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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE


CURSO DE DOUTORADO EM SAÚDE COLETIVA
(ASSOCIAÇÃO AMPLA UECE/UFC/UNIFOR)

EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR E SAÚDE EM ESCOLAS


PÚBLICAS MUNICIPAIS DE FORTALEZA: PROPOSTA DE
ENSINO PARA SAÚDE

HERALDO SIMÕES FERREIRA

FORTALEZA – CEARÁ

2011
1

HERALDO SIMÕES FERREIRA

Educação Física Escolar e Saúde em Escolas Públicas


Municipais de Fortaleza: Proposta de Ensino para
Saúde

Tese apresentada ao Curso de Doutorado em


Saúde Coletiva (Associação Ampla
UECE/UFC/UNIFOR), como requisito parcial
para a obtenção do Título de Doutor em Saúde
Coletiva.
Orientação do Prof. Dr. José Jackson Coelho
Sampaio.

Fortaleza – Ceará

2011
2

FOLHA DE APROVAÇÃO
3

AGRADECIMENTOS

Para a realização desta Tese de Doutorado, necessitei da ajuda e


contribuição de muitos, a quem especialmente agradeço:
à Universidade Estadual do Ceará, meu local de trabalho e estudo, pela
acolhida e pelas possibilidades acadêmicas e profissionais;
à Prefeitura Municipal de Fortaleza, particularmente a Secretaria
Municipal de Educação, representada pelas escolas participantes do
estudo, pela oportunidade e acesso as suas dependências;
aos professores e alunos das escolas envolvidas, pela disponibilidade
em participar da pesquisa;
aos docentes do Doutorado em Saúde Coletiva, pela transmissão de
conhecimentos;
aos colegas do Doutorado em Saúde Coletiva, pela convivência repleta
de descobertas;
aos alunos que tive o prazer de acompanhar durante todo meu percurso
como professor da escola básica e do ensino superior, aprendi muito
com todos;
ao aluno Felipe Catunda, meu bolsista de iniciação científica, pela
contribuição e ajuda na pesquisa;
ao mestre Prof. Luiz Carlos Cardoso do Nascimento, incentivador e
também responsável pela minha busca em seguir o caminho da razão;
ao Prof. Dr. Antonio Germano Magalhães Junior, pelas conversas,
conselhos e amizade;
à Profª. Drª Ana Maria Fontenelle Catrib, pela orientação no mestrado;
à Profª. Drª Suraya Cristino Darido, pela capacidade em elevar a
Educação Física ao estatuto de Ciência;
ao Prof. Dr. José Jackson Coelho Sampaio, pela orientação no
doutorado pelo incentivo, aulas de vida e ensinamentos imersos em
prosa e poesia.
4

Dedico este trabalho a Luiza Lúlia Feitosa Simões, minha


eterna esposa; Priscilla Feitosa Simões e Heraldo Filho,
meus filhos amados; Moisés Coelho de Oliveira (in
memoriam), meu padrinho; Ildete Maria Ferreira, minha
mãe; aos meus irmãos, Alexandre e Cláudio Simões.
5

Amar, porque nada melhor para a saúde que um amor


correspondido.

Vinícius de Morais
6

RESUMO
Educação Física Escolar e Saúde em Escolas Públicas Municipais de Fortaleza:
Proposta de Ensino Para Saúde. Orientador: Prof. Dr. José Jackson Coelho Sampaio.
Autor: Heraldo Simões Ferreira. Tese de Doutorado. Curso de Doutorado em Saúde
Coletiva (Associação Ampla UECE/UFC/UNIFOR). Centro de Ciências da Saúde.
Universidade Estadual do Ceará, 2011.

Compreende-se saúde na atualidade como o resultado das condições físicas, sociais,


psicológicas e materiais do ser humano. A prática da atividade física também é
entendida como requisito para aquisição da saúde. A Educação Física é parte
importante dos processos de conhecimento e de produção de saúde na escola. Sua
inclusão nos currículos escolares responde a uma preocupação social sobre a busca
de uma vida saudável. O objetivo deste estudo foi analisar a relação pedagógica entre
a Educação Física e a saúde e com base nesta análise propor meios de ensino e
aprendizagem sobre o tema. Para tanto foram formuladas questões-guias da atividade
investigativa, entre as quais: Qual o entendimento sobre saúde dos alunos e dos
professores da disciplina? Como os professores desenvolvem e aplicam o tema?
Utilizou-se um estudo analítico-crítico, predominantemente qualitativo. Como
referencial teórico recorreu-se a Minayo (1992), Parâmetros Curriculares Nacionais
(BRASIL, 1998) e Darido (2003; 2005). O campo da pesquisa foi a rede municipal de
ensino de Fortaleza, representada por seis escolas, uma de cada Secretaria Executiva
Regional. O estudo foi composto por 914 alunos e todos os professores que
lecionavam a disciplina Educação Física nas escolas participantes, totalizando número
igual a nove. A coleta de dados foi realizada em duas etapas: primeiramente aplicou-
se um questionário aos alunos e em seguida os professores foram entrevistados. As
respostas do questionário foram analisadas por meio da Estatística Descritiva e da
Análise de Conteúdo (BARDIN, 1977), assim como as entrevistas. Ao final,
analisaram-se os dados coletados mediante uma triangulação metodológica. A
Resolução nº 196/96, do Conselho Nacional de Saúde, foi a diretriz para os
procedimentos éticos do estudo. Os principais resultados relacionados aos dados
coletados junto aos alunos apontam que os participantes: compreendem que a
Educação Física é da área da saúde; entendem que a prática do exercício isolada não
pode oferecer saúde; percebem que a aula de Educação Física tal como lhes é
oferecida, não contribui para a aquisição de conhecimento sobre saúde; conceituam
saúde com suporte em expressões simples; percebem que são necessárias outras
atitudes para a consecução da saúde, além da prática do exercício; gostariam que,
nas aulas, o tema ‘relação atividade física/saúde’ fosse efetivamente abordado. Os
principais resultados adquiridos com as informações dos docentes revelaram que:
formulam seus conceitos de saúde referendados pela conceituação da OMS; realizar a
prevenção é o objetivo maior, quando se inclui o assunto nas aulas de Educação
Física; não realizam aulas de campo e palestras sobre o conteúdo; a relação ‘atividade
física/saúde’ é o conteúdo mais importante a ser abordado na visão dos docentes
durante aulas; e acreditam que os alunos não estão melhorando seus conhecimentos
sobre saúde por meio da Educação Física, da forma como é administrada. Após a
análise dos resultados formulou-se uma proposta para inclusão do tema saúde nas
aulas da disciplina composta por duas partes. A primeira apresentou um projeto com o
objetivo de estruturar ambientes saudáveis na escola e a segunda ofereceu sugestões
específicas de como inserir o tema saúde nos conteúdos da Educação Física. Ao
analisar o objetivo principal, concluiu-se que a relação pedagógica entre a Educação
Física e a saúde nas escolas apresenta programa não resolutivo, daí a necessidade
de adotar propostas inovadoras, tal qual a defendida nesta tese.

Palavras Chave: Saúde Coletiva. Educação Física. Saúde em Ambientes Escolares.


7

ABSTRACT
Physical Education and Health in Fortaleza Municipal Public Schools: Proposal for
Education in Health. Advisor: Prof. Dr. José Jackson Coelho Sampaio. Author: Heraldo
Simões Ferreira. Doctoral Thesis. Doctorate in Colective Health (Wide Association
UECE / UFC / UNIFOR). Health Sciences Center, Ceará State University, 2011.

Understands current health care as the result of physical, social, psychological and
human material. The physical activity is also understood as a requirement for purchase
of health. Physical Education is an important part of the processes of knowledge
production and health in school. Its inclusion in school curricula responds to a social
concern about the search for a healthy life. The objective of this study was to analyze
the relationship between teaching physical education and health based on this analysis
and propose ways of teaching and learning on the subject. For both questions were
formulated investigative activity guides, including: What is the understanding of health
of students and teachers of the discipline? As teachers develop and apply the
theme? We used an analytical, critical, predominantly qualitative. As a theoretical
framework used to Minayo (1992), the Paramêtros Curriculares Nacionais (BRAZIL,
1998) and Darido (2003, 2005). The field of research was the municipal school of
Fortaleza, represented by six schools, one from each Regional Executive Office. The
study consisted of 914 students and all teachers who taught Physical Education in the
participating schools, a total number equal to nine. Data collection was performed in
two steps: first we applied a questionnaire to students and then teachers were
interviewed. The survey responses were analyzed by descriptive statistics and content
analysis (Bardin, 1977), as well as interviews. In the end, we analyzed the data
collected through a methodological triangulation. Resolution No. 196/96 of the National
Health Council, was the guideline for ethical procedures of the study. The main results
related to the data collected from the students point out that the participants
understand that physical education is the area of health, understand that the practice of
exercise alone can not provide health realize that the Physical Education class is
offered asdoes not contribute to the acquisition of knowledge about health, health
conceptualize supported in simple expressions, realize that other actions are
necessary to achieve health, and the practice of exercise, like that in class, the theme
'physical activity relationship/health’ were effectively addressed. The main results
obtained with the teachers revealed that information: formulate their concepts of health
concept endorsed by the WHO to undertake prevention is the goal, when the subject is
included in Physical Education classes, do not hold classes and lectures on
field content, the relation 'physical activity/health' is the most important content to be
addressed in the vision of teachers during classes, and believe that students are not
improving their knowledge of health through physical education, the way it is
administered. After analyzing the results formulated a proposal for inclusion of the
health issue of discipline in the classroom consists of two parts. The first presented a
project with the objective of structuring a healthy environmet in scholl and the second
offered specific suggestions for how to enter the subject of health content in Physical
Education. By analyzing the main goal, it was concluded that the pedagogical
relationship between physical education and school health program has not decisive,
hence the need to adopt innovative approaches, like the one advocated in this thesis.

Keywords: Health. Physical Education. Health in School Settings.


8

SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO 11

1.1 Motivação 11

1.2 Problematização 12

1.3 Justificativas 13

1.4 Referenciais Teóricos 17

1.5 O tema e sua Delimitação 17

1.6 Problemas 18

1.7 Hipóteses 18

1.8 Tese 19

1.9 Objetivos 20

1.9.1 Objetivo Geral 20

1.9.2 Objetivos Específicos 20

1.10 Apresentação do Texto 20

2. REVISÃO DE LITERATURA 21

2.1 Conceito de Saúde 21

2.2 As Relações entre Educação Física Escolar e Saúde: recortes 25


históricos e conceituais.

2.2.1 Tendência Higienista (até 1930) 38

2.2.2 Tendência Militarista (1930 – 1945) 41

2.2.3 Tendência Pedagogicista (1945 – 1964) 43

2.2.4 Tendência Esportivista (1964 – 1985) 44

2.2.5 Tendência Popular (1985 – atualidade) 46

2.2.6 Psicomotricidade. 48

2.2.7 Construtivista. 49

2.2.8 Desenvolvimentista. 49

2.2.9 Críticas. 50

2.2.10 Saúde Renovada 50

2.2.11 Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs 52

2.3 A Saúde Coletiva Aplicada a Educação Física Escolar: A humanização 55


em ação.

2. 3.1 O Cuidado em Saúde e as Possíveis Interfaces com a Educação Física 59


9

Escolar

3. METODOLOGIA 65

3.1 Natureza Geral do Estudo 65

3.2 Cenário 67

3.3 Participantes 71

3.4 Instrumentos de coleta de dados e informações 74

3.5 Análises dos dados e das informações. 76

3.6 Procedimentos éticos. 77

4, O SABER DISCENTE SOBRE A SAÚDE NA EDUCAÇÃO FÍSICA 78

4.1 Área de conhecimento da Educação Física 78

4.2 Nível de entendimento de saúde adquirido por meio das aulas de 80


Educação Física

4.3 Discussões sobre saúde na aula de Educação Física. 82

4.4 A saúde e os exercícios físicos. 83

4.5 Conhecimento sobre Saúde na Educação Física 85

4.6 Atividades de campo sobre o tema saúde. 87

4.7 Aulas sobre saúde no laboratório de informática 88

4.8 Pesquisa sobre saúde 89

4.9 Questões Subjetivas 90

4.9.1 Conceito de saúde. 90

4.9.2 Obtenção de saúde, além da prática do exercício físico. 99

4.9.3 Conteúdos de saúde desejados nas aulas de Educação Física. 103

4.10 Principais achados 109

5. A PRÁTICA DOCENTE SOBRE SAÚDE NA EDUCAÇÃO FÍSICA 110

5.1 Conceito de saúde. 110

5.2 Utilização do tema saúde nas aulas de Educação Física. 113

5.3 Aplicação do tema saúde nos conteúdos da Educação Física Escolar 118
(jogos, esportes, ginásticas, lutas e danças)

5.4 Objetivos da Educação Física Escolar no que se refere à saúde 120

5.5 Atividades extra sala, utilização do laboratório de informática 123


epesquisas sobre o tema saúde

5.6 Conteúdos fundamentais para o ensino da saúde no ensino 125


fundamental II – 5º ao 9º ano.

5.7 A Educação Física e a melhoria dos conhecimentos sobre saúde dos 126
10

alunos.

5.8 Principais achados 130

6. SAÚDE NA EDUCAÇÃO FÍSICA - UMA PROPOSTA DE PROJETO 132


PEDAGÓGICO PARA A DISCIPLINA

6.1 Parte I – Saúde na Escola 135

6.1.1 Políticas de Saúde no Ambiente Escolar 135

6.1.2 Educação para a Saúde 139

6.1.3 Serviços de Saúde no Ambiente Escolar 141

6.2 Parte II: Sugestões de inserção do tema saúde nos conteúdos da 143
Educação Física

6.2.1 Bloco 1: Jogos e Brincadeiras 146

6.2.2 Bloco 1: Esportes 148

6.2.3 Bloco 1: Lutas 149

6.3.4 Bloco 1: Ginástica 149

6.2.5 Bloco 2: Atividades Rítmicas e Expressivas 150

6.2.6 Bloco 3 – O conhecimento sobre o corpo 152

6.2.7 Sugestões da proposta para inclusão do tema saúde nas aulas de 154
Educação Física baseada nos resultados da pesquisa com os docentes e
discentes envolvidos no estudo.

6.3 Indicador de Saúde na Escola e na Aula de Educação Física 156

6.3.1 Procedimentos para aplicação do instrumento 157

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS 159

7.1 Considerações Gerais 159

7.2 Conclusões 160

7.3 Recomendações e sugestões finais 161

REFERÊNCIAS 163

ANEXO 167

APÊNDICES 168
11

1 INTRODUÇÃO

A dúvida é o principio da sabedoria.

Aristóteles

1.1 Motivação

Este estudo visa a responder a questionamentos surgidos após cursar


mestrado na área da Saúde Coletiva, entre eles o de compreender a relação
entre Educação Física Escolar e saúde. Busca também respostas sobre como
desenvolver pedagogicamente os conteúdos e conceitos de saúde nas aulas
de Educação Física.
Atuei por mais de 16 anos como professor de Educação Física, 11 deles
na rede particular e cinco no sistema público de ensino, e, desde 2005, sou
professor da Universidade Estadual do Ceará. Neste período, lecionando,
acompanhando alunos em estágios, ministrando treinamentos e palestras,
pude observar que, na maioria das vezes, a Educação Física Escolar
permanece em sua posição biologicista1, muitas vezes preocupada apenas
com os aspectos do desenvolvimento orgânico. Os conteúdos da disciplina
continuam, em grande parte, somente procedimentais. Há um abandono dos
fatores afetivos e cognitivos. O tema saúde é entendido por muitos professores
como sinônimo da prática de atividade física e raramente é discutido e debatido
(DARIDO; RODRIGUES; SANCHES NETO, 2009). Há, ainda, ênfase na
prática esportiva, sobretudo em tempos de Olimpíadas e Copa do Mundo.
No curso desta trajetória, intrigava-me saber que o objetivo central da
Educação Física é atingir excelência na consecução da qualidade de vida,
promovendo saúde, mas, perguntava-me: como o professor de Educação
Física pensa a saúde? Como é discutido o tema saúde nas aulas de Educação

1
Biologicismo: visão majoritária na Educação Física para explicar os procedimentos da
disciplina. Afirma-se nos aspectos biológicos que consideram o indivíduo como um aglomerado
de ossos, músculos e articulações, em que os contextos sociais, culturais, econômicos e
históricos do indivíduo não são levados em consideração. Pode ser considerado como uma
justificativa e reforço de padrões comportamentais da sociedade por meio do biológico. A
Educação Física escolar, em muitos casos, é regida pelo biologicismo, que defende a prática
de atividade física, e tão somente, como sinônimo de saúde (GLOBO, 2010)
12

Física? Os preceitos da Saúde Coletiva2 são utilizados nas sessões de


Educação Física?
A vontade crescente de analisar de que modo os conceitos de saúde
são aplicados ou desenvolvidos, e como seus conhecimentos são adquiridos
por meio da Educação Física Escolar, obteve reforço concomitante, em
diversos outros momentos, quando a temática emergiu em congressos3,
seminários e palestras.
Nesses encontros, o tema envolvendo Educação Física e Saúde surgia
quase sempre associado a crianças que apresentavam algum tipo de
dificuldade, como doenças respiratórias, distúrbios mentais e distrofias
musculares; ou a experiências sobre qualidade de vida com alunos doentes, ou
ainda a situações que confrontavam a importância da Educação Física como
Promoção da Saúde na escola. Chamava-me à atenção a falta de pesquisas
que investigassem qual o verdadeiro papel da Educação Física Escolar em
proporcionar o entendimento de saúde e, principalmente, como a disciplina se
organizava pedagogicamente para abordar o assunto.

1.2 Problematização

Ao pensar nos impactos da Educação Física em oferecer saúde e


qualidade de vida a escolares, o pesquisador se depara com o conceito da
Organização Mundial de Saúde-OMS: “Saúde é o estado de completo bem
estar físico, mental e social, e não apenas ausência de doença” (BRASIL,
1996). A Saúde Coletiva incorpora a este conceito a necessidade de atender
situações como moradia, lazer, cultura, educação e emprego para atingir a
excelência em saúde (MINAYO, 2006)

2
A Saúde Coletiva considera aspectos sociais como relevantes para a saúde dos indivíduos.
São características da Saúde Coletiva: humanização, cuidado, vínculo, diálogo, integralidade,
equidade, universalidade, entre outros.
3
Entre eles o IX Congresso dos Secretários e Secretarias do Ceará (2009), a I Conferência
Esporte Educacional (2009), o Congresso Brasileiro de Atividade Física (2008), Congresso
Nacional de Atividade Física (2007), Congresso Brasileiro de Psicomotricidade (2007), III
Congresso Brasileiro de Ciências Sociais e Humanas em Saúde (2005) e a 57ª Reunião Anual
da SBPC (2005).
13

Este conceito deve constituir cenário-meta a ser alcançado pelo Sistema


Único de Saúde-SUS e pela Educação Física Escolar, disciplina presente nos
currículos das instituições de ensino. Apesar da busca incessante por parte dos
profissionais em oferecer saúde aos seus usuários na escola, pouco se analisa
o assunto, no que se refere à compreensão de saúde adquirida por meio, não
só da Educação Física, mas principalmente pela escola, sobretudo quando se
expressa na perspectiva da Saúde Coletiva.
Entender-se-á, aqui, que a Educação Física é parte importante dos
processos de conhecimento e de produção de saúde na escola. Sua inclusão
nos currículos escolares responde a uma preocupação social sobre a busca de
uma vida saudável.
A Educação Física, sozinha, não pode levar aos alunos a compreensão
totalitária do que venha a ser saúde, qualidade de vida ou hábitos saudáveis; é
de conhecimento comum a influência de outros fatores para que se possa
atingir estes objetivos; entretanto, a disciplina em questão pode fornecer
informações e práticas que despertem o interesse no entendimento de saúde e
hábitos saudáveis.
Assim, pergunta-se: qual a relação pedagógica entre a Educação Física
Escolar e a saúde? Qual o conhecimento de Saúde adquirido por intermédio da
Educação Física Escolar? Qual a aplicabilidade dos princípios da Saúde
Coletiva nas aulas de Educação Física? Como os conteúdos e conceitos de
Saúde podem ser debatidos e desenvolvidos pedagogicamente nas aulas de
Educação Física Escolar?

1.3 Justificativas

A revisão de literatura, realizada nos ambientes de busca Scielo,


PubMed, Banco de Teses da Universidade de São Paulo-USP e da
Universidade de Campinas-UNICAMP; bem como no Portal de Periódicos da
CAPES, confirmou que são escassas pesquisas envolvendo Educação Física
Escolar e Saúde Coletiva.
Verificou-se, na busca bibliográfica, poucos registros acerca da
preocupação de tratar o tema da saúde, na Educação Física Escolar, por meio
14

de uma perspectiva social. Um destes registros encontra-se no livro ‘Para


Ensinar Educação Física’ (DARIDO; SOUSA JÚNIOR, 2007)
Encontrou-se ainda uma equipe de professores4 de Educação Física da
USP que mantém um grupo de estudos e pesquisas sobre Educação Física e
Saúde Coletiva, porém não se dedica a explorar a relação no âmbito escolar.
Apoiar-se-á o estudo por meio da pesquisa realizada por Darido,
Rodrigues e Sanches Neto (2009). Os autores realizaram uma busca nas
principais revistas brasileiras da área sobre trabalhos que buscavam
compreender a relação Educação Física Escolar e Saúde, a época, os mais
bem avaliados pela CAPES. Os periódicos analisados pelos pesquisadores
citados foram: Revista de Atividade Física e Saúde; Revista Brasileira de
Ciências do Esporte; Revista Brasileira de Ciência e Movimento; Revista
Motriz; Revista Motrivivência; Revista Movimento; Revista Motus Corporis;
Revista Paulista de Educação Física, atual Revista Brasileira de Educação
Física; e, Revista da Universidade Estadual de Maringá.
Os resultados da pesquisa realizada pelos autores demonstraram que
os professores da disciplina Educação Física Escolar reconhecem que a saúde
possui diversos fatores para ser adquirida, entretanto reproduzem em suas
aulas tão somente a relação causal exercício-saúde; percebem que o objetivo
da Educação Física relacionada a saúde só é atingido por meio da aptidão
física e do esporte; valorizam muito pouco o contexto no qual seus alunos
estão inseridos; entendem que os indivíduos são responsáveis pela sua saúde,
optando por um estilo de vida ativo ou não; culpam-se por não conseguir
desenvolver ações práticas pedagógicas para um programa de Educação em
Saúde e por estarem pouco familiarizados com conceitos da área.
Os autores ainda reforçam o fato de que os professores de Educação
Física concordam que a saúde deve ser tratada nas aulas da disciplina,
entretanto não apontam caminhos para uma proposta pedagógica da disciplina
que possa estar integrada ao plano didático da escola.
Darido, Rodrigues e Sanches Neto (2009) concluem sua pesquisa,
revelando que, nos trabalhos pesquisados, é observado que a saúde é um dos

4
Um dos integrantes desta equipe é a Professora Yara Maria de Carvalho, renomada
pesquisadora da Educação Física na área da Saúde Coletiva voltada para o Sistema Único de
Saúde-SUS. Ver portal em http://pes.incubadora.fapesp.br/portal
15

fins da Educação Física Escolar, entretanto ainda não existe uma proposta
pedagógica eficaz para sua efetivação. Verificaram também que grande parte
dos estudos possuía como objetivos analisar a avaliação física, composição
corporal e nutricional dos alunos. Concluíram, então, afirmando a necessidade
de novos debates e possibilidade da criação de uma proposta didático-
pedagógica que aborde a saúde como objetivo da Educação Física Escolar,
sobretudo com preocupações com os contextos sócio culturais de seus alunos,
visando ao cidadão crítico.
Palma (2001) já alertava para a urgente necessidade de abandonar o
conceito restrito de saúde, reinante na Educação Física Escolar, que
desconsidera os aspectos socioeconômicas e ignora o diálogo com outras
ciências, como a Antropologia, a Filosofia e a Psicologia.
Defrontando a dificuldade, e querendo de fato compreender como a
saúde pode ser realmente integrada à proposta pedagógica da Educação
Física Escolar, buscou-se refúgio numa literatura, que é pequena, mas
crescente e consistente. Isto proporcionou diálogo com vários autores
instigantes, em campos diversos, como Educação Física, Medicina,
Antropologia, Psicologia e Filosofia. A percepção da importância do tema
Saúde parece estar relacionada com a formação humanística de cada
pesquisador.
Além disso, a discussão sobre saúde na escola, em muitos casos é
catalisada pela Educação Física. Darido e Rangel (2005) argumentam,
fundamentadas nas discussões da Saúde Pública e Coletiva, que os problemas
de saúde em todo o mundo estão relacionados às múltiplas desigualdades
sociais e as carências de cuidado com os estilos de vida.
É importante ressaltar que o debate, envolvendo Educação Física e
saúde, deve ser considerado em vista da complexidade do tema que extrapola
as discussões relacionadas somente ao exercício físico (DARIDO, RANGEL,
2005).
Considerando o papel que a Educação Física pode ter na escola, busca-
se compreender o entendimento, de professores da disciplina e jovens
escolares, sobre a relação entre saúde e Educação Física Escolar e analisar
como os saberes da temática saúde são aplicados pedagogicamente nas aulas
da disciplina.
16

Freire (1991) já destacava que a criança e o adolescente não devem ser


privados da Educação Física a que têm direito. Concordando com este direito e
procurando auxiliar o profissional da área, é que se ratifica a relevância deste
estudo, pois buscará proporcionar aos profissionais de Educação Física e
também de outras áreas, que atuam na educação municipal pública, subsídios
para que possam repensar suas práticas educativas, pois, ao se compreender
de que forma o tema saúde é aplicado e compreendido nas aulas de Educação
Física, novas propostas pedagógicas podem surgir.
Não se pode compreender a situação da saúde de escolares sem levar
em conta o fato de que ela é produzida pelo contexto sócio cultural. O meio
físico, cultural, religioso, familiar e a condição financeira são elementos que
interferem claramente na aquisição da saúde infantil e juvenil.
Existem vários fatores que podem determinar a saúde, entre eles:
condições biológicas, acesso à educação formal, lazer e aos serviços básicos
de saúde (BRASIL, 1996). Com isso, pretende-se afirmar que a Educação
Física, por si, não pode ser responsabilizada pela aquisição da saúde de
crianças e adolescentes em idade escolar, porém pode, e deve, contribuir para
tal finalidade.
A criança e o adolescente, ao chegarem à escola, trazem consigo
informações e conhecimentos oriundos de suas famílias e contextos sociais.
Durante o período escolar, época decisiva na formação de suas condutas, a
Educação Física passa a assumir um papel de destaque nesta formação em
virtude da sua popularidade entre os alunos.
A aula de Educação Física, para crianças e adolescentes, é esperada
com ansiedade e é realizada com prazer, porém em que aspecto promove o
conhecimento sobre saúde? Como o tema saúde é aplicado na aula de
Educação Física Escolar?
As aulas de Educação Física podem configurar espaço para discussão
sobre a saúde na perspectiva de favorecer hábitos e conhecimento do tema.
Compreender a saúde pelas interfaces relacionadas às condições de
alimentação, renda, meio ambiente, transporte, emprego e lazer, tendo em
vista a realidade em que são inseridos, são caminhos possíveis (DARIDO,
RANGEL, 2005).
17

A Educação Física no Brasil foi regulamentada como profissão da área


da saúde desde a Lei Federal nº 9696, de 01/09/1998, e, de acordo com o
Manifesto Mundial da Educação Física (FIEP, 2000), o profissional de
Educação Física deve exercer sua função de educador em saúde, contribuindo
para elevar a qualidade de vida das pessoas ao desenvolver nelas hábitos
saudáveis.

1.4 Referenciais Teóricos

Será utilizado na presente pesquisa o modelo de saúde de Minayo


(1992). A autora entende que saúde é resultante das condições de
alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte,
emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de
saúde, desdobrando uma tradição acadêmica e política que, no mundo,
remonta ao conceito formulado pela OMS e, no Brasil, aos princípios do SUS.
Na utilização do método quantitativo e qualitativo, empregado nesta pesquisa,
o referencial também será o proposto por Minayo (1993).
Os Parâmetros Curriculares Nacionais-PCNs, do Ministério da
Educação-MEC, referencial deste estudo no que se referem à saúde na escola,
entendem Educação para a Saúde como fator de promoção e proteção à saúde
e estratégia para a conquista dos direitos de cidadania (BRASIL, 1998). A
escola pode fornecer elementos que capacitem as pessoas para uma vida mais
saudável. Sua função, nesta dimensão específica, é de apoio aos serviços de
saúde, possibilitando interface, tanto intersetorial como interdisciplinar.
Como referencial teórico da Educação Física Escolar, a pesquisa recorre
aos estudos e conceitos de Darido (2001; 2003; 2004; 2005), autora clássica
da área.

1.5 O Tema e sua Delimitação

O tema deste projeto de pesquisa é a relação entre saúde e a Educação


Física Escolar. Com origem no tema, formulou-se sua delimitação - A relação,
no que diz respeito à aplicação e conhecimento de saúde nas aulas de
18

Educação Física Escolar em escolas públicas municipais de Fortaleza:


proposta de ensino para a disciplina.

1.6 Problemas

Considerando o tema e sua delimitação, que, por sua vez, remetem à


problematização exposta no início desta introdução, cinco grandes questões
foram formuladas ao campo, ao modo de perguntas norteadoras da
investigação:
 Qual o entendimento sobre saúde adquirido por meio da Educação
Física, dos alunos da disciplina?
 Qual o conhecimento sobre saúde adquirido dos professores da
disciplina?
 Como os professores desenvolvem e aplicam o tema saúde em suas
aulas?
 Como a disciplina Educação Física pode contribuir para o entendimento
de saúde?
 A Educação Física, da forma como é aplicada nas escolas da rede
pública municipal de ensino de Fortaleza, promove a compreensão
sobre os temas de saúde?

1.7 Hipóteses

Considerando a pesquisa de Ferreira (2005) sobre a qualidade de vida


de escolares, e de Darido, Rodrigues e Sanches Neto (2009), acerca da
inclusão do tema saúde nas aulas de Educação Física Escolar, é possível
desenvolver algumas respostas às perguntas norteadoras formuladas no item
anterior, a título de hipóteses operacionais a serem testadas:
 o entendimento de aspectos relacionados ao exercício e aptidão física,
abordados mediante a causalidade exercício-saúde, são conhecidos em
parte pelos alunos, entretanto, aspectos socioeconômicos e culturais,
que também favorecem a elaboração do conhecimento sobre a saúde,
19

hipoteticamente, não são ministrados nas aulas de Educação Física na


rede municipal de ensino;
 a compreensão dos professores sobre saúde é biológica e pautada na
causalidade exercício-saúde;
 os professores não recorrem ao tema saúde em suas aulas; utilizam
práticas de jogos e esportes em suas aulas e, na maioria dos casos, não
compreendem como abordar o assunto e realizar a transversalidade
com os conteúdos da disciplina;
 a disciplina Educação Física, de forma generalista, se apóia unicamente
em práticas esportivas, repetitivas e mecânicas, e não atenta para os
conteúdos específicos relacionados à saúde. Os conteúdos da área de
Educação Física são jogos e brincadeiras, lutas, danças, ginásticas,
esportes e conhecimento sobre o corpo; todos podem incluir, em suas
dimensões conceituais, atitudinais e procedimentais, os temas
relacionados à saúde por meio de propostas pedagógicas que reforcem
atividades físicas para a compreensão da saúde; e
 se a Educação Física prosseguir somente com práticas tecnicistas,
biologicistas e atléticas, e não priorizar o conhecimento sobre hábitos e
atitudes saudáveis, discutir e refletir sobre assuntos coletivos que
interferem na saúde, em muito pouco estará contribuindo para a
compreensão da temática saúde de seus alunos.

1.8 Tese

Um projeto de ensino para a disciplina Educação Física precisa incluir o


desenvolvimento do tema saúde por meio de propostas práticas e teóricas, de
modo a torná-la resolutiva em relação ao objetivo estratégico de favorecer o
conhecimento sobre saúde dos alunos da rede pública municipal de ensino na
cidade de Fortaleza.
20

1.9 Objetivos

1.9.1 Objetivo Geral

Propor um Projeto de Ensino para a disciplina de Educação Física


Escolar, no Ensino Fundamental, séries finais, que contemple a temática
Saúde.

1.9.2 Objetivos Específicos


 Analisar a relação pedagógica entre a Educação Física Escolar e a
saúde em escolas de ensino fundamental, de Fortaleza, Ceará;
 Identificar o conhecimento dos alunos de 11 a 14 anos de idade,
sobre a relação entre a Educação Física Escolar e saúde;
 Verificar, na percepção dos alunos, se os professores de Educação
Física Escolar, privilegiam em suas aulas o tema saúde;
 Perceber o conhecimento dos professores sobre a relação entre
Educação Física Escolar e saúde;
 Averiguar se, e como, o tema saúde é contemplado nos planos de
cursos dos professores envolvidos e, consequentemente, de que
forma é transmitido em suas aulas.

1.10 Apresentação do Texto

Após a introdução será apresentada a revisão de literatura, e, em


seguida, a metodologia. A seguir são apresentados os resultados e as
discussões relativas ao questionário aplicado aos alunos, as informações
coletadas das entrevistas com os docentes e posteriormente é apresenta a
conseqüência prática da Tese, isto é, uma proposta de Ensino para a Saúde na
disciplina de Educação Física Escolar. Por fim, serão reveladas as
considerações finais, conclusões e recomendações.
21

2 REVISÃO DE LITERATURA

Se alguém procura a saúde, pergunta-lhe primeiro se está


disposto a evitar no futuro as causas da doença; em caso
contrário, abstém-te de o ajudar.

Sócrates

2.1 Conceito de Saúde

O termo saúde possui sua origem, de forma determinada, do latim,


sanitas. Etimologicamente, seu significado se refere à integridade anatomo-
funcional dos organismos vivos (SÁ JUNIOR, 2004).
Já o conceito de saúde, ao contrário, não possui um significado
determinado, pois pode depender de toda uma estrutura, seja ela social,
econômica, política ou cultural. Não representa a mesma coisa para grupos
diferentes. Depende da época, do local, da classe social; de valores individuais,
de concepções científicas, religiosas e filosóficas (SCLIAR, 2007).
O conceito de saúde vem sendo alterado em diversos momentos da
história da humanidade. Segundo Berlinguer (1988) o conceito primitivo de
saúde era a ausência, ou a supressão, de algum princípio vital; presença
estranha e nociva de matéria impura, demônios ou animais perversos. Gozar
saúde significava não estar doente, tão somente.
Neste sentido, pode-se compreender que a primeira forma de entender
saúde partia da premissa mágica religiosa, ou seja, a doença resultava da ação
de forças alheias ao organismo, introduzidas neste pelo pecado ou a maldição.
Scliar (2007) cita que, para os hebreus antigos, a doença significava a cólera
divina, pois Deus representava o médico da vida. Assim, a saúde é
compreendida como uma benção divina, e a doença é o castigo recebido pelos
pecados.
Em outras culturas, o xamã, o curandeiro ou o feiticeiro era o
encarregado de expulsar os demônios do corpo, caracterizados como doenças,
22

em rituais de feitiçaria e magia, caracterizando a compreensão de saúde como


um fenômeno mágico (SCLIAR, 2007).
Os gregos antigos cultuavam várias divindades que representavam a
saúde. Além do deus da Medicina, Asclépio, Higeia, a saúde, e Panaceia, a
cura, também eram veneradas. Portanto, por meio do culto às divindades, a
cultura grega também compreendia saúde como basicamente religiosa ou
mágica (SCLIAR, 2007).
Hipócrates (460-337 a.C.), “o pai da Medicina”, introduz entre os
gregos um conceito de saúde mais racional, ao abandonar os preceitos
mágicos e religiosos do conceito sobre o tema. Em seu texto ‘A doença
sagrada’, afirmava que toda doença não é mais divina ou sagrada do que
qualquer outra e, sim, possui uma causa natural e sua origem supostamente
humana reflete a ignorância humana. Hipócrates defendia o equilíbrio corporal,
por meio dos quatro humores, para a consecução da saúde (SCLIAR, 2007).
Ao dominar a Grécia, o Império Romano passa a utilizar os conceitos
de saúde dos gregos. Galeno reformula a teoria de Hipócrates e afirma que a
saúde poderia ser interpretada como algo endógeno, ou seja, estaria dentro do
próprio homem, e que este deveria seguir uma vida com hábitos saudáveis que
o levassem ao equilíbrio (BERLINGUER, 1988).
No Oriente, o entendimento de saúde seguia caminhos opostos, porém
de forma similar ao pensamento de Hipócrates, seus habitantes valorizam as
terapias tradicionais e as forças vitais, como ocorre até os dias atuais. Na Idade
Média, dominada pela Igreja Católica, a concepção de saúde volta a ser
considerada algo de proporções divinas (SCLIAR, 2007).
Posteriormente, René Descartes passa a defender a dicotomia corpo-
mente, e sustenta a ideia do corpo interpretado como uma máquina. No mesmo
período, o desenvolvimento da Anatomia promove o descrédito na concepção
humoral da saúde, passando agora a ser entendida como o bom
funcionamento dos órgãos. Sobre tal compreensão, Bichat anotava que saúde
era o silêncio dos órgãos (SCLIAR, 2007).
A partir do século XVII, o conhecimento do que vem a ser sadio e
doente evolui de forma muito rápida. Giambattista Morgagni (1682-1771) cria a
Anatomia Patológica e Claude Bernard (1813-1878) desenvolve a
Fisiopatologia, mas é somente no final do século XIX que cientistas como Koch
23

e Pasteur identificam causas e tratamentos para doenças seculares


(BERLINGUER, 1988).
Não havia, entretanto, um conceito universalmente aceito. A Liga das
Nações, criada após a Primeira Guerra Mundial, não consegue estabelecer
esta definição. Somente ao final da Segunda Guerra, com a criação da OMS,
um conceito é estabelecido na Carta de Princípios de 7 de abril de 1948 -
desde então Dia Mundial da Saúde - Saúde é o estado do mais completo bem-
estar físico, mental e social e não apenas a ausência de enfermidade (BRASIL,
1996).
A Constituição Federal Brasileira de 1988, artigo 196, evita discutir o
conceito e afirma que saúde é direito de todos e dever do Estado, que o
Governo deve garantir políticas sociais e econômicas voltadas para a saúde e
que deve garantir o acesso universal, integral e igualitário da população aos
serviços de saúde. Estes são princípios que norteiam o Sistema Único de
Saúde-SUS do Brasil.
A 8ª Conferência Nacional da Saúde-CNS, realizada em 1986,
proporciona um conceito mais social e coletivo ao termo, superando inclusive a
definição da OMS, assinala o texto da Conferência que a saúde é “resultante
das condições de alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente,
trabalho, transporte, emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e
acesso aos serviços de saúde” (FLEURY, 1992, p. 170).
De acordo com Nogueira (2003), baseado nas ideias de Ivan Illich,
saúde é um meio de adaptação, aos ambientes mutáveis, ao crescimento e ao
envelhecimento, à cura, ao sofrimento e à expectativa da morte.
Compreende-se que o termo saúde é bastante generalista, de várias
interpretações, significados e utilizações. Uma Comissão do Congresso
Americano, criada para estudar a Saúde Pública, formula o conceito de que
saúde é o que a sociedade faz para assegurar as condições que permitem a
população ser saudável. Tal formulação de conceito se baseou na Carta de
Otawwa, de 1986, que assinala que a saúde não é apenas a prevenção e o
tratamento dos agravos, mas também, e acima de tudo, deve ser
compreendida como resultante de uma ação da sociedade e da pessoa para
proteger-se, para conhecer e superar os riscos de adoecimento e buscar um
24

estilo de vida saudável, adequado à melhor integração dos seres humanos no


seu socio-ecosistema (MINAYO, 2006).
Segundo Minayo (2006), existem vários fatores que determinam a
saúde de uma população. Para tanto, a autora recorre à figura do ‘Homem
Vitruviano’ de Leonardo da Vinci:

Figura 1: O Homem Vitruviano, de Leonardo da Vinci, e sua relação com a saúde.

Fonte: Minayo (2006).

Segundo Minayo (2006), as condições e qualidade de vida, como, por


exemplo, os níveis de renda, salário, emprego, trabalho, de segurança e
proteção social, são representados pela cabeça e a coluna vertebral da figura
de Marco Vitrúvio Pólio.
O braço esquerdo representa as políticas sociais, ou seja, as ações do
Estado para a Promoção da Saúde, entre elas: direito ao trabalho, acesso à
educação, moradia, sistema de transporte, lazer, seguridade social,
saneamento e à infra estrutura geral e ambiental, dentre outros. O braço direito
simboliza o desenvolvimento científico e tecnológico que busca novas
25

descobertas, teorias e métodos para possibilitar uma vida saudável da


população.
A perna esquerda da obra significa os vários saberes das diferentes
áreas da saúde, voltadas para o tratamento, assistência, alívio e cura dos
doentes. Finalizando a explicação da figura vitruviana, a perna direita
representa o conjunto de valores sociais e culturais, as crenças e valores sobre
o processo saúde-doença.
Ao expor a figura proposta por Leonardo da Vinci, Minayo (2006)
reflete o pensamento do pesquisador do que vem a ser saúde. Urge na
sociedade a necessidade de abandonar o pensamento individualista e biológico
do entendimento de saúde, e, em vez disso, vislumbrar horizontes mais
voltados para a saúde social e coletiva.
Após contextualizar os conceitos e definições de saúde, porém, uma
pergunta ainda insiste em incomodar: Qual o papel da saúde na Educação
Física Escolar? A seguir, se inicia, sem pretensão de dar o assunto por
encerrado, uma discussão teórica sobre o tema.

