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DISLEXIA

Uma nova
abordagem
terapêutica

( Método
inovador )
Dra. Graciete Serrano –Psicóloga clínica
Dr. Orlando Alves da Silva - Médico

Conteúdo

• Introdução ao novo método terapêutico


• Alterações no desenho da figura complexa de Rey
• Alterações da escrita
• Alterações electroencefalográficas
• Perguntas e comentários
• Documentos acessórios:
Descomplicando a dislexia

INTRODUÇÃO
A dislexia representa no momento actual um grave problema social na
medida em que constitui factor de perda de rendimento escolar com
todas as consequências que daí advêm. No mundo do trabalho ela é
responsável por errros laborais que podem conduzir a consequências
trágicas quer para o disléxico quer para aqueles que dependem do bom
resultado do seu trabalho. A dislexia, é em suma, um factor de
diminuição da utilidade social do indivíduo e que impede a sua plena
realização.

As terapêuticas clássicas ensaiadas para o tratamento da dislexia apresentam


resultados tão medíocres que muitos autores a consideram sem tratamento. A
dislexia tem sido recentemente ligada anatomicamente a excessos de tecido
neural a nível cerebral e também a migrações de certas células corticais. Estas
ligações procuram atribuir-lhe o carácter de doença cerebral orgânica e justificar
a sua resistência ao tratamento.
Não se nos afigura ser esse o melhor caminho interpretativo pelo simples facto
de, mesmo em lesões orgânicas, existir a possibilidade de recurso às funções
vicariantes do cérebro. Por outro lado, o aumento de incidência nas populações
escolares induz-nos a pensar seriamente num factor funcional tratável desde que
se conheçam as causas e dominem os processos terapêuticos.

A nossa experiência clínica tem vindo a reforçar a ideia de que estamos em


presença de uma disfunção perceptiva dependente de perturbações mais ou
menos graves do sistema proprioceptivo.

A análise da topografia electrofisiológica computorizada (TEC) mostra, nos


disléxicos, áreas cerebrais de microvoltagens excessivamente elevadas,
susceptíveis de serem alteradas pela posição do olhar que apontam no sentido de
estarmos em presença de um processo de características funcionais.

O tratamento consiste na correcção das perturbações proprioceptivas que em


nosso entender são a base em que assenta a disfunção disléxica.

Há dois processos que se completam :

1. Reprogramação Postural
2. Modificação da informação visual através de lentes prismáticas
de pequena potência

Este processo implica um conhecimento profundo do modo de


funcionamento do sistema proprioceptivo e o domínio das técnicas de
diagnóstico e de apreciação da resposta terapêutica.

Nota: Embora os exemplos clínicos apresentados nas páginas seguintes


se refiram a crianças, este tratamento é também válido para adultos
Figura complexa de Rey
Desevolvemos esta técnica nestas duas últimas décadas e os nossos resultados
têm vindo a ultrapassar todos os resultados obtidos com as técnicas clássicas.
A titulo de exemplo mostramos a reprodução de memória da Figura Complexa
de Rey numa das nossas crianças disléxicas antes e após o nosso método de
tratamento.

R.M. 14 anos
Reprodução de F.C.Rey.

Verifica-se que o disléxico fez a reprodução em micrografismo e com uma


rotação de 90 graus em relação á posição em que a figura se encontrava
colocada.
R.M. 14 anos
Reprodução de memória da mesma figura após tratamento.

A figura encontra-se na posição em que foi mostrada e é desenhada com as


mesmas dimensões do modelo original.
Topografia electroencefalográfica ou
cartografia cerebral

Esta figura corresponde à Topografia Electroencefalográfica


Computorizada (TEC) de uma criança disléxica. Esta criança tinha
dificuldades na leitura, na escrita e na percepção dos sons. Apresentava
também insucesso escolar acentuado, apesar de um teste de WISC
(Wechsler Intelligence Scale for Children) revelar um alto grau de
inteligência( QI > 110).

