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o . . . . . . . . . Q . ® . ® D ® . 5 ® ® D . D . . . . . . . D . . “Este tivo, que & uma jéia na literatura brasileira, cispensa co- mentarios. Jé 0 tinha lido e muto aprendi nele, Sera obra de cabeceira estuciasos de direito publico.” (Alfredo Buzaid) tentie os que pensam dessa maneira esté 6 Sr, Paulo Bonavides iustre jurista cearense, que, dispulando uma cadeira na universidade da sua terra, escreveu uma lese sob 0 titulo 0 ESTADO LIBERAL AO ES: TADO SOCIAL. Recorda, em paginas de sadia erudigdo, 0 que foi oes «0 liberal e quais os seus grandes doutrinadores para, em seguida, sus tentar que na maior parte dos paises ja existe o estado social inclusive 0 Brasil, O Sr. Paulo Bonavides revela, ria sua tese, conhecimento intim: com 08 grandes autores antigos e modemos, notaddamente com Kant e Hegel, aos quais decica capitulos extensos do seu livvo, O'seu trabalho 6 lido com proveito e sem fadiga.” (Plinio Barreto) “O titulo 6 de um livro de Paulo Bonavides, cult e brihante pro- fessor da Faculdade de Direito da Universidade do Ceay4, escrito com primor de linguagem, profundidade de doutrina e apurado senso critic. Para terminar,tralg-se de um lvro de renome para 0 autor, de rele para a cultura universitéria do Ceara: de. preciosa contribuicdo para as letras jurcicas do pais:" Joaquim Pimenta) Slida e brihante inonogratia, que é, sem favor, uma fore ati. mage de cultura |uridica.* (Oswaldo Trigueiro) Contribuigdo digna da sua bela erucigao @ das tradi¢bes invejd veis da cultura cearense.” (Victor Nunes Leal) sumenta bem o poder da sua inteligéncia e de sua anal lemas da vida politica.” (Pinto Ferreira) a i PAULO BONAVIDES DO’ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL FEBYVTVFVTFSCVZTVIGTIVPGVP@ITFP@PISOTITOSCOOOOOO: ae La PAULO BONAVIDES DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Bl { ) | NOTA DA EDITORA SOBRE O LIVRO E 0 AUTOR Com a 8 edigdo do livro Do Estado Liberal co Estado-Social a Malheiros Editores se associa as comemoracies que'em'2008 vao as- sinalarve solenizar o cinglientenario da publicagao desta obra, sem diivida a-primeira no Brasil e talver no ocidente ~.ndo conhecemos outra igual a tragar e definir com autonomia 0 novo modelo.de Es- tado incufcado pela Lei Fundamental de. Bonn na Alemanha,poucos anos depois da catAstrofe do Nacional Socialismo e do fim da Segun- da Guerra Mundial Tal otorreu ~ a aparigdo do sobredito modelo — durante a fase ‘mais agitada, mais aguda, mais turbulenta da controvérsia ideologi- a do século XX. Naquela ocasiao néo havia, com forga, na doutrina, uma forma de Bstado.que pudesse vir em substituigao da modalidade marxista, de feigto autoritéria, Havia tdo-somente o Estado liberal do sgeulo ‘XIX, em sua decrepitude eterna, proposto, mas repulsado, por alter- nativa aos sistemas estatais do autoritarismo totalitafio. , sesperavam-se os inconformados com a falta de outro cami- ihe qué 86 se alcangou com aquela verso de uma categoria de Esta- 4 que'sutgiu do fato constitucional, sobretudo da nova éérrétite de idéias e instituigBés due a Alemanha de’Bonn propunia redumir © consubstantiar na‘divisa do Estado Social E Exn Weimaf se proclamara ¢ abrira com os direitos'so% clo das futuras geragdes de direitos fundamentais. Em‘Béni'ée tampara a forma democratizadora de Estado que protegia, na liber- dade, esses direitos, fazendo assim de todo ininterrupta a gaminha- da té6tiea'‘pata’ se’ dleangar um grau superior de legitimidade dos ‘egimes que orgatiizam o poder na época contemporanea. De Estado Liberal ao Estado Social © Patno Bonavives & edigdo, 05.1996; 7 edigdo, 1° ‘iragem, 07.2001; 2 tiragem, 03.2004, ISBN 978-85-7420-826-8 OS CINQUENTA ANOS DESTA OBRA Dirgtos reseriados dest edigto por : “MALHEIROS EDITORES LTDA. Rua Paes de Araujo, 29 conju 171 CEP O653i-940-~ sid bade SP Tels (11) 3078-7205 Fax: (11) 3168-5495 URL: ware malheiroseditores.com.br e-mail: malheiroseditores@terra.com.br Composigao e editoracto eletrénica Virtual Laser Editoragio Eletrénica Ltda, Capa Criaglo: Vania Liicia Amato, Arte: PC Editorial Lida, Impressono Brasil. Piel nb PAULO BONAVIDES. DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL St edigio EIROS ORES x DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SCCIAL segundo, e.a que j6 por-vezes tem sucumbid®, de cair no totalitarismo, Re governo das masses.ou na corrupsso da plutocracia. Trata-se de ‘bm livro atualissimo e de maior interesse” (Casnat dt MoncAD4). “Sélida e brilhante monografia, que é, sem favor, uma forte afir~ ago de culturh furidica” (Qsvatpo Trucuein0). «0 titulo € de um livro de'Paulo Benavides, culto e brilhante professor da Faculdade de Direito da Universidade do Cearé, eserito Eom primor de linguagem, profundidade de doutrina e apurado sen Se eritico (..): Para terminar, trata-ge de urn livro dé rénome para 0 tutor, de relevo para a cultura universitéria do Ceard, de preciosa contribuigho para as letras juridicas do pais” (Jonqin Prott4). “iste livro, que & una j6id da literattira brasileira, dispensa co- mentérios, J& 0 tinha lido e'‘iuito aprendi nele, Agora, que © Sa~ aiva The assegura divulgagio nacional, serd obra de cabeceira dos estudiosdside direit®'pblicd” (Axrnepo Buzarn). “Coitribuigas digna da’ dtd bela erudicko e dds tradigdes inveja- vveis da éultura cearense” (Victor Nunes Leat). Pasgamog, em seguida, & figura do Autor. Dentre as alusdes ¢ de- poimentbs relatives ao valor, ao papel ¢ ao significado dagiilo que o Professor Paulo Bonavides, por sua produgéo juridiea e por sua ativi- dade no magistério tem representado_para o Direito no Brasil, ¢ tam bbém para a educagdo das novas geragdes que frequentaih as Universi- dades do pais, as mengdes subseqientes resumem tudo, dando 0 perfil {do publicista da obra cinqlentendria cuja reedigo comemorativa ora langamos, . “Ontem, o doutor Clovis Beviléqua, hoje a figura oracular de Paulo Bonavides, um dos maisres constitacionalistas brasileiros de todos os tempos que se singularizou por colocar o seu imenso saber teédrico no compromisso com ¢ seu tempo e com a luta do seu povo contra todas as iniqlidades” (Serdivepa Perrence, ex-Presidente do ‘Supremo Tribunal Federal). 4 “0 autor. é.um dos mais notéveis publicistas do Brasil contem- porineo, com-uma série de obras que o destacam entre os seus con-* femportneos pela cultura e significagdo-de suas teses. &, por exce- lénela, um doutrinador politico, tragando rumos para a sociedade de seu tempo (..). Professor visitante de universidades estrangeiras, qmericanas ou alemas, hé um sentido de apostolado na pregacdo I beral de Paulo Bonavides” (Bannosa Lima S08n0¥#0). 0 Professor Paulo Bonavides é considerade em Portugal como tum principe entre os eonstitucionalistas de lingua portuguese. (0S CINQUENTA ANOS DESTA OBRA xt ““A sua obra vastissima e sempre atualizada, a profundidade das reflexes que nela se encontram, o sentido de justo que nele perpas- sa fazem do Professor Paulo Bonavides um mestre conhecido, res- peitado e admirado tanto no Brasil quanto em Portugal. “Por isso, a Universidade de Lisboa concedeu-lhe, erv-ceriménia solene realizada em 22 de janeiro de 1998, o grau de doutor honoris tauisa em Direit (distingao rarissima que o pos a par de satios come Duguit e Miguel Reale) (.). Aeresce que a palavra e a escrita de Pale Bonavies que tabi fo jralea~ sf de eleadains qualidade literaria, Hum emérite ciltor da lingua” (Jonce Misano Qutededtico da Universidade de Lisboa). me “Dr. Paulo Botiavides'é o:jurista e cientista politico brasileiro contemporéreo mais conhecido na Alemanha (..). Tive hé alguns fanos o prazer de traduzir unr de seus mais itnportantes trabalhos tebricos e-publicé- ali em nossa mais conceituada, mais rigorosa ¢ mais exigente publicagdo jurfdica, a revista’ Der Stact [0 Estado’, _que normalmente'ndo publica trabalhos de cientistas estrangeiros Vives. Seu.trabalho.‘A:-Despolitizagso da:Legitimidade’ eausou na ‘Alemanha grande sensagdo (hat in DeutséRfand 2urecht grosses ‘Aufsehen erregt) e também grande admiraclo (auch grosse Wuerdi- gung gefunden) (..) Dr. Paulo é, ao meu ver, dos mais importantes cientistas de toda « América Latina (Jetet meine ich Dr. Paulo min- destens der bedeutendsten Wissenschaftlers der ganzen Lateiname- rikcas)” (Prizonicn Musiier, antigo Catedrético da Universidade de Heidelberg). “Desde que hé mais de uma déceda conheci o Professor Paulo Bonavides em Coiinbra, onde, a nosso convite, proferiu magnifices Ligbes na Faculdade de Direito de Coimbra, as nossas rotas acadé- micas, civices © pessoais t8m-se cruzado frequentemente. Seja em _coldquios, eja na apresentacio de livros, seja em reunides de conv vio, a impressao que se colhe deste homem é sempre a de um jurista eminente, um homem {ntegro e um cidadao apaixonadamente dedi- ado a-defesa das virtudes efvicas. apaizonadaments ded “Nao foi acaso que a ‘carta 4 um cidadso participative, por nés escrita, foi parar a0 posto de'edrreio'de'Fortaleza, ‘Aqui mora o prin- cipe dos constitutionalistas de Iingita‘portuguesa” (J. J. Gowes Ca- Notts, Catedrético da Universidade de Coimbra), sen BL rot Paulo Bonavides no aos uno de os mts release 1es maestros de la comunidad jurfdico-piblica y cientifico-pltt rearets Tats noe bide Gbradacente ews ees ms de eineventa viajes académicos que levo-tealizados a la préct- ca totalidad de esa drea geogréfica a la que tan préximo me siento, vat DC ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Foi com reflexes pertinentes ao contraste entre o universo so- cialista de Merx em expanséo e 0 mundo morto do liberalismo que ‘ndo se deixava sepultar que o Professor Bonavides escreveu sia mo- ‘nografia juridica inaugurando uma nova artéria da democracia nas ‘esferas do pensamento constitucional Isso ele o fez mediante a construgio tebrica, em tese de citedra, na longinqua década de 1950, do modelo que a restauragdo democré- tica de pés-guerra, eoncretizada na Alemanha, lhe inspirars. ‘As constituigdes da democracia por toda a segunda metade do -séeulo passago, até aos nossas dias, consagram e, de iltimo, se em- penham em consolidar principios de constitucionalismo social que, pelo menos, atenuam a luta de classes ¢ os antagonismos da desi- gualdade Da importéncia dessa via aberta entre nés, com a aparigéo da obra cinqdentendria, bem como da poderosa influéncia que ela exer~ cou sobre as novas geragées formadas nas academias de Direito do Brasil, oferece sélido testemunho o eminente.e culto Minisira Se- rourena Penrice, ex-Presidente do Supremo Tribunal Federal, no Prefécio & obra Direito Constitucional Contemporéneo ~ Estuios em Homenagem ao Professor Paulo Bonavides. Escreve o Ministro Penrence:* “Vem de longe ~ dos meus longinquos tempos de estudante ~ a descoberta da dimensio de Paulo Bonavides, que fiquei a dever, se nao falha a meméria, a adverténcia do querido Prof, Orlando de Car- valho sobre a exceléncia da tese submetida ao concurso, obra semi nal da juventude ~ Do Bstado Liberal ao Estado Social ainca hoje, signo da definigao dos rumos de sua obra multiféria. "A leitura inesquecivel de uma das primeiras edigies da itese constituiu, para mim e os de minha geragdo, 0 encontro alvissareiro de sélido embasamento teérico para a nossa crenga ~ quigé ingénua nos dias que correm ~ na viabilidade da superagéo do individualis- to desenfreado do Estado liberal burgués, sem perda da reafirmagio das liberdades fundamentais de primeira geragdo conquistadas para a humanidade nas duas grandes revolugées que o erigiram. ..) O intelectual Paulo Bonavides se imporia, assim, é:admi- ragdo dos juristas de seu tempo, s6 pelo peso de uma obra de rar envergadura, Sepllveds Pettence, Preficio 10 Ditcilo Consttuciong! Contonporineo ade? Sgn om, Pe ite rind Cope, pp. 1X eX 05 CINQUENTA ANOS DESTA OBRA x “Mas 0 aleance do respeito:que granjeou, sem forcejar, néo se restringe ao que mereceria por si.s6 0 pensador encastelado na refle- xo académica e na esmerada difusdo do seu saber, na cétedra e nos livros. . “Quem conhece a obrare'o magistério de Paule Bonavides! - tes- temunha a autoridade do douto Ganotilhod.- indo pode, deixar de re. conhécer, com,hurnildade, of limites, do.nosso,saber quando a nossa frente so perfila um dos mais, notdyeis cultores da: Juspublicistica em lingua portuguesa. Aos seus, trabalhos ~ I\icidas e informadgs ~ estf sempre subjacente um inegnibmnayal Imperative egtopivio ¢ ‘uma inquebrantavel implantagao,ciiada’.. sea + _ “Nele, por isso, separar 0. furtdado. culto,ao sfbio da yeneracdo dovidn ao eas malar fra valaguar& ncoaiilinge te Re mem inteitigo.”. oe Assinalando-o significado, da. ofeméride jurtdica, ora festejada, coligimos e,transcteyemos nessa sequéncia opinises e apreciagses a ivro'e sua ressonfncia, beim somo ao autor ¢ sua repu- tged0.no meio jurfdico nacional e internacional a TBéncia @ conjugagdo desges jufzos de valdt,id'de infe- Ait oleitor a dimensio do homenageado é'a éstatura da contribuigdo aus ele deu ao Direite Canstiusional ea Ciencia Politica de nosso teinpo eoimo pensador da liberdade, testis dq demodracia, guardi doEstadsdeDireite. —” op emesracie Goarige ‘Agora, vejimos a manifestagio' dos jufistas sobre a obra cin- ‘uentendria: “0 livro Do Estado Liberal ao Estado Social, de Paulo Bonavides; (.) 6 um dos mais sugestivos trabalhos, publicados em lingua portw. uesa, sobre a grande hite do nosso tempo entre o velho liberalismo do século XIX e as novas idéias socialistas; chtve a ideologia burguesa do sapitalismo e a socialista.ou comtnista do, quarto estado ow proleta- Tadd, A paz entre as duas correhtess6 pode fazer-se, segundo’ autor, ‘mediante o compromisso do chamado Estado Social, como um Estado “hi de'uma classe 56 da sotiedadg mias de todas as classes. O autor ~foca neste livro, brilhantemente, os principais aspectos que tem acom- “panhado esta lenta mals segura ‘ubstituicdo:do Estado Liberal pelo “Esta Social, analigando, ao mesmo tempo, cdm acertado critério f- loséfico, as respectivas ideologias e' mostrarido os perigos que.corre 0 cpssae fs Coste? Catto, “Ciitzasgo ds Dito Cénstinidoral ou Cinstitucionae aia Die ii bas rae Wills Cuca Fito (Org Diss Coto Yl Etre heaps Pl Bohl, 1 Mahe Etre 00; p08 xi DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL sino que es, de-igual forma, objet dél mismo reconocimienito,intelec- tual y académico en buen ntimero de paises europeos (Portugal, Ale- mania, Italia y Espafia son un‘buen ejemplo de ello, por s6lo citarle algunos). “La obra cientifica del Profesor Bonavides no sélo es de una ex- traordinaria, y poco comin amplitud, sino que, :la par, es de un reconocida rigor.cientifco, Su transitar por los-distintos campos del saber, siempre con ponderacién y equilibrio, al margen ya de rigor indiscutible,justifica, a mijuicio, que pueda considerarse al Profesor Paulo Bonavides como-un humanista de nuestro tiempo, califcativo. al que pocas personas podrian acceder: “En. Espaiia, la-obra del Prof.-Bonavides es recensionada, co- mentada,-leidaly seguida.con intergs por amplios sectores de la co- ‘munidad cientifica,ala que pertenezco.. | “Pero resultaria. incompletaila vision que.del:maestro Paulo Bo- navides'tenga se no. subrayara su extraordinaria‘congruencia per- sonalentresus.tscritos y.su aétuacién. Paulo Bonavides no.s6lo ha; defendido y defiende un marco:constitucional asentadé en los valo- res y en los derechos.de la persona en sus muchos libros y artfculos. Su trayectoria-humana, profesional, académica y cientifica es enor- memente coherente con sus escritos. En Paulo Bonavides siempre he visto un luchador en defensa de la democracia, de los derechos humanos y de aquellos valores constitucionales (dightdad, libertad, igualdad, solidaridad...).que fundamentan la cohvivencia civilizada en una sociedad democrética, Siempre me ha impresionado (y lo co- nozco desde hace ya muchos afios) su ettraordinaria coherencia y enorme honestidad intelectual” (Francisco Fervanoz Seoaoo, Cate- dratico de Direito, Constitucional da. Universidade Complutense de Madrid e Diretor do Anuario Tberoamericano de Justicia Constitu- ional). "E que honra é para a Universidade de Lisboa e sua Faculdade de Direito 0 poderem receber como seu Doutor honoris causa esse Homem do seu Tempo, esse Homem do seu Universo, esse Tomem da mesma Familia cultural.queé o Senhor Professer-Doutor Paulo Bonavides. (...) Hoje, chegou.a gratidao da Faculdade de Direito e da Universidade de Lisboa ao Senhor Doutor Paulo: Benavides, Agra- decemos-lhe o ter sido e confinuar a ser.um homem de seu século, intervindo nele, decifrando antecipadamente o,seu curso. “"E porque Ihe agradecemos tudo isto, queremog que se junte, aos doutores honoris causa.que, ao longo dos anns, nos foram enobresendo. Temos a certeza de que, 1é novalto, nesse colégio eterno dedoutores = longe das vicissitudes do imediata -, uma satisfagio incontida se (OS CINQUENTA:ANOS DESTA OBRA xi espelharé nos rostos de um Duguit, de um Josserand, de-um Lam- bert, de um Politis, de um Sarichez Albornoz. Quem melhor do que 0 Senhor Professor Doutor Paulo Bonavides para exprimir a rique- i requiatude de pensamento, exemplo de criatividade e de incansével juventude eterna ao servi. 0 do Espirito?” (Marceto Ressio ve Sousa, Catedratico de Direito Constitucional da Universidade de Lisboa). “Paulo Bonavides:& um dos mais sotéveis constitucionalistas, historiadores constitucionais e cientitas politicos do Brasil e de toda 1 América Latina. Ganhowalta reputagio no.somente na América do Sul ¢ na América. do Norte; mas também:na Alemanha, Itélia, Espanha‘e Portugal, mercé de seus trabalhos jurfdicos, (...) sua obra fundamental Histéria Constitucional do Brasil transpés o Brasil e se fez mundialmente célebre (...). Com freqiéncia tem sido considerado o fundador da Oiéncia Politica no Brasil” (Kiaus Stemn, Catedraties da Universidade de Colénia). 1, _ "Paulo Bonavides é um:dos maisvemjnentes mestres da ciéncia Juridica nacional, salientando.se, além disso, como.uma personalida- de de,renome no estrangeito pelo seu saber especializado no campo da ciéncia politica e dp direito constitucionsh. Pertence a linhagem dos grandes juriscongultos brasileiras, que tém glorificado o pen: mento juridico do pats..B de relembrar que o Brasil tem tido juris- gonsultos de eminéncia, entrecles se destacando Clévis, Bevildqua, Djacir Menezes, Teixeira. de Freitas, Tobias Barreto, Rui Barbosa, Joko Mangabeita, Pedro Lessa, que ge apresentam como pensadores que honram e glorificam a cigncia politica nacional. “Paulo Bonavides continua essa linhagem dignificando a cién- cia juridiea, do, pa(s, que concretiza. através de livros, eonferéneias, aulas, artigos de,jornal, todos representatives de uma inteligéncia privilagiada que conquista q admiragio geral” (Puro Fenazita, Ca- tedrético da Faculdade de Direjto do Recife). “A.leitura de qualquer trabalho do professor Paulo Bonavides é sempre um regalo para 0 esp{rito por duas razdes: a primeira porque © seu contetido 6 carregado de sabedotia, traz muitos efiginamentos, serve de aprendizao; a segunda por sor escrito em torneado ver: nécul, com un éstllo ao mesmd tempo simples, terso e castigo, sem ostentccao Via wigerdate vie “Foi com muita honra e encantamento que redigi este prefécid 20 livre de’umh ‘de togios maiores eonstiticionalistas contempora: neos, da linha de’ Jodo Barbalho, Pontés de Miranda e Aleing Pints Paleo, para s6 falar de alguns mortos. Como 0 notével advogado, xv DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL jurista e politico francés Henri Torrés, Paulo Bonavides mostra que se conserva grande professor e,cidadao, que guarda intactas sua for- a de trabalho, sua resisténcia a fadiga, suas indignagGes e céleras civicas: ‘cumpriu a cada dia uma proeza muita rara neste mundo: continua fiel a si mesmo” (EvaNoRO LNs # Sitva, ex-Ministro do Su- premo Tribunal Federal) “Suristé emérito, constitucionalista'de larga contribuigdo a0 es- tado de direito democratico, um brasileirs jue j& lecionou, por perio dos letivos; em Universidades da Alemenha ¢ dos Estados Unidos; {til estilista do idioma pétrio.e no s6.ho.campo das letras jurt cas; historiador, jornalista'e orador que prende o leitor e faz atento © auditério,por:sér forradoldo saber associtdo ao.desassombro do di- zer, Paulo Bonavides é, som divide, hoje, um nome internacignal” (J. M. Ortion-Sinou, Fundatior @Presidente da Academia Brasileira deLetras Juridicas): v.00 ° “Paulo Bériavidas' tin dos Furistas ‘tiais notdveis do Brasil, néo apenas da atuilidade, mas dé todos os temrbu8. Sua produedo densa, de grande rigor‘eientiG e oflginalidade; foi fator decisivo para a forma- cdo de uma geraiaorde-estudiosds e penstdores brasileiros, na area do! direito constitueional; da flotofa e da ciénsia politica. ‘Seu pioneirismo, lideranga e respeitabilidade sioncontestaveis, Paulo Bonavides jamais {oi um repetidot deritico de discursos-convencionais. Justamente ao re- vvés, em lugar de’ percorrer os cathinho's quis existiam, criotniovos ru- mos #'levow sua visto brasileira e progressista do dircito e da vida a todos os dominios sobre os quais projetou seu talento invulgar, : “Mais do que um jurista, o Profestor Paulo Bonavides é um humanista devotado a0 Brasil, om uma perspectiva critica e cons- trutiva dos problemas nacionais, Nac é:possivel refletir acerca de fondmenos importantes has cifncias sociais, da interpretatde cons- titucional a globalizagdo, sem percorrer seus textos insuperéveis Um homei sintonizado com o seu tempo, né fibstncia e ndo nos ‘modismos" (Luis Roserro Bannoso, Jifisebnisulto). “Nas minhas Tides docéntd8\Y parlainefitatés + ao longo de qua- renta ands de vida piblica ~'Sémpre recbiti aos ensitarnentos do Pro- ‘ontides na sua exuberante obra no eartipo’ do’ dibiteeonstitiicional. Nao'ss pela derisidade, come pelo fio condiitér Aledstico te sua’ produedo, dela constaiido ainda os monu- mentais Textos Politicos da Histéria do Brasil, ei 9 volumes. iG Minato de Estado da Justicaja- ‘shlaBoragdo que Ihe pa solicitada, sem rificio peadoal pelo tempo dep- (OS CINQUENTA ANOS DESTA OBRA xv pendido, Ihe trouxesse alguma vantagem pecuniéria ou resultasse em dnus para os cofres pablicos “°B, por fim, na Assembléia Nacional Constituinte — da qual fui eu Relator Geral - 0 Professor Paulo Bonavides era o Mestre in- cansével, sempre atento no apontar caminhos e inditar solugbes" (J. Beenatoo Casrat, Relator da Constituinte), Finalizando a série de referéncias ao homenagedo, trasladamos 08 textos subsequentes da oragio com’que o Dr. Reanik:00 Oscar D4 Castro, ex-Présidente do Conselho Federal da Order: dos Advogados do Brasil, recepcionou o Dr. Pavto BONAVIDES, por ocasifo da entre ga da Medalha Rui Barbosa, em nome da entidade, durante a ceri- ménia de encerramento, em Fortaleza, da XVI Conferéneia Nacional dos Advogados: ‘Ne constelagfo de nomes augustos que formam e honram o fr- mamento jurfdieo do Brasil, terios hoje a assdeiagic de dois astros de primeira grandeza. “Um 6 Rui Barbosa. 0 outro, Paulo Bonavides: “O primeiro, filo dileto da Bahia, gigante da cultura do Direito em.notsa pétria, inspirador de,geragées'e orgulho ac Brasil em ter. ras daBuropa, ” “0 outro, nosso homénageada neste’ dia de glérie para a Ordem dos Advogados do Brasil, 6 discfpulo e herdeiro das melhores tr digées de Rui; modelo de professor e de edueador, de advogado e de cidadia | “8 momento de rara felicidade este que.hoje vivemos, quando 0 nome de Rui Barbosa, que ajudou a formar Weonsciéncia juridiea de Paulo Bonavides, como a de todos nés, brasileiros, vem pousar sobre seu peito, em forma de medalha de honra, que leva onome do gran de tribuno da Bahia, . “Se Rui Barbosa Paulo Bonavides sempre estiveram juntos em sus obras de paladinos do Direito, dagui porvdiaate essa unig se torna ainda mais firme e permanente, a partir da feliz combina gio entre ojurista de ontem, que empresta seu glorioso name a uma homenagem, ¢ o jurista de hoje, que a recekje com todgs os, méritas 9 quais sobram no cultor da teoria e da prética do Direite, autor do ioral volume CincisPaltze~ publicdo em 1857 «jf na sua cima edigio -, que a Universidade Federal do Cearé homen com o Prémio Clévis Beviléqua ngeon “Nio 6 este um galardéo que se distribua a mancheias. “A nossa entidade tem sido parcimoniosa e criteriosa na sua atribuisao, néo por falta de merecedores, que felizmente os temas XVI DO ESTADO.LIBERAL AO ESTADO SOCIAL eni.abiandasicia em, siossa-pétria, mag.pelo, rigor com que a Ordem ddos Advogados do Brasil se cémporta, tanto em reveréncia ao patro- no.que batiza a comenda quanto ao agraciado que a recebo. ‘Basta lembrar, que, antes-do:professor Paulo Bonavides, o pré- mio ‘Medalba..Rui, Barbosa’ ~. eriada.em,1957, extinto em 1961, ¢ restaurado dez anos depois ~, foi.conferido, nesses querenta anos, ‘a apenas nove eminentes brasileiros,.cpios, nomes declina com res- "de algyns, comssatidade: Heraclito de Sobral Pin:o, em 1973; ia. Magalhdes, om 1975; Nehemjas Gueiros, em 1976; ‘Miguel Seabra Fagundes, em 1977; José Cavalcanti Neves, er 1980; Ribeiro de,Casiro, em 1982; Augusto Sussekind de Méraes Rego, em 1984; Evandro,Cavalcante, Ling e Silva, em 1991, ¢ Berbosa Lima Sobrinho, em 1995, + “Hg cineo.qnop, partante, naa gutargava a nasga eniildde o seu mais,elevada,galardap,.que Bae Soran, spay, todos 2 titulos, ao eminente professor e jurista Paulo Bonavides, nome exponencial de nossas letras jurdicas e personalidade de destaque na cultura brasi- Feito ésae Balaitgs dd audgd's de papel do Professor’ Pato Bo- aviDES no eendrio juridico do Pals, stgundo testemunko das gran- der ores do Dirt que esp eee manifstaran no Brea ¢ no Exterior; reitahbs'ainide'reféhiirque e384 sendo programado para Ba ide ‘agosto dp 2008, & Feullzate, ts ‘Natal, do I'Congresso Brasileiro’ de Direitdé' Proc8sio‘Constitucional, por iniciativa da FARN (Faculdade Natalerise para o Desenvolvimento do Rio Gran- de do Norte),'eii‘horhéntagem aquele Megthere, especialmente; & sua obra Do Estado Liberal do Estado Social, # qual, segundo consta-da convdcagio, “o iniciou na eétedra de-Diteit‘Constitucional da Uni- versidade Federal do Ceara’. vo ‘A Malheiros Editores, hi quase 20 anos divilgadora da maiér parte das obras do Professor’ Pauto'Bonavibes langa, com jtibilo, essa tdigdo comemorativa dos 80:anc8 doivro Do Estado Liberal ao Es tado Social, vademecum de’gerégdes que o compulsaram’ nas esco- is juridieas do Pais'e quéy'médiante'a leitura dele; fortaleceram a renga nos printfpios da democracia © alentaram‘a fé nos valores da justiga social. vse “Ao redor de dois pontos sandentes, girs toda a vida do ginero humano: 0 individuo e a coletividade. Com- preender a relagéo entre ambos, unir harmoniosamente ‘essas duas grandes poténcias que determinam o‘eureo da, hist6ria, pertence aos maiores e mais érduot problemas. com que a ciriciae a vida se defrontam. Na ago, como, no pensamento, prepeners ora un, ora ou dene e “al Brepnke snd sum de sich das ganze Leben der Menschheit bewogt: Indivigaum © und Gesamte Das rehtige Vernal beider cu efssen, die belden gross Macchi welche den Can’ det Geschichte Eesimmen, Rarmonieh 20" veratigen fctoen ns den gression tn nfergen Proviesar Sc Wisencha snd des Uber Bal cbervechert det tls bald der ander Por in Godan ud Tt” Géorc Jeune, Ausgewashite Schriften und Reden, ester Ban, Brie BT ep BS “ " SUMARIO PREFACIODA7* EDIGAO ... PREFACIO DA # EDIGAO: PREFACIO {2:00.82 Cugtnuo I-DAS ORIGENS DO LIBERALISMO AO ABVENTO DO © “ESFADO SOCIAL: 1. O problenta di liberdade és Estado como'problema de resisté 20 absolutisma “ 2, O diteto natural da burguelid revoluciondria investeno poder ¢ tereira estado... . 3. Da consolidagto do Estado liberal ao comego de sua transformagi 42 4 A separacio de poderes, dogma do constitucionalismo da prime a fase (Locke e Montesquieu). . 5. O Estado liberal-deniocr4tico;fruto de uma ‘contradigio doutrindt 6. Vierkandt e 0 pensamento politico alemio. - 7. Ceca a0 liberalisme e advento do Estado soda. ‘Castro Il- © ESTADO LIBERAL E A SEPARAGAO DE PODERES 1. A queda de um dogma, 2. Importineia ejustificagdothistérica do Principio da separa de poderes.. 3, A burgudsia eo triunfo do liberalismo na & Asepanstodepaderes como tenia delimitasto do poder 5. Os perealgos da separacio. 6 2 8 . Corretivasatéonica Separatist Jelliek ea preservacéa da unidade da poder ».. Separasio relatva, com supoemacia do Legislativoy(Bluntschii). 4 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL 9. Ocrganicismo como doutrina de reagio e combata a liberalismo 10. Critica as teorias organicistas. 11, Tendéncia do constitucionalismo contemporaneo para estreltar 2 colaboracio e vinculaglo dos poderes... ve — Certo Il -O PENSAMENTQ POLITICO DE KANT 1. A flosfia do Estado de Kant 0 debate em tomo de sua importineia.. 89 2: Princials fas da Blosofa kantiana oo 3: O maior filésofo da Idade Modema etaves de todos os tempos 94 4, Elosoia e métedo, segundo Kant. vee 5, Btica, face Idealigtae renovadora do sistema 6. Dualsmo na lof de Kan com a supers metan edo ‘empirismo 7. Oproblema 8. Direitoe Estado... 9. Opacto social. hoa 10. A passagem do “status naturalis”20’status civils”, mofnento deisivo para o aparecimento do Estado e a garantia do Diréitosenwcennn IID 11, Aoutina da separstodepoderes¢oslogime da. ‘ordem etatal 113 12. Kant fl6sofo do liberalism and 15. Estado juridio “versus Esta rr 14. O panegirco da liberdade... Ww CCasirao IV -© PENSAMENTO POLITICO DE HEGEL 1, Pantelsmd edialtica Hegelian ns 2. A monarguia prussiana como realizagio do absoluto uma contradiggo de Hegel mi 3. O fildsofo ea Revolugdo Francesa a2 ‘ednlutn de Pato esse rigid Estado 5: Doutta exaa do aos em qu» Eopn rere 6 Hegel, fideo do totalitarismo?- 7-Superagdo dojusnaturlismo da vlhs teria absolusta 2 8, Poetalados hegelanos no: maemo pensaieniy poles vreorn” aocdizeito natural como salda para rie dalibetdade thodema 133 ‘9. Hegel e a separagdo de poderes snows 1 Oranidono eta SUMARIO 8 (Castro V- A LIBERDADE ANTIGA E A LIBERDADE MODERNA. 1. A crise da liberdade madera... soe 139 2. Germanismo, helenismo e reacionarismo 3. Benjamin Constante o cult da liberdade na, “polis” grega 4. O antiindividualismo do Estado-Cidade ou a indole coletivista das comunidades gregas 46 5, Conheceu a antigiidade direitos fundamentals do Homenn? snow 153 6. Opensamento de Miguel Reale so 160 7. Aliberdade em Roma, segundo Jehting. 161 8. Uma reinterpreted ExtidogregNietschee 0 Comego da Tragééi O antiliberalismo nas deutinas autoritiias da liberdade (Castro VI- AS BASES IDECLOGICASDO ESTADO SOCIAL 165 16 De Rousseau a Marx... 2 A originalidade de Rousseau. 3, A limitagio do poder, tse méxinha do liberalism a vepea democritica de Rousseau... — 167 4. O pessimismo de Rousseau e Marx .. 169 5. As trés posig6es fundamentais de interpretaci® da obra rouss¢auniana 170 6 Avalon generale” es recupeagio do otniamo “amt 7. Do pot, en Rousseau ao eto em Nar sua teria do Estado 8 Excl oContco Soil ecessarimnenteO Capital? 9. Da conrbuigfodoutriniri de Rousseau e Marx ao mademo Estado soil : 10, Rousseau ea evolugto democriia para osodalsmo wm “173 175 178 (Cariraio VIL-O ESTADO SOCIALE A DEMOCRACIA 1, O moderno Estado social 182 2. Distngfo entre Estado social e Estado socalista 3. Osada socal como frat da peas ideolgia do soto liberalism. 187 4, As massas no Estado social: oimismo e pessimismo dos socidlogos » 191 6 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL 5. Masifiesto nivelament (Sms) ‘Amassa como pressuposto das ditadures(Grabowsky) . A mportincia da massa nas democracas: ‘A pollizagfo da fangio social pelo Estadoicomo meio de agravar a dependéncid individuo, desvirtoar a democracia ou consolidar 9 poder ttt nin 9 Consagragio do Estado socal no contitucionalisio demacStico 202 Cueto VID- A INTERPRETACAO DAS REVOLUGOES 1: Nao basta fazer a soclologia das R vous urge também interpreté-las. 2, Tesesobre o deflagrareo destino das Revolugies : 3, Revolugio e golpe de Estado: ag conseqiéncias irreversiveis de uma Revalucéo. 4 O Bitado social oi, no Ocidente, a grande conseqiéncia ds Revolugio Russa 4. Nema Revolugto Francesa se legimitou pelo terror, nem a Revolugdo Ruséa pela ditadura do proletariado e sua burocracia «210 209 [REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS, 213 soe AT INDICE ANALITICO. v i ON" Do zstado liberat ao Estado socal, éstampado em fins da d6- cada de 50, foi.9 primeiro livro que se esereveu no Brasil sobre o Estado Quando veio a luz, 0 universo juridico da época ou ignerava em srande parte, ou ndo percebia, ou até relutava.em admitir, 0 sentido © 0 aleance,teérico da expressid, por nio dizer que no comungava com a formula de compromisso cunhada pelos humildes ¢ deslem- brados e desconhecidos, autores da Lei, Fundamental de Bona. Souberam eles, porém, com “ama loeugio breve ¢ ¢ de rara conciséo, formular em 1949 « cléusula princi reitos da segunda geragio. Herdaram-ne-do influxo weimariano, controverso e.casuls- tied, que, partindo da Alemanha, se jrradiara pelos, paises consti- tucionais, empenbados,em renovar, reformer ou reconstrair seus modelos .de Constituigao. Mas malograram.por. obra dos abalos ideolfgicos dos anos 20, Desgracadamente, as, Cartas Magnas desse tipo sogobrafim, pos- to que iag.hajam vingado. . +s0- mundo teeotheu. por-esse. modo,da:fonte-gerthdnies, a po- derosa sugestéa:de:um iconstitucionalismarde nova dimensfo, que intentava,: por. via dag cartas sociais de, direits,.apaziguar. rela- cies; juridcas. at Perpassadas dos litigios dq, capital Dip, lida chevigr sid ‘precuante os eonatiaisten mea anos: de1817; mas a fama-e osprest{gio da novidade intradutéria 8 DO ESTADO LIBERAL AO FSTANO SOCIAL ficara com 0s republicanos de Weimar e sua efémera Carta de 1919, tdo efémera e instével quanto a nossa de 1934. ‘Toda vez que versamos 0 tema pertinente ao Estado social, ocorrem-nos reflexses sobre a natureza dos entes ao redor dos ‘quais gravitam os fins sociais da pessoa humana: o Estado e a So- ciedade. De ambos, a liso da préxis, da historia, da experiéneia, do conhecimento, da ciéncia e da observagéo, nos consente inferir 0 contreste das duas organizagées. ‘A Sociedade € muito mais; nomeadamente em peso ¢ dimen- sio, Porque'é 0 valor, a legitimidade, a Constituigfo, a vontade popular, a cidadana, «justia doe principio, a sdberania do pro, 0, dieita ¢ itos, a igualdade e a liberdade, enfin, Alas sak cb Se do pluralismo, ou seja, um gine ro de a natural que, ao baixar da esfera abstrata © meta- fisica aos conceitos de valor ¢ principio; busca positividade, sfir- miiighc 6Presdnbl eo" eotididhoMta' Vidas do eto, “ > "he Sociedad® tent’ conto “bitrate “Otte feta, outa ida: a injustign das desigualdades,'a batalha dos egofsmos, o'téa tro "Wis ambigbes, 0 eepayo"féchado dos privilégios, a competigto dé clisses;' 0"jdgo' de interests, 'as.-contradigées,-0s agravos, as [Btlidaldtstondusides’¥s aferas: aetna, isto 6 do-traba- Iko:e°Mo eapital: aE ares 0 Bitado ‘nto “tard” godlollda’ & Bicietfadé'com’ 6 poder qie’a subjufa, com J: arbittiov que’ a -desfalege, com a onipoténcia que Ihe quebianta a'resisténcia, oii 6 desfotistnd qué a-dissolve. © liberticida, o tirano, 0 ditador, o°ehécida tém por domict- lio o Estado, ndo a Sociedade. Sujeitam’ésta @rufna e & servicio. © descompasso entre governo ‘¢ cldidao" dpsinala 0 déclinio da autéridade'e do eousenso, a'pai'da diab hibida"do poder cbm a lei, que 6, assim, regra e no principio; nottia @ nfo Valor. ‘Téve 0 Estado social séiabéyen Hol ’patses do cHainiadb Pri- ‘miéire-Mundo, logo apés a Seiuinda* Grande! Guerra, servit’ de ‘uma doutrina constitucional cuja inspiratad'tiaior se-ciffavi’ na justigayna igualdade, no’ estabelecimento; de: paz: social, na ‘cessa- ‘ea0 dis conflites de classo;inatmidangi-hogeimbnita:que-se tras- Tada do:prinetpio da legalidade’para principio da‘ legitimidade, das rogias dba-cédiges'teve"oF Neguitieitd & auro- ra dos principios ¢ das Constituiges. Em termos“rigbrssamente doutrindrivs) veorre-o primadovdo''prineipio:’sobreira ‘regra, da Lonstttuigao sobre a lei, do:direito sobre‘ norma; da justign so- PREFACIO DA 7* EDIGAO. 