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Uma simples carta, escrita a um amigo em Janeiro de 1945, provocou a prisão do

capitão de artilharia do Exército Vermelho A E!A"#$E %& JE"'(%'"E) "a*uela carta


estavam escritas algumas amargas palavras contra os privilégios existentes no seio
do Exército e contra a conduta de Estaline em rela+ão , guerra) Estaline não
admitia, no entanto, *ual*uer espécie de cr-tica , sua actua+ão como pol-tico e
como homem) .or isso, %ol/enitsine v01se condenado, sem *ual*uer /ulgamento, a oito
anos de prisão e mais *uatro de ex-lio) Assim come+ou a dura vida de um /ovem 2-
sico e matem3tico de 45 anos *ue aca6ou por a6andonar as ci0ncias puras, passando a
dedicar1se apenas ,s lides liter3rias) Estes anos de prisão e de ex-lio numa long-
n*ua aldeia soviética, para além de o 7levarem8 a rever todas as suas posi+9es
ideol:gicas, permitiram1lhe conhecer muitas outras pessoas *ue se encontravam em
id0nticas situa+9es) (ais trans2orma+9es ideol:gicas e tais contactos viriam a
in2luenciar pro2undamente toda a sua o6ra liter3ria) Em 19;4, 7Um #ia na Vida de
'van #enisovitch8 2oi pu6licado na $<ssia com grande 0xito) =rushtchev, *ue
continuava com a sua pol-tica de desanuviamento, permitiu *ue este livro 2osse
pu6licado, uma ve> *ue ele iria apro2undar muitas das cr-ticas contra Estaline) "o
entanto, a estrondosa venda deste livro impressionou vivamente as autoridades
soviéticas *ue, terminado o degelo pol-tico de =rushtchev, proi6iram a divulga+ão
de todos os seus livros) ?ome+ou então a 2ase de literatura clandestina) 7&
.rimeiro ?-rculo8, 7.avilhão dos ?ancerosos8 e 7Agosto de 19148 2oram /3 pu6licados
no &cidente e di2undidos na $<ssia clandestinamente) Entretanto, em %etem6ro de
195@, as 2or+as de seguran+a 7levaram8 Eli>avieta Voroni3nsAaia, a amiga de
%ol/enitsine *ue lhe tinha dactilogra2ado secretamente o manuscrito do 7Ar*uipélago
de Bulag8, a con2essar onde se encontrava o original) (al con2issão condu>iu
Eli>avieta ao suic-dio) .erante tal situa+ão, e em homenagem a tão grande amiga,
%ol/enitsine d3 ordem de imediata pu6lica+ão) %e as primeiras edi+9es clandestinas
lhe tinham provocado a irradia+ão do %indicato dos Escritores, impedindo1o portanto
de ganhar a vida como escritor, a di2usão do 7Bulag8, em 1954, culminou com a sua
expulsão do pa-s e a conse*uente retirada do direito de cidadania russa) Assim
viveu na $<ssia um cidadão *ue d3 pelo nome de Alexandre %ol/enitsine, escritor
e .rémio "o6el da iteratura em 195C) A E!A"#$E %& JE"'(%'"E A$DU'.E AB& #E BU AB V&
UFE ' (radu+ão directa do russo de G$A"?'%?& Ai GE$$E'$A FA$'A F) '%(H J&%E A)
%EAI$A 'V$A$'A IE$($A"# A.A$(A#& @5 1 AFA#&$A (-tulo originalJ A.xnnEAAr (KA Ar ?
apa de José ?Lndido Morld ?opNright O 195@ 6N Alexandre %ol/enitsine (odos os
direitos reservados para a pu6lica+ão desta o6ra em l-ngua portuguesa pela ivraria
Iertrand, %)A)$) )
?omposto e impresso por Bris 'mpressores, %)A)$) ) 1 Alto da Ielavista 1 ?acém
Aca6ou de imprimir1se em %etem6ro de 1955 Goi com o cora+ão oprimido *ue me
a6stive, durante anos, de pu6licar este livro, /3 então conclu-doJ o dever perante
os vivos prevalecia so6re o dever perante os mortos) Agora, porém, *ue as 2or+as de
seguran+a do Estado dele se apoderaram, nada mais me resta do *ue a sua pu6lica+ão
imediata) A) %& JE"'(%'"E %etem6ro de P95)% A E!A"#$E %& JE"'(%'"E A$DU'.E AB& #E
BU AB 191Q1195; Ensaio de investiga+ão liter3ria ' e '' .artes "o presente livro
não h3 personagens imagin3rias, nem acontecimentos imagin3rios) .essoas e lugares
são mencionados pelos seus pr:prios nomes) Duando os mencionarmos por iniciais,
isso deve1se a considera+9es de ordem pessoal) %e, de *ual*uer modo, não 2orem
re2eridos, isso deve1se simplesmente ao 2acto de a mem:ria humana não ter retido os
seus nomes) Fas tudo se passou exactamente assim) "& ano de 1949, aconteceu1nos, a
mim e a alguns amigos, lermos uma nota, *ue nos chamou a aten+ão, na revista
.riroda R"ature>aS, da Academia das ?i0ncias) 'mpressa em caracteres min<sculos,
noticiava *ue no rio =olima, durante umas escava+9es, se tinha deparado,
casualmente, so6 uma camada glaciar, uma corrente congelada, nela tendo sido
desco6ertos, tam6ém congelados, espécimes de 2auna 2ossili>ada Rvelhos de v3rias
de>enas de miléniosS) Esses peixes, ou trit9es, conservavam1se tão 2rescos T
testemunhava o correspondente cient-2ico 1 *ue as pessoas presentes *ue6ravam o
gelo ali mesmo e comiam1nos ?&F .$AUE$) "ão poucos leitores da revista se devem ter
espantado 6astante pelo 2acto de a carne de peixe se poder conservar durante tão
longo tempo no gelo) Fas 2oram menos os *ue puderam discernir o sentido
verdadeiramente her:ico dessa nota imprudente) ":s compreendemos tudo num 3pice)
Vimos com clare>a toda a cena, nos seus m-nimos pormenoresJ como os homens
presentes *ue6ravam o gelo, com exacer6ada pressa, e como, menospre>ando os
elevados interesses da ictiologia, se acotovelavam uns aos outros, arrancavam os
peda+os da carne milen3ria, a passavam pelo lume, a descongelavam e saciavam a
2ome) ?ompreendemo1lo, por*ue n:s pr:prios est3vamos em .$E%E"VA dessa poderosa
legião de >eAs, <nica na (erra, *ue s: ela podia comer os trit9es ?&F .$AUE$)
=olima era a maior e a mais céle6re ilha, o p:lo da 2erocidade desse assom6roso
Ar*uipélago de BU AB, desgarrado pela geogra2ia num ar*uipélago, mas
psicologicamente ligado ao continente, a esse *uase invis-vel, *uase intang-vel pa-
s ha6itado pelo povo >eA) Este ar*uipélago, cheio de enclaves, recortava1se
policromo so6re o 1C A$DU'.E AB& #E BU AB outro pa-s onde estava incorporado,
penetrava nas suas cidades, pairava so6re as suas ruas 1 e no entanto havia *uem
não se aperce6esse de nada, em6ora muitos tivessem ouvido 2alar vagamente de algoW
s: os *ue l3 tinham estado conheciam tudo) Entretanto, como se tivessem perdido o
dom da 2ala nas ilhas do Ar*uipélago, eles guardavam sil0ncio) "uma inesperada
viragem da nossa hist:ria, uma parte insigni2icante desse Ar*uipélago 2oi dada a
conhecer ao mundo) Fas as mesmas mãos *ue nos apertaram as algemas
a6rem agora conciliadoramente as palmas e di>emJ 7"ão se deve))) não se deve
remexer no passadoX))) A*uele *ue recorda o passado perde um olhoX8 E, no entanto,
o provér6io acrescentaJ 7A*uele *ue o es*uece perde os doisX8 As décadas vão
correndo e lam6em irrecuperavelmente as cicatri>es e as <lceras do passado) &utras
ilhas, durante este tempo, estremeceram, 2oram1se derretendo, des6ordaram, e o mar
polar do es*uecimento vem em6ater so6re elas) E um dia, no século 2uturo, este
Ar*uipélago, o seu ar e os ossos dos seus ha6itantes, congelados numa camada
glaciar, serão apresentados aos descendentes como um inveros-mil tritão) "ão ouso
escrever a hist:ria do Ar*uipélagoJ não me 2oi dado ler os documentos) Fas alguém,
algum dia, vir3 a consegui1loY))) A*ueles *ue não dese/am $E?&$#A$ tiveram /3 tempo
6astante Re terão ainda maisS para destruir os documentos todos, completamente) &s
on>e anos *ue ali passei incorporei1os não como uma desonra, nem como um sono
maldito, mas *uase amando a*uele mundo monstruoso) E agora, tendo1me tornado, por
um 2eli> reverso, a pessoa a *uem 2oram con2iadas as in<meras cartas e relatos
tardios, talve> eu sai6a transmitir algo dos seus ossos e da sua carne e, para além
disso, da carne ainda viva dos trit9es ainda ho/e vivos) #E#'?& este livro a todos
*uantos a vida não chegou para o relatar) Due eles me perdoem não ter visto tudo,
não ter recordado tudo, não me ter aperce6ido de tudo) E%?$EVE$ um livro como este
é superior ,s 2or+as de um s: homem) Além de *uanto eu pr:prio trouxe do
Ar*uipélago 1 na minha pr:pria pele, na minha mem:ria, nos ouvidos e nos olhos 1, o
material para este livro 2oi1me 2ornecido por relatos, recorda+9es e cartas de
du>entas e vinte e sete pessoas) "ão lhes exprimo a*ui o meu reconhecimento
pessoalJ este é o nosso monumento comum de ami>ade a todos os torturados e mortos)
#esta lista dese/aria salientar a*ueles *ue mais se es2or+aram por me a/udar a
incluir neste relato pontos de re2er0ncia 6i6liogr32icos de volumes *ue estão ho/e
conservados em 6i6liotecas ou *ue h3 muito 2oram retirados e destru-dos, de tal
modo *ue encontrar um exemplar guardado exigiu uma grande tenacidadeW e ainda mais
a*ueles *ue me a/udaram a esconder este manuscrito num momento di2-cil e depois a
reprodu>i1lo) Fas não chegou ainda a hora de me atrever a mencion31los) & velho
#mitri .etrovitch VitAovsAi, de %olovAi, devia ter sido o redactor do presente
livro) Entretanto, a metade da vida Z passada Ras suas mem:rias do campo de
tra6alho intitulam1se Feia VidaS acarretou1lhe uma paralisia prematura) J3 depois
de ter perdido o dom da 2ala, ele pode somente ler uns *uantos cap-tulos conclu-
dos, e ad*uirir a certe>a de *ue tudo %E$'A $E A(A#&) E se por longo tempo ainda se
não divisar a li6erdade no nosso pa-s, e a di2usão deste livro representar um
grande perigo, eu devo por isso mesmo agradecer tam6ém reconhecidamente aos 2uturos
leitores, em nome de todos a*ueles *ue morreram) Duando comecei a escrever este
livro, no ano de 195Q, não tinha conhecimento de *uais*uer mem:rias ou produ+9es
liter3rias so6re os campos de concentra+ão) "os anos de tra6alho *ue decorreram até
19;5, 2ui tomando conhecimento, gradualmente, das "arrativas de =olima, de Variam ?
halamov, e das mem:rias de #) VitAovsAi, E) Buin>6urg e 14 A$DU'.E AB& #E BU AB &)
Adamova1%lio>6erg, a cu/os tra6alhos me re2iro no decorrer da exposi+ão como 2actos
liter3rios, conhecidos por todos Rassim h31de ser no 2im de contasXS) A despeito
das suas inten+9es e em contradi+ão com a sua vontade, 2orneceram inapreci3vel
material para o presente livro, conservando muitos 2actos importantes e até
n<meros, )6em como o pr:prio ar *ue respiraramJ F) K) %udra61 atsis, ") V)
=rilenAo, durante muitos anos o principal procurador do EstadoW e o seu sucessor A)
K) VichinsAi, com os seus /uristas1auxiliares, entre os *uais não se pode deixar de
destacar ') ) Aver6ach) (am6ém proporcionaram documentos para este livro ($'"(A E
%E'% escritores soviéticos, enca6e+ados por FZ!'F& B&$=', autores de um vergonhoso
livro so6re o canal do mar Iranco, os primeiros *ue na literatura russa enalteceram
o tra6alho 2or+ado) .rimeira .arte A '"#[%($'A ?A$?E$Z$'A 7"a época da ditadura, e
cercados por todos os lados de inimigos, temos mani2estado por ve>es uma 6randura
desnecess3ria, uma 6ondade desnecess3ria)8 =$' E"=& discurso pronunciado no
processo 7.romparti8) ' A #E(E"V\& ?&F& se chega a esse misterioso Ar*uipélagoY A
todas as horas para l3 voam avi9es, navegam 6arcos e marcham com6oios, sem *ue
neles se ve/a uma s: inscri+ão *ue indi*ue o lugar de destino) &s empregados das
6ilheteiras e os agentes da %ovturista e da 'n1turista 2icarão surpreendidos se
voc0 lhes pedir uma passagem para l3) "em do Ar*uipélago, no seu con/unto, nem de
nenhum dos seus incont3veis ilhéus eles t0m conhecimento, ou ouviram se*uer 2alar)
A*ueles *ue vão dirigir o Ar*uipélago chegam l3 por intermédio da Escola do
Finistério do 'nterior RF) V) #)S) A*ueles *ue vão ser guardas no Ar*uipélago são
convocados por intermédio de sec+9es militares) A*ueles *ue vão l3 morrer, como
voc0 e eu, leitor, esses devem passar in2al-vel e exclusivamente através da
deten+ão) #eten+ãoXXX %er3 necess3rio di>er *ue isso representa uma viragem 6rusca
em toda a sua vidaY Due é como a *ueda a pi*ue de um corisco so6re a sua ca6e+aY
Due é uma como+ão espiritual insuport3vel, a *ue nem todas as pessoas podem
adaptar1se, e *ue 2re*uentemente leva , loucuraY & universo tem tantos centros
*uantos os seres vivos *ue nele existem) ?ada um de n:s é o centro do mundo e do
universo, e ele desmorona1 se *uando alguém nos sussurra ao ouvidoJ 7Est3 presoX8
%e voc0 /3 est3 preso, acaso algo resistiu ainda a esse terramotoY 'ncapa>es, com o
cére6ro o2uscado, de a6arcar esses a6alos do universo, os mais su6tis, 6em como os
mais simples dentre n:s, não conseguem extrair nesse instante, de toda a sua
experi0ncia de vida, senão isto a di>er mais ou menosJ 1 EuYYY .or*u0YYY .ergunta
repetida milh9es e milh9es de ve>es antes de n:s, e *ue nunca o6teve resposta) 1Q
A$DU'.E AB& #E BU AB A deten+ão é uma transi+ão instantLnea e evidente, uma
ruptura, a passagem de um estado a outro) Ao longo da sinuosa rua da nossa vida
caminh3vamos 2eli>es, ou arrast3vamo1nos penosamente, encostados a não importa *ue
taipaisJ taipais e taipais de madeira podre, de 6arro, de ti/olo, de 6etão, de
2erro 2undido) .ensar-amos no *ue existe para além delesY "em com a vista, nem com
o pensamento tent3vamos penetrar no *ue havia por detr3s, *uando é ali mesmo, 6em
perto, a dois metros de n:s, *ue come+a o Ar*uipélago de BU AB) "em ainda distingu-
amos, nesses taipais, a in<mera *uantidade de portas estreitas e 6em a/ustadas, 6em
camu2ladas) (odas, todas essas portas 2oram preparadas para n:sX E eis *ue uma se
a6re r3pida e 2atal, e *ue *uatro mãos 6rancas, masculinas, não ha6ituadas ao
tra6alho, mas como garras, nos prendem pelas pernas, pelos 6ra+os, pelo colarinho,
pelo 6oné ou por uma orelha e nos arrastam como um 2ardo, en*uanto a porta 2ica
para tr3s de n:sW a porta da nossa vida passada, 2echada para sempre) E é tudo)
Voc0 é um presoX E nada encontra para responder a isso, a não ser um 6alido do
cordeiroJ 1 E1uYYY .or*u0YYY))) Eis o *ue é a deten+ãoJ uma chama o2uscante e um
golpe, a partir dos *uais o presente desli>a num segundo para o passado, e o
imposs-vel passa a ter os plenos direitos do presente) E é tudo) "ada mais ser3
capa> de assimilar, nem na primeira hora, nem mesmo nos primeiros dias) Ainda
trémula no meio do seu desespero o luar de uma lua de 6rin*uedo, de circoJ 7E um
erroX (udo ser3 esclarecidoX8 & resto, o *ue agora se 2ormou com 6ase na ideia
tradicional a até liter3ria so6re a deten+ão, acumula1se e estrutura1se /3 não na
sua desconcertada mem:ria, mas na da sua 2am-lia e dos seus vi>inhos) 'sto é, o
6rusco som nocturno da campainha ou a 6rutal pancada na porta) 'sto é a 6rava
investida dos 6riosos agentes com as 6otas su/as) 'sto é, a assustada testemunha
*ue os segue) RE para *u0 essa testemunhaY As v-timas não ousam pens31lo, os
agentes não o conce6em, mas são assim as instru+9es, e é preciso *ue este/a sentada
toda a noite e pela manhã ponha a sua assinatura) .ara as testemunhas *ue
levantaram da cama isso é tam6ém uma torturaJ noite ap:s noite andar a a/udar a
prender os vi>inhos e conhecidos)S A deten+ão tradicional parte ainda dos
preparativos do preso, com as mãos trementes estendidas para os o6/ectos, a levar
uma muda de roupa, um peda+o de sa6ão, um pouco de comidaW ninguém sa6e o *ue é
necess3rio "um apartamento ha6itam normalmente v3rias 2am-lias e ocupam uma parte)
A co>inha e o *uarto de 6anho são comuns) R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB 19 rio,
o *ue se pode levar e a melhor maneira de se vestir, mas os agentes imp9em pressa e
interrompemJ 7"ão é preciso levar nada) 3 dão de comer) 3 2a> calor)8 RFentem
sempre e se imp9em pressa é para atemori>ar)S A deten+ão tradicional é ainda,
depois de terem levado o po6re detido, a ocupa+ão do apartamento durante longas
horas por uma 2or+a estranha, r-gida, esmagadora) E ainda o arrom6ar, a6rir, tirar
e arrancar das paredes, lan+ar dos arm3rios e das mesas para o solo, sacudir,
rasgar, espalhar montes de coisas pelo chão e pis31las) "ada existe de sagrado na
6usca do domic-lioX Duando prenderam o ma*uinista 2errovi3rio 'nochin,
encontrava11se no *uarto o corpo de uma crian+a *ue aca6ava de morrer) &s /uristas
tiraram o corpo da crian+a e revistaram tam6ém l3) Eles dão sa2an9es aos doentes de
cama e tiram as ligaduras *ue lhes co6rem as 2eridas)4 #urante a 6usca nada pode
ser considerado como um desprop:sitoX Ao amador de antiguidades (chetveruAhin
apreenderam 7algumas 2olhas de decretos c>aristas8 1 precisamente dos decretos
so6re o termo da guerra contra "apoleão, so6re a 2orma+ão da %anta Alian+a e so6re
o servi+o religioso contra a c:lera de 1Q@C) Ao nosso melhor conhecedor do (i6ete,
VostriaAov, 2urtaram1lhe manuscritos antigos ti6etanos, valios-ssimos Ros alunos do
2alecido arrancaram1nos com enorme di2iculdade ao ?omité de %eguran+a do Estado,
trinta anos depoisXS) Ao orientalista "evsAi, no momento de ser preso, levaram1lhe
manuscritos de (agut Re vinte e cinco anos depois, por t01los
deci2rado, concederam1lhe o .rémio enine, a t-tulo p:stumoS) Gi>eram desaparecer o
ar*uivo dos ost-acos do Jenissei, ar*uivo pertencente a =arguer, e proi6iram a
escrita e o a6eced3rio *ue ele criou, 2icando esse pe*ueno povo sem l-ngua escrita)
Em linguagem intelig-vel, tudo isto leva muito tempo a relatar, mas o povo di>
acerca da 6usca domicili3riaJ 6uscam o *ue l3 não puseram) evam o *ue seleccionam e
por ve>es o6rigam o pr:prio detido a carreg31lo, como 2i>eram a "ina
AleAsandrova .altchinsAaia, *ue levou ,s costas um saco com cartas e documentos do
seu 2alecido marido, not3vel engenheiro da $<ssia, perpetuamente em ac+ão nas
6ar6as deles, para sempre, sem retorno) .ara os *ue 2icam depois da deten+ão restam
as longas se*uelas de uma vida des2eita, desolada) E as tentativas de 2a>er chegar
encomendas aos presos) Fas em todos os postigos h3 vo>es *ue ladramJ 7Esse não est3
a*uiX8 %im, diante de um postigo desses, nos piores dias de eninegrado, era preciso
2a>er uma 6icha de cinco dias) E 6em pode acontecer *ue no pra>o de 4 Em 19@5
*uando sa*uearam o 'nstituto do #r) =a>aAov, os agentes da 7comissão8 *ue6raram as
provetas com lisati, desco6erto por ele, apesar de os doentes resta6elecidos e os
inv3lidos *ue estavam a curar1se pularem em redor e pedirem *ue conservassem o
milagroso remédio) R%egundo a versão o2icial, lisati era considerado como um
veneno))) .or*ue não conserv31lo como prova de delitoYS 4C A$DU'.E AB& #E BU AB
meio ano o pr:prio preso responda ou eles larguemJ 7"ão tem direito a cartas)8 E
isso signi2ica desde logo *ue é para sempre) 7"ão tem direito a cartas8 é *uase
certo *uerer di>erJ 2oi 2u>ilado)@ E esta a ideia *ue 2a>emos da deten+ão) E, na
verdade, a deten+ão nocturna, do tipo descrito, é a pre2erida, pois apresenta as
maiores vantagens) (odos os ha6itantes do apartamento 2icam encolhidos pelo terror,
desde a primeira pancada na porta) & preso é arrancado ao calor da cama, todo ele
redu>ido , impot0ncia do sono, com a mente con2usa) "a deten+ão nocturna, os
agentes t0m superioridade de 2or+asJ v3rios homens armados contra um *ue não chegou
se*uer a a6otoar as cal+asW durante os preparativos e a revista , casa, por certo
*ue não se /unta , entrada da casa nenhum grupo de poss-veis partid3rios da v-tima)
A chegada gradual e sem pressas a um apartamento, depois a outro, amanhã a um
terceiro ou *uarto, d3 a possi6ilidade de utili>ar /udiciosamente os grupos de
agentes e de meter no c3rcere, com 2re*u0ncia, mais ha6itantes da cidade do *ue o
n<mero de pol-cias) As deten+9es nocturnas t0m ainda a vantagem de *ue nem os
in*uilinos do prédio, nem os transeuntes das ruas da cidade v0em *uantos levaram
durante a noite) %e assusta os vi>inhos mais pr:ximos, o acontecimento não existir3
para os mais distantes) E como se nada tivesse acontecido) .ela mesma cal+ada em
*ue transitaram os carros da pol-cia durante a noite, des2ila durante o dia um
magote de /ovens com 6andeiras e 2lores, entoando alegres can+9es) Fas para os
arre6anhadores, cu/o servi+o é apenas o de 2a>er deten+9es e para *uem os horrores
so2ridos pelos presos são uma coisa repetida e 2astidiosa, a compreensão da
deten+ão é muito mais ampla) Eles possuem toda uma teoria 6em ela6orada, não se
devendo pensar ingenuamente *ue a não t0m) A ci0ncia da deten+ão é um cap-tulo
importante do curso geral da #irec+ão das .ris9es, e nele assenta a teoria
2undamental da sociedade) As deten+9es são classi2icadas de acordo com critérios
diversosJ nocturnas e diurnasW domicili3rias, no lugar de tra6alho ou em trLnsitoW
primeira ou segundas deten+9es isoladas ou em grupo) Estas deten+9es di2erenciam1se
pelo grau de surpresa
exigido e pelo grau de resist0ncia esperado Rmas em de>enas de milh9es de casos não
era esperada resist0ncia alguma, como de @ "uma palavra, 7vivemos em condi+9es
malditasJ um homem desaparece sem not-cias e as pessoas mais chegadas, a esposa e a
mãe))) não sa6em durante anos o *ue lhe sucedeu8) E /ustoY "ãoY 'sto 2oi escrito
por enine em 191C, no necrol:gico de Ia6uchAine) %: *ue h3 *ue di>01lo claramenteJ
Ia6uchAine levava uma carga de armas para a insurrei+ão e 2oi com essa carga *ue o
2u>ilaram) Ele sa6ia ao *ue se expunha) Fas o mesmo se não pode di>er de n:s, *ue
somos apanhados como coelhos) A$DU'.E AB& #E BU AB 41 2acto não houveSW as
deten+9es di2erenciam1se pela gravidade dada , 6usca4 pela necessidade de 2a>er ou
não um invent3rio, a 2im de proceder , apreensão e de selar o *uarto ou o
apartamentoW pela necessidade de prender a esposa depois da deten+ão do marido e de
mandar os 2ilhos para uma casa de crian+as, ou de enviar todo o resto da 2am-lia
para a deporta+ão ou ainda os velhos para um campo) Evidentemente, as deten+9es são
muito variadas *uanto , 2orma) 'rma Fendel, de nacionalidade h<ngara, conseguiu
certa ve>, no =omintern5, em 194;, duas entradas para o (eatro Iolchoi, nas
primeiras 2ilas) & /ui> de instru+ão, =leguel, corte/ava1a e ela convidou1o)
.assaram em id-lio todo o espect3culo, depois do *ue ele a acompanhou)))
directamente , u16ianAa;) E se num dia 6elo de Junho de 1945, na $ua =u>nietsA
Fost, a 2ormosa Ana %AripniAova, de louras tran+as e rosto redondo, *ue aca6ava de
comprar tecido a>ul para um vestido, é convidada por um /ovem todo /anota a
sentar1se ao seu lado, num carro puxado a cavalos Ro cocheiro 2ran>iu o so6rolho,
pois compreendeu logo tudoJ os chamados :rgãos nada lhe pagarãoS, sai6am *ue não se
trata de um encontro amoroso, mas tam6ém de uma deten+ãoJ eles 2arão um desvio para
u6ianAa e entrarão pela negra 2auce desses port9es) E se Rvinte e dois anos depoisS
o segundo11capitão Ioris IurAovsAi, envergando um casaco 6ranco, cheirando a magn-
2ica 3gua1de1col:nia, compra um 6olo para uma rapariga T é 6om não /urar *ue esse
6olo lhe chegar3 ,s mãos, em lugar de ser partido ,s 2atias pelas 2acas dos
investigadores e levado pelo capitão para a primeira cela *ue lhe é destinada) "ão,
nunca 2oi descrita, no nosso pa-s, a deten+ão em pleno dia, nem a deten+ão em
marcha, nem a deten+ão entre um 2ormigueiro de genteX Entretanto, todas elas são
reali>adas de 2orma cuidadosa e 1 caso surpreendenteX 1 as pr:prias v-timas,
segundo os agentes, comportam1se da maneira mais no6re poss-vel, para *ue isso, a
perdi+ão do condenado, não d0 nas vistas aos *ue permanecem vivos) 4 E h3 ainda,
especialmente, toda uma ci0ncia de 6usca domicili3ria, segundo consegui ler num
2olheto para /uristas, de ensino por correspond0ncia, em Alma1Ata) "ele eram
elogiados muitos da*ueles /uristas *ue nessas 6uscas não tiveram pregui+a de
remexer duas toneladas de esterco, seis metros c<6icos de lenha e dois carros de
2eno, *ue removeram a neve de todo um sector pertencente a uma herdade, *ue tiraram
os ti/olos de um 2orno, *ue a6riram uma cova numa estre6aria, *ue inspeccionaram as
latrinas, *ue revistaram o canil, as capoeiras, ninhos dos estorninhos, *ue 2uraram
colch9es, *ue arrancaram ligaduras do corpo e até dentes de metal para neles
procurarem microdocumentos) Aos estudantes da Escola da .ol-cia .ol-tica é
recomendado com insist0ncia *ue iniciem a 6usca pela revista pessoal e terminem por
ela Rde repente, o revistado pode ter1se apoderado de algo *ue 6uscavamS, voltando
uma ve> mais a esse lugar, mas em outra hora do dia, e 2a>endo novamente outra
6usca) 5 A6reviatura da ''' 'nternacional ?omunista, nascida da cisão da ''
'nternacional) R") dos ()S ; %ede das pol-cias soviéticas R(cheAa, B).)U),
")=)V)#), etc)S
44 A$DU'.E AB& #E BU AB "em todos podem ser presos em casa com uma pancada prévia
na porta Re se acaso alguém 6ate, apresenta1se como o 7gerente da casa8, como o
7carteiro8S, e nem convém *ue todos se/am detidos no local de tra6alho) %e o *ue
vai ser preso é considerado perigoso é mais c:modo prend01lo 2ora do seu meio
ha6itual, longe dos seus 2amiliares, dos seus colegas, dos seus correligion3rios,
dos seus esconderi/osJ ele não deve ter tempo de destruir, esconder ou transmitir
a6solutamente nada) ]s altas patentes, militares ou do .artido, era1lhes dado, por
ve>es, antes de mais, um novo cargo, e proporcionada uma carruagem1salão, s: sendo
presos no caminho) Dual*uer mortal desconhecido, gelado de pavor pelas deten+9es em
massa e h3 /3 uma semana atormentado pelos olhares de soslaio do seu che2e, é
chamado de um momento para o outro ao ?omité do %indicato, onde lhe o2erecem,
radiantes, uma reserva para um sanat:rio de %otchi) & nosso pato 2ica comovidoJ
isso *uer di>er *ue os seus receios eram in2undados) Agradece, delirante de
alegria, apressa1se a dirigir1se para casa a 2im de preparar a mala) & com6oio
partir3 dentro de duas horas e ele >anga1se com a lentidão da esposa) Ei1lo na
esta+ãoX Ainda h3 tempoX "a sala de espera ou no 6u2ete um /ovem simp3tico
grita1lheJ 7"ão me conhece, .iotr 'vanitchY8 .iotr 'vanitch atrapalha1seJ 7"ão,
mas)))8 & /ovem expande1se numa atitude a2ectuosaJ 7Então como, então como, eu vou
recordar1lhe8 e respeitosamente 2a> vénias , esposa de .iotr 'vanitchJ 7.erdoe1me,
o seu marido voltar3 dentro de um minuto)))8 A esposa d3 licen+a, o desconhecido
leva .iotr 'vanitch con2iantemente pelo 6ra+o 1 para sempre ou por de> anosX "a
esta+ão h3 um vaivém em torno e ninguém repara))) ?idadãos *ue gostam de via/arX
"ão es*ue+am *ue em cada esta+ão existe uma sec+ão da B).)U)5 e v3rias celas de
reclusão) Esta insist0ncia importuna de aparentes conhecidos é tão viva, *ue um
homem sem a prepara+ão de lo6o de um campo é incapa> de desem6ara+ar1se dela) "ão
pense *ue se voc0 tra6alha na Em6aixada norte1americana e se chama, por exemplo,
Al1r1#), não pode ser detido em pleno dia na $ua BorAi, perto da Esta+ão de ?
orreios e (elégra2os) & seu amigo desconhecido precipita1se para si através da
densa multidão e di>, a6rindo os seus 6ra+os como tena>esJ 7%achaX8, Rele não se
esconde, mas simplesmente gritaS, 7eh p3X ^3 *uantos anos não te ve/oYX Vem a*ui,
para não estorvarmos8) Uma ve> de lado, , 6eira do passeio, chega, precisamente um
carro marca .o6ieda))) R#ias depois, a ag0ncia (ass declarar3, irritada, em todos
os /ornais, *ue os c-rculos competentes nada sa6em do desaparecimento de Al1r1#)S
Due novidadeX &s nossos 6ravos rapa>es tam6ém e2ectuaram deten+9es dessas em
Iruxelas R2oi assim *ue 2oi preso Jora IlednovS, e não s: em Foscovo) .ol-cia pol-
tica chamada #irec+ão .ol-tica do Estado) R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB 4@ ^3
*ue dar aos :rgãos o *ue lhes é devidoJ no século em *ue os discursos dos oradores,
as pe+as de teatro e as modas 2emininas parecem 2eitas em série, as deten+9es podem
ser variadas) A si, levam1no a um lado da entrada da 236rica, depois de lhe
veri2icarem o cartão e voc0 est3 presoW arrancam1no de um hospital militar com
trinta e nove de 2e6re R^ans Iern1steinS, e o médico não se op9e , sua deten+ão Re
de *ue vale tentar opor11 seYSW tiram1no directamente da mesa de opera+9es durante
uma opera+ão de <lcera do est_mago R") F) Voro6iov, inspector do departamento
regional de Educa+ão .<6lica, ano de 19@;S e, *uase sem vida, cheio de sangue,
condu>em1no , cela Rrecorda =arpunitchSW voc0 R"adia evitsAaiaS reclama uma
visita , sua mãe, *ue est3 condenada, e concedem1lhaX Fas ela trans2orma1se numa
acarea+ão e numa deten+ãoX
"uma mercearia convidam1no a passar , sec+ão de encomendas e ali mesmo o det0mW
voc0 é preso pelo via/ante *ue passou a noite em sua casa por 7amor de #eus8W preso
pelo electricista *ue 2oi ler o contadorW preso pelo ciclista *ue es6arrou consigo
na ruaW pelo revisor do com6oio, pelo motorista de t3xi, pelo 2uncion3rio da ?aixa
Econ:mica e pelo administrador do cinemaJ todos o podem prender e s: depois, mas /3
tarde, voc0 ver3, muito escondida, a chapa vermelha) ]s ve>es as deten+9es *uase
parecem uma 6rincadeira T tais são o engenho e o re2inamento utili>ados, mesmo
*uando sem isso a v-tima não o2ereceria resist0ncia) &s agentes *uerem
porventura /usti2icar o seu servi+o e o elevado n<mero de deten+9esY Iasta enviar a
todos os patos visados uma intima+ão e todos eles, , hora e minutos marcados, se
apresentarão, su6missos, com a trouxa,ao portão de 2erro negro da .ol-cia de
%eguran+a do Estado, para ocuparem na cela o espa+o *ue lhes é destinado) RE assim
mesmo *ue os AolAho>ianos são detidosW seria l3 poss-vel ter de ir de noite
6usc31los a casa por lugares sem caminhoYX ?hamam1nos ao %oviete da aldeia e ali o
prendem) &s simples oper3rios são convocados ao escrit:rio da empresa)S
"aturalmente *ue cada m3*uina so2re o seu desgaste depois do *ual /3 não pode
2uncionar) "os saturados e es2or+ados anos de 194514;, *uando chegavam umas atr3s
das outras, composi+9es 2errovi3rias da Europa e era necess3rio a6sorv01las e
despach31 las para o BU AB, não havia se*uer esse /ogo supér2luo e a pr:pria teoria
tinha perdido muito do seu 6rilho, a plumagem ritual tinha voado e a deten+ão de
de>enas de milhares de homens ad*uiriu o m-sero aspecto de uma chamadaJ pegavam nas
listas, tiravam1nos de um vagão e metiam1nos noutro, e isso era no 2im de contas o
método da deten+ão) As pris9es pol-ticas no nosso pa-s singulari>aram1se, durante
décadas, precisamente pelo 2acto de serem detidas pessoas em nada culpadas e, por
isso, de modo nenhum preparadas para o2erecer resist0ncia) ?riou1se o sentimento
geral de 2atalidade, a ideia de *ue , #irec+ão .ol-tica do Estado e ao ?omissariado
do .ovo para o 'nterior era imposs-vel 44 A$DU'.E AB& #E BU AB 2ugir Ro *ue, com o
nosso sistema de passaporte, tem, ali3s, ra>ão de serS) E mesmo no auge das
epidemias de deten+9es, *uando as pessoas, ao sa-rem cada dia para o tra6alho, se
despediam da 2am-lia, por não terem a certe>a de regressarem , noite, mesmo então
*uase não 2ugiam) RE em raros casos se suicidavam)S Exactamente o *ue era preciso)
Uma ovelha pac-2ica para os dentes do lo6o) 'sto sucedia ainda pela incompreensão
do mecanismo das epidemias de deten+9es) &s :rgãos não tinham 2re*uentemente motivo
pro2undo para escolha, não sa6endo *ue pessoa deter ou não deter, mas simplesmente
*uais os n<meros a atingir) & cumprimento destes n<meros podia estar de acordo com
as normas, mas podia tam6ém ter um car3cter completamente casual) Em 19@5, apareceu
na recep+ão da ")=)V)#), de "ovo (cherAassA, uma mulher a perguntar *ue destino
devia dar a uma crian+a de peito, *ue tinha 2ome, de uma vi>inha detidaJ
7%ente1se8, disseram1lhe, 7vamos esclarecer isso8) Esperou duas horas e levaram1na
da recep+ão , celaJ era preciso completar urgentemente a ci2ra prevista e 2altavam
agentes para mand31los correr a cidade, e a*uela mulher /3 ali estavaX %ucedeu o
oposto com o letoniano Andrei .avlu, perto de &rcha, onde a ")=)V)#) se dirigiu
para o prenderJ ele não a6riu a porta, saltou pela /anela, teve tempo de 2ugir e
partiu de viagem directamente para a %i6éria) Em6ora vivesse com o seu nome
verdadeiro e pelos documentos 2osse claro *ue era de &rcha, .avlu "U"?A 2oi detido,
nem chamado aos :rgãos, nem considerado suspeito) ^3 tr0s tipos de 6uscasJ de
Lm6ito 2ederal, repu6licano e regimental, e *uase para metade dos presos, em tais
epidemias, a 6usca
não excedia a região) A*uele *ue era destinado a ser preso por circunstLncias
2ortuitas, a den<ncia de um vi>inho, por exemplo, 2acilmente era su6stitu-da por
outro vi>inho) (al como .avlu, outros houve *ue 2oram apanhados casualmente numa
rusga, ou num apartamento, ou numa em6oscada, e tiveram a aud3cia de 2ugir nesse
preciso momento, antes mesmo do primeiro interrogat:rio, nunca sendo agarrados, nem
levados a /ulgamentoW mas a*ueles *ue 2icaram a aguardar /usti+a, cumpriram a pena
so2rida) E *uase todos, na sua esmagadora maioria, se comportaram precisamente
desse modoJ com pusilanimidade, impot0ncia, 2atalismo) E certo tam6ém *ue a
")=)V)#), na aus0ncia da pessoa de *ue necessitava, o6rigava os seus 2amiliares a
assinar um aviso, proi6indo1os de *ual*uer desloca+ão e, naturalmente, não custava
nada em6arcar os *ue tinham 2icado em lugar do 2ugitivo) A inoc0ncia geral engendra
a inactividade geral) .ode ser *ue não te levem a ti) .ode ser *ue escapes) A)')
adi/ensAi era pro2essor da escola da aldeia perdida de =ologriva) "o ano de 19@5
aproximou1se dele, no mercado, um campon0s e comunicou1lhe da parte de alguémJ
7AleAsandr 'vanitch, vai1te em6ora da*ui, est3s na lista)8 Fas ele 2icouJ 7Eu sou o
pilar da escola e os pr:prios 2ilhos deles estudam comigo 1 como me podem
prenderY)))8 R#ias depois 2oi preso)S "ão é *ual*uer pessoa *ue, como A$DU'.E AB&
#E BU AB 45 VLnia evitsAi, compreende logo aos cator>e anos de idadeJ 7(oda a
pessoa honrada deve passar pelo c3rcere) Agora est3 o meu pap3, e *uando eu
crescer, meter1me1ão a mim)8 REle 2oi preso aos vinte e tr0s anos)S A maioria 2ica
inerte numa miragem de esperan+a) Uma ve> *ue és inocente 1como te podem prenderY E
UF E$$&X J3 te puxam pela gola e não deixas de exorcismarJ 7E um erroX Esclarecerão
tudo e hão1de li6ertar1meX8 &utros são presos em massaW isto é tam6ém a6surdo, mas
cada caso 2ica envolto nas trevasJ (alve> a*uele, *uem sa6eY))) Fas tuX 1 tu
certamente, *ue est3s inocenteX (u ainda encaras os :rgãos como uma institui+ão com
l:gica humanaJ hão1de esclarecer e li6ertar) "esse caso, para *u0 2ugirY))) E como
podes então o2erecer resist0nciaY ))) %: pioras a tua situa+ão e impedes *ue
esclare+am o erro) "ão s: não resistes, como até desces a escada na ponta dos pés,
como te ordenam, para *ue os vi>inhos não oi+amQ) E depois, resistir precisamente a
*u0Y ] apreensão do cintoY &u , ordem de te mandarem para o canto de castigoY &u de
cru>ar a om6reira Q E depois, nos campos, *ue torturaX E se cada agente de cada ve>
*ue vai 2a>er deten+9es, pela noite, não tivesse a certe>a de voltar vivo e tivesse
de despedir1se da 2am-liaYX %e durante as deten+9es em massa, como por exemplo em
eninegrado, *uando 2oi presa a *uarta parte da popula+ão da cidade,` as pessoas não
tivessem permanecido nas suas tocas, tremendo de medo a cada pancada na porta e a
cada passo na escadaW se elas tivessem compreendido *ue nada mais tinham a perder,
e nos seus vest-6ulos, com Lnimo 2orte, umas *uantas pessoas tivessem 2eito
em6oscadas com machados, com martelos, com espetos, en2im com o *ue encontrassem ,
mãoY E sa6ido de antemão *ue essas aves nocturnas com 6onés não vão com 6oas
inten+9es 1 não h3 risco de errar, descarregando um golpe no homicida) Duanto ,
carrinha da pol-cia, com o seu motorista solit3rio, *ue 2icou na rua, não havia
senão *ue arrast31la ou 2urar1lhe os pneusX &s :rgãos 6em depressa notariam a 2alta
de cola6oradores e de meio de transporte, e, a despeito de toda Lnsia de
%talin,ateria sido detida a m3*uina malditaX %e se tivesse))) se se tivesse 2eito
isso))) Galtou1nos o su2iciente amor , li6erdade, e, antes do mais, a plena
consci0ncia da verdadeira situa+ão) Bast3mo1nos numa incont-vel explosão no ano de
1915, e depois A.$E%%ZF&1"&% a su6meter1nos, e 2oi com %A('%GAV\& *ue nos
su6metemos) RArthur $enson descreve um com-cio oper3rio em
Karoslav em 1941) #e Foscovo, do ?omité ?entral, 2oram sondar os oper3rios para se
aconselharem so6re a polémica re2erente aos sindicatos) & representante da
oposi+ão, K) arin, explicou aos oper3rios *ue o seu sindicato devia de2end01los da
administra+ão, *ue eles con*uistaram direitos contra os *uais pessoa alguma tem o
direito de atentar) &s oper3rios mantiveram1se a6solutamente indi2erentes, "]& ?&F.
$EE"#E"#& se*uer de *uem é *ue eles precisavam ainda de de2ender1se e para *ue é
*ue ainda necessitavam desses direitos) Fas *uando interveio o representante da
linha geral e 2ustigou os oper3rios pelo relaxamento da disciplina e pela sua
pregui+a, e exigiu deles sacri2-cios, horas extraordin3rias de gra+a, limita+9es
*uanto , alimenta+ão, su6missão militar 2ace , administra+ão da 236rica, isso
suscitpu o entusiasmo do com-cio e os aplausos)S FE$E?EF&% simplesmente tudo *uanto
so6reveio depois) b Em #e>em6ro de 19@4, ap:s o assass-nio de =irov) R") dos ()S 4;
A$DU'.E AB& #E BU AB da portaY A deten+ão é composta de pe*uenos preLm6ulos, de
numerosas insigni2icLncias, e parece não ter sentido discutir *ual*uer deles
isoladamente Ros pensamentos do preso giram em torno da grande perguntaJ
7.or*u0YX8S, mas são todos esses preLm6ulos *ue 2ormam, inevitavelmente, a deten+ão
no seu con/unto) Duanta coisa não h3 na alma do recém1detidoX %: isto mereceria
todo um livro) "ela pode haver sentimentos de *ue nem se*uer n:s suspeitamos) Em
1941, *uando prenderam a /ovem Evguénia #oiarenAo, de de>anove anos, e tr0s /ovens
tche*uistas revolveram a sua cama e a c:moda da roupa, ela permaneceu tran*uilaJ
não h3 nada, nada encontrarão) E, de repente, eles encontraram o seu di3rio -ntimo,
*ue a mo+a nem , mãe podia mostrarJ a leitura dessas linhas, por rapa>es estranhos
e hostis, a2ectou1a mais do *ue toda a u6ianAa com as suas grades e caves) E muitos
desses sentimentos -ntimos e a2ectivos, atingidos pela deten+ão, podem ser 6em mais
2ortes do *ue o pavor do c3rcere ou as ideias pol-ticas) A pessoa interiormente não
preparada para a viol0ncia é sempre mais dé6il do *ue a*uela *ue a exerce) %ão
raras as pessoas inteligentes e auda>es *ue tudo compreendem instintivamente) &
director do 'nstituto de Beologia da Academia das ?i0ncias, Brigoriev, *uando o
2oram deter, em 194Q, 6arricou1se e *ueimou documentos durante duas horas) .or
ve>es, o sentimento dominante do detido é o al-vio e até))) a A EB$'A, mas isso
sucedeu s: no tempo da epidemia de deten+9esJ *uando , tua volta levavam e levavam
outros como tu, e não te levavam a ti, tardandoW isso é uma consumi+ão interior, um
so2rimento pior do *ue *ual*uer deten+ão, e não apenas para um esp-rito dé6il)
Vassili Vlassov, intrépido comunista, *ue ainda recordaremos mais de uma ve>,
tendo1se negado a 2ugir, o *ue lhe 2oi proposto pelos seus cola6oradores sem
partido, ia1se consumindo, pois /3 tinham preso toda a direc+ão do .artido do
distrito de =adi R19@5S e s: ele não era detido) "ão podia rece6er o golpe senão de
2renteJ rece6eu1o e sossegou, sentindo1se per2eitamente nos primeiros dias de
deten+ão) & sacerdote 'raAli 2e> em 19@4 uma viagem a Alma1Ata para visitar os
crentes deportados, mas nesse entrementes 2oram tr0s ve>es ao seu apartamento, em
Foscovo, para o prender) Duando regressou, os paro*uianos esperavam1no na esta+ão e
não o deixaram seguir para casa, e durante oito anos esconderam1no de apartamento
em apartamento) & sacerdote 2icou tão extenuado por essa vida de perseguido *ue,
*uando o prenderam, em 1944, agradeceu a #eus) "este cap-tulo, s: 2alamos so6re a
grande massa, so6re os patos detidos não se sa6e por*u0) Fas, no presente livro,
re2erir1nos1emos ainda ,*ueles *ue nos novos tempos se mantiveram como aut0nticos
pol-ticos) Vera $i6aAova, estuda*te social1democrata,
*uando estava em li6erdade, sonhava com o isolamento na prisão de %u>dalJ s: ali
esperava encontrar A$DU'.E AB& #E BU AB 45 os seus antigos camaradas R/3 não os
havia em li6erdadeS e ela6orar a sua 2iloso2ia pol-tica) A socialista
revolucion3ria EAaterina &litsAa, em 1944, até se considerava indigna de estar
encerrada na prisão, /3 *ue pelos c3rceres tinham passado as melhores pessoas da
$<ssia, e ela era muito /ovem e nada tinha 2eito ainda pela $<ssia) Fas a pr:pria
li6erdade a re/eitava) Assim, 2oram as duas para a prisão com alegria e orgulho) 7A
resist0nciaX &nde esteve a vossa resist0nciaY8, é a recrimina+ão *ue 2a>em ho/e os
*ue so2rem, ,*ueles *ue escaparam , repressão) %im, a resist0ncia devia ter
come+ado a partir da*ui, do in-cio da deten+ão) Fas não teve come+o) E eis *ue /3 o
levam) Em pleno dia, a deten+ão é inevitavelmente um momento 6reve, *ue não se
repete, em *ue o levam através da multidão, entre centenas de outros homens
igualmente inocentes e condenados como voc0) E a sua 6oca não 2oi tapada) E voc0
pode e deveria a6solutamente B$'(A$X Britar *ue vai presoX Due h3 mal2eitores
dis2ar+ados *ue andam , ca+a das pessoasX Due as apanham com 6ase em den<ncias
2alsasX Due uma surda repressão é desencadeada contra milh9es de pessoasX E,
ouvindo esses gritos, in<meras ve>es durante o dia, e em todas as partes da cidade,
talve> *ue os nossos concidadãos se re6elassemX E talve> *ue as deten+9es se não
tivessem tornado tão 23ceisXY "o ano de 1945, *uando a su6missão ainda não tinha
amolecido os nossos cére6ros a tal ponto, na .ra+a de %erpuAhovsAaia dois
tche*uistas tentaram prender, de dia, uma mulher) Ela agarrou1se ao poste de
ilumina+ão p<6lica e come+ou a gritar, o2erecendo resist0ncia) Juntou1se uma
multidão) REra necess3ria uma mulher assim, mas tam6ém era necess3ria uma multidão
assimX "em todos os transeuntes 2echaram os olhos, nem todos se apressaram de
largoXS &s nossos 3geis rapa>es des+oncertaram1se de repente) Eles não podem
tra6alhar , vista de toda a sociedade) %u6iram para o autom:vel e 2ugiram) R#ali, a
mulher devia ter1se dirigido imediatamente para a esta+ão e partirX Fas ela 2oi
pernoitar a casa) E, pela noite, levaram1na para a u6ianAa)S Fas dos seus l36ios
resse*uidos não 6rota nem um som e a multidão *ue transita descuidadamente toma1o a
voc0 e aos seus carrascos por amigos *ue passeiam) Eu pr:prio tive muitas ve>es a
possi6ilidade de gritar) &n>e dias ap:s a minha deten+ão, tr0s parasitas da
contra1espionagem R%merchS9 mais preocupados com *uatro pesadas malas, cheias, na
sua maior parte, de tro2éus da guerra, do *ue comigo Rdurante o longo caminho
tinham /3 passado a con2iar em mimS condu>iram1me , Esta+ão de Iie1 9 A6reviatura
de 7Forte aos Espi9es) R") dos ()S 4Q A$DU'.E AB& #E BU AB lorrAaia, em Foscovo)
Eles tinham a denomina+ão de escolta especialW mas, na realidade, as espingardas
autom3ticas causavam1lhes estorvo para arrastar as *uatro pesad-ssimas malas com
o6/ectos de valor, rou6ados na Alemanha por eles e pelos seus che2es da
contra1espionagem da %egunda Grente da Iielorr<ssia) %o6 o pretexto de me servirem
de escolta, levaram esses o6/ectos para as 2am-lias *ue tinham 2icado na p3tria) Eu
transportava, sem vontade nenhuma, a *uinta mala, em *ue iam os meus di3rios e os
meus escritosJ as provas contra mim) "enhum dos tr0s conhecia a cidade, e era eu
*ue devia escolher o caminho mais curto para o c3rcereW era eu mesmo *ue devia
condu>i1los , u16ianAa, onde eles nunca tinham estado Re eu con2undia1a com o
Finistério dos "eg:cios EstrangeirosS)
#epois de um dia na prisão da contra1espionagem do exércitoW depois de tr0s dias na
prisão da contra1espionagem da 2rente, onde os companheiros de cela me tinham
instru-do Racerca dos em6ustes dos interrogat:rios, das amea+as e dos
espancamentos, e so6re o 2acto de *ue ,s ve>es o preso nunca é posto em li6erdade,
podendo1se apanhar 2acilmente de> anosS, eu escapei por milagre) E, de repente, h3
*uatro dias *ue ando como um homem livre entre homens livres, em6ora as minhas
costelas ainda durmam so6re palha podre perto do 6alde da latrina, em6ora os meus
olhos /3 tenham visto companheiros espancados e privados do sono, em6ora os meus
ouvidos tenham escutado a verdade, e a minha 6oca coma a sopa dos prisioneiros)
.or*ue é *ue eu me calo entãoY .or*ue é *ue eu não esclare+o a multidão enganada,
aproveitando o meu <ltimo minuto em p<6licoY Eu guardei sil0ncio na cidade polaca
de Irodnitsa Rtalve> ali não compreendessem o russoS) "ão pro2eri palavra nas ruas
de IielostoA Rpodia ser *ue isso não interessasse aos polacosS) "ão soltei nem um
som na esta+ão de VolAovisA Rhavia l3 pouca genteS) ?omo se nada sucedesse,
caminhei acompanhado desses 6andoleiros pela gare da esta+ão de FinsA Rmas a
esta+ão estava ainda em ru-nasS) E agora levo atr3s de mim esses agentes da
contra1espionagem, so6 a c<pula 6ranca do vest-6ulo superior da esta+ão do metro
radial da IielorussAaia, inundada de lu> eléctrica, e su6indo de 6aixo, ao nosso
encontro, v0m as duas esteiras paralelas das escadas rolantes, repletas de
moscovitas) .arece *ue todos olham para mimX "uma 2ila intermin3vel, emergindo da
pro2undidade do desconhecido, desli>am, so6 a c<pula resplandecente, na minha
direc+ão, como se solicitassem uma palavra de verdade) .or*ue é *ue então eu
permane+o caladoYX))) ?ada pessoa tem sempre uma d<>ia de motivos de desculpa,
dando1lhe ra>ão para não sacri2icar1se) Alguns t0m esperan+a no desenlace 2eli> e
temem compromet01lo com o seu grito Ra n:s não nos chegam not-cias do outro lado do
mundo, não sa6emos *ue desde o momento da deten+ão a nossa sorte est3 *uase
decidida segundo a pior das hip:teses e não é poss-vel agrav31laS) &utros não estão
ainda maduros para as ideias *ue se transmitem em gritos , massa) "a verdade
A$DU'.E AB& #E BU AB 49 , s: os revolucion3rios t0m sempre as palavras de ordem na
ponta da l-ngua prontas a saltarW mas *ue di>er do pacato e simples homem comum,
não implicado em nadaY Ele "\& %AIE pura e simplesmente o *ue é *ue deve gritar) E,
por 2im, h3 ainda um género de pessoas *ue t0m o peito demasiado repleto, cu/os
olhos viram demasiado, para poder 2a>er trans6ordar todo esse mar nuns *uantos
gritos sem nexo) Fas eu, eu guardo sil0ncio ainda por outro motivoJ por*ue esses
moscovitas *ue co6rem as duas escadas rolantes são poucos para mim 1 poucosc & meu
clamor seria ali ouvido por umas du>entas ou *uatrocentas pessoas 1 e os restantes
du>entos milh9esY))) Eu sonho con2usamente em *ue haverei alguma ve> de gritar a
du>entos milh9es))) .or en*uanto, não a6ro a 6oca e a escada rolante arrasta1me
irreprimi1velmente para o in2erno) E na esta+ão de &Ahotni1$iad hei1de guardar
ainda sil0ncio) "ão gritarei perto do Fetropol) "ão agitarei os 6ra+os na pra+a da
u6ianAa, no B:lgota))) Eu tive, certamente, a espécie mais 23cil de deten+ão *ue
possa imaginar1se) Ela não me arrancou dos 6ra+os dos 2amiliares, não me separou da
vida doméstica *ue nos é tão grata) "um pardacento dia de Gevereiro europeu
arre6ataram1me do nosso estreito corredor *ue d3 para o mar I3ltico, onde
cerc3vamos ou -amos ser cercados pelos
alemães, e 2ui apenas privado da divisão a *ue estava ha6ituado e do espect3culo
dos tr0s <ltimos meses da guerra) & che2e da 6rigada chamou1me ao posto de comando,
pediu1me sem eu sa6er por*u0 a pistola, entreguei1a sem a m-nima suspeita T e de
repente do meio dos o2iciais im:veis e tensos saltaram dois agentes da
contra11espionagem, atravessando o *uarto em dois pulos, agarrando1se , uma com as
*uatro mãos , estrela do 6oné, aos gal9es, ao cinturão e , 6olsa de campanha, e
gritando em tom dram3ticoJ 1 Est3 presoXXX (odo vermelho e varado dos pés , ca6e+a,
nada mais de ra>o3vel achei do *ue perguntarJ 1 EuY .or*u0YX))) Em6ora essa
pergunta não tenha resposta, por surpreendente *ue pare+a eu o6tive1a) E isto
merece tanto mais ser recordado *uanto est3 2ora dos nossos costumes) Fal os da
contra1espionagem tinham aca6ado de me depenar, arrancando1me /untamente com a
6olsa as minhas notas pol-ticas, e amedrontados pelo tremor das vidra+as provocado
pelas explos9es alemãs me empurravam , pressa para a sa-da, ouviu1se su6itamente um
enérgico @C A$DU'.E AB& #E BU ABG apelo *ue me era dirigidoJ simX, através dessa
seca ruptura *ue se a6ria/ entre mim e os *ue 2icavam, provocada pela grave palavra
de 7preso8 atirada , cara, através desse a6ismo so6re *ue não devia 2iltrar1se som
algum, passaram as inconce6-veis e 2a6ulosas palavras do che2e da 6rigadaJ T
%ol/enitsine) Volte c3) E eu, numa 6rusca reviravolta, escapuli1me das mãos dos da
contra11espionagem e dirigi1me ao che2e da 6rigada) ?onhecia1o poucoJ ele nunca
condescendera a conversas simples comigo) .ara mim, o seu rosto exprimia ordem,
comando, c:lera) Fas agora, iluminava1se com ar pensativo 1 talve> com vergonha da
sua participa+ão involunt3ria num s:rdido caso, ou num impulso de se colocar acima
da mes*uinha su6ordina+ão de toda a vida) #e> dias antes, eu retirara *uase intacta
a 6ateria de reconhecimento de uma 6olsa onde 2icara a sua artilharia, 2ormada de
do>e canh9es pesados, e agora ele deveria separar1se de mim em 2ace de um peda+o de
papel com um carim6oY T Voc0 1 perguntou ele com vo> autorit3ria T, tem um amigo na
.rimeira Grente UcranianaY T "ão é permitidoX))) "ão tem o direitoX T gritaram ao
coronel o capitão e o ma/or da contra1espionagem) Assustada, a escolta do
estado1maior/ comprimiu1se no seu canto como se temesse compartilhar a inaudita
re2le xão do che2e da 6rigada Re, pertencendo , sec+ão pol-tica, preparava1se /3
para transmitir material acerca deleS) Fas para mim isso era o su2icienteJX
compreendi logo *ue 2ora preso pela correspond0ncia *ue mantinha com meu velho
companheiro de escola, dedu>indo de onde vinha o perigo) E UaAhar Bueorguievitch
(ravAin teria podido 2icar por a-X Fas não ?ontinuando a limpar1se e a
endireitar1se aos seus pr:prios olhos, levantou1se da mesa Ranteriormente nunca se
tinha erguido para me rece6erS, e1 através da 6arreira empestada, estendeu1me a mão
R*uando eu estava em li6erdade nunca ma tinha estendidoXS e apertou1ma perante o
horror mudo da escolta, di>endo com calor no seu rosto sempre severo, sem medo,
claramenteJ T #ese/o1lhe 6oa sorte, capitãoX Eu não s: /3 não era capitão, como
estava desmascarado como inimigo do povo Rpois, no nosso pa-s, *ual*uer pessoa, a
partir do momento de deten+ão, est3 /3 completamente desmascaradaS) Assim, ele
dese/ava 6oa sorte a um inimigoY)))
As vidra+as estremeciam) As explos9es alemãs martiri>avam a terra a du>entos metros
dali, recordando *ue a*uilo não poderia suceder l3, na pro2undidade da nossa terra,
por de6aixo do glo6o 2irme da exist0ncia, mas apenas so6 o alento de uma morte
pr:xima e igual para todos)1C 1C Eis o surpreendenteJ .&#E1%E, apesar de tudo, ser
um homemX (ravAin nada so2reuX Encontr3mo1nos h3 pouco cordialmente, conhecendo1nos
pela primeira ve>) Ele é engenheiro re2ormado e inspector da %ociedade dos ?
a+adores) A$DU'.E AB& #E BU AB @1 Este livro não ser3 um livro de mem:rias
pessoais) .or isso não relatarei pormenores aned:ticos da minha deten+ão, *ue t0m a
sua originalidade pr:pria) "a*uela noite os da contra1espionagem perderam
completamente as esperan+as de se orientarem pelo mapa Rnunca se tinham ali3s
orientado por eleS, entregando1se1me com ama6ilidade e pedindo1me para eu indicar
ao motorista como dirigir1se , contra1espionagem do exército) Eu mesmo os condu>i e
me condu>i até essa prisão, e, como agradecimento, 2ui metido imediatamente, não
numa cela simples, mas no cala6ou+o de castigo) Fas é imposs-vel não 2alar dessa
arrecada+ão de uma casa de campo alemã, *ue provisoriamente servia de c3rcere)
(inha o comprimento1de um homem e a largura de tr0s homens deitados , vontade ou de
*uatro apertados) Eu era precisamente o *uarto, sendo l3 metido depois da meia1
noite) &s tr0s *ue estavam deitados, entrea6riram os olhos estremunhados de6aixo da
lu> de uma lamparina de petr:leo e mexeram1se para me dar lugar) Assim, na palha
calcada, 2icaram oito 6otas estendidas para a porta e *uatro capotes) Eles dormiam
e eu espumava de c:lera) Duanto mais eu era senhor de mim mesmo, en*uanto capitão,
meio dia antes, mais doloroso era para mim estar assim comprimido no 2undo da*uela
arrecada+ão) #e ve> em *uando, os rapa>es acordavam ao entorpecerem1se1lhes as
costas e volt3vamo1nos todos ao mesmo tempo) .ela manhã acordaram, 6oce/aram,
ar2aram, encolheram as pernas, meteram1se em cantos di2erentes e come+3mos a travar
conhecimento) 1 E tu por*ue é *ue est3s a*uiY Fas uma vaga 6risa de preven+ão tinha
/3 soprado até mim, so6 o tecto empestado dos da contra1espionagem, e com simple>a
pus um ar admiradoJ 1 "ão 2a+o ideia) #i>em1no acaso esses canalhasY "o entanto, os
meus companheiros de cela, *ue eram tan*uistas, com os seus negros capacetes 2o2os,
não o ocultavam) Eram tr0s honestos, tr0s simples cora+9es de soldados, espécie de
pessoas pelos *uais eu tinha ganho a2ecto durante os anos de guerra, eu *ue era 6em
mais complicado e pior) &s tr0s eram o2iciais) &s seus gal9es tam6ém tinham sido
arrancados com 2<ria, distinguindo1se ainda nalguns lugares as linhas) "os seus
casacos su/os, viam1se as manchas claras das condecora+9es arrancadasW as
cicatri>es vermelhas e escuras no rosto e nas mãos eram outras tantas recorda+9es
de 2eridas e de *ueimaduras) A divisão deles tinha vindo, por desgra+a, 2a>er
repara+9es a esta aldeia, onde estava a contra1espionagem do 4Q)O Exército) .ara
comemorar o com6ate travado na noite anterior, em6e6edaram11se e, nas imedia+9es da
aldeia, arrom6aram uma casa de 6anho, ao verem *ue para l3 tinham entrado duas
mo+as) Estas conseguiram escapar, meio nuas, nas suas pernas cam6aleantes) Uma
delas, porém, não era l3 *ual*uer ) rapariga, mas sim a amante do che2e da contra1
espionagem do Exército) %imX ^3 /3 tr0s semanas *ue a guerra se travava na Alemanha
e todos sa6-amos per2eitamente *ue, tratando1se de mo+as alemãs, podiam ser
violadas @4 A$DU'.E AB& #E BU AB
e 2u>iladas depois, constituindo isso *uase uma distin+ão militarW se 2ossem
polacas ou das nossas, russas, enviadas para a Alemanha, tolerava11se *ue se
corresse atr3s delas pela horta, nuas, dando1lhes palmadas nas n3degasJ simples
6rincadeira e nada mais) Fas, tratando1se de uma 7mulher de campanha8, do che2e da
contra1espionagem, um *ual*uer sargento da retaguarda arrancou raivosamente ali
mesmo os gal9es aos tr0s o2iciais de linha e as condecora+9es con2irmadas por uma
ordem da 2rente e concedidas pelo .raesidium do %oviete %upremo da União %oviética,
e agora esses veteranos, *ue tinham 2eito toda a guerra e certamente haviam rompido
mais de uma linha das trincheiras inimigas, aguardavam uma senten+a do tri6unal
militar, *ue sem o tan*ue deles não teria chegado ainda a esta aldeia) Apag3mos a
lamparina, pois /3 tinha consumido todo o ar de *ue disp<nhamos para respirarmos)
"a porta estava a6erto um postigo do tamanho de um postal e por ali entrava
indirectamente a lu> do corredor) .arece *ue, preocupados com o 2acto de *ue ao
despontar do dia tivéssemos demasiado espa+o na cela, nos meteram l3 um *uinto
homem) Ele entrou com um capote novo em 2olha, assim como o 6oné, e *uando chegou
em 2rente do postigo vimos o seu rosto todo 2resco, de nari> arre6itado e de 2aces
muito coradas) 1 #e onde vens, irmãoY Duem és tuY 1 #o outro lado T respondeu ele,
com desen2ado) 1 %ou espião) 1 Est3s a rirY 1 respondemos, at:nitos R*ue se
tratasse de um espião e *ue ele mesmo o dissesse, eis o *ue nunca escreveram nem ?
hein nem os irmãos (urX11S) 1 Due 6rincadeiras se podem 2a>er em tempo de guerraX 1
suspirou com sensate> o rapa>) T ?omo regressar do cativeiro a casaY #igam,
ensinem1me) Fal teve tempo de iniciar o relato so6re como, um dia antes, os alemães
o tinham passado para o outro lado da 2rente, para *ue ali 2i>esse espionagem e
dinamitasse pontes, so6re como se apresentara imediatamente ao 6atalhão mais
pr:ximo e se entregara, não tendo o sonolento e cansado che2e do 6atalhão
acreditado e remetendo1o , en2ermaria, para lhe dar uns comprimidos, *uando
su6itamente nos assaltaram novas impress9esJ 1 GormarX Fãos atr3s das costasX 1
lan+ou através da porta, a6erta de par em par, um sargento capa> de puxar a cauda
de um canhão de cento e vinte e dois mil-metros) Ao longo de todo o p3tio rural
tinha /3 2ormado um cordão de soldados com armas autom3ticas, guardando o caminho
*ue nos levava , sa-da do palheiro) Eu 2ervia de indigna+ão pelo 2acto de *ue
*ual*uer sargento 11 ?onhecidos autores soviéticos de romances de espionagem) R")
dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB @@ ignorante se atrevesse a dar1nos, a n:s, o2iciais,
a ordem de 7mãos atr3s das costas8, mas os tan*uistas puseram as mãos atr3s, e eu
segui1os) #o outro lado do palheiro havia um pe*ueno curral *uadrado, com neve
amontoada, *ue não tinha derretido 1 e todo ele estava co6erto de excrementos
humanos, tão densos e desordenados *ue não era 23cil encontrar onde p_r os pés)
Apesar de tudo, conseguimos arran/ar1nos, acocoran1do1nos os cinco em lugares
di2erentes) #ois soldados com armas puseram11se em 2rente de n:s, tam6ém
acocorados, mas o sargento, não tinham decorrido uns minutos, disse 6ruscamenteJ 1
#epressaX Entre n:s as necessidades 2a>em1se rapidamenteX .erto de mim, estava
acocorado um tan*uista, de $ostov, primeiro11tenente, de elevada estatura e aspecto
som6rio) & seu rosto estava enegrecido de p: met3lico ou 2umo, mas na 2ace
notava1se uma grande cicatri> vermelha)
1 &nde é isso, entre n:sY 1 perguntou ele com lentidão, não mostrando inten+9es de
apressar1se de volta ao c3rcere, *ue cheirava a petr:leo) 1 "a sec+ão de
contra1espionagem do %merchX 1 exclamou o sargento com vo> sonora e altiva, mais do
*ue era necess3rio) R&s da contra11espionagem adoravam essa a6reviatura de tão mau
gostoJ 7Forte aos Espi9es8, *ue achavam atemori>ante)S 1 Entre n:s, tam6émX 1
respondeu lento e pensativo o primeiro11tenente) & seu capacete estava desca-do
para o lado, deixando a desco6erto o ca6elo ainda por cortar) & seu traseiro,
endurecido na 2rente, estava virado para o vento 2resco e agrad3vel) 1 &nde é isso,
entre n:sY 1 ladrou mais alto do *ue o necess3rio o sargento) 1 "o Exército
Vermelho T respondeu com muita calma o primeiro11tenente, de c:coras, medindo com o
olhar a*uele pa*uiderme 2rustrado) (ais, 2oram os primeiros e2l<vios da minha
respira+ão prisional) '' ^'%(H$'A #A "&%%A ?A"A 'UAV\& DUA"#& se condena agora a
ar6itrariedade do culto, insiste1se sempre, respectivamente, no *ue sucedeu rios
anos de 19@51@Q) E assim é como se se come+asse a imprimir na mem:ria a ideia de
*ue não teria havido pris9es nem A"(E% nem #E.&'%, mas apenas nos anos @5 e @Q) "ão
tendo , mão nenhuma estat-stica, não receio, no entanto, enganar1me ao di>erJ a
torrente de @5 e de @Q não 2oi a <nica, nem se*uer a principal, mas s: talve> uma
das tr0s mais importantes *ue invadiram os tene6rosos e 2edorentos tu6os da nossa
canali>a+ão prisional) A"(E% dela tinha havido a torrente dos anos 49 e @C,
semelhante , do 6om rio &6i, arrastando para a tundra e a taiga a pe*uena
*uantidade de *uin>e milh9es de mu/i*ues Ra não terem sido maisS) Fas os mu/i*ues
são pessoas privadas do dom da palavra e da escrita e não redigiram protestos nem
mem:rias) Em rela+ão a eles, os /u->es de instru+ão não tra6alharam a2anosamente
noites e noites, com eles não gastaram processos ver6aisJ 6astaram as resolu+9es
dos %ovietes de aldeia) Essa torrente trans6ordou, 2oi a6sorvida pelos gelos
eternos, e mesmo os esp-ritos mais ardentes *uase não se lem6ram dela) E como se
mal tivesse 2erido a consci0ncia russa) E, no entanto, %taline não cometeu Rnem eu
convoscoS um crime maior) E #E.&'% houve a torrente dos anos 194414;, semelhante ,
do 6om rio JenisseiJ pelos seus canos de esgoto 2oram expulsas na+9es inteiras, e
ainda milh9es e milh9es de homens *ue 2icaram Rpor uma culpaXS prisioneiros na
Alemanha e *ue regressaram depois) R%taline cauteri>ava as 2eridas para *ue se
2ormasse rapidamente uma crosta e não 2osse necess3rio ao corpo do povo descansar,
respirar e recompor1se)S Fas essa torrente era tam6ém 2ormada, na sua maioria, por
gente simples e *ue não escreveu mem:rias) Entretanto, a torrente do ano @5 atingiu
e levou ao Ar*uipélago pessoas @; A$DU'.E AB& #E BU AB de alta posi+ão, com um
passado no .artido, com cultura, e em torno delas houve in<meros 2eridos *ue
2icaram nas cidades, muitos deles sa6endo mane/ar uma pena T e todos agora /untos
escrevem, 2alam e recordam o ano trigésimo sétimoX & Volga da amargura popularX Fas
ide 2alar aos t3rtaros da ?rimeia, aos calmucos ou aos tchetchénios1 no ano
trigésimo sétimo e eles limitar1se1ão a encolher os om6ros) E a eninegrado o *ue é
*ue lhe di> o ano trigésimo sétimo, *uando tinha havido antes o ano @5Y .ara os
reincidentes ou para os ha6itantes da região do I3ltico, não 2oram mais penosos os
anos 4Q149Y E se os >eladores do estilo e da geogra2ia me censurarem por ter ainda
omitido na $<ssia alguns rios, assim como algumas torrentes não mencionadas, *ue
eles me d0em papelX &utras torrentes 2ormariam outros tantos rios)
E sa6ido *ue *ual*uer :rgão *ue não se exercite se atro2ia) Assim, pois, se
sou6ermos *ue os :rgãos Ré com esta no/enta palavra *ue eles se denominam a si
pr:priosS cele6rados e exaltados, deviam ser mantidos 6em vivos, para *ue não
perecesse um s: tent3culo, mas, ao contr3rio, crescesse e se 2ortalecesse a sua
musculatura, é 23cil adivinhar *ue eles se exercitavam .E$FA"E"(EFE"(E) .elos tu6os
perpassava como *ue uma pulsa+ão, com uma pressão ora mais elevada do *ue a
prevista, ora mais 6aixa, mas sem *ue nunca os canos prisionais se esva>iassem) &
sangue, o suor e a urina em *ue 2ic3vamos espremidos, esguichavam incessantemente)
A hist:ria desta canali>a+ão é a hist:ria de um curso e de uma a6sor+ão
ininterruptos) %implesmente, as grandes enchentes alternavam com as 6aixas, e
novamente com outras enchentesW as torrentes trans6ordavam, ora maiores ora mais
pe*uenas, a2luindo ainda de todos os lados regatos, riachos, escoamentos por
caleiras e simples gotas isoladas, capturadas uma a uma) A enumera+ão cronol:gica
*ue 2arei adiante, onde serão mencionadas de igual modo as torrentes 2ormadas por
milh9es de presos e os riachos 2ormados por algumas impercept-veis de>enas, é ainda
muito incompleta, muito po6re, e limitada ,s minhas possi6ilidades de penetrar no
passado) (orna1se a*ui a6solutamente necess3rio um complemento das pessoas
conhecedoras dos 2actos, *ue continuam vivas) `` "essa enumera+ão, o mais di2-cil
de tudo é ?&FEVA$) 'sso por*ue *uanto mais a gente vai penetrando no tempo, década
ap:s década, tanto menos testemunhas restamW o rumor extinguiu1se e eclipsou1se e
os anais .ovos deportados em massa, em 1944145, por pretensa 7cola6ora+ão8 com os
alemães) R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB @5 ou não existem ou estão 2echados a
cadeado) E ainda por*ue não é completamente /usto examinar a*ui da mesma maneira os
anos de mais grave exacer6a+ão Ra guerra civilS e os primeiros anos de pa>, *uando
se esperava clem0ncia) Fas antes mesmo de pensar1se em guerra civil, era vis-vel
*ue a $<ssia, com a estrutura da sua popula+ão, não estava preparada, naturalmente,
para *ual*uer tipo de socialismo, por*ue ela encontrava1se co6erta de lixo) Um dos
primeiros golpes da ditadura 2oi vi6rado aos cadetes4 Rno tempo do c>ar eles
constitu-am a peste extremista da revolu+ãoW so6 o poder do proletariado a peste
extremista da reac+ãoS) Em 2ins de "ovem6ro de 1915, na primeira convoca+ão, não
reali>ada dentro do pra>o, da Assem6leia ?onstituinte, o partido dos cadetes 2oi
declarado 2ora da lei, e iniciou1se a prisão dos seus mem6ros) Duase na mesma
altura 2oram e2ectuadas as deten+9es da União da Assem6leia ?onstituinte@ e da rede
das 7universidades de soldados8)4 #ado o sentido e o esp-rito da revolu+ão, é
evidente *ue, nesses meses, 2icaram repletos os c3rceres de =rest, de IutirAi e de
muitas outras pris9es provinciais, a a6arrotar de grandes rica+os, de conhecidos l-
ders, de generais, de o2iciais e ainda de 2uncion3rios dos ministérios e de todo o
aparelho do Estado, *ue não cumpriam as decis9es do novo poder) Uma das primeiras
opera+9es da (cheAa 2oi entretanto a deten+ão do ?omité de Breve da União de
Guncion3rios de (oda a $<ssia) Uma das primeiras circulares da ")=)V)#), datada de
#e>em6ro de 1915, di>iaJ 7Em ra>ão da sa6otagem *ue é reali>ada pelos
2uncion3rios))) h3 *ue mostrar a maior iniciativa local, %EF .d$ #E A#& os
con2iscos, os procedimentos coercivos e as deten+9es)85 E em6ora V) ') enine
exigisse, em 2ins de 1915, para o esta6elecimento de 7uma rigorosa ordem
revolucion3ria8, *ue 7se esmagassem sem compaixão as veleidades de anar*uia dos
é6rios, dos ru2ias, dos contra11revolucion3rios e outras personagens8;, o
*ue pareceria indicar *ue o principal perigo para a $evolu+ão de &utu6ro advinha,
para ele, dos 606ados, en*uanto os contra1revolucion3rios eram relegados l3 para a
terceira 2ila, a verdade é *ue ele visava o6/ectivos 6em mais amplos) "o artigo 7?
omo &rgani>ar a Emula+ão8 Rde 5 e 1C de Janeiro de 191QS, V) ') enine proclamou
como tare2a imediata, <nica e geral 7a limpe>a da terra russa de 4 #emocratas
constitucionais, *ue 2a>iam parte, como os socialistas revolucion3rios, do Boverno
provis:rio *ue sucedeu , $evolu+ão de Gevereiro de 1915) R(V) dos ()S @ &rganismo
2ormado por comités de apoio aos socialistas revolucion3rios da es*uerda) R") dos
()S 4 ?ursos nocturnos para militares) R") dos ()S 5 Fensageiro da ")=)V)#), 1915,
n)O 1, p3g) 4) ; enine, &6ras Escolhidas, 5a edi+ão, tomo @5, p3g) ;Q) @Q A$DU'.E
AB& #E BU AB todos e *uais*uer insectos nocivos85) E por insectos ele entendia não
apenas todos os elementos estranhos pela sua classe, mas tam6ém 7os oper3rios
calaceiros no tra6alho8, por exemplo os da tipogra2ia do .artido em .etrogrado) R&
*ue 2a> a distLncia no tempoX Fesmo agora temos di2iculdade em compreender como é
*ue esses oper3rios, logo *ue se tornaram ditadores, imediatamente mostraram
tend0ncia a ser pregui+osos no tra6alho, para si mesmosXS Fais aindaJ 7))) em *ue
*uarteirão de uma grande cidade, em *ue 236rica, em *ue aldeia )))) não h3)))
sa6otadores *ue se denominam intelectuaisY8Q E certo *ue enine, nesse artigo,
previa diversas 2ormas de limpe>a dos insectosJ a*ui, prend01losW ali, p_1los a
limpar latrinasW mais além, 7depois da sa-da do c3rcere, dar1lhes um cartão
amarelo8W en2im, 2u>ilar os parasitas) ^avia ainda a escolha entre a prisão 7ou o
castigo de tra6alhos 2or+ados mais duros89) Em6ora tra+asse e sugerisse as
orienta+9es 2undamentais do castigo, Vladimir 'litch propunha uma emula+ão 7das
comunas e das comunidades8, *uanto ,s melhores 2ormas de limpe>a) "ão podemos,
neste momento, investigar em pormenor *uem era a6rangido por essa ampla de2ini+ão
de insectosJ a popula+ão russa era demasiado heterogénea e nela havia pe*uenos
grupos isolados, completamente negligenciados e ho/e es*uecidos) 'nsectos,
naturalmente, eram as administra+9es das autar*uias locais e provinciais) 'nsectos
eram os mem6ros das cooperativas) Iem como todos os *ue possu-am casas) ^avia não
poucos insectos entre os pro2essores de liceu) (odos os insectos *ue pertenciam ,s
comiss9es paro*uiais) 'nsectos tam6ém a*ueles *ue cantavam nos coros religiosos)
'nsectos ainda todos os padres, *uanto mais os 2rades e as 2reirasX E mesmo a*ueles
tolstoistas *ue, entrando ao servi+o dos %ovietes, ou, digamos, nos caminhos de
2erro, não prestavam o /uramento o6rigat:rio, por escrito, de de2ender o poder
soviético de armas na mão, eram insectos declarados Re teremos ocasião de ver casos
de /ulgamentos contra elesS) E, por 2alar em caminhos de 2erro, /3 *ue muitos
insectos se aco6ertavam com a 2arda de 2errovi3rios, era necess3rio dar1lhes, a
uns, sa2an9esW e a outros, a+oites) Duanto aos telegra2istas, esses, não se sa6e
por*u0, eram insectos encarni+ados, em massa, *ue não simpati>avam com os %ovietes)
"ada se podia di>er de 6om *uanto ao ?omité Executivo da União %indical dos
Gerrovi3rios RIiA/elS1C, nem *uanto a outros sindicatos, 2re*uentemente repletos de
insectos hostis , classe oper3ria) 5 enine, &6ras Escolhidas, 5o edi+ão, tomo @5,
p3g) 4C4) Q 'dem, p3g) 4C4) 9 'dem, p3g) 4C@) 1C &rgani>a+ão sindicalista, com uma
direc+ão menchevi*ue e socialista revolucion3ria, dissolvida em 191Q) R") dos ()S
A$DU'.E AB& #E BU AB @9 E os grupos *ue enumer3mos 2ormam /3 um enxame colossal,
*ue exige v3rios anos de tra6alho de limpe>a) Fas *uantos intelectuais malditos, de
todo o género, *uantos estudantes revoltados e *uantos tipos estranhos de
6uscadores da verdade, de inocentes, dos *uais /3 .edro ' se u2anava de ter limpo a
$<ssia e *ue estorvam sempre um regime severo e harmoniosoY "ão teria sido poss-vel
reali>ar essa opera+ão sanit3ria, e muito menos em condi+9es de guerra, se se
tivesse utili>ado 2ormas processuais e /ur-dicas caducas) Adoptou1se uma 2orma
completamente novaJ a repressão sem /ulgamento, e este ingrato tra6alho 2oi
assumido a6negadamente pela Vet1cheAa R?omissão Extraordin3ria de toda a UniãoS, a
%entinela da $evolu+ão, o <nico :rgão punitivo da hist:ria da humanidade *ue reuniu
nas mesmas mãos a investiga+ão, a deten+ão, a instru+ão do processo, a acusa+ão
p<6lica, o /ulgamento e a execu+ão da senten+a) Em 191Q, para acelerar de igual
modo a vit:ria cultural da revolu+ão, come+ou1se a esventrar e a p_r em cacos as
rel-*uias sagradas, a con2iscar os o6/ectos do culto religioso) Eclodiram revoltas
populares em de2esa das igre/as e mosteiros sa*ueados) A*ui e ali tocaram sinos a
re6ate e os ortodoxos acorriam, alguns munidos de varapaus) "aturalmente, havia *ue
eliminar alguns in loco e prender outros) $e2lectindo agora so6re os anos
191Q1194C, deparam1se1nos certas di2iculdadesJ devemos p_r em rela+ão com as
torrentes prisionais a*ueles *ue 2oram a+oitados, sem mesmo serem condu>idos ao
c3rcereY E em *ue categoria incluir todos a*ueles *ue os comités de camponeses
po6res eliminavam atr3s das cancelas, dos %ovietes da aldeia ou nas traseiras dos
*uintaisY (eriam acaso tempo de p_r os pés nas terras do Ar*uipélago os
organi>adores de conspira+9es, *ue eram desco6ertas em sérieY REm cada distrito as
haviaW em $ia>an houve duasW em =ostroma, Vich1nievolotsA e VeliAi, umaW em =iev e
em Foscovo, v3riasW outras tiveram lugar em %aratov, (chernigov, Astracã, %eliguer,
%molensA, Io6ruisA, cavalaria de (am6ov, (chem6arsA, Ieli1 uA, Fstislavl, etc)S &u
não tiveram tempo disso e não estão portanto relacionados com o tema da nossa
pes*uisaY A excep+ão do esmagamento das 2amosas revoltas de Karoslavl, Furoma,
$i6insA, Ar>amass, acerca de alguns acontecimentos s: conhecemos o nomeW por
exemplo, o 2u>ilamento em =olpinsA, em Junho de 191Q) Due se passouY #e *uem se
tratavaY Em *ue ru6rica inscrev01losY "ão é menor a di2iculdade *ue h3 em
determinar se se deve atri6uir ,s torrentes prisionais ou ao 6alan+o da Buerra ?
ivil, as de>enas de milhares de re2éns, esses ha6itantes pac-2icos, *ue
pessoalmente não são acusados de nada, nem se*uer os seus nomes estavam escritos a
l3pis numa lista, e *ue são votados ao exterm-nio, ao terror e , vingan+a do
inimigo armado, ou das massas revoltadas) #epois do dia @C de Agosto de 191Q, a
")=)V)#) deu ordens, in loco, de 7prender imediatamente todos os socialistas
revolucion3rios 4C A$DU'.E AB& #E BU AB de direita, elementos da 6urguesia e da
o2icialidade, agarrando consider3vel n<mero de re2éns811) RE como se, depois do
atentado do grupo de Alexandre Ulianov, tivesse sido preso não somente esse grupo,
mas tam6ém todos os estudantes da $<ssia e consider3vel n<mero de 2uncion3rios
administrativos do distrito)S .or disposi+ão do ?onselho da #e2esa, de 15 de
Gevereiro de 1919 T certamente so6 a presid0ncia de enine T, 2oi proposto , (cheAa
e , ")=)V)#) *ue tomassem como re2éns os camponeses de todos a*ueles lugares em *ue
a limpe>a da neve nos caminhos de 2erro 7se reali>ava de 2orma
insatis2at:ria8, so6 pena de *ue 7se a limpe>a da neve não 2osse e2ectuada, eles
seriam 2u>ilados814) .or disposi+ão do ?onselho dos ?omiss3rios do .ovo, de 2ins de
194C, 2oi decidido deter tam6ém os sociais1democratas como re2éns) Fas, mesmo
restringindo1nos s: ,s deten+9es ha6ituais, devemos assinalar *ue /3 na .rimavera
de 191Q des6ordava a ininterrupta torrente dos traidores socialistas, *ue devia
prolongar1se por muitos anos) (odos esses partidos 1 sociais revolucion3rios,
menchevi*ues,) anar*uistas, socialistas11populares ter1se1iam 2ingido, durante
décadas, revolucion3rios, a2ivelando apenas uma m3scara e sendo deportados
unicamente por issoJ tudo a 2ingir) E s: no curso impetuoso da revolu+ão se
exteriori>ou de s<6ito a ess0ncia 6urguesa desses social1traidores) Era natural
proceder , sua deten+ãoX ogo a seguir aos democratas constitucionais, com a
dissolu+ão da Assem6leia ?onstituinte, o desarme do regimento de .reo6ra/ensAi1@ e
outros, come+ou a agarrar aos poucos Rde in-cio discretamenteS, os socialistas
revolucion3rios e os menchevi*ues) Ap:s o 14 de Junho de 191Q, data da sua exclusão
de todos os %ovietes, essas deten+9es tornaram1se mais numerosas e mais 2re*uentes)
A partir de ; de Julho ca-ram tam6ém so6 a al+ada das persegui+9es os socialistas
revolucion3rios de es*uerda, *ue mais per2idamente e durante mais tempo tinham
2ingido ser aliados do <nico partido conse*uente do proletariado) E, desde então,
6astava *ue em *ual*uer 236rica ou 6airro oper3rio surgisse a agita+ão, o
descontentamento, as greves Rhouve muitas, logo no Verão de 191Q e em Far+o de
1941, a6alando .e1trogrado, Foscovo, em seguida =ronstadt, e o6rigando , ")E).)14S
para *ue, simultaneamente ao apa>iguamento, ,s concess9es, , satis2a+ão das leg-
timas reivindica+9es dos oper3rios, a (cheAa apanhasse, sem ru-do, pela noite, os
menchevi*ues e os socialistas revolucion3rios, considerados 11 Fensageiro da
")=)V)#), 191Q, ")bb 41144, p3g) 1) 14 #ecretos do $egime %oviético, vol) 'V,
Foscovo, 19;Q, p3g) ;45) 1J1 "ome de um regimento de guarda, 2undado por .edro, o
Brande, *ue tinha desempenhado um papel importante em Gevereiro e em &utu6ro de
1915, sendo 2avor3vel , revolu+ão) R") dos ()i 14 "ova .ol-tica Econ:mica) R") dos
()S A$DU'.E AB& #E BU AB 41 como os verdadeiros culpados dessas agita+9es) "o Verão
de 191Q, em A6ril e em &utu6ro de 1919, 2oram e2ectuadas numerosas deten+9es de
anar*uistas) "o ano de 1919 2oi presa a parte acess-vel do ?omité ?entral dos
socialistas revolucion3rios, e metida no c3rcere de IutirAi até ao seu /ulgamento,
em 1944) Em 1919, tam6ém, o conhecido tche*uista atsis escreveu so6re os
menchevi*uesJ 7Esses indiv-duos não 2a>em mais do *ue estorvar1nos) E por isso *ue
os a2astamos do caminho, para não nos enredarem as pernas))) Gechamo1los num lugar
retirado, em IutirAi, e o6rigamo11los a permanecer l3, en*uanto não terminar a luta
entre o tra6alho e o capital815) Ainda em 1919 2oram detidos, tam6ém, os delegados
ao ?ongresso dos &per3rios sem .artido Rmotivo pelo *ual este não se e2ectuouS)1;
#esde 1919 *ue 2icou patente toda a descon2ian+a para com os nossos compatriotas
*ue regressavam do estrangeiro Rpor*u0Y, com *ue missãoYS, prendendo1se assim os
o2iciais do corpo expedicion3rio russo Rem Gran+aS) "o mesmo ano de 1919, ap:s
ter1se lan+ado uma ampla rede em torno de verdadeiras e 2alsas conspira+9es Ra do ?
entro "acional, a do complot militarS em Foscovo, em .etrogrado e noutras cidades
2u>ilava1se por listas Risto é, apanhavam1se pessoas em li6erdade para um
2u>ilamento imediatoS e varria1se pura e simplesmente para as pris9es a
intelectualidade, considerada pr:xima dos cadetes) E *ue signi2icava 7pr:xima dos
cadetes8Y "ão mon3r*uica e não socialista, ou se/aJ todos os c-rculos cient-2icos,
todos os universit3rios, todos os valores art-sticos e
liter3rios, todo o corpo de engenharia) ] excep+ão dos escritores extremistas, dos
te:logos e dos te:ricos do socialismo, toda a restante intelectualidade Runs
oitenta por cento delaS era 7pr:xima dos cadetes8) Entre ela, segundo a opinião de
enine, estava inclu-do por exemplo =orolenAo 1 7um lament3vel 2ilisteu, preso a
preconceitos 6urgueses815, 7não sendo pecado *ue talentos destes passem uma
semana>inha na prisão8)1Q (emos conhecimento da exist0ncia de grupos isolados de
presos através de protestos de BorAi) Em 15 de %etem6ro de 1919, 'litch
responde1lheJ 7))) est3 claro, tam6ém, *ue houve erros8, mas 7imagine *ue desgra+aX
Due in/usti+aX8 E aconselha BorAi a não se consumir a choramingar pelos
intelectuais apodrecidos)19 Em Janeiro de 1919 2oi introdu>ido o racionamento de v-
veres e para a sua re*uisi+ão 2oram 2ormados destacamentos) 15 F)K) atsis 1 #ois
Anos de uta na Grente 'nterna) Exposi+ão popular da actividade da (cheAa) Edit) do
Estado, Foscovo, 194C, p3g) ;1) 1; 'dem, p3g) ;C) 15 enine, 5)a edi+ão, tomo 51,
p3gs) 4514Q) 1Q 'dem, p3g) 4Q) 19 idem, p3g) 49) 44 A$DU'.E AB& #E BU AB Em toda a
parte, nas aldeias, eles encontravam resist0ncia 1 ora o6stinadamente evasiva, ora
violenta) & esmagamento dessa resist0ncia Rsem contar os 2u>ilados em 2lagranteS
deu lugar a uma a6undante torrente de presos, prolongando1se por dois anos)
&mitimos deli6eradamente toda uma grande parte da tritura+ão operada pela (cheAa,
pelas %ec+9es Especiais e pelos (ri6unais $evolucion3rios, *ue estava ligada ao
avan+o da linha da 2rente, com a ocupa+ão de cidades e de regi9es) A directri> da
")=)V)#), de @C de Agosto de 191Q, visava os es2or+os 7para o 2u>ilamento
incondicional de todos os implicados nas ac+9es dos guardas 6rancos8) Fas, por
ve>es, n:s perdemo1nosJ como 2a>er uma delimita+ão correctaY %e, no Verão de 194C,
*uando a Buerra ?ivil ainda não tinha completamente terminado em todos os lugares,
mas /3 em todo o caso no #on, 2oram enviadas desta região, de $ostov e de "ovo
(cherAass, um elevado n<mero de o2iciais a ArcLngel, e dali, em 6arcas, a %olovAi
Rdi>1se *ue algumas delas 2oram a2undadas no mar Iranco, assim como aconteceu
tam6ém no mar ?3spioS, dever3 relacionar1se tudo isto com a Buerra ?ivil ou com o
in-cio da constru+ão pac-2icaY %e, nesse mesmo ano, em "ovo (cherAass, 2oi 2u>ilada
a mulher de um o2icial, *ue estava gr3vida, por esconder o marido, em *ue categoria
incluir istoY ^3 uma conhecida resolu+ão do ?omité ?entral, de Faio de 194C 7so6re
a actividade de sapa na retaguarda8) %a6emos, por experi0ncia, *ue *ual*uer
resolu+ão desse tipo constitui um impulso para uma nova torrente de pris9es por
toda a parte, sendo o sintoma exterior da torrente) a Uma di2iculdade particular
Rmas tam6ém um mérito particularS na organi>a+ão de todas estas levas cou6e, até ao
ano de 1944, , aus0ncia de um ?:digo .enal, de *ual*uer sistema de leis penais) %:
a consci0ncia da /usti+a revolucion3ria Rsempre in2al-velXS serviu de guia aos
con2iscadores e aos canali>adores, indicando1lhes *uem a6ar6atar e *ue 2a>er deles)
"este resumo não vamos seguir as levas dos criminosos e delin*uentes de direito
comum4C e por isso recordaremos apenas *ue as desgra+as e pen<rias, criadas pelas
condi+9es de reorgani>a+ão das administra+9es, das institui+9es e de todas as leis,
s: poderiam 2a>er aumentar, em grande n<mero, os rou6os, os actos de 6anditismo, de
viol0ncia e de especula+ão) Em6ora estes não 2ossem tão perigosos para a exist0ncia
da $ep<6lica, esta criminalidade comum 2oi tam6ém em parte perseguida e as
respectivas
levas aumentaram as torrentes de contra1revolucion3rios) Fas havia tam6ém uma
especula+ão de car3cter completamente pol-tico, como indicava o decreto do ?onselho
dos ?omiss3rios do .ovo, assinado por enine em 44 de Julho de 191QJ 7&s culpados de
venda, a+am6arcamentos ou arma>enamentos AgolovuiA Rdelin*uente de direito comumSJ
delin*uente ha6itualW IitoviA Rcrimin so de direito comumSJ criminoso ocasional)
R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB 4@ , para 2ins comerciais, de géneros aliment-
cios, monopoli>ados pela $ep<6lica Ro campon0s arma>ena o seu cereal para a venda
com 2ins comerciais, mas *ual é o seu comércioY T A) %)S, são punidos com a
priva+ão da li6erdade por um pra>o não in2erior a de> anos, seguidos de tra6alhos
2or+ados pesados e con2isco de todos os seus 6ens)8 A partir desse Verão, o campo,
*ue estava a 2a>er es2or+os acima das suas 2or+as, passou a ceder ano ap:s ano a
colheita gratuitamente) 'sto provocou revoltas camponesas41 *ue 2oram esmagadas,
sendo e2ectuadas novas deten+9es) "o ano de 194C n:s temos conhecimento Rou antes
não temos)))S do processo da União ?amponesa da %i6éria) E é tam6ém em 2ins do
mesmo ano *ue se veri2ica o esmagamento preventivo da insurrei+ão camponesa de
(am6ov) R"este caso, não houve processo /udicial)S Fas a maior parte dos ha6itantes
das aldeias de (am6ov 2oi presa em Junho de 1941) "essa prov-ncia a6riram1se campos
de concentra+ão para as 2am-lias dos camponeses *ue participaram no movimento
insurreccional) .arcelas de campo raso 2oram cercadas com postes de arame 2arpado e
nelas 2oi mantida durante tr0s semanas cada 2am-lia suspeita de *ue algum dos seus
homens 2i>esse parte dos insurrectos) %e ao 2im das tr0s semanas, esse homem não se
apresentasse para resgatar a 2am-lia com a sua ca6e+a, ela era desterrada44) Fas /3
antes, em Far+o de 1941, tinham sido enviados para a ilha do Ar*uipélago, através
do 6astião de (ru6etsA, da Gortale>a de .edro e .aulo, os marinheiros su6levados da
6ase de =ronstadt, , excep+ão dos *ue 2oram 2u>ilados) Esse mesmo ano de 1941
come+ou com a ordem n<mero de>, datada de Q de Janeiro, da (cheAa de toda a União,
*ue re>aJ 7'ntensi2icar a repressão contra a 6urguesiaX Agora, *ue a Buerra ?ivil
aca6ou, não a2rouxar a repressão, mas intensi2ic31laX8 As conse*u0ncias disso, na ?
rimeia, 2oram mostradas em alguns versos de Volochin) "o Verão de 1941 2oi detido o
?omité %ocial de A/uda ,s V-timas da Gome R=usAova, .roAopovitch, =ichAin e
outrosS, *ue tentava impedir o avan+o duma 2ome sem precedentes na $<ssia) E *ue
essas mãos *ue davam de comer não eram as apropriadas para vir em a/uda dos
2amintos) & /3 mori6undo =orolenAo, respeitado presidente deste comité,
caracteri>ou o seu esmagamento como 7a pior das politi*uices de um governo de
politi*ueiros 41 A parte mais la6oriosa do povo 2oi exterminada completamente)8
R=orolenAo, carta de 1C1Q141, enviada a BorAi)S 44 $evista Buerra e $evolu+ão, ")os
51Q, de 194;) (uAhatchevsAiJ A uta contra as 'nsurrei+9es contra1$evolucion3rias)
44 A$DU'.E AB& #E BU AB 8 Rcarta enviada, em 14 de %etem6ro de 1941, a BorAiS) RE
=orolen1Ao recorda1nos tam6ém a signi2icativa particularidade dos c3rceres em
19414@J 7Estão todos impregnados de ti2o)8 Assim o con2irmam %AripniAova e outros,
*ue estiveram detidos então)S
"esse ano de 1941 /3 se e2ectuaram pris9es de estudantes Rpor exemplo, na Academia
(imiria>ev, o grupo de E) #oiarenAoS, por cr-ticas ao regime Rnão em p<6lico, mas
em conversas entre colegasS) ?asos desses eram ainda poucos, pelos vistos, pois
esse grupo 2oi interrogado pelos pr:prios Fen/insAi e 'agoda) "o mesmo ano de 1941
as deten+9es 2oram ampliadas e incidiram so6re mem6ros dos outros partidos) Fas /3,
2alando com propriedade, tinham aca6ado de2initivamente todos os partidos pol-ticos
da $<ssia, , excep+ão do vencedor) RAhX, *uem 6oa cama 2i>er)))S E para *ue o
desmoronamento desses partidos 2osse irrevers-vel era ainda necess3rio *ue se
destro+assem os pr:prios mem6ros desses partidos, os corpos desses mem6ros) "enhum
cidadão do Estado $usso *ue tivesse sido mem6ro de outro partido pol-tico *ue não o
6olchevi*ue escapava a esse destinoJ estava condenado Rse não conseguia, como
FaisAi ou VichinsAi, passar1se a tempo para os comunistasS) .odia não ser preso na
primeira rodadaW podia so6reviver, segundo o grau da sua periculosidade, até 1944,
19@4 ou 19@5, mas as listas estavam guardadas, ia chegar a sua ve>, a sua ve>
aproximava1se, detinham1no ou convocavam1no amavelmente, 2a>endo1lhe uma <nica
perguntaJ 2e> parte ou não))) de))) até)))Y REra costume ser interrogado so6re a
sua actividade hostil, mas a primeira pergunta de tudo decidia, como é claro, agora
decorridos decénios)S Em seguida, a sua sorte podia variar) Uns ca-am rapidamente
numa das céle6res centrais prisionais c>aristas, *ue se tinham conservado, e alguns
socialistas 2oram até parar ,s mesmas celas, com os mesmos guardas *ue /3 tinham
conhecido antes) A outros 2oi1lhes proposto o desterro, mas não por muito tempo 1
uns dois ou tr0s anitos) &u então algo de mais suaveJ uma diminui+ão da li6erdade
de desloca+ão, escolhendo ele pr:prio o seu lugar de resid0ncia, com a condi+ão de
ser tão am3vel *ue se su/eitasse a controle, aguardando a vontade da B) .) U)
RAdministra+ão .ol-tica do EstadoS) Esta opera+ão prolongou1se por muitos anos
por*ue a condi+ão principal era o sil0ncio e a discri+ão) & *ue importava,
rigorosamente, era limpar Foscovo, .etrogrado, os portos, os centros industriais, e
depois as simples 4@ =orolenAo escreveu a BorAi R491;141SJ 7A ^ist:ria mencionar3
algum dia *ue a revolu+ão 6olchevi*ue reprimia os revolucion3rios e socialistas
sinceros com meios iguais aos do regime c>arista)8 A$DU'.E AB& #E BU AB 45 prov-
ncias, de todas as outras espécies de socialistas) 'sto exigiu uma paci0ncia
silenciosa, de Jo6, cu/as regras eram inteiramente incompreens-veis para os
contemporLneos e de cu/os contornos s: agora podemos dar1nos conta) Due
intelig0ncia tão previdente era essa *ue planeou tudo istoW *ue mãos tão cuidadosas
eram essas *ue, sem perder um instante, manipulavam as 2ichasY A*uele *ue tinha
cumprido tr0s anos era tirado de um monte dessas 2ichas e colocado suavemente
noutro) A*uele *ue tinha estado numa central era enviado para o desterro Re o mais
longe poss-velS) A*uele *ue tinha resid0ncia 2ixa era tam6ém mandado para o
desterro Rmas 2ora dos limites da resid0ncia 2ixaS) A*uele *ue /3 estava no
desterro era desterrado para outro local e depois novamente trans2erido para uma
central R/3 outraS) A paci0ncia, sempre a paci0ncia, reinava nesse /ogo de
paci0ncias estendidas so6re a mesa) E sem ru-do, sem clamor, gradualmente, iam
desaparecendo os dos outros partidos, perdendo todas as liga+9es com os lugares e
as pessoas onde antes eram conhecidos, eles e a sua actividade revolucion3ria) E
assim, impercept-vel e in2lexivelmente, se preparava a destrui+ão da*ueles *ue
noutros tempos se en2ureciam nos com-cios de estudantesW da*ueles *ue com orgulho
2a>iam retinir as grilhetas c>aristas)
"esta opera+ão da Brande .aci0ncia 2oi exterminada a maioria dos velhos presos pol-
ticos, pois era precisamente aos socialistas revolucion3rios e aos anar*uistas, e
não aos sociais1democratas, *ue os tri6unais c>aristas impunham as penas mais
severasW a eles, *ue constitu-am /ustamente a antiga popula+ão das deporta+9es) A
regularidade do exterm-nio era, entretanto, /ustaJ nos anos 4C ti1nham1lhes
proposto assinar retracta+9es escritas dos seus partidos e das suas ideologias)
Alguns recusaram1 se e ca-ram assim, naturalmente, na primeira rodada do exterm-
nioW outros 2i>eram essas retracta+9es e conseguiram, desse modo,mais uns anos de
vida) Fas chegou inexoravelmente a sua ve> e inexoravelmente, tam6ém, as ca6e+as
ca-ram dos seus om6ros44) "a .rimavera de 1944 a (cheAa R?omissão Extraordin3ria
para a uta contra a contra1 $evolu+ão e a Especula+ãoS, *ue aca6ava de ser
cognominada B).)U), decidiu intervir nos assuntos religiosos) Galtava ainda levar a
ca6o a 7revolu+ão eclesi3stica8J su6stituir a hierar*uia e colocar em seu 44 ]s
ve>es lemos no /ornal um artiguelho e 2icamos 6o*uia6ertosJ & l>vie>tia, de 44 de
Faio de 1959, contava *ue um ano ap:s o advento de ^itler ao .oder, Faximilian
^uaAe 2oi detido por pertencer))) não a um partido *ual*uer, mas ao .artido ?
