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U N I V E R S I DA D E
CANDIDO MENDES

CREDENCIADA JUNTO AO MEC PELA


PORTARIA Nº 1.282 DO DIA 26/10/2010

MATERIAL DIDÁTICO

FUNDAMENTOS DE ASTRONOMIA

Impressão
e
Editoração

0800 283 8380


www.ucamprominas.com.br
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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ....................................................................................................... 3
UNIDADE 1 – INSERÇÃO DA ASTRONOMIA NOS ENSINOS FUNDAMENTAL
E MÉDIO ................................................................................................................ 6
1.1 Astronomia: complexa, desejável, estimulante ....................................... 6
1.2 Competências requeridas pelos PCNs ..................................................... 7
1.3 Terra e Universo – propostas para o Ensino Fundamental I e II ............ 8
1.4 Os temas estruturadores para o Ensino Médio ..................................... 16
UNIDADE 2 – NASCIMENTO E EVOLUÇÃO DA ASTRONOMIA ...................... 21
2.1 Na pré-história .......................................................................................... 24
2.2 Na Mesopotâmia ....................................................................................... 25
2.3 Na Grécia antiga ....................................................................................... 28
2.4 Na Idade Média e na Renascença ............................................................ 30
2.5 No mundo moderno e contemporâneo ................................................... 32
UNIDADE 3 – COORDENADAS, MOVIMENTOS E MEDIDAS DE TEMPO ....... 35
3.1 Coordenadas astronômicas ..................................................................... 36
3.2 Movimentos: dos astros, da Terra, Lua e Sol ......................................... 38
3.3 As medidas de tempo ............................................................................... 41
UNIDADE 4 – GEOCENTRISMO E HELIOCENTRISMO .................................... 47
4.1 Modelo geocêntrico de Ptolomeu ........................................................... 47
4.2 Modelo heliocêntrico de Copérnico ........................................................ 48
UNIDADE 5 – INSTRUMENTOS/FERRAMENTAS DOS ASTRONÔMOS ......... 54
5.1 Fotometria ................................................................................................. 55
5.2 Espectroscopia ......................................................................................... 56
UNIDADE 6 – SISTEMA SOLAR ......................................................................... 58
6.1 Origem e composição do Sistema Solar ................................................ 58
6.2 O Sol .......................................................................................................... 59
6.3 Os planetas ............................................................................................... 59
6.4 Corpos menores do Sistema Solar ......................................................... 61
UNIDADE 7 – O UNIVERSO E AS GALAXIAS ................................................... 63
REFERÊNCIAS .................................................................................................... 66
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INTRODUÇÃO

A Astronomia é considerada a mais antiga das Ciências! Os registros


astronômicos mais antigos datam de aproximadamente 3000 a.C. e se devem aos
chineses, babilônios, assírios e egípcios.

O Estudo com objetivos práticos, como medir a passagem do tempo, para


prever a melhor época para o plantio e a colheita, e também fazer previsões de
futuro davam a tônica para aquelas épocas.

A constatação de sua “idade” e usos por si só nos mostram como o


homem já se importava e preocupava com o que tinha e vinha dos “céus” desde a
antiguidade fazendo-o cada vez mais curioso e pesquisador.

Como diz Froes (2014), o céu sempre exerceu fascínio sobre o homem,
moderno ou antigo. Sempre representou uma fronteira distante e inalcançável. O
céu diurno abriga o poderoso Sol, em uma imensidão azul. As nuvens, com suas
formas em constante transformação, movem-se em diferentes velocidades,
eventualmente dando origem à chuva. A Lua muitas vezes está visível, mas é na
noite em que ela impera, com suas fases. Na escuridão, aparecem miríades de
estrelas, especialmente concentradas em uma faixa no céu, atualmente bem
pouco visível em nossas cidades poluídas.

Então: é verdade que os assuntos referentes à Astronomia chamam


atenção de todas as pessoas, independente de classe social, cor, raça, sexo ou
idade, pois o céu realmente nos inspira a pensar, a refletir, a elaborar teorias
pessoais seja de maneira prática ou poética. Ele é misterioso e encantador por
natureza.

Mas tentemos ser um pouco práticos!

No Ensino Fundamental, um dos objetivos que encontramos nos


Parâmetros Curriculares Nacionais (primeiro e segundo ciclo) é mostrar a Ciência
como um conhecimento que colabora para a compreensão do mundo e suas
transformações, para reconhecer o homem como parte do universo e como
indivíduo. A apropriação de seus conceitos e procedimentos pode contribuir para
o questionamento do que se vê e ouve, para a ampliação das explicações acerca
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dos fenômenos da natureza, para a compreensão e valoração dos modos de


intervir na natureza e de utilizar seus recursos, para a compreensão dos recursos
tecnológicos que realizam essas mediações, para a reflexão sobre questões
éticas implícitas nas relações entre Ciência, Sociedade e Tecnologia (BRASIL,
1997).

Como sabemos, o homem não é o centro do universo e a natureza não


está a sua disposição. Precisamos saber nos relacionar e utilizar de maneira
sustentável os recursos que a natureza nos oferece e desde as primeiras séries
podemos, enquanto educadores, irmos “moldando” os alunos para serem
cidadãos conscientes.

A partir do movimento da Escola Nova vimos o eixo da questão


pedagógica se deslocar de aspectos puramente lógicos para aspectos
psicológicos, valorizando a participação ativa do educando no processo de
aprendizagem. Os objetivos deixaram de ser informativos para dar lugar a
objetivos formativos e as atividades práticas passaram a representar um elemento
importante para a compreensão ativa de conceitos (BRASIL, 1998).

Trabalhar com e por projetos, dar condições para o educando vivenciar os


métodos científicos, ou seja, partir de observações, levantar hipóteses, testá-las,
refutá-las e abandoná-las quando fosse o caso, redescobrindo o conhecimento,
passou a ser uma realidade.

No seu caminhar pela educação Básica, chegamos ao Ensino Médio onde


a formação do aluno deveria ter como alvo principal a aquisição de
conhecimentos básicos, a preparação científica e a capacidade de utilizar as
diferentes tecnologias relativas às áreas de atuação (BRASIL, 2000). No entanto,
o que se tem visto são alunos saindo do Ensino Médio com pouco conhecimento
do assunto que é pertinente a sua formação. Talvez porque o uso de fórmulas
para decorar e descrever problemas físicos do dia-a-dia que, embora devam fazer
parte do currículo por sua importância, não são exatamente os que fazem os
olhos de uma pessoa brilhar.

Até aqui generalizamos, é verdade! No tocante ao ensino/aprendizagem


de Astronomia, a sua inclusão como disciplina curricular no Ensino Médio,
justifica-se, pois promoveria a redução na lacuna existente, contribuindo para uma
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formação mais completa do aluno. Além de resolver, em parte, um dos maiores


problemas vivenciados pelos profissionais desta carreira, a falta de postos de
trabalho (PERCY, 1998 apud DIAS; SANTA RITA, 2010).

Enfim, trabalhar a Astronomia no Ensino Médio requer, além da


curiosidade e interesse dos alunos, unir teoria e prática, pois ambos se
completam e, por isso, veremos neste módulo, não apenas conceitos que
fundamentam a Astronomia, mas reflexões acerca de seu estudo na Educação
Básica.

Duas observações se fazem necessárias:

Em primeiro lugar, sabemos que a escrita acadêmica tem como premissa


ser científica, ou seja, baseada em normas e padrões da academia. Pedimos
licença para fugir um pouco às regras com o objetivo de nos aproximarmos de
vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas
não menos científicos.

Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação


das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não
se tratando, portanto, de uma redação original.

Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se


muitas outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas e que podem
servir para sanar lacunas que por ventura surgirem ao longo dos estudos.
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UNIDADE 1 – INSERÇÃO DA ASTRONOMIA NOS


ENSINOS FUNDAMENTAL E MÉDIO

1.1 Astronomia: complexa, desejável, estimulante

Como surgiu o universo? De que e como são formadas as estrelas? Tem


vida além da Terra? Essas são apenas algumas das questões básicas que
permeiam nosso imaginário ao longo da existência humana.

É fato que a fascinação pelos mistérios do Universo faz parte da natureza


humana desde o começo da civilização. Ao mesmo tempo em que admiramos a
sua extensão e beleza, sentimos o desafio de conhecê-lo e o desejo de descobrir
a sua conexão conosco. Ao investigarmos o Cosmo estamos também indagando
sobre a nossa própria origem (MILONE et al., 2003).

Como explica Tambasco (1997):

a Astronomia é uma ciência peculiar e instigante. Peculiar, porque os


seus objetos de estudo não podem ser submetidos diretamente ao
método experimental; instigante, porque a sua evolução está
condicionada ao desenvolvimento dos métodos e dos respectivos
instrumentos de observação. E, neste sentido, a Astrofísica, ramo da
Astronomia que estuda a constituição física e química dos corpos
celestes, não poderia ser desenvolvida senão após o completo domínio
das técnicas fotométricas, espectroscópicas e espectrográficas além,
obviamente, dos desenvolvimentos da Física Atômica, ocorridos durante
o século XX.

Sim! A Astronomia é fascinante, instigante, harmônica e belíssima. A


ciência mais antiga da humanidade e aquela que impulsionou os maiores avanços
tecnológicos. Também porque é aquela ciência que quanto mais respostas
conseguimos para nossas perguntas, mais perguntas surgem, e possui uma
quantidade tão grande de mistérios que talvez nunca conseguiremos desvendar
(XAVIER FILHO, 2014).

Nogueira e Canalle (2009) também ressaltam que em sua racionalidade e


curiosidade, a humanidade busca compreender e explicar o que acontece no céu.
Muitos pensadores propuseram explicações, erradas ou certas, pois é assim que
evolui a ciência e o conhecimento humano.
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O estudo da astronomia é sempre um começo para retornarmos ao


caminho da exploração. E é por meio da educação, do contínuo exercício da
reflexão e da curiosidade, natural nos jovens e crianças, que podemos
compreender e interagir com essa realidade que nos cerca e adquirir os
instrumentos para transformá-la para melhor.

1.2 Competências requeridas pelos PCNs

O eixo temático “Terra e Universo”, que aborda os assuntos relacionados


à Astronomia, situa-se na área de Ciências da Natureza e suas tecnologias, onde
os objetivos diferem de acordo com a maturidade do aluno.

Vejamos:

 no ensino fundamental é priorizada a compreensão da natureza, como um


processo dinâmico em relação à sociedade, atuando como agente
transformador, além de um forte conhecimento histórico do processo;

 no ensino médio, valoriza-se mais o conhecimento abstrato, priorizando-se


as rupturas no processo de desenvolvimento das ciências, além da
compreensão e da utilização dos conhecimentos científicos, para explicar o
funcionamento do mundo, resolver problemas, planejar, avaliar as
interações homem-natureza e desenvolver modelos explicativos para
sistemas tecnológicos (DIAS; SANTA RITA, 2010).

Os conteúdos propostos nos PCNs, referentes ao terceiro e quarto ciclos


são bem definidos, enfatizando temas bastante interessantes de Astronomia, para
os quais várias competências são requeridas dentro do processo ensino-
aprendizagem, algumas delas citadas abaixo:

 histórico da Astronomia dos povos antigos, como a China, Babilônia e


Egito;

 históricos mais recentes dos gregos até a Astronomia newtoniana, com


ênfase na dualidade dos modelos Heliocêntrico e Geocêntrico;

 sistema Sol-Terra – movimentos dos astros, eclipses, fases da Lua,


estações do ano, fenômeno das marés, entre outros;
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 sistema Solar – estudo dos astros que o compõem, avaliação do tamanho


e distância dos planetas em relação ao Sol;

 teoria das sombras – estudo do movimento aparente do Sol, construção de


um relógio solar;

 noção de Galáxias – posicionamento do Sol na Via- Láctea;

 introdução à Cosmologia – teoria do Big-Bang, a origem, expansão e


tamanho do universo observável.

1.3 Terra e Universo – propostas para o Ensino Fundamental I e II

De acordo com os PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais de Ciências


– o eixo Terra e Universo propõe uma abordagem histórica muito carregada dos
antigos filósofos e cientistas para tentar compreender o céu, a origem de tudo,
como a vida surgiu, o que existe além nas fronteiras do espaço e diversos outros
questionamentos (BRASIL, 1998). Então, pode-se perceber que estes pensadores
tiveram uma curiosidade de tentar compreender os fenômenos naturais que
ocorrem no Planeta Terra e no Universo como um todo, embora não se tinha
noção de sua grandiosidade, naquela época.

Historicamente, a astronomia surgiu com o objetivo de marcar o tempo, se


orientar no espaço e prever comportamentos climáticos do planeta. Muitas
civilizações sobreviveram ao longo da história da humanidade graças às
observações dos movimentos do céu noturno.

Hoje, a astronomia tem também um importante papel no que diz respeito


à interdisciplinaridade dos conteúdos estudados (BRASIL, 1998).

O objetivo de se trabalhar o conteúdo Terra e Universo é introduzir os


alunos ao conhecimento científico através dos estudos em astronomia como
forma de ampliar o conhecimento espaço-temporal e dar um enfoque no sistema
Sol-Terra-Lua. Nesse sentido, busca-se que os estudantes tenham a percepção
dos fenômenos astronômicos e os relacione ao cotidiano (PINTO; VIANNA, 2005).

Assim, os alunos entenderão que os assuntos envolvendo astronomia


estão em toda parte, no nascer e no pôr do sol, nas estações do ano, nas festas
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em geral (natal e páscoa, por exemplo), no calendário, no clima, no movimento


real e aparente dos corpos celestes no céu noturno, entre outros. (MOURÃO
2003).

Mesmo assim, dentro dos PCN de Ciências, só se recomenda ensinar o


eixo “Terra e Universo” nas séries finais do Ensino Fundamental em dois
momentos, um no 3º e outro no 4º ciclo. (BRASIL, 1998). Nas séries iniciais (1º e
2º ciclo) não há nenhuma referência direta que corresponda ao ensino de
astronomia (BRASIL, 1997). Não há sequer uma referência no eixo “Vida e
Ambiente” falando pelo menos sobre os pontos cardeais ou sobre o dia e a noite
(BRITO; LEONÊS; GUIMARÃES, 2012).

