Você está na página 1de 182

IMPORTUNAÇÃO

SEXUAL COMO
TEMÁTICA DE
INTERESSE
PÚBLICO

UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ


COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL
2019
#CHEGADEIMPORTUNAÇÃO

ADILSON MEDEIROS DOS SANTOS JUNIOR


ANDRÉ MOACIR DUMAS GRANDO
BRUNA EVARISTO KAHL
ISABELE BORGES DA SILVA
MATHEUS CARPENEDO DOS SANTOS
MICHEL DOUGLAS SILVA
NATALIA CAROLINA DOS SANTOS ARNAI

IMPORTUNAÇÃO SEXUAL COMO TEMÁTICA DE INTERESSE PÚBLICO

Trabalho apresentado ao Curso de Comunicação


Organizacional da Universidade Tecnológica Federal do
Paraná como requisito parcial para aprovação na
disciplina Projeto 3, sob a orientação geral da Profa. Dra.
Elza Aparecida de Oliveira Filha.

Curitiba, 2019
SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS ............................................................................................................................. 5


LISTA DE TABELAS ............................................................................................................................ 7
INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................... 9
1. TEMA E CENÁRIO ......................................................................................................................... 13
1.1. A IMPORTÂNCIA DO TEMA PARA O INTERESSE PÚBLICO.............................................. 13
1.2. O QUE É IMPORTUNAÇÃO SEXUAL ...................................................................................... 14
1.3. IMPORTUNAÇÃO X ASSÉDIO .................................................................................................. 16
1.4. CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA ........................................................................................... 18
1.5. DADOS SECUNDÁRIOS ............................................................................................................. 25
1.6. CLIPPING DE NOTÍCIAS ............................................................................................................ 28
1.7. O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS ......................................................................................... 34
2. ANÁLISE DE CAMPANHA DE REPERTÓRIO ............................................................................ 43
2.1. IDENTIFICAÇÃO DA CAMPANHA .......................................................................................... 43
2.2. MENSAGEM DA CAMPANHA: TIPO E TOM .......................................................................... 45
2.3. ELEMENTOS ESTRUTURAIS DAS PEÇAS .............................................................................. 50
3. COMUNICAÇÃO PÚBLICA E INTERESSE PÚBLICO ............................................................... 59
3.1. CONCEITO DE INTERESSE PÚBLICO ..................................................................................... 59
3.2. CONCEITO DE COMUNICAÇÃO PÚBLICA ............................................................................ 61
3.3. MIDIATIZAÇÃO .......................................................................................................................... 65
3.4. IMPORTUNAÇÃO SEXUAL COMO TEMÁTICA DE INTERESSE PÚBLICO ...................... 66
4. MAPEAMENTO DE PÚBLICO E MÍDIAS .................................................................................... 71
4.1. ORGANIZAÇÃO QUE ASSINA A CAMPANHA ...................................................................... 71
4.1.1. HISTÓRICO DA ORGANIZAÇÃO .......................................................................................... 73
4.1.2. ANÁLISE SWOT ....................................................................................................................... 77
4.1.2.1. FORÇAS .................................................................................................................................. 78
4.1.2.2. FRAQUEZAS .......................................................................................................................... 80
4.1.2.3. OPORTUNIDADES ................................................................................................................ 80
4.1.2.4. AMEAÇAS .............................................................................................................................. 81
4.1.3 CANVAS ..................................................................................................................................... 81
4.2. PÚBLICOS E DADOS ESTATÍSTICOS ...................................................................................... 85
4.2.1 PROPRIETÁRIOS ....................................................................................................................... 86
4.2.2 GESTORES.................................................................................................................................. 86
4.2.3 FUNCIONÁRIOS ........................................................................................................................ 86
4.2.4 CLIENTES ................................................................................................................................... 87
4.2.5 PARCEIROS ................................................................................................................................ 87
4.2.6 TERCEIRIZADOS....................................................................................................................... 88
4.2.7 CONCORRENTES ...................................................................................................................... 88
4.2.8 IMPRENSA.................................................................................................................................. 89

Página |3
4.2.8 CONSULTORES/ESPECIALISTAS ........................................................................................... 89
4.2.10 PODER PÚBLICO ..................................................................................................................... 90
4.3 PÚBLICO DE INTERESSE............................................................................................................ 90
4.3.1 QUESTIONÁRIO ........................................................................................................................ 91
4.3.2 ENTREVISTAS ........................................................................................................................... 99
4.4. PLANO DE MÍDIAS ................................................................................................................... 102
4.4.1. MÍDIAS ONLINE ..................................................................................................................... 103
4.4.1.1. FACEBOOK ........................................................................................................................... 103
4.4.1.2. INSTAGRAM .......................................................................................................................... 104
4.4.1.3. HOTSITE ................................................................................................................................ 104
4.4.2. MÍDIAS OFFLINE ................................................................................................................... 105
4.4.2.1. MÍDIA DOOH (TV DO ÔNIBUS) ......................................................................................... 105
4.4.2.2. ADESIVOS ............................................................................................................................ 106
4.4.3. PLANEJAMENTO GERAL ..................................................................................................... 106
5. DESENVOLVIMENTO DA CAMPANHA ................................................................................... 111
5.1 TEMA E TOM DA CAMPANHA ................................................................................................ 111
5.2 IDENTIDADE VISUAL ............................................................................................................... 113
5.3 TV DO ÔNIBUS ........................................................................................................................... 116
5.4 INSTAGRAM ............................................................................................................................... 118
5.5 FACEBOOK.................................................................................................................................. 119
5.6 ADESIVOS ................................................................................................................................... 121
5.7 HOTSITE ...................................................................................................................................... 123
5.8 SUGESTÃO DE CONTINUIDADE DA DISCUSSÃO ............................................................... 127
CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................................................. 129
REFERÊNCIAS .................................................................................................................................. 131
APÊNDICE ........................................................................................................................................ 151
APÊNDICE A – Entrevista 1: Isadora Macedo................................................................................... 151
APÊNDICE B – Termo de consentimento Isadora Macedo ............................................................... 154
APÊNDICE C – Entrevista 2: Guilherme Gazolli............................................................................... 156
APÊNDICE D – Termo de consentimento Guilherme Gazoll ............................................................ 159
APÊNDICE E – Entrevista 3: Entrevista Renata Thereza Fagundes Cunha ....................................... 160
APÊNDICE F – Termo de consentimento Renata Thereza Fagundes Cunha ..................................... 163
APÊNDICE G – Entrevista 4: Caroline Alexandre ............................................................................. 164
APÊNDICE H – Termo de consentimento Caroline Alexandre ......................................................... 167
APÊNDICE I – Entrevista 5: Rodrigo de Freitas Marchioro .............................................................. 168
APÊNDICE J – Termo de consentimento Rodrigo de Freitas Marchioro ........................................... 172
APÊNDICE K– Reportagem: Nova lei representa avanço na luta contra crimes sexuais....................173

Página |4
LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Frame - Obrigado por ficar de boca fechada. .............................................................. 47


Figura 2: Frame - Local de trabalho ............................................................................................ 48
Figura 3: Peça 1 da campanha #WhoWillYouHelp. ................................................................... 49
Figura 4: Frame - Obrigado por ter ajudado................................................................................ 51
Figura 5: Peça 2 da campanha #WhoWillYouHelp. ................................................................... 52
Figura 6: Peça 3 da campanha #WhoWillYouHelp. ................................................................... 54
Figura 7: Fachada da WSpace. .................................................................................................... 74
Figura 8: Palco para apresentação da WSpace. ........................................................................... 75
Figura 9: Logotipos da WS antes e depois da mudança de nome, respectivamente. .................. 76
Figura 10: Linha do tempo com os fatos mais relevantes da WSpace. ....................................... 77
Figura 11: SWOT. ....................................................................................................................... 78
Figura 12: Business Model Canvas. ............................................................................................ 82
Figura 13: Sem o sim, tudo é assédio. ......................................................................................... 89
Figura 14: Questionário - Idade. ................................................................................................. 92
Figura 15: Questionário - Gênero................................................................................................ 92
Figura 16: Questionário - Orientação sexual............................................................................... 92
Figura 17: Questionário - Instituições de ensino. ........................................................................ 93
Figura 18: Questionário - Mídias. ............................................................................................... 93
Figura 19: Questionário - Diferença............................................................................................ 94
Figura 20: Questionário - Já foi vítima?...................................................................................... 94
Figura 21: Questionário – Perfil das vítimas de importunação sexual. ....................................... 95
Figura 22: Questionário - Você conhece? ................................................................................... 95
Figura 23: Questionário - Você conhece/local importunação? ................................................... 96
Figura 24: Questionário - Você conhece/local assédio? ............................................................. 96
Figura 25: Questionário - Local da importunação....................................................................... 97
Figura 26: Questionário - Local assédio...................................................................................... 97
Figura 27: Questionário - Alguém interveio?.............................................................................. 98
Figura 28: Questionário - Houve denúncia?................................................................................ 98
Figura 29: Questionário - Como as autoridades procederam? .................................................... 98
Figura 30: Questionário - Não houve denúncia........................................................................... 99
Figura 31: Referência 1. ............................................................................................................ 114
Figura 32: Tipografia 1. ............................................................................................................ 114
Figura 33: Tipografia 2. ............................................................................................................ 114
Figura 34: Referência 2. ............................................................................................................ 115
Figura 35: Tv do Ônibus 1. ....................................................................................................... 117
Figura 36: Tv do Ônibus 2. ....................................................................................................... 117

Página |5
Figura 37: Tv do Ônibus 3......................................................................................................... 118
Figura 38: Instagram 1. ............................................................................................................. 119
Figura 39: Instagram 2. ............................................................................................................. 119
Figura 40: Facebook. ................................................................................................................. 121
Figura 41: Adesivo 1. ................................................................................................................ 122
Figura 42: Adesivo 2. ................................................................................................................ 122
Figura 43: Adesivo 3. ................................................................................................................ 123
Figura 44: Aba inicial do hotsite. .............................................................................................. 125
Figura 45: Aba "o que é importunação” .................................................................................... 125
Figura 46: Aba "assédio sexual x importunação sexual”. ......................................................... 125
Figura 47: Aba "a campanha". ................................................................................................... 126
Figura 48: Aba "relatos" - parte 1. ............................................................................................. 126
Figura 49: Aba "relatos" - parte 2. ............................................................................................. 127
Figura 50: Aba "denuncie". ....................................................................................................... 127

Página |6
LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Definição Importunação Sexual e Assédio Sexual no Código Penal. ................................... 17

Tabela 2: Clipping de notícias............................................................................................................... 29

Tabela 3: Ficha técnica – campanha. .................................................................................................... 44

Tabela 4: Ficha técnica - vídeo. ............................................................................................................ 44

Tabela 5: Plano de mídia - Custo da mão de obra. .............................................................................. 107

Tabela 6: Plano de mídia - Planejamento mídia online. ...................................................................... 107

Tabela 7: Plano de mídia - Planejamento mídia offline....................................................................... 108

Tabela 8: Planejamento tático para o mês de julho. ............................................................................ 108

Página |7
INTRODUÇÃO

A temática de importunação sexual, apesar ser algo que ocorre diariamente e com alta
frequência, principalmente com as mulheres, tomou conta dos noticiários de forma expressiva
em 2018. No referido ano, muitos casos de homens que ejaculavam em mulheres no transporte
coletivo foram midiatizados. Mesmo que o agressor fosse pego em flagrante, ele era autuado
como contraventor penal, o que permite sua soltura através do pagamento de multa. A lei de
importunação sexual, portanto, surgiu em setembro de 2018 para que esses casos de abuso não
ficassem impunes perante à sociedade. Atualmente, quem comete qualquer ato classificado
como importunação pode ser autuado com pena de um a cinco anos de detenção.
Além dos casos mais extremos, como ejacular em outra pessoa sem o consentimento da
mesma, outras práticas que podem ser classificadas como importunação sexual serão
exploradas no projeto, assim como os principais locais de ocorrência e quem são as maiores
vítimas. Capítulo a capítulo, o grupo buscará mostrar a relevância do assunto a ser tratado
através do olhar do interesse público e da comunicação pública, por meio da contextualização
da temática, apresentação de dados primários e secundários, entrevistas com especialistas,
campanha de repertório, busca por uma organização relevante para assinar a campanha e,
finalmente, a apresentação das peças publicitárias que darão vida aos principais conceitos
tratados durante a jornada proposta.
O presente projeto possui, portanto, o objetivo de colocar em evidência à temática de
importunação sexual como um assunto de interesse público, visto que, qualquer indivíduo, pelo
fato de viver em sociedade, pode ser vítima desse crime. Além disso, propõe-se que qualquer
cidadão pode ser um agente transformador da realidade, de forma a não cometer e não
normalizar socialmente os atos classificados como importunação. Este estudo, ainda, intenta
sensibilizar as outras pessoas que veem essas situações ocorrerem a não serem negligentes e
ficarem do lado da vítima, intervindo ou ajudando no momento da denúncia.
Gostaríamos, dessa forma, de agradecer a todos que foram essenciais para a construção
deste projeto. Em primeiro plano, agradecemos à Universidade Tecnológica Federal do Paraná
(UTFPR) e ao Departamento de Linguagem e Comunicação (DALIC) por ofertarem o curso de
Comunicação Organizacional. Entendemos que somente o curso poderia proporcionar ao grupo
do projeto uma visão ampla de um tema tão complexo e, muito além disso, aprendemos a ter
uma perspectiva mais crítica e não convencional acerca do tema.
Também agradecemos a todos os professores que fizeram parte dessa caminhada: a
Profa. Elza Aparecida de Oliveira Filha, por nos orientar durante todo o Projeto 3; a Profa.

Página |9
Gabrielle Staniszewski, pelo auxílio no processo de criação da campanha; a Profa. Anuschka
Reichmann Lemos, que nos guiou na produção das fotografias que irão ilustrar a campanha; a
Profa. Giovanna Pezarico, que nos auxiliou no processo de encontrar uma organização para
assinar a campanha; ao Prof. Eduardo Bernardes de Castro, que nos ajudou a realizar uma
pesquisa de público cujo resultado foi essencial para a efetivação da campanha; e ao Prof.
Marcelo Fernando de Lima, pela reportagem que compõe o Projeto. Por fim, também
agradecemos a casa noturna WSpace pelo espaço concedido, e por aceitar assinar,
hipoteticamente, a campanha.

P á g i n a | 10
capítulo 1
TEMA E CENÁRIO
CAPÍTULO 1

1. TEMA E CENÁRIO

Antes de entrar de fato nas questões que ligam a publicidade ao tema da importunação
sexual, serão apresentados alguns dados que mostram a urgência deste em ser trabalhado ao
considerar a sua importância para o interesse público, esclarecer as suas semelhanças e
diferenças com o crime de assédio sexual, apresentar uma contextualização atual acerca deste,
realizar o levantamento de alguns dados secundários e, por fim, ouvir o que dizem alguns
profissionais que lidam diretamente com as questões abordadas.

1.1 A IMPORTÂNCIA DO TEMA PARA O INTERESSE PÚBLICO

O conceito de interesse público refere-se ao bem comum, ou seja, aquilo que é de


importância para um conjunto social que aspira e possui acordos em comum construídos numa
sociedade democrática. Segundo Rudimar Baldissera, Basilio Sartor e Jean Rossato (2016) a
formação desse interesse se dá pela união de três forças: pública, privada e social. Porém,
nenhuma delas irá sobrepor-se a outra, de modo que o desejo de cada indivíduo é levado em
conta para a constituição do querer comum, mas sem que o particular tenha maior valia que o
coletivo.

O interesse público assume um significado valorativo positivo e uma posição


hierarquicamente superior aos interesses privados como referência para a vida
pública. Entretanto, a concepção do “primado do público” não estabelece critérios
objetivos de demarcação do conceito de interesse público. Cada campo social ou
tradição teórica busca delimitar o sentido de interesse público por meio de seus
próprios referenciais e critérios de conceituação, ainda que possam ser encontrados
muitos pontos de convergência entre as distintas acepções (BALDISSERA;
SARTOR; ROSSATO, 2016. p.210).

No contexto atual, as várias formas de abuso - sexual, moral, físico, econômico e


psicológico - são fenômenos de interesse público, posto que ocorrem tanto com crianças quanto
com adultos, independente do gênero. O tema ganha cada vez mais espaço nas mídias, visto
que tanto organizações públicas quanto privadas consideram o tema de alta relevância, posto
que o número das vítimas aumenta a cada ano.
A importunação sexual é uma temática que tem ganhado um destaque maior perante a
população, uma vez que tem sido debatida tanto em mídias online quanto offline. Isso se deve,
em sua maioria, pela quantidade de casos que ocorreram no ano de 2018 (SARTORI, 2018) e,
também, pelo surgimento de uma nova lei que tipifica importunação sexual como crime

P á g i n a | 13
(FERNANDES, 2018). Torna-se relevante comentar que as instituições procuram abordar
pautas sociais utilizando seus canais de comunicação. Dessa forma, a importunação sexual, por
se tratar de um abuso que pode ocorrer independente do gênero, idade e local, as organizações
privadas e públicas estão dedicando seu tempo na criação de peças publicitárias que objetivam
a conscientização da população sobre o tema.

1.2 O QUE É IMPORTUNAÇÃO SEXUAL

Em vigor desde 25 de setembro de 2018, a lei 13.781 do Código Penal tipifica os crimes
de importunação sexual, de maneira que preenche uma lacuna no sistema jurídico brasileiro e
representa um importante marco na defesa das mulheres. Ela altera o Decreto-Lei nº 2.848, de
7 de dezembro de 1940, a fim de abranger uma série de atos e condições que, até então, não
eram plenamente contemplados na lei ou passíveis de aumento de pena, como “passadas de
mão”, beijos roubados e a divulgação de imagens íntimas sem o consentimento da vítima. Antes
tratados como contravenções penais, passíveis de punições mais brandas, agora atos do tipo são
crimes inafiançáveis e podem render até oito anos de prisão.
Como descrito na lei, Como descrito na lei, importunação sexual é “praticar contra
alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a
de terceiro” (CÓDIGO PENAL, 2018). Em suma, esta lei prevê punições para os indivíduos,
homens e mulheres, que praticarem contra alguém, sem a sua permissão, quaisquer atos com o
objetivo de satisfazer sua vontade sexual, sem o uso da violência ou ameaças. Trata-se de um
crime inafiançável com pena de reclusão de um a cinco anos, com agravantes. A lei prevê o
aumento de pena em até dois terços caso o crime seja praticado por alguém que mantém ou
tenha mantido relações afetuosas com a vítima ou o tenha feito como forma de vingança e
humilhação (AGÊNCIA ESTADO, 2018). Se há o emprego da violência ou ameaças graves,
constitui-se o crime de estupro, e se a conduta é praticada contra menores de 14 anos, mesmo
com o consentimento da vítima e sem o uso da violência física ou moral, o ato é identificado
como estupro de vulnerável (COSTA, 2019).
Os crimes de importunação sexual são frequentes em espaços públicos com grande
circulação de pessoas, como no transporte coletivo, festas e baladas, e a maioria das vítimas
são mulheres. Um dos casos mais importantes no movimento para a promulgação da nova lei
aconteceu em São Paulo, onde um homem foi preso em flagrante pelo crime de estupro após
ejacular em uma passageira dentro de um ônibus. Apesar de ter outras quinze passagens por

P á g i n a | 14
atos do tipo, o homem foi solto pouco tempo depois, pois a justiça alegou ausência de
constrangimento da vítima (NETTO, 2019).
De acordo com dados obtidos pelo Estado de São Paulo via Lei de Acesso à Informação,
352 pessoas, sendo 333 do sexo feminino, foram vítimas de importunação sexual na cidade de
São Paulo em apenas três meses após a criminalização dos atos, incluindo 68 crianças e
adolescentes do sexo feminino. Isso resulta em uma média de três casos por dia, um a cada oito
horas. Entre os 263 agressores denunciados, 256 são homens, e, neste período, foram
registrados apenas três casos em que uma mulher cometeu o crime de importunação sexual
contra uma vítima do sexo masculino. Vale lembrar, no entanto, que os números se referem
apenas às situações notificadas à polícia, e não abrangem os casos em que a vítima não denuncia
o crime, o que é muito comum entre as mulheres em situações do tipo devido ao
constrangimento, medo e humilhação (NETTO, 2019). Em Curitiba, a Guarda Municipal
relatou 43 ocorrências do tipo, envolvendo desde a importunação sexual no transporte coletivo
até atos obscenos e libidinosos configurados como ataque ao pudor, de janeiro a setembro de
2018, antes da promulgação da lei (PORTAL DA PREFEITURA DE CURITIBA, 2018).
Segundo Silvia Chakian, promotora de Justiça do MP-SP (Ministério Público de São
Paulo), em entrevista a Ugo Sartori (2018), antes da criminalização da importunação sexual
existiam dois extremos na Justiça: contravenções penais simples e o crime de estupro. A nova
lei é voltada a comportamentos intermediários e que se apresentam de forma gradativa, e, de
acordo com a promotora, este foi um terceiro passo importante na defesa das mulheres,
juntamente com a Lei Maria da Penha e a tipificação do crime de feminicídio (SARTORI,
2018).
Antes dessa lei, atos do tipo geralmente eram punidos com multas, que variavam entre
R$ 318 a R$ 47,7 mil e, em casos mais extremos, curtos períodos de reclusão em regime aberto
ou semiaberto. O consenso entre os juízes era de que a importunação sexual se enquadrava não
como crime, e sim uma contravenção penal prevista nos artigos 61 e 65 do Decreto-Lei 3.688,
de 1941. As penas estipuladas em crimes incluem, obrigatoriamente, a reclusão ou detenção -
regime inicial fechado ou semiaberto (OLIVEIRA, 2019). Dessa forma, além de facilitar o
trabalho do sistema de justiça na condução destes casos, a alteração na lei também traz punições
maiores.
Valeria Scarence, promotora de Justiça que integra o Núcleo de Gênero do Ministério
Público de São Paulo, em entrevista concedida a Débora Brito (2018), ressalta que os crimes
de importunação sexual são graves e devem ter punições à altura, pois eles podem impedir que

P á g i n a | 15
a vítima retome sua vida social, afetiva e profissional. Em muitos casos, crimes do tipo são a
causa de estresse pós-traumático, doenças como a síndrome do pânico e ideias suicidas. A pena
prevista para os casos de importunação sexual, a partir da promulgação da nova lei, se
assemelham à sanção aplicada para furtos simples. Segundo a promotora, caso a pena fosse
menor, não possibilitaria a reclusão dos agressores e, consequentemente, a proteção da vítima.
Da mesma forma, os casos nos quais há aumento da pena tem um caráter preventivo e visam
incentivar as denúncias por parte das vítimas (BRITO, 2018).
Com a promulgação da lei 13.781, houve também uma mudança no tipo da ação penal
que aborda crimes contra a liberdade sexual e contra vulneráveis, que, agora, são de natureza
pública incondicionada. Isso significa que o processo pode ser iniciado pelo Ministério Público
independentemente da vontade da vítima. De acordo com Wânia Pasinato, socióloga
especialista em violência de gênero e políticas públicas, esta mudança é uma maneira de
amparar as mulheres vítimas de importunação sexual, já que participar como vítima de um
processo judicial em quaisquer situações de violência, especialmente violência de gênero e
violência sexual, exige certos níveis de exposição (BRITO, 2018).

1.3 IMPORTUNAÇÃO X ASSÉDIO

Doze meses após o caso do homem que ejaculou no pescoço de uma mulher dentro de
um ônibus na cidade de São Paulo ganhar grande visibilidade no cenário nacional, foi
sancionada a lei nº13.718 (CÓDIGO PENAL, 2018), que passa a criminalizar atos
caracterizados como importunação sexual. A criação da lei foi motivada pela demanda de
encontrar uma maneira de punir aqueles que cometessem atos libidinosos, afinal, muitos eram
inocentados por serem acusados de crimes que não se adequavam aos acontecimentos. No caso
citado, o acusado foi inocentado do crime de estupro, pois, segundo a decisão do juiz, ele não
submeteu a vítima à força nem a ameaça (ROSA; TOMAZ; REIS, 2017).
Segundo pesquisa realizada a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública pelo
Instituto de pesquisa Datafolha, dentre as 897 mulheres que aceitaram ser entrevistadas, 7,8%
confirmam que foram assediadas1 fisicamente em transporte público como no ônibus, metrô no
período de 12 meses que antecederam à pesquisa (DATAFOLHA/FBSP, 2019). Com a grande
midiatização2 em casos de importunação sexual em ambientes públicos e campanhas de

1
O emprego do termo assédio é errado, mas será apresentado diversas vezes no decorrer do projeto, pois, como
no caso é a denominação apresentada na pesquisa de referência.
2
Como será apresentado no cliping no decorrer do capítulo.

P á g i n a | 16
incentivo à denúncia, a lei3 de importunação sexual passa a servir como um apoio para que a
vítima saiba que, caso realizar a denúncia, o agressor será julgado de maneira justa. Assim, os
atos que se enquadram na lei e antes eram tratados apenas como contravenções penais, agora
são tratados como crime e o agressor, se condenado, pode cumprir de um a cinco anos de prisão.
Comumente confundidos dentro de pesquisas, reportagens e publicações, os termos
“assédio sexual” e “importunação sexual” possuem significados distintos no Código Penal
Brasileiro. De acordo com a legislação, cada uma das situações possui a seguinte definição:

Tabela 1: Definição Importunação Sexual e Assédio Sexual no Código Penal.

Importunação sexual
(Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)

Art. 215-A. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de
satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro:
(Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)
Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o ato não constitui crime mais grave. (Incluído
pela Lei nº 13.718, de 2018)

Assédio sexual
(Incluído pela Lei nº 10.224, de 15 de 2001)

Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual,
prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes
ao exercício de emprego, cargo ou função.
(Incluído pela Lei nº 10.224, de 15 de 2001)
Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.
(Incluído pela Lei nº 10.224, de 15 de 2001)
Parágrafo único.
(VETADO)
(Incluído pela Lei nº 10.224, de 15 de 2001)
§ 2 A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos.
o

(Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)


Fonte: Código Penal brasileiro (2018).

3
A lei nº 13.718 é resultante dos projetos das ex-senadoras Vanessa Grazziotin e Marta Suplicy, e do senador
Humberto Costa, que foram reunidos com outras propostas da Câmara Federal pela ex-deputada federal Laura
Carneiro.

P á g i n a | 17
O assédio sexual trata-se da manifestação de uma ação de cunho sexual contra a vontade
da vítima e acontece sempre no ambiente de trabalho, praticada por uma pessoa em posição
hierárquica superior. Já a lei de importunação sexual (13.718) trata de práticas em que o
agressor executa uma violência física ou moral com o objetivo de expressar seu desejo pela
vítima, sem seu consentimento. Neste caso, não existe restrição de local e nível hierárquico para
a identificação do crime, mas tem o transporte público, casas noturnas, e estádios de futebol
como os locais de maior ocorrência (OLIVEIRA, 2019).
As condutas libidinosas que se enquadram dentro do crime de importunação sexual,
vistas com frequência no cotidiano, são: o “beijo roubado”, “cantadas” invasivas, ejacular na
vítima sem seu consentimento – este ato também pode configurar crime de estupro, em
circunstâncias em que o agressor utiliza a força para imobilizar a vítima, por exemplo –, toques
com intenção de prazer sexual sem aquele que o recebeu permita. É necessário ressaltar que
esta lei vale para indivíduos de qualquer sexo ou gênero, embora os agressores, em sua maioria,
sejam homens (THINK OLGA, 2019).
Segundo a doutora em psicologia Kátia Rubio (2019), no Brasil, a denúncia está
associada a uma agressividade que não é aceita culturalmente, e, na maior parte dos ocorridos,
as vítimas do abuso chegam ao seu limite para conseguirem denunciarem, como é o caso da
atleta Joanna Maranhão4. Cada vez que uma mulher faz uma denúncia, ela passa por inúmeros
constrangimentos que vão desde o exame de corpo e delito até o acolhimento na delegacia. A
exposição da intimidade para provar o ocorrido, na maioria dos casos, não é válida, porque a
maioria das vítimas desejam esquecer o momento de suas vidas.

1.4 CONTEXTUALIZAÇÃO DO TEMA

Quando se coloca em pauta a problemática em relação ao machismo existente em uma


sociedade patriarcal, é importante voltar no tempo para compreender a relevância de abordar
temáticas envolvendo a questão de gênero nos dias atuais. As mulheres sempre foram vistas
com olhos de submissão e tidas como objeto sexual, por isso, eram silenciadas a todo momento
por uma figura masculina, seja o pai, o irmão ou o marido. Havia uma relação de poder nítida
entre os gêneros e isso perdurou no decorrer dos séculos (NOGUEIRA, 2018).

4
Nadadora profissional que, em 2008, falou a público que sofria abusos de seu treinador, e, por isso, o senado
aprovou o projeto de lei que alterava a prescrição de abuso na infância e adolescência, para que seja contada a
partir dos 18 anos de idade.

P á g i n a | 18
Logo com a Revolução Industrial, que teve seu início na Inglaterra dentre os séculos
XVII, XVIII e XIX, as mulheres começaram a ser introduzidas nos ambientes de trabalho,
principalmente no segmento têxtil (JORNAL MULIER, 2013). Ainda de acordo com o Jornal
Mulier (2013), o fato de a mulher ter sido incorporada ao mercado de trabalho poderia ter se
tornado um marco histórico, entretanto, não houve uma relação de independência do gênero
feminino, mas, sim, a exploração e opressão dessas mulheres. No século XX, o Brasil buscava
obter seu desenvolvimento industrial (CUNHA et al., 2017). Apesar de ser um segmento pouco
explorado na época, Margareth Rago (2004), afirma que, em 1901, pelo menos 68% da mão de
obra utilizada na indústria era composta por mulheres. No entanto, elas não dispunham de
condições dignas de trabalhos, estavam à mercê de sofrer diariamente assédio sexual e a
legislação não as protegia. No decorrer dos anos, as mulheres começaram a fazer parte do
movimento sindical e lutavam em busca dos seus direitos e melhores condições de trabalho.
Algumas de suas reivindicações eram em relação a equiparação salarial, a discriminação de
gênero no ambiente de trabalho e acesso à creche para os filhos (JORNAL MULIER, 2013).
O fato que veio fomentar ainda mais o movimento sindical, foi o ocorrido no início de
século XX em Nova York. No dia 25 de março de 1911, 146 trabalhadores - incluindo 125
mulheres - morreram carbonizados dentro de uma fábrica têxtil devido às péssimas condições
de trabalho a que eram submetidos. De acordo com Lu Sudré (2019), este acontecimento fez
com que a luta dos sindicatos femininos da época crescesse ainda mais em prol de condições
dignas de trabalho. Em 1975, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu essa data
como o dia Internacional da Mulher, em memória dessas trabalhadoras que perderam suas vidas
no ambiente de trabalho (MULHERES MIL, 2009).
No Brasil, segundo Duarte (2011), o início do século XX foi marcado por uma
movimentação de mulheres em prol dos seus direitos básicos, como ao voto, trabalhar nos
comércios e ao curso superior. Apesar disso, em 1916, surge o primeiro Código Civil, que
tornou evidente diversas condutas misóginas que eram consideradas normais dentro da
sociedade. De acordo com Augusto César Buonicore (2017), nele constava, de forma clara, que
a mulher não era uma pessoa livre, e que ainda poderia ser punida caso realizasse um ato que
fosse considerado desonesto perante a sociedade.
Desse modo, as mulheres que desde sempre foram excluídas e deixadas à margem da
sociedade continuavam privadas de qualquer possibilidade de obter seus direitos políticos,
como o direito ao voto. Em busca de revolucionar esse cenário, em 1910 foi criado o Partido
Republicano da Mulher, que movimentou cerca de 100 mulheres em uma passeata em prol do

P á g i n a | 19
voto feminino (MARTINELLI, 2018). Já em 1919, Bertha Maria Júlia Lutz, fundadora da Liga
para a Emancipação Internacional da Mulher, surge como um ícone da luta pelos direitos do
voto das mulheres (GOVERNO DO BRASIL, 2012a).
Após muitos protestos e lutas femininas, em 1932 as mulheres brasileiras garantiram
legalmente o direito ao voto perante o Código Eleitoral. Em 1934, com a elaboração de uma
nova Constituição, o sexo feminino teve o direito de escolher seus representantes políticos
reconhecido (AZEVEDO, 2018). Apesar do grande avanço no âmbito político, muitos dos
direitos femininos ainda eram negados legalmente. Até 1988, ano que entraria em vigor a
Constituição Cidadã5, ainda era válido, por exemplo, o Estatuto da Mulher Casada, que previa
a necessidade de autorização do marido para as mulheres poderem trabalhar (MODELLI, 2018).
A respeito da Constituição de 1988, Cristiane Maria Sbalqueiro Lopes (2006) afirma:

Trata-se da superação de um paradigma jurídico que legitimava declaradamente a


organização patriarcal e a conseqüente preferência do homem ante a mulher,
especialmente no locus da família. Em seu lugar, delineia-se uma ideologia de
igualdade de direitos e deveres. Desaparece a figura da chefia da sociedade conjugal
e com ela as preferências e privilégios que sustentavam juridicamente a dominação
masculina (LOPES, 2006, p.407).

Carneiro (2003) pondera que o movimento feminino no Brasil é um dos mais


respeitados do mundo e torna-se referência em determinadas temáticas que são do interesse das
mulheres internacionalmente. A autora reitera que, o fato que representa a potência deste
movimento brasileiro é a Constituição de 1988, que alterou o status jurídico das mulheres no
país. Entre os avanços, está o princípio constitucional da igualdade6, o princípio do respeito à
dignidade da pessoa humana7, respeito ao direito à licença maternidade de 120 dias e a garantia
de não haver remuneração inferior de um salário mínimo (BARRETO, 2010).
Em toda essa trajetória, a mulher garantiu muitos direitos ao longo dos séculos, sempre
com lutas árduas e que custaram a vida de muitas pelo caminho. Apesar do cenário feminino
ter mudado radicalmente, no século XXI muitas mulheres ainda passam por situações de
violência, seja no ambiente doméstico ou no público. O Mapa da Violência, divulgado em 2015

5
A Constituição do Brasil de 1988 significou um importante marco para a transição democrática brasileira.
Denominada Constituição Cidadã, ela trouxe avanços no tocante ao reconhecimento dos direitos individuais e
sociais das mulheres (BARRETO, 2010).
6
Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes (BRASIL, 1988).
7
Art. 1º. A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito
Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
III - a dignidade da pessoa humana (BRASIL, 1988).

P á g i n a | 20
pela Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais (FLACSO), revelou que, entre 1980 e
2013, 106.093 mulheres foram vítimas de assassinato. Ainda de acordo com a pesquisa, durante
o período estudado, o Brasil tinha uma taxa de 4,8 homicídios para cada 100 mil mulheres.
Nesse cenário, o famoso caso da cearense Maria da Penha Maia Fernandes surge como
um marco das lutas feministas brasileiras. Em 1983, enquanto dormia, Maria da Penha foi
baleada pelo seu esposo, que a deixou paraplégica. Após esse fato, ela foi mantida em cárcere
privado, sofreu outros abusos e nova tentativa de assassinato pelo marido, por eletrocussão.
Depois de um processo intenso de luta, somente em 2006, o então presidente Luiz Inácio Lula
da Silva sancionou a Lei nº 11.340, conhecida por Lei Maria da Penha, que coíbe a violência
doméstica contra mulheres (GOVERNO DO BRASIL, 2012b).
Com a assinatura da Lei Maria da Penha e de tratados internacionais a favor dos direitos
humanos, como a Convenção Americana de Direitos Humanos (1969)8, o Estado brasileiro
objetivava eliminar qualquer forma de violência contra a mulher (MENEGHEL et al., 2011).
Em 2015, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) realizou uma pesquisa acerca da
efetividade da Lei Maria da Penha e concluiu que, a partir de 2006, a taxa de homicídio de
mulheres dentro das residências diminuiu em 10%. Contudo, o mesmo estudo afirma que os
efeitos positivos da lei não são sentidos de maneira homogênea em todo o território brasileiro,
uma vez que há locais onde o poder público e a sociedade não se mobilizam para a criação de
delegacias da mulher, juizados especiais e casas de abrigo, o que diminui a sensação de
segurança.
No contexto atual, muitos assassinatos de mulheres ainda são cometidos por parceiros
afetivos, sejam eles enciumados ou rejeitados (PASINATO, 2011). O Mapa da Violência,
elaborado em 2015 pela FLACSO, revelou que 50,3% dos assassinatos de mulheres ocorrem
no ambiente doméstico e 33,2% dessas mortes são causadas por parceiros e ex-parceiros. Outro
estudo que corrobora com o cenário violento que as mulheres ainda convivem é o “Tolerância
social à violência contra as mulheres”, divulgado em 2014 pelo IPEA, cujo resultado
demonstrou que para 58,5% da sociedade o comportamento das mulheres influencia na
ocorrência dos estupros. A Agência Patrícia Galvão, uma organização feminista de referência
na defesa dos direitos da mulher e da comunicação, relata acerca da violência contra mulher:

8
A Convenção Internacional procurou consolidar, entre os países americanos, um regime de justiça social e
liberdade pessoal, em função da observância aos direitos humanos essenciais (GABRIELE, 2017).

P á g i n a | 21
A impunidade e culpabilização da vítima de violência doméstica e familiar aparecem
nas raízes de grande parte dos casos em que as agressões se perpetuam até o desfecho
extremo do assassinato (Agência Patrícia Galvão, s/n).

Assim, nessa realidade em que a violência contra as mulheres ainda é alarmante e que o
sexo feminino é colocado como culpado por situações de violência, surge, em 2015, a Lei do
Feminicídio9, que “torna hediondo10 o crime de homicídio contra a mulher por razões da
condição do sexo feminino” (CÓDIGO PENAL, 2015). Segundo a Agência Patrícia Galvão, a
lei supramencionada causa três impactos na população brasileira: proporciona maior
visibilidade aos casos de violência contra mulher, identifica possíveis dificuldades da aplicação
da Lei Maria da Penha e coíbe a impunidade.
Dessa forma, é inegável que houve avanços notáveis em relação à superação da violência
sofrida por mulheres, com a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, e também da condição
da mulher perante à sociedade. Em 2017, o dicionário norte-americano Merriam-Webster
selecionou “feminismo”11 como “a palavra do ano”, baseado na quantidade de busca pelo termo
na internet (ADRIANA GOMES, 2018). Na ideia do feminismo, a mulher é a protagonista das
suas próprias construções e é precursora da sua própria história, que gera experiências e
autoconhecimento (IZABEL GOMES, 2018).
Segundo Alves (2016), se por um lado as mulheres progrediram e superaram os homens
em áreas como a educação e a proteção social, por outro, as mulheres brasileiras ainda
enfrentam diversas problemáticas, como no mercado de trabalho, visto a desigualdade de
salários entre os gêneros e maior nível de informalidade nas relações empregatícias quando se
trata do sexo feminino. Além disso, mesmo após a aprovação das leis já citadas que protegem
as mulheres de serem violentadas, o sexo feminino ainda é vítima de inúmeros casos de assédio,
abuso físico, moral, psicológico e, nos casos mais graves, a morte.
Prova disso é o levantamento realizado em 2019 pelo DATAFOLHA/FBSP, cujo
resultado constatou que, no ano de 2018, 16 milhões de mulheres com 16 anos ou mais sofreram
algum tipo de violência (27,4% da população) e 22 milhões (37,1% da população) de brasileiras
sofreram assédio. Essa pesquisa mostra que, apesar das leis já existentes, grande parcela da
população feminina brasileira ainda é vítima das várias faces da violência.

9
O feminicídio é a instância última de controle da mulher pelo homem: o controle da vida e da morte. Ele se
expressa como afirmação irrestrita de posse, igualando a mulher a um objeto (MERELES, 2018, apud Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito sobre Violência contra a Mulher, 2013).
10
Crime hediondo não é um crime em si, mas alguns tipos de crimes que são tratados de forma mais severa pela
lei. Hediondo significa algo horrível, repugnante, repulsivo (PARA ENTENDER DIREITO, 2011).
11
Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade social, política e econômica entre os sexos (ADICHIE, 2014).

P á g i n a | 22
É neste contexto que a Lei de Importunação Sexual veio à tona no Brasil em 2018.
Aprovada em setembro do referido ano, a nova legislação tem como objetivo assegurar a
liberdade sexual da vítima, ou seja, respeitar o direito de qualquer pessoa escolher quando,
como e com quem ela deseja praticar atos sexuais. (JUNIOR et al., 2018). A importância para
a pessoa que é vítima deste crime é que, antes da lei, o agressor era punido apenas com multa
e, com o novo respaldo penal, quem comete importunação sexual pode pegar de um a cinco
anos de prisão. Com relação à Lei de Importunação Sexual, Michele Bravos, diretora-executiva
do Instituto Aurora, mestre em Direitos Humanos e Políticas Públicas pela PUC-PR e
facilitadora de práticas da Justiça Restaurativa, diz:

[...] apenas a lei não é suficiente. Para rompermos com a naturalização desses
comportamentos precisamos viver mudanças profundas de pensamento. Precisamos,
independente do gênero, ir contra a cultura machista vigente. Tanto quanto lutar e agir
pelo empoderamento de mulheres é também preciso lutar e agir pela conscientização de
homens (BRAVOS, 2018. s/n.).