omunista) Ani*uilaram11noY "ão, condenaram1no a dois anos) #epois disso,
certamente, teve uma nova condena+ãoY "ão, 2oi posto em li6erdade) ?ompreenda1se
isso como se *uiserX Ele continuou a viver em seguida, tran*uilamente, organi>ando
a actividade clandestina) & artigo destinava1se a p_r em relevo a sua intrepide>)
4; A$DU'.E AB& #E BU AB lugar outra *ue estendesse uma s: orelha para o céu e a
outra para a u16ianAa) &s clérigos da 'gre/a Viva45, tinham prometido *ue seria
assim, mas sem a/uda exterior eles não podiam dominar o aparelho religioso) .or
essa ra>ão 2oi preso o patriarca (iAhon e montaram1se dois ruidosos processos,
seguidos de 2u>ilamentosJ em Foscovo, o dos propagadores do apelo do patriarcaW
em .etrogrado, o do metropolita Veniamin, *ue punha o6st3culos , transmissão do
poder religioso aos partid3rios da 'gre/a Viva) "as prov-ncias e distritos, a*ui e
acol3, 2oram presos os metropolitas e os 6ispos e logo a seguir aos peixes gordos,
chegou, como sempre, a ve> dos mi<dosJ os arciprestes, monges e di3conos, acerca
dos *uais /3 a 'mprensa nada noticiava) (odos a*ueles *ue não prestavam /uramento
de 2idelidade ao impetuoso movimento renovador da 'gre/a Viva eram detidos) &s
sacerdotes eram parte o6rigat:ria de cada leva di3ria e os seus ca6elos grisalhos
6rilhavam de etapa em etapa para %olovAi) "os primeiros anos da década de 4C ca-ram
tam6ém seitas de te:so2os, m-sticos, espiritistas Rum grupo como o do conde .ahlen
2a>ia relat:rios das suas conversas com os esp-ritosS, sociedades religiosas e
2il:so2os do c-rculo de Ierdiaiev) Entrementes, 2oram presos e des6aratados os
7cat:licos orientais8 Rdisc-pulos de Vladimir %oloviovS, assim como o grupo de A)
') A6riA:ssova) Duanto aos simples cat:licos e aos sacerdotes polacos,
en1tregavam1se , prisão eles mesmos) "o entanto, o exterm-nio radical da religião
no nosso pa-s, ao longo dos anos 4C e @C, tendo sido um dos o6/ectivos importantes
do grupo B).)U)1")=)V)#), s: poderia ser conseguido com a deten+ão em massa dos
pr:prios ortodoxos) Apanhavam1se, encarceravam1se e deportavam1se de modo intensivo
os 2rades e 2reiras, *ue tanto enegreciam a vida russa) #eti1nham1se e /ulgavam1se
os c-rculos de 2iéis particularmente activos) Estes c-rculos ampliavam1se sempre e
logo eram varridos os crentes, *ue eram pessoas idosas, so6retudo mulheres, mais
o6stinadas na sua 2é, ,s
*uais, durante os longos anos de deporta+ão e de campos de concentra+ão, se passou
tam6ém a chamar 2reiras) ?onsiderava1se, é certo, *ue todos eram presos e /ulgados,
ao *ue parece, não pelo seu credo mas por mani2estarem convic+9es em vo> alta e por
darem uma educa+ão ,s crian+as nesse esp-rito) ?omo escreveu (Lnia =hodAevitchJ
.odes orar livremente, Fas))) de modo *ue s: #eus te escute) A 'gre/a Viva ou
7renovada8, 2oi criada em 1944, em oposi+ão ao patriarca (iAhon, etendendo uma
cola6ora+ão estreita com o poder soviético, sem ter, contudo, um grande 0xito) R")
dos ()S e A$DU'.E AB& #E BU AB 45 R.or este verso, ela 2oi condenada a de> anos)S
As pessoas convictas de possu-rem a verdade espiritual deveriam ocult31la dos)))
seus 2ilhosXXX A educa+ão religiosa das crian+as nos anos 4C, passou a ser
*uali2icada como um delito, a6rangido pelo artigo 5Q1 1C, isto é, como agita+ão
contra11revolucion3riaX E certo *ue no tri6unal havia ainda a possi6ilidade de
a6/urar da religião) Em6ora não 2osse 2re*uente, casos havia em *ue o pai a6/urava
e 2icava a criar os 2ilhos, en*uanto a mãe ia para %olovAi Rdurante todas estas
décadas as mulheres revelaram uma grande 2irme>a de convic+ãoS) (odas as religiosas
apanhavam de> anos, *ue era então a condena+ão mais longa) RAo limpar as grandes
cidades para a sociedade pura *ue se avi>inhava, 2oram misturadas nesses mesmos
anos, especialmente em 1945, as 2reiras com as prostitutas, e tam6ém enviadas a
%olovAi) ]s amantes da pecadora vida terrena reservava1se uma leve condena+ão de
tr0s anos) & am6iente das levas, as expedi+9es e a pr:pria %olovAi, não as impediam
de ganhar a vida na sua alegre pro2issão, com os che2es e os soldados da escolta, e
regressavam ao ca6o de tr0s anos, com as suas pesadas malas, ao ponto de partida)
Duanto ,s 7religiosas8, era1lhes vedada a possi6ilidade de /amais regressarem aos
seus 2ilhos e , sua terra natal)S #esde os primeiros anos da década de 4C *ue
apareceram correntes puramente nacionais, por en*uanto redu>idas, relativamente ,s
respectivas regi9es 2ronteiri+as, e ainda mais relativamente ,s dimens9es russasJ
mus1savatistas do A>er6ei/ão, dachnaAos da Arménia, menchevi*ues da Be:rgia e
6assmatches da (urcoménia, *ue o2ereceram resist0ncia , implanta+ão, na Zsia ?
entral, do poder soviético Ros primeiros %ovietes de deputados, oper3rios,
camponeses e soldados tinham uma maioria numérica de russos e eram interpretados
como um poder russoS) Em 194; 2oi totalmente aprisionada a sociedade sionista
^e/aluts, *ue não tinha sa6ido elevar1se até ao irresist-vel impulso do
internacionalismo) Entre muitos da*ueles *ue pertencem ,s gera+9es seguintes
2irmou1se a ideia de *ue os anos 4C constitu-ram uma espécie de orgia de li6erdade,
*ue nada limitava) "o presente livro havemos de encontrar pessoas *ue se
ressentiram dos anos 4C de maneira a6solutamente di2erente) &s estudantes sem
partido 6atiam1se nesse tempo pela 7autonomia das escolas superiores8W pelo direito
de reali>ar assem6leias pela não inclusão nos programas de estudo de um excesso de
matérias pol-ticas) ?omo resposta so6revinham as deten+9es, deten+9es estas *ue
aumentavam nas vésperas das 2estas Rpor exemplo, no 1)O de Faio de 1944S) Em 1945,
um certo n<mero de estudantes de eninegrado Rcerca de uma centenaS 2oram condenados
a tr0s anos de prisão, em isolamento 7pol-tico8, pela leitura de & Fensageiro
%ocialista4; e pelo estudo de .leAhanov Ro pr:prio .leAhanov, *uando /ovem, por um
discurso pronunciado contra o Boverno, /unto da ?atedral de =a>an, $evista
pu6licada em .aris, de emigrados menchevi*ues) R") dos ()S 4Q
A$DU'.E AB& #E BU AB apanhara muito menosS) Em 1945, come+aram as deten+9es dos
primeiros R/ovensS trots*uistas) #ois ingénuos soldados vermelhos *ue, seguindo a
tradi+ão russa, come+aram a angariar 2undos para os presos trots*uistas, 2oram
tam6ém atirados para pris9es pol-ticas e mantidos incomunic3veis) ?ompreende1se *ue
não escapassem ao golpe as classes exploradoras) Em toda a década de 4C continuou o
2lagelo de antigos o2iciais *ue tinham escapado com vidaJ os 6ra+os *ue não tinham
merecido o 2u>ilamento durante a Buerra ?ivilW os 6rancos1vermelhos, *ue haviam
lutado dos dois lados, e ainda os c>aristas vermelhos, *ue não tinham servido todo
o tempo no Exército Vermelho ou haviam tido interrup+9es de servi+o, não atestadas
por documentos) #i>emos 2lagelo por*ue não lhes davam logo as condena+9es, senão
*ue passavam 1 sempre a paci0nciaX 1 por veri2ica+9es intermin3veis, tornando1se
o6/ecto de limita+9es no tra6alho, no lugar de resid0ncia, e sendo detidos, soltos
e novamente detidos, até irem gradualmente parar a campos de concentra+ão, donde
não voltariam mais) Entretanto, com o envio de o2iciais para o Ar*uipélago, a
solu+ão do pro6lema não 2icava conclu-da, não 2a>endo mais do *ue come+arJ restavam
ainda, na verdade, as mães dos o2iciais, as suas esposas e 2ilhos) .rocedendo a uma
an3lise social in2al-vel, era 23cil imaginar *ual seria o estado de esp-rito
destes, ap:s a prisão dos che2es de 2am-lia) #esse modo, provocavam, eles pr:prios,
muito simplesmente, a sua deten+ãoX E eis *ue a torrente engrossa) "os anos 4C
houve uma amnistia para os cossacos *ue participaram na Buerra ?ivil) Fuitos
regressaram da ilha de emnos ao =u6an e rece6eram terras) Fas, posteriormente,
2oram todos detidos) &s antigos 2uncion3rios do Estado, *ue se tinham escondido,
estavam su/eitos a ser agarrados) Eles camu2laram1se ha6ilmente, aproveitando1se do
2acto de *ue na $ep<6lica ainda não existia o sistema do passaporte interior nem da
caderneta de tra6alho, e 2oram introdu>indo1se nas institui+9es soviéticas) "este
sentido 2oram de muita a/uda os lapsus linguae, os conhecimentos casuais, as
den<ncias))) perdão, os 7relat:rios de com6ate8 dos vi>inhos) R.or ve>es tratava1se
de uma pura casualidade) Um tal Fova, por simples a2ei+ão de coleccionador, tinha
guardado em casa uma lista dos antigos 2uncion3rios /ur-dicos da prov-ncia) Em 1945
isso 2oi desco6erto casualmenteJ todos 2oram detidos e 2u>ilados)S Assim se iam
2ormando torrentes com o 2undamento da 7oculta+ão da origem social8 e d3 7antiga
posi+ão social8) Essas express9es eram interpretadas num sentido amplo) &s no6res
eram presos por meros ind-cios de casta) & mesmo se passava com as respectivas 2am-
lias) Ginalmente, sem grande preocupa+ão de clare>a, eram presos tam6ém os no6res a
t-tulo pessoal45 isto é, pessoas *ue noutros tempos 7no6res a t-tulo pessoal8 Risto
é, cu/a no6re>a era intransmiss-velS eram todos a*ueles *ue possu-am um grau tanto
civil como militar) R(V) dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB 49 p:s tinham terminado
estudos universit3rios) E uma ve> detidos, não se podia voltar atr3sJ o *ue estava
2eito estava 2eito) Uma sentinela da $evolu+ão não se engana) Fas não, h3 sempre um
ou outro caminho para voltar a tr3sX %ão as 2inas e ténues contracorrentes, *ue ,s
ve>es no entanto conseguem irromper) E mencionaremos a*ui a primeira) Entre as
esposas e 2ilhos de no6res o2iciais havia não raramente mulheres *ue se destacavam
pelas suas *ualidades pr:prias e pelo seu aspecto atraente) Algumas sou6eram talhar
para si uma min<scula torrente ao invés T em direc+ão contr3riaX Eram todas a*uelas
*ue se lem6ravam de *ue a vida nos é dada uma s: ve> e *ue não h3
nada de mais *uerido do *ue a nossa vida) &2ereceram1se , (cheAa1B) .) U) como
in2ormadoras, como cola6oradoras, como não importa *u0 1 e as *ue lhes agradaram
2oram admitidas) (ornaram1se as in2ormadoras mais proveitosasX A/udaram muito a
B) .) U), *ue teve enorme con2ian+a nas ditas) ^3 *ue citar a*ui os nomes da <ltima
princesa Via1>emsAaia, a mais )not3vel das denunciantes do per-odo posterior ,
revolu+ão 1 o seu 2ilho 2oi tam6ém delator em %olovAi TW e o de ?onc:rdia "iAo1
laievna 'osse, *ue era, pelos vistos, uma mulher 6rilhanteJ o seu marido, um
o2icial, 2oi 2u>ilado na sua 2rente, e a ela mandaram1na para %olovAi, mas aca6ou
por pedir para regressar e, perto da Brande u6ianAa, dirigia um salão *ue as
importantes personagens dessa casa muito gostavam de 2re*uentar) %: em 19@5 voltou
a ser detida com os seus clientes, 'agoda e *ue/andos) E c:mico di>01lo, mas por
uma tradi+ão a6surda conservava1se a ?ru> Vermelha .ol-tica da Velha $<ssia)4Q
^avia tr0s sec+9esJ a de Foscovo RE) .echAova, VinaverSW a de ?rac:via R
%andomirsAaiaS e a de .etrogrado) A de Foscovo portava1se decentemente e até 19@5
não 2oi dissolvida) Fas a de .etrogrado Ro velho populista ?hevtsov, o coxo Bartman
e =otche1rovsAiS comportava1se de maneira insuport3vel, insolente, metia1se em
assuntos pol-ticos, procurava apoiar1se nos antigos prisioneiros da 2ortale>a de ?
hlissel6urg R"ovorussAi, do grupo de AleAsandr UlianovS e a/udava não s: os
socialistas, como tam6ém os democratas1constitucionais contra11revolucion3rios) Goi
2echada em 194; e os seus dirigentes presos e deportados) &s anos passam e o *ue
não se re2resca apaga1se nas nossas mem:rias) Envolto nas 6rumas da distLncia, o
ano de 1945 é por n:s evocado como um ano despreocupado e 2arto da ") E) .), não
suprimida ainda) Fas 2oi um ano tenso, a6alado pelas explos9es dos /ornais, sendo
vivido, como a véspera da guerra, pela revolu+ão mundial) & assass-nio do
representante plenipotenci3rio soviético em Vars:via inundou as colunas dos
/ornais, em Junho) FaiaAovsAi consagrou1lhe *uatro ri6om6antes poemas) &rgani>a+ão
de solidariedade aos presos pol-ticos R") dos ()S 5C A$DU'.E AB& #E BU AB Fas, por
pouca sorte, a .ol:nia apresentou desculpas, e o assassino isolado de VoiAov49 2oi
preso nesse pa-s) ?omo e contra *uem, pois, cumprir o apelo do poetaJ ?om união,
2irme>a e repressão, lancemo1nos a ele, tor+amos1lhe o pesco+oX A *uem reprimirY A
*uem torcer o pesco+oY 'mediatamente come+a a promo+ão VoiAov) ?omo sempre, *uando
h3 agita+9es e tens9es, são detidos os do costumeJ os anar*uistas, os socialistas
revolucion3rios, os menchevi*<es e ainda a intelig0ncia pura e simples) "a verdade,
*uem mais deter, nas cidadesY "ão a classe oper3riaX Fas a intelectualidade
7pr:xima dos cadetes8W essa, /3 tinha apanhado uns 6ons sa2an9es, a partir de 1919)
"ão teria chegado a hora de sacudir a intelectualidade, *ue se 2a>ia passar por
progressistaY #e passar ao crivo os estudantesY Iasta, outra ve>, 2olhear
FaiaAovsAiJ .ensa no =omsomol dias e noitesX As suas 2ileiras examina1as mais
atentamente)
%erão todos Aomsomols de verdadeY &u serão apenas Aomsomols mascaradosY Uma
concep+ão c:moda do mundo d3 origem a um c:modo termo /ur-dicoJ o de pro2ilaxia
social) Ei1lo adoptado, aceite e compreendido imediatamente por todos) RUm dos
che2es da constru+ão do canal do mar Iranco, a>ar =ogan, di1lo13 desenvoltamenteJ
7Eu acredito *ue voc0 não é culpado de nada, pessoalmente) Fas é uma pessoa culta e
deve, pois, compreender *ue estamos a reali>ar uma vasta pro2ilaxia socialX8S "a
realidade, *uando deter esses companheiros de viagem inseguros, toda essa
intelectualidade vacilante e apodrecida, senão nas vésperas da guerra pela
revolu+ão 49 %egundo parece, este mon3r*uico matou VoiAov por vingan+a pessoalJ
comiss3rio do ?omité $egional de a6astecimento dos Urais, VoiAov teria dirigido, em
Junho de 191Q, a destrui+ão dos vest-gios do 2u>ilamento da 2am-lia c>arista
Res2acelamento e serra+ão dos ossos, crema+ão e dispersão das cin>asS) A$DU'.E AB&
#E BU AB 51 mundialY Duando a grande guerra eclodir /3 ser3 tarde) E em Foscovo
come+a uma limpe>a plani2icada, de *uarteirão em *uarteirão) Em todos os lugares
alguém deve ser a6ar6atado) A palavra de ordem éJ 7#aremos um murro na mesa tão
2orte *ue o mundo estremecer3 de horrorX8 .ara a u6ianAa, para a IutirAi, correm
velo>es, mesmo de dia, carros celulares, autom:veis, cami9es 2echados e carro+as
a6ertas, puxadas por cavalos) ^3 engarra2amentos nos port9es e engarra2amentos no
p3tio) & tempo não chega para 2a>er os descarregamentos e os registos) R%ucede o
mesmo noutras cidades) Em $ostov do #on, na cave da casa trinta e tr0s, era tal o
aperto no chão, nesses dias, *ue o recém1chegado IoiAo *uase não encontrou lugar
para sentar1se)S (omemos um exemplo t-pico dessa torrenteJ algumas de>enas de
/ovens organi>aram ser9es musicais, para os *uais não pediram a autori>a+ão da
B) .) U) &uvem m<sica e 6e6em ch3) .ara pagar o ch3 angariam uns *uantos Aopecs) E
claro *ue a m<sica constitui uma dissimula+ão do seu estado de esp-rito
contra1revolucion3rio e *ue o dinheiro angariado não é de modo algum para o ch3,
mas para vir em a/uda da 6urguesia mundial agoni>ante) (&#&% eles são presos e
condenados de tr0s a de> anos RAnna %AripniAova apanha cincoS e os organi>adores
*ue não reconhecem a culpa )R'van "iAolaievitch, Varentsov e outrosS são GUU' A#&%X
&u então, nesse mesmo ano, re<nem1se, algures, em .aris, os estudantes emigrados, a
2im de comemorar a tradicional 2esta do liceu consagrada a .uschAine) &s /ornais
deram not-cias do 2acto) (rata1se, evidentemente, de um des-gnio do imperialismo,
moralmente 2erido) E eis *ue são detidos (&#&% os estudantes desse liceu, *ue
restavam ainda na U) $) %) %) e, ao mesmo tempo, os estudantes da Escola de #ireito
Routro esta6elecimento tam6ém privilegiadoS) A promo+ão VoiAov redu>1se, por
en*uanto, ,s dimens9es do E EGA"(E 1 designa+ão especial do ?ampo de %olovAi) Fas o
crescimento maligno do Ar*uipélago de BU AB /3 tinha come+ado e 6em depressa ele
dispersar3 as suas met3stases por todo o corpo do pa-s) ) .rovando um novo 2ruto,
surgiu um novo apetite) ^3 muito *ue é tempo de destruir a intelectualidade
técnica, *ue tem demasiadas pretens9es de ser insu6stitu-vel e *ue não est3
ha6ituada a cumprir imediatamente as ordens) %e/amos clarosJ n:s nunca deposit3mos
con2ian+a nos engenheiros, esses lacaios dos antigos patr9es capitalistas) #esde os
primeiros anos da $evolu+ão *ue os coloc3mos
so6 um são controle, su6metidos , descon2ian+a da classe oper3ria) Entretanto, no
per-odo da reconstru+ão, mesmo assim n:s pr:prios lhes permitimos *ue tra6alhassem
na nossa ind<stria, concentrando toda a 2or+a o2ensiva de classe na outra
intelectualidade) Fas, , medida *ue amadurecia a nossa direc+ão econ:mica Ro ?
onselho de Economia dos .ovos de toda a União e o .lano EstatalS e aumentava o
n<mero de planos, come+ando estes a entrar em con2lito e a seguir1se uns aos 54
A$DU'.E AB& #E BU AB outros, mais clara se tornava a nature>a sa6otadora do velho
corpo de engenharia, a sua 2alsidade, ast<cia e venalidade) A %entinela da
$evolu+ão 2ran>ia mais os so6rolhos e para onde *uer *ue olhasse com os olhos
2ran>idos logo desco6ria um ninho de sa6otagem) Este tra6alho de saneamento p_s1se
em marcha no ano de 1945 e logo 2oi mostrando ao proletariado todas as causas dos
nossos 2racassos econ:micos e das nossas car0ncias) "o ?omissariado dos (ransportes
do .ovo Rdos 2errovi3riosS havia sa6otagemJ por isso era di2-cil conseguir passagem
nos com6oios e sucediam1se as interrup+9es na distri6ui+ão de mercadorias) "a União
Estatal de ?entrais Eléctricas de Foscovo havia sa6otagemJ por isso veri2icavam1se
cortes de lu>) "a ind<stria petrol-2era havia sa6otagemJ por isso não se conseguia
*uerosene) "a ind<stria t0xtil havia sa6otagemJ por isso as pessoas *ue tra6alhavam
não tinham *ue vestir) "a ind<stria do carvão havia uma sa6otagem colossalJ por
isso gel3vamos de 2rioX "a do metal, na de guerra, na de constru+ão de ma*uinaria,
na de constru+ão de 6arcos, na de *u-mica, na de ouro e de platina, na de irriga+ão
T por todo o lado havia a6cessos purulentos de sa6otagemX .or todos os lados
surgiam inimigos com réguas de logaritmosX A B) .) U) su2ocava na tare2a de agarrar
e de carregar sa6otadores) "as capitais e nas prov-ncias actuavam as comiss9es de
união da Administra+ão .ol-tica do Estado e os tri6unais prolet3rios, revolvendo
essa imund-cie viscosa e todos os dias soltando ais de surpresa) &s tra6alhadores
eram in2ormados Rou nãoS das <ltimas 6andalhices dos sa6otadores, através dos
/ornais) %ou6e1se dos casos de .altchinsAi, de Von FeAAe, de VielitchAo@C e de
tantos outros an:nimos) ?ada ramo da ind<stria, cada 236rica e cada o2icina de
artesanato devia detectar a sa6otagem *ue havia no seu seio e logo *ue se punham em
campo imediatamente a desco6riam Rcom a a/uda da B) .) U)S) %e algum engenheiro
2ormado antes da $evolu+ão não tinha sido desmascarado como traidor, podia com toda
a certe>a suspeitar1se de *ue o era) E *ue re2inados mal2eitores eram estes velhos
engenheiros, com *ue diversidade de manhas satLnicas sa6iam sa6otarX "iAolai
=arlovitch von FeAAe, do ?omissariado dos (ransportes do .ovo, 2ingia1se muito
devotado , constru+ão da nova economia, 2alando longa e animadamente acerca dos
pro6lemas econ:micos da constru+ão do socialismo e gostando de dar conselhos) &
pior dos seus conselhos 2oi esteJ aumentar as composi+9es de mercadorias, não temer
*ue 2ossem muito carregadas) .or interven+ão da B) .) U), Von FeAAe 2oi
desmascarado Re 2u>iladoS, pois visava o desgaste das linhas 2érreas, dos vag9es e
das locomotivas, de modo a deixar a $ep<6lica, em caso de interven+ão, sem caminhos
de 2erro) Entretanto, passado A) G) VielitchAo, o2icial engenheiro, antigo
pro2essor da Academia Filitar, e gene1hete no Finistério da Buerra c>arista onde
dirigia a administra+ão dos transportes, Goi tado) AhX, *uanta 2alta nos 2e> em
1941X A$DU'.E AB& #E BU AB 5@ pouco tempo, *uando o novo ?omiss3rio dos (ransportes
do .ovo, o camarada =aganovitch, decidiu precisamente autori>ar as composi+9es de
mercadorias com
pesadas cargas, e mesmo duas e tr0s ve>es mais pesadas Rtendo por essa desco6erta,
ele e outros dirigentes, rece6ido a &rdem de enineSW os maldosos engenheiros
intervieram agora /3 no papel de limitadores Rclamavam *ue isso era demasiado, *ue
desgastava ruinosamente o material rolante, e 2oram /ustamente 2u>ilados pela sua
2alta de con2ian+a nas possi6ilidades dos transportes socialistasS) Esses
limitadores 2oram 2ustigados durante v3rios anos, pois em todos os ramos da
ind<stria erguiam1se com as suas 2ormas de c3lculo, não *uerendo compreender como o
entusiasmo do pessoal a/uda as pontes e as m3*uinas) #urante essa época toda a
psicologia popular é posta em causaJ ridiculari>a1se a circunspecta sa6edoria de
*ue 7depressa e 6em não h3 *uem8, e volta1se do avesso o velho a2orismo de *ue
7devagar se vai ao longe)))8) A <nica coisa *ue di2iculta por ve>es a prisão dos
velhos engenheiros é *ue não h3 su6stitutos preparados) "iAolai 'vanovitch
adi/ens1Ai, engenheiro1che2e das 236ricas de material de guerra de '/evsA, é
primeiro detido pela sua 7teoria das limita+9es8, 7pela 2é cega no coe2iciente de
seguran+a8 Rpartindo da *ual ele considerava insu2icientes as ver6as destinadas por
&rd/oniAid>e para a amplia+ão das 236ricasS)@1 #epois, trans2ormam a prisão em
deten+ão domicili3ria, ordenando1lhe *ue tra6alhe no seu antigo posto Rsem ele tudo
se desmoronavaS) Ele p9e as coisas em ordem) Fas as ver6as continuaram a ser, como
antes, insu2icientes T e eis *ue de novo vai parar , prisão, desta ve> pela 7m3
utili>a+ão das ver6as8J se elas não chegaram, isso 2ora devido a *ue o engenheiro
principal as não sou6e aplicar 6emX adi/ensAi morre ao 2im de um ano, num 6os*ue,
condenado ao tra6alho de corte de 3rvores) Assim, nuns poucos de anos, 2oi *ue6rada
a coluna verte6ral do velho corpo de engenheiros russos, gl:ria do nosso pa-s, *ue
eram os her:is pre2eridos de Barin1 FiAhailovsAi e Uamiatine) ?ompreende1se *ue
nesta leva, como em *ual*uer outra, 2ossem arrastadas tam6ém outras pessoas,
chegadas e relacionadas com os condenados, como por exemplo))) não *ueria manchar a
2ace de 6ron>e dourado da %entinela, mas tem de ser))) os delatores relutantes)
Esta torrente, inteiramente secreta, *ue nunca apareceu em p<6lico, pedimos ao
leitor *ue a guarde todo o tempo na mem:ria T especialmente na primeira década
revolucion3riaJ então, as pessoas tinham ainda o seu orgulho e muitas não haviam
ad*uirido ainda o conceito de *ue a moral 2osse uma coisa relativa, com um estreito
sentido de classe, havendo pessoas *ue se recusavam cora/osamente a prestar o
servi+o proposto, sendo todas castigadas sem compaixão fa ?onta1se *ue &rd/oniAid>e
2alava com os velhos engenheiros, pondo em cima da sua mesa de tra6alho duas
pistolasJ uma , direita, outra , es*uerda) 54 A$DU'.E AB& #E BU AB ?erta ve>
convidaram a /ovem Fagdalina Ed/u6ova para ser espia no c-rculo de engenheiros, e
ela não s: se recusou como 2oi tam6ém contar tudo ao seu tutor Rdevia)espi31lo a
ele pr:prioSJ este 2oi logo detido e nos interrogat:rios reconheceu tudo) Ed/u6ova,
*ue estava gr3vida, 2oi presa 7por revelar uma opera+ão secreta8, e condenada ao
2u>ilamento) Entretanto, aca6ou por passar vinte e cinco anos na prisão, ap:s uma
série de condena+9es) "esse mesmo ano de 1945, em6ora num c-rculo completamente
di2erente 1 entre os destacados comunistas de ?rac:via T, "adie/da Vitalievna
%urovets negou1se tam6ém a espiar e a denunciar os mem6ros do governo ucraniano,
pelo *ue 2oi detida pela B) .) U) e s: um *uarto de século depois, /3 meio morta,
conseguiu1 emergir , tona em =olima) E so6re os *ue não conseguiram vir , super2-
cie, so6re esses nada sa6emos) R"os anos @C, essa torrente de insu6missos redu>1se
a >eroJ uma ve> *ue se exige de alguém ser in2ormador, isso signi2ica *ue é
o6rigat:rio, *ue não se pode escaparX 7"ão
é com um puxão *ue se consegue partir a 2orca)8W 7%e não 2or eu ser3 outro)8W 7Fais
vale um 6u2o 6om como eu, do *ue outro mau)8 Além disso, amontoam1se /3 volunt3rios
para entrar na pol-cia, havendo1os de so6raJ é algo de glorioso, e tam6ém
vanta/oso)S Em 194Q, tem lugar em Foscovo o sensacional processo /udicial das ,L
minas) %ensacional pela pu6licidade *ue lhe é dada, pelas estonteantes congs2iss9es
e pela auto2lagela+ão dos acusados Rem6ora ainda não todosS) Ao ca6o de dois anos,
em %etem6ro de 19@C, são /ulgados com enorme estrépio os organi>adores da 2ome R%ão
elesX %ão elesX Ei1losXSJ *uarenta e oito os sa6otadores da ind<stria aliment-cia)
Em 2ins de 19@C reali>a1se, mais sensacionalmente ainda e /3 impecavelmente
ensaiado, o /ulgamento do .artido 'ndustrialJ a*ui, todos os acusados, do primeiro
ao <ltimo, lan+am so6re si mesmos *ual*uer a6surda a6/ec+ão e eis *ue, perante os
olhos dos tra6alhadores, como um monumento cu/o véu caiu, se eleva a maior e mais
engenhosa constru+ão de todas as sa6otagens /amais desco6ertas, atri6u-das, numa
dia6:lica liga+ão, a FiliuAov, $ia6uchinsAi, #eterding e .oin1caré) Agora *ue
come+amos a penetrar nos meandros da nossa pr3tica /udicial, compreendemos *ue
os /ulgamentos p<6licos são simples montes de toupeiras , super2-cie, *uando o
essencial da pes*uisa se passa su6terraneamente) Em tais processos s: aparece uma
pe*uena parte dos detidosJ apenas a*ueles *ue estiveram de acordo, contra sua
vontade, em se denunciarem a si e aos outros, esperan+ados numa maior indulg0ncia)
A maioria dos engenheiros, a*ueles *ue mostravam valentia e sensate>, repeliram o
a6surdo dos /u->es de instru+ão 1 e esses 2oram /ulgados em sil0ncio, sendo1 lhes
aplicados 1 a eles *ue não reconheceram a acusa+ão 1 os mesmos de> anos, pela
comissão da B) .) U) As torrentes 2luem no su6solo, pelas canali>a+9es, arrastando
a vida 2lorescente da super2-cie) E precisamente a partir desse momento *ue é dado
um passo importante A$DU'.E AB& #E BU AB 55 para a participa+ão de todo o povo na
canali>a+ão, para a distri6ui+ão por todo o povo da responsa6ilidade em rela+ão a
elaJ a*ueles cu/os corpos ainda não ca-ram nas 6ocas da canali>a+ão, a*ueles *ue
ainda não 2oram levados pelos tu6os do Ar*uipélago 1 esses devem des2ilar , super2-
cie com 6andeiras, glori2icando a sua sorte e rego>i/ando1se com a repressão
/udicial) R'sto, por precau+ãoX As décadas passariam, a hist:ria recuperaria de
novo os sentidos, mas os investigadores, os tri6unais e os procuradores não seriam
mais culpados do *ue eu e v:s, caros concidadãosX .ois se temos a ca6e+a co6erta de
alguns ca6elos 6rancos é por*ue em tempos vot3mos decorosamente A GAV&$)S A
primeira prova 2oi tirada por %taline a prop:sito dos organi>adores da 2ome T e
como é *ue essa prova não seria concludente, *uando todos passavam 2ome na 2arta
$<ssia, *uando todos perguntavam por toda a parte por onde é *ue se extraviara o
nosso rico pãoY E eis *ue, em 236ricas e institui+9es, antecipando1se ,s decis9es
do tri6unal, os oper3rios e os 2uncion3rios votam colericamente a 2avor da pena de
morte contra os in2ames réus) E *uando do /ulgamento do .artido 'ndustrial
reali>aram1se /3 com-cios e mani2esta+9es de toda a popula+ão, mo6ili>ando os
alunos das escolas) Eram milh9es de pessoas marcando o passo e gritando atr3s das
vidra+as do edi2-cio do tri6unalJ 7A morteX ] morteX ] morteX8 "esta 2ractura da
nossa hist:ria ressoaram vo>es solit3rias de protesto ou de a6sten+ãoJ era
necess3ria muita coragem, no meio deste coro de 6ramidos, para di>er 7nãoX8,
coragem em nada compar3vel , 2acilidade de ho/eX RE mesmo ho/e não se levantam
muitas o6/ec+9es)S (anto *uanto sa6emos, todas essas vo>es 2oram as desses tais
intelectuais 2r3geis, sem espinha dorsal) "a reunião do 'nstituto .olitécnico de
eninegrado, o pro2essor #mitri Apollinarievitch $o/ansAi AI%(EVE1%E Rele era,
calcule1se, em geral, contra a pena de morte, pois isso seria, como se di> em
linguagem cient-2ica, um processo irrevers-velS) Ali mesmo 2oi detidoX & estudante
#ima &litsAi a6steve1se, tam6ém, e ali mesmo tam6ém 2oi presoX (odos estes
protestos 2oram as2ixiados , nascen+a) (anto *uanto sa6emos, a classe oper3ria, de
6igodes /3 6rancos, aprovou essas execu+9es) (am6ém *uanto sa6emos, desde os
2ogosos Aomso1mols até aos che2es do partido e aos che2es dos exércitos lend3rios,
toda a vanguarda 2oi unLnime na aprova+ão destas execu+9es) ?éle6res
revolucion3rios, te:ricos e dirigentes sindicais, sete anos antes da sua morte sem
gl:ria, saudavam esse 6ramido da multidão, sem adivinhar *ue o seu tempo estava a
chegar, *ue 6em depressa os seus nomes seriam arrastados nesse 6ramido, aos gritos
de 7imund-cie8 e de 7canalhas8) Entretanto, a ca+a aos engenheiros terminava
precisamente a*ui) Em come+os de 19@1, 'oci2 Vissarionovitch enunciou as 7seis
condi+9es8 da edi2ica+ão econ:mica e aprouve , sua alta egocracia indicar como
*uinta condi+ãoJ passar da pol-tica de repressão da velha intelectualidade técnica
a pol-tica de atrac+ão e de preocupa+ão com ela) 5; A$DU'.E AB& #E BU AB
.reocupa+ão com elaX .or onde se evaporou a nossa /usta c:leraY .ara onde 2oram
varridas as nossas /ustas acusa+9esY #ecorria então o /ulgamento dos sa6otadores da
ind<stria de porcelana Rl3 tam6ém tinha havido imund-cieXS e /3, os acusados, todos
, uma, se denegriam a si pr:prios, con2essando1se culpados de tudo, *uando, de
repente, todos do mesmo modo, exclamaramJ 7Estamos inocentesX8 E li6ertaram1nosX
R"esse ano o6servou1se até uma pe*uena contracorrenteJ os engenheiros /3 condenados
ou perseguidos 2oram restitu-dos , vida) Goi assim *ue regressou #) A) $o/ansAi)
"ão se poder3 di>er *ue ele travou um duelo com %talineY Due um povo cora/oso e c-
vico não teria dado a>o a *ue se escrevesse nem este cap-tulo, nem todo este
livroYS ^avia /3 muito tempo *ue os menchevi*ues tinham ca-do por terra, mas nesse
ano %taline voltou a pis31los Rprocesso p<6lico do ?omité Gederal dos Fenchevi*ues,
com Broman1%uAhanov@4 e laAu6ovitch, em Far+o de 19@1, e mais tarde uns *uantos
dispersos, menos conhecidos, agarrados em segredoS, e, su6itamente, p_s1se
pensativo) &s povos do mar Iranco di>em a respeito da preia1marJ a 3gua p9e1se
pensativaW isto antes de come+ar a va>ante) Fas é mau comparar a turva alma de
%taline com a 3gua do mar Iranco) (alve> ele nem se tenha posto, de modo algum,
pensativo) "ão chegou a haver va>ante) "esse ano teve, contudo, lugar ainda outro
milagre) A seguir ao processo do .artido 'ndustrial preparava1se, no ano de 19@1, o
grand-ssimo processo do .artido ?ampon0s do (ra6alhoJ ao *ue parece, teria existido
Rmas nunca existiuXS uma enorme 2or+a, organi>ada clandestinamente, da
intelectualidade rural, dos activistas das cooperativas de consumo e agr-colas, 6em
como parte do campesinato evolu-do, *ue se preparavam para derru6ar a ditadura do
proletariado) "o processo do .artido 'ndustrial /3 havia sido mencionado o
.artido ?ampon0s do (ra6alho, *ue era 6em conhecido) & aparelho de investiga+ão da
B).)U) actuava sem 2alhasJ /3 F' ^A$E% de acusados tinham con2essado pertencerem ao
.artido ?ampon0s do (ra6alho, 6em como dos seus 2ins criminosos) Ao todo, tinham1se
indicado #UUE"(&% F' 7mem6ros8) 7] ca6e+a8 do partido destacavam1se o economista
agr3rio AleAsandr (chaianov, o 2uturo 7primeiro1ministro8 ") #) =ondra1tiev, ) ")
FaAarov, AleAsei #oiarenAo, pro2essor da Academia (imiria1>ev, 2uturo 7ministro da
Agricultura8@@) E, de repente, numa 6ela noite,
@4 (rata1se do mesmo %uAhanov, em cu/o apartamento, em .etrogrado, na =arpovAa, com
o seu conhecimento, se reuniu o ?omité ?entral Iolchevista, em 1C de &utu6ro de
1915, a- tomando a resolu+ão *uanto , insurrei+ão armada) R&s guias das excurs9es
mentem agora, ao a2irmarem *ue 2oi sem seu conhecimento)S @@ (alve> ele tivesse
dado melhor conta desse cargo do *ue a*ueles *ue depois o ocuparam durante *uarenta
anos) E o *ue é o destino humanoX #oiarenAo tinha1se mantido, por princ-pio, ,
margem da pol-ticaX Duando a sua 2ilha levava a casa estudantes, *ue mani2estavam
ideias social1revolucion3rias, ele expulsava1os de casaX A$DU'.E AB& #E BU AB 55
%taline FU#&U #E '#E'A%) .or*u0, talve> nunca o sai6amos) (er3 *uerido rogar pela
salva+ão da sua almaY Era cedo de mais) (er1se1ia mani2estado o seu sentido do
humor, dado *ue verdadeiramente a*uilo era tudo tão mon:tono *ue estava 2artoY
"inguém se atrever3 a censurar %taline por um tal sentido de humorX & mais prov3vel
é ele ter calculado *ue, em 6reve, todo o campo iria morrer de 2ome e não apenas os
du>entos mil réus, não valendo, pois, a pena perder tempo) Goi assim suprimido o
.artido ?ampon0s do (ra6alho e todos os *ue tinham 7con2essado8 convidados a
retractarem1se das con2iss9es 2eitas Rpodemos imaginar a sua alegriaXS, sendo, em
ve> disso, arrastado ao tri6unal s: o pe*ueno grupo =ondratiev1(chaianov@4) R"o ano
de 1941 acusou1se Vavilov, /3 sem 2or+as, com o 2undamento de *ue o .artido ?
ampon0s do (ra6alho existia, e de *ue ele, Vavilov, o enca6e+ava secretamente)S &s
par3gra2os apertam1se, apertam1se os anos, e não h3 maneira de enunciar por ordem o
*ue aconteceu Rmas a B) .) U) cumpria magni2icamente a tare2aX A B) .) U) nada
deixava passarXS) "ão o6stante, guardaremos sempre na mem:ria *ue os crentes são
presos sem parar, como é :6vio) RA*ui emergem , super2-cie algumas datas e pontos
culminantes) .or exemplo a 7noite de luta contra a religião8, na véspera do "atal
de 1949, em eninegrado, *uando 2oi detido um grande n<mero de intelectuais
religiosos, e não s: até de manhã, sem *ue se tratasse de um conto de "atal) .or
exemplo, ainda na mesma cidade, em Gevereiro de 19@4, *uando 2echaram de ve> muitas
igre/as, sendo, simultaneamente, e2ectuadas deten+9es em massa entre o clero) E
muitas outras datas e lugares de *ue ninguém nos legou tra+a)S "ão se deixa de
des6aratar todas as seitas, até mesmo as *ue são simpati>antes do comunismo)
RAssim, em 1949, 2oram detidos todos os mem6ros, sem excep+ão, das comunidades
esta6elecidas entre %otchi e =hosta) (udo nelas 2uncionava ao modo comunistaJ a
produ+ão e a distri6ui+ão) E tudo tão honestamente como nunca o pa-s o conseguir3
2a>er em cem anos) Fas, aiX, os seus mem6ros eram demasiado cultos e instru-dos em
literatura religiosa, e a sua 2iloso2ia não era ateia, mas sim um misto de
6aptista, tolstoiana e ioga) Uma ?&FU"'#A#E assim, era criminosa e não podia
proporcionar 2elicidade ao povo)S "os anos 4C, um importante grupo de tolstoianos
2oi desterrado para as 2aldas das montanhas do Altai, tendo ali criado
aldeias1comunas /untamente com os 6aptistas) Duando come+ou a constru+ão do
com6inado de =u>nietsA, eles 2orneciam1lhe comest-veis) Fais tarde, ei1los a ser
detidos, a ?ondenado ao isolamento prisional, =ondratiev aca6ou por 2icar doente
mental e .or morrer) Forreu tam6ém KurovsAi) (chaianov, ap:s cinco anos de
isolamento, 2oi desterrado para Alma1Ata, sendo detido novamente em 194Q) 5Q
A$DU'.E AB& #E BU AB come+ar pelos pro2essores, pois não ministravam o programa
estatalJ as crian+as, aos gritos, corriam atr3s dos carros) #epois, 2oi a ve> dos
dirigentes da comunidade)
Assim, as cartas da Brande .aci0ncia dos socialistas continuam, ininterruptamente,
a ser distri6u-das, como é :6vio, e em 1949 são detidos os historiadores *ue não
2oram exilados a tempo para o estrangeiro R.lato1nov, (arle, iutovsAi, Botie
iAhatchov, 'smailovS, 6em como o destacado cr-tico liter3rio F) F) IaAhtine) &s
grupos nacionais vão tam6ém a2luindo, ora de um extremo ora de outro) %ão
aprisionados os NaAutos, ap:s a insurrei+ão de 1949) RGoram 2u>ilados, segundo
di>em, cerca de trinta e cinco mil) "ão nos é poss-vel veri2ic31lo)S %ão
aprisionados os Aa>aAos, ap:s o seu her:ico esmagamento pela cavalaria de Iudi:ni,
nos anos de 19@C1@1) Em come+os de 19@C é processada a União de i6erta+ão da
UcrLnia Ro .ro2) E2riemov, (cheAhovsAi, "iAovsAi e outrosS, e sa6endo n:s *uais as
propor+9es entre o *ue é divulgado e o *ue é secreto, *uantos não haver3 por detr3s
destesY Duantos haver3 *ue 2oram presos ,s escondidasY E aproxima1se, lentamente,
mas aproxima1se, a ve> de meter na prisão os mem6ros do partido dirigenteX .ara /3,
em 1945149, é 7a oposi+ão oper3ria8, ou os trots*uistas, *ue elegeram um leader
desa2ortunado) .or en*uanto, são algumas centenas, mas 6em depressa serão milhares)
& mais di2-cil é come+arX Assim como estes trots*uistas assistiram tran*uilamente ,
deten+ão dos mem6ros dos outros partidos, de igual modo o resto do partido assiste
com aprova+ão , deten+ão dos trots*uistas) A cada um a sua ve>) #epois, vir3 a
imagin3ria oposi+ão da 7direita8) #evorando os mem6ros, um ap:s outro, a partir da
cauda, chega1se com as 2auces até , pr:pria ca6e+a) A partir do ano de 194Q é a
hora do a/uste de contas com os restos da 6urguesia T os nepmen Rcomerciantes e
negociantes *ue desenvolveram a sua actividade durante a "ova .ol-tica Econ:micaS)
& mais 2re*uente é *ue lhes imponham contri6ui+9es cada ve> mais elevadas, e /3
superiores ,s suas possi6ilidades, até ao momento em *ue se negam a pagar, sendo
logo detidos por insolv0ncia e con2iscando1se1lhes os 6ens) RAos pe*uenos artesãosJ
6ar6eiros, al2aiates, reparadores de 2ogareiros a petr:leo, apenas os privavam da
patente)S "o engrossamento da torrente dos nepmen h3 um interesse econ:mico) &
Estado necessita de 6ens, necessita de ouro, e a =olima ainda não existe) ?om o ano
de 1949 come+a a céle6re 2e6re do ouro) %: *ue a 2e6re ataca não a*ueles *ue o
6uscam, mas a*ueles a *uem é extor*uido) A particularidade desta nova torrente 7do
ouro8 consiste em *ue todos estes patos ri,o são acusados pela B) .) U)
propriamente de nada, estando esta disposta a não envi31los para o Ar*uipélago de
BU AB, dese/ando apenas arrancar11lhes o ouro pelo direito do mais 2orte) E por
isso *ue os c3rceres estão repletos e os comiss3rios instrutores extenuados) As
expedi+9es, as pris9es de A$DU'.E AB& #E BU AB 59 trLnsito e os campos de
concentra+ão rece6em um re2or+o proporcionalmente menor) Duem é *ue é preso nesta
corrente 7do ouro8Y (odos a*ueles *ue, alguma ve>, nos <ltimos *uin>e anos, tiveram
algum 7neg:cio8, comércio, ou tra6alharam por sua conta, podendo ter guardado ouro,
segundo pensa a B) .) U) Fas, /ustamente, acontecia com muita 2re*u0ncia *ue eles
não tinham ouro algumJ os seus 6ens m:veis e im:veis, tudo se derretera, tudo 2ora
con2iscado pela $evolu+ão, nada mais restando) ?om enorme esperan+a são detidos,
naturalmente, os /oalheiros e relo/oeiros) Através da den<ncia, pode ter1se
conhecimento da exist0ncia de ouro nas mãos mais inesperadasJ um oper3rio 7cem por
cento8, não se sa6e como, conseguiu arran/ar e guardar sessenta moedas de ouro de
cinco ru6los cada, dos tempos de "iAolaiW o conhecido guerrilheiro si6eriano
Furaviov chegou a &dessa tra>endo consigo uma 6olsinha de ouroW os cocheiros de
cavalos t3rtaros de eninegrado todos eles t0m ouro escondido) %e isso é verdade ou
não, s: ser3 poss-vel esclarec01lo na prisão) E /3 não pode servir de atenuante nem
a
condi+ão de oper3rio, nem os méritos revolucion3rios da*uele so6re *uem caiu a
som6ra da den<ncia do ouro) (odos são detidos, metidos em celas da B) .) U), em
*uantidades *ue até ho/e pareciam imposs-veis T mas assim é melhor, mais depressa o
hão1de darg ?hega1se até , promiscuidade de p_r mulheres e homens nas mesmas celas,
2a>endo as suas necessidades uns diante dos outros, num 6alde) Duem repara nessas
6agatelasX .ara c3 o ouro, vil9esX &s comiss3rios instrutores não redigem processos
ver6ais, por*ue esses papéis não são precisos para nada, e se vão conden31los ou
não, isso pouco importa a *uem *uer *ue se/a) & importante é istoJ para c3 o ouro,
malvadoX & Estado necessita do ouro, e a ti para *ue te serveY Aos comiss3rios
instrutores /3 lhes 2alecem a garganta e as 2or+as para pro2erir amea+as e aplicar
torturas, mas h3 um procedimento geralJ servir nas celas, apenas comida salgada e
não dar 3gua a 6e6er) %: a*ueles *ue entregarem ouro é *ue 6e6em 3guaX #e> ru6los
por um copo de 3guaX &s homens morrem pelo metal)))@5 Esta leva di2erencia1se das
anteriores, como das posteriores, pelo 2acto de *ue senão a metade, pelo menos uma
parte desta torrente tem o seu destino vacilante nas suas pr:prias mãos) %e, na
realidade, não tens ouro, a tua situa+ão não tem sa-daJ vão espancar1te,
*ueimar1te, e a6rasar1te até , morte ou até *ue e2ectivamente te acreditem) Fas se
tens ouro, então és tu pr:prio *ue determinas a medida das torturas, a medida da
tua resist0ncia e o teu 2uturo) #e resto, isto não é mais 23cil, mas mais di2-cil,
por*ue te enganas e sempre te sentir3s culpado perante ti pr:prio) "aturalmente, ,5
Verso do li6reto russo do Gausto, de Bounod) R") dos ()S ;C A$DU'.E AB& #E BU AB
a*uele *ue /3 assimilou os h36itos desta institui+ão, cede e entrega o ouroJ é isso
o mais simples) Fas não se pode d31lo demasiado 2acilmente, pois assim não
acreditarão *ue o deste todo, e vão guardar1te ainda) Fas d31lo demasiado tarde
tam6ém não é poss-velJ arriscas1te a perder o *ue tens de mais *uerido e a *ue, de
raiva, te preguem com uma condena+ão) Um desses t3rtaros cocheiros resistiu a todas
as torturasJ 7"ão tenho ouroX8 Então, prenderam a mulher e torturaram1na, mas o
t3rtaro insistia na sua declara+ãoJ 7"ão tenho ouroX8 .renderam a 2ilhaJ o t3rtaro
não resistiu e deu cem mil ru6los) Então, li6ertaram a 2am-lia e in2ligiram1lhe uma
condena+ão) As mais grosseiras aventuras da literatura policial e das operetas de
6andoleiros 2oram levadas , pr3tica, , escala de um grande Estado) A introdu+ão do
sistema do passaporte interior, no limiar dos anos @C @;, trouxe consider3veis
re2or+os aos campos de concentra+ão) (al como .edro ' simpli2icou a estrutura da
popula+ão, varrendo todas as 2rinchas e interst-cios entre a aristocracia, assim
procedeu o nosso sistema socialista do passaporteJ ele varreu precisamente os
insectos intermédios@5, atingindo a parte da popula+ão mais astuciosa, sem domic-
lio e sem 6ase de apoio) E, de in-cio, as pessoas cometeram 6astantes erros com
esses passaportesJ a*ueles *ue não registavam nem noti2icavam a sua mudan+a de
domic-lio iam parar ao Ar*uivo, ainda *ue 2osse por um s: anito) Assim iam
6or6ulhando e mandando as torrentes, mas por cima de todas elas rolou e
precipitou1se, nos anos de 19491@C, essa leva de milh9es e milh9es, *ue 2oi a
li*uida+ão dos AulaAs) ?omo era desmedidamente grande, não podia conter1se se*uer
na /3 desenvolvida rede de c3rceres R*ue, além disso, estava superlotada com a
torrente do 7ouro8S, mas contornou1a, indo parar imediatamente aos campos de
trLnsito, ,s expedi+9es de prisioneiros, ao Ar*uipélago de BU AB) #es6ordando de
uma s: ve>, com a sua enchente, esta torrente Reste oceanoXS extravasava para l3
dos limites de tudo o *ue pode permitir1se num sistema /udici3rio e prisional,
mesmo de um Estado enorme) "ão havia termos de compara+ão em toda a hist:ria da
$<ssia) (ratava1se de uma
migra+ão de povosW de uma cat3stro2e étnica) Fas os canais da B).)U)1BU AB estavam
tão /udiciosamente tra+ados *ue as cidades nada teriam notado, se não tivessem
estremecido @; .ara 2ixar resid0ncia, os soviéticos devem o6ter a chamada propisca
Rautori>a+ão policialS) E para mudar de resid0ncia t0m de pedir a vipisAa
Rigualmente uma autori>a+ão da pol-ciaS sem a *ual não o podem 2a>er) ?om o
passaporte interior, os soviéticos podem via/ar por todo o pa-s, mas ao chegar a
*ual*uer localidade, inclusive de 2érias, devem comunicar o 2acto,
o6rigatoriamente, no pra>o de vinte e *uatro horas, , pol-cia local) .or essa
perman0ncia, onde não t0m resid0ncia 2ixa, pagam um tanto em dinheiro) R") dos ()S
Alusão ir:nica e meta2:rica , de2ini+ão leninista dos intelectuais como 7classe
intermedi3ria)), 7sem personalidade econ:mica))) R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB ;
1 com uma 2ome de tr0s anos, uma 2ome sem seca e sem guerra) Esta torrente
di2erenciava1se ainda de todas as precedentes, pelo 2acto de *ue neste caso não
havia demasiadas preocupa+9es em agarrar primeiro o che2e de 2am-lia e ver depois o
*ue haveria *ue 2a>er ao resto da prole) .elo contr3rio, a*ui não se redu>iam, num
3pice, a cin>as senão lares completosW não se agarrava senão 2am-lias inteiras e
velava1 se mesmo >elosamente para *ue nenhuma das crian+as de cator>e, de de> ou de
seis anos escapasseJ todos deviam ir para um e mesmo s-tio, a 2im de conhecerem uma
extermina+ão comum) REsta 2oi a .$'FE'$A experi0ncia deste tipo, em todo o curso da
hist:ria moderna) ^itler repetiu1a depois com os /udeus, e, outra ve>, de novo,
%taline com as na+9es in2iéis e suspeitas)S Esta torrente englo6ava s: uma parte
insigni2icante da*ueles AulaAs, cu/o nome 2oi utili>ado para desviar a aten+ão) Em
russo chamava1se AulaA ao mes*uinho e desonesto tra2icante rural, *ue enri*uece não
com o seu tra6alho, mas através da usura e do comércio) Em cada localidade, até ,
$evolu+ão, eles eram casos isolados e a $evolu+ão privou1os, em geral, do terreno
em *ue podiam exercer a sua actividade) Fas, logo a seguir ao ano 15, por uma
trans2er0ncia de signi2icado, passou1se a designar por AulaAs Rna literatura
o2icial e de agita+ãoW da*ui, desli>ando para a linguagem usualS todos a*ueles *ue,
normalmente, empregavam tra6alhadores agr-colas assalariados, mesmo devido a
insu2ici0ncias tempor3rias das suas 2am-lias) "ão percamos de vista *ue depois da
$evolu+ão era imposs-vel *ue *ual*uer tra6alho destes não 2osse pago na sua /usta
medidaJ os interesses dos assalariados eram salvaguardados pelos comités de
camponeses po6res e pelo %oviete da aldeiaW ai da*uele *ue tentasse lesar a /orna
de um tra6alhador agr-colaX & tra6alho assalariado, pago com /usti+a, é permitido
ainda ho/e no nosso pa-s) Fas a dilata+ão do 2ustigante termo de AulaA alargou1se
irresistivelmente e no ano @C designava1se /3 através dele (&#&% &% ?AF.&"E%E% E?
&"&F'?AFE"(E G&$(E%J e não s: 2ortes *uanto , explora+ão, mas 2ortes *uanto ao
tra6alho e até simplesmente *uanto ,s suas convic+9es) & apodo AulaA era utili>ado
para *ue6rantar A G&$VA) $ecorde1mo1nos e reco6remos os esp-ritosJ tinha decorrido
apenas do>e anos desde o grande #ecreto da (erra, esse mesmo sem o *ual o
campesinato não teria seguido os 6olchevi*ues nem a $evolu+ão de &utu6ro teria
triun2ado) A terra 2oi distri6u-da por um certo pra>o e .&$ 'BUA ) ^avia s: nove
anos *ue os mu/i*ues tinham regressado do Exército Vermelho e se tinham lan+ado
so6re a terra con*uistada) E, de repente, come+ou a 2alar1se de AulaAs e de
camponesesbpo6res) #e onde provinha issoY ]s ve>es da situa+ão, a2ortunada ou não,
da 2am-lia) Fas não seria, antes de mais,
da tenacidade e da capacidade de tra6alhoY E eis *ue estes mu/i*ues, *ue produ>iam
o pão *ue a $<ssia comia no ano de 194Q, 2oram arremetidos e desarraigados dos %pUr
lugares .elos camponeses 2alhados e pelos *ue chegavam das cidades) En2urecidos,
perdendo todo o conceito de 7humanidade8 ela6orado ao ;4 A$DU'.E AB& #E BU AB longo
de milénios, estes puseram1se a prender os melhores produtores cereal-2eros,
/untamente com as suas 2am-lias, tirando1lhes os 6ens, e lan+an1do1os nus para a
tundra e para a taiga desa6itadas do "orte) Este movimento de massas não podia
deixar de se complicar) Era necess3rio livrar tam6ém a aldeia da*ueles camponeses
*ue não mani2estavam simplesmente dese/o de entrar no AolAho>W *ue não revelavam
inclina+ão para a vida colectiva, deles desconhecida, suspeitando Rsa6emos agora
com *ue 2undamentoS *ue ela traria o poder aos pregui+osos, o tra6alho compulsivo e
a 2ome) Era necess3rio des2a>er1se tam6ém da*ueles camponeses Rpor ve>es nada
ricosS *ue, pela sua aud3cia, 2or+a 2-sica e esp-rito de decisão, pelo calor da sua
interven+ão nas assem6leias e pelo seu amor , /usti+a, go>avam da considera+ão dos
seus conterrLneos, tornando1se, pela sua independ0ncia, perigosos para a direc+ão
de AolAho>es@Q) E em cada aldeia havia tam6ém a*ueles *ue .E%%&A FE"(E levantavam
estorvos aos activistas locais) .or ci<mes, inve/a ou despeito era esse o momento
mais prop-cio para um a/uste de contas) .ara designar todas estas v-timas era
necess3ria uma nova palavra e ela surgiu) "ela /3 nada havia de 7social8, nem de
econ:mico, mas soava magni2icamenteJ 7Es chegado dos AulaAs8, isto é, considero *ue
tu és um auxiliar do inimigo) E isso 6astaX Até ao mais andra/oso tra6alhador agr-
cola, era inteiramente poss-vel inclu-1lo entre os chegados aos AulaAsl@9 Goi assim
*ue, com duas palavras, se atingiram todos a*ueles *ue constitu-am a ess0ncia da
aldeia, a sua energia, a sua intelig0ncia viva e capacidade de tra6alho, a sua
resist0ncia e consci0ncia) Eles 2oram a2astados e a colectivi>a+ão levada a ca6o)
Fas na aldeia colectivi>ada 2lu-ram tam6ém novas torrentesJ a torrente dos
sa6otadores da agricultura) .or todos os lados se come+aram a desco6rir agr:nomos
sa6otadores, *ue tinham tra6alhado toda a vida, até esse ano, honradamente, mas *ue
agora 2a>iam crescer premeditadamente ervas nocivas nos campos russos) RIem
entendido por indica+9es do 'nstituto de Foscovo, agora completamente desmascarado)
(ratava1se precisamente da*ueles mesmos du>entos mil mem6ros do .artido ?ampon0s do
(ra6alho *ue não 2oram presosXS ?ertos agr:nomos não cumprem as directri>es
pro2undamente inteligentes de issenAo R2oi numa torrente assim *ue, no ano de 19@1,
2oi enviado para o ?asa*uestão o 7rei8 da 6atata, orchS) &utros cumprem1nas com
pouca su6tile>a e revelam com isso a sua estupide>) REm 19@4 os agr:nomos de .aAov
semearam linho na neve, /ustamente como tinha ordenado issenAo) As sementes
incharam, co6riram1se de 6olor e morreram) Vastos campos permaneceram incultos
durante um ano) @Q Este tipo de campon0s e o seu destino estão retratados de modo
imortal, por %tepan (chauss:v na novela %) Ualiguin) h9 $ecordo1me *ue esta
palavra, na nossa /uventude, nos parecia inteiramente l:gica e nada con2usa)
A$DU'.E AB& #E BU AB ;@ issenAo não podia di>er *ue a neve era AulaA, ou *ue ele
pr:prio era idiota) Acusou os agr:nomos de serem AulaAs e de terem tergiversado na
aplica+ão da sua tecnologia) E os agr:nomos 2oram levados para a %i6éria) #e resto,
em *uase todas as esta+9es de
tractores e m3*uinas agr-colas desco6riram1se sa6otagens dos tractores, e, assim,
eram explicados os 2racassos dos primeiros anos nos AolAho>esXS 1 A torrente 7por
perdas da colheita8 Rmas estas 7perdas8 eram calculadas relativamente aos n<meros
ar6itr3rios, estipulados na .rimavera pela 7comissão de determina+ão da colheita8SW
1 A torrente 7pelo não cumprimento das o6riga+9es de entrega de cereal ao Estado8
Ro comité de >ona do .artido comprometeu1se, mas o AolA1ho> não cumpriuJ prisão com
eleXSW 1 A torrente dos cortadores de espigas) & corte manual nocturno de espigas,
no campo, tornou1se um aspecto completamente novo de ocupa+ão agr-cola e um tipo
inédito de cei2a das searasX "ão 2oi uma torrente nada pe*uenaJ muitas 2oram as
de>enas de milhares de camponeses, 2re*uentemente não homens nem mulheres, mas
rapa>es e raparigas, garotos e garotas, *ue os adultos mandavam pela noite cortar
espigas, por*ue não tinham esperan+a de rece6er do AolAho> nada pelo seu tra6alho
di3rio) .or esta ocupa+ão, amarga e pouco tentadora Rnos tempos de servidão, os
camponeses não chegaram a tal necessidadeS, os tri6unais aplicavam pesadas penasJ
de> anos, por atentado perigoso , propriedade socialista, nos termos da 2amosa lei
de 5 de Agosto de 19@4) REm linguagem da prisão 7lei de sete do oito8)S Esta 7lei
de sete do oito8 proporcionou ainda, paralelamente, a grande torrente das
constru+9es do primeiro e do segundo plano *uin*uenal, dos transportes do comércio
e das 236ricas) A ") =) V) #) rece6eu ordem de se ocupar dos grandes des2al*ues)
Esta torrente tem de ser levada, de 2uturo, em conta, como 2luido em perman0ncia,
de modo especialmente a6undante durante os anos de guerra, portanto durante *uin>e
anos Raté 1945, data em *ue ser3 ampliada e tornada mais rigorosaS) Ginalmente,
podemos respirarX Vão cessar, en2im, todas as torrentes massivasX & camarada
Folotov declarou em 15 de Faio de 19@@J 7"ão consideramos *ue a nossa tare2a se/a a
repressão de massas)8 .ois 6em, /3 era tempo) Aca6aram as ang<stias nocturnasX Fas
*ue ladrar de cães é esseY AgarraX AgarraX .oiseX ?ome+ou a torrente =irov, de
eninegrado, onde a tensão 2oi considerada tão grande *ue se instalaram
*uartéis1generais da ") =) V) #) em cada comité executivo dos %ovietes de 6airro,
pondo1se em vigor um procedimento /udicial 7mais acelerado8 Ranteriormente, ele /3
não primava .ela lentidãoS e sem direito a apelo Ranteriormente, tão1pouco se
apelava /3 da senten+aS) ?alcula1se *ue uma *uarta parte da popula+ão de eninegrado
2oi limpa em 19@41@5) Esta aprecia+ão, *ue a desminta a*uele *ue tem em seu poder
os n<meros exactos, e *ue os 2orne+a) RAli3s, esta torrente ;4 A$DU'.E AB& #E BU AB
não se limitou a eninegrado, repercutindo1se na 2orma ha6itual por todo o pa-s,
em6ora de maneira incoerenteJ 2oram por ela apanhados a*ueles *ue ainda se
mantinham a*ui e ali 1 os 2ilhos de sacerdotes, as mulheres da antiga no6re>a e as
pessoas *ue tinham 2amiliares no estrangeiro)S "estas espraiadas torrentes, *ue
inundavam tudo, perdiam1se sempre modestos e invari3veis riachos *ue não se
precipitavam com estrépido, mas iam 2luindo, 2luindo, sem 2imJ 1 &s austr-acos,
mem6ros do %hut>6und4C, *ue perderam as lutas de classe em Viena e vieram, para
salvar1se, re2ugiar1se na p3tria do proletariado mundialW 1 &s esperantistas Ressa
gente nociva era di>imada por %taline nos mesmos anos em *ue ^itler o 2a>iaSW 1 &s
2ragmentos *ue restavam da %ociedade Gilos:2ica 'ndependente, dos c-rculos de
2iloso2ia ilegaisW
1 &s pro2essores *ue discordavam do ensino avan+ado, pelo método das 6rigadas de
la6orat:rios Rem 19@@, "at3lia 'vanovana IugaienAo 2oi detida pela B).)U) de
$ostov, mas ao 2im do terceiro m0s da instru+ão do processo houve uma resolu+ão,
declarando *ue este método era vicioso e ela 2oi li6ertadaSW 1 &s cola6oradores
da ?ru> Vermelha .ol-tica, *ue, gra+as aos es2or+os de EAaterina .echAova41 ainda
de2endia o direito , sua exist0nciaW 1 &s montanheses do ?3ucaso, setentrional,
insurgidos em 19@5) As nacionalidades continuam a 2luir, vindas do extremo ou de
outro pa-s) R"a constru+ão do canal do Volga pu6licam1se /ornais nacionais em
*uatro idiomasJ t3rtaro, turcomen*, us6e*ue e Aa>aAo) ^3 pois *uem os leiaXSW 1 E
de novo os crentes *ue não *uerem tra6alhar aos domingos Rtinha sido introdu>ida a
semana de cinco dias44W os AolAho>ianos eram sa6otadores, por não tra6alharem nos
dias de 2estas religiosas, con2orme estavam ha6ituados nos tempos do tra6alho
individualSW 1 Ainda sempre os *ue se negavam a ser in2ormadores da ")=)V)#) Ra*ui
eram a6rangidos os padres *ue guardavam o segredo da con2issãoJ os :rgãos
compreenderam rapidamente *uanto <til seria para eles sa6erem o conte<do das
con2iss9es, a <nica coisa para *ue servia a religiãoSW 1 As seitas religiosas, *ue
são detidas cada ve> em maior n<meroW T E a Brande .aci0ncia dos socialistas
continua a mudar as cartas) 4C Fovimento de Gevereiro de 19@4) R") dos ()S 41
Esposa de F3ximo BorAi) R") dos ()S 1 Era uma semana de cinco dias de tra6alho,
repousando1se ao sexto, independentemente do dia da semana) R") dos ()S A$DU'.E AB&
#E BU AB ;5 Ginalmente, havia a torrente do décimo par3gra2o, *ue não 2oi
mencionado uma s: ve>, mas *ue 2lui constantemente, intitulado, ali3s, =)$)A)
RAgita+ão ?ontra1 $evolucion3riaS, ou ainda A)%)A) RAgita+ão Anti1%oviéticaS)
(alve> se/a ela a mais est3vel de todas, pois não estancou nunca, e nos per-odos
das outras grandes torrentes, como nos anos @5, 45 ou 49, cresceu mesmo em vagas
particularmente caudalosas4@) .or paradoxal *ue pare+a, em todos os seus longos
anos de actividade, os eternamente vigilantes e sempre penetrantes :rgãos tiraram a
sua 2or+a de UF %H artigo dos cento e *uarenta e oito do cap-tulo especial Rnão
comumS do ?:digo .enal de 194;) Fas para 2a>er o elogio desse artigo é poss-vel
encontrar ainda mais ep-tetos do *ue a*ueles *ue, em tempos, (urgueniev escolheu
para a l-ngua russa, ou "ieArassov para a Fãe11 $<ssiaJ44 grande, potente,
a6undante, rami2icado, diversi2icado, devastador, o artigo 5Q é um mundo completo,
não s: na 2ormula+ão dos seus par3gra2os, mas tam6ém *uanto , sua interpreta+ão
ampla e dialéctica) Duem de entre n:s não so2reu na sua carne o seu sempre
envolvente a6ra+oY "a realidade, não existe de6aixo dos céus in2rac+ão, inten+ão,
ac+ão ou inac+ão, *ue não possa ser castigada pela mão de 2erro do artigo 5Q)
Gormul31lo tão amplamente era imposs-vel, mas tornou1se poss-vel interpret31lo
dessa maneira) & artigo 5Q não 2a> parte, no ?:digo, do cap-tulo respeitante aos
delitos pol-ticos e em lugar algum est3 escrito *ue se/a 7pol-tico8) "ão) Ao lado
dos crimes contra a ordem governamental e do 6anditismo ele encontra1se inclu-do no
cap-tulo dos 7crimes contra o Estado8) Assim, o ?:digo .enal come+a por se negar a
reconhecer *ue no nosso territ:rio ha/a delin*uentes pol-ticos, estipulando *ue h3
unicamente criminosos) & artigo 5Q constava de ?ator>e par3gra2os)
.elo primeiro par3gra2o sa6emos *ue se considera como contra11revolucion3ria
*ual*uer ac+ão Rpelo artigo ;)O do ?:digo .enal pode tratar1se de inac+ãoS
tendente))) a de6ilitar o .oder))) A partir de uma interpreta+ão ampla, resulta *ue
a recusa, num campo de concentra+ão, de ir tra6alhar, *uando se est3 2aminto e
extenuado, Esta torrente atingia *ual*uer pessoa em *ual*uer instante) Fas, para os
intelectuais conhecidos, nos anos @C, co>inhava1se ,s ve>es algum delito in2amante,
como o de concupisc0nciaW por exemplo o .ro2) .letniev, ao 2icar a s:s com as
pacientes, mord01 las1ia nos seios) 'sto era escrito num /ornal central) Due se
experimentasse re2ut31loX ?2) o poema Rem prosaS A -ngua $ussa, de (urgueniev, e o
poema Duem Bosta de Viver na $<ssiaY, de #eArassov) R") dos ()S ;; A$DU'.E AB& #E
BU AB tende a de6ilitar o .oder) E isso acarreta 2u>ilamento) RVe/a1se o
2u>ilamento dos *ue 7recusavam o tra6alho8, durante a guerra45)S A partir de 19@4,
*uando nos 2oi devolvido o termo de 7.3tria8, 2oi a*ui *ue 2oram inseridas as al-
neas de trai+ão , .3triaJ 11a, 116, l1c, 11d) %egundo estas al-neas, as ac+9es
reali>adas em pre/u->o do poder militar da União %oviética são castigadas com o
2u>ilamento, R116SW e s: no caso de circunstLncias atenuantes e tratando1se de
civis R11aS, com de> anos) ?onsiderando *ue os nossos soldados, ao tornarem1se
prisioneiros Rpor o2ensas ao poder militarXS, apanhavam s: um total de de> anos,
isso era um gesto humanit3rio *ue ia contra a lei) #e acordo com o c:digo
estalinianoW , medida *ue regressavam , p3tria deveriam ser todos 2u>ilados) R&utro
exemplo de interpreta+ão amplaJ recordo1me 6em de um encontro na prisão de IutirAi,
no Verão de 194;) (ratava1se de um polaco nascido em em6erg, *uando esta 2a>ia
parte do império austro11h<ngaro) Até , %egunda Buerra Fundial, ele viveu na sua
cidade natal, na .ol:nia) #epois 2oi para a Zustria, onde estava empregado, e ali
2oi preso pelos nossos no ano de 1945) Goi condenado a de> anos, segundo o artigo
5411 do c:digo ucraniano, ou se/a, por trai+ão , sua p3tria, a UcrLnia, /3 *ue a
cidade de em6erg tinha passado a ser a cidade ucraniana de vovX E o po6re não p_de
demonstrar, nos interrogat:rios, *ue não tinha ido para Viena com a inten+ão de
trair a UcrLniaX Ele 2icou cheio de raiva de o tomarem como traidor)S &utra
importante extensão do par3gra2o so6re trai+ão é a sua aplica+ão 7por re2er0ncia ao
artigo 19 do c:digo ucraniano8J 7?om inten+ão)8 'sto é, não houve trai+ão alguma,
mas se o /ui> de instru+ão considerou *ue houve inten+ão de trair, isso 2oi
su2iciente para aplicar a pena m3xima, completa, como se se tratasse, de 2acto, de
trai+ão) E certo *ue o artigo 19 se prop9e castigar não a inten+ão, mas a
prepara+ãoJ segundo uma compreensão dialéctica da inten+ão pode1se entend01la como
prepara+ão) E 7a prepara+ão é castigada de igual modo, Rou se/a, com a mesma penaS
*ue o pr:prio delito8 Rc:digo ucranianoS) #e um modo geralJ 7":s não 2a>emos
di2eren+a entre a inten+ão, e o pr:prio delito e nisto reside a superioridade da
legisla+ão soviética so6re a 6urguesaX4;8 & segundo par3gra2o re2ere1se ,
insurrei+ão armada, , tomada do poder 45 $e2er0ncia aos o6/ectores de consci0ncia)
R") dos ()S 4; #as .ris9es ,s 'nstitui+9es Educativas) ?olectLnea do 'nstituto
de .ol-tica .enal, redigida so6 a direc+ão de VichinsAi) Editora egisla+ão
%oviética, Foscovo, 19@4, p3g) @;) A$DU'.E AB& #E BU AB ;5
central ou local e, cm particular, , separa+ão, pela viol0ncia, de *ual*uer parte
da União das $ep<6licas) .or tais 2actos, a pena aplic3vel vai até ao 2u>ilamento
Rcomo em ?A#A UF dos par3gra2os seguintesS1 Extrapolando Rnão se podia escrever
isso no artigo, mas é logo ditado pela concep+ão revolucion3ria do direitoS, entra
neste caso *ual*uer tentativa de sair da União) Fas 7violentamente8 não indica em
rela+ão a *uem) Fesmo *ue toda a popula+ão da $ep<6lica *uisesse separar11se, se em
Foscovo 2ossem contra a separa+ão /3 seria violenta) #esta 2orma, todos os
nacionalistas estonianos, letonianos, lituanos, ucranianos e turcomenos 2oram com
grande 2acilidade condenados, por aplica+ão desse par3gra2o, a de> e a vinte cinco
anos) & terceiro par3gra2o re2ere1se , 7a/uda prestada, por *ual*uer 2orma, a um
estado estrangeiro *ue se encontre em guerra com a U)$)%)%)8) Este par3gra2o dava a
possi6ilidade de processar DUA DUE$ cidadão *ue, em territ:rio ocupado, tivesse
pregado um salto , 6ota de um militar alemão ou lhe tivesse vendido um molhinho de
ra6anetesW ou uma cidadã *ue tivesse elevado o moral com6ativo do ocupante,
dan+ando ou passando uma noite com ele) R"em todos G&$AF condenados por aplica+ão
deste par3gra2o, dada a a6undLncia de pessoas *ue estiveram em territ:rio ocupadoSW
mas *ual*uer pessoa .&#'A ser /ulgada em 2un+ão dele) & *uarto par3gra2o re2eria1se
, a/uda R2antasiosaS prestada , 6urguesia internacional) Aparentemente, *uem pode
ser inclu-do a*uiX Ga>endo uma leitura ampla, com a a/uda da consci0ncia
revolucion3ria, encontrava1se 2acilmente toda uma categoria de pessoasJ todos os
emigrados *ue, tendo a6andonado o pa-s anteriormente a 194C, ou se/a, uns anos
antes da redac+ão desse mesmo c:digo, 2ossem apanhados pelas nossas tropas na
Europa ao 2im de um *uarto de século R1944145S, viam1lhes aplicado o 5Q14J de>
anos, ou o 2u>ilamento) .ois *ue 2a>iam eles no estrangeiro senão prestar a/uda ,
6urguesia mundialY R&utro exemplo dessa a/uda /3 n:s o conhecemosJ o de um grupo
musical dentro da pr:pria U)$)%)%)S .odiam tam6ém prest31la todos os socialistas
revolucion3riosW todos os menchevi*ues Ra isso se destinava precisamente o artigoS
e, mais tarde, os engenheiros do .lano Estatal e do ?onselho Econ:mico de toda a
União %oviética) .ar3gra2o *uintoJ incita+ão a *ue um estado estrangeiro declare a
guerra , U)$)%)%) ;Q A$DU'.E AB& #E BU AB Um caso *ue se deixou passar em 6rancoJ
alargar o campo de aplica+ão deste par3gra2o a %taline e ao seu c-rculo diplom3tico
e militar, nos anos de 194C141) A sua cegueira e insensate> 2oi a isso *ue
condu>iram)) Duem senão eles arrastaram a $<ssia para vergonhosas e nunca vistas
derrotas, sem compara+ão alguma com as derrotas da $<ssia c>arista nos anos de 19C4
ou 1915Y #errotas como as *ue a $<ssia não conhecia desde o século !'''Y45
.ar3gra2o sextoJ a espionagem) Goi interpretado com tal amplitude *ue, se se
contassem todos os *ue, por virtude dele, 2oram condenados, seria poss-vel chegar ,
conclusão de *ue, nos tempos de %taline, a su6sist0ncia do nosso povo não se
apoiava na agricultura, nem na ind<stria, nem em *ual*uer outra coisa, senão na
espionagem estrangeira, vivendo1se do dinheiro proveniente das in2orma+9es) A
espionagem era algo de muito c:modo pela sua simplicidade, e compreens-vel tanto
para o delin*uente pouco evolu-do como para o /urista culto, o /ornalista e a
opinião p<6lica4Q) A amplitude da interpreta+ão consistia tam6ém em *ue não se
/ulgava alguém directamente por espionagem, mas sim porJ
T .EJ presun+ão de espionagem Rou espionagem não provada, o *ue dava lugar ,
aplica+ão 2atal da penaXSW T ?%EJ liga+9es conducentes RXS , suspeita de
espionagemW ou se/a, por exemplo, o 2acto de a amiga de uma amiga da sua mulher
mandar 2a>er um vestido , mesma modista Rnaturalmente cola6oradora da ")=)V)#)S *ue
a esposa de um diplomata estrangeiro) E esta categoria do 5Q1;, .E Rpresun+ão de
espionagemS e ?%E Rliga+9es conducentes , suspeita de espionagemS, eram par3gra2os
contagiosos, *ue exigiam um regime severo, uma vigilLncia alerta Rpois os servi+os
de in2orma+ão estrangeiros podiam estender os seus tent3culos ao seu protegido, até
ao interior do campo de concentra+ãoS, implicando a proi6i+ão da escolta em grupo)
Em geral, todos estes artigos1siglas, isto é, não propriamente artigos, mas
assustadoras com6ina+9es de mai<sculas Rneste cap-tulo ainda iremos encontrar
outrasS, arrastavam constantemente consigo um halo de mistério) Era imposs-vel
compreender se se tratava de rami2ica+9es 45 Epoca das invas9es mong:licas) R") dos
()S E poss-vel *ue a mania da espionagem não 2osse s: uma estreite>a mental de
%taline) Ela tornou1se c:moda para *uantos des2rutavam de privilégios) .assou a ser
a /usti2ica+ão natural da pol-tica do segredo, *ue /3 amadurecia, da proi6i+ão da
in2orma+ão, do sistema da porta 2echada, do passe das datchas vedadas e dos centros
secretos de distri6ui+ão) & povo não podia penetrar através das de2esas 6lindadas
da espionite, nem o6servar como a 6urocracia se arran/ava para mandriar, errar,
comer e divertir1se) A$DU'.E AB& #E BU AB ;9 do artigo 5Q ou de algo independente e
muito perigoso) &s detidos ao a6rigo de artigos1 siglas eram mais perseguidos, em
muitos campos, do *ue os do artigo 5Q) .ar3gra2o sétimoJ actividades nocivas ,
ind<stria, aos transportes, ao comércio, , circula+ão 2iduci3ria e ,s cooperativas)
"os anos @C, este par3gra2o esteve muito em voga e a6rangeu massas inteiras so6 a
designa+ão simpli2icada, e a todos acess-vel, de nocividade) E2ectivamente, todos
os ramos citados no par3gra2o sétimo, pioravam de dia para dia a olhos vistos e
devia haver culpados disso) #urante séculos, o povo constru-ra, criara tudo sempre
honradamente, mesmo sendo para os senhores) #esde os tempos de $tariA49 *ue não se
tinha ouvido 2alar de *ual*uer nocividade) E eis *ue, *uando, pela primeira ve>, os
6ens passaram a ser propriedade do povo, centenas de milhares dos seus melhores
2ilhos se lan+aram inexplicavelmente a actividades nocivas) R& par3gra2o so6
nocividade não estava previsto para estender1se , agricultura, mas desde *ue era
imposs-vel explicar de 2orma sensata por*ue é *ue os campos se enchiam de ervas
daninhas, as colheitas diminu-am, as m3*uinas se *ue6ravam, a su6tile>a dialéctica
introdu>iu1o l3 tam6ém)S .ar3gra2o oitavoJ o terror Rnão se tratava da*uele terror
*ue devia 72undamentar e legali>ar8 o ?:digo .enal soviético5C, mas do terror
exercido pela 6aseS) & terror era entendido de um modo particularmente extensivoJ
não signi2icava simplesmente colocar 6om6as de6aixo do carro dos gover1nadores4
mas, por exemplo, es6o2etear a seu médico pessoal, se este era do .artido, ou ainda
o Aomsomol ou o miliciano activistaW isso era /3 terror) ?om mais 2orte ra>ão o
assass-nio de um activista nunca se podia comparar com o assass-nio de um homem
comum Ro mesmo *ue no c:digo de ^amura6i, no século !''' antes da nossa eraS) %e o
marido matava o amante da sua mulher, e acontecia este não ser do .artido, era uma
sorte para o marido, pois aplicava1se1lhe o artigo 1@;J tratava1se de um criminoso
comum, socialmente pr:ximo, e podia ser deixado sem escolta) Fas se o amante
calhava ser do .artido, o marido
convertia1se num inimigo do povo e era /ulgado segundo o artigo 5Q1Q) ?hegava1se a
uma amplia+ão ainda mais lata do conceito, através da aplica+ão do par3gra2o
oitavo, com re2er0ncia ao /3 mencionado artigo 19, ou se/a, através da prepara+ão,
entendida como inten+ão) "ão s: 4b .r-ncipe *ue reinou na segunda metade do século
'!, na $<ssia de =iev) R") dos ()S 5C enine, 5)a edi+ão, tomo 45, p3g) 19C) 5C
A$DU'.E AB& #E BU AB uma amea+a directa pro2erida numa cerve/aria) R7Espera, *ue /3
apanhasX8S, dirigida a um activista, mas uma o6serva+ão 2eita por uma ra6u/enta
vendedora do mercado R7Ah, *ue te leve a pesteX8S, era *uali2icada como '(,
inten+9es terroristas, e dava 2undamento , aplica+ão do artigo com toda a
severidade51) .ar3gra2o nonoJ destrui+ão ou deteriora+ão))) causadas por explosão
ou inc0ndio Rin2alivelmente com um o6/ectivo contra1revolucion3rioS) &u mais
sucintamenteJ sa6otagem) A amplia+ão consistia em imputar1se a estes 2actos uma
inten+ão con1tra1revolucion3ria Ro /ui> de instru+ão sa6ia 6em o *ue se passava na
ca6e+a do delin*uenteXS) Dual*uer neglig0ncia humana, erro, ou 2racasso no tra6alho
e na produ+ão era imperdo3vel, sendo tudo isso encarado como sa6otagem) Fas nenhum
par3gra2o do artigo 5Q se interpretava tão amplamente e com uma tal chama de
consci0ncia revolucion3ria, como o décimoJ 7A propaganda ou a agita+ão, contendo um
apelo ao derru6amento, ao a6alo ou ao en2ra*uecimento do poder soviético))) assim
como a di2usão, prepara+ão ou posse de literatura desse tipo)8 Este par3gra2o
esta6elecia em tempo #E .AU apenas o limite m-nimo da pena Rnão muito 6aixoX "ão
demasiado suaveXS, en*uanto o m3ximo "i& E$A 'F'(A#&X (al era a altive> do
Brande .oder, perante a .A AV$A do seu s<6dito) As mais céle6res extens9es deste
céle6re par3gra2o eramJ T .or 7agita+ão, contendo um apelo8 podia entender1se uma
conversa entre amigos Re até entre con/uguesS cara a cara, ou por carta particularW
e o apelo podia ser um simples conselho pessoal) R":s di>emos 7podia ser8, mas na
realidade A%%'F E$A)S 1 7A6alo ou en2ra*uecimento8 do poder era *ual*uer pensamento
*ue não se a/ustasse ou não se elevasse , incandesc0ncia do pensamento do /ornal do
dia) .ois tudo o *ue não 2ortalece, en2ra*ueceX .ois tudo o *ue não se a/usta
a6alaX E a*uele *ue ho/e não canta connosco, Esse é contra n:sX))) RFaiaAovsAiS 51
'sto tem o ar de um exagero, de uma anedota, mas não 2omos n:s *ue invent3mos tal
anedotaW estivemos presos com pessoas dessas) A$DU'.E AB& #E BU AB 51 1 .or
7prepara+ão de literatura8, compreendia1se *ual*uer coisa escrita numa carta, num
<nico exemplar, umas notas, um di3rio -ntimo) Assim tão alegremente extrapolada,
*ue '#E'A re2lectida, pronunciada ou escrita não era a6rangida pelo par3gra2o
décimoY & décimo primeiro, esse, era de um género especialJ não tinha um conte<do
aut:nomo, sendo, sim, uma circunstLncia agravante de *ual*uer dos anteriores, se a
ac+ão se preparou de 2orma organi>ada ou os delin*uentes constitu-ram uma
organi>a+ão) "a realidade, tal par3gra2o era interpretado de tal modo *ue não se
exigia organi>a+ão alguma) Esta re2inada aplica+ão, eu pr:prio a experimentei) ":s
éramos dois, a
trocarmos secretamente impress9es, ou se/a, um em6rião de organi>a+ão, ou se/a uma
organi>a+ãoX & décimo segundo par3gra2o punha em causa a consci0ncia dos cidadãosJ
re2eria1se , não den<ncia de *ual*uer das ac+9es acima enumeradas) E para o grave
pecado de não denunciar A .E"A "\& ('"^A UF 'F'(E FZ!'F&XXX Este ponto era tão
in2initamente amplo *ue não necessitava de *ual*uer acrescento) %AI'A E "\& #'%%E,
é o mesmo *ue o tivesse 2eito ele pr:prioX & décimo terceiro par3gra2o, *ue, pelos
vistos, /3 tinha perdido h3 muito o seu o6/ectivo, a6rangia os *ue tinham
pertencido ao servi+o de in2orma+ão da HArana, pol-cia secreta c>arista54) Um
servi+o an3logo seria mais tarde considerado, pelo contr3rio, como de valor
patri:tico) & décimo *uarto par3gra2o pune 7o não cumprimento consciente de
determinadas o6riga+9es ou a neglig0ncia premeditada no seu cumprimento8, puni+ão
*ue podia ir, sem d<vida, até ao 2u>ilamento) $esumindoJ isso tinha o nome de
7sa6otagem8 ou 7contra1revolu+ão econ:mica8) #elimitar o premetidado do
impremeditado s: o comiss3rio1instrutor podia 2a>01lo, com 6ase no seu sentido
revolucion3rio do direito) Este par3gra2o aplicava1se aos camponeses *ue não
entregavam os 2ornecimentosW aos AolAho>ianos *ue não tinham tra6alhado o n<mero
su2iciente 54 ^3 2undamentos psicol:gicos para suspeitar *ue %taline cairia,
tam6ém, so6 a al+ada /ur-dica deste par3gra2o do artigo 5Q) Fuitos dos documentos
re2erentes a este tipo de scr1vaVos não so6reviveram a Gevereiro de 1915 e poucos
2oram tornados p<6licos) V) G) #/un1AovsAi, antigo director do departamento da pol-
cia, morto em =olima, a2irmava *ue o 2ogo ateado apressadamente, aos ar*uivos da
pol-cia, nos primeiros dias da revolu+ão de Gevereiro, se deveu a um impulso
unLnime de certos revolucion3rios interessados nisso) 54 A$DU'.E AB& #E BU AB de
diasW aos reclusos dos camposa de concentra+ão *ue não cumpriam a norma de
tra6alhoW e por ricochete, depois da guerra, aos delin*uentes *ue 2ugiam dos
campos, o *ue *uer di>er *ue se considerava, por extrapola+ão, a 2uga do
delin*uente não como um impulso para a doce li6erdade, mas como um atentado ao
sistema dos campos de concentra+ão) Esta era a <ltima vareta do le*ue do artigo 5Q
1 le*ue *ue envolvia dentro de si a exist0ncia humana) Ap:s este exame resumido do
grande A$('B& teremos menos ocasião de nos surpreender, no prosseguimento do livro)
Duem di> lei, di> crime) & a+o adamascado do artigo 5Q, /3 experimentado em 1945,
logo ap:s ter sido 2or/ado, e depois temperado em todas as torrentes da década
seguinte, 2oi de novo aplicado, com enorme estrépido e amplitude, no ata*ue movido
pela lei contra o povo, nos anos 19@51 @Q) E necess3rio di>er *ue a opera+ão de
19@5 não 2oi espontLnea, mas sim planeada, e *ue na primeira metade desse ano
ocorreu um ree*uipamento em muitos c3rceres da UniãoJ 2oram retiradas as tarim6as
das celas e colocados no seu lugar 6eliches, com pranchas cont-nuas, de um e de
dois andares5@) &s velhos prisioneiros recordam *ue o primeiro golpe maci+o ter3
sido dado simultaneamente numa noite de Agosto, em todo o pa-s Rmas, conhecendo a
nossa lentidão, eu não acredito muito nissoS) "o &utono, *uando para o vigésimo
anivers3rio de &utu6ro se esperava com 2é uma grande amnistia geral, o pra>enteiro
%taline acrescentou ao ?:digo .enal duas novas e inauditas penas de *uin>e e vinte
anos54)
"ão h3 necessidade de repetir a*ui, acerca de 19@5, tudo *uanto /3 2oi amplamente
escrito e ser3 ainda repetido in<meras ve>esJ assestou1se um golpe demolidor nos
escal9es superiores do .artido, da administra+ão soviética, do comando militar e
das pr:prias B).)U)1")=)V)#)55 E duvidoso *ue tenha havido alguma região em *ue se
conservasse o primeiro1secret3rio do ?omité do .artido ou o presidente do ?omité
Executivo 5@ .arece não ser casual o 2acto de *ue a ?asa Brande de eninegrado tenha
sido conclu-da em 19@4, precisamente nas vésperas do assass-nio de =irov) 54 A pena
d0 vinte e cinco anos 2oi homologada nas vésperas do trigésimo anivers3rio de
&utu6ro, em 1945) 55 Agora, ao o6servar a revolu+ão cultural chinesa R*ue teve
tam6ém lugar de>assete anos depois da vit:ria de2initivaS, podemos suspeitar com
toda a pro6a6ilidade de acertar *ue se trata de uma lei do desenvolvimento
hist:rico) E o pr:prio %taline come+a a aparecer1nos, apenas, como um executor
super2icial e cego) A$DU'.E AB& #E BU AB 5@ dos %ovietes) %taline escolheu outros
*ue lhe eram mais convenientes) &lga (chatchavad>e relata como isso se passou em
(6ilissiJ em 19@Q 2oram detidos o presidente do ?omité Executivo dos %ovietes da
cidade, o seu su6stituto, todos os che2es de sec+ão Ron>eS, os seus ad/untos, todos
os che2es de conta6ilidade e todos os directores dos servi+os econ:micos) &utros
2oram designados) #ecorreram dois meses) E de novo 2oram detidosJ o presidente, o
su6stituto, todos os che2es de sec+ão Ron>eS todos os che2es de conta6ilidade e
todos os directores dos servi+os econ:micos) Em li6erdade 2icaram apenas os simples
conta6ilistas, as dactil:gra2as, as mulheres da limpe>a e os pa*uetes))) Duanto ,
deten+ão dos mem6ros de 6ase do .artido havia, pelos vistos, um motivo secreto *ue
não era mencionado directamente nem nos processos ver6ais nem nas senten+asJ
prender de pre2er0ncia os militantes do .artido, *ue tinham ingressado antes de
1944) & *ue 2oi aplicado de modo particularmente enérgico em eninegrado, dado *ue,
precisamente, todos eles tinham assinado a 7plata2orma da "ova &posi+ão8) RE como
podiam eles deixar de a assinarY ?omo podiam eles 7não con2iar8 no seu ?omité
$egional de eninegradoYS Eis um pe*ueno *uadro da*ueles anosJ est3 a decorrer Rna
região de FoscovoS a con2er0ncia distrital do .artido) E dirigida por um novo
secret3rio, em su6stitui+ão do recentemente detido) "o 2im da con2er0ncia é
aprovada uma mensagem de 2idelidade ao camarada %taline) ?omo se compreende, todos
se p9em de pé Rdo mesmo modo *ue no decorrer da con2er0ncia todos saltavam da
cadeira cada ve> *ue era mencionado o seu nomeS) "a pe*uena sala ressoam
7tempestuosos aplausos *ue se trans2ormam em ova+ão8) .assam tr0s, *uatro, cinco
minutos e são cada ve> mais tempestuosos os aplausos redundando numa ova+ão) Fas /3
come+am a doer as mãos, /3 se 2atigam os 6ra+os levantados, /3 vão su2ocando as
pessoas idosas) A*uilo passa a ser est<pido até para a*ueles *ue sinceramente
admiram %taline) Entretanto, *uem é o primeiro *ue se atreve a pararY .oderia
2a>01lo o secret3rio da >ona, *ue se encontra de pé na tri6una e aca6a de ler essa
mesma mensagem) Fas ele est3 ali h3 pouco tempo e en1contra1se no lugar do
recentemente detido, tendo ele pr:prio medoX "a verdade, na sala estão tam6ém de
pé, aplaudindo, os mem6ros da ")=)V)#) e eles o6servam *uem é o primeiro *ue se
atreve a pararX))) E os aplausos na pe*uena e desconhecida sala, ignorada pelo ?
he2e, prolon1gam1se por seis minutosX, sete minutosX, oito minutosX))) Eles
sucum6emX Estão todos perdidosX "ão podem parar, en*uanto não tom6arem com os
cora+9es despeda+adosX Ainda no 2undo da sala, no meio do aperto, se pode 2a>er um
pouco de
6atota, aplaudir mais devagar, não tão 2orte, não tão 2uriosamente, mas *ue 2a>er
no praesidium, , vista de todosXY & director da 236rica de papel local, uma
personalidade 2orte, independente, 2a> 54 A$DU'.E AB& #E BU AB parte do praesidium
e compreende toda a 2alsidade, todo o 6eco sem sa-da da situa+ão, mas aplaudeX
#ecorre o nono minutoX & décimoX Ele olha a6orrecido para o secret3rio distrital do
partido, mas este não se atreve a parar) E uma loucuraX Uma loucura geralX
&lhando1se uns aos outros, com uma dé6il esperan+a, mas 2ingindo 0xtase nos rostos,
os dirigentes da >ona aplaudiram até cair) Até *ue os levem em macasX E, até esse
momento, os restantes não vacilaramX))) & director da 236rica de papel, no décimo
primeiro minuto, 2ingindo1se atare2ado,1deixa1se cair no seu lugar, no praesidium)
E, ohX FaravilhaX Esvaiu1se então o incont-vel, o indescrit-vel entusiasmo geralY
#e repente, todos pararam no meio do mesmo aplauso e tam6ém , uma se sentaram)
Estão salvosX & es*uilo teve a ideia de sair da rodaX))) Entretanto, é dessa 2orma
*ue se conhecem as pessoas independentes) E é dessa 2orma *ue se p9em de lado)
"essa mesma noite, o director da 236rica é preso) ?om 2acilidade pregam1lhe, por
outro motivo, de> anos) Fas, depois da assinatura do documento du>entos e seis, *ue
conclui as investiga+9es, o comiss3rio1instrutor recorda1lheJ T "unca1se/a o
primeiro a deixar de aplaudirX RDue 2a>er, poisY ?omo pararmos entãoY )))S5; Eis o
*ue é a selec+ão, segundo #arjin) Eis o *ue é o cansa+o pela estupide>) Fas ho/e
cria1se outro mito) Dual*uer relato pu6licado, *ual*uer men+ão na imprensa
re2erente a 19@5, é invariavelmente o relato da tragédia dos dirigentes comunistas)
E /3 nos convenceram, e n:s inconscientemente deix3mo1nos in2luenciar, de *ue o
per-odo das deten+9es de @51@Q consistiu apenas no encarceramento dos grandes
comunistas e, segundo parece, em nada mais) Fas dos milh9es então presos, não
deviam poder 2a>er parte mais do *ue de> por cento de dirigentes destacados do
.artido e do Estado) Fesmo nas 6ichas dos c3rceres, de eninegrado, para entrega de
pacotes, viam1se, na sua maioria, mulheres simples, com o aspecto de leiteiras) A
composi+ão dos detidos desta enorme torrente, levados meio mortos para o
Ar*uipélago, era tão dispare e extravagante *ue a*uele *ue dese/asse de2inir
cienti2icamente a sua con2ormidade com alguma lei *ue6raria os miolos) RDuanto mais
para os contemporLneos) Ela deveria ser para eles incompreens-vel)S Fas a
verdadeira lei *ue regia as deten+9es da*ueles tempos era constitu-da pelo n<mero
esta6elecido pelas di2erentes categorias e pela sua distri6ui+ão) ?ada cidade, cada
distrito, cada unidade militar rece6ia uma determinada ci2ra de presos a enviar, e
devia cumpri1la no pra>o esta6elecido) & resto dependia da ha6ilidade dos agentes)
$elatado por ")B) A$DU'.E AB& #E BU AB 55 & antigo tche*uista AleAsandr =alganov
recorda como rece6eu em (ach*uent um telegrama di>endoJ 7Enviem du>entosX8 Eles
tinham aca6ado de 2a>er uma ra>ia e *uase /3 não havia *uem deter) E verdade *ue
tinham tra>ido do distrito meia centena de delin*uentes) (iveram uma deiaX (odos os
gatunos presos pela mil-cia seriam levados ao a6rigo do artigo 5QX #ito e 2eitoX
&ra, a mil-cia não sa6ia *ue 2a>er dos ciganos *ue numa das pra+as da cidade,
insolentemente, instalaram um acampamento) (inham uma ideiaX ?ercaram1nos e levaram
todos os homens de de>assete a sessenta anos, como inclu-dos no artigo 5QX E
cumpriram o planoX
&utro casoJ aos tche*uistas de &cétia, segundo relata o che2e de mil-cias
Ua6olovsAi, 2oi dada a tare2a de 2u>ilar nessa $ep<6lica *uinhentas pessoas) Eles
pediram para aumentar o n<mero e permitiram1lhes *ue 2u>ilassem ainda mais du>entas
e trinta) Esses telegramas, ligeiramente ci2rados, eram transmitidos pelo telégra2o
normal) Em (emriuA, a telegra2ista, na sua santa singele>a, transmitiu ao .)I)!) da
")=)V)#)J 7Enviem amanhã a =rasnodar du>entas e *uarenta caixas de sa6ão8, e teve
uma suspeitaX "a manhã seguinte sou6e *ue numerosas pessoas 2oram presas e levadas
da cidade) ?ontou a uma sua amiga como era o telegrama) .renderam1na imediatamente)
R%eria completamente casual *ue uma pessoa 2osse ci2rada como caixa de sa6ãok &u
conhecia1se o *ue era a saponi2ica+ãoY)))S "aturalmente podem dedu>ir1se algumas
leis particulares) %ão presosJ 1 &s nossos verdadeiros espi9es no estrangeiro)
R(rata1se, 2re*uentemente, de sincer-ssimos delegados do =omintern 'nternacional ?
omunistaS, ou de tche*uistas, muitos dos *uais são atractivas mulheres) ?hamam11nos
de volta , p3triaW são presos na 2ronteira e depois acareados com o seu ex1che2e do
=omintern, por exemplo Firov1 =orona) Este a2irma *ue ele pr:prio tra6alhava para
um servi+o de in2orma+ão estrangeiro e, portanto, os seus su6ordinados tam6ém,
automaticamente, sendo tanto mais nocivos, *uanto mais honestos sãoXS 1 &s
empregados do caminho de 2erro da ?hina &riental) R(odos os empregados soviéticos
desse caminho de 2erro, incluindo mulheres, crian+as e velhos, eram espi9es
/aponeses) Fas deve reconhecer1se *ue, anos antes, /3 tinham sido detidos algunsSW
1 &s coreanos do Extremo &riente Rdeporta+ão para o ?asa*uestão 1primeira
experi0ncia de deten+ão, segundo um critério r3cicoSW 1 &s estonianos de eninegrado
Rtodos são detidos, somente em 2un+ão do apelido de cada um, como espi9es dos
estonianos 6rancosSW 1 (odos os atiradores e tche*uistas lituanos 1 sim, os
lituanos, os parteiros da $evolu+ão, *ue ainda não h3 muito constitu-am a espinha
dorsal e o orgulho da (cheAaX E até os comunistas da 6urguesa ituLnia, *ue tinham
sido trocados em 1941, li6ertando1os das horr-veis condena+9es *ue tinham so2rido,
de dois a tr0s anos) R%ão encerrados em eninegradoJ a sec+ão lituana do 'nstituto
^ert>enW a ?asa de ?ultura ituanaW o ?lu6e Esto1 5; A$DU'.E AB& #E BU AB nianoW a
Escola (écnica lituana e os /ornais lituano e estoniano)S #e6aixo de um terramoto
geral, aca6am de ver redistri6u-das as cartas da Brande .aci0ncia, sendo varridos
todos os *ue ainda o não tinham sido) J3 não h3 ra>ão alguma para se ocultar, /3 é
tempo de cortar este /ogo) Agora os socialistas são metidos na prisão, exilados por
col:nias inteiras Rpor exemplo, as de U23 e de %aratovS, processados todos /untos e
mandados para o matadouro do Ar*uipélago, em manadas) Em parte alguma 2oi indicado
*ue era preciso procurar deter o maior n<mero de intelectuais, mas se não os
es*ueciam nunca nas torrentes anteriores, agora tão1pouco os es*uecem) Iasta uma
den<ncia estudantil Ra associa+ão destas palavras deixou h3 muito de soar de
maneira estranhaS, segundo a *ual o pro2essor da sua escola superior cita pouco
enine e Farx e de modo geral não cita %taline T e o pro2essor /3 não comparece ,
con2er0ncia seguinte) E se ele não 2a> nunca cita+9esY (odos os orientalistas de
eninegrado, das gera+9es média e /ovem, são presos) (odos os mem6ros do 'nstituto
do "orte Rexcepto os do servi+o secretoS são presos) "ão desdenham tão1pouco os
pro2essores das escolas prim3rias e secund3rias) Em %verdlov, monta1se o processo
de trinta pro2essores das escolas secund3rias, enca6e+ados pelo seu inspector
provincial de ensino, .ereliem) Entre as terr-veis acusa+9es 2igura a de
instalarem 3rvores de "atal para incendiar as escolas 55 E so6re a ca6e+a dos
engenheiros R/3 da gera+ão soviética, /3 não 76urgueses8S a6ate1se o 6ordão com a
cad0ncia do p0ndulo) Ao top:gra2o de minas FiAov "iAolai FerAurievitch, pelo 2acto
de *ue devido a uma altera+ão nos estratos estes não coincidiram com duas galerias
de uma mina *ue deviam encontrar1se, aplica1se o artigo 5Q15J vinte anosX %eis
ge:logos Rdo grupo de =otovitchS, 7por oculta+ão premeditada de reservas de estanho
no su6solo8 Rou se/a, por não as terem desco6ertoXS, 7na perspectiva da chegada dos
alemães8 Rsegundo den<nciaS, aplica1se o artigo 5Q15J de> anos de reclusão) 'ndo
/untar1se ,s principais torrentes, havia ainda as torrentes especiaisJ as das
esposas Rmem6ros da 2am-liaS) Elas englo6am as mulheres dos destacados dirigentes
do .artido, e em certos lugares R eninegradoS de todos *uantos apanharam 7de> anos
sem direito a correspond0ncia8, isto é, da*ueles *ue /3 não existem) Em regra,
todas apanham oito anos de reclusão 55 ?inco dentre eles 2oram torturados nos
interrogat:rios, morrendo antes do /ulgamento) Vinte e *uatro morreram em campos de
concentra+ão) & trigésimo, 'van Aristaulo1vitch .unitch, voltou rea6ilitado) R%e
tivesse perecido tam6ém ele, ter-amos deixado passar estas trinta pessoas, como
deix3mos passar milh9es)S As numerosas 7testemunhas8 do seu processo, vivem agora
em %verdlov, prosperamenteJ são 2uncion3rios de 7nomenclatura8, com re2ormas a t-
tulo pessoal) A tal selec+ão de #arjin) A$DU'.E AB& #E BU AB 55 ) REm todo o caso,
a pena é mais suave do *ue a da torrente dos AulaAs, e as crian+as 2icam no
continente)S Font9es de v-timasX Fontanhas de v-timasX &2ensiva 2rontal da ") =) V)
#) contra as cidadesJ numa mesma onda, mas por 7causas8 #'GE$E"(E%, %).) Fateveieva
v0 prender o marido e tr0s dos seus irmãos Rdos *uatro, s: um regressouS) 1 A um
técnico electricista *ue6rou1se no seu sector um ca6o de alta tensão) 5Q15 com eleJ
vinte anos) 1 & oper3rio "oviAov, de .erm, é acusado de preparar a explosão de uma
ponte so6re o rio =Lma) 1 Ku/aAov, tam6ém de .erm, 2oi detido de dia e 2oram 6uscar
a esposa de noite) Apresentaram1lhe a ela uma lista de pessoas e exigiram1lhe *ue a
assinasse, indicando *ue todos eles visitavam a sua casa, onde reali>avam reuni9es
de menchevi*ues e de socialistas revolucion3rios Rcomo é de supor, não havia tais
reuni9esS) .or isso, prometeram1lhe deix31la com os tr0s 2ilhos pe*uenos *ue
tinham) Ela assinou, e perdeu1 os a todos, 2icando ela pr:pria presaW 1 "adie/da
Kudenitch 2oi presa devido ao so6renome) E verdade *ue, nove meses depois, 2icou
esta6elecidob`*ue não era da 2am-lia do general do mesmo nome e 2oi posta em
li6erdade Rmas, por uma tal estupide>, durante esse tempo morreu a sua mãe de
desgostoSW 1 Em %tara1$ussa era exi6ido o 2ilme enine em &utu6ro) Alguém prestou
aten+ão , 2raseJ 7'sto deve sa601lo .altchinsAiX8 E .altchinsAi era um de2ensor
de .al3cio do 'nverno) Esperem, nesta 2eira tra6alha uma en2ermeira *ue se chama
.altchinsAaiaX Apanhem1naX E prenderam1na) (ratava1se, e2ectivamente, da mulher,
*ue, depois do 2u>ilamento do marido, se ocultava num lugar a2astado) 1 &s irmãos
IoruchAo R.avel, 'van e %tepanS, tinham chegado da .ol:nia no ano de 19@C, ainda ?
