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Referencial teórico

A Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) foi criada por decreto em 9


de junho de 2004. É realizada anualmente durante o mês de outubro, sob coordenação
do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), por meio
da Coordenação-Geral de Popularização da Ciência (CGPC). A realização da SNCT
conta com a participação ativa de governos estaduais e municipais, de instituições de
ensino e pesquisa, e de entidades ligadas à C&T de cada região.
O objetivo do evento é mobilizar a população, em especial crianças e jovens, em
torno de temas e atividades de ciência e tecnologia (C&T), valorizando a criatividade, a
atitude científica e a inovação. Enfatiza a importância da C&T na sociedade e para o
desenvolvimento do país. Uma das metas do MCTIC é aumentar o alcance nacional do
evento ampliando o número de municípios e de instituições participantes, assim como o
envolvimento da comunidade acadêmica e das escolas (BRASIL, 2018).
As temáticas mudam a cada ano e são escolhidas mediante consulta da
coordenação nacional do evento. A temática a ser abordada, geralmente, é influenciada
por assuntos que estão em debates internacionais ou relacionada a datas de relevância
para a ciência brasileira. Na décima sexta edição, em 2019, o tema proposto foi
“Bioeconomia: Diversidade e Riqueza para o Desenvolvimento Sustentável”. Segundo
o MCTIC, a motivação para essa escolha baseou-se, dentre outros motivos, na busca
pelo desenvolvimento sustentável do Brasil representada pela bioeconomia e na sua
relação com a Agenda 2030, estabelecida pela Organização das Nações Unidas (ONU).
Exatamente por sua transversalidade, a bioeconomia possui relação direta com ao
menos 10 dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) (MCTIC, 2019).
Na sede da Fundação Oswaldo Cruz, localizada no bairro de Manguinhos, Rio
de Janeiro, a SNCT é promovida pelo Museu da Vida (confirmar isso!!!). A instituição,
criada em 1999, é espaço de integração entre ciência, cultura e sociedade. Objetiva
educar e informar de forma lúdica e criativa, por meio de exposições, atividades
interativas, multimídias, peças teatrais e laboratórios.
Colaboradora desde a primeira edição do evento, em 2004, a Fiocruz promove
dezenas de atividades gratuitas de divulgação científica, cultura e lazer. Elas são
realizadas no campus de Manguinhos e também em outros lugares do Rio de Janeiro,
bem como em unidades da Fiocruz localizadas em Pernambuco, Minas Gerais, Bahia e
Paraná (MUSEU DA VIDA/FIOCRUZ, 2019).
Somente no campus de Manguinhos, durante a décima sexta edição da SNCT,
em 2019, a instituição promoveu xxx atividades e recebeu xxx visitantes ao longo dos
cinco dias de evento, número maior do que a edição anterior que foram xxxx visitantes.
(ver com o prof se conseguimos essa informação)
Para uma melhor compreensão de como ocorre a divulgação da ciência nos dias
atuais e sua íntima relação com os espaços museais, é necessário um breve relato
histórico do desenvolvimento científico e da implementação dos museus no cenário
brasileiro.
A SNCT é o maior evento de divulgação científica no Brasil, é o momento em
que se busca mostrar ao público os resultados de estudos e pesquisas dedicadas ao
desenvolvimento científico. Mas iniciativas como esta só são possíveis nos dias atuais
porque, ainda no início do século XX, um pequeno grupo de pessoas se organizaram em
busca de traçar um caminho para a pesquisa básica e para a difusão mais ampla da
ciência no país. Alguns desses personagens marcantes para a história foram, dentre
outros, Manoel Amoroso Costa (1885-1928), Henrique Morize (1870-1930), os irmãos
Miguel e Alvaro Osório de Almeida [respectivamente, (1890-1953) e (1882-1952)] e
Edgard Roquette-Pinto (1884-1954) (MOREIRA e MASSARANI, 2002).
O processo de valorização da ciência e da tecnologia se mostrou instável em
vários momentos da história do Brasil. O despertar para o papel da ciência na
organização da sociedade ganhou impulso a partir da Segunda Guerra Mundial (1939-
1945) e o final do século XX (VALENTE, 2008). Nesse momento, os governos de
