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PROST, Antoine. Os fatos e a crítica histórica. In: PROST, Antoine.

​Doze

lições sobre a história. ​São Paulo: Autêntica, 2009. Cap. 3. p. 53-73.

O texto estudado aborda a visão sobre o Método crítico e a escola Metódica.

O autor começa o texto enfatizando que a existência de fatos concretos e imutáveis

é ponto comum na opinião pública; e como por exemplo ele cita um debate, que

gerou polêmica na França durante os anos 80, no que tange o ensino da história nas

escolas, principalmente sobre temas “delicados” ou controversos aos olhos da

opinião pública á época.

Prost continua sua exposição trazendo a tona a escola “metódica” da história,

citando Langlois e Seignobos, e explicando o “método” científico, no qual os fatos se

constroem, e uma vez construídos, obviamente seguidos de “provas” para que

possam se verificar verdadeiros, assim devem ser transmitidos. Longe de negar a

existência de fatos, o autor aqui busca explicar que para ser considerado um fato,

devem haver provas de seu acontecimento, assim validando o argumento em pauta,

com base final em sua fonte. Assim Prost caracteriza o ofício do historiador em um

nível mais “básico”.

Em seguida o Autor começa uma breve descrição do método crítico e suas

técnicas, explicar-lhe seus fundamentos e exemplificar seu uso, principalmente pelo

ofício do historiador, que ainda segundo o Método crítico tem uma gama de diversos

passos e questionamentos a seguir para analisar um documento. Usando a crítica

externa (para averiguar a autenticidade de um documento) a crítica interna (a

veracidade do conteúdo presente no documento)e ainda mais profundamente sobre


as intenções por detrás de um documento e seu autor (critica de sinceridade) até a

confiabilidade do conteúdo presente no mesmo (crítica de exatidão), diferenciado a

voluntariedade do testemunho ou não, e ainda também identificando os elementos

linguísticos, os termos utilizados, seus significados á época, seu significado segundo

o autor do documento, tudo isso deve alterar as percepções e por consequência o

olhar do historiador sobre o documento analisado.

Continuando a discorrer sobre a importância do método crítico, sua

essencialidade ao ofício do historiador, e como esse mesmo historiador precisa agir

contra seu “movimento natural” e incorporar um espírito crítico, e como esse método

legitima o seu trabalho ( o diferenciando de um historiador “amador”). Esse Espírito

crítico (explicado por Seignobos, que também acaba discorrendo sobre a diferença

entre exatidão e precisão) leva o Historiador a questionar, por meio de métodos

previamente propostos, o documento, sua origem, sua confiabilidade e sua

veracidade, quer seja esse documento um papel escrito (ou similares) até fotos

filmagens e mais atualmente até documentos digitais (o que abrange as perguntas

sobre o método a ser seguido e quais os passos para se analisar um documento

digital, e abre todo uma nova perspectiva de olhar e de técnicas necessárias a

análise desse documento e, em último, sua função e papel como documento ou

não). Aqui o Autor expõe o método crítico como o único adequado de fato a história,

segundo os defensores e pensadores da Escola Metódica (utilizando como exemplo

sempre Seignobos e por vezes Langlois).

A partir da segunda parte do texto (“fundamentos e limites da crítica”) o autor

começa a justificar a importância do método crítico Para a História como objeto de

estudo, pois se trata não do estudo do passado, mas sim dos seus vestígios. A
matéria torna-se, portanto, uma maneira de “conhecer a história”. Aqui acontece a

divisão do que é ciência (embora o autor enfatiza que a escola metódica ainda

chama a história de ciência) e do que é história. A história trata-se então de

conhecer o passado ( por mais abrangente que possa ser o termo, com seus

diferentes e inúmeros possíveis significados) a partir de vestígios do que aconteceu

(ou deixou de acontecer). A história não existe, e pelas mãos dos historiadores,

munidos da técnica adequada, deve ser construída no presente, Logo a história e

seus fatos são nada menos do que o resultado de um raciocínio que leva as

conclusões da afirmação de um historiador (ou por outrem que procura também o

método crítico)

Na última parte do texto Prost, então, aponta um dos pontos fracos

fundamentais do Método crítico: a sua completa aplicação é impossível, ou de outra

forma insuficiente. Muito mais do que somente aplicar as técnicas a um documento,

ou vestígio, e usar-lhes as “sobras” como resultado científico, o Estudo histórico

deveria iniciar-se de questionamentos perante o objeto de estudo. Mesmo assim o

autor reconhece a importância fundamental da Escola Metódica e até certo ponto

como ela foi bem-sucedida e alcançar seus objetivos: a criação de um método, com

o qual historiadores podem olhar para os trabalhos de colegas de profissão

(contemporâneos ou não) e ali achar fontes confiáveis, que já passaram pelos

métodos críticos, então podem ser utilizados como referência para seu próprio

trabalho. O método acaba criando finalmente um sistema comum (mesmo que por

diversas vezes diferentes e contraditórios) ao qual o historiador pode recorrer para

fazer o seu próprio recorte sobre determinado tema ou até vestígio, e aplicar nesse o

mesmo método crítico para assim poder ser aceito e utilizados por seus sucessores
da mesma maneira. Terminado o texto afirmando que nem os próprios defensores

do método crítico foram completamente fiéis ao que defendiam, Prost afirma

novamente a importância do questionamento para a construção da história, mas

sempre seguido do método, para ser admitido posteriormente como “fato histórico”.O

que não necessariamente significa que este “fato” é incontestável: dentro do mesmo

ofício, sobre diferentes abordagens para contestar o fato prévio, deve-se construir

novos fatos, munidos de outras possíveis fontes levantando novos questionamentos,

mesmo e principalmente, para os trabalhos já realizados.