$'A"VA%, para se reunirem , 2am-lia) Agora, /3 adolescentes, são condenados a de>
anos por suspeita de espionagemW
1 Uma condutora de eléctricos de =rasnodar, ao regressar tarde do dep:sito, a pé,
passou nos su6<r6ios, para desgra+a sua, diante de um camião, perto do *ual se
movia gente) &ra, o camião estava repleto de cad3veresJ As pernas e os 6ra+os
apareciam por de6aixo do oleado) .ergunta1ram1lhe o nome) "o dia seguinte 2oi
detida) & comiss3rio instrutor perguntou1lhe o *ue tinha visto) Ela reconheceu
honestamente o *ue vira Reis a selec+ão de #arjinS) .ropaganda anti1soviéticaJ de>
anosW 1 Um canali>ador desligava o aparelho de r3dio do seu *uarto sempre *ue
transmitiam intermin3veis cartas a %taline5Q) Um vi>inho denunciou1o 5Q Duem se
recorda delasY #urante horas eram estonteantemente iguaisX ?ertamente *ue o locutor
evitan se deve lem6rar 6emJ lia1as com grandes in2lex9es, com muito sentimento) 5Q
A$DU'.E AB& #E BU AB Ronde estar3 agora esse vi>inhoYS, como elemento socialmente
perigosoJ oito anosW 1 Um padeiro semianal2a6eto gostava, nas suas horas livres, de
assinar o seu nome, o *ue o elevava perante si mesmo) "ão havendo papel 6ranco,
servia1se do /ornal) &s vi>inhos desco6riram um desses /ornais, com assinaturas
so6re o rosto do .ai e Festre, no cesto dos papéis da latrina colectiva) Agita+ão
anti1soviéticaJ de> anos) %taline e os seus pr:ximos cola6oradores gostavam muito
dos seus retratos, enchendo com eles os /ornais, reprodu>indo1os em milh9es de
exemplares) As moscas tinham1lhes pouca considera+ão, dando pena não utili>ar
/ornais 1 e *uantos desgra+ados não 2oram condenados por issoX As deten+9es
propagavam1se pelas ruas e pelas casas como epidemias) Assim como as pessoas
transmitem umas ,s outras o cont3gio da epidemia sem o sa6erem T num aperto de mão,
através da respira+ão ou da entrega de o6/ectos T assim tam6ém num aperto de mão,
através da respira+ão, durante um encontro na rua, se transmitia o inelut3vel
cont3gio da deten+ão) .ois se amanhã és o6rigado a reconhecer *ue estavas a
organi>ar um grupo clandestino para envenenar a canali>a+ão de 3gua da cidade, e
ho/e eu te apertara a mão na rua, isso signi2icava *ue eu estava igualmente
perdido) %ete anos antes disso, a cidade tinha assistido , extermina+ão do campo e
achado isso muito natural) Agora era o campo *ue poderia o6servar como arrasavam a
cidade, mas era demasiado ignorante para isso, e de resto continuavam tam6ém a
assestar1lhe golpesJ 1 & agrimensor RXS %aunin 2oi condenado a *uin>e anos))) pela
morte de gado RXS e pelas m3s colheitas RXS no seu distrito Re os respons3veis do
distrito 2oram todos 2u>ilados pelo mesmo motivoS) 1 Um secret3rio do .artido
chegou , aldeia para apressar a lavra dos campos, e um velho mu/i*ue perguntou1lhe
se ele sa6ia *ue em sete anos os AolAho>ianos não tinham rece6ido pelos dias de
tra6alho nem um grão de cereal, mas unicamente palha, e, mesmo esta, pouca) .or
esta pergunta condenaram esse velho a de> anos de reclusão, por agita+ão
anti1soviéticaW 1 &utro 2oi o destino de um mu/i*ue pai de seis 2ilhos) .or essas
seis 6ocas matava1se a tra6alhar nas tare2as do AolAho>, bsempre esperan+ado em *ue
rece6eria algo) & *ue, de 2acto, aconteceu) #eram1lhe uma condecora+ão)
Entregaram1lha numa reunião onde se pronunciavam discursos) "a sua resposta, o
mu/i*ue comoveu1se e disseJ 7%e em lugar desta condecora+ão me dessem uma arro6a de
2arinhaX "ão poder3 serY8 A assist0ncia re6entou em gargalhadas 2ero>es e o novo
condecorado 2oi enviado com as suas seis 6ocas para a deporta+ão)
^aver3 *ue reunir agora todos estes casos e explicar *ue se detinham inocentesY Fas
n:s es*uecemo1nos de precisar *ue o pr:prio conceito de culpa 2oi suprimido /3 pela
revolu+ão prolet3ria, e no come+o dos anos @C A$DU'.E AB& #E BU AB 59 2oi declarado
oportunismo de direita "ão podemos continuar, pois, a especular com esses conceitos
anti*uados de culpa e inoc0ncia) A promo+ão do regresso, em 19@9, 2oi um caso
inimagin3vel na hist:ria dos :rgãos, uma mancha nos seus anaisX E verdade,
entretanto, *ue esta contracorrente 2oi pe*uenaJ cerca de um a dois por cento de
todos os ultimamente presos, ainda não processados, nem enviados para longe e *ue
não tinham morrido) Ela 2oi pe*uena, mas ha6ilmente utili>ada) Assemelham1se ,
troca de um Aopec por um ru6lo, sendo necess3ria para lan+ar todas as culpas em
cima do s:rdido Ke/ov e 2ortalecer o recém1chegado Ié1ria, e para *ue a auréola
do ?he2e 6rilhasse mais radiosamente) Bra+as a este Aopec conseguiu enterrar1se com
ast<cia o ru6lo restante) ?om e2eito, se 7tudo 2oi esclarecido e os puseram em
li6erdade8 Raté os /ornais relatavam com coragem alguns casos isolados de v-timas
de cal<niasS isso signi2ica *ue os restantes presos eram certamente uns canalhasX E
os *ue regressavam guardavam sil0ncio, pois tinham assinado uma declara+ão) Estavam
emudecidos pelo terror e eram poucos os *ue sa6iam algo dos segredos do
Ar*uipélago) A distri6ui+ão 2ora 2eita antesJ as carrinhas pela noite, as
demonstra+9es de dia) Duanto ao Aopec, 6em depressa 2oi recuperado nesses mesmos
anos e pelos mesmos par3gra2os do in2inito Artigo) Assim, *uem deu, por exemplo,
nos anos 4C, pela torrente das esposas *ue não renegaram os maridosY Duem recorda,
na cidade de (am6ov, *ue nesse pac-2ico ano 2oram detidos todos os mem6ros da
or*uestra de /a>> *ue tocava no ?inema Foderno, dado *ue todos eram inimigos do
povoY E *uem viu os trinta mil checos *ue deixaram, em 19@9, a ?hecoslov3*uia
ocupada para a *uerida .3tria eslava, a U) $) %) %)Y "ão era poss-vel garantir *ue
algum deles não 2osse um espião) Fas 2oram todos enviados para campos de
concentra+ão do "orte Ré de l3 *ue parte, em tempo de guerra, o 7corpo
checoslovaco8S) Fas, permitam ainda, não 2oi em 19@9 *ue estendemos a mão em a/uda
dos ucranianos ocidentais, dos 6ielorrussos ocidentais, e, depois, em 194C, dos
ha6itantes da região do I3ltico, 6em como dos moldavosY Aconteceu *ue os nossos
irmãos eram completamente limpos, e da- 2lu-ram as torrentes da pro2ilaxia social)
Goram presos os *ue eram demasiado a6astados e in2luentes, os *ue se destacavam
pela sua independ0ncia, intelig0ncia e notoriedade) "as antigas regi9es da .ol:nia
2oram presos, so6retudo, muitos polacos R2oi então *ue se recrutaram as v-timas do
massacre de =atin e nos campos de concentra+ão do "orte os mem6ros do 2uturo
exército de %i1AorsAi1AndersS) .or toda a parte se detinham os o2iciais) E assim se
condicionavam as popula+9es, redu>indo1as ao sil0ncio, privando1as dos poss-veis
dirigentes da resist0ncia) Assim eram chamadas , ra>ão, es2riando1se as antigas
rela+9es, as antigas ami>ades) ?2) ?olectLnea 7das pris9es)))8, p3g) ;@) QC A$DU'.E
AB& #E BU AB A GinlLndia deixou1nos um istmo sem popula+ão, mas, em compensa+ão, na
?arélia e em eninegrado procedeu1se , extrac+ão e , transplanta+ão de todas as
pessoas de sangue 2inland0s) ":s nem se*uer demos por esse pe*ueno riachoJ não
temos sangue 2inland0s;C) Goi na guerra da GinlLndia *ue se procedeu a uma primeira
experi0nciaJ a de processar os nossos soldados, *ue ca-ram prisioneiros, como
traidores , .3tria) Era, na verdade, a
primeira experi0ncia na hist:ria da humanidadeX Fas, por espantoso *ue pare+a, não
nos aperce6emos dissoX Estava1se a proceder ao ensaio *uando precisamente so6reveio
a guerra e com ela a grandiosa retirada) "as rep<6licas ocidentais, *ue eram
a6andonadas ao inimigo, era necess3rio apressar1se a em6arcar, nuns *uantos dias,
a*ueles a *ue era ainda poss-vel deitar a mão) "a ituLnia, com a pressa, 2oram
deixadas unidades militares inteiras, regimentos, divis9es de artilharia cl3ssica e
antiaérea, mas arran/ou1se meio de levar alguns milhares de 2am-lias lituanas
suspeitas R*uatro mil dentre elas 2oram depois entregues, no campo de concentra+ão
de =rassnoiarsA, ao sa*ue dos urAi6!) #epois de 4Q de Junho come+aram a e2ectuar1se
deten+9es precipitadas na et:nia e na Est:nia) Fas a situa+ão tornava1se perigosa e
tiveram de retroceder mais depressa ainda) Es*ueceram1se de desmantelar 2ortale>as
inteiras, como a de Irest, mas não se es*ueceram de passar pelas armas os presos
pol-ticos nas celas e nos p3tios de vov, de $ovn, de (alin e de muitas outras
pris9es do &cidente) "o c3rcere de (artu 2oram 2u>iladas cento e noventa e duas
pessoas e os cad3veres lan+ados a um po+o) ?omo imaginar istoY %em *ue sai6as o *ue
se passa, a6re1se a porta da cela e disparam so6re ti) Antes de morrer tu gritas e
ninguém, além das pedras do c3rcere, te ouve, nem ir3 contar) Fas di>1se *ue houve
*uem não chegasse a ser 2u>ilado) .ode ser *ue ainda leiamos um livro acerca disso)
"a retaguarda, a primeira torrente da guerra 2oi a dos espalhadores de 6oatos e
semeadores de pLnico, segundo os termos de um decreto especial , margem do c:digo
editado nos primeiros dias da guerra;4) (ratava1se de um sangria experimental para
manter a disciplina geral) (odos eram condenados a de> anos, mas não se
consideravam como a6rangidos pelo artigo 5Q Re a*ueles poucos *ue so6reviveram aos
campos de concentra+ão dos anos de guerra, 2oram amnistiados em 1945S) #epois houve
a torrente dos *ue não entregaram os aparelhos de r3dio ou as suas pe+as
so6resselentes) .or uma v3lvula de r3dio encontrada Rpor den<nciaS apanhava1se de>
anos) ;C Duando da guerra russo12inlandesa R194CS, o istmo da ?arélia 2oi anexado
pela União %oviética) R") dos ()S ha .resos comuns Rladr9es e delin*uentes de outro
tipoS *ue eram utili>ados como guardas em campos de prisioneiros pol-ticos) R") dos
()S Estive a pontos de experimentar esse decreto na minha pr:pria pele) .us1me na
6icha de uma padaria) Um miliciano chamou1me e levou1me para completar um n<mero)
(eria come+ado peio BU AB, em ve> da guerra, se não 2osse essa 2eli> interrup+ão)
A$DU'.E AB& #E BU AB Q1 E logo veio a torrente dos alemãesJ os da região do Volga,
os colonos da UcrLnia e do ?3ucaso do "orte, en2im, todas as pessoas de origem
alemã, *ual*uer *ue 2osse a >ona da União %oviética onde vivessem) & sintoma
determinante era o do sangue, e até her:is da guerra civil e velhos militantes
do .artido, desde *ue se tratasse de alemães, eram desterrados;@) "a sua ess0ncia,
o desterro dos alemães 2oi an3logo ao esmagamento dos AulaAs, mas assumiu 2ormas
mais suaves, pois permitiram1lhes levar mais coisas consigo e não os atiraram para
lugares tão perdidos e mort-2eros) "enhuma 2ormalidade /ur-dica 2oi repetida, do
mesmo modo *ue no caso do esmagamento dos AulaAsJ o ?:digo .enal era uma coisa e o
desterro de centenas de milhares de homens outra) (ratava1se de uma decisão pessoal
do reiX Além disso, era a sua primeira experi0ncia nacional desse tipoW tinha para
ele interesse te:rico)
A partir do 2im do Verão de 1941, e mais ainda no &utono, precipitou1se a torrente
dos *ue tinham 2icado cercados) (ratava1se da*ueles mesmos de2ensores da .3tria, de
*ue meses antes as nossas cidades se tinham despedido com 2an2arras e 2lores, e a
*uem depois disso, cou6e em sorte apanhar os golpes mais duros dos tan*ues pesados
alemães, tendo1se encontrado, no meio do caos geral, e de maneira nenhuma por culpa
sua, não na situa+ão de cativos, mas durante algum tempo dispersos em grupos de
com6ate no interior do cerco alemão, e conseguindo romp01lo, no 2im de contas) &ra,
em lugar de serem a6ra+ados 2raternalmente no seu regresso Rcomo teria procedido
*ual*uer outro exército do mundoS, deixando1os repousar, visitar a 2am-lia e
incorporarem1se depois na sua unidade, 2oram condu>idos, de6aixo de suspeitas e
d<vidas, em destacamentos desarmados e privados de direitos, para centros de
veri2ica+ão e de classi2ica+ão, onde os o2iciais dos %ervi+os Especiais come+avam
por ter descon2ian+as so6re cada palavra sua e até se eram *uem di>iam ser) E os
métodos de veri2ica+ão eram os interrogat:rios, as acarea+9es é as declara+9es de
uns acerca dos outros) #epois da veri2ica+ão, uma parte dos cercados era integrada,
com o nome anterior, grau e con2ian+a, em novas unidades militares) &utra parte,
menor por en*uanto, compunha a primeira torrente de traidores , p3tria) Era1lhe
aplicado o artigo 5Q1116, mas, ao princ-pio, até , ela6ora+ão da norma, menos de
de> anos) Assim se ia depurando o exército em opera+9es) Fas havia ainda o
enorme ;@ E o sangue era determinado a partir do so6renome) & engenheiro construtor
Vassili &AoroAov Rda palavra oAoroA, presumoS, achando inc:modo assinar com esse
apelido os seus pro/ectos, mudou nos anos @C, *uando isso ainda era poss-vel, para
$o6ert %hteAAer, *ue soava 6em, aper2ei+oando a sua assinatura) Agora, não tinha
tempo de provar nada e 2oi preso como alemãoJ 7E este o seu verdadeiro nomeY #e *ue
tare2as 2oi incum6ido pela espionagem 2ascistaY)))8 E outro ha6itante de (am6ov,
=aver>niev Rda palavra Aaver>ni, intriguistaS, `Jue /3 em 191Q tinha mudado o seu
pouco melodioso so6renome pelo de =ol6e, *uando é *ue compartilhou o seu destino
com o de &AoroAovY))) Q4 A$DU'.E AB& #E BU AB exército inactivo, no Extremo &riente
e na Fong:lia) "ão deixar *ue este exército se en2erru/asse, tal era a no6re tare2a
das %ec+9es Especiais) E aos her:is de =hassan;4 come+ava a soltar1se1lhes a l-
ngua, na sua inac+ão, tanto mais *ue lhes tinham dado agora a estudar as armas *ue
até esse momento eram mantidas secretas para os nossos pr:prios soldadosJ as
pistolas autom3ticas #egtiarev e os o6uses de regimento) #ispondo dessas armas,
era1lhes di2-cil compreender como retroced-amos no &cidente) ] distLncia da %i6éria
e dos montes Urais, eles não podiam ganhar consci0ncia de *ue, retrocendo cento e
vinte *uil:metros por dia, n:s simplesmente repet-amos a mano6ra de atrac+ão de
=utu>ov) %: uma torrente provinda do exército oriental poderia propiciar essa
compreensão) E os l36ios 2echaram1se e a 2é passou a ser de 2erro) "as altas
es2eras ia 2luindo tam6ém, por si s:, a torrente dos culpados do recuo Rnão era,
claro, o Brande Estrategista o culpado dissoXS) Goi uma torrente pe*uena, de meia
centena de pessoas, a torrente dos generais, detidos nos c3rceres de Foscovo
durante o Verão de 1941, e, em &utu6ro desse ano, em levas) Entre os generais, a
maioria da avia+ão, 2iguravam o general1che2e das 2or+as aéreas, %muchAevitch, o
general E)%) .tuAhin Ro *ual di>iaJ 7%e eu sou6esse, teria 6om6ardeado em primeiro
lugar o nosso .ai Duerido, e s: depois iria para a prisãoX8S, e outros) A vit:ria
na >ona de Foscovo deu origem a uma nova torrenteJ a dos moscovitas culpados)
Agora, ap:s uma an3lise tran*uila, p_de veri2icar1se *ue esses moscovitas não
2ugiram nem 2oram evacuados, mas 2icaram intrepidamente na capital amea+ada e
a6andonada pelas autoridades) Eis *ue /3 deles se suspeitavaJ *uer de minarem o
poder das autoridades R5Q11CSW *uer de terem esperado os alemães R5Q111a, com
re2er0ncia ao artigo 19J esta torrente alimentaria os comiss3rios de instru+ão de
Foscovo e de eninegrado 1945S) E evidente *ue o 5Q11C, A)%)A) Ragita+ão
anti1soviéticaS, nunca deixou de ser aplicado, e, durante toda a guerra, satis2e>
as necessidades da retaguarda e da 2rente) Era aplicado aos evacuados, se relatavam
os horrores da retirada Rsegundo os /ornais, é claro *ue o retrocesso se 2a>ia de
acordo com um planoSW aos *ue na retaguarda espalhavam cal<nias, di>endo *ue o
racionamento era severoW aos *ue na 2rente pro2eriam di2ama+9es, di>endo *ue os
alemães possu-am uma técnica 2orteW em 1944, por toda a parte, ,*ueles *ue,
caluniosamente, pretendiam *ue em eninegrado, então 6lo*ueada, as pessoas morriam
de 2ome) "esse mesmo ano, ap:s o insucesso registado na >ona de =ertch Rcento e
vinte mil prisioneirosS, na >ona de ?rac:via Rainda maisS, no decurso da grande
retirada do sul para o ?3ucaso e para o Volga, 2oi ainda aspirada uma torrente mais
importante de o2iciais e de soldados, *ue não dese/avam ;4 ocalidade onde se
desenrolaram renhidos com6ates de tropas da U)$)%)%) e da $ep<6lica .opular da
Fong:lia, contra tropas /aponesas, no ano de 19@9) R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB
Q@ resistir até , morte e retrocederam sem licen+aJ a*ueles mesmos a *uem, segundo
os termos da imortal ordem do dia du>entos e vinte sete, de %tali1ne, a .3tria não
podia perdoar a sua vergonha) Esta torrente não chegou, porém, a BU ABJ su6metida
ao regime acelerado, pelos tri6unais das divis9es, 2oi empurrada para as companhias
disciplinares e rea6sorvida sem deixar vest-gios na areia vermelha das primeiras
linhas) (al 2oi o cimento so6re *ue se 2undaram os alicerces da vit:ria de
Estalinegrado, mas não entrou na hist:ria geral da $<ssia, 2icando con2inado ,
hist:ria espec-2ica das canali>a+9es) R#e resto, tentamos seguir a*ui apenas as
torrentes *ue chegavam a BU AB vindas do exterior) As ininterruptas trans2orma+9es
internas de BU AB, de um reservat:rio a outro, pelos chamados delitos do campo de
concentra+ão, *ue 2oram particularmente 2ero>es no tempo da guerra, não são
examinados neste cap-tulo)S A honestidade exige tam6ém *ue citemos as
contracorrentes do tempo da guerraJ os /3 mencionados checos e polacos, 6em como
delin*uentes comuns *ue 2oram deixados sair dos campos para irem para a 2rente de
6atalha) A partir de 194@, *uando da viragem da guerra a nosso 2avor, come+ou a
tornar1se mais a6undante, de ano para ano, até 194;, a torrente dos muitos milh9es
provindos dos territ:rios ocupados e da Europa) &s dois a2luentes mais importantes
*ue a compunham eramJ 1 &s cidadãos *ue tinham vivido nos territ:rios so6 o dom-nio
alemão ou na Alemanha Rapanhavam de> anos, sendo catalogados com a letra 7a8J
5Q111aSW 1 &s militares *ue tinham sido 2eitos prisioneiros Rapanhavam tam6ém de>
anos, sendo catalogados com a letra 768J 5Q1116S) (odos os *ue 2icaram su6metidos ,
ocupa+ão *ueriam, apesar de tudo, continuar a viverW isso, exerciam uma actividade,
podendo teoricamente ganhar, ao mesmo tempo *ue o sustento di3rio, tam6ém uma
2utura prova de delitoJ se não a de trai+ão , p3tria, pelo menos a de cola6ora+ão
com o inimigo) Entretanto, na pr3tica era su2iciente registar as séries dos
passaportes dos ha6itantes das >onas ocupadasJ prend01los a todos era
economicamente insensato, pois isso signi2icava despovoar amplas extens9es)
Iastava, para edi2ica+ão da consci0ncia geral, prender apenas uma certa
percentagemJ
culpados, semiculpados, culpados em *uarto, 6em como a*ueles *ue secavam as tulias
no mesmo tapume *ue os alemães) Fas 6astava um por cento de um milhão para 2ormar
uma 6oa d<>ia de plet:ricos campos de tra6alho) E não h3 lugar para pensar *ue uma
participa+ão honrada em *ual*uer organi>a+ão clandestina de resist0ncia contra os
alemães livrava alguém, de modo seguro, de entrar na 2orma+ão dessa torrente) "ão
2oi caso <nico, o da*uele Aomsomol de =iev a *uem a organi>a+ão clandestina mandou
tra6alhar na pol-cia, para lhe transmitir in2orma+9es) & rapa>, honestamente, Q4
A$DU'.E AB& #E BU AB deu in2orma+9es de tudo aos Aomsomols, mas , chegada dos
nossos apanhou os seus de> anos, pois era imposs-vel *ue tendo servido na pol-cia
não se tivesse deixado contagiar pelo esp-rito do inimigo e cumprido as tare2as de
*ue este o incum6ria) Fais duramente e com mais rigor eram /ulgados os *ue tinham
estado na Europa, em6ora se tratasse de escravos das prov-ncias orientais, por*ue
tinham visto um peda+o da vida europela e podiam 2alar so6re ela) (ais relatos eram
sempre desagrad3veis R, excep+ão, compreende1se, das notas de viagem dos escritores
sensatosS e muito mais desagrad3veis o eram nos anos do p:s1guerra, anos de ru-na e
desordem) ?ontar *ue na Europa tudo era a6solutamente mau, *ue a vida a- era
imposs-vel nem todos o sa6iam 2a>er) Era por esse motivo, e não por*ue se tivessem
tomado prisioneiros, *ue era /ulgada a maioria dos prisioneiros de guerra,
so6retudo a*ueles *ue tinham visto no &cidente algo mais do *ue um campo de morte
alemão;5) 'sto torna1se evidente pelo 2acto de, in2lexivelmente, serem tratados
como prisioneiros de guerra os internados Rcivis levados para tra6alhar na
AlemanhaS) "os primeiros dias da guerra, por exemplo, um grupo de marinheiros
nossos 2oi dar ao litoral da %uécia) #urante toda a guerra viveram livremente nesse
pa-s, com tanto con2orto como nunca tinham go>ado até então, nem nunca mais
usu2ruiriam no 2uturo) A U)$)%)%) retrocedia, avan+ava, atacava, morria e passava
2ome e esses canalhas iam comendo o pão da neutralidade) #epois da guerra a %uécia
devolveu1no1los) A trai+ão , .3tria era indu6it3vel, mas havia algo *ue não /ogava
certo) #eixaram11nos partir e separar1se, e depois aplicaram a todos eles uma pena
por Agita+ão Anti1%oviética, devido aos aliciantes relatos *ue 2a>iam so6re a
li6erdade e a a6undLncia *ue veri2icaram na capitalista %uécia RBrupo =adenAoS;;) ;
5 Em6ora não se deixassem logo aperce6er tão claramente, em 194@ havia /3 umas
torrentes perdidas, di2erentes de todas as outras, como por exemplo a dos
7a2ricanos8, tal como a denominaram durante muito tempo nas o6ras de constru+ão de
VorAut) (ratava1se dos prisioneiros de guerra russos, utili>ados pelos americanos
no exército de $ommel em Z2rica Ros ^ijiS, *ue 2oram expedidos em %tude6aAers
através do Egipto, do 'ra*ue e do 'rão, para a p3tria) 'nstalaram1nos imediatamente
numa 6a-a deserta do mar ?3spio, atr3s de arame 2arpado, arrancaram1lhes as ins-
gnias militares, tiraram1lhes os o6/ectos *ue os americanos lhes tinham dado Rem
proveito dos 2uncion3rios dos :rgãos, evidentemente, e não do EstadoS e
expediram1nos para VorAut, até nova ordem, não lhes aplicando ainda, por 2alta de
experi0ncia, nem uma pena nem um artigo do ?:digo) Estes 7a2ricanos8 viveram em
VorAut em condi+9es indeterminadasJ não eram guardados, mas não podiam, sem
licen+a, dar um passo se*uer por VorAutW pagavam1 lhes um sal3rio como se 2ossem
livres, mas dispunham deles como prisioneiros) E a ordem especial não chegava)
(inham1nos es*uecido)))
;; ?om este grupo veri2icou1se um caso aned:tico) "o campo, tinham /3 calado a 6oca
so6re a vida na %uécia, temendo apanhar por isso uma nova condena+ão) "a %uécia,
porém, sou6e1se, por *ual*uer meio, desse caso e 2oram pu6licadas not-cias
caluniosas na imprensa) Entretanto, os rapa>es /3 estavam dispersos por diversos
campos) #e repente, por ordem especial A$DU'.E AB& #E BU AB Q5 .or entre a torrente
geral dos li6ertados das >onas ocupadas, 2oram passando, uma ap:s outra,
rapidamente e em catadupa, as torrentes das na+9es *ue ca-ram em 2altaJ Em 194@, as
dos calmucos, dos tchetchenos, dos inguchos, dos ca6ar1dinosW Em 1944, a dos
t3rtaros da ?rimeia) Elas não teriam corrido tão impetuosa e velo>mente para o seu
desterro perpétuo se os :rgãos não tivessem rece6ido o re2or+o de tropas regulares
e de viaturas do exército) As unidades militares cercaram com um anel de 2erro as
povoa+9es montanhosas e os *ue ali se tinham aninhado para viver durante séculos
2oram o6rigados, em vinte e *uatro horas, pela impetuosidade das tropas de
desem6ar*ue, a dirigir1se para a esta+ão, a su6ir para os vag9es e a partir
imediatamente para a %i6éria, para o ?asa*uestão, para a Zsia ?entral, para o "orte
da $<ssia) Exactamente vinte e *uatro horas depois, a sua terra e os seus 6ens eram
trans2eridos para os herdeiros) #o mesmo modo *ue os alemães no come+o da guerra,
tam6ém estas nacionalidades eram deportadas unicamente em 2un+ão do critério do
sangue, sem preencherem *ual*uer *uestion3rio T e tanto os mem6ros do .artido como
os her:is do tra6alho e os her:is da guerra ainda não 2inda, todos eram tam6ém
levados para l3) "os <ltimos anos da guerra houve, s: por si, a torrente dos
criminosos de guerra alemães, seleccionados nos campos de prisioneiros de guerra e
trans2eridos, por decisão do tri6unal, para os do complexo de BU AB) Em 1945, não
o6stante a guerra com o Japão não ter durado nem tr0s semanas, 2oram apanhados
numerosos prisioneiros de guerra /aponeses, empregados em tra6alhos urgentes de
constru+ão na %i6éria e na Zsia ?en1 2oram levados todos para a prisão de =rest, em
eninegrado) #urante dois meses alimentaram1nos para a engorda e deixaram
crescer1lhes o ca6elo) #epois, vestiram1nos com s:6ria elegLncia, industriaram cada
um so6re o *ue devia 2a>er, advertiram1nos de *ue se um *ual*uer deles cometesse a
canalhice de 2alar de outra 2orma apanharia 7nove gramas8 de chum6o na nuca, e
enviaram1nos para uma con2er0ncia de imprensa, na presen+a de /ornalistas
estrangeiros convidados e de pessoas *ue conheciam 6em o grupo na %uécia) &s
ex1internados mantiveram1se muito animados, relataram onde viviam, estudavam,
tra6alhavam e indignaram1se com as cal<nias 6urguesas, *ue recentemente tinham lido
na imprensa ocidental Rpois ela ven1de1se a*ui em cada *uios*ueXS) (ratavam de
escrever uns aos outros e puseram1se de acordo, indo a eninegrado Ra *uestão das
despesas da viagem não pertur6ou ninguémS) ?om o seu aspecto vistoso e 2resco eles
constitu-ram o melhor desmentido ao 6oato dos /ornais) &s /ornalistas partiram
envergonhados, indo escrever desculpas) .ara a imagina+ão ocidental era
inimagin3vel explicar de outra 2orma o sucedido) E os protagonistas da con2er0ncia
de imprensa, dali mesmo 2oram levados ao 6anho, tendo1lhes cortado o ca6elo e
vestido os velhos 2arrapos, sendo enviados para os mesmos campos) evando em conta
*ue todos eles se portaram 6em, não lhes aplicaram nova condena+ão) Q; A$DU'.E AB&
#E BU AB
tral, procedendo1se a uma opera+ão de selec+ão de criminosos de guerra id0ntica ,
*ue 2oi tam6ém ali levada a ca6o para BU AB);5 A partir de 2ins de 1944, *uando o
nosso exército irrompeu nos Ialcãs, e so6retudo em 1945, *uando ele atingiu a
Europa ?entral, escoou1se ainda pelos canais de BU AB uma torrente de russos
emigrados T velhos *ue haviam sa-do por altura da $evolu+ão e /ovens *ue /3 ali
tinham crescido) %acavam para a p3tria geralmente os homens, deixando as mulheres e
as crian+as na emigra+ão) RE verdade *ue não os levavam todos, mas s: a*ueles *ue
ao longo desses vinte e cinco anos tivessem exprimido, em6ora timidamente, os seus
pontos de vista pol-ticos, ou *ue os tivessem mani2estado longo tempo antes,
durante a $evolu+ão) "ão tocavam na*ueles *ue haviam levado uma exist0ncia
simplesmente vegetativa)S As principais torrentes procederam da Iulg3ria, da
Jugosl3via, da ?hecoslov3*uia, um pouco menos da Zustria e da AlemanhaW nos outros
pa-ses da Europa &riental *uase não viviam russos) ?omo um eco, respondeu1lhe
tam6ém da Fanch<ria, em 1945, uma torrente de emigrantes) RAlguns deles não 2oram
presos imediatamenteJ houve 2am-lias inteiras *ue 2oram convidadas a regressar ,
p3tria como pessoas livres) Uma ve> a*ui, separavam1 nos e mandavam1nos para a
deporta+ão ou para os c3rceres)S Em todo o per-odo de 1945 a 194;, avan+ou para o
Ar*uipélago, en2im, uma grande torrente de verdadeiros inimigos do .oder Ros homens
de Klassov, os cossacos de =rasnov, os mu+ulmanos das unidades nacionais criadas
por ^itlerS, uns convictos e outros 2or+ados) Juntamente com eles 2oi capturado
nada menos de meio milhão de re2ugiados, *ue tinham 2ugido ao poder soviéticoJ
civis de todas as idades e de am6os os sexos, *ue tinham conseguido esconder1se no
territ:rio dos aliados, mas 2oram per2idamente devolvidos nos anos de 194;145,
pelas respectivas autoridades, aos soviéticos;Q) ;5 %em conhecer os pormenores
deste caso, estou convicto, não o6stante, de *ue grande parte destes /aponeses não
puderam ser /ulgados legalmente) (ratou1se de um acto de1 vingan+a e de um meio de
reter a mão1de1o6ra por um pra>o mais prolongado) ;Q %urpreendentemente, apesar de
no &cidente ser imposs-vel guardar segredos pol-ticos por muito tempo, pois aca6am
inevitavelmente por ser divulgados, o segredo desta trai+ão conheceu uma sorte
di2erente, sendo guardado ciosamente pelos governos 6ritLnico e americano) "a
verdade, deve ser, senão o <ltimo segredo da %egunda Buerra Fundial, um dos
<ltimos) (endo encontrado in<meras ve>es pessoas dessas nas pris9es e nos campos,
custava1me a acreditar *ue neste *uarto de século a opinião p<6lica do &cidente
"A#A sou6esse desta entrega grandiosa pelas suas propor+9es, de gente simples da
$<ssia, pelos governos ocidentais, , repressão e , morte) %: em 195@, no %undaN
&Alahoma, de 41 de Janeiro, saiu um pe*ueno artigo de Kulis Epstein, a *uem da*ui
me atrevo a transmitir o meu agradecimento, em nome da massa de mortos e dos poucos
vivos) (rata1se de um 6reve documento incompleto acerca do ocorrido, e oculto até
ao presente, entre os muitos tomos a escrever so6re a repatria+ão A$DU'.E AB& #E BU
AB Q5 Um certo n<mero de polacos, mem6ros do exército nacional de =raiova,
partid3rios de FiAolaitchiA, passou pelas nossas pris9es em 1945, antes de seguir
para BU AB) ^avia tam6ém uns tantos romenos e h<ngaros) A partir do 2im da guerra e
por longos anos 2oi escorrendo a a6undante torrente dos nacionalistas ucranianos
R7os Iender8S) %o6re o pano de 2undo de toda esta gigantesca transplanta+ão de
milh9es de pessoas no p:s1guerra, poucos 2oram os *ue o6servaram torrentes tão
pe*uenas comoJ
1 A das raparigas *ue namoravam estrangeiros R194;145S, ou se/a, *ue se deixaram
corte/ar por estrangeiros) Elas eram marcadas com o r:tulo do artigo 51@5
Rsocialmente perigosasSW 1 A das crian+as espanholas, essas mesmas *ue tinham sido
expatriadas durante a guerra civil, mas /3 se tinham convertido em adultas depois
da %egunda Buerra Fundial) Educadas em internatos nossos, elas adaptavam1se,
entretanto, mal , nossa vida) Fuitas tentaram regressar 7a casa8) Eram tam6ém
marcadas com o r:tulo do 51@5 Rsocialmente perigosasS e as mais o6stinadas com o do
artigo 5Q1; Respionagem em proveito))) da AméricaS) R.ara sermos /ustos não devemos
es*uecer, tão1pouco, a pe*uena contracorrente dos))) sacerdotes, em 1945) %im, oh
milagreX .ela primeira ve> depois de trinta anos eram postos em li6erdade os
sacerdotesX .ropriamente 2alando, eles não eram procurados nos campos, mas todas as
pessoas *ue, encontrando1se em li6erdade, se lem6ravam deles, podiam dar o seu
nome, mencionando o seu paradeiro, e os interessados eram postos por levas em
li6erdade, a 2im de participarem no 2ortalecimento da 'gre/a resta6elecida)S
'mporta lem6rar *ue este cap-tulo não tem, de modo algum, por 2im enumerar (&#A% as
torrentes *ue 2ertili>aram BU AB, mas s: a*uelas *ue assumiram um mati> pol-tico)
Assim, como num curso de anatomia, depois da descri+ão pormenori>ada do sistema da
circula+ão sangu-nea, se pode come+ar de novo e detalhadamente a 2a>er a descri+ão
do sistema lin23tico 2or+ada para a União %oviéticaJ 7(endo vivido dois anos nas
mãos das autoridades 6ritLnicas, com um 2also sentimento de seguran+a, os russos
2oram apanhados de surpresa, nem compreendendo se*uer *ue os repatriavam))) Eram na
maioria simples camponeses, com um rancor pessoal contra os 6olchevi*ues)8 As
autoridades inglesas portaram1se com eles como se se tratassem de 7criminosos de
guerra8, entregando1os, contra sua vontade, nas mãos da*ueles de *uem se não pode
esperar um /ulgamento /usto) Goram enviados todos para o exterm-nio, para BU AB) QQ
A$DU'.E AB& #E BU AB assim se poderiam descrever de novo, desde 191Q até 195@, as
torrentes dos condenados por delitos comuns e mais propriamente por crimes penais)
E essa descri+ão tam6ém não ocuparia pe*ueno espa+o) A*ui seriam esclarecidos
muitos ucasses RdecretosS céle6res, es*uecidos em parte agora Rem6ora não tenham
sido revogados por leiS, *ue 2orneciam a6undante material humano para o insaci3vel
Ar*uipélagoJ o decreto so6re o a6sentismo ao tra6alhoW o decreto so6re a produ+ão
de2eituosaW o decreto so6re a destila+ão caseira de vodca R*ue atingiu o auge em
1944, mas /3 na década de 4C tinha 2eito muitos estragosSW o decreto punindo os
AolAho>ia1nos *ue não cumprissem a norma o6rigat:ria de dias de tra6alhoW o decreto
so6re a lei marcial nos caminhos de 2erro Rpromulgado em A6ril de 194@, /3 não no
come+o da guerra, mas no momento da sua viragem a nosso 2avorS) Esses decretos,
segundo uma tradi+ão antiga, *ue remontava aos tempos de .edro, o Brande, apareciam
sempre como ignorando toda a legisla+ão anterior, sem a ter de nenhum modo em
conta, como se tivesse sido es*uecida) Era proposta aos /uristas a tare2a de
conciliar os di2erentes ramos /ur-dicos, mas eles não curavam disso nem com muito
>elo nem com muito 0xito) Esta pulsa+ão de decretos condu>iu a um estranho *uadro
de delitos e crimes de direito comum em todo o pa-s) .odia o6servar1se *ue nem os
rou6os, nem os assass-nios, nem a destila+ão caseira de vodca, nem as viola+9es
aconteciam no nosso pa-s, segundo os lugares e as circunstLncias, como conse*u0ncia
de 2ra*ue>as humanas, da lux<ria e de paix9es desen2readasX
"ãoX "os crimes cometidos por todo o pa-s veri2icava1se uma assom6rosa unanimidade
e uni2ormidadeX Era todo o pa-s 2ervilhando de violadores, ora apenas de assassinos
ou de destiladores de vodca, como reac+ão ao <ltimo decreto governamental)
#ir1se1ia *ue cada delito dava o 2lanco ao respectivo decreto, para desaparecer
mais depressaX E /ustamente este delito, *ue grassava logo por toda a parte, era o
mesmo *ue aca6ava de ser previsto e punido com mais rigor pela nossa s36ia
legisla+ão) %e o decreto so6re a militari>a+ão dos caminhos de 2erro levou aos
tri6unais multid9es de simples mulheres e de adolescentes, *ue constitu-am a
maioria dos 2uncion3rios das linhas 2érreas no tempo de guerra, era por*ue não
tendo rece6ido, antes, *ual*uer instru+ão em *uartéis eles eram os *ue provocavam
mais atrasos e cometiam in2rac+9es) & decreto so6re o não cumprimento da norma
o6rigat:ria dos dias de tra6alho simpli2icou muito a deporta+ão dos AolAho>ianos
indolentes *ue não *ueriam satis2a>er1 se com o n<mero de pau>inhos *ue lhes
atri6u-am;9) %e por esse motivo antes se exigia um /ulgamento e a aplica+ão do
artigo so6re a contra1revolu+ão &s dias de tra6alho eram assinalados por pau>inhos)
R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB Q9 econ:mica, 6astava agora uma decisão do
AolAho>, con2irmada pelo ?omité Executivo do %oviete do distritoW e os pr:prios
AolAho>ianos não podiam deixar de se sentir melhor consigo mesmos ao terem
consci0ncia de *ue, em6ora 2ossem deportados, /3 não os consideravam como inimigos
do povo) RA norma o6rigat:ria de dias de tra6alho era di2erente, segundo as
diversas regi9es, sendo a mais privilegiada a dos caucasianosJ setenta e cinco dias
de tra6alhoW mas muitos destes 2oram apanhados na torrente, por oito anos, na
região de =rasnoiarsA)S "o entanto, neste cap-tulo, não procedemos a um exame
pormenori>ado e 2ecundo das torrentes de crimes e delitos comuns) %: não podemos
silenciar unicamente, ao atingir 1945, um dos maiores ucasses de %taline) J3 a
prop:sito de 19@4 tivemos ocasião de re2erir1nos , céle6re lei do 7sete do oito8,
ou 7sete oitavos8,1 lei pela *ual se prendia em pro2usão por uma simples espiga, um
pepino, duas 6atatas, uma astilha, ou um carro de linhas5C, e sempre com a pena de
de> anos) Fas as exig0ncias do tempo, tais como as compreendia %taline, mudavam, e
esses de> anos *ue pareciam su2icientes antes da guerra 2ero>, agora, depois da
vit:ria hist:rica e mundial, tinham um aspecto demasiado 2rouxo) E, de novo, com
menospre>o do ?:digo, ou es*uecendo1se de *ue existia uma in2inidade de artigos e
decretos so6re delapida+9es e rou6os, 2oi pu6licado, em 4 de Junho de 1945, um
decreto *ue ia mais longe do *ue todos eles, e *ue 2oi imediatamente 6apti>ado
pelos sempre animosos presos como o ucasse 7*uatro do seis8) A superioridade do
novo ucasse residia, antes de mais nada, em ser recenteJ logo a seguir , sua
apari+ão devia desencadear1se uma vaga de tais delitos e assegurar1se uma a6undante
torrente de novos condenados) Fas mais superioridade apresentava ainda *uanto aos
pra>os das condena+9esJ se para darem coragem umas ,s outras iam apanhar espigas
não uma mas tr0s raparigas Rum 76ando organi>ado8S ou se eram v3rios os rapa>es de
do>e anos *ue colhiam ma+ãs ou pepinos, eram sentenciados a vinte anos em campos de
concentra+ãoW nas 236ricas, a senten+a era maior e 2oi ampliada até vinte e cinco
anos Resta mesma pena de um *uarto de século 2ora introdu>ida dias antes, como uma
su6stitui+ão humanista da pena de morteS51) Ginalmente, era reparada a antiga
in/usti+a, segundo a *ual s: a não den<ncia por ra>9es pol-ticas era considerada um
delito contra o EstadoJ agora, não denunciar os rou6os ao Estado ou ao AolAho>
podia valer tr0s anos de campo ou sete anos de deporta+ão) "os anos imediatamente
posteriores ao ucasse, milhares de ha6itantes
5C "o processo ver6al escrevia1se 7#u>entos metros de material de costura8) Apesar
de tudo, tinham vergonha de escreverJ 7Um carro de linhas8) 51 Fas a pr:pria pena
de morte s: por algum tempo ocultou o seu rosto por detr3s do véu, para logo
arranc31lo, mostrando os dentes, ao ca6o de dois anos e meio RJaneiro de 195CS) 9C
A$DU'.E AB& #E BU AB do campo e da cidade 2oram mandados tra6alhar para as ilhas de
BU AB em su6stitui+ão dos ind-genas *ue ali tinham perecido) E certo *ue estasa
torrentes seguiram através da mil-cia e dos tri6unais comuns, sem encher os canais
de seguran+a do Estado, *ue mesmo sem isso /3 estavam esta2ados nos anos do
p:s1guerra) Esta nova linha de %taline 1 segundo a *ual agora, depois da vit:ria
so6re o 2ascismo, era necess3rio FE(E$ "A .$'%\& o maior n<mero poss-vel de pessoas
e por longo tempo 1 repercutiu1se logo, naturalmente so6re os pol-ticos) "os anos
de 194Q149 a mani2esta intensi2ica+ão das persegui+9es e da vigilLncia em toda a
vida social 2oi assinalada pela tragicomédia dos reincidentes, *ue não tinha
procedente)mesmo nas in2rac+9es das leis estalinianas) Assim 2oram denominados, na
linguagem de BU AB, a*ueles desgra+ados a *uem não 2ora assestado o golpe de
miseric:rdia em 19@5, conseguindo so6reviver aos imposs-veis e insuport3veis de>
anos, e *ue, agora, em 194514Q, al*ue6rados e com a sa<de arruinada, punham
timidamente os pés em terra livre, na esperan+a de aca6arem calmamente o curto
tempo de vida *ue lhes restava) Fas uma 2antasia selv3tica Rou uma tena> maldade e
insaci3vel sede de vingan+aS levou o Beneral-ssimo Vencedor a dar uma ordemJ a de
*ue todos esses estropiados deviam ser presos novamente, sem nova culpaX .ara ele,
era até econ:mica e politicamente desvanta/oso o6struir a m3*uina deglutidora com
os seus pr:prios desperd-cios) Fas %taline decidia precisamente assim) Este 2oi um
dos casos em *ue a personalidade hist:rica se mostra caprichosa em rela+ão ,
necessidade hist:rica) E todos eles, recém1radicados em novos lugares ou em novas
2am-lias, 2oram apanhados) evaram1nos com a mesma lassitude com *ue eles tam6ém
andavam) %im, /3 todos eles conheciam com antecipa+ão o caminho da cru>) "ão
perguntavamJ 7.or*u0Y8, nem di>iam aos 2amiliares 7voltarei8) Vestiam a roupa mais
su/a, enchiam de ta6aco o sa*uinho do campo de tra6alho e iam assinar o processo
ver6al) RE este era um e o mesmo para todosJ 7E voc0 *ue esteve detidoY8 1 7%ou)8 1
7#eram1lhe mais de>)8S E vai da- o egocrata aperce6eu1se de *ue não 6astava prender
os *ue tinham so6revivido ao ano @5X &s 2ilhos desses seus inimigos /urados, tam6ém
esses, era necess3rio prend01 losX .ois eles cresciam e podiam pensar na vingan+a)
R(alve> depois de ter ceado 6em tivesse tido um mau sonho so6re essas crian+as)S
#epois de 2eitos os c3lculos e e2ectuadas as pris9es, veri2icou1se *ue eram ainda
poucos) (inham prendido os 2ilhos dos che2es do exército, mas os dos trots*uistas
nem todosX E a torrente dos 2ilhos11 vingativos arrastou1se) REntre eles
encontrava1se ena =ossariova,54 de de>assete anos, e Elena $aAovsAaia, de trinta e
cinco)S 54 ^elena =ossariova 1 2ilha de ^) V) =ossariov, *ue 2oi secret3rio do ?
omité ?entral do =omsomol até 19@5) R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB 91 #epois do
grande deslocamento europeu, %taline conseguiu, até 194Q, reconstituir um reduto
2echado, 6em s:lido, com o tecto mais 6aixo, e nesse espa+o assim delimitado tornar
mais espessa ainda a antiga atmos2era de 19@5)
E 2oram1se arrastando as torrentes, durante os anos de 194Q, 49 e 5CJ 1 A dos
espi9es imagin3rios Rde> anos antes eram germano1nip:nicos, agora anglo1
americanosSW 1 A dos crentes Rdesta ve>, so6retudo, as seitasSW 1 A dos
geneticistas e seleccionadores *ue não tinham sido detidos, partid3rios das teorias
de Vavilov e de FendelW 1 A dos simples intelectuais e homens de pensamento Rcom
especial rigor para os estudantesS, *ue não tinham 2icado su2icientemente
assustados com o acidente) Era moda dar1lhesJ VA( 1 por enaltecer a técnica
americanaW VA# 1 por enaltecer a democracia americanaW .U 1 por venerar o &cidente)
As torrentes eram id0nticas ,s de 19@5, mas não as senten+asJ a norma, agora, /3
não era os de> anos patriarcais, mas o novo *uarto de século estaliniano) Agora,
de> anos era coisa de crian+a))) Uma torrente consider3vel 2oi então originada pelo
novo ucasse so6re a divulga+ão de segredos do Estado Re considerava1se como
segredosJ as colheitas dos distritosW *ual*uer estat-stica epidemiol:gicaW o tipo
de produ+ão de *ual*uer o2icina ou 2a6ri*uetaW a men+ão de *ual*uer aeroporto
civilW as >onas do transporte ur6anoW o nome de um recluso *ue se encontrava no
campo de tra6alhoS) .or esse ucasse a pena atri6u-da era de *uin>e anos) (ão1pouco
eram es*uecidas as torrentes das nacionalidades) Elas 2lu-am constantemente,
provindas dos com6ates de guerrilha no meio dos 6os*ues, tal como a torrente dos
partid3rios de Iender) %imultaneamente, condenavam1se a de> e cinco anos nos campos
e , deporta+ão todos os ha6itantes rurais da UcrLnia &cidental, *ue haviam tido
*ual*uer contacto com os guerrilheirosJ *uem deixara pernoitar, *uem lhes dera de
comer uma s: ve> *ue 2osse e *uem não os denunciara) A partir de 195C,
aproximadamente, 2oi drenada tam6ém a torrente das FU ^E$E% dos 6enderistasJ eram
condenadas a de> anos por não os denunciarem, para mais rapidamente aca6arem com
eles) "essa época tinha /3 cessado a resist0ncia na ituLnia e na Est:nia) Fas em
1949 irromperam da- potentes torrentes da nova pro2ilaxia social, destinada a
garantir a colectivi>a+ão) ?omposi+9es 2errovi3rias inteiras, vindas das tr0s
rep<6licas 63lticas, carregavam para a deporta+ão na %i6éria os ha6itantes da
cidade e do campo) R& ritmo hist:rico era encurtado nessas rep<6licas) "um 6reve
pra>o deviam percorrer o mesmo caminho /3 andado por todo o pa-s)S 94 A$DU'.E AB&
#E BU AB Em 194Q 2oi enviada para a deporta+ão ainda outra torrente nacionalistaJ a
dos gregos de A>ov, do =u6an e de %uAhumi) #e nada tinham sido culpados aos olhos
do .ai durante os anos da guerra, mas agora vingava1se neles, talve> pelo seu
2racasso na Brécia) .arece *ue esta torrente 2oi tam6ém 2ruto da sua dem0ncia
pessoal) A maioria dos gregos 2oi parar , deporta+ão na Zsia ?entral e os
descontentes postos em isolamento pol-tico) ?erca de 195C, sempre por vingan+a da
guerra perdida ou para manter o e*uil-6rio com os /3 deportados, vieram parar ao
Ar*uipélago os pr:prios insurrectos do exército de Farcos, *ue nos 2oram entregues
pela Iulg3ria) "os <ltimos anos da vida de %taline come+ou a delinear1se, de
maneira de2inida, a torrente dos /udeus Ra partir de 195C, iam sendo arrastados aos
poucos como
cosmopolitasS) ?om esse o6/ectivo 2oi tramado o caso dos médicos) %egundo parece,
%taline preparava1se para organi>ar um grande exterm-nio dos /udeus5@) "o entanto,
este 2oi o primeiro des-gnio 2racassado em toda alsua vida) %egundo parece, #eus
*uis *ue, através das mãos humanas, ele entregasse a sua alma) & relato *ue precede
tinha por 2im mostrar , evid0ncia *ue a transplanta+ão de milh9es de homens e o
povoamento de BU AB o6edeciam a uma 2ria e premeditada l:gica, 6em como a uma
tenacidade permanente) Due nunca houve entre n:s c3rceres VAU'&%, mas sempre cheios
ou superlotados) Due en*uanto v:s vos ocup3veis, para vossa satis2a+ão, com os
ino2ensivos segredos do 3tomoW estud3veis a in2lu0ncia de ^eidegger so6re %artreW
coleccion3veis reprodu+9es de .icassoW via/3veis em carruagens1camas para as
termas, ou aca63veis de construir as vossas casas de campo nos arra6aldes de
Foscovo, as carrinhas corriam ininterruptamente de um extremo ao outro das ruas e
os agentes da seguran+a do Estado 6atiam e chamavam ,s portas) E eu penso *ue, com
este relato, 2ica demonstrado *ue os :rgãos nunca comeram o seu pão em vão) 5@ "ada
sa6emos de modo 2idedigno, nem agora nem talve> por longo tempo) Fas, segundo
rumores *ue circulavam em Foscovo, o des-gnio de %taline era en2orcar, em come+os
de Far+o,7os médicos1assassinos8, na .ra+a Vermelha) Em seguida, os patriotas
deviam naturalmente Rso6 a direc+ão de instrutoresS lan+ar1se num pogrom contra os
israelitas) E então o Boverno Rconhece1se o car3cter de %taline, não é verdadeYS,
salvando magnanimamente os /udeus do :dio popular, expulsava1os nessa mesma noite
de Foscovo para o Extremo &riente e para a %i6éria Ronde /3 se estavam a preparar
6arracasS) ''' A '"%($UV\& %E aos intelectuais das pe+as de (cheAhov, sempre a
2a>er con/ecturas so6re o *ue seria a vida dentro de vinte, trinta ou *uarenta
anos, tivessem respondido *ue na $<ssia se torturaria os acusados durante a
instru+ão do processoW *ue se lhes apertaria o crLnio com um anel de 2erro1W *ue se
su6mergiria uma pessoa num 6anho de 3cido4W *ue se ataria um homem nu para o
expor ,s 2ormigas e aos perceve/osW *ue se introdu>iria a vareta de uma espingarda,
*uente ao ru6ro, pelo ori2-cio anal R7a marca secreta8SW *ue se comprimiriam
lentamente com uma 6ota os :rgãos sexuais e *ue, como tratamento mais suave, se
torturaria alguém durante uma semana, sem a deixar dormir, nem lhe dar de 6e6er,
espancando1o até deixar o corpo em carne viva 1 nem uma s: dessas pe+as teria
chegado até ao 2im e todos os seus her:is teriam ido parar ao manic:mio) E não s:
os her:is de (cheAhovX Due russo normal dos come+os do século e, entre os mais, *ue
mem6ro do .artido &per3rio %ocial1#emocrata $usso poderia suportar semelhante
di2ama+ão lan+ada contra o 2uturo luminosoY A*uilo *ue ainda se admitia so6 o poder
de AleAsei FiAhailo1vitch e *ue /3 so6 .edro, o Brande parecia 63r6aroW a*uilo *ue
nos tempos de INron podia ser aplicado a de> ou vinte pessoas e *ue /3 era
completamente imposs-vel de suceder no reinado de ?atarina, isso 2oi reali>ado em
pleno 2lorescimento da sociedade do nosso grande século !!, conce6ido segundo os
princ-pios socialistas, *uando /3 voavam avi9es e havia surgido o cinema sonoro e a
r3dio) E 2oi reali>ado, não por um criminoso isolado num lugar secreto, mas por
de>enas de milhares de 6estas humanas, especialmente amestradas, so6re milh9es de
v-timas inde2esas) %er3 apenas terr-vel esta explosão de horroroso atavismo,
designado agora como su6ter2<gio, por 7culto de personalidade8Y &u s01lo13 tam6ém
*ue, no decurso destes mesmos anos, tivéssemos comemorado o centen3rio de
.uschAine, *ue sem *ual*uer vergonha tivéssemos representado essas mesmas pe+as de
(cheAhov, em6ora /3
sou6éssemos a resposta a tais perguntasY Fas não ser3 mais terr-vel ainda *ue
trinta anos depois nos venham di>erJ não se deve 2alar dissoX $ecordar o so2rimento
de milh9es de a ?omo aconteceu ao #outor %), segundo o testemunho de A) .) =) 4 ?
omo aconteceu a ^) %) () 94 A$DU'.E AB& #E BU AB pessoas é de2ormar a perspectiva
hist:ricaX (ratar de desco6rir a ess0ncia dos nossos costumes é o6scurecer o
progresso materialX Due se 2ale antes dos altos12ornos *ue 2oram acesos, ou dos
trens de lamina+ão1, ou dos canais *ue 2oram a6ertos))) "ão, dos canais tam6ém não
é conveniente 2alar))) Antes do ouro de =olima))) "ão, tão1pouco isso é
conveniente) En2im, pode 2alar1se de tudo, mas desde *ue se sai6a 2a>01lo,
glori2icando1o))) %er3 então incompreens-vel *ue amaldi+oemos a 'n*uisi+ãoY Acaso,
além das 2ogueiras, não havia ao mesmo tempo servi+os religiosos solenesY %er3
incompreens-vel *ue não gostemos do direito 2eudalY Ve/a1se, não se proi6iam os
camponeses de tra6alhar todos os dias))) E eles podiam cele6rar o "atal com
vilancicosW pela (rindade as mo+as teciam coroas))) `` & car3cter excepcional *ue
as lendas orais e escritas atri6uem agora ao ano @5, reside, aos olhos de muitos,
na inven+ão de culpas e nas torturas) Fas não é essa a verdade, isso é inexacto)
Duais*uer *ue 2orem os anos ou as décadas, a instru+ão, segundo o artigo 5Q, DUA%E
"U"?A visou o esclarecimento da verdade, consistindo unicamente num procedimento
su/o e inexor3velJ pegar num homem *ue se aca6ava de privar da li6erdade, por ve>es
altivo, sempre impreparado, do6r31lo, introdu>i1lo num tu6o estreito, onde os
ganchos da armadura lhe esga+avam os costados, onde não podia respirar, de maneira
a *ue ele implorasse a gra+a de chegar , outra extremidade) E dessa extremidade,
ei1lo *ue sa-a /3 pronto, como um ind-gena do Ar*uipélago, a entrar na terra
prometida) R&s mais o6tusos o6stinam1se eternamente, pensando *ue pode haver essa
sa-da do tu6o caminhando para tr3s)S Duantos mais anos se deixam passar sem tra+os
escritos, mais di2-cil se torna reunir as testemunhas dispersas *ue se salvaram)
Fas estas asseguram1nos *ue a cria+ão de 2alsos processos remonta /3 aos primeiros
anos de exist0ncia dos :rgãos, tornando assim palp3vel a sua constante e
insu6stitu-vel actividade de salva+ão, a 2im de *ue com a diminui+ão dos seus1
inimigos não tivessem os pr:prios :rgãos em m3 hora *ue desaparecer) ?omo se v0
pelo processo de =ossiriev@ a situa+ão da (cheAa era /3 cam6aleante em come+os de
1919) endo os /ornais de 191Q, deparei com um comunicado o2icial so6re a desco6erta
de um terr-vel complot, montado por um grupo de de> pessoas *ue *ueriam Re
limitavam1se ainda a DUE$E$XS i+ar ate ao telhado do hosp-cio Rve/am s: a altura
*ue isto 2a>S alguns canh9es, para da- 6om6ardear o =remlin) As pessoas eram de>
Rentre elas podia haver mulheres e adolescentesS, mas ignora1se *uantos eram os
canh9es) E de onde vinham esses canh9esY #e *ue cali6re eramY E como 2a>01los su6ir
@ .arte ', cap-tulo Q) A$DU'.E AB& #E BU AB 95 da escada até ao telhadoY E como
instal31los no telhado inclinado de modo a não resvalarem ao dispararX .or*ue é *ue
os pol-cias de .eters6urgo, *uando lutavam contra a $evolu+ão de Gevereiro, não
puseram metralhadoras pesadas nos telhadosY))) E, contudo, esta 2antasia,
antecipando as constru+9es de 19@5, era lida por toda a genteX E)acreditavam
nelaX))) Evidentemente, com o tempo, vieram a demonstrar1nos *ue o
caso 7?umi1liov8, no ano de 1941, 2oi pura inven+ão4) "esse mesmo ano, a (cheAa de
$ia>an montou um 2also processo so6re uma 7conspira+ão8 da intelectualidade local
Rmas os protestos de algumas pessoas cora/osas puderam chegar ainda até Foscovo, e
o processo 2oi ar*uivadoS) "esse mesmo ano de 1941, 2oi 2u>ilado todo o ?omité de
%apropeliev, *ue 2a>ia parte da ?omissão de .rotec+ão da "ature>a) ?onhecendo1se
6em o car3cter e o am6iente dos c-rculos cient-2icos russos da época, e não nos
deixando separar da*ueles anos pela cortina de 2umo do 2anatismo, talve> possamos
compreender, sem 2a>er grandes investiga+9es, *ual o valor de um tal ?A%&) & ano de
1941 2icou na mem:ria de E) #oiarenAo) "a sala de admissão da u6ianAa, *ue tinha de
*uarenta a cin*uenta 6ancos, dão entrada mulheres durante toda a noite, sem cessar)
"enhuma sa6e do *ue é culpada) A impressão geral é a de *ue as pris9es são 2eitas
sem motivo) Ela é a <nica em toda a sala *ue sa6eJ é uma socialista revolucion3ria)
Eis a primeira pergunta 2eita por 'agodaJ 7Então, por*ue é *ue te trouxeram para
a*uiY8 & *ue *ueria di>erJ inventa tu mesma, a/uda1nos a 2a6ricar este casoX Algo
de AI%& U(AFE"(E %EFE ^A"(E é relatado so6re a B).)U) de $ia>an, no ano de 19@CX A
impressão geral era *ue todos estavam presos sem *ual*uer culpa) A tal ponto não
sa6iam de *ue acus31los *ue ') #) () 2oi acusado de usar um nome 2also) RE, em6ora
2osse o verdadeiro, condenaram1no a tr0s anos, pelo artigo 5Q11C)S "ão sa6endo *ue
pretexto invocar, o comiss3rio instrutor perguntou1lheJ 7Em *ue tra6alhavaY8 1 7Era
2uncion3rio da plani2ica+ão)8 1 7Escreva uma nota so6re este temaJ & *ue é a
plani2ica+ão na empresa e como se reali>a) #epois sa6er3 por*ue o prenderam)8 R"a
nota ele encontraria *ual*uer pretexto a *ue se agarrar)S 'sso 2a> lem6rar o caso
da 2ortale>a de =ovensAaia, em 1914) (inham decidido suprimi1 la, por ser in<tilJ
ela deixara de cumprir o seu o6/ectivo militar) Então, os o2iciais do comando,
alarmados, organi>aram um 7canhoneio nocturno8 so6re a 2ortale>a, para demonstrarem
a sua utilidade e 2icarem nos seus lugaresX))) Ali3s, o ponto de vista te:rico
so6re a ?U .AI' '#A#E do acusado, era, desde o come+o, muito livre) "as instru+9es
relativas ao terror vermelho, o tche*uista F) K) atsis escreveuJ 7))) não procurem,
durante a instru+ão, documentos ou provas de *ue o acusado actuou por palavras ou 4
A) A) AAhmatova exprimiu a sua plena convic+ão acerca disso) Ela até me disse o
nome do tche*uista *ue inventou este caso RK) Agranov, segundo pareceS) 9; A$DU'.E
AB& #E BU AB por actos contra o poder soviético) A primeira pergunta deve serJ a
*ue classe pertence, *ual é a sua origem, o seu n-vel de instru+ão Reis o caso do ?
omité de %apropelievX T A)%)S, a sua educa+ão) Estas *uest9es determinarão o
destino do acusado)8 Em 1@ de "ovem6ro de 194C, #>er/insAi, numa carta , VetcheAa
2a> notar *ue na (cheAa 72re*uentemente dão seguimento a declara+9es caluniosas8)
%im, ensinaram1nos durante de>enas de anos *ue de l3 não se regressaX ] excep+ão do
6reve e premeditado movimento do ano de 19@9, apenas se conhecem relatos isolados
so6re a li6erta+ão de pessoas como resultado 2inal da investiga+ão) E de resto, ou
essa pessoa depressa seria detida de novo, ou a deixariam em li6erdade para
espi31la) Assim se criou a tradi+ão de *ue os :rgãos nunca t0m 2alhas no seu
tra6alho) Due sucede então aos inocentesY))) "o #icion3rio de -ngua $ussa, de
autoria de #al, 2a>1se esta distin+ãoJ o in*uérito di2ere da instru+ão, pelo 2acto
de *ue se organi>a para certi2icar previamente se existem ou não 2undamentos para
proceder , instru+ão /udicial) &hX, santa simplicidadeX Então os :rgãos nunca
sou6eram o *ue é um in*uéritoc As listas enviadas pelos dirigentes, a mais pe*uena
suspeita, a den<ncia de um pol-cia
secreto ou mesmo de um an:nimo5 eram su2icientes para condu>ir , deten+ão e desta ,
inevit3vel acusa+ão) & tempo dado para a instru+ão do processo não se destinava a
esclarecer o delito, mas sim, em noventa e cinco por cento dos casos, a esgotar,
extenuar e de6ilitar o preso, a tal ponto *ue este dese/ava nem *ue 2osse cortar a
ca6e+a com um machado, s: para ver o 2im mais rapidamente) J3 em b1919 o método
principal de instru+ão erL o de p_r o rev:lver so6re a mesa) Assim se desenrolava
não apenas a instru+ão dos processos pol-ticos como tam6ém dos 7comuns8) "o
processo da Administra+ão Beral dos ?om6ust-veis R1941S a ré, FaAhrovsAaia,
*ueixou1se de *ue durante os interrogat:rios a tinham o6rigado a tomar coca-na) &
acusador;, pretendendo es*uivar1se, replicouJ 7%e ela declarasse *ue a tinham
tratado grosseiramente, *ue a tinham amea+ado com o 2u>ilamento, ainda se poderia,
com rigor, acreditar)8 Eis o assustador rev:lver posto so6re a mesa e ,s ve>es
apontado contra ti, e o comiss3rio instrutor não perde tempo nem 2eitio a desco6rir
do *ue és culpado, repetindoJ 7Gala, tu /3 sa6es do *ue se trataX8 Era o *ue no ano
de 1945 o comiss3rio =haiAin exigia de %AripniAovaW e era o *ue no ano de 1949
exigiam de VitAovsAi) E nada mudou, decorrido um *uarto de século) "o ano de
1954, , mesma Anna 5 & artigo 9@ do ?:digo de .rocesso .enal re>ava assimJ 7A
den<ncia an:nima pode servir para instaurar um processo criminal)8 RA palavra
7criminal8 não deve causar surpresa, uma ve> *ue todos os pol-ticos eram
considerados criminosos)S ; ") V) =r-lenAoJ Em ?inco Anos) Editora Estatal,
Foscovo, 194@, p3g) 4C1) A$DU'.E AB& #E BU AB 95 %AripniAova, *ue cumpria a DU'"(A
deten+ão, o che2e da sec+ão de instru+ão da %eguran+a do Estado de &rd/oniAid>e,
%ivaAov, declaraJ 7& médico da prisão entregou1 nos uma nota, di>endo *ue a tua
tensão arterial é de du>entos e*uarenta1cento e vinte) 'ssoé pouco, canalha Rela ia
a caminho dos sessenta anosS) G31la1emos chegar até tre>entos e *uarenta, para *ue
estre6uches, minha v-6ora, sem necessidade de n:doas roxas, de espancamentos, nem
2racturas) Iasta *ue não te deixemos dormirX8 E se %AripniAova, ap:s os
interrogat:rios nocturnos, durante o dia 2echava os olhos na cela, o vigilante
irrompia, 6errandoJ 7A6re os olhos, senão arrasto1te pelos pés e prego1te ,
paredeX8 A partir de 1941 os interrogat:rios passaram a ser, na sua maioria,
nocturnos) "essa época utili>avam1se /3 os 2ar:is de autom:veis para encandear o
acusado R(cheAa de $ia>an, %telmaAhSW E em 194;, na u6ianAa Rtestemunho de Ierta
BandalS, era utili>ado o sistema de a*uecimento da 236rica de autom:veis AF& para
as celas, o *ual expelia ora ar 2rio, ora ar 2edorento) E havia uma cela revestida
de corti+a, sem ventila+ão, onde, para c<mulo, se su2ocava de calor) .arece *ue o
poeta =liuiev esteve numa cela desse género e a- permaneceu Ierta Bandal) &
participante da insurrei+ão de Karoslavl, de 191Q, Vassili AleAsandrovitch
=acianov, contava *ue essa cela era a*uecida até ao ponto de os poros do corpo
sangraremW o6servando os e2eitos através do postigo, colocavam então o preso numa
maca e levavam1no para assinar o processo ver6al) %ão conhecidos os métodos *uentes
Re 7salgados8S do per-odo de 7ouro8) "a Be:rgia, em 194;, *ueimavam as mãos dos
presos com cigarrosW na prisão de FeteAha, empurravam, na escuridão, os presos para
dentro de um tan*ue cheio de imund-cies) Eis a rela+ão simples entre todos estes
2actos) J3 *ue é necess3rio acusar de *ual*uer maneira, são inevit3veis as amea+as,
as viol0ncias e as torturas, e *uanto mais 2antasiosa 2or a acusa+ão mais cruel
deve ser a investiga+ão, para o6rigar ,s con2iss9es) E uma ve> *ue as acusa+9es
eram sempre inventadas, havia sempre viol0ncias, o *ue não 2oi pois atri6uto do ano
de 19@5, mas sim um sintoma prolongado, de car3cter geral) .or isso se
torna estranho ler agora por ve>es nas recorda+9es de antigos >eAs, *ue as torturas
2oram permitidas a partir da .rimavera de 19@Q ) "ão existiram nunca *uais*uer
limites morais e espirituais capa>es de re2rear os :rgãos na aplica+ão das
torturas) "os primeiros anos a seguir , $evolu+ão discutia1se a6ertamente no
7%emin3rio da (cheAa8, na 7Espada Vermelha8 e no 7(error 5 E) Buin>6urg escreve *ue
a autori>a+ão para a 7aplica+ão da 2or+a 2-sica8 2oi dada em A6ril de 19@Q) V) ?
halamov considera *ue as torturas 2oram permitidas em meados de 19@Q) & velho
detido F1tch est3 convencido de *ue houve uma 7ordem acerca da simpli2ica+ão dos
interrogat:rios e da su6stitui+ão dos métodos psicol:gicos pelos 2-sicos8)
'vanov11$a>mniA p9e em evid0ncia *ue 7por meados de 19@Q teve lugar o per-odo dos
interrogat:rios mais cruéis8) 9Q A$DU'.E AB& #E BU AB Vermelho8 o pro6lema de sa6er
se a aplica+ão de torturas era admiss-vel do ponto de vista do marxismo) A /ulgar
pelas conse*u0ncias, a resposta 2oi positiva, em6ora não universal) %er3 mais /usto
di>er, *uanto ao ano de 19@QJ se até a- as aplica+9es de torturas era condicionada
a 2ormalidades *ue implicavam a sua permissão em cada caso Ra *ual era o6tida
2acilmenteS, nos anos 19@51@Q, tendo em conta a situa+ão excepcional Rhavia *ue
enviar milh9es de homens para o Ar*uipélago num 6reve pra>o pré1determinado,
2a>endo1os passar, de *ual*uer rhodo, através do aparelho de instru+9es
individuais, o *ue não se veri2icou nas torrentes maci+as dos AulaAs e das
nacionalidadesS, as autori>a+9es de viol0ncias e de torturas 2oram dadas
ilimitadamente aos instrutores, segundo o seu critério, con2orme o exigisse o seu
tra6alho e o pra>o esta6elecido) Ao mesmo tempo, não se regulamentavam os tipos de
torturas e era permitida *ual*uer inven+ão nesse dom-nio) Em 19@9 essa autori>a+ão
tão ampla e geral 2oi impressa e exigiram1se novamente 2ormalidades escritas para a
aplica+ão das torturas, sendo prov3vel *ue elas não 2ossem 23ceis de o6ter
Rentretanto, as simples amea+as, a chantagem, o engano, a extenua+ão pela priva+ão
do sono e as celas de castigo não 2oram nunca proi6idasS) Fas /3 a partir do 2im da
guerra e nos anos posteriores 2oram especi2icadas certas categorias de presos, em
rela+ão aos *uais era permitido, de antemão, aplicar uma ampla gama de torturas)
Entre elas estavam inclu-dos os nacionalistas, especialmente os ucranianos e os
lituanos, e so6retudo na*ueles casos em *ue havia, ou se considerava *ue havia,
liga+9es clandestinas, sendo preciso desmantel31las, conseguir todos os nomes
através dos *ue estavam presos) & grupo de %Airius $oualdas .rano, por exemplo,
compreendia cin*uenta lituanos) Em 1945, eles 2oram acusados de a2ixar carta>es
anti1soviéticos) .or 2alta de pris9es na ituLnia, nesse tempo, 2oram condu>idos
para o campo *ue 2ica situado perto de VelsA, na região de ArcLngel) Alguns 2oram
ali torturados, outros não resistiram ao duplo regime de tra6alho no campo e aos
interrogat:rios, mas o resultado 2oi esteJ todos os cin*uenta presos, unanimemente,
se con2essaram culpados) .assou algum tempo e comunicaram da ituLnia *ue tinham
sido desco6ertos os verdadeiros culpados da a2ixa+ão de carta>es, E DUE ADUE E%
"A#A ('"^AF A VE$ ?&F '%%&X Em 195C, no campo de trLnsito de =ui6ichiev,
encontrei1me com um ucraniano de #niepro1petrovsA a *uem, para o6terem 7liga+9es8 e
nomes de pessoas, tinham torturado por métodos diversos, inclusive o castigo *ue
consistia em s: o deixarem dormir com uma vara para apoio, *uatro horas por dia)
#epois, retiravam1lhe a vara) A seguir , guerra tam6ém torturaram evina, mem6ro
correspondente da Academia das ?i0ncias, pelo 2acto de ela ter conhecidos comunscom
a 2am-lia dos Aliluiev)
%eria ainda inexacto atri6uir ao ano de 19@5 a 7desco6erta8, segundo ah *ual a
con2issão da culpa pelo acusado é mais importante do *ue todas as provas e 2actos)
Essa pr3tica tinha1se esta6elecido nos anos 4C) Fas no ano A$DU'.E AB& #E BU AB 99
de 19@5 é o da mani2esta+ão oportuna da doutrina 6rilhante de VichinsAi)
Entretanto, ela 2oi então transmitida apenas hierar*uicamente aos comiss3rios
instrutores e aos interrogadores, para sua 2irme>a moral, en*uanto n:s, todos os
outros, s: sou6emos dela vinte anos mais tarde, *uando come+ou a ser atacada em
ora+9es su6ordinadas e em par3gra2os secund3rios de artigos de /ornal, como se se
tratasse de algo conhecido amplamente e de h3 longo tempo por todos) %ucede *ue
nesse ano de sinistra mem:ria, num discurso *ue se tornou céle6re nos c-rculos
especiali>ados, Andrei Januarievitch Rd3 vontade de chamar1lhe /aguarievitchS,
VichinsAi, 2a>endo apelo ao esp-rito 2lex-vel da dialéctica R*ue não é permitida
aos simples s<6ditos do Estado, nem agora ,s m3*uinas electr:nicas, dado *ue para
eles o sim é sim, e o não é nãoS, lem6rou *ue, para a humanidade, nunca é poss-vel
esta6elecer a verdade a6soluta, mas apenas a verdade relativa) E vai da- deu um
passo *ue os /uristas meta2-sicos não tinham ousado dar em dois mil anosJ o de *ue,
em conse*u0ncia, a verdade esta6elecida pela instaura+ão do processo e pelo pr:prio
processo não pode ser a6soluta, mas simplesmente relativa) Assim, ao assinar uma
senten+a de 2u>ilamento n:s nunca podemos estar a6solutamente convictos de executar
o culpado, mas s: com um certo grau de aproxima+ão, 6aseados em certas suposi+9es
num certo sentidoQ) #a- a conclusão mais pr3ticaJ a de *ue é tempo perdido em vão a
6usca de provas documentais a6solutas Relas são todas relativasS e de testemunhas
irre2ut3veis Relas podem contradi>er1seS) Duanto ,s provas relativas, ou
aproximativas, o /ui> pode muito 6em o6t01las mesmo sem documentos, sem sair do seu
ga6inete, 7apoiando1se não s: na sua intelig0ncia, mas tam6ém na sua intui+ão de
mem6ro do .artido, nas suas 2or+as morais8 Risto é, na superioridade do homem *ue
dormiu, *ue est3 saciado e não 2oi espancadoS 7no seu car3cter8 Rou se/a, na sua
vontade ou crueldadeS) "aturalmente, esta 2orma de perguntar as coisas era muito
mais re2inada do *ue as instru+9es de atsis) A ess0ncia, porém, era a mesma) E s:
so6re mais um ponto é *ue VichinsAi não 2oi até ao 2im, retorcendo1se na aplica+ão
da sua l:gica dialécticaJ por alguma ra>ão, ele deixou *ue a IA A "A "U?A
continuasse a ser uma prova AI%& U(A))) Assim, desenvolvendo1se em espiral, as
dedu+9es da /urisprud0ncia de vanguarda voltaram aos pontos de vista da
pré1Antiguidade ou da 'dade Q (alve> *ue o pr:prio VichinsAi não tivesse menos
necessidade do *ue os seus auditores desta consola+ão dialéctica) Ao gritar da sua
tri6una de procuradorJ 7Gu>ilem1 nos todos como cães raivososX8, ele, inteligente e
mau como era, compreendia 6em *ue os acusados estavam inocentes) Era pois com
redo6rada veem0ncia, provavelmente, *ue ele e um 3s da dialéctica marxista como
IuAharine se entregavam a reco6rir de ornamentos dialécticos as mentiras
processuaisJ para IuAharine era demasiado est<pido e desopilante morrer, sendo
completamente inocente Rele "E?E%%'(AVA, inclusive, de provar a sua culpaXS e para
VichinsAi era mais agrad3vel sentir1se um l:gico do *ue um pati2e mascarado) 1CC
A$DU'.E AB& #E BU AB Fédia) E, como ms carrascos medievais, os nossos procuradores
e /u->es concordaram em considerar como principal prova da culpa6ilidade, a
con2issão do acusado9)
Entretanto, a ingénua 'dade Fédia, para arrancar as dese/adas con2iss9es, recorria
a meios dram3ticos, impressionantesJ , roldana, , roda, ao assador, ,s cavilhas e
ao empalamento) "o século !!, gra+as ao progresso da medicina, e a uma consider3vel
experi0ncia prisional Rhouve alguém *ue de2endeu isso muito a sério numa teseS,
reconhecem1se *ue uma concentra+ão de meios tão aparatosos, tratando1se de uma
aplica+ão em massa, se tornava supér2lua e pesada) E, de resto))) E, de resto,
pelos vistos, havia ainda uma circunstLnciaJ como sempre, %taline não dissera a
<ltima palavra e os seus pr:prios su6ordinados deviam adivinhar) Ele reservava para
si um 6uraco de chacal a 2im de poder dar um passo atr3s e escrever A Vertigem dos
nxitos) Era a primeira ve> *ue a tortura plani2icada de milh9es de homens era
empreendida na hist:ria da humanidade e, com toda a 2or+a do seu poder, %taline não
podia estar a6solutamente seguro do seu 0xito) ?om um material gigantesco, a
experi0ncia podia decorrer di2erentemente do *ue com material discreto) .odia ter
lugar uma explosão imprevista, uma 2ractura geol:gica ou, pelo menos, a divulga+ão
universal do segredo) Em *ual*uer caso, %taline devia guardar a sua auréola pura e
angélica) .or isso é1se levado a pensar *ue não existia uma lista de torturas e de
vilanias distri6u-das em letra impressa aos comiss3rios instrutores, mas *ue se
exigia apenas *ue cada sector de instru+ão, num pra>o 2ixo, enviasse ao tri6unal um
n<mero determinado de patos *ue tivessem con2essado) E simplesmente Rpor via oral,
mas com 2re*u0nciaS *ue todas as medidas e meios eram 6ons, uma ve> *ue visavam um
o6/ectivo elevadoJ *ue ninguém pedia contas a um comiss3rio pela morte de um réuW
*ue o médico da prisão deve intervir o menos poss-vel no decurso da instaura+ão do
processo) .rovavelmente, organi>ava1se um intercLm6io amig3vel de experi0ncias,
7aprendendo1 se com os de vanguarda8W reconhecia1se 7o interesse material8, com o
pagamento a do6rar pelas horas nocturnas e prémios pela instru+ão em pra>os
redu>idosW e advertia1 se tam6ém *ue o comiss3rio *ue não desempenhasse 6em a sua
tare2a))) #esse modo, se num *ual*uer departamento regional da ")=)V)#) houvesse um
2racasso, o che2e 2icaria sempre limpo perante %talineJ não havia dado indica+9es
directas para torturarX E ao mesmo tempo tinha assegurado as torturasX ?
ompreendendo *ue os superiores tomavam precau+9es, parte dos comiss3rios
instrutores Rnão a*ueles *ue com exalta+ão se deleitavamS iam come+ando ?ompare1se
com o *uinto aditamento , ?onstitui+ão dos Estados UnidosJ 7E proi6ido 2a>er
declara+9es contra si pr:prio)8 E .$&'I'#&X))) R& mesmo re>a o c:digo ingl0s dos
direitos, no século !V'')S A$DU'.E AB& #E BU AB 1C1 pelos métodos mais suaves, e, ,
medida da sua intensi2ica+ão, procuravam es*uivar1se ,*ueles *ue deixavam vest-gios
demasiados evidentes, tais comoJ va>ar um olho, arrancar uma orelha, 2racturar a
coluna verte6ral e, ainda, encher o corpo de n:doas negras) Eis por*ue, em 19@5,
não o6serv3mos 1 além da priva+ão do sono 1uma completa uni2ormidade de métodos nas
v3rias pris9es regionais e entre os di2erentes comiss3rios de uma mesma direc+ão1C)
^avia, contudo, algo de comum na pre2er0ncia dada aos meios denominados suaves R/3
veremos em *ue consistiamS, e esse era um caminho in2al-vel) "a verdade, os limites
reais do e*uil-6rio humano são muito estreitos e era completamente desnecess3rio
lan+ar mão da roldana ou do assa1dor para p_r 2ora de si uma pessoa comum)
(entaremos enumerar alguns dos métodos mais simples, *ue *ue6rantam a vontade e a
personalidade do preso sem, contudo, deixar vest-gios no seu corpo)
?ome+aremos pelos métodos ps-*uicos) .ara os patinhos *ue nunca se haviam preparado
para os so2rimentos prisionais, estes métodos t0m uma 2or+a terr-vel e mesmo
ani*uiladora) E mesmo para os *ue t0m convic+9es tão1pouco são 23ceis) 1) Ve/amos
em primeiro lugar as noites) .or*ue é *ue o essencial do desmoronamento das almas
tem lugar de noiteY .or*ue é *ue desde o seu aparecimento os :rgãos tiveram
pre2er0ncia pela noiteY .or*ue, durante a noite, arrancando violentamente ao sono
Re mesmo ainda não martiri>ado pelo sonoS, o preso não pode manter o e*uil-6rio e
guardar a lucide> como de dia, tornando1se mais male3vel) 4) A persuasão em tom de
2ra*ue>a) E a coisa mais simples) .ara *u0 6rincar ao gato e ao ratoY #epois de
estar entre outros processados, o preso /3 assimilou a situa+ão geral) E o
comiss3rio di>1lhe em tom displicente e amig3velJ 7(u pr:prio compreendes *ue, de
todos os modos, ser3s condenado) Fas se op9es resist0ncia, a*ui na prisão, chegar3s
ao extremo de perder a sa<de) En*uanto num campo de tra6alho ter3s ar, lu>))) &
melhor para ti, pois, é assinares /3)8 (udo muito l:gico) E todos a*ueles *ue
concordam e assinam são muito sensatos))) *uando se trata apenas deles pr:prios)
Fas raramente sucede assim) E a luta é inevit3vel) &utra variante é a persuasão
dirigida a um mem6ro do .artidoJ 7%e no pa-s h3 car0ncias e até 2ome, voc0 mesmo,
como 6olchevi*ue, deve decidirJ poderia admitir *ue o .artido se/a culpado distoY
&u o poder soviéticoY8 17"ão, naturalmenteX8, apressa1se a responder o director de
um centro de produ+ão de linho) 7Então tenha coragem e assuma as suas
responsa6ilidadesX8 Ele assume1asX 1C #i>1se *ue as torturas em $ostov do #on e em
=rasnodar se destacavam pela sua crueldade, mas isso não est3 demonstrado) 1C4
A$DU'.E AB& #E BU AB @) 'nsultos grosseiros) E um método pouco complicado, mas *ue
pode ter e2eitos seguros so6re pessoas educadas, delicadas, de nature>a sens-vel) ?
onhe+o dois casos, ocorridos com religiosos, *ue cederam unicamente com palavr9es)
"o caso de um deles Rem IutirAi, em 1944S, a instaura+ão do processo era dirigida
por uma mulher) #e in-cio, na cela, ele cansava1se de elogi31la, di>endo como ela
era am3vel) Fas um dia voltou aturdido e durante muito tempo recusou1se a repetir
as palavras com *ue, re2inadamente, ela o mimoseou, cru>ando, com descaro, um
/oelho so6re o outro) R amento não poder inserir a*ui uma das suas 2rase>inhas)S 4)
?ho*ue provocado pelo contraste psicol:gico) Assim, as mudan+as repentinasJ todo o
interrogat:rio, ou parte dele, tinha sido extremamente am3vel, com um tratamento
pelo nome ou pelo so6renome, sendo 2eita toda a espécie de promessas) #epois,
su6itamente, o instrutor levantou1se, 2a>endo amea+as com o pisa1papéisJ 7AhX
pati2eX Vais apanhar bnove gramasb na nucaX8, e as suas mãos avan+avam como se
2ossem agarrar os ca6elos, como se as unhas terminassem em agulhas, a aproximar1se
Rcontra as mulheres, este é um método muito e2icienteS) &utra varianteJ a
alternLncia de dois comiss3rios, um *ue nunca amea+a e atormenta, e outro *ue se
mostra simp3tico, *uase cordial) & interrogado treme de cada ve> *ue entra no
ga6inete, sem sa6er *ual ir3 encontrar, e, sucum6indo ao contraste, disp_e1se a
reconhecer e a assinar ao segundo, inclusive o *ue não 2e>) ) 5) ^umilha+ão prévia)
"as céle6res caves da B).)U), de $ostov Rn<mero trinta e tr0sS, so6 o grosso
pavimento de vidro da rua R*ue era um antigo arma>émS, os presos, antes do
interrogat:rio, eram metidos v3rias horas no corredor, com o rosto contra o chão,
sendo proi6idos de levantar a ca6e+a e de 2a>er o m-nimo ru-do) Assim, 2icavam
deitados, como os mu+ulmanos nas suas preces, até *ue o encarregado de os levar
lhes tocasse no om6ro e os condu>isse ao interrogat:rio) AleAsandrovna não tinha
2eito as
declara+9es necess3rias na u6ianAa) Goi trans2erida para e2ortovo) Ali, na sala de
entrada, uma vigilante mandou1a despir1se, como se 2osse do regulamento, levou1lhe
a roupa e 2echou1a nua num *uartinho) ogo vieram vigilantes do sexo masculino *ue
se puseram a mirar pelo postigo, a rir1se e a comentar a 2igura dela) Ga>endo1se um
in*uérito, ainda se podem encontrar, naturalmente, depoimentos so6re muitos outros
casos) & o6/ectivo é sempre o mesmoJ criar no acusado um estado de a6atimento) ;)
Fétodos *ue levam o preso a desconcertar1se) Eis como G) ') V), de =1rasnogorsA, na
região de Foscovo Rsegundo me comunicou ') A) .)S, 2oi interrogado) A
investigadora, no decurso do interrogat:rio, despia1se pouco a .ouco, diante dele,
2a>endo strip1tease, mas continuava a 2a>er perguntas, como se nada sucedesse,
andava pelo ga6inete e aproximava1se do preso conseguindo *ue ele cedesse nas
declara+9es) (alve> *ue se tratasse de uma necessidade pessoal dela, ou talve> de
um 2rio c3lculoJ o preso é *ue A$DU'.E AB& #E BU AB 1C@ 2icava pertur6ado e
assinavaX Duanto a ela, não corria *ual*uer risco pois tinha uma pistola e a
campainha) 5) 'ntimida+ão) E o método mais 23cil de utili>ar, sendo muito variado)
E acompanhado 2re*uentemente de sedu+ão e promessas R2alsas, evidentementeS) Em
1944J 7Voc0 não *uer con2essarY (er3 de ir para %olovAi) ":s pomos em li6erdade
a*ueles *ue con2essam)8 Em 1944J 7#epende de mim indicar para *ue campo te enviam)
&s campos são di2erentes uns dos outros) Agora temos campos de tra6alhos 2or+ados)
%e 2ores sincero, ir3s para um lugar suave, mas se te o6stinares apanhar3s vinte e
cinco anos de tra6alhos 2or+ados su6terrLneos e ser3s algemadoX8 'ntimida1se tam6ém
o acusado com outra prisão piorJ 7%e te manténs renitente enviamos1te para e2ortovo
Rno caso de se estar na u6ianAaS, ou para %uAhanov Rno caso de se estar em
e2ortovoS e l3 não 2alarão assim contigo) &ra tu /3 est3s acostumadoJ nesta prisão
o regime parece ser A%%'F1A%%'F, en*uanto l3, *ue torturas te esperamY E depois a
trans2er0ncia))) "ão ser3 melhor cederY8 A intimida+ão age per2eitamente so6re todo
a*uele *ue ainda não 2oi preso, mas sim chamado , ?asa Brande, por agora, como
aviso) Ele Rou elaS t0m ainda muito *ue perderW ele Rou elaS t0m medo, medo de *ue
não o RaS deixem sair ho/e, medo da con2isca+ão dos seus 6ens, da sua casa) Ele,
para evitar esses perigos, est3 disposto a 2a>er todo o género de declara+9es e de
concess9es) Ela, naturalmente, não conhece o ?:digo .enal e o menos *ue 2a>em no
in-cio do interrogat:rio é mostrar1lhe uma 2olha escrita, com uma cita+ão 2alsa do
c:digoJ 7Eu 2ui advertida de *ue, por 2also testemunho, apanharei cinco anos de
prisão8 Rna realidade, segundo o artigo 95, a pena é de dois anosS e, por negar1me
a 2a>er declara+9es outros cinco)))8 R"a realidade, segundo o artigo 94, a pena não
excede tr0s mesesS) A*ui, entrou /3 em ac+ão outro método, a *ue recorrerão
constantementeJ Q) A mentira) ":s,)os cordeiros, não podemos mentir, mas o
comiss3rio mente constantemente e todos estes artigos não se re2erem a ele)
.erdemos até /3 o h36ito de perguntarJ 7Due lhe pode suceder por mentirY8 Ele pode
colocar ante n:s tantos depoimentos 2alsos *uantos *uiser, com a assinatura imitada
dos nossos 2amiliares e amigos 1 e isso ser3 apenas um modo re2inado de
interrogat:rio) A intimida+ão, aliada , sedu+ão e , mentira, é o método ideal para
exercer in2lu0ncia so6re os 2amiliares do preso, chamados como testemunhasJ 7%e
voc0 não 2i>er as declara+9es R*ue eles exigemS, para ele isso ser3 pior))) Voc0
deita1o completamente a perder Rcomo é *ue uma mãe pode ouvir istoY11) %: com a
assinatura desse RimpingidoS papel voc0 pode salv31lo8 Rperd01loS)
11 %egundo as cruéis leis do 'mpério $usso, os 2amiliares mais chegados podiam,
regra geral, recusar1se a 2a>er declara+9es) Fas se as 2i>essem na instru+ão
preparat:ria, podiam, por sua vontade, retir31las e impedir *ue 2ossem utili>adas
no /ulgamento) & conhecimento ou parentesco com o delin*uente não eram, então,
considerados como provaX))) ?oisa estranha))) 1C4 A$DU'.E AB& #E BU AB 9) & /ogo
com a a2ei+ão ,s pessoas mais chegadas) Gunciona excelentemente so6re os acusados)
Esta é mesmo a mais e2ica> das intimida+9es) #esse modo, pode 2a>er1se *ue6rar
mesmo o homem mais intrépido Rcomo est3 pro2eti>adoSJ 7& inimigo do homem é a 2am-
liaX8 $ecordemos a*uele t3rtaro *ue a tudo resistiuJ ,s suas torturas e ,s da sua
mulher, mas não ,s torturas da 2ilha))) Em 19@C, a comiss3ria instrutora $imalis
2a>ia a seguinte amea+aJ 7.renderemos a sua 2ilha e /unt31la1emos ,s si2il-t-casX8
Uma mulherX))) A amea+a de prisão pode a6ranger todos a*ueles *ue voc0 ama) ]s
ve>es, emprega1se acompanhamento sonoroJ 7A tua mulher /3 est3 presa, mas o seu
destino depende da tua sinceridade) E estão a interrog31la na cela cont-gua,
escutaX8 E2ectivamente, do outro lado da parede vem um choro acompanhado de gritos
de mulher Reles são todos parecidos, e muito mais através de uma paredeW mas voc0
tem os nervos tensos, não est3 nas condi+9es de um peritoW ,s ve>es trata1se de um
disco com uma vo> 7tipo esposa8, soprano ou contraltoJ invento registado de
alguémS) Fas eis *ue, sem 2alsi2ica+ão, lha mostram através de uma porta
envidra+adaX ?omo ela vai silenciosa, inclinando a ca6e+aX %imX E a sua mulherX
.elos corredores da .ol-cia de %eguran+a do EstadoX .erdeu1a com a sua o6stina+ãoX
J3 est3 presaX RFas ela 2oi chamada apenas para uma 2ormalidade sem importLncia, e,
no minuto com6inado, deixaram1na passar pelo corredor, mas ordenaram1lheJ
7"ão)levante a ca6e+a, pois de outra maneira não sai da*uiX8S &u então dão1lhe a
ler uma carta dela, exactamente com a sua letraJ 7A6andono1teX #epois das in2Lmias
*ue me contaram a teu respeito, não me 2a>es 2altaX8 R#eve haver esposas *ue
escrevem cartas assimW por *ue ra>ão não as haveria no nosso pa-sY $esta1te
unicamente decidir em tua alma e consci0ncia se se trata, de 2acto, da tua
esposa)))S Em 1944, o comiss3rio Boldman extor*uiu de V) A) =orneieva declara+9es
contra outras pessoas, so6 esta amea+aJ 7?on2iscamos1te a casa e pomos na rua os
teus velhos)8 ?onvicta e 2irme na sua 2é, =orneieva nada temia por si, estava
disposta a so2rer) Fas as amea+as de Boldman eram completamente veros-meis segundo
as nossas leis e ela atormentava1se pela sua 2am-lia mais chegada) Duando, numa
manhã, depois de ter repelido e rasgado v3rios depoimentos durante a noite, Boldman
come+ou a escrever uma outra variante, a *uarta, em *ue ela se declarava culpada, e
unicamente ela) =orneieva assinou com alegria e uma sensa+ão de vit:ria moral) "ão
conservamos, se*uer, o simples instinto humano *ue consiste em /usti2icar1se e
de2ender1se de 2alsas acusa+9esX Gicamos 2eli>es *uando conseguimos tomar so6re n:s
toda a culpaX14 Agora ela di>J 7&n>e anos depois, durante o per-odo das
rea6ilita+9es, deram1me a depoimentos e apoderou1se de mim uma sensa+ão de n3usea
espiritual) #e *ue podia eu orgulhoYX)))8 (am6ém experimentei o mesmo *uando me
rea6ilitaram, ao ouvir trechos A$DU'.E AB& #E BU AB 1C5 #a mesma maneira *ue, na
nature>a, nenhuma classi2ica+ão tem compartimenta+9es r-gidas, tam6ém a*ui n:s não
conseguimos separar de 2orma precisa os métodos ps-*uicos dos 2-sicos) &nde
incluir, por exemplo, uma diversão como a *ue se segueY
1C) Fétodo sonoro) ?oloca1se o réu , distLncia de uns seis ou oito metros,
o6riga1se a 2alar em vo> muito alta e a repetir tudo) .ara uma pessoa extenuada,
isso não é 23cil) &u, então, 2a>em1se dois alti2alantes de papelão e, /untamente
com um colega instrutor, aproximando1se do preso, grita1se1lhe aos ouvidosJ 7?
