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PERIODONTIA

Prof. Dr. Danilo Ciotti


PERIODONTIA
Ciência que estuda os tecidos que circundam e
suportam o elemento dental, e seus substitutos.

Glossary of Periodontal Terms, 1992

OBJETIVOS DO TRATAMENTO PERIODONTAL


manutenção da saúde, função e estética

regeneração e reconstrução tecidual

substituição de dentes e colocação de implantes

Greenwell , 2001
EXAME CLÍNICO

DIAGNÓSTICO

PLANEJAMENTO

PROGNÓSTICO
ENDODONTIA PERIODONTIA CIRURGIA

PLANEJAMENTO
IMPLANTODONTIA DENTÍSTICA

PRÓTESE ORTODONTIA OCLUSÃO


PERIODONTO
Peri= ao redor - Odonto= dente

★GENGIVA

★LIGAMENTO PERIODONTAL

★CEMENTO

★OSSO ALVEOLAR PROPRIAMENTE DITO


FUNÇÃO DO PERIODONTO
INSERIR O DENTE NO OSSO ALVEOLAR PROPRIAMENTE DITO E MANTER A
INTEGRIDADE DA SUPERFÍCIE MASTIGATÓRIA

TAMBÉM CHAMADO DE
APARELHO DE SUSTENTAÇÃO
TECIDO DE SUPORTE DENTAL
ANATOMIA/HISTOLOGIA
Mucosa Oral
Contínua com a pele dos lábios e a mucosa do palato e da faringe

Mucosa Mastigatória Gengiva


Revestimento Palato Duro

Mucosa Especializada Dorso da Língua

Mucosa de Revestimento Restante da mucosa


GENGIVA
Parte da mucosa mastigatória que cobre o processo alveolar e circunda a porção cervical dos dentes
Formada por uma camada epitelial e uma camada abaixo chamada de conjuntivo

Limite coronário - margem gengival livre

Limite apical - linha (junção) mucogengival

LINDHE, 2005
GENGIVA
Podemos dividir em 3 partes

Gengiva Livre
Gengiva Interdental
Gengiva Inserida

Gengiva Livre - Cor rósea - Superfície opaca - Consistência firme


Se extende da margem gengival até a ranhura gengival, aonde se inicia a gengiva inserida, que é a área da junção cemento-esmalte

A margem da Gengiva Livre é arredondada - forma pequena invaginação ou sulco entre dente e gengiva - sulco gengival
Bolsa gengival/Crevículo Gengival

1,5 a 2mm

A margem da gengiva livre se encontra 1,5 a 2mm distante da JCE


GENGIVA
Gengiva (papila) Interdental

Determinada pelo contato entre os dentes


Região anterior: forma piramidal - ponto de contato

Região posterior: forma plana - superfície de contato

Na região posterior temos uma cavidade (área de col)

2 porções:
Vestibular
Lingual/Palatina

Epitélio não queratinizado LINDHE, 2005


GENGIVA
Gengiva inserida - Limitada pela ranhura gengival livre e pela junção muco-gengival

Cor rósea - pontilhado de casca de laranja (stippling) - Textura firme - firmemente inserida no osso alveolar e cemento radicular
GENGIVA
EPITÉLIO GENGIVAL – Anatomia microscópica

Epitélio oral - voltado para a cavidade oral

Epitélio do sulco - voltado para o dente - sem adesão

Epitélio juncional - promove o contato da gengiva com o dente

(hemidesmossomos)
LL - lâmina lúcida (2)

LD - lâmina densa (1)

AF - Fibras de ancoragem

HD - hemidesmossomo

E - esmalte
Epitélio Oral s/ tecido conjuntivo Tecido conjuntivo s/ epitélio
GENGIVA Epitélio Queratinizado - Estratificado

1 - Camada Basal - produz as células - camada progenitora


2 - Camada Espinhosa
3 - Camada Granulosa
4 - Camada Córnea - demora 1 mês para a célula atingir essa camada
GENGIVA Tipos Celulares Epitélio

Queratinócitos - 90% - produzem queratina

Melanócitos - produzem melanina

Células de Langerhans - mecanismo de defesa contra penetração de antígenos no


epitélio

Células de Merkel - função sensorial

Células Inflamatórias
GENGIVA
TECIDO CONJUNTIVO – Anatomia microscópica

FIBRAS COLÁGENAS - 60%

FIBROBLASTOS - 5%

VASOS E NERVOS - 35%

MATRIZ

MATRIZ - produzida pelos fibroblastos, alguns constituintes provem dos mastócitos e outros do sangue

