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RESUMO

Ensino Integrado, a Politecnia


e a Educação Omnilateral: por
que lutamos?

RESUMO: CIAVATTA, Maria. Ensino Integrado, a Politecnia e a Educação Omnilateral: por


que lutamos? Revista Trabalho & Educação, v. 23, n. 1, p. 187–205, 2014.

Maria Ciavatta reflete sobre embates políticos e a respeito de políticas que


propõem mudanças sociais. Dentre elas estão a Revolução Russa e a Revolução
Cubana, além das discussões acerca da LDB nas décadas de 80 e 90.

A autora inicia seu artigo fazendo uma reflexão acerca da pergunta que consta
no título do texto “Por que lutamos?” e se atem à resposta que também já se encontra
no título “Ensino Integrado, a Politecnia e a Educação Omnilateral”, fazendo algumas
considerações. A primeira delas diz respeito à luta por práticas educativas que não
são novas, segundo a própria autora, e que remetem à educação promovida, a priori,
na Revolução Russa, a educação socialista. A ideia inicial da referência é aproximar
o ideal que se espera com a educação integrada aos ideais pretendidos com a
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educação socialista: elevação das massas ao nível de conhecimento e capacidade


de atuação como as elites sempre reservaram para si e seus filhos.

Adiante, Ciavatta faz uma análise acerca da a XI tese ad Feuerbach que diz
que “os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras, o que
importa é transformá-lo” (MARX; ENGELS, 1979, p.14). A autora, então, põe-se a
discorrer sobre a promoção de mudanças no campo da educação em um país em
que, mais que educação, a grande massa necessita de moradia e alimento – assim,
fica evidente que a educação permanece em segundo plano, até mesmo para
aqueles que necessitam dela para ascender na vida social.

Em seguida, há uma discussão acerca do termo politecnia: de um lado, vê-se


a prática como uma forma de manobra de passa para atender aos interesses do
capital através da formação de mão de obra, de outro, há a educação articulada ao
trabalho como instrumento de emancipação humana. A partir dessa análise é que a
autora vai tratar das ações que promoveram mudanças sociais a partir da politecnia,
que significa, etimologicamente, “muitas técnicas”, e deu origem, no Brasil, a
instituições educacionais como escolas de engenharia com sentidos voltados à
formação humana e à educação omnilateral. A ideia de politecnia é, também, a
formação de pessoas capazes de assumir funções que não se resumam a trabalho
braçal, superando, segundo GRAMSCI, a divisão social entre trabalho manual e
intelectual.

A autora mostra que, já em 1980, havia discussões a respeito da


democratização do saber a partir da LDB, em que, na data, a politecnia era tida como
forma de profissionalização compulsória. A ideia era lutar contra o dualismo ESCOLA
DE POBRE – TRABALHO BRAÇAL X ESCOLA DE RICO – TRABALHO
INTELECTUAL (UNIVERSIDADE).

A origem da politecnia em sua forma mais defensável como formação humana


se encontra na educação socialista (regeneração social já pensada durante o
Renascimento): omnilateral – formação mental, física, cultural, política e científico-
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tecnológica. O problema de implantação desse tipo de educação em países


capitalistas encontra problemas e entraves justamente no modelo econômico, afinal,
a politecnia foi pensada, primeiramente, para sociedades socialistas.

No tópico 2, Ciavatta faz uma leitura das relações de trabalho e de educação


na pedagogia socialista, elucidando que, para as sociedades socialistas, a
educação, a vida e o trabalho têm uma articulação diferente com a vida dos
indivíduos, porque, tendo um projeto diferente de sociedade e de formação humana,
educação e trabalho ganham significados diferentes de uma sociedade capitalista. A
autora faz referência à Revolução Russa, dando destaque para a dialética entre a
consciência e o modo de produzir a vida, fundamental para a realização dos objetivos
revolucionários, deixando claro que, mesmo com os embates para implantar a nova
sociedade, contou com pedagogos idealistas com ideais de “educação do futuro”,
mesmo que tendo sido iniciada em um país com características semifeudais.

Não havia ensino formal para a maioria dos operários e dos


camponeses; ao menos três quartos da população eram
analfabetos; os professores não estavam capacitados,
tinham baixos salários e baixa posição social. A Igreja
Ortodoxa dirigia a maioria das escolas (CASTLES;
WÜSTENBERG, 1982, p.67-69).

Alguns pedagogos revolucionários tiveram destaque:

Krupskaia: dirigia a Comissão Estatal para a Educação e tinha como tarefa projetar
um novo sistema educativo.

Lunacharsky: nomeado Comissário do Povo, tinha a responsabilidade da


administração de todos os tipos de educação.