2.2 As Relações entre Educação Física Escolar e Saúde: Recortes


Históricos e Conceituais

Debater, discutir e compreender, nas aulas de Educação Física, os


aspectos da saúde, deveria ser algo corriqueiro entre alunos escolares e
universitários, professores de Educação Física Escolar e docentes de ensino
superior. Observa-se, entretanto, que há escassa participação de experts na
área, seja nas formulações de políticas públicas de saúde; no envolvimento em
congressos, seminários e palestras, na administração do conteúdo da
Educação Física na escola, conteúdo este ainda muito esportivista, na maioria
dos casos; e nas pesquisas, em sua grande parte, voltadas para aspectos
biológicos.
Talvez, e meramente supondo, o motivo da constatação ora citada seja
que o conhecimento de Saúde Pública e Coletiva é pouco fomentado na
formação do profissional de Educação Física. No corpo curricular dos cursos
26

de Educação Física que formaram professores hoje atuantes, e aqui se incluí


uma imensa quantidade de cursos no Brasil, a formação oferecida é, ou foi,
quase exclusivamente técnica e mecanicista. Disciplinas de ordem biológica
foram priorizadas em detrimento daquelas de cunho sociológico.
Luz (2007), ao comentar a formação do professor de Educação Física,
alerta sobre a complexidade da área, situada no campo biomédico, na grande
área da saúde, permeada por disciplinas como Fisiologia e Anatomia,
direcionada pelo quadro epistemológico biomecânico moderno e herdeira de
práticas ligadas ao treinamento e adestramento do corpo.
A Educação Física segue o modelo biomédico, que, por sua vez,
considera o paradigma cartesiano como sua diretriz. Elimina as dúvidas,
compreende o todo com origem em suas partes, respeita a hierarquia dos
saberes, enumera para replicar e valoriza a mente em detrimento da matéria
(ROCHA; CENTURIÃO, 2007)
A Educação Física Escolar, em sua origem, biológica, buscava formar
corpos idealizados pelo pensamento higienista5. Apoiava-se na eugenia6 e
possuía uma orientação militar de disciplinamento e controle biopolítico dos
corpos (FOUCAULT, 1984), com o objetivo de servir à pátria e não estimular a
consciência crítica.
Atualmente, ainda é possível observar cursos de formação de
professores de Educação Física centrados na melhoria da aptidão física e
preocupados somente com a aprendizagem de gestos e técnicas motoras, em
detrimento do estímulo à reflexão. Certos cursos se encontram pautados na
visão reducionista da Educação Física, implementando a defesa do esporte e
da saúde individual (BAGRICHEVSKY, 2007).
Assim, não é de se estranhar que a Educação Física, em enorme
parcela de seu universo, compreenda a saúde apenas como sinônimo de
práticas de exercícios corporais (GÓIS JÚNIOR; LOVISOLO, 2003). Pensando
assim, deixa de considerar aspectos importantes para o entendimento de

5
Higienismo: movimento nos campos da Medicina e das políticas públicas de saúde. Espécie
de policiamento sanitário que incorpora a lógica militar na linguagem, no planejamento e na
forma de realizar as práticas de saúde (GLOBO, 2010).
6
A eugenia é um termo criado por Francis Galton (antropologista, meteorologista, matemático
e estatístico inglês, nascido em 1822 e morto em 1911), que a definiu como o estudo dos
agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das
futuras gerações seja física ou mentalmente (GLOBO, 2010).
27

saúde como: distribuição de renda, condições de saneamento, moradia,


alimentação, escolaridade, tempo livre e acesso a serviços de saúde e
educação; pois, como reforça Alves Junior (2001, p.43), “falar em saúde nas
aulas de Educação Física nos impõe a pensar na miséria, na desnutrição, nos
que não tem onde morar e nem onde plantar”.
Palma (2001) em uma extensa revisão de literatura sobre Educação
Física e saúde, acentua que a prática de atividade física, por si, não produz
saúde. Parâmetros e informações socioeconômicos e culturais podem
influenciar o processo.
Costa e Venâncio (2004) compreendem que uma parte dos
professores de Educação Física despreza o posicionamento crítico e ético
sobre saúde e promove atividades físicas apenas com o intuito de transformar
o corpo em um ideal atlético para corresponder a apelos da mídia.
Somente o exercício físico não resulta em saúde, de forma linear e
determinista. Ainda que os indivíduos que praticam atividade física possuam
suporte nutricional, financeiro e tempo livre, ou seja, grande parcela da
população, neste caso, segundo o autor, está excluída da prática de atividade
física. Palma (2001) explica que os frequentadores de atividades físicas se
enquadram nas classes sociais mais abastadas. Refletindo assim, considera-se
que os programas e políticas públicas possuem pouca eficácia na maioria da
população, pertencentes estes a camadas sociais menos favorecidas.
Na Educação Física Escolar, movimento contrário poderia estar
ocorrendo. A disciplina é um componente curricular obrigatório em todo o
ensino básico, de acordo com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação-LDB
(BRASIL, 2000 a). Assim, a oferta da disciplina, em escolas particulares e
públicas, deveria estar sendo utilizada como um meio de Promoção e
Educação em Saúde, já que atingiria a todos os alunos, das classes mais
favorecidas às mais baixas.
A escola, apoiada pela família e pelas políticas públicas, deveria ser o
primeiro contato das crianças com a compreensão de saúde. O ambiente
educacional possui os requisitos necessários para ser o momento de partida na
busca pelo conhecimento em saúde mediante ações de Educação e Promoção
da Saúde. Gerber (1992) e Maitino (1998) garantem que, ao educar crianças
para a saúde, se produzem futuros adultos saudáveis. Desta forma, a
28

Educação Física Escolar, por ser um componente da área da saúde e figurar


obrigatoriamente no corpo de disciplinas da escola, se impõe como um
poderoso meio para tal finalidade.
Maitino (1998) enfatiza, ainda, que a Educação Física Escolar, por
estudar o movimento humano, pode proporcionar conhecimento aos alunos no
que se refere a manutenção e aquisição de saúde.
Segundo os PCNs (BRASIL, 1988 b, p.36):
As relações que se estabelecem entre Saúde e Educação
Física são perceptíveis ao considerar-se a similaridade de
objetos de conhecimento envolvidos e relevantes em ambas às
abordagens. Dessa forma, a preocupação e a responsabilidade
na valorização de conhecimentos relativos à construção da
auto-estima e da identidade pessoal, ao cuidado do corpo, à
consecução de amplitudes gestuais, à valorização dos vínculos
afetivos e a negociação de atitudes e todas as implicações
relativas à saúde da coletividade, são compartilhadas e
constituem um campo de interação na atuação escolar.

A Educação Física Escolar, entretanto, não é reconhecida socialmente


como um campo do saber. Para muitos trata-se apenas de um momento de
prática de ginástica ou esportes. Muitos professores da disciplina, tecnicistas,
realizam suas atividades meramente práticas e desprovidas de discussões
teóricas, não só sobre saúde, mas a respeito de qualquer tema. De acordo com
Miranda Junior (2006), a Educação Física não é efetivamente resolutiva
quando se pensa em proporcionar conhecimento sobre saúde aos escolares.
Concordando, Sleap (1990) ressalta que a Educação Física não pode
estagnar na representação de uma educação do corpo, devendo avançar para
o entendimento de uma educação para o corpo.
Compreende-se, assim como Luz (2007), que a Educação Física não
deve-se restringir a treinar o corpo, no caso do esporte; adestrá-lo, no caso de
grande parte das ginásticas; ou habilitá-lo, no caso da Educação Física
Escolar; deve ultrapassar estas barreiras e colocar as pessoas em contato com
seu próprio corpo, senti-lo e ouvi-lo, tratá-lo como sua casa.
Autores como Guedes e Guedes (1993) defendem a proposta de que a
Educação Física Escolar necessita, em sua proposta pedagógica, direcionar-se
a novos rumos, no caso, à Educação e à Promoção da Saúde em âmbitos
escolares. Com efeito, a disciplina deve superar suas raízes técnicas e
29

biológicas, voltadas unicamente para desenvolvimento de habilidades


esportivas e atléticas, e incluir em seus conteúdos o tema saúde.
Os autores realizam sua teoria para a Educação Física com base na
relação atividade física-saúde, porém, compreende-se que a saúde não pode
ser adquirida somente com a prática da atividade física, e, além disso, esta
prática pode não resultar em saúde. A saúde envolve muito mais do que
somente a prática da atividade física.
A teoria de Guedes e Guedes (1993), denominada de Saúde
Renovada por Darido e Rangel (2005), colabora com a Educação Física,
combate o esportivismo e o tecnicismo, estimula os professores a favorecer o
conhecimento sobre atividade física e o posicionamento final de estimular a
uma vida ativa, mesmo após a idade escolar.
Ao pensar a saúde na perspectiva coletiva, porém, com todos os seus
fatores sociais, vislumbra-se a falta de debates sobre condições de
alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte,
emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso aos serviços de
saúde.
Rocha e Centurião (2007) explicam que pensar centrado na doença,
conduz a uma noção de saúde relativa apenas aos aspectos orgânicos. Desta
forma, pensar a Educação Física apenas como um método para combater o
sedentarismo e a obesidade promove a redução da disciplina a aspectos
orgânicos.
Os mesmos autores explicam que a importância, em demasia, dos
princípios científicos na área da saúde, conduz a uma atenção centrada na
doença. O indivíduo, a coletividade e os aspectos educacionais são deixados à
revelia.
Rocha e Centurião (2007) completam seu pensamento e citam que se
deve considerar a questão saúde para além de preocupações orgânicas e os
aspectos sociais devem ser considerados. Para isso, o profissional da saúde
deve ampliar seus horizontes e adquirir outros saberes que não somente os da
área biomédica.
Bagrichevsky (2007) também critica a relação atividade física – saúde
como única preocupação da Educação Física. O autor menciona que, durante
o início da década de 1980, discutir aptidão física significava preocupar-se com
30

saúde. Garante que nenhum autor se preocupou em questionar as dimensões


individualistas e a preocupação única da área com o paradigma atividade
física-saúde. Para o autor, houve um conformismo sobre o aspecto biológico da
saúde na Educação Física. Os aspectos de saúde extra-atividade física, como
significado resultante das condições de vida oferecidas pelo Estado, foram
excluídos dos debates acadêmicos na Educação Física.
Outros autores demonstram preocupação com o axioma
inquestionável da Educação Física: atividade física é saúde. Ceccim e Bilibio
(2007) relatam que a Educação Física foi considerada positivista pela relação
de causa e efeito entre exercício físico e saúde, em que a falta da atividade
física é considerada a causa de doenças e sua aplicação a restauração da
saúde. Para os autores, a Educação Física não deve possuir como objeto a
cura ou a aptidão física, mas a produção do cuidado para com a vida em sua
expressão corporal. E é na escola que a Educação Física pode se legitimar
como um meio efetivo para a Educação em Saúde.
Miranda Junior (2006) alerta para o fato de que a Educação Física
possui grande possibilidade de proporcionar o entendimento de saúde a todos,
pois é o único lugar onde crianças, não importando sua classe, cor, credo,
sexo, habilidades técnicas e desempenho motor, praticam atividades físicas e
desta forma deveriam ser instruídas para a compreensão de saúde e hábitos
saudáveis.
Maitino (1998) preconiza que a Educação Física Escolar deve ter como
objetivo principal a inclusão da atividade física relacionada à saúde e a
compreensão desta, ou seja, atingir a finalidade de proporcionar aos alunos a
independência quanto as suas atividades além do entendimento de saúde.
Comenta que os professores devem desenvolver suas atividades estimulando
nos alunos a autonomia e a internacionalização dos conceitos de saúde, no
sentido de que, quando a criança se tornar adulto, possa dar continuidade ao
estilo de incluir vida saudável.
Guedes (1999) faz uma crítica à Educação Física tradicional. Para o
autor, o objetivo da disciplina deveria se concentrar na fundamentação teórica
e prática que levasse os alunos a incorporar conhecimentos de atividade física
relacionada à saúde, e que, desta forma, os conduzisse a praticar uma vida
saudável, não só na infância e adolescência, como também na fase adulta.
31

A duração, o tipo e a intensidade da atividade física devem ser


compreendidos pelos alunos. É fundamental o entendimento por parte dos
educandos do que estão realizando. O professor de Educação Física deve
explicar o que fazer e não simplesmente solicitar aos alunos a repetição de
movimentos (GUEDES, 1999).
Discutir, refletir e criticar temas relacionados à saúde, como
alimentação, saneamento, lazer, empregos, felicidade, entre tantos outros, são
conteúdos que deveriam permear a Educação Física na busca de proporcionar
saúde para seus alunos.
Muitos aspectos da escola e do próprio desenvolvimento dos alunos
em fase escolar favorecem a Educação Física a proporcionar o entendimento
de saúde. Miranda Junior (2006) sustenta que as curiosidades dos alunos com
o próprio corpo e a descoberta das possibilidades corporais favorecem a
receptividade às informações de saúde.
Para Sleap (1990), a Educação Física Escolar é o melhor local para a
Promoção e a Educação em Saúde. Para ele, é difícil imaginar que os objetivos
da disciplina não sejam senão os de favorecer o conhecimento de saúde.
De acordo com a LDB (BRASIL, 2000 a) a Educação Física, integrada
à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório na
Educação Básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições da população
escolar, de modo a contribuir para o desenvolvimento do organismo e da
personalidade do educando.
Assim, observa-se que o professor de Educação Física, resguardando
seu direito de liberdade de planejamento, deve fazer valer sua formação, da
área da saúde, e recorrer a temas que subsidiem ações de Educação em
Saúde nos ambientes de ensino.
Nas escolas e fora delas, a sociedade, por meio de ampla divulgação,
reconhece o professor de Educação Física como profissional de saúde, pois
este já se faz presente nos diversos campos de atuação deste âmbito,
incluindo a participação da categoria, também, no SUS.
O SUS é formado pelo conjunto de ações e serviços de saúde
prestados por órgãos e instituições púbicas federais distritais, estaduais e
municipais – e, também, em caráter complementar, pela iniciativa privada.
32

Acredita-se que, nas escolas, a Promoção e a Educação em Saúde poderiam


se transformar em ações do SUS.
O SUS foi formulado com a intenção final de que a população do Brasil
possa acessar os serviços de saúde. Seus princípios foram determinados pela
Lei Orgânica de Saúde, em 1990, com base no artigo 198 da Constituição
Federal de 1988, são eles: Universalidade, que afirma ser um dever estatal
promover a atenção à saúde; Integralidade, pois a atenção à saúde deve ser
tanto através de meios curativos quanto preventivos; e Equidade, ao explicar a
ideia de que todos são iguais e devem possuir o mesmo direito de acesso aos
serviços de saúde (BRASIL, 2000 b).
Tais princípios podem facilmente ser exportados para a prática da
Educação Física Escolar. A Universalidade já é observada, haja vista a
obrigação do Estado em oferecer a educação gratuita a todos os cidadãos
brasileiros; a Integralidade na Educação Física, no entanto, necessita ser
implantada pois se observam muitos professores preocupados apenas com o
desenvolvimento biológico, deixando de lado os aspectos sociais e afetivos; por
fim, a Equidade deve ser aprefeiçoada, para que todos, sem distinção alguma,
usufruam da aula de Educação Física.
Assim, compreende-se que os currículos de Educação Física deveriam
realizar profundas transformações em seus conteúdos, deixando de lado
preocupações exclusivamente voltadas ao desenvolvimento de habilidades
esportivas e motoras, privilegiando aqueles mais hábeis e excluindo os menos
dotados, e desenvolver temas que estimulem os alunos a pensar a saúde.
Rodrigues (2000) determina a existência de duas abordagens na
Educação Física Escolar para a compreensão de saúde, e além disso, critica
as duas. Trata-se da Promoção da Saúde e da Cultura Corporal.
Para o mesmo autor, a Promoção da Saúde é influenciada pelo
biologicismo e higienismo, visando a sistematizar a aprendizagem dos
conteúdos relacionados à qualidade de vida, incorporando hábitos de prática
de atividade física por toda a vida. Com a prática da Educação Física Escolar,
pretende-se conscientizar aos alunos acerca da relevância de adotar um estilo
de vida ativo. O professor da disciplina deve orientar, explicar e prescrever
exercícios para favorecer uma vida saudável. Os conteúdos a serem
33

desenvolvidos nas aulas devem estar, o mais diretamente possível,


relacionados com a Promoção da Saúde.
Nesta abordagem, a crítica de Rodrigues (2000) se refere à relação
prática de atividade física-saúde, como se esta relação fosse o objetivo único
da Educação Física na questão saúde.
A Cultura Corporal é representada pelo modelo materialista-histórico-
dialético e busca a aprendizagem, pela expressão corporal, como linguagem.
Esta abordagem, consoante Rodrigues (2000), respeita a história dos alunos,
considera a cultura e a sociedade como formadores do homem. Por intemédio
do corpo, o ser humano se movimenta, cria formas de linguagem e expressa
seu saber. Com isso, os conteúdos da Educação Física Escolar, como o jogo, a
dança, o esporte, a ginástica e as lutas são identificados como
conteúdos/temas a serem desenvolvidos durante o ensino-aprendizagem.
O autor cita que, na Educação Física, sob os princípios da Cultura
Corporal, a saúde não é tratada de forma direta. O tema saúde é explorado em
consequência das aulas e dos conteúdos já citados. Rodrigues (2000) critica a
Cultura Corporal, pois, em sua visão, o tema saúde é abordado sobre o
pressuposto da Saúde Pública, isto é, reduzido à assistência simplificada.
Ao contrário de Rodrigues (2000), este estudo compreende a Cultura
Corporal como uma perspectiva que fundamenta o professor em sua prática.
Conforme Betti (1991), a Cultura Corporal engloba a cultura esportiva e a
corporeidade. De acordo com Zabala (2002) esta é a área que mais se
aproxima da realidade do cotidiano, pois valoriza o social e não somente a
reprodução de metodologias científicas.
Deste modo, compreende-se que a Cultura Corporal, com todos os
seus conteúdos característicos da Educação Física, pode, de forma direta,
tratar a saúde, seja recorrendo às práticas ou discutindo e refletindo com os
alunos, com suporte nos conteúdos ministrados, questões pertinentes ao
conhecimento de saúde.
De acordo com os PCNs (BRASIL, 2000) a história da humanidade é a
história de sua cultura. Cultura é um conjunto de símbolos reconhecidos pelos
grupos sociais. Por questões biológicas, os homens foram desenvolvendo
possibilidades de novos movimentos, às vezes por questões fisiológicas, outras
por motivos religiosos e até lúdicos. Surgiu daí uma diversidade de
34

conhecimentos, constituindo então uma Cultura Corporal. Dentre estas


culturas, a Educação Física incorpora o jogo, a luta, a dança, os esportes e as
ginásticas, que possuem em comum a representação corporal de várias
culturas humanas. Os PCNs (1998) entendem que a Educação Física é uma
área da Cultura Corporal do Movimento, e a Educação Física tem como
objetivo integrar o aluno nesta cultura, formando cidadãos.
Ao indicar a cidadania como eixo norteador, os PCNs solicitam que a
Educação Física seja responsável pela formação de alunos capazes de, entre
outras coisas, adotar atitudes saudáveis, compreender sua saúde como
coletiva e conhecer a diversidade de padrões de saúde nos diferentes grupos
sociais (BRASIL, 1998).
Por fim Rodrigues (2000) lembra que a Cultura Corporal aborda o tema
saúde sobre o pressuposto da Saúde Pública. Para ele isso não é positivo.
Compreende-se que a Saúde Coletiva não somente estabelece uma crítica ao
universalismo naturalista do saber médico, mas também rompe com a con-
cepção de Saúde Pública, negando o monopólio do discurso biológico.
Já para Devide (1996), a Educação Física Escolar, em relação à
saúde, utiliza dois enfoques: o da Promoção e Educação em Saúde e o da
prática da atividade física. Para o autor, ambos trazem contribuições positivas,
no entanto também oferecem limitações.
A Promoção e Educação em Saúde são introduzidas na Educação
Física, primeiramente nos estudos de Faria Junior (1991), porém não são
apresentadas formas práticas de como aplicar seus conteúdos na escola, o que
começa a ser apresentado posteriormente, com outros autores, entre eles
Devide (2002).
Quanto à atividade física relacionada à saúde, os estudos de Guedes
e Guedes (1993; 1994) tentam sistematizar, por meio de sugestões, práticas
como ministrar o conteúdo nas aulas de Educação Física. Ferreira (2001)
realiza uma crítica a este modelo. Para esse autor, o enfoque da atividade
física relacionada à saúde produz o reducionismo do termo ao seu aspecto
biológico; desconsidera o social como fator preponderante à saúde; defende a
individualização; e a reprodução da relação causal entre prática de exercício e
melhoria da saúde.
35

Desta forma, é importante estabelecer uma ponte entre o abismo que


se forma entre os dois modos de compreensão de saúde sob a ótica da
Educação Física de Devide (1996). É necessário um estreitamento entre estes
métodos para a disciplina poder ampliar seus horizontes. Para tal finalidade, a
Educação Física deve optar por conteúdos de relevância social para os alunos,
que retratem a saúde e levem em consideração os aspectos sociais e coletivos
(DEVIDE, 2002).
Partindo do debate como pressuposto teórico, a Educação Física pode
se tornar um meio eficaz na aquisição e no conhecimento sobre a saúde de
seus alunos (COLETIVO DE AUTORES, 1992).
Devide (2002) reforça a noção de que o enlaçamento entre as
tendências da Promoção e Educação em Saúde e da atividade física
relacionada à saúde, além de promover o amadurecimento sobre a função da
disciplina no que se refere ao tema saúde, oferece novos elementos para a
prática dos professores em virtude da realidade de seus alunos.
O autor também explica que o professor de Educação Física Escolar
deve contextualizar os conteúdos da disciplina referentes à saúde ante as
condições de vida de seus alunos. Assuntos como fatores de saúde
relacionados aos exercícios físicos, falta de espaços públicos, dificuldade de
acesso ao lazer, más condições de trabalho, moradia, transporte, educação
etc. (FERREIRA, 2001) devem ser discutidos, ampliando assim a relação da
disciplina com a saúde, ultrapassando a barreira de simplesmente praticar
atividades físicas.
Na compreensão de Palma (2001), a Educação Física necessita
romper com os conceitos de saúde tradicionais, dimensionados no individual e
procurar compreender o tema como algo de elaboração coletiva, rumo à
cidadania.
Defende-se neste estudo o argumento de que a Educação Física deve
ultrapassar os aspectos individuais e biológicos de suas práticas e partir para
um novo rumo coletivo.
O que se observa, entretanto, não é isso. Para entender melhor a
situação da saúde, como conteúdo da disciplina será realizado a seguir um
resgate do contexto histórico da saúde na Educação Física Escolar.
36

Conceituar Educação Física não é uma tarefa simples. Inicia-se pela


discussão do corpo, objeto de estudo da disciplina. Serres (2004) explica que a
dualidade cartesiana corpo e mente deve ser invertida. O corpo é o princípio. É
pelo corpo que se vive, sente, age e aprende. É no corpo, por ele e com ele,
que se adquirem saberes.
O corpo que detém a atenção da Educação Física necessita de saúde.
Ceccin e Bilibio (2007) são categóricos: a Educação Física surge como um
sentido para a saúde. Citam que é por ela ou por meio dela que se chega à
Saúde Coletiva.
Moreira (1995) explica que a Educação Física se inicia na Pré-História,
quando os exercícios físicos, de forma rudimentar, e com o objetivo de
sobrevivência, já eram praticados. Para o autor, é considerada área de
conhecimento do movimento humano e incorpora saberes de outros
segmentos. Acompanha a cultura do homem e corresponde aos ideais sociais,
políticos e econômicos de várias épocas da humanidade.
Na antiga Grécia, possível origem da figura do professor de Educação
Física, a valorização da ginástica era considerável. O profissional da área,
assim como os médicos, já atuava como educador de jovens por meio de jogos
e exercícios; representava um mestre, líder e coordenador de ginásios e
centros culturais (Da COSTA, 1999).
Masson (1988) argumenta que os primeiros indícios de sistematização
da Educação Física Escolar ocorreu por meio de Basedow e do movimento
ginástico germânico de 1790, Ling e o movimento sueco de 1839 e com
Amoros e Demeny, representantes do movimento francês de 1848. O autor
também explica que, ao final do século XIX, a criação do método natural de
Hébert, ao utilizar trabalhos de deslocamentos e exercícios naturais de
execução simples - como andar, correr, saltar, pular, arremessar e lançar -
buscava desenvolver o homem de forma integral.
A Educação Física, entretanto, na forma instrumentalizada pelos
métodos ginásticos, avança ao longo do tempo para um caminho que a reduziu
à prática biológica de exercícios repetitivos e sem explicações teóricas, ao
ensino de regras e técnicas desportivas, ao aluno sendo considerado um
simples objeto, ou seja, ator mecânico do trabalho corporal (BRANDL, 2002).
37

Esse autor esclarece que, na década de 1970, surgem novas


contribuições para a Educação Física, entre elas a Psicomotricidade e a
Motricidade Humana, que irão influenciar práticas corporais mais reflexivas.
Vários são os autores que identificam a relação histórica entre a
Educação Física e a saúde. Entre estes, Ghiraldelli Júnior (1998), Soares
(1994) e Carvalho (1995) identificam duas formas de reproduzir a relação
citada: uma identifica a prática da atividade física como produtora de saúde e
outra como prevenção. Para Carvalho (1995), ambas constroem sua
epistemologia na concepção de que somente o exercício físico é o responsável
pela saúde dos alunos, desconsiderando aspectos tais como políticas públicas,
cultura, contexto social e saneamento. Pode-se incluir, ainda, outra forma de
pensar a Educação Física relacionada à saúde: por meio da Educação e
Promoção da Saúde em âmbitos escolares. Nos capítulos posteriores deste
estudo este assunto será retomado.
Para se compreender o papel da saúde na Educação Física Escolar
no Brasil, é necessário reaver a história da disciplina e seus respectivos
períodos.
A introdução da Educação Física nas escolas brasileiras se deu
efetivamente pela Reforma Couto Ferraz, em 1851. Consoante a reforma
realizada pelo jurista Rui Barbosa, em 1882, houve uma recomendação de que
a ginástica fosse obrigatória. Foi, no entanto, somente de 1920 em diante que
vários estados incluíram a Educação Física em suas reformas educacionais
(BETTI, 1991)
Ghiraldelli (1998) explica que a Educação Física brasileira apresenta
concepções históricas, identificando-as em cinco tendências7: Higienista (até
1930), Militarista (de 1930 a 1945), Pedagogicista (1945 a 1964), Competitivista
(1964 a 1985) e Popular (de 1985 até os dias atuais). A Educação Física
Popular se desmembra em várias abordagens8.
A seguir será analisada cada uma delas, tendências e abordagens,
bem como sua relação com a saúde com base na experiência do autor como

7
Tendências da Educação Física: são relacionadas com os períodos históricos do Brasil. Suas
características acompanham do contexto sócio-cultural que o país atravessa.
8
Abordagens da Educação Física: são entendimentos da Educação Física por autores, ou
grupo de autores, onde cada qual procura explicar os conteúdos, sistemas e métodos da
disciplina dentro de sua própria experiência teórica e prática.
38

professor de Educação Física Escolar; em vivências em palestras, encontros,


seminários e congressos; na observação, como aluno, de outros professores e
mestres, na escola e na graduação; e nas interpretações de leituras de autores
clássicos da área, como Betti, Bracht, Castellani Filho, Coletivo de Autores,
Darido, Freire, Ghiraldelli Junior, Go Tani, Guedes e Guedes e Nahas. Assim,
determinados parágrafos não apresentam fontes utilizadas, pois são
manifestações do entendimento, vivência e compreensão do tema pelo autor
pesquisador.

2.2.1 Tendência Higienista (até 1930)

A tendência da Educação Física Escolar denominada Higienista


figurou como representativa da disciplina até 1930. Foi bastante influenciada
pela Medicina e pela Eugenia. Segundo Darido e Rangel (2005) esta
concepção possuía como preocupação principal os hábitos de higiene e saúde,
valorizando tanto o desenvolvimento físico quanto o moral, com procedência no
exercício.
De acordo com Luz (2007), a Medicina teve papel estratégico no
desenvolvimento da Educação Física. Para o autor, os saberes e práticas da
Educação Física passam a receber influências dos saberes da área médica,
buscando uma legitimação científica, principalmente no campo biomédico,
como todos os saberes relativos ao corpo.
Esta tendência da Educação Física possuía como característica a
utilização da ginástica calistênica. Os professores eram da área médica e não
havia interação dos alunos com o professor. Os mais fracos e doentes eram
excluídos das aulas e não havia nenhuma interação com as questões
pedagógicas da escola.
O tema saúde era uma preocupação da elite econômica da época, que
temendo contaminações, utilizou a Educação Física como um meio de
doutrinar as classes não favorecidas, no sentido de fiscalizar e promover a
assepsia corporal. Tal fiscalização era realizada no início das aulas, quando se
efetivava a inspeção, momento em que os alunos deveriam mostrar aos
39

professores a limpeza corporal – unhas, cabelos, pescoço, braços e pernas.


Alunos com qualquer tipo de doença eram eliminados das aulas; aqueles que
estivessem demonstrando qualquer tipo de impureza – roupa suja, unhas a
fazer etc. - eram sumariamente excluídos. As blusas do uniforme da prática de
Educação Física deveriam ser brancas, fato até hoje corriqueiro nas aulas da
disciplina. Esta finalidade foi admitida pelo fato de representar a pureza e a
limpeza.
Em contra posição a Educação Física da época teve influência do
Movimento Social do Século XIX, disposto entre 1830 e 1870, difundiu-se na
Europa e foi contemporâneo do surgimento e ascensão do capitalismo,
situando-se como oposição a este (ROSEN, 1980). Este movimento navegava
no sentido contrário aos interesses das classes favorecidas e exigia melhores
condições para os trabalhadores da época (DA ROS, 2000). Assim, alguns
professores de Educação Física deste período, ou melhor, de Ginástica, na
verdade, pouquíssimos, ainda que muito timidamente, partiram para a defesa
dos menos afortunados, baseados nos princípios do Movimento Social.
Infelizmente, não conseguem produzir seguidores (DA ROS, 2000)
Com a descoberta das vacinas, porém, e da associação causal entre
bactéria e doença, a partir de Pasteur, a Medicina Biológica conferiu mais
força. Rosen (1980, p. 49) cita a frase de Behring, em 1896: “Agora, com a
descoberta das bactérias, desnudada a causa das doenças, o médico não
precisa mais se preocupar com a sociedade”. Por conseguinte, este passou a
ser o modelo a vigorar no fim do século XIX e início do século XX: o modelo
unicausal de explicação da doença, que negava os aspectos sociais,
econômicos e culturais do processo saúde-doença. Tal modelo invade e toma
conta das direções da Educação Física na escola.
Além disso, o modelo de saúde utilizado pelos estadunidenses
também aporta no Brasil, modelo este impregnado de ideias capitalistas. O
modelo de ensino da área médica e de saúde, no período, passa a ser
centrado na unicausalidade e no biologicismo. Era fragmentado, positivista e
considerava-se dono da verdade científica (DA ROS, 2000). Tais formandos
destas escolas, muitas vezes se aventuravam a ministrar aulas de Educação
Física Escolar.
40

Como consequência, os modelos eugênico, higienista e biologicista de


encarar a saúde podem ser considerados os precursores da pedagogia da
Educação Física Escolar, baseada na apologia ao estilo de vida ativo adquirido
pela exercitação mecânica, cujos fundamentos, até hoje, produzem
sentimentos de culpa naqueles que não seguem os direcionamentos impostos
por esta tendência da disciplina, no que diz respeito a aparência física
(SOARES, 1994). Como assinalam Goldberg e Ramos (2002, p. 25): “devido a
mais nova moral, a da ‘boa forma’, a exposição do corpo em nossos dias, não
exige dos indivíduos apenas o controle de suas pulsões, mas também o
controle de sua aparência física”.
A seguir, demonstra-se a ideologia da Educação Física da época,
biologicista, ilustrado por uma passagem do livro ‘Da Educação Physica’ de
Fernando de Azevedo (1920, p.70):
Por meio dessa ginástica, assim caracterizada, devem
adquirir-se, sobre o ponto de vista fisio-anatômico: a beleza
corporal e, sob o ponto de vista psicológico, a coragem, a
iniciativa, a vontade perseverante, ou, em uma palavra, certas
aptidões morais, além do equilíbrio funcional dos órgãos, que
é a expressão e o índice da saúde do corpo, e, por fim, a
beleza na forma e no movimento. Deve ela, pois, na
concepção moderna, tender, não ao engrossamento do
músculo, mas ao desenvolvimento racional de todos os órgãos
e de todas as funções, para chegar, por um treinamento, isto
é, por uma progressão lenta, gradativa e metódica, a favorecer
o desenvolvimento do sistema nervoso e a coordenação de
suas manifestações, e a facilitar assim todos os atos da vida,
pondo uma alma sã num corpo igualmente sadio e vigoroso.

Oliveira (2005) defende a hipótese de que a instituição médica,


baseada no biologicismo, favoreceu o entendimento da Educação Física como
sinônimo de saúde e criação de hábitos higiênicos que afastassem da
população a possibilidade de contaminação por doenças e outros agravos, e
como um caminho para a promoção da eugenia, ou seja, o melhoramento da
raça. Portanto, a Medicina contribuiu para a constituição de uma Educação
Física com bases biológicas, desconsiderando questões que fugissem aos
aspectos anatômicos e de rendimento físico.
Considera-se que, no período da tendência higienista, corroborando
Ramos e Ferreira (2000), a preocupação da Educação Física era com a
41

formação de um homem ‘brasileiro’, que pudesse representar a Nação,


observando-se suas características eugênicas, e que, desta forma, reforçava a
ideia da saúde utilitarista, de caráter médico-higiênico (RAMOS; FERREIRA,
2000).
Encerrando este tópico, Faria Junior (1991) e Mota (1992) lembram
que a busca por indivíduos fortes, a preocupação com os aspectos posturais, a
influência médica e a boa aparência eram as metas dos programas de
Educação Física da época. Para ambos, o processo de “medicalização” da
Educação Física ainda persiste como método, até os dias atuais.
A tendência higienista encerra seu ciclo, em 1930, com o advento de
um mundo preocupado, não mais com o desenvolvimento da Medicina, mas
com a guerra.

2.2.2 Tendência Militarista (1930 – 1945)

Outra tendência da Educação Física, compreendida entre 1930 e


1945, é a militarista. Fundamentalmente biologicista, como sustenta Daolio
(1995), expressa a forma como os professores compreendiam os alunos,
considerando-os de forma homogênea.
Com a implantação do Estado Novo, na década de 1930, a escola
passa a ser alvo de transformações nos programas das disciplinas. Assim, os
professores de Educação Física passam a atuar recorrendo a filosofia da
militarização, institucionalizando os corpos de seus alunos e negando o
aspecto educacional da prática (GUEDES, 1999).
A Educação Física militarista é influenciada pelas questões bélicas. As
preocupações com eventuais guerras e o envolvimento do País nestes conflitos
chegam a Educação Física com avidez. O período militarista se configura entre
o final da Primeira e a Segunda Guerra Mundial, portanto, uma época de
conturbações políticas.
Havia a necessidade de preparar jovens para possíveis envios de
tropas à guerra. Assim, o Governo brasileiro encara a Educação Física como
um meio de treinamento para os alunos. As aulas passam a ser ministradas,
42

em sua maioria, por militares. Exercícios como polichinelo, abdominal, flexão


de braço, corridas, defesa pessoal, instruções militares e ginásticas passam a
configurar como conteúdos da Educação Física Escolar.
A relação aluno-professor abandona a postura paciente-médico, como
era considerada na tendência higienista, e passa a vigorar como recruta-
sargento. Não há diálogo entre ambos. Os fundamentos do nazismo e do
fascismo, em ascensão na Europa, também são percebidos. O nacionalismo
exacerbado e reproduzido em hinos e canções de louvor a pátria, a
preocupação com a limpeza da raça, o racismo, o culto ao belo e a exclusão
dos ditos inferiores são situações frequentes nas sessões de Educação Física.
O tema saúde era abordado somente na prática, na preparação de
futuros soldados, fortes e doutrinados, capazes de representar a pátria em
combates. Havia a exclusão dos mais fracos e incapazes, pois a eugenia ainda
era preconizada como meio de seleção dos melhores. Para que o Brasil fosse
à guerra, como de fato acabou ocorrendo, eram necessários jovens saudáveis
e dispostos.
As mulheres começaram a ser incluídas de modo mais intenso nas
aulas de Educação Física, porém separadas dos homens. A separação ocorria,
pois os exercícios masculinos eram mais rigorosos e a ginástica feminina era
mais branda. O objetivo desta inclusão era favorecer a saúde feminina, porém
atrás desta ação, na verdade, o que havia de fato era a preocupação com as
futuras mães. Assim, a Educação Física feminina se preocupava em preparar o
corpo de suas alunas para uma boa gestação. Ao ficarem grávidas eram
dispensadas das aulas. O pensamento era voltado para o nascimento de
brasileiros puros e saudáveis; para tanto, deveriam ter mães saudáveis.
Com o final da guerra, em 1945, e consequentemente o fim do
pensamento militar e o início da formação de um novo mundo, a Educação
Física no Brasil, seguindo os países do ocidente, volta-se ao modelo dos EUA,
um dos países vencedores da Segunda Guerra.
43

2.2.3 Tendência “Pedagogicista” (1945 – 1964)

Após a Segunda Guerra Mundial, com a derrota do nazifacismo e a


vitória também dos Aliados, a Educação Física recebe a influência do
liberalismo ianque, assim como grande parte do mundo ocidental. Nos Estados
Unidos a Educação Física recorria a jogos e brincadeiras, ginásticas, lutas e
esportes, principalmente o basquetebol e o voleibol, conteúdos logo
assimilados pela disciplina no Brasil. Ainda no campo da atividade física, os
estadunidenses investiram em programas de exercícios físicos e na formação
de atletas (SESC, 2003)
No Brasil, com o crescimento da escola pública, como atesta Ghiraldelli
Júnior (1998), a Educação Física recebeu impulsos da ideologia
desenvolvimentista do governo de Juscelino Kubitscheck e integrou pela
primeira vez as questões pedagógicas na escola.
Neste período, a Educação Física é o centro vivo da escola, responde à
preparação de alunos para festas, torneios, desfiles, formação de bandas
musicais, entre outras. A participação dos alunos é mais inclusiva.
Pela primeira vez a saúde é discutida de forma teórica, e assuntos como
primeiros socorros, higiene, prevenção de doenças e alimentação saudável são
incorporados às aulas de Educação Física. No período, entretanto, ainda não
se notava uma preocupação com a saúde coletiva, e sim individual. Não havia
discussões sobre lazer, moradia, emprego e saneamento, condições básicas
para a saúde, na visão da Saúde Coletiva.
Um fato negativo desta tendência é o início do culto ao corpo de forma
consumista, a partir década de 1960, fortemente apoiado pelo modelo
american way of life, que passa a ser copiado pela sociedade brasileira
(COURTINE, 1995).
De forma inversa, agora positivamente, a tendência “pedagogicista”,
denominada por alguns como biopsicossocial, foi inspirada no discurso liberal
da Escola Nova e buscava efetivar um caráter mais educacional à Educação
Física.
Guedes (1999) explica que a introdução de ideias pedagógicas fez com
que a Educação Física fosse reconhecida como um meio de educação, pois
44

advogava no sentido de explicar que o homem, para ser instruído de forma


integral, deveria não somente ser educado cognitiva e afetivamente, mas,
também, no campo físico. Para o autor, tal fato proporcionou aos professores
da disciplina substituir os métodos mecânicos da prática.
O autor ainda assinala que, da mesma forma como os militares tentaram
superar os métodos médicos da tendência higienista, foram os pedagogos que
procuraram tomar o lugar dos militares na tendência “pedagogicista”, apesar de
resquícios das áreas médica e militar que se mantiveram presentes nas aulas
dos professores da época. Assim a relação agora era, enfim, aluno-professor.
A Educação Física brasileira parecia caminhar a largos passos para uma
boa utilização de seus métodos, passando a defender a discussão teórica
educacional, porém, havia em seu caminho um empecilho que lhe
proporcionou uma vertiginosa queda de volta ao biologicismo: a ditadura militar.

2.2.4 Tendência Esportivista (1964 – 1985)

No ano de 1959, a Revolução Cubana tomava conta daquele país da


América Central. A revolução, com características populares, impulsionava o
socialismo no Continente. O governo dos EUA, temeroso de novas ordens
revolucionárias, apoiou movimentos de repressão a populares de esquerda que
questionavam a exploração capitalista. Em 1º de abril de 1964, no Brasil, os
militares tomam o poder e, a partir de então, instalam um governo no qual as
pessoas com ideias contrárias eram rigorosamente punidas com perseguições,
cadeia, exílio e morte. A censura foi exercida e ocorrem a fiscalização de
sindicatos, entidades estudantis e partidárias.
Nesse mesmo período, o Brasil consegue vários resultados
expressivos no esporte, como o tricampeonato da seleção brasileira de futebol,
no México, em 1970, o título mundial no boxe, com Éder Jofre, e as conquistas
de Maria Esther Bueno, no tênis.
O povo comemorava nas ruas as vitórias brasileiras. O Governo
patrocinava as festas e, desta forma, percebeu que a população adorava
esportes e que, com a atenção direcionada às disputas, se afastava das
45

discussões políticas. Assim, os militares resolvem incentivar a prática esportiva,


com objetivos claros: descobrir talentos e transformar o Brasil em potência
olímpica. Havia, porém, objetivos transversos: ao praticar esportes, a
população se ocupava e deixava de lado as preocupações com o Governo.
Para atingir os objetivos traçados, o Governo resolve então apoiar a
prática de esportes na escola e a Educação Física se torna o alvo prefeito.
Desde este momento, a Educação Física, que buscava um avanço como meio
educativo, na tendência Pedagogicista, retorna ao biologicismo. Os professores
agora deveriam deixar de lado os aspectos sociais, educativos e afetivos e se
preocupar somente com o rendimento e o aprimoramento das habilidades
esportivas.
A Educação Física é dominada pelos esportes, ou melhor, era
sinônimo de esportes. Há uma exclusão generalizada daqueles que não
possuem habilidades e a competição passa a ser o objetivo do processo. A
relação professor-aluno era a de técnico-atleta. O período que compreende
esta tendência na Educação Física é de 1964 a 1985.
Nesta tendência da Educação Física a saúde, física, se torna um tema
importante, pois é necessário atender aos futuros atletas. A fisiologia e o
treinamento esportivo, principalmente, atingem um grande desenvolvimento.
Outro fato impulsionou a vertente biológica da Educação Física no
período. No início da década de 1970, o método Cooper havia se tornado
referência na prática da atividade física. Para Cooper (1987), a prática de
exercícios era fundamental para a conservação da saúde, pois estes eram
responsáveis pela manutenção do bom funcionamento do sistema
cárdiorespiratório, que, por sua vez, promovia melhoras no condicionamento
físico e na qualidade de vida das pessoas. O método de Cooper foi utilizado
como argumento para os professores de Educação Física da época
referendarem suas práticas tecnicistas.
Ainda nesse período a Educação Física também recebeu influências
dos discursos econômicos, pois, preocupados com os problemas de saúde,
alertavam para a realização de atividades físicas pela população. O argumento
na verdade era o de tornar menos custosa a saúde para os governos. Esse
movimento, denominado healthism, teve origem nos Estados Unidos e, anos
mais tarde, no Brasil, se chamou de Movimento da Saúde (SOARES, 1994).
46

O Movimento da Saúde é pautado pelo individualismo, em detrimento


das questões sociais. Assim, as atividades físicas são medidas privadas,
diferentemente das tendências higienista e militarista, em que a ideologia era
voltada para o Estado por meio da consecução da eugenia e sua busca
incessante pela melhoria da raça (GÓIS JÚNIOR; LOVISOLO, 2003).
Também conhecida como tendência competitivista, mecanicista ou
tecnicista, a tendência esportivista ainda hoje é muito representativa na área da
Educação Física Escolar. Seus métodos, conteúdos, formas e meios se
resumem, como o nome já informa, à prática esportiva, com todas as suas
normas, técnicas, táticas e busca de performances. Talvez esta seja a
tendência que mais raízes deixou na prática da Educação Física Escolar.
Desde meados dos anos 1980, a ditadura brasileira se sentiu
desprivilegiada e sem forças que a sustentassem no poder. Os movimentos
democráticos começam a se fortalecer, entre eles as Diretas Já. O Brasil não
se torna uma potência olímpica, pelo contrário, os resultados em competições
internacionais são pífios. Com eleição de um presidente civil e a retomada da
democracia, a Educação Física penetra a era da Tendência Popular.

