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PONTIFICIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MINAS GERAIS

Perspectivas Estadunidenses para com a formação e estabilização da economia do


Iraque em 2020

Gabriela Araujo

Juliana Oliveira

Luiz Fernando Machado

Marcella Di Donato

Mariana Campello

Pedro de Melo Braga

Raphaela Normand

Belo Horizonte

2010

SUMÁRIO

1
1.INTRODUÇÀO..........................................................................................................3

2.PRINCIPAIS ATORES ENVOLVIDOS..................................................................4

2.1Estados Unidos da América.............................................................................4

2.2 Iraque................................................................................................................ 4

2.3 Empresas.........................................................................................................4

2.4 Irã..................................................................................................................... 5

3.IDENTIFICAÇÀO DO PROBLEMA......................................................................6

4.IDENTIFICAÇÃO DAS VARIÁVEIS....................................................................11

4.1 Fatores-Chave.................................................................................................11

4.1.1 Desenvolvimento da segurança interna do Iraque .................................... 11

4.1.2 Privatização de setores da economia ..........................................................11

4.1.3 O Desenvolvimento de novos setores da economia ,.................................11

4.2 Forças Motrizes................................................................................................11

4.2.1 O Desenvolvimento da tributação sobre produtos importados...................... 11

4.2.2 O Desenvolvimento dos recursos naturais do Iraque................................... 12

5.RANKING DAS IMPORTÂNCIAS E INCERTEZAS.......................................... 13

6. DEFINIÇÂO DA LOGICA DE CENÁRIOS...................................................... 14

7. DESCRIÇÃO DOS CENÁRIOS ..........................................................................15

7.1 Welcome to the Jungle ……………………………………………………............15

7.2 Paradise City .............................................................................................16

8. ANÁLISE DAS IMPLICAÇÕES E OPÇÕES.................................................... 17

9.SINALIZADORES E INDICADORES ................................................................19

REFERENCIAS................................................................................................. 20

1.INTRODUÇÃO
2
O presente trabalho tem como objetivo a construção de cenários e prospecções com relação
a atuação dos EUA para com Iraque haja vista a ocupação feita em 2003.

A lógica que vem a orientar este mesmo é a ação do governo norte-americano para com o
governo Iraquiano no sentido de proporcionar ao segundo uma consolidação do sistema
econômico que regerá as relações de mercado dentro e fora do país, isso na observância da
relação custo-benefício para os EUA que visa o lucro com o conflito. Os EUA nesse patamar
encontra-se como o tomador de decisão, aquele que irá decidir os rumos da sua ação para
com o Iraque num cenário de 10 anos a partir do inicio do processo de retirada de tropas do
país.

A atual conjuntura do sistema político econômico do Iraque mostra uma tentativa de


implementação de um sistema neoliberal por parte do tomador de decisão em questão. Tal
sistema econômico preza uma intervenção parcial, quase mínima do Estado na economia, e
que visa a auto-regulamentação do mercado com total liberdade. Assim, a privatização e o
livre comércio passam a ser as prerrogativas básicas de uma economia de mercado forte
vista a partir da instituição do neoliberalismo. Portanto a promulgação de leis e adendos que
estimulem a economia interna, como a privatização do sistema bancário, mostra essa
tentativa atual de incentivo da livre concorrência e do livre comercio iraquiano nas bases dos
EUA.

Assim sendo, pretende-se no decorrer desta dissertação propor cenários de ação para os
EUA num ambiente onde o Iraque já se estabeleceria após o conflito. Assim a pertinências
dessa relação se tornariam as causas marcantes da construção das implicações das
prospecções.

Utiliza-se nesse trabalho o método GBN (Global Business Network), que oferece um maior
numero de ações e possibilidades de identificação de variáveis e uma melhor construção de
cenários. Tal método garante assim a análise e identificação de cenários que sejam
realizáveis e desejáveis com uma maior coesão de idéias possível.

