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O INFERNO À LUZ DAS ESCRITURAS

Origem da palavra Inferno


Inferno é uma palavra proveniente do latim e que não passou por uma
tradução para a língua portuguesa, mas foi apenas transliterada.
O significado original em latim para inferno é a morada da alma dos
mortos.
O termo inferno chegou às páginas das nossas Bíblias primeiramente
por meio da tradução de João Ferreira de Almeida, que usou o termo já
antes utilizado na Vulgata.

O inferno na Vulgata
O termo inferno, com suas variantes em latim,
aparece 80 vezes na Vulgata,
que é a tradução da Bíblia para o latim.
A tradução que deu origem à Vulgata
foi concluída no ano 405, pelo biblista Jerônimo
a pedido do papa Dâmaso I.
Jerônimo, que falava fluentemente o grego
e tinha noções do hebraico,
se valeu principalmente da Septuaginta
como fonte para a sua tradução do Antigo Testamento.
A Septuaginta
Septuaginta é o nome que se dá para a tradução
dos manuscritos da Bíblia hebraica para o grego,
a qual teria sido realizada por 72 rabinos no século I a.C.
Na Septuaginta o termo hebraico sheol já havia traduzido
para o grego hades, pois ambos expressavam a ideia
da morada dos mortos, ou para onde vão os mortos.
A comprovação bíblica de que foi uma tradução correta
está nas citações que o Novo Testamento faz de textos
do Antigo Testamento onde aparece o termo sheol.
Tanto em 1Co 15:55, que cita Oséias 13:14,
quanto Atos 2:27, que cita o Salmo 16:10, a palavra sheol
foi traduzida como hades pelos escritores inspirados.
SHEOL (Hebraico) = HADES (Grego) = INFERNO (Latim)
É natural que Jerônimo tenha escolhido a palavra inferno,
pois esse é o melhor correspondente em latim
para o hebraico sheol e para o grego hades.
Em latim, o termo que para nós sempre é traduzido como inferno,
aparece com pequenas variações na terminação dessa palavra,
segundo a regra gramatical do latim, como se vê a seguir.
Inferno: 16 vezes; Infernum: 19 vezes; Inferos: 12 vezes;
Inferni: 10 vezes; Infernus: 9 vezes; Inferi: 6 vezes;
Inferus: 5 vezes; Infernorum - 1 vez; Inferne – 1 vez; Inferna – 1 vez.
Portanto, há um total de 80 menções ao inferno
na tradução da Vulgata Latina.
Palavras que Jerônimo (na Vulgata) traduziu como inferno
A palavra inferno é a tradução, na Vulgata, dos seguintes termos
originais dos manuscritos bíblicos:
Antigo Testamento
Sheol, em todas as vezes que aparece.
Novo Testamento
Hades, em 10 das 11 vezes (exceção para 1Co 15:55)
Thanatos, apenas em Atos 2:24, apesar de haver 105 ocorrências
Tártaro, na única ocorrência, em 2 Pedro 2:4
Katachthonios, na única ocorrência, em Filipenses 2:10
Geenna, nenhuma vez!

GEENNA
Termo grego que ocorre 12 vezes no Novo Testamento.
Foi traduzido por João Ferreira de Almeida em 1681 como inferno.
No entanto, Jerônimo não traduziu como inferno
a palavra grega geenna, mas preferiu transliterar esse termo
para o latim, como gehennae ou gehennam.
Provavelmente o termo geenna não foi traduzido na Vulgata
como inferno por, pelo menos, três razões:
A Vulgata não traduz geena como inferno porque:

1º - Geenna era uma localidade geográfica, mais precisamente


um depósito de lixo localizado nas imediações de Jerusalém,
onde o fogo ardia continuamente.
A palavra geenna deriva do hebraico ge hinnom
(vale dos filhos de Hinnom) que foi um local onde,
nos tempos do Antigo Testamento, se sacrificavam crianças
num ritual pagão, sobre um altar chamado tofete.
Tal abominação é mencionada em Jeremias 7:31.

A Vulgata não traduz geena como inferno porque:

2º - Na literatura apocalíptica judaica escrita a partir do séc. II a.C


a geenna é mencionada como um lugar do castigo divino
após o juízo final, sendo assim o correspondente para
o lago de fogo descrito no Apocalipse.
Exemplos: Livro de Enoque 90:26; IV Esdras 7:36
e Oráculos Sibilinos 1.103, 2.291, 4.186.

A Vulgata não traduz geena como inferno porque:

3º - Porque Cristo retratou geenna como


um destino terrivelmente pior do que
meramente a morada dos mortos.
Exemplo dessa incompatibilidade:
Gênesis 37:35, de onde concluímos que: se o sheol fosse tão terrível
quanto a geenna, Jacó não teria desejado ir para esse lugar.
O que a geenna simbolizava nos ditos de Cristo

1) Um lugar de condenação (Mt 23:33)


2) Um lugar de fogo (Mt 5:22) e fogo inextinguível (Mc 9:43b)
3) Lugar de condenação por causa do pecado
(Mt 5:29,30; Mc 9:43-48)
4) Lugar onde perece o corpo e também a alma (Mt 10:28)
5) O contrário de se entrar na vida (Mt 18:9)
6) Local onde o verme* não morre e o fogo nunca se apaga.
(Mc 9:44,46,48)
* Verme da espécie que devora cadáveres.
POR QUE SHEOL NÃO PODE SER APENAS UMA SEPULTURA
1º - Porque há uma palavra específica para sepultura em hebraico:
(Qever, 62 ocorrências), havendo ainda outra para cova (Shachath, 23
ocorrências) e uma terceira que também pode significar cova (Bowr, 64
ocorrências).
2º - Porque nunca sheol foi traduzido como sepultura na Septuaginta,
mas sempre como hades. E os termos mencionados acima nunca foram
traduzidos como hades, mas sempre como sepultura ou cova nos seus
correspondentes gregos.
3º - A Bíblia fala de proprietários de sepulcros, mas nunca de
proprietários do sheol.
4º - Porque o sheol nunca está relacionado com o corpo físico, mas
com a alma.
Exemplos: Salmos 16:10; 30:3; 86:13; 89:48 e Provérbios 23:14.
5º - Porque o sheol é mencionado como:

 Um reino (Is 14:15)


 Tendo poder (Os 13:14)
 Tendo portas (Jó 17:16; 38:10)
 Sendo um lugar (Sl 49:14)
 Tendo profundidade (Dt 32:22; Is 14:9, Amós 9:2; Jó 11:8)
POR QUE HADES TAMBÉM NÃO É SEPULTURA

1º - Porque hades nunca foi entendido


como sepultura na literatura grega.
Ex.: O canto X do famoso poema épico Odisseia,
escrito por Homero no século IX a.C., retrata a visita
de Ulisses ao hades como sendo o mundo dos mortos.
O mesmo acontece na obra Teogonia de Hesíodo (séc. VIII a.c.)

2º - Os tradutores da Septuaginta
sempre traduziram o hebraico sheol pelo grego hades
Mas nunca os termos Qever, Shachath e Bowr
foram traduzidos por hades, pois significavam sepultura.

3º - O próprio Novo Testamento


usou o termo hades para substituir sheol
ao fazer a tradução de passagens do Antigo Testamento
Ex.: Atos 2:27 e 1 Coríntios 15:55

4º - Jesus mencionou o hades como


um local de tormentos, não como uma sepultura
Ex.: Lucas 16:23

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