9 bre a seguranga; esta em sede.de razio de Estado, que’é a instan. cia de abuso onde se absolvem e se canonizam os atos de: forea dos governantes desviados do bem comum. © Estado Social, pondo-se nessa linha, motivou ¢ inspirou indubitavelmente a eriagfo contemporénea de um novo direito ra regido te6rica, com fundamentos principiais, bem afim as su- gestdes hermenéuticas de natureza concretista, escoradas no Princtpio da coustitucionalidade, que é, em sua esséacia mesma, © prineipio da legitimidade. “Daqui 0° denso teor: legitimate, qualitative hierérquico desse novo Direito que, atrelado ao campo constitucional e' No- jva Hermengutica, pOe abaixo, em certa maneira, a’ Dogniética Feldssica, bem como algumas categorias conceituais da velha es- cola positivista, ultrapassada: nos rigores. de seu tradicional :for- malismo, ‘Do Estado liberal'ao Estado social, sobre ser, portanto, a pre- lego: politica €-filoséfica deum direito positive instaurado now- tras ‘bases, que nao so as dovindividualismo minguante; mas as da socializagao ascendente e que trouxe @ altura constitutional, durante a segunda metade do século XX, os direitos fundamen- tais da segunda dimensto, 6,.do mesmo passo, uma espécie de iniciagdo, introdugéo ou propedéutica tedrica a democracia parti- cipativa, qual-a esbogamos em nosso Curso de Direito Constitu- ional, na coletanea Do Pais constitucional ao Pais neocolonial e em livro mais recente, por nome Teoria Constitucional da Demo- cracia Participativa. Conjugedos numa clara e manifesta unidade axiolbgica for- mam, consoante jé assinalamos em distinta ocasido, uma espécie de trilogia da liberdade, da. justiga-e da igualdade Com efeite, todo projeto de sociedade aberta e constitucional, consagradora da democracia.participativa,.fica inexeqUivel:e fada- do a0 malogro, se desfalcado desses valores ¢ principios superio- res, ali exppstos. ...., ier Tem, de° dltimo, 0. Estads: socialinexo direto .gom vas crises que’ a0 comego-doséculoXXI-flagelam: 0 Brasil, Basta:a esse res- peito ligeira reflexio acerca-das ‘comogbes do presidencialisimo, aauslap que aeompanhem departs ante. dasse gtneto de; Esta (Ou) formuldda-acutros erm faxen-impossvel estahtlecer fa sociedade participativa daquelé Estadovsociat’ A verdddé}ierim 10 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL plantagio entre nés de um-Estado.social & muito mais dificulto que na Europa, onde desde muito floresce ele em varias repdbl as constitucionais do continente. No Velho Mundo o retrocess® neoliberal fere tao somente a epiderme da sobredita forma de orgenizagio do poder, ao passo que nos paises da periferia.a lesto do tecido social é bem mais grave-e profunda, _ Compromete, por conseqéncia, o advento de quadros insti- tucionais propiciadores de um sistema que incorpore em suas bases: os principios de justiga ingénites Aquela modalidade de Estado, oy ‘Sto princfpios objetivamente volvidos para concretizar 0 dis- curso -declaratério de direitos fundamentais de quatro dimensées, jd teorizado pelo constitucionalismo contemporiineo. ‘A dificuldade mais espinhosa & concretizagdo desses direitos procede, como se sabe, da conjuragdo-neoliberal do capitalismo plobalizador © sua méquina de poder, que, domina mercados ¢ fanula,-com-pactos de vassalagem e recolonizagéo, a soberania dos paises em. desenvolvimento, Capitalismo de agressio, ¢ ele o inimigo miais feroz do Esta- do social porquanto percebe que este 0 ataca e organiza a resis- téncia dos povos oprimidos. . (0 Bstado social, nés0 vislumbramos hé cinco décadas, e 0 te- mos ainda por chave da-crise institutioiial deste Pats. Mas ele £6-funciondré’se o pevfilhtirios nas: instituitdes:poli- eas ao lado da democracia participativa, da qual 6, dé necessida- fo, na teoria, o predmbulo, e.na préxis, o érgio de execugio. Com 0: Estado social se positivaii os direitos fundamentais das Constituigdes progressivas:e libertérias. © * ‘As consideragSes acim expendidasicertifieam pois a’ relevan- cia atualizadora desfrutada’ pela temética deste livro, :agora. em sétima edigdo, > Vincula-se ele, por inteiro, a um pensamento abjuratido, jamais oblitetandoou ‘apostdtando-idéias, valores: prinefpies exarados numa linha de -eoneridadéespifitual inabdicdvel.. 5 wth PREFACIO DA 7 EDICAO. a Que munca nos falte, assim, jufzo ertico, espirito de anslise, energia, conviegio ¢, sobretudo,”consciéncia ética com que sus. tentar Propagar e defender aquele brevidrio de mandamentos da democracia e da justiga, que 6 a filosofia mesma do Estado so- cial em seu consércio com a soberania participativa do povo. Como se infere dai, a politica passa pela ética. Sem ética no exercfcio do poder, néo ha obediéncia nastida ou derivada do res. Brito Ie. Hid coagfo e modo, NAo hé tampouco direito na soie lade, mas arbitrio. Nao ha justiga, mas forga. N&o ha autoric nas opweseas, igé | rga. N&o hé autoridade, » Dessa -diregd ou ttiltis ~ tornas assinalar rt mos a assinalar - o legitimo Binds apr pat on lg gine prineipios b néo em decretos-leis; porque tem por si a legitimidade da. letra constitucions| einéo unicarhente a legalidade dos cédigos ou das regras -alterdveis ad nutum dos. legisladores de ocasiao, sem mandato’ popular, semlegitimidade, sem respeito a soberania, Senhores de um decisionismo refratério & ordem juridica ao Fegime; sto-eles, no caso'do Brasil,os autores de mals de qua tro -mil-medidas provisérias,’que desarticularam o Estado de'Di- feito atrpelaram as formas represetativas, feriram o dignida- ie das casas congressuais-~ desapossadais da func&o legiferante, invadida e'usurpada — desafiaram a independéncia dos tribunais, rompetan 0 saul, a divisto, a hariitnia’& a paridade consti- rucional dos poderes, enfirh, atentaram’ contra ‘a i ie cana’e fedérativa do sistema. ~ ssstnca republ Estado social, qual 0 entétidamos; & déiocracia, nao ‘ode nem medida de excegao, Sees ier nfo 6 desre: Estado de Direito, ‘nado ¢ valhiac i e do 6 valkdcpite de ambigdes prostitut- das ao eoatnleio dos poleres« dos andaton s ero néo é trafic de influéncia. que.avilta valores sociais. E poder responsével.e.néo entidade publica violadora dos in- teresses. do:pais‘e alienadora-da coberania, Nelasore dos is Estado“sovial, ‘por'-derradeito;"\é “avidentidade da a Estado’soc 6 ident nagio m mia; éxpreésa por uth ‘conistitieidHalisixe le“'libertacao, oor um igialitarititio'de democrat 4 fudifalisimo de salva- guarda”dos ‘direitos *funifa ” Em putras palavras, Estado social é efalid partitipativa’ que 2a a jaoa exec ag ek PREFACIO DA 6 EDICAO : «tic, iguatine ado social nasceu' de uma inspiragio de justica, igual de ieee ts mae sugestive do tela conatiicoral ee nelplo governative mais rico emigestacho no universe po oo cary rogar meio ntervenconitas para etabeecer 0 equils io nae ’ios bene socials, instifulu ele 20 mesmo pas wcarepie Se a St one Ttoriesa uona concepeio democratica de poder vineulada pr 3 direitos fundamentals, conee- teiro cistinta daquela peculiar ise subjetivintas do asst mn objetiva dos valores que o ser eomowoda paz eda justigana do. Teses sem lagos com a or coneretiza sob a égide de um objetivo mao sociedade. ‘feito, essa espécie de Estado socal, humanizador do po- er aes es fandafentossclis da iberdade,democrético na esséncia de seus valores, padece, de timo, amence etal i conser do das respectivas bases e conguistas. Esmaecé-lo e de} TERT part programaicn dao trmulas neoliberal propagadas ‘ertrnome da globalizacao e da econor mia de mercado, ' emo queda de fronteiras ao. capital migratério, cuja, expansio © crcl 6 0 tu dap sian vel ara decretar e perpetuar a ja ems elm conc desprotegidos, sistemes que demotam nas es rasdo Terceiro Mundo. * sa potas “Tem esse capital internacional yredatéria sobre o ‘bra dos pattesem desenvolvimento, porquanto gia de maieira especulativa, provoca crises, abala'a fazenda publica, desorgani ay ‘ikernas, derruba bolsas, dissolve economias, esmaga Rereados. ° PREFACIO DA.6 EDIGAO 13 As correntes déshationalizadoras navegatn todas no'barco do neoliberalismo: setus-axiomas inipugnam-o Estédo, a soberani nacionalidade, ¢ os éxércitos, cuja existéncia proclammam ind fazem como se tudo isso fora ansictonistio. Nad‘obstante,-selyeve- lam elas impotentes.para arrebatar o futuro as nacionalidades cons-_ tituidas ¢ calar o-Animo das-aspiragies:nacionais, que,confinuam, sendoo sangue da unidade decada organismonacional. + >. Demais, 6ijuees Shdbliberilisino quea regionilidadé dos ¢on- Atos militate 168 edinpos e rhonanhas balednieas da-ex-lugosl4- via, a par dos sobressaltos étnicos na Europa das Refides, lhes traz © desmentido das’ suas expectativas w prognésticos; bern assim a adverténcia de que'a nagdo, exprimindotumaiconsciéncia de identi- dade, 6a suprema vocagdo de'podér legitime-quie conduzo destino : dos povos Sobie ésses valores't © neoliberalismo.atéveair exanimeno vazio einconsisténciande'suas formulas idéias, ‘Cabe-inos assirialar, por igtial,’quie 0 néoliberalismo; invéstiga- do desaltas suas ratzése aférido mr sua niatireza, ado & endqaxnto forma’ politica regta de pderoW sistenta doutvindrio, mas to-S0- nieite aspecto'Secuhdario'e tributério da préptia eategoriathistni: cide organidagte dp Estado, que'chegou a'ium desraumals cleva= do de suas transformagées na'Segurida metade-do século XX pas- sando a'dendminar-se Estado social. © éonifromisso désse Ratado com a liberdade se fz irttiate- vel; a liBerdade éitebidida aqui ‘gm’ seu significado positivo, este que os liberais nunca compreerideram e nunca haverdo de compro ‘ender por hes ferir interesses econdmicos imediatose inarredavels, (Ora. significado positivo da liberdade, distinto do de Jellinek, que era o de um status negatious, néo pode deixar de ser 0 de sua con- spcdo como direito ental provido de dupla dimensio tec- rica! a'da subjetividade e a da objetividade. Desta ltima se achava desfaleadoo conceito do sAbio alemao. Fora desse angulo da bidimensionalidade e da associagio como Estado sotial ‘tériazmente recusada pelas posigdes neoliberais con tefipdtatiéss, a reflexdo' do" nesliberalismo, sobre ser retrocesso, Atta Conta’o dosenvolviments dIberdide mesma, cue iets “ filosofia’kantisti!'em miatéria politica, é 0 éoroamento doistri- nirio do liberalimo e se enquadra, indiscutivelmente, na fase jé adiantada desse movimento.:Exprime a maturidade por ele alcan- gada em fins do século XVIII, quando, impetuoso é triunfante, gra- {as a agio revolucionéria ~ seguro jf pelas enerpias arrogimere {fadas para conter a reagio medieval da nobreza.cecadente, ¢ ni ‘menos seguro em arrostar a reagio absolutista das realezas ociden- tals ~ podia.adormecertrangillo quanto ao soialiemo, que ainda The nao batia &6 pottas, e’cujos vagidos rernotos vinham de longe, quase imperceptiveis, quebrar-se por muitos anos em protestos inocentes nos esquemas pomposos da wopia. oe Sob a mesma inspiracio, estudamos aspectos da influéncia de Rousseau, Hegel e Marx, que formam os élos da graride cadeia so- Gil, responsdvel peas ms elebres preciitases doutrindrss, Jue condiuziram, na Idade*Contemporanea, & superagio final da- Shilo que, correspondendo,ags comecos da revolugio industrial, foi a estrutura priméria da ordem capitalista, no seio da qual se ge” rou antigo liberalismo da burguesia, sat do se chega ao Estado social jf ficou para trés toda uma consapeio ‘de vida, com as,tradigdes de um passado morto € irrecuperdvel, oa 0 Estado social ¢, sob certo aspecto; deeorténcia do dirigismo que a tecnologia e o adiantamento das idéias de colaboragio huma- nave social impuseram ao século, des ‘De um‘lado, 08 povos que'véem:nele 0 instrumento de sua ree ee ee fale tiana entre a planificaciollivre ea planificagéo completa. ‘PREFACIO 25 Mas planificagio livre, planificagio na liberdade? Naohaverd af alguma contradigao? Quando responde precisamente a essa indagacio, é que o libe ralismo se enrijece na sua ftiria anti-social, has objecdes as medidas hibrida, que impermeabilizam algumas zonas da Sociedade & ple- ra realizagio da livee iniciativa, Karl Mannheim debateu esse problema vital para a democr: ssoderna. E esse problema, a nosso ver, se resolve no Estado social. Distinguimos em nosso estudo duas modalidades principais de Estado social: o Estado social do marxismo, onde o dirigismo é im- posto e se forma de’cima para baixo, com a supressio da infra-es- ‘trutura capitalista,'e a coriseqiiente apropriagio social dos meios de producid ~ doravante pertencentés a coletividade, eliminando-se, dessa forma, a contradicao, apontada por Engels no Anti-Duehring entre a produgdo social ¢ a apropriagio privada, tipica da economia lucrativa do capitalismo — eo Estado social das democracias, que admite a mesma idéia de dirigismo, coma diferenca apenas de que aqui se'trata de um dirigismo consentido, de baixo para cima, que conserva intactas as bases do capitalismo. Todas as variagdes na relagéo trabalho-capital sio superestri- turais nessa tiltima forina, pois nao alteram substancialmente o sis- tema capital Inspirados na filosofia de Kant, ser-nos-ia licito, ademiis, for- mular outro conceito do Estado social contemporaneo. Caberia, nes- se-caso, ao estudioso aprofundar a filosofia formalista de Stammlér e-em harmonia com a linha,do pensamiento neokantiano, construir uma Begriff do Estado social, que abrangesse variacdes empiricas, histoticas,culturaise politicas dos mais distintos matizes. O dirigismo, conceito politico formal, nao Gomporia acaso, sob ‘esse ponto.de vista, a esséncia do Estado social? Por esse caminho, acabariams.na mesma conclusio que Stantmler com o direito na- tural:,um Estado social de contetido variavel. » A’saida’ pelo-formalismo concilia, pois discrepancia estrutu- ral tie toa irredutivel 0 Estado social das democracias ocidentais com o Estado social dos paises populares de inspiragao ow'organi- ‘zagao bolchévista. —~ : "Mas tlio 6a intérpretagio formalista o que buscamos. Dai por git 20 inscrevermos, no pértco deste trabalho, uma das mAximas ‘dorenovador da Teoria'Geraldo Estado — Georg Jellinek '~'o fize- ‘mios:na Zetteza de qué ela exprime'e consagra substanciatmente'a verdade mais simples ¢ elementar da ciéncia politica: ordissidio 26 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL ilenar entre o individual e 0 social, que chega a0s nossos dias com toda a intensidade tragica de uma luta indecisa. Pouco importa que sociélogos da estirpe de um Alfred Weber, {que conta, alids, com muitos adeptos, queiram dissimular a agude- za desse choque ott encobrir a face dessa realidade brutal, mediante a escusa de que 0 centro de gravidade se deslocou irremissivel- mente do individuo para 05 grupos sociais intermediarios - desde o sindicato a escola, cada vez mais influentes — ou entio para o Es: tado, com 0 qual referidos grupos se defrontam numa puigns desesperadora de afirniagao e controle. . [Nao negamos a importancia dessas formagoes socials interpos: tas. Negame-Ihes, porém, autonomia, no sentido de haverem elas removido o duelo essencial que o binémio individuo-coletividade representa. = “Sip apenas pecas dentro desse antagonismo,e tanto o so que ¢ Estado social! 0 -mais familiarizado comit.presenga de tais nui cleos ~ ora-os-v8'a servigo do Estado; que €6 caso antarga realidade contentporanea, ora inclinados-para a idéia indi- vidual da personalidade Essa idéia é aquela que‘ Estado social e dermocratico do Oci- dente forceja por salvar. E para i séria e definitivamente com o.antigo individualismo do laissez faire, laissez Passe vain! ose 5 + O Estado séeial do modem constitucionaligmo europeu eanie: ricano emprega assim, nos paises de stia'Srbita, como tiltimo recur: $0,:técnica de compromisto, que embora consagré-modificagbes se- cundérias e progressistas, deixa, contudo, conforme vimos, intacta, em grande parte, a infra-estratura econdmica, isto é 0 sistema ca- pitalista 4 Instrumento, por conseguinte, da tébreviveéncia burguesa, pos* saclranerto por cnsegul de abled urges, po conciliar-se,o Estado social, a despeito da impiedosa critica rharxis- ta e do colapso.do Estado liberal, constitui a palayra de-esperanca com queacenam estadistas ¢ tedricos. do, Ocidente,.na,ocasiio em que os elementos da tempestade sacial, de hémuito acamulados no Rorizonte politico das massas proletarizadas, ameacam desabar so- te a ordem social vigente, impondo-lhe o dilema de renovar-se ou re a ordem ea dorlhe ogi ena: Nele vemos, a sinica saida:honrosa.e humana que ainda resta para aris poten ¢ social despavoraule babitam a grande bacia atlintica ¢ Ps PREFACIO. * » No estudo oportunissimo de lenta, Estado literal so Estado soil, seidesenha adernre soa rosa nitidez — urge repeti-lo — te da democra ma pela superaio da antee cdnicsindividuotsorneee Todas essas razbes nos convence ‘ neste ensaio politico, umtema d iio, como a que vai do m, pois, de havermos versado, le nossos dias, PautoBonavives INTRODUGAO. 1, Do século XVIII a0 sécilo’XX, 0 miuiide atravessdu'duas andes revolugies ~ a da liberdade ea da.igualdade —rseguidas demais dune,quaon desenolam debaixo de possas vistas que es talararn ctuzante.es jltimas'slécadas. Unialé a'revolucio da fraters nidade, tendo-pox objeto o Homemsconcreto, a.ambiénciaplaneta- tia, 0 sistema ecol6gico, a itrigvuniverso-A outra &a revolugio"do Estado social em su fase mais recerite de'concretizacio constiticiow nal, tanto da liberdade como da igualdade. Se as duas primeiras tiveram como paleo 6 chamado Primeiro ‘Mundo, a terceira e a quarta'tém por cendrio mais vasto para defi- nir aimportancia e a profundidade de seus efeitos ibertirios aque- las faixas continentais onde demoram os povos subdesenvolvidos. ‘As, 0 atvaso! a'feime, a Uottiba, 5'déseniprego, a indigértda, 0 analfabetismo;o inedo, a insegufanga'e 0 zofrimento acometem mi- Ihbes de pesics,"Vitimas da. violencia social e das optessbes do neocolohialismo capitalista, beth como'da corrupcio dos piblicos.Impetiaih ibas miihas@ ise} Sida tanto & sobreviveticia como a’ Cada revolugio daguelis intentoi: ou intenta tornar‘efetiva uma forma de Estado, Priméird, 8 Estado liberal; a seguir, @ Estado, socialistay depois o Estado social as Constituigdes programstea’, assim batizadas‘ou carattetidadas pelo teor abstrato & bendinfent 1 Clonado de suas declaragées de direitos; e, de iltimo, 0 Butddo so- I dos dirsitosfundamentais este, sim, por inteira,cépacitado da idadee da conevecio dos preceltos-e egras quegarantem es: ites. a Deepa Tiverarn grande’ parté’unn'this mudangas as idedlogigs lids, enquanto ndtv positivaireseus Valores, a3 eis eee Séncia uma dmensio enooberta de jeanatitaiie Eat veraatere 30 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL ireito natural atuou sempre como poderosa energia revolucioné~ Sire iuina de wanslorbaySes socas Genus erga mesinien de seus principios, tem ele invariavelmente ocupado a consciéne! do Homem em todas as épocas de crise, para condenar ou sancio- nar a queda dos valores e a substituicdo dos préprios fundamentos da Sociedade. eal Asgrandes mutagSes operadas na segunda metade deste século Ln En erate © sécu’o XVIII por uma filosofia cujo momento culminante, em ter- mos de cletividade, foi a Revolugio Francesa. De natureza univer- sal e indestrutvel nos seus efeitos, porquanto entendem estes com: a natureza mesma do ser humano, aquela comogio revolucioniria rodus até hoje correntes de pensamento que transformam ou ten Gem atrpnsformaraSagiedademedema, 0s Houve, assim; pela vez priméira.na-historia’dos'povos, a uni- versalizagio “lopibcios politico: Ma-foram unéoamente quebran- tadas as instituigGes feudais eas hievargaids que sacraligavam atra digo e 0 pasado, sendb-que se constiiiu ou se intentowGoristruir, sobre esferas ideais, para um apolar elibaracto, menos 2 rls leste ou daquele povo, mas ade imano; polis cxjos ater, pb que anda sotto, o ramos sro br dade, a igualdadeea fratemidade, 5... . 0s ingleses a Magna Cafta,. Bill of Rights, 0 Insiru- sent of Coser os arneriante, as Cafas colons Pate f- derativo da Filadélfia, mas s6 os franceses, ao lavrarem a Declardgao Universal dos Direitos do Homemt, procederam como havia procedido © apéstolo Paulo com o Cristianismo, Dilataram as fronteiras da nova f6 politica. De tal sorte-que o governo livre deixava de ser a rerragativa de uma raga ou etnia para ser 0 apandgio de cada ente Famaro; em Roma, universalizow religifo; em Paris, uma ideologia. O homent-cidadao sucedia aohomemstidito, 4 modo, torousse a Revelucto.do,século XVIII género de impotence ronovactes notinnionals ne indie gon igou, a favor do Homem,.a triade.da liberdade, igualdade e,‘ra- ternidede, decretando, com,seus rumos,,o,presente,¢.0 futuro da civilizage.. 1a, . «!- Daquelelema derivaram; ao mesmo'gasso, as ditéiivas revolu- ciondras fadadas a esenarares rece at pollica subsegtiente. Dos trés dogmas, jd referidos, partiram os espé de cada Revolugio com que se particularizam as fasesimediatas da caminnada emancipadora, ou se, define, cada, momento, singular-e transformador.da Histéria, ou, ainda,,se alcanga-am grau qualitati- INTRODUGAO aL voina progressio daquela divisa que faz.0 Homem ocupar o centro de oe a feleologiacdo poder sbreaSoceaade Pe Mercé de tamanha amplitude hermenéutica da visio dos trés Litimos séculos, jf nos é posstvel discemincom clareza, pelo aspec- to de histoticidade e concrecio, e nio apenas-ie Sua inexcedivel infinitude tebrica, que a Revolugéo Francesa fora um espécimen do préprio género de Revolugio em que ela se conteve: a Grande Re- volugio espiritual e racionalista do século XVII. Sé debaixo desse aspecto de limitagio histérica e determinaco da fronteira espacial que a circunsereve se faz possivel aceitéla, restritiva e historicamente, enquianto categoria da Grande Revolu- {$26 do século XVI, ou seja, reduzida tdo-somente a Revolugio 4a burguesia ~"um horizérite menor ~,aliés, de acordo com o enter dimento mais vulgar e mesquiriho e; €¢ ordindrio, mais propagado seu respeito, Quem a concebeu apenas assim, nio Ihe conferindo sentido ou dimensio adicional, produziu unicamente uma ambigiidade. As ~ ligdes interpretativas extraidas do proprio marxismo enveredaram igualmente.por esse mesnio caminho, Tal aconteceu-com a escola leninista dé revolucionarios que, conforme se supe, Vieram trans- formaro mundo. Mas Lénin se equivocou redondamente por haver perdido, em relagto ao século XVIII, alguns horizontes filoséficos da maxima amplitude e vastidio polttica. Ficou, em face dessa distorc4o visual, impotente para descerrar ‘08 conceitos-chaves postos pela reflexio dos teoristas do povo-na- ‘o, do pove soberano e do povo-cidadania. O povo assim qualificado, titular da nova legitimidade, nio so- ‘mente encamna a vontade dos governados, sendo que a transmuta em vontade governante, Sujeito da noja titularidade do poder, en~ trava elea operar a grande estratégia libertadora do ente humano a0 longo dos tempos vindouros mediante processo centralizador ainda «agora em curso e como qual se familiariza cada geragio politica século XVII colocou, por conseguinte, todas as premissas divisas subseqiientes da rotacéo que 4 idéia revolucionatia, para curnpri-se, teve que cutsar. Primetro, promulgou as Constituicdes do chiamado Estado de Direito e, ao mesmo passo, coma RevolusZo da burguesia, decretou os cédigos da Sociedade civil. Outro nio foi, portanto,'o Estado da separagio’ de poderes e das DeclaragSes de Direitos, que entrou para-a histéria sob a denominacio de Esta. do liberal Aa suas nascentes:filos6ficas sio, por inteiroysondadas aqui na extensa inquirigéo das paginas desta monografia, 32 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL ir “avidin andrquica, potencialmente contidasna wus at rg en vue proclamara'a equipoléncia do principe &-divindade ou a insti- Faerie ie divPopep de’ Unenan latitude pagusa dipsfo antlestatalda visio de poderes, surgirain as wtopiasisocialistas¢, depois, marcinmer os pocialistas, sentenciando.a intrinseca inigh- dade da,tstado, gos maraiatasem nome da ciéncia, das eis hiss cea da ila ¢ determiner soca «fim de aparelho de coergigdaSociedade., : ‘Tal fim ndo passava; todavia, de uma,construgso aparentemen- te ientificeeum false, messianisme, ou profecia que nunc se suumprin e jimais se hé de:cumprir;.em suma, previsio feita, sem Taiz nancia ng razdo ero bom senso, eque a certidio dos even- tos his}Srigas transcorridos,coma malograda experiéncia sovietica parece haver invalidado por completo, wbts De semelhaintes.escolas do pensamento politicd brotou, portan- to, aquela opganizacio de poder e de Estado levadaa cabo pela Re- volugio Savictica da-prinieica metade deste século: o Estado socia- Tista, da versiorde Marx e Lénin, Gerando. ditadura'do proletaria- do, esse modelo, na pritica e:na realidade, configurou historica- tmente uma paradoral forma politic, tho negativa, to rude e tio opressiya para a liberdade humana, em: r8z30 dos desvios de por der, quanio haviam sido aquelas a que se propusera opugnar ea lira do absolutismo das velhas autocracas.imperiais ea da bur- ‘guesia, que trazia no ventre a ditadura do capitalismo, O.Estado liberal-e.o Estado socialista, frutos de movimentos gusreelveram @abalaram comarmase sangue os fundamentos da jedadle, buscavam, sem divide, ajustar © corpo social. novas as de exercjcio « i ropesito, de categorjas de exersicio do, poder concgbidas com 0 propésito, cage de ec de per ene ee ios revolucionstion- ™ a sate di ing totali- Jap.Estado social propriamente dito ~ pa 0 do figuring tok tira ce de extrema esquerdacquer deextrema direita — deriva do congengp, das mutagées pafficas do elapgento consttucional da SSE TA Tells cesergalvide pola elo cratva confi, dos-efellgs Jentos, porém seguros, provenientes da gradual acomo- decks dos iniaresses poltichs e spells, volvidee, delta, a0 seu leitonopmal, : vested oe ‘Afijguta-seinosivassim, 6 Estado: social le cohstitucionalisine dertioxratico da segundatmetadesdd século XX 0. mais adequado a cohcietizara‘universalidadedos-valbres abstratos dasiDéelaragses de Direitosifurdamentaigis onissa-nleos, INTRODUGAO 3 ‘Tem padecido:esse-Estado, porém, certa mudanga adaptativa 40s respectivos fins. Antes do esfacelamento do socialismo-auto- ¢rético na Unido Soviética,e na Europa Oriental, havia-ele por tare- fa imediata no Ocidente realizar, em primeiro lugar, a igualdade, com o minima posstvel de sacrificio das franquias liberais; em ou- tras palavras, buscava lograr esse resultado por via do emprego de eios intervencionistas ¢ regulativos da Economia e da Sociedade, mantendo, contudo, intarigivel a esséncia dos estatutos da liberda- de humana, Urs Estado pois, pasa debelaras crise e recassdes da ordem capitalista, sem-fechamento, porém, do sistema politico, que per- manecia plucalista.e abert, Um Estado, certamente, da concern de mercado, embora debaixo de alguma tutela ow dirigismo, que potico ou nada Ihe afetava as estruturas, posto,que interditasse de- terminados espagos da ordem econdmiea, subtraidos ao livre jogo das forcas produtivas. ve Era, assim, 0 Estado social do Estado, e nfo o Estado social da Sociedade, aquele que se Ki teorizado de iiltimo, de maneira tao cor- reta, embora passional. Era,também o Estado social das Constitui- des programaticas, de que ja fizemos mer Jao Estado social da Sociedade; que’, sobretudo, o Estado social dos direitos fundamentais, uma categoria por nés igualmente refe- rida, rhostra-se permeado detliberalismo, ou de vastas esperancas liberais, renovando, de certo modo, a imagem do primeiro Estado de Direito:do século XIX. Em-rigor; promete e intenta ele estabele- cer 08 pressupostos indispensiveis'ao advento dos direitos da ter- ceira geraclo, a saber, os da fratenidade. E Estado social onde o Estado avulta menos e a Sociedade. ‘mais; onde a liberdade e a igualdade jé nao se ¢ontradizem com a vee imino passadoy onde as digencias do poder e do cidadio con ‘vergems, por inteiro, para‘trasladiar ao eampo da concretizagio di- retos,prinlpiose valores que fzeme flonemse acerca cs gost bilidade de ser efetivamente livre, igualitério e fraterno. A esse Es- tado pertence,também a reyolucéo constitucjonal do segundo Esta- doide Direito, onde os-dixeitos fundamentais conservam sempre 0 seu primado, Sua observancia faz a leyitimidade de todo 0 orde. a ral, Estado’ socialista, “Est ‘social com primazis dos meios intéFehcionisas a8 Esto «:itainrente, Sede eal som hegemonia dai Sevier absteri¢ao possivel dé Es- lo’ els olargo:painelioibfrajetdria de istitucionalizayaosde'po- der emrsucéssivosiquadres'e modelos de wivéncia hist = 34 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL provada ou gm curso, segundo eicala indubitavelmente qualitativa fo que toca a0 exercicio real da liberdade; ‘A Revolugio do século’ XVIII, comas divisas da liberdade; igualidade e fraternidade, foi desencadeada para implantar um constitucionalismio concretizador de direitos fundamentais Nao 36 abrangeu distintas fases, seifo que perfilhou, na sua lon- ga jomada hist6rica, outras Revolugdes que lhe foram, & primeira vista, antagénicas. Antagonismo, hoje, comprovadamente de apa- réncia, porquanto nunca bastantemente forte para destruiro fio se- ereto ¢ invisivel de continuidade-e'congruéncia com as metas emancipadoras de teor fundamental, conforme a Revolugio Socia- de 1917 jé demonstrara, por seus efeitos bem visiveisenotérios. Outras comogies, cuja violéncia e sangue o mundo vira espar- jr em duas conflagratiés utiversais, assinalaram o,século XX, con- Fiuindo, pelos resullados alana, para estabeleceraqula com patibilizagio bisica a que nos reportarnos. io Padece dvida de qe tos eitesabslos profundos osten- taram a forca inipulsora das transformacSes de consciéncia que, afi- nal de contas, tomaram possivel}é advento daquele derradeiro mo- delo de Estado e Sociedade, Um modelo que faz transparecer quan- too novo Estado estampa uma identidade essencial com legitimos interesses do género humano. Jé nfo é tio-somente uma filosofia de direitos, mas a propria normatividade:desses direitos que abre c nais de comunicacéo -e perpassa as fronteiras da soberania até institucionalizar, num pacto transnacional, o respeito da Humani- dade aos direitos fundamentais, ponto de partida para a futura Constituigio de todos os povos. [Nesse sentido caminhs o Estado social, ¢ ai se deve discemir a diregio vocacional de seu espirito clvilizador e progressista, rumo & una Socledade onde, em tubstitigdo do cidaise do patria, se ergue 0 cidadao do universo, o homem da polis global Mas, enquanto esse'horizonte ainda s¢ desenha em linhas cur- vvas, timidas; esfumacadad, indecisas e fugazes,'cabe advértirquéa Histotia:viva nfo vatila tém recua. Dotada de uma dindmica pré- pria, peculiar a cada povo, vé-ela-representar em seu paléo avluta pela conguistee edbrevivargia daguelesmindelo, salvo, obviamen- te, por obsoleto, o:primeiro — 0 do Estado liberal classico ~, que tere lana aualdale einportincte durante ostculo XIK mis, de tiltimo, se.acka, por sem ditvida,de todg.ul 2 ‘ De feits, seria, de-estranhar quesassim nio.fosse, porquaiito'as distintasisociédades nacionais exibemidistintos grausde'desenvol- ‘Vimento' politico; uritas,mais atrhsadas,outrasimais adiantadas,no INTRODUGAG. 35 le toca ao exercicid dos macanismoe consagrados. efetivacio'das Thberdadesescencini Serta tendaquelas soctedades apartadas, por completo; da:normalidade do regime democratico e lie no konhecem sendo da mais. primitivarautocracia, cul- furalmente legitimadlos porumia obscutasttetiadigiode poder pes. seal sem limites esem contrastes, poder que raramente evolve ou se transforma, aniosger.com extrema ifeublade elentidao. .y_, Dissolvido o socialismo do partidoriinico e da ditadura, decre- tou-se; por igual 0-fim da scononmja dria asin como % termo de desloge gi es serviam de sustentaio, Nunes se lowvou a economiade mercado do capitalismo quanto agota, apre andoysevirhades que ihe seria inltas. Os repaursdones aetartore HEE ds prgmetores vitoriosos de umacclerado retomo.ao Estado liberal. Tudo porém, A sombra de liberalisme que, até cert Ponto, desfalcaecontradizaesaéncia do Estado soda Com efeito,a solider, a estabilidade ea prossecucdo dessa vti- ma variedade institucional chegaram a ser contestadas mediante o ehorcismo da Estado e dé seus instrumentos de agio. Relegados estes a um desprezo.tebrico, isso deixa o Es tado deser prontumente iwocadoeutlizado toda vez queton inte resse-empresarial mais influente, nascido das situagoes de emer- géncia, dele se pode valer para embargar crises ou remover emba- aqos funcionais da prépria economia capitalista, 4 Revessio, protecionismo e crise desmentem a ls dos milagres, visto que fazem renascer os mesmos datirboe one cos e mazelas politicase sociais tio familiares 4 evolugio do capita. lismo, Estamos, assim, em face de um capitalismo que, de necessi- dade, nio pode prescindir do Estado, cujo conceito nao envelhece, ftomeadamente tratando-se de Estadotd6 Tercejro Mundo. Aqui, sema presenga dé tdo poderosa alavanca, inevitével seri 4 recaida no colonialismo da primeira época industrial ~ de todos se.gplonialismos, o thaig reftitério A emancipagio dos poves. paren Estada social.teve tantanha ductilidadeye atualizagio Subjugaras-crisesA: conjuntirappalities.do Brasil-constitucio. fal fazo advento desse Estado nfo 26'indedlinivel, send deveras imperativo, : *1gOés, oit dimens6es; ¢ cuja concretizagioise un nhadapela Grande Revolugio doséeulg XVill sma 36 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Noa. vivemos e viveremos sempre da Revolucio Francesa, do verbéte:seus:tribunps, do,ppensamento de seus fildsofos, cujas te- ses, principios, idéias e valores jamais pereceram e constantemente se. fenovam, porquanto-conjugam,,inagredaveis, duss legitimida- das, duias vantadex soberinas:a do:Pove.ea da Nacio. ~ “Afldla REDO prose, assim até char aos ois dt com o Estadé cial cristalizado nos prineipios da liberdade, igual- dade fraternidade. Umavez universalizados e concretizados, hao eles de compors suma:politica de todos os processos,lelibertagio doHomem i,” "Os esttiterés politicos do'Séetilo XVII, quando tiverém a intui- fo. statis Sociale Proclamaram a legitimidade do podef demo- Eratico estsWain |, sem Yaber; formulando e decretafidd} comm dois SEES te ahtevedlencia’as\ Bakes da fara Sb ‘ 20 Estat Liberal ao Estado Social, tese de concurso de'cktedra a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceara, apare- coudarantea década-de'50; ¢ hunca foi tio atual nos seus fund: iments filosbicdsjuridicos e sociais quanto nesta época em qué a decomplosigitdo poder sovietico, jf ocotrida, paréce haver mud: dostfacedoniando, ~_ . Sem haver logradé &xtinguir o socialism ~ 0 que, als, se nos afiguraimposiivel —, 0 capitalismo, conservando insoltiveis os setisigraves'e crutciaig problemas, continua: muito.cqntrovertido-e impugnado; sajelto anovas.e futuras contestagées sociais. “A cétedra dispuitdda naquela dcasia era a de Teoria, do Estado, instituifda’ por ensejo da’ditadura civil do Estado Novo de Getilio Vargas e,iiais tarde, transformada em Diréito Constitucional I, por obra da reforma introduzida no eurriculo universitario. ~O Prograrha dé'Teoria Géral do Estado, da, época, no sé cir- cunsereVia apenas'a parte tecrita do irelto dBnstituciénal genio qué seivraiorde abrangéncia fazia a singular disciplinacoincidir, em Esnclipast colts cidncin polten|A findamentacio trea do state; portcdnseguintesida-ordem juridica.positiva compunha a espinha dorsal de toda a sua temética. ostuiio podia ser; portantd;mais atial « matériajue slegemos por objeto de tnguirigio maquelesrifporEra x década deretarno'sojus- raturalismo © de:profugdo:désalentordutrindriocomasiformulas clissicasda ciénciardo:dintito positive; nomeadamente do direito HMiblic,asventadas sobre a tradighode us fornaiamo professedo INTRODUGAO ” for jurists do porte de Gerbur-taban eeline. até chegar nak ‘mativistas puros, do quilatede Kelsen, chefe da Escolatde Viena O legalismo positivista desptlitizara, de'certo modo;‘o Estado, 420 rebaixar ou 'ignotar ‘o'coricettt de legitinhidade, ‘distolvido no conceito de: legalidade,- Manifestavaiessa -posigio estranheza ¢ alheacio absolutsca:valores efing)De'talssonte que, exacerbando.o neutralismo: axinlégico,e telealégico;.fazia prevalecer,iacima'de tudo, 0 principio,a legalidade. Bfetivamente ficava, por in teiro-d9 centro das reflexbes sobreo Dinstoo problematrtial da legitimidace, numa concepedo assim de todo falsa e, sobretydo, jé ultrapassada."Porquanto o mundade nossos dias 54 tem visto.cres- er a importancia que ainda ¢atribuida aquele.principio.....v-. Nossa tese reflete, emlarga parte, aquela fase grandemente em- bebied do pessiinisma ts gusty fia eda fminenda ao taloerasto nuclear. Coftsecvavacse Viva a: meméria.da tragédia que fora a 01 Grarice Guetra Mundial o 8 Bak vial grad ‘Fessent ea Oak 198 <0 espécie de capitalisina cujos ecros grayes se acumulavam so redor de dima forma de Est ic inpolent \enser cise de to yastas Proportées qual aquéla do Estado ibgral condevado, atroncion mar-seou desaparecer. Mas, de>aixo das presses sociais e ideol6gicas do marxismo, 0 Estado liberal néo sucumbiu nem desapareceu: transformou-se, Deu lugarao Estado social. pareseus tanslormons Com efeito, a sobrevivéncia da democracia limitada e represen tativa reagia a proclamada lei da infalibilidade do advento do so- smo, que seria acelerado pela queda iminente e inexorével do sistema capitalista, conforme 0 pressdgio dominante nos circulos mais influentes do pensamento da época. Como se fora uma sentene ade morte lavrada por compulsio ideologica _» N30 podia, pois, a Sociedade liberal achar outra férmula de scbrevivinci senfo a que apontava para os termoe participa os, consensuais e pacificos.da democratizagio progressiva da civ dadania, P = Semocrateasio progres Em suma,tratava-se da mésma fSrmula gravada em nossa pre- coce e recuada andlise sobre o Estado social, tao distanciado, entio, a sstematzarfo doutrintria e dos pubiistas que ainda noha viam percebido o aleance da clausula constitucioral introduzida Lei Fundamental de Bonn. rat introdsa na Ott da Ll Maior lem postvar, jurdicamente, princt- pio de unt novo regime repassado da unio conciliatoria da iberday de coma isonomia democritica, debaixo de uma i= | novaque vi- ae 38 DO ESTADO LIBERAL AO. ESTADO SOCIAL nha restaurar anogio de Estado, tio lacerada pelos excessos autori- tériosidas décadas.de.20 e 30. Tai excessos perpetridos poridéo- i ‘gonfiscaram as liberdades do cidadao, convulsionaram 0 olitica: propiciaram b advento das ditaduras, Positivado como principio regra dé um Estado de Direito re- construida:sobrens “alores da ignidade'darpessoa hurnana,\o: Bs- tado:sccial.despontou para concilie de formadiiradourale'estivel a Sociedade-com otf tatlo,conformeiintentainios démonstrar:O°Es- tad social de hoes, portanto, a chave dis démocracias’do futuro.) % “PoRitdS Priméife MGido, Bose SeieahtaAli importa tudo se eifri'nessa'dltemativa:Estadd Sodial bit ditddura, Sém Esta do social nic ha deinodrtidia, e seth detmoccracia Ho ha légitimidade. fidtas rBflexdes ‘lil expehiteas fist eames de anual Signi da prédenté * ard ‘aide ia tendo PAPE Bebe pati de te sécuild, Actestentor -vivj'por ehseo da Quinta eiligdd, ann Captule bride o quit sumtriamente sobre x Revoliigio Francesa fd se diz cor muito rigor’ propriedads. Seno, Eodlira-de Som 4 anslise feita a Her- menéutica das Revolugdes. Capitulo 1 DAS ORIGENS DO LIBERALISMO AO ADVENTO DO ESTADO SOCIAL 1.0 problema da litendede edo Estado como problems de resistencia 20 abslutsmo,2.O diet natural di urguesia revolute: tem poe 0 "teretv estado". 