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Grupo

Eduardo Mello
Fernanda Macedo
Glauko Tavares
Vivian Maganhato

EXERCÍCIO:
A sociedade empresária Alfa S.A., concessionária de uma linha do serviço de transporte
metroviário no Estado X, formulou, na esfera administrativa, requerimento de revisão
das tarifas a fim de readequá-las aos seus custos, devido ao súbito e radical aumento
de tributos federais (evento extraordinário e imprevisível que teria rompido o equilíbrio
econômico financeiro inicial do contrato).
O Estado, entretanto, por meio de decisões do seu Governador, publicadas na imprensa
oficial, negou o pleito da sociedade empresária, assim como desproveu o recurso
administrativo por ela interposto, ao fundamento de que:

(1) o contrato administrativo somente admite o reajuste das tarifas, uma vez por
ano, com base em um índice oficial de inflação previamente estabelecido, o que não
corresponde ao pleito formulado pela sociedade empresária;
(2) a má prestação do serviço teria inibido o aumento da demanda e,
consequentemente, o aumento da receita.

Em razão do segundo argumento, ainda, o Governador aplicou as penalidades de multa


e suspensão temporária de participar em licitação e impedimento para contratar com a
Administração Pública, por dois anos, na forma do contrato de concessão.
Você é procurado(a), na qualidade de advogado(a), para ajuizar a medida cabível à
proteção dos interesses da sociedade empresária, consistentes no reequilíbrio
econômico financeiro do contrato e no afastamento das penalidades aplicadas,
especialmente tendo em vista que nunca antes a sociedade empresária fora notificada
a respeito de qualquer descumprimento contratual, e considerando, ainda, a existência
de novas licitações em andamento.

Elabore a peça adequada à proteção de todos os interesses de seu cliente,


considerando, ainda, que haverá necessidade de produção de prova pericial para
identificar o alegado desequilíbrio econômico-financeiro do contrato.
DOUTO JUIZO DA ___ VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE... DO
ESTADO X.

SOCIEDADE EMPRESÁRIA ALFA S.A, pessoa


jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob nº (...), com sede na (...), endereço
eletrônico (...), por seu advogado devidamente constituído, nos termos da procuração
anexa (doc.1), com endereço profissional na (...), onde deverá receber intimações e
notificações, endereço eletrônico (...), vem, respeitosamente, à presença de Vossa
Excelência, com fulcro nos artigos 300 e 319, ambos do Código de Processo Civil,
propor a presente:

AÇÃO ORDINÁRIA COM PEDIDO DE ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA

em face do ESTADO X, pessoa jurídica de direito


público interno, inscrita no CNPJ sob nº(...), com sede na (...), endereço eletrônico (...),
pelos fatos e fundamentos a seguir passa expor:

I. DOS FATOS

A requerente, concessionária de uma linha do


serviço de transporte metroviário no Estado X, formulou requerimento administrativo
pedindo a revisão das tarifas a fim de readequá-las aos seus custos, devido ao súbito e
radical aumento de tributos federais, evento extraordinário e imprevisível que teve como
consequência o rompimento do equilíbrio econômico financeiro inicial do contrato
firmado com o requerido.

O Governador do Estado requerido, por meio de


decisões, publicadas na imprensa oficial, negou o requerimento, bem como desproveu
o recurso administrativo interposto contra a decisão, sob o fundamento de que:

a) “o contrato administrativo somente admite o


reajuste das tarifas, uma vez por ano, com base no índice oficial de inflação previamente
estabelecido no contrato, o que não corresponde ao pleito formulado pela sociedade
empresária”;

b) “a má prestação do serviço teria inibido o aumento


da demanda e, consequentemente, o aumento da receita”.

Além disso, em razão do segundo argumento, o


Governador aplicou as penalidades de multa e suspensão temporária de participar em
licitação e impedimento para contratar com a Administração Pública, por dois anos, na
forma do contrato de concessão.

Em razão disso e tendo em vista que a requerente


nunca foi notificada a respeito de qualquer descumprimento contratual e considerando,
ainda, a existência de novas licitações em andamento, requer por meio desta, o
afastamento das penalidades e o reequilíbrio do contrato.
II. DO CABIMENTO

É cabível a propositura da presente ação ordinária


com fulcro no artigo 319 c/c 300 e seguintes do CPC, por se tratar de violação a direito
da requerente.

III. DA ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA

O Art. 300 e seguintes, do CPC, definem como


requisitos para antecipação de tutela a probabilidade do direito e o perigo de dano ou o
risco ao resultado útil do processo.

O perigo de dano irreparável resta demonstrado pela


existência de novas licitações em andamento, sem que a requerente possa participar.

