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INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA EM


PACIENTES ADULTOS EM USO D
E CATETER VESICAL DE DEMORA

Gislane Teixeira Alves Salles¹, Taís Teixeira Rocha Oliveira¹ e Lucinéa Maria
Meneses²
1 Graduando(a) do curso Bacharel de Enfermagem do Centro Universitário Estácio da
Bahia.

2. Orientadora, Especialista em Metodologia e Didática do Ensino Superior,


Professora do Curso de Bacharel de Enfermagem do Centro Universitário Estácio da
Bahia.

RESUMO

Quando se trata de infecção do trato urinário é preciso que o profissional


conheça a sua classificação e os métodos utilizados para a prevenção. A infecção do
trato urinário é definida como uma resposta inflamatória pela presença de bactéria na
urina, tendo um limite mínimo definido a existência de 100.000 unidades formadoras
de colônias bacterianas por mililitro de urina (ufc/ml), acometendo 2% dos pacientes
internados. Segundo dados epidemiológicos 35 a 45% de todas as infecções
hospitalares adquiridas são infecções do trato urinário, sendo que 80% estão
relacionados ao uso de cateter vesical de demora. O presente estudo tem como
objetivo identificar os fatores predisponentes para o desenvolvimento da infecção do
trato urinário em pacientes adultos em uso de cateter vesical de demora internados
na unidade de terapia intensiva, relacionar os principais agentes etiológicos das
infecções do trato urinário e caracterizar a importância do enfermeiro na prevenção
da infecção do trato urinário na unidade de terapia intensiva. Trata-se de uma revisão
bibliográfica, do tipo exploratório, de natureza qualitativa, feito através de livros e
artigos presentes nas bases de dados. Foram constatados os métodos de prevenção
que devem ser utilizados pela equipe de enfermagem, no qual é necessário a sua
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aplicação para reduzir os índices de infecção nas unidades de terapia intensiva.


Assim faz-se necessário um treinamento para a capacitação da equipe, para que os
profissionais possam adquirir um maior conhecimento, tornando a assistência
individualizada e eficaz.

DESCRITORES: ITU, UTI, infecção, cateter vesical, cateterismo, trato urinário,


assistência.

ABSTRACT

Infection is a cause of high morbidity and mortality in intensive care units (ICU). The
urinary tract infections (UTI) is defined by the existence of 100,000 cfu / ml, affecting
2% of hospitalized patients. Prevalent in females, but occurs in males, while being
associated with urologic instrumentation and prostate disease. The ITU is generally
classified as upper urinary tract infection (pyelonephritis, interstitial nephritis and
renal abscess), lower (cystitis, prostatitis and urethritis), which occurs in a
complicated urinary tract that has been altered by the presence of bacteria and
uncomplicated that occurs in urinary tract unchanged. In general, the ITU is caused
by a single pathogen. The Escherichia coli is responsible for 80-90% of urinary tract
infections in the community, followed by Staphylococcus saprophyticus. In patients
are hospitalized according to the severity of the patient, the prevailing enterobacteria.
The table of signs and symptoms include the presence of dysuria, urinary urgency,
urinary frequency, nocturia and suprapubic pain. Among the main goals of the plan
shall include the relief of pain and discomfort, knowledge of treatment, which aims to
relieve symptoms and fight bacteria, preventative measures to avoid future
complications.