2. PRINCIPAIS ATORES ENVOLVIDOS

3
2.1 Estados Unidos da América:

O tomador de decisão no processo. Caracterizado pela maior economia mundial, os EUA,


são o principal agente do sistema internacional. Sua posição entre os estados faz com que
ele possua um caráter hegemona e de grande influencia nas políticas dos países. Em 2003,
protagonizou uma intervenção no Iraque que é o eixo que norteia a dissertação aqui
apresentada. Os gastos com esse conflito, a reconstrução do Iraque e a afirmação do
modelo econômico neoliberal constituem a base de entendimento do processo de formação
de cenários e tomada de decisão.

2.2 Iraque:

Pais Islâmico situado no Oriente Médio, é um ator importante no cenário das relações
internacionais. Possuidor de recursos naturais, é um estado que desperta a atenção dos
demais pelo fato de o mesmo ser rico em bacias de petróleo, além de possuir outros
recursos. Junto com os EUA protagonizou uma serie de conflitos na região, entre eles as
Guerras do Golfo e a Invasão do Iraque. O antigo ditador Sadam Hussein foi num primeiro
momento apoiado pelo governo americano na guerra contra o Irã, mas depois foi acusado
pelos mesmos de construção de armas de destruição em massa. A segunda acusação
tornou-se o então motivo aparente de invasão do seu território, porem sabe-se que com o
passar do tempo, o rumo da intervenção foi mudando de nível, e o interesse gerado foi o
desenvolvimento econômico e político do Iraque.

2.3 Empresas multinacionais:

As empresas constituem o terceiro ator do sistema em questão. Por se levar em conta o


nível de analise do Neoliberalismo, a não intervenção da economia pelos estados e a livre
concorrência são os vieses de ação do mercado. Assim a economia de mercado produzida
pela relação entre empresas torna-se um ponto importante no processo. No caso do Iraque,
a privatização de alguns setores da economia fazem com que haja o desenvolvimento do
mercado iraquiano pelo motivo do incentivo da livre concorrência. Assim empresas
internacionais especialmente as Americanas se tornam peças chave no que tange a
economia desses dois estados.

2.4 Irã:

O Irã participa como um quarto ator no desenvolvimento do cenário, pois é um dos


principais envolvidos nas questões econômicas do Iraque, aparecendo como um grande
4
parceiro comercial. O Irã pode ser considerado hoje como uma potencia regional, tendo
grande influencia nas questões do Oriente Médio. O desenvolvimento econômico preterido
pelos americanos criara um aumento da indústria interna iraquiana, diminuindo a influência
iraniana na região. Atualmente o Irã afirma-se econômica e politicamente perante aos EUA ,
constituindo-se como possível ameaça a regularidade da potencia.

3. IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA

5
A Coalizão de Autoridade Temporária (CPA- sigla do inglês) foi implementada em 20 de
janeiro de 2003 para a estruturação e manutenção de uma economia de mercado em solo
iraquiano pós intervenção. O principal foco da CPA era a criação de medidas que
possibilitavam um sistema neoliberal de economia no Iraque, apesar dos obstáculos
principais, a instabilidade econômica, problemas de segurança e a falta de um governo
democrático estável.

Instituições financeiras internacionais, se encontravam ausentes no Iraque desde os anos


90, implicando na falta de dados econômicos sobre o país. Bathsheba Crocker argumenta o
despreparo americano, causado por essa falta de informação, frente a condição da
economia iraquiana, e a necessidade de melhorar o fornecimento de energia, água e a
criação de empregos no Iraque. A demora em atender tais demandas na região, foi um dos
fatores que elevaram o índice de violência durante a ocupação americana do Iraque.

De acordo com dados da CIA, o índice de desemprego em 2008 (dado mais recente) está
estimado em 15.2%, enquanto em 2006 era de 18%. Em estatísticas não oficiais, esse
número varia de 30 a 38% para o ano de 2006. O índice de violência está diretamente ligado
com o índice de desemprego, já que a população jovem, principalmente, se volta para a
insurreição de violência no país. Os jovens procuram por empregos em facções militantes
ainda presentes no estado iraquiano. Tais facções provam ser empregadores estáveis.