3. Da constldapo do Estado liber comego de sux tranformagto. 4. A separa de podees, dogma do constticonlismo da prea fse (Locke Mortesquiew 5.0 Esta 4p teratdemoeritco, frto de wna cntradito doutindri. 6 Viertandte 0 penstmenio poltico alerze. 7. Critic ao liberals ¢ cadverto do Este soc. 1. O problema.da liberdade e do Estado como problema de resistincia ao absolutismo © problema da liberdade, para qua exata compreensio, deve set posto-em,confronto dialético com a realidade estatal, a fim de ue possamas conhecer-lhe o contesido hist6rico eos diferentes ma- {izes ideolégicos de que se hd reves, até aleangarmos, no mo- demo Estado sosial,.25 linhas mestras de sua caracterizagio na consciéncia ocidental contemporanea, : « Trata-sede.tema.recothecidamente controverso, jue agitou, de funda, 0 pensaménto:,politico: da [dade Moderna, m ankandors, através de.seu,estudo, a propria conquista da HeMOsTACRG Sie Fo Para colocarntos'o problema ta libeitidde na esteta do constitu- cionalismo ocidental(iberl e social-democrdtce)€ indiepensdvel termos sempre em conta o Estado burgués de Direito, de qué nos fala 0 [DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Carl Schmitt, ou 0s conceitos histérico e racional-normativista da Constituisio, segundo o esquema ibérico de Garcia Pelayo. Na doutrina do liberalismo, o Estado foi sempre ofantasma que atemorizou'o individuo, O poder; de que néo pode prescindir 0 ordenamento estatal, aparece, de inicio, na modems teoria const tucional como o maior inimigo da liberdade. Foi assim que o trataram os primeiros doutrindrios do liberalis- mo, a0 acentuarem, deliberadamente, essa antinomia. 'A Sociedade representava historicamente, e depois racio- nalmente, com Kant, a ambiéncia onde o homem frufa de plena liberdade. + O Estado e a soberania implicavam antitese, restringiam a liber- dade primitiva. 1 Hipnit d cBasthiigho do Estado jtiridico, cuidavamos pensadores do ditaite natural, pfiraipatinerite ostde sua variante racionalista, hhaver encontrado formulacio tebrica capaz desalvar, em parte, ali- berdade ilimitada de que o homem desfrutava na sociedade pré-es- tatal, ou dar a essa liberdade fungio preponderante, fazendo do Es- tudo sacanhado seevado individuo Com o advento do Estado, que nio é de modo algum um prius, mas, necessariamente, uma posteriori da convivéncia humana, se- gundo as teorias contidas na doutrina do direito nazural, importa- Va, primeiro que tudo, organizar a liberdadeno campo social individu, titular de direitos inatos, exercé-los'ia na Socieda- de, que aparece como ordem positiva frente ao Estado, ou seja, frente ao negativum dessa liberdade, que, por isso mesmo, surde na teoria jusnaturalists rotleado de limitagBes, indispensiveis & garan- tia do cfrculo em que se projeta, soberana ¢ invioldvel, a majestade do individuo. ‘Decorrertte déssa posigio filoséfica, temos o Estilo gendarme de Kant,'9 Estado: guatda-noturno, que Lasalle tanto ridiculizava, de- missionérié de qualquet responsabilidade na promogio do'Bémi¢o- imum: Este $6 se aleanci quidrido os individuos sé eritregam livre e plena expansio de suas‘energias-criadoras, fora’de.qualder ebtor- Vodenaturéza estatal. eh ‘A Sociedade, por.suavvez, na teoriaidoliberalismo;se reduz & chamadapoeira atémicadéindividuos, ‘ate elausiila-Kantista, do espeito-mmeituo da liberdaite de cada ‘um, converte-se em dominio onde as aptid&es individuals con- cefizam,aemargem de toda-esbogo ds coacio eetatal- 1 aressunghlehrespald. os . owe DASORIGENS DO LIBERALISMO AQ ESTADO SOCIAL 41 ‘© Estado 'manifestayse,.pois, como. criacio deliberada:e cons- ciente:da vantade dos: individuas Se consoante as. doutrinas do contratualismo social: » sompoem, aoe engine inp spent oigmante rege sedeixasse de ser 9 aparelhiode que se serve o Homem para sleane ata Sociedade, « spalizagrore seus fins. mem Pa 5 como-d Estada ko monapolizador de poder, odetentor da soberania, o depositario da coagaoiincondicionada, torna-se,.em de- Seminndoe meeronton sige clean cee, ermaze em: Bibi, sevaliagontraaGriador. + Daj o,zelo doutringtia.da Filosofia usnaturalista em criar uma seis dee seine dh poder «formu ig de meics que passibilifem deter.o sey extrayasament na irres ponssbilidade do grande devstador, oimplacivel Leviata 2. O direito natural da burguesia revoluciondria investe no poder o"terceiro estado”. : Foi assim ~ da oposigio hist6rica e secular, na Idade Moderna, entre a liberdade do individuo e o absolutismo do monarca ~, que nase ptimeia nogio do E446 dé Direito, mediante um ditto de evolugdo tesriéa e decantacio conceitual, que se completa com a fi- losofia politica de Kant. ° Pistoome Estado é armadura de defesa e protecio da liberdade. Cuida- se, com esse prdenamento abstrato e métatisico, neutro e abstencio~ nista de Kant, de chegar a uma regra definitiva que consagre, na de- fesa da liberdade e dodireito, papel fundamental do Estado. ‘Sia ésséticla hé de esgotar-se nuishi riissfo de inteizo alhea- mentoe auséncia de'iniciativa social, Ease primeiro Estado -de Direto, com'seu formalismo supremo, que despira’o Estado'de substantividadlé ou conteddo, sem forga criadora, réflete & pugna da liberdade coxtra o despotismo na area continental eutopéia. _A pugha decidléied rid itVintento de 1789, quando 0 direito satutal da burguesia reviliciéndtia invest no' poder o teceiro Désde que 0 evolver politicdida Idade Modema tomou, segun- do felineko carder irremediavelmente antinomico ja réeriao, 0 direito natural foia fortalezasde idéins onde procuraram aslo,tanto 08 doutrindrios da liberdade'como aside absolutismo, Seria, pois erréneo reconhecer na teoria jusnaturalistada Ida- de Média & Revolugio Francesa) ordem de idéiasyvotada exclusiva. ‘mented postulacio dos direitos do Homem. a DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL A burguesiarevolucionéria utlizouca para estritar os poderes da Coroa e destruir 0 mundo de privilégios da feudalidade deca- dente. E desse prélio saiu vitoriosa Daf porque'a pétspectiva hist6rica daqueles tempos nos mostra com mais evidéicia o prestigio da idedlogia que amparou 6s dire! toanaturis do Homem perante oEstado'de que aq oriunda de unr te6logo corno Bossuet ow unt flésot apregoava’o direito natural do Estado, encamado na opressio da realeza absoluta.” rer Esta veio a ser, por conseguinte, a cambiante vencida. Enquan- to, pdis,-o Estadd eo absdlutismo sq estearam na doutrirta da mo- Hafquia divina,Yoi® diteito'naturals maisnecesséria e conservado~ das douitrihas, conforie aésinalou, com rigorosa exacio critica, © jutista Kelsen: €m’andlise pertinente & evolucio conceitual'do jusnaturalismo. 3. Da consolidagio da Estado liberal ao comego de sua transformacao, \ Em suria, o primeito Estado juridico, guardito das liberdades individual, Heangou sea experimentagto histrica na Revolugio “Francesa. E tanto ele como a sociedade, qual a idearam os te6ricos desse mesmo embate, entendendo-a coo uma soma de étomos, corresipdndy sejuindo alguns pgisadores, entre os quais Schr, tdo-sbmehte a Concepgio Burguesa da order politica A burguesia, classe dominada, a principio e, em seguida, classe dominante, formulou os princfpios filoséficos de sua revolta social. E tanto antes como depois, nada mais fez do que generalizé-los doutrinariamente como ideais comuns a todos os componentes do corpo social. Mas, no momento em que se apodera do controle poli tico da sociedade, a burguesia j se no interessa em manter na pr tica a universalidade daqueles principios, como apandgio de todos ‘os homens.56 de maneira formal os sustenta, uma vez que no plano de aplicacio politica eles 9 conservam, de fato, principins cans: titutivos de wma ideologia de classe. Foi essa a contradicdo mais profunda na dialética do-Estado moderno. “Aburguesia acordavs 5, que eAtio despertou para acons- cigneia desues lberdadespoltea. All estava um Diretonovo, na teoria politica, que mantinha:principios cuja validez indiscutivel transpunha'qualquet idade-histbrica e se situava fora de quaisquer limitagSes de polo, meridiano ou latitude, como sea razio humana DAS ORIGENS DO LIBERALISMO AO ESTADO SOCIAL 43 Teismode Pascal so printeras erdades alee Infracetratura do grupalismohumang, sure? Ae sua na saad Prttensiosaniente, da doitrind de uma classta doutrina ce Diao dededjero ed Violéncid das objects qui mais tarde sulec- no amargo ce- tou, notadamente no século XIX, qudndo os seus do juridico puro se evidenciaram indcuos, ode lopli ee damente:abstrito, em face°de realidades socials imprevises ¢ anjargas, que rompiam os contomosde seu lineamento tradicional. saprichoss, dilatada e rica de expres- Feitos lindes lagu lto ‘de Procusto 1 doutzina dy rajlo.cuidava poder ‘da’ primgira fase do cons- is pede um.novo leito, Da Sabér, da id. i tleidhrtn incertae cease estate wie seoke mous asap ada «ARE ER AR ct aitltenart rep arteinsd na classe, 80 goving de todas'as classes. wort ca we va sobretudo, com invencivel,impeto,.rumo sguesia enuunciava-e defendia a principio de we? wave défeodia gpriociio da representagso. tilegos denen a eat or bon -iat.Frangay tio radical stiamaturaigiot cof stitucio | cance te ealizar-denmorio cb opembors ianeoto Eeeeeiiar Wisisambpeaber 8, coma yitéria on i Rexolugto Franessa. poi seutaratex presias de Mvolugho da bburguesiadevacaoa consumagiode; msocial, onde pate fRemastextos constitucionais,oteiunfojtotal doliberalismo. Doli- Bu RRe spette ado dacdemonsacaipm séquenda democracia i “yainops Ugur, «esate amg ot ioqrBistay aleangouray is, com 4 O consticionlomo de seclo Ie eramameren désangue, “ DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Mas; de qualquer modo, a representacao e a soberania popular Toc paras Spec, os quis sigifcavam,j, yma deologia do passado, com aautoridade rene Do ‘O mem pisavafirme'na estrada da democracia, e os seus combates haviam de prossegui some ‘fetivamente prosseguram, determinando.a:mudanga que houye,com 9 tempo, no sentido das Caer einctiutconais, cada vex mais exigentes de contetido dest 1, yaler objetivamente as liberdades concretas e digni- ‘Personalidade humana, ; Asbeparagio de pres, dogma do consttucionalismo da primeira fase (Locke é Montesquiet). eine cae 1é seu formaligmo ¢ de seu éxito Se tra ital, que resguarda os direitos da liberdade, compreendida esta, consoante jd dissertos, conto HBerdatledarburguesia:2 “F 7r bia libprdade the era iAd}spensAivel para manter 0 doiminio do obec Soult ra seme in vais classes, 7 Disco ndo advinha para a burguesia dano algum, sendo:muita vantagem.demsigign, dada. somplsta puséncia dé condicies mo. teriais que permutiscent ae massas transporas restrigbes do sufrdgio asl tChcoer Sotetaian fear forme Goda vontadd estatal’7 5: ° a Permitia, ademait, burpuesia flat ilusoriamente em tigriie de tee? 1G com oat ld proclamara, os quiais, em See Gaajeto, coho yt asstalames &apresertavam G6 pono de para toda a comunidadé Hitinata,’embora, na realidatextive ‘aiimero.deles wigéncia tio-somente parcial, cemproveito davlassequesfetivaments on poi ruin 7 + grin? iv RSA POUEALY! como VEremiss techie furdae mental de protecio dos direitos da liberdadé. Ad’ gerial Montes Guieivleversefusrmaig deabtia fortlagio/eiante aqueléteo, ris gaa tairito pi fe ‘Ros éxireds:tempos do constitucio- nalishno eldgsted) e que hoje) sujeita, f.a eonsideraveit retificacbes, jae the'atendarant a rigidexinicialétormclasevéraménte’comba- ida pela moderna e avangada teoria politica do constitucionalisino ficopaqqual, todaviayriip lherecusa.aiimportancia ¢o.papel hhistéricoquedesempenhou. 1% ae a DAS ORIGENS DO LIBERALISMO AO ESTADO SOCIAL 45, Coma divisio de poderes vishumbraram 0s tesricos da‘primei- a dade do constitucionalismo a solugio finatedo problema delimi= tagio da soberania. 2 A filosofia politica do. liberalismo, preconizada par ‘Locke, Montesquieu.¢ Kant, cuidava,que, decompondo a soberania na Pluralidade dos poderes, salyariaa ibersade. Fazia-se mister contrapor & onipoténcia do rei um sistema infa- livel de garantias, ; i. Essa doutrina & como se vé,o termémetro das tendéncias an tiabsolutistas. Segunda Gierke,o constitucignalisme trouxeinicial- mente consigo, durante os combates a favar dos direitos do,pavo, © enfraquecimento ea desintegracio da doutrina da soberania? A teoria tripartida ono, principio de or fo do Estado constituc tribuicdo de Locke Mon- tesquieu.' Este se. guivocadamente, no que spd uses eguvecadaent rogue spe res (Executive; Logislitive € Jidiciatio) estatiam inodelaf@aMne ge: parados e mutuamente contidos, de acordo com a idéia dé“duie “o poder detémo poder":(“le pouvoirarréte l¢-pouvoir”).5 wo A A divisao de poderes, por ser, rut est@hcia) técriy atdutdfadora dos direitosido individuo perante oorganismo estatal, ndo impli 2.-Todo o Uberalisma:ieevidualistrinspirmee ol pip area de chsticon& tendéncn menopolzadors da poder, tndncn gua trecenoeien acto estat. Dat segundo Labhol, “a, evesidade da cinco de tana ge de freiod destinaidos a garantir' iberdadt e's propriedae WMaividunis cata clas injustificdveis” (Gerhard -Laibholz; “Lalniatife éOles-formes'de-\aldéatodtatie”, ‘Archies de Phsophe du Dro et de Secologi frie n 34/10). 3. okey Athi und 4. Gusta Seller, Gn 5. Mént garni eas cont ngiticns arias rosea da iberdade indi dual CUesprt da yatme de a séparation dex pouvoir onsets 8 ptraugese Soe erin: oie de mon dept a Sissies ems a ps a ‘siestiavérs allsbisactitdansle cdsire-dirla thonarchie cinstitutionnella:; Lé faitquiane east inetnos repeteentaliveses convient uellementpardapaent py imation dela vlondé Gartque Ceah data Praline ne guriabe ce ot Je ingles ations “dns fe domaine dea liber ndividudle” ose 46 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL sariamente detgrminada forma de governo, e tanto podia Counpaddecerse como Estado democrdtico como, tumbérn, com a ‘monarquia constitucional. Era,em suma, técnica doliberalismo, muito mehés radical que Montesqiiieu, engendrow essa divisto apenas como ‘pfincipio de Iimitagio do-poder entre o mo- narewea representagio popular” * “uteadaect ruin ‘A despeito das raias que the foram doutrinariamente trag 0 poder dos feis ndo sai, em sia filosofia politica, tao Riruldo conto sei de super primeira visa, ratandose do prt Com eféito, além do poder éxeciutivo, cabé aos reis da nova mo- Harquia artiabolutist sbra do fildsofo, enfeixar ou- roepoderes stale poral ial: . . 1B, entre eles, pio’ dos, menpres o'ehamadé poder fxderatv’, ja Aenminacio 9, grspris aitor admite que ndo seja adequadass 5 9-5 als: - No entanto;,comos¢le mesmo confessa, pouco importa o nome, sea idéia for bem compreendida. - «E que compreende. Locke.por’ poder federativo? Inquestiona- velmerte, aquele poder pertinente is questbes de order eter, deguerra epaz; tratados ealianga, que se levantam entre diferent comunidades: = =) ayn Sn cena es aheieing rcp wn Geis em Eape pode USA hcg tetadniemedte que ique em dE EAE ree RT io ocorrene der dem edano. oe wt . ional r ,emipreendida por Lécke, tropesa, we neiagse Sea 4 teoria do,absolui}bino,-questanto se fortalecera,com.o-iricop sured dla pegwraringrardep praca polo da Idade Moderay-cua dota ne ae pole nuincaseparar grate pert pace SPT Tees ees oe ela ne a else it Save poder ila custou as. ‘a; Badin, a sobapanias.a Vaquiavel, a laicizacio contra asing renclas papaisya Hobbes, aunifiagio“pelo abeclutismo- nS sind aupbuing 7 Lathes ne Say ‘ he igs scl ee ot ese SSE SERREN & esi Fame foi jt, ‘ DAS ORIGENS DO LIBERALISMO AO ESTADO SOCIAL 47 mente, tanto de fato como na doutrina, o poder absoluto dos reis Perdeu sua razio hstricn, Novo momento dialético adveio, por jiiéncia, com a con- tradisfo estabelecida entre o poder Geshecessariamente abeoleto do monarca eos encatgos pe sdo povooprimido, Em nome deste, ¢ apenas noininalmente, reagiu a nobreza da Inglaterra nas revolugées do século XVII. E sua revolta gerou umn fr lesofo. Besse filésofo €aquele de que ra nos ocupamos Mas John Locke, como dissemgy, nlo emerge inteiramente triunfante em sua obra de cerceamento do poder estatal, Onde ele niais convenct, onde seus atgumentos ostentam mais de persiiasio; taramente igualada por outro pensador, é tio. soimente na teoria dos direitos ¢liberdades individeaie cones dine, tis oponiveisa sociedade politica *.. O.2élebre fitvro de Locke} Tratado sobre « Governe Civil, ficou lon- ge de‘alcangar os efeitos do' Espirito das Leis em matéria de conters _Shodo poder. : Ein Locke, o poiler se limita pelo consentimento, pelo direito fatural, pela virtude os governantes, de maneira mais ou menos Lst6pica Em Montesquieu, sobretudo pela técnica de sua organiza: fo, deforma menos‘abstrata. sot lsist inglés ainda ndo se capacitara daquele principio aé- Bio da éxperiéncia universal, referido por Montesquiee, segundo o gual todo poder teride a corromper-se.e todos os que o possuem tendehi a ser levados, mais cedo. ou maié tarde, a abusar de seu em- Prego. vod doiutriria de Locke emerge um otimismo que ele nio dissi- smidla, desprésciupagio que quase igriori'a natureza profundaments negativa do poder, . Ein Montesquieu o pessimismo dé ojacents A doutrina contra o Estado, na consideracio do proprio onferamento estatal. Em Lo-. gke, era como se bastasse afirmar que o Homem tinha direitos para ues Huntanidade de imetiato os consagrasse, persuadida da su- Perioridade ‘dd Seu sistema de idéias e: dé governo coméo mais con- Fe coméNatureza e a razio dos bomwne {SHO assis cotsicleraioes prelimiratés iidispersaveis para assi- nnalar lucidamente a largueza ¢ a ingenuidade com que Locke, ibe. to cdi ‘concilia airida cot: esse tipo de realeza, jé miodernd, Ou seja, dotada de poderes ie iuecida, que viesse 4 fal- de poche, {nas mistlo 8 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Esse poder estatal, assim amesquinhadoe invalidado, quis 0 li- persia nate tarde perfilhilo, ab ‘completar-se 6 ciclo lagico de sua:primeira evolugio, da qual foram dltimos expoentes Montes- quleue Kanter wnse ou sae 8 A Mn bee ade, Alémeds'executivo'e do federativo;'a emibrionatia e algovtiesi- tante separagio. de poderespostuldaper Loc conferinao nar. i tuma tersgica extera depeder ~.siprenragativa, a queo pensa dedicao CapituloXIV doseu Treatise of Givil Gonernment..s : + Locke legitima'a prerrogativa em-nome'do bem.comum. Diz aque “muitas coisas hé para as quais.a lei nfo:prove meios.e-qiie ne- cessariamente devem ficar a-cargo daquele.que detém.env’suas mos o poder executivo, para serem por ele ordenadas,.na.medida ‘em que a conveniéncia ¢ o-bem.piiblica o determinarem?,(“Many things there are which the law can by no. means, provide for,-and those. must necessarily be left ta the discretion of him that has the execytive power in his hands t9,be ordered. by him as thé,piblic good and advantage shall require”)? Qrinteresse piblico representa, assim,.a medida da.prerrogati- ido Locke, jedade mais, simples, as lejs io me: ‘nos nuimgrosas é a agdo dos principes ou goyernantes, para preen- cher os espacos omissos nas prescrighgs legis, necessariamente mais extensa e vigorosa, Mas essa acio Ado se confunde nunca com 6 atbitrio, peculiar ao absolutismo, ade do pri - pata lund ranagecasho ao bem pablico,perde ela’ sua egitimacio € séus atos jd ndo se enquadram nessa esfera de poder que Locke denoniina a prerrogativa. Sio atos de absolutism, Ey9, povo, que conferira ao’ seu réi aquela faculdade de atuar desembaracadamente na ausénicia da lei sareaté mesmo contra a lei" —, tendo em vista medidas pertinentes ‘a0 bem publico, retoma o poder, de que nunca se desfez em-cardter definitivo, e passa a limitira prerrogativa real, uma vez qui 6 prin- cipe por seus atos,seaparfou do interesse geral. Essa capacidade de limitacio’ da -prerrogativa é compreenoao do sistema lockiano da distr buigka de poderes. ‘A prerrogativa compée-se, por conseguinte, de todos os pode- res remanescentes ou eventuais que-o principe passa exereet ~ € 1 trae of Groene Cnei Teen 38 BANE pcan sinyorgue Be nape #: Signaciente trent oan wom eens ae oh feet saa Le cen ae a ques fo de pov ace seus governittes, no silencio da let, ara estes, ot erecta rsa ea aps DAS ORIGENS DO LIBERALISMO AO ESTADO SOCIAL 49. 1uco importa que sejam eles-grandes ou pequenos, na dependén- Fi ratwralmente, de lacunas Vincaladas Lo volume da reese istente, maior ou menor conforme a complexidade do grupo so- ial ~, desde que os empreguie ett consonancia com o interesse pui- blico. Pots a'prerrogativa; para Locke, “nad mais é que o poder de fazer o bem publico, na auséricia da lel"(for prerogative is nothing but the power of doing public good without w rule”). A preivogativa lockiana Seiia,'s nosi0 ver, em suas conseqiién- cias mais favordveis &'monarquia, quando muito, o absolutism do bom rei; o-que 6 uina contcessao das mais largas e vantajosas ao,exer- cicio do poder real, iim degrau intermediario na evolucio para 6 li- beralismo antes que este chegue Montesquieu, a legitimagio, em, nome do'bem piblico, de ainpla e indeterminada esfera de compe- téhcia ao principe recém-saido do absolutismo. J4, a doutrina de Montesquieu, inspirada por um sentimento ra- dical de reagho ao absolutes nao pen cordescender com as (or mas mitigadas de limitacio,do poder, como, por exemplo, a monar- quia constitucional dos Estados europeus no perfodo imediatamen- te posterior as guerras napoleénicas, 0s quais adotaram um consti- tucionalismo bastante timido e moderado, em que prevaleciam air da principios deautoridade, tradigao e pasado. Cartas réacionérias, como a da Restquragio francesa de.1814, ‘mal podiam encobrir o constrafigimento com que 6 absolutisrio ce- dia lugar As novas idéias ¢ a avareza‘com que o Estado contra-fevo- luciondrio acatava os direitos da liberdade conquistados pela bur- guesia ascendente. Montesquieu foi, incontestavelmente, um clissico do liberalis- mo burgués. O que hé de mais alto na sua doutrina da separagio dos poderes, segundo o consenso dos melhores trstadistng,€ que nele a divisio nio tem apenas cardter tebrico, comoem Locke, mas corresponde a uma distribuigio efetiva-e pritica de poder entre ti- tulares que se no confundem.” vezes contra s. disposic literal deli” ("prerogative can te nothing but the ‘people's pemitting their rulers to do-several things of their own free choice where be aw vas silent and sometines too, against the direc eter ofthe law, forthe public good” — ob.cit.p. 111). . 9. 8 0. que-asinalam, por, exemplo, Bhunchli « Karl Laren (ste ex “Statspilosophie™,obra.em eolaboragio cam Gunther Holstein, no Handluch der Philosophie, Maniguee Berlin 5/4, p79). Escreve Buntsci, a ete respito: "Mais important ainda fo princio ds dase! sepragto desea tts poderes as pes tuo ergo aque haviam sido cometdes que ele o princi em prclanar om enerit «defend lom nome ds Uberdade plisca’ (Wistaigernock ar dst Frinaip der wuenschbaren Tensung deer dra Cewltsn in det Personen Set 50 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL 5.0 Estado liberal-democrético, fruto de uma contradieéo doutrinéria ‘rcunstancia de algumas monarquias se compadecerem com er ntcncs desleune ora oe ‘nagio histérica ce monarquiss consttucionas ~ que coresponde 2 abdicagh de seu carter absolutista ea uma ponderével conces- ‘so do despotismo ao poder emergente da burguesia, como classe sécinl, vanguardern da soberania, que, segundo Schmitt, apenas omindlmente recai sobre o povo ~ traz ampla evidéncia daquilo que jé acéitidmos, ou seja, de que a idéia essencial do liberalismo go € a presenga do elemento populaf na formagio da vontade ss tata, nem tampouco a teoria igualitéria de que todos tém direi igual a essa participago ou que a liberdade é formalmente esse ireito. : 1 que promana da teoria de Montesquieu é uma ne- sah PSS rae teat de Menges Cae a iediaria nb péraamento dos filbsofos ibe igualdade procede das vertentes do- contratualismo de Rounsedarde seu alamuctspacto soil, em que oatormentad fie sofo de Genebra, vendo o Homem de sta época'acorrentado a to servidio do absolutismo, rodeado de ferros por toda a part com a idadede duro que antecedeua cougiorstatal” 4 A igualdade, qual ele a conceitiou, néo contradiz.o principio da soberata, como acontecenafSmula de Monteaquien ao cones Flo, uma doutrina apologética do poder. st de ni, i ee ‘eget dc at a ‘Sigeiarartaeanlel gen mbeorates sh Srecapstantn ene bag cen ag Sida teen cas ee Bee feecertc Cee pode rae pina rvs pose slvr ea qua Be bis as nape cle ea Eas re Orn Bee peratures see CEs Sa ee ate ec ned pra terbee bien corte raisins accenceteet eee toda a forga comum & 2.08 bens de cada membrg, e pela qu a hs EE eames neater eames Seana Deceecbramacie iterate qacian qidied wiewrerasst mcitintepee ee EE SE ent Seccmnarveelieooed act ceoncatanreng Wl wow cle Trarlecontat socal donne ia souton” Jean jacques Rousseau, Du Cont Soil, ES aT Aaya DAS ORIGENS DO LIBERALISMO AO ESTADO SOCIAL 51 Rosseau nio o teme, e, na filosofia politica que precede.o.mo- demo constitucionalismo, é dos primeiros que resolutamente force- jam por acometer de frente o poder da soberania sem o preconceito de ver.no poder a antitese necessériado direito. Eo faz com pleno axito e brilho. Mas'a:teoria constitucional da Revolugio recolhe tanto as‘idéias dé Rousséauicomo as de Montes. quiew. E, por isso mesino, o que recolhé é uma contradicéo. Com efeito, 0 filésofo do:contrato social nas téve'a'preocupacio de con- ter a soberania mediante a dissociagio do poder decompondo-o em. esferas distintas eindependentes. » Transfére-o, intaéto, do rei ao povo! Essa transferéncia nio foi percebida por todos os intérpretes da déutrina politica, alguns dos quis, com demasiada superficialidade, viram nesse deslocamento da:autoridade mera translacio do absolutismo do rei para o povo, conservandosse,’assim-aberta 4 porta que conduzia aos regimes despéticos.: . J [No éritanto;é tblonté générale do fil8tofo romanticé e moralista, segundo s poterada tited de Del Velthio,encerra precisamente a singuléridad de tevestir o poder dé'eardter juridito, fundado no consentimento, dando-se gra reitos naturais em direitos civis." Na sociedade estatal,’a libéttlad’primitiva, para sér parcial- mente recuperada, fez-se liberdade juridica. A organizac&d' politica restitui aos individuos, através da lei e da participagdo ha elabor: ‘glo da vontade estatal, os direitos que:estes Ihe haviam cometido, limitando a prépria liberdade, ao estatuirém as bases do contrato social. Se nko, vejamos o que a este-respeito nos diz Del Vecchio, ine terpretando, com exemplar corresio,'a controvertida doutrina de Rousseau: “Segundo Rousseau, urge concaber da seguinte maneira ‘2 contrato social: Faz-se mister queos individuos confiram momen- tanéaiente os seus difeltos ao Estado, o qual, em seguida, os resti- tui a todos, mudando-lhes os nomes;jé ndo se chamam direitos na- turais ¢ sim direitos civis. De tal modo que 0 ato, cumprindo-se igualmente piard'tddos, ninguéth bai privilegiado, e a igualdade fica desse modo preséivada. Aderiais, cada aad ‘conserve sua liberdas de; porqivanto's'idividdd se'toina Sidito unicamente em rélagto a0 Estado, quie 6a sintese is liberdadesindfviddais. Por essa espécie de novagao, ou de transformagio dos'direitos ‘naturais em direitos ci- vis; tém-os cidadaos,asseguradosipelo Estado, os direitoswqule pos- contrato a transmutagio dos di- 11 Mazel Djuvca, “La pense de Ciogpio Del Vecchio" Archies de Phsophie iu Dra et de Scifi, 19979. 216, «Paso Bonavidea, Dos Fis do Erde (Sintse des Principat Doings Fel as pp 243, 52 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL {am j& por natureza” (diz: Rousseau: “il faut concevoir le contrat Socal dela manidre suivante il est nécessaire que les individus conférent pour un instant leurs droits a I’Etat, lequel les redonne tensait a tous, on changeant leur noms; ce'he seront plus des droits naturels, mais des droits.civils. De cette facon, I‘acte étant également accompll parous, personne ne sera. privilégié I égalité est done assuré. En outre, chacun conserve sa liberté, parce que! individu se rend sujet uniquement par rapport & Etat que est la synthise des libertés individuelles, Par cette, espéce.de novation, ou de transfor- mation des droits naturels en droits civils, les citoyens se sont assurés par I'Etat les droits qu’ils possédaint déja par nature”) ‘A contradigio, entre Rousseau ¢ Montesquieu — contradigio im qus onesie doutrna liberal democratica do primeiro estado juritico ~ assenta no fato de Rousseau haver erigido como dogma 2 doutrina absolute da saberania popular com as caracerstcns eo tencias de inalienablidade,imprescrtbilidade e indivisibldade, ue se coaduna tip bem, com 0 pensamento monista do poder, mas duesplide a 8 pluvaliamo de Montesquieu e Constant, os quals abracavamia tese de que 0s poderes deveriam ser divididos. A ideologia revolucionéria da burguesia soube, porém, enco- brit 0 axpecto contraitério dos dois principios e, medians sua vinculagdo, construiu a engenhosa teoria do Estado liberal-de- mosritico. -. Esse seria acometido, depois, jf pela reacio conservadora da monn et ert de npledona chien doutinaria do: hator- Tomo, Mipela insatisfacio social do quarto slado, que percebia com ritidez o rumo divergente, contradit6rio e espoliativo em que evol- ‘Vian 03 dois principios, 0 dentocrdtico e o liberal; quando de sua aplicacio conereta As realidades sociaise politicas. Liberalismo e demoératia nem sempre coiincidiram e se conei- liaram em sua verdade conceitual, como nos d¢monstram as sabi refleides de Leibholz.”” } Jo ese trataista do dirsio priblico. alent, o encontro hisigrigo,do liberalismo com a dempcracia, como aconteceu na ela- PORE an printipios da Revslugho Francesa, norteada pelo pen- samento de Rousseau, Voltaire e Montesquieu, “tem carater conti gente enko necessério ou inelutayel”. : Criticando os autores que admitem a democracia associeda 20 liberalismo, defende Leibholz a tese de que esses dois termos po- 12: Phiosophiedu Droit, pp206-107 13.0b.ctp.135.* DAS ORIGENS DO LIBERALISMO AO ESTADO SOCIAL 53. dem ter significagio e contetido opostos e que a sintese tradicional deve acolher-se com rara reserva, por traduzir aperas. comunhio histérica de interesses nos combates travados contra o inimigo co- ‘mum, a saber, o Estado monarquicoautoritirio. Dal o cariter liberal di democracia nioderna como decorréncia da tenaz oposigio que boa patte da filosofia politica dos séculos XVIfe XVIII moveu contra o absoltisiio. Isso ndo exclui, todavia, segundo o professor de Goettiigen, a verdade de que “no curso. da histéria a democracia nao, se tenha aliado a elementos antiliberais, do mesmo passo que o proprio libe- ralismo aparece consorciado com a monarquia, sob a forma de mo- narquia constitucional”. Afirma, ainda, o inelito publicista: “A possibilidade de dissociar a-democracia do liberalismo se cinge, em ditima anilise, & distincéo dos valores fundamentais's0- bre os quais se baseiam. O valor essencial que inspica o liberalis~ mo.no’se volta para a comunidade, mas para a liberdade c ra do individuo dotado’ de -tazao. Partindo desse pento-de vista, havia o liberalismo desenvolvido um sistema metafisico completo, fundado na fé de que uma solucio racional total podia resultar do lve eoneurso das opniGes individuas em todos os dominios da “A importincia que tem o individuo para contetido de libera- lismo cléssico manifesta-se, com particular relevo, no fato-de qq originariamente, 0 valor da personalidade era concebido como il mitado e anterior ao Estadd. E 0b esse aspecto que se introduz a doutrina liberal nas primeiras Constituigées escritas, as. Ca | americanas e francesas, cujas teses adquiriam, para a democraci beral, o valor de uma profissio de fé religiosa e mistica, Nos Es dos Unidos, essa mentalidade fundada na crenga da personalidade soberana.e ilimitada do individuo, precedendo 0 Estado, se mante- veaté o fim do século XIX, gracas A.atitude conservadora da Supre- Corte” ("La possibilité d’tine dissociation dé la démocfatie et du, libéralisme se ramérie, 'eidemniére analvse a la difference ‘des ‘Waleurs fondaméntales sur lesquelles ils! se“fondent'La valet essentielle que inspire le libéralisme n'est pas oriextée ‘versa communauté mais vers la liberté créatrice'de l'individu deué de raison, De ce point de vue,-le libéralisme avait bieoppé un systéme métaphysique complet, fondé sur la foi qu’une solution rationnelle totale pouvait résulter de la libre concurrence des opi- 14, Gerhard Laibhols bt, p.136, sat DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL nions individuelles dans tous les.domaines de la vie (..) Lim portance de l’individu pour le contenu: du libéralisme classique fpparat avec un rele particulier dans le fait qu’ Yoriging la Valeur de la personnalité était congue comme illimitée et précédant Etat, C'est sous cet aspect que la doctrine libérale s'est introduite dans les premigres Constitutions écrites, les Chartes américaines et frangaises, dont les théses acquéraiéht, pour la democratie libér la valeur d/une profession de foi religieuse et mystique. Aux Bts Unis, cet espfit'fondé éurla croyancea la personnalité souveraine et Impossible litter de individu précedant Eat, «est mainter, jusqu’a'la'finrdu XD sidele, gre a I'attitude conservatrice de la Cour Siipréme”):* Professa a mesma opiniso Luis Legaz y Lacambra, em seu estu- do Derecho y Libertad, quando lembra-que liberalismo e democracia sio,idéias.distintas, “embora tenham.andado juntas ¢ aparesam ambas comeiprodutas do sepirito mederno e consubstanciais coma realidadedo, stado oriundo da Revolucio”.