2.2.5 Tendência Popular (1985 – atualidade)

A década de 1980 faz fervilhar os movimentos populares. O


Movimento Sanitário cresce nos municípios e se organiza. Em 1986, na já
comentada 8ª Conferência Nacional de Saúde, ocorre o reconhecimento do
Conceito Ampliado de Saúde, que entende saúde como um conjunto de
situações que vão além do biológico, incluindo o social, o cultural e o
econômico (BRASIL, 1986).
A Educação Física pautada na tendência Popular é dominada pelos
anseios operários de ascensão na sociedade. Conceitos como inclusão,
participação, cooperação, afetividade, lazer e qualidade de vida vigoram nos
debates da disciplina. O aluno, depois de um longo período, desde a tendência
“pedagogicista”, entre 1945 e 1964, era parte do processo, sendo ouvido,
podendo sugerir e criticar.
47

A saúde como tema deste período da Educação Física engloba


diversos assuntos, como o sedentarismo, as doenças sexualmente
transmissíveis, o combate às drogas e os primeiros socorros.
A força do biologicismo, tão presente em outras tendências da
Educação Física, parece declinar. Lesões, traumas, estresse e uso de drogas
para aumentar o rendimento direcionam a atenção da população para os
efeitos do esportivismo e de sua busca pelo alto rendimento. Solomon (1991)
assegura que somente a dedicação aos exercícios não é suficiente para a
prevenção de doenças cardíacas. A afirmação produz efeito devastador na
Educação Física, que inicia, então, outra leitura do seu papel como produtora
de saúde.
A Educação Física, na verdade, entra em crise epistemológica. O que
fazer? Não se respiram mais os ares do higienismo e sua assepsia corporal;
não se pretende mais produzir futuros soldados, como preconizava a tendência
militarista; não há a necessidade de produzir atletas, pois a escola não possui
esta função, como queria a tendência esportivista. Qual a ciência da Educação
Física? A que se destina? Qual o verdadeiro papel da saúde na Educação
Física? Desta crise, aflorada pela necessidade de sobrevivência, surgem as
abordagens da Educação Física.
Darido (2005) explica que na década de 1980, é iniciado um amplo
debate nas comunidades acadêmicas sobre os pressupostos e a especificidade
da Educação Física. Como resultado, surgem várias abordagens pedagógicas
para a área, como as abordagens Psicomotora, Desenvolvimentista,
Construtivista, Saúde Renovada, Crítico-Superadora, Critíco-Emancipatória,
entre outras.
A autora sustenta que as abordagens da Educação Física possuem
determinados fundamentos das tendências e, por isso, trazem consigo
aspectos biológicos, psicológicos, sociológicos e filosóficos, já percebidos,
entretanto apresentam enfoques científicos distintos na busca de uma
Educação Física que valorize mais as múltiplas dimensões do ser humano e a
tentativa de se opor aos modelos tecnicistas e mecânicos.
A Educação Física, então, realiza importantes mudanças em sua
estrutura: reformulação curricular, conteúdos desenvolvidos para a escola,
reflexões críticas acerca da falta de ideologia na área, entre outras (RAMOS;
48

FERREIRA, 2000). Tais discussões fazem surgir outro cenário, marcado pela
ruptura com o biologicismo reinante.
Desta forma, a Educação Física avança para a ampliação de seus
conteúdos e percepção do corpo e do movimento, voltando-se, então, para a
compreensão da cultura corporal (BRACHT, 1996; COLETVO DE AUTORES
1992). Betti (1992) concorda com o avanço, e explica que a Educação Física
“deve preocupar-se com a formação do cidadão que irá usufruir, partilhar,
produzir, reproduzir e transformar as formas culturais da atividade física”.
(BETTI, 1992, p.285).
A seguir, se apresentam as principais abordagens da Educação Física
Escolar, na visão de Darido (2005), e sua relação com a saúde.

2.2.6 Psicomotricidade

A psicomotricidade é o primeiro movimento a se articular como uma


abordagem da Educação Física Escolar. Seus princípios extrapolam a ordem
biológica e de rendimento corporal, inserindo na prática o conhecimento de
ordem psicológica (DARIDO, 2001). Soares (1996) assevera que esta
abordagem visa ao desenvolvimento integral do aluno, estimulando os
aspectos motores, cognitivos e afetivos.
Seu grande difusor foi o francês Le Boulch (1986), que preconizava a
educação psicomotora por meio de movimentos espontâneos com o intuito de
favorecer a imagem do corpo. Para o autor citado, o núcleo central da
personalidade.
A psicomotricidade busca desenvolver fatores como a noção de corpo,
tonicidade, equilíbrio, estrutura espaço-temporal, lateralidade, coordenação
motora global e coordenação fina (FERREIRA, 2001).
Segundo Le Boulch (1986), o objetivo da Educação Física é o domínio
do corpo, que corresponde na realidade ao desenvolvimento das funções
psicomotoras.
A saúde, nesta abordagem, é vista de forma indireta como resultado
do desenvolvimento dos fatores psicomotores, afetivos e cognitivos
(FERREIRA, 2001)
49

2.2.7 Construtivista

Esta abordagem é baseada no Construtivismo de Piaget (1998).


Darido (2001) expressa que a corrente construtivista recebeu influências da
psicomotricidade, no sentido de valorizar aspectos psicológicos, afetivos e
cognitivos no desenvolvimento do movimento humano. Dentro desta
complexidade, a formulação do conhecimento ocorre na interação sujeito-
mundo.
Freire (1991) pode ser considerado como o responsável pela
introdução desta abordagem na Educação Física Escolar. Seu livro Educação
de Corpo Inteiro (1991) é considerado obra de referência no contexto
construtivista.
Para o autor, a criança é uma especialista no jogo, no brincar e no
brinquedo; possui um conhecimento prévio, que deve ser respeitado, e
considera o erro como um processo para a aprendizagem.
O tema saúde na abordagem construtivista é, assim como na
psicomotricidade, compreendido de forma indireta.

2.2.8 Desenvolvimentista

A abordagem desenvolvimentista preocupa-se com o desenvolvimento


das habilidades motoras básicas, entre as quais habilidades locomotoras, de
manipulação e estabilização.
No Brasil, Go Tani (1988) é o representante desta abordagem. O autor
explica que a Educação Física deve se preocupar com o crescimento e
desenvolvimento motor, pois esta abordagem defende o movimento como o
principal meio e fim da Educação Física.
Por ser mais biologiscista, a abordagem desenvolvimentista possui um
conceito de saúde indireto, resumindo-se à preocupação com a aprendizagem
das habilidades motoras, pois é por seu intermédio que os seres humanos se
adaptam aos problemas do cotidiano (DARIDO, 2001).
50

2.2.9 Críticas

Ao fazerem oposição ao tecnicismo da Educação Física Escolar,


alguns autores elaboram uma proposta de mudanças para a área, regida pelo
marxismo. Essas abordagens críticas, também denominadas progressivas,
exigem do professor de Educação Física uma percepção da realidade de modo
mais político. Tentam combater a alienação dos alunos e defender uma postura
de superação das injustiças sociais, econômicas e políticas. Dentre essas
abordagens pode-se, mencionar as abordagens Crítico-Superadora e Crítico-
Emancipatória (DARIDO, 2001).
O livro, representativo da abordagem Crítico-Superadora, Metodologia
do Ensino da Educação Física, publicado por um Coletivo de Autores (1992),
instiga a reflexão sobre questões de poder, interesse, esforço e contestação.
Na sua análise, não se deve apenas explicar como ensinar, mas sobretudo,
como se adquire conhecimento, e, neste âmbito, respeita os aspectos
socioculturais dos alunos. Sugere que os conteúdos da Educação Física
Escolar devem considerar a realidade dos operários. Nesta abordagem, a
disciplina é tida como um tipo de conhecimento que trata da cultura corporal
(DARIDO, 2001).
A abordagem crítico-emancipatória possui como principal autor Kunz
(1994). Segue as diretrizes da Escola de Frankfurt e busca um ensino, por
meio da Educação Física, de libertação de falsas ilusões, interesses e desejos
criados por uma mídia com escopo capitalista (DARIDO, 2001).
As abordagens críticas iniciam, após a tendência “pedagogicista”, o
debate sobre saúde, porém este que é apresentado nestas abordagens reflete
o pensamento marxista do Coletivo de Autores (1992) e Kunz (1994), de tal
forma que as discussões envolvendo saúde se direcionam mais para as
questões de justiça social.

2.2.10 Saúde Renovada

Com origem na década de 1990, ocorre a existência de uma


abordagem da Educação Física Escolar voltada para as discussões da saúde,
não apenas repetindo os conceitos da tendência higienista, mas ampliando a
51

discussão (DARIDO, 2003). A autora denominou a abordagem de Saúde


Renovada. Para Darido (2003), os principais teóricos da abordagem são Nahas
(1997) e Guedes e Guedes (1996).
Nahas (1997) e Guedes e Guedes (1996) defendem a ideia de uma
Educação Física Escolar dentro da perspectiva biológica, para explicar as
causas e fenômenos da saúde, entretanto não se afastam dos problemas
sociais. Discutem o sentido de qualidade de vida e bem-estar. Guedes e
Guedes (1996) alertam para as preocupações com a incidência de distúrbios
orgânicos associados à falta de atividade física.
Guedes e Guedes (1996) ressaltam que a prática da atividade física,
mediada pela Educação Física Escolar, na infância e adolescência, pode
estimular uma vida saudável na fase adulta. Para tanto o hábito da vida
saudável deve ser ensinado na escola. Sugerem a reformulação dos
programas de Educação Física Escolar, agora como um meio de Educação e
Promoção da Saúde.
Para Darido (2003), essa abordagem é considerada renovada, pois
incorpora os preceitos positivos do higienismo, descarta soluções negativas,
como o eugenismo e recorre a um enfoque mais sociocultural do que biológico.
Na lição de Nahas (1997), o objetivo da Educação Física Escolar é
ensinar conceitos básicos da relação atividade física-saúde, perspectiva que
inclui todos os alunos, principalmente os mais necessitados, como sedentários,
obesos, portadores de baixa aptidão física e especiais. Tais reflexões
expressam o pensamento de Betti (1991), ao alertar para a necessidade da
inclusão de todos os alunos nas aulas de Educação Física.
A compreensão de saúde e o entendimento dos benefícios que a
atividade física produz no organismo são informações que não se resumem
apenas à prática costumeira dos esportes. Estes conceitos devem ser
assimilados e, sendo incorporados, produzirão futuros adultos conscientes dos
hábitos saudáveis ao longo da vida (GUEDES; GUEDES, 1996; NAHAS, 1997).
Para os autores citados, a compreensão de saúde deve envolver
temas como estresse, sedentarismo, doenças hipocinéticas, problemas
cardíacos, entre outros. Os autores compreendem saúde como a capacidade
do indivíduo desfrutar a vida com bem-estar, e não é apenas ausência de
doença. Consideram que a saúde não é um estado estável e sim mutável,
52

constituído individualmente ao longo da vida, e, para isso, a Educação Física


Escolar é fundamental.
Já realizou-se uma crítica anteriormente sobre esta abordagem.
Percebe-se que o conceito de saúde aqui está focado no individual e não no
social. Palma (2001), sustentando a crítica, preconiza a necessidade de
considerar os fatores sociais e ambientais como propulsores da saúde.

2.2.11 Parâmetros Curriculares Nacionais9 – PCNs

O Ministério da Educação e do Desporto, inspirado no modelo


educacional espanhol, convidou um grupo de pesquisadores de áreas diversas
do conhecimento, entre elas a Educação Física, para a elaboração dos PCNs
(DARIDO, 2001).
Em 1998, a Secretaria de Ensino Fundamental e Médio do Ministério
da Educação e do Desporto distribuiu para as escolas públicas do País um
documento intitulado PCNs (BRASIL, 1998), incluindo uma edição específica
para a Educação Física. Os PCNs são uma referência nacional para o ensino
fundamental e médio no sentido de apontar caminhos programáticos e
pedagógicos para as várias disciplinas escolares.
Os documentos que fazem parte dos PCNs são: documento
introdutório, temas transversais - Saúde, Meio Ambiente, Ética, Pluralidade
Cultural, Orientação Sexual, e Trabalho e Consumo - e documentos específicos
com o conteúdo de cada disciplina escolar.
De acordo com Darido et al (2001), as propostas dos PCNs-Educação
Física apresentavam avanços, embora muitos dos conteúdos do documento já
tivessem sido discutidos em obras anteriores (BETTI,1991; COLETIVO DE
AUTORES, 1992; BETTI, 1994; 1995;). Para a autora, três aspectos levantados
nos PCNs-Educação Física são relevantes: princípio da inclusão; as dimensões
de conteúdo atitudinais, conceituais e procedimentais; e os temas transversais.
Na Educação Física Escolar, a preocupação com saúde, em
momentos, é voltada ao higienismo, ora a eugenia e em outros à aptidão física

9
Reconhecido como uma abordagem no livro Educação Física na Escola, de Darido e Rangel
(2005)
53

(RAMOS; FERREIRA, 2000). O tema saúde, na verdade, é muito pouco


explorado pelos professores de Educação Física e os PCNs propõem alterar
este quadro.
Os PCNs-Saúde buscam atrelar-se a um conceito de saúde que
supere o paradigma biológico e informativo. No documento, são considerados
os diversos enfoques que formam a composição do cenário da saúde, incluindo
aí os aspectos sociais, econômicos, culturais, afetivos e psicológicos (BRASIL,
1998). O texto introdutório dos PCNs-Saúde apresenta o desafio de educar
para a saúde, no que se refere a hábitos e atitudes de vida (BRASIL, 2000).
A transmissão de conhecimento de saúde no Brasil nas escolas se
efetivam por intermédio de meras informações sobre os aspectos biológicos do
corpo, a descrição de doenças e suas causas e de hábitos e de higiene. Estas
situações não são resolutivas para que os alunos desenvolvam atitudes de vida
saudável (BRASIL, 1998).
Peregrino (2000) também reforça a ideia do ensino de saúde errôneo
na educação do Brasil. De acordo com a autora, o ensino é linear e tradicional,
segue uma complexidade crescente, mas fragmentada, não há uma relação
dos assuntos de saúde com o contexto social e cultural dos alunos.
Os PCNs-Saúde, inspirados nos textos e nas obras de Canguilhem,
idealizam o preenchimento desta lacuna no ensino de saúde. Buscam um
modelo de compreensão de saúde mais abrangente, não excluem as questões
biológicas, mas defendem o fenômeno social como fator decisivo do
entendimento de saúde (BRASIL, 2000). Esta é a abordagem que mais se
aproxima dos ideais da Saúde Coletiva, por abordar e considerar fatores
externos, e não somente a prática de exercícios, como indicadores de saúde,
entretanto deixa de incluir características importantes no campo da própria
Saúde Coletiva, como a humanização, o cuidado consigo e com o outro, o
vínculo e o diálogo.
Após a apresentação de todas estas tendências e abordagens da
Educação Física Escolar, se faz necessário sintetizar o papel da saúde em
cada uma delas. O quadro 01 representa o entendimento do pesquisador sobre
o assunto.
54

Quadro 01: O papel da saúde nas tendências e abordagens da Educação Física


Escolar.
Tendência/abordagem Papel da saúde
Higienista Promover a assepsia social; preocupação com a limpeza
corporal, eugenia. Somente aulas práticas. Tema saúde
abordado indiretamente. Visão biologicista e individualista de
saúde.
Militarista Preparar alunos saudáveis com exercícios militares para
representar o Brasil em futuras guerras. Somente aulas
práticas. Tema saúde abordado indiretamente. Visão
biologicista e individualista de saúde.
“Pedagogicista” Início de discussões teóricas sobre o tema, mesmo que
simplórias, sobre primeiros socorros, higiene, prevenção de
doenças e alimentação saudável. Visão individualista de
saúde.
Esportivista Os alunos deveriam possuir saúde para tornarem-se atletas.
Desenvolvimento da fisiologia e do treinamento esportivo.
Somente aulas práticas. Tema saúde abordado
indiretamente. Visão biologicista e individualista de saúde.
Popular Discussões teóricas sobre diversos temas, como o
sedentarismo, as doenças sexualmente transmissíveis, o
combate às drogas e os primeiros socorros. O biologicismo
começa a declinar. Percepção de que somente a dedicação
aos exercícios não é suficiente para a prevenção de
doenças. Crise epistemológica na Educação Física, que
provoca nova leitura do seu papel como produtora de saúde.
Psicomotricidade Saúde tratada de forma indireta por meio de atividades que
desenvolvam os aspectos psicomotores, cognitivos e
afetivos. Somente aulas práticas. Visão não biologicista,
porém individualista de saúde.
Construtivista Saúde tratada de forma indireta com atividades lúdicas.
Envolvendo o jogo. Visão não biologicista, porém
individualista de saúde.
Desenvolvimentista Saúde tratada de forma indireta com atividades que
desenvolvam as habilidades motoras. Somente aulas
práticas. Visão biologicista e individualista de saúde.
Críticas Saúde tratada de forma direta em discussões e debates
sobre as injustiças sociais pautadas no marxismo. Visão não
biologicista e socialista de saúde.
Saúde Renovada Saúde tratada de forma direta com discussões e aulas
práticas. A relação atividade física – saúde é tida como
causa efeito. Visão não completamente biologicista, porém
defende de forma veemente as questões orgânicas como
indutoras da saúde. Visão individualista de saúde.
PCNs Saúde tratada de forma direta em discussões e aulas
práticas. Aproxima-se do campo da Saúde Coletiva.
Considera a cidadania como saúde. Visão não biologicista e,
ainda que não tão incisiva, coletiva de saúde.
Fonte: autoria própria

Após este quadro-síntese, compreende-se a necessidade de uma


nova proposta de ensino para a Educação Física Escolar, no sentido de
55

desenvolver os conteúdos e conceitos de saúde. Esta nova proposta deve ser


ancorada nos princípios da Saúde Coletiva.
Entende-se Saúde Coletiva neste estudo como uma área da saúde
que compreende fatores sociais, culturais, econômicos e históricos como pré-
requisitos de saúde. Estes fatores podem ser discutidos nas aulas de
Educação Física Escolar, seja na teoria ou na prática, associando as práticas
corporais e os exercícios físicos com tais temas.
A presença das ciências sociais e humanas (Antropologia, Sociologia,
Economia, Política, História, Filosofia, Ética) foi se consolidando, sendo
consideradas como fundamentais para a compreensão da Saúde Coletiva. Na
Educação Física Escolar, também, há a necessidade da inclusão destas
ciências para entender o aluno de forma integral. Não é possível compreender
um ser somente com base na Biologia e suas funções orgânicas.
Aspectos como moradia, alimentação, lazer, emprego, acesso a
serviços de saúde, saneamento e cultura são considerados indispensáveis
para a aquisição da saúde. Tais aspectos são, até certo ponto, como já
comentado, cobertos pelos PCNs.
As normas e procedimentos relacionados à humanização, entretanto,
como o diálogo, o cuidado e o vínculo também fazem parte da Saúde Coletiva.
Na Educação Física Escolar, considera-se que a humanização ainda não é
praticada.

2.3 Saúde Coletiva Aplicada à Educação Física Escolar: A Humanização


em Ação

O debate sobre humanização do cuidado em saúde não é um tema


novo, nem mesmo um modismo, pois, desde a década de 1970 o assunto é
abordado. É deste período que a abordagem da Sociologia Médica confere
destaques nas revistas e livros acadêmicos. O ponto de partida para as
discussões foi o simpósio denominado Humanizando o Cuidado em Saúde, em
São Francisco, Califórnia (DESLANDES, 2004).
Como já citado, os professores de Educação Física discutem suas
necessidades escolares no que se refere ao conceito mais amplo da saúde
somente na década de 1990, baseada nos debates marxistas promovidos
56

pelos campos críticos da própria Educação Física. Ao se falar em humanização


na Educação Física, deve-se lembrar que o professor da disciplina era da área
médica, no período higienista; ou militar, durante o militarismo; portanto, não
afeto a relacionamentos participativos, portanto, nada humanizadores.
Somente nos anos 1990, na maioria dos casos, a relação professor de
Educação Física – aluno passou a ser (re)pensada. A relação exigiu a
humanização, de tal forma, o diálogo, o respeito, a escuta e os sentimentos
surgem como pioneiros na humanização dentro da Educação Física.
Mas o que é Humanização? Pode-se conceituar humanização como o
entrelaçamento do uso de meios, métodos, tecnologias, saberes, teorias e
fazeres da área médica, com o uso de instrumentos relacionais como o diálogo,
a escuta e o afeto, buscando como objetivo final proporcionar a felicidade
humana (AYRES, 2005).
Na perspectiva de Ayres (2005), a humanização busca horizontes
normativos que tentam fugir do conceito restrito de saúde, tal qual difundido
durante a Declaração de Alma-Ata (2001), onde saúde é considerada, além da
ausência de doença, um completo bem-estar físico, mental e social. Saúde
completa, indica um fim a ser alcançado, porém a saúde não pode, nunca ser
completa, pois precisa ser constantemente reconstituída, e, para tanto,
necessita de um projeto de felicidade.
Ayres (2001), quando remete à idéia de projeto de felicidade, quer na
verdade sugerir que os planejamentos, desenvolvimentos e avaliações em
saúde fujam do tecnicismo, do automatismo, e considerem as experiências
vividas dos sujeitos entendidas como saúde. O autor ainda defende a tese da
felicidade como um projeto pessoal e a saúde como uma política pública a
cargo do Estado, de tal modo que, no campo da saúde, a ideia de felicidade
individual é indissociável da vida em sociedade.
A Educação Física Escolar, como campo disciplinar, busca
proporcionar o conhecimento sobre a cultura corporal de forma lúdica, quando
possível, ao seu aluno, mediante não apenas a prática da atividade física, mas
também com vistas a proporcionar contato com o corpo, pois o indivíduo é um
corpo vivido que experimenta situações de desenvolvimento motor, cognitivo e
afetivo. Pode-se realizar uma analogia com as propostas de Ayres (2001) e
57

permitir que a Educação Física Escolar pode contribuir com a proposta de


felicidade do aluno nas aulas da disciplina.
Deslandes (2004) destaca a ideia de que a humanização se opõe a
violência e negação do outro, e, por outro lado, busca oferecer atendimento de
qualidade, unindo tecnologia e bom relacionamento. O objetivo da
humanização é promover um novo paradigma para a cultura do atendimento.
Observa-se que a negação da violência nas sessões de Educação
Física Escolar já é considerada prática corriqueira; apesar de décadas de
“esportivização”, e assim absorção da doutrina do rendimento, da competição e
da ânsia do vencer, em tempos atuais, percebe-se que a Educação Física
busca a humanização por meio da boa relação entre os participantes do
processo, no caso o professor de Educação Física e o aluno.
Esta relação, direcionada pelo Código de Ética da profissão, exige
respeito, cordialidade, imparcialidade, benevolência. O debate envolvendo ética
e a disciplina em questão resultou na feitura do Código de Ética do profissional
de Educação Física, obra realizada pelo Conselho Federal desta categoria em
15 de agosto de 2003 (CONFEF, 2003).
O Código citado possui como ponto de partida as Declarações
Universais de Direitos Humanos e da Cultura, como também a Agenda 21, que
situa a proteção do meio ambiente em termos de relação entre homens e
mulheres em sociedade. Leva em consideração valores como liberdade,
igualdade e fraternidade, tornando-se evidente, portanto, o fato de que a
Educação Física Escolar se volta para uma ética dirigida à humanização.
Retornando às ideias de Deslandes (2004), a humanização engloba o
acolhimento e o vínculo. O conceito de vínculo abrange a ideia de ligação
afetiva entre o profissional de saúde com uma determinada população que, por
sua vez, é situada em um espaço territorial. Acolhimento, segundo Teixeira
(2003), é uma atitude contida no cuidado. Promover um escuta atenciosa,
identificar necessidades e propor intervenção, estes seriam os objetivos do
acolhimento. O autor ainda exprime que, para tanto, é necessário reconhecer o
paciente como sujeito e adotar uma cultura de comunicação. Entretanto
Deslandes (2004) nos lembra, dos desafios do acolhimento, sobretudo nas
dificuldades da linguagem, em que a compreensão linguística de uns é
completamente diversa da de outros.
58

Na Educação Física, o acolhimento e o vínculo também podem ser


observados. O vínculo se dá de forma prazerosa, devendo-se ressaltar que a
prática da Educação Física, quando bem orientada, sempre é voltada para a
realização de atividades físicas que façam florescer a consciência corporal, em
movimentos expressivos e ludicidade. A ludicidade favorece a quebra de
espaços entre os sujeitos, pois pelo toque, sorriso e movimento corporal,
situações que geram vínculos afetivos são fáceis de adquirir. Ao se realizar a
prática corporal, a Educação Física também se propõe a acolher, já que
escuta, respeita o que ouve e, então, intervém, tentando alcançar o objetivo
proposto para a prática.
Deslandes (2004) informa que, em 1975, Geiger criou um modelo para
explicar como ocorre a desumanização na área da saúde. Para ele, os motivos
são: as desigualdades sociais, que ocasionam preferências no atendimento
médico; a especialização médica, que leva o profissional a não conseguir sentir
o homem como um ser integral; e a formação médica, que dificulta a
comunicação entre médico e paciente
É preciso em todas as profissões atentar-se para tais situações. A
Educação Física Escolar não está exclusa de promover tais atitudes, pois
atender melhor quem possui mais condição financeira, tirar proveito da posição
social do aluno, possuir preferência entre os indivíduos a serem cuidados e não
considerar o ser como um todo, como já citado, promove a desumanização e,
como conseqüência, a desmoralização da profissão e do profissional.
Howard (1975) também cria seu modelo explicativo para
desumanização do cuidado em saúde e apresenta 11 práticas que levam
desumanização, porém, de forma inovadora, demonstra oito formas
humanizadoras de cuidado em saúde.
Para o autor citado, são práticas desumanizadoras: tratar pessoas
como coisas; cuidar por meio de máquinas e procedimentos; tratar por
experimentação; ver os doentes como problemas; considerar os indivíduos
adoentados como pessoas de menor valor; tratar os pacientes como pessoas
sem vínculo; cuidar de forma padronizada; observar as pessoas como cidadão
sem escolha; interagir de forma fria com o paciente; inserir o doente em local
sem acolhimento; e, finalmente, não debater a responsabilidade na
preservação da vida do outro.
59

O mesmo autor cita as práticas humanizadoras: valorizar a vida


humana; cada ser humano é insubstituível; as pessoas devem ser
consideradas em sua totalidade; o doente deve possuir liberdade de ação; a
igualdade deve ser permeada no tratamento das diferentes pessoas; as
tomadas de decisões devem ser comunicadas aos pacientes; deve haver
empatia entre o cuidador e o indivíduo a ser cuidado; e, por fim, a relação entre
médico e paciente deve ser pautada pela afetuosidade.
Como já foram citadas situações desumanizadoras na Educação
Física, o estudo se deterá às causas humanizadoras de Howard (1975),
relacionando-as com a Educação Física. Durante todo o curso de graduação
em Educação Física, na maioria das instituições de ensino superior do Brasil,
os alunos são lembrados de que sua futura profissão é de grande
responsabilidade, pois ao atuar, estarão cuidando de seres humanos, portanto,
devem valorizar a vida acima de tudo.
O aluno, na atual concepção de Educação Física, possui liberdade de
ação, podendo intervir na própria aula, sugerindo, criticando e contribuindo. A
igualdade de tratamento e a clareza na tomada de decisões são atitudes
impostas pelo já citado Código de Ética do professor de Educação Física. A
empatia e a afetuosidade, infelizmente, não podem ser compradas ou
aprendidas em bancos de universidade, porém já é percebida, em grande
parte, pelos profissionais de Educação Física, o fato de que ambas são
essenciais em seu trabalho e que, sem eles, podem estar fora do mercado.
Um dos princípios da humanização deve ser aplicado na Educação
Física Escolar com enorme necessidade: o cuidado.

2.3.1 O Cuidado em Saúde e as Possíveis Interfaces com a Educação Física


Escolar

Após pretensão de esboço conceitual de humanização e sua relação


com a Educação Física, as discussões serão centradas no cuidado em saúde e
sobre as possibilidades do tema na área da Educação Física Escolar.
De forma inicial, ao comentar a palavra cuidado, deve-se ter a
precaução de não ser conquistado pelo senso comum, que entende o cuidado
como um conjunto de procedimentos direcionados para um tratamento com
60

sucesso. Segundo Ayres (2001), a expressão cuidado, em saúde, deve ser


considerada um constructo filosófico, um conjunto de saberes que busca êxitos
nas práticas de saúde, ultrapassando os modelos apenas mecanicistas,
considerando o sujeito como um ser integral e em busca de sua felicidade. O
mesmo autor solicita que os trabalhadores em saúde transformem seus
métodos, pede que se afastem da intervenção apenas técnica e se aproximem
da noção de cuidado.
Existem várias formas de se entender o cuidado na Educação Física
Escolar. Pode-se compreender que se deve ter cuidado para que o aluno não
se machuque fisicamente, porém este é um pensamento empírico, observável.
O cuidado na Educação Física deve ultrapassar o sentido de apenas cuidar
fisicamente. A Educação Física deve promover o cuidado afetivo, em situações
corporais em que sentimentos e emoções são demonstrados; o cuidado
cognitivo, proporcionando o saber-pensar aos que estão sendo cuidados,
mediante debates e discussões, afirmando que o ser é um corpo; e o cuidado
motor, apresentando ao indivíduo em intervenção o seu corpo e seus limites e
sua potencialidades.
Pinheiro (2008) utiliza uma série de três blocos conceituais ao se
referir ao cuidado. No primeiro bloco, relacionado a formulação de políticas
públicas de saúde, observa-se o cuidado como integrante do âmbito do sistema
de saúde, procedimento e conduta assistencial. O segundo bloco, ligado às
tecnociências, considera cuidado como tecnologia, que utiliza os
conhecimentos de anatomoclínica, fisiopatologia e genética médica como um
conjunto de saberes técnico-práticos. O último bloco, entrelaçado à
operacionalização da política pública de saúde, refere-se ao cuidado como
elemento das rotinas assistenciais, firmado pela atitude técnica e profissional.
Na compreensão de Pinheiro (2008), entretanto, o cuidado deve ultrapassar o
que está contido nestes blocos conceituais, deve ser uma ação integral, com
significados e sentidos com o objetivo de compreender a saúde como direito do
ser humano.
Boff (1999) também defende a opção pelo cuidado. Cuidar, como ele
acentua, é mais do que um ato, uma atitude de preocupação, responsabilidade
e envolvimento afetivo com o outro. O autor referido reforça a 60déia de que,
mais do que ter cuidado, o homem é o próprio cuidado, pois, sem ele o homem
61

deixa de ser humano. Cuidado, assim, pode ser representado pelo carinho,
solidariedade, perdão, atenção e cooperação com os outros. Observa-se que a
disciplina Educação Física Escolar evoluiu em suas propostas, saindo do
cuidar apenas corporal e físico, passando a preocupar-se também com os
aspectos psíquicos, mentais e afetivos. A simples preocupação do professor de
Educação Física em saber como o outro está, o que sente e o que pensa,
produz sentimento positivo ao próximo, personalizando assim o ato do cuidado.
Existem vários fatores que podem desencadear falhas no processo
humanizatório do cuidado, entre os quais fatores se encontram as tecnologias.
As tecnologias na saúde são fatores operacionais importantes para a cura,
diagnósticos e prevenção de doenças, entretanto também podem ser perigosas
para a humanização do cuidado em saúde. De acordo com Foucault (1984), é
no corpo do homem que as tecnologias são aplicadas, potencializando-os
como força de produção. Ayres (2005) aponta que as tecnologias na saúde
promovem fatores positivos, como a aumento da eficácia e eficiência nas
intervenções médicas, no entanto, também podem decretar pontos negativos
como o encarecimento dos tratamentos, a não atenção aos aspectos
psicossociais dos pacientes e a excessiva segmentação dos doentes em
órgãos e funções.
As tecnologias na Educação Física configuram elemento que requer
atenção para profissionais da área. Máquinas e aparelhos de musculação,
bolas, colchonetes, pesos e outros apetrechos utilizados para a prática de
atividades físicas não podem ser considerados o centro das sessões. Os
sujeitos, profissional e indivíduo a ser cuidado, são os agentes principais. Neste
ato, as tecnologias não podem ser um fim em si mesmo, devem ser um meio
de intervenção, porém não podem criar barreiras de relacionamento. Para a
interação humana, não há necessidade de máquinas, é solicitado apenas que
existam duas pessoas dispostas ao relacionamento
Convém lembrar que a utilização de tecnologias na saúde não pode
nem deve, transformar o profissional de saúde em um mero expectador e
aplicador tecnológico. O aparelho que traz a tecnologia não há de ser o centro
do processo, muito pelo contrário, deve ser o um elo entre o paciente e o
profissional. A humanização dos cuidadores em saúde não pode ser dominada
pela manipulação de objetos (AYRES, 2005). Afinal, como se deve cuidar?
62

Para Merhy (2004), cuidar implica na relação de trabalho vivo em ato


entre o sujeito desejante e o profissional da área da saúde, isto é, um encontro
entre dois seres, com sentimentos, expectativas e desejos, de forma
intersubjetiva, na qual se busca produzir vínculo e aceitação. Na Educação
Física, o ato vivo, a realização da prática corporal, por si, retrata o pensamento
do autor.
Imagine-se um atendimento de Educação Física entre um professor e
um aluno com necessidades especiais. Ambos se encontram para a prática, e
o sentimento do professor é ajudar,, mediado pelo seu trabalho que o aluno
recupere sua autonomia para as atividades da vida diária-AVDs. O aluno
deseja nas atividades físicas, sentir-se melhor e mais disposto. Os dois iniciam
o processo em busca de objetivos. Ao se encontrar várias vezes, irão criar
laços afetivos. A empatia será necessária para o sucesso da intervenção. A
responsabilidade de cuidar do outro pelo professor de Educação Física será
exigida. O fato de estabelecer diálogo produzirá interação. A Educação Física
Escolar, neste caso irá oferecer, ao professor e ao aluno, um vínculo afetivo.
O cuidador não pode se preocupar unicamente com o objeto de
intervenção técnica. Tal atitude não permite a percepção das trocas
promovidas pela interação com o paciente ou aluno (AYRES, 2004). De acordo
com as idéias do autor citado, porém, o diálogo é a condição mais básica do
ato de cuidar. O fato de escutar o outro, romper o monólogo, ouvir com
respeito, trocar palavras e sentir a linguagem do próximo, é atitude positiva na
atenção ao indivíduo. É necessário, entretanto, avaliar qualitativamente que
tipo de escuta é oferecido.
Percebe-se que dialogar é necessário ao cuidador, mas prontificar-se
a escutar traz consigo algo de grande importância na humanização do cuidado
em saúde, a responsabilidade. Aqui é lembrado Saint Exuperie, que, no livro
Pequeno Príncipe, cita: “Você se torna responsável por tudo aquilo que cativa”.
Ora, o que é o diálogo com o outro, em situação de carência acima de tudo
afetiva, se não cativar o próximo? Isso não representa a responsabilidade?
Acredita-se que a posição de quem cuida, ao dialogar, é oferecer palavras não
só de conforto, mas também de alegria, motivação e felicidade. Por meio desta
linguagem e usando a empatia, o paciente ou o aluno é cativado e, assim, o
cuidador se torna responsável.
63

Na situação citada há pouco entre o professor de Educação Física e o


aluno, o docente cativa, em conversas, palavras de estímulo, toque acolhedor e
forma prazerosa como executa seu trabalho, de tal forma que se torna
responsável por ele.
Ayres (2005) também lembra que é necessário aos trabalhadores em
saúde realizar uma autoavaliação e se questionar por que, como e o quanto
estão responsáveis por aqueles de cuja saúde cuidam. Ao ser responsável pelo
outro, se oferece o bem e, em troca, são recebidas gratidão e respeito. Neste
sentido, o cuidado pode ser compreendido como dádiva.
Na perspectiva de Mauss (1974), dádiva ou dom ritual era o modo
como as sociedades antigas realizavam suas trocas. Trabalhavam a seguinte
forma de mercado: dar, receber, contribuir. O sentido deste processo era
compreender que, ao receber algo, necessito oferecer algo. Pode ser
compreendido como qualquer ação de prestação de serviço realizada sem a
cobrança do retorno.
Desta forma, ressalta-se que o cuidado só pode ser formalizado se
ocorrer mediante uma ação em conjunto. É fato também que as profissões de
saúde trazem em seus genes históricos a ação da doação, marcada pela
benevolência e a caridade. O cuidado pode ser envolvido pela atmosfera do
círculo: doação, recebimento e retribuição. O cuidado pode ser até considerado
um valor.
Outra vez reportando-se ao caso do professor de Educação Física e
do aluno com necessidades especiais: ao desenvolver seu trabalho com afeto,
carinho, responsabilidade e amor, o professor de Educação Física tenta
alcançar seus objetivos, e o aluno, ao perceber que é bem acolhido, retribui na
mesma proporção, reconhecendo, agradecendo e procurando oferecer também
algo em troca.
De acordo com Pinheiro (2008), é possível considerar o cuidado como
um valor, desde o momento em que se considera o ato de cuidar parte do
ethos humano. O valor está ligado à constituição do sentido, e o sentido é algo
estritamente humano. Este mesmo sentido é o que faz o indivíduo definir suas
escolhas e finalidades de ação. Ao realizar estas definições, organiza-se a
vida, seja pessoal ou coletiva, sistematiza-se o mundo ou o ethos. Assim, ao
escolher cuidar, se oferece sentido à vida. Portanto, o cuidado é uma escolha
64

do sentido e, como o valor está presente nos sentidos, concluí-se que o


cuidado é um valor.
Boff (1999) observa que o capitalismo reinante promove a falta de
respeito em relação às condições básicas do ser humano, pois a exploração
visando ao lucro é a grande ferramenta do sistema atual. Assim, é preciso que
o cuidado com o próximo seja ativado para o resgate do respeito e do
sentimento por todos. Para isso é necessária a ênfase no sentimento, já que a
razão está ameaçada pelo capital.
65

3 METODOLOGIA

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um


castelo...
Fernando Pessoa

3.1 Natureza Geral do Estudo

Este é um estudo ou pesquisa de campo, analítico-crítico, quali-


quantitativo, contextualizando a Educação Física, no período pós-SUS e pós-
LDB.
Para Gil (2002), o estudo de campo é aquele que possui a finalidade de
promover reflexões sobre questões emergentes do pesquisador em relação a
um só grupo ou comunidade, por meio de instrumentos que possam facilitar a
compreensão das situações vivenciadas por determinado grupo.
De acordo com Leopardi (2002), a pesquisa de campo busca verificar
como sucedem as práticas comportamentais, crenças e atitudes de indivíduos
ou de grupos de indivíduos na vida cotidiana, por meio do material narrado,
como conversas com indivíduos ou documentos disponíveis. A autora ensina
que, neste tipo de busca, o pesquisador deve se aproximar dos participantes
do estudo para então tentar compreender o problema central da atividade
investigativa.
Recorrendo ao pensamento cartesiano, sob o qual fenômenos são
explicados por partes a fim de produzir compreensão sobre o todo, o estudo
analítico será empregado nesta pesquisa, como segundo momento do
processo de compreensão, após a ocasião descritiva. Pequeno (2003) garante
que a capacidade de analisar é intrínseca ao ato de filosofar, e que o momento
inicial do pensamento reflexivo consiste na análise de fatos, fenômenos e
processos. A necessidade de observar as diferentes perspectivas constitui o
exercício essencial do filosofar, e que “[...] ao utilizarmos o rigor analítico
podemos tornar explícito o que se afigura difuso, nebuloso, intransparente [...]
de posse dessa explicação analítica, podemos, mediante o refinamento da
66

análise, aceder com mais segurança ao universo dos fatos” (PEQUENO, 2003,
p.22).
A escolha pelo estudo de natureza analítica decorreu da busca de uma
compreensão do problema proposto, para sínteses e críticas posteriores. Os
achados possibilitaram desenvolver propostas de solução para a pesquisa,
contribuindo desta forma com os agentes e com o tema envolvido. Portanto,
este estudo também é crítico, já que utilizará o discernimento criterioso, em
contextos históricos bem demarcados, aceitando ou discordando de ideias
formuladas pelo conhecimento humano, recorrendo-se, então, à lógica
dialética. A abordagem da dialética compreende os fatos e as quantidades
como faces dos fenômenos, não expressão fiel ou totalidade (MINAYO et
al.,1994). A compreensão e a relação com o todo, buscando a interiorização e
exteriorização como constituintes do fenômeno social, que deve ser entendido
nas suas determinações e transformações dadas pelos sujeitos, são objetivos
do estudo crítico.
O estudo, em parte, é quantitativo, pois determinados resultados, na
fase descritiva, foram verificados por meio de técnicas estatísticas, entretanto,
é predominantemente qualitativo, já que foram utilizadas lógicas e ferramentas
interpretativas, valorativas, levando em conta a compreensão dinâmica dos
fenômenos sociais e o significado que lhe atribuem os agentes. Deste modo,
pratica-se a abordagem metodológica qualitativa e quantitativa. De acordo com
Matos e Vieira (2001, p.37), a quantificação deve ser qualificada, pois “os
números têm significado, expressam situações, valores, emoções, e precisam
ser traduzidos dentro de contextos diferenciados”. Os dados numéricos
expressam valores e fornecem indicações sobre as situações estudadas,
superando assim a aparência e a positividade.
Matos e Vieira (2001) lecionam que a melhor forma de se proceder nos
estudos sociais é combinar métodos qualitativos e quantitativos, pois desta
forma o pesquisador terá maior flexibilidade no pensar e no agir. Na mesma
linha de raciocínio, Minayo e Sanches (1993) sugerem que os métodos
qualitativos e quantitativos se completam.
67

3.2 Cenário

O cenário da pesquisa foi a rede municipal de ensino básico da cidade


de Fortaleza, capital do Ceará, sob responsabilidade da Secretaria Municipal
de Educação-SME, que administra o Sistema Municipal de Educação,
coordenando a Política Municipal de Educação, mediante a formulação de
princípios, diretrizes e métodos, visando a garantir padrões de qualidade do
modelo educacional e o consequente aumento dos índices municipais de
escolaridade.
Em 1° de janeiro de 1997, foi aprovada a Lei n° 8.000, por meio da qual
a cidade de Fortaleza ganhou uma estrutura organizacional baseada em seis
secretarias executivas regionais-SER, definindo territórios vivos, por agregação
de bairros com identidade cultural, identidade histórica e rede de acesso de
transporte coletivo (SME, 2008).
A SER I é composta por bairros da zona oeste da Cidade, sendo o bairro
da Barra do Ceará, com 56.616 habitantes, o mais populoso, e o bairro Moura
Brasil, aquele que apresenta a menor população, com 3.151 pessoas. Abrange
os seguintes bairros: Vila Velha, Jardim Guanabara, Jardim Iracema, Barra do
Ceará, Floresta, Álvaro Weyne, Cristo Redentor, Ellery, São Gerardo, Monte
Castelo, Carlito Pamplona, Pirambu, Farias Brito, Jacarecanga e Moura Brasil.
(SME, 2008).
Possui uma densidade demográfica de 133 habitantes por hectare.
Apresenta nível de alfabetização de 69,6%, com renda per capita mensal, de
chefe de família, de 2,4 salários mínimos, com 76% deles percebendo renda de
0 a 3 salários mínimos. Abriga 10% das escolas públicas do Município. Possui
doze unidades de saúde, da rede pública, sendo um hospital de nível
secundário de atenção. Esta “regional” possui 38 favelas, 18 delas localizadas
na Barra do Ceará (SME, 2008).
A SER II possui dois importantes bairros, o Centro e a Aldeota, com
grande adensamento comercial e de serviços, responsáveis por uma
importante fatia da arrecadação estadual e municipal; ao mesmo tempo
concentra 15 áreas de risco, onde moram 2.808 famílias. É a “regional” com
maior renda per capita mensal, de chefe de família, de 8,5 salários mínimos-
SM, com 46% deles ganhando de 0 a 3 salários mínimos (SME, 2008).
68

Localiza-se na zona leste da Cidade e o nível de alfabetização é de


76,6%. Apresenta o bairro da Aldeota como o mais populoso, 36.880
habitantes. É uma região turística com grande contingente policial e viaturas,
principalmente na orla marítima. Apresenta 13 unidades de saúde da rede
pública, uma delas sendo um grande hospital de emergência–urgência (SME,
2008).
.Esta “regional” possui 42 favelas, inseridas entre os bairros, sendo os
bairros de Vicente Pinzon e Papicu os que mais aglomeram favelas. Os demais
bairros dessa “regional” são: Aldeota, Centro, São João do Tauape, Cais do
Porto, Joaquim Távora, Luciano Cavalcante, Dionísio Torres, Cocó, Praia do
Futuro I, Praia do Futuro II, Mucuripe, Cidade 2000, Varjota, Praia de Iracema,
Salinas, Guararapes, Manuel Dias Branco, Meireles e Bairro de Lourdes (SME,
2008).
A SER III apresenta-se como porta de entrada de migrantes da região
norte do Estado, principalmente retirantes da seca. Possui o bairro Quintino
Cunha como o mais populoso, com 39.472 habitantes, e o Parque Araxá como
o menos populoso, com 7.288 habitantes. Os alfabetizados são 69,6%. Possui
16 unidades de saúde sendo um hospital de nível secundário de atenção
(SME, 2008).
A SER III possui 58 favelas, sendo o bairro Quintino Cunha o que
apresenta o maior número, com 16 favelas. Os bairros que compõem esta
regional são: Amadeu Furtado, Antônio Bezerra, Autran Nunes, Bom Sucesso,
Bela Vista, Dom Lustosa, Henrique Jorge, João XXIII, Jóquei Clube, Padre
Andrade, Parque Araxá, Pici, Parquelândia, Presidente Kennedy, Rodolfo
Teófilo e Quintino Cunha (SME, 2008).
A SER IV foi criada em 25 de abril de 1997. Seu perfil socioeconômico é
caracterizado por serviços, com uma das maiores feiras livres da cidade, a da
Parangaba, e vários corredores comerciais, entre eles o Montese. O nível de
alfabetização é de 76%. O bairro de Parangaba é o mais populoso. Possui 12
unidades de saúde sendo dois hospitais. Essa “regional” possui 46 favelas em
seu território (SME, 2008).
Concentra oito áreas de risco e possui a segunda maior emergência do
Estado do Ceará, o “Frotinha” da Parangaba. Os bairros pertencentes a esta
área são José Bonifácio, Benfica, Fátima, Jardim América, Damas, Parreão,
69

Bom Futuro, Vila União, Montese, Couto Fernandes, Pan Americano,


Demócrito Rocha, Itaoca, Parangaba, Serrinha, Aeroporto, Itaperi, Dendê e Vila
Pery (SME, 2008).
A SER V tem como meta garantir a melhoria da qualidade de vida dos
habitantes dos 16 bairros que abrange, desenvolvendo ações nas áreas de
saúde, educação, esporte e lazer, entre outras. Possui 8 unidades de saúde
sendo 2 hospitais. A “regional” V possui 40 favelas. Os bairros da SER V são:
Conjunto Ceará, Siqueira, Mondubim, Conjunto José Walter, Granja Lisboa,
Granja Portugal, Bom Jardim, Genibaú, Canindezinho, Vila Manoel Sátiro,
Parque São José, Parque Santa Rosa, Maraponga, Jardim Cearense, Conjunto
Esperança e Presidente Vargas (SME, 2008).
A SER VI atende diretamente aos moradores de 42% do território de
Fortaleza: Sabiaguaba, Edson Queiroz, Sapiranga, Alagadiço Novo, Curió,
Guajeru, Coaçu, Paupina, Parque Manibura, Cambeba, Messejana, Ancuri,
Pedras, Jardim das Oliveiras, Cidade dos Funcionários, Parque Iracema, Auto
da Balança, Aerolândia, Dias Macedo, Castelão, Mata-Galinha, Cajazeiras,
Barroso, Jangurussu, Passaré, Parque Dois Irmãos e Lagoa Redonda.
Messejana é o bairro mais populoso com 40.356 habitantes e o bairro de
Sabiaguaba, o menos, com 706 pessoas (SME, 2008).
Possui 20 unidades de saúde, sendo 2 hospitais. Essa “regional” possui
72 favelas distribuídas por todos os bairros (SME, 2008).
No Quadro 2, apresenta-se um demonstrativo das características socio-
demográficas, gerais, das SER de Fortaleza.

