Você está na página 1de 24

TEATRO SAÚDE: PEDAGOGIA TEATRAL NA

FORMAÇÃO DO PROFISSIONAL DE SAÚDE

Eliane Maria Nunes Ramin

Proposta de Projeto

DOUTORAMENTO EM ESTUDOS DE TEATRO

2019
RESUMO

Este projeto propõe abordar o tema Teatro-Saúde. Sugere investigar


historiograficamente os vínculos e a influencia do teatro com a saúde, assim como
analisar qualitativamente as várias inserções do teatro na área da saúde, possibilitando
ampliar esta abordagem de modo sistematizado, enfatizando o teatro, as relações de
teatralidade e performatividade que existem na contemporaneidade unindo os dois
temas, e na sua importância na formação de um profissional de saúde. .

A partir de coleta de dados de ações ja existentes que intercambeiam o teatro e a saúde,


pretende-se compreender como a pedagogia teatral está sendo inserida na formação do
profissional de saúde, bem como propor o termo Teatro Saúde.

Palavras chave: Pedagogia teatral; Saúde


ABSTRACT

This project proposes to approach the Theater-Health theme. It proposes to investigate


historiographically the links and influence of theater with health, as well as to
qualitatively analyze the various insertions of theater in the area of health, making
possible to extend this approach in a systematized way, emphasizing the theater, the
relations of theatricality and performativity that exist in the contemporaneity uniting the
two themes, and their importance in the formation of a health professional. .

Based on data collection of existing actions that interchange theater and health, it is
intended to understand how theatrical pedagogy is being inserted in the training of the
health professional, as well as to propose the term Theater-Health.

Key-words: Theatre pedagogy; Health


INTRODUÇÃO

“A problematização da realidade, do mundo da saúde e da


existência humana substituiu a rotina do cotidiano por uma
aventura que provocou relações mais densas de afeto e
espiritualidade.”.
(Camargo & Bueno, 2012, p. 361)

1. Apresentação do tema e problema de partida – “Aprenda a Sorrir Brincando”

“Aprenda a Sorrir Brincando”: a pedagogia teatral na Faculdade de Odontologia da


UNIVILLE

A necessidade de processo pedagógico que facilitasse uma aproximação com a


comunidade e as dificuldades encontradas nos estágios curriculares pelos alunos do curso
de odontologia da Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE permitiu o início de
uma investigação interdisciplinar entre teatro e saúde. Essa incursão do teatro na área de
saúde inicialmente estava direcionada para atenuar dificuldades encontradas pelos
acadêmicos do terceiro ano de odontologia quando em contato com a comunidade,
principalmente escolas de ensino fundamental, aonde os discentes passam por um estágio
prestando serviços preventivos e de educação em saúde. A primeira visita desses alunos
na escola denunciava um total despreparo na relação interpessoal e pedagógica, limitando
as ações de educação em saúde aos modelos educativos convencionais em sala de aula,
como palestras sob a égide da tecnologia do Data show, que não se enquadra entre
as opções mais eficazes para aproximação com a comunidade. O odontólogo é um
profissional de saúde com formação extremamente técnica. Atende um paciente que se
encontra quase deitado e impossibilitado de se comunicar, apresenta-se todo paramentado
com seu figurino composto por jaleco de mangas compridas, gorro, máscara, óculos e
luva. O contato humano durante um tratamento em medicina dentária é quase inexistente.
Conseqüentemente as questões de relacionamento tornam-se o “calcanhar de Aquiles”
no seu desenvolvimento. Historicamente, no Brasil, na área da odontologia não eram
enfatizadas as questões sociais e, nesse sentido, na década de 1990 foram intensificadas
as discussões a respeito da formação profissional do odontólogo visando ser mais voltada
à realidade social, de modo a reduzir ou problematizar o impacto negativo que o
tecnicismo acarretava ao profissional. Para isso, foram sugeridas inserções do ensino de
ciências sociais (Psicologia, Antropologia e Sociologia) na grade curricular. Esta
grade vem sendo modernizada e a implementação das novas diretrizes curriculares
nacionais em odontologia propostas pela Associação Brasileira de Ensino Odontológico
(ABENO) em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e o
Ministério da Saúde (MS) (MORITA et al, 2005) sugere um profissional com
sensibilidade social e valoriza, além da técnica, profissionais capazes de uma atenção
integral mais humanizada, de trabalharem em equipe e compreenderem a realidade em
que vive a população assistida. A metodologia aplicada consiste em uma oficina de
iniciação teatral voltada para o jogo do ator. São cinco encontros de três horas aonde os
alunos vivenciam a pedagogia teatral sem, contudo, estar focada numa produção final.
Apesar de não se caracterizar especificamente como um treinamento para o ator, esta
oficina tem produzido diversas manifestações artísticas e educativas: performances,
manipulação de formas animadas, composições e apresentações musicais, jogos
educativos e outras. Os primeiros resultados da inserção do teatro na sala de aula foram
sentidos primariamente nas relações interpessoais entre os alunos, na relação
aluno/professor e na relação desses alunos com a comunidade. Posteriormente veio a
repercutir nos profissionais de odontologia da Secretaria de Saúde da cidade de Joinville,
onde foram ministradas varias oficinas de teatro para agentes comunitários de saúde,
técnico de higiene bucal, auxiliares de consultórios odontológicos. O projeto iniciou no
ano de 2008 e tem permitido uma mudança de paradigmas nas práticas de educação em
saúde nas comunidades envolvidas. O projeto, entretanto, carece de uma pesquisa mais
diretamente voltada para a prática teatral, o que é possível pelo interesse de alguns alunos
na continuidade das oficinas, principalmente com foco numa produção cultural.