A probabilidade do direito ou verossimilhança das


alegações pode ser verificada pela ausência de notificação acerca do descumprimento
do contrato, bem como da ausência de contraditório e de ampla defesa no processo que
resultou nas penalidades impostas à requerente, contrariando o disposto no Art. 5º, LV,
da CF/88.

Logo, faz-se necessária a concessão da antecipação


de tutela com o afastamento das penalidades impostas à requerente.

IV. DO MÉRITO

Primeiramente, o reequilíbrio econômico financeiro


do contrato, nos casos de evento extraordinário e imprevisível que causa desequilíbrio
econômico/financeiro do contrato, está previsto no Artigo 65, inciso II, alínea “d”, e §5º,
da Lei nº 8.666/93. Vejamos:

Art. 65. (...)


§ 5º Quaisquer tributos ou encargos legais criados,
alterados ou extintos, bem como a superveniência
de disposições legais, quando ocorridas após a data
da apresentação da proposta, de comprovada
repercussão nos preços contratados, implicarão a
revisão destes para mais ou para menos, conforme
o caso.

Comentando o referido dispositivo legal, Justen Filho


(2004, p.529-530) explica o seguinte:

“O restabelecimento da equação econômico-


financeira depende da concretização de um evento
posterior à formulação da proposta, identificável
como causa do agravamento da posição do
particular. Não basta a simples insuficiência da
remuneração".

Sobre a questão é importante destacar à


contribuição do Tribunal de Contas da União que no voto condutor do Acórdão nº
2795/2013 - PLENÁRIO, explicou que:
“Para caracterizar o desequilíbrio econômico-
financeiro é necessária a comprovação de que os
custos do contrato sofreram alteração de tal monta
que se tornou inviável sua execução e, ainda, que
essa alteração decorreu de fatos imprevisíveis, ou
previsíveis, porém de consequências incalculáveis,
retardadores ou impeditivos da execução do
ajustado, ou, ainda, de caso de força maior, caso
fortuito ou fato do príncipe, configurando, assim, álea
econômica extraordinária e extracontratual”.

Também é importante destacar a Orientação


Normativa 22/2009 da AGU:

O REEQUILÍBRIO ECONÔMICO-FINANCEIRO
PODE SER CONCEDIDO A QUALQUER TEMPO,
INDEPENDENTE DE PREVISÃO CONTRATUAL,
DESDE QUE VERIFICADAS AS
CIRCUNSTÂNCIAS ELENCADAS NA LETRA "D”
DO INC. II DO ART. 65, DA LEI N° 8.666, DE 1993.

No mesmo sentido, o Artigo 9º, §§ 2º e 3º, da Lei nº


8.987/95, prevê a revisão do contrato nos casos de evento extraordinário e imprevisível
que há rompimento do equilíbrio econômico financeiro inicial do contrato.

Tal fenômeno, explicado pela teoria da imprevisão


previsto nos Artigos 478 a 480 do Código Civil, é denominado pela doutrina como “fato
do príncipe”, que consiste na hipótese em que o Estado contrata e, posteriormente, atua
fora do contrato, na qualidade de Poder Público, causando o desequilíbrio, merecendo,
no entanto, a readequação.

Ademais, no caso em apreço, o reequilíbrio


econômico-financeiro do contrato não guarda semelhança com o reajuste anual das
tarifas, mas busca a manutenção da equação econômica inicial, rompida por um evento
extraordinário e imprevisível, na forma dos dispositivos acima citados, bem como do
Artigo 37, inciso XXI, da Constituição Federal.

Outrossim, a requerente jamais foi notificada a


respeito de qualquer falha ou má prestação do serviço contratado e, muito menos, das
penalidades que lhes foram aplicadas sem a observação do contraditório e da ampla
defesa, na forma do Artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal c/c Artigo 87 da Lei nº
8.666/93.

Desse modo, imperiosa é a anulação das


penalidades aplicadas à requerente, tendo em vista a violação aos princípios do
contraditório, da ampla defesa e da legalidade, bem como a determinação do
reequilíbrio econômico financeiro do contrato, por se tratar de uma garantia legal.

V. DOS PEDIDOS

Diante do exposto, vem requerer:

a) A citação do requerido para que, querendo,


contestar o feito no prazo de lei;
b) A concessão da tutela antecipada para afastar as
penalidades impostas à requerente;

c) A confirmação da tutela antecipada com a


anulação das penalidades e o reequilíbrio econômico financeiro do contrato;

d) A produção de provas por todos os meios


admitidos em direito e necessários à solução da controvérsia, inclusive a prova pericial,
bem como a juntada dos documentos anexos;

e) A condenação do requerido aos pagamentos das


custas processuais e honorários advocatícios;

Atribui-se à causa o valor de R$ (...) para efeito de


alçada.

Termos em que,

Pede deferimento.

Local (...), data (...).

Advogado (...)

OAB/UF nº (...)