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Gil Sant’Anna

CADERNO DE

EXERCÍCIOS

DA IMERSÃO EM AUTOCUIDADO E REGULAÇÃO EMOCIONAL

Gil Sant’Anna CADERNO DE EXERCÍCIOS DA IMERSÃO EM AUTOCUIDADO E REGULAÇÃO EMOCIONAL

Caderno de Exercícios em

Autocuidado e Regulação Emocional

“Uma pessoa é uma pessoa através de outra pessoa.”

Michael Onyebuchi Eze

Não compartilhar ou reproduzir este conteúdo sem a permissão do autor.

Gil Sant’Anna

INTRODUÇÃO

Parece ser tão dificil cuidar da gente e ter que enfrentar o racismo diário de forma velada, que muitas vezes sem a gente perceber abala nossa

autoestima, nos faz acreditar que não podemos ocupar locais de liderança, que não somos suficientes e que está sempre tudo bem, “é assim mesmo”.

Além disso, cursos de autoconhecimento, yoga, meditação e etc. são extremamente caros e parecem ser somente para um recorte racial, quando olhamos as turmas.

O que perdemos nessa história é todo conhecimento ancestral de Kemet

(Antigo Egito) em Yoga e Meditação, Sociedade Ausar Auset e nem cogitamos a hipótese de que nosso povo sabe muito sobre autocuidado, algo que perdemos para a hegemonia epistemiológica européia e asiática,

quando se refere a espiritualidade.

Esta imersão é um conteúdo educacional desenvolvido por Gil Sant’Anna baseado em sua experiência de 4 anos como instrutor de mindfulness, seus 19 anos de experiência como meditador e yogui e suas passagens pelos

cursos de Cultivo em Compaixão de Stanford e Comunicação Não-Violenta (CNV).

Numa investigação ancestral e experimentação, esse curso nasce para dar acesso ao nossos irmãos e irmãs à ferramentas de autocuidado com uma

comunicação que se adapte a nossa realidade.

O objetivo principal é cultivar formas de aprender e estar que possam ser

utilizadas muito além da conclusão da imersão.

AUTOCUIDADO

Será que eu percebo que estou precisando de ajuda? Será que eu sei pra quem pedir ajuda quando eu preciso?

Será que tenho forças pra pedir ajuda? Será que eu posso ser bondosa(o)

comigo mesma(o)? Isso não é ser fraca(o)?

Será que alguém vai ficar ressentido por causa disso? O que vão pensar de

mim quando eu enfrentar o racismo cuidando mesmo de mim?

Será que eu não vou me tornar egoísta?

Será que eu sou suficientemente bondosa(o) com os outros?

Não é melhor ser generosa(o) e esquecer um pouco o próprio umbigo?

Existe uma forma de “egoísmo bom”?

Cada um de nós coloca tais perguntas sem realmente obter respostas sobre

essas questões. Eu espero que esta imersão te ajude a encontrar algumas (ou não). O que você vai perceber é que o autocuidado é auto, mas depende do outro. Somos irmãos e irmãs, Ubuntu.

O QUE É SER BONDOSA(O) CONSIGO?

Primeiro se faça essa pergunta, o que você acha?

Veja se você fica confortável com as minhas definições abaixo:

você fica confortável com as minhas definições abaixo: - É cuidar de si mesma(o) de tal

- É cuidar de si mesma(o) de tal forma que você se sinta bem, o que, inevitavelmente faz com que você tenha muito a oferecer aos outros e fique com vontade disso.

- É viver sua vida de modo a se sentir feliz, em paz e

harmonia com os seus valores, seus sonhos, sua potência e isso sem haver custo para ninguém.

Como isso toca em você?

Quando a gente fala sobre ter autocuidado, isso implica cuidar do que temos. Então a primeira coisa que vamos aprender é estar presente com o que existe agora, nesse exato momento.

Estar presente com nossa respiração, nosso corpo, emoções e necessidades.

