Você está na página 1de 36

Curso: Aduaneira & Logística

Trabalho de colminaçᾶo do curso

Análise do impacto dos benefícios fiscais aos MegaProjectos sobre a produção


nacional de Moçambique: Caso da Mozal (2014-2017).

Nome:

Lido Ernesto Cuamba

Supervisor꞉ Arlindo Nhassengo

Maputo Novembro, 2019


INSTITUTO FOCO

Análise sobre o impacto dos benefícios fiscais concedidos aos Mega Projectos a
produção nacional: Caso da Mozal (2014-2017)

Trabalho a ser submetido ao Instituto Foco


como cumprimento parcial dos requisites
necessários para a obtenção do grau de Técnico
Medio Profissional de Aduaneiro e Logística.

Supervisor꞉ Arlindo Nhassengo

Maputo Novembro, 2019


Índice
Declaração de Autoria .................................................................................................. ii
Declaração de Supervisor ............................................................................................ iii
Dedicatória ................................................................................................................... iv
Agradecimentos ............................................................................................................ v
Abreviaturas ................................................................................................................. vi
Resumo ....................................................................................................................... vii
CAPITULO I˸ INTRODUÇÃO .................................................................................... 8
Introdução ..................................................................................................................... 8
1.1Delimitação do Tema ............................................................................................... 9
1.2.Objectivos: .............................................................................................................. 9
Geral .............................................................................................................................. 9
Específicos:............................................................................................................................. 9
1.3.Problema ................................................................................................................. 9
1.4.Hipóteses:.............................................................................................................. 10
1.5.Justificativa ........................................................................................................... 10
1.6.Metodologia .......................................................................................................... 11
1.7.População .............................................................................................................. 11
1.8.Amostra ................................................................................................................. 11
CAPITULOII: REVISÃO DA BIBLIOGRAFIA ....................................................... 11
2.1. Benefícios fiscais ................................................................................................. 11
2.1.1Instrumento de controlo dos Benefícios Fiscais ................................................. 13
2.1.2. Prazo para submissão da declaração de benefícios fiscais................................ 13
2.1.3. Tipos de Benefícios Fiscais .............................................................................. 13
2.1.4. Objectivos dos Benefícios Fiscais .................................................................... 14
2.1.4. Classificação dos Benefícios Fiscais ................................................................ 15
2.1.4.1. Princípios dos Benefícios Fiscais .................................................................. 16
2.1.4.2. Concessão dos Benefícios Fiscais .................................................................. 17
2.1.4.3. Transmissão dos Benefícios Fiscais............................................................... 18
2.1.5. Extinção dos Benefícios Fiscais ....................................................................... 18
2.1.6. Importância dos Benefícios Fiscais .................................................................. 19
2.1.7. Vantagens dos Benefícios Fiscais ..................................................................... 19
2.1.8. Desvantagens dos Benefícios Fiscais................................................................ 20
2.2. Mega Projectos .................................................................................................... 20
2.2.1. Papel dos Mega Projectos no desenvolvimento do país ................................... 20
2.2.2. Características dos Mega Projectos .................................................................. 20
2.2.3. Importância dos Mega Projectos ....................................................................... 21
CAPÍTULO III: DESCRIÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS . 21
3. Breve Caracterização da Mozal .............................................................................. 21
3.1. Benefícios fiscais Concedidos à Mozal ............................................................... 22
3.2. A Mozal e a Legislação Moçambicana ................................................................ 23
3.3.A Mozal e a Economia Moçambicana .................................................................. 24
3.4. Impacto dos benefícios fiscais concedidos a Mozal ............................................ 26
5.RECOMENDAÇÕES .............................................................................................. 31
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................... 32
ii

Declaração de Autoria
Eu Lido Ernesto Cuamba, declaro, por minha honra, que o presente trabalho é da minha
autoria e que nunca foi anteriormente apresentado para avaliação em alguma instituição
de ensino nacional ou estrangeira.

O autor˸

ˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍ

(Lido Ernesto Cuamba)


iii

Declaração de Supervisor
Eu Arlindo Nhassengo, declaro ter sido o supervisor do Trabalho de Conclusão do
Curso do aluno Lido Ernesto Cuamba, do curso de Aduaneiro e Logística, com o tema,
Estudo do impacto da zonas económicas especiais na melhoria de ambiente de negócios
em Moçambique.

E por ser verdade firmo a presente declaração.

O Supervisor˸

ˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍˍ

(Arlindo Nhassengo)
iv

Dedicatória
Dedico este trabalho aos meus pais: Ernesto Januário Cuamba e Paciência Jaime
Ngovene aos quais desde já o meu reconhecimento por tudo quanto tem feito por mim.
v

Agradecimentos
Aos meus pais e a toda minha família que com muito carinho e apoio que me deram
esforços para que eu chegasse até esta etapa da minha vida.

Agradecimento especial vai para professor Nelson Mulemba, Euclides e meu supervisor
Arlindo Nhassengo por toda assistência e disponibilidade manifestada e relevada
durante a elaboração do presente trabalho.

A todos professores do Instituto Foco que foram tão importantes na minha vida.

Aos seis meus amigos da minha turma: Amonio Paulo, Catarina Envelope, Pascoa
António, Maina Hassane, Ana Cleyd e Latifa France, que com muito companheirismo
fizeram dos anos do Instituto anos divertidos e agradáveis, e que são levados com muito
carinho nas minhas caminhadas.

Aos demais amigos, pelo suporte e confiança ao longo de toda jornada.

E por último o meu melhor amigo Francelino Artur, pelo apoio incondicional prestado
durante a minha formação acadêmica.
vi

Abreviaturas
CBF- Codigo dos Beneficios Fiscais

OE- Orçamento do estado

BVM- Bolsa de Valores de Moçambique

AR- Assembleia da República

CGE- Conta Geral do Estado

CM- Concelho de Ministro

FMO- Fórum de Monitoria do Orçamento

INE- Instituto Nacional de Estatística

IRPS- Imposto sobre o rendimento das pessoas singulares

IRPC- Imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas

IVA- Imposto sobre o valor acrescentado

NUIT- Número único de identificação Tributária

PIB- Produto interno bruto

MF- Ministério das finanças

USD- Dólar dos Estados Unidos

ZEE- Zonas Económicas Especiais

ZFI- Zonas Francas Industriais

FMI- Fundo Monetário Internacional


vii

Resumo
O presente trabalho analisa o Impacto económico produzido na economia Moçambicana
em decorrência dos incentivos fiscais concedidos aos Mega Projectos (considerados os
mais importantes para o apoio so desenvolvimento económico e à industrialização).
Com efeito, diariamente são anunciados novos projectos bem como referenciadas novas
oportunidades, estando Moçambique no centro das atenções dos principais actores da
economia mundial. Como forma de impulsionar o desenvolvimento económico, o
Governo concedeu incentivos fiscais a Mozal e a outros mega projectos. Como desde o
início de actividades a área onde a Mozal se instalou foi declarada Zona Franca
Industrial, importa as matérias-primas que necessitam a produzir alumínio e compra de
bens e serviços. Além de isenção do IVA a Mozal tem também isenção da contribuição
industrial, isenção da contribuição predial urbana assim como qualquer outro imposto
do Estado sobre os seus imóveis e não paga imposto sobre a sua produção. Como tal, a
economia Moçambicana perdeu receita fiscal ao longo dos anos em que foram
implantados projectos do investimento de relevância económica e social estruturantes,
como sejam os da Mozal e da Sasol. Dado o pacote de incentivos fiscais aplicados à
Mozal e aos demais megas projectos, eles tem contribuído muito pouco para receitas
fiscais do Estado.

