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INBEC – INSTITUTO BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA

ESPECIALIZAÇÃO EM ESTRUTURAS DE CONCRETO E FUNDAÇÕES

ESTRUTURAS ESPECIAS I

ASSUNTO: ESCADAS DE CONCRETO ARMADO

Prof. Marcos Alberto Ferreira da Silva

VITÓRIA, 2013
ESCADAS DE CONCRETO ARMADO

1. INTRODUÇÃO
Escadas são elementos da edificação projetados para que o ser humano, com pouco
dispêndio de energia e em um espaço reduzido, consiga ir, andando, de um nível a outro, por
meio de degraus.
As rampas têm a mesma finalidade que as escadas, mas demandam um espaço maior e
também consomem uma quantidade maior de material; porém, permitem que se trafegue com
carrinhos de carga, cadeiras de rodas, etc.
Existem normas técnicas internacionais, nacionais e municipais que estabelecem
dimensões mínimas, máximas e demais valores a respeitar no projeto de uma escada. Entre elas
pode-se destacar a NBR 9077:1993 (Saídas de Emergência) que trata, entre outras coisas, da
segurança da evacuação de pessoas durante um incêndio.
Um bom projeto de uma escada deve possibilitar que se gaste pouca energia ao subi-la e
garantir um conforto mínimo. Dessa maneira, além das normas, certas relações de geometria, já
consagradas, devem ser obedecidas. Na figura 1 mostram-se os principais elementos de uma
escada.

LV

LH

Figura 1 – Elementos básicos de uma escada (Fonte: Carvalho, 2007)

A partir de um determinado número de degraus, recomenda-se 19, deve existir um plano


horizontal (patamar) que permita ao usuário descansar durante a subida, e as seguintes
dimensões e relações para espelhos e degraus devem ser respeitadas:

1
16cm < ae < 19cm (o ideal é 17,5cm)
28cm < ad < 30cm
2 ae + ad = 61cm a 65cm (ou ae + ad = 48cm)

De acordo com esses limites o ângulo  de inclinação da escada pode variar de 28o a 34o,
sendo que a inclinação ideal fica em torno de 30o.
Chamando de n o número de degraus de um lance de uma escada, Lv o desnível a ser
vencido e Lh o desenvolvimento horizontal tem-se também, ainda conforme a figura 1:
Lv = ae ∙ n
Lh = ad ∙ (n - 1)

O vão livre mínimo deve ser de 2,10m, e a largura das escadas deve ser superior a:
80cm  escadas em geral;
120cm  escadas em edifícios de apartamentos, de hotel e escritórios.

Convém realçar que a construção da forma da escada constitui-se em tarefa que exige
bastante cuidado com detalhes, de modo que haja precisão e uniformidade nas dimensões finais
e bom acabamento. Se algum degrau for um pouco mais alto ou mais largo que o outro o usuário
percebe e sente um grande desconforto, principalmente durante a subida.
Sob o ponto de vista estrutural pode-se ter:
 escada composta de mais de um plano – o cálculo correto é considerar a escada como um
conjunto de folhas poliédricas (neste caso o cálculo é bastante complexo);
 escada com um único plano – cálculo usual de lajes, podendo-se usar a teoria das placas
elásticas ou de linhas de ruptura.
Porém, como será visto no item seguinte, pode-se considerar em alguns casos, de maneira
simplificada e com resultados satisfatórios, a escada “trabalhando” como um conjunto de vigas.
Ressalta-se, ainda, que é bastante comum, e na maioria das vezes a favor da segurança,
considerar que as seções transversais da escada, calculada como um conjunto de vigas, sejam
solicitadas apenas à flexão simples, desprezando o efeito da força normal, de tração ou de
compressão, no dimensionamento da armadura longitudinal.

2. PRINCIPAIS TIPOS DE ESCADAS E RESPECTIVOS ESQUEMAS ESTRUTURAIS


Como foi dito anteriormente é possível, na maioria dos casos, adotar esquemas
estruturais simples mas que permitem calcular de maneira segura as escadas de edificações.
Neste item analisam-se alguns casos que ocorrem com freqüência nos edifícios, apresentado o
esquema estrutural correspondente mais simples que pode ser empregado no cálculo da
armadura, e seu detalhamento.