Vamos aprender?

FAÇA UM BALANÇO, TERMINANDO AS SEGUINTES FRASES :

Estar presente a mim mesma(o) é fácil quando

É

difícil quando

O

mais difícil de manter essa atitude será quando

Ela é essencial quando

Eu decidi que esta semana eu estarei presente a mim mesma(o) quando

O que vai me ajudar nisso é

MEDITAÇÃO DE ATENÇÃO PLENA

Existe ainda muita dúvida sobre o que é meditação e o que é esse tal de atenção plena ou mindfulness. É tudo a mesma coisa?

A resposta curta é não, mas o tio Gil vai tentar explicar cada coisa. O mais interessante é que o conceito de atenção plena só se solidifica com sua prática.

Meditação - Essa é uma palavra que em algum momento as pessoas traduziram da palavra em Pali (lingua indiana) Bhavana, que significa, “desenvolver”, “cultivar”, “produzir”. Logo, meditação é cultivar alguma qualidade e existem diversas meditações para cultivar diversas qualidades.

Meditação em Atenção Plena (Mindfulness) - Essa é uma meditação para cultivo da consciência no presente momento. Ela foi originada de uma técnica de mais de 2.500 anos chamada vipassana e se tornou famosa no mundo todo após o médico Jon Kabat-Zinn criar um protocolo de 8 semanas que foi reproduzido e testado na comunidade científica ocidental.

Jon Kabat-Zinn criar um protocolo de 8 semanas que foi reproduzido e testado na comunidade científica

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PEQUENO TESTE SOBRE MEDITAÇÃO DE ATENÇÃO PLENA

Verdadeiro Falso

Para meditar com atenção plena, é preciso parar de pensar.

Meditar é se deixar levar pelas suas divagações/distrações.

Meditar é refletir demoradamente.

A meditação tem como objetivo relaxar a pessoa após um dia

cansativo.

A

meditação de atenção plena é uma prática religiosa.

O

objetivo da meditação é eliminar os pensamentos desagradáveis.

A

meditação é uma prática voltada exclusivamente para a própria

pessoa.

É preciso ter acessórios (incenso, almofada de meditação) para

meditar bem.

Só conseguimos meditar quando estamos calmos e em silêncio.

Meditar significa mexer e remexer os seus pensamentos completamente.

ATENÇÃO PLENA NA ALIMENTAÇÃO

Comer consciente coloca a consciência no prato, quando e onde quer que comemos. Além de nos deixar atentos ao que comemos, o objetivo é transformar nosso relacionamento com os alimentos, concentrando-nos no como e no porquê

de comer, estimulando um ponto de vista mais integral. Em última análise, isso significa que temos uma melhor chance de entender quais alimentos nos nutrem

e quais alimentos nos ajudam a permanecer saudáveis, ao mesmo tempo em que

estimulamos uma apreciação mais profunda de cada refeição, cada gole e cada ingrediente.

Como sabemos, na “pré-história” e na antigüidade, os povos tradicionalmente agricultores eram os povos pretos africanos (clima ameno, muitas terras, água potável…), enquanto os europeus eram povos tipicamente caçadores (afinal de contas, não havia como plantar no mundo de gelo que cobria a europa nesse período!). A cultura de caça européia tem intima relação com a violência

característica da cultura branca (esses que destruíram, saquearam e colonizaram

o mundo todo e agora querem pagar de civilizados em cima dos nossos terreiros)

– Para ler mais sobre isso, ver a teoria dos dois berços de Cheikh Anta Diop.

Para escurecer, por si só, a alimentação consciente não é uma dieta. Não há limpeza radical, não elimina certos alimentos, não limpa sua dispensa, não modela e não conserta nada. A alimentação consciente pode ser usada como uma estrutura para ajudar a orientar as escolhas alimentares mais conscientes que podem levar à perda de peso, mas é importante notar que sempre que escolhemos alimentos com base em um determinado resultado, não comemos atentamente - estamos comendo com um meio para um fim, que é potencialmente autodestrutivo.