países que buscavam o desenvolvimento, percebendo o poder da ciência na nova ordem
mundial, se deram conta de que, para garantir a supremacia militar e a segurança
nacional, seria necessário o investimento em sistemas baseados em alta tecnologia e
conhecimento de ponta (CASTELFRANCHI, 2010). No Brasil esse movimento se
intensificou durante o período da ditadura militar. As características autoritárias do
regime ao mesmo tempo em que intimidavam cientistas e intelectuais, disponibilizava
vultuosos recursos para áreas específicas de interesse como energia nuclear, pesquisa
espacial, oceanografia, indústrias intensivas em tecnologia, agronomia e tecnologia de
infraestrutura (VALENTE, 2008).
De acordo com Valente (2008), esse processo de valorização da C&T foi afetado
pela Crise do Petróleo em 1979. Nesse momento, a inflação e o aumento dos juros sobre
os empréstimos causaram a desaceleração da economia e, consequentemente, redução
significativa dos recursos destinados ao desenvolvimento científico. Na década de 1980,
embora o país estivesse sob os efeitos da crise econômica, alguns fatores como a
mobilização da comunidade científica, a assinatura de acordos internacionais e os
esforços da gestão do engenheiro Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque, à frente do
CNPq, no período de 1980 a 1985, foram movimentos importantes para o
estabelecimento da C&T na sociedade. Nessa nova gestão do CNPq, houve a ampliação
dos institutos de pesquisa e a incorporação da instituição museu à agência financiadora.
A presença dos museus, no Brasil, remonta ao século XIX, por um longo
período possuíram um caráter acadêmico voltado à pesquisa e um público formado por
grupos seletos da sociedade. No que tange a incorporação do compromisso social, a
década de 1980 foi bastante expressiva. Esse período foi marcado pelo aumento das
instituições museais, pela ênfase na educação e difusão científica e pela adoção de
novos modelos de comunicação com o público visitante (SANTOS, 2002; SANTOS,
2004; GRUZMAN e SIQUEIRA, 2007).
Ao longo da história, os museus de ciência tiveram uma estreita relação com
tendências pedagógicas da área da educação formal no que se refere a sua relação com o
público. Cazelli et al (1999) realizou um estudo, tendo como base os trabalhos de
McManus (1992), em que identifica essas relações nos museus de ciência. McManus
(1992) caracteriza os museus de ciência em três momentos de acordo com a temática
que estava em discussão em cada período, a saber: história natural (primeira geração),
ciência e indústria (segunda geração), fenômenos e conceitos científicos (terceira
geração).
De acordo com Cazelli et al (1999), os museus de primeira e segunda geração
possuem pontos em comum com a pedagogia tradicional, ou seja, em ambos os espaços,
tanto na escola quanto no museu, a transmissão do conhecimento era marcada pelo
autoritarismo e pela passividade por parte do receptor, seja ele aluno ou um visitante de
museu.
Ainda nos museus de segunda geração, uma diferenciação ocorreu no formato da
comunicação, para isso, o acervo vinha acompanhado de aparatos para serem acionados
pelos visitantes, buscando uma interatividade (hands-on), na intenção de que o visitante
assimilasse princípios científicos, assemelhando-se com os preceitos pedagógicos da
Escola Nova. Tendências tecnicistas, da década de 60, também são observadas em
displays e aparatos que apresentam uma única resposta correta.
No final da década de 70 e início da de 80, a pesquisa em educação em ciências
adota propostas pedagógicas dentro da perspectiva cognitivista/construtivista,
entendendo a aprendizagem não mais como uma simples recepção, mas como uma
reorganização ou um desenvolvimento das ideias prévias dos alunos. Essa mudança
trouxe contribuições para a compreensão da comunicação nos museus de terceira
geração, que passam a valorizar o papel da ação do sujeito na aprendizagem e
incorporam a ideia do “aprender fazendo” difundida no ensino de ciências. A
interatividade com as exposições ganha novos contornos, de modo que, se relaciona
também com aspectos cognitivos e afetivos dos visitantes (CAZELLI et al, 1999).