2
2.1. Escada armada na direção longitudinal
Na escada mostrada na figura 2 os elementos de apoio são as vigas V100 e V200.
Considerando que a dimensão b seja muito menor que o comprimento L, pode-se admitir que a
mesma se comporte, estruturalmente, como uma laje armada em uma direção (longitudinal), ou
mesmo como uma viga de largura igual à largura da escada (b) e vão (L) na horizontal igual à
distância entre os apoios.

Figura 2 – Escada armada na direção longitudinal (Fonte: Carvalho, 2007)

O carregamento atuante na mesma tem direção vertical e causa nas diversas seções
transversais, além de momento fletor (M) e força cortante (V), uma força normal (N). A força
normal pode ter distribuições diferentes dependendo das reações horizontais que ocorrem nos
apoios. Assim se uma das vigas, por exemplo a V200, tiver rigidez muito maior que a da V100,
a reação horizontal junto a ela (V200) será mais elevada e portanto existirá um trecho maior
submetido a um esforço de tração. Geralmente a força normal na viga, para efeito de
detalhamento, pode ser desprezado e dimensiona-se a armadura longitudinal considerando
flexão simples. O cálculo dos esforços internos (M, N, V) está apresentado no item 4 dessas
notas de aula.
Se a dimensão b da escada for da mesma ordem de grandeza de L o cálculo se faz como
sendo uma laje com duas bordas livres, ou como uma viga de largura unitária.
Em escadas armadas longitudinalmente a armadura principal é disposta na mesma
direção do trânsito. Na outra direção, perpendicular a da armadura principal, é disposta uma

3
armadura de distribuição que tem por finalidade controlar a fissuração do concreto; a seção da
armadura de distribuição deve atender a seguinte condição:
1
  As,princip al
As,distrib uição   5
0,90cm 2

Recomenda-se que o espaçamento máximo das barras da armadura principal não seja
superior a 20cm. Já o espaçamento da armadura de distribuição não deve superar 33cm. Na
figura 3 mostra-se um detalhe típico das armaduras de uma escada armada longitudinalmente.

Figura 3 – Detalhe típico das armaduras de uma escada armada longitudinalmente

Caso exista patamar, o modelo estrutural adotado pode ser o de uma viga isostática (com
vão igual ao vão da escada projetado na horizontal) ou o de pórtico. Nas figuras 4 e 5 mostram-
se estas duas possibilidades. É importante ressaltar que o patamar é um trecho do vão total, onde
a carga atuante é menor, pois não existem degraus.
A espessura da laje pode ser fixada, em função do comprimento do vão (L), usando os
valores apresentados na tabela 1; deve-se tomar o cuidado de que a espessura adotada não
conduza à situação de armadura dupla (significa que a espessura é insuficiente) ou de armadura
mínima (espessura exagerada).

Tabela 1 – Espessura da laje em função do vão


Vão Espessura da laje
L ≤ 3m 10cm
3m < L ≤ 4m 12cm
4m < L ≤ 5m 14cm

4
Figura 4 – Modelo estrutural de viga isostática para uma escada com patamar armada na
direção longitudinal (Fonte: Filho, 2011)







Figura 5 – Modelo estrutural de pórtico para uma escada com patamar armada na direção
longitudinal

5
Na seção de inflexão do trecho com degraus para o patamar, deve-se ter um cuidado
especial com o detalhamento da armadura positiva. A armadura mostrada na figura 6 tenderá a
se retificar, saltando para fora da massa de concreto que, nessa região, tem apenas a espessura do
cobrimento. Para que isso não ocorra, deve-se substituir cada barra da armadura principal por
outras duas prolongadas além do seu cruzamento e devidamente ancoradas. Na figura 7 mostra-
se um detalhe típico das armaduras de uma escada com patamar armada longitudinalmente.

Figura 6 – Detalhamento incorreto da armadura positiva, tendência de retificação da barra

Figura 7 – Detalhe típico das armaduras de uma escada com patamar armada na direção
longitudinal (Fonte: Filho, 2011)

6
2.2. Escadas com degraus isolados em balanço
Neste tipo de escada os degraus são isolados e se engastam em vigas, que podem ocupar
posição central ou lateral.
Na escada mostrada na figura 8 os degraus “trabalham”, para efeito de cálculo, como
vigas em balanço engastadas na viga V300. Esta viga (V300), que fica geralmente “embutida”
em uma parede, está submetida, além dos esforços M, N, V, a um momento torçor causado pela
excentricidade do ponto de aplicação da resultante da carga nos degraus em relação ao eixo da
viga (figura 8d). As ações a serem aplicadas ao corrimão, quando este existir, são especificadas
pela NBR 6120:1980, e estão detalhadas no item 3.3 destas notas de aula.