ATENÇÃO PLENA NA ALIMENTAÇÃO

A alimentação consciente simplesmente nos convida a estar presentes enquanto cozinhamos ou comemos, permitindo-nos realmente saborear nossa comida sem qualquer julgamento, culpa, ansiedade ou comentário interno. Essa abordagem envolve gastar menos tempo com foco no seu peso e nas histórias em torno do seu peso. Ao abraçar a alimentação consciente, as pessoas aprendem a encontrar naturalmente o peso certo para elas.

A cultura dietética convencional causa muito do nosso estresse ao comer, trazendo um monte de pressão, intensidade e falsas expectativas. Consequentemente, muitos de nós tendem a ver a comida como uma recompensa ou punição. É por isso que achamos que “merecemos” uma certa mordida ou lanche ou uma colherada de algo e consideramos isso como “um prazer”, como se fôssemos um cachorro ou uma criança bem comportados. As pessoas obcecadas por serem magras podem comer menos e suprimir sentimentos de fome, enquanto as pessoas que comem em excesso podem ignorar sentimentos de plenitude.

menos e suprimir sentimentos de fome, enquanto as pessoas que comem em excesso podem ignorar sentimentos

ATENÇÃO PLENA NA ALIMENTAÇÃO

Quando estamos mais conscientes, a mente está mais calma; quando a mente está mais calma, somos menos propensos a sermos agitados ou estressados ​​ ou a nos alimentar emocionalmente. Também aumentamos a clareza para que possamos ver melhor nossos padrões de alimentação, e essa clareza nos libera para fazer escolhas melhores. Quando estamos mais calmos, nos sentimos mais satisfeitos com a maneira como comemos. Quando estamos mais calmos e satisfeitos, somos mais compassivos com relação a nós mesmos e, assim, naqueles dias em que escorregamos ou comemos emocionalmente, somos menos egoístas.

Levar a atenção plena à mesa significa uma abordagem mais gentil e bondosa para comer. O foco não é necessariamente mudar a comida que comemos (embora possa ser); é mudar nosso pensamento em torno da comida.

não é necessariamente mudar a comida que comemos (embora possa ser); é mudar nosso pensamento em

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EMOÇÕES

Alegria, medo, raiva, tristeza, surpresa, gratidão, admiração

emoções ocupam um lugar na nossa vida. No cotidiano, assim como na literatura, as emoções frequentemente são classificadas em duas categorias:

boas ou más, úteis ou inúteis, desejáveis ou indesejáveis. No entanto, trata-se de uma grande e lamentável confusão. TODAS as emoções são úteis, o que seria nossa vida sem estes guias inestimáveis, sem estes históricos GPS?

toda as

Em compensação, alguns dos efeitos que as emoções exercem em nós mesmos ou nos outros podem ser qualificados como negativos em função dos comportamentos que engendram.

Procure no youtube: Alfred & Shadow - A short story about emotions (education psychology health animation)

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O QUE É UMA EMOÇÃO?

A palavra “emoção” provém do latim exmovere ou emovere, que significa “movimento para fora” ou “colocar em movimento”. Por extensão, ela designa aquilo que nos coloca em movimento fora e dentro de nós mesmos. É uma manifestação física associada a percepção de um acontecimento no ambiente (externo) ou no nosso espaço mental (interno). A cada microssegundo, o cérebro recebe bilhões de informações relativas à percepção, tratamento e regulação das emoções. Por sua vez, estas informações influenciam outros fenômenos psicológicos, tais como atenção, memória ou linguagem (verbal e não verbal).