Quadro 2: Características Sócial e Econômicas das SER, Fortaleza, Ceará.


Regionais Nº de Renda per capita Área Nº de No de Alfabetização
Bairros Mensal, por Chefe Habits. Unidades
de Família de
Saúde
I 15 2,40 S.M. 2.538,2 ha 338.486 12 69,60%
II 20 8,50 S.M. 4.933,9 ha 323.165 13 76,60%
III 16 2,60 S.M. 2.777,0 ha 341.592 16 69,60%
IV 19 4,16 S.M. 3.427,2 ha 289.522 12 76,00%
V 17 1,73 S.M. 6.346,7 ha 359.480 18 63,63%
VI 27 2,59 S.M. 13.492,8 ha 315.120 20 62,39%
S.M. = Salário Mínimo
Fonte: SME (2008)
70

A distribuição das escolas de educação básica municipais de Fortaleza,


com o número de alunos matriculados no ensino fundamental II, excluindo-se
anexos, escolas especiais e creches, ocorre conforme o Quadro 3.

Quadro 3: Distribuição de Escolas Municipais de Ensino Fundamental II,


por SER, Fortaleza, Ceará
Regional No de Escolas No de alunos matriculados
do 6º ao 9º ano do ensino
fundamental II
SER I 38 20.464
SER II 20 10.995
SER III 33 16.618
SER IV 37 8.752
SER V 72 36.092
SER VI 65 35.974
Total 265 128.895
Fonte: SME (2008)

Visando estabelecer o caso municipal de Fortaleza, foi escolhida,


intencionalmente, uma escola por SER. O critério fundamental para a escolha
de cada escola foi o de maior número de alunos matriculados em 2009 no
ensino fundamental II. Considera-se que cada SER apresenta um perfil socio-
econômico e cultural específico, mais homogêneo internamente do que na
comparação externa com as demais SER. Considera-se, igualmente, que a
escola com maior número de alunos de uma SER representa as demais da
mesma SER, atuando como caso paradigmático regional.
Assim, as escolas escolhidas como cenário desta pesquisa foram as
Escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental-EEIEF “José Rebouças
Macambira”, da SER I, “José Torres de Melo”, da SER II, “15 de Outubro”, da
SER III, “Mozart Pinto”, da SER IV, “Henriqueta Galeno”, da SER V e “Odilon
Braveza”, da SER VI, com a distribuição geral, no período e por ano dos alunos
matriculados, como disposto no Quadro 4.
71

Quadro 4: Escolas de Educação Infantil e Ensino Fundamental


Participantes da Pesquisa, por SER, Fortaleza, Ceará, e a Distribuição de
Alunos Matriculados
ESCOLAS Alunos Alunos
matriculados em matriculados em
2009, em todas as 2009, do 6º ao 9º
turmas ano
José Rebouças Macambira 1.396 0530
(SER I)
José Torres de Melo (SER II) 1.199 0610
15 de Outubro (SER III) 1.541 0761
Mozart Pinto (SER IV) 0.912 0424
Henriqueta Galeno (SER V) 1.390 0496
Odilon Braveza (SER VI) 0.850 0584
Total 7.888 3405
Fonte: Secretaria das Escolas (abril de 2009)

3.3 Participantes

O universo da pesquisa foi constituído pelo número de alunos


matriculados no ensino fundamental, do 6º ao 9º ano, nas escolas da rede
municipal de ensino, totalizando 128.895 alunos.
O estudo foi composto por uma população de 3.405 crianças e
adolescentes, com idades de 11 a 14 anos, matriculadas em 2010 nas escolas
participantes da pesquisa, do 6° ao 9° ano do ensino fundamental da rede
municipal, dos sexos feminino e masculino. A amostra do estudo foi de 914
alunos, com base no estabelecimento de 3% como erro estatístico10,
independentemente do sexo, tomados de forma probabilística, estratificada
aleatoriamente de acordo com o total de alunos matriculados na escola que
apresentou o maior número de estudantes em cada “regional”.
Participaram da pesquisa indivíduos classificados como crianças e
adolescentes, já que os alunos do fundamental II se distribuem na faixa etária
entre 11 e 14 anos. De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente,
(ECA, 1990, p.2), em seu artigo 2º, "considera-se criança, para os efeitos desta
lei, a pessoa até 12 anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre 12
e 18 anos de idade".

10
Aproximadamente 27% do número inicial, conforme assessoria técnica em Estatística do Professor
Doutor Maia Pinto, docente do Curso de Mestrado Acadêmico em Saúde Pública da Universidade
Estadual do Ceará (UECE).
72

Os participantes, de cada escola, foram tomados de forma aleatória. Foi


solicitada, na secretaria da instituição educacional escolhida, uma lista em
ordem alfabética de todos os alunos matriculadas, com idade entre 11 a 14
anos, do 6º ao 9º ano. Então foi realizado um sorteio. Após o sorteio da 1ª
criança ou adolescente, a escolha dos seguintes se deu a partir do intervalo
amostral a cada 10 alunos11.
Considerando cada uma das seis escolas escolhidas como
paradigmáticas de cada SER, os sujeitos desta pesquisa foram distribuídos em
conformidade com o exposto no quadro 5.

Quadro 5: Número de Alunos participantes da pesquisa, por escola.


Escolas Participantes de cada escola:
Erro de 3%
V = 3% (0,000234)
José Rebouças Macambira 142
(SER I)
José Torres de Melo (SER II) 164
15 de Outubro (SER III) 204
Mozart Pinto (SER IV) 114
Henriqueta Galeno (SER V) 133
Odilon Braveza (SER VI) 157
Total 914
Fonte: dados da pesquisa

O critério de inclusão dos alunos considerou aqueles que estavam


regularmente matriculados na escola escolhida, frequentando regularmente as
turmas do ensino fundamental II, que participavam das aulas de Educação
Física e cujos respectivos responsáveis assinaram o Termo de Consentimento
Livre e Esclarecido-TCLE (APÊNDICE A). Como critério de exclusão, foi
utilizado a não permissão dos pais ou o próprio desejo do jovem em não
participar do estudo.
Optou-se pela escolha de alunos desta faixa etária, já que as crianças e
adolescentes estão categorizadas, de acordo com Piaget (1998), em sua teoria
do desenvolvimento cognitivo, no estádio das operações formais. Neste estádio

11
Novamente conforme assessoria técnica em Estatística do Professor Doutor Maia Pinto, docente do
Curso de Mestrado Acadêmico em Saúde Pública da Universidade Estadual do Ceará (UECE)
73

os indivíduos possuem entre 11-12 anos em diante e começam a desenvolver


as operações de raciocínio abstrato. Para Piaget, nesta fase, o sujeito torna-se
capaz de raciocinar corretamente sobre proposições em que não acredita, ou
que ainda não acredita, consideradas hipóteses puras.
Também é justificado o fato de ser nesta faixa de idade, dos 11 aos 14
anos, que as crianças e adolescentes estão cursando fase da oferta do ensino
básico na qual a Educação Física é prática obrigatória, segundo a LDB
(BRASIL, 2000a). A disciplina em questão, voltada para alunos da idade citada,
é de fundamental importância para o prosseguimento de uma vida ativa, pois,
por meio de atividades práticas e teóricas diversificadas, como jogos,
brincadeiras, esportes, lutas, ginásticas e danças, mais facilmente se promove
o conhecimento do corpo e o tema Educação para a Saúde pode perfeitamente
ser incluído, direta ou indiretamente.
Participaram também da pesquisa todos os professores que lecionavam
a disciplina Educação Física nas escolas participantes do estudo, totalizando,
na proposta inicial, 18 docentes, posteriormente alterada para número-n igual a
nove, já que foi incluída na proposta a possibilidade de parar as entrevistas
quando as respostas passassem a apresentar saturação. Uma grande lógica
da pesquisa qualitativa pode ser traduzida pela formulação de critérios, para
fase posterior, ao final das principais análises referentes à fase anterior.
Desta forma, a entrevista foi aplicada somente a nove professores que
ministravam aulas de Educação Física Escolar, conforme previsto nos critérios
de inclusão.
Assim, participaram efetivamente professores oriundos de cada escola
representativa da sua SER:

Quadro 6: Número de Professores participantes da pesquisa, por escola.


Escolas Professores participantes
de cada escola
José Rebouças Macambira (SER I) 2
José Torres de Melo (SER II) 2
15 de Outubro (SER III) 1
Mozart Pinto (SER IV) 1
Henriqueta Galeno (SER V) 2
Odilon Braveza (SER VI) 1
Total 9
Fonte: dados da pesquisa
74

O critério final de inclusão dos professores englobou aqueles que


estavam, no momento da pesquisa, lecionando a disciplina Educação Física na
escola escolhida para as turmas do ensino fundamental II, e que assinaram o
TCLE (APÊNDICE B)
Como critério de exclusão, foi utilizado o critério de o professor não
possuir graduação completa em Educação Física, de tal forma que foram
excluídos da pesquisa estagiários e outros docentes que porventura estavam
assumindo a disciplina em questão, porém não graduados na área.

3.4 Instrumentos de Coleta de Dados e Informações


Para melhor apresentação dos procedimentos de pesquisa, a coleta de
dados será exposta em três fases.
 Fase 1 Questionário aplicado aos alunos
Para conhecer como aos alunos percebem saúde e como o tema é
aplicado nas aulas de Educação Física, aplicou-se um questionário
(APÊNDICE C) aos participantes da pesquisa, contendo três questões abertas
e oito fechadas.
Foi aplicado um teste-piloto com o questionário. Para tanto, foram
convidados dez alunos de cada escola, que não estavam inseridos na amostra
final, totalizando 60 alunos para a testagem. Após a aplicação, verificou-se que
o instrumento não apresentava dúvidas aos alunos, era claro em seus
questionamentos e de fácil entendimento.
Após o teste-piloto, os questionários foram aplicados em sala de aula
com a amostra final, depois de uma breve explanação do responsável pela
pesquisa.
A escolha deste instrumento para a coleta justifica-se pelo fato de ser
econômico, de simples padronização e registro de resultados, além de garantir
o anonimato dos sujeitos da pesquisa.
A aplicação do questionário seguiu o mesmo padrão metodológico em
todas as escolas. Os alunos eram tomados aleatoriamente e então respondiam
ao questionário em sala de aula, sem a presença do professor de Educação
Física. Observou-se que, após a explicação do pesquisador sobre os
procedimentos, a maioria dos alunos respondeu o questionário sem apresentar
75

dúvidas em relação ao instrumento. Em média, os alunos levaram


aproximadamente 15 minutos para completar o questionário.
Consoante Oliveira (2005), o questionário permite que o pesquisador
conheça algum objeto de estudo. Lakatos e Marconi (2001) expressam que se
trata de um instrumento para recolher informação. É uma técnica de
investigação composta por questões apresentadas por escrito a pessoas.
 Fase 2 Entrevistas com os professores
Nesta fase, pretendeu-se verificar os conhecimentos dos professores
envolvidos no estudo sobre aspectos conceituais de saúde acerca de como
aplicavam o tema em suas aulas. Para tanto, foi utilizada a entrevista
estruturada. O conjunto de sete perguntas abertas, da entrevista, encontra-se
no Apêndice D.
O objetivo da entrevista é colher informações relevantes de
determinadas fontes ou pessoas, em contato direto do pesquisador com os
sujeitos da amostra. A entrevista estruturada contém uma sequência de
perguntas fixas (MATTOS, 2004).
Entrevista, para Lakatos e Marconi (2001), é um procedimento usado na
investigação social para coletar dados ou ajudar no diagnóstico ou mesmo
tentar solucionar problemas sociais. Acontece em um colóquio entre duas
pessoas em que uma delas vai passar informações para a outra.
Em todas as escolas, o pesquisador foi muito bem recebido pelos
professores, que se mostraram dispostos a contribuir com o estudo. A
aplicação da entrevista seguiu o mesmo padrão metodológico em todas as
escolas. Os docentes marcavam dia e horário para a entrevista e esta era
realizada na sala dos professores da escola. Normalmente, a entrevista ocorria
somente com a presença do participante e do entrevistador e durava em média
20 minutos.
Observou-se que, após a explicação do pesquisador sobre os
procedimentos, os professores respondiam às perguntas com certo
nervosismo. Alguns perguntavam se estavam sendo avaliados e se teriam
acesso aos resultados.
 Fase 3 Análise documental
Nesta fase, seriam analisados os planos de curso dos professores para
detectar se, e como, o tema saúde era planejado para ser desenvolvido nas
76

aulas. Foi solicitado aos professores o plano de curso anual de suas turmas do
nível fundamental II, porém eles não foram disponibilizados. Percebeu-se que a
demanda foi compreendida como cobrança, avaliação persecutória de
desempenho, e, desta forma, os professores não se dispuseram a colaborar.
A análise documental é uma das técnicas para a pesquisa em ciências
sociais e humanas. Saint-Georges (1997, p. 30) ressalta que “a pesquisa
documental apresenta-se como um método de recolha e de verificação de
dados: visa o acesso às fontes pertinentes, escritas ou não, e, a esse título, faz
parte integrante da heurística da investigação”.

3.5 Análises dos Dados e das Informações


Analisou-se os dados coletados por meio de uma triangulação
metodológica. Leciona Minayo (2005) que triangulação é um conceito que vem
do interacionismo simbólico, significando a combinação e o cruzamento de
múltiplos pontos de vista; a visão de vários informantes e o emprego de uma
variedade de técnicas de coleta de dados que acompanham o trabalho de
investigação. Antes, porém, foi analisada cada fase, separadamente.
 Fase 1 O questionário aplicado aos alunos
As respostas fechadas do questionário foram analisadas pelo programa
estatístico Statistical Program of Social Science-SPSS, versão 2007. Os
resultados foram apresentados em quadros e gráficos. As respostas abertas
foram verificadas pela análise de conteúdo (BARDIN, 1977).
De acordo com Bardin (1977, s/p), a análise de conteúdo é definida
como
Um conjunto de técnicas de análise das comunicações
visando obter, por procedimentos, sistemáticos e objetivos de
descrição do conteúdo das mensagens, indicadores que
permitam a inferência de conhecimentos relativos às
condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas
mensagens.

 Fase 2 Entrevistas com os professores


A análise dos dados obtidos pelas entrevistas foi realizada por meio da
interpretação das falas dos agentes envolvidos. Para tanto, também foi
utilizada a análise de conteúdo (BARDIN, 1977).
77

As entrevistas foram gravadas e posteriormente transcritas na integra.


Após a transcrição das falas dos professores, foi realizada uma decodificação
de temas que surgiram dos relatos dos envolvidos. A análise foi demonstrada
em forma de categorias analíticas.
Bardin (1997) explica que existem três fases neste processo: pré-
análise; exploração do material; e, o tratamento dos resultados, a inferência e a
interpretação. A autora afirma que a pré-análise corresponde à organização do
material propriamente dito. Com isso, é possível sistematizar as ideias iniciais,
na exploração, e formular um programa flexível, porém preciso, ou seja, o
tratamento.

3.6 Procedimentos Éticos

Um dos procedimentos iniciais da investigação foi o pedido da


autorização dos pais das crianças, jovens e professores envolvidos por meio do
TCLE.Também foi solicitado um termo de anuência da SME e de cada escola
envolvida, destinado a permitir a realização da pesquisa (APÊNDICE E).
Atendendo à Resolução nº 196/96, do Conselho Nacional de Saúde-
CNS (1996), o pesquisador comunicou o objetivo, a justificativa e os riscos de
participação na pesquisa e se comprometeu a preservar a privacidade,
salvaguardar os direitos, inclusive o da desistência da participação, e
interesses dos informantes; além de se comprometer a não explorar as
informações captadas para outros fins que não os estabelecidos nos objetivos
do estudo e manter os registros, bem como dispensar o texto final do estudo
realizado à disposição dos informantes.
Todos os dados obtidos na pesquisa, pelas observações, anotações ou
gravações, foram utilizados somente como forma de trabalho científico e, neste
caso, sua finalidade foi de auxílio à ciência. A identidade de todos os sujeitos
envolvidos foi preservada. Atendendo às normas da Universidade Estadual do
Ceará (UECE), este estudo foi submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa da
instituição obtendo aprovação plena como pode ser constatado no Processo nº
10030697-7, folha de rosto nº 324317 (ANEXO A).
78

4 O SABER DISCENTE SOBRE A SAÚDE NA EDUCAÇÃO


FÍSICA

Queremos ter certezas e não dúvidas, resultados e não


experiências, mas nem mesmo percebemos que as certezas
só podem surgir através das dúvidas e os resultados somente
através das experiências.

Carl Gustav Jung

Neste capítulo, são exibidos os resultados e as discussões dos dados


obtidos junto ao alunado das escolas incluídas no estudo.

4.1 Área de Conhecimento da Educação Física

Foi perguntado aos envolvidos em qual área profissional a Educação


Física se enquadrava. Os resultados encontrados estão dispostos no Quadro 7.

Quadro 07 - Questão 01 (Por escola): Você acha que a Educação Física é


de que área?

SER I SER II SER III SER IV SER V SER VI Total


(n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n- %)
Outra 002 004 012 005 005 009 037
01% 03% 06% 04% 04% 06% 04%
Artes 020 022 010 015 008 019 094
14% 13% 05% 13% 06% 12% 10%
Educação 061 061 061 049 044 081 357
43% 37% 30% 43% 33% 52% 39%
Saúde 059 077 121 045 076 048 426
44% 47% 59% 40% 57% 30% 47%
Total 142 164 204 114 133 157 914
100% 100% 100% 100% 100% 100% 100%
n - Número de alunos que marcaram a opção
% - Percentual do total de alunos da escola
Fonte: dados da pesquisa

Nas escolas das SER II, III e V, o resultados são semelhantes: maior
número de votos para saúde, seguida de educação, artes e outras. Nas
escolas pertencentes às SER I, IV e VI, há inversão nas duas primeiras
colocações: a mais votada é a opção educação, seguida por saúde.
79

Como se observa no Quadro 7, 426 alunos consideram a Educação


Física como uma profissão ou disciplina da área da saúde. Tal resultado está
de acordo com a Resolução nº 218 do Conselho Nacional de Saúde - CNS,
homologada em 06 de março de 1997, onde está expresso que o profissional
de Educação Física é reconhecido como da área de saúde (CONFEF, 2010). O
mesmo se dá nos programas de Pós Graduação da CAPES e CNPQ, onde a
Educação Física é classificada na área 21 – saúde. No entanto há críticas, pois
se entende também uma aproximação com a área da educação.
Um número expressivo dos participantes, 357, compreende que a
Educação Física faz parte da área da educação. Tal pensamento é justificável,
pois a Educação Física é uma disciplina escolar obrigatória desde a primeira
Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB, promulgada em 1961. Em 1996,
a Educação Física passou a ser considerada componente curricular obrigatório
em toda a educação básica (BRASIL, 1996).
Vale ressaltar que muitos destes alunos só possuem contato com a
Educação Física na escola, deixando assim de vivenciar o trabalho do
profissional da Educação Física em academias, postos de saúde, hospitais e
clínicas, espaços estes ligados à prática do cuidado em saúde.
Além disso, como lembram Darido e Rangel (2005), a Educação Física
pode ser compreendida de três formas: como um componente curricular
escolar, como uma profissão da área da saúde, e como uma área de estudos
científicos.
Consoante a premissa defendida pelas autoras, pode-se entender que
tanto os alunos que compreendem a Educação Física como saúde e aqueles
que a entendem como da área da educação, estão corretos (somados chegam
a 86% do total).
Aqui cabe o registro dos alunos que citaram a Educação Física como
integrante da área das artes (10%) e também, neste caso, não se pode falar de
erro.
De acordo com Schwartz (1999) pode-se perceber como a arte está
presente na história da Educação Física, com a evolução da estética do corpo,
da indumentária, das técnicas corporais e da inserção de vários esportes
relativos ao componente beleza; além disso, a pintura, a escultura, o teatro e a
dança sempre influenciaram e foram influenciados pelo cuidado e o culto ao
80

corpo, tão característicos da atividade física. Esculturas como o Discóbolo12 de


Mirón demonstram a relação entre Educação Física e as artes.

4.2 Nível de Entendimento de Saúde Adquirido por Meio das Aulas de


Educação Física

Foi perguntado aos participantes do estudo qual era o nível de


entendimento sobre conceitos de saúde, adquiridos por meio das aulas de
Educação Física. As respostas encontram-se expressas no Quadro 8.

Quadro 08 - Questão 02 (Por Escola): Seu entendimento de conceitos de


saúde adquiridos por meio da Educação Física é
SER I SER II SER III SER IV SER V SER VI Total
(n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %)
Nenhum 048 014 055 031 024 076 248
34% 09% 27% 27% 18% 48% 27%
Pouco 031 025 045 029 033 044 207
22% 15% 22% 25,5% 25% 28% 23%
Razoável 025 056 059 029 035 025 229
17% 34% 29% 25,5% 26% 16% 25%
Muito 038 069 045 025 041 012 230
27% 42% 22% 22% 31% 8% 25%
Total 142- 164- 204 114 133 157 914
100% 100% 100% 100% 100% 100% 100%
Fonte: dados da pesquisa

O Quadro 8 apresenta grande variedade de respostas, entretanto nos


chamam a atenção os dados relativos à opção ‘nenhum entendimento’. Nas
escolas pertencentes às SER I, IV e VI, foi a opção de resposta mais marcada

12
Discóbolo ("O arremessador do disco") do escultor grego Miron, feito em mármore, datado de 450 a.C. (sec V
aC). Atualmente, cópias em bronze encontram-se em vários museus europeus, como o Nazionale Romano,
Itália, e o de Berlim, Alemanha. O arremesso do disco, criada na Grécia clássica, é considerada a mais antiga
prova de arremesso do atletismo. Supõe-se que os primeiros discos eram de pedra e não tinham o formato
atual, ou seja, aperfeiçoaram-se através dos tempos até alcançarem o formato circular de hoje. Esse esporte
tornou-se bastante popular, inclusive levando vários artistas a estudá-lo, provavelmente pela variedade de
posições que o corpo adota durante o arremesso. Na estatuária, destacam-se os discóbolos de Alcamenes e de
Miron. O CONFEF aprovou o Discóbulo de Mirón como símbolo oficial dos Profissionais de Educação Física do
Brasi:”SÍMBOLO: Discóbolo - por estar baseado nos movimentos do corpo humano em ação. O corpo, na
escultura de Míron, revela um cuidadoso estudo de todos os movimentos musculares, tendões e ossos que
fazem parte da ação; as pernas, os braços e o tronco inclinam-se para imprimir maior impulso ao golpe; o rosto
não parece contorcido pelo esforço, mas calmo e confiante na vitória. (CONFEF, 2002).
81

entre os alunos. Na escola pertencente à SER III, a opção ‘razoável


entendimento’ foi a mais escolhida. Nas escolas das SER II e V, as respostas
prevalecentes foram ‘muito entendimento’.
Posteriormente, foi verificado, na entrevista com os professores da
disciplina Educação Física das escolas participantes da pesquisa, que
realmente em relação aquelas que contemplam o tema saúde como conteúdo a
ser debatido nas aulas, as escolas das SER II e V foram as que obtiveram a
opção ‘muito entendimento’ como a mais votada.
Somando as respostas dos alunos das seis escolas, o resultado aponta
para a resposta ‘nenhum entendimento’, como o mais escolhido entre todos os
participantes da pesquisa. De um total de 914 alunos, 248 (27%) responderam
que o entendimento sobre saúde, adquirido por meio da Educação Física
Escolar, é nenhum.
Tal fato leva à reflexão sobre a prática do professor de Educação Física
na escola. O tema saúde é discutido como conteúdo da Educação Física desde
a década de 1990. O Coletivo de Autores (1992) já mencionava a necessidade
e a relevância de se discutir problemas sociais nas aulas, dentre eles a saúde
pública. Segundo os autores, a reflexão sobre os problemas sociais leva o
aluno a compreender a realidade em que vive.
Para Galvão e Rodrigues (2005), o professor de Educação Física pode
utilizar o tema saúde em qualquer conteúdo que ministre aos seus alunos. No
esporte, por exemplo, ao buscar compreendê-lo, é necessário debater com os
alunos assuntos referentes a nutrição, gasto energético, lesões, uso de
anabolizantes e desenvolvimento de capacidades físicas.
Além disso, argumentos relativos à Saúde Coletiva devem ser
incorporados ao discurso e à prática do professor de Educação Física. Temas
como humanização do cuidado, cuidados preventivos e Promoção de Saúde
podem e devem ser discutidos nas aulas da disciplina.
Sobre os motivos da não realização de aulas com o objetivo de auxiliar
no entendimento sobre saúde, Darido e Silva (2002) explicam que os
professores de Educação Física, na maioria das vezes, se acham inseguros
em realizar atividades que não privilegiem a prática esportiva tradicional, já que
receberam uma formação somente tecnicista (DARIDO, SILVA, 2002).
82

4.3 Discussões sobre Saúde na Aula de Educação Física.

Foi questionado na pergunta 03 se o professor de Educação Física


comentava, discutia ou debatia o assunto saúde nas aulas. Encontram-se nos
Quadro 9 os resultados.

Quadro 9 - Questão 03 (Por Escola): Seu professor, nas aulas de


Educação Física, fala sobre saúde?

SER I SER II SER III SER IV SER V SER VI Total


(n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %)
Sim 044 129 043 039 045 062 362
31% 79% 21% 34% 34% 39% 40%
Não 098 035 161 075 088 095 552
69% 21% 79% 66% 66% 61% 60%
Total 142- 164 204 114 133 157 914
100% 100% 100% 100% 100% 100% 100%
Fonte: dados da pesquisa

O Quadro 9 aponta que somente em uma instituição o resultado foi


positivo. Nas escolas das SER I, III, IV, V e VI, a maioria dos alunos respondeu
que os professores não recorrem ao tema saúde nas suas aulas. Somente na
escola da SER II, os alunos afirmaram, em grande parte, que recebem tais
conceitos.
Na observação indireta, de aula na escola da SER II, foi constatado que
o tema da saúde era incorporado ao conteúdo da Educação Física. A resposta
dos alunos é consistente com a prática: 79% deles relataram que o professor
da disciplina comenta o tema em suas aulas. O resultado total, porém, revela
que 60% dos alunos pesquisados disseram que o professor de Educação
Física não comenta o tema saúde em suas aulas.
Nahas (2006) exprime que as propostas de Educação Física são
basicamente organizadas em torno dos esportes tradicionais. Infelizmente, a
afirmação do autor reflete a situação da Educação Física na maioria das
escolas, onde o esporte é inserido como conteúdo único, enquanto os temas
da cultura corporal, dentre eles a saúde, são desprivilegiados.
Guedes (1999) lembra a importância da transmissão de conceitos sobre
saúde na Educação Física Escolar. Para o autor, os hábitos da prática da
atividade física, incorporados na infância e na adolescência, possivelmente são
83

transferidos para a idade adulta. Continuando, acentua que a finalidade de


programas de Educação em Saúde por meio da Educação Física Escolar é
proporcionar fundamentação teórica e prática sobre o assunto.
A discussão sobre o currículo da Educação Física e a inserção da
saúde como conteúdo tem crescido desde a década de 1990 (FARIA JÚNIOR,
1991; NAHAS et al., 1995).
Barros, Cunha e Silva Júnior (2007) defendem a proposta de que se
deve debater a Promoção da Saúde por meio da Educação Física Escolar, com
base em argumentos reveladores que somente a prática da atividade física não
basta para a aquisição da saúde, pois são necessárias também ações de
prevenção e aprofundamento de discussões sobre a saúde social.
Na pesquisa de doutorado de Guedes (1994), a sugestão final é de que
urge a necessidade de a Educação Física desenvolver estudos e adequar seu
currículo com a finalidade de reaver no contexto educacional a prática da
atividade física como Promoção da Saúde. Somente a prática da atividade
física, porém, por si, não implica a adoção de hábitos saudáveis. Araújo (1996)
ressalta que a Educação Física Escolar deve se propor educar para a saúde
em oposição ao adestramento de atividades físicas.
É importante ressaltar que o fato de determinados professores não
apresentarem em suas aulas conceitos e práticas sobre o tema saúde, também
pode estar relacionado com as condições de trabalho, ausência de políticas
públicas para capacitação de docentes e formação deficitária.

4.4 A Saúde e os Exercícios Físicos

Na questão 04, perguntou-se aos alunos se acreditavam que poderiam


obter saúde somente pela prática de exercícios físicos. Os resultados
revelados estão sistematizados no Quadro 10.
84

Quadro 10 - Questão 04 (Por Escola): Você acredita que, a saúde pode ser
obtida somente com a prática de exercícios?

SER I SER II SER III SER IV SER V SER VI Total


(n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %)
Sim 046 045 094 012 041 078 317
32% 27% 46% 11% 31% 49,7% 35%
Não 096 119 110 102 092 079 597
68% 73% 54% 90% 69,% 50,3% 65%
Total 142 164 204 114 133 157 914
100% 100% 100% 100% 100% 100% 100%
Fonte: dados da pesquisa

O Quadro 10 mostra que, em todas as escolas, a maioria dos alunos


entende que somente a prática do exercício não enseja saúde. Em duas
escolas, representantes das SER III e VI, os alunos ficaram divididos em suas
respostas, principalmente na escola da SER VI, entretanto houve ligeira
vantagem para a resposta ‘não’. Já os alunos das escolas das SER I, II, IV e V
foram em grande parte, 60% acima, defensores da ideia de que somente a
prática do exercício físico não traz benefícios à saúde.
Os resultados apresentados, ao somar as respostas de todos os
participantes da pesquisa, revelam que a maioria dos alunos, 65%, entende
que não basta a prática do exercício físico para a aquisição da saúde.
Os resultados estão em consonância com os estudos de Ferreira e Najar
(2010) ao assinalarem que, de fato, a prática regular é apontada como
importante ação na área da saúde, contudo, revelam que a relação entre a
prática de atividade física e saúde vem sendo questionada. Explicam que há
quem argumente, por exemplo, que ela pode ser interpretada de outro modo:
as pessoas praticam exercícios porque gozam de melhor saúde, e não o
inverso.
Solomon (1991) apresenta vários estudos que negam a ideia de que o
exercício físico auxilia na longevidade. Carvalho (2004) também critica a
causalidade na relação exercício físico – saúde. Haskell et al. (1985) defendem
a hipótese de que a prática de exercícios físicos não necessariamente provoca
a melhoria do estado de saúde dos indivíduos. Meeusen e Borms (1992) citam
que atletas submetidos ao exercício intenso por longos anos podem apresentar
no futuro sequelas no organismo.
85

Ferreira e Najar (2010) reconhecem o exercício físico como um dos


fatores que podem contribuir na aquisição e melhora da saúde, porém
recusando a relação de casualidade entre eles. Reconhece-se, assim como a
maioria dos alunos pesquisados, que para se obter saúde, é necessário muito
mais do que somente praticar exercícios físicos, pois se requisita higiene, boa
alimentação, saneamento, educação, moradia, lazer, renda, dentre outros
fatores extremamente necessários.

4.5 Conhecimento sobre Saúde na Educação Física

Esta questão buscou verificar se os conhecimentos sobre saúde dos


alunos melhoraram por meio da Educação Física, da forma como a disciplina é
ministrada. O Quadro 11 registra os resultados

Quadro 11 - Questão 05 (Por Escola): Você acredita que, ao praticar


Educação Física da forma como é oferecida em sua escola, seus
conhecimentos sobre saúde melhoram?

SER I SER II SER III SER IV SER V SER VI Total


(n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %)
Sim 028 152 094 017 061 024 376
20% 93% 46% 15% 46% 15% 41%
Não 114 012 110 097 072 133 538
80% 07% 54% 85% 54% 85% 59%
Total 142 164 204 114 133 157 914
100% 100% 100% 100% 100% 100% 100%
Fonte: dados da pesquisa

O Quadro 11 apresenta resultado igual para as escolas pertencentes às


SER I, III, IV, V, e VI. Nestes estabelecimentos de ensino, o resultado revela
que a maioria dos alunos pesquisados não acredita que a prática da Educação
Física, como vem sendo oferecida na escola, contribua para a melhoria dos
seus conhecimentos sobre saúde.
No mesmo quadro, entretanto, observa-se que, na escola da SER II, os
alunos apontaram o inverso. Quase a totalidade dos alunos, 93%, citou que
melhoraram seus conhecimentos acerca de saúde com a participação nas
aulas de Educação Física, como é ministrada na atualidade.
86

Vale ressaltar que, nesta escola, o professor apresenta em suas aulas o


tema saúde, sejam teóricas ou práticas, o que justifica os alunos terem optado
pela resposta positiva.
Como apresentado no quadro, entretanto, quando somados todos os
alunos da pesquisa, percebe-se que 59% dos participantes responderam
negativamente à questão proposta.
De fato, a Educação Física, como lembram Darido e Sanches Neto
(2005), ainda é objeto de posturas pedagógicas tradicionais e sem cunho
didático de certos professores. A disciplina é predominantemente prática,
recorre quase que unicamente aos esportes, e, em muitos casos, os alunos
escolhem e decidem o que vão fazer nas aulas. Os autores reforçam a ideia de
que esse modelo é muito representativo no contexto escolar, porém é
condenável, já que desconsidera os procedimentos metodológicos do processo
ensino aprendizagem, o planejamento e o projeto político pedagógico da
escola.
Entretanto, Darido (2005) afirma que foram realizadas mudanças na
área desde a da década de 1980, como alterações nas concepções, pesquisas,
métodos de ensino e práticas pedagógicas.
Considerando o encontrado, parece que as boas práticas aconteceram,
principalmente, nos discursos acadêmicos, já que, na prática, a Educação
Física na escola, em grande parte, é alvo das práticas sem comprometimento
pedagógico.
Se a Educação Física continua sendo administrada da forma como foi
exposta até aqui, como os conceitos sobre saúde são assimilados? Defende-se
a recomendação de que o professor da disciplina, e alguns já o fazem, cumpra
com os conteúdos expostos em livros e documentos específicos da Educação
Física, dentre eles os PCN (BRASIL, 1988). Se faz necessário, todavia, que
haja comprometimento político dos gestores da educação em apoiar melhores
condições de trabalho e formação para os professores.
Os PCN (BRASIL, 1988) indicam ao professor de Educação Física a
necessidade de inserir o aluno na cultura corporal do movimento, fazendo com
que vivencie situações conceituais, procedimentais e atitudinais. Os temas
transversais, onde a saúde se enquadra, também são conteúdos a serem
apresentados aos alunos. Como se observa, a Educação Física não se resume
87

somente à prática de esportes e exercícios. Cabe ao professor alterar a


imagem da disciplina.

4.6 Atividades de Campo sobre o Tema Saúde

Pergunta-se, na questão 06, se os alunos já haviam participado de aulas


de campo ou palestras sobre saúde. Os resultados serão apresentados no
Quadro 12.

Quadro 12 - Questão 06 (Por Escola): Você já participou de alguma aula de


campo ou palestra sobre saúde, promovida pelo professor de Educação
Física?

SER I SER II SER III SER IV SER V SER VI Total


(n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %)
Sim 007 045 006 006 017 012 093
5% 27,5% 03% 05% 13% 08% 10%
Não 135 119 198 108 116 145 821
95% 72,5% 97% 95% 87% 92% 90%
Total 142 164 204 114 133 157 914
100% 100% 100% 100% 100% 100% 100%
Fonte: dados da pesquisa

Os resultados do Quadro 12 mostram que os alunos, separados por


escolas, com um percentual de 72,5%, na escola da SER II, e 97%, na escola
da SER III, relataram nunca ter participado, na disciplina de Educação Física,
de aulas de campo sobre saúde. Ao somar todos os participantes da pesquisa,
chega-se a uma situação-limite: 90% dos alunos revelaram não haver
vivenciado aulas de campo sobre saúde, por meio da disciplina.
A aula de campo e o convite a outros profissionais – palestras - são
recursos importantes para a compreensão de conceitos e estabelece relação
entre teoria e prática. Embora utilizada em pesquisas e no ensino superior,
esta metodologia ainda é pouco recorrente na educação básica. A aula de
campo e a palestra devem fundamentar-se em propostas interdisciplinares e,
na Educação Física, quando o assunto é saúde, visita a postos de saúde,
clínicas, hospitais e palestras de agentes da área são fundamentais.
88

4.7 Aulas sobre saúde no Laboratório de Informática

As respostas sobre aulas que abordavam ou não o tema saúde nos


laboratórios de Informática foram sistematizadas no Quadro 13.

Quadro 13 - Questão 07 (Por Escola): Você já participou de alguma aula de


Educação Física sobre saúde no laboratório de Informática de sua
escola?