Figura 8 – Escada com degraus isolados em balanço

Os degraus são armados como pequenas vigas, sendo interessante, devido à sua pequena
largura, a utilização de estribos. Detalhes típicos das armaduras de degraus isolados são
mostrados na figura 9.

7
Figura 9 – Detalhes típicos das armaduras de degraus isolados (Fonte: Melges et al, 1997)

2.3. Escada armada na direção transversal


A escada mostrada na figura 10, apoia-se geralmente em vigas inclinadas; admitindo
novamente que L é maior que o dobro do valor de b, trabalha, da mesma maneira que no
primeiro caso, como uma laje armada em uma direção ou uma viga, considerada de largura de
1m, apoiada nas vigas laterais. Como a flexão agora ocorre na direção transversal (largura da
escada), deve-se ter o cuidado, ao fazer o cálculo da armadura principal, de levar em conta que a
região de concreto comprimido é agora triangular (figura 10b).

Figura 10 – Escada armada na direção transversal

8
Neste tipo de escada a armadura principal é disposta na direção perpendicular a do
trânsito. Na outra direção (perpendicular a da armadura principal), é disposta uma armadura de
distribuição que tem por finalidade controlar a fissuração do concreto; a seção da armadura de
distribuição deve atender a seguinte condição:

1
  As,princip al
As,distrib uição   5
0,90cm 2

Recomenda-se que o espaçamento máximo das barras da armadura principal não seja
superior a 20cm. Já o espaçamento da armadura de distribuição não deve superar 33cm.
Na figura 11 mostra-se um detalhe típico das armaduras desse tipo de laje.

Figura 11 – Detalhe típico das armaduras de uma escada armada na direção transversal

Em edificações assobradadas, este tipo de escada normalmente é construída entre duas


paredes que lhe servem de apoio. Neste caso, deve-se lembrar de considerar no cálculo da viga
baldrame a reação da escada na alvenaria.

2.4. Escada armada em cruz


Este tipo de escada apoia-se em vigas em todo o seu contorno, como mostra a figura 12.
Ocorre flexão nas duas direções e, portanto, seu dimensionamento é igual ao das lajes maciças
armadas nas duas direções. Na figura 12 também é mostrado um detalhe típico das armaduras
desse tipo de escada

9
Figura 12 – Escada armada em cruz

2.5. Escada com planta em forma de L


Na escada mostrada na figura 13 dois esquemas estruturais são possíveis, não se devendo
esquecer que os elementos estruturais aplicam ações naqueles em que eles se apoiam:

a) pode-se admitir primeiramente (figuras 13a e 13b) que ela seja composta por duas lajes, L1 e L2,
com L1 apoiada nas vigas V100, V101 e V200, e L2 apoiada na laje L1 (usualmente no meio do
patamar) e nas vigas V200 e V201; dessa forma as lajes L1 e L2 têm uma borda livre cada. O
cálculo dos esforços em lajes deste tipo é feito como em outros casos, por meio de tabelas, no
caso para lajes com uma borda livre;

b) outro esquema estrutural possível é o que está indicado nas figuras 13c e 13d, em que se
considera o primeiro trecho como sendo uma laje (ou viga) armada em uma direção que se apóia
nas vigas V100 e V200, e o segundo trecho como uma viga que se apóia no primeiro trecho e na
viga V201; deve-se observar que a laje do primeiro trecho não é plana. Ao se usar este
procedimento aproximado elimina-se a viga V101, obtendo-se uma estrutura mais fácil de ser
construída.

10
Figura 13 – Escada com planta em forma de L

2.6. Escada com planta em forma de U


A escada esquematizada na figura 14 pode ser analisada estruturalmente da mesma forma
que a escada do caso anterior, ou seja, de duas maneiras, tendo-se também aqui o cuidado de
considerar as ações de um elemento no outro:
a) em uma primeira abordagem (figura 14a) considera-se três lajes L1, L2 e L3 e as vigas V100,
V101, V200, V201 e V300, com L3 apoiando-se em L1 e L2;
b) na segunda possibilidade (figura 14b) pode-se ter cada trecho da escada como uma laje armada
em uma direção e com isso eliminar-se as vigas V200 e V201; nesse caso o trecho 1 se apóia nas
vigas V100 e V101, o trecho 2 nas vigas V101 e V300, e o trecho 3 nos trechos 1 e 2.