A experiência subjetiva que se chama de emoção, quando na linguagem corrente dizemos “estou com medo”, na verdade é composta de vários

ingredientes: uma dose de mudanças fisiológicas (aceleração cardíaca), uma

pitada de sensações (frio na barriga

),

com vontade de fugir”), servido de pensamentos (“não vou conseguir me sair bem dessa vez”).

um ramalhete de tendências (“estou

YOGA

Nas tradições do yoga o corpo é compreendido como a morada, o templo no qual expressamos nossa humanidade, e acima de tudo é considerado como divino, pois o espírito, a alma está encarnada no físico. Nesse sentido, a corporeidade é a expressão da nossa existência, está inter-relacionada a diversas dimensões que compõe o humano (sensorial, afetivo, cognitivo, motor, entre outros) sendo irredutível a uma das partes, pois há uma integração e complementaridade entre dimensões físicas e metafísicas (sutis).

Educar o humano significa desenvolver suas potencialidades latentes, manifestando suas características em diferentes situações e contextos, explorando suas capacidades físicas, emocionais, sentimentais, mentais e espirituais de forma equilibrada, harmonizada, objetivando qualidade de vida. Ferreira et al. (2007, p. 130) ressaltam que:

O cuidado de si (qualidade de vida) exige muito mais do simples movimentos ginásticos, práticas esportivas e alimentação adequada, entre outros. O ser humano é dotado de uma complexidade que se manifesta de diversas formas, exigindo cuidados que satisfaçam todas as dimensões (afetivo, emocional, racional, imaginário, motor e espiritual, entre outras) que compõem esta totalidade.

YOGA

Na perspectiva do yoga, os cuidados de si são fundamentais para se atingir o objetivo final – Samadhi. Identificar e reconhecer as dificuldades vivenciadas momentaneamente representam os primeiros passos rumo à superação dessas limitações.

No yoga a mente e a respiração estão intimamente conectadas, pois nossos estados emocionais, os pensamentos, sentimentos, entre outros, afetam diretamente a qualidade e o ritmo de nossa respiração. Se realizarmos uma parada momentânea em nossas ações, e nos observarmos internamente (meditação) poderemos perceber tais conexões. A respiração é a fonte do viver, e voltar nossa atenção para esse simples ato pode nos proporcionar novas percepções sobre o corpo, a corporeidade, bem com nossa dimensão psíquico-mental. Ressalto a técnica do Pranayama como possibilidade de expandir nossas capacidades respiratórias e consequentemente influenciando as demais dimensões que compõem o ser humano.

nossas capacidades respiratórias e consequentemente influenciando as demais dimensões que compõem o ser humano. 14

YOGA NASCEU NA ÁFRICA: KEMET

As posições geométricas e as posturas observadas nos hieróglifos e nas paredes dos templos do antigo Kemet (Egito Negro) são algumas das primeiras manifestações do Yoga. A Yoga Kemetic ou, em português, Ioga Kemética, Ioga egípcia (kemet, significa Terra Negra, o nome Egito é a versão grega da palavra) é um antigo sistema egípcio de iluminação baseado nas práticas de movimentos físicos combinados com respiração profunda controlada e meditação. A versão moderna deste antigo sistema foi desenvolvida a partir da pesquisa primária realizada pelo Dr. Asar Hapi e o Mestre Yirser Ra Hotep (Elvrid Lawrence) de Chicago durante a década de 1970.

Os jovens egípcios (Kamitas) do Nordeste da África foram educados em um sistema de conhecimento superior chamado “Sistema de Mistério” por egiptólogos. Eles tiveram que adquirir um alto nível de competência em Iogaantes de serem considerados mentalmente e espiritualmente preparados para dominar os rigores da matemática, engenharia, medicina, astronomia, astrologia, arquitetura, literatura, religião, metafísica, ética e filosofia. De acordo com o livro “Metu Neter, O Grande Oráculo de Tehuti e o Sistema Egípcio de Cultivo Espiritual” de Ra UN Nefer Amen, esses antigos africanos migraram para a Índia e se tornaram o que agora são conhecidos como os indianos. Eles passaram ensinamentos e práticas espirituais que mais tarde evoluíram para as crenças hindus e práticas de Ioga.

