ver fora da faixa de 85,0 a 115,0% VR e nenhuma ultrapassar 75,0 a
125% VR e o coeficiente de variação das 30 unidades não ultrapassar
7,8%.

73
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

5. Formas Farmacêuticas de Maior Risco Terapêuti-


co e a Importância do Controle da Qualidade
0 sucesso terapêutico do tratamento das doenças humanas,
depende em parte da escolha do medicamento apropriado, para
levar à reversão ou à atenuação dos processos fisiopatológicos. A
escolha do medicamento deve levar em consideração as caracterís-
ticas fisiopatológicas, a idade, o sexo e a raça do paciente, além de
selecionar a dose e a freqüência de administração que irão manter
concentrações adequadas, obtenção dos efeitos desejados nos me-
diadores da ação farmacológica.
A importância deste aspecto da terapia para qualquer medi-
camento depende da relação entre suas concentrações terapêuticas
e tóxicas, denominada, algumas vezes, de índice terapêutico. Os
medicamentos com índice terapêutico amplo, apresentam uma faixa
extensa de concentração que leva ao sucesso terapêutico: as con-
centrações potencialmente tóxicas excedem nitidamente as que são
terapêuticas, a amoxicilina é um exemplo. Alguns fármacos apre-
sentam índice terapêutico estreitoo e, para alguns, a diferença
entre as concentrações terapêuticas e tóxicas é muito pequena.
Nestes fármacos, a validação de processos e a uniformidade de
conteúdo torna-se uma ferramenta indispensável para a segurança
do produto final. Na tabela a seguir mostramos alguns fármacos
com baixo índice terapêutico.

74
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Tabela 13: Fármacos com baixo índice t e r a p ê u t i c o

Fármaco Concentração Concentração


Terapêutica tóxica
Ácido salicílico 150 a 300mg/mL > 200 mg/mL
Amantadina 300 ng/mL > 1 mg/mL
Amiodarona 1.0 a 2.5 mg/mL > 3.5 mg/mL
Amitripitilina 60 a 220 ng/mL > 1 mg/mL
Carbamazepina 6.5 +/- 3.0mg/mL > 9 mg/mL
Clonidina 0.2 a 2 ng/mL 1 ng/mL
Cloroquina 15a30 ng/mL 0.25 mg/mL
Clorpromazina 30 a 350 ng/mL 750 a 1000ng/mL
Crianças 40-80 ng/mL
Desipramina 40 a 160 ng/mL > 1 mg/mL
Difenidramina > 25ng/mL > 60 ng/mL
Digitoxina > 10ng/mL 29, 39, 48 ng/mL
Digoxina > 0.8ng/mL 1.7, 2.5, 3.3
ng/mL
Fenitoína > 10 mg/mL > 20 mg/mL
Fenobarbital 10 a 25 mg/mL > 30 mg/mL
Fentanil 1 a 3 ng/mL > 0.7 ng/mL
Furosemida 25 mg/mL
Imipramina 100 a 300 ng/mL > 1 mg/mL
Indometacina 0.3 a 3 mg/mL > 5 mg/mL
Lítio 0.5-1.25 mEq/L > 1.5 mEq/L
Mexiletina 05 a 2.0 mg/mL > 2.0 mg/mL
Paracetamol 10 a 20 mg/mL > 300 mg/mL
Piridostigmina 50 a 100 ng/mL > 100 ng/mL
Primidona 8 a 12 mg/mL > 12 mg/mL
70 a 80 mg/mL
Procainamida 3 a 14 mg/mL > 14 mg/mL
Quinidina 2 a 6 mg/mL 6, 9, 14 mg/mL
Quinina > 0.2 mg/mL > 2 mg/mL
Teofilina 5 a 15 mg/mL 20 mg/mL
Tocainamida 3 a 9 mg/mL > 10 mg/mL

75
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

5.1. Discutindo Uniformidade de Massa

Tabela 14: Cápsulas de Cloridrato de Amitripitilina 20 mg -


Uniformidade de Conteúdo

72,60 34,81 35,45


85,70 47,91 48,79
106,80 69,01 70,28
109,20 71,41 72,73
111,10 73,31 74,66
112,70 74,91 76,29
113,00 75,21 76,60
114,50 76,71 78,12
72,60 34,81 35,05 118,40 80,61 82,10
85,70 47,91 48,24 121,80 84,01 85,56
106,80 69,01 69.48 126,40 88,61 90,24
109,20 71,41 71,90 127,10 89,31 90,96
111,10 73,31 73,81 129,80 92,01 93,71
112,70 74,91 75,42 129,80 92,01 93,71
72,60 34,81 36,23 143,50 105,71 106,43 143,50 105,71 107,66
85,70 47,91 49,87 144,20 106,41Í107,14 144,20 106,41 108,37
106,80 69,01 71,83 146,90 109,1T 109,86 146,90 109,11 111,12
151,40 113,61 118,25 151,40 113,61 114,39 151,40 113,61 115,70
151,90 114,11 118,77 151,90 114,11 114,89 151,90 114,11 116,21
165,00 ;127,21!132,40 165,00 127,21 128,08 165,00 127,21 129,55
Média 84,44 87,89 Média 87,29 87,89 Média 86,30 87,89
D. Pad. 38,98 40,57 D. Pad. 29,27 29,47 D. Pad. 22,68 23,09
C. Var. 46,16 46,16 C. Var. 33,54 33,54 C. Var. 26,28 26,28
Cáp. 37,79 Cáp. 37,79 Cáp. 37,79
Vaz. Vaz. Vaz.
Teor 87,89 Teor 87,89 Teor 87,89

76
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

5 . 1 . 1 . Conclusões sobre cápsulas de cloridrato de amitripti-


lina
Muitas vezes a determinação simples da média (peso médio)
conduz a uma resposta positiva de aparente conformidade das a-
mostras analisadas, como é o caso dos exemplos da tabela anerior.
Todavia, quando se faz um tratamento estatístico maior com a de-
terminação do desvio padrão e do coeficiente de variação observa-
se uma grande amplitude de variação em relação ao valor da média.
Esta grande variação resulta em uma não conformidade em relação
a uniformidade de conteúdo, provavelmente decorrente de uma
mistura não adequada dos pós. A mistura dos pós é um fator crítico
que influencia diretamente na uniformidade de conteúdo. Observe a
tabela anterior (Tabela 14).

77
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

6. Principais problemas que conduzem a não con-


formidades em produto acabado de formas farma-
cêuticas sólidas: Estudo de casos reais
Por se tratar de tarefa primordial e vital no universo de ati-
vidade da farmácia de manipulação, os processos de manipulação
devem ser efetuados por mão-de-obra especializada e acompanha-
dos de perto pelo farmacêutico responsável.

6.1. Pesagem
Antes de iniciar a pesagem o manipulador deve conferir to-
dos os itens referentes à receita e ao rótulo, matérias-primas (espe-
cificação, prazo de validade, fator de correção, quantidade, incom-
patibilidades, etc). Procede a pesagem individual de cada compo-
nente, envia a fórmula pesada para o tamizador que homogeneiza e
envia ao encapsulador que executa o encapsulamento.
Assim, durante este processo alguns fatores devem ser ob-
servados cuidadosamente, a saber:

6 . 1 . 1 . Cálculo matemático dos componentes da fórmula:


1 grama (g) = 1.000 miligramas (mg)
1 miligrama (mg) = 1.000 microgramas (mcg)
Imicrograma (mcg) = 1.000 nanogramas (ng)

6.1.2. Unidades Internacionais (Ul)

Exemplos

Uma fórmula que contenha 60,0 mg de piridoxina por cápsula e te-


mos que manipular 120 cápsulas
Piridoxina = 60 mg x 120caps = 7.200 mg ou 7,2 g

Uma fórmula que contenha 100 mcg de vitamina B12 por cápsula e
temos que manipular 120 cápsulas
Vitamina B12= 100 mg x 120 caps = 12000 mcg ou 12 mg ou 0,0120 g

78
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Por este motivo a vitamina B12 é diluída 1:100 de forma geométri-


ca. Assim, refazendo os cálculos temos:

1mg de vitamina B12 100mg de diluído


12 mg de vitamina B12 X = 1200 mg ou 1,2 g do diluído

Uma fórmula que contenha 25.000 Ul de vitamina A por cápsula e


temos que manipular 12 cápsulas
500.000 Ul 1g
25.0000 Ul - x = 0,05g

Então temos 0,05g x120cápsulas = 6,0g de vitamina A

6.2. Homogeneização e Tamisação dos Pós


0 método mais utilizado é agitar os componentes da fórmula
em um saquinho 10 vezes, passar para um tamiz de malha adequa-
da (40 ou 50), misturar o pó obtido no gral com pistilo (10 movimen-
tos no sentido horário e 10 no sentido anti-horário), transferir no-
vamente para o saquinho agitando outras 10 vezes ou mais. Analise
visualmente a homogeneização do pó, caso não esteja homogêneo
repita o processo.

6.3. Encapsulação
Os métodos de enchimento de cápsulas são muitas vezes im-
precisos, pois geralmente se baseiam na capacidade em termos de
peso. O parâmetro peso varia conforme a densidade do pó está dire-
tamente ligado ao volume ocupado pelo mesmo. O Método Volumé-
trico de enchimento de cápsulas é muito mais preciso, já que as
cápsulas têm capacidade constante em termos de volume.

79
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

7. Outros Métodos Físicos Importantes

7.1. Dureza
Este teste é aplicável a comprimidos não revestidos e nú-
cleos, permite avaliar a resistência a quebras, susceptíveis durante
os processos de acondicionamento, embalagem, transporte e arma-
zenamento. Uma dureza adequada, também é necessária aos com-
primidos que destinam-se ao revestimento ou drageamento. 0 teste
é realizado com 10 comprimidos, onde cada unidade é submetida a
uma força diametral, e o valor é expresso em Kg/cm 2 = Kgf = 10 N.
0 resultado final é a média dos valores obtidos.

7.1.1. Critérios de aceitação:


São considerados macios, comprimidos com dureza de 4 a 6
Kg/cm2. São considerados duros, comprimidos com dureza de 7 a 12
Kg/cm2. A Farmacopéia Brasileira IV considera como mínimo aceitá-
vel: 3 Kg/cm2 (= 30 N, quando utiliza-se aparelho com mola espiral)
ou 4,5 Kg/cm2 (= 45 N, quando utiliza-se aparelho com bomba de ar
comprimido).

7.2. Friabilidade
O teste é aplicado a comprimidos não revestidos e núcleos,
permite avaliar a resistência dos mesmos aos diversos movimentos e
atritos que ocorrem durante a produção e acondicionamento. Utili-
zam-se, geralmente, de 10 a 20 comprimidos que são submetidos a
um movimento rotatório, a uma velocidade de 20 rpm durante 5
minutos, o que eqüivale a 100 rotações. O resultado é expresso em
porcentagem de perda, através da pesagem dos comprimidos antes
e após a realização do teste, tendo-se o cuidado de eliminar o pó
friável, desprendido que esteja na superfície dos mesmos com o
auxílio de um pequeno pincel.

7.2.1.Critérios de aceitação:
Usualmente, considera-se ideal até 1%. A Farmacopéia Brasi-
leira IV considera aceitável até 1,5% ou o indicado na monografia.
80
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

7.3. Desintegração
0 teste aplica-se a um grande número de formas farmacêuti-
cas: comprimidos revestidos e não revestidos, drágeas, cápsulas
duras e moles, supositórios, óvulos, etc. 0 teste de desintegração,
entretanto, não aplica-se à formas farmacêuticas como pastilhas,
comprimidos mastigáveis ou de liberação controlada ou prolongada.
Permite verificar se uma forma farmacêutica desintegrar-se-á num
determinado tempo e num líquido apropriados. A desintegração
serve como indicativo, a grosso modo, de que ocorrerá a liberação
dos princípios ativos/fármacos no organismo. As condições do teste
e até mesmo o aparelho a ser utilizado variam de acordo com a
forma farmacêutica a ser ensaiada. A desintegração do produto
deve ser completa, de modo a obter uma massa mole, desintegrável
ao toque.

7 . 3 . 1 . Equipamento de desintegração:
0 aparelho utilizado possui basicamente as mesmas especifi-
cações nas Farmacopéias Americana (USP XXIV), Britânica (BP 1988)
e Brasileira (FBras IV). Consiste de um cesto redondo de polietileno,
cujo fundo é uma tela em aço inox, contendo 6 orifícios distribuídos
homogeneamente formando compartimentos independentes, em
cada um dos quais coloca-se a unidade a ser testada. Esta é a parte
móvel do aparelho que é submetida a um movimento vertical (as-
cendente-descendente), e mergulhada a cada vez no meio de desin-
tegração. Há ainda 6 (seis) discos em acrílico com dimensões e for-
mas apropriadas que são utilizados na maioria dos testes; em alguns
casos omite-se o uso dos mesmos.

7 . 3 . 2 . Critérios d e aceitação (FBRA IV):

A. Comprimidos náo revestidos e cápsulas: 0 teste é realizado com


6 (seis) unidades, utilizando-se água destilada a 37°C ± 1, durante
30 minutos (comprimidos), 45 minutos (cápsulas) ou o tempo indi-
cado na monografia. No caso das cápsulas, o teste é realizado sem
os discos.
B. Drágeas ou comprimidos revestidos ou cápsulas gastro-
resistentes: As 6 (seis) unidades são deixadas em contato com a á-
gua destilada, à temperatura ambiente, durante 5 minutos, sem os
discos. Em seguida são submetidas com ácido clorídrico 0,1 M a
37°C ± 1, durante 60 minutos, omitindo-se a colocação dos discos.
81
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Nenhuma unidade deve apresentar-se desintegrada, rachada ou a-


molecida. Colocam-se os discos e continua-se o teste por mais 45
minutos ou o tempo estipulado na monografia, utilizando-se como
líquido de desintegração uma solução tampão de fosfato pH 6,8 ou
pH 7,5 (quando o revestimento for à base de goma laca), mantido a
37°C±1.

82
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

8. Obtenção do teor de fármaco ativo em formas


farmacêuticas sólidas

8 . 1 . Volumetrias

8 . 1 . 1 . Cápsulas de acetazolamida:
Pese e homogeneize o conteúdo de 20 cápsulas. Misture uma
quantidade de pó, exatamente pesada, correspondente a cerca de
0,4000g de acetazolamida junte 90 ml_ de dimetilformamida (DMF) e
titule com solução etanólica de hidróxido de sódio 0,1 M. Determine
o ponto de equivalência por potenciometria, 1mL de solução etanó-
lica de hidróxido de sódio 0,1M; corresponde a 22,22 mg de
C4H6N403S2.

8.1.2. Cápsulas de difosfato de cloroquina:


Pese e homogeneize o conteúdo de 20 cápsulas. Misture uma
quantidade de pó, exatamente pesada, correspondente a cerca de
0,5000g de fosfato de cloroquina em 20 mL de hidróxido de sódio 1
M e extraia 4 vezes com clorofórmio R de cada vez. Misture os ex-
tratos clorofórmicos e evapore até ao volume de 10 mL. Junte 40
mL de ácido acético anidro R e titule com ácido perclórico 0,1M.
Determine o ponto de equivalência por potenciometria; 1 mL de
ácido perclórico 0,1M corresponde, a 25,79 mg de
C18H26CIN3.2H3P04.

8.1.3. Cápsulas de Fenitoina:


Pese e homogeneize o conteúdo de 20 cápsulas. Misture uma
quantidade de pó, exatamente pesada, correspondente a cerca de
0,2500g de fenitoína sódica e agite com 40 mL de hidróxido de sódio
0,01 M, durante 10 min, complete 50 mL com hidróxido de sódio
0,01M e agite por mais 5 min. Filtre, acidifique 25 mL do líquido
com 10 mL de ácido clorídrico 0,1M e extraia três vezes, usando
sucessivamente, 50, 40 e 25 mL de éter R. Misture os extratos eté-
ros, lave com 10 mL de água, evapore à secura e seque o resíduo a
105°C. Dissolva em 30 mL de metanol R. Titule com hidróxido de
sódio 0,1M. Trace a curva potenciométrica. Depois de atingido o
primeiro ponto de inflexão, interrompa a adição do hidróxido de
sódio 0,1M, junte 5 mL de solução de nitrato de prata em piridina R,
misture e continue a titulação. Determine o volume de hidróxido de

83
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

sódio 0,1M gasto entre os dois pontos de inflexão; 1 mL de hidróxido


desódio 0,1M, corresponde a 27,43 de dsHnNzNaOz.

8.2. Espectrometria no Ultra-violeta

8.2.1. Doseamento de cápsulas de carbamazepina:


Pese e homogeneize finamente não menos que 20 cápsulas.
Ferva uma quantidade do pó correspondente a 60 mg de carbama-
zepina com 25 mL de etanol a 96% por alguns minutos, homogeneize
a solução ainda quente em frasco fechado por 10 minutos e filtre
através de vidro sinterizado, lavando o frasco e o filtro com etanol a
96% e adicionando etanol a 96% em quantidade suficiente para obter
100 mL da solução. Dilua 5 mL dessa solução a 250 mL com etanol a
96% e meça a absorvância da solução resultante no máximo em tor-
no de 285 nm. Calcule o teor de Ci5H12N20, considerando 490 como
a absorvância específica no máximo de 285 nm.

8.2.2. Doseamento de cápsulas de amiodarona:


Pese e homogeneize finamente não menos que 20 cápsulas.
Pese o equivalente a 100 mg de cloridrato de amiodarona, dissolva
em metanol R e dilua a 100,0 mL com o mesmo solvente. Filtre.
Dilua 1,0 mL do filtrado a 100,0 mL com metanol R. Determine a
absorvância dessa solução a 240 nm, utilizando metanol R como
branco. Determine o teor de cloridrato de amiodarona através da
curva de calibração y = 0,0547 x + 0,0018 (R2 = 0,9998). Calcule o
teor.

84
Capitulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Curva de Calibração
Cloridrato de Amiodarona SQR
A= 240 tm Solvente: Metanol - Aualista: Olegário 30/ÍIA000

1.6
1,1 J>
1.2 ^ "
_--^^ ♦ Absorv
^s'^ Linear (Absorv)
t 0.8
^^^
< 0.6 ~S"^
0.4 ^ * ^
Jtr y = 0.0547X • 0.0018
0.2
*T R' = 0.9998

0 2,5 5 7,5 10 12.5 15 173 20 225 25 27.5


Conccnlraçio (iig/mL)

8.2.3. Doseamento de digoxina:


Dissolva 40,0 mg em álcool R, aquecendo se necessário, e di-
lua a 50,0 ml_ com o mesmo solvente. Dilua 5,0 mL dessa solução a
100,0 mL com álcool R. Prepare uma solução-padrão da mesma ma-
neira, utilizando 40,0 mg de padrão de digoxina. A 5,0 mL de cada
solução adicione 3,0 mL de picrato sódico alcalino SR, deixe em
repouso por 30 minutos ao abrigo da luz e meça a absorvância de
cada solução no máximo de 495 nm, utilizando como branco uma
mistura de 5,0 mL de álcool R e 3,0 mL de picrato sódico alcalino
preparado concomitantemente. Calcule o conteúdo de C4iH64014 a
partir das absorvâncias medidas e das concentrações das soluções.

A.Picrato sódico alcalino:


Ácido pícrico SR (10 g/L) 20 mL
Hidróxido de sódio SR (50 g/L) 10 mL
Água destilada qsp 100 mL

8.2.4. Doseamento de cápsulas de lovastatina:


Pese exatamente cerca de 100 mg da amostra, dissolva em
acetonitrila R e dilua a 100,0 mL com o mesmo solvente. Dilua 1,0
mL dessa solução a 100,0 mL com acetonitrila R. Meça a absorvância
dessa solução a 245 nm, utilizando acetonitrila R como branco. Cal-
cule a quantidade de C24H3605 na tomada de ensaio através da curva
de calibração y = 0,0496 x + 0,051 (R2 = 0,9991). Calcule o teor da
amostra.
85
Capítulo 2 - Controle da Qualidade da Farmácia Magistral

Curva de calibração
Lovastatina SQR
Acetonitrila - X: 235 nm

3 , y = 0,0496x + 0,051
2.5
\ 2
~ R 2 = 0,9991 ^ "*
? 1.5

1 ' 0.5-
Q
1) 10 20 30 40 50 60
Concenlraçáo (fig/mL)

8.2.5. Doseamento de cápsulas de deflazacort:


Pese e homogeneize finamente não menos que 20 cápsulas.
Pese e dissolva o equivalente a 100 mg de deflazacort, suspenda em
metanol, filtre e complete o volume para 100,0 mL com o mesmo
solvente. Dilua 1 mL dessa sotução a 100 mL com metanol. Meça a
absorvância dessa solução no comprimento de onda máximo de 241-
242 nm, utilizando metanol como branco. Considere a absortividade
do padrão 352,5 (1 cm, 1%).

86
Principais
Equipamentos
Capitulo 3 - Principais Equipamentos

1. Balança Eletrônica (exemplo: Série BG®- GEHAKA):

1.1. Operação:
Uma vez preparada a balança, e o cabo da rede conectado à
tomada, a balança indicará que está ligada, acendendo um ponto
decimal do segundo dígito no seu display.
Para ligá-la basta acionar a chave on/off, que se encontra
em seu painel frontal. Quando esta chave é acionada, o display exe-
cutará o teste do display, mostrando cada um dos dígitos e indican-
do desta forma se estão funcionando corretamente e indicará leitu-
ra zero no display.
Uma vez que a balança entrou em funcionamento normal,
aguarde no mínimo 25 minutos para que o equipamento atinja a sua
temperatura de trabalho (warm up).
Evite desligar o cabo da força da rede, pois desta forma não
haverá necessidade de aguardar o tempo de aquecimento toda vez
que for operar a balança. Quando a balança está desügada, com o
ponto decimal aceso, permanece na condição stand by, ou seja, não
haverá a necessidade de se aguardar o período de warm-up.

1.2. Pesagens Subtrativas:


Em certos casos não importa a massa total de um produto, mas
desejamos que este perca um determinado peso. Para conseguir isto
basta:
Colocar o produto sobre o prato.
Tarar (* ) a balança.
A balança está indicando peso zero, retirando parte do produto,
a balança irá indicar quanto peso está sendo perdido.

Nota ( * ) Tarar significa fazer com que o display indique zero antes de colocar o objeto a ser
pesado, sobre o prato. Desta forma, o peso do recipiente em que está a amostra será descon-
tado, e a balança somente irá indicar o peso do material, desde que a soma destes não exce-
da a máxima carga da balança.
Coloque sobre o prato o recipiente vazio, a balança indicará seu peso. Acione a tecla
"Tara", a balança passará a indicar zero no display. Despeje o produto no recipiente, e a
balança indicará somente o peso do produto.

88
Capítulo 3 - Principais Equipamentos

1.3. Comparando Massas:

Existe ainda a possibilidade de desejarmos conhecer qual a di-


ferença de peso entre um padrão e a produção por exemplo. Para
isso, siga os procedimentos abaixo:
Passo 1: Coloque o peso padrão de referência sobre o prato.
Passo 2: Tare a balança.
Passo 3: Remova o peso padrão.
Passo 4: Coloque o peso a se determinar o desvio sobre o prato.
Observe a leitura, ela será positiva ou negativa indicando a dife-
rença entre o peso do produto e a referência.

1.4. Arrredondamento Interno da Balança:

A linha BG, mede uma casa a mais do que indica o display, isto
para que possa ser feito o arredondamento com segurança. Este
arredondamento segue a seguinte forma:
Leitura maior ou igual à cinco vai um.
Leitura menor que cinco mantêm o valor.

1.5. Manutenção:
Para proceder à limpeza, basta desligar a balança, remover o
prato e retirar o plástico de proteção.
Não use qualquer tipo de solvente, o recomendado é álcool
70% e uma flanela.
0 prato, de inox, pode ser lavado com detergente, desde
que o mesmo seja removido da balança.

1.6. Calibração:
A precisão de leitura da balança, depende diretamente de
sua calibração para leituras corretas.
A calibração deve ser checada periodicamente.
Para balanças com uso contínuo, é recomendado a recalibra-
ção uma vez por mês.

89
Capitulo 3 - Principais Equipamentos

1.6.1. Checando a Calibração:


Passo 1: Ligue a batança acionando a tecla On/Off.
Passo 2: Pressione a tecla Tara para zerar o display.
Passo 3: Coloque o peso padrào sobre o prato.
Passo 4: Observe se o peso indicado é o mesmo do peso padrão, com
uma tolerância de +/- 1.
Se a leitura for correta, a balança está calibrada. Se for diferen-
te, proceda como descrito abaixo.

1.6.2. Executando a Calibração:


Passo 1: Remova qualquer objeto do prato.
Passo 2: Tare a balança.
Passo 3: Segure a tecla Tara por 5 segundos.
Passo 4: Aparecerá no display a indicação CAL. A balança sai de fá-
brica com a função auto-calibração ativada, se por ventura não en-
trar esta função, consulte no manual da balança o tópico progra-
mando a balança.
Passo 5: Solte a tecla Tara.
Passo 6: 0 display indicará rapidamente zero, mostrando que testou
a existência de alguma massa sobre o prato. Se houver algum objeto
no prato, a balança retornará com a mensagem no display Erro 1.
Aguarde alguns segundos que a balança voltará a indicar o zero no-
vamente.
Passo 7: Em seguida aparecerá no display o valor do Peso Padrão
necessário para sua calibração, coloque-o sobre o prato.
Passo 8: Retire o peso padrão do prato e tare a balança.
A balança está calibrada. 0 erro admissível na caiibração é de
+/-1.
Nota: A catibração da balança deve ser re$istrada em formulário próprio cujo modelo se
encontra na pàgina 594.

1.7. Aferição:
Anuatmente a balança deverá ser aferida pelos órgãos com-
petentes. No momento da aferição deverá ser afixada etiqueta
constando a data e o responsável pela aferição (INMETRO).

90
Capítulo 3 - Principais Equipamentos

2. Destilador:

2.1. Operação:
Abrir a torneira de alimentação, inicialmente com fluxo de
água maior para um enchimento mais rápido.
Quando o nível da água cobrir a resistência, o automático
será acionado ligando o aparelho.
A lâmpada piloto indicará que o nível ideal foi atingido e a
resistência está ligada.
Diminuir o fluxo de água na alimentação e aguardar a fervu-
ra.
Quando a água entrar em ebulição inicia-se o processo de
destilação.
Regule o fluxo de alimentação o suficiente para esfriar a
água destilada até a temperatura ambiente.
Desprezar os primeiros 500 ml.
Não fechar totalmente o recipiente coletor e também não
permitir que a ponta da mangueira fique submersa.
Atingindo o volume necessário de água destilada, fechar a
torneira. 0 aparelho continuará funcionando por aproximadamente
mais dois minutos quando o automático desligará.

2.2. Manutenção:
Periodicamente deverá ser feita a limpeza e a remoção das
crostas depositadas em forma de pó branco na resistência.
A periodicidade deverá variar de acordo com a qualidade da
água de entrada (águas de poço ou muito duras poderão formar
crostas em prazos menores).
Havendo a formação muito grande de crostas ou ataques ao
reservatório é aconselhável a instalação de filtros especiais.
Verificar periodicamente as conexões elétricas e a bóia, evi-
tando eventuais travamentos e queima do equipamento.

Nota: As manutenções do destilador devem ser registradas em ficha própria segundo modelo
na páçina 605.

91
Capítulo 3 - Principais Equipamentos

3. Deionizador:

3.1. Manutenção:

A troca da coluna do deionizador deverá ser feita sempre que a


lâmpada vermelha piscar ou ficar acesa continuamente, o que signi-
fica que a resina está próxima da saturação. Quando isso acontecer,
proceder da seguinte forma:
Fechar a torneira de alimentação e desligar o aparelho da rede
elétrica.
Erguer a coluna acima do nível e deixar escorrer em local ade-
quado.
Remover toda água que ficou no reservatório, possivelmente
contaminada.
Coloque a coluna regenerada na mesma posição da anterior,
volte a engatar a mangueira de alimentação na coluna, regule o
fluxo de entrada e tire o ar da nova coluna.
Ao encher a nova coluna, deve-se girar o parafuso de plástico
no sentido anti-horário para dar saída ao ar interno da coluna.
A ficha de manutenção do aparelho deve ficar afixada neste, e
sempre que for feita a troca da coluna, o responsável deve anotar a
data e assinar. Veja modelo de ficha de registro na página 609.

92
Capítulo 3 - Principais Equipamentos

4. pHmetro:

4.1. Operação:
Para efetuar uma medição de pH é suficiente submergir a ponta
do eletrodo (4cm) e a sonda de temperatura na amostra a ser me-
dida.
Ligue o instrumento pressionando a tecla on/off.
0 medidor entra automaticamente no módulo de medicão de
pH.
Espere um ou dois minutos para a estabilização do eletrodo.
0 valor do pH medido é lido no display principal e a temperatura
medida é lida no display secundário.

4.2. Calibração do pHmetro (exemplo: modelo Hl 8314 )

Passo 1: Retirar o eletrodo do recipiente contendo solução de KCL


3M.
Passo 2: Rinsar (lavar) o eletrodo com água destilada.
Passo 3: Enxugar o eletrodo (papel macio e poroso, como por exem-
plo, papel higiênico de boa qualidade).
Passo 4: Rinse o eletrodo com a solução tampão pH 7,01.
Passo 5: Mergulhe o eletrodo em um recipiente contendo o tampão
de referência de pH 7,01, junto com o sensor de temperatura. Ho-
mogeneize vagarosamente e espere dois minutos para o equilíbrio
térmico.
Nota: o eletrodo deve estar submerso 4cm na solução. 0 sensor de temperatura deve ser
colocado próximo ao eletrodo de pH.
Passo 6: Aperte o botão 0C para mostrar a temperatura do tampão.
Passo 7: Ajuste o botão "pH" para a leitura do valor de pH.
Passo 8: Ajuste com a chave de fenda no parafuso STD até que o
visor mostre o valor de pH desejado.
Passo 9: Lavar o eletrodo e enxugar.
Passo 10: Rinse e mergulhe o eletrodo no tampão referência 4,01
(segundo ponto de calibração) e homogeneize vagarosamente.
Passo 11: Espere dois minutos e ajuste no parafuso SLOPE até que o
visor mostre o valor de pH desejado.
Passo 12: A calibração do pHmetro está completa. Lave o eletrodo
com água destilada e seque com papel absorvente;
93
Capitulo 3 - Principais Equipamentos

Passo 13: Imergir o eletrodo na solução problema.


Passo 14: Anotar a medida após estabilização.
Passo 15: Lavar o eletrodo e enxugar.
Passo 16: Colocar o eletrodo na solução de KCl.

Nota: 0 pHmetro deve ser calibrado semanalmente. 0 registro de calibração deve feito em
ficha própria seçundo o modelo na página 595.

4.3. Calibração do pHmetro (exemplo: modelo Hl 9321®)


Passo 1: A calibração do pHmetro deve ser realizada semanalmente.
Passo 2: Proceder da seguinte forma:
Passo 3: Certifique-se que o medidor está no módulo de pH.
Passo 4: Remova a tampa de proteção do eletrodo contendo solução
de KCl e rinse-o com água, enxugando-o a seguir.
Passo 5: Coloque pequenas quantidades de soluções tampão dentro
de béqueres limpos.
Passo 6: Rinse e mergulhe o eletrodo na solução de referência tam-
pão pH 7,01 e agite um pouco.
Passo 7: Pressione a tecla CAL . Os indicadores CAL e BUF acende-
rão. 0 display secundário apresentará o valor 4,01.
Passo 8: Pressione duas vezes a tecla C. 0 display secundário muda-
rá para 7,01.
Passo 9: Quando o eletrodo for inserido na solução tampão, o medi-
dor avisará ao operador se a leitura não estiver estável. Se as leitu-
ras flutuarem, o display piscará NOT READY. Só quando a leitura
estiver estável, as mensagens READY e COM piscarão.
Passo 10: Pressione a tecla CFM para confirmar a calibração. Se a
leitura não estiver próxima ao valor da solução tampão selecionada,
os avisos WRONG BUF e WRONG I piscarão alternadamente. Se a
leitura estiver próxima ao valor da memória, o medidor gravará a
leitura (e ajustará o desvio). 0 valor da solução tampão é então
apresentado no display principal enquanto o display secundário a-
presentará o valor de 4,01.
Passo 11: Rinse o eletrodo com água destilada e enxugue-o.
Passo 12: Rinse e mergulhe o eletrodo com a segunda solução tam-
pão de referência (pH 4,01), agite-a um pouco e aguarde.
Passo 13: Quando as mensagens READY e COM piscarem no display,
a leitura estará estável e a calibração pode ser confirmada.
Passo 14: Pressione a tecla CFM. Se a leitura não estiver próxima ao
valor da solução tampão selecionada, as mensagens WRONG BUF 2 e

94
Capítulo 3 - Principais Equipamentos

WRONG / piscarão alternadamente. Se a leitura próxima ao valor da


solução tampão selecionada, a curva e o desvio estarão calibrados.
Passo 15: Os valores serão gravados na memória e o medidor retor-
nará ao módulo de operação.
Passo 16: 0 medidor automaticamente pulará o valor da solução
tampão que foi usada para a primeira calibração, para evitar uma
calibração errônea.
Passo 17: Lave o eletrodo com água destilada, seque com papel ab-
sorvente.
Passo 18: Faça a leitura da solução problema ou deixe o eletrodo
imerso em uma solução de KCl 3M.

Obs: 0 procedimento de calibração deve ser registrado em ficha própria, conforme modelo
na pásina 595.

4.4. Medida do Potencial de Oxiredução (realizada do


pHmetro):

Para se obter o módulo mV (ORP ou ISE), ligue o instrumento


(tecla on) e pressione a tecla range.
Para medir o mV de uma solução, simplesmente insira a ponta
do eletrodo (especifico para este tipo de medição) na amostra a ser
testada; aguarde alguns minutos para que a leitura se estabilize.
Se a leitura estiver fora da faixa, o display apresentará "---".

4.5. Manutenção:
Se houver a formação de bolhas de ar dentro do bulbo de pH,
basta agitar o eletrodo para baixo como se opera um termômetro
clinico.
Sempre que os eletrodos, do tipo reabastecível forem usa-
dos, o nível de preenchimento do eletrólito precisa ser checado e
completado com solução apropriada.
Sempre que se usar os eletrodos, do tipo reabastecível, a
luva que cobre o furo de preenchimento deve ser baixada antes da
execução das medições e depois recolocado na posição original.
Se a capa de proteção ficar sem eletrólito ou se o eletrodo
não for usado por muito tempo, ele deve ser reativado ficando mer-
gulhado várias horas em um béquer com solução de KCl 3M.
95
Capitulo 3 - Principais Equipamentos

Não utilizar água destilada já que a baixa concentração de


íons aumenta o tempo de reação do eletrodo.

Nota: As calibrações e a manutenção do pH devem ser registradas em ficha própria, conforme


modelo encontrado na página 595.

4.6. Observações:
É recomendável que o eletrodo seja completamente rinsado
para um melhor condicionamento. Para este processo, deve-se utili-
zar uma quantidade farta da amostra a ser medida. A leitura do pH
é feita em função da temperatura.
Para obter uma maior precisão da medição do pH, a
temperatura deve ser levada em consideração. Um perfeito
equilíbrio entre o eletrodo de pH e a amostra é alcançado em
aproximadamente 15 minutos.
Para se usar o acessório para compensação automática de
temperatura do medidor, insira a sonda de temperatura na amostra,
o mais próximo possível do eletrodo e aguarde por um ou dois minu-
tos.
Se a temperatura da amostra a ser testada for conhecida, sua
compensação poderá ser feita manualmente. Para isto, a sonda de
temperatura deverá ser desconectada do instrumento. 0 display
apresentará a temperatura padrão de 25°C ou a última temperatura
gravada e o ponto " c " estará piscando. Observe a temperatura da
amostra utilizando um termômetro de vidro convencional. A tempe-
ratura pode agora ser ajustada com as teclas de flecha up e down.
Se forem efetuadas sucessivas medições em diferentes amostras,
é recomendável que o eletrodo e a sonda de temperatura sejam
totalmente limpos com água destilada e secos com um papel fino,
entre cada medição.

96
Capítulo 3 - Principais Equipamentos

5. Placa Encapsuladora:

5.1. Componentes da Placa:


01 suporte.
01 tabuleiro perfurado.
02 palhetas de sustentação
1 socador para tamanhos específicos de cápsulas
1 espátula flexível de plástico.

5.2. Operação:
Passo 1: Separar o suporte.
Passo 2: Encaixar o tabuleiro perfurado sobre o suporte.
Passo 3: Colocar as palhetas entre as duas partes, de modo que as
duas palhetas fiquem nos extremos em pé, formando uma abertura
de +/- 2cm entre as partes.
Passo 4: Acondicionar as cápsulas no tablóide perfurado conforme
procedimento de encapsulação.

5.3. Manutenção e Limpeza:


A placa deve ser previamente limpa e sanitizada com álcool a
70% antes de cada procedimento de encapsulação, certificando-se
que a mesma se encontre completamente seca.
A placa deve ser lavada diariamente no final do expediente com
detergente neutro, usando a escovinha para limpeza dos furos no
tabuleiro.
Semanatmente as placas devem ser desmontadas, retirando suas
partes de metal e imersas em solução de hipoclorito por 24 horas.

97
Capitulo 3 - Principais Equipamentos

6. Filtro Purificador de Água:

6.1. Manutenção:
A limpeza do elemento cerâmico deve ser feita sempre que
for constatada uma acentuada queda na vazão do aparelho. Proce-
der da seguinte forma:
Passo 1: Desatarrachar a vela da tampa do filtro.
Passo 2: Coloque a vela sob água corrente e esfregue sua superfície
com uma lixa d'água 80 até obter a cor clara original.
Passo 3: Rosqueie novamente à tampa e coloque em funcionamento,
não esquecendo de desprezar os primeiros segundos (+/- 3 litros).
Passo 4: Nunca efetuar a limpeza utilizando sal, açúcar ou esponjas
de aço, ou pela inversão do fluxo.
Passo 5: A durabilidade do carvão ativado existente no interior do
elemento filtrante de ação tripla é de quatro a oito meses, em fun-
ção da quantidade de cloro existente na água e do coeficiente de
utilização do aparelho. 0 responsável pela troca do carvão deve
anotar a data na ficha de manutenção, assinando-a.
Passo 6: A eventual presença de trinca superficial não compromete
o funcionamento do elemento filtrante.
Passo 7: A ficha de manutenção do aparelho, segundo modelo na
página 603, deve ficar afixada no mesmo e o responsável pela lim-
peza deve anotar a data e assinar.

98
Capitulo 3 - Principais Equipamentos

7. Fluxo Laminar Horizontal:

7.1. Descrição:
A preparação de produtos estéreis, requer estrita aderência
à técnicas assépticas.
A adoção de técnicas assépticas no preparo de produtos es-
téreis é uma maneira de prevenir a contaminação por microorga-
nismos. A contaminação pode ocorrer pelo meio ambiente ou atra-
vés da pessoa responsável pela preparação.
A melhor maneira de reduzir os riscos de contaminação no
ambiente de preparo, é o controle da área de preparo de tal manei-
ra a produzir uma "área limpa de trabalho" (Clean area).
0 Fluxo Laminar é efetivo em promover uma área limpa para
trabalho (área estéril). Entretanto, o uso de técnicas inadequadas
ou falta total de técnica pode por a perder os benefícios produzidos
pelo equipamento de Fluxo laminar.
0 Fluxo laminar fornece um fluxo contínuo de ar filtrado . 0
ar é filtrado através de um filtro de alta eficiência (HEPA - high-
efficiency particulate air filter) que remove 99.97% de todas as par-
tículas maiores que 0,3 um de tamanho. Essencialmente este filtro
está apto a remover todos microorganismos e partículas contami-
nantes. 0 fluxo de ar possui velocidade suficiente para manter a
área de trabalho livre de contaminação.
Boa técnica asséptica é essencial para maximizar os benefí-
cios do fluxo laminar. E importante lembrar que os benefícios do
fluxo laminar podem facilmente ser neutralizados, aumentando-se o
risco de contaminação. Espirros, tosses, correntes de ar, abertura
de porta, movimentos bruscos com as mãos ou corpo, conversas na
direção do fluxo podem neutralizar seus benefícios. 0 manipulador
deve manter condutas de boas práticas de manipulação e higiene,
efetuando anteriormente ao trabalho no fluxo, a assepsia correta
das mãos e antebraços com solução de povidine e periodicamente já
em trabalho realiza a assepsia das luvas, friccionando as mãos cal-
çadas com um pouco de álcool a 70% com clorexidina. Lembre-se
que as luvas dão uma falsa sensação de segurança, seu uso irracio-
nal permitindo que entre em contato com uma superfície não estéril
é suficiente para contaminá-la. Portanto, periodicamente e sempre
que necessário faça a antissepsia das tuvas com a solução de álcool
a 70% com clorexidina.

99
Capítulo 3 - Principais Equipamentos

7.2. Operação:
O Fluxo Laminar deve ser ligado 30 minutos antes de se inici-
ar a manipulação. Suas paredes devem ser previamente sanitizadas
com solução antisséptica (álcool a 70% com clorexidina) e a lâmpada
esterilizante UV deve também ser ligada 30 minutos antes da mani-
pulação e desligada no início desta.

7.3. Validação do Fluxo Laminar:

A validação do fluxo laminar deve ser feita anualmente pelo


farmacêutico do Controle de Qualidade e peto técnico do fabricante
do equipamento.
Fica como responsável pela avaliação microbiológica, o far-
macêutico do Controle da Qualidade.
0 processo ocorre da seguinte forma:
Passo 1: São colocadas duas placas de Petri, durante a noite com
fluxo laminar desligado, uma placa deverá conter meio de cultura
para fungos e outra com meio de cultura para bactérias.
Passo 2: São colocadas mais duas placas com o fluxo ligado, duran-
te meia hora, após a limpeza habitual.
Passo 3: As placas são enviadas para o laboratório conveniado e os
resultados ficam registrados na ficha de manutenção do equipamen-
to.
Para avaliaçào dos filtros e pré-filtros, o técnico do fabrican-
te deve ser requisitado anualmente ou quando houver necessidade,
quando então devem ser realizados todos os testes, inclusive o de
contagem de partículas. Os resultados devem ficar registrados na
ficha de manutenção da unidade, conforme modelo na página 759.

100
Vidrarias e
Porcelanas
Capítuto 4 - Vidrarias e Porcelanas

1 . Vidrarias e Porcelanas de Uso em Laboratório


Deve-se certificar que as vidrarias e artigos de porcelana
(Exemplo: gral) do laboratório estejam rigorosamente limpos e se-
cos para o adequado procedimento de manipulação das fórmulas.

1.1. Procedimento de Limpeza:


Procedimento a ser realizado durante o expediente (sem uso de
estufa):
Passo 1: Enxaguar com água corrente.
Passo 2: Usar escova de limpeza de vidrarias com detergente neu-
tro.
Passo 3: Enxaguar novamente com água corrente.
Passo 4: Aplicar com papel absorvente umedecido em álcool.

1.2. Procedimento de Limpeza com a utilização da Es-


tufa:
Passo 1: Enxaguar com água corrente.
Passo 2: Usar escova de limpeza de vidrarias com detergente neu-
tro.
Passo 3: Enxaguar novamente com água corrente.
Passo 4: Enxaguar com água destilada.
Passo 5: Escorrer o excesso de água.
Passo 6: Secar em estufa a 50 a 60°C.

102
Capitulo 4 - Vidrarias e Porcelanas

2. Principais Vidrarias utilizadas em Laboratórios

2.1. Béquer:
É um recipiente cilíndrico de vidro que pode ser
aquecido ou de plástico que não pode ser
aquecido. Destina-se à coleta de líquidos não
voláteis, dissoluções, aquecimento de líquidos
(somente o de vidro) e decantaçào de suspensões.
Sua medição volumétrica não é precisa, não
servindo como instrumento de medida.
0 béquer pode ser utilizado somente para
dissoluções de substâncias facilmente sotúveis a
frio ou que se dissolvam a quente e não exijam atrito do bastão
para sua diluição, pois suas paredes são frágeis e quebram facilmen-
te.

2.2. Frasco Erlenmeyer:


Recipiente de vidro de forma cônica, apresentando boa
base de sustentação em relação ao seu tamanho,
podendo ser aquecido.
Destina-se a recolher líquidos, efetuar dissoluções,
destilações, aquecimento a refluxo, titrimetria, etc.
Em farmácia o seu uso restringe ao laboratório de
controle da qualidade.

103
Capitulo 4 - Vidrarias e Porcelanas

2.3. Gral ou Almofariz:

Aparelho de porcelana refratária (pode ser aquecido)


vidro, ágata ou mesmo metal, acompanhado de um
ou pistilo com cabo e extremidade
arredondada. É a versão científica do pilão.
É utilizado para pulverizar sólidos, para
triturações, para micronizações de pós com
liquidos viscosos, para misturas e etc.

2.4. Espátulas:

São objetos com extremidades em forma de lâmina (arre-


dondada) ou de colher, confeccionados em osso, metal ou material
plástico e destinadas a misturar, comprimir, remover, dividir sólidos
ou pastas, bem como para transportar sólidos nos processos de pe-
sagem.
0 trabalho com espátulas, subentende-se a utilização de uma
pedra de granito devidamente polida ou de uma placa de vidro de 6
mm de espessura e bordas lapidadas. Existem também espátulas
tipo "pão-duro" ideal para a retirada de produtos (cremes, géis,
etc) do gral ou outro recipiente de preparo.

2.5. Termômetros:

São instrumentos utilizados para medidas de temperatura.


Os termômetros utilizados em nosso país são graduados na
escala centígrada ou Celsius.

104
Capitulo 4 - Vidrarias e Porcetanas

2.6. Funis:
Os funis utilizados em laboratório são geralmente de
vidro ou plástico inerte, de colo curto ou longo,
biselado na sua extremidade inferior.
Os funis servem para facilitar, a introdução de
líquidos em recipientes de colo estreito, como buretas,
balões volumétricos, porém, de modo geral são empre-
gados em filtrações.

2.7. Cálice:

Recipiente de vidro de forma cônica, provido de base, sendo


geralmente graduado.
Usa-se para medir volumes liquidos sem precisão, não po-
dendo ser aquecidos.
Diluições de substâncias sólidas em líquidos deve ser realiza-
da com auxílio de um bastão de vidro ou plástico, tomando-se cui-
dado de evitar o atrito do mesmo com as laterais frágeis do cálice.
0 pó a ser dissolvido (solubilizado) deve ser anteriormente acondi-
cionado no fundo do cálice e em seguida aos poucos com o auxilio
do bastão o solvente deve ser adicionado, limitando os movimentos
de atrito do bastão com o cálice ao fundo do mesmo, onde a estru-
tura do cálice é mais reforçada.

2.8. Provetas:
São recipientes cilíndricos de forma alongada, providos de
base, constituídos de vidro ou plástico. Geralmente são
graduadas. As provetas graduadas servem para tomadas de
volumes de líquidos, quando não se deseja maior precisão.

105
Capítulo 4 - Vidrarias e Porcelanas

2.9. Pípetas:
São tubos de vidro, que apresentam a porção mediana dilatada e um
estreitamento numa das extremidades. Podem ser graduadas ou
volumétricas.
As pipetas graduadas apresentam a dilatação na porção
mediana cilíndrica, são graduadas em ml e frações decimais.
As pipetas volumétricas não graduadas, apresentam na
porção mediana, uma dilatação esférica ou ovalada e, no
colo superior um traço de aferição correspondente ao
limite do volume indicado na mesma.
v Para usá-las, extrai-se, por sucção, com a boca ou
preferivelmente com o auxílio de uma pêra de borracha, o
líquido de um recipiente, de tal forma que o nível do mesmo
ultrapasse o traço de aferição. Tampa-se o orifício superior
com o dedo indicador e deixa-se escoar o excesso, até que a
base do menisco coincida com o traço de aferição. Essa
observação é feita mantendo-se a pipeta na posição vertical e
fazendo com que o traço de aferição esteja no mesmo plano,
que passa pelo olho do observador, para evitar o erro de
paralaxe. Ao transferir o liquido da pipeta para um
recipiente, deve-se fazê-lo lentamente, encostando a ponta da pi-
peta nas paredes do mesmo, não soprando para eliminar a gota re-
sidual.

2.10. Bastões ou Baguetas:

Podem ser de plástico ou de vidro. São usados para agitar lí-


quidos. Também são empregados para facilitar a transferência de
líquidos para recipientes, funis ou filtros colocados em funis.

2.11. Vidros Relógio:

São pequenos discos côncavos de vidro, destinados a reações


com quantidades mínimas de reativos, sendo úteis também na pesa-
gem de pequenas porções de substâncias.

106
Capitulo 4 - Vidrarias e Porcelanas

2.12. Cápsula:
Recipiente com a forma de calota esférica, de metal ou por-
celana.
Pode ser aquecida diretamente e é usada para se dissolver
sólidos em líquidos, concretar soluções por evaporação de solvente.
É utilizada predominantemente no laboratório de controle da quali-
dade.

2.12. Cadinhos:
Recipientes de forma de vaso, às vezes providos de tampa e
feitos de porcelana, prata, platina, ferro, grafite ou quartzo.
Resistem a elevadas temperaturas, porém, os cadinhos que
podem sofrer ruptura devem ser aquecidos inicialmente com chama
fraca.
É nos cadinhos que se realiza operações chamadas calcina-
ções, fusões, etc. É utilizado predominantemente no laboratório de
controle da qualidade.

2.13. Balões:

IHSão recipientes de vidro, esféricos, providos de


■ ■ ■

colo. Devem ser aquecidos sobre tela metálica


amiantada.
Os balões podem ser de fundo esférico
\ (redondo) ou de fundo chato. Servem para
f recolher líquidos, efetuar-se dissoluções,
destilações, aquecimento e refluxo, etc. Para
aquecimento, dá-se preferência aos balões de fundo
redondo. Os balões para destilação fracionada possuem colo longo,
no qual há uma tubulatura lateral.
Há balões de fundo chato que possuem colo estreito e longo,
onde há um traço de aferição, sendo providas de tampa de vidro
esmerilhada. Estes balões chamam-se balões volumétricos e se des-
tinam à obtenção de soluções de concentração conhecida, princi-
palmente as usadas em titrimetria. 0 volume indicado no balão cor-
responde ao volume interno limitado pelo traço de aferição (para
uma dada temperatura). Não devem ser aquecidos.
107
Capitulo 4 - Vidrarias e Porcelanas

2.14. Buretas:
São tubos de cristal ou de vidro especial, graduadas em ml e
frações, possuindo, na extremidade inferior um estreitamento
provido de torneira esmerilhada ou um intermediário de
borracha, contendo no seu interior uma esfera de vidro, e,
ligado a um pequeno tubo de vidro com extremidade afilada.
w São usadas em titrimetria, suspensas em suportes por meio de
4N) Pinças.

2.15. Funil de Decantação:


Também chamado funil de separação, é um aparelho de vi-
dro de forma aproximadamente esférica ou de pera, possuindo, na
parte superior, uma abertura com tampa de vidro esmerilhada e, na
parte inferior, um prolongamento em forma de tubo, onde há uma
torneira.
É usado para se decantar mistura de líquidos que não se dis-
solvem, é utilizado também para se introduzir aos poucos ou gotejar
lentamente, um líquido em um recipiente.

2.16. Tubos de Ensaio:


São tubos de vidro fechados em uma das ex-
tremidades, destinados à coleta, dissolução,
ensaios e, mesmo, preparações relacionadas
com massas reduzidas de substâncias.

108
5
Manipulação
Capítulo 5 - Manipulação

1. Processos de Manipulação

1.1. Introdução
Por se tratar de tarefa primordial e vital no universo de ati-
vidade da farmácia de manipulação, os processos de manipulação
devem ser efetuados por mão-de-obra especializada e acompanha-
dos de perto pelo farmacêutico responsável.
Além disso, o farmacêutico deverá analisar criticamente a
receita a ser aviada, para isso, é essencial seguir alguns critérios
técnicos, alguns destes relacionaremos a seguir.

1.1.1. Questões a serem consideradas antes da manipulação


de uma prescrição

A. Racionalidade da prescrição: ingredientes, intenção de uso, dose


e modo de administração
B. Propriedades físico-químicas, medicinais e usos farmacêuticos
das substâncias prescritas
C. Absorção e Via de administração adequadas: preparação do pro-
duto manipulado de acordo com o propósito da prescrição
D. Excipiente adequado: risco de alergia, irritação, toxicidade ou
resposta organoléptica indesejável do paciente.
E. pH ideal para maior estabilidade ou adequação ao uso
F. Ingredientes da formulação: identidade e pureza asseguradas.
G. Preparo da prescrição: treinamento adequado do manipulador
(cálculos matemáticos, controle de qualidade: peso médio, pH, ob-
servação visual)
H. Equipamentos e ingredientes disponíveis e em quantidade sufici-
ente.
I. Referências bibiiográficas: uso, preparação, estabilidade, admi-
nistração e embalagem do produto
J. Vaiidade: projeção razoável e racional da validade do produto.
K. Quantidade dispensada equivalente ao prazo de validade do pro-
duto.
L. Correto armazenamento do produto por parte do paciente.

110
Capítulo 5 - Manipulação

2. Processos de Manipulação
- Laboratório de Sólidos
Formas Farmacêuticas Sólidas de Interesse
na Farmácia Magistral: Pós, Granulados e Cápsulas

Introdução
As formas farmacêuticas sólidas representam, de modo ge-
ral, a maior porção das preparações aviadas na farmácia magistral,
de modo destacado a forma de cápsulas.
A seguir, estão algumas vantagens oferecidas pela forma só-
lida sobre a liquida que explicam o motivo desta preferência:
• As drogas e produtos químicos são mais estáveis na forma só-
lida.
• As drogas sólidas (e secas) podem ser dispensadas na forma
compactada de comprimidos, cápsulas, pós divididos, dentre
outros, podendo ser embalados, transportados, administra-
dos e armazenados mais facilmente que as formas líquidas.
• Paladares desagradáveis são mais evidenciados quando as
substâncias estão na forma de solução do que na forma sóli-
da. Sabores desagradáveis podem ser anulados totalmente
pela inclusão da droga sólida em cápsulas ou em comprimi-
dos revestidos.
• Doses precisas são mais facilmente obtidas com formas for-
necidas em doses individuais e unitárias, tais como, compri-
midos, cápsulas e pós divididos.
• Modificação da liberação das drogas (liberação lenta, contro-
lada, retardada, etc) podem ser obtidas muito mais facil-
mente em formas sólidas do que em preparações líquidas.
Todavia, a absorção de uma droga veiculada na forma sólida de-
pende de fatores diversos, tais como: a desintegração da forma só-
lida com a liberação de partículas contendo a droga e excipiente, a
posterior dissolução da droga, sendo esta influenciada por fatores
físicos e químicos diversos e por último, a absorção propriamente
dita ou permeação da droga através da membrana celular. Sabemos
que características como o tamanho das partículas sólidas, solubili-
dade da droga, propriedades do excipiente e adjuvantes influenciam
na velocidade de dissolução das drogas e portanto na sua biodispo-
nibilidade. Além de ter como objetivo a obtenção de uma forma

111
Capítulo 5 - Manipulação

farmacêutica elegante e uniforme, o farmacêutico se depara com


um desafio farmacotécnico maior na farmacotécnica de formas sóli-
das, o de garantir a absorção dos fármacos veiculados.

1. Pós

1.2. Definição (USP-23)


Pós são misturas intimas e secas de fármacos e ou outras
substâncias finamente divididas que podem ser para uso interno
(Pós Orais) ou para uso externo (Pós Tópicos).
Os pós são constituídos de finas partículas que variam de
0,1 (.i a 10.000a, embora os tamanhos das partículas em preparações
farmacêuticas variem na faixa de 0,1 a 10u.

1.3. Vantagens

• Permite a prescrição precisa, requerida individualmente pelo


paciente em cada dose. Os pós são normalmente mais estáveis que
as preparações líquidas, devido a reações químicas de degradação
entre as drogas associadas e entre as drogas e as condições atmos-
féricas, ocorrem mais lentamente em pós do que em líquidos.
• 0 tamanho reduzido das partículas na forma de pós, permite
uma dissolução mais rápida nos fluidos orgânicos (meio aquoso gás-
trico e entérico) do que o obtido em formas sólidas compactadas,
como comprimidos, portanto, possuem maior biodisponibilidade.
• Menor incidência de irritação gástrica quando comparada à
formas sólidas compactadas, resultado da sua rápida dissolução.
• Maior facilidade de deglutição, podendo ser ingeridos em
maior quantidade, especialmente quando misturados com alimentos
e bebidas. Pós podem ser administrados em sondas gástricas, em
pacientes hospitalizados.
• Pós tópicos possuem efeito secativo por aumento da superfí-
cie de absorção

112
Capitulo 5 - Manipulação

1.4. Desvantagens

• Drogas veiculadas nesta forma podem deteriorar quando ex-


postas a condições atmosféricas (partículas finamente divididas,
portanto há grande área de superfície exposta a atmosfera).
• Drogas com sabores desagradáveis, normalmente, não têm
suas características convenientemente mascaradas quando dispen-
sadas na forma de pó.
• Pós divididos demandam mais tempo para o seu preparo.

1.5. Características

• Particulas reduzidas facilitam a preparação de um pó mais


homogêneo e aumentam a capacidade adsortiva (ex.: antiácidos,
antidiarréicos e pós tópicos).
• Homogeneidade.
• Tenuidade homogênea das partículas.

1.6. Classificação dos pós

Pós simples: resultam da divisão de uma única droga.


Pós compostos: obtidos da mistura de dois ou mais pós simples.

1.7. Preparação

1.7.1. Redução do tamanho das partículas (cominuição):

Na farmácia com manipulação, normalmente o farmacêutico


reduz o tamanho das partículas das substâncias químicas utilizando
o gral com o pistilo por trituração. A trituração maior se obtém com
gral de superfície áspera (gral de porcelana) do que com o de super-
fície lisa (gral de vidro).
A leviqação é o processo empregado para a redução de partí-
culas, comumente em preparações semi-sólidas e líquidas. A leviga-
ção é um processo de redução do tamanho de partículas sólidas pela
trituração em um gral ou espatulação em uma placa com uma pe-
quena quantidade de líquido no qual o sólido não é solúvel.
113
Capítulo 5 - Manipulação

A pulverizoção por intervenção (recristalização) é emprega-


da para substâncias que não permitem a trituração direta, como é o
caso de algumas substâncias que se apresentam em estruturas cris-
talinas duras que não podem ser trituradas facilmente. Este proces-
so consiste em dissolver primeiramente o sólido em um mínimo de
solvente volátil adequado (composto interveniente), tais como o
álcool ou a acetona. Mistura-se então (triturando), o sólido com o
solvente até que este úttimo evapore (ex.: trituração da cânfora por
intermédio do álcool e do peróxido de benzoíla por intermédio da
acetona). 0 solvente pode também ser vaporizado diretamente na
superfície do gral durante o processo.

1.8.Tamisação
A tamisação é uma operação que tem por finalidade obter
pós cujas partículas tenham um determinado tamanho médio (mes-
ma tenuidade). É necessário que o produto que esteja sendo pulve-
rizado, seja tamisado por um tamis cuja abertura de malha corres-
ponda à tenuidade do pó a obter, voltando para o gral as partículas
maiores retidas.

1.8.1.Classificação dos Tamises:


0 tamis é o instrumento utilizado para fazer a tamisação. Ele
é constituído por um aro de diâmetro variável, apresentando uma
das extremidades fechada com uma tela aplicada de modo a ficar
bem esticada. Esta tela é a parte fundamental do tamis, pois é ela
que em função da abertura das respectivas malhas, permite a sepa-
ração das partículas submetidas à tamisação em função dos diâme-
tros das partículas. As telas utilizadas na fabricação de tamises são
de natureza variada: ferro galvanizado, latão, aço inoxidável (mais
empregada para fins farmacêuticos), seda ou fibras sintéticas.
A tabela 14 apresenta uma correlação entre aberturas dife-
rentes de malhas de tamises e a granulometria obtida bem com o
seu emprego em diversas formas farmacêuticas relacionadas.