11
Figura 14 – Escada com planta em U

2.7. Escada com seção transversal plissada ou em cascata


Este tipo de escada, em planta, é semelhante à da figura 2; a diferença aparece ao se fazer
um corte transversal na mesma (figura 15), onde nota-se que o seu fundo não é plano. Assim
sendo, não há a possibilidade de se prosseguir com armadura longitudinal de forma reta ou
contínua. Portanto, esta escada é mais adequada quando puder ser armada transversalmente. Se a
escada for armada longitudinalmente, deverá ser dimensionada como viga de eixo em linha
quebrada (viga de eixo não reto). Neste caso já não é possível desprezar o efeito da força normal,
principalmente o de tração, e os “espelhos” trabalharão à flexo-tração ou flexo-compressão, e os
“pisos” à flexão simples, supondo-se que a estrutura seja isostática com reações verticais. Na
figura 15 também são mostrados detalhes típicos das armaduras desse tipo de escada.

12
Figura 15 – Escada com seção transversal plissada ou em cascata

2.8. Escada em balanço


A escada representada na figura 16 pode ser entendida como um caso particular da
primeira (item 2.1), em que se pode considerar a mesma composta de duas lajes armadas em
uma direção e em balanço. O problema neste caso passa a ser o valor alto dos esforços, bem
como a grande deformação que é possível ocorrer na extremidade do balanço da estrutura.

Figura 16 – Escada em balanço

13
2.9. Escadas curvas ou helicoidais
As escadas em hélice (figura 17), apoiadas ou não em vigas, estão submetidas a momento
fletor, força cortante, força normal e momento torçor. Simplificadamente elas podem ser
calculadas, segundo Guerin (1971), para efeito de momento fletor, usando o seu comprimento
desenvolvido (em planta). As vigas devem ter suas extremidades engastadas à torção e à flexão.

Figura 17 – Escada helicoidal

3. AÇÕES A CONSIDERAR
As ações nas escadas são usualmente consideradas verticais por m2 de projeção
horizontal. A representação por m2 de superfície inclinada não é prática, portanto, é pouco usual.

3.1. Peso próprio - carga permanente g1


O peso próprio é calculado a partir da espessura média (h m) da escada, que pode ser
encontrada conforme se indica na figura 18, e do peso específico do concreto (c = 25 kN/m3).

Figura 18 – Determinação da espessura média e do peso da escada

14
 Cálculo do peso de uma escada de largura b e comprimento li
h 
P  l  e  h  γ b (por metro linear  pesc,i = Pesc / li)
esc i  2 l c
 
h  a 
mas como l  l e  e  h    e  a   cos α , resulta:
i cos α 2 l 2 l
   

l  ae  a 
P    a  ( cosα) γ  b  l  e  a  γ b
esc cosα  2 l c  2 l c
   
a 
Para uma faixa (largura) unitária de escada e fazendo  e  a   h (espessura média) tem-se:
 2 l m
 
P  l h γ
esc m c
e chamando pesc o peso da escada por metro de projeção horizontal:
P l h γ
p  esc  m c  h γ
esc l l m c
Assim, a carga permanente estrutural para 1m de largura de escada (na direção vertical) é:
g1 = hm ∙ c (m ∙ kN/m3 ∙ 1m = kN/m2 ∙ 1m = kN/m)

3.2. Revestimentos - carga permanente g2


Para carga permanente uniformemente distribuída de revestimento inferior (forro),
juntamente com a carga de piso (revestimento dos degraus e patamares), deve-se ter, por m2 de
projeção horizontal:
g2 = 0,5 kN/m2 a 1,0 kN/m2 (50 kgf/m2 a 100 kgf/m2)

3.3. Ações variáveis (cargas acidentais)


Os valores, especificados pela NBR 6120:1980 para cargas acidentais uniformemente
distribuídas sobre a escada são:
 escadas com acesso ao público: q = 3,0 kN/m2 (300 kgf/m2);
 escadas sem acesso ao público: q = 2,5 kN/m2 (250 kgf/m2).