* ‘Acreseditéssetratadlista’que foi Ortega y Gasset o prinieiro a enxergir-clato no theio-do'denso nevoeiro-que envolvia aqueles dois principios politicos, quando afirmou que o liberalismo era ‘uma idéia aristocratica que nada tinka que ver com a democracia, E, mais adiante: “A relagio dialética ~ atragio e repulsio ~ de liberalismo edemocracia, ou, se se prefere, a tensio entreos valores de liberdade e igualdade, constitui a esséncia do drama politico de nossos dias”.” O erro dé Lacamitira, a0'fazer 0 ‘panesgirico de Totqueville, © ariéochta libel, que ele compara a Caf Schmit, & labre tebrico do nacional-socialismo, tencido mas nao convencido, consiste em su- Bor aue.ra Revolt Francesa tanfou o Princ ‘democratic. it teoria; ’possivel. Narrealidade, porém, a vitbria foi apenas par- «ial, icando no meio'do eaminho a concretizacéo da doutrina de- mocrdtica Exprimea Revoluglo Francesa o triunfo de uma classe ede uma nova order, social. A ordem politica, rio entanto, saia daquele em- bate ervolta.no,caos.¢ na contradigao das doutrinas que derruba- ram ancien.ségime, . Antes da Revolugéo tudo se explicava:pelo binémio absolutis- ‘mo-feudalidade;fruto deeontradicaojé superada. Depois da Revo- 1SiGethard Labhots abet pp: ASEIOR. 16.0. ct, pp. 87-88, 17.08 it pp. 87-88, "dos focos de inteligénciachumana que ifuuminam, as vezee, de stb. DAS ORIGENS DO LIBERALISMO A TADO SOCIAL 55 lugdo, advém outro binémio, com a se‘ e versa inéria? democracia-burguesia oudemocracialibe ‘mon Gouringin Antes, o politico (0 poder dori inhaascendéncia sobre o aon Ein eft Sor ea medina are SEP industrialismo) que iniialmentecontrolaedirge o politico (a genoct “a Toe erando uma ¢ 's mais furiosas contradicbes do séc Dissemos inicialmente porque, depois, 0 eauilibrio se m , depois, o equilibrio se rompe coma pugna ideolégica, qu reprimiu edesacreditouo antigo pa principio teria que aderir, num processo adaptativo, o qual, é& brig, importa porsveis alteragoes de natureza essencial, Toda andlise que se fizer das Constituigdes que tiveram seu ber- ge ¢ sua génese na profunda transformagio politica a.que assisti- mos, apés6 ultimo conflito mundial, ha de.evidenciar, & saciedade, i diviséo de poderes, é, em nossos dias, principio atenua ‘em franca decadéncia doutringria. + presipo tera, Data: colocermos emela de debate a certeza de versirmos te- sma que:denota, com:clarezai9;sentido peculiar em.queevalveu 0 constitucionalismo modemo, queinko segue a rota dsindjvidualise mosradicional,avorecide.eamparado pela separacio classics xmas -envereda pelos, do social, visando.nisyapenas aafiancar 1. Afonso Arins de Melo Franco, Estudos de Ditele Gonsttucional pp. 156/157. 66 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL a0 Homem os seus direitos fundashentais perante o Estado (princt- io liberal), has, sobretudo, a resguardar a participacio daquele na rmigo da'vontade’ deste (principio democritico), de modo a idlizit’8'appatelho eétatal para uma democracia efetiva, onde os poderes piiblicds estejam capacitados a proporcionar ao individuo somacada ver maisamplade favores concretos. | ‘vio todo esforgo que buscar outra diretriz para eluci- tes do constitucionalismo moderno, respeitan- {Ye ao sistema emque se apdia.a técnica de distribuigio de pod ‘No-entanto, essa oscilagio. politica’ para a igualdade, que em, nosso século ¢, sobretuda, osilagia de.cunho social e econémico, revela-se como antinomia perante a liberdade classica, que o século -sonseguin igo principio liberal, ora em de- St a eee serevens nal ‘Principio, aparecey rudemente imolado. Foi isso si Neen eget tle tieeatataecs 9 cer chp ideplogica do Estado liberal- ie SE secretes ‘esse fato teria alcancado no dominio ikerdade humana, 2 tinnortdncia e justifizagia higtériea do principio da separacao depoderes ..., re Cabe;'prélinlindemetite, o exame da doutrina da divisio de po- eres, sua orighif ¢jlltificagio, ” Quanto a6 derradéiro dspecto — 0 de sua justificagéo -, chi- dames imprescidveisalgumas reflexes, vito que noses tse nfo despreza nem menoscaba 6 principio em aprego,-reconhecendo-Ihe toda finpoririahistrin que teve ea conveniénca que spre” séritou em ‘determihado'mornento dos embates travados pela sofia politica do século‘XVIIL; com sua vocagao profundamente cri- tice ¢ racionalizadora; dé antagonismo aos lagos da autoridade eda ‘reo feito i ‘época de revolta, em que a ideclogia asnadurecera para formas de coneretizacl6 social imediata, Precisava-sé-sepultarnos:éspiritos'aIdade Média, 0 corporati- vismojisfetidalidade'e seus privilégios; o absolutismo do rei ¢é sua contradigiotoinaliberdate moderna — oc Dilifade elorganicisiig sdeial de outros tempos nas vastasanti- teas qué haveriam de eifipréstat Feigao mécaticista &'sociedade e redutiro corpo social a uma poeira de &tomos, refletida nos exage- 708 da teoriaiitiividualista. : O ESTADO LIBERAL E ASEPARAGAO DE PODERES 67. As idéias da Reforma e da Renascenga, reinterpretando a Anti- gildade cldssica em desacordo com Aristéilese Plato, para fur- a, .0 direlto natural Inicizado, as bases politicas do Estado libe- ral-democrético, alcancavam agora sua, indisputavel sobre a conscitncia politica de todo um steulor SP Langadas estavam, pois, io terreno ecorémico, politico, social e filoséfico, as bases da grandé renovacio. Esta se produziria com 0 trauma revolucionério de 1789, quando ascende ao poder o tereeiro estado, a burguesia, constituida-depois que o comércio e a indis- tria, no século das conquistas e navegagbes, entraram a romper 0 acanhado espago da corporacio modeval, de estreitssimas lac ses de producio, para ganhar os mares, assinalando, por esse 9, passagem dla economia urbana para a economia nacional, com todos o8 efeitos de universalizacio de mercados e dilatacio erescente dos interesses econémicos. A burguesia triunfante, ao soar ésse ensejo historico, enfeixava todas os poderes ae jatfcavn socaiments come mow sane ~minador comum de todas as classes, por cua liberdade — uma li berdade que, de modo concreto, s6\a ela'aproveitava em grande Parte ~ havia tergado armas como despotismo vencido. Como se v8, titulo de representagio da iberdade fora usurpa do pela burguesia, Em verdade, o que ela representava era uma liberdade de cu- nnho politico, que se compadecia harmoniosamente com os seus in- teresses de classe social preponderante e com a ordem de relagdes secondmicas que sustentava, como forca vanguardeira da Revolu- sao Industrial incipiente. Nato havia de custar muito & critica pés-revoluciondria das pri- meiras décadas do século passado resuynir todos os erros, lacunas € imperfeigées daquele conceito de liberdade, seu normativismo va- Zio'e os inumerdveis claros que apresentava, declarando-o, por con. seguinte, inoperante para prover as necessidades e reivindicagSes sociais das classes desfavorecidas, maiqrmente aquelas que com. punham os escuros quadros da miséria urbana e proletaria nas mi- nas efabricas da chamada Revolugio Industrial. 3. A burguesia e o triunfo do liberalismo na Revolucao Francesa Quem participava essencialmente na formagio da vontade es- tatal em face d¢ novo Estado liberal-democratico? A burguesia, sem duivida, a cuja sombra, em nome do payo, se ocultavamn inte- resses parcelados da classe dominant. 68 BO ESTADO LIBERAL AO.ESTADO SOCIAL s.restrigbes ao, sufrdgio, antes.que a democracia abrangesse, ee eS i tedas as causes, ptentean que ‘a. Revolugio Francesa nao, erropera a totalidade pe iesios se Sbstauiam, a,participagio ativa, co Povo, DA, xe ag obgtalans a particpasie AB pa oe et litico, foram, sobretudo, as de liberdade, en ies Tengu see eats hun sentido de 4 “burguesia precisava da liberdade,re 0 Estado liberalkdermo~ critica, aspenta go naqusle foraalismouridiea queen Kant haga sua;fermulagio, ‘acabada; erasum Estado, destituido, Conteido, neutralizado parastodo atd de intervengso:que pudesse fembaracar.ja livre iniciativa material e espiritual do: individuo, 0 ‘qual, como soberano, cingira a Coroade todas as respansabilidades sociais. ce " Esse rei,quesa ideologiadoséculo, XIX comesaria depois: ades- tron verse Smith m incomparsvel sro, que © coloearay tambsm, como'eixa de gravitagaa de outro;sistema, nko menos fur damental — oecondmico. *) 5 7 si wrens be 7 a ia, com o long tifoei coritra o al sexiness come ngs i i mocratico, erguido pelo constitucionalismo pés-revolucionario, © Principio liperal tiunfara indiscutivelmente sobre.e principio de- moet . Ht, . “ {jf assinalamos, recoihese-nele’menos « doutring Rovsoaue ‘ade Montesquieu. 6, uma soberania una antepoe sea soberania parcelada ou pluralizada dos poderes que se divider. sma de.garantir oindividuo, de rodes-lo de protecio con- aa terug ein oes © negatioum de que emanamy-as piores ameagas aq vasto circulo des. dnveitos individuais, que a:Revolugdo havia erigido em dogma de, vitorioso evangelho!palitico, - Assim se explica ‘a origeni do célebie principio da divi poderes? Soa. - Cabe aqui, sem divida, menglo dos filésofos que Ihe deram fundamentagio tebrica, antes queo vissemos aplicado’par viarevo- lucionéria: We tat in " euliia d aria consti € 2 4 sifeuliie da separate de. a poms sicuccng jel ETS AASB HEAT sera ence csi ae Fae on und Ws Dee sie. Snes utd sien OESTADO.LIBERAL E A SEPARAGAO DE PODERES 69 Mas essa divisio néo se prende apenas a uma racionalizagio doutrinéria,.a maneira do que.fez Montesquieu para a Franc, quando elaborou as bases tééricas do principio, a saber, em obser- Jagbes colhidas na vide consttuciona ingles, sem embargo de a critica dos tratadistas haver subseqiientemente comprovado 6 en- gano do inclito fil6sof6 liberal, enigano que, segundo certo autér, foi *o mais fecindo” dé que hé noticia na historia das idéias politicas da Humanidide, porhaver permitido o advento do constituciona- jismo democritico.” Dizemos critica dos tratadistas, fnas houve excegSes. E,algumas abalizadissimas, como a do .insigne constitucionalista alemgo.Carl Schmitt, Acha este que Montesquieu nio'se iludira po exame da realidade inglesa. Torcera-a deliberadamente. Mas ndo da as razes que o convencem: No entanto; supomos encontré-las no fato de que Montesquiets sabia’ perfeitamente qui ali, outro era o sentido das instituigbes, outro 0 Seu organismo juridico, outra a mentalidade ; que se criara. Tratava-se'de sistema esteado ent tradigdes que evo, viam com lentidio, mas seguranca,e sempre significavam o fertale- cimentoprogressivo da liberdade: : A Inglaterra, com 0s seus bardes e sua ndbreza nunca ofuscada, no abolira de stibito a Idade Média eo feudalismo, que desapare- ceram mediante transigo vagarosa eretardada. O reijamsis pudera abater a aristocracia e sujeité-l r0 dominio, como no Continente, onde o monarca, dep truir a supremacia feudal dos fidalgos, se colocara ostensivamente em contraposigio as classes ndo privilegiadas. Em verdade, 02 barées feudais, como assinala proficientemente Laboulaye,‘se aliaram, nas ilhas britanicas, a0 povo, para combater as pretenses do absolutismo real, precisamente ao contrério do 3. A mesma tese sobre o equivoco de Montesquieu ¢ professada por Mirkine Guetzéviteh,condorme lembra o Prof. Orlando Bitar. Nas conferéncias do bicente- nirio do: Espira das, Leis (1948), diz Guetztvitch que a Inglaterra € para Montesquieu uma utopia semelhante is de Patio, Morus e Campanella. \Lembraainda Bitar, arsimado em Bagehot, que de 1729 a 1731, 6poca davisita ‘ds Mondesquen s Inglaterra, o pais te inlinava para o regis dp gabinet, com ‘Tascensds parlamentgr do “grbo-vieit” Sir Robert Walpole. © mesmo Montesquieu ‘Thesitante sua dUvida transparece noe tines trecton do ctlebre Capito’ § do Livro XI, sabre « Constituicio da Inglaterra, quando -escreve: “Nio ae-compete ‘ecaminat se os Lagleses agora deafrutam ow no desta Uberdade, Bastame dizer {que ela é cstabelecda por suas leis, e eu nfo busco outra coisa sendo ipsa” ("Ce ‘est point A mol 8 examiner si les Anglos joulseentactucllement de cette Sberté ‘ou non. I me suit de dire quelle est tabll par leurs lois, et je n’en-chercbe pas davantage’). * 4, LEta ete Limits, 22. : 70 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL ue se deu na Europa, onde o rei tetia pactuado'com as'classes po- AAlares para everter a independénia, 4 Iiberdade e © poderio da fobrezaliquidando-a politicarnente.* fetidal de cats P Pomposo brilto'de sais thilos e qué alimetitivam s fivez na tradiao « deposta das antigas glorias feudais. tesa ia 1ue se formou entre 0 rei 0 povo, depois de abitidu:pocanvers dependence ica dn obreza, dew revo- lugio Jiberal-demoerAtiea’elrdptia felgho intelramente distinta da- quela qué ccorreu na lighter. Velie ater, ».,O8 pauaseuropeis pediam também liberdade, taf ° age tares meee erence ig Felvindleagies, igo sfgulo XVI, que, instauraram, delinitivamente o sistema liberal buscayama bige teGrica desuas aspiracbes, . . Foranvenconthécla ae engendrarem a técnica da.divisio.de po- deres, pois a unidade do poder, se abertamertte.esposada; como na Inglaterra, por parte da aristocracia, implicaria, no Continente, sua remogig da monarca para 5 povo. " se Queria, assim, evar que o poder rctise no povo. Esta fa a antinomia sober do seio deste destaca-se uma Giseck Burguosa: Est pretend eacigr 0 poder, amparando-e constitidionalinerite na téchica separatists. 4 Sem a sey de poderes ter-se-ia a vit6ria ‘do principio de- mosritcn con expat nas tarde Rousseau, Montesquieu advo- gava o principio liberal, abragava a solucfo intermediéria, relati- Vista, que, detum lado, afastava o despotismo do reie, de outro, ndo entregava o poder ao povo: Essé principio seria aleancado por via do esquema exposto, que transplantaria a decahtada li sglesa para as paragens Continentals, | Nio discutimos se Mont queria o poder para os fidalgos decadentes ou para a burguesia ascendente, O que asseveramos, ¢ ‘io padece-dilvida, € que sua:teoria se prestou admiravelmente ‘bem a6 prograina da cldsié ale iti governar politicamente a Euro- pa no século XIX, e:qué faria, com tanto éxito, a Revolugio France- 5a, consorciando aos seus ideais-os dademocracia, numa alianga — aliberal-democracia ~ que muitds tedricos ho considerado hibri- daecostradisria. : Montesquieu interpretou precéncebidamente a Constituigéo in- lesa, para servir aos fins da Fevolugfo incipiente, ao descontenta- mento que lavrara contra as monarquias opressoras de diritodivino. lade in- ~ até entio encobertos na feriom éhologia'da Natureva, a O ESTADO LIBERAL E A SEPARAGAO DE PODERES 71 A reformagio consciente, cujos.motivos Schmitt nio explica, deve ter decortido das razdes a que anteriormente aludimos, res- peitantes a posicio ideolégica de Montesquieu, colocado entre o ab- solutismo monarquico e a democracia pura e simples, ¢ que o cone ‘erteuno malor eSrico do liberalismo.’ " ° © principio néo be prende a uid raciorilizagio doutrindria, re- petimos, porquanto a Inglaterra, com a sua sabia \¢40 poli- tica, de cunho organicista e tradicional, jé fizera medrar o embriéo daquela'idéia, do mesmo:passo que fildsofos sociais, como Locke, dela se fizeram paladino’'e préciursdtes:”> * Tratava-se, indubitavelinerite, da'idéia' que se afirmaria mais vivae palpitante no normativismo constitucional subseqiiente A Re- volugio Francesa, 4.A separacio de poderes como técnica de limitacao do poder ~ __ De outro lado, a vitbria da’ciéncia, que descerrs ndia as es- Petanets © 9 ofimisme des fiésofos racionalistas. Cuidavam eles aver transposto assim 0 pértico'de-tima'eri'que prométia a0 Ho- mem a solugio do caso social. A implacivel investida que se fez contra as antigas instituicdes, destrufdas nos alicerces, pedlia que ao desinioronamento das velhas idéias sucedesse a reconstrugao da realidade social, nomeadamente em seu aipécto politico Eo pensamento daquela idade conflagiada cuidou dese modo levar a cabo, com pleno, éxito, a reconstituigio da autoridade, em bases completamente novas, que dessem ao individuo, com a Carta de seus direitos fundamentais, ideologia,furidada em valores rigi- dose absolutos. Odireito natural, no que tange & ordem politica, chegara.ao seu ponto culminante de forescinento, exercertio score a onactocl dos reformadores europeus do século XVII prestigio raramente cancado por outras doutrinas. Supunha-se estar de posse da chave do destino sdcial, encami- nhado a felicitacgo do género humano, Antes, porém, que arealidade tontradissesse aquele majestoso sistema de idéias ou pusesse abide nquele esbogo otimista de orga nizagio social, em queazazio humana anunciava; no.plano tebrico, a obra de perfectibilidaderdas instituigSes, tudo levava a. crerine triunfo dos esquemas de técnica constitucional do liberalismo. n DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Um desses esquemas foi o da divisio de poderes, que tinha como objeto precipuo servir de escudo aos difeitos da iberdade, Sem embargo de sua compreensio rigotosamente doutrindria con- duzir ao enfraquecimento do Estado, & dissolugio de seu conceito, dada a evidente mutilacto aque se expurha o principio bisico da soberania, uma de cujas qaracteristicas, segundo Rousseau, era a indivisibilidade. No entanto, 0 anseio de proteger eficazmente a liberdade leva- vva ao esquecimento dessa contradiglo, sem que se suspeitasse se- quer da necessidade de retificar 0 principio, com as corregbes que the foram feitas, posteriormente, em ordem a atenuar o rigor de suas conchis6es. . ‘A ligio dos povos que padecerain os abusos do absolutismo ex plica, por conseguinte, a elaboracio daquela técnica sedutora que Enperou, por mais de século, no constitucionalismo clissico. Deverio$ entendé-la, pois; cori arfna'de’qiié se valet’ doutri- ‘na para combater sistemas tradicionais de opressio polit Visceralmente antagénico a concentracao.do poder, foi, portan- to; pringipig fecundo de.que se serviy para a protecéo da liberdade CcBratiteepatsme moderg,ao fala, com o Estado juridico-0 sverno da lei, endo 0 governo dos homens, ou seja, a government of, ernment of men, conforme asseverou judiciosamen- ja historica, 6 ifsigrie Toni Rdams, dissertando achhed da Constituigio arserieand, ‘Mas nunca se deve perder de vista que o afamado principio se gerou tambem na idéia peculiar 20 liberalismo de limitagio maxi- a dos fins do Estado. ‘Oabsolitismo iluministd dilatara a teleologia éstatal, eo ibe lismo da primeira fase, que'se lhe segue, introduzira na teoria poll fea 1déias que slo preciearnenté o reverso do dive pedia 0 Estado po- licial, de cunho mercantilista. . Kant sucede a Wolff, na Alemanha, assim como Montes i do liberalismo contiental, sucedera, em Franca, 20s tebricos Eo absolutismo, que encamavam a sdberatia no monarca de to divino. Com 6 modemo Estado social érescerarn, porém, os fins do Es- tado, + * vot Ora, 9 principio de Mantesquen, domo virion, compadeca-se coma didhinuicko, endo-come alargamento, dagueles fins: "Dat outro motivo para determinir ovrecuo necessérioyse no abandono a que se acha exposto,na doutrina politica denossos dias, ‘© mencionado principio, notadamente depois que as necessidades © ESTADO LIBERAL E ASEPARAGAO DE PODERES 73, do mundo modemo impuseram ao poder estatal a ampliacéo de seus fins.e oaumento continuo da esfera de suas responsabilidades. 5. Os percalzos da separagdo possivel ir mais longe e, em abono da teoria de Montesquien afirmar-que © principio evolveu, no campo do constitucionalismo, de aplicagio empirica e de interpretagio assinaladamente restrita, | para:conceituacio aprimorada, em que os poderes, como aspectos diversos da soberania, se manifestamy em Angulos distintos, aban- donando-se, dai, expressées improprias.e antiquadas, quais sejam serrate « dito, aybstidas por outas mais corvetas,« ber, Aalstingt, coordenagto'e colabéragao, Hitratadistas ¢expasitores que preferem, ao termo poder, ter mo fungio, Essas.entendas-a doutrina sio fundamentals ¢,esclare+ cem.que os; poderes-caminham. para ina integracfo, compativel coma larguissima-esfera da agio.estatal,9.qual:progressivamente se estende, com 0 acnéscimo-de novas responsabilidades saciais.e econSmicas, que perdem sua configuracio juridica meramente tur telar e formalista para se corverterem em elementos matetidis € consubstanciais do conceito de Estado. A tendéncia para a vinculagio, a sinte deres atesta que, no modemo Estado, inlo temeo poder. Houve época, porém, na filosofia politica, em que havia da par- te dos teSrcos a preocupasto dominantede refrettae reprint. Via-se nele, com indissimulével suspeita, elemento:exclusiva- mente negativo; o inimigo mortal da liberdade humana, 0 principio de todos os maleficios e danos & ordem sociale a existéncia livre do individuo na sociedade. Compreende-se essa tendéncia como reacio extrema aos ex sosdo abeolutismo. mmoreasio “ E foi isso talveznecessario a que se fundasse 0 respeito A perso- ralidade humana, torrandora joridicamente intangivel, Sob ease aspecto, no hé:por que reprovar os resultados positives da doutri= naindividualista. Mas ela foi indiscutivelmente perigosa para a defesa da mesma personalidade dohomem, quando,caiu na contradi¢io e naantitese dle determinar, de wm edo. antraquesimente do, Estado, no valho esquema da liberal-democraci Outro, a hipertrofia do Esta- do, no moderno esquema totalitério, ou seja, na ideologia dos que rridico e democraticn, jd se ” ‘DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL buscavam resposta para-o-desnivel eo desencontro entre a realidar de sotial, mais poderota e dortinadora,¢ a realidade jur fraca e sem contetido, de feigdo normativista, logicista e abstrate, que rodeava e ccultava, na sociedade burguesa, um mundo interno de contradigées, em plena fermentacio. * ‘Avreagio a favor do poder, com o'seu cuinho antideniocratico e toialitério, 96 poderis'ser vitoriosamenté acometida caso se evacu- asse para avigoraraestrutura do novo Estado democrtico, de teor social tio vasto, aqua posiclo anterior, de manifesto antagonismo a0 principio.da soberania, isto é,-dos que dividem intransigent= mente o podertem esferas quase incomunicéveis, Nio foi ser tainio ie Miguel Reale, esctevendo a respeito de Hauriou e sua doutrina do Direito, afirmou, com inteira procedén- cig; que “Haurioii pertencéaquela familia de juristas que sabe queo piorinimigo do Dirtito é quele que fecha os olhos para o problema Go Polder é dqulejue julga ter aalvo aigualdade e'a liberdade co- locarido © poder env ui plano seeundérto de subservigncia As e- _graé espontaneament biota tfitos das relagdes humanas” ? Ora, outra coisa néo fizeram os teéticos do'liberalismo; do aelte libéralismus, de que nos fala Nawiiasky, na primeira idade do Estado juridico da burguesia, senio “fechar os olhos” aquele problema e deixar que a sociedade; na.composigio de suas forcas dinamicas, contradissessey ce iniotlo: cada véz-mais veemente e ameacador, 0 que.se divide é o objeto do poder, ao qual se.dirigeaatividade estatal Quando muito, hé divisio de competéncias;nurtca, porém divisto de poderes.* 10.Madison in Federalist XLVIL/272,apud G. Jelinek, ob. cit p50 11,08. dt, pp. 500-501, ‘ 12.0b. ci, p. 503. 13.0b., Na pédia: Metternich’‘encontrar/:na-ciéncia: juridica, aliados muis:devotostiern adeptos minis atdorosos:da’téoria restauradora do que aqueles filésofos e jurisconsultos intélectialmente nutridos nogeacionarismoda Santa Aliangsy2!)-*:. » Tinhava burguesia vitotiosa, como.arma idedlégica de combate, em que assentava o seu prédominie'sotiatde classe, interpretacdo ‘mecanicista da Sociedade, esteada nos postulados da razio. __ Qublembratse a idadetausn€ O ESTADO LIBERAL E'ASEPARAGAO DE PODERES 83 ea’ ideologia reacionria da nobreza decadente fundava, por sua ‘vez, 0 organicismo, como. réplica que se propunha a invalidar as Scgrmpamee wige geen eels Combatia-se, portanto, a formula mégica e abusiva com que os regicidas da flosofia politica, a proleespiritual da Encilopadin, ace, navam para.a palavra liberdade, fomentando o reyelucionarismo ro seio dos povos e despertando as massas adormecidas para a par~ tcipagio politica mediante o exercicio do direito de voto. ‘Apelava Savigny para as tradigBgs alemas. Em seu livro de 1814 dephramse-nos, jo» germes de uma teoriaorganitista da Socie Sua visio genial do Direito nos familiar®2iva com idéias que va- sos ver mais tarde amplamente expoatase debatidas por figsofor adistas, cujas raizes mer ‘na mesma inspiragio de pos- fuladosquea escola historic Pissfo depo Omovimento de codificacio foi o pretexto para a grande arre- _emetida ideolégica, Rompemese as hostlidades, ena lagica © com. pacta argumentacio do sabio hd passagens que patenteiam 0 apre- Seen que eletinhao prircipioorganicista, Se nio;'vejamos, compulsando-the o livto'afamado. Depois de referir-se a uma “conexao organica do Direito com aesséncia e 0 ca- rater do.povo", diz Savigny, mais adiante, em.uma de suas compa- rages para'atestar'o cardter funcional do Direito, 0 principio de qué cle impilica-uma relagio dindmica: “Em todo ser orgartico, e as- sim também.no Estado, repousa a satide no equilibrio das partes com o todo, que a cada um.concede.o direito que the cabe” ("In jedem organischen Wesen, also auch im State, beruht, die Gesundheit darauf, dass beides, das Ganze und jeder Theil, in Gleihgenehe see, dass jedem sein Recht widerfahre”).* sobretudo na.conclusio de sua dbra, depois de percuciente aniline dx sofreguidto codifiadorn de sus poe ihe oie declaradamente se confessa o organicista do ireit. <2 Ese mesa ae bere. 62 ling com oo pretend restau ate pclae eee :Contieriguilmenteasinaar que einige quae fola mec bp, i quae fo nec Saeeteden ter nee sate dette Seba poe’ s a Aaa Beas aE Gb ead no vere bead demoed aca Tora ee ei et prot uta como a ‘tnd ota tole dion pcan hepenn puro daemon nahi asus tor 18. Vom Be waver et fier Gethin Redes 9.2, 84 [DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL ‘Merece lembrada essa expressio de seu pensamento, para fi- xarmos 0 ponto de vista de um jurisconsulto que vai ter continua dores:na teoria organicista aplicada'ao Direito e dai ao Estsdo Sociedade, e que se acha vazada nos seguintes termos: “No alvo estamos’ de acordo: quveremos um Direito de bases firmes: fi contra ingeréncias arbitrarias e opinides injustas; queremos cate Le reynidade nactonale a concentagho de seustorgos cientificos com vistas ao mesmo mister. Para’esse propésito pedem eles um cédigo; 0 que acarretaria.a desejada ‘anidade aperas para ‘ima parte da Alemanha, ao passo que a outra ficaria mais ostensi- vamenge insulada do.que.antes. O verdadeiro remédio, vejo-o em uma ciéncia juridica, progressiva e brganica, pertencente a toda a ‘:Nagéo" ("In dem Zweck sind wir einig: wir wollen Grundlage eines sicheren Rechts, sicher gegen Eingriff der Willkuetr und ‘ungerechter. Gesinnung; desgleichen Gemeinschaft der Nation und Concentration ihrer wissenschaftlichen Bestrebungen auf dasselbe Object; Fuer diesen Zweck verlangen sie ein Gesetzbuch, was aber die ischte Ban fuersdie Haelfte von. Deutschland hervorbringen, die sre Haelfte dagegen schaerfer als vorher ‘absondern wuerde. Ich sehe das, rechte Mittel in einer organisch fortschreitenden Rechtswissenschaft, die der ganzen Nation gemein sein kann”). De.todos.os organicistas alemaes do Direito e do:Estado, foi Otto von Gierke, porém, 0.que mais estreltamente abracouressa fese, acompanhado de perto por Bluntschli, Ahrens ¢ Jellinek. Pertence-Gierke a estirpe dos grandes luminares do Direito que ‘0 séculoXDdeu's Alerainha, Na sua teoria do direito publico ha o esforco cientifice mais meticuloso que se conhece para lanar em definitivo as bases do organicismo juridico. A leitura de um de seus livros capitais,’DieGrindbegriffe des Staatsrechts'iund die xewesten Staatsrechisthevrin; déenos bem a medida do que foi otrabalho des- se incomparavel Mestre. Os alemies cultivavam efetivamente com zelo e devogio as teo- rias organicistas. Mas, por estranho que pareca, 6 na Inglaterra de Locke que se nos depara, encamada‘em Sir Edmund Burke,a genial antecipacio inglesa do organicismo juridico e estatal. Burke escreveu antes de Savigny,.e Bluntschli confere-lhe, com razio, 0 titulo de pai e precursor da’ moderna escola organicista: Se ria, por conseguinte, injusta’a omissdo'de uin dos pensadores mais Grigingis da Inglaterra, 0 autor das cflebres Reflections on the French Revolution, obra.de reagdo; que tanto.se.popularizou nos circulos 19,0b, ct, p.98 O ESTADO LIBERAL E A SEPARAGAO DE PODERES 85. restauradores empenhados em sufocar com sangue e terror os idenis da Revolugdo Francesa 10, Critica as teorias organicistas Um dos melhores reparos que conhecemos aos excessos da teo- ria organicista fé-o, sem diivida, Kelsen: Herdeiro das idéias kantistas e sustentéculo de uma Filosofia do Direito que continua a tradicéo formalista do eminente filésofo de Koenigsberg, no podis'o"Mestre de:Viena, transponido o logi- cismo de Stamriler e ingressando'de chéio no mais puro forma- lismo juridico, deixar de ser o inimigo mortal da doutr i= cista, o mais temivel e impigdoso.de seus adversarios. ne organs le escreyen, lice. a sua Teoria Geral do Es- formulagéo len, Der Staat Seos.ai tem, em parte,i andlise que ficam as contradigdes e fraturas. que ele descobre no livro do teérico entos de um jurista da estatura de Gierke nig resis- thes fa Kelsen, mais abertas e expostas e iniciador da geopolitica.” Nio menos éélebire a respéitd desse tema foi, decerto, a polémi- ‘ca que Otto von Gierke haitteve com Valk Krieken, outro fervoroso adepto da teoria mecanicistae precursorde Kelsen nessas idéias. Krieken inerimiriara os organicistas de enfraquecerem adrede a base em que'se apoiava 0 modémo,constitucionalismo liberal-de- mocréfico dos séculos XVIII e XIX, 20 se Fevantarem, em coeréncia coma teseorgenicista, contra origemvcontratual do Estado. Considerantio o-organicismo.explicacio inistil para 0 Direito, por achar-se eivado de contradicSes e:fomentar a confusio em to- dos os domibion da dotrnw tlw anteeenor de Keen gue to- ria organicista, quando muito, tem alguma importancia, par spreigio poi do Estado. me pase quinporém, essa importincia ¢ toda negativa. Sem embi de muitos persadores, amantes.sinceros.da liberdade, se haveram abracado a semelhante:teoria, diz Krieken que a,doutrina orga- nici “limita a Iiberdade individual e. favorece 0 arbito abso- 20 Fas Kai Teora Gani ei Eade; pp. 47-486, 21, Otto von ,Gierke, Die Gran actrecht Statsrechitheoren, p85. Sranlesife des Ststrecs urd die meusten 86 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL I. Tendéncia do constitucionalismo contempordneo para estreitar a colaboragao e vinculagao dos poderes 1egamo: essa conclusio: a teoria da divisto de poles fem outesterpe,arma necesdrn da esdade ¢ afirmagio da personalidade humana (séculos XVIII e XIX). Em nos s08 dias é um principio decadente na técnica do constitucionalisro. Decadente em virtude das contradigées e da incompatibilidade em ue se’acha perante a dilatacio dos fins recdnhecidos a0 Estadio-e Ai posigio em que se deve colocar’o Estado para proteger eficaz- mente liberdade do individup esua personalidade. liberdade contra o Estado é uma idéia morta. 8, como se vé-nosepuinte lem sualeancamosalibeidade no Esta para’ tanto se mostrar4 cbsoleto o principio wes : Tal diregio do pensamentonpés-kantiano aprecia na obra de Kant scbretudo, aghela concusie aque, cle chege, quando afima que “a faculdade cognoscitiva do Homem é impotente para expli- car, mediante idéias puras, a ebséncia da alma,oUniverso, 0 princi- pio da causalidade na Natureza ou existencia de Deus”. Desfere, assim, um golpe mortal na Psicologia, na Cosmologia e 1a Teologiado velhio racionalismo dogmatico. Transfere Kant toda essa ordemyde indagagées para outro,terre- 10, libertandova, poisy.de uma,justificacto,cientifies, retirandowa da ‘grosiologia para a ética, da razio pura para atazio prética. Importa isso, fundamentalmente, uma retomada de posigfo no Ambito metodolégico. Kant nio amesquinha aquelas considers. ses. Torriou-as, porém, descabidas na esféra em que o raciona mo antecedente as colocara ° ” Se sua critica aquiiterminasse, como efetivamente termina:para os materialistas de filiagdo kantiana‘estariam negadas e-destro- sadas aqueladidgias. ae 25, Wilhelm Windelband, Die Philosophie im deutschen Geiseseben des 19, Jetrhuderts,p. 8, 26.Wilhem Wundt, Etiletung in de Phleophi 237 102 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO'SOCIAL ‘Mas Kant, quando.as pés na érbita da vontade, remetendo-as paraa parte de seu sistema, demonstrou, com iss0, que Ino era.tdo-somente o temivel e implacével demolidor. Naoas abandonotientre as ruinas do edificio metafisico que de- sabara sob a intensidade critica de stad idéias. Cavou novos alicer- ces, na regio da vontade, se reconciliou de todo com 0 idealismo, levantando uma construgio espiritualmente mais nobre, que per- ‘mitia-d Ciéncia coexistir com a Filosofia, de modo a operar nova su- peragio; isto , remover o deplorével conflito entre a realidade ea idéia,o ser eo dever-ser, 0 fato ea sua valoragio. Kant estabeleceu, por conseguinte, deis vastos pélos para evitar odissidio ea confusio que antes imperavam, quando se pretend afirmar ou negar, por meios empiricos, as verdades contidas no rei- no da ética. E, nesse dominio, o grande racionalizador, que expurga do Direito e do Estado todos os elementos contingentes de order histrica e empirica. “Quando chega a raziorpritica e funda, entio, a parte mais im- pertarite de seu idealisrto, 0 eixo de fode a sua filosofia,” forcejan- do por explicar no plano racional as agées do homem que vive, do homem que atua frente aos seus semelhantes, dele se despedem na- turalmente os cientistas pensadores de indole positivista, que se situam & margem dos valores. E, noventento, poderiam, como tan- tos outros, ter acompanhado, fora.de toda contradicio, 0 insigne Mestre, na esteira de’seu idealismo, sem quebrarde avanco ou pro- {gresso para as ciéncias experimentais! Confess Kant que aprendeu na obra de Rousseau a amar a li- berdade e a moralidade acima da inteligincia, a qual, em determi- nada idade de sua vida, se lhe afigurara omais alto valor.” Nessa época, 0 conhecimento era, para ele, 0 fim supremo da existéncia, Rousséals, porém, 0 dissuadira desse equivoco. Nio co- hecemos passagem mais clara queesta para assinalar a atitude es- 27.0 neokantiano Bruno Bauch, a0 contrio,apresenta nove interpretagso da cra de Kant, transterindo para a Cries d ul (kre der Urtistra)o centro fare 420 na Kant como pots final do recionlisme paso, come ii foma Kant como ponto Binal do ra 2, do mesmo past, como iicie- dor duflvoia dn elt (Que rests eto da piordade de Herd str tot), Segundo refere Sauer, Goethe nfo. oultava sua preferdnca pela Krith der Bnebar clover Fiche conforme o meamo Nstoador, num de seu route, afinara efaticamente que aquela Crs era "a mais significative mas sbsco- Bx" (Das allerbedeutendste und ‘das dunkelste?) (Wihelm Sauer, System der Rechsphosophiz p33). 