Constituída por proteoglicanos (glicosaminoglicanos) e glicoproteínas (fibronectina/ostenectina/polissacarídeos)


GENGIVA
Fibroblastos - 65% das células
Produzem vários tipos de fibras
Sintetizam a matriz do tecido conjuntivo

Mastócitos

Ajuda a produzir a matriz do tecido conjuntivo

Produz substâncias vasoativas

Contém diversas vesículas: enzimas proteolíticas, histamina e heparina


GENGIVA
Macrófagos
Fagocitose
Aumenta seu número em tecidos inflamados
São derivados dos Monócitos do sangue - migram

Células inflamatórias
Neutrófilos (leucócito polimorfonuclear) - grande número de lisossomos
Linfócitos
Células plasmáticas
GENGIVA FIBRAS DO TECIDO CONJUNTIVO

Fibras colágenas - mais comuns e mais importante do tecido conjuntivo

Unidade é o colágeno - molécula de tropocolágeno

Tropocolágeno é formado por: glicina, prolina e hidroxiprolina

Sintetizado dentro do fibroblasto e secretado para o espaço


extracelular
A polimerização é extracelular - vai formar as fibras

Protofibrilas - fibrilas de colágeno - fibras de colágeno

Fibras reticulares Fibras oxitalânicas Fibras elásticas


Ao lado do epitélio Função desconhecida Associada aos vasos
Ao lado de vasos
GENGIVA FIBRAS DO TECIDO CONJUNTIVO

Muitas fibras não tem orientação específica

Orientação aleatória

Maioria tem orientação específica

Fibras circulares
Fibras dentogengivais
Fibras dentoperiosteais
Fibras trans-septais
GENGIVA FIBRAS DO TECIDO CONJUNTIVO

Fibras circulares
Circundam o dente - percorrem pela gengival livre

Fibras dentogengivais
Estão inseridas no cemento supra alveolar em direção à gengiva livre

Fibras dentoperiosteais
Assim como as dentogengivais, saem do cemento supra alveolar, só que vão em
direção à gengiva inserida
A ranhura gengival é formada pela direção das 2 fibras acima

Fibras trans-septais
Vão de um dente próximo ao outro - cemento a cemento
LIGAMENTO PERIODONTAL
Tecido conjuntivo frouxo com feixes de fibras colágenas

Ricamente vascularizado e celular

Circunda as raízes dos dentes

Une o cemento ao osso alveolar propriamente dito

Largura - 0,25mm (0,2 - 0,4mm)

Responsável pela dinâmica do Periodonto - dente recebe força e transfere ao osso alveolar
propriamente dito

Fibras Crista Alveolar/Fibras Horizontais/Fibras Oblíquas/Fibras Apicais


LINDHE, 2005
LIGAMENTO PERIODONTAL
Fibras de Sharpey
Fibras Oxitalânicas
As células são:
fibroblastos
osteoblastos
cementoblastos
osteoclastos
células epiteliais
(restos epiteliais de Malassez - bainha de Hertwig)
fibras nervosas

LINDHE, 2005
CEMENTO
Tecido mineralizado especializado

Recobre as superfícies radiculares - pequenas porções coroa

Não irrigado e não inervado

Não sofre remodelação fisiológica

Deposição contínua ao longo da vida

Contém fibrilas colágenas embebidas em matriz orgânica

Parte mineral é a hidroxiapatita - 65% em peso

LINDHE, 2005
CEMENTO Funções

Inserção das fibras de ligamento periodontal à raiz


Contribui para o reparo após dano superfície radicular
Ajusta a posição do dente aos novos desafios

Diferentes formas do Cemento

Cemento acelular afibrilar - porção cervical


Cemento acelular de fibras extrínsecas - coronal e terço médio - inserção dente/osso
Cemento celular misto - terço apical - fibras intrínsecas e extrínsecas - cementócitos
Cemento celular de fibras intrínsecas - lacunas de reabsorção - fibras intrínsecas e
cementócitos
CEMENTO
OSSO ALVEOLAR PROPRIAMENTE DITO
PROCESSO ALVEOLAR: Partes da maxila e
mandíbula que formam e dão suporte aos alvéolos
dos dentes

