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educaÇão

TRANSFORMADORA
nos Territórios de
Identidade da Bahia
educaÇão
TRANSFORMADORA
nos Territórios de
Identidade da Bahia
SUMÁRIO
Inspirar,
fortalecer,
5
A P R E S E N TA Ç Ã O reconhecer os
desafios para
6
BOA S-VINDA S
7
O PR O G R A M A E S CO L A S
8
A EDUC AÇ ÃO transformar
P O R D U R VA L L I B Â N I O TR ANSFORMADOR AS PROFISSIONAL NA BAHIA

10 12 14 F
oram meses e meses de trabalho. Muitas conversas, dezenas de reuniões,
encontros e desencontros. Planilhas, estudos, pesquisas. Rodas, danças,
O desafio era
cantos. Rezas, risos e até certa confusão. Mas o que se construiu está aí,
está aqui. E é belo. É vivo. É forte. E eis que chegamos à reta final da III Jornada
grande: trazer
AS JORNADAS P O N TO D E PA R T I DA M AT É R I A - P R I M A de Educação Transformadora nos Territórios de Identidade da Bahia. inspiração
DE EDUC AÇ ÃO POR R AQUEL FR ANZIM ALE X VIEIR A DOS SANTOS O desafio era grande: trazer inspiração e fortalecer uma rede de educação profis-
TR ANSFORMADOR A
E A N T O N I O L O V AT O
sional cheia de peculiaridades e responsável por 140 mil alunos. Como? A Ashoka e fortalecer
e o Instituto Alana, por meio do programa Escolas Transformadoras, e a Superin-
uma rede de

16 21 22
tendência da Educação Profissional e Tecnológica da Secretaria da Educação do
Estado da Bahia, uniram-se em torno de um plano de engajamento e conexão.
Em dois anos, acolhemos educadores de todo o Estado em três Jornadas de educação
Educação Transformadora, onde foi possível compartilhar experiências, indicar
possíveis caminhos e estimular os técnicos da Superintendência, diretores e vice-
profissional
AQUI É A SSIM
PROJE TOS JÁ RE ALIZ ADOS
MINHA HIS TÓRIA
POR JOELMA ARGOLO
M AT É R I A - P R I M A
NILDON PITOMBO
diretores, pedagogos e coordenadores pedagógicos a buscarem suas soluções
com os recursos de cada território.
cheia de
COM SUCE SSO De volta aos seus contextos, os educadores refletiram, dividiram novas ideias e
projetos com suas comunidades, fizeram novos planos e retomaram uma trajetória
peculiaridades

24 28 30
de educação transformadora que já estava em construção.
Os resultados são diversos. Vão desde educadores mais preparados, animados
responsável por
e engajados a planos de ação já em desenvolvimento e realizados, com respostas 140 mil alunos
concretas das equipes, dos estudantes e das comunidades envolvidas.
Chegamos a este ponto certos de que muito foi conquistado. E esta publicação
O QUE VEM POR AÍ APRENDIZ ADOS E XPEDIENTE vem apresentar algumas dessas experiências e os desafiadores caminhos trilhados
PROJE TOS PROMISSORES por alguns territórios. Nada como a vida real para nos ensinar e nos inspirar.
4 5
BOAS-VINDAS | Educar para Transformar
O Programa Escolas
Interações, experiências e Transformadoras
territórios. Nasce um novo
olhar sobre educação
O
programa Escolas Transformadoras é uma ini-
ciativa da Ashoka, organização global que reúne A Ashoka é uma organização social global fundada em
empreendedores sociais de diversas partes do 1981 e congrega mais de 3 mil empreendedores sociais em
Por DURVAL LIBÂNIO mundo. Fruto da crença de que todos podem ser transfor- 84 países. Busca colaborar na construção de um mundo
Superintendente da Educação Profissional e Tecnológica
da Secretaria de Educação do Estado da Bahia madores da sociedade, o programa enxerga a escola como em que “Todos Podem Ser Transformadores” (‘Everyone a
espaço privilegiado para proporcionar experiências capa- Changemaker’), onde qualquer pessoa pode desenvolver e
zes de formar sujeitos com senso de responsabilidade pelo aplicar as habilidades necessárias para solucionar os princi-

I
nstigada pelo movimento de estabelecer uma mundo. Crianças e jovens aptos a assumir o papel ativo pais problemas sociais que enfrentamos hoje.
educação transformadora a partir do programa diante das mudanças necessárias em diferentes realidades
“Educar para Transformar” como proposta do sociais e amparados por valores e ferramentas como a em-
Governo do Estado da Bahia para atuação da Secre- patia, o trabalho em equipe, a criatividade e o protagonismo.
taria da Educação do Estado, a Superintendência da O programa teve início nos Estados Unidos em 2009, e,
Técnicos e coordenadores pedagógicos em
Educação Profissional e Tecnológica – SUPROT, no imersão no Serviço de Tecnologia Alternativa de lá para cá, espalhou-se por 34 países. Hoje, conta com
que tange a sua competência, buscou ressignificar (Serta), em Glória do Goitá, Pernambuco uma rede formada por mais de 300 escolas, sendo 21 bra-
sua atuação a partir de experiências da própria rede sileiras. No Brasil, a iniciativa foi lançada em setembro de
de educação do Estado, de outras experiências ino- 2015, em uma correalização com o Instituto Alana. O Instituto Alana é uma organização da sociedade
vadoras no Brasil e no mundo, mas principalmente e Gestores de Unidades ofertantes da Educação Profissio- Ao reconhecer, promover e conectar Escolas Transfor- civil, sem fins lucrativos, que aposta em programas que
das duas premissas estabelecidas no ano de 2016. nal, buscando mudança de mentalidade e de visão sobre a madoras, entre si e com comunidades mais amplas, bus- buscam a garantia de condições para a vivência plena da
De um ambiente escolar contextualizado no século XXI educação. Mais do que criar ou replicar um novo currículo, camos contribuir para que as equipes dessas escolas se infância. Criado em 1994, é mantido pelos rendimentos
e uma “educação inferida no território e sua economia”, espera-se uma renovação profunda no pensar de nossos posicionem como líderes de uma profunda transformação de um fundo patrimonial desde 2013 e tem como missão
buscamos um caminho de mobilização não só da escola, educadores e principalmente de nossos estudantes e comu- no cenário educacional do País. “honrar a criança”.
mas de toda a comunidade, promovendo uma educação nidades, de criar e promover, juntos, um novo processo de
que considere a realidade local/territorial o locus da construção do educar e da vida em sociedade.
aprendizagem. Assim, então, conferindo pertinência e Do fruto dessas interações e das experiências da própria
complexidade ao processo formativo como propõe Morin, rede, surgiram propostas aqui apresentadas na perspectiva
e, para além disso, a transformação desta realidade con- de fortalecer e compor as ações das Unidades Escolares Quem são as Escolas Transformadoras?
quistando melhoria da qualidade de vida e evolução social. de Educação Profissional nos Territórios de Identidade da
Entre as experiências no Brasil e no Mundo de uma Bahia. Como todo projeto que busca construir bases sóli-
educação que reconhece o protagonismo, a criatividade, das, a SUPROT tem ciência (e consciência) de que há um
+ de 300 COMPETÊNCIAS TRANSFORMADORAS
ESCOLAS NO MUNDO CRIATIVIDADE
EMPATIA
a empatia e o trabalho em equipe como pontos de partida longo percurso a ser caminhado. Entretanto, para toda a
para um novo olhar sobre o educar, a SUPROT buscou in- equipe envolvida e para os parceiros e colaboradores, que
+ de 30 TRABALHO PROTAGONISMO
teragir e conhecer as vivências do Programa Escolas Trans- compartilham dessa crença em uma nova conversa sobre PAÍSES EM EQUIPE
formadoras. Junto com esses atores vem realizando ações educação, esta publicação representa um alento e fonte de COMUNIDADE
GLOBAL
21 ESCOLAS
BRASILEIRAS + de 300
de formação com Coordenadores Pedagógicos, Educadores grande entusiasmo.. ATIVADORES NO BRASIL