Palavras-chaves: Benefícios fiscais, Mega Projectos, Produção nacional.


8

CAPITULO I˸ INTRODUÇÃO
Introdução
O presente trabalho tem como tema Análise sobre o impacto dos benefícios fiscais
concedidos aos Mega Projectos sobre a produção nacional.

Nas últimas décadas, a economia Moçambicana tem-se caracterizado por um elevado


nível de crescimento económico, dinamizado pela introdução dos recursos externos em
forma de investimento directo estrangeiro e grandes projectos ou simplesmente mega
projectos. Desde a independência nacional em 1975, o país vem lutando contra uma
série de constrangimento ao crescimento, que têm agravado os níveis de pobreza em
todo o país, especialmente nas zonas rurais. Estes constrangimentos se estendem desde
as calamidades naturais que tem afectado o país, até a dívida externa elevada.

Diante esta situação, o Governo tem apostado em implementar programas que visam o
desenvolvimento social e económico do país no sentido de melhorar as condições de
vida dos cidadãos tendo para tal envidando esforços para a promoção de um ambiente
de negócios favorável para o investimento nacional e estrangeiro, bem como continuar a
atrair investidores estrangeiros e nacionais para aumentar o investimento dentro de
território nacional. Dentre as diversas políticas utilizados pelo Governo para ampliação
ou atracção de investimentos no país, destaca-se Benefícios Fiscais- medidas que têm
dividido opiniões, quer entre o Governo e economistas, quer entre o governo e
sociedade civil. Enquanto o governo defende que os benefícios fiscais são necessários
para atrair investimentos e para criação de empregos, os economistas considera-se
desnecessários e capazes de cobrir esquemas de corrupção (INCENTIVOS
fiscais…Jornal Voa Português. Moçambique. 27 fev. 2017)

Diante dessa divergência de opiniões, torna-se importante estudar o impacto dos


benefícios fiscais na economia nacional.

Dessa forma, o presente estudo busca analisar, de um lado os benefícios fiscais,


indicando os tipos, objectivos e características e em que medida podem ser empregues
para promover o desenvolvimento da economia na producao nacional, bem como
indicar a sua importância, vantagens e desvantagens que proporcionam para a economia
no seu lado. De outro lado, pretende avaliar o impacto dos benefícios fiscais concedidos
a Mozal, no que tange a arrecadação de receitas fiscais, uma vez que estes
megaprojectos estão localizados numa Zona Franca Industrial.
9

1.1Delimitação do Tema
O presente trabalho tem como tema Análise sobre o impacto dos benefícios fiscais
concedidos aos Mega Projectos sobre a produção nacional, teve uma perspectiva
temporal de 2014 a 2017, pelo facto de avaliação das matérias foi suficiente para a
minha análise, este trabalho visa analisar o impacto dos benefícios fiscais concedidos
aos Mega Projectos sobre a produção nacional na sua generalidade. Importa também
referir que a pesquisa foi realizada no Parque Industrial de Beluluane em Mozal.

1.2.Objectivos:
Geral
 Analisar o Impacto dos benefícios fiscais concedidos aos Mega Projectos sobre a
produção nacional

Específicos:
 Indicar a importância dos benefícios fiscais sobre a produção na economia
Moçambicana;
 Compreender o papel da Mozal no crescimento económico;
 Apresentar os principais objetivos e particularidades dos benefícios fiscais.

1.3.Problema
Segundo Castel-Branco (2008), megaprojectos são actividades de investimento e
produção com características especiais. O seu orçamento é definido pelos montantes de
investimentos acima de 500 milhões de dólares, o impacto na produção e comércio é
enorme. O desenvolvimento de Moçambique, afirma o Banco Mundial, passa agora a
tirar partido dos impactos positivos de projectos de grande escala como a Mozal para
conduzir ao crescimento económico noutras áreas da economia. O objectivo dos
benefícios fiscais é a redução de impostos com vista á dinamização da economia. Para
(Mussagy. s/d) os megaprojectos desempenham um papel importante no processo da
economia Moçambicana. Diz este autor que Moçambique tem feito um esforço de
desenvolvimento muito significativo, procurando fundar continuamente o seu processo
de crescimento económico por via de vários sectores da economia e particularmente
pela atracção de mega projectos. A nível macroeconómicas pode se constatar, por
10

exemplo que em 2015 o crescimento do PIB real de Moçambique foi de 6.6% e a Mozal
contribui deste crescimento. Isto é apenas uma amostra de como Mozal afecta a
economia nacional. Enquanto os megaprojectos, contribuíram substancialmente para
aumentar o crescimento económico e salários, muitas pequenas e medias empresas por
todo país estão a viver dificuldades. Questiona se o seguinte:

Qual é o contributo dos megaprojectos para a economia nacional no que trás a


arrecadação de receitas afiscais, uma vez que goza de géneros incentivos fiscais?

1.4.Hipóteses:
H1: Os megaprojectos na economia nacional ajudam no crescimento, no fornecimento
de serviços públicos fundamentais, a aumentar a capacidade de investir na
diversificação da base produtiva, no desenvolvimento de proteção, segurança e
assistência social e a reduzir a carga fiscal de outras empresas e aumenta o excedente
disponível para o financiamento de actividade económica em outras áreas.
H0˸ Os megaprojectos na economia nacional não ajudam no crescimento, no
fornecimento de serviços públicos fundamentais, a aumentar a capacidade de investir na
diversificação da base produtiva, no desenvolvimento de proteção, segurança e
assistência social e a reduzir a carga fiscal de outras empresas e aumenta o excedente
disponível para o financiamento de actividade económica em outras áreas.

1.5.Justificativa
Na tentativa de equilibrar as desigualdades regionais existentes e de promover o
desenvolvimento económico, o Governo concede incentivos fiscais às empresas com
vista a alavancar o desenvolvimento das empresas na geração de emprego, inclusive
atracção de investimento directo estrangeiro.
Deste modo, o presente estudo visa demostrar como os benefícios fiscais influenciam no
crescimento socioeconómico no país, bem como verificar a participação da Mozal no
processo da criação de emprego e no crescimento económico. Além do propósito de
mostrar os proveitos gerados pelos incentivos fiscais aos mega projectos.

Devido as consequências positivas ou negativas que os benefícios fiscais concedidos


aos Mega Projectos (particularmente a Mozal), podem ocasionar a economia nacional, o
estudo dos mesmos é de grande relevância para a sociedade, empresas e para o
Governo.
11

1.6.Metodologia
Uma vez os eixos problemáticos, a justificativa e os objectivos da pesquisa apresentam
os procedimentos que irão orientar o presente estudo. Por entender que a reflexão acerca
dos benefícios fiscais concedidos aos Mega Projectos devem ser estruturados a partir do
contexto em conformidade com objectivos apresentados.