Bravos (2018) sugere que, para diminuir o número de casos de importunação sexual,
assédio e qualquer tipo de abuso contra as mulheres, é necessário que se compreenda os motivos
pelos quais os homens praticam essas violências. Para entender o processo de masculinização
e todas as suas interfaces, a autora explica que é necessário compreender o campo social no
qual o homem está inserido e considerar que o patriarcado vigente na sociedade é prejudicial
tanto para os homens como para as mulheres.
O patriarcado, de acordo com Christine Delphy (2009), é uma "formação social em que
os homens detêm o poder, ou ainda [...] o poder é dos homens." Além disso, segundo Bravos
(2018), o conceito de homem que o patriarcado engloba é somente o homem héterossexual,
branco e de alto poder aquisitivo e este estereótipo da figura masculina faz com que as outras
expressões do gênero masculino - que não sejam heterossexuais, brancos e de alto poder
aquisitivo -, sejam automaticamente oprimidas.
Ou seja, apesar de os homens não sofrerem abusos na mesma intensidade e brutalidade
tal como as mulheres, o gênero masculino sofre a imposição da violência identitária, que os
obriga a seguir um padrão de "homem forte", "que não chora", "que precisa ser o provedor" e
que deve agir para alcançar uma expectativa social do que é esperado de um homem (BRAVOS,
2018). De acordo com Souza (2005), embora esse modelo de masculinidade construído com
base em valores patriarcais e machistas seja amplamente criticado na atualidade, ainda
prevalece a ideia de que há relação entre masculinidade viril e competição e violência.

P á g i n a | 23
Assim, é razoável imaginar que numa sociedade na qual não se é permitido que o homem
se expresse emocionalmente para não ser comparado a mulher e que o condiciona a ser violento
para ser visto como forte, muitos casos de violência e atos inescrupulosos sejam cometidos pelo
gênero masculino (BRAVOS, 2018). Segundo Souza (2005), ao homem é imposto um ambiente
sociocultural hostil e perverso que, potencializado por uma socialização conservadora, constrói
identidades masculinas baseadas em relações de força e de agressividade.
Para Souza (2005), a fim de que haja a superação desta realidade, é necessário que ocorra
uma reflexão acerca dos valores sociais, as formas de socialização e a construção das
identidades masculinas e femininas. Ainda de acordo com a autora, enquanto pais presentearem
seus filhos homens com armas de brinquedo e potencializarem neles a competitividade, o
individualismo e não for permitido aos homens expressarem suas fragilidades, sem que isso
signifique a perda de sua masculinidade, haverá a reprodução e perpetuação do caos violento
que se vive.
Corroborando com o pensamento de ambas as autoras supracitadas, a empresa
americana Gillette, em 2019, lançou uma campanha em formato de vídeo, crítica à
masculinidade tóxica. De acordo com Kupers (2005), masculinidade tóxica é o conjunto de
traços masculinos e socialmente regressivos que promovem a dominação, a desvalorização das
mulheres, a homofobia e a violência injustificada. No vídeo, a empresa mostra cenas que são
consideradas comuns no convívio social masculino, como um menino brigando e os pais
impulsionando o comportamento das crianças, homens olhando para mulheres de forma
indiscriminada e propagandas sexistas12 veiculadas na televisão. Todas as atitudes machistas
mostradas na publicidade possuem a mesma justificativa: homens são homens e fazem isso
porque são homens.
Na metade do vídeo, aparecem algumas notícias sobre homens que foram denunciados
ou presos por abuso sexual, assédio e outros crimes veiculados na mídia. Neste momento crucial
e que propõe uma mudança de atitude, a publicidade audiovisual incentiva os homens a repudiar
esses comportamentos abusivos, inclusive desencorajando e repreendendo outros homens
quando agirem de forma machistas e misóginas, dando exemplo positivo uns aos outros e para
as crianças do gênero masculino. Ao final do vídeo, a seguinte frase aparece: "o melhor que o

12
O sexismo pode ser entendido como um resquício da cultura patriarcal, isto é, como um instrumento utilizado
pelo homem para garantir as diferenças de gênero, que se legitima através das atitudes de desvalorização do sexo
feminino [...] (FERREIRA, 2004).

P á g i n a | 24
homem pode ser: somente nos desafiando a fazer mais é que podemos chegar perto do nosso
melhor". Nesse contexto, Michele Bravos (2018) reflete:

Possibilitar espaços para que homens se autodescubram, se autotransformem e possam


expressar suas masculinidades - livres de uma opressão identitária - é lutar por vidas.
Pelas vidas de mulheres. Pelas vidas deles. Pelas vidas das pessoas de suas famílias.
Pelas nossas vidas (BRAVOS, 2018. s/n).

Um dos homens utilizado na publicidade da Gillette, como exemplo de um ícone do sexo


masculino que fala abertamente sobre masculinidade tóxica e seus malefícios, é o ator Terry
Crews. O astro americano, em 2017, revelou em suas redes sociais o caso em que ele foi vítima
de abuso sexual por um produtor de Hollywood. Nas mídias, o ator explicou que, pelo fato de
ele ter tido a coragem de denunciar o abuso que sofreu, ele esperava que outros homens também
se sentissem inspirados a isso. Por fim, em uma entrevista recente, Crews relata que isso
realmente ocorreu, visto que, depois que contou sua história, milhares de homens foram até ele
para relatar abusos sexuais, e reforça que os homens precisam chamar a atenção uns dos outros
e que acredita ser relevante que homens continuem conversando sobre isso constantemente
(VAGIANOS, 2018).

1.5 DADOS SECUNDÁRIOS

Apesar da lei de importunação sexual ser muito recente, o assunto possui uma
quantidade relativamente grande de estudos e/ou pesquisas na área, o fato é que boa parte desse
conteúdo é citado como assédio, visto que por muito tempo não existiu uma clara divisão. Outro
ponto importante em relação aos dados secundários que foram levantados se refere às vítimas,
pois, como será apresentado a seguir, as mulheres ainda são as maiores vítimas, porém existem
dados sobre casos de importunação que apresentam os homens e a comunidade LGBT+13 como
foco, dessa forma, com a intenção de diversificar o tema esses dados também serão abordados
a seguir.

13
A sigla LGBT passou a ser adotada por englobar bissexuais, travestis e transexuais e trouxe o L, de lésbica,
como letra inicial para destacar a desigualdade de gênero que diferencia homossexuais femininas e masculinos [...]
Atualmente, a sigla LGBT é utilizada pelo movimento social brasileiro e por entidades governamentais, como
conselhos e secretarias, nos três âmbitos da federação (NASCIMENTO E FOGLIARO, 2017). O + representa os
inúmeros outros grupos de minorias sexuais e de gênero que tornariam o acrônimo (LGBT) muito longo para uso
prático (URBAN DICTIONARY, 2014).

P á g i n a | 25
Em relação a vítimas do sexo feminino, elas são a maioria nos casos de importunação.
No estado de São Paulo, um caso ocorre a cada 22 horas (SARTORI, 2018), e em Manaus, 100
casos foram registrados em um período de quatro meses (A CRÍTICA, 2019). Um estudo feito
por Luiza Medeiros Silva (2018) apontou, após fazer uma pesquisa com mulheres que usam o
transporte público paulista, que elas veem os horários mais perigosos como a manhã e noite,
que são necessárias medidas de segurança especiais no transporte público para mulheres e que
apenas 36,9% delas conhecem programas e estratégias usadas por empresas de transporte
público, dentro e fora do Brasil, para combater crimes como a importunação, tratada nessa
pesquisa como assédio.
Essa pesquisa também mostrou que mais de 40% do público sabe como proceder caso
sofra ou testemunhe um crime do tipo, que a frequência que a maioria testemunha esse tipo de
situação é moderada, e que o contato físico é o mais comum nos casos vistos, seguido de olhares
incômodos. Além de dados no território brasileiro, também foram angariados por Silva (2018)
diferentes informações vindas de estudos e pesquisas de diferentes países, com todos eles
apresentando resultados similares: o transporte público e outros locais públicos são vistos como
perigosos para as mulheres, o período da noite é visto como de alto risco e é preciso
implementar novas medidas de segurança para impedir a repetição desses crimes.
Benedicto (2017), por sua vez, afirma que as mulheres de classes sociais menos
favorecidas financeiramente e etnias diferentes acabam mais expostas a crimes de cunho sexual
dentro do transporte público, pois ele é o único meio de locomoção que essas pessoas
conseguem usar; enquanto as mulheres de camadas mais abastadas podem evitar esse tipo de
situação ao usar seus próprios veículos. Também foi concluído que, por mais que haja leis que
puna crimes como a importunação e o assédio, não há um aparato legal provido pelo
ordenamento jurídico que possa dar suporte às vítimas desses crimes, que sofrem ainda mais
pela culpabilização que a sociedade as aplica, além da ideia de naturalização desse crime, dele
ser uma brincadeira. As diferentes formas que homens e mulheres observam o transporte
também são ressaltadas nessa pesquisa, o que mostra a preocupação e as diversas precauções
que as mulheres precisam tomar para evitar serem vítimas desses crimes.
Recentemente, o Instituto Datafolha, a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança
Pública, divulgou uma pesquisa que torna a situação das mulheres ainda mais preocupante, pois
mostra que 9% delas foram tocadas ou agredidas por minuto em 2018, por motivos sexuais;
isso representa cerca de 4,6 milhões de mulheres, além disso, jovens de 16 a 24 anos (42,6%) e
negras (28,45) são as principais vítimas. A pesquisa ainda mostrou que 19 milhões delas

P á g i n a | 26
ouviram comentários desrespeitosos enquanto andavam na rua; 3,9 milhões foram tocadas sem
consentimento no transporte público; e 2,3 milhões foram agarradas ou beijadas, também sem
consentimento. Dentre as mulheres que relatam agressão, 42% apontaram a casa como local;
29% sofreram violência na rua; 8%, na internet (rede social, aplicativo, blog); 8%, no trabalho;
3%, no bar/balada (DATAFOLHA/FBSP, 2019).
A comunidade LGBT+ passa por algo semelhante, pois, em 2018, o coletivo
#VoteLGBT e a iniciativa Rua Livre, com apoio da marca Ben & Jerry’s, realizaram uma
pesquisa que revelou dados alarmantes a respeito das vítimas de importunação sexual durante
o carnaval paulista daquele ano, período em que a pesquisa foi realizada. Na ocasião, 80% dos
entrevistados responderam ter presenciado um ato de importunação sexual, como beijo forçado
e toques sem consentimento, dentre as vítimas, 18% dos homens gays responderam ter passado
por isso, comparado com 3% dos homens heterossexuais. Entre as mulheres, 20% das que se
identificam como héteros afirmam ter sofrido importunação, contra 24% das mulheres lésbicas.
Porém, o pior registro está entre transexuais, pois 33% das entrevistadas afirmam ter sofrido
importunação, um número 10 vezes maior que as ocorrências entre homens heterossexuais
(BEN & JERRY’S, 2018).
Ao divulgar a pesquisa realizada pelo coletivo #VoteLGBT, a marca Ben & Jerry’s
(2018) ressaltou o fato de que o número de vítimas de importunação ser maior entre membros
da comunidade LGBT+ está ligado ao fato da sociedade ainda enxerga essas pessoas como se
possuíssem interesses exclusivamente sexuais e, assim, não se incomodariam com toques
indevidos e beijos forçados, que são alguns dos exemplos de importunação sexual abordados
durante o estudo, como citado anteriormente. Assim como apresentado nas pesquisas citadas,
os homens sempre aparecem como o público com o menor índice de casos de importunação ou
assédio, o que não quer dizer que isso não ocorra com eles, mas sim que isso é um reflexo de
costumes machistas enraizados na sociedade atual, em que é dito que homens vítimas de crimes
sexuais devem se sentir honrados, pois isso seria uma prova de sua masculinidade (FLOR,
2018).
Foi com o intuito de ajudar esses homens que Ângelo Fernandes criou a associação
Quebrar o Silêncio, com sede em Lisboa, que entre janeiro de 2017 e janeiro de 2018 ajudou
cerca de 50 homens, com idade média de 36 anos, além de seus familiares e amigos, que tinham
dificuldade em falar sobre crimes como importunação, assédio e até mesmo casos de abuso
sexual (QUEBRAR O SILÊNCIO, 2018). Com base no estudo da associação Quebrar o
Silencio, Flor (2018) ressalta a importância de incentivar os homens a falarem e a procurarem

P á g i n a | 27
ajuda emocional e legal o quanto antes, pois isso pode servir de exemplo para meninos que
ainda aceitam o ditado “homem não chora” como uma verdade absoluta.

1.6 CLIPPING DE NOTÍCIAS

Com o intuito de apresentar o impacto que a Lei de Importunação Sexual (13.718) tem
dentro da sociedade brasileira, foi reunida uma sequência de dez notícias em que casos de
importunação sexual foram denunciadas ou flagrados, todos ocorridos no ano de 2019 e nos
mais distantes estados brasileiros. De acordo com Vieira e Oliveira (2013), a mídia com a sua
velocidade da informação é capaz de trazer um grande benefício para a sociedade, visto que a
presença da tecnologia da televisão e da internet está em quase todos os lugares e, ao mesmo
tempo, possibilita que a população tenha acesso aos mais variados conteúdos.
Dessa maneira, ao divulgar dados de importunações registradas no carnaval, por
exemplo, a quantidade de pessoas que passa a saber da existência da lei aumenta e torna próxima
a possibilidade de mensurar a quantidade de casos que acontecem diariamente. O objetivo de
trazer esse clipping14 de notícias, por fim, é mostrar a relevância da temática no contexto atual
brasileiro e reforçar que os casos de importunação acontecem com uma frequência elevada, em
variados contextos sociais e em todo o território nacional.

14
Nome que se dá ao serviço de pesquisa, coleta, seleção e fornecimento de material disponibilizados por um ou
mais meios de comunicação: mídia impressa, digital e eletrônica (UTCHITEL, 2004).

P á g i n a | 28
Tabela 2: Clipping de notícias.

CLIPPING

Portal de Data da Onde Notícia


Notícia publicação

G1 05/04/2019 às Manaus - AM Goiano é preso por abuso a funcionária de


21h07 hotel na Zona Centro-Oeste de Manaus.

Portal R10 05/04/2019 às Alagoas - AL Homem é preso em Batalha acusado de


16h37 importunação sexual.

OP9 04/04/2019 às Maceió - Acusado de importunação sexual em ônibus


20h32 AL tem liberdade negada.

Diário de 04/04/2019 às Recife - Homem é preso por praticar importunação


Pernambuco 08h26 PE sexual em ônibus, no Recife.

Jornal Hoje 01/04/2019 às Belo Idoso é preso por importunação sexual após
em Dia 18h33 Horizonte – 'encoxar' passageira em ônibus no Barreiro.
MG

G1 30/03/2019 às São Paulo – Homem é preso por importunação sexual em


13h34 SP trem da CPTM.

G1 27/03/2019 às Ponta Grossa Homem imobiliza suspeito de importunação


12h26 – PR sexual em terminal de ônibus.

G1 08/03/2019 às Dados 12 estados registraram 77 casos de


17h20 nacionais importunação sexual no carnaval 2019; RJ e
SP ainda não divulgaram dados.

G1 05/03/2019 às Guaratuba – Homem é detido em flagrante, em Guaratuba,


11h11 PR suspeito de importunação sexual.

G1 12/02/2019 às Manaus - AM Em quatro meses, Manaus registrou 118


23h20 casos de importunação sexual contra
mulheres, aponta DECCM.
Fonte: Apresentadas na tabela.

P á g i n a | 29
• Notícia 1:
Fonte: G1a
Goiano é preso por abuso a funcionária de hotel na Zona Centro-Oeste de Manaus
05/04/2019 às 20:36. Manaus - AM
Um goiano de 36 anos foi preso manhã desta sexta-feira (5) suspeito de beijar à
força e tentar praticar atos libidinosos com a funcionária de um hotel situado na avenida
Coronel Teixeira, bairro Ponta Negra, Zona Centro-Oeste de Manaus. Ele vai responder
pelo crime de importunação sexual. De acordo com o titular do 19º Distrito Integrado
de Polícia (DIP), delegado Aldeney Góes, o crime ocorreu por volta das 10h desta sexta-
feira. A jovem de 19 anos, que trabalha como operadora de caixa do restaurante do hotel,
foi surpreendida pelo hóspede.
Em depoimento na unidade policial, a vítima relatou que o infrator se dirigiu até
uma sala onde ela estava e virou uma placa que indicava que a sala estava aberta para o
lado que estava escrito fechado. No interior do local, abraçou a vítima contra a vontade
dela e a beijou à força. O hóspede ainda tentou praticar atos libidinosos contra a
trabalhadora. O ato foi interrompido pelos seguranças do hotel. “Os funcionários do
local acionaram os policiais militares lotados na 19ª Companhia Interativa Comunitária
(Cicom) que se deslocaram até o local e prenderam o infrator. Ele foi conduzido ao
prédio da unidade policial, e ainda desacatou um investigador de Polícia’, disse o
delegado Aldeney Góes.
No 19º DIP, o homem foi autuado em flagrante por importunação sexual. Ao
término dos procedimentos cabíveis, ele será levado para Audiência de Custódia no
Fórum Ministro Henoch da Silva Reis, no bairro São Francisco, zona sul de Manaus.
Ele também assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).

• Notícia 2:
Fonte: Naldo Voz, Portal R10.05/04/19 às 16h37. Alagoas - AL
Homem é preso em Batalha acusado de importunação sexual.
Um homem identificado por Francisco Gomes, foi preso e conduzido a delegacia
de Batalha na manhã desta sexta-feira (05), sob acusação de importunação sexual. De
acordo com informações, há vários dias, a polícia militar vinha recebendo denúncias de
que o suspeito estaria abordando mulheres e fazendo gestos obscenos para as vítimas,

P á g i n a | 30
em algumas situações chegou a mostrar as partes genitais. Francisco encontra-se a
disposição da justiça em uma das celas do DP.
• Notícia 3:
Fonte: OP9
04/04/19 às 20:32. Maceió - AL
Acusado de importunação sexual em ônibus tem liberdade negada
Luiz Carlos da Silva Galvão, acusado de assédio sexual cometido dentro de ônibus
coletivo, teve a prisão mantida pela Justiça alagoana. Na decisão, o juiz Josemir Pereira
de Souza, da 4ª Vara Criminal de Maceió, determinou a transferência imediata do
acusado ao Manicômio Judiciário, onde deve receber tratamento por distúrbio mental.
A decisão foi publicada no Diário Oficial de Justiça Eletrônico na quarta-feira (3).

O homem foi denunciado depois de importunar sexualmente passageiras de um


ônibus que fazia a linha Benedito Bentes/Ponta Verde no dia 9 de janeiro deste ano. De
acordo com os autos do processo, Luiz Carlos começou a se masturbar dentro do
coletivo enquanto olhava fixamente para as vítimas. Ele já responde por tentativa de
furto em outro processo.
Luiz Carlos faz uso de remédios controlados e já foi internado diversas vezes em
hospital psiquiátrico por apresentar comportamento inadequado. O Ministério Público
do Estado (MPE) atribuiu ao acusado o crime de importunação sexual e pediu a
manutenção da prisão preventiva, como garantia da ordem pública. A defesa pediu a
revogação da prisão e a desclassificação do delito de importunação sexual para ato
obsceno, pedido negado pelo juiz.

• Notícia 4:
Fonte: Diário de Pernambuco
04/04/2019 às 08:26. Recife - PE
Homem é preso por praticar importunação sexual em ônibus, no Recife
Um homem foi autuado em flagrante na manhã da última quarta-feira (03), pelo
crime de importunação sexual. A vítima foi uma jovem universitária de 24 anos que
estava em direção à faculdade quando percebeu o suspeito se aproximar dela em um
ônibus que faz a linha Barro-Macaxeira. O coletivo trafegava na BR-101, no bairro da
Iputinga, na Zona Oeste do Recife, no momento em que o crime ocorreu. O suspeito

P á g i n a | 31
identificado como Edvaldo Severino da Silva, de 34 anos, se aproveitou do empurra-
empurra dentro do ônibus que estava lotado para praticar um ato libidinoso. Os
passageiros conseguiram deter o agressor ao notar a prática de abuso sexual contra a
estudante. A vítima registrou boletim de ocorrência na Central de Plantões da Capital,
localizada no bairro de Campo Grande, na Zona Norte da Capital. O suspeito foi
encaminhado à audiência de custódia.

• Notícia 5:
Fonte: Jornal Hoje em Dia
01/04/19 às 18h33. Belo Horizonte - MG.
Idoso é preso por importunação sexual após 'encoxar' passageira em ônibus no
Barreiro.
Um homem de 74 anos foi preso no início da tarde desta segunda-feira (1°) por
importunação sexual. Segundo informações da Guarda Municipal, o motorista de um
ônibus da linha suplementar 31 acionou os agentes que faziam patrulha pela avenida
Perimetral, na Vila Pinho, no Barreiro, para deter o idoso.
Ele estaria "encoxando" uma passageira e esfregando suas partes íntimas nela. Ao
avistar a viatura da Guarda Municipal, o suspeito tentou fugir, mas foi contido pelas
testemunhas.
Ainda conforme a assessoria da Guarda Municipal, o idoso foi encaminhado para
a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e, com a nova lei, vai responder
pelo crime de importunação sexual. Antes, o autor só pagava uma multa pelo delito, mas
agora, o ato pode gerar até cinco anos de prisão.

• Notícia 6:
Fonte: G1b
30/03/19 às 13h34. São Paulo - SP.
Homem é preso por importunação sexual em trem da CPTM
Um homem, de 55 anos, foi preso em flagrante por importunação sexual na tarde
desta sexta-feira (29). O crime aconteceu na estação Itaquera da Linha 11-Coral da
CPTM, na Zona Leste da cidade de São Paulo.

P á g i n a | 32
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), ele, a vítima e
testemunhas foram encaminhadas à 7ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e
prestaram depoimentos.
O homem foi levado para unidade prisional e aguarda apresentação em audiência
de custódia.

• Notícia 7:
Fonte: G1c
27/03/2019 às 12h26. Ponta Grossa - PR
Homem imobiliza suspeito de importunação sexual em terminal de ônibus
Um homem imobilizou um suspeito de importunação sexual em um terminal de
ônibus, na noite desta terça-feira (26), em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.
De acordo com a Guarda Municipal (GM) de Ponta Grossa, agentes foram chamados
para atender uma ocorrência de assédio e encontraram o suspeito imobilizado no
terminal do bairro Nova Rússia.
Segundo a GM, o homem viu o suspeito seguir e importunar pelo menos duas
mulheres dentro de um ônibus. Ao descer no terminal, o suspeito foi imobilizado pelo
homem. Outras pessoas que estavam no terminal chamaram a polícia. De acordo com a
Guarda Municipal, como não havia mais vítimas da importunação quando os agentes
atenderam a ocorrência, o suspeito foi liberado.

• Notícia 8:
Fonte: G1d
08/03/19 às 17h20. Dados nacionais
12 estados registraram 77 casos de importunação sexual no carnaval 2019; RJ e SP
ainda não divulgaram dados
No primeiro carnaval com a lei de importunação sexual, o G1 fez um
levantamento de casos registrados entre 1º e 6 de março. Foram consultadas as polícias
e secretarias de segurança estaduais, ou órgãos equivalentes. Dos estados com dados
disponíveis sobre prisões relacionadas ao crime, Minas Gerais é o que mais teve casos:
41 registros de importunação sexual, com 25 detidos. A lei criminaliza atos libidinosos
sem o consentimento da vítima, como toques inapropriados, e estipula pena de um a
cinco anos de prisão. Antes, as práticas eram consideradas contravenções penais.

P á g i n a | 33
• Notícia 9:
Fonte: G1e
05/03/19 às 11h11. Litoral do Paraná - Guaratuba
Homem é detido em flagrante, em Guaratuba, suspeito de importunação sexual.
Um homem foi detido em flagrante em Guaratuba, no litoral do Paraná, suspeito
de importunação sexual durante o fim de semana. Segundo a polícia, esse homem
perturbou uma mulher enquanto ela trabalhava. Ele abordou a mulher diversas vezes.
Ela chegou a dizer ao homem que tinha compromisso e, então, ele puxou a mulher à
força.
A Polícia Militar (PM) foi chamada, e o suspeito foi levado para a delegacia.
Inicialmente, havia sido informado que o suspeito foi preso. Mas, depois, o delegado
Rodrigo Brown – que atendeu a ocorrência no litoral – informou que o homem não
chegou a ficar preso. Ele foi liberado após ser autuado em flagrante pela Polícia Civil.
A lei da importunação sexual está em vigor desde setembro do ano passado, quando
passou a ser crime.

• Notícia 10:
Fonte: Ive Rylo, G1
12/02/19 às 23h20. Manaus - AM
Em quatro meses, Manaus registrou 118 casos de importunação sexual contra
mulheres, aponta DECCM
Pouco mais de quatro meses após ser sancionada a lei de importunação sexual,
Manaus já possui 118 denúncias registradas na Delegacia Especializada em Crimes
Contra a Mulher (DECCM). Os registros podem aumentar com as festas e blocos de rua
neste Carnaval. Entenda do que trata a nova lei e como denunciar na capital amazonense.

1.7 O QUE DIZEM OS ESPECIALISTAS

Para um melhor embasamento prático e maior compreensão a respeito da temática


abordada no projeto, o grupo buscou conversar com especialistas que lidam com casos de
importunação sexual em seu cotidiano. A primeira entrevistada foi a soldado da Polícia Militar
do Paraná, Caroline Alexandre, que definiu o crime de importunação sexual como a retirada da
liberdade de decisão da vítima de escolher com quem, como e quando praticar atos de cunho
sexual, em locais públicos ou de circulação de pessoas. A profissional também esclareceu que

P á g i n a | 34
a denúncia pode ser feita por qualquer pessoa que presencie o evento e não necessariamente
pela vítima.
Ao ser questionada a respeito da ciência que a população possui a respeito da existência
da lei de importunação sexual (13.718), Caroline explica que a maioria das pessoas ainda não
possui o entendimento que a prática de atos libidinosos é crime e que a lei existe para proteger
a vítima. De encontro a esta realidade, campanhas são fortemente divulgadas buscando
conscientizar a população, como por exemplo a ação “NÃO É NÃO” que foi veiculada durante
o carnaval de 2019. A iniciativa que consistiu na distribuição de tatuagens com a escrita de “não
é não” também esteve presente em outras nove capitais brasileiras; em Curitiba, estava em dez
blocos nos eventos pré-Carnaval e três escolas de samba (GANDRA, 2019).
Ao relatar sua experiência em casos de crimes compreendidos na lei 13.71815, a soldado
conta nunca ter presenciado uma ocorrência especifica de importunação sexual. Contudo,
acredita que isto se deve ao fato de que as denúncias realizadas em Curitiba16 foram em
situações dentro do transporte público da cidade e estes casos são atendidos pela Guarda
Municipal por se tratar de um serviço oferecido pelo município. Ainda enunciando suas
vivências como policial militar ela conta que mulheres, mesmo que em maioria17 não são as
únicas afetadas por crimes contra a liberdade sexual. Qualquer pessoa pode ser uma vítima, mas
pertencentes à comunidade LGBT+, possuem seu reconhecimento como vítima marginalizado
pela sociedade, mesmo que comumente sofram violências de viés sexual.
Para que todos os policiais militares tenham acesso a alterações ou surgimento de leis,
estas informações são publicadas na intranet, assim como aqueles que por ventura estejam
trabalhando em eventos de maior incidência18 de determinados crimes passam por treinamento
específico. Outro ponto que pode ser reconhecido como uma maneira de informar a população
é o curso de policiamento comunitário realizado por todos os policiais militares durante o seu
período de formação e ali aprendem a maneira mais adequada de se aproximar dos moradores
e comerciantes da região em que irão atuar.
O grupo também teve a oportunidade de entrevistar o psicólogo e mestre em psicologia
especializado em saúde mental Guilherme Gazola Ferrari, que possui seu próprio consultório

15
Estupro, Violação sexual mediante fraude, Importunação sexual, Assédio sexual (BRASIL, 1940).
16
No ano de 2018, após a criação da lei, foram registradas 27 ocorrências por importunação sexual no transporte
coletivo de Curitiba (G1, 2018a).
17
89% das vítimas de crimes de violência sexual são do sexo feminino (SINAN, 2011 apud AGÊNCIA
PATRÍCIA GALVÃO).
18
Nos casos de importunação sexual, segundo a policial militar Caroline Alexandre, exemplos destes eventos é
o Carnaval e a Operação Verão.

P á g i n a | 35
em Maringá - interior do estado do Paraná. Ele relata que atua na clínica, com enfoque na
abordagem psicanalítica, atendendo pacientes de ambos os sexos. O psicanalista afirmou,
inclusive, que já teve a experiência de atender pacientes que foram vítimas do crime de
importunação sexual.
Além disso, a equipe também pode conversar com a psicóloga Isadora Macedo, de
Curitiba, atuante em um consultório focado principalmente na clínica e um pouco na psicologia
social. Isadora relata que atende diariamente vítimas de abusos sexuais, porém, ao contrário de
Guilherme, ela trabalha exclusivamente com mulheres. Portanto, a equipe considerou relevante
trazer para o projeto a voz da psicologia para entender melhor o processo pelo qual a pessoa
passa quando é vítima de importunação e outros abusos sexuais.
Quando perguntados a respeito de qual é a primeira abordagem a ser utilizada quando um
paciente é vítima de abuso, Guilherme afirma que depende do caso e do paciente, visto que, se
for uma criança, é necessário realizar a sessão através do lúdico e, caso realmente se depare
com um caso de abuso, a família é chamada e devidamente orientada. Se o paciente é adulto,
ele afirma que realiza a escuta do sofrimento do paciente e é realizado um processo de, aos
poucos, procurar elaborar o trauma.
Para a psicóloga, o primeiro contato com a mulher vítima de abuso deve ser com uma
abordagem acolhedora, trabalhando primeiramente para a vítima não se culpabilizar pelo
ocorrido. Além disso, Isadora afirma que deve-se fortalecer os vínculos e a estima da mulher,
para que ela possa ter consciência dos seus direitos enquanto pessoa e possa denunciar o abuso
ou, se for o caso, sair de uma relação que possa estar sofrendo essa violência. Nesse viés,
Guilherme explica que, na sua abordagem, caso o abuso tenha acontecido há muito tempo atrás,
o trabalho é no sentido de estruturar esse sofrimento e, se ocorreu recentemente, ele procura,
junto com o paciente, entender a situação e orientar no sentido de denúncias.
Pelo fato de, durante a pesquisa, entendermos que a maioria dos casos de abuso
acontecem com mulheres, questionamos o psicólogo se ele atende homens que também foram
vítimas de algum tipo de violência sexual. Ele afirma que possui tanto pacientes homens como
mulheres e que, em ambos os casos, a maior dificuldade é aceitar a situação e falar sobre ela.
Guilherme relata que, quando o paciente conta o ocorrido, muitas vezes ele começa a reviver o
que se passou, o que torna o trabalho bastante delicado. De acordo com sua experiência, o
psicanalista acredita que as mulheres têm mais receio de contar o que aconteceu,
principalmente, por ter percebido em alguns relatos, que elas se sentiam culpadas, se
perguntando o que de errado fizeram para passar por aquilo.

P á g i n a | 36
Com relação ao sentimento de culpa, Guilherme explica que na maioria dos casos a pessoa
sente como se tivesse feito algo de errado para aquilo ter acontecido. Na sua prática, quando
isso ocorre, ele age no sentido de propiciar um espaço seguro para que a pessoa se sinta
confortável em falar do abuso ou importunação e sobre a culpa que ela carrega, para que ele
possa ressignificar esse sentimento juntamente com o paciente. Nessa situação, o psicólogo
relata que as vítimas ficam muito fragilizadas e não conseguem enxergar uma saída, porém,
com o fortalecimento gradual que ocorre nas sessões, elas podem ficar mais seguras e, a partir
disso, criam estratégias para se defender e, inclusive, ajudar outras pessoas que passam ou já
passaram por isso.
Nesse mesmo sentido, perguntamos suas opiniões a respeito dos motivos da baixa taxa
de denúncias de importunação e outros abusos sexuais, principalmente pelas mulheres. O
psicólogo nos explicou que são vários fatores que influenciam as mulheres nesse sentido. Ele
considera, em primeiro plano, a questão social do lugar que a mulher ocupou e está ocupando
nos últimos 50 anos. Por longos períodos, segundo ele, as mulheres tiveram que se adaptar em
uma sociedade machista e patriarcal, na qual deveriam aceitar todo e qualquer tipo de
tratamento, seja de menosprezo ou do entendimento que elas eram vistas, única e
exclusivamente, como objetos do sexo masculino.
O psicanalista continua explicando que, com o passar dos anos, as mulheres conquistaram
mais espaço e autonomia, mas que não são todas, infelizmente, que conseguem assumir esse
empoderamento. Com isso, muitas ainda estão numa posição de submissão frente à sociedade
machista. De acordo com Guilherme, muitas mulheres também não procuram ajuda por estarem
em relacionamentos tóxicos e abusivos. Além disso, ele acredita que o choque que o trauma de
ser importunado traz para a vítima dificulta o espaço para a fala, seja por medo, vergonha ou
culpa.
A psicóloga Isadora afirma, em concordância com Guilherme, que muitas mulheres
sentem medo do agressor, vergonha de amigos e familiares ficarem sabendo do abuso ou culpa.
Ela relata que algumas mulheres tentam achar alguma justificativa para o ocorrido, como se a
roupa que a vítima estava usando no dia ou até mesmo o jeito de olhar para o agressor pudesse
causar o assédio ou outra violência. A psicóloga também elucida que algumas mulheres não
denunciam por não possuírem informações acerca dos seus direitos.
Além disso, Isadora conta que já lidou com casos em que a vítima foi até os locais que,
na teoria, seriam capazes de receberem uma denúncia e não foi atendida de forma correta, sem
o acolhimento e humanização necessários para o momento. A psicóloga ressalta que suas

P á g i n a | 37
pacientes já relataram que, quando foram denunciar em canais próprios para este fim, elas foram
questionadas acerca do que estavam vestindo no dia, o que estavam fazendo antes do crime
ocorrer ou o local que estavam. Dessa forma, a profissional afirma que, infelizmente, as vítimas
não sentem que estão no direito de denunciar. Acerca dessa situação, ela acredita que mudanças
precisam ser feitas e que os locais de denúncia devem estar sempre preparados para prestar o
melhor atendimento possível para uma vítima que está fragilizada pelo trauma que sofreu.
Também foi questionado sobre os casos de abuso ou importunação que ocorrem com a
população LGBT+. O psicólogo nos relata que, na maioria das vezes que uma pessoa da
comunidade LGBT+ é vítima de algum desses crimes, o ocorrido está ligado com a agressão,
com o constrangimento e com a humilhação. Ele explica que, para muitos agressores, a
depender da sua estruturação, essa situação pode ser sentida como algo prazeroso e também
com um viés sádico. Em contrapartida, apesar de nunca ter atendido um paciente que fosse
LGBT+, Isadora acredita que essa comunidade vive, sim, essa realidade e que estão passíveis e
vulneráveis de enfrentar esse tipo de violência.
Quando perguntados acerca da lei de importunação sexual sancionada em 2018 e sua
implantação, ambos foram unânimes em afirmar que ela funcionará na dinâmica social. Porém,
os profissionais ressaltam que a sua efetivação depende de outras campanhas sociais para tornar
a legislação conhecida, no sentido de haver mais conscientização, e também para que a
sociedade possa olhar para as situações de importunação que ocorrem diariamente, entender o
quanto elas são perigosas e que devem ser consideradas pelas políticas públicas brasileiras. A
psicóloga acredita que o número denúncias de importunação sexual irá aumentar e que os
profissionais, tanto da psicologia como os responsáveis por receberem essas denúncias, devem
estar preparados para o acolhimento dessas vítimas.
Tanto Guilherme como Isadora, acreditam que a psicologia pode ajudar as vítimas que
passaram por qualquer tipo de abuso na medida em que está ali para ouvir e tratar essas pessoas
sem nenhum preconceito e com muito cuidado, atenção, afeto e acolhimento. O psicólogo
afirma que as situações de violência sexual causam um sofrimento muito grande e quem passa
por isso fica, muitas vezes, anos sozinha ou guardando para si o que ocorreu. Isadora também
concorda que a psicologia pode ajudar as vítimas de abuso a se reorganizar e até mesmo se
distanciar, se for o caso, da pessoa que está lhe causando mal. A psicologia, Guilherme conclui,
"entra como esse lugar onde a pessoa pode contar e se sentir à vontade para se abrir e poder
trabalhar em torno do trauma".

P á g i n a | 38
Outra entrevistada a respeito do impacto que a importunação sexual causa na sociedade
é Renata Thereza Fagundes Cunha, socióloga, com mestrado em História Social do Trabalho,
Cultura e Gênero, consultora em diversidade do Centro de Inovação do SESI Paraná, que, no
período entre 2012 e 2015, fez parte do Grupo Nacional Assessor da Sociedade Civil da ONU
Mulheres, entidade das Nações Unidas com a intenção de promover a igualdade de gênero e o
empoderamento feminino. Renata definiu o crime de importunação sexual com embasamento
nos dizeres da lei 13.781/18, em que ele é tipificado como ato libidinoso, doloso, realizado com
a intenção de satisfazer o comportamento lascivo de um agente ou terceiro, sendo um ato
ofensivo à liberdade sexual da vítima.
Renata desconhece a presença de políticas públicas relacionadas ao incentivo à denúncia
desse tipo de crime. Porém, quando indagada a respeito do conhecimento das mulheres
envolvendo o tratamento da lei de importunação, ela afirma que há conhecimento em parte,
pois, a única forma dessas leis se concretizarem é por meio de demandas apresentadas por uma
sociedade civil organizada, no caso, impulsionadas por movimentos de mulheres e feministas.
Também é relatada a necessidade da disseminação dessa lei, assim como a lei Maria da Penha,
para que seja de maior conhecimento entre a população.
A respeito de uma forma viável para a disseminação dessas informações atingindo o
maior número de mulheres possível, Renata sugere uma divulgação maciça, seja através de
campanhas, por informações em órgãos públicos, pela Rede de Proteção, em diversos espaços,
como universidades, transporte público, empresas, entre outros ambientes, pois, segundo ela,
esse tipo de crime é culturalmente aceito pela sociedade. Para Renata, essas campanhas
precisam transmitir a ideia que frear a violência é uma tarefa que cabe a todos os cidadãos, não
apenas às mulheres que são vítimas, ainda mais porque o crime de importunação sexual pode
acontecer com qualquer pessoa, independente de sexo ou gênero.
Em relação aos locais onde o crime de importunação mais ocorre, a entrevistada relata
que a lei que pune esse crime foi criada baseada em diversos casos que foram para a mídia,
principalmente no transporte público, mas, também mencionando bares, casas noturnas,
festividades como o carnaval, entre outros. Contudo, Renata ressalta que esse tipo de agressão
não acontece exclusivamente nesses locais, essa violência pode ocorrer independente de hora,
vestimenta, ou outras circunstâncias. Segundo a socióloga, a aplicação desta lei servirá para
desconstruir a naturalização desse ato violento e a culpabilização que as vítimas sofrem.
Em relação ao papel de aliada da ONU Mulheres na efetivação da lei importunação
sexual, a entrevistada descreve o papel da instituição, ressaltando as pesquisas feitas pela ONG,

P á g i n a | 39
seu diálogo com a sociedade civil, além do desenvolvimento de campanhas e diversas formas
de engajamento com diferentes setores. Dentro do SESI Paraná, Renata trabalha com a
Equidade de Gênero e parte de suas responsabilidades dizem respeito a ser consultora em
Diversidade. Um de seus trabalhos é trazer maior equilíbrio, receptividade e compreensão do
potencial das pessoas, além das diferenças nas relações de trabalho, que é buscada por meio das
atividades de assessoria promovidas pela instituição. Segundo ela, as empresas são
“microcosmos sociais”, feitos de pessoas que acabam reproduzindo padrões que acontecem em
meio a sociedade. Logo, a sensibilização desses ambientes é necessária, para que as pessoas
que os compõem não apenas compreendam a gravidade dos problemas que envolvem a
violência contra as mulheres, mas, também, para contribuir para o seu fim.
De acordo com Renata, já existem dispositivos que condenem condutas como a
importunação sexual, porém, eles não são suficientes. Segundo ela, há uma esperança em uma
maior contenção desse tipo de ato, visto que a prática, agora, é tipificada como crime. Por mais
que seja preciso agir de maneira ampliada, abrangendo tanto a dimensão cultural, com
discussões em escolas, universidades e meios de comunicação, ações de dimensões mais
estruturais também são necessárias, pois, apenas a lei não conseguirá trazer resultados sem uma
dinâmica de proteção, atendimento e acolhimento às vítimas.
Quando questionada a respeito de ter lidado diretamente com vítimas de alguma forma
de abuso sexual, a consultora afirma que trabalhou com diversos casos, pois, ela atua como
voluntária interagindo com diversas instâncias da Rede de Enfrentamento à Violência Contra
as Mulheres, e mencionou que a experiência é sempre dolorosa para as vítimas e também para
seus filhos. Para a socióloga, o melhor caminho para a solução desses casos é a prevenção, e a
lei pode reforçar a compreensão de que comportamentos que ferem a liberdade sexual não são
naturais ou aceitáveis.
Com relação a como agir em casos de traumas envolvendo abusos sexuais, seja
importunação ou assédio, a entrevistada ressalta as questões históricas e culturais que
reafirmam injustiças e desigualdades na sociedade brasileira, explicando que esses papéis
diferenciados injustamente ainda naturalizam o assédio e o abuso, levando a culpabilização da
vítima. Para encerrar, Renata afirma que as vítimas precisam de um atendimento humanizado,
acolhimento para prover segurança na denúncia e acompanhamento para minimizar as
consequências.