No terceiro ciclo, os estudos neste eixo temático ampliam a orientação


espaço-temporal do aluno, a conscientização dos ritmos de vida, e propõem a
elaboração de uma concepção do Universo, com especial enfoque no Sistema
Terra-Sol-Lua.

Os alunos podem desenvolver um inventário de astros e fenômenos


observados no Universo e construir as referências para sua orientação, assim
como o ser humano foi fazendo em suas andanças pela superfície terrestre.
Paralelamente, os alunos podem ir consultando outras fontes de informação, com
a orientação do professor, para gradativamente ganhar visões mais amplas do
Universo, tendo o planeta como participante, construindo e reconstruindo modelos
de céu e Terra.

No desenvolvimento desses estudos, é fundamental privilegiar atividades


de observação e dar tempo para os alunos elaborarem suas próprias explicações.
Por exemplo, nos estudos básicos sobre o ciclo do dia e da noite, a explicação
científica do movimento de rotação não deve ser a primeira abordagem sobre o
dia e a noite, o que causa muitas dúvidas e não ajuda a compreensão do
fenômeno observado nas etapas iniciais do trabalho. Certamente os alunos
manifestam a contradição entre o que observam no céu o movimento do Sol
tomando-se o horizonte como referencial, e o movimento de rotação da Terra, do
qual já tiveram notícia.

As dúvidas dos alunos, contudo, podem ser o ponto de partida para se


estabelecer uma nova interpretação dos fenômenos observados. Como fez a
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maioria da humanidade até 500 anos atrás, o modelo de céu construído


espontaneamente pelo aluno tem a Terra como ponto de referência central.

Assim, é necessário organizar as observações dos movimentos que os


alunos veem em uma paisagem celeste que se move em relação ao horizonte,
estimulando-os a elaborar suas próprias explicações, nas quais já podem
incorporar algum conhecimento atual da Ciência, ao mesmo tempo em que
exercitam a linguagem descritiva e o desenho de observação.

Dependendo do lugar da Terra em que o observador estiver, as trajetórias


do Sol são vistas como arcos diferentes em relação ao horizonte. Assim, no
Equador, a trajetória diária do Sol é perpendicular ao horizonte. Já um observador
situado entre o Equador e um dos polos observa a trajetória inclinada do Sol em
relação ao horizonte. Em ambos os casos, registra-se que o Sol nasce sempre do
mesmo lado do horizonte (Leste), desaparecendo no lado oposto (Oeste). Para
essa investigação, podem ser organizadas observações do horizonte em algumas
horas do dia, principalmente no nascente e no poente do Sol. Após alguns dias
seguidos, a regularidade dos pontos de nascente e poente, definidos como pontos
cardeais Leste e Oeste, pode ficar bem marcada para os alunos.

Conforme o Sol se movimenta em relação ao horizonte, sua luz projeta


sombras que também se movimentam, variando em comprimento e direção: de
manhã, as sombras são compridas; com o passar das horas, vão se encurtando
e, ao meio-dia, são mínimas ou inexistem. Depois disso, vão se encompridando
para o lado oposto até o fim da tarde.

São observações como essas que permitiram a construção de


calendários pelas diferentes culturas, refletindo diferentes concepções de Terra e
Universo, um tema a ser desenvolvido em conexão com Pluralidade Cultural.

A construção de um relógio solar é importante atividade para os alunos


realizarem, discutindo o tamanho das sombras durante o dia e conhecendo como
os povos antigos construíram seus relógios. As sombras do meio-dia (próxima ao
meio-dia), sempre as mais curtas, determinam a direção Norte-Sul, exceto nos
dias (um ou dois) em que as sombras inexistem para determinadas latitudes
compreendidas na região entre os trópicos.
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Um relógio desse tipo pode ser uma haste vertical bem reta espetada no
chão liso, horizontal e a céu aberto, que projeta sombras diferentes nas várias
horas do dia. Marcando o comprimento dessas sombras, os alunos podem
elaborar explicações para o tamanho, o sentido e a direção delas,
compreendendo melhor a trajetória do Sol, marcando o nascente (no horizonte
Leste), o poente (no horizonte do Oeste) e o Norte-Sul pela reta que passa pela
menor sombra (próxima ao meio-dia quando existir), ou ainda, eles obterem a
direção Leste-Oeste e a perpendicular a esta na base da haste será a direção
Norte-Sul.

Por conta dos fusos horários, das convenções dentro do país e do horário
de verão, o meio-dia oficial nem sempre corresponde com exatidão ao meio-dia
observado. Também por convenção, o Norte é definido como o ponto à frente de
quem, com os braços estendidos, aponta o Leste com a mão direita e o Oeste
com a mão esquerda, ficando o Sul às suas costas.

Pode-se ainda observar que a Lua aparece ligeiramente diferente a cada


dia no céu, voltando a ter a mesma forma a cada quatro semanas
aproximadamente, fato que foi base para as primeiras organizações do tempo. Os
primeiros calendários foram lunares. A regularidade das fases da Lua é mais fácil
de ser percebida que a solar, que só se repete anualmente. Além disso, enquanto
o Sol só aparece durante o dia e as outras estrelas somente à noite, a Lua é
visível de dia ou de noite, conforme sua fase e as condições meteorológicas.

Uma primeira aproximação à compreensão das fases da Lua pode se


realizar neste ciclo por meio de observações diretas durante um mês, em vários
horários, com registro em tabela e interpretando observações.

O primeiro referencial nesses estudos, assim como na construção de


maquetes representando o Sol, a Lua e a Terra e o lugar de onde o estudante
observa a Lua, o que favorece o deslocamento imaginário posterior para uma
referência a partir do Sol ou mesmo fora do Sistema Solar, por experimentos com
luz e sombra.

Com a observação de todas essas regularidades, o ser humano, antes de


organizar cidades, já sabia que o Sol, a Lua e as estrelas participam do mesmo
movimento. Esses fatos sugerem duas possíveis interpretações: ou a Terra se
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desloca de Oeste para Leste ou todos os astros se deslocam de Leste para


Oeste. Por muito tempo prevaleceu à última (BRASIL, 1998; USP/CDA, 2000).

Para o 4º ciclo é também nos PCNs que encontramos as orientações e os


eixos temáticos a serem “perseguidos”.

A compreensão do sistema Sol-Terra-Lua em movimento é um dos


fundamentos da história das ideias e do desenvolvimento científico. No século XX,
o espaço cósmico mostra-se palco concreto da aventura humana, quando se
explora todo o Sistema Solar por meio de sondas e naves espaciais e o ser
humano pisa na Lua.

O Universo, sua forma, seu tamanho, seus componentes, sua origem e


sua evolução são temas que atraem os alunos de todos os níveis de ensino. Para
responder à questão: Como é e como funciona o Universo? Ao longo da História
construíram-se modelos para explicar a Terra e o Universo, sendo de grande
importância a transição para o modelo heliocêntrico, desenvolvido por Copérnico,
pois se levou séculos para desenvolver uma alternativa ao ponto de vista
geocêntrico, de Ptolomeu. A ruptura só foi possível por mudanças de perspectiva
no olhar (BRASIL, 1998).

O Sistema Solar só foi concebido quando se imaginou sair da Terra e


puder olhar de longe o conjunto de planetas movendo-se em torno do Sol. Isto
significa um esforço gigantesco para se imaginar um centro de observação que
não coincide com o lugar onde se está concretamente. Para os estudantes, é
difícil a superação de concepções intuitivas acerca da forma da Terra, sua
espessura, seu diâmetro, sua localização e descrição de seus movimentos. São
concepções que permitem às crianças pequenas desenharem-se “dentro” da
Terra. Por isso, é importante que o professor abra o diálogo para as distintas
concepções de seus estudantes sobre o Universo antes de ensinar a perspectiva
científica consagrada.

Os diferentes modelos de céu e de Universo, vistos em uma certa


sequência, assemelham-se às imagens de um filme feito com câmara de lentes
do tipo zoom, que focaliza, por exemplo, em um primeiro quadro, um menino em
um barco, em seguida, uma cena tomada do alto, onde o barco aparece em meio
a muita água. Conforme a câmara se afasta, a água, que parecia um mar, fica
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ladeada por vegetação terrestre, e uma vista aérea localiza o pequeno barco em
um lago. Visto de mais longe, o barco já é só um ponto e o lago está em um
grande parque, numa pequena cidade. Só recentemente o ser humano chegou
até a Lua e os equipamentos de observação (lunetas, telescópios e sondas) estão
conseguindo obter imagens e sons que ultrapassam nosso Sistema Solar. Há
modelos, no entanto, que dependem principalmente da imaginação e já existem
há séculos. A partir do horizonte e de um céu idealizado com limites circulares,
elaborou-se um modelo de céu como uma esfera.

Da Terra, o observador assistia imóvel à passagem da hemisfera que


continha o Sol, seguida da hemisfera oposta, com as estrelas que estavam
agrupadas em constelações; o giro completo da esfera durava um dia, período
que bem mais tarde foi dividido em 24 horas. A partir deste ponto de referência,
Ptolomeu sistematizou o modelo geocêntrico.

O modelo seguinte, em zoom, tem o Sol no centro, com a Terra e os


outros planetas girando ao seu redor, o que explicava algumas observações que
se repetiam regularmente a cada período de aproximadamente 365 dias:
diferentes arcos descritos pelo Sol no céu diurno e diferentes céus noturnos. Esse
modelo rompia com o anterior principalmente por colocar a Terra, todos os
planetas e respectivos satélites em movimento. É o modelo heliocêntrico
concebido por Copérnico.

Quase um século após, esse modelo dinâmico foi explicado por Newton
pela gravidade entre os corpos celestes, o que os manteria em constante atração
entre si, com forças e velocidades variadas, dependendo da massa de cada um e
da distância entre eles. Newton submeteu os corpos celestes às mesmas leis
mecânicas válidas na Terra. Um novo modelo, indo mais longe ao zoom, concebe
o Universo ainda mais amplo, situando o Sistema Solar no interior do aglomerado
de estrelas conhecido como Via Láctea, uma galáxia que, sabemos agora,
também se move como um conjunto. Telescópios potentes permitiram constatar a
existência de outras galáxias e verificar que todas elas se distanciam entre si.

Essa observação gerou a criação de um modelo do Universo em


expansão a partir de uma grande explosão, o “Big-Bang”. Com isso, surgiram
novas questões sobre a origem do Universo e sua evolução. Se teve um início,
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debate-se a possibilidade de poder ter um fim ou se trata de um Universo


pulsante, que se expandiria e depois se contrairia, cujo fim coincidiria com o
próprio início, que se repetiria indefinidamente.

Diferente da câmara que pode se afastar alguns quilômetros em zoom, as


distâncias astronômicas são quase inimagináveis, difíceis de expressar em
quilômetros. Essas distâncias astronômicas devem ser muitas vezes trabalhadas
com os alunos, de variadas formas, pois não é fácil de serem compreendidas,
mas é fundamental na construção de modelos. O conhecimento do modelo
heliocêntrico de Sistema Solar com nove planetas girando ao redor do Sol é
também difícil, ao colocar-se para os estudantes o conflito entre aquilo que
observam, ou seja, o Sol desenhando uma trajetória curva no céu, e aquilo que
lhes ensinam sobre os movimentos da Terra.

Por isso, iniciar o estudo de corpos celestes a partir de um ponto de vista


heliocêntrico, explicando os movimentos de rotação e translação, é ignorar o que
os alunos sempre observaram. Uma forma efetiva de desenvolver as ideias dos
estudantes é proporcionar observações sistemáticas, fomentando a explicitação
das ideias intuitivas, solicitando explicações a partir da observação direta do Sol,
da Lua, das outras estrelas e dos planetas.

A mediação do professor será benéfica quando ajudar o próprio estudante


a imaginar e explicar aquilo que observa, ao mesmo tempo em que torne
acessíveis informações sobre outros modelos de Universo e trabalhe com eles,
quando for o caso, os conflitos entre as diferentes representações.

Neste trajeto, os estudantes devem incorporar novos enfoques, novas


informações, mudar suas concepções de tempo e espaço. Os estudantes devem
ser orientados para articular informações com dados de observação direta do céu,
utilizando as mesmas regularidades que nossos antepassados observaram para
orientação no espaço e para medida do tempo, o que foi possível muito antes da
bússola, dos relógios e do calendário atual, mas que junto a eles ainda hoje
organizam a vida em sociedade em diversas culturas, o que pode ser trabalhado
em conexão com o tema transversal Pluralidade Cultural.

Dessa forma, os estudantes constroem o conceito de tempo cíclico de dia,


mês e ano, enquanto aprendem a se situar na Terra, no Sistema Solar e no
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Universo. É necessário, contudo, ampliar esse conceito de tempo cíclico,


promovendo também a ideia de tempo não cíclico: o tempo histórico, que
comporta as ideias de evolução, de passado, de registro, de memória e de
presente, de mudanças essenciais e irreversíveis.

O conhecimento sobre os corpos celestes foi sendo acumulado


historicamente também pela necessidade de se aprender a registrar o tempo
cíclico e de se orientar no espaço. Já na fase nômade, a espécie humana
associava mudanças na vegetação, hábitos de animais, épocas de chuvas com a
configuração das estrelas ou com o trajeto do Sol. Com a elaboração do mapa
dos céus, começou-se a desenvolver a Geometria, situando o ser humano com
maior precisão na Terra e no espaço cósmico. Mas, apesar da conexão
observada entre os ritmos biológicos dos seres vivos como hábitos alimentares e
épocas de reprodução e os ritmos cósmicos, como dia, mês e estações do ano,
muitas variações e transformações do ambiente terrestre não dependem
exclusivamente de fatores relacionados aos corpos celestes.

Entre outros fatores, muitas dessas transformações são provocadas pela


ação humana, como a degradação ambiental e a promoção das alterações do
relevo. Outras transformações ocorrem em razão da própria estrutura, da
orientação do eixo de rotação e dos movimentos do nosso planeta. Por ser uma
esfera com eixo de rotação inclinado em relação ao plano de translação,
diferentes regiões da Terra captam a luz e o calor do Sol com intensidades muito
diferentes ao longo de todo o ano, constituindo variados climas e biomas,
característicos das latitudes em que se encontram. São conhecimentos que
tiveram um longo percurso até sua sistematização atual.