Este estudo é uma pesquisa qualitativa, tem o propósito de analisar o impacto dos
benefícios fiscais concedidos aos Mega Projectos sobre a produção nacional: Caso da
Mozal (2014-2017).

Para a elaboração do presente trabalho recorreu-se no método de revisão bibliográfica,


que consistiu na consulta de várias obras nacionais e internacionais que abordam sobre
o tema abordado.

A bibliografia pertinente oferece meios para definir, resolver não somente problemas já
conhecidos, como também explorar novas áreas onde os problemas não se cristalizaram
suficientemente. (MANZO 1971).

Outro método aplicado foi a pesquisa de obras cibernéticas, vários conteúdos foram
apresentados e coube a fazer a selecção do conteúdo importante a realização do
trabalho. Também procurou-se informar em Legislação e Jornais.

1.7.População
A população a se estudar é o conjunto dos Mega Projectos localizados nas Zonas
Francas Industriais em Moçambique.

1.8.Amostra
Sendo a amostra uma parcela convenientemente seleccionada do universo (população);
tem-se como amostra do presente estudo a Mozal.

CAPITULOII: REVISÃO DA BIBLIOGRAFIA


2.1. Benefícios fiscais
Segundo Maria Aparecida Vera Cruz Bruni da Moura Benefícios Fiscais são “medidas
fiscais que excluem total ou parcialmente o crédito tributário, aplicandos pelo Governo
12

Central com a finalidade de densolver economicamente um determinado sector de


actividade” .

Segundo o art.2 da Lei n°4/2009 de 12 de janeiro que aprova o código dos Benefícios
fiscais consideram se os Benefícios Fiscais como “medidas que impliquem a isenção ou
redução de montante a pagar dos impostos em vigor com o fim de favorecer actividades
de reconhecimento interesse público bem como incentivar o desenvolvimento
económicodo país”.

O que pode verificar destes dois conceitos (doutrinal e Jurídico) é: os ambos abordam a
questão dos benefícios fiscais como sendo do caracter especial e que deve estar voltado
aos interesses públicos. O conceito doutrinal incide apenas na vertente de excluir
parcialmente o crédito, sendo que a lei acrescenta a isenção para além de excluir.

Pode se verificar que os benefícios fiscais constituem um regime especial que envolve
uma vantagem ou simplesmente um desbravamento fiscal perante o regime normal,
assumindo se como uma forma de isenção, redução de taxas, amortizações e crédito
fiscasl. Por outras palavras benefícios fiscais referem-se a concessão de um
desbravamento fiscal perante o regime normal de tributação pela Administração
pública, com vista a estimular o investimento, crescimento ou geração de empregos em
um sector ou actividade económica.

O país tem efectuado um esforço de desenvolvimento muito significativo, procurando


sustentado o seu processo de crescimento. As autoridades públicas têm-se revelado
particularmente empunhandas em atrair investimento diversificado através de um amplo
programa de incentivos. O regime jurídico atinente à realização de investimentos
nacionais e estrangeiros encontra-se consagrado na Lei de investimentos, aprovado pela
lei n°.3/93, de 24 de julho, e no regulamento da Lei de investimentos, aprovado pelo
Decreto n°.43/2009, de 21 de Agosto.

SHAM.2003, afirma que “ muitos países, em particular os que possuem menores


recursos financeiros, tem implementado benefícios fiscais para sua promoção e
desenvolvimento. Actualmente a maioria dos governos, tanto em países desenvolvidos
como em vias de desenvolvimento, adoptam activamente as suas economias, com vista
a acelerar o seu ritmo de crescimento económico sustentado, melhorando e facilitando
para o efeito as actividades de investimento privado”.
13

A utilização dos benefícios fiscais é como instrumento que alimenta o interesse das
empresas privadas em investirem no seu crescimento, havendo consequentemente
desenvolvimento nos níveis tecnológicos e competitividade da economia nacional,
gerando além de novos empregos, que impulsionam o desenvolvimento socioeconómico
e aumento de arrecadação de receitas.

2.1.1Instrumento de controlo dos Benefícios Fiscais

O código dos benefícios fiscais determina que os destinatários dos benefícios fiscais
deveram dispor da contabilidade organizada, de acordo com plano geral de
contabilidade e das exigências do código de impostos de rendimento das pessoas
coletivas e código de impostos de rendimento das pessoas singulares. No entanto, é
recomendável a existência de uma contabilidade analítica em que se verifica os regimes
fiscais distintos e controlar extracontabilsticos.

Como instrumento do controlo, as empresas beneficiantes de incentivos fiscais são


obrigados a submeter à Autoridade Tributária a Declaração anual de benefícios fiscais
com as respectivas anexos, que sera instrumento de controlo dos Benefícios Fiscais. Os
anexos da declaração anual de benefícios fiscais deverão indicar a origem das compras e
despesas que são lugar as deduções, com a indicação no número da factura nome do
fornecedor, importância e montante total a deduzir, bem como as amortizações
aceleradas a efectuar.

Por outro lado, Waty (2007:208) afirma que os benefícios fiscais previstos na Lei
podem ser atribuídos através de diplomas específicos incluído os que disciplinam os
contratos fiscais.

2.1.2. Prazo para submissão da declaração de benefícios fiscais.


A declaração dos benefícios fiscais e respectivos anexos deveram submetidos junto a
Unidade ou Direcção da Área Fiscal juntamente com o modelo 22, ou seja até ao final
do quinto mês do período de tributação.

2.1.3. Tipos de Benefícios Fiscais


Segundo o Código dos Benefícios Fiscais pode se classificar os benefícios fiscais em
duas maneiras distintas:

● Benefícios Fiscais Genéricos: os benefícios na importação de bens e os benefícios


fiscais sobre o rendimento (art.°13 a 19 do CBF);
14

● Benefícios Fiscais de carácter especial: os benefícios concedidos, por exemplo, para


o sector de agricultura e pesca (art.°27 a 29 do CBF); Hotelaria e Turismo (art.°30 a 33
do CFB); Projectos de grande Dimensão (art.°36 a 38 do CBF); Zonas de Rápido
Desenvolvimento (art.°39 a 44 do CBF); Zonas Francas Industriais (art.°45 e 46 do
CBF); Zonas Económicas Especiais (art.°47 a 48 do CBF).

2.1.4. Objectivos dos Benefícios Fiscais


Os benefícios fiscais são instrumentos que visam certos objectivos fiscais e exta-fiscais
com o fim de favorecer o desenvolvimento do país atribuindo-se a sectores e áreas de
interesse nacional.

Os benefícios fiscais têm como objectivos:

 Movimentar um determinado sector do mercado


 Estimular um sector específico ou actividades económicas determinado.