114
Capítulo 5 - Manipulação

Tabela 14 - Classificação dos tamises e tenuidade obtida dos pós

Tamis N° Abertura Descrição Emprego


(USP) - Mesh (mm)
Sais granulados efervescentes e
2 9,52 Muito grosso para pós de comprimidos
Sais granulados efervescentes e
8 2,38 Muito grosso para pós de comprimidos
Sais granulados efervescentes e
10 2 Muito grosso para pós de comprimidos
Sais granulados efervescentes e
20 0,84 Grosso para pós de comprimidos
Sais granulados efervescentes e
30 0,59 Grosso para pós de comprimidos
Moderada- Sais granulados efervescentes e
40 0,42 mente grosso para pós de comprimidos
Moderada- Pós efervescentes, pós dividi-
50 0,297 mente grosso dos, pós para encapsulação
Sais granulados efervescentes,
60 0,250 Fino para pós de comprimidos e para
encapsulação
Sais granulados efervescentes,
80 0,177 Muito fino para pós de comprimidos e para
encapsulação
Sais granulados efervescentes,
120 0,125 Muito fino para pós de comprimidos e para
encapsulação
Pós divididos para polvilhar,
200 0,074 Micronizados adsorventes, inalantes, corti-
cóides, antibióticos.
Pós divididos para polvilhar,
325 0,044 Micronizados adsorventes, inalantes, corti-
cóides, antibióticos.

Fonte: Dispensing of Medication, 1984.


Hota: A caracterização da tenuidade de um pó pode ser feita com a ajuda de um ou dois
tamises. Quando o pó é caracterizado por um tamis, o tamis correspondente deve deixar
passor pelo menos 97% deste pó;
Quando o pó é caracterizado por dois tamises, o número imediatamente maior corresponde
ao tamis que deixa passar pelo menos 95% deste pò e o menor corresponde ao tamis que
deixa passar no máximo 40%.

115
Capitulo 5 - Manipulação

1.9. Mistura (Homogeneização)


Antes de misturar duas ou mais substâncias é recomendável a
redução isolada do tamanho das partículas de cada pó. 0 trabalho
de mistura e homogeneização de pós é realizado após a pesagem e a
redução do tamanho das partículas.
Para quantidades reduzidas, tais como em preparações ma-
gistrais, a mistura é realizada por espatulação, trituração e penei-
ração (tamisação).
• Espatulação: é o método pelo qual pequenas quantidades de
pós são misturadas com a utilizaçáo de uma espátula farma-
cêutíca em uma placa para pomadas.
• Trituração: a trituração é utilizada tanto para a cominuição
(redução do tamanho das partículas) como também para a
mistura dos pós.
• Peneiração (tamisação): os pós também podem ser mistura-
dos passando-os por um tamis, o que resulta em um produto
leve e "fofo" facilitando a mistura.
Para quantidades maiores a mistura é realizada em misturadores
de pós, tal como o misturador em forma de V .

1.9.1. Misturas Eutéticas


Mistura eutética é definida como aquela que resulta da mis-
tura de componentes sólidos cuja proporção Ihe confira o ponto de
fusão inferior ao de qualquer dos componentes isolados, ou seja,
trata-se da mistura de sólidos que se liquefaz ou se torna pastosa
em temperatura ambiente.

Tabela 15: Algumas substâncias que quando misturadas formam


misturas eutéticas

Acetanilida Lidocaína
Ácido acetilsalicílico Mentol
Acido salicilico p-naftol
Antipirina Resorcina
Cânfora Salicilatos
Fenacetina Salol
Fenol Timol
Cloral hidratado Benzocaina
Prilocaína aminopirina
116
Capítulo 5 - Manipulação

• Medida corretiva: A mistura eutética pode ser evitada, in-


terpondo entre os pós incompatíveis um pó absorvente.

• Relação de pós absorventes (substâncias que podem evitar a


formaçâo de misturas eutéticas)
• Carbonato de magnésio leve*
• Óxido de magnésio leve*
• Caulim
• Fosfato de cálcio
• Fosfato tricálcico
• Amido
• Talco
• Lactose
• Sílica gel (Aerosil®)

' Nota: Normalmente, o absorvente mais eficaz na prevenqâo de misturas eutéticas é aquele
que possui elevado ponto de fusão e grande superfície específica, como o óxido de zinco que
apresenta elevado ponto de fusão (2800°C) e o carbonato de maçnésio (decompõe-se a
350°C).

Esquema gráfico de uma mistura eutética

P.F. A
Mistura Líquida B RF.
Ponlo de
Ponto de
deA+B Fusào
Fusâo

u Crístais da substãncia
Pura A+ Mislura Llqulda ^ ^ - v ^ ^ E / ^
^ Crisiais da substanoia
Pura B* Mislura Líquida
Temperatura
Eutética
I Substântía Sóiida
deA+E

A B
Compo iição
Eutót ca
Composlção (Fração Molar)

117
Capitulo 5 - Manipulação

1.9.2. Misturas explosivas

Podem ocorrer quando um agente oxidante forte é triturado


(ex.: trituração em um gral) com um agente redutor forte.

Tabela 16: Alguns agentes oxidantes e redutores fortes que po-


dem formar misturas explosivas:

Agentes oxidantes fortes Agentes redutores fortes


Ácido clórico Substâncias orgânicas em geral
Acido hipocloroso Bissulfitos
Ácido nítrico Glicerina
Acido nitroso Fósforo
Bromo Taninos
Clorato de potássio Ácido tânico
Cromatos Oleos essenciais
Dicromato de potássio Carvão
Hipocloritos Alcool
lodo Tiossulfatos
Nitrato de potássio Enxofre
Nitrato de prata Açúcares
Nitratos Brometos
Nitritos lodetos
Oxido de prata Sulfuretos
Perboratos Açúcar (sacarose)
Permanganato de potássio Hipofosfitos
Peróxidos Enxofre
Sais de prata Sulfitos
Trinitrofenol Acido sulfuroso

1.9.3.Problemas especiais, estabilidade e incompatibilidade


de pós ou mistura de pós
A.Pós Hisroscópicos e Deliqüescentes: Como regra geral, substâncias
químicas na forma de pós apresentam maior afinidade para água do
que aquelas não pulverizadas.

118
Capítulo 5 - Manipulação

B. Substâncias higroscópicas: são aquelas que absorvem umidade do


ar.
C. Substâncias deliquescentes: são substâncias higroscópicas que
absorvem a umidade do ar se liquefazendo parcialmente ou total-
mente.

Tabela 17: Relação de algumas substâncias higroscópicas e deli-


qüescentes

Acetato de potássio Fosfato de clindamicina


Brometo de amôneo Fenobarbital sódico
Brometo de cálcio Citrato de potássio
Carbômeros (Carbopóis®) Carboximetilcelulose (CMC)
Citrato de ferro amoniacal Cloreto de sódio
Cloral hidratado Sais de colina
Cloreto de alumínio Amoxacilina
Cloreto de amôneo Pilocarpina
Cloreto de benzalcônio Cloreto de benzetônio
Cloreto de cálcio Brometo de sódio
Cromoglicato dissódico Cianocobalamina (vit. B12)
Dexpantenol Cloridrato de dietilpropiona
(cloridrato de anfepramona)
Fenitoína sódica Cloridrato de Pilocarpina
Fosfato sódico de betameta- Subnitrato de bismuto*
sona
Heparina sódica Cloridrato de oxitetraciclina
Hioscinamina HBr Nitrato de sódio
lodeto de amôneo Acetato de potássio
Pantotenato de cálcio* Carbachol
Pepsina Cloreto de magnésio
Sulfato de Efedrina lodeto de sódio

Medidas corretivas
• A higroscopia e a deliquescência podem ser atenuadas com o
controle da umidade relativa do ar, através do uso de desu-
midificadores e ar condicionado. A umidade relativa na faixa
de 30 a 45% é a melhor para manipulação de pós.
• A granulação de pós reduz a superfície de exposição ao ar.
• Quando se trabalha com pós deliquescentes ou higroscópicos
119
Capítulo 5 - Manipulação

é aconselhável mantê-los vedados com papel alumínio ou


filme plástico durante o processo de manipulação, evitando-
se assim a exposição à atmosfera úmida.
A adição de substâncías absorventes (ex. óxido de magnésio
leve, dióxido de silicio coloidal) pode reduzir a tendência a
higroscopia de pós.

1.10. Pós e f l o r e s c e n t e s

1.10.1. Substâncias eflorescentes:


São substâncias cristalinas ou hidratadas que ao serem pulve-
rizadas liberam água de cristalização ou de hidratação. Esta água
pode ser liberada durante a manipulação ou com a exposição a um
ambiente de alta umidade. A água libertada do pó pode torná-lo
pastoso ou chegar a liquefazê-lo. A eflorescência é aumentada tam-
bém com a pulverização, pelo aumento da superfície de evaporação
da água de cristalização.

Representação diagramática da estrutura


cristalina do cloreto de aluminio hexahidratado

120
Capítulo 5 - Manipulação

1.10.2. Medidas corretivas:


A eflorescência pode ser atenuada, substituindo o sal hidra-
tado pelo sal anidro ou na impossibilidade da substituição através da
exsicação.

Tabela 18: Relação de algumas substâncias eflorescentes

Acetato de sódio
Acido cítrico
Alúmen
Borato de sódio
Bromidrato de escopolamina
Bromidrato de quinino
Cafeina
Carbonato de sódio (decahidratado)
Ciclofosfamida
Cloridrato de quinino
Codeína
Fosfato de codeina
Fosfato de sódio
Lactato de cálcio
Sulfato de atropina
Sulfato de cobre
Sulfato de codeína
Sulfato de quinino
Sulfato ferroso

1.11. Dicas para manipulação de pós

A mistura de pós com características similares de tamanho


de partículas e densidade aparente, pode ser realizada em um saco
plástico, utilizando uma espátula ou um rolo que irá reduzir a quan-
tidade de pó em suspensão na área de manipulação.
Na área de manipulação de pós os manipuladores devem uti-
lizar máscara com filtro para pós.
Pós muito leves e "fofos" podem ser compactados para faci-
litar a mistura, com a adição de um pouco de álcool ou óleo mine-
ral.
Para aumentar a lubrificação e as características de escoa-
121
Capítulo 5 - Manipulação

mento e fluxo dos pós, pode se utilizar o estearato de magnésio em


concentrações menores ou iguais a 1%.
0 lauril sulfato de sódio em concentrações de até 1% ou o
docusato sódico em torno de 0,5% podem ser utilizados para neutra-
lizar forças eletrostáticas em pós difíceis de manipular.
A incorporação de pequenas quantidades de líquidos em um
pó pode ser realizada, triturando-se o líquido com igual quantidade
de pó. 0 pó remanescente pode ser adicionado aos poucos em várias
porções com trituração. Pode se incorporar um absorvente (ex. dió-
xido de silício) para se produzir um pó seco.
Para se incorporar tinturas e extratos fluidos deve-se em
primeiro lugar reduzir o volume do liquido por evaporação em ba-
nho-maria até obter uma consistência xaroposa. Em seguida adicio-
na-se o excipiente inerte (ex. lactose) até a obtenção de um pó
seco (veja parágrafo anterior).

1.12.Formas farmacêuticas em Pó de Uso Oral de Inte-


resse Magistral

1.12.1. Pós a granel ("Bulk powders") de uso interno


São aqueles dispensados em frascos ou potes de "boca larga"
e destinados a serem administrados por colheres de medição.

A. Desvantagem
Devido a inexatidão do processo de medida, somente devem
ser dispensadas nesta forma, fármacos não-potentes (de fraca ativi-
dade farmacológica).

B. Vantagens
Podem ser diluídos em uma quantidade de água ou outro lí-
quido, facilitando a deglutição.

C. Fármacos de uso interno normalmente veiculados


Antiácidos
Laxantes

122
Capítulo 5 - Manipulação

D. Procedimento de preparo
Em pós a granel de uso interno a substância ativa é dispen-
sada em concentração peso do ativo I volume a ser in$erido ou ad-
ministrado (ex. x mg do ativo/colher de chá).
Passso 1: preparar o produto conforme a prescrição
meça o volume do pó a ser tomado com o utensílio de medida apro-
priado que será utilizado na administração do pó (ex.colher de chá)
Passso 2: pese o volume do pó medido
Passso 3: calcule o peso do(s) ingrediente(s) ativo(s) no volume a ser
administrado, a partir da concentração ou percentual do(s) ingredi-
ente(s) ativo(s) no peso total do pó e do peso do volume a ser admi-
nistrado
Passso 4: siga o método geral descrito anteriormente para mistura
de pós
Passso 5: embale e rotule

Exemplos de formulações

A. Pó para rehidratação oral (quantidade para ser diluída em 1 L de


água)
Dextrose anidra 25 g
Cloreto de sódio 2,5 g
Citrato de potássio .... 4,5 g

B. Pó laxativo
Sulfato de sódio anidro 20 g
Fosfato de sódio anidro 40 g
Bicarbonato de sódio 60 g

C. Pó antiácido
Carbonato de cálcio 32 g
Carbonato de magnésio.... 32 g
Carbonato de sódio 26 g
Caulim (leve) 10 g
Capítulo 5 - Manipulação

1.12.2. Pós divididos (papéis medicamentosos, sachês e fla-


conetes)
São formas farmacêuticas em pó que se destinam a adminis-
tração em doses individuais para se administrar de uma só vez.

A. Vantagens
Permite o acondicionamento de volumes de pós ativos, de-
masiados grandes, para serem veiculados na forma de cápsulas ou
comprimidos.
Os papéis medicamentosos permitem a administração de pe-
quenos volumes de pó susceptíveis de se administrarem em cápsulas
ou em comprimidos, especialmente, em pediatria, dada a dificulda-
de da criança deglutir aquelas formas farmacêuticas sólidas e duras.

B. Desvantagens
A aparência dos papéis é vulgar e desvaloriza o produto. De-
ve-se escolher preferencialmente envelopes impermeabilizados
(plastificados e aluminizados) ou flaconetes plásticos.
Substâncias higroscópicas ou deliquescentes estão mais ex-
postas à umidade, devendo-se optar pelo uso de papéis encerados
ou envelopes impermeabilizados.

C. Procedimento de preparo
Para se preparar doses individuais de pós na forma de pa-
péis, envelopes ou sachês deve-se colocar uma quantidade específi-
ca de pó em cada embalagem individualmente.
0 método mais preciso para o preparo desta forma farma-
cêutica é a pesagem individual da quantidade de pó a ser acondi-
cionada em cada dose unitária. É recomendável que se prepare uma
quantidade excedente de pó (em torno de 5%) para compensar pos-
síveis perdas durante o processo de preparação. Se a prescrição
contiver substância sujeita a controle especial, a perda durante o
processo de preparação deve ser mínima para não haver necessida-
de de compensação.
Passo 1: Calcular a quantidade a ser pesada de cada componente da
formulação, levando-se em conta a perda durante o processo de
preparação.
Passo 2: Pesar precisamente os componentes da formulação con-
forme o número de papéis, envelopes ou flaconetes solicitados pela
prescrição.
Passo 3: Completar com qs de excipiente flavorizado e edulcorado
124
Capitulo 5 - Manipulação

para 2,5g, 5§, 10g ou mais conforme a prescrição (vejasusestoesabaixo).


Passo 4: Preparar os pós conforme o procedimento geral de pós,
diluindo geometricamente os ativos no excipiente.
Passo 5: Pesar a quantidade unitária a ser acondicionada em cada
papel, envelope ou sachê, um a um, até completar o número de
unidades solicitadas.
Passo 6: Acondicione os envelopes em uma caixa.
Passo 7: Rotule.

Sugestões de excipientes para pós divididos

A. Excipiente edulcorado e flavorizado com lactose


Aspartame 0,5%
Acesulfame de K 0,5%
Aroma pó (hidrossolúvel).... 0,3%
Lactose* qsp 2,5 - 5 - 10g
'Para pacientes com intoleráncia à lactose ou em caso de incompatibilidade quimica com o
ativo, a lactose pode ser substituida pelo leite de soja sem açúcar.

B. Excipiente edulcorado e flavorizado com agente suspensor


Ativo(s) Xg
Celulose microcristalina e CMC - Na* .. 1,5 g (Avicel RC 591)
Ácido cítrico 0,5 g
Aspartame 0,1 g
Aroma pó 0,3 g
Lactose** qsp 10 g
'Utilize preferencialmente a celulose microchstalina de dissoluqão instantônea, comerciali-
zada com o nome de Avicel RC 591®.
" A lactose pode ser substituida por outro excipiente (ex. leite de soja sem açúcar) em caso
de incompatibilidade quimica com o ativo, pacientes diabéticos ou com intolerância ó lacto-
se.

Exemplo de formulação

Pó dividido com escopolamina


Escopolamina HBr 5 mg
Lactose 2,495 mg
Mande papéis.

125
Capítulo 5 - Manipulação

2. Grânulos Efervescentes
Os sais efervescentes são usualmente misturas eflorescidas
de ácido cítrico / ou ácido tartárico (ácidos) com bifosfato sódico e
ou bicarbonato de sódio (bases) e outros ingredientes medicinais.
Estes sais também podem ser preparados a partir de sais não-
eflorescidos de ácido cítrico e ácido tartárico. Em presença de á-
gua, o ácido reage com a base e libera dióxido de carbono, produ-
zindo efervescência. Os sais e gânulos efervescentes podem ser pre-
parados na forma de misturas de pós a granel ou pós divididos.

2.1.Vantagens
2.1.1.Correção do paladar:
A solução carbonatada e a liberação de C02 mascaram sabo-
res salinos e amargos. Os grânulos apresentam vantagem sobre os
pós, pelo controle da velocidade da efervescência. 0 pó dissolve
mais rápido (maior superfície) do que os grânulos que se hidratam e
dissolvem lentamente.

2.2. Desvantagens
Baixa estabilidade, devido a alta reatividade (efervescência).
Dificuldade na manipulação (dificuldade de manter os ingre-
dientes secos durante o preparo e o armazenamento).

2.3. Procedimento de preparo de grânulos efervescen-


tes
Passo 1: Calcule a quantidade de cada ingrediente.
Passo 2: Pese precisamente cada componente.
Passo 3: Misture bem os pós.
Passo 4: Aqueça a mistura em uma estufa a 75° a 105°C, até a for-
mação de uma pasta (a liberação da água de cristalização ou hidra-
tação, forma uma massa úmida).
Passo 5: Passe a massa por um tamis n°10 e seque em um desseca-
dor.
126
Capitulo 5 - Manipulação

Passo 6: Quebre os grânulos, embale e rotule.


Nota: os pós efervescentes podem ser preparados através da trituraçôo e mistura simples dos
pós em um grat ou passando o granulado preparado por um tamis malha 50 ou 60.

2.4. Exemplos de formulações

2.4.1. Envelopes com ascorbato de cálcio efervescente


(10 envelopes)
Ascorbato de cálcio 97,4 g
(1 g de cálcio em cada 9,74 g de ascorbato de cálcio)
Ácido cítrico anidro fino 19,2 g
Bicarbonato de sódio 18,8 g
Flavorizante pó qs

Procedimento:
Passo 1: Triturar todos os pós juntos até a obtenção de pó uniforme.
Passo 2: Pese cada dose separadamente (1 décimo do peso total) e
embalar cada dose em um envelope. Cada envelope terá o equiva-
lente a 1g de cálcio elementar.
Passo 3: Sele bem o envelope, não permitindo o acúmulo de ar no
seu interior.
Passo 4: Armazene em local seco.
Estabilidade aproximada: 2 meses

2.4.2. Citrocarbonato
(10 envelopes)
Lactato de cálcio 7,95 g
Cloreto de sódio, USP 4,2 g
Sulfato de magnésio anidro 3,72 g
Fosfato de sódio dibásico anidro .. 5,1 g
Ácido cítrico monohidratado 64,4 g
Bicarbonato de sódio 56,6 g

Procedimento:
Passo 1: Pese e misture uniformemente os seis pós.
Passo 2: Distribua o pó em bandeja tipo refratária.
Passo 3: Inicie o aquecimento em um forno de microondas por 1 a
1,5 minutos.
Passo 4: Na temperatura de aproximadamente 75°C, o ácido cítrico
127
Capitulo 5 - Manipulação

irá perder a água e formar uma massa. Agite e revire o pó para a-


quecimento.
Passo 5: Continue o aquecimento até observar um vapor fumegante
e formar uma massa contínua.
Passo 6: Transferir para um papel alumínio e reduzir em pequenos
grânulos.
Passo 7: Assim que os srânulos esfriarem, embalar.
Estabilidade aproximada: 3 meses.

2.4.3. Pó analgésico efervescente


Salicilato de sódio 15 g
Ácido cítrico monohidratado 34 g
Bicarbonato de sódio 30 g
Lactato de cálcio 10 g
Sulfato de magnésio anidro 10 g

Procedimento de preparo :idem ao da fórmula anterior.


Estabilidade aproximada: 3 meses.

128
Capitulo 5 - Manipulação

3. Cápsulas

3.1. Definição - USP- 23; Ph Eur-3rd

Cápsulas são formas farmacêuticas sólidas, com invólucro du-


ro ou mole, de diversos formatos e tamanhos, normalmente conten-
do uma dose unitária de ingrediente ativo. Os invólucros são nor-
malmente formados de gelatina; entretanto, eles também podem
ser constituídos de amido (hóstias) ou outras substâncias adequadas
(Exemplo: A cápsula vegetal é constituída por um derivado da celu-
lose, a HPMC*). As cápsulas são destinadas à administração oral.
' HPMC: hidroxipropilmetilcelulose

3.2. Vantagens da forma farmacêutica cápsula

• Fácil deglutição.
• Fácil de ser identificável (cor ou impressão serigrafada).
• Farmacêuticamente elegante.
• Mascaram de forma eficaz as características organolépticas
desagradáveis (sabores e ou odores desagradáveis) de fárma-
cos veiculados, uma vez que o invólucro da cápsula impede o
contato sensorial direto com o(s) ativo(s) veiculado(s).
• Fácil formulação.
• Fabricação a seco.
• Número de adjuvantes reduzidos.
• Risco reduzido de contaminação cruzada.
• Para crianças, podem ser abertas e o conteúdo dispersado
facilmente na alimentação.
• Limitado potencial de incompatibilidades.
• Menos equipamentos para a fabricação.
• Configurações únicas de cor e forma que realçam a identifi-
cação do produto.
• Menos exigências de validação.
• Menos etapas de produção.
• Boa estabilidade.
• Versatilidade para o preparo de fórmulas e doses individuali-
zadas (fórmulas magistrais).
• Apresentam boas características de biodisponibilidade (ge-
ralmente o invólucro se dissolve rapidamente no estômago,
em torno de 10 a 20 minutos, liberando seu conteúdo).
129
Capitulo 5 - Manipulação

• Permite, mais facilmente que outras formas farmacêuticas, a


elaboração de sistemas de liberação modificada (liberação
prolongada e revestimento gastroresistente).
• Protegem o fármaco de agentes externos (pós, ar, luz, etc).
Esta proteção não existe em relação à umidade.
• Boa resistência física que pode ser aumentada com o uso de
blister.
• Boa aceitação pelos pacientes.
Embora os comprimidos representem cerca de 75% das for-
mas farmacêuticas sólidas comercializadas, somente 38% dos con-
sumidores os preferem em relação às cápsulas. Em contraposição,
as cápsulas moles que representam somente 2% do mercado, são
preferidas por 44% dos consumidores. As cápsulas duras representam
cerca de 23% do mercado de formas sólidas e 19% dos consumidores
as tem como opção de escolha. (King, 1984).
Entre 1970 e 1975 as cápsulas apresentaram taxas de cresci-
mento de vendas que variaram de 8 a 21% nos quatro maiores mer-
cados europeus. Esta é uma tendência que permanece. As cápsulas
duras de gelatina, cada vez mais têm sido escolhidas para novos
medicamentos na forma de dosagem oral sólida. Em 1982, somente
17,5% dos produtos recém licenciados eram apresentados como
cápsulas duras de gelatina; em 1996, este número já havia chegado
aos 34% (Fonte: Scrip,1999).

3.3. Desvantagens da forma farmacêutica cápsula

• Maior custo de produção.


• Não é fracionável (não pode ser partida).
• Dificuldade de se conseguir uniformidade de peso em cápsu-
las duras.
• Se aderem mais facilmente à parede do esôfago, podendo
levar a irritação deste, principalmente se o ativo for irritan-
te. Devem ser ingeridas com bastante água e com o paciente
sentado.
• Necessidade de garantir condições determinadas de tempe-
ratura e umidade, para manipulação e conservação, devido à
sensibilidade a estes fatores.
• Limitações de uso: dificuldade de serem utilizadas por de-
terminados pacientes com dificuldades de deglutição (crian-
ças e idosos).

130
Capítulo 5 - Manipulação

• Incompatíveis com substâncias higroscópicas, deliquescen-


tes, eflorescentes que formem misturas eutéticas, exceto se
estas substâncias forem previamente diluídas em excipientes
adequados ou então forem revestidas.
• Não são adequadas para drogas que são muito solúveis, como
sais (Exemplo: cloreto de potássio, brometo de potássio, clo-
reto de amôneo). Nestas situações, os fluidos digestivos pe-
netram rapidamente na cápsula, dissolvendo o sal e criando
uma solução altamente concentrada que pode causar náusea
e vômito quando entrar em contato com a mucosa gástrica.

3.4. Composição do invólucro da cápsula

Gelatina ou outras substâncias* (ex.: amido, hidroxipropilme-


tilcelulose);
• Agentes surfactantes
• Opacificantes (ex.: dióxido de titânio)
• Conservantes
• Antioxidantes
• Edulcorantes
• Corantes e flavorizantes certificados
0 invólucro da cápsula pode trazer impresso a marca do fa-
bricante.
As cápsulas constituídas a partir de matéria-prima de origem
vegetal satisfazem hábitos vegetarianos e peculiaridades.

3.5. Conteúdo das cápsulas


Pode ser: Sólido, líquido (não-aquoso) ou pastoso.
• Ingrediente(s) ativo(s)
• Solventes
• Diluentes
• Lubrificantes
• Agentes desintegrantes
0 conteúdo não deve causar a deterioração do invólucro da
cápsula (ex.: água). Todavia, o invólucro ao ser atacado pelos flui-
dos digestivos deve liberar o conteúdo encapsulado.

131
Capitulo 5 - Manipulação

3.6. Classificação (categorias de cápsulas)

• Cápsulas duras
• Cápsulas moles ("softgel")
• Cápsulas gastroresistentes (de liberação entérica)
• Cápsulas de liberação modificada (liberação prolongada)

3 . 6 . 1 . Cápsulas duras (púlvulas):


As cápsulas duras têm forma cilíndrica, arredondada nos ex-
tremos e são formadas por duas partes abertas numa extremidade,
com diâmetros ligeiramente diferentes, devendo os seus extremos
abertos encaixarem um ao outro.
A cápsula gelatinosa dura consiste em duas partes:
a. Corpo: porção longa e estreita (contém o ativo e o excipiente).
b. Tampa: porção curta e mais larga.

Esquema de
sistema de
fechamento de cápsulas

Fonte: Pharmaceutical Practke,1998.


Fechada

Esquema de cápsula (Tampa, corpo) Tampa


As cápsulas duras são comercializadas em diversos
tamanhos, designados arbitrariamente por alga-
rismos. Quanto maior o algarismo designativo,
menor a capacidade da cápsula.
Corpo

Fonte: Pharmaceutical Practice, 1998.


Pós XJ
132
Capítulo 5 - Manipulação

Tabela 18: Tamanhos de cápsulas disponíveis para uso humano

Número Capacidade em volume (mL)


5 0,12a0,13
4 0,20 a 0,21
3 0,27 a 0,30
2 0,37
1 0,48 a 0,50
0 0,67 a 0,68
W~ 0,85
00 0,92 a 0,95
000 1,36 a 1,37

A. Especificações de qualidade para cápsulas gelatinosas duras


Conteúdo de umidade (dessecação a 105o): 10 a 16%
Dimensões: devem estar de acordo com a sua forma e tamanho.
Soiubilidade: devem se manter no mínimo 15 minutos sem se dissol-
ver na água a 25°C. Devem se dissolver em 15 minutos quando em
contato com uma solução de ácido clorídrico 0,5%p/v, a 36-38°C.
Resistência à fratura: as cápsulas não devem quebrar ou rachar fa-
cilmente
Odor: não devem apresentar odor estranho quando armazenado em
um frasco hermeticamente fechado durante 24h a 30-40°C.
Defeitos do invólucro: deve se observar a forma, a superfície, a es-
pessura da parede, a cor e a impressão (quando aplicável).
B.Critérios para armazenamento, conservação e manipulação de
cápsulas duras: A gelatina pode absorver até 10 vezes seu peso em
água. Portanto, as cápsulas gelatinosas duras quando armazenadas
em ambientes de alta umidade, absorvem a umidade amolecendo e
se deformando. Em ambiente muito seco, as cápsulas ficam quebra-
diças.

C. Condições recomendadas para armazenamento e manipulação:


Umidade relativa do ar*: entre 30 a 45% (máx. 50%)
Temperatura: entre 20 a 25°C.
'Para manipulação de substâncias higroscópicas e detiquescentes è importante que a umidade
retativa ambientat não seja maior que 40%.

133
Capitulo 5 - Manipulação

3.6.2. Cápsulas moles ("softgel"):


A cápsula mole é constituída de uma única parte, estando o
conteúdo hermeticamente selado em seu interior. Estão disponiveis
em diversos formatos e tamanhos. Assim como as cápsulas duras são
constituídas normalmente por gelatina e a sua maior flexibilidade
está relacionada à presença de glicerina e ou sorbitol, que atuam
como plastificantes. 0 invólucro das cápsulas gelatinosas moles é
mais espesso do que o das cápsulas gelatinosas duras.
As cápsulas moles se destinam preferencialmente a acondi-
cionar líquidos, podem apresentar variadas formas e tamanhos e
conter substâncias medicamentosas em quantidades variáveis, des-
de 0,2 até 5g.

A. Vantagens em relação às cápsulas duras


• Fácil deglutição.
• Maior preferência pelos pacientes.
•Maior biodisponibilidade (princípio ativo líquido ou solubili-
zado em veículo líquido).
• Ideal para incorporação de fármacos suceptíveis à hidrólise
ou oxidação. 0 sistema selado proporciona proteção frente ao ar e
outros agentes externos.
• Possibilita a incorporação de fármacos empregados em altas
doses e com baixa capacidade de compressão.
• Precisão no encapsulamento (±1 a 3%).

B. Desyantagens
• Preparação complexa (não podem ser produzidas na farmácia
magitral).
• Inadequada para incorporar substâncias líquidas com teor de
água maior que 5%, substâncias hidrossolúveis de baixo peso
molecular e compostos orgânicos voláteis.

134
Capítulo 5 - Manipulação

3.6.3. Cápsulas Gastro-resistentes BP-99:


São cápsulas de liberação modificada destinadas a resistir ao
fluido gástrico e liberar seus ingredientes ativos no fluido intestinal.
Elas são preparadas, provendo cápsulas duras ou moles com um in-
vólucro gastro-resistente (cápsulas entéricas) ou pelo preenchimen-
to das cápsulas com grânulos ou partículas cobertas com um reves-
timento gastro-resistente.

3.6.4.Cápsulas de Liberação Modificada BP-99:


São cápsulas duras ou cápsulas moles nas quais o conteúdo, o
invólucro ou ambos, contêm excipientes especiais ou são preparados
por processo especial, destinado a modificar a velocidade ou o local
no qual o(s) ingrediente(s) ativo(s) são liberados.

3.7. Revestimento Entérico de Cápsulas Duras

3.7.1. Introdução
As cápsulas gastroresistentes são obtidas revestindo as cáp-
sulas duras com um filme gastroresistente ou preenchendo as cápsu-
las com granulados ou partículas já recobertas de um revestimento
gastroresistente. Estas cápsulas devem resistir, sem alteração, à
ação do suco gástrico. Entretanto, devem desagregar-se rapidamen-
te no suco intestinal, e por isso se diz que são gastroresistentes ou
enterossolúveis.
Para formação do filme gastroresistente são empregados po-
límeros gastroresistentes que apresentam grupos funcionais com
natureza aniônica que em pH ácido do estômago os tornam insolú-
veis (ex.: acetoftalato de celulose, copolímero do ácido metacríli-
co/metacrilato de metila). Com a mudança do pH para valores su-
periores a 5,5 estes grupos ficam ionizados e tornam-se solúveis no
meio, promovendo a liberação imediata dos fármacos. Para melhor
compreensão do comportamento da solubilidade do revestimento
nas diferentes regiões do aparelho digestivo, a tabela 19 apresenta
os diferentes pHs encontrados no trato gastro-intestinal.

135
Capítulo 5 - Manipulação

Tabela 19: Variação pH no aparelho digestivo

Local PH
Estômago 1,0 a 3,5
Duodeno 5,0 a 6,0
Jejuno 6,3 a 7,3
lleo +/-8,0
Cólon 8,3 a 8,4
Reto 6,8 a 7,2

3.7.2. Situações em que se deve utilizar o revestimento


gastroresistente:
Para proteger fármacos instáveis em meio ácido da ação dos
fluidos gástricos (exemplo: alguns antibióticos como a eritromicina
base, enzimas, pantoprazol e etc).
Quando o fármaco é irritante para a mucosa gástrica (exem-
plo: antiinflamatórios como naproxeno, fenilbutazona, oxifenilbuta-
zona, cloreto de potássio, indometacina, diclofenaco, etc).
Quando o fármaco produz náuseas ou vômitos se liberado no
estômago (exemplo: ácido nicotínico).
Quando for importante que o princípio ativo não sofra dilui-
ções antes de atingir o intestino (exemplo: mesalazina, sulfassalazi-
na).
Quando o fármaco só deverá produzir o seu efeito máximo no
duodeno ou jejuno (exemplo: pancreatina).
Quando se deseja fazer com que as substâncias ativas este-
jam disponíveis após um período de tempo (Liberação retardada,
ex.: fluoreto de sódio, quinidina, efedrina, etc).

136
Capitulo 5 - Manipulação

3.7.3. Procedimento de revestimento entérico de cápsulas


gelatinosas duras utilizando a máquina de revestimento en-
térico

A. Objetivo:
Revestimento externo
de cápsulas
gelatinosas duras, com
filme gastroresistente
em formulações
contendo fármacos
específicos, cuja
estabilidade, bio-
disponibilidade e
eficácia dependem da
liberação exclusiva em
meio entérico.

Foto: Máquina de Revestimento Entérico

B. Materiais:
Máquina de revestimento entérico.
Frasco spray com propelente.
Secador com fluxo de ar quente para secagem do revesti-
mento.
Solução de revestimento entérico com acetoftalato de celu-
lose (recém-preparada) ou a solução de revestimento com Eudragit
L-100.
Cápsulas gelatinosas duras contendo o(s) fármaco(s) + exci-
piente(s).
Óculos de segurança para o manipulador.
Máscara com filtro para proteção do manipulador.
Luvas.

C. Precauções:
A inalação constante da solução de revestimento é potenci-
almente perigosa à saúde do manipulador, portanto, é de suma im-
portância a utilização de máscara protetora com filtro e que o pro-
cedimento seja realizado em local ventilado ou preferencialmente
em capela com exaustão para gases.
137
Capítulo 5 - Manipulação

D. Procedimento:

Cálculo da quantidade da solução de revestimento a ser utüizada:


A quantidade de revestimento a ser utilizada deve ser calcu-
lada em relação ao peso do lote de cápsulas vazias utilizadas no
encapsulamento da fórmula que se deseja realizar o revestimento
entérico, todavia é necessário deixar claro que o revestimento será
realizado nas cápsulas "cheias". A quantidade de revestimento utili-
zado no processo deve ser em torno de 15% do peso das cápsulas
vazias, correspondente a quantidade e ao tamanho das cápsulas
utilizadas na encapsulação da formulação. Com objetivo de esclare-
cer melhor a efetuação deste cálculo, exemplificaremos a seguir:
Utilizando cápsulas n°1 brancas, cujo peso médio é de
76,2mg/cápsula, qual a quantidade em massa da solução de reves-
timento deverá ser utilizada para revestir 500 cápsulas, contendo
um fármaco e seu excipiente cujo peso médio é de 380 mg? Como
poderá ser evidenciado no processo a quantidade da solução de re-
vestimento a ser empregada nas cápsulas "cheias"?

Cálcuios:
Peso total das cápsulas vazias=> 76,2mg (peso médio da cáp-
sula vazia) x 500 (quantidade de cápsulas a serem revestidas) =
38.100 mg ou 38,1g.
Quantidade em peso de revestimento a ser empregado: 15%
do peso das cápsulas vazias, portanto no exemplo: 15% de 38,1 g =>
5,715 g (quantidade de revestimento necessário para o processo de
revestimento). Para sabermos o peso do revestimento nas cápsulas
cheias, devemos realizar os seguintes cálculos:

Peso Total das cápsulas cheias


380 mg (peso médio da cápsula cheia) X 500 (n° de cápsulas)
= 190000 m g o u 190g

O peso final das cápsulas cheias, com a quantidade correta


de revestimento após o processo de spray e secagem é dada pela
soma da quantidade necessária de revestimento calculado e o peso
total das cápsulas cheias, portanto: 5,715 (quantidade de revesti-
mento calculado necessário ao processo) + 190 g (peso total das
cápsulas cheias) = 195,715 g (peso final tecnicamente correto das
cápsulas com o revestimento).
138
Capítulo 5 - Manipulação

Passo 1: Acondicione as cápsulas a serem revestidas no tambor ou


no copo da máquina de revestimento, ligue a máquina e faça os
ajustes necessários para prevenir que as cápsulas se esvaiam do
tambor durante o processo ou com a secagem pelo fluxo de ar
quente do secador. 0 ajuste do ângulo ideal do tambor para o pro-
cesso, pode ser realizado através das "borboletas" rosqueadas em
parafusos situados nas laterais da máquina. No processo de giro, as
cápsulas contidas no tambor não devem escapar do mesmo. Portan-
to, teste a direção do fluxo de ar do secador no interior do tambor
com a máquina ligada. 0 fluxo de ar quente pode ser inclinado para
as laterais do tambor se a corrente de ar for muito forte e as cápsu-
las estiverem "voando" para fora do tambor. Para cápsulas de ta-
manho maior, o processo deve ser realizado com um menor número
de cápsulas de cada vez.

Passo 2: Encha o reservatório do frasco de spray, utilizando a solu-


ção de revestimento recém-preparada (é aconselhável a adição nes-
ta solução de revestimento de uma solução contendo um corante,
como por exemplo, o azul de metileno, na proporção de 1 a 3 gotas
da solução com corante para cada 100 ml da solução de revestimen-
to, este procedimento permitirá a evidenciação da aderência da
solução de revestimento nas cápsulas).

Passo 3: Ligue a máquina e jateie a solução de revestimento dire-


tamente no copo contendo as cápsulas por 10 segundos. Imediata-
mente em seguida, também por 10 segundos, direcione para o inte-
rior do copo o fluxo de ar morno (não quente) com o uso do secador
em baixa velocidade.
"Nunca jateie as cápsulas com a solução de revestimento se o
tambor da máquina não estiver girando, pois esta conduta fará com
que as cápsulas colem-se uma as outras, não formando um filme
íntegro capaz de garantir o revestimento entérico". Caso ocorra
aderência entre as cápsulas, elas devem ser separadas rapidamente,
antes que a solução de revestimento seque, deixando-as no copo e
continuando o processo. Se no final do processo algumas cápsulas
permanecerem aderidas uma às outras, estas cápsulas deverão ser
descartadas. Uma eventual perda deve ser levada em consideração
no processo, portanto deve-se revestir uma quantidade maior de
cápsulas do que a solicitada na prescrição, com o intuito de com-
pensar esta perda. Sugerimos 5% a mais.

139
Capitulo 5 - Manipulação

Passo 4: Uma vez realizado o passo 3 por várias vezes, remova as


cápsulas e as deixe sobre um papel toalha estendido sobre uma
bancada, para secagem ao ar por 5 a 10 minutos. Antes de jatear a
solução de revestimento novamente (passo 4), pese, anotando o
valor e certificando a quantidade de revestimento da cápsula com o
valor calculado. 0 jateamento deve ser realizado até a proximidade
do peso calculado das cápsulas cheias com o revestimento.

Solução para Revestimento Entérico com acetoftalato de celulose


(p/ 100mL) para utilização na máquina de revestimento

Acetoftalato de celulose (CAP) 7,5 g


Hidróxido de amônio NF 27% 2,63 mL
Propilenoglicol 3,0 mL
Álcool etílico 70% 95,5 ml

Procedimento de preparo:
Passo 1: No agitador, adicione o CAP ao álcool seguido pelo hidróxi-
do de amônio. (A dissolução do CAP depende do pH básico).
Passo 2: Deixe agitar por 1 hora ou até dissolver.
Passo 3: Então, acrescente o propilenoglicol

Validade desta solução: 1 ano, conservada em frasco de vidro âmbar


e hermeticamente fechado.

Solução para Revestimento Entérico


para utilização na máquina de revestimento

Eudragit®L-100 7g
Polietilenoglicol 400 4,0 mL
Solução Acetona/álcool absoluto (1:1) qsp 100 mL

Procedimento de preparo:
Passo 1: Dissolva o Eudragit L-100 em cerca de 90 mL da solução de
Álcool/Acetona (1:1) em um béquer de vidro coberto.
Passo 2: Adicione o PEG 400 e complete o volume para 100 mL com
a solução com álcool/acetona (1:1).
Passo 3: Validade estimada desta solução: 6 meses, conservada em
frasco de vidro.
140
Capitulo 5 - Manipulação

3.7.4. Procedimento de preparo de granulado gastroresis-


tente com o Eudragit L - 100®
Uma alternativa farmacotécnica mais moderna e consistente
é revestir o fármaco incluso em um granulado, com substâncias es-
táveis em meio ácido que se dissolvem no meio neutro ou ligeira-
mente alcalino, encontrado no duodeno e nos intestinos. A granula-
ção do fármaco com o copolímero do ácido metacrílico/metacrilato
de metila (Eudragit L 100®) mostra-se eficiente e seguro para o re-
vestimento gastroresistente. 0 revestimento é insolúvel em ácidos
diluidos e fluídos gástricos e solúvel em tampões e fluídos digestivos
acima do pH 6,0; portanto, assegura tanto a não liberação do fár-
maco em meio gástrico, como a liberação deste em meio entérico,
em conformidade com o desejo terapêutico.

A. Soluçào de Eudragit L-100® para granulacão gastro-resistente


Eudragit L 100 20,0%
PEG400 5,0%
ou Propilenoglicol 10,0%
Água destilada 3,0%
Álcool isopropílico qsp 100,0mL
Preparo:
Passo 1: 0 Eudragit L 100® deverá ser dissolvido no álcool isopropí-
lico
Passo 2: Adicionar o restante dos componentes
Passo 3: A solução poderá ser guardada em estoque, acondicionada
em frasco de vidro âmbar herméticamente fechado.

B. Preparo do granulado gastro-resistente


Fármaco xg (quantidade a ser revestida)
Solução de Eudragit L - 100® .. 50% do peso total da substância

Passo 1: Umectar o fármaco ou o fármaco + excipiente, tamisados e


pesados, com a solução de Eudragit L100®, até formar massa úmi-
da.
Passo 2: Granular em tamis com abertura de malha de 1,4mm a
2mm, forçando sua passagem com o uso de uma espátula e reco-
Ihendo o granulado em superfície forrada com papel impermeável
(ex.: papel manteiga). Colocar para secar em temperatura ambiente
ou em estufa aberta a 40°C.
141
Capitulo 5 - Manipulação

Passo 3: Determinar o Fator de correção para granulado:


Fc = peso do granulado
peso da susbstância
Passo 4: Encapsular e envasar

3.7.5. Alguns fármacos comercializados com revestimento


gastro-resistente:
Mesalazina, Sulfassalazina, Pantoprazol, Pancreatina, Diclo-
fenaco, Naproxeno, ácido acetilsalicílico (comercializado também
na forma convencial), bisacodil, digitoxina, indometacina, lanzopra-
zol, tripsina, bromelaína, omeprazol, etc.

3.7.6. Teste de Revestimento Entérico (USP23/NF18)

A. Fiuido gástrico simulado (pH 1,2) 37°C - 1 a 2h


Cloreto de sódio 2.0g
Pepsina 3.2g
HC137% 7.0ml
Água destilada qsp 1000ml
Não deve haver sinal de desintegraçâo após o periodo de 1 hora

B. Fluido intestinal simutado (pH 7,5) 37°C


Fosfato monobásico de potássio 6,8g
NaOH0,2N 190,0ml
Pancreatina 10,0g
Água destilada qsp 10OOml
Deve se desintegrar no prazo prescrito pela monografia farmacopéica.

Nota: Para granulados e pellets é necessário realizar o teste de dissolução.

142
Capitulo 5 - Manipulação

3.8. Cápsulas de liberação lenta {Slow release)

3.8.1. Introduçao
Algumas formas farmacêuticas sólidas, como cápsulas e com-
primidos de liberação convencional são elaboradas para liberar o
fármaco no organismo de modo a ocorrer absorção rápida e compte-
ta. Nesses sistemas, busca-se manter determinada concentração do
fármaco no sangue, prescrevendo-se doses unitárias constantes ao
paciente durante o período de 24 horas. No entanto, pode ser ob-
servada a ocorrência de picos e vales no perfil de biodisponibilidade
do medicamento que devem estar situados dentro de uma faixa a-
ceitável, (janela terapêutica - acima da concentração mínima eficaz
e abaixo da concentração mínima tóxica) para que não haja com-
prometimento da eficácia clínica do tratamento. Este perfil, deter-
mina a posologia do esquema terapêutico (Ansel, Popovich, Alen,
2000; Helman, 1981; Lieberman, Lachman, 1982; Lieberman, Lach-
man, Schwartz, 1990; Ritschel, 1982; Veiga, 1988).
Contudo, outras formulações vêm sendo estudadas, na tenta-
tiva de modular a liberação do fármaco, para que ocorra de modo
lento e gradual propiciando ação terapêutica de longa duração (An-
sel, Popovich, Alen, 2000; Helman, 1981; Lieberman, Lachman,
1982; Lieberman, Lachman, Schwartz, 1990; Lordi, 1986; Prista,
Alves, Morgado, 1995; Ranade, 1991; Ritschel, 1982; Veiga, 1988).
Nos sistemas de liberação controlada, a taxa de fármaco li-
berada iguala-se a quantidade de fármaco eliminado, mantendo
desta forma, a concentração plasmática dentro da janela terapêuti-
ca (Uhrich et al., 1999). Tais preparações podem ser desenvolvidas
para administração por diversas vias (cutânea, intravascular, intra-
muscular, linfática, ocular, nasal, dentre outras). Entretanto, a ad-
ministração pela via oral, continua sendo uma das mais desejáveis
(Khan, 1995; Veiga, 1988).
De acordo com a United States Pharmacopeia 24 ed. (2000),
o termo liberação controlada é sinônimo de liberação sustentada,
liberação prolongada ou ação prolongada. Tais termos são empre-
gados para descrever formulações que não liberam o fármaco pron-
tamente após administração, como os denominados medicamentos
de liberação convencional e, que apresentam redução na freqüência
de doses administradas. Formas de liberação controlada são ainda
definidas, como aquelas nas quais há redução de pelo menos duas

143
Capítulo 5 - Manipulação

vezes na freqüência de dosagem, com aumento na aquiescência do


paciente ao esquema terapêutico que possui eficácia melhorada,
quando comparado aos sistemas convencionais. Por outro lado, de-
signa-se como formas de Uberação retardada, aquelas que liberam o
fármaco em tempo diferente do sistema convencional e em local
bem determínado, sendo depois, a liberação praticamente imedia-
t a , o que acontece com as formas de liberação entérica (Costa, Lo-
bo, 1999; United States Pharmacopeia 24 e d . , 2000).
Ambos os sistemas, liberação controlada e liberação retar-
dada são definidos pelo termo liberação modificada que possui sen-
tido mais amplo: são sistemas cuja característica de liberação do
fármaco, em relação ao tempo e/ou local são determinados de a-
cordo com objetivos ou conveniências não oferecidas por sistemas
convencionais de cedência do fármaco; como soluções, pomadas e
demais formas de pronta dissolução (United States Pharmacopeia 24
e d . , 2000).

144
Capítulo 5 - Manipulação

Tabela 20: Terminologia mais r e c e n t e m e n t e empregada na área


de tecnologia de liberação modificada de fármacos

TIPO DE LIBERAÇÃO DEFINIÇÃO REFERÊNCIAS


Controlada (liberação Sistema no qual a liberaçâo do fármaco United States
prolongada, ação prolon- ocorre lentamente e em quantidade Pharmacopeia 24
gada, liberação lenta, constante por unidade de tempo, quan- ed., 2000; Costa,
liberação sustentada) do comparado com sistema convencio- Lobo, 1999
nal.

A quantidade de fármaco liberada por


unidade de tempo é uma porcentagem Costa, Lobo, 1999
De ordem um fixa do total que permanece no sistema.

United States
harmacopeia 24
A liberação do fármaco ocorre em peri- ed., 2000; Costa,
Retardada odo de tempo bem definido após admi- Lobo, 1999;
nistração do medicamento. Ranade, 1991

A cedência do fármaco é programada Costa, Lobo, 1999


Programada por sistema eletrônico.

Neste sistema, há liberação seqüencial


de 2 doses completas do fármaco. Inici-
almente é liberada uma dose equivalen-
te à convencional, contida na parte
externa. Posteriormente, é libertada a
Ação repetida dose incorporada no núcleo. Esta man-
Veiga, 1988
terá o nivel plasmático efetivo. Idêntico
à tomada de doses consecutivas de um
medicamento convencional.

Sistema onde a liberação do fármaco é


determinada de acordo com objetivos United States
ou conveniências não oferecidas pelos Pharmacopeia 24
Modificada ed., 2000; Rana-
sistemas de pronta liberação. Abrange
todos os sistemas diferentes dos con- de, 1991.
vencionais.

Fonte: Tese de mestrado de Janaina Cecília Oliveira Villanova/Universidade de São Paulo:


USP2001

145
Capítulo 5 - Manipuiação

Advertência: Em relação à manipulaçào de formas farmacêuticas


magistrais de liberação prolongada, deve ser mencionada a dificul-
dade tecnológica de predizer o exato perfil de liberação do fármaco
necessário para obter resultados consistentes lote a lote. Além dis-
so, a determinação consistente e confiável dos níveis sanguíneos do
fármaco e a duração da sua ação só podem ser comprovados através
de estudos de bioequivalência. Portanto, a manipulação magistral
de fórmulas de liberação controlada ou sustentada deve ser evitada,
bem como, a de fármacos de baixo indice terapêutico dispensados
nestas formas. As formas de liberação modificada passíveis de se-
rem manipuladas, pelas farmácias magistrais, com segurança são as
cápsulas com revestimento entérico (liberação retardada) e as de
liberação lenta ou slow release (conceito mais amplo e menos res-
t r i t o do que liberação controlada ou sustentada), estas últimas,
obtidas com a utilização de excipientes formadores de matrizes co-
loidais.
Nota: Vários destes termos criados para desiçnar formas farmacêuticas de tiberação modifi-
cada foram introduzidos pelas empresas farmacêuticas, visando refletir um design especial
produzido para uma forma de liberacão protonçada ou utilizando-os como termos de marke-
ííng.

146
Capitulo 5 - Manipulação

3.9. Cápsulas de liberação prolongada

3.9.1. Definição:
As cápsulas, assim como os comprimidos, podem ser formu-
ladas para liberar o(s) principio(s) ativo(s) de maneira lenta e pro-
longada para que seja(m) absorvido(s) pelo trato gastrintestinal.

3.9.2. Vantagens das formas farmacêuticas de liberação


prolongada:
Previne os efeitos adversos de algumas drogas, decorrentes
de altas concentrações plasmáticas após a sua absorção em formas
de liberação convencional (ex.: pentoxifilina, antihistamínicos, anti-
inflamatórios e e t c ) .
Simplifica a posologia reduzindo a frequência de ingestão do
medicamento (ex.: antihipertensivos: metoprolol, pindolol, propa-
nolol, diltiazem, nifedipina, verapamil, clonidina; hipocolesterêmi-
cos: benzafibrato e fenofibrato; analgésicos: codeína, morfina; etc).
Permite a manutenção do nível plasmático do fármaco du-
rante o periodo noturno (ex.: antitussígenos, descongestionantes,
secretolíticos e broncodilatadores).
A formulação de liberação prolongada, compete com fárma-
cos que apresentam efeitos no organismo por períodos prolongados
(ex. antidepressivos, antiepilépticos, etc).

3.9.3. Desvantagens:
Em pacientes que sofreram efeitos adversos do fármaco
veiculado na forma de liberação prolongada, torna-se mais difícil a
remoção do fármaco do aparelho digestivo do que nos produtos de
rápida liberação.
Dificuldade de deglutição, decorrente da frequente utiliza-
ção de altas doses do fármaco (> 500 mg), portanto, a forma farma-
cêutica pode ser de maior tamanho.
Normalmente, as formas de liberação prolongada contêm
duas ou mais vezes a dose da forma convencional, portanto, no caso
de falha do sistema de liberação controlada, aumenta-se o risco de
sobredose e de toxicidade iatrogênica é maior.

147
Capítulo 5 - Manipulação

3.9.4. 0 Mito da Liberação em 24h (Aspectos fisiológicos envol-


vidos na absorção de fármacos):

A. Fisiologia do sistema digestivo:


• Estõmago: esvaziamento em 2 a 6 horas, responsável por até
10% da absorção.
• Intestino delgado: esvaziamento em 3 a 5 horas, responsável
por até 90% da absorção.
• Intestino grosso: esvaziamento em 3 a 10 horas, responsável
por até 10% da absorção.
• Tempo total para o esvaziamento do sistema digestivo: 8 a
21 horas. Média: 14 a 15 horas.
Portanto, um mecanismo de liberação prolongada por um pe-
ríodo maior que 14 a 15 horas é improvável.

3.9.5. Características ideais de um sistema de liberação


prolongada
• Alta resistência na liberação do fármaco.
• Facilidade de se formular.
• Econômico.
• Compatibilidade com fármacos hidrossolúveis e lipossolúveis.

3.9.6. Alguns fármacos que podem ser manipulados em cáp-


sulas de liberação lenta
• Progesterona
• Codeína
• Morfina
• Propranolol
• Anfepramona HCl
• Diclofenaco
• Diltiazem HCl
• Teofilina
• Nifedipina

148
Capitulo 5 - Manipulação

3.9.7. Sistema de matriz hidrofílica para liberação prolon-


gada de fármacos:
0 sistema de matriz hidrofílica, utilizando polímeros, atende
às características necessárias para a preparação de cápsulas de libe-
ração lenta na farmácia magistral.
Um sistema de liberação controlada pela formação de matriz
hidrofílica é um sistema dinâmico que envolve as seguintes etapas:
• Molhagem do polímero.
• Hidratação do polímero.
• Dissolução do polímero.

Ao mesmo tempo, outros excipientes solúveis ou drogas irão


também molhar, dissolver e difundir fora da matriz, enquanto os
materiais insolúveis irão ser segurados na matriz até que o comple-
xo polímero/excipiente/complexo de fármacos sofra erosão ou se
dissolva.
Para formar com sucesso um sistema de matriz hidrofílica, pri-
meiro é preciso selecionar o polímero que irá molhar e hidratar,
para formar uma camada gelatinosa rápida o bastante para proteger
o interior da cápsula ou comprimido, da desintegração e da dissolu-
ção durante a fase inicial de molhagem e hidratação. Se o polímero
se hidratar muito lentamente o fluido gástrico pode penetrar no
interior do comprimido ou da cápsula e permitir a difusão prematu-
ra do fármaco. Um outro resultado da velocidade inadequada de
hidratação do polímero, pode ser a dissolução prematura do excipi-
ente na matriz, causando a desintegração precoce da forma farma-
cêutica.
A capacidade de hidrataçâo rápida do polímero é fundamental
na formulação de formas farmacêuticas de liberação prolongada,
principalmente, quando a formulação contém fármacos e excipien-
tes hidrossolúveis.
De maneira simplificada, podemos resumir que para o polímero
produzir efeito prolongado na forma farmacêutica, sua hidratação
deve ser mais rápida do que a dissolução do fármaco e ou excipien-
te, portanto, a escolha do polímero deve se basear neste critério.

149
Capítulo 5 - Manipulação

A. Fatores que afetam a hidratação dos polímeros

A.1. Tamanho da partícula: o tamanho das partículas sólidas podem


afetar a velocidade de liberaçâo do fármaco. É recomendado que as
partículas do fármaco mais as do excipiente sejam relativamente
finas e com tamanhos similares.

A.2. Viscosidade da solução do polímero: polímeros de alta viscosi-


dade produzem camadas de gel mais viscosas, fazendo com que a
difusão do fármaco seja mais lenta. Por outro lado, polímeros de
baixa viscosidade liberam o fármaco mais rapidamente.

A.3. Solubilidade do fármaco: As matrizes hidrofílicas são utilizadas


na formulação tanto de fármacos muito solúveis como de fármacos
insolúveis. Entretanto, em formulações contendo fármacos e ou
excipientes muito solúveis requerem que o polimero se hidrate ex-
tremamente rápido, antes da solubilização do fármaco ou excipien-
te.

A.4. Concentração do polímero: aumentando-se a concentração do


polímero do sistema matriz, aumenta-se a viscosidade do gel for-
mado. Portanto, um aumento da concentração do polímero irá ge-
ralmente produzir um decréscimo da difusão e liberação do fárma-
co. Por este motivo, polímeros que se hidratam lentamente devem
ser utilizados em altas concentrações para produzir efeito prolonga-
do na formulação.

A.5. Interações polimero, fármaco e excipiente: excipientes ou fár-


macos hidrossolúveis em uma matriz hidrofílica podem afetar a vis-
cosidade do gel formado. Substâncias solúveis competem com o po-
límero e com a água disponível, o que pode afetar a viscosidade do
gel. Quando sais fortemente iônicos são veiculados em matriz hidro-
fílica, eles podem competir tão fortemente com o polímero pela
água que este último terá pouca chance de se hidratar (ex.: cloreto
de potássio).
pH: na faixa de pH normal do TGI (Trato Gastrointestinal) não afeta
significativamente a viscosidade do gel da matriz hidrofílica.

150
Capítulo 5 - Manipulação

3.9.8. Matrizes hidrofílicas em cápsulas:


Uma liberação lenta do fármaco pode ser obtida em cápsulas,
com o uso de polimeros formadores de matriz hidrofílica.
Quando a cápsula de gelatina é ingerida, a gelatina que a
constitui permite a penetração da água, causando sua hidratação e
dissolução em alguns minutos. 0 uso de polimero formador de ma-
triz coloidal no excipiente encapsulado, afetará assim como, nos
comprimidos a dissolução da cápsula, promovendo uma liberação
controlada.
A concentração de polimero utilizada afetará a velocidade de
liberação do fármaco, todavia o tamanho da cápsula utilizada pare-
ce não ter significante efeito na liberação.

A. Sistema de polímero eficiente para formacão de matriz coloidal


em cápsulas

A.1. HPMC - Hidroxipropilmetilcelulose: polimero derivado da celu-


iose com alta capacidade de molhagem e alta velocidade de hidra-
tação.