A estrutura interna da Terra é também dinâmica, originando vulcões,


terremotos e distanciamento entre os continentes, o que altera constantemente o
relevo e a composição das rochas e da atmosfera, seja pela deposição de gases
das erupções, seja por mudanças climáticas drásticas, como glaciações e
degelos. Portanto, as paisagens, tal como são percebidas, representam apenas
um momento dentro do longo e contínuo processo de transformação pelo qual
passa a Terra, em uma escala de tempo de muitos milhares, milhões e bilhões de
anos: é a escala de tempo geológico, como é hoje conhecida.
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O conhecimento de algumas dessas transformações geológicas que


ocorreram em tempos distantes foi sendo constituído conforme foram sendo
decifradas a composição e a formação da litosfera. Fósseis de seres vivos
extintos sugerem ambientes terrestres organizados de formas muito diferentes
daquelas conhecidas atualmente, mas que propiciaram o surgimento da vida, fato
exclusivo em todo o Universo conhecido até o momento. A interpretação de
registros concretos do passado pode facilitar a compreensão do significado do
tempo geológico, não cíclico, se forem retomados em vários conteúdos
trabalhados.

A água, representando atualmente ¾ da superfície terrestre, foi


fundamental para a origem da vida, diferenciando nosso planeta. Os fenômenos
dos quais a água participa, como intemperismo, erosão, assoreamento, circulação
do ar, clima, dissolução de substâncias e manutenção da vida, são fundamentais
para a organização da superfície terrestre em litosfera, biosfera, hidrosfera e
atmosfera. A compreensão desses domínios, bem como as inter-relações entre
eles, ajuda a construir a ideia da dinâmica da Terra. A comparação entre a
composição da Terra e dos outros planetas é, nesse sentido, muito ilustrativa.

Enfim, compreender o Universo, projetando-se para além do horizonte


terrestre, para dimensões maiores de espaço e de tempo, pode nos dar novo
significado aos limites do nosso planeta, de nossa existência no Cosmos, ao
passo que, paradoxalmente, as várias transformações que aqui ocorrem e as
relações entre os vários componentes do ambiente terrestre podem nos dar a
dimensão da nossa enorme responsabilidade pela biosfera, nosso domínio de
vida, fenômeno aparentemente único no Sistema Solar, ainda que se possa
imaginar outras formas de vida fora dele (BRASIL, 1998).

1.4 Os temas estruturadores para o Ensino Médio

Antes de falarmos dos temas estruturadores para o Ensino Médio, nos


chamou atenção um trabalho realizado por Amon et al. (2010) que foi
compartilhado em artigo intitulado “Introdução à Astronomia para o Ensino Médio”.
Na sua essência, procuraram ministrar um curso com aulas teóricas e práticas
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dessa ciência para alunos interessados do ensino médio, fora do horário regular
de aulas.

Dentre as preocupações ao longo dos anos em que ministraram o curso e


como aprimoramento de métodos e técnicas, optaram por interagir as turmas para
que os alunos avançados passassem suas experiências para os iniciantes, se
embasando nos estudos de Vygotsky, para o qual existem dois níveis de
desenvolvimento em uma criança, e que extrapolaram para jovens também.

Segundo esse estudioso, o desenvolvimento real quer dizer que o


indivíduo consegue resolver problemas por si mesmo e o desenvolvimento
potencial é o nível no qual o indivíduo só consegue resolver problemas sob a
orientação de um adulto ou de um parceiro mais capaz (VYGOSTSKY, 1994 apud
AMON et al., 2010). A zona de desenvolvimento proximal (ZDP) é definida como
sendo a distância entre estes dois níveis. Assim colocar estudantes de níveis
diferentes para interagir pode facilitar muito o aprendizado dos estudantes menos
experientes, pois apesar de não terem atingido o nível de desenvolvimento
potencial, eles podem estar na ZDP, o que permite que ele consiga aprender algo
desde que seja auxiliado por um parceiro mais capaz (professor ou estudante
com mais habilidades). A linguagem de um parceiro mais capaz de idade
semelhante pode facilitar ainda mais o aprendizado, ressaltam os autores da
pesquisa.

Vale destacar sobre esse projeto:

 as aulas não são obrigatórias. É colocado um cartaz convidando a


participar do projeto;

 para os temas pertinentes podem ser apresentados vídeos;

 os alunos tem liberdade de trazer os temas que lhe chamam atenção e a


partir deles são elaboradas aulas específicas, revisando ou ensinando os
conceitos prévios necessários para o entendimento do assunto e estas
aulas são encaixadas durante o ano letivo;

 se possível, podem ser organizadas aulas e visitas a observatórios


astronômicos e ou outro lugares interessantes;
18

 montar lunetas e participar de Olimpíadas também fazem parte do projeto.

Os autores declararam-se satisfeitos com a participação dos alunos,


enfatizando que os estudantes que participaram atingiram outros estudantes com
seus conhecimentos, fazendo com que outros se interessem pela ciência em
geral e, principalmente, pela Astronomia.

Outro ponto importante para eles foi a evolução no desempenho e a


motivação para estudo das leis da Física, aplicação da matemática e das ciências
em geral.

Fica a dica: vale a pena conferir o artigo na íntegra e buscar também


novas formas de praticar essa motivação junto aos seus alunos.

É requisito do PCN, do ensino médio – Ciências da Natureza na área de


Física –, o efetivo aprendizado do tema estruturador Universo, Terra e Vida, que é
composto das seguintes unidades temáticas:

1. Terra e sistema solar

 Conhecimento das relações entre os movimentos da Terra, da Lua e do Sol


para a descrição de fenômenos astronômicos (duração do dia e da noite,
estações do ano, fases da lua, eclipses, entre outros).

 Compreensão das interações gravitacionais, identificando forças e relações


de conservação, para explicar aspectos do movimento do sistema
planetário, cometas, naves e satélites.

2. O Universo e sua origem

 Conhecimento das teorias e modelos propostos para a origem, evolução e


constituição do Universo, além das formas atuais para sua investigação e
os limites de seus resultados no sentido de ampliar sua visão de mundo.

 Reconhecimento de ordens de grandeza de medidas astronômicas para


situar a vida (e vida humana), temporal e espacialmente, no Universo e
discussão das hipóteses de vida fora da Terra.

3. Compreensão humana do Universo


19

 Conhecimento de aspectos dos modelos explicativos da origem e


constituição do Universo, segundo diferentes culturas, buscando
semelhanças e diferenças em suas formulações.

 Compreensão de aspectos da evolução dos modelos da ciência para


explicar a constituição do Universo (matéria, radiação e interações) através
dos tempos, identificando especificidades do modelo atual.

 Identificação de diferentes formas pelas quais os modelos explicativos do


Universo influenciaram a cultura e a vida humana ao longo da história da
humanidade e vice-versa.

Investigar e compreender os fenômenos físicos, contextualizar histórica e


socialmente os acontecimentos, são de maneira geral, algumas das competências
que se espera do aluno do final do Ensino Médio.

No caso citado anteriormente (AMON et al., 2010), os conteúdos


estudados foram os seguintes:

 diferenças entre Astronomia e Astrologia;

 introdução ao método científico;

 estudo histórico de modelos astronômicos – Modelo Geocêntrico e Modelo


Heliocêntrico;

 estações do ano;

 dia e noite;

 movimento de rotação e translação da Terra;

 inclinação do eixo terrestre;

 campo magnético da Terra;

 a Lua, suas fases, crateras e as marés;

 eclipses solar e lunar;

 por que Plutão não é mais considerado planeta;

 localização e identificação de constelações no céu;


20

 estudo do Sistema Solar - planetas, Sol, órbitas, estudo de escalas de


tamanho e distância;

 leis de Kepler; lei da gravitação Universal;

 introdução ao estudo da origem do Universo; formação do sistema solar;


formação e evolução de estrelas; exploração espacial e foguetes; lei de
Hubble com o cálculo da idade do Universo.
21

UNIDADE 2 – NASCIMENTO E EVOLUÇÃO DA


ASTRONOMIA

O desconhecimento da verdadeira natureza dos astros deve ter produzido


no homem primitivo um sentimento misto de curiosidade, admiração e temor,
levando-o a acreditar na natureza divina dos corpos celestes. Para muitos povos
do passado, os astros eram verdadeiros deuses e, para outros, símbolos das
divindades. Atribuíram-lhes então influencias sobre a vida na Terra, e aqueles que
melhor conheciam os fenômenos celestes foram considerados seus intérpretes,
formando elites sacerdotais que dominavam e determinavam os costumes
daqueles povos, dando origem a seitas religiosas politeístas e ainda à Astrologia,
desenvolvendo a crença na influência dos astros sobre a determinação dos
destinos humanos (FARIA, 2007).

Com sua evolução, o homem percebeu que podia se utilizar das estrelas
e demais astros para sua orientação em viagens sobre a superfície terrestre e
sobre os mares. Notou ainda que a regularidade de ocorrência de vários
fenômenos celestes lhe permitia marcar ou medir a passagem do tempo,
estabelecendo assim os primeiros calendários, tão necessários às suas
atividades, particularmente às atividades agrícolas. Desta forma, observando
constantemente o Sol, a Lua, as estrelas e os demais corpos celestes, pode não
apenas prever fenômenos que com eles ocorriam, mas também criar métodos
para determinar a sua posição na superfície da Terra por meio das posições dos
astros, e ainda o início das estações do ano. Isto deu origem, com o decorrer do
tempo, a uma ciência intimamente ligada às suas necessidades e também à sua
curiosidade intelectual: a Astronomia, cujo objetivo é a observação dos astros e a
criação de teorias sobre os seus movimentos, sua constituição, origem e
evolução.

Etimologicamente, Astronomia significa “lei das estrelas” e tem origem na


Grécia onde os povos acreditavam existir um ensinamento vindo das estrelas. No
dicionário Aurélio encontramos Astronomia como ciência que trata da
constituição, posição relativa e movimento dos astros (FERREIRA, 2004).
22

Hoje, é uma ciência que se abre num leque de categorias


complementares aos interesses da física, da matemática e da biologia. Envolve
diversas observações procurando respostas aos fenômenos físicos que ocorrem
dentro e fora da Terra, bem como em sua atmosfera e estuda as origens,
evolução e propriedades físicas e químicas de todos os objetos que podem ser
observados no céu (e estão além da Terra), bem como todos os processos que os
envolvem. Observações astronômicas não são relevantes apenas para a
astronomia, mas também fornecem informações essenciais para a verificação de
teorias fundamentais da física, tais como a teoria da relatividade geral (XAVIER
FILHO, 2014).

Embora afirmemos que a Astronomia é uma, se não a ciência mais


antiga, datando de 3000 a.C., na realidade, com relação a sua origem, segundo
Horvath (2008) e outros autores consultados, ninguém sabe de forma definitiva
como começaram os estudos astronômicos. Provavelmente, a curiosidade dos
seres humanos pelos céus é muito antiga e suas origens se confundem com a
origem da civilização. Os primeiros povos que deixaram a vida nômade e que
cultivaram a terra para conseguir seu sustento deviam ter algum conhecimento
das estações do ano e outros fenômenos importantes para seus afazeres
fundamentais (colheitas e outros). Havia assim uma relação muito próxima entre a
vida destes povos e os céus.

Com o estabelecimento de alguns dos povos nômades no período


Neolítico, começou o desenvolvimento das grandes civilizações do Mundo Antigo.
Sabemos que no Mundo Antigo à Astronomia (isto é, o estudo dos fenômenos
celestes tais como movimentos planetários, eclipses e outros) e a Astrologia (ou
seja, o estudo da suposta influência dos astros sobre as pessoas e a sociedade)
estavam completamente misturados. Tal profissão era em geral exercida por
sacerdotes-mágicos ao serviço dos reis e imperadores, como aconteceu na
Suméria e Egito.

No entanto, é um erro supor que, pelo fato de haver uma relação “mágica”
entre os fatos astronômicos e os fatos humanos, os povos antigos não conheciam
conceitos mais objetivos e avançados desta ciência. Por exemplo, os egípcios
calculavam e prediziam os eclipses com exatidão 3000 anos antes de Cristo, os
23

índios equatorianos determinaram que estavam precisamente no Equador (e,


obviamente, que a Terra era uma esfera) há mais de 2000 anos, e os chineses
catalogavam com precisão as estrelas e suas variações (novas e supernovas)
muito antes das viagens de Marco Polo, entre outros feitos notáveis.

Um dos monumentos mais antigos e interessantes da Astronomia antiga


no Ocidente se encontra na Inglaterra. É o conjunto conhecido como Stonehegen,
datando de 5000 anos atrás, no Período Neolítico, e foi utilizada continuamente
por muitos séculos.

Stonehegen

Embora muito tenha sido discutido a respeito, não se sabe qual povo o
construiu, e suas ligações com os Druidas parecem obscuras, já que não existem
provas que estes últimos tenham utilizado templos de pedra. Além disso, sabe-se
que o conjunto já estava lá por mais de dois milênios quando o imperador romano
Júlio César, e outros, registraram esta opinião que paira desde então (HORVATH,
2008).

Além de possíveis usos religiosos, existiu um convencimento entre os


especialistas de que este conjunto tinha sido planejado como um observatório
astronômico pelos seus construtores. O norte-americano Gerald Hawkins publicou
em 1963, um influente estudo, no qual argumentou que Stonehenge era útil para
predizer os eclipses e as estações através do alinhamento do Sol nas pedras. O
astrônomo inglês Fred Hoyle criou sua própria interpretação do conjunto como um
modelo do Sistema Solar, mas hoje esta hipótese está desacreditada. Porém,
existem ainda hoje muitas dúvidas a respeito da exatidão dos cálculos de
Hawkins, e, em geral, da própria função de observatório, já que o grau de
24

precisão realmente atingido no conjunto parece pobre quando considerados todos


os movimentos do Sol e a Lua que hoje conhecemos.

Vejamos um pouco dessa história da Astronomia ao longo dos tempos.