Data desse período a criação de museus como, por exemplo, o Espaço Ciência
Viva e o Museu de Astronomia e Ciências Afins, no Rio de Janeiro; o Centro de
Divulgação Científica e Cultural, a Estação Ciências e o Museu Dinâmico de Ciências
de Campinas, em São Paulo. Esse movimento de expansão das instituições museais se
estendeu pelos anos 90, quando surgiu em 1999 o Museu da Vida – local do
desenvolvimento prático desse trabalho. Muitas das instituições museológicas desse
período revolucionaram a prática museal através da implementação de ações educativas
voltadas ao público, em especial o escolar. Nesse novo cenário, a divulgação científica e
a educação não formal ganham relevância, há também intensificação dos estudos sobre
aprendizagem em museus. (CAZELLI; MARANDINO e STUDART, 2003).
A década seguinte, os anos 2000, segundo Ferreira (2014), além de ter
continuado o crescimento das instituições, foi um período em que a
divulgação/popularização da ciência esteve em alta. Houve grande incentivo
governamental através de políticas públicas e implementação de diversos editais
voltados à área. Desse período, o autor destaca as políticas regulatórias que levaram à
criação do Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia e a
Semana Nacional de Ciência e Tecnologia como passos importantes para a ampliação
da popularização da ciência, tendo a SNCT se constituído, ao longo do tempo, no maior
evento de aproximação entre ciência e sociedade no país.
Ao voltar um olhar mais específico para a SNCT, Bonfim (2015) em sua
dissertação denominada “A visão de alunos do ensino fundamental sobre ciência e
tecnologia: um estudo de caso sobre a contribuição da Semana Nacional de C&T”, após
entrevistar professores das escolas estudadas, identificou que as atividades da SNCT
desenvolvidas dentro da escola contribuem, na percepção dos professores de ciências,
para despertar interesse dos jovens pelas áreas de C&T. Já a visão dos alunos sobre
ciência está fortemente relacionada aos conteúdos e atividades escolares, especialmente
ao ensino de ciências. Ao levar os dados da referida pesquisa à reflexão no campo da
divulgação científica, é possível perceber a limitação da visão da ciência quando as
atividades da SNCT ficam limitadas ao espaço escolar. Nesse sentido, atividades
desenvolvidas fora do espaço formal, como as desenvolvidas no Museu da Vida durante
a SNCT, podem contribuir para ampliar a visão dos discentes em relação à ciência. Pois
eles terão contato com resultados de pesquisas e atividades práticas que extrapolam o
currículo escolar.
Pesquisas no campo da educação indicam a importância de ações educativas que
considerem os conhecimentos prévios do público envolvido. Nesse sentido, Rocha,
Schall e Lemos (2010) realizaram uma investigação no Museu da Vida com objetivo de
melhor compreender a influência da visita ao museu na formação de concepções sobre
saúde em jovens estudantes de Ensino Médio de escolas públicas. Os resultados
indicaram que as atividades educativas oferecidas contribuíram para estabelecer
relações entre os principais temas abordados (história, ciência, tecnologia, ambiente e
saúde), ampliando as concepções sobre saúde dos participantes.
Dessa forma, a divulgação do conhecimento técnico e científico na sociedade
moderna, globalizada e dependente da informação, se tornou um dever social. O diálogo
entre especialistas e não especialistas é necessário ao bom funcionamento da
democracia e, também, na busca pelo apoio da sociedade ao desenvolvimento da ciência
(CASTELFRANCHI, 2010). Nesse sentido, ações educativas promovidas durante a
SNCT, por espaços não formais como o Museu da Vida, podem contribuir para uma
comunicação pública da ciência mais efetiva. Para isso, é necessário abrir mão de
atividades baseadas em um modelo puramente de déficit, o que ainda é visto com muita
frequência na SNCT, e torná-las mais próxima do modelo de
participação/engajamento/diálogo público que, juntamente com o protagonismo do
visitante, é o modelo mais eficiente para uma real apropriação social da ciência,
conforme defendido por Massarani (2012).
Relato de experiência