KEYWORDS: ITU, UTI, infection, bladder catheter, catheterization, urinary tract,


assistance.
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1 INTRODUÇÃO

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) apresenta pacientes críticos ou


potencialmente críticos, que ficam expostos a uma série de riscos e podem contribuir
para modificar as barreiras imunológicas de proteção contra infecção. Em geral,
encontramos pacientes comprometidos imunologicamente, com numerosos
dispositivos instalados, reservas fisiológicas limítrofes e que são submetidos
constantemente a diversos procedimentos invasivos. Assim, o paciente na UTI é
geralmente sensível às infecções respiratórias, urinárias e de sitio cirúrgico (MARINI,
1999).
As infecções do trato urinário (ITU) acometem 2% dos pacientes internados.
Segundo dados epidemiológicos 35 a 45% de todas as infecções hospitalares
adquiridas são infecções do trato urinário (ITU), sendo que 80% estão relacionados
ao uso de cateter vesical de demora (VIEIRA, 2009; LUCCHETTI, 2005). O cateter
urinário está associado a um risco de mortalidade três vezes maior nos hospitais
mesmo com o emprego de técnica adequada de inserção do cateter vesical e uso de
sistema de drenagem fechado. A duração do cateterismo é fator relevante para
ocorrência de infecção urinária e existe um risco para cada dia de permanência do
cateter com sistema de drenagem fechado ( SALOMÃO, 2004).
Entre os fatores de risco para ITU encontramos a presença do uso da sonda
vesical, o sexo feminino, o diabetes, a idade avançada, erros na indicação para o
uso do cateter vesical, na técnica de inserção e na manipulação do cateter. Os
pacientes internados na unidade de terapia intensiva têm um grande potencial para
o desenvolvimento da infecção do trato urinário, devido ao uso frequente do
cateterismo vesical de demora, aumentando a probabilidade do crescimento
bacteriano (RORIZ-FILHO, 2010).
Diante do exposto, vê-se a importância de estudos relacionados ao controle
dos índices de infecções na unidade de terapia intensiva,que nos levou ao seguinte
questionamento.
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Quais fatores predisponentes para o desenvolvimento da Infecção do Trato


Urinário em pacientes adultos em uso de Sonda Vesical de Demora na Unidade de
Terapia Intensiva?
O objetivo geral desse estudo é identificar os fatores predisponentes para o
desenvolvimento da infecção do trato urinário em pacientes adultos em uso de
cateter vesical de demora internados na unidade de terapia intensiva. Os objetivos
específicos são relacionar os principais agentes etiológicos das infecções do trato
urinário e caracterizar a importância do enfermeiro na prevenção da infecção do
trato urinário na unidade de terapia intensiva.

2 METODOLOGIA

Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica, do tipo exploratória, de


natureza qualitativa. Foi realizado um levantamento bibliográfico acerca da infecção
do trato urinário em pacientes adultos com sondagem vesical de demora na unidade
de terapia intensiva. Utilizando-se as bases de dados do BVS (LILACS e SCIELO).
Para proceder à busca utilizaram-se os descritores: ITU, UTI, cateter vesical,
cateterismo, trato urinário e assistência.
Foram encontrados 465 artigos, onde foi realizada uma leitura superficial
através dos títulos, e selecionados 30 artigos, feito uma leitura seletiva através dos
resumos dos artigos sendo selecionados 10 artigos (seis da base de dados SCIELO
e quatro do LILACS), atendendo ao tema proposto, ano de publicação definido entre
1999-2010, e publicados na língua portuguesa. Os critérios de exclusão foram os
trabalhos que não contemplaram o assunto abordado e artigos de língua
estrangeira. Além dessas referências, utilizaram-se 07 livros, a seguir, optou-se por
contextualizar de maneira indireta as publicações disponíveis ao longo do texto.
Após análise, foram classificados em três categorias, sendo a primeira infecção do
trato urinário; a segunda cateterismo vesical de demora e a terceira assistência de
enfermagem.
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3 ANÁLISE E DISCURSÃO DOS RESULTADOS

Este capítulo se propõe a apresentar dados da literatura referente aos


assuntos que permeiam a infecção do trato urinário. Constatou-se que a maioria dos
artigos utilizados para a formulação da pesquisa foram elaborados por médicos, e
apenas um por uma enfermeira. Portanto a prevenção da ITU deve ser um cuidado
destinado a toda equipe de saúde que esteja prestando uma assistência para o
paciente, principalmente a equipe de enfermagem, no qual tem um maior contato
com o paciente.