Em corrimãos (ver figura19), para o seu dimensionamento, conforme recomendação da


NBR 6120:1980, deve ser aplicada uma força horizontal distribuída uniformemente de 0,8 kN/m
(80 kgf/m) na altura do corrimão e uma força vertical, também uniformemente distribuída de, no
mínimo, 2,0 kN/m (200 kgf/m).

15
Figura 19 – Ações a considerar no dimensionamento do corrimão

No caso de escadas constituídas por degraus isolados em balanço, a NBR 6120:1980


determina que esses degraus devem ser calculados para suportar, além das ações permanentes
(g) e acidentais (q) usuais, uma carga concentrada de 2,5 kN (250 kgf) aplicada na posição mais
desfavorável; dessa forma, nos degraus em balanço, essa força concentrada, deve ser aplicada na
extremidade do mesmo (figura 20a). Essa força concentrada não deve ser considerado na
composição de cargas das vigas que suportam os degraus, as quais devem ser calculadas para as
demais cargas atuantes (figura 20b).

a) ações para dimensionar os degraus b) ações a transmitir às vigas de apoio

Figura 20 – Ações nos degraus isolados em balanço e as transmitidas às vigas de apoio

4. ESFORÇOS EM VIGAS (OU LAJES) INCLINADAS

a) Determinação dos esforços solicitantes em uma viga inclinada, de vão horizontal l e com
carregamento vertical p, conforme o que se representa na figura 21, resultando nos diagramas de
esforços solicitantes indicados na figura 22.

16
Figura 21 – Viga inclinada e esforços internos em uma seção genérica

Momento fletor:

pl p x 2
M  x  comporta-se como se fosse uma viga horizontal de vão l
k 2 2
para x  0 ou x  l  M  0

l pl 2
para x   M 
2 8
Força cortante (perpendicular ao eixo da barra):
pl  pl 
V   cosα  p x cosα    p x  cosα
k 2  2 
pl
para x  0 V  cosα
2
l
para x   V 0
2
pl
para x  l V    cosα
2
Força normal (na direção do eixo da barra):
pl  pl 
Nk    sen  p x sen     p x  sen
2  2 
pl
para x  0  N   senα
2
l
para x   N 0
2
pl
para x  l  N  senα
2

17
Figura 22 – Diagramas de esforços em uma viga inclinada

b) Admita-se agora duas vigas semelhantes, uma com carregamento vertical p, e a outra com
carregamento inclinado pi, perpendicular ao seu eixo (figura 23).

Figura 23 – Vigas inclinadas com forças distribuídas vertical (p) e inclinada (pi)

18
Pode-se relacionar a carga inclinada com a carga vertical (por metro linear) a partir do
peso total da escada P = pl; a carga total inclinada vale:

P  P cosα pl ( cosα)


i
l
e, por unidade de comprimento, lembrando que l 
i cosα

P pl ( cosα) pl ( cosα)


p  i    p  p ( cosα)2
i l l l cosα i
i i
Os esforços solicitantes máximos na viga com carregamento inclinado e vão li valem:

p l2
M  ii
i 8
pl
V  ii
i 2
l
e, substituindo nas equações de Mi e Vi o valor de p  p ( cosα)2 e l  , resulta:
i i cosα

p l 2 p ( cosα)2 l cosα 2 pl 2


M  ii  
i 8 8 8
pl p ( cosα)2  l cosα  pl
V  ii   cosα
i 2 2 2

que são os mesmos valores encontrados para os esforços internos (com exceção à força normal)
na viga com carregamento vertical e vão horizontal l.
Resumindo, os esforços internos em uma viga inclinada independem se o carregamento é
tomado inclinado na direção perpendicular ao eixo da viga ou na direção vertical. A partir de
agora, no cálculo de escadas, será sempre tomado carregamento vertical e vão medido
horizontalmente.