A oficina foi realizada durante a 16ª edição da Semana Nacional de Ciência e


Tecnologia (SNCT) que ocorreu entre os dias 21 e 26 de Outubro de 2019, nas
instalações do Museu da Vida no campus Manguinhos da Fiocruz- RJ. A atividade foi
feita nos dias 22, 23 e 24 de Outubro em dois turnos, um pela manhã, de 9h até 12h e
um pela tarde, de 13h as 16h. O público alvo era de todas as idades, porém foi,
essencialmente, de estudantes de ensino fundamental e médio de escolas públicas e
particulares de diversas regiões do Rio de Janeiro.
Durante a SNCT 2019 a programação das atividades realizadas na Fiocruz- RJ
eram divulgadas no site e nas redes sociais do Museu da Vida. Essa programação
contava com o título, um breve resumo informativo sobre a atividade e o público alvo.
Nossa atividade recebeu o nome de “Minha horta PET, minha vida” e o resumo
divulgado era o seguinte:
“Se você já perdeu plantinhas por falta de tempo de
regar, esta atividade é pra você! Que tal aprender a
montar uma horta com material do cotidiano,
sustentável e que não precisa regar todo dia? ”

Para a realização do evento foi montada, no estacionamento do Museu da Vida,


a “Tenda da SNCT” (Figura 1-2), uma barraca grande de lona branca que comportava
10 stands onde foram montadas as exposições e/ou oficinas. Os stands comportavam
duas mesas de dimensões 2,20 x 0,80 m, cada e, também era ofertado uma televisão, de
uso facultativo, para os expositores.

Figura 1 Tenda SNCT no estacionamento do Museu da Figura 2 Tenda SNCT montada - Primeiro dia do evento.
Vida sendo montada. Fonte: Instagram Museu da Vida Fonte: Facebook Museu da Vida
A estrutura utilizada para nossa oficina foi de uma mesa e uma televisão de 50
polegadas. Sobre a mesa estavam dispostos os materiais utilizados para a oficina
(garrafas PET, tesouras, barbante e as tampinhas das garrafas), também exibimos três
modelos prontos dos vasos auto irrigáveis com objetivo de atrair a atenção dos
visitantes (Figura 3). Ao lado da mesa estavam dispostas as mudas de plantas e a terra
que foram utilizadas durante a oficina para que os visitantes pudessem levar seus vasos
completamente prontos.

Figura 3 Mesa da oficina "Minha horta PET, minha vida". Fonte:Foto pessoal

A atividade foi desenvolvida na mesa, onde os visitantes podiam colocar a “mão


na massa” montando seus próprios vasos auto irrigáveis com as garrafas PET e plantar
as mudas ofertadas durante a oficina (Figura 4). Já a televisão foi utilizada como recurso
auxiliar para reproduzir, em looping, um vídeo didático com duração de 2 minutos,
criado por nossa equipe, mostrando o passo-a-passo de como montar o vaso e
explicando o princípio científico da capilaridade da água. Esse vídeo foi divulgado na
página do Youtube do Museu da Vida com o objetivo de atingir outros públicos e de
disponibilizar para os visitantes da SNCT, caso estes quisessem resgatar as etapas da
construção do vaso ou divulgar nas suas redes sociais. Outro recurso utilizado foi alguns
slides contendo dados e gráficos sobre os impactos das garrafas PET no meio ambiente.
Para dar início a oficina investigávamos o conhecimento prévio do visitante
sobre os vasos auto irrigáveis através de uma conversa descontraída. Nela buscávamos
entender se o visitante tinha interesse por plantas, se as cultivava em casa, se já havia
perdido sua horta por falta de irrigação, entre outras questões. Dessa forma,
mantínhamos uma relação mais próxima com o visitante e despertávamos o interesse do
mesmo para realizar a oficina.

Figura 4 Visitantes durante a oficina de confecção dos vasos auto irrigáveis.


Fonte: Foto pessoal.