A economia iraquiana era até 2003 fundamentada na exploração do petróleo e subsídios


para alimentos, além das empresas estatais que a CPA tinha planos de privatizar. Quanto a
essa privatização, Keith Crane da RAND Corporation diz que as estatais atualmente são
ineficientes e irrecuperáveis, sendo sua privatização inviável para o crescimento da
economia do Iraque. Devido a forte oposição por parte dos iraquianos e as ameaças de
protestos violentos, a CPA teve quer rever sua posição quanto a cortar os subsídios e a
privatização das empresas estatais, deixando essas decisões delicadas para o governo
iraquiano.

Atualmente a economia iraquiana ainda é dependente da industria petrolífera, e as


variações da economia são diretamente conectadas com o aumento e declínio nos preços
do petróleo. A infra-estrutura do setor ainda é precária e, a privatização do setor pode ajudar
a melhorar a mesma, a gestão com capital privado também diminuiria o índice de corrupção
neste setor.

Sob o governo de Saddam Hussein as instituições bancárias eram em sua maioria operadas
pelo governo e “as decisões de credito eram feitas com base em quem você conhecia.”

6
(Crocker, 2004, pg.76)1

Dentro do projeto da CPA, as reformas que incentivavam o crescimento de negócios na


região foram criticadas já que a autoridade da coalizão era simplesmente temporária e não
dispunha de autonomia para fazer mudanças tão radicais.

“Provavelmente a mais controversa era a ordem CPA 39, de 19 de setembro


de 2003, que reverteu décadas de políticas econômicas iraquianas que
limitavam o investimento nos recursos estatais do Iraque a iraquianos e
residentes de outros países árabes. A ordem 39 permite 100 por cento de
investimento e propriedade estrangeira e a gestão de entidades de negócios
iraquianas, exceto aquelas nos setores de recursos naturais(incluindo
petróleo), bancos, e empresas de seguros.” 2 (Crocker, 2004, pg.77)

Desde os primeiros esforços para a reconstrução do Iraque, a segurança interna e a


instabilidade política prejudicaram a formação do novo modelo econômico almejado pelas
autoridades americanas. Com a previsão de retirada das 50.000 tropas ainda no Iraque,
para 2011, o exercito e governo iraquiano precisam firmar uma estabilidade na segurança
do Iraque, o que contribui diretamente para a diminuição do risco de investimento no país. O
risco de investimento no país em 2004 era grande justamente pelo alto índice de violência e
a falta de um governo iraquiano soberano. Devido a esse alto risco de investimento
empresas mostravam resistência em entrar no mercado iraquiano

Graças a política de redução de tarifas de importação da CPA, que visava abrir a economia
até então protecionista, sob o governo de Saddam, fabricantes iraquianos sofrem com a
concorrência desleal de países vizinhos como o Irã, que fornece subsídios a suas empresas
e tarifas protecionistas. Produtos importados mais baratos que os produtos nacionais,
entravam pelas fronteiras abertas, causando perdas para os empresários locais. Um
exemplo de setor que é prejudicado pela política de “fronteira aberta” iraquiana, é o da
fabricação de tijolos e outros materiais de construção. Fabricantes iraquianos agora

1 “lending decisions were made on the basis of who you knew.”(Crocker, 2004, pg.76)

2“Probably the most controversial was CPA Order 39 of September 19, 2003, which reversed
decades of Iraqi economic policy limiting investment in Iraq’s state-owned assets to Iraqis and
residents of other Arab countries. Order 39 permits 100 percent foreign investment and ownership in
and management of Iraqi business entities except those in natural resource sectors (including oil),
banks, and insurance companies.”(Crocker, 2004, pg.77)

7
reclamam da falta de recursos para manterem suas empresas funcionando. O exemplo aqui
mencionado, remete ao desemprego, já citado como fator que gera violência e
consequentemente instabilidade econômica.

Alem da competição com produtos importados, muitas vezes de qualidade superior aos
produtos domésticos, os empresários iraquianos contavam com “empréstimos bancários
escassos, a falta de investimento estrangeiro significava que negócios iraquianos tinham
dificuldade de assegurar o credito que precisavam para iniciar ou reabrir seus
empreendimentos.”3 (Crocker, 2004, pg. 79).