P á g i n a | 40
capítulo 2
ANÁLISE DE CAMPANHA
CAPÍTULO 2

2. ANÁLISE DE CAMPANHA DE REPERTÓRIO

Quando o assunto é criação publicitária, ter um repertório é de extrema importância,


pois é preciso saber o que já foi feito para entender o que realmente possui um potencial criativo
dentro daquela cultura (SOARES, 2015). Sendo assim, será apresentada a seguir uma análise
da campanha “#WhoWillYouHelp”, destacando pontos como a ficha técnica, a mensagem
estabelecida nela e a sua eficiência, os elementos estruturais identificados, visuais ou verbais,
e o tom adotado pelas peças analisadas.
Assim como o tema trabalhado no decorrer deste projeto, a campanha analisada trata de
crimes sexuais. Desse modo, é importante ressaltar que a legislação vigente no local em que a
publicidade foi desenvolvida pode apresentar diferenças com a brasileira, como a forma que os
crimes são nomeados e as devidas punições. Porém, a questão não será aprofundada, pois não
apresenta relevância dentro da análise proposta.

2.1. IDENTIFICAÇÃO DA CAMPANHA

“#WhoWillYouHelp” ou “#QuemVocêVaiAjudar”, em tradução livre, foi lançada em


2015 pela Ontario Women’s Directorate, uma iniciativa do governo de Ontário, no Canadá. A
campanha faz parte das políticas públicas desenvolvidas e apoiadas por Kathleen Wynne, que
ocupou o cargo de primeira ministra até 2018, contra a violência e o assédio sexual, e tem como
foco a conscientização sobre a responsabilidade pública em responder a esses casos de abusos
sexuais (MACLEOD, 2015). O governo de Ontário hospedou a campanha online em seu site
oficial e também a compartilhou em suas redes sociais, promovendo o documento do plano de
ação "it's Never Okay"19. A página permanece disponível atualmente com diversos dados sobre
casos de crimes sexuais e um aviso em destaque para entrar em contato com o 91020 caso esteja
em perigo.
A campanha é composta por seis peças gráficas e um vídeo com cerca de um minuto de
duração, sendo que na primeira metade deste último são apresentadas vinhetas de mulheres
sofrendo algum tipo de abuso em diferentes locais, como festas, ambiente de trabalho e redes

19
"It's Never Okay" ou “Nunca está tudo bem”, em tradução literal, trata-se do plano de ações contra a violência
sexual, este que a campanha analisada, #WhoWillYouHelp, está inserida.
20
Número para contato com os serviços de emergência do Canadá, aciona o corpo de bombeiros, polícia e o
departamento médico (Governo do Canadá, 2012).

P á g i n a | 43
sociais, e os espectadores são convidados a não interferirem nos casos. Na segunda parte da
produção audiovisual, as pessoas próximas ajudam as vítimas que estão em situação de perigo,
mostrando para o público que é possível escolher um dos lados: do agressor ou da vítima. Já as
peças gráficas são mais abrangentes ao apresentar o perfil das vítimas e dos agressores,
mostrando homens e mulheres nas duas posições, exemplificando que todos estão sujeitos a
casos como estes. A seguir a ficha técnica da campanha.

Tabela 3: Ficha técnica – campanha.

FICHA TÉCNICA DA CAMPANHA

Agência Leo Burnett Toronto


Diretores de criação Judy John, Lisa Greenberg, Kelly Zettel e Sam Cerullo
Diretor de arte Mike Morelli
Redator Marty Hoefkes
Planejamento Brent Nelsen
Fonte: Produção própria (2019).

No que se refere ao vídeo, parte do sucesso se deve ao fato de ter sido legendado em
diferentes idiomas, como português, italiano, mandarim, entre outros, o que resultou em um
alcance ainda maior (MACLEOD, 2015), chegando a ter mais de 250 mil visualizações no
YouTube e foi compartilhado por milhares de ativistas ao redor do mundo (COMUNICA QUE
MUDA, 2015), a seguir a ficha técnica da produção do vídeo, de acordo com as informações
disponibilizadas no site da campanha.

Tabela 4: Ficha técnica - vídeo.


FICHA TÉCNICA - VÍDEO
Diretor Bruce McDonald
Agência Revolver Films
Produtores Rob Allan, Luc Frappier e Richard Cureton
Diretor de fotografia Rudy Blahacek
Elenco por Shasta Lutz
Editores Michelle Czuker e Kat Weber da Panic & Bob Editing
Fonte: Produção própria (2019).

P á g i n a | 44
2.2. MENSAGEM DA CAMPANHA: TIPO E TOM

Pode-se afirmar que a mensagem explícita em uma campanha é um aspecto de suma


importância para que haja compreensão em relação ao intuito de uma peça publicitária. Torna-
se relevante comentar que essa mensagem pode ser tanto verbal, como também visual e
normalmente elas se complementam para gerar um entendimento.
Zeca Martins (2013, p.35), aborda o ponto de que “comunicar significa tornar comum,
acessível a todos”. Partindo desse princípio, pode-se entender que a mensagem de uma peça
publicitária é de suma importância, uma vez que alcança um grande número de pessoas e, sendo
assim, deve ser produzida de uma forma entendível por todos. Segundo o autor João Anzanello
Carrascoza (2007), o texto publicitário tem como objetivo influenciar o público, em vista disso,
para que cumpra sua função, uma propaganda deve ser inovadora e clara, objetivando obter a
atenção das pessoas.
Como dito anteriormente, a linguagem verbal e não verbal se complementam quando uma
campanha entra em evidência. Segundo Carrascoza (2004), os textos publicitários se apoiam
em duas vertentes. A primeira delas consiste no modelo apolíneo que é voltado para a
racionalidade, é o meio direto de se comunicar e seu objetivo principal se refere a orientar ou
desorientar quem está observando, e há também o dionisíaco, que se dá pela emoção, e que, por
outro lado, possui uma sutileza ao se comunicar com o público. Desse modo, é certo afirmar
que os dois modelos podem ser utilizados no momento em que se desenvolve um texto
publicitário, a escolha entre eles depende da intenção da campanha.
Além disso, segundo Karen Abreu e Marilene Santos (2010, p. 3) “a visão é o nosso
principal meio para reconhecer os objetos e situações a nossa volta e guiar nossa interação para
com eles”. Sendo assim, a parte visual que compõe uma peça publicitária está relacionada à
estética da obra, em primeiro momento são as imagens, as formas e as cores que chamam a
atenção. Desse modo, é a junção dessas duas linguagens que dão forma a uma peça publicitária.
Pode-se dizer, portanto, que a mensagem é tudo que uma campanha é de fato, é tudo aquilo que
quer transmitir ao público. É desenvolvida apresentando informações coesas e buscam chamar
a atenção para um determinado assunto. Mediante ao exposto, se faz necessário analisar se o
que a campanha está querendo dizer é eficiente e se vai alcançar o objetivo almejado.
A campanha “#WhoWillYouHelp” propõe que a omissão e a negligência de testemunhas
em casos de importunação e assédio sexual são, de certa maneira, uma forma de colaborar com
o agressor. Isso é transmitido por meio da ideia de que, independente da ação tomada pelo

P á g i n a | 45
observador, existem apenas duas consequências possíveis: ajudar a vítima ar prestar apoio ou
ser conivente com o ato. Tanto o vídeo quanto as imagens estáticas dão a entender que quem
presencia casos do tipo possui o dever moral em ajudar a vítima. O objetivo, então, vai além de
informar sobre este tipo de agressão, tem a pretensão de mudar comportamentos comuns de
negligência. Ou seja, a campanha não é apenas sobre os atos de importunação e assédio sexual
em si, mas também - e com ênfase - sobre expor a responsabilidade das demais pessoas que
podem estar envolvidas no contexto.
Levando em conta que um texto publicitário visa atrair a atenção do público e influenciar
seu comportamento (CARRASCOZA, 2007), assume-se que o alvo da campanha em questão
não são apenas possíveis vítimas ou agressores, e, sim, quaisquer indivíduos, já que toda e
qualquer pessoa pode testemunhar casos de importunação sexual em seu cotidiano. A campanha
presume que o seu público já conhece o problema, visto que o introduz de maneira rápida e
direta, sem um caráter informativo, e de forma com que busca chocar ao mostrar que ignorar o
ato é cooperar com o agressor. Outro intuito da campanha é mostrar que a importunação sexual
não parte apenas de homens para mulheres, sendo um problema mais abrangente21.
Como sugere Zeca Martins (2013), a comunicação deve ser acessível a todos. Desse
modo, uma campanha publicitária precisa ser clara, objetiva e facilmente entendível, tanto por
meio do texto quanto na linguagem não verbal, a “#WhoWillYouHelp”, neste sentido, é eficiente
ao comunicar sua mensagem. Todas as peças, tanto o vídeo quanto as imagens, seguem uma
ordem lógica de informações muito bem definida: 1) é apresentado o contexto, uma situação
do cotidiano; 2) dois lados, vítima e agressor; 3) a importância da ação das testemunhas que,
em todas as peças, é o próprio espectador. É uma abordagem direta e simples de se assimilar,
que evita interpretações diferentes da proposta dos autores, como por exemplo no frame abaixo
em que o agressor agradece ao espectador por não contar a ninguém o ocorrido, enquanto a
cena deixa evidente o mesmo está se aproveitando da mulher embriagada.

21
Apesar da peça em vídeo apresentar apenas situações deste tipo, os demais materiais gráficos também
mostram casos que fogem do âmbito da heteronormatividade.

P á g i n a | 46
Figura 1: Frame - Obrigado por ficar de boca fechada.

Fonte: SUD BR (2015).


A chamada à ação, ao fim de todas as peças da campanha, é sutil e contrapõe mensagens
comuns em campanhas semelhantes que, no geral, incentivam denúncias para a polícia e órgãos
especializados. Além disso, a campanha também utiliza uma hashtag, que é uma palavra-chave
aplicada para identificar sua presença nas mídias sociais, tornando possível o mapeamento do
engajamento do público. Um exemplo da eficiência da utilização das hashtags em campanhas
em mídias sociais é a #MeuPrimeiroAssedio22, idealizada pela ONG brasileira Think Olga, que,
em seu primeiro ano, reuniu mais de 88 mil relatos, sendo um dos assuntos de maior relevância
dentro da rede social Twitter (LIMA, 2016). A campanha foi adaptada e ganhou espaço em
outros países como México, Reino Unido e outros países europeus (LIMA, 2016).
Ainda de acordo com Carrascoza (2004), as vertentes apolínea e dionisíaca não são
excludentes dentro de uma ação publicitária e, sim, complementares, visto que elas se mesclam
e, em certos momentos, uma irá se sobrepor a outra e assim consecutivamente. Com relação a
"#WhoWillYouHelp", o viés que mais se destaca é o dionisíaco, uma vez que os elementos
presentes na publicidade remetem a uma narrativa e à emoção, ambos parte da mensagem
dionisíaca. Contudo, a vertente apolínea também faz parte da campanha, pois o apelo final,
sobre a decisão que o espectador irá tomar quando presencia uma situação de importunação ou
assédio sexual, usa uma lógica puramente racional. O questionamento que a publicidade realiza

22
A campanha, criada em 2015, e que possui em seu título o termo assédio, conta com relatos especialmente de
vítimas que sofreram com importunação sexual.

P á g i n a | 47
sobre quem você irá ajudar: o agressor ou a vítima, faz com que o público utilize de argumentos
lógicos para decidir por uma ou outra alternativa.
Com relação às funções da linguagem presentes na campanha, a que mais se sobressai é
a emotiva. De acordo com o modelo proposto por Jakobson, a função emotiva tem como foco
o próprio remetente, visto que é a sua emoção que deve transparecer durante a mensagem
(MARTELOTTA, 2011). No caso do vídeo "Who Will You Help'', quando as mulheres
agradecem por alguém ajudá-las a parar os ataques de seus agressores, é perceptível o grau
emocional que elas carregam em suas falas e, como se trata de uma produção audiovisual,
também são visíveis as expressões dos seus rostos. As cenas interpretadas pelos atores remetem
a situações de tensão que, apesar de ser algo subjetivo, buscam despertar algumas emoções no
público que as assistem, como angústia, revolta e medo por ver as mulheres em situação de
perigo. No frame apresentado abaixo, retirado do vídeo da campanha, fica evidente o
desconforto da mulher diante do assédio de seu chefe no ambiente de trabalho.

Figura 2: Frame - Local de trabalho

Fonte: SUD BR (2015).

Além disso, é possível notar também a presença da função conativa dentro da publicidade.
Seguindo a teoria de Jakobson, esta função tem como objetivo influenciar o comportamento do
público, ou seja, tem como foco o destinatário da campanha (MARTELOTTA, 2011). No
momento em que o vídeo expõe a frase "quando você não faz nada, você ajuda ele; quando

P á g i n a | 48
você faz alguma coisa, você ajuda ela", ele almeja que o destinatário, a partir do momento que
receba essa mensagem, caso veja uma mulher que não esteja em uma situação confortável e
segura, ele não fique indiferente e faça algo para ajudá-la. Apesar de o autor da campanha dar
o benefício da dúvida para o público, não obrigando ninguém a denunciar, ele sugere, através
do texto base e das cenas mostradas, que se tome a atitude correta e ajude quem quer que esteja
numa situação de perigo. A figura 2, por exemplo, representa uma situação na qual a mulher, à
direita da imagem, está insistindo e pressionando outra mulher, visivelmente desconfortável
com a situação. A peça, então, apresenta duas alternativas para aquele que presencia a situação:
pedir para ela parar e dizer que isso não é legal ou não fazer nada e, consequentemente, ajudar
a pessoa errada.

Figura 3: Peça 3 da campanha #WhoWillYouHelp.

Fonte: Duncan Macleod (2015).

Ao analisar a parte estática da campanha, composta pelo conjunto de figura e o texto, a


visão dionisíaca também é predominante e isso se deve ao fato de que ela procura atingir o
emocional do receptor da mensagem. Nas peças, as teorias dionisíaca e apolínea se
complementam, de forma que o texto presente nelas induz o receptor da mensagem a refletir a
respeito de qual atitude é considerada a certa, mas essa reflexão é influenciada de maneira direta
por uma pressão imposta sobre os valores do leitor. A imagem, sendo um importante elemento
não verbal, possui considerável papel no trajeto de atingir o leitor e o fazer refletir sobre a
situação. Nas peças analisadas, a figura transparece o visível incômodo da vítima, e traz este

P á g i n a | 49
desconforto para aquele que as observa, valorizando a emoção causada, influenciando a tomada
de decisões.
Analisar a peça como conjunto é essencial para que se possa ser entendido o seu objetivo
final. Com a frase, “Mas se você não fizer nada, estará ajudando a pessoa errada”, é possível
observar que se espera que o leitor, em um caso semelhante, interfira. Entende-se que a
mensagem que se espera ser transmitida por meio da campanha é a de que todos possuem o
poder de escolha, e, especialmente, que o ato de não fazer nada, também é uma escolha. Assim,
essa lição de avaliação de valores que é introduzida no decorrer da campanha, sendo sutilmente
agressiva, também é assertiva, por se tratar de um tema que representa casos de violência que
são normalizados no cotidiano.

2.3. ELEMENTOS ESTRUTURAIS DAS PEÇAS

A Psicologia da Gestalt estuda como o cérebro perceber as formas, em que o processo


de percepção se inicia externamente, ao analisar uma informação visual é vista por um todo, de
forma unificada, e não apenas de pontos isolados. Já a parte final da informação ganha
significado, pois os sujeitos descodificam os símbolos presentes nas obras (GOMES FILHO,
2008). Ainda de acordo com o autor (2008), foi no século XX que a psicologia das formas
ganhou força, já que a publicidade estava em crescimento e, com isso, era necessário entender
quais formas agradam o consumidor, pois existem milhares de conotações para a identificação
dos objetos, desde o uso da linguagem ao uso dos símbolos. Para isso, a Gestalt traz as principais
leis que auxiliam nesse processo: unidade, pregnância, proximidade, semelhança e região
comum.
A unidade é entendida como elementos singulares que auxiliam a composição visual e
facilitam a percepção por meio de suas relações (GOMES FILHO, 2008). A imagem a seguir é
constituída por três indivíduos em um cenário com baixa iluminação e poucos objetos, as quatro
unidades auxiliam no entendimento que a mulher no centro sofreu importunação em uma festa
e duas, que estão a direita e esquerda, auxiliam-na a sair da situação em que foi importunada.

P á g i n a | 50
Figura 4: Frame - Obrigado por ter ajudado.

Fonte: SUD BR (2015).

Além disso, a proximidade entre os sujeitos favorece a compreensão que ambos são uma
forma conjunta, ou seja, não corroboram com qualquer tipo de abuso. A partir disso, nota-se
que, pela harmonia da cena, é fácil a compreensão, pois a organização visual está de forma
coerente. Outra categoria notável é da região comum, que consiste na tendência a agrupar
elementos que compartilham o mesmo fundo ou que sejam semelhantes em tamanho e cor
(SAKAMOTO, 2016). Pelo fundo da imagem e iluminação, é perceptível que os jovens estão
numa festa e, pela expressão da mulher do meio, ela está deprimida, já que em seu rosto é
perceptível a maquiagem escorrendo de seus olhos. Seguindo o mesmo raciocínio é possível
perceber que o fundo com baixa quantidade de informação, auxilia no destaque dos três sujeitos,
desta forma podendo classificar, a campanha, como pragmática.
Terminada a análise da composição imagética, fica a pergunta: não foi utilizada nenhum
texto na campanha? O vídeo não apresenta nenhum conteúdo escrito, mas nos banners, sim, por
isso a equipe acredita que a teoria do processo criativo na publicidade e os formatos all type da
doutora em artes, Maria Aparecida Espinosa Negri (2010) para explicar a importância da união
entre imagem e texto. Negri (2010) afirma que na publicidade existem três tipos de enunciados
possíveis para interagirmos com o público-alvo, os quais são conhecidos como: all type, all
image e híbrido. Nas três categorias é inegável que peças originais, criativas e sólidas

P á g i n a | 51
conseguem captar a atenção de qualquer pessoa, desde que sejam produzidas da maneira
correta.
No all type, não há conteúdo imagético, ou seja, são dispostas apenas fontes e cores, nessa
categoria é necessário que o conteúdo verbal tenha certa sofisticação e inteligência para prender
seu receptor. Na all image, são empregadas apenas imagens nas campanhas, por isso, devem
ser persuasivas e seduzistes, para que seu público não ache que será mais uma poluição visual.
No modo híbrido (presente na imagem) são utilizados tanto imagens quanto texto, a junção de
ambos possibilita a compreensão integral da obra, mesmo com junção de duas linhas, é
necessária uma boa execução, já que o público precisa sentir persuadido e seduzido para
acompanhar o visual e o textual (NEGRI, 2010).

Figura 5: Peça 2 da campanha #WhoWillYouHelp.

Fonte: Duncan Macleod (2015).

O texto presente na imagem apoia o entendimento da campanha, visto que ela foi criada
para que a mensagem seja transmitida da forma correta para a maior parcela do público.
Portanto, a leitura desta composição visual baseada nas teorias e categorias apresentadas,
auxilia na construção dos sentidos e demonstra que não vemos partes isoladas para a
compreensão e sim, partes que ligadas à outras ajudam no entendimento.
De acordo com a análise semiótica, no caso, uma análise de cada elemento e dos
significados que são representados por ele, aplicada ao discurso feita por Greimas (1976, apud
Dias, 2015) pode-se perceber que no slogan principal, a hashtag “#WhoWillYouHelp”, o
enunciador manipula o enunciatário por meio de poder, efetuando uma provocação, instigando
uma resposta a um questionamento por meio de um ultimato. Tanto no vídeo quanto nas demais
peças, são apresentadas situações de importunação, e, neste primeiro, são apresentados ambos

P á g i n a | 52
os lados da situação, mostrando como a inação é valiosa para o importunador, e como ao fazer
algo, pode-se ajudar a vítima. Ao final, o questionamento de “quem você ajudará” é
estabelecido, mas é clara uma provocação ao espectador, que pode até optar por ajudar o
criminoso, mas sabendo as consequências e o quão é prejudicial para a vida da vítima a omissão
de ajuda.
As imagens da campanha, de forma geral, possuem uma configuração de cores com uma
intenção em específico. A aplicação de cores secundárias nos vídeos e imagens, no caso, azul-
esverdeado para as filmagens durante o dia e amarelo-laranja para as filmagens noturnas em
estabelecimentos trazem uma ideia tristeza e submissão, já que imagens com tons mais
vibrantes transmitem sensação de felicidade e segurança (GONÇALVES, 2015). Nas peças
individuais são utilizados tons mais claros e foscos, ainda na intenção de simular uma fotografia
Polaroid, o registro do momento que está sendo observado pelo espectador. Priorizando o
contraste entre um tom claro de cinza e branco, também é remetida a atmosfera que a campanha
busca em seus vídeos, mas com um novo significado, pois o cinza também remete a
responsabilidade (GONÇALVES, 2015). Acompanhando as imagens há a logomarca do
governo de Ontário, que é o criador da ação.
O método aplicado na campanha de simular uma fotografia Polaroid é empregado pelo
fato de esse tipo fotografia possibilitar um registro instantâneo da imagem, sem edições
posteriores, trazendo uma ideia de urgência e também um pensamento a respeito da frequência
e imprevisibilidade com que esse tipo de situação pode ocorrer. Esse tipo de técnica ainda é
chamado por alguns profissionais de clique íntimo, por envolver apenas o fotógrafo e a cena
registrada (AFONSO, 2017). Ao optar por esse tipo de fotografia mais intimista, há uma
aproximação entre a situação representada pela imagem e o leitor, pois não se trata de uma
imagem feita em um estúdio com diversos efeitos, mas sim uma representação de algo que
poderia acontecer em qualquer festa, em qualquer ambiente a qualquer momento. Esse
encurtamento de distância entre a obra e o observador tem a intenção de chamá-lo para a ação,
sendo reforçado pelo texto e hashtag principais.

P á g i n a | 53
Figura 6: Peça 3 da campanha #WhoWillYouHelp.

Fonte: Duncan Macleod (2015).

Os textos presentes na imagem seguem uma estrutura em específico: demonstrar uma


situação-problema envolvendo um crime de importunação no título, com um subtítulo abaixo
mostrando alternativas de auxílio às vítimas e a afirmação de “Se você não fizer nada, você
ajudará a pessoa errada”, seguida pela hashtag característica da campanha,
“#WhoWillYouHelp”. Na Figura 4, o texto é o seguinte: “Seu amigo está se aproveitando de
alguém bêbada em uma festa. Você pode chamar seus amigos, ou convencer seu amigo a parar
com isso, mas se você não fizer nada, você ajudará a pessoa errada”. As outras peças
publicitárias em imagem são similares à presente na imagem acima, com a situação problema,
possíveis soluções e o chamado para a ação afirmando que ao não agir, estará ajudando o
agressor.
No vídeo, o texto se divide em duas partes, primeiro com diversas situações de
importunação, como um homem tentando abusar de uma mulher embriagada em uma festa, um
rapaz mostrando fotografias íntimas de sua namorada ou um homem colocando entorpecentes
na bebida de uma mulher. Essas situações são acompanhadas pelo agressor agradecendo o
espectador por não ter feito nada a respeito. No momento em que a tela escurece, a mensagem
principal da campanha é exposta, de modo que quem assiste o vídeo se envolva com a trama,
mostrando as duas únicas possibilidade de escolha ao presenciar um ato de abuso: ficar em
silêncio e compactuar com o agressor ou se manifestar e ajudar a vítima. Após essa mensagem,
as mulheres presentes nessas situações agradecem o espectador por ter agido.

P á g i n a | 54
De acordo com Dias (2015, p.396): “todo enunciado tem como sentido inicial um sujeito
da enunciação (um “alguém que diz”), que se desdobra em um enunciador (quem fala) e um
enunciatário (para quem se fala)”. Pode-se perceber que o sujeito dessa campanha, a base dessa
articulação social, são as formas de importunação, violência e assédio impostas a outras
pessoas, com um foco nas mulheres no vídeo, e ampliando para homens nas campanhas em
texto e imagem. É possível concluir também que o objetivo com a parte textual dessa campanha
é fixar uma ideia por meio da repetição da mensagem principal e o chamado para ação da
hashtag, promovendo um ultimato, acompanhado pelas possibilidades envolvendo o espectador
de uma situação desse tipo, instigando quem lê e vê a agir.

P á g i n a | 55
capítulo 3
COMUNICAÇÃO PÚBLICA
CAPÍTULO 3

3. COMUNICAÇÃO PÚBLICA E INTERESSE PÚBLICO

Para entender melhor a importância de se trabalhar o tema da importunação sexual, além


dos dados apresentados anteriormente, é necessário conceituar interesse público e comunicação
pública, questões abordadas no decorrer do capítulo. Para definir o tema corretamente dentro
deste estudo, é necessário levantar as informações essenciais sobre como o mesmo deve ser
abordado a partir da perspectiva do interesse público e da comunicação pública. Dito isso, é
relevante também aprofundar a questão da midiatização dentro de temas com relevância
pública, uma vez que o objetivo principal deste projeto é desenvolver uma campanha
publicitária.

3.1. CONCEITO DE INTERESSE PÚBLICO

No final do século XVIII, durante o período iluminista, foram elaboradas ideologias


para conter o poder da igreja católica e uma delas foi a instauração da república, uma garantia
de que tudo que é do Estado pertence à coletividade, ou seja, do interesse público. Sendo assim,
é útil para os indivíduos, enquanto membros de uma sociedade, instituir esse interesse
(DUARTE, 2010). Segundo o professor Celso Bandeira Antônio de Mello (1994), o interesse
da maioria é supremo, desde que não interfira nos direitos e garantias individuais dos
particulares. Essa afirmação vale para organizações e cidadãos.
Organizações privadas e públicas possuem cada vez mais responsabilidade econômica,
cultural e política na sociedade, uma vez que utilizam de suas estratégias para identificarem
interesses públicos presentes em determinadas comunidades e, dessa forma, instituírem seu
poder e buscarem visibilidade e credibilidade para alcançarem seus objetivos (BALDISSERA;
SARTOR; ROSSATO, 2016). Nesse sentido, a comunicação constitui o processo pelo qual as
organizações adquirem legitimidade e promovem o esclarecimento, crítica e debate, como
auxílio à explanação do que é de interesse público.
Quando se coloca em pauta o questionamento do que é de fato interesse público, pode-
se afirmar que há uma gama de autores que exploram essa questão. Apesar de existirem pontos
de vistas diferentes, e não haver um único conceito definido, em sua grande maioria, esses
autores partem do princípio de que interesse público está relacionado ao bem comum
(HASWANI, 2010). Dessa maneira, a grande problemática presente encontra-se em definir o

P á g i n a | 59
que é o bem comum, visto que, o que é bom para uma parcela de pessoas pode não ser o ideal
para outras.
Além disso, Faria (2012) expõe que interesse público está atrelado aos diversos
interesses existentes em uma sociedade, e afirma que isso pode gerar confrontos. Esse
pensamento se dá pela pluralidade existente entre os cidadãos de uma sociedade que é composta
por pessoas diversas que possuem pensamentos, princípios e realidades opostas. Dessa forma,
uma definição do que é bem comum ou a compreensão de para quem esse bem comum está
sendo direcionado pode ser dificultada, uma vez que não é possível que todos os indivíduos
sejam atingidos de uma mesma forma por uma ação.
Sendo assim, segundo Rudimar Baldissera, Basilio Sartor e Jean Rossato (2016), cada
área de estudo busca definir interesse público com base em seus próprios referenciais. Desse
modo, se torna importante comentar que quaisquer estudos sobre interesse público que sejam
abordados nesse projeto sempre se voltarão para uma realidade presente, que se refere à
complexidade de conceituá-lo. Portanto, é preciso olhar para essa temática de uma forma crítica,
que fuja do senso comum. Além disso, o interesse público pode ser tratado por quatro ângulos
(BALDISSERA; SARTOR; ROSSATO, 2016), sendo eles:
1. Baseado na decisão do que é comum para a maioria dos membros de um determinado
grupo;
2. Compreende-se de uma forma abstrata, que está interligada com valores e princípios
democráticos;
3. É visto de uma forma diferente e oposta aos interesses do setor privado;
4. Trata-se de grupos que possuem grande poder aquisitivo, político e cultural, e, por isso,
se sobressaem e forçam o restante dos indivíduos a aceitarem seus ideais e vontades.
Seguindo adiante, de acordo com Sandra Jovchelovitch (2000, p. 49 apud HASWANI,
2010, p. 60), “a vida pública existe precisamente para enfrentar questões de interesse coletivo
que não podem ser desenvolvidas através de caminhos que contêm apenas verdades singulares
radicadas em interesse privado”. Segundo a autora, o público precisa ser visto e ouvido por
todos, Jovchelovitch (2010) também aborda o ponto de que na esfera privada os interesses não
são coletivos, logo, não é através desse meio que se chega ao bem comum.
Analisando por esse viés, se faz necessário buscar compreender o que é de interesse
público para um determinado grupo. Para isso, entra em evidência a esfera pública, que é a
mediação entre Estado e sociedade (HABERMAS, 1962 apud OLIVEIRA, 2012). Refere-se,

P á g i n a | 60
portanto, a um espaço dialógico de enfrentamentos de opiniões elaboradas de forma coesa e
crítica sobre questões relacionadas ao interesse público. Segundo Haswani (2010):

A esfera pública introduzida pela revolução burguesa traz consigo a concepção da


participação política e da relação entre Estado e sociedade. Ela indica a existência de
um espaço em que os cidadãos buscam participação política por meio do diálogo
racional sobre as questões de seu interesse. A partir da vitória da burguesia sobre os
Estados absolutistas, firmaram-se os objetivos deste novo público de mediar a relação
entre Estado e sociedade, fazendo com que o Estado prestasse à sociedade contas do
que fazia, por meio da publicidade disponível (HASWANI, 2010, p.61).

Em relação ao Brasil, um Estado Democrático de Direito, a Constituição garante no Art.


1º, parágrafo único que “todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes
eleitos ou diretamente” (BRASIL, 1988). Desse modo, as decisões são tomadas por meio da
votação, seguindo, por exemplo, as eleições executivas, em que o lado que obtiver mais votos
se torna o vencedor. Portanto, quando se trata de compreender qual é o interesse comum aos
cidadãos, é levado em consideração o desejo da maioria, e, dessa maneira, fica decidido que
isso será o melhor, mesmo que uma parte seja afetada de forma negativa. O que entra em
questão quando se coloca esse tema em evidência é a participação da sociedade nessa tomada
de decisão.
Como já dito no decorrer do capítulo, os autores Baldissera, Sartor e Rossato (2016)
expõem que a formação do interesse público está atrelada à junção da esfera pública, privada e
social. Partindo desse princípio, apesar de não haver um conceito estabelecido sobre interesse
público e existirem muitas variáveis que precisam ser analisadas, é necessário pensar em meios
que façam o Estado, ou mesmo as organizações privadas, a debaterem com a sociedade,
buscando trazer o cidadão para próximo dos confrontos de decisões.
De acordo com Haswani (2010), a comunicação é necessária para garantir os direitos
individuais e sociais. Portanto, mesmo que o interesse público seja um conceito ainda em
andamento, pode-se afirmar que, muitas das vezes, a comunicação tem papel fundamental nessa
questão. Abordando essa possibilidade, entra em pauta a comunicação pública, explicada a
seguir, e que é de suma importância dentro da imensidão que é o interesse público.

3.2. CONCEITO DE COMUNICAÇÃO PÚBLICA

Segundo Elizabeth Pazito Brandão (2012), o conceito de comunicação pública possui


diferentes significados a depender do país, dos pesquisadores e do contexto em que é utilizado,
visto que se trata de uma expressão ainda em construção. Para a autora, porém, há um ponto
comum entre os diversos conceitos, em que ela afirma que comunicação pública é “um processo

P á g i n a | 61
comunicativo que se instaura entre o Estado, o governo e a sociedade com o objetivo de
informar para a construção da cidadania” (BRANDÃO, 2012, p.9)
Ainda de acordo com a teoria de Brandão (2012), os conceitos de comunicação pública
podem ser organizados a partir de cinco campos do conhecimento e atividades profissionais.
São eles:
1. Comunicação Científica: é a comunicação capaz de fazer a sociedade se interessar e
conhecer os assuntos relacionados à comunidade científica e seus avanços, seja para
compreender a natureza, a sociedade ou o seu próximo.
2. Comunicação do Estado e/ou Governamental: é quando se torna obrigação do Estado
ou do governo informar e comunicar a população. De acordo com a pesquisadora
(2012), essa comunicação é entendida como pública a partir do momento que busca
prestar contas a respeito do que está sendo feito em prol da comunidade, além de
estimular a participação das pessoas nas políticas estatais ou governamentais e,
principalmente, evocar na sociedade o debate público.
3. Comunicação Política: pode ser entendida, segundo a autora (2012), por dois vieses –
como a comunicação utilizada para a divulgar opiniões e posicionamentos políticos de
governos e partidos; e pelas disputas travadas entre os detentores dos meios de
comunicação e o direito dos cidadãos de escolherem os conteúdos a serem veiculados
nesses meios, bem como o seu acesso a eles.
4. Comunicação da Sociedade Civil Organizada: é a comunicação realizada pelo terceiro
setor e movimentos sociais.
5. Comunicação Organizacional: é a área que busca entender a comunicação no interior
das organizações e também com os públicos com os quais ela se relaciona.
Corroborando com as ideias de Brandão (2012), de que o conceito de comunicação
pública é abrangente e pode incorporar mais de uma organização ou área do conhecimento, as
pesquisadoras Celsi Brönstrup Silvestrin e Cleusa Maria Andrade Scroferneker (2017),
afirmam:

Se inicialmente o conceito de comunicação pública restringia-se ao fluxo de


mensagens entre as esferas governamentais e os cidadãos, atualmente ele se amplia,
exigindo a participação da sociedade e de seus segmentos como atores/produtores
ativos no processo comunicacional, tais como: a sociedade, o terceiro setor, a mídia,
o mercado, as universidades, as instituições religiosas e outros segmentos não
reconhecidos (SILVESTRIN E SCROFERNEKER, 2017, p.46-47).

P á g i n a | 62
Nesse mesmo sentido, Juan Jaramillo López (2011, apud KUNSCH, 2012) sustenta que
a comunicação pública deve ser democrática, resultante da coletividade e da construção do que
é público, se desenhando como uma comunicação que tem como princípios a inclusão e a
participação social. De modo a ser o mais amplo e coletivo possível, Matos (2012) afirma que
o conceito de comunicação pública deve abarcar a participação de toda a sociedade e seus
segmentos, como o terceiro setor, a mídia e o mercado, não se restringindo unicamente ao
Estado ou ao governo.
Assim, a partir das conceituações supracitadas, é possível afirmar que uma empresa do
setor privado também pode realizar comunicação pública, contudo, conforme Silvestrin e
Scroferneker (2017) elucidam, é necessário que ela esteja ciente das suas responsabilidades
públicas e também sociais. Segundo Oliveira (2012), a comunicação organizacional deve ser
incorporada ao conceito de comunicação pública de tal maneira que consiga conectar os
interesses das organizações com os da sociedade.
Brandão (2012) explica que, no Brasil, as empresas privadas começaram a realizar
comunicação pública por se preocuparem com sua imagem perante o mercado, o que fez com
que elas se engajassem a causas socialmente relevantes. A imagem institucional, por sua vez,
pode ser definida como um “conjunto de suposições, atitudes e impressões que um indivíduo
ou grupo tem acerca de uma organização” (MONKEN et al., 2015, p.123).
Nesse contexto, surge a expressão marketing social, definido como um conjunto
estratégias utilizadas por uma organização com o intuito de promover mudanças sociais
(ADULIS, 2011). Para Nomura e Souza (2004), as organizações que praticam o marketing
social objetivam gerar opiniões e emoções nos indivíduos de forma a viabilizar uma mudança
comportamental em relação às questões que têm como foco a sociedade e também criar um
senso de responsabilidade social, individual e coletiva. Assim, nesse sentido, muitas
organizações realizam comunicação pública para se aproximar da comunidade em que estão
inseridas, promovendo mudanças sociais, e, de forma consequencial, melhorando sua imagem
perante a sociedade.
Com o intuito de exemplificar algumas organizações privadas que praticam
comunicação pública, o estudo de Tristão, Frederico e Viégas (2008) traz o caso da Natura,
uma empresa de capital aberto que atua no campo da saúde e da beleza, e é considerada destaque
no quesito práticas sociais. De acordo com os pesquisadores (2008), a Natura possui sua atuação
orientada ao marketing social, uma vez que se relaciona com a sociedade a partir de programas

P á g i n a | 63
que procuram incentivar o desenvolvimento coletivo23, das comunidades24 em que ela está
inserida, a preservação ambiental25, além de procurar informar e trazer reflexão para os seus
consumidores26 acerca de temáticas sociais.
Também é possível que uma empresa de capital privado, preocupada em ser considerada
uma instituição responsável socialmente, crie institutos, fundações e organizações para
desenvolver ações de cunho social (PERUZZO, 2012). A autora (2012), porém, adverte no
sentido de verificar a coerência entre o discurso empresarial e sua prática, além de se atentar ao
fato de que, muitas vezes, uma marca pode apenas mascarar seus interesses de mercado através
de causas sociais. Nesse sentido, Adulis (2011) explica que o marketing social se difere do
marketing voltado para as causas sociais:

No caso do marketing social, como explorado em diversas publicações em todo o


mundo, o principal impacto será a transformação da sociedade, na qual a empresa ou
instituição está inserida. Já no caso do marketing para causas sociais, retornos
financeiros ou de imagem, diretamente voltados para a empresa ou instituição, serão
mais evidentes (FONTES, 2001, apud ADULIS, 2011, s/n).

Ou seja, o marketing para causas sociais é quando uma organização procura aliar seu
nome a uma determinada causa, com o intuito de provocar empatia para fidelizar seu
consumidor, enquanto o marketing social busca ser um agente transformador na sociedade.
Apesar de ser difícil separar os interesses mercadológicos daqueles que a empresa anuncia, é
esperado de uma organização que se propõe a realizar comunicação pública, atitudes que
respeitem o direito dos indivíduos, a diversidade e as necessidades de cada contexto em que a
instituição está inserida (PERUZZO, 2012).

23
Por meio do programa “Crer para Ver”, as consultoras Natura vendem os produtos da marca destinando os
recursos arrecadados a projetos da rede pública de ensino (TRISTÃO, FREDERICO e VIÉGAS, 2008).
24
Em Cajamar, uma das unidades onde a Natura atua, a empresa procurou melhorar o seu relacionamento com a
cidade por meio do trabalho de um grupo para debater e propor soluções para as carências do município, apoiando
a elaboração do plano diretor para a educação e estabelecendo parcerias com as escolas da região (TRISTÃO,
FREDERICO e VIÉGAS, 2008)
25
No que diz respeito à energia, a Natura busca desenvolver sistemas e processos que permitam o uso racional
deste recurso. Em 2005, a empresa apresentou ganhos de escala que provocaram a diluição de gastos fixos, o que
permitiu redução de 23% no consumo por unidade vendida (TRISTÃO, FREDERICO e VIÉGAS, 2008).
26
A Natura usa seus rótulos como fonte de conhecimento, nos quais os consumidores encontram, além de
informações acerca dos produtos e seus benefícios, reflexões sobre temas relacionados aos conceitos que os
originaram (TRISTÃO, FREDERICO e VIÉGAS, 2008).

P á g i n a | 64
3.3. MIDIATIZAÇÃO

A inevitável existência dos meios de comunicação em todas as esferas da sociedade,


suas influências e sua presença em instituições, que de uma ferramenta passaram a ser parte
integral de seu funcionamento, é estudada em pesquisas voltadas à midiatização (HJARVARD,
2012). Segundo Stig Hjarvard (2012), o fenômeno da midiatização ainda não possui definição
exata, mas visões de diversos estudiosos, que variam de acordo com realidades sociais,
regionais e temporais. Contudo, afirma que o conceito de que midiatização se trata “da
influência da mídia na cultura e na sociedade”, sempre se encontra presente nas publicações
(2012).
As influências provocadas pelas mídias na contemporaneidade mostram-se presentes
em múltiplos âmbitos da sociedade, sendo alguns deles as religiões, relações familiares, modo
de trabalho, relações sociais e a política. Para Hjarvard (2012), a midiatização é também uma
oportunidade para compartilhar conhecimento, especialmente dentro das ciências,
possibilitando a acessibilidade de modos de se adquirir informações, sejam elas pesquisas,
documentários ou com a facilitação da troca de experiências.
O primeiro teórico a estudar as mudanças ocorridas por influência dos meios de
comunicação, neste caso a política, foi o sueco Kent Asp em 1986 (HJARVARD, 2012). Ele
definiu que “um sistema político é, em alto grau, influenciado pelas e ajustado às demandas dos
meios de comunicação de massa em sua cobertura da política” (1986, p.359 apud HJARVARD,
2012, p.55). Na época em que o livro foi publicado, as informações que os eleitores recebiam
eram resultados de reportagens, e em razão disso, os políticos passaram a adaptar sua imagem
conforme sua intenção. Depois de mais de duas décadas do primeiro estudo da temática, a
estratégia utilizada não sofreu profundas alterações, contudo ocorreu o aumento de mídias
utilizadas e o seu alcance (SGORLA, 2009). Como explica Fabiane Sgorla (2009):

Assim, as alterações surgidas pelos “processos de midiatização”, tanto podem afetar


e reconfigurar as práticas e relações sociais dos atores individuais e coletivos, como
repercutir nos fenômenos recorrentes no próprio campo protagonista da midiatização
– o campo das mídias – pelos meios de comunicação social mais tradicionais
(SGORLA, 2009, p.64.).