Tabela 21: Especificações de HPMC e concentrações usuais para


cápsulas de liberação lenta

HPMC Concentração usual do polimero


(Especificações comerciais volume da cápsula
para formaçao de matrizes
hidrofílicas)
C o r r e s p o n d ê n c i a e m peso a o v o l u m e d e 4 0 %
Methocel® E4M - Premium 40% Cãpsula n° 1 = iOOmg HPMC * Ativos * Lactose ou Amido
Cãpsula n° 0 = 140mg HPMC • Ativos ♦ Lactose ou Amido
(4000 mPas) Cápsula n° 00 = 200mg HPMC * Ativos • Lactose ou
Amido
Cápsula n° 000 = 280mg HPMC * Ativos * Lactose ou
Amido

Methocel® K100 30%


(100.000 mPas)
Methocel ê marca reçistrada da Dow Chemical Company

É recomendado que no preparo de cápsulas de liberação len-


ta, a mistura do pó contendo o ativo, excipiente e polímero seja
tamisada para obtenção de um pó muito fino (tamis 80 mesh).

151
Capítulo 5 - Manipulação

3.9.9. Alguns fármacos que podem ser manipulados em cáp-


sulas de liberação lenta
Progesterona
Codeína
Morfina
Propanolol
Anfepramona HCl
Diclofenaco de sódio
Diltiazen HCt
Teofilina
Nifedipina
T3,T4
Não manipular em cápsulas menores que a número 1.

A. Exemplo de Formulação
Progesterona em Cápsulas de Liberação Lenta
Progesterona 100mg
HPMC 140mg
Lactose qsp 1 cápsula
Nota: Encapsular em cápsulas número 0.

152
Capítulo 5 - Manipulação

Tabela 22: Algumas Formulações Comercializadas com Liberação


Modificada

Referênàas:
International Drug Directory 1990-1991
Physicians' Desk Reference 50th edition 1996
Red List: Drus Directory of German Pharmaceutical Industry
Abreviações: C= cápsula, T=comprimido (do ingíès tabtet), E=revestimento entérico, XR=
liberaçõo prolongada (do ing/ês extended release)

Droga/companhia Forma Propriedades


farmacêutica
Acetaminofem/ Mc Neil C XR
Acetazolamida/ Lederle c XR
Ácido acetilsalicílico/ Bayer, Smith- C,T E, XR
kline Beecham
Allopurinol/ Siegfried T XR
Ambroxol/ Mack C XR
Amfepramona/ Marion Merrell Dow T XR
Amitriptilina/ Bayer, Wyeth C T XR
Benzafibrato/ Boehringer Mannheim T XR
Biperideno/ Lundbeck T XR
Bisacodil/ Ciba, Thomae, Wellcome T E
Buflomedil/ Abbot T XR
Carbamazepina/ Sanofi, Geigy T XR
Carbidopa/ Du Pont T XR
Cetoprofeno/ Rhone-Poulenc, Wyeth C, T XR
Clonidina/ Boehringer Ingelheim C XR
Codeína/ Zyma T XR
Dextropropoxifeno/ Goedecke C XR
Diclofenaco/ Ciba, Sanofi, Siegfried C,T E, XR
Digitoxina/ Beiersdorf, Lilly T E
Diltiazem/ Lederle, Marion-Merrel- C,T XR
Dow
Etilefrina (etiladrianol)/ Boehringer C,T XR
Ingelheim
Felodipina/ Astra, Hoescht T XR
Fenilpropanolamina/ Smithkline Bee- C XR
cham, Procter & Gamble

153
Capítulo 5 - Manipulação

Continuação Tabela 22
Droga/companhia Forma Propriedades
farmacêutica
Fenofibrato/ Fournier C XR
Flufenazina/ Squibb T XR
Furosemida/ Hoechst C XR
Ibuprofeno/ Wander. Klinge C,T XR
Indometacina/ Merck C,T E, XR
Isossorbida dinitrato/ Boehringer C,T XR
Mannh., Wyeth
Isossorbida mononitrato/ Synthela- C,T XR
bo, Boehringer Mannh.
Isoxsuprina/ Duphar C XR
Lanzoprazot/ Takeda c E
Levotiroxina (T4)/ Henning T XR
Lítio/ Astra, Smithkline Beecham T E, XR
Mesalazina/ Procter & Gamble, T E, XR
Smithkline Beecham
Metformina/ Boehringer Mannheim T XR
Metilprednisolona/ Hoechst T XR
Metoclopramida/ Kali-Chemie C XR
Metoprolol/ Astra, Ciba T XR
Morfina/ Rhone-Poulenc CT XR
Naproxeno/ Roche, Syntex C,T E
Nifedipina/ Bayer C XR
Nitrofurantoina/ Procter & Gamble c XR*
Omeprazol/ Astra c E
Orfenadrina/ 3M Media T XR
Pancreatina/ Mc Neil, Nordmark C,T E
Pantoprazol/ Byk Gulden T E
Pentoxifilina/ Promonta Lundbeck, T XR
Hoechst-Roussel
Pindolol/ Sandoz T XR
Cloreto de Potássio/ Abbott T XR
Propranolol/ Wyeth C XR
Quinidina/ Astra, Boehringer Man- T XR
nh.
Salbutamol/ Glaxo CT XR
Sulfassalazina/ Pharmacia T E

154
Capitulo 5 - Manipulação

Continuação Tabela 21
Droga/companhia Forma Propriedades
farmacêutica
Teofilina/ Byk Gulden, Hoechst, CT XR
Key, Knoll, 3 M Medica
Tioridazina/ Sandoz T XR
Trifluoperazina/ Smithkline C XR
Beecham
Tripsina/ Mucos, Novo T E
Ácido valpróico/ Abbott, Geigy C,T E
Verapamil/ Knoll, Searle C,T XR
Vincamina/ Parke-Davis C XR

3.10. Procedimento para Manipulação de Formulações


em Cápsulas duras:

3.10.1. Pesagem
As receitas devem ser ordenadas de acordo com o horário de
entrega prometido ao cliente.
0 manipulador seleciona a ordem de pesagem dos compo-
nentes das receitas a serem manipuladas. Confere se ficha de pro-
dução está de acordo com a receita e o rótulo, separa os potes dos
componentes a serem utilizados (as matérias-primas deverão ser
armazenadas em frascos de vidro âmbar, etiquetado com todas as
especificações: nome, fator de equivalência, fomecedor, n° de lote,
prazo de validade e colocados em ordem alfabética nas prateleiras).
Procede-se a pesagem individual de cada componente (os
potes com matérias-primas após terem sido utilizados deverão per-
manecer fechados (pois podem ocorrer alterações nos sais) e colo-
cados novamente em ordem nas prateleiras).
0 manipulador anota em formulário próprio os dados refe-
rentes à fórmula manipulada: o número da requisição, o nome do
cliente, o horário da pesagem, o número de fórmulas pesadas da
receita, assina o rótulo de controle de processo e envia a formula-
ção pesada para Homogeneização/Tamisação.
0 manipulador efetua a trituração, diluição e tamisação da
fórmula, anota dados em formulário próprio e envia a mesma para
a encapsulação.

155
Capítulo 5 - Manipulação

0 encapsulador realiza o acondicionamento do pó nas cápsu-


las, anota dados da receita, assina rótulo de processo, anota tama-
nho e cor da cápsula no rótulo de controle de processo, envia para a
conferência o pote com a fórmula encapsulada sem lacrá-lo.

3.10.2. Materiais utilizados:


Balança semi-analítica
Espátulas (aço inox ou plástico)
Papel manteiga
Saco plástico
Calculadora
Papel higiênico
Proveta graduada

3.10.3. Procedimento:
Passo 1: Processo em que o manipulador deverá pesar os sais, espe-
cificados na receita (ficha de pesagem), observando as respectivas
quantidades.
Passo 2: A pesagem deverá ser precisa e muito cuidadosa.
Passo 3: Ao iniciar a pesagem, o manipulador deverá tarar a balança
com papel manteiga sobre o prato.
Passo 4: 0 manipulador deverá pesar os sais um a um (sempre ta-
rando a balança após cada sal), em papel manteiga sobre a balança
de precisão, utilizando-se de uma espátula. Para pesagem de pellets
deve utilizar sempre espátula de plástico ou de chifre, não utilizar
espátulas de aço inox.
Passo 5: Após o término da pesagem da fórmula, inclusive o excipi-
ente, os sais serão colocados em um saco plástico e encaminhados
para o processo de trituração, diluição e tamisação da formulação.
Passo 6: A ordem de manipulação deve conter orientação quanto ao
tamanho e cor das cápsulas a serem utilizadas, bem como a indica-
ção da necessidade de revestimento entérico, se for necessário.

156
Capitulo 5 - Manipulação

3.10.4. Cálculo Manual para enchimento das Cápsulas


Para pesar uma fórmula, mediante a receita (sem a ordem
de manipulação), o manipulador terá que calcular a quantidade de
cada sal manualmente. Para isso, terá que considerar a dosagem do
sal e multiplicar pelo número de cápsulas que serão manipuladas.
Deverá observar e considerar a diluição e ou fator de correção do
sal que está sendo calculado e em que unidade de medida ele se
encontra.

Exemplo:
Piridoxina 60,0 mg
Cistina 200,0 mg
VitaminaB12 100,0 mcg
Biotina 0,2 mg
VitaminaA 25.000 Ul
100cápsulas.

Cálculo:

- Piridoxina = 60 mg x 100 caps. = 6,0g


- Cistina = 200 mg x 100 caps. = 20,Og
- Vitamina B12 = 100 mcg x 100 caps. = 10.000 mcg = 10mg

Considerando-se que a vitamina B12 é diluída 1:100, faz-se


então uma regra de três:

1mg 100 mg
10 mg x
x = 1.000 mg = 1,0g
Pesa-se então 1,0g da Vit. B12 diluída 1:100.

- Biotina = 0,2 mg x 100 caps = 20 mg


Considerando-se que a Biotina é diluída 1:10, faz-se outra regra de
três.
1mg 10 mg
10 mg x
x = 200 mg = 0,2g
Pesa-se 0,2g de Biotina diluída 1:10.

157
Capítulo 5 - Manipulação

- Vitamina A = 25.000 Ul
Converte-se a unidade internacional em miligrama, considerando-se
que 500.000 Ul de vitamina A correspondem a 1g da vitamina A ace-
tato pó, faz-se então a seguinte regra de três:
500.000UI 1g
25.000 Ul x
x = 0,05g
0,05gx 100caps = 5,0g.
Pesa-se então 5g da vitamina A acetato pó.

3.10.5. Cálculo do Tamanho da Cápsula


É necessário completar com excipiente o volume do pó a
encapsular, caso este seja inferior a 90% da capacidade da cápsula.
Considera-se sempre o peso e a densidade aparente dos pós
da formulação.

Tabela 23: Capacidades médias das cápsulas gelatinosas duras

Tamanho da cápsula volume em ml Capacidade média em mg


0,6g/ml - 1,2g/ml
000 1,37 822- 1644 mg (750mg)
00 0,95 570- 1140mg(500mg)
0 0,68 408 - 816 mg (400mg)
1 0,5 300 - 600 mg (350 mg)
2 0,37 222 - 444 mg (250mg)
3 0,30 180- 360 mg (200mg)
4 0,21 126-252mg(150mg)
Existem diferencas de capacidade em peso relacionadas com a reologia do pò, tenuidade,
densidade, etc. Exemplo: uma cápsula n° 0, pode conter cerca de 300 mg de cáscara sagrada
pó ou 825 mg de cloreto de sódio.
( ) : capacidade média para substâncias com densidade aparente próxima da lactose.

Para fórmulas compostas e para matérias-primas com baixa


ou alta densidade deveremos utilizar o método volumétrico (com
proveta).

Exemplo 1
Cimetidina 200 mg
Inositol 100 mg
Alcachofra ext. seco 50 mg
Peso total: 350 mg

158
Capítulo 5 - Manipulação

Verifica-se um total de 350 mg de pó por cápsula, pela tabe-


la corresponde à cápsula n° 1, não sendo necessário acrescentar
excipiente por cápsula, exceto se a mistura demonstrar sinais de
higroscopia.

Exemplo 2 . Cápsulas dobradas:


Fórmulas que apresentam sais cujo peso total ultrapassa os
750 mg deverão ser feitas em 2 cápsulas que conterão Vi dose em
cada uma (Capacidade média da cápsula: veja tabela 23)

Hidróxido de alumínio 300 mg


Hidróxido de magnésio 300 mg
Simeticone 100 mg (simeticone 50% x2)
Metoclopramida 20 mg
Peso total: 820 mg
Dividindo o peso de 820 mg por 2, encontraremos 410 mg que
corresponde à cápsula n° 0, portanto, deveremos fazer 2 cápsulas
ao invés de 1 sem o acréscimo de excipiente, os sais desta formula-
ção apresentam densidade aparente baixa.
As fórmulas poderão apresentar também outras variações,
como cápsulas triplicadas e quadruplicadas que seguem o mesmo
procedimento anterior.

Exemplo 3
Famotidina 25 mg
Cisaprida 8 mg
60 caps
Peso total: 33 mg

A menor cápsula disponível na farmácia é a cápsula n° 3 cuja capa-


cidade média é de 200 mg.
200 mg - 33mg = 167 mg (quantidade de excipiente a ser completa-
da por cada cápsula).

Para 60 cápsulas: 167 mg x 60 caps = 10020mg = 10,02g de excipi-


ente.
Para esta formulação deverá pesar 10,02 g de excipiente.

159
Capitulo 5 - Manipulação

3.10.6. Método Volumétrico para Enchimento das Cápsuias


A cápsula é uma das formas farmacêuticas orais mais difundidas
em manipulação. No entanto, a prática envolvendo cápsulas é mui-
tas vezes imprecisa, pois os métodos geralmente utilizados para o
enchimento, se baseiam na capacidade em termos de peso. Este
parâmetro (peso) varia muito conforme a densidade do pó a ser en-
capsulado, o que pode gerar alguns inconvenientes no cálculo de
excipiente e tamanho da cápsula a ser empregada. 0 "Método Vo-
lumétrico" de enchimento de cápsulas é muito mais preciso, já que
as cápsulas têm a capacidade constante em termos de volume.

A. Como utilizar o método volumétrico


Pesar todos os componentes, lembrando das conversões (di-
luição, fator de correção e fator de equivalência) e do número de
cápsulas (quantidade prescrita na receita).
Medir o volume em proveta (10 - 1000 ml).
Bater a proveta com cuidado na bancada (revestida com bor-
racha) para o assentamento do pó e leitura correta do volume.
Uma vez obtido o volume, utilizar o gráfico (nomograma),
selecionando o número da cápsula (tamanho) que se adeque ao vo-
lume do pó, bem como a adição de mais excipiente para completar
o enchimento da cápsula.

Exemplo:
volume = 25 ml para 30 cápsulas.
Veja o ponto " x " no gráfico. Segundo o gráfico, a cápsula a ser usa-
da é de número superior a 0, portanto 00. Para 30 cápsulas de nú-
mero 00. Qual o volume ocupado ?
Veja ponto Y no gráfico = 29 ml.
Sendo assim, o volume de excipiente será 29 - 25 = 4ml.

160
Capítulo 5 - Manipulação

Tabela de preenchimento das cápsulas duras

Número de cápsulas duras

5 10 15 20 25

000

"E5
1/1
o.
<(C
u
0)
TJ
o
l_
<D
£
z
10 15 20 25 30 35 40 45 50

Volume de pó

3.10.7. Homogeneização/ Tamisação


0 trabalho de homogeneização e tamisação da fórmula é
realizado após a pesagem da fórmula e antes da encapsulação da
mesma.(
É o processo em que os sais são misturados em gral de porce-
lana com o pistilo e tamisados, para uma homogeneização comple-
ta.

A. Material utilizado:
Tamis: malha de aço inox de 50 a 100 Mesh.
Suporte para tamiz.
Gral de porcelana.
Pistilo.
Espátula de plástico tipo "tigre®" .
Papel manteiga.

161
Capítulo 5 - Manipulação

B. Procedimento:
Passo 1: Agitar o saquinho plástico, com os componentes da formu-
lação previamente pesados, 10 vezes ou mais, enchendo-o
previamente com ar (não soprar).
Passo 2: Verter o pó para um gral, triturando-o com o pistilo.
Passo 3: Transferir completamente o conteúdo para o tamis de ma-
Iha de aço inox (de 50 a 100 Mesh) adaptado ao seu suporte previa-
mente guarnecido com papel manteiga limpo.
Passo 4: Efetuar a tamisação do "pó" com uma espátula (limpa,
sanitizada e seca), pressionando ligeiramente o pó contra o tamis
em movimentos de "vai e vem", até o esgotamento do pó sobre o
tamis. Substâncias naturais (fitoterápicos) poderão deixar alguns
resíduos, como fragmentos de galhos e folhas que não passando pelo
tamis serão desprezados.
Nota: Os sais na forma de microgrânulos (peltets) não podem passar peto tamis e pelo proces-
so de trituração no gral, pois estes processos comprometeriam a integridade dos mesmos,
bem como a eficàcia terapêutica posterior do fármaco.
Passo 5: Transferir o pó depositado sobre o papel manteiga contido
no suporte, para o gral de porcelana limpo, sanitizado (com álcool a
70%) e seco.
Passo 6: Misturar o "pó" no gral com pistilo: 10 movimentos no sen-
tido horário e 10 no sentido anti-horário.
Passo 7: Revolva o pó no interior e laterais do pistilo e do gral com a
espátula de plástico e repita a operação anterior.
Passo 8: Transfira o pó do gral para o saquinho de plástico, enchen-
do-o com ar (não soprar), agitando-o por 10 vezes ou mais.
Passo 9: Analise visualmente a homogeneização do pó, caso esteja
homogêneo passe para o passo seguinte, caso seja constatado sinais
de heterogeneidade (não misturou direito) repita a operação.
Passo 10: Anexar o saquinho com o pó da formulação à ficha de pro-
dução e ou receita e enviá-los para a encapsulação.
Passo 11: Após a homogeneização de cada fórmula, os materiais
utilizados (gral, tamiz, pistilo, espátula) deverão ser limpos e sani-
tizados e o papel manteiga descartado e substituído por outro.
Passo 12: O homogeneizador deverá registrar seu trabalho na ficha
de produção, rubricando-a .
Nota: Os sais em microgrânulos ou pellets (omeprazol, lanzoprazot, itraconazot e outros) não
passarõo pelo processo normal de homogeneização e tamização.
Normaimente estes sais são pesados cápsula por cápsula peto manipuiador ou em tabuleiro
especialmente catibrado.
O homogeneizador, deve estar ciente das Boas Prática de Manipulaçâo estando devidamente
paramentado e catcando tuvas que após cada formutação deverão passar por assepsia com
álcoot a 70% ou outra solução sanitizante sob fricçâo.

162
Capítulo 5 - Manipulação

3.10.8. Encapsulação de Pós


A encapsulação é o processo onde as matérias-primas pesa-
das e homogeneizadas são acondicionadas em cápsulas adequadas.

A. Material utilizado
Placas encapsuladeiras (000, 00, 0, 1, 2, 3, 4 ,5) ou máquina
encapsuladeira com respectivos discos.
Espátula plástica (patheta).
Socadores.
Papel manteiga.

B. Encapsulação com placas


As placas encapsuladeiras são constituídas por:
• 1 base
• 1 tampo para 180 ou 360 cápsulas em seus diversos tama-
nhos.
• 3 hastes.

C. Procedimento
Passo 1: Selecionar a ptaca encapsutadeira correspondente ao tama-
nho de cápsuta necessário.
Passo 2: Montar a placa. Deverá ser cotocada uma haste de cada
lado da base e o tampo em cima. A terceira haste (a menor) é utiti-
zada para delimitar a área das cápsulas que serão utilizadas na en-
capsulação. Colocar uma fotha de papel manteiga sobre a bancada e
sobre esta folha, a placa encapsuladeira. 0 encapsulador deverá
observar na ficha de produção a cápsula que será utilizada (tama-
nho, cor, etc) conforme a orientação por escrito do maniputador e
montar a placa adequada.
Passo 3: Preencher os orifícios da placa encapsuladeira com as cáp-
sulas fechadas vazias, de acordo com a quantidade solicitada na
fórmula, observando com atenção o tamanho e a cor da cápsula a
ser utilizada.
Passo 4: Remover manualmente a tampa da cápsula (parte menor da
cápsula). Adicionar o pó, (fórmuta) previamente pesado e homoge-
neizado, vertendo-a gradualmente sobre a placa com as cápsutas
vazias abertas.
Passo 5: Espalhar cuidadosamente, com a ajuda da espátuta, o pó
sobre a placa até que o conteúdo esteja uniformemente distribuido
entre as cápsutas, bata a placa sobre a bancada de maneira ritmada
para que os pós se acomodem facilmente, se necessário, use o so-
163
Capitulo 5 - Manipulação

cador para os pós que excedam minimamente a capacidade da cáp-


sula, empregando força equitativa para todas as cápsulas e em se-
guida distribua de maneira uniforme entre as cápsulas o restante do
pó.
Passo 6: Após o enchimento, deverão ser abaixadas as hastes e reco-
locadas as tampas (parte superior) das cápsulas.
Passo 7: Em seguida o encapsulador deverá travar as cápsulas com
as mãos, tomando cuidado com a pressão, pois se esta for excessiva
poderá amassar o fundo das mesmas.
Passo 8: Após travadas as cápsulas deverão ser retiradas da placa,
limpas e acondicionadas na embalagem. Os potes de plástico (emba-
lagem) para acondiciona-las serão escolhidos em função da quanti-
dade e do tamanho das mesmas.
Passo 9: A embalagem deve ser rotulada.
Passo 10: Registrar a encapsulação em formulário do setor, rubricar
a ficha de produção e o rótulo de controle de processo.
Passo 11: Enviar a fórmula para a conferência.
Nota: 0 encapsulador deverá seguir as Boas Práticas de Manipulacão e estar devidamente
paramentado, catçando luvas e periodicamente fazer a assepsia das mãos.

3.10.10. Encapsulação com máquina encapsuladeira (para


fórmulas individuais)
A utilização de máquina encapsuladeira reduz o tempo de
encapsulação em até 60%.

A. A máquina de encapsular é composta por:


• discos para a colocação das cápsulas (cada tamanho de
cápsula possui seu disco correspondente).
• aro de alumínio para enchimento do disco.
• encaixe do disco para enchimento e abertura das cápsulas
por sucção.
• "porco espinho" onde são lacradas as cápsulas (foi popu-
larmente chamado assim, por se parecer como tal). Ele é
um disco do mesmo tamanho dos de cápsulas, tendo no lu-
gar dos orifícios, hastes de alumínio.
Nota: Á máquina encapsuladeira para formas individuais não possui funil de distribuição de
cápsulas e nem caneletas, pois na maioria das vezes, o número de cápsulas a ser manipulado
é menor que a capacidade total do disco. Portanto, quase sempre trabalha-se com o disco
incompleto, sendo necessário para isso o preenchimento manual. A vantagem da utilização
desta máquina está no fato da mesma realizar a abertura e o fechamento automático das
cápsulas, otimizando assim o processo de encapsulação.

164
Capitulo 5 - Manipulação

B. Procedimento:
Passo 1: Ao receber a fórmula homogeneizada, o encapsulador de-
verá verificar qual o tamanho da cápsula selecionado e o disco a-
propriado. Pode-se agilizar o processo, trabalhando-se com poucos
tamanhos de cápsulas.
Passo 2: As cápsulas vazias são colocadas em disco correspondente.
De acordo com o número de cápsulas da fórmula será preenchido o
disco (cada carreira do disco tem capacidade para 5 cápsulas, por-
tanto para encapsularmos 60 cápsulas devemos preencher 12 carrei-
ras).
Passo 3: Após o enchimento do disco com as cápsulas vazias, ligar a
sucçáo para a separação das cápsulas, ficando na parte inferior do
disco os corpos das mesmas para preenchimento com o pó e na par-
te superior suas tampas.
Passo 4: Colocar o aro de alumínio guia e distribuir o pó normalmen-
te com o auxílio da palheta. 0 disco pode ser batido para a melhor
acomodação dos pós, podemos ainda utilizar o socador.
Passo 5: Após a distribuição total do pó, rejuntar as duas partes do
disco e lacrar as cápsulas no "porco espinho".
Passo 6: As cápsulas são então embaladas e enviadas para conferên-
cia, após prévio registro e rubrica do encapsulador no rótulo de con-
trole de processo.

3.10.11. Encapsulação com liquidos


Drogas líquidas, soluções ou dispersões de fármacos podem
ser encapsuladas em cápsulas duras, desde que o invólucro gelatino-
so da cápsula não seja solúvel no líquido.

A. Líquidos que podem ser encapsulados em cápsulas duras:


• Soluções alcoólicas
• Óleos fixos (ex.: óleo de amêndoas, óleo de amendoim)
• Óleos voláteis

B. Material utilizado:
Placa encapsuladeira.
Pipeta, micropipeta ou gotejador calibrado.

165
Capitulo 5 - Manipulação

C. Procedimento:
Passo 1: Selecionar a placa encapsuladeira correspondente ao tama-
nho de cápsula necessário.
Passo 2: Montar a placa. Deverá ser colocado uma haste de cada
lado da base e o tampo em cima. A terceira haste (a menor) é utili-
zada para delimitar a área das cápsulas que serão utilizadas na en-
capsulação. Colocar uma folha de papel manteiga sobre a bancada e
sobre esta folha a placa encapsuladeira. 0 encapsulador deverá ob-
servar na ficha de produção a cápsula que será utilizada, (tamanho,
cor, etc) conforme a orientação por escrito do manipulador e mon-
tar a placa adequada.
Passo 3: Preencher os orifícios da placa encapsuladeira com as cáp-
sulas fechadas vazias, de acordo com a quantidade solicitada na
fórmula, observando com atenção o tamanho e a cor da cápsula a
ser utilizada.
Passo 4: Remover manualmente a tampa da cápsula (parte menor
da cápsula).
Passo 5: Medir em uma pipeta, micropipeta ou gotejador calibrado,
a quantidade do líquido contendo a droga diluída por dose a ser en-
capsulada (a diluição deve ser realizada em um volume compatível
com a capacidade da cápsula). Encher um a um, os corpos das cáp-
sulas com o líquido medido na pipeta.
Passo 6: 0 vazamento do líquido pode ser minimizado, pelo sela-
mento da tampa ao corpo da cápsula. Isto pode ser realizado umi-
decendo a superfície interna da tampa, antes de reacoplá-la ao cor-
po da cápsula, com um cotonete umidecido com uma solução hidro-
alcoólica.
Passo 7: Após selar e travar, as cápsulas deverão ser retiradas da
placa, limpas e acondicionadas na embalagem. Os potes de plástico
(embalagem) para acondicionar as cápsulas serão escolhidos em
função da quantidade e do tamanho das cápsulas. A embalagem
deve ser rotulada.
Passo 8: Registrar a encapsulação em formulário do setor, rubricar a
ficha de produção e o rótulo de controle de processo.
Passo 9: Enviar a fórmula para a conferência.

166
Capítulo 5 - Manipulação

D, Exemplo de cápsulas duras com preenchimento liquido:


Progesterona 100 mg em cápsulas com óleo de amendoim

Para se manipular 100 cápsulas contendo 100 mg de progesterona,


faça a diluição a seguir:
Progesterona micronizada 10 g
Óleo de amendoim qsp 30 ml_

D.1. Procedimento:
Passo 1: Calcule a quantidade de cada ingrediente requerido pela
prescrição.
Passo 2: Pese precisamente a progesterona.
Passo 3: Misture a progesterona em cerca de 20 mL de óleo de a-
mendoim, em pequenas porções.
Passo 4: Adicione o óleo de amendoim até completar 30 mL e mistu-
rebem.
Passo 5: Preencha o tabuleiro com 100 cápsulas gelatinosas duras
N°1 .
Passo 6: Utilizando uma micropipeta, adicione 300 mcL (0,3mL) da
diluição oleosa de progesterona em cada uma das 100 cápsulas.
Passo 7: Selar e lacrar cada cápsula.
Passo 8: Remova as cápsulas preenchidas do tabuleiro.
Passo 9: Embale e rotule.

3.10.12. Encapsulação de massa semi-sólida:


Este método pode ser empregado para aumentar a biodispo-
nibilidade de drogas que são pouco solúveis e exibem problemas de
biodisponibilidade.

Procedimento:
Passo 1: A droga é adicionada à base fundida (ex. base de polietile-
noglicol-PEG).
Passo 2: A mistura é aquecida e agitada até que o pó (a droga) é
também fundido, dissolvido ou completamente misturado na base
PEG.
Passo 3: Deixa-se esfriar um pouco, mantendo a temperatura acima
do ponto de fusão do PEG.
Passo 4: Com o auxílio de uma pipeta ou seringa, verter o volume
com a quantidade desejada (conforme a dose calculada) individual-
mente em cada cápsula.
167
Capítulo 5 - Manipulação

A. Exemplos de alguns excipientes que podem ser utilizados como


matrizes semi-sólidas para cápsulas:
• Óleos vegetais hidrogenados: óleo de algodão hidrogenado
(Lubritab®), óleo de rícino hidrogenado, etc.
• Gorduras vegetais: cera de carnaúba, manteiga de cacau.
• Gorduras de origem animal: cera de abelha, lanolina.
• Hidrocarbonetos: parafina.
• Álcoois graxos: álcool cetílico, álcool láurico, álcool estearí-
lico,
• Ácidos graxos: ácido esteárico, palmítico, mirístico e lauríli-
co
• Polietilenoglicóis: PEG 1500, PEG 4000, etc.

B. Exemplo de cápsulas com preenchimento semi-sólido:

Cápsulas com estrogênios: (composição para 100 cápsulas)


Estriol 200 mg
Estrona 25 mg
Estradiol 25 mg
Polietilenoglicol 1500 .... 20 g
Potietilenogticol 4000 .... 20 g
cada cápsula deverá conter: 2mg de estriol / 0,25mg de estrona e
0,25mg de estradiol.

Procedimento:
Passo 1: Calcule a quantidade requerida na prescrição de cada in-
grediente.
Passo 2: Pese prescisamente cada componente.
Passo 3: Utilizando dituição geométrica, misture os pós.
Passo 4: Utilizando baixo calor em torno de 65°C, em uma placa de
aquecimento, funda os polietilenoglicóis.
Passo 5: Aos poucos acrescente os pós, misturando-os completamen-
te na massa fundida. Preencha o tabuleiro de com 100 cápsula N°1,
removendo suas tampas.
Passo 6: O volume total obtido da massa fundida + os pós deve ser
divido por 100, este será o volume a ser preenchido individualmente
em cada cápsula.
Passo 7: Acrescente o volume requerido em cada cápsula. Permita
que a mistura endureça e então recoloque a tampa sobre as cápsu-
las.
168
Capítulo 5 - Manipulação

Passo 8: Verifique o peso de cerca de 10 cápsulas para constatar a


uniformidade e precisão. Embale e rotule.

3.10.13. Encapsulação de cápsula com cápsula:


Este método pode ser empregado nas seguintes situações:
• Quando um ingrediente precisa ser separado do restante da
formulação (ex.: associação de fármaco na forma de pellets
com outros fármacos na forma de pó).
Neste caso, se preenche uma cápsula menor com o fármaco que
necessita ser segregado e em uma cápsula maior os ingredientes
remanescentes da formulação. Acondicionando a cápsula menor
dentro da maior.
• Por razões estéticas
Para impedir a visualização da cápsula submetida a processos de
revestimento, ou cápsulas que contenham produtos que tenham
manchando seu invólucro ou ainda, cápsulas que causem uma apa-
rência estética indesejável (ex.: revestimento entérico).
• Para vedar melhor cápsulas que tenham sido preenchidas
com líquidos.

3.10.14. Encapsulação de comprimidos:


Pequenos comprimidos podem ser encapsulados. Isto pode
ser necessário quando algum ingrediente da formulação só esteja
disponível comercialmente na forma de um produto industrializado.
Neste caso, o pó deve ser acondicionado antes do comprimido e o
comprimido não deve ficar visível no interior da cápsula.

3.10.15. Limpeza e polimento das cápsulas:


As cápsulas podem apresentar pequenas quantidades da for-
mulação aderida às paredes externas. Este pó aderido pode conferir
à cápsula, sabor e aparência desagradáveis, devendo ser removido
antes de embalar ou dispensar o medicamento.

A. Método de limpeza das cápsulas:


Esfregando as cápsulas com uma gaze ou pano limpo, poden-
do acondiciona-las no pano disposto como um saco e sacudindo-as.
Acondicionar as cápsulas em um recipiente contendo bicar-
bonato de sódio, açúcar ou sal e então, rolar suavemente as cápsu-
169
Capitulo 5 - Manipulação

las no recipiente. 0 conteúdo é passado por um tamis que permitirá


a passagem do pó utilizado na limpeza e reterá as cápsulas na ma-
Iha.
Os métodos de limpeza são efetivos somente se as cápsulas
estiverem secas e o pó estiver apenas aderindo superficialmente ao
seu invólucro. Caso as cápsulas estejam umedecidas e manchadas a
limpeza não será efetiva.

3 . 1 1 . Incompatibilidades

Dois tipos principais de incompatibilidades podem ser obser-


vadas na preparação de cápsulas:

3 . 1 1 . 1 . Interação físico-química entre os ativos ou entre os


ativos e o excipiente
Exemplos: Deliquescência* e Misturas Eutéticas**.

3.11.2. Interação físico-química entre os ativos e ou excipi-


entes com o invólucro de gelatina da cápsula
Substâncias higroscópicas podem absorver a água residual do
invólucro gelatinoso da cápsula que contém cerca de 10 a 15% de
umidade, podendo ainda absorver até 10 vezes seu peso em água.
'A utilização de pós absorvedores tais como, o óxido de zinco e o carbonato de magnésio
reduzem a tendência de absorqão de águas de pós higroscópicos e sujeitos a deliquescència.
"A formação de misturas eutêticas podem ser prevenidas pela mistura prévia e separada de
cada componente com um pó inerte de aito ponto de fusão (ex. carbonato de masnésio,
óxido de masnésio) e só então misturar os componentes entre si.

170
Capitulo 5 - Manipulação

3.12. Aspectos físico-químicos de interesse prático no


processo de preparação de cápsulas:

A adição de Lauril sulfato de sódio, em concentrações até 1%


na mistura dos pós é útil na neutralização de forças eletrostáticas
que podem dificultar o processo de manipulação.
0 estearato de magnésio é utilizado como lubrificante na
preparação de cápsulas, aumentando o grau de escoamento do pó,
facilitando assim o processo de encapsulação. 0 estearato de mag-
nésio é hidrofóbico, portanto pode afetar a biodisponibilidade dos
fármacos, sendo recomendável utilizá-lo em baixas concentrações,
até n.
0 Lauril sulfato de sódio pode ser incorporado no excipiente
de drogas pouco solúveis para aumentar a biodisponibilidade de
drogas contidas nas cápsulas, normalmente em concentrações de
1%.

3.14. Cápsulas Amiláceas


As cápsulas amiláceas são geralmente indicadas para pessoas
que possuem problemas digestivos e não podem ingerir produtos de
origem animal. Atualmente este tipo de cápsula está em desuso,
podendo ser substituída por cápsulas vegetais (estas apresentam
forma idêntica às cápsulas gelatinosas duras) disponíveis no merca-
do.

3.14.1. Procedimento:
Passo 1: Encapsular a fórmula nas cápsulas gelatinosas duras, con-
forme prescrição.
Passo 2: Abrir as cápsulas amiláceas sobre o balcão e transferir o pó
da cápsula gelatinosa para a cápsula amilácea uma a uma.
Passo 3: Molhe a tampa das cápsulas amiláceas em algodão previa-
mente umedecido em água e coloque sobre a outra parte da cápsula
com leve pressão.
Passo 4: Descartar as cápsulas gelatinosas vazias.
Passo 5: Embalar as cápsulas amiláceas em potes plásticos opacos.

Nota: 0 processo de encapsulaçõo para cápsulas vegeíaís (substitutas das amiláceas) é idênti-
co ao das cápsulas selatinosas duras.

171
Capítulo 5 - Manipulação

Pastilhas, Gomas, Soluções e Suspensões Congela-


das
A forma de pastilhas medicamentosas tem sido utilizada,
tradicionalmente, para administração de drogas de efeito local.
Dentre elas, podem-se incluir anestésicos tópicos e demulcentes no
tratamento do alívio da garganta irritada pela tosse e, como excipi-
ente (veículo) de agentes antibacterianos para o tratamento de a-
fecções orofaríngeas.
Pastilhas e gomas com diversos excipientes edulcorados e fla-
vorizados à base de açúcares, gelatina, chocolates dentre outros,
têm sido utilizados como excipientes para administração sistêmica
de fármacos. A pastilha medicamentosa dissolve lentamente na bo-
ca, liberando o fármaco para absorção através da mucosa oral e
sublingual evitando em parte, a primeira passagem hepática. Toda-
via, a porção do ativo dissolvido na saliva é ingerida e portanto,
absorvida no trato gastrointestinal. Estas formas farmacêuticas são
especialmente indicadas para pacientes com dificuldade de degluti-
ção de formas farmacêuticas sólidas. Também alguns pacientes pe-
diátricos e geriátricos com bloqueio gastrointestinal podem ser be-
neficiados. 0 fato de dissolverem lentamente na boca torna-as, as
formas de escolha para a administração de substâncias que apresen-
tam máximo benefício quando permanecem em contato prolongado
com o tecido local, como por exemplo, antifúngicos utilizados para
o tratamento da candidíase oral (nistatina) e o fluoreto de sódio, na
prevenção da cárie dental. Devido a aparência e sabor agradável,
estas formas farmacêuticas aumentam a compliance (adesão) dos
pacientes pediátricos ao tratamento.

Atenção: Estas formas farmacêuticas devem ser mantidas longe


do alcance das crianças. A aparência e o sabor agradável, seme-
Ihante à "doces", aumentam o risco de acidentes devido a inges-
tão inadvertida do medicamento por crianças.

Vitaminas, minerais, anestésicos, antiinflamatórios, analgé-


sicos, antifúngicos (nistatina), agentes hipnóticos (hidrato de clo-
ral), corticosteróides, demulcentes, princípios ativos adstringentes,
antibacterianos de ação local, descongestinantes, antitussígenos,
antihistamínicos, princípios ativos utilizados no tratamento para a
cessação do tabagismo, compostos aromáticos e outras combinações

172
Capitulo 5 - Manipulação

de drogas são substâncias que podem ser veiculadas nestas formas


farmacêuticas.

4. Pastilhas

4.1. Definição:
São formas farmacêuticas sólidas que se destinam a dissolver
ou desintegrar lentamente na boca. Podem conter um ou mais ati-
vos de ação local (cavidade oral) ou sistêmica, veiculado(s) em ba-
se, geralmente, flavorizada e edulcorada, moldada ou comprimida.

4.2. Tipos:

4.2.1. Pastilhas duras:


Misturas de sacarose e outros açúcares e/ou carboidratos em
estado amorfo.

4.2.2. Pastilhas soft:


Podem ser preparadas à base de PEG (polietilenoglicol), cho-
colate, pasta de amendoim, óleo vegetal hidrogenado ou base de
açúcar-goma arábica.

4.2.3. Pastilhas mastigáveis (balas gomas, gomas mastigá-


veis ou "jujubas"):
Preparadas à base de gelatina glicerinada.

173
Capítulo 5 - Manipulação

4.3. Usos e Aplicações:

4 . 3 . 1 . Uso tradicional:
Excipiente para drogas de ação local na cavidade oral (anes-
tésicos, agentes antibacterianos e demulcentes).

4 . 3 . 2 . Excipiente para drogas de ação sistêmica:


Estas formas se dissolvem lentamente na boca. A droga é li-
berada para a absorção sublingual e bucal, a droga que é deglutida
pode ser absorvida pelo trato gastrointestinal.

4 . 3 . 3 . Forma farmacêutica especialmente utilizada para


pacientes com dificuldade de deglutição:
Pacientes pediátricos, geriátricos ou com bloqueio gastroin-
testinal.

4.3.4. Como excipientes de drogas que apresentam máximo


benefício quando em contato com o tecido local (Exemplos:
Antifúngicos e Fluoreto de sódio).
Para aumentar a adesão do paciente ao tratamento, especi-
almente pacientes pediátricos, devido ao sabor agradável.

4.4. Desvantagens:

Risco maior de acidentes por ingestão inadvertida pelas cri-


anças, decorrente da aparência e sabor parecidos com doces e ba-
las. Por este motivo, devem ser mantidos longe do alcance das cri-
anças.
Formas como pirulitos e picolés não são precisas na dosifica-
ção, pois, muitas vezes, podem não ser consumidas completamente
pelo paciente. Portanto, somente drogas não potentes que não ne-
cessitem de uma posologia precisa e que tenham ação predominan-
temente local devem ser veiculadas nesta forma.

174
Capitulo 5 - Manipulação

4.5. Pastilhas duras e Pirulitos:

4.5.1. Composição:
Misturas de açúcar (sacarose) e outros carboidratos (sorbitol)
em condições amorfas ou cristalinas.

4.5.2. Características:
• Teor de umidade: 0,5 a 1,5%.
• Desintegração lenta e uniforme: 5 a 10 minutos (pastilhas).
• Peso: variável. Pastilhas (1 a 4,5g) e Pirulitos (7 a 8g).
• Sabor agradável, capaz de mascarar o ativo veiculado.
• Requer alta temperatura para o preparo (analisar as caracteris-
ticas físico-químicas e a termolabilidade do fármaco a ser incor-
porado).
• Excipientes à base de sorbitol e açúcar apresentam propriedades
demulcentes.
• Parte do ativo liberado pode ser absorvido pela mucosa bucal,
escapando do metabolismo da primeira passagem que ocorre
quando a forma farmacêutica é deglutida e absorvida pelo TGI.

4.5.3. Preparação:
A. Material utilizado:
• Béquer
• Bastão de vidro
• Balança de precisão
• Placa com aquecimento
• Termômetro (para leitura acima de 150°C)
• Molde
• Óleo vegetal para untar o molde

4.5.4. Sugestões de Fórmulas Base


A. Fórmula base com acúcar para pastilhas duras e pirulitos (200g)
Açúcar de confeiteiro 42g
Xarope de milho (Karo®) 16mL
Água destilada 24ml_
Aroma 1 a 2 m L (pode variar)
Corante (sol. Alcoólica) qsp (opcional)

175
Capitulo 5 - Manipulação

Procedimento: (veja gráfico a seguir)


Passo 1: Dissolver o açúcar (refinado) em água destitada no béquer
e verter o xarope de milho.
Passo 2: Aquecer, até levantar fervura, em uma placa de aqueci-
mento. Deixar que a temperatura alcance 150 a 154°C, utilizando
um termômetro para monitora-la (deixar ferver por 2 minutos)
Passo 3: Remover do aquecimento assim que a temperatura atingir
150 a 154°C. Não agitar a mistura até que a mesma esfrie até 125°C.
Passo 4: Quando a temperatura atingir 125°C, adicionar os princípios
ativos (pré-dissolvidos em q.s.p. de água ou álcool ou dispersados
em q.s.p. de glicerina), o corante e o aroma. Agitar, uniformemen-
te, com bastão de vidro.
Passo 5: Verter para o molde previamente lubrificado com óleo ve-
getal. Para pirulitos, inserir a haste antes da massa esfriar. Levar à
geladeira, deixando esfriar.
Passo 6: Embalar e rotular.

Embalagem: bem vedada (por exemplo, zip-lock®, sachês, filme


plástico).
Armazenamento e conservação: sob refrigeração.

Base de Açúcar

150° - Descontinue
o aquecimento
125° C- Adicione os ingredientes ativos.
(É necessârio adicionar nesta temperatura
ou a base irá solidificar, antes de ser toda
vertida para o molde).

30 Minutos
Tempo (Aproximado)

Figura 1: Gráfico que demonstra a importância da descontinuação


do aquecimento ao atingir 150°C, nas massas de pastilhas duras
preparadas com sacarose.
Fonte: PCCA ■ Primary traininç

176
Capitulo 5 - Manipulação

B. Fórmula base com sorbitol para pastilhas duras e pirulitos (Base


suçar free) - fórmula para 250g

Ingredientes Quantidade Função


Sorbitol 70% 255 mL Veículo e edulcorante
Bitartarato de 625 mg Acidulante
potássio
(cremor de tártaro)
Sacarina 375 mg Edulcorante
Flavorizante 2,5 ml_ Flavorizante
Corante q.s. Corante
Goma guar 2,5 g Agente suspensor e de
consistência (opcional)

Procedimento:
Passo 1: Adicionar o sorbitol 70% em um béquer de 600mL.
Passo 2: Aquecer a 150°C. Caso a droga não seja termolábil (estável
a 155°C ou mais) ela poderá ser solubilizada nesta fase. Dissolver,
também nesta fase, o cremor de tártaro e a sacarina, previamente
triturados em um gral.
Passo 3: Quando a solução alcançar a temperatura de 150°C, des-
continuar o aquecimento. Remover o béquer da placa de aqueci-
mento (deixar esfriar).
Passo 4: Quando a temperatura alcançar 90°C, adicionar os ativos
previamente diluídos em q.s. de álcool ou água ou disperso previa-
mente. Adicionar a solução de corante (utilizar somente solução
alcoólica de corante). Manter a temperatura a 90°C e adicionar as
soluções, lentamente em pequenas quantidades de aproximadamen-
te 5mL por minuto. Misturar uniformemente com bastão até a cor
ficar uniforme.
Passo 5: Quando a temperatura atingir 80°C, adicionar e dispersar a
goma guar.
Passo 6: Quando a temperatura atingir 70°C, adicionar e dispersar o
flavorizante.
Passo 7: Quando a temperatura alcançar 65°C, verter para o molde,
previamente lubrificado com óleo vegetal. Deixar solidificar em
temperatura ambiente.

177
Capitulo 5 - Manipulação

Base de Sorbitol

150° C - Descontinue o aquecimento


90° C - Aditivação de Fármacos solúveis
em álcool ( 0 álcool ebule a 78° C)
70° C - Aditivação de fármacos dispersos
por um agente molhante
65° C - Solidificação da base

30 Minutos
Tempo (Aproximado)

Figura 2: Importância da temperatura no preparo de pastilhas


duras com sorbitol.
Fonte: PCCA- Phmary rainning

Substâncias veiculadas nesta forma:


• princípios ativos hidrossolúveis ou suspendíveis, que se man-
tenham estáveis nesta forma.
• Princípios ativos termoestáveis.

Incorporação dos ativos:


Antes de incorporar os ativos é necessário calibrar o molde,
verificar o peso médio de cada pastilha ou pirulito para em seguida,
correlacionar a dose do ativo com o peso da pastilha ou pirulito.
Observar a temperatura de adição dos ativos.

4.5.5. Cálculo da quantidade de sorbitol líquido a 70%, ne-


cessária para produzir uma determinada quantidade de
massa dura (determinada experimentalmente):

200mL da solução de sorbitol 70% = 192g de massa dura

Exemplo:
Fármaco 500mg
Sacarina sódica 300mg
Flavorizante 2mL
Vanilina 0,5g
Total de aditivos: 3,3g
178
Capitulo 5 - Manipulação

Para preparar 200g de massa dura aditivada (massa dura + ingredi-


entes): 200g - 3,3g = 196,7s (quantidade de base necessária em g)

Para calcular a quantidade da solução sorbitol 70% em ml_, faça a


seguinte regra de três:
200mL da solução de sorbitol 70% 192g de massa dura
XmL 196,7g

X = 204,9mL ou 205mL da sotução de sorbitol 70% serão necessárias


para produzir 200g de massa dura aditivada.

Nota: para reatização destes cálcuios, desconsiderar o volume de álcool possivetmente utiii-
zado na dituição de algum ingrediente, pois o mesmo se evapora completamente durante o
preparo.
Importante: Quando se utilizar a base de sorbitol pronta, disponível no mer-
cado com o nome Sorbitol amorfo, a mesma deve ser fundida somente a 90°C
para incorporação dos ativos e adjuvantes. A quantidade da base de sorbitol
amorfo a ser utilizada deve ser calculada pela subtração da quantidade dos
aditivos empregados, após prévia calibração do molde.

4.5.6. Embalagem:
Bem vedada (zip-bag, sachês, filme plástico ou caixa molde
para pastilhas). Pirulitos: papel alumínio, sachês, pote plástico
"cristal" com furo na tampa.

4.5.7. Armazenamento e conservação:


Podem ser armazenados em temperatura ambiente ou no re-
frigerador, dependendo do fármaco incorporado e do excipiente
empregado. Proteger da umidade e do calor excessivo. Para prepa-
rações à base de sacarose é recomendada para maior estabilidade,
a conservação sob refrigeração.

4.5.8. Rotulagem:
Rótulo de advertência: "Manter este medicamento longe do
alcance de crianças."

4.5.9.Controle da qualidade:
• Peso e uniformidade
• Aparência
• Dureza
• Odor
179
Capítulo 5 - Manipulação

• Teor e ponto de fusão


4.5.10. Estabilidade:
Pastilhas e pirulitos duros, apesar de possuírem baixo teor de
água são higroscópicos, absorvendo a umidade ambiental.
A estabilidade depende da natureza do ativo. De modo geral,
pode ser definida entre 2 e 3 meses.

Figura 3: molde contendo pirulitos.


Foto: IJPC - International Journal of Pharmaceutical Compounding

Figura 4: caixa molde para pastilhas.


Foto: PCCA - Products Catalog

Figura 5: preenchimento do molde de


pirulito.
Foto: IJPC - International Journal of
Pharmaceutical Compounding

180
Capitulo 5 - Manipulação

4.5.11. Sugestões de Formulações:

A. Pirulitos anestésicos com cloridrato de tetracaina:


Tetracaína HCl 20mg
Base para pirulito de açúcar q.s.p. 1 unidade.
Indicação: anestésico local para pré-procedimento cirúrgico ou para
diagnóstico.
Pirulitos com cloridrato de tetracaína são formas altamente eficien-
tes para anestesiar a mucosa oral ou uma porção da cavidade oral
do paciente. Para anestesiar a laringe, traquéia e esôfago, a dose
oral não deve exceder a 20mg.

B. Pirulitos para cessação do hábito de fumar com nicotina 1mg:


Salicilato de nicotina 1,939mg
(equivalente a 1mg de nicotina)
Base para pirulito com sorbitol q.s.p. 1 unidade
Indicação: para cessação do hábito de fumar.
Também utilizado na concentração de 2mg.

C. Pastilhas de sorbitol com fluoreto de sódio:


Fluoreto de sódio 2,21 mg
Base de sorbitol para pastilha q.s.p.. 1 unidade
Indicação: suplementação de flúor para crianças entre 3 a 9 anos.
Posologia: chupar uma pastilha ao dia.

5.3.12. Relação de algumas formulações na forma de piruli-


tos preparados com bases de sorbitol:
• Paracetamol 160mg / pirulito
• Paracetamol 240mg/ pirulito
• Paracetamol 360mg/ pirulito
• Anfotericina B 500mg e 750mg / pirulito
• Benzocaína 2% pirulito
• Benzocaína 2%/Ácido Ascórbico 0,5g /pirulito
• Maleato de clorfeniramina 2mg/Pseudoefedrina HCl
15mg/pirulito
• Cimetidina 250mg e 500mg/ pirulito
• Clotrimazol 1%/Lidocaína HCl 0,5% pirulito
• Dextrometorfano 20mg/Mentol 15mg/ Ácido Ascórbico
500mg / pirulito

181
Capitulo 5 - Manipulação

Dietilpropiona HCl 25mg/pirulito


Difenidramina HCl 25mg/ Lidocaína HCl 2%/Hidrocortisona
1%
Ibuprofeno 50mg e 100mg/pirulito
Mentol 0,2%
Nistatina 500.000 Ul/ Lidocaína HCl 0,5% / pirulito
Pectina 19mg/pirulito: base sorbitol (demulcente).
Cloridrato de Pilocarpina 5mg/pirulito
Piroxicam 20mg/pirulito
Prednisona 5mg/pirulito
Tetracaína HCl 0,5%
Xilitol 2g/pirulito
Gluconato de zinco 5mg/vitamina C 100mg /pirulito
Gluconato de zinco 5mg/ vitamina C 100mg/ Equinacea 30mg
/pirulito

4.6. Pastilhas "macias":

4.6.1. Composição:
Podem ser preparados com bases graxas (chocolate, pasta de
amendoim, manteiga de cacau, óleo vegetal hidrogenado), polieti-
lenoglicol ou base de goma arábica-açúcar.

4 . 6 . 2 . Caracteristicas:
Podem ser facilmente preparadas e aplicadas para uma am-
pla variedade de fármacos.
Podem ser coloridas e flavorizadas.
Podem dissolver lentamente na boca ou serem chupadas, de-
pendendo do efeito desejado.
As bases de PEG e as bases graxas são anidras (ideal para in-
corporar drogas hidrolisáveis).
Combinações de PEG com diferentes PM, para obter varia-
ções no tempo de dissolução da pastilha na boca.
As bases fundem normalmente em baixas temperaturas (<
60°C).
Peso variável: 1 a 4g (pastilhas) e pirulitos (7 a 8g).

182
Capitulo 5 - Manipulação

4.6.3. Desvantagens:
A base de PEG tem sabor menos doce que a base de sorbitol
ou açúcar.
Os pirulitos obtidos com base PEG não são farmacêuticamen-
te elegantes como os outros.
São sensíveis a altas temperaturas, devendo ser conservados
em local fresco ou sob refrigeração.

4.6.4. Preparação:

Material utilizado:
• Béquer
• Bastão de vidro.
• Balança de precisão.
• Placa com aquecimento.
• Termômetro.
• Molde.

4.6.5. Sugestões de Bases:

A. Fórmula base eduicorada e flavorizada com mistura de PEG de


diferentes PM para pastilhas e piruiitos "macios"

Ingredientes % Função
PEG 400 8,86 Veículo
PEG 4000 24,87 Veículo
PEG 6000 64,21 Veículo
Sacarina sódica 0,06 Edulcorante
Aspartame 0,5 Edulcorante
Acido cítrico 0,5 a 1,0 Acidulante
Flavorizante 1,0 Flavorizante
Solucão aicoólica de corante q.s.p. Corante

Procedimento:
Passo 1: Pesar, com máxima exatidão, cada ingrediente da formuia-
ção.
Passo 2: Misturar a sacarina, o aspartame e o ácido cítrico, trituran-
do em gral.
183
Capitulo 5 - Manipulação

Passo 3: Adicionar o PEG 400 e levigar até obtenção de massa uni-


forme.
Passo 4: Fundir o PEG 4000 e o PEG 6000 em uma placa de aqueci-
mento ou banho-maria na temperatura aproximada de 60°C.
Passo 5: Adicionar os pós levigados em PEG 400 no Passo 4 para
fundir e em seguida adiocionar o flavorizante, misturar bem.
Passo 6: Remover do aquecimento verter para o molde e resfriar.
Passo 7: Determinar o peso médio de cada pastilha ou pirulito.

B. Fórmuia base edulcorada com PEG 1500 para pastiíhas e pirulitos


"macios"

Ingredientes % Função
PEG 1500 95,44 Veículo
Sacarina sódica 0,06 Edulcorante
Aspartame 0,5 Edulcorante
Flavorizante 1,0 Flavorizante
Ácido cítrico 0,5 a 1,0 Acidulante
Solução alcoólica de corante q.s.p. Corante
Goma arábica (acácia) 1,5 Agente suspensor
Sílica gel 1,0 Agente suspensor

Procedimento:
Passo 1: Pese, precisamente, os ingredientes da preparação.
Passo 2: Reduzir as substâncias cristalinas (sacrina, ácido cítrico e o
aspartame) a pó.
Passo 3: Fundir o PEG 1500 entre 50 a 55°C, sob agitação.
Passo 4: Triturar todos os pós e adicionar sobre a base fundida, agi-
tando até dispersão completa.
Passo 5: Verter a massa fundida para o molde.
Passo 6: Determinar o peso médio de cada pastilha ou pirulito.

4 . 6 . 6 . Incorporação dos ativos:


Antes de incorporar os ativos é necessário calibrar o molde e
verificar o peso médio de cada pastilha ou pirulito para em seguida
correlacionar a dose do ativo com o peso da pastilha ou pirulito.
Fundir a base em torno de 55°C, dispersando os ativos e ver-
tendo, posteriormente, para o molde.
Nota: Bases ideais para principios ativos hidrolisáveis.

184
Capitulo 5 - Manipulação

4.6.7. Cálculo da quantidade de base a ser utilizada em


uma formulação, levando em consideração, o peso de in-
gredientes aditivados :

Massa da base deslocada pelos ativos =


peso total dos ingredientes a serem aditivados x 70%*
'ílator universal de deslocamento)

Exemplo:

Seja a seguinte formulação: Pirulitos de 500mg de paracetamol em


base PEG (fórmula para 40 pirulitos com peso médio de
6,45g/pirulito):

Quantidade de base ■ 6,45g (peso médio) x 40 (n°unidades) = 258g


Quantidade de ativo a ser aditivado = 500mg x 40 = 20g
Peso da base deslocada pelo ativo = 20g x 70% = 14g

Quantidade de base a ser utilizada = 258g - 14g = 244g

Embalagem:
Bem vedada (zip-bag, sachês, filme plástico) ou caixa-molde
para pastilhas.

Armazenamento e conservação:
Podem ser armazenados em local fresco (8 a 15°C) ou no re-
frigerador, dependendo do fármaco incorporado e do excipiente
empregado.
Proteger da umidade e do calor excessivo.

Rotulagem:
Rótulo de advertência: "Manter este medicamento longe do alcance
decrianças."

Controle da qualidade:
• Peso e uniformidade
• Aparência
• Odor
• Dureza

185
Capítulo 5 - Manipulação

• Teor e ponto de fusão


Estabilidade:
Estas formas farmacêuticas não contêm água, portanto, são
mais estáveis.
A estabilidade depende da natureza do ativo, de modo geral
6 meses se armazenado em condições adequadas.

Figura 6: pastilhas "macias" preparadas com base PEG.


Foto: IJPC - Internacional Journal of Pharmaceutical Compoun-
ding

4 . 6 . 8 . Sugestões de Formulações:

A. Pastiihas para estomatites


Tetraciclina HCl 125mg
Nistatina pó 11,25mg
Difenidramina HCl 12,5mg
Hidrocortisona 2mg
Base PEG 1500 edulcorada e flavorizada q.s.p. 1 pastilha.
Mande 12 pastilhas.
Indicação: aftas e estomatites.
Posologia: 1 pastilha ao dia, ou a critério do médico ou dentista.
Nota: Esta formutaçõo se dissolve tentamente na cavidade oral distribuindo, eficientemente,
as drosas incorporadas.

186
Capitulo 5 - Manipulação

B. Pastilhas para xerostomia com Cloridrato de Pilocarpina


Cloridrato de pilocarpina 2mg
Base PEG 1500 edulcorada e flavorizada q.s.p. 1 pastilha.
Mande pastilhas.
Indicação: xerostomia e xeroftalmia associada à terapia com radia-
ção na região da cabeça e pescoço.
Posologia: 1 pastilha até 4x ao dia.

C. Pastilhas analgésicas com Sulfato de Morfina


Sulfato de morfina 10mg
Base PEG composta edulcorada e flavorizada q.s.p. 1 pastilha
Mande 24 pastilhas.
Indicação: controle da dor moderada à severa.
Posologia: administrar via bucal conforme orientação médica.
Estabilidade aproximada: 1 ano.

D. Pastilhas com Anfotericina B


Amfotericina B 10Omg
Base PEG 1500 composta edulcorada e flavorizada q.s.p. 1 pastilha
Mande pastilhas.
Indicação: candidíase oral.
Modo de usar: chupar uma pastilha 2x ao dia.

E. Pastilhas com Xilitol


Xilitol 1g
Base de mistura de PEGs edulcorada e flavorizada q.s.p. 1 pastilha.
Mande pastilhas.
Indicação: prevenção da otite média em crianças.
Posologia: chupar 5 a 10 pastilhas / dia.

F. Pastilha com Testosterona


Testosterona (base) 10mg
Base PEG 1500 edulcorada e flavorizada q.s.p. 1 pastilha
Mande pastilhas.
Indicação: androgenioterapia.
Posologia: chupar uma pastilha ao dia.