on2essa, pati2eX8 & preso ensurdece, e, ,s ve>es, perde o ouvido) Fas este não é um
método econ:mico) %implesmente, com a monotonia do tra6alho, os investigadores
tam6ém *uerem divertir1se, e, então, cada um inventa e 2a> o *ue pode) 11) As
c:cegas) E tam6ém uma diversão) Amarram1se ou apertam1se os 6ra+os e as pernas do
preso e 2a>em1se1lhe c:cegas no nari> com uma pena de p3ssaro) & preso torce1se e
tem a impressão de *ue lhe estão a per2urar o cére6ro) 14) Apagar o cigarro na pele
do preso Rprocesso /3 mencionado antesS) 1@) & método luminoso) #eixa1se uma lu>
eléctrica intensa acesa durante vinte e *uatro horas na cela ou depend0ncia onde o
preso est3) Uma lLmpada demasiado 2orte para uma depend0ncia pe*uena, de paredes
6rancas Reis a aplica+ão da electricidade economi>ada pelos estudantes e pelas
donas de casaXS As p3lpe6ras do preso in2lamam1 se, o *ue é muito doloroso) E, no
ga6inete do investigador, voltam1se para o acusado os pro/ectores do escrit:rio)
14) &utra inven+ão) "a noite do 1)O de Faio de 19@@, na B).)U) de =ha6arovsA,
(che6otariov 2oi, não interrogado durante do>e horas, mas condu>ido durante todo
esse tempo ao interrogat:rioJ 7Gulano de tal, mãos atr3s das costasX8 evaram1no
para 2ora da cela, condu>indo1o rapidamente pela escada, ao ga6inete do
investigador) & *ue o levou saiu) Fas o investigador, sem lhe 2a>er uma s:
pergunta, e sem se*uer o deixar sentar no 6anco, agarrou no tele2oneJ 7Venham
6usc31lo ao cento e seteX8 evaram1no e condu>iram1no , cela) ogo *ue se sentou na
tarim6a ouviu1se o ru-do do cadeadoJ 7(che6otariovX Ao interrogat:rioX Fãos atr3s
das costasX8 E, l3 em cimaJ 7Venham 6usc31lo ao cento e seteX8 "a generalidade dos
casos os métodos de pressão podem come+ar muito antes de se chegar ao ga6inete do
investigador) 15) A prisão inicia1se pela 6ox, *ue é uma espécie de co2re ou
arm3rio) A pessoa *ue aca6a de ser detida, e *ue, levada pelo 0lan do seu movimento
dos depoimentos anteriores so6re mim pr:pria) #o6rei1me e como *ue me tornei outra)
Agora não me reconhe+o) ?omo pude assinar isso, considerando, ainda por cima, *ue
não me havia sa-do malY))) 1C; A$DU'.E AB& #E BU AB interior, est3 disposta a
explicar1se, a discutir e a lutar, é encerrada, logo nos primeiros passos do seu
encarceramento, numa caixa, umas ve>es com lu> e com espa+o para sentar1se, outras
ve>es ,s escuras e onde s: pode manter1se de pé apertada contra a porta) E
guardam1na ali durante v3rias horas, um meio dia ou um dia inteiro) ^oras de
completa incerte>aX (alve> a- 2i*ue emparedada para toda a vidaX "unca passou por
nada semelhante, e nem pode aperce6er1se de nadaX Essas primeiras horas decorrem
*uando tudo dentro dela est3 ainda envolto nas 6rumas de um torvelinho espiritual
*ue ainda não se acalmou) Uns deixam1se a6ater pelo desLnimo 1 e é o momento do
primeiro interrogat:rioX &utros irritam1se,, e isso é ainda melhorJ vão o2ender o
investigador, cometer uma imprud0ncia 1 e ser3 mais 23cil organi>ar1lhes o
processo) 1;) Duando as 6oxes escasseavam, eis como se procediaJ na sec+ão da
")=)V)#) de "ovo (cherAass, mantiveram Elena %trutinsAaia durante seis dias no
corredor, sentada num 6anco, de maneira *ue ela não pudesse apoiar1se em nada, não
dormisse, não ca-sse e não se levantasse) %eis diasX Experimente1se 2icar assim
sentado durante seis horasX
?omo variante, pode igualmente manter1se o preso sentado numa cadeira alta, como as
de la6orat:rio, de maneira a *ue os pés não cheguem ao solo, 2icando assim muito
dormentes) 'sso chega a durar de oito a de> horas) &u então, durante o
interrogat:rio, *uando o preso est3 /3 6em o6servado, manda1se sent31lo numa
cadeira vulgar, da seguinte 2ormaJ no extremo do assento, mesmo , 6eira Rmais
ainda, mais , 2renteXS, mas de modo *ue não caia e *ue o 6ordo do assento lhe
provo*ue uma pressão dolorosa durante todo o interrogat:rio) E não lhe permitem,
durante longas horas, *ue se mexa) %: issoY %im, s: isso) ExperimentemX 15) %egundo
as condi+9es locais, a 6ox pode ser su6stitu-da pela 2ossa da divisão, como sucedia
nos campos militares, em BoroAhoviets, durante a Brande Buerra .atri:tica) "essa
2ossa, de tr0s metros de pro2undidade e dois de diLmetro, metia1se o preso durante
v3rios dias, so6 um céu a6erto, por ve>es de6aixo de chuva) A 2ossa era para o
preso a cela e a retrete) E, através de uma corda, 2a>iam1lhe chegar tre>entos
gramas de pão e 3gua) 'magine1se alguém nessa situa+ão, aca6ado de ser preso,
*uando tudo ainda 2ervilha dentro de si) #ecorreria isso acaso das instru+9es
gerais dadas a todas as sec+9es especiais do Exército Vermelho, ou seriam as
situa+9es similares de acampamento *ue condu>iam , ampla di2usão deste métodoY "a
@;)a #ivisão Fotori>ada de Atiradores, *ue participou nos com6ates de
=halAhine1Bol, e *ue, em 1941, estava de preven+ão no deserto da Fong:lia, sem nada
explicar ao detido, metia1se1lhe uma p3 nas mãos Rera o che2e da %ec+ão Especial,
%amuliov, *ue se encarregava dissoS e ordenava1se1lhe *ue cavasse, com as medidas
exactas, a sua sepultura Risso era /3 um cru>amento com os métodos psicol:gicosXS)
Duando o preso /3 tinha 2eito um 6uraco *ue A$DU'.E AB& #E BU AB 1C5 ultrapassava a
sua cintura, mandava1se1lhe parar, 2a>endo1o sentar1se no 2undoJ a ca6e+a do
preso /3 não se via) Uma sentinela 2icava de guarda a v3rias dessas covas, e
parecia *ue em torno era tudo deserto1@) "esse deserto, mantinha1se o preso nu, so6
o a6rasador sol da Fong:lia e so6 o 2rio nocturno, sem se lhe 2a>er *ual*uer outra
tortura) .ara *u0 despender es2or+os com torturasY & rancho era composto de cem
gramas de pão e de um copo de 3gua por dia) & tenente (chulpeiov, um hércules *ue
era pugilista, de vinte e um anos de idade, esteve assim UF Fn%) Ao ca6o de de>
dias estava cheio de piolhos) Ao 2im de *uin>e dias 2oi chamado, pela primeira ve>,
para prestar declara+9es) 1Q) &6rigar o preso a p_r1se de /oelhos 1 não em sentido
2igurado, mas realJ de /oelhos e de tal modo *ue não se sentasse so6re os
calcanhares, mantendo o dorso aprumado) "o ga6inete do comiss3rio ou no corredor
pode 2or+ar1se o preso a 2icar nessa posi+ão durante do>e, vinte e *uatro e até
*uarenta e oito horas) R& mesmo comiss3rio de instru+ão pode ir a casa, dormir e
distrair1se, pois tem o sistema 6em organi>adoJ /unto da pessoa a/oelhada é posta
uma sentinela e as sentinelas rendem1se 14) A *uem é conveniente colocar assimY ]
*ueles *ue, tendo /3 o Lnimo *ue6rantado, se inclinam a ceder) E é 6om p_r assim as
mulheres) 'vanov1$a>umniA descreve outra variante desse métodoJ tendo posto o /ovem
ordAipanid>e de /oelhos, o comiss3rio urinou1lhe no rostoX E *ue sucedeuY (endo
resistido a outros métodos, ordAipanid>e do6rou1se a este) 'sto signi2ica *ue ele
tem um e2eito positivo so6re os *ue são altivos))) 19) &u então, simplesmente,
o6rigar o preso a permanecer de pé15) .ode1se deix31lo de pé s: durante os
interrogat:rios, o *ue tam6ém extenua e *ue6ranta) .ode1se 2a>01lo sentar nos
interrogat:rios, mantendo1se de pé entre um interrogat:rio e outro Rp9e1se um
vigilante de guarda, o *ual impede o preso de se apoiar nas paredes e, se o preso
dorme ou cai, lhe d3 pontapés e o levantaS) ]s ve>es, um dia inteiro de pé 6asta
para *ue uma pessoa 2i*ue sem 2or+as e declare o *ue se dese/a) 4C) #urante todo o
tempo em *ue o preso 2ica de pé Rtr0s, *uatro, cinco diasS ha6itualmente não se lhe
d3 de 6e6er) (orna1se cada ve> mais clara a com6ina+ão dos métodos psicol:gicos e
1@ 'sto era, pelos vistos, de inspira+ão mong:lica) A revista "iva de 15 de Far+o
de 1914, na p3g) 41Q, inseria uma gravura de um c3rcere mongol em *ue se via cada
preso encerrado no seu 6a<, com um pe*ueno ori2-cio para a ca6e+a e para introdu>ir
a alimenta+ão) Um guarda andava por entre os 6a<s) 14 .or*ue h3 *uem tenha come+ado
os seus anos de /uventude precisamente assim, permanecendo de guarda ,s pessoas
a/oelhadas) Agora, certamente, t0m /3 gal9es e os seus 2ilhos são /3 adultos) 15
Fétodo designado, entre n:s) nos tempos da .)')#)E) e da #)B)%), de triste mem:ria,
por 7tortura da est3tua8) R") dos ()S 1CQ A$DU'.E AB& #E BU AB 2-sicos) ?
ompreende1se, tam6ém, *ue todas as medidas precedentes estão ligadas , priva+ão do
sono) 41) .riva+ão do sono, tortura *ue não era avaliada na 'dade Fédia na sua
/usta medidaJ não se conhecia a estreite>a dos limites do diapasão em *ue o homem
conserva a sua personalidadeW a priva+ão do sono Rligada ainda por cima ,
manuten+ão de pé, , sede, , lu> intensa, ao pavor e , incerte>a 1 *ue longe 2icam
as torturas medievais`XS turva o racioc-nio, *ue6ra a 2or+a de vontade, e o homem
perde a no+ão do seu eu) R'sso 2a> lem6rar a narrativa de (cheAhovJ 7Duero dormir8W
mas a- tudo é muito mais 23cil, pois a mo+a pode recostar1se, experimentar
intervalos de lucide>, os *uais, por um minuto *ue se/a, re2rescam salutarmente o
cére6ro) A pessoa 2ica semi1inconsciente, ou totalmente inconsciente, de maneira
*ue se torna /3 imposs-vel levar a mal as suas declara+9es1;))) & argumento eraJ
7Voc0 não é sincero nas suas declara+9es, e por isso não se lhe permite dormirX8
.or ve>es, supremo re2inamento, em ve> de p_r o preso de pé, sentavam1no num divã
macio, *ue predispunha especialmente ao sono Ro guarda de plantão sentava1se ao
lado do divã, e dava1lhe pancadas cada ve> *ue ele 2echava os olhosS) Eis como uma
vitima descreve Rantes disso, tinha passado um dia na 6ox dos perceve/osS as suas
sensa+9es depois da torturaJ 7%ente1se um cala2rio, devido , grande perda de
sangue) %ecam1se as mem6ranas dos olhos, como se diante da vista alguém 6randisse
um 2erro incandescente) A l-ngua incha1se devido , sede e pica como um ouri+o ao
mais leve movimento) &s espasmos da degluti+ão parecem cortar a garganta15) A
priva+ão do sono é uma 2orma superior de tortura e não deixa a6solutamente nenhuns
vest-gios vis-veis, nem se*uer motivo de *ueixas, mesmo *ue irrompa amanhã uma
inspec+ão imprevista1Q) 7"ão lhe permitiram dormirY Fas isto a*ui não é uma casa de
repousoc &s 2uncion3rios, tal como voc0, tam6ém não dormiram8 Rmas de dia, eles
des2orraram1seXS .ode di>er1se *ue a priva+ão do sono passou a ser um meio
universalmente utili>ado pelos :rgãos, tendo passado mesmo da categoria de
tortura , de regra da seguran+a do Estado, pois revelou1se um método mais 6arato,
*ue 'magine1se, em tal estado de pertur6a+ão, um estrangeiro *ue não sa6e russo e a
*uem dão algo a assinar) Um 63varo, Kup Ashen6renner, assinou desse modo um
documento, a2irmando *ue tra6alhava numa cLmara de g3s) %omente no campo, em 1945,
conseguiu, en2im, provar *ue nessa época 2re*uentava, em Funi*ue, um curso de
soldadura a electricidade) 15 B) F)
Entretanto, uma inspec+ão era de tal modo impens3vel, "U"?A se 2i>era, *ue *uando
uma comissão entrou na cela do ministro da %eguran+a do Estado, A6aAumov, /3 preso
em 195)@, ele rece6eu1a 3s gargalhadas, considerando1a uma misti2ica+ão) A$DU'.E
AB& #E BU AB 1C9 permitia prescindir de sentinelas especiais) Em todas as pris9es
onde se procede , instru+ão não se pode dormir um minuto se*uer, desde o to*ue de
alvorada até , hora de deitar Rem %uAhanovAa e noutros c3rceres, a tarim6a é
recolhida na parede durante o diaW noutros, ainda, não é permitido deitar1se, nem
mesmo, estando sentado, 2echar os olhosS) E os interrogat:rios mais importantes são
2eitos de noite) E algo de autom3ticoJ a*uele a *uem est3 a ser instaurado o
processo não tem tempo de dormir, ao menos, durante cinco dias da semana Rnas
noites de s36ado para domingo e de domingo para segunda12eira os pr:prios
comiss3rios de instru+ão procuram descansarS) 44) Extensão do processo precedenteJ
a cadeia rolante dos investigadores) "ão s: não te deixam dormir, mas durante tr0s
ou *uatro dias és interrogado ininterrupta e alternadamente por comiss3rios *ue se
reve>am) 4@) A 6ox dos perceve/os, /3 re2erida) "um escuro arm3rio de madeira
criaram1se centenas de perceve/os, milhares talve>) (ira1se o casaco ou a 6lusa ao
preso, e logo, provindos das paredes e do tecto, caem em cima dele os 2amintos
insectos) #e come+o, o preso luta desesperadamente contra eles, mata1os,
esmagando1os contra si mesmo e contra as paredes, as2ixia11se com o seu cheiro e,
ao 2im de algumas horas, en2ra*uecido e resignado, deixa1se sugar) 44) &s
cala6ou+os) .or muito mal *ue se este/a na cela, os cala6ou+os são sempre pioresW
uma ve> l3, a cela parece sempre um para-so) "o cala6ou+o, o homem 2ica extenuado
pela 2ome e ha6itualmente pelo 2rio Rem %uAhanovAa h3 cala6ou+os escaldantesS)
Assim, os cala6ou+os de e2orto1vo não são /amais a*uecidos, mas apenas os
corredores, e ao longo destes os vigilantes de guarda A"#AF de um lado para o outro
com 6otas de 2eltro e casacos 2orrados de algodão) & preso, *uanto a ele, é despido
e deixado em roupa interior, e ,s ve>es s: em cuecas, devendo permanecer im:vel
Rdevido , 2alta de espa+oS durante tr0s a cinco dias Rs: ao terceiro lhe servem
rancho *uenteS) "os primeiros minutos pensa para si mesmoJ 7"ão resistirei se*uer
uma hora)8 Fas por uma espécie de milagre, a)pessoa ali 2ica os seus cinco dias,
contraindo, talve>, uma doen+a para toda a vida) &s cala6ou+os apresentam
variantesJ a humidade ou a 3gua) J3 depois da guerra, B) Facha 2oi mantida no
cala6ou+o da prisão de (chemovits duas horas descal+a com 3gua gelada até aos
torno>elosJ 7?on2essaX8 REla tinha de>oito anosW como davam pena as suas pernas e
*uanto tempo teria ainda de viver com elasXS 45) #ever1se13 considerar como uma
variante do cala6ou+o o encerramento de pé num nichoY J3 em 19@@, na B).)U) de
=ha6arovsA, torturaram assim %) A) (che6otariovJ encerraram1no nu num nicho de
cimento, de tal 2orma *ue não podia do6rar os /oelhos, nem erguer1se, nem
endireitar os 6ra+os, nem voltar a ca6e+a) Fais aindaJ come+ou a cair, gota a gota,
3gua 2ria R*ue p3gina de antologiaX)))S, derramando1se1lhe pelo corpo em regueiros)
"ão comunicaram a (che6otariov, como se compreende) 11C A$DU'.E AB& #E BU AB *ue
isso iria durar apenas vinte e *uatro horas) .or terr-vel, ou não, *ue 2osse, o
caso é *ue o preso desmaiou e, no dia seguinte, *uando o viram, ele estava como
morto, s: tendo recuperado os sentidos no leito do hospital) Voltou a si com amon-
aco, ca2e-na e massagens no corpo) Fas demorou muito a lem6rar1se como tinha ido
ali parar e o *ue lhe havia sucedido na véspera) #urante todo um m0s 2icou
inutili>ado mesmo para os
interrogat:rios) RAtrevemo1nos a supor *ue esse nicho e a instala+ão dessa
gota1a11gota não 2oram 2eitos s: para (che6otariov) Em 1949, um meu conhecido, 1de
#niepropetrovsA, esteve numa instala+ão parecida, é certo *ue sem tal sistema)
Entre =ha6arivsA e #niepropetrovsA, e ao longo de de>asseis anos, poderemos supor
tam6ém a exist0ncia de outras instala+9esYS 4;) A 2ome, /3 mencionada entre os
e2eitos com6inados) "ão é assim um meio tão raro, o6ter a con2issão do preso
através da 2ome) .ropriamente 2alando, o elemento 2ome, assim como a utili>a+ão da
noite, 2a> parte do sistema geral de pressão) & ex-guo rancho prisional de
tre>entos gramas de pão, em 19@@, em tempo de pa>, de *uatrocentos e cin*uenta
gramas em 1945, na u6ianAa, o /ogo da autori>a+ão e da proi6i+ão de rece6er pacotes
e de 2a>er vir comida de 2ora, tudo isso é utili>ado a6solutamente com todos, é
universal) Fas existe uma utili>a+ão re2inada da 2omeJ por exemplo, (chulpeniov 2oi
mantido durante um m0s a cem gramas di3rios) Ga>endo1o sair da 2ossa, o comiss3rio
instrutor %oAolov colocava diante dele uma panela)de 6orche, um caldo espesso, meio
pão cortado ,s 2atias em diagonal Risso parece não ter importLncia, mas (chulpeniov
ainda ho/e insiste no 2acto de o pão estar cortado de 2orma muito tentadoraS e
entretanto não lhe dava nada de comer) ?omo tudo isto é velho, 2eudal, da idade das
cavernasX A <nica novidade é ser aplicado na sociedade socialistaX &utros 2alam
tam6ém de processos an3logos) E coisa 2re*uente) Fas n:s vamos de novo relatar o
caso de (che6otariov, dado *ue é o produto de muitas com6ina+9es) Gecharam1no
durante setenta e duas horas no ga6inete do investigador e a <nica coisa *ue lhe
permitiam era ir , retrete) #e resto, não o deixavam comer, nem 6e6er Rao lado
estava um /arro com 3guaS, nem dormir) "o ga6inete encontravam1se sempre tr0s
investigadores) (ra6alhavam em tr0s turnos) Um escrevia todo o tempo Rem sil0ncio e
sem in*uietar em nada o presoXS, o segundo dormia num divã e o terceiro andava pelo
ga6inete e sempre *ue (che6otariov dormitava espancava1o imediatamente) #epois
alternavam as 2un+9es) R(alve> *ue a eles pr:prios os tivessem trans2erido para
a*uela situa+ão de caserna, por não darem conta do recadoYS E, de repente, levaram
comida a (che6otariovJ 6orche ucraniano, cheio de gordura, uma costeleta com
6atatas 2ritas e uma caneca de cristal com vinho tinto) (che6otariov, *ue ao longo
da sua vida sempre teve aversão ao 3lcool, não 6e6eu vinho, a despeito das
insist0ncias do investigador Re este não o podia 2or+ar muito, por*ue isso
estragava o /ogoS) #epois da re2ei+ão disseram a (che6otariovJ 7E agora assina as
declara+9es *ue 2i>este diante de duas testemunhasX8, isto é, o *ue 2ora redigido,
A$DU'.E AB& #E BU AB 111 em sil0ncio, perante o investigador *ue dormia e o outro
*ue velava) #esde a primeira p3gina *ue (che6otariov veri2icara *ue mantinha
estreitas rela+9es com todos os mais destacados generais /aponeses e *ue de todos
tinha rece6ido miss9es de espionagem) E p_s1se a riscar as 2olhas) Espancaram11no e
puser3m1no 2ora do ga6inete) Fas Ilaguinine, tam6ém dos caminhos de 2erro da ?hina
&riental, preso com (che6otariov, *ue tinha so2rido o mesmo *ue ele, 6e6era o vinho
e, em estado de agrad3vel em6riague>, assinara o papel, Vindo a ser 2u>ilado) R.ara
*uem este/a tr0s dias sem comer, o e2eito *ue 2a> um s: copitoX Duanto mais uma
canecaXS 45) & espancamento sem deixar vest-gios) Utili>am1se matracas de 6orracha,
malhetes e sacos de areia) E muito doloroso *uando 6atem nos ossos, por exemplo,
*uando o investigador d3 pontapés nas t-6ias, onde o osso est3 mais , 2lor da pele)
=arpunitch1 Iraven, comandante de 6rigada, 2oi espancado durante vinte e um dias
consecutivos) RE ainda di>J 7#epois de trinta anos, continuam a doer1me todos os
ossos e a ca6e+a)8S Ao recordar o *ue ele e outros relatam, =arpunitch1Iraven
enumera cin*uenta e duas
2ormas de tortura) Eis ainda outraJ as mãos são apertadas com um aparelho especial,
de maneira *ue as palmas 2i*uem planas so6re a mesa, e então 6ate1se1lhes com uma
régua nas articula+9es T pode1se rugir de dorX %er3 necess3rio re2erir em
particular o espancamento dos dentes até parti11losY R=arpunitch 2icou com oito
*ue6rados)S19 ?omo *ual*uer pessoa sa6e, um murro no plexo, *ue corta a respira+ão,
não deixa o menor vest-gio) & coronel %idorov, em e2ortovo, /3 depois da guerra,
chutava com uma galocha nos :rgãos genitais de um homem pendurado Ros 2ute6olistas
*ue apanharam um pontapé nas virilhas podem avali31loS) "ada existe de compar3vel a
esta dor, e ha6itualmente perdem1se os sentidos4C) 4Q) "a ") =) V) #), de
"ovorossisA, inventaram umas certas ma*uinetas para esmagar as unhas) #epois, nos
campos de trLnsito, vimos muitos prisioneiros de "ovorossisA a *uem tinham ca-do as
unhas) 49) E a camisa de 2or+asY @C) E a 2ractura da espinha dorsalY R%empre na
mesma B) .) U) de =ha16arovsA, em 19@@)S @1) E o 2reio nos dentes Ra 7andorinha8SY
Este é um método da %uAha1novAa, mas tam6ém conhecido na cadeia de ArcLngel
Rcomiss3rio de instru+ão 19 Ao secret3rio do ?omité $egional do .artido de ?arélia,
B) =uprianov, partiram11lhe alguns dentes) Uns eram naturais e não entraram em
conta, mas outros eram de ouro) .rimeiro deram1lhe um reci6o, provando *ue os
entregara no dep:sito para guardar) #epois, aperce6eram1se disso e tiraram1lhe o
reci6o) 4C Em 191Q, o (ri6unal $evolucion3rio de Foscovo /ulgou o antigo guarda da
prisão c>arista, Iondar) ?omo exemplo FZ!'F& da sua crueldade, constava da
acusa+ão, *ue 7uma ocasião espancou um preso pol-tico com tal 2or+a *ue lhe
re6entou os t-mpanos8) R=ri1lenAoJ Em ?inco Anos, p3g) 1;) 114 A$DU'.E AB& #E BU AB
'vAov, no ano de 194CS) Fete1se uma toalha comprida de pano cru pela 6oca Ro 2reioS
e depois, pelas costas, atam1se as pontas aos calcanhares) Experimente1se 2icar
assim, com o dorso curvado e rangendo, sem 3gua nem comida, uns dois dia>itos41)
%er3 necess3rio continuar a 2a>er esta enumera+ãoY ^aver3 muito ainda a re2erirY
Due mais não inventarão os ociosos, saciados e insens-veisY))) 'rmãoX "ão censures
a*ueles *ue ca-ram em tais situa+9es, *ue se mostraram 2racos e assinaram o *ue não
deviam))) "ão lhes atires pedras) Fas ve/a1seJ não são necess3rias essas torturas,
nem se*uer os métodos 7mais suaves8 para o6ter con2iss9es da maioria, para apanhar
entre os dentes de 2erro os cordeirinhos *ue não estão precavidos e *ue se es2or+am
por regressar aos seus c3lidos lares) E demasiado desigual a rela+ão de 2or+as e de
situa+9es) &h, a *ue nova lu> nos aparece a nossa vida passada, assim trans6ordante
de perigos, como numa verdadeira selva a2ricana, *uando vista do ga6inete do
investigadorX E n:s *ue a consider3vamos tão simplesX Voc0, A, e o seu amigo, I,
conhecendo1se de longos anos e con2iando inteiramente um no outro, *uando se
encontravam 2alavam ousadamente de pol-tica, da pe*uena e da grandeW sem *ue
ninguém ouvisse) E voc0s não se denunciaram, de maneira alguma) Fas eis *ue voc0,
A, 2oi detectado por *ual*uer ra>ão, *ue o apanharam pelas orelhas, o tiraram da
manada e o prenderam) E, 2osse pelo *ue 2osse Rtalve> sem ter havido uma den<ncia
contra si, não sem recear pela sorte dos seus 2amiliares, não sem um pouco de
priva+ão de sono, e não sem ter passado pela 6oxS voc0 decidiu deixar1se ir a6aixo,
mas não denunciando ninguém, acontecesse o *ue acontecesseX E assinou *uatro autos,
reconhecendo *ue era um inimigo /urado do poder soviético, por*ue contava anedotas
so6re o ?he2e, dese/ava *ue houvesse dois candidatos , escolha nas elei+9es,
entrava na ca6ina eleitoral com a inten+ão de riscar o nome do candidato <nico,
em6ora não houvesse tinta no tinteiro, e, além disso, no seu aparelho de r3dio, com
o comprimento de onda de de>asseis metros, tentava, através das inter2er0ncias,
escutar emissoras ocidentais) .ode agora estar seguro de apanhar uns de> anos, mas
tem as costelas inteirasW por en*uanto não apanhou nenhuma pneumonia, não entregou
ninguém e parece *ue se livrou inteligentemente) E /3 di> na cela *ue, por certo, o
seu caso se aproxima do 2im) Fas, aten+ãoX $evendo lentamente a sua caligra2ia,
o /ui> de instru+ão come+a a redigir o auto n<mero cinco) .erguntaJ 1 Fantinha
rela+9es de ami>ade com IY 41 ") =) B) A$DU'.E AB& #E BU AB 11@ 1 %im) 1 Era
sincero com ele em *uest9es pol-ticasY 1 "ão, nãocon2iava nele) 1 Fas voc0s
encontravam1se com 2re*u0nciaY 1 "ão muita) 1 ?omo nãoY %egundo as declara+9es dos
seus vi>inhos, ele estava na sua casa no <ltimo m0s, em tal, tal e tal data) E
verdadeY 1 Iom, pode ser) 1 Ao mesmo tempo, eles notaram *ue, como sempre, voc0s
não 6e6iam, não 2a>iam 6arulho, 2alavam em vo> 6aixa e nada se ouvia no corredor)
RAhX Ie6am, amigosX .artam garra2asX Britem palavr9esX 'sso torna11vos de mais
con2ian+aXS 1 &ra, o *ue é *ue isso tem a verY 1 E voc0 tam6ém o visitou, voc0
disse1lhe pelo tele2oneJ 7.ass3mos uma tarde agrad3vel)8 #epois 2oram vistos na
es*uina, estiveram meia hora ao 2rio, de rostos carrancudos, com uma expressão
descontente) Justamente, até 2oram 2otogra2ados) R(écnica dos agentes, amigo,
técnica dos agentesXS Então, so6re *ue é *ue 2alavam nesses encontrosY %o6re *u0Y
Eis uma pergunta assustadoraX .rimeiro pensamentoJ voc0 es*ueceu1se da*uilo so6re
*ue 2alavam) Acaso tem a o6riga+ão de se recordarY Est3 6em, es*ueceu1 se da
primeira conversa) E da segunda, tam6émY E da terceira, igualmenteY E até da dessa
tarde agrad3velY E da da es*uinaY E das conversas com ?Y E das conversas com #Y
"ão, pensando 6em, di>er *ue 7se es*ueceu8, não é uma sa-da, é algo de imposs-vel
manter) E o seu cére6ro, pertur6ado pela deten+ão, aturdido pelo terror, con2uso
pela ins:nia e pela 2ome, come+a a magicarJ como amanhar1se da maneira mais veros-
mil e pregar uma partida ao comiss3rio de instru+ão) %o6re *u0YX))) Era 6om se
2alassem so6re h:*uei Ré, em todos os casos, o *ue h3 de mais seguro, amigosXS, e
inclusive so6re mulheres e ci0ncia) Fas, então h3 *ue repetir tudo Ra ci0ncia é
assunto *ue não 2ica muito longe do h:*uei, s: *ue no nosso tempo, na es2era da
ci0ncia, tudo é secreto e pode1se cair so6 a al+ada do ucasse acerca da divulga+ão
de segredosS) E se na realidade voc0s 2alavam so6re as novas deten+9es na cidadeY
&u dos AolAho>esY RE naturalmente mal, pois não h3 *uem 2ale 6em deles)S &u so6re a
6aixa das remunera+9es das normas de produ+ãoY .or*ue é *ue voc0sa 2alavam assim
carrancudos, durante uma meia hora, , es*uinaY %o6re *ue é *ue 2alavamY (alve> *ue
I tenha sido preso Ro comiss3rio a2irma1lhe *ue sim, *ue ele /3 2e> declara+9es
so6re si e *ue agora vão tra>01lo para acarea+ãoS) (alve> este/a muito tran*uilo em
sua casa, mas para os 2ins do interrogat:rio vão arrast31lo até a*ui e
con2ront31los um com o outroJ por*ue é *ue estavam carrancudos , es*uinaY
Agora voc0 compreendeu mas /3 é tardeJ a vida é 2eita de tal modo *ue, em *ual*uer
ocasião, ao despedirem1se, as pessoas devem p_r1se de acordo 114 A$DU'.E AB& #E BU
AB e recordar com exactidão o assunto so6re *ue 2alaram nesse dia) #essa 2orma, em
*ual*uer interrogat:rio, as declara+9es coincidirão) Fas voc0s não se puseram de
acordoX Voc0s não imaginaram o *ue é esta selvaX #i>er *ue estavam a com6inar ir
/untos , pescaY Fas I dir3 *ue não se tratava de pesca nenhuma, mas *ue 2alavam
so6re o ensino por correspond0ncia) "ão, em ve> de 2acilitar a investiga+ão, voc0
não 2a> senão apertar mais o n:J so6re *u0Y, so6re *u0Y E vem1lhe , ca6e+a uma
ideia T acertada ou ne2astaY E necess3rio 2alar o mais aproximadamente poss-vel do
*ue se passou na realidade Revidentemente, arredondando todas as arestas e pondo de
parte tudo o *ue 2or perigosoS) "ão se di> *ue uma 6oa mentira deve sempre ro+ar a
verdadeY .or certo *ue I se aperce6er3 e contar3 algo de semelhante, as declara+9es
coincidirão e ver1te13s livre deles) #entro de muitos anos voc0 aca6ar3 por
compreender *ue se tratava de uma ideia completamente insensata e *ue teria sido
muito melhor 2a>er11se passar pelo mais completo idiotaJ 7"ão me recordo de um s:
dia da minha vida, ainda *ue me matem)8 Fas voc0 /3 não dormia h3 tr0s dias) Duase
não tinha 2or+a para manter as suas pr:prias ideias e a impertur6a6ilidade do seu
rosto) "em tempo para re2lectir um minuto se*uer) E simultaneamente dois
comiss3rios de instru+ão Reles gostam de visitar1seS apertaram consigoJ so6re *u0Y,
so6re *u0Y E eis *ue voc0 presta declara+9esJ 7Gal3vamos so6re os AolAho>es R*ue
não est3 tudo em ordem, mas depressa se arran/ar3S) %o6re a 6aixa das remunera+9es
das normas de produ+ão)))8 1 7E *ue di>iam precisamenteY Alegravam1se com a 6aixaY8
As pessoas normais não podem 2alar assim, isso é inveros-mil) .ara *ue tenha alguma
verosimilhan+a h3 *ue di>erJ *ueix3vamo1nos um pouco por apertarem as normas) E o
comiss3rio instrutor escreve o auto e tradu> na sua l-nguaJ durante este nosso
encontro caluni3mos a pol-tica do .artido e do Boverno na es2era dos sal3rios) E,
um dia, I censur31lo13J eh, palerma, eu tinha dito *ue est3vamos a com6inar ir
/untos , pesca))) Fas voc0 *ueria ser mais esperto e inteligente *ue o seu
comiss3rioX (er um racioc-nio mais r3pido e su6tilX Ah, os intelectuaisX Goi
demasiado longe))) "o ?rime e ?astigo, .or2-rio .etrovitch 2e> a $a>AolniAov uma
o6serva+ão assom6rosa, *ue s: podia desencantar *uem passou por estas 6rincadeiras
do gato e do ratoJ 7?om voc0s, os intelectuais, eu não necessito de ela6orar a
minha versão, voc0s pr:prios a constroem e ma apresentam /3 2eita)8 %im, é mesmo
assimX Um intelectual não pode responder com a em $e2er0ncia ao /ulgamento de um
campon0s *ue desapara2usa uma porca da linha 2érrea para 2a>er uma rede de pesca) &
Fal2eitor, 1Q55) R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB 115 cantadora incoer0ncia do
7mal2eitor844 de (cheAhov) Ele es2or+ar1se13, sem 2alta, por dar 2orma a toda a
hist:ria de *ue o acusam, por encontr31la o mais mentirosa e coerentemente poss-
vel) &ra o comiss3rio1carniceiro não é esta coer0ncia *ue apreende, mas apenas duas
ou tr0s 2rases) Ele sa6e, pois, o valor de cada coisa) E n:s não estamos preparados
para nadaX))) %omos educados e preparados desde a /uventude para a nossa
especialidade, para as o6riga+9es de cidadão, para o servi+o militar, para os
cuidados a ter com o nosso corpo, para um comportamento conveniente, e mesmo para a
compreensão da 6ele>a Rem6ora não muitoS) Fas nem a instru+ão, nem a educa+ão, nem
a experi0ncia nos preparam
nunca, por pouco *ue se/a, para a grande prova da vidaJ a deten+ão por nada e o
interrogat:rio so6re nada) &s romances, as pe+as de teatro, os 2ilmes Ros seus
autores deviam provar, eles mesmos, da ta+a de BU ABXS apresentam1nos a*ueles *ue
podemos encontrar no ga6inete do comiss3rio de instru+ão como verdadeiros
cavaleiros da verdade e da 2ilantropia, como os nossos pr:prios pais) E so6re
*uantas coisas não nos 2a>em con2er0nciasX Gor+ando1nos até a assistir a elasX Fas
ninguém nos 2a> uma con2er0ncia so6re o sentido verdadeiro e o sentido amplo dos
c:digos penaisW sim, e esses mesmos c:digos não se encontram , vista nas
6i6liotecas, não se vendem nos *uios*ues, nem chegam ,s mãos da /uventude
despreocupada) Duase parece uma lenda *ue, algures, para além dos mares, o réu
possa 6ene2iciar da a/uda de um advogado) & *ue signi2ica, no momento mais di2-cil
da luta, ter a seu lado alguém com intelig0ncia clara, *ue conhece todas as leisX &
princ-pio da nossa instru+ão /udicial consiste ainda em privar o acusado até do
conhecimento das pr:prias leis) E1lhe apresentado o termo da acusa+ão))) E a
prop:sitoJ 7Assine)8 T 7Eu não concordo com ela)8 T 7Assine)8 T 7Fas não sou
culpado de nadaX8 1 7Voc0 é acusado em con2ormidade com os artigos 5Q11C, segunda
parte, e 5Q111, do ?:digo .enal da $ep<6lica %ocialista %oviética Gederativa $ussa)
AssineX 8 1 7Fas *ue di>em esses artigosY #eixe1me ler o c:digoX8 1 7Eu não o
tenho)8 T 7?onsiga1o do che2e da sec+ãoX8 1 7Ele tam6ém não o tem ao seu dispor)
AssineX8 1 7Fas eu pe+o1lhe *ue mo mostreX8 1 7"ão est3 prescrito *ue lho mostre,
não 2oi escrito para voc0s, mas sim para n:s) E a si não lhe 2a> 2alta, eu
explico1lheJ estes artigos são precisamente a*ueles *ue o inculpam) E, de resto,
voc0 não vai assinar para di>er *ue concorda, mas para con2irmar *ue leu o termo da
acusa+ão *ue lhe 2oi apresentado)8 "um dos papéis aparece de repente uma nova
com6ina+ão de letrasJ U) .) =)Y R?:digo de .rocesso .enalS) Voc0 2ica de pé atr3sJ
em *ue se di2erencia U) .) =) de U) =)Y R?:digo .enalS) %e voc0 teve a sorte de
cair em momento de 6oa disposi+ão do comiss3rio, ele explicar3J ?:digo de
.rocesso .enal) ?omoY 'sso signi2ica *ue não h3 s: um, mas sim dois c:digos
inteiros 11; A$DU'.E AB& #E BU AB *ue são por si desconhecidos, en*uanto é em
con2ormidade com essas leis *ue o castigamYX )))#esde então, passaram1se /3 de>,
*uin>e anos) E uma densa erva cresceu so6re a sepultura da minha /uventude) ?umpri
a condena+ão e até a deporta+ão por pra>o ilimitado) E em parte alguma nem nas
sec+9es de 7cultura e educa+ão8 dos campos de tra6alho, nem nas 6i6liotecas dos
distritos, nem se*uer nas cidades médias, pude /amais ver com os meus olhos, nem
ter nas minhas mãos, nem comprar, nem conseguir se*uer '"G&$FA$1FE so6re um c:digo
de direito soviéticoX4@ E centenas de presos conhecidos meus, *ue passaram pela
instru+ão de processos e pelo tri6unal, e em alguns casos estiveram mais de uma ve>
em campos de tra6alho e na deporta+ão, nenhum deles viu ou teve o c:digo nas mãosX
E s: *uando os dois c:digos /3 viviam os <ltimos dias da sua exist0ncia de trinta e
cinco anos, devendo de um momento para o outro ser su6stitu-dos por outros 1 s:
então eu os vi, os dois irmãos, sem encaderna+ão, o ?:digo .enal e o ?:digo do
.rocesso .enal, num *uios*ue de /ornais do metro de Foscovo Rtinham decidido p_1los
, venda pela sua inutilidadeS) E leio agora enternecidamente) .or exemplo,
no ?:digo do .rocesso .enalJ Artigo 1@; T & investigador não tem o direito de o6ter
declara+9es ou a con2issão do acusado por meio da viol0ncia e amea+as) R&s autores
estariam a olhar para a 3guaXS44
Artigo 111 1 & /ui> de instru+ão é o6rigado a esclarecer as circunstLncias suscept-
veis de condu>ir , não culpa6ilidade, 6em como ,s atenuantes da culpa) R7Fas eu
esta6eleci o poder soviético em &utu6roX))) Eu 2u>ilei =olt1chaAX))) Eu esmaguei os
AulaAsl))) Eu dei ao Boverno de> milh9es de ru6los das minhas economiasX))) Eu 2ui
duas ve>es 2erido na <ltima guerraX))) Eu 2ui condecorado tr0s ve>esX)))8 7"\& E
.&$ '%%&a DUE & .$&?E%%AF&%X)))8, ri1se a ^ist:ria pela 6oca do comiss3rio
instrutor) 7& *ue 2e> de 6om não se relaciona com o assunto)8S Artigo 1@9 1 &
acusado tem o direito de escrever as declara+9es pelo seu punho e com a sua letra,
e de exigir a introdu+ão de emendas no auto escrito pelo comiss3rio instrutor)
A*ueles *ue conhecem a atmos2era de suspeita existente entre n:s, compreendem
por*ue é *ue não se podia pedir para consultar um c:digo no (ri6unal .opular ou no
%oviete Executivo do distrito) & interesse pelo c:digo seria um 2en:meno
extraordin3rioJ ou voc0 se preparava para cometer um crime, ou para apagar os seus
vest-giosX 44 &lhar para a 3guaJ adivinhar o 2uturo , meia1noite, olhando 2ixamente
para um recipiente com 3gua) R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB 115 RAh, se eu
sou6esse disso a tempoX Felhor ditoJ se assim 2osse na realidadeX Fas é sempre por
2avor e sempre inutilmente *ue pedimos ao comiss3rio para não escreverJ 7As minhas
in2ames e caluniosas inven+9es8 em ve> de 7as minhas a2irma+9es erradas8 e 7o nosso
dep:sito clandestino de armas8 em ve> de 7a minha navalha 2errugenta8)S &h, se se
ministrasse previamente ao acusado um curso de ci0ncia prisionalX %e se come+asse
por 2a>er um ensaio da instru+ão e s: depois tivesse lugar a verdadeira))) ?om os
reincidentes de 194Q /3 não 2i>eram todo este /ogo da instru+ão do processoJ teria
sido em vão) Fas os novatos não t0m experi0ncia, não t0m conhecimentosX E não podem
aconselhar1se com *uem *uer *ue se/a) & isolamento do acusadoX Eis outra condi+ão
do 0xito da instru+ãoX %o6re a vontade solit3ria e violentada deve cair todo o
aparelho destruidor) #esde o momento da deten+ão e durante todo o primeiro per-odo
de cho*ue, o acusado deve estar idealmente s:J na cela, no corredor, nas escadas,
nos ga6inetes T ele não deve encontrar1se, onde *uer *ue se/a, com um dos seus
semelhantes, nem rece6er o sorriso de ninguém, um olhar de simpatia, um conselho ou
um est-mulo) &s :rgãos tudo 2a>em para lhe eclipsar o 2uturo e de2ormar o presenteJ
2a>em1lhe crer *ue todos os seus amigos e 2amiliares 2oram presos e apanhados com
provas materiaisW exageram as possi6ilidades de repressão contra ele e os seus
-ntimos, 6em como acenar com a compet0ncia para conceder o perdão R*ue os :rgãos,
em geral, não t0mSW ligam a sinceridade do 7arrependimento8 , 6randura da
condena+ão e do regime no campo Rnunca houve tal rela+ãoS) "o curto espa+o de tempo
em *ue o detido est3 a6alado, atormentado e 2ora de si, h3 *ue o6ter dele o m3ximo
poss-vel de declara+9es irremedi3veis, *ue enredar o maior n<mero poss-vel de
pessoas de nada culpadas Ralgumas caem num desLnimo tal *ue até pedem *ue não lhes
leiam o auto em vo> alta, pois 2alecem1lhes as 2or+as, e *ue s: lho d0em a
assinarS) E s: *uando estas são trans2eridas da cela individual para a colectiva,
s: então é *ue, com tardio desespero, desco6rem e se aperce6em dos seus anteriores
erros) ?omo não enganar1se num tal dueloY Duem é *ue não se enganariaY #issemos h3
poucoJ 7Estar idealmente s:)8 )Entretanto, nos c3rceres superlotados, em 19@5 Re
tam6ém em 1945S, este princ-pio do isolamento ideal do acusado recém1detido, não
p_de ser o6servado) ogo *uase desde as primeiras horas, o preso encontrava1se na
cela geral, densa e a6arrotada)
Fas isto tam6ém tinha os seus méritos, *ue ultrapassavam os inconvenientes) A
a6undLncia de gente na cela não s: su6stitu-a a estreite>a da cela individual, mas
surgia tam6ém como uma tortura de primeira ordem, especialmente valiosa por*ue se
prolongava por dias e semanas inteiros, e sem es2or+os alguns dos comiss3rios
instrutoresJ os presos torturavam os pr:prios presosX Fetiam tantos na mesma cela
*ue cada um aca6ava por não conseguir nem um pedacito de solo, espe>inhando1se
mutuamente e nem se*uer se podiam mexer, sentando1se so6re as pernas uns dos
outros) 11Q A$DU'.E AB& #E BU AB Assim, na prisão preventiva de =ichiniev, em 1945,
numa cela individual metiam #EU&'(& homensW em ugansA, em 19@5, DU'"UE45W e, em
19@Q, numa cela de tipo standart de IutirAi, prevista para vinte e cinco pessoas,
'vanov1$a>umniA esteve com ?E"(& E DUA$E"(A Ras retretes estavam tão
so6recarregadas *ue s: permitiam ir uma ve> por dia 2a>er as necessidades, e por
ve>es s: pela noite, o mesmo se passando com o recreio4;) & mesmo 'vanov calculou
*ue na sala de recep+ão da u6ianAa, o 7canil8, durante semanas inteiras, havia um
metro *uadrado para ($n% homens Rcalculem a olho o *ue isso representa e procurem
arran/ar lugarXS45) "o canil não havia /anela nem ventila+ão e, devido ao calor dos
corpos e da respira+ão, a temperatura atingia *uarenta a *uarenta e cinco grausX
(odos se deixavam 2icar em cuecas Ras roupas de 'nverno serviam11lhes para se
sentarem, os seus corpos nus apertavam1se como uma prensa, e, devido ao suor
alheio, a pele so2ria de ec>emaS) Assim estiveram durante semanas, sem *ue os
deixassem respirar , vontade ou 6e6er 3gua R, excep+ão do rancho e do ch3 da
manhãS)4Q %e ainda por cima o 6alde su6stitu-a a latrina Rou se, pelo contr3rio,
para 2a>er as necessidades não havia 6alde na cela, como nalgumas pris9es
si6erianasSW se os presos comiam aos *uatro, numa tigela, so6re os /oelhos uns dos
outrosW se estavam constantemente a levar uns para os interrogat:rios e a tra>01los
espancados, insones e al*ue6radosW se o aspecto destes convencia melhor *ue todas
as amea+as do investigadorW e se a*uele *ue h3 /3 alguns meses não era chamado,
*ual*uer morte ou *ual*uer campo parecia mais leve do *ue continuar encolhido nesse
espa+o, não su6stituiria 15 A instaura+ão do processo de alguns deles durou de oito
a de> meses) 7?ertamente =lim nunca esteve numa cela individual como esta8, di>iam
os rapa>es Re esteve ele por acaso presoYS) $e2eriam1se a =lim Vorochilov, natural
de ugansA) "esse mesmo ano, na prisão de IutirAi, os recém1detidos *ue /3 tinham
passado pelo 6anho e pela 6ox 2icavam durante dias e dias sentados nos degraus das
escadas, esperando *ue sa-ssem os *ue iam para a deporta+ão para ter lugar nas
celas) ())) esteve preso sete anos em IutirAi, antes de 19@1, e relataJ tudo estava
a6arrotado e havia presos de6aixo das tarim6as, deitados no solo as2altado) Eu
voltei a estar l3 preso sete anos depois, em 1945, e a situa+ão era a mesma)
$ecentemente rece6i de F) =) I) um valioso testamento pessoal so6re a superlota+ão
na cadeia de IutirAi, no ano de 191QJ em &utu6ro desse ano Rsegundo m0s do terror
vermelhoS, ela estava tão repleta *ue até na lavandaria arran/aram uma cela para
setenta mulheresX Duando é *ue esteve então va>ia a prisão de IutirAiY Fas isto não
é milagre nenhumJ no c3rcere da %eguran+a do Estado, em 194Q, numa cela de tr0s
metros *uadrados havia permanentemente trinta pessoasX R%) .otapov)S #uma 2orma
geral, no livro de 'vanov1$a>umniA h3 muito de super2icial e de pessoal, 6em como
pilhérias 2atigantemente mon:tonas) Fas descreve 6em a vida *uotidiana, nos anos de
19@51@Q) A$DU'.E AB& #E BU AB
119 isso, de modo per2eito, a solidão teoricamente idealY "um tal amontoado humano
nem sempre uma pessoa se decide a a6rir1se com alguém e nem sempre encontra com
*uem se aconselhar) E acredita1se mais depressa nas torturas e nos espancamentos,
não propriamente *uando o investigador amea+a, mas *uando se podem veri2icar
através das pessoas) (oma1se conhecimento pelas pr:prias v-timas de *ue in/ectam
3gua salgada em clisteres pela garganta e depois, durante todo um dia, torturam um
preso, pela sede, no c3rcere =arpunitch) &u es2regam1lhe as costas com um ralador
até 2a>er sangue e depois regam1 no com aguarr3s) R& comandante de 6rigada
$udol2 .intsov so2reu uma e outra coisa, e ainda por cima lhe meteram agulhas pelas
unhas e as entumesceram com 3gua até incharem, exigindo *ue assinasse um auto em
*ue a2irmava *ue pretendia 2a>er avan+ar uma 6rigada de tan*ues contra o Boverno,
no des2ile de &utu6ro49)S E através de AleAsandrov, ex1administrador da sec+ão art-
stica da V) &) E) %)@C, *ue 2icou com uma 2ractura da coluna verte6ral, e *ue se
inclinava para um lado, sem poder conter as l3grimas, pode sa6er1se como IA('A Rem
194QS o pr:prio A6aAumov em pessoa) %im, é verdade, o pr:prio ministro da %eguran+a
do Estado, A6aAumov, não menospre>ava, de maneira alguma, esse tra6alho rudimentar
Rera um %uvorov sempre na primeira linhaXS, pegando de 6om grado, por ve>es, na
matraca de 6orracha) & seu su6stituto, $iumin, 6atia ainda com mais satis2a+ão)
Ga>ia isso em %uAhanovAa, no ga6inete de 7general8 do comiss3rio instrutor) &
ga6inete tem um revestimento *ue imita a madeira de nogueira, reposteiros de seda
nas /anelas e nas portas, e um tapete persa no soalho) .ara não estragar toda essa
6ele>a estende1se por cima do tapete uma passadeira su/a, com manchas de sangue)
$iumin é a/udado nos espancamentos, não por um simples guarda, mas por um coronel)
7Iom8, di> amavelmente $iumin, acariciando o 6astão de 6orracha de uns *uatro cent-
metros de diLmetro, 7voc0 resistiu com honra , prova do sono)8 RA) #) conseguiu,
com ast<cia, aguentar1se durante um m0sJ ele dormia de pé)S 7Agora vamos
experimentar a matraca de 6orracha) A*ui ninguém se aguenta mais de duas ou tr0s
sess9es) #ispa as cal+as e deite1se na passadeira)8 & coronel senta1 se nas costas
de A) #) Este prepara1se para contar as %aneadas rece6idas) Ele não sa6e ainda o
*ue são os golpes da matraca de orracha no nervo ci3tico, *uando as n3degas
emagreceram devido a uma 49 $ealmente, ele marchou , ca6e+a da 6rigada no des2ile,
mas, não se sa6e por*u0, não a 2e> avan+ar contra o Boverno) 'sso não é levado em
conta) Entretanto, ap:s as costumadas torturas in2ligidas, deram1lhe))) de> anos,
por incitar ao de6ilitamento do Boverno) A tal ponto os pr:prios pol-cias não
acreditavam no seu 0xito) @C %ociedade de $ela+9es ?ulturais com pa-ses
estrangeiros) R") dos ()S 14C A$DU'.E AB& #E BU AB 2ome prolongada) A pancada não
se sente no lugar, mas na ca6e+a, *ue parece estalar) #epois do primeiro golpe o
torturado enlou*uece de dor e torce as unhas so6re a passadeira) $iumin continua a
6ater, procurando acertar no s-tio /usto) & coronel calca o preso com o seu enorme
corpan>ilJ é um 6om tra6alho para *uem ostenta no om6ro tr0s estrelas grandes, ser
assistente do poderoso $iuminX R#epois da sessão, o espancado não pode andar e,
claro est3, não o transportam, arrastam1no pelo soalho) As n3degas incharam1se1lhe
logo, e a tal ponto *ue ele não pode a6otoar as cal+as, mas *uase não 2icaram
sinais do espancamento) %o6revem1lhe uma terr-vel diarreia e, sentado no 6alde da
cela individual, #) ri ,s gargalhadas) (em ainda por diante a segunda e a terceira
sess9es, a pele vai estalar1lhe, e $iumin, exasperado, come+ar3 a 6ater1lhe no
a6d:men,
per2urando1lhe o peritoneu) ?om o aspecto de uma grande hérnia, saem1lhe rolando os
intestinos) ?ondu>em então o preso , en2ermaria da prisão de IutirAi, com
peri1tonite, e interrompem, provisoriamente, as tentativas de o o6rigar a cometer
uma in2Lmia)S Eis como te podem tam6ém torturar a tiX #epois disto, parecer1te13
simplesmente tratar1 se de uma car-cia paternal, *uando o in*uiridor de =ichiniov,
#anilov, espanca o padre Victor ?hipovalniAov com uma tena> na nuca, arrastando1o
pelas gadelhas Raos padres é mais c:modo arrast311los assimW mas aos laicos
pode1se1lhes tam6ém puxar pela 6ar6a, de um extremo a outro do ga6ineteW e a
$ichard &Ahol, guarda vermelho 2inland0s, *ue participava na captura de %idneN
$eillN e era che2e de uma companhia durante o esmagamento da insurrei+ão de
=ronsdadt, levaram1no com um alicate, ora de um, ora de outro lado, pelas pontas do
seu enorme 6igode, mantendo1o assim, durante de> minutos, sem tocar com os pés no
soloS) Entretanto, o mais terr-vel *ue te podem 2a>er é despirem1te da cintura para
6aixo, colocarem1te de costas no so6rado, separarem1te as pernas e sentarem1se
so6re cada uma delas dois a/udantes Rdo glorioso corpo de sargentosS, agarrarem1te
pelas mãos, e o comiss3rio T não desdenham tal tare2a mesmo mulheres 1 coloca1se
entre as tuas pernas separadas, e com o 6ico da sua 6ota Rou sapatoS calca1te, a
pouco e pouco, gradualmente, e cada ve> com mais 2or+a, a*uilo *ue outrora te 2e>
homem, en*uanto te olha nos teus olhos e repete e repete as suas perguntas ou
propostas de trai+ão) %e ele não apertar demasiado 2ortemente e antes de tempo,
tens *uin>e segundos para gritar *ue con2essas tudo, *ue est3s disposto a 2a>er
prender as tais vinte pessoas *ue exigem de ti, ou a caluniar através da imprensa o
*ue tens de mais sagrado))) E *ue #eus te /ulgue, mas não os homens))) 1 "ão h3 sa-
daX (ens de con2essar tudoX 1 sopram1te aos ouvidos os delatores *ue meteram na tua
cela) T & c3lculo é simplesJ tens de conservar a sa<deX T di>em1te as pessoas
l<cidas) A$DU'.E AB& #E BU AB 141 1 #epois não te p9em outros dentes 1 avisam
a*ueles *ue /3 os não t0m) 1 #e *ual*uer 2orma condenam1te, *uer con2esses ou não 1
concluem os *ue compreendem a ess0ncia da *uestão) 1 A*ueles *ue não assinam são
2u>iladosX 1 pro2eti>a ainda alguém sentado a um canto) 1 .ara se vingarem) .ara
*ue não 2i*ue rasto de como se 2a> a instru+ão do processo) 1 E se morreres no
ga6inete comunicam , 2am-lia *ue est3s num campo de tra6alho, sem direito a
correspond0ncia) Due te procurem) 1 E se és um comunista ortodoxo, destacam um
outro ortodoxo para /unto de ti, o *ual, olhando su61repticiamente para *ue os
pro2anos não escutem, come+a a cochichar1te com ardor aos ouvidosJ 1 & rtosso dever
é apoiar a instru+ão /udicial soviética) A situa+ão é de com6ate) ":s pr:prios
somos os culpadosJ 2omos demasiado 6randos e assim se propagou esta podridão pelo
pa-s) ^3 uma cruel guerra secreta em curso) E a*ui, , nossa volta, h3 inimigos, não
ouves como se exprimemY & .artido não é o6rigado a prestar contas a cada um de n:s,
explicando por*u0 e para *u0) Uma ve> *ue o exige, isso signi2ica *ue é necess3rio
assinar) E aparece ainda um outro género de ortodoxosJ 1 Eu assinei, denunciando
trinta e cinco pessoasJ todos os meus conhecidos) E aconselho1vos a 2a>er o mesmoJ
a dardes o maior n<mero de nomes, a arrastardes atr3s de v:s o maior n<mero poss-
vel de gente) Então, tornar1se13 evidente *ue é um a6surdo e li6ertar1nos1ão a
todos)
E precisamente do *ue os :rgãos precisamX A consci0ncia do ortodoxo e os o6/ectivos
da ") =) V) #) coincidiam, naturalmente) A ") =) V) #) necessitava precisamente
desse le*ue, em ogiva, de homens, dessa sua reprodu+ão ampliada) Era esse o melhor
sintoma da *ualidade do seu tra6alho, ao mesmo tempo *ue a pista para o lan+amento
de novos la+os) 7?<mplicesX ?orreligion3riosX8, exigiam de todos com energia)
R#i>1se *ue $) $alov mencionou como c<mplice o cardeal $ichelieu, cu/o nome 2icou
anotado no auto, e *ue até ao interrogat:rio de rea6ilita+ão, em 195;, ninguém se
surpreendeu com isso)S E por 2alar ainda em ortodoxos) .ara reali>ar uma tal .U$BA
era preciso um %taline, mas era tam6ém preciso um .artido assimJ a maior parte dos
*ue estavam no .oder, até ao momento da sua deten+ão, prendiam implacavelmente,
ani*uilavam o6edientemente outros iguais a eles, entregando , repressão, por meio
da mesma instru+ão *ue agora so2riam, *ual*uer amigo ou companheiro de armas de
ontem) E todos os grandes 6olchevi*ues, agora coroados com a auréola de m3rtires,
conseguiram ser carrascos de outros 6olchevi*ues Rsem levar em conta *ue antes
disso /3 tinham sido todos carrascos dos sem partidoS) (alve> *ue 19@5 (E"^A %'#&
"E?E%%Z$'& para mostrar o pouco *ue valem essas ?&"?E.VoE% #& FU"#&, com as *uais
tão vigorosamente eles in2undiam coragem, revolvendo toda a $<ssia, acometendo
todas as suas cidadelas, espe>i1 144 A$DU'.E AB& #E BU AB nhando todos os seus
santu3rios 1 a $<ssia onde eles mesmos nunca 2oram amea+ados de tal repressão) As
v-timas dos 6olchevi*ues entre 191Q e 19@;, nunca se portaram de modo tão 6aixo
como os pr:prios 6olchevi*ues, *uando a tormenta os atingiu) %e examinarmos em
pormenor toda a hist:ria das pris9es e dos processos dos anos de 19@;119@Q, a maior
repugnLncia *ue sentiremos não ser3 perante %taline nem perante os seus sic3rios,
mas perante a 6aixe>a moral dos acusados, depois do seu anterior orgulho e
intransig0ncia) ))) Fas como resistir então, tu *ue és sens-vel , dor, *ue és
dé6il, *ue est3s ligado por vivas a2ei+9es e não est3s preparadoY))) Due 2a>er para
ser mais 2orte do *ue o comiss3rio instrutor e de *ue todas essas ratoeirasY E
preciso entrar na prisão, sem temer pela sua con2ort3vel vida passada) "o limiar da
cadeia, h3 *ue di>er a ti pr:prioJ a vida aca6ou, um pouco cedo, mas nada h3 a
2a>er) "ão regressarei , li6erdade) Estou condenado , morte, agora ou pouco mais
tarde, mas *uanto mais tarde pior, pois *uanto mais cedo 2or, menos duro ser3) J3
não tenho 6ens) &s meus entes *ueridos morreram para mim e eu para eles) & meu
corpo a partir de ho/e é in<tilJ um corpo estranho) %: o meu esp-rito e a minha
consci0ncia permanecem para mim *ueridos e importantes) Gace a um preso com tal
Lnimo a instru+ão /udicial treme) %: triun2a a*uele *ue renunciou a tudoX Fas como
converter o corpo em pedraY Ve/a1seJ do c-rculo de Ierdiaiev conseguiram 2a>er
2antoches para o tri6unal, mas não do pr:prio Ierdiaiev) Duiseram intentar1lhe um
processo, prenderam1no duas ve>es, condu>iram1no a um interrogat:rio nocturno Rem
1944S no ga6inete de #>er/insAi) 3 estava tam6ém =ameniev Ro *ue prova *ue tam6ém
ele não se eximia , luta ideol:gica por intermédio da (cheAaS) Fas Ierdiaiev não se
humilhou, não implorou, mas exp_s1 lhe 2irmemente os princ-pios morais e religiosos
pelos *uais não aceitava o poder soviético esta6elecido na $<ssia 1 e não s:
reconheceram a inutilidade do processo, como o puseram em li6erdade) Eis um homem
com o seu .&"(& #E V'%(AX
") %toliarova recorda a sua vi>inha na cela de IutirAi, em 19@5) Era uma velhota)
%u6metiam1na a interrogat:rios todas as noites) #ois anos antes, ao passar por
Foscovo, tinha pernoitado em sua casa o ex11metropolita, *ue se evadira da
deporta+ão) 7%: *ue não era o ex11metropolita, mas o aut0nticoX E verdade, tive a
honra de rece601 lo)8 17Iem) .ara casa de *uem 2oi ele, *uando deixou FoscovoY8 1
7Eu sei, mas não digoX8 R.or intermédio da a/uda de crentes, o metropolita tinha
2ugido para a GinlLndia)S &s comiss3rios de instru+ão alternavam1se e reuniam1se em
grupos e amea+avam com os punhos a velhota) Ela di>ia1lhesJ 7"ada conseguirão de
mim, mesmo *ue me cortem em peda+os) Voc0s t0m medo dos superiores, t0m medo uns
dos outros, medo até de matar1me) R.erdereis A$DU'.E AB& #E BU AB 14@ o elo)S Fas
eu não tenho medo de nadaX Estou disposta agora mesmo a responder diante de #eusX8
^ouve gente assim, gente dessa no ano de 19@5, *ue não voltou do interrogat:rio ,
cela, a 6uscar a trouxa) Due escolheu a sua morte, mas não assinou denunciando *uem
*uer *ue 2osse) "ão se pode di>er *ue a hist:ria dos revolucion3rios russos nos
tenha dado os melhores exemplos de 2irme>a) Fas não h3 termo de compara+ão poss-
vel, pois os nossos revolucion3rios nunca conheceram o *ue era uma 6oa instru+ão,
com cin*uenta e dois métodos di2erentes) ?hechAovsAi não torturou $adichiev) E
$adichiev sa6ia per2eitamente *ue, segundo os costumes da época, os seus 2ilhos
serviriam igualmente como o2iciais da guarda, *ue ninguém lhes 2aria perder a
carreira) E *ue a propriedade da 2am-lia $adichiev não seria con2iscada) ?ontudo,
durante uma 6reve instru+ão de duas semanas, este homem not3vel renegou as suas
convic+9es, os seus livros 1 e pediu clem0ncia) "icolau ' não pensou em prender as
mulheres dos de>em6ristas, ou em o6rig31las a dar gritos no ga6inete cont-guo, nem
em su6meter os pr:prios de>em6ristas a torturasJ não teve necessidade disso) Até
$ileiev 7respondeu longa e sinceramente, sem nada ocultar8) E mesmo .estel se 2oi
a6aixo e deu os nomes dos seus camaradas Rainda em li6erdadeS *ue tinha encarregado
de enterrar $ussAaia .ravda RA Verdade $ussaS, 6em como o lugar com6inado para
isso@1) Goram raros a*ueles *ue, como enine, 6rilharam pela sua irrever0ncia e
despre>o 2ace , comissão investigadora) A maioria mostrou1se incapa>, enredando1se
mutuamente, tendo muitos pedido humilhantemente perdãoX Uavalichine lan+ou tudo
so6re $ileiev) E) .) &6o1lensAi e %) .) (ru6etsAoi apressaram1se mesmo a denunciar
Bri6oiedov, no *ue "icolau ' não acreditou) IaAunine, na sua ?on2issão,
autodi2amou1se perante "icolau ', e desse modo es*uivou1 se , pena de morte)
Iaixe>a de esp-ritoY &u ética revolucion3riaY ?omo deveriam ser dotados de
a6nega+ão, , primeira vista, os homens *ue se dispuseram a matar Alexandre ''X Eles
sa6iam ao *ue se expunhamX BrinievitsAi compartilhou da sorte do c>ar e $issaAov
2icou vivo e caiu nas mãos do /ui> de instru+ão) E "E%%E FE%F& #'A, denunciou logo
as casas de encontros, 6em como os participantes da conspira+ão, e temendo pela sua
/ovem vida apressou1se a comunicar ao Boverno mais in2orma+9es do *ue as *ue este
podia suporX Engasgou1se de arrependimento e o2ereceu1se para 7revelar todos os
segredos dos anar*uistas8) Em 2ins do século passado e come+o do actual, um o2icial
da pol-cia $E('$AVA imediatamente uma pergunta se o acusado considerava *ue era
importuna ou *ue constitu-a uma intromissão na sua vida privada) Em 11 & motivo
2oi, em parte, o mesmo *ue depois com IuAharineJ o interrogat:rio era 2eito por
irmãos da mesma condi+ão) #a- o seu dese/o natural de E!. '?A$ tudo)
144 A$DU'.E AB& #E BU AB 19@Q, *uando, em =resti, o velho preso pol-tico UelensAi
2oi espancado com varetas de espingarda e lhe tiraram as cal+as como a um garoto,
ele re6entou em solu+os na celaJ 7& /ui> de instru+ão c>arista nem se atrevia a
tratar1me por (UX8 Eis outro exemplo, *ue conhecemos através de uma pes*uisa
contemporLnea@4) Duando os pol-cias se apoderaram do manuscrito do artigo de enine
7Em *ue .ensam os "ossos Finistros8, não puderam, através dele, chegar até ao seu
autor) 7.elo interrogat:rio, os pol-cias, como era de esperar Ro su6linhado a*ui e
mais adiante, é meu 1 A) %)S, não sou6eram por Vaneieiv RestudanteS grande coisa)
Ele declarou, nem mais nem menos, *ue os manuscritos *ue lhe encontraram lhe tinham
sido entregues para guardar, uns dias antes da 6usca, todos dentro de um
so6rescrito, por uma pessoa *ue ele não dese/ava mencionar) Ao /ui> de instru+ão
nada mais lhe restou RcomoY E a 3gua gelada até aos torno>elosY E os clisteres de
3gua salgadaY E a matraca de $iuminY))))S senão su6meter o manuscrito , an3lise de
peritos)8 Fas nada encontraram) .arece *ue .e1riesvetov apanhou tam6ém uns *uantos
anos, e 2acilmente poderia enumerar o *ue lhe restava perante o /ui> de instru+ão,
se tivesse diante de si o deposit3rio do artigo 7Em *ue .ensam os "ossos
Finistros8X ?omo lem6ra %) .) Fielgunov, tratava1se da prisão c>arista, de 6oa
mem:ria, de *ue os presos pol-ticos se recordam *uase com um sentimento de
alegria)@@ Veri2ica1se a*ui um progresso de no+9es, um critério completamente
di2erente de aprecia+ão) Assim como os condutores de carros de 6ois do tempo de
Bogol não podem compreender as velocidades dos avi9es a /acto, tão1pouco é poss-vel
*ue a*uele *ue nunca passou pela m3*uina de picar carne de BU AB se/a capa> de
a6ranger as verdadeiras possi6ilidades de uma instru+ão) "o '>vie>tia de 4415159,
podemos lerJ J<lia $umiantseva 2oi levada para o c3rcere interior de um campo na>i,
a 2im de di>er onde estava o seu marido, *ue tinha 2ugido do campo de concentra+ão)
Ela sa6e, mas recusa1se a responderX .ara o leitor pouco atento, eis um exemplo de
hero-smo) Fas para o leitor com a experi0ncia amarga do BU AB eis um modelo de
in*uérito desa/eitadoJ J<lia não morreu devido ,s torturas, nem 2oi levada ,
loucura, mas, simplesmente, ao ca6o de um m0s, 6em vivinha, 2oi posta em li6erdade)
(odos estes pensamentos so6re a necessidade de tornar1se de pedra @4 "ovi Fir, ")O
4, de 19;4) 1 $) .eriesvetov) @@ %) .) FielgunovJ $ecorda+9es e .3ginas de #i3rio,
2asc-culo ') .aris, 19;4, p3g) 1@9) A$DU'.E AB& #E BU AB 145 eram, então,
completamente desconhecidos) Eu não s: não estava disposto a cortar todos os la+os
-ntimos *ue me uniam ao mundo, mas o simples 2acto de *uando da minha deten+ão me
tirarem uma centena de l3pis Ga6er, como despo/os, indignou1me por muito tempo)
Examinando mais tarde o meu processo, vi *ue não tinha motivo para me sentir
orgulhoso do *ue se passou durante a minha prisão) "aturalmente *ue eu podia ter1me
portado com mais 2irme>a e, provavelmente, sair1me do aperto de maneira mais
engenhosa) A o2usca+ão do cére6ro e o desLnimo acompanharam1me nas primeiras
semanas) %: *ue estas recorda+9es não me roem de remorsos, pois, gra+as a #eus, não
arrastei ninguém , prisão) A nossa deten+ão Rminha e de um amigo processado no
mesmo caso, "icolau V)S teve um car3cter pueril, em6ora 2_ssemos /3 o2iciais da
2rente) Fant-nhamos correspond0ncia durante a guerra, de um sector para outro, e
não pod-amos impedir1nos, apesar da censura militar, de mani2estar nas cartas o
nosso a6erto descontentamento
pol-tico, nem conter as invectivas com *ue co6r-amos o mais s36io dos s36ios, cu/o
nome tinha sido dia2anamente posto por n:s em c:digoJ cham3vamos1lhe o .ap3
Alcaide) RDuando, depois, nos c3rceres, eu contava o nosso caso, a nossa
ingenuidade não provocava senão riso e admira+ão) #i>iam1me *ue não era poss-vel
encontrar outros patos como n:s) (am6ém me convenci disso) Um 6elo dia, ao ler um
estudo so6re o caso de AleAsandr Ulianov, sou6e *ue o seu grupo tinha sido tam6ém
preso pelo mesmoJ imprud0ncias na correspond0ncia, e *ue s: isso salvou a vida, em
1 de Far+o de 1QQ5, a Alexandre ''')@4 & ga6inete do comiss3rio ') ') E>iepov, *ue
instaurou o meu processo, era de tecto alto, espa+oso, claro e com uma grande
/anela Ra %ociedade de %eguros $<ssia não o tinha constru-do para aplica+ão de
torturasS) Aproveitando a sua altura de cinco metros, tinham pendurado um retrato,
de corpo inteiro, de *uatro metros, do poderoso so6erano, a *uem eu, um
insigni2icante grão de areia, tinha votado o meu :dio) & comiss3rio instrutor
punha1se ,s ve>es na sua 2rente e /urava em tom teatralJ 7Estamos dispostos a dar a
vida por eleX .or ele estamos dispostos a atirar1nos para de6aixo dos tan*uesX8
.erante esse retrato, *ue atingia *uase a grande>a de um altar, @4 Um mem6ro do
grupo, AndreiuchAin, tinha escrito para ?rac:via uma carta dirigida a um seu amigo,
em *ue di>iaJ 7Eu creio 2irmemente *ue haver3 no nosso pa-s o mais implac3vel
terror, e não num 2uturo long-n*uo))) & terror vermelho é a minha ideia 2avorita)))
Estou in*uieto *uanto ao meu destinat3rio Rnão era a primeira carta *ue ele
escreviaX 1 A) %)S))) %e lhe acontece algo, a mim tam6ém me pode acontecer e isso
não é dese/3vel, pois arrastarei muita gente activa atr3s de mim)8 A 6usca
provocada por esta carta, prolongou1se por cinco semanas, através da ?rac:via, a
2im de sa6er *uem a tinha escrito para .eters6urgo) & nome de AndreiuchAin s: 2oi
desco6erto em 4Q de Gevereiro T e a 1 de Far+o, a*ueles *ue deviam)arremessar as
6om6as 2oram presos, /3 com elas na Avenida "evsAi, no pr:prio momento do atentadoX
14; A$DU'.E AB& #E BU AB pareciam m-seros os meus 6al6<cios so6re a puri2ica+ão do
leninismo, e eu pr:prio um sacr-lego 6las2emo, somente digno da morte) & conte<do
das nossas cartas dava matéria su2iciente, na*uele tempo, para nos condenarem aos
dois) & comiss3rio não tinha, pois, necessidade de inventar coisa alguma a meu
respeito, e apenas se es2or+ava por lan+ar o la+o estrangulador so6re *uantos,
alguma ve>, teriam mantido correspond0ncia comigo) Eu exprimia com temeridade, e
*uase com 6ravata, nas cartas *ue escrevia aos amigos da minha idade, os meus
sediciosos pensamentos, e esses amigos continuavam a corresponder1se comigoX "as
suas cartas de resposta encontravam1se tam6ém certas express9es suspeitas@5) E
agora E>iepov, assim como .or2iri .etrovitch, exigia de mim *ue lhe explicasse tudo
de maneira coerenteJ se n:s escrev-amos a*uilo em cartas *ue passavam pela censura,
*ue poder-amos di>er, então, cara a caraY Eu não podia convenc01lo de *ue toda a
dure>a das minhas express9es se veri2icava somente nas cartas))) E eis *ue, com o
cére6ro con2uso, devia inventar algo de muito veros-mil so6re os encontros com os
meus amigos Rencontros mencionados na correspond0nciaS *ue estivessem concordes com
o conte<do das cartas, mantendo1se nos limites da pol-tica, sem, contudo, cair no
Lm6ito do ?:digo .enal) E isso de modo a *ue estas explica+9es sa-ssem da minha
garganta como a respira+ão e convencessem o comiss3rio, muito sa6ido, acerca da
minha ingenuidade, merecedora de compaixão, e da minha 2ran*ue>a sem limites) &
principal era *ue o meu pregui+oso comiss3rio se não dispusesse a examinar a*uela
maldita carga *ue eu tra>ia na*uela maldita mala 1 os apontamentos de um #i3rio de
Buerra, escritos com um l3pis ri/o, muito 2ino e com letra mi<da, e *ue come+avam /
3,
nalguns lugares, a apagar1se) Estes apontamentos tradu>iam as minhas pretens9es de
me tornar escritor) Eu não con2iava na 2or+a da nossa admir3vel mem:ria e durante
os anos de guerra procurava escrever tudo o *ue via Risso era ainda o menor malS e
tudo o *ue ouvia das pessoas) Fas os relatos mais naturais do mundo na primeira
linha de 2ogo, a*ui, na retaguarda, pareciam sediciosos, cheiravam a palha h<mida
da prisão para os meus camaradas) E s: para *ue o comiss3rio não 2osse transpirar
so6re o meu #i3rio de Buerra e não arrancasse dele a 2i6ra da ra+a livre da 2rente,
eu arrependia1me o mais *ue podia .or minha causa, por pouco *ue não 2oi detido,
então, um amigo dos anos da escola) Due al-vio me trouxe sa6er *ue ele 2icou em
li6erdadeX &ra, vinte e dois anos depois, ele escreveu1me o seguinteJ 7Através das
tuas o6ras pu6licadas depreende1se *ue avalias a vida unilateralmente)))
&6/ectivamente, passas a ser a 6andeira da reac+ão 2ascista no &cidente, na
$ep<6lica Gederal da Alemanha e nos Estados Unidos))) enine, *ue respeitas e amas
como dantes, estou convencido, e tam6ém os velhos Farx e Engels, condenar1te1iam de
modo mais severo) .ensa nistoX8 %im, eu pensoJ ahX, *ue pena 2oi *ue não te
tivessem preso, entãoX Duanto perdesteX))) A$DU'.E AB& #E BU AB 145 e era
necess3rio, come+ando a tomar consci0ncia de todos os meus erros pol-ticos)
Extenuava1me neste caminhar pelo 2io da 2aca, en*uanto não tra>iam ninguém para
acarea+ão, en*uanto não apareceram os sintomas claros da instaura+ão do processoW
até *ue ao *uarto m0s todos os cadernos do meu #i3rio de Buerra 2oram lan+ados para
a 6oca in2ernal do 2ogão da u6ianAa, espalhando a casca vermelha de mais um romance
morto na $<ssia e deixando as 6or6oletas negras da 2uligem voar pela mais alta das
chaminés) ] som6ra desta chaminé passe3vamos n:s, numa caixa de cimento, no telhado
da grande u6ianAa, ao n-vel do sexto andar) As paredes su6iam ainda até , altura de
tr0s homens) Escut3vamos Foscovo, as 6u>inas dos autom:veis respondendo umas ,s
outras) Fas v-amos unicamente a chaminé, a sentinela de atalaia no sétimo andar e
esse in2eli> peda+o do céu de #eus, ao *ual era dado estender1se so6re a u6ianAa)
&h, a*uela 2uligemX ?a-a e ca-a sem cessar, nesse primeiro de Faio do p:s1guerra) E
era tanta, tanta, durante cada um dos nossos passeios, *ue imagin3vamos *ue a
u6ianAa estava a *ueimar ar*uivos de tempos remotos) & meu di3rio perdido não
passou da espiral de um minuto no meio da*uela 2uligem) E recordei1me de uma
ensolarada e gelada manhã de Far+o, em *ue me encontrava no ga6inete do comiss3rio)
Ele 2a>ia as suas ha6ituais e grosseiras perguntasW ao tomar notas, deturpava as
minhas palavras) & sol 6rincava na renda desenhada pelo gelo na larga /anela,
através da *ual me dava, por ve>es, a tenta+ão de saltar, para resplandecer so6re
Foscovo, ainda *ue o pre+o 2osse a minha morte, esmagando1rhe do *uinto andar
contra o pavimento, como na minha in2Lncia 2i>era um desconhecido predecessor em
$ostov do #on, saltando de uma /anela do n<mero 7trinta e tr0s8) .elos espa+os
limpos da vidra+a viam1se os telhados moscovitas) E, so6re eles, su6indo, alegres
rolos de 2umo) "o entanto, eu não olhava para l3, mas sim para o montão de
manuscritos *ue ocupavam todo o centro do ga6inete, meio va>io, de trinta metros, e
*ue aca6avam de ser atirados para ali, ainda por classi2icar) Em cadernos nas
pastas de papelão, nas improvisadas encaderna+9es, em pacotes atados e desatados,
ou simplesmente em 2olhas soltas, /a>iam os restos mortais do esp-rito humano
sepultado) A altura desse amontoado de papéis ultrapassava a da escrivaninha do
comiss3rio instrutor, e, por isso, *uase não o via) A minha compaixão 2raternal ia
toda para o tra6alho da*uele homem desconhecido, *ue haviam detido na noite
anterior, e cu/o resultado tinha sido assim es6anda1lhado no soalho do ga6inete
das torturas, aos pésde um retrato de %taline, de *uatro metros de altura) Eu
estava sentado e meditavaJ *ue vida 2ora do comum tinha sido essa noite tra>ida
para a-, martiri>ada, es*uarte/ada e, por 2im, incineradaY Ah, *uantos pro/ectos e
tra6alhos não 2oram destru-dos nesse edi2-cioX (oda uma cultura ani*uiladaX Ah,
2uligem, 2uligem das chaminés da u6ianAaX & mais ultra/ante de tudo é *ue os nossos
descendentes considera1 14Q A$DU'.E AB& #E BU AB rão a nossa gera+ão a mais
est<pida, mais incapa> e mais destitu-da do dom da palavra do *ue na verdade
2oiX))) .ara tra+ar uma recta 6asta marcar dois pontos) Em 194C, como lem6ra
Eren6urg, a (cheAa p_s1lhe a *uestão seguinteJ 7.rove voc0 *ue não é agente de
Vranguel)8 Em 195C, um dos mais destacados coronéis do F)B)I) RFinistério de
%eguran+a do EstadoS, Goma Gomitch Belie>ov, declarou isto aos detidosJ 7":s não
nos damos ao tra6alho de lhe demonstrar Rao presoS a sua culpa6ilidade) E ele *ue
tem de provar1nos *ue não teve inten+9es hostis)8 E no espa+o *ue separa estes dois
pontos de uma recta primitiva e cani6alesca situam1se as recorda+9es incont3veis de
milh9es de homens) Due acelera+ão e simpli2ica+ão da instru+ão dos processos,
totalmente desconhecidas até então da humanidadeX $egra geral, os :rgãos
poupavam1se ao tra6alho de 6uscar as provas de delito) & pato aca6ado de apanhar,
temeroso e p3lido, sem direito a escrever a ninguém, a chamar a *uem *uer *ue 2osse
pelo tele2one, a *uem nada podem tra>er de 2ora, privado do sono, da comida, do
papel, de l3pis e até de 6ot9es, sentado num 6anco duro a um canto do ga6inete,
deve, E E FE%F&, desencantar e expor, perante o ocioso comiss3rio, as provas de *ue
"\& teve inten+9es hostisX E se não as desencanta Ronde poder3 consegui1lasYS, ele
pr:prio 2ornece as provas aproximadas da sua culpa6ilidadeX ?onheci um caso em *ue
um velho, *ue tinha 2icado prisioneiro dos alemães, p_de, contudo, sentado nesse
duro 6anco e agitando os seus magros dedos, provar ao monstruoso comiss3rio *ue "\&
tinha tra-do a p3tria, e mesmo *ue não tinha, se*uer, tal inten+ãoX (ratava1se de
um caso escandalosoX .ois *u0, li6ertaram1noY "ão, não o li6ertaramX Ele contou11me
tudo isso no c3rcere de IutirAi e não na Avenida (versAi) Ao comiss3rio encarregado
da instaura+ão do processo /untou1se outro, e passaram com o velho uma tran*uila
noite, a trocar recorda+9es, assinando depois, como se 2ossem duas testemunhas,
depoimentos segundo os *uais o velho 2aminto e sonolento teria 2eito perante eles
agita+ão anti1soviéticaX %e 2alou sem mal-cia, não 2oi escutado sem mal-ciaX
.assaram o velho para as mãos de um terceiro comiss3rio) Este retirou a in2undada
acusa+ão de trai+ão , p3tria, mas aplicou1lhe cuidadosamente os mesmos de> anos de
prisão, por agita+ão anti1soviética durante o interrogat:rio) (endo desistido de
6uscar a verdade, a 2orma+ão dos processos tornavam1se, para os pr:prios
comiss3rios, casos di2-ceis, um cumprimento de o6riga+9es de carrasco, e, nos casos
23ceis, uma simples 2orma de passatempo, pretexto para rece6er o soldo) Fas casos
23ceis houve1os sempre 1 até no céle6re ano de 19@5) Exem1 Alexandre %ol/enitsine)
no exército na prisão *uando 2oi li6ertado A$DU'.E AB& #E BU AB 149
pioJ IorodAo era acusado de h3 de>asseis anos ter ido ver os seus pais , .ol:nia
sem levar o passaporte para via/ar ao estrangeiro Ros seus pais viviam a uma
distLncia de de> verst3s, mas os diplomatas tinham assinado a entrega ã .ol:nia
dessa parte de Iielorr<ssia) REm 1941, as pessoas não estavam ha6ituadas, e
passavam, segundo o costume antigo, para o outro ladoS) A instru+ão do processo
durou meia horaJ 7Ge> essa viagemY8 T 7Gi>8 T 7?omoY8 1 7Gui a cavalo)8 #e> anos
por actividade contra1 revolucion3riaX Uma tal rapide> tem algo de semelhante ao
movimento staAhanovista, *ue não encontrou no entanto seguidores entre os
6onés1a>uis) %egundo o ?:digo de .rocesso .enal, a instru+ão de *ual*uer processo
devia 2a>er1se no pra>o de dois meses, mas, havendo complica+9es, era permitido
solicitar aos procuradores uma ou v3rias prorroga+9es desse pra>o por um m0s Re
naturalmente os procuradores não as recusavamS) %eria a6surdo gastar em vão a
sa<de, não aproveitar essas dila+9es e, 2alando em estilo 2a6ril, não aumentar as
pr:prias normas de tra6alho) (endo despendido 2or+as com a garganta e com os
punhos, durante a primeira semana de tra6alho de cho*ue de uma instru+ão, e
consumindo a sua vontade e o seu car3cter Rcon2orme *ueria VichinsAiS, os
comiss3rios estavam interessados em prolongar cada investiga+ão, em *ue houvesse
mais processos velhos e de rotina, e menos novos) ?onsiderava1se simplesmente
indecoroso concluir um processo pol-tico em dois meses) & sistema estatal punia1se
a si mesmo pela sua 2alta de con2ian+a e de 2lexi6ilidade) "ão con2iava se*uer nos
*uadros seleccionadosJ mesmo a esses, o6rigava1os a marcar a entrada e a sa-da, e
em todo o caso, certamente para controle, a registar as chamadas dos reclusos para
interrogat:rio) Due restava ao comiss3rio, a 2im de assegurar a percentagem
necess3ria para a conta6ilidadeY ?hamar *ual*uer dos processados, sent31 lo num
Lngulo do ga6inete, 2a>er1lhe *ual*uer pergunta assustadora, es*uecer1se mesmo *ue
ele estava ali, ler longamente o /ornal, redigir o relat:rio para o curso de
instru+ão pol-tica, escrever cartas particulares, visitar um colega Rdeixando em
seu lugar um guarda pedido ao regimentoS) (agarelando calmamente no divã com um
amigo *ue tinha vindo visit31lo, ,s ve>es o comiss3rio dava sinal de si, e olhava
com ar de amea+a para o acusado, di>endoJ 1 A- est3 um canalhaX Um re2inado
canalhaX Fas não importa, gastar 7nove gramas8 de chum6o com ele não é para
lamentarX & comiss3rio encarregado do meu caso utili>ava tam6ém muito o tele2one)
Assim, ligava para casa e di>ia , mulher, olhando para mim de soslaio com os olhos
6rilhantes, *ue ho/e teria interrogat:rios nocturnos e *ue não o esperasse antes da
madrugada Ro meu cora+ão des2aleciaJ isso signi2icava *ue seria interrogado toda a
noiteXS Fas imediatamente ele marcava o n<mero do tele2one da amante e em tom de
sussurro com6inava ir passar a noite com ela R*ue 6om, vou poder dormirJ e o meu
cora+ão sentia al-vioS) 1@C A$DU'.E AB& #E BU AB Assim, o impec3vel sistema era
aligeirado pelos v-cips dos seus executores) &utros investigadores, mais curiosos,
gostavam de utili>ar tais interrogat:rios 7va>ios8 para ampliar a sua experi0ncia
da vidaJ perguntavam ao preso pormenores da 2rente Racerca da*ueles mesmos tan*ues
alemães, de6aixo dos *uais nunca haviam tido oportunidade de deitar1seSW so6re os
h36itos dos pa-ses europeus e ultramarinos onde tinham estadoW so6re os
esta6elecimentos comerciais e os artigos *ue l3 se encontravamW e especialmente
so6re o 2uncionamento dos prost-6ulos estrangeiros e aventuras diversas com
mulheres)
Em con2ormidade com o ?:digo do .rocesso .enal, considerava1se *ue o procurador
controlava com vigilLncia a marcha /usta de cada processo) Fas ninguém, no nosso
tempo, lhe punha a vista em cima antes do chamado 7interrogat:rio com o
procurador8, o *ue signi2icava *ue o processo chegara ao seu termo) evaram1me
tam6ém a um interrogat:rio desses) & tenente1coronel =otov, um louro impessoal,
tran*uilo, gordo, nem mau nem 6om, e em geral nulo, estava sentado atr3s da
secret3ria e, 6oce/ando, examinava pela primeira ve> o meu processo) #urante *uin>e
minutos, ainda diante de mim, em sil0ncio, tomou conhecimento do caso Reste
interrogat:rio era a6solutamente inevit3vel e tam6ém se registava, não tendo
sentido examinar o processo noutro momento não registado, guardando ainda, durante
v3rias horas, os pormenores do caso na mem:riaS) #epois, levantou para a parede,os
olhos indi2erentes e, pregui+osamente, perguntou *ue é *ue eu tinha a
acrescentar ,s minhas declara+9es) Ele deveria perguntar1me *uais as *ueixas *ue
tinha a 2a>er so6re a marcha da investiga+ão, se não teria havido viola+9es da
minha vontade ou in2rac+9es , lei) Fas h3 /3 muito tempo *ue os procuradores não
perguntavam isso) E se perguntassemY (odo este edi2-cio do ministério, com os seus
mil ga6inetes, 6em como os seus cinco mil pavilh9es de investiga+ão, vag9es, grutas
e cho+as dispersos por toda a União %oviética, não viviam senão da viola+ão da lei,
e não éramos n:s *ue mudar-amos as coisas) Além disso, todos os procuradores algo
importantes ocupavam o seu lugar de acordo com a pr:pria seguran+a do Estado))) *ue
deviam controlar), A sua indol0ncia, o seu temperamento pac-2ico e o seu cansa+o
perante estes incont3veis e est<pidos ?A%&% contagiaram1me um tanto) %olicitei
apenas a correc+ão de um a6surdo demasiado claroJ éramos dois, os acusados pela
mesma causa, mas a instru+ão do processo 2ora 2eita separadamente Ra mim em
Foscovo, ao meu amigo na 2renteS e dessa maneira eu ia a a /ulgamento s:, acusado
pelo par3gra2o décimo primeiro, ou se/a, en*uanto grupo, en*uanto organi>a+ão) .edi
ra>oavelmente, para retirar esse acrescento do par3gra2o décimo primeiro) Ele
2olheou o processo ainda uns cinco minutos, suspirou, a6riu os 6ra+os e disseJ 1 E
entãoY Uma pessoa é uma pessoa, mas duas /3 são gente) A$DU'.E AB& #E BU AB 1@1 1 E
uma pessoa e meia ser3 uma organi>a+ãoY))) Ele premiu o 6otão da campainha, para me
levarem) .ouco depois, numa tarde de 2ins de Faio, 2ui chamado a esse mesmo
ga6inete do procurador, onde havia um rel:gio de 6ron>e com 2iguras em cima da
placa de m3rmore da chaminé, por convocat:ria do comiss3rio instrutor, em aplica+ão
do 7du>entos e seis8 1 assim era denominada, em virtude do respectivo artigo
do ?:digo de .rocesso .enal, a 2ormalidade do exame do processo pelo pr:prio
acusado, *ue devia apor a sua <ltima assinatura) "ão duvidando de *ue a o6teria, o
comiss3rio encontrava1se /3 sentado e redigia o termo da acusa+ão) Eu a6ri a capa
da grossa pasta e logo na parte in2erior, em letra de imprensa, li uma coisa
impressionanteJ *ue durante a marcha da instru+ão eu tinha o direito de me *ueixar
por escrito acerca da incorrecta condu+ão do processo, e *ue o comiss3rio era
o6rigado a /untar as minhas *ueixas por ordem cronol:gica, aos autosX #urante a
marcha da instru+ãoX Fas não no 2im dela))) Ah, esse direito não era conhecido por
um s: dos milhares de presos, com os *uais estive depois) ?ontinuei a 2olhear) Vi
2otoc:pias de cartas minhas com interpreta+9es de ideias completamente deturpadas
por comentadores desconhecidos Rda espécie do capitão i6inS) E aperce6i1me da
maneira hiper6:lica cmm a *ual o capitão tinha envolto as
minhas cautelosas declara+9es) E, 2inalmente, do a6surdo de *ue eu s: era acusado
em termos de 7grupo8X 1 "ão estou de acordo) & senhor dirigiu a instru+ão do
processo de 2orma incorrecta 1 disse eu, com pouca decisão) 1 E então recome+amos
tudo desde o princ-pioX 1 E apertou os l36ios com ar malévolo) 1 evamos1te para um
certo lugar, onde encerramos os poli>ei@;) E até 2e> o gesto de estender a mão para
recolher o 7processo8) REu, acto cont-nuo, segurei1o com os dedos)S Irilhava
algures o entardecer dourado, para além das /anelas do *uinto andar da u6ianAa) Era
o m0s de Faio) As /anelas do ga6inete, como todas as /anelas exteriores do
ministério, estavam hermeticamente 2echadasJ nem se*uer lhes tinham tirado a
cala2etagem de 'nverno, a 2im de *ue o ar c3lido e a 2lora+ão não irrompessem
nessas secretas depend0ncias) #o rel:gio de 6ron>e havia desaparecido o <ltimo raio
de lu> e as horas soaram silenciosamente) $ecome+ar tudo pelo in-cioY))) .areci,1me
mais 23cil morrer do *ue recome+ar tudo desde o princ-pio) Entretanto, diante de
mim a6ria1se a promessa de uma certa vida) R%e eu tivesse sa6ido *ualX)))S E depois
havia Em alemãoJ pol-cias auxiliares russos, recrutados pelas tropas na>is durante
a ocupa+ão) R") dos ()S 1@4 A$DU'.E AB& #E BU AB esse tal lugar onde encerram os
poli>ei) "ão valia a pena 2a>01lo >angar1se, disso ia depender o tom com *ue ele
escreveria o termo da acusa+ão))) E assinei) Assinei mesmo com o par3gra2o décimo
primeiro) #esconhecia então a sua gravidade, disseram1me apenas *ue não aumentava a
condena+ão) E 2oi por causa do par3gra2o décimo primeiro *ue 2ui parar a um campo
de tra6alhos 2or+ados) Goi por causa do par3gra2o décimo primeiro *ue, depois da
7li6erta+ão8, 2ui enviado, sem *ual*uer senten+a, para o desterro perpétuo) E
talve> tenha sido melhor) %em uma e outra coisa eu não escreveria este livro))) &
comiss3rio encarregado do meu caso apenas me aplicou a tortura do sono, 6em como os
expedientes da mentira e da intimida+ão T métodos completamente legais) .or isso,
ele não necessitou, para iludir responsa6ilidades, como 2a>em muitos comiss3rios
in2ames para co6rir1se, de o6rigar11me a assinar, em virtude do artigo 4C;, so6re a
não divulga+ãoJ 7Eu, a6aixo assinado, comprometo1me, so6 pena de san+ão Rnão se
sa6e segundo *ue artigoS, a não relatar nunca a ninguém os métodos da instru+ão do
meu processo)8 Em algumas direc+9es regionais da ")=)V)#) esta medida era levada a
ca6o em sérieJ uma 2:rmula impressa so6re a não divulga+ão era entregue ao preso
para assinar, /untamente com a senten+a da comissão especial por incita+ão ao
en2ra*uecimento do poder soviético) RE depois ainda, ao ser li6ertado, ele devia
2a>er uma assinatura, comprometendo1se a não contar a ninguém o 2uncionamento dos
campos)S .ois *u0Y &s nossos h36itos de su6missão, a nossa cervi> curvada Rou
*ue6radaS não nos permitiam *ue recus3ssemos nem *ue)nos indign3ssemos com esses
métodos de 6andidos *ue *uerem esconder o 2io , meada) .erdemos A FE#'#A #A
'IE$#A#E) "ão temos meios de determinar onde come+a e onde aca6a) %omos um povo
asi3tico e todos os *ue *uiserem apanham1nos, apanham1 nos, apanham1nos estas
intermin3veis assinaturas so6re a não divulga+ão) J3 nem estamos segurosJ temos ou
não o direito de contar os acontecimentos da nossa pr:pria vidaY 'V &%
#EI$U"%1AUU'%
A& longo de toda esta tritura+ão entre os rod->ios da grande 'nstitui+ão "octurna,
onde a nossa alma é remo-da, en*uanto a nossa carne pende em 2arrapos, como os
andra/os de um mendigo, so2remos demasiado, estamos demasiado a6sortos na nossa
dor, para podermos examinar com um olhar l<cido e pro2ético os p3lidos carrascos da
noite *ue nos atormentam) Um excesso de amargura interior inunda os nossos olhos,
senão *ue 6ons historiadores não ser-amos dos nossos torcion3riosX Duanto a eles,
não se descreverão nunca a si pr:prios com realidadeX Fas aiX ?ada ex1preso
recorda1se pormenori>adamente de toda a instru+ão do seu processo, de como o
oprimiam e de *ue esc:ria humana se tratavaW mas do comiss3rio não se lem6ra
2re*uentemente, nem se*uer do nome, para não ter de pensar mais num tal homem)
Assim, eu posso guardar na mem:ria, so6re *ual*uer, muito mais coisas e 6em mais
interessantes do *ue so6re o capitão da %eguran+a do Estado, E>iepov, em 2rente do
*ual estive não pouco tempo sentado, a s:s, no seu ga6inete) Algo nos resta, no
entanto, como lem6ran+a comum e exactaJ a*uela grande podridão, a*uele espa+o
completamente contaminado pela podridão) .assaram /3 de>enas de anos, sem *uais*uer
acessos de raiva ou de o2ensa, com o cora+ão sossegado, mas n:s guardamos esta
impressão ina6al3velJ a da 6aixe>a moral, da perversidade, do cinismo e da desonra
desses homens, talve> desviados) E conhecido o epis:dio em *ue Alexandre '', esse
mesmo *ue 2oi severamente atacado pelos revolucion3rios, *ue sete ve>es tentaram a
sua morte, ao visitar, em certa ocasião, a ?asa da .risão .reventiva de ?hpalernaia
Rantecessora da ?asa BrandeS, ordenou *ue o encerrassem na cela individual du>entos
e vinte e sete, ali 2icando mais de uma hora, pois *ueria compenetrar1se da
situa+ão da*ueles *ue ali mantinha) "ão se pode negar *ue isso era, da parte do
monarca, um acto moral, uma necessidade ou uma tentativa de en2rentar o assunto
espiritualmente) Fas é imposs-vel imaginarmos *ual*uer dos nossos comiss3rios, e
mesmo A6aAumov e Iéria, a *uererem meter1se na pele de um preso, por uma hora *ue
2osse, 2icando 2echados a meditar numa cela individual) As 2un+9es *ue executam não
exigem deles *ue se/am pessoas 1@4 A$DU'.E AB& #E BU AB instru-das, com uma cultura
e com hori>ontes largos e, de 2acto, não o são) .elo seu servi+o, não t0m
necessidade de raciocinar logicamente T e não o 2a>em) "o seu tra6alho precisam
apenas de cumprir as directri>es, exacta e cruelmente, insens-veis aos so2rimentos
1 e essa insensi6ilidade, sim, t0m11na eles) ":s, *ue pass3mos pelas suas mãos,
sentimo1nos su2ocar , ideia desta corpora+ão, completamente privada de no+9es
comuns a todos os homens) .ara *uem, senão para os comiss3rios, era claro *ue os
casos eram 2a6ricadosY Ao sair das suas reuni9es, e ao 2alar entre eles, podiam
porventura di>er seriamente *ue desmascaravam criminososY E, no entanto, redigiam
autos, 2olhas e mais 2olhas, so6re a nossa corrup+ão) Assim, pois, inspiravam1se de
um esp-rito de 6anditismoJ 7Forre tu ho/e, *ue amanhã serei euX8 Eles compreendiam
*ue os processos eram 2alsos e, entretanto, iam 2a>endo esse tra6alhinho ano ap:s
ano) ?omo entãoY Es2or+avam1se talve> por não pensar Rmas isto /3 é uma destrui+ão
do homemS, aceitando pura e simplesmente *ue assim tinha de serJ os *ue lhes
enviavam as instru+9es não se podiam enganar) Fas os na>istas di>iam o mesmo,
recordam1seY1 &u então a #outrina de Vanguarda é uma ideologia de pedra) &
comiss3rio instrutor do sinistro &roAutã Rcampo de castigo em =olima, 19@QS,
deixando1se comover ao o6ter de F) urie, director do com6inado de =rivoi1$og, a
assinatura das declara+9es *ue o
levariam , segunda condena+ão no campo, *uando ia ser posto em li6erdade,
disse1lheJ 7.ensas *ue nos d3 alguma satis2a+ão utili>ar ba in2lu0nciabY48 Fas
devemos 2a>er a*uilo *ue o .artido de n:s exige) (u, velho mem6ro do .artido, di>
l3 o *ue 2arias no nosso lugarY E parece *ue urie estava *uase de acordo com ele
Rseria talve> por isso *ue assinou tão 2acilmente, pensando, no 2undo, assimYS Eis,
/ustamente, algo *ue convence) Fas o mais 2re*uente era o cinismo) &s de6runs1a>uis
compreendiam muito 6em o 2uncionamento da m3*uina de picar carne e compra>iam1se
nela) & comiss3rio FironenAo, dos campos de #/ida R1944S di>ia ao condenado
Ia6itch, sentindo até orgulho pela constru+ão racional da 2raseJ 7A 1 "inguém pode
es*uivar1se a esta compara+ãoJ os anos e os métodos são demasiado coincidentes)
Fais naturalmente 2a>ia tal compara+ão *uem tinha passado pela Bestapo e pelo
Finistério da %eguran+a do Estado, como AleAsei 'vanovitch #ivnitch, exilado e
pregador da ortodoxia grega) A Bestapo acusava1o de actividade comunista entre os
oper3rios russos na Alemanha) & Finistério da %eguran+a do Estado, F)B)I, de
liga+9es com a 6urguesia mundial) A conclusão de #ivnitch não era em 2avor do
F)B)I)J torturaram1no l3 e c3, mas na Bestapo procuravam sa6er, de *ual*uer modo, a
verdade e, *uando a acusa+ão revelou não ter 2undamento, #ivnitch 2oi posto em
li6erdade) & Finistério da %eguran+a do Estado não 6uscava a verdade e não era
inten+ão sua soltar das garras alguém *ue por ele 2osse preso) 4 Faneira delicada
de designar as (&$(U$A%) A$DU'.E AB& #E BU AB 1@5 instru+ão do processo e o
/ulgamento são apenas uma 2ormalidade /ur-dica e em nada podem mudar o vosso
destino, prescrito de antemão) %e é necess3rio 2u>ilar1vos, ainda *ue este/ais
a6solutamente inocentes, sereis 2u>ilados de todas as maneiras) %e é necess3rio
a6solver1vos Risto re2eria1se, evidentemente, aos #E E% 1 A)%)S, mesmo *ue se/ais
e2ectivamente culpados, sereis /usti2icados e a6solvidos)8 & che2e da primeira
sec+ão de investiga+ão da %eguran+a do Estado da região ocidental do ?asa*uestão,
=uchna1riov, exprimiu1se assim perante Adol2 (sivilAoJ 7&ra não te podemos soltar,
a ti, *ue és de eninegradoX8 R'sto é, um velho militante do .artido)S 7#0em1nos um
homem, e o caso n:s /3 o criaremosX8 Eis como muitos deles pilheriavamJ era este um
dos seus ditos) & *ue para n:s era um mart-rio, era para eles um 6om tra6alho) A
mulher do comiss3rio "iAolai Bra6i1chenAo Rcanal do VolgaS, di>ia enternecida ,s
vi>inhasJ 7& meu marido é um tra6alhador magn-2ico) Um preso esteve muito tempo sem
con2essar e entregaram1no a "iAolai) "iAolai conversa uma noite com ele, *ue logo
con2essou)8 .or*ue é *ue todos eles se lan+aram assim, com uma atrelagem tão
2ogosa, nessa corrida, não pela verdade, mas por um "[FE$& de indiv-duos
interrogados e condenadosY .or*ue, para eles, o FA'% ?HF&#& era não se desviar da
linha geral) .or*ue essas ci2ras signi2icavam uma vida tran*uila, um soldo
suplementar, condecora+9es, promo+9es, a amplia+ão e a prosperidade dos pr:prios
:rgãos) Apresentando 6oas ci2ras, podiam mandriar, aldra6ar e passar 6oas noites de
2arra Ro *ue eles 2a>iamS) "<meros 6aixos condu>iriam ao seu despedimento e
retrograda+ão, , perda da man/edoira, /3 *ue %taline não podia acreditar *ue num
determinado 6airro, cidade ou unidade militar deixassem de se encontrar, de
repente, inimigos seus) #esse modo, não era um sentimento de compaixão, mas de
o2ensa e irrita+ão, *ue neles 6rotava contra os presos muito teimosos, *ue não
*ueriam entrar dentro dos seus n<meros, *ue não cediam pela tortura do sono, nem
pelos cala6ou+os, nem pela 2omeX $ecusando1se a con2essar, eles pre/udicavam a
situa+ão pessoal do comiss3rio instrutorX
Era como se *uisessem *ue ele mesmo 2racassasseX #a- *ue todos os métodos 2ossem
6onsX "a guerra como na guerraX Um tu6o na tua garganta, 6e6e 3gua salgadaX
.rivados, pelo tipo das suas actividades e pelo género de vida escolhida, da es2era
%U.E$'&$ da exist0ncia humana, os servidores da 'nstitui+ão A>ul viviam com mais
plenitude e avide> na es2era in2erior) E a- eram dominados e dirigidos pelos mais
2ero>es instintos dessa es2era, *ue são Ralém da 2ome e do sexoS, o instinto do
.&#E$ e do E"$'DUE?'FE"(&) REspecialmente do poderJ nas <ltimas décadas, este
tornou1se mais importante *ue o dinheiro)S & poder é um veneno conhecido desde h3
milénios) Due nunca ninguém tivesse ad*uirido um poder material so6re outremX Fas
para *uem 1@; A$DU'.E AB& #E BU AB tem 2é em algo de superior e tem, por isso
mesmo, a consci0ncia dos seus limites, o poder não é, ainda, mortal) %: para as
pessoas com hori>ontes limitados é *ue o poder é um veneno letal) #e um cont3gio
desses, elas não t0m salva+ão) $ecordam1se do *ue (olstoi escreve so6re o poderY@J
7'van 'litch exercia tais 2un+9es *ue tinha possi6ilidade de condu>ir , ru-na
*ual*uer pessoa, a *uem *uisesse destruirX (odas as pessoas, sem excep+ão, estavam
nas suas mãos, e mesmo a mais importante podia ser condu>ida perante si, como
acusada) R%im, isto aplica1se aos nossos de6runs1 a>uisX "ada h3 a acrescentarXS A
consci0ncia deste poder R7e a possi6ilidade de o suavi>ar8, concede (olstoi, mas
isto não se re2ere de nenhum modo aos nossos rapa>esS constitu-a para ele o
interesse e o atractivo principal das suas 2un+9es) Dual atractivoX Felhor se diria
a em6riague>`) .ois não é uma em6riague>Y (u és ainda /ovem, tu *ue 1 diga1se entre
par0ntesis 1 és um ranhosoW ainda muito recentemente os teus pais preocupavam1se
contigo, não sa6iam onde colocar1te, tão est<pido como és e não *uerendo estudarW
mas andaste tr0s anitos na*uela escola, e como levantaste vooX ?omo mudou a tua
situa+ão na vidaX ?omo mudaram os teus movimentos, o teu olhar e, mesmo, o teu
voltar de ca6e+aX Est3 reunido em sessão o ?onselho ?ient-2ico do 'nstitutoJ tu
entras e todos notam, até estremecemW tu não so6es para o lugar do presidente, isso
compete ao reitor, mas sentas1te a seu lado e todos compreendem *ue és tu o mais
importante, *ue tu és mem6ro da sec+ão especial) .odes 2icar sentado cinco minutos
e sair, essa é a tua superioridade so6re os pro2essores, pois podem solicitar1te
assuntos mais importantes 1 mas depois, examinando as suas decis9es, 6asta1te
2ran>ir o so6rolho Rou melhor ainda os l36iosS e di>er ao reitorJ 7E imposs-vel) ^3
considera+9es)))8 E é tudoX 'sso não se 2ar3X &u então, tu pertences , sec+ão
especial da contra1espionagemW és apenas um tenente, mas um velho e corpulento
coronel, comandante de unidade, *ue se levanta , tua chegada, procura adular1te,
agradar1te e não ir3 6e6er com o che2e do estado1maior sem te convidar) "ão importa
*ue s: tenhas duas pe*uenas estrelinhas, isso até é divertidoJ pois as tuas
estrelinhas medem1se por uma escala completamente di2erente da dos o2iciais normais
Re, ,s ve>es, numa missão especial, permitam1te pregar, por exemplo, as estrelas de
ma/or, isso como uma espécie de pseudoconven+ãoS) %o6re toda a gente dessa unidade
militar, ou dessa 236rica, C11 desse distrito, tens um poder incomparavelmente
maior do *ue o comandante, o director ou o secret3rio do .artido) Eles disp9em da
sua carreira, do seu sal3rio, da sua reputa+ão, mas tu disp9es da li6erdade deles)
E ninguém ousar3 2alar a teu respeito nas reuni9es, ninguém ousara escrever so6re
ti nos /ornais 1 não s: mal, nem mesmo 6emX E como se 2osses uma divindade secreta,
cu/o nome não se pode se*uer citarX (u existes A$DU'.E AB& #E BU AB 1@5
todos te sentem, mas é como se não existissesX E por isso, tu est3s acima do poder
declarado, desde o momento em *ue te co6res com o 6oné a>ul) & *ue (U 2a>es,
ninguém se atrever3 a veri2ic31lo, mas *ual*uer pessoa est3 su/eita , tua
veri2ica+ão) .erante os chamados cidadãos simples R*ue para ti são simplesmente
ceposS, a atitude mais digna consiste em adoptar uma expressão misteriosa de grande
penetra+ão) %: tu, na verdade, conheces as considera+9es especiais, e ninguém mais)
E por isso tu tens sempre ra>ão) %: não te es*ue+as de uma coisaJ tu mesmo serias
um cepo desses, se não tivesses tido a sorte de te tornares uma pe+a da engrenagem
dos :rgãos 1 esse ser vivo, 2lex-vel, completo, *ue ha6ita no Estado como a 6icha
solit3ria no homem) (udo te pertence agora, tudo é para ti, mas s: com a condi+ão
de seres 2iel aos :rgãosl Eles sempre intercederão por tiX %empre te a/udarão a
engolir todo a*uele *ue te o2enderX E retirarão *ual*uer o6st3culo do teu caminhoX
Fas s0 2iel aos :rgãosl Ga> tudo o *ue eles te ordenemX %ão eles *ue pensam por ti
e *ue designam o teu lugarJ ho/e podes ser da sec+ão especial e amanhã podes ir
ocupar o cadeirão do comiss3rio instrutor, para, em seguida, seres destacado como
etn:gra2o para o lago %eli1guer4 em parte tam6ém para tratares dos nervos) #epois
ser3s trans2erido de uma cidade, onde /3 te tornaste demasiado 2amoso, para o outro
extremo do pa-s, como encarregado para os Assuntos da 'gre/a5) &u passar3s a ser o
secret3rio respons3vel da União de Escritores;) "ão h3 *ue admirar11se de nadaJ a
verdadeira 2un+ão e categoria das pessoas, sa6em1na unicamente os :rgãos, aos
demais deixam1nos simplesmente representarJ ali onde se v0 um mestre emérito das
artes ou um her:i do tra6alho socialista, sopra1se e ele desaparece5) & lugar de
comiss3rio re*uer, naturalmente, tra6alhoJ é necess3rio ir e vir, de dia e de
noite, permanecer sentado horas e horas) Fas não tens de *ue6rar a ca6e+a a
desco6rir as 7provas8 Rdeixa *ue a *ue6re o presoS, não tens de te preocupar em
sa6er se ele é culpadoJ 2a> o *ue 2or melhor para os :rgãos e tudo estar3 6em)
#epender3 de ti a organi>a+ão do processo da 2orma mais agrad3vel, sem te cansares
muitoJ é 6om tirar algum proveito e tam6ém distrair1se) Estiveste sentado durante
longo tempo e, su6itamente, inventaste uma nova 2orma de 7in2lu0ncia8J 7EurecaX8
(ele2ona aos amigos, percorre os ga6inetes, conta coisasJ DUE IE A% BA$BA ^A#A%X
Vamos experimentar, rapa>es, em *uemY Ve/am, é a6orrecido encontrar 4 19@1, 'line)
5 & pér2ido comiss3rio VolAopialov 2oi encarregado para os Assuntos da 'gre/a na
Fold3via) ` Um outro 'line, Victor "iAolaievitch, ex1general de 6rigada da
%eguran+a do Estado) 5 7Duem és tuY8, perguntou o general %erov, em Ierlim, ao
mundialmente conhecido 6i:logo (imo2eiev1$essovsAi) 7E tu, *uem ésY8, ripostou, sem
se desconcertar, com a sua heredit3ria aud3cia cossaca, (imo2eiev1$essovsAi) 7Ah,
voc0 é um cientistaY8, corrigiu %erov) 1@Q A$DU'.E AB& #E BU AB pela 2rente sempre
a mesma coisa, estas mãos trementes, estes olhos suplicantes, esta su6missão
co6arde 1 oxal3 *ue algum o2erecesse resist0ncia) 7Bosto dos inimigos resistentesX
E agrad3vel *ue6rar1lhes a espinhaa)89, E se ele é tão resistente *ue não cede, se
todos os teus métodos não dão resultadoY En2ureces1teY Vamos, não retenhas a tua
raivaX E uma satis2a+ão imensa, é um voo da 2antasiaX #eixa em li6erdade a tua
2<ria, não lhe ponhas limitesX .9e em tensão as tuas 2or+asX E em tal estado *ue se
escarra na 6oca do presoX Due se es2rega o seu rosto no escarrador repletoX9 E em
tal estado *ue se arrastam os padres pelas guedelhasX E *ue se
urina no rosto da*ueles *ue 2oram postos de /oelhosX #epois de acesso de 2<ria,
sentes1 te um verdadeiro homemX &u então interrogas 7uma rapariga *ue anda com um
estrangeiro81C) Iem, di>es1lhe algumas grosserias e perguntas1lheJ 7%er3 *ue o
americano a tem 6em cin>elada, ou *u0Y #e *ue é *ue necessitavas, havia poucos
russosY8 E surge1te su6itamente uma ideiaJ com esses estrangeiros ela deve ter
ad*uirido alguns conhecimentos) "ão se pode perder a ocasião, é uma espécie de
missão de servi+os l3 2oraX E, com ardor, come+as a interrog31laJ 7?omo eraY Em *ue
posi+9esY))) E em *ue mais outrasY))) #3 pormenoresX E outros detalhesX 'sso poder3
servir para mim e vou cont31lo aos rapa>esX8 A rapariga, envergonhada e lavada em
l3grimas, di> *ue isso nada tem a ver com o assunto) 7Fas sim, tem *ue verX GalaX8
Eis o *ue signi2ica o teu poderX Ela aca6a por contar1te tudo tintim por tintim, se
*uiseres, 2a> mesmo um desenho e poder3 até mostrar1to com o corpo, não tem outra
sa-da, est3 nas tuas mãos a sua deten+ão e a sua pena) $e*uisitasteb uma
dactil:gra2a para escrever o interrogat:rio e mandaram1te uma, 6onita, e
imediatamente tu lhe meteste a mão nos seios, diante do rapa>ola interrogado14) E
como se ele não 2osse gente, não h3, por isso, de ter vergonha) %imX, de *uem é *ue
haverias de ter vergonhaY %e gostas de mulheres Re *uem é *ue não gosta delasYS,
serias idiota se não te aproveitasses da situa+ão) Umas são atra-das pelo teu
poder, outras cedem por temor) (endo encontrado uma rapariga em *ual*uer parte,
2icou1te de olhoY %er3 tua, não te escapar3) E 2icou1te de olho tam6ém uma mulher
casadaY %er3 tuaX A2astar o marido do caminho é coisa *ue não te custa nada1@) "ão
é na Q Goi o *ue disse a B) B) o comiss3rio de eninegrado, ?hitov) aa ?aso ocorrido
com Vassiliev e lvanov1$a>umniA) 1C Ester $), 1945) b & comiss3rio .oAhilAo, da
%eguran+a do Estado de =emerovo) 14 & estudante Ficha I) b ^3 muito tempo *ue tenho
um assunto para um contoJ 7A Esposa ?orrompida)8 Fas, pelos vistos, não consigo
dispor1me a escrev01lo) Ei1lo) $e2ere1se ao 2acto de *ue, numa unidade militar da
2or+a aérea do Extremo &riente, antes da guerra da ?oreia, certo tenente11coronel,
ao regressar de uma missão de servi+o, sou6e *ue a sua mulher estava no hospital) &
A$DU'.E AB& #E BU AB 1@9 verdade necess3rio experiment31lo, para sa6er o *ue
signi2ica um 6oné a>ulX Dual*uer coisa *ue viste, é tuaX Dual*uer apartamento *ue
visitaste, é teuX Dual*uer mulher, é tuaX Dual*uer advers3rio, é varrido da tua
2renteX A terra *ue pisas, é tuaX & céu *ue so6re ti paira, é teu, a>ul como tuX
Duanto , Lnsia de lucro, é a paixão de todos eles) ?omo não utili>ar esse poder e
uma tal 2alta de controle para enri*uecerY %eria necess3rio ser um santoX))) %e nos
2osse permitido conhecer o 2undamento de certas deten+9es, ver-amos com assom6ro,
*ue, sendo a norma geral a de prender, a escolha particular de *uem prender e a
sorte pessoal de cada um dependia, em tr0s *uartas partes dos casos, da cupide> e
da vingan+a, e, em metade deles, de c3lculos interesseiros da ")=)V)#) local Re dos
procuradores, naturalmenteW não os vamos deixar de parte) ?omo come+ou, por
exemplo, o périplo de de>anove anos de V) B) Vlassov pelo Ar*uipélagoY #evido ao
2acto de *ue tendo ele, administrador da cooperativa de consumo local, promovido a1
venda de uns tecidos R*ue /3 ninguém comprava)))S para o activo do .artido R*ue não
2osse para o povo, isso não desconcertava ninguémS, e a esposa do procurador não
p_de compr31losJ ela não se encontrava presente e ao
procurador era1lhe molesto ir 2a>er compras ao 6alcão) &ra Vlassov não teve a ideia
de di>er1lheJ 7Eu mesmo lhos deixo de parte8 Risso não estava no seu car3cterS)
Fais aindaJ o procurador $ussov levou , cantina privada do .artido Rhavia cantinas
dessas nos anos @CS, um amigo *ue não estava autori>ado a comer ali Risto é, *ue
tinha uma posi+ão in2eriorS e o administrador da cantina não permitiu *ue se
servisse a re2ei+ão ao amigo) & procurador exigiu de Vlassov *ue o castigasse, o
*ue este não 2e>) #esse modo, ele o2endeu caso era tão grave *ue os médicos não lho
ocultaramJ os seus :rgãos genitais so2riam de uma lesão, devido a rela+9es
anormais) & tenente1coronel precipitou1se para a esposa e conseguiu a con2issão
delaJ tratava1se de um primeiro1tenente da sec+ão especial da sua unidade Rparece
*ue por ela correspondidoS) & marido correu 2urioso ao ga6inete da sec+ão especial,
sacou da pistola e amea+ou mat31lo) Fas rapidamente o primeiro1 tenente o6rigou1o a
curvar1se e a sair, a6atido e em estado lastimosoJ amea+ou envi31lo a apodrecer no
mais terr-vel campo, cm *ue ele chegaria a re>ar por uma1 morte sem so2rimentos) E
&$#E"&U1 ^E *ue rece6esse em casa a esposa, tal como estava Ralgo havia sido
de2ormado sem remédioS, e *ue vivesse com ela, sem se atrever a divorciar1 se nem
ousar *ueixar1se 1 era esse o pre+o da li6erdadeX & tenente1coronel cumpriu tudo)
R'sto 2oi1me relatado pelo motorista desse mesmo agente da sec+ão especial)S ?asos
semelhantes não devem ser poucosJ este é um dom-nio onde se revela particularmente
tentador utili>ar o poder) Um desses agentes da %eguran+a do Estado o6rigou, a
2ilha de um general1che2e do Exército Rem 1944S a casar1se com ele, so6 a amea+a de
*ue, caso contr3rio, prenderia o pai) A /ovem tinha noivo, mas, para salvar o pai,
casou com o agente da %eguran+a) #urante o 6reve tempo de casada escreveu um
di3rio, enviou1o ao namorado e depois suicidou1se) 14C A$DU'.E AB& #E BU AB
gravemente a ")=)V)#) da >ona) E 2oi assim *ue o inclu-ram na lista da oposi+ão de
direitaX))) As considera+9es e os actos dos de6runs1a>uis costumam ser tão
mes*uinhos *ue é coisa de maravilhar) & che2e de uma 6rigada operacional, para
6uscas e deten+9es, %entchenAo, tirou a um o2icial do exército preso a 6olsa de
campanha e a prancheta, e usava1as na sua presen+a) A um outro preso ele 2urtou,
servindo1se dos su6ter2<gios de um auto, um par de luvas estrangeiras) RDuando a
o2ensiva prosseguia, eles ro-am1se todos por não serem os primeiros a colher
tro2éus)S & agente da contra1espionagem do 4Q)O Exército *ue me deteve, olhava com
inve/a para a minha cigarreira, *ue, ali3s, nem se*uer era uma cigarreira, mas sim
uma caixa alemã *ual*uer de atraente cor escarlate) E na mira dela tentou toda uma
mano6ra auxiliarJ primeiro, não a incluiu no auto da apreensão Risto pode 2icar
consigoS, depois ordenou *ue me revistassem de novo, sa6endo per2eitamente *ue não
tinha mais nada nas algi6eirasJ 7Ah, ve/am s:X (irem1 lhaX8 E para *ue eu não
protestasseJ 7 evem1no para a enxoviaX8 RDue gendarme c>arista se atreveria a
portar1se assim com um de2ensor da p3triaYS ?ada investigador dispunha deb
determinada *uantidade de cigarros para animar os *ue con2essavam e para os 6u2os)
Alguns, porém, 2icavam com todos esses cigarros para eles) Até nas horas de
interrogat:rios nocturnos, pagas por tari2a especial, eles 2a>iam trapa+asJ
o6serv3vamos como eles anotavam nos autos mais tempo do *ue o utili>ado Rdas tantas
,s tantasS) & comiss3rio Giodorov Resta+ão de $echeta, caixa de correios de
campanha du>entos e trinta e cincoS numa 6usca ao apartamento de um cidadão em
li6erdade, =or>uAhin, rou6ou, ele mesmo, um rel:gio de pulso) & comiss3rio "iAolai
Giodorov =ru/Aov, durante o cerco de eninegrado, disse a Elisa6eth Victorovna
%traAhovitch, mulher do seu acusado =) ') %traAhovitchJ 7"ecessito de um edredão)
(raga1me umX8 Ela respondeu11lheJ 7& *uarto onde tenho as coisas de 'nverno est3
selado)8 Então ele di1rigiu1se a casa dela e, sem violar o selo de chum6o da
%eguran+a do Estado, desapara2usou o puxador da portaJ 7Eis como tra6alha o ?