19
5. EXEMPLOS

EXEMPLO 1: Escada com patamar armada na direção longitudinal (escada em U)


Calcular e detalhar as armaduras para a escada mostrada na figura abaixo. Dados:
 Aço: CA-50
 Concreto: C20
 Dimensões dos degraus: altura = 16,7cm; largura = 28cm
 Revestimento superior: 85 kgf/m² (0,85 kN/m²)
 Revestimento inferior da laje: 20 kgf/m² (0,20 kN/m²)
 Escada sem acesso ao público (edifício residencial): q = 250 kgf/m² (2,5 kN/m²)
 No lado interno dos degraus, existe um peitoril com carga correspondente a 1,5 kN/m.
 Cobrimento nominal das armaduras: c nom  20mm (classe de agressividade ambiental II)

Figura 24 – Planta e corte da escada do exemplo 1

20
a) Inclinação da escada
altura do degrau 16,7
tg    0,596
largura do degrau 28,0

  30,79  cos   0,859

b) Vão da escada e espessura da laje


0,20 0,20
  1,50  (8  0,28)   3,94m
2 2
Como 3m    4m , adota-se h = 12cm (ver tabela 1).

c) Cargas atuantes

Carga P1  Peso próprio da laje: g laje  0,12  25 kN/m3  3,0 kN/m2

Revestimento superior: g rev,sup  0,85 kN/m2

Revestimento inferior da g rev,inf  0,20 kN/m2


laje:
Sobrecarga: q  2,50 kN/m2
Total: 6,55 kN/m²

Carga P2  Peso próprio da laje: 0,12


g laje   25 kN/m3  3,5 kN/m 2
cosα
Peso próprio dos degraus: 0,167
g degrau   24 kN/m3  2,0 kN/m 2
2
Revestimento superior: g rev,sup  0,85 kN/m2

Revestimento inferior da g rev,inf  0,20 kN/m2


laje:
Peitoril: 1,50 kN/m
g peitoril   1,0 kN/m 2
1,5 m
Sobrecarga: q  2,50 kN/m2
Total: 10,05 kN/m²

OBS: O modelo adotado para o cálculo será o de viga.

21
d) Reações de apoio e momento fletor máximo

Figura 25 – Exemplo 1: esquema estático e diagrama de força cortante

As reações de apoio ficam:


1   1,60  2,34 
RA   6,55 1,60    2,34   10,05  2,34   15,34 kN/m .
3,94   2  2 

1  1,60  2,34 
RB   6,55 1,60   10,05  2,34    1,60   18,66 kN/m .
3,94  2  2 
O momento fletor máximo fica:
10,05 1,862
M máx  18,66 1,86   17,32 kN  m/m .
2

e) Cálculo das armaduras


A altura mínima ( d mín ) é dada por:

Md 1,4 17,32
d min    0,073m  d min  7,3cm .
0,32  b w  f cd 0,32 1,0 
20000
1,4

22
A altura útil (d) é dada por:
barra
d  h - c nom - ; barra é o diametro das barras da armadura longitudinal.
2
Adotando barra de 10,0mm de diâmetro ( =10,0mm), a altura útil fica:
1,0
d  12,0  2,0   9,5cm .
2
Como d  d min  ok!
A posição da linha neutra (x) é dada por:
 
 
  1,4 1732
x  1,25  d  1 - 1 -
Md   1,25  9,5  1 - 1 -   3,01cm .
0,425  f cd  b w  d 2   2,0 
   0,425  100  9,52 
 1,4 
A armadura principal é dada por:
2,0
0,68  100  3,01
0,68  f cd  b w  x 1,4
As    6,73cm 2 /m .
f yd 50
1,15
A armadura mínima é dada por:
0,15
As, min  0,15%  b w  h  100 12  1,80cm 2 /m .
100
Adotando barra de 10,0mm de diâmetro ( =10,0mm), tem-se o seguinte espaçamento (t)
para as barras da armadura principal (armadura longitudinal):
A barra 0,8cm 2
t   0,118m  t  11,8cm ; será adotado  =10,0mm c/11cm.
As 6,73cm 2 /m
A armadura de distribuição é dada por:
1 1
 5  As, principal  5  6,73  1,35cm /m
2

As, distr    As, distr    As, distr  1,35cm 2 /m .