Trata-se de um registo onde se mostram os valores absolutos das ondas


delta ( onda de baixa frequência cerebral ) onde se pode verificar que o
cérebro se encontra todo invadido por potênciais electrofisiológicos
superiores a 1000 microvolts2 (ver escala de cores).
Esta imagem corresponde ao registo da Topografia Electroencefalográfica
Computorizada da mesma criança disléxica executada nas mesmas condições
mas após o nosso tratamento. A análise do registo permite verificar que todos
os valores de potência absoluta se encontram abaixo de 1000 microvolts 2 (ver
escala de cores). Em termos clínicos, a criança melhorou de imediato e ao fim
de 4 meses tinha conseguido ultrapassar a média de aproveitamento da sua
classe.
Topografia electroencefalográfica ou
cartografia cerebral

Esta figura corresponde à Topografia Electroencefalográfica Computorizada


(TEC) de uma criança disléxica. Esta criança tinha dificuldades na leitura, na
escrita e na percepção dos sons. Apresentava também insucesso escolar
acentuado, apesar de um teste de WISC (Wechsler Intelligence Scale for
Children) revelar um alto grau de inteligência (QI > 110).

Trata-se de um registo onde se mostram os valores absolutos das ondas delta (


onda de baixa frequência cerebral ) onde se pode verificar que o cérebro se
encontra todo invadido por potênciais electrofisiológicos superiores a 1000
microvolts2 (ver escala de cores).
Esta imagem corresponde ao registo da Topografia Electroencefalográfica
Computorizada da mesma criança disléxica executada nas mesmas
condições mas após o nosso tratamento. A análise do registo permite
verificar que todos os valores de potência absoluta se encontram abaixo de
1000 microvolts 2 (ver escala de cores). Em termos clínicos, a criança
melhorou de imediato e ao fim de 4 meses tinha conseguido ultrapassar a
média de aproveitamento da sua classe.
DESCOMPLICANDO A DISLEXIA
O.Alves da Silva (Médico) G. Serrano (Psicóloga Clínica)

O homem tende a considerar complicado tudo o que desconhece e a considerar


fácil tudo aquilo que conhece bem. Tempos houve na história da humanidade em
que a simples sucessâo do dia e da noite era vista como uma complexa luta entre
o poder da luz e o poder das trevas.

A dislexia também tem sido alvo de interpretações que nada têm a ver com a sua
realidade. A dificuldade em ler tem sido muitas vezes interpretada erradamente,
como um sinal baixa capacidade intelectual. Uma observação mais atenta mostra
que muitos disléxicos conseguem em certas áreas e em certos momentos da sua
actividade ,uma performance superior à média do seu grupo etário e isso deixa
confusos todos aqueles que apostavam na baixa capacidade intelectual para
explicar a dificuldade na leitura. Os resultados obtidos nos testes de inteligência
vêm, num plano já mais científico, mostrar que não existe uma correlação
aceitável entre o grau de inteligência do disléxico e a sua baixa performance na
leitura.

Outro erro comum consiste na noção de que o disléxico tem que ser disléxico
durante toda a sua vida. A nível científico não faltam teorias que procuram
relacionar a disléxia com perturbações orgânicas . Têm sido apontadas como
causas a existência de excesso de tecido neural e a migração de células corticais.
Seria assim a dislexia, o resultado de uma malformação orgânica localizada no
cérebro.

Sabemos todos que a doença não é o resultado directo de uma agressâo ou da


acção de um agente agressor mas sim a falência do organismo em termos de
capacidade imediata de resistência à agressâo recebida. Todos sabemos que
quando surge uma epidemia em que toda uma comunidade se encontra
igualmente exposta, há sempre indivíduos que conseguem resistir à acção do
agente agressor e não contraem a doença. Para que percebamos a dislexia e as
suas causas temos de ter bem presente esta noção de capacidade individual de
resistência e que esta capacidade varia consoante os indivíduos.

Esta noção não afasta a hipótese de que determinadas pequenas malformações


orgânicas possam modificar a capacidade de resistência do indivíduo mas dá-nos
a esperança de que se conhecermos o agente agressor e formos capazer de
diminuir o nível de agressâo de forma a que esta se situe abaixo da capacidade de
resistência do indivíduo, conseguimos eliminar a doença e em consequência, toda
a sua incómoda sintomatologia. Quer isto dizer que para obter a cura não é
sempre necessário modificar o factor individual, sendo muitas vezes suficiente
reduzir a intensidade da agressão

É esta metodologia que temos vindo a utilizar no que concerne à DISLEXIA .


