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Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação

SIMBIOTECNOISES1
Ruído, comunicação e entretenimento na cultura contemporânea

Vinícius Andrade Pereira2


José Cláudio S. Castanheira3
Rafael Sarpa4

Resumo: A partir de uma breve análise da história do ruído em práticas musicais e


sonoras que chegam até os dias atuais — como o noise japonês — este artigo
propõe a criação do neologismo simbiotecnoise, a fim de contemplar dinâmicas
materiais da comunicação e do entretenimento na contemporaneidade. O ruído
será reavaliado, ainda, dentro de práticas culturais hodiernas, como um elemento
capaz de gerar novos modelos de ordens — tal como proposto pela teoria da
complexidade — que aqui se traduzem como padrões cognitivos e sensoriais
emergentes.

Palavras-Chave: Ruído; Simbiotecnoise; Sensorialidades; Materialidade da


Comunicação;

1. Introdução
Excesso, redundância e ruído. Tais atributos são corriqueiramente associados às
dinâmicas da comunicação mediadas pelas redes digitais e – considerando que quase mais
nada escapa às tais redes – por extensão, à própria cultura contemporânea. Conforme o
paradigma comunicacional que se adote, os referidos atributos poderão ser, mais uma vez,
interpretados ora como obturadores e prejudiciais à comunicação, ora como seus
potencializadores.
Muito já se discutiu sobre o tema em questão e, realmente, soa pouco produtivo a
retomada desta querela.5 Contudo, parece-nos que há um aspecto novo em que podemos
avançar, a partir da consideração dos supracitados atributos, ao explorarmos as tramas

1
Trabalho apresentado ao Grupo de Trabalho “Comunicação e Cibercultura”, do XIX Encontro da Compós, na
PUC-RJ, Rio de Janeiro, RJ, em junho de 2010.
2
Professor Adjunto do PPGC-UERJ. Diretor do PAN MEDIA LAB da ESPM. E-mail: vinianp@yahoo.com e
vandrade@espm.br
3
Doutorando pelo PPGC-UFF. Professor da ESPM. Pesquisador pelo CAEPM. E-mail:
jcscastanheira@gmail.com.br
4
Mestrando no PPGC-UERJ. E-mail: rasarasar@gmail.com
5
Para retomar alguns aspectos desta discussão ver PEREIRA, V. A. (Org) “Cultura Digital Trash – Linguagens,
Comportamento, Entretenimento e Consumo.”

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hodiernas da comunicação e do entretenimento. Trata-se de ir além de uma mera re-valoração


dos elementos destacados na abertura deste texto, mas considerá-los como capazes de
redefinir aspectos do que o campo da comunicação – por mais desgastado que seja o termo –
entende em relação ao seu objeto de estudo central. De outro modo, trata-se de avaliar a
plausibilidade de, trabalhando basicamente com apenas um dos elementos destacados – no
caso, o ruído, tomado em diferentes acepções – explorar como o entendimento já assentado
sobre as relações entre diferentes objetos que compõem o jogo da comunicação (emissor,
receptor, meio, rede simbólica, significado, etc.) pode ser perturbado e acossado.
Em outros trabalhos já observamos como o conjunto de teorias da comunicação, por
se constituir basicamente a partir de conceitos e referenciais metodológicos das ciências
sociais, realiza boa parte dos seus estudos através de considerações de como se tecem e se
atualizam os significados das redes simbólicas (PEREIRA, 2006). Ou seja, se retomamos
outra antinomia clássica dentro dos estudos comunicacionais, a saber, conteúdo X meio, a
resultante teórica que orienta o campo se dá em favor das análises do conteúdo. Mesmo
quando novos atores entram em cena, ou quando a distribuição do peso dado a cada um dos
atores do jogo da comunicação é revista, o que temos afinal, é, no máximo, uma nova
hierarquização dos elementos analisados, não afetando o que se entende como objetivo geral,
ideal e último da comunicação humana – a produção, a partilha e/ou a afetação de conteúdos
simbólicos.
Assim, vemos que com poucas exceções, quase sempre marginalizadas, os estudos
sobre a comunicação incidem sempre sobre o conteúdo da mensagem. A velha orientação
dada por Lasswell para pensarmos o acontecimento comunicacional a partir das célebres
questões – Quem pergunta? O quê? Por qual meio? A quem? Com qual efeito? – não se
resumiria mais do que estar atento, sobretudo, à última das questões, uma vez que o efeito
será sempre efeito de significações emergentes (não importando por qual processo) sobre um
indivíduo, ou grupo. Trata-se, quase sempre, de pensar como se dão processos de elaboração
e de distribuição de conteúdos/significados. Em última instância, trata-se, de diferentes
modos, de pensar as dinâmicas das redes simbólicas que amarram e orientam diferentes
culturas.
Exceções ao conjunto referido seriam os estudos de Wiener, com a primeira
cibernética; os de Shannon e Weaver, sobre os processos estocásticos e físicos das dinâmicas
de transmissão de uma mensagem; e parte dos estudos da Escola de Toronto de comunicação