28. Paulsen asinala a aversto de Kant dé de genalidade (Imma! Kant sein Leben urd seine Le, p72). (© PENSAMENTO POLITICO DE KANT 103 fimativa de Kant, em face do seu préprio sistema, Decidiu-se, evi- dentemente, pelo primado da razko pritica. A sombra de Hume ¢ dos materialistas ingleses, em cujo trato ele era tio versado e cuja influgncia pacer, we alonga ada vez mais de suaobra.” ‘momento rousseauniano na vida de Kant assinala, pois, o en- contro do fil6sofo com o homem, Até entio, o subjeivisino kantiay no era todp Razio, Razio pura, Intelecto absoluto, abrindo sobre o mundo 0 poderoso feixe de suas faculdades cognoscitivas, que Kant com admirgio iil e pessimismo subsetents,ivestign "ara responder no campo gnosiol6gico as interrogagSes que a duvi- Faia ae eae meee auen Depois do‘encoritro com Rousseau, Kant, 0 racionalista puro, contempla o Homem como individualidade ética, di-the um sopro de vida e sentimento, ocupando-se do Diréito; do Estado e da Re- ligifo,na parte menos compreendia ¢ por isso mesmo mais inj tamente combatida de todo seu pensamento filoséfico. Lendo 0 Eno 0 fiésoto se deixade tal maneiraarsebata daquelas paginas __comovedoras que até esquece pela primeira'vez as longas eaminha- aasdo Plsseioa quesehbitura loses dias Jas paredes modestas ¥ desataviadas de seti quarto de traba- ne cr tee et luéncia que lhe chega do lado francés, 6 el Aquela dos ingleses Newton eflaeee™ ‘ocompartvel Muse __ Ootimismo burgués criara também a figura de um homem, ge- nialmente exbocado nas eflexoes de Ortegay.Gaseet, © Eeste é, em grande parte, o homem ds filosofia kantiana. Mas onde Ortega vé a acio dos pensadores ingleses, queremos ver, antes de mais nada, a presenca de Rousseau, animando a reconciliagio humilde de Kant com 0 homem burgués, o homem= povo, de quem ele, na mocidade, jé dissera, num assomo de arro- Bhi otclecua:“deaprezoo populacho que tudoigrora.* fo mais, Ortega y Gasset 6 ri veridico na inter mntoge faz ose eapeitexcrevenday SoMa nterpre “*Quanido vejo, na ampla perspectiya da Histéria, algarse, fren- tea frente, com seus perfis contraditori fe fllosofia antigo-medie. 29.Com os eopstts ingen teve Kant de RErdoeo reconhecer, como eon Rh ae ing cea ae maces io sede haan. guetta Jol on ne credo a eetace nb stain ry pe 3, Hermann Glockner, Di erparche Pal Gegenti, ‘612. serait Ear ‘31. Idem, ibidem. . 52. Hemann kas ob tp. 67, 104 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL val e a filosofia moderna, afiguram-se-me elas duas magni ‘emanagSes dedis tipos de homem exemplarmente opostos. A filo- sofia ‘antiga, frutificagio da: confianca e da seguranga, nasce do guerreiro. Na Grécia, como em Roma e na Europa nascente, 0 cen troda sociedadeéo homem de guerra. Seu temperamento, seu to ante a Vida saturam, caractérizama convivéncia humana. A filo- sofia moderna, produto da'suspicécia e da cautela, nasce do bur- gnés, Eesteo novo tipo de homem que vai desalojar o temperamen- to bélico ¢ converter-se em prototipo social. Pracisamente porque o burgués é aquela espécie de homem que nio éonfia em si, que NAO se sente seguro por si mesmo, que necéssita preocupar-se antes de tudo de tonquistar a seguranca. Antes de hido, evitar os perigos, defender-se, precaver-se. O burgués é industrial e advogado. A Economia‘e o Direito sio duas disciplinas de cautela, . "Noceriticismo kantiano contemplamos a gigantesca projecio daalma burguesa queegeu.os destinos da Europa, com exclusivis- ‘mo.erescente desde o:Renascimento..As etapas do capitalismo fo- ram: earrespondentemente estidios;da evolugio criticista Nao ‘acaso que Kant recebera dos pensadores ingleses os impulsos deci- sivos parasua definitiva criagio. A Inglaterra havia chegado antes ‘que o Continente as formas superiores do capitalismo.”® 7.0 problema da liberdade daFaBio pritica, “deri- h “ildade em resolver esse problema, "o mais diffe que a radio pratida’prpe & razdo especulativa’, riicleo de 38.0b. ct, pp. 12-13, . 34, Kant nfo devaneava, senfo que aingla un dos pontos mais altos de sus re esto Gia, 80 slirnar "Dias coias me enchem sempre de renovado assombro € scmiragio: 0 bu estrelado em cla desmim ea lei moral dentro em mim”. AL rest ‘losots, depots da orgulhosa revolur ver eperadio no cosmos flgsico. Kant Gio ctica Esta a razto por due Heidegge Fae tg epee gr ae ae smipas sCombloge Fuca ¢a Toop Vanya ten ‘in seaibe egupde ildeppr t endementar« Metafcs nua Also a topologies, Ear apoio deass cused asstive, tanacreve o incito,Mesire do ‘Gistendalisano alemdo passagem de uina das prelecies de Kent, qus.ce Ihe afigura eon ie nls da oe kate . Se a ei fates Spent com pba Sigese weg quote anda queens sees rare Bieter © PENSAMENTO POLITICO DE KANT 10s toda indagacio ética ¢ tormento das escolas-filoséficas que dele, antecedentemente; se ocuparam. ° Oprovecto juristae filésofo espanhol Felipe Gonzélez Vieén, re novador do movimento neokantista na peninsula ibérica, assinala, ‘em paginas de admirdvel vivacidade critica, a importancia capital do congeito de liberdade na ética de Kant; bem como a manei ginal por que 0 fildsofo ultrapassou.o dilem: tal, contido na milenar contradicio: determinismo ou liberdade. O problema dei de ser para Kant, segundo Vieén ode saber “sea liberdade existe”, parase convetter noutro, mais profunde, ou seja, "como € possivel aliberdade”.* Kant, ao explicar a liberdade, no nega a causalidade. Nisto v: uma distincio fundamental entre o seu pensamento eo da Meta- fisica classi . Diz o proficient intérprete neokantiano Felipe Gonzélez Vicén: "0 qiie segue a Filosofia critica é exatamente o contréric no\nega 6 carater fenoménico do Homem, setiéo que, partindodele, mostra a possibilidade de sua livre determinacio. Nk® se fata de achar uma lactina, um espago vazio na necessidade universal décau- sa ¢ efeito, genio ascender dai 0 conceito de'liberdade, provando, pelo meno’, que a Natureza ea Liberdade no se contradizem’.*. Achamo-nos, agui, ém preseriga de vim dos mais célebet‘dua- lismos que a filosofia de Kant estabelece e toma como ponta de pat? j ida para resolver o probletta éii que se debatiaim, sem chegata'ne- hum acordo possivel, empiristas ¢ racionslistas “Sezer ne ning rc tt spo Saperstein ree tate ‘wert 2 Wassollch ant 3 Wasdarfiehhiten’) Fea ans eee a oes geen sso cs ce sos Green een cneeere Feet comand Gata hoes hie ieaaarierieencne ey fab ar rg came rte tach minnie Gaels ome oaaneh eterna? Bea Wee tr ickae tne ce Sooteein fe ic tome Go ume aca fori Ft ohana Cs Tape Rema awe aes das Problem der Metaphysik, pp. 187-193), a chee laad tty See ciel et oes ject darestere temo ere Silos cs eid siete eerorns seater ; 106 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Esse dualismo-é 0 que Kant anuncia existir entre o mundus intelligibils e 0 mundo sensiblis, entre’o noumtenon e o phaenomenon. entre a Natireza e a Liberdade, entre a experiéneia e 0 imperative categérico. roumeion & a coisa em si (das Ding an sich) phaenomenon, a coisa como elase aprésent oumanifesta:” * "Na Critic Razdo Pura ficou evidenciado por Kant que conhe- ‘cemo$ 0s fendmenos, a exterioridade das coisas, mas nlo a coisa em si, a ‘sia interioridadé. A nogéo do noumenon “é aquela iltima condiconalidade de nosso conhecimento, em virtude ta qual unr camente uma zona do ser lhe €acessivel. Trata-se de “uum conceit limite, destinadova refrear a arrogincia da sensiblidade”, daquele nihil ulterjus que torna segura “a Viagem de nosta razio... a0 largo da costa da experinci’. Os coneltos de phacionimone nomen nip aludem a tima distingio entre objetos, senio a duas formas Veroas.de ape dente, dag quais a primeira ¢ propria de e por sua finitude, e segunda, seu horizonte e sua transcendencig io. yo + 1s 7 . Asrescentaoinsgnefléofoeokantano “Esta contraposcfo entre fendmeno ecoisa em siéaidéia decisiva paraacompreensio: principio da liberdade na ética kantiana, Até tal ponto ~ disse Kant ~ que.semelg “no é possivel salvar a liberdade”. Se, com efeito, prescindirmos da nogio de nourignon, se partirmos da assertiva de que “nossa experiéncia é 0 nico conhecimento possivel dascoisas,¢, tantd, 1ossa intuigéo espicio-temporal a tnica intuigio poss vel”, a condigio do Fomem como fendmeno se converte numa dé absoluta, esuadeterminagio causal num postulado indiseutivel”. 27.0 sme ot some ei espe, pon pacts retes da flosfa kant: Suto a teripestades menos ralvonas que a que = delncadarat ao redo de cute conceto ofsla, nts algae to sa bargo,soploneserais etude, que eriquecen a vagina biboprafa em fo node Kant $ a ‘Wilhein Sauer sluce a fats de que Ficht'eoneckantsmo,nomeadamente ot ‘infra eal ie burg (Gans Nal epee sparvo gine deco go eta, pojondo a nln plo deh int, Acer fenta que outro, como Sthopenhaue,dee-nlo seidesfarimy consideradono iar presinve, porquanto sous elvan etfs . ‘rergavam na om sf wontatecomeavénci das coisas, cue exemplo Kuno Recher Erdman, ddsutanra pista de un concitodinits,stonde a= ‘angase nosso conheceno, en qu 36 partes rato sel detemningvels ‘Afnal acentun Sauer, hé aqules; come Riel, que cen que Kant pretend eliminara’ ganheimento,imediato das cosas Simin apenas o,conheciento ‘mediatg, nos limites dary: 138. Felipe Gontsler Vice, ob 39.0b.cit, pp. 19.20 (© PENSAMENTO POLITICO DE KANT 107 A doutrina kantiana da liberdade repousa, por conseguinte, neSsa consideragdo essencial do Homem sob dois aspectoot> He, ‘memfendmeno, como ente empitico, e o Homem como noumenon, como ser: inteligivel, ou, conforme Jodl, “como sidadio de doit ‘mundos, anjo, ser racional, que tem, todavia, uma besta atrelada as suas costas?# Jodl 0 inclito professor de Viena, resume muitsbem esta idéia de Kant ao esclarecer, dé modo magistral, qe “o Homem, como haenomenon, recebe, como noumenon, dé a lel” © Oconfronto dialético do Hometh-ser empirico, com o Homem- se racional é por conseguinte, fundamental para explicar a liber- Como ser empirico, o Homem se submete as leis psicologi Como ser racional,inteligente isto é come teen vale Se er: gue acima de toda condicionalidade empirica, movido por forga que lhe confere a consciéncia do dever, que existe na inimidade _-Gele mesmo ¢ que sempre intervém no dominio das suas acdes, “qual supremo agente da razio, elevando-o a uma ordem moral su Perior. Essa forca se chama o iimperativo categorico,® Distingue Kanto imperativo categérico do imperativo hipotéti- £0. Este “representa a necessidade Techs de uma agdo eventual, ‘compo meio para alcancar algo que se pretenda”, 40. Geschichte der neuer Phlesophie p. 547, 4. dem, biden. £2, Wundt a0 elucdar o que sjao impentin xegbco na flosofla de Kant, Ho de todo o sistent co, asinal oesforgo do 1S, mental, como este, aids, confessara, en separar a Moral Professor de Lapzig acerca desse casio da dca kaiana no reside nesta formulagdo, nas naguilo quepard Kast segundo slemmermo cones, onion ene Geek se dlsctamente, come sda 0a uals expe an deverinconaiconsee, por edd insist odor palo eo ssicenae ora, to 0 bemetar que permanece tip in bem exterior, sendo o Siatamettoas caves gos costal mas ult bak” (Docrarieiecee ae antachn Eiclgt niin deer Forming conten ion esa Gh sinner tents dis Zl ster fans Paltsopc moore lonsung der Moral von der Refleion usher nudeich und serach ane Yon oder Art of Eidieionlisis Der woralzche imperan Gioses aieanee es DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Jé 0 imperativo categérico é aquele anteo qual uma aco em si mesma se apresenta “objetivamente necessaria, sem relacio com qualquer outro fim”. ' Explica 6 filésofo que o imper principio pratico problemético-assertivo, Problemético, quando: con- Sidera bom o ato para o qual se tes uma pose Intengo. Assertivo, quando essa intencio real, © imperative categérico, em que'a agi se acha desvinculada de qualquer fim, ou intencionalidade, vale como principio prtico apoditico." | Peepois de afirmar que ni imperativo hipotético nfo se sate de antemiao o que ele encerra, até que nos seja dada determiridda con- ilo, diz Kant que no imperative categérico se sabe imediatainér teoqueclecontém.” ces & imperativo categbrico, principio cardeal da liberdade, eixo de tado 0 mundo ético na fildsofia-de Kant, resume-se no célebre aforismo: “Atua apenas segundo ’aquelas maximas, mediarite as {quais possas ao mesmortempo querer que elas se convertam numa Tei geral” ("handle nur nach derjenigen: Maxime, durch lie du zugleich wollen kannst, dass sie ein allgemeines Gesetz werde”). ‘A liberdade em Kant aparece, pois, como problema puramente ético, que se resolve na esfera dos valores. Sua racionalizacéo com- pleta surde como dos maiores triunfos da filosofia critica, a maior Eonquista do engenho humano, como dizia Schopenhauer, que ain- da se nfo decepcionara com a primeira parte da ética de Kant. Deixa essa liberdade de ser fato pars constituir “a referéncia do ‘eu empirico A sua condigio transcendental”, Ou, como assevera Gonzalez Vicén: "Do mesmo modo que a teoria critica do conheci- mento repousa no primado absoluto do Eu:como principio confor- mador do material empirico, assim-também.a teoria da liberdade significa a.ordenagio da vontade pela stividade do Eu inteligivel, isto 6, a supremacia da deéterminagio racional sobre todos os afetos fe impulsos que atuam naturalmente sobre.o querer humano. As duas ordenagées, a da razio tedrica, que tempor objeto o mundo do ser, e'a da razio pritica, que € uma ordenagio de sentido, no podem, por isso, encontrar-se nunca”... ‘ Na Kritik der Urteilskraft, a ultima.de.suas criticas, Kant subten ta, conforme lembra Gonzélez Vicén,-que-“o‘conceito da-Natureza 48. teunanel Kant, Gridlegung air Mtaphyil fr Siter p34 444 leunanuel Kant ob. cit p35. 45.0b. itp. 42. - 46. den ibider, 47.0b. ck, p32. (© PENSAMENTO POLITICO DE KANT 109 tem téo pouca importincia sobre as'leis do conceito da Liberdiade, como este iltimo sobreas leis da Natureza”.* E, com isso, diz 6 profunde intérprete’da filosofia kantiana: "A interrogacao dé que Kant havid partido, a possibilidade da'liberda- de num mundo determinado pela'‘causal i aqui sua resposta defirtiva’’® "2 Como se vé, a liberdade para Kant'é apenas uma idéia, apand- ghode todos orseresracionas,autonomia davontade. Nos Fundamentos da Metaisica dos Costumes, expée.0-6l6sofo, com muita claeza ese conc, inauaceivel de demonstra por via experimental, de modo que para ele se faz impossivel perceber a liberdade, visto que sua realidade objetiva escapa as leis:da Nature- za, O quie, na verdade, podemos é compreendéla, recorthecéla nas agSes do Homem como determinagao da yontade racional.!, Em suma, toda agio que tem como ptessuposto o Homi em- pitico, froménico,é, no Obstarte, agao livre, no momento em que se determina por uma vontade; unr querer heteronomo, puramente racional, que nao pertence ao Homem fisico, o Homem individuali- dade, ser biolégico, o Hamem coisa entre coisas, mas.a outro Homem, a saber o Homem mor! e intligive, 0 Homem nour, ‘0 Ho mem pessoa, o Homers como “coisa em si” (Ding an sich), ou-seja, enfim, o homemna liberdade! "s % 8. Direito e Estado ws _Explicada, portanto, a nogio de liberdade na filosofia.de‘Kant, jf se apresenta menos 4spero o caminho para a consideragio de sua doutrina politico-social. . rte O longo exérdio que ficemés acerea daquela mogio furdamen- tal que Altenodie.comaseazderacio, sero “portowe paitir'eo “ponto de chegada’-de toda a reflexio ética na filosofia dé Kant, poderia-levar-nos muito longe no subseqiiente exame: eritco Tinudente da teoria doDireite e do Estado criada pelo genial fls- sofo de Koenigsberg. « : mee Alguinas idéias essenciais nio'poderfo, contudo,'sér péstas & I margem, visto que; dé contririo, seria deixar ininteligivel’6 sentido da monumental contribuicac qlieyen determinada épeca da‘Hist6- Fla, 0 sabio alemio dei, aos and ete $0, DiziPasl Hepigshesh quecem-matéra de divisto do poder, “a exginalidade se a cineieycee furan rican acta irre anaes iene e de ees a us DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL 8 spéttico isso venha a acontecer de modo mais como: do e desejével; o que se deve, sim, 6 compreendé-lo como o estado da maior harmonia da Constituiio com os prncipios do Direto, ‘ouseja, com aqueles a favor dos quais.a razio, mediante um impe- rativo‘categ6rico, nos obriga a combater” © 12. Kant, filésofo do.libetalismo E previsditente'd data alluta de sua.doutrina da separacio de poderts que enite Kant sais i a jufzo valorative do orde- nanidntovestatal? 2 oe . Slia’@bncepeld do' Bt, atiibuindo-thd domo tinico encargo @ protegio juridica, ha sido o alvo mais exposto & ctitica de quantos se ociipam dest parte da fildsotia kantista. 'Neni‘os fothinos — dverte BluntscHli~ tivéram nogdo tio es: treitateireduzida dos fins que deverndaber'ao Estado." “Se FbssetRi gir filSiofe: plat ideas de hoséo tenifo, te io’, i dineRtés que réjeitarINe quase toda a cdnstrutae’ estatal. "Mas; s¢' pie ids Kant deritto’em sua época, no meio’ da ideologia politica do século XVIILeriche-nos de astorubto a visto ‘genial do‘citcunspecto professor de Kbenigsbe'g, quando, na piaca- tez:provindial dé sua catedra, gasto:pelos anos, magoado por'dés+ gostosque’ peligidsd lhecaubara! Fecolhido, em miaté- Siren ells sapetoy tne odie amo ediguaade para ebchevatconta Mtafica dos Costnes) abun teoria do Diret edo Estado, em que manifesta, em face da hostilidade prissiaria de’ FreqericoGuilherme;suanuinca desmentida vocacis liberal. "oliberalismo, no'dominio politito, era ainda, em sua patria, a idéia proibida, Triunfara em Franca das perseguigoes absolutistas m de pavor ante as,novs ili dnBiudoin 56 meio séeulo mais tagHlesapés.a Bo do, Estado burs guis i verde constlda efpeinentay, plans ideologc, ‘balo sémelhante, como sucedeut durante as Revolugies de 1848, coma difusio do pensaments socialista. gist Kant, ao eontrério de Hegel, nfo foi um clssico daiReagio: Se- in por auto lado bmatataestalticotomislo por ptr do 2 iso markistal somo ja hduive quent’ fizesse, até ouparecirier ma Re mre te dues ee oP eee teen 4, Geshe der neuer Stngneenchf,Allgemcins States nd Pith, p38 : we (© PENSAMENTO POLITICO DE KANT us to, em 1911, do eshudo fundamental de Karl Vorlaender, intitulado Kant und Marz, em que o célebre fildsofo da escola neokantiana de- fende ponto de vista contrério, demonstrando, de maneirs insofis- mivel, winanidade dessa tese. 13. Estado:juridico “versus” Estadd eudemonistico Kant, como pensador politico, aparéce riais mogo do que nunca precisamente nd idade est que'os Rgmens'Ge indole cadeal come Sam de enivelHecer park as ideas sSttalso da sd enchtrein da res fo para com a autoridade, a ofdem digenté eo mundo oficial, dbrin- dorse, nko Faro, em conesssOes que Thés desmeritem 0 passado'e a tradigio eotbativa, ol quafido, eh detetminatios casos, se fecharn num mutismo hermético, a ‘talvez, efit certos éspiritos, outrora. vangados, a rota-seguta de cériformismo ou 0 prétesto silencioso. do desentanto.: +. a Evideritertente, a posicid que naqueles dias Kant assusie, tras- laidada a nossa épcca/‘seria tima posigfo jé lacunosa e supérada, de ntrastévelatraso politico na interpretacio da idéia estatal refe- rida aob Problémas-tia‘atialidade; carregados todos eles de enig- itis e desatios, > Poderia, alids,"seivir a tudo, menos & compreensio do Estado ‘moderno na sua feicis contemporittes. : Coins se frata de'Woutrina retartiddy para 0 nosso tempo, isso nao invalids, todavia,,o mérecimenté que ela teve, a par de sew amplo significado na instauragio da primeira fas¢ do liberalismo burgués. Dialeticamente, o liberalismo, ora’em declinio, encontra sua, valoragio histérica inestimAvel no, mémento,em que, do ponto de vista politico, constitui uma'idéia em © por isto mesmo combatita."Era, éntio, a idéia. que pugnava contra as instituicées sociais decrépitas eanacténicas. Quando, Kant se revolta contia’g sistema da autoridade pater- nal e diz, na Metafisiea das Costumes, quesal modelo 6 0 pior tipo de ‘autocraéia'e opressio-que se corlhece;‘era como se quisesse lavrar alfunia sentenga inapelivel contta’a feudalidade carunchosa, que tanto aviltava a pérsonalidade hiumaria fa s6rvidio da gleba.* ‘A alta estima que Kant votou & Revolugio Francesa como setvidéra'dat idéia racional do Estado ~ excluidos, naturalmente, wtih ails Gf Assan du les lo eed gan ie SE oes de see atop 6 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL 08. episédios de sangue e terror da iiltima fase, que nada tém que ‘ver com seu aspecto ideal, no constituindo, portanto, a.contradi- ‘glo que se quis apentar no pensamento do filésofo:~ demonstra, de maneira cabal, que ele estava em dissidéncia com orracionalismo iluminista de sua pitria, da mesma rhaneira que era um revoltado silencioso contra o retrocesso absolutista de Frederico Guilherme IT 0 arrocho policial de seu famigerado Ministro Cristoph Woellner. Frederico, o Grande, rodeado, de sibios e fil6sofos; foi désses ‘monareas raros na Hist6ria, com um instinto de conservacio poll fa fora dé comum, que adivinhava o reformismo imiriente e pres- sentia, cpm asgombrosa intuigio, of primeiros sinais da crise amea- sadors, que hava de levers uma stistofe irrepardvel a galeria dos reig absolutistas, comoefetivamentelevou. Que fez monarca prussiano? Patrocinou o paternalismo estatal da teoria de Wolff, o mais inteligente recurso de que,se serviu a sa- gacidadede um rei para afiangara sobrevivancia do poder pessoal, fundado no principio eudemoniico de “ido para, povo, nada, porém, pelo povo”, contém essa idéia o, paradoxo de um réncionarismo progressisia, que a ordem capitalista, interessada fun- damentalmente em sobreviver, utilizaria muitos anos depois, sob novas roupagens, para'deter a precipitagéo no avanco das doutri- nas radicais, que conduzem a mudanga social. Frederico se confessava o primeiro servidor de seu Estado, um Estado burogrético e paternalista, cujo fim era promoyer a “felici- dadedos stiditos”” O cteere dopo de Revoluho Frances dé ineragiveltestemunho das pre legs pleas de KantO taco acompanhatsstentamenteo euro daqueles eis pretnl verle» prop nan pro eral an = ‘deve estar x orgarinagn da ‘tapas pelos hotiens que imolavam cor fejosumente Sule vidos a cous revoluconiia, Sleecendo a0 ginero humane iPeontives ecempos deberotmo ebrevure, mostra que Kent fo de maioes amu: fn que eve oomen ea ton ce tempos ‘Blunscl que «Hono pols de Kat 6, em grande parte, uma versio stig do tadonal to franc, referetextualmente tas palaveas do tradutor lento da ors de Saye "Com preter bo de nol cnramigos da Uberdade como {dius eccols foots ected ae mor O Gado de Frese profesor de ‘Roenigaberg formar una inensacadeia de its, das contas do Mediterrineo bs praas do Mar bltcn Calvino ester, Sidyese Ken uum francs um ales re Rrmaamomundo (0b dtrp.376). tn sas ‘aan Kant fou vos fgrnie da Prin a nota fundaghe da Replica Francesa por obra da Reveluch, lgrnas de cotentamentounedeceramethe a + eco ficota ju encanscido,vltandors pre ox tigen fous” Agora por $0 dizer como Sino: Seaor, permits sete vasa Servo vijr expat depos de aver visto ete Die de aloe” 0 que naa Varhagin eo suas Menta er produ Jal in sun Mitra Flos Moderna (Geshe der nein Phoopi, p.68). . (© PENSAMENTO POLITICO DE KANT u7 legitimar sua onipoténcia ‘em nome'da raziove sob a ‘A oposicig diametral de Kant a técnica do Estado, poli eudemonistico, aprégoada por Frederico Le abandonada depoi for Frederie Celnermes oe seu fecuo 20 poder pecooa sede rado, se traduz,com admiravel lucidez, nesta passagem célebre do iltimo capitulo de seu livro A Religiao dentro dos Limites da Razdo: "Confesso que nao me sinto bem numa expresso de que'se xalem_ ss benintencionados: povo io et prepare: ae . homens intelig do para aibeedadd;o advo de una proprodade ainda aptos para a Iiberdade, e; do mesmo modo: os homens, mio 3e scham auiscluréidos para a liberdade de crn tal co >, nite’ $8 dleangard a liberdlade; pois pessoa se capacitaré para eséa liberdade sem antes hhaver sido. posta € berdade (deve-se ser livre, a fim de que se possa convenieriferiente utilizar na liberdade as préprias forcas)”.# 14, O panegirico da liberdade A indiferenga de Kant ao Estado empirico e seu asilo na idea- lidade estatal, em construgio puramente tesrico-racional, esvazia~ da de todo contetido, jungida a um formalismo dogmatico, como a ciéncia politica ainda nao vira, e sem nenhum vinculo aparente com a realidade, nio deve de modo algum ser reprovada, se atentarmos, como jé 0 fizemos, no plano histérico em que se situa a obra do pen- sador. Com efeito, se houvéssemos de aferir, conforme patenteamos, a doutrina de Kant pelos cdnones de nosso século, seria ela, em gran- de parte, uma idéia morta, precisamente pelo que omite com refe- réncia a substincia social do Estado. Mas hd um capitulo onde permaneceré sempre vivo 0 pensa- mento do filésofo, possivelmente mais vivo-do que fo século em que ele oescreveu: é aquele que contém a apologia da liberdade. 67. Essa lberdade, admiti-se até que « houvessem frudo um dia, perdendo-a depois, em idades recuadas e Lmemorias. A missdo do poder politico consistiria, pportanto,em restaurfla, mas isto, naturalmente ~ e aqui val «parte de leo dos te ‘eos iluministas a servigo das realezasastutas =, « prazoincerto.. ‘68. Die Religion bneralo der Grenzen der bossen Vernunf p. 212, us DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL «.. Oaardente patrocirio dessa causa fez de Kant um fildsofo imor= tal.vArcrise do-liberalismo parece incrimindlo menos naquilo que lesdisse:do que naquilo que.deixou de dizer. Pois o que afirmou perdura como aspiracko universal de todos os homens @ de todos ‘os povos. E-unvattigoide luta na face conturbada do Planeta. Porele = alliberdade:~osihomens morreraim no passado, estio « morrer fo: preséntéie:hio de morrer no futuro. £ um ideal inabdicdvel na consciéneia humana, : ‘Polesiinipdtia qué o liberalism depois “descubra” a doutrina detanrbutuege g le, jurito com ‘Montesquieu, algado ao trono ideologies ta burguésia: © doutrinarismo inconsciente do lerciro indo, & que'réconhecidamerite se liga sua obra, em riada diminui, ‘Porém'o meréciment6'db fildsofo @ o éariter idealista de sua cons raga estat 22-2771 * Qilthas s Tibgrdae aha, Capitulo 1V 4O:PENSAMENTO POLITICO DE HEGEL 1. Pani eddies hejlina: 2 manaruiaprissan como = Spear let oie tel Sik cae Pana ofc de Pata © Reason orp - 1» ti Septoas des Bata tistics Soha Expl mega’ 6 Heese dllarsnel Spee foto de core ie 8 oases ie lene no moderna persamenig police orn soda hatte como ss parce Intl ita 8 Heed parte eres10- Orgone etal. Ete hg dart de Peles coma teers iss 1. Panteismo e dialética hegeliana ligmo,, situase, entre os mais profundos 4 reflexes, acerca.da separa- oe dgiomias do velo ocralis- feramiente inédito, que se ‘de vista, doutringcio, com 0 persamento 52 Prine “Montesqui earetven od intetprstacio, Judi iberal ert fundamental disertpdnca ¢ samen * a coerencis-das teses adotadas,pelo.in- Longe de n6s,contudo, a orgulhosa preténsio déléxpor oper semento, de: Hegel acenca-dacliberdade¢ ds separacdo,detpoderes sem. antes-confessarmos hurnildemente-a dificuldade smque nos 120 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL coloca © panteismo de seu sistema, que toma quase ininteligivel qualquer ensaio de desmembramento. Nio apenas tropega o critico com esse carter panteista da dou- trina, sendo também com a feigo movedica e dialética de todo 0 sistenta, tomando, por conseguinte, inseguro’ qualquer esforco de fixagio qué no leve previamente em conta a consideracio. global do grande véo hegeliano no dominio da filosofia especulativa e as conseqiiéncias finais de seu sistema. De Hegel ja se disse que a sua filosofia “é idealista, porque faz a Idéia o principio do mundo; dindmica, porgiie defineo Universo pelo motithento dialético; antindmica, porque faz da oposicfo dos contrérios’o principio mesmo da vida; humanista, porque nao ad- rite outro'sujeito pensante senioo Homem”. “SiO ipeldainahts MO Hegel 6a teUdTiAbtante, uma variagio de compromisso entrea Idéia ea Natureza. Mas um compromisso ins- tavel. Repete Kant, coma diferenga de'que em seu-compromisso aparedemto' movimento; adinamica,que Kantigncrava, com os dé dbs désuias antinoimiasimobilizados. 7 "isi “af consi jy sid dil, dif se todoo site marda filosofia hegeliana, segundo Sauer,-em trésipartes que repre- sentam do ‘mestiio' modo’ fase"do corthetirnenito, bem como mo- Lr retake ~ASprimeira, parte é a Lagica, que, para-Hegel, se divide em Ciéncia da Idéia, em si e para'si(art-und. fuer sich), a Teoria do Ser (Die Lehre vom Sein), a Teoria da Esséncia (Die Lehre vom Wesen) e, por tiltimo, a Teoria do Conceito (Die Lehre vom Begriff), que volta & idéia “em si”. gut athe wes [9 conceit ou nogio, que tornou a si mesmo, transformou-se em’ sei contrétio, oit sea, Naturé2i, Produz-se éntdo,'2dmo se- gu party do ishing «Pil de Nien (Ae Ratrpilosophie, fases ou moinentos's4g reprasentats pelo procésso mie! Panice,o process isl e6 processo orgies. wee” “Quando a Idéia sat de sua alienagio na Natureza a fim de ge transformar em espirito, “em si” e “para si” (an und fuer sich), sage ateréeira:pate do sistema, ott Sejay’a FIsOfit do EspiritoxPhilosophi dggiGéistes) que passa da'estera do sibjetiverpara @ doiobjetivo; até iia absoluts! No capipo do subjétivor Hegel s Ea Psicdl AO dominio dbjetivd pertenieett 6s ridicos e Sticos. E por liltimo, na esfera do absoluto cabern’ ea Filosofia!” os onsBiiHegel0 métodé dialético conténsarchave de'todo iste: ‘nisi, expondo-o filésofo-a-criticad'dcerbus, coinoveile' Ahrens) que, Jar oie Bb aha © PENSAMENTO POLITICO DE HEGEL wa reproduzindo abjegdes de Krause, vé no “desdobramentodialético do espirito universal” o grave perigo de tudo considerar em perpe- tua mobilidade, 1povos, épocas e graus de cultura, deixan- do, gm altima ailie,o iceito 9 Estado desiutds de fase e- taveis, sem um eixo ao redor do qual se possam dar a gravit Neen transmutagio das idéias : Os disciptilos’pérspicazes da ‘ésquerda hegeliana, nomeada- mente Marx; condiiziranto pririeipio didlético as-suas vltintis eon seqiléncias." E 0 restiltado foi, do ponto de vista politico, Sdesem- bocar das idéias hegeitnas no extudrio socialisia, como, Ahrens, aligs, previra? . : 2. Antonarguia prussiaiia como realizagaé do absoluto:--: -umva contradicéo de Hegel : «0 fildsofo.consemador. que foi Hegel, 0 “catedrético” da. nip; narguia prussiana, nfo pode ou nfo quis.ver, em face, naturalmens te, de sua condigso de;pensador oficial, o curso que tomariam, de- pois, suas idéiasNo-entanto, ainda em,vida, abracara-sea.Mestrea uma contadicioids gua outing na conterplar:na forma Est prussiano.o modelo acabado de organizacio politica, a realiza- do doabsoluto. "eanizasio Po Déter-sil 86, porém; seria passar dadindmica a estética, da rota- tividadesimoblidsde! - : .,_ A Fevoltigao hegeliaina ficaria interrompida, eo que diz Hegel a missio do Estado prussiano, que terid alcantado como ordem politica sua mais nobre encamagio, cabe dizer também do'“éspirito universal”, que'ele viu coneretizado, por tiltimo, e em definitivo, F ns povos germanicos, Quis Hegel ficar onde decerto the era: mais aprazivel, onde as convenincias mundanas e politicas de seu tempo lhe impunham a nota de flésof0 prestigioso.e reacionsrio, em dissidéncia com.o ra dicalismo-da Reyolucio Francesa, mas também de armas erguidas contra 0s saudosistas retrogrados da ordem feudal. : Colhido nessa contridiglo, af parou.o filésofo - 9, que nko aconteceu, decerto, com as suasidéias. : se Daipor diante, o que.se tem é um hegelianismo sem Hegel; ip Re tao weet Em glean on Hg Wand, on inlting indie ‘Phoscie; RA. 5° 2h Altens, Naturreht oder Phlosophides Rete und des Staats, pp189-190. wz DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL vilégios-de stis-cétedra, nem vanv a inexorével coeténcia-dialética des 3: 0 fildsofo.¢ Bice A doutrina de Hegel, tanto quanto a de Fichte, potie sér-exami- nadaem distinta: .de sus vida, oferecendo aspectos singula- resque no deve omitirquem stentamente Ihe acompanhao desen- volyimentodas idéias. yop. ue) cat vw “-O timtido:dovénte de'leriao corhpanheito de Schélliig to Jornal de Critica da Filosofia (Kritische Journal der Philosophie) dificikarénite antecipa o professor de Heidelberg, aquele que, de certa feta, se en- tusiaémara Goma Revolugie Francesa.edepois com Napoleio. Alliés, a vida ide Hegel teria sido todaeliluni rosériodecontradi- alo ratratopesimista que, com indo rigor nos faade un Theimen Esse inode ‘rite mar smo MUSit dqailata abHeviravoltad'“cixtaleGnicks” de Hegel:/He- gel @tiprevide'comio Baha, bt diversas eres? ebptritd politico ain- Se Guba estésentifesta nate area peson: Comega He- gélcortio democrats iltiminista!caltia a Revolugio Francésa quase fatto ou niais que set Golega Fichte;-ém seguida, desliimbrasse;} ‘em desacordo com Fichte, diante de Napoledo, herdeiroiiperial da Revolucia,e:deixa-se estipendiar.como'redator de um jomal napo- Inicio, Aleman conden ax gueras itera. contra Ne poledo, em cuja derrota ndo.ré,coma vitéria da Restauracio torna Seulitconeend ates dp sbsolatamo: Masato fim de sue ‘vida festejou todds 08 anos com lima garrafa de vinho 0 aniversério da tomada da Bastilha, Oportunista, que se adapta as variagées de cada época?’ Pesquisador, due se vale das experiéncias praticas e, por conseqiiéncia, corre semprena retaguarda dos fatos? Um louco, como Roussédu? Um poco taivéz de'tuds isso. Toda concepcio, bbem coimo 0 seit reverso,‘éle'a abragou com o emprego da mesma acuidatle de espirite e pd? de expresso. Seu principal tema ni Fi- losofia train as contradicGes; dys préprias todavia, nfo curou",° Reza’ 0 ori ‘Hegel ist ein BaiSpial dafuer wie gem der politisthe Geist in veis@hiedtéen’Farbebyschillet,auich wertn er sich in ein und derselben Person’ maritestiert. Hegel beginnt’als aul ‘Klagrerischer Demokeat, bewundert die:franzoesische Revolution fast néch: mehr als Kollege Fichte: darin’bewuridert er, nicht mehr im Einklang mit Fichte, den kaiserlithen Erben der Revolution, Napoleon, und laesst sich fuer die. Redigierung einer napoleo- nischen Zeitung in Deutschland’ bezahler: er -verwirtt> die Bréfeiingskriege gegen Napoleon, an’dessen Niederlage er nicht (© PENSAMENTO POLITICO DE HEGEL a laubt; mit dem Sieg der Restauration wird ersultrakonservativ, ein Boer des Absolutismus. Abey-bis an sein. Lebensende feiert er alljaerlich:den Jahrestag des Bastillesturms mit einer Flasche Wein. Ein. Opportunist, der.sich den jéweiligen:Zeitumstaenden anpasste? Ein: Wahrheitssucher, der ,jeweils die: praktischen Erfahrungen. vverarbeitet und-deshalb immer hinter degetatsaechlichen Entwick- lung herlief?-Bin Wirrkopf wie Rousseaui?.Wohl,etwas von allem. Jede Anschauung, wie aluch deren. Gegenteil, vertrat er mit dem gleichen. Aufwand an.Geistesschaerfe und Ausdruckskunst. Sein Hauyptthema in ‘Philosophie, ik, waren, die “Widers- ruleshe” an den eigenen ginger vor fae ‘Tevve Hegel, de'quaiquer:modo, pela.Revolucio, o mesmioentu- siasme dos.romanicos Mendes ed jovenintlectuaidade eure. audavam na rebelido francesa o.advento de uma idade Se Kant chorarm de alegria ao ceceberia nottcia da proclamagio da Reptblica francesa,‘ Hegel, por sua vez, plantara, em solenidade _=Piblda, a rvoreda liberdace, 97 Pintarssem selenide Nio obstou esse fato.a que tfilésafa gyprimisse de} de sis xperangas quale Rete eee ee ror. Estavam ideologicamente rompidas, pois, em que pése a versio dde Theimer as suas simpatias com aquelemovimerto de ralzeslibe. rais edemocriticas,.