Metodologia:
A metodologia do projeto “Aprenda a Sorrir Brincando” incorpora o jogo teatral
objetivando o estímulo criativo dos indivíduos. O projeto consta de uma oficina com
cinco encontros com tres horas de duração, culminando num compartilhamento dos
resultados do trabalho no final do processo. Está dividido em tres etapas: Jogo Teatral,
Jogos de Arte-Educação e Compartilhamento.
O jogo teatral, baseado na pesquisa de Viola Spolin é utilizado nesta primeira
etapa. Objetivando uma interação social, o jogo oportuniza desenvolver liberdade pessoal
e estimular a espontaneidade, muito importante nesta etapa do trabalho. Para SPOLIN
(1977), o jogo teatral gera uma improvisação com objetivos e procedimentos que
proporcionam a criatividade. A sua proposta de criar um sistema de treinamento teatral
de fácil entendimento teve uma grande repercussão no Brasil desde a década de 90, aonde
foram incorporados no Ensino Fundamental e Médio. A contemporaneidade, que rompe
com os processos herméticos e acabados, amplia o conceito do jogo para a cena, assim
como na formação de professores, atores e, consequentemente, agentes de saúde. A
compreensão da linguagem artística aprofunda-se no desenvolvimento do trabalho do ator
e do não ator (FARIA, 2009). “Os jogos são sociais, baseados em problemas a serem
solucionados. O problema a ser solucionado é o objeto do jogo. As regras do jogo incluem
a estrutura (Onde, Quem, O Quê) e o objeto (Foco) mais o acordo de grupo” (KOUDELA,
1990, p.43, apud FARIA, 2009)
A segunda etapa propõe o conhecimento dos jogos de verbalização segundo
pesquisa de LIMA JR (2009), associando o jogo teatral com os jogos de comunicação. A
teoria de Jean Piaget sobre o desenvolvimento da inteligência e a epistemologia genética,
relata os jogos como atividades indispensáveis na busca do conhecimento pelo indivíduo.
A inteligência só se desenvolve para preencher uma necessidade e a educação deve
estimular a inteligência para descobrir e inventar. Os jogos são naturalmente estimulantes
e utilizados pelas crianças como meio de chegar à descoberta, inventar estratégias, pensar
o novo, construir, agir sobre as coisas, reconstruir, produzir. NALLIN (2005). Portanto,
o jogo é um recurso pedagógico pois trazem possibilidades de crescimento pessoal.
(GIOCA, 2001) Sendo cada vez mais utilizados na educação, os jogos formam uma
poderosa ferramenta para o desenvolvimento cognitivo do indivíduo, contribuindo para a
formação de atitudes sociais como respeito mútuo, cooperação, obediência às regras,
senso de responsabilidade, senso de justiça, iniciativa pessoal e grupal. O jogo como
instrumento de ensino cria ambientes gratificantes e atraentes servindo como estímulo
para o desenvolvimento integral dos indivíduos. Os jogos pedagógicos, incluindo o jogo
teatral, devem ser aplicados com um efetivo e cuidadoso planejamento devendo ser visto
como um complemento de apresentações formais, leituras e discussões. Tornar o ato de
aprender como algo interessante é o grande desafio nas atuais práticas da área
educacional. (MORATORI, 2003). Nesta etapa os alunos desenvolvem, eles mesmos,
suas expressões artísticas e seus jogos voltados para a promoção e educação em saúde,
fazendo a ponte entre o estímulo criativo, o entendimento das possibilidades
comunicativas dos jogos, exercitando o protagonismo para atingir um publico específico.
Os estimulos criativos culminam na terceira e ultima etapa metodologica que é o
compartilhamento. Nesta etapa os alunos estão prestes a estar em contato com a
comunidade, no caso crianças de escolas públicas de ensino infantil e fundamental, e
necesitam desses instrumentos para sentirem-se seguros como agentes de educação em
saude. Em vista disso simulam em sala de aula toda a abordagem futura.
A documentação fotográfica deste processo e resultados está amplamente
divulgada na página do projeto Pró -Saúde do facebook:
https://www.facebook.com/groups/620188571347094/photos/?filter=albums

2. Objeto e objetivos do estudo

A presente investigação toma como objeto as relações diretas e indiretas da


pedagogia teatral com a saúde com os seguintes objetivos:
1) Investigar historiograficamente os vínculos e a influencia do teatro nas práticas de
saúde, nas relações entre teatro e saúde já existentes
2) Avaliar qualitativamente as várias inserções do teatro na área da saúde,
possibilitando ampliar esta abordagem de modo sistematizado, enfatizando o
teatro como elemento pedagógico para a formação do profissional de saúde.
3) Desenvolver e testar a efetividade da incorporação da pedagogia teatral no
processo de formação do profissional de saúde pressupondo a importância do
teatro como disciplina nos cursos da área de saúde em Instituições de Ensino
Superior.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

“Antigamente a simples presença do médico irradiava vida.


Antigamente os médicos eram também feiticeiros. “Mestre, diga
uma única palavra, e minha filha será curada...”. A vida circulava
nas relações de afeto que ligavam o médico àqueles que o
cercavam”.

(Ruben Alves, 2002)

Brasília, 14 de dezembro de 2009, a Associação Brasileira de Pós-Graduação em


Saúde Coletiva (ABRASCO) divulga um manifesto: Manifesto da Saúde. Saúde,
“estado de mais completo bem-estar físico, mental e social‖”. Conceito que engloba
trabalho, renda, habitação, transporte, segurança, acesso à educação, à cultura e ao lazer.
Segundo o manifesto, deveriam existir políticas públicas que ampliem a consciência do
cidadão, que fortaleçam meios de comunicação dialógicos, moldando as noções de
direitos, os interesses sociais, as relações e as visões do mundo, instituindo espaços
públicos que permitam o compartilhamento de valores, que configuram o patrimônio
cultural de uma nação. Saúde não mais como o antônimo de doença, mas com um
conceito ampliado que engloba corpo, mente e alma. O conceito contemporâneo de
saúde só foi possível devido ao declínio da mortalidade através das descobertas das
vacinas, do antibiótico, dos conceitos sobre antissepsia. Essa evolução da medicina
resultou na criação da Organização Mundial de Saúde, em 1848, com o objetivo de
desenvolver o nível de saúde de todos os povos, incorporando posteriormente o conceito
de promoção de saúde, deliberado na Primeira Conferência Internacional sobre
Promoção da Saúde, realizada em Ottawa.
Promoção em saúde é definida como:
O nome dado ao processo de capacitação da comunidade para atuar
na melhoria de sua qualidade de vida e saúde, incluindo uma maior
participação no controle deste processo. Para atingir um estado de
completo bem-estar físico, mental e social os indivíduos e grupos
devem saber identificar aspirações, satisfazer necessidades e
modificar favoravelmente o meio ambiente. A saúde deve ser vista
como um recurso para a vida, e não como objetivo de viver. (...)
Assim, a promoção da saúde não é responsabilidade exclusiva do
setor saúde, e vai para além de um estilo de vida saudável, na direção
de um bem- estar global. (CARTA DE OTAWA,

