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WBA0208_V1.

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Direito Processual
Previdenciário
Tema 05 – Revisão
Administrativa dos Benefícios
Previdenciários
Bloco 1

Rafaela da F. Lima Rocha Farache


REVISÃO ADMINISTRATIVA

Conceito: IN 77/INSS: Art. 559. A revisão é o


procedimento administrativo utilizado para
reavaliação dos atos praticados pelo INSS,
observadas as disposições relativas a
prescrição e decadência.
REVISÃO ADMINISTRATIVA

Legitimidade: Beneficiário, representante


legal ou procurador legalmente constituído,
INSS (órgãos de controle interno ou externo,
decisão recursal ou determinação judicial.)
REVISÃO ADMINISTRATIVA

Autotutela da administração:

Súmula 346: “A Administração Pública pode


declarar a nulidade dos seus próprios atos” .
REVISÃO ADMINISTRATIVA

Súmula 473: "A Administração pode anular


seus próprios atos, quando eivados de vícios
que os tornam ilegais, porque deles não se
originam direitos; ou revogá-los por motivos
de conveniência ou oportunidade, respeitados
os direitos adquiridos e ressalvada, em todos
os casos, a apreciação judicial”.
REVISÃO ADMINISTRATIVA

Pensão por morte: o processo de revisão


deve observar o prazo decadencial do
benefício originário.
REVISÃO ADMINISTRATIVA

Valores apurados em decorrência da


revisão:

I - para revisão sem apresentação de novos


elementos, desde a DIP, observada a
prescrição;

II - para revisão com apresentação de novos


elementos, a partir da data do pedido da
revisão - DPR.
REVISÃO ADMINISTRATIVA

Revisão que acarreta prejuízo: somente


será processada após regular processo
administrativo. Contraditório e ampla defesa.
DO TRÂMITE ADMINISTRATIVO PARA
APURAÇÃO DE IRREGULARIDADE-
DECRETO 3.048/99

Programa permanente de revisão da concessão e


da manutenção dos benefícios da previdência
social – apuração de irregularidades e falhas
existentes.
DO TRÂMITE ADMINISTRATIVO PARA
APURAÇÃO DE IRREGULARIDADE-
DECRETO 3.048/99

Setor específico para monitoramento


operacional dos benefícios – MOB: coibir
abusos e fraudes – verifica a regularidade dos
atos praticados na concessão e manutenção
dos mesmos.
DO TRÂMITE ADMINISTRATIVO PARA
APURAÇÃO DE IRREGULARIDADE-
DECRETO 3.048/99

Havendo indício de irregularidade na


concessão ou na manutenção do benefício:
instauração de processo administrativo –
notificação do beneficiário para apresentar
defesa no prazo de dez dias.
• INSS poderá realizar pesquisa externa,
convocar o interessado, emitir ofício às
empresas, cartórios, juntas comerciais, órgãos
públicos ou outra procidência necessária à
elucidação do fato.

• A instauração do processo de apuração,


materializada pelo despacho de instauração:
suspensão da prescrição por até cinco anos.
• Não comparecimento do beneficiário:
suspensão do benefício.

• Insuficiência ou improcedência da defesa:


cancelamento do benefício.
Recenseamento previdenciário: deve ser
realizado pelo menos uma vez a cada quatro
anos.

Conclusão do processo: relatório individual e


expedição de ofício de defesa ao interessado
com a descrição do indício de irregularidade
detectado, devidamente fundamentado, bem
como o montante dos valores passíveis de
devolução.
Concessão de prazo regulamentar para
interposição de recurso à JRPS.
DEVOLUÇÃO DOS VALORES RECEBIDOS
INDEVIDAMENTE
Erro: serão cobrados os valores recebidos
indevidamente há 5 anos, contados da data do
despacho de instauração do processo de
apuração.
DEVOLUÇÃO DOS VALORES RECEBIDOS
INDEVIDAMENTE
Fraude: a cobrança dos valores recebidos
indevidamente abrangerá a integralidade dos
valores pagos com base no ato administrativo
anulado, não estando sujeito ao prazo
decadencial previsto no art. 103-A, nem ao
prazo prescricional previsto no parágrafo único
do art. 103, todos da lei nº 8.213, de 1991.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

A revisão administrativa encontra limites no


próprio ordenamento jurídico: hipóteses e
prazos estabelecidos na legislação
previdenciária.