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– particularmente os trabalhos de Innis sobre as características espaciais ou temporais que as


naturezas materiais de diferentes meios podem promover em diferentes sociedades, e parte
das explorações de McLuhan sobre os impactos sensoriais dos meios. Como dito, tais estudos
são praticamente desconhecidos dos jovens estudantes de comunicação, a não ser como parte
da história dos cursos de teoria da comunicação. E como objetos históricos são tomados,
equivocadamente, como capazes de iluminar apenas o passado, tais estudos são abandonados
prematuramente, como inúteis para o enfrentamento dos problemas e desafios
contemporâneos.
O presente texto tem a pretensão de se inscrever também dentro dos estudos da
comunicação, contudo, busca de algum modo dialogar com os estudos marginalizados
referidos. E mais, gostaríamos de propor este diálogo indireto, não apenas para pensarmos
como processos materiais e de engenharia da comunicação podem afetar a elaboração de
significados, mas, principalmente, considerar a plausibilidade de uma experiência de
comunicação mais liberta das amarras das redes simbólicas. De outro modo, queremos
explorar a ideia de que alguns movimentos culturais contemporâneos, especialmente aqueles
situados no campo do entretenimento, podem revelar práticas de comunicação que, se podem
ser justificadas como tais, não buscam necessariamente a geração de significados de ordem
simbólica, mas experiências físicas diversas, multissensoriais, como se tratasse de uma forma
de comunicação mais elementar, básica, talvez, situada em um nível sensório para-simbólico.
A essa experiência de comunicação propomos o termo simbiotecnoise. 6
Em resumo, este artigo pretende recortar parte das investigações que empreendemos,
a partir de um projeto que almeja mapear as sensorialidades contemporâneas, nas suas
relações com as tecnologias de comunicação.7 No presente estudo, focamos as audibilidades
contemporâneas, como extensão de estudos anteriores (PEREIRA; CASTANHEIRA, 2009).
Entretanto, no estudo atual avançamos para outra área sonora, deixando a região dos sons

6
O termo, proposto por Vinicius Andrade Pereira, é uma derivação de outro neologismo, simbiotecnose,
proposto pelo mesmo autor quando buscou alusão à simbiose para pensar as extensões humanas (PEREIRA, V.
A. 2003).
7
Esta pesquisa é desenvolvida por Vinícius Andrade Pereira no PPGC-UERJ e conta, dentre outros
pesquisadores, com o doutorando José Cláudio Castanheira e com o mestrando Rafael Sarpa. A pesquisa avança
sobre três modelos de sensorialidades, basicamente – visualidades, audibilidades e tatilidades. Tais
sensorialidades são pensadas sempre em articulação com o que denominamos M.E.D.I.A. – Mídias,
Entretenimento, Design e Intervenções Artísticas, que é como compreendemos as dinâmicas da comunicação
dentro dos novos arranjos e ambientes midiáticos contemporâneos. (PEREIRA, 2008)

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graves – objeto do estudo anterior – focando nossas explorações em torno de uma expressão
cultural ainda pouco conhecida que, genericamente vem sendo nomeada como noise 8.

2. Ambiências sonoras contemporâneas


A formulação de uma música de ruídos – já proposta por diferentes movimentos e
nomes da cena musical ao longo do século XX – adquire um contorno singular com o
advento de inúmeros grupos e artistas emergentes do que viria a ser nomeado como noise
japonês. Este cenário ganha força a partir dos anos 90, embora se delineasse nos anos 80, na
forma de elementos presentes nas propostas que alguns artistas japoneses tomaram do free
jazz e de subgêneros do rock. Algumas dessas configurações sonoras já se encontravam
desenvolvidas do final dos anos 70 em diante, na primeira onda do movimento industrial, na
figura central do Throbbing Gristle (ou TG).9 Nesta teia do industrial, outros subgêneros
surgiriam, como o power electronics, consagrado pelo Whitehouse10.
É importante observar, contudo, que mesmo se nos detivéssemos apenas no contexto
japonês, não chegaríamos a um sentido inequívoco para a ideia de um movimento noise, mas,
no máximo, a um feixe plural de abordagens vizinhas. Se na obra de um Masonna11
encontramos performances curtas onde o corpo é exposto a atividades de danos e desgastes
físicos, através de atuações explosivas no “palco”, temos em um Aube12, um caminho
inverso, empenhado na tranquila construção de longos processos sonoros estáticos, isto é,
quase sem variações perceptíveis. Já em Merzbow13 encontramos um processo contínuo de
inserção de diferenças sonoras, no qual abundam as variações, porém não é permitido que
nenhuma delas se consolide, não resultando em nenhum processo de saída, ou arrefecimento
da proposta noise, mas, ao contrário, de retorno intensificado ao mesmo. Este processo de