Ao abordarmos a questão “Você já ouviu falar sobre vaso auto irrigável? ”,


notamos que muitas pessoas não conheciam o termo ou a técnica e, ao explicar o
conceito e mostrar o exemplo dos vasos pré confeccionados o interesse aumentava e
surgiam várias perguntas a respeito dos vasos e de seu funcionamento. Também
notamos que algumas pessoas já conheciam a técnica, mas não estavam familiarizadas
com o nome informado. Tais visitantes relataram, espontaneamente, durante a
apresentação da oficina onde e como haviam utilizado a técnica. Geralmente o público
que sabia essa informação era composto por adultos ou adolescentes que diziam ter
visto os avós fazendo algo parecido com a técnica ensinada na oficina.
Outra etapa da apresentação da atividade era destacar a forma fácil, prática,
acessível e sustentável de confeccionar um vaso de garrafa PET. Destacávamos os
impactos causados por plásticos na natureza e a importância da reutilização e
reciclagem das embalagens plásticas no dia-a-dia. Além disso, ressaltávamos o
benefício que esse tipo de vaso proporciona, além de não precisar se preocupar em
molhar a planta todos os dias, não há perigo de proliferação do mosquito da Dengue.
Após a conversa iniciávamos a parte prática da oficina, na qual apresentamos os
materiais necessários e fazíamos, com o visitante, o passo-a-passo da montagem dos
vasos. Primeiramente todos recebiam uma garrafa PET, um pedaço de barbante e uma
tampinha de garrafa, previamente furada. Primeiramente, os visitantes cortavam a
garrafa no meio com a tesoura depois, passavam o barbante pelo buraco da tampinha e,
em seguida enroscavam ela de volta na garrafa de forma que um pedaço do barbante
ficava na parte interna e outro na parte externa da garrafa. Para criar o vaso o gargalo da
garrafa era encaixado na sua base. Na base é colocada a água e no gargalo o visitante
plantava uma muda de planta e, assim o vaso estava pronto.
A atividade foi realizada com o público espontâneo que visitava a Tenda, porém
para melhor organização a confecção dos vasos foi dividida por sessões para 10 pessoas
a cada hora. Todos os participantes da oficina construíam e levavam seu próprio vaso de
planta auto irrigável. Ao longo dos três dias de oficina foram confeccionados 150 vasos.
Para os visitantes que não conseguiram participar da construção dos vasos, tínhamos a
mesma abordagem de conversa e explicação da técnica, porém convidávamos esse
visitante a acessar o vídeo na página do museu no Youtube e seguir o passo-a-passo
para que ele criasse seu vaso em casa.
Além das escolas também recebemos famílias e funcionários da Fiocruz que se
interessaram em conhecer a oficina a partir do resumo exibido na programação da
SNCT. Outro público que tivemos a oportunidade de recepcionar foi o de pessoas com
deficiência em que a abordagem da oficina foi adaptada para cada tipo de deficiência.
No caso dos deficientes visuais deixamos eles à vontade para tocar todos os materiais e,
a cada etapa da montagem do vaso explicávamos enquanto eles tocavam as peças para
melhor compreensão. O corte da garrafa, a passagem do barbante e a plantação foram
feitas com nosso auxílio.
Para as pessoas com deficiência auditiva e física (cadeirante) a abordagem foi a
mesma feita com os demais visitantes, porém com algumas adaptações. No caso da
cadeirante, posicionamos os materiais mais próximos a borda da mesa que já
apresentava uma altura adequada. Já a abordagem com o as pessoas com deficiência
auditiva foram feitas com a ajuda de um intérprete de Libras que os acompanhava, além
disso mantínhamos o contato visual com eles, pois dessa maneira é possível a realização
da leitura labial e, também proporciona uma melhor conexão com o visitante.
Resultados e discussão

Em três dias, recebemos os mais variados públicos e, ao logo desses dias o


evento recebeu 3427 visitantes. Acreditamos que a atividade realizada pôde contribuir
para a divulgação científica sobre cuidados com o meio ambiente de uma forma leve,
descontraída e prática. As abordagens feitas durante a oficina contribuem para o
desenvolvimento do pensamento crítico e para a adoção de novos hábitos e de práticas
sustentáveis dos participantes. Isso por que as estratégias educacionais para o cuidado
com o meio ambiente procuram não só informar, mas também criar condições para que
a percepção sobre esse problema se efetive em um comportamento de prevenção ou de
busca por sua superação e em melhoria de qualidade de vida. Acreditamos que nosso
objetivo foi alcançado e que atingimos diversas pessoas que irão adotar e disseminar
essa técnica.
Referências

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