QUADRO 1: Relação dos artigos do estudo quanto ao autor, ano, título e objetivo.
AUTOR E ANO TÍTULO OBJETIVO GERAL
HEILBERG, Ita Pfeferman. Abordagem diagnóstica e Abordar os aspectos
2003 terapêutica na infecção do fisiopatogênicos
trato urinário-Itu. relacionados à virulência
da bactéria na ITU.
KOCH Vera H; Infecção do trato urinário: Abordar o tema infecção
ZUCCOLOTTO, Sandra M. em busca das evidências. do trato urinário à luz da
C.. 2003 evidência clínica atual.
LENZ, Lino Lima. 2006 Cateterismo vesical: Descrever os cuidados,
cuidados, complicações e complicações e medidas
medidas preventivas. preventivas relacionadas
ao cateterismo vesical.
LOPES Hélio Vasconcelos; Diagnóstico das infecções Apresentar de forma
TAVARES, Walter. 2005 do trato urinário. sucinta e didática as
diretrizes fundamentais
para o diagnóstico das
infecções do trato urinário.
LUCCHETTI, Giancarlo; Infecções do trato urinário: Avaliar a frequência e o
SILVA, Antonio Jose da. análise da frequência e do perfil de sensibilidade dos
UEDA, Suely Mitoi Ykko, et perfil de sensibilidade dos agentes causadores de
al. 2005 agentes causadores de ITU em pacientes
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infecções do trato urinário cronicamente sondados


em pacientes com em acompanhamento
cateterização vesical ambulatorial.
crônica.
NETO, João L. e Souza; Infecção do trato urinário Avaliar o momento do
OLIVEIRA, Frederico V. relacionada com a início da bacteriúria e o
de. KOBAZ, Alberto Kalil, utilização do cateter vesical germe mais
et al. 2008 de demora: resultados da frequentemente
bacteriúria e da microbiota relacionado à infecção
estudadas. urinária nos pacientes
submetidos à sondagem
vesical de demora.
NISHIURA, José Luiz; Infecção urinária. Apresentar a importância
HEILBERG, Ita Pfeferman. do diagnóstico diferencial
2009 numa visão atualizada dos
esquemas antibióticos
propostos para tratamento
e prevenção.
RORIZ-FILHO, Jarbas S.; Infecção do Trato Urinário. Abordar estratégias
envolvendo diferentes
VILAR, Fernando C.
esquemas
MOTA, Letícia M, et al. terapêuticos de acordo
2010 com grupos específicos de
pacientes.
STAMM, A.M.N. de F.; Infecção do trato urinário Determinar a incidência e
COUTINHO, M.S.S. de A. relacionada ao cateter os fatores de risco
1999 vesical de demora: relacionados a infecção do
incidência e fatores de trato urinário (ITU) em
risco. pacientes submetidos à
sondagem vesical de
demora (SVD)
VIEIRA, Fabrícia Alves. Ações de Enfermagem Enfatizar a uniformização
2009 para prevenção de das condutas
infecção do trato urinário intervencionistas de
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relacionada ao cateter Enfermagem, com o


vesical de demora objetivo de proporcionar ao
paciente da UTI menor
risco de infecção urinária
associada ao cateter
vesical de demora.