• Necessidade de estabilidade às relações


jurídicas. Princípio da segurança jurídica:
também é oponível ao estado.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

• Enquanto a decadência atinge o direito, e


por via de consequência a ação, a
prescrição atinge diretamente a ação e por
via oblíqua faz desaparecer o direito.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Washington de Barros Monteiro,


citando Clovis Bevilacqua:

“Prescrição é a perda da ação atribuída a um


direito, e de toda a sua capacidade defensiva,
em consequência do não uso dela durante
determinado espaço de tempo”.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Já a decadência, segundo o mesmo estudioso


do tema, é observada quando “o direito é
outorgado para ser exercido dentro de
determinado prazo; se não exercido, extingue-
se”. É dizer, “a prescrição atinge diretamente a
ação e por via oblíqua faz desaparecer o direito
por ela tutelado; a decadência, ao inverso,
atinge diretamente o direito e por via oblíqua
ou reflexa extingue a ação”.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Os prazos prescricionais incidem quando o


titular pode exigir de outrem a satisfação da
pretensão protegida.

No direito previdenciário, não há que se falar


em prescrição do direito ao benefício
previdenciário: direito fundamental/indisponível,
necessidade de índole eminentemente alimentar.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

A prescrição se dá em relação ao direito


patrimonial: prestações não reclamadas no
prazo de 5 anos, conforme dispõe o decreto
20.910/32:
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Art. 1º: As dívidas passivas da união, dos


estados e dos municípios, bem assim todo e
qualquer direito ou ação contra a fazenda
federal, estadual ou municipal, seja qual for a
sua natureza, prescrevem em cinco anos
contados da data do ato ou fato do qual se
originarem.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Súmula 85 do STJ: nas relações jurídicas de


trato sucessivo em que a fazenda pública figure
como devedora, quando não tiver sido negado
o próprio direito reclamado, a prescrição atinge
apenas as prestações vencidas antes do
quinquênio anterior à propositura da ação.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Lei 8213/91: art. 103, parágrafo único:


prescreve em cinco anos, a contar da data
em que deveriam ter sido pagas, toda e
qualquer ação para haver prestações
vencidas ou quaisquer restituições ou
diferenças devidas pela previdência social,
salvo o direito dos menores, incapazes e
ausentes, na forma do código civil.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Não corre a prescrição contra os absolutamente


incapazes: art. 198, I do código civil.

Durante o período de tramitação de processo


administrativo no qual se discute sobre o direito
do dependente ou segurado, o prazo
prescricional fica suspenso (art. 4º do decreto
20.910/32).
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

E a não ocorrência da prescrição em relação


a alguns dos dependentes não beneficiaria
os demais, ou seja, consumada a prescrição
em relação ao dependente capaz, ao incapaz
deve ser assegurado somente o pagamento
de sua quota parte.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Possibilidade de reconhecimento de
ofício da prescrição pelo juiz (Lei
n.11.280/2006)

NCPC – art. 487.


PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Ações referentes à prestações por acidente do


trabalho: prescrevem em 5 anos, contados da
data do acidente, quando dele resultar a morte
ou a incapacidade temporária, ou da data em
que for reconhecida pela previdência social a
incapacidade permanente ou o agravamento
das sequelas do acidente.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Durante o trâmite do processo administrativo,


não corre o prazo prescricional: somente
começa a correr o prazo prescricional a partir da
decisão definitiva do processo administrativo.

Reconhecimento administrativo do pedido pelo


INSS interrompe o prazo de prescrição. Ex:
revisão do art. 29, II da Lei 8213/81.
Memorando circular conjunto n.
21/DIRBEN/PFEINSS, de 15 de abril de 2010.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Julgamento do Pedilef 0012958-


85.2008.4.03.6315: o memorando circular
conjunto 21/DIRBEN/PFE/INSS, de 15 de
abril de 2010 constituiu causa interruptiva
da prescrição.
Direito Processual
Previdenciário
Tema 05 – Revisão
Administrativa dos Benefícios
Previdenciários
Bloco 2

Rafaela da F. Lima Rocha Farache


PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Item 4.2 do memorando circular


conjunto 21/DIRBEN/PFE/INSS, de 15-
4-2010:
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

São passíveis de revisão os benefícios por


incapacidade e pensões derivadas deste,
assim como as não precedidas, com DIB a
partir de 29.11.1999, em que, no período
básico de cálculo – PBC foram considerados
100% (cem por cento) dos salários-de-
contribuição, cabendo revisá-los para que
sejam considerados somente os 80% (oitenta
por cento) maiores salários de contribuição.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

A publicação do ato administrativo que


reconheceu o direito dos segurados à revisão
pelo art. 29 II da Lei 8.213/91 importou a
renúncia aos prazos prescricionais em curso,
que voltaram a correr integralmente a partir de
sua publicação, não pela metade.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Para pedidos administrativos ou judiciais


formulados dentro do período de 5 (cinco)
anos contados da publicação do ato normativo
referenciado, não incide a prescrição,
retroagindo os efeitos financeiros da revisão à
data de concessão do benefício revisando.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

A decadência incide sobre os direitos de


cunho potestativo: pode ser exercido por
iniciativa de apenas uma das partes, ou seja,
o titular do direito pode exigir a submissão do
obrigado a seus efeitos legais.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