Sabemos hoje que a dislexia comum não é mais do que um sinal de perturbação
do sistema proprioceptivo ( o sistema proprioceptivo tem como funções receber
informações dos variados locais do organismo, tratá-las adequadamente,
compatibilizá-las entre si e enviar ordens de acção em conformidade com o
resultado obtido ). Quando a disfunção proprioceptiva tem incidência a nível das
funções cerebrais necessárias à leitura surge a disléxia. Sabemos também que
essa perturbação do sistema proprioceptivo é provocada por erros sistemáticos e
estereotipados de posicionamento do corpo sem que o indivíduo atingido tenha
consciência desses erros. De posse destes conhecimentos tudo fica facilitado no
sentido de DESCOMPLICAR A DISLEXIA. A nível de tratamento torna-se
lógico que o tratamento eficaz e duradouro da dislexia tem que ter por base uma
correcção adequada dos factores que conduzem aos erros inconscientes de
posicionamento do indíviduo durante o seu dia a dia. Esta técnica é comum a
todos os indivíduos com perturbações proprioceptivas sejam ou não disléxicos e
consiste na introdução de uma REPROGRAMAÇÃO POSTURAL em que o
indivíduo passa a ter consciência dos erros de posicionamento inconsciente que
tem vindo a praticar e é ensinado a corrigi-los . Essa aprendizagem é facilitada e
complementada atrvés de informação que atinge automáticamente e
selectivamente os centros cerebrais nomeadamente através de LENTES
PRISMÁTICAS de pequena potência estudadas caso a caso e de modificação
selectiva da informação plantar através de palmilhas posturais. Há mais de 20
anos que dominamos esta técnica e os resultados são positivos em mais de 90 por
cento dos casos. No que diz respeito à dislexia é necessário completar o
tratamento introduzindo a informação correcta que a criança nunca apreendeu em
boas condições devido à deformação e bloqueios parciais induzidos a nível do
cérebro,.pela perturbação funcional do sistema proprioceptivo . É bem conhecida
a baixa eficácia nos resultados obtidos com os tratamentos anteriores ao nosso
mas só agora é fácil de compreender a razão dessa baixa eficácia. Essas técnicas
consistem em procurar "muletas" para a deficiência enquanto nós procuramos
anular os factores que induzem essa deficiência.

Para uma melhor compreensão do que acabamos de referir aconselhamos a


leitura da nossa página Dislexia - Uma nova abordagem terapêutica
Dislexia

A Dislexia corresponde a uma perturbação a nível da leitura e escrita, cuja


frequência tem vindo a aumentar progressivamente.

O termo Dislexia é aplicável a uma situação na qual a criança é incapaz de ler


com a mesma facilidade com que lêem as crianças do mesmo grupo etário,
apesar de possuir uma inteligência normal, saúde e órgãos sensoriais intactos,
liberdade emocional, motivação e incentivos normais, bem como instrução
adequada.

À medida que o tempo passa, aumenta o número de crianças que terminam o


seu período escolar obrigatório sem a fluência de leitura e escrita que se
considera adequada.

Trata-se de um problema social grave que tem preocupado pais, educadores,


psicólogos e médicos. Dessa preocupação tem resultado, a nível mundial, a
procura de processos capazes de debelar a situação. Ao longo das últimas
décadas essa procura tem conduzido a magros resultados. É de supôr que os
resultados pouco satisfatórios, até então obtidos, resultem de uma abordagem
incompleta do problema Dislexia.

A observação e acompanhamento de crianças disléxicas mostrou-nos que


estas apresentam perturbações que ultrapassam, em larga escala, a simples
função da leitura.

O estudo do seu sistema proprioceptivo tem-nos vindo a mostrar alterações


profundas que não parecem ser independentes das perturbações disléxicas.

O tratamento dessas perturbações proprioceptivas tem-nos mostrado, também,


uma modificação altamente positiva no que concerne à aprendizagem da
leitura e escrita.
Definição

O estudo das dificuldades de leitura e escrita, em geral, e da dislexia, em


particular, vem suscitando desde há muito tempo o interesse de psicólogos,
professores, pediatras e outros profissionais interessados na investigação dos
factores implicados no sucesso e/ou insucesso educativo. A dislexia representa no
momento actual um grave problema escolar, para a qual todos os profissionais da
educação estão cada vez mais consciencializados.

As competências da leitura e escrita são consideradas como objectivos


fundamentais de qualquer sistema educativo, ao nível da escolaridade elementar, a
leitura e a escrita constituem aprendizagens de base e funcionam como uma mola
propulsora para todas as restantes aprendizagens. Assim uma criança com
dificuldade nesta área apresentará lacunas em todas as restantes matérias, o que
provoca um desinteresse cada vez mais marcado por todas as aprendizagens
escolares e uma diminuição da sua auto-estima.

