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À COMISSÃO EXECUTORA DO CONCURSO PÚBLICO

Ref. CONCURSO PÚBLICO PARA DOCENTE DA CARREIRA DO MAGISTÉRIO SUPERIOR DA


UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ – EDITAL 074/2019.

ADAMS BRUNNO SILVA, casado, Enfermeiro, inscrito no CPF sob o nº 830.608.552-34, RG nº


4352322, residente e domiciliado à Av. Perimetral nº 1313, Bairro Marco, CEP 66.095-300,
Belém, Pará, vem, mui respeitosamente à presença desta Colenda Comissão, interpor

RECURSO AO CONCURSO PÚBLICO EDITAL 074/2019

em face à RELAÇÃO PRELIMINAR DE CANDIDATOS PARA DOCENTE DE CARREIRA DO


MAGISTÉRIO SUPERIOR DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO PARÁ – UEPA – 2019, emitida em
caráter preliminar, pelos fatos e motivos que passa a expor.

1. DOS FATOS

O candidato em questão pleiteia junto à esta renomada Universidade o cargo de


Professor Substituto na área da Enfermagem, conforme rege o Edital nº 078/2018 UEPA, o qual
versa sobre Processo Seletivo Simplificado para Professor Substituto – Formação de Cadastro
Reserva – 2018/2019, provimento para professor substituto no caráter de cadastro de reserva.

LISIANY CARNEIRO DE SANTANA MOREIRA – INSC 116

MAICON DE ARAÚJO NOGUEIRA – INSC 466

ODENILCE VIEIRA PEREIRA - 1090

RAVENA CASTRO - 1045


RENATA GLAUCIA BARROS DA SILVA LOPES - 1270

THAIS HETIERRE ABREU MONTEIRO - 967

O ora Recorrente, após a análise desta Comissão, apresentou o resultado da NÃO


HOMOLOGAÇÃO em virtude da não apresentação do título de eleitor, ao que dispõe o item 3.1,
alínea “g” – 4, “cópia dos documentos pessoais solicitados no formulário de inscrição”, motivo o
qual se interpõe o presente Recurso Administrativo, haja visto que o comprovante das duas
últimas eleições são documentos formais que atestam fidedignidade em vias de cumprimento
com estrito dever de votação, cabendo rediscussão do fato, senão, que o façamos a seguir.

2. DO DIREITO
2.1. DA OBRIGATORIEDADE FORMAL E MATERIAL DO VOTO

A República Federativa do Brasil em sua Carta Constitucional – art. 14, §1º - versa sobre
a obrigatoriedade do voto para pessoas com idade entre 18 e 70 anos, o que, no ano de 2018,
ocorreram em 1º e 2º turno nos dias 07/10/2018 e 28/10/2018, respectivamente.

O propósito nacional e, acima de tudo, popular do voto perfaz a escolha dos


representantes nas principais casas legislativas do país, função de soberania em nossa
democracia, sendo um direito e ao mesmo tempo, um dever social expressado através do
exercício do voto.

Nesse sentido, o comparecimento dos cidadãos às urnas eletrônicas compromete


diretamente a credibilidade do povo diante das instituições políticas, sendo necessário,
portanto, o escrutínio secreto e com consequente comprovação desta votação que se dá por
meio dos comprovantes de votação dados aos eleitores ao término do voto.

Na última eleição a Justiça Eleitoral fez a revisão do eleitorado por meio do


recadastramento biométrico, sendo regido pela Resolução TSE nº 23.335, a qual regulamenta o
cadastramento biométrico mecanismo este adotado com o intuito de identificar seus eleitores
por meio das impressões digitais, garantindo mais segurança na hora de votar.

A consequência em vias da falta de registro biométrico é o estrito cancelamento do


título de eleitor,1 fato este que diverge completamente do comprovado junto ao Processo

1
http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/DIREITO-E-JUSTICA/563661-POR-FALTA-DE-
RECADASTRAMENTO-BIOMETRICO,-3,4-MILHOES-DE-ELEITORES-NAO-PODERAO-VOTAR-NESTE-
ANO.html
Seletivo que se almeja, atestado junto às documentações, o comprovante de votação o que
denota diretamente a regularidade do Recorrente em sede de Tribunal Eleitoral.

Data máxima vênia, Colenda Comissão, observado o ato de comprovação de votação


por meio dos comprovantes ora acostados no processo pleiteado, ainda que sem a cópia de
título de eleitor, fica cabalmente claro que o comprovante somente pode ser emitido se, e
somente se, estiver com cadastramento biométrico realizado - sua ausência leva ao estrito
cancelamento do título, como fora apontado ao norte - , o referido comprovante apresenta o
nome do eleitor, número de inscrição do título, seção, número da zona, data da eleição, turno
e Unidade Federativa do Eleitor.

Perfaz solar destacar que a posse do documento, no caso em tela, o comprovante de


votação, gera evidência, pelo sistema de votação vigente, de presunção favorável e direta ao
Recorrente, no sentido de que, exerceu regularmente seus direitos políticos, razão pela qual,
para que não se reconheça a quitação eleitoral, é preciso prova inequívoca em sentido
contrário, o que não ocorreu.

Ainda que não acostado aos autos por exigência editalícia o título de eleitor, fica
demonstrada de forma inconteste a quitação eleitoral, necessária ao deferimento e
homologação à vaga em Processo Seletivo Público, neste caso, para Professor Substituto da
Universidade do Estado do Pará para o cargo de Professor de Enfermagem na Disciplina de
Estágio Supervisionado na Assistência e Administração na Área Hospitalar (Clínica Médica e
Cirúrgica).