O conceito de bem-estar engloba a combinação de sentir-se bem, ter sentido na


vida, realização, bons relacionamentos, ter atitudes e estilos de vida saudável, cuidar da
alimentação e de ter melhor qualidade de vida. (SCORSOLINI-COMIN, 2012). Nesse
aspecto a arte se configura como elemento essencial para a existência humana. Segundo
CASTRO (2008), a arte é um dos temas mais importantes na reflexão filosófica de
Nietzsche, pois estabelece o campo de forças entre o jogo da vida e da morte.

Práticas que envolvem o teatro com a saúde têm sido largamente utilizadas com
vários objetivos e de várias formas. Estas relações propõem iniciativas tanto vindas da
parte dos profissionais de saúde, quanto de profissionais de teatro através de projetos de
extensão universitários, quase sempre voltados para promoção da qualidade de vida e
educação em saúde. Entretanto, faz juz uma investigação mais apurada dessas práticas,
no seu modus operandi, questionando o lugar de pertencimento do profissional de teatro
como atuação pedagógica. Pertencer como definido por Freitas (2008, apud GOMES,
2017) por “laços que prendem o sujeito ao modo de ser, aos comportamentos e estilos
de um grupo ou comunidade do qual se torne membro, fazendo com que ele se sinta e
aja como participante pleno, sobretudo no que diz respeito aos papéis sociais, às normas
e valores”. (FREITAS, 2008, p. 43)
O século XXI encontra um ator personalizado no seu espaço de criação,
exploração e transformação, cuja pedagogia foi amadurecida pela contribuição de
artistas teóricos e práticos do teatro como Constantin Stanislavski, Jacques Copeau,
Etienne Decroux, Antonin Artaud, Jerzy Grotowski, Eugenio Barba, entre outros,
estabelecendo parâmetros para a sua formação desde o inicio do século XX. Essa relação
prática/pedagógica com a contemporaneidade é ponderada por Gilberto Icle, expondo
o teatro como um “ambiente movediço, disperso, partido, descontínuo” e sua pedagogia
um objeto de difícil delimitação numa arte que está em constante mutação de suas
práticas. O teatro, portanto, torna-se coparticipante das práticas sociais de humanização,
contribuindo para a formação humana na sua completude. Esta pedagogia teatral tem
propósitos que extrapolam a criação do objeto artístico e cultiva a crença de que não
é mais preciso ver o teatro para “expurgar de si os males, mas deve-se praticar o teatro
para melhor viver”. (ICLE, 2009).
As atuações em teatro saúde podem ser analisadas sob o prisma proposto por
MANCINI (2016) quando se refere à pedagogia radical. Pedagogia como prática criativa
situada na expectativa do diálogo e como procedimento de reformulação social, cujos
aspectos amparam-se na improvisação e na intuição. Priorizar as urgências, desenvolver
habilidades que permanecem como atitudes de resistência, cujo eixo se ampara nos
procedimentos de ensino. Nesta perspectiva, o teatro saúde pode perfeitamente ser
proposto como um tipo de pedagogia radical quando não define ou prevê aonde vai levar
o pensamento pedagógico, pois é um processo que gera transitoriedade de saberes e
situa-se na região fronteiriça aonde o conceito de performance pode ser perfeitamente
empregado. Performance como processo/produto, referenciado por Edélcio Mostaço
(2012), como uma metodologia que “emprega freqüentemente a linguagem como
função, uso ou intenção, visando certos objetivos, tais como: investigar intelectualmente
um fenômeno; jogar afetivamente com algo; recuperar alguma memória cultural;
introduzir um comentário social; propor uma ação prática ou aferir uma dimensão
psicológica”. (MOSTAÇO, 2012).
Mas, o que diferenciar a pedagogia teatral voltada para o ator de um processo
pedagógico a ser utilizado para profissionais de saúde?
Vários pesquisadores do teatro, entre eles Jouvet, Decroux, Copeau, Dullin,
Grotowski, Brook, Mnouchkine, afirmam que a formação do ator engloba todo o seu
ser, não se caracterizando na natureza puramente técnica. A escola do ator é a vida, assim
como seu treinamento é o jogo, através da imaginação. A imaginação constitui uma das
alavancas mais importantes para o ator, que pode e deve ser trabalhada, apesar da
discordância de Gordon Craig, para esse pressuposto. Para Craig o ator pode aprender a
caminhar, a utilizar seus braços e pernas expressivamente, ou a usar a emoção, mas o
jogo não pode ser ensinado (FÉRAL, 2001). Entretanto, vários autores concordam que
o jogo é próprio de cada pessoa e potencialmente todos podem ter a disponibilidade para
jogar. É o potencial humano que possibilita o desenvolvimento, através de exercícios e
do jogo, para o ator. Portanto, o jogo é uma atividade natural humana e é espontâneo o
gosto do homem pelo ficcional. Essa capacidade é percebida integralmente na criança
que representa a si mesma com uma facilidade incomparável, e o adulto mantém essa
faculdade no jogo social, onde a relação entre ser e parecer é encontrada na vida. O teatro
se inspira nessa atividade lúdica, procedendo segundo protocolos que fornecem ao ator
um poder de intervenção sobre a vida através da utilização de seu corpo com lucidez e
inteligência, afetividade e razão, gesto e pensamento. O teatro pode ser considerado
como um serviço público e o ator têm, portanto, uma função social que “consiste em
erguer imagens luminosas para guiar a marcha dos homens e em utilizar o prazer
teatral não somente para diverti-los, mas para armá-los com um saber mais sólido.”
(ABIRACHED, 1980). Charles Dullin afirma ser possível ensinar para o ator “a
olhar, a ver um objeto, a prestar ouvidos ao que os outros dizem ou aos ruídos do
exterior, a tocar um objeto para sentir a sua matéria ou a suavidade ou a rugosidade que
possui, a reconhecer um cheiro, a sentir o gosto...” (DULLIN, 1946)
O teatro é educativo por natureza. Permite ao sujeito observar-se, favorecendo o
autoconhecimento como também as relações estabelecidas na sociedade. O teatro vem
do jogo envolvendo pessoas que compartilham experiências à parte da realidade, dentro
de delimitações de espaço, tempo e regras. O jogo está intrínseco na educação e é por
meio da educação que se processa o pleno desenvolvimento humano. No contexto
educacional crianças e jovens articulam o conhecimento dos sentimentos, do corpo e da
imaginação, desenvolvendo uma auto-estima positiva. (MEYER, 2002). Ao utilizar
técnicas teatrais como instrumento de informação evita-se o caráter arbitrário,
autoritário, paternalista e manipulador de valores e práticas. Esta reflexão, feita por
LEME (2005), justifica a utilização do teatro como método de promoção de saúde. Sua
pesquisa propõe a estruturação de um campo teórico em Educação em Saúde realizado
através do exercício da teatralidade. RUIZ- MORENO (2005) relata uma experiência
psicodramática chamada “O Jornal Vivo” como estratégia de ensino-aprendizagem na
saúde. Segundo o autor, a educação influencia e é influenciada pelas condições de saúde,
configurando-se como um campo de práticas e saberes que abrange diferentes níveis de
compreensão e intervenção junto aos sujeitos em seus processos de saúde. O elemento
teatral como estratégia educacional pode ser um recurso facilitador da compreensão de
fenômenos que envolvem inter-relações pessoais e contribui para o melhor entendimento
do fenômeno educativo, promovendo sua permanente ação, significação e reconstrução
coletiva. Reconhecer que a formação de profissionais em saúde abrange esferas
cognitivas, afetivas e sociais é investir na diversidade e formar, utilizando diferentes
linguagens, estratégias e recursos, traduz a intenção de desenvolver espaços e cenários
formativos que valorizem os sujeitos e seus saberes prévios‖ (RUIZ-MORENO - 2005).