6 7
Formar jovens para A Educação
mercado exigente Profissional no Estado
e contexto desafiador A Bahia possui a segunda maior rede de educação
estadual do país. Atualmente é composta por:
A Superintendência de Educação Profissional e
Tecnológica (SUPROT) da Rede Estadual de Educação 33 39 35 113 147 27
da Bahia tem como missão educar jovens para o CENTROS
TERRITORIAIS
CENTROS
ESTADUAIS
ANEXOS DE
CENTROS
UNIDADES ESCOLARES
DE ENSINO MÉDIO QUE
MUNICÍPÍOS
ABRANGENDO
TERRITÓRIOS
DE IDENTIDADE

mercado de trabalho. Mais do que isso, é preciso que


DE EDUCAÇÃO DE EDUCAÇÃO DE EDUCAÇÃO TAMBÉM OFERTAM DO LITORAL
PROFISSIONAL PROFISSIONAL PROFISSIONAL CURSOS DE EDUCAÇÃO AO SERTÃO
PROFISSIONAL E BAIANO

garanta o desenvolvimento desses estudantes para TECNOLÓGICA

uma inserção cidadã na vida social, para que atuem de TERRITÓRIOS DE IDENTIDADE DA BAHIA
maneira transformadora em seus municípios e territórios.
1 Irecê
2 Velho Chico
3 Chapada Diamantina 24
10
A ESTRUTURAÇÃO DA EDUCAÇÃO 4 Sisal
PROFISSIONAL DA BAHIA NOS ÚLTIMOS ANOS 5 Litoral Sul
25 17
6 Baixo Sul
Criação da Superintendência de Educação Criação de Centros Territoriais (polos 7 Extremo Sul
16
Profissional e Tecnológica (SUPROT) de articulação, oferta e demanda de educação 8 Médio Sudoeste da Bahia 4
1
profissional) e Centros Estaduais de Educação 9 Vale do Jiquiriçá
Ampliações e reformas Profissional (cursos temáticos de acordo com as 10 Sertão do São Francisco 11 15 18
2
11 Bacia do Rio Grande 19
demandas do setor produtivo e com a diversidade 14
Adequação e modernização das unidades 12 Bacia do Paramirim
socioambiental da Bahia) 3 21
escolares (equipagem de laboratórios 26
13 Sertão Produtivo
e montagem de acervo bibliográfico) 14 Piemonte do Paraguaçu 12 9
Ampliação da oferta de cursos
15 Bacia do Jacuípe 6
OBJETIVOS DA SUPROT 16 Piemonte da Diamantina
23
22
17 Semiárido Nordeste II 13
Ga­rantir o de­sen­vol­vi­mento dos jo­vens para uma Am­pliar o acesso à edu­cação in­te­gral 18 Litoral Norte
inserção ci­dadã na vida so­cial e no mundo do tra­balho e Agreste Baiano 20
5
For­ta­lecer a in­clusão edu­ca­ci­onal 19 Portal do Sertão 8
Pre­parar os jo­vens e tra­ba­lha­dores de 20 Sudoeste Baiano
modo que possam atuar em seus mu­ni­cí­pios, Con­tri­buir para a ele­vação de 21 Recôncavo
27
em seus territórios, po­dendo per­ma­necer es­co­la­ri­dade dos traba­lha­dores 22 Médio Rio de Contas
em seus lo­cais de origem 23 Bacia do Rio Corrente
Promover articulações com po­lí­ticas/pro­gramas/ 24 Itaparica 7
Inovar e di­ver­si­ficar os cur­rí­culos escolares, ações de de­sen­vol­vi­mento so­ci­o­e­conô­mico 25 Piemonte Norte do Itapicuru
promovendo acesso dos es­tu­dantes ao conheci- e ambiental, e de ge­ração de tra­balho, em­prego 26 Metropolitano de Salvador
mento ci­en­tí­fico, às artes, à cul­tura e ao trabalho e renda, na pers­pec­tiva da in­clusão 27 Costa do Descobrimento
8 9
Uma jornada cheia
de transformadores

A
parceria do programa Escolas Transformadoras Propósito
com a Superintendência da Educação Profis-
sional e Tecnológica da Bahia (SUPROT) se con- A proposta das Jornadas e da Imersão em Escolas Trans-
solidou de diversas maneiras. Na troca de experiências, formadoras foram construídas no diálogo entre o Progra-
nos diálogos e nas análises de dados. Mas o trabalho ma Escolas Transformadoras e a SUPROT na perspectiva
“polinizador”, de compartilhar, inspirar e fortalecer os de fortalecer e compor as ações em prol de:
educadores teve como ponto de partida as Jornadas de
Educação Transformadora nos Territórios de Identidade Educação Profissional pautada em construção
da Bahia em Encontros com Técnicos da Superinten- de identidades locais, sentimento de pertencimento
dência, Diretores, Vice-diretores, Pedagogos e Coorde- e intervenção positiva na comunidade local
nadores Pedagógicos de escolas profissionais do Estado.
Em dois eventos marcados por depoimentos de empre- Visão de educação de que todo jovem, adulto(a)
endedores sociais e líderes de Escolas Transformadoras, e trabalhador(a) é um sujeito de
os educadores puderam conhecer histórias de todo o transformação de sua própria vida, de sua
país, se conectar com outros educadores e debater ações comunidade e da sociedade de um modo geral
e projetos para superar os desafios de suas unidades.
Alguns educadores se surpreenderam com histórias de Diálogo entre conteúdos do mundo do trabalho
superação de contextos desafiadores, outros se identi- e de competências como empatia, protagonismo,
ficaram. Foram momentos de muita reflexão, emoção trabalho em equipe e criatividade como valores
e troca entre alguns dos genuínos transformadores e ferramentas para inserção na vida social e
da nossa educação, que dia após dia lutam por uma profissional e conhecimento socialmente construído
formação mais digna e transformadora para jovens de como artes, ciências, cultura e trabalho
todo o Estado.
Um grupo de técnicos e coordenadores pedagógicos indi- Inovações pedagógicas no ensino médio e técnico
cados pela SUPROT participou da imersão e pôde conhecer com vistas ao fortalecimento de projetos
pessoalmente a realidade de três das Escolas Transformado- político-pedagógicos construídos com e para
ras de diferentes regiões do país, para entender na prática educadores, estudantes e trabalhadores dos 27
como é possível essa nova educação. Territórios de Identidade do Estado.

Alcance e resultados iniciais da parceria

+ de 280
COORDENADORES
E VICE-PEDAGÓGICOS
+ ENVOLVIDOS
+ ANIMADOS
+ ENGAJADOS
+
+
DIÁLOGO COM A SECRETARIA
DA EDUCAÇÃO DO ESTADO DA BAHIA
INÍCIO DE UMA CONEXÃO
INTERTERRITORIAL
+
+
27 TERRITÓRIOS FORTALECIDOS
MAIS DE 20 IDEIAS DE PROJETOS
PARA A SUPERAÇÃO DE DESAFIOS
DOS TERRITÓRIOS
+de 140.000
ESTUDANTES IMPACTADOS INDIRETAMENTE

10 FONTE: SUPROT
11
ARTIGO | Ponto de Partida

Como começam Olhar para os


problemas que
cola conduzir com suas equipes as mudanças necessárias.
Taí a graça, taí a beleza. Não há transformação igual uma
da outra, não há certo ou errado. Para existir um processo

projetos
transformador na educação é fundamental uma identida-
de escolar própria, que considere as pessoas envolvidas, a

afetam uma escola e a comunidade em que está inserida.