2.2. DA SUBSTITUIÇÃO DO TÍTULO DE ELEITOR PELO SISTEMA E-TITULO

Os Tribunais Regionais Eleitorais, por intermédio do Tribunal Superior Eleitoral exigiu


o já mencionado recadastramento biométrico por parte dos eleitores sob pena de cancelamento
dos títulos, impossibilitando, inclusive, a inscrição em concursos públicos com tal ausência.

Com o advento da informatização, o TSE não poderia de dar passos largos neste
sentido.

A obrigatoriedade do título de eleitor em papel fora substituída pelo celular2 sendo,


portanto, dispensável o uso do título de eleitor em papel através de um aplicativo de celular que
substitui a necessidade de portar o documento. O e-título, aplicativo criado para este fim, traz

2
http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-12/tse-lanca-aplicativo-para-substituir-titulo-de-
eleitor-em-pape
todas as informações que constam no papel e, para os eleitores que já fizeram o cadastramento
biométrico – que inclui também foto –, tornando prescindível o uso do título em papel.

A brevidade desta discussão se dá a atual substituição do modelo clássico, o título


impresso na forma de papel, com timbre nacional, pelo aplicativo que ratifica todas as
informações necessárias para a comprovação pessoal à votação, obtendo, ao término da
eleição, os comprovantes de votação, somente emitidos se em regularidade eleitoral.

Nobre Comissão, ainda que requisito básico a cópia do título, nem o próprio TSE/TER
não faz plenitude em seu uso, tendo outros mecanismos para sua auferição, sendo cabal
destacar que a regularidade do eleitor se mescla com a identificação biométrica e comprovante
de votação, atos estes colacionados à peça vestibular, acostado aos documentos de inscrição
necessários, cabendo a decorrente HOMOLOGAÇÃO deste Recorrente, guardando guarida ao
que já fora até aqui discutido.

2.3. DA INTELIGIBILIDADE DA CORTE JUDICIAL

Nobres membros da Comissão Executiva Do Processo Seletivo, é salutar descrever que


as decisões reiteradas de nossos Colégios Judiciais entoam para este azimute ao dar provimento
às decisões com a demonstração dos comprovantes de eleição, ainda que com previsão
editalícia, mas que atestam imperativamente a regularidade eleitoral do participante, o que leva
à discussão do caso em tela, a apresentação formal e material dos comprovantes de votação do
Recorrente, ainda que não esteja acostado a cópia do título, este, já substituído pelo sistema de
biometria e aplicativo e-titulo, previsão legal atualmente aceita em todo o Brasil.

O simples fato de anexação da cópia do título não condiz com a regularidade do


participante, nos dias atuais, sendo clara a várias possiblidades eletrônicas de sua fiscalização.

No que tange às decisões de Corte, eis que vejamos:

ADMINISTRATIVO MILITAR. CONCURSO. EXIGÊNCIA DE


APRESENTAÇÃO DE TÍTULO DE ELEITOR E DE COMPROVANTE DE
VOTAÇÃO OU JUSTIFICATIVA. APRESENTAÇÃO PELO CANDIDATO, EM
SUBSTITUIÇÃO, DO PROTOCOLO DE ALISTAMENTO EXPEDIDO PELA
JUSTIÇA ELEITORAL E DE CERTIDÃO DE QUITAÇÃO ELEITORAL.
POSSIBILIDADE. REGULARIDADE AFERIDA. RAZOABILIDADE. RECURSO
E REMESSA DESPROVIDAS. - Cuida-se de remessa necessária e de
apelação, interposta pela União Federal, objetivando reformar
sentença (fls. 72/73) que, em sede de ação mandamental, concedeu a
segurança requerida. - A hipótese é de mandado de segurança
impetrado por Jonathas Fagundes dos Santos objetivando sua inclusão
na Turma 2006 do Curso de Formação de Soldados Fuzileiros Navais/T-
1.2006. Alega o demandante ter sido impedido de prosseguir em
processo seletivo, no qual foi classificado dentro do número de vagas
existentes, pelo fato de a Administração Militar não ter aceitado, em
substituição ao Título de Eleitor e ao comprovante de votação ou
justificativa referente à última eleição, o protocolo de alistamento
expedido pela Justiça Eleitoral (fls. 41) e a Certidão que atestava estar
o Impetrante quite com a Justiça Eleitoral (fls. 43). - Com efeito, o
documento editalício é o instrumento, por meio do qual, a
Administração Naval torna pública a realização do concurso, servindo
também para especificar as regras e condições para a convocação dos
interessados. Neste ponto, cumpre aos pretensos candidatos
adequarem-se às normas ali previstas. A exigência do título de eleitor
tem como escopo aferir a regularidade do candidato com a Justiça
Eleitoral. Se essa regularidade pôde ser aferida mediante outro
documento igualmente idôneo e oriundo do órgão competente, o
objetivo do edital foi alcançado. - Observância do princípio da
razoabilidade. - (TRF-2 - AMS: 200651010004488 RJ
2006.51.01.000448-8, Relator: Desembargadora Federal VERA LUCIA
LIMA, Data de Julgamento: 10/10/2007, QUINTA TURMA
ESPECIALIZADA, Data de Publicação: DJU - Data::18/10/2007 -
Página::299/300)

3. DOS PEDIDOS

Isto posto, requer o Recorrente a reanálise do item 3.1, alínea “g” – 4, “cópia dos
documentos pessoais solicitados no formulário de inscrição”, conferindo-lhe a condição de
HABILITADO para o certame em questão, com consequente participação nas fases que se
seguem de acordo com previsão editalícia.
Nestes termos, pede deferimento.

Belém, 07 de dezembro de 2018.

Adams Brunno Silva

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