SER I SER II SER III SER IV SER V SER VI Total


(n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %)
Sim 012 018 029 002 020 009 090
08% 11% 14% 02% 15% 06% 10%
Não 130 146 175 112 113 148 824
92% 89% 86% 98% 85% 94% 90%
Total 142- 164- 204 114- 133- 157- 914
100% 100% 100% 100% 100% 100% 100%
Fonte: dados da pesquisa

O Quadro 13 nos revela que, em todas as escolas, em proporção


sempre superior a 85%, os alunos nunca tiveram aula sobre o tema saúde,
proposto pelo professor de Educação Física, com o recurso da Informática. Ao
somar as respostas de todos os envolvidos, apresenta um dado mais
preocupante: 90% dos alunos não tiveram a oportunidade de ter aulas sobre
saúde, amparadas na Informática, nas sessões de Educação Física.
A palavra informática, derivada de informação e automação, denomina
a ciência que trata a informação pelo uso do computador ou de equipamentos
de processamento de dados (FERREIRA, 2000). O uso do computador, no
ambiente escolar, deve ser entendido como método atraente e diferenciado da
sala de aula convencional. Atualmente, exige-se que a escola fique atenta às
dificuldades do processo de aprendizagem dos alunos, instrumentalizando-se
com o que tiver apelo aos jovens (WEISS; CRUZ, 2001).
Percebe-se, empiricamente, que a utilização da Informática resulta em
situação muito prazerosa para os escolares. Redes sociais, como orkut,
facebook, twiter, comunicações online, como mensager e skype, e-mails, jogos
em rede, blogs, sites e youtube são recursos da Informática que o professor de
89

Educação Física pode utilizar para a discussão sobre saúde. Nas escolas
participantes, observou-se presença de laboratório de Informática, inclusive
com um professor especializado para atender as turmas e professores de
outras disciplinas. Em conversa informal com os professores destes
laboratórios, foi transmitida a informação de que os professores de Educação
Física não utilizam o laboratório para suas aulas, com exceção do professor da
SER II.

4.8 Pesquisas sobre Saúde

No Quadro 14 apresentam-se as respostas dos alunos à questão sobre


pesquisa envolvendo o tema saúde.

Quadro 14 - Questão 08 (Por Escola): Você já realizou pesquisas sobre o


tema saúde por meio de solicitação do professor de Educação Física?

SER I SER II SER III SER IV SER V SER VI Total


(n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %) (n - %)
Sim 010 048 010 008 017 013 106
7% 29% 05% 07% 13% 08% 12%
Não 132 116 194 106 116 144 808
93% 71% 95% 93% 87% 92% 88%
Total 142 164 204 114 133 157 914
100% 100% 100% 100% 100% 100% 100%
Fonte: dados da pesquisa

No Quadro 14, percebe-se que, em nenhuma escola, foi positiva a


resposta à pergunta sobre a realização de pesquisas sobre saúde propostas
pelo professor de Educação Física. Em duas escolas das SER II e V, mais de
70% dos alunos, e em quatro escolas das SER I, III, IV e VI, mais de 90% deles
relataram jamais haver pesquisas por solicitação do professor da disciplina. Ao
serem somadas todas as respostas, o quadro revela que 88% dos alunos não
vivenciaram a pesquisa sobre saúde como meio de aprendizagem.
90

Defende-se a proposta de que a pesquisa é uma aliada na assimilação e


reflexão dos conteúdos no ensino fundamental. Para Freire (2001) não há
possibilidades de existir pesquisa sem ensino e tampouco ensino sem
pesquisa, portanto, desde o início da escolarização, deve ser ressaltada a
importância da pesquisa na elaboração do conhecimento.
Demo (2007) propõe que a base da educação escolar seja a pesquisa,
pois ao pesquisar, o aluno descobre e intervém de forma criativa, crítica,
reflexiva e propositora. Deste modo, o autor solicita aos professores que
superem o método expositivo de ministrar aulas, onde cabe ao professor
apenas transmitir informações já estipuladas como verdadeiras e reproduzir
conceitos.

4.9 Questões Subjetivas

As questões subjetivas e abertas do estudo foram em número de três, e


versaram sobre: a) conceito de saúde; b) atitudes que beneficiam a saúde,
além da prática do exercício físico; e c) quais temas relacionados à saúde os
alunos desejavam aprender nas aulas de Educação Física. As duas últimas,
apesar de abertas, eram respondidas em forma de itens, e não de dissertação,
como a primeira.
Pelo fato de as questões subjetivas requererem mais tempo para o aluno
responder e implicarem em texto redacional, alguns alunos não completaram o
questionário. O apelo dado pelas questões abertas permitiu liberdade de
pensamento, daí o fato de muitas respostas conterem mais de um dado para
serem categorizados na análise.
Os textos resultantes tornaram possível a elaboração de novas
categorias, classificadas com base na frequência. Os resultados e suas
discussões são apresentados a seguir.

4.9.1 Conceito de saúde.

Na primeira questão subjetiva, foi perguntado aos alunos qual o conceito


que detinham sobre saúde. As respostas foram categorizadas e apresentaram
o resultado organizado nos Quadros 15 e 16.
91

Quadro 15 – Quadro da ocorrência superior a 10 aparições - Para você, o que é


saúde?

Categorias SER I SER II SER III SER IV SER V SER VI Total


n n n n n n n
Alimentação 43 60 32 26 45 39 245
Praticar 38 40 49 28 35 36 226
Exercícios
Ausência de 20 27 31 22 19 24 143
Doença
Cuidar-se 19 15 14 15 20 09 092
Praticar Esportes 21 10 13 18 05 08 075
Bem-Estar Físico 09 11 17 09 17 07 070
Brincar e Jogar 08 15 12 08 02 04 049
Não Apresentar 09 10 05 04 02 08 038
Dor/Cansaço
Higiene 02 15 01 00 10 00 028
Felicidade e Paz 06 10 02 01 02 01 022
Bem-Estar 01 09 01 00 10 00 021
Espiritual
Condições 00 01 00 00 08 11 019
Materiais
Sobrevivência 00 03 00 00 14 00 017
Disposição 08 05 00 00 04 00 017
Moradia 00 00 00 00 05 08 013
Não Beber, 03 00 01 01 05 02 012
Fumar e nem
usar Drogas
Diversão, Lazer 01 02 03 00 05 00 011
Descansar 02 05 02 01 01 00 011
Onde: n = número de aparições de termos que foram inseridos na categoria
Fonte: dados da pesquisa

Quadro 16 – Quadro da ocorrência inferior a 10 aparições - Para você, o que é


saúde?
Categorias SER I SER II SER III SER IV SER V SER VI Total
n n n n n n n
Estudar, 00 05 00 00 02 00 007
Educação
Vacinar-se 03 01 02 00 00 00 006
Manter Peso 02 01 02 00 01 00 006
Trabalhar 00 01 00 00 00 03 004
Valorizar 00 04 00 00 00 00 004
Vida
Preocupar- 00 00 00 00 01 00 001
se com os
Outros
Ambiente 00 00 00 00 01 00 001
Limpo
Sexo 00 01 00 00 00 00 001
Ler 00 01 00 00 00 00 001
Onde: n = número de aparições de termos que foram inseridos na categoria.
Fonte: dados da pesquisa
92

De forma geral, nota-se que a maioria dos alunos não formulou um


conceito de saúde, e sim apresentou elementos que favorecem a saúde. A
categoria mais frequente é alimentação (n = 245 aparições), seguida de
praticar exercícios (n = 226) e ausência de doenças (n = 143).
A alimentação merece destaque nas respostas de muitos alunos,
surgindo em primeiro lugar de aparições. O ato de alimentar-se bem, para
muitos, constitui sinônimo de saúde. O alimento é considerado a maior fonte de
energia do ser humano, e, por sua ingestão, pode-se realizar movimentos,
pensar e sentir. O alimento está intimamente ligado com o nosso bem-estar
físico, social e mental, definido segundo a OMS (LUCIA, 2003).
A prática de exercícios, segunda categoria em número de aparições, no
imaginário destes alunos, parece ser responsável direto pela saúde, pois se
verifica, neste caso, o princípio da causalidade exercício físico-saúde.
Matsudo e Matsudo (2000) denotam que os benefícios da prática da
atividade física são muitos, entre eles: a) melhoria fisiológica - volume sistólico,
potência aeróbica, ventilação pulmonar, perfil lipídico, sensibilidade à insulina,
pressão arterial, metabolismo, frequência cardíaca em repouso e no trabalho
submáximo; b) melhoria antropométrica e neuromuscular - gordura corporal,
força e massa muscular, densidade óssea e flexibilidade; e c) melhoria
psicológica - autoestima, autoconceito, imagem corporal, funções cognitivas e
socialização, diminuição do estresse, ansiedade e consumo de medicamentos.
Observa-se que a prática do exercício físico e a boa alimentação
representam elementos recorrentes nos conceitos de saúde da maioria dos
alunos, como revelado nas respostas a seguir:
Saúde na minha opinião, é fazer tudo de cada coisa: comer
bem, fazer exercícios, etc. (6º ano, SER II).
É praticar esportes, comer bem, etc. (6º ano, SER III).
É uma coisa, que nós, seres humanos, temos. Par ter saúde é
preciso se alimentar bem e praticar exercícios (7º ano, SER
V).
Ser forte, fazer exercício, alimentação correta (8º ano, SER V).
É você estar bem consigo próprio, ter alimentação equilibrada,
praticar exercícios e não estar doente. (8º ano, SER VI).

A ausência de doenças, expressão que também faz parte da definição


de saúde da OMS, surge como a terceira categoria mais frequente e demonstra
93

a adesão a padrões consagrados, incorporados ao senso comum, de grande


parte dos envolvidos, como as seguintes respostas demonstram:
Não ter doenças, ser normal ser igual a todos os seres
humanos. (6º ano, SER I).
Saúde é o cuidado que devemos ter com nosso corpo para
não pegar nenhuma doença. (6º ano, SER II).
É não ter nenhum tipo de dor. (7º ano, SER III).
É uma pessoa sem doença. (8º ano – SER IV).
É nosso corpo perfeito, sem nenhuma doença (8º ano, SER
V).
É você se prevenir das doenças, bactérias e várias coisas que
trazem mal a sua saúde e ao seu corpo. (8º ano, SER VI).
É o que precisamos para viver bem. (9º ano, SER II).
É o nosso organismo bem forte para agüentar certas doenças.
(9º ano, SER III).
É a qualidade ou estado de vida de uma pessoa, se ela está
ou não imune a alguma doença. (9º ano, SER IV).
É quando a pessoa não fica doente. (9º ano, SER V).

A compreensão da saúde como ausência de doença é amplamente


aceita pelo communis opinio e é estimulada pela Medicina, como pode ser
comprovado na maioria das pesquisas e da produção tecnológica em saúde,
de acordo com Batistella (2008).
A categoria cuidar-se, quarta em número de aparições, é generalista,
pois os alunos, ao se referirem ao cuidado, apontam para variadas situações
físicas, mentais, espirituais ou afetivas - com recursos categóricos (“saúde é se
cuidar”) ou tautológicos (‘saúde é... cuidar da saúde”):
Saúde é se cuidar, não ter nenhuma dor, doença grave, etc.
(6º ano, SER II).
Saúde é se cuidar. (7º ano, SER III).
Saúde é simplesmente cuidar da gente, ou seja, cuidar da
saúde. (7º ano, SER IV).
É cuidar do corpo. (8º ano, SER V).
É se cuidar para viver mais e melhor. (9º ano, SER V).
Saúde é se cuidar, e se preocupar com os outros também. (9º
ano, SER VI).

O cuidado em saúde, entretanto, se refere, entre outros fatores, a uma


relação usuário/profissional de saúde voltada para a escuta da subjetividade do
indivíduo, além de estar relacionada ao atendimento das necessidades de
tecnologia. O cuidado se volta para o acolhimento do usuário de maneira mais
94

ampla, considerando o indivíduo partícipe de um âmbito sociocultural


específico (PINHEIRO; MATTOS, 2004).
Talvez, influenciados pelo fato de saberem que se tratava de uma
pesquisa envolvendo a Educação Física, expressões como praticar esportes (n
= 75), bem-estar físico (n = 70), jogar e brincar (n = 49), quinta, sexta e sétima
categorias em número de aparições, surgiram com muita freqüência. Somado à
categoria praticar exercícios (n = 226), o conjunto poderia receber outro título,
atividades corporais, e chegaria à marca de 420 aparições, o que reflete a
preocupação dos jovens participantes com a atividade física. Subtraindo-se a
categoria bem-estar físico (n = 70) desta nova subcategoria, pois afinal estar
bem fisicamente não representa, necessariamente, realizar atividades físicas,
mesmo assim seriam 350 aparições, um número expressivo.
É a pessoa estar bem fisicamente. (6º ano, SER I).
Saúde é correr, brincar, jogar, tomar banho. (6º ano, SER II).
Saúde é você não sentir dores e praticar exercícios físicos,
cuidar do corpo, não ter nenhuma doença nem obesidade,
cuidar bem da alimentação, do corpo, brincar, ser magro e não
gordão. (7º ano, SER V).
Saúde é você estar bem com seu corpo fazendo com que você
fique com peso normal. (9º ano, SER VI).
É uma pessoa com boa postura. (6º ano, SER III).

O Programa Vida Ativa, promovido pela OMS, reconhece a importância


da atividade física para a saúde das pessoas. Estabelece como público-alvo
crianças e jovens, demonstrando que uma atividade física regular é essencial
para um melhor cuidado da maturação de crianças e adolescentes e assinala
que um estilo de vida ativo constitui um dos melhores meios de Promoção de
Saúde e de boa qualidade de vida (FERREIRA, 2005). Apesar disso, não é
possível a aquisição da saúde somente com a prática da atividade física.
Não apresentar dor/cansaço foi a oitava categoria em número de
aparições. O sentimento de dor pode ser relacionado com doença. Neste caso
esta categoria estaria relacionada com ausência de doença, já mencionada
como a terceira em número de aparições.
É estar bem, não sentir dores nem cansaço, ter uma
alimentação boa e praticar esportes. (6º ano, SER IV).
Saúde para mim é a pessoa que esteja bem, que não sinta
dores fortes, não esteja pra baixo e outras coisas também. (6º
ano, SER V).
95

Saúde para mim é melhorar minha vida, não ficar com dores.
(8º ano, SER II).
É ter energia, paz, correr, pular e não ter dor. (9º ano, SER I).

Segundo a Sociedade Brasileira para Estudo da Dor-SBED, a dor afeta


pelo menos 30% dos indivíduos durante algum momento da sua vida. Constitui
a causa principal de sofrimento, incapacitação para o trabalho e ocasiona
graves consequências psicossociais e econômicas. A incidência da dor crônica
no mundo oscila entre 7 e 40% da população e, como consequência desta,
cerca de 50 a 60% dos que a sofrem ficam parcial ou totalmente incapacitados,
de maneira transitória ou permanente, comprometendo de modo significativo a
qualidade de vida (SBED, 2011).
A nona categoria em número de aparições foi higiene, um tema muito
debatido nas escolas, em razão da política de assepsia social, promovida pela
elite brasileira, especialmente na Educação Física do início do século XX. Pelo
que se depreende dos resultados deste estudo, a promoção higienista deixou
raízes no conceito popular sobre saúde.
Saúde é limpeza e cuidado. (6º ano, SER V).
É limpeza e ambiente limpo. (7ºano, SER III).
Saúde é a pessoa que tem bons hábitos, higiene, ter
alimentação saudável. (8º ano, SER V).
Em minha opinião saúde para mim é comer frutas, manter
sempre as mãos limpas, os dentes limpos e as unhas limpas.
(6º ano, SER IV).
Ser higiênico com si mesmo, fazer tudo no seu horário,
exemplo: café da manhã, merenda, almoço, lanche, jantar...
tudo no seu devido tempo, hora. (6º ano, SER II).

A palavra higiene vem do grego hygeinos e significa o que é são ou


sadio. Em sua ideia original era entendida como uma qualidade da saúde. Os
indivíduos deveriam possuir uma saúde higiênica. Posteriormente, a palavra
passou a ser compreendida como um conjunto de hábitos que se deve possuir
para alcançar a saúde, relacionando-se com a limpeza do corpo. No século
XIX, passou a ser compreendida como o ramo da Medicina que busca a
preservação da saúde, estabelecendo normas e recomendações para prevenir
as doenças (FARIA; MONLEVADE, 2008).
As categorias felicidade/paz e espiritualidade foram classificadas,
respectivamente, como décima e décima primeira em número de aparições.
96

Destaque-se a inclusão destas categorias, mas em posição distante na


hierarquia das reflexões dos estudantes.
Saúde é ser feliz, trabalhar, ir ao médico. (6º ano, SER I).
É viver feliz. (6º ano, SER IV).
É quando agente está bem de vida espiritual e corporal. (7º
ano, SER II).
É bem-estar, paz, alegria e amor. (7º ano, SER III).
É você estar bem física e espiritualmente. (7º ano, SER V).
Para mim saúde é uma forma de viver mais feliz, sem
preocupações. (8º ano, SER VI).
Saúde é viver bem. (8º ano, SER II).
É estar feliz, bem com o corpo e consigo. (8º ano, SER II).
É se sentir bem e em paz. (8º ano, SER V).
É o que precisamos pra viver bem de espírito. (9º ano, SER
V).
É o bem estar do corpo com a vida! (9º ano, SER V).
Saúde é você bem de vida, sem doenças e sem estresse. (6º
ano, SER II).
É a pessoa sentir paz e não ter problemas. (6º ano, SER V).

Ayres (2005) lembra de que, em uma perspectiva filosófica, a busca da


felicidade é um ideal de humanização e está relacionada à saúde. Para tanto, o
autor solicita o encontro entre as tecnociências da saúde e os valores
condicionantes à felicidade humana.
Também foram citadas, pelos alunos, em décimo segundo lugar em
número de aparições, as condições materiais como integrantes do conceito de
saúde. Nota-se que, para alguns, é necessário se ter uma “vida boa” para
poder ter saúde.
Saúde é ser saudável e ter boas condições de vida, fazer
muito exercício, mas sem exagerar. (6º ano, SER II).
É ter uma vida boa. (8º ano, SER V).

Outro aspecto importante é a valorização da saúde como um aspecto de


sobrevivência, décima terceira categoria em número de aparições. O ato de ser
saudável, para diversos alunos, por si, garante a sobrevivência no mundo.
É algo que nós precisamos muito, pois, sem saúde, nós não
podemos viver. (6º ano, SER VI).

Ter disposição, eleita a décima quarta categoria em número de


aparições, remete, diretamente, a estado de saúde ou de espírito (FERREIRA,
2000). O estar bem disposto pode ser interpretado como estar saudável, assim,
97

disposição, para muitos dos alunos pesquisados, é similar a possuir saúde ou,
ambiguamente, condição para se ter saúde.
É um bom desempenho, comer bem e estar disposto. (7º ano,
SER I).
Saúde é uma coisa que nos deixa com mais disposição e com
mais vontade de estudar. (6º ano, SER IV).
É você ter disposição para praticar exercícios e uma boa
alimentação. (9º ano, SER III).

A décima quinta categoria em número de aparições foi moradia. A


consciência de uma carência pode levar à valorização do que falta. Quem não
tem moradia fixa, a tem precária ou a sobrevivência sempre peleja com o
dinheiro reservado ao aluguel, há de colocar moradia em alta prioridade. Causa
estranheza, no grupo social de onde emerge a quase totalidade deste alunado,
o problema ser tão pouco destacado, não integrando à lista dos dez mais.
Saúde é estar sempre em forma, não muito gorda, mas nem
muito magra, se alimentar bem, ter lazer e moradia. (6º ano,
SER V).
É limpeza, higiene, lazer, cultura, ginástica, esporte e
moradia. (6º ano, SER II).

A não utilização de fumo, álcool e outras drogas foi registrada em


décimo sexto lugar na lista dos critérios conceituais sobre saúde. São os
problemas determinantes, concomitantes e consequentes da dependência
química. Os danos irreparáveis à saúde, à qualidade de vida e às relações
sociais foram pouco lembrados pelos alunos.
É uma pessoa que não fuma, não bebe, não usa drogas. (7º
ano, SER V).
É não conviver com drogas. (6º ano, SER VI).
Saúde é não chegar perto de ladrões, marginais, drogas e
drogados. (6º ano, SER IV).
É não se misturar com drogas. (6º ano, SER II).
Saúde é a pessoa se cuidar, não beber, não fumar, não usar
drogas... para viver melhor. (6º ano, SER III).

De acordo com a OMS (BRASIL, 2003) cerca de 10% da população


urbana do mundo utilizam substâncias psicoativas. Tal realidade global é
reproduzida no Brasil, onde se observa que a utilização de drogas de abuso
possui um caráter multifatorial, não se reduzindo a um problema unicamente do
98

âmbito do sistema de atenção à saúde, exigindo políticas de segurança e de


educação.
Aspectos como ‘diversão/lazer’ e ‘descansar/dormir’, respectivamente,
conhecidos como décima sétima e décima oitava categorias, em número de
aparições, também foram identificados pelos alunos:
Saúde é comer bem, poder descansar e se divertir (6º ano,
SER I).
Ter cuidados com o corpo, se consultar, comer bem, dormir
tranqüilo... (7º ano, SER II).

O lazer, encarado como Promoção da Saúde integral, tem três funções


primordiais. Sua primeira função - descanso, descontração ou recuperação -
busca reparar as fadigas físicas e mentais, resultantes das obrigações
cotidianas. A segunda função - divertimento, recreação e entretenimento - é a
oposição contra o tédio e se reflete na necessidade de distração do ser
humano, em sua dimensão lúdica. A terceira função se refere ao
desenvolvimento pleno da personalidade, por meio de estímulos intelectuais,
éticos e culturais. Os momentos de lazer fornecem ao indivíduo pleno
desenvolvimento, condição necessária para seu bem-estar social
(DUMAZEDIER, 1976).
A educação foi registrada pelo alunado incluído na pesquisa, ocupando
a décima nona categoria em número de aparições. A aparição do termo
educação, por um lado, demonstra que os alunos valorizam o fato de aprender
e que esta ação produz conhecimento para a saúde. De outra parte preocupa
sua longínqua priorização, apesar de frequentar os discursos políticos e dos
meios de massa.
Saúde é ter educação e viver feliz. (6º ano, SER III).

Como a vigésima categoria em número de aparições, o termo vacina se


confunde com prevenção de doenças, agravos e acidentes. Para os alunos, a
vacinação compõe um “pacote” de elementos representativos da saúde.
Saúde é praticar exercícios, ter uma boa alimentação, tomar
vacina, não ter nenhum tipo de doença, ser saudável, ser
higiênico, etc. (9º ano, SER IV).
99

Em suas respostas à pergunta sobre o conceito de saúde, os alunos


deslocaram-se em várias direções, apresentando respostas mais completas,
envolvendo elementos biológicos, higienistas e socioculturais:
Saúde é bem estar, indicando que a pessoa tem disposição
para praticar esportes, comer bem, dormir em perfeitas
condições, tomar banho e ficar limpo, se cuidar, estar sempre
em forma e não ficar doente. (6º ano, SER II).
Saúde é a prática de estimular o corpo a não ter doenças e
que pode ser aplicada em vários tipos de coisas como:
alimento saudável, bem estar, exercícios, médicos e outras
coisas. (8º ano – SER IV).

Destaque-se uma afirmação categórica, ufanista, que situa saúde como


síntese da experiência vital perfeita:
Saúde é a melhor coisa do mundo que a pessoa pode ter. (7º
ano, SER V).

Ao encerrar a discussão sobre a questão – O que é saúde? – porém,


uma resposta em especial, no meio de 914, incomodou bastante: uma
afirmação também categórica, franca, de desconhecimento
Pra falar a verdade, eu não sei o que é saúde (6º ano,SER V).

O que o ufanismo generalista e este reconhecimento franco de


desconhecimento podem estar dizendo, além de todas as categorias
ensaiadas?

4.9.2 Obtenção de Saúde, além da Prática do Exercício Físico.

Na segunda questão aberta, perguntou-se aos discentes qual outra


atitude deveriam assumir, além da prática de exercícios físicos, para auxiliar na
obtenção da saúde. As respostas foram muito diversificadas, porém sintéticas,
sob forma de itens, e são apresentadas nos Quadros 17 e 18.
100

Quadro 17 – Quadro da ocorrência superior a 10 aparições - Além da


prática do exercício físico, que outra atitude é importante para se obter
saúde?

Categorias SER I SER II SER III SER IV SER V SER VI Total


n n n n n n n
Alimentação 61 70 66 51 75 55 378
Praticar 29 30 17 13 17 18 124
esportes
Não fumar, 09 12 07 08 04 03 043
beber,
drogas
Cuidar-se 04 06 06 04 09 09 038
Higiene 09 12 04 03 08 01 037
Visitar 03 11 04 02 10 01 031
médico
Educação 00 04 01 00 09 00 014
Participar 03 05 02 03 04 01 018
da Ed.
Física
Lazer 01 02 00 02 05 01 011
Trabalhar 00 06 00 00 04 01 011
Fonte: dados da pesquisa

Quadro 18 – Quadro da ocorrência inferior a 10 aparições - Além da prática


do exercício físico, que outra atitude é importante para se obter saúde?

Categorias SER I SER II SER III SER IV SER V SER VI Total


n n n n n n n
Descanso 00 05 01 00 02 00 008
Manter peso 02 01 01 03 00 01 008
Acesso a 00 01 01 02 00 03 007
serviços de
saúde
Moradia 01 00 01 02 01 02 007
Evitar o sol 00 02 01 01 01 00 005
Família, 00 00 00 00 03 01 004
Amigos
Evitar 00 01 01 00 01 00 003
Estresse
Vacinar-se 01 01 00 00 00 01 003
Espiritualidade 00 00 00 01 01 01 003
Ler 00 02 00 00 00 00 002
Valorizar vida 00 02 00 00 00 00 002
Pensamento 00 01 00 00 00 00 001
Positivo
Onde: n = número de aparições de termos que foram inseridos na categoria.
Fonte: dados da pesquisa
101

Seguem-se os comentários sobre as dez expressões que obtiveram


mais de dez ocorrências. Respectivamente, alimentação (n = 378 aparições),
praticar esportes (n = 226) e não fumar/beber/usar drogas (n = 43 aparições)
ocupam as primeiras colocações na hierarquia de referências. Reforça-se,
aqui, a posição da percepção social que associa diretamente saúde com
alimentação.
Relatar a prática de esportes constitui uma espécie de redundância, pois
a pergunta já solicitava o que mais poderiam fazer, além da prática de atividade
física, o que transfere para o segundo lugar o conceito de hábitos saudáveis de
não fumar, não beber e não usar outras drogas. É provável que alguns alunos
compreendam que praticar esportes, como jogar futebol na várzea ou frescobol
na praia, constitua algo diferente da atividade física, composta por série de
exercícios, como alongamento, musculação e ginástica, inscritos num currículo,
na escola.
O ato de não fumar, ingerir álcool ou utilizar de drogas (n = 43) aparece
como terceira categoria mais frequente. Tal categoria nos remete à situação na
qual se encontra a cidade de Fortaleza, locus da pesquisa, no que se refere ao
uso de substâncias ilícitas, com crescente incidência de registros de
dependência química e de atos violentos associados, também crescentemente
divulgados nos meios de propagação coletiva e na internet.
A expressão ‘cuidar-se’ foi classificada em quarto lugar. Pode-se
hipotetizar o pensamento de que os alunos, ao citarem que é necessário o
cuidado de si para a consecução da saúde, se referem ao cuidado de forma
global, físico, mental e social. No sentido físico, é o cuidado com o corpo, o ato
de prevenir lesões e de adquirir doenças com impactos físicos; no aspecto
mental, trata-se de manter-se bem equilibrado, sem depressão ou doenças
mentais; e, na dimensão social, pode-se supor que os alunos se remetem a
questões afetivas relacionais.
Reforça-se aqui o pensamento de Ayres (2001), referência já utilizada na
revisão de literatura: o cuidado não pode ser banalizado pelo sentido coloquial,
mas deve ser refletido filosoficamente, no sentido da busca da felicidade.
A ‘higiene’ foi considerada em quinto lugar, como atitude para conseguir
saúde. É percebida como muito mais do que um ato relacionado à saúde, pois
102

alguns alunos também a compreendem como um procedimento de educação.


Assim, o aluno não higiênico seria mal-educado. Essa cultura é transmitida
pelos pais e reproduzida no meio ambiente onde os alunos estão inseridos.
Parece-nos que esta consciência há muito povoa a compreensão de saúde dos
populares. Darido e Rangel (2005) garantem que a promoção de hábitos de
higiene e saúde, mediante exercício, não eram meios, mas fins da prática da
Educação Física, já nos anos 1930.
A categoria ‘visitas ao médico’ foi escolhida como a sexta mais indicada
pelos alunos. Esta foi uma surpresa, já que muitos alunos pesquisados não
costumam realizar consultas médicas regularmente, conforme percebido nos
relatos informais. Pesquisa realizada pelo Ibope Mídia revelou que 62% dos
brasileiros só vão ao médico quando estão realmente doentes. O percentual é
ainda maior entre os homens: 64%. A pesquisa foi feita em nove capitais das
regiões Sul e Sudeste, com mais de 18 mil pessoas de 18 a 64 anos, entre
agosto de 2009 e julho de 2010 (FOLHA, 2011).
O termo ‘educação’ aparece em sexto posto, segundo o número de
aparições nas respostas dos alunos. Conforme atesta Freire (1969) a educação
é o espelho da realidade. Assim, é compreensível que, se o aluno possui
capacidade cognitiva advinda do estudo, pode, então, compreender melhor
sobre a saúde também.
Interessante é observar que ‘Participar da Aula de Educação Física’
também foi considerada por muitos alunos como uma atitude para se obter
saúde, demarcando a sétima colocação. Muitos dos alunos pesquisados não
possuem condições financeiras de arcar com o valor de uma mensalidade em
uma academia de ginástica ou musculação e, desta forma, só possuem a aula
de Educação Física como único momento de aprendizagem sobre práticas
corporais. Sleap (1990), como já citado, reforça a posição dos alunos ao
acentuar ser a aula de Educação Física o melhor local para a busca de
conhecimentos sobre saúde na escola.
O ‘lazer’ e o ‘trabalhar’ são considerados por parte dos alunos,
respectivamente, o nono e o décimo termo em aparições. Apesar de serem
distintos em seus conceitos, ambos são relevantes e deveras necessários para
a obtenção da saúde.
103

Lazer, de acordo com Houaiss (2001), significa repouso, descanso,


tempo que sobra do horário de trabalho e/ou do cumprimento de obrigações,
aproveitável para o exercício de atividades prazerosas. Em dimensão crítica,
pode-se entendê-lo, segundo Dumazedier (1976, p. 19), como “um conjunto de
ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para
repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se [...].”
Trabalho, de acordo com o Aurélio (FERREIRA, 2000), deve ser
entendido como aplicação das forças e faculdades humanas para alcançar um
determinado fim, resultando em atividade coordenada, de caráter físico e/ou
intelectual, necessária à realização de qualquer tarefa, serviço ou
empreendimento. Este sentido descritivo exige maior reflexão, como a
estabelecida por Sampaio (1998, p. 125):
Complexo de atividades que resulta na apropriação da natureza
pelo homem, revestindo-se de formas específicas a cada modo
de produção e de organização social. Apresenta, no capitalismo,
uma dupla e contraditória natureza: concreta (atos necessários à
criação de um determinado produto ou utilidade) e abstrata
(tempo socialmente necessário para produção de mercadoria).
O trabalho gera utilidade, mercadoria e relações sociais, parte
de um projeto e transforma o transformador.

Como se percebe, após os conceitos de lazer e trabalho, determinados


alunos entendem que possuir um tempo livre para a diversão e estar em
condições físicas e mentais de realizar um trabalho são condições para a
aquisição da saúde.

4.9.3 Conteúdos de Saúde Desejados nas Aulas de Educação Física.

A terceira e última questão subjetiva versava sobre quais conteúdos,


relativos à saúde, os alunos desejavam aprender durante as sessões de
Educação Física na escola. Os Quadros 19 e 20 sistematizam o resultado
encontrado.
104

Quadro 19 – Quadro da ocorrência superior ou igual a 20 aparições - O que


gostaria de aprender sobre saúde, na aula de Educação Física?

Categorias SER I SER II SER III SER IV SER V SER VI Total


n n n n n n n
Relação 30 51 62 24 39 46 252
Ativ.Fís/Saúde
Educação para 22 40 23 21 44 31 181
Saúde
Alimentação 12 25 15 20 40 19 131
Drogas, álcool e 12 11 11 10 13 11 068
fumo
Lazer e saúde 08 10 06 07 17 14 064
Saúde Sexual 08 12 04 05 11 02 042
Saúde do 03 14 01 01 06 09 034
Coração
Higiene 04 09 02 01 11 03 030
Gravidez 03 11 04 02 03 01 024
precoce
Postura corporal 01 05 01 01 10 02 020
Fonte: dados da pesquisa

Quadro 20 – Quadro da ocorrência inferior a 20 aparições - O que gostaria de


aprender sobre saúde, na aula de Educação Física?

Categorias SER I SER II SER III SER IV SER V SER VI Total


n n n n n n n
Cultura e saúde 01 05 00 00 13 00 019
Serviços de 01 03 01 01 07 03 016
Saúde
Bulimia e 02 05 01 01 04 01 014
anorexia
Pesquisa Saúde 00 05 00 00 02 00 007
Sedentarismo 01 05 00 00 02 00 007
Obesidade 00 04 00 00 03 00 007
Moradia 00 01 00 00 01 04 006
Alongamento 00 04 01 00 00 00 005
Saúde Bucal 00 01 00 00 02 00 003
Doenças 00 00 01 00 03 00 004
Transmissíveis
Cidadania 00 00 00 00 02 00 002
Boas Maneiras 00 00 00 00 02 00 002
Amizade 00 00 00 00 02 00 002
Doenças 00 01 00 00 01 00 002
Respiratórias
Meio Ambiente 00 00 00 00 01 00 001
Família 00 01 00 00 00 00 001
Sistema 00 01 00 00 00 00 001
Muscular
Descanso/Sono 00 01 00 00 00 00 001
Paz 00 01 00 00 00 00 001
Onde: n = número de aparições de termos que foram inseridos na categoria.
Fonte: dados da pesquisa
105

Serão comentados a seguir os 10 termos mais frequentes nas respostas


dos alunos. A categoria que surgiu com maior frequência, na pergunta sobre o
que os alunos desejavam aprender relacionado à saúde nas aulas de
Educação Física, foi ‘Relação Atividade Física – Saúde’, com 252 aparições. O
resultado demonstra a curiosidade e o interesse de grande parte dos alunos
em aprender as causas, efeitos e mitos na inter-relação da prática da atividade
física com a saúde, como apresentado nas falas a seguir.
Gostaria de aprender as características da Educação Física.
(6º ano, SER I)
Saber sobre como fazer exercícios. (6º ano, SER IV)
Como ganhar saúde no futebol. (7º ano, SER III)
O que é alongamento. (7º ano, SER V)
Eu gostaria de saber mais sobre a Educação Física e os
Esportes na saúde. (8º ano, SER I)
Gostaria de saber se o esporte faz bem para a saúde. (8º ano,
SER VI)
Como praticar esporte para ter boa saúde. (9º ano, SER II)
Sobre o bem estar de praticar atividade física. (9º ano, SER I)

De acordo com Darido (2005), a relação atividade física-saúde já é


produzida na Educação Física. Para a autora, a abordagem da Saúde
Renovada, proposta por Guedes e Guedes (1996), traz à tona esta discussão.
Ficou entendido, entretanto, que os alunos envolvidos ainda não haviam sido
apresentados a esta abordagem.
Em segundo lugar os alunos elegeram a categoria ‘Educação para
Saúde’, com 181 aparições. Esta categoria, na verdade foi um apanhado de
sugestões que os alunos escreveram em suas respostas, como:
Tema sobre a boca, coração e outras partes importantes do
corpo. (6º ano, SER I)
Sistema muscular. (7º ano, SER VI)
Hábitos saudáveis. (7º ano, SER II)
Sistemas do corpo. (7º ano, SER V)
Sobre pessoas que não podem fazer atividade física por que
são doentes. (7º ano, SER IV)
Como devemos fazer para ter uma saúde saudável. (8º ano,
SER VI).
Como eu posso me cuidar em casa para não pegar doenças.
(9º ano, SER II).
106

Na perspectiva de Pedrosa (2001, p.270), Educação para Saúde é


entendida por “quaisquer combinações de experiências de aprendizagem
delineadas com vistas a facilitar ações voluntárias conducentes à saúde”.
A categoria ‘Alimentação’, que nas duas perguntas anteriores
apareceram em primeiro lugar, surge em terceiro posto nesta questão, com 131
aparições. Novamente nota-se que o assunto alimentação, destacado
anteriormente como integrante do conceito de saúde, na primeira questão, e
lembrado como uma atitude que produz saúde, no segundo questionamento;
volta à tona. Os alunos sentem a necessidade de que este assunto precisa ser
mais debatido nas aulas de Educação Física, pois a manutenção do peso,
ligado ás questões de saúde e estética, estão relacionados à prática da
atividade física.
Saúde alimentar. (6º ano, SER I).
Alimentação saudável. (6º ano, SER II).
Como comer bem e se exercitar. (7º ano, SER VI).
Como se alimentar para ficar saudável. (8º ano, SER I).
O que devemos comer para ter mais saúde. (9º ano, SER IV).
Aprender a se alimentar direito. (9º ano, SER V).

A curiosidade sobre a relação entre o consumo de álcool, fumo e drogas


com a saúde é a quarta colocada em número de aparições (n = 168). É
importante ressaltar que o interesse neste tema por escolares é de grande
relevância, pois, de acordo com pesquisa realizada em 2006, pelo Centro
Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas-CEBRID, 12 anos é a
média de idade em que ocorre o primeiro contato com algumas dessas drogas
(FIEB, 2011). As falas a seguir demonstram a preocupação dos envolvidos:
Aprender a não usar drogas nem álcool. (6º ano, SER II).
Entender porque as drogas fazem tanto mal. (7º ano, SER IV).
Estudar os efeitos do álcool. (7º ano, SER V).

Os dados até aqui apresentados corroboram com as propostas de


discussão sobre o tema saúde na aula de Educação Física Escolar,
apresentados por Darido e Sousa Junior (2007).
A categoria ‘Lazer e Saúde’ foi indicada como a quinta em número de
aparições (n = 64). Entende-se que os alunos querem debater, discutir e
entender o papel das práticas de lazer na saúde. Compreender como o jogo, a
brincadeira, o esporte descompromissado, os momentos com os amigos e as
107

diversões de um modo geral influenciam na saúde é uma demanda de parte


dos alunos.
Gostaria de aprender sobre saúde, lazer e brincadeiras. (6º
ano, SER II).
Estudar sobre como o lazer ajuda na saúde. (6º ano, SER I).
Queria saber como brincar ajuda a ter saúde. (8º ano, SER V).
Diversão e saúde. (9º ano, SER IV)
.
A preocupação com a saúde sexual foi a sexta categoria em número de
aparições (n = 42). Assuntos ligados ao sexo e à saúde, como doenças
sexualmente transmissíveis –DST estão entre as preocupações dos escolares.
Gostaria de saber como se pega doença na hora do sexo. (6º
ano, SER VI).
Sobre as doenças sexuais. (7º ano, SER V).
Sobre AIDS. (8º ano, SER IV).
Entender o que é saúde sexual. (9º ano, SER III).

De acordo com os PCNs (BRASIL, 1988b), o aumento vertiginoso da


gravidez indesejada e da contaminação pelo vírus da AIDS entre adolescentes
faz com que o tema “Orientação Sexual” receba atenção especial na escola. A
instituição escolar, e não somente a família, deve proporcionar a criticidade e a
reflexão sobre o tema. A Educação Física, ainda segundo os PCNs (BRASIL,
1988b), é considerada um espaço privilegiado para a orientação sexual.
A categoria ‘Saúde do Coração’ foi a sétima em número de aparições (n
= 34). Esta foi uma das categorias que causou espanto e surpresa. Na idade
dos alunos pesquisados, são mínimas as possibilidades de possuírem algum
tipo de doença coronariana. Talvez o fato de que alguns alunos possuam pais
ou parentes que apresentem alguma enfermidade no órgão, ou até
preocupações de desenvolver doenças cardíacas no futuro, seja o motivo para
o interesse no tema.
Aprender sobre as doenças no coração. (6º ano, SER I)
Doenças cardíacas. (6º ano, SER II).
Como fazer pra melhorar a saúde do coração. (7º ano, SER I).
Por que acontecem doenças no coração. (9º ano, SER I).

A categoria ‘Higiene’, também presente nas outras duas questões


anteriores, se apresenta como a oitava em número de aparições (n = 30).
Sobre a limpeza e a saúde. (6º ano, SER III).
Queria saber tudo sobre higiene do corpo. (6º ano, SER IV).
108

Higiene com alimentos. (7º ano, SER II).


Higiene na hora em que estamos fazendo esportes. (8º ano,
SER VI).

As preocupações com a gravidez na adolescência, aqui classificada


como categoria ‘Gravidez Precoce’, com 24 aparições, ficou na nona
colocação. Apesar de também ser um assunto relacionado com a saúde
sexual, o tema foi separado, pois foram termos distintos usados pelos alunos
quando responderam o que queriam aprender nas aulas de Educação Física
sobre saúde. Enquanto alguns responderam assuntos ligados basicamente à
saúde sexual como citado na sexta categoria desta análise, aqui os
participantes tencionavam saber especificamente sobre como evitar a gravidez
por meio de métodos anticoncepcionais.
Queria saber como não ficar grávida. (8º ano, SER I).
Como evitar ter bebê. (8º ano, SER II).
Como fazer sexo e não ficar grávida. (8º ano, SER IV).
Como faço para minha namorada não ficar grávida. (9º ano,
SER VI).

A décima categoria em números de aparições foi ‘Postura corporal’ (20).


A postura do corpo, para muitos alunos, também interpretada como questão
estética e não somente biomecânica, pode ser a causa da pretensão de
compreender este tema.
Como ter um corpo como postura, bonito. (6º ano, SER V).
Aprender sobre a postura do corpo. (8º ano, SER I).
Conhecer como ficar com o corpo reto, bonito, forte. (9º ano,
SER I).
Porque devemos ter uma boa postura. (9º ano, SER III)

A categoria ‘Cultura e saúde’, com 19 aparições, colocando-se em


décimo primeiro lugar, também muito nos surpreendeu. Questões relacionadas
a cultura e saúde não são muito comuns em debates na idade escolar.
Queria saber sobre a cultura de outros países sobre saúde. (6º
ano, SER II).
O que a cultura influencia na saúde. (6º ano, SER IV).
O que é cultura da saúde. (7º ano, SER III)
A saúde e a cultura. (9º ano, SER V)
109

Ao apresentar os resultados, verificou-se o interesse dos alunos na


aplicação dos Temas Transversais propostos por meio dos PCNs (BRASIL,
1998).

