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Dubleto de Sódio

1 Introdução
1.1 Spin-Órbita
Com o objetivo de discutir e argumentar as relações
de quantização do momento angular de elétrons orbi-
tando o núcleo
p
L = l(l + 1)~ (1)

e da componente z do momento angular

Lz = m l ~ (2)

faz-se necessário discutir o problema do átomo de hi-


drogênio.
O problema do átomo de hidrogênio, ilustrado na
figura 1, é dado, em termos da equação de Schrodinger
independete do tempo em coordenadas esféricas, para
o caso do elétron de massa reduzida rotacionando em
torno do núcleo estacionário, por

~2 2 e2 1
(− ∇ − )ψ(r, θ, ϕ) = Eψ(r, θ, ϕ) (3) Figura 1: Representação do problema do átomo de hi-
2µ 4π0 r drogênio com o núcleo fixo na origem e o elétron orbitando-
o. mp e me são, respectivamente, as massas do próton e
onde ~ é a constante de Planck, µ é a massa reduzida do elétron e r, θ e ϕ são as coordenadas em esféricas do
do elétron, e é a carga elétrica elementar,  é a permis- elétron.
sividade elétrica no vácuo, r é a distância do elétron
ao núcleo e ∇2 é, em coordenadas esféricas,
r
a0 cujas formas, por sua vez, dependem do número
2
1 ∂ ∂ 1 ∂ 1 ∂ ∂ quântico principal, n, e de l.
∇2 = 2 (r2 )+ 2 + (senθ )
r ∂r ∂r r sen2 θ ∂ϕ2 r2 senθ ∂θ ∂θ Ademais, os autovalores E ficam
(4)
µe2
É possı́vel resolver a equação 3 supondo separação En = − (9)
de variáveis, no qual a função de onda é dado por (4π0 )2 2~2 n2
e, além disso, os números quânticos devem ser tais que
ψ(r, θ, ϕ) = R(r)Θ(θ)Φ(ϕ) (5)
n = 1, 2, 3, ... (10)
que, quando substituı́das na equação do átomo de hi-
drogênio, pode-se chegar à l = 0, 1, 2, ..., n − 1 (11)
ml = −l, −l + 1, ..., 0, ..., +l − 1, +l (12)
Φml (ϕ) = eiml ϕ (6)
Portanto, as autofunções da equação 3, ψnlml , de-
Θlml (θ) = sen|ml | θFl|ml | (cosθ) (7) pendem desses três números quânticos, um associado
r l r à cada coordenada espacial.
Rnl (r) = e−r/na0 ( ) Gnl ( ) (8) Agora, tendo essas autofunções, é possı́vel calcular
a0 a0
o momento angular orbital associado, nesse caso, ao
onde a0 é o raio de Bohr, Fl|ml | (cosθ) são polinômios movimento do elétron ao redor do núcleo. Para tanto,
em cosθ cujas formas dependem do número quântico o momento angular é definido como
azimutal l e do valor absoluto do número quântico
magnético ml e Gnl ( ar0 ) também são polinômios em ~ = ~r × p~ = Lx î + Ly ĵ + Lz k̂
L (13)

1
onde ~r é a posição do elétron com momento linear p~.
Esse momento, por sua vez, no contexto da mecânica
quântica, é dado pelo operador momento linear

p~ = −i~∇ (14)

Assim, através de 13 e 14, é possı́vel obter o ope-


rador momento angular cujas componentes são dadas,
em coordenadas esféricas, por
∂ ∂
Lxop = i~(senϕ + cotgθcosϕ ) (15)
∂θ ∂ϕ

∂ ∂
Lyop = i~(−cosϕ + cotgθsenϕ ) (16)
∂θ ∂ϕ


Lzop = −i~ (17)
∂ϕ
Além dessas relações, é possı́vel ter o quadrado do
módulo do vetor momento angular

L2 = L2x + L2y + L2z (18) Figura 2: Representação dos vetores momento angular
dos estados possı́veis para l = 2.
que, em termos dos operadores, temos