3.1 INFECÇÃO DO TRATO URINÁRIO

A infecção é uma das causas de altos índices de morbidade e mortalidade


nas unidades de terapia intensiva (UTI), podendo ser suspeitada através de sinais
locais como edema, eritema, sinais e sintomas localizados como dor e dispneia e a
febre que é um fenômeno sempre questionado, onde acomete uma boa parte dos
pacientes, sendo um indicador nos casos de infecção (MARINI, 1999; GOMES,
1988). Os pacientes internados na UTI são críticos e estão expostos a uma série de
riscos e procedimentos invasivos, comprometendo o seu sistema imunológico,
agravando ainda mais o seu estado geral (GOMES, 1988).
A ITU é definida como uma resposta inflamatória pela presença de bactéria
na urina, tendo um limite mínimo definido a existência de 100.000 unidades
formadoras de colônias bacterianas por mililitro de urina (ufc/ml) (RORIZ-FILHO,
2010). Sendo o sexo feminino mais susceptível do que o sexo masculino para o
desenvolvimento da infecção urinária, devido às extensões anatômicas como a
uretra mais curta e sua proximidade com a vagina e com o ânus. Outros fatores de
risco são o ato sexual, gestações, números de gestações, diabetes em que os níveis
glicêmicos aumentados geram um meio propenso para a infecção do trato urinário,
higiene deficiente relacionada à pacientes com baixas condições socioeconômicas e
obesas. Ainda que seja mais comum no sexo feminino à incidência de ITU aumenta
no sexo masculino, com a idade acima de 50 anos, onde o cateterismo vesical, e a
ocorrência de hiperplasia prostática, são os fatores de risco para esse aumento. As
taxas são bem maiores nos homossexuais masculinos, devido ao ato sexual anal
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desprotegido e em portadores de infecção pelo vírus HIV. (RORIZ-FILHO, 2010;


TAVARES, 2007).
A ITU é geralmente classificada como infecção do trato urinário superior ou
inferior, e quanto à localização é como baixa ou alta. As ITUs inferiores ou baixas
incluem cistite (inflamação da bexiga urinária), prostatite (inflamação da próstata) e a
uretrite (inflamação da uretra). As ITUs superiores ou altas são menos comuns e
incluem a pielonefrite (inflamação da pelve renal) aguda ou crônica, nefrite
intersticial (inflamação do rim) e abscessos renais. A pielonefrite aguda comumente
é manifestada por rins aumentados, com infiltrações intersticiais de células
inflamatórias. Quando a pielonefrite resulta em crônica, os rins cicatrizam, tornam-se
contraídos e afuncionais (SMELTZER, 2009). A infecção urinária baixa pode ser
sintomática ou não, apresentando sintomas característicos como disúria, urgência
miccional, polaciúria, nictúria e dor suprapúbica podendo se manifestar da mesma
maneira em outras situações como vaginites, herpes genital e prostatites. A infecção
urinária alta se manifesta com os mesmos sintomas da infecção baixa, associados à
febre, calafrios e dores lombares (TAVARES, 2007; KOCH, 2003).
A ITU pode ser complicada, com risco de falha terapêutica, ou não-
complicada. A ITU complicada ocorre em um aparelho urinário que sofreu alterações
por presença de bactérias resultando em processos inflamatórios, causas
obstrutivas (tumores, hipertrofia benigna de próstata, corpos estranhos, etc), por
alterações estruturais, funcionais, metabólicas (insuficiência renal, diabetes mellitus,
transplante renal) e procedimentos invasivos como o cateterismo vesical (TAVARES,
2007; SALOMÃO, 2004; HEILBERG, 2003). A ITU não complicada ocorre no
aparelho urinário sem alterações e fora do ambiente hospitalar (HEILBERG, 2003;
KOCH, 2003).
As cistites são classificadas em não complicadas, mas podem evoluir para
complicadas se forem causadas por cateterismo vesical que é definido como um
processo invasivo. As pielonefrites são frequentemente complicadas, pois se
desenvolvem através de processos inflamatórios resultantes de bactérias, podendo
estar associados a cálculos renais, evoluindo para uma sepse, prejudicando a
função renal. Geralmente se inicia com uma cistite, acompanhada de febre,
calafrios, dor lombar, náuseas, vômitos, cefaleia, mal estar e micção dolorosa
(TAVARES, 2007; SALOMÃO, 2004; SMELTZER, 2009; Et Al). Tanto a infecção
urinária baixa ou alta pode ser aguda ou crônica, tendo origem comunitária, que
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ocorre em doentes não hospitalizados, ou origem hospitalar, que são pacientes