CONSTITUÍDO:
Osso alveolar propriamente dito (BUNDLE BONE)
Osso compacto
Osso esponjoso

Circunda os dentes até o nível aproximado de 1 a


2mm apicalmente a JCE

Presença de Fenestrações e Deiscências

LINDHE, 2005
Camada externa - osso compacto/cortical

Cavidade medular - osso esponjoso/trabecular/medular

Osso compacto/esponjoso
Composto por camadas ou lamelas
Grande quantidade de matriz óssea calcificada e fibras colágenas molecularmente orientadas

3 tipos de lamelas
Circunferenciais - envolvem o osso adulto
Concêntricas - massa do osso - Ósteon (formato cilíndrico)
Intersticiais - várias formas e estão entre as concêntricas 39
unidade metabólica do osso

Ósteon Ósteon
formato cilíndrico - paralelo ao longo eixo do osso
Canal de Havers - contém um vaso sanguíneo dentro
Canal de Volkmann - conecta Canal de Havers

Envelope Esqueletal
Vasos sanguíneos e céls precursoras de osteoblastos

Periósteo
Reveste o osso externamente e tem 2 camadas
Camada interna - intimamente ao osso - rica em células indiferenciadas e vasos
Camada externa - fibrosa

Endósteo
Recobre superfície interna dos ossos e separa medula óssea 40
41
Células Ósseas
Osteoblastos
Sintetizam colágeno e tecido osteóide
Resposáveis pela mineralização
Derivam das células mesenquimais
Na superfície externa da membrana celular - fosfatase alcalina - enzima responsável pela mineralização
Secretam BMPs - TGFβ - IGF - PDGF
Hormônios - paratormônios, calcitonina, estrogênio, glicocorticóides e Vit D - regulam reabsorção e
deposição óssea

Osteócitos
Após secreção da matriz mineral pelos osteoblastos - aprisionamento de alguns - osteócitos
Responsáveis pela vitalidade óssea

Osteoclastos
Célula multinucleada - apresentam fosfatase ácida em suas vesículas citoplasmáticas
42
Acoplados à superfície óssea - lacunas de Howship
43
o OAPD é LP dependente
1 SEMANA 2 SEMANAS 4 SEMANAS 8 SEMANAS

i. REABSORÇÃO DO OAPD
ii. REABSORÇÃO DA SUPERFÍCIE EXTERNA DO OSSO
iii. MAIOR REABSORÇÃO DO OSSO VESTIBULAR

DIMENSIONAL RIDGE ALTERATIONS FOLLOWING TOOTH EXTRACTION: AN


EXPERIMENTAL STUDY IN THE DOG ARAUJO & LINDHE J CLIN PERIODONTOL, 2005
VASCULARIZAÇÃO
margem gengival
epitélio sulcular

esmalte

epitélio juncional
dentina
epitélio oral
Tecido conjuntivo
junção
cemento-esmalte
inserção conjuntiva
Ligamento periodontal
Crista óssea
alveolar
Bosshardt & Lang, 2005
MICROBIOLOGIA
BASE RACIONAL PARA O TRATAMENTO
DA DOENÇA PERIODONTAL

“A mais importante medida no tratamento das inflamações das gengivas é a

remoção dos depósitos sobre a superfície dos dentes e, então, despertar na

mente do paciente a determinação de mantê-los limpos no futuro”

Black, 1886
MICROBIOTA
BOCA - quente e úmida

Local perfeito para desenvolvimento - vírus, bactérias, micoplasmas, protozoários,


fungos

BIOFILME
Colônia de microorganismos que habitam a mucosa e superfície dental ou outra
superfície bucal, formando uma estrutura tridimensional e estruturalmente organizada,
composta por diversas espécies de microorganismos

Placa Dental
BIOFILME DENTAL

Consórcio/comunidade de microorganismos dentro de uma matriz extracelular


MICROBIOTA

BIOFILME

A descamação em todos as partes do organismo mantém o Biofilme em controle, com


baixa quantidade de microorganismos

BOCA
Contém estruturas que não se descamam - dentes/implantes/próteses - que mudam o
perfil da colonização e da resposta do organismo