187
Capítulo 5 - Manipulação

G. Pirulitos com Eletròlitos


Cloreto de sódio 0,0405g
Cloreto de potássio 0,0026g
Lactato de cálcio 5H 2 0 0,0054g
Sulfato de magnésio anidro 0,0018g
Bicarbonato de sódio 0,0175g
Fosfato de sódio dibásico 0,0055g
Base PEG 1500 edulcorada e flavorizada q.s.p. 1 pirulito.
Mande pirulitos.
Indicação: substituto da saliva, rehidratação.
Posologia: a critério médico.
Estabilidade aproximada: 180dias.

H. Piruiitos com Clotrimazol


Clotrimazol 10mg
Base PEG 1500 edulcorada e flavorizada q.s.p. 1 pirulito.
Mande pirulitos.
Indicação: candidíase oral.
Posologia: a critério médico.
Estabilidade aproximada: 90 dias.

I. Piruhtos com L-Glutamina para tratamento de Aftas


L-Glutamina 250mg
Base PEG 1500 flavorizada e edulcorada q.s.p. 1 pirulito.
Mande pirulitos
Indicação: aftas e estomatites.
Posologia: a critério médico.

188
Capítulo 5 - Manipulação

4.6.9. Sugestões de formulações com Pastilhas Macias

Á. Pastilhas "macias" de Chocolate

Chocolate base

Ingredientes Quantidade
Chocolate em barra concentrado (boa qualidade) 80 a 60g
Oleo vegetal hidrogenado* 20 a 40g
'Pode ser utilizado o Lubritab' (óleo de aisodão hidrosenado).

Procedimento:
Passo 1: Pesar, precisamente, cada ingrediente.
Passo 2: Adicionar o chocolate e o óleo vegetal hidrogenado em um
béquer e aquecer agitando, até a mistura ficar totalmente liquida.
Passo 3: Remover do aquecimento e guardar sob refrigeração até a
utilizaçào.
Estabilidade aproximada: 60 dias.

Chocolate base para pastilhas com agente suspensor

Ingredientes % Função
Goma arábica 1,60 agente suspensor
Sílica gel (aerosil®) 1,0 agente suspensor
Sacarina sódica 0,4 edulcorante
Aspartame 1,0 edulcorante
Flavorizante de chocolate 0,5 flavorizante
Oleo de menta 0,2 flavorizante
Chocolate base 95,5 excipiente
(fórmula acima)

Procedimento:
Passo 1: Pesar e medir, precisamente, cada ingrediente.
Passo 2: Triturar a goma arábica, sílica gel, sacarina e o aspartame.
Passo 3: Fundir o chocolate base anteriormente preparado, em uma
placa de aquecimento.
Passo 4: Lentamente, adicionar os pós do passo 2 e misturar na base
fundida, dispersando-os.
Passo 5: Verter para o molde e deixar esfriar.

189
Capítulo 5 - Manipulação

Passo 6: Determinar o peso médio para calibrar o molde.


B. Pastilhas "macias" de amendoim
Base de amendoim

Ingredientes Quantidade
Pasta de amendoim ("dura") 60g
Oleo vegetal hidrogenado (Lubritab )* 40g
'Lubritab': óleo hidroçenado de alsodão.

Procedimento:
Passo 1: Adquirir a marca de pasta de amendoim mais dura que en-
contrar.
Passo 2: Adicionar a pasta de amendoim e o óleo hidrogenado em
um béquer e aquecer agitando até a mistura estar completamente
fundida.
Passo 3: Remover do aquecimento e refrigerar até solidificar.
Estabilidade aproximada: 90 dias.

Base para pastilhas "macias" de amendoim (100g)


Ingredientes Quantidade Função
Base de amendoim 96g Excipiente
Aspartame 1g Edulcorante
Sílica gel micronizada 0,96g Agente suspensor
Goma arabica 1,6B Agente suspensor
Flavorizante (amendoim) 40 gotas Flavorizante
Flavorizante*(lipossolúvel) 16 gotas Flavorizante
'Flavorizante complementar ao flavorizante de amendoim.

Procedimento:
Passo 1: Colocar uma barra magnética para agitação em um béquer.
Passo 2: Quebrar, manualmente, a base de amendoim em pequenos
pedaços, colocando-os no béquer.
Passo 3: Fundir a base a 50°C (na placa agitadora magnética), sob
agitação.
Passo 4: Triturar os pós (ativo, aspartame, goma arábica, sílica gel
micronizada em gral) tamisando aos poucos, sobre a base fundida
sob agitação.
Passo 5: Desligar o aquecimento e adicionar os flavorizantes.
Passo 6: Verter a massa ainda fluida para o molde
Passo 7: Refrigerar até solidificação e então remover as pastilhas do
molde. Estabilidade aproximada: 60 dias.
190
Capítulo 5 - Manipulação

4.6.10. Incorporação dos ativos:


Antes de incorporar os ativos é preciso calibrar o molde e ve-
rificar o peso médio de cada pastilha, para em seguida, correlacio-
nara dose do ativo com o peso da pastilha ou pirulito. Fundir a base
em banho-maria em temperatura até 55°C, dispersando os ativos e
vertendo, posteriormente, para o molde.
Os cálculos para determinar a quantidade de base deslocada
pela adição de ativo(s), podem ser realizados conforme demonstra-
do anteriormente para pastilhas preparadas com PEG.

4.6.11. Embalagem:
Bem vedada (papel alumínio, sachês, filme plástico) ou cai-
xa-molde para pastilhas.

4.6.12. Armazenamento e conservação:


Podem ser armazenados em local fresco (8 a 15°C) ou no re-
frigerador, dependendo do ativo incorporado e do excipiente em-
pregado.
Proteger da umidade e do calor excessivo.

4.6.13. Rotulagem:
Rótulo de advertència: "Manter este medicamento longe do
alcance de crianças".

4.6.14. Controle da qualidade:


• Peso e uniformidade
• Aparência
• Odor
• Dureza
• Ponto de fusào
• Teor

4.6.15. Estabilidade:
Estas formas farmacêuticas não contêm água sendo portanto,
mais estáveis.
Depende da natureza do ativo. De modo geral, 6 meses se
armazenado em condições adequadas.

191
Capítulo 5 - Manipulação

Figura 7: Pastilhas "macias" de chocolate.


Foto: IJPC - Intemational Journal of Pharmaceutical Compounding

4.6.16. Sugestões de Formulações para Pastilhas:

A. Pastühas de chocolate com Progesterona


Progesterona micronizada 10Omg
Base de chocolate edulcorada com agentes suspensores q.s.p. 1
pastilha.
Mande 24 pastilhas.
lndicação:terapia de reposição hormonal.
Posologia: a critério médico.
Estabilidade aproximada: 2 meses.

B. Pastilhas com Triancinolona


Triancinolona micronizada 5mg
Base de chocolate edulcorada com agentes suspensores q.s.p. 1
pastilha
Mande 24 pastilhas.
Indicação: corticoterapia.
Posologia: a critério médico
Estabilidade aproximada: 2 meses.

192
Capitulo 5 - Manipulação

4.7. Pastilhas mastigáveis

4.7.1 Composição:
São formas farmacêuticas preparadas com gelatina e glicerina,
sendo utilizadas para administração de medicações para absorção
gastrintestinal e de uso sistêmico.

4.7.2.Caracteristicas:
São muito flavorizadas (mascara, eficientemente, o sabor de
fármacos amargos).
Sabor levemente ácido (usualmente, contém ácido cítrico).
Preparo fácil.
São preparadas em baixas temperaturas (no máximo 100 °C), em
banho-maria.
São menos irritantes para a mucosa oral do que outras bases.
Apresentam uma consistência macia e agradável ao mastigar.

4.7.3. Desvantagens:
Não é um sistema anidro, pois contém água; é uma forma farma-
cêutica não recomendada para incorporação de fármacos hidrolisá-
veis.

4.7.4. Preparação:

A. Material utiiizado:
• Béquer
• Bastão de vidro
• Balança de precisão
• Banho-maria
• Termômetro
• Molde

193
Capítulo 5 - Manipulação

4.7.5. Sugestões de Base

A. Goma-gel base

Ingredientes Quantidade Função

Gelatina farmacêutica 43,4g Excipiente


Glicerina 155mL Plastificante
Agua destilada 21,6mL Solvente

Procedimento:
Passo 1: Pesar e medir, exatamente, cada componente.
Passo 2: Aquecer a glicerina em banho-maria, com água fervente,
por 5 minutos.
Passo 3: Adicionar a água destilada e continuar aquecendo por mais
5 minutos, agitando.
Passo 4: Lentamente, adicionar a gelatina aos poucos por um perí-
odo de 3 minutos, evitando a formação de grumos.
Passo 5: Continuar o aquecimento por, somente, 45 minutos.
Passo 6: Remover do aquecimento e resfriar.
Passo 7: Embalar e rotular.

Embalagem: bem vedada.

Armazenamento: sob refrigeração.

Figura 8: goma-gel base.


Foto: IJPC - International Jour-
nal of Pharmaceutical Compoun-
ding

194
Capítulo 5 - Manipulação

B. Base para pastilhas mastigáveis (jujubas)


Ingredientes % Função
Goma-gel base 90,6 excipiente
(preparada anteriormente)
Bentonita ou sílica gel 1,7 a1,0 agente suspensor
Goma arábica 1,7 agente suspensor
Aspartame 1,9 edulcorante
Acido cítrico monoidratado 2,4 acidulante
Flavorizante 1,7 flavorizante
Corante q.s.p. corante

Procedimento:
Passo 1: Pesar, exatamente, cada ingrediente da formulação.
Passo 2: Misturar a bentonita (ou sílica gel), aspartame, goma arábi-
ca, o ácido cítrico e os ativos.
Passo 3: Aquecer a goma-gel base em banho-maria até liquefazer.
Passo 4: Adicionar os pós da mistura (passo 2) na goma-base fundi-
da, dispersando-os.
Passo 5: Adicionar o corante e o aroma, misturando bem.
Passo 6: Verter para o molde untado e deixar esfriar.
Passo 7: Embalar e rotular.

C. Fórmula base para pirulitos de gelatina (100g)


Ingredientes Quantidade
*Ativo(s) q.s.p. (concentração prescrita)
"Alcool q.s.p. (se necessário, para diluir o ativo)
**Agua q.s.p. (se necessário, para diluir o ativo)
'"Propüenoglicol q.s.p. (se necessário, para dispersar o ativo)
Sacarina sódica 0,1g
Aspartame 1§
Goma arábica 3,5g
Goma xantana 3,5g
Flavorizante 1 mL
Goma gel base q.s.p. 100g
■ Fármacos muito potentes devem ser dituidos para permilir uma medida exata da mesma.
' Fármacos susceptiveis ó hidrólise não devem ser veiculados em base de getatina.
"Tanto o álcool quanto a á$ua podem ser utilizados como veiculos para solubilizar o(s) ati-
vo(s) antes da incorporaçào do(s) mesmo(s). A quantidade de água e álcool utilizada deve ser
o minimo para solubilizar o ativo, não devendo ultrapassar a 10% do peso total da base.
"'0 propilenoslicot pode ser utilizado como açente molhante e veiculo para fármacos em
suspensão (fàrmacos que não são solúveis em ógua e/ou álcool).

195
Capítulo 5 - Manipulação

Procedimento:
Passo 1: Com auxílio de um banho-maria, fundir a goma gel base em
um béquer de 400ml_. A base também pode ser liquefeita utilizando-
se microondas, aquecendo durante 20 segundos, aumentando o
tempo, se necessário, até a liquefação da base.
Passo 2: Transferir o ativo para um gral de vidro com pistilo (caso o
ativo seja adicionado na forma de pó e não solubilizado em álcool
ou água. Caso o ativo seja solúvel, ele deverá ser incorporado no
passo 4). Adicionar o aspartame, a sacarina, a goma arábica e a
goma xantana. Triturar os pós até distribuição uniforme dos mes-
mos.
Passo 3: Levigar os pós com propilenoglicol até formar uma massa
espessa e uniforme.
Passo 4: Adicionar e dissolver o ingrediente ativo em uma quantida-
de mínima de água destilada ou álcool. Adicionar o corante nesta
solução.
Passo 5: Adicionar e dispersar a solução do passo 4 na base fundida
de gelatina. A temperatura não deve exceder a 100°C. 0 corante
dissolvido na solução serve como indicador para assegurar a comple-
ta dispersão do fármaco. Agitar a solução até o corante estar com-
pleto e uniformemente dispersado.
Passo 6: Adicionar os pós levigados (no passo 3) sobre a base de ge-
latina fundida (no passo 1) sob contínua agitação.
Passo 7: Uma vez que a mistura do passo 6 esteja distribuída de
forma homogênea, adicionar o aspartame diluído e os flavorizantes,
agitando bem.
Passo 8: Verter a mistura morna e fundida nos moldes, previamente,
untados com óleo vegetal insaturado. Caso a temperatura da mistu-
ra abaixe muito, pode haver dificuldades na execução deste proce-
dimento. Uma vez que isto ocorra, reaquecer a mistura no banho-
maria até fluidificar novamente. (0 reaquecimento nem sempre
funciona. 0 melhor é trabalhar rapidamente, antes da massa esfri-
ar).
Passo 9: Adicionar as hastes do pirulito à mistura fundida na forma.
Passo 10: Permitir que os pirulitos esfriem e permaneçam pelo mí-
nimo de 3 horas no molde, antes de removè-los.

196
Capitulo 5 - Manipulação

4.7.6. Aditivação:

Quantidade de base = (peso médio da pastilha ou pirulito x número


de unidades prescritas) - quantidade de ativo a ser aditivado.*
• A quantidade de base utilizada deve ser subtraida da quantidade equivalente de ativos que
será incorporada. Os edulcorantes, ageníes molhantes e outros adjuvantes deverão ser com-
putados como parte da base.

Quantidade de ativo a ser aditivado = quantidade de ativo por uni-


dade x número de unidades prescritas

Exemplo:
0 peso médio de uma pastilha preparada com a base foi de
1,5g. Sabendo-se que a prescrição solicitou 30 pastilhas contendo
cada uma 50mg de determinado ativo, calcular a quantidade de
ativo, bem como a quantidade de base a serem utilizados na prepa-
ração.

Cálculos:

Quantidade de ativo: 25mg x 30 unidades = 750mg (0,75g).

Quantidade de base: (1,5g x 30) - 0,75g = 44,25g

4.7.7. Embalagem:
Bem vedada (zip-lock®, sachês, filme plástico) ou caixa-
molde para pastilhas. Para evitar aderência, as pastilhas podem ser
roladas sobre açúcar de confeiteiro e embaladas em potes bem ve-
dados.

4.7.8. Armazenamento e conservação:


Em temperatura ambiente ou sob refrigeração, de acordo
com a natureza dos ativos adicionados.

4.7.9. Rotulagem:
Rótulo de advertência: "Manter este medicamento longe do
alcance de crianças."
197
Capítulo 5 - Manipulação

4 . 7 . 1 0 . Controle da qualidade:
• Peso e uniformidade
• Aparência
• Odor
• Dureza
• Teor

4 . 7 . 1 1 . Estabilidade:
Por conter água, apresentam menor estabilidade.
A estabilidade depende da natureza do ativo, de modo geral
entre 2 a 3meses.

4 . 7 . 1 2 . Sugestões de Formulações:

A. Goma mastigável com Nitrofurantoina


Nitrof urantoina 25mg
Excipiente flavorizado *qsp 1 goma
Mande gomas mastigáveis.
Indicação: infecção urinária.
Posologia: a critério médico.

B. Goma mastigável com Coenzima Q10


Coenzima Q10 10 a 300mg
Excipiente flavorizado* qsp 1 goma
Mande gomas mastigáveis.
Ação: antioxidante, cardiotônica, hipotensora, imunoestimulante,
controle da glicemia em pacientes diabéticos.
Posologia: 10 a 300 mg/dia.

C. Goma mastigável com Ácido Lipóico


Ácido lipóico 200mg
Excipiente flavorizado* qsp 1 goma
Mande gomas mastigáveis.
Ação: antioxidante, aumenta o metabolismo do açúcar.
Indicações: coadjuvante no tratamento da diabetes tipo 1 e tipo 2.
Reduz as complicações destas patologias, tais como degeneração
macular, catarata e neuropatia.
Posologia: 1 goma ao dia.

198
Capítulo 5 - Manipulação

D. Goma mastigável com Xilitol


Xilitot 1g
Excipiente flavorizado* qsp 1 goma
Indicação: profilaxia da otite média em crianças.
Posologia: 8 a 10 gomas ao dia.

E. Goma mastigável com Fluoreto de Sódio


Fluoreto de sódio 2,21 mg
Excipiente flavorizado* qsp 1 goma.
Mande gomas.
Indicação: suplementação de flúor para crianças entre 3 a 9 anos.
Posologia: mastigar 1 goma 1x ao dia.

F. Goma mastigável com Lorazepam


Lorazepam 1 mg
Excipiente flavorizado qsp 1 goma
Mande gomas
Indicações: ansiedade, insônia, pré-anestesia, epilepsia, antieméti-
co (em náuseas e vômito induzidos por antineoplásicos).
Posologia: a critério médico.

G. Goma mastigável com Etinil Estradiol


Etinil estradiol 0,2mg
Excipiente flavorizado qsp 1 goma
Mande gomas
Indicações: tratamento da sintomatologia do climatério, terapia de
reposição hormonal.
Posologia: a critério médico, a dose precisa ser individualizada de
acordo com a tolerância e a resposta terapêutica do paciente.
'Utilizar como excipiente a base para pastithas mastigáveis mencionada anteriormente.

H. Pirulito de gelatina com Nistatina e Lidocaína


Nistatina 500.000 Ul
Lidocaína HCl 0,5%
Base de gelatina para pirulitos qsp 1 pirulito
Mande pirulitos.
Indicação: candidíase oral.
Modo de usar: chupar de 2 a 3 pirulitos ao dia, durante 5 a 7 dias.

199
Capitulo 5 - Manipulação

I. Pirulito de gelatina com Clotrimazol


Clotrimazol 1%
Base de gelatina para pirulitos qsp 1 pirulito.
Mande pirulitos
Indicação: candidíase oral.
Modo de usar: chupar de 2 a 3 pirulitos ao dia, durante 5 a 7dias.

J. Piruiito de gelatina com Sulfato de Morfina


Sulfato de morfina 0,1%
Base de gelatina para pirulitos qsp 1 pirulito
Indicação: controle da dor no câncer em pacientes com dificuldade
de deglutição decorrente da radioterapia.
Posologia: chupar 1 pirulito de 6/6h, se necessário.

200
Capítulo 5 - Manipulação

4.8. Soluções e Suspensões Congeladas


(Picolés Medicamentosos)

4.8.1.Composição:
Soluções e suspensões congeladas (picolés) podem eventu-
almente e em situações específicas constituírem uma forma farma-
cêutica para veicular fármacos com sabor desagradável. São nor-
malmente constituídas por água, edulcorantes e flavorizantes. A
solução ou suspensão preparada é então congelada.

4.8.2.Características e vantagens:
É uma forma interessante para administração de fármacos
que apresentam melhor eficácia quando permanecem por maior
período de tempo na mucosa oral, como por exemplo, antimicóticos
e anestésicos.
A sensação de frio proporcionada pelo picolé, pode reduzir
a percepção do sabor desagradável proveniente de alguns medica-
mentos.

4.8.3. Preparação:

Material Utilizado:
• Cálices ou proveta
• Balança de precisão
• Gral de vidro e pistilo
• Molde para picolés
• Freezer ou congelador
• Bastão de vidro

4.8.4. Sugestão de Base

Ingredientes Concentração Função


Ativo Xmg ativo
Sorbitol 70% 6% edulcorante
Xarope simples 17% edulcorante
(xarope de framboesa)
Aspartame 0,1% edulcorante
Flavorizante 1,7% f lavorizante
Água destilada q.s.p. 100ml_ veículo e diluente
201
Capitulo 5 - Manipulação

Procedimento:
Nota: Uma vez que as formas de picolé variam de tamanho, faz-se necessário calibrá-las,
ajustando o volume empre$ado para encher cada forma à dosagem dos ativos.

Passo 1: Medir e pesar, precisamente, os ingredientes da formula-


ção.
Passo 2: Triturar o ativo em gral de vidro (caso este seja insolúvel
em água), levigando-o com o sorbitol 70%.
Passo 3: Adicionar o xarope simples e o flavorizante no passo 2.
Passo 4: Dissolver, separadamente em um cálice, o aspartame e o
ativo (caso este seja solúvel em água) em cerca da metade da água.
Passo 5: Misturar 3 e 4, agitando bem. Rinsar o gral com o restante
da água destilada, transferindo também para o cálice. Completar o
volume final.
Passo 6: Com auxílio de um cálice menor ou de uma seringa, encher
os moldes com volumes equitativos da mistura preparada.
Passo 7: Levar a forma para o congelador ou freezer.
Passo 8: Após 2 horas, inserir o palito em cada picolé e retorna-los
ao congelador, para que os mesmos se congelem completamente.
Passo 9: Remover cada picolé da forma e embalar em plástico tipo
zip-lock®. Rotular e acondiciona-los em caixa de isopor no momento
da entrega ao paciente. Rotular também a caixa de isopor, indican-
do a composição de cada picolé e o número de unidades.

4.8.5. Aditivação:
Os ativos podem ser dispersados no sorbitol 70% ou no xarope
(caso não sejam hidrossolúveis) ou ainda, solubilizados na água (ca-
so sejam solúveis em água).

Cálculo da quantidade de ativo =


dose por unidade x número de unidades

4.8.6. Embalagem:
• Saquinhos tipo zip-lock® (embalagens unitárias).
• Caixa de isopor.

202
Capítulo 5 - Manipulação

Figura 9: formas de dispensação de picolés.


Foto: IJPC-lnternational Journal of Pharmaceutical Compounding

4.8.7.Armazenamento e conservação:
No congelador ou freezer: -25°C a -10°C.

4.8.8. Rotulagem:
Rótulos de advertências: "Manter este medicamento longe
do alcance de crianças" e "Manter o produto no congelador ou free-
zer".

4.8.9.Controle da qualidade:
• Peso e uniformidade
• Aparência
• Odor
• Dureza (o picolé deve estar congelado)

4.8.10.Estabilidade:
Depende da natureza do ativo, de modo geral 2 meses.

203
Capítulo 5 - Manipulação

4 . 8 . 1 1 . Sugestões de Formulações:

A.Picolé com Nistatina


Nistatina 250.000 Ul
Veículo qsp 1 picolé.
Mande picolés.
Flavorizantes recomendados: banana, framboesa.
Indicação: candidiase oral (vulgarmente conhecida como sapinho).
Modo de usar: chupar 1 picolé de 8/8horas.

B.Picolé com Nistatina e Cloridrato de Tetracaína


Nistatina 250.000 Ul
Cloridrato de Tetracaína 0,025%
Veículo qsp 1 picolé
Mande picolés
Indicação: candidíase oral
Ação: antimicótica e anestésica.
Modo de usar: chupar um picolé de 8/8horas.

204
Capítulo 5 - Manipulação

4.9. Goma de mascar medicamentosa

A goma de mascar é preparada a partir de exsudações resi-


nosas de algumas árvores da família das apocináceas, tais como, o
chide, o tamarack ou outras árvores selecionadas. Historicamente,
a goma de mascar tem sido utilizada no mundo inteiro, constituindo
um hábito bastante peculiar nos países ocidentais.

4.9.1. Vantagens:
A goma de mascar pode constituir-se como um sistema de
cedência de fármaco apropriado para ativos que apresentam índice
de metabolismo de primeira passagem significante {clearence ele-
vado).
As bases para gomas de mascar são encontradas facilmente
no mercado, já flavorizadas e edulcoradas.
Flavorizantes, edulcorantes e outros corretivos do sabor
também podem ser adicionados.
A liberação da droga é mais lenta, portanto, o tempo de con-
tato da droga com a mucosa oral é maior do que as pastilhas, juju-
bas e comprimidos sublinguais.
Podem ser úteis no tratamento de pacientes que têm dificul-
dade de deglutição de comprimidos e cápsulas.

4.9.2. Algumas drogas que podem ser veiculadas na forma


de goma de mascar:
• Fluoreto de sódio.
• Xilitol.
• Acetato de chlorexidina.
• Bicarbonato de sódio.
• Miconazol.
• Nistatina.
• Salicilamida.

205
Capitulo 5 - Manipulação

4 . 9 . 3 . Fórmula base:

Fármaco q.s.p.
Goma de mascar base q.s.p 1 goma.

Procedimento:
Passo 1: Remover a embalagem das gomas de mascar adquiridas no
mercado comercial.
Passo 2: Cortar a goma de mascar em pequenos pedaços.
Passo 3: Aquecer em banho-maria ou no microondas (por cerca de
10 a 15 segundos) até amolecer. Aquecer até uma temperatura a-
proximada de 38 a 55°C.
Passo 4: Adicionar o fármaco e misturar bem.
Passo 5: Remover do aquecimento e moldar a massa no formato de
um cilindro alongado.
Passo 6: Quando estiver suficientemente frio, cortar em pequenos
pedaços e embalar.
Passo 7: Embalar, até amolecer, em papel manteiga.

4.9.4. Embalagem:
As gomas de mascar devem ser embaladas em papel mantei-
ga e acondicionadas em caixas de cartolina ou potes plásticos.

4.9.5. Armazenamento e conservação:


Em temperatura ambiente ou sob refrigeração, dependendo
da natureza dos ativos adicionados.

4 . 9 . 6 . Rotulagem:
Rótulo de advertência: "Manter este medicamento longe do
alcance de crianças."

4.9.7. Controle da qualidade:


• Aparência
• Odor
• Dureza

4.9.8.Estabilidade:
Estabilidade depende da natureza do ativo, de modo geral
entre 2 a 3 meses.

206
Capítulo 5 - Manipulação

4.10. Considerações físico-químicas sobre Pastilhas

São capazes de aumentar o tempo de permanência do fár-


maco na cavidade oral, quando comparados a outras formas farma-
cêuticas.
Alguns conservantes podem alterar o sabor da preparação,
principalmente, o metilparabeno que confere aroma floral à prepa-
ração.
0 ajuste de pH pode ser necessário para maior estabilidade
do ativo veiculado. De modo geral, o pH nas formas farmacêuticas
pastilhas duras e gomas (formas que contêm água) é ajustado para
permanecer entre 5,0 e 6,0.
Para ajustar o pH deve-se empregar acidulantes (Exemplos:
ácido cítrico, ácido fumárico, ácido tartárico) e/ou alcalinizantes
(Exemplos: carbonato de cálcio, bicarbonato de sódio, trissilicato de
magnésio).

4.11. Atenção Farmacêutica

Estes medicamentos devem ser mantidos longe do alcance


das crianças.
0 paciente deve ser orientado, corretamente, sobre o real
propósito das pastilhas duras e pirulitos: a promoção de uma libera-
ção lenta e contínua do fármaco na cavidade oral. Portanto, devem
ser chupados e não mastigados.

207
Capítulo 5 - Manipulação

5. Tabletes Moldados (tabletes triturados)

5.1. Definição:
Os tabletes moldados são obtidos pela pressão manual de
uma massa úmida dos excipientes e ativos, contra um molde que
posteriormente é seco completamente. São preparados, geralmen-
te, pela mistura do(s) ativo(s) com lactose, dextrose, sacarose, ma-
nitol, frutose ou outros diluentes apropriados que servem como ba-
se. Combinações de açúcares também podem ser utilizadas. Dife-
rentemente dos comprimidos que são comercializados em diversos
tamanhos e formatos, os tabletes moldados têm forma de disco e
peso varíável (geralmente de 0,06 a 2g).

5.2.Vantagens:
• Desintegração instantânea.
• Fácil preparação e dispensação.
• Permite ao prescritor variar a dosagem durante o tratamen-
to.

5 . 3 . Desvantagens:
• Fragilidade (alta friabilidade).
• Restrição de doses (devido ao pequeno tamanho é uma for-
ma farmacêutica indicada para veicular ativos utilizados em
baixas doses).

5 . 4 . Composição básica:
• Fármaco (princípio ativo).
• Diluentes: lactose (mais utilizada), sacarose, dextrose, mani-
tol (promove sensação agradável de frescor e sabor), fruto-
se, combinações de açúcares, dentre outros.
• Aglutinantes: amido, polivinilpirrolidona (PVP), goma arábi-
ca, gelatina, dentre outros; diluídos em álcool, água ou mis-
turas hidroalcoólicas.
• Fiavorizantes.
• Corantes.
• Conservantes.
• Edulcorantes, se necessário.

208
Capitulo 5 - Manipulação

5.5. Preparação:
Cálculo da quantidade requerida de base por tablete e do fa-
tor de deslocamento do ativo.
Caso o ativo empregado, pese mais que alguns poucos mili-
gramas, o seu fator de densidade (fator de deslocamento) precisa
serdeterminado conforme recomendação abaixo:

5.5.1. Cálculo da porcetagem do tablete ocupado pelo ativo


Passo 1: Umedecer uma porção do fármaco com uma solução de
etanol 50%.
Passo 2: Preencher algumas cavidades do molde.
Passo 3: Secar os tabletes.
Passo 4: Determinar o peso médio dos tabletes preparados com o
ativo puro.
Passo 5: Dividir a quantidade prescrita do fármaco pelo peso médio
dos tabletes obtidos somente com os ativos (sem os diluentes) e
multiplicar por 100. 0 resultado obtido deste cálculo será a porcen-
tagem que o ativo irá ocupar no tablete.

Resumindo:
% do tablete ocupado pelo ativo = peso ativo prescrito x 100
peso médio do tabiete obtido com o ativo puro

5.5.2.Cálculo da porcentagem do tablete ocupado pela base

% do tablete ocupado pela base = 100% - % do tablete ocupado pelo ativo.

5.5.3.Cálculo do peso da base por tablete


Passo 1: Umedecer a base, na ausência do(s) ativo(s), com a solução
diluente (Exemplo: etanol 50%).
Passo 2: Preencher 20 cavidades do molde.
Passo 3: Secar os tabletes.
Passo 4: Determinar o peso médio dos tabletes preparados com a
base, sem o ativo.
Passo 5: Para calcular o peso da base por tablete, deve-se multipli-
car a porcentagem do tablete ocupada pela base, pelo peso médio
dos tabletes preparados com a base sem o ativo.

209
Capitulo 5 - Manipulação

Resumindo:

Peso da base por tablete = % do tablete ocupado pela base x peso médio dos tabletes sem ativo

5.5.4. Determinação do peso total do tablete


Conhecendo-se o que cada tablete irá conter de ativo juntamente
com a base, pode-se determinar o peso total de cada tablete.

Peso total do tablete = peso do ativo prescrito + peso da base por tablete

5.5.6. Cálculo da quantidade de cada ingrediente da formu-


lação prescrita:

Peso total de ativo = dose unitária do ativo x número de unidades prescritas

Peso total de base = peso da base por tablete x número de unidades prescritas

5.6. Exemplo de Cálculo:


Uma prescrição solicitou 30 tabletes.
Cada tablete contém 10mg de ativo.
0 peso do tablete contendo só o ativo é 90mg.
0 peso médio do tablete contendo só a base é de 70mg.
Determinar a quantidade de base requerida para cada table-
te.
Determinar a quantidade de ativo necessária para a prepara-
ção.
Determinar o peso total do tablete.

Solução:

% do tablete ocupado pelo ativo: 10mg x 100 = 11,1%


90mg

% do tablete ocupado pela base = 100% - 11,1% = 88,9%


Peso da base por tablete = 88,9% x 70 mg = 62,23mg
Peso total do tablete = 10 mg + 62,23 mg = 72,23mg
Peso total de ativo = 10 mg x 30 unidades = 300mg
Peso total de base necessária para preparação = 62,23mg x 30 uni-
dades = 1866,9mg

210
Capítulo 5 - Manipulação

5.7. Sugestão de Base

5.7.1. Sugestão de base para Tabletes Moldados


Lactose 60%
Amido 29,8%
Frutose .« 10%
Benzoato de sódio 0,2%
Flavorizante q.s.p.

Material utilizado:
• Gral e pistilo
• Molde para tabletes (tableteiro)
• Espátula.
• Balança de precisão.
• Tamis para obtenção de pó fino ou muito fino.
• Papel manteiga.
• Estufa.
• Solução alcoólica de PVP K30 a 8%.
• Solução aquosa de gelatina 0,25%.

s% ■MaMl Pi^*^^

Figura 10: forma para o preparo de tabletes triturados.


Foto: PCCA - Products Catalog

Procedimento:
Passo 1: Pesar todos os componentes da formulação (após devidos
cálculos demonstrados anteriormente).
Passo 2: Tamisar os pós no tamis de malha acima de 50.
Passo 3: Transferir os pós tamisados para o gral, triturando e homo-
geneizando bem (ver o método de diluição geométrica).
Passo 4: Acrescentar q.s.p. da solução de PVP-K30 e um mínimo da
solução de gelatina para obter uma massa com "liga".
Passo 5: Espatular a massa sobre o tableteiro (parte perfurada) a-

211
Capítulo 5 - Manipulação

poiando sobre uma superfície lisa e impermeável (placa de vidro, ou


verso liso da placa com pinos), pressionando a massa para o comple-
to enchimento dos furos.
Passo 6: Colocar na estufa a 50°C até secar.
Passo 7: Retirar do tableteiro com auxílio da placa com hastes.
Passo 8: Embalar e rotular.

5.7.2. Sugestão de base para Tabletes Moldados (com mani-


tol)
Manitol 9%
Açúcar de confeiteiro 50%
Açúcar refinado 27%
Sacarina sódica 3%
Goma xantana 1%
Lactose monohidratada 10%
*Para formação da massa se utiliza a solução alcoólica a seguir:

Solução alcoólica para aglutinação


Álcool95% 75%
Água destilada 25%
Ravorizante (3 a 10 gts /10ml_ da solução)

Procedimento:
ídem ao da fórmula anterior, utilizando a solução alcoólica sugerida
acima para formação da massa.

212
Capitulo 5 - Manipulação

5.8. Exemplos de formulações:

5.8.1.Tabletes com Estrogênios para Terapia de Reposição Hor-


monal (TRH)
Estriol 2mg
Estrona 0,25mg
Estradiol 0,25mg
Excipiente q.s.p 1 tablete
Mande tabletes.
Indicação: sintomatologia do climatério, terapia de reposição hor-
monal feminina.
Posologia: 1 tablete via sublingual ou bucal 1x ao dia.

5.8.2. Tabletes com Progesterona Micronizada 100mg


Progesterona 10Omg
Excipiente q.s.p 1 tablete
Mande tabletes
Indicação: tratamento da sintomatologia do climatério, TRH, manu-
tenção da gravidez.
Posologia: a critério médico.

5.9.Controle da Qualidade:
• Aparência
• Peso
• Variação de peso
Desintegração - realizado em um béquer contendo 1 litro de
água com agitador em velocidade moderada (15 a 30 minutos).

213
Capítulo 5 - Manipulação

5.10. Armazenamento e rotulagem:


Temperatura ambiente. Rotular o modo próprio de adminis-
tração: sublingual, bucal e mastigável.

214
Capitulo 5 - Manipulação

6. Excipientes, Adjuvantes Farmacotécnicos e Di-


luentes

6.1. Excipiente para Formas Farmacêuticas Sólidas:


A escolha do excipiente adequado para determinada fórmu-
la, deve se basear nas características das substâncias contidas na
fórmula, bem como, na possibilidade de interação destas substân-
cias com o excipiente. 0 farmacêutico deve escolher sempre o exci-
piente que não sofra qualquer tipo de interação. Devido à existência
de diversos excipientes, constatou-se que princípios ativos idênti-
cos, quando manipulados com excipientes diferentes, têm velocida-
des de dissolução variáveis, dependendo dos excipientes utilizados
ou da concentração destes. Em certos casos, vários estudos demons-
traram que diferentes formulações de cápsulas e comprimidos, oca-
sionaram diferenças na biodisponibilidade que podem impedir o
efeito farmacológico. Devido a essas diferenças, é necessário estu-
dar e estabelecer um critério sobre a utilização de excipientes.

6.1.1. Lactose:
Dissacarídeo obtido do leite, a lactose pode ocorrer em três
formas: alfa-monohidratada, alfa-anidra e beta-anidra. A lactose
alfa-monohidratada é a mais amplamente utilizada.
É um pó branco ou quase branco, ou de partículas cristalinas
branco-cremosas, inodoro e de gosto adocicado. Absorve odores.
É usado como diluente (excipiente) na farmácia, em concen-
traçòes de 65 a 85%.
É contra-indicada para pessoas com intolerância à lactose
(deficiência da enzima lactase), podendo gerar dores abdominais,
diarréia e flatulência nestes pacientes.
Incompatibilidades: Reage com compostos contendo grupo amino
primário, (ex.: anfetaminas e aminoácidos) resultando em produtos
de cor amarronzada, devido à condensação do tipo Maillard. Tam-
bém reage e produz escurecimento na presença de compostos con-
tendo arsênico e trinitrato de glicerila. A lactose é incompatível
com aminoácidos e anfetaminas (mazindol, anfepramona, fempro-
porex, aminofilina, fluoxetina, sertralina, imipramina, amitriptilina,
clomipramina, nortriptilina, hidroxitriptofano e compostos relacio-
nados).

215
Capítulo 5 - Manipulação

6.1.2. Talco:
0 talco é um silicato de magnésio hidratado nativo, podendo
conter uma pequena proporção de silicato de alumínio.
É um pó cristalino muito fino, branco ou branco acinzentado,
untuoso, adere facilmente à pele e é macio ao toque.
Necessita ser de ótima qualidade, pois é vulnerável a conta-
minação microbiológica. Deve ser armazenado em recipiente bem
fechado, apesar de ser um produto estável.
Na indústria farmacêutica ou em farmácias magistrais é usa-
do como excipiente para cápsulas ou comprimidos, devido ao seu
efeito secante e lubrificante, em concentrações de 5 a 30%.
Incompatibilidades: Incompatível com quaternários de amônio.

6.1.3. Amido:
Pó fino, branco, sem sabor que deve ser estocado em lugar
apropriado para evitar a absorção de umidade. Utilizado na indús-
tria farmacêutica e em farmácias magistrais como diluente (excipi-
ente) para ajuste de volume ou como agente desintegrante.
Não há concentração limite para uso deste excipiente.
Incompatibilidades: Não há descrição na bibliografia de interações
de fármacos com o amido.

6.1.4. Manitol:
É um álcool hexanidril relacionado a manose e é isomérico
com o sorbitol.
Granuloso ou pó cristalino, possui boa fluidez, é branco e i-
nodoro. Possui a metade do poder adoçante da sucrose e é tão doce
quanto a glucose.
Nâo é recomendado para crianças abaixo de 12 anos de ida-
de.
É usado como excipiente a uma concentração entre 10 a 90%.
É indicado, especialmente, quando se quer encapsular drogas sensí-
veis à umidade, pois é um pó não higroscópico. Recomenda-se usá-
lo associado ao estearato de magnésio (1 a 2%).
Incompatibilidades: Complexa-se com alguns metais, como o ferro,
o alumínio e o cobre. Recomenda-se não utilizá-lo em formulações
que contenham sais com estes metais.

216
Capítulo 5 - Manipulação

6.1.5. Celulose microcristalina:


É comercializada principalmente com o nome de Avicel®. A
celulose microcristalina é amplamente utilizada em produtos farma-
cêuticos como diluente de comprimidos (20 a 90%) e cápsulas (20 a
90%). É utilizada como agente adsorvente (20 a 90%), agente antia-
derente ou lubrificante (5 a 20%) e desintegrante em comprimidos
(5 a 15%).
Incompatibilidades: A celulose microcristalina é um agente estável,
porém higroscópica. É incompatível com agentes oxidantes fortes.

6.1.6. Croscarmelose Sódica (Ac-Di-Sol ®):


É um polímero cross-linked de carboximetilcelulose sódica.
A croscarmelose sódica é empregada em formulações farma-
cêuticas como desintegrante para cápsulas (10 a 25%) e comprimi-
dos (0,5 a 5,0%)
Incompatibilidades: sorbitol (redução da eficácia desintegrante).

6.1.7. Povidona:
É um polímero sintético empregado como diluente de com-
primidos, agente aglutinante e de revestimento em concentrações
de 0,5 a 5%.

6.1.8. Crospovidona:
É um derivado cross-linked da povidona.
É um desintegrante para comprimidos preparados por com-
pressão direta. É empregada em concentrações de 2 a 5%.

6.1.9. Caulim:
Pó branco a acinzentado, untuoso, com sabor argiloso. O
caulim ocorre naturalmente no reino mineral, correspondendo quí-
micamente ao silicato de alumínio nativo hidratado.
O caulim é utilizado como diluente (excipiente) em cápsulas
ecomprimidos.
Mesmo a despeito do baixo preço, o caulim deve ser utilizado
com restrições. Caso o mesmo não seja esterilizado pode haver con-
taminação por agentes patogênicos, como Baciüus anthracis, Clos-
tridium tetani (bactéria causadora do tétano) e outros.
Incompatibilidades: O caulim apresenta propriedades de absorção
em concentrações a partir de 7,5%. Esta propriedade pode influen-
ciar a absorção de outras drogas administradas via oral. Já foi rela-
tado que o caulim afeta a absorção das seguintes drogas: amoxacili-
217
Capítulo 5 - Manipulação

na, ampicilina, cimetidina, lincomicina, fenitoína (difenilhidantoi-


na), clindamicina, tetraciclina, warfarina. Portanto, não deve ser
utilizado como excipiente destas drogas.

6.1.10. Aerosil® (Adjuvante Farmacotécnico):


Químicamente conhecido como sílica coloidal ou dióxido de
silício coloidal, é um produto submicroscópico, branco, sem odor ou
sabor. Devido à sua higroscopia, deve ser armazenado em recipien-
tes muito bem fechados.
0 aerosil é utilizado como dessecante e anti-aderente para
pós higroscópicos na concentração de 0,1 a 1,0%.
Incompatibilidades: É incompatível com preparações contendo dieti-
lestilbestrol.

6 . 1 . 1 1 . Estearato de Magnésio (Adjuvante Farmacotécnico):


Consiste principalmente de uma mistura de estearato de
magnésio e palmitato de magnésio.
É granuloso, untuoso e fino, de cor branca, inodoro ou com
leve odor de ácido esteárico e gosto característico. São grânulos de
baixa densidade que aderem facilmente à pele.
Age como lubrificante e antiaderente nas formulações de ex-
cipiente, nas concentrações entre 0,25 a 2,0%.
Devido à sua natureza hidrofóbica, o estearato de magnésio
pode retardar a dissolução de drogas na forma sólida, por isso, deve
usá-lo na menor concentração possível.
Incompatibilidades: É incompatível com substâncias ácidas, alcali-
nas e sais de ferro; evitar associá-lo com materiais fortemente oxi-
dantes. Usar com precaução em drogas incompatíveis com álcalis.

6.1.12. CMC-Na - Carboximetilcelulose Sódica:


O CMC é um pó ou material granuloso, higroscópico, branco
ou levemente amarelado, inodoro e com leve sabor de papel. Pode
ser utilizado como excipiente na manipulação de pós, aumentando o
tempo de desintegração de cápsulas e comprimidos, consequente-
mente retardando um pouco a absorção do fármaco.
Incompatibilidade: Incompatível com goma xantana, ácidos fortes,
sais de ferro e outros metais, como o alumínio, o mercúrio e o zin-
co.

218
Capítulo 5 - Manipulação

6.1.13. Carbonato de cálcio:


Pó branco ou cristalino, inodoro e sem sabor. 0 Carbonato de
cálcio é empregado como excipiente farmacêutico para cápsulas e
comprimidos.
0 Carbonato de cálcio deve ser estocado em recipiente fe-
chado e protegido da umidade.
Incompatibilidades: 0 carbonato de cálcio é incompatível com áci-
dos e sais de amônio (ex. cloreto de amônio).

6.1.14. Lauril Sulfato de Sódio (agente molhante):


0 lauril sulfato de sódio é um pó cristalino branco, creme ou
amarelo pálido, de sabor amargo e odor de substâncias gordurosas.
É um agente surfactante, utilizado como agente lubrificante
e molhante de cápsulas e comprimidos em concentrações entre 1 a
2%. Sua utilização em formulações que contenham drogas lipossolú-
veis é útil, pois facilita a dissolução destas drogas.
Incompatibilidades: 0 lauril sulfato de sódio é incompatível com
alguns sais alcaloídicos (atropina, beladona, hiosciamina, escopola-
mina, quina, quinina, sulfato de quinidina, ipeca, codeina, ioimbi-
na, vinca, vincamina, reserpina, ergotamina, ergometrina, ergono-
vina, dihidroergotamina, dihidroergocristina, metisergida, pilocar-
pina, efedra ou mahuang, efedrina, pseudoefedrina, colchicina,
cafeína, teofilina), sais de chumbo e sais de potássio (ex: cloreto de
potássio, aspartato de potássio, orotato de potássio, potássio quela-
to, etc). 0 Lauril Sulfato de Sódio é um tensioativo aniônico, por-
tanto, tem carga negativa e pode interagir com fármacos com car-
gas positivas.

6.1.15. Docusato sódico (Agente Molhante):


Também conhecido como dioctil sulfosuccinato de sódio. É
um surfactantante aniônico, utilizado na terapêutica como laxante
amolecedor das fezes e na farmacotécnica como agente molhante,
com o objetivo de otimizar a dissolução de fármacos.
0 docusato sódio é branco ou quase branco, possui sabor
amargo e odor caracteristico do octanol. É higroscópico e encontra-
do na forma peletizada e de flocos.
Como agente molhante e desintegrante de formas farmacêu-
ticas sólidas é utilizado usualmente na concentração de 0,5%.
Incompatibilidades: É incompatível com eletrólitos.

219
Capitulo 5 - Manipulação

6.1.16. Polisorbatos 20, 60, 80 (Agente Molhante):


Os produtos comerciais mais comuns à base de polisorbatos
são os tweens. Os polisorbatos são surfactantes não iônicos empre-
gados como tensioativos, agentes emulsificantes, agentes solubili-
zantes e agentes molhantes. Podem ser empregados como agente
solubilizante para uma variedade de substâncias, incluindo óleos e
vitaminas lipossolúveis.
Como agente solubilizante é utilizado na faixa de concentra-
ções entre 1 a 10% e como agente molhante na faixa de 0,1 a 3%.
Incompatibilidades: Parabenos, fenóis, taninos e derivados do alca-
trão.

6.1.17. Óleo vegetal hidrogenado (óleo hidrogenado de se-


mente de algodão) tipo I - Lubritab ®:
Diluente para cápsulas e comprimidos, agente lubrificante
(cápsulas e comprimidos) e agente aglutinante.
Aplicação:
• Diluente (excipiente): até 100%
• Lubrificante: 1 a 6% p/p.
Pode ser utilizado como agente formador de matriz lipofílica
para formulações de liberação controlada.
Incompatibilidades: incompatível com agentes oxidantes fortes.

6 . 1 . 1 8 . Bicarbonato de sódio:
Agente alcalinizante (tampão): 10 a 40%, agente terapêutico
e efervescente (25 a 50%)
Incompatibilidades: ácidos, sais ácidos, sais alcalóidicos, salicilatos,
ácido bórico, alúmen e sais de bismuto.

6 . 1 . 1 9 . Acetoftalato de celulose (CAP):


Agente de revestimento entérico.
Solúvel em pH maior que 6,0.
Concentrações usuais para revestimento entérico: 3 a 9% do
peso do núcleo (peso da massa a ser revestida)
Para a formação de filme flexível e hidroresistente é neces-
sário a adição de plastificantes, em concentracões varíaveis de 1 a
20%.
Solubilidade em sistemas de solventes (para solução de re-
vestimento): Acetona, Acetona-Etanol (1:1) e Acetona-Água (97:3).
Plastificantes compatíveis: glicerina, propilenoglicol e dibu-
tilftalato.
220
Capítulo 5 - Manipulação

Incompatibilidades: sulfato ferroso, cloreto férrico, nitrato de pra-


ta, citrato de sódio, sulfato de alumínio, cloreto de cálcio, cloreto
de mercúrio, nitrato de bário, acetato básico de chumbo e agentes
oxidantes fortes. Potencialmente incompatível com fármacos ou
excipientes que apresentam grupos funcionais ou natureza básica.

6.1.20. Copolímero do ácido metacrílico/metacrilato de me-


tila 1:1 (Eudragit® L-100):
Utilizado como formador de filme gastroresistente e enteros-
solúvel.
Insotúvel em ácidos diluídos e fluidos gástricos, solúvel em
soluções tamponadas e fluidos entéricos acima do pH 6,0.
Concentração usual para filmes gastroresistentes : 3 a 9% do
peso do núcleo (peso da massa a ser revestida).
É necessário a adição de plastificante para melhorar a flexi-
bilidade do filme.
Solubilidade em sistemas solventes (para solução de revesti-
mento): Acetona-Etanol (1:1), álcool isopropílico, acetona e etanol
e também, em misturas com até 40% de água.
Plastificantes compatíveis: polietilenoglicol (ex: PEG 400),
triacetina e dibutilftalato.
Incompatibilidades: estearato de magnésio, podem ocorrer intera-
ções em substâncias com grupos funcionais de natureza básica.

6.1.21. Glicolato sódico de amido (Explotab®):


Desintegrante para cápsulas e comprimidos, empregado
normalmente em concentrações variadas (2 a 8%).
Incompatibilidades: ácido ascórbico.

6.1.22. Fosfato de cálcio dibásico (CaHP0 4 2 H 2 0):


Diluente de comprimidos e cápsulas (necessita uso concomi-
tante de lubrificante e desintegrante)
Compressão direta e agente alcalizante
Incompatibilidades: derivados da tetraciclina, indometacina, ativos
sensíveis a pH igual ou superior a 7,3.

221
Capitulo 5 - Manipulação

6.1.23. Óxido de magnésio (MgO):


Diluente de comprimidos e cápsulas, antiácido e laxante os-
mótico. Ponto de fusão alto: 2800°C - diluente para misturas eutéti-
cas.
Incompatibilidades: drogas alcalino-lábeis, ibuprofeno, antihistamí-
nicos, antibióticos e salicilatos.

6.1.24. Carbonato de magnésio:


Diluente de comprimidos e cápsulas ( <_45%), antiácido e ad-
sorvente de umidade (0,5 a 1,0%). Ponto de fusão alto.
Incompatibilidades: ácidos (dissolve-os com liberação de C02)

6.2. Excipientes: Conceito, Influências e Categorias

Anteriormente, conceituava-se excipiente como simples ad-


juvante, nada mais que uma substância química e farmacológica-
mente inerte. Atualmente a escolha do excipiente adequado tornou-
se fator preponderante na obtenção do efeito terapêutico, interfe-
rindo na liberação e na estabilidade do fármaco.
De acordo com a função, podemos classificar os excipientes
como, diluentes: aqueles que fomecem peso, consistência e volu-
mes adequados à forma farmacêutica; e adjuvantes: aqueles que
auxiliam o fármaco a cumprir o seu papel (estabilidade, velocidade
de desintegração e dissolução).

6 . 2 . 1 . Categorias de excipientes
A. Excipientes que influenciam na estabilidade: antioxidantes, que-
lantes, conservantes e tampões, modificadores do pH.
B. Excipientes que influenciam na absorção do fármaco: desinte-
grantes, plastificantes, modificadores da liberação, promotores da
penetração, molhantes, formadores de filme, agentes bioadesivos e
encapsuíantes.

6 . 2 . 2 . Excipientes que influenciam a biodisponibilidade do


fármaco em formas farmacêuticas sólidas:
A. Diluentes: a solubilidade do diluente influencia a velocidade de
liberação do fármaco.
B. Desintegrantes: facilitam a desagregação, aumentam a área su-
perficial e promove a dissolução do fármaco. Depende da concen-

222
Capítulo 5 - Manipulação

tração.
C. Tensioativos: aumentam a molhabilidade do fármaco, aumentam
a velocidade de dissolução, aumentam o contato do fármaco com
fluídos gastrintestinais.
D. Lubrificantes: retardam a molhabilidade e a absorção de fárma-
cos. Sua concentração influencia a biodisponibilidade.

6.3. Sugestões de Excipientes Especiais para Cápsulas:

6 . 3 . 1 . Dilucap: Sugestão de Excipiente padrão para cápsulas


Estearato de Magnésio 0,5%
Aerosil 1,0%
Lauril Sulfato de Sódio (LSS) 1,0 a 2,0%
Talco Farmacêutico 3%
Amido de Milho (AMISOL) qsp 100,0%

Este excipiente deve ser utilizado para formulações em ge-


ral, exceto as que contiverem as seguintes substâncias:
Pentoxifilina: usar como excipiente HPMC (30 a 40% do volume total
da cápsula).
DietilestiLbestrol: usar como veículo a lactose com 0,5% de LSS e
0,5% de estearato de magnésio. Não usar aerosil.
Anfepramona/dietilpropiona: usar talco ou caulim farmacêutico,
com 1% de estearato de magnésio e 1% de aerosil.
Sais aicaloidicos e plantas com alcalóides (atropina, beladona, hios-
cinamina, escopolamina, homatropina, quina, quinino, sulfato de
quinidina, ipeca, codeína, ioimbina, vinca, vincamina, reserpina.
ergotamina, dihidroergocristina, metisergida, pilocarpina, efedra ou
mahuang, efedrina, pseudoefedrina, colchicina, cafeína, teofilina,
sais de potássio, cioreto de potássio, aspartato de potássio, potás-
sio quelato): para estes fármacos usar lactose + aerosil 1% + estera-
to de magnésio 1%.
Formulações de iiberação lenta: usar HPMC a 40% do volume total
da cápsula.
Formulações muito higroscópicas que demonstrem sinais de deli-
quescência: usar manitol 80% + talco 18% + aerosil 1% + estearato de
magnésio 0,5% + LSS 0,5 a 1,0%.

Nota: O aerosil pode ser adicionado à parte, ao Dilucap caso seja necessário.
O manipulador deve ter amplo conhecimento sobre excipientes, para a escolha daquele que
melhor se adeque à formuiação.
223
Capítulo 5 - Manipulação

6.3.2. Sugestão de Excipiente para Alprazolam


Celulose Microcristalina 20%
Amido 15%
Docusato de Sódio 0,5%
Aerosil 0,3%
Benzoato de Sódio 2%
Estearato de magnésio 0,25%
Lactoseqsp 61,95%

6.3.3. Sugestão de Excipiente para Meloxicam


Citrato de sódio dihidratado 1,0%
Celulose Microcristalina 20%
Estearato de magnésio 0,5%
Dióxido de silício (Aerosil) 0,2%
Lactoseqsp 100%

6.3.4. Sugestão de Excipiente Especial para Diclofenaco de


Sódio e de Potássio
Estearato de magnésio 1,0%
Aerosil 0,5%
Talco farmacêutico 3%
Amido (Amisol) 18,5%
Fosfato tricálcico qsp 100%
Realizar revestimento entérico.

6.3.5. Sugestão de Excipiente para Pentoxifilina


Hidroxipropümetilcelulose 40% (do peso total do volume
ocupado na cápsula do fármaco mais o excipiente).

6.3.6. Sugestão de Excipiente para Finasterida


Docusato sódico 0,5%
Hidroxipropümetilcelulose (HPMC) 15,0%
Talco farmacêutico 30,0%
Amido de milho (Amisol®) qsp 100,0%

6.3.7. Sugestão de Excipiente para Sertralina


Lauril sulfato de sódio 1,5%
Aerosil 1%
Amido 30%
Celulose microcristalina qsp 100

224
Capitulo 5 - Manipulação

6.3.8. Sugestão de Excipiente para Metildopa (Fc3 = 1,18)


Bissulfito de sódio 0,1%
Ácido cítrico 1,0%
EDTA-Na2 0,1%
Aerosil 1,0%
Explotab ® (glicolato sódico de amido) 1,5%
Alfa-metildopa Sesquihidratada qsp 100%

6.3.9. Sugestão de Excipiente para Amlodipina Besilato


Fosfato de cálcio dibásico 40%
Glicolato sódico de amido 2,0%
Amido 30%
Estearato de magnésio 1%
Celulose microcristalina qsp 100g

6.3.10. Sugestão de Excipiente para Enalapril


Estearato de magnésio 1%
Dióxido de silício coloidal (Aerosil ®) 1%
Lactose qsp 200mg

6.3.11. Sugestão de Excipiente para Inibidores da ECA, ex-


ceto Enalapril
Bissulfito de sódio 0,1%
Fosfato de cálcio 30%
Manitol 30%
Estearato de magnésio 1%
Amidoqsp 100%

6.3.12. Sugestão de Excipiente Venlafaxina


Celulose microcristalina 20%
Explomido (Glicolato sódico de amido) 3%
Estearato de magnésio 1%
Lactose 100%

Fc = Fator de correcão da diluição e do ativo


Capítulo 5 - Manipulação

6.3.13. Sugestão de Excipiente Dietilestilbestrol


Lauril sulfato de sódio 0,5%
Estearato de magnésio 0,5%
Lactoseqsp 100%

6.3.14. Sugestão de Excipiente para Sais Alcalóidicos e Sais


de Potássio
Aerosil 1%
Estearato de magnésio 1%
Lactoseqsp 100%

6.3.15. Sugestão de Excipiente para Lovastatina, Pravasta-


tina e Sinvastatina
Butil hidroxi anisol 0,02%
Manitol 30%
Estearato de magnésio 1%
Dilucap qsp 100%

6.3.16. Sugestão de Excipiente para Estrógenos Conjugados


Fosfato de cálcio tribásico 40%
Sulfato de cálcio 2 H20 10%
Estearato de magnésio 1%
HPMC 20%
Lauril sulfato de sódio 1%
Lactoseqsp 100%

6.3.17. Sugestão de excipiente para o Clorazepato de Po-


tássio
Aerosil 1%
Estearato de magnésio 1%
Óxido de magnésio 10%
HPMC 40%
Talcoqsp 100%

6.3.18. Sugestão de Excipiente para Genfibrozila


Tratar com polisorbato 80 (tween®80) 1%.

226
Capítulo 5 - Manipulação

6.3.19. Sugestão de Excipiente para Cloridrato de Fluoxeti-


na
Celulose microcristalina 20%
Estearato de magnésio 0,5%
Talco 3%
Simeticone pó 2%
Amidoqsp 100%

6.3.20. Sugestão de Excipiente para Risperidona


Lauril sulfato de sódio 1%
Aerosil 1%
HPMC 30%
Estearato de magnésio 0,5%
Celutose microcristalina 15%
Amido 20%
Lactoseqsp 100%

6.3.21. Sugestão de Excipiente para Oxandrolona


HPMC 40%
Dilucapqsp 100%

6.3.22. Sugestão de Excipiente e Diluente para T3 e T4


Celulose microcristalina 3,6%
CMC 3,6%
Talco 3,6%
Ácido cítrico 2%
Estearato de magnésio 0,7%
Amido de milho 12,6%
Fosfato de cálcio dibásico qsp 100%

6.3.23. Sugestão de Excipiente para Levofloxacina


HPMC 30%
Celulose microcristalina 20%
Estearato de magnésio 0,5%
Tween80 2%
Talcoqsp 100%

227
Capítulo 5 - Manipulação

6.3.24. Sugestão de Excipiente para Tibolona


Amido 10%
Estearato de magnésio 0,5%
Palmitato de ascorbila 0,2%
Lactoseqsp 100%

6.3.25. Sugestão de Excipiente para L-Carnitina


L-Carnitina 250mg
Óxido de Magnésio 100mg
Aerosil 5mg
Estearato de Magnésio 5mg
Avicel PH 101 qsp 500mg

6.3.26. Sugestão de Excipiente para cápsula (geral)


Amido de milho 96 partes
Talco farmacêutico 3 partes
Estearato de magnésio 1 parte

6.4. Excipientes que podem ser utilizados para aumen-


tar a estabilidade de misturas eutéticas

6.4.1. Efetivos:
Carbonato de magnésio, caolim e óxido de magnésio leve.

6.4.2. Menos efetivos:


Óxido de magnésio pesado, fosfato de cálcio tribásico e sílica
gel.