Os planos de ação que podem ser lidos nas páginas

escola exige um seguintes também revelam o quão criativa precisa ser a

transformadores
educação. Não se trata de dar jeitinhos ou buscar tapar

pensamento
buracos. Os planos de ação que ganham vida nesta publi-
cação buscaram no coletivo, na gestão democrática, no
vínculo com a comunidade escolar, na aposta às potências

rigoroso, uma
de educação?
do território, entre outros, a reinvenção necessária das
formas de compreender, fazer e compartilhar. Observa-

escuta empática mos também grande entusiasmo no planejamento e na


realização dos planos, evidenciando que a educação é
sempre uma eterna busca e construção de sentido para
dos atores todos e todas que participam dela.
Há nos relatos e nas vozes dos educadores-autores um

envolvidos, um compromisso ético e político com a qualidade social de

E
ssa é a pergunta que vem mobilizando as publica- te aí essas duas palavras; há que se ter responsabilidade uma escola profissional voltada para que todos e todas se
ções realizadas pelo programa Escolas Transfor-
madoras em seus 4 anos de existência no Brasil.
com as mudanças propostas e em curso, e isso precisa ser
viável e perene). senso coletivo sintam capazes de transformar e serem transformados.
Assim como cantado na música de João do Vale, conhecida
Do desejo de incluir, de assumir identidades, de ser um É notável nos relatos de experiência desta revista e nos na voz de Maria Bethânia e Caetano Veloso, “Carcará”, ‘É
espaço para a realização e não para o fracasso, do sonho
de construir uma educação que dialoga com as questões
inúmeros outros relatos recebidos das escolas baianas que
a transformação se inicia no campo da visão e do senti-
em exercício engraçado a força que as coisas parecem ter quando elas
precisam acontecer’. Essa força coletiva de transformação
da vida daquele território e de sua gente.
Isso é um pouco do que aprendemos com as 21 escolas
mento. As duas juntas! Se identifica um desafio, se percebe
aquilo que incomoda. Quem nasceu primeiro não importa. constante, uma já começou e pode ser encontrada nos 27 Territórios de
Identidade do Estado da Bahia.

dose de coragem
transformadoras reconhecidas no Brasil e, é o que vemos Importa que as escolas reconheceram que existem ques-
que mobiliza também as escolas da rede estadual de edu- tões. E são os incômodos, as perguntas, os problemas que Se inspire com elas!
cação profissional da Bahia. mobilizam e sustentam os processos de transformação.
Durantes os meses de outubro e novembro de 2018 as
escolas de educação profissional baianas foram convida-
Olhar para os problemas que afetam uma escola exige
um pensamento rigoroso, uma escuta empática dos ato-
para sair da zona
das a registrar seus processos de transformação em curso,
desde o início das Jornadas de Transformação promovidas
res envolvidos, um senso coletivo em exercício constante,
uma dose de coragem para sair da zona de conforto e mui- de conforto e
pela SUPROT e pelo programa Escolas Transformadoras. ta, muita criatividade para o que se coloca como desafio
O desafio de registrar o vivido e seus resultados é an-
tigo conhecido dos educadores. O que não impediu que
e no seu enfrentamento.
Como em muitos outros Estados do país, o problema da
muita, muita
viessem à luz histórias inspiradoras de transformação
das escolas. E por onde essas escolas começaram? Essa
evasão escolar, da infraestrutura das escolas, da ausência
de professores se mostrou presente nos relatos enviados.
criatividade
pergunta não é óbvia. É uma pergunta fundamental para A diferença foram os processos e as soluções apresentadas. RAQUEL FRANZIM e ANTONIO LOVATO, coordenadores
qualquer transformação responsável e sustentável (ano- São cores, sons, cheiros e jeitos muito próprios de cada es- do programa Escolas Transformadoras no Brasil
12 13
MATÉRIA-PRIMA | Professor do. De outro modo, a relação dos pro- “A formação docente vivida no atual contexto da escola é a
fessores com os educandos deve ser nossa visão sobre esse tema. Não po-
de colaboração em prol da autonomia,
para uma educação demos encarar o excesso de estímulos
transformadora ainda
“Novas tecnologias podem
da responsabilidade social e do cará- eletrônicos como algo que atrapalha o
ter de protagonismo desses alunos. O processo de ensino e de aprendizagem.
conhecimento não deve ser centrado
é um grande desafio Devemos analisar as reais perspecti-
em posicionamentos metodológicos para os atuais sistemas vas e a inerente potencialização dos

e devem estar presentes tradicionais que eclipsam no contexto


da sala de aula o pensar e o questionar,
mas sim superar essa formação que
educacionais no Brasil.”
processos educacionais que tais estí-
mulos podem trazer para o contexto
de sala de aula.

na educação transformadora” prioriza um tipo de saber que esteja


dentro da caixa. Pessoalmente discordo desse pensa-
mento simplista de que o educador
De que forma as redes sociais e as
novas tecnologias podem contribuir
Qual é a importância da formação é um vocacionado e que a profissão para uma educação transformadora?
A relação dos professores com os educandos deve ser dos educadores nesse contexto? deve ser encarada como um ato de Hoje já dispomos de redes wi-fi, note-

de colaboração em prol da autonomia, da responsabilidade A formação docente para uma edu-


cação transformadora ainda é um
doação. Como qualquer outro profis-
sional que passa por uma formação
books e smartphones que são utiliza-
dos pelos educandos com mais perícia
social e do caráter de protagonismo dos alunos grande desafio para os atuais sistemas acadêmica consolidada e se estabele- e dinamismo que muitos docentes. As
educacionais no Brasil em relação ao ce como alguém atuante em sua área redes sociais e as tecnologias podem
contexto social em que vivemos. Per- de formação, o docente não pode ser e devem estar presentes na educação,