8
Normalmente engloba-se sob o termo uma série de subgêneros musicais como o noise japonês, o power
electronics, a primeira onda do movimento industrial, o harsh noise, dentre outros. Proporemos mais adiante
que, embora tais gêneros possuam características que os distinguem, em todos encontramos um mesmo modelo
de abordagem sonora, visando atingir o corpo em seus limites de suportabilidade à estímulos auditivos.
9
Grupo inglês, ativo entre 1976 a 1981, oriundo do grupo de performance Coum Transmissions.
10
Grupo inglês formado em 1980 por William Bennett e Phillip Best.
11
Yamazaki Takushi, artista japonês. Seu nome é um trocadilho entre o nome da cantora Madonna e as palavras
japonesas “maso” (masoquista) e “onna” (mulher).
12
Akifumi Nakajima, artista japonês.
13
Masami Akita, artista japonês. Embora atue desde os anos 70, é a partir de sua produção dos anos 90 que
emergem obras que mais caracterizaram o gênero. Talvez o artista mais conhecido fora da cena.

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variação é radicalmente distinto em K214, que procura trabalhar pela inserção de camadas de
sons intensos, ao invés de alternar transformações sobre uma única massa sonora.
Acreditamos que há um certo conjunto de preocupações e modos de abordagem na
linguagem desses artistas que os afastam e os singularizam frente a um conjunto de práticas
sonoras experimentais levado a cabo no século XX. Mas por onde se daria a diferença? Seria
pela óbvia sugestão de ser uma música destinada à exploração de ruídos? Acreditamos que
não. A utilização de ruído não é exatamente uma novidade na história da música. As
experimentações sonoras ao longo do século XX têm na própria tensão entre música e ruído
uma de suas questões centrais. Iremos tentar resumir em quatro acepções, os sentidos
correntes do termo ruído para o campo sonoro.

3. Ruídos
Ruído enquanto conceito relacionado ao universo sonoro costuma comparecer nas
seguintes acepções: 1) como um determinado padrão de ondas sonoras, identificado enquanto
fenômeno físico pelas teorias de acústica e vinculado a processos biológicos dos mecanismos
da audição; 2) dentro de uma oposição entre dois conjuntos de sons – um formado pelos sons
passíveis de serem utilizados em uma música, e o outro formado por sons que não
comparecem ali como utilizáveis e, portanto, comparecem como perturbação, ruído; 3) na
apreciação que um ouvinte faz de um som como desagradável; 4) uma prática nova dentro de
um sistema musical consolidado, que por não poder ser compreendida em seus termos,
comparece dentro deste sistema como ruído.15
A primeira definição de ruído está intimamente ligada à história da constituição do
som enquanto conceito e objeto para diversos estudos nascentes na modernidade (STERNE,
2003). A ideia de som enquanto categoria autônoma de estudos surge tardiamente entre o
século XVIII e o ínicio do século XX, evidenciando-se a partir dos estudos destinados ao
mapeamento da física das ondas sonoras e da audição enquanto processo fisiológico.
Toda e qualquer vibração dos corpos se propaga por moléculas de ar, dentre as quais
aquelas que vibram na faixa aproximada entre 20Hz e 20.000Hz são reconhecidas pelo

14
Kimihide Kusafuka, artista japonês.
15
Neste artigo daremos ênfase, especialmente, aos processos relacionados à primeira e à segunda acepções,
quando especificamente tratando de música. Mais à frente faremos alusão a um outro sentido para o termo
ruído, tal como trabalhado pelas teorias da complexidade e ordem a partir do ruído (ASHBY, VON
FOERSTER, ATLAN, dentre outros), e que nos interessa para pensar fenômenos comunicacionais mais amplos.