6.4.3. Relativamente inefetivos:


Talco, lactosee amido

228
Capitulo 5 - Manipulação

6.5. Agentes Molhantes (Surfactantes) utilizados em


cápsulas e comprimidos:

São adjuvantes farmacotécnicos, empregados em formula-


ções farmacêuticas sólidas, com objetivo de facilitar o contato com
os fluidos gastrointestinais, facilitando a molhagem neste meio a-
quoso e conseqüentemente, favorecendo a dissolução e otimizando
a absorção. Sua adição no excipiente de fármacos pouco solúveis e
hidrofóbicos é importante para a biodisponibilidade destes.
São empregados em formas sólidas, tensioativos aniônicos e
não-iônicos:
Tensioativos aniônicos: lauril sulfato de sódio, dioctilsulfo-
succinato de sódio (docusato sódico).
Tensioativos não-iônicos: polisorbato 80, 20, 60; lecitina de
soja.
0 agente molhante não deve interagir com o fármaco. Tensi-
oativos aniônicos podem ser incompatíveis com fármacos catiônicos,
devendo-se optar nestes casos pelo tensioativo não-iônico.

6.6. Agentes Alcalinizantes:

São utilizados em formas farmacêuticas sólidas de uso oral


com o objetivo de:
• Evitar a hidrólise ácida no estômago
• Reduzir os efeitos gastroirritantes do fármaco
• Aumentar a biodisponibilidade do fármaco, otimizando sua
dissolução.

6.6.1. Agentes alcalinizantes mais empregados:


• Fosfatos alcalinos
• Carbonato de cálcio
• Citrato de sódio
• Bicarbonato de sódio
• Glicinato de alumínio

229
Capítulo 5 - Manipulação

6.7. Antioxidantes

6.7.1. Oxidação:
Processo que leva à decomposição de uma matéria-prima,
com perda de sua função. A luz, o ar, o calor, os contaminantes do
meio (catalisadores ->metais pesados) e o pH do meio são os inici-
antes deste tipo de reação. 0 mecanismo de oxidação inicia-se com
a formação do que chamamos radicais livres.

6.7.2 Antioxidantes:
São substâncias que preservam a formulação de qualquer
processo oxidativo. São capazes de inibir a deterioração oxidativa
(destruição por ação do oxigênio) de produtos fármaco-cosméticos,
com conseqüente desenvolvimento de ranço oxidativo em óleos e
gorduras ou inativação de medicamentos.

A. Antioxidantes que atuam interrompendo as cadeias de radicais


livres formadas (antioxidantes verdadeiros):
• BHA
• BHT
• Alfa-tocoferol (vit.E)
• Propil galato

B. Atuam sofrendo oxidacão (agentes redutores):


• Metabissulfito de sódio
• Bissulfito de sódio
• Ácido ascórbico (vit.C)
• Palmitato de ascorbila

C. Antioxidantes que atuam por mecanismos preventivos (antioxi-


dantes sinerojstas):
• Ácido cítrico
• Ácido etilenodiaminotetracético (EDTA)
• Cisteína
• Glutation
• Metionina

230
Capítulo 5 - Manipulação

6.7.3. Uso adequado de antioxidantes:

A. Antioxidantes para Sistemas Aquosos:


• Ácido ascórbico
• Metabissulfito de sódio
• Tiossulfato de sódio
• Cloridrato de cisteína

B, Antioxidantes para Sistemas Oleosos:


• BHT
• BHA
• Alfa-tocoferol
• Ascorbil palmitato
• Propilgalato

6.7.4. Antioxidantes para Sistemas Aquosos:

A. Ácido Ascórbico: Pó cristalino branco ou ligeiramente amarelado,


inodoro. Escurece gradualmente quando exposto à luz. Razoavel-
mente estável no estado seco, mas oxida em solução.
Solubilidade: 1g/3ml de água, 1g/30ml de álcool.
Concentração antioxidante efetiva: 0,05 a 3,0%

B. Bissulfito de Sódio (NaHS03): Pó ou cristais brancos ou branco-


amarelados. Com odor característico de dióxido sulfúrico, sabor
desagradável, instável no ar, perdendo S02 e gradualmente oxidan-
do para sulfato.
Solubilidade: 1g/4ml de água, 1g/70ml de álcool
Concentrações efetivas: 0,1%

C. Metabissulfito de sódio (Na gSgOgl: Pó branco ou cristais incolores


com um odor sulfuroso, sabor ácído e salino. Oxida lentamente a
sulfato quando exposto ao ar e à umidade.
Concentrações efetivas: 0,02 a 1,0%

Nota: Os sutfitos são conhecidos por causar alerçia.

231
Capitulo 5 - Manipulação

D. Tiossulfato de sódio (Na?S?0j.5HzQ): Pó cristalino ou cristais inco-


lores grandes. E eflorescente no ar seco em temperaturas acima de
33°C e levemente deliquescente em ar úmido. Soluções aquosas são
neutras ou levemente alcalinas.
Solubilidade: 1g/0,5ml de água, insolúvel em álcool.
Concentração efetiva: 0,05%

6.7.5. Antioxidantes para Sistemas Oleosos:

A. Ascorbil Palmitato: Pó branco ou branco-amarelado com odor


característico.
Solubilidade: Muito levemente solúvel em água e em óleos
vegetais; solúvel em álcool.
Concentração efetiva: 0,01 a 0,2%

B. Butilhidroxianisol (BHA): Cera sólida branca ou branca-


amarelada, com fraco odor.
Solubilidade: Insolúvel em água, facilmente solúvel em álco-
ol e propilenoglicol.
Concentrações efetivas: 0,005 a 0,01%

C. Butilhidroxitoiueno (BHT): Sólido cristalino branco com um fraco


odor.
Solubilidade: Insolúvel em água e em propilenoglicol, facil-
mente solúvel em álcool.
Concentração efetiva: 0,03 a 0,1%

D. Propilqalato: Pó cristalino branco, com odor muito leve.


Solubilidade: Levemente solúvel em água e levemente solú-
vel em álcool.
Concentração efetiva: 0,005 a 0,15%.

E. Aifa-tocoferol (VIT.E): Óleo viscoso, claro, amarelo ou amarelo-


esverdeado. Praticamente inodoro, instável à luz e ao ar.
Solubilidade: Insolúvel em água, solúvel em álcool, miscível
com acetona e óleos vegetais.
Concentração efetiva: 0,05 a 2%

232
Capítulo 5 - Manipulação

6.8. Lubrificantes, Antiaderentes e Deslizantes


Promovem o escoamento de pós e granulados por redução da
fricção das partículas.
• Estearato de magnésio.
• Estearato de cálcio.
• Ácido esteárico.
• Talco (5%).
• Amidodemüho (5 a 10%)
• Sílica coloidal (Aerosil®).

6.9. Diluições

Alguns fármacos são muito potentes e são utilizados em pe-


quenas doses. Para maior segurança na pesagem destes fármacos
deve-se dilui-los de tal forma que a dosagem seja de fácil pesagem
e os riscos de sobredose sejam minimizados em caso de algum equí-
voco neste procedimento.

6.9.1. Relação dos Fármacos que devem ser diluídos

Tabela 24: Relação dos Fármacos que devem ser diluídos

IFÁRMACO DILUIÇÃO DILUENTES


(sugestões - opções)
Ácido Fólico 1:100 Lactose, Talco ou Amido
Alprazolam 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Bendroflumetiazida 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Betametazona 1:100 Lactose, Talco ou Amido
Biotina 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Biperideno 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Bromazepam 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Bumetamida 1:100 Lactose, Talco ou Amido
Buspirona 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Cetotifeno 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Clonazepam 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Clonidina 1:100 Lactose, Talco ou Amido
Cloxazolam 1:10 Lactose, Talco ou Amido

233
Capitulo 5 - Manipulação

Continuação Tabela 24

FARMACO DILUIÇAO DILUENTES


(sugestões - opções)
Cobamamida 1:10 Talco, Amido ou Manitol
(coenzima B12)
Dextrotiroxina 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Diazepam 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Dietilestilbestrol 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Digitoxina 1:100 Talco
Digoxina 1:100 Lactose, Talco ou Amido
Dihidroergocristina 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Ergotamina tartarato 1:100 Talco ou Amido
Estanozolol 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Estriol 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Etinil estradiol 1:100 Lactose, Talco ou Amido
Finasterida 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Fludrocortisona 1:100 Lactose ou Talco
Flufenazina 1:10 Talco ou Amido
Hidrocortisona 1:10 Lactose, Talco ou Amido
loimbina 1:10 Lactose, Talco ou Amido
L-deprenil 1:10 Talco ou Amido
Loperamida 1:10 Talco ou Amido
Loratadina 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Lorazepam 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Mazindol 1:100 Talco ou Amido
Meloxicam 1:100 Lactose, Talco ou Amido
Metil brometo de homa- 1:10 Lactose, Talco ou Amido
tropina
Metilprednisolona 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Metotrexato 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Norestiterona 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Oxandrolona 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Prednisolona 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Reserpina 1:100 Lactose, Talco ou Amido
Salbutamol 1:100 Lactose, Talco ou Amido
Simeticone 1:2 (50%) Hidróxido de aluminio +
Carbonato magnésio
T3 1:1000 Lactose, Talco ou Amido

234
Capitulo 5 - Manipulação

Continuaçõo Tabela 24

FARMACO DILUIÇAO DILUENTES


(sugestões - opções)
T4 1:1000 Lactose, Talco ou Amido
Tizanidina 1:10 Lactose, Talco ou Amido
Triac 1:100 Lactose, Talco ou Amido
Trifluoperazina 1:10 Talco ou Amido
Vit. B12 1:100 Lactose, Talco ou Amido
Vitamina K 1:100 Lactose, Talco ou Amido

Obs: Não constam nesta lista, matérías-primas diluídas "de fábrica" que no entanto, necessi-
tam de fatores de correçõo (ex: Betacaroteno 10%).

6.9.2. Técnicas de Diluição

Materiat Utilizado
Tamis
Gral(2)
Pistilo (2)
Papel manteiga
Saco plástico
Espátula de plástico
Frasco âmbar (para armazenamento de matéria-prima).

A. Diluicão Geométrica (1:100 OU 1%)

1g do fármaco + 99 g de diluente (excipiente)


Pesar 1g do fármaco, colocando-o em um gral de porcelana.
Pesar entre 0,1 a 0,5% de corante alimentício sólido ou vita-
mina B2, em relação ao peso total da diluição, adicionando-o ao
fármaco no gral.
Tritura-se o corante (com algumas gotas de água), misturan-
do-o posteriormente também ao fármaco a ser diluído.
Adicionar 1g do diluente no gral, misturá-lo bem com o fár-
maco e o corante.
Adicionar 2g do diluente no gral; misturar bem, observando a
homogeneização pelo corante.
Adicionar 4g do diluente no gral misturando bem e assim su-
cessivamente, 8g - 16g - 32g até completar as 100g da diluição.

235
Capitulo 5 - Manipulação

Efetuar a tamisação do "pó" com pistilo, pressionando o pó


contra o tamis em movimentos circulares e de "vai e vem" até o
esgotamento do pó sobre o tamis.
Transferir o pó depositado no suporte para um novo gral lim-
po e sanitizado.
Misturar o pó no gral com pistilo, revolvendo o pó no fundo e
laterais do gral, bem como no pistilo com a espátula de plástico.
Transferir o pó do gral para um saco plástico inerte, enchen-
do-o com ar (não soprar), agitando-o bem.
Analisar visualmente a homogeneização do pó, caso não te-
nha pontos brancos, a diluição estará completa, caso contrário vol-
tar ao passo 8 repetindo as operações seguintes.
Embalar e armazenar o produto em frasco de vidro âmbar
(adequado para armazenamento de matérias-primas, protegido do
calor, devidamente identificado com a especificação da diluição
realizada, bem como o fator de correção a ser aplicado).

B. Diluicão Geométrica (1:10 OU 10%)


Segue o mesmo procedimento anterior, com a diferença que
neste caso, considera-se 1g do fdrmaco + 9 g do diluente, descon-
tando-se a quantidade de corante utilizado do diluente.

C. DiLuicão Geométrica (1:500)


Segue o mesmo procedimento descrito anteriormente, com a
diferença que neste caso, considera-se 1% do fármaco + 499% d
diluente, descontando-se a quantidade de corante utilizado do dilu-
ente.

E. Diluição Geométrica (1:1000)


Segue o mesmo procedimento descrito anteriormente, com a
diferença que neste caso, considera-se 7g do fármaco + 999% do
diluente, descontando-se a quantidade de corante utilizado do diLu-
ente.

236
Capítulo 5 - Manipulação

6.9.3. Diluições Especiais

A, Diluição de Substância na Forma Oleosa

Óleo de Simeticone

1. Simeticone 100% DC*A Medical 1.000 G


(não hidrossolúvel)
2. Hidróxido de Alumínio 500 G
3. Carbonato de Magnésio 500 G
4. Aerosil q.s.

Procedimento
Passo 1: Misturar o Hidróxido de Alumínio e o Carbonato de Magné-
sio em um gral.
Passo 2: Adicionar o óleo de simeticone aos poucos, mexendo sem-
pre.
Passo 3: Passar por um tamis a mistura, acrescentando o Aerosil na
passagem.

N0TA: Os simetkones utilizados para formulações liquidas são simeticones 30% (DCX Medical
Emulsion, DCC 7-9245 Emulsion). Ambos são hidrossotúveis.

B. Diluição da Anfepramona HCl (Dietilpropiona)


-Tratamento Especial Fc = 1.13
A anfepramona HCl é uma substância de natureza muito hi-
groscópica, necessitando de um tratamento prévio à sua pesagem e
encapsulação, prevenindo assim futuros problemas com umidade
nas cápsulas. Portanto, devemos realizar a seguinte diluição:

ANFEPRAMONA HCl 100g


D.L. ACIDO TARTARICO 3g
AEROSIL 10g

Procedimento:
Passo 1: Pesar o DL-Ácido tartárico em um pedaço de papel mantei-
ga e verter para um gral de porcelana. Triturá-lo muito bem e re-
servar;
Passo 2: Tarar um saco plástico na balança, pesar o aerosil e logo
em seguida o cloridrato de anfepramona.
237
Capitulo 5 - Manipulação

Passo 3: Retirar o saco plástico da balança, encher de ar (não so-


prar), fechar e homogeneizar bem.
Passo 4: Transferir aos poucos esta mistura do saco plástico (aerosil
+ anfepramona) no gral de porcelana, onde está o DL ácido tartárico
e misturar muito bem com o pistilo.
Passo 5: Depois que todo o "pó" estiver no gral de porcelana e bem
misturado, efetuar a tamisação do "pó" com pistilo, pressionando o
pó contra o tamis em movimentos circulares e de "vai e vem" até o
esgotamento do pó sobre o tamis.
Passo 6: Transferir o pó depositado no suporte para o gral de porce-
lana.
Passo 7: Misturar o pó no gral com pistilo, revolvendo o pó aderido
no fundo e nas laterais do gral e no pistilo com a espátula de plásti-
co.
Passo 8: Transferir o pó do gral para o mesmo saco plástico (previa-
mente tarado), onde estava o aerosil e anfepramona para a pesa-
gem final.
Passo 9: Cada tratamento especial (diluição) feito com a anfepra-
mona HQ, deve seguir o relatório de diluição da anfepramona HCl,
conforme modelo em anexo.
Passo 10: Embalar a anfepramona diluída em frasco de vidro âmbar,
protegido do calor, devidamente identificado com indicação do fa-
tor de correção 1,13. A anfepramona diluída pode também ser ar-
mazenada em saco plástico escuro.

MODELO DO RELATÓRIO DE DILUIÇÃO DA ANFEPRAMONA HCI:


Anfepramona HCl g
D.L. Ácido Tartárico g
Aerosil g
Fornecedor:
Lote:
Validade:
Fabricação:
Peso final:
Assinatura do responsável pela diluição:
Assinatura do farmacêutico responsável:
Data:..../ /

238
Capitulo 5 - Manipulação

Processo de Manipulação - Líquidos e Semi-Sólidos


Neste laboratório são manipuladas as seguintes formas far-
macêuticas: Líquidas (soluções, xaropes, elixires, suspensões, emul-
sões, tinturas e extratos fluidos), Pastosas (pomadas, cremes, pas-
tas, ceratos, Unimentos, unguentos, loções e gêis), Sólidas (suposi-
tórios e óvulos).

7. Noções Básicas de Farmacotécnica

7.1. Farmacotécnica (Definição)


É a parte da ciência farmacêutica que trata da preparação
de medicamentos, ou seja, da transformação de drogas (matérias-
primas) em medicamentos; estuda o preparo, a purificação, as in-
compatibilidades físicas e químicas e a escolha da forma farmacêu-
tica (xarope, solução, suspensão, cápsula, etc) mais adequada à
finalidade pretendida.

7.2. Bibliografia Básica


• Farmacopéias: Brasileira, Européia, Americana e Britânica.
• Tecnologia Farmacêutica 3 volumes (Prista).
• Martindale.
• Manual de Terapêutica Dermatológica e Cosmetologia (Pris-
ta).
• Noções de Farmácia Galênica (A. Le Hir)
• Incompatibilidades Medicamentosas (Virgilio Lucas).
• Formulário Médico Farmacêutico (Virgílio Lucas).
• Farmacotécnica (Helou).
• Merck Index.
• The Art, & Science and Technology of Pharmaceutical Com-
pounding (Loyd Allen Jr.)

239
Capítulo 5 - Manipulação

7.3. Composição de uma Fórmula

Princípio(s) ativo(s): responsável pela ação farmacológica.


Coadjuvantes técnicos ou adjuvantes farmacotécnicos: substâncias
em geral inertes, cuja função é estabilizar a fórmula em nível quí-
mico, físico ou microbiológico.
Veículo (líquido) ou excipiente (sólido ou semi-sólido): parte da
fórmula na qual são misturados os princípios ativos.

7.4. Coadjuvantes Técnicos

7.4.1. Agentes Acidificantes:


Usados em preparações líquidas para acidificar o meio com o
objetivo de fornecer estabilidade ao produto.
Ex.: ácido acético, ácido cítrico, ácido fumárico, ácido clorídrico,
etc.

7.4.2. Agentes Alcalinizantes:


Usados em preparações líquidas para alcalinizar o meio com
o objetivo de fornecer estabilidade ao produto.
Ex.: hidróxido de sódio, hidróxido de potássio, solução de amônia,
dietanolamina, monoetanolamina, borato de sódio (bórax), trietano-
lamina, carbonato de amônio, etc.

7.4.3. Adsorvente:
Agente capaz de adsorver outras moléculas em sua superfície
por ação química ou física.
Ex.: carvão ativado e celulose pó.

7.4.4. Propelente (Aerosol):


Agente responsável pelo desenvolvimento de pressão em um
frasco aerosol, permitindo a expelição do produto quando a válvula
é acionada.
Ex.: dióxido de carbono (C02), diclorodifluorometano, diclorotetra-
fluoroetano e tricloromonofluorometano.

240
Capítulo 5 - Manipulação

7.4.5. Desincorporante de Ar:


Agente empregado para desincorporar ar em um recipiente
fechado ou formulação com o objetivo de aumentar a estabilidade
do produto.
Ex.: Nitrogênio (N2).

7.4.6. Conservantes Anti-Fúngicos:


São usados em preparações líquidas e semi-sólidas (cremes,
pomadas, etc) para prevenir o crescimento fúngico. A efetividade
dos parabenos é normalmente aumentada quando eles são utilizados
em combinação.
Ex.: ácido benzóico, butilparabeno, etilparabeno, metilparabeno
(nipagin), propilparabeno (nipazol) e propionato de sódio.

7.4.7. Conservante Antimicrobiano:


São usados em preparações líquidas e semi-sólidas para a
prevenção de microorganismos (bactérias).
Ex.: cloreto de benzalcônio, cloreto de benzetônio, álcool benzílico,
clorobutanol, fenol, nitrato fenilmercúrico, timerosol, etc.

7.4.8. Antioxidante:
Agente que inibe a oxidação, sendo utilizados para prevenir
a deterioração de preparações por processos oxidativos.
Ex.: ácido ascórbico, ascorbil palmitato, BHA (butil hidroxianisol),
BHT (butil hidroxitolueno), propitgalato, ascorbato de sódio, bissul-
fito de sódio e metabissulfito de sódio.

7.4.9. Agente Tampão:


Usado para fornecer à formulação, resistência contra mu-
danças de pH em casos de diluição ou adição de substância de cará-
ter ácido ou básico.
Ex.: citrato de sódio anidro e dihidratado, metafosfato de potássio,
fosfato de potássio, acetato de sódio monobásico, tampão citrato,
tampão borato, tampão fosfato.

7.4.10. Agente Quelante (Sequestrante):


Substância que forma complexo estável (quelato) com me-
tais. Os agentes quelantes são utilizados em algumas preparações
líquidas como estabilizantes para complexar metais pesados, os
quais podem promover instabilidade em formulações.
Ex.: EDTA dissódico, EDTA tetrassódico e ácido edético.
241
Capítulo 5 - Manipulação

7.4.11. Corantes:
Usados para dar cor às preparações farmacèuticas líquidas e
sólidas. Deve-se consultar a lista de corantes permitidos, bem co-
mo, a adequação de corantes alimentícios ou não. Sabe-se que al-
guns corantes alimentícios permitidos como o amarelo de tartrazina
e o vermelho, podem causar manifestações alérgicas e sintomas de
intolerância gastrointestinal em pacientes sensíveis, isto acontece
principalmente com a ingestão de cápsulas coloridas com algum
destes corantes, neste caso, usar cápsulas incolores ou brancas.

7.4.12. Agente Clarificante:


Usado como auxiliar na filtragem devido a suas propriedades
adsorventes.
Ex.: bentonita.

7.4.13. Agente Emulsificante:


Usado para promover ou manter a dispersão finamente sub-
dividida em partículas de um líquido em um veículo no qual ele é
imiscível. 0 produto final pode ser uma emulsão líquida ou emulsão
semi-sólida (ex.: creme).
Ex.: acácia, álcool cetílico, monoestearato de glicerila, monooleato
de sorbitan, etc.

7 . 4 . 1 4 . Agente de Revestimento:
Usado com o objetivo de formar uma fina camada com o
propósito de revestir a substância ou a formulação para adequar a
sua administração.
Ex.: gelatina e acetoftalato de celulose.

7.4.15. Flavorízantes:
Usados para fomecer sabor agradável e, também odor para
as preparações farmacêuticas.
Ex.: vanilina, mentol, óleo de laranja, óleo de canela, óleo de anis,
óleo de menta, cacau e etc.

7 . 4 . 1 6 . Umectantes:
Usados para prevenir o ressecamento de preparações, princi-
palmente, pomadas e cremes, através de sua propriedade de reter
água.
Ex.: glicerina, propilenoglicol e sorbitol.

242
Capitulo 5 - Manipulação

7.4.17. Agente Levigante:


Um líquido usado como agente facilitador na redução das
partículas de uma droga em pó com trituração concomitante com
pistilo em um gral. Ex.: glicerina e óleo mineral.

7.4.18. Base para Pomada:


Excipiente semi-sólido no qual princípios ativos podem ser
incorporados no preparo de pomadas farmacêuticas.
Ex.: lanolina, pomada hidrofílica, pomada de polietinoglicol (PEG),
vaselina e unigel.

7.4.19. Solvente:
Agente usado para dissolver outra substância farmacêutica
ou droga na preparação de uma solução. 0 solvente pode ser aquoso
ou não-aquoso como óleos. Co-solventes, tal como água e álcool
(hidroalcoólico) e água e glicerina, podem ser utilizados quando
necessário. Os solventes precisam ser estéreis quando utilizados em
preparações estéreis (ex.: colírios).

7.4.20. Agente de Consistência:


Usados para aumentar a consistência e a dureza de prepara-
ções farmacêuticas, como cremes e pomadas.
Ex.: álcool cetílico, parafina, álcool estearílico, cera branca e ama-
rela e ésteres cetilicos.

7.4.21. Base para Supositórios:


Usado como um excipiente para incorporação de substâncias
medicamentosas na preparação de supositórios.
Ex.: manteiga de cacau e polietilenoglicol (mistura).

7.4.22. Surfactantes (Agentes Tensioativos):


Substâncias que reduzem a tensão superficial. Podem ser u-
sadas como agentes molhantes, detergentes e emulsificantes.
Ex.: cloreto de benzalcônio, polisorbato 80 (Tween 80), lauril sulfa-
to de sódio e etc.

7.4.23. Agentes Suspensores:


Agente doador de viscosidade, utilizado para reduzir a velo-
cidade de sedimentação de partículas (drogas) dispersadas em um
veículo no qual elas não são solúveis. As suspensões podem ser for-
muladas para uso oral, oftálmico, tópico, parenteral ou outras vias
243
Capítulo 5 - Manipulação

de administração.
Ex.: ágar, bentonita, carbômero (carbopol), carboximeticelulose
sódica (CMC-Na), hidroxietilcelulose (natrosol), hidroxipropil celulo-
se, hidroxipropil metilcelulose, caolim, metilcelulose, goma adra-
ganta, veegum, etc.

7.4.24. Agente Edulcorante:


Usado para adoçar (edulcorar) uma preparação farmacêuti-
ca.
Ex.: aspartame, acesulfame, dextrose (glicose), glicerina, manitol,
sorbitol, sacarina sódica, ciclamato sódico, açúcar.

7.4.25. Agente Antiaderente (Lubrificante):


Agentes que previnem a aderência do produto nas punções
da máquina de comprimir durante a produção. Promove um desli-
zamento fácil da fórmula, otimizando o processo.
Ex.: Estearato de magnésio e lauril sulfato de sódio.

7.4.26. Agente Aglutinante:


Substâncias utilizadas para produzir adesão de partículas de
pó no processo de granulação.
Ex.: acácia, ácido algínico, carboximetilcelulose, etilcelulose, gela-
tina, solução de glicose, metilcelulose, povidona e amido pré-
gelatinizado.

7.4.27. Agentes de Tonicidade (Isotonizantes):


Usados para formar uma solução com características osmóti-
cas semelhantes aos fluidos fisiológicos. Formulações de uso oftál-
mico, parenteral (injetável) e fluidos de irrigação são exemplos de
preparações farmacêuticas nas quais a tonicidade deve ser conside-
rada.
Ex.: cloreto de sódio (NaCl) e dextrose.

7.4.28. Veículo:
É um agente transportador para uma substância farmacêuti-
ca. É utilizado em uma variedade de formulações líquidas para uso
oral, parenteral ou tópico.
Ex.: Veiculos flavorizantes/edulcorantes: xarope de cereja, xarope
de cacau, xarope simples e xarope de laranja; Veículos oleaginosos:
óleo de milho, óleo mineral, óleo de amendoim e óleo de gergelim;
Veiculos estéreis: solução fisiológica estéril (NaCl 0,9%) e água bi-
244
Capitulo 5 - Manipulação

destilada para injeções.

7.4.29. Agente de Viscosidade:


Usado para mudar a consistência de uma preparação, forne-
cendo maior resistência ao escoamento. Utilizados em suspensões
para deter a sedimentação, em soluções oftálmicas para aumentar o
tempo de contato da droga com o local de ação (ex.: metilceluose),
para tornar mais consistentes cremes, xampus, etc.
Ex.: ácido atgínico, bentonita, carbômero (carbopol), CMC-Na, me-
tilcelulose, povidona, alginato de sódio e goma adraganta.

7.4.30. Diluentes de Cápsulas e Comprimidos (Excipiente):


Substâncias "inertes" utilizadas como agente de enchimento
para criar um volume desejado, apresentando propriedades de fluxo
e compressão, características necessárias no processo de prepara-
ção de comprimidos e cápsulas.
Éx.: fosfato de cálcio dibásico, caolim, lactose, manitol, celulose
microcristalina, celulose pulverizada, carbonato de cálcio, sorbitol,
amido.

7.4.31. Agente "Coating":


Usado para revestir o comprimido com o propósito de prote-
gê-lo contra a decomposição pelo oxigênio atmosférico ou umidade,
para liberação controlada da droga, para mascarar sabor ou odor
desagradável da droga ou finalidades estéticas (aparência do com-
primido). 0 revestimento pode ser de vários tipos, incluindo o re-
vestimento com açúcar, o film coating, revestimento entérico.
Ex.: Revestimento com açúcar: glicose líquida e açúcar; Film coa-
r/ng: hidroxietilcetulose, hidroxipropilcelutose, hidroxipropit metil-
celulose, metilcelulose (metocei) e etilcelulose (etocel); Revesti-
mento entérico: acetoftalato de celulose, shellac e copolímero de
ácido metacrílico/metacrilato de metila (Eudragit® L 100).

7.4.32. Excipiente para Compressão Direta de Comprimidos:


Utilizados para compressão direta em formutações de com-
primidos.
Ex.: Fosfato de cálcio dibásico (Ditab®).

7.4.33. Desintegrante de Comprimidos:


Utilizado em forma sótida para promover a ruptura da massa
sólida que contêm no seu interior particulas menores as quais são
245
Capitulo 5 - Manipulação

rapidamente dispersadas ou dissolvidas.


Ex.: ácido algínico, celulose microcristalina (Avicel®), alginato sódi-
co, amido, glicolato sódico de amido e carboximetilcelulose cálcica.

7.4.34. Agente Opacificante:


Usado para tornar o revestimento de comprimidos opacos.
Pode ser utilizado sozinho ou em combinação com um corante.
Ex.: dióxido de titânio.

7.4.35. Agente de Polimento:


Usado para tornar atrativo (dar brilho) os comprimidos reves-
tidos.
Ex.: cera de carnaúba e cera branca.

7.4.36. Agentes de Levigação

A. Levigação
É o processo de redução do tamanho de partículas sólidas por
trituração em um gral ou espatulação, utilizando uma pequena
quantidade de um líquido ou de uma base fundida na qual o sólido
não é solúvel.

246
Capitulo 5 - Manipulação

Tabela 25. Agentes de Levigação

Agente Densidade Miscibilidade Usos


levigante
Oleo mineral 0,88 miscível em óleos bases oleo-
(vaselina fixos (exceto óleo de sas
líquida) rícino) base de ab-
imiscível com água, sorção
álcool, glicerina, emulsões
propilenoglicol, PEG água/óleo
400 e óleo de rícino
Glicerina 1,26 miscível com água, emulsões
álcool, propilenogli- bases
col e PEG 400 óleo /água
imiscível com óleo bases solú-
mineral e óleos fixos veis em água
e ictiol
Propilenogli- 1,04 miscível com água, emulsões
col álcool, glicerina e base
PEG 400 óleo/água
imiscível com óleo bases solú-
mineral e óleos fixos veis
em água
PEG 400 1,13 miscível em água, emulsões
álcool, glicerina e base
propilenoglicol óleo/água
imiscível com óleo bases
mineral e óleos fixos solúveis
em água

247
Capítulo 5 - Manipulação

Continuaqão Tabeia 25

Agente Densidade Miscibilidade Usos


levigante
Oleo de 0,92 miscivel com óleo o óleo de al-
algodão mineral e outros ó- godão ou al-
leos fixos incluindo o gum outro
óleo de rícino óleo vegetal
imiscível com água, pode ser usa-
álcool, glicerina, do como subs-
propilenoglicol e PEG tituto para o
400 óleo mineral
quando um
óleo vegetal é
preferido ou
quando o só-
lido pode ser
incorporado
mais facil-
mente nestes
óleos.
Óleo de ríci- 0,96 miscível com áicool e ictiol ou bál-
no outros óleos fixos. samo do Peru,
Imiscível com água, mesmos usos
glicerina, propileno- descritos para
glicol, PEG 400 e óleo o óleo de al-
mineral godão.
Polisorbato 1,06 a 1,09 miscível com água, Coaltar
80 álcool, glicerina, Circunstâncias
(Tween 80) propilenoglicol, PEG em que um
400, óleo mineral e surfactante é
óleos fixos. desejado,
pode ser
incompatível
com algumas
emulsões á-
gua / óleo
Capitulo 5 - Manipulação

7.5. Antioxidantes

7.5.1. Antioxidantes para Sistemas Aquosos:

A. Ácido Ascórbico: Pó cristalino branco ou ligeiramente amarela-


do. Inodoro. Escurece gradualmente quando exposto à luz. Razoa-
velmente estável no estado seco, mas oxida em solução.
Solubilidade: 1g/3ml de água, 1g/30ml de álcool.
Concentração antioxidante efetiva: 0,05 a 3,0%

B. Bissulfito de Sódio (NaHS03): Pó ou cristais brancos ou branco


amarelados. Com odor característico de dióxido sulfúrico. Sabor
desagradável. Instável no ar, perdendo S02 e gradualmente oxidan-
do para sulfato.
Solubilidade: 1g/4ml de água, 1g/70ml de álcool
Concentrações efetivas: 0,1%

C. Metabissulfito de sódio (Na?S?05): Pó branco ou cristais incolores


com um odor sulfuroso. Sabor ácido e salino. Oxida lentamente a
sulfato quando exposto ao ar e à umidade.
Concentrações efetivas: 0,02 a 1,0%
Nota: Os sulfitos sõo conhecidos por causar alergia.

D. Tiossulfato de Sódio (NayS^Oj.SHgO): Pó cristalino ou cristais inco-


lores grandes. É eflorescente no ar seco em temperaturas acima de
33°C e levemente deliquescente em ar úmido. Soluções aquosas são
neutras ou levemente alcalinas.
Solubilidade: 1g/0,5ml de água, insolúvel em álcool.
Concentração efetiva: 0,05%

7.5.2. Antioxidantes para Sistemas Oleosos:

A. Ascorbil Palmitato: Pó branco ou branco-amarelado com odor


característico.
Solubilidade: Muito levemente solúvel em água e em óleos vegetais;
solúvel em álcool.
Concentração efetiva: 0,01 a 0,2%

249
Capitulo 5 - Manipulação

B. Butilhidroxianisol (BHA): Cera sólida branca ou branca amarela-


da. Com fraco odor.
Solubilidade: Insolúvel em água; facilmente solúvel em álcool e pro-
pilenoglicol.
Concentrações efetivas: 0,005 a 0,01%

C. Butilhidroxitolueno(BHT): Sólido cristalino branco com um fraco


odor.
Solubilidade: Insolúvel em água e em propilenoglicol e facilmente
solúvel em álcool.
Concentração efetiva: 0,03 a 0,1%

D. Propil Galato: Pó cristalino branco, com odor muito leve.


Solubilidade: Levemente solúvel em água; levemente solúvel em
álcool.
Concentração efetiva: 0,005 a 0,15%.
E. Alfa-Tocoferol (VIT.E): Óleo viscoso, claro, amarelo ou amarelo
esverdeado. Praticamente inodoro. Instável à luz e ao ar.
Solubilidade: Insolúvel em água, solúvel em álcool, miscivel com
acetona e óleos vegetais.
Concentração efetiva: 0,05 a 2%

7.5.3. Sistemas Antioxidantes para algumas formulações

Hidroquinona BHT/ metabissulfito de sódio (10% da


quantidade de hidroquinona) ou bissul-
fito de sódio
EDTA/metabissulfito de sódio ou bissul-
fito de sódio
Hidroquinona vitamina C + EDTA Na2
associada ao
Ácido Glicólico
Acido Retinóico BHT
Nitrato de miconazol BHA
Cetoconazol creme EDTA/metabissulfito de sódio
Sulfadiazina de prata BHT
Resorcina Metabissulfito de sódio ou bissulfito de
sódio
Oleos fixos BHT ou BHA

250
Capitulo 5 - Manipulação

7.6. Agentes Quelantes

7.6.1. EDTA-Disssódico:
• Pó cristalino, branco.
• Solubilidade: Solúvel em água.
• Concentracão efetiva: 0,1%

7.7. Agentes Acidificantes, Alcalinizantes e Tampões:

7.7.1. Agentes utilizados para ajustar pH ou para tamponar


• Ácido acético glacial
• Ácido bórico
• Ácido citrico
• Ácido clorídrico
• Ácido clorídrico diluído
• Ácido láctico
• Acetato de sódio
• Bicarbonato de sódio
• Carbonato de sódio
• Citrato de sódio e potássio
• Hidróxido de sódio e potássio
• Fosfato sódico dibásico
• Fosfato de potássio
• Fosfato monobásico de sódio
• Trietanolamina

7.8. pH e Tampões

7.8.1. pH
Entende-se por pH a concentração de ions hidrogênio (H*) e-
xistentes num meio. Dependendo da quantidade de hidrogênio em
relação a hidroxila (OH) têm-se um produto ácido, básico ou neu-
tro.

A. Ácido: Prevalece no meio o íon hidrogênio (H*) pH ácido, valores


inferior a 7. Ex.: gel com ácido glicólico.

251
Capitulo 5 - Manipulação

B. Básico: Prevalece no meio o íon hidroxila (OH ) pH básico, valores


superiores a 7. Ex.: Alisante de cabelo.

C. Neutro: As quantidades de íons hidroxila e hidrogênio são iguais,


pH neutro, valores iguais a 7.

7.8.2. Acerto do pH nas Formulações Magistrais


É necessário na prática diária em farmácia magistral, acertar
o pH de formulações o que significa elevar, abaixar ou neutralizar o
pH de um produto de acordo com as necessidades da formulação.
Para abaixar o pH do meio deve-se proceder a neutralização
de parte da hidroxila até o valor desejado, para isto, utiliza-se áci-
do.
Para aumentar o pH do meio deve-se proceder à neutraliza-
ção de parte do "hidrogênio" até o valor desejado, para isto, utili-
za-se uma base.

Tabela 26: pH em várias regiões do Corpo Humano

Tornozelos 5.9 Axilas 6.5


Pés 7.2 Tronco 4.7
Coxas 6.1 Pregas mamas 6.0
Seios 6.2 Perna e tornozelo 4.5
Cabelo 4.1 Pregas interdigitais 7.0
Rosto 7.0 Saco conjuntival 7.3 a 8.0
Vagina 3.5 a 4.5 Mãos 4.5
Costas 4.8 Nádegas 6.4

7.8.3. Tampões
Muitas vezes existe a necessidade de manter o pH de uma
formulação em valores inalteráveis durante o período de armaze-
namento, não apenas satisfazendo um simples ajuste do mesmo a
um valor desejado. Nestes casos, usa-se acrescentar uma solução
tampào que tem um valor de pH definido e que consiste numa mis-
tura de um ácido fraco com o seu sal.
Os valores de pH do tampão são alterados, a medida em que
variam as quantidades de ácido e base na solução.
A quantidade adicionada numa preparação farmacêutica,
252
Capitulo 5 - Manipulação

pode ir de 1% até o uso do tampão puro.


Quando o tampão a ser acrescentado tiver um valor de pH
muito distante do valor em que se encontra a preparação farmacêu-
tica, o melhor a fazer é acertar o pH e depois acrescentar o tam-
pão. Se o valor do pH da preparação estiver próximo ao do tampão
que será acrescido, basta acrescentar quantidade suficiente do tam-
pão.

Tabela 27: Tampão Citrato

PH Acido cítrico Citrato de sódio


monohidratado g/l dihidratado g/i
2,5 64,4 7,8
3,0 57,4 17,6
4,0 40,6 41,2
4,5 30,8 54,9
5,0 19,6 70,6
6,0 4,2 92,1
6,5 1,8 95,6

Tabela 28: Tampão Fosfato

PH Fosfato de Sódio Fosfato ácido de sódio


Dibásico g/1 g/l
Na2HP04 NaH2P04
4,5 0,9 45,5
5,0 2,2 44,8
5,5 4,4 43,7
6,0 17,8 36,8
6,5 37,4 26,7
7,0 57,8 7,4
8,0 83,7 2,8
8,5 87,2 0,9

253
Capítulo 5 - Manipulação

7.8.4. Importância do ajuste de pH


Influência na dissolução de substância medicamentosa na
concentração pretendida.
Importante na manutenção da estabilidade, tanto química
como farmacodinâmica de preparações farmacêuticas.
Redução e prevenção do desencadeamento de fenômenos ir-
ritativos provocados por certos fármacos (preparações tópicas)
Garantia da obtenção de um efeito terapêutico adequado.

254
Capítulo 5 - Manipulação

8. Conservantes empregados em Preparações Orais Lí-


quidas
Tabela 29: Conservantes em Preparações Orais Líquidas
Conservante Concentração Espetro PH Solubilidade Incompati-
usual antimicro- estabi- bilidade
biano lidade
Álcool etílico 15 a20% Bactérias e Acido Miscível com Agentes
fungos água, não iônicos,
acetona e gomas,
glicerina cloretos e
permanga-
nato
Acido ben- 0,1 a0,2% Bactérias 2,0 a Agua, etanol Caolim,
zóico e seus Gram positi- 5,0 proteínas,
sais (benzoa- vas, bolores glicerina,
to de sódio) e leveduras tensoativos
não iònicos
(Tween 80),
compostos
quaterná-
rios e geta-
tina
Ácido sórbico 0,05 a0,2% Bolores e 2,5 a Agua, Tensoativos
leveduras 6,0 etanol, não iônicos
propileno- (Tween80)
glicol,
glicerina,
óleos
Sorbato de 0,1 a 0,2% Fungos e 2,5 a Agua, eta- Tensioati-
Potássio bactérias 6,0 nol, propile- vos não
noglicol iônicos
Metilparabe- 0,015 a 0,2% Bactérias 3,0 a Etanot, Tensioati-
no (Nipa- Gram positi- 9,5 propileno- vos não
gin®) vas, bolores glicol, gli- iônicos
e leveduras cerina, (tween 80),
água tépida metilcelu-
lose, geta-
tina e pro-
teínas, sais
de ferro e
álcatis.
Propilpara- 0,01 a0,2% Idem ao Idem Idem ao Idem ao
beno (Nipa- metil para- ao metilpara- metilpara-
zol®) beno metil beno beno
para-
bono
Fo/ite: Adaptado de Castro e Handbook of Pharmaceutical Excipients

255
Capitulo 5 - Manipulação

8 . 1 . Prinicipais Conservantes para Produtos de Uso Ex-


terno

Tabela 30: Conservantes para produtos de uso externo

Denominação Denomi- Espectro de pHde Incompati- Concen-


quimica nação ação estabili- bilidades tração
comercial dade Usual
Ácido sórbico Acido Fungos, leve- 2,5 a 6,0 Tween 80 0,05 a
sórbico duras, pouca 0,2%
atividade
microbiana
2-bromo-2- Bronopol Gram +, 5a7 Cisteina, 0,01 a
nitropropano- Gram - (mais tioglicola- 0,1%
1,3 diol ativo) to, tiosul-
Fungos fato e
(menos ativo) metabissul-
fito
Bisguanida Clorexidi- Gram+, 5 a8 Tensioati- 0,01%
catiônica na Gram- vos aniôni-
Pseudomonas cos, algina-
(menos ativo) tos de
Fungos (me- sódio, pode
nos ativo) ser parci-
almente
inativado
por lecitina
e tween 80
Imidazolidinil Germall Gram+ 3 a 9.0 Avobenzo- 0,03 a
uréia 115 Gram- na 0,5%
Metilparabeno Nipagin Fungos e 3 a 9,5 Gelatina, 0,02 a
Leveduras proteína, 0,3%
metilcelu-
lose,
Tween 80
Propilparabeno Nipazol Fungos e 3 a 9,5 Gelatina, 0,01 a
leveduras proteina, 0,6%
metilcelu-
lose,
Tween 80

256
Capitulo 5 - Manipulação

9. Corantes para Preparações de uso Interno


Os corantes a serem adicionados em produtos farmacêuticos
de uso sistêmico devem ser atóxicos e inativos farmacologicamente.
Eles não devem ser empregados para mascarar produtos de baixa
qualidade. Só deve ser utilizado corantes certificados para adminis-
tração em alimentos, drogas e cosméticos (FD&C - Food, Drug and
Cosmetics administration).

Tabela 31: Estabilidade de corantes certificados FD&C para vários


fatores os quais podem influenciar suas colorações em prepara-
ções farmacêuticas:

Corantes FD&C Acido Alcali Luz Agentes Agentes Valor


(hidrossolúveis) redutores oxidantes pH*
FDC azul #1 moderada Moderada Boa Boa Pobre 4.9 a
(azul brilhante) 5,6
FOC azul #3 Boa Moderada Pobre Moderada Pobre 8,5
(indigo carmim)
FDC verde #3 Boa Pobre Boa Boa Pobre 4,2a
5,8
FDC vermelho #3 Pobre Boa Razoável Moderada Razoável 7.7
(eritrosina)
FDC vermelho #4 Pobre Boa Razoável Moderada Razoável 6,4
(Ponceau SX)
FDC amarelo # 5 " Boa Boa Boa Pobre Razoável 6,8
(tartrazina)
FDC amarelo ;;6 Boa Boa Boa Pobre Razoável 6,6
FDC vermelho #40 Boa Boa Boa Pobre Moderada 7,3

'valor de pH de uma solução a 1% do corante.


" 0 amarelo de tartrazina está retacionado com manifestações do tipo alérgicas em pessoas
sensiveis (incluindo pacientes com bronquite asmática). Apresenta reacão cruzada em paci-
entes sensíveis ao ácido acetilsalicílico.
Fonte: KINC R. E.

9.1. Corantes naturais:


Amarelo: curcuma e vitamina B2.
Vermelho: carmim, colchonilha.
Verde: clorofila.
Alaranjado: betacaroteno.

257
Capítulo 5 - Manipulação

9 . 2 . Diluição de Corantes

9 . 2 . 1 . Solução Base para Diluição de Corantes


Corante 0,1 a 10% (concentração variável)
Propilenoglicol 3,0%
Metilparabeno 0,15%
Propilparabeno 0,05%
Álcool etílico 10,0%
Água desmineralizada qsp 100,0 ml
A quantidade de corante utilizada em uma formulação oral pode
variar de 0,0005 a 0,005% de corante.
Nota: Os corantes, se necessário, podem ser diiuídos exclusivamente em álcool.

9.3. Corantes e Pigmentos de uso externo

9.3.1. Conceito:
São substâncias que desenvolvem seu poder tintorial dissol-
vidas no meio em que são utilizadas.

9 . 3 . 2 . Alguns Corantes Permitidos para Uso Externo

Tabela 32: Corantes para uso Externo

Color Index Cor Campo de Aplicação*


10006 Verde 4
11920 Laranja 1
75470 Vermelho 1
13015 Amarelo 1
15510 Laranja 2
15800 Vermelho 3
42051 Azul 1
42080 Azul 4
42520 Violeta 4
61565 Verde 1
72260 Verde 3

* Campo de aplicacão
1 - corantes permitidos para todos os tipos de pele
2 - corantes permitidos para todos os tipos de produtos "exceto"
258
Capitulo 5 - Manipulação

àqueles que são aplicados na área dos olhos


3 - Corantes permitidos exclusivamente em produtos que não en-
tram em contato com mucosas.
4 - corantes permitidos em produtos que tenham breve tempo de
contato com a pele e o cabelo

9.3.3. Pigmentos:
São substâncias insolúveis que desenvolvem seu poder tinto-
rial quando dispersas no meio em que são utilizadas.

Nota: "Antes de utilizar um corante em uma formulaçõo, observar a lista permitida de co-
rontes e sua aplicação (para uso externo ou uso interno)."

10. Essências

10.1. Concentrações Tradicionais de Uso


Antiperspirante 0,5 a 1%
Sabonete comum 1,0 a 1,5%
Sabonete transparente 1,5 a 3,0%
Sabonete líquido 1,0 a 1,5%
Talco 0,5 a 1,0%
Espuma de banho 1,0 a 3,0%
Creme de barbear 1%
Baton 0,5a 1%
Shampoo 0,2 a 0,5%
Cremes 0,2 a 0,5%
Loções 0,2 a 0,5%
Condicionadores 0,2 a 0,5%
Bronzeadores 0,2 a 0,5%

259
Capítulo 5 - Manipulação

11. Solventes mais utilizados em Farmacotécnica


de Preparações Orais
0 conhecimento dos principais solventes utilizados na farma-
cotécnica é importante, pois sua utilização na pré-solubilização dos
princípios ativos é fundamental para garantir a homogeneização e a
aparência final da formulação.

1 1 . 1 . Água
A água é o solvente mais utilizado na farmacotécnica, fazen-
do parte da composição de várias preparações. A água deve satisfa-
zer as exigências legais em relação às suas caracteristicas físicas,
químicas e microbiológicas (Portaria 36 - Ministério da Saúde).
A água potável é utilizada como matéria-prima para obten-
ção de água purificada. A água potável deverá apresentar as seguin-
tes especificações conforme a Portaria 36 do Ministério da Saúde.

Tabela 33: Parâmetros para Água Potável


(conforme Portaria 36 do Ministério da Saúde)
Parâmetro Portaria 36 Ministério da Saúde
Sabor / odor Não objetável
Cor aparente (mg Pt/L e UH) 5
Turbidez (UT) 1
Cloretos (mg C17L) 250
Nitratos (mg N/L) 10
Ferro solúvel (mg Fe/L) 0,3
Manganês (mg Mn/L) 0,1
Sólidos dissoluídos (mg/L) 1000
Dureza (mg CaC03/L) 500
Sulfatos (mg S04 "7L) 400
Cloro residual (mg Cl2/L) >0,2
Coliformes Totais (UFC/100mL) Ausência
Coliformes Fecais (UFC/100mL) Ausência
Bactérias heterotróficas < a 100UFC/ml

A água purificada é obtida por diferentes processos, tais co-


mo, a destilação, a deionização (troca iônica) ou a osmose reversa.
Pode ser empregada na preparação de formas farmacêuticas não
estéreis, para preparações estéreis deve ser empregada a água puri-
ficada estéril.
260
Capítulo 5 - Manipulação

11.1.1. Processos de Purificação da Água Potável


(para emprego em Preparações Farmacêuticas)

A. Água Destüada: é a água que passou por um processo de destila-


ção, envolvendo mudanças do estado físico da água; do estado lí-
quido para vapor e após deste, a condensação para o estado líquido
novamente. 0 equipamento utilizado é o destilador. 0 método é
eficiente na remoção de contaminantes biológicos (microorganis-
mos), porém não há remoção de íons sólidos dissolvidos.

B. Água Deionizada: água obtida através de resinas iônicas, são reti-


rados os íons, mas não é eliminada a matéria orgânica. Quando
comparada à qualidade microbiológica entre a água deionizada e a
destilada, verifica-se que a água destilada possui uma qualidade
melhor. Sabe-se que a água deionizada se contamina facilmente
após o seu preparo, não devendo ser armazenada. 0 equipamento
utitizado para obtenção da água deionizada é o deionizador, com-
posto por resinas catiônicas e aniônicas. Os deionizadores que em-
pregam as resinas catiônicas e aniônicas em cartuchos separados
podem ser regenerados. Neste caso, as resinas catiônicas podem ser
regeneradas com ácido clorídrico ou sulfúrico (2 a 4%). As resinas
aniônicas são regeneradas com a solucão de hidróxido de sódio de 2
a 10%.
A eficiência do processo é avaliada pela capacidade de reti-
rar ions da água, envidenciada através da medida da condutividade.
Nota: A ásua purificada (destilada, deionizada ou purificada por osmose-reversa) para fins
farmacêuticos, deve apresentar contasem de microorsanismos aeróbicos totais < 100
UFC/mL A condutividade recomendada para uma cjgua purificada è que seja < 1,3 nS/cm a
25°C.

C. Água purificada por osmose reversa: água de alta pureza química


e microbiológica. A água é pressionada para passar por uma mem-
brana semi-permeável 0 processo remove com eficiência, material
particulado, microorganismos, materiais orgânicos, material inorgâ-
nico dissolvido e material insolúvel.

D. Água purificada estéril: é a água purificada esterilizada, confor-


me sua aplicação deve atender a determinadas especificações far-
macopeicas: água purificada estéril, água estéril para injeção, água
estéril para inalação e água estéril para irrigação.

261
Capítulo 5 - Manipulação

11.2. Álcool Etílico (etanol)

Segundo solvente mais utilizado, diminui a possibilidade de


hidrólise, tem conservação indefinida e pode ser misturado com
água. É usado em soluções hidroalcoólicas extrativas de princípios
ativos (de 45 a 90%), em soluções anti-sépticas (ex.: álcool iodado)
e em soluções desinfetantes (70%). Constitui um bom solvente para
essências, alcalóides e glicosídeos, sendo porém, fraco para gomas
e proteínas. Soluções tópicas de etanol são usadas como facilitado-
ras da penetração cutânea.

uso CONCENTRAÇAO USUAL %


Preservativo antimicrobiano > 10
Desinfetante 60 a 90
Solvente extrativo em produtos galê- Até 85
nicos
Solvente em preparações líquidas de variável
uso oral
Solvente em soluções injetáveis variável
Solvente em produtos tópicos 60 a 90
Sotvente em film coating variável

Incompatibilidades:
Em condições ácidas, soluções etanólicas podem reagir vio-
lentamente com substâncias oxidantes.
Misturas com álcalis (bases) podem escurecer, devido a rea-
ções com quantidades residuais de aldeidos.
Substâncias orgânicas e gomas podem precípitar.

1 1 . 3 . Glicerina

A glicerina é utilizada em uma grande variedade de formula-


ções farmacêuticas, incluindo as preparações de uso oral, ótico (au-
ricular), oftálmico, tópico e parenteral. É também utilizada em
cosméticos.
Em formulações tópicas e cosméticas, a glicerina é utilizada
por suas propriedades umectantes e emolientes. Em formulações
parenterais (injetáveis) é principalmente utilizada como solvente.
Em formulações de uso oral a glicerina é utilizada como agente e-
262
Capítulo 5 - Manipulação

dulcorante, antimicrobiano e doador de viscosidade.

uso CONCENTRAÇAO USUAL %


Conservante (antimicrobiano) >20
Emoliente Até máx. 30
Umectante Até máx. 30
Formulações oftálmicas 0,5 a 3,0
Solvente para preparações Até máx. 50
parenterais
Agente edulcorante em preparações Até max. 20
orais

Incompatibilidades:
A glicerina pode explodir se misturada com agentes oxidan-
tes fortes, tais como, o trióxido de cromo, clorato de potássio ou
permanganato de potássio.
Pode ocorrer escurecimento na presença de luz, contato com
óxido de zinco ou nitrato básico de bismuto.
Contaminantes de ferro na glicerina são responsáveis pelo
escurecimento de misturas contendo fenóis, salicilatos e taninos.

11.4. Propilenoglicol

0 propilenoglicol tem sido amplamente utilizado como sol-


vente, extrator e conservante em uma grande variedade de formu-
lações farmacêuticas de uso parenteral ou não-parenteral. Ele é
melhor solvente que a glicerina e dissolvem uma variedade de subs-
tâncias, tais como, corticóides, fenóis, derivados de sulfa, barbitu-
ratos, vitamina A e D, a maioria dos alcalóides e vários anestésicos
locais. É utilizado como doador de viscosidade e para aumentar o
tempo de permanência da droga na superfície cutânea.
Apresenta ação antisséptica similar ao etanol, porém um
pouco menos efetiva. O propilenoglicol é também utilizado em cos-
méticos como umectante, como veiculo de emulsificantes e flavori-
zantes.

263
Capitulo 5 - Manipulação

uso FORMA CONCENTRAÇAO


FARMACEUTICA USUAL %
Umectante tópica = 15
Conservante soluções, semi-sólidos 15 a 30
Solvente ou co- aerosol 10 a 30
solvente soluções orais 10 a 25
parenterais 10 a 60
tópicos 5 a 80

Incompatibilidades:
O propilenoglicol é incompatível com reagentes oxidantes,
tais como o permanganato de potássio.

11.5. Polietilenoglicol 400 (CARBOWAX 400)®:


Os polietilenoglicóis são amplamente utilizados em uma vari-
edade de formulações farmacêuticas, incluindo: parenterais, tópi-
cas, oftálmicas, orais e retais. Os polietilenoglicóis são estáveis, de
característica hidrofílica e essencialmente náo irritantes à pele.
Embora eles não penetrem rapidamente na pele, os polietilenogli-
cóis são solúveis em água e, como tais, são removidos facilmente da
pele com lavagem.
Em soluções aquosas pode ser usado como agente suspensor
ou para ajustar a viscosidade e a consistência de suspensões. Quan-
do utilizado em conjunto com outros emulsificantes, pode atuar
como estabilizantes de emulsões.
Os polietilenoglicóis podem ser usados para aumentar a solu-
bilidade ou a dissolução em água de substâncias pouco solúveis.
Incompatibilidades:
Pode ser incompatível com alguns corantes.
A atividade antibacteriana de certos antibióticos, particu-
larmente a penicilina e a bacitracina é reduzida em bases com poli-
etilenoglicóis.
A eficácia conservante dos parabenos pode ser reduzida a-
través de ligações com polietilenoglicóis.
Descolorações de ditranol (antralina) e sulfonamidas podem
ocorrer e o sorbitol pode precipitar de misturas.

264
Capitulo 5 - Manipulação

11.6. Éter Sulfúrico

0 éter sulfúrico é um líquido limpido, incolor, de cheiro ca-


racterístico, inflamável, muito volátil, produzindo na pele conside-
rável resfriamento. É solúvel com o álcool, óleos e essências; dissol-
vegorduras, resinas, enxofre, etc.
É utilizado em soluções extrativas de drogas vegetais e ani-
mais.
[ncompatibilidades:
Ácido sulfúrico: formação lenta de ácido sulfovínico ou sulfa-
tode óxido de etila, com novas propriedades.
Ácido crômico, permanganatos solúveis: forte oxidação po-
dendo resultar em mistura explosiva.
Sais em geral: os sais em geral são insolúveis no éter.
Água e líquidos aquosos: não se misturam com o éter senão
em minima proporção.
Oxidantes em geral: as substâncias oxidantes em geral rea-
gem com o éter sulfúrico, transformando-o em peróxidos de etila e
de hidrogênio, embora o façam lentamente.
Giicerina: não miscível (incompatibilidade física).
Albumina e gelatina: são insolúveis no éter (incompatibilida-
defísica).
Álcalis e carbonatos alcalinos: insolúveis neste veículo.

11.7. Óleo Mineral (Vaselina Liquida):

0 óleo mineral é utilizado principalmente como excipiente


em formulações tópicas, onde exerce ação emoliente. É utilizado
também como solvente.

uso CONCENTRAÇÃO USUAL %


Pomadas oftálmicas 3,0 a 60,0
Preparações óticas 0,5 a 3,0
Emulsões tópicas 1,0 a 32,0
Loções tópicas 1,0 a 20,0
Pomadas tópicas 0,1 a95,0

265
Capitulo 5 - Manipulação

Incompatibilidades:
Incompatível com agentes oxidantes fortes.

11.8. Óleos Vegetais:

Têm grande aplicação em preparações injetáveis oleosas, co-


lírios oleosos (ex.: colírio com miconazol, progesterona em óleo de
amendoim) e como solventes.

11.9. Dimetilsulfóxido (DMSO):


0 DMSO passa rapidamente pelo estrato córneo da pele, de-
vido a esta propriedade, tem sido utilizado em preparações comer-
ciais como otimizador de penetração cutânea. É empregado com
esta finalidade em uma variedade de produtos contendo água, co-
rantes, barbituratos, antifúngicos (griseofulvina, ftuconazol, etc),
fenilbutazona, minoxidil, ácido salicílico, anestésicos locais, antibi-
óticos, quaternários de amônio, etc.

11.10. Acetona (2-propanona):

É utilizado com solvente e adjuvante farmacêutico. A aceto-


na é miscível com água, álcool, clorofórmio, éter, a maioria das
substàncias voláteis e óleos fixos. A acetona é utilizada como sol-
vente na farmacotécnica (exemplo: micronização do peróxido de
benzoíla) e desengordurante em soluções nas concentrações de 2 a
50%. A Acetona é inflamável. A inalação excessiva pode causar cefa-
léia, irritação brônquica e outros sintomas, tais como, a narcose. 0
uso tópico pode produzir ressecamento da pele.