«janio podia Hegel professar a mesma coeté cia de Kant, que, em: pleno crepiisculo da.existéncia, quando canservadora se mostra'a indole dos homens,.costumava emit jutzos favorsveis & Revolucio e dizer, segundo o testemunho de Nicolovius reprodizid por Joa, que ai atrocidadescomtidas em nome da liberdade, cotejadas com os dainos que o despotismo cause: +48 Franga, eram incomparavelmenteinsighificantes. Na luta, em Heidelberg, contra as corporagées ea favor do Es- tado representativo, como advogado do Governo, langa Hegel, com ‘obeneplicito oficial as sementes de sua or politica, Justifichndo posicao absolutista: do principe, escudado nas promessas de representacio, que, na, tbat vem vide do filésofo, unga, de fato, se cumpriram, Hegel, sa, investir panfleta‘ contra as idgias das corporagbes. a6 arrima A enormg experi reficgee © fala Contra. 08 Surdios da Ken gus s, nada apre BS eee sere, dos povos, “ "3, Walter Theimer, Geschichte des bar ‘pp. 260-208, ie 4: Friedrich Jod, Geschichte der neuer Phlcsophic p08, 124 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Deveria esta viler assim como advertenca A telmosia dos que seacolhem a situacBes que a razio jé desamparara:, A pena do sofo verte conceitos lisonjeiros sobre a Revolugio Francesa e mais ‘uma’ vez censura os seus compatriotas, os quais ele compara com os emigrantes franceses que “nada‘aprendetam e nada‘esqueceram nestes iltinios vinte¢ zinco anos —.0s mais fecundos que. historia }& conheceu, e parainis’os mais instrutivos por pertence- Ariossa geragio eas riossas idéias"S Mas muito anterior a é8sas consideracdes, expendidas no sécu- lo XIX o jlstzo de Hegal'acerca'dt Revolticko Francesa, gue dita: dos tempos de sua estada em Frankfurt, no modesto exercicib do ma gistéri6 particular: Coto ic bégs'6e quie ainda. dein subsigtiriistituigdes/ Cohstituicbes'eTeis,que jé se décem ii os costimes’ a Heceisidates ® a dpiniao dos om dos quais desertouo espirito, como se formas, sem nenhisin seipara a:razio'e.o séntimento; fossem suficientemente capazes de compor olagodeitiiio de unrpovo"’:~t! Ny ‘Boriginalidade na concej¢ho fellatio e Rousse -dedaflushet do Estadio Da filosofia que preparou a Revolugio de 1789 nunca:péde He- gel-emancipar-se inteiramente. Houve um pensador a quemele ve- nerou, na mocidade, como-auténtico herdi, e déjcija obra recolheu consideravel irifluéneia: Esse pensador foi Rousseau. . ‘AS nasceintes politicas de sua filosofia se situam, pois, nelee em Plato, no Contrato Social e na Repiiblica, sbbrettide nos pensadores da imortalidade gréga, nos seus grandes classicos, ao calor de cujas idéias conviveu amistosamente 0.jovem ‘numa veneragio profunda, que deixou tragos smarcalites eni'drvbrsas passagens de Seu sistema. . _Da familiaridade'coni a obra dé ems dé testemunho gsse 1aiso eélebre, sempre citad® na’ exegese dos textos, hegelianos: FRespéltante buses deste toncelto,teve Rotisséau o mereciinento de haver proposto uit principio, quia fds YotRente quints & forma (como tio cil aoridadaia) eno lage 4H fancia, €o proprio perdaniento, a etbet, a voltade, como principio ao eP eke ale mbraatad ea Vontds apenat rota letersi forma, inBuldla (comb tab, Fichte postériormén: 5.6.W. Hage ep J Dt, ere Stitch Als Sturt its tenet ech, Stat, Gente. S033H, °°} © PENSAMENTO POLITICO DE HEGEL 125 ‘pyecompreands javontade ger] nfo como elemento racional ent ‘para si, constitativo da vontade, senio‘apenas como o geval; quie, coneclent, provéin dessasvontadesisoladas, Desse mousy ido dos individuos no’Estado:condaz a um Pacto. Segue-se data! par das consegiigicias destruidoras de sua majestade e autoridade'ab- soluta,o divino, em sie para si, ea custo compreensivel” 1 Aelontades coma principio do‘Estado, ressurge, assim.em He- gel, no como a volonté générale, de Rousseau, vontade quetemsuas ‘origens.na vontade' individual, senio como vontade gui existe.ra cionalmente, em sie paras, com rigprosa autonomia, ora dasieste- rasdo peiculs aque ie podeser safer na on, 3 . -sulgoa'quent tributou Hegel aquela homenager.e cui idGins agereanda-oolontigénéale servicam de impuland sone. icho.hegeliana do,Estade-hé&:motivatio; alids, com suas reflexes a respeito do Contra Social debate inesgotivel, que sendqorea- ram de,intervir, og «mais eminent ‘éncia polities, no fam de iterviroxsmalsemipentes cltores da cénia polities, ‘Mas a'célebre nolonté générale, com que Hegel abre praticamente o seu capitulo sobre exseneiaptjetiva do Esta, deppiode desinis este come a realidade da idéia moral,.perde.o tom de imprecisto e nebulosidade de que Rousseau a revestira, para se converter no ra- Cinaling sorted tac Age serve derealidadeo Estado, ‘oube a Hegel assinalar uma das transigées mais importantes ¢ fundlamenpas ja haviday na histéria das doutrinas polis. Atéen- , -8¢ 9. Estado como criagio filoséfica, abstrata 1 pont fora, nae seseaava » Os peniadores exauriam-se em desvendar a natureza dojnelhor cadet entrar oie 2, 7/G.WcE, Hegel, Saemtliche Werke-Grumdlinien der P esophie des: i fet a sete er ea st ein, Pringip, das nicht our seiner Form mach (oie ety SLES a ie a Soe he ee coe te a oar eye age aad SS ee ara dio al Series ci ators Ba i eee a ae ‘des Willens,* tondern nur alé"dai* Gemein- Seen eerone oop ence tre Ui gugde tien it iat init Varin und Sen ce oe eee tian Ses gc oe el id Mastic seiberenden Kosagureen 'y acerca da natureza da vontéde,, emi Hegel. judic ‘2 ius sear nga ane er ab te ee Seige Mapas 126 DO. ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL unas eaciragnco dog omens e das inaa de seutempo, refugiavacse na fantasia,.para dar asas & imaginagho, numa critica qué, partindo do queé, terminaria no que deveria ser. +. ,Havia nos.anirnos.a obsessio.das.grandes utopias. Os socialis- tas franceses seguiam essa mesma linha, que seria, afinal, rompida coma intervencioideolégicadomarxismo."-' A teoriaipolitica conhetia apenas o:Estado hipotético,o Estado normativo; o Estado sollen e nio o Estado sein existencial,hist6rica, concreto, Este; carregado: de idealidade, #6 passou a conhecélo com Hegel 0 ot nt . jusnaturalismo'déininava até” éhtio-© pensamento estatal. Hegel, que'sevApfofundara na: leitura das fildsofos gregos, no estu- > lasicaCujas instittigbes'Ihe foram familiares, tem atrés de-si a Revoligio Francesa'slos amargos reveses da inva- sfonapolednicay # 2.00." si "Em leh *paril onde conveigira'a pldiade dos maiores filésofos de seu tempo, como Schiller, Fichte, Schlegel, Fries, Krause e Schelling viu eléinterrobiper-sesubitimertte sua ativicade filos6fi- catom a chegatia dis éxércitos déNapoledo. ‘Daquélés ding ta tinh rétiats iiicompatével da visdoque lhe dei- iperador corso. Eis que Hegélna pastagem de Napoleio por uma’das ras da &idade; escreveu'que fora aquele,na vida, um dos eépétdculbs ratos:que muis ovornovera, * A idia, Ou'Sbjl 6 UIP He absbillé ¢ universal, encarnava-se na pest Sse a leinbranga guna, grows cm inesqueciveis na missiva que’ enderegou a Nie- \perador "esta ‘ath lnivelsal =). ivi, identified vel, cavalgir pela cidade: Edeveras adinirdvel a sensacio de con- templar tal individuo, qite aqui, de um lugar, montadoa cavalo, se sobrepde ao mundo eo domina” ("Den Kaiser — diese Weltsecle — sah ich durch die Stadt'ztim Rekognoszieren hinausreiten. — Es ist in der That ein wunderbare Empfindung, ein solches Individuum ‘zu gehen, das hier, auf einém Punkt konzentriert, auf einem Pferd sitzend, ueber dieWelt uebergreift und sie behertscht”)? Doistriia politica’ Sxtvatdd do caos ém.que.d Europa mergulhava Viveu Hegel uma dasjidades mais.conturbadas na histéria do \undo; Foi'contemporaneo da Revolucio que acabou com aldade proclaritowosidireitosido Horner, antes de descer as agruras dadesordem, ta'violéncia’é to terror. 9.18 Bia bt, pp. 608608" (© PENSAMENTO POLITICO DE HEGEL wz Testemunhouo fim da acio revolucionéria'com Bonaparte e vis como a iia de iberdade do povoffancts ve propaga outs os, acompanhando a irresistive fi Povo sicompanhando a iresistivel vocagio do homem moderna Viu também no iniperadr, por tink momento, uma centelha de luz, a encarnagio da Idéia, num juizo que farie, decerto, coraro semblante austero'e reaciohiitio de SirEdinund Burke, a revolugio liberal da burguesia rleagis H& quem diga que nos acontecimentos:desenrolados naquele als vizio, nas sucesiva.mutagies lf onorsidas; posse ler © wento de Hegel, trajetéria cde suas idelas, quero i Crdimentenameagule consti ei, gue arb de Allés, Marx toma explictamente x Frangalbomo'pales ta tragé ia Alias fe Giepeltcene lade Matera afi queosauaes da Vide pie ea franpesa ielmente a histria das ideologias qiie He. ram corpoerealdadeso mundo an querivan pt He aie Como se va, aquela série quace ister nipta ie i jutee interrupt de ftos quie Fevol- veram o subsolo politico europee, comare leangada, face da hist6ria nto podia passar indilerente& Saks gentle se {ace da hstrianlo podia pater indilerente visio genial dof. que assume Flegel, Esté 0 fildsofo cansado das transformacé 6sof0 canaado d formagées testemunhadas. (aE fede, daira poss cimodaerapatvn coi, inteligancia a agulha magnética que atrato persamsenta reg campos inteiramente imprevistos, no dominiodastdena 128 DO-ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL (©PENSAMENTO POLITICO DE HEGEL 129 jengio.de Hegel se dé nesse momento, voltando-se para cejado pon tetificar a interpretagio mais usual, que simbolizara no annealed leniea * : ilustre filésofo 0. Hobbes dos novos tempos, o codificador do des- Vaira polis grega inspirs-lo na formulagio'de um conceito orga: potismo, o panegirista da Reacéo. nico de liberdade. Sua filosofia se faz a réplica mais poderosa.qu -Disse Hegel: “Q,Estado & a realidade.da idéia moral” ("Der "pensador. poderia,antepor ao brevigrio politico da doutrina de . ‘Stat ist die Wirklichkeit der sittlichenIdee”). Acima do Estado s6 0 ee ‘ * “iy sheet Ox, nas paso ko menos tamado! 0 Estado corres “A originalidade Regeliana Consisfia, pols, nistot.emt Rayerse | le A revelagha,divina, «um Dout vie(vel.E textualmente:,"to- afastad Seto reaht e Monteog tian, dos figaofos mesa os 08 valores humanios,toda a realidade espiritual do,Homem re- eistas, que intindaram’d Buropa com o'sell now catecismo de li- side no Estado, que ele deve adorar camo divindade terrena””. bbardade’ihdiviclalista; in P86 Haver, aderidosbrvilmente 0 {A increfiagio.mais em, voga cantra 9.hegelianismo &,,por.con- principio ditoctitico das ordas absolutistas e em haver idles, seguinte, ade haver conduzido o pensamento politico.a uma Fo terreno politico, os rumos que’haviain de preparar as'revolu- Shiomiias ss onene " es do séculoXXi"* 6 1 oH oma Num dos eélebres aditamentos de Gans, Hegel teria dito: "Na ‘Quanto ao rompimento de Hégel coin 6 racionalismio do'stitlo idéia do Estado, nfo se deve ter em vista Estados particulares, nem XVIl-com as tesed da liberdade individual. wria liberdade es- 1 eiistae pCa doverse antes rem conta Idaese ver- sencialmenteegolstica qué atomizariva cociedade,consoante 016° dadeoDeys ae : gin de Sunes de elangdovestatl | Exdepois, no actéscinio so §.272, sobresa esséncia da-Constitui- goutrinéc remaque ep area rerfsree com qigratidio de so “Curmpre, pols adoraro Estilo como um Devs tereenas recor dae Pe eat yard sempre, tomando ramos diametrak heat queso fel cophocera atures, infinitamenternis df mente opostos. Mas fl no § 258 da Filosofia do Dit ¢ ; P . de diivida, apés'sua célebie deftrigic do Estadé; afirmioi'que'éste, Hegel fildsofe.da,totaliterismo? aoe ssses det dRinno tern tobreo sefhumans "stale altedielto, do gui aS tpitatside'Hégel Smo o'hiis'lustre teorista do ab ‘mesmo passo que o inal alts déver do iidividuo é perteficer ao'Es- saidlbnls, afigura-sedos qute a rdekd'esth'cém os qué edmibatém tado” essa assertiva, oriunda de um equivoco na andlise do, Sistema ‘Em 3ey.afamado”Rapport sur I'ftat des Etudes jennes en hegeliano . Frarice”; 0 neo-hegéliaio A. Koyré défernde o filésofo’dessasineré- = Qiiando o pensador se confessa adepto da monarqhia‘constitu: pagées; que se lhe afigurarn de todd injustas e agressivas/decorren- loi, jé'remove ai, embora supérficialmente, as duividas que o fi- tés sobretudo do séfitimento antigermanico que alastou a Franca ‘zeram, para muitos tratadistas latinos, o papa do abéolutismio nos apésiaTGrande GuerrMiindial. ue Tees tempos medemos..” eae "FHiGtave, oi efeito, no pais de Mo ‘Varigs corifeusda correnténeo-hegeliana que promovem, nes: mundial ‘ 1914-1918, inovimento te séoulo, a essurreigho dos estudos da filasofia de Hegel, ic for- Contras idéias politicas apregos : » es eget ts © ya dntde tim publicihta da'éstirpe dé Duguit condenava a biirba- 10.Cuidou Hegel com secant, seguado Baumgartenihaver super o Hi'tetbida 6 éxpréssava eaie estado de'edpirito rio’ gr5logo de'set acionalismotumanist, Tels ff 9: FS monumental tratado de Direito Constitucional, no qual antepunha individual a realidade do Direlo, ¢ de, Histor: ee sn ‘a0 Estado-poder dos alemaes 0 Estado-colabors bos fe ‘Fjevoy perdi ts preaiep dortvrte nde dandy represen dos alemifes o Betado-colaborasto dos franceres. tao que:ha sé mais vive na: Teorinde-Mort-g-doiito egy Flegal”.( “das leben- a \ . ; 3 a gate an der Hepsachen Mora = sand Restle LE nereesatag - “1! Sadmtiche Werke-Grundinin dr Pitasogie de Recs, 928," SURAT cI hd gel ee il rs Boe eB ° Eda para daventar ng trono'o eaptio objetivo". Eft nésbe expt, cima’ 18.08 p37 . pew TERE Suc Hegel colowoue Estado (Arthur Boumgarte, Rehtphdopip) Ob tsp. 329. 180 DO ESTADO LIBERAL AQ-ESTADO SOCIAL “Buseava, assim, rovissima ¢ original fundamentacio do poder politico, reconceituando o Estado conto “produto de ‘Sferendiagio ‘entre homens de um mesmo grupo social’! “ \Ofai6-BStide-poder dos dlemiet, & que;'segundoDuguit, ade- fern quitttodos os publicists gemiicos,& oem duvide’ Estado da Flosofa hegeliana,¢tutca © Estado da especulacto subjetvista ‘ Facionilista de'Kaht. Pisa Hegel, ev geral; por ser no direito pu blico alethac' fl6sofo'que'legitima o culto da forca, encamnada no Leviatiestatal. "~- Retonhéie' Kiyre: gue, “em verdad, 08 ‘reacionérios alemies “apresentain fildsofia Hégeliana: ~'adbretudo a sua filosofia social = como a divinizagio do Estado-Molech ao qual sio impiedose- mente sacrificados 0s direitossdo.individuo”.* ‘Mas‘cita o:ntesméautor, ém abond’dé sua tese, um dos melho- res’ pashos da obra’d@ BAseh tobfe 6¢ fl6sofos classicos da Alema- nha, refutando a interpretacéo dos que tomam Hegel como supre- inditerico dor abeelutisma no sézule XIX a-aber:"E 0 conjunto 0 que importa: Ora,'a0'cnjunto do pénsamento hegeliano repu tudo quanto:é imperialismocou nacforalismo ultrapassado. Uma fe losofia que faz do Estado a realizagio da idéia moral, o Espirito mo- ral manifesto, a encamacio da liberdade, é, sejam quais forem as rFessalvas que,porventura se possam levantar a concepgio hegeliana di liberdadee da moralidade, absolutamente, incompativel com as ‘gigs com.ag quais seh4 pretendidoaparenté-la”.” acre : "Nao é vetdade que, para Hegel, a vontade do in- dividuo,s¢ deva sacrificar.3,yontade do Estado: ela tem, ao contré- Ho, valor absolut, tanto quanto do Esiado, com condigio, toda- via, de que nao seja impulso.caprichoso, mas vontade verdadeira, isto é,racional, porque, em assim sendo, 6,no fundo, idéntica a von- tade estatal, Pode-se contestar essa identidade (.). Mas o que se tor- naiinadmiss{vel é fazer de Hegel um éatisteintransigente. Admiti-lo ibestitu equivale olvidar igtafisica de todoo edificio”.* ‘Com de Koyré o insigne publicista slemio Can}, 1a Universidade de Harvard como dds mai ionalistas da democracia mo- 16, “Rag sur lBtat des tudes Hegelienhes en France”, Ve enter gdb ibs WG Staged eat ae '7.M. Bac, Les Dats Pius ds Pilaopes Cis de leap, Pee 1s 107 p Scapa Koyo. cp ie em 10 ibe indb cpp 9758. © PENSAMENTO POLITICO DE HEGEL 131 Consoante a interpretagio de Friedrich, o pensamento de Hegel no sentido de identificar 0 Estado com a moralidade, e naé:no de fable instrumento dessa morliade, $6 o fat, identificagio, que é completa e substancial, basta pa cepgio do Estado coma aparelhs totalnenie contre, mang por exemplo, do que teria sido o Estado nacional-socialista de Hitler. Acentua. Friedrich que, para Hegel,.a divinizacio do poder, simplesmente como poder, significa verdadeira blasfemia a Deus. cita uma das célebres notas de Hegel em sua Filosofia do Direito, em que condenava ele certo contemporanso que Véio a esposar tal dou- trina.” . 7. Superagao do jusiaturalismo e da-velha teoria absolutista Como se vé, a posigdo de Hegel & rigorosamente intermediaria entre o antigo absolutismo de Hobbes = qué traduz unia apologia do poder pelo poder e que evolve pars ge fotnas mtigatus do ab- ~ solutismo wolffiano, de feicio' eudembiifstica e ihiminista ~ ea rea¢io individualista da filosofia anglo-francesa, que teve na Ale- manha, com Kant, 0 seu mais prestigioso cultor. De um lado, a exacerbagio absolutista do poder, desprovido de qualquer contetido ético, e em antagonismo, por isso mesmo, com 0 espirito objetivo, com a forma mais elevada da Sittlichkeit, ou seja, do Estado, na concepgio hegeliana, e; de outro, a.teoriajusnatura- lista de Montesquieu, Kant e Rousseau, que entao festejava por toda a Europa o seu triunfo ideolégico, depois de emancipar, no novo mundo, as colénias inglesas e de suprimir, no Continente, ‘com a Revolugio Francesa, a velha ordem feudal consorciada ao absolutismo mondrquico. | ~ A teoria hegeliana, com o seu lulo oscilando para o auto- stato ea Regio, ao reves das dottinse evalucoetease lc Vidualistas do direito natural, exprime perante o problema do Esta- do posigio de nitido e flagranteotimism O século XVIII fora pessimista e subversivo. Se exaltava o indi- viduo, tinha em mira abater, para sempre, com as Declaragées de reités do Homeni, 0 monstruoso Leviata, inimigo mortal, imedis daliberdade humana, oo. ‘ Estado era para eleo mal necessério, que se devia tolerar ape- nasramatice oequeous eiatencn oasgaee omens aetrneee vel A convivéncia soci ena | 19. Cart. Friedsich, Die Philosophies Rechts kistrscherPerspectiomspp, 78-80. 132 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Ocritério de valoragio ética residia no individuo e nfo na cole- tividade. ee A suprema inovacio de Hegel se dé, pois, quando ele busca re- conciliar as duas posigées aludidas, icando, porém, suas simpatiag com Estado forte, e tio dbin o Estad abstencionista e neitro. Inspir ina concepgio platinica de Estado, recoiiceitiian do’a liberdade éom desprezo do liberalismo, chega Hegel Aquela re- conciliagéo ao inverter referida tese iridividualista sobre o valor &ti- co maximo, que, ao invés de radicar-se no individuo, passa ase dlo- jar no Estado: . Com efeito, Familia ¢ Sociedade Civil, como degraus ou cama- das do espifito objetivo, sio, na dialética hegeliana, meios de que se vale o Estado para a realizacio de seus fins. O Estado, como a mais alta concretizacio do espirito objetivo, se pde acima de ambos. Desa. super Hegel. id platbica do, Estado, maiante a qual existe o lng duo para.o,tedo ¢ nko o todo para 9indiyiduo.* : Esse principio, que ele patrociribu, quando conduzido as xlt- ‘mas conseqiléncias, acaba efetivamente no totalitarismo. A lembranga de sua aplicagio indiscriminada e sem escripulos 1a teoria politica de certos pensadores do século XX constitui som- bria adverténcia acerca dés perniciosos efeitos que poderd.ter para ogénero humano, importardo, pois, uma doutringdenegacio. De cérto, nio tivera Hegel em vista esse resultado. Para comba- ter o século XVI, fazia-se mister uma arma que ferisse fundo. En- controu-a no social, fixou-a ia teria do espirito objetivo, limitou-a no absoluto, colocando neste a Arte,'a Religido e a Filosofia como dominios axiologicamente superiores ao Estado. Desfrutoui Hegel a simpatia « 0 favor da ordem politica restau- ada. Sua filosofia caiu rias gracas da R&&itio e se fez a filosofia ofi- cial do Estado prussiano. A monarquia de Frederico Guilherme se ‘comprazia com suas idéias ¢ ele se convveitéu, po isso mesitio! ho teorista diletove de maior evidéncia da ordemdominante. Os homeits quie antes haviain perseguido ¢ hiimilhads «Kant, proibide suas prtlesbesflosottead Sobre matera religions oprade do velho sabio de Koenigsberg o compromisso dé um ailéncio avil- tante;cuji-qaebra significaria pritica de ato subversivo, erart ideo- logisaiente'ds iesmés-que; nat primeiras décadas do século pas- sado, se desmanchavam em aplausos a filosofia*hegeliana.’~ 20. Wilhels WandtEnltungin die Phosiphie, p. 248, + (© PENSAMENTO POLITICO DE HEGEL 133 Mas 0s restauradores da grei de-Metternich, os que viviam ce ~ gamente as paixdes ¢ 0 fanatismo de uma época conturbada, que- Fiam recompor 0 mundo, mediante retrocesso histérico a idades que jé se haviam apagado definitivamente da meméria dos povos, a saber, as erasdo absolutismo real. Pouco importa que os roménticos.alemaes sonhassem em re- constituir o passado perdido, fazendo a apologia da autoridade.e datradigio. : A gtande verdade & que Hegel, colocads nessa mesma corrente, aparece como inovador genial e prepara, com 0 ealor dialético de suas idéias, a servigo'da restauracio, nova teoria filosofica, a qual nao péde nunca prever que acabaria por se voltar um dia contra os sda Santa Alianga, seus figis amigos. rnlcantente, que acoitcese, Fina dialésica do insigne pensador que as ovelhas pretas da esque sale do tiene person gus op ove pres a gurda soe i 138 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL liberdade politica:des povos, bem comio o sentimento da indepen- déncia burguesa perante o Estado, Masa boa tradigao do monarquisme.constitusional, cedendo ao imperativo de,crescente.democratizacio, parecia corroborar, cada vvez mais, e era,0 caso das.instituigSes politicas inglesas, que'a tese hegeliana da separagio de poderes vinha a sera tese verdadeira. Na.nglaterra, a pratica politica, :de indole consuetudindria, sempre desprezo o prinlpio da separagio abeolutss se ineinow decididamente para uma Separagio amena, flexivel e,ralatva, maiormente no que tange 48 relagoes eritre Executive ¢ Legislativo. Afigura-se-nos, pois, que o liberalismo, nas transformagSes por hegar 8 sia concepead inal snodeius Cont para com Hegel pesada divida de gratidao;’ pela dose dé hegelis nismo que os seus novos postuladoscontém. © Sem a Séph?atad de podates como’4 visualigdul Hegel, én c ca profes jst estodtivo ue doieeno ition tos decerto prevalecido, na elaboragio ‘coristitucidnal do"Bstado mo- demo; dquela outra'dinetriz ideclogica qué, na-distribuiggo de po- deres, deu ‘tomio'seu melhor fruto-a-técnica politica dos sistemas prcsidencatseas/a que mais se aproxima da‘ortodoxia do velho li- ralismo.” 1 ” No entanto, mesmo essa téchica, quando bem énitendida e bem licada, no se forra as modificagdes ditadas pela evolugio da’ trina, modificagées que oscilam precisaménte entre idéia anti- ga de separacko ea idéia moderna e mais exata de colaboragio. A idéia d¢'Colaboracio; ademais, doittida, ja, com ieridiana ni- tidez inas reflexes de Hegel, parece, do ponto de vista estatal, as- sentar fa natureZa das coisas, Visto que’a realidade politica de qua- se todas as democracias acarreta umia integracko. do Legislativo com o Executive, afi exlaténcia de poderes ecordenados, endo antagénitos. °° 7" . Onde, pais, a séeniéd ie melhor sel a eos conseqi Evidentemente, no, parlamentarismuo,.9-mais. flexivel.¢:flemo- xia sistema de govern quo Etadespodgono core rite, wholltee do velho leer a a ae __, Ghegames, dn ama, essa conclusto: Hegel reelaborou a ses pia. asao.de paderes, fundou-o.na jidéia Spitibad eer oe ecbcliandos ese des podees eae a tee doa poder que sg cogedanarydeu, Re, cS pode d banc dlica Meee jae s eerste setter do do século XVII le solapara. fam Capitulo V A LIBERDADE ANTIGA E A'LIBERDADE MODERNA 1. A ‘erse da, liberdade modehia’ 2. Ger he . 2. Germanisno, heleniemo ¢ | reaconarismo, 3, Benin Const eo cute bred na “pon. “$156, 4. O antindvidiaime do Esado-Cidade 04 Indole las Uist das comunidades grepes,5.Conhece a antigidede dios fo ments do Homem? 6.0 persemento de Migtel Reale 74 Ther e em Roma, segundo jehring. 8. Uma reinerprtate do Estate rego: Nictsache¢"O Comero de Tagbdie” 8. Oantlrsona aa, “outrinasautorttrie da ered LA crise da liberdade modema ‘A ideologia dos sistemas totaitérios desacreditara por comple- {p iberalismo depois da tGrande Guerra Murdial emprestartios Ine scepsto peoratve, de que ainda nio pde de tode desemba. ._-Mas essa teridéncia antiiberal invests, na verdad, Rjnho de vento, pois o liberalismo, como "doutrine seme lo", plorrera com a primeira fase do capitalismo, ° O,que o século XX conhece, na pureza dos postulados aftima olegitimo pensamento democrdtico, €um esfono iheciiae | code preservacio da liberdade humana. ‘deolegi 2 dk sobrevivéneia da démocracia li éxi racia ligase ao éxito I rent fe depeche wn ato gn eet ‘lea dos direitos sciais, que faz lita uma maior interverinto ds statal na estera econmicd e’tultural, com a idgia rao mance Husta-do individualisme, que pede a seguranea e 9 reconhecimencs 40 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL de certos direitos fundamentais da personalidade, sem os quais, ‘esta se deformaria e definharia, como fonte que se deve sempre conservar de iniciativas ites, livres e fecundas. ‘literatura politica subseqiiente a iltima Guerra Mundial pro- move um fecundo renascimento doutrindrio, que atualiza precisa- mente os mais lustres representantes do liberalismo. CO interesse pelos temas vinculados a teleologia estatal, a ressur- reigéo do jusnaturalismo na doutrina politica dos modernos filéso- fos alemaes, o'retomo a Kant e Humboldt, a Benjamin Constant ¢ Tocqueville, a Stuart Mill e Spencer, sio indicios seguros da impe- rosa necessidade de resistencia, que ora se esbovs, uma consagrar ‘do social, com o esmagamento do individuo, confor- Volta, assim, a democracia aos seus mestres ¢ inspiradores do ramo liberal, menos para retomé-los em toda a sua extensio doutri- néria ~ 0 que seria no tanto lirico, como funesto e perigoso ~, se- ‘io para manter sempre A vista aquelas idéias essenciais da perso- jamo de continuo ameaga. rece, pois, nos redemoinhos da controvérsia po- Iitica. Nao hé que tergiversar, por conseguinte, na importancia que assume esse tema para os destinos da sociedade contemporinea. E mais uma vez, como nos séculos XVII e XIX, perdura o velho conflito entre a liberdade antiga ea liberdade moderna. Nesse embate, o que se decide é a sorte de uma concepgéo de vida, ligada a um sistema social em crise, que no despreza, contu- do, frente aos padecimentos da enfermidade que o devora, as espe- rangas de cura radical. Daf néo podermos menoscabar a importincia que tém para os nossos dias 0 estudo e a compreensdo das antigas instituigBes gre- gaseromanas. Daf também serem de todo justas af palavias de Emest Barker ao pondérar a necessidade dessa pesquisa: "Nao nos acercamos, portanto, do estudo da Cidade-Estado como de um assunto de inte esse hist6rico, senio jque estudamos algo em que ainda nos deslo- ‘camos e vivemos. A Cidade-Estado era diferente do Estado nacio- ral contemporineo; mas diferente apenas pela circunstancia de ser ‘uma forma rhais vital e intensa da mesma coisa: Nela, podia o indi- ‘viduo, com mais clareza e desembarago, supor-se. parte integrante do Estado, visto que as dimensdes deste o permitiam ¢o seu siste- im:primério de governo animava tal suposigio. Estudando o Esta~ idade, estiidamos, na verdade, o ideal dos Estados modernos, algo que é tanto de ontem como de hoje, por ser essencialmente de ALIBERDADE ANTIGA EA LIBERDADE MODERNA 141 sempre” ("We do not therefore come to the study o i ef he Ciy-Stateas toa subject of storie interest we Come eRe study of something in which we still move and live. The City-State was different from the NationState of today; but it was only different in the sense that it was a more vital and intense form of the same thing. In it the individual might realise himself more easily and clearly as part of the State, because its size permitted, and its system of primary government encouraged, such realisation. In studying it we are studying a thing which is as much of today as of Yesterday, because it isin its essentials, for ever”)." “io politica dos [povos europeus com os antecedentas historicos das revolugies i Blesas do século XVII, com o exemplo da independéncia americana ecom o fragor dos embates da insurreigao francesa. Mont ieu eo velho Mirabeau, filésofos que pre; re drama de idéias de 1789, traduzem a ‘nfluencia edoratore ‘dole bealisme contraposta ao radicalismo democratico de Rousseau € Rousseau pensava em nome de todas as classes, ou seja, do povo, Montesquieu, inconscientemente,e daigelto de oua tiaglo ar tocritica, em nome da classe em ascensio ~ a burguesi: que, no entanto, se identificava com as demais cl no Principio comm de antagorismo acs prvilégos steve tate . da soberania real, esteada em instituigdes de natureza feudal. Sonhava Rousseau com a democracia direta. Montesquieu, a democracia representativa, cujas bases erigiu Montesquieu, com Em suas conseqiléncias doutrinérias, Montesquieu est mais oes nets tin Mame ot i que antecipa Hegel, de quem foi, aliés, com a teoria da volonté ‘générale, ilustre preceptor em filosofia politica ___ Seadiso dutras antiteses nio separassen’ as duas correntes que fizeram a Revolugio e comunicaram a ideia de emancipacdo polts ca do Homem o seu maior impulzo no consttucionalismo moder- ‘no; bastaria répida alusio ao conceito de liberdade que ambas pa- tfocinavam para medir-se o griu de alongamento em que doutrina- fa huavam, embora, por forga de conveniéncia superior consecugio de um fim comum ~ adestruigio do despotismo —, 1. Grek Politi! Theory, pS. 1 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL combatiessem juntas a favor do mesmo resultado, que as contradi- «Ges intestinas do grupo revoluciondrieindo permitiram, todavia, se alcangasse iriteiramente. Como € sabido, ficou a licko, ids o esfecho imediats foi o ter- ror, 0 corisulddo, a'ditadura; um prol to desnecessario do martirio que envolveu, no Continerte, a consolidacio constitu- iota do principio democritico, Essa alusdo a que nos referimos importa considerar a esséncia da liberdade, como a queria liberalism e, do mesmo asso, co- ‘moa pretendiao populiamo democratice de eéeulo XVI. 2. Germanismo, helenismo e reacionayismo Rousseau; Mably ¢ Hegel voltavam-se para a’Antigiidade clés- sica, sobretudo para a velha'Grécia, no afa de criar vim conceito de liberdade que significassé essencialmente, como nos tempos classi- cos, a presenca ativa ¢ militante do Homem na formagio da vonta- de politica, conva correlata sujeicio do mesmo a essa vontade oni- potente. Com efeito, Hegel, ilustre filésofo germanico da Restauracio, foi dos mais apaixonados cultores dos ideais helénicos, onde se nu- tre boa-parte do historicismo que constitui a pedra angular de sua filosofia? A sugestio politica que recebe da Grécia concorre pata fazer esse filésofo « mais veraze poderosa afirmacio de germanismo. Germanismo, porém, no sentido modemo, com os seus laivas autoritérios, tio distinto daquele das origens ¢ das tradig5es mais antigas. : A Germania de Técito, como se sabe, conhecera e cultivara a lr berdade nos campos enas florestas. . Os arrogantes invasores,-com a altivez de seu individualismo, haviam ensinado ao romano vencido e decadente a licko da liberda- de, a qual, no que tarige & conseiéncia religiosa, eles assimilaram a pillpitscristio, coms ensinamentos rectbidaisd : Na Alemanha do século XIX, porém, quase nada-prevalecera desse antigo sentimento de i 4 que, todavia, hos ‘po- vos anglo-saxénios, ramo nfo menos ilustre da ‘linhagem gers 2.9) historicismo fo, segundo Windelbard, a ota esencil da, flosofa de Hegel. O grande idealists, 0 “iltimo constrator de sistemas flossfiecs” consagrou & compreensio da Historia as maioces melhores enetgias de sew’ pensamento (Wilhelm Windelband, Lerch der Geschichte der Phiosapht pp-S15-516, ' LamanERDADE ANTICA E A LIBERDADE MODERNA 143 Neen Havi@tntre os alemies de getacio idealista um ressentimento contra & Revolugio Fraitcesa- su ileslogia: Esse ressentimento se- Serie tanto ra bela histoet'do Dito de Higa, Puch © como na‘ilosafia politica do hegelianismo,nde a de intensidade. Pola dohepelinisme,nde aumnenta iets Hegel, pois, desesperadamente, um conceito positive de liberdade com que refutar o pensamenta de Kant e da Revolugio, aquilo que se lhe.sfigura decerto o neputinum da liberdade, ist ‘um conceito deplorivel, abstencionista,eredneo, vazio, omicee qdsursindo-se contra a doutrina kantista, em que “cada wm nitaaliberdade do préximo, de moda que. limitasia comury di titbio de todos mutuamente, permite a cada qual tueno I Br onde sé poss onservat, fe aquele estado lara exit {oct itimamente vinulado a6 desenvolv- mento da cornunidade, fora da qual nia chegard jamais o Homem a sila condigiodeseriive, TS etAlamalso Onde vai ele, porém, inspirarse em seu i lereconceituar aie one,ya ele por, inepira intento de reconceitua Na Antigtidade cléssica, conforme disse Platio. e Aristteles, nas intituigdeshelénicas, ra formosure da deme nceig ateniense, ‘firma Hegel: “Na Grécia, vernos a democracia em seu aspecto "mais encantador. A liberdade, como Id existiu, foi a mais forrrose tantas raizes,.gerando a idéia moderna e fecunds apse 9 rnisands esi Tn an rene or Hugo (766044) aut rargyoeten eee ae yf abit dhs Verdienst Sag 1779-1861), spacter die corer mace emote) Terie dace remot ieee Sh rig Pt Epica ree Se eae - 14 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL que jé houve sobre a face da Terra. Assim como @ despotismo re- Bresento. a peculiaridade da vida politica oriental ~ a sua consti- Ruigho, se & que disso se possa falar —, assim como a aristocracia foi nota de mundo roman.¢a monarquia a dor povos germénicos ¢ eristios, a democracia, porsua vez, foi acaracteristica da Grécia” 1 icealgrego, qui Hegel descobricaliberdade ética de que se soe ee eco Avil hlosofiapolica de nspiragio Quando se cogita de langar as bases de nova compreensio da li- berdade sumara’o retoro s Atenas eEspartaéimperiosona dou trina histSrica hegeliana. |, Emoutro passo de suas célebres prelegées acerca da Filosofia da Hidteria, depara-sé-nos-essa apologia ardenteda liberdade grega fteritbe da existacia'ateni a de'edilcagao, vivisi- tefias; uinté liberdade viva e umaigial espinal embort nfo se houvesse podido eliminar a desigualdade patrimonial, tuinca al- cangou esta pontos extremos. “Ao lado dessa desigualdade e dentro dessa liberdade, pude- rantvassentar-selivremente today'as assimetrias do caréter e do ta- lentoptodas as distingSes'de individualidade, e extrair-se do meio circunjacenteo mais rico estimulo e desenvolvimento.” 