Existem presentemente várias definições para a mesma problemática, de entre


as quais se destacam:

• Segundo Víctor da Fonseca a dislexia é uma dificuldade duradoura da


aprendizagem da leitura e aquisição do seu mecanismo, em crianças
inteligentes, escolarizadas, sem quaisquer perturbação sensorial e psíquica já
existente (Fonseca, 1999).

• A World Federation of Neurology define-a como uma perturbação que


se manifesta pela dificuldade na aprendizagem da leitura, apesar de uma
educação convencional, uma adequada inteligência e oportunidades sócio-
culturais.
• Outra definição, surge do Comittee on Dyslexia of the Health Council
of the Netherlands, segundo estes a dislexia está presente quando a
automatização da identificação das palavras (leitura) não e/ou da escrita de
palavras não se desenvolve, ou se desenvolve de uma forma muito incompleta,
ou com grande dificuldade.

• Para Critchley a dislexia trata-se de uma "perturbação que se


manifesta na dificuldade em aprender a ler, apesar de o ensino ser
convencional, a inteligência adequada, e as oportunidades socioculturais
suficientes."

• Dislexia: (do grego) dus = difícil, dificuldade; lexis = palavra.

Esta dificuldade em ler e escrever tem sido muitas vezes erradamente


interpretada, como um sinal de baixa capacidade intelectual. Muito pelo contrário,
muitos disléxicos conseguem em certas áreas e em certos momentos da sua
actividade, uma performance superior à média do seu grupo etário. Só se poderá
diagnosticar uma dislexia em crianças que apresentem pelo menos uma eficiência
intelectual dentro dos parâmetros normativos.

Sinais de Alerta

Aqui estão alguns sinais de alerta que pais e professores devem de ter em
atenção quando suspeitam da existência de problemas nas competências de leitura e
escrita nos seus filhos ou alunos:

• Começou a falar tardiamente ou apresentou problemas de linguagem


durante o seu desenvolvimento.

• Bastantes dificuldades na leitura, escrita com muitos erros ortográficos


e a qualidade da caligrafia é bastante deficiente.
• Dificuldades na compreensão de textos.

• Prefere ler em voz alta para compreender melhor um texto.

• Inventa palavras ao ler um texto.

• Salta linhas durante a leitura, na leitura silenciosa consegue-se ouvir o


que está a ler, acompanha a linha da leitura com o dedo.

• A velocidade da leitura é inadequada para a idade.

• Apresenta dificuldades na rima de palavras.

• Demora demasiado tempo na realização dos trabalhos de casa (uma


hora de trabalho rende 10 minutos).

• Utiliza estratégias e truques para não ler.

• Distrai-se com bastante facilidade perante qualquer estímulo,


parecendo que está a "sonhar acordado".

• Os resultados escolares não são condizentes com a sua capacidade


intelectual.

• Melhores resultados nas avaliações orais do que nas escritas.

• Não gosta de ir à escola ou de realizar qualquer actividade com ela


relacionada.

• Confunde a direita e a esquerda.

• Quando era mais novo tinha problemas de equilíbrio e/ou tropeçava


muitas vezes.

• Bastante imaginativo e criativo, com capacidades acima da média em


determinadas áreas (desenho, pintura, música, teatro, desporto, etc.).
Diagnóstico

Para se fazer um diagnóstico correcto da dislexia deve-se verificar inicialmente


se na história familiar existem casos de dislexia ou de dificuldades de aprendizagem
e se na história desenvolvimental da criança ocorreu um atraso na aquisição da
linguagem.

As pessoas disléxicas pensam primariamente através de imagens e sentimentos,


e não com sons e palavras, sendo bastante intuitivos.
Na leitura notam-se confusões de grafemas cuja correspondência fonética é
próxima ou cuja forma é aproximada, bem como a existência de inversões, omissões,
adições e substituições de letras e sílabas. Ao nível da frase, existe uma dificuldade
nas pausas e no ritmo, bem como revelam uma análise compreensiva da informação
lida muito deficitária (muitas dificuldades em compreender o que lêem).
Ao nível da produção escrita a sintomatologia é semelhante, verificando-se a
presença de muitos erros ortográficos, grafia disforme e ilegível, como também
lacunas na estruturação e sequênciação lógica das ideias, surgindo estas
desordenadas.