1 ∂ ∂ 1 ∂2 Apesar das equações 22 e 24 não serem provas das


L2op = −~2 [ (senθ ) + ] (19)
senθ ∂θ ∂θ sen2 θ ∂ϕ2 1 e 2, são consistente com elas. As equações de
quantizações estabelecem que qualquer medida do mo-
Agora, através dessa relação e das autofunções em mento angular de um elétron no estado
p atômico n, l e
6, 7 e 8, é possı́vel calcular o valor esperado para o ml dará sempre Lz = ml ~ e L = l(l + 1)~.
momento angular L2 que é dado por Tendo em vista que, de 12, para o mesmo valor de l,
Z ∞ Z π Z 2π há 2l + 1 valores de ml , portanto para o mesmo valor
∗ de L, existem 2l +1 valores de Lz com as componentes
L2 = ψnml L2op ψnml senθdrdθdϕ (20)
0 0 0 Lx e Ly indeterminadas (com valores que flutuam de
onde tal forma que a média seja nula). A indeterminação
ψnml = Rnl Θlml Φml (21) dessas componentes é devido ao princı́pio da incer-
teza, o qual impossibilita a existências das três com-
que resulta em ponentes do vetor momento angular de uma partı́cula
quântica, assim como não se pode ter simultaneamente
L2 = l(l + 1)~2 (22) uma posição e um momento determinados.
A figura 2 representa os vetores momento angular
Além disso, é possı́vel calcular o valor esperado para
dos estados possı́veis para l = 2. Em cada estado, o
a componente z do momento angular Lz que é dada
vetor precessiona aleatoriamente em torno do eixo z.
por
Além do momento angular, associado ao movimento
Z ∞ Z π Z 2π

do elétron ao redor do núcleo, o elétron também tem
Lz = ψnml Lzop ψnml senθdrdθdϕ (23) o seu spin, momento angular intrı́nseco S, ~ além de seu
0 0 0
momento angular extrı́nseco L. ~
que, por sua vez, resulta em O spin do elétron, de maneira análoga ao momento
angular orbital, tem seu modulo
Lz = m l ~ (24) p
S = s(s + 1)~ (26)
Em contrapartida, realizando um cálculo análogo,
e sua componente z
temos que os valores médios para as componentes x e
y do momento angular, são Sz = ms ~ (27)

Lx = Ly = 0 (25) quantizados, enquanto, por sua vez, as componentes


Sx e Sy são indeterminadas. Os números quânticos s
Isso significa que, para uma grande quantidade de me- e ms associados ao spin do elétron, tem valores tais
didas, os valores de Lx e Ly são nulos, enquanto, por que
sua vez, o Lz dará multiplos de ~. s = 1/2 (28)

2
e precessionam aleatoriamente em torno do eixo z, mas
ms = −1/2, +1/2 (29) sim em torno de sua soma. Portanto, L e S e suas
componentes Lz e Sz não são mais bem determinados.
Associado ao momento angular de uma partı́cula Em contrapartida, o momento angular total
carregada, existe o momento de dipolo magnético µ ~.
Em particular, o momento de dipolo magnético de spin J~ = L
~ +S
~ (34)
µ~s é dado por
gs µb ~ tem seu modulo
µ~s = − S (30)
~
p
onde gs é o fator g de spin e µb é o magnetão de Bohr. J= j(j + 1)~ (35)
Agora, analisando o elétron orbitando o núcleo, do
ponto de vista do elétron, o núcleo circula em torno e sua componente z
dele. Essa carga positiva, analogamente à um anel de
corrente, gera um campo magnético B ~ dado por Jz = mj ~ (36)