4.10 Principais Achados

Após a apresentação dos resultados e da análise dos dados, verifica-se,


como principais achados, voltados ao saber discente, que os participantes, em
sua maioria, compreendem que a Educação Física é da área da saúde,
entretanto, afirmam que receberam poucas informações sobre o tema durante
as aulas da disciplina.
Informaram também que são poucos os professores que recorrem ao
conteúdo temático da saúde em suas aulas. Apesar deste dado, entendem que
a prática do exercício, isolada, não pode oferecer saúde. Percebem que a aula
de Educação Física, tal como que lhes é oferecida, não contribui para a
aquisição de conhecimento sobre saúde.
A maior parte dos envolvidos jamais participou de uma aula de campo,
realizou pesquisas ou participou de sessões de Informática sobre o tema
saúde.
De modo geral, conceituam saúde a partir de expressões simples,
basicamente extraídas do senso comum. Para grande fatia dos participantes, o
conceito está ligado aos atos biológicos de alimentar-se, praticar exercícios e
não possuir doenças.
Para estes alunos, são necessárias outras atitudes para a consecução
da saúde, além da prática do exercício: alimentação adequada, praticar
esportes e não fumar/beber/usar drogas. Por fim, a maioria gostaria que, nas
aulas de Educação Física, o tema ‘relação atividade física/saúde’ fosse
efetivamente abordado.
110

5 A PRÁTICA DOCENTE SOBRE SAÚDE NA EDUCAÇÃO


FÍSICA

Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.

Cora Coralina

Neste capítulo são aduzidas as informações obtidas nas entrevistas aos


nove docentes das escolas envolvidas. As questões versaram sobre: a)
conceito de saúde; b) utilização do tema saúde nas aulas de Educação Física;
c) aplicação do tema nas aulas da disciplina; d) objetivo da Educação Física no
que se refere a saúde; e) aplicações de aula de campo envolvendo o tema; f)
aspectos mais relevantes em saúde para serem abordados nas aulas; e g)
percepção do envolvido sobre a resolubilidade da aula de Educação Física e a
aquisição de conceitos de saúde pelos alunos.
Os resultados e suas discussões são apresentados a seguir.

5.1 Conceito de Saúde

A primeira questão da entrevista versava sobre o conceito de saúde dos


docentes. Percebe-se que as respostas foram objetivas, curtas e
demonstrando conhecimento fragmentado. Foram alocadas em três categorias:
a primeira, mais frequente, recorre à memória da clássica conceituação de
saúde da OMS; a segunda sugere uma formulação conceitual similar aos
preceitos da Saúde Coletiva; e a terceira envolve respostas que se voltam para
a relação causal atividade física-saúde e a preocupação exclusivamente com o
corpo, como reflexo do pensamento predominantemente biológico na
Educação Física.
A maior parte das respostas, dois terços dos envolvidos, conecta-se ao
conceito da OMS conforme é descrita em sequência.

É bem complexo não é só a ausência de doença tem que ser


o bem-estar físico e mental. (SER I, Prof. 1)
Saúde na minha visão é uma sensação de bem estar da
pessoa. (SER I, Prof. 2)
111

Saúde para mim é fora dizer os conceitos pré-estabelecidos é


um utilize geral do ser humano, seja no aspecto físico, seja no
aspecto espiritual ou mental, quando você consegue de
alguma maneira equilibrar todos esses aspectos no ser
humano, eu posso dizer que é uma pessoa que está com
saúde. (SER II, Prof. 1)
É o completo bem-estar físico, mental e psicológico do ser
humano. (SER I, Prof. 2)
Conceito de saúde é o bem-estar físico e mental do individuo
para realização de suas atividades diária e cotidiana. (SER III,
Prof. 1)
É o completo bem estar físico e mental. (SER V, Prof. 2)

O conceito da OMS, divulgado em 7 de abril de 1948, reforça o


reconhecimento do direito à saúde e da obrigação do Poder Público de
oferecer saúde. Diz que “Saúde é o estado do mais completo bem-estar físico,
mental e social e não apenas a ausência de enfermidade”. Saúde deveria
expressar o direito a uma vida plena, sem privações (SCLIAR, 2007).
A proposição da OMS apresenta pontos que devem ser debatidos: a) o
conceito de bem-estar é por demais subjetivo, pois o que é bem-estar para
uma pessoa pode não ser para outra; b) o conceito é utópico e definir a saúde
como um estado de completo bem-estar faz com que a saúde seja algo
ideal, inatingível; c) o conceito pode abrir portas para abusos por parte
do Estado a título de promoção de saúde de sua população.
Segundo Scliar (2007), o conceito de saúde reflete a conjuntura social,
econômica, política e cultural. Para o autor, saúde não possui o mesmo
significado para pessoas distintas e depende da época, do lugar e da classe
social do indivíduo. Depende, ainda, de valores individuais, concepções
científicas, religiosas e filosóficas. Finaliza sua idéia, expressando que o
mesmo pode ser dito das doenças.
A definição de saúde da OMS é do ano de 1948 e, pelo número de
respostas dos participantes deste estudo que concordam com este conceito,
nota-se que a teoria da Educação Física necessita se atualizar e discutir com
esteio nos novos prismas da saúde.
A resposta que indica uma conexão com o conceito da Saúde Coletiva
foi única:
Saúde nos dias atuais é um conceito bem mais amplo do que
somente ausência de doença, passa por um bem estar, não só
112

físico, não só orgânico como também um bem estar social se


não tem garantia de condições de moradia, acesso a saúde
como um bem a pessoa pode considerar ter saúde. Eu
entendo saúde não só como a questão da doença, mais a
questão de bem estar geral. (SER IV, Prof. 1).

A resposta do docente nos remete a Bagrichevsky e Estevão (2005,


p.71) quando ressaltam que “o campo da Saúde Coletiva designa um agregado
de saberes e práticas referido à saúde como fenômeno social e, portanto, de
interesse público”.
Uma das respostas conduz o conceito de saúde predominante na
Educação Física biologicista, em que a prática de atividade física é vista como
sinônimo de vida saudável:
Saúde não é só a ausência de doença, muita gente confunde
que saúde é não ter doença, você pode muito bem conviver
com alguma doença e ter saúde promovendo atividades
físicas adequadas (...). (SER V, Prof. 1).

Na mesma linha, a intensa relação entre a Educação Física e o corpo


como sua única fonte de preocupação foi apresentada em uma resposta:
É você se sentir bem com o seu corpo e estar saudável. (SER
VI, Prof. 1)

As duas respostas exibidas assinalam que a Educação Física


desconsidera, muitas vezes, os aspectos sociológicos da saúde e abraça o
“enfoque reducionista de saúde que a Educação Física tem hegemonicamente
advogado, permitindo para si um papel difusor de ideias rasas e simplistas do
tipo ‘pratique exercício e ganhe saúde”. (BAGRICHEVSKY; ESTEVÃO, 2005,
p.69).
Em muitos campos da Educação Física, a saúde privilegia o enfoque
biológico, que implica a defesa da relação causal atividade física/saúde,
desconsiderando aspectos sociais, culturais, filosóficos e econômicos,
responsabilizando unicamente o indivíduo por sua saúde (BAGRICHEVSKY;
ESTEVÃO, 2005; CARVALHO, 2004; DESLANDES, 2004).
113

Quando comparados com os resultados dos alunos13, que citaram como


conceito de saúde, principalmente, a junção entre boa alimentação, prática de
exercícios e ausência de doenças, compreende-se que os professores
envolvidos no estudo, em sua maioria, possuem conceitos semelhantes aos
discentes.
Observou-se que os alunos, mesmo sem o conhecimento técnico do
conceito da OMS, abordam o bem-estar físico, com destaque para alimentação
e atividade física, mental e social, novamente conseguido pela prática de
atividades físicas; e a ausência de enfermidades e invalidez.
Tal comparação proporciona a reflexão acerca do conceito de saúde da
OMS como definição difundida pela população em geral, tornando-se senso
comum. Pelo exposto nesta discussão compreende-se o aceite dos alunos pela
popularização do conceito da OMS, entretanto, é necessário que os docentes,
os cursos de formação de professores de Educação Física e a literatura da
área elevem a discussão sobre o conceito em foco. Costa e Venâncio (2004,
p.70) garantem que “uma parte dos profissionais de Educação Física está
deixando de apresentar um posicionamento crítico e ético diante da ação da
mídia e dos avanços biotecnológicos”.

5.2 Utilização do Tema Saúde nas Aulas de Educação Física

Em todas as respostas a esta pergunta a afirmação positiva foi


percebida. Os nove professores disseram utilizar o tema saúde em suas aulas.
Antes da apresentação e discussão destes resultados, porém, uma grande
preocupação ficou registrada no diário de campo, durante a coleta de dados
com os professores.
Ao serem comparados os resultados desta questão com a pergunta
direcionada aos alunos – “Seu professor, nas aulas de Educação Física, fala
sobre saúde?”14 – emerge, claramente, uma contradição. Verificou-se que dos
914 participantes discentes da pesquisa, 552 envolvidos, 61% exprimiram que

13
As categorias mais freqüentes nas respostas dos alunos foram: Alimentação (n = 245 aparições),
Praticar Exercícios (n = 226) e Ausência de Doenças (n = 143).
14
Questão 03 do questionário aplicado aos discentes da pesquisa.
114

o docente não comentava ou abordava este assunto nas sessões de Educação


Física.
Como tantos alunos reportaram-se à não utilização do tema saúde pelos
docentes se 100% dos professores envolvidos afirmaram recorrer ao tema em
questão?
Ao lembrar a aplicação das entrevistas, observou-se, em alguns casos,
insegurança por parte dos envolvidos em relação ao seu anonimato. Além
disso, certos professores desconfiavam que suas práticas estivessem sendo
avaliadas. Talvez por estes motivos uma parte dos participantes tenha retido ou
omitido informações importantes. Mais grave: ao comparar os resultados com
as respostas dos alunos, percebe-se que algumas respostas não diziam com a
realidade da prática dos docentes.
Observação do pesquisador, pelos cenários do estudo, realizada
informalmente e registrada no diário de campo, possibilitou perceber que, em
sua maioria, as aulas se davam apenas pela prática com bola, sem nenhuma
relação com a teoria e muito menos envolvendo algum tema ligado a saúde.
Não havia discussões nem debates, o que difere do conteúdo das respostas
dos docentes.
Tais fatos são alertados por Parry (2000). Em seu estudo, o autor
ressalta que a coleta de dados obtida por meio de entrevista possui
desvantagens, como a falta de motivação do entrevistado para responder às
perguntas e fornecimento de respostas falsas por motivos pessoais ou
políticos.
Apesar do exposto, realizou-se o exercício de análise dos conteúdos das
falas, da maneira como se ofereceram ao pesquisador. As respostas para esta
questão revelam, ao menos nas falas dos envolvidos, que todos os professores
participantes da pesquisa usam o tema saúde em suas aulas. Na verdade, as
diferenças se apresentavam nos motivos e metodologias.
As respostas foram classificadas em duas categorias: motivos da
utilização do tema saúde nas aulas e metodologias de ensino.
A seguir se apresentam os motivos citados pelos professores:
(...) as vezes eles não tem o acesso a determinadas
informações e nós professores de Educação Física, nós
somos o meio pra informar hábitos saudáveis de vida, sobre
higiene, que tudo leva a ter saúde. (SER I, Prof. 1).
115

(...) porque é um tema que precisa ser lembrado a todo o


momento pelos alunos (...) então enquanto puder falar desses
aspectos da saúde, seja mental, seja espiritual, seja do corpo,
eu tô abordando com eles. (SER II, Prof. 1).
Exatamente por ter esse conceito amplo, envolver vários
segmentos da vida cotidiana do aluno, tem que se fazer
presente aí, tem uma grande importância porque a partir deles
nós vamos discutir outras situações corriqueiras, a gente
trabalha em comunidade carente, sem saneamento básico,
isso passa por saúde. (SER IV, Prof 1).
(...) abordo muito esse problema da saúde, sobre a
alimentação, quebrar alguns paradigmas. (SER V, Prof. 1).
Sempre quando há necessidade, informação começa pela
higiene que faz bem pra saúde, a importância de fazer
exercícios os benefícios. (SER V, Prof. 2).

Os motivos ora citados, para a utilização do tema saúde nas aulas de


Educação Física, apresentam consonância com determinadas propostas da
Saúde Coletiva, ao abordar temas favoráveis à saúde, além da atividade física.
Nos motivos citados a seguir, entretanto, o pensamento da relação
causal entre ‘atividade física/aquisição da saúde’ retorna aos discursos dos
professores, como é compreensível nas falas:
(...) porque eu acho interessante que os alunos entendam a
importância do exercício que ele está fazendo, as atividade,
que ele está desenvolvendo, principalmente porque a própria
Educação Física leva o aluno a ter uma melhor condição de
vida, uma melhor saúde, dependendo da forma como ela for
executada. (SER I, Prof. 2).
Para eles terem consciência sobre o próprio corpo, para eles
terem cuidado com as decisões, entenderem que as escolhas
que eles fazem tem um impacto diretamente na saúde deles e
a importância desse conteúdo nas aulas de Educação Física.
(SER II, Prof. 2).
O objetivo de mostrar o bem-estar pra realização de suas
atividades. Se o aluno estiver bem consigo, com os outros,
mentalmente e na sua condição física ele está bem com a
saúde. Eu digo até pra eles uma boa atividade física, mais
uma boa alimentação e um bom descanso, é igual à saúde é
a fórmula básica para ter uma boa qualidade de vida. (SER III,
Prof. 1)15.
(...) porque a Educação Física tem a ver com a saúde, acho
que ela não tem só a relação pedagógica, ela tem também a

15
Grifo do autor.
116

relação com a saúde, porque o aluno, na prática de


Educação Física, ele está se exercitando e aquele
exercício que ele está fazendo vai trazer benefícios pra
saúde deles, seja na parte esportiva mais ligada ao objeto que
é o esporte, seja na luta, seja na dança. (SER VI, Prof. 1)16.

Ao observar as falas citadas, não seria correto deixar de concordar e até


aceitar o fato de que as práticas de atividades físicas trazem benefícios para a
saúde, porém esta prática não pode ser restrita somente ao seu componente
biológico, devendo, porém, ser entendida em seu conceito mais amplo.
Conforme Bagrichevsky e Estevão (2005, p.67), “é complicado consentir na
aceitação acrítica de que é tão simplesmente mantendo-se ativo que se obtém
saúde”.
A proposta é de que, junto com a prática da atividade física, aspectos
sociais e da realidade dos alunos também sejam abordados, pois só assim a
saúde dos indivíduos poderá ser discutida. Este tópico pode ser finalizado com
apoio de Carvalho (2004), autora para quem a saúde humana resulta das
incorporações individuais das transformações econômicas, sociais e políticas.
Se o conteúdo está manifesto, qual o método de ensino, usado pelos
professores, para abordar o tema da saúde? As falas a seguir apresentam a
posição dos envolvidos:
Nas aulas teóricas (...) agente procura passar para cada um
deles a importância daquele exercício e a finalidade o objetivo
que iremos atingir levando em conta a saúde, a postura, a
respiração, coisas desse tipo (...). (SER I, Prof. 2).
(...) de forma teórica na sala de aula (...) de forma que essas
questões contextualizando com a realidade deles e também
na questão prática eu fiz um trabalho de relaxamento com eles
falando da importância (...) para a saúde mental deles e o
estado emocional (...) eu não digo que é exatamente saúde
mas, que de certa forma, trabalha esse tema. (SER II, Prof. 2).
Eu utilizo mais nas aulas teóricas associando e mostrando pra
eles que pra ter uma boa prática eles têm que ter uma boa
saúde. (SER III, Prof. 1).
Eu trabalho a saúde com informações, nesse bimestre a gente
tá fazendo um trabalho sobre alimentação, recortando rótulos,
aprendendo um pouco sobre informações nutricionais em
outro bimestre falamos sobre higiene pessoal. Nas aulas
práticas, temos dificuldades por não temos quadro nem

16
Idem
117

espaço, aí nos adaptamos alguma coisa em sala mesmo,


texto, alguma coisa assim. (SER IV, Prof. 1).
Aulas teóricas através de trabalhos, mando pesquisar, dou o
tema e eles vão pesquisar. (SER V, Prof. 1).
A gente faz uns comentários tipo conversa (...) que a gente
tem depois das aulas. Eu não passo muito teoria, peço mais
que ele façam pesquisa, isso eu faço mais na recuperação
agora quando é, digamos assim, no período normal se eu
passar um trabalho agente faz mais é conversar e debater
sobre o tema. (SER V, Prof. 2).

Nas falas citadas nota-se que a aula teórica é o caminho único para
tratar o tema nas sessões de Educação Física, pois, para a maioria destes
docentes, a aula prática não é o local ideal para a aplicação do tema saúde.
Ressalte-se o fato de que 1/3 dos entrevistados defende a transmissão
do conteúdo em aulas teórico-práticas:
Nas aulas teóricas, com trabalhos e pesquisas, na parte
prática principalmente na questão de alongamento, postura,
na importância da atividade física. (SER I, Prof. 1).
(...) eu venho trabalhando mais as ginásticas e em sala de
aula eu tenho trabalhado o Yoga, que é ai que eu vou fazendo
meus trabalhos em grupo. (SER II, Prof. 1).
(...) de forma indireta, dependendo da série, a gente utiliza
esse tema saúde de forma bem diversificada, se for trabalhar
da 1ª á 4ª séria você pode trabalhar o tema de forma mais
recreativa (...) geralmente eu abordo na própria aula prática
(...) dentro da própria aula a gente sai abordando o tema, isso
não que dizer que a gente não possa abordar da forma de
trabalho, um trabalho que passei esse ano foi sobre
obesidade, onde eles tinham que pesquisar calcular o IMC
deles. Eu abordo de forma indireta mais que poderia ser
aprofundado muito mais. (SER VI, Prof. 1).

Cabe aqui uma pequena digressão sobre as aulas teóricas na Educação


Física. Há escolas onde a disciplina é realizada somente de forma prática;
outras em que existem aulas distintas, teóricas e práticas; e, ainda, há aquelas
nas quais a teoria divide espaço com momentos práticos.
Barbosa (1997), em seus estudos sobre teoria e prática, sustenta a tese
de que o processo interno e abstrato, o pensamento, é adquirido na teoria e,
por sua vez, o ato concreto de sentir, ver, ouvir e sentir o conteúdo da
aprendizagem só é transmitido pela prática. Assevera ainda, ser na aula prática
118

que os conteúdos das aulas teóricas são inseridos na práxis dos alunos
mediante a realização do gesto motor imbuído de cultura corporal.
Todas as aulas podem ser divididas em dois momentos: segmento
teórico e segmento prático, como defendem Mattos e Neira (2000). Para esses
autores, a parte teórica objetiva a compreensão de conceitos e a parte prática
objetiva vivenciar o que foi assimilado na teoria.
As aulas teóricas na Educação Física ainda são escassas. Zimbres
(2001) demonstra a afirmação e explica que os principais motivos são: os
conhecimentos teóricos são relacionados aos interesses dos professores e não
direcionados aos interesses dos alunos; tanto professores como alunos
compreendem que as aulas teóricas devem ter como ambiente exclusivo a sala
de aula ou qualquer outro ambiente fechado; grande parte dos professores não
possui embasamento teórico e domínio de técnicas criativas para transmitir os
conteúdos aos alunos, independentemente do cenário; muitos professores se
mantêm reféns da concepção de que teoria é metafísica, especulação, perda
de tempo nas aulas.
A presente pesquisa identifica a utilização de aulas práticas e teóricas
para a transmissão do conceito de saúde. Deduz-se, portanto, que somente a
minoria dos docentes entrevistados compreendem que teoria e prática se
completam.

5.3 Aplicação do Tema Saúde nos Conteúdos da Educação Física Escolar


(Jogos, Esportes, Ginásticas, Lutas e Danças)

As respostas a esta questão representam outra contradição entre


docentes e discentes. Ante a pergunta ‘se os professores utilizavam o tema
saúde em suas aulas e como o faziam’, dos nove respondentes, seis recorriam
a aulas unicamente teóricas e três relataram que recorriam tanto as aulas
práticas quanto às teóricas. Nesta questão, todavia, os nove participantes
exprimiram que utilizavam o tema saúde durante as aulas práticas que
envolviam os conteúdos da Educação Física Escolar (jogos, esportes,
ginásticas, lutas e danças), como é observado nos exemplos a seguir:
119

Sim. Mostrando pra eles que a prática regular de atividade


física também vai influenciar na saúde deles (...) que eles
possam ter essas informações para aplicar também no dia a
dia. (SER I, Prof. 1).
Sim. Jogo deve falar dos cuidados que os atletas devem ter a
questão da higiene, treinamento. Lutas: a origem da luta,
como eles se comportam, como e que eles lidam com o corpo
deles, até falo também de qualidade de vida que inclui saúde
também; Dança: agente fez um trabalho de São João, agente
falou do cuidado que tem que ter (...). (SER II, Prof. 2).
Sim, deve através da realização de seminários, mostrando
para eles que o bom desenvolvimento nos jogos, nos esportes
e na luta ele tem que ter uma boa saúde física e mental. Na
prática eu divido minhas aulas sempre em início, meio e fim
sendo o início sempre uma palestra sobre um assunto da
atualidade. Saúde eu abordo este tema sempre no começo do
ano trabalhando com a parte da avaliação física, avaliação
biométrica e falo de qualidade de vida e falo de boa
alimentação ligada á saúde. (SER III, Prof. 1).
É possível (...) eu trabalho no ensino fundamental II, são as
crianças maiores, aí você tem de usar um linguajar, um
procedimento didático que o alcance, se for falar coisas muito
científicas entra no ouvido e sai no outro. Abordo dentro dos
jogos, dentro das aulas (...) eu acho que quando você está
dando a prática também está dando a teórica ao mesmo
tempo (...) na aula prática você pode abordar a parte teórica,
dá logo o exemplo na hora. (SER V, Prof. 1).
Sim, através dos jogos na iniciação nas crianças da 1ª á 4ª
série a questão da saúde conhecendo o que acontece com o
corpo deles, verificando os batimentos cardíacos após uma
brincadeira, noções de higiene conhecimento sobre o próprio
corpo, já do 5º ao 9º ano, de forma mais abstrata, depois da
atividade física também pedir os batimentos cardíacos, você
junto com eles fazer uma pesquisa na área, acho que neste
sentido, passar alguns trabalhos relacionados à própria área
(...) (SER VI, Prof. 1).

De acordo com Betti (1991), a Educação Física não deve se preocupar


apenas com o ato motor, com o saber fazer; é necessário que o aluno entenda
os motivos e os benefícios da atividade física, compreenda os conceitos
referentes à saúde e assimilem conhecimentos teóricos que apoiem suas
práticas.
Concordando com o autor citado, Zabala (1999) explica que é relevante,
no ensino-aprendizagem, fazer com que o aluno compreenda o conceito, o
120

aplique na prática e o utilize como um fator atitudinal, extraindo lições para a


vida pessoal.
O professor pode aplicar o tema saúde ao utilizar jogos, esportes,
ginásticas, lutas e danças. Por exemplo, em uma aula de dança, pode explicar,
teoricamente, os benefícios da prática da dança para a saúde, o controle da
frequência cardíaca e o cuidado para evitar lesões. No momento prático, pode
aplicar o que foi estudado, solicitando aos alunos que verifiquem sua
frequência cardíaca antes, durante e depois da aula.

5.4 Objetivos da Educação Física Escolar no que se Refere à Saúde

Para melhor compreensão, este tópico foi dividido em duas partes, a


primeira relacionada ao objetivo da aplicação do tema saúde nas aulas de
Educação Física e a segunda ao modo como o objetivo poderia ser atingido.
Sobre o objetivo, as falas dos envolvidos apresentavam:
Informar os alunos nesse aspecto geral como eu já falei, na
prevenção (...). (SER I, Prof. 1).
Conscientizar os alunos sobre a importância da saúde, nos
sabemos que a prevenção e muito mais importante do que
tratar a doença lá na frente e como a gente trabalha com
criança, você desenvolve esse pensamento desde o começo,
irão se tornar adultos mais conscientes que podem cuidar
mais da sua saúde e das dos outros. (SER IV, Prof. 1).
É você cuidar bem do seu corpo e se utilizar da Educação
Física como forma de prevenção contra doenças, incentivar
através da Educação Física uma vida de exercício físico,
promover um estilo de vida saudável e oferecer também uma
prática, não se ater só a teoria mas ao mesmo tempo oferecer
essa prática de Educação Física com objetivo ter esse estilo
de vida saudável. (SER VI, Prof. 1).

Nestas três respostas, evidencia-se o uso da palavra prevenção. A


prevenção em saúde "exige uma ação antecipada, baseada no conhecimento
da história do caso a fim de tornar improvável o progresso posterior da doença"
(LEAVELL; CLARCK, 1976, p.17). A prevenção é de grande relevância em
qualquer área, seja no combate às injustiças sociais, à violência, ao
analfabetismo, ao uso de drogas, à gravidez precoce, às doenças sexualmente
121

transmissíveis, por exemplo. Prevenir é antecipar-se e controlar situações que


podem ensejar conflitos sociais e prejuízos as pessoas individualmente.
No campo da saúde, a prática da atividade física pode ser um dos
componentes ativos para a aquisição da boa qualidade de vida dos sujeitos
coletivos. Isolada de outros fatores, porém, a atividade física não é capaz de
produzir saúde. O que não se pode é renunciar ao seu uso, pois, somada a
vários dispositivos das dimensões sociais, econômicas, familiares, financeiras e
psicológicas, desempenha forte papel preventivo.
De acordo com a Carta Brasileira de Prevenção Integrada na Área da
Saúde (CONFEF, 2011) as ações de prevenção são estratégias positivas de
intervenção para o desenvolvimento humano; provoca o bem-estar dos
indivíduos; deve ser entendida como uma ação de enfrentamento a desafios
relativos a saúde e qualidade de vida; e deve ser desenvolvida na perspectiva
integral, interdisciplinar e intersetorial.
Outros objetivos foram citados:
(...) a Educação Física, quando a gente volta pra esta parte da
saúde, a gente prioriza muito isso, ver a necessidade e
realidade do aluno (...). (SER I, Prof. 2).
(...) enquanto eles não tiverem cuidando das suas saúdes,
como todos esses aspectos eles realmente não vão ser
pessoas felizes. Tem que trabalhar todos esses aspectos
constantemente (SER II, Prof. 1).
(...) trabalhar o ser humano de forma holística, pois, tudo que
se trabalha desta forma está incluído o entendimento sobre
saúde pelos princípios da Educação Física. (SER II, Prof. 2)
A melhoria do desenvolvimento físico, mental (...) (SER V,
Prof. 1).
( ...) é fazer com que os alunos se interessem não só pelo bem
estar físico, como também o social. Pela Educação Física a
gente pode fazer com que os alunos sejam mais
cooperadores, mais companheiros, solidários, e tenham a
noção do mundo em geral e das regras da sociedade através
do esporte, porque ao praticar aquela modalidade, ele tem que
obedecer as regras então eles sabem os limites e as
penalidades que isso acarreta.(SER V, Prof. 2)

Os objetivos citados demonstram aspectos relacionados à realidade dos


alunos, fundamentando-os na perspectiva humanística do cuidado, da
integralidade e do respeito ao contexto social de produção das condições de
existência, dos estilos de vida e das representações. Estes objetivos fazem
122

parte das preocupações da Saúde Coletiva para o bom desenvolvimento do ser


humano.
Ayres (2001), inspirado no filósofo Heidegger, assevera que o sentido
da existência humana é a atitude, a condição e a ação de cuidar. O cuidado, na
visão desse autor, é considerado um elemento essencial que oferece a
oportunidade de compreender a condição de ser humano. A condição de
cuidar, durante uma sessão prática da Educação Física, oferece ao profissional
ser na essência humano, já que ao cuidar, atinge sua excelência como homem.
Outro objetivo, isolado e redutivo à dimensão biológica, foi citado,
exemplificando a lógica causal, direta, entre atividade física e saúde:
Mostrar pra eles que a atividade física ligada à saúde tem uma
continuidade no decorrer de sua vida, não aquela atividade
física só pela atividade física. (SER III, Prof. 1).

Sobre como atingir os objetivos citados, as falas dos envolvidos


apresentavam:
Costumo dar aulas teóricas pelo menos uma vez ao mês.
(SER I, Prof. 1).
Através de todas as atividades que a Educação Física oferece
(...) a gente pode fazer uso de um gama de atividades, seja
ela de aspecto lúdico, recreativo, ou então mesmo através dos
esportes, apresentando todas essas ações nas atividades
você imediatamente já consegue atrelar a esse aspecto da
saúde, é assim que eu acredito. (SER II, Prof. 1).
(...)Montando estratégias onde os alunos percebam essa
importância, essa forma de ver o ser humano em todas as
suas dimensões sociais (...) como lidar com o corpo, o
respeito, eles trabalharem um pouco a tolerância com o outro
e com as diferenças. (SER II, Prof. 2).
Tentando usar o que tiver de disponível de recursos o máximo
possível procurar ler sobre e discutir com os colegas (SER IV,
Prof. 1).
A gente faz competições, faz jogos lúdicos com eles, procura
passar pra eles o coletivo e o individual, respeitando sempre o
colega, os valores morais, não só o valor esportivo, o valor
moral. (SER V, Prof. 1).
Através da aplicação das aulas, fazendo com que eles
pratiquem e se interessem pelas aulas e gostem de vir para as
aulas de Educação Física. (SER V, Prof. 2).
É você trabalhar de forma conjunta com o colégio, com
planejamento com as coisas andando de forma mais
interligada. (SER VI, Prof. 1).
123

É necessário que exista planejamento para que os professores de


Educação Física atinjam seus objetivos. Na observação informal, notou-se que
os docentes realizavam suas aulas sem planejamento prévio, o que
impossibilita a sequência pedagógica.
O planejamento é processo que inclui reflexão, decisão, previsão de
necessidades, meios e recursos disponíveis, “visando à concretização de
objetivos, em prazos determinados e etapas definidas, a partir dos resultados
das avaliações” (PADILHA, 2001, p. 30).

5.5 Atividades Extras Sala, Utilização do Laboratório de Informática e


Pesquisas sobre o Tema Saúde

Havia três perguntas no questionário aplicado aos alunos relacionadas


ao tema desta questão oferecida aos professores. Em duas, as respostas
indicam contradição, e em uma aponta consonância.
A maioria dos alunos relatou jamais haver participado de aulas de
Educação Física no laboratório de Informática da escola e nunca ter realizado
pesquisas sobre saúde a rogo do professor de Educação Física.
Surpreendentemente, todos os professores envolvidos, exceto um - “Ainda não,
mas eu pretendo fazer” (SER II, Prof. 1) - responderam que solicitavam
pesquisas e realizavam aulas em laboratórios sobre o tema saúde. Mais uma
vez, parece que alunos e professores situam-se em escolas diferentes.
Sobre a discordância da realização de pesquisas sobre o tema saúde,
pode-se destacar, nas falas dos docentes:
Eles foram ao posto de saúde e lá fizeram os testes, eles
trouxeram os resultados e nos fizemos uma estatística de
como estava a turma, foram ao laboratório fazer pesquisa
sobre os temas que pedi. (SER I, Prof. 1).
Só pesquisa sobre o tema saúde e no laboratório: Para os
alunos que são dispensados ou por motivos de Saúde passo
um trabalho sobre os benefícios da atividade física para a
saúde. (SER I, Prof. 2).
(...) no laboratório pedi para pesquisar sobre (...) ditadura da
beleza. (SER II, Prof. 2).
124

Só pesquisa sobre o tema saúde. A saúde ligada a


importância da atividade física pra eles no futuro da sua
qualidade de vida.(SER III, Prof. 1).
Já realizei palestras em sala de aula (...) já programei uma
aula no laboratório sobre o tema do bimestre, que é os
alimentos. (SER IV, Prof. 1).
Já solicitei pesquisa sobre saúde, e laboratório de informática
eles também tem acesso pra pesquisar qualquer tipo de
assunto ligado à saúde, esporte (...) já pensei em trazer um
profissional da saúde, um médico, um nutricionista. (SER V,
Prof. 1).
Solicito pesquisas, mais na recuperação, esporadicamente
dependendo de um tema (...) (SER V, Prof. 2).
Já solicitei pesquisa sobre obesidade, à história do vôlei e
geralmente voltada para o conteúdo em que estou
trabalhando. (SER VI, Prof. 1).

De acordo com Demo (2002, p. 52), “pesquisa é ainda um fetiche


acadêmico”, e é encarada por muitos professores como uma atividade que
requer muito tempo, recursos materiais e físicos e formação própria. Neste
pensamento, a pesquisa seria atividade destinada somente a pesquisadores,
mestres e doutores, no âmbito das universidades, e não na escola.
A maioria dos alunos declarou que seus professores não promoviam
palestras ou aulas de campo sobre saúde. Todos os docentes, ao serem
questionados sobre isso, assumiram a não realização da prática. Explorando
melhor esta concordância, encontram-se as seguintes afirmações por parte dos
professores:
Não, recentemente não, mas uma vez eu fiz pra que eles
trabalhassem a questão do IMC, eles foram fazer medição e
peso porque na escola não tinha balança, eles foram ao posto
de saúde e lá fizeram os testes(...). (SER I, Prof. 1).
Não, não houve tempo, eu só estou há um mês aqui. Ainda
não, mas eu pretendo fazer. (SER II, Prof. 1).
Nos outros locais nunca levei. (SER I, Prof. 2).
Não tive tempo de visitar posto de saúde... (SER II, Prof. 2).
Só trabalhei a parte de pesquisa não trabalhei o restante
(visitas). (SER III, Prof. 1).
Não saímos da escola. (SER IV, Prof. 1).
No posto de saúde não tem a mínima condição de levá-los
(SER V, Prof. 1).
Não realizei outras atividades por falta de tempo e pra gente ir
para um posto desses requer uma série de dificuldades por
conta da burocracia é uma responsabilidade de sair com estes
125

alunos fora do comum, ai é melhor não mexer no que está


quieto. (SER V, Prof. 2).
Não, (...) a gente volta àquela questão de novo, o tempo e os
a fazeres que o professor tem no colégio, é muito pouco, isso
atrapalha (...). (SER VI, Prof. 1).

A aula de campo é uma importante ferramenta para a assimilação de


conteúdos. Freire (2001) ressalta que é necessário formular o conhecimento
coletivo, articulando o saber popular, crítico e científico por meio das
experiências do mundo. Desta forma, observa-se um déficit na condução do
ensino-aprendizagem dos envolvidos.

5.6 Conteúdos Fundamentais para o Ensino da Saúde no Ensino


Fundamental II – 5º ao 9º ano

Quando questionados sobre quais conteúdos consideravam mais


relevantes para o ensino-aprendizagem sobre saúde nas aulas de Educação
Física, os professores relataram:
Higiene básica de saúde corporal, a questão da alimentação
que eles devem ter, alimentação saudável, a postura nos
exercícios, o próprio incentivo pela prática regular de atividade
física não só a Educação Física, dentro da escola, mas fora
também e promover o esporte. (SER I, Prof. 1).
(...)o aspecto da higiene, eu acho que é uma coisa que
precisa ser muito bem trabalhada (...) saúde dos dentes, a
saúde e a higiene do corpo (...). (SER II, Prof. 1).
(...) postura de sentar, de movimentar, de andar de fazer os
exercícios corretos, a saúde, principalmente em relação a
doenças sexualmente transmissíveis e também ligados a
saúde, hoje eu falei em relação as drogas. Ter cuidado com a
droga para poder ter uma boa qualidade de vida, uma boa
saúde.(SER III, Prof. 1).
Primeiro ele ter essa noção de quebrar o paradigma de que ter
saúde é não estar doente (...).(SER IV, Prof. 1).
É fundamental pro resto da vida, você sabe que os bons
hábitos (...) alimentação, atividade física regular, alimentação
adequada, repouso e controle do stress (sono). A atividade
física. O corpo não pode ficar parado.(SER V, Prof. 1).
Como eu já falei anteriormente é o cuidado consigo mesmo, é
a importância deles saberem que cuidando da higiene da
saúde, praticando exercício, atividade física, isso gera
benefícios pra ele de grande importância, não só aquele
negócio de jogar, de praticar, mas eles terem com eles a
126

necessidade de saber que isso faz bem até o fim da vida.


(SER V, Prof. 2).
Eu acho que é muito viável trabalhar a questão do corpo, da
estética, com relação à saúde, como o estilo de vida saudável,
eu acho que é legal abordar, neste sentido também abordar
noções básicos de fisiologia.(SER VI, Prof. 1).

As categorias inseridas nas falas dos docentes que surgiram com maior
frequência foram: relação atividade física/saúde, com seis aparições; higiene,
com três aparições; alimentação, postura e qualidade de vida, cada qual com
duas aparições; e saúde bucal, cuidado de si, autonomia, doenças
sexualmente transmissíveis, drogas, conceito de saúde, repouso, estresse,
fisiologia e corpo/estética, cada qual como uma aparição.
A maior parte dos alunos demonstrou interesse em compreender as
causas, efeitos e mitos na relação entre a prática da atividade física e a saúde.
Da mesma forma, a maioria dos professores envolvidos no estudo reúne esta
categoria como o conteúdo mais relevante para abordar o tema saúde.
Tal resultado vai de encontro ao pensamento de Darido (2004), quando
a autora assinala que a Educação Física deve oferecer autonomia ao aluno
para que ele, após o período escolar, possa compreender a necessidade de
manter um programa de atividade física regular sem o auxílio de especialistas,
se assim o quiserem.

5.7 A Educação Física e a Melhoria dos Conhecimentos Sobre Saúde dos


Alunos

Somente dois professores concordaram com a situação de que, da


forma como a Educação Física é oferecida na escola, os conhecimentos dos
alunos não melhoram, ou melhoram muito pouco. As falas representam o
entendimento dos docentes.
Não, eu acho que tem muitas falhas, eles visam a Educação
Física mais com só jogar bola e eu acredito que eu, enquanto
professora falho nesta situação. Deveria incentivar mais,
deveria dar uma abordagem melhor e maior de uma forma
mais direta para que eles tenham o interesse e tentar tirar um
pouco a história que a Educação Física é só um esporte.
Fazer palestras, mostrar um filme, passar trabalhos que eles
127

possam ir à internet, pesquisar, acredito que nessa forma seja


mais incentivador.(SER I, Prof. 1).
Melhoram muito pouco (...) você trabalha a saúde mais de
uma forma indireta apesar de alguns momentos a gente vai
falar sobre adolescência e sexualidade, a gente aborda a
questão da saúde e da prevenção através de uma forma direta
com textos e a gente faz uma peça teatral todo ano, mas
esses momentos, que não são ligados a área esportiva, são
momentos raros. Acho que seria plenamente possível fazer
isso aí, mas teria que fazer uma nova reeducação e talvez
mexer até na própria estrutura curricular da Educação Física
(SER VI, Prof. 1).

O professor 1 da SER I, em seu discurso, reconhece como falha a


concepção da Educação Física esportivista, segundo a qual a aula se resume à
prática de esportes, mais ainda, à prática de um esporte, em leque restrito a
futebol ou futebol de salão. O docente cita que deveria estimular mais os
alunos e reconhece que deve alterar sua metodologia de ensino.
O professor 1 da SER VI clama por mudanças no currículo da Educação
Física para inserir o conteúdo saúde, pela consciência manifesta dos limites e
da legitimação do único profissional, formalmente da saúde, que existe na
escola.
Darido (2004) lembra que uma das hipóteses para a reduzida
participação nas aulas de Educação Física e, consequentemente, o pouco
conhecimento acerca do tema saúde, é ocasionada pelas experiências
anteriores nas aulas da disciplina. Para a autora, muitos alunos não encontram
prazer, nem conhecimento nas aulas.
O prazer e o conhecimento sobre a prática da atividade física e seus
benefícios à saúde devem ser adquiridos com uma nova postura da Educação
Física na escola: a vivência e a aprendizagem de aspectos vinculados ao
corpo/movimento; daí a importância da abordagem do tema saúde. É
observado nas aulas de Educação Física que apenas parte dos alunos, os
mais habilidosos, se interessa pela aula, da forma como é ministrada, e os
professores, ainda pautados pelo esportivismo, continuam valorizando estes
alunos. Tal situação leva ao afastamento de grande parte dos alunos que não
possuem aderência à prática esportiva apenas (DARIDO, 2004).
128

Três professores informaram que os alunos melhoram em parte os seus


conceitos sobre saúde, da forma como a Educação Física é administrada:
Melhora se a gente tivesse assim uma condição de trabalho
melhor no que diz respeito à educação física, (...) muitas
vezes nós poderíamos trabalhar a questão da saúde, muito
mais se oferecido um espaço maior de tempo, um contato
maior com aluno e a carga horária acaba sendo muito
pequena para isso mas a importância é muito grande.(SER I,
Prof. 2).
Não tanto como eu gostaria devido a essas salas muito
cheias, poucos materiais, os recursos não são adequados.
Poderia ser melhor, a gente tenta dentro daquilo que nos
temos passar aquilo que é possível o que é melhor pra eles
então assim pelo menos alguma conceitos básicos eles
conseguem sair. Para mudar esse quadro, é preciso fazer um
amplo debate com todos os envolvidos, mostrar o grau de
importância de se começar a falar na escola desse conteúdo
saúde, depois adequar melhor essas escolas para a disciplina
Educação Física que infelizmente na realidade essa disciplina
fica meio que no escanteio, apesar dos avanços que já houve
ainda não temos nosso espaço garantido dentro da escola
quanto mais gente ajudando nessa luta fortaleça mais a gente.
(SER IV, Prof. 1).
Eu acredito que não é o ideal, mas pra quem não tem nada, já
é uma coisa (...) não tem material (...) acham que a Educação
Física é só construir uma quadra coberta e jogar uma bola e
acabou, você está lidando com vida, você está lidando com a
saúde de uma pessoa, se você não tiver consciência do que
está fazendo, em vez de estar melhorando, tá é piorando, está
desencadeando uma doença, uma coisa. Você tem que ter
conhecimento, e não deixar de se atualizar, o profissional de
educação, como qualquer outro profissional. Mas, às vezes
existe a acomodação, a falta de recurso, a falta de fonte (...)
você tem que pesquisar. (SER V, Prof. 1).