2.1 Na pré-história

Que suas origens remontam à antiguidade, mais precisamente na pré-


história das civilizações humanas é certo, mas os conhecimentos disponíveis são
ainda relativamente escassos, por existirem poucas fontes sobre as atividades e
conhecimentos dos primeiros povos. As mais antigas fontes datam de
aproximadamente 50.000 anos atrás, quando provavelmente a espécie humana
aprendeu a deixar registros mais permanentes de suas atividades, através de
pinturas rupestres (nas paredes de cavernas), esculturas, túmulos, gravações em
pedra, artefatos e construções megalíticas (feitas com rochas).

Existem gravações desta época, feitas em pedras, que representam


agrupamentos estelares como as Plêiades e as constelações de Ursa Maior e
Ursa Menor, entre outras, ilustradas abaixo.

Em várias regiões da Europa são encontrados megalitos, menires (blocos


de pedras levantados verticalmente) e vários outros conjuntos de blocos de
rochas orientados, em sua grande maioria, na direção do Sol nascente
(HORVATH, 2008). Temos megalitos em Carnac, na França, Callanish, na
Escócia, e Stonehenge, já citado, que vem sendo estudados por
25

“arqueoastrônomos”, os quais em suas observações e investigações mostraram


que os povos que os construíram, ainda em estágio pré-histórico, principalmente
por volta do 3° milênio a.C., já possuíam significativos conhecimentos acerca dos
movimentos do Sol, da Lua e das estrelas. Alinhamentos de megalitos existentes
nessas construções indicam com precisão muito grande os pontos de nascer e
ocaso do Sol e da Lua, em diferentes épocas do ano, bem como de estrelas
brilhantes. Há também fortes indícios de que, através deles, aqueles povos já
podiam prever outros fenômenos como os eclipses e as fases da Lua (FARIA,
2007).

Acreditamos que constatar a existência do Sol, da Lua e dos outros astros


foi o primeiro passo para os conhecimentos que temos na atualidade. Claro que
perceber as relações destes astros com o dia e a noite, com mudanças de clima e
temperatura e as influências diretas sobre sua sobrevivência é que nos fizeram
evoluir.

2.2 Na Mesopotâmia

Os registros astronômicos mais antigos datam de aproximadamente 3000


a.C. e se devem aos chineses, babilônios, assírios e egípcios. Lembremos que
naquela época, os astros eram estudados com objetivos práticos, como medir a
passagem do tempo (fazer calendários) para prever a melhor época para o plantio
e a colheita, ou com objetivos mais relacionados à astrologia, como fazer
previsões do futuro, já que, não tendo qualquer conhecimento das leis da
natureza (física), acreditavam que os deuses do céu tinham o poder da colheita,
da chuva e mesmo da vida (FARIA, 2007).

Vários séculos antes de Cristo, os chineses sabiam a duração do ano e


usavam um calendário de 365 dias. Deixaram registros de anotações precisas de
cometas, meteoros e meteoritos desde 700 a.C. Mais tarde, também observaram
as estrelas que agora chamamos de ‘novas’.

Das civilizações da Antiguidade Oriental, os mesopotâmios foram


provavelmente os mais importantes no campo da Astronomia, não só pela
26

quantidade, mas também pela qualidade de suas observações e trabalhos


astronômicos.

Sem sombra de dúvida, a invenção da linguagem escrita (escrita


cuneiforme) pelos mesopotâmicos é de grande importância, particularmente para
o conhecimento que temos, até certo ponto detalhado, de suas realizações entre
as quais as suas realizações astronômicas. Faziam suas inscrições em pequenos
tijolos de argila, onde os caracteres eram cravados com cunhas de madeira.
Essas tabuinhas de argila eram guardadas em verdadeiras bibliotecas.

Estudos diversos mostram que eles foram além de uma ciência


observacional e desenvolveram muito a matemática. Por terem desenvolvido um
sistema sexagesimal de numeração (base no número 60), os mesopotâmicos
criaram a divisão sexagesimal do círculo, dividindo-o em 360º, cada grau em 60
minutos e cada minuto em 60 segundos de grau, como ainda hoje é utilizado. O
dia, cuja duração determinaram com precisão com base no movimento do Sol e
das estrelas, foi dividido convencionalmente em 12 partes iguais. A noite foi
dividida de maneira idêntica, ou seja, em 12 horas. Cada hora foi dividida em 60
minutos de tempo, e cada minuto em 60 segundos de tempo, como também hoje
utilizamos.

Realizaram observações sistemáticas dos movimentos dos planetas e


principalmente do Sol e da Lua, o que é atestado pelo grande número de
documentos contendo efemérides (posições) destes astros.

Determinaram o período da lunação (mês das fases ou mês sinódico), o


período do movimento anual do Sol (ano trópico ou das estações), a inclinação
(obliquidade) da trajetória anual do Sol por entre as estrelas (Eclíptica) em relação
à sua trajetória diurna, e conheciam o fato de que a velocidade da Lua em seu
movimento ao redor da Terra era variável.

Desde a época de Sargão, o velho, os babilônios podiam prever eclipses


particularmente os da Lua, através do conhecimento do Período de Saros
(período de aproximadamente 18 anos e 10/11 dias depois do qual um eclipse
volta a ocorrer com as mesmas características). Verificaram também, desde os
primeiros tempos, que os planetas são encontrados sempre numa mesma região
do céu, numa larga faixa em volta da Eclíptica, onde criaram várias constelações.
27

A maioria destas constelações simbolizava ou representava figuras de animais,


passando esta faixa a ser, por isso, denominada de Zodíaco, que significa círculo
de animais. Dividiram o Zodíaco em 12 partes iguais de 30º cada, originando os
signos ou constelações zodiacais (FARIA, 2007).

Observaram e determinaram as datas dos nasceres helíacos dos


planetas, verificando que eles voltavam à mesma posição em relação ao Sol
depois de um intervalo de tempo praticamente constante denominado período
sinódico dos planetas.

Os conhecimentos astronômicos dos mesopotâmicos permitiram a


elaboração de um calendário muito preciso, que se aprimorou gradativamente
com o decorrer do tempo. O calendário mais utilizado era um calendário luni-solar
contendo doze meses lunares (mês das fases). Devido ao fato de que o mês das
fases tem a duração aproximada de 29,5 dias, utilizavam meses alternados de 29
e 30 dias em seu calendário civil. Isto acarretava uma duração de 354 dias para o
ano civil que era, portanto, cerca de onze dias mais curto que a duração do ano
solar. Em consequência, com o decorrer dos anos civis aumentava a diferença
entre a data de ocorrência de um equinócio ou solstício (início das estações) em
relação àquela de anos anteriores. Em nove anos esta diferença acumulada
correspondia a uma estação. Para fazer com que as estações do ano se
iniciassem sempre na mesma data, adicionavam então, periodicamente, um
décimo terceiro mês ao ano.

Uma das mais antigas criações dos mesopotâmios que já era utilizada em
meados do 3º milênio a.C. é a semana, cujo uso se propagou por muitos povos da
Antiguidade e até nossos dias, encontrando-se tão arraigada na cultura moderna
que se torna extremamente difícil imaginar uma sociedade que não conte com o
concurso deste conjunto de sete dias como unidade de tempo (FARIA, 2007).

Todos esses conhecimentos astronômicos foram obtidos pelos


mesopotâmios com persistentes e sistemáticas observações realizadas durante
séculos e até mesmo milênios, fazendo uso de aparelhos bastante rudimentares.
Os principais instrumentos astronômicos de que dispunham eram o Gnômon, a
Clepsidra e o Polo.
28

O Gnômon é o mais antigo instrumento astronômico de que se tem


notícia. Consiste em uma haste longa e afinada, colocada verticalmente ao solo,
cuja sombra permite a determinação da posição do Sol. Os primitivos relógios
solares derivaram deste instrumento.

A Clepsidra é um marcador de tempo formado por um recipiente cheio de


água, com um pequeno orifício por onde lentamente esta se escoa, fazendo com
que seu nível vá descendo através de uma escala feita na parede do recipiente,
que marca o tempo.

O Polo é o precursor da Esfera Armilar, desenvolvida mais tarde pelos


gregos, tratando-se de uma semiesfera cavada numa rocha, com sua
concavidade voltada para cima. Em seu centro, por meio de uma haste, era fixada
uma pequena esfera, cuja sombra, projetada na cavidade, permitia medidas de
posição (FARIA, 2007).

Enfim, não temos dúvidas que são inúmeras e práticas suas contribuições
para a humanidade.

2.3 Na Grécia antiga

O ápice da ciência antiga se deu na Grécia, de 600 a.C. a 400 d.C., a


níveis só ultrapassados no século XVI. Do esforço dos gregos em conhecer a
natureza do cosmos, e com o conhecimento herdado dos povos mais antigos,
surgiram os primeiros conceitos de Esfera Celeste, que acreditavam ser uma
esfera de material cristalino, incrustada de estrelas, tendo a Terra no centro.
Desconhecedores da rotação da Terra, os gregos imaginaram que a esfera
celeste girava em torno de um eixo passando pela Terra. Observaram que todas
as estrelas giram em torno de um ponto fixo no céu, e consideraram esse ponto
como uma das extremidades do eixo de rotação da esfera celeste.

Tradicionalmente, a história da Astronomia grega tem início com Tales de


Mileto (VI século a.C.) que, segundo informações do historiador Heródoto, teria
previsto um eclipse do Sol, provavelmente no ano de 585 a.C. Ele introduziu na
Grécia os fundamentos da geometria e da astronomia, trazidos do Egito. Pensava
que a Terra era um disco plano em uma vasta extensão de água.
29

Pitágoras de Samos acreditava na esfericidade da Terra, da Lua e de


outros corpos celestes. Achava que os planetas, o Sol, e a Lua eram
transportados por esferas separadas da que carregava as estrelas.

Aristóteles de Estagira explicou que as fases da Lua dependem de quanto


da parte da face da Lua iluminada pelo Sol está voltada para a Terra. Explicou,
também, os eclipses: um eclipse do Sol ocorre quando a Lua passa entre a Terra
e o Sol; um eclipse da Lua ocorre quando a Lua entra na sombra da Terra.
Aristóteles argumentou a favor da esfericidade da Terra, já que a sombra da Terra
na Lua durante um eclipse lunar é sempre arredondada. Afirmava que o Universo
é esférico e finito.

Aristarco de Samos foi o primeiro a propor que a Terra se move em volta


do Sol, antecipando Copérnico em quase 2000 anos. Entre outras coisas,
desenvolveu um método para determinar as distâncias relativas do Sol e da Lua à
Terra e mediu os tamanhos relativos da Terra, do Sol e da Lua.

Eratóstenes de Cirênia, foi o primeiro a medir o diâmetro da Terra. Ele


notou que, na cidade egípcia de Siena (atualmente chamada de Aswãn), no
primeiro dia do verão, ao meio-dia, a luz solar atingia o fundo de um grande poço,
ou seja, o Sol estava incidindo perpendicularmente à Terra em Siena. Já em
Alexandria, situada ao norte de Siena, isso não ocorria; medindo o tamanho da
sombra de um bastão na vertical, Eratóstenes observou que em Alexandria, no
mesmo dia e hora, o Sol estava aproximadamente sete graus mais ao sul. A
distância entre Alexandria e Siena era conhecida como de 5000 estádios. Um
estádio era uma unidade de distância usada na Grécia antiga. A distância de 5000
estádios equivalia à distância de cinquenta dias de viagem de camelo, que viaja a
16 km/dia. Como 7 graus corresponde a 1/50 de um círculo (360 graus),
Alexandria deveria estar a 1/50 da circunferência da Terra ao norte de Siena, e a
circunferência da Terra deveria ser 50x5000 estádios. Infelizmente, não é possível
se ter certeza do valor do estádio usado por Eratóstenes, já que os gregos
usavam diferentes tipos de estádios (OLIVEIRA FILHO; SARAIVA, 2004).

Se ele utilizou um estádio equivalente a 1/6 km, o valor está a 1% do valor


correto de 40000 km. O diâmetro da Terra é obtido dividindo-se a circunferência
por π.
30

Hiparco de Niceia, considerado o maior astrônomo da era pré-cristã,


construiu um observatório na ilha de Rodes, onde fez observações durante o
período de 160 a 127 a.C.. Como resultado, ele compilou um catálogo com a
posição no céu e a magnitude de 850 estrelas. A magnitude que especificava o
brilho da estrela, era dividida em seis categorias, de 1 a 6, sendo 1 a mais
brilhante, e 6 a mais fraca visível a olho nu.

Ptolomeu (Claudius Ptolemaeus) foi o último astrônomo importante da


antiguidade. Ele compilou uma série de treze volumes sobre astronomia,
conhecida como o Almagesto, que é a maior fonte de conhecimento sobre a
astronomia na Grécia. A contribuição mais importante de Ptolomeu foi uma
representação geométrica do sistema solar, com círculos, epiciclos e equantes,
que permitia predizer o movimento dos planetas com considerável precisão, e que
foi usado até o Renascimento, no século XVI (OLIVEIRA FILHO, SARAIVA,
2004).

2.4 Na Idade Média e na Renascença

Na Idade Média a Astronomia praticamente não existe. Aliás, não à toa


era chamada idade das trevas.

Como nos conta Faria (2007), a predominância do pensamento religioso


cristão vem praticamente banir o desenvolvimento das ciências e até mesmo
gerar seu esquecimento. Até o século VII, são muito esporádicas as pessoas que
se lembram ou que leem algo sobre a filosofia grega. Aqui acontece a invasão
dos árabes sobre a Europa, sendo que estes acabam por descobrir e se fascinar
pela filosofia e ciências gregas, assimilando-a na tradução de textos do grego
para o árabe, e herdam um renascimento cultural.

No campo da Astronomia não serão grandes os inovadores de teorias


científicas, mas terão o mérito de conservarem os textos. Fazem novas
observações e formulam novas técnicas para calcular as posições dos planetas.
destacando-se o astrônomo Albategnius, no século IX.

Com o ressurgimento de elementos da cultura grega na Europa, por meio


dos árabes, integrantes da Igreja Cristã, principalmente, começam a traduzir os
31

textos gregos do árabe para o latim e, após o século X, começa-se a intensificar


este processo, quando principalmente Aristóteles é redescoberto. Estes estudos
geram, no século XII e XIII, a necessidade do surgimento da Universidade e da
fusão do elemento grego com o cristão, surgindo o que chamamos de
pensamento escolástico.