CAMARGO (2006) utilizou o teatro pedagogicamente para a formação de


enfermeiros. Como resultado, os alunos perceberam um acréscimo ao conhecimento,
qualificação profissional, socialização, promoção humana e resgate da sensibilidade. A
encenação, em si, exigiu concentração, memorização, emoção, expressão corporal
promovendo humanização ao contemplar tanto as emoções quanto a razão. A
aproximação e o relacionamento com a população ganharam nova dimensão. Constatou
que práticas educativas tradicionais, como as palestras, perdem para as possibilidades
que o teatro oferece na aproximação com as pessoas pelo seu caráter lúdico. Palestras
são relatadas como monótonas e silencia a platéia pela sua característica que gera
distanciamento e desigualdade cultural. O teatro, por outro lado, retém a atenção porque,
além do público ouvir e ver, também vivencia a informação de forma prazerosa e
divertida. CAMARGO conclui que o teatro é um meio para ensinar a importância dos
processos de autotransformação pessoal e coletiva, porque permite a sensibilidade, a
reflexão e a crítica na compreensão da realidade e sugere sua integralização curricular.
O Teatro impõe desafios que só podem ser superados em grupo, além de viabilizar um
retorno efetivo das ações de educação para a saúde. É possível vislumbrar o teatro como
uma forma diferente de estabelecer, no ambiente profissional, um convívio com as
pessoas de forma harmoniosa (ARAUJO, 2007). KOUDELA (1992) expõe que na
educação existe uma maior preocupação com a integração social, com o
desenvolvimento critico, com a criatividade e a transformação. São necessárias formas
inovadoras e alternativas para favorecerem a formação de indivíduos cidadão, solidários,
parceiros, ativos, pensantes, livres, sujeitos de mudança e transformação, na qual a
vivência do teatro transcende o aprendizado individual tornando o aprendizado um ato
coletivo.
LIMA (2012) ressalta a contribuição positiva do teatro para o diálogo com a
comunidade, pois oferece ferramentas que possibilitam a formação de vínculos e o
aprofundamento dos temas desenvolvidos. Em projetos de ação social foi observada a
valorização de atividades artísticas e culturais no planejamento político pedagógico, cuja
ação fortalece praticas mais lúdicas e criativas que proporcionam o desenvolvimento da
expressividade. A arte é defendida como uma ferramenta alternativa para crianças e
adolescentes e é considerado um instrumento de integração, de socialização do
conhecimento e de valorização da identidade coletiva, permitindo que aspectos
importantes desta comunidade sejam problematizados e discutidos.
As publicações na área da saúde envolvendo práticas teatrais são inúmeras,
prioritariamente publicadas na literatura da área de saúde e voltadas para a educação em
saúde. Porém, o que justificaria a inserção da pedagogia teatral na formação de um
profissional de saúde? Pergunto melhor, por que não deveriam ser imprescindíveis ao
profissional de saúde as mesmas faculdades e o mesmo aprendizado?
Desde 2007, o Ministério da Cultura e o Ministério da Saúde vêm promovendo
o prêmio Cultura e Saúde, em um acordo de cooperação para o “desenvolvimento de
ações conjuntas que contribuam para garantir o acesso aos bens e serviços culturais, à
qualificação do ambiente hospitalar, das unidades de saúde, á promoção do diálogo entre
as práticas tradicionais em saúde e as políticas públicas de saúde, considerando as mais
diversas manifestações e linguagens que promovam a humanização e resignificação do
cuidado em saúde” (MINC, 2013). Este acordo tem o objetivo de fortalecer a interseção
entre as duas áreas. Tem o intuito de potencializar o atendimento das necessidades do
cidadão buscando ampliar e qualificar os processos de promoção em saúde, e
reconhecer “a saúde como qualidade de vida e a cultura como o espaço em que o
homem se realiza em todas as suas manifestações”.

