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UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA

DISCIPLINA FIS122 – FÍSICA GERAL E EXPERIMENTAL II

RELATÓRIO PRÁTICA – EQUIVALENTE DO CALOR E DA ENERGIA


(12/11/2019)

2019.2

Maria Gabriela Sena Amorim

Simão Urpia

Janaina Souza

Andressa Improta

SALVADOR
2019
INTRODUÇÃO

A caloria era definida como a quantidade de calor que era necessário para
elevar a temperatura de um grama de água de 14,5 para 15,5º C. Contudo, em
1948, os cientistas decidiram que, como o calor (e o trabalho) é energia
transferida, a unidade SI para o calor deveria ser a mesma para a energia, ou
seja, o Joule. A caloria foi então definida como 4,1860 J, sem referência ao
aquecimento da água.

Ao fornecermos calor a um corpo, sua temperatura aumenta. Esse


aumento depende da quantidade de calor fornecido, da massa do corpo e do
calor específico, propriedade que mede a “inércia térmica”, isto é, a sua
resistência em alterar a temperatura quando troca calor. No caso da água
(material utilizado neste experimento), é necessário transferir 4190 J para se
elevar em 1ºC um quilograma de água, ou seja, o calor específico da água é
igual à 4190 J/Kg.K ou 1cal/g.ºC.

Em medidas de temperatura é preciso que o aparelho de medida entre


em equilíbrio com objeto medido, caso contrário a temperatura registrada não
será verdadeira. O tempo necessário para que este equilíbrio seja atingido
depende do aparelho, do objeto e das temperaturas iniciais de ambos. Por isso
a leitura do termômetro deve ser feita continuamente e após o termômetro e
objeto estarem em equilíbrio este estado não se alterará

Os objetivos deste experimento são determinar-se o equivalente entre


caloria e Joule (A) definida por:

1cal = A joule => valor [cal]

1cal= 1/A valor [joule]

Vamos aquecer uma determinada massa de água com um aquecedor


elétrico, medindo a energia elétrica fornecida pelo aquecedor (em J) e o aumento
da temperatura. Temos:

Wfornecido = P.t

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Onde P é a potência do aquecedor (quantidade de energia fornecida por
unidade de tempo, medida em Watt) e t o tempo (em segundos) em que o mesmo
forneceu energia para a água. Por outro lado, o calor absorvido pela água pode
ser expresso (e medido em calorias) por:

Wabsorvida = m . cagua . ∆T

Onde m = massa da água; Cágua = 1cal/g°C; ∆Tágua = Tfágua – Tiágua.


Igualando a energia fornecida à absorvida, podemos determinar o valor de A pela
relação:

P.t [joule] = m . cagua . ∆T [joule] = A. m . cagua . ∆T [caloria]

PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Pesou-se a caixa e pesou- se também uma m assa de cerca de 4000 g


de água (4 litros). Foi colocada a água dentro do calorímetro, tampando-se logo
em seguida. Foi medida a temperatura inicial da água e feita a leitura da potência
do aquecedor. Registraram-se os dados na folha de dados.

O uso da caixa de isopor deve-se ao fato de este ser isolante térmico,


impedindo, assim, a perda de calor para o meio (até certo ponto). O uso da caixa
de alumínio é para evitar o escoamento da água. Anotou-se o tempo inicial e o
aquecedor foi ligado (zero segundo). O aumento da temperatura foi controlado
registrando-se na tabela da Folha de Dados o valor da temperatura em intervalos
de 60 segundos, até que a temperatura atingisse 70 ºC. Desligou - se o
aquecedor e foi registrado o instante em que este foi desligado.

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Para ser determinado o calor específico do alumínio usou-se o calorímetro
e a água quente em seu interior. Pesou-se uma barra de alumínio e sua
temperatura inicial

Abriu-se o calorímetro (rapidamente) e foi mergulhada a barra de


alumínio, sendo novamente tampado após isto. Continuou-se a medir a
temperatura da água no interior do calorímetro em intervalos de 1 minuto,
durante 6 minutos. Registraram-se os dados na tabela, observando que a
temperatura cai um pouco, pois a água quente trocara calor com a barra de
alumínio.