As principais manifestações da dislexia nas competências de leitura e escrita


são:
• Um atraso na aquisição das competências da leitura e escrita.

• Dificuldades acentuadas ao nível da consciência fonológica


([des]codificação fonológica, descodificação grafema-fonema).

• Leitura silábica, decifratória, hesitante, sem ritmo, com bastantes


correcções e erros de antecipação.

• Velocidade de leitura bastante lenta para a idade e para o nível escolar.


• Confusão entre letras, sílabas ou palavras com diferenças subtis de
grafia ou de som (a-o; c-o; e-c; f-t; h-n; m-n; v-u; f-v; ch-j; p-t; v-z;…).

• Confusão entre letras, sílabas ou palavras com grafia similar, mas com
diferente orientação no espaço (b-d; d-p; b-q; d-q; n-u, a-e;…).

• Inversões parciais ou totais de sílabas ou palavras (ai-ia; per-pré; fla-fal;


me-em; sal-las; pla-pal; ra-ar;…).

• Substituição de palavras por outras de estrutura similar, porém com


significado diferente (saltou-salvou; cubido-bicudo;...).

• Adição ou omissão de sons, sílabas ou palavras (famosa-fama; casaco-


casa; livro-livo; batata-bata;…).

• Substituição de palavras inteiras por outras semanticamente vizinhas.

• Problemas na compreensão semântica e na análise compreensiva de


textos lidos.

• Dificuldades em exprimir as suas ideias e pensamentos em palavras.

• Ilegibilidade da escrita: letra rasurada, disforme e irregular, presença de


muitos erros ortográficos e dificuldades ao nível da estruturação e
sequenciação lógicas das ideias, surgindo estas desordenadas e sem nexo
(também a nível verbal).

• Outros sintomas que podem estar associados são:

• Dificuldades na memória auditiva imediata

• Problemas ao nível da dominância lateral (lateralidade difusa,


confunde a direita e esquerda)

• Problemas ao nível da motricidade fina e do esquema corporal

• Problemas na percepção visuo-espacial


• Problemas na orientação espacio-temporal

• A escrita pode surgir em espelho

• Etc.

Nota: Não é necessário que estejam presentes todos estes indicadores em


simultâneo, para que seja diagnosticada um caso de dislexia. Estes indicadores
devem apenas alertar para a possibilidade de um possível caso de dislexia, já que é
preciso compreender a razão destes comportamentos.

A dislexia está muitas vezes associada a outros termos e perturbações, como


são o caso da Disortografia, Disgrafia e Discalculia:

Disortografia - Perturbação na produção escrita (presença de muitos erros


ortográficos) caracterizada por uma dificuldade em escrever correctamente as
palavras. É possível haver uma disortografia (erros ao nível da escrita) sem que
esteja presente uma dislexia. Contudo, sempre que existe um diagnóstico de dislexia,
tem como corolário uma disortografia mais ou menos evidente.

Disgrafia - Perturbação de tipo funcional que afecta a qualidade da escrita,


sendo caracterizada por uma dificuldade na grafia, no traçado e na forma das letras e
palavras, surgindo estas de forma irregular, disforme e rasurada.

Discalculia - Perturbação semelhante à dislexia, sendo relativa a uma dificuldade


na simbolização dos números e na capacidade aritmética.

Segundo vário autores, de entre os quais se destaca Debray, não se pode falar
de dislexia (ou melhor, não se pode fazer um diagnóstico definitivo) antes dos 7
anos, ou para ser mais rigoroso antes de pelo menos um ano de escolaridade, pois
anteriormente a esta idade, erros similares são banais pela sua frequência.

Quando a uma perturbação da leitura está associado um Q.I. elevado, a criança


pode estar ao nível dos seus companheiros durante os primeiros anos escolares, e
esta não se manifestar completamente antes do 4º ano de escolaridade, ou mesmo
posteriormente.

Para um correcto diagnóstico de uma perturbação da leitura e escrita é


indispensável recorrer à avaliação de profissionais experientes neste domínio,
nomeadamente psicólogos, neurologistas, pediatras, professores especializados, etc.

CRITÉRIOS DE DIAGNÓSTICO PARA PERTURBAÇÃO DA LEITURA,


SEGUNDO O DSM-IV:

A. O rendimento na leitura, medido através de provas normalizadas de


exactidão ou compreensão da leitura, aplicadas individualmente, situa-se
substancialmente abaixo do nível esperado para a idade cronológica do
sujeito, quociente de inteligência e escolaridade própria para a sua idade.