A CPA concentrou-se no esforço de reiniciar a produção de petróleo e retornar a produção


iraquiana ao mesmo patamar pré-invasão. Por conta dessa posição, a coalizão sofreu
criticas por deixar de lado outros setores da economia do Iraque. A indústria de petróleo
iraquiana pré intervenção, já era vitima da corrupção e da sabotagem, com a invasão, os
oleodutos se tornaram alvo de ataques minando o crescimento da economia do país.

A Coalizão de Autoridade Temporária, supervisionava os gastos do Fundo de


Desenvolvimento para o Iraque, de acordo com uma resolução de 2003 do Conselho de
Segurança das Nações Unidas.

“Auditores do governo dos Estados Unidos, KPMG (empresa de


auditoria dos Estados Unidos contratada pelo conselho internacional
de supervisão, controlando o gasto de petróleo on Iraque) e a ONG
Iraq Revenue Watch, entre outros, culparam a CPA pela falta de
transparência na manipulação da receita do petróleo do Iraque e
fundos de reconstrução dos EUA durante a ocupação.” (Crocker,
2004, pg. 80)4

3 “Coupled with almost nonexistent bank lending, the lack of foreign investment meant that Iraqi
businesses had difficulty securing the credit they needed to start or reopen business ventures.”
(Crocker, 2004, pg. 79)

4 “U.S. government auditors, KPMG (the U.S. auditing firm hired by the international oversight board
overseeing oil spending in Iraq),and the NGO Iraq Revenue Watch, among others, faulted the CPA for
not transparently handling Iraq’s oil revenues and U.S. reconstruction funds during the occupation.”
(Crocker, 2004, pg. 80)

8
Para o crescimento da economia é necessário a diversificação da mesma, afim de
evitar a dependência, no caso iraquiano, na exploração de recursos naturais. O estado
iraquiano já contou com setores agricultor e energético lucrativos, e a reimplementação de
ambos deve ser feita na busca de uma economia sólida na região.

O negócio de segurança privada era próspero em 2004, mesmo em meio ao caos do


restante do setor econômico, devido a necessidade de proteção para empresas que faziam
parte da reconstrução do país, e a contratação desses serviços pelo governo americano
para a proteção a civis americanos em solo iraquiano. A dívida externa é hoje avaliada,
segundo o Banco Central do Iraque, em $45.09 bilhões em 2010, depois de negociações
para o alívio da dívida externa do país, que em 2003 acarretava uma divida estimada de
$140 bilhões.

A CPA se dissolveu em 28 de junho de 2004 quando o poder foi passado para um


governo iraquiano interino. Em seu plano de reconstrução do país, a CPA tomou por vezes
posições questionáveis, mas buscou planos de instalação de uma economia de mercado no
estado iraquiano.

Visto toda a formaçào do aparato economico do Iraque, os anseios da coalizao norte


americana na região e a forti influencia da economia de mercado nas relaçoes
estadunidenses, nosso trabalho tem por objetivo a solução do seguinte questionamento:

Quais as perspectivas de ação dos EUA para com o Iraque num período de 10 anos a
partir de uma estruturação e manutenção de um sistema econômico Neoliberal coeso.

O estudo aqui proposto deve cobrir um prazo de 10 anos, que correspondem a dois
mandatos do governo americano, além do termino do mandato atual. A divergência de
idéias com relação ao Iraque por parte dos dois principais partidos americanos, e a incerteza
com relação a eleição desses partidos, faz com que o período de três mandatos seja ideal
para definir a situação dos Estados Unidos em relação ao Iraque. Caso haja reeleição do
atual governo, há ainda um termo onde a oposição pode tomar posse do poder, e instaurar

9
suas políticas para a questão iraquiana.

A questão principal aborda perspectivas de ação dos Estados Unidos para a


estruturação e manutenção de um sistema econômico neoliberal coeso em solo iraquiano.