I
nstagram, WhatsApp, realidade dindo e se fortalecendo como um sidade dos docentes e suas formações passa a formação inicial nos cursos de subjugado a um papel de vocação em atuando como ferramentas de poten-
virtual... essas “modernidades” são agente de democratização e acesso a ainda é um entrave, pois é necessária licenciatura, em sua maioria com cur- detrimento a uma valorização profis- cialização do ensino e da aprendiza-
úteis apenas para o nosso cotidia- cursos técnicos para uma parcela de a contratação provisória de docentes rículos engessados e descontextualiza- sional no mercado de trabalho. gem dos educandos. E os professores
no ou podem ter uso na educação? estudantes que outrora não tinham que não se enquadram no contexto dos, bem como a formação continuada, e professoras devem estar “antenados”
E quando se fala de uma educação tal oportunidade. Importante dizer dos requisitos mínimos para exercer a atualmente um fator diferenciado em Participou de alguma Jornada ao que ocorre ao seu redor para criar
verdadeiramente transformadora? que esse trabalho tem sido desenvol- docência como preconiza a Lei de Di- relação a algumas posições que po- da Educação Transformadora vínculos entre o conhecimento cur-
Para o engenheiro civil e professor vido focando nos contextos de cada retrizes e Bases (LDB). E isso dificulta demos observar em salas de aula. A promovida pela SUPROT? O que ricular e aquele que se processa fora
licenciado em Física e História Alex região do Estado, com a criação dos o fortalecimento de cursos específicos Secretaria da Educação do Estado da acha do projeto? dos muros da escola. É assim que o
Vieira dos Santos, de 41 anos, 18 deles Centros Territoriais e Estaduais de que necessitam de um corpo docente Bahia está realizando uma formação Não diretamente, mas estive em conta- educando vai conseguir vislumbrar
na educação estadual da Bahia, essas Educação Profissional, promovendo especializado e fixo nas escolas. continuada com ferramentas tecnoló- to na escola com as ações que surgiram as possibilidades de mudança em sua
são ferramentas essenciais para poten- oportunidades diversas de formação gicas com todos os professores da rede, desse contexto. De outro modo, estive vida e que vamos possibilitar um am-
cializar o ensino e a aprendizagem dos e contextualização aos discentes e O que é preciso, na sua opinião, proporcionando assim instrumentos estudando como se deu o processo e o biente fértil para a transformação que
educandos. Mais que isso, para ele, “os docentes envolvidos nesse processo. para promover uma educação que possibilitam novos caminhos que está envolvido nesse contexto de almejamos na educação.
professores devem se valer dessas fer- transformadora? metodológicos. A formação docente transformação. Tais iniciativas propor-
ramentas para criar vínculos entre o Quais são as peculiaridades da Penso que dois aspectos devem ser perpassa também o conhecimento das cionam novos olhares para o docente
conhecimento curricular e aquele que Educação Profissional na Bahia? observados: um que seja focado na necessidades que cada contexto e cada em sua práxis e para o pensar e fazer
se processa fora dos muros da escola”. Dentre algumas peculiaridades, pode- relação entre o professor e o educan- conhecimento disciplinar necessitam uma escola democrática e que possa
Uma visão fundamental para a supera- mos citar a questão da complexidade do, e outro aspecto é o que perpassa para o estabelecimento de uma edu- transformar a realidade da educação.
ção de um desafio presente em muitas da rede pelas dimensões geográficas a escola como local privilegiado para cação transformadora.
escolas da rede: a evasão escolar. Veja do Estado. Isso levou a SUPROT a essa transformação. Sobre a escola, Como promover uma educação
a entrevista completa que o professor atuar em microrregiões territoriais e em relação à sua função social, ela Fala-se muito que o educador é um transformadora em uma época em
Alex Vieira concedeu a esta publicação. assim possibilitar diferentes perspec- deve promover um espaço adequado vocacionado, mas é preciso muito que a vida virtual é tão presente na
tivas para conciliação do contexto da para que o educando tenha acesso estudo, preparo e técnica para realidade dos jovens e adultos?
Como vê em termos gerais a educação com as questões socioeconô- à diversidade de conhecimentos na exercer a profissão para além do be- Uma das questões-chave para dirimir ALEX VIEIRA DOS SANTOS,
professor há 18 anos no Centro Estadual
Educação Profissional na Bahia? micas dessas regiões. De outro modo, atual sociedade e proporcionar um a-bá. De que maneira você analisa o fosso que existe entre a prática do- de Educação Profissional em Logística e
Ela vem nos últimos anos se expan- ainda pelo tamanho da rede, a diver- vínculo com a vida social do educan- esse aspecto? cente idealizada e aquela realmente Transportes Luis Pinto de Carvalho
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AQUI É ASSIM | Projetos já realizados com sucesso

MÃOS SE
AQUECENDO. Bengala organizaram em equipes e, depois de participarem de um minicurso, pa-
lestras e oficinas sobre o assunto, formaram equipes para criar projetos
CRITÉRIOS
PARA PARTICIPAR
DO PROJETO

Sensorial
que atendessem aos critérios previamente definidos pelos professores das
MÃOS áreas de Exatas e Informática da instituição. Os critérios apresentados DE CURSO
PLANEJANDO. aos alunos foram: impacto social, aplicabilidade, aplicação de princípios NO CETEP VITÓRIA
DA CONQUISTA

é premiada
da matemática e da física, originalidade e design (apresentação visual).
MÃOS Após ser apresentado, o projeto da Bengala Sensorial foi escolhido pelo

TRABALHANDO. público e por uma equipe de jurados como o que melhor atendeu aos Impacto social

em diversos
critérios estipulados. E, viva!, os alunos e o professor orientador foram
premiados na própria instituição durante o evento de apresentação. Aplicabilidade
Para a experiência estar ainda mais conectada com a realidade, os alu-

concursos
nos visitaram uma instituição de Vitória da Conquista voltada à atuação Aplicação de princípios
com deficientes visuais e solicitaram a eles que relatassem como foi usar da matemática e da física
o protótipo. Os alunos registraram as experiências e ideias de melhorias
sugeridas para aperfeiçoar o projeto e pretendem efetuar as mudanças a Originalidade e design
fim de que a bengala possa, futuramente, atender ao público-alvo.
Parte do Projeto de Curso do CETEP Em 2018, outra boa notícia: com a criação do Clube de Robótica do CE-
A jaca na jaqueira, as flores no campo,
a cenoura na horta... cada coisa cres-
de Vitória da Conquista, foi feita com TEP/VC, projeto extracurricular iniciado pelo professor Márcio de Arruda
Fonseca e pela professora coordenadora do curso, Tatiana Vieira dos Santos OBJETIVOS DO
ce a seu tempo, e em seu lugar. Assim cano de PVC e sensores de obstáculos Paiva, do qual fazem parte alunos, ex-alunos e professores do Curso Téc- PROJETO DE CURSO
acontece também com os resultados nico em Informática, a Bengala Sensorial e outros projetos desenvolvidos
alcançados por meio das Jornadas de em 2017 foram retomados. Assim, os protótipos foram reativados e/ou Motivar o interesse

P
Educação Transformadora nos Territó- or não contarem com o sentido da visão, os deficientes visuais melhorados e inscritos em eventos da área promovidos no Estado. em continuar no curso
rios de Identidade da Bahia. Enquanto acabam estimulando mais os outros sentidos e utilizando diversos Os resultados foram (e ainda estão de tecnologia
alguns contextos facilitam a realiza- recursos para conduzirem suas vidas de uma maneira confortável sendo) surpreendentes. O projeto
ção de planos de ação transformado- e minimizando suas dificuldades. Nesse contexto, toda ajuda possível é bem- Habeas Corpus – Bengala Sensorial Diminuir evasão escolar
res, outros são bastante desafiadores. vinda. Partindo dessa premissa, um grupo de alunos do Curso Técnico em foi selecionado e venceu a “Campus
Acolhendo essas diferentes realidades, Informática do Centro Territorial de Educação Profissional de Vitória da Future”, um espaço da Campus Party Estimular a criatividade
selecionamos seis projetos que conside- Conquista, orientados pelo professor Jaquionias Ferraz Novais Castro, de- de Salvador (BA), realizada em 2018.
ramos inspirações para educadores que senvolveu como Projeto de Curso uma bengala sensorial, uma tecnologia as- Na ocasião, estudantes universitá- Estimular a interatividade com
estão à procura de novos olhares, novas sistiva de baixo custo, visando melhorias na mobilidade do deficiente visual. rios e do ensino técnico tiveram a os conceitos multidisciplinares
palavras, novos caminhos. Três deles já O projeto propôs a construção de uma bengala automatizada, dotada de siste- oportunidade de expor e divulgar trabalhados em sala
estão em fase de realização, com resul- mas, como o de sensoriamento, controle e mecânico. A bengala, feita com um suas ideias. No evento, o protótipo
tados bastante perceptíveis. Outros três cano de PVC, apresenta sensores de obstáculos de motores de vibração, que foi apresentado pelos alunos Rômu- FICHA TÉCNICA
ainda estão em fase de aquecimento auxiliam o deficiente a detectar as barreiras no caminho, evitando assim tro- lo Reis Miranda, Iago Rocha Porto e TERRITÓRIO: NTE 20 – Vitória

e — acreditamos! —, são bem promis- peços desnecessários e arriscados, e tornando mais suave para eles o caminhar. Vitor Lima de Freitas, acompanhados da Conquista
sores. Para além destes seis projetos, A ideia, aparentemente simples, exigiu dos alunos, além de criatividade pela professora Beatriz Oliva Queiroz CIDADE: Vitória da Conquista - BA

diversos centros educacionais e suas e originalidade, a capacidade de unir conhecimentos de tecnologias de Bonfim. Em 2018, a Bengala Sensorial COLÉGIO: Centro Territorial de

equipes estão borbulhantes e confian- hardware e software livre para desenvolver o protótipo. conquistou ainda o 3º lugar entre os Educação Profissional de Vitória
tes de que é possível fazer diferente e A Bengala Sensorial foi criada em 2017 como parte do Projeto de Curso projetos expostos na 2ª Feira Tecno- da Conquista
certos de que, acima de tudo, é neces- do CETEP. Proposto aos alunos anualmente, no ano passado, o projeto lógica do SESI – Vitória da Conquista. PROJETO: Habeas Corpus –

sário fazer junto. focou no tema “Automação: Interagindo e Empreendendo”. Os alunos se Que venham mais! Bengala Sensorial
16 17
AQUI É ASSIM | Projetos já realizados com sucesso