O pensamento escolástico sofreu influências de Aristóteles, o qual tinha


como base um mundo geocêntrico – o que era ensinado nas universidades
europeias do século XV. Eis que surge Nicolau Copérnico com suas novas
hipóteses acerca do Universo, subvertendo, em certo modo, o pensamento
escolástico.

Giordano Bruno (segunda metade do século XVI) foi um dos principais


defensores do humanismo, combatendo violentamente o Geocentrismo e na
defesa do Aristotelismo. Resultado: as posições de sua filosofia custaram-lhe a
vida, pois em 1600 era morto na fogueira, condenado que foi pela Inquisição da
Igreja a morrer em praça pública.

Na segunda metade do século XVI, o astrônomo dinamarquês, Tycho


Brahe, colheu novos e mais precisos dados de movimentações de planetas e
localizações de estrelas e um discípulo seu, Johannes Kepler (1571-1630),
trabalhando sobre as observações do mestre, principalmente sobre a
movimentação do planeta Marte, descobriu três leis importantes sobre o
movimento planetário, entre as quais a de que as órbitas planetárias são elípticas.

Essas três leis foram importantíssimas mais tarde, quando Isaac Newton
formulou as ideias da Gravitação Universal.

Contemporâneo de Kepler surgiu Galileu Galilei (1564-1642), que em


1610 introduziu na Astronomia o uso de instrumentos ópticos, realizando com sua
luneta importantes observações: as montanhas e crateras da Lua, os quatro
maiores satélites de Júpiter, manchas solares, existência de outras estrelas não
visíveis a olho nu, as fases de Vênus. Voltando-se para a Física, trabalhou muito
sobre planos inclinados, preparando terreno às leis da dinâmica clássica, que
Newton logo sintetizaria. Galileu fez inúmeros outros trabalhos, sobre períodos de
pêndulos, sobre movimento relativo, assentando bases sobre o método
32

experimental na ciência. Também teve sérios problemas com a Inquisição, que


proibiu seus livros e que quase o levou, como tantos, à fogueira.

No final do século XVII, a Astronomia ganhou um novo impulso com a


formulação da lei da Gravitação Universal, por Isaac Newton (1642-1727),
matemático, físico e astrônomo inglês. Esta lei estabelece a base da Mecânica
Celeste que se ocupa do estudo dos movimentos dos corpos celestes e que, a
partir dessa época, se desenvolveu aceleradamente. Devemos ainda a Newton o
cálculo infinitesimal, a teoria corpuscular da luz e uma teoria das cores. Foi
também Newton o primeiro a observar e a estudar o espectro da luz, e ainda
inventou o telescópio refletor (telescópio Newtoniano). São ainda de sua autoria
as leis fundamentais da Mecânica (FARIA, 2007).

Nesta mesma época, a fundação de observatórios astronômicos como os


de Paris e de Greenwich, e os trabalhos realizados nesses observatórios por
muitos astrônomos, possibilitaram um grande progresso na Astronomia
observacional (FARIA, 2007).

2.5 No mundo moderno e contemporâneo

Já no primeiro dia do século XIX, 1º de janeiro de 1801, uma importante


descoberta astronômica era realizada. Nesse dia, o astrônomo Giuseppe Piazzi
(1746-1826) descobriu o primeiro asteroide: Cores. Posteriormente, nos anos que
se seguiram, vários outros foram descobertos. Em 1802, um químico inglês,
William Hyde Wollaston (1766-1828), percebeu algumas riscas negras no
espectro solar. Cerca de uma década depois, prosseguindo os trabalhos de
Wollaston, o óptico alemão, Joseph Von Franhofer (1787-1826), percebeu a
existência, no espectro solar, de centenas de outras riscas negras, além daquelas
observadas por Wollaston, e que se destacavam sobre a luz multicolor do
espectro. Estas riscas negras foram chamadas raias de Franhofer.

Na época de sua descoberta não sabia qual a causa de seu aparecimento


no espectro. Isto só veio a ser descoberto mais tarde, em 1859, quando dois
alemães, o físico Gustav Robert Kirchhoff (1824-1887) e o químico Robert
Wilhelm Bunsen (1811-1899), estudando detalhadamente os espectros
33

produzidos por diversos elementos, perceberam que cada um deles possuía um


conjunto de raias que lhes era característico, como se fosse uma impressão
digital de cada elemento. A partir de então, foi possível determinar a constituição
do Sol e dos demais astros (FARIA, 2007).

Essas descobertas marcaram o surgimento da Astrofísica que, a partir


desta época, começou a se desenvolver de forma rápida com o desenvolvimento
paralelo de outras ciências básicas, como a Física, a Matemática e a Química.

Em 1863, o astrônomo italiano Pietro Angelo Secchi (1818-1878),


analisando vários espectros estelares existentes até então, realizou a primeira
classificação espectral das estrelas. Este mesmo astrônomo fundou, em 1871, a
Sociedade dos Espectrocopistas Italianos, cuja “Memória” foi o primeiro periódico
de Espectroscopia e Astrofísica a existir.

Ao mesmo tempo em que se desenvolveu a Espectroscopia, outras


importantes técnicas começavam a surgir como a Fotometria e a Fotografia
Astronômica, permitindo fixar a luz por eles emitida e várias outras técnicas que,
aliadas à construção de melhores telescópios, revelaram novas informações
sobre os astros.

No início do século XX, a publicação da Teoria da Relatividade, de Albert


Einstein (1879-1955), produziu profundas modificações na Física e possibilitou
novas descobertas sobre as leis fundamentais do Universo, dando margem a
novas pesquisas cosmológicas. Com o concurso de potentes telescópios, foi
possível verificar a existência de milhares de outras galáxias no Universo, e de
um novo planeta no Sistema Solar: Plutão (1930)1. Depois da segunda guerra

1 Segundo a Rede Brasileira de Astronomia, plutão não é mais um planeta, ele agora pertence a
uma categoria denominada "Planeta Anão". Para entender porque isto aconteceu vamos contar
um pouquinho de história:
Em 1930, o astrônomo americano Clyde Tombaugh descobriu um corpo no céu, era apenas um
pequeno ponto, mas ao calcular a sua órbita percebeu que ele tinha uma órbita mais afastada que
Netuno, seria o nono planeta, este corpo celeste foi batizado de Plutão. No início chegou-se a
estimar que Plutão poderia ser maior que o planeta Terra, mas medições posteriores mostraram
que ele na verdade seria bem menor que a nossa Lua. Já nos anos 70, alguns astrônomos
começaram a propor a ideia de que Plutão não seria de fato um planeta, pois além de pequeno e
pouco massivo, sua órbita era muito achatada e inclinada em comparação aos outros planetas.
Mas no fim da década, foi descoberta um satélite de Plutão, que foi batizado de Caronte, o que
dava argumentos para os defensores de Plutão como um planeta. Apenas na década de 1990, foi
descoberto outro objeto trans-netuniano. Mas nos anos seguintes, com a construção de
telescópios avançados, o número destes objetos cresceu rapidamente, e alguns deles eram quase
34

mundial a Radioastronomia se desenvolveu e a utilização de computadores fez


com que os conhecimentos astronômicos do homem aumentassem de forma
muito rápida. Atualmente, inúmeras observações são realizadas nos muitos
observatórios espalhados pelo mundo, e através de sondas espaciais que são
lançadas ao espaço em número cada vez maior.

Por meio dessas modernas técnicas de observação, os conhecimentos


acerca do Sistema Solar, sobre as galáxias e demais objetos celestes continuam
aumentando rapidamente, possibilitando uma melhor compreensão sobre a
estrutura geral do Universo (FARIA, 2007).

tão grandes quanto Plutão (Sedna, Varuna, Quaoar, entre outros). Então, em 2005, foi divulgado
que um destes objetos, posteriormente batizado de Eris era maior que Plutão.
Então, chegou-se a um impasse: se Plutão era um planeta, Eris (que é maior) também deveria ser.
Finalmente, em 2006, houve uma reunião da IAU (União internacional da astronomia) e em uma
votação histórica a assembleia da IAU decidiu que Plutão deixaria de ser um planeta. Ele, Ceres e
Eris foram denominados planetas anões.
Como um comentário vale acrescentar o seguinte: se Plutão fosse descoberto hoje, ele nunca
seria classificado como planeta. A descoberta de Tombaugh foi um feito incrível, demoraram mais
de 60 anos para outro objeto celeste ser descoberto nas mesmas circunstâncias. Plutão é
pequeno demais e leve demais para ser um planeta. (REDE BRASILEIRA DE ASTRONOMIA. Por
que Plutão não é mais um planeta. Disponível em:
http://www.rba.astronomos.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=150:plutao&ca
tid=31:gerais&Itemid=41)
35

UNIDADE 3 – COORDENADAS, MOVIMENTOS E


MEDIDAS DE TEMPO

Para determinar a posição de um astro no céu, precisamos definir um


sistema de coordenadas definido como um esquema reticulado necessário para
especificar pontos num determinado espaço.

Nesse sistema, vamos utilizar apenas coordenadas angulares, sem nos


preocuparmos com as distâncias dos astros. Para definirmos uma posição sobre
uma esfera precisamos definir um eixo e um plano perpendicular a este eixo. A
posição do astro será determinada através de dois ângulos de posição, um
medido sobre um plano fundamental, e o outro medido perpendicularmente a ele.
Antes de entrarmos nos sistemas de coordenadas astronômicas, convém recordar
o sistema de coordenadas geográficas, usadas para medir posições sobre a
superfície da Terra (OLIVEIRA FILHO; SARAIVA, 2004).

Longitude geográfica (λ): é o ângulo medido ao longo do Equador da


Terra, tendo origem em um meridiano de referência (o Meridiano de Greenwich) e
extremidade no meridiano do lugar. Varia de 0º a 180º para leste ou oeste de
Greenwich.

Usualmente, atribui-se o sinal positivo às longitudes a oeste e o sinal


negativo às longitudes a leste. Também, costuma-se representar a longitude de
um lugar como a diferença entre a hora do lugar e a hora de Greenwich e, nesse
caso, as longitudes a oeste de Greenwich variam de 0h a -12h e as longitudes a
leste de Greenwich variam de 0h a +12h.

Portanto,

ou
36

Latitude geográfica (Ø): ângulo medido ao longo do meridiano do lugar,


com origem no equador e extremidade no lugar. Varia entre -90º e +90º. O sinal
negativo indica latitudes do Hemisfério Sul e o sinal positivo Hemisfério Norte.

3.1 Coordenadas astronômicas

Segundo Horvath (2008), a introdução de um sistema de coordenadas


permite avançar na descrição do movimento da Terra. Como é de conhecimento
geral, um sistema de referência consiste em algum tipo de grade utilizada para
localizar posições, e definir por meio das variações temporais destas as
velocidades associadas. Isto é bastante simples em sistemas inerciais (em
repouso), mas pode trazer problemas para o nosso caso, ou seja, de uma Terra
em movimento.

Um dos sistemas de referência mais simples é o chamado sistema de


coordenadas horizontais locais. Definimos o zênite como o ponto acima da
cabeça de um observador parado em qualquer ponto da Terra, e o nadir seu
ponto antípoda (ou seja, abaixo dos seus pés). Um plano perpendicular à linha
vertical que contém o zênite intercepta a esfera celeste num círculo chamado,
horizonte. Um plano que passa pela linha vertical e contém o Polo Norte da esfera
celeste define o ponto norte geográfico na intersecção com o horizonte, enquanto
um outro plano análogo é utilizado para definir o ponto sul geográfico. Unindo os
pontos e traçando uma perpendicular contida no plano do horizonte poderemos
agora localizar uma estrela qualquer da seguinte forma: medimos o ângulo da
estrela a partir do N sobre o horizonte até a circunferência vertical que a contém.
Depois, determinamos a altura a partir do plano do horizonte. Este procedimento
não é muito complicado, mas devido precisamente ao movimento aparente do Sol
e das estrelas fixos na “esfera celeste”, as duas coordenadas medidas resultam
funções do tempo e mudam constantemente. Assim, é preferível procurar um
outro sistema onde elas permaneçam fixas.
37

Vejamos as ilustrações abaixo:

Para definir um sistema de coordenadas mais útil, aproveita-se a ideia de


esfera celeste aparente. Note-se que isto não significa um recuo para as ideias
pré-copernicanas, mas é tão somente um recurso descritivo de utilidade. Assim, a
prolongação do plano do equador da Terra até se cortar a esfera celeste define
um círculo máximo denominado equador celeste. Pelo ponto do polo norte
passam infinitos planos, os quais cortam a esfera celeste formando
semicircunferências chamadas de meridianos celestes.

Depois de adotar arbitrariamente uma “origem” ou ponto de referência em


cima do equador celeste (o chamado ponto gama - δ – ou ponto vernal), podemos
localizar qualquer objeto (estrela, planeta, entre outros) utilizando 2 ângulos: um
38

deles (ascensão reta alfa - α -) contado a partir do ponto 7 no sentido anti-horário


desde o hemisfério norte, até o meridiano celeste que contenha o objeto; e o outro
a partir do equador celeste até o próprio objeto (declinação delta - δ-) (HORVATH,
2008).

3.2 Movimentos: dos astros, da Terra, Lua e Sol

O movimento diurno dos astros, de leste para oeste, é um reflexo de


rotação da Terra, de oeste para leste. Ao longo do dia, todos os astros descrevem
no céu arcos paralelos ao Equador e a orientação desses arcos em relação ao
horizonte depende da latitude do lugar.

Vejam:

Movimento dos astros em diferentes latitudes

Fonte: Oliveira filho, Saraiva (2004, p. 17).

Nos polos (Ø = +- 90º), todas as estrelas do mesmo hemisfério do


observador permanecem 24 h acima do horizonte e descrevem no céu círculos
paralelos ao horizonte.

No Equador (Ø = 0º), todas as estrelas nascem e se põem,


permanecendo 12 h acima do horizonte e 12 h abaixo dele. Todas as estrelas
podem ser vistas ao longo do ano.