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ouvido como sons. A Teoria Acústica procurou tratar propriamente de fenomênos relativos à
produção, propagação das ondas sonoras e ao espectro16 dos sons propagados. O ruído para
esta teoria seria um tipo específico de som, capaz de promover um conjunto de vibrações de
periodicidades erráticas, onde não se consegue detectar auditivamente as frequências que
estão em jogo. O modelo proposto pela acústica é o “ruído branco”17, no qual estariam
presentes em simultaneidade, e em mesma intensidade, todas as frequências audíveis.
O que está no cerne da segunda definição de ruído, são as fronteiras entre música e
não-música. Mais especificamente, as fronteiras que relacionam som e música. Para se falar
em ruído nesta segunda acepção devemos nos perguntar qual a relação entre estes dois
campos, se os termos música e não-música tratam de dois campos distintos, ou se um está
contido no outro. Quando levamos em consideração a produção musical do século XX,
vemos que esforços múltiplos fizeram esses dois campos serem sobrepostos a níveis
indistinguíveis.
Até o começo do século passado, as possibilidades de realização musical se
encontravam limitadas por uma série de parâmetros, alguns diretamente relacionados às
possibilidades tecnológicas de então, outros por constrangimentos estéticos vinculados a
critérios de musicalidade. Contudo, uma experimentação intensa, arquitetada e “pela vontade
de produzir um som nunca antes ouvido” como nos diz Piana (2001), foi algo central para as
vanguardas do início do século XX. Neste processo alguns pontos são centrais, com
consequências para as demais vanguardas, dentre eles: o atonalismo livre e o serialismo
trazidos com a segunda escola de Viena; o foco nas sonoridades complexas dos instrumentos
de percussão, a partir da obra de Edgar Varèse, retirando a ênfase das frequências estáveis na
música; a apreciação do potencial sonoro urbano, das máquinas e das armas de guerra, e a
fabricação de instrumentos geradores de ruído por Luigi Russolo e os futuristas italianos; a
utilização dos instrumentos musicais de modos não-convencionais, sendo pensados como
interfaces produtoras de som, como no piano preparado de John Cage; o surgimento de
estéticas exclusivamente baseadas na exploração das novas tecnologias de manipulação
sonora, como na música concreta e na música eletrônica, onde o som passava a ser gerado ou

16
Espectro significa o conjunto de frequências audíveis ou o conjunto de frequências em que vibra um
determinado som. Para a Acústica, mediante a “transformada de Fourier”, todo som pode ser entendido pela sua
decomposição em parciais, que são ondas sonoras mais simples de forma senoidal, vibrantes em apenas uma
única frequência.
17
Um exemplo popular de ruído branco está nos antigos televisores quando se sintonizava em um canal “vazio”,
onde nada estava sendo transmitido.

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manipulado eletrônicamente; a elevação na potência sonora das performances musicais e a


técnica de distorção como usada pelos vários gêneros de rock; entre outros.
Em conjunto com estas práticas musicais, também foram transformados os sons da
vida cotidiana. Como mostra Schafer (2001), a inserção maciça de novas tecnologias sobre o
cotidiano inundou o espaço sonoro com novos sons, gerando uma condição na qual a
experiência humana nas grandes cidades está sempre cercada de sons. Esta sobreposição
constante tende a gerar espectros sonoros que tendem ao ruído, treinando nossa percepção e
tornando tais estímulos cada vez mais familiares à experiência auditiva, contribuindo para a
elaboração de novas audibilidades.
Ora, se a discussão e exploração do ruído esteve no cerne de boa parte das vanguardas
sonoras do século XX, como vimos, o que então diferiria os movimentos noise dessas outras
vanguardas?
Acreditamos que o que propriamente caracteriza as intenções das abordagens noise é
uma busca para atingir os limites materiais dos corpos, no que tange à audição. Embora não
haja um modo de determinar tais limites de forma absolutamente clara, e as respostas à
exposição a sons não sejam únicas para todos os corpos, tampouco únicas para diferentes
culturas, e que, além disso, os danos corporais relacionados à audição levem alguns anos para
se manifestar, isto não impede que o gênero opere tendo a busca desses limites como norte
para o desenvolvimento de sua expressão e linguagem.
Movidos por essa busca, é possível explorar os sons das paisagens sonoras cotidianas,
é possível ir até as máquinas, ir aos cataclismos naturais, sempre em busca do que seria o
limite para o audível. Essas referências apontam, claramente, para um propósito que quer
estar além da escuta, impactando todo o corpo e mesmo todo o ambiente onde se dão as
performances e apresentações noise. Assim, vemos que uma das características materiais da
exposição sonora em uma apresentação noise é uma certa anulação do espaço. Nesses casos
há certa tendência a ocupar todo o espaço de uma sala de apresentação, impactando a todos
excessivamente, como um monobloco sonoro que toma toda a atenção do expectador frente a
outros estímulos.