omissariado do .ovo para a %eguran+a do EstadoX8, explicou ele pra>enteiro))) e
levou dali a roupa de 'nverno, metendo, de passagem, o6/ectos de cristal nas
algi6eiras RElisa6eth, por sua ve>, levou tam6ém o *ue p_de e *ue no 2im de contas
era dela) 7J3 leva 6astanteX8, advertiu1a ele, en*uanto continuava a servir1se14S)
G)m 1954 esta enérgica e inexor3vel mulher Ro marido tudo perdoou, até a pena de
morte, e dissuadiu1aJ 7"ão é precisoX8S interveio contra =ru/Aov no tri6unal como
testemunha) ?omo não era o primeiro caso veri2icado com =ru/Aov e ele violava os
interesses dos :rgãos, condenaram1no a vinte e cinco anos) Estaria l3 muito tempoY
A$DU'.E AB& #E BU AB 141 & n<mero de casos semelhantes não tem 2imJ poderiam
pu6licar1se mil 7 ivros Irancos8 Ra come+ar em 191QS, in*uirindo
sistematicamente /unto dos ex1presos e das esposas) .ode ser *ue tenha havido e
ha/a de6runs11a>uis *ue nunca rou6aram nada, nem de nada se apropriaram 1 mas a mim
custa1me a imagin31lo, decididamenteX "ão compreendo, pura e simplesmente, *ue, com
os seus pontos de vista, algo pudesse cont01los se uma coisa lhes agradasse) J3 nos
come+os dos anos @C, *uando particip3vamos nas campanhas /uvenis e execut3vamos o
primeiro plano *uin*uenal, eles passavam os seus ser9es em sal9es , maneira da
no6re>a do &cidente, do género do de =onAordi 'osse, e as suas damas ostentavam
toiletes estrangeiras) #e onde vinha tudo issoY E os seus apelidosX Era como se
tivessem sido escolhidos em 2un+ão deles para esse tra6alhoX .or exemplo, na
%eguran+a do Estado da região de =emerovo, em come+os dos anos 5C, havia diversos
(rutniev R.arasitaS, o che2e da %ec+ão de 'nvestiga+ão, ma/or ?hAurAin R?oirãoS, o
seu su6stituto, tenente1coronel Ialandin Rsopa aguadaS e ainda o /ui> de instru+ão
%AoroAhvatov RArre6anhadorS) Ve/am, não é inventadoX (odos eles su6itamente /untosX
RAcerca de VolAopialov e Bra6ichenAe /3 nem vale a pena 2alar15S Acaso não
re2lectem nada do *ue as pessoas são, os seus apelidosY E ve/am uma ve> mais o *ue
é a mem:ria do prisioneiroJ ') =orneiev es*ueceu1se do apelido da*uele coronel da
%eguran+a do Estado, amigo de =onAordi 'osse Rpor coincid0ncia, conhecido de
am6osS, *ue encontrou no isolamento pol-tico de Vladimir) Esse coronel era a
personi2ica+ão con/unta do instinto do poder e do dinheiro) Em come+os de 1945, no
tempo das vacas gordas, dos 7tro2éus8, ele pediu para ser incorporado na sec+ão dos
:rgãos, *ue, enca6e+ada pelo pr:prio A6aAumov, controlava toda essa pilhagen1h,
isto é, procurava apoderar1se de tudo o *ue podia, não para o Estado, mas para seu
proveito Re conseguiu muitos prod-giosS) & nosso her:i limpou vag9es inteiros e
construiu para si v3rias casas de campo Ruma delas em =linS) #epois da guerra,
atingiu tal envergadura *ue, ao chegar , Esta+ão de "ovossi6irsA, mandou expulsar
todos *uantos estavam sentados no restaurante, ordenando *ue lhe trouxessem
mulheres para si e para os seus colegas de 2arra, o6rigando1as a dan+ar nuas em
cima das mesas) (eria sido perdoado, mas violou outra lei importante, como o 2i>era
=ru/1AovJ agiu contra os seus) "ão s: enganou os :rgãos como ainda 2e> piorJ
apostou em *ue sedu>iria as mulheres de alguns dos seus camaradas da sec+ão
operacional da (cheAa) "ão lhe perdoaramX Goi metido no isolamento pol-tico, ao
a6rigo do artigo 5QX En2ureceu1se por se terem atrevido a prend01lo e não duvidava
de *ue o caso seria reparado) RE talve> 2osse)S a VolAopialov deriva de volA p
lo6o, e pialit p 2itar com os olhos desor6itados) Brae tem a rai> em gra6it p
sa*uear, pilhar) R") dos ()S 144 A$DU'.E AB& #E BU AB
Esse destino ne2asto de se deterem a si mesmos não é assim tão raro como isso entre
os de6runs1a>uis) "ão h3 uma verdadeira garantia contra tal, e não se sa6e por*ue
eles assimilam mal as li+9es do passado) ?ertamente pela 2alta de intelig0ncia
superior, en*uanto a in2erior lhes segredaJ 7%ão raros a*ueles a *ue isso ocorre,
eu escaparei e os meus não me vão desamparar)8 &s seus procuram, realmente, não o
a6andonar na desgra+a, pois estão ligados por uma conven+ão t3citaJ colocar os
deles em situa+ão privilegiada Ro coronel A) ') Voro6iov 2oi metido na cadeia
especial de Far2insAW o pr:prio ") ') 'line esteve na u6ianAa mais de oito anosS)
A*ueles *ue são presos individualmente pelos seus erros pessoais de c3lculo, gra+as
a essa preven+ão de casta não passam ha6itualmente mal, e assim se explica a sua
*uotidiana sensa+ão de impunidade) %ão conhecidos, porém, alguns casos em *ue os
mand9es operacionais dos campos 2oram o6rigados a cumprir penas em campos comuns,
onde se encontraram com os seus pr:prios >eAs RreclusosS, e não passaranNiada 6em
Rpor exemplo, o agente Funchin, *ue odiava encarni+adamente o artigo 5Q, e *ue se
apoiava no 6anditismo, 2oi metido por este mesmo de6aixo das tarim6asS) Entretanto,
tratando1se de tais casos, não temos meios de os conhecer em pormenor, a 2im de
poder dar deles uma ideia) Fas a*ueles agentes da %eguran+a *ue caem nas torrentes
Reles t0m igualmente as suas torrentesl)))S arriscam tudo) Uma torrente é um
cataclismo natural, mais 2orte até *ue os pr:prios :rgãos, e então /3 ninguém
a/uda, com medo de ser ele mesmo arrastado para esse a6ismo) "o <ltimo minuto, se
tens uma 6oa in2orma+ão e uma consci0ncia aguda de tche*uista, podes ainda
2urtar1te a essa avalancha, demonstrando *ue não tens nenhuma rela+ão com ela) .or
exemplo, o capitão %aenAo Rnão a*uele carpinteiro tche*uista de ?rac:via dos anos
191Q119, céle6re pelos seus 2u>ilamentos, per2ura+9es no corpo com o sa6re,
despeda+amentos de pernas, esmagamento da ca6e+a com pesos e halteres e
cauteri>a+ão1;, mas talve>, *uem sa6e, da mesma 2am-lia)))S, teve a 2ra*ue>a de
ca1sar1 se por amor com uma 2uncion3ria, =oAhansAaia, dos caminhos de 2erro da ?
hina &riental) #e repente, antes de re6entar a vaga, sou6e *ue iam prender os
empregados desses servi+os 2errovi3rios) Era então o che2e da %ec+ão &peracional da
B) .) U) em ArcLngel) %em perder um s: minuto, *ue 2e> eleY .$E"#EU A FU ^E$ AFA#AX
E ainda por cima não como 2uncion3ria dos caminhos de 2erro da ?hina &riental, mas
2or/ando1lhe um processo) E não s: 2icou vivo como 2oi promovido, tornando1se o
che2e da ")=)V)#) de (omsA15) bf $oman Bul, in #>cr/insAi) 15 Ainda um 6om assuntoX
Duantos não h3 a*uiX .ode ser *ue sirva a alguém) A$DU'.E AB& #E BU AB 14@ Estas
torrentes surgiram em virtude de uma misteriosa lei de renova+ão dos :rgãosJ um
pe*ueno sacri2-cio peri:dico, o2erecido para *ue os *ue 2icavam tomassem a
apar0ncia de puri2icados) &s :rgãos deviam mudar mais depressa do *ue &vcrescimento
normal e o envelhecimento das gera+9es humanasJ certos cardumes da %eguran+a do
Estado deviam entregar as suas ca6e+as com a in2lexi6ilidade do estur/ão, *ue vai
morrer so6re as pedras do rio, para ser su6stitu-do pelos 2ilhos) Esta lei era 6em
vis-vel para uma intelig0ncia superior, mas os de6runs1a>uis, eles mesmos, não
*ueriam, de modo algum, reconhec01la e prevenir1se) E tanto o rei como os tu6ar9es
dos :rgãos, e até ministros, chegada a hora astralmente designada, colocavam as
suas ca6e+as so6 a sua pr:pria guilhotina)
Um primeiro cardume arrastou 'agoda atr3s de si) .rovavelmente muitos da*ueles
nomes gloriosos, *ue ainda teremos ocasião de admirar ao 2alar do canal do mar
Iranco, 2oram levados nesse cardume e os seus nomes riscados das linhas poéticas) &
segundo cardume arrastou 6em depressa o e2émero le/ov) Alguns dos melhores
cavaleiros de 19@5 pereceram nessa vaga Rmas importa não exagerar, estão longe de
terem sido os melhoresS) & pr:prio le/ov 2oi espancado durante a instru+ão do
processo, apresentando um lastimoso aspecto) ?om essas deten+9es, BU AB 2icou
:r2ão) %imultaneamente a le/ov, 2oram presos, por exempo, o che2e da #irec+ão das
Ginan+asW o che2e da #irec+ão %anit3ria e o che2e da Buarda 'nterior de BU AB 1
isto é, o che2e de todos os compadres dos camposX E depois veio o cardume de Iéria)
& gordo e presun+oso A6aAumov trope+ou , parte dos outros, separadamente) &s
historiadores dos :rgãos Rse os ar*uivos não 2orem *ueimadosS relatar1nos1ão isso
um dia, passo a passo, com ci2ras e com o 6rilho dos nomes) Eu limitar1me1ei a*ui
apenas a uma pe*uena parteJ a hist:ria de $iu1min e de A6aAumov, *ue conheci
casualmente) R"ão vou repetir a*uilo *ue so6re eles tive ocasião de contar noutro
lugar1Q)S $iumin, 2amiliar do pr:prio A6aAumov, *ue o tinha protegido,
apresentou1se a ele em 2ins de 1954 com a sensacional not-cia de *ue o pro2essor de
medicina Etinguer tinha con2essado *ue su6metera a tratamento incorrecto Jdanov e ?
her6aAov Rcom o 2im de os matarS) A6aAumov ne1gou1se a acreditar, pois conhecia 6em
tais co>inhados, a achou *ue $iumin ia demasiado longe) RFas $iumin pressentia
melhor a*uilo *ue %taline *ueriaXS .ara tirar d<vidas, organi>aram essa tarde um
interrogat:rio cru>ado com Etinguer, e tiraram u)ma ?onclusão di2erenteJ A6aAumov,
a de 1Q "o .rimeiro ?-rculo) 144 A$DU'.E AB& #E BU AB *ue não havia nenhum 7caso
dos médicos8W $iumin, a de *ue sim, *ue havia) Era necess3rio 2a>er veri2ica+9es
ainda uma ve> mais, na manhã seguinte, mas por uma dessas maravilhosas
particularidades da 'nstitui+ão "octurna, E(1"BUE$ F&$$EU "E%%A FE%FA "(&'(EX .ela
manhã, $iumin, passando por cima de A6aAumov, tele2onou ao ?omité ?entral do
.artido e pediu para ser rece6ido por %talineX R.enso *ue não 2oi esse o seu passo
decisivoJ o decisivo, depois do *ual /3 a sua ca6e+a estava em /ogo, 2ora dado na
véspera, ao não concordar com A6aAumov, e ao matar, talve>, Etinguer durante a
noite) Fas *uem conhece os segredos destes pal3ciosY .ode ser *ue o contacto com
%taline tivesse /3 sido reali>ado antes)S %taline rece6eu $iumin, deu andamento ao
caso dos médicos e .$E"#EU AIA=UF&V) $iumin 2oi para a 2rente com o caso, segundo
parece independentemente, e a despeito mesmo de IériaX R^3 sintomas de *ue antes da
morte de %taline, Iéria tinha a sua situa+ão amea+ada, e 2oi talve> por seu
intermédio *ue %taline 2oi li*uidado)S Um dos primeiros passos do novo Boverno 2oi
a ren<ncia ao caso dos médicos) Então G&' .$E%& $'UF'" Rainda so6 o poder de
IériaS, mas AIA=UF&V "i& G&' 'IE$(A#&X 'ntrodu>iram1se novas regras na u6ianAa, e
pela primeira ve> em toda a sua exist0ncia cru>ou os seus um6rais um procurador R#)
() (erieAhovS) $iumin mostrou1se nervoso e servilJ 7Eu não sou culpado, estou
detido sem motivo8, pedindo para ser interrogado) ?omo era seu costume, chupava um
6om6om e a uma o6serva+ão de (erieAhov, cuspiu1o na palma da mão, di>endoJ
7#esculpe)8 Duanto a A6aAumov, como /3 mencion3mos, ele riu1seJ 7E uma
misti2ica+ão)8 (erieAhov mostrou1lhe o seu mandado de controle das cadeias internas
do Finistério da %eguran+a do Estado) 7?omo esse podem 2a6ricar1se *uinhentosX8,
respondeu A6aAumov, recusan1do1o com a mão) A ele, como 7patriota da 'nstitui+ão8,
o *ue mais o2endia não era se*uer *ue estivesse preso, mas *ue tentassem
pre/udicar os :rgãos, os *uais não podiam estar su6ordinados a nada no mundoX Em
Julho de 195@ $iumin 2oi /ulgado Rem FoscovoS e 2u>ilado) Fas A6aAumov continuou na
prisãoX "o interrogat:rio, ele disse a (erieAhovJ 7(ens os olhos demasiado
6onitosa9, terei pena de 2u>ilar1teX A2asta1te do meu caso, e a2asta1te pelas
6oas)8 Uma ve>, (erieAhov chamou1o e deu1lhe a ler o /ornal com o comunicado so6re
o desmascaramento de Iéria) 'sso era então *uase uma sensa+ão c:smica) A6aAumov leu
o comunicado sem pestane/ar, voltou a 2olha e come+ou a procurar a p3gina
desportiva) &utra ve>, assistindo ao interrogat:rio um importante agente da
%eguran+a do Estado, até h3 pouco su6ordinado de A6aAumov, este perguntou1lheJ 7?
omo pudésteis & *ue era verdade) Em geral, #) (erieAhov era um homem de 2or+a de
vontade c aud3cia 2ora do comum Ros /ulgamentos contam1noS, e talve> de viva
intelig0ncia) %e as re2ormas de =ruchtchev tivessem sido mais conse*uentes,
(erieAhov ter1se1ia destacado) Assim, no nosso pa-s, não chegam a 2ormar1se
personalidade hist:ricas) A$DU'.E AB& #E BU AB 145 permitir *ue a investiga+ão do
caso Iéria não 2osse reali>ada pelo Finistério da %eguran+a do Estado, mas pela
.rocuradoriaY R?ontinuava l3 com a sua na ca6e+aXS E tu acreditas *ue eu, ministro
da %eguran+a do Estado, serei /ulgadoY8 1 7%im)8 1 7Então en2ia um chapéu de coco
na ca6e+a, os :rgãos deixaram de existirX8 REle, naturalmente, tinha uma visão
demasiado pessimista, como um inculto correio do Estado)S "ão era o /ulgamento *ue
A6aAumov temia, *uando estava preso na u6ianAa, mas sim um envenenamento Rmostrando
uma ve> mais ser um digno 2ilho dos :rgãoslS ?ome+ou pois a re/eitar toda e
*ual*uer comida da prisão, s: comendo ovos *ue comprava na cantina) RA*ui
2altava1lhe imagina+ão técnica, ao pensar *ue um ovo não pode ser envenenado)S #a
6em surtida 6i6lioteca da u6ianAa s: lia livros de))) %taline R*ue o tinha metido
na cadeia)))S 'sso seria talve> uma ostenta+ão ou um c3lculo, prevendo *ue os
partid3rios de %taline aca6ariam por predominar) Fas continuou preso por mais dois
anos) .or*ue é *ue não o soltaramY A pergunta não é ingénua) A /ulgar pelos seus
crimes contra a humanidade, ele estava manchado de sangue até a ca6e+a) Fas não era
s: eleX &s restantes tinham escapado com sorte) & segredo est3 a*uiJ h3 rumores
surdos de *ue, em tempos, ele tinha espancado a nora de =ruchtchev, inlea %edaia,
esposa do 2ilho mais velho, o *ual, condenado no tempo de %taline, 2ora enviado
para um 6atalhão disciplinar, 1 onde morreu) .or isso, tendo sido encarcerado por
%taline, A6aAumov aca6ou por ser /ulgado, no tempo de =ruchtchev, em eninegrado, e
2u>ilado a 1Q de #e>em6ro de 19541O) Fas era em vão *ue ele se preocupavaJ os
:rgãos não morreram por isso) ?omo di> a sa6edoria popularJ ao 2alares do lo6o,
2ala tam6ém como o lo6o) Esta 2a+a de lo6os, de onde surgiu ela do nosso povoY "ão
é da nossa rai>Y "ão é do nosso sangueY %im, é) .ara não vestir sem mais o alvo
manto dos /ustos, interroguemo1nosJ se a minha vida se tivesse apresentado
di2erentemente, ter1me1ia eu convertido num carrasco assimY E uma pergunta terr-
vel, se *ueremos responder a ela honestamente) 14; A$DU'.E AB& #E BU AB em6ro1me do
meu terceiro ano da universidade, no &utono de 19@Q) ":s, rapa>es do =omsomol,
2omos chamados ao comité de >ona uma primeira e uma segunda ve>, e, *uase sem nos
pedirem o nosso acordo, meteram1nos um *uestion3rio nas mãos para preenchermosJ
h3 /3 demasiados 2-sicos e matem3ticos, a p3tria precisa de candidatos , escola da
")=)V)#) Rde resto, é sempre assim, não são as pessoas *ue t0m necessidade
de alguém, mas sim a p3tria, e h3 sempre um 6urocrata *ue sa6e tudo e 2ala em seu
nomeS) Um ano antes, esse mesmo comité de >ona tinha1nos aliciado para uma escola
de avia+ão) (am6ém dessa ve> nos recus3mos Rt-nhamos pena de deixar a
universidadeS, mas não tão tena>mente como agora) Um *uarto de século depois pode
pensar1seJ sim, voc0s compreendiam per2eitamente como 2ervilhavam as deten+9es ,
vossa volta, como eles torturavam nos c3rceres e para *ue lama vos arrastavam) Fas
nãoX As coru/as voam de noite, e n:s éramos dos *ue des2ilavam de dia, com
6andeiras) ?omo poder-amos sa6er ou pensar *ual a causa das deten+9esY Due tivessem
mudado todos os che2es regionais, isso era1nos per2eitamente indi2erente) (inham
mandado prender dois ou tr0s pro2essores, mas não era com eles *ue -amos aos 6ailes
e assim ainda seria mais 23cil 2a>er exames) ":s, rapa>es de vinte anos de idade,
marc3vamos o passo nas mesmas paradas *ue os da $evolu+ão de &utu6ro e esperava1nos
o mais radioso 2uturo) E di2-cil descrever o sentimento -ntimo, não 6aseado em
*ual*uer argumento, *ue nos impedia de aceitar a ida para a escola da ")=)V)#) "ão
era *ue tal se dedu>isse das con2er0ncias ouvidas so6re o materialismo hist:ricoJ
ao contr3rio, através delas estava claro *ue a luta contra o inimigo interno era
uma 2rente de com6ate ardente e uma tare2a honrosa) E isso estava em contradi+ão
com a nossa vantagem pr3ticaJ a universidade provincial nada nos podia prometer
além de uma escola rural num recanto a2astado e com um sal3rio ex-guo, en*uanto a
escola da ")=)V)#) nos prometia um racionamento especial e um vencimento duas ou
tr0s ve>es maior) & *ue sent-amos não podia tradu>ir1 se em palavras Re se as
houvesse, não as pod-amos comunicar uns aos outros, por temorS) $esistia1se, em
geral, não ao n-vel da ca6e+a, mas do cora+ão) .odem gritar1te de todos os ladosJ
7E necess3rio8, e a tua ca6e+a tam6ém pensarJ 7E necess3rioX8, mas o cora+ão
repelirJ 7"ão *uero, E"&JA1FEX Arran/em1se sem mim, eu não entro nisso) 8a E algo
*ue data de h3 muito, *ui+3 desde iermontov) "a*uelas décadas da vida russa em *ue,
para uma pessoa decente, não havia servi+o pior nem mais su/o do *ue o de agente da
pol-cia secreta, e isso di>ia1se em vo> alta) Fas tudo vem de mais longe ainda) %em
o sa6er, resgat3vamos a li6erdade com o *ue nos restava 1 moedas de co6re e pe+as
de de> Aopecs, das moedas de ouro deixadas pelos nossos 6isav:s, nos tempos em *ue
a moral ainda não era considerada relativa e o 6em e o mal se di2erenciavam
simplesmente através do cora+ão) A$DU'.E AB& #E BU AB 145 ?ontudo, alguns dos
nossos rapa>es alistaram1se então) Acho *ue se tivessem exercido uma pressão mais
2orte nos teriam talve> do6rado a todos n:s) .onho1me a imaginarJ se ao come+ar a
guerra eu /3 tivesse gal9es *uadrados nas lapelas a>uis41 1 *ue teria sido 2eito de
mimY .osso, naturalmente, para ser agrad3vel comigo pr:prio, di>er *ue a minha
honestidade não teria suportado tal coisa, *ue me teria recusado e *ue a6alaria
6atendo com a porta atr3s de mim) Fas, deitado na tarim6a do c3rcere, comecei a
examinar sucessivamente a minha verdadeira carreira de o2icial 1 e
horrori1>ei1me) .assei a o2icial, não vindo da universidade, ainda de6ru+ado so6re
integrais, mas tendo 2eito meio ano de servi+o militar opressivo, sa6endo o *ue
signi2icava estar sempre pronto a su6ordinar1me a pessoas *ue podem não 1ser
dignas) #epois, 2ui torturado durante mais meio ano na Escola do Exército) #everia,
pois, ter assimilado para sempre a amargura do servi+o militarW guardo na minha
mem:ria como a pele me gelava e se gretava))) Fas nãoX ?omo prémio de consola+ão,
deram1me gal9es com duas estrelinhas, depois com tr0s, *uatro, e es*ueci tudo)
(alve> conservasse então o amor , li6erdade, t-pico dos estudantesY Fas entre n:s
ele não existia) Existia, sim, o amor , disciplina da 2orma e ,s marchas)
$ecordo1me 6em *ue 2oi a partir da Escola de &2iciais *ue experimentei a A EB$'A #A
$U%('?'#A#EJ ser militar e "i& $EG E?('$W a A EB$'A #E $EG&?' A$ na vida, tal como
a vivem todos, segundo é praxe no nosso am6iente militarW a alegria de es*uecer
certas su6tile>as espirituais, incutidas desde a in2Lncia) "a escola militar
and3vamos constantemente atena>ados pela 2ome, tentando desco6rir onde pod-amos
2anar um naco mais, vigilando1nos >elosamente uns aos outros para ver *uem se,
desenrascava melhor) & *ue mais tem-amos era não chegar a ganhar as ins-gnias
Renviavam para Estali1negrado a*ueles *ue não terminavam o cursoS) 'nstru-am1nos
como se 2_ssemos /ovens 2eras, a 2im de tornar1nos mais 2uriosos, para *ue, depois,
tent3ssemos des2orrar1nos em alguém) "ão dorm-amos o su2icienteJ ap:s a hora de
sil0ncio, podiam o6rigar1nos a *ue, so6 o comando de um sargento, 2ic3ssemos
so>inhos a marcar passo T isso como castigo) &u então, pela noite, 2a>iam levantar
toda a sec+ão e 2orm31la em volta de uma 6ota su/aJ é desse canalha, *ue vai agora
limp31la e en*uanto ela não 2icar 6rilhante v:s permanecereis a*ui 2ormados) "a
Lnsia apaixonada dos gal9es, ganh3vamos um andar 2elino de o2icial e uma vo>
met3lica de comando) As ins-gnias com esse 2ormato eram 2ixadas ,s extremidades
Rde6runsS da gola do li2orme, *ue era a>ul tratando1se da pol-cia pol-tica) R") dos
()S 14Q A$DU'.E AB& #E BU AB Ginalmente, eis *ue me puseram os gal9esX E cerca de
um m0s depois, 2ormando a 6ateria na retaguarda, eu /3 o6rigava o meu descuidado
pra+a Ier6ienov a marcar passo, depois da hora do descanso, so6 o comando do
insu6misso sargento Fetlin))) RE%DUE?', es*ueci sinceramente tudo isto durante
anosX Aca6o de voltar a lem6rar1me agora mesmo, diante desta 2olha de papel)S E um
velho coronel, em inspec+ão casual, convocou1me e envergonhou1me) Eu Re di>er *ue /
3 depois de ter 2eito a universidadeXS /usti2i*uei1meJ 7"a escola militar assim nos
instru-ram8, o *ue signi2icavaJ *uais podem ser as considera+9es de humanidade, uma
ve> *ue estamos no exércitoY RDuanto mais nos :rgãos)))S & orgulho medra no cora+ão
como o toucinho no porco) Eu lan+ava aos meus su6ordinados ordens indiscut-veis,
convencido de *ue não podia haver outras melhores do *ue essas) Até na 2rente de
6atalha, onde parecia *ue a morte nos igualava a todos, o meu poder conven1ceu1me
rapidamente de *ue eu era uma pessoa de *ualidade superior) %entado, escutava1os a
eles em posi+ão de sentido) 'nterrompia, dava instru+9es) ^avia pais e av_s, *ue eu
tratava por 7tu8 R e eles a mim por 7o senhor8, naturalmenteS) Fandava1os so6 o
2ogo dos canh9es ligar os 2ios partidos, s: para *ue os che2es superiores não me
censurassem Rassim morreu AndriachinS) Eu comia a minha manteiga e as minhas
6olachas de o2icial, sem pensar muito em sa6er por*ue é *ue isso não correspondia
tam6ém aos soldados) Eu /3 tinha, naturalmente, uma ordenan+a R*ue dava pelo no6re
nome de 7impedido8S, *ue, de uma maneira ou doutra, tinha a preocupa+ão de cuidar
da minha pessoa e de preparar todas as minhas re2ei+9es , parte do rancho dos
soldados) R&s comiss3rios instrutores da u16ianAa, esses, não t0m impedidos, é
coisa *ue não se pode di>er deles)S Eu o6rigava os soldados a do6rarem1se e a a6rir
valas especiais de protec+ão para mim, em cada novo lugar, arrastando para l3 os
troncos mais pesados de modo a eu 2icar comodamente e 2ora de perigo) E reparem,
permitam11me, é verdade *ue na minha 6ateria tam6ém devia haver um lugar de
deten+ãoX E no 6os*ue *ual podia ele serY (ratava1se de uma cova, melhor do *ue a
da divisão de BoroAhovets, por*ue era co6erta e se servia l3 o rancho de soldadoJ
2oi onde esteve ViuchAov, por ter
perdido um cavalo, e .op1Aov, por cuidar mal da cara6ina) .ermitam1me ainda outra
recorda+ãoJ tinham1me 2orrado a prancheta com pele alemã Rnão, não era pele humana,
mas do assento do motoristaS e 2altava uma correia de couroW eu a6orreci11me com
issoW su6itamente, viram uma correia desse género, pertencente a um certo
comiss3rio pol-tico de guerrilheiros Rdo comité do partido da >onaS e tiraram1lhaJ
n:s somos do exército, somos superioresX R$ecordam11se de ?entchenAo, agente
operacional da (checaYS Ginalmente, h3 *ue recordar o esto/o de cigarros
vermelho1claro, *ue eu tanto pre>avaJ não es*ueci como o tiraram ))) tis o *ue os
gal9es 2a>em de um homem) &nde se tinham sumido as recomenda+9es da minha av:,
diante do -coneY E para onde tinham voado A$DU'.E AB& #E BU AB 149 as minhas
ilus9es de pioneiro so6re a 2utura e santa 'gualdadeX Duando, no posto de comando
do che2e de 6rigada, os agentes da contra1espionagem me arrancaram os malditos
gal9es, me tiraram as correias e me empurraram para meter1 me no autom:vel,
totalmente a6andonado , minha sorte, ainda me sentia morti2icado ao pensar na
degrada+ão *ue seria passar pela depend0ncia dos tele2onistas, pois os soldados não
me deviam ver assimX "o dia seguinte ao da minha deten+ão, comecei a percorrer a
minha 7Via de Vladimir844) #irigiam os presos da sec+ão de contra1espionagem do
exército, , 2rente, por etapas) Gi>eram1nos ir a pé de &sterod a Irodnitsa) Duando
me tiraram da enxovia para 2ormar, /3 estavam de pé sete reclusos, dos *uais, seis
aos pares e um de costas voltadas para mim) %eis deles vestiam capotes militares
russos, surrados, *ue /3 tinham visto tudo, em cu/o dorso se liam, em tinta 6ranca
indelével, estas enormes letrasJ 7%U)8 & *ue signi2icava 7%oviet Union)8 Eu /3
conhecia esse sinalJ tinha1o visto, por mais de uma ve>, escrito nas costas dos
nossos prisioneiros russos, *ue se arrastam com ar a2lito e culpado ao encontro do
seu exército li6ertador) Em6ora os li6ertassem, não havia alegria rec-proca nessa
li6erta+ãoJ os seus compatriotas olhavam1nos de soslaio e de modo mais som6rio do
*ue aos alemães) E a uma pe*uena distLncia da retaguarda, eis o *ue lhes aconteciaJ
eram metidos na prisão) & sétimo preso era um civil alemão, de 2ato, so6retudo e
chapéu pretos) J3 passava dos cin*uenta, era alto, de aspecto 6em tratado, pele
muito 6ranca, ha6ituado , 6oa comida) .useram1me no *uarto par, e um sargento
t3rtaro, che2e da escolta, 2e> um gesto para *ue eu agarrasse e levasse a minha
mala, *ue estava selada num lado) "ela estavam as minhas roupas de o2icial e todos
os meus escritos con2iscadosJ elementos para a minha condena+ão) ?omo, então, a
malaY Ele, o sargento, *ueria *ue eu, o2icial, agarrasse e levasse a malaY 'sto é,
um o6/ecto pesado, ?oisa *ue era proi6ida pelo novo regulamento internoY E ao lado,
com as mãos va>ias, iam seis soldados rasosk E um representante da na+ão vencidaY
"ão expli*uei isso de 2orma tão complicada ao sargento, mas disse11lheJ 1 %ou
o2icial) Due a leve o alemão) "enhum dos presos voltou o rosto ao ouvir as minhas
palavrasJ era proi6ido voltar1se) %: o *ue 2ormava par comigo, tam6ém %U, me 2itou,
admirado R*uando eles deixaram o nosso exército, ele ainda não era assimS) 7Via de
Vladimir8 Rcaminho da deporta+ãoSJ alusão ao itiner3rio seguido pelos deportados,
*ue partiam a pé de Foscovo para a %i6éria, no século !'!) R") dos ()S 15C A$DU'.E
AB& #E BU AB
Fas o sargento da contra1espionagem não se espantou) Em6ora aos seus olhos eu /3
não 2osse o2icial, a sua aprendi>agem e a minha coincidiam) Ele chamou o alemão,
*ue não era o6rigado a nada, e ordenou1lhe *ue levasse a minha mala, aproveitando o
2acto de *ue ele não compreendera a nossa conversa+ão) (odos os restantes,
incluindo eu, puseram as mãos atr3s das costas Ros prisioneiros de guerra não
tinham se*uer uma sacola, com as mãos va>ias tinham sa-do do pa-s e com as mãos
va>ias regressavamS, e a nossa coluna de *uatro pares de occipitais p_s1se em
marcha) "ão t-nhamos de *ue 2alar com os mem6ros da escoltg e entre n:s era
terminantemente proi6ido trocar palavras em marcha, nas paragens ou ao pernoitar)))
En*uanto acusados, dev-amos ir como se nos encontr3ssemos entre invis-veis
ta6i*ues, mergulhados cada um na sua cela individual) Eram dias de tempo vari3vel
duma .rimavera prematura) &ra alastrava um ténue nevoeiro e a lama se li*ue2a>ia
desoladoramente so6 as nossas 6otas, mesmo na estrada s:lida, ora o céu clareava e
um sol suavemente amarelado, ainda inseguro na sua d3diva, a*uecia as colinas /3
*uase sem neve e nos mostrava um mundo transl<cido *ue era preciso a6andonar, ora
se 2ormavam tur6ilh9es hostis *ue arrancavam ,s nuvens negras uma neve *ue nem
parecia 6ranca, e nos 2ustigava 2riamente o rosto, as costas, as pernas, molhando
os capotes e as polainas) %eis costas pela 2rente, sempre e sempre seis costas)
^avia tempo para o6servar e voltar a o6servar a retorcida e dis2orme marca %U, 6em
como o negro tecido lustroso das costas do alemão) ^avia tempo para re2lectir so6re
a vida anterior e compreender a presente) Fas eu não podia) J3 golpeado na 2ronte
com uma matraca, eu não podia compreender) %eis costas) "enhum sinal de aprova+ão,
nem de condena+ão no seu 6alancear) h & alemão cansou1se depressa) Ele mudava a
mala de uma mão para a outra, 6atia no peito, 2a>ia acenos , escolta de *ue não a
podia levar) E então, o *ue ia a seu lado 2a>endo par com ele, um prisioneiro de
guerra, *ue sa6e #eus o *ue não teria visto no cativeiro alemão Rou *ue então sa6ia
o *ue era a piedadeS, agarrou na mala e levou1a) (ransportaram1na depois tam6ém
outros prisioneiros de guerra, sem *ual*uer ordem da escolta) E de novo o alemão)
Fas eu não peguei nela) E ninguém me disse uma palavra) Encontr3mos no caminho uma
comprida carro+a va>ia) &s condutores miravam1nos, curiosos, e alguns levantavam1se
para 2ixar1nos com olhos de assom6ro) ?ompreendi su6itamente *ue a sua agita+ão e
irrita+ão se dirigiam contra mim 1 eu di2erenciava1me muito dos restantesJ o meu
capote era novo, comprido, 2eito , medida, os gal9es não tinham sido arrancados e,
com o sol, os 6ot9es, *ue não haviam sido cortados, 6rilhavam como ouro 6arato)
Via1se per2eitamente *ue eu era o2icial, e *ue aca6avam de me A$DU'.E AB& #E BU AB
151 apanhar) Em parte, talve> *ue esta decad0ncia lhes provocasse uma excita+ão
agrad3vel Rum re2lexo de /usti+aS, mas acontecia antes *ue as suas ca6e+as,
repletas de palestras pol-ticas, não eram capa>es de compreender *ue pudessem
prender um comandante de companhia, e decidiram, unanimemente, *ue eu pertencia ao
&U($& lado) 1 Apanharam1te, canalha vlassovistaYX))) Gu>ilem1no, ao pati2eXXX
1gritavam excitados pelo :dio, da retaguarda, os condutores Ro patriotismo mais
veemente existe sempre na retaguardaS, acompanhando esses gritos de um grande
n<mero de palavr9es) Eu aparecia1lhes como uma espécie de velhaco internacional,
*ue tinham a6ar6atado, e agora a o2ensiva na 2rente marcharia mais depressa, a
guerra duraria menos) Due lhes podia eu responderY ^avia sido proi6ido de
pronunciar uma s: palavra *ue 2osse q, além disso, teria de explicar a cada um toda
a minha vida) ?omo podia eu di>er1
lhes *ue não era um terroristaY Due era amigo delesY E *ue era por eles *ue estava
a*uiY .us1me a sorrir))) &lhando para eles, sorria1lhes desde a coluna dos presos
em marchaX Fas o meu sorriso pareceu1lhes a pior das 6urlas e gritaram com mais
2<ria, insultaram1me e amea+aram1me com os punhos) Eu continuava a sorrir,
orgulhando1me de não ir preso por rou6o, nem por trai+ão ou por deser+ão, mas por
ter penetrado, pela 2or+a da dedu+ão, nos segredos maldosos de %taline) 'a sorrindo
para lhes di>er *ue *ueria e *ue talve> ainda pudesse corrigir a nossa vida russa)
Entrementes, levavam a minha mala))) Eu nem se*uer sentia remorsosX E se o meu
vi>inho, de rosto a6atido, com a 6ar6a crescida de duas semanas, os olhos repletos
de so2rimento e de experi0ncia, me tivesse censurado, então, no russo mais claro
*ue houvesse, por eu ter humilhado a dignidade do preso, ao pedir a/uda , escolta,
por eu ser altaneiro, orgulhoso 1 "\& & (E$'A ?&F.$EE"#'#&X %implesmente não teria
compreendido %&I$E o *ue é *ue ele me 2alava) .ois não era eu um o2icialY))) %e
sete dentre n:s tivessem de morrer pelo caminho, e o oitavo pudesse ser salvo pela
escolta, *ue me impediria de exclamarJ 1 %argentoX %alve1meX Ve/a, sou um
o2icialX))) Eis o *ue é um o2icial, mesmo *uando os seus gal9es não são a>uisX E se
ainda por cima são a>uisY %e lhe incutiram, para além do mais, *ue entre os
o2iciais ele é a gemaY Due depositaram maior con2ian+a nele do *ue nos outros e
*ue, por tudo isso, deve o6rigar o acusado a meter a ca6e+a entre as pernas, e uma
ve> nessa posi+ão, empurr31lo para a tu6eiraY E por*ue não empurr31loY Eu atri6u-a
a mim mesmo uma a6nega+ão desinteressada) Entretanto, era um carrasco em pot0ncia)
E se tivesse entrado para a escola da ")=)V)#) no tempo de 'e/ov, talve> *ue, no de
Iéria, eu estivesse preparado para ocupar um tal posto))) 154 A$DU'.E AB& #E BU AB
Due 2eche a*ui o livro o leitor *ue espera *ue ele continue uma acusa+ão pol-tica)
Ah, se as coisas 2ossem assim tão simplesX %e num dado lugar houvesse pessoas de
alma negra, tramando maldosamente negros des-gnios e se se tratasse somente de
di2erenci31 las das restantes e de ani*uil31lasX Fas a linha *ue separa o 6em do
mal atravessa o cora+ão da cada pessoa) E *uem destr:i um peda+o do seu pr:prio
cora+ãoY))) "o decurso da vida de um cora+ão esta linha desloca1se dentro dele, ora
oprimida por uma alegria maligna, ora li6ertando espa+o para o despontar da
6ondade) Uma e mesma pessoa nas suas di2erentes idades e em di2erentes situa+9es da
vida constitui um ser completamente distinto) &ra pr:ximo do dia6o, ora pr:ximo de
um santo) Fas o nome não muda, e é a ela *ue tudo é atri6u-do) %:crates disseJ 7?
onhece1te a ti pr:prioX8 E, perante a cova para a *ual /3 nos disp<nhamos a
empurrar os nossos opressores, detemo1nos aturdidosJ sim, as coisas sucederam de
tal 2orma *ue não 2omos n:s os carrascos, 2oram eles) Fas se o .e*ueno %Auratov
tivesse 2eito apelo a n:s, talve> *ue não tivéssemos recusado) #o 6em ao mal h3 um
passo, re>a um provér6io) & *ue signi2ica *ue igualmente do mal ao 6em) ogo *ue na
nossa sociedade se agitou a lem6ran+a das ar6itrariedades e das torturas, come+aram
por todos os lados a explicar, a escrever e a replicarJ Z Rno ?&F'%%A$'A#& #E
%EBU$A"VA #& E%(A#&, no F'"'%(E$'& #A %EBU$A"VA #& E%(A#&S havia tam6ém gente 6oa)
":s conhecemos essa gente 6oaJ eram a*ueles velhos 6olchevi*ues *ue nos sussurravam
7aguenta1te8 ou inclusive nos passavam uma sandu-che, mas *ue mimoseavam os
restantes, todos a eito, com
pontapés) E nas es2eras superiores do .artido, não haveria gente 76oa8, humanamente
2alandoY Em geral, não devia l3 haver muita genteJ es*uivavam1se a admiti1la) Antes
do recrutamento, procediam /ura exame minucioso) #e resto, a gente 6oa tentava
escapar1 se pela ast<cia)4@ A*ueles *ue l3 2icavam por e*u-voco, ou se integravam
nesse meio ou eram empurrados para ele, acostumando1se e entrando nos eixos) Fas
acaso não 2icavam mesmo l3Y Em =ichiniov, um /ovem tenente da %eguran+a 2oi
avisar ?hipovalni1 #urante )1 guerra, em $ia>an, um aviador de eninegrado, depois
de sair do hospital, suplicou bno dispens3rio antitu6erculosoJ ) =ncontrem1nie uma
doen+a *ual*uerX &rdenam1me *ue v3 tra6alhar para os :n,uosX8 &s radiologistas
inventaram uma in2iltra+ão tu6erculosa e imediatamente os da %eguran+a desistiram)
A$DU'.E AB& #E BU AB 15@ Aov um m0s antes da sua deten+ãoJ parta, parta, *ue *uerem
prend01loX R%eria por iniciativa suaY &u 2oi a mãe *ue o mandou salvar o
sacerdoteYS #epois da deten+ão, cou6c1lhe escoltar o padre Victor) E dava1lhe penaJ
por*ue é *ue ele não tinha 2ugidoY Eis outro caso) Eu tinha um che2e de sec+ão, o
tenente &vcianiAov) "a 2rente, era a pessoa mais chegada a mim) #urante metade da
guerra comemos /untos da mesma marmita e so6 o canhoneio com-amos entre as
explos9es, para *ue a sopa não se es2riasse) Era um mo+o campon0s, com uma alma tão
pura e sem preconceitos *ue nem a escola militar, nem a o2icialidade o corromperam)
Ele pr:prio me moderava muito) (odo o seu poder de o2icial o utili>ava para uma
coisaJ para salvaguardar a vida e as energias dos seus soldados Re entre eles havia
muitos idososS) Goi através dele *ue eu sou6e, pela primeira ve>, o *ue é ho/e o
campo e o *ue são os AolAho>es) REle 2alava so6re isso sem irrita+ão, sem protesto,
com simplicidade, como a 3gua do 6os*ue re2lecte as 3rvores e até mesmo os ramos
mais min<sculos)S Duando me prenderam, ele comoveu1se, escreveu uma excelente
6iogra2ia militar minha e levou1a ao che2e da divisão para a assinar) #epois de
desmo6ili>ado procurou, por intermédio de pessoas de 2am-lia, ver como me podia
a/udar Rest3vamos em 1945, *ue pouco se di2erenciava de 19@5XS .or causa dele, eu
temia deveras *ue, durante a instru+ão do meu processo, 2ossem ler o meu #i3rio
Filitar, pois a- 2iguravam os seus relatos) Duando 2ui rea6ilitado, em 1955, tinha
um enorme dese/o de encontr31lo) em6rava1me da sua direc+ão, na aldeia) Escrevi1lhe
uma ve>, escrevi1lhe duas e não o6tive resposta) Encontrei 2inalmente uma indica+ão
de *ue ele tinha aca6ado o 'nstituto de .edagogia de 'aroslavl, de onde me
responderamJ 7Goi enviado para tra6alhar nos :rgãos da %eguran+a do Estado)8 Essa
agoraX 'sso era 6astante interessanteX Escrevi1lhe para o seu endere+o da cidade e
tão1pouco o6tive resposta) .assaram alguns anos e 2oi pu6licado o 'van
#enissovitch) Iem, agora ele vai responder) "adaX))) (r0s anos depois, pedi a um
meu correspondente de 'aroslavl para ir v01lo e lhe entregar pessoalmente uma
carta) & meu correspondente entregou1lha e escreveu11meJ 7%im, parece *ue ele não
leu se*uer o 'van #etiissovitch )))8 E, de 2acto, para *ue *uerem eles sa6er o *ue
sucede depois aos condenadosY))) #essa ve> &vcianiAov /3 não p_de guardar sil0ncio
e respondeu1meJ 7#epois do 'nstituto convidaram1mc a ir tra6alhar nos :rgãos e
pareceu1me *ue a*ui teria o mesmo 0xito)8 REle, 0xitoY)))S 7Fas não tenho
progredido no novo campo de ac+ão, havia coisas *ue não me agradavam, mas tra6alho
bsem 6ordãob e, a não ser por erro, não pre/udicarei nenhum camarada)8 REis uma
/usti2ica+ão 1 a camaradagemXS 7Agora /3 não penso no 2uturo)8 Eis tudo)))
#ir1se1ia *ue ele não rece6era as cartas anteriores) "ão *ueria ter encontros) R%e
nos encontr3ssemos, penso *ue teria escrito melhor este cap-tulo)S "os <ltimos anos
de %taline ele /3 era comiss3rio instrutor) "essa época aplicavam em série um
*uarto de
século a cada um) E como é *ue tudo isso se conciliou na sua consci0nciaY ?omo é
*ue ela se o2uscouY 154 A$DU'.E AB& #E BU AB Ao recordar o antigo rapa>, puro,
a6negado, acaso posso acreditar *ue tudo se/a irrevog3velY Due não su6sistem nele
alguns germes vivosY))) Duando o comiss3rio Boldman deu a assinar a Vera =orneieva
o artigo 4C;)O ela compreendeu *uais eram os seus direitos e come+ou a estudar
minuciosamente o 7processo8 dos de>assete mem6ros do seu 7grupo religioso8) Ele
en2ureceu1se, mas não p_de recusar) .ara não se 2atigar com ela, levou1a então para
uma grande sala, onde estavam meia d<>ia de cola6oradores, indo1se ele em6ora)
.rimeiro, =orneieva leu o seu dossier, depois 2oi enta6ulando conversa e, talve>
para matar o a6orrecimento dos cola6oradores, Vera passou a 2a>er um verdadeiro
sermão em vo> alta) RE necess3rio conhec01la) (ratava1se de uma pessoa 6rilhante,
de intelig0ncia viva e elo*uente, em6ora *uando estava em li6erdade se dedicasse ,
serralharia, tivesse tra6alhado numa cavalari+a e como doméstica)S (odos a
escutavam com a respira+ão suspensa, 2a>endo, de ve> em *uando, uma ou outra
pergunta) Era, para todos, uma revela+ão) Vieram pessoas de outras depend0ncias e o
*uarto encheu1se) Em6ora não 2ossem comiss3rios mas sim dactil:gra2as, esten:gra2as
e empregados de escrit:rio, tratava1se, no entanto, do seu am6iente, o dos :rgãos
em 194;) "ão é poss-vel reconstituir a*ui o seu mon:logo, mas ela conseguiu a6ordar
in<meros assuntos) Galou so6re os traidores , p3tria e por*ue é *ue não os houve na
Buerra .atri:tica de 1Q14, so6 o regime de servidão, *uando era natural então *ue
tivessem surgidoX Fas do *ue ela mais 2alou 2oi so6re a 2é e os crentes) 7#A"(E%8,
di>ia ela 7voc0s 6aseavam tudo no desen2rear das paix9es Rrou6a *uem te rou6ouS, e,
então, os crentes eram um estorvo, naturalmente) Fas agora, *ue voc0s *uerem ?&"%
($U'$ e go>ar do 6em1estar neste mundo, por*ue é *ue perseguem os nossos melhores
cidadãosY .ara voc0s eles são o material mais preciosoJ com e2eito, não é preciso
controlar os crentes, eles não rou6am, não t0m pregui+a de tra6alhar) .ensarão
voc0s construir uma sociedade /usta com os interesseiros e os inve/ososY Então,
tudo se desmoronar3) .or*ue é *ue escarnecem da alma das melhores pessoasY ?oncedam
, 'gre/a uma aut0ntica separa+ão, mas não to*uem nelae nada perderão com issoX
Voc0s são materialistasY Então con2iam no progresso da instru+ão, *ue, segundo
di>em, 2ar3 dissipar a 2é) Fas para *u0 e2ectuar deten+9esY8 "esse momento entrou
Boldman e *uis rudemente interromp01la) Fas todos lhe gritaramJ 7?ala a 6ocaX))) ?
alaX))) Gala, 2ala, mulherX8 R?omo chamar1lhe, na verdadeY ?idadãY ?amaradaY (udo
isto era proi6ido, enredavam1se nas conven+9es) FulherX Assim, como ?risto, não se
enganariam) E Vera continuou a 2alar diante do comiss3rioXXX .or*ue é *ue as
palavras de =orneieva, uma insigni2icante presa, impressionaram tão vivamente esses
ouvintes do ga6inete da %eguran+a do stadoY & pr:prio #) .) (erieAhov recorda1se
ainda do seu primeiro condenado , morteJ 7(ive pena dele)8 Ve/am, esta lem6ran+a
vem ainda do 2undo A$DU'.E AB& #E BU AB 155 do cora+ão) RFas, depois disso, /3 se
es*ueceu da maior parte e /3 lhes perdeu o conto)S44 .or muito glacial *ue se/a o
pessoal de vigilLncia da ?asa Brande, deve ainda conservar o mais pe*ueno grão
interior de alma, o mais pe*ueno dos grãos) ") .) conta *ue certa ve> 2oi condu>ida
ao interrogat:rio por uma V'B' A"(E intrépida, muda, indi2erente, *uando, de
repente, perto da ?asa Brande, come+aram a explodir 6om6asJ pareciam *ue
iam cair so6re elas) A vigilante lan+ou1se aterrori>ada para a sua presa,
a6ra+ando1a, 6uscando a união e a simpatia humana) Fas cessou o 6om6ardeamento e
logo voltou a indi2eren+a anteriorJ 7.onha as mãos atr3s das costas1X AvanceX8 ?
laro *ue isto não é um grande mérito, tornar1se uma pessoa humana em 2ace do horror
da morte) ?omo tão1pouco é uma prova de 6ondade o amor aos 2ilhos Rele é 7um 6om
pai8, di>em, a mi<de, /usti2icando os pati2esS) Eis como tecem o elogio do
presidente do %upremo (ri6unal, ') () Bo1liAov) 7Bostava de cavar no seu /ardim,
amava os livros, visitava os al2arra6istas, conhecia 6em (olstoi, =orolenAo e
(cheAhov)8 E o *ue é *ue colheu nelesY Duantos milhares de homens desgra+ouY &utro
exemploJ a*uele coronel amigo de 'ossé, *ue mesmo no c3rcere, no isolamento pol-
tico de Vladimir, contava, a rir, como metia velhos /udeus numa cave com gelo, e
*ue em todas as suas deprava+9es s: temia *ue a sua mulher viesse a sa6er 1 ela
tinha con2ian+a nele, considerava1o no6re e isso era algo *ue ele estimava) Fas
ousaremos encarar esse sentimento como uma pra+a de armas de 6ondade no seu
cora+ãoY .or*ue é *ue, desde h3 /3 dois séculos, eles veneram tão o6stinadamente a
cor do céuY "o tempo de iermontov os 7a>uis8 /3 existiamJ 7E voc0s, é
2ardas1a>uisX8 #epois 2oram os 6onés1a>uis, os gal9es1a>uis, os palas11a>uisW
ordenaram1lhes *ue se tornassem menos vis-veis e os capas1a>uis tudo 2i>eram para
se esconderem da gratidão popular, tudo retiraram da ca6e+a e dos om6ros 1 e
2icaram apenas os de6runs, 2ran/as estreitas, mas apesar de tudo a>uisX %er3 s: um
dis2arceY &u acontecer3 antes *ue tudo o *ue é negro deve, mesmo raramente,
comunicar com o céuY %eria 6elo pensar assim) Fas *uando se sa6e como, por exemplo,
'ago1da se elevava até , santidade))) segundo conta uma testemunha ocular Rdo c-
rculo de BorAi, *ue nesse tempo era pr:ximo de 'agodaS, na propriedade deste,
situada nos arredores de Foscovo, havia -cones no vest-6ulo dos 6anhos 44 )Eis um
epis:dio passado com (erieAhov) (entando demonstrar1ine a /usti+a do sistema
/udicial, no tempo de =ruchtchev, ele 6ateu energicamente com a mão no vidro da
mesa e teriu1se no punho) ?hamou imediatamente o pessoal, *ue se p:s em sentido, e
o o2icial che2e da guarda trouxe1lhe o iodo e 3gua1oxigenada) A conversa continuou
ainda durante uma hora e ele manteve, impotentemente, o algodão ensanguentado so6re
o 2erimentoJ acontecia *ue o seu sangue coagulava mal) Assim, #eus parecia
demonstrar1lhe, claramente, as limita+9es do homemX E ele, ele /ulgava e con2irmava
as condena+9es , morte dos outros))) 15; A$DU'.E AB& #E BU AB especialmente para
*ue 'agoda e os seus camaradas, nus, disparassem os seus rev:lveres contra eles,
indo depois 6anhar1se))) ?omo compreender istoJ tratar1se13 de FA GE'(&$E%Y & *u0YX
^3 gente desta no mundoY %omos tentados a di>er *ue não, *ue não pode haver, *ue
não existe) E admiss-vel *ue, nos contos, se descrevam tal género de mal2eitores ,s
crian+as, para maior simplicidade do *uadro) Fas, *uando a grande literatura
mundial dos séculos passados inventa, com tal exagero, 2iguras pro2undamente
som6rias de mal2eitores 1 *uer se trate de %haAespeare, de %hiller ou de #icAens 1,
isso /3 nos parece, em parte, teatro de 2eira, grosseiro para a nossa percep+ão
contemporLnea) & essencial é, no entanto, ver como são descritos esses mal2eitores)
Eles reconhecem1se a si pr:prios como taisW t0m consci0ncia da negridão da sua
alma, raciocinando deste modoJ não posso viver sem 2a>er mal) Vou incitar o meu pai
contra o meu irmãoX Vou deliciar1me com os
so2rimentos das v-timasX lago menciona claramente os seus des-gnios, os seus
impulsos sinistros, nascidos do :dio) Fas as coisas não sucedem assimX .ara 2a>er o
mal, o homem deve t011lo interiormente reconhecido como um 6em ou como uma ac+ão
sensata, de acordo com a lei) (al é, 2eli>mente, a nature>a do homemJ ele deve
6uscar a JU%('G'?AV\& das suas ac+9es) As JU%('G'?AVoE% de Fac6eth eram dé6eis e os
remorsos ro-am1lhe a consci0ncia) Fas lago era um cordeiro45) %e a 2antasia e as
2or+as interiores dos mal2eitores shaAespearianos se limitava a uma de>ena de
cad3veres, era por*ue eles não tinham ideologia) A ideologiaX Ela 2ornece a
dese/ada /usti2ica+ão para a maldade, para a 2irme>a necess3ria e constante do
mal2eitor) Ela constitui a teoria social *ue o a/uda, perante si mesmo e perante os
outros a desculpar os seus actos e a não escutar censuras nem maldi+9es, mas sim
elogios e testemunhos de respeito) Era assim *ue os in*uisidores se apoiavam no
cristianismo, os con*uistadores no engrandecimento da p3tria, os coloni>adores na
civili>a+ão, os na>is na ra+a, os /aco6inos Rde ontem e de ho/eS na igualdade, na
2raternidade e na 2elicidade das gera+9es 2uturas) Bra+as , '#E& &B'A, o século !!
teve de suportar as mal2eitorias , escala de milh9es) 'sto não se pode negar, nem
esconder, nem deixar passar em sil0ncio) ?omo nos atrevemos a insistir em *ue não
existiam mal2eitoresY E *uem ani*uilou esses milh9esY %em mal2eitores não teria
havido o Ar*uipélago) ?orreu o 6oato, nos anos 191Q14C, de *ue a (cheAa de
.etrogrado e de &dessa não 2u>ilava todos os condenados, mas *ue com alguns deles
RvivosS alimentava as 2eras dos /ardins >ool:gicos da cidade) "ão sei se isso é
verdade ou cal<nia, se houve casos desses e *uantos) Fas eu não 6uscaria =m russo
nignionoA signi2ica cordeiro) R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB 155 provasJ segundo
o costume dos de6runs1a>uis, eu convid31los1ia a demonstrar1nos *ue isso é imposs-
vel) "as condi+9es de 2ome da*ueles anos onde conseguir alimento para as 2erasY
(ir31lo , classe oper3riaY A*ueles inimigos, de todas as maneiras, tinham de morrer
e por*ue não manter com a sua morte as 2eras da $ep<6lica e contri6uir assim para a
nossa marcha para o 2uturoY "ão é isso acaso racionalY Eis a raia *ue não se atreve
a passar o mal2eitor shaAespeariano, mas o mal2eitor com ideologia ultrapassa1a e
os seus olhos continuam claros) A 2-sica conhece as grande>as ou os 2en:menos no
limiar) %ão os *ue não existem en*uanto não é transposto um certo 'F'A$ conhecido e
ci2rado pela nature>a) .or muito *ue se pro/ecte a lu> amarela so6re o l-tio, este
não proporcionar3 electr9es, mas se se tratar de uma dé6il lu> a>ul, ei11los *ue se
li6ertam R2oi transposto o limiar 2otoeléctricoSX %e se es2riar o oxigénio para l3
dos cem graus negativos, pode1se comprimi1lo com *ual*uer pressão *ue o g3s
mantém1se, não cede, mas ao transpor os cento e oitenta graus, o l-*uido 2lui)
.elos vistos, a maldade é tam6ém uma grande>a com limiar) %im, o homem oscila,
de6ate1se toda a vida entre o 6em e o mal, escorrega, cai, levanta1se, volta a cair
de novo) (odavia, en*uanto não transp9e o limiar da maldade, guarda sempre a
possi6ilidade de retorno, e mantém1se nos limites das nossas esperan+as) Fas
*uando, pela densidade dos actos de malvade>, ou pelo seu grau, ou pelo poder
a6soluto *ue detém, ele transp9e su6itamente o limiar, ei1lo *ue a6andonou a
humanidade) E talve> sem regresso)
A ideia de /usti+a comp9e1se, aos olhos dos homens, desde aa antiguidade, de duas
metadesJ a virtude triun2a, o v-cio é punido) (ivemos a sorte de chegar a viver
ainda num tempo em *ue a virtude, em6ora não triun2e, não é sempre, apesar de tudo,
a+ulada por cães) A virtude espancada, com6alida, /3 é permitido entrar com os seus
andra/os e 2icar sentada a um canto, desde *ue não a6ra a 6oca) Entretanto, ninguém
se atreve a pronunciar uma palavra so6re o v-cio) %im, mo2ou1se da virtude, mas sem
*ue tenha havido v-cio) %e alguns milh9es 2oram lan+ados pela ladeira, não houve
culpados disso) E se alguém 2a> uma simples alusãoJ 7Fas, en2im, a*ueles *ue)))8,
ouve recrimina+9es de todos os lados) "os primeiros tempos, amistosamenteJ 7&ra,
camaradaX .ara *u0 voltar a a6rir 2eridas velhasYX4; E depois, a caceteJ 7%il0ncio,
so6reviventesX Voc0s 2oram rea6ilitadosX8 Fesmo a prop:sito do 'van #enissovitch,
2oi exactamente a o6/ec+ão *ue levanta1i os re2ormados da ?asa A>ulJ para *u0
rea6rir as chagas da*ueles *ue 2oram encarcerados camposY Eles é *ue devem ser
poupadosX 15Q A$DU'.E AB& #E BU AB Duando, em 19;;, na Alemanha &cidental, 2oram
/ulgados &'(E"(A E %E'% F' criminosos na>is45, n:s engasg3mos de alegria, não
lament3mos as p3ginas dos /ornais nem as horas de r3dio gastas, e mesmo depois do
tra6alho 2ic3vamos para assistir a com-cios, onde grit3vamosJ E .&U?&X &itenta e
seis mil é poucoX E vinte anos é poucoX ^3 *ue prosseguirX Duanto a n:s, apenas
/ulg3mos Rsegundo os relatos do J<ri Filitar do %upremo (ri6unalS cerca de #EU
^&FE"%) & *ue se 2a> para além do Hder, do $eno, isso in*uieta1nos) E o *ue se 2a>
nos arra6aldes de Foscovo e por tr3s dos verdes taipais dos arredores de %otchi, o
2acto de os assassinos dos nossos maridos e pais andarem pelas nossas ruas e lhes
cedermos a passagem T isso não nos in*uieta, não nos comove, isso é 7remexer o
passado8) Entretanto, se transpusermos os oitenta e seis mil alemães ocidentais
para as nossas propor+9es, isso signi2icaria para o nosso pa-s UF DUA$(& #E F' ^]&X
"ão o6stante ter passado um *uarto de século, não lev3mos ninguém ao tri6unal,
receamos a6rir as suas 2eridas) E, como s-m6olo de todos eles, continua a viver até
agora na $ua BranovsAi, n<mero @, satis2eito, o6tuso, o Folotov, todo ele
impregnado de sangue nosso, atravessando no6remente o passeio e sentando1se no seu
comprido e espa+oso autom:vel) E um mistério *ue a n:s, os contemporLneos, não é
poss-vel deci2rarJ .&$DUE E DUE a Alemanha precisou de castigar os seus mal2eitores
e a $<ssia não precisaY Due caminho de perdi+ão ser3 o nosso, se não é poss-vel
puri2icar1nos desse mal *ue empe+onha o nosso corpoY & *ue é *ue a $<ssia poder3
ensinar ao mundoY "os processos /udicials alemães, veri2icava1se um 2en:meno
extraordin3rioJ o réu agarrava1se , ca6e+a, renunciava , de2esa e nada mais pedia
ao tri6unal) #i>ia *ue a descri+ão dos seus crimes, citada e registada perante ele,
o 2a>ia trans6ordar de repugnLncia e *ue não dese/ava mais viver) Esse é o maior
0xito do tri6unalJ *uando o v-cio é tão reprovado *ue o pr:prio criminoso o
repudia) Um pa-s *ue oitenta e seis mil ve>es, do alto do estrado do tri6unal,
reprovou o crime Re o condenou irreversivelmente na literatura e entre a
/uventudeS, puri2ica1se, ano ap:s ano e de degrau em degrau, desse mesmo crime) E
n:s, *ue devemos 2a>erY))) Um dia, os nossos descendentes chamarão a v3rias das
nossas gera+9es, as gera+9es dos 6a6ososJ primeiro, su6missamente, deix3mo1nos
massacrar aos milh9esW depois, com solicitude, amim3mos os nossos assassinos na sua
velhice 2eli>) Due 2a>er, se a grande tradi+ão do arrependimento russo é para eles
"a Alemanha de este não se ouvia 2alar de tais processosW provavelmente procedeu1se
a uma reeduca+ão, decidida pela administra+ão do Estado) A$DU'.E AB& #E BU AB 159
incompreens-vel e rid-culaY Due 2a>er, se o terror animal de so2rerem a centésima
parte do *ue causaram aos outros pesa neles mais do *ue *ual*uer inclina+ão para
a /usti+aY %e eles agarram com mãos 3vidas a colheita dos 6ens criados com o sangue
dos *ue pereceramY E verdade *ue a*ueles *ue manipulavam a m3*uina de picar carne,
mesmo *ue 2osse no ano @5, /3 não são /ovens, /3 t0m de cin*uenta a oitenta anos de
idade, e viveram todos os seus melhores anos desa2ogadamente, 6em alimentados, no
con2orto) Dual*uer castigo EDU'(A('V& chega tarde, /3 não pode ser1lhes
aplicado) .odemos ser generosos, não os vamos 2u>ilar, não lhes vamos en2iar 3gua
salgada pela garganta, não vamos ench01los de perceve/os, at31los, segundo o método
de 7andorinha8, nem mant01los durante semanas sem dormir, nem dar1lhe pontapés, nem
maltrat31los a cavalo1marinho, nem apertar1lhes o crLnio com um anel de 2erro, nem
empilh31los nas celas como se 2ossem 6agagens amontoadas T não vamos 2a>er1lhes
nada do *ue eles 2i>eramX Fas perante o nosso pa-s e os nossos 2ilhos estamos
o6rigados a .$&?U$Z1 &% A (&#&% e a JU BZ1 &% (&#&%X A /ulg31los não tanto a eles
como aos seus crimes) A procurar *ue cada um deles diga, pelo menos, em vo> altaJ 1
%im, 2ui um algo>, um assassino) E se esta 2rase 2or pronunciada A.E"A% por um
*uarto de milhão, para não 2icar proporcionalmente atr3s da Alemanha &cidental,
ser3 su2icienteY "o século !! não se pode /3, durante decénios, continuar a
con2undir as atrocidades, revelando ao tri6unal *ue são 7velhos8, e o passado em
*ue 7não se deve remexer8X #evemos condenar pu6licamente a pr:pria '#E'A da
viol0ncia de uns homens so6re os outrosX ?alando o v-cio, 2a>endo1o entrar no corpo
s: para *ue não saia para o exterior, n:s %EFEAF&1 & e ele surgir3 ainda mil ve>es
mais 2orte no 2uturo) "ão castigando, nem se*uer censurando os criminosos, não
apenas os protegemos na sua velhice insigni2icante, como tam6ém minamos as 6ases,
para as novas gera+9es, de *ual*uer 2undamento de /usti+a) E por isso *ue elas
crescem na 7indi2eren+a8 e não devido , 7de6ilidade do tra6alho educativo8) &s
/ovens compenetram1se da ideia de *ue a in2Lncia nunca é castigada nesta terra, mas
é sempre 2onte de prosperidade) &h, como é desolador, terr-vel, viver num pa-s
assimX hV .$'FE'$A ?E A 1 .$'FE'$& AF&$ ?&F& compreender istoJ a cela e, assim de
cho2re, o amorY))) Ah, deve ser issoJ durante o cerco de eninegrado 2echaram1te
na ?asa BrandeY Então tudo se explicaJ é por*ue te meteram l3 *ue ainda est3s vivo)
Era esse o melhor lugar de eninegrado, e não apenas para os /u->es, *ue tam6ém a-
viviam e tinham su6terrLneos nos ga6inetes para o caso de 6om6ardeamentos) #eixando
de lado 6rincadeiras, en*uanto em toda a cidade ninguém se lavava e os rostos
estavam co6ertos de uma negra camada de poeira, na ?asa Brande os presos tomavam
duche *uente de de> em de> dias) E certo *ue s: havia a*uecimento nos corredores
para os guardas, mas as celas tinham canali>a+ão e retretes *ue 2uncionavam 1 e
onde é *ue isso acontecia em eninegradoY A ra+ão de pão
era igual , *ue ca6ia aos *ue estavam em li6erdadeJ cento e vinte e cinco gramas
di3rios) Fas ainda serviam, uma ve> por dia, sopa de carne de cavaloX E uma ve>
tam6ém papas de cereaisX Uma vida de cão *ue o gato inve/ariaX Fas, e o c3rcereY E
a longa atalaiaY "ão, não é isso *ue pode explicar))) "ão é isso))) %enta1te,b2echa
os olhos e 2a> a contaJ em *uantas celas estiveste durante o cumprimento da penaY E
di2-cil enumer31las) E em cada uma delas havia gente e mais gente))) A*ui, s: duas
pessoas, ali, centena e meia) "algumas, demoraste cinco minutos, noutras, 2icaste
um longo Verão) Fas sempre, entre todas elas, distingues umaJ a primeira em *ue
encontraste pessoas semelhantes a ti, com a mesma sorte predestinada) E nenhuma
outra coisa recordar3s pela vida 2ora com tanta emo+ão, a não ser talve> o primeiro
amor) Essas pessoas compartilhavam contigo o chão e o ar desse cu6o de pedra,
nesses dias em *ue revivias toda a tua vida a uma lu> nova) E ainda h3s1de
lem6rar1te algum dia delas, como se 2ossem pessoas de 2am-lia) #e resto, elas eram
então a tua <nica 2am-lia) A*uilo *ue se experimenta na primeira cela da instru+ão
do processo, nada tem de semelhante, nem em toda a tua vida A"(E$'&$ nem .&%(E$'&$)
.ouco importa *ue as pris9es existam /3 h3 milénios e *ue continuem a existir
outros tantos milénios depois Rousemos pensar *ue menosS 1;4 A$DU'.E AB& #E BU AB
mas h3 uma cela <nica, incompar3vel, e é precisamente essa em *ue passaste o tempo
da instru+ão) .ode ser *ue ela 2osse horrorosa para um ser humano) Uma caixa cheia
de perceve/os e de piolhos, sem /anela, sem ventila+ão, sem tarim6a, com o chão
su/oW uma caixa denominada =.U e a2ecta a um %oviete de aldeia, a um posto da mil-
cia, a uma esta+ão de caminho de 2erro ou a um porto1) RAs celas ou as casas de
prisão preventiva são das mais espalhadas pela 2ace da nossa terra, onde existem em
massa)S .or exemplo, a cela 7individual8 da cadeia de ArcLngel, *ue tem as vidra+as
pintadas de m-nio, para *ue a mutilada lu> divina s: a- penetre com cor purp<rea,
en*uanto uma lLmpada de *uin>e jatts arde perpetuamente no tecto) &u a cela
7individual8 na cidade de (choi6alsan, onde numa super2-cie de seis metros
*uadrados cator>e homens estavam durante meses como sardinhas em lata, mudando a
posi+ão das pernas encolhidas s: por vo> de comando) &u uma das celas
7psi*ui3tricas8 de e2ortovo, como a n<mero cento e on>e, pintada de preto, tam6ém
com uma lLmpada de vinte jatts acesa durante vinte e *uatro horas, e semelhante,
*uanto ao resto, a todas as outras da mesma cadeiaJ o chão de cimento, a chave do
a*uecimento no corredor, em poder do guarda, e, so6retudo, as longas horas de ru-do
ensurdecedor Rprovindo de uma o2icina cont-gua de tu6os aerodinLmicos, (sagi, o *ue
custa a acreditar *ue não se/a propositadoS, ru-do *ue 2a> a tigela da sopa e a
caneca vi6rar e mexer1se na mesa, *ue torna in<til 2alar, mas *ue permite *ue se
cante a plena vo> sem *ue o guarda oi+a, e *ue *uando cessa d3 origem a uma
sensa+ão de 6eatitude superior , li6erdade) Fas não 2oi ,*uele solo su/o, nem ,s
paredes tétricas, nem ao cheiro do 6alde, *ue tu ganhaste amor, mas sim ,s pessoas
ao lado das *uais mudavas de posi+ão por vo>es de comandoJ a algo *ue entre as
vossas almas palpitava, ,s suas palavras por ve>es admir3veis, e aos pensamentos
tão livres e 2lutuantes *ue de ti nasciam e a *ue agora /3 não podes elevar1te
mais) E para chegar a esta primeira cela, *uanto te custou a a6rir caminhoX
(inham1te en2iado numa 2ossa, numa 6ox ou numa cave) "inguém te di>ia uma palavra
humana, ninguém
te lan+ava um olhar humano, e s: te picavam com uma ponta de 2erro o cére6ro e o
cora+ãoW tu gritavas, tu gemias, e eles riam1se) #urante semanas ou meses estiveste
completamente s: entre inimigos e /3 te despedias do racioc-nio e da vidaW /3 ca-as
so6re o radiador do a*uecimento, de maneira *ue partiste a ca6e+a contra o cano da
3gua4, *uando, de repente, voltaste a sentir1te vivo e te levaram para /unto dos
teus amigos) E reco6raste o racioc-nio) Eis o *ue é a primeira celaX 1 =.U R#.USJ ?