3.Benjaimin'Gonstantie-o-cultorda liberdade na “polis” grega Come se v8, Platéo e Aristételes bem como a realidade | historica decile fega, com ax suas wotituigdes dominadas pelo sentimento {gualitano ecoletivista, inspiraram decisivamente 0 conceito auto- ‘Ratio da ibcrdade, erquanto acesco do individuo & soberarin te Fee Sterna Vere extrema econternpordnea da “iberdade’” to tia " ista que o clumula de berieticios mate- gic mas lhe coaret, i ails ilimitada indepeindéncia de movimentos que.caracterizaya aliberdadedoliberalismo. £61, p68 primeito em perceber, ‘uma public sfundo, a yerdadeita anti- vote de np eget Oi pine de ie ALIBERDADE ANTIGA E A LIBERDADE MODERNA 145 tese entre a liberdade ant iberdade moderna, projetando so- bre as contradigées inexplicdveis da Revolugio Francesa um jato de luz; quuenos permite dissipar o velho equivoco sobre a suposta con- sistenca da dlangaestabelecida ene o pensamento liberal eo pen- samento democratico, a qual ocultava, todavia, como-férmula de compromisso, dissidéncia mais profunda, cujas raz6es s6 ulterior- mente se desenharam com nitidez Ora, 0 célebre discurso que proferiu Benjamin Constant no “Athénée Royal” de’ Paris, em 1819, intitulado De la Liberté des ‘Anciens Comparée a celle des Modernes, & dessas obras-primas da teo- ria do Estado, que pertence as maiores e mais bern-elaboradas sin- teses que o pensamento politico da Humanidade jé produziu. Pegas como a Ordgio Firebre; de Péricles; a Oracio da Coroa, de Deméstenes; 0 Farewell addtess, de Washington; a Declaragio dos Di- reitos do Homem, da RevoliiGio Francesa; o Manifesto Comunista; de Karl Marx; 0 discurso de Lincoln, no cemitério de Gettysburg, 0s mortos da Aboligéo americana, assinalam, a despeito de sua conci- sto, verdadeiras revolugées no campo das idéias e atuam podero- samente na alma das geragdes, gravadas que ficam para sempre na embrahiga dos hémens a que se dirigiram, de cuja imaginagio jé indo podem impunemente desprender-se Se algum documento hé de reivindicar na Histéria 0 titulo de ‘manifesto politico do liberalismo, serd este, incontestavelmente, 0 discurso de Constant sobre a liberdade dos antigos comparada com dos modemos. Ali, a teoria politica do liberalismo retoma, em poucas paginas, Pepe peerrnt mompenrr nang tn comparivel de uma férmula que a identifica doutrinariamente, sem qualquer eiva de equivoco, © merecimento de Constant 0 de haver, pois, recorhhecido classificado duas tendéncias opostas que a reflexao nao lograra ai Gaordenar com lucidez no.caos onde se achavam imersas. Antes de passarmos a critica da exposigio de Constant, a que calorosamente adere também Laboulaye, outro insigne corifeu do liberalismo francés, num trabalho‘idéntics, mas posterior, intitula~ do La Liberté Antique et la Liberté Moderne, convém reproduzir aque- las passagens capitais em que o pensamento do célebre constitucio- ralista fixa o contraste das duas concepqSes: ““E para cada um 0 direito de nfo sujeitar-se sendo as leis, de ino poder ser preso, detido, condenado a morte, maltratado, sob qualquer pretexto, como decorréncia do arbitrio de um ou varios individuos. O direito de'manifestar opinio, escolher a profissSo € as DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL srcé-la! Dispor da propriedade e até abusar da mesma; de ire vir, sem obter permis e prestar contas de seus atos ou intengBes. £, para todos, 0 direito de reuniao, seja para deliberar acerca de inte- resses:pessoais, seja para professar o'culto que lhe aprouver, a sie aos seus associados,seja, simplesmente, para preencher, da manei +a mais conforme aos respectivos sonhos e peridores, 0s dias ¢ as horas. , em suma, o direito que a cada um assiste de influir no go- vero, pala nomeagio de todos ou de alguns furconsrios jf por representagies, peticoes, exigéncias, que a autoridade trunos complidha Sonar en conseleagio. Compara enti seta liberdade a dos antigos. “"Consistia essa em exercer coletiva porém diretamente,vérias partes de toda a soberania, em deliberar, na praca publica, a respei fo'da guerra e da paz, em selar com os estrangeiros tratados de alianga, em votar leis, proferir julgamentos, examinar as contas, os atos, a administragio dos magistrados, fazé-los comparecer peran- te 0 povo inteiro, acusé-los, condendclos ou absolvé-los; mas, 20 mesmo tempo que havia isso, que os antigos chamevamn de liberda- de, admitiam eles, por compativel com essa liberdade coletiva, submissio completa do individuo & autoridade do todo. Nao encontrareis entre eles quase nenhum dos direitos cue acabamos de ver como parte da liberdade entre 0s modemos.”* . © mundo ‘classico, iia magistral exposicéo de Benjamin:Cons- tant, praticou gna liberdade es ta Idacle Moderna aera equiva- lente ao cativeiro da personalidade humana. a Invoca Constant o testemunho de Condorcet ¢ acentua que os antigos no possuiram nenhuma nogio de direitos individuais, se bem que abra timida excegio para Atenas, “dos Estados antigos; 0 que mais se assemelha aos modemos"? ! 4. O antiindividualismo do Estado-Cidade ou a indolé coletivista das comunidades gregas sminentes pesquisadores que se.ocuparam da Antigtidade eodrntic zgndees gue scum du Angee ‘em apontar a polis grega como o maior simbolo de integracdo social do individuo. Alia tradigio se depara com formas adiantadas de absorgfo do homem pela.coletividade. : 6 BerjamCotstint Cours de Pltigue Contato, IVSE1-52. 7.08. ct; 1/5056, ALIBERDADE ANTIGA EA LIBERDADE MODERNA 147 Os que se entristecem com o cisma entre o individual e 0 social na Idade Modema encontram motivos de encantamento a0 con- templarem enternecidamente aqueles tempos remotos, em que a sociedade politica teria realizado, de forma concreta, 0 ideal da li- berdade humana, produzindo o milagre da vinculagio orgnica en- treo individuo ea comunidade, : Prof. Alfred Verdross-Drossberg, da Universidade de Viena, i uma dé sisas melhores obras, escreve: "A polis abrange toda a vida de seus cidadaos, Nao é apenas uma coletividade de homens, sendo também de deuses pois o Estado, em suas rizes, constitu comunidade sagrada. A polis € também algo mais que organizacio txtema, Sob sus guarda Se acham, ainda fifereindos wees interesses que, no Estado moderno, sio cometidos, em parte, a ele mesmo, e em parted Igreja e Sociedade” * Na consolidagto-de Atenas e Esparta como “idéias politicas”, afirma o abalizado publicista: “Deita o Estado atico suas raizes no no individualismo ena idéia que daf decorre, de assotiacio de ho- mens unidos por um pacto politico, mas naquela forma que é a “idéia da comunidade”, coma Solon, pela primeira vez, desenvol- veu. Segundo este, a polis constituia também o eixo seguro e certo a0 redor do qual girava toda a vida'de seus cidadios”.* Comparte Verdross a mesma opiniio de Condorcet, Constant e Laboulaye, de que a Antigitidade nio conheceu direitos fundamen tais do individuo. Assim ele manifesta esse ponto de vista: Nem em Atenas nem nas demais Cidades-Estados houve direitos essenciais do indivi- duo perante a ‘Agsim enunciava Priestley, seg © contraste nit een ei crt de tado era tudo. Parao homem modeio, e Bue rope,e individuo étudo eo tstadosnada’s" ris nies da Eu ~ ‘Alliberdade antiga, pela tese de Jellinek, se resumitia ém parti- ciparo individu na caforagioe direid ds poder esta a0 asso 22,0b. Almejaria o Estado modemo, na teoria do liberalismo, como sua finalidade preeipua, qual preconizava Kant, a seguranca do in- ividuo, ao revés do Estado grego, que, “segundo Tittman, busca- ria fo-somente assegurar os interesses‘da coletividade, da Consti- tuigéo ¢ da igualdade” Depois de aludir aos escolhos a que ros podia arrastar uma ge- neralizacio precipitada acerca desse contraste — por ter havido na historia grega momentos em que o individuo pairou acima do Esta- do, do mésmo modo que toda anilise circunstanciada da fase mais florescerité ¢ triunfal do liberalismo, como foi a época imediate- mente ulterior a:Revolugio Francesa, acabaria por dissuadir-nos juanto a propalada‘onipoténcia do individuo, exercida em termos a idelidae& idenlogia liberal — Jelinek admit, em sua profurr da eritica, a pres ela antitese, mediante seguinte formi i Ee at eas Ea buiuse ao individuo uma esfera de livre atividade independente- mente da agio estatal, mas com a diferenca:de que no chegou a Antigtiidade a possuir a consciéncia do cardterjuridico dessa esfera, A coagio estatal”.”” , contud®,.essa consciéncia na atualidade, e foi, a0 nosso ver, 0 indisputatel merecimento do liberalismo burgués havé-la cultivado no mundo modemo, embora custasse a instauragio do dualismo, que os teéricos da Reagio edo Totalitarismo tanto deplo- ram e supdem funesto, entre o poder e a Constituicio, entre o Esta- do ¢0 individuo, entre a autoridade e a representagio; antitético, porconseguinte, ao monismo da Antigiidade, a organica estatal de Platio e Arist6teles, renovada com tanto brilho e verticalidade pela “Moiofia hegeliana do século passado. Foi o liberalism, portanto, conseqiiéncia natural de desdobra- mento daquela mesma jdéia que, nos séculos anteriores 4 Idade Moderna, colocou, conforme o eminente professor de Heidelberg, “a Igreja contra o Estado, o monarca contra 0 povo, até acabar, nos Ailtimos tempos, por contrapor aos direitos do E3tado os direitos da liberdade individual”. i Outro estudo critico que reputamos dos mais seguros.e bem- feitos acerea da natureza da democracia grega fé-lo Hasbach, quan- 25.Ob.ct,p. 285. 26.Ob- et, p. 296 ' 27.06. 6it,p 307, | devé transpor, e se tomou, por conse A LIBERDADE ANTIGA E ALIBERDADE MODERNA 159 ia modemae A auséncia de uma esfera de direitos individuais na Antigiiida- de helénica figura entre as teses consagradas que o esforo deve. domes irtrpretesprocura inalidar Ovpensamento de Flasbach a iste respeito, se nio coincide, em grande parte, como de jell dele se aproxima consideravelmente, ode Feline, O autor do célebre livro sobre a democracia modema, que tanta celeuma provocou no comego deste século, pouco antes aa I Ge 1 sébios franceses a rigida generaliza- $fo.que se fez sobre a inexisténcia de direitos do cidadao grego em suas relagdes com o Estado. rites do cidadio Diz Hasbach: “A alguns sabios, notadamente franceses, as de- Taras grogas eram como foraleas ao redor de um templo, cujas guamnigdes se achavam sempre aparplhadas para gueria de cong guns de runs pre gas de se esclareciam da maneira mils nitida se as compardssemos com as Rite existem nis goliéiase formigueiros. O Homer modemo, que eve, todavia, bos parts dos direitos da liberdade em porfia Gore o Estado ea Igreja, sua alia, estendeu 49 inesmo tempe, em toro de sua personalidade, uma muralha, que © modemo Estado no : iéncia,individuo, 20 passo jue © homem antigo permaneceu membre sulbmisso da comers, le estatal” (“Einigen Gelehrten, vorzugsweise Franzosen, sind dio griechischen Demokratien wie um Tempel gelagerte Festungen ers: chienen, ‘deren Besatzungen immer zu Beutezuegen geuestet gewesen sei any iach ihnen wird das Verhaeltnis des Bustgers ru diesen Staaten am sinfaelligsten durch Bienenstock und°Amel Staat nicht ueberschreiten duerfe, er seiem individu nde wachrend der antike Mensch nur ein unselbstaendiges Drgen dee staatlichen Gemeinschaftgeblieben sei”) Nio obstante téconhecer que no Direité inodemno s¢ humaniza- 28, Die Moderne Demokraie pp. 402-406, 160 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL nomeadamente aquele que corresponde a tercdira fase da democra ciaateniense. ‘Em seguida menciona o desabrochar da consciéncia indvidua- lista na sociedade grega, desde os sofistas pioneiros do século V, até as eecolas estdica e epicurista do século I, admitindo a existéncia, entre os antigos, de uma independéncia de fo, que naturalmente se distingue daquela do homem mpderno, a qual tomou “feiclo cons gee de Koerdace recorhestdaeprotgida’.” 6.0 pensamento de Miguel Reale Ficariam, contudo, demasiado incompletas essas consideragies sobre a modema reacio levada a cabo contra o liberalismo ¢ sua tmaneira de explicar 0 papel resérvado ao individuo na pols grege se omitissemos a ligdo Sontida no profundo e instrutivo ensaio de Miguel Reale acerea da matéria vertente. ‘Com éfeito, em “Liberdade antiga e liberdade modema”, es tampado.em sua Gots Horizonte do Diets eda Histéria, verso cate ideo da Universidade de So Paulg os pontos cardeais que carac: fezam tanto na polis como na urbe romana a distingio dos dois conceitos. ‘tn Da critica do professor paulista e dos autores em que s¢ esti conc}uia ue Atenas posstiu um conceito democréticodeliberda Ge ou seja, uma ieonomia, endo a nogio que floresceu dois mil anos depois com o direito natural do século XVIML, a saber, a liberdade ‘como vajoragio conscjente e deliberada do individuo perante 4 so- ciedade estatal. , ‘Assinalando essa antinomia entre o pensamento da Antigitida ae area “So iberaiomo classic, ecreve 0 Prof, Miguel Reale: _ ene “Quem quer que se emperihe na soluglo dessa antitese podero- sando podeni contestara premente necessidade de volver os olhos ra ad raizes do problema, analisando na polis e na urbe um valor Be liberdade que ainda ndose ligara, definitiva e irrefragavelmente, 4 idéia de igualdade; liberdade que muitas vezes nao era sendo a igualdade mesina no exercicio da vida politica, sein reflexos diretor, . et au ic éiiviqurece parddoxalmente evads'a cabo pela ideslogia 178 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL snoNo se nvalidou, por exemplo, come a formula dolibealimo; cota sire, desatualizan e, comsegertemente, inapacitada para Glualquer présimo, por contradigoesinsolavels, oriundas de tu e- Tile nest, petence|é ao,passnto, ‘Ademocracia de Rousseau, ao revés, longe de fear desfigurada ‘ou obsoleta, gana cadaver mais presergn doutrndria Com os eventos politicos deste século, perouae sua reconducio ap debate * contemporaneo. Os rumos da velha concepsao democratica se com- padecem admiravelmente bem com a doutrina do Estado social. Témo-la, na verdade, como o mais eficaz instrumento A sua plena realizacho. 10. Rousseau ¢ a evolugio democritica para o socialismo A. superioridade :politica de Rousseau sobre o, liberalismo Locka Eg satan onield patente quando tecgia de le aras bases a um Estado sotial democratico, a maneira ocidentl. _O problema mais tormentoga da democracia sacial gira pfec ménte em redor do prine{pio da liberdade. co Os tesricos reacondris da burgueia, hi mais deur culo, © ainda emmnossos dias, se empenham, com inquebrantivel teimosia, mn evidenciarihe a impossiblidade, fora dos quadros do libe- ralismo. . (3s fatos nio os convencem do contratio, isto, de que @libera- lismo se acha definitivamente incompatibilizado com uma liberda: de auferida por todas as classes e que ostente no apenas tecr politi 0, sendio econdmico e social. Desde o século XVIII assumem eles posigio de manifesta host- lidade as doutrinas inspiradasna democracia pura de Rousseau, E porque esse combate? De outra maneira nio se justfica sendo pela circunstincia, nem sempre confessada, de a filosofia rousseauniana haver colo- ‘ido 0 bindmio liberdade-Estado emi novos termos, qué fogem & irredutibilidade clissica, com que 0 liberalismo 0 apresentara & continua a apresenti-lo, no interesse da burguesia e de seus privi- legios de classe. : ‘Manter a contradigio & maneira do antigo dualismo estatuido porslocke e Kant, sem consentir na sintese dialética hegeliena, que [A se achava inaugurada.no to de Rousseau, mediante-a Instituigio do principio novo daivolonté générale, repregedta, uma das posiges mais carasag liberalisma burgués. A sua tenacidade em enaltecer¢ liberdade, a tantos éitulos-lou- vével e honrosa, se enfraquece, todavia, em face de uma critica [AS BASES IDEOLUGICAS DO ESTADO SOCIAL 19 mais penetrante, que colheo Iiberalismo no meio do camino, afa- zer o panegirico da liberdade, como propésito, ora oculto;ora evi- dente, de desprestigiar @ poder e, com issp,‘alvez, impediro.triun- fo de agin potas, comaga de que se gxcprom os prosfltondade runny pars @eolugag imoctacia roussea ‘pa Aq do problema da li edo Estado, que liberalismo semipre contraditara, ¢ por iho poder estendera todas as classes ajustiga social. _ .Na rigorasa técnica do liberalisins, problenia é, g.indble a vee a i @ Montesqiiieu'é todo ele, am iltima andlise, a proclannagao.dig-Es- tado como inimigo mortal da liberdade humana e conseqaeits elé- vvagao do individuo aos altares do direito natural, apoiadona’tizio humana e legitimado pelo contrato social dafilosofia lockianai Com efeito, o contratualismo de Lacke iivéstira certos diteitds na cofidiggo'sacrossanta. de direito natural. Entre eles/-a.proprie- dade, que, 20 tempo da revolucio burguesa, se achavacem’ diz metral: oposigio:iaoitconcejto’medievo da propriedadé -dualista:: Comiisso, filosofia.inglestide-Locks déra a caracterizaciorécon’ mica mais nua,/sincera ésveridica: do caréter do liberalismno!bat gués, que se completava, no plano politico, com a tebria'da‘sepa- ragio de poderes, precpnizada por, Montesquieu e interpretada como meio de dividir e debilitar o Estado, Separacio de poderes que, naturalmente, s6 era posta em pratica na medida em quig 08 inferesses da’ revolugio burguesa solicitassem o concurso,de, um Estado anémico? 2,Cam cet, a ia de ausncia do Estado vingo norman na pine sfik a Revoluo nda, poruanto,nnudeado © capitals ttos IRetcives te aids conta no's concntclo pantec’ de mgted 2 Arai tase opty «sa dn Une opin pce defile decontata, provocndo. de un ado gatdes cine Cicennde to, inde altgntnd: coms mers de dates eigen apesve So ope, triads poliGzado, que ostentiva:‘hos ‘srdicatos silda érganizacko “de "dates! ‘eetram: de’ mei fnaplivl poe do Bao: nex spnsivel ‘aerencionao por ao ott eso. Mana qussesenere Kipocrais, por parte dis fos da dackdtnaa, que'neles se Fata, sobre tiido iia economia dos plises subdesénvalvides: - ISD “fiw onto incon ta modems plc do nerve sta tauren dans fore tas «anegutcanpecsie aeal de fdr no plano socal, Abas tran potato de sicttatl ese preteens ‘gah cipoltriado gc ue Canc anes sos oh grupos psa, oo deat lon do na rales eamb ancn per SRS crak ae ere eae ~PraQial peste, pois, danfiee errs ribssa idaide vaniaida’ lo erp Goes patter é* secial:de capitalise? Somente muinas.. . ‘ eg Mere 180 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Em Rousseau jé no existem direitos anteribres e superiores a0 Estado; direitos que nao foram abrangidos pelo contrato social. ‘A volonté générale é'a dltima palavta na organizagaa politicay'e ‘nko 26 legitima coin integra ho grupo a libérdacle que Locke cuida: va poder salvar usicamiente mediante aquela estreita concepgao contratualista do seujusnatitalismo. Nao € menor a superioridade de Roussediu sobre o socialismo marxista so que tange a0 aspecto politico da organizagio de um Esta. do social denatureza democrética fo O marxisnio contém um apeloa forga, ¢a revolugio socialista é, essencialmente, a:revolucio de uma classe.'A ditadura do proleta. fiado condiz & um sogialismo violento, autoritario, olicial, A vers ‘0 oriental do marxisino-leninismo-italinismo, com que a Humac nidade paga, a edificacdo do Estado socialista, pesadissimo tributo desangueesacrificio. f " “E ,cottio se no bastasse 6 trauma ocasionado pelo deslocamen- tp da propriedadé dos mieios de producto, acarretando © colapso de toda a superestrutira social do capitalisino; de bases reconhct damente piivatistas,a'sa8iaide que dat ae levanta sbecn uma conceprio de liberdade que o sentimento anticoletivista do Ociden- te rontalmente repele. Esse sentimento se arraigou de tal modo que, tends sido muitos séculos uma possival manifestagto merunents sopra tural, passou.a atuar, contudo, de maneira tio flagrant e viva, que acabou pot pertetrar de miineira intima os tecidos da sociedade bar guess, até se transformar ‘ium dado infra-estrutural, na mais séria contradico com que socialismo jé se deparou peranteo Ocidente eli aitibaga de éstruigio da liberdade, em 'oi;por sein dvida, a arfna poderosa i para eribargar 0 A doutrina democrat sosdiasafastada do-miarxianitoy"oma, contudoya direghorcompatt vél:com’sim socialising Srentat y dmper que desta, sabres Ors 6 Tiberi ‘erm ua ‘inente concepsto-deliherdade,quands situava eva leeds e muriamente ng individuo, na posicio hostil-que asst perafte o. ‘AS BASES IDEOLOGICAS DO ESTADO SOCIAL we , posicio quase sempre obstinada e intolerante, cujos danos & See SHS ee eee ola volonté généale, espinha dorsal da sua teoria postu! com tanta vivacidade, foi na out nna, 0\ponto de pattida jpreenisio social da liberdade, fevigorada com a sugestioclasica do todelo steleres, Eoseony de deformagées totalitérias, serve essa compreensio de contetido e base ao novo Estado social por que hi de reger-se a evolucio dou trindria das democracias ocidentais. eunelly Capitulo “Vit O ESTADO SOCIAL E A DEMOCRACIA 1.0 riod Estado saci 2. itn entre Estado oil ¢.Extado ‘cil. 0 Eta soil como rato da superset do a tig terme 4.x mazat no Estado sec olimisme e pessimism fos socbogae. 5. Massfenio nivelamento (Salma). A massa ome prespesto ds dtadurs (Grebrusty), 7. A onperéncy a ‘masses democracies. 8A plizapio de lo socal pelo Estado in me deagravr «depend indtan,destiruar a demo- ‘rack ou consolidr o poder totladr. 8, Consagragt do Estado 9- (i no costituionalome demoed 1. 0 modemo Estado social Em primoroso enatio, intitulado Cuiracterizagto da Tesria Geral do Estado, fez0 Prof. Orlando M. Carvalho, da Universidade de Minas Gerais, justas consideragSes iniciais acerca da questo terminolé- gicana ciéncia politica Com efeito, a imprecisio de ordem seméntica é responsivel nessa matéria por umasérie inumerdvel dé equivocos, que compro~ mete de algum modo adoutrina exposta pelos tratadistas e diminui ‘0 cunho cientifico de algumas obras, dadas as incompreensées que, elas, 0 uso de certos vocibulos pode suscitar. ‘Como o problema jé se acha versado com mio de mestre por aquele conhecido publicista, deixamos de entrar em maiores refle- xe sobre assunto enos contentamos com assinalar apenas que a palavra social se inscreve entre as muitas do vocdbulo politico pass{- eis daquela critica e sujeitas, por isso|mesmo, as mais eaprichosas (© ESTADO SOCIAL E A DEMOCRACIA 183 vvariagBes de sentido,iao sabor até mesmo de determinados precon- celts ideol6gicos." > ‘ _ ‘essa adverténcia preliminar, que é muito justa, quando se nos depara a expressio Estado social, passamos a enveredar por'sum eaminho cujas dificuldadés néo-desconhecemos. + ‘Uma constante; a nosso-ver, explica ovaparecimento do Estado social: intervengio ideolégica do socialisnio. Enipregamo’ a palavra socialismo no.seu sentido mais genérico ¢ histérico, desde as utopias de fins'do*szilo XVIII a consolidagao das teses marxistas, em noséos dias: Desde:o socialismo.utépico, chamado socialismo cientificd. Destlea conspiricio de Baboeit aos assdltos da Comuni.de Paris=Desde'a:fundagao.da Prinieirailnter-, nacional & tomada do poder pelos bolchevistas russos, hé quase ol- tenta anos. aes, we MEL Ee ant, * Esse fator de continuidade forma,:portante,-no Ocidente, linha permanente de combate, coma qual xe defronta, desde a Revolugie, Francesa até nossos dias, oantigo Fstavlo.da burguesia oridental ‘Antes e depois:dé Marxise:trava' essezenhido prélio.doutrind- rig. E, para sobreviver, o.Estade: burgués se.adapta 4 certas,pondi- Ses historicas; ora recua, ora fransige, oa vacila. ‘Afigura-se-nos, assim, existigjna mederna realidade politica do Qsidente, vim dualism doutrindrio essencial: de um lado, as posi bes conservadoras, que $¢:reconciliaram no antigo campo liberal; de ontro.lado,,as ids. qué ge inclinain.para o radicalismo, com a abolicio do Estado da barguesia e sua ordem econémica. Nesta tiltima esfera colocamos o anarquismo, hoje jé intei mente siperado, ¢0 markismo, cof tidlas as sul aritecedéi prdtessd social da revoliugio jacoblrid. “ istingdo entre Estada social e Estado socialists... 0° Base contiasté qite assim estabelecenies nod peftiite écapar a0 arPo usual de miiitos que conifundém’d'Estadd social cori 6'Estado ¥0- ‘eres Bisa cee erat or “FP £ Giant andesite as cla nt tS aa sisge Cotcine o coe tetas ealtod sever aT! th slogpa ofa cag Hays Unececiog gems cual ea seeund Doggie 157, pelstoges Reich Verag Bitsbock cutee gap Teka Sie shaselCaioacs pila cocales hina nu Cenc social, part tine de prtaned um perulto valldo.esonylusive, om gonmmasts oom a linha nagativade l- Bere Soe a es pasa de Windelband ¢ Heidegger 184 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL cialista,;ou com uma socializagio necessariamente esquerdista, da qual vera a ser o prentincio, o momento preparatério; 4.transicio iminente. Nada disto, ‘40 Estado social representa. efetivamente-uma transformacio superestrutural por que passowo:intigo Estadosliberal. Seus mati- 2¢5 580 riquissimos.e diversos: Mas algo,no Ocidente, 0 distingue, desde as bases, do Estado proletirio, que o socialismo marxista in- tensa implantar:'é que ele-conserva suaiadesio a ordem capitalista, Principiocardes| aquegdorenuncia.s. en. 2, al ‘Daf compadecer-se.d Estado social ne capitalismo com os mais variddos sisteinas de ‘organizagio politica cujo programa néo ini- portelmodificagées fundamentais dé‘cértos postilados ecdnémicos esociaisy -* ot A Alemanha nazista, a Itilia fascista, a Espanha frangiuista, 0 PottugalsalazaristafOrara "Estado soviais”Darmeorta forma, Eo. taldo social foi Inglaterra tfe Churchill e Attlee; 6s Estados Unidos, em parte desde Roose el a'Franca,com a Quarta Repabita prin: cipalinerite;¢'0 Brasildesde a Revolugiordé 1930. = ' "Bstadd Social 161; por tities, ra’ tbitd déidental, a’Republica Federal Alemé, que assim 3e'conféssava e proclamava fextialmerite em Sua Constituiglo, adotada em Borin antes da unificacio. evidierZia tads iso que o Estado sécial Se Compadece com rai Glticas eesgones 5; como’ sejain A'élémotracia, 0 fascis- ‘ho € OhabsonilSdelalisino, Eaté mse, s0b Certo aspect, fora da order capitalist, Gort o boichevism! ” Tode Estado, em sua esséncia e subitantividade, é poder, como diz 6 publicista alemio Forsthoff, Nao se pode encobrir eése fato, nem se deve ignoré-lo. As formas como esse poder se manifesta ou a maneira como ele se distribui, estas, sim, diferem, conforme se trate do poder de um; de varios ou de todos. No.Ocidente,,esse poder politico repousa numa estrutura eco- némisa capitalista. No ‘Oriente socialista, a. base, se modificou e & essa modificasdo que justifica o corte goto ‘entre o sistema litice marxista ¢ o sistema palitico ogidental, que mantém a so- —Erevivence se enrgucsa coms sx taler ss sua influéncia de clasonié atenuadosy: ty ilusncit oi do domitio Gye a bur- etch incontrastavelmente é ue se fam amo raldoEstedo social. “sR odoin alt compl, uaa clea se Ses ied yaa stesso (© ESTADO SOCIAL E A DEMOCRACIA: 185, A medida, porém, que o Estado tende-a'desprender-se do con- twole burgués de classe, e este se enfraquece; passa clea ser, corso anteas aspiragdes de Lorenz von Stein, 9 Estado de todasas classes, © Estado fator de conciliacio, 0, Estado mmitigador de conflitos so- ciais e pacificador necessirio entre. trabalho eocapital. =. Nesse momento;em que se busca:superar.a contradigiowntre a igualdade politica e'a'desigualdade social,;dcorre, sob distintos re- gimes politicos, importante transformagdo, bem que ainda decara- ter superestrutural: : ~ Nasce;‘ai, anogio contemporaneado Bstado socials. tf indagaih linge posriveint ste , a compridos debates poléimicos coi a: tebe fiarxista) pata’saber se ‘em nossds dias temos 0 Bstido de todiisas classes, combrpretende ser, no regime’democréticd, 6 modem’ Estado social, ot se'temo’ iperus'6 Estado’ dé uma‘classe “a burguesia nt (OSimarxistas viram na réagio totalitérit!das direitas tlo-sémmen! te o exttavasamento desvairado ‘da burguesia capitalista-qiie ali teria reeorrido as piores arinas compressivasda liberdade para de- tera revolugio sotial, sufocando as lutaide:classe, eimpedir-a'vo- cago imanente da sociedade, sua “prédlestinagio dialética” pra o socialism; °< . . Em nada alteraram também os marxistas 0 seu ponto deivista peranteo Estado democritica. Este, segunda balchevismno ortado- 0,8, com todo o teor social de que se reveste, dissimulado da burguesia capitalista querabrigada aconcesades de sobrevivéncia, a recuos ideol6gicos cada vermais assinaledos, pro- cura, com os direitos outorgadas nas‘cartas Constitucionais -evitar odesfecho fatal contido na previsio do Manifesto Comunist (© equivoco pertinente & distingao entre Estado social e Estado lista se deve ainda.ao fato de haver no seio da burguesia e do indo unia orientacio politica qife preteade chegarao focia- [smo por via dentccratice clande pitcemnente as con ides pro- picias aessa transicio politica. - mo ial Seriapor coriséguisite,'ineio caminho andado, importando, pelo menos da parte da burguesi deiratosa@proletariads. Co we . “Deiees diveitss;ds'tisis cobigadas Sérinrt) Ho interesseWa'tlasse ‘opttiria'edd ponte de vista demodtatibo; 65'difeito’ politicos; Vi due permitiriam alcancar 0 poder utilizar o Estado em Sei pir5vel- Sagierando,tranqiilémentes elmeida tansformasto eect) que ee er ennere wa “diqftes ser alias; arlinha por qué enverecarariios revisiondstas ale ‘thited-elo imarxismo uo furrlarem avsogialadertmderacia:partielatial 186 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL que ainda hoje sobrevive numa das mais ativas ¢ iniportantes fac ‘$6es politicasda Alemanha. , Quando & Estado, coagido'pela pressio das massas, pelas rei~ vin ms @ ade, ie fe ee ce eal co, confere, 119 Estado onstitucional ou forardeste, os direitos do trabalho, da previdéncia;da educagao,intervém na economia como distribuiddr, dita.o-salério manipula a'moeda, regula os pregos, combateo desemprego, protege ; dé ao trabalhador € 20 burocrata a casa propria, controlaas profissdes, compraa producso, financla as exportagbes, concede crédito, instituicomissdes de abas- tecimento, prové necessidade venfrenta crises econé- micas, coloca na sociedade-todas as clagges na mais estreita depen déncia deseu.poderio econdmico;, 'e social, em suma, esten- de-sya influéncia.a quase todos.os dominios que dantes pertenciam, ‘em grande parte, aareade: individual, nesse instante o Es- tado pode, com justiga, rece minacig,de Estado sorial. '", Quando a: presenga slo.Estade; parém. se faz, ainda mais ime diatave ele se pe a concorrer-com aviniciativa-privada, nacionali- zando e dirigindo indlstrias,;nesse momento; sim, ingressamos na senda da socializagéo parcial habe £, A medida queo Estado produtor puder remover o Estado ca- pitalsta, dlatardorhe a esfera de aco, alatgando o némero das Emptesas cob su poder e controle, supr ‘oR estorvando a ini- Glativa privada/‘ai-entio, correrd grave-perigo toda a economia do Estado burgués, porquanto, na consecuyto desse processo, jd esta- remos assistindo a outra transigio mais séria, que seria a passagem do Estado social ao Estads sotlaista: __Esse proceso ocoiré, idediso, em alguns paises do campo ocidental: ~ “Quando Attlee pisiou para 6 stido a eiploragio das minas de otialistno. cairvlo da lriglaterra, ele leu um passo para o “Quando Churchill, Eden e Macmillan rece digg revogaram a referida medida, retrocederar Pilalistas + Rete ge an! Sey ‘Quando o Brasil crioiio monopélio estatal do petr6l aPetrobris, nfo tomou essa inisiativa doutribariamente-em nome desum Estado social, maside sun, Estado, socialista, embora-n6.9 conten, ee ne Feita,assimsessa distingSo; qe se:hos‘afigiira'clira'eindispert. a ich ¢ peccberos 9 qe se pasta mundo captain onde.a crite de Ocidents! pareceidescen stndeqii@ricias.maisipro- fundas, eondesntrajé ermjagoa conservagioda proprio Estado io. (© ESTADO SOCIAL E A DEMOCRACIA 187 da burguesia, o qual, segundo a feroz critica do marxismo, con- figuraria apenas uma situagio de desespero ideolégico, 0, iltimo apeloa uma solugio procrastinadora de sobrevivencia. Contudo, essa passagem do Estado’social ao Estado socialista, que estaria no ceme da crise atual, com que se defrontam alguns paises do campo ocidental, foge, em suas minudéncias enaapretiar Gio particular de seus rumos, aos limites em que enquadramos.o nosso presente estudo. ; (O Estado social que temos em vista 60 que se acha-contidoj dicamente no constitucionalismo democratico. oe Alcangé-lo; jé foi dificil; conservé-lo; parece quase irhyossivel, E, noentanto, é 0 Estadora quie damos, do ponto de vistadoutrind- rio, valoragio maxima e essencial, por afigurar-se-nos aquele-que busca realmente, como Estado de coor @ colaboragio, amortecer'a luta de classes e promover, gntre os homens, a7justiga social, a paz econémica. ae A técnica de implanté-lo sem distirbios mostra-se;todavia, ro- deada de problemas ¢ dificuldades: Basta comparar a sua’éaratteri zace constitucional,a palavra'dos textos, com a pobrezados resul- tados obtidos na realidade. ’ Como ele oscila, frigil, no meio do drama do poder, em face da tempestade de interesses hostis e divergentes, alguns de cunho ma- terial, outros de cunho ideolégico, todos a Ihe contrariarem de fato aaplicagao! yafegom™e tm ro, cu lito se trabalha aforcuradamente por obstruir. 3.0 Estado social como fruto da superacio ideolégica do antigo Tiberalismo Daqui-partimos, pois, para duas ponderagdes bésicas. Uma de cordem histérica, referindo as vicissitudes por que passou a formu lag&o doutrindria do Estado sodial: Outra, explicando alguns dos perignsqueenvolveram a conservagio desse Estado equ de cite lo, comprometeram as.esperancas de sua preservagio por lon Berea a xpusemos.e.debatemo’ praia (oe capitulos anteriores expusemos.e.debatemos pro - mente os principioscardeais erm que se apoiou a téenia do.Ubgra: liga: liberdade e separagio de poderes. : ‘Vimos como, em nossos dias, aquelas nogSes aparecertumodifi= cad, comp e55n modifcagio acabou por completo coma sida ideologia demossos.antepassados, que amavam'oliberalisma.evtele. colocavam stias melhores esperangas.. Sis 188 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL -<*- Historiar essa decadéricia & espargir luz Yobre a modema corn pr¥ensto do Bstado social. Isto, pois; qiié nos aninia a mais breve revisio politics-econémica daquela idade praticamente extintana modemaideologieestatali 42: «2 a <-s/Bxplicar-thé; porény:a éxtingao riotevaria de volta ao conceito dix tiberdade como liberdade s6zialrii libetdade fa letividade, cus domprechsde ente-oa atigod ji ebaiRinatno’ ém capitilo ante, cedente. Essdiliberdade; que o mundo elassico conheceu e praticou, in- teressa em nossos dias;/fundanientalmente, aos necessitados do uate sttado, componentex de-grandsimdioria, A mastaandnima um queindo possuem, dos ‘que'se-voltam imesdianicamente para milagre de melhoria social'esentem que liberdade se identifi- caiambénicom. emancipacio:econmica cou, se nio. for esta de imediato passivel, com-um ideal:a0 menos aproximado de certe: 24, paz e igualdade relativa no nivel geral das condigbes materiais Ag existinginc sy oc 4 waa shothe sn 230 welho liberalismo;na estreiteza de sua formulacéo, habitual, ‘nko pode resolver o problema essencial de,ordem econdmica das vastas camadas proletirias da sociedade-¢ por isso entrou irreme diavelmenteem crise apis de A liberdade polftica come liberdadejestrita eraitoperante. Nio dava nenhuma solugio as cqntradigies sociais, mormente, daqueles que se achavam a margem davvida, desapossados de qua- se todos os ens, b : Comunicé-la, pois, a todos, conforie veio a suceder, significa va um passo em falso na firmeza da teoria liberal: E isto foi uma das primeiras transformagées por que passou 0 libéralismo. Mostrava-se, af, com raro poder de evidencia, a face dialética em que se movia historicaments a sociedade humana, ~- O reconhecimento geral'da liberdade pélitica, com um sinimo de restticio, isto é,-mediiante-s sufragio universal, no-foi 6 Frito altruistica ® amistosada muinificéneia liberal. *m das mais: periosas sta‘ revolicionsrias processada noainuagorde contfite entre strabalhoeo capital, a Mas conquista que, do ponto de vista do liberaltimo 2lassic6> implicou irepardvel debt quelquidau para scmproes aces burgueses de estratificacio da ordenvoirda stati'gito politico; cot que sonhavam os teoristaslibendis nak décadas Yomianticas da pei: meitametadedoséculo XIX! date D ot ‘ili, no campo-de-batalha social os individuslistas'férrenhoe'© pHivtlegiados: dai velharburguesia eapitalista'tiverain que aepors! arma poderosa de sua conservatio politica =o sifragio'teristario. > (© ESTADO SOCIAL E A DEMOCRACIA 189 ‘Ao arrebatar o sufragio universal, o quarto estado ingréssava, de fato, na democracia politica e o liberalismo, por sua vez, ‘dave ‘ais um passo-para o desaparecimento, ntuma decadéneia que dei- xou de ser apetais‘doutrindria para se’colverter, entio, em de. cadéncia efetiva,-cort a plena-ingeréncia do Estado na ordem econdmica: Peet tw © Mas, aqui; ocorre o-momento.decisivo, em qué, abrindo mio compulsoriamente:daquela.franqui tal'~ da liberdade politica como liberdade de:classe ~;.que antes lhe afiangava o:con- trole do-Estado, 9 yelha burguesia ibe a8 demais classes, notadamente a classe cot volvida nium antagonisino de vida é motte + . Qual « repercussio social mais profuniif désse fato no dominio itigioehtres't pital? ~ qual se achaya en- sora jf no Antbito dai democtacda plebiscitaria, vine Giada so Estalosect ee Naturalnienté 1iio'seicontentow stiasst proleiria apenas.com oodireito formal do voto, senso que fez deleo uso que seralicitiocn perar © que mais the convinha: empregou-o,sem hesitagio, em be- nefigia dela mesma,.ou-seja,dos tra 5s, mediante legislagso decompromisso queveio amortecer odmpeto da questio celal ‘Coma reconciliagio entre oiapitalé o trabalho, por via démo- erfticatodoslucram, i f--luera o trabalhadon que v@suas reivindicagSes mais imediatas ¢ prementes atendidas satisfatoriamente numa formula de conten io de egoismo e de avanga para formas moderadas da sacialiseo fundado sabre oconsentimento. E lucram, também.os capitalistas, cuja spbrevivéncia fica afian- ‘de sua humanizacio, ions tical Uibtanciacdh a 87614 ScotteRNIeE” Aquela vit6ria do quarto estado nao era o que figurava no es- quetha ideol6gico do marxistio revolucléndtio.. 