A instituição do prazo decadencial para revisão


do cálculo dos benefícios previdenciários se
deu pela medida provisória n. 1.523-9, de
27.6.97, posteriormente convertida na lei n.
9.528, de 10.12.97, que deu nova redação ao
art. 103 da lei n. 8.213/91.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Art. 103 da Lei 8213/91, verbis:


É de dez anos o prazo de decadência de todo e
qualquer direito ou ação do segurado ou
beneficiário para a revisão do ato de concessão
de benefício, a contar do dia primeiro do mês
seguinte ao do recebimento da primeira
prestação ou, quando for o caso, do dia em
que tomar conhecimento da decisão
indeferitória definitiva no âmbito administrativo.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

A decadência atinge todo e qualquer direito ou


ação do segurado ou beneficiário tendente à
revisão do ato de concessão do benefício e foi
fixada inicialmente em dez anos, contados do
dia primeiro do mês seguinte ao recebimento
da primeira prestação, ou, quando for o caso,
do dia em que o segurado tomar conhecimento
da decisão indeferitória definitiva no âmbito
administrativo.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

O prazo decadencial foi reduzido para cinco


anos pela medida provisória n. 1.663-15, de
22.10.1998, convertida na lei n. 9.711, de
20.11.1998. No entanto, a medida provisória n.
138, de 19 de novembro de 2003, convertida
na lei n. 10.839, de 5.2.2004, voltou a fixar em
dez anos o prazo de decadência.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Benefícios concedidos antes da instituição


da decadência: o prazo decadencial começa
a correr da data da publicação da lei que
instituiu a decadência.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

O superior tribunal de justiça tem adotado o


entendimento de que o art. 103 da lei n.
8.213/91, na redação conferida pela lei n.
9.528/97, não possui eficácia retroativa quando
estabelece o prazo decadencial. Ou seja, a lei
nova não pode ser aplicada nas relações
jurídicas constituídas anteriormente, porque
implicaria, em última análise, violar os direitos
adquiridos dela resultantes. Neste sentido:
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

IN Nº 77/2015:
Art. 568. É de dez anos o prazo de decadência
de todo e qualquer direito ou ação do segurado
ou beneficiário para a revisão do ato de
concessão de benefício, a contar do dia
primeiro do mês seguinte ao do recebimento
da primeira prestação ou, quando for o caso,
do dia em que tomar conhecimento da decisão
indeferitória definitiva, no âmbito
administrativo, levando-se em consideração:
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

I - para os benefícios em manutenção em 28


de junho de 1997, data da publicação da MP
nº 1523-9 de 1997, a partir de 1º de agosto
de 1997, não importando a data de sua
concessão; e

II - para os benefícios concedidos com DIB, a


partir de 28 de junho de 1997, a partir do dia
primeiro do mês seguinte ao do recebimento
da primeira prestação.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

O DIREITO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL


DE REVER OS PRÓPRIOS ATOS:

Lei 8213/91. Art. 103-A. O direito da


previdência social de anular os atos
administrativos de que decorram efeitos
favoráveis para os seus beneficiários decai
em dez anos, contados da data em que
foram praticados, salvo comprovada má-fé.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

• Para os benefícios concedidos antes do


advento da lei n° 9.784 de 29 de janeiro de
1999, ou seja, com DDB até 31 de janeiro
de 1999, o início do prazo decadencial
começa a correr a partir de 1º de fevereiro
de 1999.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

• Para os benefícios com efeitos


patrimoniais contínuos, concedidos a
partir de 1º de fevereiro de 1999, o prazo
decadencial contar-se-á da data do
primeiro pagamento.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

O prazo decadencial atinge somente a


pretensão de rever o benefício e está
intrinsicamente ligado à segurança jurídica,
que repele a existência de pretensões eternas.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Entendeu o STF que a incidência da decadência


sobre as relações jurídicas em curso não
acarreta ofensa ao princípio do ato jurídico
perfeito, tampouco ofende direito adquirido.
(O STF reconheceu a repercussão geral no RE
626.489-SE).
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Não se aplica a decadência:

• Às ações declaratória de averbação de tempo


de serviço/contribuição – diante da ausência de
cunho patrimonial.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

• Às ações de desaposentarão - o que se


objetiva não é a revisão do ato, mas seu
desfazimento. Resp. 1348301.

Ocorre a interrupção do prazo de decadência


quando do requerimento administrativo de
revisão do ato de concessão.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Da retroatividade do art. 103-A: prevalece o


entendimento de que o prazo de decadência
é de 10 anos, tanto para o INSS rever seus
atos, quando eivados de nulidade ou
ilegalidade, tanto para o segurado requerer
a revisão de seu benefício.
PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA

Súmula 81-TNU: não incide o prazo


decadencial previsto no art. 103, caput, da
lei n. 8.213/91, nos casos de indeferimento
e cessação de benefícios, bem como em
relação às questões não apreciadas pela
administração no ato da concessão.