4.IDENTIFICAÇÃO DAS VARIÁVEIS

4.1 Fatores-chave

10
4.1.1 Desenvolvimento da segurança interna do Iraque

A criação de um efetivo de forças internas (forças armadas, policia local, etc.) treinadas
pelos estadunidenses, que construa uma segurança e uma liberdade para o povo iraquiano
e para as empresas que desejam instalar-se no país. Caso isso não ocorra, a possibilidade
de eventuais ataques terroristas e violência interna, pode corromper a estrutura econômica
que vem sendo forjada pelos EUA.

4.1.2 Privatização de setores da economia

Uma das prerrogativas do sistema neoliberal é a privatização de empresas para um


aumento da livre concorrência no mercado. Caso isso ocorra, aumentariam o numero de
empresas no mercado iraquiano levando a uma concorrência pelos consumidores, isso se
expressaria no âmbito nacional e internacional através da venda e captação de recursos. Ou
a não privatização dos setores econômicos. Esse evento diminuiria o numero de empresas
interessadas em investir no Iraque, fazendo com que a empresa nacional se desenvolvesse
porem, não haveria investimento externo, nem a captação de recursos por parte dos EUA.

4.1.3 O Desenvolvimento de novos setores da economia

A diversificação do sistema de mercado iraquiano levaria a uma maior captação de recursos


por parte das empresas e dos governos envolvidos nas transações. Um maior numero de
empresas representaria uma maior numero de capital e Mao de obra empregada, gerando
assim um desenvolvimento dos recursos humanos. Caso contrario, o não desenvolvimento
acarretaria uma certa estagnação do mercado por falta de variedade. Tal falta contribuiria
para o que as importações iraquianas continuassem a ser um ponto forte na definição da
balança comercial do país.

4.2 Forças Motrizes

4.2.1 O Desenvolvimento da tributação sobre produtos importados

Tal implementação contribuiria significativamente para o desenvolvimento do mercado


interno iraquiano, fazendo com que a balança comercial se tornasse efetivamente favorável,
uma vez que o mercado é dominado por produtos estrangeiros principalmente de origem
iraniana. Um problema relacionado a essa variável seria a imposição de taxas aos produtos
dos EUA, que são os principais parceiros econômicos do Iraque. Ou, a não taxação dos
produtos importados traria uma maior circulação dos mesmos no país, uma vez que estes
não encontrariam imposições para a entrada no mercado.

4.2.2 O Desenvolvimento dos recursos naturais do Iraque

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A implementação de políticas econômicas que favorecessem o desenvolvimento dos
recursos naturais facilitaria concisamente o crescimento de novas industrias e mercados.
Isso atrairia investimentos externos estrangeiros. Ou não desenvolvendo-se tais recursos, a
industria consolidada do petróleo se desenvolveria com uma maior força.

5.RANKING DAS IMPORTÂNCIAS E INCERTEZAS

Variáveis Importâncias Incertezas

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1 Desenvolvimento da Segurança Interna 5 4

2 Privatização dos setores da economia 5 3

3 Desenvolvimento de novos setores da economia 5 2

Desenvolvimento do sistema tributário sobre


4 3 3
importações

5 Desenvolvimento do recursos naturais 4 2

6. DEFINIÇÂO DA LOGICA DE CENÁRIOS

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7. DESCRIÇÃO DOS CENÁRIOS

Interna
O desenvolvimento da segurança
7.1 Welcome to the Jungle

Passados os dois mandatos pós Barack Obama, podemos observar Cenário 1que a questão
Cenário 4
Iraquiana foi deixada de lado. Tal descaso gerou as definições deste cenário.
Paradise City
A segurança interna após a retirada de das tropas em 2011, não foi melhorada. Tal
conseqüência acarretou um recolhimento dos interesses dos investidores que ficaram
ameaçados de investir em um local onde não havia garantia de que seus bens e
propriedades fossem assegurados. Alem desse aspecto, houve uma permanência dos
atentados terroristas, fator que amedrontava os investidores.