Em um lugar de latitude intermediária: algumas estrelas têm nascer e


ocaso, outras permanecem 24 h acima do horizonte, outras 24 h abaixo dele. As
estrelas visíveis descrevem no céu arcos com uma certa inclinação em relação ao
horizonte, a qual depende da latitude do lugar.
39

São fenômenos do movimento diurno:

Nascer e ocaso: são os instantes em que o astro aparece e desaparece


no horizonte, respectivamente.

Passagem Meridiana: é o instante em que o astro atinge a máxima altura,


ou a mínima distância zenital. Os astros fazem duas passagens meridianas por
dia: a passagem meridiana superior (quando sua elevação é máxima) e a
passagem meridiana inferior (quando sua elevação é mínima).

Estrelas circumpolares: não têm nascer nem ocaso, fazem as duas


passagens meridianas acima do horizonte. Nos polos todas as estrelas acima do
horizonte são circumpolares. No equador, nenhuma estrela é circumpolar
(OLIVEIRA FILHO; SARAIVA, 2004).

Como todos os corpos do Universo, a Terra também não está parada. Ela
realiza inúmeros movimentos. Os dois movimentos principais do nosso planeta
são o de rotação e o de translação, cujos efeitos sentimos no cotidiano.

O movimento de rotação da Terra é o giro que o planeta realiza ao redor


de si mesmo, ou seja, ao redor do seu próprio eixo. Esse movimento se faz no
sentido anti-horário, de oeste para leste, e tem duração aproximada de 24 horas.
É graças a esse movimento que a luz solar vai progressivamente iluminando
diferentes áreas, do que resulta a sucessão de dias e noites nos diversos pontos
da superfície terrestre.

O movimento aparente do Sol – ou seja, o deslocamento do disco solar tal


como observado a partir da superfície – ocorre do leste para o oeste. É por isso
que, há milhares de anos, o Sol serve como referência de posição: a direção onde
ele aparece pela manhã é o leste ou nascente – e a direção onde ele desaparece
no final da tarde é o oeste ou poente.

Já o movimento de translação é aquele que a Terra realiza ao redor do


Sol junto com os outros planetas. Em seu movimento de translação, a Terra
percorre um caminho – ou órbita – que tem a forma de uma elipse.

A velocidade média da Terra ao descrever essa órbita é de 107.000 km


por hora, e o tempo necessário para completar uma volta é de 365 dias, 5 horas e
cerca de 48 minutos.
40

Esse tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do
Sol é chamado “ano”. O ano civil, adotado por convenção, tem 365 dias. Como o
ano sideral, ou o tempo real do movimento de translação, é de 365 dias e 6 horas,
a cada quatro anos temos um ano de 366 dias, que é chamado ano bissexto.

Devido ao movimento de translação da Terra em torno do Sol, este


aparentemente se move entre as estrelas, ao longo do ano, descrevendo uma
trajetória na esfera celeste chamada Eclíptica, que é um círculo máximo que tem
uma inclinação de 23º27’ em relação ao Equador Celeste. É essa inclinação que
causa as estações do ano (OLIVEIRA FILHO, SARAIVA, 2004).

Movimento do Sol

Nosso único satélite natural e astro mais brilhante da noite é a Lua. É a


mais brilhante para nós porque está mais próxima da Terra do que os outros
corpos celestes.

A Lua brilha sem luz própria; é iluminada, refletindo a luz que recebe do
Sol. Situa-se a uma distância de cerca de 384.405 km do nosso planeta. A Lua
não tem atmosfera e apresenta, embora muito escassa, água no estado sólido
(em forma de cristais de gelo). Não tendo atmosfera, não há erosão e a superfície
41

da Lua mantém-se intacta durante milhões de anos. É apenas afetada pelas


colisões com meteoritos.

A Lua dá um volta em torno de si mesma em aproximadamente 28 dias.


Nesse mesmo período, a Lua dá uma volta completa em torno da Terra. Assim,
mantém sempre a mesma face voltada pra Terra. O movimento que a Lua faz em
torno da Terra chama-se revolução. É a principal responsável pelos efeitos de
maré que ocorrem na Terra, em seguida vem o Sol, com uma participação menor.

Contudo, a força de atração que o Sol e a Lua exercem sobre a Terra


influencia o movimento de subida e descida da água dos oceanos. Durante um
mês, a maré é mais forte nas fases de lua cheia e nova. Pode-se dizer do efeito
de maré aqui na Terra como sendo a tendência de os oceanos acompanharem o
movimento orbital da Lua. A maré alta ocorre quando a Terra, a Lua e o Sol se
encontram em conjunção ou oposição. E a maré baixa, quando a Terra, a Lua e o
Sol se encontram em quadratura, formando um ângulo de 90°. A ocorrência desse
fenômeno se dá duas vezes por dia, aproximadamente a cada 12 horas (XAVIER
FILHO, 2014).

Um eclipse acontece sempre que um corpo entra na sombra do outro.


Assim, quando a Lua entra na sombra da Terra, acontece um eclipse lunar.
Quando a Terra é atingida pela sombra da Lua, acontece um eclipse solar.

Fonte: Xavier Filho (2014, p. 15).

3.3 As medidas de tempo

A medida de tempo se baseia no movimento de rotação da Terra, que


provoca a rotação aparente da esfera celeste. Dependendo do objeto que
tomamos como referência para medir a rotação da Terra, temos o tempo solar e o
tempo sideral.
42

Alguns conceitos importantes aqui são:

 dia – tempo necessário para a Terra dar uma volta em torno de seu eixo
em relação a um ponto de referência;

 tempo sideral – toma como referência para medir a rotação da Terra o


ponto Vernal;

 tempo solar – toma como referência o Sol para medir a rotação da Terra o
Sol;

 dia sideral – é o intervalo de tempo decorrido entre duas passagens


sucessivas do ponto vernal pelo meridiano do lugar;

 dia solar – é o intervalo de tempo decorrido entre duas passagens


sucessivas do Sol pelo meridiano do lugar.

Desde a Antiguidade foram encontradas dificuldades para a criação de


um calendário, pois o ano não é múltiplo exato da duração do dia ou da duração
do mês. Aqui também se faz importante compreender as diferenças entre ano
sideral e ano tropical.

 Ano Sideral: é o período de revolução da Terra em torno do Sol com


relação às estrelas. Sua duração é de 365,2564 dias solares médios, ou
365d 6h 9m 10s.

 Ano Tropical: é o período de revolução da Terra em torno do Sol com


relação ao Equinócio Vernal, isto é, com relação ao início das estações.
Sua duração é 365,2422 dias solares médios, ou 365d 5h 48m 46s. O
calendário se baseia no ano tropical (OLIVEIRA FILHO; SARAIVA, 2004).

Fazendo uma pequena pausa em “conceitos e conteúdos”, vamos lembrar


que a todo o momento, a astronomia é disseminada no cotidiano dos alunos, seja
através de filmes de ficção ou reportagens de descobertas.

A escola deve, portanto, ajudar seu aluno a entender e compreender de


maneira um tanto “científica” os vários aspectos astronômicos envolvidos no seu
dia-a-dia.
43

No Ensino Fundamental, por exemplo, pode-se usar o Relógio de Sol.


Uma forma atraente que aproxima o aluno da natureza, fazendo com que ele
passe a observar e compreender seu ambiente.

Como lembra Xavier Filho (2014), o relógio de sol, é, provavelmente, a


forma mais antiga de se medir o tempo. Ele utiliza o movimento aparente do Sol
que surge pela manhã no leste e desaparece, à tarde, no oeste.

De Acordo com Moreira (2000), os alunos da educação básica tem que


dar início ao ensino de física para compreender o mundo e não para iniciar a
formação científica e encontram no relógio de sol, um recurso, uma ferramenta
pedagógica e interdisciplinar, pois pode ser utilizado por várias disciplinas e
propicia uma interligação em oficinas (AZEVEDO et al., 2013).

Vejamos uma proposta de Xavier Filho (2014), uma versão bem simples
de um relógio de sol, utilizando apenas uma haste vertical sobre uma prancha
horizontal. A ponta da sombra da haste serve para indicar a hora do dia. Vamos
descrever dois projetos de relógio solar, o primeiro bem simples e o outro um
pouco mais elaborado e preciso.

Esse relógio é feito com uma base plana no centro da qual é fixada uma
haste fina e vertical. Leve o conjunto para um local ensolarado e use um nível e
uma linha de prumo para garantir que a haste está na vertical. As dimensões da
base e da haste ficam a seu critério. Uma haste de 30 centímetros é suficiente. O
tamanho da base deve ser tal que contenha a sombra completa da haste para
todas as horas do dia, de preferência de 6 às 18 horas.
44

Use um relógio comum para calibrar seu relógio de Sol. Ajuste esse
relógio pela hora oficial. Comece cedo e marque a posição da ponta da sombra
da haste para cada hora completa. No exemplo da figura, foram marcados os
pontos de 7 às 17 horas, pois as sombras das 6 e 18 horas foram longas demais
para o tamanho da base. Observe que a sombra é mínima perto do meio dia. A
direção dessa sombra mínima indica a direção do meridiano do local, isto é, a
direção Norte-Sul. Não é exatamente ao meio dia porque a hora oficial não
coincide exatamente com a hora solar. Esse relógio é muito fácil de fazer e
calibrar, mas é limitado, pois só serve para uns poucos dias depois da calibração.
Alguns dias depois, as linhas das horas vão mudar de direção e o relógio vai
marcar horas erradas. A figura ilustra como a linha das 13 horas muda de junho a
dezembro, por exemplo, mas é um problema que pode ser resolvido com relógios
mais elaborados.

O relógio de Sol analêmico é um método que possibilita a aproximação do


aluno com o conteúdo gerando discussões na sala de aula, aumentando a
interação entre os alunos e professor.

Sua construção, seja como instrumento de divulgação científica ou como


ferramenta pedagógica, permite que sejam apresentados aos estudantes e ao
público, noções básicas de astronomia, física, matemática, geografia, história,
entre outras.
45

Esse relógio é um modelo de relógio solar no qual a posição do gnômon é


variável ao longo do ano. A variação do gnômon é necessária para realizar
correções na marca da hora que já o sol, em seu movimento aparente, origina
modificações na formação das sombras ao longo do ano.

Como a posição do gnômon é variável ao longo do ano, esta função pode


ser exercida por uma pessoa, bastando para isto, que esta se posicione no local
indicado de acordo com o mês do ano.

Este modelo de relógio de sol, representado abaixo, possui uma escala


de horas em formato de elipse e no centro da elipse uma outra escala, vertical
com os meses do ano onde o gnômon se localiza.

Modelo de relógio de sol analêmico

Fonte: Azevedo et al (2013, p. 2403-3).

No quadro abaixo, temos uma relação de conteúdos que podem ser


trabalhados em cada disciplina ou oficina didática utilizando um relógio de sol
analêmico.

Disciplina Conteúdo abordado

Português Construção textual

Medidas de ângulos
Matemática Figuras geométricas planas
Unidades de Medidas
Origem dos relógios
História Tipos de relógios
Povos antigos e suas orientações de tempo
46

Movimento aparente do sol


Movimentos da Terra (rotação e translação)
Fusos horários
Geografia Pontos cardeais
Latitude e longitude
Solstício e Equinócio
Analema solar
Biologia Horários de maior incidência solar
Relação entre as plantas e o sol
Modelos de relógios de sol
Educação artística Construção do Analema solar
Implementação da aparência dos relógios de
sol

Lembrem-se: utilizar os diversos recursos pedagógicas disponíveis,


acrescenta, sobremaneira na aprendizagem do aluno, aumentando a interação e
curiosidade sobre o conteúdo abordado
47

UNIDADE 4 – GEOCENTRISMO E HELIOCENTRISMO

4.1 Modelo geocêntrico de Ptolomeu

Os planetas estão muito mais próximos de nós do que as estrelas, de


forma que eles parecem se mover, ao longo do ano, entre as estrelas de fundo.
Esse movimento se faz, geralmente, de oeste para leste (não confundir com o
movimento diurno, que é sempre de leste para oeste!), mas em certas épocas o
movimento muda, passando a ser de leste para oeste. Esse movimento
retrógrado pode durar vários meses (dependendo do planeta), até que fica mais
lento e o planeta reverte novamente sua direção, retomando o movimento normal.
O movimento observado de cada planeta é uma combinação do movimento do
planeta em torno do Sol com o movimento da Terra em torno do Sol, e é simples
de explicar quando sabemos que a Terra está em movimento, mas fica muito
difícil de descrever num sistema em que a Terra esteja parada e seja o centro do
movimento dos outros astros, ou seja, num sistema geocêntrico (OLIVEIRA
FILHO; SARAIVA, 2004).

Apesar disso, o geocentrismo foi uma ideia dominante na astronomia


durante toda a Antiguidade e Idade Média. O sistema geocêntrico também é
conhecido como sistema ptolemaico, pois foi Claudius Ptolemaeus (85 d.C.-165
d.C.), o último dos grandes astrônomos gregos, quem construiu o modelo
geocêntrico mais completo e eficiente. Ptolomeu explicou o movimento dos
planetas através de uma combinação de círculos: o planeta se move ao longo de
um pequeno círculo chamado epiciclo, cujo centro se move em um círculo maior
chamado deferente. A Terra fica numa posição um pouco afastada do centro do
deferente (portanto, o deferente é um círculo excêntrico em relação à Terra).

Até aqui, o modelo de Ptolomeu não diferia do modelo usado por Hiparco,
aproximadamente 250 anos antes. A novidade introduzida por Ptolomeu foi o
equante, que é um ponto ao lado do centro do deferente oposto em relação à
Terra, em relação ao qual o centro do epiciclo se move a uma taxa uniforme, e
que tinha o objetivo de dar conta do movimento não uniforme dos planetas,
conforme a ilustração a seguir.
48

O objetivo de Ptolomeu era o de produzir um modelo que permitisse


prever a posição dos planetas de forma correta e, nesse ponto, ele foi
razoavelmente bem-sucedido. Por essa razão, esse modelo continuou sendo
usado sem mudança substancial por cerca de 1300 anos.