Alunos colocam mão O PRIMEIRO PASSO


FORAM AS AULAS
EXPOSITIVAS

na massa para aprender SOBRE:

a valorizar e preservar
Trabalho em equipe

Orçamentos

sala de aula Empreendedorismo

Modelos e métodos de
instalação de revestimento

Aulas e oficinas preparam grupos para fazer melhorias no Mosaico


ambiente escolar exercitando o protagonismo e a empatia
Pintura em parede de alvenaria,
madeira e metal

Colagem e stêncil

A
sala de aula é um espaço tão Para o desenvolvimento do projeto, técnicas de pintura. Há ainda aulas e selecionados pelos próprios alunos, dando um aspecto pessoal a cada sala.
cotidiano, e aparentemen- são propostas diversas etapas, de for- dinâmicas e expositivas incentivan- Ao final, são criadas equipes para gerenciar e viabilizar o projeto, com
te singelo, que raros são os ma que, passo a passo, os alunos se do a valorização do ambiente esco- a divulgação do projeto, a busca de parcerias com lojas no ramo e visitas
momentos nos quais os alunos se dão preparem para realizar as mudanças lar e apresentando a importância de à Secretaria Estadual de Educação. OBJETIVOS DO
conta de sua importância. Em alguns necessárias. Tudo começa com uma equipamentos de proteção indivi- Com o projeto, os estudantes tiveram a oportunidade de colocar em PROJETO DE CURSO
casos, a falta de conexão é tamanha, longa conversa sobre a ação. Em se- dual (EPI’s). Outras aulas e oficinas prática o conhecimento adquirido em diversas aulas teóricas. Desde
que surgem o desdém, o descuido e guida, os estudantes se disponibili- das quais os alunos participam são: (Materiais de construção, Técnicas Construtivas, Elementos de Projeto Estimular os alunos a
até a depredação. zam para participar, são divididos trabalho em equipe; orçamentos; em- de Arquitetura, Intervenção Social, Planejamento, Contabilidade, Organi- exercitarem as práticas
Para apresentar aos estudantes uma em equipes (cada uma com um líder) preendedorismo; modelos e métodos zação e Artes), começando pela análise das possibilidades, levantamento profissionais
nova perspectiva sobre esse tema, e cadastraram as salas de aula que, de instalação de revestimento; mo- de custos, orçamentos e projeto para melhoria do ambiente proposto. As
um grupo de educadores do Centro em suas visões, estão mais carentes saico, entre outros. Em alguns casos horas trabalhadas em oficinas práticas são contabilizadas como carga Sensibilizar os estudantes

Estadual de Educação Profissional de mudanças. Depois, os grupos de- são convidados mestres de obras ou horária para o estágio obrigatório. sobre a importância da higiene

Severino Vieira propôs um projeto senvolvem o planejamento, o dese- pedreiros voluntários. Já as salas selecionadas para a intervenção em 2018 ficaram mais huma- e do conforto ambiental

de conscientização sobre os proble- nho artístico e o projeto gráfico. Na Todo o processo é feito dando rele- nizadas e agradáveis para o desenvolvimento das atividades de ensino e do espaço escolar

mas relacionados ao ambiente escolar, sequência, definem o material neces- vância ao cuidado, bom uso e controle aprendizagem e facilitando uma boa interação e troca de experiências.
Promover o pertencimento
para que os alunos proponham me- sário e suas quantidades. dos materiais e ferramentas, e os te-
do aluno no espaço escolar,
lhorias. O projeto envolve as turmas A partir desses pontos, os alunos mas das aulas são definidos de acor-
dando-lhe a importância
dos cursos técnicos de Edificações, são envolvidos em diversas aulas. A do com as técnicas necessárias para a FICHA TÉCNICA
e cuidados devidos
Administração e Logística do CEEP primeira aula teórica é sobre como ambientação de cada sala em questão. TERRITÓRIO: NTE 26 - Metropolitano de Salvador

desde 2016, mas a participação de preparar uma superfície e desenvol- Após as aulas, algumas atividades são CIDADE: Salvador - BA COLÉGIO: Ceep em Gestão Severino Moreira Adotar uma atitude
alguns professores e coordenadores ver a paginação e o assentamento de desenvolvidas de forma prática nas sa- PROJETO: Desenvolver no alunado a consciência ambiental quanto responsável em relação
da unidade nas Jornadas de Educa- revestimento em uma parede. Nes- las, já iniciando as melhorias de acor- ao seu espaço de convivência, atuando numa intervenção social à preservação das salas
ção Transformadora fortaleceu a ação. sa mesma aula, os alunos aprendem do com os desenhos artísticos criados que visa à melhoria do seu dia a dia escolar de aula
18 19
AQUI É ASSIM | Projetos já realizados com sucesso MINHA HISTÓRIA | Experiências de gente como a gente

Para combater Propostas da gestão escolar devem


a evasão CETEP traduzir demandas da comunidade
mobiliza comunidade
Vale do Jiquiriçá traça novos caminhos para conter
queda de matrícula e acolher necessidades locais atuais

Demonstrar atividades práticas resultantes de conhecimentos Por JOELMA ARGOLO considerável diversificação de ativi- então no planejamento e na imple-
Mestre em Gestão de Políticas Públicas
apreendidos durante os cursos foi uma das estratégias da escola e Segurança Social pela UFRB e diretora
dades no comércio e nos serviços da
região, o que impulsionou a procura
mentação de uma série de ações, tendo
por base as competências das Escolas
do CETEP - Vale do Jiquiriçá
por novos cursos. Transformadoras: trabalho em grupo,
Fizemos, então, uma atuação bem criatividade, empatia, protagonismo.

A
s adversidades são diárias, pontual nesse sentido, com resultados Pesquisa, atividades destinadas à orien-