passaram ensinamentos e práticas espirituais que mais tarde evoluíram para as crenças hindus e práticas de

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YOGA NASCEU NA ÁFRICA: KEMET

A Filosofia Kemética (do Antigo Egito Negro) fala de métodos para alcançar a imortalidade através da prática de técnicas que permitem que a mente se desassocie do mundo material. Esta ideia de desassociação e transcendência foi referenciada em todos os primeiros escritos yóguicos da Índia. Este processo dependia da prática da contemplação e da meditação, em vez da realização de centenas ou mesmo de milhares de posturas de Ioga que caracterizam o Ioga moderno.

No entanto, existem diferenças importantes nas abordagens do Ioga, como foi entendido e praticado no antigo Egito e na Índia. Um aspecto fundamental da ciência espiritual egípcia antiga (que é idêntico em toda a África) é a conexão aos antepassados. Na Ciência Espiritual Kemética conectar-se com os espíritos dos antepassados através da meditação, oração e ritual é um pilar da prática do Ioga Kemético. O propósito da meditação não é apenas transcender os limites do mundo material, mas também se conectar e se comunicar com os espíritos vivos daqueles que foram antes de nós. Portanto, Ioga Kemética é uma filosofia de vida e uma prática baseada nos sistemas keméticos de autodesenvolvimento que alimentaram a criação da civilização Kemética que gerou ciência ocidental, filosofia e religião. Por Hernani Francisco da Silva – Ativista Quântico Negro – Do Afrokut

EXERCÍCIO DE EMPATIA

PARTE I

1. Se você pudesse escolher qualquer pessoa no mundo, quem você gostaria

de convidar para jantar?

2. Você gostaria de ser famoso(a)? De que maneira?

3. Antes de fazer um telefonema, você já ensaiou o que você ia dizer? Por

quê?

4. O que constitui um dia "perfeito" para você?

5. Quando foi a última vez que cantou para si mesma(o)? E para outra

pessoa?

6. Se você fosse capaz de viver até os 90 anos de idade e manter a mente ou

o corpo de um 30 pelos próximos 60 anos de sua vida, qual você escolheria?

7. Você tem uma intuição secreta sobre como você vai morrer?

8. Nomeie três coisas que você e seu parceiro (sentada(o) na sua frente)

parecem ter em comum.

9. Para o que em sua vida você se sente mais grata(o)?

10. Se você pudesse mudar alguma coisa sobre a forma como você foi

criada(o), o que seria?

11. Tome 4 minutos e conte o seu parceiro sua história de vida com todos os

detalhes possível (mas dentro de 4 minutos).

12. Se você pudesse acordar amanhã tendo adquirido alguma qualidade ou

habilidade, qual seria?

EXERCÍCIO DE EMPATIA

PARTE II

13. Se uma bola de cristal pudesse lhe dizer a verdade sobre si mesmo, sua

vida, o futuro ou qualquer outra coisa, o que você gostaria de saber?

14. Há algo que você sonhou fazer por muito tempo? Por que você não fez

isso?

15. Qual foi a maior realização de sua vida?

16. O que você mais valoriza em uma amizade?

17. Qual é a sua memória mais preciosa?

18. Qual é a sua memória mais terrível?

19. Se você soubesse que em um ano você morreria de repente, você mudaria

algo sobre a maneira que você está vivendo agora? Por quê?

20. O que a amizade significa para você?

21. Que papéis o amor e o afeto desempenham em sua vida?

22. Alterne compartilhando algo que você considera uma característica positiva

do seu(sua) parceiro(a). Compartilhe um total de cinco itens.

23. Quão próxima(o) você é da sua família? Você acha que sua infância foi

mais feliz do que a de outras pessoas?