266
Capítulo 5 - Manipulação

Manipulação de Formas Farmacêuticas Üquidas e


Semi-sólidas

12. Soluções (definição):

Soluções são preparações líquidas que contêm uma ou mais


"substâncias quimicas dissolvidas", ou seja, molecularmente disper-
sada em um solvente adequado ou em uma mistura miscível de sol-
ventes. USP 23

12.1. Soluções Orais


São soluções para a administração oral.

12.1.1. Características:
Podem conter um ou mais ingredientes ativos dissolvidos em
água ou em um sistema água-cosolvente.
Podem conter adjuvantes farmacotécnicos, para prover mai-
or estabilidade (ex.: antioxidante, tampões, agentes sequestrantes
e conservantes), palatabilidade (ex.: edulcorante e aromatizantes)
e viscosidade.

12.1.2. Tipos de soluções orais:


• Xaropes
• Elixires
• Linctus
• Misturas (soluções orais + suspensões)
• Gotas orais

12.1.3. Vantagens das soluções orais:


Os princípios ativos veiculados nesta forma são mais rapida-
mente absorvidos pelo trato gastrointestinal do que os mesmos
quando veiculados em cápsulas ou comprimidos.
São de mais fácil deglutição que é uma condição importante
para pacientes pediátricos ou geriátricos ou ainda, para aqueles
com condições crônicas, tais como, a doença de Parkinson, que difi-
culta a deglutição de formas farmacêuticas sólidas.
Homogeneidade na dosificação, independente da agitação
267
Capitulo 5 - Manipulação

quando comparada à forma de suspensão.


Possibilidade de adição de co-solventes para princípios ativos
pouco solúveis no veículo principal.

12.1.4. Desvantagens das soluções orais:


Para o paciente, as formas farmacêuticas líquidas são mais
difíceis de transportar do que as formas sólidas.
Apresentam menor estabilidade físico-química e microbioló-
gica, do que as formas sólidas (ex.: são mais vulneráveis a reações
de hidrólise).
A solubilização realça o sabor dos fármacos, portanto, para
princípios ativos com sabor desagradável, esta forma farmacêutica
pode ser inadequada.
0 paciente, muitas vezes, não tem acesso a acurados siste-
mas de medida de volume uniforme, ou seja, o volume administrado
de uma dose pode variar em relação à outra e em relação ao reco-
mendado. 0 sistema de medida caseira não é preciso, as colheres
de um mesmo tipo podem possuir diferentes tamanhos.

12.1.5. Considerações físico-químicas sobre solubilidade


Para se obter uma solução farmacêutica, o fármaco deve so-
lubilizar-se completamente no veículo escolhido; para que isto ocor-
ra o fármaco deve ter comportamento semelhante ao do solvente.
Deve-se pesquisar antes do preparo de uma solução, as característi-
cas físico-químicas dos fármacos e veículos a serem utilizados, veri-
ficando a solubilidade, a possibilidade de alterações com o decorrer
do tempo, a necessidade de adjuvante, a necessidade de aqueci-
mento (muitas vezes temos que aquecer o solvente para acelerar ou
possibilitar a solubilização do soluto), a faixa de pH de maior solubi-
lidade, o conhecimento do pKa* da droga e das suas características
ácido-base (ex.: se é um ácido fraco ou base fraca).
pka: é o pH no qual as formas ionizadas e não ionizadas de
uma substância estão em proporção igual.
0 estado de ionização da molécula é um fator determinante
para a solubilização da mesma, uma vez que quanto maior for a
fração molar da droga ionizada, maior será sua solubilidade em á-
gua.
A relação das formas ionizadas e não ionizadas dependem do
pH do meio e do pka do composto.
0 grau de ionização de uma droga em uma solução pode ser
268
Capitulo 5 - Manipulação

alculado à partir da Equação de Henderson-Hasselbach, caso o va-


or do pKa da droga e o pH do meio forem conhecidos.

Equação de Henderson-Hasselbach

pka = pH + log Çj
Cu

Onde:
Cj = concentração de espécies ionizadas
Cu= concentração de espécies não ionizadas

As tabelas a seguir relacionam o efeito do pH e do pka na so-


lubilidade de drogas de caráter ácido fraco e drogas de caráter
básico fraco:

Tabela 33: Efeito do pH e pKa na solubilidade em água de drogas


de caráter ácido fraco

pH -pKa Fração molar de droga Solubilidade em água


ionizada
<-2.0 <0.01 Insolúvel
-1 0.09 Insolúvel
0 0.5 Solúvel, em baixas
concentrações
1 0.91 Solúvel, exceto em altas
concentracões
>2.0 >0.99 Solúvel

Tabela 34: Efeito do pH e pKa na solubilidade em água de drogas


de caráter base fraca

pH -pKa Fração molar de droga Solubilidade em água


ionizada
< -2.0 > 0.99 Solúvel
-1 0.91 Solúvel
0 0.5 Solúvel, exceto em altas
concentracões
1 0.09 Soluvel, em baixas
concentrações
>2 <0.01 Insolúvel
269
Capitulo 5 - Manipulação

Tabela 35: Tabela de pka's de algumas drogas

Droga pKa
Ácido Ascórbico (vitamina C) 4,2 / 11,6
Ácido Fumárico 3,0 ( 1 o ) / 4 , 4 (2o)
Ácido Gticólico 3,8
Ácido Glutâmico 4,3
Acido Láctico 3,9
Acido Mandélico 3,8 / 3,4
Ácido Nicotinico 4,8
Ácido Salicílico 3,0 / 13,4 (fenol)
Acetanilida 0,5
Acetazolamida 8,8 / 7,2
Acido acético 4,8
Ácido acetilsalicílico 3,5
Acido benzóico 4,2
Acido cítrico 3,1(1°) / 4 , 8 (2o) / 6,4(3°)
Ácido dehidrocólico 5,0
Ácido Nalidíxico 6,0 (amina) / 1,0
Ácido Paraminobenzóico (PABA) 2,4 (amina) / 4,9
Ácido Pirúvico 2,5
Ácido tartárico 3,0(1°), 4,3 (2°)
Ácido tioglicólico 3,6
Alopurinol 9,4
Amantadina 10,8
Amfotericina-B 5,7 (carboxüa) / 10,0 (amina)
Amilorida 8,7
Aminofilina 5,0
Amitriptilina 9,4
Amônia 9,3
Amoxacilina 2,4 (carboxila) / 7,4 (amina)
/ 9,6 (fenol)
Ampicilina 2,7 / 7,3 (amina)
Antipirina 2,2/1,4
Atropina 9,7
Bendroflumetiazida 8,5
Benzocaína 2,8
Bromazepam 11,0/ 2,9
Cafeína 14,0 / 0,6 (amina)
270
Capitulo 5 - Manipulação

Continuoção Tabela 35
I Droga pKa
Carbachol 4,8
Cefalexina 3,6 / 5,25
Clindamicina A5
Clofibrato 3,0 (ácido)
Clonazepam 10,5 / 1,5
Clonidina 8^
Cloral Hidratado 1^0
Clordiazepóxido 4J
Clorfeniramina %2
Cloroquina 8,1 / 9,9
Clorpromamida 5^0
Clorpromazina ?^2
Clortaiidona 9A
Codeína TA
Colchicina
Cromoglicato sódico
LZ
2^0
Dapsona
1,3/2,5
Desipramina 10^
Dextrometorfano 8^3
Dextrose 12J
Diazepam 3^
Diazóxido 8^5
Difenidramina 9^0
Dihidroergocristina 6^9
Dipiridamol M
Doxepina 8.0
Doxiciclina 3 , 4 / 7 , 7 / 9,3
Efedrina M
Epinefrina 8,7 (fenol) / 9,9 (amina)
Ergometrina 7^3
Ergotamina
6,3/7,3
Eritromicina
M
Escopolamina
A6
Estolato de Eritromicina 6^9
Estriol 10^4
Fenacetina 2^2
Fenformina 11,8 / 3,1
271
Capítulo 5 - Manipulação

Continuaçào Tabela 35
Droga pKa
Fenilbutazona 4,4
Fenilefrina 9,8 (amina) / 8,8 (fenol)
Fenilpropanolamina 9,4
Fenitoína 8,3
Fenobarbital 7,5
Fenol 9,9
Fenolftaleína 9,7
Fentermina 10,1
Fentolamina 7,7
o
Flufenazina 8,1 ( 1 ) / 9 , 9 (2°)
Flunitrazepam 1,8
Fluorouracil 8,0
Furosemida 4,7/3,9
Gentamicina 8,2
Glibenclamida 6,5
Glicina 2,4 / 9,8(amina)
Guanetidina 11,9
Haloperidol 8,3
Hexaclorofeno 5,7
Hidantoina 9,1
Hidralazina 0,5 (anel N) / 6,9 (hidrazina)
Hidroclorotiazida 7 , 0 / 9,2
Hidrocortisona 5,1
Hidroxizine 1,8 / 2,1 / 7,1
Hioscinamina 9,3
Homatropina 9,7
Ibuprofeno 5,2
Idoxuridina 8,3
Imipramina 9,5
Indometacina 4,5
Isoniazida 10,8 (piridina)/ 11,2 (hidrazi-
da)
Isoxsuprina 9,8 / 8,0
Leucovorin (ácido Folínico) 3,1 / 4,8 / 10,4 (fenol)
Levodopa 2,3 (carboxila) / 8,7 (amina)
/ 9,7 (1°fenol) / 13,4
(2°fenol)

272
Capítulo 5 - Manipulação

Continuação Tabela 35
Droga pKa
Levomepromazina 9,2
Levotiroxina (T4) 2,2 (COOH) / 6,7 (OH) / 10,1
Lidocaína 7,9
Liotironina (T3) 8,4 (fenot)
L-metionina 2,3/9,2
Lorazepam 11,5 / 1,3
Medazepam 6,2 / 4,4
Meperidina 8,7
Mercaptopurina 7,8
Metildopa 2,2 / 10,6 (amina) / 9,2
(Tfenol) / 12,0 (2°fenol)
Metilparabeno 8,4
Metilprednisolona 21- fosfato 2,6 / 6,0
Metoprolol 9,7
Metotrexato 4,8/5,5
Metronidazol 2,6
Miconazol 6,9
Minociclina 2,8 / 5 , 0 / 7 , 8 / 9,5
Morfina 8,0 / 9,6 (fenol)
Nafazolina 3,9 / 10,1
Naproxeno 4,2
Nicotinamida 0,5 / 3,4
Nitrazepam 1 0 , 8 / 3,2
Nitrofurantoína 7,2
Nitrofurazona 10,0
Nortriptilina 9,7
Orfenadrina 8,4
Oxazepam 1,8/ 11,1
Oxifenilbutazona 4,5 / 10,0(fenol)
Oxitetraciclina 3,3 / 7,3 / 9 , 1
Papaverina 5,9
Penicilamina 1,8 (carboxil) / 7,9 (amino) /
10,5 (tiol)
Penicilina G 2,8
Penicilina V 2,7
Pindolol 8,8
Piperazina 5,7

273
Capítulo 5 - Manipulação

Continuação Tabela 35
Droga pKa
Piridoxina 2,7 / 5,0 (amina) / 9,0 (fe-
nol)
Pirimetamina 7,2
Polimixina B 8,9
Prazosina 6,5
Prilocaína 7,9
Procaína 9,0
Procainamida 9,2
Propilparabeno 8,4
Propiltiouracil 7,8
Propranolol 9,5
Quinacrina 8 , 0 / 10,2
Quinidina 4,2/8,3
Quinino 4,2 / 8,8
Reserpina 6,6
Resorcinol 6,2
Riboflavina 1,7/ 10,2
Sacarina 1,6
Salicilamida 8,1
Sotalol 9,8 (amina), 8,3 (sulfonami-
da)
Sulfacetamida 5 , 4 / 1,8
Sulfadiazina 6,5 / 2,0
Sulfaguanidina 2,8 / 12,1
Sulfametoxazol 5,6
Sulfassalazina 0,6 (amina) / 2,4 (carboxil) /
9,7(sulfonamida) /
11,8(fenol)
Teofilina 8,8 / 0,7(amina) / 3,5
Tetracaína 8,5
Tetraciclina 3,3 / 7 , 7 / 9,5
Tiamina 4,8 / 9,0
Tioridazina 9,5
Tolbutamida 5,3
Tranilcipromina 8,2
Triamtereno 6,2
Trifluoperazina 4,1 / 8,4

274
Capítulo 5 - Manipulação

íonünuaqâo Tabela 35
Droga pKa
Trimetoprim 7,2
Trometamina 8,1
Uréia 0,2
Warfarina 5,1
Xipamida 4,8 (fenol) / 10,0 (sulfonami-
da)

12.1.6. pH ótimo para solubilidade de fármacos


Seja os seguintes exemplos:

A. Ácido Fólico: caráter ácido, pKa = 6,8


Em meio ácido, por exemplo pH 4,0: pH pKa = 420 - 6,8 = -2,8
(insolúvel)
Em meio básico, por exemplo pH 8,5: pH - pKa = 8,5 - 6,8 = + 1,7
(solúvel)

1.1. Xarope com Ácido Fólico (mg/ml)


Ácido fólico 10Omg
NaOH0,1NqspH8a9
ou
Bicarbonato de sódio 1g
Água destilada 65ml
Sorbitol 70% 35ml
Estabilidade: 30 dias (temperatura ambiente)

B. Furosemida: caráter ácido, pKa = 3,9


Em meio ácido, por exemplo pH 4,0: pH ■ pKa = 4,0 - 3,9 ■■
0,1(pouco solúvel)
Em meio básico, por exemplo pH 8,5: pH - pKa = 8,5 - 3,9 = + 4,6
(solúvel)

275
Capítulo 5 - Manipulação

B.1. Solução de Furosemida 10mg/ml


Furosemida 1,0g
Etanol 10%v/v
Glicerina 10% v/v
NaOH 20% pH 8 a 9 , 5
EDTA-Na2 0,1% p/v
Sulfito de sódio 0,1% p/v
Metilparabeno 0,005% p/v
Propilparabeno 0,002% p/v
Sorbitol70% qsp 100mL
Estabilidade: 6 meses (temperatura ambiente)

12.1.7. Dicas e Técnicas para Solubilização de Fármacos


O uso do agitador magnético, do agitador de hélice e do ba-
nho de ultra-som pode economizar tempo na solubilização. A agita-
ção aumenta a velocidade de dissolução.
Partículas pequenas de uma mesma substância dissolvem
mais rapidamente do que as partículas maiores, portanto, triture e
micronize a substância com líquido viscoso (ex.: propilenoglicol,
glicerina, PEG 400) miscível com o veículo final, esse processo é
denominado levigação.
Quanto mais solúvel for a substância, mais rápida será a sua
dissolução.
Os sais (princípios ativos) devem ser dissolvidos em uma pe-
quena quantidade de um solvente (ex.: água) antes de serem adi-
cionados a um veículo viscoso (ex.: xarope).
Quando trabalha-se com um líquido viscoso, a velocidade de
dissolução é diminuída. Um aumento da temperatura geralmente
induz a um aumento na solubilidade e na velocidade de dissolução
de uma substância. A solubilidade de uma substância não-
eletrolítica pode ser aumentada ou diminuída pela adição de um
eletrólito.
Bases alcaloídicas (alcalóide) ou bases nitrogenadas de alto
peso molecular são geralmente pouco solúveis, exceto se o pH do
meio é diminuído, aumentando sua solubilidade (conversão para
sal).
A solubilidade de substâncias ácidas pouco solúveiVé aumen-
tada se o pH do meio é aumentado (conversão para um sal). Hidro-
colóides devem ser hidratados lentamente, antes da dissolução.

276
Capítulo 5 - Manipulação

Quando se prepara um elixir ou uma solução hidroalcoólica é


aconselhável dissolver os constituintes solúveis no álcool, antes de
misturá-lo ao restante do veículo e os constituintes hidrossolúveis
devem ser previamente solubilizados na água.
A adição de PEG 400 a uma substância pouco solúvel, pode
aumentar sua solubilidade em água. 0 PEG 400 apresenta caráter
anfifílico, favorecendo a solubilização, em meio aquoso, de subs-
tâncias lipossolúveis.
0 talco farmacêutico pode ser usado para remover o excesso
ou gotículas de óleos flavorizantes de soluções. Deve-se adicionar
de 1 a 2 g de talco para cada 100 ml de solução e em seguida filtrar.

12.1.8. Procedimento Geral para o Preparo de uma Solução

Material utilizado:
• Cálice
• Bastão
• Papel manteiga
• Balança de precisão

Procedimento:
Passo 1: Calcular a quantidade de princípio(s) ativo(s) (soluto).
Passo 2: Pesar ou medir o(s) princípio(s) ativo(s).
Passo 3: Escolher o solvente ou o sistema de solventes para solubili-
zar o(s) princípio(s) ativo(s). Para conhecer a solubilidade do fár-
maco, deve-se consultar literaturas especializadas tais como, far-
macopéias e certificados de análise enviados pelo fornecedor.
Passo 4: Identificar a possibilidade de interação fármaco-fármaco e
fármaco-solvente.
Passo 5: Verificar a necessidade de adjuvantes, tais como, antioxi-
dantes, tampão, corretivos de sabor, co-solventes (ex. glicerina,
PEG 400, álcool), etc.
Passo 6: Verificar a ordem de adição de cada ativo da fórmula.
Passo 7: Determinar uma técnica para a manipulação: necessidade
de aquecimento e qual temperatura; qual e em que proporção cons-
tará cada componente do veículo, bem como a ordem de adição de
cada componente.
Passo 8: Se possível filtrar, observando se não houve retenção no
filtro, do princípio ativo ou dos componentes do veículo. Embalar e
rotular.
277
Capítulo 5 - Manipulação

12.1.9. Sugestões de Soluções Orais

A. Solucão Oral de Captopril (mg/ml)


Captopril 100mg
Ascobato de sódio 0,5g
EDTA-Na2 0,1g
Tampão citrato qs pH 4,0
Xarope simples qsp 100ml
Estabilidade aproximada: 56 dias.

B. Solução de Ranitidina (75mg/5ml)


Ranitidina HCl 1,68g
Fosfato sódico dibásico anidro 0,14g
Sacarina sódica 0,25g
Benzoato de sódio 0,2g
Flavorizante de cereja concentrado .. 2ml
Flavorizante creme demethe 0,5ml
Água destilada 25ml
Sorbitol 70% qsp 100ml
Estabilidade: 6 meses ( 2 a 25°C)

278
Capítulo 5 - Manipulação

12.2. Xaropes
São formas farmacêuticas preparadas à base de açúcar e á-
gua, onde o açúcar está próximo à saturação, formando uma solu-
ção hipertônica. A proximidade da saturação, evita a precipitação
do açúcar utilizado.

12.2.1.Vantagens dos Xaropes:


Boa conservação: por serem hipertônicos, desidratam os mi-
croorganismos que sofrem plasmólise.
São apropriados para fármacos hidrossolúveis.
Possibilitam a correção de sabor da formulação (efeito edul-
corante).

12.2.2. Desvantagem:
0 xarope oficinal (à base de sacarose) e as formulações ma-
gistrais preparadas com o mèsmo, são contra-indicadas para pacien-
tes diabéticos (para estes pacientes deve ser utilizado o xarope die-
tético).

12.2.3. Preparação:

A. Xarope Simples (1 litro)


Sacarose (açúcar refinado) 850g
Meti Iparabeno 1, 5g
Propilparabeno 0,5g
Água destilada qsp 1000 ml

Procedimento:
Passo 1: Pesar precisamente os ingredientes sólidos, sem no entanto
misturá-los.
Passo 2: Dissolver os parabenos em qs de álcool.
Passo 3: Adicionar água destilada ao açúcar, adicionar e os conser-
vantes pré-solubilizados e completar o volume com água destilada.
Passo 4: Misturar todos componentes e aquecer até a dissolução,
completando ao volume final.
Nota: Não levantar fervura, pois, poderá haver formação de açúcar invertido.
Embalagem: frasco de vidro âmbar, bem fechado.
Armazenamento: temperatura ambiente (15 a 30°C).
Estabilidade: 1 ano.

279
Capitulo 5 - Manipulação

B. Sugestão de Xarope Dietético (Sugar Free)


CMC-Na 2,0%
Metilparabeno 0,15%
Sacarina 0,1%
Ciclamato sódico 0,05%
Água destilada qsp 100ml

Procedimento:
Passo 1: Dissolver o metilparabeno em um pouco da água quente.
Passo 2: Adicionar, aos poucos, o CMC na água dissolvendo-o .
Passo 3: Adicionar o restante e agitar até a dissolução.
Embatagem: frasco de vidro âmbar, bem fechado.
Armazenamento: temperatura ambiente.
Estabilidade: 3 meses.

12.2.4. Aditivação de Princípios Ativos em Xaropes


Nas farmácias magistrais é rotina um xarope simples estoca-
do, aditivando-o de acordo com a prescrição médica.

A. Material utilizado:
• Cálice
• Papel manteiga
• Espátula
• Bastão
• Balança de precisão

B. Procedimento:
Passo 1: Pesar ou medir o(s) ativo(s), diluindo-o(s) em solvente ade-
quado compatível ou, se possível no próprio xarope simples. Se o
ativo não for facilmente solúvel é necessário micronizá-lo antes com
propilenoglicol ou outro solvente (ex.: PEG 400), em um gral com
auxílio de um pistilo, facilitando assim sua dissolução ou otimizando
sua suspensão.
Passo 2: Adicionar o ativo em pequena quantidade do xarope sim-
ples, homogeneizar com o auxílio do bastão de vidro.
Passo 3: Completar aos poucos, sob agitação constante. Antes do
volume final da formulação, adeque o pH compatível com a maior
estabilidade do princípio ativo e adicione aroma.
Passo 4: Completar o volume final.
Passo 5: Embalar e rotular.
280
Capítulo 5 - Manipulação

C. Considerações técnicas sobre aditivação de xaropes

C.1. Aditivação de Tinturas e Extratos Fluidos: Acrescentar a quan-


tidade de tintura ou extrato fluido prescrito e em seguida a quanti-
dade suficiente de xarope. Os xaropes contendo fitoterápicos for-
mam precipitados, porque os extratos fluidos e tinturas contêm ál-
cool com substâncias resinosas e oleosas dissolvidas, causando pre-
cipitação dos mesmos quando misturados ao xarope (veículo aquo-
so). 0 precipitado pode ser retirado por filtração quando não tiver
interesse medicinal.
C.2. Aditivacão de ativos sólidos (pós) hidrossolúveis: para os ativos
solúveis em água, basta dissolvê-los em qs de água e acrescentar
qsp de xarope ou então, dissolvê-lo no próprio xarope. Ex.: xarope
com Hidroxizine, Salbutamol, Piridoxina, Sulfato de Zinco.
C.3. Associação de ativos: nestes casos, após verificar a compatibi-
lidade dos ativos a serem acrescentados, deve-se também verificar
as propriedades físico-químicas de cada fármaco individualmente, a
melhor faixa de pH de estabilidade para cada fármaco (onde se ob-
tém a faixa de pH que atenderá a todos os componentes da fórmu-
la). Verificar também, a necessidade de adicionar adjuvantes far-
macotécnicos para aumento da estabilidade e a melhor forma de
solubilizar cada ativo adicionando, se necessário, co-solventes.

281
Capitulo 5 - Manipulação

12.3. Elixires
São formas farmacêuticas de uso oral que contêm álcool e
açúcar. Os elixires são claros, adocicados e aromatizados.
Veículo adequado para fármacos insolúveis em água, mas so-
lúveis em misturas hidroalcoólicas. 0 elixir é menos doce e viscoso
do que os xaropes e menos efetivo no mascaramento do sabor do
fármaco. Podem conter diferentes sistemas solventes e co-
solventes, como por exemplo, a glicerina, o propilenoglicol e o poli-
etilenoglicol 400. A graduação alcoólica varia entre 15 a 50°GL.

1 2 . 3 . 1 . Vantagem dos Elixires:


Permite a dissolução tanto de princípios ativos hidrossolúveis
como também, daqueles solúveis em álcool.

12.3.2. Desvantagem:
Devido ao seu teor alcólico, não são indicados para crianças
e adultos que devem evitar o uso de álcool.

12.3.3. Preparação de e l i x i r e s :

Material utilizado:
• Cálice
• Espátula
• Bastão
• Papel manteiga
• Balança de precisão.

Procedimento:
Passo 1: Pesar, separadamente, os princípios ativos hidrossolúveis e
álcool solúveis. Dissolver, separadamente, os componentes hidrosso-
lúveis na água ou no xarope simples e os componentes álcool solú-
veis no álcool, já na quantidade que será empregada na formulação
(geralmente substâncias na forma de sal são mais solúveis em água
e substâncias ácido ou base livres são mais solúveis em álcool).
Passo 2: Adicione a fase aquosa sobre a alcoólica e misture.
Passo 3: Se a formulação ficar turva, adicionar talco farmacêutico
(1g/100ml) e filtrar.
Passo 4: Embalar em frasco de vidro âmbar e rotular.

282
Capitulo 5 - Manipulação

Passo 5: Armazenar em temperatura ambiente ou no refrigerador,


deacordo com as caracteristicas das drogas ativas.

Hota: Sistemas co-solventes podem ser utilizados nõo só para solubilizar a droga ativa, mas
tombém, os adjuvantes farmacotêcnicos. Adoçantes artificiais podem ser necessários para
edulcoror a formulação (ex:. sacarina, ciclamato de sódio e aspartame).

12.3.4. Exemplo de Formulação de Elixir:

Fenobarbital 0,4g
Óleo de laranja 0,025 ml
Propilenoglicol 10,0 ml
Álcool 20,0 ml
Sorbitol 70% 60,0 ml
Corante qs
Água destilada qsp 100,0 ml

12.5. Linctus

São líquidos viscosos para administração oral no tratamento


de tosses. Eles devem ser bebidos e deglutidos lentamente, com
adição ou não de água e geralmente, contêm uma alta concentração
de sacarose, outros açúcares ou um adequado álcool polihidrico ou
álcoois.

283
Capitulo 5 - Manipulação

Passo 5: Armazenar em temperatura ambiente ou no refrigerador,


deacordo com as características das drogas ativas.

HoU: Sistemas co-sotventes podem ser utitizados nõo só para solubilizar a drosa ativa, mas
tombém, os adjuvantes farmacotécnicos. Adoçantes artificiais podem ser necessários para
edukorar a formulação (ex:. sacarina, cictamato de sódio e aspartame).

12.3.4. Exemplo de Formulação de Elixir:

Fenobarbital 0,4g
Óleo de laranja 0,025 ml
Propilenoglicol 10,0 ml
Álcool 20,0 ml
Sorbitot 70% 60,0 ml
Corante qs
Água destilada qsp 100,0 ml

12.5. Linctus
São líquidos viscosos para administração oral no tratamento
de tosses. Eles devem ser bebidos e deglutidos lentamente, com
adição ou não de água e geralmente, contêm uma alta concentração
de sacarose, outros açúcares ou um adequado álcool polihidrico ou
álcoois.

283
Capitulo 5 - Manipulação

13. Misturas
Termo freqüentemente aplicado para soluções e suspensões
farmacêuticas orais.

14. Gotas Orais


São soluções ou suspensões orais, destinadas a administração
em pequenos volumes, utilizando um adequado utensílio de medida
(ex.: conta-gotas e frasco gotejador).

15. Suspensões Orais


São formas farmacêuticas compostas por duas fases: líquida
(contínua) e sólida (interna, descontínua e dispersa). As partículas
sólidas são insolúveis na fase líquida, mas, através de agitação po-
dem ser facilmente suspensas. A fase interna (sólida) não atravessa
o papel de filtro, por este motivo, as suspensões não devem ser fil-
tradas. As suspensões são utilizadas para formulações de uso oral
(suspensão oral), uso tópico na pele e em mucosas e uso parenteral.
Algumas suspensões orais já vêm prontas para o uso, ou seja,
já estão devidamente dispersas num veiculo líquido com ou sem
estabilizantes e outros aditivos farmacêuticos. Outras preparações
estão disponíveis para uso na forma de pó seco, destinado a ser mis-
turado com veículos líquidos. Este tipo de produto geralmente é
uma mistura de pós que contém fármacos, agentes suspensores e de
dispersão; essa mistura, ao ser diluída e agitada com uma quantida-
de especificada do veículo (geralmente água purificada), forma uma
suspensão apropriada à administração, chamada suspensão extem-
porânea. Esta forma em pó é ideal para veicular fármacos instáveis
em meio líquido (ex.: antibiótico betalactâmicos).

15.1. Vantagens das Suspensões Orais:


Forma farmacêutica ideal para veicular princípios ativos in-
solúveis em veículos, normalmente utilizada em formulações líqui-
das.
284
Capítulo 5 - Manipulação

Forma farmacêutica ideal para dispersar formas farmacêuti-


cassólidas, (ex.: comprimidos) devidamente pulverizados, na forma
líquida para pessoas com dificuldade de deglutição.
Òpção de forma farmacêutica para veicular fármacos de sa-
bor desagradável, pois a forma de suspensão realça menos o pala-
dar dos mesmos, quando comparada à forma de solução. Esta forma
farmacêutica pode ser flavorizada e edulcorada, adaptando-se às
preferências de paladar do paciente.
Em suspensões, o fármaco se encontra finamente dividido,
portanto, sua dissolução ocorre rapidamente nos fluidos do TGI (tra-
to gastrointestinal). A velocidade de absorção de uma droga veicu-
lada na forma de suspensão é geralmente mais rápida, quando com-
parada a forma sólida oral e mais lenta, quando comparada à forma
de solução. A velocidade de absorção de uma droga em uma suspen-
são depende da viscosidade (produtos mais viscosos liberam mais
lentamente a droga).
Apresenta maior estabilidade quando comparada às soluções.
Por estar dispersa e não solubilizada, a droga está mais protegida da
rápida degradação ocasionada pela presença de água.
Drogas instáveis quando em contato com o veículo, podem
ser preparadas na forma de suspensão extemporânea (forma de pó
para reconstituição caseira).
Drogas que se degradam em soluções aquosas podem ser sus-
pendidas em fase não aquosa, por exemplo, em óleos.

15.3. Características de uma Boa Suspensão:


15.3.1. Tamanho das partículas
Devem ser reduzidas (micronizadas) a um tamanho que resul-
te em homogeneidade, geralmente entre 0,5 a 3 microns de diâme-
tro. 0 tamanho reduzido das partículas sólidas é uma característica
muito importante, pois evita que as mesmas se sedimentem facil-
mente, facilitando também sua redispersão e prevenindo ainda, a
formação de cristais. 0 tamanho das partículas dispersas deve per-
manecer constante por longo periodos de repouso.
Uma boa suspensão deve sedimentar lentamente e voltar a
dispersar-se facilmente com a agitação suave do recipiente.

285
Capítulo 5 - Manipulação

15.3.2. Fluidez
Quanto mais viscosas, mais estáveis serão as suspensões . Po-
rém, o excesso de viscosidade compromete o aspecto e a retirada
do medicamento do frasco. A suspensão deve escoar com rapidez e
uniformidade do recipiente. Uma boa suspensão deve apresentar
estabilidade química, física e microbiológica.
A Lei de Stoke fornece informações sobre quais parâmetros
influenciam na sedimentação de partículas em uma suspensão, in-
formações estas úteis, na farmacotécnica para controlar e retardar
a velocidade de sedimentação .

V = 2 r2 (p< - p.) g
9n
Onde:
v = velocidade de sedimentação
g = aceleração da gravidade
ps = densidade das partículas sólidas
pi = densidade da fase líquida
r = raio das partículas
il = viscosidade da fase líquida

As conseqüências básicas desta equação são que a velocidade


de sedimentação das partículas suspendidas em um veículo, de uma
dada densidade, será maior para partículas maiores do que para
partículas menores. Além disso, quanto maior for a densidade das
partículas, maior será a velocidade de sedimentação. Aumentando-
se a viscosidade do meio, dentro de certos limites, para que a sus-
pensão permaneça fluida e escoável, se reduz a velocidade de se-
dimentação das partículas sólidas da droga. Portanto, o decréscimo
da sedimentação das partículas sólidas em uma suspensão, pode ser
obtido pela redução do tamanho das partículas a serem dispersadas
e pelo aumento da densidade e da viscosidade da fase contínua (lí-
quida).

286
Capitulo 5 - Manipulação

15.4. Composição Básica de uma Suspensão

15.4.1. Fármaco sólido a ser disperso:


Devem ser micronizados em um gral com auxílio de um pisti-
lo, por levigação, com o veículo viscoso ou com agentes de leviga-
ção (ex.: glicerina, propilenoglicol e veículo com o agente suspen-
sor).

15.4.2. Agente Suspensor:


É usado para aumentar a viscosidade e retardar a sedimenta-
ção.

Tabela 37: Agentes Suspensores


Agente suspensor Concentração pH aplicável
usual
Alginato sódico 1,0 a 5,0% 4,0a10,0
Bentonita 0,5 a 5,0% 3,0 a 10,0 dispersões
melhores em pH neutro
Carbômero 0,5 a 1,0% 5,0a 11,0
(Carbopol®)
Celulose microcristalina 0,5 a 2,0% 3,5 a 11
CMC-Na
CMC-Na 0,5 a 2,0% 2,0 a 10,0
Dióxido de silício coloidal 2,0 a 10,0% Até10,7
(Aerosil®)
Goma adraganta 0,5 a 2,0% 1,9 a 8,5
Goma arábica 5,0 a 10,0%
(goma acácia)
Goma Xantana 0,3 a 0,5% 3a 12
Hidroxietilcelulose 0,1 a2,0% 2,0 a 12,0
(Natrosol®)
Hidroxipropilmetilcelulose 0,3 a 2,0% 3,0a 11,0
(HPMC)
Metilcelulose 0,5 a 5,0% 3,0a11,0
Pectina 1,0 a 3,0% 2,0 a 9,0
Povidona Até 5,0% Não é afetado pelo pH,
exceto por pH extrema-
mente cáustico
Silicato de Alumíno e 0,5 a 2,5% 3,5 a 11,0
Magnésio
(Veegun®)
Adaptado: Lieberman e Handbook of Pharmaceutical Excipients

287
Capítulo 5 - Manipulação

15.4.3. Agentes floculantes


São utilizados com o objetivo de evitar a formação de agre-
gados ou flocos. Esses agentes são divididos em surfactantes, polí-
meros hidrofílicos, argilas e eletrólitos.
Alguns agentes floculantes:
• Lauril sulfato de sódio (0,5 a 1,0%)
• Docusato sódico (0,01 a 1,0%)
• Polisorbato 80 (tween®80) - (0,1 a 3%)
• Monooleato de sorbitano (span 80) - (0,1 a 3,0%)
• Polietilenoglicol 400 - (até 10%)
• Colóides hidrofóbicos (ex. goma xantana, Veegun®, CMC,
etc)
• Argilas (ex.bentonita)
• Cloreto de sódio (até 1%)
• Fosfato diácido de potássio.
A floculação é um processo no qual as partículas se agrupam
formando aglomerados frouxos. A defloculação é o oposto, ou seja,
a quebra dos aglomerados em particulas individuais.

Tabela 38: Propriedades de Suspensões Floculadas e Defloculadas

Propriedades Floculadas Defloculadas


Velocidade de sedimentação Rápida Lenta
Sobrenadante Límpido Turvo
Sedimento Volumoso Compacto
Redispersabilidade Fácil Difícil

15.4.6. Agentes umectantes


São acrescidos nas formulações de suspensões, com o objeti-
vo de auxiliar a dispersão da droga. São eles: surfactantes, gliceri-
na, propilenoglicol, polietilenoglicol 400, sorbitol, álcool, dentre
outros.

15.4.7. Outros adjuvantes farmacotécnicos utilizados


Edulcorantes, flavorizantes, corantes, corretores de pH,
tampões e conservantes.

1 5 . 4 . 8 . Veículos
Podem ser edulcorados e conter agentes suspensores.

288
Capítulo 5 - Manipulação

15.5. Veiculos utilizados em Suspensões

Tabela 40: Veiculos utilizados em Suspensões

Veiculos Concentrações Usuais


Glicerina 2 a 20%
Polietileno 400 2 a 30%
Propilenoglicol 10 a 25%
Sorbitol 70% 5 a 100%
Suspendoral* (veículo suspensor) 20 a 100%
Xarope de cacau 50 a 100%
Xarope simples 50 a 100%
Xaropes aromatizados (cereja, 50 a 100%
framboesa, limão,etc)
Fonte: Adaptado pelo autor e Handbook of Pharmaceutical Excipients

'Suspendoral: nome dado pelo autor a um veiculo suspensor base que poderá ser pré-
formulado na farmácia. Veja a fórmula e o seu preparo a segu/r.

289
Capítulo 5 - Manipulação

15.5.1. Sugestão de Veículo Suspensor Oral - Suspendoral*

Ingredientes Conc.% Função na


farmacotécnica
Ácido Benzóico 0,05 Conservante
Ácido cítrico 1,5 Tampão
Agua destilada 3 Solvente
Agua destilada 15 Veículo, solvente
Álcool etílico a 96°GL 0,3 Co-solvente
Alginato de sódio 0,034 Agente suspensor
Aspartame 0,5 Edulcorante
BHA (butilhidroxianisol) 0,05 Antioxidante
Bissulfito de sódio 0,15 Antioxidante
Citrato de sódio 1,5 Tampão
CMC 0,3 Agente suspensor
Dióxido de silício coloidal 0,15 Agente suspensor
EDTA-Na2 0,1 Sequestrante
Glicerina 20 Veículo doador de
viscosidade
Metilparabeno 0,1 Conservante
PEG 400 2 Veículo doador de
viscosidade
Propilenoglicol 10 Veículo doador de
viscosidade
Propilparabeno 0,035 Conservante
Sorbitol 70% 20 Veículo doador de
viscosidade
Xarope simples qsp 100,0 Veículo, edulcorante

Procedimento:
Equipamento requerido: moinho coloidal (de preferência) ou
agitador com hélices e balança de precisão.

Passo 1 - Pesagem e medidas: Todos os componentes da formulação


devem ser previamente pesados, medidos e solubilizados antes de
iniciar o processo de preparo. O moinho coloidal deverá ser previa-
mente limpo, sanitizado e montado com a saída para produtos de
uso interno.
Passo 2 - Preparo do gel de CMC: Aquecer a água destilada (os 15%)
290
Capitulo 5 - Manipulação

a aproximadamente 40°C para preparar o gel de CMC. Verter a água


no moinho coloidal e acrescentar o CMC. Esgotar o gel e limpar o
funil do moinho com uma espátula tipo "pão-duro".
Passo 3 - Adição do sorbitol e outros componentes: Depois de prepa-
rar o gel de CMC, incorporar no moinho coloidal, nesta ordem, os
seguintes componentes: sorbitol, glicerina, propilenoglicol, PEG 400
e o xarope simples.
Passo 4 - Adição de alginato de sódio e outros: Incorporar à mistura
anterior (no moinho) o alginato de sódio, o aerosil, o BHA, o bissul-
fito de sódio, o EDTA e o aspartame (previamente pesados num saco
plástico). Insuflar na mistura nitrogênio, para a desincorporação do
ar na formulação .
Passo 5 - Adição dos conservantes: Dissolver o metilparabeno, o
propilparabeno e o ácido benzóico no álcool e incorporá-los ao bulk
no moinho coloidal.
Passo 6 - Adição dos agentes tampões: Dissolver o ácido cítrico e o
citrato de sódio na água destilada, usando o agitador magnético,
incorporar à mistura no moinho coloidal.
Passo 7 -Volume final: Depois de passar todo o produto no moinho
coloidal medir o volume usando um balde graduado, rinsar o
moinho com xarope simples.
Passo 8 Acerto do pH: pH = 4 a 5
Embalagem: galão previamente limpo e sanitizado.
Armazenamento: em local fresco.
Validade: 1 ano.

1 5 . 5 . 2 . Veículo Suspensor c o m Metilcelulose 1 %


Gel de metilcelulose 2% (1500cp) 50ml
Glicerina 3ml
Benzoato de sódio ou sorbato de potássio 200mg
Xarope simples flavorizado qsp 100ml

1 5 . 5 . 3 . Veículo Suspensor com Goma X a n t a n a


Goma xantana 500mg
Sacarina sódica 100mg
Aspartame 200mg
Propilenoglicol 5ml
Xarope simples flavorizado qsp 100ml
Estabilidade: em pH de 3 a 12 e na presença de enzimas, sais, áci-
dos e bases.

291
Capítulo 5 - Manipulação

15.5.4. Sugestão de Excipiente para Suspensão Extemporâ-


nea de Antibióticos
Fármaco X g (princípio ativo)
Aroma pó (hidrossolúvel) 0,5 g (flavorizante)
Benzoato de sódio 0,15 g (conservante)
Aspartame 0,3g (edulcorante)
Celulose microcristalina CMC Na * 1,5g (Avicel RC 591)
Açúcar refinado 40g (edulcorante)
'Avkel 591 é marca registrada da FMC.

Os componentes desta formulação estão presentes em quan-


tidade suficiente para formar uma suspensão em um volume total
de 100 ml (o líquido para a formação deve ser água purificada, a ser
adicionada pelo cliente).

Procedimento
Homogeneizar, misturando intimamente os pós em um gral.
Passar em seguida por um tamis de malha 50 a 60. Acondicionar a
mistura dos pós em um frasco de vidro âmbar, com um marco indi-
cativo para completar o volume de 100 ml.

292
Capítulo 5 - Manipulação

15.6. Procedimento geral para o preparo de Suspen-


sões

Esquematicamente, temos os seguintes métodos para o pre-


paro de suspensões:

01 Sólido + líquido
02 Sólido + suspensor + líquido
03 Sólido + molhante + líquido + suspensor ***
04 Sólido + molhante + suspenso + líquido
05 Solido -> floculante + suspensor + líquido
' " Procedimento de preparo mais comum.

15.6.1. Descrição do Procedimento de Preparo de Suspen-


sões (método n°3):
Passo 1: Dispersar o agente suspensor em quantidade suficiente de
água.
Passo 2: Tamisar os ativos sólidos insolúveis.
Passo 3: Micronizar o(s) fármaco(s) sólido com um agente molhante
(ex.: glicerina) e um pouco de água, em um gral com auxílio de um
pistilo, este processo é denominado de levigação.
Passo4: Adicionar 1 em 3, aos poucos, agitando levemente.
Passo 5: Transferir para um cálice e conferir o volume.
Passo 6: Adicionar o flavorizante, o conservante (se necessário), o
edulcorante e o corante.
Passo 7: Embalar e rotular.

15.6.2. Procedimento de preparo de suspensões utilizando


oveiculo suspensor pré-formulado (Suspendoral):
0 suspendoral é um veículo base pré-formulado, edulcorado
e tamponado; com sistemas conservantes, antioxidantes, agentes
suspensores e molhantes, ideais para manipulação de suspensões
estáveis. Este veículo tem estabilidade na faixa de pH compreendi-
doentre4,0 a 11,5.
A manipulação de suspensões com este veículo torna-se ágil
e simples, sendo necessário apenas a adição do agente flavorizante
(aroma) indicado pela prescrição e que mais se adeque à formula-
ção.
293
Capitulo 5 - Manipulação

Este veículo suspensor pode ser utilizado na concentração


entre a 20 a 100%, em combinação com xarope simples.
0 pH do Suspendoral está tamponado no pH compreendido
entre 4,0 a 5,0. O suspendoral contém açúcar, portanto é contra-
indicado para diabéticos.

Material utilizado:
• Cálice
• Bastão
• Espátula e espátula tipo "pão duro"
• Gral
• Pistilo
• Papel manteiga
• Balança de precisão

Procedimento:
Passo 1: Pesar a quantidade de ativos indicados na prescrição.
Passo 2: Tamisar e triturar os pós (ativos) em um gral com auxílio de
um pistilo.
Passo 3: Micronizar (levigar), molhando o pó com quantidade sufici-
ente de Suspendoral.
Passo 4: Adicione mais Suspendoral, cerca da metade do requerido
na formulação e misture bem. O Suspendoral pode ser utilizado na
porcentagem entre 20 e 100% da formulação, sendo o usual cerca de
30%.
Passo 5: Transfira o conteúdo do gral para um cálice com auxílio de
uma espátula tipo "pão duro".
Passo 6: Adicione o restante do Suspendoral, misturando bem com o
bastão.
Passo 7: Dilua o aroma em um pouco de xarope simples ou em quan-
tidade suficiente de solvente adequado (ex.: álcool).
Passo 8: Complete o volume com Suspendoral ou xarope simples.
Passo 9: Checar o pH final da formulação, ajustá-lo adequando-o à
formulação, caso seja necessário.
Passo 10: Embalar em frasco de vidro âmbar e rotular.

294
Capitulo 5 - Manipulação

15.7. Sugestões de Suspensões

15.7.1. Suspensão de Carbamazepina


Carbamazepina 100mg/5ml
Glicerina 5% v / v
Propilenoglicol 5% v/v
Sorbitol 70% 10%v/v
Sacarina sódica 0,05% p/v
Metilparabeno 0,1% p/v
Solução metilcelulose 1 % 50% v/v
Aroma qs
Xarope simples qsp 100ml
Estabilidade aproximada: 90 dias

15.7.2. Suspensão de Nitrofurantoina 50mg/5ml


Nitrof urantoína 600mg
Aspartame 600mg
Suspendoral 18ml
Aroma tutti-frutti 2ml
Xarope simples qsp 60ml
Estabilidade aproximada: 60 dias

15.7.3. Suspensão de Tiabendazol 500mg/5ml


Tiabendazol 10g
Ácido sórbico 0,2g
Simeticone USP 1 ml
Metilcelulose 2% 50ml
Polisorbato 20 ou 60 1ml
Flavorizante de fambroesa 3ml
Flavorizante creme dementhe ... 0,5ml
Glicerina qs
Xarope simples qsp 100ml
Estabilidade aproximada: 6 meses

295
Capítulo 5 - Manipulação

15.7.4. Suspensão de Omeprazol 20mg/5ml


Omeprazol 400 mg
Glicerina qs
Bicarbonato de sódio 16,8 §
Sílica gel micronizada 3g
Steviosídeo 0,3g
Acesulfame de potássio 0,5 g
Flavorizante chocolate 3mL
Creme dementhe 1 mL
Nipagim 0,15g
Metabissulfito de sódio 0,1 g
EDTANa2 0,1g
Xarope simples 40mL
Água destilada preservada qsp 100mL
Estabilidade aproximada: 14 dias sob refrigeração

Procedimento de Preparo para Suspensão de Omeprazol


Passo 1: Triture em um gral os pellets com qs de álcool, deixe em
repouso por 5 minutos. A seguir triture os pellets reduzindo-os a um
pó fino até completa evaporação do álcool. Misture a sílica gel, o
steviosídeo (pode ser substituído por 0,5g de aspartame), o bicarbo-
nato de sódio, o acesulfame de potássio, o metabissulfito de sódio e
o EDTA Na2. Triture e misture bem.
Passo 2: Levigue a mistura dos pós com a glicerina para formar uma
pasta.
Passo 3: Adicione um pouco do xarope simples na pasta até que haja
uma quantidade suficiente para ser vertida (escoada)
Passo 4: Adicione os flavorizantes misturando ao passo 3 e verter
para o recipiente de dispensação.
Passo 5: Rinse o grat 2 a 3 vezes com o resto do xarope simples
transferindo para recipiente de dispensação após cada rinsagem.
Passo 6: Ajuste o pH entre 9,0 a 9,5 com uma solução de NaOH a
40%.
Passo 7: Depois de terminado o preparo deixe a suspensão em re-
pouso com a tampa do frasco aberta para permitir a liberação do
gás C02 desprendido.
Passo 8: Adicione quantidade suficiente da água destilada e comple-
te para o volume final de 100mL.

296
Capítulo 5 - Manipulação

16. Preparações Orais Oleosas (Soiuções ou Suspensões)

São preparações farmacêuticas para administração oral (uso


sistêmico) em que o(s) princípio(s) ativo(s) se encontra(m) dissolvi-
do(s) ou suspenso(s) em um óleo fixo flavorizado.

16.1.Vantagens das Preparações Orais Oleosas

Estabilidade: 0 veículo oleoso previne a degradação de dro-


gas susceptíveis a processo de degradação por hidrólise (veículo
anidro).
Possibilidade de solubilização de drogas lipossolúveis e de
suspensão de drogas hidrossolúveis.
Permite a flavorizacão tomando-se mais palatável.

16.2. Composição básica d e u m a Preparação Oral O l e o -


sa
Princípio(s) ativo(s).
Óleo fixo (veículo): ex.: óleo de amêndoas doces.
Antioxidante: ex. BHA, BHT.
Agente suspensor (em caso de suspensão): ex. sílica gel mi-
cronizada (2 a 6%), estearato de magnésio (2%).
Ravorizante (lipossolúvel): ex.: óleo essencial de canela, ó-
leo essencial de laranja, óleo essencial de menta.

16.3. Formulação Base p a r a Preparações Orais Oleosas

A. BHT (butil hidroxi totueno) 100 mg


Sacarina 100 mg
Óleo essencial de tangerina ou laranja.. 3 mL ou Óleo essencial de
canela 0,5 mL
Óleo de amêndoas doces qsp 100 mL
Nota: Para o preparo de suspensões, deve-se utilizar um agente suspensor compatível (ex.:
sílka gel micronizada ou o estearato de magnésio)

Preparo:
Passo 1: Aquecer o óleo fixo, misturar a sacarina e o BHT, previa-
mente triturados, com agitação. A sacarina não irá dissolver com-
pletamente.
297
Capitulo 5 - Manipulação

Passo 2: Adicione o flavorizante.


Passo 3: Adicione a sílica gel micronizada (aerosil®) na etapa 2 e
então misture bem. 0 óleo fixo irá ficar mais viscoso, caso seja ne-
cessário, ajuste a concentração do agente suspensor.

Nota:
Esta base poderá ser preparada antes para ser utilizada corno base oleosa para suspensão.
0 óteo de fí$ado de bacalhau é um óleo fixo e pode ser utilizado em preparacões para uso
veterinário.

16.4. Alguns fármacos que podem ser veiculados


Ácido acetilsalicílico
Alendronato de sódio
Amlodipina
Atorvastatina
Bupropiona
Carbenecilina
Ciclofosfamida
Cloramucil
Fluvoxamina
Fosinopril
Glimepirida
Isradipina
Paroxetina
Piroxican
Quinapril HCl
Sinvastina
Warfarina

Ref.: Stability table Reference PCCA

298
Capitulo 5 - Manipulação

17. Emulsões Orais

Emulsões Orais são normalmente dispersões do tipo çV


leo/água estabilizadas por um agente emulsionante, onde uma ou
ambas as fases podem conter sólidos dissolvidos. Podem conter um
ou mais princípios ativos. Os ativos sólidos podem também estar
suspensos nas emulsões orais. Em emulsões do tipo o/a, a fase oleo-
sa (fase interna, dispersa, descontínua) está dispersa como gotículas
em uma solução aquosa (fase externa ou contínua).

17.1. Vantagens das Emulsões Orais:

As emulsões permitem a administração de fármacos líquidos


oleosos e de fármacos lipofílicos dissolvidos em óleo.
As emulsões orais não possuem, convenientemente, a fase
externa aquosa, por isto mascaram de maneira efetiva o sabor pou-
co agradável de alguns fármacos, tais como, vitaminas lipossolúveis,
óleo de rícino, óleo mineral e o óleo de fígado de bacalhau. A fase
externa aquosa (miscivel com água) apresenta maior palatabilidade
e portanto, maior aceitação pelo paciente. Podem ser flavorizadas.
A suspensão de fármacos insolúveis em um veículo emulsio-
nado, permite obter formas de ação sustentada (suspensão-
emulsão), programando a liberação e a absorção dos mesmos.

17.2. Desvantagens:

Emulsões são sistemas termodinamicamente instáveis, cujas


fases tendem a separar-se com o decorrer do tempo.

17.3. Características de uma boa Emulsão:

Peguenas potículas: normalmente o tamanho das gotículas


dispersas está compreendido entre 0,1 e 10u , embora algumas po-
dem ser tão pequenas quanto 0,01 u ou tão grandes quanto 100JJ.. O
tamanho das gotículas dispersas é influenciado por fatores mecâni-
cos (método e equipamento utilizado para a mistura e cisilhamento
das duas fases), pela técnica e pelos agentes emulsificantes.

299
Capítulo 5 - Manipulação

Lenta aqreqação (coalescência) das gotículas dispersas, lenta


cremaqem (formação de nata) caracterizada pela aglomeração das
gotículas dispersas na superfície (líquido disperso mais leve que o
dispersante da preparação) ou lenta sedimentação no fundo (líquido
dispersado mais pesado que o dispersante).
Se houver coalescência, ocorre uma ruptura completa e irre-
versível da emulsão com a separação completa das fases.
Se houver apenas cremaqem ou sedimentação, a homoge-
neidade pode ser facilmente restabelecida por simples agitação.
A velocidade de cremagem e sedimentação seguem a Lei de
Stokes, citada e explicada no ítem Suspensões.
Facilidade de redispersão com agitação.

17.4. Composição básica de uma Emulsão

17.4.1. Fase aquosa:


A água utilizada no preparo de emulsões deve ser deioniza-
da, pois a presença de íons, como por exemplo, íons de cálcio e do
magnésio desestabilizam a emulsão.
Nesta fase devem ser solubilizados todos os ingredientes hi-
drosolúveis da formulação.

17.4.2. Fase oleosa:


Constituida por óleos (óleo fixo, mineral, volátil ou óleo-
resina) ou ceras, nos quais serão acrescentados e solubilizados os
ingredientes liposolúveis.

17.4.3. Agente emulsificante:


0 agente emulsificante dá estabilidade à emulsão, reduzindo
a tensão superficial entre o óleo e a água e retardando a separação
das fases.

17.4.5. Antioxidantes:
Previnem os processos de degradação por oxidação dos óleos
e gorduras. Eles devem ser, preferencialmente, solúveis na fase
oleosa (ex.: BHT, BHA, Palmitato de Ascorbila, Vitamina E), entre-
tanto, pode-se utilizar antioxidantes na fase aquosa (ex.: Acido As-
córbico, Metabissulfito de Sódio e Bissulfito de Sódio).

300
Capitulo 5 - Manipulação

17.4.6. Conservantes:
Os conservantes previnem o crescimento de fungos e bacté-
rias na preparação. Preferencialmente, devem ser adicionados na
fase aquosa, uma vez que esta é mais susceptível à contaminação
microbiana. Outvos corrvpooentes da emulsão, além da áe,ua, podem
favorecer o crescimento de microorganismos, tais como, agentes
emulsificantes naturais (ex.: goma arábica, goma adraganta, etc),
óleos como o de amendoim (podem conter espécies de Aspergillus)
e parafinas líquidas (podem conter espécies de Peniciíiium). É bom
lembrar que alguns agentes emulsionantes podem diminuir ou até
mesmo, neutralizar o efeito de determinados conservantes
(ex.:tween 80 e parabenos). Contaminantes podem ser introduzidos
em uma emulsão pelos ingredientes, equipamentos (não adequada-
mente sanificados) ou recipientes (não devidamente sanificado ou
vedado).

17.4.7. Flavorizantes e Corantes:


Emulsões Orais normalmente contêm agentes flavorizantes e
raramente são utilizados corantes. Deve se utilizar somente coran-
tes permitidos para uso sistêmico. Em emulsões orais os flavorizan-
tes e corantes devem ser hidrossolúveis, a fase externa é aquosa.

17.5. Agentes Emulsificantes

Os agentes emulsificantes auxiliam na produção de uma dis-


persão estável, pela redução da tensão interfacial e consequente
manutenção da separação das gotículas dispersas, através da forma-
ção de uma barreira interfacial. Agentes emulsificantes eficientes
são agentes tensioativos.
Os agentes emulsificantes (tensioativos) têm grupamento po-
lar (hidrofílico) que é orientado em direção a água e grupamento
apolar (lipofílico) que está direcionado ao óleo.
0 tipo de emulsão é determinado pela solubilidade do agente
emulsificante:
Se o agente emulsificante é mais solúvel em áqua (hidrofíU-
co), então a água será a fase contínua, consequentemente se forma-
rá uma emulsão do tipo o/a .
Se o agente emulsificante é mais solúvel em óleo (Upofili-
co), então o óleo será a fase contínua, consequentemente se forma-
rá uma emulsão do tipo a/o.
301
Capítulo 5 - Manipulação

Se uma substância é adicionada na formulação de uma emul-


são e altera a solubilidade do agente emulsificante, o equilíbrio
pode ser alterado e a emulsão poderá mudar de tipo. A esta altera-
ção denominamos inversão de fase.

1 7 . 5 . 1 . Escolha do Agente Emulsificante:


A escolha do agente emulsificante é determinada pelos in-
gredientes ativos e pela utilização do produto. Agentes emulsifican-
tes para preparações de uso interno não devem ser tóxicos ou irri-
tantes. Normalmente para emulsões orais são utilizados polissacarí-
deos naturais (ex. goma arábica, goma adraganta, goma karaya,
gelatina, lecitina) e surfactantes não-iônicos.
É importante levarmos em consideração que os emulsifican-
tes podem influenciar no sabor da preparação. Polisorbatos têm o
sabor desagradável, portanto, podem tornar a preparação menos
palatável.

17.5.2. Agentes emulsificantes de ocorrência natural:


A.Polissacarídeos: goma arábica (melhor emulsificante para emul-
sões orais o/a), goma adraganta (aumenta a viscosidade da emul-
são, prevenindo a cremagem) e outros como o amido, a pectina e a
carragena são utilizados para estabilizar a emulsão.
B. Polissacarídeos semi-sintéticos: carboximetilcelulose e metilcelu-
lose de baixo grau de viscosidade formam emulsões o/a.
C. Substâncias contendo esteróis: atuam como agentes emulsifican-
tes a/o (ex.: cera de abelha, lanolina e álcoois de lanolina).

302
Capítulo 5 - Manipulação

17.6. Surfactantes:

Contêm regiões hidrofílicas e lipofílicas na molécula.

17.6.1. Surfactantes Aniônicos:


São sais orgânicos que em água, possuem ação tensioativa
aniônica. São amplamente empregados em emutsões para uso ex-
terno como emulsificante o/a. São incompatíveis com alguns cátions
inorgânicos e com um amplo número de cátions orgânicos, como a
cetrimida. Eles precisam estar na forma ionizada para serem efeti-
vos; as emulsões preparadas com tensioativos aniônicos são geral-
mente estáveis em pH atcalino.
Exemplos: Estearato de Sódio (o/a), Oleato de Cálcio (a/o), Trieta-
nolamina (o/a), Lauril Sulfato de Sódio (o/a).

17.6.2. Surfactantes Catiônicos:


São normalmente quaternários de amônio, têm um cátion
tensioativo. São utilizados na preparação de emulsões o/a para uso
externo e precisam estar ionizados para serem efetivos. As emul-
sões formadas por surfactantes catiônicos são geralmente estáveis
em pH ácido. Os surfactantes catiônicos apresentam também ação
antimicrobiana.
Exemplos: Cetrimida, cloreto de Benzalcôneo.

17.6.3. Surfactantes não-iônicos:


São substâncias sintéticas e representam o mais numeroso
grupo entre os surfactantes. São empregados para preparação tanto
de emulsões o/a como de emulsões a/o para uso externo e interno.
Os surfactantes não-iônicos são compatíveis com substâncias aniôni-
cas e catiônicas são muito resistentes a mudanças de pH. 0 tipo de
emulsão formada depende do equilibrio entre os grupos hidrofílicos
e lipofílicos, o HLB {hydrophitic-tipophitic balance).
Exemplos: Glicóis, Ésteres de Glicerol, Polisorbatos (tweens®), És-
teres de Sorbitano, Éteres e Ésteres de PEG, Álcoois Graxos Superio-
res e Álcoois Polivinilicos.