Observa-se que o plano


A privatização desetores
dos estruturação
da econômica do Iraque
A não pelos EUA
privatização dos não foi efetivado.
setores da
interna
O não desenvolvimento da segurança

economia economia
A implementação do Neoliberalismo através da privatização das Estatais e da tentativa de
estimular o livre comércio por este nível não obteve êxito. Apesar da tentativa de
privatização do sistema bancário, as antigas empresas permaneceram no mercado, pois
possuíam a credibilidade da população. Portanto por mais que se tentasse privatizar a
economia iraquiana, não havia condições para que esta se consolidasse. Assim o Iraque
Cenário
não pode vivenciar 3
um desenvolvimento econômico prometido pelosCenário 2
norte-americanos.

Welcome os to the jungle


Assaz a promessa de pagamento dos dispêndios do conflito, estadunidenses não
conseguiram desenvolver os recursos naturais do país afim de incentivar os investimentos
de empresas multinacionais. Assim o mercado interno permaneceu estagnado e sem
perspectiva de crescimento. Os trabalhadores iraquianos permaneciam sem emprego, uma
vez que não havia empresas para empregá-los.

O petróleo continua sendo o carro chefe da economia iraquiana, porém a não entrada de
novas empresas fez com que a infra-estrutura de produção de petróleo continuasse precária
e que o expoente crescimento objetivado pelos EUA, e o conseqüente lucro dos americanos
com a vinda de capital oriundo da venda de petróleo não pudesse ser alcançado. As
empresas iraquianas são as únicas que lucram com a extração de petróleo uma vez que o
serviço continua sendo estatal.

A não tributação dos produtos importados não trouxe benefícios a economia iraquiana, uma
vez que não se pode dar condições a criação de produtos iraquianos que pudessem

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competir com o mercado externo. Assim sendo, vê-se este cenário como provável, mas não
desejável.

7.2 Paradise City

O cenário que se apresenta a seguir refere-se ao mais desejável e provável a partir da


intervenção econômica do EUA no Iraque.

A retirada gradativa de soldados americanos do fronte de batalha, forçou a coalizão militar


americana a auxiliar as autoridades iraquianas na criação e efetivação de uma força policial
e militar competente e bem treinada. Tal efetivo de homens pode ter controle das tentativas
de atentados terroristas que vieram a se realizar. Vale ressaltar que o numero de atentados
e mortes decorrentes dos mesmos, diminuíram consideravelmente graças a prosperidade
vivenciada pelo povo iraquiano. Tal segurança pode garantir também a manutenção e
garantia que os bens e propriedades dos investidores. Tal segurança produzida fez com que
mais investidores se interessassem pelo país.

O processo de privatização proposto pelo CPA, e concretizado nos mandatos seguintes dos
demais presidentes americanos, pode contribuir para um crescimento econômico
perceptível. Uma vez que a privatização aumentava a concorrência esta propiciava a
procura pelos melhores preços, forçando as empresas a proporcionar os melhores serviços
tanto no âmbito interno quanto no externo. Alem disso os EUA lucravam consideravelmente
com a entrada de empresas americanas que faziam com que o capital retornasse, assim,
podiam compensar os gastos obtidos com o conflito.

O governo iraquiano incentivado pelo americano, fez com que os recursos naturais não só o
petróleo fosse amplamente desenvolvido. Tal medida proporcionou o crescimento da
economia do país uma vez que empregos foram criados junto com a instalação de
empresas.

A efetiva queda das importações promovida por imposições de taxas a produtos


estrangeiros fez com que se desenvolvessem produtos internos de boa qualidade. O
aumento da produção fez com que o mercado interno iraquiano se consolidasse
promovendo o desenvolvimento da economia do Iraque por fatores internos e externos.

8. ANÁLISE DAS IMPLICAÇÕES E OPÇÕES

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8.1 Welcome to the jungle

A falta de segurança, fator causador de instabilidade, dentro do Iraque causou


estagnação da economia, já que a mesma impediu a diminuição do risco de investimento no
país. O índice de desemprego que uma economia subdesenvolvida gera forma um ciclo
vicioso que aumenta a violência que por sua vez só faz aumentar a instabilidade e falta de
segurança.