24. Como você se sente sobre seu relacionamento com sua mãe?

EXERCÍCIO DE EMPATIA

PARTE III

25. Faça três afirmações "nós" verdadeiras cada uma. Por exemplo, "NÓS "

estamos ambos nesta sala

26. Complete esta frase: "Eu gostaria de ter alguém com quem eu pudesse "

compartilhar

27. Se você estivesse a caminho de se tornar um(a) amigo(a) muito próximo de

seu/sua parceiro(a), o que seria importante que ele(a) soubesse sobre você?

28. Diga ao seu/sua parceiro(a) o que você gosta sobre ele(a); Seja muito

honesta(o) desta vez, dizendo coisas que talvez você não dissesse a alguém que você acabou de conhecer.

29. Compartilhe com seu parceiro um momento embaraçoso (cabuloso) em sua

vida.

30. Quando você chorou pela última vez na frente de outra pessoa? E sozinha(o)?

31. Diga a sua/seu parceiro(a) algo que você gosta sobre ela(e) [agora].

32. O que, em sua opinião, é muito sério para ser brincado?

33. Se você fosse morrer esta noite sem a oportunidade de se comunicar com

ninguém (sem whatsapp), o que você mais lamentaria por não ter contado a alguém? Por que você não contou a eles ainda?

34. Sua casa, contendo tudo que você possui, pega fogo. Depois de salvar seus

entes queridos e animais de estimação, você tem tempo para salvar só mais um item com segurança. O que seria? Por quê?

35. De todas as pessoas de sua família, qual morte você acharia mais

perturbadora? Por quê?

36. Compartilhe um problema pessoal e pergunte ao parceiro sobre como ele ou

ela lidaria com isso. Além disso, peça ao seu parceiro para te dar um feedback sobre como você deve estar se sentindo com o problema que você escolheu.

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FILOSOFIA UBUNTU E COMPAIXÃO

A prática zulu do Ubuntu é um modo de ser belo e antigo que engloba o

compartilhamento e a compaixão. Baseia-se na ideia de que existo porque você existe. Eu sou porque você é. É uma compreensão potente da comunidade e da cooperação que tem muito a ensinar ao mundo inteiro.

A palavra "Ubuntu" origina-se de um dos dialetos bantu da África e é pronunciada

como uu-boon-tu. É uma filosofia africana tradicional que nos oferece uma compreensão de nós mesmos em relação ao mundo. De acordo com o Ubuntu, existe um elo comum entre todos nós e é através deste vínculo, através da nossa interação com nossos companheiros seres humanos, que descobrimos nossas próprias qualidades humanas. Ou como os zulus diriam, “Umuntu Ngumuntu Ngabantu”, que significa que uma pessoa é uma pessoa através de outras pessoas. Afirmamos nossa humanidade quando reconhecemos o dos outros.

É a essência de ser humano. Ele fala do fato de que minha humanidade está

presa e está inextricavelmente ligada à sua. Eu sou humano porque eu pertenço. Fala sobre integridade, fala sobre compaixão. Uma pessoa com Ubuntu é acolhedora, hospitaleira, calorosa e generosa, disposta a compartilhar. Tais pessoas estão abertas e disponíveis para os outros, dispostas a serem vulneráveis, afirmando dos outros, não se sentem ameaçadas de que os outros sejam capazes e bons, pois elas têm uma autoconfiança adequada que vem de saber que elas pertencem a um todo maior. Eles sabem que são diminuídos quando outros são humilhados, diminuídos quando outros são oprimidos, diminuídos quando outros são tratados como se fossem menos do que quem

são. A qualidade do Ubuntu dá resiliência às pessoas, permitindo-lhes sobreviver

e emergir ainda humanos, apesar de todos os esforços para desumanizá-los.

O QUE É VIOLÊNCIA PARA VOCÊ?

RACISMO E COMUNICAÇÃO NÃO-VIOLENTA

Em 1943, um jovem Marshall Rosenberg se escondeu em seu apartamento durante dias, enquanto tumultos raciais - estimulados pela discriminação no trabalho, pela segregação imobiliária, pela brutalidade policial e pela KKK - entraram em erupção por toda Detroit.