As três falas apresentam um ponto em comum: reclamação sobre falta


de espaço adequado e de materiais nas escolas para as aulas de Educação
Física; tempo insatisfatório e insuficiente de contacto com os alunos; ausência
de reconhecimento da disciplina. Reclamações antigas na área da Educação
Física Escolar, como a experiência prática e a literatura indicam.
Dos participantes docentes, três estavam satisfeitos com a melhoria da
aprendizagem dos conceitos de saúde pelos alunos por meio da Educação
Física, tal como é administrada:
129

Melhoram, sem duvida nenhuma, por que constantemente eu


como professora de Educação Física tenho a chance de falar
sobre esse assunto (...)É um trabalho assim, relativamente
solitário (...) eu não sei se todos os outros professores de
Educação Física fazem isso. (SER II, Prof. 1).
Melhora, pois como eu estou trazendo esses assuntos, estes
temas pra eles, com isso acabam conhecendo algo que nunca
tinha sido abordado, principalmente nas aulas de Educação
Física, pois nos temos uma liberdade de tratar esses temas
com eles, pois eles são muito mais abertos a falarem com a
gente (...) você tem que trazer outras estratégias e
metodologias para que isso não fique repetitivo e possa se
tornar mais claro para eles, pois dificilmente quando você
trabalha uma só vez o conteúdo vai possibilitar que eles
compreendam e se sensibilizem tornando necessário que seja
aprofundado nos anos seguintes. (SER II, Prof. 2).
Creio que sim, pois eu falo bastante em todas as minhas aulas
sobre a perspectiva de vida de trabalho, saúde, até questões
familiares para o futuro deles. Uma dificuldade que encontro é
o pouco de tempo que eu passo com eles, apenas duas vezes
por semana para realização dessas atividades é pouco para
mudar na sua consciência, mas dizer que a minha Educação
Física em si vai torná-lo um atleta com saúde e qualidade de
vida, não. Mas que ele leve essas práticas que eu passo pra
eles, essas aulas teóricas pra vida deles e que possam
também ter uma continuidade não só na escola, em outros
horários, mais na sua família e no seu próprio lazer (...). (SER
III, Prof. 1).

Ao observar as falas desses docentes, nota-se que a repetição e a


ênfase no conteúdo saúde é a forma que os professores encontraram para
melhorar a aprendizagem dos alunos sobre o tema.
Em resposta a pergunta similar, a maioria dos alunos evidenciou que
seus conhecimentos sobre saúde não melhoraram no decorrer das aulas de
Educação Física. Entre os docentes, dois terços consideram que os alunos não
melhoraram ou melhoraram parcialmente/muito pouco. A precariedade se
revela nos discursos de docentes e discentes.
Verificou-se falha na prática do professor de Educação Física em
transmitir conceitos de saúde. Tais resultados não estão de acordo com Darido
et al (2001, p 27), quando sugerem que é responsabilidade do professor de
Educação Física “identificar o contexto da saúde na área, construindo e
130

incentivando discussões e reflexões que possibilitem ao aluno fazer uma


leitura crítica do meio que o mesmo está envolvido”.

5.8 Principais Achados

Ao realizar a triangulação metodológica na análise verificou-se que os


principais achados deste capítulo, quando cruzados com as respostas dos
discentes, ora são contraditórios, ora se harmonizam, como sistematizado no
Quadro 21.

Quadro 21: Comparativo entre resultados da coleta com docentes e


discentes
ITENS DOCENTES DISCENTES
Conceito de saúde Baseado no conceito da Baseado no conceito da
OMS OMS
Utilização do tema Afirmam que recorrem Afirmam que os
saúde em aula ao tema docentes não recorrem
ao tema
Realização de Afirmam que realizam Afirmam que os
atividades de pesquisa tais atividades docentes não realizam
ou de informática sobre tais atividades
temas ligados a saúde
Realização de aulas de Reconhecem que não Afirmam que os
campo e palestras sobre realizam tais atividades docentes não realizam
o conteúdo saúde tais atividades
Conteúdo mais Relação ‘Atividade Relação ‘Atividade
importante a ser Física/Saúde’ Física/Saúde’
abordado na visão dos
docentes durante aulas
sobre saúde.
Melhoria dos Reconhecem que os Não melhoraram seus
conhecimentos dos conhecimentos dos conhecimentos
alunos sobre saúde por alunos não melhoraram
meio da Educação
Física
Fonte: dados da pesquisa

Observa-se que os docentes, em sua maior parte, do mesmo modo que


os discentes formulam seus conceitos de saúde referendados pela
conceituação da OMS.
Quando questionados sobre a utilização do tema saúde em suas aulas,
os docentes foram enfáticos em dizer que recorriam ao tema, diferentemente
131

do que foi relatado pelos discentes. As aulas teóricas são os momentos eleitos,
pela maioria, para a aplicação do tema saúde.
Para os docentes, realizar a prevenção é o objetivo maior, quando se
inclui o assunto saúde nas aulas de Educação Física.
Mais um ponto discordante das respostas dos alunos foi verificado,
quando se perguntou aos professores se realizavam atividades de pesquisa ou
de informática sobre temas ligados a saúde. Somente um deles relatou não
realizar estas atividades.
Foi constatado nas entrevistas o fato de que os docentes não realizam
aulas de campo e palestras sobre o conteúdo saúde, situação semelhante às
respostas dos alunos.
Também foi verificado que a relação ‘atividade física/saúde’ é o
conteúdo mais importante a ser abordado na visão dos docentes durante aulas
sobre saúde. O mesmo resultado foi encontrado nos dados obtidos com os
discentes.
Por fim, o maior número dos docentes acredita que os alunos não estão
melhorando seus conhecimentos sobre saúde por meio da Educação Física, da
forma como é administrada, resultado similar ao dos discentes. Percebem
ainda suas falhas, mas não sabem como superá-las.
132

6 SAÚDE NA EDUCAÇÃO FÍSICA: UMA PROPOSTA DE


TEMÁTICAS PARA ENSINO E REFLEXÃO

Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.


Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros
desaprendam a arte do vôo.
Escolas que são asas amam pássaros em vôo. Existem para
dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas
não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros.
O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

Rubem Alves

Neste capítulo apresenta-se a proposta de temas para o ensino para a


disciplina Educação Física Escolar, com foco nos conhecimentos de saúde.
Para tanto, considerou-se os resultados dos questionários aplicados aos alunos
e das entrevistas realizadas com os docentes.
A proposta leva em conta os princípios da diversidade, inclusão e
categoria das dimensões de conteúdos.
O princípio da diversidade considera a necessidade de escolher
múltiplos conteúdos, visando a apresentar ao aluno a cultura corporal do
movimento, proporcionando-lhe uma vasta vivência de conhecimento teórico e
prático do corpo e movimento humano.
Incluir todos os alunos em todas as atividades da Educação Física é o
desafio do princípio da inclusão. Segundo este princípio, o professor deve criar
estratégias e opções para que os alunos participem das aulas propostas.
Considera-se, sob tal aspecto, uma quebra de paradigmas, já que a área
possui histórico de privilegiar os mais aptos em relação às práticas corporais.
A categoria dimensões de conteúdos se mostra em três formas distintas:
procedimental, ligada ao fazer; conceitual, relacionada a conhecimentos
teóricos, conceitos e fatos; e, atitudinal, voltada às questões de valores,
atitudes e normas.
Por fim, a proposta será apresentada no nível do ensino fundamental,
foco da pesquisa. O ensino fundamental, integrante da educação básica,
possui diversas áreas de agrupamento das disciplinas. A área de Linguagens e
133

Códigos contempla a Língua Portuguesa e Estrangeira, Arte, Informática e


Educação Física.
No ensino fundamental, composto por nove séries, há a divisão em
turmas por faixa etária: de seis anos, na primeira série, a 14 anos, na nona
série. Nesta proposta, apresenta-se sugestões para as séries finais, sexto ao
nono ano, nível de ensino dos participantes da pesquisa.
Sugere-se aos professores de Educação Física a alternativa no que se
refere à prática da disciplina, enraizada na lógica tecnicista. As aulas neste
nível de ensino tendem a ser direcionadas para a prática quase exclusiva dos
esportes, afastando-se, pois, dos objetivos voltados à saúde.
Ao confrontar a realidade da Educação Física nas escolas, nota-se que
a distância entre os objetivos da disciplina e a realidade ainda é grande, porém
tende a ser reduzida com a renovação dos quadros docentes. Na verdade, a
prática pedagógica, em muitos casos, pouco contribuí para compreensão dos
conceitos de saúde em ambientes escolares.
Outro fato relevante na discussão deve ser apontado. Enquanto
disciplinas como Matemática, Português e História possuem conteúdos que se
completam e a cada série ou ano se renovam, na maioria das vezes o
conteúdo da Educação Física constitui repetição contínua, quase sempre
voltado a esporte e jogo. A disciplina em foco necessita revisitar sua
identidade, assumindo-se como ciência que estuda o movimento humano
inserido na cultura corporal, na qual se inclui a saúde.
Pensando assim, vincular os conteúdos da Educação Física à Promoção
e Educação para a Saúde parece ser uma solução com vistas a desenvolver,
entre os alunos, a criticidade e o entendimento sobre os temas relacionados à
qualidade de vida, em sentido mais global.
Observa-se o afastamento progressivo dos alunos da Educação Física
na escola. Aderem a outros espaços, como academias, parques, condomínios,
e lá realizam suas atividades físicas. Afastam-se da aula de Educação Física e
não da atividade física. Tal fato revela a necessidade urgente de apresentar
outras propostas de ensino para a disciplina, que levem aos alunos a
diversidade de conteúdos, que os façam perceber a relevância da saúde como
instrumento para uma boa vida ativa, não apenas uma ocupação burocrática de
tempo escolar.
134

Considera-se, na proposta, que a Educação para a Saúde é a alternativa


viável para as aulas de Educação Física. Bento (1991) reforça esta proposição,
ao exprimir a idéia de que a orientação para a saúde é um meio de concretizar
as pretensões e justificativas da Educação Física.
Guedes e Guedes (1994) solicitam que a aptidão física voltada para a
saúde deve ser fim e não meio da Educação Física na escola. Para os autores,
entretanto, a Educação Física ainda não consegue transformar seus
praticantes em adultos conscientes da importância da prática da vida ativa.
Entende-se que não basta realizar atividade física para a consecução da
saúde, pois é necessário compreender a saúde em toda a sua magnitude.
Justifica-se desta forma uma proposta inovadora que atinja os objetivos da
Educação Física como meio de transmissão de conceitos sobre saúde.
Buscando apresentar novos meios de ensino da disciplina, envolvendo
aspectos relacionados ao entendimento de saúde, a proposta visualiza a
participação de todos os alunos e não somente aqueles que possuem
habilidades técnicas para a prática esportiva.
De acordo com a LDB (BRASIL, 1996), uma proposta de ensino de
qualquer disciplina deve ser analisada pelo professor, equipe pedagógica e
comunidade escolar. Necessita ser aprovado e estar de acordo com o projeto
pedagógico da própria escola. O currículo deixou de ser rígido, mantém uma
base nacional, mas pode ser complementado. Portanto, é possível uma
proposta de Educação Física voltada aos preceitos da saúde.
A justificativa da inclusão da Educação para Saúde confirma a ideia de
que o aluno deve desenvolver o entendimento da relação saúde/doença,
entender os aspectos da promoção e, por fim, ser agente principal de sua
condição de saúde, no campo coletivo ou individual.
Mattos e Neira (2008) explicam que um programa de Educação Física
deve gravitar à órbita de competências de autoconhecimento e autocuidado,
desenvolver a consciência sanitária e reforçar o entendimento da Saúde
Coletiva.
A proposta a seguir é composta por duas partes distintas. A primeira
apresenta um projeto macro, no qual toda a escola se envolve na Promoção e
Educação para Saúde, incluindo a Educação Física e tem por objetivo
135

estruturar ambientes saudáveis na escola e em seu entorno, além de educar


para a saúde e praticar o ensino de habilidades para a vida (CDC, 2000).
A segunda parte aborda sugestões específicas de como inserir o tema
saúde nos conteúdos da Educação Física, sob a óptica da experiência prática e
teórica do pesquisador.
Ao final deste capítulo será apresentado, a partir da proposta, um
instrumento indicador de saúde, na escola e na aula de Educação Física.

6.1 Parte I Saúde na Escola

6.1.1 Políticas de Saúde no Ambiente Escolar

É necessário que seja constituída, em cada escola, uma equipe de


saúde destinada a envolver a comunidade escolar, objetivando integrar
educação, saúde e qualidade de vida nos processos de formação.
Tal equipe deve ser formada por um representante de cada segmento
destacado: membro do núcleo gestor; professor de Educação Física; pais,
docentes, funcionários, merendeiros e alunos; enfermeiro, médico ou
nutricionista; devendo reunir-se, a cada semestre, para planejar as ações
relacionadas à: prática das atividades físicas; alimentação saudável; condições
de saneamento; combate a violência; não utilização de drogas e tabaco;
sexualidade; moradia; e emprego.
As ações da equipe de saúde refletem o acompanhamento das aulas de
Educação Física e das práticas de atividades físicas; da higiene dos alunos e
do espaço escolar; estabelecimento de metas relativas a controle da dengue e
doenças viróticas; registro de surtos de patologias na escola; promoção de
palestras e encontros sobre saúde; promoção de ações em conjunto com
postos e unidades de saúde da região próxima ao ambiente escolar; e
supervisão da merenda escolar oferecida.
Na visão dos alunos, a saúde é compreendida como um composto de
atitudes. De acordo com um dos participantes, saúde é:
(...) você estar bem consigo próprio, ter alimentação
equilibrada, praticar exercícios e não estar doente. (8º ano,
SER VI).
136

A proposta, entretanto, enfatiza a realização de atividades físicas e a


boa alimentação. Leva em consideração o conceito formulado pela maioria dos
alunos, que inclui a alimentação e a prática da atividade física como elementos
primordiais para a consecução da saúde, como se observa na fala a seguir:
Saúde é ser uma pessoa bem alegre, é comer muito e praticar
exercícios. (7º ano, SER I).

Os momentos em que as atividades físicas devem ocorrer para a


Promoção da Saúde devem ser monitorados pela equipe. O recreio é um
momento em que hábitos de vida ativa devem ser estimulados.
O recreio deve possuir no mínimo 30 minutos de duração, pois o tempo
estipulado em muitas escolas da rede municipal, de até 20 minutos, é
desencorajador para um comportamento ativo. Os alunos, chegando ao espaço
destinado ao recreio, vão ao banheiro, entram na fila, merendam, conversam e,
muitas vezes, não lhes resta mais tempo para a atividade física.
Nesta proposta, sugere-se que haja dez minutos para a merenda, cinco
minutos para descanso e mais 15 minutos de recreio com atividade física
moderada. Durante o recreio, é necessário estimular os alunos a participarem
das atividades. Desta forma, monitores, materiais e atividades programadas
devem fazer parte do momento.
As atividades do recreio devem primar pela segurança, motivação e
envolvimento de todos. Esta ação é, de fato, compreendida pelos alunos como
um instrumento para a aquisição da saúde, já que no recreio se praticam
padrões motores favoráveis à atividade física:
Saúde é correr, brincar, jogar (...). (6º ano, SER II).
É ter energia, paz, correr, pular (...). (9º ano, SER I).

Sugere-se criar uma equipe de professores exclusivamente para


planejar as ações no recreio, estimular a participação e proporcionar a prática
ativa dos alunos, abandonando hábitos sedentários. Ressalte-se que os alunos
já passam muito tempo do seu cotidiano sentados em carteiras, com
movimentos quase nulos, de forma que o recreio se torne um momento
importante para o desenvolvimento de hábitos motores necessários à saúde.
137

Entende-se que há diferenças entre a prática da atividade física e uma


aula de Educação Física. A escola deve incentivar a prática da atividade física,
seja ou não na aula de Educação Física.
Para tanto se questiona qual a motivação que as escolas oferecem para
a prática da atividade física ou da Educação Física. As quadras devem ser
cobertas, proporcionando proteção contra sol e chuva; os equipamentos e
materiais devem ser adequados para a idade escolar, evitando riscos à
segurança dos participantes; as turmas devem conter um número não superior
a 40 alunos; as atividades físicas extracurriculares devem ser oferecidas para
todos os alunos interessados, não discriminando fatores econômicos, sem
superlotação e com segurança.
Os alunos devem ser estimulados a realizar atividades físicas em
momentos externos à aula de Educação Física. A escola há que proporcionar
escolinhas de esporte; permitir o uso da quadra, pátios e playgrounds em
horários distintos da grade curricular; liberar os espaços aos finais de semana
para jogos e atividades recreativas; e oferecer professores e monitores
capacitados para acompanhar estas atividades.
Esta ação de incentivo é fundamental para a inclusão dos jovens em
ambiente de sociabilidade crítica, pleno de estímulos ao crescimento pessoal,
com Promoção de Saúde.
A escola não deve realizar medidas punitivas utilizando a não permissão
da prática da atividade física ou da Educação Física como castigo. Tal método
afasta o aluno da realização dos padrões motores de movimento; produz
aversão à prática física, já que o aluno faz a relação atividade física-punição;
favorece o sedentarismo; estimula o autoconceito de fracassado; e proporciona
a não inclusão.
A oferta da atividade física e da própria Educação Física, a promoção de
refeições escolares saudáveis e o incentivo à realização de aulas de educação
nutricional são propostas plausíveis e resolutivas em ambientes escolares para
o combate a obesidade. A alimentação é uma preocupação latente no discurso
dos alunos:
Saúde é aquela pessoa que se alimenta bem e tem o corpo
forte. (8º ano, SER II).
Como se alimentar para ficar saudável? (8º ano, SER I).
O que devemos comer para ter mais saúde? (9º ano, SER IV).
138

A escola deve oferecer alimentação de forma gratuita a todos os alunos,


professores e funcionários da escola. A alimentação, planejada por um
nutricionista, deve conter: alimentos variados, aceitos pelos alunos e à base de
vegetais, frutas, legumes, cereais, carnes, grãos e derivados do leite, com
baixo teor de gordura.
A escolha, preparo e apresentação dos alimentos devem promover o
interesse dos alunos, respeitando a cultura, tradição e hábitos alimentares da
comunidade. A alimentação deve favorecer a moderação de gorduras, sódio e
açúcares. O refeitório deve ser agradável, bem higienizado e seguro.
Os profissionais que vão atuar na alimentação oferecida pela escola
devem ser capacitados, compreender sobre emergências alimentares,
colaborar entre si para instrumentalizar a política da boa alimentação e
participar da elaboração, implantação e avaliação das políticas nutricionais da
escola.
A escola deve vedar a venda e a distribuição de alimentos de valor
nutricional mínimo, isto é, refrigerantes e doces; alimentos ricos em calorias na
forma de gorduras ou açúcares e contendo poucas vitaminas ou sais minerais,
como frituras, sucos artificiais e bolachas recheadas. Assim, deve proibir a
distribuição de alimentos ricos em açúcares como prêmio em atividades
diversas, tais como tarefas realizadas e sucesso em provas e testes. Da
mesma forma não deve punir alunos com a negação ao acesso de alimentos,
em razão de comportamento impróprio.
Os professores devem assegurar tempo para que os alunos realizem a
higienização das mãos antes e após as refeições, estimulando este hábito ao
longo da vida, fato citado por um aluno:
Em minha opinião saúde para mim é (...) manter sempre as
mãos limpas, os dentes limpos e as unhas limpas. (6º ano,
SER IV).

A proposta de políticas de saúde em ambientes escolares sugere que


todos os funcionários e professores da escola devem conhecer a política de
saúde proposta, favorecer o acesso dos alunos ao ambiente escolar para a
prática da atividade física; estimulá-los a participar das aulas de Educação
Física; orientar sobre a alimentação saudável no interior da escola; e
responsabilizar-se por uma conduta exemplar.
139

6.1.2 Educação para a Saúde

O currículo obediente às diretrizes da Educação para a Saúde deve ser


aplicado em todas as séries do ensino fundamental, considerando o aumento
do grau de complexidade de acordo com a idade dos alunos. Deve ser
sequencial e não repetitivo; amplo e diversificado, envolvendo temas de
interesse os alunos, como, por exemplo, os citados:
Sistema muscular. (7º ano, SER VI)
Hábitos saudáveis. (7º ano, SER II)
Sistemas do corpo. (7º ano, SER V)
Como eu posso me cuidar em casa para não pegar doenças.
(9º ano, SER II).

O currículo há de abordar os temas atividade física e saúde, englobando


os seguintes tópicos: benefícios fisiológicos, psicológicos e sociais da atividade
física; componentes da aptidão física relacionados com a saúde: resistência
cardiovascular, velocidade e força muscular, flexibilidade e composição
corporal; importância das fases de uma atividade física - aquecimento,
alongamento, parte principal e volta a calma; prevenção de lesões durante a
atividade física e primeiros socorros básicos; sedentarismo; influência da
família, da cultura e da mídia nas escolhas e práticas da atividade física; como
apoiar e incentivar outras pessoas à realização de atividade física.
No que se refere aos temas de alimentação saudável, devem ser
abordados: benefícios da alimentação saudável; pirâmide alimentar;
identificação de alimentos ricos em vitaminas e minerais; identificação de
alimentos ricos em gorduras saturadas, colesterol, sódio e açúcares; segurança
alimentar: higiene, compra, preparo e estocagem alimentos; relação entre a
ingestão alimentar e a atividade física; diferenças corporais; distúrbios e
doenças relacionados com alimentação; influência da família, cultura e mídia
no comportamento alimentar; e práticas de controle de peso saudável.
Também devem ser inseridos no currículo temas sobre o abuso de
drogas, álcool e tabaco; doenças sexualmente transmissíveis; violência e
saúde; doenças coronarianas, diabetes, educação e saúde; higiene corporal;
moradia, saneamento e saúde; trabalho, lazer e ócio; saúde bucal; e aspectos
socioculturais relacionados à saúde.
140

Em se tratando do tema lazer, há uma necessidade do debate, por parte


dos alunos, como se observa nas falas a seguir:
Gostaria de aprender sobre saúde, lazer e brincadeiras. (6º
ano, SER II).
Estudar sobre como o lazer ajuda na saúde. (6º ano, SER I).

Mais especificamente, se referindo à não utilização de drogas, o tema


proposto deve ser ressaltado, apesar de já ser compreendido pelos alunos
como indicativo de saúde:
É uma pessoa que não fuma, não bebe, não usa drogas. (7º
ano, SER V).
É não se misturar com drogas. (6º ano, SER II).
Saúde é a pessoa se cuidar, não beber, não fumar, não usar
drogas... para viver melhor. (6º ano, SER III).

As aulas de Educação para a Saúde devem possuir estratégias


motivantes, agradáveis, importantes e diversificadas. As ações devem levar
em consideração o meio sociocultural dos alunos e sua realidade. A
aprendizagem há que ser ativa e participativa, realizada apor meio de práticas
laboratoriais ou de exposições dialogadas. Deve, ainda, favorecer a adoção de
comportamentos saudáveis.
São exemplos de atividades didáticas para atingir as finalidades da
Promoção para Saúde na escola por intermédio das aulas: identificar alimentos
saudáveis; planejar alimentação saudável em casa; monitorar o próprio
comportamento alimentar; compreender noções de primeiros socorros; analisar
seus hábitos de atividade física; identificar problemas de moradia e
saneamento em seu entorno; compreender a correta realização da
higienização bucal; realizar o autocuidado; prevenir lesões na prática da
atividade física; e orientar para a educação sexual.
Este último tema, aliás, é um conteúdo que desperta interesse dos
jovens alunos, como se vê:
Queria saber como não ficar grávida. (8º ano, SER I).
Como fazer sexo e não ficar grávida? (8º ano, SER IV).
Sobre as doenças sexuais. (7º ano, SER V).
Entender o que é saúde sexual. (9º ano, SER III).
141

Os professores de Educação para Saúde devem ser capacitados para


tratar o assunto de forma didática e acessível aos alunos; devem possuir
formação específica e capacitação constante.
São atitudes que se espera deste profissional: favorecer a participação
de todos os alunos; não estigmatizar ou estereotipar qualquer indivíduo ou
grupo; promover em seus alunos a autoestima; promover estudos, pesquisas e
tarefas de casa com os pais e a comunidade, propagando os saberes da
Promoção da Saúde; propiciar levantamentos sobre o nível de atividade física e
alimentação saudável de familiares; realizar projetos com os alunos sobre
Saúde Coletiva e apresentar em exposições, feiras de ciências e festivais de
dança, esportes, ginásticas, lutas e competições.

6.1.3 Serviços de Saúde no Ambiente Escolar

A escola deve oferecer serviços de saúde, promover a Educação Física


e a prática da atividade física, desenvolver a política da boa alimentação para a
comunidade escolar e propagar Educação para a Saúde por meio de:
elaboração de cartilhas e materiais educacionais sobre o tema; apresentação
de palestras e seminários; e aconselhamentos individuais e em grupo.
Da mesma forma, é necessário colaborar para a Promoção da Saúde
dos funcionários, professores e estudantes da escola por meio do:
desenvolvimento de políticas de saúde; desenvolvimento do currículo para a
educação para a saúde; planejamento de aulas, eventos e projetos;
treinamento e capacitação dos envolvidos no que se refere aos benefícios da
prática da atividade física e boa alimentação; e encorajamento às boas
práticas.
É também de grande importância que o serviço de saúde da escola
identifique alunos com problemas relacionados à atividade física ou imagem
corporal, como: anemia, bulimia, anorexia, vigorexia, diabetes, obesidade,
asma, uso de asteróides, anabolizantes ou medicamentos. Tais alunos devem
ser encaminhados para setores específicos onde serão aconselhados e
acompanhados.
142

O serviço de saúde da escola coletará dados sobre a situação da saúde


dos alunos da escola uma vez ao ano e, quando permitido pelos responsáveis,
transmitir essas informações aos professores e funcionários.
Por fim, realizará acompanhamento psicológico aos alunos,
desenvolverá materiais educacionais, promoverá discussões e debates sobre a
saúde em salas de aula; realizará encontros e palestras; desenvolverá política,
currículo, aulas e planos de unidade; realizará treinamento de funcionários,
professores e alunos sobre o tema saúde.
A escola deve promover a saúde de funcionários e professores por via
de avaliações anuais de aptidão física relacionada à saúde. Os testes serão
gratuitos e envolverão: medidas antropométricas, pressão sanguínea,
colesterol, diabetes, glicemia, percentual de gordura e índice de massa
corporal.
Além dos testes físicos, é necessário realizar com os professores e
funcionários um levantamento sobre como os aspectos sociais, econômicos,
familiares e relacionados ao trabalho estão influenciando sua saúde. Este
levantamento também há de ser realizado uma vez ao ano.
A instituição oferecerá programas de atividades físicas para seus
professores e funcionários, tais como escolinhas de dança, futsal, voleibol,
ginástica e lutas. Além da oferta, a escola estimulará e facilitará a participação
dos envolvidos.
Por fim, a escola promoverá a Educação para a Saúde de seus
professores e funcionários mediante campanhas educativas por meio de
cartazes, murais, jornais, palestras e encontros. Também é necessário que a
escola assegure um plano de saúde para seus trabalhadores.
A escola oferecerá também à comunidade e a família dos alunos
Educação para Saúde através de palestras, seminários, feiras, encontros,
visitas domiciliares, reuniões de pais e mestres, caminhadas, passeios
ciclísticos e prática de modalidades esportivas.
Uma avaliação sobre a participação e o envolvimento dos alunos com os
programas de saúde da escola há de ser realizada anualmente com a família e
a comunidade, com vistas a analisar os resultados das ações da escola.
143

Os pais ou responsáveis pelos alunos participarão ativamente da política


de saúde da escola, sugerindo, atuando voluntariamente, criticando e
auxiliando nas atividades propostas.

6.2 Parte II Sugestões de Inserção do Tema Saúde nos Conteúdos da


Educação Física

Na proposta, a aula de Educação Física há que:


 possuir frequência mínima de três sessões semanais, já que a
realização de aulas únicas ou em duas sessões pouco favorecem a
vida ativa;
 possuir um tempo mínimo de 50 minutos de aula propriamente dita;
 ser expandida a todos os alunos, sem exceção, inclusive aqueles
que estão liberados da prática, por atestado médico ou por outro
motivo, que neste caso devem realizar aulas teóricas sobre saúde;
 possuir relevância social no que se refere à aplicação dos conteúdos,
aulas e programas de atividades extracurriculares, indo ao encontro
das necessidades do alunado;
 ser diversificada e prazerosa, incluindo situações competitivas e não
competitivas;
 possuir número de alunos/professor de forma similar a outras
matérias, para que não haja superlotação e todos tenham
oportunidade de orientação adequada;
 ser considerada pelos estudantes como uma experiência agradável;
 promover e estimular o hábito da atividade física ao longo da vida.
O programa de Educação Física voltado para a saúde deve ser focado
no desenvolvimento dos aspectos integrais do desenvolvimento humano,
compostos por fatores psicomotores, tais como noção de corpo, lateralidade,
equilíbrio, tonicidade, estrutura espaço-temporal, coordenação global e
coordenação fina; fatores cognitivos, tais como estratégia, memória,
concentração, atenção, percepção, assimilação e compreensão; e fatores
afetivos, como sentimentos, emoções e relacionamentos.
144

Outro aspecto importante é o desenvolvimento das habilidades motoras


como andar, correr, saltar, pular, arremessar, lançar, chutar e subir. As
capacidades motoras também devem ser priorizadas: velocidade, agilidade,
resistência, flexibilidade e força.
Para tanto, se faz necessária a utilização de toda a gama da cultura
corporal do movimento, traduzida em jogos, dança, ginástica, lutas, esportes e
atividades aquáticas.
É importante discutir a aptidão física relacionada com a saúde durante
as aulas e favorecer a aprendizagem e a prática dos comportamentos e hábitos
físicos para saúde. Tais discussões não podem ocorrer sem que o professor
deixe de debater os outros fatores necessários para a aquisição da saúde,
entre os quais moradia, saneamento, trabalho, lazer, ócio, educação e
segurança, dentre outros.
As sugestões dos professores envolvidos na pesquisa contribuem para a
proposta no sentido da proposição de temas:
Higiene (...) alimentação saudável, postura nos exercícios, (...)
incentivo pela prática regular de atividade física não só a
Educação Física dentro da escola mais fora também(...). (SER
I, Prof. 1).
(...) saúde dos dentes (...). (SER II, Prof. 1).
(...) estratégias para serem autônomos e decidir quais
escolhas são boas ou ruins. (SER II, Prof. 2).
(...) postura, (...) doenças sexualmente transmissíveis, drogas
(...). (SER III, Prof. 1).
(...)alimentação adequada, repouso e controle do stress sono
(...). (SER V, Prof. 1).
(...) o cuidado consigo mesmo (...). (SER V, Prof. 2).
(...) a questão do corpo, da estética, (...) noções básicas de
fisiologia. (SER VI, Prof. 1).

O programa seguirá os padrões de segurança para a prática da


Educação Física, entre eles: supervisão adequada pelo professor; utilização de
roupas, sapatos e equipamentos adequados; reparo regular dos equipamentos
e instalações; evitar exposição ao sol, fumaça e temperaturas extremas;
controle de infecção por contato com sangue e outros fluidos corporais.
Para a utilização de meios de ensino apropriados aos alunos, faz-se
necessário adaptar metas e objetivos da Educação Física e realizar testes sem
finalidades de comparação.
145

Durante as aulas serão realizadas ações de debates em classe,


trabalhos, pesquisas e estudos sobre o tema. De acordo com Darido e Sousa
Junior (2007), os professores de Educação Física podem recorrer a opções
distintas em suas aulas além do tradicional uso das quadras e bolas.
Segundo os autores citados, podem ser criados hemerotecas e painéis
de notícias sobre temas ligados à saúde, tais como: uso de anabolizantes,
lesões, violência nos esportes, padrões impostos de beleza e outros. O uso de
materiais audiovisuais, como filmes, músicas, documentários, reportagens e
desenhos também é atrativo e pode estabelecer relações com os assuntos
abordados em aula. Instrumentalizar a coleta de informações sobre saúde na
internet é uma opção indispensável para as aulas de Educação Física, haja
vista a intimidade que a população jovem possui com este instrumento.
Um aspecto interessante e de importância nas aulas de Educação Física
são as palestras sobre saúde, quando convidados e conhecedores do tema
podem favorecer a transmissão de conceitos diversos. As palestras são
também um meio de aproximação entre a comunidade e o ambiente escolar.
Durante as aulas, a ênfase será imprimida nos benefícios que os alunos
podem obter por meio da prática regular de atividades físicas, somadas aos
aspectos da Saúde Coletiva.
As aulas podem ocupar espaços internos da escola, como ginásio, pátio,
laboratórios de Informática, Biologia, Química e Física, biblioteca; e espaços
externos diversos, como praças, parques, praias, rios, montanhas e as próprias
ruas do entorno da instituição.
O professor de Educação Física deve ser graduado na modalidade
licenciatura e participar de cursos de capacitação e educação continuada, ao
menos uma vez por ano.
Apresentam-se a seguir sugestões de aulas de Educação Física para o
Ensino Fundamental, séries finais, pautadas pelo objetivo de inserir os
conhecimentos de saúde nos blocos de conteúdos da disciplina, que são: jogos
e brincadeiras, ginásticas, lutas e esportes no primeiro bloco, atividades
rítmicas e expressivas no segundo bloco, e, no terceiro e último, conhecimento
sobre o corpo.
Como os dois primeiros blocos interagem e possuem conteúdos em
comum, a proposta é dividir em apenas dois blocos, deixando em separado o
146

bloco conhecimentos sobre o corpo, que tem conteúdos não incluídos nos
demais.
Para cada conteúdo citado, serão apresentados meios de inserção do
tema saúde nas dimensões procedimentais, atitudinais e conceituais.
A prática de jogos, esportes, lutas, danças e ginásticas é compreendida,
e dominada pelo senso comum, como sinônimo de saúde. Essa relação
incondicional de causa e efeito é estimulada pela mídia e indústria da saúde,
ao cultivar e estimular valores de corpos ideais. É também citada como
“método infalível no combate ao uso abusivo de álcool, fumo e drogas, e como
recurso de integração social do jovem e do adolescente” (BRASIL, 1997, p 37).
Durante todo o texto desta tese, uma preocupação foi fundamentada,
teorizada e amplamente discutida: saúde não é adquirida com o simples ato de
praticar atividade física. Os requisitos para a consecução da saúde são mais
amplos do que o pensamento positivista biológico. É necessário reforçar este
entendimento e ao propor um projeto para a disciplina, o estudo baseia-se nos
preceitos da Saúde Coletiva e não puramente biomédica.

6.2.1 Bloco 1 Jogos e Brincadeiras

Os jogos e as brincadeiras constituem atividades lúdicas com regras


adaptadas que se estabelecem em comum acordo entre seus participantes.
Observando a dificuldade de distinguir jogo e brincadeira na Língua
Portuguesa, optou-se, assim como Darido e Rangel (2005) realizaram em seus
estudos, pelo entendimento indistinto.
Adotar hábitos de autocuidado, valorizar atitudes relacionadas à higiene
e segurança, respeitando regras de convívio social, são objetivos da prática
dos jogos e brincadeiras na Educação Física. Estes hábitos também entram em
congruência com as finalidades de compreender a saúde, como se observa na
interpretação de um aluno:
Saúde é correr, brincar, jogar, tomar banho. (6º ano, SER II).

Verifica-se que a prática dos jogos e brincadeiras está desvinculada da


associação com a saúde. Tal procedimento é refletido na fala de um dos
participantes:
147

Queria saber como brincar ajuda a ter saúde (8º ano, SER 5).

As atividades relativas aos jogos e brincadeiras podem favorecer a


compreensão dos conceitos de saúde. Brincadeiras infantis, como os jogos
imitativos, podem ser adaptadas à higiene corporal Por exemplo, solicitar aos
alunos que imitem as ações de tomar banho, escovar os dentes ou lavar as
mãos. O tema higiene também é uma solicitação dos alunos, quando se trata
de saúde na Educação Física:
Queria saber tudo sobre higiene do corpo. (6º ano, SER IV).
Higiene na hora em que estamos fazendo esportes. (8º ano,
SER VI).

Jogos de perseguição podem ser utilizados como meio de conhecimento


da saúde, ao relacionar o desenvolvimento da resistência aeróbia na corrida
com o combate ao sedentarismo.
A utilização de materiais de sucata, como garrafas pet e papelão, na
elaboração de jogos e brincadeiras, estimulam a consciência e a saúde
ambiental.
Brincadeiras populares, como corda, jogo da amarelinha ou saltar
elástico, podem levar os alunos a refletir o quanto seus pais eram ativos e
como estão realizando atividades físicas na atualidade.
Podem ser articuladas ações de conhecimento do corpo por meio de
desenhos, esculturas e estudo de obras de artes. Outra orientação é favorecer
o reconhecimento dos sinais vitais, como respiração e os batimentos
cardíacos. Conversar com os alunos sobre as reações que o corpo sofre
durante as atividades físicas assegura o entendimento entre a relação saúde e
movimento.
Aulas em laboratórios de Informática para a prática de jogos
computacionais podem transmitir aos discentes noções de postura ao sentar
para trabalhar no computador. Pesquisas sobre gasto calórico durante a prática
de jogos e brincadeiras podem estimular a vida ativa.
148

6.2.2 Bloco 1 Esportes

Os esportes são atividades com regras universais, ações


institucionalizadas, praticados em determinado espaço e tempo, em forma de
competição entre dois ou mais oponentes, cuja finalidade é determinar
vencedor ou registrar recorde (BETTI, 1991).
Da mesma forma que o conteúdo dos jogos e brincadeiras, há uma
lacuna em grande parte das aulas de Educação Física, pois o conteúdo
esporte, quando aplicado, se volta somente às questões técnicas e táticas.
Pouco se tem discutido sobre a influência do esporte na saúde. As falas dos
alunos, apresentadas a seguir demonstram o anseio da descoberta:
Eu gostaria de saber mais sobre a Educação Física e os
Esportes na saúde. (8º ano, SER I).
Gostaria de saber se o esporte faz bem para a saúde. (8º ano,
SER VI).
Como praticar esporte para ter boa saúde? (9º ano, SER II).

A prática esportiva favorece a saúde mental, já que proporciona melhoria


das ações motoras, maior nível de concentração e memória mais apurada;
reduz riscos de doenças cardíacas; proporciona a variação positiva no humor,
o que diminui a possibilidade de depressão; regula a taxa de açúcar no sangue,
reduzindo o aparecimento do diabetes; fortalece músculos; mantém a
independência física; mantém a massa óssea; e libera o estresse.
Durante as aulas esportivas, o docente pode relacionar as capacidades
físicas e as habilidades motoras com a saúde dos alunos. Da mesma forma, o
debate sobre dopping ou uso de drogas e álcool entre atletas pode favorecer o
entendimento do prejuízo ao organismo acarretado por substâncias ilícitas.
Na prática esportiva, é comum ocorrer lesões entre os competidores, de
sorte que o professor da disciplina pode transmitir noções de primeiros
socorros em suas aulas; além disso, explicar aos alunos sobre o
funcionamento fisiológico do corpo estimulará os alunos a compreender melhor
seu corpo e os limites deste.
Levar o debate à luz de análises sociológicas e filosóficas do esporte
favorece aos alunos a reflexão do papel das modalidades na saúde social e
mental dos indivíduos.
149

6.2.3 Bloco 1 Lutas

As Lutas são “disputas em que os oponentes devem ser subjugados,


com técnicas e estratégias de desequilíbrio, contusão, imobilização ou
exclusão de um determinado espaço na combinação de ações de ataque e
defesa” (BRASIL, 1997, p32).
Durante a prática de exercícios de lutas, há o ganho de condicionamento
muscular e cardiovascular, força, flexibilidade, coordenação motora e agilidade.
O professor deve reforçar os benefícios físicos da prática da luta, porém não
pode deixar de debater com os alunos os ganhos cognitivos, como a estratégia,
a atenção e a concentração; e os ganhos afetivos, como os relacionamentos,
sentimentos e emoções decorridos da prática. Tais aspectos devem ser
relacionados com a saúde dos alunos.
A prática da luta favorece a disciplina, requisito fundamental para a
consecução da saúde; promove a auto estima, o que favorece a saúde da
imagem corporal; e estimula a manutenção da postura e respiração corretas.
Durante a aplicação deste conteúdo, podem ser produzidas discussões
sobre as distinções entre luta e briga. O debate sobre violência acarreta o
ganho em segurança pessoal, favorecendo ao aluno o bem estar corporal.

6.2.4 Bloco 1 Ginástica

A ginástica está relacionada ao exercício do corpo, à preparação física e


ao embelezamento corporal. Os alunos envolvidos na pesquisa relataram a
intenção de compreender mais sobre a prática da ginástica e seus benefícios,
como se percebe:
Saber sobre como fazer exercícios. (6º ano, SER IV).
O que é alongamento. (7º ano, SER V).

A prática da caminhada ou da corrida deve ser desenvolvida durante as


aulas de Educação Física para atingir o objetivo de proporcionar ao aluno o
completo entendimento de seus benefícios. Durante estas práticas, o aluno
deve ser instruído a: verificar sua frequência cardíaca, realizar alongamento
antes e depois da atividade, compreendendo sua necessidade; compreender a
diferença entre resistência aeróbia e anaeróbia; entender o impacto deste tipo
150

de exercício em sua saúde; perceber quais os principais grupos musculares


exigidos; e refletir sobre sua condição física.
Compreende-se que as atividades de andar e correr acompanharão os
alunos em sua vida adulta como principal alternativa democrática de realizar
atividade física; daí a necessidade de sua completa compreensão por parte do
alunado.
Aulas de ginástica com exercícios localizados são relevantes para o
enrijecimento muscular. Tal prática deve ser elevada à discussão de assuntos
que envolvam a busca desmedida pela beleza corporal como a anorexia,
bulimia, vigorexia, usos de esteróides anabolizantes e treinamento excessivo.
A prática da musculação, ginástica com exercícios de
contrarresistência, com objetivo de hipertrofia ou definição muscular, muito
aceita entre o público jovem, deve ser um tema de atenção do professor. Aulas
teóricas e reflexões sobre o assunto podem contribuir para a saúde dos alunos,
que muitas vezes se iniciam na modalidade sem os devidos cuidados.