4.2 Modelo heliocêntrico de Copérnico

No início do século XVI, a Renascença estava sacudindo as cinzas do


obscurantismo da Idade Média e trazendo novo fôlego a todas as áreas do
conhecimento humano. Nicolau Copérnico (1473-1543), astrônomo polonês,
representou o Renascimento na astronomia. Estudando na Itália, ele leu sobre a
hipótese heliocêntrica proposta (e não aceita) por Aristarco de Samos (310-230
a.C.), e achou que o Sol no centro do Universo era muito mais razoável do que a
Terra. Copérnico registrou suas ideias num livro – De Revolutionibus – publicado
no ano de sua morte.

As realizações mais importantes de Copérnico foram:

 introduziu o conceito de que a Terra é apenas um dos seis planetas (então


conhecidos) girando em torno do Sol;

 colocou os planetas em ordem de distância ao Sol: Mercúrio, Vênus, Terra,


Marte, Júpiter, Saturno (Urano, Netuno e Plutão);
49

 determinou as distâncias dos planetas ao Sol, em termos da distância


Terra-Sol;

 deduziu que quanto mais perto do Sol está o planeta, maior é sua
velocidade orbital.

Dessa forma, o movimento retrógrado dos planetas foi facilmente


explicado sem necessidade de epiciclos, mas ele manteve a ideia de que as
órbitas dos planetas eram circulares e, para obter posições razoáveis, teve de
manter pequenos epiciclos, mas não usou equantes (OLIVEIRA FILHO;
SARAIVA, 2004).

A Teoria Heliocêntrica conseguiu dar explicações mais simples e naturais


para os fenômenos observados (por exemplo, o movimento retrógrado dos
planetas), porém Copérnico não conseguiu prever as posições dos planetas de
forma precisa, nem conseguiu provar que a Terra estava em movimento.

Caminhando na história, temos em Tycho, dinamarquês, o último grande


astrônomo observacional antes da invenção do telescópio. Usando instrumentos
fabricados por ele mesmo, Tycho fez extensas observações das posições de
planetas e estrelas, com uma precisão em muitos casos melhor do que 1 minuto
de arco (1/30 do diâmetro do Sol).

Após receber patrocínio do rei da Dinamarca e, mais adiante, após sua


morte, ter lhe sido retirado vários privilégios como seu próprio observatório, Tycho
foi para Boêmia onde continuou suas observações, principalmente porque não
acreditava na hipótese heliocêntrica de Copérnico, mas foram suas observações
dos planetas que levaram às leis de Kepler do movimento planetário.

Em 1600 (um ano antes de sua morte), Tycho contratou para ajudá-lo na
análise dos dados sobre os planetas, colhidos durante 20 anos, um jovem e hábil
matemático alemão chamado Johannes Kepler, que sabemos, muitas
contribuições trouxe para a ciência.

O planeta para o qual havia o maior número de dados era Marte. Kepler
conseguiu determinar as diferentes posições da Terra após cada período sideral
de Marte e, assim, conseguiu traçar a órbita da Terra. Verificou que essa órbita
50

era muito bem ajustada por um círculo excêntrico, isto é, com o Sol um pouco
afastado do centro.

Kepler conseguiu também determinar a órbita de Marte, mas, ao tentar


ajustá-la com um círculo, não teve sucesso. Ele continuou insistindo nessa
tentativa por vários anos e, em certo ponto, encontrou uma órbita circular que
concordava com as observações com um erro de 8 minutos de arco. Mas
sabendo que as observações de Tycho não poderiam ter um erro desse tamanho
(apesar disso significar um erro de apenas 1/4 do tamanho do Sol), Kepler, com a
integridade que lhe era peculiar, descartou essa possibilidade.

Finalmente, passou à tentativa de representar a órbita de Marte com uma


oval, e rapidamente descobriu que uma elipse ajustava muito bem os dados. A
posição do Sol coincidia com um dos focos da elipse. Ficou assim explicada
também a trajetória quase circular da Terra, com o Sol afastado do centro.

Suas três leis foram:

1. Lei das órbitas elípticas (1609): a órbita de cada planeta é uma elipse,
com o Sol em um dos focos. Como consequência da órbita ser elíptica, a
distância do Sol ao planeta varia ao longo de sua órbita.

2. Lei das áreas (1609): a reta unindo o planeta ao Sol varre áreas iguais
em tempos iguais. O significado físico dessa lei é que a velocidade orbital não é
uniforme, mas varia de forma regular: quanto mais distante o planeta está do Sol,
mais devagar ele se move. Dizendo de outra maneira, essa lei estabelece que a
velocidade areal é constante.

3. Lei harmônica (1618): o quadrado do período orbital dos planetas é


diretamente proporcional ao cubo de sua distância média ao Sol. Essa lei
estabelece que planetas com órbitas maiores se movem mais lentamente em
torno do Sol e, portanto, isso implica que a força entre o Sol e o planeta decresce
com a distância ao Sol.

Sendo P o período sideral do planeta, a o semieixo maior da órbita, que é


igual à distância média do planeta ao Sol, e K uma constante, podemos expressar
a 3ª lei como: P2 = Ka3
51

Se medimos P em anos (o período sideral da Terra), e a em unidades


astronômicas (a distância média da Terra ao Sol), então K = 1, e podemos
escrever a 3ª lei como: P2 = a 3.

Outra grande contribuição ao Modelo Heliocêntrico foi dado pelo italiano


Galileo Galilei (1564 – 1642), o pai da moderna física experimental e da
astronomia telescópica.

Seus experimentos em mecânica estabeleceram os conceitos de inércia e


de que a aceleração de corpos em queda livre não depende de seu peso, que
foram mais tarde incorporados às leis do movimento de Newton.

Galileo começou suas observações telescópicas em 1610, usando um


telescópio construído por ele mesmo. No entanto, não cabe a ele o crédito da
invenção do telescópio, pois o primeiro telescópio foi patenteado pelo holandês
Hans Lippershey, em 1609. Galileo soube dessa descoberta em 1609, e, sem ter
visto o telescópio de Lippershey, construiu o seu próprio, com aumento de 3
vezes. Em seguida, ele construiu outros instrumentos, e o melhor tinha aumento
de 30 vezes. Galileo, apontando o telescópio para o céu, fez várias descobertas
importantes, como:

 descobriu que a Via Láctea era constituída por uma infinidade de estrelas;

 descobriu que Júpiter tinha quatro satélites, ou luas, orbitando em torno


dele, com período entre 2 e 17 dias. Esses satélites são chamados
“galileanos”, e são: Io, Europa, Ganimedes e Calísto. Desde então, mais 35
satélites foram descobertos em Júpiter;

Embora as órbitas dos planetas sejam elipses, as elipticidades são tão


pequenas que elas se parecem com círculos. Na figura a seguir, temos a elipse
que descreve a órbita da Terra em torno do Sol, na forma correta. A posição do
Sol, no foco, está marcada por um pequeno círculo.
52

Essa descoberta de Galileo foi particularmente importante porque mostrou


que podia haver centros de movimento que, por sua vez, também estavam em
movimento e, portanto, o fato da Lua girar em torno da Terra não implicava que a
Terra estivesse parada;

 descobriu que Vênus passa por um ciclo de fases, assim como a Lua;

Essa descoberta também foi fundamental porque, no sistema ptolemaico,


Vênus está sempre mais próximo da Terra do que o Sol, e como Vênus está
sempre próximo do Sol, ele nunca poderia ter toda sua face iluminada voltada
para nós e, portanto, deveria sempre aparecer como nova ou crescente. Ao ver
que Vênus, muitas vezes aparece em fase quase totalmente cheia, Galileo
concluiu que ele viaja ao redor do Sol, passando às vezes pela frente dele e
outras vezes por trás dele, e não revolve em torno da Terra.

As fases de Vênus

Fonte: Oliveira Filho; Saraiva (2004, p. 63)

 descobriu a superfície em relevo da Lua, e as manchas do Sol. Ao ver que


a Lua tem cavidades e elevações assim como a Terra, e que o Sol também
não tem a superfície lisa, mas apresenta marcas, provou que os corpos
celestes não são esferas perfeitas, mas sim têm irregularidades, assim
53

como a Terra. Portanto, a Terra não é diferente dos outros corpos, e pode
ser também um corpo celeste.

As descobertas de Galileo proporcionaram grande quantidade de


evidências em suporte ao sistema heliocêntrico. Por causa disso, ele foi chamado
a depor ante a Inquisição Romana, sob acusação de heresia, e obrigado a se
retratar. Somente em setembro de 1822, o Santo Ofício decidiu retirar as suas
obras, assim como as de Copérnico e de Kepler, do Índice de Livros Proibidos.
Galileo foi redimido, em 1992, quando a comissão constituída pelo Papa João
Paulo II reconheceu o erro do Vaticano (OLIVEIRA FILHO; SARAIVA, 2004).

Embora não estejamos falando de metodologia científica, vale ressaltar


que o caminho percorrido pelos astrônomos, físicos, matemáticos daqueles
tempos, nos mostra que o caminho da pesquisa científica não é fácil, que testar
hipóteses, refutá-las, comprová-las, fazem parte de um trabalho árduo, de
persistência, de muito estudo. Lembrem-se: persistência e dedicação para com os
alunos também podem fazer a diferença para ambos.
54

UNIDADE 5 – INSTRUMENTOS/FERRAMENTAS DOS


ASTRONÔMOS

A grande revolução da Astronomia e das ciências de cálculos ocorreu


depois que Galileu Galilei desenvolveu o método científico e resolveu apontar um
telescópio (luneta de galileana) para o céu.

Usando o telescópio, foi possível fazer medidas mais precisas e, com


isso, pode-se mostrar que a Terra girava ao redor do Sol, e não o contrário como
se pensava. De posse dessas medidas, outro estudioso, Isaac Newton,
desenvolveu um método de cálculo matemático para poder explicar as órbitas dos
planetas ao redor do Sol. Esses métodos matemáticos são usados até hoje por
engenheiros para construir edifícios, navios, aparelhos, foguetes e tudo que
envolve tecnologia (USP/CDA, 2000).

Vejamos alguns destes instrumentos/ferramentas que possibilitam ao ser


humano realizar as mais diversas pesquisas espaciais:

 luneta – é um instrumento óptico que possui, basicamente, dois conjuntos


de lentes que ampliam a imagem para o observador. Mesmo sendo um
instrumento bastante antigo, as lunetas ainda são utilizadas para observar
o céu e acompanhar certos fenômenos;

 telescópio – é um instrumento importante para os astrônomos. Entre os


vários tipos, os mais eficientes são:

- os telescópios refratores – constituídos por dois conjuntos de lentes;

- os telescópios refletores – que possuem um conjunto de lentes e um


sistema de espelhos;

- catadióptricos – corretor feito de lente, objetiva feita de espelho e


oculares feitas de lentes.

 Foguete – é um veículo próprio para lançar instrumentos de pesquisa ou


mesmo outros veículos espaciais, como os satélites artificiais. É também
uma terrível arma de guerra;
55

 satélite artificial – é um veículo espacial, tripulado ou teleguiado, que é


levado ao espaço para ficar girando em torno da Terra ou de outro corpo
celeste;

 sonda espacial – é um veículo sem tripulantes, teleguiado e utilizado em


voos para a coleta de informações sobre o espaço. Pode passar próximo a
um corpo celeste, entrar em sua órbita ou mesmo pousar nele;

 ônibus espacial – o Colúmbia, primeiro ônibus espacial, revolucionou a


astronáutica, por se tratar de um veículo de lançamento reaproveitável, ao
contrário dos foguetes então existentes. Como o próprio nome diz, trata-se
de uma espécie de ônibus, que vai e volta. São capazes de transportar um
número maior de tripulantes que os demais veículos espaciais;

 estação espacial – é um engenho montado para permanecer numa órbita


em torno do astro. Assemelha-se a uma “casa espacial”, com
acomodações para os astronautas e locais apropriados para as realizações
dos estudos científicos e experiências. Pode servir de posto de combustível
para outros aparelhos espaciais

A Luneta de Galileu Galilei é composta de uma objetiva com um lente


convergente e a ocular com uma lente divergente. Isso permite ver os objetos
ampliados e sem a inversão da imagem. A luneta de Galileu é um telescópio
refrator.

Instrumentos posteriores e muito melhores que o de Galileu, apresentam


a imagem invertida nas duas direções vertical e horizontal e outros somente numa
das direções. De início, aos observadores menos desavisados parece estranho!
Para o astrônomo, o importante é ter a melhor imagem possível (USP/CDA,
2000).

5.1 Fotometria

Fotometria é a medida da luz proveniente de um objeto. Até o fim da


Idade Média, o meio mais importante de observação astronômica era o olho
56

humano, ajudado por vários aparatos mecânicos para medir a posição dos corpos
celestes. Depois veio a invenção telescópio, no começo do século XVII, e as
observações astronômicas de Galileo. A fotografia astronômica iniciou no fim do
século XIX e, durante as últimas décadas, muitos tipos de detectores eletrônicos
são usados para estudar a radiação eletromagnética do espaço. Todo o espectro
eletromagnético, desde a radiação gama até as ondas de rádio são atualmente
usadas para observações astronômicas (OLIVEIRA FILHO; SARAIVA, 2004).

Apesar de que observações com satélites, balões e espaçonaves podem


ser feitas fora da atmosfera, a grande maioria das observações é obtida da
superfície da Terra, utilizando radiação eletromagnética, de onde podemos obter
informações sobre a natureza física da fonte estudando a distribuição de energia
desta radiação.

5.2 Espectroscopia

Espectroscopia é o estudo da luz através de suas cores componentes,


que aparecem quando a luz passa através de um prisma ou de uma rede de
difração. A sequência de cores formada é chamada espectro.

Quase toda informação sobre as propriedades físicas das estrelas são


obtidas direta ou indiretamente de seus espectros, principalmente suas
temperaturas, densidades e composições.

Assim, depois do telescópio, um instrumento astronômico bastante


importante, é o espectrógrafo, como o nome sugere, ele é usado para se obter o
espectro de objetos, ou seja, determinar como a luz emitida por uma fonte (uma
estrela, digamos) está distribuída ao longo dos vários comprimentos de onda.
57

Um exemplo dessa decomposição de cores na natureza é o arco-íris, que


é a separação da luz do Sol nas várias cores do espectro visível por gotas de
água na atmosfera. O mesmo efeito pode ser conseguido com um prisma.

