Você está na página 1de 3

MÓDULO INCIDÊNCIA E CRÉDITO TRIBUTÁRIO

SEMINÁRIO I – ISENÇÕES TRIBUTÁRIAS E REGRA MATRIZ DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA

Questões

1.

3. Sim. A expressão “crédito tributário” tem o mesmo conteúdo de significação


para a isenção e para a anistia.
Isso porque, em primeiro lugar, a anistia é hipótese de exclusão do crédito
tributário. Contudo, em verdade, a exclusão é tão somente da multa, ou seja, o
crédito permanece.
Já a isenção exclui a exigibilidade do crédito, continuando a existir o tributo.
Dessa forma, temos que, em que pese as duas hipóteses tratarem de normas
excludentes do crédito, nos dois casos, o tributo continua a existir, existindo
também o fato gerador que foi alcançado pela hipótese de incidência, gerando,
consequentemente, a obrigação tributária.

4. Não necessariamente. No que diz respeito à classificação dos preceitos


isentivos, existem quatro classes de isenções, onde aquelas outorgadas
incondicionalmente podem ter tempo de duração predeterminado ou não. Da
mesma forma para àquelas outorgadas de forma condicional.
Os critérios utilizados para a efetivação da isenção condicionada (seja ela com
prazo certo ou indeterminado) dizem respeito à necessidade da produção de
um instrumento normativo, nesse caso, um despacho emitido por autoridade
administrativa (art. 179 do CTN), não bastando que o sujeito implemente as
condições descritas na norma de isenção. A autoridade competente precisa
proceder com o registro devido, sendo que tal ato deverá ser vinculado, ou
seja, verificado-se o adimplemento dos requisitos à isenção, a autoridade
MÓDULO INCIDÊNCIA E CRÉDITO TRIBUTÁRIO

automaticamente deverá proceder com a emissão do ato. Importante destacar


que, tratando-se de isenção com prazo certo, o despacho será renovado antes
da expiração de cada período.
Já na isenção incondicionada, sendo ela, da mesma forma, de prazo certo ou
indeterminado, a efetivação da isenção dependerá tão somente da
especificidade do texto legal.
A revogação da isenção apenas reestabelece a sua eficácia, visto que a norma
de incidência não chegou a sair do sistema, não sendo necessária a publicação
de nova regra tributária no ordenamento.
Nesse sentido, o princípio da anterioridade deverá ser respeitado,
considerando-se que, segundo a construção jurisprudencial a revogação é
entendida como nova cobrança de tributo, sendo necessário aguardar o
próximo exercício, bem como a anterioridade nonagesimal.
O despacho não gera direito adquirido (art. 155 CTN)

5. Sim. Existe distinção entre a alíquota zero e a isenção, na medida em que, na


primeira hipótese, a operação é gravada pelo imposto, estando, inclusive,
presentes os elementos do antecedente da regra-matriz de incidência,
contudo, em razão da alíquota zero aplicada, não existe tributo a pagar, sendo,
consequentemente, o dever tributário inexistente. Já no que se refere à
isenção, a norma incide sobre o fato gerador, há o nascimento da obrigação
tributária, contudo, com a posterior dispensa do pagamento (extinção do
crédito tributário) pela atuação secundária da norma isencional.
Os insumos isentos, não tributados e tributados à alíquota 0%, adquiridos no
processo de industrialização, conferem direito ao crédito tributário, em razão
de restar cumprido o requisito exigido pela Suprema Corte para a aplicação da
não-cumulatividade, qual seja, a existência de duas operações com incidência
do IPI em sequência, sendo irrelevante o fato de a operação subsequente ser
isenta ou sujeita à alíquota zero. Dessa forma, tem-se que a Lei 9.779/99
apenas destacou um direito preexistente dos contribuintes.
Apesar de não acolhido pela maioria dos recentes posicionamentos quanto ao
tema, o critério que deveria ser utilizado para determinar o crédito presumido
de IPI deveria ser, tão somente, a Constituição Federal/88, que, tendo sido
expressa ao determinar apenas ao ICMS o estorno dos créditos em referência,
não fez qualquer objeção ao creditamento do IPI, tendo o contribuinte o direito
à manutenção de seus créditos neste aspecto.

6. A) Não existe isenção parcial. As isenções impedem o nascimento da obrigação


tributária. A isenção parcial (nome atribuído pelo direito positivo e pela
MÓDULO INCIDÊNCIA E CRÉDITO TRIBUTÁRIO
doutrina), que se difere da isenção tributária, seria a diminuição processada no
critério quantitativo, mas que não conduz ao desaparecimento do objeto, não
se tratando de isenção, mas apenas, de redução do quantum de tributo que
deverá ser pago.
Não. A isenção ou é total ou simplesmente não existe, porque o seu
fundamento consiste em ser modo obstativo ao nascimento da obrigação,
enquanto que a redução da base de cálculo pressupõe a incidência e a
existência do dever tributário.
Dessa forma, ainda que boa parte da doutrina e, inclusive, da jurisprudência,
insistam na tese da isenção parcial, discordo da criação de tal instituto, em
razão da isenção impedir a ocorrência do fato gerador e o nascimento da
obrigação tributária, atingindo a totalidade de um tributo e não apenas a parte
deste.

7. Sim. A Constituição Federal/88 determina que as isenções de ICMS sejam


concedidas através de convênio, que pressupõe um prévio acordo conjunto
entre os estados (art. 155, parágrafo 2º, XII, “g”, CF/88).
Dessa forma, tem-se que, qualquer benefício relativo ao ICMS deverá estar
amparado em Convênio Interestadual.
A legislação Considerar a dispensa de convênio,

Revela-se inconstitucional a concessão unilateral, por parte de Estado-membro


ou do Distrito Federal, sem anterior convênio interestadual que a autorize, de
quaisquer benefícios tributários referentes ao ICMS

legislação de outro Estadomembro que também se revele impregnada do


mesmo vício de inconstitucionalidade e que, por resultar de igual transgressão
à cláusula constitucional da reserva de convênio, venha a provocar
desequilíbrios concorrenciais entre referidas unidades federadas, assim
causando gravame aos interesses do Estado-membro alegadamente
prejudicado.