A inserção da pedagogia teatral na formação do profissional de saúde não é uma


intromissão do teatro num campo estranho à sua área. O programa de qualificação em
educação popular em saúde, curso ministrado pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim
Venâncio, RJ, constata que várias formas de criação artísticas estão presentes junto à
população e que a arte é uma metodologia de produção coletiva importante. Na educação
popular em saúde o encontro pedagógico busca um relacionamento que gere reflexão e
crítica, a partir da observação e do encantamento que a tradição da arte produz. A arte é
pensada no seu papel cultural e político fortalecendo a cidadania e estimulando
desenvolvimento pessoal e coletivo. Segundo WUN (2016), os profissionais de saúde
fazem arte. Arte na dimensão do viver humano, na dimensão estética deste viver, pois a
arte é inerente à humanidade. O afastamento da arte e saúde ocorreu há menos de
trezentos anos. No século XVIII, artistas, inclusive os atores, estavam no mesmo
patamar que o barbeiro e o médico havendo ―uma proximidade orgânica entre artistas,
artesãos e culturas populares, o que nos leva a pensar que isso pode estar relacionado
com o fato de a educação popular apostar tanto na ação cultural e nos diferentes artistas,
artífices e artesãos: do som, da imagem, da palavra, do palco… ou do cuidado‖ (WUN,
2016 p.96) Desse modo o autor questiona ―por que fazer arte‖ como um debate
interminável, pois a arte é inesperada, não formatada, controlada ou limitada. A escuta
e o diálogo tanto valorizados na arte é a base da educação popular em saúde, entendendo
o processo criativo no complexo processo social e vice-versa.
A pesquisa de GOLDSCHMIDT (2010) também questiona a relevância do teatro
na formação de profissionais de saúde, no caso específico dos Agentes Comunitários de
saúde. Questiona uma relação dialética do conhecimento na produção de um conteúdo
artístico que, transcendendo a dramaturgia, processa um estado dramatúrgico vinculado
à realidade do indivíduo, ocorrendo o conhecimento crítico de sua realidade. A
intersubjetividade do teatro permite a relação entre os sujeitos constituindo um elemento
de identificação cultural entre atores e platéia. A construção de uma dramaturgia num
processo coletivo de trabalho implica unificar múltiplas visões numa perspectiva
intrínseca ao processo. Neste ponto os jogos teatrais são a chave para a sensibilização,
percepção, expressão e relação com o grupo. No Sistema Único de Saúde, os
trabalhadores técnicos representam a maioria dos agentes de Saúde. Por ser uma
atividade voltada ao mercado de trabalho, Goldschmidt relata que pode ser possível
estranhar a inserção do teatro na formação destes trabalhadores, entretanto há aqueles
que defendem a necessidade de uma formação mais abrangente e humana. Por esse
motivo, o teatro representa um elemento de aproximação entre duas práticas que tem
como fundamento o corpo. O corpo, instrumento de trabalho do ator, é o campo de
instrumento de trabalho do agente de saúde. Ao conhecer as relações do corpo pessoal o
trabalhador de saúde vive a experiência do corpo coletivo. Na Escola de Formação
Técnica em Saúde Enfermeira Izabel dos Santos, a dramatização é conteúdo do curso,
problematizando a visão dos alunos em relação à sua realidade. A criatividade se torna
uma das principais forças que redescobrem o mundo, assim sendo a arte tem um poder
transformador ao desenvolver potencialidades, sensibilidade, percepção de si e do outro,
e superação de limites. Entretanto, na área da saúde “a educação tem sido marcada pelo
predomínio do modelo biomédico, centralizado na figura do médico e na autoridade do
saber técnico e científico sobre o saber popular‖. O potencial transformador do teatro
para os trabalhadores em saude produz uma educação ―crítica, transformadora de
seres-objeto em sujeitos capazes de conduzir o seu destino e não se deixar manipular”
(GOLDSCHMIDT, 2010, p. 119).
Na Universidade de São Paulo, Brasil, a introdução do teatro como disciplina
eletiva em um curso de medicina é vista como uma iniciativa bem-sucedida desde 2011.
A disciplina é aberta para estudantes de várias áreas, incluindo licenciatura em Química
e Engenharias. É interdisciplinar, tem um caráter teórico-prático, com enfoque nas
“vivências corporais, sensoriais e artísticas‖, tendo como objetivo a humanização dos
profissionais do campo da saúde. A disciplina teve seu início no encontro entre um
médico e uma atriz/bailarina que compartilhavam em comum o desejo de humanização
dos estudantes. Foram escolhidos temas a serem abordados como medo, culpa, raiva,
solidão, morte, coragem, temperança, efetividade e amor. Uma das constatações desta
disciplina foi a dicotomia existente entre mente e corpo, comumente encontrada no
profissional de saúde. O profissional de saúde vê o corpo de modo diferenciado do artista
cênico. O corpo pertence ao paciente com sua doença, dor ou incômodo. É um corpo
fragmentado. Porém como seria trabalhar o corpo sensível, o corpo próprio? Esta
questão norteou o projeto da disciplina proposta na USP. Na abordagem metodológica
a disciplina escolheu trabalhar com atividades corporais e com construção de cenas
teatrais a partir dos jogos propostos por Viola Spolin e Augusto Boal. Após a inquietação
inicial sobre o acolhimento desta disciplina por parte dos estudantes de medicina,
concluiu-se que as vivencias sensoriais e artísticas podem modificar as relações
interpessoais contribuindo para a formação do profissional de saúde, o que corroborou
para a criação de uma disciplina eletiva dentro da grade curricular do curso de Medicina.
No Estado do Rio Grande do Sul, Brasil, o Departamento de Medicina Social da
Universidade Federal promoveu o encontro do teatro com os processos de formação do
estudante de medicina através de consultas encenadas. Ao integrar atores com
professores de medicina social concluiu-se que tal encontro possibilita trocas de
subjetividades muito particulares ampliando as relações para o jogo teatral cuja situação
protagonizada está latente e deverá ser descoberta pelo próprio jogo. Um jogo no qual o
médico é espectador/ator. A relação tornou-se permeada pela humanidade, indo
além da abordagem técnica (CAMARGO, 2010), aproximando-se da experiência
performática.
Outro exemplo da abordagem do teatro no Sistema Único de Saúde (SUS) é a
atividade do grupo Saúde em Cena. Coordenado pela psicóloga Susan Prado Aun, o
grupo produz apresentações teatrais como estratégia para despertar a reflexão da platéia
para as questões do seu cotidiano. O grupo é integrado por servidores da Secretaria do
Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) que atuam voluntariamente com temas
relacionados à saúde pública. O grupo, pertencente ao SES-MG, produziu diversas
dramaturgias que disponibiliza através da internet: A Revelação, Deu a Louca no
Mundo da Fantasia, Programa 5S, Viva Vida Aleitamento, Um por Todos e Todos
Contra Quem?. A formação do grupo Saúde em Cena, em março de 2007, teve como
abordagem principal a prevenção e promoção da saúde, buscando a reflexão da platéia
de modo a despertar o ímpeto para agir como transformador de sua realidade. O conceito
abordado no trabalho pretende envolver o público de modo que ocorra uma mobilização
no processo social, individual e coletivo. Mobilizar no sentido de “convocar vontades
para atuar na busca de um propósito comum, sob uma interpretação e um sentido
também compartilhados" (TORO; WERNECK, 1997, p.5, apud VIEIRA). Sob o
conceito de mobilização social são encontrados três públicos: o público gerador, o
legitimador e o beneficiado. O público gerador são os atores do grupo de teatro; o público
legitimador são os professores, colaboradores que participam do objetivo do projeto
proposto. O público beneficiado é a platéia propriamente dita da qual se espera a
reflexão. O processo de mobilização social promovido pelo teatro, entretanto, carece de
maiores pesquisas, em relação ao trabalho do grupo Saúde em Cena, quanto à sua
efetividade como fator gerador de comunicação social. Entretanto, estimula a
conscientização e a reflexão sobre a realidade na qual a comunidade se encontra.
Em Portugal, PADRÃO (2012) também desenvolveu uma experiência prática
envolvendo teatro e nutrição no ano letivo de 2010/2011. Esta experiência surgiu com
o intuito de capacitar os alunos com técnicas inovadoras voltadas à educação em
saúde. Utilizou o “teatro-debate” para gerar reflexão nos espectadores. Conforme a
metodologia relatada, os estudantes participaram de uma oficina teatral com uma
companhia de teatro especializada neste tipo de metodologia‖ na qual vivenciaram
desde a condição de público até a condição de atores, criando um produto/peça de teatro-
debate. A pesquisa tem como pressuposto que o teatro é uma ferramenta indispensável
ao ser humano, pois amplia a sensibilidade e desenvolve conhecimentos (PADRÃO,
2012).
No site da Fundação Oswaldo Cruz na cidade do Rio de Janeiro, Brasil, podem
ser encontrados espetáculos teatrais que já estiveram em cartaz no Museu da Vida. A
peça O rapaz da rabeca e a moça Rebeca foi inspirada no cordel do cearense José
Mapurunga e planejada em parceria com o Instituto Nacional de Infectologia Evandro
Chagas (INI/Fiocruz). Tinha como objetivo a relação dialógica com a platéia sobre a
importância da prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis. A peça estreou
em abril de 2016 ficando dois meses em cartaz no Museu da Vida. Também ficou em
cartaz a peça O Mistério do Barbeiro que aborda a descoberta e identificação do ciclo
do Tripanosoma Cruzi, pelo pesquisador Carlos Chagas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa em Teatro Saúde abrange muito mais do que o entendimento de como