Segundo Vogas (2011:55) são basicamente três objectivos que os entes políticos
buscam alcançar quando concedem os benefícios fiscais:

(i) Um modelo de desenvolvimento nacional visando ao fortalecimento da


economia;
(ii) Um modelo de desenvolvimento regional, com propósitos de integração
Nacional e recuperação económica regional;
(iii) Uma política de desenvolvimento sectorial, face às particularidades que
justificam tratamentos especiais para determinados sectores da economia.

Para Waty (2007:215) a política de intervenção do Estado na vida económica pode ser
através de um conjunto de medidas de legislativas, administrativas ou convencionais,
através das quais o Estado determina, controla ou influencia o comportamento dos
agentes económicos tendo como o objectivo o bem-estar social, e a promoção do
investimento.

A Lei base do Sistema Tributário (art.°15, n.° 01) estabelece qur “a criação de
benefícios fiscais depende da clara definição dos seus objectivos a atribuir nos casos
reconhecidos interesse socioeconómico e da prévia quantificação da despesa fiscal".
Nesta medida considera-se que objectivos económico-socias.
15

Os benefícios fiscais, como incentivos económicos, sociais e culturais, representam


todas as vantagens atribuídos aos sujeitos com o objectivo de promover determinados
empreendimentos tendo em vista o aumento da competitividade da economia, uma vez
que são diminuídos os encargos tributários para os sujeitos passivos. Nota se uma
redução bastante significativa da receita que o estado obteria, se não fosse concedida os
mencionados benefícios.

2.1.4. Classificação dos Benefícios Fiscais


Segundo Waty (2007:211), os benefícios fiscais classificam se em:

a. Quanto à fonte normativa ou externa

Os benefícios fiscais têm por vezes, fonte constitucional mas em regra, tem por fonte
Lei.

Têm por fonte um diploma emanado da Assembleia da República ou do Governo, não


impede que as partes comvencionem, tendo neste caso fonte contratual (contratos
fiscais). Também podem ser previstos em convenções internacionais multilaterais (fonte
internacional).

b. Quanto ao procedimento

Resultam directo e imediatamente da Lei, que as concede automaticamente e


genericamente quando cumpridos aos pressupostos legais, sem necessidade de qualquer
iniciativa da entidade beneficiária ou da intervenção da Administração. Sendo
automáticos, os que resultam directa e indirectamente da Lei, quando cumpridos
pressupostos legais, sem nenhuma necessidade intervenção da Administração ou
entidade beneficiária e dependentes, os que pressupõem um ou mais actos posteriores de
reconhecimento por acto administrativo ou por acordo entre a administração pública.

c. Quanto à duração

Os benefícios fiscais podem serem permanentes, quando são estabelecidos para o


futuro sem predeterminação da respectiva duração; ou temporários, quando a Lei fixa
um limite temporal para a duração do benefício.

d. Quanto ao âmbito territorial

Os benefícios fiscais podem ser nacionais ou locais. Sendo nacionais são válidos em
todo território nacional e locais quando se aplicam a um ou várias parcelas territoriais
16

do país, visando atrair investimentos para as regiões do país em que há um baixo


desenvolvimento económico. Um exemplo concreto são os benefícios fiscais
concedidos a investimentos na zona económica especial.

e. Quanto a estrutura

Os benefícios fiscais são analisados na perspectiva analítica e na perspectiva


dinâmica. Na perspectiva estática, quando as vantagens atribuídas forem para situações
já consumadas, e dinâmicas quando as vantagens apresentam uma forma de estímulo,
ou de incentivos fiscais.

f. Quanto a parcela

Os benefícios fiscais podem ser totais ou parciais. Sendo totais quando os benefícios
fiscais abrange a totalidade do facto tributário e parciais quando a prestação é feita por
valor menor do que seria sem benefício.

g. Quanto ao modo

Os benefícios fiscais podem ser ser expressos ou implícitas. Expresso quando são
determinados de forma directa para certos factos tributários e implícitos quando
decorrem da previsão de benefícios estabelecidos noutros impostos.

h. Quanto a sua efectividade

Os benefícios fiscais podem ser vinculados ou condicionados. Vinculados quando


suregem de um contrato fiscal entre o sujeito passivo e a administração tributária e
condicionada quando a atribuição está sujeita pela administração tributária ao
comprimento de condições por parte do sujeito passivo. A Lei Base do Sistema
Tributário consagra os benefícios fiscais condicionados, no artigo 15, n.°03.

2.1.4.1. Princípios dos Benefícios Fiscais


Os benefícios fiscais estão sujeitas a princípios jurídicos onde alguns são consagrados
constitucionalmente:

Princípio da legalidade: os impostos são criados ou alterados por lei que determina a
incidência, a taxa, benefícios fiscais e as grantias aos contribuintes. Art.°127 n.°2 de
CMR
17

Princípio de igualidade: todos cidadãos são iguais perante a lei, gozam dos mesmos
direitos e estão sujeitos aos mesmos deveres. Art.°35 da CRM.

2.1.4.2. Concessão dos Benefícios Fiscais


Os benefícios fiscais são concedidos aos investimentos realizados por pessoas
singulares ou colectivas, desde que estejam devidamente registadas para efeitos fiscais.
Para a concessão dos benefícios fiscais o governo deve acolher alguns princípios que
passam pela:

a. Atribuição aos benefícios fiscais um carácter obrigatório excepcional, só


devendo ser concedido em casos de reconhecido interesse público;
b. Pelq estabilidade, de modo a garantir aos contribuintes uma situação clara e
segura;
c. Pela moderação, dado que as receitas são postas em causa com a concessão
de benefícios, quando o país tem de reduzir o peso do défice público;
d. Realização de investimentos em infra-estruturas e serviços públicos.

Nos termos do art.°3 e 14 do Código dos Benefícios Fiscais, os projectos ou


investimentos são aprovados ao abrigo da Lei de Investimentos gozam de isenção do
pagamento de Direitos Aduaneiros e do IVA na importação de bens de equipamentos
classificados na classe “K”, da Pauta Aduaneira e respectivas peças e acessórios que
acompanham, bem como dos mais benefícios previstos nos art.°15 a 19 do mesmo
comando legal.

O art.°09 do Código dos Benefícios Fiscais destaca os pressupostos gerais para a


concessão de benefícios fiscais, que são:

i. Efectuar o registo fiscal para obtenção de NUIT

ii. Dispor de uma contabilidade organizada, de acordo com plano geral de


contabilidade e exigências dos Códigos IRPC ou IRPS

iii. Não ter cometido infrações de natureza fiscal e de outras infrações reconhecidos
pela administração tributária, nos termos da lei n.°02/2002, de março

O art.°04 do Diploma do Ministério n.°202/2010 de 24 de novembro que aprova o


regulamento fiscal e aduaneiro Zonas Económicas Especiais e Zonas Francas
Industriais, acrescentam aspecto geral para o reconhecimento dos benefícios fiscais,
18

que ter sede efectiva na area geográfica de uma zona económica especial ou uma
zona franca indústrial, para o caso dosbenefícios fiscais concedidos para operadores
das Zonas Económicas Especiais e Zonas Francas Industriais, respectivamente.