TRATAMENTO DE DADOS

Com os dados da temperatura e tempo registrados desde o começo do


aquecimento da água até o momento do equilíbrio térmico entre ela e a barra de
alumínio, o seguinte gráfico foi construído.

90
80

70

60

50
TºC

40

30

20

10
0
60 180 300 420 540 660 780 900 10201140126013801500162017401860198021002220
t(s)

Linear (t (s))

É possível calcular o valor da constante A que correlaciona Joule com


caloria a partir dos dados desse experimento.

1 𝑐𝑎𝑙 = 𝐴 𝐽𝑜𝑢𝑙𝑒
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A quantidade de energia fornecida pelo aquecedor elétrico pode ser
calculada pela seguinte fórmula, onde P é a potência do instrumento e t é o
tempo total de aquecimento da água.

𝑊𝑓𝑜𝑟𝑛𝑒𝑐𝑖𝑑𝑎 = 𝑃. 𝑡

A quantidade de energia absorvida pela água pode ser expressa pela


𝑐𝑎𝑙
equação abaixo, onde 𝑐á𝑔𝑢𝑎 é o calor específico da água e vale 1 .
𝑔.°𝐶

𝑊𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 𝑚á𝑔𝑢𝑎 . 𝑐á𝑔𝑢𝑎 . ∆𝑇

Igualando as duas equações acima o valor de A pode ser determinado.

𝑊𝑓𝑜𝑟𝑛𝑒𝑐𝑖𝑑𝑎 = 𝑊𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎

𝑃. 𝑡 = 𝐴. 𝑚á𝑔𝑢𝑎 . 𝑐á𝑔𝑢𝑎 . ∆𝑇

612 × 1200 = 𝐴 × 4000 × 1 × (70,0 − 27,5)

𝐴 = 4,32

O valor experimental tabelado para essa constante é 4,1868. A diferença


entre esse valor e o calculado no experimento é devida a erros que foram
desconsiderados ao se fazer o cálculo.

Com os dados da segunda parte do experimento é possível calcular o


calor específico do alumínio a partir da seguinte relação, visto que o calor cedido
pela água é recebido pela barra.

|𝑚á𝑔𝑢𝑎 . 𝑐á𝑔𝑢𝑎 . ∆𝑇| = |𝑚𝑎𝑙𝑢𝑚í𝑛𝑖𝑜 𝑐𝑎𝑙𝑢𝑚í𝑛𝑖𝑜 ∆𝑇|

|4000 × 1 × (71,2 − 64,1)| = |1700 × 𝑐𝑎𝑙𝑢𝑚í𝑛𝑖𝑜 × (64,1 − 25,0)|

𝑐𝑎𝑙 𝐽. °𝐶
𝑐𝑎𝑙𝑢𝑚í𝑛𝑖𝑜 = 0,22 = 0.92
𝑔. °𝐶 𝑔
0,21 𝑐𝑎𝑙
O valor experimental tabelado para o calor específico do alumínio é ,
𝑔.°𝐶

muito próximo do valor encontrado pelo experimento. A diferença é causada


pelos mesmo erros do cálculo da constante A.