o teatro tem sido incorporado nos processos de promoção em saúde. Os inúmeros artigos
encontrados nas publicações científicas, principalmente das áreas da saúde, têm em
comum serem incorporações do teatro como meio alternativo para uma abordagem
pedagógica mais facilitada com a comunidade. As áreas da saúde são muitas e sempre
existe a possibilidade de se confundir o foco da pesquisa quanto ao seu direcionamento
voltado para a psicologia, medicina ou enfermagem, áreas que mais comumente relatam
o uso do teatro. Entretanto a questão que ressalto é muito mais ampla, pois o teatro na
saúde tem uma particularidade que merece uma investigação mais apurada quanto à
pedagogia teatral empregada e ao espaço de pertencimento do agente de
saúde/ator/diretor/professor de teatro. Muitos artigos relatam os jogos propostos por
Spolin (2010, 2012), o uso do Teatro do Oprimido de Augusto Boal (1998) e a filosofia
de Paulo Freire. O teatro empregado para a educação em saúde, seja por meio de peças
teatrais ou por oficinas, em sua maioria, visa à humanização do profissional de saúde,
mas buscam a reflexão da comunidade/platéia, que é instigada a perceber e decifrar os
signos que articulam a cena. Consequentemente a proposta da pedagogia do espectador
preconizada por DEGRANGES (2003) se enquadra no modo como o espectador
tenciona com a cena. A abordagem do teatro-debate utilizada na Universidade do Porto
(PADRÃO, 2012) tem como objetivo a mesma resignificação subjetiva do espectador
propondo conhecimentos no domínio da saúde e, simultaneamente, questionando
crenças, atitudes, hábitos e comportamentos. A pedagogia teatral aplicada nas áreas da
saúde não contrapõe as relações de teatralidade e perfomatividade, muito menos torna
didático o teatro voltado para a saúde. Tampouco a inserção do teatro na formação do
profissional de saúde torna-se uma invasão em uma área em que ela não é utilizada,
muito pelo contrário, faz-se necessário uma investigação mais detalhada de objetivos,
tipos, formas, metodologias e pedagogias empregadas nestas práticas. O termo Teatro
Saúde também não existe, mas o termo “teatro-educação”, comumente encontrado
em pesquisas, também não se aplica nas várias nuances existentes nas relações do teatro
com a saúde. Também é importante ressaltar a existência de diversas práticas teatrais a
serem investigadas aonde o profissional de teatro interfere diretamente na área da saúde
através de programas de extensão universitários como, por exemplo, as incursões da
palhaçaria na rede hospitalar, também se caracterizando por Teatro Saúde.
ALGUMAS FONTES DE PESQUISA