Ainda ao analisar a utilização das mídias sociais como estratégia de relacionamento com
atores sociais, Sgorla (2009) apresenta a sua perspectiva de como ela é executada.

Nesse esquema nada acontece de forma aleatória ou despretensiosa, sem


planejamento. Determinados campos e atores sociais elaboram, estrategicamente,
artifícios para ampliar a absorção das lógicas midiáticas, assumindo a gramática
própria das mídias em suas conformações (SGORLA, 2009, p.66).

P á g i n a | 65
Na midiatização, das mesma forma que os atores sociais são influenciados, eles passam
a ter a capacidade de influenciar e, caso seja feito de modo digital, barreiras geográficas são
quase anuladas (HJARVARD, 2012). Como consequência dessa alteração de papéis e a
abrangência de pessoas que passam a ser afetadas, a forte presença das mídias viabiliza a
difusão de abordagens de temáticas de interesse público27. No presente estudo, a temática de
importunação sexual possui direta relação com o fenômeno da midiatização, iniciando pela
criação da lei que pune tal ato à divulgação de campanhas que buscam conscientizar e
compartilhar informações com a população.
Para a doutora em ciências da comunicação, Fabiane Sgorla, a midiatização pode ser
compreendida como “múltiplos entrecruzamentos entre tecnologias midiáticas, campos e atores
sociais, meios de comunicação social tradicionais e sociedade” (2009, 28
p.62). O presente
projeto, que em seus próximos capítulos apresentará peças de viés publicitário, busca também
compreender os atores sociais e qual a maneira mais adequada de atingi-los e isso será feito por
meio de mapeamento de públicos e uma pesquisa mercadológica.

3.4. IMPORTUNAÇÃO SEXUAL COMO TEMÁTICA DE INTERESSE PÚBLICO

Para compreender a relevância de abordar a questão de importunação sexual como tema


de interesse público, é preciso analisar de forma crítica a sociedade patriarcal existente, uma
vez que, em sua maioria, os casos relacionados a esse tipo de abuso acontecem com mulheres,
que são desde sempre objetificadas pelo sexo masculino. No entanto, se torna importante
ressaltar que não se exclui os homens da possibilidade de sofrerem importunação sexual,
mesmo que em minoria, esses são acontecimentos reais e que precisam ser dialogados.
Corroborando com o fato de os homens também serem vítimas de importunação e abuso
sexual, um estudo realizado em 2017 no Reino Unido demonstrou que, dentre os 200 homens
entrevistados, 30,1% afirmaram que já foram abusados sexualmente sob o efeito de álcool ou
drogas. Além disso, 20,9% dos homens relataram que sofreram impactos emocionais negativos
devido ao ocorrido (WEARE, POTER e EVANS, 2017). Os estudiosos responsáveis pela
pesquisa afirmam que, apesar de o número de entrevistas parecer uma amostra pequena, ela se
mostra bastante significativa, visto que os homens se sentem envergonhados ou abalados

27
Segundo Fabiane Sgorla (2009, p.64), “as alterações surgidas pelos 'processos de midiatização', tanto podem
afetar e reconfigurar as práticas e relações sociais dos atores individuais e coletivos, como repercutir nos
fenômenos recorrentes no próprio campo protagonista da midiatização”.
28
Como explicado em capítulos anteriores, a lei foi aprovada após movimentos ocorridos nas redes sociais em
2017.

P á g i n a | 66
demais para denunciar. Além disso, Weare, Poter e Evans (2017) reiteram que a temática de
homens que sofrem abusos sexuais é pouco debatida e sub-reportada dentro da sociedade (apud
REZENDE e FONSECA, 2017).
Em pesquisa realizada pela ONG Énois Inteligência Jovem (2015), concluiu-se que 72%
das mulheres entrevistadas sofreram importunação sexual por desconhecidos. As agressões
incluem “encoxadas” no transporte público, tapas ou afagos nas nádegas em locais públicos e
beijos forçados em festas. Em 10% dos casos, a importunação foi praticada por familiares e,
em 9%, por colegas ou amigos. Apesar de, como demonstrado pelo estudo, na maioria dos casos
de importunação os agressores não serem conhecidos da vítima, é importante ressaltar que, em
28% dos fatos ocorridos quem comete esse crime não é um estranho, o que retrata a
vulnerabilidade da vítima, que pode sofrer abuso em qualquer ambiente e vindo de qualquer
pessoa.
Como visto, o número de casos que se enquadram como importunação sexual aumentou
consideravelmente ao decorrer dos anos. Prova deste fato é a pesquisa realizada pelo Fórum
Brasileiro de Segurança Pública (2016), que constatou um crescimento de 129% nas denúncias
relacionadas a casos de violência sexual no ano de 2015 no Brasil 29. Dito isso, é importante
salientar que, apesar da evolução em relação a essa temática, ainda é preciso criar maneiras para
combater esse tipo de abuso. No caso da importunação sexual, houve a aprovação da lei que
tipifica a ação em crime, no entanto, somente essa ação isolada não consegue solucionar o
problema, visto que essa nova informação precisa chegar à população de uma forma acessível.
Desse modo, além de promover o debate na sociedade acerca da temática, é preciso buscar pela
efetivação dessa lei, que é tão recente.
Sendo assim, um dos meios que o jornal Folha de S. Paulo utiliza para abordar a questão,
é a realização de debates em seu auditório sobre educação e masculinidade, para que as pessoas
se sintam confortáveis para denunciar e entender seu lugar na sociedade (VIEIRA, 2019). No
evento, as colunistas da Folha, Ilona Szabó e Katia Rubio, afirmam que é de extrema
importância criar ambientes onde possam ser discutidos e compreendidos temas como o abuso,
já que, sem denúncias, não há políticas públicas30 (VIEIRA, 2019).
Portanto, para o melhor enfrentamento das questões relativas a importunação e abusos
sexual, a conclusão da pesquisa realizada pela ONG Énois Inteligência Jovem (2015) sugere

29
Essas delações são realizadas no Disque 180, que é o órgão responsável por prestar suporte às mulheres que
passam por algum tipo de violência.
30
Conjunto de medidas tomadas pelo governo, com a participação de organizações públicas ou privadas, com o
intuito de assegurar os direitos de cidadania para vários grupos sociais (ANDRADE, 2016).

P á g i n a | 67
que essas temáticas devem ser tratadas de maneira transversal 31 e também como políticas
públicas. O assunto discutido neste projeto, por fim, se torna de interesse público por afetar um
grande número de pessoas, independente do gênero ou da orientação sexual e que, muitas vezes,
não possuem o conhecimento da gravidade da situação ou dos seus direitos, o que torna essa
temática tão relevante para que seja dialogada em sociedade.

31
A transversalidade coloca diferentes postos em contato, comunicando-se e produzindo melhor (REDE
HUMANIZA SUS, 2015).

P á g i n a | 68
capítulo 4
MAPEAMENTO DE PÚBLICO
CAPÍTULO 4

4. MAPEAMENTO DE PÚBLICO E MÍDIAS

Com base no estudo realizado anteriormente sobre o histórico do tema, a análise de uma
campanha criada para este e a conceituação de interesse e comunicação pública, assim como a
inserção do mesmo nesse conceito, este capítulo apresenta três novas análises igualmente
importantes: a da organização para a qual a campanha será desenvolvida; dos públicos
relacionados a ela e ao tema; e, por fim, das mídias que serão utilizadas e seus possíveis custos,
além da relação com a organização e a forma com que se comunica com seus públicos.

4.1. ORGANIZAÇÃO QUE ASSINA A CAMPANHA

Por se tratar de uma campanha publicitária de interesse público, é relevante ressaltar que
organizações privadas também realizam ações focadas nesse interesse. Segundo Elizabeth
Brandão (2012), essas empresas buscam, por intermédio da comunicação pública, ganhar
visibilidade para o seu negócio, para que, assim, sejam reconhecidas por serem instituições que
possuem boa reputação. Desse modo, é certo afirmar que organizações abordam pautas sociais,
com o objetivo de muitas das vezes, ganhar reconhecimento por suas ações. No entanto, mesmo
que haja um viés mercadológico, se a empresa busca colocar em evidência temáticas sociais
importantes para a comunidade na qual está inserida, que por sua vez promovem mudanças na
sociedade, isso se torna uma ação de interesse público, desde que seja realizado de uma forma
ética, uma vez que, segundo Silvestrin e Scroferneker (2017) para desenvolver comunicação
pública, as organizações privadas precisam compreender quais são as suas responsabilidades
públicas e sociais.
Dessa forma, com o intuito de elucidar a campanha publicitária desenvolvida acerca da
temática de importunação sexual, se faz necessário evidenciar uma organização que poderia vir
a ter interesse em abordar esse tema em suas ações. Com isso, ao buscar por instituições
alternativas, em que seria relevante falar sobre importunação sexual, o grupo optou por uma
casa noturna. A escolha se deve principalmente pela tendência a acontecer esse tipo de abuso
nesses locais, e, porque, muitas das vezes, ocorrências desse gênero são banalizadas quando
acontecem dentro de uma balada.
As jornalistas Isabella Lima, Samantha Fernandes e Veronica Gonzalez (2015)
evidenciaram uma pesquisa realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular
(2014), que expõe que 78% das mulheres afirmam ser vítima de algum crime sexual, e que,

P á g i n a | 71
ainda, um quarto dessa porcentagem passou por isso dentro de uma balada. Além disso, 44%
das mulheres dizem que já passaram por situações de homens tocando seus corpos na balada e
30% já foram beijadas à força (LIMA; FERNANDES; GONZALEZ, 2015). Se torna
importante ressaltar que, desde setembro de 2018, casos ocasionados com esse perfil se
enquadram na nova lei 13.718, que criminaliza como importunação sexual qualquer ato
libidinoso sem o consentimento de uma das partes. Ainda sobre os dados da pesquisa
apresentada, 15% das mulheres afirmam que homens tentaram se aproveitar delas na ocasião
em que estavam alcoolizadas.
Outro fator importante a ser abordado quando se coloca em pauta essa temática, se refere
às mulheres que trabalham nas casas noturnas, sejam elas gerentes, hostess32, promoters33,
fotógrafas ou garçonetes. A jornalista Naiady Piva (2018), conversou com algumas dessas
mulheres, e os relatos confirmam o grande número de casos de importunação sexual que
acontecem nesses locais. Uma das entrevistadas, de 20 anos, que atua na área de eventos na
cidade de São Paulo, pontua que já ocorreu de ser beijada à força três vezes em apenas uma
noite. Elas ainda evidenciam que raramente ocorre a denúncia, uma vez que, como citado
anteriormente, casos assim são, muitas vezes, considerados normais quando acontecem em
baladas. Além disso, colaborando com as informações citadas, se tornou possível identificar na
visita de campo realizada na organização escolhida, que as pessoas consideram normal casos
de importunação sexual na balada, foi comentado que, quem trabalha na noite nas casas
noturnas não pode reclamar de acontecimentos desse perfil.
Sendo assim, depois da identificação da real necessidade em se abordar sobre essa
temática nesses locais, a organização escolhida para a realização da assinatura das peças
publicitárias é a WSpace, uma balada de Curitiba, que teve seu início em 2011. A casa noturna
tem sua abertura realizada três vezes por semana, de quinta-feira a sábado, e chega a receber
mensalmente quase 6 mil pessoas. Por se tratar de uma empresa já estabelecida e conhecida, o
grupo acredita que seria vantajoso para a organização apoiar uma campanha sobre
importunação sexual, visto à proporção que o tema tomou com o surgimento da lei. Com isso,
foi realizado contato com o responsável pela administração da balada, Rodrigo Marchioro, que
atua na empresa há 2 anos, com o intuito de apresentar a ideia do projeto.

32
São responsáveis pela recepção em estabelecimentos como bares, baladas e restaurantes (DICIONÁRIO
INFORMAL, 2007).
33
São pessoas que ajudam a organizar o evento, mas que principalmente o promovem para o público
(SIGNIFICADOS, 2016).

P á g i n a | 72
Dessa forma, duas integrantes do grupo, Isabele Borges e Natalia Arnai, compareceram
até a WSpace para conversar com Marchioro, com o objetivo conhecer um pouco mais da
organização e entender qual o entendimento deles sobre importunação sexual. Portanto, foi
realizada uma entrevista com o administrador, que será utilizada como base para o
desenvolvimento deste capítulo. Ademais, as informações a serem apresentadas a seguir são
decorrentes das respostas coletadas, e serão de suma importância para compreender a relação
da temática do projeto com a escolha da organização.

4.1.1. HISTÓRICO DA ORGANIZAÇÃO

De acordo com Conceição Santos (2014), entender a história de uma instituição permite,
através do conhecimento da sua trajetória e daqueles que ajudaram a construí-la, humanizar a
empresa. Ao narrar a história organizacional, revelam-se suas raízes e princípios, que podem
atribuir uma identidade singular à organização, de forma que os públicos possam se identificar
com ela. Além disso, ainda segundo a autora, a narração histórico-organizacional dá coerência
às ações da empresa ao longo do tempo, de forma a constituir elementos reais de legitimação
organizacional. Nesse sentido, para compreender as particularidades da WSpace como
organização, faz-se necessário conhecer sua origem e suas mudanças ao decorrer dos anos para
entender quais são os elementos que fazem parte da sua identidade nos dias atuais.
A WSpace é uma casa noturna localizada em Curitiba, no bairro Batel, e, de acordo com
o site oficial da organização, o seu maior diferencial é receber shows de vários artistas e de
diferentes gêneros musicais. A página online Guia Gazeta do Povo (2018) reitera que a WS
abrange durante a festa que ela promove para o seu público variados estilos musicais, sendo os
mais comuns o sertanejo, funk e pagode e que, na maioria das vezes, a casa noturna conta com
bandas que realizam os shows.
A WS é reconhecida por ser um ambiente que dá preferência aos ritmos brasileiros e
demonstra a sua familiaridade à cultura nacional através das cores que emprega na sua fachada
e no ambiente interno, como o verde, o amarelo, o azul, o café e o ouro. A figura abaixo mostra
a entrada da casa noturna, iluminada com tons de azul. Nota-se que, na parte superior do local,
o nome ainda consta como WS Brazil, porém, em um painel do lado esquerdo, o nome atual
ganha destaque (WSpace).

P á g i n a | 73
Figura 7: Fachada da WSpace.

Fonte: Produção própria (2019).

Em 2019, a casa noturna comemora oito anos de existência e sua abertura se deu para
sanar o fechamento de uma outra balada de Curitiba, a Woods Bacacheri. De acordo com o
entrevistado, Rodrigo Marchioro, os proprietários da Woods, interessados em não perderem o
público frequentador da casa noturna, criaram a WSBrazil, porém, com a proposta de tocar
ritmos que não fossem unicamente o sertanejo. Na figura a seguir, que mostra o palco em que
os shows são realizados, um dos artistas destaques da noite foi a cantora Dani Russo e sua
banda. O ritmo que a cantora performou é o funk e, de acordo com Marchioro, trazer músicos
que toquem estilos musicais variados e em alta é um dos objetivos da WSpace para atrair um
público mais amplo.

P á g i n a | 74
Figura 8: Palco para apresentação da WSpace.

Fonte: Site oficial WSpace - Álbum Dani Russo (2019).

Há sete anos atrás, a casa noturna se chamava WSBrazil e, no ano de 2018, o nome mudou
para WSpace. Essa mudança se deu porque, antigamente, o nome WSBrazil tinha o estigma de
uma casa noturna voltada unicamente para o samba, contudo, não era o objetivo da empresa ser
reconhecida dessa forma. Marchioro explica que o nome mudou para que a WS pudesse se
posicionar no mercado como uma balada que toca vários ritmos. Portanto, a alteração também
se tornou necessária para que a casa noturna fosse um ambiente convidativo a shows dos
gêneros musicais em alta, como o funk, sertanejo e pagode, além de agregar parceiros externos.
O “W” se manteve, de acordo com Marchioro, para que o público não perdesse a
familiaridade com a balada, e o Space está fundamentado na ideia de que a casa noturna é um
espaço compartilhado entre vários ritmos musicais. O logotipo da organização também foi
modificado, como indica a figura abaixo. A primeira imagem mostra o nome (WS Brazil) e
também um instrumento musical bastante ligado ao samba, o pandeiro. Já com a reestruturação
da marca, o logotipo ainda carrega o nome (WSpace), sem o pandeiro, e com as escritas: music,
drinks, fun - música, bebidas e diversão, em tradução livre -, o que demonstra a intenção da
balada em não ser reconhecida como uma casa de samba e, sim, como um lugar de múltiplos
ritmos.

P á g i n a | 75
Figura 9: Logotipos da WS antes e depois da mudança de nome, respectivamente.

Fonte: Produção própria a partir das imagens do Facebook da WSpace (2019).

O administrador da casa noturna também relatou que a WS passou por uma uma crise
de público em 2016/2017 e, consequentemente, houve perdas financeiras para a organização.
O momento de instabilidade se deu pelo fato de que, durante esse período, a WS atendia,
segundo Marchioro, somente o público C, o que diminuiu os lucros que a casa noturna recebia.
No ano de 2018, a WS se recuperou e voltou a atender o público B e C, fato que aumentou o
valor do ticket médio34, o que possibilitou que a organização tivesse, inclusive, novas marcas
de bebidas no cardápio. Em 2019 a casa noturna será reformada com o intuito de prestar um
serviço ainda melhor para o seu público.
Com o objetivo de sintetizar e organizar os fatos mais relevante na história da
organização de maneira cronológica, uma linha do tempo será apresentada a seguir.

34
O ticket médio é um indicador de desempenho que fornece o valor médio de vendas por cliente (MASSAD,
2018).

P á g i n a | 76
Figura 10: Linha do tempo com os fatos mais relevantes da WSpace.

Fonte: Produção própria (2019).

4.1.2. ANÁLISE SWOT

A matriz SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities and Threats), ou FOFA (Forças,


Oportunidades, Fraquezas e Ameaças) é uma ferramenta utilizada para estabelecer uma análise
do cenário em que uma empresa, produto ou serviço está inserido, utilizada como base para a
sua gestão e planejamento estratégico. Ela leva em consideração os ambientes interno e externo
e analisa suas forças, fraquezas, oportunidades e ameaças. Trata-se de um instrumento
importante no diagnóstico organizacional, pois define os principais aspectos mercadológicos

P á g i n a | 77
da empresa em questão através de um panorama geral (FERNANDES, 2015). A análise SWOT
da WSpace está listada a seguir.

Figura 11: SWOT.

Fonte: Produção própria (2019).

4.1.2.1. FORÇAS

De acordo com Djalma Oliveira (2007), uma força, ou ponto forte, é um diferencial de
uma determinada empresa ou produto que lhe proporciona vantagens em relação a seus
concorrentes. Trata-se de uma variável controlável pela organização, mas que implica em
consequências além de seu controle, ou seja, em todo o âmbito analisado (apud FERNANDES,
2015).
• Os DJs e artistas contratados pela empresa tocam os gêneros mais populares no país,
como o pagode, samba, sertanejo e funk. Isso faz desta casa noturna um local atraente
para um público bastante amplo;
• O reposicionamento da empresa, que ocorreu em setembro de 2018, também ampliou
as possibilidades de público-alvo, visto que a balada deixou de ser vista apenas como
uma casa de samba;
• A WSpace traz artistas bastante populares no país e com certa frequência, como
Molejo, Dani Russo, Rodolfinho, Jojo Toddynho e Bonde do Tigrão. Eles costumam
atrair bastante público e atingir a lotação máxima da casa com frequência;
• A balada atende tanto o público de classe C, mais numeroso na cidade, quanto o de
classe B, que tem maior poder aquisitivo e ticket médio;

P á g i n a | 78
• A WSpace possui uma boa localização, no bairro do Batel, um polo de bares, casas
noturnas e gastronomia de Curitiba. Naturalmente, isso atrai um público de maior poder
aquisitivo e influência social, por ser um bairro nobre;
• É uma casa noturna bem estabelecida, que completa 8 anos de existência em 2019, o
que transmite confiança aos seus frequentadores;
• O ticket médio, que é o consumo médio dos frequentadores da balada, é elevado,
com uma boa margem de lucro;
• A comunicação da empresa é pensada e direcionada de maneira diferente aos
públicos diversos da organização, como as classes B e C, o que garante uma eficiência
maior no diálogo;
• Eles possuem marcas conceituadas no cardápio, como a cerveja Heineken, e parcerias
de marketing com estas empresas. São produtos que também atraem uma clientela de
maior poder financeiro;
• O público que frequenta a WSpace, em média, é um pouco mais velho que de outras
baladas, o que também está relacionado a um maior poder aquisitivo e ticket médio;
• Os organizadores da casa conseguiram equiparar o público entre homens e mulheres
recentemente, por conta de incentivos para as mulheres. Este equilíbrio é importante
para continuar atraindo frequentadores de ambos os sexos;
• A WSpace apoia Organizações da Sociedade Civil, como a TETO e APAE, o que
agrega valor à imagem institucional;
• Segundo a empresa, os funcionários possuem treinamento para lidar com casos de
importunação sexual. Eles solicitam a ajuda da Polícia Militar, fazem os Boletins de
Ocorrência no local e retiram o agressor da casa;
• A gerente do local é uma mulher, algo que gera confiança e segurança por parte do
público feminino;
• A WSpace possui um espaço dedicado para o consumo de narguilé, sendo uma das
poucas baladas da região que atende a este público específico;
• A casa noturna será reformada em 2019, o que pode atrair um público maior e de
maior poder aquisitivo.

P á g i n a | 79
4.1.2.2 FRAQUEZAS

Uma fraqueza, segundo Djalma Oliveira (2007), é uma situação indesejada de uma
empresa ou produto, uma variável controlável, que lhe proporciona uma desvantagem
competitiva no ambiente em questão (apud FERNANDES, 2015).

• Por ser uma casa noturna com predominância de heterossexuais, pode afugentar alguns
públicos, como parte das mulheres (já que baladas do tipo são conhecidas por um número
maior de casos de importunação) e membros da comunidade LGBT;
• Casos de violência recentes podem ter afetado a imagem da casa noturna. Como
exemplo, uma briga em 2017, na qual a vítima precisou ser levada para a UTI, como
reportado em jornais da região (LUCIANO, 2017);
• Por vezes, o valor da entrada é elevado, assim, parte de um possível público busca
alternativas com valores mais acessíveis;
• O reposicionamento da marca ainda é recente, o que pode gerar confusão em algumas
pessoas.

4.1.2.3. OPORTUNIDADES

Para Djalma Oliveira (2007), oportunidade é uma força do ambiente incontrolável pela
empresa ou produto em análise, que, se devidamente aproveitada, pode lhe favorecer em seu
âmbito de atuação (apud FERNANDES, 2015).

• Com o fechamento da Shed, concorrente direto, a WSpace torna-se uma boa alternativa
para os seus frequentadores, ainda mais ao considerar a proximidade dos dois
estabelecimentos, ambos no mesmo bairro, o Batel. A mudança recente na identidade da
WSpace reforça mais ainda proximidade com o que era o perfil da Shed;
• Apesar de prestar apoio a algumas causas sociais, como por meio de doações a TETO
e a APAE, isso não é devidamente divulgado ou utilizado a favor da imagem institucional
da organização. É possível comunicar melhor estas ações para toda a sociedade, tanto
para melhorar a imagem da casa quanto atrair um apoio maior às causas apoiadas;
• A criação da lei de importunação sexual pode ser uma oportunidade para combater os
casos do tipo que ocorrem na WSpace, já que, agora, existem punições mais rígidas;
• A lei de importunação sexual também pode servir de tema para campanhas de
comunicação da empresa, a fim de conscientizar seus frequentadores e funcionários sobre
esta questão.

P á g i n a | 80
4.1.2.4. AMEAÇAS

Uma ameaça, de acordo com Djalma Oliveira (2007), é uma fraqueza do ambiente
incontrolável pela empresa ou produto em questão, que promove obstáculos ou dificuldades em
seus objetivos. Ela pode ou não ser evitada, o que também depende da atuação da organização
(apud FERNANDES, 2015).

• A onda de fechamentos de casas noturnas que se iniciou em 2016, com o fim da Vox,
Cats e, mais recentemente, a Shed, advinda do desinteresse do público nesse tipo de
estabelecimento (MOSER, 2018);
• A crise econômica no país afetou o poder de compra e consumo dos principais públicos
da organização, que tendem a visitar o local com menor frequência e consumir menos em
suas dependências;
• É notável uma fidelidade menor do público com as casas noturnas no geral, o que
resulta em visitas ocasionais e com menor frequência (MOSER, 2018);
• Temáticas como importunação sexual e assédio não costumam ser abordadas na
maioria das casas noturnas, o que pode dificultar a implementação de ações de
conscientização;
• A comunicação da Wspace em suas mídias sociais, como o Facebook e o Instagram,
dificulta propostas de cunho social, visto que o foco está na divulgação dos eventos da
casa e o perfil de seus frequentadores.

4.1.3 CANVAS

O Business Model Canvas, proposto inicialmente por Alexander Osterwalder com base
no seu trabalho anterior sobre Business Model Ontology35 (MARCOS, 2018), mais conhecido
como Canvas, é descrito pelo portal do Sebrae do Paraná (2018) como uma ferramenta de
planejamento estratégico, que permite desenvolver e esboçar modelos de negócio novos ou até
mesmo existentes, como é o caso da empresa para a qual o projeto está sendo desenvolvido.
Geralmente apresentado de forma visual, conforme abaixo, o Canvas é formado por nove
blocos, são eles: proposta de valor, o que a empresa oferece para o mercado que realmente tem
valor; segmento de clientes, quais grupos de públicos são foco da empresa; os canais, como é

35
Abordagem ontológica combinada com a ciência do design para desenvolver um “modelo de tela (canvas) de
governança pública”, que se propõe a descrever mecanismos de governança em determinada iniciativa pública
(MARTINS; MOTA; MARINI, 2019, p. 49).

P á g i n a | 81
possível chegar até a empresa, como ela compra e recebe seu produto e serviço; relacionamento
com clientes, como a empresa se relaciona com cada segmento; atividade chave, quais são as
atividades essenciais para que seja possível entregar a proposta de valor; recursos principais,
são os recursos necessários para realizar as atividades chave; parcerias principais, são as
atividades chave realizadas de maneira terceirizada e os recursos principais adquiridos fora da
empresa; fontes de receita, são as formas de obter receita por meio de propostas de valor;
estrutura de custos, são os custos relevantes necessários para que a estrutura proposta possa
funcionar (SEBRAE, 2018).
Figura 12: Business Model Canvas.

Fonte: Produção própria (2019).

A proposta de valor de uma empresa está atrelada a uma solução oferecida pela
instituição para um problema em potencial que pode afetar um segmento social, em específico:
os clientes com os quais tal instituição trata diretamente (BORGES, 2018). Carolina Borges
(2018) destaca que essa solução pode ser ofertada por meio de um produto ou serviço em
específico que a instituição em si provém, e passa a poder resolver um problema de forma direta
ou oferecer uma alternativa para o consumidor.
A proposta de valor promovida pela WSpace objetiva oferecer um local de entretenimento
que busca atingir um público majoritariamente das classes C e B. O ambiente, que está
localizado em um bairro nobre de Curitiba, conta com um espaço exclusivo para o consumo de
narguilé, servindo como uma oportunidade de local a ser frequentado por usuários. Na casa

P á g i n a | 82
noturna ocorrem festas com temas voltadas a variados gêneros musicais, normalmente
nacionais, o que torna a ocorrência de shows de artistas de sucesso recorrente para atrair um
grande público.
O bloco segmentos de clientes representa um pensamento prioritário para uma
organização, visto que são o público para qual o produto ou serviço é constituído (BORGES,
2018). Os clientes podem provocar mudanças consideráveis em diferentes aspectos da
organização, caso isso promova um aumento ou manutenção do público consumidor, como
reformas, alterações em políticas, ou, no caso de uma casa noturna, a contratação de DJ’s em
específico, ou convidados especiais para fazerem apresentações em eventos. A WSpace alcança
diferentes segmentos, em classes sociais, faixas etárias e localização, além de intenções. Os
consumidores desse estabelecimento têm entre 20 e 35 anos; são das classes B e C; e têm como
objetivo encontrar um ponto de encontro no qual seus gostos musicais, principalmente o
sertanejo e o funk, ganham mais espaço.
Todos os pontos de contato com o cliente que possam gerar venda ou ajudar a tornar a
marca, serviço ou produto conhecido, sejam locais físicos ou digitais - estes são os canais
(BORGES, 2018). Aqui podem ser listadas as redes sociais, pontos de venda, site, folhetos ou
propagandas em diferentes mídias. A WS possui como principais canais, o site oficial da
organização, em que disponibiliza a agenda dos eventos, as atrações, os horários e os valores.
Além disso, a casa noturna está presente tanto no Facebook, que possui, aproximadamente 105
mil seguidores; como também no Instagram, atualmente com 46 mil seguidores. Como apoio,
a organização também utiliza o WhatsApp, para sanar dúvidas dos clientes e colocar o nome
nas listas.
O relacionamento com o cliente, de certa forma, também depende dos canais utilizadas
pela empresa. Porém, para Carolina Borges (2018), o relacionamento vai além e está ligado
diretamente à fidelização do consumidor, pois se trata de uma visão geral de todo o atendimento
ao cliente, desde o primeiro contato, que passa pela divulgação do serviço ou produto, a
concretização da compra, até o pós compra. Apesar de Marchioro informar, durante uma das
visitas ao local, que muitos dos frequentadores possuem algum tipo de lealdade à WS, não foi
mencionada ou identificada nenhuma ação de fidelização propriamente dita, desta forma, a
partir das informações que a equipe recebeu, o relacionamento da empresa com seus clientes
pode estar restrito aos canais mencionados anteriormente.
Um dos tópicos mais racionais do Canvas é a fonte de receita, pois é a parte em que se
analisa a distribuição de recursos que mantêm o negócio em funcionamento (BORGES, 2018).

P á g i n a | 83
Para Carolina Borges (2018), os recursos provenientes das vendas são os principais, porém,
outros lucros podem ser obtidos das parcerias e, ainda, de financiamentos privados ou familiar.
Desta forma, a principal fonte de receita da WS está no valor cobrado na entrada da casa, sendo
o ingresso feminino R$10,00 até 23:30 horas, após esse horário o valor dobra. Já a entrada
masculina custa, atualmente, R$20,00 até 23:30 horas e, da mesma forma, dobra após esse
horário. O consumo de bebidas no local também é importante para obtenção de renda, visto
que, segundo Marchioro, é possível que um cliente que fique na área VIP gaste de R$500,00 a
R$2.000,00 durante a noite.
Para Carolina Borges (2018), os recursos chave, ou recursos principais, são os
investimentos prioritários que a organização fará para a execução de sua proposta de valor e a
manutenção do negócio, também chamando a atenção de sua clientela. Toda a estrutura física
e humana para a viabilização do negócio é contabilizada, como o ambiente que a organização
se estabelece, todos os equipamentos necessários para a execução de suas propostas, aparelhos
para armazenamento de matérias-primas ou alimentos, os funcionários responsáveis por efetuar
o serviço, e os encarregados da manutenção limpeza e segurança do local.
Os recursos chave dessa casa noturna são o espaço em que ela se encontra, com a pista
de dança, além das salas VIP, o bar, com os freezers e geladeiras para bebidas e o espaço onde
o DJ pode usar sua mesa de som e ferramentas para fazer seu trabalho. Os funcionários
responsáveis pela limpeza do local, os barmans, que preparam as bebidas, os seguranças, que
cuidam da pista de dança e de outros ambientes, como as salas VIP, e o próprio DJ, que oferece
as músicas para a casa noturna durante o evento, fazem parte dos recursos humanos da
organização.
As atividades chave, ou atividades principais, envolvem os procedimentos principais da
instituição para ofertar seus produtos e/ou serviços, do que é diretamente ligado à oferta a
serviços que auxiliam o consumidor a usufruir do estabelecimento, como todos os processos de
fabricação de um produto até ele ser disposto à venda, o treinamento de novos funcionários e
as atividades que envolvem o serviço ofertado, além de incluir procedimentos como descarte
de matéria prima e manutenção de maquinário e equipamento (BORGES, 2018).
No caso da WSpace, as suas atividades principais envolvem a disponibilização da pista
de dança, com um DJ contratado para tocar playlists dos gêneros musicais que a casa noturna
busca utilizar. Além da pista, ela também efetua a venda de bebidas alcoólicas e não-alcoólicas,
a preparação de bebidas especiais feitas por barmans, oferecimento de uma equipe de
seguranças para manter a ordem no local, e a oferta de camarotes para clientes que estejam

P á g i n a | 84
dispostos a pagar mais para aproveitar o ambiente sem contato direto com o público na pista de
dança principal.
Outro fator importante para a manutenção de um estabelecimento é a presença dos
parceiros chave, ou parceiros principais, que podem ser de diferentes áreas, de fornecimento
de materiais a prestadores de serviços terceirizados, mas principalmente aqueles que possuem
um contato mais próximo com a instituição (BORGES, 2018). Os parceiros principais da
WSpace envolvem terceirizados, como os serviços de segurança, limpeza e os próprios DJ’s,
além de agências que possibilitam a presença de artistas populares para shows e fornecedores
das bebidas consumidas no estabelecimento, e os fornecedores de bebidas, que são envolvidos
com um dos pontos da casa noturna que mais provém lucro, os drinques, que, por sua vez, têm
um investimento maior em uma seleção de bebidas com uma maior amplitude. Outros parceiros
importantes são as marcas de bebidas, que segundo Marchioro, pagam uma porcentagem, não
especificada, para serem disponibilizadas no local.
Os custos gerais, ou estrutura de custo, são os investimentos monetários que estão
necessariamente ligados às atividades de produção de bens e prestação de serviços de uma
instituição, e eles são categorizados como diretos ou indiretos. A aquisição de matéria-prima,
mão de obra, consumos de energia e depreciação de equipamentos geram custos diretos, que
possuem uma ligação com a fabricação dos bens e produtos providos pela organização. Os
gastos indiretos, por sua vez, têm envolvimento com a gerência e planejamento, aquisição de
ferramentas, manutenção de equipamentos, almoxarifado, entre outras tarefas (SITE
CONTÁBIL).
Para uma casa noturna como a WSpace, o custeamento começa com os custos diretos,
como eletricidade, água, telefone para a rede sem fio, gastos com a iluminação, compra de
bebidas e ingredientes para coquetéis, além da contratação dos funcionários terceirizados
responsáveis pela limpeza, segurança, o barman e os DJs, que fazem a seleção de músicas da
noite. Fora esses tipos de gastos, também há gastos com a contratação de artistas para eventos
especiais, a administração da casa noturna, e os recursos investidos na reforma do local.

4.2. PÚBLICOS E DADOS ESTATÍSTICOS

Para Fabiane Altíssimo (2013), o primeiro passo para qualquer estratégia em


comunicação é buscar conhecer a fundo quem se quer atingir. Para o bom funcionamento de
uma organização, a consciência dos seus diversos públicos é essencial para que qualquer ação
aconteça de forma efetiva, afinal, são eles a sua razão de ser, assim como, é deles o poder de a

P á g i n a | 85
manter ou a destituir no meio organizacional. Dessa forma, antes de entrar de fato no estudo do
público de interesse, serão detalhados todos, ou a maioria, dos públicos que podem ser
estratégicos ao se trabalhar o tema da importunação sexual na organização citada anteriormente.

4.2.1 PROPRIETÁRIOS

Os proprietários de uma instituição têm como responsabilidades, além da abertura do


estabelecimento, a observação da tributação, como ICMS, IPI, Cofins, Contribuição Social
sobre Lucro Líquido, o IRPJ, entre outros. Eles também são responsáveis pela admissão e
demissão de funcionários, junto a possíveis exames que envolvam entrada e saída deles e pelo
envio de declarações, relatórios entre outros dados trabalhistas, fiscais e contábeis para as
instituições que as averiguam (CONUBE, 2017). O proprietário possui uma voz de comando
respeitada pelos gestores, com influência e decisão em diversos aspectos se, necessário,
incluindo apoio e poder decisório em vários tipos de campanhas, inclusive as de interesse
público.

4.2.2 GESTORES

Os gestores são frequentemente responsáveis pelos prazos, orçamentos e motivação dos


funcionários, utilizando uma visão estratégica para alcançar os objetivos almejados pelos
proprietários. Além disso, ainda possuem um grande poder de tomada de decisão (SANDER,
2017). Para o portal RH Xerpa (2018), o gestor é mais do que um simples chefe para sua equipe,
e, sim, um verdadeiro líder que é capaz de guiar seu time. Ele ainda possui um importante papel
na adoção da cultura organizacional por todos, o que mostra a sua relevância dentro da
organização no momento em que o assunto é a adoção de diretrizes comunicacionais voltadas
para assuntos de interesse público, como é a temática de importunação sexual.

4.2.3 FUNCIONÁRIOS

Organizados por hierarquia, setores e áreas de atuação, os funcionários de uma empresa


possuem o importante papel de garantir o seu funcionamento. Em casas noturnas, o trabalho
que se inicia na organização do evento, muitas vezes, se estende até a manhã do dia seguinte.
A interação com o público é inevitável, portanto, é necessário que os funcionários passem por
treinamentos que permitam lidar com diversas situações. Em 2018, o Festival Coquetel
Molotov, não registrou nenhuma denúncia de abuso durante o evento, e tal feito se deu por

P á g i n a | 86
atividades desenvolvidas pelo grupo de consultoria especializada, Women Friendly, que, entre
elas, estava o treinamento prévio da equipe (DIAS, 2019). Peri Dias (2019) reforça que é preciso
desconstruir na cabeça das equipes a ideia de que quem paga tem direito a fazer o que quiser.
Assim, em casos de importunação sexual, é importante que aqueles que trabalham no local
saibam identificar o crime e a maneira mais adequada de coibir o ato.

4.2.4 CLIENTES

No presente estudo, os frequentadores de casas noturnas são identificados como os


clientes. Nos estados do Paraná e Santa Catarina, quem frequenta esses estabelecimentos
possui, em sua maioria, entre 18 e 30 anos (MUNIZ; ROCHA, 2011). Manter um
relacionamento de confiança e fidelidade entre a organização e os seus frequentadores é um
elemento fundamental para a sua existência, visto que a quantidade de pessoas em cada noite
pode ser um modo de avaliar o seu sucesso. Esses jovens, ao frequentar casas noturnas,
movimentam setores econômicos que não estão diretamente ligados ao ramo de eventos, como
cosméticos, vestuário, transporte, entre outros (MUNIZ; ROCHA, 2011). Por conta da
abrangência de áreas nas quais este público circula, as perspectivas de como e onde afetá-los
pode ser expandida, todavia, relacioná-los com a temática de importunação sexual deve ser feito
de maneira meticulosa. O desafio em atingir os clientes de uma casa noturna se deve ao fato de
que, dentro deste público, se enquadram os agressores, as vítimas e os espectadores, portanto,
a abordagem deve ser assertiva.

4.2.5 PARCEIROS

O parceiro de negócios fornece seus materiais e/ou serviços para a empresa, mas não
apenas com a intenção de uma retribuição em dinheiro a curto prazo. Quem cria uma parceria
com uma instituição investe em seu potencial e capacidades, de forma a buscar resultados no
futuro (SANTOS, 2011). É instituído um relacionamento entre ambas as organizações, com a
intenção de produzir lucro a longo prazo. No caso de um projeto de interesse público, como o
combate à importunação sexual, os parceiros podem ser propagadores da mensagem, além de
reforçarem a campanha, caso seja de interesse.

P á g i n a | 87
4.2.6 TERCEIRIZADOS

A contratação de funcionários terceirizados pode ocorrer com a intenção de manter o foco


da equipe principal na atividade principal da organização, de forma a manter uma produtividade
eficiente e uma otimização no tempo da efetivação dos serviços (ASTER SEGURANÇA E
FACILITIES, 2015). No caso do segmento de casas noturnas, a equipe de segurança pode ser
contratada de acordo com a demanda, assim como profissionais essenciais para o
funcionamento do local, como barmans, fotógrafos, músicos e DJ’s. Originalmente, com
apenas a intenção de reduzir custos, efetuar subcontratações eram uma alternativa para as
instituições conterem as suas finanças, mas esse tipo de trabalhador tornou-se uma alternativa
prática, pois, ao acumular experiências em uma área com diversas organizações diferentes, o
terceirizado pode ter maior praticidade e eficiência ao trabalhar, o que torna o seu rendimento
maior, e em alguns casos, possibilita a sua contratação na organização (GRUPO SERES, 2019).
Ao analisar o contexto das casas noturnas, esses trabalhadores podem ter diferentes papéis em
uma campanha de interesse público, pois podem ser aplicadores do viés prático das ações, seja
na distribuição de material e na vocalização dos ideais ou como um impulsionador do alcance
dela, caso um DJ famoso dê suporte, por exemplo.