Abaixo temos a ilustração das principais partes de um espectrógrafo.

Representação esquemática de um espectrógrafo

A luz de uma estrela, no plano focal do telescópio, passa por uma fenda e
por uma lente denominada colimadora, que faz com que os raios estejam
paralelos ao passarem, em seguida, pelo prisma. A luz, decomposta em suas
várias cores, é então focalizada sobre um CCD. Assim, o espectro se constitui de
uma série de imagens da fenda iluminada pela luz da estrela, cada qual
representando um comprimento de onda ligeiramente diferente.

Além da temperatura, da composição química e do estado físico da


matéria (no Universo, a maior parte da matéria se encontra no estado gasoso), o
espectro de um objeto também pode dizer-nos algo acerca do movimento deste
objeto através de um efeito denominado efeito Döppler (MAGALHÃES, 2008).
58

UNIDADE 6 – SISTEMA SOLAR

6.1 Origem e composição do Sistema Solar

Segundo Canalle (2009), a teoria mais aceita atualmente sugere que o


Sistema Solar surgiu de uma nuvem primitiva de gás e poeira ao redor de 4,6
bilhões de anos atrás. A gravidade fez com que esta névoa sofresse uma
contração, num processo que durou dezenas de milhões de anos, até que a maior
parte de sua massa se concentrasse no centro do sistema. Devido à turbulência,
o núcleo original começou a girar com velocidade cada vez maior, dando ao
restante da névoa a forma de um disco.

A temperatura do centro da nuvem foi aumentando à medida que ela se


comprimia, até se tornar quente o suficiente para que o Sol começasse a brilhar.
Enquanto isso, a periferia do disco foi se esfriando, permitindo que a matéria se
solidificasse.

À medida que as partículas colidiam, elas foram se unindo, formando


corpos cada vez maiores. Esses corpos são atualmente os oito planetas que
giram em torno do Sol. Essa teoria foi proposta, primeiramente, pelo francês
Pierre Simon de Laplace e vem sofrendo aperfeiçoamentos desde então.

No Universo, a distribuição e hierarquia dos objetos são regidas


basicamente pela força gravitacional. Como o Sol é formado por uma grande
quantidade de matéria concentrada em uma região relativamente pequena, ele é
um foco de atração que reúne em torno de si os vários corpos. Assim, uma das
definições para o sistema solar é: o conjunto de todos os corpos (ou matéria), cujo
principal centro de atração é o Sol. Ela não é a única, porém, a consideramos a
melhor (RODRIGUES, 2003).

O sistema solar é formado pelo Sol, pelos oito planetas com suas luas e
anéis, pelos asteroides e pelos cometas.
59

6.2 O Sol

Segundo Rodrigues (2003), o Sol é, entre os corpos celestes, aquele que


mais influencia as nossas vidas. É impossível não notá-lo em um dia claro de
verão, ou perceber a sua “ausência” em um dia chuvoso. Foi chamado de Hélio
pelos gregos, Mitras pelos persas e Rá pelos egípcios, para citar algumas
culturas. Cinco séculos antes da era Cristã, o grego Anaxágoras
(aproximadamente 430 a.C.) sugeriu que o Sol fosse uma bola de fogo, o que
guarda uma pálida semelhança com a realidade.

O Sol é uma estrela. Dentre as estrelas existentes no Universo, o Sol


pode ser classificado como uma estrela típica, das mais comuns que existem no
Universo.

O Sol é uma esfera gasosa cuja temperatura na superfície é de cerca de


5 500 centígrados. No núcleo solar, a temperatura atinge 15 milhões de graus.
Sua massa é 333 mil vezes maior que a da Terra, mas a sua densidade média é
de apenas 1,41 gramas por centímetro cúbico, pouco maior que a da água que é
de 1 grama por centímetro cúbico.

Sua massa é composta por 73% de hidrogênio, o primeiro elemento


químico da tabela periódica, e também o mais abundante no Universo. O restante
é constituído basicamente por hélio. Apenas 0,1 % da massa do Sol é composta
por elementos mais pesados.

6.3 Os planetas

Os planetas do Sistema Solar são os oito astros que tradicionalmente são


conhecidos como tal: Mercúrio (☿), Vênus (♀), Terra (♁), Marte (♂), Júpiter (♃),
Saturno (♄), Urano (♅) e Netuno (♆). Todos os planetas receberam nomes de
deuses e deusas da mitologia greco-romana. Fazendo parte do Sistema Solar,
esses oitos planetas recebem a luz e o calor do Sol, ou seja, a energia emitida
pelo nosso astro-rei, enquanto giram em torno dele.

Os planetas do Sistema Solar estão divididos em dois grupos:

 planetas interiores – Mercúrio, Vênus, Terra e Marte;


60

 planetas exteriores – Júpiter, Saturno, Urano e Netuno.

Lembrando que, planeta, como definido pela União Astronômica


Internacional (UAI), é um corpo celeste orbitando uma estrela ou restos estelares
que têm massa suficiente para haver rotação em torno de si (através da
gravidade) e, não tem massa suficiente para causar fusão termonuclear, ou seja,
não tendo luz própria. Os planetas se diferenciam principalmente pela massa, por
suas dimensões e por sua composição química (XAVIER FILHO, 2014).

Os satélites naturais são corpos celestes que gravitam em torno de um


planeta. Veja como se distribuem os satélites em nosso Sistema Solar:

 Mercúrio e Vênus – não possuem satélites;

 Terra – possui um satélite, a Lua;

 Marte – tem dois satélites, Fobos e Deimos;

 Júpiter – possui 62, sendo os principais: Ganimedes, Calisto, Io e Europa;

 Saturno – possui 48, sendo os principais: Titã, Encelado, Mi-mas, Tétis e


Dione;

 Urano – possui 27 satélites;

 Netuno – possui 13 satélites.


61

6.4 Corpos menores do Sistema Solar

Além dos planetas, o sistema solar possui outros corpos menores, dentre
eles os asteroides, os cometas, os meteoros e outros que estão ou em órbita em
torno dos planetas ou se localizam em regiões particulares do Sistema solar.

Apesar do nome de origem grega que significa“similar a estrelas”, os


asteroides são mais parecidos aos planetas, apesar de muito menores.
Concentram-se, em sua maioria, em um anel entre as órbitas de Marte e Júpiter.
Imagine o que aconteceria se um planeta fosse quebrado em milhares de
pedacinhos e esses pedacinhos fossem espalhados ao longo de sua órbita. Um
cinturão de asteroides é aproximadamente isso. Porém, os asteroides não devem
ser o resultado de um processo destrutivo, mas, sim, um planeta que não deu
certo (RODRIGUES, 2003).

O diâmetro dos asteroides pode chegar a centenas de quilômetros. O


maior deles, Ceres, tem um diâmetro de 974 quilômetros. Os grandes asteroides
são esféricos, mas os menores podem possuir formas irregulares (como a de
batatas). A maior parte deles são formados basicamente por rochas (silicatos).
Porém, alguns podem ser metálicos (ferro).

Os cometas pertencem também ao sistema solar e, como os planetas,


orbitam em torno do Sol. Porém, suas órbitas não se restringem ao plano do
sistema solar, que contém as órbitas dos planetas. As órbitas dos cometas
possuem inclinações, as mais variadas, com excentricidades bastante altas e
raios muito grandes, maiores que os dos planetas mais distantes. Quanto à sua
composição, o núcleo de um cometa é um aglomerado de matéria sólida: grãos
de poeira e gelo de materiais orgânicos, algo do tipo uma bola de gelo suja.
Quando um deles se aproxima do Sol, o material de sua superfície sublima,
formando uma nuvem de gás e poeira ao seu redor. Essa é a chamada coma. O
movimento do cometa, em combinação com a ação do vento solar, forma duas
caudas: a de gás e a de poeira (OLIVEIRA FILHO; SARAIVA, 2004).

Um meteorito é um objeto sólido que atingiu a superfície terrestre. O


meteoro é o fenômeno que ocorre quando um corpo entra na atmosfera terrestre
62

e deixa um rastro luminoso provocado pelo atrito – são as chamadas estrelas


cadentes. O corpo que entra na atmosfera é o meteoroide.

Os meteoroides são fragmentos de cometas ou asteroides. Os menores


são desintegrados pelo atrito com a atmosfera e apenas os maiores podem
chegar à superfície da Terra. Esses meteoritos são, em sua maior parte,
originários de asteroides.

Os cometas deixam atrás de si rastros de poeira que formam tubos com


diâmetros da ordem de 10 a 50 milhões de km!! Se a Terra atravessa um desses
anéis de poeira, ocorre a chamada chuva de meteoros. É por isso que existem
determinadas épocas do ano para que isso ocorra: é quando a Terra atravessa o
rastro de um cometa importante.

Hoje, a teoria mais aceita para a extinção dos dinossauros é a de um


impacto de um meteorito ocorrido no México, próximo à Península de Yucatan,
por volta de 65 milhões de anos atrás. Segundo pesquisas recentes, esse
meteorito teria um diâmetro de cerca de 10 km. A cratera formada teria entre 200
a 250 quilômetros de diâmetro, e é denominada Cratera de Chicxulub. O choque
teria levantado uma enorme quantidade de poeira, que teria bloqueado os raios
solares e levado ao resfriamento drástico da superfície terrestre por vários meses.
Isso teria provocado a morte das plantas e dos animais que delas se
alimentavam. A energia estimada para esse impacto corresponde a cinco bilhões
de bombas nucleares como a que foi lançada em Hiroshima (RODRIGUES,
2003).
63

UNIDADE 7 – O UNIVERSO E AS GALAXIAS

Pensar no universo realmente nos causa um certo espanto, afinal de


contas exige imaginar distâncias que parecem inimagináveis frente ao tamanho
das coisas com que estamos acostumados em nossa vida diária.

Vamos falar rapidamente em escalas, em potências? Sabemos o que


significa 10 metros não é mesmo? Também temos noção do que são 10 5 m, ou
seja, são 100 km, uma cidade grande. A Terra tem um diâmetro de
aproximadamente 12.700 km, isto é, 107 m.

1015m = 1 trilhão de quilômetros e.....1026 m = é o tamanho do nosso


Universo porque ele se formou há 12 bilhões de anos atrás, no Big Bang, e 12
bilhões de anos-luz correspondem a, aproximadamente, 1026m.

Inimaginável, sim! Alucinante até, mas vejam que interessante, que


instigante: temos tudo isso ainda para desvendar! Não é maravilhoso?!

O universo é formado por galáxias e estas são formadas de estrelas,


milhões ou bilhões delas. Existem várias classificações para cada uma
dependendo de sua forma, como por exemplo, galáxias irregulares, elípticas,
espirais, como é o caso da Via Láctea, Andrômeda, entre outras. As galáxias
espirais também podem possuir um formato característico que é denominado de
espiral barrada.

De maneira geral, as galáxias são aglomerados de estrelas planetas, gás,


poeira, matéria escura ligadas pela força da gravidade.

Vamos parar na Via Láctea – que de todas as galáxias, ainda é a mais


importante para nós. A Via Láctea é a galáxia onde está localizado o Sistema
Solar da Terra. É uma estrutura constituída por cerca de duzentos bilhões de
estrelas (algumas estimativas colocam esse número no dobro, em torno de
quatrocentos bilhões) e tem uma massa de cerca de 1 trilhão e 750 bilhões de
massas solares. Sua idade está calculada entre 13 bilhões e 800 milhões de
anos, embora alguns autores afirmem estar na faixa de quatorze bilhões de anos.
Daqui da Terra, portanto do interior da galáxia, a Via Láctea é vista, em noites
64

límpidas, como uma extensa faixa esbranquiçada que atravessa o céu, daí o seu
nome, que quer dizer “caminho de leite” (XAVIER FILHO, 2014).

A ilustração acima representa mais ou menos como deve ser vista a Via
Láctea do topo (esse é um modelo de computador), em forma de espiral, como
um denso bojo central cercado por quatro braços que espiralam para fora.

Guarde...
Desde os primórdios da humanidade vimos a preocupação do ser
humano em entender o universo.

Contemplar/observar o céu foi com certeza o primeiro de vários passos


tímidos e curtos para poder desvendar alguns dos seus mistérios.

A história também é clara para nos fazer entender que a Astronomia


figura como uma das ciências mais desenvolvidas e de maior importância para
nós, afinal de contas, as marés, as fases da lua, o tempo e outros fenômenos
regulavam as colheitas que significada chances de sobrevivermos.

Amaral (2008) aponta dois objetivos importantes para o ensino de


Astronomia no ensino fundamental e médio. O primeiro refere-se ao fascínio que
os fenômenos celestes despertam em crianças, jovens e adultos. Antes mesmo
de entrar no ensino regular, muitos fenômenos chegam ao conhecimento destes
indivíduos por meio da televisão, revistas e jornais. Entretanto, os alunos,
comumente, não conseguem relacioná-los com o conteúdo ministrado em sala de
65

aula. Um ponto importante é que a Astronomia como parte integrante da ciência,


não é estagnada, e passa por revisões e avanços que devem fazer parte da
formação desses alunos. Por conseguinte, o segundo ponto é a contribuição do
ensino de ciências na forma de compreensão do mundo natural, solução de
problemas, realização de investigações, desenvolvimento de projetos e
construção do pensamento crítico do indivíduo.

Sugerimos o uso sempre criativo de modelos, de projetos, de oficinas,


pois elas chamam a atenção dos alunos e a possibilidade de relacionar teoria com
prática, é o mote para esses jovens que já trazem consigo uma enorme bagagem
oferecida pelas tecnologias de informação. Precisam sim de direcionamento e de
estimulação para que transformem essas informações em novos questionamentos
e, posteriormente, novos conhecimentos que irão fazê-los avançar.

Felizmente temos a curiosidade, a inteligência, aspirações! São


qualidades nossas que nos movem, que nos fazem buscar soluções para os
problemas que nós mesmos vimos criando ao longo da existência. E a
Astronomia é uma das ciências que utilizamos para tanto.
66

REFERÊNCIAS

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