4. Modelos de escuta

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Acompanhamos uma gradual mudança na relação com o mundo sonoro que nos
envolve. Tomando o ruído e sua inserção no cenário musical a partir do início do século XX
como um dos indicadores dessas mudanças, podemos verificar alguns pontos importantes.
Em primeiro lugar, percebemos uma transformação desse elemento em algo a ser
incorporado a uma linguagem já constituída, enquanto matéria timbrística mais complexa.
Nesse sentido, o ruído não contesta um modelo dominante de escuta atravessado por uma
hierarquia rígida e por um caráter de representação fortemente arraigado à composição
musical tradicional. Esse modelo nos coloca a audição como um sentido isolado e, de certa
forma, sujeito a um domínio de um espaço visual. A escuta, ainda que secundária a uma
visualidade, seria pautada, igualmente, por uma motivação hermenêutica, uma necessidade de
interpretação dos objetos. A linearidade que rege esse universo dominado pela visão seria,
como nos mostram autores da Escola de Toronto, uma herança dos alfabetos grego e romano.
Um dos principais impactos que o surgimento da escrita teria tido sobre nossos cérebros seria
o de privilegiar as características de tempo e de sequência (DE KERCKHOVE, 1995). Toda e
qualquer diferença ou variação de elementos naturais – espontâneos, tais como encontrados
em meios naturais, isto é, meios com pouca ou quase nenhuma intervenção humana – seria
eliminada através de um processo de abstração. O espaço visual possuiria esse caráter
racional, contínuo e linear, separando cada um dos sentidos em esferas independentes e, de
um modo geral, submetidos ao império da visão. Em um espaço acústico, como o que nos
propõe McLuhan (MCLUHAN; MCLUHAN, 1988), seria exigida uma participação mais
intensa do corpo e dos sentidos na apreensão do mundo em torno.
Quando sujeita ao espaço visual, a escuta do mundo tende a priorizar aqueles
elementos dados através de uma realidade conceitual interna, descolando-se da experiência
empírica e do atrito dessa experiência com o mundo. Ao contrário, em um espaço acústico é
impensável essa ausência do corpo como agente e objeto em nossos processos cognitivos.
Em um segundo momento, podemos perceber o ruído como uma negação dessa
mesma estrutura musical abstrata. A fruição musical adquire contornos bem mais amplos do
que um constructo fruto e destinado a uma intelligentsia específica. As afetações que
movimentos artísticos desde os meados do século XX propõem são mais claramente
corpóreas, questionando o próprio sentido da arte. O caráter interpretativo da obra de arte
parece ceder lugar a uma expressão mais viva do conteúdo material do objeto artístico, nas
suas relações de embate com as materialidades do corpo: seja em movimentos como o

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expanded cinema dos anos 60/70; ou nas vanguardas das artes plásticas que, como a pintura
abstrata, advogam a inexistência de conteúdo, ou, como a Pop Art, elegem objetos tão
impregnados em nosso cotidiano ao ponto de questionar a existência de algum conteúdo
profundo por trás da proposta artística; ou, ainda, na contracultura dos anos 60, que procura
alargar as “portas da percepção”. Como diz Susan Sontag, artistas e intelectuais da época
propunham a sensação e não a ideia como unidade básica da arte:
A interpretação não prevalece sempre, claro. De fato, uma grande parte da arte de
hoje em dia pode ser entendida como motivada por uma fuga da interpretação. Para
evitar a interpretação, a arte pode tornar-se paródia. Ou pode tornar-se abstrata. Ou
pode tornar-se (“apenas”) decorativa. Ou pode tornar-se não arte. (SONTAG, 1990,
p. 10)

A proposta que parece emergir em movimentos como o noise é a de que, além de um


modelo intersensorial de percepção do objeto, essa percepção deve ser levada a cabo de
forma intensa. Os limites sensoriais e os limites de suportabilidade do corpo são como que
colocados lado a lado. Chegamos a um momento em que o excesso de informações parece
tentar arrancar de nossos aparelhos biológicos toda e qualquer resposta possível. Para essa
intensificação absoluta do efeito que sons extremos podem ter sobre a fisiologia humana não
parece fazer sentido falarmos mais de estímulos de natureza auditiva exclusivamente. A
sinergia que normalmente existe, muito embora obscurecida por modelos sensoriais
estanques, entre audição, visão e tato, parece emergir como mais adequada para lidar com um
novo ambiente sobrecarregado de estímulos.
Um modelo de escuta baseado em uma concepção linear de espaço e tempo parece já
não atender, de modo exclusivo, às demandas comunicacionais. A não-linearidade e
multiplicidade dos componentes da atual paisagem sonora lidam com um fluxo de dados cada
vez maior. Os ambientes midiáticos contemporâneos com que lidamos diariamente exigem
respostas rápidas e eficazes. São espaços híbridos que conjugam aspectos físicos e/ou tecno-
digitais, reagindo e se comunicando com pessoas e mídias que por eles transitam (PEREIRA,
2008). O excesso de participação dos sentidos parece tornar-se norma em uma cultura
marcada pela ideia de entretenimento, de velocidade, de mobilidade, de interatividade e de
conexão. O mundo se une a nossos corpos e essa união parece demandar, cada vez mais,
novas expressões culturais que relacionem de modo mais imediato e direto os elementos
materiais da comunicação, prescindindo, em parte, dos conjuntos de representações abstratas
e conceituais.