4.2.7 CONCORRENTES

Assim como a análise de campanha realizada como repertório, a análise de concorrentes


é algo primordial em uma organização, visto que se trata de um público que sempre deve ser
estudado. Para Pedro Werneck (2018), manter esse relacionamento é essencial,
independentemente de a organização iniciar ou otimizar uma estratégia. O autor ainda destaca
a importância de se identificar corretamente esse público e estar atento às estratégias já
utilizadas por eles. Para o direcionamento correto do projeto, vale ressaltar ações realizadas ao
tema abordado, como, por exemplo, as frequentes publicações do bar Sláinte Beer Garden nas
redes sociais e suas repercussões positivas.

P á g i n a | 88
Figura 13: Sem o sim, tudo é assédio.

Fonte: Sláinte Beer Garden (2019).

4.2.8 IMPRENSA

A imprensa tem grande importância para uma organização, uma vez que possui ampla
influência na opinião pública. Dessa forma, ações inadequadas de instituições podem chegar
aos jornais, e isso acarretar em importantes revelações, como informações a respeito dos casos
de assédio sexual ocorridos na Google, em 2018, atingirem alcance mundial após o jornal New
York Times fazer uma reportagem a respeito da proteção que a empresa deu a um alto executivo
acusado de assédio (LAVADO, 2018). Em uma ação de interesse público, a imprensa pode
efetuar na divulgação indireta, de forma a promover a ação que a instituição irá realizar, e
provocar o interesse do público que consome o veículo comunicativo.

4.2.9 CONSULTORES / ESPECIALISTAS

Especialista é uma pessoa que possui grande conhecimento teórico ou prático em


determinado assunto (MICHAELIS, 2019). Muitos especialistas atuam como consultores, o que
é muito importante quando uma organização busca desenvolver ações comunicacionais, que
não fazem parte da sua área de atuação original. Além disso, este profissional ainda consegue

P á g i n a | 89
ter uma visão mais ampla da organização, ao vê-la de fora e com um olhar estratégico
(ROVINA, 2018). Para o projeto em questão, é interessante pensar na relação com especialistas,
tanto aqueles ligados às vítimas de importunação sexual, quanto aos que estão mais
relacionados ao comportamento dos clientes de um bar ou casa noturna.

4.2.10 PODER PÚBLICO

Apesar de ser mais importante em alguns setores do que em outros, as relações com o
governo, também chamadas de assuntos públicos, são benéficas para todas as organizações,
principalmente para aquelas pertencentes a setores altamente regulados e não devem ser
negligenciadas (ARGENTI, 2014, p. 80). Ao se trabalhar um tema delicado e de interesse
público, como importunação sexual, é considerável que a organização esteja alinhada com o
poder público, para conhecer e estar de acordo com os limites estabelecidos por este,
previamente, e também saber de que forma pode ser apoiada.

4.3 PÚBLICO DE INTERESSE

Por se tratar de um tema caracterizado como crime, o mesmo necessita de um certo


cuidado ao se estabelecer o seu público de interesse. Dessa forma, para entender melhor qual o
público da campanha, será utilizada uma pesquisa exploratória para obtenção dos dados
primários36, pois possibilita que sejam empregados métodos mais flexíveis, já que o objetivo é
levantar informações e não obter conclusões estatísticas (ABEL; PATAH, 2017).
Com o intuito de realizar uma segmentação mais assertiva e conhecer melhor o público e
sua relação com o tema abordado pela campanha, será feito uso de uma abordagem
quantitativa37, com a utilização de um questionário disponibilizado online, com amostra não
probabilística38; e posteriormente uma abordagem qualitativa39, através de entrevistas com
pessoas vítimas de importunação sexual que deixaram um meio de contato após preencher o
questionário online. O universo de pesquisa proposto em ambos os casos é formado por homens

36
Os dados primários são aqueles obtidos através de pesquisa de campo, com entrevistas e questionários, coletados
objetivando conhecer a opinião de um determinado público para um estudo em questão (UPLEXIS, 2016).
37
Abordagem utilizada normalmente para validar estatisticamente uma hipótese através de questionários e/ou
análise de resultados (D’ANGELO, 2018).
38
Também conhecida como amostra por conveniência, a mesma é obtida selecionando a parte do universo proposto
que estiver acessível (OCHOA, 2015).
39
Abordagem utilizada normalmente pelas ciências humanas e sociais, que utiliza-se de métodos experimentais e
amostrais para de obter resultados (OLIVEIRA, 2008).

P á g i n a | 90
e mulheres; entre 18 e 35 anos, faixa de idade apresentada como público pela organização que
assina a campanha; estudantes universitários, em sua maioria da Universidade Tecnológica
Federal do Paraná (UTFPR); residentes em Curitiba, Paraná; pertencentes a qualquer uma das
classes sociais, pois, como apresentado no capítulo 1 deste projeto, todas as classes sociais
relataram casos de importunação sexual desde que a lei foi sancionada.
Na última etapa do questionário, as vítimas de importunação e assédio sexual
encontravam um espaço que permitia que deixassem um meio de contato para que a equipe
retornasse e realizasse uma entrevista. Pois, assim como as pessoas que podem vir a sofrer
importunação, aquelas que já sofreram podem ser consideradas um público da campanha
publicitária a ser desenvolvida.

4.3.1 QUESTIONÁRIO

Conhecer os públicos com que se deseja trabalhar é fundamental para o sucesso de


qualquer organização, pois, ao identificar o grupo alvo, as campanhas e demais ações
comunicacionais serão mais assertivas (THOMÉ, 2016). Para Mendelson Thomé (2016), uma
maneira eficiente de compreender como pensa e se comporta seu público, é a utilização de um
questionário personalizado e, através deste, uma análise detalhada das respostas obtidas. Ao
definir o método a ser utilizado, o questionário disponibilizado online entre os dias 8 e 26 de
maio de 2019, sob o nome “pesquisa com universitários de Curitiba sobre importunação
sexual”, atingiu 550 respostas e os dados coletados serão apresentados adiante.
Com base na escolha da organização, o questionário foi direcionado a estudantes
universitários, estes que possuem um perfil semelhante aos frequentadores de uma casa noturna.
A primeira etapa do questionário visava a confirmação de alguns dados já definidos ou obtidos
com base em dados secundários. Dessa forma, cerca de 93% do público que respondeu à
pesquisa possui entre 18 e 35 anos de idade; quase 62% são do sexo feminino; como orientação
sexual, 68,7% são heterossexuais e quase 20% se identificam como bissexuais; por se tratar de
um público universitário, cerca de 67,5% responderam ser estudantes da UTFPR.

P á g i n a | 91
Figura 14: Questionário - Idade.

Idade

390; 71% 99; 18%


Menor de 18 anos
Entre 18 e 24 anos

26; 5% Entre 25 e 30 anos


Entre 31 e 35 anos
23; 4%
Maior de 35 ano
12; 2%

Fonte: Produção própria (2019).

Figura 15: Questionário - Gênero.

Gênero
205; 37% 5; 1%

Feminino
Masculino
Prefiro não responder

340; 62%

Fonte: Produção própria (2019).

Figura 16: Questionário - Orientação sexual.

Orientação sexual
378; 69%

Heterossexual
43; 8% Homossexual
Bissexual
Prefiro não responde
109; 20% Outros

4; 0% 16; 3%

Fonte: Produção própria (2019).

P á g i n a | 92
Figura 17: Questionário - Instituições de ensino.

Instituição de Ensino

35; 6%
371; 67%
UTFPR
25; 5% UFPR
PUC-PR
Outras
119; 22%

Fonte: Produção própria (2019).

Ao seguir com o questionário, para auxiliar no planejamento de mídias que será utilizado
na campanha posteriormente, foi adicionado uma pergunta, de múltipla escolha, para que as
pessoas apontassem quais as mídias mais comuns quando buscam se informar. Esta pergunta
mostrou que a maioria das pessoas usam ao menos uma das redes sociais, como Facebook,
Instagram e Twitter, quando o assunto é se informar; cerca de 58% das pessoas utilizam jornais
ou revistas, online ou impresso; 43,6% usam canais informativos do YouTube; 37,9% das
pessoas utilizam a televisão; e quase 20% utilizam os televisores dispostos no transporte
público, sistema operado em Curitiba pela organização TV do Ônibus.

Figura 18: Questionário - Mídias.

Fonte: Produção própria (2019).

A terceira parte do questionário apresentava três questões chave, a primeira delas buscava
identificar o conhecimento a respeito da diferença entre importunação sexual com assédio
sexual, quanto a isso, cerca de 50% das pessoas não sabem diferenciar. Também, com o

P á g i n a | 93
cruzamento de dados coletados dos resultados do questionário, foi possível analisar que 60,9%
das vítimas não sabiam a diferença entre os dois tipos de abuso. Na segunda pergunta foi
questionado sobre ter ou não sofrido assédio ou importunação sexual, e para evitar incertezas,
as opções possuíam uma breve definição de cada agressão. Dito isso, cerca de 36% declararam
já ter sofrido importunação sexual, 5,5% assédio e quase 20% já passou por ambas as situações;
a terceira pergunta se referia ao fato de conhecer alguém que já sofreu algum dos tipos de abusos
citados, a resposta a essa pergunta foi que, quase 29% das pessoas conhece alguém que já sofreu
importunação, 12,7% que tenha sofrido assédio e 31,6% que já se deparou com ambas as
situações.

Figura 19: Questionário - Diferença.

Você conhece a diferença entre Assédio


e Importunação sexual?
273; 50%

Sim
Não

277; 50%

Fonte: Produção própria (2019).

Figura 20: Questionário - Já foi vítima?

Você já foi vítima de algum destes


abusos?
109; 20%

Sim. Importunação Sexual


30; 5%

Sim. Assédio Sexual

Sim, Assédio e
Importunação Sexual

199; 36% 212; 39% Não

Fonte: Produção própria (2019).

P á g i n a | 94
Ao identificar que quase 80% daqueles que responderam o questionário já foram vítimas
de algum dos crimes listados, foi realizado um cruzamento de dados para destacar demais
características desse grupo. Assim, com base nas 307 respostas daqueles que revelaram ter
sofrido importunação sexual ou assédio e importunação sexual, foi constatado que quase 80%
identificam-se com o gênero feminino.

Figura 21: Questionário – Perfil das vítimas de importunação sexual.

Perfil da vítima de importunação*

241; 79%
Feminino

Masculino

65; 21%

*Vítimas de importunação sexual são aqueles que informaram ser vítimas de


importunação e assédio e importunação.
Fonte: Produção própria (2019).

Figura 22: Questionário - Você conhece?

Você conhece algém que já foi vítima?


57; 27%
61; 29%
Sim. Importunação Sexual

Sim. Assédio Sexual

Sim, Assédio e
Importunação Sexual
67; 31% Não

27; 13%

Fonte: Produção própria (2019).

Mais adiante, o questionário levantou os dados referentes aos locais onde os casos de
importunação e assédio são mais recorrentes, porém, para isso, houve uma separação entre o
público que diz conhecer alguém que sofreu e aqueles que já sofreram esse tipo de violência.

P á g i n a | 95
Dentre o primeiro grupo, mais de 55% das pessoas apontaram uma casa noturna como local de
importunação, o que reforça a necessidade de participação da organização apresentada
anteriormente diante do tema; 53% o transporte público; e quase 40% dos casos ocorrem em
demais locais públicos. Para esse mesmo grupo, 35,7% dos casos de assédio ocorrem no
trabalho; 28,7% na escola ou faculdade; e 53% dos casos ocorreram em demais locais não
listados.
Figura 23: Questionário - Você conhece/local importunação?

Fonte: Produção própria (2019).

Figura 24: Questionário - Você conhece/local assédio?

Fonte: Produção própria (2019).

A parcela do público que se declarou vítima apresentou, não somente os mesmos locais,
como também números semelhantes àqueles que presenciaram a violência ocorrer com
terceiros. A casa noturna foi citada como o local mais frequente para os casos de importunação
sexual, por 59% das pessoas; 52,9% apontaram o transporte público; e 41,6% demais locais
públicos. Para os casos de assédio, esse público declarou um quase empate, pois 28,1%
ocorreram no trabalho, enquanto 27,6% na faculdade ou escola.

P á g i n a | 96
Figura 25: Questionário - Local da importunação.

Fonte: Produção própria (2019).

Figura 26: Questionário - Local assédio.

Fonte: Produção própria (2019).

O comportamento da vítima após o ocorrido foi abordado em quatro perguntas. Na


primeira delas, mais de 60% do público que teve acesso ao questionário afirmou que ninguém
no local notou o ocorrido, enquanto 32,5% dizem que as pessoas no local notaram, porém não
fizeram nada; na segunda pergunta, o resultado foi preocupante, pois quase 96% das vítimas
relatam a falta de denúncia; já a terceira pergunta reforça ainda mais a preocupação, visto que
a pequena parcela que diz ter realizado a denúncia, relatou que as autoridades, em sua maioria,
agiram de forma constrangedora ou negligente.

P á g i n a | 97
Figura 27: Questionário - Alguém interveio?

Alguém no local inrerveio?


Ninguém notou
204; 60%
9; 3% Notou, mas não fez nada

1; 0% Interveio

Interveio e chamou as
14; 4%
autoridades
Prefiro não dizer

110; 33%

Fonte: Produção própria (2019).

Figura 28: Questionário - Houve denúncia?

Você denunciou o abuso?


324; 96%

Não

Sim

14; 4%

Fonte: Produção própria (2019).

Figura 29: Questionário - Como as autoridades procederam?

Como as autoridades procederam?

3; 1% De forma eficaz

3; 1% Não souberam como proceder

12; 4% De forma costrangedora ou negligente

5; 1% Prefiro não responder

Não denunciei
315; 93%

Fonte: Produção própria (2019).

P á g i n a | 98
A quarta questão sobre após o ocorrido aborda os motivos que levaram a vítima a não
realizar a denúncia. Dentre as diversas razões listadas, em uma questão de múltipla escolha, se
destacou o fato de que 30% não identificou o ocorrido como importunação sexual, o que ressalta
a carência de ações informativas sobre o crime. O que também reforça essa necessidade é que
29,5% das pessoas não sabiam a quem denunciar ou tiveram vergonha da exposição; 20% das
vítimas tiveram medo; 17,3% disseram não ter identificado como assédio; enquanto 9,8%
apresentaram sentimento de culpa; porém, o motivo mais recorrente, foi o descrédito que
poderia sofrer ao buscar ajuda especializada, citado por 37%.

Figura 30: Questionário - Não houve denúncia.

Fonte: Produção própria (2019).

4.3.2 ENTREVISTAS

As entrevistas também podem ser uma ferramenta valiosa para ajudar na adaptação do
conteúdo para as devidas personas40, ao pensar o tom, tamanho, tipo e nível técnico necessário
para cada uma delas (EGGER, 2017). Sendo assim, foram realizadas com pessoas que já
sofreram importunação sexual, para entender sobre como desenvolver uma campanha
relacionada ao tema que não aparente ser apelativa e nem estar explorando algo ruim ocorrido
com esse público.
Conforme preparação proposta por Carolina Egger (2017), foi criado um roteiro para as
entrevistas, seguindo as particularidades de cada pessoa, todos foram informados previamente
sobre o tema que seria abordado; o local e horário foi decidido de acordo com a vontade do

40
Persona é a representação fictícia do cliente ideal de um negócio. Ela é baseada em dados reais sobre
comportamento e características demográficas dos clientes, assim como suas histórias pessoais, motivações,
objetivos, desafios e preocupações (SIQUEIRA, 2019).

P á g i n a | 99
participante para que estivesse mais confortável; assim como foram realizadas de maneira
individual; desta forma, também não houve gravação de áudio, já que as pessoas estão
propensas a não serem verdadeiras quando são gravadas (EGGER, 2017). Vale ressaltar que
para obtenção dos dados esperados, foi utilizado o padrão de entrevistas semiestruturadas41. Os
dados obtidos durante esta etapa serão detalhados a seguir e todos os nomes dos participantes
foram alterados em respeito à privacidade da vítima.
A equipe realizou nove entrevistas com estudantes universitários de diferentes cursos e
instituições de ensino que deixaram seus contatos ao responder o questionário. Um fato que
chamou a atenção, foi que apenas uma pessoa do sexo masculino se dispôs a contar a situação
que passou, e acredita-se que isso se deve principalmente pela pressão imposta sobre os
homens42, não permitindo que admitam que foram violados, visão explorada previamente no
projeto, o que intensifica a importância do relato. Os outros oito relatos provieram de mulheres,
de idades e realidades variadas, infelizmente, em todas essas oito conversas, as vítimas
relataram que sofreram casos de importunação mais de uma vez e em diferentes lugares.
O assunto foi abordado da maneira mais sensível que a situação permitiu, afinal, cada
história é única e cada ocorrência de importunação é marcante emocionalmente. Foi relatado
por mais de uma vítima as consequências desse abuso, como a insegurança, que passa a fazer
parte do cotidiano, cada escolha de roupa deve ser feita com cuidado, “sempre penso em uma
maneira de me passar despercebida” contou Carol, de 36 anos. Elas evitam sair para lugares
que ficam cheios e em locais que o contato físico é inevitável, como baladas, elas já esperam a
próxima importunação que vão sofrer. A culpa é outro fator preocupante descrito pelos
entrevistados, algumas das mulheres acreditam que a agressão poderia ter sido evitada se não
estivessem usando uma calça justa ou um batom no ônibus.
Ao serem questionados de como lidaram com o ocorrido, as respostas foram diversas,
cada vítima reagiu de uma maneira e relataram que o local da ocorrência e com quem estão
acompanhados influencia diretamente a reação. No caso de Milena, que estava sozinha em um
táxi à noite, assim que teve a oportunidade, saiu correndo do carro. Jéssica, que foi importunada
em um ônibus enquanto estava com sua mãe, contou que ficou completamente sem reação e só
conseguiu comentar sobre o que aconteceu quando estavam longe demais. Carol contou que
depois de ter passado por algumas situações em que foi vítima no transporte público, ela já não

41
A entrevista semiestruturada tem início com tópicos genéricos e segue com perguntas que respeitam o tempo
do entrevistado e deixar que a conversa siga da forma mais natural possível (KENOBY, 2018)
42 A responsabilidadeapresentada pela ideologia patriarcal como uma pressão social sobre o homem, gerada pela
imposição de papéis que, quando não cumpridos, põem em xeque sua masculinidade (FREITAS, 2009).

P á g i n a | 100
lida com tanta calma e busca chamar a atenção do agressor, expondo para a todos que estão ao
redor. Já Lucas, que é heterosexual, estava em uma edição da parada LGBT com amigos no
momento em que foi tocado indevidamente, mesmo após ter recusado as investidas do agressor,
contou que sua reação foi a de tentar afastar do importunador e também precisou sair de em que
estava.
Nos relatos foi possível identificar alguns pontos em comum, especialmente em relação
aos locais onde as ocorrências aconteceram, os entrevistados comentam que os casos ocorreram
predominantemente em casas noturnas, transporte coletivo e festas universitárias. “na balada
sempre acontece né?”, “o ônibus sempre tá cheio, então acontece direto”, essas frases ditas por
duas das entrevistadas expressam a naturalidade que as ações de importunação são encaradas,
já que, muitas vezes, são vistas como algo que faz parte do cotidiano e que não existe nada que
pode ser feito para evitar essas ações. Entretanto, buscamos mostrar que esses atos têm
consequência e que não é a vítima que deve evitar os casos.
Assim, ao serem questionadas sobre o conhecimento dos seus direitos quando vítimas das
situações de importunação sexual, todas as pessoas afirmaram que não que tinham ciência de
uma lei que punisse atos de importunação sexual antes de participarem da pesquisa, mas ficaram
extremamente agradecidas ao descobrirem. Elas enfrentam a lei como uma grande vitória, pois
agora é possível identificar o agressor e que ele pode ser autuado pelo ato. Carol também conta
que espera que, com a ampla divulgação da lei, casos de importunação passem a serem vistos
como algo errado e que ter beijo roubado na balada ou uma encoxada no ônibus, não faça mais
parte da rotina de tantas mulheres. Em contrapartida, Solange, estudante de letras, não acredita
que a lei resultará em mudanças a curto prazo, talvez em algumas gerações, e isso só será efetivo
com mudanças na educação e na criação de jovens.
Carol e Solange são mães, uma de um garoto de 10 anos e outra de uma menina de 12
anos, e ambas concordam que criam seus filhos com a esperança de que vivam em um lugar
melhor. Solange diz que busca ensinar a seu filho que o respeito deve sempre prevalecer e
Carol, por criar uma menina, teme que agora que sua filha está “criando corpo” passe pelo
mesmo que passou. Carol também relatou que, além da importunação sexual, aos 14 anos, foi
vítima de um estupro, e explicou que na época seus pais preferiram não realizar a denúncia por
medo da exposição, e, assim, ela entende a lei como uma oportunidade de mudança para as
próximas gerações, uma esperança de que casos de violação de todos o níveis não sejam
ignorados e normalizados.

P á g i n a | 101
Por fim, os dados obtidos comprovaram a necessidade do desenvolvimento de ações que
busquem informar sobre a existência da lei nº13.718 (CÓDIGO PENAL, 2018). Em especial,
a entrevista com a estudante de Educação Física, de 22 anos, ela que já foi vítima de um estupro
e diariamente é vítima de importunação sexual, agradeceu a integrante da equipe com quem ela
conversou por ter sido apresentada à lei e de como isso impactará diretamente a sua vida.

4.4. PLANO DE MÍDIAS

O planejamento de mídia tem como objetivo orientar estrategicamente as etapas de


produção do projeto como um todo. Paulo Tamanaha (2011) destaca que a atividade criativa
por natureza, assim como o processo de elaboração do plano e seu formato final, podem variar
de uma pessoa para outra ou de uma agência para outra, isso porque ele determina os meios de
comunicação mais adequados para divulgar uma mensagem, o impacto no público de interesse,
o tempo que a campanha será veiculada e seu custo para a organização.
O planejamento deste projeto foi construído com base na pesquisa realizada pelo grupo
entre os universitários de Curitiba. Deste modo, obteve-se respostas que apresentaram os meios
e veículos de comunicação que o público de interesse normalmente usa para se informar. A
internet foi o meio mais lembrado, com os veículos Facebook e Instagram. Dos meios DOOH
(Digital Out Of Home), a Tv do Ônibus ficou em 5º lugar, atrás apenas das redes sociais. Assim,
com base nestas informações, foi realizado um planejamento com duas redes sociais, um hotsite
e duas mídias offline.
As peças produzidas para este planejamento terão como componente principal a
fotografia, já que a intenção do grupo é criar uma campanha que cause grande sensibilidade e
impacto no público, pois irão retratar indivíduos passando por situações de importunação. Para
Mauad (1996), a fotografia comunica através de mensagens não verbais e possui um caráter
conotativo que remete as formas de ser e agir. Corroborando com a autora, Turazzi (1998)
afirma que os retratos são recursos visuais relevantes para a formação do sentido de identidade
tanto individual quanto coletivo, tratando-se de um meio que materializa a visão de si e do
outro, podendo apresentar distinções ou semelhanças sociais.

P á g i n a | 102
4.4.1. MÍDIAS ONLINE

A Secretaria Especial de Comunicação Social (SECOM), realizou, em 2016, a Pesquisa


Brasileira de Mídia (PBM) e revelou que 49% dos participantes, ou seja, quase metade dos
entrevistados, utilizam a internet, primeiro lugar, para terem informações sobre os
acontecimentos nacionais e internacionais (SECOM, 2016). Destes, 61% acessam a internet
diariamente e gastam em média 4 horas e 44 minutos, de segunda a sexta feira, e navegam pela
internet, com 4 horas e 32 minutos dedicadas nos finais de semana. Outro destaque da pesquisa
é que 91% dos respondentes acessam a internet pelo celular.
As campanhas em mídia social foram definidas de curto prazo, já que o plano de mídia
criado pelo grupo será de quatro semanas. De início, objetiva-se atingir o maior número de
pessoas possíveis e, ao decorrer do mês, afunilar cada vez mais a quantidade de indivíduos
impactados. Desta forma, na última semana, o grupo diminuirá o alcance e a frequência dos
stories, para que apenas o público-alvo da organização, seja impactado pela campanha.

4.4.1.1. FACEBOOK

O Facebook foi escolhido para a campanha de divulgação sobre a importunação sexual


por ser uma mídia gratuita e de grande abrangência. A rede social permite a segmentação da
publicação, por isso, o grupo irá impulsionar43, a postagem, durante o mês de julho. No
Facebook, será desenvolvido um post cujo conteúdo retrata que importunação sexual é crime,
que casos de abuso devem ser denunciados e na descrição terá informações sobre a lei e
telefones para realizar a denúncia. O post será impulsionado durante todo o mês, buscando gerar
engajamento por meio de anúncios pagos no sistema Facebook Ads que promoverá as
publicações, de forma que mais pessoas possam ter acesso a publicação e adquirir conhecimento
sobre o assunto. O investimento será de 10 reais por dia, nos primeiros 15 dias e na segunda
metade do mês o valor cairá para 5 reais diários. O valor será baixo, pois o público de interesse
da organização escolhida tem pouco engajamento nesta rede social.

43
É uma maneira simples para impactar tanto o público que já conhece a organização, para outros que ainda não
conhecem. Na própria publicação é selecionado o público que deve ser atingido, definido o orçamento e a
quantidade de dias que a promoção durará (ZUINI, 2014).

P á g i n a | 103
4.4.1.2INSTAGRAM

Segundo Hineraski (2014), o Instagram é um veículo eficiente para organizações que


sabe quem é o seu público-alvo e pretende atingi-lo diretamente, pois possui um número de
usuários menor que o Facebook e seus conteúdos aparecem de acordo com o nicho da
organização. Não há custos para a publicação das fotos na plataforma, porém, para impulsiona-
las existe um custo.
Ramon Dúnadan (2018) destaca que a média de visualizações dos stories da mesma
ferramenta, para perfis com até 10 mil seguidores, é de 2,5%. Ou seja, em média, 2,5% dos seus
seguidores terão acesso à postagem. Devido a esse alto número de engajamento que o story
resulta, foi escolhido criar duas publicações para a plataforma, que serão disponibilizados
simultaneamente, no qual será retratado a importância de ajudar a vítima. Iremos impulsionar
esses dois stories durante o mês de julho para atingir o maior número de seguidores da empresa.
Na primeira semana será investido um valor de 20 reais por dia, após o dia 07 o valor investido
diminuirá um quarto do valor inicial, seguindo este modelo para as semanas seguintes, desta
forma, o valor diário gasto nos últimos dias será de 5 reais. Foi escolhido esse método de
impulsionamento, pois, nas primeiras semanas, o objetivo é atingir o maior número possível de
pessoas, já na segunda quinzena do mês, a pretende-se atingir o público de interesse da casa
noturna.
Thais Costa (2018), em análise feita do relatório Digital in 2017, realizado pela We Are
Social em parceria com a Hootsuite, destaca que o Instagram e o Facebook são dois veículos
de grande importância, pois são os mais utilizados pela população brasileira e ambos são
utilizados pela organização. O Instagram foi definido como intensidade 5, já que tem o maior
número de engajamento por parte do público da organização. O Facebook ficou com a
intensidade 2, pois o orçamento destinado às mídias não é alto e, para conseguir maior
engajamento numa rede social, que possui um grande número de usuários, seria necessário um
investimento maior. Por isso, o grupo escolheu focar a maior parte da verba para o Instagram.

4.4.1.3HOTSITE

O hotsite é uma página criada para um objetivo em específico, pois é uma página para
conversão. Essa finalidade pode ser a peça principal da campanha ou, simplesmente, comunicar
algo ao público de interesse. O tempo de veiculação costuma ser pré-determinado antes da sua
criação, já que seu intuito é informar durante a vida útil da campanha (TESSMANN, 2017).

P á g i n a | 104
Segundo Martha Gabriel (2010), o visual do hotsite é o grande diferencial, pois seu propósito é
criar um ambiente no qual o público poderá interagir com a organização criadora do mesmo.
Visto que o hotsite é uma página criada para durar um tempo determinado, a equipe
escolheu reunir algumas as informações relevantes adquiridas durante este projeto. O objetivo
desta mídia é criar um ambiente que o público possa perceber a importância da denúncia,
independente se é ou não a vítima. Seu tempo online será de 1 mês, o tempo total da campanha,
e esta mídia ficou com intensidade 5, já que todos os posts realizados irão direcionar para a
página da campanha, pois nela conterá todas as informações coletadas sobre importunação
sexual.

4.4.2. MÍDIAS OFFLINE

A mídia offline são todos os tipos de peças que não utilizarão da internet para impactar
o público de interesse. Por não ser uma mídia que pode contabilizar a quantidade de pessoas
impactadas, muitas organizações a deixam como plano B, pois esquecem que as pessoas, que
estão diante do anúncio off, não tem mais nada para fazer além de olhar para as pessoas diante
deles ou ver algum conteúdo às interesse (GALVÃO, 2018). Segundo Kotler e Armstrong
(2007), as particularidades dessa mídia são: flexibilidade, alto grau de repetição de exposição,
baixo custo, baixa concorrência de mensagem e boa seletividade de localização.

4.4.2.1. MÍDIA DOOH (TV do ônibus)

São peças e equipamentos digitais offline instalados em locais públicos para uso ou
suporte dos cidadãos. Existem várias definições para DOOH, como é chamado esse tipo de
mídia, que se diferencia de cidade para cidade. Neste trabalho, como a campanha será veiculada
em Curitiba, serão utilizados slides na Tv do Ônibus, já que no transporte público há um grande
tráfego de pessoas. De acordo com Nakamura (2009, p.69): “por exemplo, a frota da empresa
(automóveis, caminhões-baú, etc.) podem ser canais para veiculação de mensagens ou
divulgação de ideias e da própria marca”. A intenção é atingir mais de uma única vez os
passageiros, visto que a importunação ocorre diariamente nos meios de transporte.
A produção visual para a Tv do Ônibus será composta por uma sequência de três imagens
(fotografia e frase de impacto da campanha; fotografia, dados e logo da organização, e por
fim, o site da campanha) e estará disposta nas rotas mais movimentadas da cidade. A intenção
é retratar que a importunação sexual é crime e que casos de abuso devem ser denunciados. Cada

P á g i n a | 105
arte terá um tamanho de 1360 x 768 pixels, estarão disponíveis em 80 linhas de ônibus mais o
Terminal Guadalupe, no centro da cidade, durante quatro semanas.
As peças que serão produzidos para a TV do ônibus foram classificadas como mídia de
intensidade 4 e de curto prazo, já que ficarão expostas nas telas dos transportes públicos e irão
impactar, aproximadamente, 170 mil passageiros por dia. A proposta comercial foi repassada
pela Midiaplan, que é responsável pela Tv do Ônibus. A veiculação custará R$9.856,00 pelo
período de 31 dias e a campanha ficará expostas em 80 linhas diferentes e no Terminal do
Guadalupe.

4.4.2.2 ADESIVOS

Os adesivos serão distribuídos aos consumidores ao entrarem na balada para usarem


durante a festa. O objetivo é retratar o termo negativo por meio de algo divertido, para que a
vítima de importunação sexual receba o incentivo de denunciar possíveis ocorrências aos
seguranças e bartenders. Serão distribuídos na entrada da casa três tipos de adesivos (máximo
3 por pessoa), independentemente se é homem ou mulher, pois ambos os gêneros sofrem o
abuso e, mesmo que o sexo masculino seja o menos afetado, é importante a conscientização
sobre o assunto. A ideia é que os frequentadores da casa noturna possam trocar os adesivos
entre si e/ou utilizá-los diariamente.
Com quatro centímetros de diâmetro e produzidos em papel fotográfico, serão produzidos
3000 adesivos, sendo 1000 de cada modelo, e distribuídos na entrada da casa noturna até que
se esgotem. Foram classificados como mídia de curto prazo e intensidade 3. O valor da
impressão unitária, consultado na empresa Tecnicópias, custará 0,10 centavos, o que resulta em
um total de 300 reais, pelas 3000 unidades.

4.4.3. PLANEJAMENTO GERAL

Com o objetivo de organizar as mídias a serem utilizadas na campanha, quatro tabelas


foram produzidas: custo para a produção dos materiais, a de mídia online, offline e uma tabela
geral, que contabiliza os períodos de veiculação e custos de cada produção. As mídias online,
que contam com o Facebook e Instagram, não possuem custo para a organização, porém, como
serão impulsionadas, ambas deixarão de ser gratuitas para terem maior alcance. O custo da mão
de obra do grupo para realizar as atividades descritas neste capítulo tiveram como base o site
Janela Publicitária, uma página especializada em comunicação de marketing na internet. Esses

P á g i n a | 106
veículos serão primordiais em curto prazo para a divulgação de que importunação sexual é
tipificada como crime.
É importante ressaltar que o planejamento corresponde à divulgação da campanha contra
importunação sexual, ou seja, deve ser veiculada por um curto período, com a finalidade de
fazer com que as pessoas da cidade de Curitiba (PR) saibam mais sobre o tema e, desta forma,
possam diferenciá-lo dos demais crimes sexuais e não tenham medo de denunciar.

Tabela 5: Plano de mídia - Custo da mão de obra.

Peça Quantidade Custo por unidade Custo total

Adesivos 3 R$ 483,33 R$1.450,00

Hotsite 1 R$ 3.000,00 R$ 3.000,00

Fotografias 6 R$ 158,33 R$ 950,00

Posts 6 R$ 120,00 R$ 720,00


* Os custos desta tabela foram retirados do site Janela Publicitária, página especializada em comunicação de
marketing na internet.
Fonte: Produção própria (2019).

Tabela 6: Plano de mídia - Planejamento mídia online.

Veículo Prazo Intensidade Freq. mês Custo

Mídia 1 Facebook Curto Prazo 2 1 post R$ 125,00

Mídia 2 Instagram St. Curto Prazo 5 2 Stories R$ 650,00

Fonte: Produção própria (2019).

Já na mídia offline estão a criação de uma peça que irá circular na TV do Ônibus e a
confecção de adesivos. A TV do Ônibus objetiva atingir um público mais amplo, não
necessariamente frequentadores da casa noturna, porém, como apresentado na relatório do
questionário, utilizam o transporte coletivo que, por sua vez, possui altos números de relatos de
casos de importunação. Já os adesivos buscam impactar os frequentadores da balada no
momento em que estão no estabelecimento, informando que as ocorrências são crimes e não
devem ser normalizadas.

P á g i n a | 107
Tabela 7: Plano de mídia - Planejamento mídia offline.

Meio Tipo Prazo Intensidade Quantidade Local Custo

Mídia 1 Adesivo Curto prazo 3 3000 1 R$ 300,00

Mídia 2 TV do ônibus Curto prazo 4 81 80 + Guadalupe R$ 9.856,00

Fonte: Produção própria (2019).

Por fim, um planejamento geral foi criado para melhor visualização das mídias utilizadas.
O grupo optou por dar início a veiculação da campanha no mês de julho, com duração, no
máximo, até o início de agosto.

Tabela 8: Planejamento tático para o mês de julho.

1-6 7-13 14-20 21-27 28-31 Quantidade Média do Custo


Custo diário total

Mídia Post x X x x x 1 R$ 7,42 R$


online (Facebook) 230,00

Mídia Stories x X x x x 2 R$ 11,30 R$


online (Instagram) 350,00

Mídia Hotsite x X x x x 1 R$ 2,17 R$ 67,00


online

Mídia TV do x X x x x 81 R$ 1,90 R$
offline ônibus 9.856,00

Mídia Adesivos* 3000 R$ 0,10 R$


offline 300,00
* Assim como explicado anteriormente, os 3000 adesivos serão distribuídos até esgotar e, por isso, não foi
delimitado o número de semanas que estarão em circulação.
Fonte: Produção própria (2019).

P á g i n a | 108
capítulo 5
DESENVOLVIMENTO DE
CAMPANHA
CAPÍTULO 5

5. DESENVOLVIMENTO DA CAMPANHA

O desenvolvimento da campanha é a etapa na qual todas as informações levantadas e


analisadas ao decorrer dos capítulos anteriores serão trabalhadas de forma visual, com o
objetivo de levar o tema abordado até o público de interesse de maneira que este se engaje a
proposta mais facilmente, e, para isso, será adotado o planejamento de mídias apresentado no
capítulo anterior. A descrição da campanha apresenta os seguintes tópicos: tom e tipo de
campanha, no qual é explicitado o conceito teórico da campanha; identidade visual, justificando
as escolhas de cores e imagens utilizadas; e, por fim, será apresentada e descrita cada uma das
peças de acordo com a mídia escolhida.

5.1 TEMA E TOM DA CAMPANHA

Como exposto no decorrer do projeto, o intuito principal de abordar o tema de


importunação sexual como de interesse público está atrelado à necessidade de informar a
população sobre o surgimento da nova lei de importunação sexual e incentivar a denúncia. Mas,
além disso, é preciso debater de forma urgente quais são as ações que se enquadram neste tipo
de crime, mostrar porque atitudes como essas não são aceitáveis e, principalmente, que todos
possuem a responsabilidade de ajudar quando presenciam alguma situação de abuso. Assim,
com o objetivo de abordar as questões citadas anteriormente, a campanha é denominada:
#ChegaDeImportunação.
Deste modo, nas peças publicitárias desenvolvidas, tanto na parte visual quanto textual,
objetivou-se demonstrar a importância do tema para os cidadãos. Buscou-se chamar a atenção
do público sobre a temática, evidenciando que - independentemente do local, da orientação
sexual, da roupa ou do comportamento -, a importunação sexual, que acontece de forma velada,
não pode ser normalizada em nenhuma circunstância. É necessário comentar que a campanha
tem o intuito de gerar impacto e desconforto em quem visualiza as peças publicitárias, para que
o público crie consciência sobre seus atos e, além disso, não seja negligente ao prestar apoio à
vítima de importunação.
Com relação ao tom empregado na campanha, é certo afirmar que a linguagem utilizada
busca ser a mais objetiva possível para transmitir efetivamente a mensagem contida nas peças.
Além disso, procurou-se fazer uso de uma estrutura de linguagem que seguisse um padrão para
dar unidade à campanha, porém, que se adaptasse aos diferentes contextos propostos nas peças,

P á g i n a | 111
como uma casa noturna ou o transporte coletivo. Assim, foi a partir desta disposição básica que
os textos para as peças publicitárias foram criados, contudo, respeitando a mídia em que estão
vinculados e o público com quem buscam se relacionar, da seguinte maneira:

• Frase 1: algum ato que seja caracterizado como importunação sexual e, de forma
concisa, dizer que se trata de um crime. Exemplo: beijo roubado não é legal, é crime.
O uso da palavra “legal” reforça a ideia de que fazer tal ato não é aceitável socialmente
e que, além disso, se trata de algo penalmente imputável.

• Frase 2: uma sentença que informe do que se trata a importunação sexual e os casos
mais comuns a depender do local em que o crime ocorra, de tal maneira que a ação
criminosa descrita no texto seja coerente com o que ocorre no cotidiano. Exemplo:
atitudes como beijo roubado, puxão e mão boba agora são crimes de importunação
sexual. No caso da frase acima, sua utilização se deu no contexto de uma casa noturna,
em que os exemplos citados ocorrem diariamente, em baladas, com as pessoas que são
vítimas de importunação. Em algumas mídias, como a Tv do Ônibus e o Facebook, foi
possível fazer uso de um texto complementar que explicasse um pouco mais sobre o
tema, trazendo, inclusive, a pena prevista para o referido crime.

• Frase 3: frase final que busca chamar o espectador à ação, de forma que, quem está
vendo a imagem ou lendo o texto, não fique indiferente ao que está ocorrendo e preste
apoio à vítima. É válido ressaltar que a campanha de repertório apresentada no capítulo
dois, a #WhoWillYouHelp, serviu como base para a criação desse viés de chamada à
ação dentro das peças, visto que se considerou de extrema relevância fazer com que o
espectador se sentisse incomodado com o ocorrido, e, de alguma forma, ajudasse quem
sofre com o crime. Exemplo: Viu isso acontecendo? Chame os seguranças. É também
importante salientar que, a depender do lugar que a importunação ocorra, os modos de
ajudar podem ser diferentes. Dentro do transporte coletivo, por exemplo, o caminho para
ajudar a vítima de importunação pode ser avisar o motorista do ônibus ou alguém
próximo a ela sobre o que está ocorrendo, para que, posteriormente, possa denunciar o
agressor diretamente para as autoridades, seja discando o número próprio para esse fim
ou chamando pessoalmente a polícia. Já em uma casa noturna, a melhor alternativa seria
procurar o segurança da balada. Com isso, é possível notar a importância de possuir uma
equipe treinada que saiba lidar com casos de importunação sexual dentro desses
estabelecimentos, e que possa, após ouvir o relato da vítima, chamar as autoridades

P á g i n a | 112
responsáveis. Dessa forma, os textos das peças têm como objetivo mostrar essas
diferenças de local para local, frisando a importância de como efetivamente auxiliar de
acordo com o ocorrido.