Duas décadas depois, no meio do movimento pelos direitos civis, Rosenberg deixou sua prática de psicologia clínica para ensinar organizações, comunidades e famílias - particularmente aquelas divididas por questões religiosas, raciais, étnicas e de classe - como se conectar umas com as outras. no nível de sua humanidade comum. Rosemberg fala de um lugar de homem, branco e hétero.

Influenciado por Mahatma Gandhi e Martin Luther King Jr., Rosenberg desenvolveu a Comunicação Não-Violenta (CNV), que pode ser entendida como uma prática espiritual, um conjunto de habilidades de comunicação e um modelo para transformar conflitos. Nas últimas décadas, o Centro de Comunicação Não- Violenta tornou-se uma organização internacional de promoção da paz com instrutores e profissionais certificados em todo o mundo. Entre suas muitas aplicações, o CNV fornece caminhos práticos para identificar, confrontar e transformar aspectos do racismo.

ME EXPLICA O QUE É ISSO

Para entender a abordagem, precisamos falar sobre necessidades, desejos e opniões.

RACISMO E COMUNICAÇÃO NÃO-VIOLENTA

PLANEJAMENTOS

OPNIÕES

Estratégias

DESEJOS

NECESSIDADES

RACISMO E COMUNICAÇÃO NÃO-VIOLENTA

A palavra necessidade muitas vezes é conotada negativamente, porque nela

fica subentendida uma noção de falta ou avidez. Aqui, ela designa o que conta para um ser humano, o que é essencial para ele, como suas aspirações, seus valores e seus sonhos.

Esse termo engloba, ao mesmo tempo, as necessidades vitais, como comer,

beber e dormir, as necessidades de segurança, como ter um teto, uma família

e um trabalho, e as necessidades de plenitude, como a necessidade de se

realizar e contribuir para a vida. A necessidade, tal como considerada aqui, é profunda, protege a vida e proporciona calma. As necessidades são universais, igualmente importantes e descritas de forma positiva.

Por exemplo, quando nós sofremos de agressão e toda a violência do racismo e dizemos “preciso me vingar”, isso não é uma necessidade, pois essa forma de falar não valoriza a vida e é capaz de aumentar o sofrimento ao invés de acalmá- lo. Não significa que devemos ser passivo, definitivamente não é este o caso, mas ter forças para entender nossas necessidades profundas e a sabedoria para encontrar estratégias para nos fortalecer e aliviar nosso sofrimento. Portanto, uma das milhares formas que poderíamos nos expressar mais harmonicamente seria: “Eu preciso de uma compensação, preciso me sentir valioso e seguro e não estou disponível para sofrer desta maneira.”

E tome cuidado para não confundir necessidades e desejos! Por exemplo, eu

posso estar com a necessidade de relaxar e ter o desejo de fumar um cigarro. Um desejo é um dentre várias formas de satisfazer uma necessidade. Talvez, graças ao cigarro, eu atenda à necessidade de me conectar comigo mesmo ou me dar prazer. Porém, eu não tenho necessidade de cigarro para continuar vivendo.

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RACISMO E COMUNICAÇÃO NÃO-VIOLENTA

A teoria de Rosemberg postula que uma das grandes fontes da violência em

nossa comunicação reside no fato de que nossa comunicação não é feita através das necessidades dos indivíduos da comunicação, mas através dos desejos e opniões. O problema disso é que quando não entendemos nossas necessidades

e as necessidades do outro, sempre estamos com potencial de violá-las, pois não conhecemos - daí o termo violência.

Quando nos comunicamos por meio das nossas necessidades, melhor nos conectamos com os outros. Para isso, devemos reconhecer todas as diferenças de necessidades de acordo com nosso lugar na sociedade, nosso locus social. Nós, pretos, possuímos necessidades de respeito, amor e dignidade assim como qualquer outro cidadão. Acontece que sofremos violência racial diária e constante que nos impede de atender nossas necessidades básicas de seres humanos, diferentes de não-pretos. Essa conversa precisa ser estratégica, por meio das necessidades.