“Doutores por um Triz” (MARTINS & BRAGA, 2004) – Projeto de extensão


da Universidade Federal de São João del-Rei - UFSJ cuja proposta é o uso de técnicas
cênicas e circenses para inserção em novos ambientes: o hospitalar e o abrigo de idosos
da comunidade;
• “Teatro do Oprimido na Saúde Mental” (CENTRO DE TEATRO DO
OPRIMIDO, 2006) - Atuante na área de Saúde Mental, em dois hospitais psiquiátricos,
investiga se e como as formas delirantes da arte poderiam ajudar a entender e a dialogar
com delírios patológicos. E se a experiência estética seria motor de transformação da
realidade.
• “Encontro entre teatro e medicina na consulta encenada” (CAMARGO, 2010)
– Projeto a partir do encontro entre o teatro e a especialidade de Medicina da Família e
comunidade.
• A Saúde em cena: o teatro na formação do enfermeiro. Tese de Doutorado
apresentada à Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP
• “O Teatro para o Aperfeiçoamento da Relação Médico-Paciente” (UNICAMP)
– Disciplina cuja ementa é: “Prática da empatia na relação médico-paciente por meio da
construção e representação de espetáculo teatral promovendo o debate cultural,
filosófico e antropológico sobre a morte, a espiritualidade, as crenças, o sofrimento, a
solidão provocada pela doença, o acolhimento da família e o papel do médico nesta
relação.”
• “Palhaçoterapia” (UNIVILLE) - Projeto de extensão universitária criado com
o objetivo resgatar na formação dos estudantes a preocupação com os aspectos
humanísticos do cuidado à saúde através da escuta sensível do ambiente, atividade
inerente à poética do clown.
• “As bandejas contadoras de histórias” – Companhia que surgiu do projeto de
Extensão “O Hospital como Universo Cênico” da Universidade Federal do Estado do
Rio de Janeiro (UNIRIO). Pesquisa em busca de formas criativas de contação de
histórias que resultou na criação da bandeja, suporte cênico-cenográfico original a ser
aplicado no ambiente hospitalar.
. "Aprenda a Sorrir Brincando" - Projeto da disciplina de Odontocoletiva da
UNIVILLE, que insere a pedagogia teatral para capacitação dos acadêmicos para o
estágio na comunidade escolar
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

(....)Odontologia em Saúde Coletiva - MANUAL DO ALUNO. Organizada por


Maria Ercilia de Araujo; Antônio Carlos Frias; Simone Rennó Junqueira. Universidade
de São Paulo, Disciplina de Saúde Coletiva em Odontologia. SP, 2007.
(...) Carta de Otawa. 1986. Disponível em:
http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/carta_ottawa.pdf
ABENO, Associação Brasileira de Ensino Odontológico. Disponivel em:
http://www.abeno.org.br/
ABIRACHED, Robert. "L'acteur et son jeu" [O Ator e seu Jogo], p. 154-166, in
COUTY, Daniel & REY, Alain (org.). Le Théâtre [O Teatro]. Paris: Bordas, 1980. —
Tradução de José Ronaldo FALEIRO.
ABRASCO. ABRASCO e ICICT divulgam manifesto conjunto para os
delegados da 1ª CONFECOM, 2013, Disponível em:
http://www.abrasco.org.br/noticias/noticia_int.php?id_noticia=407,
ALVES, R. O Médico. Ano: 2002 Editora: Papirus
BOAL, Augusto. Jogos para atores e não-atores. Rio de Janeiro: Civilização
Brasileira, 1998.
CARTA DE OTTAWA, 1986. Disponível em:
http://www.mpba.mp.br/atuacao/cidadania/gesau/legislacao/internacionais/carta_ottaw
a.pdf
CAMARGO, R. A. A. de. A Saúde em cena: o teatro na formação do enfermeiro.
Tese de Doutorado apresentada à Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP. 179p.
2006
CAMARGO, R. A. A. De & BUENO S. M. V. O teatro na formação do
enfermeiro. Revista Baiana de Enfermagem, Salvador, v. 26, n. 1, p. 347-362, jan./abr.
2012
CANDEIAS, N. M. F. Conceitos de educação e de promoção em saúde:
mudanças individuais e mudanças organizacionais. Rev. Saúde Pública vol. 31
no. 2. São Paulo Apr. 1997. Disponível em:
http://www.scielosp.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-
89101997000200016
COPEAU, Jacques. Apelos. Coleta e estabelecimento de texto de Marie-Hélène
Dasté et Suzanne Maistre Saint-Denis; notas de Claude Sicard; tradução e apresentação
de José Ronaldo Faleiro. 1. ed. São Paulo: Perspectiva, 2013.
CASTRO, Cláudia Maria de. (2008). A inversão da verdade: notas sobre O
nascimento da tragédia. Kriterion: Revista de Filosofia,49(117), 127-142. Retrieved
October 22, 2013, from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-
512X2008000100007&lng=en&tlng=pt. 10.1590/S0100-512X2008000100007
DEGRANDES, Flávio. Pedagogia do espectador. São Paulo:Editora Hucitec,
2003.
DULLIN, Charles. «Improvisation» [Improvisação], p. 109-131, in Souvenirs et
notes de travail d´un acteur [Lembranças e Notas de Trabalho de um Ator]. Paris: Odette
Lieutier, 1946. — Tradução de José Ronaldo FALEIRO
FARIA, A. A. Teatro na formação de educadores: o jogo teatral e a escrita
dramatúrgica. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, tese de doutorado, 2009
FÉRAL, Josette. “Le jeu s´enseigne-t-il?” [O Jogo se ensina?], p. 11-36, in Mise
en scène et Jeu de l´acteur; le corps en scène [Encenação e jogo do ator; o corpo em
cena]. Tomo II. Montréal/Carnières: Jeu/Lansman, 2001. — Tradução de José Ronaldo
FALEIRO.
FERNANDES, Sílvia. Teatralidade e perfomatividade na
cena contemporânea
Repertório, Salvador, nº 16, p.11-23, 2011
https://portalseer.ufba.br/index.php/revteatro/article/viewFile/5391/3860
GIOCA, M I. O jogo e a aprendizagem na criança de 0 a 6 anos Belém. Pará,
Universidade da Amazônia. 2001
GOMES, S. Ambientes De Informação e o Pertencimento.
http://www.uel.br/eventos/cinf/index.php/secin2017/secin2107/paper/viewFile/439/27
2
ICLE, G. Da Pedagogia do ator à Pedagogia teatral: verdade, urgência,
movimento. O Percevejo Online, vol 1, nº 2, 2009.
Disponível em:
http://www.seer.unirio.br/index.php/opercevejoonline/article/viewFile/525/461
KOUDELA, I. D. Jogos teatrais. São Paulo: Perspectiva, 1990.
LEÃO, Raimundo Matos de. Jogando com Viola, improvisando com
Stanislavski. Artigo, disponível em:
www.fsba.edu.br/dialogospossiveis/artigos.asp?ed=4
LEME, Alexandre de Oliveira. Promoção de Saúde em cena: considerações
teóricas para uma prática teatral de Educação em Saúde. Dissertação, Universidade de
São Paulo. Faculdade de Saúde Pública. São Paulo; 2005. 116 p.
LIMA JR., R. A criação verbal na pedagogia do teatro: a experiência do grupo
Clãdestino. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro,
2009
MANCINI, Bianca Scliar. Anotações sobre Pedagogias Radicais. Revista
Nupeart, vol16, 2016
MEYER, Ana Maria. O teatro como um recurso psicopedagógico Alternativo
para a criança na escola. UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS, Faculdade
De Educação, dissertação de mestrado, 2002.
MINISTÉRIO DA SAÚDE DO BRASIL- Política Nacional de Práticas
Integrativas e Complementares no SUS - PNPIC-SUS / Ministério da Saúde, Secretaria
de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília; Ministério da Saúde,
2006.
MORATORI, Patrick Barbosa. Por Que Utilizar Jogos Educativos no Processo
de Ensino Aprendizagem? Instituto de Matemática, Universidade Federal do Rio de
Janeiro, 2003. Disponível em:
www.nce.ufrj.br/ginape/publicacoes/trabalhos/lado_direito.html