B. A perturbação do critério A interfere significativamente com o


rendimento escolar ou actividade da vida quotidiana que requerem aptidões de
leitura.

C. Se estiver presente um défice sensorial, as dificuldade de leitura são


excessivas em relação ás que lhe estariam habitualmente associadas.
Prevalência

Nos EUA, e segundo o DSM-IV, é de 4% a estimativa da prevalência da perturbação da leitura nas crianças
com idade escolar. No entanto, conforme os vários autores, percentagens de 5 a 10% têm sido encaradas. Isto
significa que um pouco menos de um estudante inteligente em cada dez apresenta uma dislexia-disortografia mais
ou menos importante.

A perturbação da leitura, isoladamente ou em combinação com a perturbação do cálculo ou da escrita, aparece


aproximadamente em 4 de cada 5 casos de perturbação da aprendizagem.

Outros estudos referenciam que 40% dos irmãos de crianças disléxicas apresentam de uma forma mais ou
menos grave a mesma perturbação. Uma criança cujo pai seja disléxico apresenta um risco 8 vezes superior à da
população média.

Nos vários estudos realizados até então constata-se uma patente desproporção entre rapazes e raparigas
disléxicas, 70 a 80% dos sujeitos diagnosticados com perturbação da leitura são do sexo masculino, ou seja, uma
proporção de 8 a 9 rapazes para uma rapariga. Contudo, estudos mais recentes apontam para uma proporção igual
entes os dois sexos.

Vejamos agora alguns dos disléxicos mais famosos, são os casos de:

Agatha Christie
Julio Verne
Albert Einstein
Leonardo da Vinci
Alexander Graham Bell
Louis Pasteur
Antony Hopkins
Magic Johnson
Beethoven
Mozart
Ben Jonhson
Pablo Picasso
Bill Gates
Steven Spielberg
Franklin D. Roosevelt
Thomas Edison
Fred Astaire
Tom Cruise
Galileo
Van Gogh
Harrison Ford
Walt Disney
Jack Nicholson
Winston Churchill,
John Lennon
entre outros.
Problemática Emocional

As repercussões da dislexia são muitas vezes consideráveis, quer ao nível do


sucesso escolar, quer ao nível do comportamento da criança, originando nestes dois
domínios perturbações de gravidade variável, que importa reconhecer e evitar na
medida do possível.

A criança disléxica é geralmente triste e deprimida pelo repetido fracasso em


seus esforços para superar suas dificuldades, outras vezes mostra-se agressiva e
angustiada. A frustração causada pelos anos de esforço sem êxito e a permanente
comparação com as demais crianças provocam intensos sentimentos de inferioridade.

Em geral, os problemas emocionais surgem como uma reacção secundária aos


problemas de rendimento escolar. As crianças disléxicas tendem a exibir um quadro
mais ou menos típico, com variações de criança para criança, cujas reacções mais
características são:
• Reduzida motivação e empenho pelas actividades que implicam a
mobilização das competências de leitura e escrita, o que por sua vez aumenta
as suas dificuldades de aprendizagem.

• Recusa de situações e actividades que exigem a leitura e a escrita,


devido ao temor de viver novamente uma experiência de fracasso.

• Sintomatologia ansiosa perante situações de avaliação ou perante


actividades que impliquem a utilização da leitura e escrita.

• Sentimento de tristeza e de auto-culpabilização, podendo apresentar


uma atitude depressiva diante das suas dificuldades.

• Uma reduzida auto-estima e auto-conceito académico.


• Um sentimento de insegurança e de vergonha como resultado do
seu sucessivo fracasso.

• Um sentimento de incapacidade, de inferioridade e de frustração por


não conseguir superar as suas dificuldades e por ser sucessivamente
comparado com os demais.

• Problemas comportamentais caracterizados por comportamentos de


oposição e desobediência perante as figuras de autoridade (pais, professores,
etc.), hiperactividade, défice atencional, etc.

• Outras problemáticas poderão estar presentes como seja a enurese


nocturna, perturbação do sono, etc.

Esta sintomatologia não permite por seu lado a natural concentração, interesse e
desejo de aprender, perturbando muitíssimo as condições de aprendizagem na
criança.