Única solução para esse problema

Escovação
MICROBIOTA
Consumo de açucar - pH baixa e efeito tampão aumenta
A maioria das bactérias vivem em pH neutro e suportam pequeno período em pH
baixo

Consumo frequente ou grande quantidade

Efeito tampão não faz ação ideal - diminui pH por longo tempo

Morte de bactérias que não suportam pH baixo e dão “espaço" para bactérias
resistentes ao pH baixo
BASE RACIONAL PARA O TRATAMENTO
DA DOENÇA PERIODONTAL

“A mais importante medida no tratamento das inflamações das gengivas é a

remoção dos depósitos sobre a superfície dos dentes e, então, despertar na

mente do paciente a determinação de mantê-los limpos no futuro”

Black, 1886
GENGIVITE EXPERIMENTAL EM HUMANOS- Löe, 1965

Biofilme Dental
! etiologia
! reversibilidade

Base racional da terapêutica periodontal

IPl IG
sem higiene higiene 2
2 sem higiene higiene

1 1

0 0
5 10 - 20 5 10 dias 5 10 - 20 5 10 dias
BIOFILME DENTAL

+ de 400 microorganismos identificados


“infecção bacteriana mista”
Maynard, 1985
1 mm3=108 microorganismos
Teoria da placa não específica
Löe, 1965
Teoria da placa específica
Loesch, 1976

Doença sítio/hospedeiro dependente


Teoria da Placa Inespecífica (Löe 1965)

“Bactérias da placa dental que se acumulam ao redor dos dentes e que estão relacionadas
com o desenvolvimento da DP, são uma massa relativamente homogênea que causam a
doença periodontal quando se acumulam em uma quantidade muito grande
sobrepondo-se à resposta do hospedeiro.”
Teoria da Placa Específica (Loesche 1976)

“Placa dental isolada de uma lesão de periodontite é qualitativamente


diferente de uma placa dental isolada de um sítio sadio.”
Teoria da Placa Específica (Loesche 1976)
Presença de grande número de bactérias nas DP, em comparação com a
pequena quantidade de bactérias em sítios sadios

Eliminação ou redução dos microorganismos resultam em melhora clínica

Reposta imune do hospedeiro encontrada na saliva, soro, fluido gengival

Produção dos fatores de virulência pelas bactérias, correlacionado com a


aparência clínica

Modelos animais apropriados


Microbiologia da Doença Periodontal
Microbiologia Básica

Tipos de bactérias, segundo a coloração de Gram

Gram+⇒ cocos, com exceção da Veillonella e Neisseria


Apresentam parede bacteriana (peptidoglicano).

Gram-⇒ bacilos, com exceção Lactobacillus e Actinomyces sp


Apresentam parede celular (lipoproteína), que é mais fraca.

Nisengard RJ & Newman MG in: Microbiologia Oral e Imunologia, 1997 2ªed.


Guanabara Koogan
Microbiologia da Doença Periodontal

Gram+ Gram-
Microbiologia da Doença Periodontal
Microbiologia Básica

Gram+ Gram-
Microbiologia da Doença Periodontal
Microbiologia Básica

Características

Formato bacteriano: cocos, bacilos e espirilos

Composição das células bacterianas

Mobilidade: Flagelos
Adesão: Pili, fímbrias e adesinas
Transferência de material genético: Pili e fímbrias

Nisengard RJ & Newman MG in: Microbiologia Oral e Imunologia, 1997 2ªed.


Guanabara Koogan
Microbiologia da Doença Periodontal
Microbiologia Básica

Características

Parede celular: Gram+ e Gram-

Gram-: formada pelo Lipopolissacarídeo (LPS)


proteção celular contra anticorpos e complemento
receptor para bacteriófagos
principal molécula endotóxica

Nisengard RJ & Newman MG in: Microbiologia Oral e Imunologia, 1997 2ªed.