0,90cm 2 0,90cm 2
 
Adotando barra de 5,0mm de diâmetro ( =5,0mm), tem-se o seguinte espaçamento (t)
para as barras da armadura de distribuição (armadura transversal):
A barra 0,20cm 2
t   0,148m  t  14,8cm ; será adotado  =5,0mm c/14cm.
A s, distr 1,35cm 2 /m

23
f) Detalhamento das armaduras (em corte)

Figura 26 – Detalhamento em corte das armaduras da escada do Exemplo 1

24
EXEMPLO 2: Escada com dois lances perpendiculares entre si (escada em L)
Calcular e detalhar as armaduras para a escada mostrada na figura abaixo. Dados:
 Aço: CA-50
 Concreto: C20
 Dimensões dos degraus: altura = 17cm; largura = 25cm
 Revestimento superior: 85 kgf/m² (0,85 kN/m²)
 Revestimento inferior da laje: 20 kgf/m² (0,20 kN/m²)
 Escada sem acesso ao público (edifício residencial): q = 250 kgf/m² (2,5 kN/m²)
 Cobrimento nominal das armaduras: c nom  20mm (classe de agressividade ambiental II)

Figura 27 – Planta da escada do exemplo 2

a) Inclinação da escada
altura do degrau 17
tg    0,68
largura do degrau 25
  34,22  cos   0,827

b) Vãos da escada e espessura da laje


0,12
Vão principal:   (4  0,25)  1,20   2,26m
2
1,20 0,12
Vão secundário:    (9  0,25)   2,71m
3 2
Como   3m , adota-se h = 10cm (ver tabela 1).

25
c) Dimensionamento do lance secundário

c.1) Cargas atuantes

Carga P1  Peso próprio da laje: 0,10


g laje   25 kN/m3  3,02 kN/m 2
cosα
Peso próprio dos degraus: 0,17
g degrau   24 kN/m3  2,04 kN/m 2
2
Revestimento superior: g rev,sup  0,85 kN/m2

Revestimento inferior da g rev,inf  0,20 kN/m2


laje:
Sobrecarga: q  2,50 kN/m2
Total: 8,61 kN/m²

OBS: O modelo adotado para o cálculo será o de viga.

c.2) Reações de apoio e momento fletor máximo

Figura 28 – Exemplo 2: esquema estático e diagrama de força cortante (lance secundário)

26
As reações de apoio ficam:
1  2,31
RA   8,61 2,31  8,48 kN/m .
2,71  2 

1   2,31 
RB   8,61 2,31   0,40   11,41 kN/m .
2,71   2 
O momento fletor máximo fica:
8,611,332
M máx  11,411,33   7,56 kN  m/m
2

c.3) Cálculo das armaduras


A altura mínima ( d mín ) é dada por:

Md 1,4  7,56
d min    0,048m  d min  4,8cm .
0,32  b w  f cd 0,32 1,0 
20000
1,4
Para esse lance, a altura útil (d) é dada por:
d  h - cnom -1,5  barra ; barra é o diametro das barras da armadura longitudinal.
Adotando barra de 10,0mm de diâmetro ( =10,0mm), a altura útil fica:
d  10,0  2,0  1,5 1,0  6,5cm .
Como d  d min  ok!
A posição da linha neutra (x) é dada por:
 
 
  1,4  756
x  1,25  d  1 - 1 -
Md   1,25  6,5  1 - 1 -   2,04cm .
0,425  f cd  b w  d 2   2,0 
   0,425  100  6,52 
 1,4 
A armadura principal é dada por:
2,0
0,68  100  2,04
0,68  f cd  b w  x 1,4
As    4,56cm 2 /m .
f yd 50
1,15
A armadura mínima é dada por:
0,15
As, min  0,15%  b w  h  100 10  1,50cm 2 /m .
100
Adotando barra de 8,0mm de diâmetro ( =80,0mm), tem-se o seguinte espaçamento (t)
para as barras da armadura principal (armadura longitudinal):

27
A barra 0,5cm 2
t   0,109m  t  10,9cm ; será adotado  =8,0mm c/11cm.
As 4,56cm 2 /m
A armadura de distribuição é dada por:
1 1
 5  As, principal  5  4,56  0,91cm /m
2

As, distr    As, distr    As, distr  0,91cm 2 /m .