190 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Na gcasigo em que ela ocorre, a doutrina de Marx amaduirece paraoadvento de Bernstein. ‘A.intervengio revisionista do socialismo alemio. essio de uma idéia semelhante na Inglaterra, sem embargo de sua origem ‘utnoma, preparam o camino para outra via de acesso & chama- da ordem melhor da Humanidade socialista. Essa via se contém doutrinariamente no socialismo, democrat co, ocidental, fundado no’ consentimento, em contraposigao’ a0 Bolchevismo, versio ortodoxa da doutrina marsista. “Oia, para. liberalismo, qué tei fim imediato ‘fis insurrei- goes do proletariado, esta perspectiva é riquissima de possibilida- dese tem uma cabeca defario, P : Remove para idade mais cémota © periga.da queda e desinte- gragio do sistema capitalist, sua extingio out supéracto, do mesmo Baste que elimina da mudancs social g'reeutso & violércia revolu- diondtia. ™ i ‘Para os ortodoxos 6, porém,0 socialisma dos timidos. ‘Conduz a revolugio a prazo incerto ou a faz de todo impossi- vel, prolongando desnecessariamente, segundo dizem,s agoria do eapitalismo. ‘Tomou-te, por isso mesme;alvo dos mais encamigados comba- tes por parte dos teotistas eslavos, particularmente Lévin, 0s quais se proclamam hetdeiros ineorruptiveis de Marx e guardides desas- sombrados da pureza ideologica do marxismo. Mas, do mesmo passo, 0 liberalismo de vistas curtasda burgue= sia combate erroneamerite 0 socialismo democratico, porque este: também the toma os privilégios, deslocando a idéia politica da po- laridade individual para a polaridade social. . De combate semelhante na regia® ideblogica nos daclara amos- trao célebre livro de Hasbach sobre a democracia oiler” ‘Com ifivejavel, capacidade critica, ¢58e publicists tuto, que rofessava, Te ee ce co oentra za jstéria das idéias politicas, um dos ultimos esforsos de ustficas Tiitalismo, acometendo, pineal Gri demnadiatca, uperioridade, nd ea ids idéjas, ele contestava : I is idiom suaipeas ohne a i 5s pono, reagionario. Tambémm.a Ssrigs Eracia social no pode forear- As objopies das. Lereqviho. eA 1%, 2, WithelanHasbacl, Die Maderne Demolrttie, 20.0 oye He we ‘© ESTADO SOCIAL E A DEMOCRACIA 191 mado publicista, que via na realizacio do Estado social o contisco Ts equezas pertencentes as classes opulentas por parte de outras ‘lasses, ineptas.e invejosas, a saber, as massas praletarias, cuja as- cendéncia aspiraria a uma pretensa legitimacio no cfitério;ex ‘vo da superioridade numérica! . : Ease ant ‘nos levou. suite longe, ou seja, A Antigiiidade classi ca, para demonstrat que o Estado social nao é absolutamente novi Seen eee roid ona poles denmesn eee Ele teria tido tragicos antecedentes histéricos. Sua presenca, se- Hasbach, importa sempre.um sintoma alarmante de.ssgota- frento e decadéncia. A Grécia 6 conheceu na fase de-prostragio da cultura helénica, quando o espitito civico jg se arruinara, demodo que, junto dos tropegos morais da polis ateniense, se preparava 0 advento da hegemonia magsd6nia? i ‘Seria sempre o Estado precursor das imensas tragédias politi- cas a tiltimo ato de corrupgao na vida dos grandes povos, ‘Hasbach, cuja critica configurou a estertor deuteinirio do liber ralismo, nde dissimula, pois, seu Sdio ideolégico 20 Estado sosial: No entanto, sob esse-aspecto} sua obra seiacha recolhida'ao es- quecimento e é uma pagina fechida na histori to, po: Ihtico, que serve tho-zomente para assinalar curioso marco da ilti* tmas lutas que o Estado liberal travou em vao'contrao Estado social. 4. As massas no Estado social: otimismo e pessimismo dos” sociélogos Vejamos, agora, que inimigos ameagam, no Ocidente, 0 Estado social da democracia, a sua contextura juridica, que abriga 0s direi- tos da personalidad, como direitos criados pela liberdade moder- na, alguns deles, aids, jd bastante modificados. Dizem determinados pensadores que a forga que acabaré com Estido social 6a mesma que o criou: a forga das massas. las sio explosivas e, uma vez inclinadas para o socialismo re- voluciondrio, constituirio sempre um dado de incerteza na existén- tia.do compromisso que caracteriza 0. Estado social, ou seja, 0 seu Enquadramento numa esfera democratico-constituctonal: “A Wdeolbigia dés que’ apregoaim a decaéncia do OSAGhIE sei jbre hostilizou as massas, sempre menascabou sua capacidade.. de Mttodeterminacio, sempre. as viu em estado de minoridatiey «do inésto passo que encareceu 0 papel essential dt elt 3.0b.cts pp. 398 408. wr DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Agsiixo fizeram Lénin’e Soréf nb sotialismo; Pareto e Mussolini, no fastiimé; Gobineau, Roseliberg é Hitler, no racismo: ~ Gs pratiched aSsic6b a Regio trataram as tmassas quase ihva- iavelitehte’ corn HesmeBurido! déaprez0, indisslmldvel dedesd- fianga eamargo pessimismo. ~-Raaigsinia atid Sbéa’de siffipatia’Bu tima pagifia que no fosse derealtigad'demnaipsgica’'de louvaitinhas’ io dbrideniveis quanto as diatribes tnais reacioniéri Se Fa; Porth -excogH6 a edté réspelto'o tratado de um dos mais Ahistratlos Govistidicionalistas alefittes eautorintelechial da Cénstis _ uoatbone indigne Prot HiabeNaiithy. ° s que deserivolicu a teo Ubia,o Estado jutidico e0 Es- fabiano socal e pol gin novorecoria ita dateagilccinglesarumaveratft Sitlporsdas obresclassieas deOvtegay Gasset e Gustavo LeBon.” Dif precistients pal quastimpossibilidade, que se supu- nha, de. anigulos:de interpretacio, tal latitude do Miballedaqueles posse isadoees que arvecederara | Mas Somnioo Prof Nawiasky 6 heintetn de muité ciénciae,talvez, em nostos dias, o mais brlhante tedrico europeu da democracia, nio lhe sustou Lé muito esforgo em, contribuir com nova interpreta- do das massas, que nem sempre coincide com as teorias ante- cedentemente expostas,"das quais, mais de uma vez, diverge, no triunfante esforgo deddarweatacterizagao definitiva do fendmeno.. ' Quase todos 8 tratadtistds da’ Tedriado Estado se hd limitado & tepetire restr ora ePoleologicas Matsa, de Gustavo Le Bon, ‘ora. Rebelifo das Massad;de'Onrtega'y Gasset.* 2 “Ostdais Al6so(6s latines 886 indisputavelmente autores de per- ccuciente andl; tae lies enfers;sobre esse tema, autoridade sem 4 nea Te lemasiadoatrevida: 1 sabetatipuene . agase es Se vita os autores. saad mga Scone om armen mean sce ro Saab aaepcna ioiepigahn, a bfatae deli pe ag Se eeee mane cadet apie, TRIG echiogn dt aes sheep pln eno gon te — (© ESTADO SOCIAL E A DEMOCRACIA 193 A Psicologia das Massas ¢ obra de cientista,. a Rebelifo, oliveg de dor politico, ¢ ue rio oculta sua idgia de, proselitismo, e aque brada um grit de advertancia ori alto, tals ug 6 ge le- vantou das. terras ibéricas, contra, aquilo.que ele.supde,ser a ssbarbayizagio do Ocidente ¢ que nés cuidamos venha a ser apenas © impulso, por vezes violento, da Husmaidade na sua irresistivel arrancada para os ideai ina nee Boa parte da Teoria do Estado abriu is massas, no ang do ta tor humano de que se compse o Estado, capitulo sempre fi Atrio, corto ja dssemoay hos pressupeato los soitinehe cy nidos de Gustivo Leone Origa Guest 7 Diante da obra dessed pensadores sedetive née, tiitos dos que, depois, se ocuparam do mesmo assupto,cainde i velmente na monotonia das redundinciss, Mas assim ne seonte- ceu conto Prof. Nawiask. ‘As massas haviam sido’ sentenciadas com extrenia sevey A critica antidernacrtica excedera-e tx descobrirthed6 polo ne Sitivo, em deséreverinipiedosamente com lirga cSpia ee-pStme- ores a perversopolitea onde elas senpre acaba Acentuou'se a periculosidade dos iiovimentos dé inlisba, mos- teow como a Histria se pura esétras acto, iponderada des S25 apes inusow,reaponsives por nto fos Ue nigiidade « tantas torpezas contra a dade humana. servants at wma ort nt ti Seater araeeges ie asomueenciereeaone coe senate ec ti nea ee ma cect ieee cramin we elope eo ieee gee re et uagaisachen Handeln wie cia einen Kreusiug der Sefriung. von Gelangence Sere ea ees aa Sulcus coc aca egee See ‘Menscheti im Alltage vocher und nachher durchaus nicht sufwelsen: Sie & ‘Witken wi een 2 B89 e000 Senor ge ds toc can im Sees etiste ae *, re KGa nd de Sig ncn vRGN und as ND a Se gos og cc sol go el s00(3jen der Aigenhencoig, 1 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Tnvodgvacse e se continua a invocar a:créniéa das revolugées para'nielhor atestar, nos iltimos séculos,o papel sempre odioso que fas teriam-desemnpenhuido cm sua inter vencio desastrada, obscu- ra, élemeritar einconscienteno bine inlet pit EG edi6 0 Fetrato a cujo nome logo.sé ligava ima eépea> pejo- rativa para caracterizar, ase Moderna, a decadéncia dis idéias politicas _Emborareconhecdas com fora dsingégrador, cos al cessitio, qutag ee : pagan ier Suposto de fato sobre o qual deveria engi Tondem pol 4 # toda « orem polis ascaluniadas massas passaram, Contudo, a ser cortéjadas por certas improvioajoes da domagoqie: por deteraadas Vocagbet da ide- ana totalitiria, tanto da direita como da esquerda. | E foi sobré‘essa’ milsinada base que se‘levaritoit a. experiencia, do fascismona mo na Alemarha., ‘A’Hidsgia de Lénin 6 antes apelata paca ao tiaseas, 3 res Sora pevsluche polchevitaimplanian da ditadura'do proletariada,” : : ‘Aascensio delas, durante 0 século XX, £¢. Hi vinealedo a todos gs movimentos socials que fizeramy estremecer nbs alicercesa velha ‘ordem politica da liberal-democracia,,. _ ‘ace ‘A democratizagio progressiva do Estado cSristitucional culo XVIII, imposta pelas grandes mutagbes ocorridas na esfera ceondmica, como decorréncia imediata do conflte entre o trabalho 20 capital, foi a resposta que déu 0 pensamento democratico, em- ‘em refiovar-sé’pafa SSbrevivér. Essa Sobrevivencia, pas. Eando nas décadas mais proximas por,stias piores provas, ainda no seacha de todeconsolidada. - - ‘A critica de Nawiasky tas massa, ike eprodut apenas © lado riegativo. Volta-se também papa as.reagdes positivas ae ee csompra haan ieadodesembredss debaixo desse aspecto,ertica origi’ ecompreensio. os Reconhece ‘Nawiasky’ que as’ massas: poder petfeita aja em dinegdo pout Beeliendeapetiando; nos ares humac : se companys bons serifidientos, « par de cers eapect ificiaededicagao, que chega as raias do herofsmo.« Ghai ets sale oh 8 nd Sec Fa aw Srceeaine ssdalenta palquisa, nog Hosomsnte o iresponsivel delirante;é também brava que se supera asi mes: imo, que descobre, num determinado momento, & motivagéo herdi- ‘tepadsadd de'simpatia ‘© ESTADO SOCIAL E A DEMOCRACIA 195 ca para clevar-se acima de suas energias, do nivel comum e ordind- Fiolde sun existencia mediocre, «ser, certo ou errado,acorajosafor- ‘ga que rompe com a crosta de seus interesses pessoais mais cAros, para darexemplos de edificante generosidade, sacrificio e despren- dimento, ‘Ademais, as massas querem inconscientemente a democracia. Mas sig ignorantes, e a democracia é 0 regime das luzes @ da publicidade. Todavia, os seus movimentos, a sua ansiedade, os seus impetos mais agressivos denotam a inclinaglo pendular que lag possuem para afirmarem direitos politicos e sociais. ‘Se a ditadura parece sero caminho Ho que se thes ofére- ce ngs promestas falazes da ambi ria; se, por outro lado, _ sto ¢las a presa facil da demagogia plutocritica, ¢ a democracia, contudo, em sua verdad coneitual, a grande meta a qusalas de fato deve aspirar e a que poderio um dia chegar, se congizidas por lideres capazes e esclarecidos, animados: ao Satanic seloede: >, possivel unicamente onide ha éseripulo, ideal 5. Massificagao e nivelamento (Solms) © capitulo das massas na teoria politica é, portanto, dos mais novos e fascinantes. Muitos nio reconhecem, todavia, haja sido ele inteiramente dominado por publicistas e psicslogos. M.GrafSolms, por exemplo, édos que &cham que o.assiinto con- tinuana pauta de debate, rodeado deobscuridadee contradig5es. Nao podemos consideri-lo, segurido ele, exclusivamente como icologia, nem tampouco dé Sociologia. A literatura das massas estaria, portanto, longe de chegar a ida- de adults, a saturagio doutriniria nd Soltis, n6'quie tange a Psicologia, faz remissio aos estudos mais, recentes de Philip Lersch e a sua nova teoria das camadas piqui- cas, dispostas em degraus. ’ ‘A Psicologia dé'Lersch, quando reconhece no co nto, dg homer o dominio das camadas inferiores, da Endothymen Graft des, se'idertfiea Gort Freud ¢ Rothacker. ‘ : £ aquela teoria, segundo Solnis,'a que abre, ria Psizdlogia, os mais largos horizontes para a caracterizacio e conhecimento das massas, vindo, », completar, conit'o3 novos estuidds due per- ‘MemubawerrcodeGutvolsbon ~ -+Insurge-se, Solms contra a:designagio de que o século,XX €.0. “edeulo das maseas”, ejulga que-26 com reservas @em termosimuito: 196 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL “relativos podemos acejtar essa,expressio ja surrada, esse lugar-co- Tham duper lade desatenta. «-"Afirma Solms-que o:fenémeno massa 6 hist6rico; pertence a to- das as idades dit civilizagio, ehé.atravessado os séculos, com maior ‘ou menor intensidade. O mais imune de todos eles teria sido, em seu parecer, "0 saudoso século XIX”. «. Esclaréce,:ademais,.o, modemo Socidlogo, em célebres notas que escrevau para o Dicionério de Sociologia (Woerterbuck der Sotiolo- $i), que‘ fen6mena massa nko se reduz ao terreno politico ou reli- ‘gioso. Pode manifestar-se}'e de ordindrio se manifesta, em todos os. campos da vidassosial #3. 6. Poa ~ Porviltimo;o:sew largo esforgo se concentra’ distinguir mas- sificagaodenivelamento.. ».«. , * “ Sepito suas! telex a lg ,cont que 6 indo de nosios dit Se detronta,a‘niivem négra Git baixa sobreo Homeri content porarite, rik (ieicae. ws P nivelamenté! Ne&sté’o‘que se u iid déido por distintos mek eu, como. homem-massa, a autonora do raciocinio. Continua individualmente a pensar e ~o que é mais tr aceitar, de modo consciente e'Uelibératle, as uniformizagio, a mediccrizagio. : Nele, segunido.o mesmo Solins, “as mais altas funcdes mentai nio se eliminam to es 10. Js cm 1991, dois anos antes do advento de Hitler « péder, protestawa’d fl solo alento Karl Jaspers cbotra d absoredo‘de hbmem pla wassa yuo redacia a simples na resobateatratae pte ee ieee tan ep soot erage seit eeteaeonae ‘A iddirindae ay cule deta esta forges maans eleva ‘as expreso do inapelvel~ dare ao homer mda, park'o Gan tees 198 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL mento, superveniente, a forga organizadora que mantém.de pé a rassa.em vibragio. : : sta aparece e atua subitamente iis comogSts revolicionérias, jmeneas conulsbes socinis. Tem a instantaneidade de um raio ES geasides de crise, Ease distingue da massa adormecida, pass va. que toda sociedade modem gonhece Foi, ao parecer de Grabowsky, a moderna técnica totalitiria dos iam, Ho oEes XX, quctgg da macau cove dabelico estado perma nente, nutriz de caudilhps ditadores. eae, No ancalo te Grabowsky hi, porém, paksagem em que 2 ¥slho professor ce Ciensias Poiticas de Belim se apresenta inteiramente Phuivocado,a menos que se queira ver allem toda sua extensip, explo ein ia sa poco bone tnt nnn sen > iSite Speen . “O ESTELEE Gi de rales. © neo de vie inwadis cokes coo ee anos Uns) incre arava non Gest nos Scindotrenadiea Mammen Me indo de maga taetsava com asin plava de consi e mpunnl Ml ree eto fae ccs dept 3 se at LRN, Se.Stean o igulivel propo de Jesper uno By cama SURES Snlvcrstiias da Alemanba, fee anos inwdintamente subsequentes 20 4p SUES cat Soca ect Beit eueho erode tuntemupta dap melhores obras de Jaspers que deena dake neni profes denon épocarhomaamentep eesioem, ee deren Gg cempettamento ns aan (De Cee Sin der 2a, PP IO. apes Roepe, Publica e economist dos mis ates do rol eats chanel Wn Roope, protsor ao Init Unertate de Haves BIE Sets, de Candies ndbeuteinent um dp homens de suerte Fee her nals cotupeda qu ve onupar decribed Ode Fe rate i pstnita dh sie deeper Sua amet cq stan nena ng Con res res en Se aa tgose steraphte,Poeariagb e magicagh, es ators gus Aer te ere un dees lvaal ¢dtergnarac 4 degneagio da sociale va ie edetoe cons, pls, et pasta « demas (Cos tnare Gunfegen der Geter end Wrap. p, 241290 Taiptencrgaha so Oar in pola dapat, nda twat HES Be eles nds, prota a0 perio das ade ee ise arr ke da pesto sasscadra des grandes conloner tow humane Mee chung €0tehendacecangi qu ude Roepe, epresnta. a et covenants dade Main, deux © 0 do Nova Made Médi a civilizacto industrial, sem o-artesanato € 0 feudalsma. A fuligem das Gdades trocada pelo oxigénio do campo. .homea\ pes oa restauado.na plenitudede i quesmo,substiuinds o homemnsaveey sas metro Poles compacts, Traduz Roepe idéias que comportam apele bimitacso.do sptcia Eprire, como paliativo paras tendéncias mussificadoras da Idade Moderna (Die Cectsthap sre der Gegenanrtsp 350) . Benson ys (0 ESTADO SOCIAL E A DEMOCRAGIA, 199 ironia de um pensador profundo, que, rios piores dias da.nacional- socialismo, contheceu a hospitalidade democratica do povo sulgo, curtindo, em Basiléia, um exilio menos amargo. ' £ quando ele diz que a técnica de-assassinio da personalidade nunca é bem-sucedida entré povos cultos. t E ita, envabono de sta tédé, o'easé dt Alémanha, onile o mo mento de resisténcia foi, segundi'ele, inaior do’ que ante’ ‘ge 5u ‘nha, e muito maior téria Sido, nib feta detréta do pats nd guet Djz.0 respeitavel: publicista., te reiigtinad deh fpesian un a : (Ora, esse,publicista quis ser mais realista do queo rei, Os:ale- des ndo negam —nem veer nigso desdoiro ~ a falta de movimento deresisténcia ao nacional-socialismo, = ve Eseescusam incriminando afttéquina de opréssio dehaver sido montada com tal rigor e requinte, apoiada em pegas tais como ade lago e a policia secreta,que'comptimiua liberdade, apagostasentis mente deresisténgia eextinguiustoda possibilidade derebelido, Nao sabemos, pois, onde o insigné Grabowsky foi acharaqueles exemplos edificantes de resistencia. Ede admitir que haja sido, pro- Vavelments, nos generais do 20 de julho de 1944, que, scid# da em- preitada militaristi’e guerreira de Hitler, proturarsin, & dlfima ho- Fa, déséartai-se do fuehrer, na esperanca de proméverem win armis~ ficio menos ruinoso que o de 1918. O putsch malogrou e'a desergdo Teutdos finters letouos quaze todos a forea, onde padleceram, porordem‘do ditador, a morteinfamante de traidores da patria A importincia da massa nas demécracias Ao trabalho de: Nawiasky:opusemos, pois, o de Grabowsky, ambos tebricos da democracia} para evidenciar, de um ido, a criti ea otiimista e, deoutro,o pensamento pessimista."* ‘Ojjliz Nawiasky no condena as massas. Absolve-as. A democracia eo Estado no podem ir, segundo ele.contra as . Cabe-thes educé- iante,a “AF Odlante ene 0 pesthishes gtinieme, seu Wipe oy ate calle ee NO home tiaalt Waser d slneh Care a ei eons: parca, vee nase cee apenas nkeloccige we BS) 200 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL sio, em geral, os demagogos atrevidos, quejé se acham a vista, para eplorttss. O constitucionalismo demotratico emancipou politicamente as massas.com.g suftigia universal. Mas nio.soube ainda conquisté- tas. Urge que seu veto, como sucedeu na Itélia ena Alemanha, ndo nbidemocrstica. ._- As massas, no Estado juridico, jé tm o poder de intecvir na for- ‘magio da vontade estatal. Cumpre evitar apenas que esse poder se derniadé ai poder de’destrliik'o Estado social da democracia, por- que; se assim ford, éstatiam atraicoadas no &s instituigbes demo- >= Walldadedo 10000 2s « Censervador $7,202, fF x54 Censervadoriso $6) CONSTANT, Bejrin,140,14465; 182 - rea. fvoice ANALITICO 29 Constituconiisno U5, 4950, 65,73, 7,80,8 american 78° = 3 cltsico 472% 63,80. n0 ‘democrtico 44, 69, 133, 200,202 Francis 78 moderno5-6, 6,72, 141 ‘clea Gt ‘acional-normativista 74 ‘Constituigho 40,567,114. famerieana 65,720, 2/521 vis concito Nistérieo de 40, ‘oncitoracional-normative.de 40 “exiada" 56 : da Praneade 39179178 ys dda Franga de 1946 2040-9 da inglaterrs 9 ‘de Bonn 192,204 do Estado 56 : ‘estncia da 129 . foutorgada 3° con 8 conenpeos (este da fron) 4,74 Contato iberdade do 59 os socal 502,111, 125,166,409. ‘17981 Contratali§0,16579, coal at eBags de ces OPENED 19. Corpordo medial 67 ConportgSes 123.165 - viomo 66. Cenologia 92,1065 “Cosma Asti 104 COULANGES, Piste de 151-2 Cisesoaal 7 . Dedusio%9 Delagto 199 203 plutocrtica 195- 201 ‘ Democraca 39, 43-4 52-4, 37,8846, 68, "Tet, BS, 165-6, 16739,1745, 178, 164,190, 192, 199-205 atenierse 16,159 = ia bindenio 55: de assas 55, 201-3. . «zeta Rousseauea 161 Estado‘ da 191/202/20¢ “povertaa” $5)203+ “goverhantet$5/205 gre 1 sec = Fidiocare os, 203 encilista 85 ‘ Representatvasal + rouseeauniana 1707, 180 social 56:57, 64,180,199 ‘oidentais 60 populares co Desigualdades 61, 170, 174 "Desmassiicar” 198 Despolitizagto do eleitor 202 Deepotismo 1; $0, 67, 77,123,129, 144, totalitirio 0 Desproletarizar 198 ne Desig feformista 57 Desvirtuament® do pode: 203 ~ Determinismo 105 DEUS 96 DEUSSEN 92 Dever 107 Dialétea 93, 119-20, 139° DILTHEY 91,99, 161 Dineta 56-62, 170, 185,194 Dine 41-2 80,62, 65, 7470955, 9810E: | Pr qenig AIR, 144, 118)421, 133 °° 220 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL concito antes de 110 Bestor ta odo) 202 ‘Seino, 117 : Bieta divin, monarcade 72°, divine, sistema sutocrstico de 117 ‘natural 412,47, 58, 71-2;82, 131-3, 79. do individao45,65,68,74 = do homem 4I, Sf 126, 184 fe garantas individuals. 66 fndamentais 200-4 Expiriseo 969, 101 “Enciclopedia” 83 ENGELS56, 164,172 Wistriea do direito 163 « liberal 61° > omtante ts latndco-ptagérica 95 fundamentis a personalidad 10 son gument defeated 10 atu 52,168 ‘massa como pressuposto das 197 Divinizagio do poder 151 Divisto de compettncia78 ‘de poderes 65-7, 73,77-9,86.7,203 DJUVIRA, Marcel Si Doutrina individualista 734 organicsta 83-5 Doutrnas socialistas61 DROSSBERC-VERDEOSS, Alfred 147- DUGUTT, Léon 67, 139-30 DUROSELLE 196 Expage autos 200 ~~ “Bayar oustencal” euténome” 200” eetve” 200 minimo® 2015 Espago socal 20 Expanka franqulsts 184 Espana 1512 speculate flostca 91 sro100/120, beta 126 “agro” 198 aque 58-62, 194 Easton 120 Estado 38-42, 647, 51.2°532, 65.8, 76, 7a 8547, 101,103,110, 1012, Tey, 1a 1266, 18,129.02, {39-4 1071089, 15-2, 158, 1563, 168 185-6» aposteroe” 40.112 shea 137 ange 16,157 ico 17 sutodeii357° + Trguts 114,186 buen 16 capitalist 186! Sade 47 88° : Teolaboragho 12960: 5 01s como eplto cbetivo 131 Soom igre 19g ‘onoxtoKantists de 1104 "Eanegp eget dog 18 INDICE ANALITICO 221 concepto orpinica de 1354 reentaivorts —- eeatcional 45,76, 186 romano corstullo 40567 Saas se ‘contrarevoluciondo 9 satracev . 2.59. 60,72 1617487, 10- a bapusa 14 5 di upc’ abitdo do 183 “da coagho” 117 ‘da condio incondicionads 41 daleist dedireto 39-41, 44 wet “dalberdade* 117 denatirers 168 ‘de soriedade 168 | democritico 45,57,76,185 = ‘ocilzagio parca 186 * empiico 115, 2 cestneis do 80 seudemenitico 115, federal 767 flosofindos9.90 fins do723,86 : gendarme 40 greg 103 =guardanotumo 40 Belenice 157 ipotdco 126 dia 111 115, 125-6, 192 “igre” 189 Intervecionista'200 jurico€0, 43,726, 80, 115/192, 200 legitimidadedottl + Liberal 2, $9,164,184, 190,202 * moderne 42,138, 168,157,466 order, cise d687,134"" social consagracd 20263. socal da burguadia 186-7. sodal da. 194,202,204 Basle demectce de manson socal demoertico 178° == socal dos sistemas + Sate Beedogecstrwtlee Sef social na aigidade 194 4186.7, 209, Se ra, frasiadots2 totale 60,170 sue do 30 sey C4 atlas 199 Enoidimo ds fia 9, 1012, 105 35 smo 58 Europa 55,70, 127,197 Execitvo 4S, 46,48, 75,113, 137-8 perros do 88 Esxstentalsno 104 Experitad 101 Explores burguea 18 F Faculdade copnoisitive 97,101, 103 “Fakta 1 FAUCKENBERG91, 909 Faria 132 - Fascism 62,184 Fexteeng 101, 106, “Fendmens* 112 FERREIRA Fito, Feudallhsd 2,35 68,115 Feadalismo 63,196 Fewdep 1660 ts momen on 9 10}-2106, 220172 mm DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL cxttica 99, 101/108 . HEGEL 589,618, 116, 19.98 1424, > 130, 161,163,166 nrc fe contents 11s ts Sra onarguta congitasanal 127 co abeolutsny 130 hegelignismo $8 1212 fNDICE ANALITICO ns egelianizmno sem Hegel 121-2 Hegemonia macedénia 191 HEIDDEGER 1045, 189 Heidelberg 123 Helenismo 142-4 HELMHOLTZ 101 HIPPEL,E.V. 134,136. - Histéria 103, 12648, 133 da Flosoia 95 ‘universal 120 Historian $2, 82, 142 jurtdico 43 HOBBES 2,77, 129,168 HOEFFDING 100 HOLSTEIN, Gunther 49 Homem 101-2, 112.115, 118,120, 152 Dechy os Dito 88, 694,77, Joedodt, 58,126, 14, “Teoma 105,109 massa 194,196,199 nero 198 cpesoat9 “pow 103, “ HONIGSHEDM, Paul 113 Humanidade 6 82, 45,193, Humanismo 62 Humanista 120 HUMBOLDT 62, 140, HUME DI HUSSERL 100 dade Média 41, 66,69, 77, 95,126,198 nova 198 Made Madera 41,695,127, 146 18, tendéncias massifcadoras na 198 [deaison 102,119 Idealist 120 ein 120, 129,136 crgaticete 81 social 204 Ideologia 42,68, 6, 149-164 sti deeksse dE 6 ie demecriticn 204 ov er 158 vo ‘marnista 177 at ‘revglucionéria 52 deologis 202 "Idolatra” dae aces 197 laren 1588 gualdade Ss, 85, 61,74, 112,185,160 formal 6 = Iai. lnxperative categésico 91,197 8/444 Imperative hipottico 107-8, Imperialism 130 Império 88 lndividualismo 65, 86,197,199, 12,147 lndividuo $1,59,66,68/71,72,76,90-2, 2°, in1/11%, 1911995140, 46, 14s, 1523, 155,157, 360, 168, 200,202 ae soagamerto 40140. sts integagto na eletvidade38, submisto a0 Etado 144 4 ‘alorag do154 196,158 722/ wontade do 130 a Indiviblidade dayoberaia72 =o poser etatal 76,78 dugio Indulto75 a Inglaterra 69,84, 184,186,203 lesen demociticas 200 ro letercomaniagto dos poderes 75 i abit 184 . “ludicara potestas” 113, J JABGER, Werner 152 JASPERS, Kar 10,108, 107-8, JEHRING 61-22 JELLINEK, G. 41,768 154 1879, « JODL9L 1yI6 1284 = por Judicidrin 45,78, 1130 octets w+ elas apes 2.0 ch. anes 199 i tara Jurispradéndi constinuciopal hy 2 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Jusnaturalismo 42,77, 111,126, 140,180 ‘losofia usnaturalista 41 superagio do 131 Justin 52 social 62 - JUVENEL, Bertrand de 170-1 K . KANT 40-145, 4857-8, 68,72, 69-118, 120; 123/128, 1501, 140,141-3, 158,178 ‘logio da iberdade 117, eo crttioo 92 peti pre-ertico 92 KAUTSKY 7 KELSEN; Hahe'68, 75,05 KJELLEN 5 KORRE, A. 129-30 RAPT 163, KRAUSE 126 KRIEKEN 65 KRUEGER, Flix 56 ’ L LABOULAYE 69, 145 LACAMBRA,L. Ly 54,143" LANGE, Friedrich Albert 90 CARENZ, Kail9 TASALLE4O. LASKL H. 61-2 Legislativo 45,75, 90,88, 113,135,137: 168,268, hegemonia do.80 supremacia do79-60, 85 Legisacdo socal 177 Legitinidade do Estado 111 LEIBHOLZ 45, 52-3, (CEIBNITZ.92 ry a libefdate it3 prema dae 72 gee a LENIN 164, 176,190;'192, 1945 © IT LLERSCHS, Philip 195 ve Levit 1,76, 180/130 15316 Liberal 202 Qo democriicla 83;70,73; 169; 194° Lberalismo - Dburguds 49,5849, 118,133, 197,158, 1789 llssico 53 coastiticional 119 continental 72 ere do 118 ities? democrtico 62,83 ‘losofia do 45,59 dade do 43 hhumano 62 individualista 45 Jeckiano 178 smurifesto poltico do 145, steoia do 40 : ‘eadicional 8 . Lberdade 39-41, 4-6, 50-2, $3755, 57- 62, 64, 65.70, 71-4, 76,79, 81:2, 85:7, 968,100, 101-2, 104/110, 11748 1302,438-447145-6,160- 2,173,175, 17981, 185, 187-8 antiga 139, 140,152,157 ‘antiga eliberdade moderna 1456 evore da 123, autonome 154 “autordade, antese 168 vil, garantia da 79 eissien 66 conceito autoritério de 144 conceito formal de 59 de clase 189, doarbitric'6t do contrato $9 ‘doe cidadice 79 forvial 59 humana 62, 66,100 Individal 45,47, 51, 88,128,151, 155 Kante oelogioda 117 leisda 113, oe moderna 66, 61, 113-4, 139-42, 157) 189,191 es na cvilizagto grege 182. spartidpagio 154° poliiea 641887. + Ficionalizada 81 = Se 0s totalicria 14 Libertagio ‘econdenica 173 politica 173, INDICE ANALITICO 25 Uderanga totalitiria 194 a a MAYER Mas Et 6 LITT, Th. 196 Medievaliseo 169 Livre iniiatva 68 LOCKE 49,578, 71, 84,1674, 172, 17880 Usgica 97,120 ‘transcendental 9) Lta‘de clasts 56 M MABLY 141, 14, 163 MACMILLAN 186, MADISON 78 ‘MANNHEIM, K, 196 Manifesto Conant 45, 164,169, 172176, politico do liberalismo 145, SMAQUIAVEL 46 Maratona 150 MARX 56,59, 61, 115,121, 127,145,164 6,168, 171-81, 163 MARXISMO 126, 166 “deologia marnsta 177 sleninismo 180 revolucionsrio 189 sistema politico 184 sccialismo marist 114,184 Massa 83, 191-200, 203-4 “abstrata” 193 ‘concreta” 193 erica 196,203, or’ ¢ © ‘comportamento dis 198 conhecimento das 198 democracia de 55, 201-2, 204 “idolawia das” 197 literatura das 195 smovimentos de 193. resto das 185 ‘eebelifo das” 167 “Medo de viver" 198 “Melhor Estado” 125, [MENDELSSOHN 89 Metatisia 93,96, 99-100, 104 “socialata” 175 “Metaphysiea specialis" 1045 Método atico989 * eico/transcendental 9-9 ialtico 120, empiicn 9% metafisico 98 METTERNICH 82,135, MILCIADES 150 (MILL, Stuart 140 MIRABEAU 141 (MOTTE, Hans 134 “Modus vivendi” 1 MOMMSEN 148 Monarce 47, 69-70, 158 de direito vino 72 Monarquia 45, 49,70, 83,121, 144 absolutism monduico 131 antiabsolutista 71 ‘constiucional 45-5, 49-50, 53,68, 137,190 Hegel e127, . ‘Monoptlics 179. MONTESQUIEU 445, 47-50, 52, 57-8, 855,72, 74,77-8,79, 87,117, 19,128,129, 1347, 141, 167, 172,190 ‘Moral (ualidade da dia) 125,129 MORUS 69 Movimento sialético 120 eokantiano 92 Mundo ‘Mundus intelligibiie” 106 “Mundus sensibiis” 106 MUSSOLINI 192 Nagto78 * 226 DO ESTADO LIBERAL AO ESTADO SOCIAL Nacionatzaiinme 36 62 184186 99 Nacionalismo 190 tata 56 NAPOLEAO #1, 122,126 ‘cesriemonapolebnico 81 reapolednicas 49 NATORP 106 [Naturalism dentfco 90 [Natureza 79, 97-8, 106,109,120 estado de 168 . NAWIASKY:74, 1925197 ‘Neokantano9,91, 92,97, 105, NICOLOVIUS 123 NIETHAMMER 126 [NIETZSCHE 82, 162 Nihil lteies” 105 Nivelamento 195-6 [Nobreza 70,83 ‘Nominalisene 100 "Nousnénon 106,112 Nova ldade Média 198 Nova York 177 “objetivo” 120 bjet0 94 ‘Gctdente59-51,82, 95, 14,125,180, "83-4, 191,195,197 crizedo 186 dio ideokgico 191 ‘Oligarguias 204 Onipotencia etatal $8,149 Operariado 179 “lass opersria 174, 1767, 185 COpressio 42,115, Orde ‘bunguesia, desntegracto 177 capitalists 174,186 ‘onetitucional 76, . tata 57 = ental slogismo 113. 7 feudal 121,131 aed 73 COndenamento staal «7 Organicsmo81, £3,119 ‘staal ‘Stata e social 80 jurldico 45 sexta 66 80 fetal 79. juridico, stado89 de stad ideniicaid otna toberania 75 legisativo 75 ego separate sbjeive" e179 Onente socaista 194 COWEN, Robert 172 acto 125 dela consbtutea111 {ein eulativa 11 politico 36: Ea, (107 Pantano LDL ic! PARETO 36,192 Params 38 uropeu 65 Stern palamentarata 86 Sistemas primers, prepondeincis 8) Partipaqso 50 Uberdade 154 Pardo abate 203 Pardee desis 202 poe 97,202 Patralizo 203 ota 38,16, 202 Pais 150 Patronage 203 PAUL, fan 912,95 PAULSENS®,92-4 « Pacts S Peroamento% oe Mdemosstco WS 3! > teal : tmoderio38 fonlaneso PeRICLES 165,153 Pesonaidads 53,5972, 7,86, 140, ~e tos fndamestais da 40 ‘ian 6179-76 85,194,186, ma ah InDIce:ANALITICO| 2 supresedo da 58,150 valoracio 3189 Pessedista 202° Pessoa (homes) 198 - Petrobrés 186 sive Petréleo (monopole ext ds)186 *Phaenomenon” 1067, *Philosophia andi phiysie™93" Philosophia ancillatheologint?99"> PLATAO 67, 69, 97-1247143 156-8 ‘ecole plat pitgstin 9509 Platondams9S Coie ayes Phurlismo 52 vee Plutocracia 208 5 £:ghh 0 . PhatosrataO0 8.022 Paes 845,47, 31,567, 765,178 abeolute He esvirtuamento do03--*..7 + “etd o poder” 508 1 divinigaeho da:191-" judicial 75. tsi 5:75,119 sativa 45, 75,80, 86; 88,113, ‘tiara oe Legislative, supremacia do80, 86 tao do 41; 49, 167-9 rmoderadoe88 "2 =. M6 ms politico 44,200 - politico, fandameitagto.do'130 politico, orgens do 47! 5 Facionalizagio+do 46 totalitiio 200 Podheres 42, 44-6, 66,79,78 27 ‘iis d2 465, 65-6, 66-7, a 8; intetominicagiodos =: pales 66.0. ee Femanabtentes 689» °rmsb 7 separagho abeoluta de 79 taparagio de 4,49, 624,70,71-4, 980,867, 1124, 1348/179, 187 POEHLMAN, Robert 154 POHLENZ, Max 153-40: AL Policia screta 199 Politica “desproletarizadora” 198 Politizagfo 200 Populsine deavoerstico 142 Populiste202| Portugal salazarista 186 <. : ‘Pouibidadespriodstice das ne: 93 ipensamyento 93 [er £92" “Potestascoordinatae” 113 “Potesta indiciaria” 113 “PotestasTefislatoria” 113 “Potestas recor” 113, Povo (homes) 103, “Praeambula Gide" 97° Prerrogativa 43 eal a ies Presidéncialino 87 ste ‘democracia presidecllst 86" Presodo das massas 186 #1: PRIESTLEY 157 ape "Primado da rari pritica? 39,103 Primera Guerra Mundial 129,138 Principe 489 bse sbeoluto 57 te Principio we ‘dacausalidade 101 democrstcn 43, 66,65, 76;86/142, ongaicsta 88 “Prius” (0 Estado) 40 Prvilégics 68 ‘de classe 174 Processo on fsico 120 Phe smecico 120 pet orgie 1200+ Piece Progresso 2 Profetariado 188 = yt suction ‘lemioS7=!_ ibis ditadura do 180,194 3 5200 Proletirizacdo 198 ee "Propadeuticn” 97 ° ag 28% Propriedade 168 629 28 DO ESTADO LIBERAL: AO ESTADO SOCIAL. Protecionisv 179 “ Rel 48,51,77,116 * Prieta 123 aos Aespotismo do 70-2 Estado prussiano 12%, 192 Religie 103,120,132, 172 Psicologia 106-5, 120, 195 Renascenga 67 Psicologism social 56 Renascimento%6, it PUCHTA 143. = Representacto 6, 123 Putsch” 199 popular 46 7 Repressio ao poder 168, : Replica 88 @ Federal sled 184 - . Frahoesa 16,238 Quarta Repablice IBA srcss soir Resauragho 12,10, 13d “Quarto Estado 83,186, 189,203 ne (Questio social 177, Rackna 107 wentade 30 radonal 123, Raconlidade Hoga 136." Ronalino 1, e128, 139 ura 1,158 Ractonlts ogni 2 acini do per 45 fecane Rect de tas 73 RATZEL Pact 50 fo, 99 08 ae team? peace 04 Frit, prin da 9,09 Fan 0b 18 Radia it Real 1.86 1 17 123 1213, 137, 158, 166 *. anssiia 67,176 rpc 8 ‘eae 18 Real poder ss REALE Mig 74,160 elas esate 1 Eetaneti? : “Rebelo das mascas” 167 ©, Regime de gabinete 69: Regimes despéticos $1 francesa 49 : Retaliagdo Wdeolégica 133° -« Revolugdo $1,70, 1223, 126/144, 174, 767 oe bolchevists 194 lie Durguesa 179. : capitalist 169 democratico-burguess 57 Francusa 41,4, 52,54, 58,61:2 67- 71,85, 15-5, 126,122,185, 14h-3, 185,158, 164 176,185 industrial $9,67,1712,179 jacobina 183 eral 127 ibera-democrticn 70 smapdsmo revoluciondrio 189 pela vielénia 62 elo consentisnento 82 focal 185 socialista 176,180, Violénciarevolucionsria:190 Revolucignarizmo 83 Revolugdes inglesas do shu XVI 141 RICKERT, H.91, 161, RIBHL 105 IOS, Gonzalez 90 RIPPERT 133, ROEPKE 167,196,198 Roma 151 ROMMEN, Heinrich 134 ROOSEVELT 184 ROSENBERG 192° 7 15: « ROTHACKER IOS" 2-1. ROUSSEAU 80-268, 72,77) 102,111, 122,125, 128, 19E14H2, 163 416581 Fokexgatsh democraGia rousspauniana 17460 ialtica ousseauniana 170, 5. ‘¢ademocracia dirt 141 INDICE ANALITICO" - 209 loi rousencins 18 triode RuesOH " mia : Fecrogetvs 2 sealer a s classe 48, 50, + : sanmesoione, 7 ia do 10 Salamina 150 fb, 172,475, 183, 1845, 4¢ ‘Salazarista (Portugal) 184 " et S,490 Santa Alianca 83, 127,133 SAUER W. 102,105, 11, SAVIGNY 82-4, 13;100 SCHAFTESBURY 168, SCHELLING 82,126 SCHILLER 126 SCHLEIERMACHER A? ‘SCHMITT 40,50, 5,68, 175 SCHOPENHAUER $2, $0,108, “Séoulo das maseas” 195 SEIDLER G45 7 “Sein 111126 Separasto : absolute de poderes 79 depoderes 44, 49, 6-80, 86-7,112-3, 1348, 179, 1678 “subjetiva” de Segoe 79 See 120 SIBYESt6 Siogisaio da ordem estatal 113 SIMMEL $6 Sindicatoe 179 Sistema’ : utocritico de direito diving 17 capitalista 168,174