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5. Uma cultura material


Uma apreensão dos sons que nos rodeiam em um nível não simbólico parece ser de
grande importância para o estudo da constituição de novos modelos sensoriais nos dias de
hoje. Sons extremos, de grande impacto, são especialmente interessantes por sugerirem, de
imediato, sensações não tão facilmente traduzíveis ao nível da linguagem. Todo fenômeno
que for submetido a esse tipo de interpretação acaba por perder boa parte de seu sentido
cultural, de sua importância enquanto presentificação de experiências concretas. Nicole
Boivin acredita que um sistema de atribuição de sentidos através de estruturas simbólicas,
como é o caso da semiologia, não consegue traduzir devidamente diferentes nuances das
culturas e do mundo. A perspectiva estruturalista de representação do mundo ignora
dimensões afetivas e sensoriais de produção de significados. As relações entre homem e
objetos – como estudos da cultura material das sociedades – por mais que alguns segmentos
da antropologia, sociologia ou arqueologia encarem como importantes, continuam sendo
vistas como construídas em bases da representação. Separa-se o aspecto cultural do natural
dos objetos e dá-se a estes sempre um significado para além de sua forma. Aparentemente, a
dimensão funcional, criada socialmente, precederia outras dimensões mais naturais ou
espontâneas. Para Boivin, essa ideia de cultura “superorgânica” – no sentido de um para além
do orgânico – é limitada e não dá conta de uma relação entre cultura e natureza que possuem
fronteiras bastante tênues entre si.
O que queremos apontar neste trabalho é que, não descartando a importância do
aspecto cultural na construção de corpos e de modelos de escuta, aspectos materiais dos
objetos (em nosso caso, de determinados sons e tecnologias) contribuem para a constituição
de um modo específico de se relacionar com o mundo. Configuramos nossos aparelhos
perceptivos para lidar com um ambiente intensamente tecnológico e que, por sua vez, é
modificado, propondo novas sensorialidades emergentes (PEREIRA, 2006). Dispositivos
imersivos, como filmes em 3-D ou games que demandam reações cada vez mais rápidas, são
exemplos de como nossa cultura se abre para um novo tipo de geração de significados não
mais baseados em busca de conteúdos localizados sob a superfície dos objetos. Neste
momento, ao contrário, a forma surge como produtora de significados por si só. São
significações de ordem sensorial que nos atingem de outra maneira, em níveis antes
considerados como menos importantes. O corpo é chamado a comparecer mais efetivamente

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e revela-se como agente fundamental na cristalização de conhecimentos. Conhecimentos aqui


entendidos como formações de redes neurais que nos permitem compreender e lidar com
características específicas do meio ambiente, tal como propomos com a ideia de
sensorialidades (Ibid.). Os corpos parecem registrar as experiências de modo mais eficiente,
quanto maior for o apelo sensorial envolvido. Boivin cita o exemplo de uma pesquisa de
campo levada a cabo por Harvey Whitehouse sobre os rituais religiosos de dois grupos da
Nova Guiné. Os Baktaman se utilizam de sensações intensas que passam pela dor, pelo
assombro, pelo medo. Também usam objetos coloridos, de grande apelo tátil e aos quais
conferem grandes poderes, para melhor impactar aqueles participando da experiência. Os
Pomio Kivung, ao contrário, usam a exegese verbal para sedimentar ideias necessárias à
compreensão do rito. O comentário e a argumentação são a maior característica da
transmissão de conhecimentos desse segundo grupo. O que Whitehouse identifica é uma
grande diferença na forma como esses conceitos são introjetados:
Entre os Baktaman, a transmissão é irregular e não frequente, mas efetiva porque
bombardeia os sentidos e elicia experiências emocionais intensas [...] Em contraste,
a doutrina religiosa dos Kivung é transmitida com extraordinária frequência e não
excita os sentidos. Em vez disso, o foco é na integração lógica, rotina e
comunicação predominantemente linguística. (BOIVIN, 2009, p. 121)