Guanabara Koogan
Microbiologia da Doença Periodontal
Microbiologia Básica

Interação Hospedeiro x Microbiota

Microbiota: adesão através de: fímbrias, fibrilas,


polissacárides, pili IV e glicocálice

Biofilme: dente (receptor não renovável)


saliva (ambiente úmido)

Interação microbiana:
Corn cob- espiga de milho
Bristle brush- escova de cerdas
Rosete- rosa
Microbiologia da Doença Periodontal

Microbiologia Básica
Interação Hospedeiro x Microbiota

Page RC. J Periodontol Annals V3: 108-120. Kinane 2001. Periodontol 2000
Microbiologia da Doença Periodontal

Interação Hospedeiro x Microbiota

Formação do biofilme
• 1ª espécies: Actinomyces sp, Streptococcus sp
adesão por adesinas
utilizam O2
restos: lactato e formiato

• 2ª espécies: P gingivalis, P intermedia, Capnocytophaga ssp


adesão por coagregação
utilizam peptídeos como fonte de alimento

Sucessão Bacteriana
Microbiologia da Doença Periodontal

Interação Hospedeiro x Microbiota

Barreiras à serem vencidas


Defesa do hospedeiro não específica

Detruição mecânica
Fluxo salivar
Fluido gengival

Subgengival
descamação celular
anticorpos
neutrófilos
linfócitos
Kinane 2001. Periodontol 2000
Microbiologia da Doença Periodontal

Biofilme dental
➢ É uma comunidade de mos envolvidos em uma matriz de PEC
(polissacáride extracelular);
➢ São persistentes e difíceis de eliminar;
➢ Fonte contínua de LPS e pode ganhar acesso ao tecido conjuntivo
e circulação;
➢ Meio para se remover biofilme ➔ raspagem;
➢ Não há meio químico capaz de removê-lo.

Tipos de biofilme:

▪ Séssil: fixo, aderido e imobilizado


▪ Planctônico: livre, flutuante e nadante
Microbiologia da Doença Periodontal

Representação do Biofilme

Page RC. J Periodontol Annals v3: 108-120.


Formação do Biofilme
4 etapas

Película adquirida

Colonização Seletiva

Consolidação

Desenvolvimento
Película adquirida; Colonização Seletiva; Consolidação; Desenvolvimento

Adsorção superfície dental por moléculas hidrofóbicas

Protéinas/Fosfoproteínas/Glicoproteínas salivares

Alteração carga superfície

+
+ -
+
+
+ -

Gibbons e Hay, 1992


Película adquirida; Colonização Seletiva; Consolidação; Desenvolvimento

Inicialmente as ligações dos mos com as proteínas são fracas - Forças de Van der Waals

Mo. Grupo mitis/Oralis e bastonetes

Adesão específica

Fímbrias e Fibrilas

+
+ - Após a adesão desses Mos, algumas moléculas
+ ajudam na adesão de outras bactérias, tornando
+ -
+ a adesão mais forte e permanente.

Gibbons e Hay, 1992


Película adquirida; Colonização Seletiva; Consolidação; Desenvolvimento

Multiplicação celular/Adesão novas bactérias

Síntese PEC- Proteínas Extracelulares/Consumo de oxigênio

Insolúvel

+
+ -
+
+
+ -

Gibbons e Hay, 1992


Película adquirida; Colonização Seletiva; Consolidação; Desenvolvimento

! Interação microbiana / troca de nutrientes

! Catabólitos/Metabólitos

! “Biofilme Ecológico”- Equilíbrio

Proteção do Biofilme pelo PEC (matriz)

" Aeróbio / Facultativo / Anaeróbio

" Cocos / Bacilos / Demais microorg.

" Gram positivo / Gram negativo


Gibbons e Hay, 1992
S. Mitis
PATÓGENOS C. Gracilis SAÚDE
S. sanguis
PERIODONTAIS DE C. Rectus
S. Oralis
SEGUNDO NÍVEL
P. Micros S. Gordonii
F. Nucleatumpolymorphum S. intermedius
S. Constellatus E. Corrodens
P. Intermedia c. Gingivalis
C. Suputigena
F. Nucleatun vicentii C. Ochracea
F. Peridonticum C. Cconcisus

E. Nodatum
P. Nigrescens
P. gingivalis PATOGÊNICO
F. Nucleatum nucleatum
SUBGENGIVAL
C. showae B. Forshythus
T. denticola
A. Actimomycetemomitans Socransky, 1998
Socransky SS & Haffajee AD, 2002. Periodontol 2000.
Microbiologia Básica
Espécies mais comuns

Porphyromonas gingivalis

Actinobacillus actinomycetemcomitans

Treponema denticola

Bacteroides forsythus

Prevotella intermedia

Amostra de placa 300 a 400 espécies


10 a 20 espécies responsáveis pelas DP

Kinane 2001. Periodontol 2000.