MORITA, M. C. et all. Implantação das diretrizes curriculares nacionais em


odontologia,
Dental Press Editora, Maringá, 2007
NALLIN, Claudia Goes Franco. O Papel dos Jogos e Brincadeiras na Educação
Infantil. Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas
Campinas, 2005. Disponível em: libdigi.unicamp.br/document/?view=15526
RUIZ-MORENO, L. et all. Jornal Vivo: relato de uma experiência de ensino-
aprendizagem na área da saúde. Interface (Botucatu) vol.9, no. 16,
Botucatu Sept./Feb. 2005. Disponível em:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-
32832005000100021&script=sci_arttext
PADRAO, P. Et all. O Teatro como ferramenta pedagógica nas Ciências da
Nutrição. Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto.
2012. Disponivel em: https://repositorio-
aberto.up.pt/bitstream/10216/65098/2/46943.pdf
SPOLIN, V. Jogos teatrais para a sala de aula: um manual para o professor. São
Paulo: Perspectiva, 2008.
__________. Jogos Teatrais: O fichário de Viola Spolin. São Paulo: Perspectiva,
2001.
SCORSOLINI-COMIN, Fabio. (2012). Por uma nova compreensão do conceito
de bem- estar: Martin Seligman e a psicologia positiva. Paidéia (Ribeirão Preto), 22(53),
433-435. Retrieved October 22, 2013, from
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
863X2012000300015&lng=en&tlng=pt. 10.1590/S0103-863X2012000300015.
UNICAMP, O Teatro para o Aperfeiçoamento da relação Médico-Paciente. Site
disponível em: http://www.dac.unicamp.br/sistemas/horarios/grad/G1S0/MD885.htm
SPOLIN, Viola. Jogos Teatrais: o fichário de Viola Spolin; tradução de Ingrid
Dormien Koudela. São Paulo: Perspectiva, 2012.
. Jogos Teatrais na sala de aula: um manual para o professor. Tradução de
Ingrid Dormien Koudela e Eduardo José de Almeida Amos. São Paulo: Perspectiva,
2012.
. Improvisação para o teatro. Tradução de Ingrid Dormien Koudela e
Eduardo José de Almeida Amos. São Paulo: Perspectiva, 2010.
GOMES, S. Ambientes De Informação e o Pertencimento.
http://www.uel.br/eventos/cinf/index.php/secin2017/secin2107/paper/viewFile/439/27
2
MOSTAÇO, Edelcio. Conceitos operativos nos estudos da performance. Sala
Preta, ppgac, vol. 12, n. 2, dez 2012, p. 143-153
http://www.revistas.usp.br/salapreta/article/view/57494
WONG, Julio Alberto. A arte é longa, a vida é breve: sobre o valor e a potência
das artes na educação popular em saúde. Manual do Curso de Aperfeiçoamento em
Educação Popular em Saúde.
http://www.edpopsus.epsjv.fiocruz.br/sites/default/files/conteudo/midia/arquivos/livro
web.pdf
ANEXO 1
Registro fotografico de oficinas teatrais e produções do projeto
Aprenda a Sorrir Brincando (2008/atual)

Você também pode gostar