Considerando agora, para os cálculos, a capacidade calorífica da cuba de


alumínio temos:

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𝑊𝑎𝑏𝑠𝑜𝑟𝑣𝑖𝑑𝑎 = 𝑚á𝑔𝑢𝑎 . 𝑐á𝑔𝑢𝑎 . ∆𝑇 + 𝑚𝑐𝑎𝑖𝑥𝑎 . 𝑐𝑎𝑙𝑢𝑚í𝑛𝑖𝑜 . ∆𝑇

𝑃. 𝑡 = 𝐴. 𝑚á𝑔𝑢𝑎 . 𝑐á𝑔𝑢𝑎 . ∆𝑇 + 𝑚𝑐𝑎𝑖𝑥𝑎 . 𝑐𝑎𝑙𝑢𝑚í𝑛𝑖𝑜 . ∆𝑇

612 × 1200 = 𝐴 × [4000 × 1 × (70 − 27,5) + 0.491 × 0,21 × (70,0 − 25)]

𝐽 𝑐𝑎𝑙
𝐴 = 4,31 = 0.259
𝑐𝑎𝑙 𝐽

Em seguida, devemos refazer o cálculo para calumínio, considerando o calor


perdido pela caixa:

|𝑚𝑐𝑎𝑖𝑥𝑎 . 𝑐𝑎𝑙𝑢𝑚í𝑛𝑜 . ∆𝑇 + 𝑚á𝑔𝑢𝑎 . 𝑐á𝑔𝑢𝑎 . ∆𝑇| = |𝑚𝑎𝑙𝑢𝑚í𝑛𝑖𝑜 𝑐𝑎𝑙𝑢𝑚í𝑛𝑖𝑜 ∆𝑇|

𝑐𝑎𝑙𝑢𝑚í𝑛𝑖𝑜 = 𝑚á𝑔𝑢𝑎 . 𝑐á𝑔𝑢𝑎 . ∆𝑇/(𝑚𝑎𝑙𝑢𝑚í𝑛𝑖𝑜 . ∆𝑇 − 𝑚𝑐𝑎𝑖𝑥𝑎 . ∆𝑇)

𝑐𝑎𝑙 𝐽. °𝐶
𝑐𝑎𝑙𝑢𝑚í𝑛𝑖𝑜 = 0.22 . ℃ = 0.92
𝑔 𝑔

Logo, pode-se verificar que, mesmo aplicando os erros sistemáticos


referentes a interferência da caixa de alumínio, o valor obtido para constante A
se tornou ainda mais discrepante e o valor obtido para o calor específico do
alumínio foi o mesmo.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Com os resultados obtidos, podemos calcular o desvio relativo para a


constante A e para o calor específico do alumínio. Nos dois cálculos, com a
posterior inserção da capacidade calorífica da cuba de alumínio obtivemos
valores muito próximos, considerando então que são aproximadamente iguais,
o que faz todo sentido já que a massa da barra em questão e o calor específico
possuem valores relativamente baixos se comparados aos outros cálculos.

Logo, considerando os valores com a correção aproximadamente iguais


temos:

Erro relativo do valor da constante A:

|4.31 − 4.18|
𝐸(%) = = 2,15 %
4.31

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Erro relativo do valor da capacidade calorífica do alumínio:

|0.92 − 0.90|
𝐸(%) = = 2,22 %
0.90
Como podemos observar, os valore encontrados possuíram boa exatidão,
ficando próximo dos valores experimentais tabelados, sendo esse resultado
satisfatório. Vários erros podem ter afetado minimamente os resultados como:
pesagem das massas, medida das temperaturas inicial e final, o tempo que o
aquecedor demorara para ligar e aquecer a água efetivamente e a potência do
aquecedor, que pode não ter se mantido constante durante o experimento,
sofrendo pequenas variações. Além disso, deve-se considerar que o calorímetro
não é um isolante perfeito e a perda de calor ao se abrir o calorímetro para
imergir a barra de alumínio na segunda etapa do experimento.

CONCLUSÃO

A partir da realização do experimento determinou-se a relação entre as


unidades Joule e caloria, que foi de 1 cal= 4,09 Joule e o valor do calor específico
do alumínio, 0,92 J/g°C. Tais valores foram aproximadamente os mesmos tanto
para a desconsideração da cuba quanto para a consideração da cuba, ainda sim
nos fornecendo erros relativos baixos, indicando elevada exatidão. Assim, pode-
se concluir que o experimento se mostrou válido dentro das expectativas.

SALVADOR
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