Na teoria é muito mais fácil do que na prática, mas é nos espaços seguros, nos juntando e apoiando os nossos que encontraremos forças para essa comunicação não-violenta ou também muito chamada de comunicação assertiva.

AUTOCOMPAIXÃO

Ter compaixão por si mesmo não é realmente diferente de ter compaixão pelos outros. Pense sobre como é a experiência da compaixão. Primeiro, para ter compaixão pelos outros, você deve perceber que eles estão sofrendo. Se você ignorar a dor de um irmão ou irmã passando por momentos difíceis, não poderá sentir compaixão por quão difícil é sua experiência. Segundo, a compaixão envolve o sentimento movido pelo sofrimento dos outros, de modo que o seu coração responda à sua dor (a palavra compaixão significa literalmente “sofrer com”). Quando isso ocorre, você sente o calor, o cuidado e o desejo de ajudar a pessoa que sofre de alguma forma. Ter compaixão também significa que você oferece compreensão e bondade aos outros quando eles falham ou cometem erros, ao invés de julgá-los duramente (“Only God Can Judge Me - Tupac). Finalmente, quando você sente compaixão pelo outro (em vez de mera piedade), isso significa que você percebe que o sofrimento, o fracasso e a imperfeição fazem parte da experiência humana compartilhada.

A autocompaixão envolve agir da mesma maneira em relação a si mesmo quando você está tendo dificuldades, falhas ou percebe algo de que não gosta em si mesmo. Em vez de simplesmente ignorar sua dor com uma mentalidade de "preciso ignorar isso", você pausa para dizer a si mesmo "isso é realmente difícil agora", como posso me confortar e cuidar de mim neste momento?

Em vez de julgar e criticar impiedosamente a si mesmo por várias inadequações ou deficiências, a autocompaixão significa que você é bondoso e compreensivo quando confrontado com falhas pessoais - afinal, quem disse que você deveria ser perfeita(o)?

3 COMPONENTES DA AUTOCOMPAIXÃO

Você pode tentar mudar de maneiras que lhe permitam ser mais saudável e feliz, mas isso é feito porque você se importa consigo mesmo, não porque você é inútil ou inaceitável como você é. Talvez o mais importante, ter compaixão por si mesmo significa que você honra e aceita sua humanidade. As coisas nem sempre vão do jeito que você quer. Você encontrará frustrações, perdas ocorrerão, você cometerá erros, colidirá com suas limitações, ficará aquém de seus ideais. Esta é a condição humana, uma realidade compartilhada por todos nós. Quanto mais você abrir seu coração para essa realidade, em vez de lutar constantemente contra ela, mais você será capaz de sentir compaixão por si mesmo e por todos os seus companheiros humanos na experiência da vida, afinal você é porque nós somos.

Os 3 componentes da Autocompaixão:

1. Autobondade vs Autojulgamento

2. Humanidade em Comum (Ubuntu) vs Isolamento

3. Mindfulness vs Superidentificação ou apego

RESPEITAR SEUS LIMITES

Limites com relação a que? Ao quanto de si mesma(o), da sua pessoa você oferece aos outros. Mas como saber se eu ultrapassei meus limites?

Marque com um X as frases que correspondam à sua atitude ultimamente:

Estou esgotada(o); Estou ressentida(o) com alguém pr causa de tudo que eu lhe ofereci; Estou me fechando; Estou me irritando facilmente; Não tenho mais engergia; Não tenho mais alegria de viver; Não tenho mais vontade de certas coisas; Sou incapaz de decidir por mim mesma(o); Eu ajo de forma automática; Eu estou dormindo mal; Estou comendo mais (ou menos) do que o normal, estou fumando, estou bebendo demais, estou Estou me sentindo triste; Não estou mais aguentando; Não tenho mais paciência

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