As experiências são registradas, dentre outros modos, de acordo com o impacto


sensório-motor com que as recebemos. São produzidas marcas indeléveis em nossos corpos e
em nossas memórias. Essas marcas nem sempre podem ser descritas ou evocadas através de
palavras. São necessários objetos, estímulos e vivências, tal como uma madeleine proustiana.
Gumbrecht chama a essa dimensões materiais em diferentes sociedades de “cultura da
presença” (GUMBRECHT, 2004). O comparecimento de objetos e de fenômenos enquanto
tais, e não apenas uma representação. A epifania criada por uma hiperestimulação dos corpos
nos re-apresenta as coisas, o mundo em si, ao invés de apenas representá-los.

6. Simbiotecnoises
A experiência de uma proposta como o noise nos ajuda a pensar ideia de uma cultura
material contemporânea, tendo como foco um processo contínuo de co-produção de
significações a partir, tanto dos elementos tecnológicos dos quais nos servirmos, quanto de
estímulos perturbadores – gerados tecnologicamente – como os ruídos extremos. Apostamos,
como já observado, que há contemporaneamente a intensificação de práticas de comunicação

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que atuam nos processos de produção de significados a partir de impactos sensoriais dos
corpos e mentes, a partir de uma fonte perturbadora que equivoca os conjuntos cognitivos e
simbólicos estabelecidos. Para nomear esta dinâmica propomos o termo simbiotecnoise.
O neologismo simbiotecnoise almeja destacar os seguintes objetos que nos parecem
inexoravelmente articulados em algumas dinâmicas da comunicação e do entretenimento que
começamos a ver emergir na contemporaneidade: simbiose, tecnológico ou tecnologia,
biológico ou biologia e noise. Consideremos cada um desses termos.
Simbiose: a palavra simbiose, referência maior para o neologismo em questão designa
uma “associação que promovem entre si dois sistemas vivos em busca de mútuos benefícios”
(PEREIRA, 2003).
Tecnológico ou tecnologia e biológico ou biologia: dizem respeito aos sistemas18 que
se articulam na expressão do humano, de modo tal que emulam uma relação simbiótica entre
si. Foi neste sentido que propomos, em outro momento, o termo simbiotecnose para pensar as
relações entre o substrato biológico e o tecnológico na conformação do humano.
Noise: além de fazer referência à cena noise exposta neste artigo, acolhe outros
aspectos que o termo suscita, tal como proposto pela teoria da complexidade, em von
Foerster (ATLAN, 1972; 1991; 1992), sentido este explorado por nós em suas possíveis
articulações com o campo da comunicação e da cibercultura (PEREIRA, 1999).
Uma simbiotecnoise deve ser entendida, assim, como uma tradução daquilo que
McLuhan propunha como extensões do humano. Propomos este novo termo por considerar
que a simples ideia de extensão é menos fiel às próprias ideias mcluhanianas que propõem
que toda tecnologia, mais do que estender o sistema humano, o transforma. E, ainda, evita
uma ideia de oposição entre sistemas, com limites claros onde um termina e o outro começa,
os indiferenciando em um sistema maior. Evita-se, assim, a ideia que o termo extensão
sempre traz de uma acoplagem exterior a um dado sistema, que por sua vez implica um
caráter independente e autônomo daquele sistema que estende e daquele que é estendido.
Uma relação simbiótica, ou simbiotecnológica de alta complexidade torna, sob muitos
aspectos e condições, indiscerníveis os sistemas envolvidos nesta mesma relação.
O radical noise — ou simplesmente ruído — por sua vez, amarra, ou garante, o
aspecto perturbador que esta relação traz a cada um dos sistemas, gerando, por fim, um novo
padrão de ordem que se traduz, exatamente, na indiscernibilidade dos dois sistemas
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Para o uso deste termo aplicado ao contexto humano e tecnológico ver PEREIRA, 2003.

