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HISTÓRIA DA IMPRENSA BÍBLICA

Intro: A imprensa foi inventada em 1439 por Gutenberg, inventor alemão. Ele
trabalhou com tipos móveis de chumbo, que permitia maior agilidade e
durabilidade no processo de marcação das páginas. Pelas facilidades de difusão
de conteúdo através de seu invento, Gutenberg é conhecido como pai da
disseminação de conteúdo em massa. Tudo isso porque era filho de um rico
comerciante e tornou-se ourives, daí aprendeu a trabalhar com fundição, e seu
gosto pela leitura, que vinha desde a infância, foi direcionado por Deus para “o
invento mais importante do segundo milênio” (Wayback Machine e A&E
Network).
I. A invenção da imprensa
Voltemos um pouco. Antes da imprensa, o único jeito de duplicar um documento
ou livro era copiando-o à mão. Algumas “imprensas” existiam usando-se pedras
ou madeiras como carimbos, mas tudo muito primitivo e pouco simples. Os
egípcios foram os primeiros a criar seus registros escritos em “livros”, eles
utilizavam papiro (planta que era cortada em tiras, mergulhada em água e depois
reunida e prensada), as folhas eram colocadas em sequência e finalizadas entre
duas tabuletas de madeira (capa e contracapa), eram os chamados “códex”.
Peles de animais também eram utilizadas antes e depois do papiro para fazer
registros. O fragmento mais antigo do NT contém partes de João 18, estimado
em 125 d.C.
O papa Dâmaso I comissionou Jerônimo em 382 para fazer uma tradução oficial
e definitiva em latim, tarefa que este terminou no ano 405. A tradução é chamada
de Vulgata e por quase mil anos reinou suprema. Em 1229, o Concílio de Toulose
proibiu qualquer um que não fosse padre de ter uma Bíblia.
Na Idade Média, a produção de cópias da Vulgata ficou a cargo dos copistas
profissionais. Milhares de monastérios foram criados e uma das principais tarefas
dos monges era a cópia da Escritura. As Bíblias passaram a incluir imagens das
narrativas para criar mais apreço dos iletrados. Como elas eram grandes, em
múltiplos volumes e caríssimas, somente igrejas, universidades e pessoas muito
ricas poderiam ter uma em casa.
Voltando à Gutenberg, ele, sozinho, produziu 180 cópias da Bíblia (1300
páginas, coluna dupla, 42 linhas de texto, letras iniciais em vermelho)!
Fechando: Assim como a Internet facilitou o acesso à informação e divulgação
de trabalhos, a imprensa foi a internet da época, barateou custos, aumentou a
produção e espalhou informação com velocidade e volume.
II. As sociedades bíblicas
São organizações sem fins lucrativos, voltadas para a tradução, publicação e
distribuição da Bíblia. São, geralmente interdenominacionais e cooperam com
outras sociedades bíblicas mundo afora. Cuidam também da atualização dos
textos ou novas versões conforme entendam necessário. Existe um acordo de,
no máximo, a cada 25 anos uma tradução oficial passar por algum tipo de
revisão.
Em 1698, a Society for Promoting Christian Knowledge foi fundada na Inglaterra
e publicava apenas a tradução King James. No século seguinte, foi feito trabalho
de distribuição pela organização dos Missionários Luteranos Dinamarqueses e
pela Sociedade Escocesa de Propagação do Conhecimento Cristão. O
movimento atual de Sociedades Bíblicas remonta à 1804 com a fundação da
British and Foreign Bible Society que faz o mesmo papel que as atuais
sociedades bíblicas fazem. Em 1831 foi fundada a Sociedade Bíblica Trinitariana
na Inglaterra porque a BFBS permitiu a inclusão dos apócrifos, coisa que a SBT
reprovou (é responsável aqui no Brasil pela Almeida Corrigida Fiel).
A União das Sociedades Bíblicas reconheceu 148 parceiros (sociedades, grupos
de tradução, distribuição) atuando em mais de 200 países, o dado é de setembro
de 2019.
Fechando: Lutero não foi o único que entendeu que a Bíblia deveria ser traduzida
e difundida, muitos outros cristãos devotaram suas vidas a criar imprensas
bíblicas, a realizar traduções do texto original para o vernáculo e distribuí-las.
III. Imprensa bíblica no Brasil
A primeira tradução da Bíblia completa para o português foi feita por João
Ferreira de Almeida (NT todo e AT até Ezequiel, completado depois por um
holandês), ela foi publicada pela primeira vez em 1753. Em 1840 passou por
uma revisão no texto e recebeu o nome de REVISTA E EMENDADA. Trinta e
cinco anos depois, surgiu a REVISTA E CORRECTA, corrigindo ortografias e
outros pequenos erros, liderada pelo português João Nunes Chaves.
Em 1898 surgiu a versão REVISTA E CORRIGIDA, que contou com a
participação de brasileiros e que fez história no Brasil. Foi reimpressa várias
vezes até 1940 pelas sociedades Britânica, Americana e Trinitariana, mas com
o advento da 2ª Guerra, deixaram de ser impressas no exterior. Então surge a
Imprensa Bíblica Brasileira, em parceria com a Convenção Batista Brasileira, que
em 1944 imprimiu 22.000 exemplares da Bíblia. Em 1948, surge oficialmente a
Sociedade Bíblica do Brasil.
Já em 1956, a SBB publica a versão REVISTA E ATUALIZADA, utilizada
posteriormente em bíblias de estudo, contribuindo para sua difusão e aceitação.
Essa versão foi muito mais profunda, interagiu com os textos originais e com
manuscritos descobertos no século XVIII. De lá pra cá, a SBB reformulou a ARC
em 1995 e em 2009 (caridade = amor e remoção do “São”), a ARA em 1993 com
a 2ª edição (e em 2017 com a NAA), além da Tradução Brasileira (pouca força)
e da NLTH (uso infanto-juvenil).
Fechando: A nossa sociedade “começou” em Portugal e com um pé na Holanda,
mas com a Segunda Guerra, houve a mobilização dos brasileiros de não parar
as melhorias do texto nem de sua disponibilização. O trabalho permanece até
hoje e tem muitos parceiros e projetos agregados.

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