• Assinatura: por fim, a hashtag que assina a campanha, #ChegaDeImportunação,


acompanha a logo da empresa, a WSpace. O uso da hashtag foi inspirada também na
campanha de repertório apresentada previamente, buscando gerar engajamento com a
temática. No caso da TV do Ônibus, ao invés do uso da hashtag, preferiu-se utilizar o
hotsite da campanha44, visto que o anúncio possui somente 30 segundos e pode gerar
interesse ou até mesmo algumas dúvidas. Além disso, o site também foi incorporado na
descrição do post para Facebook e em ambos os stories para o Instagram (através da
função “ver mais”). Assim, através dessa plataforma digital complementar, as pessoas
podem ter mais conhecimento acerca do tema, ler relatos e ver as possíveis formas de
denúncia.

5.2 IDENTIDADE VISUAL

Antes de desenvolver as artes da campanha, foi realizada uma pesquisa sobre a


identidade visual presente em peças de diferentes casas noturnas, com o propósito de entender
a estética já adotada por estabelecimentos do segmento. Como a campanha foi preparada para
ser veiculada em canais oficiais da WSpace, dentro da casa noturna ou carregando a sua
marca em ambientes externos, foi importante manter algumas semelhanças em sua identidade
visual, a fim de evitar sentimentos de estranheza ou desconfiança por parte do público que já é
familiarizado à comunicação da marca. Aspectos como as cores, a disposição dos elementos,
fotografias e a tipografia em posts de Facebook e Instagram foram analisados.

44
O site produzido para a campanha <chegadeimportunacao.com.br> está disponível para o acesso online, na
versão desktop e mobile.

P á g i n a | 113
Figura 31: Referência 1.

Fonte: James Bar (2019).

As principais influências adotadas de outras organizações para a realização da campanha


estão na tipografia e cores aplicadas. Em todas as peças as mesmas duas fontes foram usadas,
a Baron Neue e a Bahnschrift. Dessa maneira, a Baron Neue foi utilizada nos títulos das peças,
por ser impactante, com linhas retas e pontas bem definidas, facilitando o entendimento. Já a
Bahnschrift, foi colocada nos textos maiores, por possuir um equilíbrio entre leveza e seriedade.
Por ser uma fonte serifada, ela também auxilia na leitura de seções mais longas de texto.

Figura 32: Tipografia 1. Figura 33: Tipografia 2.

Fonte: produção própria (2019). Fonte: produção própria (2019).

A cor impacta diretamente na interpretação que o consumidor terá, tornando a psicologia


das cores tão importante para o desenvolvimento de campanhas. Em peças publicitárias, as
cores afetam as emoções e aguçam os sentidos de quem as percebe (GONÇALVES, 2015),
sendo assim, a #ChegadeImportunação contém em maior predominância a cor violeta em uma

P á g i n a | 114
harmonia analógica45. Segundo Werik Gonçalves (2015), o violeta é uma cor que transmite os
sentimentos de transformação e conhecimento, estes que são objetivos da ação publicitária.
Outro referencial estético nas peças é o Vaporwave, um movimento artístico nascido na
internet no início da década de 2010, que incorpora elementos de linguagem populares da
década de 1980 e a cultura de mídia da própria internet (SILVA, 2017). Ele está presente,
principalmente, no “efeito de glitch” utilizado nas fotografias e no fundo das peças. Tratam-se
de interferências visuais semelhantes aos de fitas VHS com defeito. No contexto da campanha,
este recurso visual foi utilizado para indicar que, assim como os glitches são erros e
acontecimentos indesejados em mídias de vídeo, há algo de errado nos atos de importunação
sexual. A utilização do vaporwave como referência estética também é uma forma de tornar as
peças modernas, já que o movimento possui grande apelo na internet.

Figura 34: Referência 2.

Fonte: Autor desconhecido.

A campanha foi composta com o propósito de informar, mas de maneira que provoque
impacto e desconforto. Assim, foi escolhida a utilização de fotografias como elemento central
das peças. Junto a conteúdos textuais, a fotografia ajuda a chamar atenção e a cativar aqueles
que as vê, demonstrando visualmente a essência da campanha (ANDRADE, 2017). Desse
modo, o ensaio fotográfico, realizado pelo grupo responsável pelo projeto, foi planejado e
produzido com elementos que causassem impacto, com a utilização de um fundo preto e o flash
com alta intensidade, que permitiram o foco no momento, como se fosse retratado um flagrante.

45
“Cores análogas são as que estão lado a lado no círculo. São cores que têm pigmentos em comum, e por isso
criam uma sensação visual agradável” (HEROÍNA, 2016).

P á g i n a | 115
Para montar um ambiente noturno, que remetesse a uma casa noturna, de um modo sombrio,
foi aplicada uma iluminação dura e fria. A equipe definiu que um dos modelos de cada
fotografia mantivesse seu olhar fixo para a câmera, para que pudesse interagir com quem
olhasse as imagens. Desse modo, a campanha busca informar de uma maneira impactante, mas
com um tom de modernidade para que desperte a atenção do público de interesse.

5.3 TV DO ÔNIBUS

Para a peça publicitária disponibilizada na TV do Ônibus, o planejamento prevê um vídeo


de 30 segundos, uma sequência de três imagens para serem exibidas nas telas dos transportes
públicos, durante as rotas dos veículos. A campanha será reproduzida nesta mídia por quatro
semanas, com exibição durante todo o período de circulação das linhas de ônibus, um total de
80 itinerários e exibições no Terminal Guadalupe, impactando cerca de 167.700 passageiros
por dia.
As artes desta peça retratam um caso de importunação sexual partindo de um homem para
uma mulher. A mesma foto foi utilizada nas duas primeiras imagens, pois concluiu-se que cenas
diferentes poderiam sobrecarregar o vídeo com muitas informações, dificultando a leitura do
texto e a absorção da mensagem. Para que a abordagem não ficasse repetitiva, a mesma foto foi
disposta de duas maneiras diferentes: na primeira imagem, alocada no lado direito; na segunda,
do lado esquerdo. Além disso, o efeito de transição, de uma imagem para a outra, aplicado no
vídeo, tem o intuito de trazer fluidez na apresentação das duas imagens, trazendo um sentido
de continuidade à peça. O texto da primeira imagem repete uma das frases principais da
campanha: “forçar a barra não é legal, é crime”, com a intenção de promover uma fixação dessa
mensagem em diferentes meios comunicativos.
A segunda imagem possui mais informações, reiterando que comportamentos como
roubar beijos, puxar pelo braço, entre outros, são enquadrados como o crime de importunação
sexual, com uma pena de até 5 anos de reclusão. Por fim, o texto faz uma chamada para ação,
afirmando que o público também é responsável por impedir o crescimento dessas situações,
instigando o leitor a denunciar situações desse tipo, com o número de telefone indicado para
relatar o ocorrido. A terceira parte desta peça é a assinatura, que possui a logomarca da
instituição que apoia a campanha e o link para o hotsite complementar.
Em relação a seleção da fotografia para essa mídia, foram consideradas possíveis
interpretações inadequadas a respeito do perfil do importunador sexual baseadas na cena
escolhida para exibição. Foi analisada a possibilidade de uma representação de um agressor

P á g i n a | 116
homossexual acarretar em pensamentos homofóbicos, e não uma reflexão a respeito do
problema e dos comportamentos que o envolvem. Após essa observação, foi escolhida uma
situação envolvendo um homem e uma mulher.

Figura 35: Tv do Ônibus 1.

Fonte: Produção própria (2019).


Figura 36: Tv do Ônibus 2.

Fonte: Produção própria (2019).

P á g i n a | 117
Figura 37: Tv do Ônibus 3.

Fonte: Produção própria (2019).

5.4 INSTAGRAM

Para a utilização do Instagram como uma das mídias da campanha, o planejamento


propôs que fossem desenvolvidas duas artes, que serão publicadas na área de stories dentro do
aplicativo e, posteriormente, serão impulsionadas durante os 30 dias em que a campanha estiver
no ar, o que resultará em um maior alcance.
Por se tratarem de duas publicações, as artes apresentadas abaixo foram elaboradas com
o objetivo de criarem, juntas, um significado. A primeira apresenta uma mulher, embriagada,
sendo vítima de importunação e com o agressor fazendo o gesto de silêncio para o espectador
da cena. A segunda reforça o fato da criminalização da importunação sexual, além de reiterar a
necessidade de que haja a denúncia por parte de todos, incluindo estes espectadores citados. No
caso, dentro do contexto da organização que assina a campanha, como casa noturna, o texto da
peça orienta que o segurança do local seja acionado.
Dentre os casos que são dados como exemplos de importunação sexual no decorrer da
campanha, este foi escolhido para ser utilizado no Instagram pois é um dos mais comuns
relatados em uma casa noturna e que pode levar a algo mais grave, isso associado ao fato de
que o público que teria acesso à peça pode ser ainda mais segmentado, de acordo com as
ferramentas de impulsionamento da publicação dentro da ferramenta, fator que não pode ser
controlado na TV do Ônibus, por exemplo.

P á g i n a | 118
Figura 38: Instagram 1. Figura 39: Instagram 2.

Fonte: Produção própria (2019). Fonte: Produção própria (2019).

5.5 FACEBOOK

A escolha do Facebook como uma das plataformas da campanha se baseia na abrangência


que esta rede social tem em termos de público, sendo altamente popular. Além do alcance, outra
viabilização deste canal envolve os gastos com ele, pois o Facebook é de acesso e publicação
gratuitos, auxiliando no direcionamento dos gastos no impulsionamento desses posts.
A publicação é composta de uma imagem com texto e a descrição do post. A foto
representa um rapaz puxando o braço de uma moça; uma frase de chamada, que remete às
mensagens propagadas pela campanha (no caso, “se ela não quer, não é legal, é crime”); uma
explicação a respeito dos comportamentos que foram criminalizados pela lei de importunação
sexual; uma chamada à ação com um foco maior no frequentador da balada, sugerindo que, em
casos que a pessoa testemunhe esse crime, ela denuncie aos seguranças da casa noturna, a

P á g i n a | 119
responsabilização do leitor, por meio da frase “você também é responsável por isso”, e, por fim,
a hashtag da campanha, acompanhada da logomarca da WSpace.
O texto descritivo do post traz informações a respeito da data de sanção da lei de
importunação sexual, além de dados obtidos pelas pesquisas para reconhecimento de público a
respeito do número de vítimas que receberam ajuda, e a porcentagem de pessoas que não
denunciaram às autoridades o ocorrido. Por fim, há a sugestão dos números a se ligar caso o
leitor presencie um ato de importunação, e um link para o hotsite da campanha.
A escolha da imagem de importunação para essa campanha se baseia no público que
frequenta o estabelecimento, sendo que esse tipo de situação ocorre mais entre homens e
mulheres. Selecionar essa imagem em específico aproxima a campanha do público e situações
de importunação que ocorrem com maior frequência na WSpace, evitando causar
estranhamento ou mesmo uma ineficiência no alcance almejado pela peça. A seguir, haverá
uma exemplificação do texto da publicação, acompanhado da imagem que será publicada.

“Importunação sexual agora é crime! Beijo roubado, puxão no braço e toques


indesejados são algumas ações que passaram a ser puníveis pela lei desde setembro de
2018.

Em pesquisa realizada por universitários da UTFPR, dados apontam que apenas


4,4% das vítimas receberam ajuda durante o ocorrido e, ainda, que 95,5% das pessoas
não chegaram a denunciar às autoridades os abusos de importunação sexual que
sofreram.

Se você presenciar alguma situação de abuso, ajude. Não fique calado.

Para denunciar disque 180 ou 153.

Para mais informações, acesse o site: www.chegadeimportunacao.com.br”

P á g i n a | 120
Figura 40: Facebook.

Fonte: Produção própria (2019).

5.6 ADESIVOS

A intenção dos três modelos de adesivos é que estes sejam uma alternativa mais
descontraída dentro da campanha, visto que a distribuição acontecerá na própria casa noturna,
mas sem perder a identidade que os relaciona as demais peças, o que fica evidente,
principalmente, nas cores e tipografia utilizadas, além da assinatura com a hashtag
#ChegaDeImportunação e a logomarca da organização.
Nos três modelos de adesivo é apresentada a frase característica da campanha “não é legal,
é crime” e, posteriormente, as expressões que remetem aos casos mais comuns de
importunação, conforme apresentado abaixo. No primeiro modelo, beijo roubado, é o ato
referente a beijar alguém sem consentimento; o segundo, mão boba, a tocar outrem de forma
indevida com propósito libidinoso; e, no terceiro modelo, forçar a barra, a intenção é remeter
a diversos outros casos nos quais o agressor pressiona a vítima, mesmo após receber uma
resposta negativa a suas investidas.

P á g i n a | 121
Vale destacar que os modelos dispostos abaixo não possuem sangria46, pois se tratam de
modelos apresentados ao cliente e à banca avaliadora do projeto em questão, fato que seria
revertido caso o mesmo fosse enviado para produção massiva pela organização.

Figura 41: Adesivo 1.

Fonte: Produção própria (2019).

Figura 42: Adesivo 2.

Fonte: Produção própria (2019).

46
Sangria é considerada uma sobra na imagem após a marca de corte, seu principal objetivo é evitar que a peça
que for impressa não sai com áreas em branco indevidamente ou seja cortada de maneira a danificar a arte
produzida (VILAJET, 2018).

P á g i n a | 122
Figura 43: Adesivo 3.

Fonte: Produção própria (2019).

5.7. HOTSITE

O hotsite foi criado com intuito de explicar sobre a importunação sexual e auxiliar pessoas
que sofreram ou sabem de alguém próximo que sofreu esse tipo de abuso, já que as maiorias
das vítimas não se sentem seguras ao tratar, pessoalmente, sobre o assunto com desconhecidos,
ou mesmo com as autoridades, pois temem que seu relato não seja levado a sério. Para dar maior
credibilidade à campanha, a logomarca da casa noturna (WSpace) aparece apenas no rodapé do
site, visto que, a intenção da equipe é criar um ambiente informativo e não publicitário para a
organização. O grupo seguiu a identidade visual das ações, sendo que é necessário criar peças
que se conversem, para o público de interesse, ao acessar o hotsite, lembre da campanha
veiculada na Tv do Ônibus, nas redes sociais ou dos adesivos distribuídos na festa da WSpace.
O hotsite é uma página que possui todas as informações sobre a campanha. Na parte
inicial, a fotografia da primeira modelo aparece, afirmando que o indivíduo que está acessando
“também é responsável pela importunação”. Essa fotografia foi escolhida pelo impacto que
causa e, por buscar retratar na expressão do rosto da vítima o medo e o incômodo que ela sente
ao ser tocada por várias mãos desconhecidas. A peça objetiva transmitir um desconforto para
quem a visualiza, evidenciando, assim, que importunação sexual é tão grave quanto outras
formas de abuso. Ao olhar para os textos, o espectador perceberá que violência não é apenas
agressão física, mas, sim, qualquer ato que prejudique a autoestima da vítima (GOVERNO DO

P á g i n a | 123
BRASIL, 2015). Acima da foto está a hashtag (#ChegaDeImportunação) da campanha e, para
maior destaque, ela está escrita em branco com um quadrilátero até centro da frase. Na parte
superior direita, são exibidas as outras regiões do site (Início; O que é importunação?; A
campanha, Relatos e Denuncie).
No quadrante “O que é importunação?”, a equipe explica sobre o caso que influenciou a
criação da lei de importunação sexual, os locais mais recorrentes do crime e que as vítimas são
predominantemente do gênero feminino. Isso não significa que homens não sejam
importunados, mas sim que são menos abusados. A fotografia da segunda modelo utilizada
segue a mesma ideia da anterior, pois são imagens com a proposta de retratar a importunação
como uma violência.
No quadrante “a campanha”, retrata-se o principal motivo que fez o grupo escolher
importunação sexual como tema do trabalho. Visto que a organização escolhida para assinar as
peças é uma balada, as três fotografias presentes neste espaço são casos de importunações que
ocorrem em casas de noturnas e, na maioria das vezes, são consideradas ações normais do
ambiente. Por isso, a equipe adicionou o efeito glitch para dar ideia de moderno e errôneo.
O penúltimo quadrante, “relatos”, surgiu com o intuito de fazer com que as vítimas não
se sintam culpadas pelo ocorrido ou por não terem reagido durante a importunação, uma vez
que se trata de uma ocasião, de acordo com os relatos dos entrevistados, de desconforto, pois
elas não sabiam se, ao pedirem ajuda, a fala seria vista como algo verdadeiro ou apenas uma
tentativa de “chamar a atenção”. Os dois relatos presentes no hotsite são verídicos e ficaram
como anônimos para preservar a integridade das vítimas, porque, como dito acima, a intenção
é criar um ambiente no qual as vítimas possam expressar a dor do ocorrido sem julgamentos.
No último quadrante, “denuncie”, estão disponíveis quatro números de telefones para
efetuar a denúncia de importunação sexual. Além disso, se torna importante informar no hotsite
que, além da própria vítima, pessoas que presenciam casos de importunação sexual também
podem realizar a denúncia. A frase “você também é responsável” retrata a ideia apresentada na
oração anterior, pois muitos indivíduos veem casos de importunação, mas escolhem ficar
caladas pela responsabilidade da denúncia.

P á g i n a | 124
Figura 44: Aba inicial do hotsite.

Fonte: Produção própria (2019).

Figura 45: Aba "o que é importunação”

Fonte: Produção própria (2019).

Figura 46: Aba "assédio sexual x importunação sexual”.

Fonte: Produção própria (2019).

P á g i n a | 125
Figura 47: Aba "a campanha".

Fonte: Produção própria (2019).

Figura 48: Aba "relatos" - parte 1.

Fonte: Produção própria (2019).

P á g i n a | 126
Figura 49: Aba "relatos" - parte 2.

Fonte: Produção própria (2019).

Figura 50: Aba "denuncie".

Fonte: Produção própria (2019).

5.8 SUGESTÃO DE CONTINUIDADE DA DISCUSSÃO

Como a lei de importunação sexual ainda é recente, a campanha publicitária proposta


para a WSpace, nesse primeiro momento, possui a intenção de informar o público acerca da
existência da nova legislação e mostrar quais casos se enquadram neste crime. Porém, entende-
se que somente uma campanha não será suficiente para coibir os atos de importunação sexual,
seja dentro ou fora da casa noturna e que, para isso, é necessário idealizar, a longo prazo, novas
ações para reforçar aspectos não tratados com tanta intensidade por exigir um conhecimento
maior acerca da temática.
Em um segundo momento, sugere-se pensar em práticas que podem ser elaboradas para
desnaturalizar a importunação e também em treinamentos para que os funcionários da casa
noturna, não somente os seguranças, mas todos aqueles que trabalham na noite, saibam lidar
quando uma pessoa se identificar como vítima. Além disso, propõe-se enfatizar os canais que
podem ser utilizados para denunciar os casos importunação sexual, reforçando que, a partir do
momento que a vítima entende que pode denunciar e conhece os meios para fazê-lo, os
agressores podem ser devidamente punidos.

P á g i n a | 127
Recomenda-se também a continuidade de algumas ações propostas, como os adesivos,
visto que são produzidos com um custo relativamente baixo e que possuem um grande alcance,
pois permitem a possibilidade de serem espalhados em qualquer lugar, de modo a afetar mais
pessoas que só aqueles presentes na casa noturna. Por fim, espera-se que, com a iniciativa de
uma balada em tratar um tema tão relevante, outras empresas do mesmo setor possam aderir
campanhas com práticas estruturadas que objetivem diminuir essas práticas criminosas dentro
das casas noturnas e demais locais.

P á g i n a | 128
CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar da naturalidade com que casos de importunação sexual são tratados pela mídia,
mesmo que nomeados como abuso sexual muitas vezes, é inegável a surpresa da equipe
responsável pelo desenvolvimento do projeto ao se deparar com informações como a
quantidade de pessoas que não possui conhecimento sobre a nova lei aprovada, de pessoas que
não denunciam quando são vítimas e também os seus motivos para tal opção, além da falta de
clareza com relação a diferença entre importunação e assédio sexual. Essas informações
serviram para reforçar o desejo de se realizar um projeto com a intenção de informar acerca dos
novos direitos previstos em lei, ou de mostrar que esse crime não pode ser naturalizado pelas
pessoas e tratado como algo culturalmente aceito.
Mesmo se tratando de um projeto desenvolvido com o intuito de apresentar uma
campanha que tem como cliente uma casa noturna, a WSpace, ainda foi levado em consideração
que se tratava de um tema de interesse público, uma vez que, de acordo com o estudo realizado,
todo indivíduo que convive em sociedade pode se tornar uma vítima. Dessa forma, é possível
concluir que as peças desenvolvidas, apesar do público definido pela campanha, podem ter um
alcance significativo e importante socialmente, pois, como dito anteriormente, apresenta
informações desconhecidas por grande parte da população, sendo este um dos objetivos
principais do grupo.
Independentemente da conclusão de que o objetivo do projeto seria atingido, se posto
em prática pela organização, vale ressaltar que o tema importunação sexual não seria sanado
com a campanha, o que evidencia a necessidade de que o conteúdo proposto seja trabalhado,
em outras organizações, de outras formas, para outro público e assim por diante. Para a WSpace,
o plano de continuidade proposto inclui a preparação da equipe de funcionários, com
treinamentos informativos, para que estes saibam como agir diante de casos de importunação
sexual ocorridos na organização, além de desenvolver novas campanhas que incentivem
exclusivamente a denúncia, visto que esta primeira ação, mesmo buscando reforçar a
necessidade de se denunciar, possui um teor informativo mais presente.
Por fim, destaca se o aprendizado que todos os membros responsáveis pelo projeto
adquiriram com este, pois, além da temática que percorre todo o projeto, ainda foram
trabalhados conteúdos como análise de campanha, no capítulo 2; comunicação pública e
interesse público, no capítulo 3; diagnóstico organizacional e pesquisa de público, no capítulo
4; planejamento de mídias, também no capítulo 4; e por fim, produção fotográfica e criação
publicitária, no capítulo 5.

P á g i n a | 129
REFERÊNCIAS

ABEL, Carol; PATAH, Rodrigo. O que é pesquisa exploratória? Veja como obter insights
e ideias com ela. 2017. Disponível em: <https://mindminers.com/blog/o-que-e-pesquisa-
exploratoria/>. Acesso em: 01 abr. 2019.

ABREU, Karen Cristina Kraemer; SANTOS, Marilene Aparecida Pinheiro dos. A linguagem
visual aplicada a anúncios publicitários. 2010. Disponível em:
<http://www.bocc.ubi.pt/pag/abreu-karen-santos-marilene-a-linguagem%20visual-
aplicada.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2019.

A CRÍTICA. Cem casos de importunação sexual contra mulheres são registrados em 4


meses. 2019. Disponível em: <https://www.acritica.com/channels/manaus/news/cem-casos-
de-importunacao-sexual-contra-mulheres-sao-registrados-em-4-meses>. Acesso em 05 abr.
2019.

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. TedX Talks. Todos nós deveríamos ser feministas.
(30m50s). Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=hg3umXU_qWc>. Acesso
em: 06 abr. 2019.

ADULIS, Dalberto. O verdadeiro e o falso marketing social. 2011. Disponível em:


<https://www.akatu.org.br/noticia/o-verdadeiro-e-o-falso-marketing-social/>. Acesso em: 27
abr. 2019.

AFONSO, José. Polaroid: os 70 anos da fotografia instantânea. 2017. Disponível em:


<https://www.revistacontinente.com.br/edicoes/202/polaroid--os-70-anos-da-fotografia-
instantanea>. Acesso em: 22 abr. 2019.

AGÊNCIA ESTADO. Importunação sexual vira crime, com pena de até 5 anos. 2018.
Disponível em: <https://noticias.r7.com/brasil/importunacao-sexual-vira-crime-com-pena-de-
ate-5-anos-25092018> Acesso em: 07 abr. 2019.

AGÊNCIA PATRÍCIA GALVÃO. Feminicídio - Dossiê violência contra as mulheres.


Disponível em:
<https://dossies.agenciapatriciagalvao.org.br/violencia/violencias/feminicidio/>. Acesso em:
06 abr. 2019.

ÁLBUM WSPACE. Dani Russo. Disponível em: <https://www.wsbrazil.com.br/photo-


albums>. 2019. Acesso em: 17 mai. 2019.

ALEXANDRE, Caroline. Entrevista sobre importunação sexual. Entrevista concedida a


Isabele Borges da Silva. Curitiba, abr., 2019.

P á g i n a | 131
ALTÍSSIMO, Fabiane. Públicos: a sua empresa tem muito mais do que imagina. 2013.
Disponível em: <http://www.ideiademarketing.com.br/2013/05/03/publicos-a-sua-empresa-
tem-muito-mais-do-que-imagina/>. Acesso em: 26 abr. 2019.

ALVES, José Eustáquio Diniz. Desafios da equidade de gênero no século XXI. Estudos
Feministas, Florianópolis, 24(2): 292, 2016. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/ref/v24n2/1805-9584-ref-24-02-00629.pdf>. Acesso em: 06 abr.
2019.

ANDRADE, Danilo. Políticas públicas: o que são e para que existem. 2016. Disponível
em: <https://www.politize.com.br/politicas-publicas-o-que-sao/>. Acesso em: 27 abr. 2019.

ANDRADE, Otavio. O guia completo da fotografia publicitária: o que você precisa para
ter imagens de sucesso em suas campanhas. 2017. Disponível em:
<https://rockcontent.com/blog/fotografia-publicitaria/>. Acesso em: 15 jun. 2019.

ARGENTI, Paul. Comunicação Empresarial: a construção da identidade, imagem e


reputação. 6a Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.

ASTER SEGURANÇA E FACILITIES. Por que a terceirização é uma ótima opção para
reduzir custos? 2015. Disponível em: <http://www.aster.com.br/blog/facilities/por-que-a-
terceirizacao-e-uma-otima-opcao-para-reduzir-custos/> Acesso em: 26 abr. 2019.

AZEVEDO, Alvina Gonçalves. A história do direito ao voto no Brasil. Trabalho de


Conclusão de Curso, Universidade Federal de Uberlândia, MG, 77p. 2018.
Disponível em:
<http://repositorio.ufu.br/bitstream/123456789/22181/3/HistóriaVotoBrasil.pdf>. Acesso em:
07 abr. 2019.

BALDISSERA, Rudimar; SARTOR, Basilio; ROSSATO, Jean. Comunicação e interesse


público: a triangulação “iniciativa privada–poder público–comunidade”. REVISTA
ALCEU, Rio Grande do Sul, v. 16, n. 32, p. 212, 2016. Disponível em:
<http://revistaalceu.com.puc-rio.br/media/pp%20207-224.pdf>. Acesso em: 07 abr. 2019.

BARRETO, Ana Cristina Teixeira. Carta de 1988 é um marco contra discriminação. 2010.
Disponível em:
<https://www.conjur.com.br/2010-nov-05/constituicao-1988-marco-discriminacao-familia-
contemporanea>. Acesso em: 07 abr. 2019.

P á g i n a | 132
BENEDICTO, Edna Aparecida Ferreira. A mulher e o Direito a Cidade: assédio sexual x
cantadas. In: Simpósio Nacional de História, 29., 2017, Brasília. Anais… Brasília: UnB,
2017.1. Disponível em:
<https://www.snh2017.anpuh.org/resources/anais/54/1491153147_ARQUIVO_ednabenedicto
.pdf>. Acesso em: 07 abr. 2019.

BEN & JERRY’S. A realidade nada colorida da LGBTfobia no Carnaval. 2018.


Disponível em: <https://www.benandjerry.com.br/novidades/a-realidade-nada-colorida-da-
lgbtfobia-no-carnaval>. Acesso em: 07 abr. 2019

BORGES, Carolina. CANVAS: o plano de negócios para criar em 9 passos. 2018.


Disponível em: <https://medium.com/academia-do-comerciante/canvas-o-plano-de-
neg%C3%B3cios-para-criar-em-9-passos-a60261745a3c>. Acesso em: 25 abr. 2019.

BRANDÃO, Elizabeth Pazito. Conceito de comunicação pública. In: Comunicação Pública:


Estado, mercado, sociedade e interesse público. Jorge Duarte (org.) - 3 ed. São Paulo:
Atlas, 2012.

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em:


<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm>. Acesso em: 07 abr.
2019.

BRAVOS, Michele. Lei de "importunação sexual" não é o suficiente para desnaturalizar


o assédio. 2018. Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2018/09/26/artigo-or-lei-
de-importunacao-sexual-nao-e-suficiente-para-desnaturalizar-o-assedio/>. Acesso em: 06 abr.
2019.

BRITO, Débora. Nova lei de importunação sexual pune assédio na rua. 2018. Disponível
em: <http://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2018-09/nova-lei-de-
importunacao-sexual-pune-assedio-na-rua?amp> Acesso em: 07 abr. 2019.

BUONICORE, Augusto César. A história das mulheres brasileiras que foram à luta por
seus direitos. 2017. Disponível em:
<https://www.pragmatismopolitico.com.br/2017/03/historia-mulheres-brasileiras-luta-
direitos.html>. Acesso em: 07 abr. 2019.

CARNEIRO, Sueli. Mulheres em movimento. Estudos Avançados, 17 (49), 2003.


Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ea/v17n49/18400.pdf>. Acesso em: 07 abr. 2019.

CARRASCOZA, João Anzanello. O apolíneo e o dionisíaco no texto publicitário. Cadernos


da Escola de Comunicação. v.1, n.2, 2004. Disponível em:
<http://portaldeperiodicos.unibrasil.com.br/index.php/cadernoscomunicacao/article/view/191
4/1492>. Acesso em: 21 abr. 2019.

P á g i n a | 133
CARRASCOZA, João Anzanello. Processo criativo em propaganda e intertextualidade.
2007. Disponível em:
<http://professor.pucgoias.edu.br/SiteDocente/admin/arquivosUpload/12031/material/Process
o%20criativo%20em%20propaganda.pdf>. Acesso em: 16 abr. 2019.

CÓDIGO PENAL. Lei nº 13.718, de 24 de setembro de 2018. Altera o Decreto-Lei nº 2.848,


de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), para tipificar os crimes de importunação sexual e
de divulgação de cena de estupro, tornar pública incondicionada a natureza da ação penal dos
crimes contra a liberdade sexual e dos crimes sexuais contra vulnerável, estabelecer causas de
aumento de pena para esses crimes e definir como causas de aumento de pena o estupro
coletivo e o estupro corretivo; e revoga dispositivo do Decreto-Lei nº 3.688, de 3 de outubro
de 1941 (Lei das Contravenções Penais). brasil, 24 set. 2018. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848compilado.htm. Acesso em: 05
abr. 2019.

CÓDIGO PENAL. Lei nº 13.104, de 9 de março de 2015. Altera o art. 121 do Decreto-Lei
no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, para prever o feminicídio como
circunstância qualificadora do crime de homicídio, e o art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho
de 1990, para incluir o feminicídio no rol dos crimes hediondos. Disponível em:
<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13104.htm>. Acesso em:
06 abr. 2019.

COMUNICA QUE MUDA. Você prefere ser uma testemunha ou um cúmplice? 2015.
Disponível em: <https://www.comunicaquemuda.com.br/who-will-you-help/>. Acesso em: 22
abr. 2019.

CONUBE. Quais são as minhas responsabilidades como dono de empresa? 2017.


Disponível em: <https://conube.com.br/blog/responsabilidades-como-dono-de-empresa/>.
Acesso em: 01 abr. 2019.

COSTA, Fernando. Importunação sexual agora é crime. 2019. Disponível em:


<https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/importunacao-sexual-agora-e-crime/>
Acesso em: 07 abr. 2019.

COSTA, Thais. Quais são as redes sociais mais usadas no Brasil? 2018. Disponível em:
<https://rockcontent.com/blog/redes-sociais-mais-usadas-no-brasil/>. Acesso em: 03 abr.
2019.

CUNHA, G. et al. A Industrialização Brasileira entre 1900 e 1930 em uma perspectiva


histórica. UNIEURO, Brasília, número 21, Julho-Dezembro de 2017, pp. 82-106. Disponível
em:
<http://www.unieuro.edu.br/sitenovo/revistas/revista_hegemonia_21/George_Cunha.pdf>.
Acesso em: 23 abr. 2019.

P á g i n a | 134
CUNHA, Renata Thereza Fagundes. Entrevista sobre importunação sexual. Entrevista
concedida a Natalia Carolina dos Santos Arnai. Abr, 2019.

D’ANGELO, Pedro. Pesquisa quantitativa e pesquisa qualitativa: qual a diferença? 2018.


Disponível em: <https://blog.opinionbox.com/pesquisa-quantitativa-e-pesquisa-qualitativa-
qual-a-diferenca/>. Acesso em: 07 mai. 2019.

DATAFOLHA/FBSP. Visível e Invisível: A vitimização de mulheres no Brasil – 2 ª


Edição. 2019. Disponível em: <https://dossies.agenciapatriciagalvao.org.br/dados-e-
fontes/pesquisa/visivel-e-invisivel-a-vitimizacao-de-mulheres-no-brasil-2-a-edicao-datafolha-
fbsp-2019/>. Acesso em: 07 abr. 2019.

DELPHY, Christine. Patriarcado (teorias do). In: HIRATA, H. et al (org.). Dicionário


Crítico do Feminismo. Editora UNESP: São Paulo, 2009, p. 173–178. Disponível em:
<https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/4098403/mod_resource/content/1/Kergoat%20p.67
-75%20in%20Dicionario_critico_do_feminismo%202009.pdf>. Acesso em: 06 abr. 2019.

DIÁRIO DE PERNAMBUCO. Homem é preso por praticar importunação sexual em


ônibus, no Recife. 2019. Disponível em:
<https://jconline.ne10.uol.com.br/canal/cidades/policia/noticia/2019/04/03/universitaria-e-
vitima-de-importunacao-sexual-em-onibus-375414.php>. Acesso em: 07 abr. 2019.

DIAS, Alvaro Roberto. A aplicação da semiótica discursiva na análise da comunicação


publicitária para a divulgação da marca. Intexto, n. 37, p. 394-412, 2015. Disponível em:
<https://seer.ufrgs.br/intexto/article/view/66497/39646>. Acesso em: 22 abr. 2019.

DIAS, Peri. Assédio na balada: conheça a festa que eliminou os abusos. 2019. Disponível
em: <https://blog.veduca.org/assedio-na-balada-conheca-a-festa-que-eliminou-os-abusos/>
Acesso em: 07 abr. 2019.

DIAS, Peri. Assédio sexual no Brasil em sete estatísticas impressionantes.


<https://blog.veduca.org/assedio-sexual-no-brasil-em-sete-estatisticas-impressionantes/>.
Acesso em: 06 abr. 2019.

DICIONÁRIO INFORMAL. Hostess. 2007. Disponível em:


<https://www.dicionarioinformal.com.br/significado/hostess/60/> Acesso em: 17 mai. 2019.

DUARTE, Constância Lima. Mulher e escritura: produção letrada e emancipação feminina no


Brasil. A invasão da cultura nos estudos de língua e literatura, vol. 1, n. 1, jan./jun. 2011.
Disponível em: <http://www.revistas.uneb.br/index.php/pontosdeint/article/view/1431/943>.
Acesso em: 07 abr. 2019.

P á g i n a | 135
DUARTE, Leonardo Avelino. Lições de Direito Administrativo. 1. ed. Ponta Grossa, PR:
Estúdio Texto, 2010. v. 1. 512p .

DÚNADAN, Ramon. Instagram Stories: engajamento e conversão para sua marca. 2018.
Disponível em: <https://www.agenciaopen.com/social-media/instagram-stories>. Acesso em:
03 abr. 2019.

EGGER, Carolina. Entrevistas com clientes – Como extrair informações valiosas?. 2017.
Disponível em: <https://blog.contentools.com.br/marketing-de-conteudo/entrevistas-com-
clientes/>. Acesso em: 01 abr. 2019.

EXAME. Quando vale a pena impulsionar publicações no Facebook?. 2014. Disponível


em: <https://exame.abril.com.br/pme/quando-vale-a-pena-impulsionar-publicacoes-no-
facebook/>. Acesso em: 20 jun. 2019

FACEBOOK WSPACE. Sobre. Disponível em:


<https://www.facebook.com/wspacecuritiba/>. Acesso em: 17 mai. 2019.

FARIA, Armando Medeiros. Imprensa e interesse público. In: Comunicação Pública:


Estado, mercado, sociedade e interesse público. Jorge Duarte (org.) - 3 ed. - São Paulo:
Atlas, 2012.

FERNANDES, Isac Gabriel Martins et al. Planejamento estratégico: análise SWOT. Revista
Conexão Eletrônica das Faculdades Integradas de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, v. 8,
n. 01, 2015. Disponível em:
<http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:ZSbI1qpAo9kJ:revistaconexao.aem
s.edu.br/wp-content/plugins/download-
attachments/includes/download.php%3Fid%3D1362+&cd=4&hl=pt-
BR&ct=clnk&gl=br&client=safari>. Acesso em: 19 mai. 2019.

FERNANDES, Talita. Importunação sexual agora é crime; lei pune ejaculação em


público. 2018. Disponível em:
<https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/09/importunacao-sexual-agora-e-crime-
ejacular-em-mulheres-no-transporte-e-exemplo.shtml>. Acesso em: 07 mai. 2019.

FERRARI, Guilherme Gazola. Entrevista sobre importunação sexual. Entrevista concedida


a Adilson Medeiros dos Santos Junior. Abr., 2019.

FERREIRA, Maria Cristina. Sexismo hostil e benevolente: inter-relações e diferenças de


gênero. Temas em Psicologia da SBP, 2004, Vol. 12, no 21, 119– 126. Disponível em:
<http://pepsic.bvsalud.org/pdf/tp/v12n2/v12n2a04.pdf>. Acesso em: 06 abr. 2019.

FLOR, Aline. Homens vítimas de abuso sexual só falam dele mais de 20 anos depois.
2018. Disponivel em: <https://www.publico.pt/2018/01/19/sociedade/noticia/quebrar-o-
silencio-1799900>. Acesso em: 07 abr. 2019

P á g i n a | 136
FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA. Anuário Brasileiro de Segurança
Pública. 2016. Disponível em:
<http://www.forumseguranca.org.br/storage/10_anuario_site_18-11-2016-retificado.pdf>.
Acesso em: 27 abr. 2019.

FREITAS, Waglânia de Mendonça Faustino et al. Paternidade: responsabilidade social do


homem no papel de provedor. Revista de Saúde Pública, v. 43, p. 85-90, 2009.

GABRIEL, Martha. Marketing na era digital: conceitos, plataformas e estratégias.


Novatec Editora, 2010.

GABRIELE, Ana Cláudia. A influência do pacto de San José da Costa Rica na


Constituição Federal. 2017. Disponível em:
<https://acgabriele.jusbrasil.com.br/artigos/397438886/a-influencia-do-pacto-de-san-jose-da-
costa-rica-na-constituicao-federal>. Acesso em: 06 abr. 2019.

GALVÃO. Marketing digital para empreendedores. 2018. Disponível em:


<https://www.youtube.com/watch?v=ZfNu1MaTwIA>. Acesso em: 19 mai. 2019.

GANDRA, Alana. Curitiba adere à campanha ‘Não é Não!’ para o Carnaval. Bem
Paraná, 23 jan. 2019. Disponível em: <https://www.bemparana.com.br/noticia/curitiba-adere-
a-campanha-nao-e-nao-para-o-carnaval>. Acesso em: 07 abr. 2019.

GILLETTE. We Believe: The Best Man We Can Get. 2019. (1m48s). Disponível em:
<https://www.youtube.com/watch?v=koPmuEyP3a0>. Acesso em: 06 abr. 2019.

GOMES, Adriana Salles. 2018: o primeiro ano do resto das vidas das mulheres. 2018.
Disponível em: <https://economia.estadao.com.br/blogs/adriana-salles-gomes/2018-o-
primeiro-ano-do-resto-das-vidas-das-mulheres/>. Acesso em: 06 abr. 2019.

GOMES, Izabel Solyszko. Feminicídios: um longo debate. Rev. Estud. Fem., Florianópolis,
v. 26, n. 2, 2018. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
026X2018000200201&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 06 abr. 2019.

GOMES, João Filho. Gestalt do objeto: sistema de leitura visual da forma. 8 ed. rev. e
ampl. São Paulo: Escrituras Editora, 2008.

GONÇALVES, Werik. Psicologia das cores: descubra o significado de cada cor e como
usá-las para aumentar sua taxa de conversão!. 2015. Disponível em:
<https://rockcontent.com/blog/psicologia-das-cores/>. Acesso em: 22 abr. 2019.

GOVERNO DO BRASIL. Bertha Luz. 2012a. Disponível em:


<http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2012/04/bertha-lutz>. Acesso em: 07 abr. 2019.

GOVERNO DO BRASIL. Maria da Penha. 2012b. Disponível em:


<http://www.brasil.gov.br/governo/2012/04/maria-da-penha-1>. Acesso em: 07 abr. 2019.

P á g i n a | 137
GOVERNO DO BRASIL. Violência contra mulher não é só física; conheça outros 10
tipos de abuso. 2015. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-
justica/2015/12/violencia-contra-mulher-nao-e-so-fisica-conheca-10-outros-tipos-de-abuso>.
Acesso em: 14 jun. 2019.