303
Capitulo 5 - Manipulação

17.7. Sólidos finamente divididos:

Sólidos finamente divididos podem ser adsorvidos na interfa-


ce óleo-água, formando um filme que previne a coalescência das
gotículas dispersadas. Se as partículas são preferencialmente mo-
Ihadas por óleo, uma emulsão a/o é formada. De maneira oposta, se
as partículas são preferencialmente molhadas pela água, uma emul-
são o/a é formada. Eles formam emulsões com boa estabilidade e
menos susceptíveis a contaminação microbiana.
Exemplos: Bentonita, Silicato de Alumínio e Magnésio (Veegun®),
Aluminio Coloidal, Hidróxido de Magnésio.

1 7 . 8 . Flavorizando uma Emulsão Oral

A escolha dos agentes corretivos do sabor (edulcorantes e


aromatizantes) deve incidir sobre aqueles hidrossolúveis, pois a efi-
ciência destes é maior se estiverem concentrados na fase externa
da emulsão; uma vez que só deste modo poderão disfarçar o gosto
da droga que se pretende corrigir. Emulsões orais edulcoradas des-
tinadas a serem administradas em colheres são chamadas looques
(do inglês looks ou loochs).

17.9. Preparo de Emulsões Orais


As Emulsões Orais são normalmente emulsões primárias do
tipo óleo/água. Utiliza-se com freqüência no preparo destas formu-
lações as gomas ou surfactantes não-iônicos como agentes emulsifi-
cantes. De modo geral não é necessário o emprego do calor para o
preparo da Emulsão Oral.

1 7 . 9 . 1 . Métodos de preparo
Os métodos mais empregados são o da "goma seca" e o da
"goma úmida". Estes métodos se aplicam, adequadamente, para a
produção de preparações extemporâneas em pequena escala na
farmácia magistral, utilizando simplesmente o gral, o pistilo ou mis-
turadores elétricos como equipamentos.
A proporção dos ingredientes para o preparo de emulsões

304
Capitulo 5 - Manipulação

primárias pelo método das gomas, deve seguir proporções definidas,


conforme a tabela a seguir:

Tabela 4 1 : Proporção dos ingredientes para o preparo de emul-


sões pelo Método das Gomas

Tipo de Óleo Exemplos Oleo Agua goma


Fixo Óleo de amêndoas, 4 2 1
óleo de amendoim,
óleo de rícino, óleo de
fígado de bacalhau,
etc.
Mineral Parafina líquida, 3 2 1
(hidrocarbonetos) óleo mineral, etc.
Volátil Oleo essencial de ca- 2 2 1
(óleos essenciais) nela, óleo essencial de
menta, etc.
Oleo resina Óleo de copaíba 1 2 1
Oleo de linhaça Oleo de linhaça 2 2 1
Adaptado: Winfield e K/ng.

A. Método da Goma Seca ou Método Continental (adição da fase


externa à fase interna contendo o agente emulsivo)

Material utilizado:
• Balança de precisão
• Papel manteiga
• Cálice ou proveta
• Gral de porcelana e pistilo

Preparo:
Passo 1: Meça precisamente o óleo em um recipiente limpo e seco.
Passo 2: Verta completamente o óleo medido para um gral de por-
celana limpo e seco.
Passo 3: Pese a goma (normalmente se utiliza a goma arábica).
Passo 4: Meça a água em um recipiente limpo e sanitizado.
Passo 5: Adicione a goma ao óleo e misture aos poucos até a com-
pleta dispersão.
Passo 6: Imediatamente, adicione toda a água e agite de modo vigo-
roso e continuo até a mistura ficar espessa e a emulsão primária se
305
Capitulo 5 - Manipulação

formar.
Passo 7: Continue triturando por 2 a 3 minutos para produzir uma
emulsão estável e contínua.
Passo 8: Gradualmente a emulsão primária pode ser diluída com
pequenos volumes do veículo e adicionada de outros ingredientes,
assegurando a completa mistura entre as adições de maneira a
completar o volume final da preparação.

B. Método da Goma Úmida ou Método inqlês (adição da fase interna


à fase externa contendo o agente emulsivo)
Este método difere do anterior porque se emprega a mucila-
gem de goma (a goma diluída previamente na água), em vez da go-
ma seca. Para obter uma emulsão primária por este método, utili-
zam-se as proporções de água, óleo e goma citadas na tabela ante-
rior.

Material utilizado:
• Balança de precisão
• Papel manteiga
• Cálice ou proveta
• Gral de porcela e pistilo

Preparo:
Passo 1: Pesar precisamente a goma.
Passo 2: Meça a água.
Passo 3: Verta a goma para o gral e aos poucos adicione a água,
triturando a goma até formar uma mucilagem.
Passo 4: Meça o óleo.
Passo 5: Verta o óleo sobre a mucilagem aos poucos, triturando até
obter uma emulsão primária espessa.
Passo 6: Para estabilizar a emulsão, continue misturando durante
alguns minutos.

306
Capítulo 5 - Manipulação

17.10. Exemplos de Formulações:

17.10.1. Emulsão com Vitamina D (Calciferol)

Emulsão com Vitamina D Proporção


(Calciferol)
Calciferol diluído em óleo 1,5mL 4 óleo
Oleo de amendoim 8,5mL (1,5+8,5=10)
Agua 5mL 2 Agua
Goma arábica 2,5g 1 Goma

17.10.2. Emulsão com Óleo de Fígado de Bacalhau

Emulsão com Oleo de Fígado Proporção


de Bacalhau
Òleo de Fígado de Bacalhau 30mL 4 Oleo
Agua 15mL 2 Agua
Goma Arábica 7,5g 1 Goma

17.10.3. Suspensão Oral preparada com Agente Tensioativo


não-iônico

A. Método geral de preparo: Misture a fase oleosa com o emulsifi-


cante não-iônico e em seguida aos poucos, adicione a água agitando
de maneira vigorosa e contínua, até a completa homogeneização.

B. Exemplo 1:
Emuisão Purgativa com Óleo de Ricino (o/a)
Óleo de rícino 50 g
Polisorbato 20 3g
Água destilada qsp 100

307
Capitulo 5 - Manipulação

C. Exemplo 2:
Emulsão de Óieo Mineral
Oleo mineral 60ml
Polisorbato 60 6g
Água destilada 30ml
Xarope de chocolate 24ml
Estabilidade aproximada: 30 dias

308
Capitulo 5 - Manipulação

18. Aplicação de Flavorizantes em Formas Farma-


cêuticas Orais
Flavorizar, edulcorar e colorir uma preparação farmacêutica
para administração oral é fator preponderante à adesão terapêutica
pelo paciente, especialmente o pediátrico. Portanto, o farmacêuti-
co tem como desafio, desenvolver técnicas e recursos para realizar
a combinação harmônica dos aditivos, flavorizantes (aromas), edul-
corantes e corantes.
A percepção de um determinado sabor envotve os receptores
dos paladares, proteínas localizadas na superfície das células das
papilas gustativas que reconhecem certas estruturas químicas e ini-
ciando a emissão de sinais para que o cérebro os traduza e reconhe-
ça como doce, amargo, salgado ou azedo (ácido). Possuimos cerca
de 10.000 papilas gustativas, sendo que nas crianças elas estão em
número maior. Isto explica o porquê das crianças serem mais sensí-
veis a sabores desagradáveis. Para isto, torna-se importante a com-
preensão dos aspectos psicofisiológicos envolvidos na percepção dos
sabores.
Os receptores para os paladares primários: doce, amarso, sal-
§ado e azedo (ácido), estão distribuídos e agrupados em regiões
diferentes da superfície da língua. 0 paladar doce é detectado,
principalmente, na ponta da língua, enquanto que o amargo é mais
evidenciado na região posterior, o salgado nas laterais anteriores e
o azedo nas laterais medianas (veja a figura a seguir):

Percepção regional dos


paladares primários na língua
humana.

Leçenda:
Bitter:amargo
Sour: azedo fácido)
Satty: salsado
Sweet: doce.

Fonte: Roy, 1997.

309
Capítulo 5 - Manipulação

A sensação final de um sabor, extrapola a percepção dos palada-


res primários e suas combinações. Outros sentidos, tais como, o
olfato, a visão, o tato, a audição e até mesmo os aspectos subjeti-
vos como os fatores psicológicos influenciam no reconhecimento do
sabor.

18.1. Relação Química com os Quatro Paladares Primá-


rios

Existe uma relação estreita entre a estrutura química de uma


substância e o sabor. A solubilidade, o grau de ionização e o tipo de
íons produzidos na saliva influenciam de maneira decisiva na sensa-
ção interpretada pelo cérebro (Remington, 2000).

1 8 . 1 . 1 . Sabores Ácidos (azedo):


São proporcionais à concentração de íons H* e a solubilidade
lipídica da substância. Característicos de ácidos, taninos, fenóis e
lactonas.

18.1.2. Sabores salgados:


Estão associados com compostos inorgânicos ou de baixo pe-
so molecular. Correlacionados também, com a presença simultânea
de ânions e cátions.
Exemplos: Cloreto de Sódio, Brometo de Potássio, Cloreto de Amô-
neo e Salicilato de Sódio.

18.1.3. Sabores Amargos:


Compostos polihidroxilados de alto peso molecular(>300 dal-
tons). As bases livres, os alcalóides, as amidas e as anfetaminas pos-
suem sabor amargo; bem como substâncias polihalogenadas, tiocar-
bamidas e compostos tioalifáticos.
Exemplo: Cafeína, Cloridrato de Difenidramina, Sulfato de Quinino,
Cloridrato de Prometazina e Codeína.

18.1.4. Sabores adocicados (doces):


Estão freqüentemente associados a compostos polihidroxila-
dos de baixo peso molecular, tais como, a sacarose, o sorbitol e o
manitol; mas vários outros grupos podem dar um sabor intensamen-
te doce à composição. Compostos alifáticos polihalogenados, alfa-
aminoácidos, imidas, tais como, (sacarina), sulfamatos (ciclamatos)
310
Capitulo 5 - Manipulação

e combinações de aminoácidos (aspartame) são muito doces. As


relaçòes estrutura-atividade são imprevisíveis, de fato estes com-
postos amplamente utilizados como edulcorantes, foram descober-
tos ao acaso.

18.2. Critérios para Preparação de Forma Farmacêutica


Palatável

A seleção de um flavorizante apropriado para o paciente en-


volverá aspectos como:
• a imediata identidade do sabor.
• o desenvolvimento rápido da completa sensação de sabor.
• a sensação bucal aceitável.
• uma curta sensação "aftertaste".
• a não existência de sensações desagradáveis.

18.3. Metodologia de flavorização

Cada problema de flavorização é único e requer uma sotução


específica. A flavorização de uma preparação farmacêutica é com-
plexa, pois a percepção do paladar agradável ou desagradável de-
pende de preferências individuais.
0 sabor doce é geralmente considerado desejável, enquanto
que o amargo é usualmente (mas não sempre) indesejável. A prefe-
rência por determinado sabor pode também estar relacionada com
a idade da pessoa. Crianças, geralmente, preferem sabores doces e
não respondem bem ao amargo. Elas gostam de sabores, tais como
frutais, melado, frutas vermelhas (exemplo: morango, framboesa e
cereja) e baunilha. Os adultos por outro lado, aceitam razoavelmen-
te determinados níveis de amargo em medicamentos, mas normal-
mente preferem sabores relacionados com o cítrico, o chocolate, o
café, o alcaçuz e o maple. É importante ressaltar que alguns paci-
entes associam o sabor amargo com a potência e a efetividade do
medicamento.
0 sabor agradável também pode ser uma questão individual,
como por exemplo, alguns pacientes adoram o sabor de chocolate,
enquanto outros podem até mesmo detestá-lo.
Apesar da existência de inúmeros estudos sobre a flavoriza-

311
Capitulo 5 - Manipulação

ção de preparações farmacêuticas, a seleção dos flavorizantes con-


tinua se baseando em critérios empíricos, utilizando muitas vezes a
estratégia da tentativa e o erro.

18.4. Técnicas de flavorização

18.4.1.Combinação:
Para selecionar um flavorizante adequado ou um "blend" de
flavorizantes, não é necessário utilizar somente os tradicionalmente
empregados.
A seleção do flavorizante para uma preparação deve ser feita
de acordo com a preferência do paciente.
A cor, o odor, a viscosidade e os efeitos locais na mucosa o-
ral também influenciam na aceitabilidade de uma preparação far-
macêutica pelo paciente.
É necessário checar com o paciente uma possível sensibilida-
de alérgica a um flavorizante.
Selecionar um conservante sem sabor, parabenos podem
transferir para a formulação um aroma floral indesejável (metilpa-
rabeno) ou uma sensaçâo de dormência na língua (propilparabeno).
Utilizar, de maneira adequada e racional os edulcorantes.
Utilizar ácidos, tais como, o ácido tartárico (0,1 a 0,3%), o
ácido cítrico (0,3 a 2%), o ácido málico (<420 ppm) ou o ácido fumá-
rico (<3600 ppm) para realçar o sabor de frutas.
Drogas de paladar ácido podem ser melhor flavorizadas com
flavorizantes cítricos ou de frutas, associando um edulcorante.
Formulações antiácidas líquidas são frequentemente associa-
das com o sabor de menta, portanto, este flavorizante é uma boa
escolha para este tipo de formulação. 0 paladar deste tipo de for-
mulação pode ser otimizado pela adição de edulcorante.
Sabores amargos podem ser corrigidos pela adição de flavori-
zantes salgados, doces ou ácidos.
A adição de Cloreto de Sódio em pequenas concentrações,
pode melhorar a palatabilidade de algumas preparações.
Compostos como a Vanilina (0,01 a 0,02%) e o Monoglutama-
to Sódico (contra-indicado para crianças) podem ser utilizados na
combinação.

312
Capitulo 5 - Manipulação

18.4.2. Mascaramento:
Utilização de um flavorizante cuja intensidade é mais forte e
prolongada do que o sabor objetável.
Exemplo: Salicilato de Metila, Alcaçuz e Oleoresinas.
Nota: Preparações para tratamento por periodos prolongados, requerem a utiiização de
flavorizantes suaves, menos prováveis de causar a fadiga do sabor.

18.4.3. Física:
Trocar ou ajustar o veículo se o mesmo for inadequado.
Liquidos viscosos podem ser utilizados para reduzir o contato
da droga com as papilas gustativas.
Exemplo: Xaropes com mucilagens.
Mucilagens e xaropes podem tornar alguns sabores menos ob-
jetáveis.
Óleos podem ser emulsificados (ex.: Emulsão de Óleo de Fí-
gado de Bacalhau).
0 fármaco solubilizado tem o seu sabor realçado. Um paladar
desagradável de um fármaco pode ser reduzido com a utilização de
um veículo no qual ele seja insolúvel, pela precipitação do fármaco
na solução, pela alteração do pH da mesma e a preparação subse-
quente de uma suspensão.
A preparação pode ser armazenada na geladeira. 0 frio e o
calor reduzem a sensibilidade das papilas gustativas.
0 paciente pode ser instruido para ingerir a medicação com
bebidas efervescentes. 0 Dióxido de Carbono anestesia as papilas
gustativas ou então o uso de pós efervescentes.

18.4.4. Química:
Absorção da droga em um substrato ou a formação de um
complexo da droga com resinas de troca iônica ou com agentes
complexantes.
Exemplo: revestimento da droga.

18.4.5. Fisiológica:
Usar, se necessário, agentes dessensibilizantes do paladar,
como por exemplo, o mentol (0,003 a 0,02%), o óleo essencial de
menta, o óleo essencial de anis (anetol), o fenolato de sódio, a cap-
saicina, temperos e evidenciadores dos flavorizantes (acidulantes).

313
Capitulo 5 - Manipulação

18.5. Considerações importantes sobre os fatores que


afetam a percepção do sabor amargo
A correção do sabor amargo é especialmente problemática; o
número de compostos que promovem o sabor amargo excede aos
compostos que evideciam o sabor doce (Bartoshuck e Beauchamp,
1994) e a relação entre estrutura-atividade é na maior parte, pouco
compreendida (Shallenberger and Acree, 1971).
São vários os fatores que afetam a percepção do amargo.
Uma melhor compreensão destes é de grande importância para um
trabalho efetivo no mascaramento deste sabor indesejável. Dentre
os fatores que afetam a percepção do amargo podemos citar:

1 8 . 5 . 1 . Interações entre sabores:


Uma comum ocorrência na psicofisiologia do paladar é o masca-
ramento da intensidade da percepção do sabor, em misturas con-
tendo dois ou mais componentes. A evidenciação do sabor é tam-
bém ocasionalmente observada, embora menos comum e normal-
mente observada em associações com baixas concentrações dos
componentes (Pfaffman et. al., 1971). Como exemplo, podemos
citar a supressão da magnitude do amargo, diretamente relacionada
com a intensidade do doce (uma maior concentração do edulcoran-
te). 0 salgado também tem sido relatado como fator de mascara-
mento do amargo; Pangbom (1960) relatou que concentrações limi-
ares de Cloreto de Sódio diminuem o amargo em preparações con-
tendo Cafeína. A evidenciação do sabor doce através de concentra-
ções limiares de Cloreto de Sódio tem sido atribuída ao sabor doce
que o NaCl possue em baixas concentrações, mas isto é especulati-
vo. Lawless and Stevens (1984) afirmam que a natureza da supres-
são se dá através de mecanismos diversos, tais como, mudanças no
fluxo salivar, efeitos inibitórios neurais, interações químicas ou re-
crutamento de canais gustatórios para carrear sinais competitivos.
Acidulantes em concentrações baixas, também têm sido relatados
como redutores do amargo; Pangborn (1960) relatou que níveis limi-
ares de Ácido Cítrico diminuem o amargo da Cafeína. Embora possa
parecer um contrasenso, sabemos que sabores intensamente amar-
gos podem ser melhorados com a adição de uma outra susbstância
menos amarga. Compostos moderadamente amargos atuam como
agonistas parciais, ocupando o receptor, induzindo a uma resposta
de amargo menos intensa e prevenindo que o composto mais amargo
acesse o receptor.
314
Capítulo 5 - Manipulação

18.5.2. Veículo:
A percepção do sabor não depende apenas do composto pre-
sente na formulação, depende também das propriedades físicas e
químicas do veícuío. Mackey (1985) relatou que o amargo da Cafeí-
na e do Quinino foi reduzido quando os compostos foram dispersos
em Óleo de Amendoim, em vez de água. A natureza hidrofóbica do
solvente pode ter alterado a velocidade de distribuição, reduzindo a
concentração salivar ou então a viscosidade do óleo pode ter influ-
enciado na resposta perceptiva.

18.5.3. Viscosidade:
0 aumento da viscosidade do veículo diminui a percepção do
sabor amargo.

18.5.4. Temperatura:
A percepção do amargo pode ser diminuída com o aumento
ou com a redução da temperatura da preparação.

18.5.5. Irritantes químicos orais:


A adição de agentes químicos irritantes orais tem sido pro-
posta como agentes de mascaramento da percepção. Lawless et al.
(1985) observaram que a percepção do amargo de uma solução de
Quinino foi, moderadamente, suprimida com a utilização prévia de
um rinse com solução de Capsaicina. A Capsaicina tem sido utilizada
em soluções dessensibilizantes do paladar em rinses em concentra-
ções de 100ppm.

18.5.6. Etanol:
0 Etanol devido a sua propriedade solubilizante, potencializa
o sabor amargo.

18.5.7. Modificadores do sabor:


Alguns compostos modificam o paladar, aparentemente, de-
vido à interação com receptores celulares do paladar (Kurihara,
1971). Ex.: Extrato de Gymnema Sylvestre e Dodecil sulfato de Só-
dio.

18.5.8. Status salivar:


Para uma substância ter acesso à célula receptora do pala-
dar, ela precisa estar solubilizada em um meio aquoso, no organis-

315
Capítulo 5 - Manipulação

mo, este meio é provido pela saliva. As relações entre a saliva e a


percepção do sabor têm sido estudadas. Sabe-se que sabores primá-
rios ácidos são efetivos na estimulação do fluxo salivar. Estas evi-
dências sugerem que os efeitos de diluição da saliva, devido ao au-
mento do seu fluxo, podem reduzir a percepção do amargo. Algumas
substâncias amargas também podem aumentar o fluxo salivar, em-
bora fracamente quando comparadas com substâncias ácidas.

18.5.9. Idade:
A sensibilidade para o paladar diminui com o envelhecimento
(Murphy, 1986).

18.6. Flavorizantes
Substância que confere ou intensifica o sabor e o aroma dos
alimentos (Decreto n°55.871 25/03/1965)

1 8 . 6 . 1 . Flavorizantes utilizados para mascarar alguns sabo-


res primários:
Doce: baunilha, vanilina, tutti-frutti, uva, morango, framboesa,
amora e hortelã-pimenta.
Ácido/azedo: cítrico, limão, laranja, cereja, framboesa, xaropes
mucilaginosos (goma arábica).
Salgado: amêndoas, xarope de canela, xarope de ácido cítrico, xa-
rope de maple, xarope de laranja, xarope de alcaçuz, framboesa,
butterscotch, xarope de cereja e xarope de chocolate.
Amargo: anis, café, chocolate, chocolate-menta, menta, limão,
laranja, pêssego, cereja, framboesa, lima, xarope de ácido cítrico,
xarope de cacau, xarope de alcaçuz e cravo.
Salino + amargo: xarope de canela, xarope de laranja e xarope de
ácido cítrico.
Oleoso: menta, anis, canela, hortelã (ex.: correção do sabor de
preparações com óleo mineral).
Metálico: morango, framboesa, cereja e uva.
Insipido: associar edulcorante e flavorizante, xarope de limão ou
xarope simples com tintura ou essência de limão.

316
Capitulo 5 - Manipulação

18.6.2. Sugestões de Flavorizantes por Classes de Drogas


Antibióticos: cereja, abacaxi, laranja, framboesa, banana + abaca-
xi, banana + baunilha, côco + creme, morango + baunilha, limão-
creme, cereja + creme, tutti-frutti-canela e maple.
Antihistaminicos: cereja, canela, creme, uva, mel, pêssego + laran-
ja, framboesa, baunilha, cacau.
Barbituratos: banana + abacaxi, banana + baunilha, canela + men-
ta, groselha + morango, pêssego + laranja, lima e laranja.
Descongestionantes e expectorantes: anis, cereja, côco + creme,
creme + menta + morango, groselha + pêssego, morango, limão,
laranja, laranja + limão, abacaxi, laranja + pêssego, morango,
framboesa e tangerina.
Eletrólitos: cereja, uva, framboesa e lima + limão.

Fonte: adaptado de Thompson

0 corante a ser utilizado em uma formulação deve ser sele-


cionado harmonicamente com o flavorizante (exemplo: verde para
menta, vermelho para cereja, etc.)

18.6.3. Sugestões de Flavorizantes para Produtos Veteriná-


rios
Pássaros: uva, laranja e tutti-frutti.
Gatos: carne, galinha, fígado, amendoim, peixe e queijo.
Cães: carne, queijo, galinha, fígado, marshmallow, amendoim,
framboesa e morango.
Equinos: maçã, cereja, cravo, caramelo e alfafa.
Bovinos: anis, maple, cravo, alfafa e anis-alcaçuz.
Cabras: maçã e caramelo.
Frangos: milho, melancia e leite.
Furões: peixe e frutal.
Iguanas: kiwi e melancia.
Coelhos: banana-creme e alface.
Porquinho-da-india: laranja e tutti-frutti.
Primatas: banana, chocolate e framboesa.
Répteis (exceto cobras): banana-creme e limão-creme.
Adaptado: IJPC - Internationat Journal of Pharmaceutical Compoundins July/August 1997.

317
Capitulo 5 - Manipulação

18.7. Monografias de alguns flavorizantes especiais e


corretivos de sabores

1 8 . 7 . 1 . Óleo deanis:
Óleo volátil destilado, obtido da Pimpineüa anisum, Linné
(Fam. UmbelUferae).
Composição: anetol (80 a 90%), metil chavicol (isômero do
anetol) e acetona anísica.
Descrição: óleo amarelado ou incolor com odor e sabor ca-
racterístico do anis.
Solubilidade: solúvel em 3 volumes de álcool a 90%.
Uso e aplicação: agente flavorizante (mascara o amargo),
flavorizante ideal para preparações oleosas, carminativo (0,1%).

18.7.2. Óleo essencial de canela:


Óleo volátil destilado, obtido da Cinnamonum cassia (Nees)
Nees ex Blume (Fam Lauraceae).
Composição: 80% de aldeídos totais (principal cinamaldeído).
Solubilidade: solúvel em igual volume de álcooi.
Descrição: óleo amarelado com odor e sabor característicos
de canela,
Uso e aplicação: agente flavorizante com bons resultados em
preparações oleosas, salinas e amargas, agente carminativo (0,05 a
0,2%).

18.7.3. Óleo essencial de cravo:


Óleo essencial destilado, obtido dos botões floridos da Euge-
nia caryophyllus (Fam. Myrtaceae).
Composição: 85 a 90% v/v de eugenol.
Descrição: óleo incolor ou amarelo pálido, com odor e sabor
característicos do cravo-da-índia.
Soiubilidade: miscível em álcool.
Uso e apiicação: agente flavorizante (1 a 3%) em preparações
odontológicas.

318
Capitulo 5 - Manipulação

18.7.4. Óleo essencial de menta:


Óleo volátil destilado, obtido da Mentha piperita.
Composição: mentol (na forma rotatória levógira), acetato
de mentila (éster do mentol) entre outros componentes voláteis.
Descrição: liquido incolor ou levemente amarelado.
Solubilidade: solúvel em álcool.
Usos e aplicações: agente flavorizante, anestésico, carmina-
tivo, antiséptico. Utilizado como flavorizante de antiácidos, pasti-
Ihas e gomas mastigáveis. 0 óleo essencial de menta apresenta um
efeito dessensibilizante do paladar, útil no mascaramento do sabor
amargo.

18.7.5. Óleo de Eucalipto:


Óleo volátil destilado, obtido de folhas frescas do Eucalyptus
çlobulus e outras espécies (Fam. Myrtaceae).
Composição: eucaliptol ou cineol (não menos que 70%) e ou-
tros compostos, incluindo o d-a-pineno, globulol, pinocarveol, pino-
carvona e vários aldeídos.
Descrição: liquido incolor ou amarelo pálido com uma carac-
terística aromática, odor camforáceo, sabor picante, pungente e
refrescante.
Soiubüidade: solúvel em 5 volumes de álcool 70%.
Uso e aplicação: agente flavorizante e expectorante.

18.7.6. Extrato fluido de Alcaçuz:


Extrato fluido preparado a partir de rizomas e raízes da
Glycyrrhiza glabra, Linné (Fam. Leguminosae)
Composição: 5 a 7% de glicirrizina ou Ácido Glicirrízico, o
qual é 50 vezes mais doce que o açúcar.
Uso e aplicação: no preparo do xarope de alcaçuz, flavori-
zante doce e muito eficiente no mascaramento de sabores amargos
(ex.: Quinino).

18.7.7. Glicirrizinato de amôneo (Magnasweet®)


Descrição: pó higroscópico ou forma pré-solubilizada em gli-
cerina ou propüenoglicol.
Aplicação e uso: é um evidenciador e potencializador do sa-
bor doce. Tem sido utilizado em sistemas adoçantes artificiais, xa-
319
Capítulo 5 - Manipulação

ropes (para gripe e para resfriado, antissépticos orais e antibióti-


cos), pastilhas mastigáveis (ex.: antiácidos) e vitaminas. Apresenta
efeito sinérgico com adoçantes naturais. Agente de mascaramento
para o after-taste amargo, o tempo de permanência do seu sabor é
maior. Deve ser utilizado em associação com edulcorantes.
Concentração usual: 0,1 a 0,5%.

18.7.8. Óieode Limão


Óleo volátil, obtido da expressão da pele fresca do fruto do
Citrus limon (Linné) Burmann filius (Fam. Rutaceae).
Composição: aldeído citral (4%), d-limoneno (cerca 90%) den-
tre outros componentes voláteis e não-voláteis.
Descrição: líquido amarelo, levemente amarelo ou amarelo
esverdeado, com odor e sabor característicos da pele do limão.
Solubilidade: miscível em álcool.
Aplicação e uso: agente flavorizante.

18.7.9. Óleo essencial de laranja


Óleo volátil, obtido por expressão da pele fresca do fruto do
Citrus sinensis (Linné) Osbeck (Fam. Rutaceae).
Composição: d-limoneno (90%) e 5 a 10% de outros constitu-
intes voláteis.
Descrição: líquido intensamente alaranjado, com odor e sa-
bor característicos da casca da laranja.
Solubilidade: miscível em álcool anidro.
Aplicação e uso: agente flavorizante em elixires e outras
preparações.

18.7.10. Salicilato de metila


Óleo obtido sinteticamente ou das folhas da Gaultheria pro-
cumbens (Ericaceae) e da casca da Betula lenta (Betulaceae).
Descrição: líquido incolor ou levemente amarelado com odor
aromático e sabor doce aromático.
Solubilidade: solúvel em álcool, em óleos e levemente solú-
vel em água.
Aplicação e uso: analgésico local, agente flavorizante (em pe-
quenas concentrações). A ingestão aceitável é de 500mcg/kg/dia.
Utilizado em pastilha e na flavorização de óleos (ex.: óleo de fígado
de bacalhau).
320
Capítulo 5 - Manipulação

18.7.11. Glutamato monossódico


Obtido da fermentação do açúcar de beterraba ou pela hi-
drólise de proteinas vegetais.
Descrição: pó cristalino branco e eflorescente.
Solubilidade: muito solúvel em água e levemente solúvel em
álcool.
Usos e aplicações: realça os aromas naturais. Muito eficiente
na redução do sabor metálico de preparações contendo ferro, po-
rém não pode ser utilizado em pediatria. A dose diária de ingestão
máxima recomendada é 120mg para adultos ou crianças maiores de
12 anos.

18.7.12. Mentol
Descrição: Pó branco cristalino ou cristais, com um forte o-
dor e sabor característicos. 0 mentol é uma mistura racêmica.
Solubilidade: muito solúvel em etanol, muito pouco solúvel
em glicerina e praticamente insolúvel em água.
Usos e aplicações: agente flavorizante, evidenciador do odor e
terapêutico. 0 mentol atua como dessensibilizante do paladar, em-
pregado muitas vezes para o mascaramento do sabor amargo de
determinadas substâncias.
Concentrações usuais:
• Suspensões orais: 0,003%
• Xaropes: 0,005 a 0,015%
• Comprimidos e pastilhas: 0,2 a 0,4%
• Pasta dental: 0,4%
• Enxaguatórios bucais: 0,1 a 2,0%
• Spray oral: 0,3%

18.7.13. Vanilina:
Obtida da baunilha.
Descrição: cristais finos brancos ou ligeiramente amarelados.
Solubüidade: 1g dissolve em 100 mL de água, cerca de 20 mL
de glicerina, facilmente solúvel em álcool.
Incompatibilidade: combina com a glicerina formando um
composto quase insolúvel em álcool. É decomposta por álcalis e é
oxidada lentamente pelo ar.
Aplicações e usos: como flavorizante de fundo para mascarar
sabores desagradáveis.
Concentração usual: 0,01 a 0,02% p/v.

321
Capitulo 5 - Manipulação

18.8. Flavorizantes Especiais para Preparações Farma-


cêuticas: Soluções para a correção de sabores em For-
mas Farmacêuticas

18.8.1. Banana creme anidro


(flavorizante composto banana/creme):
Composicão: acetato de amila, álcool amílico, formato de
butila, acetato de butila, vanilina, propionato de amila, corante
certificado FDC amarelo # 5 e propilenoglicol.
Características: flavorizante anidro; hidromiscível; pH em so-
lução aquosa 1% : 6,71, sol.2% : 6,62 e sol. 3% 6,53 a 6,82.
Empregos: indicado para preparações anidras, tais como,
pastilhas à base de polietilenoglicóis e também para formulações
aquosas. Flavorizante especialmente interessante para corrigir o
sabor da nistatina, alguns antibióticos e barbitúricos.

18.8.2. Chlorexidine
(flavorizante especial para preparações contendo clorexidina):
Composição: propilenoglicol, álcool, mentol, eugenol, óleo
essencial de hortelã, óleo essencial de Mentha Piperita, salicilato de
metila, polisorbato 20, corante artificial certificado FDC azul # 1.
Caracteristicas: flavorizante hidrosolúvel.
Empregos: flavorizante ideal para mascarar o sabor adstrin-
gente da clorexidina. Pode ser utilizado nas formulações de enxa-
guatórios bucais e géis dentais contendo este ativo.

18.8.3. Chocolate anidro:


Composicão: extrato de cacau, etil vanilina, valinina, ligni-
na, cinamato de amila, acetato de fenil butila, isovalerato de buti-
la, cinamato de isobutila, acetato de fenil amila, cinamato de fenil-
propila, furfural, álcool furfuril, linalol, propenilguaetol, isovaleral-
deído, diacetil, dimetilpiranina, óleo de orégano, dimetilsulfito,
propilenoglicol e álcool benzílico.
Características: flavorizante anidro lipossolúvel.
Emprego: flavorizante concentrado e compatível bases ani-
dras tais como base de chocolate, base de polietilenoglicol para
pastilhas medicamentosas.

322
Capitulo 5 - Manipulação

18.8.4. Coffee anidro (Café):


Composição: propilenoglicol, extratos de café, formato de
etila, metilciclopentenolona, diacetil, fenilacetato de amila metil-
mercaptano.
Características: flavorizante anidro lipossolúvel e hidromiscí-
vel; pH em solução aquosa 1%: 6,71, solução aquosa 2%: 6,62, solu-
ção aquosa 3%: 6,62 a 7,2.
Emprego: flavorizante preferencial de adultos e com aplica-
ção no mascaramento de preparações contendo fármacos de sabor
amargo. Pode ser incorporado em preparações anidras e aquosas.

18.8.5. Creme de Menthe anidro


(Creme de Menta: flavorizante composto para fármacos amargos):
Composição: propilenoglicol, álcool etílico, óleos essenciais
de Mentha piperita e limão, corante artificial certificado FDC azul #
1 e amarelo # 5.
Caracteristicas: flavorizante anidro lipo e hidrossolúvel; pH
em solução aquosa 1%: 6,82, solução aquosa 2%: 6,73, solução aquo-
sa 3%: 6,64.
Empregos: flavorizante preferencial para mascaramento do
sabor amargo de preparações farmacêuticas, apresenta boa perfor-
mance na flavorização de preparações com antibióticos betalactâ-
micos. Pode ser utilizado em preparações anidras e aquosas.

18.8.6. Honey anidro (Mel):


Composição: álcool, propilenoglicol, mel, aldeídos e cetonas.
Caracteristicas: flavorizante anidro lipo e hidrossolúvel; pH
em solução aquosa 1%: 6,71, sol. 2%: 6,80, sol. 3%: 6,62.
Empregos: flavorizante preferencial para preparações com
antibióticos. Empregado em preparações anidras, tais como, solu-
ções oleosas de uso oral e também em preparações aquosasb como,
suspensões e xaropes.

18.8.7. Maple:
Composição: propilenoglicol, água, feno-grego, café, bauni-
Iha, farinha de São João, açúcar de maple e glicerina.
Características: flavorizante hidratado; hidrossolúvel; pH em
solução aquosa 3%: 6,73.
323
Capitulo 5 - Maniputação

Empregos: flavorizante preferencial para adultos e para mas-


caramento de sabores salgados. Pode ser utilizado em preparações
aquosas como xaropes, elixires e suspensões orais de uso humano e
também veterinário (gado).

18.8.8. Marshmallow:
Composição: água, propilenoglicol, vanilina, benzodihidropi-
rona, heliotropina, oxihidrato de etila, óleo de limão, óleo de laran-
ja e óleo de noz-moscada.
Características: flavorizante hidratado; hidrossolúvel; pH so-
lução aquosa 3%: 4,38.
Empregos: sabor atrativo para crianças e adultos. Flavorizan-
te de fundo (ideal para combinação com outros flavorizantes) com
ótimos resultados no mascaramento de preparações contendo fár-
macos amargos. Pode ser empregado em preparações líquidas, sóli-
das ou semi-sólidas de uso oral que contenham água.

18.8.9. Raspberry anidro


(Flavorizante de Framboesa anidro):
Composição: acetato de etila, butirato de etila e outros és-
teres, alfa-ionona e outras cetonas, vanilina e outros aldeídos, mal-
tol, óleo de laranja e outros óleos cítricos, propilenoglicol, suco de
framboesa negra, corante certificado FDC Vermelho #40 e Azul #1.
Características: flavorizante anidro lipo e hidrossolúvel; pH
em solução aquosa 1%: 6,29, solução aquosa 2%: 5,86 e solução a-
quosa 3%: 5,34.
Empregos: flavorizante ideal para mascarar sabores excessi-
vamente doces, salinos e metálicos. Flavorizante de escolha em
preparações contendo antibióticos, antihistamínicos, descongestio-
nantes, expectorantes e eletrólitos. Pode ser utilizado em prepara-
ções anidras e aquosas de uso humano e também de uso veterinário
(cães e primatas).

18.8.10. Óleo de Tangerina:


Composição: tangerina natural e óleos essenciais de laranja.
Caracteristicas: flavorizante anidro solúvel em álcool e ó-
leos. Miscível em preparações aquosas com utilização de polisorbato
20. pH em solução aquosa 1%: 6,87, solução aquosa 2%: 6,68 e solu-
324
Capitulo 5 - Manipulação

çãoaquosa 3%: 6,28 (utilizando polisorbato 20 para dispersão 1:1).


Empregos: ideal para flavorização de preparações oleosas de
uso oral e preparações aquosas com fármacos de sabor amargo,
principalmente em preparações contendo expectorantes e descon-
gestionantes. Pode ser utilizado em preparaçòes anidras e aquosas
(com uso de tensioativo).

18.8.11. Peanut Butter anidro


(Flavorizante com sabor de pasta de amendoim):
Composicão: propilenoglicol, álcool benzílico, metilpirazina,
acetil pirazina, benzaldeído, metilciclopentenolona e decalactona.
Caracteristicas: flavorizante anidro lipossolúvel e hidromiscí-
vel; pH em solução aquosa 1%: 6,99, solução aquosa 2%: 6,71, solu-
ção 3%: 6,46.
Empregos: Flavorizante para uso humano, principalmente em
preparações anidras, tais como, preparações oleosas de uso oral,
pastilhas a base de gorduras vegetais hidrogenadas, pasta de amen-
doim e em preparações de uso veterinário (contituindo um sabor
preferencial de gatos e cachorros). Pode ser utilizado em prepara-
ções anidras e aquosas.

325
Capítulo 5 - Manipulação

18,9. Microrevestimento de fármacos - Alternativa para


mascaramento
0 microrevestimento de fármacos com polímeros representa
uma alternativa para o mascaramento do sabor de fármacos com
paladar desagradável.

1 8 . 9 . 1 . Sugestões de Formulações

A. Solução para Microrevestimento com acetoftalato de celulose:


Fármaco 10 g
Monoestearato de glicerila 5g
Solução Acetoftalato de celulose 15% .. 100 ml_

B. Solução de Acetoftalato de celulose 15% p/v:


Acetoftalato de ceiulose 15 g
Acetona qsp 100 ml_

Procedimento:
Passo 1: Adicione o MEG à solução de acetoftalato de celulose.
Aqueça a 50°C (placa aquecedora ou BM), agitando até a obtenção
de uma soluçào límpida.
Passo 2: Adicione o fármaco tamisado ao passo 1.
Passo 3: Agite vigorosamente, em uma capela com exaustão por 1 a
2 horas a 50°C, para deixar que a reação se complete.
Passo 4: Espalhe o passo 3 em uma placa para espatulação, utilizan-
do uma espátula de borracha.
Passo 5: Deixe o passo 4 secar sob a capela. Uma crosta irá se for-
mar na placa. Deixe secar até que desapareça todo o odor de ace-
tona.
Passo 6: Raspe a crosta, triture o pó em um gral e deixe secar.
Passo 7: Determine um fator de correção.

C. Solução para Microresvestimento com Eudragit L-100:


Fármaco 10 g
Eudragit L-100 3g
Óleo vegetal hidrogenado* 2g
Acetona 200 mL
"Lubritab®

326
Capitulo 5 - Manipulação

Procedimento de preparo:
Passo 1: Em um gral triture o óleo vegetal hidrogenado.
Passo 2: Em um béquer, disperse o passo 1 em acetona. Tamise den-
trodo mesmo Eudragit L-100 para dispersá-lo bem.
Passo 3: Tamise também, dentro do béquer o fármaco. Agite vigoro-
samente para assegurar uma mistura uniforme. Se houver formação
degrumos, agite vigorosamente até completa dispersão.
Passo 4: Mantenha agitando até a completa evaporação da acetona.
Para obter um melhor revestimento do fármaco, cubra o béquer
com um vidro relógio para permitir mais tempo para a reação com-
pletar.
Nota: Observe a preparaçõo de tempo em tempo. Levará cerca de 5 a 6 horas para a acetona
evaporar. Se a acetona evaporar antes deste tempo, adicione um pouco mais de acetona,
para estender a reação em 5 a 6 horas. Uma crosta dura irá se formar no béquer (complexo
comofármaco).
Passo 5: Raspe a crosta dura do béquer e coloque em um prato para
aevaporação.
Passo 6: Coloque o passo 5 em uma estufa na temperatura de 50°C
para secar. Neste passo, a acetona residual irá se evaporar. Cheque
o peso do prato de evaporação. Quando o pó estiver completamente
seco, não haverá mais mudanças no peso. Este passo levará várias
horas.
Passo 7: Retire o passo 6 da estufa e triture a crosta até formar um
pó fino.

Nota:
| Proteger o produto da tuz.
2. )5g do produto revestido equivale a cerca de 10 g do fàrmaco puro.
3. Este pó revestido poderá ser suspendido (suspensõo). Porém, a estabilidade da suspensão
serà somente por 2 semanas, pois, o microrevestimento pode ser quebrado e então o sabor
desagradàvel do fármaco poderá ficar evidente novamente.

Estabilidade do pó revestido: cerca de 180 dias.

327
Capítulo 5 - Manipulação

19. Edulcorantes (adoçantes)

Existe um adágio antigo que diz: "Uma colher de açúcar ajuda


o remédio descer melhor". Isto nos faz lembrar que o sabor doce,
tem sido utilizado para mascarar o amargo já há muito tempo.
Por ser mais desejável, o sabor doce é utilizado para cobrir ou
balancear o amargo. Na verdade, o doce e o amargo podem intera-
gir de várias maneiras. Através do efeito de mascaramento, no qual
o sabor doce é utilizado para cobrir, balancear ou sobrepor ao sabor
amargo. Ou então, como alguns adoçantes atuam, inibindo a per-
cepção de algumas substâncias amargas.
Estudos experimentais demonstram uma relação entre os re^
ceptores para paladar doce e os receptores para paladar amargo. É
bem conhecido que em uma mistura contendo uma susbstância doce
e outra amarga, a percepção de ambos paladares (doce e amargo) é
reduzida. Não há um consenso se esta supressão ocorre nas papilas
gustativas (Lawless, 1982) ou no cérebro (Kroeze and Bartoshuk,
1985). Parece haver uma reatividade cruzada entre os receptores
para amargo e doce.
Um aspecto muito curioso da percepção de um adoçante, é o
fenômeno do perfil temporal - o tempo para o início da percepção
do sabor e a duração da percepção deste (Carr et al., 1993). A saca-
rose, considerada ideal, tem o início e a duração da percepção do
seu sabor, razoavelmente rápido. Adoçantes como o acesulfame e a
sacarina têm um início da percepção mais rápido do que a sacarose,
com uma curta duração da sensação. Já a glicirrizina, tem a per-
cepção do seu sabor doce inicial muito lenta e permanecendo por
um período prolongado (veja figura a seguir). Isto indica que os di-
ferentes edulcorantes podem atuar por diferentes mecanismos. Em-
bora o sabor amargo não tenha sido tão bem estudado sobre este
aspecto, sabe-se que qualitativamente o amargo tem seu início de
percepção lenta e seu tempo de permanência da percepção maior.
Podemos concluir que em virtude deste fator de percepção tempo-
ral, os edulcorantes com perfil de permanência mais longo são me-
Ihores para mascarar o amargo. A sacarina e acesulfame apresentam
curta duração, por isto são menos utilizados do que o aspartame.

328
Capitulo 5 - Manipulação

10 O
■o -o
<D O .

■8 a - 9
<" } ; ">

£oi

Representaçáo esquemática de perfil temporai da percepção do sabor

Um grande número de agentes é utilizado como edulcorante,


incluindo a sacarose, a glicose, o xarope de milho, o sorbitol, o ma-
nitol e outros açúcares. Normalmente, estes açúcares são emprega-
dos em grandes concentrações, influenciando na viscosidade do veí-
culo e podendo retardar a velocidade de dissolução de algumas dro-
gas. Edulcorantes não-calóricos (ex.: sacarina e aspartame) também
podem ser empregados, com a vantagem de apresentar poder
adoçante muito maior do que os açúcares.
Algumas misturas de diferentes edulcorantes (ex.: aspartame
+ acesulfame) produz sinergia e um alto nível de dulçor na mistura,
maior do que seria previsível com o uso isolado dos edulcorantes
(Roy, 1997). Outras misturas (ex.: sacarina + acesulfame) são estri-
tamente aditivas e provavelmente competem por receptores co-
muns (Caret. al., 1993).

329
Capitulo 5 - Manipulação

19.1. Principais Edulcorantes empregados em


Formulações Orais Líquidas
Tabela 4 2 : Principais Edulcorantes para Formulações Orais
Líquidas

Edulcorante Concen- Solubi- Poder pH incompatibilidades


tração lidade adoçante* estabilidade e
usual comentários
Sacarose Até 85% Agua, Metais pesados po-
álcool dem conduzir a
incompatibilidades
com ativos (ex.vit.C)
Sorbitol 20 a 70% Agua 0,5 a 0,7 X ions metálicos di e
trivalentes em condi-
ções extremamente
ácidas ou alcalinas
Manitol 7% Agua 0,7 X Forma complexos
com alguns metais
(Fe, Al, Cu)
Soluções conc. > 20%
podem se precipitar
com NaCl, KCi e com
contato com plástico
Sacarina 0,04 a Agua 300 X >2,0 Altas temperaturas
sódica 0,6% (1:1,2) (>125°C)
Esteviosidio 0,1 a0,5% Muito 300 X
solúvel
em
água
Aspartame" 0,1 a0,5% Agua 180 X 2,0 a 5.0 Altas temperaturas
(1:100)
Ciclamato Até0,17% Agua 30 X
sódio (1:5)
Acesulfame 0,3 a Agua 180 a 200 X (pH ácido) boa estabilidade ao
de K"* 0,5% (1:3,7) máx. 3,0 a calor
3,5 Sinergismo edulco-
rante com ciclamato
sódico e aspartame.
Frutose 45 a 99,5% Agua 1.17X máx. 3,0 a Àcidos e bases for-
(1:0,3) 4,0 tes, na forma aldei-
dica reage com
aminas, aminoácidos,
péptides e proteínas
(coloração marrom)
Estabilidade ao calor
até 70-C.
Propriedade eviden-
ciadora do sabor.
Limitaçào de dose
para diabéticos até o
lü.ix. de 2 5 / d i a .

330
Capitulo 5 - Manipulação

Tabela 42: Principais Edulcorantes para Formulações Orais


Liquidas
Fonte: adaptado Thompson e Handbook of Pharmaceuticat excipients
'Poder adocante comparado à sacarose.
" 0 aspartame è uma combinação de dois aminoácidos, o Ácido L-aspártico e a L-fenilalanina
em sua forma de metil éster. Devido ao fato de conter a fenilalanina, o aspartame não deve
ser utilizada por fenilcetonúricos linabilidade de metabolizar a fenilalanina).
"* 0 acesulfame de K é sintetizado a partir do éster Terci-butil do Ácido Acetoacético e o
Isocianato Fluorosulfonil. Apresenta efeito edulcorante sinérgico com Aspartame e o Cicla-
moto Sódico.

19.2. Fórmulas Edulcoradas e Flavorizadas

19.2.1. Xarope Simples (1 litro)


Sacarose (açúcar refinado) 850g
Benzoato de sódio 2g
Água destilada qsp 1000 ml
Nota: Nâo levantar fervura, pois poderá haver formação de açúcar invertido.

Procedimento:
Pesar precisamente os ingredientes sólidos misturando-os.
Adicionar água destilada ao açúcar e o conservante, completar o
volume com água destilada.
Misturar todos componentes e aquecer até a dissolução, completan-
do ao volume final.
Embalagem: frasco de vidro âmbar, bem fechados.
Armazenamento: temperatura ambiente (15 a 30°C).
Estabilidade: 1 ano.

19.2.2. Xarope de Chocolate ou Cacau


(veículo edulcorado) - Remington
Chocolate em pó 18,0% (flavorizante)
Açúcar refinado 60,0% (edulcorante)
GÍicose liquida * 18,0% (edulcorante)
Glicerina 5,0%(diluente e edulcorante)
Cloreto de sódio 0,2% (adjuvante)
Benzoato de sódio 0,1% (conservante)
Vanilina 0,02% (flavorizante)
Água destilada qsp 100 ml (veículo)
• Xarope de milho (utilizar o produto comercial Karo')
331
Capítulo 5 - Manipulação

Procedimento de preparo:
Passo 1: Pesar e medir separadamente os componentes da formula-
ção.
Passo 2: Dissolver o Cloreto de Sódio e o Benzoato de Sódio em 32,5
ml_ de água aquecida a 85°C).
Passo 3: Quando a água do ítem anterior atingir 85°C, desligar, a-
crescentar o açúcar mais a glicose líquida e a glicerina. Ligar o a-
quecimento novamente e homogeneizar utilizando um misturador
de hélice, acrescentando aos poucos o chocolate em pó. Desligar o
aquecimento, deixando a temperatura baixar para 40°C e então,
adicionar a vanilina solubilizada em qs de álcool.
Passo 4: Aguardar 12 horas e insuflar nitrogênio no xarope e no fras-
co.
Embalagem: vidro âmbar
Conservação: em local fresco, em vidros previamente purgados com
nitrogênio.
Estabilidade: 1 ano.

19.2.3. Xaropes flavorizados (480 mL)


Flavorizante concentrado* 15 mL
Ácido Cítrico 0,1%
Xarope simples qsp 480 mL
* Cereja, moran%o, uva, framboesa ou laranja.

19.2.4. Xarope de Acácia (1000 mL)


Goma arábica (acácia) 100g
Benzoato de Sódio 2g
Extrato de Baunilha puro 5 mL
ou flavorizante de Marshmallow 30 mL
Sacarose 800 g
Água purificada qsp 1000 mL

Preparo:
Passo 1: Misture a Goma Arábica, o Benzoato de Sódio e a Sacarose.
Passo 2: Adicione 425 mL de água purificada (ex.: água destilada) e
misture bem.
Passo 3: Aqueça a mistura em banho-maria até completa dissolução.
Passo 4: Quando esfriar, remova a espuma formada acima do xaro-
pe.
Passo 5: Adicione o flavorizante, misturando-o bem.
Passo 6: Complete o volume com a água.
332
Capítulo 5 - Manipulação

Embalagem: vidro âmbar.


Conservação: Temperatura ambiente protegido do calor excessivo.
Estabilidade aproximada: 6 meses.

19.2.5. Veículo para Suspensões Orais com Fármacos Amar-


gos
Fármaco amargo Xg
Esteviosídeo 0,1%
Sacarina sódica 0,05%
Goma xantana 0,2%
Benzoato de sódio 0,2%
Glicerina qs para levigar
Xarope de chocolate ou
Xarope simples flavorizado * qsp 100 ml_
'Fiavorizantes: chocolate, framboesa, creme de menta, tutti-frutti • 1mL/30mL.
'Óleo essencial de menta - 2 $otas/30 mL.

Preparo:
Passo 1: Triture o ativo em um gral com o pistilo, misture a goma
xantana, o benzoato de sódio (caso o xarope base não contenha
conservante), a sacarina sódica e o esteviosídeo.
Passo 2: Adicione qs de glicerina e triture até formação de pasta
homogênea e sem grumos.
Passo 3: Incorpore o flavorizante escolhido à pasta. Adicione o óleo
essencial de menta.
Passo 4: Adicione quantidade suficiente de xarope de chocolate ou
do xarope simples até completar o volume desejado.

19.2.6. Veículo para Suspensões Orais para Fármacos Ex-


tremamente Amargos
Fármaco extremamente amargo xg
Esteviosideo 0,8 %
Sacarina sódica 0,1%
Acesulfame de potássio 0,5%
Goma xantana 0,5%
Benzoato de sódio 0,5%
*Aspartame 1,0%
Glicerina qs para levigar

333
Capítulo 5 - Manipulação

Flavorizantes: Chocolate 5%, Creme de menta 2,5%, Tangerina 2%,


MarshmaUow 2%: total de 11,5%.
Óleo essencial de menta 1 a 2 gotas/30 ml_.
Xarope de chocolate ou xarope simples qsp 100 ml_
"Opcional (depende da situaçâo)

Preparo:
Passo 1: Triture o ingrediente ativo em um gral com o pistilo, mis-
ture a Goma Xantana, o Benzoato de Sódio, a Sacarina Sódica e o
Esteviosídeo (e o aspartame).
Passo 2: Adicione qs de glicerina e triture até formação de pasta
homogênea e sem grumos.
Passo 3: Incorpore o flavorizante escolhido à pasta. Adicione o óleo
essencial de menta.
Passo 4: Adicione quantidade suficiente de xarope de chocolate ou
do xarope simples até completar o volume desejado.

19.2.7. Xarope de Alcaçuz


Óleo essencial de funcho 0,05 ml_
Óleo de anis 0,5 ml_
Extrato fluido de alcaçuz 250 mL
Xarope simples qsp 1000 mL
Veículo bom para fármacos amargos.
Incompatível com ácido (causa precipitação da glicirrizina e perda
da ação flavorizante)

19.2.8. Xarope de Ácido Cítrico ou Xarope de Limão (USP)


Ácido cítrico (hidratado) 10g
Tintura de limão 10 mL
Água destilada 10 mL
Xarope simples qsp 1000 mL
Veiculo bom para fármacos amargos ou salgados.
Não é adequado para componentes alcalinos.

19.2.9. Solução Edulcorante com Frutose (100mL)


Sacarina sódica 2g
Ciclamato sódico 10g
Frutose 60g
Água destilada +/- 51 ml
334
Capítulo 5 - Manipulação

Procedimento de preparo:
Passo 1: Dissolver os pós na água aquecida a 60/65° C.
Passo 2: Ajustar o volume final.
Passo 3: A solução deverá ficar límpida e transparente.
Passo 4: Aguardar 12h em respouso..
Passo 5: Filtrar em malha para xarope.

335
Capitulo 5 - Manipulação

20. Xampus
São produtos destinados primariamente à limpeza dos cabe-
los e do couro cabeludo, porém podem ser acrescidos de princípios
ativos com ação terapêutica.

20.1. Componentes Básicos de um Xampu:

20.1.1. Água:
Responsável pela diluição dos tensioativos ("agentes espu-
mantes" responsáveis pela remoção das sujidades). E a matéria-
prima de maior concentração na formulação, devendo possuir boa
qualidade microbiológica e quimica, ser purificada e recém deioni-
zada.

20.1.2. Detergente (tensioativo):


Substância que por possuir em sua estrutura molecular gru-
pos hidrofílicos (que ligam à água) e lipofílicos (liga à gordura, su-
jeiras dos cabelos), tem a capacidade de alterar a força de ligação
entre a sujeira e o cabelo, removendo-a .

20.1.3. Principais Tensioativos:


A. Aniônicos: em contato com água adquirem uma carga negativa.
B. Catiônicos: em contato com a água adquirem carga positiva.
C. Anfóteros: dependendo do pH do meio, adquirem carga positiva
ou negativa, pH ácido (+) ou pH básico (-)
D. Não iônicos: Não formam carga ao entrar em contato com a água.

2 0 . 1 . 4 . Espessantes:
São adicionados para aumentar a viscosidade do xampu,
permitindo que ao ser despejado do frasco possa ser aparado pelas
mãos, não escorrendo por entre os dedos.
Exemplo: Cloreto de Sódio (melhor espessante, aumenta a viscosi-
dade do xampu até um valor máximo, a partir do qual qualquer
quantidade a mais adicionada, leva a uma diminuição da viscosida-
de, sem possibilidade de correção), hidroxietilcelulose (Natrosol),
Carbopol 2020, PEG 6000, PEG DOE 120, Glutamate.

336
Capitulo 5 - Manipulação

Tabela 43: Tensioativos usados e m xampus

Nome quimico Nome Propriedades


Comercial
Base Perolada Dehykont PK 771 Tensioativo com propriedade nacarante para
xampus perolados
Coco betaína Betaion CAB Tensioativo anfótero, estabilizador de espu-
ma, agente condicionante; associado a aniô-
nicos aumenta a viscosidade dos xampus.
Cocoamido propil Dehyton KB, Tensioativo anfótero, estabilizador de espu-
betaína Betaion CAPB ma, agente condicionante; associado a aniô-
nicos aumenta a viscosidade dos xampus
Cocoanfocarboxi- Betaion AC 50 Tensioativo anfotérico, estabilizador de
glicinato Dehyton G espuma, agente condicionante; associado a
aniônicos aumenta a viscosidade dos xampus.
É o menos irritante dos 3 anfóteros e tem pior
efeito sobre a viscosídade.
Decil poliglicosideo Plantarem 2000 Tensioativos não-iônicos, poder espumante
muito bom, baixa reserva de viscosidade,
baixo poder irritante
Dietanolamida de Comperlan KD e Tensoativo não-iônico, espessante, sobreen-
ácidos graxos de KDB gordurante, estabilizador de espuma, ótimo
coco espumante e doador de viscosidade.
Lauril éter sulfato Texapon 70. Tensioativo aniônico, ótimo poder espuman-
de sódio Laurion N, Ge- te, boa detergência, média irritabilidade aos
napol LRO-B olhos, baixa agressividade aos cabelos e boa
reserva de viscosidade
Lauril éter sulfato Fongrapol LES, Tensioativo aniõnico, bom poder espumante,
de sódio/lauril Texapon SBN. boa detergência, baixa irritabilidade aos
éter sulfosuccinato olhos, ótima solubilidade em água, baixa
de sódio agressividade aos cabelos e boa reserva de
viscosidade
Lauril éter sulfato Texapon TB, Tensioativo aniônico, ótimo podei espuman-
de trietanolamina te, ótima detergência, reguiar irritabilidade
aos olhos, ótima solubiiidade em água, baixa
agressividade aos cabelos e baixa reserva de
viscosidade.
Lauril poliglicosi- Plantarem 1200 Tensioativo não-iônico, poder espumante
deo muito bom, boa reserva de viscosidade quan-
do associado a tensoativos aniônicos e baixo
poder irritante aos olhos.
Lauril sulfato de Texapon A 400 B, Tensioativo aniônico, ótimo poder espuman-
amônio Frongrapol LSA te, ótima detergência, regular irritabilidade
aos olhos, boa solubitidade em água, agressi-
vidade aos cabelos regular e ótima reserva de
viscosidade
Laurii sulfato de Texapon AM, Tensioativo aniônico, ótimo poder espuman-
amônio/Lauril éter Empicol CJ. te, ótima detergência, regular irritabilidade
sulfato de amônio aos olhos, boa solubilidade em água, agressi-
vidade aos cabelos regular e reserva de visco-
sidade boa.
Capítulo 5 - Manipulação

20.1.5. Conservantes:
São indicados conservantes de amplo espectro e solúveis em
água.

20.1.6. Composição Aromática (essência):


A essência destinada ao xampu deve ser própria para este ti-
po de produto e a concentração utilizada deve estar entre 0,2 e
0,5%. Deve deixar um cheiro refrescante e suave no ambiente e nos
cabelos.

20.1.7. Corretivo de pH:


O pH ideal para um xampu está na faixa de 5,5 a 6,5. Ex: A-
cidular com solução de ácido cítrico.

