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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

MBA EM ENGENHARIA DE SEGURANÇA DO TRABALHO

Resenha Crítica de Caso


Cristiano da Silva

Trabalho da disciplina Higiene do Trabalho


Tutor: Prof. Dr. Lucio Villarinho Rosa

Teresina
2019

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O CARRO DA GOOGLE

LAKHANIJA, Karimr.; WEBER, Mes.; SNIVELY, Christine. O Carro da Google.


Harvard Business School, março, 2015. Disponível em:
http://pos.estacio.webaula.com.br/ead/%5CTrabalhos
%5CSuplementos/1739/72108/40829.pdf. Acesso em: 26 out. 2019.

O artigo de Lakhanija, Weber e Snively abordam as perspectivas de


desenvolvimento de tecnologias para veículos autônomos da companhia norte-
americana Google Inc, especializada em serviços online e produção de softwares.
Os autores procuraram expor o tema em questão a partir do histórico de produção
de veículos autônomos, vantagens, desvantagens e obstáculos enfrentados pela
Google em relação a essa nova tecnologia.
A Google não tem comparada as outras montadoras à produção de
automóveis como um integrante do seu portfólio de produtos, entretanto, a
companhia encontrou na tecnologia de veículos autônomos uma grande
potencialidade de exploração garantindo mais segurança e comodidade ao
passageiro, acesso a pessoas com deficiência e idosos e possibilidade de atrelar
demais serviços da empresa como o Google Maps.
Tendo grande experiência na produção de softwares, armazenagem de
dados geográficos (Google Maps) e acesso a especialistas e capital à empresa tinha
todas as ferramentas para estar entre as principais produtoras de tecnologias para
carros autônomos, contudo, algumas barreiras ainda precisavam ser superadas para
a consolidação dessa tecnologia pela Google, especialmente em relação à aceitação
dos consumidores por esse produto.
Em termos históricos, a produção veicular em larga escala nos EUA iniciou-
se em 1900 tendo grande impacto na cultura daquele país permitindo que as
cidades crescessem próximas das rodovias assim como a população, reduziu-se o
isolamento das áreas rurais, assim como viajar passou a ter grande popularidade.

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Entretanto, alguns aspectos negativos do uso de veículos aos poucos se
evidenciaram tais como o tempo de demora no trânsito, aumento da poluição do ar e
o número de acidentes com mortes nas rodovias. Desse modo, a indústria
automotiva viu-se obrigada a desenvolver carros que sanassem parte desses
problemas incorporando melhorias tecnológicas.
A possibilidade de produção de carros autônomos sempre ficou restrita ao
mundo da ficção científica, contudo, a partir do século XXI as pesquisas e
incrementos que foram sendo adicionados aos veículos mostraram que essa
realidade estava mais próxima do que imaginavam. Por volta do ano 2000 a Agência
de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA) dos Estados Unidades
lançou o desafio DARPA Grand Challenge que objetivava o desenvolvimento de
tecnologias para veículos não tripulados acelerando o início das pesquisas com
veículos autônomos em várias universidades.
Sebastian Thrun e sua equipe da Universidade de Stanford, EUA, venceram
o desafio DARPA sendo os seus resultados tão impressionantes que levando o
então CEO da Google, Larry Page, a contratá-los para atuar no projeto Street View
do Google Maps o que evoluiu posteriormente para o surgimento do Google X que
desenvolveu a tecnologia para o carro autônomo da Google.
A partir de 2010 quando houve o primeiro anúncio do desenvolvimento de
veículos autônomos pelo Google, a equipe liderada por Thurn já haviam feito
grandes avanços como a construção de uma frota de 20 (vinte) automóveis
autônomos percorrendo mais de 500 mil milhas sem registros de acidentes,
atravessaram diversos tipos de terrenos, trafego intenso e vias com pedestres.
Mesmo obtendo grandes avanços nas pesquisas com automóveis
autônomos, ainda havia algumas imperfeições comprometedoras do projeto tais
como dificuldades para trafegar em condições chuvosa e nevada, perda dos carros
em áreas não constantes no Google Maps e parada dos veículos diante de sinais de
mão. Além desses contratempos era preciso superar a barreira de captação de
recursos para o desenvolvimento do veículo tendo o Google enfrentando
dificuldades em captar parceiros para a empreitada. Em agosto de 2013 iniciou-se
conversas com a Continental AG e a Magna International mas sem acordo.

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Na análise de mercado, as pesquisas não foram tão otimistas quanto à
adoção pelo público de veículos autônomos sendo a segurança e o custo excessivo
do automóvel os principais itens relatados pelos participantes o que frustrou os
fabricantes de carros. Aspectos relacionados à permissão de operação desses
veículos nas ruas também é um problema a ser superado pela Google, bem como a
proteção da privacidade de dados dos condutores como a não coleta de senhas, de
e-mails e demais informações confidenciais não criptografadas.
Além da Google outras companhias desenvolvem pesquisas com veículos
autônomos entre elas a General Motors, Wolkswagen, a Holandesa e Israelense
Mobileye, Audi, BMW e outras. Embora a Google esteja juntamente com outras
indústrias na dianteira do desenvolvimento de automóveis totalmente autônomos
ainda são muitos os obstáculos a serem superados até que esses veículos estejam
realmente à disposição dos clientes.
Vale-se ressaltar que nos EUA já há desde 2014 uma determinação do
Departamento de Transportes que passou a exigir que os veículos portem o sistema
V2V que permita uma comunicação múltipla entre os automóveis. A tecnologia V2V
ajudará a reduzir acidentes graves com veículos autônomos a partir do
compartilhamento em tempo real de dados como localização e velocidade sendo
este ainda um processo gradativo.
O artigo permitiu compreender um pouco acerca do desenvolvimento da
tecnologia de veículos autônomos do Google e todas as implicações relacionadas a
ela. Do ponto de vista da engenharia de segurança do trabalho a leitura foi salutar e
observou-se nexo entre os itens abordados e os aspectos da higiene do trabalho,
pois a criação de veículos totalmente automatizados pode vir a ajudar na redução
dos acidentes de trabalho nas rodovias, a adição de automóveis elétricos facilitaria a
diminuição da poluição do ar com reflexos diretos na saúde humana e qualidade de
vida, bem como a existência de controle de engarrafamentos e redução do tempo de
transporte implica diretamente na redução da monotonia, estresse e problemas
ergonômicos. Vale-se mencionar também que o texto destaca muito o papel da
tecnologia e a continuidade da nossa dependência deste recurso, o que em tese não
é um ponto positivo.