ela Rou casaS de prisão preventiva) "ão onde se cumpre a condena+ão, mas onde se
instrui o processo) 4 Alexandre #ol/ineJ A$DU'.E AB& #E BU AB 1;@ (u esperavas esta
cela, sonhavas com ela *uase como com a li6erta+ão, mas tratava1se de um 6uraco
para lan+ar1te numa toca, 2a>iam1te ir de e12ortovo para *ual*uer lend3ria e
dia6:lica %uAhanovAa) A %uAhanovAa é a mais terr-vel cadeia do Finistério da
%eguran+a do Estado) E com ela *ue se amea+am os nossos irmãos, o seu nome é
pronunciado pelos comiss3rios com um sila6ar maligno) RE *uem por l3 passou /3 não
pode ser interrogado depoisJ ou responde com um del-rio incoerente, ou /3 não
pertence ao n<mero dosbvivos)S A %uAhanovAa é o antigo mosteiro de %anta ?atarina,
constitu-do por dois pavilh9esJ um para os *ue cumprem a pena, e outro, com
sessenta e oito celas, para os *ue estão su6metidos ao per-odo de instru+ão) .ara
l3 te condu>em as carrinhas, em duas horas e poucos são a*ueles *ue sa6em *ue essa
cadeia se encontra a uns *uatro *uil:metros de BorAi1 eninsAie@ e da antiga
propriedade de Uinaida VolAonsAaia) As imedia+9es são maravilhosas) Ao ser ali
rece6ido, o preso é en2iado, para o aturdirem, num cala6ou+o vertical, tão estreito
*ue, se não tens 2or+as para te manteres de pé, não te resta senão deixar1te
desli>ar, apoiando1te nos /oelhos, pois não h3 outra posi+ão) "esse cala6ou+o
guardam1 te mais de um dia, a 2im de *ue o teu esp-rito se su6meta) "a %uAhanovAa a
alimenta+ão é sa6orosa e delicada, como em nenhum outro lugar do Finistério de
%eguran+a do Estado, pois levam a comida de uma casa de repouso de ar*uitectos, não
tendo uma co>inha especial, da*uelas de preparar 2arelos para porcos) Fas a
re2ei+ão de um s: ar*uitecto 1 6atatas e cro*uetes 1 é repartida por do>e presos)
#evido a isso, não s: 2icas a morrer constantemente de 2ome, como em toda a parte,
mas tam6ém gravemente doente) As celas 2oram constru-das para dois presos, mas o
detido em 2ase de instru+ão é mantido 2re*uentemente so>inho) Elas medem um metro e
meio por dois)4 "o solo de pedra estão encravadas duas pe*uenas cadeiras, em 2orma
de cepos) %o6re cada cepo, *uando oaguarda a6re a 2echadura inglesa, cai da parede,
,s sete da noite Rou se/a, , hora do come+o dos interrogat:rios, pois de dia não se
reali>amS, uma tarim6a e uma pe*uena esteira de palha, do tamanho de um colchão de
crian+a) #e dia as cadeiras estão livres, mas não permitem *ue o preso se sente
nelas) %o6re *uatro tu6os verticais estende1se ainda uma espécie de t36ua de
engomarJ a mesa) & postigo est3 sempre 2echado, sendo apenas a6erto de manhã pelo
guarda durante de> minutos) & pe*ueno vidro do postigo é de armadura) "unca h3
passeio) %: se pode ir , retrete ,s seis da manhã, ou se/a, *uando o est_mago @ A
trinta e cinco *uil:metros de Foscovo) A- morreu enine, em 1944) R") dos ()S Fais
exactamenteJ 1,5; x 4,C9 m) ?omo se sa6e issoY E o triun2o do c3lculo de um
engenheiro de esp-rito 2orte, *ue não 2oi *ue6rantado pela cadeia de %uAhanovAa,
Alexandre #) Ele não se deixou enlou*uecer nem desmorali>ar e para isso
es2or+ava1se
por 2a>er c3lculos) Em e2ortovo contava os passos e convertia1os em *uil:metros,
recordando1se de *uantos *uil:metros eram, segundo o mapa, de Foscovo até ,
2ronteira, depois através de toda a Eu1 1;4 A$DU'.E AB& #E BU AB est3 va>io e não é
precisa ainda) #e noite nunca é permitido) .ara sete celas, h3 dois guardas, por
isso eles te o6servam tão 2re*uentemente pelo postigoJ o tempo *ue necessita um
guarda para passar em 2rente de duas portas e chegar , terceira) E esse o o6/ectivo
da silenciosa %uAhanovAaJ não deixar1te um minuto de sono, nem uns minutos rou6ados
para a tua vida privadaW est3s sempre a ser o6servado, sempre so6 o controle da
autoridade) Fas se travaste toda essa luta singular contra a loucura, se resististe
a todas as tenta+9es da solidão, então tu mereceste a tua primeira celaX E agora
vais nela reviver com toda a alma) %e 2oste a6aixo depressa, se cedeste em tudo e
tra-ste toda a gente, tam6ém est3s maduro agora para a tua primeira cela, em6ora
2osse melhor para ti não viver até esse instante 2eli>, mas sim morrer vitorioso na
cave, sem assinar uma s: 2olha) .ela primeira ve> não vais encontrar inimigos) .ela
primeira ve> vais ver seres vivos5, *ue seguem um caminho igual ao teu e aos *uais
te podes unir pela radiosa palavra "H%) %im, esta palavra *ue tu, talve>, em
li6erdade, despre>aste, *uando com ela *ueriam su6stituir a tua personalidade R7":s
somos todos como um s: homemX))) ":s estamos pro2undamente indignadosX))) ":s
exigimosX))) ":s /uramosX),)8S, apresenta1se1te agora como deliciosaJ não est3s s:
no mundoX Existem ainda criaturas com esp-ritoJ .E%%&A%X #epois de *uatro dias de
duelo com o comiss3rio instrutor, e tendo esperado *ue eu, /3 cego pela o2uscante
lu> eléctrica, me deitasse na enxovia, depois da hora de sil0ncio, o guarda come+ou
a a6rir a porta) Eu ouvia tudo, mas antes de ele di>erJ 7 evante1seX Ao
interrogat:rioX8, *ueria estar deitado por tr0s centésimos de segundo *ue 2osse,
com a ca6e+a so6re a almo2ada, sonhando *ue dormia) "o entanto, o guarda desviou1se
da 2rase ha6itual e disseJ 7 evante1seX #o6re a camaX8 ropa e 2inalmente cru>ando o
AtlLntico) & seu est-mulo era o seguinteJ regressar mentalmente a casa, , América)
#epois de um ano passado na cela solit3ria de e2ortovo, tinha descido ao 2undo do
AtlLntico, *uando o levaram para a %uAhanovAa) A*ui, pensando *ue poucos seriam os
*ue 2alariam mais tarde desta cadeia Ro nosso relato é todo deleS, inventou um
processo de medir a cela) "o 2undo da tigela prisional leu a 2rac+ão de 1CP44 e
compreendeu *ue 71C8 signi2icava o diLmetro do 2undo e 7448 o diLmetro do 6ordo)
#epois tirou um 2io da toalha e com ele 2e> um metro, *ue lhe permitiu medir tudo)
'nventou a seguir como dormir de pé, apoiando um /oelho na cadeira, de maneira a
*ue o guarda tivesse a impressão *ue tinha os olhos a6ertos) E s: por isso não
enlou*ueceu) R$iumin manteve1o um m0s sem dormir)S %e estiveste na ?asa Brande,
durante o cerco de eninegrado, tam6ém podia tratar1se de antrop:2agosJ pessoas *ue,
além de comer carne humana, tinham 2eito comércio com 2-gado de autopsiados) "ão se
sa6e por*u0, eles eram mantidos pelo Finistério da %eguran+a do Estado /untamente
com os presos pol-ticos) A$DU'.E AB& #E BU AB 1;5 ?on2uso, en2urecido, pois esse
era o momento mais precioso, enrolei as meias, calcei as 6otas, vesti o capote, pus
o 6oné de 'nverno e, com uma 6ra+ada, agarrei o colchão da enxovia) & guarda,
andando na ponta dos pés e 2a>endo1me constantemente sinais para
eu não 2a>er 6arulho, levou11me por um corredor silencioso como um t<mulo até ao
*uarto andar da u6ianAa) .ass3mos /unto da secret3ria do che2e de sector do
isolamento, em 2rente dos n<meros relu>entes das celas e dos *ue6ra1lu>es de cor
esverdeada) Ele a6riu1me a cela n<mero sessenta e sete) Entrei e 2echou1a
imediatamente atr3s de mim) Em6ora tivessem decorrido apenas uns *uin>e minutos
depois da hora do sil0ncio, os presos t0m um tempo tão incerto e 2r3gil de sono *ue
os ha6itantes da cela sessenta e sete /3 dormiam, *uando cheguei, nas suas camas de
metal, com as mãos por cima da manta); Ao ouvirem o ru-do da porta a6rindo1se, os
tr0s estremeceram e instantaneamente levantaram a ca6e+a) Eles tam6ém esperavam *ue
chamassem algum para o interrogat:rio) E essas tr0s ca6e+as levantadas e
assustadas, esses tr0s rostos com a 6ar6a por 2a>er, p3lidos e enrugados,
pareceram1me tão humanos, tão *ueridos, *ue 2i*uei de pé, a6ra+ando o colchão e
sorrindo de 2elicidade) E eles tam6ém sorriram) E *ue expressão era a*uela, *ue
eu /3 tinha es*uecido ao ca6o de uma semanaX 1 Vens da li6erdadeY 1 perguntaram1me)
RE essa a primeira pergunta ha6itualmente 2eita a um novato)S 1 "ão 1 respondi eu)
RE essa a resposta ha6itualmente dada pelo novato)S #eviam pensar *ue eu sou um
preso recente, e portanto *ue venho da li6erdade) Fas eu, ap:s noventa e seis horas
de investiga+ão, não considerava de modo nenhum *ue vinha 7da li6erdade8) "ão era /
3 porventura um preso experienteY))) ?ontudo, eu vinha e2ectivamente da li6erdade`)
Um velho sem 6ar6a, com as so6rancelhas negras, muito vivas, /3 me perguntava
novidades militares e pol-ticas) Era impressionanteX Em6ora estivéssemos nos
<ltimos dias de Gevereiro, eles nada sa6iam da con2er0ncia de 'alta, nem do cerco
da .r<ssia &riental, nem, em geral, da nossa o2ensiva so6re Vars:via, em meados de
Janeiro, nem se*uer da retirada deplor3vel dos ; Bradualmente, nas pris9es internas
da B) .) U), da ") =) V) #) e do Finistério da %eguran+a do Estado, inventavam1se
diversas medidas opressivas, *ue se acrescentavam ,s /3 existentes nas antigas
cadeias) &s *ue estiveram detidos nesta mesma prisão, em come+os dos anos 4C, não
conheceram estas medidas) A lu> apagava1se então pela noite, como 2a>em os seres
humanos normais) Fas come+aram a deixar a lu> acesa, com o 2undamento l:gico de
terem os presos em *ual*uer momento R*uando a acendiam de noite, para a revista,
era ainda pior tam6ém 2oi ordenado *ue os presos mantivessem as mãos por cima da
manta para *ue se pudessem en2orcar, es*uivando1se assim , instru+ão /usta) Em
seguida, uma veri2ica+ão . nmental permitiu concluir *ue no 'nverno as pessoas
sempre *uerem esconder as mãos aixo da roupa para se a*uecerem, e por isso a medida
2oi de2initivamente aprovada) 4;; A$DU'.E AB& #E BU AB aliados, em #e>em6ro)
%egundo as ordens dadas, no per-odo da instru+ão do processo, os presos nada deviam
sa6er do mundo exterior 1 e eles, de 2acto, nada sa6iamX Eu estava disposto a
passar metade da noite a contar1lhes tudo isso, com orgulho, como se essas vit:rias
e con*uistas 2ossem o6ra das minhas mãos) Fas, nisto, o guarda de plantão trouxe a
minha cama e 2oi preciso coloc31la sem 2a>er 6arulho) Gui a/udado por um rapa> da
minha idade, tam6ém militarJ o seu casaco e o seu 6oné de aviador estavam
pendurados na coluna da cama) Ainda antes do velhote, ele tinha1me 2eito uma
pergunta, não so6re a guerra, mas para sa6er se eu tinha ta6aco) .or muito a6erta
*ue eu tivesse a alma para os meus novos amigos, e por poucas palavras *ue tivesse
pro2erido nuns
*uantos minutos, algo de estranho pressenti neste companheiro de idade e de 2rente,
e logo me 2echei perante ele para sempre) REu não conhecia ainda a palavra
7galinha1choca8, nem sa6ia *ue em cada cela devia haver uma) #um modo geral, não
tinha tempo de re2lectir nem de chegar , conclusão de *ue essa pessoa, Bueorgui
=ramarenAo, não me agradava) Fas /3 tinha 2uncionado em mim o comutador moral, o
detector, e 2echara1me para sempre a esse homem) "ão teria 2eito men+ão deste caso
se ele 2osse <nico) Aconteceu, porém, *ue passei a sentir, rapidamente, dentro de
mim, com assom6ro, excita+ão e in*uietude, o 2uncionamento deste detector, como uma
*ualidade natural e permanente) .assaram os anos, deitei1me nas mesmas tarim6as,
marchei nas mesmas 2orma+9es, tra6alhei nas mesmas 6rigadas com muitas centenas de
pessoas e sempre este detector misterioso, cu/a cria+ão não era um mérito meu,
2uncionava antes de *ue eu me lem6rasse dele, so6 o aspecto de um rosto humano, de
uns olhos, dos primeiros sons de uma vo> T e eu a6ria1me a essa pessoa
completamente, ou s: por uma 2enda, ou então 2echava1me hermeticamente) (udo 6atia
sempre tãol certo *ue todas as preocupa+9es dos agentes da %eguran+a com as e*uipas
de 6u2os passaram a parecer1me coisa de pigmeusJ pois a*uele *ue est3 disposto a
ser traidor revela1o sempre claramente no rosto e na vo>W pode haver *uem o
dissimule ha6ilmente, mas a 2alsidade nota1se) E, pelo contr3rio, o detector
a/udava1me a di2erenciar a*ueles a *uem, poucos minutos depois de conhec01los,
podia revelara os segredos e as intimidades mais ocultas, pelas *uais podem
cortar1nos a ca6e+a) Assim, passei oito anos de prisão, tr0s de desterro, e ainda
mais seis de escritor clandestino 1 *ue não 2oram os menos perigosos 1 e em todos
estes de>assete anos a6ri1me sem re2lectir a de>enas e de>enas de pessoas, sem ter
dado um s: passo em 2alsoX "unca li em parte alguma nada so6re isto e deixo1o
a*ui , considera+ão dos amadores de psicologia) .enso *ue estes dispositivos morais
existem ém muitos de n:s, mas *ue n:s mesmos, homens de um século demasiado
técnico, e intelectual como somos, despre>amos esta maravilha e não a deixamos
desenvolver1se)S ?oloc3mos a cama no s-tio e, então, eu poderia come+ar o meu
relato A$DU'.E AB& #E BU AB 1;5 Rnaturalmente 6aixinho e deitado, para não ir agora
parar de novo ao cala6ou+o depois deste 6em1estarS, mas o terceiro ha6itante da
cela, de meia11idade, /3 de ca6elos grisalhos mirando1me com um olhar nada
satis2eito, disse com a*uela rude>a *ue caracteri>ava os do "orteJ 1 Amanhã) A
noite é para o sono) E era o mais ra>o3vel) Dual*uer de n:s, em *ual*uer momento,
podia ser condu>ido ao interrogat:rio e mantido l3 até ,s seis da manhã, hora a *ue
o comiss3rio vai dormir e a*ui era proi6ido) Uma noite de sono tran*uilo era mais
importante do *ue a sorte de todos os planetasX E havia ainda algo de estranho,
di2-cil de captar imediatamente, mas *ue intu-ra desde as primeiras 2rases do meu
relato, sem *ue, entretanto, me 2osse poss-vel 2ormul31lo assim tão depressaJ a
sensa+ão de *ue tinha come+ado Rcom a deten+ão de cada um de n:sS uma permuta+ão
completa dos p:los ou uma rota+ão de todos os conceitos, de cento e oitenta graus,
*ue 2a>ia com *ue a*uilo, *ue tão entusiasmado come+ara a contar, talve> para n:s
não 2osse nada alegre) Eles voltaram1se, co6riram os olhos com len+os *ue os
protegiam da lLmpada de du>entos jatts, enrolaram uma toalha , mão *ue es2riava por
cima da manta, esconderam a outra, como 2a>em os ladr9es, e adormeceram) Eu
deitei1me, trans6ordando de alegria 2estiva por estar entre outros homens) Uma hora
antes não podia calcular *ue me levariam para /unto de alguém) .odia aca6ar a vida
com uma 6ala na nuca Ro comiss3rio prometia1me isso constantementeS, sem ver *uem
*uer *ue 2osse) %o6re mim ainda pairava, como anteriormente, a instru+ão do
processo, mas 2icava /3 muito para tr3sX "o dia seguinte iria 2alar1lhes Rnão so6re
o meu caso, naturalmenteS e eles 2alariam tam6ém 1 *ue interessante seria o dia
seguinte, um dos melhores da minha vidaX RUma consci0ncia clara a2lorara em mim
muito antesJ a de *ue a cadeia não era para mim um a6ismo, mas a viagem mais
importante da minha vida)S A mais pe*uena coisa na cela suscitava o meu interesseW
o sono tinha1se desvanecido e *uando o guarda não olhava pelo postigo eu o6servava
simultaneamenteJ ali, no cimo de uma das paredes, havia uma cavidade do tamanho de
tr0s ti/olos e dela pendia um estore a>ul de papel) &s meus companheiros tiveram
tempo de esclarecer1meJ sim, é uma /anelaW na cela h3 uma /anelaX E o estore é uma
camu2lagem contra os ata*ues aéreos) "o dia seguinte haveria uma lu> dé6il, e, pelo
meio1dia, apagariam a 2orte lLmpada por uns minutos) & *ue isso signi2icavaX Viver
de dia com a lu> do diaX "a cela h3 ainda uma mesa) %o6re ela, no lugar mais vis-
vel, um 6ule, um Sogo de xadre> e um monte de livros) REu não sa6ia ainda por*ue é
*ue tudo estava no lugar mais vis-vel) Era uma ve> mais o regulamento da u6ianAa) A
cada olhadela *ue, de minuto a minuto, lan+ava através do postigo, o 1;Q A$DU'.E
AB& #E BU AB guarda devia convencer1se de *ue não havia a6usos com estas li6erdades
da administra+ãoJ de *ue com o 6ule não 2uravam as paredesW de *ue ninguém engolia
o xadre>, arriscando1se a prestar contas e a deixar de ser cidadão da U) $) %) %)W
de *ue ninguém se dispunha a *ueimar os livros com a inten+ão de deitar 2ogo ,
cadeia) E os :culos pertencentes aos presos eram considerados como uma arma tão
perigosa *ue, mesmo de noite, não podiam 2icar em cima da mesa, e a administra+ão
recolhia1os até , manhã seguinte)S Due vida tão con2ort3velX !adre>, livros, cama
de molas, 6ons colch9es, roupa limpa) Em toda a guerra não me recordo de ter
dormido assim) & soalho era encerado) .odiam dar1se *uase *uatro passos de passeio,
da /anela , porta) "ão) Esta prisão pol-tica central era um verdadeiro sanat:rio) E
não ca-am 6om6as))) Eu recordava1me do seu silvo crescente e do ru-do da explosão)
E como as minas >um6iam docementeX ?omo tudo estremecia, *uando esses *uatro cent-
metros c<6icos rangiamX em6rava1me da humidade do lodo dos arredores de Vormdit,
onde me tinham prendido e onde os nossos se arrastavam agora pela lama e pela neve
2undente, para não deixar os alemães romper o cerco) Due vão para o dia6oX %e não
*uerem *ue eu me 6ata, pois 6em, tanto me 2a>X Entre os in<meros valores de *ue
perdemos a no+ão h3 ainda esteJ o grande mérito da*ueles *ue, antes de n:s, 2alaram
e escreveram em russo) E estranho *ue eles *uase não se/am descritos na nossa
literatura anterior , $evolu+ão) %: raramente chega até n:s o seu alento, ora
através de (svetaieva ora de 7Fater Faria85) Eles tinham visto demasiadas coisas
para escolher uma s:) Aspiravam demasiado ,s alturas para 2incarem os pés
2irmemente na terra) Antes do desmoronar da sociedade, havia uma categoria de
homens pensantes T e s: pensantes) ?omo 2oram votados ao rid-culoX ?omo 2a>iam
par:dias so6re elesX As pessoas de inten+9es e actos rectil-neos pareciam t01los
atravessados na garganta) "ão encontravam outro apodo para os re6aixar senão o de
podridão) #ado *ue estes homens eram uma 2lor precoce, de aroma demasiado su6til,
deitaram1 nas para de6aixo da m3*uina de cei2ar)
"a sua vida individual eles eram particularmente vulner3veisJ não se curvavam, não
2ingiam, não se portavam 6em, cada palavra sua era uma opinião, um impulso, um
protesto) %ão esses precisamente os *ue a m3*uina de cei2ar escolhe) %ão esses
precisamente *ue a de6ulhadora trituraQ) 5 Faria %Ao6tsova, autora de $ecorda+9es
so6re IloA) Q ^esito em di>01lo, mas nos anos 5C deste século estes homens parecem
emergir de novo , super2-cie) E assom6roso) Duase *ue não se podia esperar isto)
A$DU'.E AB& #E BU AB 1;9 Eles passaram por estas mesmas celas) Fas as suas paredes
2oram arrancando, desde então, o papelW estucaram1nas, caiaram1nas e pintaram11nas
mais de uma ve> 1 e as paredes das celas nada nos restitu-ram do passado Rpelo
contr3rio, com os micro2ones, elas estendem a orelha para escutar1nosS) %o6re os
antigos ocupantes destas celas, das conversas *ue a*ui tinham lugar, dos
pensamentos com *ue partiam para o 2u>ilamento e para %olovAi, não h3 nada escrito
nem ditoW e um livro desses, *ue valha *uarenta vag9es da nossa literatura,
certamente *ue /3 não ser3 mais escrito) Entretanto, a*ueles *ue ainda estão vivos
contam1nos toda uma série de ninhariasJ *ue antigamente havia tarim6as de madeira e
*ue os colch9es estavam cheios de palhaW *ue antes de terem posto as morda+as
nas /anelas, os vidros haviam /3 sido pintados de gi> até acima, a partir dos anos
4CW e *ue as morda+as existiam seguramente /3 em 194@ R*uando n:s, unanimemente, as
atri6u-amos a IériaS) %egundo di>em, a comunica+ão intercelas por meio de pancadas
nas paredes ainda se 2a>ia livremente nos anos 4CJ respeitava1se, de certo modo, a
a6surda tradi+ão dos c3rceres c>aristas de *ue, se os presos não comunicavam assim,
o *ue deviam eles 2a>erY Fais aindaJ durante toda a década de 4C, a maioria dos
guardas da*ui eram lituanos Rvindos dos regimentos de atiradores, com algumas
excep+9esS, e a comida tam6ém era distri6u-da por gordas e altas mulheres lituanas)
(rata1se talve> de 6analidades, mas elas dão *ue re2lectir) A mim era1me muito
necess3ria esta estada na cadeia pol-tica mais importante da União, e agrade+o por
até ela me terem tra>idoJ pensava muito so6re IuAharine e *ueria 2a>er uma ideia de
tudo isto) "o entanto, tinha a impressão de *ue não éramos mais do *ue o resto da
de6ulha e de *ue para n:s *ual*uer prisão interior regional servia9) Esta era uma
honra demasiado grande) Fas com a*ueles *ue vim encontrar não era poss-vel
a6orrecer1me) ^avia a *uem escutar e com *uem 2a>er compara+9es) A*uele velho com
as so6rancelhas vivas Raos sessenta e tr0s anos de idade não era, de resto,
completamente velhoS dava pelo nome de Anatoli 'litch GastenAo) Era ele *ue enchia
a nossa cela da u6ianAa, tanto como guardião das tradi+9es dos velhos c3rceres
russos, como pela hist:ria viva *ue contava das revolu+9es russas) ?om tudo o *ue
tinha conservado na mem:ria, ele podia analisar todo o passado e todo o presente)
^omens assim não somente são valiosos numa cela, como são raros no con/unto da
sociedade) & apelido de GastenAo 2oi extra-do por n:s, a*ui mesmo na cela, de um
livro *ue veio parar ,s nossas mãos, so6re a revolu+ão de 19C5) GastenAo era um
social1democrata tão arcaico *ue parecia ter deixado de o ser) io interiorJ mais
propriamente, prisão da %eguran+a do Estado) 15C A$DU'.E AB& #E BU AB Em 19C4,
rapa> ainda, tinha sido condenado pela primeira ve>, mas, em ra>ão do 7mani2esto8
de 15 de &utu6ro de 19C5, 2oi posto em li6erdade1C)
REra interessante o seu relato so6re as condi+9es da*uela amnistia) "a*ueles anos,
como se compreende, não havia *uais*uer 7morda+as8 nas /anelas dos c3rceres, nem
havia ainda no+ão delas, e das celas da prisão de Iielaia (serAov, onde GastenAo
esteve detido, os presos podiam ver livremente o p3tio da prisão, os *ue chegavam e
os *ue sa-am, 6em como a rua, conversando em vo> alta com *uem *uisessem do
exterior) E eis *ue, /3 no dia 15 de &utu6ro, os *ue estavam em li6erdade, tendo
conhecimento da amnistia pelo telégra2o, comunicaram a not-cia aos presos) &s
presos pol-ticos come+aram a arre6atar1se de alegria, a *ue6rar as vidra+as das
/anelas, a partir as portas e a exigir do director da prisão a sua li6erdade
imediata) ^ouve *uem levasse pontapés nas trom6asY Encerrado num cala6oi+oY Algumas
celas 2oram privadas de livros ou de cantinaY #e maneira nenhumaX & director,
atrapalhado, corria de cela em cela, suplicandoJ 7%enhoresX $ogo1lhes *ue se/am
sensatosX Eu não tenho direito de li6ert311 los com 6ase no comunicado telegr32ico)
(enho de rece6er instru+9es directas do meu che2e, de =iev) .or 2avor, t0m de
passar ainda a*ui a noite)8 E, realmente, ainda os retiveram 6ar6aramente todo um
diaX)))S11 Ao serem postos em li6erdade, GastenAo e os seus camaradas lan+aram1se
logo na revolu+ão) Em 19C;, GastenAo 2oi condenado a oito anos de tra6alhos
2or+ados, o *ue signi2icavaJ *uatro anos com grilh9es e *uatro anos de deporta+ão)
&s primeiros *uatro cumpriu1os na central de %e6as1topolW onde, por sinal, nesse
per-odo, se veri2icou uma evasão em massa de presos, organi>ada do exterior com a
coopera+ão dos partidos revolucion3riosJ social1revolucion3rio, anar*uista e
social1democrata) .or meio da explosão de uma 6om6a 2oi a6erta uma 6recha na parede
da cadeia, pela *ual podia passar um homem a cavalo, e duas de>enas de presos Rnão
todos os *ue o dese/avam, mas s: os *ue haviam sido designados pelos respectivos
partidos para a 2ugaS munidos de antemão com pistolas, lan+aram1se, h1C Duem, de
entre n:s, pelas hist:rias da instru+ão prim3ria e pelo ?urso Ireve Rde hist:ria do
.artidoS não aprendeu e não decorou *ue este 7mani2esto in2ame e provocador8 2oi
uma in/<ria , li6erdadeW *ue o c>ar tinha ordenadoJ 7 i6erdade para os mortos e
prisão para os vivos8Y .ois essa cita+ão enigm3tica é 2alsa) Em virtude de tal
mani2esto, eram permitidos (&#&% os partidos pol-ticos, convocada a #uma e
concedida uma amnistia completa e inteiramente ampla R*ue ela tivesse sido 2or+ada,
isso é outra *uestãoS) .or ela 2oram li6ertados, nada mais nada menos do *ue (&#&%
os presos pol-ticos, sem excep+ão, independentemente da senten+a e da nature>a da
condena+ão) %: não a6rangia os presos comuns) A amnistia esta1liniana de 5 de Julho
de 1945 Ré verdade *ue não 2or+adaS procedeu precisamente ao contr3rioJ todos os
presos pol-ticos continuaram no c3rcere) 11 #epois da amnistia estaliniana, como se
relatar3 adiante, os 6ene2iciados 2oram retidos mais dois ou tr0s meses e o6rigados
a 2ixarem1se Risto é, a 2ixar resid0ncia onde lhes impuseramS, mas ninguém
considerou isso ar6itr3rio) A$DU'.E AB& #E BU AB 151 através dos guardas, pela
6recha e, , excep+ão de um, conseguiram 2ugir todos) & pr:prio Anatoli GastenAo não
rece6eu ordem do .artido &per3rio %ocial1#emocrata $usso para se evadir, mas sim
para distrair os guardas e armar con2usão) Em contrapartida, esteve pouco tempo na
deporta+ão, no Jenissei) ?omparando o seu relato Re mais tarde os de outros
so6reviventesS com o 2acto deveras conhecido de *ue os nossos revolucion3rios se
evadiam ,s centenas e centenas da deporta+ão, a maior parte dos *uais para o
estrangeiro, chega1se , conclusão de *ue da deporta+ão c>arista somente não 2ugiam
os pregui+osos, tão 23cil isso era) GastenAo 2oi dos *ue 72ugiu8, ou se/a, saiu
simplesmente do lugar do desterro sem passaporte) #irigiu1se a
Vladivosto*ue, esperando partir de 6arco com o aux-lio de um conhecido) "ão
conseguiu, não se sa6e por*u0) Então, sempre sem passaporte, cru>ou tran*uilamente,
de com6oio, toda a mãe $<ssia, via/ando até , UcrLnia, onde era 6olchevi*ue
clandestino e onde tinha sido preso) Ali deram1lhe um passaporte de outra pessoa e
dirigiu1se para a 2ronteira austr-aca, a 2im de a passar) Esta empresa era
considerada pouco perigosa, e a tal ponto GastenAo não sentia atr3s de si o h36ito
da persegui+ão *ue mani2estou uma despreocupa+ão surpreendenteJ ao atingir a
2ronteira e ao dar o seu passaporte ao 2uncion3rio da pol-cia, aperce6eu1se, de
repente, de *ue "i& %E $E?&$#AVA do seu novo apelidoX Due 2a>erY &s passageiros
eram uns *uarenta e o 2uncion3rio /3 tinha come+ado a cham31los) GastenAo 2ingiu
*ue estava a dormir) &uvira entregar todos os passaportes e como tinham chamado
diversas ve>es por um tal FaAarov, sem ter a certe>a de se tratar dele) Ginalmente,
o dragão do regime imperial inclinou1se para o clandestino e, amavelmente,
tocou1lhe no om6roJ 7%enhor FaAarovX %enhor FaAarovX .or 2avor, o seu passaporteX8
GastenAo via/ou até .aris) Ali conheceu enine e unatcharsAi e, na escola do
.artido, em ong/umeau, desempenhou tare2as administrativas) Ao mesmo tempo, estudou
2ranc0s e, o6servando a vida , sua volta, teve vontade de conhecer mundo) Antes da
guerra, 2oi para o ?anad3, onde tra6alhou como oper3rio, e esteve nos Estados
Unidos) & tipo de vida despreocupada *ue reina nesses pa-ses surpreendeu GastenAo e
tirou a conclusão de *ue a- não haveria /amais uma revolu+ão prolet3ria, sendo
pouco prov3vel *ue ela 2osse necess3ria) Fas a*ui, na $<ssia, ela aconteceu 1 e
antes mesmo de *ue a esperassem 1, essa tão impacientemente dese/ada revolu+ão, e
todos regressaram) #epois houve ainda outra revolu+ão) GastenAo /3 não sentia o
mesmo impulso *ue dantes por estas revolu+9es) Fas regressou, su6metendo1se , lei
*ue impede as aves de migrar14) .ouco depois de GastenAo ter regressado , p3tria,
tam6ém voltou um amigo seu, giado do ?anad3, ex1marinheiro do .otemAine, *ue se
convertera num pr:spero 2a>endeiro 154 A$DU'.E AB& #E BU AB Fuita coisa era então
ainda inacess-vel a GastenAo) .ara mim dir1se1ia *ue o mais importante e admir3vel
nesse homem era o 2acto de ter conhecido pessoalmente enine, mas ele pr:prio
recordava isso de modo completamente 2rio) R& meu estado de Lnimo continuava a ser
esteJ se alguém na cela tratava GastenAo simplesmente pelo patron-mico, sem o nome,
di>endo por exemploJ 7'litch, ho/e não levas o 6alde da latrinaY8, eu irritava1me,
>angava1me, parecia1me isso um sacrilégio, não s: pela com6ina+ão dessas palavras,
mas por me parecer um sacrilégio chamar 'litch1@ a *uem *uer *ue 2osse, , excep+ão
de uma <nica pessoa na terraXS .or essa ra>ão havia imensas coisas *ue GastenAo não
me podia explicar como dese/aria) Ele di>ia1me claramente em russoJ 7"ão cries
-dolosX8 Fas eu não o compreendiaX Ao ver a minha exalta+ão, ele repetia1me
insistentemente, por mais de uma ve>J 7Voc0 é matem3tico, para si é imperdo3vel
es*uecer #escartesJ h3 *ue se su6meter tudo , d<vidaX (udoX8)T 7?omo, tudoY8 Iem,
nem tudoX A mim parecia1me *ue /3 tinha su6metido a d<vida 6astantes coisas)
IastavaX &u então di>iaJ 7Duase não h3 /3 velhos presos pol-ticos, eu sou um dos
<ltimos) &s velhos deportados pol-ticos 2oram todos ani*uilados e a nossa
associa+ão 2oi dissolvida logo nos anos @C)8 T 7Fas por*u0Y8 1 7.ara *ue não nos
reun-ssemos e não discut-ssemos)8 Em6ora estas simples palavras, ditas em tom
tran*uilo, 2ossem de 6radar aos céus, de *ue6rar as vidra+as, eu compreendi a1as s:
como tratando1se de outra malvade> de %taline) Um 2acto penoso, mas sem ra->es)
Est3 inteiramente provado *ue nem tudo o *ue entra nos nossos ouvidos consegue
penetrar na consci0ncia) & *ue não vai no sentido do nosso estado de Lnimo
perde1se, ora nos ouvidos, ora depois dos ouvidos, mas perde1se) Acontece *ue,
em6ora me lem6re per2eitamente de numerosos ) Ele vendeu a sua 2a>enda e o seu
gado, e, com o dinheiro e um tractor novinho em 2olhJ voltou , terra *uerida, para
a/udar a construir o alme/ado socialismo) 'nscreveu1se numa da primeiras comunas e
o2ereceu o tractor) ?om esse tractor tra6alhava *ual*uer pessoa, e dt *ual*uer
maneira, pelo *ue depressa aca6aram com ele) & ex1marinheiro via tudo a*uilo 6em
di2erente do *ue havia imaginado vinte anos antes) & tra6alho era dirigido por
pessoas *ue não tinham capacidade para o 2a>erW mandavam executar coisas *ue, para
um 2a>endeiro >eloso, era um verdadeiro disparate) .or outro lado, ele tinha
perdido as suas energias, gasto a sua roupa e pouco lhe restava dos d:lares
canadianos *ue trocara por ru6los de papel) %uplicou *ue o deixassem sair com a
2am-lia, atravessou a 2ronteira, tão po6re como *uando 2ugira de .otemAine, cru>ou
o oceano como então, en*uanto marinheiro Rnão tinha dinheiro para o 6ilheteS, e
come+ou no ?anad3, de novo, a sua vida, como tra6alhador assalariado do campo)
7'litch8 era o patron-mico de Vladimir 'litch Ulianov R enineS) #i>er s: 'litch é
uma expressão de grande respeito) R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB 15@ relatos de
GastenAo, as suas re2lex9es se imprimiriam vagamente na minha mem:ria) Ele
indicou1me diversos livros, *ue me aconselhava muito a ler um dia em li6erdade) Ele
mesmo, devido , sua idade e , sua sa<de, /3 não contava demorar1se entre os vivos e
achava satis2a+ão na esperan+a de *ue eu viesse um dia a recolher os seus
pensamentos) (omar notas era imposs-vel, e mesmo sem isso /3 havia muitas coisas a
recordar da vida prisional, mas os t-tulos *ue mais se aproximavam dos meus gostos
de então não os es*ueciJ ?onsidera+9es 'noportunas, de BorAi R*ue eu nessa altura
tinha em alta estima, pois superava todos os cl3ssicos russos pelo simples 2acto de
ser escritor prolet3rioS, e Um Ano na .3tria, de .leAhanov) ^o/e, *uando leio isto
num escrito de .leAhanov, datado de 4Q de &utu6ro de 1915J 7)))%e me entristecem os
acontecimentos dos <ltimos dias, não é por*ue eu não dese/e o triun2o da classe
oper3ria na $<ssia, mas precisamente por*ue o anseio +om todas as 2or+as da minha
alma))) ?onvém recordar a o6serva+ão de Engels de *ue para a classe oper3ria não
pode haver maior desgra+a do *ue a tomada do poder pol-tico *uando ainda não est3
preparada para issoW essa tomada do poder o6rig31la13 a retroceder para posi+9es
muito anteriores ,s con*uistadas em Gevereiro e em Far+o deste ano)))814 é como se
reconstitu-sse, claramente, o pensamento de GastenAo) Duando ele regressou ,
$<ssia, tendo em considera+ão a sua antiga actividade clandestina, insistiam em
promov01lo e poderia ter ocupado um posto importante 1 mas ele não *uis, pre2erindo
um modesto lugar na Editora .ravda e depois outro lugar ainda mais modesto, indo
2inalmente parar ao trust municipal 7Fosgoro2ormlenie8 Rpu6licidade em painéis, da
cidade de FoscovoS, onde tra6alhou completamente na som6ra) Eu surpreendia1meJ
por*u0 esse caminho tão evasivoY Ele, incompreensivelmente, respondiaJ 7?ão velho
não se acostuma , coleira)8 Vendo *ue nada se podia 2a>er, GastenAo guardava
simplesmente o dese/o, 6em humano, de continuar vivo) .assara a rece6er uma pe*uena
e tran*uila re2orma Rnaturalmente, não como personalidade do .artido, pois isso
despertaria a lem6ran+a de ter sido pessoa chegada a muitos 2u>iladosS e, assim
teria so6revivido até 195@) Fas, por desgra+a, prenderam um vi>inho do mesmo
apartamento, o escritor ) %), li6ertino e
permanentemente em6riagado, um dia em *ue estava com dois grãos na asa e se
/actanciara de possuir uma pistola) .istola é sinonimo de terror e GastenAo, com o
seu velho passado de social1democrata, era um terrorista aca6ado) E eis *ue agora o
comiss3rio punha em realce o seu terrorismo, ao mesmo tempo, claro est3, *ue o
acusava de estar ao servi+o da espionagem 2rancesa e ca1 .leAhanovJ ?arta A6erta
aos &per3rios de .etrogrado Rin /ornal Unidade, de 4Q11C115b 154 A$DU'.E AB& #E BU
AB nadiana e de ter sido in2ormador da pol-cia c>arista15) Em 1945, em troca do seu
chorudo ordenado, um chorudo comiss3rio compulsava seriamente os ar*uivos
provinciais da pol-cia secreta e redigia autos per2eitamente sérios acerca de
interrogat:rios onde 2iguravam os nomes de conspiradores, palavras de ordem,
encontros e reuni9es do ano de 19C@) E a sua velha mulher Rnão tinham 2ilhosS todos
os de> dias, como era permitido, mandava a Anatoli 'litch as encomendas *ue estavam
dentro das suas possi6ilidadesJ um peda+o de pão negro, de uns tre>entos gramas
Rcomprado no mercado a cem ru6los o *uiloXS, uma d<>ia de 6atatas co>idas, sem pele
Rno controle, elas eram picadas com uma sovelaS) & aspecto dessas m-seras
encomendas 1 *ue na realidade eram sagradas 1 despeda+ava o cora+ão) E *uanto
mereceu um homem por sessenta e tr0s anos de honrade> e de d<vidasX hte ` ` As
*uatro camas da nossa cela deixavam entre elas um espa+o para a mesa) Fas alguns
dias depois de eu ter chegado meteram l3 um *uinto preso e a cama 2icou atravessada
ao meio) " (rouxeram esse novato uma hora antes da alvorada, no momento em *ue o
sono é mais doce, e tr0s dentre n:s não levant3mos se*uer a ca6e+a, apenas
=ramarenAo, tendo saltado da cama para conseguir um pouco de ta6aco Re talve>
alguma in2orma+ão para o comiss3rioS) Eles come+aram a 2alar 6aixinho e n:s
procur3mos não escutar, mas não se podia deixar de ouvir a vo> sussurrante do
novatoJ ela era tão 2orte, alarmada e tensa, *uase mesmo chorosa, *ue se podia
pensar *ue na nossa cela tinha dado entrada um drama 2ora do vulgar) & novato
perguntava se havia muitos condenados ao 2u>ilamento) #e *ual*uer modo, sem voltar
a ca6e+a pedi1lhes *ue 2alassem mais 6aixo) Duando, ao to*ue da alvorada, todos nos
levant3vamos R2icar na cama era expor1se a ir parar ao cala6ou+oS, vimos)um
generalX E verdade *ue ele não tinha *ual*uer distintivo, nem se*uer ins-gnias
descosidas ou desa6otoadas) Fas o seu casaco magn-2ico, o d:lman de seda e toda a
sua 2igura e o seu rosto indigitavam tratar1se, sem som6ra de d<vida, dum generalW
um general *ual*uer, um simples 6rigadeiro, mas in2alivelmente um general completo)
Era 6aixo, roli+o, de costado largo e om6ros salientes) %e o seu ls Era esse um
tema pre2erido de %talineJ atri6uir a cada preso do seu partido Re em geral a cada
velho revolucion3rioS a acusa+ão de ter estado ao servi+o da pol-cia c>arista)
%eria pela sua intoler3vel descon2ian+aY &u))) por um sentimento interiorY))) &u,
ainda, por analogiaY))) A$DU'.E AB& #E BU AB 155 rosto era gorducho, isso não lhe
dava um ar 6onacheirão, mas sim importante, como se 2osse um atri6uto de
superioridade) & seu rosto não terminava, é certo, pela parte superior, senão pela
in2erior, com uma mand-6ula de 6uldogue, sendo a- *ue se concentravam toda a
energia, 2or+a de vontade e autoritarismo *ue lhe tinham permitido atingir essa
patente numa idade ainda pouco avan+ada)
Duando se 2i>eram as apresenta+9es, veri2icou1se ser )V)U), ainda mais /ovem do *ue
aparentava, pois ia 2a>er trinta e seis anos R7se não me 2u>ilarem8S e, o *ue é
mais surpreendente, não era, no 2im de contas, nenhum general, nem se*uer coronel,
ou *ual*uer espécie de militar, mas sim um engenheiroX EngenheiroYX Gui educado
precisamente no meio de engenheiros e recordo1me 6em dos dos anos 4CJ tinham a*uela
mentalidade a6erta e irradiante, a*uele humor livre e ino2ensivo, a*uela 2acilidade
e largue>a de ideias *ue lhes permitiam passar desem6ara+adamente de uma es2era a
outra da engenharia, e mesmo da técnica ,s *uest9es sociais e , arte) Além disso,
possu-am uma 2orma+ão esmerada, gostos re2inados e 2acilidade de palavra, evitando
as express9es vulgaresJ uns dedicavam1se um pouco , m<sica, outros , pintura, e
todos tinham *ual*uer marca de esp-rito impressa no rosto) "os come+os dos anos @C
perdi o contacto com este meio) #epois eclodiu a guerra) E eis *ue surgia ante mim
um engenheiro) #a*ueles *ue vieram su6stituir os *ue tinham sido exterminados) Uma
vantagem não se lhe podia negarJ era muito mais entroncado, mais 2orte do *ue os
outros) ?onservava a 2or+a dos om6ros e das mãos, em6ora h3 muito lhe não 2ossem
necess3rias) i6erto do 2ardo vão da ama6ilidade, olhava 6ruscamente, 2alava de
maneira terminante, sem esperar se*uer *ue pudesse haver o6/ec+9es) (inha crescido
di2erentemente dos outros e tra6alhado tam6ém de maneira di2erente) & seu pai era
lavrador, lavrando a terra no sentido mais literal e real do termo) i:nia U) era um
desses desgrenhados e ignorantes /ovens camponeses, com a perda de cu/os talentos
IielinsAi e (olstoi tanto se a2ligiam) %em ser nenhum omonossov nem ter por si
mesmo chegado , Academia, era talentoso, mas continuaria a lavrar a terra se não
tivesse havido a $evolu+ão) .or certo *ue aca6aria de enri*uecer, visto ser
inteligente e talve> se tivesse convertido num comerciante) "a era soviética
ingressou no =omsomol, e 2oi a sua actividade de militante *ue, superando os outros
talentos, o arrancou da ignorLncia e da rude>a da aldeia e o levou, como um
2oguetão, através da 2aculdade oper3ria até , Academia 'ndustrial, onde entrou em
1949, precisamente *uando levavam, como gado, os outros engenheiros para BU AB) &s
soviéticos tinham necessidade de, urgentemente, 2a>er deles engenheiros
conscientes, leais cem por cento, *ue não s: 2i>essem o seu tra6alho, mas se
ocupassem de toda a produ+ão, isto é, se tornassem verdadeiros 6usinessmen) Era no
15; A$DU'.E AB& #E BU AB momento em *ue os céle6res postos de comando da ind<stria
soviética, ainda por construir, estavam vagos) E o destino da sua 2orma+ão era
ocup31los) A vida de U) tornou1se uma sucessão de 0xitos, uma grinalda enrolada
para as alturas) "esses anos extenuantes de 1949 até 19@@, *uando a guerra civil
era travada não com carros e*uipados de metralhadoras, mas com cães1pol-ciasW
*uando 6andos de homens 2amintos se arrastavam para as esta+9es 2errovi3rias, na
esperan+a de ir para a cidade, onde havia pão, mas como não lhes davam 6ilhetes e
eles não sa6iam como partir iam morrer numa massa resignada de 6otas e samarras
/unto dos taipais das esta+9es 1, nesses anos, U) ignorava *ue os ha6itantes das
cidades rece6iam o pão racionado pois tinha uma 6olsa de estudante de novecentos
ru6los Rum oper3rio não *uali2icado rece6ia então sessentaS) & seu cora+ão não
so2ria pela aldeia, onde tinha sacudido a poeira dos sapatosJ a sua nova vida
decorria /3 a*ui, entre os vencedores e os dirigentes) "ão teve se*uer tempo de ser
che2e de e*uipaJ imediatamente puseram so6 as suas ordens de>enas de engenheiros,
milhares de oper3riosJ era o engenheiro1che2e das grandes constru+9es dos
arra6aldes de Foscovo) #esde o come+o da guerra *ue ele
2icou, naturalmente, isento do servi+o militar, evacuando1se com toda a direc+ão
central, para Alma1Ata, dirigindo maiores constru+9es ainda so6re o rio 'li, com a
di2eren+a de *ue agora s: ali tra6alhavam presos) & aspecto desses insigni2icantes
hom<nculos incomodava1o muito pouco, não o 2a>ia re2lectir, não lhes prestava
aten+ão) "a*uela :r6ita 6rilhante em *ue se movia s: eram importantes as ci2ras do
cumprimento do plano) A U) 6astava1lhe indicar o local de tra6alho, o campo, ao
contramestre, e eles, com os seus meios, *ue se desenrascassem para executar as
normasJ *uantas horas tra6alhavam e como se alimentavam, nesses pormenores ele não
entrava) &s anos de guerra, no 2undo da retaguarda, 2oram os melhores da vida de
U)X (al é a propriedade inevit3vel e geral da guerraJ *uanto mais amargura ela
concentra num p:lo, tanto mais alegrias li6erta no outro) U) tinha não apenas uma
mand-6ula de 6uldogue, mas tam6ém uma r3pida, engenhosa e experiente garra)
Adaptou1se r3pida e sa6iamente ao novo ritmo de guerra da economia nacionalJ tudo
para a vit:riaW arranca para diante *ue tudo passar3 por conta da guerraX %: 2e>
uma concessão a estaJ renunciou aos 2atos e ,s gravatas e, vestido de ca*ui, mandou
2a>er umas 6otas de pele de 6e>erro e um d:lman de general, esse mesmo com *ue
chegou ali, /unto de n:s) Era a moda, assim andava como toda a gente, não suscitava
irrita+ão nos inv3lidos nem os olhares reprovadores das mulheres) Fas, *uanto ,s
mulheres, estas olhavam1no 2re*uentemente de outro ponto de vistaJ dirigiam1se a
ele para aiimentar1se, a*uecer1se e divertir1se) Um dinheirão louco, o *ue corria
pelas suas mãosJ a sua carteira a6arrotava como um 6arrilW as notas de de> ru6los,
gastava1as como se 2ossem Ao1pecs e as de mil como ru6los) U) não era avaro, não
economi>ava, não con1 A$DU'.E AB& #E BU AB 155 tava) %: contava as mulheres *ue
passavam pelas suas mãos e, so6retudo, a*uelas a *uem tirava o ca6a+oW essa estat-
stica era o seu desporto) "a cela, a2irmava1nos *ue a deten+ão o tinha interrompido
lamentavelmente *uando /3 per2a>ia du>entas e noventa e tal, impedindo1o por
desgra+a de ter atingido as tre>entas) ?omo era no tempo da guerra, as mulheres
estavam s:s e, além do poder do dinheiro, ele tinha uma energia viril, , $asputine,
o *ue não era di2-cil de acreditar) Ele dispunha1se, gostosamente, a relatar tudo,
epis:dio atr3s de epis:dio, mas os nossos ouvidos não estavam a6ertos para isso)
Em6ora nenhum perigo o amea+asse, era convulsivamente *ue ele Rum pouco , maneira
dos mariscos *ue se tiram de um prato, se roem, se chupam e se deitam 2ora para
apanhar outrosS, nos <ltimos anos de li6erdade, agarrava todas essas mulheres,
espremendo1as e pondo1as de parte) Due acostumado ele estava , ductilidade da
matéria, na sua carreira de /avali selvagemX REm horas de grande agita+ão,
desarvorava pela cela exactamente como um potente /avali, capa> de derru6ar um
ro6le *ue se lhe atravessasse nas suas correrias)S Due acostumado ele estava a *ue
entre os dirigentes todos 2ossem do seu tipo, tudo se podendo sempre conciliar,
arran/ar, dissimularX (inha1se es*uecido de *ue *uanto maiores são os 0xitos, maior
é a inve/a) ?omo aca6ava de sa6er pela instru+ão do processo, no seu dossier
2igurava /3 uma anedota de 19@;, contada despreocupadamente num grupo de amigos
em6riagados) #epois, 2oram1se 2iltrando pe*uenas den<ncias e testemunhos de agentes
Rhavia *ue levar as mulheres ao restaurante, e *uem é *ue l3 não te v0YS)Uma destas
den<ncias era a de *ue, em 1941, não se apressara a partir de Foscovo, esperando os
alemães Re2ectivamente, ele demorara1se l3, então, mas parece *ue por causa de uma
mulherS) U) pugnava para *ue as suas opera+9es econ:micas decorressem com limpe>a,
mas não se lem6rou de *ue ainda existia o artigo 5Q) E, apesar de tudo isso, esse
6loco teria1podido, durante longo tempo, não se desmoronar
so6re ele, se, por presun+ão, não tivesse recusado, a um certo procurador, material
de constru+ão para uma casa de campo) A*ui o seu caso despertou do sono, estremeceu
e come+ou a rolar) RUm exemplo mais, *ue prova *ue as causas /udicials come+am
pelos interesses ego-stas dos 7a>uis8)))S & hori>onte intelectual de U) era deste
géneroJ considerava *ue existia uma l-ngua americanaW na cela, durante dois meses,
não leu um s: livro, nem se*uer uma p3gina inteira, e se leu um par3gra2o ou outro
2oi unicamente para se distrair dos tristes pensamentos no processo) .elas suas
conversas, compreendia1se per2eitamente *ue em li6erdade lia ainda menos) A 1
uschAhine conhecia1o apenas como her:i de anedotas esca6rosas e /ulgava *ue (olstoi
devia ser deputado do %oviete %upremo1;) ; Alusão a uma con2usão 2eita por U) entre
eão (olstoi, autor de Buerra e .a>, e Aleixo (olstoi, escritor soviético, *ue ele
s: conhecia, no entanto, como deputado) R") dos ()S 15Q A$DU'.E AB& #E BU AB Fas,
em compensa+ão, não seria ele um cem1por1centoY Fas, em compensa+ão, não seria ele
um desses prolet3rios conscientes, educados para su6stituir .altchinsAi e Von
FeAAeY .or muito estranho *ue pare+a, nãoX ?erta ve>, discutindo acerca da marcha
da guerra, eu disse *ue, desde o primeiro dia, nem um instante se*uer duvidara da
nossa vit:ria so6re os alemães) Ele olhou1me 6ruscamente e não acreditouJ 7Fas,
comoY8, e levou as mãos , ca6e+a, 7Ai, %acha, %acha, pois eu estava convencido de
*ue os alemães venceriamX E 2oi isso o *ue me perdeuX8 .ois éX Ele era um dos
7organi>adores da vit:ria8, mas todos os dias ia acreditando nos alemães e
aguardava1os inevitavelmenteX "ão por*ue gostasse deles, mas simplesmente por*ue
conhecia 6em a nossa economia Rnaturalmente eu não a conhecia, mas tinha 2éS) (odos
n:s, na cela, est3vamos de humor triste, mas ninguém se desmorali>ou tanto, nem
encarou a pr:pria deten+ão tão tragicamente como ele) Junto de n:s, ele ha6ituou1se
, ideia de *ue não o esperavam mais do *ue uns #EU A"&% de prisão, e de *ue,
durante esses anos no campo, seria naturalmente um capata> e não conheceria as
agruras, como não as conhecera no passado) Fas isso não o consolava no m-nimo *ue
2osse) Estava demasiado aca6ado pelo 2racasso de uma vida tão excelenteJ pois h3 s:
uma vida na terra e por nada mais ele se tinha interessado ao longo dos seus trinta
e seis anos de exist0nciaX Fais de uma ve>, sentado na sua cama, diante da mesa,
com o rosto gorducho apoiado nas suas curtas e grossas mãos, com os olhos perdidos
e enevoados, ele come+ava a cantarolar em vo> 6aixaJ Es*uecidoW a6andonado, na
minha mocidade 2i*uei desamparado))) E nunca podia prosseguirX ?hegado a*ui,
explodia em pranto) (oda a grande 2or+a *ue dele 6rotava, mas *ue não o podia
a/udar a derru6ar as paredes, convertia1a assim em piedade por si mesmo) E tam6ém
pela mulher) Esta, h3 muito por ele não amada, levava1lhe agora, cada de> dias
Risso não era permitido com mais 2re*u0nciaS, a6undantes pacotes de pão 6ranco,
manteiga, caviar vermelho, carne de vitela e estur/ão) Ele dava1nos a cada um de
n:s uma sandu-che e um cigarro, inclinava1se so6re os seus man/ares expostos R*ue
contrastavam pelo seu aroma e pelas suas cores, com as 6atatas pisadas do velho
revolucion3rio clandestinoS, e novamente as l3grimas lhe ca-am em 2io) Em vo> alta,
ele recordava as l3grimas da esposa, anos inteiros de l3grimasJ ora pelas missivas
das amantes, encontradas nas algi6eirasW ora por umas calcinhas metidas , pressa no
so6retudo, dentro do autom:vel, e es*uecidas) E *uando a piedade *ue sentia por si
mesmo lhe 2a>ia cair a coura+a da energia maldosa, perante n:s surgia um homem
perdido e visivelmente 6om) Eu surpreen1 A$DU'.E AB& #E BU AB
159 dia1me de *ue ele pudesse chorar assim) & estoniano Arnold %u>i, nosso
companheiro de cela, com alguns ca6elos grisalhos, explicava1meJ 7A crueldade 2a>
aumentar o6rigatoriamente o sentimentalismo) E a lei da compensa+ão) "os alemães,
por exemplo, esta com6ina+ão é até uma caracter-stica nacional)8 Fas GastenAo, pelo
contr3rio, era o homem mais animoso da cela, em6ora pela sua idade ele 2osse o
<nico)*ue /3 não podia contar so6reviver nem regressar , li6erdade) A6ra+ando1me
pelos om6ros, di>ia1meJ 7$esistir pela verdade, isso o *ue éX .ela verdade est3s tu
presoX &u então ensinava1me a entoar a sua can+ão, uma can+ão de deportadosJ %e é
preciso a vida dar "o 2undo das pris9es ou das minas, (udo ir3 2ruti2icar "as
gera+9es *ue hLo1de virX (enho 2é nissoX E oxal3 *ue estas p3ginas a/udem a
concreti>ar essa 2éX &s dias de de>asseis horas na nossa cela eram po6res de
acontecimentos exteriores, mas tão cheios de interesse *ue a mim, por exemplo,
de>asseis minutos de espera por um tr:lei me parecem mais a6orrecidos) Em6ora não
ha/a 2actos dignos de aten+ão, *uando vem a noite suspira1se por não ter chegado o
tempo, tendo voado mais um dia) &s acontecimentos são m-nimos, mas, pela primeira
ve> na vida, aprende1se a v01los com uma lente de aumentar) As horas mais tristes
do dia são as duas primeirasJ desde *ue ouvimos o) ru-do da chave na 2echadura Rna
u6ianAa não h3 7man/edoura815, e para a ordem de 7p_r1se a pé8 é tam6ém preciso
a6rir a portaS saltamos para o chão sem demora, 2a>emos as camas, e sentamo1nos
nelas sem esperan+as, inutilmente e ainda privados de lu> eléctrica) Este 2or+ado
despertar matinal ,s seis) horas, *uando o cére6ro ainda est3 em6otado pelo sono e
o mundo parece todo ele desagrad3vel e a vida va>ia de perspectivas, não havendo na
cela um sorvo de ar respir3vel, é particularmente a6surdo para a*ueles *ue passaram
a noite no interrogat:rio e s: h3 pouco puderam dormir) Fas não tentes 2a>er
6atotaX %e procuras cochichar um pouco, apoiando1te nas paredes ou pondo os
cotovelos na mesa, como se estivesses de6ru+ado para o xadre> ou inclinado so6re um
livro, ostensivamente a6erto em cima dos /oelhos, darão uma pancada de advert0ncia
com a chave Brande postigo a6erto na porta da cela, a6rindo1se de modo a 2ormar uma
mesa, e . onde os guardas 2alam e distri6uem a comida, ou convidam os presos a
assinar os diversos documentos prisionais) 1QC A$DU'.E AB& #E BU AB na porta ou
ainda piorJ a porta *ue normalmente se 2echa com um cadeado 6arulhento é a6erta sem
ru-do Restão 6em treinados nisso, os guardas da u6ianAaS e como uma r3pida e
silenciosa som6ra, como um esp-rito desli>ando das paredes, o terceiro1 sargento d3
tr0s passos na cela e se te encontra adormecido podes ir parar ao cala6ou+o, ou
então tiram1te o livro, podendo mesmo toda a cela 2icar privada do passeio) ?ruel
in/usti+a, este castigo geral, mas est3 inscrito em letras impressas no regulamento
da prisão e não tens mais *ue l01lo, pois se encontra a2ixado em cada cela) Além
disso, se precisas de :culos, para ler nessas duas horas *ue te tiram o Lnimo, não
poder3s p_r a vista nos livros, nem se*uer no santo regulamento, pois os :culos *ue
te tiraram de noite são ainda perigosos para ti, durante esse per-odo) "essas duas
horas ninguém vem tra>er nada , cela, ninguém l3 entra, nem 2a> perguntas so6re
nada, não se chama ninguémJ os comiss3rios ainda dormem docemente, os che2es da
prisão estão ainda a voltar a si, e s:
os guardas VertuAei se mant0m acordados e se inclinam a cada minuto so6re a
a6ertura do postigo1Q) Fas decorre uma opera+ão nessas duas horasJ ir , latrina)
#esde a alvorada *ue o guarda 2e> uma importante comunica+ãoJ designar *uem é *ue
est3 ho/e incum6ido de tirar o 6alde da retrete da cela) R"as pris9es 6anais,
ordin3rias, os presos t0m tanta li6erdade e autonomia *ue são eles pr:prios *ue
decidem esta *uestão) Fas na prisão pol-tica central tal assunto não pode ser
deixado , espontaneidade)S E depressa todos 2ormam em 2ila indiana, com as mãos
atr3s das costas, seguindo , 2rente o respons3vel *ue leva contra o peito o 6alde
de oito litros com tampa) 3, no o6/ectivo, encerram1nos de novo, não sem antes nos
entregarem tantas 2olhinhas de papel do tamanho de dois 6ilhetes de com6oio *uantos
são os presos) "a u6ianAa estas 2olhinhas não são interessantesJ elas são 6rancas)
Fas h3 cadeias tão atraentes *ue dão 2ragmentos de livros impressos) Due
maravilhosa leituraX Adivinhar de onde são extra-dos, ler dos dois lados, assimilar
o conte<do, aproveitar o estilo T mesmo com palavras cortadas isso é poss-velX 1 e
permut31los com os camaradas) Em alguns lugares dão recortes da Branat, outrora uma
enciclopédia de vanguarda, ou então, é horr-vel di>01lo, de cl3ssicos, mas não, de
modo algum, liter3rios))) A visita , latrina converte1se num acto de conhecimento)
Fas não é caso para rir) (rata1se de uma grosseira necessidade, , *ual não é
permitido aludir na literatura Rem6ora /3 se tenha dito com imortal leviandadeJ
7Iendito a*uele *ue pela manhã)))8S) "este come+o de dia, *ue parece tão natural, /
3 na prisão se estendeu uma armadilha ao preso, 1Q "o meu tempo, tal palavra /3
estava muito di2undida) #i>iam *ue ela procedia dos guardas ucranianosJ 7%t:i t3
nié vertuAhaisX8) Fas h3 *ue recordar tam6ém a palavra inglesa *ue signi2ica
carcereiro rtitrnAeNJ 7Volta a chave8S) (alve>, na $<ssia, vertuAei se/a 7a*uele
*ue d3 a volta , chave8 Rvertit AlintchS) A$DU'.E AB& #E BU AB 1Q1 *ue durar3 todo
o dia, e o *ue é mais ultra/ante, uma armadilha ao seu esp-rito) #evido ao estado
de imo6ilidade prisional e , mes*uinhe> da alimenta+ão, depois do impotente momento
de torpor, ainda não se est3, ao levantar1se, em condi+9es de a/ustar contas com a
nature>a) E eis *ue te mandam sair rapidamente e te 2echam até ,s seis horas da
tarde Rnalgumas pris9es, até ao dia seguinte pela manhãS) Agora tu tens de
preocupar1te com a aproxima+ão do interrogat:rio diurno e com os outros
acontecimentos do dia, tal como encher1te com o rancho, a 3gua e a sopa aguada, mas
t3 ninguém te deixar3 ir a esse excelente s-tio, a cu/a 2acilidade de acesso os
lomens livres não sa6em dar o valor devido) Essa extenuante e vulgar necessidade
pode assaltar1te todos os dias, e logo a seguir , visita da manhã , latrina, e
depois torturar1te todo o dia, apertar1te, privar1te da li6erdade de conversar, de
ler, de pensar e até de ingerir a 2raca comida) ]s ve>es, discute1se nas celas *ual
a origem do regulamento da u6ian1Aa ou de *ual*uer outra prisãoJ se se trata de uma
crueldade calculada ou se tudo resultou simplesmente assim) Eu penso *ue resultou
simplesmente assim) A alvorada 2oi naturalmente um c3lculo malévolo, mas muito do
restante aconteceu mecanicamente Rcomo numerosas crueldades da nossa vida em
geralS, sendo depois reconhecido no topo como <til e aprovado) &s turnos mudam ,s
oito da noite e ,s oito da manhã, e é assim mais c:modo levar os presos , latrina
ao 2im do turnoJ deixar l3 ir um ou outro, isoladamente, durante o dia, implicaria
preocupa+9es e precau+9es excessivas da parte dos guardas e eles não são pagos para
isso) & mesmo se passa com os :culosJ para *u0 preocupar1te com isso desde a
alvoradaY Antes de terminar o turno da noite devolvem1 nos)
E eis *ue come+am a distri6u-1losJ ouve1se a6rir as portas) .ode sa6er 11se se
alguém usa :culos na cela vi>inha Rora, o teu companheiro de processo não os usaW
mas não nos atrevemos a 6ater na parede, pois *uanto a isso são muito severosS) Fas
/3 nos restitu-ram tam6ém os nossos) GastenAo s: pode ler com eles, e %u>i usa1os
permanentemente) $epara, ele deixou de apertar os olhos ap:s coloc31los) ?om os
seus olhos de concha, numa linha recta, o seu rosto torna1se de repente mais
severo, penetrante, tal como podemos imaginar o rosto de uma pessoa culta no nosso
século) Fuito antes da $evolu+ão, ele estudava em .etrogrado, na Gaculdade de
^ist:ria é Gilologia, e durante os vinte anos de independ0ncia da Est:nia conservou
toda a pure>a do seu idioma russo) #epois, /3 em (artu, completou os seus estudos)
Além da l-ngua materna estoniana, domina o ingl0s e alemão, e durante todos estes
anos seguiu regularmente o Economist londrino, as recens9es cient-2icas da revista
alemã Iericht, estudando tam6ém as constitui+9es e c:digos de diversos pa-ses)
A*ui, na nossa cela, ele representa digna e discretamente a Europa) Goi um not3vel
advogado da Est:nia e chamavam1lhe o 7=uldsuu8 Rl36ios de ouroS) "o corredor h3 de
novo movimentoJ outro parasita com uma 6ata escura 1 um rapa> 2orte, *ue não est3
na 2rente 1 trouxe1nos numa travessa 1Q4 A$DU'.E AB& #E BU AB as cinco ra+9es de
pão e as de> por+9e>inhas de a+<car) A nossa galinha11choca anda em torno delasJ
em6ora,1 inevitavelmente, as 2_ssemos agora tirar , sorte Rtem importLncia sa6er se
se trata da c_dea, *ual a *uantidade de peda+os necess3rios para 2a>er o peso, se o
miolo est3 pegado , c_deaJ é a sorte *ue decide *ual a reparti+ão19, a galinha1
choca *uer sopesar tudo, e, *uanto mais não se/a, 2icar com restos de moléculas de
a+<car e de pão nas suas mãosS) Estes *uatrocentos e cin*uenta gramas de pão, com o
miolo cheio de humidade pantanosa, pois metade é de 6atata, são a nossa muleta e o
mais importante acontecimento *uotidiano) E a vida *ue come+aX E o dia *ue come+a,
*ue s: agora come+aX ?ada um tem uma *uantidade de pro6lemasJ ter3 repartido
/udiciosamente ontem a sua ra+ãoY #ever3 cort31la com um 2io, esperar o ch3, ou
com01la agoraY #eixar parte dela para a ceia ou com01la toda ao almo+oY E *ue
*uantidadeY Além de todas estas po6res vacila+9es, *ue longas discuss9es ainda
Rsoltou1se1nos a l-ngua, com o pão /3 somos genteXS provocam estes gramas de pão,
2eito mais de 3gua do *ue de cerealX RGastenAo, entretanto, explica *ue é este
mesmo pão *ue os tra6alhadores de Foscovo comem agora)S Fas haver3 nele mesmo
2arinhaY #e *ue misturas 2oi 2eitoY REmacada cela h3 uma pessoa entendida em
misturas, pois *uem não comeu pão assim nestas décadasYS ?ome+am os devaneios e as
recorda+9es) Due pão tão 6ranco se co>ia ainda nos anos vinteX Um pão redondo,
espon/oso, poroso, com a c_dea de cima dourada, acastanhada, gordurosa, e a de
6aixo com cin>a, com um pouco de carvão do 2orno) .ão *ue aca6ou irremediavelmenteX
A*ueles *ue nasceram nos anos trinta nunca sa6erão, em geral, o *ue é .\&X Fas
alto, amigos, este é um tema proi6idoX J3 t-nhamos com6inado *ue não dir-amos nem
uma palavra so6re comidaX #e novo, um movimento no corredorJ distri6uem o ch3)
&utro latagão com a 6ata escura e 6aldes) ?olocamos o nosso 6ule no corredor, e
ele, do 6alde sem 6ico, despe/a o ch3 para o 6ule, entornando1o ao lado na
passadeira) E todo o corredor est3 encerado como um hotel de primeira classe4C) E é
tudo como pitan+a) &s alimentos *uentes virão um atr3s do outro, 19 Fas onde é *ue
isto não se 2a>Y #esde h3 longos anos *ue o povo so2ria de 2ome) E todas estas
reparti+9es de ra+9es se 2a>iam tam6ém no exército) E os alemães, ouvindo1 nos das
suas trincheiras, parodiavam1nosJ 7.ara *uem esta ra+ãoY 1 .ara o respons3vel
pol-ticoX8 #e Ierlim, veio /untar1se1nos o 6i:logo (imo2eien1$essovsAi, a *uem /3
nos re2erimos) "unca ninguém se sentia tão o2endido como ele, na u6ianAa, por esses
derramamentos no solo) Via nisso um sintoma da 2alta de interesse pro2issional dos
carcereiros R6em como de todos n:sS pelo *ue estão 2a>endo) Fultiplicou vinte e
sete anos de exist0ncia da u6ianAa por setecentas e trinta ve>es ao ano, em cento e
on>e celas, e indignou1se por ter achado mais 23cil derramar 3gua 2ervida dois
milh9es cento e oitenta e oito mil ve>es no chão, e apanh31la com um trapo, do *ue
2a>er 6aldes com 6ico) A$DU'.E AB& #E BU AB 1Q@ , uma e ,s *uatro da tarde, e
depois horas de lem6ran+as) R'sso não é tam6ém por crueldadeJ a gente da co>inha
necessita de despachar1se depressa e de sair *uanto antes)S "ove horas) $onda da
manhã) Fuito antes, ouve1se dar voltas particularmente ruidosas ,s chaves, pancadas
extremamente 2ortes nas portas, e um dos tenentes de plantão dos andares entra, d3
dois passos na cela, empertigado, *uase em posi+ão de contin0ncia, e o6serva1nos
severamente, todos /3 de pé) R":s não ousamos lem6rar *ue os pol-ticos tinham o
direito de não se levantar)S ?ontar *uantos somos não é grande tra6alho, 6asta uma
olhadela, mas esse instante é uma prova para os nossos direitos, pois, se temos
alguns, não os conhecemos, e se não os conhecemos ele deve escond01los de n:s) (oda
a 2or+a da aprendi>agem da u6ianAa reside na completa mecani>a+ãoJ nem express9es,
nem anota+9es, nem uma palavra a mais) (odos os direitos *ue n:s conhecemos são os
de peti+ão escrita para a repara+ão do cal+ado e para ir ao médico) Fas, se te
chamarem ao médico, tu não te rego>i/ar3s, e o *ue te ir3 surpreender ser3, antes
de mais, essa mecani>a+ão pr:pria da u6ianAa) & olhar do médico não exprime
preocupa+ão, nem se*uer revela simples aten+ão) Ele não perguntaJ 7#e *ue se
*ueixaY8, pois a*ui é1se avaro de palavras e não se pode pronunciar esta 2rase sem
lhe dar 0n2ase) an+a apenasJ 7DueixasY8 %e tu te come+as a espraiar, tentando
explicar a doen+a, ele interrompe1teJ 7Est3 6em) Um denteY Extrai1se) &u então,
p9e1se arsénico) ?urasY A*ui não se 2a>em)8 R'sso aumentaria o n<mero de visitas e
criaria um am6iente *uase humano)S & médico da prisão é o melhor auxiliar do
comiss3rio e do verdugo) %e o preso *ue est3 a ser espancado volta a si, ainda por
terra, ouve a vo> do médicoJ 7.odem continuar, o pulso est3 normal)8 #epois de
cinco dias de cala6ou+o 2rio, o médico examina o corpo nu e entorpecido e di>J
7.odem continuar)8 %e te espancarem até , morte, ele assina um certi2icado de :
6itoJ morte por cirrose no 2-gadoW por en2arto) %e o chamam urgentemente para
assistir a um mori6undo na cela, ele não se apressa) E a*uele *ue se comportar de
outra maneira 1 esse não é mantido nas nossas pris9es) & dr) G) .) Baa> não poderia
tra6alhar a*ui) Fas o nosso galinha1choca est3 mais 6em in2ormado so6re os seus
direitos Rsegundo di>, h3 on>e meses *ue estão a instaurar1lhe o processoW os
interrogat:rios apenas se reali>am de diaS) Ei1lo *ue chama e pede uma entrevista
com o che2e da prisão) ?omo, ao che2e de toda a u6ianAaY %im) E inscrevem1no) RE
pela noite, depois da hora do sil0ncio, *uando todos os comiss3rios estão nos
respectivos ga6inetes, chamam1no e regressa provido de ta6aco) E um tra6alho
grosseiro, naturalmenteW mas, por en*uanto, não inventaram nada de melhor) .assar
sistematicamente , utili>a+ão de micro2ones tam6ém é uma enorme despesaJ não se
pode escutar durante dias inteiros cento e on>e celas) Due h31de 2a>er1seX &s
galinhas1chocas 2icam mais 6aratos e serão ainda utili>ados por muito tempo) Fas é
di2-cil a 1Q4 A$DU'.E AB& #E BU AB
=ramarenAo aguentar connosco) ]s ve>es 2ica a suar, escutando as nossas conversas e
pela sua expressão v01se *ue não compreende)S &utro direito aindaJ a li6erdade de
entregar re*uerimentos por escrito Rem troca da li6erdade de imprensa, de reunião e
de vota+ão, *ue perdemos ao deixar a vida livreXS #uas ve>es por m0s o guarda *ue
est3 de plantão de manhã perguntaJ 7Duem dese/a escrever solicita+9esY8 E inscreve
todos os *ue mani2estam tal dese/o) A meio do dia chamam1te para um cu6-culo
separado e 2echam1te) A- podes escrever a *uem *uiseresJ ao .ai dos .ovosW ao ?
omité ?entral do .artidoW ao %oviete %upremoW ao ministro IériaW ao ministro
A6aAumovW ao procurador1geralW , ?entral FilitarW , #irec+ão .risionalW , sec+ão de
instru+ão /udicialW e podes *ueixar1te da deten+ão, do comiss3rio, do che2e da
prisãoX Em *ual*uer caso, o teu pedido não ter3 0xito algum, nem se*uer ser3
ar*uivado, e o mais alto respons3vel *ue o vai ler ser3 o teu comiss3rio instrutor)
Entretanto, tu nada conseguir3s demonstrar) Fais aindaJ ele "i& & E$Z se*uer,
por*ue não pode l01lo auem *uer *ue se/a) "esse peda+o de papel, de 5 ! 1C cm, um
pouco maior o *ue o *ue te entregaram de manhã para a latrina, mal podes arranhar,
com uma caneta *ue6rada ou munida dum aparo torcido, metida num tinteiro cheio de
3gua e de 2arrapos, as letrasJ 7$EDUE$')))8 'mediatamente, elas se apagam no papel
grosseiro e 7FE"(&8 não ca6er3 se*uer na linha, en*uanto do outro lado da 2olha
tudo ressumou) .ode ser *ue ainda ha/a outros direitos, mas o guarda de plantão
silencia1os) (alve> não percas muito desconhecendo1os) A ronda aca6a de passar) &
dia come+a) J3 chegam os comiss3rios, alguns no edi2-cio) & guarda chama1os com
enorme mistérioJ ele di> apenas a primeira letra e do seguinte modoJ 7Duem come+a
por ?Y, *uem come+a por GY8, ou aindaJ 7Duem come+a por AY8 Voc0s devem dar provas
de prontidão e apresentar1se como v-timas) Esta regra 2oi adoptada contra poss-veis
erros dos guardasJ chamar alguém pelo apelido numa cela indevida e assim n:s
2icarmos a sa6er *uem est3 preso) Fas, mesmo separados e dispersos por toda a
cadeia, n:s não estamos privados de not-cias entre as celasJ ao darem entrada mais
presos, 6aralham1nos e cada um dos *ue são trans2eridos leva para a nova cela toda
a experi0ncia ad*uirida na anterior) Assim, estando no *uarto andar, tudo sa6emos
das celas da cave e das 6oxes do primeiro andar, acerca da escuridão do segundo,
onde se encontram agrupadas as mulheres, so6re a instala+ão de duas galerias do
*uinto e do n<mero mais alto das celas doa *uinto andarJ cento e on>e) Em 2rente da
cela onde eu estava, encontrava1se o escritor de crian+as Iondarine, *ue, até
então, tinha estado no andar das mulheres, com um correspondente polaco, *ue, por
sua ve>, havia estado com o marechal11de1campo Von .aulus 1 e todos os pormenores
so6re .aulus tam6ém n:s os conhec-amos41) b Von .aulus, general alemão, aprisionado
na 6atalha de Estalinegrado) R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB 1Q5 .assado o per-odo
das chamadas para os interrogat:rios, para a*ueles *ue 2icavam na cela a6ria1se um
longo e agrad3vel dia, rico de possi6ilidades e não demasiado o6scurecido pelas
o6riga+9es) Estas podem ca6er1nos, mas duas ve>es por m0s, como, por exemplo, a de
desin2ectar as camas com uma lLmpada de soldar Rna u6ianAa, os 2:s2oros são
categoricamente proi6idos, e para 2umar um cigarro temos de ter a paci0ncia de
levantar o dedo diante do postigo, pedindo 2ogo ao guarda, mas, *uanto ,s lLmpadas
de soldar, não, con2iam1nos1las tran*uilamenteS) (am6ém nos pode ca6er uma espécie
de direito, mas *ue muito se parece com uma o6riga+ãoJ uma ve> por semana
chamam1nos um por um ao corredor e ali, com uma m3*uina de cortar ca6elo, por
a2iar, 2a>em1nos a 6ar6a) &utra o6riga+ão é a de p_r a 6rilhar o soalho da cela)
RU)
es*uiva1se sempre a esse tra6alho, *ue considera humilhante, como *ual*uer outro)S
Gatigamo1nos muito, devido , 2ome, senão esta tare2a poderia inscrever1se talve>
até entre os direitos, tão alegre e sadia ela éX ?om os pés descal+os, a escova de
lustro para diante e o tronco para tr3s, e inversamente de tr3s para diante, não te
preocupes com nada maisX & soalho 2ica a 6rilhar como um espelhoX Uma prisão ,
.otemAineX #e resto, /3 não estamos tão apertados, como na nossa antiga cela
sessenta e sete) Em meados de Far+o, veio /untar1se1nos um sexto companheiro, e
como a*ui se desconhecem os 6eliches e não existe o costume de dormir no chão,
mudaram1nos com toda a e*uipa, para a linda cela cin*uenta e tr0s) R$ecomendo muito
a *uem nunca l3 esteve *ue a visiteXS "ão é uma celaX E um pal3cio tran*uilo,
destinado a dormit:rio para via/antes céle6resX A sociedade de seguros $<ssia44,
sem olhar a despesas de constru+ão, levantou nesta ala um andar com cinco metros de
altura) RDue 6elos 6eliches de *uatro andares a- teria constru-do o che2e da
contra1espionagem da 2rente, metendo l3, de 2orma garantida, uns cem homensXS E
a /anelaX Al1+ando1se so6re o parapeito, o guarda *uase não chega ao postigo, e uma
s: das vidra+as poderia servir de /anela para todo um *uarto) Apenas as 2olhas de
a+o, cravadas da morda+a, nos 2a>em recordar *ue não estamos num pal3cio) #e todas
as maneiras, nos dias claros, por cima dessa morda+a, chega até n:s, vindo do po+o
do p3tio da u6ianAa, e re2lectido por *ual*uer vidra+a do sexto ou do sétimo andar,
um p3lido raio de sol) Um verdadeiro Esta sociedade ad*uiriu um peda+o de terra
moscovita, propenso ao sangueJ do outro lado da $ua GurAassovsAi, perto da casa de
$ostoptchin, 2oi massacrado o inocente Vere1chaguin, em 1Q14, e em 2rente da Brande
u6ianAa vivia Re assassinava os seus servosS a criminosa %altitchiAha) r.or
Foscovo, redac+ão de ") A) BueiniA e outros) Foscovo, Editora %a6achniAov, 1915,
p3g) 4@1)S 1Q; A$DU'.E AB& #E BU AB coelhinho4@, este raio de sol, um ser vivo e
*ueridoX Acompanhamos carinhosamente o seu desli>ar pela parede, cada passo seu
est3 repleto de sentido, augura a aproxima+ão do passeio, conta uma a uma as v3rias
meias horas *ue 2altam para o almo+o, e antes de este chegar desaparece) #esse
modo, eis todas as nossas possi6ilidadesJ ir ao passeioX, ler um livroX, trocar
impress9es so6re o passadoX, escutar e aprenderX, discutir e educar1seX E, como
recompensa, haver3 ainda um almo+o de dois pratosX 'ncr-velX .ara os presos dos
tr0s primeiros andares da u6ianAa, o passeio é desagrad3velJ metem1nos num pe*ueno
p3tio in2erior, h<mido, no 2undo de um estreito po+o entre os edi2-cios da
cadeia) .elo contr3rio, os presos do *uarto e do *uinto andares são levados para um
ninho de 3guias, para um telhado do *uinto andar) E verdade *ue o chão é de
cimento, *ue as paredes são de 6etão, tendo a altura de tr0s homensW e havendo
/unto delas um) guarda desarmado, 6em como, de atalaia na torre, uma sentinela de
arma autom3tica, mas o ar é aut0ntico e aut0ntico é o céuX 7Fãos atr3s das costasX
Em 2ilas de doisX "ão conversarX "ão pararX8 %: se es*ueceram de proi6ir *ue se
levante a ca6e+aX E tu, naturalmente, levanta1la) A*ui podes ver, /3 não o re2lexo,
/3 não a imagem indirecta, mas o pr:prio %olX & pr:prio %ol, eternamente vivoX &u o
seu derramar dourado através das nuvens primaveris) A .rimavera promete a todos a
2elicidade, mas ao preso ainda de> ve>es maisX &hX & céu de A6rilX "ão importa *ue
eu este/a na prisãoX A mim, certamente, não me 2u>ilam) Em troca, hei1de tornar1me
a*ui mais inteligenteX ^ei1de compreender muita coisa, : ?éuX ?orrigirei ainda os
meus erros, não perante eles, mas perante ti, ?éuX A*ui, dei1me conta deles e
hei1de repar31losX
?hega até n:s, como provindo de uma cova pro2unda e long-n*ua, da .ra+a #>er/insAi,
o ininterrupto e a6a2ado coro das 6u>inas dos autom:veis) .ara a*ueles *ue marcham
ao som dessas 6u>inas, elas devem parecer1lhes a trom6eta do triun2o, mas da*ui
v01se claramente a sua insigni2icLncia) Vinte minutos apenas de passeio, mas
*uantas preocupa+9es em torno dele, para *uanta coisa h3 *ue 6uscar tempoX Em
primeiro lugar, é muito interessante, en*uanto te levam para l3 e te tra>em de
volta, compreender a disposi+ão de toda a cadeia, ver para onde dão estes
min<sculos p3tios suspensos, a 2im de *ue algum dia, *uando estiveres em li6erdade,
possas atravessar a pra+a e sa6er onde passavas) "o 4@ Am6iguidade conotativa, *ue
permite a %ol/enitsine um /ogo de signi2icantes e de signi2icados) Em russo,
>aitc6iA signi2ica 7raio de sol8, en*uanto o seu diminutivo, >aitcho1noA, signi2ica
7coelhinho))) R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB 1Q5 caminho damos muitas voltas e eu
invento este sistemaJ desde a cela, contar cada volta )para a direita como se 2osse
7mais um8 e cada volta para a es*uerda como se 2osse 7menos um8) .or muito
rapidamente *ue nos 2a+am dar as voltas, não é necess3rio apressares1te a
representar o percurso, 6astando1te tempo para contar a totalidade) E se, pelo
caminho, através de alguma /anela da escada, aperce6es o dorso das n3iadas da
u6ianAa, *ue se encostam a pe*uenas torres com colunas, dominando a mesma pra+a, e
te recordas do n<mero de voltas, atingida nessa altura, podes depois, na cela,
prientarte e sa6er para onde d3 a vossa /anela) Em seguida, no passeio, é preciso
simplesmente respirar, concentran1do1te o mais poss-vel) E tam6ém, nessa solidão
so6 a claridade do céu, imaginar a tua luminosa vida 2utura, sem pecados nem erros)
Fas é ainda a-, acima de tudo, o lugar mais prop-cio para 2alar so6re temas
pungentes) Em6ora no passeio se/a proi6ido conversar, isso não importa, é
necess3rio sa6er 2a>01lo, precisamente por*ue a- ninguém vos ouveW nem o
galinha1choca, nem os micro2ones) #urante o passeio, eu e %u>i procuramos 2ormar um
par) Galamos igualmente na cela, mas o mais importante gostamos de deix31lo para o
passeio) "o primeiro dia, não coincidimos, mas, pouco a pouco, come+amos a
a/ustar1nos, e ele /3 teve tempo de me di>er muitas coisas) ?om ele, ad*uiro uma
aptidão nova para mimJ a de paciente e conse*uentemente, aceitar tudo a*uilo *ue
nunca 2igurou nos meus planos e *ue, aparentemente, não tinha rela+ão alguma com a
linha claramente tra+ada da minha vida) #esde a in2Lncia *ue eu sei, ignoro de
onde, *ue o meu 2im é a hist:ria da revolu+ão russa e *ue o resto não me di>
inteiramente respeito) .ara a compreensão da revolu+ão russa h3 muito tempo *ue de
nada mais necessito, além do marxismoJ todos os corpos estranhos *ue se pegaram a
mim, cortei1os e voltei1lhes as costas) Fas o destino condu>iu1me /unto de %u>i,
*ue evoluiu numa es2era a6solutamente di2erente) Agora, ele 2ala1me com entusiasmo
de tudo o *ue é a sua vida, e esse tudo é a Est:nia e a democracia) Apesar de antes
nunca me ter passado pela ca6e+a interessar1me pela Est:nia, e ainda menos pela
democracia 6urguesa, eu escuto1o, escuto os seus relatos apaixonados so6re os vinte
anos de li6erdade desse pe*ueno povo la6orioso, pouco 6arulhento, de homens de
grande estatura e de uma lentidão e seriedade naturaisW escuto1o a expor1me os
princ-pios da ?onstitui+ão estoniana, inspirados na melhor experi0ncia europela, e
como ela 2uncionava no seu parlamento de uma s: ?Lmara e composta de cem deputadosW
e sem sa6er por*u0 come+o a gostar de tudo isso, tudo isso come+a a sedimentar1se
na minha experi0ncia44) .onho1me a penetrar, com interesse,
#epois, %u>i 2alar3 de mim nestes termosJ 7Era uma estranha mistura de marxista e
(iocrata)8 %im, estes dois aspectos uniram1se então em mim de 2orma extravagante)
1QQ A$DU'.E AB& #E BU AB na sua tr3gica hist:riaJ entre dois grandes martelos, o
teut:hico e o eslavo, est3 exposta, desde tempos imemoriais, a pe*uena 6igorna
estoniana) %o6re ela, am6os assestaram as suas pancadas, ora do oriente ora do
ocidente, alternadamente, não se vendo um 2im para esta alternativa, como ainda não
se v0 ho/e) E conhecida Rou melhor, completamente desconhecida)))S a hist:ria de
como n:s *uisemos tom31la irre2lectidamente de assalto em 191Q, sem *ue ela o
permitisse) Em seguida, 'udenitch despre>ou os seus ha6itantes, como se 2ossem
2inlandeses, e n:s trat3mo1los como 6andidos 6rancos) Duanto aos estudantes da
Est:nia, inscreveram1se como volunt3rios) Assestaram1lhe mais pancada em 194C, em
1941 e em 1944) Uma parte dos 2ilhos desse povo 2oi apanhada pelo exército russo, a
outra pelo exército alemão e a restante 2ugiu para o 6os*ue) &s velhos intelectuais
de (a1lin discutiam como sair desse maldito c-rculo, a2astar1se de *ual*uer maneira
e viver uma vida pr:priaJ por suposi+ão, ter (ii2 como primeiro11ministro e como
ministro da Educa+ão "acional, digamos, %u>i) Fas nem ?hurchill nem $oosevelt se
preocuparam com eles e, em troca, o6tiveram a solicitude do 7tio Jo8 RJoséS) Fal as
nossas tropas entraram no pa-s, todos esses sonhadores 2oram apanhados na primeira
noite, nos seus apartamentos de (alin) Agora, todos eles, uns *uin>e, se encontram
na prisão moscovita da u6ianAa, cada um em celas di2erentes e acusados, segundo o
artigo 5Q, do criminoso dese/o de autodetermina+ão) & regresso do passeio , cela
constitui sempre uma pe*uena deten+ão) Até na nossa cela de luxo o ar parecia
pesado, depois do recreio) Ah, como seria 6om petiscar algoX Fas não se pode, nem
vale a pena pensar nissoX Ai deles, se alguns dos *ue rece6iam pacotes de casa, sem
*ual*uer tacto, se punham a mostrar a sua comida 2ora do tempo e come+avam a comer)
(anto pior, isso 2ar1nos1ia agu+ar o nosso autodom-nioX Ai dele, se o autor de um
livro te 2a> uma partida e se p9e a descrever pormenori>adamente o sa6or da comidaX
Gora com esse livroX Gora com BogolX Gora tam6ém com (cheAhov, 2oraX ^3 neles
demasiada comidaX 7"ão tinha 2ome, mas, de *ual*uer maneira, 2oi comendo Ro 2ilho
da mãeXS uma por+ão de vitela e 6e6eu cerve/a)8 & *ue é preciso é uma leitura
espiritual) #ostoievsAi, por exemplo, eis *uem os presos devem lerX Fas,
permitam1me, esta passagem é deleJ 7As crian+as passavam 2ome, h3 /3 alguns dias
*ue nada viam além de pão e lingui+a)8 Fas a 6i6lioteca é o ornato da u6ianAa) E
certo *ue a 6i6liotec3ria é algo repulsivaJ uma rapariga loura, tipo cavalona, *ue
tudo 2a> para não parecer 6onita, com o seu rosto tão empoado *ue parece a m3scara
de uma 6oneca im:vel, de l36ios viol3ceos e de pestanas negras, depiladas) RA 2alar
verdade, isso di>1lhe respeito a ela, mas ser1nos1ia mais agrad3vel se nos
aparecesse uma /ovem vistosa) (alve> o che2e da u6ianAa tivesse levado tudo isso em
conta)S Fas *ue maravilhaJ cada de> dias, vindo 6uscar os livros, vai satis2a>endo
os nossos pedidosX Ela escuta, com essa mecani>a+ão inumana da u6ianAa, sem se
poder compreender se ouviu 6em os nomes e A$DU'.E AB& #E BU AB 1Q9 os t-tulos, ou
mesmo as nossas palavras) #epois sai) ":s passamos v3rias horas entre a in*uieta+ão
e a alegria) #urante esse tempo são 2olheados e veri2icados todos os livros *ue nos
2oram entreguesJ procura1se ver se deix3mos picadas ou pontos de6aixo das letras Ré
esse um processo de correspond0ncia dentro da prisãoS, ou se assinal3mos com a unha
as passagens de *ue mais gostamos) 'n*uietamo1nos com isso, em6ora não
se/amos culpados de nada) Eles podem vir e di>er *ue 2oram desco6ertos pontos, e,
como sempre, terão ra>ão, como sempre não terão necessidade de provas e 2icaremos
privados, durante tr0s meses, de livros, se é *ue não trans2erem toda a cela para
os cala6ou+os) E são estes os melhores e os mais radiosos meses prisionais,
en*uanto não nos enterram na cova de um campo de tra6alhoX ?omo é doloroso ter de
passar sem livrosX ":s não tememos apenas, estremecemos, tal como na adolesc0ncia
ao mandar uma carta de amor e ao esperar a resposta) Vir3 ou nãoY E *ual ser3Y
Ginalmente, tra>em os livros, o *ue condicionar3 os de> dias *ue vão seguir1seJ
iremos intensi2icar mais a leitura ou, então, se não t0m interesse, devolvemo1los,
passando a 2alar mais) (ra>er tantos livros *uantas pessoas h3 na cela, é o c3lculo
de um cortador de pão e não de uma 6i6liotec3riaJ não um para cada, mas seis para
seisX As celas onde h3 muitos presos 2icam a ganhar) x ]s ve>es, a rapariga cumpre
os nossos pedidos maravilhosamenteX Fas outros desdenha1os e, contudo, isso
torna1se interessante) .or*ue a pr:pria 6i6lioteca da u6ianAa é <nica no género) ?
ertamente *ue os livros prov0m de 6i6liotecas particulares apreendidasW os
6i6li:2ilos *ue os coleccionaram /3 entregaram a alma a #eus) Fas o principal é
*ue, tendo censurado e castrado, em geral, durante décadas, as 6i6liotecas do pa-s,
a %eguran+a do Estado se es*ueceu de o 2a>er no seu pr:prio seioJ e, a*ui, no seu
covil, podia1se ler Uamiatin, .ilniaA, .anteleimon $omanov e *ual*uer tomo de
Fere/AovsAi) RAlguns pilheriavam, di>endoJ 7?onsideram1nos aca6ados e é por isso
*ue nos dão a ler o *ue é proi6ido)8 Eu penso *ue as 6i6liotec3rias da u6ianAa não
tinham ideia do *ue nos emprestavamJ tratava1se de pregui+a e de ignorLncia)S "as
horas *ue precedem as re2ei+9es, l01se muito) Fas uma 2rase pode 2a>er1te saltar,
correr da /anela para a porta e da porta para a /anela) %entes dese/o de mostrar a
alguém o *ue leste, o *ue da- se depreende, e surge uma discussão) As discuss9es
são tam6ém agudas, nesse tempoX Gre*uentemente, enred3vamo1nos em discuss9es com
Kuri E) "a*uela manhã de Far+o, *uando nos trans2eriram os cinco da cela ao pal3cio
cin*uenta e tr0s, meteram ali connosco um sexto preso) Ele entrou como uma som6ra,
sem tocar com as 6otas no chão) Entrou, 19C A$DU'.E AB& #E BU AB mas inseguro de
poder suster1se de pé,e apoiou as costas contra a coluna da porta) "a cela /3 não
estava acesa a lLmpada e a lu> matinal era ne6ulosaW entretanto, o novato não
olhava com os olhos a6ertos , semicerrava1os) E não di>ia palavra) & tecido do seu
casaco militar e as suas cal+as não permitia inclu-1lo nem no exército soviético,
nem no alemão, nem no polaco, nem no ingl0s) A 2orma do seu rosto era alongada e
pouco tinha de russo) E *ue magro estavaX #e tão esguio, parecia mais alto)
Gi>eram1lhe perguntas em russo, mas não respondeu) %u>i interrogou1o em alemãoJ
tão1 pouco respondeu) #irigiu1se em seguida a ele em ingl0s, e manteve1se calado)
Bradualmente, no seu rosto amarelado e extenuado de semicad3ver, 2oi despontando um
sorriso, um sorriso como nunca tinha visto em toda a minha vidaX 7Ben1te)))8,
pronunciou, como se voltasse a si mesmo depois de um desmaio ou como se tivesse
passado a noite , espera do 2u>ilamento) E estendeu a sua dé6il e es*u3lida mão)
"ela segurava uma pe*uena trouxa) & nosso galinha1choca, *ue tinha /3 compreendido
do *ue se tratava, apressou1se a agarr31la e desatou1a so6re a mesa) ^avia ali uns
du>entos gramas de ta6aco ligeiro, e ele enrolou logo um enorme cigarro para si)
Goi assim *ue apareceu entre n:s Kuri "iAolaievitch E), depois de ter sido mantido
durante tr0s semanas numa enxovia da cave)b
#urante o per-odo dos incidentes nos caminhos de 2erro da ?hina &riental, em 1949,
cantava1se em todo o pa-s a can+ãoJ Varrendo com o seu peito de a+o os inimigos A
vinte e sete monta a guarda) & comandante de artilharia da divisão vinte e sete de
atiradores, constitu-da ainda no tempo da guerra civil, era o o2icial do antigo
exército c>arista, "iAolai E) Reu recordava1 me deste apelidoW tinha1o visto entre
os autores do nosso manual de artilhariaS) "um vagão de mercadorias, a2ecto ao
transporte de passageiros, ele percorria, com a sua insepar3vel esposa, o Volga e o
Ural, ora para leste, ora para oeste) "esse vagão passou os seus primeiros anos, e,
igualmente, o seu 2ilho Kuri, nascido em 1915, contemporLneo da $evolu+ão) #esde
essa época long-n*ua o seu pai radicou1se na Academia de eninegrado, onde vivia
desa2ogadamente e como personalidade importante, tendo o seu 2ilho terminado a
escola de *uadros de comando) #urante a guerra russo12inlandesa, *uando Kuri ardia
no dese/o de lutar pela p3tria, os amigos do pai enviaram1no, como a/udante, para o
Estado1Faior do Exército) Kuri não teve ocasião de arrastar1se até ,s 2orti2ica+9es
2inlandesas, nem de cair no cerco da contra1espionagem, nem de enregelar1se na
neve, so6 as 6alas dos 2rancos1atiradores) Fas a &rdem da Iandeira Vermelha 1 não
*ual*uer outraX 1 veio1lhe cair delicadamente no peito) Assim, A$DU'.E AB& #E BU AB
191 terminou a guerra 2inlandesa com a consci0ncia de nela haver tido um
comportamento /usto e <til) Fas a guerra seguinte não a p_de passar tão 6em) A
6ateria *ue estava so6 o seu comando viu1se cercada na >ona de uga) Andaram ,
deriva, ca+aram1nos e aprisionaram1nos) Kuri 2oi parar ao campo de concentra+ão
alemão dos o2iciais na >ona de Vilnius) "a vida de cada um h3 sempre um
acontecimento *ue se torna decisivo para o seu destino, para as suas convic+9es e
as suas paix9es) &s dois anos *ue passou nesse campo a6alaram Kuri) & *ue era tal
campo, não seria poss-vel exprimi1lo com simples palavras, nem analis31lo com
silogismosJ haveria *ue morrer l3 e s: *uem não morria era capa> de tirar
conclus9es) Duem podia so6reviver eram os impedidos, pol-cias internos do campo,
recrutados entre os nossos) ?omo se compreende, Kuri não se tornou impedido) .odiam
so6reviver ainda os co>inheiros e tam6ém os intérpretesJ esses eram procurados)
Ele, *ue dominava per2eitamente o alemão, ocultou tal 2acto) Viu logo *ue, en*uanto
intérprete, teria de entregar os seus) .odia demorar a sua morte a6rindo covas, mas
havia outros mais 2ortes e mais ha6ilidosos do *ue ele) Kuri declarou *ue era
pintor) E2ectivamente, no Lm6ito da sua educa+ão multi2orme, rece6era li+9es de
pintura, e não pintava mal a :leo) %: o dese/o de seguir a carreira do pai, de *ue
sentia orgulho, o impediu de 2re*uentar a Escola de Ielas1Artes) Juntamente com um
velho pintor Rlamento não recordar1me do seu nomeS levaram1no para uma ca6ina
isolada numa 6arraca, e, ali, Kuri pintava de gra+a para os comandantes alemães uma
série de *uadrosJ o 6an*uete de "ero, um coro de el2os) Em troca, levavam1lhe
comida) A*uela 6e6eragem, pela *ual os o2iciais prisioneiros 2a>iam 6icha, com as
suas marmitas, ,s seis da manhã, en*uanto os impedidos lhes 6atiam com paus e os
co>inheiros com seus colher9es) Ie6eragem essa *ue era insu2iciente para manter um
homem vivo) .elas tardes, Kuri, da /anela da ca6ina, visuali>ava o <nico *uadro,
para o *ual lhe dera voca+ão a arte do pincelJ a névoa pairando so6re o prado /unto
do pLntano, o prado cercado de arame 2arpado, com um sem1n<mero de 2ogueiras
ardendo, e, , volta das 2ogueiras, o *ue restava dos antigos o2iciais russosJ seres
agora semelhantes a 2eras, roendo os ossos de cavalos mortos, 2a>endo 6olachas de
cascas de 6atata, rumando
esterco e remexendo1se todos devido aos piolhos) "em todos esses 6-pedes tinham
ainda morrido) "em todos haviam perdido ainda o dom do discurso coerente e, so6 os
re2lexos purp<reos das chamas, via1se como uma intelig0ncia tardia despontava
na*ueles rostos *ue remontavam ao ^omem de "eanderthal) A 6oca tornava1se1lhe
amargaX A vida *ue Kuri conservava /3 nem lhe a *uerida em si mesma) Ele não é
da*ueles *ue aceitam 2acilmente es*uecer) "ão, h31de so6reviver e tirar conclus9es)
Ja todos eles sa6em *ue a *uestão não depende dos alemães, ou apenas e alemães, e
*ue entre os prisioneiros de numerosas nacionalidades s: os 194 A$DU'.E AB& #E BU
AB soviéticos vivem e morrem assim, ninguém est3 em pior situa+ão) &s polacos e
os /ugoslavos, inclusive, são tratados de modo muito insuport3vel) Duanto aos
ingleses e aos noruegueses, estão inundados de pacotes da ?ru> Vermelha
'nternacional, e enviados pela 2am-lia, não indo simplesmente rece6er o
racionamento alemão) %e os acampamentos 2icam ao lado uns dos outros, os aliados,
por 6ondade, arremessam1nos esmolas através do arame 2arpado, e os nossos
lan+am1se1lhes como sete cães a um osso) %ão os russos *ue suportam toda a guerraW
são os russos *ue t0m esse destino) .or*u0Y #a*ui e dali vão chegando as
explica+9esJ a U)$)%)%) não reconhece a ?onven+ão da ^aia so6re os prisioneiros,
assinada pela $<ssia, isto é, não assume nenhumas o6riga+9es *uanto ao tratamento
dos prisioneiros e não pretende de2ender os seus *ue ca-ram no cativeiro45) A U)$)
%)%) não reconhece a ?ru> Vermelha 'nternacional) A U)$)%)%) não reconhece os seus
soldados de ontemJ não lhe convém prestar1lhes a/uda no cativeiro) & cora+ão do
nosso entusiasta contemporLneo da $evolu+ão de &utu6ro gela1se) Ali, na ca6ina da
6arraca, entra em con2lito e discute com o velho pintor Raté então, Kuri tinha
di2iculdade em admitir a*uilo, mas o velho ia pondo a verdade a nu, camada ap:s
camadaS) & *u0Y %talineY "ão ser3 exagerado atri6uir tudo a %taline, ,s suas mãos
tão curtasY (odo a*uele *ue s: tira metade das conclus9es não tira, geralmente,
conclus9es algumas) E os outrosY &s *ue cercavam %taline, os *ue planavam mais
a6aixo, e os *ue, distri6u-dos por toda a p3tria, tinham permissão de 2alar em seu
nomeY E como se h31de reagir com /usti+a *uando a nossa mãe nos vendeu aos ciganos,
ou, pior ainda, nos atirou aos cãesY Acaso continua a ser mãeY %e a nossa mulher
anda a correr as ruas, acaso estamos ligados ainda a ela por 2idelidadeY A p3tria
*ue traiu os seus soldados é porventura uma p3triaY )))?omo tudo se trans2ormou
para KuriX Ele admirava o pai 1 e passou a amaldi+o31loX .ela primeira ve>, pensou
*ue ele tinha tra-do, na realidade, o /uramento do exército em *ue se criara, e
isso para esta6elecer este mesmo regime, *ue tra-a agora os seus pr:prios soldados)
E por*ue é *ue o /uramento de Kuri o devia vincular a um regime assim traidorY
Duando, na .rimavera de 194@, chegaram ao campo os recrutadores das primeiras
7legi9es8 6ielorrussas, um ou outro alistou1se para se salvar da 2ome) Fas E) 201lo
com 2irme>a e lucide>) "ão se demorou muito tempo na legiãoJ *uando te arrancam a
pele, não tens de chorar pela lã) Kuri dei1 45 %: em 1955 reconhecemos esta
conven+ão) #e resto, /3 em 1915, Felgunov nota no seu di3rio *ue corre o I&A(& de
*ue a U)$)%)%) não permite *ue se preste a/uda aos seus soldados prisioneiros na
Alemanha, e de *ue eles vivem pior *ue os de todos os aliados) 'sso para *ue não
ha/a I&A(&% so6re a 6oa vida dos prisioneiros e estes não se
entreguem tão gostosamente) ^3 certa continuidade de ideias) R%) .) Felgunov,
$ecorda+9es e #i3rios, vol) ', .aris, 19;4, p3ginas 199 e 4C@)S A$DU'.E AB& #E BU
AB 19@ xou de ocultar o seu conhecimento da l-ngua germLnica, e logo um certo ?^EGE
alemão, dos arredores de =assen, *ue tinha sido designado para criar uma escola de
espi9es de 2orma+ão acelerada, o recrutou como seu 6ra+o direito) Assim, come+ou um
desli>e *ue Kuri não tinha previsto, assim se 2oi operando uma mudan+a) Ele ardia
no dese/o de li6ertar a sua p3tria e puseram1no a preparar espi9es alemães para
com6ater os seus) &nde estava o limiteY))) A partir de *ue momento se não pode ir
demasiado longeY Kuri passou a ser tenente do exército alemão) ?om a 2arda alemã,
ele percorria toda a Alemanha, ia a Ierlim, visitava os emigrados russos, lia os
livros *ue dantes não lhe eram acess-veisJ Iunine, "a6oAov, Aldanov,
Am2i1teatrov))) Kur esperava *ue em todos eles, em Iunine por exemplo, 6rotasse a
cada p3gina o sangue das 2eridas vivas da $<ssia) Fas o *ue é *ue sucediaY Em *ue
delapidavam eles a sua inapreci3vel li6erdadeY Uma ve> mais a descrever o corpo
2eminino, a explosão das paix9es, o p_r do %ol, a 6ele>a das ca6e+as no6res, 6em
como a contar anedotas esta2adas dos anos long-n*uos) Eles escreviam como se
nenhuma revolu+ão se tivesse veri2icado na $<ssia ou como se 2osse /3 demasiado
inacess-vel a eles explic31la) #eixavam aos /ovens o cuidado de se orientar na
vida) Assim se agitava KuriJ tinha Lnsia de ver, de conhecer e, entretanto, segundo
a tradi+ão russa, a2ogava cada ve> mais a sua con2usão na vodca) & *ue era a*uela
escola de espionagemY "ada tinha de uma escola verdadeira, naturalmente) Em seis
meses s: lhes puderam ensinar a dominar o p3ra1*uedas, a 2a>er uso de explosivos e
a transmitir mensagens pela r3dio) "ão con2iavam muito neles, porém) an+avam1nos a
pretexto de insu2lar Lnimo) Fas para os mori6undos prisioneiros de guerra russos,
a6andonados, sem esperan+a, essas escola>inhas, na opinião de Kuri, eram uma 6oa
sa-daJ os rapa>es comiam, vestiam roupas de a6a2o novas, e, ainda por cima,
recheavam as algi6eiras de dinheiro soviético) (anto os alunos como os pro2essores
2ingiam *ue tudo se passaria como previstoJ *ue na retaguarda soviética 2ariam
espionagem, dinamitariam os o6/ectivos designados, esta6eleceriam liga+9es pelo
c:digo da r3dio e regressariam outra ve>) "o entanto, através dessa escola, eles
*ueriam simplesmente escapar , morte e ao cativeiro, dese/ando 2icar vivos, mas não
ao pre+o de dispararem contra os seus na 2rente4;) Ga>iam1nos passar a linha da
2rente, e, logo adiante, a li6erdade de escolha dependia do seu car3cter e da sua
consci0ncia) 'mediatamente todos a6andonavam os explosivos e a r3dio) A di2eren+a
consistia apenas nistoJ uns entregavam1se sem mais ,s autoridades Rco1 4;
"aturalmente, os nossos investigadores não admitiam tais ra>9es) Due direito tinham
eles de viver, *uando as 2am-lias dos privilegiados, na retaguarda soviética, mesmo
sem isso, viviam 6emY "ão se lhes reconheceu nenhuma atenuante pelo 2acto de se
recusarem a .egar na cara6ina alemã) #evido ao seu 2also /ogo de espionagem
aplicaram1lhes o grave artigo 5!1;, com a agravante da inten+ão de sa6otagem) 'sto
signi2icava guard31los na cadeia até a morte) 194 A$DU'.E AB& #E BU AB mo este
7espião8 de nari> chato, encontrado no servi+o de contra11espionagem do exércitoS,
outros iam para a 2arra com o dinheiro) "unca nenhum deles voltou atr3s, através da
2rente, a entregar1se novamente aos alemães) ` Fas um 6elo dia, em 1945, um rapa>
viva+o regressou, in2ormando de *ueatinha reali>ado a tare2a Ride l3 veri2ic31loXS)
Era um 2acto invulgar) & che2e não teve d<vidas de *ue ele tinha sido enviado pela
contra1espio1nagem %merch e decidiu 2u>il31lo Ré esse o destino de um espião
escrupulosoXS) Fas Kuri insistiu em *ue, pelo contr3rio, era
necess3rio condecor31lo e apresent31lo aos alunos) &ra o espião aca6ado de
regressar prop_s a Kuri *ue 2ossem 6e6er uns copos e, todo corado, inclinando1se
para a mesa, se1 gredou1lheJ 7Kuri "iAolaievitchX & comando soviético promete1lhe o
perdão se voc0 se passar agora connosco)8 Kuri estremeceu) & seu cora+ão, /3
endurecido, *ue a tudo tinha renunciado, encheu1se de calor) A p3triaY Era maldita,
in/usta, mas, de todas as maneiras, *ueridaX ?oncediam1 lhe o perdãoY))) E poderia
regressar , 2am-liaY E passear por =amennostrovY .ois 6em, realmente somos russosX
%e nos perdoam, voltaremos e hão1de ver como ainda seremos 6ons cidadãosX ))) Esse
ano e meio passados, desde *ue sa-ra do campo, não proporcionara a 2elicidade a
Kuri) Ele não se arrependia, mas não via nenhum 2uturo diante dele) $eunindo1se a
6e6er vodca com outros russos, tão 2alhos de arrependimento como ele, sentiam
todos, claramente, *ue lhes 2altava um ponto de apoio, *ue, de todas as maneiras, a
vida deles era 2alsa) &s alemães mane/avam1nos , sua maneira) Agora *ue a guerra
estava claramente perdida para eles, tinha aparecido a Kuri uma sa-daJ o che2e
gostava dele e disse1lhe *ue possu-a uma propriedade na Espanha, para onde, logo
*ue o império ardesse, eles se escapariam os dois) E eis *ue, sentado diante dele,
estava um compatriota em6riagado e,arriscando a vida ele pr:prio, o tentava através
da mesaJ 7Kuri "iAolaievitchY, o comando soviético aprecia a sua experi0ncia e os
seus conhecimentos e *uer utili>31los para conhecer a organi>a+ão da
contra1espionagem alemã)))8 As vacila+9es roeram E) durante duas semanas) Fas,
*uando depois da o2ensiva soviética para l3 do V-stula, devia trans2erir a sua
escola para o interior, ele ordenou *ue dessem a volta por uma tran*uila gran/a
polaca, mandou 2ormar os alunos da escola e declarouJ 7Eu passo1me para o lado
soviéticoX ?ada um é livre de escolherX8 E esses inexperientes aprendi>es de
espi9es, ainda com leite no nari>, *ue uma hora antes eram leais ao reich alemão,
6radaram entusiasmadosJ 7^urraX (am6ém n:))) :))) :sX8 REles vitoriavam os seus
2uturos tra6alhos 2or+ados)))S Então, a sua escola de espionagem ocultou1se até ,
chegada dos tan*ues soviéticos e depois veio a contra1espionagem %merch) Kuri /3
não voltou a ver os seus rapa>es) 'solaram1no durante de> dias e o6rigaram1no a
descrever toda a hist:ria da escola, os programas, as tare2as diversionistas) Ele
pensava realmente *ue a sua 7experi0ncia e conhecimentos8))) Estava1 A$DU'.E AB& #E
BU AB 195 1se mesmo a discutir o pro6lema da sua ida a casa, para visitar a 2am-
lia) E s: na u6ianAa ele compreendeu *ue, mesmo em %alamanca, estaria mais perto do
rio "eva))) .odia 2icar a aguardar o 2u>ilamento, ou então uma senten+a de vinte
anos) A es2umada imagem da terra p3tria 2a> com *ue uma pessoa se deixe enganar
irremediavelmente))) Assim como um dente não cessa de doer, en*uanto não se matar o
seu nervo, tam6ém n:s, evidentemente, não deixamos de sentir o apelo da p3tria até
ao dia em *ue engolimos o arsénico) &s lot:2agos da &disseia conheciam certa 2lor
de l:tus, apropriada para isso))) Kuri esteve tr0s semanas na nossa cela) #urante
todo esse tempo discutimos com ele) Eu di>ia *ue a nossa $evolu+ão era magn-2ica
e /usta e *ue apenas tinha sido horr-vel a sua de2orma+ão em 1949) Ele olhava1me
com pena e mordia os seus l36ios nervososJ antes de empreender a $evolu+ão devia1se
ter limpo o pa-s dos perceve/osX R"isto havia estranhamente uma certa coincid0ncia
com GastenAo, em6ora procedessem de pontos de partida di2erentes)S Eu di>ia *ue
durante longo tempo s: pessoas de inten+9es su6limes e de todo em todo a6negadas
tinham dirigido as *uest9es importantes no nosso pa-s) Ele a2irmava *ue eram da
mesma t0mpera de %taline, logo desde o come+o) R%o6re o 2acto
de *ue %taline era um 6andido, não diverg-amos)S Eu tinha uma grande estima por
BorAi) Due esp-rito tão l<cidoX Due concep+9es tão /ustasX Due not3vel artistaX Ele
interrompia1meJ era uma personalidade insigni2icante e a6orrecidaX Ga6ricou a sua
pr:pria personagem da mesma 2orma *ue inventou os seus her:is) (odos os seus livros
são 2a6ricados do princ-pio ao 2im, até , medula) eão (olstoi, esse sim, é o rei da
nossa literaturaX .or causa destas discuss9es di3rias, acaloradas devido , nossa
/uventude, não sou6emos aproximar1nos e o6servar1nos mais, em ve> de nos negarmos
um ao outro) evaram1no da cela e, desde então, por mais *ue tenha perguntado,
ninguém me sou6e dar not-cias dele na cadeia de IutirAi e ninguém o encontrou nos
c3rceres de trLnsito) Até os soldados rasos de Vlassov desapareceram sem deixar
vest-gios Ro *ue é mais certo da terraS, 2ora a*ueles *ue não possuem documentos
para sair dos rec_nditos cantos do "orte) & destino de Kuri E) não era o de um
soldado raso) Ginalmente, chegou a comida da prisão) Fuito antes, ouv-amos o alegre
tilintar no corredor, depois tra>iam1nos, no estilo de restaurante, uma travessa
para cada um, com dois pratos de alum-nio Rnão havia tigelasSJ uma colherada de
sopa e outra de papas aguadas e sem gordura) #urante as primeiras emo+9es, ao
acusado nada lhe entra pela gargan1 19; A$DU'.E AB& #E BU AB ta) Alguns, durante
dias, não tocam no pão e não sa6em onde met01lo) Fas o apetite, gradualmente, vai
regressando, e depois a sensa+ão de 2ome permanente condu> , avide>) ?om o tempo,
se a gente consegue moderar1se, adapta1se , 2rugalidade, e a pouca alimenta+ão *ue
a*ui nos dão consegue chegar , /usta) .ara isso é necess3ria uma auto1educa+ão *ue
2a+a perder o h36ito de olhar de soslaio para *uem come algo mais e consiga p_r de
parte as conversas, repletas de perigo, so6re a comida, elevando1se o mais poss-vel
,s altas es2eras) "a u6ianAa isto é 2acilitado pela licen+a de estar deitado duas
horas depois do almo+o, o *ue é ainda algo *ue lem6ra a maravilha de uma casa de
repouso) #eitamo1nos de costas voltadas para a 2enda da porta, a6rimos um livro
para dis2ar+ar e dormitamos) .ropriamente 2alando é proi6ido dormir, e os guardas
espreitam com insist0ncia para ver se voltamos as 2olhas do livro, mas,
ha6itualmente a estas horas não costumam tocar , porta) RA explica+ão deste
humanitarismo reside no 2acto de *ue a*ueles *ue estão proi6idos de descansar se
encontram nessa altura no interrogat:rio diurno) .ara os teimosos *ue não assinam
os autos e não reconhecem as culpas, o contraste é maiorJ *uando regressam /3 est3
a aca6ar a hora de descanso)S , & sono é o melhor remédio contra a 2ome e contra a
depressãoJ o organismo não se desgasta e o cére6ro não 2a> passar e repassar os
erros cometidos) Entretanto, chega a hora do /antarJ mais outra colherada de papas)
A vida apressa1se a o2erecer1te todos os seus dons) Agora 2altam cinco a seis horas
e até ao aviso do sil0ncio nada levas , 6oca, mas isso /3 não é tão terr-velJ é
23cil acostumar1se a não dese/ar comer de noite 1 processo desde h3 muito conhecido
pela medicina militarJ nos regimentos de reserva tam6ém não dão de comer , noite)
Então aproxima1se a hora de ir , latrina, pela *ual é prov3vel *ue tenhas esperado
e estremecido todo o dia) Due aliviada 2ica de repente toda a genteX ?omo de s<6ito
se simpli2icam todos os grandes pro6lemas) J3 notaram isso, não é verdadeY AhX As
noites imponder3veis da u6ianAaX R?ontudo, imponder3veis somente se não te aguarda
o interrogat:rio nocturno)))S E como se o corpo não tivesse peso, satis2eito com as
papas, na exacta medida *ue permite , alma deixar de sentir a sua opressão) Due
leves e livres pensamentosX .arece *ue nos elevamos até ,s alturas do %inai, e *ue
ali,
por entre as chamas, nos surge a apari+ão da verdade) %im, devia ser com isto *ue
sonhava .uschAhineJ Duero viver, para pensar e so2rerX E n:s so2remos e pensamos,
mas nada mais h3 na nossa vida) Due 23cil se tornou atingir esse ideal)))
"aturalmente, discutimos ao longo das noites, distraindo1nos da parti1 A$DU'.E AB&
#E BU AB 195 da de xadre> com %u>- e dos livros) Entramos de novo mais 2ogosamente
em cho*ue com E), pois os pro6lemas são mais explosivos, por exemploJ a *uestão do
2im da guerra) E eis *ue o guarda entra na cela, sem palavras e sem expressão,
6aixando o estore a>ul de camu2lagem da /anela) Agora, por detr3s do estore, a
Foscovo nocturna come+a a disparar salvas de artilharia45) "ão vemos o 2ogo no céu,
como não vemos o mapa da Europa, mas tentamos imagin31lo nos seus pormenores,
adivinhando *uais as cidades tomadas) Kuri, particularmente, 2ica 2ulo com essas
salvas) 'nvocando o destino para corrigir os erros por si cometidos, ele a2irma *ue
a guerra não aca6a de modo algum, *ue é agora *ue o Exército Vermelho e os
an1gio1americanos vão atirar1se uns contra os outros, e, s: então, come+ar3 a
verdadeira guerra) A cela mani2esta um 3vido interesse por esse press3gio) E como
terminar3Y Kuri assegura *ue com uma ligeira derrota do Exército Vermelho Re
portanto com a nossa li6erta+ão ou o nosso 2u>ilamentoS) A*ui, eu protesto e
discutimos 2uriosamente) &s seus argumentos consistem em *ue o nosso exército est3
deveras extenuado, de6ilitado, mal a6astecido so6retudo, e *ue contra os aliados /3
não com6ater3 com tal 2irme>a) .elo exemplo das unidades *ue conhe+o, eu a2irmo *ue
o exército não se encontra tão extenuado como isso, *ue acumulou experi0ncia e *ue
actualmente est3 repleto de 2or+a e de 2<ria, indo nessa hip:tese despeda+ar os
aliados com mais limpe>a ainda do *ue aos alemães) 7"uncaX8, grita lmas em tom de
murm<rioS Kuri) 7E as ArdenasY8, grito eu Rtam6ém semi1murmurandoS) GastenAo
intervém, ridiculari>ando1nos, di>endo *ue não compreendemos o &cidente, *ue não h3
*uem o6rigue agora as tropas aliadas a lutar contra n:s) E todavia, pela noite,
sentimos menos dese/o de discutir do *ue de ouvir algo de interessante e até de
conciliador, 2alando todos cordatamente) Um dos temas pre2eridos na prisão é a
conversa so6re as tradi+9es carcer3rias, so6re como eram as coisas antes) GastenAo
encontra1se entre n:s e por isso ouvimos esses relatos de prineira 2onte) & *ue
mais nos comove é *ue dantes, ser preso pol-tico era um motivo de orgulho) "ão
somente as 2am-lias não renegavam o preso, como 1unhem muitas /ovens desconhecidas,
2a>endo1se passar por noivas, conseguiam 2a>er1lhes visitas) E a velha e universal
tradi+ão do envio de em6rulhos nas 2estasY "inguém na $<ssia come+ava a 2este/ar
a .3scoa sem levar pacotes a presos desconhecidos, destinados ao comum ca6a>
prisional, dam presuntos de "atal, pastéis de massa, empad9es, 2olares) Dual*uer
po6re velhota levava uma de>ena de ovos pintados, partindo com o cora+ão mais
aliviado) &nde desapareceu esta 6ondade russaY Goi su6stitu-da .ela consci0ncia
pol-tica) Due trans2orma+ão 6rusca e irrevog3vel aterrori>ou assim o nosso povo, ao
ponto de o desa6ituar de mani2estar o seu desvelo estas salvas destinavam1se a
comemorar as vit:rias do exército soviético, sendo por ve>es acompanhadas de
2ogo1dc1arti2-cio) 2,g) 1PC5 ()W 19Q A$DU'.E AB& #E BU AB velo pelos *ue so2remY
Agora isso seria considerado como algo de desvairado) Due se tente propor em
*ual*uer institui+ão uma angaria+ão de 2undos para a 2esta os presos da
cadeia localX 'sso ser3 tomado *uase como uma insurrei+ão anti1soviéticaX Até *ue
grau chegou a nossa 2erocidadeX Pb E *ue representavam esses presentes 2estivos
para os presosY Assiso s: uma comida sa6orosaY "ão) Eles tradu>iam o c3lido
sentimento de *ue os *ue estavam em li6erdade pensavam e se preocupavam contigo)
GastenAo conta1nos *ue mesmo durante o poder soviético existiu a ?ru> Vermelha .ol-
tica) J3 não digo *ue se/a imposs-vel para n:s acreditar nisso, mas torna1se1nos
di2-cil imagin31lo) Ele explica1nos *ue E) .) .echAo1va4Q, utili>ando a sua
imunidade pessoal, via/ava no estrangeiro, angariava dinheiro Rno nosso pa-s não
poderia angariar muitoS, sendo depois comprados a*ui artigos para os presos pol-
ticos *ue não tinham 2am-lia) .ara todos os pol-ticosY A*ui cumpria esclarecerJ
não, não para os contra11 revolucion3rios Rpor exemplo, os engenheiros, os
religiososS, mas s: para os antigos mem6ros de partidos pol-ticos) AhX, 6omX, era
preciso t01lo ditoX ))) Fas, de resto, a pr:pria ?ru> Vermelha, , excep+ão de E) .)