Relação doença-microorganismos

Porphyromonas gingivalis: Periodontite severa


Lesões destrutivas
Presente em sítios recorrentes
Reduzido número em sítios com tratamento OK
Bragd et al. J Clin Periodontol 1987; 14: 95-99.
Haffajee et al. J Clin Periodontol 1988; 15: 255-262.
Prevotella intermedia: ↑ em certas formas de DP Van Winkelhoff et al. J Clin Periodontol 1988; 15: 116-122.
Presente ou não em sítios recorrentes
Tanner et al. J Clin Periodontol 1979; 6: 278-307.
Haffajee et al. J Clin Periodontol 1988; 15: 390-398.
Dzink et al. J Periodontol Res 1983; 18: 369-374.

Bacteroides forsythus: Presente em sítios saudáveis, gengivite e DP destrutiva


Comum em doença ativa Lai et al. Oral Microbiol Immunol 1987; 2: 152-157.
Dzink et al. J Clin Periodontol 1988; 15: 316-323.

Actinomices actinomicetemcomitans: Periodontite agressiva


Zambon et al. J Periodontol 1983; 54: 707-711.

Treponema denticola: 30% flora

Pg e Bf - associados com aumento do risco de perda de inserção


Grossi et al. J Periodontol 1995; 66: 23-29.
Actinomyces actinomycetemcomitans

adesina
citotoxina
epiteliotoxina
endotoxina
invasina
leucotoxina
fatores imunossupressores
fator de inibição de quimiotaxia
bactericina
Relação doença-microorganismos

Saúde Gengival

Coloração rosa-coral, textura firme, sem sangramento à sondagem, contorno dental.

Principais espécies:
Cocos gram+ (2/3 flora)
Filamentosos, espiroquetas e bacilos em pouca quantidade
Steptococcus e Actinomyces

Socransky SS, Haffajee AD. J Periododntol 1992; 63: 322.


Proceedings 1989; I; 23.
Relação doença-microorganismos

Gengivite

Edema, sangramento à sondagem, cor vermelha e perda do contorno gengival

Principais espécies:
Bacilos e filamentosos G-
Proporção equilibrada entre G+ e G-
Steptococcus e Actinomyces (G+)
F nucleatum, P intermedia, V parvula, Campylobacter (G-)

Sinais vem do aumento do número de microorganismos

Gengivite pode progredir para Periodontite


Brown LJ, Loe H 1993. Periodontol 2000; 2: 57.
Theilade E. J Periodntol Res 1966; 1:1.
Loe et al. J Periodontol 1965; 36: 177.
Loe H 1993. Periodontol 2000; 2: 7.
Relação doença-microorganismos

Periodontite Crônica

Perda de inserção, acúmulo de placa e sem alterações sistêmicas

Principais espécies:
90% anaeróbios
75% G-
Espiroquetas
P gingivalis, Bacteroides forsythus, P intermedia, C rectus, Aa,
Treponema denticola, F nucleatum

Slots J. Scand J Dent Res 1977; 85: 114.


Wennstrom JL et al. Oral Microbiol Immunol 1987; 2: 158.
Slots J. J Clin Periodontol 1979; 6: 351.
Dzink Jl et al. J Clin Periodontol 1988; 15: 316.
Relação doença-microorganismos

Periodontite Agressiva

Perda de inserção rápida e severa, acúmulo de placa moderado e normalmente


alteração sistêmica (função leucocitária)

Principais espécies:
anaeróbios G-
Espiroquetas
P gingivalis, Bacteroides forsythus, P intermedia, C rectus, Aa,
Treponema denticola, F nucleatum

Slots J Rosling BG.J Clin Periodontol 1983; 10: 465.


Dzink Jl et al. J Clin Periodontol 1988; 15: 316.
Loeche WJ. J Periodontol 1985; 56: 447.
Relação doença-microorganismos

Periodontite e Gengivite necrosante

Inversão de papilas, dor, odor, pseudomembrana, sangramento


Stress e Fumo

P intermedia e espiroquetas

Newmam MG.J Periodontol 1979; 50: 350.