Pistrak: um dos grandes educadores do ideário pedagógico dos primeiros tempos


da Revolução, sua visão educacional é concomitante à ascensão das massas deste
período.
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A revolução foi social e política e teve destaque nas escolas, chamadas


escolas unitárias de trabalho, que deveriam ficar abertas os sete dias da semana,
para que as crianças pudessem “desenvolver seus próprios interesses” fora das
aulas. O trabalho produtivo era um elemento essencial desse tipo de escola, com o
objetivo de combinar a aprendizagem escolar com o trabalho produtivo. A educação
socialista, então, não se resumia a conteúdos de ensino, mas tratava também dos
métodos e da prática, principalmente a social.

INFORMAÇÃO ADICIONAL
No Brasil, este tipo de escola ficou conhecida por implantar
o que se chama de Pedagogia da Alternância, que, nada mais é
que é um método que busca a interação entre o estudante que
vive no campo e a realidade que ele vivencia em seu cotidiano.
Em Portugal há uma escola que oferece um método também
parecido com este tipo de pedagogia, chamada Escola da Ponte).

Entretanto, com a ascensão de Stalin ao poder, a construção do socialismo passou


a significar trabalho e obediência. As propostas da revolução cultural e intelectual de
Lenin no período anterior tiveram seu significado alterado: não eram mais para as
massas, mas sim para o partido.

Para o novo pensamento pedagógico socialista, a educação politécnica significaria “a


aprendizagem sólida e sistemática das ciências, especialmente física, química e
matemáticas”, e foi proibido o ensino pelo método complexo daqueles primeiros
educadores.
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Em seguida, a autora faz a reflexão sobre a educação socialista proposta


durante a Revolução Cubana e destaca que a América Latina viu na Revolução
Cubana um exemplo de lutas de libertação vitoriosas e de continuidade da
implantação de ideais socialistas.

Fidel Castro e seus companheiros tiveram grande conta nesta revolução e


propuseram a educação das massas como requisito de sucesso revolucionário
através de alguns princípios, tais quais o caráter massivo da educação (educação
para todos), a combinação entre estudo e trabalho, promovendo a união do trabalho
manual com o intelectual, a participação de toda a sociedade na educação do povo
( o povo participa da realização e do controle da educação e da garantia do êxito de
seu desenvolvimento), a coeducação

INFORMAÇÃO ADICIONAL

Educação conjunta para pessoas dos dois sexos, ou seja, também


conhecida como educação mista ou ensino misto, é a designação dada
aos modelos educativos em que, pelo menos do ponto de vista
organizativo, não é tido em conta o sexo do educando ou educanda na
determinação do percurso escolar e acadêmico) e a gratuidade (amplo
sistema de bolsas para os estudantes e condições especiais para os
trabalhadores que desejassem estudar).

Dito isto, a autora inicia seu processo de conclusão do texto reiterando que
não há como se realizar a educação politécnica (formação integrada), advinda das
sociedades socialistas, em um sistema que há muito é comandado pelo capitalismo.
Para justificar isso, ela ressalta alguns pontos, como: relações de trabalho sob a
hegemonia do capital, a não universalização (acesso e qualidade) da educação, a
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ideologia de educação atrelada ao mercado produtivo, além dos embates por uma
nova Constituição, uma nova LDB e em defesa da escola pública de qualidade.

Diante desses argumentos, a autora afirma que “Com esse sentido


(possibilidade de a formação básica e a profissional acontecerem numa mesma
instituição de ensino, num mesmo curso, com currículo e matrículas únicas - Decreto
n. 2.208/97) o termo integrado foi incorporado à legislação como uma das formas
pela qual o ensino médio e a educação profissional podem se articular”. Entretanto,
do ponto de vista conceitual, formação integrada não propõe somente a articulação
entre ensino médio e educação profissional. Seu intuito é recuperar historicamente
a forças entre as classes, a concepção de educação politécnica e de educação
omnilateral.

Sua ideia, então, é terminar o texto discorrendo a respeito do “Por que


lutamos?”, já enunciado no título do artigo, deixando claros alguns pontos principais
que norteiam esta luta:

• Integrar ensino médio o ensino médio à educação profissional não se trata somente
de uni-los, mas de constituir um novo processo formativo baseado em trabalho,
ciência, cultura e novas perspectivas de vida;
• Este tipo de integração não exige que se constitua somente no ensino médio;
• O ensino integrado se apresenta como uma necessidade da classe trabalhadora;
• Há a necessidade de que o trabalho se incorpore à educação básica como princípio
educativo;
• Necessita-se de uma unidade entre trabalho, contexto econômico, ciência e cultura;
• A formação profissional no ensino médio tida como imposição da realidade da classe
trabalhadora mostra-se mais como um problema ético-político que como uma
solução educacional;
• Para que o ensino seja de fato integrado em seu sentido amplo, é necessário que a
base unitária do ensino médio seja garantida para todos.
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