Já para o caso das pessoas que tenham sido concedido direitos de gozo
dosbenefícios fiscais e não comprirem com e estimulado, podem ver suspendido ou
extinguido este direito, nos termos do art.°49 dos Códigos dos Benefícios Fiscais.

2.1.4.3. Transmissão dos Benefícios Fiscais


Por regra geral, o direito do gozo dos benefícios fiscais é transmissíveis durante a
sua vigência, desde que mantenham inalteráveis no transmissario se verifiquem os
pressupostos para o uso dos mesmos.

Segundo art.°05 de Código dos Benefícios Fiscais, os benefícios fiscais são


transmissíveis durante a sua vigência mediante a autorização dos ministérios de
planificação e desenvolvimento.

2.1.5. Extinção dos Benefícios Fiscais


A extinção dos Benefícios Fiscais implica a aplicação automática de tributação
geral, nos termos do art.°50 do CBF. n.°01, os benefícios fiscais caducam decorrido
o prazo por que foram concedidos ou quando tenha sido aplicada uma sanção
extinta, e quando condicionados, pela verificação dos pressupostos da respectiva
condição resolutiva ou pela inobservância das obrigações impostas, imputável ao
beneficiário.

Nabais (2003:436) faz menção a quatro formas de extinção de benefícios fiscais que
são: caducidade, alienação, revogação e renúncia.

a) Caducidade: os benefícios fiscais quando temporários, caducam pelo discurso


do prazo que foram concedidos e, quando condicionados, pela verificação dos
pressupostos da respectiva ou pela inobservância imputável ao beneficiário das
obrigações impostas.
b) Alienação de bens para fins diversos: quando o benefício fiscal respeite a
aquisição de bens destinados à directa realização dos fis dos adquirentes, ficam
sem efeitos se aqueles forem alienados ou lhes for dada outro destino sem
autorização da entidade competente, o Ministro das finanças (art.°52 do CBF).
19

c) Revogação do acto administrativo de concessão: de princípio é proibido a


revogação do acto administrativo que concede um benefício fiscal bem como a
rescisão unilateral do respectivo acordo ou a diminuição por acto unilateral da
administração dos direitos adquiridos. Dai que comporta duas excepções, por
um lado o acto de concessão ser revogado no caso de haver inobservância
imputável ao beneficiário das obrigações impostas e no caso de o beneficiário ter
sido concedido indevidamente (art.°03 do CBF, n.°04).

d) Renuncia aos benefícios: de um lado estatela-se a proibição de renúncia aos


benefícios fiscais automáticos e dependentes de reconhecimento oficioso, e de
outro lado, a possibilidade de renúncia aos benefícios fiscais dependentes de
requerimento do interessado bem como aos constantes do acordo desde que a
renúncia seja aceite pela administração fiscal.

2.1.6. Importância dos Benefícios Fiscais


 Contribuem para o desenvolvimento das regiões que sofrem as
desigualdades sociais e regionais de um país;
 Promovem o desenvolvimento da economia nacional, bem como sectores de
actividades;
 Estimulam a actividade empresarial
 Promovem o desenvolvimento económico e social (estimulam o
investimento, crescimento ou a geração de empregos de um determinado
sector de actividade).

2.1.7. Vantagens dos Benefícios Fiscais


 Permitem a uma melhor gestão financeira para as empresas, podendo investir
o dinheiro que seria destinado aos impostos em novas estratégias para o
crescimento empresarial, gerando assim mais empregos e mais renda;
 Tornam os Estados mais atractivos para empresas;
 Proporcionam um ambiente dos negócios favorável para que as empresas se
mantenham competitivas no mercado;
 Permitem aos Governos atrair mais investimentos;
 Contribuem para o alargamento da base tributária.
20

2.1.8. Desvantagens dos Benefícios Fiscais


 Redução de carga tributária às empresas, o que se traduz na redução do nível
de arrecadação de receitas.

2.2. Mega Projectos


Para Sampaio (2008), megaprojectos é um tipo de projecto. São projectos de grande
magnitude, extremamente complexos, normalmente definidos como
empreendimentos com orçamento acima de 1 bilhão de USD (frequentemente vários
bilhões).

Segundo Castel-Branco (2008), megaprojectos são actividades de investimento e


produção com características especiais. O seu orçamento é definido pelos montantes
de investimentos acima de 500 milhões de dólares, o impacto na produção e
comércio é enorme.

Analisando os dois conceitos, percebe se que os mega projectos correspondem aos


projectos de grande magnitude e que provocam enorme impacto na economia dos
países devido o altíssimo investimento.

2.2.1. Papel dos Mega Projectos no desenvolvimento do país


Para Castel-Branco (2008), o papel económico dos megaprojectos depende das suas
ligações com a economia, ou seja, de forma como é que a economia comoum todo
retém a riqueza produzida e a distribui. Esta retenção faz se por via das ligações
estabelecidas entre o mega projecto e a economia, e as ligações permitem
multiplicar investimento, redistribuir o rendimento, promover consumo e melhorar
as capacidades produtivas.

As ligações entre os megaprojectos e a economia podem ser de várias formas;

a. Produtivos (imput/ output, gerando dinâmicas produtivas novas);


b. Tecnologias (transferências e absorção de tecnologias, gerando dinâmicas
produtivas novas);
c. Emprego (que resulta em rendimento, consumo e crescimento);
d. Pecuniárias (fiscais, poupança, reservas externas, o que podem resultar em
novos investimentos e mais consumo).

2.2.2. Características dos Mega Projectos


21

Segundo Castel-Branco (2008), os megaprojectos apresentam as seguintes


características:

● São geralmente intensivos em capital, por tanto, não geram emprego directo
proporcional ao seu peso nos investimentos, produção e comércio;

● São geralmente concentrados em torno de actividades minerais e energéticos;

● São quase de exclusão intervenção de grandes empresas multinacionais por causa se


elevadíssimos custos, das qualificações e especialização dos mercados fornecedores e
consumidores, geralmente são denominados oligopólio e monopólios;

● Seus custos de insucessos são altíssimas por causa da dimensão e complexidade


desdes investimentos;

● São projectos de grande Dimensão (definida pelos montantes de investimentos acima


de 500 milhões de USD) e têm enorme impacto na produção e no comércio as
exportações totais destes projectos aproximam se de três, quarto das exportações
ncionais de bens).

2.2.3. Importância dos Mega Projectos


Para (Mussagy. s/d) os megaprojectos desempenham um papel importante no processo
da economia Moçambicana. Diz este autor que Moçambique tem feito um esforço de
desenvolvimento muito significativo, procurando fundar continuamente o seu processo
de crescimento económico por via de vários sectores da economia e particularmente
pela atracção de mega projectos.