.echAo1va, 2oi no essencial encarcerada))) &utro tema de *ue é agrad3vel 2alar pela
noite, *uando não se est3 , espera de um interrogat:rio, é a li6erta+ão) %im,
di>1se *ue se veri2icam casos surpreendentes *uando alguém é li6ertado) evaram da
nossa cela, U) 7com os seus o6/ectos pessoais8) (eria ele 2icado de um momento para
o outro em li6erdadeY A 2orma+ão do processo não podia terminar tão depressa) R#e>
dias depois, ei1lo *ue regressaJ levaram1no para e2ortovo) A-, pelos vistos, ele
come+ou rapidamente a assinar e trouxeram1no outra ve> para a*ui)S 7%e acaso te
puserem em li6erdade, escuta, o teu caso, tu mesmo o di>es, é uma 6agatela T então
promete1me *ue ir3s ver a minha mulher e como prova disso ela *ue me mande num
pacote, digamos, duas ma+ãs)))8 1 7Agora não h3 ma+ãs em parte alguma)8 1 7Então,
tr0s 6iscoitos)8 T 7.ode suceder *ue não ha/a 6iscoitos em Foscovo)8 T 7Iom, então
servem *uatro 6atatas)8 RGacto extraordin3rio e admir3velJ levaram e2ectivamente ")
e, como 2ora com6inado, F) rece6eu *uatro 6atatasX 'sso prova *ue 2oi li6ertado)
&ra o seu caso é muito mais sério do *ue o meu, pode ser *ue tam6ém me soltem
depressa))) Fas aconteceu simplesmente *ue a mulher de F) deixou cair a *uinta
6atata da 6olsa, en*uanto ") /3 se encontra no porão do 6arco *ue segue rumo a
=olima)S Assim vamos conversando so6re toda a espécie de coisas, recordamos casos
divertidos, e tu sentes1te 6em e alegre entre pessoas interessantes *ue não 2a>iam
parte da tua vida, *ue não 2a>iam parte do teu c-rculo de preocupa+9es) E,
entretanto, /3 a silenciosa ronda nocturna passouJ levaram os :culos e a lLmpada
deu sinal tr0s ve>es) 'sso signi2ica *ue dentro de cinco minutos tocar3 a sil0ncioX
.rimeira mulher de BorAi) R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB 199 #epressa, depressa,
agarremos a mantaX Assim como na 2rente não a6es se uma ra/ada de pro/écteis se vai
a6ater so6re ti, de um minuto para outro, não podemos sa6er tam6ém a*ui *ual é a
tua noite 2atal de interrogat:rio) #eitamo1nos, pomos um 6ra+o por cima da manta e
es2or+amo11nos por a2ugentar os pensamentos da ca6e+a) #ormirX Goi num momento
assim, de uma noite de A6ril, pouco depois de nos termos despedido de E), *ue se
ouviu o ru-do da 2echadura) &s cora+9es oprimiram1seJ *uem irão levarY Agora o
guarda vai lan+arJ 7Duem come+a por %X, *uem come+a por UX8 Fas o guarda não a6riu
a 6oca) A porta des1cerrou1se) evant3mos a ca6e+a) A entrada estava um novatoJ
magrinho, /ovem, com 2ato a>ul e um 6oné a>ul1escuro) "ada tra>ia consigo) &lhava,
con2uso, , sua volta) 1 Dual é o n<mero desta celaY 1 perguntou in*uieto) 1 ?
in*uenta e tr0s) Ele estremeceu)
1 Vens da ruaY 1 pergunt3mos1lhe) 1 "ão))) T a6anou com ar so2redor a ca6e+a) 1
Duando 2oste presoY 1 &ntem de manhã) $imos ,s gargalhadas) Ele tinha um rosto
simpl:rio, suave, com as pestanas *uase 6rancas) 1 E por*u0Y RE uma pergunta pouco
honesta, de *ue não h3 *ue esperar resposta)S 1 "ão sei))) Uma ninharia))) (odos
respondem assim, todos estão presos devido a *ual*uer ninharia) E so6retudo
ninharia para o pr:prio acusado) 1 Fas, no entantoY))) 1 Escrevi um apelo) Ao povo
russo) 1 & *u01010YYY R7"inharias8 dessas ainda não t-nhamos encontradoXS 1 'rão
2u>ilar1meY 1 perguntou ele, alongando o rosto) E apertava entre as mãos a pala do
6oné, *ue tinha tirado) 1 "ão, provavelmente não 1 tran*uili>3mo1lo) 1 Agora não
2u>ilam ninguém) Apanhar3s uns #EU A"&%, pela certa) 1 E oper3rioY EmpregadoY 1
perguntou o social1democrata, 2iel ao princ-pio de classe) 1 &per3rio) GastenAo
estendeu a mão e, solenemente, disse, voltando1se para mimJ 1 A- tem, A) '), o
estado de esp-rito da classe oper3riaX E voltou1se para o outro lado, disposto a
dormir, supondo *ue não era necess3rio ir mais longe nem havia mais *ue escutar)
Fas enganou1seJ 1 ?omo isso, um apelo, assim sem mais nem maisY Em nome de *uemY 1
Em meu nome pr:prio) 4CC A$DU'.E AB& #E BU AB 1 Fas *uem é) voc0Y & novato
sorriu1se, como se se sentisse culpadoJ 1 & imperador FiAhail) Uma 2a-sca saltou
entre n:s) evant3mo1nos, ainda nas camas, e olh3mos para ele) & seu rosto magro e
t-mido não tinha *ual*uer parecen+a com o rosto de FiAhail $omanov) "em a idade)))
1 Amanhã, amanhã, agora h3 *ue dormirX 1 disse severamente %u>i) #ormimos, go>ando
antecipadamente a certe>a de *ue as duas primeiras horas da manhã, antes da
distri6ui+ão do pão, não iam ser a6orrecidas) (rouxeram tam6ém ao 7imperador8 uma
cama, um colchão, e ele deitou1se em sil0ncio, perto do 6alde da latrina) Em 191;
entrou em casa de Iielov, ma*uinista de locomotivas em Foscovo, um velho corpulento
e desconhecido, de 6ar6a ruiva, e dirigiu1se , devota esposaJ 7.el3giaX (u tens um
2ilho de um ano) Buarda1o para #eus) Duando soar a hora, voltarei de novo8) E saiu)
Duem 2osse esse velho, .el3gia não o sa6ia, mas ele 2alou de 2orma tão clara e
amea+adora *ue as suas palavras venceram o cora+ão maternal) E cuidou dessa crian+a
mais do *ue , menina dos seus olhos) Victor cresceu sossegado, o6ediente, devoto,
tendo 2re*uentemente vis9es de an/os e da Virgem) #epois, estas tornaram1se mais
espa+adas) & velho não voltou a aparecer) Victor aprendeu a pro2issão de motoristaW
em 19@; assentou pra+a no exército e levaram1no para Iiro6id/ã, onde serviu numa
companhia motori>ada de transportes) "ão era muito desem6ara+ado, mas, talve>
devido , sua do+ura e suavidade, tão impr:prias de um motorista, encantou uma das
raparigas recrutadas para o tra6alho e atravessou1se no caminho do seu che2e de
sec+ão, *ue lhe arrastava a asa) "esse per-odo de mano6ras chegou ali o marechal
IliuAher e o condutor deste adoeceu gravemente) IliuAher &rdenou ao comandante da
companhia *ue lhe enviasse o seu melhor motoristaW)o comandante chamou o che2e da
sec+ão, *ue logo pensou em mandar ao marechal o seu rival Iielov) R"o exército
sucede 2re*uentemente assimJ é promovido não a*uele *ue o merece mas a*uele de *uem
se *uerem livrar)S Além disso, Iielov não era 6e6edor, sendo cumpridor no tra6alho,
e não o deixaria 2icar mal) IliuAher gostou de Iielov e 2icou com ele) Iem
depressa, invocando1se *ual*uer ra>ão plaus-vel, IliuAher 2oi chamado a Foscovo
Rdesse modo, antes de proceder , sua deten+ão, separaram o marechal do Extremo
&riente, *ue lhe era 2ielS e levou consigo Iielov) #epois de ter perdido o seu
superior, ele 2icou na garagem do =remlin, come+ando a condu>ir ora FiAhailov
Rdirigente do =omsomolS, ora o>ovsAi e alguns outros e, 2inalmente, =ruchtchev) Goi
então *ue Iielov p_de o6servar muitas coisasJ A$DU'.E AB& #E BU AB 4C1 6an*uetes,
costumes, medidas de seguran+a Rde *ue nos contou pormenoresS) ?omo representante
do simples proletariado moscovita, Iielov assistiu então ao processo contra
IuAharine, *ue teve lugar na ?asa dos %indicatos) Entre todos os seus patr9es
apenas se re2eriu com calor a =ruchtchev, pois s: em sua casa o motorista se
sentava , mesa da 2am-lia e não separadamente, na co>inhaW nesses anos, s: a- se
conservava ainda a simplicidade oper3ria) & alegre =ruchtchev tam6ém votou simpatia
a Victor AleAseievitch Iielov e, ao 2a>er uma viagem, em 19@Q, , UcrLnia,
convidou1o com insist0ncia a ir com ele) 7"ão teria deixado =ruchtchev em toda a
minha vida8, di>ia Victor AleAseievitch) Fas algo o reteve em Foscovo) Em 1941,
pouco antes do come+o da guerra, teve pausa no seu tra6alho na garagem do Boverno
e, sem a sua protec+ão, 2oi mo6ili>ado imediatamente pelo ?omissariado da Buerra)
Entretanto, pela sua pouca sa<de, não o mandaram para a 2rente de 6atalha, mas para
um 6atalhão de tra6alhoJ primeiro enviaram1no a pé a 'n>a, depois puseram1no a
a6rir trincheiras e a construir caminhos) #epois da vida descuidada e 2arta *ue
tinha levado nos <ltimos anos isso 2oi para ele um golpe doloroso, como se lhe
2i>essem dar com o 2ocinho em terra) .assou muitas necessidades e amarguras e
o6servou, olhando , sua volta, *ue o povo não s: não havia passado a viver melhor
do *ue antes da guerra, como tinha mesmo empo6recido) Esteve *uase , morte,
conseguiu livrar1se como doente, e regressou a Foscovo, onde novamente se empregouJ
passou a ser o motorista de ?her6aAov49 e, a seguir, do comiss3rio do povo para a
ind<stria petrol-2era, %edin) Fas %edin 2e> um des2al*ue Rtrinta e cinco milh9es,
nem mais nem menosS e a2astaram1no em sil0ncio desse cargo) Iielov, sem sa6er
por*u0, 2icou novamente sem tra6alho /unto dos che2es) Empregou1se como condutor de
uma empresa de transportes e nas horas de 2olga 2a>ia tra6alho negro condu>indo
passageiros a =rasnaia .aAhr3 R6airro moscovitaS) Fas os seus pensamentos /3
estavam 2ixos noutra coisa) Em 194@, estando em casa da mãe, *ue tinha ido lavar e
6uscar 3gua , 2onte com os 6aldes, a6riu1se de repente a porta e entrou um velho
corpulento e desconhecido, com a 6ar6a 6ranca) Ien>eu1se diante do -cone, olhou com
ar severo para Iielov e disse1lheJ 7%a<de, FiAhailX Due #eus te a6en+oeX8 17Eu
chamo1me Victor8, respondeu Iielov) 7Fas passar3s a ser FiAhail, imperador da %anta
$<ssiaX8, insistiu o velho) "isto entrou a mãe e 2icou paralisada de pavor,
derramando a 3gua dos 6aldesJ era o mesmo velho *ue viera vinte e sete anos antes,
encanecido, mas ele mesmo) 7Due #eus te guarde, .el3gia, sou6este conservar o
teu 2ilho8, acrescentou o velho) E chamou de parte o 2uturo imperador, como um
patriarca *ue o instalasse /3 Ele relatava *ue o o6eso ?her6aAov, *uando chegava ao
%ecretariado da 'n2orma+ão, não gostava de ver gente, e assim, das depend0ncias
pelas *uais devia passar, todos os cola6oradores se sumiam) $es2olegando, devido ,
sua gordura, ele punha1se de gatas e dava a volta ao tapete) #esgra+ado de todo o
secretariado se ali desco6risse p:) 4C4 A$DU'.E AB& #E BU AB no trono) Ge> então
sa6er ao emocionado /ovem *ue, em 195@, haveria uma mudan+a de .oder e ele seria o
imperador de toda a $<ssia@C Reis a ra>ão por *ue o n<mero 5@ da cela tanto o
assom6rouXS, tendo para isso, a partir do ano de 194Q, a come+ar a reunir as suas
2or+as) & velho não lhe ensinou como o 2a>er e saiu) Victor AleAseievitch não
tivera tempo de lho perguntar) Agora tinha perdido para sempre a tran*uilidade e a
simplicidade da vidaX (alve> *ue outro *ual*uer tivesse retrocedido perante uma
ideia 2ora das suas possi6ilidades, mas Victor, precisamente, *ue tivera ocasião de
acercar1se das personagens mais altas, *ue vira de perto os FiAhailov, os ?
her6aAov, os %edin, *ue escutara o *ue contavam outros motoristas, tinha 2icado
convencido de *ue nada havia neles de extraordin3ria antes pelo contr3rio) & c>ar
novamente ungido, doce, avisado, sens-vel como Giodor 'oannovitch, o <ltimo dos
$iuriA, sentiu so6re si o peso do chapéu de mo1nomaAha@1) A miséria e a dor do povo
*ue via , sua volta, pelas *uais até ao momento não se sentia culpado, come+avam a
pesar agora so6re os seus om6ros e seria ele o respons3vel se elas se prolongassem)
.areceu1lhe estranho ter de esperar até 194Q, e logo no &utono desse mesmo ano de
194@ escreveu o seu primeiro mani2esto dirigido ao povo russo, *ue leu a *uatro
oper3rios da garagem do ?omissariado do .etr:leo))) ))) ogo pela manhã rode3mos
Victor AleAseievitch, *ue nos contou tudo isto resumidamente) ":s ainda não t-
nhamos perce6ido a sua simplicidade in2antil, est3vamos a6sorvidos pelo seu
invulgar relato e 1 a culpa 2oi nossaX 1 não tivemos tempo de o avisar acerca do
galinha1choca) (ão11pouco nos passou pela ca6e+a *ue tudo o *ue ele, ingenuamente,
contara não era ainda do conhecimento do comiss3rio instrutorX))) #epois de
terminado o relato, =ramarenAo come+ou a pedir 7para ir ao che2e da prisão pedir
ta6aco8, ou ao médico, mas o *ue é certo é *ue 6em depressa o chamaram) E ele
denunciou esses *uatro oper3rios do ?omissariado do .etr:leo, so6re os *uais nunca
ninguém sa6eria nada))) R"o dia seguinte, ap:s o interrogat:rio, Iielov
assom6rou1se de como é *ue o comiss3rio podia t011los conhecido) Goi a*ui *ue n:s
nos aperce6emos))) &s oper3rios do ?omissariado do .etr:leo *ue tinham lido o
mani2esto, estiveram de acordo 1e "E"^UF #E"U"?'&U o 7imperador8X Fas ele pr:prio
compreendera *ue era cedoX, *ue era cedo de maisX E tinha *ueimado o mani2esto) Um
ano se passara) Victor AleAseievitch tra6alhava como mecLnico na @C ?om o pe*ueno
erro de ter con2undido o motorista com o *ue era condu>ido dentro do autom:vel, o
pro2ético velho *uase não se enganouX @1 Atri6uto dos c>ares da Fosc:via, desde
'van, o (err-vel) (ornou1se o s-m6olo do poder, depois de um verso céle6re do Ioris
Bodonov, de .uschAhine) R") dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB 4C@ garagem de uma empresa
de transportes) "o &utono de 1944, escreveu novamente um mani2esto e deu1o a ler a
#EU pessoasJ motoristas e serralheiros) (odos estiveram de acordoX E "E"^UF &
E"($EB&UX R(ra1tando1se de de> pessoas, não haver uma *ue o 2i>esse, na*ueles
tempos de den<ncias, era um 2en:meno raroX GastenAo não se tinha
enganado nas suas conclus9es *uanto ao 7estado de esp-rito da classe oper3ria8)S E
certo *ue o 7imperador8 lan+ava mão de ingénuos su6ter2<giosJ 2a>ia alus9es
insinuando *ue tinha uma 2orte mão no Boverno *ue o apoiava, e prometendo aos seus
partid3rios miss9es de servi+o para uni2ica+ão das 2or+as mon3r*uicas no interior
do pa-s) #ecorreram meses) & 7imperador8 a6riu1se a duas raparigas da mesma
garagem) A*ui o caso /3 não caiu em saco roto) As /ovens estavam ideologicamente ,
alturaX E logo o cora+ão de Victor AleAseievitch se oprimiu, 2are/ando desgra+a) "o
domingo depois da Anuncia+ão, *uando caminhava pelo mercado, levando o mani2esto
consigo, um velho oper3rio, *ue era um dos seus correligion3rios, encontrou1o e
disse1lheJ 7Victor, devias *ueimar, por en*uanto, esse papel, não achasY8 E Victor
sentiu com acuidade *ue o tinha escrito demasiado cedoX 7Vou agora *ueim31lo, tens
ra>ão)8 dirigiu11se a casa para o 2a>er) Fas dois /ovens simp3ticos a6ordaram1no
ali mesmo, no mercadoJ 7Victor AleAseievitchX Venha connoscoX8 E num autom:vel
ligeiro levaram1no para a u6ianAa) A*ui, 2oram tão precipitados *ue não o
revistaram, con2orme o ritual, e houve um momento em *ue o 7imperador8 *uase chegou
a destruir o seu mani2esto, na retrete) Fas pensou *ue assim o pressionariam ainda
mais) Aonde, aonde é *ue iam lev311loY Gi>eram1no su6ir imediatamente no elevador,
levando1o perante um general e um coronel, e a*uele arre6atou1lhe, com a sua
pr:pria mão, o mani2esto do seu 6olso a6arrotado) Entretanto, 6astou um s:
interrogat:rio para *ue a Brande u6ianAa 2icasse sossegadaJ veri2icaram nada
haver1de terr-vel) Gi>eram de> deten+9es na garagem da empresa de transportes e
*uatro na do ?omissariado do .etr:leo) Entregaram logo o processo ao coronel e este
riu1se ao analisar o apeloJ 1 7Vossa ma/estade8 escreve a*uiJ 7#arei instru+9es ao
meu ministro da Agricultura para *ue na .rimavera dissolva os AolAho>es)8 Fas como
vai dividir o invent3rio agr-colaY 'sto não 2oi previsto))) #epois escreveJ ,
7'ntensi2icarei a constru+ão de moradias e alo/arei cada pessoa perto do seu lugar
de tra6alho))) Aumentarei os sal3rios dos oper3rios)))8 E com *ue dinheiro, 7sua
ma/estade8Y Ve/a, o dinheirinho tem de ser impresso , m3*uina, dado *ue *uer
suprimir os empréstimosc))) 7Varrerei o =remlin da 2ace da (erra)8 Fas onde vai
instalar o seu governoY %ervi1lhe1ia, por exemplo, o edi2-cio da Brande u6ianAaY
"ão dese/a ir visit31loY))) a&s /ovens comiss3rios vieram tam6ém para se rir do
7imperador8 de todas as $<ssias) Além da piada, nada mais o6servaram de importante)
":s mesmo, na cela, nem sempre pod-amos conter o risoJ 1 "ão se es*uecer3 de n:s,
em 195@, espero 1 di>ia U), piscando1nos o olho) (odos se riam dele))) Victor
AleAseievitch, simpl:rio, de so6rancelhas 6rancas, com calos nas mãos, ao rece6er
as 6atatas co>idas da sua in2eli> mãe .el3gia, o2erecia1no1las sem distinguir o teu
e o meuJ 7?omam, comam, camaradas)))8 E sorria com timide>) Ele compreendia,
per2eitamente, como era rid-culo e 2ora do tempo ser imperador de todas as $<ssias)
Fas *ue 2a>er, se a elei+ão do %enhor se tinha detido neleYX Iem depressa o levaram
da nossa cela)@4 7 "as vésperas do .rimeiro de Faio tiraram a camu2lagem das
/anelas) A guerra, pelos vistos, aca6ara) A*uela tarde, na u6ianAa, estava
tran*uila como nunca, era *uase como um segundo dia de .3scoaJ as 2esta
entrecru>avam1se) (odos os comiss3rios passeavam por Foscovo, não tendo chamado
ninguém para interrogat:rios) "o meio do sil0ncio ouviu1 se no entanto alguém
protestar contra *ual*uer coisa) evaram1no da cela para a enxovia Rpelo som
determin3vamos a disposi+ão de todas as portasS e espancaram1no
durante longo tempo) .or entre o amea+ador sil0ncio ouvia1se nitidamente cada
arrochada no corpo mole e na 6oca engasgada) "o dia 4 de Faio dispararam trinta
salvas, o *ue signi2icava tratar1se de uma capital europela tomada) ^avia ainda
duas por tomarJ .raga e Ierlim) $estava sa6er *ual das duas era) Em 9 de Faio
trouxeram1nos o almo+o /untamente com a ceia, como apenas se 2a>ia, na u6ianAa,
no .rimeiro de Faio e qm 5 de "ovem6ro) %: por isso nos aperce6emos do 2im da
guerra) .ela noite dispararam ainda trinta salvas) J3 não havia mais capitais para
tomar, segundo parecia) E nessa mesma noite ouviu1se outra sauda+ão, parece *ue de
*uarenta salvas) Era /3 o 2im dos 2ins) %o6re a morda+a da nossa /anela, das outras
celas da u6ianAa e de todas as cadeias da capital, n:s, antigos prisioneiros de
guerra e antigos com6atentes, contempl3vamos o céu de Foscovo repleto de
2ogo1de11arti2-cios e cru>ado pelos raios dos pro/ectores) Ioris Bammerov, /ovem
antitan*uista, desmo6ili>ado por invalide> Rcom uma 2erida incur3vel nos pulm9esS e
preso com um grupo de estudan1 @4 Duando me apresentaram a =ruchtchev, em 19;4,
tinha na ponta da l-ngua para di>er1lheJ 7"iAita %erguievitchX (emos um conhecido
comum)8Fas disse1lhe outra 2rase, mais necess3ria, da parte dos antigos presos)
A$DU'.E AB& #E BU AB 4C5 tes, encontrava1se nessa noite numa superlotada cela de
IutirAi, onde metade dos presos eram ex1prisioneiros e ex1soldados da 2rente) Ele
descreveu a <ltima das salvas numa concisa oitava, alinhando nos versos mais
prosaicos como se deitaram nas tarim6as e se co6riram com os capotesW como
acordaram com o 6arulho, ergueram a ca6e+a e olharam de soslaio a morda+a R7ahX, as
salvas8S, voltando a deitar1se) E de novo se em6rulharam nos capotes) a "esses
mesmos capotes cheios de lama das trincheiras ou de cin>a de acampamentos, e
per2urados por estilha+os de metralha alemã) "ão era para n:s, essa Vit:ria) "ão
era para n:s, essa .rimavera) 2 V' E%%A .$'FAVE$A EF Junho de 1945 chegavam até
,s /anelas da cadeia de IutirAi, todas as manhãs e todas as noites, vindos de não
muito longe, os sons met3licos das or*uestras da $ua essnaia ou da
"ovoslo16odsAaia) Executavam s: marchas, *ue repetiam ve>es sem conta) E n:s
2ic3vamos de pé /unto das /anelas a6ertas, em6ora não a toda a largura, da prisão,
por detr3s das morda+as verde1escuras dos vidros, escutando) Eram unidades
militares *ue des2ilavamY &u oper3rios *ue dedicavam com satis2a+ão o seu tempo
livre a marcar passoY "ão sa6-amos, mas chegava1nos /3 o rumor de *ue se preparava
uma grande parada da Vit:ria, na .ra+a Vermelha, marcada para 44 de Junho 1 *uarto
anivers3rio do in-cio da guerra) As pedras *ue tinham servido de alicerce, gemiam e
a2undavam1se e não eram elas *ue deviam coroar o edi2-cio) Fas até 2igurar
dignamente nos alicerces, era recusado ,*ueles *ue, a6surdamente a6andonados,
tinham rece6ido na sua 2ronte e no seu peito os primeiros golpes desta guerra,
impedindo a vit:ria alheiaJ Due são para o traidor os acordes da gl:riaY1 Essa
.rimavera de 1945 2oi antes de mais, nas nossas cadeias, a primavera dos
prisioneiros russos) Eles passavam pelas pris9es da União como densos e invis-veis
cardumes cin>entos, tais aren*ues no oceano) "a primeira ponta desse cardume
apareceu1me Kuri E) Fas agora eu estava envolto, de todos os lados, pelo seu
movimento coeso e seguro, como se tivessem /3 um destino marcado) "em s: os
prisioneiros passaram por estas celas) .or elas 2luiu a torrente de todos a*ueles
*ue tinham estado na EuropaJ os emigrados da guerra civilW os alemães do este, da
nova AlemanhaW os o2iciais do Exército Vermelho *ue eram demasiado 6ruscos e
ousados nas suas conclus9es, de modo *ue %taline temia *ue eles pensassem tra>er da
campanha na Europa a li6erdade europela, como /3 tinha acontecido cento e vinte
anos antes) ?ontudo, o *ue mais havia era gente da minha gera+ão ou, mais exacta1 1
Verso de Alexandre IloA) R") dos ()S 4CQ A$DU'.E AB& #E BU AB mente, contemporLnea
da $evolu+ão, nascida em 1915, e *ue, sem *ual*uer d<vida, tinha participado nas
mani2esta+9es do vigésimo anivers3rio, constituindo pela sua idade, no come+o da
guerra, precisamente o *uadro de o2iciais do exército *ue 2oi disperso em algumas
semanas) Assim, essa angustiante primavera das pris9es, converteu1se, ao som das
marchas da Vit:ria, na primavera do a/uste de contas com a minha gera+ão) Eramos
n:s a*ueles a *uem cantavam no 6er+oJ 7(odo o .oder aos %ovietesX8 Eramos n:s os
*ue estend-amos as nossas mãos in2antis, *ueimadas do sol, para as cornetas de
pioneiros, e *ue , exclama+ão de 7Este/am preparadosX8b, respond-amos, saudandoJ
7%empre preparadosX8 Era mos n:s os *ue introdu>-amos armas em Iuchenjald e *ue ali
mesmo ingress3vamos no .artido ?omunista) E agora encontr3vamo1nos entre os demais,
s: por*ue t-nhamos escapado com vida4) J3 *uando cort3vamos a .r<ssia &riental em
duas, eu vi as colunas, desalentadas, dos prisioneiros *ue regressavam, os <nicos
*ue tinham um ar a6atido, en*uanto , sua volta todos nos alegr3vamos, e /3 então a
sua triste>a me deixou estupe2acto, em6ora eu não sou6esse ainda *ual a sua causa)
Eu saltei para o chão e aproximei1me dessas colunas espontaneamente 2ormadas) R.ara
*u0, colunasY E por*ue iam 2ormadosY "inguém a isso os o6rigava) &s prisioneiros de
guerra de todas as na+9es regressavam em de6andadaX Fas os nossos *ueriam voltar o
mais su6missos poss-vel)))S Eu tra>ia, então, os gal9es de capitãoJ com eles
postos, não seria poss-vel sa6er por*ue vinham tão tristesY Fas eis *ue o destino
me atirara tam6ém para o rasto destes prisioneiros) Eu /3 tinha 2eito com eles o
caminho da sec+ão de contra1espionagem até , 2rente e ali havia escutado, pela
primeira ve>, os seus relatos, ainda não muito claros para mim) %: depois Kuri E)
me explicou tudo, e agora, de6aixo das c<pulas de ti/olo vermelho do castelo de
IutirAi, eu sentia *ue esta hist:ria de alguns milh9es de prisioneiros russos me
ligava a ela para sempre, como um al2inete 2ixa uma 6arata) A pr:pria hist:ria de
como eu 2ui parar , prisão parecia1me, em compara+ão, uma insigni2icLncia e
es*ueci1me de me lamentar acerca dos gal9es arrancados) 3, onde tinham ido parar os
meus companheiros de gera+ão, s: por casualidade é *ue eu não havia estado) ?
ompreendi *ue o meu dever era meter om6ros a um dos cantos do seu 2ardo comum e
lev31lo até ao 2im, en*uanto não me esmagassem) %entia1me agora como se, /unto com
esses rapa>es, houvesse sido aprisionado na travessia da ponte do %oloviovsAi, no
cerco de ?rac:via, nas canteiras de =ertchW como se, com as mãos atr3s 4 &s cativos
de Iuchenjald, *ue tinham 2icado vivos, E$AF .$E?'%AFE"(E .&$ '%%& metidos em
camposJ como é *ue pudeste escapar vivo de um campo de exterm-nioY A*ui h3 maroscaX
A$DU'.E AB& #E BU AB 4C9
das costas, tivesse levado o meu orgulho soviético para tr3s do arame 2arpado do
campo de concentra+ãoW como se tivesse 2icado, horas e horas na 6icha, ao 2rio,
para o6ter uma colherada de Aava RsucedLneo de ca2éS gelado e me convertesse num
cad3ver ainda antes de chegar , caldeira do campo de o2iciais n<mero sessenta e
oito R%uvalAiS) Era como se tivesse a6erto com as mãos e com a tampa da marmita uma
cova em 2orma de sino Rmais estreita em cimaS, a 2im de não passar o 'nverno so6 um
céu a6erto, e um prisioneiro trans2ormado em animal 2ero> se arrastasse até mim,
para morder a carne do meu 6ra+o *ue ainda não congelara) E como se dia ap:s dia,
com a consci0ncia agu+ada pela 2ome, na 6arraca dos ti2osos e /unto do arame
2arpado do campo vi>inho dos ingleses, uma ideia clara penetrasse no meu cére6ro
mori6undoJ *ue a $<ssia %oviética renunciava aos seus 2ilhos agoni>antes) 7&s
2ilhos orgulhosos da $<ssia8 tinham1lhe 2eito 2alta, en*uanto se lan+avam so6 os
tan*ues, en*uanto ainda se podiam levantar para o ata*ue) Fas encarregou1se de
aliment31los no cativeiro, para *u0Y Eram comedores supér2luos) E testemunhas
supér2luas de vergonhosas derrotas) ]s ve>es *ueremos mentir, mas a l-ngua não nos
permite) Esses homens 2oram declarados traidores, mas um erro lingu-stico 2oi então
cometido, tanto pelos /u->es como pelos procuradores e investigadores) E os
pr:prios acusados, todo o povo e os /ornais repetiram e transcreveram esse erro,
revelando involuntariamente a verdadeJ *uiseram declar31los traidores , p3tria, mas
ninguém, 2alando ou escrevendo, inclusive nos documentos /udicials, os tratou senão
como 7traidores da p3tria8) Est3 tudo ditoX Eles não 2oram traidores a ela, mas sim
por ela atrai+oados) "ão 2oram eles, os in2eli>es, *ue tra-ram a p3tria, mas a
calculista p3tria *ue os traiu a eles e, diga1 se mesmo, por ($n% VEUE%) A primeira
ve>, grosseiramente, no campo de 6atalha, *uando o governo *uerido da p3tria tudo
havia 2eito para perder a guerraJ tinha destru-do as linhas de 2orti2ica+9esW
exposto a avia+ão a ser destro+adaW desmontado os tan*ues e a artilhariaW privado o
pa-s de generais competentes e proi6ido os exércitos de resistirem@) &s
prisioneiros de guerra 2oram precisamente a*ueles *ue apararam com os seus corpos o
golpe e detiveram o Exército alemão) "a segunda ve>, a p3tria tra-a1os
malevolamente, a6andonando1os , morte no cativeiro) @ Agora, ao 2im de vinte e sete
anos, saiu a lume o primeiro tra6alho honesto so6re este assunto) .)B)
BregrorienAo, carta , revista .ro6lemas da ^ist:ria do .artido ?omunista da bh $)
%) %), %amisdat, 19;Q) #a*ui por diante eles multiplicar1se1ão) "em todas as
testemunhas morreram e 6em depressa ninguém chamar3 ao Boverno de %taline senão o
Boverno da loucura e da trai+ão) 41C A$DU'.E AB& #E BU AB E agora, pela terceira
ve>, ela atrai+oa1os desavergonhadamente, atraindo1os com amor maternal R7A p3tria
perdoou1vosX A p3tria chama11vosX8S, e lan+ando1lhes /3 o la+o estrangulador a
partir da 2ronteira4) 'n<meras 2oram as in2Lmias *ue se cometeram e os mil e cem
anos de exist0ncia da nossa na+ão testemunham1no) Fas ter3 havido alguma mais
gigantesca do *ue esta, de *ue 2oram v-timas muitos milh9esJ trair os1seus 2ilhos e
declar31los traidoresYX E com *ue 2acilidade os exclu-mos das nossas contasX (ra-
ramX &pr:6rioX ^3 *ue risc31 losX $iscou1os mesmo antes de n:s o nosso .aiJ ele
lan+ou a 2lor da intelectualidade moscovita para a m3*uina de picar carne de
Via>ma, com cara6inas Verdan, de 1Q;;, e mesmo estas na propor+ão de uma para cada
cinco) RDue outro eão (olstoi ir3 2a>er reviver perante n*8 este IorodinoYS E com
um torpe movimento do seu curto e grosso dedo, o Brande Estrategista, sem outro
motivo *ue não 2osse pu6licar, no ano, um comunicado de grande e2eito, mandou, em
#e>em6ro de 1941, atravessar o estreito de
=ertch a ?E"(& E V'"(E F' dos nossos soldados 1 *uase tantos russos *uantos havia
nas proximidades de Iorodino 1 e entregou1os todos, sem com6ate, aos alemães) E,
contudo, não se sa6e por*u0, o traidor não é ele, mas sim os soldados) R?om *ue
2acilidade nos deix3mos arrastar por ep-tetos preconce6idosW com *ue 2acilidade
estivemos de acordo em considerar esses a6negados soldados como traidoresX "uma das
celas de IutirAi encontrava1se, nessa .rimavera, o velho e6ediev, um metal<rgico
*ue tinha o t-tulo de pro2essor, e *ue, pelo seu aspecto, mais parecia um vigoroso
tra6alhador, do <ltimo ou do antepen<ltimo século, empregado nas 236ricas de
#emidov) Era espada<do, de 2ronte ampla, com 6ar6a , .ugatchov e com uma mão tão
potente, *ue era capa> de agarrar numa selha com um *uintal de peso) "a cela vestia
uma 6ata cin>enta de tra6alho so6re a roupa 6ranca interior, era pouco asseado, e
podia parecer um tra6alhador auxiliar da cadeia, en*uanto se não sentava a ler e a
2orte e costumada ma/estade de pensamentos não lhe iluminava o rosto)
Gre*uentemente, os presos reuniam1se , sua volta) Era so6re metalurgia *ue ele
menos 2alava, mas com a sua vo> de 6aixo explicava *ue %taline era um cão de 2ila
tão 2ero> como 'van, o (err-velJ 7Gu>ilaX EstrangulaX "ão d0s tréguasX8W e *ue
BorAi era um 6a6oso e um charlatão *ue /usti2icava os verdugos) Eu sentia
entusiasmo por e6edievJ era como se todo o povo russo se personi2icasse perante
mim, no seu 2orte 4 Era um dos maiores criminosos de guerra, o ex1che2e da direc+ão
da espionagem do Exército Vermelho, coronel1general BoliAov, *ue dirigia então a
mano6ra de atrac+ão e degluti+ão dos repatriados) A$DU'.E AB& #E BU AB 411 dorso,
donde se erguia uma ca6e+a inteligente, nessas mãos e pernas de lavrador) Ele tinha
/3 meditado tantoX 1 Eu aprendia com ele a compreender o mundoX E, de repente,
cortando com a mão, 2e> atroar a sua vo>, di>endo *ue os presos, segundo 116, eram
traidores , p3tria e *ue não se lhes podia perdoar) &ra, todas as tarim6as , nossa
volta estavam ocupadas por presos do 116) Due ultra/ante isso 2oi para os rapa>esX
& velho 2a>ia vatic-nios seguros em nome da $<ssia, da terra e do tra6alho, e era
para eles di2-cil e vergonhoso terem de de2ender1se a si pr:prios desta nova
acusa+ão) A de2esa deles perante o velho cou6e1me a mim e a dois rapa>es condenados
pelo par3gra2o décimo) Até *ue grau de o6scurantismo conseguem chegar as mon:tonas
mentiras do EstadoJ mesmo os mais dotados de n:s somente são capa>es de a6ranger
a*uela parte da verdade em *ue meteram o seu pr:prio nari>)S5 Goram tantas as
guerras *ue a $<ssia travou Rmelhor seria *ue 2ossem menos)))S e acaso houve muitos
traidores nessas guerrasY Veri2icou1se, porventura, *ue a trai+ão se enrai>asse no
esp-rito do soldado russoY Fas eis *ue, na mais /usta das guerras, se desco6riram
su6itamente milh9es de traidores entre a gente simples do povo) ?omo compreender
istoY ?omo explic31loY Ao nosso lado, com6atera contra ^itler a 'nglaterra
capitalista, onde, tão elo*uentemente, Farx descreveu a miséria e os so2rimentos da
classe oper3ria, e por*ue é *ue entre eles, nesta guerra, se revelou um <nico
traidor céle6re, o comerciante 7 ord ^aj1^aj8, en*uanto no nosso pa-s houve
milh9esY E terr-vel a6rir a 6oca para di>01lo, mas talve> *ue a causa resida,
apesar de tudo, no regime))) Até agora havia um antigo provér6io *ue /usti2icava
assim a prisãoJ 7& prisioneiro pode ainda gritar, mas o morto nunca)8 %o6 o c>ar
AleAsei FiAhailovitch, ,*uele *ue so2ria o cativeiro era dado o t-tulo de no6reg
Ga>er trocas de prisioneiros, acarinh31los e recon2ort31los, era um dever da
sociedade depois de (&#A% as guerras) ?ada 2uga do cativeiro era glori2icada
5 VitAovsAi descreve tudo isto de 2orma mais ampla Rnos anos @CS, mostrando como
era surpreendente *ue os 2alsos 7sa6otadores8, compreendendo *ue eles mesmos não
eram culpados, /usti2icassem *ue se metessem na ordem os militares e os religiosos)
Duanto aos militares, sa6endo *ue eles pr:prios não estavam ao servi+o da
espionagem estrangeira nem destru-am o Exército Vermelho, acreditavam piamente *ue
os engenheiros eram sa6otadores e *ue os religiosos eram dignos de exterm-nio) &
homem soviético raciocinava na prisão deste modoJ eu, pessoalmente, estou inocente,
mas para com eles, para com os inimigos, são 6ons todos os métodos) A li+ão da
investiga+ão e da cela não instru-ram, em nada, esta gente e mesmo condenados
conservavam todos a cegueira #A $UAJ a cren+a cega em todas as conspira+9es,
envenenamentos, sa6otagens e actos de espionagem) 414 A$DU'.E AB& #E BU AB como um
gesto do mais elevado hero-smo) "o decurso da .rimeira Buerra Fundial 2i>eram1se,
na $<ssia, colectas de 2undos para aux-lio aos nossos prisioneiros e as nossas
religiosas o6tinham licen+a para ir , Alemanha visit31los) Em cada n<mero de /ornal
se lem6rava aos leitores *ue havia compatriotas seus *ue so2riam num vil cativeiro)
(odos os povos do &cidente 2i>eram o mesmo nesta <ltima guerraJ as encomendas, as
cartas e o apoio de todos iam 2luindo através dos pa-ses neutros) &s prisioneiros
de guerra ocidentais não se humilhavam a estender a mão para a marmita alemã e
dirigiam1se com despre>o , guarda na>i) &s governos tomavam em considera+ão os seus
com6atentes, *ue tinham sido aprisionados, conta do1lhes os anos de servi+o e
assegurando1lhes promo+9es imediatas e, até, soldo) %: os com6atentes do Exército
Vermelho Rcaso <nico no mundoS não eram considerados prisioneiros Era o *ue estava
escrito nos regulamentos r7'van não é prisioneiroX8, assim gritavam os alemães das
suas trincheirasS) Fas *uem podia imaginar todo o conte<do desta ideiaYX ^3 guerra,
h3 morte, mas não h3 prisioneirosX A- est3 uma desco6ertaX Eis o *ue isso
signi2icaJ vai e morre, *ue n:s continuamos a viver) Fas se, mesmo tendo perdido as
duas pernas, regressaste vivo do cativeiro, em muletas Rcaso do leninegradense
'vanov, che2e de sec+ão de metralhadoras na guerra da GinlLndia, *ue esteve depois
preso no campo de UstvimS, n:s vamos condenar1te) %: o nosso soldado, re/eitado
pela p3tria, e o mais insigni2icante de todos aos olhos dos inimigos e dos aliados,
se arrastava para rece6er a 6e6eragem de porcos *ue davam nos p3tios interiores do
''' $eich) %: para ele estava hermeticamente 2echada a porta de casa, em6ora as
almas /ovens procurassem não acreditarJ existia um certo artigo 5Q1116, segundo o
*ual, em tempo de guerra, não havia pena mais suave do *ue o 2u>ilamentoX .or não
*uerer morrer de uma 6ala alemã, o soldado russo devia, depois do cativeiro, morrer
de uma soviéticaX Aos outros, as 6alas inimigasW a n:s, as dos nossos) R#e resto, é
ingénuo di>erJ 2or*ue não))) "unca os governos de *ual*uer época 2oram, de modo
algum, moralistas) Eles nunca prenderam nem castigaram as pessoas por algo) Eles
prenderam e castigaram1nas para *ue não 2i>essem algoX %e todos esses prisioneiros
2oram presos não 2oi por trai+ão , p3tria, pois até mesmo para um idiota se tornava
claro *ue s: os vlas1sovistas podiam ser /ulgados por trai+ão) Goi sim para *ue
eles não 2alassem da Europa entre os seus conterrLneos na aldeia) A*uilo *ue não
v0s não te d3 volta , ca6e+a)))S E assim, *uais os caminhos *ue se a6riam ante o
prisioneiro russoY egal, um s:J /a>er por terra e deixar1se pisar) ?ada erva do
mais dé6il caule irrompe para viver) Fas tu, estende1te e deixa1te pisar) Em6ora
com atraso, morre agora, /3 *ue não pudeste morrer no campo de 6atalha, e nesse
caso não te /ulgaremos) A$DU'.E AB& #E BU AB 41@
&s com6atentes dormem) #isseram a <ltima palavra) E pelos séculos hLo1de ter
ra>ão); Em conse*u0ncia, todas outras vias *ue possa imaginar o teu desesperado
cére6ro, todas elas te condu>irão ao cho*ue com a lei) A evasão para a p3tria,
rompendo as cercas do campo, passando através de metade da Alemanha e depois
cru>ando a .ol:nia ou os Ialcãs, condu>ia1te , %merch, sec+ão de contra1espionagem,
e ao 6anco dos réusJ como é *ue 2ugiste, *uando os outros não conseguem 2ugirY ^3
a*ui algo de o6scuroX ?on2essa, canalha, com *ue missão te mandaram) RFiAhail
Iurnatsev, .avel IondarenAo, e muitos, muitos mais5)S A 2uga para o lado dos
guerrilheiros ocidentais, para te /untares ,s 2or+as da $esist0ncia, não 2a>ia
senão protelar a tua hora de responder perante o tri6unal, e tornava1te mais
perigoso aindaJ tendo vivido livremente entre a popula+ão europela, podias ter1te
deixado contagiar por um esp-ri1 ; A) (vardovsAi, Vacili (ior*uin) 5 "a nossa cr-
tica tornou1se regra escrever *ue ?holoAhov, na sua imortal narrativa & #estino de
Um ^omem, contou a 7verdade amarga8 so6re 7este aspecto da nossa vida8, 7revelou8 o
pro6lema) Vemo1nos o6rigados a o6servar *ue em tal narrativa, em geral muito
2rouxa, onde as p3ginas de guerra são p3lidas e 2alhas de convic+ão Ro autor, pelos
vistos, não conheceu a <ltima guerraS, onde os alemães são descritos de 2orma
estereotipada e pseudopo1pular, até cair na anedota Rs: a esposa do her:i est3 6em
apresentada, mas ela é uma pura cristã tirada de #ostoievsAiS, pois 6em, em tal
narrativa so6re o destino de um prisioneiro de guerra, & VE$#A#E'$& .$&I EFA #& ?
A('VE'$& E%(Z &?U (& &U #E(U$.A#&J 1S Goi escolhido um dos casos menos 2lagrantesJ
o de um prisioneiro *ue perdeu a mem:ria para torn31lo 7indiscut-vel8, es*uivando
toda a intensidade do pro6lema) RE se ele se tivesse entregue com plena
consci0ncia, como se veri2icou na maioria dos casos, *ue teria sucedido entãoYSW 4S
& principal pro6lema do cativeiro est3 apresentado de tal 2orma, *ue não 2oi a
p3tria *ue nos a6andonou, *ue renunciou a n:s, *ue nos maldisse Rso6re isso, ?
holoAhov não escreve uma palavraS, *uando 2oi precisamente isso *ue criou uma
situa+ão sem sa-da) (udo se passa antes como 3e entre n:s tivessem surgido
traidores) RFas se é essa a explica+ão 2undamental, então *ue se expli*ue, tam6ém,
de onde é *ue eles sa-ram, ap:s um *uarto de século de uma revolu+ão apoiada por
todo o povoXSW @S Goi inventada uma 2ant3stica evasão do cativeiro, digna de um
romance policial, com um montão de cordelinhos puxados pelo ca6elo, para *ue não
surgisse o o6rigat:rio e inevit3vel 2ormalismo da recep+ão do prisioneiroJ a
contra1espionagem R%merchS e o campo de veri2ica+ão e 2iltragem) %oAolov não s: não
é encerrado atr3s da rede de arame)2arpado, como a instru+ão estipula, mas 1 *ue
anedotaX 1 o coronel ainda lhe concede um m0s de licen+aX R'sto é, ele 2ica com
li6erdade para cumprir a sua eventual missão da espionagem 2ascista))) Esse coronel
est3 6om para ser l3 metidoXS 414 A$DU'.E AB& #E BU AB to muito pre/udicial) E se
não tiveste medo de 2ugir e em seguida de lutar, é por*ue és homem decidido e
duplamente perigoso de regresso , p3tria) #evias ter continuado a viver no campo, ,
custa dos teus compatriotas e camaradasY ?onverter1te em pol-cia, che2e, a/udante
dos alemães e da morteY A lei estaliniana não te aplicava, por isso, uma pena mais
severa do *ue pela participa+ão nas 2or+as de $esist0nciaJ o artigo é o mesmo, e a
mesma a condena+ãos Re pode adivinhar1se por*u0J um homem desses é menos
perigosoXS) Fas uma lei -ntima, enrai>ada em n:s, proi6ia, inexplicavelmente, esse
caminho a todos, , excep+ão da esc:ria) M
.ondo de lado estas *uatro vias, di2-ceis ou inadmiss-veis, restava urrr2 *uintaJ
esperar os enga/adores, esperar *ue eles te recrutassem) ]s ve>es, por 2elicidade,
chegavam alguns alemães das >onas rurais e enga/avam tra6alhadores agr-colas para
os lavradores, e 2irmas havia *ue escolhiam engenheiros e oper3rios) %egundo o
superior imperativo estaliniano, tu devias negar *ue eras engenheiro, ocultar *ue
eras um oper3rio *uali2icado) %endo construtor ou electricista, tu conservarias a
tua pure>a patri:tica se 2icasses a cavar a terra, a apodrecer ou a re6uscar nas
lixeiras) Então, por uma trai+ão pura , p3tria, tu poderias, de ca6e+a
orgulhosamente erguida, contar apanhar uns de> anos, mais cinco de morda+aQ) Assim,
por uma trai+ão , p3tria, agravada pelo tra6alho para o inimigo, na tua
especialidade, apanharias de ca6e+a 6aixa))) os mesmos de> anos e mais cinco de
morda+aX (al era a 2iligrana de hipop:tamo em *ue %taline tanto se distinguiuX
&utras ve>es chegavam enga/adores de car3cter completamente diversoJ russos *ue, em
geral, tinham sido, ainda h3 pouco, comiss3rios pol-ticos vermelhos, pois os
guardas 6rancos não 2a>iam esse tra6alho) &s enga/adores convocavam um com-cio no
campo, insultavam o regime soviético e 2a>iam apelo , inscri+ão nas escolas de
espionagem ou nas unidades vlas1sovistas) A*ueles *ue nunca passaram 2ome, como o
passavam os nossos prisioneiros de guerra, *ue nunca rilharam morcegos, como eles
2a>iam aos *ue voavam so6re o campo, nem puseram a co>er as solas velhas das 6otas,
di2icilmente poderão compreender *ue irresist-vel 2or+a material ad*uire *ual*uer
apelo, *ual*uer argumento, *uando, por detr3s dele, por detr3s as portas do campo,
se v0 2umegar uma co>inha de campanha e a todos os *ue estão de acordo dão de comer
até encherem a 6arriga 1 uma s: ve> *ue se/aX Uma ve> mais *ue se/a, na vida) Fas,
além das 2umegantes papas de cereal, os apelos do enga/ador acenavam com a miragem
da li6erdade e de uma vida verdadeira onde *uer Q .riva+ão de direitos c-vicos) R")
dos ()S A$DU'.E AB& #E BU AB 415 *ue os destinassemJ aos 6atalh9es de VlassovW aos
regimentos de cossacos de =rasnovW aos 6atalh9es de tra6alho para cimentar o 2uturo
muro do AtlLnticoW aos 2iordes norueguesesW ,s areias da -6iaW aos Aiji 1
^il2sjill1ge 1, auxiliares volunt3rios da Mehrmacht Rhavia uns do>e hiji em cada
companhia alemãSW ou ainda , .ol-cia $ural, para perseguir e ca+ar guerrilheiros
Rdos *uais, muitos haveriam de ser tam6ém a6andonados pela p3triaS) &nde *uer *ue
2osse, pouco importava, desde *ue não 2icassem ali a morrer aos poucos como gado
a6andonado) A um homem *ue levamos ao extremo de rilhar morcegos, n:s mesmos o
dispensamos de *ual*uer dever, não s: perante a p3tria, mas tam6ém ante a
humanidade) E a*ueles, dos nossos rapa>es, *ue, nos campos de prisioneiros, se
inscreveram nos 6reves cursos para espi9es não tiravam ainda as conclus9es <ltimas
do a6andono a *ue estavam votadosJ actuavam ainda de 2orma extraordinariamente
patri:tica) Encaravam isso como o recurso mais 23cil para se escaparem do campo)
Duase todos tinham na ideia o pro/ecto de irem entregar1se, logo *ue 2ossem
lan+ados pelos alemães para o lado russo, ,s autoridades soviéticas, com armas,
6agagens e instru+9es, rindo1se, /untamente com o 6ondoso comando, dos tontos dos
alemães, vestindo as suas 2ardas do Exército Vermelho e voltando, com Lnimo
com6ativo, ,s 2ileiras) Bostaria *ue me dissessem %E ^UFA"AFE"(E %E$'A #E E%.E$A$
&U($A ?&'%A, ?&F& E DUE .&#E$'A %E$ #E &U($& F&#&Y Eram rapa>es sinceros, pude ver
muitos deles, de rostos 6olachudos, nada complicados, com um simp3tico sota*ue de
VieatAa
ou de Vladi1mir) Enga/avam1se volunt3rios na espionagem, com apenas *uatro ou cinco
anos de escola rural, sem *ual*uer pr3tica de lidar com a 6<ssola ou com o mapa)
Assim, poderia parecer *ue essa era a <nica 2orma ade*uada *ue eles tinham de sair
dessa situa+ão) .oderia parecer *ue a empresa do comando alemão era dispendiosa e
a6surda) Fas nãoX ^itler /ogava em sintonia com o car3cter do déspota seu irmão) A
mania da espionagem era um dos tra+os 2undamentais da loucura estaliniana) %taline
vivia o6cecado pela ideia de *ue o seu pa-s estava pe/ado de espi9es) (odos os
chineses *ue ha6itavam o Extremo &riente soviético 2oram condenados segundo o
artigo 5Q1;, condu>idos aos campos do "orte e l3 desapareceram) & mesmo destino
teriam conhecido os chineses *ue participaram na Buerra ?ivil, se não tivessem
partido antecipadamente) ?entenas de milhares de coreanos 2oram exilados para o ?
asa*uestão, so6 a mesma suspeita, recaindo em 6loco so6re *uase todos eles) (odos
os soviéticos *ue alguma ve> tivessem estado no estrangeiro, *ue alguma ve>
tivessem a6randado o passo perto do ^otel 'nturist, *ue alguma ve> tivessem sido
2ixados num retrato ao lado de um rosto com uma 2isionomia estrangeira, ou tivessem
2otogra2ado um edi2-cio da cidade Rpor exemplo, as .ortas #ouradas, em VladimirS
eram acusados de igual crime) A*ueles *ue olhavam com demasiada insist0ncia para
uma 41; A$DU'.E AB& #E BU AB linha 2érrea, para a ponte de uma estrada ou para a
chaminé de uma 236rica, eram tam6ém v-timas dessa acusa+ão) (odos os in<meros
comunistas estrangeiros *ue desapareceram na União %oviética, *uer 2ossem
destacados ou pe*uenos 2uncion3rios do =omintern, sem distin+ão de pessoas, eram
acusados, antes de mais nada, de espionagem9) E os atiradores lituanos, *ue tinham
sido as 6aionetas mais leais durante os primeiros anos da $evolu+ão, ao serem
detidos em massa, em 19@5, 2oram igualmente acusados de espionagemX %taline parece
ter intervindo e multiplicado a céle6re 2rase da co*ueta ?atarina) Ele pre2eria
2a>er apodrecer novecentos e noven1te e nove inocentes a deixar escapar um s:
espião, ainda *ue insigni2icante) Assim, *ue con2ian+a se podia ter nos soldados
russos *ue tinham estado realmente nas mãos da espionagem alemãYX E *ue al-vio para
os casacos do Finistério da %eguran+a do Estado se milhares e milhares de soldados
lan+ados para a Europa não ocultavam terem sido recrutados voluntariamente para a
espionagemX Due evidente con2irma+ão dos progn:sticos do mais s36io dos s36iosX
Vamos, vamos, im6ecisX & artigo e a recompensa *ue merecem h3 /3 muito, h3 /3 muito
*ue estão preparadosX Fas é oportuno levantar esta *uestãoJ houve, entretanto,
tam6ém, a*ueles *ue não aceitaram nenhum enga/amento, *ue não tra6alharam na sua
especialidade para os alemães, *ue não 2oram denunciantes, passando toda a guerra
no campo de prisioneiros, sem p_r o nari> de 2ora, e *ue, apesar de tudo, 2icaram
vivos, por incr-vel *ue pare+aX .or exemplo, os engenheiros electrotécnicos "iAolai
Andreievitch %emionov e Giodor Giodoro1vitch =arpov, *ue 2a6ricavam is*ueiros com
os restos do 2erro velho, e, assim, 2a>iam uns 6iscates) %er3 poss-vel *ue a p3tria
lhes não tenha perdoado, tam6ém a eles, pelo 2acto de terem ca-do prisioneirosY
"ão, não lhes perdoouX ?onheci %emionov e =arpov na cadeia de Iu1tirAi, *uando
am6os /3 tinham rece6ido o *ue lhes competia por lei))) Duantos anosY & leitor
perspica> /3 sa6eJ de> anos, mais cinco de morda+a) E, sendo magn-2icos
engenheiros, eles $EJE'(A$AF a proposta alemã de tra6alhar na sua especialidadeX Em
1941, o tenente %emionov tinha marchado, como V& U"(Z$'&, para a 2rente) E em 1944
tinha ainda um coldre va>io em ve> de uma pistola Ro comiss3rio não compreendia
por*ue é *ue ele não deu ca6o da ca6e+a com o coldreS) Evadiu1se por ($n% VEUE%) Em
45, depois da li6erta+ão do campo, incorporou1se na e*uipagem de um tan*ue nosso
Rde tropas de desem6ar*ue aéreoS e (&F&U IE$ 'F, rece6endo a &rdem da Estrela
Vermelha) E no 2im de tudo isso 2oi 9 'oci2 Iro> (ito escapou por um tri> a esse
destino) Fas .opov e (aniev, companheiros de 2eitos de #imitrov no processo de
eip>ig, 2oram am6os condenados) %taline preparava outro destino para #imitrov)
A$DU'.E AB& #E BU AB 415 de2initivamente aprisionado e condenado) Eis o espelho da
nossa "emésis) .oucos prisioneiros de guerra cru>aram a 2ronteira soviética como
pessoas livres, e se, na con2usão, alguém conseguiu escapulir1se, 2oi apanhado logo
depois, a partir de 194;145) Uns eram presos nos centros de concentra+ão na
Alemanha) &utros não eram o2icialmente presos, segundo parecia, mas na 2ronteira
levavam1nos em vag9es de mercadorias, so6 escolta, para um dos in<meros campos de
controle e de 2iltragem dispersos por todo o pa-s) Estes pouco se di2erenciavam dos
campos de tra6alho, com a di2eren+a de *ue os *ue ali se encontravam ainda não
tinham sido condenados e deviam rece6er a senten+a1no campo) (odos estes campos de
controle e de 2iltragem estavam adstritos a alguma 236rica, mina ou o6ra de
constru+ão, e os antigos prisioneiros de guerra, ao avistarem a p3tria através
dessa rede de arame 2arpado, igual , *ue tinham conhecido na Alemanha, podiam
adaptar1se desde o primeiro dia , /ornada de tra6alho de de> horas) "os tempos
livres, de tarde ou de noite, eram interrogadosW para isso, havia no campo de
controle e de 2iltragem um elevado n<mero de comiss3rios instrutores e de
2uncion3rios da %eguran+a) ?omo sempre, a instru+ão partia do princ-pio de *ue tu
eras, evidentemente, culpado) %em sa-res da rede de arame 2arpado, eras tu *ue
devias demonstrar *ue não o eras) #evias 6asear1te, para isso, em testemunhasJ
outros prisioneiros de guerra, *ue podiam não estar nesse campo, mas numa região
a2astada) &s agentes operacionais de =emerovo enviavam as perguntas aos de
%oliAamsA e eram esses *ue interrogavam as testemunhas e enviavam as suas
respostas, 2a>endo, por sua ve>, novas perguntas, o *ue dava lugar a *ue 2osses
tam6ém interrogado como testemunha) E certo *ue o esclarecimento do caso podia
prolongar1se por um ano ou dois, mas a p3tria nada perdia com isso, pois todos os
dias tu ias extraindo o teu carvão) E se alguma das testemunhas não depunha nos
termos re*ueridos, ou /3 não se encontravam testemunhas vivas, tu não tinhas senão
*ue culpar1 te a ti mesmoJ eras, automaticamente, catalogado como traidor , p3tria,
e o tri6unal aplicava1te, sem se reunir em sessão 2ormal, os teus de> anos) "o caso
de *ue, por mais voltas *ue dessem, não conseguissem provar *ue, e2ectivamente,
havias servido os alemães, e, so6retudo, *ue não tiveras tempo de ver, em carne e
osso, os americanos e os ingleses R*uando a li6erta+ão do cativeiro não 2ora 2eita
por n:s, mas por E E%, isso era uma circunstLncia 2ortemente agravanteS, então, os
agentes operacionais decidiam *ue grau de isolamento tu merecias) Alguns rece6iam
ordem de mudar o lugar de resid0ncia Risto altera sempre a rela+ão do homem com o
meio am6iente, tornando1o mais vulner3velS) A outros propunham, no6remente, *ue
tra6alhassem na guarda militari>ada de um campoJ 2icando aparentemente livre, a
pessoa perdia1toda e *ual*uer li6erdade individual, sendo enviada para um rincão
distante) A outros, apertavam1lhes a mão e, em6ora por se terem simplesmente
deixado aprisionar merecessem o 2u>ilamento, permitiam humanamente *ue 2ossem para
casa) Fas a tua alegria era prematuraX Adiantando1se a eles, 41Q A$DU'.E AB& #E BU
AB através dos canais secretos das sec+9es especiais, o seu processo /3 havia
chegado , terra) Esses indiv-duos tinham deixado, de todas as maneiras, de ser dos
nossos, e por
ocasião da primeira deten+ão em massa, por exemplo a de 194Q149, eram presos com
2undamento no par3gra2o respeitante , agita+ão, ou noutro *ual*uer *ue
considerassem conveniente) Estive preso com pessoas dessas) 7Ah, se eu
sou6esseX)))8 era esse o principal estri6ilho, nas celas da prisão, nessa
.rimavera) %e sou6esse *ue me iam rece6er assimX Due me enganavam assimX Due era
este o destinoX (eria eu, acaso, regressado , p3triaY #e modo nenhumX (er1me1ia
arran/ado para alcan+ar a %u-+a, a Gran+aX (eria ido para além1marX .ara
além1oceanoX .ara além de tr0s oceanos) A*ueles *ue haviam sido apanhados em casa
ou no Exército Vermelho segundo o par3gra2o décimo, 2re*uentemente tinham1lhes
inve/aX Due dia6oX .or esse mesmo pre+o Rpor esses mesmos de> anosS, *uanta coisa
interessante pod-amos ter visto, como estes rapa>esX &nde não estiveram elesX E n:s
re6entaremos assim num campo, sem nada mais ter conhecido do *ue a escada 2edorenta
da casa) REntretanto, esses mesmos *ue eram a6rangidos pelo 5Q11C *uase não
ocultavam o seu 2eli> pressentimento de *ue seriam os primeiros a 6ene2iciar da
amnistia)S %: os vlassovistas não suspiravamJ 7Ah, se eu sou6esseX8 R.or*ue eles
sa6iam ao *ue se expunham)S "ão esperavam *ual*uer perdão, não esperavam nenhuma
amnistia) J3 antes do nosso encontro nas tarim6as da prisão, eu tinha conhecimento
da sua exist0ncia, tendo 2icado perplexo) 1C #e resto, mesmo *uando os prisioneiros
sa6iam, procediam 2re*uentemente da mesma 2orma) Vassili AleAsandrov 2oi
aprisionado na GinlLndia) Ali o desco6riu um velho comerciante sampeters6urgu0s,
*ue se certi2icou do seu nome e do apelido e lhe disseJ 7Em 1915 2i*uei a dever ao
seu pai uma grande *uantia em dinheiro e não me 2oi poss-vel pagar11lha) #igne1se,
pois, rece601la)8 A antiga d-vida pela desco6ertaX AleAsandrov, depois da guerra,
2oi acolhido nos c-rculos dos emigrados russos) Ali encontrou tam6ém uma /ovem por
*uem se apaixonou) & 2uturo sogro, para sua edi2ica+ão, deu1lhe a ler a colec+ão
completa do .ravda, entre 191Q11941, sem edulcora+9es nem correc+9es) Ao mesmo
tempo contou1lhe, mais ou menos, a hist:ria das torrentes, tal como 2i> no cap-tulo
segundo) E contudo))) AleA1sandrog deixou a namorada, a a6undLncia, regressou , U)
$)%)%) e apanhou, como 2acilmente se adivinhar3, de> anos mais cinco de morda+a) Em
195@, num campo especial, ele considerava1se satis2eito por se ter colocado 6em
como che2e de 6rigada))) A$DU'.E AB& #E BU AB 419 Goram primeiro pe*uenas 2olhas de
papel, muitas ve>es molhadas pela chuva e secas pelo sol, perdidas entre as ervas
altas, *ue h3 tr0s anos não eram cei2adas, da >ona pr:xima da 2rente de &rei) "elas
se comunicava a cria+ão, em #e>em6ro de 1944, de um certo 7comité russo8 de
%molensA, *ue não se sa6ia 6em se pretendia ser uma espécie de governo russo ou
não) .elos vistos, isto não tinha ainda sido decidido pelos pr:prios alemães) E,
por isso, o indeciso comunicado parecia até uma inven+ão pura e simples) Essas
2olhinhas reprodu>iam o retrato do general Vlassov, 6em como a sua 6iogra2ia) (anto
*uanto se podia ver na ne6ulosa 2otogra2ia, o seu rosto dava1lhe um aspecto de
pessoa 6em sucedida e 6em tratada, como todos os generais da nova 2orma+ão)
R#isseram1me depois *ue não era assim e *ue Vlassov tinha antes uma 2igura mais
parecida com a de um general do &cidenteJ alto, magro, com :culos de aros de
tartaruga)S Fas, a /ulgar pela 6iogra2ia, esse ar de sucesso parecia con2irmar1seJ
a sua 2olha de servi+o não tinha sido manchada pela guerra de 19@5, nem por ter
sido conselheiro militar de ?hang =ai1?heA) A primeira como+ão da sua vida
veri2icou1se *uando o 4)O Exército de ?ho*ue, *ue comandava, 2oi torpemente deixado
morrer , 2ome, *uando estava cercado) Fas em *ue 2rases dessa 6iogra2ia se podia
acreditarY11
1a %egundo o *ue se pode ho/e esta6elecer, Andrei Andreievitch Vlassov não terminou
os estudos do semin3rio de "i/ninovgorod devido , $evolu+ão, sendo mo6ili>ado para
o Exército Vermelho em 1919 e tendo 2eito a guerra como simples soldado) "a 2rente
meridional, lutando contra #eniAin e Mranguel, 2oi promovido a che2e de sec+ão e,
depois, de companhia) "os anos 4C terminou o curso da Academia Filitar V-strelW em
19@C, tomou1se mem6ro do .artido ?omunista R6olchevi*ueSW em 19@;, /3 com a patente
de comandante de regimento, 2oi enviado como conselheiro militar , ?hina) "ão
estando aparentemente ligado aos altos c-rculos militares e partid3rios, veio a
encontrar1 se naturalmente na*uele 7segundo escalão8 estalinista, *ue 2oi promovido
para su6stituir os che2es de exército, os che2es de divisão e os che2es de 6rigada
massacrados) Em 19@Q, rece6e o comando de divisão e em 194C, no momento em *ue são
atri6u-das as 7novas8 Rou antes, velhasS patentes, é promovido a 6rigadeiro) ?omo
se pode concluir pelo *ue se seguiu, entre a*uela 2ornada de generais, onde havia
muitos completamente torpes e inexperientes, Vlassov era um dos mais competentes) A
99)b #ivisão de 'n2antaria, *ue ele instruiu e preparou a partir do Verão de 194C,
não 2oi colhida de surpresa pela agressão hitleriana, antes pelo contr3rioJ no meio
da nossa retirada geral para oriente, ela avan+ou para ocidente, e arre6atou
.eremichl, *ue aguentou durante seis dias) Ap:s uma 6reve passagem pelo posto de
comandante de corpo, o tenente1general Vlassov comandava /3, em 1941, na >ona de
=iev, o @5)O Exército) (endo rompido o longo cerco de =iev, em #e>em6ro de 1941,
comanda, na >ona de Foscovo, o 4C)O Exército, *ue numa contra1o2ensiva vitoriosa em
de2esa da capital Rtomada de %olnetchnogorsAS é mencionado no comunicado de guerra
do 'n2orm6ureau, de 14 de #e>em6ro Ra ordem de enumera+ão dos generais era estaJ
JuAov, eliuchenAo, =u>nietsov, Vlassov, $oAossovsAi, Bovorov ,))S) ?om o -mpeto
caracter-stico desses meses, conseguiu tornar1se o vice1comandante1che2e da 2rente
de VolAhov Rgeneral FerietsAovS e rece6er so6 o seu comando o 4)b Exército de ?
ho*ue, tendo 44C A$DU'.E AB& #E BU AB &lhando para a 2otogra2ia não era de crer *ue
se tratasse de um homem 2ora do vulgar ou *ue h3 muito so2resse pro2undamente pela
$<ssia) J3 as pe*uenas 2olhas volantes, *ue comunicavam a cria+ão do $) &) A)
RExército $usso de i6erta+ãoS, não s: estavam escritas num mau russo, como tam6ém
com um esp-rito estrangeiro claramente germLnico, e até alheio , *uestãoW em
compensa+ão, ga6ava1se, com grosseira /actLncia, da 2artura de papas de cereal
existente entre eles e do car3cter galho2eiro dos iniciado, , 2rente dele, em 5 de
Janeiro de 1944, a tentativa de romper o cerco de eninegrado, avan+ando através do
rio VolAhov em direc+ão a noroeste) Esta opera+ão com6inada ti%g2 sido conce6ida
para partir de v3rios lados, incluindo eninegrado, e nela deviam tomar parte, em
datas coordenadas, os 54t) 4)t e 54)O Exércitos) Fas estes tr0s exércitos não se
mexeram a tempo, devido , 2alta de prepara+ão, ou então estacaram rapidamente Rnão
sa6-amos ainda planear opera+9es tão complexas e, o *ue é mais importante,
a6astec01lasS) & 4)b Exército de ?ho*ue avan+ou com 0xito e em Gevereiro de 1944
encontrou1se a setenta e cinco *uil:metros de pro2undidade no meio do dispositivo
alemãoX E, a partir desse momento, os aventureiros do comando supremo estalinista
não encontraram nem re2or+os humanos, nem reservas de muni+9es para mandar em sua
a/uda) RGoi com essas reservas *ue se iniciou a o2ensivaXS #este modo, 2icou
eninegrado cercada, sem sa6er exactamente o *ue se passava em "ovgorod) Em Far+o,
os caminhos de 'nverno eram ainda transit3veis, mas a partir de A6ril passaram a
ser impratic3veis em toda essa >ona pantanosa por onde tinha avan+ado o 4)O
Exército de ?ho*ue, *ue 2icou sem nenhum acesso para a6astecimento, não podendo
rece6er
a/uda aérea) & exército encontrou1se %EF VuVE$E% e, em tal situa+ão, $E?U%A$AF
AU(&$'UAV\& .A$A $E($&?E#E$ a VlassovX Ap:s dois meses de 2ome e de morte lenta Ros
soldados con1taram1me mais tarde, nas celas da cadeia de IutirAi, *ue raspavam os
cascos dos cavalos /3 putre2actos, co>endo e comendo essas raspadurasS, come+ou, a
14 de Faio, uma o2ensiva conc0ntrica dos alemães contra o exército cercado Rno ar,
como se compreender3, viam1se apenas aparelhos alemãesXS) E s: então Rcomo *ue por
>om6ariaS 2oi rece6ida autori>a+ão de retroceder para c3 do VolAhov))) ^ouve ainda
tentativas desesperadas para romper o cerco até come+os de JulhoX Assim pereceu
Rrepetindo o destino do 4)O Exército de %amsonov, lan+ado tão loucamente para a
2ornalhaS o 4)O Exército de Vlassov) "este caso, naturalmente, houve trai+ão ,
p3triaX "este caso, naturalmente, veri2icou11se um a6andono ego-sta e cruelX Fas da
parte de %talineX A trai+ão não consiste necessariamente em vender1se por dinheiro)
A ignorLncia e a inc<ria na prepara+ão da guerra, o desconcerto e a co6ardia no seu
come+o, e o sacri2-cio insensato de exércitos e corpos de exércitos, com o <nico
2im de salvar o uni2orme de marechal 1 haver3 trai+ão mais amarga do comando
supremoY ?ontrariamente a %amsonov, Vlassov não se suicidou) #epois do desastre do
seu exército, andou errante por 2lorestas e pLntanos e 2oi 2eito prisioneiro em ;
de Julho, na >ona de %iversA) Ele 2oi trans2erido para o *uartel1general alemão,
nas proximidades de et>en R.r<ssia &rientalS, onde vieram a encontrar1se alguns
generais aprisionados e o comiss3rio de 6rigada B) ") JilenAov, *ue antes
tra6alhara, com sucesso, no posto de secret3rio do .artido de um dos 6airros de
Foscovo) Eles tinham /3 mani2estado a sua discordLncia em rela+ão , pol-tica do
Boverno de %taline) Fas 2altava uma personalidadeJ essa personalidade 2oi Vlassov)
P A$DU'.E AB& #E BU AB 441 seus soldados) "ão se chegava a acreditar na exist0ncia
deste exército, e se existia realmente como 2alar dele com um humor tão alegreY)))
%: os alemães podiam mentir assim14) Due haviam realmente russos contra n:s e *ue
eles se 6atiam com mais dure>a do *ue *ual*uer %%, 6em depressa o veri2icar-amos)
Em Junho de 194@, na >ona de &rei, um destacamento de russos, com 2arda alemã,
de2endeu, por exemplo, %o6achinsAie1 VicielAi) Iateram1se todos com tal desespero
*ue se diria *ue eles pr:prios tinham constru-do a aldeia) Um deles 2oi encurralado
numa cave, mas tendo1se lan+ado para l3 granadas de mão, manteve1se silencioso, e
logo *ue assomaram para descer a6riu novamente 2ogo com a metralhadora) %: *uando
se arremessou uma granada antitan*ue contra ele se sou6e *ue na cave1havia uma cova
onde se en2iava, protegendo1se das granadas anti1in2antaria) .ode 2a>er1se, pois,
uma ideia do grau de endurecimento e de desespero com *ue continuava a lutar) Esses
russos de2enderam, por exemplo, a ina6al3vel 6ase de #niepre, ao sul de (ursA)
#urante duas semanas desenrolaram1se ali lutas in2rut-2eras por umas centenas de
metrosJ com6ates 2ero>es, so6 um 2rio não menos 2ero> R#e>em6ro de 194@S) "esta
endemoninhada 6atalha invernal, *ue durou muitos dias, e em *ue tanto n:s, como
eles, utili>3vamos camu2lagens 6rancas para enco6rir o capote e o 6oné, contaram1me
*ue na >ona de Falie1=oslovitchie se registou o seguinte casoJ ao avan+ar aos
saltos através dos pinheiros, dois com6atentes perderam1se e deitaram1se lado a
lado no solo, /3 sem compreender exactamente contra *uem disparavam, nem 14
$ealmente, até *uase ao 2im da guerra não houve nenhum Exército $usso de i6erta+ão
R$) &) A)S) & nome e a 6ra+adeira com o escudo 2oram inventados por um
alemão de origem russa, o capitão %chtriA1%chtriA2eld, da &stpropagandaa6tailung)
R'nsigni2icante pelo seu posto, tinha, no entanto, in2lu0ncia e procurava convencer
a camarilha hitlerista da necessidade de uma alian+a germano1russa, e de atrair os
russos , cola6ora+ão com a Alemanha) Uma empresa vã pelos dois ladosX Am6os
6uscavam tão1 s: os meios a empregar para enganar o outro) Fas os alemães ocupavam
para isso uma posi+ão mais 2avor3vel e os o2iciais de Vlas1sov tinham de seu apenas
a 2antasia no 2undo do des2iladeiro)S "ão existia tal exército, mas sim 2orma+9es
anti1soviéticas, compostas de cidadãos soviéticos recentes, *ue come+aram a
constituir1se desde os primeiros meses de guerra) &s primeiros a apoiar os alemães
2oram os lituanos Rpois num s: ano t-nhamos1lhes 2eito um sem1n<mero de
pati2ariasXSW em seguida, 2oi 2ormada, por volunt3rios ucranianos, uma divisão de %
%J BalitsiaW mais tarde, houve destacamentos de estonianosW no &utono de 1941
apareceram companhias de seguran+a da Iielor1r<ssiaW e na ?rimeia um 6atalhão
t3rtaro) (udo isto 2oi semeado por n:s pr:priosX .or exemplo, na ?rimeia 1 com a
torpe persegui+ão movida ao longo de duas décadas contra as mes*uitas,
encerrando1as e destruindo1asW isto, en*uanto a clarividente con*uistadora ?atarina
concedia ver6as do Estado para a constru+ão e a amplia+ão de mes*uitas) &s
hitlerianos, ao chegarem ali, aperce6eram1se disso e protegeram1nas)
.osteriormente, apareceram do lado 444 A$DU'.E AB& #E BU AB so6re *ue o6/ectivo) As
armas autom3ticas de am6os eram soviéticas) #ividiram as 6alas entre si,
elogiaram1se um ao outro,, pronunciaram palavr9es e /uras contra o :leo das
metralhadoras *ue se congelava) Ginalmente, deixaram completamente de disparar e
decidiram 2umar, tirando os capu>es 6rancos da ca6e+a T e s: então viram a 3guia e
a estrelinha nos 6onés um do outro) #eram um saltoX As armas não disparavam)
Agarraram1nas pelo cano, como ca/ados, e come+aram a perseguir1se um ao outroJ a*ui
/3 não se tratava de pol-tica, nem da mãe1p3tria, mas simplesmente da descon2ian+a
primitiva dos homens das cavernasJ se o poupo, ele mata1me) "a .r<ssia &riental, a
uns *uantos passos de mim, condu>iam pela 6erma da estrada tr0s prisioneiros, *ue
eram precisamente vlassovistas, *uando passou, atroando, um tan*ue (1@4) #e
repente, um dos prisioneiros deu um salto de andorinha e caiu so6 o tan*ue) Este
desviou1se, mas t2t-2et das extremidades da cremalheira esmagou o prisioneiro) J3
esmagado ele contorcia1se e da 6oca sa-a1lhe uma espuma vermelha) E podia1se
compreend01loX (inha pre2erido uma morte de soldado a ser en2orcado numa prisão)
"ão lhes 2oi deixada a possi6ilidade de escolha) "ão lhes 2oi deixada a
possi6ilidade de lutar de outra maneira) "ão lhes restou outra 2orma mais econ:mica
de lutar, poupando1 se a si pr:prios) %e um prisioneiro 7puro8 e simples /3 era por
n:s considerado como um imperdo3vel traidor , p3tria, alemão destacamentos
caucasianos e com6atentes cossacos Rmais do *ue um corpo de cavalariaS) "o primeiro
'nverno da guerra come+aram a 2ormar1se sec+9es e companhias de volunt3rios russos,
mas o comando alemão descon2iava muito dessas 2orma+9es, colocando , 2rente destes,
sargentos e tenentes alemães Rs: os ca6os podiam ser russosS, dando tam6ém as
ordens de comando em alemão RAchtungX, haltX e outrasS) Fais consider3veis e /3
completamente constitu-das por russos, 2oram as seguintesJ a 6rigada de oAt, na
prov-ncia de IriansA, a partir de "ovem6ro de 1941 Ro pro2essor local de
constru+9es mecLnicas, =) .) VosAo6oiniAov, 2undou o .artido "acional $usso do
(ra6alho, com um mani2esto dirigido aos cidadãos do pa-s e a 6andeira de %ão Jorge,
o VitoriosoSW a unidade 2ormada na localidade de &cintor2, na >ona de &rcha, a
partir dos come+os de 1944, so6 a direc+ão de emigrados russos Rapenas uma pe*uena
corrente de emigrados aderiu a esse movimento, não ocultando, no entanto, os seus
sentimentos
antialemães, o *ue possi6ilitou muitas 2ugas para o lado soviético e até a passagem
de todo um 6atalhão, depois do *ue 2oram postos de parte por a*uelesSW e as
unidades de Buil, nos arredores de iu6lim, a partir do Verão de 1944 RV) V) Buil,
mem6ro do .artido ?omunista Iolchevi*ue e, segundo parece, /udeu, não s: escapou
inc:lume do cativeiro, apoiado por outros prisioneiros, como se tornou che2e do
campo de %uvalAi, propondo aos alemães a cria+ão da União de ?om6ate dos
"acionalistas $ussosS) Entretanto, em tudo isso não havia nenhum Exército $usso de
i6erta+ão R$) &) A)S, nem Vlassov) As companhias so6 comando alemão 2oram enviadas,
a t-tulo de experi0ncia, para a 2rente soviética, en*uanto as unidades russas 2oram
utili>adas contra os guerrilheiros de IriansA e de &rcha e contra os resistentes
polacos) A$DU'.E AB& #E BU AB 44@ *ue sucederia, então, ,*ueles *ue empunharam as
armas do inimigoY & comportamento dessas pessoas, no nosso simplismo propagand-
stico, era explicadoJ primeiro, por trai+ão R6iol:gica, por*ue lhes estava no
sangueYSW segundo, por co6ardia) Em todo o caso tratava1se de tudo menos co6ardiaX
&s co6ardes encontram1se onde ha/a indulg0ncia, condescend0ncia) Fas *ue podia
condu>i1los aos destacamentos vlassovistas da Mehr1macht, senão o <ltimo extremo, o
ilimitado desespero, o insaci3vel :dio ao regime soviético, o despre>o pela pr:pria
integridade 2-sicaY Eles sa6iam *ue não podiam contar com a mais pe*uena margem de
perdãoX "os nossos campos de prisioneiros 2u>ilavam1nos logo *ue ouviam da sua 6oca
a primeira palavra compreens-vel de russo) "o cativeiro soviético como no cativeiro
alemão, eram os russos os mais maltratados) #e um modo geral, esta guerra
revelou1nos *ue o *ue h3 de pior na terra é ser russo) $ecordo1me, envergonhado, de
como na limpe>a Risto é, no sa*ueS do cerco de Io6ruisA, eu seguia pela estrada, no
meio de cami9es e outros ve-culos destru-dos e voltados) Entre o rico esp:lio *ue
se espalhava pelos 6aixios, onde se tinham atascado as carro+as e carros, andavam ,
solta enormes cavalos alemães) #e repente, ouvi um grito de socorroJ 7%enhor
capitãoX %enhor capitãoX8, gritava, pedindo1me a/uda, num russo per2eito, um homem
*ue marchava a pé, com cal+as alemãs, nu da cintura para cima, todo ensanguentado
no rosto, no peito, nos om6ros e nas costas, en*uanto um sargento da %ec+ão
Especial, montado a cavalo, o 2a>ia correr diante de si , chicotada e o empurrava
com o cavalo) Ele arreava1lhe com a chi6ata so6re o corpo despido, sem o deixar
voltar1se, nem pedir aux-lio) .erseguia1o e a+oitava1o, causando1lhe novas
es2oladuras roxas na pele) "ão se tratava da guerra p<nica, nem da
guerra,greco1persaX Dual*uer o2icial de *ual*uer exército da terra, *ue tivesse
algum poder, devia p_r termo ,*uela tortura ilegal) #e *ual*uer exército, sim, mas
do nossoY))) ?om o 2ero> e a6soluto masochismo a *ue redu>-amos a humanidadeY RDuem
não é por n:s, *uem não est3 connosco, etc))) 1 E FE$E?E#&$ A.E"A% #& "&%%& #E%.