~ = 1 e ~ bem determinados pelos números quânticos j e mj ,


B L (31)
4π0 mc2 r3 onde
mj = −j, −j + 1, ..., +j − 1, +j (37)
~ é o momento angular orbital do núcleo.
onde L
Quando o momento de dipolo magnético de spin e os valores de j são dados por
é exposto ao campo magnético gerado pelo núcleo, é
j = l + 1/2, l − 1/2 (38)
exercido um torque sobre o elétron que tende a alinhar
seu momento magnético paralelamente à direção do
A figura 3 representa os valores de mj possı́veis para
campo. Portanto, utilizando 30 e 31, o hamiltoniano
j = 3/2.
fica
2
~ =( e ) 1 S
H = −µ~s · B ~ ·L
~ (32) Por fim, pode-se calcular
4π0 m2 c2 r3
Contudo, o referencial do elétron não é um sistema J~ · J~ = L
~ ·L
~ +S
~ ·S
~ + 2L
~ ·S
~ (39)
inercial, ele acelera conforme orbita em torno do
núcleo. Por conseguinte, através da precessão de Tho- que, rearranjando e abrindo em termos dos números
mas, corrige-se esse cálculo acrescentando um fator quânticos fica
1/2 2
e2 1 ~ ·L
~ L ~ = ~ [j(j + 1) − l(l + 1) − s(s + 1)]
~ ·S (40)
H0 = ( ) 2 2 3S (33) 2
8π0 m c r
essa energia causa uma quebra de degenerescência em Enfim, voltando em 33, juntamente com o valor espe-
alguns estados do átomo, o que leva ao desdobramento rado de 1/r3 , temos
da estrutura fina.
e2 1 (~2 /2)[j(j + 1) − l(l + 1) − s(s + 1)]
Essa é a interação spin-órbita: o acoplamento do H0 =
movimento de spin do elétron, através de seu momento 8π0 m2 c2 l(l + 1/2)(l + 1)n3 a30
de dipolo magnético de spin, com o movimento orbital (41)
do próton, através do campo magnético por ele pro-
duzido. Esse acoplamento está representado na figura
3. 1.2 Dubleto de Sódio

O acoplamento spin-órbita, para o sódio, causa


uma estrutura fina conhecida como dubleto de sódio.
Essa estrutura pode ser analisada quando elétrons, no
sódio, passam do estado n = 3 e l = 1 (3p) para o
estado n = 3 e l = 0 (3s).
Nesse caso, quando o número quântico azimutal dos
elétrons é 1, de 38, há dois valores possı́veis para o
número quântico j, j = 1/2, 3/2, e esses estados não
são degenerados: há um diferença de 21 × 10−4 eV da
Figura 3: À esquerda: representação da precessão mo- energia no estado j = 3/2 para j = 1/2.
mento angular orbital e do spin em torno de sua soma. À Portanto, durante o processo de desexcitação de
direita: valores possı́veis de mj para j = 3/2. elétrons no estado 3p para o estado 3s, dois fótons com
uma diferença de comprimento de onda de 0, 597nm
Agora, com a interação spin órbita, os momentos são emitidos evidenciando, dessa maneira, o dubleto
angulares orbital e de spin de um elétron atômico não de sódio. A figura 4 representa esse fenômeno.

3
A luz incide sobre a primeiro superfı́cie com um
ângulo θ com a normal, e parte do feixe é transmi-
tido e parte é refletido. A fração transmitida, por sua
vez, incide a segunda superfı́cie, a qual também é par-
cialmente refletida e parcialmente transmitida e assim
sucessivamente. Como esquematizado na figura 5.
A diferença de fase gerado pela diferença de cami-
nho óptico de um raio de luz refletido e dos raios trans-
mitidos dentro da cavidade é dada por

δ = 2dcosθ (42)

Por fim, para que a interferência seja construtiva,


temos que os raios devem ter uma diferença de cami-
nho óptico tal que

2dcosθ = nλ (43)

onde n = 1, 2, 3, ... e λ é o comprimento da onda inci-


dente.

Referências
[1] Fabry-Perot Interferometers, Hernandez, G.
Figura 4: Representação da emissão de fótons por elétrons Cambridge University Press, ed. 1, 1986.
excitados, no átomo de sódio, quando passam do estado 3p
com j = 3/2 e j = 1/2 para o estado 3s. [2] Fı́sica Quântica. Átomos, Moléculas,
Sólidos, Núcleos e Partı́culas, Eisberg, R.
Resnick, R. Editora Campus, ed. 3, 1979.
[3] Mecânica Quântica, Griffiths, D. Pearson, ed.
2, 2011.

Figura 5: Sucessivas reflexões de um raio de luz dentro


de uma cavidade constituı́da por dois espelhos planos se-
parados por um distância d. A luz faz um ângulo θ com a
normal.

1.3 Interferômetro de Fabry-Petrot

O interferômetro de Fabry-Petrot é um instrumento


que desvia feixes à fim de causar interferência. Esse
interferômetro tem como componentes básicos uma
cavidade ressonante constituı́da por duas superfı́cies
semi-espelhadas paralelos.