A
evasão na escola técnica é mento adquirido em cada curso téc- mas a busca por uma educa- positivos e aumento no índice de ma- tação profissional, iniciação científica,
um dos principais desafios nico da unidade, apresentando tudo ção transformadora também. trícula. Esse crescimento significativo intervenção social, desenvolvimento
de toda a Rede Estadual de isso de forma lúdica e descontraída. É o que tento aplicar em minha vida de reflete claramente o reconhecimento de tecnologias sociais, atividades de
Educação Profissional na Bahia. Seja Além disso, o grupo formado por alu- educadora. Vou dividir aqui a minha da comunidade local e regional com campo e visitas técnicas são algumas
pelo contexto histórico em que nos nos e professores fizeram nos eventos experiência, esperando fomentar de relação à qualidade da escola na for- delas. Vale destacar neste sentido a Ex-
encontramos, seja pelo contexto nessas escolas um espaço de esclareci- forma crítica e reflexiva as escolhas mação de profissionais. O que foi razão posição de Trabalhos Técnicos (Expotec),
social e econômico dos alunos, seja mento, fornecendo informações sobre e desafios sobre as práticas para uma de grande alegria para toda a equipe a Semana do Meio Ambiente, o Sarau
pela motivação individual de cada es- os cursos, temas abordados e o campo gestão democrática e transformadora. pedagógica da escola. Literário, a Semana da Consciência Ne-
tudante. É uma questão que bate na de atuação dos profissionais formados. Assumi a gestão do CETEP Vale do Além da expansão das parcerias, ini- gra e Feira de Ciências e Matemática.
porta de dezenas de escolas do Estado. O interesse gerado nos alunos de 9º Jiquiriçá, na cidade de Amargosa (BA), ciamos um ciclo de atividades buscan- Os estudantes passaram também a ser
Após participarem da 2ª Jornada de ano foi grande. Curiosos com o que em abril de 2013, há cerca de cinco do aumentar a visibilidade do Centro, incentivados a participar dos projetos
Educação Transformadora nos Territó- Para criar afinidade com os cursos estavam vivenciando, mostraram-se anos. O primeiro desafio com o qual por meio da divulgação dos cursos e promovidos pela Secretaria de Educa-
rios de Identidade da Bahia, educado- e estimular novas matrículas, perce- animados para buscar um futuro na me deparei foi o número decrescente explicitação das formas de acesso e ção do Estado da Bahia. Todos ficaram
res do Centro Territorial de Educação beram que precisavam apresentar na educação profissional. O CETEP do de matrícula. Naquele ano, registramos estrutura da escola. Sabíamos que o mais engajados e animados. Os resul-
Profissional do Baixo Sul, localizado na prática o que era aprendido na unidade Baixo Sul ainda não teve oportunida- um total de 305 estudantes matricu- percurso seria trabalhoso e desafia- tados das ações e projetos implantados
cidade de Gandu, se viram sensibiliza- escolar. Em eventos especiais, tiveram de de avaliar os resultados do projeto, lados, distribuídos nos três turnos. A dor, mas fomos em frente. Focamos começaram a aparecer rapidamente.
dos para tentar minimizar a questão. então a oportunidade de fazer a de- mas estão bastante otimistas, graças partir desse número, iniciamos um Embora o processo de planejamento
Buscando garantir um número monstração de dezenas de atividades ao retorno recebido dos estudantes diagnóstico levantando os indicadores ocorra a todo o momento na escola, é
Matrícula Inicial / Turmas – 2013 - 2018
expressivo na matrícula da escola, o práticas que resultam de conheci- das escolas da região. da escola, seus principais problemas e importante que as propostas assumidas
305

2018 2017 2016 2015 2014 2013


CETEP do Baixo Sul mobilizou toda a potencialidades. Embora a escola ti- 20 coletivamente traduzam realmente o
comunidade e cidades circunvizinhas vesse uma estrutura física predomi- 340 que se pretende para toda a comunida-
17
do Território. Formaram um grupo de FICHA TÉCNICA nantemente rural, a movimentação 465 de escolar. Assim, é necessário conside-
21
professores com estudantes e foram TERRITÓRIO: NTE 06 – Baixo Sul CIDADE: Gandu - BA da economia local nos últimos anos, 617 rar o planejamento enquanto processo
28
a campo. O foco inicial foi visitar es- COLÉGIO: Centro Territorial de Educação Profissional do Baixo Sul influenciada principalmente pela 617 permanente que implica em escolhas,
25
colas com alunos cursando o 9º ano, PROJETO: Promover atividades em escolas próximas para diminuir instalação da Universidade Federal 615 opções para a construção de uma rea-
26
pretensos estudantes do CETEP. a evasão e estimular novas matrículas do Recôncavo da Bahia (UFRB), gerou lidade, num futuro próximo.
20 FONTE: Relatório Quantitativo da Situação 21
Escolar do Aluno Da Rede De Ensino - SGE
MATÉRIA-PRIMA | Educador blemas da realidade, além da aplica- “É momento cativos no Brasil de hoje; professora
ção social dos efeitos da escola. Terezinha Fróes Burhan, da UFBA,
de recolocar nos pela sua expressão na luta de tor-
O que é preciso, na sua opinião, percursos formativos
“A escola deve atuar
nar visível o elo entre escola e redes
para se praticar uma educação multirreferenciais; professor Durval
transformadora?
o sentido do agir, Libânio, do Instituto Federal Baiano
Posso resumir em uma frase: edu- do fazer, do planejar, (e atualmente Superintendente da

em prol do futuro” cação baseada na alteridade como


critério formativo, isto é, com ciclos
de ensino-aprendizagem em que o
do refazer”
Educação Profissional e Tecnológica
na Bahia), pela sua percepção agu-
çada entre escola, conhecimento
ordenamento de “um mundo de formal e solução de problemas reais;
Subsecretário da Secretaria da Educação do Estado relações” seja a tônica para a lida Qual é a importância da educação professora Marilena Chauí, da USP,

da Bahia, Nildon Pitombo, defende a organização pedagógica cotidiana. Promovendo


a organização de um ambiente pe-
na sua vida?
Meu perfil profissional é espelho da
pela sua persistente labuta entre
escola e seu efeito social e político.
de um ambiente pedagógico centrado em redes, elos dagógico centrado em redes, elos e educação na minha vida: educação

e teias de aprendizagem, com múltiplos espaços para teias de aprendizagem, com múlti-
plos espaços para hipertextos e co-
intersubjetiva onde cabe o respeito
aos valores básicos das relações hu-
Como estimular os educadores
a atuarem de maneira
hipertextos e conexões duradouras e significativas nexões duradouras e significativas. manas; educação como valor para transformadora em um contexto
convivência entre meu espaço de político como o que nos
É possível promover uma indivíduo e o espaço das ligações encontramos?

P
ensar, fazer e transformar a os processos de transformação nos estadual de educação da Bahia mos- educação transformadora mesmo com os outros, bem como com o das Tendo a paciência para entender as
educação empreende tempo, ambientes educativos pelos quais a tra-se com três características sig- em realidade de pouca verba instituições e seus legados; educação “sanfonas” dos contextos e dos regis-
empreende estudo, empre- Bahia já passava. nificativas: a) extensão, com grande destinada à educação? induzida à configuração das compre- tros da história, que sempre sinalizam
ende experiência. Não apenas isso, Nesta entrevista exclusiva, ele abrangência e elevado quantitativo Sim. Há que se instigar rupturas com ensões entre as coisas; educação fin- aspectos que devem ser levados em
requer uma sensibilidade peculiar e aborda questões sobre educação de matrículas (quarta maior rede do a ordem pedagógica, que acentuem cada na realidade do mundo. conta para a tomada de decisões, para
uma visão sobre pessoas, relações e transformadora, contexto político país); b) organização de escolas e cen- menos relação de causa e efeito e as análises de conjunturas e para re-
futuro que contemple conexões, elos e as idiossincrasias da gestão esco- tros de educação profissional com mais relações de multiplicidades O que considera essencial para se ver as utopias e esperanças. Mais do
e uma bela dose de afeto. lar em um Estado do porte da Bahia. identidade regional firmada na ter- de elos e conexões. Em momentos superar como educador? que isso, fazer proposições para al-
O professor Nildon Pitombo, de ritorialidade e suas teias de espaços ou em espaços de poucos recursos Muito investimento em livros, muita terar o protocolo dos percursos for-
68 anos, compartilha desse olhar. O que acha em termos gerais da produtivos; c) instituição de ambien- financeiros há que se buscar ex- abertura à compreensão das inter- mativos, recolocando o sentido do
Nascido em Mata de São João, for- Educação Profissional na Bahia? tes de aprendizagens mais propícios pertise para se alcançar o segundo ligações e muita persistência. No agir, do fazer, do planejar, do refazer.
mou-se em Física e mestre em Edu- Apresenta-se, hoje, como um sistema ao fortalecimento de vínculos para argumento (mais relações de multi- meu caso, os degraus foram aque- É preciso “bolar” projetos para que a
cação e durante décadas se dedicou estruturado para a perspectiva de solução de problemas. plicidades de elos e conexões). les caminhados junto com muitos e escola seja (re)inserida na perspectiva
a ministrar aulas das disciplinas de formação profissional para a juven- muitos estudantes, colegas, amigos, de atuar em prol do futuro.
Pedagogia, Física, Letras. Atualmen- tude baiana. Essa perspectiva inclui Como percebe a relevância Qual é a importância da familiares, filhos e netos. Importante
te é um dos grandes especialistas da a noção da escola como espaço cons- das Jornadas de Educação formação dos educadores para a o senso de simplicidade e referência
Bahia em Currículo, Planejamento e trutor de sentidos para a vida das Transformadora nos Territórios de implementação de uma educação aos que sabiam mais do que eu.
Avaliação Educacional, Políticas Pú- pessoas, como locus de estruturação Identidade? transformadora?
blicas em Educação e Administração dos passos para a mudança da rea- Projetos como esse são muito im- A pedagogia para uma educação Quem é sua maior inspiração
Educacional. Foi coordenador de De- lidade e como lugar de focalizar-se portantes. Sobremaneira, pela transformadora é fato histórico atualmente? Por quê?
senvolvimento da Educação Supe- a constituição do pertencimento e perspectiva do ordenamento da do momento presente, que preci- O maior inspirador é Paulo Freire,
rior do Estado da Bahia e diretor do da responsabilização com o mundo. educação que dê conta de modifi- sa confrontar a regra de causa e sem dúvida. Ele é indispensável para
respeitado Instituto Anísio Teixeira. car a relação entre as pessoas e o efeito da pedagogia convencional, se ler o mundo através da palavra.
Desde 2016, assumiu a Subsecreta- Quais são as peculiaridades da meio ambiente; entre as pessoas e que nutre a aprendizagem como Mas, há outros: professora Jaque-
NILDON PITOMBO,
ria da Secretaria da Educação do Educação Profissional na Bahia? seu entorno; entre as pessoas e seu causa do ensino. Há que instituir line Moll, da UFRGS. Pela sua luta Subsecretário da Secretaria
Estado, com o desafio de fortalecer A Educação Profissional no sistema envolvimento com soluções de pro- essa nova ordem. na organização dos territórios edu- da Educação do Estado da Bahia
22 23
O QUE VEM POR AÍ | Projetos promissores já em desenvolvimento