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envolvidos no processo, que se tornam um único sistema mais complexo. Aqui nos inspiram,
claramente, tal como observado, as ideias de von Foerster sobre processos de ordem a partir
do ruído.
Tentando tornar nossas ideias mais tangíveis, podemos pensar em uma experiência
banal, como ir assistir um filme em 3D, como um processo de simbiotecnoise (aliás, com o
sucesso do filme Avatar , de J. Cameron, em 3D, recentemente, o que será descrito deve soar
familiar para muitos que passaram por esta experiência). Nos primeiros instantes de exibição
das imagens, muitos sentem um desconforto. Há relatos de tontura, de enjôo, de dor de
cabeça, enfim, de perturbações de diferentes ordens. Tais perturbações podem ser entendidas
como a ação do ruído que comparece entre os sistemas tecnologia 3D e o sistema neurovisual
humano — este, na sua ampla maioria, um sistema cultivado a partir de outras visualidades
(2D, TV, jornais, revistas, livros, etc.). Ou seja, o sistema tecnológico (no caso, o 3D) e o
neurovisual humano, ao mesmo tempo em que buscam estabelecer uma relação
simbiotecnológica, são perturbados por este encontro (noise). Isso poderia ser entendido, de
uma maneira simplificada, como uma inaptidão entre as visualidades elaboradas em meio à
cultura massiva e um novo modelo de visualidade, cada vez mais comum nos meios digitais.
Em pouco tempo, contudo, há uma acomodação e uma adaptação do sistema visual aos novos
padrões de visualidades 3D.
Na experiência de “escuta” do noise não é muito diferente. Com o padrão sonoro
hipersaturado e em altíssimo volume há um profundo desconforto nas primeiras experiências
de audição desta proposta sonora. Contudo, é comum, aos poucos, a experiência começar a
ganhar outros contornos, como a exploração do ambiente físico, percebendo como o som
impacta o próprio corpo de modos diferenciados a partir das posições que se ocupa dentro do
ambiente onde se dá a performance noise. Outras percepções podem comparecer, como a
percepção de núcleos sonoros distintos que começam a se destacar, a partir de uma série de
vibrações estáticas escutadas ad nauseam. Ao fim da experiência, não é raro a sensação de
sons que continuam dentro da cabeça, com todo o sistema auditivo estressado e com a
sensação de que se trata de uma experiência nova, distante sob muitos aspectos de outras
formas de escutas musicais típicas da cultura massiva.
As simbiotecnoises podem ser entendidas, então, como relações parciais de
estabilidade que nossos corpos e mentes conquistam aos poucos, frente aos sistemas
tecnológicos que, quase que inevitavelmente, nos perturbam aos primeiros encontros – isso

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pode ser pensado para as primeiras viagens de trens, carros ou aviões, para as primeiras
plateias de cinema no início do século passado, para a escuta de música e para os paladares
de temperos provenientes de outras culturas, etc. Contudo, com a prática cultural em questão
minimamente estabelecida dentro de uma sociedade, emerge uma nova ordem que pontua
novos modelos de audibilidades, de visualidade, de tatilidades, de paladares, enfim, de
sensorialidades. Tais experiências não passam necessariamente pelo plano simbólico e,
muitas vezes, só ganharão significações de ordem simbólica bem mais à frente, quando
estarão já, de algum modo, instituídas como práticas culturais e com sensorialidades
correlatas cultivadas.
O que queremos chamar a atenção com nossas investigações sobre o noise é que,
independentemente dos aspectos simbólicos que toda prática cultural enseja, há que se prestar
atenção como temos, hoje, todo um conjunto de novas práticas de comunicação e de
entretenimento que parecem deixar de lado as preocupações com os conteúdos simbólicos e
atacar o corpo, como que propondo novas experiências, cultivando novas sensorialidades,
trazendo mudanças cognitivas e sensoriais que ainda estão por ser plenamente apreendidas.
Há toda uma série de práticas contemporâneas que, com um pouco mais de análise atenciosa
se pode incluir neste mesmo conjunto de experiências físicas, multissensoriais, para-
simbólicas sob muitos aspectos. Aqui pensamos desde práticas de esportes radicais, nas quais
as regras (simbólicas) praticamente deixam de existir, só interessando as performances (skate,
surf, skydive, snowboard, body jump, etc.); algumas modalidades de games nos quais o
jogador apenas explora o ambiente digital de modo mais rápido possível (todos jogos do tipo
corrida, por exemplo); os já citados filmes 3D, que afirmam uma visualidade tátil, tal como
vimos estudando há alguns anos (PEREIRA, 2008); e o próprio noise. Todas essas práticas
culturais se fazem observáveis e, em alguns casos, audíveis hoje, quando vasculhamos a
cultura e as subculturas urbanas contemporâneas. Mas, sem um deslocamento epistemológico
mínimo, capaz de repensar o processo de comunicação nas suas relações com a cultura por
vias outras, não exclusivamente através das redes simbólicas, acreditamos, não há como
apreender plenamente o exuberante e intenso cenário cultural esboçado.
Fechar os olhos e, principalmente, os ouvidos para tais práticas poderá nos levar a
lacunas de compreensão acerca do que queremos e do que podemos esperar das novas
gerações e de uma cultura que, sob muitos aspectos, parecem demandar outras ordens e
outros processos de significação para continuarem existindo e se afirmando.

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