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CURSO DE INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE

TUBULAÇÕES INDUSTRIAIS

CAPÍTULO 8 - PURGADORES DE VAPOR E FILTROS

 PURGADORES DE VAPOR

Os purgadores de vapor (steam Traps) são dispositivos automáticos que separam e eliminam o condensado
formado nas tubulações de vapor e nos aparelhos de aquecimento, sem deixar escapar o vapor.

Por essa razão esses aparelhos deveriam ser chamados, com mais propriedade, de "purgadores de
condensado".

Os bons purgadores, além de removerem o condensado, eliminam também o ar e outros gases


incompensáveis, por exemplo, o CO2, que possam estar presentes.

Os purgadores de vapor são os dispositivos de separação mais importantes e de emprego mais comum em
tubulações industriais.

São as seguintes às causas do aparecimento de condensado em tubos de vapor:

− Em tubulações de vapor úmido o condensado se forma por precipitação da própria umidade;

− Em tubulações de vapor saturado o condensado aparece em consequência das perdas de calor por
irradiação ao longo da linha;

− Em tubulações de vapor saturado ou superaquecido o condensado pode aparecer em consequência


do arrastamento de água, proveniente da caldeira;

− Em quaisquer tubulações de vapor, o condensado sempre se forma na entrada em operação do


sistema, quando todos os tubos estão frios (warm-up) e, também, quando o sistema é tirado de
operação e o vapor vai-se condensando aos poucos no interior dos tubos.

O condensado forma-se também em todos os aparelhos de aquecimento a vapor (serpentinas, refervedores,


aquecedores a vapor, autoclaves, estufas, etc.), como consequência da perda de calor do vapor.

A remoção do condensado do ar e de outros gases existentes nas linhas de vapor deve ser feita pelas
seguintes razões:

− Conservar a energia do vapor: condensado não tem ação motora (máquinas a vapor) nem ação
aquecedora eficiente (o vapor aquece cedendo o calor latente de condensação).

− A entrada ou a permanência do condensado nos aparelhos de aquecimento diminui grandemente a


eficiência desses aparelhos.
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− Evitar vibrações e golpes de aríete nas tubulações, causados pelo condensado, quando empurrado
pelo vapor em alta velocidade.

− Esses golpes ocorrem principalmente nas mudanças de direção, extremos de tubulações, válvulas
etc., porque as velocidades usuais para o vapor são muito maiores (20 a 100 vezes) do que as usadas
para água e, também, porque o condensado é incompressível.

− Evitar a erosão rápida das palhetas das turbinas, que seria causada pelo impactadas gotas de
condensado.

− Diminuir os efeitos da corrosão. O condensado combina-se com o CO2 existente no vapor formando o
ácido carbônico, de alta ação corrosiva.

− Evitar a redução da seção transversal útil de escoamento do vapor devido à acumulação do


condensado.

− Evitar o resfriamento do vapor em consequência da mistura com o ar e outros gases.

Figura 86: Purgador para drenagem de linhas de vapor


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Quando instalados com a finalidade de drenar linhas de vapor, os purgadores são colocados em uma
derivação da tubulação.

Essa derivação deve sair de uma bacia denominada "acumulador de condensado” (drip-pocket) instalada na
parte inferior da tubulação de vapor.

Figura 87: Posições estratégicas dos purgadores de vapor para remover o condensado na linha

O condensado deve sempre ser capaz de correr por gravidade para dentro do acumulador.

A tubulação de entrada do purgador deve estar ligada diretamente ao acumulador.

Devem ser colocados obrigatoriamente purgadores para drenagem de condensador nos seguintes pontos de
todas as tubulações de vapor:

− Todos os pontos baixos e todos os pontos de aumento de elevação (colocados, nesses casos, na
elevação mais baixa);

− Denomina-se ponto baixo qualquer trecho de tubulação em elevação inferior aos trechos adjacentes;

− Nos trechos de tubulação em nível, deve ser colocado um purgador em cada 100m a 250m;

− Quanto mais baixa for à pressão do vapor mais numerosos deverão ser os purgadores;

− Todos os pontos extremos (no sentido do fluxo) fechados com tampões, flanges cegos, bujões, etc.;

− Imediatamente antes de todas as válvulas de bloqueio, válvulas de retenção, válvulas de controle e


válvulas redutoras de pressão;

− Os purgadores destinam-se nesse caso a eliminar o condensado que se forma quando a válvula
estiver fechada;
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− Próximo à entrada de qualquer máquina a vapor, para evitar a penetração de condensado na


máquina.

Figura 88: Purgador de boia

 FILTROS PARA TUBULAÇÕES

Os filtros (strainers, filters) são também aparelhos separados destinados a reter poeiras, sólidos em
suspensão e corpos estranhos, em correntes de líquidos ou de gases. São de uso comum em tubulações
industriais duas classes de filtros: provisórios e permanentes.

− Filtros provisórios

Os filtros provisórios são peças que se intercalam nas tubulações, próximo aos bocais de entrada de alguns
equipamentos (bombas, compressores, turbinas, etc.), para evitar que sujeiras e corpos estranhos que
possam ter sido deixados nas tubulações durante a montagem penetrem nesses equipamentos quando o
sistema for posto em operação.

Depois que as tubulações já estiverem em funcionamento normal por algum tempo e, portanto tiverem sido
completamente lavadas pelo próprio fluido circulante, os filtros provisórios podem ser dispensados e devem
ser removidos porque causam perda de carga desnecessária.

Os filtros provisórios mais comuns são cestas de tela com um anel de chapa fina, introduzidos entre dois
flanges quaisquer, onde ficam presos.

Os filtros de cesta de tela devem ter uma área de filtragem de no mínimo 4 a 4 vezes a seção transversal útil
da tubulação.

Para facilitar a colocação e posterior remoção dos filtros provisórios, deve-se colocar uma peça flangeada
qualquer, como o carretel (pedaço curto de tubo com flanges nas extremidades) na entrada dos
equipamentos que devam ser providos de filtros provisórios.
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Figura 89: Filtros provisórios

− Filtros permanentes

Os filtros permanentes, como o próprio nome indica, são acessórios instalados na tubulação de modo
definitivo.

São os seguintes os principais casos de emprego desses filtros:

 Tubulações para fluidos sujos que sempre possam apresentar corpos estranhos;

 Casos em que seja necessária uma purificação rigorosa ou controlada do fluido circulante por
exigência de processo;

 Tubulações de entrada de equipamentos que podem ser gravemente prejudicados pela entrada de
corpos estranhos, tais como: bombas e medidores volumétricos, certos tipos de purgadores,
queimadores de caldeiras e de fornos, etc.

Os filtros permanentes consistem geralmente em uma caixa de aço, de ferro fundido, ou de bronze, com os
bocais para tubulações de entrada e de saída, no interior da qual existem os elementos de filtragem e
chicanas para conduzirem a veia fluida.

Conforme o modelo do filtro, os elementos filtrantes podem ter a forma de cestas cilíndricas, cones, discos,
cartuchos, etc.

Os elementos filtrantes e os materiais de construção dos mesmos variam de acordo com o fluido circulante, o
grau de filtragem desejado, o tamanho do filtro, etc.

Os elementos filtrantes mais comuns são os seguintes:

 Grades metálicas, chapas perfuradas, telas metálicas (filtragem grosseira de líquidos);

 Telas finas, “nylon”, porcelana, papel, etc. (filtragem fina de líquidos);


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 Palhas metálicas, feltro, camurça, etc. (filtragem de gases);

Figura 90: Filtros permanentes

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