GOVERNO DO CANADÁ. Using 9-1-1. 2012. Disponível em:


<https://www.canada.ca/en/public-health/services/emergency-preparedness/using-9-1-
1.html>. Acesso em: 21 abr. 2019.

GOVERNO DE ONTÁRIO. Let’s stop sexual harassment and violence. 2016. Disponível
em: <https://www.ontario.ca/page/lets-stop-sexual-harassment-and-violence>. Acesso em: 21
abr. 2019.

GUIA GAZETA DO POVO. Veja quais são as principais baladas de Curitiba. 2018.
Disponível em: <https://guia.gazetadopovo.com.br/materias/as-principais-baladas-de-
curitiba/>. Acesso em: 17 mai. 2019.

GRUPO SERES. Terceirização: vantagens e desvantagens. Disponível em:


<https://www.gruposeres.com.br/terceirizacao-vantagens-e-desvantagens/>. Acesso em: 01
abr. 2019.

G1. Entenda a lei de importunação sexual. 2018. Disponível em:


<https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/03/04/entenda-a-lei-de-importunacao-
sexual.ghtml>. Acesso em: 06 abr. 2019.

G1. Goiano é preso por abuso a funcionária de hotel na Zona Centro-Oeste de Manaus.
2019a. Disponível em: <https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2019/04/05/goiano-e-
preso-por-abuso-a-funcionaria-de-hotel-na-zona-centro-oeste-de-manaus.ghtml>. Acesso em:
23 jun. 2019.

G1. Homem é detido em flagrante, em Guaratuba, suspeito de importunação sexual.


2019e. Disponível em: <https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2019/03/05/homem-e-preso-
em-flagrante-em-guaratuba-por-importunacao-sexual.ghtml>. Acesso em: 07 abr. 2019.

G1. Homem é preso por importunação sexual em trem da CPTM. 2019b. Disponível em:
<https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/03/30/homem-e-preso-por-importunacao-
sexual-em-trem-da-cptm.ghtml>. Acesso em: 07 abr. 2019.

G1. Homem imobiliza suspeito de importunação sexual em terminal de ônibus. 2019c.


Disponível em: <https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/noticia/2019/03/27/homem-
imobiliza-suspeito-de-importunacao-sexual-em-terminal-de-onibus.ghtml>. Acesso em: 07
abr. 2019.

G1. Para 58,5%, comportamento feminino influencia estupros, diz pesquisa. 2014.
Disponível em: <http://g1.globo.com/brasil/noticia/2014/03/para-585-comportamento-
feminino-influencia-estupros-diz-pesquisa.html>. Acesso em: 06 abr. 2019.

P á g i n a | 138
G1. Suspeito de importunação sexual em ônibus é preso em Curitiba; Guarda Municipal
diz que é o 28º caso em 2018. 2018a. Disponível em:
https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2018/12/13/suspeito-de-importunacao-sexual-em-
onibus-e-preso-em-curitiba-guarda-municipal-diz-que-e-o-28o-caso-em-2018.ghtml. Acesso
em: 07 abr. 2019.

G1. 12 estados registraram 77 casos de importunação sexual no carnaval 2019; RJ e SP


ainda não divulgaram dados. 2019d. Disponível em:
<https://g1.globo.com/carnaval/2019/noticia/2019/03/08/12-estados-registraram-77-casos-de-
importunacao-sexual-no-carnaval-2019-rj-e-sp-ainda-nao-divulgaram-dados.ghtml>. Acesso
em: 07 abr. 2019.

HASWANI, Mariângela Furlan. A comunicação estatal como garantia de direitos: foco no


Brasil, na Colômbia e na Venezuela. 2010. 220 f. Tese (Doutorado) - Curso de
Comunicação e Cultura, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. Disponível em:
<http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/84/84131/tde-31082012-122619/pt-br.php>.
Acesso em: 26 abr. 2019.

HINERASKI, Daniela Aline. O Instagram como plataforma de negócio de moda: dos “it-
bloggers” às “it-marcas”. In: Congresso Internacional em Comunicação e Consumo. 2014.
Disponível em:
<http://www3.espm.br/download/Anais_Comunicon_2014/gts/gt_seis/GT06_HINERASKY.p
df>. Acesso em: 01 jun. 2019

HJARVARD, Stig. Midiatização: teorizando a mídia como agente de mudança social e


cultural. MATRIZes, n.2, São Paulo, 2012. Disponível em:
<https://www.researchgate.net/publication/283499425_Midiatizacao_teorizando_a_midia_co
mo_agente_de_mudanca_social_e_cultural.> Acesso em: 26 abr. 2019.

INSTITUTO AVON. Violência contra a mulher: o jovem está ligado?. 2014. Disponível
em:
<http://dev-institutoavon.adttemp.com.br/uploads/media/1523997880950-
pesquisa%20instituto%20avon_2014%20(jovens).pdf> Acesso em: 17 mai. 2019.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Mapa da Violência 2015:


Homicídio de mulheres no Brasil. 2015. Disponível em:
<https://ww2.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/imprensa/ppts/0000000275.pdf>. Acesso
em: 05 abr. 2019.

INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Avaliando a efetividade


da Lei Maria da Penha. 2015. Disponível em:
<http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_2048k.pdf>. Acesso em: 05 abr.
2019.

P á g i n a | 139
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA (IPEA). Tolerância social à
violência contra as mulheres. 2014. Disponível em:
<http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/SIPS/140327_sips_violencia_mulheres_
novo.pdf>. Acesso em: 05 abr. 2019.

JAMES BAR. Disponível em: <https://www.instagram.com/p/By0KzPggZRA/>. Acesso em:


14 jun. 2019.

JANELA. Guia do Mercado. 2019. Disponível em: <http://www.janela.com.br/guia-do-


mercado/> Acesso em: 19 jun. 2019

JORNAL HOJE EM DIA. Idoso é preso por importunação sexual após 'encoxar'
passageira em ônibus no Barreiro. 2019. Disponível em:
<https://www.hojeemdia.com.br/horizontes/idoso-é-preso-por-importunação-sexual-após-
encoxar-passageira-em-ônibus-no-barreiro-1.704589>. Acesso em: 07 abr. 2019.

JORNAL MULIER. Mulheres operárias: do século XVII aos dias atuais. 2013. Disponível
em: <http://jornalmulier.com.br/mulheres-operarias-do-seculo-xvii-aos-dias-atuais/>. Acesso
em: 07 abr. 2019.

JUNIOR, Aury Lopes; ROSA, Alexandre Morais; BRAMBILLA, Marília; GEHLEN, Carla.
O que significa importunação sexual segundo a Lei 13.781/18?. 2018. Disponível em:
<https://www.conjur.com.br/2018-set-28/limite-penal-significa-importunacao-sexual-
segundo-lei-1378118>. Acesso em: 06 abr. 2019.

KENOBY. Entrevista semiestruturada: entenda o que é e as suas vantagens. 2018.


Disponível em: <http://www.kenoby.com/blog/entrevista-semiestruturada/>. Acesso em: 31
mai. 2019.

KOTLER, Philip; ARMSTRONG, Gary. Princípios de marketing. São Paulo: Pearson


Prentice Hall, 2007.

KUNSCH, Margarida M. Krohling. Comunicação pública: direitos de cidadania, fundamentos


e práticas. In: Comunicação pública: interlocuções, interlocutores e perspectivas. Heloiza
Matos (org.). São Paulo: ECA/USP, 2012.

KUPERS, Terry A. Toxic Masculinity as a Barrier to Mental Health Treatment in Prison.


Journal Of Clinical Psychology, Vol. 61(6), 713–724, 2005,. Disponível em:
<https://ojp.gov/reviewpanel/pdfs_nov06/written-kupers.pdf>. Acesso em: 06 abr. 2019.

LAVADO, Thiago. Funcionários do Google em todo o mundo protestam contra assédio


sexual. 2018. Disponível em:
<https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/2018/11/01/funcionarios-do-google-em-
todo-o-mundo-protestam-contra-assedio-sexual.ghtml>. Acesso em 01 abr. 2019.

LIMA, Isabella; FERNANDES, Samantha; GONZALEZ Verônica. Jovens relatam assédio e


'objetificação' durante trabalhos em baladas. 2018. Disponível em:
<https://g1.globo.com/sp/santos-regiao/educacao/noticia/jovens-relatam-assedio-e-
objetificacao-durante-trabalhos-em-baladas.ghtml> Acesso em: 17 mai. 2019.

P á g i n a | 140
LIMA, Nana. O poder de uma hashtag. 2016. Disponível em:
<https://www.meioemensagem.com.br/home/opiniao/2016/05/10/o-poder-de-uma-
hashtag.html>. Acesso em: 21 abr. 2019.

LOPES, Cristiane Maria Sbalqueiro. Direito do trabalho da mulher: da proteção à promoção.


Cadernos pagu (26), 2006: pp.405-430. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/cpa/n26/30398>. Acesso em: 07 abr. 2019.

LUCIANO, Antoniele. Briga em saída de balada no Batel termina com universitário


gravemente ferido. 2017. Disponível em: <https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-
cidadania/briga-em-saida-de-balada-no-batel-termina-com-universitario-gravemente-ferido-
94uwoqwf3sezcknblzzonv218/> Acesso em: 23 jun. 2019.

MACEDO, Isadora. Entrevista sobre importunação sexual. Entrevista concedida a Michel


Douglas Silva. Curitiba, abr., 2019.

MACLEOD, Duncan. Who will you help?. 2015. Disponível em:


<http://theinspirationroom.com/daily/2015/who-will-you-help/>. Acesso em: 21 abr. 2019.

MARCHIORO, Rodrigo. Entrevista sobre a Wspace. Entrevista concedida a Isabele Borges


e Natalia Arnai. Mai., 2019.

MARCOS, Eduardo. Modelo de Negócios “Canvas”. 2018. Disponível em:


<https://oikonomia.pt/pt/2018/10/24/modelo-de-negocios-canvas/>. Acesso em: 26 abr. 2019.

MARTELOTTA, Mário Eduardo (org). Manual de Linguística. 2. ed. São Paulo: Contexto,
2011. Disponível em:
<https://www.academia.edu/28342810/Mario_Eduardo_Martelotta_Manual_de_linguistica>.
Acesso em: 21 abr. 2019

MARTINELLI, Andréa. Quem foi Leolinda Figueiredo Daltro, que há 108 anos fundou o
Partido Republicano da Mulher. 2018. Disponível em:
<https://www.huffpostbrasil.com/2018/02/24/quem-foi-leolinda-figueiredo-daltro-que-ha-
108-anos-fundou-o-partido-republicano-da-mulher_a_23370082/>. Acesso em: 07 abr. 2019.

MARTINS, Humberto Falcão; MOTA, João Paulo; MARINI, Caio. Modelos de negócio na
esfera pública: o modelo canvas de governança pública. Cad. EBAPE.BR, v. 17, nº 1, p. 49 -
67. Rio de Janeiro, Jan./Mar. 2019. Disponível em:
<http://www.scielo.br/pdf/cebape/v17n1/pt_1679-3951-cebape-17-01-49.pdf>. Acesso em: 31
mai. 2019.

MARTINS, Zeca. Redação Publicitária a Prática na Prática. 3. ed. São Paulo: Elsevier
Academic, 2013. Disponível em: <http://lelivros.love/book/baixar-livro-redacao-publicitaria-
zeca-martins-em-pdf-epub-e-mobi-ou-ler-online/>. Acesso em: 16 abr. 2019.

MASSAD, Anselmo. Descubra o que é e como calcular o ticket médio. 2018. Disponível
em: <https://blog.contaazul.com/ticket-medio>. Acesso em: 17 mai. 2019.

P á g i n a | 141
MATOS, Heloiza. Comunicação pública, esfera pública e capital social. In: Comunicação
Pública: Estado, mercado, sociedade e interesse público. Jorge Duarte (org.) 3 ed. São
Paulo: Atlas, 2012.

MAUAD, Ana Maria. Através da imagem: fotografia e história interfaces. Tempo, Rio de
Janeiro, v. 1, n. 2, p. 73-98, 1996.

MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo. 5ª ed. São Paulo:
Malheiros, 1994.

MENEGHEL, Stela Nazareth et al. Rotas críticas de mulheres em situação de violência:


depoimentos de mulheres e operadores em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil. Cad.
Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 27, n. 4, p. 743-752, 2011. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
311X2011000400013&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 05 abr. 2019.

MERELES, Carla. Entenda a Lei do Feminicídio e por que ela é importante. 2018.
Disponível em: <https://guiadoestudante.abril.com.br/blog/atualidades-vestibular/entenda-a-
lei-do-feminicidio-e-por-que-e-importante/>. Acesso em: 23 jun. 2019.

MICHAELIS. Especialista. 2019. Disponível em:


<http://michaelis.uol.com.br/busca?id=QRVQ>. Acesso em: 01 abr. 2019.

MODELLI, Laís. Constituição de 1988 foi avanço nos direitos das mulheres. 2018.
Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/constituição-de-1988-foi-avanço-nos-direitos-
das-mulheres/a-45746107>. Acesso em: 07 abr. 2019.

MONKEN, Sonia Francisca; SARQUIS, Aléssio Bessa; TONDOLO, Vilmar Antonio


Gonçalves; LIMA, Maurício Andrade de. Influência do Marketing Social na Imagem
Corporativa. Revista Ibero-Americana de Estratégia - RIAE. v. 14, n. 4, 2015. Disponível
em: <http://www.redalyc.org/html/3312/331243258008/>. Acesso em: 27 abr. 2019.

MOSER, Sandro. Wood's, Vox e Cats fecharam. Será o fim das baladas em Curitiba?
2018. Disponível em: <https://guia.gazetadopovo.com.br/materias/baladas-fim-era-
fechamento-jovens-baladeiro-vox-woods-cats-curitiba-clubes-noturnos/> Acesso em: 19 mai.
2019.

MULHERES MIL. ONU oficializou o Dia internacional da Mulher em 1975. 2009.


Disponível em: <http://mulheresmil.mec.gov.br/central-de-noticias/1203-onu>. Acesso em:
07 abr. 2019.

MUNIZ, Karlan; ROCHA, Daniela. Comportamento de consumo em festas e ba


ladas: segmentação baseada nas motivações
e análise das dimensões da satisfação. 2011. Disponível em:
<http://www.anpad.org.br/admin/pdf/MKT1282.pdf> Acesso em: 01 abr. 2019.

NAKAMURA, Rodolfo. Mídia: como fazer um planejamento de mídia na prática. 1 ed,


São Paulo: Farol do Forte, 2009.

P á g i n a | 142
NASCIMENTO, Fernanda; FOGLIARO, Débora. LGBT, LGBTI, LGBTQ ou o quê?.
2017. Disponível em: <http://desacato.info/lgbt-lgbti-lgbtq-ou-o-que/>. Acesso em: 08 mai.
2019.

NEGRI, Marina Aparecida Espinosa. O Processo criativo em Publicidade e os formatos All


Type, All Image e Verbo-Visual. Cadernos de Pesquisa Interdisciplinar em Ciências
Humanas, v. 11, n. 98, p. 481-503, 2010.

NETO, Renato Drummond Tapioca. Casamento, um contrato social: práticas


matrimoniais no Brasil oitocentista. 2017. Disponível em:
<https://rainhastragicas.com/2017/08/01/casamento-um-contrato-social-praticas-
matrimoniais-no-brasil-oitocentista/>. Acesso em: 03 abr. 2019.

NETTO, Paulo. Em três meses, mais de 330 mulheres foram vítimas de importunação
sexual em São Paulo. 2019. Disponível em: <https://agenciapatriciagalvao.org.br/wp-
content/uploads/2019/03/estadao-02032019_Em-tres-meses-mais-de-330-mulheres-foram-
vitimas-de-importunacao-sexual-em-Sao-Paulo-Sao-Paulo-Estadao.pdf> Acesso em: 07 abr.
2019.

NOGUEIRA, Renzo Magno. A evolução da sociedade patriarcal e sua influência sobre a


identidade feminina e a violência de gênero. Revista Jus Navigandi, 1518-4862, Teresina,
ano 23, n. 5377, 22 mar. 2018. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/48718>. Acesso
em: 04 abr. 2019.

NOMURA, Jorge Marcelo; SOUZA, Maria Tereza Saraiva de. Uma revisão crítica do
conceito de marketing social. Revista Gerenciais. v. 3, p. 45-52. São Paulo: UNINOVE, out.
2004. Disponível em:
<https://www.researchgate.net/publication/307744373_Uma_revisao_critica_do_conceito_de
_marketing_social>. Acesso em: 27 abr. 2019.

OCHOA, Carlos. Amostragem não probabilística: amostra por conveniência. 2015.


Disponível em: <https://www.netquest.com/blog/br/blog/br/amostra-conveniencia>. Acesso
em: 01 abr. 2019.
OLIVEIRA, Cristiano Lessa. Um apanhado teórico-conceitual sobre a pesquisa
qualitativa: tipos, técnicas e características. 2008. Disponível em: <http://e-
revista.unioeste.br/index.php/travessias/article/view/3122/2459>. Acesso em: 01 abr. 2019.

OLIVEIRA, Maria José da Costa. Comunicação organizacional e comunicação pública,


interações, convergências e conflitos em ações voltadas à saúde pública. In: Comunicação
pública: interlocuções, interlocutores e perspectivas. Heloiza Matos (org.). São Paulo:
ECA/USP, 2012.

OLIVEIRA, Nelson. Carnaval será teste para a lei contra a importunação sexual. 2019.
Disponível em: <https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2019/02/carnaval-sera-
teste-para-a-lei-contra-a-importunacao-sexual> Acesso em: 07 abr. 2019.

P á g i n a | 143
ONG ÉNOIS INTELIGÊNCIA JOVEM. #MeninaPodeTudo: como o machismo e a
violência contra a mulher afetam a vida das jovens das classes C, D e E? 2015.
Disponível em: <https://assets-compromissoeatitude-
ipg.sfo2.digitaloceanspaces.com/2015/06/ENOIS_meninapodetudo2015.pdf>. Acesso em: 27
abr. 2019.

OP9. Acusado de importunação sexual em ônibus tem liberdade negada. 2019.


Disponível em: <https://www.op9.com.br/al/noticias/acusado-de-importunacao-sexual-em-
onibus-tem-liberdade-negada/>. Acesso em: 07 abr. 2019.

PARA ENTENDER DIREITO. O que são crimes hediondos? 2011. Disponível em:
<http://direito.folha.uol.com.br/blog/o-que-so-crimes-hediondos>. Acesso em: 06 abr. 2019.

PASINATO, Wânia. Lei Maria da Penha. Novas abordagens sobre velhas propostas. Onde
avançamos? Civitas - Revista de Ciências Sociais, vol. 10, n. 2, mayo-agosto, 2010, pp. 216-
232, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Disponível em:
<https://www.redalyc.org/pdf/742/74221650004.pdf>. Acesso em: 05 abr. 2019.

PERUZZO, Cicilia M. Krohling. Comunicação e terceiro setor. In: Comunicação Pública:


Estado, mercado, sociedade e interesse público. Jorge Duarte (org.) 3 ed. São Paulo: Atlas,
2012.

PIVA, Naiady. "Não é não": campanha combate assédio na balada. 2015. Disponível em:
<https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/nao-e-nao-campanha-combate-assedio-
na-balada-8fjlioipu5cngv5fkvkf7482e/> Acesso em: 17 mai. 2019

PORTAL DA PREFEITURA DE CURITIBA. Lei mais rigorosa pune assédio sexual com
até cinco anos de prisão. 2018. Disponível em: <http://www.curitiba.pr.gov.br/noticias/lei-
mais-rigorosa-pune-assedio-sexual-com-ate-cinco-anos-de-prisao/47768> Acesso em: 07 abr.
2019.

QUEBRAR O SILÊNCIO. Sobre nós. 2005. Disponível em:


<https://quebrarosilencio.pt/sobre-nos-2/>. Acesso em: 07 abr. 2019.

RAGO, Margareth. Trabalho feminino e sexualidade. In: Mary Del Priore (org.); Carla
Bassanezi (coord. de textos). História das mulheres no Brasil. Editora Contexto: 7 ed., São
Paulo, 2004, p. 483 - 507. Disponível em:
<https://democraciadireitoegenero.files.wordpress.com/2016/07/del-priore-histc3b3ria-das-
mulheres-no-brasil.pdf>. Acesso em: 07 abr. 2019.

REDE HUMANIZA SUS. Transversalidade no Sus. 2015. Disponível em:


<http://redehumanizasus.net/93093-transversalidade-no-sus/>. Acesso em: 27 abr. 2019.

P á g i n a | 144
REZENDE, Humberto; FONSECA, Ana Carolina (col). Estudo investiga casos de homens
que sofreram abuso sexual de mulheres. 2017. Disponível em:
<http://blogs.correiobraziliense.com.br/daquilo/homens-sofrem-abuso-sexual-de-mul
heres/>. Acesso em: 27 abr. 2019.

RH XERPA. Como implementar uma cultura organizacional: 4 apoios que seus gestores
podem dar. 2018. Disponível em: <https://www.xerpa.com.br/blog/como-implementar-
cultura-organizacional/>. Acesso em: 01 abr. 2019.

RITA HEROÍNA. Combinando cores – Parte 3. 2016. Disponível em:


<https://www.ritaheroina.com.br/coresb/combinando-cores-parte-3/>. Acesso em: 15 jun.
2019

ROSA, André; TOMAZ, Kleber; REIS, Vivian. Homem solto após ejacular em mulher em
ônibus é preso de novo ao atacar outra passageira. 2017. Disponível em:
<https://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/homem-e-preso-suspeito-de-ato-obsceno-contra-
mulher-em-onibus-3-caso-em-sp.ghtml>. Acesso em: 05 abr. 2019.

ROVINA, Jackson. Consultoria em Estratégia: o que é e porque contratar. 2018.


Disponível em: <https://www.euax.com.br/2018/09/consultoria-em-estrategia/>. Acesso em:
01 abr. 2019.

RUBIO, Katia. Assédio está cada vez mais evidente no esporte e atinge não só mulheres.
2019. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/colunas/katia-rubio/2019/02/assedio-
esta-cada-vez-mais-evidente-no-esporte-e-atinge-nao-so-mulheres.shtml>. Acesso em: 05 abr.
2019.

RYLO, Ive. Em quatro meses, Manaus registrou 118 casos de importunação sexual
contra mulheres, aponta DECCM. 2019. Disponível em:
<https://g1.globo.com/am/amazonas/noticia/2019/02/12/em-quatro-meses-manaus-registrou-
118-casos-de-importunacao-sexual-contra-mulheres-aponta-deccm.ghtml>. Acesso em: 07
abr. 2019.

SAKAMOTO, C. K. Teoria da Gestalt. 2016. Disponível em:


<https://www.youtube.com/watch?v=em37yZaOeAU>. Acesso em: 20 abr. 2019.

SANDER, Carlos. O que faz um gestor e qual o seu papel em uma empresa?. 2017.
Disponível em: <https://caetreinamentos.com.br/blog/gestao-empresarial/o-que-faz-um-
gestor/>. Acesso em: 01 abr. 2019.

SARTORI, Ugo. Mulher sofre importunação sexual a cada 22 horas no transporte


público. 2018. Disponível em: <https://noticias.r7.com/sao-paulo/mulher-sofre-
importunacao-sexual-a-cada-22-horas-no-transporte-publico-17102018> Acesso em: 07 abr.
2019.

P á g i n a | 145
SANTOS, Júlio. Fornecedor ou Parceiro de Negócios?. 2011. Disponível em:
<https://administradores.com.br/artigos/fornecedor-ou-parceiro-de-negocios>. Acesso em: 01
abr. 2019.

SANTOS, Larissa Conceição. História e legitimação organizacional: reflexões acerca das


narrativas histórico-organizacionais. Organicom, ano 11, n. 20, 2014. Disponível em:
<https://www.academia.edu/36403522/História_e_legitimação_organizacional_reflexões_ace
rca_das_narrativas_histórico-organizacionais>. Acesso em: 18 mai. 2019.

SEBRAE DO PARANÁ. Canvas: como estruturar seu modelo de negócio. 2018.


Disponível em: <https://www.sebraepr.com.br/como-estruturar-seu-modelo-de-negocio/>.
Acesso em: 26 abr. 2019.

SECOM. Pesquisa Brasileira de Mídia. 2016. Disponível em :


<http://www.secom.gov.br/atuacao/pesquisa/lista-de-pesquisas-quantitativas-e-qualitativas-
de-contratos-atuais/pesquisa-brasileira-de-midia-pbm-2016-1.pdf/view>. Acesso em: 05 mai.
2019.

SGORLA, Fabiane. Discutindo o “processo de midiatização”. Mediação, Belo Horizonte,


v.9, n.8, 2009. Disponível em: <http://www.fumec.br/revistas/mediacao/article/view/285>.
Acesso em: 26 abr. 2019.

SIGNIFICADOS. Promoter. 2016. Disponível em:


<https://www.significados.com.br/promoter/> Acesso em: 17 mai. 2019.

SILVA, Leonardo. O que é Vaporwave? Aesthetics, remix e background | mimimidias.


2017. (09m44s). Disponível em: <http://youtu.be/lm0PprRVDv0>. Acesso em: 17 jun. 2019.

SILVA, Luiza de Medeiros. Assédio sexual contra mulheres em transporte público: das
passageiras à empresa. 2018. 68 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Universidade
Federal de São Carlos, São Paulo, 2018. Disponível em:
<https://repositorio.ufscar.br/bitstream/handle/ufscar/10822/Dissertação%20%283%29.pdf?se
quence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 07 abr. 2019.

SILVESTRIN, Celsi Brönstrup; SCROFERNEKER, Cleusa Maria Andrade. Comunicação


pública e comunicação organizacional: quando o interesse público prevalece. In: (Re)leituras
contemporâneas sobre comunicação organizacional e relações públicas [recurso
eletrônico]. Cleusa Maria Andrade Scroferneker, Lidiane Ramirez de Amorim (orgs). Porto
Alegre: EDIPUCRS, 2017. Disponível em:
<https://drive.google.com/open?id=1mjBugo8UmEs5VMb_xVXa0yWj-qp7t4Lu>. Acesso
em: 23 mai. 2019.

SIQUEIRA, André. Persona: como e por que criar uma para sua empresa. 2019.
Disponível em: <https://resultadosdigitais.com.br/blog/persona-o-que-e/>. Acesso em: 01 abr.
2019.

P á g i n a | 146
SITE CONTÁBIL. Qual é o custo da sua empresa? Disponível em:
<https://sitecontabil.com.br/noticias/artigo.php?id=290>. Acesso em: 01 abr. 2019.

SLÁINTE BEER GARDEN. Sem o sim, tudo é assédio. 2018. Disponível em:
<https://www.facebook.com/slaintebeergarden/photos/a.342679849128694/22786034422029
82/?type=3&theater>. Acesso em: 01 abr. 2019.

SOARES, Fabi. Processo Criativo III: a criação publicitária. 2015. Disponível em:
<http://www.sotitulos.com.br/processo-criativo-a-criacao-publicitaria/>. Acesso em 21 abr.
2019.

SOUZA, Edinilsa Ramos de. Masculinidade e violência no Brasil: contribuições para a


reflexão no campo da saúde. Ciência & Saúde Coletiva, 10(1):59-70, 2005. Disponível em:
<https://www.scielosp.org/scielo.php?pid=S1413-81232005000100012&script=sci_abstract>.
Acesso em: 06 abr. 2019.

SUD BR. #WhoWillYouHelp (Legenda Pt-BR) 1080p. 2015. Disponível em:


<https://www.youtube.com/watch?v=00V9MWu5bSU>. Acesso em: 21 abr. 2019.

SUDRÉ, Lu. Março das Mulheres: conheça a verdadeira história do 8 de março. 2019.
Disponível em: <https://www.brasildefato.com.br/2019/03/08/marco-das-mulheres-or-a-
verdadeira-historia-do-8-de-marco/>. Acesso em: 07 abr. 2019.

SWIM, Janet K.; HYERS, Lauri L. Excuse me — What did you just say?!: Women's public
and private responses to sexist remarks. Journal of experimental social psychology, v. 35, n.
1, p. 68-88, 1999. Disponível em:
<https://www.researchgate.net/publication/232484823_Excuse_Me_-
_What_Did_You_Just_Say_Women%27s_Public_and_Private_Responses_to_Sexist_Remark
s>. Acesso em: 07 abr. 2019.

TAMANAHA, Paulo. Planejamento de mídia: teoria e experiência. São Paulo, 2006.

TESSMANN, Tiago. Hotsite – o que é e como usá-lo em sua estratégia?. 2017. Disponível
em: <https://www.tiagotessmann.com.br/hotsite-o-que-e-e-como-usa-lo-em-sua-estrategia/>.
Acesso em: 21 jun. 2019.

THINK OLGA. O assédio e a lei de importunação sexual. 2019. Disponível em:


<https://thinkolga.com/2019/02/14/o-assedio-e-a-lei-de-importunacao-sexual/>. Acesso em:
06 abr. 2019.

THOMÉ, Mendelson. Conhecer seu público é fundamental para alavancar as vendas.


2016. Disponível em: <https://administradores.com.br/artigos/conhecer-seu-publico-e-
fundamental-para-alavancar-as-vendas>. Acesso em: 28 abr. 2019.

TRISTÃO, José Américo Martelli; FREDERICO, Elias; VIÉGAS, Rosemari Fagá.


Marketing e Responsabilidade Social: o caso Natura. III Encontro de Marketing da
ANPAD. Curitiba/PR - 14 a 16 mai. 2008. Disponível em:
<http://www.anpad.org.br/admin/pdf/EMA440.pdf>. Acesso em: 27 abr. 2019.

P á g i n a | 147
TURAZZI, Maria Inez. Uma cultura fotográfica. In: Revista do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional, s.l., n. 27, 1998.

UPLEXIS. A utilidade dos dados primários e secundários na tomada de decisão. 2016.


Disponível em: <https://www.uplexis.com.br/blog/gestao/dados-primarios-e-secundarios/>.
Acesso em: 01 abr. 2019.

URBAN DICTIONARY. LGBT+. 2014. Disponível em:


<https://www.urbandictionary.com/define.php?term=LGBT%2B>. Acesso em: 08 mai.
2019.

UTCHITEL, Renata. O clipping como ferramenta estratégica da assessoria de imprensa.


São Paulo: Summus, p. 101-130, 2004. Disponível em:
<http://jornalismo.weebly.com/uploads/1/2/5/1/1251556/vergetti_tcd3_clippingferramentadea
ssessoria.pdf>. Acesso em: 07 abr. 2019.

VAGIANOS, Alanna. Terry Crews: black men aren’t allowed to be victims until they’re
dead. 2018. Disponível em: <https://www.huffpostbrasil.com/entry/terry-crews-black-men-
arent-allowed-to-be-victims-until-theyre-dead_n_5af1e510e4b041fd2d2bbea2>. Acesso em:
23 jun. 2019.

VIEIRA, Bianka. Combate ao assédio sexual no Brasil exige debate sobre educação e
masculinidade, dizem colunistas. 2019. Disponível em:
<https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/02/combate-ao-assedio-sexual-no-brasil-
exige-debate-sobre-educacao-e-masculinidade.shtml>. Acessado em: 06 abr. 2019.

VIEIRA, Eleandro Gonzaga; OLIVEIRA, Lucas Cipriani de. O papel da mídia frente ao
poder judiciário na proteção do meio ambiente. Anais do 2 Congresso Internacional de
Direito e Contemporaneidade: mídias e direitos da sociedade em rede. Universidade Federal
de Santa Maria, 04 - 06 jun., 2013. Disponível em:
<http://coral.ufsm.br/congressodireito/anais/2013/5-9.pdf>. Acesso em: 07 abr. 2019

VILAJET. O que é Sangria, Marcas de Corte e Margem de Segurança na Impressão?


2019. Disponível em: <http://blog.valejet.com/o-que-e-sangria-marcas-de-corte-e-margem-
de-seguranca-na-impressao/>. Acesso em: 16 jun. 2019.

VOZ, Naldo. Homem é preso em Batalha acusado de importunação sexual. 2019.


Disponível em:
<https://www.portalr10.com/noticia/24221/homem-e-preso-em-batalha-acusado-de-
importunacao-sexual>. Acesso em: 07 abr. 2019.

WEARE, Siobhan; PORTER, Joel; EVANS, Eleanor. Forced to penetrate cases: lived
experiences of men. 2017. Disponível em: <http://wp.lancs.ac.uk/forced-to-penetrate-
cases/files/2016/11/Project-Report-Final.pdf>. Acesso em: 27 abr. 2019.

P á g i n a | 148
WERNECK, Pedro. Análise de concorrentes para otimização da sua estratégia de
conteúdo. 2018. Disponível em: <https://rockcontent.com/blog/analise-de-concorrentes-de-
conteudo/>. Acesso em: 01 abr. 2019.

ZUINI, Priscila. Quando vale a pena impulsionar publicações no Facebook?. 2014.


Disponível em: <https://exame.abril.com.br/pme/quando-vale-a-pena-impulsionar-
publicacoes-no-facebook/>. Acesso em: 20 jun. 2019.

P á g i n a | 149
APÊNDICE

APÊNDICE A – Entrevista 1: Isadora Macedo – Psicóloga.

Perguntas enviadas para à psicólogo.

1. Qual a sua área de atuação dentro da psicologia?


2. Você atende quais tipos de pacientes no seu dia a dia? Alguns deles são vítimas de abuso
sexual?
3. Você já pôde atender alguma mulher que tenha sido vítima de importunação sexual?
4. Qual a abordagem que você usa quando um paciente chega até seu consultório com o
relato de abuso ou assédio sexual?
5. Por que você acha que os números de mulheres que procuram as autoridades quando
sofrem importunação sexual é tão baixo?
6. Na nossa pesquisa nós pudemos entender que mulheres são as maiores vítimas de abuso,
assédio e importunação sexual. Você já pôde atender homens vítimas de abuso também?
Se sim e se for possível, nos conte quais as diferenças entre atender um homem e uma
mulher vítimas de crimes similares.
7. As maiores vítimas de importunação sexual são as mulheres, mas, também é visível que
outros grupos passam por esse tipo de problema, você possui informações se a
comunidade LGBTI+ vive essa realidade?
8. Como a psicologia pode ajudar as pessoas vítimas de abuso sexual?
9. Você acredita que após a lei de importunação sexual, sancionada em 2018, mais pessoas
irão se sentir à vontade para falar sobre isso e procurar algum tipo de ajuda psicológica?
10. Pode-se dizer que muitas vezes a vítima se sente culpada, como agir em relação a esse
trauma de abuso sexual, seja ele importunação ou assédio?

Isadora optou por enviar suas respostas gravadas em áudio, segue:

Isadora (áudio 1): Bom, a primeira sobre a minha atuação dentro da psicologia, hoje a minha
atuação é na clínica e um pouco na psicologia social, um pouco mais na clínica, você pergunta
também quais os tipos de pacientes que eu atendo no meu dia-a-dia, eu não entendi muito bem
essa pergunta ou exatamente o que você quer saber de características dos meus pacientes, mas
o que eu coloquei aqui é que todos são mulheres, não que seja de propósito, mas realmente as
que mais aparecem são mulheres e você pergunta também se alguns deles são vítimas de abuso
sexual, sim, alguns casos que eu atendo são sim.

P á g i n a | 151
Isadora (áudio 2): Logo na terceira pergunta que é se eu já atendi alguma mulher que tenha
sido vítima, sim né, a mesma resposta anterior. “Que abordagem eu utilizo quando o paciente
chega até o meu consultório com relato de abuso ou assédio sexual?”, bom, eu também não
entendi muito bem o que você espera desta resposta, por que a gente não tem uma técnica
específica pra isso, que tem que fazer assim, vai depender muito da abordagem de cada um
dentro da psicologia clínica, dentro da psicologia existem várias teorias que nós escolhemos ou
nos especialismos para trabalhar na clínica, que a gente chama de abordagem e em cada
abordagem vai ter uma forma de se fundamentar, então não existe algo real, que seja uma única
técnica que funcione, vai muito de cada profissional, no meu caso se trata primeiramente muito
de um acolhimento, acolher aquele relato, aquele sofrimento e trabalhar muito, primeiramente
a questão de não se culpar, não se culpabilizar por aquilo que ocorreu e fortalecer seus vínculos,
fortalecer a estima e que muitas vezes elas podem ter consciências dos seus direitos como
pessoa, como mulher no caso e de denunciar ou de sair dessa relação em que está sofrendo esse
abuso, esse assédio, enfim.
Isadora (áudio 3): Bom, na minha experiência, quando eu trabalhei com mulheres vítimas de
violência doméstica e também na clínica com vítimas de assédio sexual, é um pouco parecido
essa questão delas procurarem as autoridades, muitas não vão por questão mesmo de
desinformação, por não serem tão informadas quanto seus direitos, tem também a dificuldade
de passar por isso que são assuntos delicados são assuntos que dá vergonha, principalmente a
mulher se culpar, existe muito a questão de se culpar por ter passado por aquilo, sempre buscam
alguma justificativa “talvez por que eu falei de tal forma e por isso fulano me assediou, talvez
por que eu olhei ou estava vestindo tal roupa”, então existe de uma maneira muito sutil essa
culpabilização e é difícil lutar contra isso, quebrar isso e ter a coragem de procurar autoridades.
Terceiro que existe também uma necessidade de capacitação nesses espaços, com esses
profissionais, por que acontece, eu já vi casos, de pessoas que procuram esses lugares, fazer
denúncia e não são acolhidos, recebidos, não tem um acolhimento humanizado, então isso
dificulta mais ainda essa denúncia.
Isadora (áudio 4): Muitas vezes elas escutam algo do tipo “o que você fez antes, em que lugar
você estava, que roupa você estava vestindo?”, então é como se elas sentissem que elas não
pudessem estar utilizando daquele direito que é de denunciar e também existe a questão do
medo, do medo do próprio agressor, vergonha de amigos, familiares, ficarem sabendo, são
muitos os motivos que geram essa dificuldade, mas principalmente, eu acredito pela minha
experiência, pela desinformação e também a necessidade de uma capacitação e uma

P á g i n a | 152
humanização no atendimento nesses espaços de delegacias, enfim, as autoridades que vão
averiguar o caso.
Isadora (áudio 5): Não, nunca pude atender homens, apesar de que também acontece com
homens, mas nunca pude atender, então não sei dizer sobre eles de experiência, também sobre
a questão do público LGBT,sim, acredito que eles também possam viver essa realidade, estão
vulneráveis a isso, passíveis a isso, as também nunca pude atender em clínica alguém do grupo
LGBT.
Isadora (áudio 6): Então, eu acredito que existem muitas possibilidades com o profissional da
psicologia, ele pode contribuir com essas pessoas, uma delas eu acho que é muito informar né,
informar essas pessoas, orientar essas pessoas, acolher essas pessoas, principalmente com uma
escuta realmente acolhedora, humanizada, sobre os seus relatos, sobre o que passaram, sem o
julgamento prévio, sem julgamento nenhuma e também o papel de que através dessa escuta
poder contribuir para que essas pessoas se fortaleçam e se reorganizem mesmo, para seguir suas
vidas e fazer que tiver de fazer quanto aos seus direitos e também muitas vezes escolhas que
sejam saudáveis para elas e que leve a se distanciar dessa realidade de abuso, se for o caso,
mas principalmente eu acredito que é o acolhimento, a orientação e a capacitação. sim, eu
acredito que a lei, essa nova lei sancionada vem mesmo para contribuir com novas políticas
públicas, para vítimas de importunação sexual, com a lei possibilita novas campanhas e novas
políticas públicas e quanto mais falar, quanto mais tornar conhecido eu acredito que vai
acontecer das pessoas falarem mais, buscarem mais sobre isso e denunciarem mais, então tanto
nós como profissionais temos que estar preparados pra isso, por que pode aumentar essa
demanda, como também outros espaços e instituições públicas também têm de estar preparados
para o aumento dessas falas e denúncias.
que primeiro a questão social, do lugar que a mulher ocupou e do lugar que ela vem ocupando
principalmente nos últimos 50 anos. Por muito tempo, as mulheres tiveram que se adaptar
numa sociedade patriarcal e machista, onde elas deveriam aceitar caladas todo e qualquer tipo
de tratamento, o que muitas vezes recaiam no sentido de menosprezá-las e entende-las única e
exclusivamente como objetos do sexo masculino (limpar, passar, fazer comida, procriar). Com
o passar do tempo, as mulheres foram conquistando mais espaço, mais autonomia, mas não são
todas, infelizmente, que conseguem assumir essa nova posição. E com isto, muitas ainda ficam
nessa posição de submissão frente a uma sociedade ainda machista. E acho que um dos grandes
fatores para não procurarem também é o fato de estarem em relacionamentos tóxicos e

P á g i n a | 153
abusivos. E também pelo choque que o trauma de ser importunado traz, o que não abre espaço
para a fala, e muitas vezes também por medo, vergonha e muitas vezes sentimento de culpa.

P á g i n a | 154
APÊDICE B – Termo de consentimento Isadora Macedo

P á g i n a | 155
APÊNDICE C – Entrevista 2: Guilherme Gazola Ferrari– Psicólogo.