6.2.5 Bloco 2: Atividades Rítmicas e Expressivas

As atividades rítmicas e expressivas incluem as manifestações da


cultura corporal que recorrem a expressão e comunicação por meio de gestos,
sons, ritmos, tons musicais e contemplam a dança e a música.
O bloco 2 possui como objetivos: aprofundar o conhecimento acerca das
manifestações de dança e música das diversas culturas, relacionando-as à
consecução e manutenção da saúde; e valorizar as atividades rítmicas e
compreender seus benefícios para as capacidades físicas.
O quadro 30 apresenta sugestões de como abordar o tema saúde nas
dimensões procedimentais, conceituais e atitudinais durante a execução das
práticas dos Blocos 1 e 2, já que ambos possuem conteúdos que se intercalam.
151

Quadro 22: Tema saúde inserido nos Bloco 1 - Jogos e Brincadeiras, Esportes,
Ginásticas e Lutas; e, Bloco 2 - Atividades Rítmicas e Expressivas

Dimensão Procedimental: Dimensão Conceitual: Dimensão Atitudinal:


Vivenciar as atividades. Discutir conceitos. Desenvolver atitudes,
Experimentar as práticas. Relacionada à teoria. normas e valores.
Relacionada ao fazer. Relacionada à conduta.
* Durante as atividades, * Explicar aos alunos a * Estimular o
solicitar aos alunos o importância do acompanhamento da
monitoramento da acompanhamento da frequência cardíaca ao
freqüência cardíaca frequência cardíaca. praticar atividade física
* Realizar movimentos e * Refletir sobre a atividade * Estimular a vida ativa
ações de gasto calórico, o física realizada e seu
que combate o impacto contra o
sedentarismo sedentarismo
* Estimular atividade de * Entender o conceito da * Proporcionar o hábito da
resistência aeróbia, visando diferença entre a atividade prática de atividades
à melhoria do sistema aeróbia e a anaeróbia. aeróbias
cardiorespiratório.
* Desenvolver as * Compreender as * Proporcionar o hábito da
habilidades motoras como, habilidades motoras prática de atividades
andar, correr, saltar, pular, necessárias para a físicas fora da escola
lançar, arremessar, rastejar realização das atividades e
e nadar, relacionando-as sua importância para a
com a aquisição da saúde. aquisição da saúde
* Desenvolver as * Compreender as * Proporcionar o hábito da
capacidades físicas, como capacidades físicas prática de atividades
velocidade, força, necessárias para a físicas fora da escola
resistência, agilidade e realização das atividades e
flexibilidade, relacionando- sua importância para a
as com a aquisição da aquisição da saúde
saúde.
* Desenvolver habilidades * Compreender as * Proporcionar o hábito da
específicas para o ato de habilidades específicas prática de exercícios
praticar esportes, dançar, necessárias para a físicos fora da escola
lutar, jogar e brincar, realização das atividades e
relacionando-as com a sua importância para a
aquisição da saúde. aquisição da saúde
* Proporcionar a prática de * Realizar pesquisas na * Proporcionar o hábito da
exercícios de alongamento, internet sobre a relação prática de exercícios
relaxamento, força, entre as diversas físicos fora da escola
flexibilidade, ginástica atividades física e a
localizada e apresentá-los consecução da saúde. * Favorecer a prática da
como indicativos de vida * Promover aula de atividade física e o
ativa campo, palestras e afastamento de vícios,
seminários com como álcool e drogas.
convidados para abordar o
tema saúde e prática de
atividade física
Fonte: autoria própria
152

6.2.6 Bloco 3 - O conhecimento sobre o corpo

O bloco sobre conhecimento sobre o corpo reflete a compreensão,


conhecimento e entendimento sobre as práticas corporais contidas nos dois
blocos anteriores e que favorecem a autonomia do aluno para gerenciar sua
atividade corporal (BRASIL, 1998).
De acordo com Mattos e Neira (2008), este bloco possui como
objetivos: favorecer o conhecimento do funcionamento do organismo humano;
aprofundar as noções de esforço, intensidade e frequência dos exercícios
físicos; refletir sobre as informações da cultura corporal, de modo a manter
uma postura autônoma na manutenção ou aquisição da saúde; estimular o
aluno a adotar uma postura ativa de praticante de atividades físicas.
O corpo não pode ser compreendido somente como um aglomerado de
ossos, músculos, tendões, articulações, órgãos e pele, mas sim como um
organismo complexo, composto de aspectos biológicos, sociais, culturais e
filosóficos. Assim, nas aulas de Educação Física voltada para a saúde, o corpo
não deve ser entendido somente por meio dos conceitos biológicos, tais como:
anatomia, biologia, biomecânica, cinesiologia, histologia e bioquímica, mas
também por meio de discussões sociológicas, filosóficas e culturais.
As falas dos alunos a seguir apresentam a relação entre corpo e saúde,
que vão além do biologicismo:
Saúde é você estar bem com seu corpo fazendo com que você
fique com peso normal. (9º ano, SER VI).
Saúde é simplesmente cuidar da gente, ou seja, cuidar da
saúde. (7º ano, SER IV).
É cuidar do corpo. (8º ano, SER V).

Os conhecimentos de Anatomia podem ser aplicados durante as


práticas, quando o professor solicita aos alunos a realização da anatomia
palmatória, quando os alunos de maneira cinestésica percebem seus músculos
atuando.
Durante as sessões, o professor deve favorecer a aplicação dos
conhecimentos fisiológicos, ao demonstrar para os alunos as alterações pelos
quais os sistemas do corpo sofrem durante a atividade física.
153

O quadro 23 apresenta sugestões de como abordar o tema saúde nas


dimensões procedimentais, conceituais e atitudinais durante a execução das
práticas do Bloco 3.

Quadro 23: O tema saúde inserido no Bloco 3 – Conhecimento Sobre o Corpo

Dimensão Procedimental: Dimensão Conceitual: Dimensão Atitudinal:


Vivenciar as atividades. Discutir conceitos. Desenvolver atitudes,
Experimentar as práticas. Relacionada à teoria. normas e valores.
Relacionada ao fazer. Relacionada à conduta.
* Solicitar aos alunos o * Relatar sobre a * Estimular a prática da
asseio e a realização da necessidade da higiene higiene como meio de
higiene corporal antes do corporal antes, durante e combate a doenças
início das aulas, assim depois da atividade.
como no término da sessão.
* Verificar e controlar o que * Discutir sobre a * Fornecer dados sobre
os alunos ingerem antes e a alimentação antes e alimentação para
após as aulas depois da prática do proporcionar autonomia
exercício físico. na escolha dos alimentos
saudáveis.
* Realizar testes de IMC * Oferecer subsídios * Manter e controlar o
para controle do peso teóricos aos alunos para o peso por meio da
controle do peso alimentação correta.
* Promover aula de campo, * Debater temas sobre * Respeitar sua
assistir a vídeos, palestras sexualidade sexualidade e se prevenir
e seminários com contra DST e gravidez
convidados para abordar o precoce.
tema
* Realizar pesquisas na * Debater sobre os * Compreender os riscos
internet sobre o consumo malefícios do consumo de da utilização do consumo
de álcool e drogas. álcool e drogas de álcool e drogas

* Realizar visitas a * Estimular o debate sobre * Entender que a saúde


comunidades de risco. aspectos influentes na não é somente a
saúde, como moradia, ausência de doença
renda, segurança e lazer
* Assistir a vídeos, palestras * Dialogar sobre as * Compreender a
e seminários com disfunções da imagem influência da mídia na
convidados para abordar o corporal, como anorexia, imagem corporal e aceitar
tema bulimia e vigorexia. seu corpo como único

* Promover palestras e * Analisar em conjunto *Estimular o cuidado com


seminários com convidados com os alunos o cuidado o próprio corpo.
para abordar o tema ao próximo e o
autocuidado como fatores
associados à saúde

Fonte: autoria própria


154

6.2.7 Sugestões da Proposta para Inclusão do Tema Saúde nas Aulas de


Educação Física Baseada nos Resultados da Pesquisa com os Docentes e
Discentes Envolvidos no Estudo.

Com apoio no estudo com os alunos e docentes formulou-se sugestões


práticas e teóricas para abordar o tema saúde.
Aproximadamente a metade dos envolvidos, 47% dos alunos, reconhece
a Educação Física como integrante da área da saúde, entretanto 53% a
entendem como de outro segmento. Sugere-se, então que os professores
solicitem aos alunos a realização de pesquisas na internet, promovam aulas de
campo e ministrem aulas expositivas onde o tema central deve ser a Educação
Física como integrante do rol das profissões da área da saúde.
Apenas 50% dos alunos consideram que possuem razoável ou bom
entendimento de saúde adquirido por meio da Educação Física. Desta forma,
os professores devem atuar mais em sua prática, abordando temas
relacionados a saúde, não só relacionados aos aspectos específicos da relação
atividade física-saúde, mas também aqueles relativos a Saúde Coletiva.
Um percentual de 60% dos alunos assinalou que o professor de
Educação Física não utiliza, debate ou promove reflexões sobre saúde nas
aulas. Sugere-se que o professor deve ser estimulado e capacitado para
abordar o tema saúde em suas aulas. A escola deve oferecer oportunidades de
educação continuada. Com base na capacitação, o professor deve rever seus
planejamento e incluir de forma efetiva o tema saúde em suas aulas.
Para 65% dos alunos, não existe a possibilidade de obtenção da saúde
somente com a prática de exercícios. O professor deve considerar em suas
aulas requisitos necessários para a aquisição da saúde que não somente a
prática da atividade física. Conceitos de Saúde Coletiva devem ser inseridos
nos planos de aula e curso.
Foi revelado por 59% dos alunos que, da forma como a disciplina de
Educação Física é oferecida, seus conhecimentos sobre saúde não melhoram.
Assim, é necessária uma reformulação das políticas de saúde na escola de
forma global e não apenas na Educação Física. É preciso a inclusão do
currículo de Educação para a Saúde na disciplina e também na escola.
155

Muitos alunos, 90% do total, nunca participaram de uma aula de campo


sobre saúde propiciada no momento da aula de Educação Física. O professor
de Educação Física pode realizar diversas aulas de campo sobre o tema, tais
como: visitar um posto de saúde ou um hospital; levar os alunos a uma
palestra; realizar visita solidária a creches, asilos ou orfanatos; promover
campanhas sobre Educação para a Saúde na comunidade; e realizar
caminhadas, corridas e passeios na cidade para promover a saúde.
O mesmo número de alunos citado no parágrafo anterior nunca foi
agraciado com aulas no laboratório de Informática sobre o tema saúde,
durante as aulas de Educação Física. Os recursos da tecnologia
computacional, que devem ser utilizados pelos professores, são meios de
transmitir conhecimentos sobre saúde. O aluno pode jogar, assistir a vídeos,
realizar conversas on line; pesquisar em diversos sites; e produzir
apresentações sobre o tema.
As pesquisas sobre saúde a pedido do professor da disciplina, nas
respostas de 88% dos alunos, não são realizadas. A proposta sugere que os
professores podem solicitar aos alunos que verifiquem entre seus familiares e
comunidade hábitos de saúde e prática de atividade física. Tais ações são
meios de utilizar a pesquisa como caminho de aprendizagem.
Para os alunos, o conceito de saúde é formado pela tríade alimentação,
prática de exercícios e ausência de doenças. Os professores devem explicar
aos alunos que a saúde comporta mais do que somente estes fatores. Além de
proporcionar aulas, palestras e pesquisas sobre os três integrantes dos
conceitos dos alunos, o professor pode inserir temas como moradia,
segurança, lazer, ócio, higiene, violência, relacionamentos sociais, imagem
corporal, dentre outros em suas aulas.
Para a maior parte dos alunos, preocupar-se com a alimentação e não
fumar/beber/usar drogas são atitudes que devem realizar, além da prática de
atividades física para manter a saúde. O professor de Educação Física deve
dar uma atenção especial para estes dois temas. A alimentação aliada à
prática da atividade física deve ser um tema constante nas aulas. Palestras
com nutricionistas e visitas a supermercados e à própria cozinha da escola
devem ser promovidas. Da mesma forma, a preocupação com o uso de drogas,
seus malefícios e causas hão de ser discutidos. Aulas de campo e visitas a
156

clínicas de reabilitação e palestras com ex-usuários podem ser de grande


relevância.
A maioria dos alunos quer aulas que tratem da relação atividade física-
saúde. Os alunos declaram, insistentemente, que necessitam compreender a
relação atividade física-saúde, de maneira ampla, daí a importância de o
professor utilizar temas específicos da área da Educação Física, tais como:
fisiologia do exercício, anatomia, biomecânica e cinesiologia, benefícios da
atividade física na saúde, adequando-os à faixa etária.
A maioria dos professores elege o conceito da OMS como modelo para
a definição do que é saúde. É necessário analisar com os professores, por
meio de processos de educação permanente, os diversos conceitos de saúde,
além de refletir, analisar e criticar o conceito da OMS à luz da Saúde Coletiva.
Dois terços dos professores disseram que o tema saúde só pode ser
ministrado de forma teórica. Capacitando os professores, existe a possibilidade
de compreensão de que as aulas práticas também podem ser locais da
aplicação do tema saúde. Aulas práticas sobre primeiros socorros, verificação
da frequência cardíaca, testes físicos para análise da condição física, testes
antropométricos, dentre outras possibilidades, são instrumentos de assimilação
dos conceitos de saúde nas aulas.
Os professores mostraram-se divididos quanto aos objetivos da
Educação Física no que se refere à saúde nas aulas: prevenção, cuidado e
dimensões biológicas. Mediante a capacitação os professores podem perceber
outras dimensões da saúde na Educação Física e assim adquirir a capacidade
de transmitir tais conceitos aos seus alunos, superando o pensamento
biologicista predominante na área.

6.3 Indicador de Saúde na Escola e na Aula de Educação Física

A elaboração da proposta ora apresentada proporcionou a necessidade


de formular um instrumento para avaliar os indicadores de saúde, tanto na
escola, quanto nas aulas de Educação Física, transformando a teoria, discutida
e debatida, em produto (APÊNDICE F).
Na realização de estudos acerca da qualidade da assistência em saúde
escolar, considera-se relevante a utilização de indicadores que se tornem
157

parâmetros recomendados com a finalidade de avaliação. Os indicadores irão


promover o acompanhamento das tendências de saúde (ALMEIDA FILHO;
ROUQUAYROL, 1999).
Os indicadores são considerados, ainda, como medidas avaliativas para
descrever situações existentes passíveis de mudanças. A maioria dos
indicadores são instrumentos quantitativos, mas há aqueles qualitativos
(WAUGHN; MOROW, 1992).
O indicador possui representatividade quando apresentam, com
fidedignidade e praticidade, os aspectos de saúde de uma coletividade
(PEREIRA, 1995).
Os requisitos para a formulação de um indicador são: haver dados
disponíveis; ser de construção fácil e simples; possuir bom entendimento; ser
plausível de reprodução; refletir fatores que impactam na saúde dos indivíduos;
e permitir comparações (SANTOS, 2001).
Para que se tenham maiores informações e se realizem
acompanhamentos sobre a saúde na escola e na aula de Educação Física,
tornam-se necessários parâmetros que possam ser utilizados e facilitem a
avaliação destes serviços. Assim, acredita-se que os indicadores aqui
propostos podem ser resolutivos quanto a necessidade exposta.
Os indicadores foram elaborados por meio da proposta apresentada
neste capítulo e foi instrumentalizado segundo o modelo de Santos (2001).

6.3.1 Procedimentos para aplicação do instrumento

O instrumento é dividido em duas partes, ambas verificam informações.


A primeira verifica as políticas, a educação e os serviços de saúde da escola. A
segunda analisa como a saúde é tratada nas aulas de Educação Física. Tais
informações são denominadas, no instrumento, índices.
Neste instrumento, atribuem-se valores para cada resposta, cinco ou
zero, esses somados, refletem a pontuação de cada índice, que, mais uma vez
somados, levam a uma pontuação total e à classificação da escola e da aula de
Educação Física, no que se refere ao indicador de saúde.
De acordo com Vuori (1982), os índices que atingiram ou superaram
valores de 80%, tendo como base a soma, devem ser considerados. O autor
158

sugere uma classificação boa quando 80% dos critérios estabelecidos forem
satisfeitos. Para classificar a escola e a aula de Educação Física, é
estabelecido um ponto de corte – bom – na escala ordinal. Com base neste
ponto, considera-se a assistência de boa qualidade, ou seja, representada pela
frequência de 80% no preenchimento dos critérios.
É importante ressaltar que a presente pesquisa apenas apresenta o
instrumento como um meio de colaboração à ciência, e que o mesmo deve ser
validado em futuros estudos.
Para melhor entendimento, a pontuação em percentual deve ser
entendida como se apresenta:

Quadro 24: Pontuação do Indicador de Saúde na Escola e na Aula de Educação


Física
Percentual da soma Classificação
80 a 100% Bom
60 a 79% Regular
40 a 59% Fraco
20 a 39% Ruim
Até 19 % Péssimo
Fonte: Autoria Própria

Quadro 25: Resumo da pontuação a ser obtida:


Variável Índice Pontuação
Indicador de Saúde na 520 pontos – 100% da
Escola e na Aula de Parte I e II
Educação Física: Soma da
Parte I e II
Parte I Saúde na Escola 235 pontos – 100% da
Parte I
Parte II Tema Saúde nos 285 pontos – 100% da
Conteúdos da Educação Parte II
Física
Fonte: Autoria Própria
159

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Acabou: o temido foi dito e era bem pior que o temido;


Acabou: e não soube, não quis, não pude evitar...

Jackson Sampaio

Neste texto derradeiro, apresentam-se as considerações gerais, as


conclusões e as recomendações do estudo.

7.1 Considerações Gerais

Na busca de respostas às perguntas norteadoras do estudo, verificou-se


que o professor de Educação Física pensa a saúde imerso no antigo conceito
da OMS e, paradoxalmente, também mergulhado nas correntes do
reducionismo biologicista, prática enraizada na cultura da disciplina.
Para escapar de tais amarras, necessita pensar a saúde em uma
vertente mais ampla e para que isso ocorra efetivamente, as políticas públicas
devem se preocupar com a formação, condições de trabalho e, oportunamente,
com a própria saúde do professor.
É notável o fato de que o tema saúde é pouco discutido nas aulas de
Educação Física, fazendo-se necessário um projeto de educação permanente
em serviço para habilitar o professor a abordar o assunto.
De forma geral, os preceitos da Saúde Coletiva não são utilizados nas
sessões de Educação Física, e, quando o tema saúde surge, o professor se
volta apenas para a relação causal exercício físico e saúde.
Percebe-se que a relação pedagógica entre a Educação Física Escolar e
a Saúde ainda requer propostas práticas de aplicação do tema em aulas e
solicita maior adesão nos planos de aula e curso dos professores.
O conhecimento sobre saúde adquirido por meio da Educação Física
Escolar ainda é delicado, a ênfase no esporte e em jogos e brincadeiras parece
ser fim e não meio da disciplina, apenas aspectos da melhoria da condição
física se impõem aos debates sobre saúde.
160

Os princípios da Saúde Coletiva aplicáveis nas aulas de Educação


Física são, da mesma forma, desmembrados da prática e muito frágeis.
Constata-se, no entanto, que os conteúdos e conceitos de saúde podem e
devem ser debatidos e desenvolvidos pedagogicamente nas aulas de
Educação Física Escolar.

7.2 Conclusões

Ao analisar o objetivo principal, concluiu-se que a relação pedagógica


entre a Educação Física e a Saúde nas escolas apresenta programa não
resolutivo, por falta de capacitação docente e de propostas curriculares
voltadas para a inserção do tema em ambientes escolares, tal como proposto
no Capítulo III.
O conhecimento dos alunos participantes do estudo sobre a relação
entre a Educação Física Escolar e saúde é confuso e irresoluto; verificou-se, na
visão dos alunos, que os professores de Educação Física das escolas
envolvidas não privilegiam em suas aulas o tema saúde; e analisou-se o fato
de que o conhecimento dos professores sobre a relação entre Educação Física
e Saúde ainda é reducionista e conservador.
O entendimento sobre saúde, adquirido por meio da Educação Física,
pelos alunos da disciplina, é relativamente modesto. O conhecimento acerca de
saúde desenvolvido pelos professores da disciplina é biologicista na prática e,
no plano do discurso, vagamente afiliado ao conceito da OMS, elaborado no
início dos anos 1950. Os professores desenvolvem e aplicam o tema saúde de
maneira inconstante e, quando ocorre, de forma não planejada. A disciplina
Educação Física pode contribuir para o entendimento de saúde se for
conduzida por professores capacitados e comprometidos com o objetivo da
disciplina de promover e educar para a saúde. A disciplina Educação Física, da
forma como é aplicada nas escolas da rede pública municipal de ensino de
Fortaleza, infelizmente, promove a compreensão sobre os temas de saúde de
forma desarticulada, não planejada, não contextualizada e sem propósitos
voltados para Saúde Coletiva.
Todas as hipóteses foram confirmadas, de tal modo conclui-se que,
realmente, assim como indicado antes da realização da pesquisa de campo: o
161

entendimento dos aspectos biológicos da saúde é conhecido em parte pelos


alunos, entretanto os aspectos socioeconômicos e culturais, não ministrados
nas aulas de Educação Física, não fazem parte do repertório dos alunos; a
compreensão dos docentes acerca de saúde é biológico e pautado na
causalidade exercício-saúde; os professores não recorrem ao tema saúde em
suas aulas, utilizam práticas históricas da disciplina voltadas quase que
exclusivamente para os jogos e os esportes em suas aulas; a disciplina
Educação Física não se volta aos conteúdos da saúde.
Examinou-se o caminho metodológico percorrido, percebendo-se que a
abordagem utilizada, quantitativa e qualitativa, foi eficiente, já que proporcionou
o trato com números, estatísticas, percentuais e também com percepções,
opiniões, valores e crenças.
Os instrumentos utilizados, questionários e entrevistas, também se
mostraram capazes de alcançar as respostas para os quais foram propostos. O
fato da não possibilidade de acesso aos planos de curso dos docentes, como
previsto na coleta de dados, impossibilitou maior verificação da verdade entre
as falas dos docentes e sua ação prática. Para evitar tal possível falácia do
estudo o pesquisador sugere que, em futura pesquisa similar, a observação
seja inserida na metodologia.
Conclui-se, como proposta desta tese o fato de ser urgente a
implantação de um projeto de ensino para a disciplina de Educação Física e
também à escola, voltado para a promoção e educação para a saúde. A
proposta lançada, como conteúdo do Capítulo III, apresenta-se como
alternativa aos professores, incluindo o instrumento para avaliar os indicadores
de saúde na escola e nas aulas de Educação Física.

7.3 Recomendações e Sugestões Finais

Ao concluir o estudo, sugere-se que os professores da disciplina utilizem


o tema saúde em suas aulas, recorrendo não somente à prática de atividades
relacionadas aos esportes e jogos, mas também a todos os conteúdos da
cultura corporal do movimento e aos temas transversais.
Recomenda-se que os docentes: percebam a importância de incluir o
tema saúde em suas aulas, utilizando as dimensões de conteúdo
162

procedimental, conceitual e atitudinal; realizem capacitações sobre a temática;


produzam planos de aula e curso que sejam resolutivos no que se refere à
inclusão da saúde como conteúdo a ser abordado; e que recorram a
metodologias abertas, motivadoras e inclusivas em suas aulas.
Os professores devem, ainda, promover encontros, palestras, debates e
aulas de campo sobre saúde. A realização de pesquisas, visitas às bibliotecas
e a utilização dos meios da informática também devem ser ações presentes
nas aulas de Educação Física sobre Saúde.
Quanto às escolas, recomenda-se que haja esforço na implantação de
conteúdos da saúde buscando excelência no favorecimento aos hábitos
saudáveis. Quanto à SME, sugere-se que ela possa contribuir com cursos de
capacitação aos docentes e equipes de saúde das escolas.
Quanto aos governantes, espera-se políticas que possam valorizar os
professores, que favoreçam as condições de trabalho, que estimulem-os com
bons salários, para que possam comprar livros, realizar cursos de capacitação
e financiar pós-graduação.
Propõe-se que novos estudos sejam realizados sobre a implantação da
saúde em ambientes escolares, mais precisamente por meio da Educação
Física. Da mesma forma, é necessário validar o instrumento apresentado na
proposta.
Esta tese de doutorado termina reproduzindo o seu primeiro parágrafo,
ainda na introdução: o estudo visava a responder a questionamentos do
pesquisador, surgidos após cursar mestrado na área da Saúde Coletiva, e
atuar como docente, entre eles o de compreender a relação entre Educação
Física Escolar e Saúde; buscava também respostas sobre como desenvolver
pedagogicamente os conteúdos e conceitos de saúde nas aulas de Educação
Física. Tais respostas, agora, ao concluir a tese, e ao apresentar a proposta,
parecem ser claras e satisfatórias ao que se propôs. Parecem.
O autor insistirá na busca de procurar respostas que completem o que
aqui foi analisado, discutido e debatido. O pesquisador não se deterá neste
ponto final.
163

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ZIMBRES, S F. Educação Física Escolar e cidadania: Uma nova concepção.


Revista Digital. 2001; 38(7).
177

ANEXO A - Comitê de Ética


178

APÊNDICE A: TCLE – Alunos

Pelo presente Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, você está sendo


convidado (a) a participar de um estudo que tem como título: A relação Educação
Física escolar e Saúde em escolas públicas municipais de Fortaleza: proposta de
Ensino em Saúde, a ser realizado por Heraldo Simões Ferreira, aluno do curso de
Doutorado em Saúde Coletiva da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Informamos que sua participação não trará prejuízos para sua saúde, sendo
garantida a privacidade dos depoimentos prestados e dos dados coletados, que serão
utilizados cientificamente. Informamos também que você não será submetido (a) a
despesas financeiras, nem receberá gratificação ou pagamento pela participação
neste estudo. Você poderá receber esclarecimentos sobre o andamento da pesquisa
quando requisitar podendo desistir de continuar colaborando se assim o desejar.

Fortaleza, ______ de _________________ de 20____.

_____________________________________
Aluno pesquisador: Heraldo Simões Ferreira
Fone para contato: 88014256

_____________________________________
Pesquisador Responsável: Prof. Dr. José Jackson Coelho Sampaio
Fone para contato: 31019808

Para os pais ou responsáveis pelos menores envolvidos na pesquisa

Concordo que meu filho participe como voluntário (a) no estudo acima citado.
Declaro ter sido informado (a) pelo pesquisador sobre o desenvolvimento da pesquisa,
os procedimentos nela envolvidos, as finalidades, assim como os possíveis riscos e
benefícios decorrentes da participação.
Fortaleza, ______ de _________________ de 20____.

_____________________________________
Assinatura do pai ou responsável pela criança envolvida
179

APÊNDICE B: TCLE – Professores

Pelo presente Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, você está sendo


convidado (a) a participar de um estudo que tem como título: A relação Educação
Física Escolar e Saúde em escolas públicas municipais de Fortaleza: proposta de
Ensino em Saúde, a ser realizado por Heraldo Simões Ferreira, aluno do curso de
Doutorado em Saúde Coletiva da Universidade Estadual do Ceará (UECE).
Informamos que sua participação não trará prejuízos para sua saúde, sendo
garantida a privacidade dos depoimentos prestados e dos dados coletados, que serão
utilizados cientificamente. Informamos também que você não será submetido (a) a
despesas financeiras, nem receberá gratificação ou pagamento pela participação
neste estudo. Você poderá receber esclarecimentos sobre o andamento da pesquisa
quando requisitar podendo desistir de continuar colaborando se assim o desejar.

Fortaleza, ______ de _________________ de 20____.

_____________________________________
Aluno pesquisador: Heraldo Simões Ferreira
Fone para contato: 88014256

_____________________________________
Pesquisador Responsável: Prof. Dr. José Jackson Coelho Sampaio
Fone para contato: 31019808
180

APÊNDICE C
Modelo de questionário aplicado aos alunos envolvidos na pesquisa

1. Para você, a Educação Física é integrante de que uma área de


conhecimento?
a. Artes ( ) b. Educação ( )
c. Saúde ( ) d. Outra ( )

2. Seu entendimento de saúde adquirido por meio da Educação Física é:


a. Nenhum ( ) b. Pouco ( )
c. Razoável ( ) d. Muito ( )

3. Seu professor, nas aulas de Educação Física, fala sobre saúde?

a. Sim ( ) b. Não ( )

4. Você acredita que, a saúde pode ser obtida somente com a prática de
exercícios?
a. Sim ( ) b. Não ( )

5. Você acredita que, ao praticar Educação Física da forma como ela é


oferecida em sua escola, seus conhecimentos sobre saúde melhoram?
a. sim ( )
b. não ( )

6. Você já participou de alguma aula de campo ou palestra sobre saúde,


promovidos pelo professor de Educação Física?
a. sim ( )
b. não ( )

7. Você já participou de alguma aula de Educação Física sobre saúde no


laboratório de Informática de sua escola?
a. sim ( )
b. não ( )

8. Você já realizou pesquisas sobre o tema saúde por meio de solicitação


do professor de Educação Física?
a. sim ( )
b. não ( )

9. Questões abertas:

9.1 Para você, o que é saúde?


9.2 Além da prática do exercício físico, que outra atitude é importante para se
obter saúde?
9.3 O que gostaria de aprender sobre saúde, na aula de Educação Física?
181

APÊNDICE D
Roteiro da entrevista realizada com os professores envolvidos:

1. Comente seu conceito de saúde.

2. Você utiliza o tema saúde em suas aulas. Como?

3. É possível aplicar o tema saúde nos conteúdos da Educação Física Escolar


(jogos, esportes, ginásticas, lutas e danças)? Como?

4. Qual o objetivo da Educação Física Escolar no que se refere à saúde? Como


atingir este objetivo?

5. Você recorre a atividades extra sala, uso do laboratório de informática e


solicita pesquisas sobre o tema saúde? Como faz isso?

6. Quais conteúdos você considera mais relevantes para o processo ensino


aprendizagem sobre saúde nas aulas de Educação Física?

7. Da forma como a Educação Física é oferecida na escola em que você é o


professor, os conhecimentos dos alunos sobre saúde têm melhorado? Por
quê?
182

APÊNDICE E
Termo de Anuência - SME

Eu, _______________________________________________, diretor(a)


da_______________________________________________, após os
esclarecimentos de Heraldo Simões Ferreira (estudante do Curso de
Doutorado em Saúde Coletiva sobre a pesquisa intitulada: A relação Educação
Física Escolar e saúde em escolas públicas municipais de Fortaleza: uma
proposta de Ensino em Saúde, venho por meio desta autorizar a realização do
estudo proposto.
Fui informado que a estrutura da instituição e muito menos os
participantes da pesquisa não sofrerão risco algum e a qualquer momento do
estudo os envolvidos poderão desistir de contribuir.
Estou ciente de que o pesquisador responsável é o Professor Orientador
Dr. José Jackson Coelho Sampaio (docente do curso de Doutorado em Saúde
Coletiva da Universidade Estadual do Ceará)

Fortaleza, _____ de _________________ de 20____

___________________________________________________
Responsável pela instituição
183

APÊNDICE F

Indicador de Saúde na Escola e na Aula de Educação Física


(Índice: 520 Pontos – 100%)

Parte I Saúde na Escola (Índice: 235 Pontos - 100%)

1 Políticas de Saúde no Ambiente Escolar (Índice: 125 pontos - 100%)

a) Politicas de Saúde (20 pontos – 100%)

Há na escola uma equipe de saúde?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

Há estímulo para a prática da atividade física na escola, retirando-se a aula de


Educação Física?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

O tempo de recreio que inclui lanche e atividade física livre é de:


30 minutos ( ) 5 pontos Inferior a 30 minutos ( ) Zero ponto

Há uma equipe de professores exclusivamente para planejar as ações no recreio?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

b) Motivação que as escolas oferecem para a prática da atividade física ou da


Educação Física (45 pontos – 100%)

Possui quadra coberta?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

Os equipamentos e materiais são adequados para a idade escolar?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

As turmas contêm um número não superior a 40 alunos?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

As atividades físicas extracurriculares são oferecidas para todos os alunos


interessados, não discriminando fatores econômicos, sem superlotação e com
segurança?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

Há oferta de escolinhas de esporte?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

É permitido o uso da quadra, pátios e playgrounds em horários distintos da grade


curricular?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

Os espaços da escola são liberados aos finais de semana para jogos e atividades
recreativas?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto
184

A escola oferece professores e monitores capacitados para acompanhar as atividades


físicas?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

A escola realiza medidas punitivas utilizando a não permissão da prática da atividade


física ou da Educação Física como castigo?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

c) Educação nutricional (60 pontos – 100%)

São realizadas aulas de educação nutricional?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

A escola oferece alimentação gratuita a todos os alunos, professores e funcionários?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

A alimentação é planejada por um nutricionista?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

O refeitório é agradável, bem higienizado e seguro?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

Os profissionais atuam na alimentação oferecida pela escola são capacitados, e


compreendem sobre emergências alimentares?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

A escola veda a venda e a distribuição de alimentos de valor nutricional mínimo?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

A escola realiza medidas punitivas a negação ao acesso de alimentos, em razão de


comportamento impróprio?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

Os professores asseguram tempo para que os alunos realizem a higienização das


mãos antes e após as refeições, estimulando este hábito?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

Todos os funcionários e professores da escola conhecem a política de saúde proposta


pela escola?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

Favorecem o acesso dos alunos ao ambiente escolar para a prática da atividade


física?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

Estimulam os alunos a participar das aulas de Educação Física?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

Orientam sobre a alimentação saudável no interior da escola?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

2 Educação para a Saúde (Índice: 30 pontos – 100%)

a) O currículo é obediente às diretrizes da Educação para a Saúde, como citado nos


Parâmetros Curriculares nacionais (1998)?
185

Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

b) O currículo aborda temas de atividade física e saúde?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

c) O currículo aborda temas de alimentação saudável?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

d) O currículo aborda temas, tais como: abuso de drogas, álcool e tabaco; doenças
sexualmente transmissíveis; violência e saúde; doenças coronarianas, diabetes,
educação e saúde; higiene corporal; moradia, saneamento e saúde; trabalho, lazer e
ócio; saúde bucal; e aspectos socioculturais relacionados à saúde.
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

e) As aulas de Educação para a Saúde possuem estratégias motivantes? Levam em


consideração o meio sociocultural dos alunos? Favorecem a adoção de
comportamentos saudáveis?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

f) Os professores de Educação para Saúde são capacitados para tratar o assunto de


forma didática e acessível aos alunos?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

3 Serviços de Saúde no Ambiente Escolar (Índice: 80 pontos – 100%)

a) A escola oferece serviços de saúde, promove a Educação Física e a prática da


atividade física, desenvolve a política da boa alimentação para a comunidade escolar
e propaga a Educação para a Saúde?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

b) Realiza a elaboração de cartilhas e materiais educacionais sobre saúde;


apresentação de palestras e seminários; e aconselhamentos individuais e em grupo?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

c) Colabora para a Promoção da Saúde dos funcionários, professores e estudantes da


escola por meio do: desenvolvimento de políticas de saúde; desenvolvimento do
currículo para a educação para a saúde; planejamento de aulas, eventos e projetos;
treinamento e capacitação dos envolvidos no que se refere aos benefícios da prática
da atividade física e boa alimentação; e encorajamento às boas práticas?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

d) Identifica alunos com problemas relacionados à atividade física ou imagem corporal,


como: anemia, bulimia, anorexia, vigorexia, diabetes, obesidade, asma, uso de
asteróides, anabolizantes ou medicamentos?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

e) Os alunos com problemas relacionados à atividade física ou imagem corporal são


encaminhados para setores específicos?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

f) Há coleta dados sobre a situação da saúde dos alunos da escola uma vez ao ano?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

g) A escola realiza acompanhamento psicológico aos alunos, desenvolve materiais


educacionais, promove discussões e debates sobre a saúde em salas de aula; realiza
186

encontros e palestras; desenvolve política, currículo, aulas e planos de unidade;


realiza treinamento de funcionários, professores e alunos sobre o tema saúde?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

h) Promove a saúde de funcionários e professores por via de avaliações anuais de


aptidão física relacionada à saúde?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

i) Realiza anualmente com os professores e funcionários um levantamento sobre como


os aspectos sociais, econômicos, familiares e relacionados ao trabalho estão
influenciando em sua saúde?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

j) Oferece programas de atividades físicas para seus professores e funcionários, tais


como escolinhas de dança, futsal, voleibol, ginástica e lutas?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

k) Estimula e facilita a participação em atividades físicas para seus professores e


funcionários?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

l) Promove a Educação para a Saúde de seus professores e funcionários mediante


campanhas educativas por meio de cartazes, murais, jornais, palestras e encontros?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

m) Assegura plano de saúde para seus trabalhadores?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

n) Oferece à comunidade e a família dos alunos Educação para Saúde através de


palestras, seminários, feiras, encontros, visitas domiciliares, reuniões de pais e
mestres, caminhadas, passeios ciclísticos e prática de modalidades esportivas?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

o) Realiza avaliação sobre a participação e o envolvimento dos alunos com os


programas de saúde da escola, anualmente, com a família e a comunidade?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

p) Os pais ou responsáveis pelos alunos participam ativamente da política de saúde


da escola, sugerindo, atuando voluntariamente, criticando e auxiliando nas atividades
propostas?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

Parte II Tema Saúde nos Conteúdos da Educação Física (Ìndice: 285 pontos –
100%)

1 A aula de Educação Física (Índice: 105 pontos – 100%)

a) Possui frequência mínima de três sessões semanais?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

b) Possui um tempo mínimo de 50 minutos de aula propriamente dita?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto
187

c) É expandida a todos os alunos, sem exceção, inclusive aqueles que estão liberados
da prática, por atestado médico ou por outro motivo, que neste caso devem realizar
aulas teóricas sobre saúde?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

d) Possui relevância social no que se refere à aplicação dos conteúdos, aulas e


programas de atividades extracurriculares, indo ao encontro das necessidades do
alunado?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

e) É diversificada e prazerosa, incluindo situações competitivas e não competitivas?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

f) Possui número de alunos/professor de forma similar a outras matérias, para que não
haja superlotação e todos tenham oportunidade de orientação adequada?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

g) É considerada pelos estudantes como uma experiência agradável?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

h) Promove e estimular o hábito da atividade física ao longo da vida?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

i) É focado no desenvolvimento dos aspectos integrais do desenvolvimento humano,


compostos por fatores psicomotores, cognitivos e afetivos?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

j) Busca desenvolver as habilidades motoras como andar, correr, saltar, pular,


arremessar, lançar, chutar e subir; e as capacidades motoras: velocidade, agilidade,
resistência, flexibilidade e força?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

k) Utiliza de toda a gama da cultura corporal do movimento, traduzida em jogos,


dança, ginástica, lutas, esportes e atividades aquáticas?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

l) Discute a aptidão física relacionada com a saúde e favorece a aprendizagem e a


prática dos comportamentos e hábitos físicos para saúde?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

m) Debate outros fatores necessários para a aquisição da saúde, entre os quais


moradia, saneamento, trabalho, lazer, ócio, educação e segurança, dentre outros?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

n) O programa segue os padrões de segurança para a prática da Educação Física,


entre eles: supervisão adequada pelo professor; utilização de roupas, sapatos e
equipamentos adequados; reparo regular dos equipamentos e instalações; evitar
exposição ao sol, fumaça e temperaturas extremas; controle de infecção por contato
com sangue e outros fluidos corporais?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

o) Realiza testes físicos e de aptidão física sem finalidades de comparação?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

p) Realiza ações de debates em classe, trabalhos, pesquisas e estudos sobre o tema?


188

Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

q) Realiza palestras sobre saúde?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

r) As aulas ocupam espaços internos da escola, como ginásio, pátio, laboratórios de


Informática, Biologia, Química e Física, biblioteca; e espaços externos diversos, como
praças, parques, praias, rios, montanhas e as próprias ruas do entorno da instituição?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

s) O professor de Educação Física é graduado em licenciatura?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

t) O professor de Educação Física evita práticas que resultem em momento de pouca


ou nenhuma atividade motora dos alunos durante as aulas?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

u) O professor de Educação Física participa de cursos de capacitação e educação


continuada, ao menos uma vez por ano?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

2 Aplicação do Tema Saúde nos Conteúdos da Educação Física (Índice: 180


pontos – 100%)

a) O professor de Educação Física adota hábitos de autocuidado?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

b) Valoriza atitudes relacionadas à higiene e segurança?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

c) Respeita regras de convívio social?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

2.1 Jogos e Brincadeiras

a) O tema saúde é utilizado nas aulas práticas de jogos e brincadeiras?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

b) Há utilização de materiais de sucata, como garrafas pet e papelão, na elaboração


de jogos e brincadeiras, com o objetivo de estimular a consciência e a saúde
ambiental?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

c) São solicitadas pesquisas sobre jogos populares praticados pelos seus pais para
verificar como eram ativos e como estão realizando atividades físicas na atualidade?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

d) são realizados debates sobre as reações que o corpo sofre durante as atividades
físicas?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

e) São realizadas aulas em laboratórios de Informática para a prática de jogos


computacionais no sentido de transmitir aos discentes noções de postura ao sentar
para trabalhar no computador?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto
189

f) São realizadas pesquisas sobre gasto calórico durante a prática de jogos e


brincadeiras?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

2.2 Esportes

a) O tema saúde é utilizado nas aulas práticas de esportes?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

b) São relacionadas as capacidades físicas e as habilidades motoras com a saúde dos


alunos?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

c) São realizados debates sobre dopping ou uso de drogas e álcool entre atletas?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

d) São transmitidas noções de primeiros socorros nas aulas de esportes?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

e) É explicado aos alunos o funcionamento fisiológico do corpo?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

f) São promovidas análises sociológicas e filosóficas do esporte?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

2.3 Lutas

a) O tema saúde é utilizado nas aulas práticas das lutas?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

b) O professor reforça os benefícios físicos da prática da luta?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

c) São produzidas discussões sobre as distinções entre luta e briga?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

2.4 Ginástica

a) O tema saúde é utilizado nas aulas práticas de ginástica?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

b) A prática da caminhada ou da corrida é desenvolvida durante as aulas de Educação


Física?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

c) O aluno é solicitado a verificar sua frequência cardíaca?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

d) É realizado o alongamento antes e depois da atividade?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

e) O professor explica a diferença entre resistência aeróbia e anaeróbia?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto
190

f) O professor favorece o entendimento do impacto da ginástica na saúde?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

g) É promovido o debate acerca da busca desmedida pela beleza corporal como a


anorexia, bulimia, vigorexia, usos de esteróides anabolizantes e treinamento
excessivo?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

h) São discutidos os cuidados para a prática da musculação?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

2.5 Atividades Rítmicas e Expressivas

a) O tema saúde é utilizado nas aulas práticas de Atividades Rítmicas e Expressivas?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

b) É promovido o conhecimento acerca das manifestações de dança e música das


diversas culturas, relacionando-as à consecução e manutenção da saúde?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

c) É discutido os benefícios das atividades rítmicas para as capacidades físicas?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

2.6 O conhecimento sobre o corpo

a) O tema saúde é utilizado nas aulas práticas de Atividades Rítmicas e Expressivas?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

b) É favorecido o conhecimento do funcionamento do organismo humano, as noções


de esforço, intensidade e frequência dos exercícios físicos?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

c) O professor de Educação Física reflete sobre as informações da cultura corporal, de


modo a manter uma postura autônoma na manutenção ou aquisição da saúde?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

d) Estimula o aluno a adotar uma postura ativa de praticante de atividades físicas?


Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

e) Nas aulas, o corpo é compreendido somente como um organismo complexo,


composto de aspectos biológicos, sociais, culturais e filosóficos?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

f) Os conhecimentos de Anatomia são aplicados durante as práticas, quando o


professor solicita aos alunos a realização da anatomia palmatória, quando os alunos
de maneira cinestésica percebem seus músculos atuando?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

g) O professor favorece a aplicação dos conhecimentos fisiológicos, ao demonstrar


para os alunos as alterações pelos quais os sistemas do corpo sofrem durante a
atividade física?
Sim ( ) 5 pontos Não ( ) Nenhum ponto

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