CAPÍTULO III: DESCRIÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS


3. Breve Caracterização da Mozal
22

A Mozal é uma empresa de fundição de alumínio situada no Parque Industrial de


Beluluane, cidade de Matola, Província de Maputo, uma das chamadas mega projectos
no país. É a única fábrica de fundição de alumínio no país e a segunda maior de África.
Nasceu com o estabelecimento das zonas francas industrial no contexto iniciativas
desenvolvidas pelo Governo no âmbito do programa de incentivos ao investimento e
teve como requisitos para a sua qualificação, a criação de emprego para trabalhadores
nacionais e produção para exportação. As suas acções estão distribuídas da seguinte
forma: South32 accionista maioritária com 47.1%, a Mitsubishi Corporation Metals
Holding 25%, a Industrial Development Corporation 24% e Governo Moçambicano,
accionista minoritária com apenas 3.9% das acções (Mozal...jornal o País. Maputo).

3.1. Benefícios fiscais Concedidos à Mozal


A Mozal é avaliada em 1.5 mil milhões de euros, mas beneficia de isenção de todas as
taxas, excepto o imposto relativo aos rendimentos de pessoas colectivas, pelo qual a
empresa paga 1% dos seus lucros.

O Governo concedeu imensas facilidades e incentivos fiscais a Mozal que começaram


pele criação de um Zona Franca (aprovada pela Decreto n.° 45/97, de 23 de Dezembro)
unicamente para a empresa operar juntamente com os seus fornecedores, seguidos taxa
liberatória que foi determinada em 1% sobre as suas receitas brutas de volume de
vendas trimestral (art.° 15) inseção da contribuição primordial urbana, assim como de
qualquer outro imposto do Estado sobreos seus imóveis (art.° 17, n.°5), inseção do
Imposto de Circulação e do consumo (art.°16), e até mesmo os seus fornecedores têm
inseções fiscais (art.°17, n.°6). O código dos benefícios fiscais prevê os seguintes
incentivos para as Zanas Francas Industriais:

● Inseção de Direitos Aduaneiros na importação de material de construção, máquinas,


equipamentos, acessórios, peças sobressalentes, acompanhantes e outros bens
destinados à prossecução da actividade licenciada (art.° 45, n.°1 do CBF);

● Inseção de Direitos Aduaneiros na importação de bens e mercadorias destinadas à


implantação de projectos devidamente autorizados (art.°45, n.°2 do CBF)

● Inseção de IVA nos direitos aduaneiros e importações, nas transmissões de bens e


prestações de serviços de mercado interno dentro da ZFI, nos termos do art.°8 do
regulamento do Regulamentodo regime fiscal e aduaneiro das ZEE’s e ZFI's.
23

● Incentivos em sede IRPC:

i. Inseção de IRPC nos primeiros 10 exercícios fiscais

ii. Redução em 50% de taxa de IRPC do 11.° ao 15.° exercício fiscal;

iii. Redução de 25% da taxa de IRPC pela vida do projecto (art.°46 do CBF).

3.2. A Mozal e a Legislação Moçambicana


A legislação que regula as actividades da Mozal leva nos à Lei dos investimentos,
aprovada pela Lei n.°3/93, de 24 de junho, com regulamento o regulamento aprovado
pelo Decreto n.°43/2009, de 21 de agosto, ao CBF aprovado pela lei n.°4/2009, 12 de
janeiro, com o regulamento aprovado pelo Decreto n.°56/2009, de 7 de Outubro. A
Mozal por ser localizada numa Zona Franca Industrial, leva nos também ao
Regulamento do Regime Fiscal e Aduaneiro das Zonas Económicas Especiais e Zonas
Francas Industriais, aprovado pelo Diploma Ministerial n.°202/2010.

A Lei de investimento art.° 7 alinea a) afirma que o investimento tem como uns dos
seus objectivos “a implantação, reabilitação, expansão ou modernização de infra-
estruturas económicas destinados á exploração de actividades produtiva ou à prestação
de serviços indispensáveis para o apoio à actividades económica produtiva e
desenvolvimento do país” e na alínea o) acrescenta como um dos objectivos “redução e
substituição de importações”.

Quanto ao primeiro objectivo verifica- se que a Mozal é de facto uma empresa gigante
que tem dado um dinamismo económico. Mas questiona se o segundo que é a redução e
a substituição das importações, pois a sua matéria-prima é importada da Austrália, e dos
EUA, o cocke. Na prática a Mozal importa o equivalente o que exporta, não
contribuindo desta forma para a substituição das importações.

O efeito das importações é nefasto para a economia nacional, pelo facto de CBF afirma
que “ os operadores das Zonas Francas Industriais gozam de isenção de direitos na
importação de materiais de construção máquinas, equipamentos, acessórios, peças
sobressalentes acompanhantes e outros bens destinados à prossecução da actividade
licenciada nas zonas francas industriais (art.°45, n.°1).

A Lei de Investimentos, o CBF e o Regulamento do Regime Fiscal e Aduaneiro das


Zonas Económicas Especiais e Zonas Francas Industriais, não prevendo deveres
24

específicos para promoção do desenvolvimento das comunidades locais. E regula de


forma explícita os benefícios que estes operadores têm o exercício das suas actividades
no território nacional como sejam: abrir, manter e movimentar contas em moedas
estrangeiras no país exterior. Porém esta actividade so dificulta a actividade
fiscalizadora do Estado não chegando a saber o real montante de imposto que deve
receber dos mega projectos, devido a facilidade da circulação do capital.

Acrescenta se a denúncia feita pelo Kossotche (1999:67) segundo a qual “ as


multinacionais evitam pagar os impostos inventando truques de contabilidade para
aumentar os lucros e diminuir os encargos fiscais”.

O que a Legislação expressa são duas grandes preocupações legítimas de um país em


vias de desenvolvimento: a primeira é a necessidade que o país tem, de a todo custo a
sair das estatísticas que indicam Moçambique como um dos países menos
desenvolvidos do planeta. Moçambique ocupada 11 posição dos países menos
desenvolvidos (PNUD, 2018).

A segunda é percepção de que uma legislação facilitadora, em que momento algum


prevê a responsabilidade social destas companhias das Zonas Francas Industriais, irá
atrair muitas indústrias para solo nacional e por essa via, mais desenvolvimento para o
país.
Segundo Barros 2004 defende que “ os megaprojectos colocam Moçambique no mapa
como um destino para o investimento externo”.
A Legislação actual que regula as actividades multinacionais, no caso da Mozal, carece
de dispositivos promotores de desenvolvimento, especificamente do desenvolvimento
das comunidades locais, afectadas pelo estabelecimento do empreendimento. Ao mesmo
tempo facilita a manipulação dos resultados advenientes das actividades destes mega
projectos. Podendo acrescer se a estes dois pontos, o facto de megaprojectos, no
vertente da Mozal, não contribuírem para as receitas fiscais, por estarem isentas de
Direitos Aduaneiros nas suas importacoes tanto de materia prima como o material para
o seu funcionamento, aumentando assim o fosso entre as importacoes e as exportacoes.
A quantidade de aluminio importada resulta de quantidade da materia prima exportada.
3.3.A Mozal e a Economia Moçambicana
25

Como pode se verificar na tabela que se segue, os megaprojectos desempenham um


papel importante no processo de crescimento da economia nacional, desde no volume
das exportações, na balança comercial, até a cobertura das importações.