0,90cm 2 0,90cm 2
 
Adotando barra de 5,0mm de diâmetro ( =5,0mm), tem-se o seguinte espaçamento (t)
para as barras da armadura de distribuição (armadura transversal):
A barra 0,20cm 2
t   0,219m  t  21,9cm ; será adotado  =5,0mm c/21cm.
A s, distr 0,91cm 2 /m

d) Dimensionamento do lance principal

d.1) Cargas atuantes

Carga P1  Peso próprio da laje: 0,10


g laje   25 kN/m3  3,02 kN/m 2
cosα
Peso próprio dos degraus: 0,17
g degrau   24 kN/m3  2,04 kN/m 2
2
Revestimento superior: g rev,sup  0,85 kN/m2

Revestimento inferior da g rev,inf  0,20 kN/m2


laje:
Sobrecarga: q  2,50 kN/m2
Total: 8,61 kN/m²

Carga P2  Peso próprio da laje: g laje  0,10  25 kN/m3  2,5 kN/m2

Revestimento superior: g rev,sup  0,85 kN/m2

Revestimento inferior da g rev,inf  0,20 kN/m2


laje:
Reação do lance secundário: 8,48 kN/m
(g  q) lance, sec   7,07 kN/m 2
1,20m
Sobrecarga: q  2,50 kN/m2
Total: 13,12 kN/m²
OBS: O modelo adotado para o cálculo será o de viga.

28
d.2) Reações de apoio e momento fletor máximo

Figura 29 – Exemplo 2: esquema estático e diagrama de força cortante (lance principal)

As reações de apoio ficam:


1   1,00  1,26 
RA   8,611,00    1,26   13,12 1,26   11,31 kN/m .
2,26   2  2 

1  1,00  1,26 
RB   8,611,00   13,12 1,26    1,00   13,83 kN/m .
2,26  2  2 
O momento fletor máximo fica:
13,12 1,052
M máx  13,83 1,05   7,29 kN  m/m .
2

d.3) Cálculo das armaduras


A altura mínima ( d mín ) é dada por:

Md 1,4  7,29
d min    0,047m  d min  4,7cm .
0,32  b w  f cd 0,32 1,0 
20000
1,4

29
Para esse lance, a altura útil (d) é dada por:
barra
d  h - c nom - ; barra é o diametro das barras da armadura longitudinal.
2
Adotando barra de 10,0mm de diâmetro ( =10,0mm), a altura útil fica:
1,0
d  10,0  2,0   7,5cm .
2
Como d  d min  ok!
A posição da linha neutra (x) é dada por:
 
 
  1,4  729
x  1,25  d  1 - 1 -
Md   1,25  7,5  1 - 1 -   1,52cm .
0,425  f cd  b w  d 2   2,0 
   0,425  100  7,52 
 1,4 
A armadura principal é dada por:
2,0
0,68  100 1,52
0,68  f cd  b w  x 1,4
As    3,40cm 2 /m .
f yd 50
1,15
A armadura mínima é dada por:
0,15
As, min  0,15%  b w  h  100 10  1,50cm 2 /m .
100
Adotando barra de 8,0mm de diâmetro ( =80,0mm), tem-se o seguinte espaçamento (t)
para as barras da armadura principal (armadura longitudinal):
A barra 0,5cm 2
t   0,147m  t  14,7cm ; será adotado  =8,0mm c/14cm.
As 3,40cm 2 /m
A armadura de distribuição é dada por:
1 1
 5  As, principal  5  3,40  0,68cm /m
2

As, distr    As, distr    As, distr  0,90cm 2 /m .


0,90cm 2 0,90cm 2
 
Adotando barra de 5,0mm de diâmetro ( =5,0mm), tem-se o seguinte espaçamento (t)
para as barras da armadura de distribuição (armadura transversal):
A barra 0,20cm 2
t   0,222m  t  22,2cm ; será adotado  =5,0mm c/21cm.
A s, distr 0,90cm 2 /m

30
e) Detalhamento das armaduras (em corte)

Figura 30 – Detalhamento em corte das armaduras da escada do Exemplo 2

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6118:2003. Projeto de


Estruturas de Concreto – Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 2003.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6120:1980. Cargas para o


Cálculo de Estruturas de Edificações. Rio de Janeiro: ABNT, 1980.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9077:1993. Saída de


Emergência em Edifícios. Rio de Janeiro: ABNT, 1993.

CARVALHO, R. C. Estruturas de Concreto Armado. Notas de aula do curso de pós-graduação


em engenharia de estruturas do Centro Universitário Moura Lacerda. Ribeirão Preto, 2007.

FILHO, A. C. Projeto de Escadas de Concreto Armado. Porto Alegre: UFRGS, 2011.

GUERRIN, A. Tratado de Concreto Armado. São Paulo: Hemus, 2003.

MELGES, J. L. P.; PINHEIRO, L. M.; GIONGO, J. S. Concreto armado: escadas. São Carlos:
EESC-USP, 1997.

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