$EU& E #& A"'DU' AFE"(&)S Assim, eu A?&IA$#E'1FE a de2ender um vlassovista perante
um agente da %ec+ão Especial, "A#A #'%%E E "A#A G'U, .A%%E' #E A$B&, ?&F& %E "A#A
('VE%%E &UV'#&, com medo de *ue essa peste, reconhecida por todos, não se
transmitisse a mim Re se, de um momento para o outro, esse vlassovista 2osse um
criminoso *ual*uerY))) e se, de um momento para o outro, esse sargento da %ec+ão
Especial pensasse *ue euY))) e se, de um momento para o outroY)))S) #e resto, as
coisas eram 6em mais simples, para *uem conhecesse a con/untura, de então, no
exércitoJ acaso um elemento da %ec+ão Especial daria ouvidos a um capitãoY E, com o
seu rosto selvagem, o da %ec+ão Especial continuou a a+oitar e a perseguir o homem
inde2eso, como se se tratasse de um animal) 444
A$DU'.E AB& #E BU AB Este *uadro 2icou para sempre gravado em mim) Ele é *uase o s-
m6olo do Ar*uipélago e poderia 2igurar na capa do livro) E tudo isto eles o
pressentiam e sa6iam de antemão, mas isso não os impedia de coserem na manga
es*uerda da 2arda alemã o escudo com o de6rum 6ranco, a>ul e vermelho, o campo de
%anto André e as iniciais $)&)A)1@ 1@ Essas iniciais eram cada ve> mais conhecidas,
em6ora, como anteriormente, não houvesse nenhum exércitoW todas as unidades estavam
dispersas, su6ordinadas a di2erentes camadas, e os generais vlassovistas /ogavam ,s
cartas em #alemdor2, nos arredores de Ierlim) A 6rigada de VosAo6oiniAov e depois
da sua morte, de =aminsAi, por meados de 1944, contava com cinco regimentos de
in2antaria de dois mil e *uinhentos a tr0s mil homens cada, aos *uais h3 *ue
acrescentar os serventes das pe+as de artilharia, um 6atalhão 6lindado, de cl J
7%R2 de>enas de tan*ues soviéticos, e uma divisão de artilharia com tr0s de>enas de
canh9es) R& comando era constitu-do por o2iciais, prisioneiros de guerra, e as
tropas, em grau consider3vel, por volunt3rios de IriansA)S Essa 6rigada 2oi
incum6ida de de2ender a >ona contra os guerrilheiros))) ?om esse mesmo 2im, no
Verão de 1944, 2oi trans2erida da .ol:nia para "o1guilion a 6rigada de
Buil1Ila/evitch, *ue se tinha destacado pela sua crueldade contra os polacos e
os /udeus) Em come+os de 194@ o seu comando recusou su6ordinar1se a Vlassov,
censurando1o por*ue no seu anunciado programa não 2igurava a 7luta contra o /uda-
smo mundial e os comiss3rios /udai>antes8W 2oram /ustamente os elementos desta
6rigada Ros rodionovistas, dado Buil ter adoptado o nome de $odionovS, *ue, em
Agosto de 194@, *uando come+ou a de2inir1se a derrota de ^itler, trocaram a sua
6andeira negra com uma caveira prateada pela 6andeira vermelha, e proclamaram num
vasto 7territ:rio guerrilheiro8 o poder soviético, no nordeste da Iielorr<ssia) R
%o6re esse 7territ:rio guerrilheiro8, sem se esclarecer onde tinha aparecido, muito
se escreveu então nos nossos /ornais) Fais tarde, todos os rodionovistas *ue
escaparam com vida 2oram presos)S E *uem lan+ou os alemães contra os rodionovistasY
A 6rigada de =aminsAiX REm Faio de 1944, tre>e divis9es 2oram mo6ili>adas para
li*uidar o 7territ:rio guerrilheiro8)S Era assim *ue os alemães compreendiam essas
e2-gies tricoloresJ %ão Jorge, o 'nvenc-vel, so6re 2undo de %anto André) & russo e
o alemão eram intradu>-veis, inexpressivos, incompat-veis) .ior aindaJ em &utu6ro
de 1944 os alemães mandaram a 6rigada de =aminsAi R/untamente com as unidades
mu+ulmanasS esmagar a insurrei+ão de Vars:via) En*uanto uns russos se deixaram
trai+oeiramente adormecer do outro lado de V-stula, contemplando com 6in:culos o
massacre de Vars:via, outros estrangulavam a insurrei+ão) "ão teriam os polacos
sido su2icientemente maltratados pelos russos, no século !'!, para, ainda, neles se
cravarem os seus al2anges, no século !!Y RFas isso seria tudoY %eriam os <ltimosYS
Fais clara parecia ser a exist0ncia do 6atalhão de &ssintor2, trans2erido para a
>ona de .sAov) Era 2ormado por cerca de seiscentos soldados e du>entos o2iciais,
so6 o comando de emigrantes Rl)=) UaAharov, amsdor2SW a sua 2arda era russa e a sua
6andeira 6ranca, a>ul e vermelha) & 6atalhão, aumentado até um regimento, tinha
sido preparado para ser lan+ado em p3ra1*uedas na linha de Vologda1ArcLngel, com o
o6/ectivo de atingir o complexo de campos de tra6alho, *ue se encontrava situado
nesses lugares) 'gor UaAharov conseguiu, durante todo o ano de 194@, impedir *ue a
sua unidade 2osse enviada contra os guerrilheiros) Então, destitu-ram1no,
desarmaram o 6atalhão e meteram1no num campo, enviando1o depois para a 2rente
ocidental) (endo posto de lado, es*uecido e não necessitando de recordar o pro/ecto
inicial, no &utono de 194@, os alemães tomaram a decisão de enviar carne de canhão
russa))) para o 6aluarte do AtlLntico, contra a resist0ncia 2rancesa e italiana) &s
vlassovistas *ue tinham conservado algum sentido pol-tico ou alguma esperan+a,
perderam1nos) A$DU'.E AB& #E BU AB 445 &s ha6itantes das regi9es ocupadas
despre>avam1nos por serem mercen3rios alemães, e os alemães pelo seu sangue russo)
&s seus m-seros /ornais eram su6metidos , tesoura da censura alemãJ a Brande
Alemanha e o G<h1rer) E, assim, nada mais restava aos vlassovistas do *ue lutar até
, morte e, nos momentos de :cio, encharcar1se em vodca) Uma ?&F. E(A .E$#'V\&, tal
2oi a sua exist0ncia durante todos os anos de guerra no estrangeiro sem terem,
/amais, outra sa-da) ^itler e os *ue o rodeavam, retrocedendo /3 por toda a parte,
em vésperas da derrota, não podiam no entanto superar a sua ina6al3vel descon2ian+a
perante as unidades russas isoladas, nem decidir1se pelas divis9es integralmente
russas, por uma som6ra, se*uer, de uma $<ssia independente, *ue não lhe 2osse
su6metida) %: no estertor do nau2r3gio, em "ovem6ro de 1944, 2oi permitido Rem
.ragaS um <ltimo espect3culoJ a convoca+ão de todos os grupos nacionais russos
uni2icados por um 7?omité de i6erta+ão dos .ovos da $<ssia8, 6em como a pu6lica+ão
de um mani2esto R6astardo, como das outras ve>es, pois nele não se permitia pensar
a $<ssia 2ora da Alemanha, 2ora do na>ismoS) Vlassov tornou1se o presidente deste ?
omité) %: no &utono de 1944 come+aram a 2ormar1se divis9es vlassovistas,
integralmente russas14) .rovavelmente, os especialistas pol-ticos alemães supunham
*ue os oper3rios russos Rostar6eitenS se lan+ariam a tomar as armas) Fas o Exército
Vermelho /3 se encontrava no V-stula e no #an<6io))) E, por ironia, como se
*uisessem con2irmar a previsão dos alemães mais m-opes, as divis9es vlassovistas,
ao executarem a sua primeira e <ltima ac+ão independente, assestaram um golpe)))
contra os alemãesX "o meio do desmoronamento geral, e /3 sem *ual*uer contacto com
o &6erAommando, Vlassov reuniu, em 2ins de A6ril, as suas duas divis9es e meia, nas
proximidades de .raga) Ali sou6e *ue o general das %%, %teiner, se preparava para
destruir a capital checa, para não a entregar intacta) E Vlassov ordenou ,s suas
divis9es *ue se passassem para o lado dos checos su6levados) E todos os ultra/es,
toda a amargura e toda a raiva acumulados, perante os alemães, nesses tr0s cruéis e
est<pidos anos, nos es2or+ados peitos russos, voltavam11nos, agora, contra elesJ
surgindo de um lado inesperado, desalo/aram1nos de .raga) R(erão todos os checos
compreendido, depois, *uais 2oram os russos *ue lhes salvaram a cidadeY A nossa
^ist:ria est3 deturpada, pretendendo1se *ue .raga 2oi salva pelos com6atentes
soviéticos, *uando, a2inal, eles não puderam chegar a tempo)S 14 A primeira,
2ormada na 6ase da 76rigada =aminslci8 R%) =) IuniatchenAoSW a segunda, so6 as
ordens de Uvierev Rantigo comandante militar de ?rac:viaSW a terceira 2icou em
metadeW a *uarta apenas reuniu alguns elementosW e ainda o destacamento de avia+ão
de Faltsiev) "ão 2oram autori>adas mais de *uatro divis9es) 44; A$DU'.E AB& #E BU
AB #epois o exército de Vlassov come+ou a retroceder para o lado dos americanos,
para a IavieraJ toda a sua esperan+a estava posta agora nos aliados, em *ue
pudessem vir a ser1lhes <teis) Assim ganharia, no 2im de contas, um sentido a sua
prolongada suspensão na corda da 2orca alemã) Fas os americanos rece6eram1nos
hostilmente e o6rigaram1 nos a entregar1se ,s mãos dos soviéticos, como tinha sido
previsto na ?on2er0ncia de lalta, E nesse mesmo Faio, na Zustria, ?hurchill deu
tam6ém um passo de 2iel aliado R*ue, pela nossa ha6itual modéstia, não 2oi
divulgado entre n:sS, entregando ao comando soviético um ?orpo ?ossaco de noventa
mil homens,15 6em como muitos carros repletos de velhos, crian+as e mulheres, *ue
não dese/avam regressar ,s margens
dos p3trios rios cossacos) R& grande homem, cu/os monumentos com o tempo co6rirão
toda a 'nglaterra, decidiu tam6ém entreg31los , morte)S 15 A maneira como esta
entrega 2oi 2eita teve car3cter pér2ido, tradicional da diplomacia inglesa) & 2acto
era *ue os cossacos estavam dispostos a 6ater1se até , morte, ou a partir para o
outro lado do oceano, mesmo *ue 2osse para o .araguai ou para a 'ndochina, desde
*ue não tivessem de se entregar vivos) .or isso, os ingleses propuseram
primeiramente aos cossacos *ue depusessem as armas, so6 o pretexto de uni2ica+ão)
#epois, chamaram os o2iciais separadamente dos soldados, para uma pretensa
con2er0ncia so6re os destinos do exército, a reali>ar na cidade de ^uden6urgo, na
>ona de ocupa+ão inglesaW mas, na noite anterior, haviam cedido secretamente essa
cidade ,s tropas soviéticas) Duarenta autocarros com o2iciais, desde os comandantes
de companhias até ao general =rasnov, passando pelo alto viaduto, desceram
directamente para o semicerco de carros prisionais, em torno dos *uais /3 se
encontravam as escoltas com listas) E o caminho de regresso estava 6arrado por
tan*ues soviéticos) "em se*uer podiam suicidar1se com um tiro, ou apunhalando1seJ
todas as armas tinham sido con2iscadas) Alguns lan+aram1se do viaduto so6re as
pedras da estrada) #epois, usando o mesmo estratagema, os ingleses entregaram os
soldados, metidos em com6oios, como se 2ossem reunir1se aos seus o2iciais, para
rece6er as armas) "os seus pa-ses, $oosevelt e ?hurchill são considerados como
modelos de lucide> pol-tica) Entre n:s, nas discuss9es travadas nas pris9es russas,
so6ressa-a, com assom6rosa evid0ncia, a sua miopia sistem3tica e até a sua
estupide>) ?omo puderam eles, no decorrer de 1941 e até 1945, não assegurar
nenhumas garantias de independ0ncia para a Europa &rientalY ?omo puderam eles, em
troca do rid-culo /oguete das *uatro >onas de Ierlim R*ue se tornaram o seu 2uturo
calcanhar1de1 A*uilesS, a6andonar as vastas regi9es da %ax:nia e da (ur-n1giaY E
*ual 2oi a ra>ão militar e pol-tica *ue os levou a atirar para a mão de %taline,
isto é, para a morte, algumas centenas de milhares de cidadãos soviéticos armados,
*ue, decididamente, não se *ueriam entregarY #i>1se *ue, desse modo, eles pagavam a
participa+ão directa de %taline na guerra contra o Japão) .ossuindo /3 a 6om6a
at:mica, isso e*uivalia a pagar a %taline para *ue ele renunciasse não s: a ocupar
a Fanch<ria, mas a 2ortalecer Fao (sé1(ung, na ?hina, e =im '' %ung, em metade da ?
oreiaX))) "ão se tratava, por acaso, de um indigente c3lculo pol-ticoY Fais tarde,
*uando 2oi desalo/ado FiAolaitchiA, *uando desapareceram Ienés e FassariA, *uando
2oi 6lo*ueada Ierlim, a6andonada ,s chamas e as2ixiada Iudapeste, *uando re6entou a
guerra da ?oreia, e os conservadores tiraram os pés do %ue> 1 ser3 poss-vel *ue os
*ue entre eles não t0m a mem:ria curta se não tenham recordado se*uer do epis:dio
dos cossacosY A$DU'.E AB& #E BU AB 445 Além das divis9es vlassovistas,
apressadamente constitu-das, não poucas sec+9es militares russas continuavam a
a>edar no destro+ado exército alemão, so6 uni2ormes *ue não se distinguiam das
2ardas alemãs) Elas terminaram a guerra em diversos sectores e de maneira
di2erente) Alguns dias antes da minha deten+ão, eu pr:prio 2i*uei de6aixo do 2ogo
dos vlassovistas) ^avia igualmente russos dentro do cerco por n:s montado na
.r<ssia &riental) Uma noite de 2ins de Janeiro, parte deles tentou a6rir caminho
para ocidente, através das nossas posi+9es, sem prepara+ão de artilharia,
silenciosamente) "a aus0ncia de uma linha de 2rente cont-nua, eles in2iltraram1se
rapidamente, e apanharam em tena> o meu goni:metro, *ue estava numa posi+ão
avan+ada, de modo *ue tive di2iculdade em retir31lo pelo <ltimo caminho *ue nos
restava) Fais tarde voltei l3 por causa de um camião avariado e, ao amanhecer, vi
como, agrupando1se na neve com a sua
camu2lagem 6ranca, se levantaram su6itamente e se lan+aram, ao grito de 7hurraX8,
so6re as posi+9es de 2ogo da nossa 6ateria de cento e cin*uenta e dois mil-metros,
perto de Adling %hvenAitten, co6rindo de granadas do>e canh9es pesados sem
permitir1lhes dar um s: tiro) %o6 o 2ogo das suas 6alas trace/antes, o nosso <ltimo
grupo correu tr0s *uil:metros, através da terra devoluta e nevada, até , ponte
so6re o riacho .assarg) E ali 2oram detidos) .ouco depois 2ui preso) E eis *ue na
véspera da parada da Vit:ria est3vamos agora todos /untos, presos, nas tarim6as de
IutirAi) E aca6ava de 2umar o cigarro deles e eles o meu, e lado a lado -amos levar
o 6alde de lata da latrina) Uma grande parte dos vlassovistas, assim como dos
7espi9es de uma hora8, era muito /ovem, tendo nascido entre 1915 e 1944, e
pertencendo portanto , 7desconhecida gera+ão /uvenil8, *ue, em nome de .uschAin, se
tinha apressado a saudar o in*uieto unatchersAi) A maioria 2ora lan+ada nas
2orma+9es militares pela mesma vaga casual *ue, no campo vi>inho, arrastara os seus
camaradas , espionagemJ tudo dependia do enga/ador *ue se apresentava) &s agentes
de recrutamento explicavam1lhes com >om6aria 1 com >om6aria é uma maneira de di>er,
pois tratava1se da verdadeJ 7%taline renunciou a voc0sX %taline est31se nas tintas
para voc0sX8 A lei soviética colocara1os 2ora da lei, mesmo antes de eles se terem
colocado 2ora dela) E eles enga/aram1se))) Uns, apenas para sair do campo da morte)
&utros, com o 2ito de se passarem para o lado dos guerrilheiros Re muitos
passaram1se, tendo com6atido depois ao lado deles, mas, segundo o critério
estaliniano, isso em nada atenuava a sua condena+ãoS) Entretanto, alguns deles
tinham calado 2undo a dor so2rida pelo vergonhoso ano 41, a consterna+ão da derrota
ap:s tantos anos de /actLnciaW e outros havia *ue consideravam %taline como o
primeiro culpado destes inumanos campos de concentra+ão) (am6ém eles sentiram o
dese/o de di>er *uem eram e *ual tinha 44Q A$DU'.E AB& #E BU AB sido a sua terr-vel
experi0nciaJ *ue constitu-am uma part-cula da $<ssia e *ueriam in2luir no seu
2uturo, nãosendo um /oguete dos erros alheios) Fas o destino riu1se deles ainda
mais amargamente e tornaram1se pe9es ainda mais min<sculos) ?om uma o6tusa miopia e
2atuidade, os alemães s: lhes permitiam *ue morressem pelo $eich, mas não *ue
pensassem so6re um destino russo independente) Até aos aliados estendia1se duas mil
verstas 1 e, de resto, como seriam esses aliadosY))) A palavra 7vlassovista8 soa
entre n:s como algo parecido com 7impure>a8, dando a impressão de *ue su/amos a
6oca s: de pronunci31la, e por isso ninguém se atreve a pro2erir duas ou tr0s
2rases cu/o su/eito se/a 7vlassovista8) Fas a ^ist:ria não se escreve assim) Agora,
decorrido /3 um *uarto de século, *uando a maioria deles pereceu nos campos e os
*ue permaneceram vivos aca6am os seus dias no extremo norte, eu *uis, através
destas p3ginas, lem6rar *ue, para a hist:ria mundial, se trata de um 2en:meno
6astante inauditoJ *ue v3rias centenas de milhares de /ovens1;, na casa dos vinte e
trinta anos, tenham empunhado as armas contra a sua pr:pria p3tria, em alian+a com
o séu pior inimigo) (alve> se/a necess3rio re2lectirJ *uem ser3 o mais culpado,
essa /uventude ou a p3tria encanecidaY E algo *ue não se pode explicar por uma
propensão 6iol:gica , trai+ão, devendo existir, para isso, causas sociais) .or*ue,
como di> o velho ad3gioJ 7"ão é devido , 2orragem *ue os cavalos relincham)8
'maginei um *uadro assimJ um descampado e, correndo desvairadamente por ele,
cavalos a6andonados e 2amintos) "a*uela .rimavera havia ainda numerosos emigrados
russos nas celas)
'sso tomava *uase uma apar0ncia de sonhoJ o retorno da ^ist:ria) ^3 muito *ue
tinham sido escritos e 2echados os tomos da guerra civil, resolvidos os seus
pro6lemas, inseridos os seus acontecimentos na cronologia dos manuais) &s l-ders do
movimento 6ranco /3 não eram nossos contemporLneos na terra, mas sim 2antasmas de
um passado delido) &s emigrados russos, mais cruelmente dispersos do *ue as tri6os
de 'srael, na nossa maneira soviética de ver, se ainda por acaso arrastavam a sua
exist0ncia, era como pianistas em desagrad3veis restaurantes, como lacaios,
lavadeiras, 1; Eram precisamente esses os cidadãos soviéticos *ue 2iguravam na
Mehrmacht, tanto nas 2orma+9es anteriores a Vlassov como nas deleW o mesmo nas
unidades e destacamentos de cossacos, mu+ulmanos, 63lticos e ucranianos) A$DU'.E
AB& #E BU AB 449 pedintes, mor2in:manos, cocain:manos, cad3veres vivos) Até ,
guerra de 1941, nenhuns ind-cios se 2iltravam nos nossos /ornais, na nossa
literatura e na nossa cr:nica liter3ria Re não seriam os nossos saciados mestres
*ue no1los dariam a conhecerS, capa>es de nos 2a>er suspeitar *ue os russos no
estrangeiro constitu-am um grande mundo espiritualW *ue a- se ia desenvolvendo uma
2iloso2ia russa original, onde se distinguiam os nomes de Iulga1Aov, Ierdiaiev e
ossAiW *ue a arte russa cativava o mundo, com um $ach1 maninov, um ?haliapine, um
Ienois, um #iaguiliev, uma .avlova, ou o coro cossaco de JarovW *ue a- se
reali>avam pro2undas pes*uisas so6re #ostoievsAi Ren*uanto no nosso pa-s ele era
então amaldi+oadoSW *ue existia um extraordin3rio escritor chamado "a6oAov1%irinW
*ue Iunine ainda vivia e nos <ltimos vinte anos ainda continuava a escreverW *ue se
pu6licavam revistas de arte e eram dados espect3culosW *ue se reuniam congressos de
associa+9es regionais onde se 2a>ia ouvir a palavra russaW *ue os homens emigrados
não tinham perdido a possi6ilidade de desposar mulheres emigradas e *ue estas lhes
davam 2ilhos, ou se/a, contemporLneos nossos) As ideias espalhadas no nosso pa-s
acerca dos emigrados eram tão 2alsas *ue se se reali>asse um in*uérito para sa6er
ao lado de *uem estavam os emigrados russos, na guerra civil espanhola e na %egunda
Buerra Fundial, todos , uma responderiamJ 7#e GrancoX #e ^itlerX8 "em agora, no
nosso pa-s, se sa6e *ue a grande maioria dos emigrados 6rancos com6ateram ao lado
dos repu6licanos) Due as divis9es vlassovistas e o corpo cossaco de Von1.annevits
RArasnovistaS eram compostos por cidadãos soviéticos e não, de modo nenhum, por
emigradosJ estes não 2oram atr3s de ^itler, sendo casos isolados os de Ferie/AovsAi
e Buippius, *ue se puseram ao lado dos alemães) .arece algo de aned:tico, mas não
éJ o pr:prio #eniAin tentou lutar ao lado da União %oviética contra ^itler, e
%taline esteve, por momentos, disposto a deix31lo regressar , p3tria Rnão como
2or+a de com6ate, pelos vistos, mas como s-m6olo da unidade nacionalS) "o per-odo
da ocupa+ão da Gran+a, um elevado n<mero de emigrados russos, velhos e /ovens,
aderiram ao movimento de resist0ncia e, depois da i6erta+ão de .aris, acorreram em
vaga ao consulado soviético, entregando uma solicita+ão para regressar , p3tria)
"ão importava *ue $<ssia 2osse, era a $<ssiaX Eis a sua palavra de ordem) E assim
eles demonstraram *ue não mentiam *uando /3 antes a2irmavam o seu amor a ela) R"as
pris9es, nos anos 4514;, eles eram *uase 2eli>es, pois essas grades e esses guardas
eram russosW eles o6servavam com espanto como as crian+as russas co+avam a nucaJ 7E
para *ue dia6o viemosY "ão t-nhamos espa+o su2iciente na EuropaY8S Fas, de acordo
com essa mesma l:gica estaliniana, segundo a *ual se devia meter num campo de
tra6alho todo o cidadão soviético *ue tivesse vivido no estrangeiro, como poderiam
escapar a esse destino os emigradosY "os Ialcãs, na Europa ?entral, em =ar6ine,
logo , chegada das tropas soviéticas eles eram presosJ apanhavam1nos nas
casas e nas ruas, exactamente como os nossos) #e momento, s: deitavam as mãos aos
homens, e não a 4@C A$DU'.E AB& #E BU AB todos, apenas ,*ueles *ue tinham
mani2estado as suas ideias pol-ticas) RAs suas 2am-lias iam depois, por etapas,
para as >onas de deporta+ão russas, sendo algumas deixadas na Iulg3ria ou na ?
hecoslov3*uia)S "a Gran+a rece6iam1nos com honras e 2lores, concedendo1lhes a
cidadania soviética e transportando1os com con2orto para a p3tria, mas a*ui logo os
varriam) As coisas levaram mais tempo com os emigrados de !angaiJ as mãos
soviéticas não chegaram até l3 em 1945) Fas um representante plenipotenci3rio do
Boverno soviético apresentou1se e tornou p<6lico um ucasse do .raesi1dium do
%oviete %upremo *ue coincidia com o perdão a todosa os emigradosX ?omo não
acreditarY E imposs-vel *ue o Boverno mintaX RDue houvesse ou não esse ucasse, isso
em nada atrapalhava os :rgãos)S &s emigrados de !angai mani2estaram o seu /<6ilo) ?
onvidaram1nos a levar os o6/ectos *ue *uisessem Ralguns levaram autom:veis, *ue
podiam ser <teis , p3triaS, e a instalar1se onde dese/assem na União %oviética, a
tra6alhar, naturalmente, em *ual*uer especialidade) Goram transportados de !angai
em 6arcos) Fas /3 o destino dos 6arcos 2oi di2erenteW não se sa6ia por*u0, nalguns
deles não davam de comer) #i2erente 2oi tam6ém o destino dos emigrados *ue
desem6arcaram no porto de "aAhodAa Rum dos principais pontos de passagem para
BulagS) Duase todos 2oram metidos em com6oios de mercadorias, como reclusos)
%omente não havia ainda uma escolta rigorosa nem cães) Alguns 2oram condu>idos para
lugares ha6itados, inclusive cidades, e, e2ectivamente, ali os deixaram viver de
dois a tr0s anos) &utros 2oram imediatamente levados em com6oios para campos de
tra6alho, algures no Volga, e lan+ados de um alto declive, em plena 2loresta
montanhosa, /untamente com pianos pintados de 6ranco e vasos de plantas) "os anos
de 4Q149, os repatriados do Extremo &riente, *ue continuavam vivos, 2oram todos de
novo passados ao raspador) Duando eu era um garoto de nove anos lia, com mais
pra>er do *ue os livros de J<lio Verne, as 6rochuras a>uis de V) V) ?hulguin, *ue
eram então vendidas tran*uilamente nos nossos *uios*ues) Era uma vo> vinda de um
mundo tão a2astado *ue nem com a mais assom6rosa 2antasia eu podia supor *ue menos
de vinte anos depois os passos do seu autor se cru>ariam com os meus numa invis-vel
linha ponteada pelos silenciosos corredores da Brande u6ianAa) E certo *ue não 2oi
nessa época distante *ue o encontrei em carne e osso, mas somente vinte anos mais
tarde) Entretanto, nesta .rimavera de 1945 tive tempo de o6servar numerosos
emigrados, /ovens e velhos) Goi1me dada a oportunidade de ir, /untamente com o
capitão de cavalaria Iorch e o coronel FariuchAin, a uma inspec+ão médica, e a
imagem lament3vel dos seus corpos nus, enrugados, de uma cor amarelada e escura,
não propriamente corpos, mas sim m<mias, 2icou gravada nos meus olhos) Goram presos
cinco minutos antes de serem enterrados, tra>idos para Foscovo, de milhares de
*uil:metros de distLncia)e a*ui, em 1945, da maneira mais séria do mundo,
2i>eram1lhes um interrogat:rio so6re))) a sua luta A$DU'.E AB& #E BU AB 4@1 contra
o poder soviético em 1919X ^a6itu3mo1nos tanto , acumula+ão de in/usti+as nos
processos /udicials *ue deix3mos de di2erenciar os seus graus) Este capitão de
cavalaria e este coronel eram *uadros militares do exército c>arista) J3 tinham
mais de *uarenta anos de idade e serviam h3 uns vinte, *uando o telégra2o
transmitiu o comunicado de *ue em .etrogrado haviam derru6ado o imperador) #urante
duas décadas eles 2oram 2iéis ao /uramento c>arista e agora, contra as suas
convic+9es Re
talve> murmurando por dentroJ 7Due a peste caia so6re ti e *ue o dia6o te
carregue8S, prestaram ainda /uramento ao Boverno provis:rio) "unca mais os
convidaram a prestar /uramento a *uem *uer *ue 2osse, uma ve> *ue o exército tinha
sido completamente des6aratado) Eles não gostavam de um regime so6 o *ual se
arrancavam gal9es e matavam o2iciais, e naturalmente uniram1se a outros o2iciais
para lutar contra esse regime) Era tam6ém natural *ue o Exército Vermelho lutasse
contra eles e os /ogasse ao mar) Fas num pa-s onde existisse, ainda *ue 2osse em
em6rião, um pensamento /ur-dico, *uais poderiam ser os 2undamentos para os JU BA$ e
ainda por cima ao ca6o de um *uarto de séculoY R#urante todo esse tempo eles tinham
vivido como simples particularesJ FariuchAin, até , sua deten+ãoW e *uanto a Iorch,
é verdade *ue o encontraram numa caravana cossaca, na Zustria, mas não,
precisamente, numa unidade armada, e sim entre os velhos e as mulheres)S
Entretanto, em 1945, no pr:prio centro do novo aparelho /udici3rio, acusaram1nos
cumulativamenteJ de actos destinados ao derru6amento do poder dos %ovietes de
oper3rios e camponesesW de invasão armada do territ:rio soviético Risto é, de não
terem partido imediatamente da $<ssia, *uando em .etrogrado 2oi proclamado o poder
soviéticoS de presta+ão de a/uda , 6urguesia internacional R*ue nem em sonhos nem
em esp-rito haviam vistoSW de terem servido os governos contra1revolucion3rios Rou
se/a, os seus generais, aos *uais tinham estado sempre su6ordinadosS) E todos estes
pontos R1141 411@S do artigo 5Q correspondiam a um c:digo aprovado))) em 194;, isto
é, seis a sete anos #E.&'% #& (E$F& da guerra civilX RExemplo cl3ssico e
desavergonhado de aplica+ão retroactiva da leiXS Além disso, o artigo 4 do ?:digo
indicava *ue ele se aplicava unicamente aos cidadãos presos no territ:rio da
$ep<6lica %ocialista %oviética Gederativa $ussa) Fas a mão direita da %eguran+a do
Estado arrancava tanto os *ue eram "i& cidadãos, como os ha6itantes de todos os pa-
ses da Europa e da ZsiaX15 Duanto , prescri+ão, /3 nem se*uer 2alamosJ estava
2lexivelmente previsto *ue, em rela+ão ao artigo 5Q, ela não se aplicava) R7.ara
*u0 remexer no passadoY)))8S A prescri+ão era reservada aos nossos verdugos
caseiros 15 Assim, não h3 nenhum presidente a2ricano *ue possa estar seguro de *ue,
dentro de de> anos, não pu6li*uemos uma lei, pela *ual o /ulguemos pelos seus actos
de ho/e) &s chineses, em todo o caso, 231lo1ão desde *ue os deixem chegar l3) 4@4
A$DU'.E AB& #E BU AB *ue ani*uilaram sistematicamente mais compatriotas do *ue toda
a guerra civil) FariuchAin era ainda capa> de se recordar de tudo claramente,
relatando os pormenores da sua evacua+ão de "ovorossisA, mas Iorch era como se
tivesse regressado , in2Lncia, e murmurava simploriamente como aca6ava de 2este/ar
a .3scoa na u6ianAaJ durante toda a semana, desde os $amos até , .aixão, apenas
comeu metade da ra+ão de pãoW a outra guar1dava1a, e trocava gradualmente pão duro
por mole) #esta 2orma, com o *ue tinha /e/uado, /untou o pão de sete dias e
6an*ueteou1se durante os tr0s dias de .3scoa) "ão sei precisamente *ue espécie de
guardas 6rancos 2oram eles durante a guerra civilJ se pertenciam , categoria *ue
constitu-a a excep+ão 1 os *ue en2orcavam sem /ulgamento um entre cada de>
oper3rios e espancavam os camponeses 1 ou , da maioria dos soldados) Due agora os
tivessem processado e /ulgado a*ui, não constitu-a uma prova material nem um
argumento) Fas se, até esse momento, durante um *uarto de século, tinham vivido,
não como honrados aposentados, mas como proscritos sem lar, talve> se/a ainda di2-
cil encontrar 2undamentos morais para /ulg31los) Esta é uma dialéctica *ue Anatole
Grance dominava, mas *ue nos é de todo em todo inacess-vel) %egundo ele, o m3rtir
de ontem deixa de ser /usto, desde o primeiro instante em *ue a camisa de carrasco
se lhe pegue ao corpo) E vi1ce1versa) Fas não nas 6iogra2ias do
nosso tempo revolucion3rioJ se me montaram durante um ano, *uando eu deixei de ser
potro, agora toda a vida me chamarei cavalo, em6ora h3 muito sirva como cocheiro) &
coronel =onstantin =onstantinovitch 'acevitch di2erenciava1se muito dessas
importantes m<mias de emigrantes) .ara ele, o 2im da guerra civil não signi2icava
certamente o 2im da luta contra o 6olchevismo) ?om *ue meios ele p_de lutar, onde e
como, isso não me contou) Fas ele tinha a impressão de se encontrar ainda no
servi+o activo, mesmo agora, a*ui na cela) En*uanto o caos e as se*u0ncias descont-
nuas e incertas de ideias reinavam na maioria das nossas ca6e+as, ele, pelos
vistos, tinha uma opinião clara e precisa so6re o *ue nos rodeava, e a clare>a das
suas posi+9es na vida dava1lhe uma permanente energia, elasticidade e dinamismo)
"ão tinha menos de sessenta anos, a sua ca6e+a era inteiramente calva, /3 so2rera a
instru+ão do processo Resperava a senten+a, como todos n:sS e não rece6ia,
naturalmente, a/uda de parte alguma, mas conservava a sua /uventude e mesmo a sua
pele rosada) Em toda a cela ele era o <nico *ue 2a>ia gin3stica pela manhã e se
6orri2ava com 3gua da torneira Rtodos n:s poup3vamos, pelo contr3rio, as calorias
do rancho prisionalS) Ele não deixava passar o tempo, durante o *ual, entre as
tarim6as, 2icava um espa+o livre, e nesses cinco ou seis metros andava de um lado
para o outro, com passo el3stico e preciso, as mãos cru>adas so6re o peito e os
olhos claros e /uvenis trespassando as paredes) Justamente por*ue n:s nos
surpreend-amos com o *ue sucedia , nossa A$DU'.E AB& #E BU AB 4@@ volta, e para ele
nada contradi>ia a sua expectativa, era na cela um ser completamente isolado) %: um
ano depois eu pude avaliar e compreender a sua conduta na prisãoJ 2ui parar de novo
a IutirAi e, numa das setenta celas, encontrei /ovens do mesmo processo de
lacevitch, com senten+as de de> e de *uin>e anos) "um papel de 2umar estava
escrito, não se sa6endo como é *ue tinha ido parar ,s suas mãos, a senten+a de todo
o grupo) & primeiro da lista era lacevitch e a sua senten+a era o 2u>ilamento) Eis
pois o *ue ele s via e previa através das paredes, com os seus olhos não
envelhecidos, andando da mesa para a porta e inversamente) Fas a sua consci0ncia,
*ue não se arrependia de seguir o caminho /usto, proporcionava1lhe uma 2or+a
extraordin3ria) Entre os emigrados encontrava1se 'gor (ronAo, da minha gera+ão)
(rav3mos ami>ade) Am6os est3vamos en2ra*uecidos, chupados, com a pele amarelada e
engelhada reco6rindo os ossos) R.or*ue é *ue nos deixamos a6ater tantoY .enso *ue
devido ao desconcerto espiritual)S (anto eu como ele éramos magros e altos)
Agitados pelos impulsos do vento estival, no p3tio de recreio de IutirAi, and3vamos
sempre ao lado um do outro, com um passo cuidadoso de velhos, discutindo as nossas
vidas paralelas) "ascemos no mesmo ano, no %ul da $<ssia) Ainda mam3vamos, *uando o
destino remexeu na sua velha 6olsa e me estendeu a mim uma palhinha curta e a ele
uma comprida) A sua sina atirou1o para l3 dos mares, em6ora o seu pai, pretenso
guarda 6ranco, 2osse um simples e modesto telegra2ista) .ara mim era deveras
interessante imaginar, através da vida dele, toda a minha gera+ão de compatriotas
*ue ali se encontrava) Eles tinham sido criados so6 uma 6oa protec+ão 2amiliar, com
modesto desa2ogo ou mesmo com di2iculdades) Eram todos muito 6em1educados e, de
acordo com os seus meios, instru-dos) ?resceram sem conhecer o medo e a repressão,
em6ora um certo peso dos dirigentes das organi>a+9es de 6rancos se exercesse so6re
eles, en*uanto não se tornaram adultos) ?resceram dum modo tal *ue os v-cios do
século, *ue envolviam toda a /uventude europela Relevada criminalidade, atitude
leviana perante a vida, 2alta de re2lexãoS, não os a6rangeram, pois
desenvolveram1se , som6ra da indelével desgra+a das suas 2am-lias) Em todos os pa-
ses onde tinham estado s: reconheciam a $<ssia como sua p3tria) A sua 2orma+ão
espiritual era 6aseada na
literatura russa, tanto mais amada, por*ue para eles ela signi2icava o princ-pio e
o 2im da sua p3tria, a *ual, na*uele momento, não existia senão como um 2acto
geogr32ico e 2-sico) As pu6lica+9es contemporLneas eram1lhes mais acess-veis do *ue
a n:s, mas precisamente as edi+9es soviéticas *uase não chegavam até eles, e
sentiam essa lacuna de um modo agudo, parecendo11lhes *ue, por isso, não podiam
compreender o *ue havia de mais importante, o *ue havia de mais elevado e 6elo na
$<ssia %oviética) (udo o *ue conheciam tinha para eles um ar de deturpa+ão, de
mentira, de algo incompleto) As ideias *ue possu-am so6re a nossa vida aut0ntica
eram das mais .3lidas, mas a saudade pela p3tria era tal *ue se no ano de 41
tivessem 2eito 4@4 A$DU'.E AB& #E BU AB apelo a eles, todos acorreriam ao Exército
Vermelho e mesmo maisa gratamente para morrer do *ue para 2icar vivos) E aos vinte
e cinco e vinte e sete anos esta /uventude /3 2ormulava e de2endia com 2irme>a
v3rios pontos de) vista, *ue não coincidiam com as opini9es dos velhos generais e
pol-ticos) Assim, o grupo de 'gor era partid3rio de 7nada decidir a priori8) Eles
a2irmavam *ue, não havendo compartilhado com a p3tria toda a complexa gravidade das
décadas anteriores, ninguém tinha o direito de decidir so6re o 2uturo da $<ssia,
nem se*uer de propor algo, mas somente de regressar e o2erecer as suas energias
para a*uilo *ue o povo decidisse) .ass3vamos longo tempo deitados um ao lado do
outro nas tarim6as) Eu aprendi *uanto pude do seu mundo, e este encontro a6riu1me
Ro *ue depois outros encontros con2irmaramS , ideia de *ue se sumira pela vala de
escoamento da guerra civil uma parte consider3vel das nossas 2or+as espirituais,
privando1nos de um ramo da cultura russa) E todos os *ue a amaram vverdadeiramente
aspirarão , reuni2ica+ão dos dois ramos 1 o da metr:pole e o do estrangeiro) %:
então ela atingir3 a plenitude, s: então ela poder3 desenvolver1se sem entraves) Eu
sonho viver até esse dia) & homem é dé6il, dé6il) "o 2im de contas, até os mais
o6stinados de n:s dese/avam o perdão, nessa .rimavera, estando dispostos a
renunciar a muito por um poucochinho mais de vida) ?irculava a seguinte anedotaJ 7A
sua <ltima palavra, acusadoX8 1 7.e+o *ue me enviem para onde *uiserem, contanto
*ue ha/a l3 o poder soviéticoX E sol)))8 "ão est3vamos amea+ados de ver1nos
privados do poder soviético, mas de ver1nos privados do sol))) "inguém *ueria ir
para as regi9es polares, onde havia o escor6uto, a distro2ia) E, não se sa6e
por*u0, espalhou1se, em particular nas celas, a lenda so6re o Altai) A*ueles poucos
*ue alguma ve> l3 tinham estado, mas so6retudo os *ue nunca l3 estiveram, sugeriam
aos companheiros de cela sonhos harmoniososJ *ue 6elo pa-s é o AltaiX (em a
vastidão da %i6éria e um clima suaveX Fargens cheias de trigais e rios de melX
Estepes e montanhasX $e6anhos de ovelhas, ca+a e pescaX .opulosas e ricas
aldeiasX )))1Q 1Q &s sonhos dos presos so6re o Altai não serão a continua+ão do
velho sonho dos camponeses so6re essa regiãoY A- 2icavam as terras chamadas do
7Ba6inete de %ua Fa/estade8, mantendo1se, por isso, durante longo tempo, mais
2echadas , emigra+ão do *ue o resto da %i6éria) Fas era precisamente para l3 *ue
tentavam ir os camponeses Re l3 se instalaramS) "ão preceder3 da- essa insistente
lendaY A$DU'.E AB& #E BU AB 4@5 AhX, esconder1se nessa *uietudeX &uvir o n-tido e
sonoro canto do galo através dum ar l-mpidoX Acariciar o 2ocinho sério e
6onacheirão de um cavaloX E *ue vão para o #ia6o todos os grandes pro6lemasW *ue
*ue6re com eles a ca6e+a outro *ual*uer mais est<pido do *ue euX $epousar ali das
in/<rias do investigador, deste 2astidioso des6o6inar de toda
a tua vida, do 6arulho das 2echaduras da prisão, do as2ixiante ar viciado da cela)
A vida *ue nos é dada é tão pe*uena, tão curtaX E n:s expomo1la criminosamente a
uma metralhadora *ual*uer, e imiscu-mo1la, assim pura, no s:rdido lixo da pol-ticaX
3, no Altai, parece1me *ue viveria na mais 6aixa e o6scura ca6ana do extremo da
aldeia, na orla do 6os*ue) E iria ao 6os*ue não para apanhar lenha seca ou
cogumelos, mas simplesmente para errar entre as 3rvores, de *ue a6ra+aria dois
troncosJ meus *ueridosX, de nada mais precisoX))) A pr:pria .rimavera exortava ,
clem0nciaJ a .rimavera do 2im de uma tão monstruosa guerraX ":s, presos, v-amos
*uebéramos milh9es a 2luir pelos c3rceres e *ue muitos mais milh9es ainda nos
acolheriam nos campos) E imposs-vel *ue se deixem assim tantos milh9es de pessoas
na prisão, ap:s a maior vit:ria mundialX #evem simplesmente reter1nos para nos dar
uma severa advert0ncia, para *ue nos 2i*ue na mem:ria) "aturalmente, haver3 uma
grande amnistia, 1e 6em depressa nos li6ertarão a todos) Alguns até /uravam ter
lido no /ornal *ue %taline, respondendo a um correspondente americano Rde *ue
apelidoY, não me lem6ro)))S, disse *ue depois da guerra haveria uma amnistia no
nosso pa-s como o mundo nunca vira) A um outro, tinha sido & .$H.$'& ?&F'%%Z$'& a
garantir *ue 6em depressa dariam uma amnistia geral) REstes 6oatos eram vanta/osos
para os comiss3rios, pois a2rouxavam a nossa vontadeJ *ue um raio os leve,
assinaremos o *ue *uiserem, de todas as maneiras não é por muito tempoXS Fas para
*ue ha/a clem0ncia é necess3rio *ue a ra>ão prevale+al 'sto é v3lido para toda a
nossa ^ist:ria, e por muito tempo ainda) "ão escut3vamos os poucos prisioneiros
l<cidos *ue havia entre n:s, os *uais grasnavam *ue nunca, ao longo de um *uarto de
século, tinha havido uma amnistia para os presos pol-ticos, nem /amais haveria)
Encontrava1se sempre na cela um 6u2o para saltar com esta respostaJ 7%im, em 1945,
por ocasião do décimo anivers3rio de &utu6ro, todas as cadeias 2icaram va>ias e
so6re elas 2lutuavam 6andeiras 6rancasX8 Esta surpreendente visão das 6andeiras
6rancas na prisão 1 e por*u0 6rancasY 1 comovia particularmente o cora+ão19) $epel-
amos os mais sensatos, *ue explicavam *ue 19 A colectLnea #as .ris9es ,s
'nstitui+9es Educativas, na p3g) @9;, d3 a seguinte ci2raJ por ocasião da amnistia
de 1945 2oram li6ertados sete e meio por cento dos reclusos) .ode acreditar1se
nisto) E um n<mero muito mes*uinho para o décimo anivers3rio da $evolu+ão) #os pol-
ticos, li6ertaram as mulheres com 2ilhos, e a*ueles a *uem 2altava cumprir uns
meses, 4@; A$DU'.E AB&(5E BU AB n:s est3vamos presos aos milh9es precisamente
por*ue tinha aca6ado a guerraJ na 2rente /3 não 2a>-amos 2altaW na retaguarda
éramos perigosos e nas long-n*uas o6ras de constru+ão sem n:s não se assentava um
ti/olo) R":s não t-nhamos su2iciente esp-rito de a6dica+ão de n:s pr:prios para
penetrar nos c3lculos, senão malévolos, pelo menos econ:micos, de %talineJ *uem é
*ue, depois de desmo6ili>ado, *uereria deixar a 2am-lia, o lar, e partir para
=olima, para VorAut, para a %i6éria, onde não havia ainda caminhos nem casasY 'sto
era *uase uma tare2a do .lano EstatalJ 2ornecer ao Finistério do 'nterior o n<mero
de homens a prender)S Uma amnistiaX Uma generosa e ampla amnistiaX ":s
esper3vamo1la ansiosamenteX #i>1se *ue na 'nglaterra no anivers3rio da coroa+ão,
isto é, todos os anos, dão amnistiaX Goram amnistiados numerosos presos pol-ticos
pelo tricenten3rio da dinastia dos $omanov) %eria poss-vel *ue, tendo o6tido agora
uma vit:ria, , escala de um século, e mesmo mais, o Boverno estalinista 2osse tão
mes*uinho e vingativo *ue se mostrasse incapa> de es*uecer os passos em 2also e os
desli>es de cada um dos seus mais insigni2icantes cidadãosY)))
^3 uma verdade simples, mas *ue é necess3rio experimentar na pr:pria carneJ
6enditas se/am não as vit:rias nas guerras, mas as derrotasX As vit:rias são
necess3rias para os povos) #epois das vit:rias am6iciona1se ainda novas vit:rias,
depois das derrotas *uer1 se a li6erdade, e ha6itualmente consegue1se) &s povos
precisam das derrotas como certas pessoas precisam de so2rimentos e de desgra+asJ
elas o6rigam a apro2undar a vida interior e a elevar1se espiritualmente) A vit:ria
de .oGtava4C 2oi uma desgra+a para a $<ssiaJ ela arrastou consigo dois séculos de
grandes tens9es, de devasta+9es, de opressão e de novas e novas guerras) .elo
contr3rio, a derrota de .oltava 2oi salutar para os %uecosJ tendo perdido o gosto
de pele/ar, eles tornaram1se o povo mais 2lorescente e livre da Europa41) ":s
estamos tão acostumados a orgulhar1nos da nossa vit:ria so6re "apoleão *ue perdemos
de vista *ue 2oi precisamente devido a ela *ue a li6erta+ão dos camponeses se não
reali>ou cin*uenta anos antesW e *ue 2oi /ustamente gra+as a ela *ue o trono se
2ortaleceu e esmagou os de>em6ris1tas) RDuanto , ocupa+ão 2rancesa, ela não 2oi uma
realidade para a $<ssia)S J3 a guerra da ?rimeia e as guerras contra o Japão e a
Alemanha44 nos proporcionaram todas as li6erdades e revolu+9es) uma d<>ia) Fas,
entretanto, arrependeram1se, inclusive dessa m-sera amnistia e come+aram a
atropel31laJ alguns 2oram retidos na prisão e aos outros, em ve> de dar1 lhes
li6erdade incondicional, concederam1lhes uma li6erta+ão 7redu>ida8 Rresid0ncia
2ixaS) 4C r/e pet/ro & Brande, so6re o rei da %uécia, eml5C9) R") dos ()S 41 (alve>
*ue s: no século !!, a acreditarmos no *ue se di>, a sua a6undLncia estagnante o
tenha condu>ido , crise moral) 44 $espectivamente, em 1Q5@15;, 19C415 e 1914115)
R") dos ()S A$DU'.E AB&#E BU AB 4@5 "essa .rimavera t-nhamos 2é na amnistia, mas
nisso não éramos originais) Galando com velhos presos compreendia1se, pouco a
pouco, *ue esta sede de li6erdade, esta 2é na clem0ncia, nunca a6andonam os
cin>entos muros da cadeia) #écada ap:s década, as di2erentes torrentes de presos
sempre esperaram e sempre tiveram 2éJ ora na amnistia, ora num novo c:digo, ora
numa revisão do processo Re os 6oatos eram sempre, com ha6ilidade e cautela,
suscitados pelos :rgãosS) ?ada anivers3rio de &utu6ro, cada anivers3rio de enine e
do #ia da Vit:ria, do Exército Vermelho ou da ?omuna de .aris, cada plano
*uin*uenal e cada reunião plena do %upremo (ri6unal 1 tudo a imagina+ão dos presos
2a>ia coincidir como a tão esperada descida do an/o da li6erta+ãoX E *uanto mais
selvagens, eram os acusados, *uanto mais homéricas e 2renéticas eram as, torrentes
de prisioneiros, tanto mais nascia neles, não a lucide> mas sim a 2é na amnistiaX
(odas as 2ontes da lu> se podem comparar, num ou noutro grau, com o %ol) %: o %ol
não se pode comparar com coisa alguma) #o mesmo modo, todas as esperan+as do mundo
podem ser comparadas , espera de uma amnistia, mas a espera de uma amnistia a nada
se pode comparar) "a .rimavera de 1945, a cada novato *ue chegava , cela, a
primeira coisa *ue se perguntava era se ele tinha ouvido algo so6re a amnistia) E
se de uma cela levavam dois ou tr0s presos ?&F A% %UA% ?&'%A%, os peritos logo
come+avam a con2rontar os seus .$&?E%%&% e sa6iamente conclu-am *ue eram dos menos
graves, sendo por isso *ue os punham em li6erdade) (udo come+ava na latrina e na
casa de 6anho, *ue eram os postos de correio dos presosW por toda a parte os nossos
activistas 6uscavam vest-gios e escritos so6re a amnistia) E, de s<6ito, no céle6re
vest-6ulo roxo da casa de 6anho de IutirAi, n:s lemos, em come+os de Julho, a
enorme pro2ecia, escrita com sa6ão so6re os
a>ule/os cor de violeta, a uma altura superior , estatura de um homem Ralguém tinha
su6ido aos om6ros de outro, para *ue tardassem mais tempo a apagar a inscri+ãoSJ
7^urraXXX Em 15 de Julho sair3 uma amnistiaX84@ Duanto rego>i/o houve entre n:sX R
%e não tivessem a certe>a não escreveriam a*uiloXS (udo o *ue palpitava, pulsava,
vi6rava no nosso corpo, 2icou paralisado de alegria, ao pensarmos *ue a porta se ia
a6rir))) Fas 1 .A$A DUE ^AJA ? EFn"?'A E "E?E%%Z$'& DUE A $AU\& .$EVA EVAX Em
meados desse m0s de Julho, o guarda do corredor mandou um velho da nossa cela lavar
as latrinas e ali, cara a cara Rdiante de testemunhas não se teria atrevidoS,
perguntou1lhe compadecidamente, olhando para a sua ca6e+a grisalhaJb 7.or *ual
artigo est3 preso, velhoteY8 1 7.elo cin1 #e 2acto, os 2ilhos da mãe tinham1se
enganado apenas num tra+oX .ara mais pormenores so6re a grande amnistia estaliniana
de 5 de Julho de 1945, ver .arte ''', cap-tulo V') 4@Q A$DU'.E AB& #E BU AB *uenta
e oitoX8, alegrou1se o velho, por *uem choravam em casa tr0s gera+9es) 7"ão és
a6rangido)))8, suspirou o guarda) 7IesteiraX8, conclu-ram na cela) 7& guarda é um
anal2a6eto)8 "esta cela encontrava1se um /ovem de =iev, Valentim Rnão me recordo do
seu apelidoS, de olhos grandes e 6onitotes, *ue pareciam de mulher, e estava
aterrori>ado com o processo) Ele +ra sem d<vida extremamente intuitivo, talve>
devido ,*uele estado de excita+ão) .or mais de uma ve>, ao passear de manhã pela
cela, ele indicavaJ 7^o/e levam1te a ti e a ti, eu sonhei com isso)8 E levavam1nosX
.recisamente a eles-iEntretanto, a alma do preso é tão inclinada ao misticismo *ue
ele acolhe os vatic-nios *uase sem assom6ro) "o dia 45 de Julho, Valentim
3proximou1se de mim e disseJ 7AlexandreX ^o/e vamos os dois)8 E contou1me um sonho
onde 2iguravam todos os elementos dos sonhos prisionaisJ uma ponte por cima de um
rio turvo, e uma cru>) ?omecei a preparar1me e não 2oi em vãoJ depois da 3gua
2ervida da manhã chamaram1nos) A cela despediu1se ruidosamente de n:s,
dese/ando1nos sorte, pois muitos a2irmavam *ue -amos ser postos em li6erdade Ro *ue
resultara do con2ronto dos nossos processos, am6os pouco gravesS) .odes não
acreditar nisso, podes permitir1te ser céptico, repeti1lo com grace/os, mas umas
tena>es ardentes, das mais a6rasadoras da terra, aper1tam1te de repente a almaJ e
se 2or verdadeY Juntaram vinte pessoas de celas di2erentes e levaram1nos
primeiramente ao 6anho Rem cada mudan+a da vida de um preso ele deve, antes do
mais, passar pelo 6anhoS) Ali estivemos algum tempo, cerca de uma hora e meia,
entregues a con/ecturas e a divaga+9es) #epois do vapor do 6anho, recon2ortados,
pass3mos pelo /ardim cor de esmeralda do p3tio de IutirAi, onde ensurdecedoramente
chilreavam os p3ssaros Rtalve> 2ossem apenas pardaisSW o verde intenso dessas
3rvores parecia insuport3vel aos olhos desa6ituados da lu>) "unca a vista apreendeu
com tanta 2or+a o verde da 2olhagem como nesta .rimaveraX E nunca tinha visto nada
na vida mais parecido com o para-so do *ue a*uele /ardin>inho de IutirAi, *ue não
levava mais de trinta segundos a atravessar, pelo passeio as2altadoX44 ?
ondu>iram1nos , esta+ão de IutirAi Rlugar de recep+ão e de envio dos presos, cu/o
nome é muito certeiro, pois, além do mais, o vest-6u/o principal é muito parecido
com o de uma 6oa esta+ãoS e meteram1nos num c3rce1 44 Vi ainda um /ardim parecido,
*ue era mais pe*ueno, mas em compensa+ão mais -ntimo, /3 muitos anos depois, como
excursionista, no 6astião de (ru6etsAi, na Gortale>a
de .edro e .aulo) &s excursionistas surpreendem1se diante dos tene6rosos corredores
e celas, mas eu pensei *ue, tendo para passeio um tal /ardin>inho, os prisioneiros
não eram pessoas inteiramente perdidas no mundo) A n:s levavam1nos a passear s: por
recantos co6ertos de pedras mortas) A$DU'.E AB& #E BU AB 4@9 re grande, espa+oso)
^avia a- uma semiescuridão e ar 2rescoJ a <nica e min<scula /anela 2icava muito
alta e não tinha morda+a) Ela dava /ustamente para a*uele ensolarado /ardim)
Através de um caixilho a6erto, ouvia1se o piar ensurdecedor dos p3ssaros e no vão
da /anela 6alanceava1se um raminho verde1claro, prometendo a todos n:s a li6erdade
e o lar) RVe/amX "unca hav-amos estado numa 6ox tão 6oaX 1 não era por
casualidadeXS E todos n:s depend-amos do &)%)&)45 Acontecia *ue est3vamos presos
por uma ninharia) #urante tr0s horas ninguém nos molestou, ninguém a6riu a porta)
":s and3vamos, and3vamos e and3vamos pela 6ox, até *ue, derreados, nos sent3mos nos
6ancos de pedra) E o raminho 6alanceava, 6alanceava, sau1dando1nos através do
postigo, en*uanto os pardais respondiam uns aos outros endia6radamente)
%u6itamente, os gon>os da porta rangeram e chamaram um dos nossos, um pacato
conta6ilista de trinta e cinco anos) Ele saiu) A porta 2echou1se) .usemo1nos a
correr mais intensamente ainda dentro da nossa caixa, *ue nos *ueimava) "ovo
estrondo) ?hamaram outro e 2i>eram entrar o anterior) an+31mo1nos so6re ele) Fas
não parecia o mesmoX A vida tinha paralisado no seu rosto) &s seus olhos a6ertos
estavam cegos) ?om movimentos incertos, ele mexia1se vacilantemente pelo chão liso
da 6ox) Estaria contundidoY (01lo1iam espancado com uma t36ua de engomarY 1 EntãoY
EntãoY 1 pergunt3mos angustiados) R%e ele não vem da cadeira eléctrica, devem, em
todo o caso, ter1lhe comunicado a pena de morte)S ?om vo> de *uem anuncia o 2im do
mundo, o conta6ilista disseJ 1 ?inco))) anosX E de novo os gon>os da porta
rangeramJ voltaram tão rapidamente *ue dava a impressão de os terem levado ,
latrina para 2a>er uma pe*uena necessidade) Este regressou radiante) .elos vistos
anunciaram1lhe a li6erdade) 1 EntãoY EntãoY 1 /unt3mo1nos , volta do *ue regressara
com esperan+a) Ele 2e> um movimento com o 6ra+o, su2ocando de risoJ 1 Duin>e anosX
Era demasiado a6surdo para acreditarmos, assim de cho2re) 45 %essão especial de
deli6era+ão da Administra+ão .ol-tica do Estado 1 B) .) U)11") =) V) #) V'' "A %E?
V\& #E FZDU'"A% "A 6ox vi>inha , esta+ão de IutirAi, conhecida como a da 6usca Rali
se revistavam os recém1detidos, havendo um espa+o su2iciente para *ue cinco ou seis
guardas pudessem controlar, numa s: rodada, uns vinte presosS, não havia /3
ninguém, encontrando1se va>ias as grosseiras mesas da inspec+ão) %: a um lado, so6
uma lLmpada, estava sentado, diante de uma pe*uena mesa ocasional, um elegante
ma/or da ") =) V) #), de ca6elos pretos) A expressão dominante do seu rosto era de
paciente a6orrecimento) Ele perdia o seu tempo em vão, en*uanto tra>iam e levavam
os presos um por um) As assinaturas poderiam ser recolhidas muito mais depressa)
Ele apontou1me um 6anco situado na sua 2rente, do outro lado da mesa, e veri2icou o
meu apelido) ] direita e , es*uerda dos tinteiros, , sua 2rente, viam1se pe*uenas
pilhas de papelinhos 6rancos, todos iguais, da dimensão de metade de uma 2olha de
papel de m3*uina e de 2ormato igual ao dos *ue, nas administra+9es das casas de
ha6ita+ão, nos entregam como 2acturas de com6ust-vel, ou, então, ao dos
re*uerimentos para a a*uisi+ão de artigos de escrit:rio, nas reparti+9es) Ao
2olhear a rima da direita, o ma/or encontrou um 6oletim *ue me di>ia respeito)
(irou1o, leu1o com indi2eren+a, numa vo> precipitada Reu compreendi *ue me
condenavam a oito anosS, e p_s1se logo a anotar com a caneta no reverso, *ue o
texto me tinha sido comunicado em tal data) & meu cora+ão nem se*uer teve uma leve
palpita+ão a mais, tão 6anal era tudo a*uilo) %eria poss-vel *ue 2osse essa a minha
verdadeira senten+a e *ue iria constituir uma viragem decisiva na minha vidaY Eu
*ueria emocionar1me, viver todos os sentimentos pr:prios deste momento 1 mas não
pude, de modo algum) & ma/or estendia1me /3 o verso da 2olha) E ali tinha ao meu
alcance a caneta de sete Aopecs, com um ruim aparo, *ue pescou um 2arrapo de papel
no tinteiro) 1 "ão, *uero l01la eu pr:prio) 1 Acaso vou engan31loY 1 replicou
pregui+osamente o ma/or) T Iem, leia) E, sem vontade, soltou a 2olhinha da mão) Eu
voltei1a e, propositadamente, mirei1a com todo o vagar, não apenas palavra por
palavra mas letra 444 A$DU'.E AB& #E BU AB por letra) Estava escrita , m3*uina, mas
não era o original *ue eu tinha so6 os olhos e sim uma c:piaJ Extracto do despacho
da ?omissão Especial de #eli6era+ão do ?omissariado do .ovo da %eguran+a do Estado
da U) $) %) %), de 5 de Julho de 1945, n<mero)))1 (udo isto era su6linhado com um
tra+o ponteado e dividido tam6ém com um ponteado verticalJ (endo examinadoJ a
acusa+ão contra Rnome, data e lugar de nascimentoS) ?:pia 2iel) & %ecret3rio)
#ecidiu1seJ aplicar a Rnome do interessadoS por agita+ão e tentativa de uma
organi>a+ão anti1 soviética QRoitoS anos de campo correccional de tra6alho) #everia
eu limitar1me simplesmente a assinar e a sair silenciosoY &lhei para o ma/orJ iria
ele di>er1me *ual*uer coisa, explicar1me algoY "ão, não se dispunha a isso) (inha /
3 2eito sinal com a ca6e+a ao guarda, para entrar o seguinte) .ara emprestar ao
momento um pouco de gravidade, perguntei1lhe em tom tr3gicoJ T Fas isto é horr-velX
&ito anosX .or*u0Y As minhas palavras soaram1me 2alsas a mim mesmoJ nem eu nem ele
sent-amos *ue era horr-vel) T A*ui T indicou1me o ma/or, uma ve> mais) E eu
assinei) "ão teria simplesmente achado mais *ue 2a>erY T Então, permita1me *ue
escreva a*ui mesmo um recurso de apela+ão) A senten+a é in/usta) T Ga+a1o nos
termos legais 1 disse mecanicamente com a ca6e+a o ma/or, colocando o meu papelinho
na pilha da es*uerda) T .asseX 1 ordenou1me o guarda) E eu passei) 1 $eunida no
pr:prio dia da amnistiaJ o tra6alho era urgente) A$DU'.E AB& #E BU AB 44@
Galtou1me engenho) Beorgui (enno, a *uem, é verdade, apresentaram um papelinho com
vinte e cinco anos, respondeu assimJ 7Fas trata1se de prisão perpétuaX #antes,
*uando uma pessoa era condenada a prisão perpétua, ru2avam os tam6ores e convocava1
se) a multidão) Fas a*ui é como se 2osse uma lista do sa6ãoJ vinte cinco anos 1 e
a6alarX8 Arnold $appoport agarrou na caneta e escreveu no versoJ 7.rotesto
categoricamente contra esta senten+a ilegal e terrorista, e exi/o imediatamente a
minha li6erta+ão)8 & 2uncion3rio esperou primeiro com paci0ncia, mas, ao ler o *ue
ele escrevera, en2ureceu1 se e rasgou o papel *ue continha a decisão) 'sso não
tinha importLncia, a senten+a continuava em vigorJ a*uilo era uma c:pia) Fas Vera
=orneieva aguardava uns *uin>e anos e viu com entusiasmo *ue no seu papelinho
somente estavam escritos cinco) $iu1se com o seu riso luminoso e apressou1 se a
assinar, para *ue não se arrependessem) & o2icial teve d<vidasJ 7Fas voc0
compreendeu o *ue eu lhe liY8 T 7%im, sim, muito o6rigadaX ?inco anos em campos de
tra6alho correccionaisX8 Duanto ao h<ngaro $o>cas Janos, leram1lhe em l-ngua russa,
e sem tradu+ão, num corredor, a senten+a de de> anos de prisão) Ao assinar, ele não
compreendeu *ue se tratava da senten+a) (inha esperado longo tempo o /ulgamento e
s: mais tarde, no campo, ao ter uma ideia con2usa do seu caso, suspeitou *ue
tivesse sido assim) $egressei , 6ox, sorrindo) Estranhamente, sentia1me, de minuto
a minuto, mais alegre e aliviado) (odos voltavam com de> anos, inclusive Valentim)
A pena in2antilmente mais 6aixa de todo o nosso grupo tinha sido a do conta6ilista
*ue perdera o /u->o Re *ue até ao momento continuava sentado sem dar sinal de siS)
#epois da dele a mais pe*uena era a minha) Entre as pinceladas de sol, via1se ainda
a*uele raminho, do outro lado da /anela, a 6alancear1se alegremente , leve 6risa de
Junho) ":s 2al3vamos com anima+ão) A*ui e ali o riso 6rotava com 2re*u0ncia na
enxovia) $-a1mo1nos por tudo se ter passado 6emW r-amo1nos do pertur6ado
conta6ilistaW r-amo1nos das nossas esperan+as matinais e de como se haviam
despedido de n:s na cela, de como nos tinham encomendado pacotes convencionaisJ
*uatro 6atatinhasX, dois 6iscoitosX 1 Fas sim, haver3 uma amnistiaX 1 a2irmavam
alguns) 1 'sto é simplesmente um pr:1 2orma para assustar1nos, para *ue nos 2i*ue
na mem:ria) %taline disse isso mesmo a um correspondente americano))) 1 Dual era o
apelido desse correspondenteY 1 "ão sei))) "esse momento ordenaram1nos *ue
agarr3ssemos nas nossas coisas, *ue 2orm3ssemos dois a dois, e levaram1nos de novo
por esse maravilhoso /ardin>inho, inundado pela lu> de Verão) .ara ondeY .ara o
6anho Uma ve> mais) 'sto provocou /3 em n:s gargalhadas) Fas *ue ca6e+udosX
#espimo1 444 A$DU'.E AB& #E BU AB 1nos entre risos, en*uanto penduravam as nossas
roupas nos mesmos ganchos e as levavam para a mesma desin2ec+ão, onde as tinham
colocado essa manhã) Balho2ando, rece6emos uma lLmina de ruim sa6ão e pass3mos ao
amplo e 6arulhento 6anho, para nos lavar dos nossos pecados de crian+a) Ali
despe/3mos e volt3mos a despe/ar 3gua *uente e pura so6re n:s, chapinhando tanto
como estudantes *ue 2ossem 6anhar1se depois do <ltimo exame) Esse riso era
puri2icador, aliviador, e não, segundo pnso, doentio) Era uma de2esa viva e salutar
do organismo) Ao enxugar1se, Valentim disse1tne com ar tran*uili>ador e pac-2icoJ
1 "ão importa, ainda somos /ovens, ainda temos tempo de viver) & principal agora é
não dar passos em 2also) Duando chegarmos ao campo, nem uma palavra com *uem *uer
*ue se/a, para *ue não caiam so6re n:s novas condena+9es) (ra6alharemos
honradamente e, *uanto ao resto, calar, calar) (anta era a 2é *ue punha nesse
programa, tanta era a esperan+a *ue tinha este inocente grão, apanhado entre as
pedras de moer estalinistasX %entia1se vontade de estar de acordo com ele, de
cumprir comodamente a senten+a e de varrer depois da ca6e+a tudo o *ue se tinha
so2rido) Fas come+ou uma sensa+ão a emergir dentro de mimJ se para viver é preciso
"\& V'VE$ 1 então, para *u0Y "ão se pode di>er *ue as ?omiss9es Especiais R&) %)
&)S, tivessem sido inventadas depois da $evolu+ão) J3 ?atarina '' mimoseara o
indese/3vel /ornalista "oviAov com *uin>e anos, através do *ue mais tarde se
chamaria uma ?omissão Especial, pois não o entregou aos tri6unais) E todos os
imperadores desterravam tam6ém, paternalmente, os *ue não go>avam das suas 6oas
gra+as, sem /ulgamento) "os anos ;C do século !'! 2oi 2eita uma re2orma radical do
sistema /udici3rio) Era como se se come+asse a delinear algo *ue aos governantes e
aos s<6ditos aparecesse como uma visão /ur-dica da sociedade) Entretanto, nos anos
5Ca e QC, =orolenAo revelava casos de repressão administrativa, em ve> de
condena+9es /udicials) Ele pr:prio, em 1Q5;, com mais dois estudantes, 2oi
deportado sem /ulgamento, por despacho de um camarada ministro dos dom-nios
estatais Rcaso t-pico de deli6era+ão de uma ?omissão EspecialS) Ainda sem
/ulgamento, 2oi deportado uma segunda ve>, /untamente com um irmão, para Bla>ov)
=orolenAo cita o caso de Giodor Iogdan, delegado campon0s, *ue chegou a 2alar com o
c>ar e depois 2oi deportadoW de .ianAov, a6solvido pelo tri6unal e *ue 2oi exilado
por ordem superiorW e o de muitas outras pessoas) Vera Uassulitch, numa carta
escrita da emigra+ão, explicava *ue não era ao tri6unal *ue se su6tra-a, mas sim a
uma repressão administrativa, sem /ulgamento) A$DU'.E AB& #E BU AB 445 #este modo,
a tradi+ão ia tra+ando uma linha ponteadaW mas era demasiado 2rouxaJ 6oa para uma
na+ão asi3tica em letargia, e não para um pa-s *ue *ueria dar um grande salto em
2rente) E depois havia ainda a aus0ncia de responsa6ilidade pessoalJ *uem era
essa ?omissão EspecialY &ra o c>ar, ora o governador, ora o camarada ministro)
.erdão, mas *ue 2alta de envergadura, se se podem enumerar os nomes e os casos) A
envergadura, essa, come+ou a partir dos anos 4C, *uando, passando por cima dos
tri6unais, se criaram o2icialmente as troiAas, 2uncionando permanentemente) #e in-
cio, 2alava1se delas com orgulho) A troiAa da B) .) U)X &s nomes dos seus mem6ros
não eram ocultos, 2a>ia1se até a sua pu6licidade) Duem não conhecia em %olovAi a
céle6re troiAa moscovitaJ Ble6 Io*uii, Vul e VassilievYX E era 6em apropriada, essa
palavra troiAag Ela evoca um pouco o som dos gui>os, so6 o arco do cavalo de tiro,
a pLndega carnavalesca e um certo mistério) .or*u0 troiAak Due signi2ica issoY Um
tri6unal, na verdade, não é propriamente um *uartetoX E uma troiAa não é tam6ém um
tri6unalX & *ue h3 mais misterioso nela é *ue se re<ne na aus0ncia do acusado)))
":s não estivemos l3, nada vimos, s: nos estenderam um papelinhoJ e assineX A
troiAa tornou1se mais terr-vel do *ue os tri6unais revolucion3rios) Um 6elo dia ela
isolou1se, enco6riu1se, encerrou1se num ga6inete , parte, e os apelidos dos seus
mem6ros tornaram1se secretos) Assim nos ha6itu3mos , ideia de *ue os da troiAa não
6e6em, não comem, nem vivem entre gente humana) E uma ve> *ue se retiraram para
deli6erar, desaparecendo para
sempre, é s: através das dactil:gra2as *ue nos chegam as senten+as) RE com ordem de
degola+ãoJ esse documento não se pode deixar nas nossas mãos)S Estas troiAas Rpara
o *ue der e vier, escrevemos o seu nome no pluralW é como se se tratasse de uma
divindadeJ nunca se sa6e onde situ31laS respondiam , mani2esta+ão de uma insistente
necessidadeJ uma ve> as pessoas presas, /3 não se podia deix31las regressar ,
li6erdade Rtratava1se, no 2undo, de uma espécie de %ec+ão de ?ontrole (écnico da B)
.) U), destinada a impedir *ue houvesse sucataS) E se por acaso acontecia *ue o
preso era inocente, não se podendo processar de 2orma alguma, então, através da
troiAa, rece6ia o seu 7menos trinta e dois8 Rproi6i+ão de resid0ncia em trinta e
duas cidades da prov-nciaS, ou uma deporta+ão>inha de dois a tr0s anos) E ei1lo
marcado para sempre, com um sinal indelévelJ de 2uturo, seria um 7reincidente8)
RDue o leitor nos perdoeJ ve/a, em6rulhamo1nos de novo no oportunismo de direita,
com o conceito de 7culpa8, com a oposi+ão entre 7culpado8 e 7não culpado8) "o
entanto, /3 nos 2oi explicado *ue a *uestão não reside na culpa pessoal, mas na
periculosidade socialJ assim, pode1se prender um inocente se ele é socialmente
pr:ximo) Fas para n:s, *ue não rece6emos instru+ão /ur-dica, isso é desculp3vel,
pois o pr:prio c:digo de 194;, so6 o *ual vivemos, como de6aixo da protec+ão de um
pai, durante vinte e cinco anos, 2oi criticado tam6ém pelo seu 7ponto de vista
inadmissivelmente 44; A$DU'.E AB& #E BU AB 6urgu0s8, pela sua 7posi+ão de classe
insu2iciente8, por uma certa 7pondera+ão 6urguesa na dosagem da pena, em 2un+ão da
gravidade do acto cometido84)S "ão é a n:s *ue competir3 escrever a apaixonante
hist:ria deste :rgão) ?omo é *ue a troiAa se converteu em ?omissão EspecialY Duando
é *ue 2oi mudada a sua denomina+ãoY ^avia ?omiss9es Especiais nas cidades da prov-
ncia, ou s: na capitalY E *uem é *ue, entre os nossos grandes e orgulhosos
dirigentes, 2a>ia parte delaY ?om *ue 2re*u0ncia e dura+ão se reuniaY ?om ch3, ou
sem eleY E o *ue é *ue acompanhava o ch3Y ?omo se desenrolavam as discuss9esY
Galava1se so6re a *uestão, ou nem se*uer se 2alavaY "ada escreveremos acerca disso,
por*ue não sa6emos) %: ouvimos di>er *ue, na sua ess0ncia, a &) %) &) era uma
trindade, e, em6ora nos se/a imposs-vel mencionar os nomes desses tr0s >elosos
assessores, sa6emos, entretanto, *uais eram os tr0s :rgãos *ue estavam l3
representados pelos seus delegados permanentesJ um era do ?omité ?entral do
.artido, outro do Finistério da %eguran+a do Estado e o terceiro da .rocuradoria)
"o entanto, não ser3, de modo algum, de admirar, se algum dia sou6ermos *ue não
havia *uais*uer reuni9es, mas apenas um *uadro de experientes dactil:gra2as, *ue,
so6 a direc+ão de um administrador, ela6oravam extractos de processos ver6ais
inexistentes) Duanto ,s dactil:gra2as, disso estamos certos, podemos garanti1loX
Até 1944 a compet0ncia das troiAas limitava1se ,s penas de tr0s anosW a partir da-,
2oi ampliada para cinco anosW depois de 19@5, a &) %) &) aplicava de> anos e a
partir de 194Q pregava com um *uarto de século) ^3 *uem ateste R(chavdarovS, *ue
durante os anos da guerra a &) %) &) aplicava igualmente o 2u>ilamento) "ão seria
nada de extraordin3rio) "ão sendo mencionada em parte alguma, nem na ?onstitui+ão,
nem no ?:digo, a &) %) &) aca6ou, entretanto, por ser a m3*uina de alm_ndegas mais
c:modaJ d:cil e pouco exigente não necessitava da lu6ri2ica+ão das leis) & ?:digo
era uma coisa e a &) %) &) outra, rodando 2acilmente, sem precisar desses du>entos
e cin*uenta artigos, sem utili>31 los nem mencion31los nunca) ?omo se di>ia, por
pilhéria, no campoJ os tri6unais não servem para nadaJ h3 a ?omissão Especial)
?ompreende1se *ue, por comodidade, 2osse tam6ém necess3ria uma espécie de c:digo,
mas com tal 2im a &) %) &) ela6orou para si mesmo os seus artigos1siglas,
2acilmente operacionais Rnão era preciso *ue6rar a ca6e+a e andar atr3s das
2ormula+9es do ?:digoS, os *uais, pelo seu n<mero 4 ?olectLnea #as .ris9es ,s
'nstitui+9es Educativas) A$DU'.E AB& #E BU AB 445 limitado, seriam acess-veis ,
mem:ria de uma crian+a Rparte deles /3 os mencion3mosSJ 1 A%A 1 Agita+ão
anti1soviéticaW 1 =$# 1 Actividade contra1revolucion3riaW 1 =$(# 1 Actividade
contra1revolucion3ria trots*uista Ra simples letra ( agravava muito a vida do >eA
no campoSW 1 .?^ 1 .resun+ão de espionagem Rse a espionagem ultrapassava a mera
suspeita dela, era entregue ao tri6unalSW 1 %V.?^ 1 $ela+9es conducentes RXS ,
suspeita de espionagemW 1 =$F 1 &pini9es contra1revolucion3riasW 1 VA% 1 'ncu6a+ão
de esp-rito anti1soviéticoW 1 %&E 1 Elemento socialmente perigosoW 1 %VE 1 Elemento
socialmente pre/udicialW 1 .# 1 Actividade criminosa Raplicada particularmente aos
ex11reclusos dos campos, se de nada mais podiam ser acusadosSW E 2inalmente, com
grande amplitudeJ 1 (?^? 1 Fem6ro da 2am-lia Rcondenado por um dos artigos
anterioresS) "ão es*ue+as *ue estes artigos1siglas não se repartiam de maneira
uni2orme pelas pessoas e pelos anos, mas, como o artigo do c:digo e os par3gra2os
dos ucasses, mani2estavam1se por epidemias s<6itas) E h3 *ue prevenir aindaJ a &)
%) &) não pretendia de maneira alguma pro2erir uma senten+a contra *ual*uer pessoa)
Ela não aplicava penasJ punha uma san+ão administrativa 1 e era tudo) "aturalmente,
go>avam, pois, de uma inteira li6erdade /ur-dicaX Fas em6ora a san+ão
administrativa não pretendesse tornar1se uma senten+a /udicial, ela podia atingir
vinte e cinco anos e incluirJ 1 a priva+ão de t-tulos e de condecora+9es 1 o
con2isco de todos os 6ens 1 a reclusão prisional 1 a priva+ão do direito de
correspond0ncia) E uma pessoa desaparecia da 2ace da (erra com maior seguran+a do
*ue pelo processo primitivo da senten+a /udicial) &utra vantagem importante da &)
%) &) era ainda a de *ue a sua decisão não tinha recursoJ não havia onde apelarW
não existia nenhuma instLncia, nem superior nem in2erior a ela) Estava su6ordinada
unicamente ao ministro do 'nterior, a %taline e a %atan3s))) & grande mérito da &)
%) &) era a sua rapide>J esta era limitada apenas pela técnica da dactilogra2ia)
Ginalmente, a &) %) &) não tinha necessidade de ver o acusado 2rente a 2rente
Rdescongestionando, assim, os transportes interprisionaisS, nem se*uer exigindo a
2otogra2ia dele) "o per-odo em *ue as cadeias estavam completamente a6arrotadas,
havia ainda a comodidade de *ue o recluso, uma ve> instaurado o processo, podia não
ter de ocupar o seu lugar na ca1 44Q
A$DU'.E AB& #E BU AB deia, não comer de gra+a o seu pão, sendo enviado
imediatamente para o campo, e tra6alhando honradamente) A leitura da c:pia do
extracto, podia 2a>01la muito mais tarde) Em casos privilegiados acontecia
descarregarem os reclusos dos vag9es na esta+ão de destino e a-, perto da linha,
mandarem1nos p_r de /oelhos Rpara evitar 2ugas e como se 2osse para re>ar pela &)
%) &)S sendo1lhes imediatamente lida a condena+ão) As coisas podiam passar1se ainda
de outra maneiraJ os *ue chegavam a .erie6ori por etapas, em 19@Q, não conheciam os
artigos pelos *uais eram acusados, nem as penas, mas o escrevente *ue os rece6ia /3
tinha conhecimento deles e encontrava1os logo na listaJ %VE, cinco anos Rnessa
época 2e>1se sentir uma necessidade urgente de mão1de11o6ra para a constru+ão do
canal de FoscovoS) Fas outros havia *ue tra6alhavam durante muitos meses sem
conhecerem as condena+9es) Fais tarde Rconta ') #o6riaAS, 2ormaram1nos solenemente,
não num dia *ual*uer, mas no .rimeiro de Faio de 19@Q, com as 6andeiras vermelhas
i+adas e comunicaram1lhes as penas ditadas pela troiAa da região de %taline Ro *ue
mostra *ue a &) %) &) se descentrali>ava em per-odos de tensãoSJ e cou6eram de> a
vinte anos a cada um) & meu che2e de 6rigada %inie6riuAhov, nesse mesmo ano de
19@Q, 2oi trans2erido, com toda uma composi+ão 2errovi3ria de presos por /ulgar, de
(chelia6insAi, para (cheriepovets) .assaram meses e os >eAs continuavam a tra6alhar
ali) #e repente, no 'nverno, num dia de descanso Rrepararam por*ue é *ue escolhiam
um tal diaY .or*ue é *ue ele era vanta/oso para a &) %) &)YS, os presos 2oram
mandados 2ormar no p3tio, so6 um 2rio rigoros-ssimo, e um tenente itinerante
apresentou1seJ tinha sido enviado para comunicar1lhes as decis9es da &) %) &) Fas
aconteceu *ue não era mau rapa>, e, olhando de soslaio o cal+ado roto deles e o sol
entre os postos gelados, disse simplesmenteJ 1 "o 2im de contas, rapa>es, para *ue
é *ue ides 2icar a*ui a enregelarY Iasta *ue sai6ais *ue a &) %) &) vos deu de>
anos a *uase todosW raros, muito raros, a*ueles *ue apanharam oito) ?ompreendidoY,
podem dispersar))) Em 2ace de uma tão 2ranca mecani>a+ão da ?omissão Especial, para
*u0, então, os tri6unaisY .ara *u0 os carros de cavalos, *uando h3 actualmente
autocarros 6em mais silenciosos, de *ue não se pode saltarY .ara não desempregar os
/u->esY .ela 6oa ra>ão de *ue não é decente, para um estado democr3tico, não ter
tri6unais) Em 1919, o V''' ?ongresso do .artido inscrevia no seu programaJ 2a>er o
poss-vel no sentido de *ue toda a popula+ão tra6alhadora, A$DU'.E AB& #E BU AB 449
sem excep+ão, se/a chamada ao exerc-cio das 2un+9es /udicials) (oda 7sem excep+ão8,
não 2oi poss-vel, pois o exerc-cio da /usti+a é muito delicado, mas tão1pouco
2ic3mos completamente privados de tri6unaisX Entretanto, os nossos tri6unais pol-
ticos 1 os tri6unais especiais da região e os tri6unais militares Re por*u0
tri6unais militares em tempos de pa>YS, 6em como, evidentemente, os tri6unais
supremos 1 procuram seguir unanimemente o exemplo da &) %) &), e não se perder
tam6ém nos processos /udicials p<6licos e nos de6ates contradit:rios entre as
partes) A sua primeira e principal caracter-stica reside em *ue são , porta
2echada) E , porta 2echada, antes de mais, para sua comodidade) J3 nos ha6itu3mos
de tal 2orma a *ue milh9es e milh9es de pessoas se/am /ulgadas em sess9es secretasW
/3 nos 2amiliari>3mos tanto com isso, *ue por ve>es h3 mesmo 2ilhos, irmãos ou
so6rinhos do acusado *ue ainda te replicam convictamente, com o esp-rito
misti2icadoJ 7.ois *ue *uerias tuY 'sso signi2ica *ue o caso est3 seguramente
relacionado))) &s inimigos viriam a sa6erX "ão se pode)))8 Assim, temendo *ue 7os
inimigos sai6am8, metemos a nossa pr:pria ca6e+a entre os /oelhos) Duem é *ue
actualmente, na nossa p3tria, além dos vermes dos livros, se lem6ra de *ue
=araAo>ov, *ue a6riu 2ogo contra o c>ar, teve um de2ensorY Due Jelia6ov e todos os
populistas do grupo A Vontade do .ovo 2oram /ulgados pu6licamente, sem se ter medo
de *ue 7os turcos pudessem sa6er8Y Due Vera Uassulitch, *ue tinha disparado, para
empregarmos a nossa terminologia, contra o che2e da administra+ão de Foscovo do
Finistério da %eguran+a do Estado Rem6ora a 6ala passasse ao lado da ca6e+a, sem
ter acertadoS, não somente não 2oi ani*uilada na cLmara de torturas, como tam6ém a
não /ulgaram , porta 2echada, mas sim num tri6unal .[I '?&, sendo AI%& V'#A
pelos /urados Rnão por uma troiAaS e partindo em triun2o numa carruagemY ?om tais
compara+9es, não *uero di>er b*ue na $<ssia tenha havido alguma ve> uma /usti+a
per2eita) .rovavelmente, uma /usti+a digna desse nome é o 2ruto aca6ado de uma
sociedade amadurecida) &u então h3 *ue ser o rei %alomão) Vladimir #al o6serva *ue
na $<ssia anterior ,s re2ormas 7não havia um s: provér6io de elogio aos tri6unais8)
'sso signi2ica alguma coisaX .arece *ue não houve tempo de criar um s: ditado
elogioso para os che2es das administra+9es c>aristas locais) ?ontudo, a re2orma
/udicial de 1Q;4 2e> enveredar, ao menos, a parte ur6ani>ada da nossa sociedade
pelo caminho conducente ao modelo ingl0s, *ue ^ert>en tanto admirou) Ao re2erir
isto não es*ue+o tão1pouco as cr-ticas de #ostoievsAi contra os nossos tri6unais de
/urados Rno #i3rio de Um EscritorSW o a6uso da elo*u0ncia dos advogados
R7%enhores /uradosX, *ue mulher seria ela se não anavalhasse a sua rivalY)))
%enhores /uradosX, *ual de v:s não teria lan+ado a crian+a pela /anela 2oraY)))8SW
o impulso de momento do /<ri, *ue pode pesar mais do *ue a sua responsa6ilidade c-
vica) Fas #ostoievsAi antecipava1se muito, em esp-rito, , nossa vida, e o *ue ele
temia "\& E$A ADU'1 45C A$DU'.E AB& #E BU AB & *ue havia *ue temerX Ele considerava
o /ulgamento p<6lico como uma con*uista de2initivaX))) E *uem é *ue, entre os seus
contemporLneos, podia acreditar na &)%)&)Y Algures, ele escreveJ 7E melhor
enganar1se na clem0ncia do *ue na puni+ão)8 &h, sim, sim, simX, mil ve>es simX &
a6uso da elo*u0ncia é uma doen+a de *ue so2re não s: uma /usti+a nascente, mas, de
um modo mais amplo mesmo, uma democracia adulta Radulta, mas não consciente dos
seus 2ins moraisS) A pr:pria 'nglaterra nos d3xexemplos de como, para impor a
preponderLncia do seu partido, o lea1der da oposi+ão nãd hesita em atri6uir ao
Boverno um agravamento da situa+ão no pa-s, maior do *ue na realidade existe) &
a6uso da elo*u0ncia é um mal) Fas, então, *ue palavra utili>ar contra o a6uso do
secretismoY #ostoievsAi sonhava com um tri6unal em *ue tudo o *ue se revelasse .A$A
A #EGE%A do acusado 2osse expresso pelo procurador) Duantos séculos ainda a esperar
para issoY A nossa experi0ncia social enri*ueceu1nos imenso, entretanto, com
advogados *ue A?U%AF o acusadoJ 7?omo honesto cidadão soviético *ue sou, como
verdadeiro patriota, não posso deixar de sentir repugnLncia perante a an3lise
destes crimes)))8 E *ue 6om *ue é participar numa audi0ncia , porta 2echadaX "ão é
necess3rio a toga e pode1se arrega+ar as mangas) ?omo é 23cil tra6alhar assimX "em
micro2ones, nem correspondentes de /ornais, nem p<6lico) RFas sim, h3 um p<6licoJ
os comiss3rios instrutores) .or exemplo, no tri6unal da região de eninegrado, eles
vinham de dia ver
como se portavam os seus constituintes, e depois, de noite, visitavam na prisão
a*ueles *ue era preciso chamar , ordem@)S A segunda caracter-stica essencial dos
nossos tri6unais pol-ticos é a exactidão no tra6alho, ou se/a, a pré1determina+ão
das senten+as4, o *ue signi2ica *ue os /u->es sa6em sempre o *ue exigem os che2es
Ré para isso *ue existem os tele2onesXS) ] imagem d, &) %) &), h3 igualmente
senten+as escritas , m3*uina, previamente, apenas se tendo de inserir , mão o nome
e o so6renome do acusado) E se um *ual*uer %traAhovitch grita na sessão do
tri6unalJ 7Eu não podia ter sido recrutado por 'gnatov, pois nessa altura eu tinha
de> anos de idadeX8, o presidente do tri6unal Rda ?ircunscri+ão Filitar de
eninegrado, 1944S limitava1se a grasnarJ 7.ro-6o1o de caluniar a contra1espionagem
soviéticaX8 J3 est3 tudo decidido h3 muitoJ todo o grupo @ Brupo de (ch) 4 A mesma
colectLnea #as .ris9es ,s 'nstitui+9es Educativas nos proporciona elementos para
ver *ue a pré1determina+ão das senten+as é coisa velha, pois /3 nos anos de 1944149
as senten+as dos tri6unais eram dadas apenas em 2un+ão de considera+9es
econ:mico1administrativas) A partir de 1944, devido ao desemprego existente no pa-
s, os tri6unais diminu-ram as penas de tra6alhos correccionais, cumpridos em casa,
e aumentavam as de 6reves A$DU'.E AB& #E BU AB 451 de 'gnatov é para 2u>ilar) E s:
por acaso é *ue 2oi inclu-do no grupo um tal ipovJ ninguém o conhece e ele não
conhece ninguém) Iom, de acordo, ipov é condenado a de> anos) ?omo a
pré1determina+ão das senten+as torna menos espinhoso o caminho do tri6unalX "ão é
tanto /3 o al-vio do cére6ro, a dispensa de pensar, *uanto o al-vio moralJ não tens
de torturar1te, pensando em *ue te podes enganar na senten+a e deixar :r2ãos os
seus 2ilhos) E até no caso de um /ui> tão encarni+ado como Ulrich 1 *uantos
2u>ilamentos importantes não 2oram pro2eridos pela sua 6ocaX T, a pré1determina+ão
predisp9e , 6ondade) Em 1945, o ?olégio Filitar /ulgava o caso 7dos separatistas
estonianos8) E o 6aixinho, gorducho e 6onacheirão Ulrich *ue preside) "ão deixa
passar a ocasião de grace/ar, não s: com os colegas, mas tam6ém com os reclusos
Risso , é ser humanistaX Eis uma nova caracter-stica, onde /3 se viu issoYS) Ao
sa6er *ue %u>i é advogado, di>1lhe sorrindoJ 7En2im, a sua pro2issão vai ser muito
<tilX8 Fas o *ue é *ue na realidade os separaY .ara *u0 exasperar1seY & tri6unal
segue uma ordem agrad3velJ 2uma1se na mesa dos /u->es, e no momento prop-cio 2a>1se
um 6om intervalo para o almo+o) Duando a noite chega, é necess3rio ir deli6erar)
Fas *uando é *ue se viu deli6erar1se de noiteY #eixam os reclusos sentados a noite
inteira na sala e vão eles pr:prios para casa) .ela manhã chegam, todos
2res*uinhos, 6ar6eados, e ,s nove da manhã anunciamJ 7 evantem1se, est3 a6erta a
audi0nciaX8 E pregam de> anos a cada um) E se vierem di>er1nos *ue, pelo menos, a
&) %) &) não é hip:crita, en*uanto a*ui o 2ingimento é a regra, pois 6em, não,
decididamente não podemos aceitar issoX #ecididamenteX Ginalmente, a terceira
caracter-stica é a dialéctica Rdantes, grosseiramente, di>ia1seJ 7A lei é como a
6arra de uma carro+a, volta1se para o lado onde se *uer ir8S) & ?:digo não pode ser
uma pedra a 6arrar o caminho ao tri6unal) &s artigos do ?:digo t0m /3 de>, *uin>e )
vinte anos de vida, a um ritmo r3pido, e como disse GaustoJ & mundo todo muda e
anda para diante, por*ue hei1de ser eu a guardar palavraY
per-odos de prisão Rtrata1se, naturalmente, de delitos comunsS) 'sso teve como
conse*u0ncia a superlota+ão das cadeias por presos com penas in2eriores a seis
meses e a insu2ici0ncia de mão1de1o6ra nas col:nias de tra6alho) Em come+os de
1949, o ?omissariado do .ovo para a Justi+a, na sua circular n<mero cinco, ?$'('?&U
a aplica+ão de penas curtas, e em ;111149 Rna véspera do décimo segundo anivers3rio
de &utu6ro, *uando ia iniciar1se a edi2ica+ão do socialismoS, por resolu+ão do ?
omité Executivo do ?onselho dos ?omiss3rios do .ovo 2oi simplesmente .$&'I'#&
aplicar penas de prisão in2eriores a um anoX g 454 A$DU'.E AB& #E BU AB (odos os
artigos 2oram reco6ertos de interpreta+9es, de indica+9es, de instru+9es) %e os
actos do acusado não estão previstos no ?:digo, ele pode sera/ulgado aindaJ 1 .or
analogia R*ue imensas possi6ilidadesXSW 1 %implesmente pela sua origem Rartigo
51@5J por pertencer a um meio socialmente perigoso5SW 1 .or ter rela+9es com
pessoas perigosas;) R"ão pode haver maior amplitudeJ *ue pessoa é perigosa e em *ue
consistem essas rela+9es, isso s: o tri6unal sa6e)S Fas não h3 *uem levante
o6/ec+9es *uanto , exactidão das leis promulgadas) Em 1@ de Janeiro de 195C saiu o
ucasse so6re a restaura+ão da pena de morte Rem6ora possa pensar1se *ue ela nunca
desapareceu das caves de IériaS) A- se escreviaJ 7.odem ser executados os
sa6otadores e diversionistas)8 Due signi2icava issoY "ão se especi2icava) 'oci2
Vissarionovitch %taline pre2eria não di>er, mas insinuar) (ratar1se1ia unicamente
dos *ue dinamitam os caminhos de 2erroY "ão se indicava) 7#iversionista8, /3
sa6emos h3 muito o *ue éJ a*uele, cu/a produ+ão é de m3 *ualidade) Fas o *ue é um
sa6otadorY .or exemplo, a*uele *ue, em conversas no eléctrico, atentou contra a
autoridade do BovernoY &u a*uela *ue casou com um estrangeiroY Acaso ela não
atentou contra a grande>a da nossa p3triaY))) Fas não é o /ui> *uem /ulgaJ o /ui>
s: rece6e o vencimento) Duem /ulga são as instru+9es o2iciaisX As instru+9es do ano
de @5 eramJ de> anos, vinte anos, 2u>ilamento) As instru+9es do ano 4@J vinte anos
de tra6alhos 2or+ados, 2orca) As instru+9es do ano 45J a todos em geral de> anos de
prisão, mais cinco de priva+ão de direitos c-vicos Ro *ue era um meio de recrutar
mão1de1o6ra para o terceiro plano *uin*uenalS5) As instru+9es do ano 49J a todos em
geral vinte e cinco anos de prisãoQ) A m3*uina estampa as senten+as) Entretanto, um
preso é privado de todos os direitos desde *ue lhe cortam os 6ot9es, ao cru>ar os
um6rais do Finistério da %eguran+a do Estado, e /3 não pode evitar uma ?&"#E"AV\& 5
"a $ep<6lica da Z2rica do %ul, o terror chegou nos <ltimos anos ao ponto de *ue
cada negro suspeito pode ser preso sem culpa 2ormada por tr0s meses))) V01se logo
onde est3 a 2ra*ue>aJ por*ue não por tr0s a de> anosY ; 'sso ignor3vamo1lo) Goi
relatado no /ornal '>vie>tia, em Junho de 1955) ?omo Ia6aiev lhes gritou, ele *ue
era um preso de direito comumJ 7.odeis aplicar11me, se *uiserdes, tre>entos anos de
morda+a Rpriva+ão de direitosS) En*uanto viver não hei1 de votar por v:s, : meus
6en2eitoresX8 Q E assim um verdadeiro espião R%hult>, Ierlim, 194QS pode apanhar
uns de> anos, mas não uma pessoa *ue nunca o tenha sido R^unter VashAau, *ue 2oi
condenado a vinte e cinco, segundo parece, na vaga de 1949S) A$DU'.E AB& #E BU AB
45@ E os 2uncion3rios /udicials estão de tal modo ha6ituados a isso *ue cometeram
uma enorme ga22e em 195QJ pu6licaram nos /ornais o pro/ecto das novas 7Iases do
%istema
.enal da U) $) %) %)8 e E%DUE?E$AF1%E de inserir um ponto so6re a possi6ilidade de
uma senten+a de a6solvi+ãoX & :rgão do governo9 repreendeu1os, mas em tom 6randoJ
7'sso pode dar a impressão de *ue os nossos tri6unais s: pro2erem senten+as
condenat:rias)8 .onhamo1nos na pele dos /uristasJ por*ue é *ue, propriamente
2alando, os tri6unais devem ter duas sa-das, se as elei+9es gerais se reali>am com
um s: candidatoY A senten+a de a6solvi+ão é um a6surdo econ:micoX 'sso signi2ica
*ue os in2ormadores, os agentes operacionais, os investigadores, os procuradores,
os carcereiros e a escolta, todos tra6alharam em vãoX Eis um exemplo simples e t-
pico de um processo no tri6unal militar) Em 1941, as sec+9es de agentes
operacionais tche*uistas tinham por missão exercer uma actividade de vigilLncia
entre as nossas tropas inactivas *ue se encontravam na Fong:lia) & médico militar
osovsAi, *ue sentia ci<mes de uma mulher *ue dava sorte ao tenente .avel
(chulpeniov, 2e> a este tr0s perguntas) .rimeiraJ 7.or*ue é *ue te parece *ue
retrocedemos dos alemãesY8 R(chulpeniovJ 7Eles t0m mais recursos técnicos e
mo6ili>a1ram1se antes)8 osovsAiJ 7"ão, trata1se ,éum ardil, armamos1lhe uma
cilada)8S %egundaJ 7?on2ias na a/uda dos aliadosY8 R(chulpeniovJ 7?on2io em *ue nos
a/udarão, mas não desinteressadamente)8 osovsAiJ 7Engano, não nos a/udarão em
nada)8S (erceiraJ 7.or*ue é *ue trans2eriram Voro1chilov para o comando da 2rente
"oroesteY8 (chulpeniov respondeu e não voltou a pensar na conversa) Fas osovsAi
redigiu uma den<ncia) (chulpeniov 2oi)chamado , sec+ão pol-tica1da divisão e
expulso do =omsomolJ por esp-rito derrotista, por enaltecer a técnica alemã e por
minimi>ar a estratégia do nosso comando militar) "este caso, *uem mais discursou
2oi o secret3rio do =omsomol, =aliaguin Rnos com6ates de ^alAhin1Bol, em presen+a
de (chulpeniov, ele mostrara1se co6arde e agora tinha ocasião de a2astar do seu
caminho para sempre uma testemunhaS) Ei1lo preso) (em uma <nica acarea+ão com
osovsAi) "\& E #'%?U('#A a conversa anterior, entre os dois) Apenas 2a>em a osovsAi
uma perguntaJ 7?onhece este homemY8 1 7%im)8 1 7(estemunha, pode retirar11se)8 R&
investigador teme *ue a acusa+ão se desmorone1C)S 9 hvie>tia, 1C de %etem6ro de
195Q) osovsAi é agora candidato a doutor em ci0ncias médicas) Vive em Foscovo) (udo
ie corre 6em) (chulpeniov é condutor de tr:leis) 454 A$DU'.E AB& #E BU AB A6atido
por ter passado um m0s na 2ossa, (chulpeniov comparece perante o tri6unal da @;)a
#ivisão Fotori>ada) Estão presentes o comiss3rio da divisão, e6iedev, e o che2e da
sec+ão pol-tica, %lessariev) A testemunha osovsAi nem se*uer é convocada a vir
depor ao tri6unal) R"o entanto, para 2ormali>a+ão das 2alsas provas, /3 depois
do /ulgamento, são recolhidas as assinaturas de osovsAi e do comiss3rio
%erioguine)S .erguntas do tri6unalJ 7(eve alguma conversa com osovsAiY Due lhe
perguntou eleY Due respondeu voc0Y8 (chulpeniov respondeu ingenuamente, não
compreendendo ainda do *ue é culpadoJ 7Fas h3 tanta gente *ue di> issoX8 $e2lexo
autom3tico do tri6unalJ 7Duem precisamenteY #iga nomes)8 Fas (chulpeniov não é da
ra+a delesX E tem uma <ltima palavraJ 7.e+o ao tri6unal *ue comprove uma ve> mais o
meu patriotismo, dando1me a mim uma tare2a em *ue eu tenha de arriscar a vidaX8 E
numa atitude de paladino sinceroJ 7A mim e a *uem me denunciou, am6os /untosX8 AhX
'sso nãoX Esses costumes cavaleirescos, devemos extirp31los do nosso povo) osovsAi
deve receitar p-lulas, %erioguine educar com6atentes11) Acaso é importante
sa6er se vais morrer ou nãoY & essencial é *ile n:s se/amos vigilantes) %a-ram,
2umaram, regressaramJ de> anos de prisão e tr0s de perda de direitos c-vicos) ?asos
destes, durante a guerra, houve1os em cada divisão Rde outra maneira teria 2icado
caro manter os tri6unais militaresS) E o n<mero de divis9es *ue havia no total,
poder3 o leitor procur31lo) )))(odas as sec+9es dos tri6unais militares se
assemelham de modo sinistro) (ão sinistro como a 2alta de responsa6ilidade pessoal
e a insensi6ilidade dos /u->es, *ue pareciam ter luvas de 6orracha) ]s senten+as
são 2a6ricadas em série) (oda a gente tem um ar sério, mas compreende *ue isto é
uma palha+ada, e melhor do *ue ninguém os rapa>es da escolta, *ue são mais simples)
"o campo de trLnsito de "ovossi6irsA, em 1945, a escolta toma conta dos presos,
2a>endo a comunica+ão, por uma lista, da penaJ 7Gulano de talX, 5Q111a, vinte e
cinco anos)8 & che2e da escolta interessa1seJ 7.or*ue é *ue te deram tantosY8 1
7.ois, por nada)8 1 7Fentes) .or nada dão s: de>8 Duando o tri6unal tem pressa, a
7sessão8 dura um minutoJ entrar e sair) Duando a /ornada no tri6unal ocupa
de>asseis horas seguidas, da porta da sala de sess9es v01se uma toalha 6ranca, a
mesa servida e travessas com 2ruta) %e não t0m muita pressa, gostam de ler a
senten+a 7com psicologia8J 7#ecidiu ))) condenar o réu , pena m3xima)))8 .ausa)
&s /u->es n Victor Andreievitch %erioguine reside actualmente em Foscovo,
tra6alhando numa empresa de servi+os p<6licos) Vive 6em) A$DU'.E AB& #E BU AB 455
olham o condenado nos olhosJ é interessante ver como ele aguenta, o *ue é *ue ele
sente agora) 7))) Fas, levando em conta o seu sincero arrependimento)))8 (odas as
paredes da sala de espera do tri6unal estão riscadas com pregos e a l3pisJ 7?
ondenaram1me a 2u>ilamento8, 7?ondenaram1me a um *uarto de século8, 7#eram1 me de>
anos8) "ão apagam as inscri+9esJ elas são edi2icantes) (eme, verga1te e não penses
*ue podes mudar algo com o teu comportamento) Fesmo *ue pronuncies um discurso como
#EFH%(E"E%, em tua de2esa, na sala va>ia, diante um punhado de in*uiridores R&lga
%lios6erg, no %upremo (ri6unal, em 19@;S, isso não te servir3 de nada) Fas pode
aumentar a pena de de> anos para 2u>ilamento 1 isso pode) .or exemplo, se lhes
gritaresJ 7%ois uns 2ascistasX Envergonho1me de ter pertencido durante v3rios anos
ao vosso .artidoX8 R"iAolai %emionovitch #ascal, (ri6unal Especial do (errit:rio de
A>ov e do mar "egro, presidente AholiA, Faicop, 19@5S, eles insrauram1te um novo
processo, e então dão ca6o de ti) (chavdarov conta um caso em *ue, no tri6unal, os
réus, su6itamente, se recusaram a con2irmar as suas 2alsas con2iss9es, 2eitas
durante a instru+ão do processo) E *ue aconteceuY %e houve uma pausa para o rever,
2oi apenas de uns *uantos segundos) & procurador exigiu uma suspensão da sessão,
sem explicar para *u0) #a prisão acudiram a toda a pressa os investigadores e os
seus a/udantes carrascos) (odos os acusados, distri6u-dos pela 6ox, 2oram de novo
6em sovados, prometendo1lhes, numa segunda suspensão, dar1lhes ainda mais) &
intervalo terminou) & /ui> intenogou1os uma ve> mais a todos e eles então
reconheceram1se culpados) Alexandre Brigorievitch =aretniAov, director do 'nstituto
de 'nvestiga+ão ?ient-2ica so6re os (0xteis, demonstrou uma not3vel ha6ilidade) "o
pr:prio momento da a6ertura da sessão do ?olégio Filitar do %upremo (ri6unal
comunicou, através dos guardas, *ue *ueria 2ornecer provas suplementares) 'sso,
naturalmente, interessava) & procurador chamou1o) =aretniAov mostrou1lhe a sua
clav-cula purulenta, 2racturada pelo investigador com um 6anco, e declarouJ
7Assinei tudo so6 torturas)8 & procurador
arrependeu1se pela sua avide> em o6ter provas suplementares, mas /3 era tarde) Essa
gente s: é cora/osa en*uanto constitui uma pe+a invis-vel da m3*uina geral em
2uncionamento) Fas *uando so6re ela recai uma responsa6ilidade pessoal, *uando um
raio de lu> incide directamete so6re si, logo empalidece, compreendendo *ue não é
ninguém e *ue pode escorregar em *ual*uer casca de 6anana) Assim, =aretniAov
em6ara+ou o procurador e este não ousou enco6rir o assunto) Ao recome+ar a sessão
do (ri6unal Filitar, =aretniAov repetiu tudo))) Então o (ri6unal retirou1se para
e2ectivamen