Um governo economicamente instável tende a ser fraco e incapaz de prover uma


boa qualidade de vida para seus cidadãos. Com um governo fraco, as facções terroristas
ainda tem palco de ação no Iraque, que não consegue se libertar totalmente da intervenção,
mesmo que indireta, dos Estados Unidos.

Os norte americanos por sua vez, não conseguem seu objetivo de estruturar uma
economia de mercado no estado iraquiano e seus planos de liquidação da dívida com o
Iraque e beneficiamento financeiro com a nova economia iraquiana são frustrados.

A industria petrolífera e o sistema bancário ainda são monopólio estatal, e a falta de


investimento privado geram morosidade no desenvolvimento da infraestrutura dos dois
setores e perpetuam a corrupção no sistema iraquiano.

Com os bancos sendo, em sua maioria, propriedade do estado, a linha de crédito


não tem aumento, dificultando a abertura de novos negócios de pequeno e médio porte e a
diversificação da economia iraquiana. Assim sendo, a economia continua extremamente
dependente de um setor petrolífero que opera aquém de sua capacidade.

8.2 Paradise City

Uma rede de segurança nacional efetiva e bem preparada, gera estabilidade


econômica e o risco de investimento no pais declina. Há aqui a criação de um ciclo virtuoso
uma vez uma economia sadia gera mais empregos diminuindo assim o índice de violência e
diminuição de recrutamento por parte de facções terroristas no pais.

Com a privatização de empresas, o capital privado investe na infraestrutura e


aquecece a economia do país. Com uma rede de infraestrutura bem estabelecida, o
desenvolvimente de recursos naturais aumenta e sua distribuição tende a ser igualitária pelo
país.

Os Estados Unidos consegue estabelecer sua meta da criação e manutenção de um


sistema neoliberal coeso no Iraque, beneficiando-se do desenvolvimento do mercado

16
iraquiano. Os EUA puderam assim reaver em forma de lucro o capital gasto com a invasão
iniciada em 2003.

Tarifas estabelecidas para produtos importados, protegem de até certo ponto o


produto iraquiano e aumenta sua competitividade em relação a itens estrangeiros. Devido a
essas tarifas e a privatização das empresas estatais, um sistema de crédito é estabelecido e
proporciona a diversificação do sistema econômico do Iraque.

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9.SINALIZADORES E INDICADORES

Tendo em vista os cenários elaborados, pode-se ver que o desenvolvimento da


Segurança nacional é um dos principais fatores que torna os cenários possíveis. Com esta
então desenvolvida a possibilidade de que ocorra diversas transformações no âmbito
político e econômico se torna algo considerável. O desenvolvimento da economia, só seria
possível, do ponto de vista norte americano, com a implantação do neoliberalismo, pois
proporcionaria a abertura do mercado, a privatização de empresas e investimento
estrangeiro. Para que isso ocorra o governo americano deveria suplantar e apoiar a criação
de uma força militar forte e capaz para garantir a sobrevivência do sistema em questão.

Assim sendo, a efetivação de tais medidas, será a decisão mais coerente e coesa para que
o modelo Neoliberal de desenvolvimento economico, favoreça não só o Iraque com a sua
reestruturação mas sim o lucro dos EUA com o investimento financeiro agregado.

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REFERENCIAS:

Central Bank of Iraq http://www.cbi.iq/index.php?pid=GovernmentSecurities

CROCKER,Bathsheba Reconstructing Iraq’s Economy , The Center for Strategic and


International Studies and the Massachusetts Institute of Technology; The Washington
Quarterly • 27:4 pp. 73–93. THE WASHINGTON QUARTERLY ■ AUTUMN 2004

Council on Foreign Relations;


http://www.cfr.org/publication/13629/economic_doldrums_in_iraq.html#p1

The New York Times: The next deadline, 21 de Junho de 2010


http://www.nytimes.com/2010/07/22/opinion/22thu1.html

The Wall street journal: http://online.wsj.com/article/SB123732669334561799.html?


KEYWORDS=iran+cheap+goods+iraq

GREMAUD, Amaury Patrick. Depois do choque e do pavor: Reflexões acerca da guerra do


Iraque. Ind. Econ. FEE v. 31 n.1 2003

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