Em consequência de regime diversificado de amplos incentivos fiscais, nos últimos


anos, os megaprojectos aumentaram, não só em quantidades, como também aumentou a
sua importância no peso da economia nacional.

Tabela 1˸ Balança Comercial e Estatísticas do Comércio Externo (2014-2017)

Unid Peso Peso Peso Peso


Descrição 2014 2015 2016 2017
ade (%) (%) (%) (%)

EXPORTAÇ
ÕES 4,420.53 100.00 3,413.27 100.00 3,328.24 100.00 4,725.30 100.00
TOTAIS
Exportações
de grandes 2,429.50 54.96 2,057.00 60.26 2,404.70 72.25 3,718.60 78.70
projectos

Exportações
sem grandes 1,991.03 45.04 1,356.27 39.74 923.54 27.75 1006.7 21.30
projectos

Sendo Mozal 1,074.58 31.48 842.64 25.32 1,100.99 23.30

IMPORTAÇ
ÕES 9,280.53 100.00 8,334.22 100.00 5.206.18 100.00 5,745.39 100.00
Milhões de USD

TOTAIS
Importações
de grandes 1,510.73 16.28 917 11.00 771.1 14.81 732.6 12.75
projectos
Importações
sem grandes 7,769.80 83.72 7,417.22 89.00 4.435.09 85.19 5,012.79 87.25
projectos

Balança
-4,860.00 -4,920.95 -1,877.94 -1,020.09
Comercial

Balança
comercial sem
-5,778.77 6,060.95 -3511.54 -4,006.09
grandes
projectos

Grau de
cobertura das % 48 40.95 63.93 82025
importações
26

Grau de
cobertura das 55 46.3 73.36 30.1
importações

Fonte: dados compilados pelo autor com base nos anuários estatísticos do INE (2014-
2017), nas Estatísticas do Comércio Externo do INE (2014-2017).

E como se pode observar na tabela acima, em 2015, 2016 e 2017, os megaprojectos


representaram cerca de 60.2%, 72.2% e 78.7% do volume das exportações nacionais
respectivamente. Sendo, respectivamente, 31.4%, 25.3% e 23.3% das exportações
absorvidas pela Mozal.

E ainda no mesmo período, a produção conjunta dos mesmos, representou grande parte
de índice de cobertura das importações de todo país, uma vez que estes
empreendimentos são caracterizados por um volume de importações em equipamentos e
tecnologias avultados.

Para Barros (2004:15) “ os megaprojectos podem ser contribuintes e significativos para


desenvolvimento, incluindo o crescimento do PIB, geração de receitas de emprego. Para
além destes benefícios, os megaprojectos tem outros benefícios em Moçambique. Isto
inclui a colocação de Moçambique no mapa como um destino para o investimento,
estabelecendo e elevando os padrões de qualidade e apoiando os serviços comunitários
ou sociais.

3.4. Impacto dos benefícios fiscais concedidos a Mozal

O principal objectivo dos primeiros megas projrctos, foi mostrar que Moçambique
comporta grandes investimentos.
A Mozal, maior empresa do país segundo ranking de 2016 da KPMG, é uma das
empresas que menos impostos paga no país e gerou pouco mais de mil postos de
trabalho fixos desde o início da sua operação de produção e exportação de alumínio.

Passadas cerca de duas décadas após o início das suas operações, a Mozal continua a
beneficiar os grandes generosos incentivos fiscais, embora até FMI defenda a sua
eliminação “ as isenções fiscais precisam de ser eliminados por forma a apoiar uma
consolidação adicional urgente das finanças públicas “ (CERCA de 20 anos depois
Mozal…Jornal verdade. Maputo 18 Set. 2017).
27

A Mozal juntamente com nove mais mega projectos que operam nas áreas mineira,
hidrocarbonetos e metalurgia, teve no exercício de financeiro de 2016 proveitos de 1,9
bilhões de USD, tendo contudo, pago ao estado Moçambicano somente cerca de 92,9
milhões de USD, correspondente a 4% de receitas de estado. Essas receitas resultam
principalmente do pagamento de IRPS e do IRPC. Como previram os economistas, a
Mozal e quase todos os megaprojectos são incentivos em capital e, portanto, não geram
empregos directo profissional ao seu peso no investimento, produção e comércio. Por
isso é sem surpresa que o número de trabalhadores da Mozal seja relativamente menor
quando comparado com o seu volume de investimento. Empregou em 2017 apenas 1240
trabalhadores, nos quais 1205 nacionais e 35 estrangeiros, representando um aumento
de apenas 4,4% (53 trabalhadores), comparativamente em 2015 no qual foram criados
acerca de 1187 postos de emprego.

Enquanto o sector privado é obrigado a pagar 32% dos seus ganhos ao estado, a Mozal
considerado como maior empresa do país não pagou nada de IRPC para o Estado em
2017, tal como nada pagou em 2016, 2015 e 2014.

Segundo Castel-Branco (2012) “ o Governo atribuiu incentivos fiscais muitos generosos


aos megaprojectos já aprovados, apesar ser revisto a Legislação Fiscal para novos
megaprojectos. De tal modo são generosos estes incentivos que enquanto os
megaprojectos contribuem com cerca de 12% de PIB e e três quartos das exportações de
bens, o seu contributo fiscal é inferior a 1% do PIB. Os megaprojectos estão todos no
grupo das 10 maiores empresas do país, mas nenhum deles se situa entre os 10 maiores
contribuintes para o fisco. So como os incentivos concedidos a Mozal e Sasol a
economia nacional perdeu em média cerca de 100 milhões USD por ano entre 2004 e
2010 com um pico acima de 150 milhões de dólares norte americanos em 2017"

Verifica-se que o tipo de investimentos feitos pela Mozal, outros megaprojectos para
alem de procurar pagar poucos impostos directos, depois de empregar mão- de- obra
local na fase de implantação, que dura pouco tempo, nas fases subsequentes de
maturidade do projecto a característica de investimento que ele faz é intensivo em
capital, e porque também é intensivo.em tecnologia de ponta ela vai reduzir a mão- de-
obra a menos de metade. Ao reduzir a mão- de-obra, o desemprego aumenta. Com todo,
existe uma área onde o impacto de Mozal é enorme, no meio ambiente, onde não existe
estudos e monitorias independentes sobre os danos que esta fundição em operação
desde 1998 tem causado na região onde está implantado.
28

Os benefícios fiscais, considerada despesa fiscal, registaram em 2015, o maior


crescimento de despesa, cerca de 70.2% face ao ano de 2016, que registaram uma
diminuição na ordem de 29.5% com forme se pode se verificar na tabela abaixo. Dos
dados da tabela, pode se estimar que os benefícios fiscais lesão o estado Moçambicano
em mais de 400 milhões de dólares por ano, este dinheiro não suficiente para satisfazer
as necessidades do país, mas que podem servir para muita coisa.