1. Qual a sua área de atuação dentro da psicologia?


Na psicologia eu trabalho com a clínica, com enfoque na abordagem psicanalítica.
2. Você atende quais tipos de pacientes no seu dia a dia? Alguns deles são vítimas de
abuso sexual?
No meu consultório, eu estou aberto a atender desde crianças até idosos, não tenho um enfoque
específico como alguns psicólogos fazem. E sim, já tive e tenho muitos pacientes que foram
vítimas de abuso sexual.
3. Você já pôde atender alguma pessoa que tenha sido vítima de importunação sexual?
Sim, já tive pacientes que sofreram com a importunação sexual.
4. Qual a abordagem que você usa quando um paciente chega até seu consultório com o
relato de abuso sexual?
Depende muito do caso, se for uma criança, nós fazemos a escuta através do lúdico, aplicamos
algumas técnicas, e caso realmente nos deparamos com um caso de abuso chamamos a família
para fazer as devidas orientações. Em caso de adultos, realizo a escuta desse sofrimento, e
passamos a um processo de aos poucos procurar elaborar essa trauma. Caso tenha acontecido
anos atrás o trabalho fica no sentido da elaboração desse sofrimento, caso tenho acontecido
recentemente, buscamos junto com o paciente entender a situação, e orientar no sentido de
denúncias.
5. Por que você acha que o número de mulheres que procuram as autoridades quando
sofrem importunação sexual é tão baixo?
Vários fatores influenciam as mulheres nesse sentido. Acho que primeiro a questão social, do
lugar que a mulher ocupou e do lugar que ela vem ocupando principalmente nos últimos 50
anos. Por muito tempo, as mulheres tiveram que se adaptar numa sociedade patriarcal e
machista, onde elas deveriam aceitar caladas todo e qualquer tipo de tratamento, o que muitas
vezes recaiam no sentido de menosprezá-las e entende-las única e exclusivamente como objetos
do sexo masculino (limpar, passar, fazer comida, procriar). Com o passar do tempo, as mulheres
foram conquistando mais espaço, mais autonomia, mas não são todas, infelizmente, que
conseguem assumir essa nova posição. E com isto, muitas ainda ficam nessa posição de
submissão frente a uma sociedade ainda machista. E acho que um dos grandes fatores para não
procurarem também é o fato de estarem em relacionamentos tóxicos e abusivos. E também pelo
choque que o trauma de ser importunado traz, o que não abre espaço para a fala, e muitas vezes
também por medo, vergonha e muitas vezes sentimento de culpa.

P á g i n a | 156
6. Na nossa pesquisa nós pudemos entender que mulheres são as maiores vítimas de abuso
sexual. Você já pôde atender homens vítimas de abuso também? Se sim e se for possível,
nos conte quais as diferenças entre atender um homem e uma mulher vítimas de crimes
similares.
Já atendi tanto homens, quanto mulheres que sofreram abuso sexual. Em ambos os casos a
maior dificuldade fica em aceitar a situação, em poder falar sobre ela, porque ao relatar a pessoa
muitas vezes começa a reviver em pensamento o que se passou, e acaba sendo um trabalho
muito delicado. Na minha prática eu percebi que as mulheres têm mais receio de se abrir,
principalmente por ter percebido em alguns relatos que elas se sentiam culpadas pelo ocorrido,
como se ficassem se indagando o que de errado teriam feito para passar por aquilo.
7. As maiores vítimas de importunação sexual são as mulheres, mas, também é visível que
outro grupos passam por esse tipo de problema, você possui informações se a comunidade
LGBTI+ vive essa realidade?
Sim, essa situação acontece principalmente com mulheres, mas com a população LGBTI+
também acontece, e muitas vezes, talvez poderia até dizer que na maioria, ela vem ligada a
agressão, no sentido de constrangimento e humilhação, o que para muitos agressores,
dependendo da estruturação deles, isso acaba sendo sentido como prazeroso, algo num sentido
sádico.
8. Como a psicologia pode ajudar as pessoas vítimas de abuso sexual?
A psicologia pode ajudar as vítimas na medida em que está ali para escutar essas pessoas, sem
nenhum preconceito e sempre com muito cuidado, atenção, afeto e acolhimento. Esse
sofrimento é muito grande, e a pessoa que passou por ele, fica muitas vezes anos sozinha, ou
guardando isso para si, e a psicologia entra como esse lugar onde a pessoa pode contar e se
sentir à vontade para se abrir e poder trabalhar em torno do trauma.
9. Você acredita que após a lei de importunação sexual, sancionada em 2018, mais
pessoas irão se sentir à vontade para falar sobre isso e procurar algum tipo de ajuda
psicológica?
Eu acho que tem tudo para dar certo essa lei, porém depende muito de outras campanhas
sociais de abrir isso para as pessoas de fato, ter mais conscientização, e uma mudança de
olhares da sociedade como um todo para o quanto isso é perigoso e deve sim ser levado em
consideração pelas políticas públicas.
10. Pode-se dizer que muitas vezes a vítima se sente culpada, como agir em relação a esse
trauma de abuso sexual, seja ele importunação ou assédio?

P á g i n a | 157
Sim, na grande maioria dos casos a pessoa se sente culpada, como se tivesse feito algo de
errado para aquilo ter acontecido. Entendemos isso como um sentimento de culpa que as
pessoas podem carregar. A grande forma de agir nesses casos e propiciar um espaço que a
pessoa se sinta confortável para falar do abuso ou importunação, e também sobre a culpa que
ela carrega, para que assim, possa ser elaborado de outras formas essa culpa, fortalecendo essa
pessoa, pois elas ficam muito fragilizadas com a situação, e não conseguem enxergar nenhuma
forma de saída, porém, com o fortalecimento dessas pessoas, elas podem ficar mais seguras
com o tempo, e conseguirem elaborar a situação, e até a partir disse poder criar estratégias
para se defender, e até mesmo ajudar outros que passam ou já passaram por isso.

P á g i n a | 158
APÊDICE D – Termo de consentimento Guilherme Gazola Ferrari.

P á g i n a | 159
APÊNDICE E – Entrevista 3: Entrevista Renata Thereza Fagundes Cunha. Ssocióloga (PUC-
PR, 1992), mestre em História Social do Trabalho, Cultura e Gênero (UNICAMP, 2001).
Certificada em Desenvolvimento Local com Perspectiva de Gênero (OIT, 2010). Integrou o
Grupo Nacional Assessor da Sociedade Civil da ONU Mulheres por dois mandatos (2012 a
2015). É Consultora da Comissão de Enfrentamento à Violência de Gênero da OAB PR (2013
– atual). Desde 2006 é Consultora em sustentabilidade pelo SESI-PR e entre outras atua na área
de Gestão da Diversidade e Equidade de Gênero. Há mais de 20 anos é ativista pela garantia de
direitos das mulheres e combate à violência.

1. Em primeiro momento para esclarecimento, devido ao seu conhecimento sobre o


assunto, você poderia definir o que é importunação sexual e qual a diferença entre esse
tipo de abuso e assédio sexual?
A Lei 13.781/18 tipifica como crime a importunação sexual - ato libidinoso, doloso, realizado
para satisfazer a lascívia do agente ou terceiro, sendo ofensa à liberdade sexual da vítima. São
exemplos os toques inapropriados, os beijos forçados, a publicação de nudez, entre outros sem
o consentimento da vítima. Em relação ao assédio sexual, em que estaria pressuposta uma
relação de hierarquia, de subordinação entre a vítima e o agressor, passa a ser um avanço por
considerar o que acontece no espaço público, na rua, no ônibus, por exemplo.
2. Existe atualmente ações e políticas relacionadas ao incentivo da denúncia dessa
prática?
Desconheço política pública voltada ao incentivo da denúncia.
3. Você acredita que há um conhecimento das mulheres a respeito do tratamento da lei
sobre importunação?
Acredito que em parte há sim, pois, leis dessa natureza somente se concretizam a partir de
demandas apresentadas pela sociedade civil organizada, ou seja, impulsionadas pelos
movimentos de mulheres e feministas. Entretanto, é fundamental que a Lei seja disseminada,
como vendo sendo a Lei Maria da Penha, hoje de conhecimento da maioria da população.
4. No seu ponto de vista, como seria uma forma viável de informar o maior número de
mulheres a respeito desse tema?
É preciso divulgar maciçamente, seja por meio de campanhas, informações em órgãos públicos,
via Rede de Proteção, nos mais diversos espaços, como nas Universidades, no transporte
público, nas empresas, etc. O crime é muito comum na nossa sociedade, inclusive culturalmente
aceito, um exemplo é o beijo forçado, comumente chamado de “beijo roubado", romantizando
a agressão. A sociedade em geral precisa compreender que frear a violência é uma tarefa que

P á g i n a | 160
cabe a todos, não somente às mulheres que são as principais vítimas, ainda que a importunação
sexual possa ser de autoria ou vitimizar qualquer pessoa, independente do sexo ou gênero.
5. É nítido que as mulheres são quem mais sofrem com esse tipo de abuso, mas você
possui algum conhecimento em relação a homens que passam por isso?
Não conheço.
6. De acordo com a sua experiência na ONU Mulheres e também no Sesi, há relatos sobre
os locais mais comuns em que os casos de importunação ocorrem?
A Lei surge em resposta aos casos de passageiros de ônibus que ejacularam em mulheres,
fatos amplamente divulgados pela mídia, sendo o transporte público um local comum para a
importunação sexual, assim como bares, casas noturnas, festas como o Carnaval, etc., porque a
própria aglomeração favorece o criminoso. Entretanto, vale ressaltar que o crime pode ocorrer
em qualquer lugar e não é o local, o horário, a roupa usada ou a circunstância que o define.
Neste sentido a aplicação da Lei deve ser interessante para desconstruir a naturalização da
violência e a culpabilização da vítima.

Observo que tal reposta não tem relação com minha “experiência na ONU Mulheres e também
no Sesi”.

7. De que forma a ONU Mulheres poderia ser uma aliada na efetivação da lei de
importunação sexual?
A ONU Mulheres é uma aliada no combate à violência no Brasil, vem apoiando a realização de
pesquisas, dialogando com a sociedade civil, engajando diversos setores, desenvolvendo
campanhas, etc. Eu recomendo que conheçam o trabalho da ONU Mulheres por meio do site.

Ressalto que integrei o Grupo Nacional Assessor da Sociedade Civil da ONU Mulheres por
dois mandatos (2012 a 2015), mas não represento a ONU Mulheres.

8. Como você atua dentro da organização com essa temática tão importante de gêneros?
Atuo no Centro de Inovação do SESI Paraná como consultora em Diversidade, sendo um dos
eixos a Equidade de Gênero. Meu trabalho visa assessorar as empresas a serem mais
equilibradas, receptivas e compreenderem o potencial das pessoas e suas diferenças nas relações
de trabalho. As empresas são microcosmos sociais, são feitas de pessoas e acabam por
reproduzir padrões daquilo que acontece na sociedade, por isso é importante sensibilizá-las
quanto aos problemas da violência contra as mulheres e sobre como contribuir para seu fim.

P á g i n a | 161
9. Como você acredita que a lei de importunação sexual irá afetar o dia a dia das pessoas
que são vítimas desse crime?
Já existem dispositivos legais que condenam tais condutas, contudo, não têm sido suficientes.
Há esperança de que a tipificação da importunação sexual como crime reforce a contenção de
atos dessa natureza, porém, o combate à violência deve ser muito mais amplo do que a
promulgação de novas leis, abrangendo desde a dimensão cultural – por isso é importante tratar
do tema na escola, nas universidades, nos meios de comunicação; quanto na dimensão
estrutural, pois sem estrutura de proteção, atendimento e acolhimento às vítimas a lei não
resultará suficiente.
10. Você chegou a trabalhar diretamente em contato com vítimas de algum tipo de abuso
sexual? Se sim, como foi essa experiência?
Sim, atuo como voluntária interagindo com diversas instâncias da Rede de Enfrentamento à
Violência contra as Mulheres, de forma que chegam ao meu conhecimento diversos casos. A
experiência é sempre muito difícil para as vítimas, em geral mulheres, por vezes também seus
filhos. A violência atinge de forma global, compromete fisicamente, psicologicamente, tem
consequências econômicas, estruturais, etc., requer análise e encaminhamento capaz de atender
a toda sua complexidade, o que acaba sendo falho pela dificuldade de operacionalização das
políticas públicas.
O melhor caminho é a prevenção, a Lei pode ser útil ao reforçar a compreensão de que não são
naturais ou aceitáveis comportamentos que ferem a liberdade sexual.
11. Pode-se dizer que muitas vezes a vítima se sente culpada, como agir em relação a esse
trauma de abuso sexual, seja ele importunação ou assédio?
Devido às questões históricas e culturais as relações de gênero no Brasil reafirmam injustiças e
desigualdades nos âmbitos das relações cotidianas e social, em casa e no trabalho. Essas
relações que estabelecem papéis diferenciados para os gêneros de forma injusta ainda
naturalizam o assédio e o abuso, além de levar à vítima a se sentir culpada, além de sofrer
impactos na saúde física e mental. As vítimas precisam de atendimento humanizado,
acolhimento para que se sintam seguras para denunciar e acompanhamento para minimizar as
consequências.

P á g i n a | 162
APÊDICE F – Termo de consentimento Renata Thereza Fagundes Cunha

P á g i n a | 163
APÊNDICE G – Entrevista 4: Caroline Alexandre – Policial Militar do Paraná.

1. Qual o seu cargo dentro da Polícia Militar do Paraná?


Soldado
2. Importunação Sexual virou crime recentemente, você poderia nos dizer o que de fato
é importunação sexual e qual a diferença existente desse tipo de abuso e assédio sexual?
A importunação sexual ocorre quando a vítima tem sua liberdade sexual (direito de escolher
com quem, como e quando praticar atos de cunho sexual) ferida em local público ou em que o
público tenha acesso. Enquanto o assédio o agressor utiliza da relação hierárquica em seu
favorecimento sexual.
3. Quando há o surgimento de um novo tipo de crime, como a corporação fica sabendo
sobre? Tem algum tipo de treinamento para esses casos que são novos perante a lei?
Sempre que há alguma alteração ou surgimento de nova lei é publicada na Intranet (todos os
PMs tem acesso). Existem, ainda, instruções de nivelamento de acordo com a aplicação do
efetivo (exemplo: Operação Verão / Carnaval, onde geralmente mais acontece este tipo de
crime).
4. Você acredita que a população está ciente da nova lei de importunação sexual? Quais
ações você acredita que a polícia militar possa tomar para que a população esteja ciente
da existência do crime?
A população em sua maioria não esta ciente, mesmo havendo veiculação nas mídias do “NÃO
É NÃO” e outros slogans.
Todos os policiais militares, já em seu período de formação, passam por um curso de
policiamento comunitário o qual tem a finalidade de instruir o policial de como aproximar os
moradores e comerciantes do efetivo aplicado na região onde convivem afim de passar
instruções diversas, infelizmente, em algumas (muitas) áreas a cultura é não gostar da polícia e
ainda a falta de efetivo não permite maior dedicação da parte da policia em fazer visitas,
reuniões de bairro e todas as outras situações que o policiamento comunitário prevê.
5. Você já atendeu ou presenciou algum caso de Importunação Sexual no dia a dia do seu
trabalho? Mesmo antes de virar lei, já aconteceu de você ir atender alguma denúncia que
seja de importunação, como no transporte coletivo ou em algum ambiente público?
Já atendi casos de outros crimes sexuais, importunação ainda não. Considerando que o
transporte coletivo é municipal, as ocorrências são encaminhadas à Guarda Municipal.
Acontece mas não é comum que a PM seja aplicada em ônibus e/ou terminas, então, para o PM

P á g i n a | 164
se deparar com uma situação em transporte publico precisa estar em um deslocamento particular
de ônibus ou ainda ser abordado quando estiver passando por perto.
6. Qual o procedimento tomado quando uma pessoa denuncia um caso de importunação?
O procedimento é o mesmo para todos os crimes onde a ação penal é publica e incondicionada,
encaminham-se agressor (preso em flagrante) e vítima para delegacia de Polícia Civil para
lavratura do Boletim de Ocorrências e demais providências cabíveis.
7. Você trabalha em alguns eventos promovidos dentro da cidade? Caso sim, já houve
casos de importunação?
Sim, atuo em eventos com grande participação do público, mas geralmente não ficamos tão
próximos da aglomeração de pessoas porque diminui o campo de visão. Existem equipes
especificas para atuar dentro dos eventos, geralmente o pessoal da inteligência.
8. A denúncia precisa ser da vítima ou se alguém presenciar pode fazê-la da mesma
forma?
Qualquer um pode não só denunciar como prender o agressor em casos de flagrante.
9. Com base na sua experiência, há casos de homens que sejam vítimas desse crime? Caso
sim, foram os homens que relataram/denunciaram a importunação?
Sim, há casos independentes do sexo da vitima. Presenciei apenas casos em que a vitima tinha
sua identidade de gênero diferente do seu sexo biológico.
10. As maiores vítimas de importunação sexual são as mulheres, mas, também é visível
que outros grupos passam por esse tipo de problema, você possui informações se a
comunidade LGBTI+ vive essa realidade? Há registro de denúncias por parte dessas
pessoas?
Existem muitas denuncias de outros tipos de crime compreendidos na lei 13.718, mas quanto
ao de importunação posso dizer que não é comum. Apesar desta policias não possuir acesso
para todas as ocorrências abertas através do Centro de Operações Policiais Militares - COPOM
– 190 sei de um único caso ocorrido em transporte coletivo em Curitiba, onde a denuncia
ocorreu pelo telefone 153, e o atendimento foi dado pela Guarda Municipal na região da CIC.
11. Se possível, nos conte um pouco da sua experiência sobre ser mulher dentro da Polícia
Militar e se há relatos de mulheres que trabalham na PM e foram vítimas de
importunação por pessoas de fora da corporação, como em ambientes públicos.
O conceito de instituições militares serem machistas vem diminuindo, ano passado tivemos
nossa primeira Comandante-Geral qual foi respeitada e deixou suas marcas positivas. Em sua

P á g i n a | 165
maioria, os policiais se respeitam mutuamente, pode ser que haja casos de importunação ou
assédio dentro da corporação ou com seus integrantes do lado de fora.
Quem tem esse tipo de desvio de conduta não escolhe, necessariamente, sua vitima e tende a
repeti-la em casos em que não haja a devida/disciplina punição e para os casos em que há
punição pode ser que não traga o resultado esperado porque o nosso sistema penitenciário é
punitivo e não educativo.

P á g i n a | 166
APÊDICE H – Termo de consentimento Caroline Alexandre

P á g i n a | 167
APÊDICE I – Entrevista 5: Rodrigo de Freitas Marchioro. – Administrador da WSpace.

Natalia: Pode começar falando seu cargo?


Rodrigo: Eu sou administrador aqui da WS. Então, eu organizo tudo aqui dentro.
Natalia: Quanto tempo você está aqui?
Rodrigo: Vão fazer dois anos.
Isabele: Você pode falar um pouquinho da WS? O histórico.
Rodrigo: A WS é uma casa que tá completando esse ano, oito anos, ela vem do grupo Wood’s,
ela foi aberta para sanar o fechamento da Wood’s Bacacheri, sabe? e prp sócios terem um
rendimento. Só que, ela deu tão certo e se perpetuou aí por oito anos, ela sofreu uma crise, tanto
de público tanto financeira em 2016 e 2017, e 2018 se recuperou e em 2019 ela vai ser
reformada né e tá voltando com um público que atendia antes, que era o público classe B e C.
Em 2016, 2017 e 2018, ainda estava atendendo só o C, então, hoje nosso público é B e C, devido
ao aumento do Ticket médio que a gente vem tendo né e a presença de marcas novas no
cardápio.
Isabele: Foi aí que teve a mudança de nome?
Rodrigo: A WS mudou pra WSpace, porque antes ela estava com muito estigma de samba,
uma casa de samba só, todo mundo falava “ah, a WS é Wood’s samba”, e nunca foi Wood’s
samba, WS sempre foi WS, por ser WS, e, a gente resolveu mudar pra agregar, porque o funk
veio muito forte, o pagode voltou, o sertanejo tava bem em alta, a gente queria ter outros eventos
dentro da casa e queria agregar parceiros de fora, que tipo, por exemplo, que façam festas em
outros lugares que pudessem fazer festas aqui, daí a gente colocou, WSpace, o W para manter
né, e Space de espaço, para ser um espaço compartilhado com outras coisas.
Isabele: Então vocês têm bastante parcerias?
Rodrigo: A gente tem bastante parceria, é, 60 % das festas são com parcerias.
Isabele: E patrocínio em alguma das campanhas, acontecem também?
Rodrigo: Você diz o que? patrocínio do que?
Isabele: Não sei, sei lá, RedBull vai patrocinar.
Rodrigo: Sim, a gente tem, todas as marcas que tão aqui dentro da casa né, que estão aqui, elas,
é, pagam para estarem aqui, como se fosse um mercado. Então vamos supor, a Absolut tá aqui
eles pagam o patrocínio para estarem aqui e se tiver alguma festa que eu precise usar “Absolut
apresenta”, não tem o porquê, eu só não posso vender Cîroc, aí eles me tiram o patrocínio,
quebra de contrato e tudo mais. Hoje a gente tá com a Pernod que distribui Absolut, Bitter e

P á g i n a | 168
Whisky Chivas né, e a gente finalizou o contrato e ta voltando para Diageo que é Cîroc, Ketel
e Tanqueray, então tá nesse processo, ta saindo também da AMBEV, que é dona da Budweiser,
da Skol, e indo pra Heineken.
Isabele: Vocês já realizaram uma campanha com algum tom social?
Rodrigo: Já, a gente geralmente de duas a três vezes por ano tem ação da Teto aqui e da Apae
né, então por exemplo, você entra na casa a tua comanda tem um real a mais, no final esse um
real é destinado pro Teto. Eles pegam um relatório de todo mundo que entrou, batem e aquele
um real vai pra eles, além da gente doar todas as notas que fica aqui pra Apae que eles têm
incentivo fiscal.
Isabele: Quantas pessoas frequentam a casa?
Rodrigo: 3 mil mensal, não, mais né? Vamos supor, com três aberturas, da quanto? 6 mil
pessoas eu acho, chega a isso, é bastante, mas não é por exemplo 6 mil pessoas diferentes, tem
cliente que vem todo dia, toda abertura tão aqui, que é mais presente que funcionário.
Isabele: E com relação ao público, é mais mulher mais homem, quantidade?
Rodrigo: Então, a gente tava com um público muito masculino sabe, é, a gente fez uma
campanha em março, abril e agora maio que é destinado só ao público feminino, onde a mulher
tem o benefício, tem um espumante e pode trazer mais 4 amigas. Então a gente conseguiu
equiparar esse, né, por exemplo, eu tinha 300 homens e 100 mulheres agora e tenho 300 e 300,
ou 300 e 200, as vezes mais mulher do que homens. Em questão de idade, nosso público vai de
22 a 35 anos, um público que a gente considera um pouco mais velho do que os públicos das
outras baladas que é de 17 a 21.
Isabele: Em relação aos funcionários, quantos são?
Rodrigo: Nós temos, funcionários registrados 22, na noite assim, seguranças, taxas gira em
torno de 60 funcionários, para a noite acontecer tem que ter 60 funcionários.
Natalia: Esses seguranças e garçons eles não são fixos eles são tipo terceirizados, vocês
contratam…
Rodrigo: Todos são de uma empresa terceirizada, os garçons são fixos, mas por exemplo, eu
tenho quatro e vou precisar de mais dois aí eu pago uma taxa.
Isabele: É se por exemplo, algum caso de uma mulher reclamar que um cara tá, sei lá, roubou
um beijo dela, mas ela não queria e ela vem reclamar com segurança, ou barman ou alguém
assim, tem algum preparo ou treinamento para saber o que fazer?
Rodrigo: Tem, ah, hoje a nossa gerente é uma mulher quem comanda a noite é uma mulher
sabe? Então primeira coisa, chega a informação através de um segurança pra ela, ela vai olhar

P á g i n a | 169
na câmera, constatou o cara é retirado da casa, feito BO, a gente tem apoio da polícia então eles
chegam aqui com o carro, feito BO o cara é retirado da casa.
Natalia: Já aconteceu algum caso?
Rodrigo: Já, já aconteceu, aconteceu na verdade até de agressão, o cara dar um tapa no rosto
de uma menina porque ela não queria beijar ele, ele foi retirado da casa na hora, até porque as
pessoas que estavam queria lixar ele. Mas acontece bastante, e acontece também ao contrário,
por exemplo uma menina viu o ex dela aqui pegou o celular e quebrou no nariz dele, o celular
(risos), e daí ela sumiu, a gente não conseguia achar ela na casa, ficou escondida. Então, é pros
dois lados, mas, é, a gente não tem tanta reclamação de assédio sabe? aqui dentro, são eventos
bem pontuais, até briga aqui é bem raro.
Isabele: É nas nossas pesquisas a gente viu que pode acontecer tanto com homem tanto com
mulher, independente da orientação sexual.
Rodrigo: Sim, bastante gente, já aconteceu por exemplo de um cara gay chegar aqui e dançar
né, como é uma balada mais hétero ele fez uma confusão dizendo que os caras tavam mexendo
com ele, mas a gente viu, e não, não estava mexendo com ele. E também já aconteceu de o cara
tá realmente mexendo com o cara, porque ele é gay porque ele tava dançando. Então não tem
diferença de gênero, a gente aplica a mesma regra, a partir do momento que você incomoda
uma pessoa você é retirado da casa.
Isabele: Em relação a comunicação, você falou das campanhas que vocês fazem, então vocês
têm um departamento só pra isso?
Rodrigo: Sim, a gente uma agência que faz as artes né, a festa e tudo mais. Além disso, os
patrocinadores eles primeiro falam comigo a gente tenta encaixar enfim em alguma festa. Nosso
cronograma são 12 festas no mês, todas diferentes com temas diferentes.
Isabele: E os tomadores de decisões aqui da WS, são os gestores, são os donos?
Rodrigo: Eu (risos).
Isabele: Ah, é você mesmo?
Rodrigo: A grande parte que envolve operação e funcionário, eu. O que envolve cota societária
aí tem conselho, ou coisas passadas que foram acordadas, passivos e tributação, tudo.
Isabele: E aqui rola, balada, show?
Natalia: Como funciona a casa noturna? é casa noturna, é balada ou tanto faz?
Rodrigo: Tanto faz o nome.
Natalia: E como funciona?

P á g i n a | 170
Rodrigo: Aqui a gente tem um lounge de narguilé né, que ele digamos assim, é uma operação
terceirizada mas que tá dentro da casa, ele abre quarta, quinta, sexta e sábado, e a gente abre a
casa quinta, sexta e sábado. É, a casa funciona, a abertura é às 22 horas, o pessoal entra e
geralmente vai embora às 6 horas da manhã. Que mais? alguma coisa específica?
Isabele: Não, a gente queria saber do funcionamento mesmo. O horário é?
Rodrigo: O horário é das 22 as 06 horas da manhã, não foge muito disso, 04:30 o público
começa ir embora, dependendo da festa. Sábado a gente vai testar duas bandas, pra que esse
público fique mais e o faturamento seja maior. Então, também por exemplo acontece também
do cliente que tá aqui gasta mil reais e chega no caixa e não tem dinheiro pra pagar, e a gente
não pode reter nada por lei do cliente, então é feito um BO também, chama a policia mesmo e
ele fica bloqueado na casa por seis meses ou até pagar a conta.
Natalia: Acontece muito?
Rodrigo: Acontecia bastante, hoje já não acontece tanto, talvez a gente tenha uns 3 ou 4 casos
no mês.
Isabele: Você falou que agora vocês querem atingir a classe B e C né? Isso vocês conseguem
com relação ao valor da entrada?
Rodrigo: Valor, a entrega do produto que é a festa na noite né, o que vai ter, a segmentação da
comunicação, como vou atingir meu público, onde que ele tá, de que forma eu vou abordar ele
pra que esse público venha na casa. A comunicação pro público C eu não posso aplicar pro
público B, então tem que atingir ele de forma diferente. O público classe B é o que mais fica
na vip, pega camaroti mesmo e que está disposto a gastar de 500 reais a 2 mil reais na noite.

P á g i n a | 171
APÊDICE J – Termo de consentimento Rodrigo de Freitas Marchioro.

P á g i n a | 172
APÊDICE K – Reportagem: Nova lei representa avanço na luta contra crimes sexuais

Nova lei representa avanço na luta contra crimes sexuais


Importunação sexual passou a ser tipificada como crime em setembro de 2018. Com isso, qualquer ato que tire a
liberdade sexual da vítima pode levar até 5 anos de prisão.

Por André Grando, Bruna Kahl, Isabele Borges, Matheus Carpenedo, Michel Douglas e Natalia Arnai.

Mulheres ainda são as maiores vítimas deste crime - Bruna Evaristo Kahl (2019).

Desde setembro de 2018, importunação sexual, que consiste em praticar qualquer ato libidinoso sem a
permissão do outro, se tornou crime. O mote para o surgimento dessa lei foi o caso do homem, na cidade
de São Paulo, que ejaculava nas mulheres que utilizavam o transporte coletivo. Apesar de ter sido levado
à delegacia repetidas vezes, sua conduta era tipificada apenas como "importunação ofensiva ao pudor",
um crime de menor gravidade e passível de soltura a partir do pagamento de uma multa. Além disso,
neste caso, o agressor não foi acusado de estupro, pois, de acordo com a decisão do juiz, ele não
submeteu à vítima a força nem a ameaça, o que gerou revolta entre a população e grande repercussão
midiática. Dessa maneira, para que esses agressores não mais ficassem impunes e para preencher essa
lacuna no sistema jurídico brasileiro, a lei de importunação sexual se fez necessária.
Os casos mais comuns de importunação sexual ocorrem em locais com grande circulação de pessoas,
como espaços públicos, transportes coletivos e casas noturnas e, atos como passar a mão no corpo de
alguém, roubar um beijo e encoxadas, podem levar a uma pena de um até cinco anos de reclusão. Em

P á g i n a | 173
Curitiba, de janeiro a setembro de 2018, a Guarda Municipal relatou 43 ocorrências que envolvem desde
a importunação sexual no transporte coletivo até atos obscenos e libidinosos configurados como ataque
ao pudor. Segundo o Estado de São Paulo, via Lei de Acesso à Informação, 333 mulheres foram vítimas
de importunação sexual na cidade de São Paulo em apenas três meses após a criminalização dos atos,
sendo que, dentre os 263 agressores denunciados, 256 são homens. Entre setembro de 2018 e março de
2019, foram registrados 1.882 casos de importunação sexual em São Paulo, ou seja, uma média de dez
por dia.

Perfil das vítimas

Apesar de ser um crime em que não há distinção de gênero ou de faixa etária, as jovens de 16 a 24 anos
e do sexo feminino ainda são as que mais sofrem com esse tipo de abuso. Segundo o Instituto Datafolha,
cerca de 4,6 milhões de mulheres foram tocadas sem consentimento ou agredidas no ano de 2018. Desse
número, as jovens de 16 a 24 anos são a maioria, contabilizando quase 43% das vítimas. Além disso, o
estudo ainda mostrou que 19 milhões dessas mulheres ouviram comentários desrespeitosos enquanto
andavam na rua; 3,9 milhões foram tocadas sem consentimento no transporte público; e 2,3 milhões
foram agarradas ou beijadas, também sem anuência. A pesquisa realizada pela ONG Énois Inteligência
Jovem, em 2015, corrobora com o fato de que as mulheres são as maiores vítimas desse crime, visto
que, 72% das mulheres entrevistadas afirmaram que sofreram importunação sexual por desconhecidos.
Dentre as agressões citadas pelas vítimas, as principais incluem as “encoxadas” no transporte público,
tapas ou afagos nas nádegas em locais públicos e beijos forçados em festas.

Embora os homens sejam considerados como o público em que há o menor índice de casos de
importunação, isso não os impede de serem vítimas de crimes sexuais. Prova disso é um estudo realizado
em 2017, no Reino Unido, cujo resultado demonstrou que, dentre os 200 homens entrevistados, 30,1%
afirmaram que já foram abusados sexualmente sob o efeito de álcool ou drogas. Além disso, 20,9% dos
homens relataram que sofreram impactos emocionais negativos devido ao fato. Os estudiosos
responsáveis pela pesquisa afirmam que a temática de homens que sofrem abusos sexuais é pouco
debatida e sub-reportada dentro da sociedade. Essa realidade, portanto, é um reflexo dos costumes
machistas dentro do contexto atual, em que é dito que os homens vítimas de crimes sexuais devem se
sentir honrados, visto que isso seria uma prova de sua masculinidade.

Com relação à orientação sexual, a pesquisa realizada durante o carnaval de 2018 pelo coletivo
#VoteLGBT e a marca Ben & Jerry’s (2018), expôs como o público LGBT+ sofre com a importunação.
Na pesquisa, 80% dos entrevistados presenciaram algum ato de importunação sexual, como beijo
forçado e toques sem consentimento. Dentre as vítimas, 18% dos homens homossexuais afirmaram
terem passado por isso, comparado a 3% dos homens héteros. Entre as mulheres, 20% das que se
identificam como heterossexuais, declararam ter sofrido importunação, contra 24% das mulheres

P á g i n a | 174
lésbicas. Entre as pessoas transsexuais, por sua vez, os números são mais alarmantes, pois, 33% das
entrevistadas afirmam ter sofrido importunação.

Ainda segundo os idealizadores da pesquisa, o fato da comunidade LGBT+ ser vítima constante de
importunação sexual e outros abusos sexuais, pode estar ligado à realidade em que a sociedade atual
ainda vê essas pessoas como se possuíssem interesses exclusivamentes sexuais, de forma que não se
incomodariam com toques indevidos e beijos forçados. De acordo com o psicólogo e mestre em saúde
mental, Guilherme Gazola Ferrari, na maioria das vezes que uma pessoa da comunidade LGBT+ é
vítima de algum crime sexual, o ocorrido está ligado com a agressão, o constrangimento e a humilhação.
Ele esclarece que, para muitos agressores, essa situação pode ser vista como algo prazeroso e com um
viés sádico.

Denúncia
O que dizem os psicólogos entrevistados

Com relação à denúncia dos atos classificados como importunação sexual, é válido ressaltar alguns fatos
que podem levar a vítima a não ir até as autoridades para protocolar formalmente o que ocorreu com
ela. De acordo Ferrari, muitas das mulheres não denunciam por estarem em relacionamentos tóxicos e
abusivos, o que pode as desencorajar de procurar algum tipo de ajuda. Ainda, o psicólogo afirma que o
trauma de ser importunado dificulta o espaço de abertura para a fala sobre o ocorrido, seja por medo,
vergonha ou culpa.

A psicóloga Isadora Macedo, também entrevistada para entender melhor como a vítima lida com o
trauma da importunação, concorda com Ferrari e reitera que muitas mulheres sentem medo do agressor,
vergonha de amigos e familiares ou culpa pelo ocorrido. Ela relata que, na sua experiência clínica,
algumas mulheres tentam achar algo que justifique o abuso, como se a roupa que estava usando no dia
ou até mesmo o jeito de olhar para o agressor pudesse causar a violência. A psicóloga afirma, ainda, que
algumas mulheres não denunciam por não possuírem informações acerca dos seus direitos.

Além disso, Macedo relata que já lidou com vítimas que foram até os locais que seriam próprios para a
denúncia, como as delegacias, porém, foram atendidas sem o acolhimento e humanização necessárias
devido às circunstâncias. A psicóloga ressalta que suas pacientes já contaram que, no momento da
denúncia, elas foram questionadas sobre a roupa que estavam vestindo, suas ações antes do crime ocorrer
ou o lugar que estavam. Dessa forma, a profissional afirma que, infelizmente, as vítimas não se sentem
no direito de denunciar.

P á g i n a | 175
Pesquisa realizada pelos alunos da UTFPR

Em maio de 2019, alunos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) realizaram uma
pesquisa acerca do tema, tendo como público principal estudantes de diversas universidades da capital
paranaense, Curitiba, entre 18 e 35 anos, com o intuito de compreender mais sobre o perfil majoritário
das vítimas e o comportamento desta e das pessoas que presenciaram o ocorrido, além de entender quais
são os locais mais comuns quando o assunto é importunação sexual ocorrida com esse público.

A pesquisa obteve 550 respostas e abordou diversos aspectos relacionados a importunação sexual, porém
se destacaram o perfil da vítima, o local da ocorrência, o comportamento das pessoas que presenciaram
o crime e o fato de não haver denúncia. Na primeira parte, é reforçada a afirmação de que as mulheres
são as maiores vítimas, sendo elas quase 80%, porém os homens ainda aparecem como 20%, apesar do
assunto ser pouco comentado por eles. Dentre as mulheres, a faixa de idade em que elas são mais
afetadas pela importunação é entre 18 e 25 anos.

Quanto ao local mais comuns relatado pelas vítimas, o destaque fica para as casas noturnas, reportado
por quase 200 pessoas, o que chama a atenção por serem geralmentes estabelecimentos privados e com
seguranças. O transporte público e os demais espaços públicos são listados logo em seguida, citados
quase 175 e 150 vezes respectivamente, seguidos por escola ou faculdade, citado cerca de 75 vezes.
Independente do local, prevalece a afirmação de que ninguém que presenciou o ocorrido ajudou a vítima,
seja por não ter notado, 60%, ou por que simplesmente optou não por interferir, 32%.

Por último, se destaca o fato de que mais de 95% das pessoas que participaram da pesquisa e afirmaram
já ter sofrido importunação sexual, dizem ter escolhido não realizar a denúncia. Dentre os motivos para
esse comportamento se destaca a insegurança, temendo ser desacreditada pelas autoridades; a falta de
informação, pois várias pessoas ainda não sabem sobre a nova lei e/ou não sabia à quem denunciar. No
que se refere a falta de informação, a mesma pesquisa apontou que cerca de 50% das pessoas ainda não
sabe diferenciar importunação de assédio sexual.

P á g i n a | 176
Infográfico produzido com os principais dados obtidos pela pesquisa apresentada.

P á g i n a | 177
Relato das vítimas

Com o intuito de conhecer um pouco mais sobre a temática de importunação sexual e compreender os
danos que esse tipo de abuso causa nas vítimas, foi realizado entrevista com nove pessoas, sendo oito
mulheres e um homem, todos universitários, residentes da cidade de Curitiba. É importante comentar
que as entrevistas precisavam acontecer de forma mais acolhedora, evidenciando para a vítima que
aquele era o seu momento de fala, que não haveria julgamentos e, sim, apoio. Por isso, as entrevistas
ocorreram de modo que os participantes se sentissem mais confortáveis para tratar sobre o tema e as
vítimas permaneceram no anonimato. *

Pode-se notar que dentre os entrevistados apenas um pertence ao sexo masculino, mostrando, assim, que
as mulheres são as maiores vítimas e que há, ainda, um sentimento de vergonha por parte dos homens
em admitir que sofreram casos de abusos sexuais. Em relação aos relatos das vítimas, foi possível
evidenciar que todos sofreram casos de importunação e alguns não tinham conhecimento se o ocorrido
que passaram era de fato importunação sexual. A fala de muitos começou com “eu não sei se isso é
importunação sexual” ou “foi algo tão normal que eu não sei é importunação sexual”. Assim, se torna
possível identificar a falta de conhecimento da população sobre esse tipo de abuso e a normalização que
esses casos possuem. As vítimas citaram que os locais em que mais sofreram importunação sexual foram
no transporte coletivo, festivais e em baladas, “na balada sempre acontece né?”, “o ônibus sempre tá
cheio, então acontece direto”, essas são algumas das respostas dos entrevistados que expressam a
naturalidade como as ações de importunação sexual são vistas, já que, muitas vezes, são consideradas
como algo normal.

Jessica comenta que foi importunada em um ônibus enquanto estava com sua mãe. Ela contou que ficou
completamente sem reação e só conseguiu falar sobre o que aconteceu quando estavam longe. Carol
relatou que depois de ter passado por algumas situações em que foi vítima no transporte público, ela já
não lida com tanta calma e busca chamar a atenção do agressor, expondo para todos que estão ao redor.
Já Lucas, que é heterosexual, estava em uma edição da parada LGBT com amigos no momento em que
foi tocado indevidamente, mesmo após ter recusado as investidas do agressor. Ele contou que sua reação
foi a de tentar se afastar e precisou da ajuda de amigos para se esquivar do importunador.

A importunação sexual deixa marcas e as consequências causadas nas vítimas são vastas. Insegurança,
medo e culpa com certeza são os maiores inimigos que os entrevistados relataram. As mulheres que
foram vítimas de importunação sexual comentam que desde então tomam mais cuidado com as roupas
que vestem e evitam sair para lugares com muitas pessoas, em que o contato físico é inevitável. Na fala
das entrevistas é possível identificar o medo que sentem, uma delas comenta: “sempre penso em uma
maneira de me passar despercebida”. Em relação à culpa que sentem, as vítimas acreditam que o abuso
poderia ter sido evitado se elas não estivessem usando uma roupa curta ou justa.

Foi notório o alívio que os entrevistados sentiram quando ficaram sabendo sobre o surgimento da lei de
importunação sexual, através da pesquisa realizada anteriormente. As vítimas não tinham ciência de que
atitudes como beijo roubado, toques indesejados e “encoxada”, agora são ações puníveis pela lei e que
o importunador pode pegar até cinco anos de prisão. Com isso, se torna possível identificar que a lei
surgiu como um marco histórico na luta contra abusos sexuais, que muitas vezes são banalizados, mas
que não deveriam ser.

*Os nomes utilizados nesta reportagem são fictícios.

P á g i n a | 178