E-book ajudará a valorizar Cursos adequados


a história de cada aluno à dinâmica local
Projetos de vida de estudantes com suas fortalecem o território
histórias e planos futuros irão compor um livro digital
Em busca de engajamento de estudantes e comunidade,
CEEPs focam nas demandas do Sertão do São Francisco

U
ma educação profissional cursos voltados para os arranjos pro- tivo de cada instituição, abrindo cami-
que se distancia da realida- dutivos e dinâmica locais. “Nosso ter- nho para essa nova escolha de cursos. O
de enfraquece toda a engre- ritório está localizado no Sertão do São próximo passo será criar a Comissão do
nagem de uma unidade escolar. Perde- Francisco, onde projetos de irrigação Território, que ficará responsável pelas
se muito. Perde-se o engajamento de para a agricultura e as cooperativas ações previstas no plano.
alunos, que, sem perspectiva, inflam agropastoris e agroindústrias são im- A distância e a dificuldade de loco-
os índices de evasão e de pedidos de portantes para a economia e susten- moção entre as unidades escolares
transferência. Perde-se o apoio da tabilidade ambiental. Precisamos nos são desafios que estão sendo supe-
comunidade local. Perde-se o ânimo inserir nesse contexto”, explica a edu- rados com ajustes. Alguns pontos do
de educadores, que sofrem com con- cadora Maria Sioleide Rodrigues, do plano de ação estão sendo realizados

V
alorizar a diversidade, projeto de um e-book sobre a histó- desenvolvido em apenas uma aula dições precárias e muitas dificuldades Centro Educacional Antônio Honorato. separadamente em cada instituição.
fortalecendo o indivíduo. ria os planos de vida de cada aluno, na semana. Mas, em breve, teremos para realizar seus planos de estudo e Mais que isso, na visão dos envolvi- Dessa forma, o projeto segue em fren-
Este foi o objetivo do pro- onde eles pudessem apresentar suas um rico livro digital com histórias não conseguem vislumbrar o resulta- dos no projeto, a oferta de serviços, a te, abrindo um mar de possibilidades
jeto desenvolvido no Centro Estadu- trajetórias e projetos de futuro. emocionantes para ler. do de seus trabalhos. cultura e fortalecimento do turismo e para os alunos e a comunidade.
al de Educação Profissional em Tec- “Trabalhamos com textos e vídeos Detectando esse problema crucial do comércio podem (e devem) ser mais
nologia, Informação e Comunicação motivacionais para a preparação do das unidades escolares do Sertão do bem aproveitados pela comunidade.
Antônio Honorato. Após participar conteúdo do e-book, para orientar FICHA TÉCNICA São Francisco, educadores do territó- Portanto, um trabalho conjunto en- FICHA TÉCNICA
da 2ª Jornada de Educação Trans- os alunos sobre a criação do livro TERRITÓRIO: NTE 26 – Metropolitano rio decidiram apostar em um projeto tre as escolas de Educação Profissional TERRITÓRIO: NTE 10 - Sertão

formadora na Bahia, a educadora digital. As demais aulas foram na de Salvador que envolva estudantes e comuni- poderia ser mais eficaz na absorção do São Francisco
Ivana de Paiva Meireles percebeu prática, onde escolheram a estrutu- CIDADE: Lauro de Freitas, BA dade em um objetivo único: sanar as dessas demandas. CIDADE: Casa Nova - BA

a necessidade de um projeto que va- ra para a criação do livro em Word COLÉGIO: Centro Estadual de demandas dessa área sertaneja, mas Maria conta que já foi realizado um COLÉGIO: Centro Educacional Antônio

lorizasse quem são e o que fazem os ou Power Point”, explica Ivana. Educação Profissional em que também conta com uma produ- encontro para detectar as principais Honorato
alunos, e que os envolvesse de uma Atualmente o projeto ainda está Tecnologia, Informação e ção agrícola e agroindústria. dificuldades das escolas da região e en- PROJETO: Escolha democrática

forma mais engajada. em desenvolvimento, por conta Comunicação O caminho para isso estava claro contrar possíveis caminhos. O objetivo é e participativa de cursos voltados
Ela e uma equipe de educadores do número insuficiente de com- PROJETO: Desenvolvimento de e-book para a equipe: proporcionar uma es- desenvolver um trabalho conjunto que para os arranjos produtivos
da escola desenvolveram então o putadores no laboratório e por ser com o projeto de vida de cada aluno colha democrática e participativa de fortaleça o pedagógico e o administra- e dinâmicas locais
24 25
O QUE VEM POR AÍ | Projetos promissores já em desenvolvimento

Gestão democrática A ideia do COMO FUNCIONA


UMA GESTÃO
DEMOCRÁTICA?
ganhará força com aplicativo é evitar
conversas de
suporte de um aplicativo corredor e levar
Ferramenta deve agilizar decisões para situações mais
cotidianas na escola, estimulando a participação de todos
demandas de
uma forma mais
ágil e de fato
C
onduzir a gestão democrá-
tica em uma escola pode A gestão democrática está

colaborativas,
parecer simples na teoria. no regimento da escola
Na prática, no entanto, são mui-
tos os desafios. As agendas de cada O diretor é eleito por
um dos envolvidos, as opiniões
divergentes, o grande volume de
envolvendo um colegiado formado
por alunos (conselho de

maior número
itens a serem resolvidos... Inúme- líderes de sala e o grêmio
ros fatores exigem cuidado e em- estudantil), funcionários e
penho para fazer uma gestão que pais (Associação de Pais,
de fato envolva todos, acolhendo
as diversidades e trazendo resul-
de pessoas nas Professores e Amigos do
Colégio Professor Carlos