Tabela 2: Evolução dos Benefícios Fiscais Concedidos aos Megaprojectos (em Mil
Meticais)

Imposto 2013 2014 Var.(%) 2015 Var.(%) 2016 Var.(%) 2017 Var.(%)

IRPC 5,243 4,221 -19,5 6,041 43,1 5,217 -13.6 7,137 36,8

IRPS 1,00 2 81,8 3 55,0 2 -41,9 0,6 -66,7

Direitos 3,962 3,568 -9,9 6,436 80,4 4,655 -27,7 3,524 -24,3
Auaneiros

ICE- 279 202 -27,6 188 -6,8 242 28,3 384 59,0
Produtos
importados

IVA na 9,429 6,483 0,6 10,076 80,1 10,852 -36,4 6,027 -44,5
importaçᾶo

TOTAL 18,917 17,476 -7,6 29,744 70,2 20,968 -29,5 17,072.2 -18,6

PIB 470,472 526,495 589,294 689,213 808,815

BF/PIB 4,0 3,3 5,0 3,0 2,1

Fonte˸ Dados compilados pelo autor com base na tabela – Benefícios Fiscais do
Relatório sobre os Resultados da Execução do Orçamento das CGE᾿s (2013-2017).

Mas de uma maneira geral, os incentivos fiscais promovem um impacto positivo para
todos os envolvidos. Aos Governos, por atraírem mais investimentos e
consequentemente, mais riqueza e geração de renda para a região ás empresas, por
proporcionarem investimentos para o crescimento do negocio,
29

Os benefícios fiscais são medidos que implicam a isenção ou redução do montante a


pagar dos impostos em vigor, com o fim de favorecer actividades de reconhecimento de
interesse público. Como a medida para atrair investidores estrangeiros para aumentar o
investimento dentro de território nacional, bem como equilibrar as desigualdades
regionais existentes e de promover o desenvolvimento económico, o Governo concedeu
generosos benefícios fiscais para a Mozal e para muitos mega projectos, justificando-os
necessários para atrair investimentos, mas alguns economistas consideram que só
permitem a delapidação do Estado em vários milhões de dólares, que deviam ser
investidos em programa de desenvolvimento do país. O objectivo dos benefícios fiscais
é a redução de impostos com vista á dinamização da economia.

A Mozal é um megaprojecto de actividades de investimento de produção com


características especiais, resultado do investimento de estrangeiros e desempenha um
papel crucial na economia do país, nomeadamente no volume de exportações e no
equilíbrio da balança do pagamento. Entretanto alguns críticos consideram que o Estado
deve eliminar os Benefícios Fiscais de que este projecto e muitos projectos, gozam para
que prestem um apoio real à economia.

Não são somente os incentivos fiscais que concorrem para atrair os investimentos,
existem mais outros factores que vão desde a localização geográfica, a qualidade de
mão-de-obra, mercado ou mesmo estabilidade política, ate a existência de matéria-
prima. O país é muito rico em recursos naturais, portanto, com boas práticas de
governação e boas Políticas fiscais, os investidores certamente viriam e não
necessariamente por causa de incentivos fiscais.

Estima se que a Mozal e o resto dos megaprojectos estivessem sujeitos ao fisco comum,
as Receitas do Estado cresceriam 60% num curto espaço de tempo. Não pode se
subestimar o contributo que a Mozal faz para adotar melhores condições de
sobrevivência às comunidades. E como a Mozal beneficia de generosos incentivos
fiscais, não contribui como poderia para o Orçamento do Estado, de tal modo que não
contribui para o funcionamento das infra-estruturas por ela criadas. O potencial fiscal da
Mozal se fosse bem explorado, a receita fiscal do Estado podia aumentar
consideravelmente e isto contribuiria para reduzir a dependência externa, consolidar a
soberania politica e aumentar a capacidade do Estado de investir na diversificação da
base de produtividade e de crescimento. O país tem efectuado um esforço de
30

desenvolvimento muito significativo, procurando fundar sustentadamente o seu


processo de crescimento.

Em suma, a Mozal e os de mais megaprojectos trazem benefícios, mas as falhas do


Governo no processo da política fiscal, ao tentar regular o mercado, acaba em certo
momento distorcendo o mesmo, as externalidades são um mínimo exemplo disto.
31

5.RECOMENDAÇÕES
● Recomenda-se que o Governo devia renegociar os contratos desfavoráveis que
celebrou com a Mozal e os demais megaprojectos;

●Recomenda-se que se avaliasse o impacto dos benefícios fiscais no desenvolvimento


económico

● Apostando-se nos incentivos fiscais como factor para atracção de investimentos, é


necessário que aplique certos níveis de taxas que assegurem que as empresas paguem
impostos.
32

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
 AR, (1993), Lei de Investimentos, Lei n.°3/93, de 24 de junho.
 AR, (2008), Código dos Benefícios Fiscais, Lei n.° 4/2009, de 12 de Janeiro.
 AR, (2017), Conta Geral do Estado de 2015, Maputo.
 AR, (2018), Conta Geral do Estado de 2016, Maputo.
 BARROS, G. (2004), Efeitos dos Grandes Projectos, Maputo
 CASTEL-BRANCO, C.N. (2008 p.2-7). Os megaprojectos em
Moçambique: Que Contributo para a Economia Nacional! In: FORUM DA
SOCIEDADE CIVIL SOBRE INDÚSTRIA EXTRACTIVA. Maputo
 CM, (1997), Criação da Zona Franca Industrial da Mozal- ZFIM, Decreto
n.° 45/97, de 23 de Dezembro.
 CM, (2009), Regulamento do Código dos Benefícios Fiscais.
 CM, (2009), Regulamento da Lei de Investimentos, Decreto n.°45/2009, de
21 de Agosto.
 Decreto n.° 56/2009, de 7 de Outubro.
 FMO, (2017), Análise da CGE 2015 e Respectivo Parecer do TA, Maputo .
 FMO, (2018), Análise da CGE 2017 e Respectivo Parecer do TA, Maputo.
 INE, (2010), Anuário Estatística, Maputo
 INE, (2014), Anuário Estatística, Maputo
 INE, (2015), Anuário Estatística, Maputo.
 INE, (2016), Anuário Estatística, Maputo
 INE, (2018), Anuário Estatística, Maputo.
 KASSOTCHE, F. D. (1999), Globalização: receios dos países em vias de
desenvolvimento, ISRI, Maputo.
 MANZO, Abelardo J. (1971). Manual para preparação de monografias.
 MATY, Teodoro Andrade. (2007 p.207-218) Direito Fiscal. 3 ed, Editora
Lda. Maputo
 MF, (2010), Regulamento do Regime Fiscal e Aduaneiro das ZEE's e das
ZFI's, Diploma Ministerial n.° 202/2010, de 25 de Novembro.
 Mussagy (s/d) Mega Projectos
 NABAIS, José Casala. (2006 p.425-437). Direito fiscal 4 ed.., Almedina.
 PENE, Cláudio. (2014) Apontamentos de direito fiscal moçambicano.
Escolar editora. Maputo.
33

 PEREIRA, Diana Patrícia. (2005). Benefícios Fiscais: tributação das


empresas. Portugal.
 Pnud (2018). Países menos desenvolvidos do mundo. Editora Átomo.
 Shah, (2003 p.1-26) Incentivos fiscal, In Government College of Commerce
Mansoura.