2 0 . 1 . 8 . Agentes Sequestrantes:
Formam complexos com íons metálicos. Exercem efeito si-
nérgico com os agentes conservantes, além de prevenir a descolora-
ção do produto. Ex.: EDTA - Na2

20.1.9. Opacificante:
Confere aos xampus efeito perolado.

20.1.10. Aditivos:
A. Cosmiátricos: silicones, hidrolisados de proteínas, trigo, querati-
na, colágeno.
B. Fitoterápicos: extrato glicólico de jaborandi, hamamellis, camo-
mila, algas, etc.
C. Ativos terapêuticos: anticaspa, seborréia, antiqueda, anti-
psoríase, pediculicida, etc.
D. Filtros solares: solúveis em água.
E. Condicionantes: poliquaternários.

NOTA: Um xampu, para ser bem aceito pelo consumidor, deve formar espuma abundante e
consistente, Limpar, ter viscosidade adequada, ter perfume e cor agradáveí.

338
Capitulo 5 - Manipulação

20.2. Aditivação de Princípios Ativos em Xampus


(xampus bases):

Material utilizado:
• Cálice (volume adequado à formulação)
• Bastão
• Balança
• Papel manteiga

Preparo:
Passo 1: Pesquisar a solubilidade(s) ou a miscibilidade(s) do(s) prin-
cipio(s) ativo(s).
Passo 2: Pré-solubilizar ou micronizar o PA com o mínimo de solven-
te que afete o menos possível a viscosidade do xampu, como a á-
gua, o propilenoglicol, a glicerina, o próprio xampu e a dietanola-
mina (princípios ativos lipossolúveis) em um cálice com o auxílio de
um bastão (solubilização) ou em um gral (levigação).
Passo 3: Verter uma pequena quantidade do xampu base sobre o
Princípio Ativo homogeneizando-o completamente, em seguida adi-
cionar o restante do xampu base para completar o volume final.
Passo 4: Embalar e rotular.

339
Capitulo 5 - Manipulação

2 1 . Emulsões (Cremes e Loções Cremosas)


veja também pág: 299.

Mistura de dois líquidos imiscíveis, na qual um deles está dis-


perso no outro, em forma de goticulas líquidas.

21.1. Aditivação de Princípios Ativos em Emulsões

21.1.1. 0/A - Óleo / Água:


Fase interna óleo e externa água. Sensação menos oleosa,
refrescância e absorção rápida. A água é a fase externa e está em
contato com a pele.

2 1 . 1 . 2 . A/O - Água / Óleo:


Fase externa óleo e interna água. Sensação mais oleosa. 0
óleo é a fase externa em contato com a pele.

Nota: Para saber se a emutsõo é 01A ou AIO, acrescentar óguo e corante. Se homogeneizar
com a coloracão da cor da preparação, a fórmula é aquosa; se nõo, é óleosa. As emutsões são
formas farmacêuticas liquidas ou pastosas, de aspecto leitoso ou cremoso, resultantes da
dispersão de um líquido no seio de outro, no qual é imiscível à custa de um agente emulsifi-
cante.

21.2. Componentes de Emulsões

21.2.1. Fase aquosa:


Água deionizada, pois o cálcio e o magnésio desestabilizam
a emulsão. Depois são acrescentados os componentes solúveis, os
conservantes, os edulcorantes e os aromatizantes.

21.2.2. Faseoleosa:
Óleos ou ceras nos quais são acrescentados os componentes
solúveis, as essências, os conservantes e os antioxidantes.

21.2.3. Agente emulsificante:


Dá estabilidade à emulsão, reduzindo a tensão superficial
entre o óíeo e a água e retardando a separação das fases.

340
Capitulo 5 - Manipulação

21.2.4 Conservantes:
Os conservantes protegem o produto contra fungos e bacté-
rias. De preferência devem ser adicionados na fase aquosa, uma vez
que esta é mais susceptível a contaminação. É bom lembrar que
alguns agentes emulsionantes podem diminuir ou até mesmo neutra-
lizar o efeito de determinados conservantes (ex.: tween 80 e para-
benos).

21.2.5 Essências e ou corantes:

21.2.6 Antioxidantes:
Previnem processos auto-oxidativos de óleos e gorduras (ex.:
metabissulfito de sódio e BHT)

21.2.7 EHL (equilíbrio hidrófilo-lipófilo):


É o equilíbrio entre as fases aquosa e oleosa.

21.2.8. Sequestrantes:
Substâncias que complexam íons metálicos, inativando-os em
sua estrutura, impedindo deste modo sua ação danosa sobre os ou-
tros componentes da formulação. Age em sinergismo com os conser-
vantes.

21.3. Preparo de Emulsões (Procedimento Geral)


passo 1: Aquecer todos os componentes óleo solúveis à cerca de 70
a 75°C.
Passo 2: Aquecer todos os componentes hidrossolúveis, à cerca de
70 a 75°C.
Passo 3: Adicionar uma fase à outra, lentamente, agitando (a fase
com maior quantidade sobre a de menor quantidade).
Passo 4: Adicionar corantes, essências, hormônios, vitaminas, bioa-
tivos, (matéria prima de natureza orgânica em geral) quando esfriar
a cerca de 30°C.

341
Capitulo 5 - Manipulação

22.Cremes
2 2 . 1 . Aditivação de Principios Ativos e m C r e m e s

Material utilizado:
• Papel manteiga
• Placa de vidro ou gral
• Espátula ou pistilo
• Balança de precisão

Procedimento:
Passo 1: Pesar o(s) princípio ativo(s), pré-solubilizados ou microni-
zados (Levigar) com solvente adequado (ex.: propilenoglicol) e
compatível com a emulsão.
Passo 2: Pesar o creme, descontando-se o peso do(s) Princípio(s)
Ativos(s); adicioná-lo aos poucos ao princípio ativo micronizado ou
solubilizado, espatulando na placa ou homogeneizando com o pistilo
no gral.
Passo 3: Embalar em pote ou bisnaga e rotular.

342
Capítulo 5 - Manipulação

23.Loções C r e m o s a s

23.1. Aditivação de Loções Cremosas

Material utilizado:
• Cálice
• Bastão
• Papel manteiga
• Balança de precisão

Procedimento:
Passo 1: Pesar ou medir o(s) Princípios (s) Ativos(s), pré-solubiliza-
dos ou micronizados (Levigar) com solvente adequado e compatível
com a emulsão, em cálice de volume adequado à formulação com
auxilio do bastão.
Passo 2: Adicionar a loção cremosa, aos poucos e misturando sem-
pre, sobre os principios ativos solubilizados ou micronizados no calí-
ce até o volume solicitado.
Passo 3: Homogeneizar bem com o bastão.
Passo 4: Embalar e rotular.

343
Capitulo 5 - Manipulação

24. Pomadas
São preparações farmacêuticas semi-sólidas de consistência
mole e, destinadas ao uso externo (para aplicação na pele e muco-
sas). As pomadas devem ser plásticas para que modifique sua forma
com pequenos esforços mecânicos (fricção, extensão), adaptando-se
às superfícies da pele ou às paredes das cavidades (mucosas). A
farmácia magistral pode preparar a Pomada Base que será armaze-
nada para, posteriormente, os ativos serem incorporados, conforme
a prescrição.

2 4 . 1 . Excipientes para Pomadas

2 4 . 1 . 1 . Vaselina (Petrolato Branco)


A vaselina é constituída por uma mistura de hidrocarbonetos
da série parafínica e oleofínica. A vaselina é untuosa e destituída de
cheiro ou sabor. Funde-se entre 38 a 60°C.
Concentração usual: até 100%.
Incompatibilidades: A vaselina é um excipiente inerte com poucas
incompatibilidades, exceção se faz com o bálsamo do peru que for-
ma 2 camadas quando adicionado à vaselina.

2 4 . 1 . 2 . Lanolina:
A lanolina, o segundo componente de uma pomada simples é
extraída da lã de carneiro. Quando adicionada em pomadas, facilita
a penetração cutânea. A lanolina mais utilizada é a lanolina anidra
que contêm 1% de umidade. A lanolina possui propriedades emul-
gentes A/O, incorporando apreciável quantidade de água (cerca de
2 vezes o seu peso). Os inconvenientes do uso de lanolina estão na
sua cor, no cheiro desagradável, persistente e difícil de mascarar,
além da possibilidade de provocar alergias e ser pouco manejável,
dada sua elevada viscosidade.
A alergia atribuída ao uso de lanolina, pode ser causada pela
presença de álcoois graxos livres. Entretanto, a hipersensibilidade é
relativamente incomum, estimada em torno de 5 por milhão.
A lanolina é miscível com vaselina, sempre é recomendada
quando se deseja incorporar produtos hidrófilos em vaselina ou na
preparação de pomada não oclusiva.

344
Capítulo 5 - Manipulação

Na pomada simples, a lanolina é empregada na concentração


de 30%.
Incompatibilidades: A lanolina pode conter alguns pró-oxidantes que
podem afetar a estabilidade de determinados fármacos.
É interessante a adição do BHT (antioxidante) na concentra-
ção de 0,02% na pomada de lanovaselina.

A. Pomada de Lanovaselina
Lanolina 30%
BHT 0,02%
Vaselina sólida qsp 100%

Procedimento:
Passo 1: Pesar os componentes.
Passo 2: Solubilizar o BHT em qs de vaselina líquida.
Passo 3: Misturar os componentes, num gral com um pistilo ou em
uma placa de vidro com uma espátula.

24.1.3. Polietilenoglicóis:
Polietilenoglicóis são substâncias que apresentam caracterís-
ticas tipicamente hidrófilas. São excelentes emulsivos de óleo em
água, pois apresentam atividade sobre a tensão superficial.
As bases dermatológicas preparadas com os polietilenoglicóis
têm em regra, pH 6 a 7, fato que advoga o valor de sua tolerabili-
dade local.
A pomada PEG pode causar ardência, principalmente quando
aplicada em mucosas. Reações de hipersensibilidade a polietileno-
giicóis já foram relatadas. É contra-indicado o uso de pomadas a
base de polietilenoglicóis em pacientes com queimaduras extensas,
pois os mesmos são hiperosmóticos.
Incompatibilidades: Mostram-se incompatíveis com numerosas subs-
tâncias que freqüentemente reagem com eles pelas funções alcoóli-
cas primárias (penicilinas, bacitracina e cloranfenicol são destruídas
pelo PEG). O ácido salicílico, o fenol, o resorcinol, os barbitúricos e
os taninos são incompatíveis com os PEG.

345
Capítulo 5 - Manipulação

A. Pomada PEG4:
PEG 400 (carbowax 400) 33,33%
PEG 4000 (carbowax 4000) 33,33%
Propilenoglicol 33,33%

Procedimento: Passo 1: Dissolver os componentes em banho-maria


ou em placa com aquecimento.

24.1.4.Gel de Petrolato-Polietileno Plastibase (Unigel®)


É uma base para pomadas e géis oleosos translúcidos, na
qual deseja-se incorporar princípios ativos lipossolúveis e hidrosso-
lúveis.
Não possui o odor e o aspecto indesejável das pomadas feitas
à base de lanovaselina.
Possui facilidade de incorporação (viabilizando a adição de
princípios ativos, tanto na forma sólida como na forma líquida).
Pode ser utilizado como único excipiente da fórmula ou co-
mo aditivo em pomadas oleosas (lanovaselina, por exemplo).
O gel de petrolato proporcionará à pomada maior brilho e
melhor espalhamento, minimizando o odor original e proporcionan-
do menor probabilidade de irritação cutânea.
Em testes realizados de irritação ocular e dérmica, o gel de
petrolato provou não ser irritante, sendo ideal para aplicação em
produtos infantis, em produtos para peles sensíveis e em pomadas
oftálmicas.

A. Relação de aiguns Principios Ativos que podem ser incorporados


no Gei de Petrolato-polietileno:
• Alantoína
• Bacitracina
• Cetoconazol
• Cloranfenicol
• Econazol
• Heparina
• Nistatina
• Nitratos
• Nitrofurazona
• Óxido de zinco
• Sulfato de Gentamicina
4
PEG - polictilenolenoglicóis
346
Capitulo 5 - Manipulação

• Sulfato de Neomicina
• Tetraciclina
• Triancinolona

24.2. Incorporação de Ativos em pomadas:

24.2.1. Material Utilizado:


• Balança
• Papel manteiga
• Espátula ou pistilo
• Placa de vidro ou gral

24.2.2. Procedimento:
Passo 1: Selecionar a pomada base que melhor se adeque ao princí-
pio ativo e à função terapêutica desejada (a pomada hidrofóbica
tem efeito oclusivo e a pomada hidrofílica proporciona maior pene-
tração cutânea do princípio ativo).
Passo 2: Quando a incorporação for apenas de ativos na forma de
pó, estes podem ser suspendidos num líquido (Exemplo: vaselina
líquida, PEG 400 e propilenoglicol). Nesse caso os ativos são micro-
nizados em gral com o pistilo, para que suas partícutas não encon-
trem dificuldade de dispersão, em seguida são dispersados no líqui-
do de escolha e por último acrescidos à pomada (o peso dos ativos e
do líquido adjuvante devem ser descontados na pomada base).
Passo 3: A incorporação de ativos líquidos e pastosos na pomada
base, pode ser feita acrescentando-os diretamente sobre quantida-
de suficiente da pomada e em seguida misturando-os com espátula
na placa ou com o pistilo no gral.
Passo 4: Pode também ser necessário misturar ativos líquidos e em
pós numa mesma formulação de pomada. Neste caso, se os líquidos
forem suficientes para dispersar os pós, basta triturá-los e dispersá-
los nos líquidos acrescentando no final o qs. de pomada base. Se a
quantidade de líquidos não for suficiente para a dispersão, então
acrescenta-se a estes qs de um líquido inerte para completar a dis-
persão e por fim qs de pomada.
Passo 5: Embalar as pomadas, preferencialmente, em bisnagas plás-
ticas ou de alumínio.
Passo 6: Rotular.

347
Capitulo 5 - Manipulação

24.3. Sugestões de Formulações


0 gel de petrolato-polietileno é também utilizado para o
preparo de orobases, conforme as sugestões de fórmulas a seguir.

2 4 . 3 . 1 . Sugestão de Orobase Pomada

Fase aquosa 60%


UNIGEL® 40%
Nota: Principios ativos de acordo com a indicaçào médica; se forem solúveis misturá-tos na
fase aquosa para depois adicionar o Uniget®; caso sejam sotúveis ou misciveis em óteo, mis-
turà-tos nà Uniget® pora depois adicionar a fase aquosa.

Fase Aquosa
Pectina 10%
CMC 0,5%
Gelatina 0,5%
Metilparabeno 0,15%
Água destilada qsp 100%

Procedimento:
Aqueça a água à fervura, dissolva o metilparabeno, pulverize o CMC
sobre a solução, misturando e conservando o aquecimento, misture
a gelatina e por último adicione a pectina aos poucos, deixe esfriar.
Conserve em geladeira.

348
Capítulo 5 - Manipulação

25. Pastas
São preparações farmacêuticas que contêm uma proporção
de pó igual ou superior a 20%. Em geral são menos gordurosas que as
pomadas.

2 5 . 1 . Classificação

2 5 . 1 . 1 . Pastas preparadas com excipientes gordurosos:


Vaselina sólida, vaselina líquida, lanolina, ceras, silicones,
etc.

25.1.2. Pastas preparadas com excipientes hidrófilos:


Géis de pectina (orobase), de gelatina-glicerinada (bota de
UNNA).

25.2. Manipulação de Pastas


Material utilizado
• Gral ou placa de vidro
• Pistilo
• Espátula
• Papel manteiga
• Balança
• Bequer

Procedimento Geral
Passo 1: Pesar os componentes da formulação.
Passo 2: Os pós utilizados na preparação das pastas devem ser fina-
mente tamizados, pois é difícil a homogeneização de partículas
grosseiras.
Passo 3: Realizar a levigação dos pós com líquidos como vaselina
líquida ou óleos, em seguida incorporá-los no excipiente por espatu-
lação ou então fundir o excipiente e incorporar os pós em um gral,
misturando vigorosamente, evitando a formação de grumos.
Passo 4: As pastas fundidas devem ser vertidas na embalagem final
antes de solidificar, pois após solidificadas fica bastante difícil seu
envasamento.
Passo 5: Rotular.
349
Capitulo 5 - Manipulação

25.3. Exemplos de Formulações

25.3.1. Pastadágua:
Óxido de Zinco 25,Og
Talco 25, Og
Glicerina 25, Og
Água de Cal 25,Og

Procedimento:
Passo 1: Pesar os componentes da formulação
Passo 2: Tamisar em malha fina o Óxido de Zinco e o Talco
Passo 3: Verter o Óxido de Zinco e o Talco Tamisados para um gral,
misturando-os com um pistilo.
Passo 4: Adicionar a Glicerina (agente de levigação), aos poucos e
misturar micronizando os pós.
Passo 5: Adicionar a água de cal, aos poucos, misturando bem.
Passo 6: Embalar e rotular.

2 5 . 3 . 2 . Pasta de Lassar
Óxido de zinco 25%
Amido 25%
Vaselina sólida 50%

Procedimento:
Passo 1: Pesar os componentes da formulação.
Passo 2: Tamisar o Óxido de Zinco e o Amido.
Passo 3: Misturar, em um gral, o Óxido de Zinco com o Amido e tri-
turar a mistura com uma pequena parte da Vaselina que se funde.
Passo 4: Incorporar o restante da Vaselina.
Passo 5: Embalar e rotular.

25.3.3.Pasta de Unna
Óxido de zinco 15%
Gelatina 15%
Glicerina 35%
Metilparabeno 0,1%
Água destilada 34,9%

350
Capitulo 5 - Manipulação

Procedimento:
Passo 1: Pesar os componentes da formulação.
Passo 2: Tamisar o Óxido de Zinco.
Passo 3: Misturar a Gelatina e o Nipagin na água fria, adicionar a
Glicerina e aquecer em banho-maria, até dissolução.
Passo 4: Se necessário, completa-se o peso com água.
Passo 5: Verta (3) para um gral e adicione o Óxido de Zinco, mistu-
rando-o vigorosamente com um pistilo.
Passo 6: Embalar antes de esfriar.
Passo 7: Rotular.

25.3.4. Pasta de Alumínio


Alumínio pó 10%
Parafina líquida 5%
Vaselina sólida 85%

Procedimento:
Passo 1: Pesar os componentes da formulação.
Passo 2: Micronizar o alumínio em pó com a parafina líquida.
Passo 3: Incorporar a vaselina, aos poucos, misturando até ficar ho-
mogêneo.

351
Capítulo 5 - Manipulação

26. Géis
Consistem na dispersão de um sólido (resina, polímero e de-
rivados de celulose) num líquido (água ou álcool/água) formando um
excipiente transparente ou translúcido. Os géis são veículos desti-
nados às peles oleosas e acnéicas.

26.1. Espessantes derivados da Celulose

26.1.1. Carboximetilcelulose sódica (CMC):


Polímero aniônico, quase nunca usado para obtenção de gel
para veiculação de ativos dermatológicos. É mais freqüentemente
usado para obtenção de gel oral e agente suspensor em produtos
para uso interno.
Incompatibilidades: 0 gel de CMC é incompatível com ativos forte-
mente ácidos, com sais solúveis de ferro e alguns outros metais, tais
como o alumínio e o zinco. É também incompatível com goma xan-
tana. A precipitação pode ocorrer em pH < 2 e quando misturado
com álcool (etanol). A CMC forma complexos coacervados com gela-
tina e pectina. Forma complexos com colágeno e é capaz de preci-
pitar proteínas.

26.1.2. Hidroxietilcelulose (Natrosol®, Cellosize®):


Este é o gel à base de celulose, de maior interesse para a ve-
iculação de ativos em dermatologia. Possui caráter não iônico, solú-
vel em água fria ou quente. Tolera bem pH ácido, sendo indicado
para a incorporação de ativos que levam a um abaixamento do pH
final da formulação, como, por exemplo, o Ácido Glicólico. pHs ex-
tremos, embora bem tolerados, podem causar alterações na viscosi-
dade. Estabilidade entre 2,0 - 12,0.

2 6 . 1 . 3 . Metilcelulose:
0 gel com metilcelulose é preparado para formulações tópi-
cas (1-5%) e oftálmicas (0,5-2,0%).
IncompatibiUdades: 0 gel de metilcelulose é incompatível com clo-
ridrato de aminacrina, clorocresol, cloreto de mercúrio, fenol, re-
sorcinol, ácido tânico, nitrato de prata, cloreto de cetilpiridíneo,
ácido parahidroxibenzóico, ácido paraminobenzóico, metilparabeno,
propilparabeno e butilparabeno. Sais de ácidos minerais e, particu-

352
Capitulo 5 - Manipulação

larmente de ácidos polibásicos, fenóis e taninos coagulam soluções


de metilcelulose. Pode ocorrer complexação da metilcelulose com
compostos tensioativos, tais como, a tetracaína e o sulfato de
dibutolina. Em altas concentrações de eletrólitos, a metilcelulose
pode estar completamente precipitada ou continuar gel.

26.1.4. Polímeros de Carboxivinil e Derivados


(Carbopois®, Carbômeros):
As resinas de carbopol são os agentes gelificantes mais co-
mumente utilizados. Existem vários tipos de resinas de carbopol,
sendo importante a escolha correta para alcançar o atributo dese-
jado.
Incompatibilidades: Os carbopóis são incompatíveis com resorcinol,
fenol, polímeros catiônicos, ácidos fortes e altas concentrações de
eletrólitos. Traços de ferro e outros metais de transição podem ca-
taliticamente degradar as dispersões de carbopol.

26.1.5. Carbopol934:
Fraca tolerância iônica, produz géis turvos, porém oferece
boa estabilidade e viscosidade alta em emulsões e suspensões (uso
oral). Produz géis de alta viscosidade.

26.1.6. Carbopol940:
É o preferido por produzir géis cristalinos, brilhantes aquosos
ou hidroalcoólicos. É o de maior efeito espessante, dentre as resinas
de carbopol. Possui fraca tolerância a eletrólitos. Somente pode ser
empregado em preparações tópicas.

26.1.7. Carbopol 2020:


Resina de fácil dispersão, indicada para espessar xampus.
Pode ser utilizada para obtenção de gel base.

26.1.8. Carbopol ULTREZ®:


Polímero de fácil dispersão. Empregado no prepro de formu-
lações tópicas (ex.: gel)
Nota: A resina de carbopol, quando dispersa em água, umecta e forma uma dispersóo aquosa
(resina/ásua) com vator de pH na faixa de 2,8 a 3,2. Neste estado pré-dissolvido a motécula
de carbopol está extremamente enrolada e sua capacidade espessante é timitada. Para obter
o espessamento é necessário a neutralizaçõo com bases inorsânicas, como o hidróxido de
sódio ou aminas de baixo peso motecular (ex.: trietanolamina).
Ao acrescentar thetanotamina ou hidróxido de sódio, o polimero (carbopol) "estica", devido
a neutralização dos $rupos carboxitas presentes no polimero. (continua....)
353
Capitulo 5 - Manipulação

0 máximo de viscosidade e transparência no çet de carbopol ê conseguido com o pH 7, mais


aceitável viscosidade e transparência começa no pH 4,5 a 5 e se estende ao pH 11.
Quantidade de base a ser acrescentada em um gel de carbopol:
• Trietanolamina: a mesma quantidade do carbopol
• Hidróxido de sódio: a terça parte da quantidade de carbopol adicionada.

26.2. Aditivação de Princípios Ativos em Gel

26.2.1. Material utilizado:


• Gral ou placa de vidro
• Pistilo
• Espátula
• Papel manteiga
• Balança de precisão

2 6 . 1 . 2 . Procedimento:
Passo 1: Pesar ou medir os princípios ativos da fórmula.
Passo 2: Se o ativo for sólido, pré-solubilizá-lo ou micronizá-lo com
um adjuvante líquido adequado.
Passo 3: Pesar o gel base adequado à formulação, levando-se em
conta as características físico-químicas dos ativos e possíveis incom-
patibilidades com o gel, descontando-se o peso dos ativos e possí-
veis adjuvantes.
Passo 4: Incorporar o princípio ativo líquido no gel ou o gel no prin-
cípio ativo solubilizado ou micronizado, aos pouco homogeneizando.
Passo 5: Embalar
Passo 6: Rotular.

354
Capitulo 5 - Manipulação

26.3. Sugestões de Formulações de Géis

2 6 . 3 . 1 . Gel d e C a r b o x i m e t i l c e l u l o s e sódica
Carboximetilcelulose sódica 5,0%
Metilparabeno 0,15%
Glicerina 10%
Água destilada qsp 100g

26.3.2. Gel de Carbopol ® 940 - 2%


Carbopol®940 2,0%
EDTA-Na2 0,10%
NaOH sol. 10% qs
Dipropilenoglicol 3,0%
Metilparabeno 0,1%
Imidazolidiniluréia 0,3%
Água desmineralizada qsp 100g

355
Capítulo 5 - Manipulação

27. Gel creme

São emulsões com alta porcentagem de água e baixa porcen-


tagem de óleo. São constituídas por um estabilizador coloidal hidró-
filo e agente de consistência.

27.1. Sugestões de Formulações

27.1.1. Sugestão de Gel-creme Base


NET-FS (microemulsão de silicone) 2,0%
Gel base de carbopol qsp 100,0%
Preparo: Incorporar homogeneizando o NET-FS no gel base de car-
bopol.

27.1.2. Sugestão de gel-creme Base não-iônico para formulações


com pH extremos (ácido glicólico) ou com carga de eletrólitos
incompativeis com o Carbopol
NETFS 2%
Gel de hidroxietilcelulose (Natrosol) qsp 100%
Preparo: Incorporar o NET-FS no gel base de natrosol.

27.2. Aditivação de Princípios Ativos em Gel-Creme Ba-


se
Deve-se seguir as mesmas orientações descritas para géis.

356
Capítulo 5 - Manipulação

28. L i n i m e n t o s

São preparações líquidas ou semi-sólidas cujos princípios ati-


vos são dissolvidos em óleo ou outro veículo. Podem também ser
emulsionadas ou suspensas para aplicação na pele.

2 8 . 1 . Sugestões de Formulações

28.1.1. Linimento de Óleo Calcáreo


Água de cal 50 ml
Óleo de linhaça 50 ml
Preparo: Meça 50ml de água de cal límpida e em um cálice e mistu-
re 50ml de óleo de linhaça, sob forte agitação.

357
Capítulo 5 - Manipulação

29. Ceratos

São preparações que contêm grande quantidade de ceras a-


nimais ou vegetais (superior a 20%), óleo e porventura, também
água.

29.1. Procedimento geral:


Passo 1: Pesar os componentes da formulação.
Passo 2: Fundir as ceras no óleo, em banho-maria, mexendo bem a
mistura para evitar a formação de grumos.
Passo 3: Deixar esfriar, quando estiver quase arrefecido, juntar á-
gua ou ativos solubilizados em água, pouco a pouco, agitando sem-
pre.
Passo 4: Embalar antes de solidificar.
Passo 5: Rotular.

358
Capitulo 5 - Manipulação

30. Ungüentos
Os ungüentos são um tipo de pomada que contém substân-
cias resinosas

30.1. Preparo:
Idem ao de pomadas

359
Capitulo 5 - Manipulação

3 1 . Preparações Otológicas (óticas) ou Auriculares

Preparações óticas podem ser líquidas, pastosas (pomadas) e


em pó.
Tanto as soluções quanto as suspensões óticas são formas lí-
quidas, destinadas à instilação no canal auditivo.
Pomadas óticas são preparações semi-sólidas que são aplica-
das no exterior do ouvido.

31.1. Características de preparações óticas

• produtos semi-estéreis
• veículo viscoso, para aderir às paredes do canal auditivo
(como a glicerina, o propilenoglicol, óleos e até mesmo a
água).
• pH de 5 a 7,8.

31.2. Procedimento para preparo de Soluções Otológi-


cas:

Passo 1: Pese ou meça precisamente cada ingrediente da formula-


ção.
Passo 2: Dissolva os ingredientes em cerca de 3A da quantidade de
veículo e misture bem.
Passo 3: Adicione o veiculo em qsp para o volume final e misture
bem.
Passo 4: Tome uma amostra da solução, determine o pH, a transpa-
rência e outros fatores de controle da qualidade.
Passo 5: Embale e rotule.

31.3. Procedimento para preparo de Suspensões Otoló-


gicas:

Passo 1: Pesar ou medir precisamente cada um dos ingredientes.


Passo 2: Dissolver ou misturar os ingredientes em cerca de 3A da
quantidade de veículo e misturar bem.
Passo 3: Adicione o veículo qsp para o volume final e misture bem.
360
Capitulo 5 - Manipulação

Passo 4: Tome uma amostra da suspensão, determine o pH e outros


fatores de controle da qualidade.
Passo 5: Embale em frasco adequado.
Passo 6: Rotule.

31.4. Procedimento de preparo de Pomadas Otológicas:

Passo 1: Pese ou meça precisamente cada ingrediente da formula-


ção.
Passo 2: Misture os ingredientes com o veículo (conforme procedi-
mento para preparo de pomadas).
Passo 3: Tome uma amostra da pomada e determine os fatores de
controle da qualidade.
Passo 4: Embale e rotule.

31.5. Procedimento para preparo de Pós Otológicos:


Passo 1: Pese ou meça precisamente cada um dos ingredientes.
Passo 2: Misture geometricamente (ver procedimento de diluição
geométrica), iniciando com os pós presentes em menor quantidade.
Passo 3: Tome uma amostra do pó e determine os fatores de contro-
le da qualidade.
Passo 4: Embale e rotule.

361
Capitulo 5 - Manipulação

32. Preparações Nasais (errinos)

São formas farmacêuticas de uso nasal, com ação local ou


sistêmica.
As soluções nasais são soluções preparadas para administra-
ção nasal na forma de gotas ou sprays.
As suspensões nasais são preparações líquidas contendo prin-
cipios ativos insolúveis para administração nasal.
Géis nasais e Pomadas nasais são preparações semi-sólidas
para aplicação nasal que podem ser destinadas para uso sistêmico
ou local.

32.1. Características farmacotécnicas de uma Prepara-


ção Nasal:
A preparação nasal deve possuir um pH situado entre 5,5 a 7,5
podendo variar dentro do limite de 4 a 8.
Ter uma tonicidade que não interfira com a motilidade dos
cílios (isotonia).
Não modificar a viscosidade normal do muco nasal.
Ter uma certa capacidade tampão (em preparações nasais é
utilizado normalmente o Tampão Fosfato).
Ser compatível com a atividade dos cílios e com os constitu-
intes iônicos da secreção nasal.
Ser compatíveí com os medicamentos que devem ser dissol-
vidos nele.
Possuir uma estabilidade que se mantenha por largo tempo.
Conter antimicrobianos em quantidade suficiente para inibir
o crescimento de bactérias que nele sejam introduzidas pelo conta-
gotas utilizado para aplicação do medicamento ao paciente (nor-
malmente o conservante de escolha para preparações nasais é o
Clorobutanol a 0,5% ou o Cloreto de Benzalcônio 0,01%).
Ser estéril (Característica Ideal, porém não obrigatória).

32.2. Procedimento de preparo de Soluções Nasais

Passo 1: Pesar ou medir precisamente cada um dos ingredientes.


Passo 2: Dissolver os ingredientes incluindo o conservante em cerca
de VA da quantidade de água estéril para injeção ou solução tampão
fosfato ou veículo geral para soluções nasais e misture bem.

362
Capítulo 5 - Manipulação

Passo 3: Se possível isotonize com NaCl a solução (veja cálculos para


isotonização).
Passo 4: Adicione qsp de água estéril para injeção, para o volume
final e misture bem.
Passo 5: Tome uma amostra da solução e determine o pH, a transpa-
rência e outros fatores de controle da qualidade.
Passo 6: Filtre a solução em um filtro millipore 0,2u em um frasco
estéril.
Passo 7: Embale e rotule.
Se um grande número de soluções forem preparadas, sele-
cionar aleatoriamente uma amostra para ser checada a esterilidade
e demais caracteristicas.

Nota: Ern situações em que se prepara maior quantidade de uma [ormulação poderà ser
utilizado o autoclave como mêtodo de esterilização, se os princípios ativos forem termoestá-
veis.

32.3. Procedimento de preparo de Suspensões Nasais

Passo 1: Pesar ou medir precisamente cada ingrediente da formula-


ção.
Passo 2: Dissolver/misturar os ingredientes, incluindo o conservante
em cerca de VA de água estéril para injeção ou solução tampão fos-
fato ou veiculo geral para soluções nasais e misture bem.
Passo 3: Se necessário isotonize com NaCl a solução (veja cálculos
para isotonização).
Passo 4: Adicione o veículo qsp, o volume final e misture bem.
Passo 5: Tome uma amostra da suspensão e determine o pH e outros
fatores de controle da qualidade.
Passo 6: Embale em recipiente adequado para autoclavaçào.
Passo 7: Autoclave, esfrie e rotule ("agite antes de usar").

363
Capitulo 5 - Manipulação

32.4. Sugestão de veículo geral para Soluções Nasais


Fosfato monossódico dihidratado.... 0,65%
Fosfato dissódico heptahidratado.... 0,54%
NaCl 0,45%
Cloreto de benzalcônio 0,01%
Água destilada 100%

3 2 . 4 . 1 . Procedimento:
Passo 1: Pesar ou medir precisamente cada um dos ingredientes.
Passo 2: Dissolver os componentes na água destilada e filtrar em
papel de filtro.
Passo 3: Embalar em frascos de vidro (30 ml) limpos e sanitizados.
Passo 4: Autoclavar.
Passo 5: Rotular provisoriamente.
Utilizar esta solução para aditivação dos princípios ativos em
recipientes de preparo limpos e sanitizados, conforme o procedi-
mento de preparo descrito anteriormente.

Nota: Esta solucão pode ser preparada para uso em suspensões nasais adicionando metilcelu-
lose (Methocet ® A - Dow Quimica) a 0,5% com açente suspensor.

364
Capitulo 5 - Manipulação

33. Preparações Oftálmicas

São formas farmacêuticas, em geral líquidas ou pastosas,


destinadas ao tratamento dos olhos e das pálpebras.

33.1. Caracterísitcas necessárias a uma Preparação Of-


tálmica:

33.1.1. Isotonia:
A isotonia é um dos requisitos que as soluções de uso oftál-
mico deverão obedecer, pois assim, tomam-se menos irritantes.

33.1.2. Isobatmia:
pH igual ao da lágrima, entre 7,2 e 7,4. Colírios com pH a-
baixo de 5,8 e acima de 11,4 causam irritação em 99% dos pacien-
tes. Para corrigir o pH pode-se utilizar soluções-tampão.

33.1.3. Limpidez:
As soluções oftálmicas devem ser límpidas (não se aplica a
suspensões) e não devem conter partículas visíveis a olho nu, para
tanto devem ser convenientemente filtradas.

33.1.4. Precisão de composição:


Os componentes de uma formulação oftálmica devem ser
precisamente pesados ou medidos, tendo em vista que Soluções
Oftálmicas são prescritas em quantidades diminutas.

33.1.5. Esterilidade:
As Soluções Oftálmicas devem ser estéreis. A esterilidade
pode ser obtida por filtração em membrana millipore de 0,45 a 0,2
H, por calor seco ou por autoclavação de acordo com as caracterís-
ticas dos Princípios Ativos.

365
Capitulo 5 - Manipulação

33.2. Aditivos usados em Preparações Oftálmicas (Ad-


juvantes Farmacotécnicos):

33.2.1. Conservantes:

Tabela 44: Conservantes utilizac os em Produtos Oftálmicos


CONSERVANTE CONCENTRAÇAO INCOMPATIBILIDADES
USUAL
Cloreto de 1:10.000 a 0,01% compostos aniônicos
Benzalcônio nitratos
Clorobutanol 0,5% é inativado em meio alcalino
é decomposto pelo calor (não auto-
clavável)
nitrato de prata
sais sódicos de sulfamidas
Clorexidina 0,02 a 0,05% nitrato de prata
cloranfenicol
alginato sódio
CMC
sulfamidas sódicas
penicilina
ions cloreto, fosfato e sulfato.
Metilparabeno 0,18% tween 80
(assoc. Propil- pH> 8
parabeno)
Propilparabe- 0,02% tween 80
nol pH > 8
(assoc. Metil-
parabeno)

33.2.2. Agentes Molhantes, Clarificantes e Emulsionantes


usados em Preparações Oftálmicas:

AGENTE CONC. USUAL


Polisorbato 20 (tween 20) 1%
Polisorbato 80 (tween 80) 1%

366
Capítulo 5 - Manipulação

33.2.3. Antioxidantes usados em Preparações Oftálmicas:

ANTIOXIDANTE/ CONC.
SEQUESTRANTE USUAL
EDTA - Na 2 0,1%
Bissulfito de sódio 0,1%
Metabissulfito de sódio 0,1%

33.2.3.Agentes doadores de Viscosidade usados em Prepa-


rações Oftálmicas:

AGENTE CONC.
USUAL
Hidroxietilcelulose 0,8%
Hidroxipropil metilcelulose 0,5 A 2,5%
(Hipromelose)
Metilcelulose 0,5 a 2,0%
Álcool polivinílico 1,4%
Polivinilpirrolidona (PVP) 1,7%

33.2.4. Sugestões de Soluções Tampões para uso em Colí-


rios

A. Sugestão de Solução Tampão Fosfato para uso em Colirios:


Fosfato monossódico anidro 0,40g
Fosfato dissódico anidro 0,47g
Cloreto de sódio 0,48g
Cloreto de benzalcônio 0,01 g
Água estéril para injeção qsp 100 ml
Este tampão tem pH de 6,8 e está isotonizado é indicado pa-
ra preparação de certos colirios, como: Atropina, Efedrina, Homa-
tropina, Penicilina, Pilocarpina e Escopolamina.

367
Capítulo 5 - Manipulação

B. Sugestão de Solução (A) de Ácido Bórico para Colírios:


Ácido bórico 1,9g
Cloreto de benzalcônio 0,01%
Água estéril para injeção qsp 100ml
Esta solução t e m um pH de cerca de 5 e está indicada para a
preparação de colírios com os seguintes fármacos: Procaína, Tetra-
caina e Sulfato de Zinco.

C. Sugestão de Solução (B) de Ácido Bórico para Colírios:


Ácido bórico 1,9g
Sulfito de sódio, anidro 0,1g
Nitrato de fenilmercúrio 1:50.000
Água estéril para injeção qsp 100ml
Esta solução, igualmente com pH vizinho a 5, contém um re-
dutor destinado a retardar a oxidação dos fármacos nela manipula-
dos, sendo indicada para os seguintes fármacos: Epinefrina (adrena-
lina), Fenilefrina e Fisostigmina

D. Sugestão de Tampão Borato (pH 7,2 a 7,4):


Ácido bórico 1,05%
Bórax 0,286%
Nipagin 0,05%
Nipazol 0,01%
Água estéril para injeção qsp 100,0%

Procedimento:
Passo 1: Pesar precisamente os componentes da formulação.
Passo 2: Dissolva, a quente, em um bécker com 50% do volume de
água estéril, o Nipagin e o Nipazol.
Passo 3: Acrescente o Ácido Bórico e o Bórax, agitando até completa
dissolução.
Passo 4: Acerte o volume com água estéril fria, corrija o pH para
faixa de 7,2 a 7,4, se necessário.
Passo 5: Filtre.
Passo 6: Embale em frasco de vidro de 100 m l .
Passo 7: Autoclave a 121°C, 15 psi por 30 minutos.
Passo 8: Conservar em geladeira.

368
Capitulo 5 - Manipulação

33.3. Procedimento Geral para Formulações Oftálmicas

Os produtos oftálmicos devem ser manipulados no fluxo la-


minar devidamente validado, utilizando técnicas de manipulação
asséptica (veja procedimento de trabalho em Capela com Fluxo La-
minar).

33.3.1. Procedimento para Soluções Oftálmicas:

Passo 1: Pese ou meça precisamente cada ingrediente, faça sempre


a fórmula dobrada, para posteriormente checar os parâmetros da
qualidade em uma amostra, sem correr o risco de contaminar o me-
dicamento que irá ser entregue ao cliente.
Passo 2: Dissolver os ingredientes em cerca de 3A da quantidade a
ser utilizada do veículo (água estéril ou solução tampão) e misture
bem.
Passo 3: Adicione o veículo qsp, o volume final e misture bem.
Passo 4: Tome uma amostra da solução e determine o pH, a limpi-
dez e os outros fatores de controle da qualidade.
Passo 5: Filtre a solução em filtro millipore 0,2(.i dentro do recipi-
ente estéril que irá conter o colírio.
Passo 6: Embale e rotule.
Passo 7: Se um grande número de soluções forem preparadas sele-
cionar aleatoriamente uma amostra e checar sua esterilidade.

33.3.2. Suspensões Oftálmicas (para Principios Ativos auto-


claváveis):

Passo 1: Pese ou meça precisamete cada ingrediente da formulação,


faça a formulação dobrada para possibilitar análise posterior pelo
Controle da Qualidade.
Passo 2: Dissolva ou misture os ingrediente no veiculo estéril (com
ou sem agente suspensor como metilcelulose 0,5% ou agente mo-
Ihante como tween 80 máx.1%) e misture bem.
Passo 3: Adicione o veículo qsp o volume final e misture bem.
Passo 4: Tome uma amostra da suspensão e determine o pH e outros
fatores de controle de qualidade.
Passo 5: Embale em recipiente (frasco de vidro conta-gotas p/ colí-

369
Capítulo 5 - Manipulação

rios) adequado para autoclavação.


Passo 6: Autoclave a 121°C a 15psi por 20 a 30 minutos.
Passo 7: Esfrie e rotule.
Se um grande número de suspensões forem preparadas, sele-
cione aleatoriamente uma amostra para ensaios e checagem da es-
terilidade.

Nota: Para PA termolábeis (não autoctaváveis) ao invés da autoclavação em um vidro relóçio,


os componentes sólidos podem ser previamente misturados com álcool e este evaporado no
ambiente de fluxo laminar, podendo a suspensão ser embalada em frasco conta-gotas esteri-
lizado de plástico.

33.4. Pomadas Oftálmicas

São preparações farmacêuticas semi-sólidas que se destinam


a aplicações nas conjuntivas e devem ser estéreis.
São preparadas assépticamente, no ambiente do fluxo lami-
nar, com excipientes não aquosos, de baixo ponto de fusão ou de
fácil difusão, previamente esterilizados.
As substâncias incorporadas no excipiente devem ser fina-
mente divididas (tamizadas e micronizadas com algum agente levi-
gante ou solução fisiológica), de modo a assegurar uma perfeita
homogeneidade do produto, que não poderá irritar a conjuntiva ou
a córnea ocular.

33.4.1. Excipientes para Pomadas Oftálmicas:


• Vaselina
• Parafina liquida com vaselina
• Lanolina com parafina líquida e vaselina.

33.4.2. Preparo dos excipientes para Pomadas Oftálmicas:


• Misturar os ingredientes
• Fundir
• Filtrar
• Esterilizar a 150°C, durante 1 hora
• Embalar em recipiente de vidro âmbar estéril de 100g
• Tampar e lacrar

Nota: 0 recipiente com a pomada oftálmica base deve ser aberto somente no ambiente do
fluxo laminar, após prévia desinfecqão do frasco e da tampa com álcool a 70% e clorexidina.

370
Capitulo 5 - Manipulação

33.4.3. Processos de preparo de Pomada oftálmica:


A preparação de Pomadas Oftálmicas pode ser conduzida por
dois processos fundamentais:
• Se o fármaco é hidrossolúvel, deve dissolver-se em água es-
téril, incorporando-se a solução no excipiente fundido e a-
gitando até solidificação. 0 volume de água empregado de-
ve ser o menor possível;
• Se o fármaco é insolúvel ou dificilmente solúvel em água é
aconselhável porfirizá-lo, recorrendo a uma pequena quan-
tidade de excipiente, naturalmente liquido (ex.: vaselina
líquida) ou fundido no momento do emprego.

33.4.4. Sugestões de base para Pomadas Oftálmicas

A. Sugestão de Pomada Oftálmica Base (Fórmula 1):


Lanolina purificada *(Corona® PNL) 10g
Vaselina puríssima 80g
Vaselina líquida puríssima 10g

B. Sugestão de Pomada Oftálmica Base (Fórmula 2):


Oculentum simplex - Farmacopéia Dinamarquesa
Vaselina puríssima 65,5g
Álcool cetilico 0,4g
Lanolina purificada (Corona® PNL)... 4,6g
Vaselina iíquida puríssima 30g
Nota: esta formulação tem a vantagem de poder incorporar maior quantidade de áçua do que
aanterior (+/- 30%).

33.4.5. Procedimento geral de aditivação de princípios ati-


vos em pomadas oftálmicas:
Passo 1: Pese ou meça precisamente cada ingrediente da formula-
ção, faça a formulação em quantidade dobrada, para posterior a-
mostragem no o controle da qualidade.
Passo 2: Esterilize cada ingrediente por um método adequado.
Passo 3: Solubilize ou micronize anteriormente os princípios ativos
em veículo adequado.
Passo 4: Misture os componentes dissolvidos ou micronizados com a
pomada base estéril.
Passo 5: Tome uma amostra da pomada e determine os fatores de
371
Capítulo 5 - Manipulação

controle de qualidade (pH, consistência, homogenidade, esterilida-


de, etc).
Passo 6: Embale e rotule.
Se um grande número de pomadas forem preparadas, sele-
cione aleatoriamente uma amostra para ser ensaiada e checada a
sua esterilidade.

33.5. Procedimento de trabalho em Capela com Fluxo


Laminar:

O propósito deste procedimento é estabelecer diretrizes pa-


ra o trabalho na bancada de fluxo laminar.

3 3 . 5 . 1 . Equipamento:
• Fluxo laminar horizontal

3 3 . 5 . 2 . Acessórios:
• gases esterilizadas
• solução sanitizante (Álcool isopropílico 70%, Álcool 70% com
clorexidina 0,5%)
• materiais para manipulação.

33.5.3. Sugestão de Procedimento:


Antes de iniciar o trabalho, o manipulador deve verificar se a
área de trabalho está limpa, devendo o mesmo realizar a assepsia
da área, apropriadamente com álcool isopropílico a 70% (não use a
solução de álcool isopropílico na grade do filtro absoluto).
0 manipulador deve estar devidamente paramentado (gorro,
máscara, óculos protetores, jaleco de mangas comprimidas e luvas
descartáveis estéreis).
0 fluxo laminar deve ser ligado de 30 a 60 minutos antes de
iniciar o trabalho.
Não use spray de soluções desinfetantes no filtro ou na grade
do filtro.
Se algum derramamento ocorrer na área de trabalho, assegu-
re que o mesmo será imediatamente absorvido, lavado com água
estéril e sanitizado com gaze umedecida em solução desinfetante.
Planeje o trabalho para um determinado período (Ex.: 2x ao
372
Capítulo 5 - Manipulação

dia, pela manhã e à tarde) para minimizar movimentos na área de


fluxo laminar.
Remova todos os materiais a serem utilizados das embala-
gens ou caixas, antes de entrar na sala limpa.
Limpe a superficie de cada material (ampolas, vidros, etc)
que será colocado na bancada do fluxo, com gaze umedecida em
desinfetante adequado (como o álcool isopropílico a 70%).
Remova imediatamente da bancada do fluxo laminar, após o
uso, todos os acessórios, tais como seringas, vidrarias, etc.
Coloque na bancada do fluxo laminar somente os materiais
que serão utilizados na preparação. Não use a bancada para estocar
materiais.
Organize todos os materiais de modo a aumentar a eficiência
do trabalho e manter a integridade dos locais críticos de acordo
com o fluxo do ar evitando o bloqueio ou desvio do mesmo.
0 manipulador deve trabalhar a pelo menos 15cm da banca-
da do fluxo laminar.
Tome cuidado, não toque em locais críticos ou em materiais
não estéreis com as luvas durante o trabalho, pois poderão conta-
minar-se.
Periodicamente, use álcool a 70% nas luvas e friccione as
mãos.
Imediatamente antes de abrir frascos, ampolas ou outros ma-
teriais, limpe e desinfete o pescoço das ampolas ou frascos com
uma gase estéril umedecida com a solução de álcool 70%.
Desinfetar as borrachas de frasco/ampola com gaze umede-
cida em álcool a 70%, antes de perfurá-la com a agulha.
Filtre todas as soluções removidas de ampolas de vidro para
remover possíveis particulas de vidro.
Durante a adição de ativos na solução, agitar levemente o
frasco de preparo com a finalidade de minimizar a ocorrência de
incompatibilidades.
Durante a preparação observe se não há formação de preci-
pitado, turvação ou desprendimento de gás.
Use como filtro esterilizante o filtro millipore 0,22|i em reci-
pientes estéreis.
Após a maniputação, observe o produto final, visualmente
para verificar a evidência de incompatibilidades e partículas estra-
nhas.
Tampe e sele o produto.
Remova da bancada do fluxo todos os materiais utilizados na
373
Capítulo 5 - Manipulação

manipulacão, limpe e sanitize a bancada com desinfetante adequa-


do.
Nota: É recomendóvel a alternància sazonal dos agentes sanificantes, com o objetivo de
prevenir possiveis resistèncias de microorganismos.

33.6. Esterilização
A esterilização é o processo de eliminação ou destruição de
microorganismos em um objeto ou em uma preparação.
Produtos parenterais (injetáveis) e oftálmicos requerem es-
terilidade.

3 3 . 6 . 1 . Esterilização por Calor úmido (autoclavação):


A esterilização por calor úmido envolve o uso de autoclave
que produz um ambiente de vapor saturado, típicamente a 121°C a
15psi. Isto pode variar conforme a maneira como o autoclave for
usado.
Após o alcance da correta temperatura e pressão, o processo
de esterilização deve continuar por pelo menos 20 minutos, neste
ponto a pressão e a temperatura devem ser abaixadas para retornar
às condições ambientais.

33.6.2. Esterilização por Calor Seco (estufa)


A esterilização por calor seco envolve o uso de estufa em al-
tas temperaturas operada nas seguintes condições:

Temperatura Tempo
160°C 120 a 180minutos
170°C 90 a 120minutos
180°C 45 a 60 minutos

Os itens para serem esterilizados por calor seco podem ser


colocados em uma bandeja de aço inoxidável e cobertos por uma
folha de papel laminado. Esta embalagem protege o transporte do
item esterilizado ao local de trabalho evitando a re-contaminação.

374
Capitulo 5 - Manipulação

33.6.3. Esterilização por Ultra Filtração (microfiltração):


A filtração envolve a remoção de partículas de um líquido,
retidas por uma matriz com poros microscópicos capazes de reter os
microorganismos.
Este processo irá remover, mas não destruir os microorga-
nismos.
Este método é o mais recomendado para uso na farmácia
magistral, pois não há alteração térmica do fármaco e o mesmo,
elimina os pirogênios.
Normalmente é utilizado o filtro millipore 0,22|i .

375
Capítulo 5 - Manipulação

34. Marripulação Magistral de Supositórios e Óvulos

Sâo formas farmacêuticas de consistência firme, de forma


cônica ou ogival, destinadas a aplicação retal, vaginal ou uretral.
São obtidas por solidificação ou compressão, em moldes, de
massa adequada, encerrando substâncias medicamentosas.

34.1.Excipientes utilizados para manipulação de Supo-


sitórios

34.1.1. Manteiga de Cacau:


São poucos os excipientes que possuem características físicas
iguais ou melhores que as da Manteiga de cacau.
0 produto é bem tolerado pela mucosa retal e é sólido à
temperatura ambiente. Funde-se entre 29 e 34°C, sendo fluido a
temperatura do corpo humano. 0 seu ponto de solidificação pode
situar-se entre 22 e 26°C. Em regra, o tempo necessário para solidi-
ficação é de 6 minutos.
Não é recomendada em regiões de clima muito quente, uma
vez que é bastante baixo seu ponto de fusão.
Quando aquecida à temperatura superior a seu ponto de fu-
são sofre transformação alotrópica dos glicerídeos constituintes,
com diminuição substancial do ponto de solidificação e do ponto de
fusão da massa que solidificou.
A presença de formas metastáveis, resultante do superaque-
cimento altera profundamente as suas características, não só nos
pontos de solidificação-fusão, como também no tempo necessário
para que a massa solidifique.

34.1.2. Novata®:
A Novata é um produto da Henkel, constituído por misturas
de mono/di e triglicerídeos de ácidos graxos saturados de origem
animal (C12aC18).
As vantagens da sua utilização são a rapidez de produção dos
supositórios e óvulos e a obtenção de produtos com uma melhor
apresentação.
A Novata é fundida isoladamente sem a necessidade de adi-
ção de outros componentes, acrescentando-se somente o(s) ati-
vo(s).

376
Capitulo 5 - Manipulação

34.1.3. Gelatina Glicerinada:


Mistura de gelatina, glicerina e água. Esta mistura destina-se
apenas a produção de óvulos para ativos hidrossolúveis e não suposi-
tórios para uso retal e uretral.

Sugestão de formulação: Óvulo (gelatina/glicerina)


Gelatina pó 20g
Água 10g
Glicerina 70g

34.1.4. Polietilenoglicóis (PEG):


São polímeros de óxido de etileno, com cadeias alcoólicas
primárias. Não são tóxicos e possuem a desvantagem de apresentar
maior probabilidade de incompatibilidades com fármacos, quando
comparados aos outros excipientes.
As fórmulas de supositórios ou óvulos que utüizam estes ex-
cipientes consistem em mistura de polietilenoglicóis com PM dife-
rentes, em proporções que obtenham um produto final com ponto
de fusâo por volta de 37°C.

Sugestão - Massa para Supositórios e Óvulos com PEG:


PEG 1500 70%
PEG4000 10%
PEG400 20%
Preparo: Fundir os componentes. Adicionar os princípios ativos no
excipiente fundido ou em parte do PEG 400 micronizando- os.

377
Capitulo 5 - Manipulação

34.2.Preparação de Supostitórios (Procedimento Geral)


Os supositórios podem ser preparados por dois métodos: por
compressão a frio (nào usado em farmácia magistral) e por fusão.
0 método mais usado, rápido e fácil é por fusão, onde o
princípio medicamentoso é misturado ou dissolvido no excipiente
fundido, vertendo a massa líquida em moldes adequados.
0 primeiro passo no preparo de um supositório é o cálculo da
quantidade de ativo e excipiente que será utilizado.
Feito os cálculos, o passo seguinte é a fusão do excipiente
que deve ser feita à temperatura mais baixa possível, a fim de evi-
tar alterações por decomposição e o aparecimento de formas me-
tastáveis, difíceis de solidificar.
Ao aviar uma receita de supositórios devem ser tomadas
quantidades superiores às prescritas, para prevenir inevitáveis per-
das de massa, por aderência ao recipiente utilizado para fusão (à
espátula), além da quantidade em excesso sobre o molde, posteri-
ormente removida. Até 4 supositórios: aumenta 1 unidade. Acima
de 5 supositórios: aumentam 2 unidades.
Adição de pós insolúveis ao excipiente: é conveniente incor-
porar os pós em partes do excipiente fundido, misturando depois o
restante do excipiente fundido.
A lubrificação do molde sempre se faz necessária, podendo
usar glicerina ou vaselina líquida.
A massa deve ser vertida no molde quando se der início à so-
lidificação (formação de uma película sobre a massa liquefeita).
Após resfriamento, abrir os moldes e retirar os supositórios,
exceto quando o molde for a própria embalagem, neste caso basta
selar.
Envolver cada supositório (aqueles que não foram preparados
em moldes/embalagem) em papel alumínio, acondicioná-los em
recipiente fechado e rotular ("conservar em geladeira").

378
Capitulo 5 - Manipulação

34.3. Regularidade de peso:


Pesar 20 unidades, fazer a média e em seguida considerar o
desvio de 5% para mais ou para menos em relação ao valor da mé-
dia.
Pesar cada unidade dos supositórios ou óvulos e anotar o pe-
so.
Requisito: não mais que 10% das unidades ensaiadas pode a-
fastar da média ± o desvio de 5%.

34.4. Supositório Especial para T r a t a m e n t o d e H e m o r -


róidas: "Rectal R o c k e t "

0 formato diferenciado do supositório Rectal Rocket, "fogue-


te", assegura que o mesmo permaneça em contato direto com as
hemorróidas, tanto intemas quanto externas, liberando o ativo.
Este formato, garante uma maior eficiência no tratamento das he-
morróidas externas e mistas, quando comparado com o supositório
convencional, pois, enquanto neste último o ativo é liberado somen-
te no interior do lúmen retal, o supositório em formato de foguete
permite o contato e a liberação do ativo, tanto no interior do lúmen
retal, como também na hemorróida externa.

Figura 12: molde com supositórios Rectal Rocket.


Foto: PCCA - Products Catalog

379
Capitulo 5 - Manipulação

3 4 . 4 . 1 . Fórmula base para Rectal Rocket com ácidos graxos


e parafina:
Novata® 90 a 95%
Parafina sólida 5 a 10%
Sílica gel micronizada**q.s.p. (se necessário 1%)

Procedimento:
Passo 1: Em uma placa de aquecimento fundir os ingredientes, res-
friar e estocar.
Passo 2: Não permita que a temperatura exceda a 55°C. Não utilize
microondas.
Nota: 'Sílica gel micronizada: ê utilizada como açente suspensor para ativos insoiúveis na
base, na concentraçõo usuai de 1%.

Material necessário:
• Béquer
• Bastão de vidro
• Molde
• Placa de aquecimento ou banho-maria
• Faca
• Balança de precisão
• Papel manteiga
• Papel laminado

Procedimento de preparo:
Passo 1: Catibrar, previamente, o molde de supositório, caso não
tenha sido utilizado, anteriormente, com a base utilizada. Verificar
se o molde encontra-se limpo e seco antes do uso. Lubrificar antes
de utilizar o molde.
Passo 2: Calcular a quantidade necessária de cada ingrediente, adi-
cionando-se cerca de 10% extra, para compensar perdas e permitir o
preenchimento do molde com excesso. Pesar ou medir, precisamen-
te, cada ingrediente.
Passo 3: Ligar e ajustar o aquecimento do banho-maria. Adicionar a
base preparada anteriormente (fórmula base de ácidos graxos e
parafina) em um béquer, aquecendo aos poucos até a fusão da base.
Deve ser evitado o superaquecimento, pois o mesmo altera as pro-
priedades de fusão do supositório (não aquecer acima de 55°C).
Passo 4: Adicionar os ativos. Misturar bem com bastão de vidro. Os
ingredientes sólidos (ativos) devem ser misturados diretamente na

380
Capitulo 5 - Manipulação

base ou, previamente levigados, antes da incorporação. 0 agitador


magnético também pode ser utilizado para realizar a mistura.
Passo 5: Deixar esfriar um pouco. Verter a mistura ainda fluida para
o molde montado com as placas formadoras de sulcos, preenchendo
o mesmo, com excesso da massa para prevenir a retração durante a
solidificação.
Passo 6: Deixar resfriar na temperatura ambiente por 15 a 30 minu-
tos e refrigerar por mais 30 minutos.
Passo 7: Com uma espátula, retirar o excesso de massa sobre o mol-
de. Remover, cuidadosamente, os supositórios. Embalar, um a um,
em papel laminado ou sachês de alumínio. Acondicionar os supositó-
rios embalados em um pote de vidro ou plástico.
Passo 8: Rotular e validar.

34.4.2. Aditivação (Cálculo da quantidade de Ativo e de Ba-


se):

A droga ativa deve ser reduzida a partículas de tamanho uni-


forme assegurando assim, uma perfeita distribuição na base. A me-
Ihor fonte de ingredientes para a manipulação de supositórios é o
fármaco em pó. Em geral, o máximo de ingredientes que podem ser
incorporados deve corresponder a aproximadamente 30% do peso do
supositório.

Quantidade de base deslocada por supositório =


dose unitária x 0,7(fator de deslocamento universal ou outro específico)

Quantidade de base por supositório =


peso médio do supositório sem ativo (branco) - quantidade de base deslocada por supositório.

Quantidade total da bas