decisões”
tados efetivos para o dia a dia de Valadares)
Alunos em assembleia com professores
uma educação transformadora. e coordenadores
Pensando nisso, uma equipe
O Plano de Gestão da escola
do Colégio Estadual Professor
é validado pela comunidade
Carlos Valadares decidiu desenvolver um plano de ação senvolvimento e uso. As informações detalhadas esta- negociando também com parceiros para ver se conseguimos diminuir os
na escola. Um dos destaques do plano é a criação de um rão descritas no aplicativo, e os envolvidos poderão dar custos para desenvolver o aplicativo”, explica Ladjane. Para a gestora do
Todas as decisões são
aplicativo chamado “É Tudo Nosso”, que pretende facilitar apenas “ok” às propostas. A gestão do app funcionará de projeto, o objetivo a longo prazo é ter uma população mais engajada, em-
tomadas de forma
a comunicação para a tomada de decisões, além de acolher forma colaborativa, por um conselho formado por um poderada e legitimada pelo exercício da democracia participativa.
colaborativa
sugestões, denúncias, críticas e soluções para a melhoria representante de cada colegiado, um dos professores, um
da Gestão Democrática da Escola Pública. do grêmio e um da associação de pais e amigos do co-
“A ideia é que o aplicativo funcione como um mediador, légio. Outro ponto positivo é que as reuniões mensais e FICHA TÉCNICA
unindo todas as informações e diminuindo o tempo para assembleias semestrais ficariam mais produtivas pois se TERRITÓRIO: NTE 19 – Portal do Sertão

as tomadas de decisões”, explica Ladjane Barbosa dos San- concentrariam nas questões mais complexas. CIDADE: Santa Bárbara, BA

tos, gestora da escola. A equipe responsável pelo projeto busca agora apoio COLÉGIO: Colégio Estadual Professor Carlos Valadares

Segundo a gestora, a ferramenta será de simples de- financeiro para conseguir avançar com a ideia. “Estamos PROJETO: Desenvolvimento do aplicativo “É Tudo Nosso”

26 27
Aprendizados
Ideias, visões, análises e reflexões “Não tem um jeito de fazer. Há “Um ponto fundamental é a
sobre o transformar na educação muitos jeitos de fazer. Os territórios equipe se constituir realmente
trazem consigo os contextos, as como equipe. Compartilhar,
identidades e as perspectivas dos permanecer na escola
“Cada escola, cada unidade “Eu fui transformado pelo
sujeitos daquele lugar. A educação e construir um projeto
tem de buscar sua vocação, processo pedagógico.
exige que a gente olhe para os pedagógico conjunto, com
e, com a sua comunidade, O processo não transforma só a
sujeitos sob essa perspectiva.” parceria e comprometimento.”
decidir qual é o seu caminho. criança, mas o professor também.”
NATACHA COSTA, Diretora da Associação Cidade HELENA SINGER, diretora de Estratégia de
RAFAEL GALVÃO, Diretor de Ensino, Pesquisa e Extensão
Mas é muito importante essa do Campus Jacarezinho do Instituto Federal do Paraná
Escola Aprendiz e membro da Comunidade Ativadora do
Programa Escolas Transformadoras
Juventude para a América Latina da Ashoka

troca de experiências. As
lições apreendidas têm de ser
“É uma ilusão que temos,
compartilhadas, transmitidas.”
historicamente no Brasil, de
“Tu és a transformação
DURVAL LIBÂNIO, superintendente
da Educação Profissional da Bahia
que o comando e a organização
estrutural da educação está posta

“Temos de criar
em um sistema ou em quem decide.
No momento em que temos a
que está por vir.
estudantes resilientes,
com representatividade,
consciência e uma ação prática
sobre isso, somos capazes de
Da escola sobre ti farão
criar pertencimento,
ter um lugar para eles.”
SÔNIA DIAS RIBEIRO, Coordenadora
transformar.”
CYBELE AMADO, Empreendedora Social Ashoka e
fundadora e CEO do Instituto Chapada de Educação e
parte de um novo olhar
teus sentimentos e emoções”
Pedagógica da Escola Comunitária Luiza Mahin Pesquisa (ICEP)

Frase criada por educadores do CEEP Régis Pacheco em projeto após a 1ª Jornada de Educação Transformadora

“Num Brasil fortemente marcado por desigualdades culturais


e sociais, Escolas Transformadoras são também as que não
reproduzem nem legitimam os modelos de desigualdade da nossa
“É preciso se esforçar para mudar algo. Não é nada fácil. Tem de haver
sociedade brasileira. São escolas que se posicionam afirmativamente
comprometimento e insistência. A mudança é fruto da persistência mesmo.”
em relação aos direitos sociais, à inclusão e às diferenças.”
LÁZARO CUNHA, Empreendedor Social Ashoka, criador do Programa de Estímulo a Ciências para Afrodescendentes
RAQUEL FRANZIM, coordenadora do programa Escolas Transformadoras no Alana (OGUNTEC), do Instituto Steve Biko, e Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia
28 29
EXPEDIENTE
ASHOKA Diretora Administrativo- SECRETARIA ORGANIZAÇÃO TÉCNICA AGRADECIMENTOS
Financeira DA EDUCAÇÃO
Fundador Lilian Okada DO ESTADO DA BAHIA Acácia Maria do Nascimento Agradecemos pelo suporte e
Bill Drayton Carlos Eládio Gil Braz da Cunha pelo apoio na produção deste
INSTITUTO ALANA Governador Hilda Eugênia Rodrigues de material às educadoras Joelma
Presidenta global Rui Costa Araújo Cristina Rebouças Argolo,
Diana Wells Diretoras-executivas Josevonne Dias Serafim Moreira Ladjane Barbosa dos Santos,
Carolina Pasquali Vice-Governador Juvaneide Jesus de Oliveira Maria de Castro Rodrigues e
Copresidenta emérita e Isabella Henriques João Leão Marcos Alexsandro Batista Tatiana Vieira dos Santos Paiva.
Diretora para América Latina Santos
Anamaria Schindler Diretora de Educação e Secretário da Educação do Uilsênia Nascimento Matos
Cultura da Infância Estado da Bahia Araújo.
Diretor de Educação e Erika Pisaneschi Walter Pinheiro
Infância para a América PUBLICAÇÃO
Latina Diretora Alana Rio Subsecretário da Educação do
Flavio Bassi Laís Fleury Estado da Bahia Concepção
Nildon Pitombo Fernanda Peixoto Miranda e
Diretora de Estratégia de Diretor Tesoureiro Giuliana Bastos
Juventude para a América Daniel Costa Superintendente da Educação
Latina Profissional e Tecnológica Produção, reportagem e
Helena Singer Conselho Consultivo Durval Libânio Netto Mello edição de texto
Carlos Alberto Libânio Christo Giuliana Bastos
Diretora Ashoka Brasil (Frei Betto) Diretora de Organização
Mirella Domenich Claudia Leme Ferreira Davis Curricular e Pedagógica da Projeto gráfico, diagramação e
Jordana Berg Educação Profissional ilustrações
Coordenadores Maria Lúcia Zoega de Souza Hanayana Brandão Guimarães Jairo Rodrigues
Antonio Lovato Paulo Velasco Fontes Lima
Deise Hajpek Fotos
Stephanie H. Ambar Conselho Fiscal Diretora de Planejamento Arquivos
Vitória Moraes Eduardo Marchetti Rios e Gestão da Educação
Henri Penchas Profissional Revisão
ALANA Richard Lyon Thorp Bilton Maria da Glória Vieira Franco e
Passos
Presidente ESCOLAS
TRANSFORMADORAS Diretora de
Ana Lucia Villela
Empreendedorismo, Inovação
Coordenadores e Institucionalização da
Vice-Presidentes
Antonio Lovato Educação Profissional
Alfredo Villela Filho
Raquel Franzim Danile de Carvalho Sanches
Marcos Nisti
Comunicadores
CEO
Fernanda Peixoto Miranda
Marcos Nisti
Amanda Leite
30 31
escolastransformadoras.org.br

www.facebook.com/escolastransformadoras

Escolas Transformadoras

Escolas Transformadoras

@EscolasT_BR