Listgarten MA. J Periodontol 1965; 36: 328.
Ação dos microorganismos do Biofilme

Ação indireta:
reação inflamatória

reação imunológica

Consequências: destruição tecidual


reabsorção óssea
cronicidade
progressão em surtos e quiescência?
Ação dos microorganismos do biofilme

Ação direta
❖ aderência
❖ invasão = invasão de tecidos/destruição
❖ subprodutos do metabolismo: ácidos, H2S,, metil-mercaptana,indol
escatol, NH4, cadaverina, agmatina
putrescina, tiramina

❖ LiPopoliSsacaríde (LPS)

Consequências: reação inflamatória


quimiotaxia de PMN
perda de integridade tecidual
Lipopolissacarídeo (LPS)
Os LPS são liberados quando os microorganismos são lisados. A porção
tóxica do LPS é a região III (lípide A)

Termorresistente- 140 a 143 ºC


Formado por 2 porções: dissacáride e ácido graxo
É a parede celular das bactérias
Alta afinidade com matéria orgânica
Única substância capaz de inativar o Lípide A
é o hidróxido de cálcio, transformando em subprodutos
tais como ácidos graxos e aminoaçucar
Efeitos da Endotoxina LPS

Liberação de
Inflamação Histamina dos
mastócitos

Atividade
Adjuvante Quimiotática
imunológico Endotoxina P/ PNM e
LPS monócitos

Aumento da Inibição do
Reabsorção Crescimento
óssea ósseo
Diapedese de leucócitos (quimiotaxia)

Page RC. J Periodontol Annals v3: 108-120.


Atuação da Endotoxina sobre Mastócitos

Inibição do Afastamento
Crescimento de cels
ósseo epiteliais

Edema inicial
Aumento da Reação
Reabsorção Conteúdo dos inflamatória
óssea mastócitos

Degradação Inibição da
de colágeno coagulação
Efeitos da ativação do Complemento

Destruição Vasodilatação
tecidual e aumento da
permeabilidade

Lise de cels Quimiotaxia


Ativação do
sensibilizadas Para PMN
complemento

Opsonização Degranulação
para de mastócitos
fagocitose
Efeito do LPS sobre a membrana celular

LPS Membrana Celular

Liberação de
Ácido Aracdônico

Ciclooxigenase
Lipooxigenase

HPETE Endoperoxidase

Prostaciclina Tromboxano
Leucotrienos (inflamação) HETE
Prostaglandina (dor)
ESTÁGIOS DE
DESENVOLVIMENTO
! Gengiva normal

! Lesão inicial / Lesão precoce - “gengivite aguda”

! Lesão estabelecida - “gengivite crônica”

! Lesão avançada - “periodontite”

Page & Schoeder,1976


GENGIVA NORMAL
! placa G+, aeróbias

! EJ sem proliferação das cristas epiteliais

! presença de poucos PMNs

! exsudato mínimo

! tecido conjuntivo normal

! ausência de perda óssea

Page & Schoeder, 1976


LESÃO INICIAL E PRECOCE
! 2-4 dias → lesão inicial
! 4-14 dias → lesão precoce
! placa G+, aeróbias
! proliferação inicial lateral do EJ
! abertura de capilares
! migração de PMNs
! exsudato levemente alterado, saída de proteínas
! acúmulo de linfócitos
! início de perda colágena
! ausência de perda óssea

Page & Schoeder, 1976


LESÃO ESTABELECIDA
! 7-21 dias → podendo persistir por anos
! placa G+ e G-
! ↑ proliferação lateral do EJ
! pseudo-bolsas
! predominância de plasmócitos (10 a 30%)
! aumento do exsudato
! ↑ destruição de fibroblastos e colágeno
! ausência de perda óssea

Page & Schoeder, 1976


LESÃO AVANÇADA

! placa G+ e G-
! ↑ proliferação lateral do EJ
! proliferação apical do EJ
! bolsa verdadeira
! predominância de plasmócitos (> 50%)
! aumento do exsudato
! ↑ destruição de fibroblastos e colágeno
! perda óssea

Page & Schoeder, 1976


BIOFILME RESPOSTA IMUNO-
BACTERIANO INFLAMATÓRIA

FATORES AMBIENTAIS FATORES GENÉTICOS

FATORES SISTÊMICOS

Page & Korman, 1997

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