hospitalizados associados ao cateterismo vesical (TAVARES, 2007; SALOMÃO,
2004).
Em geral, a ITU é originada por um único patógeno. A maioria das ITUs são
causadas por bactérias anaeróbicas, provenientes da flora intestinal. A Eschirichia
coli é responsável por 80 a 90% das infecções do trato urinário na comunidade,
seguidos por Staphylococcus Saprophyticus, correspondendo a 10 a 15% das
infecções urinárias. As espécies de Proteus mirabilis e de Klebsiella sp são outros
agentes com uma menor frequência nos pacientes com infecção urinária. Os
agentes etiológicos envolvidos na ITU em pacientes hospitalizados estão de acordo
com a gravidade do paciente, procedimentos realizados, antibióticos utilizados,
alterações estruturais do trato urinário. Neste caso predominam as enterobactérias,
reduzindo a freqüência da E. Coli, dando o lugar para o crescimento de Proteus sp,
Pseudomonas aeruginosa, Klebsiella sp., Enterobacter sp., Enterococcus faecalis e
de fungos e a Candida Sp, que se destaca sendo a espécie mais prevalente nas
infecções urinárias (TAVARES, 2007; LOPES, 2005; NISHIURA, 2009).
O diagnóstico das infecções do trato urinário baixo (cistite) é uma associação
da anamnese e quadro clínico que envolve os sinais e sintomas, como a presença
de disúria, urgência miccional, polaciúria, nictúria e dor suprapúbica no qual o
aspecto da urina é de grande relevância como a urina turva (pela presença de
piúria), e/ou avermelhada (pela presença de sangue), causada por cálculo renal ou
pelo próprio processo inflamatório. Na infecção do trato urinário alto (pielonefrite),
geralmente se inicia com um quadro de cistite, acompanhada de febre, calafrios e
dor lombar, podendo irradiar-se para o abdômen ou para os flancos, sendo menos
frequente na virilha, onde sugere a presença de cálculo renal. Os sintomas gerais do
processo infeccioso agudo podem estar presentes, e sua intensidade é proporcional
à gravidade da pielonefrite (TAVARES, 2007; HEILBERG, 2003).
Os exames utilizados para a possível confirmação da infecção urinária são:
Sumário de Urina que é de fácil e rápida realização contendo dados para a
confirmação como presença de piúria, hematúria e de bacteriúria; Urocultura é
avaliada em amostra de urina colhida assepticamente, em jato médio, que fornecerá
o agente etiológico causador da infecção. Este exame não é muito utilizado devido à
demora do fornecimento do resultado, mas é de fundamental importância para
conhecimento epidemiológico da ITU e do padrão de sensibilidade/ resistência dos
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agentes causais; Antibiograma atua juntamente com a urocultura, sendo o seu


resultado importante nas cistites complicadas, pielonefrites e nas infecções urinárias
hospitalares, fornecendo os antimicrobianos úteis a serem prescritos; Hemocultura,
este exame não é utilizado em casos de cistites, mas é fundamental em casos de
pielonefrite, pois fornece informações do agente etiológico, indicando o risco de
sepse, direcionando um potencial gravídico; Exames de imagem que envolve a
Ultra-sonografia: Útil para identificar cálculos que podem estar associados com os
quadros agudos de ITU, abscessos e rins policísticos. Tomografia computadorizada
e a Ressonância magnética tornam-se importantes para o diagnóstico de
complicações e identificações de alterações estruturais e/ou funcionais do sistema
urinário (TAVARES, 2007; HEILBERG, 2003; LOPES, 2005).
O tratamento da infecção urinária pode ser medicamentoso com o objetivo de
aliviar os sintomas e combater as bactérias do trato urinário, avaliando a eficácia da
medicação, os efeitos colaterais, a facilidade de administração e o custo. O
tratamento não medicamentoso inclui a troca de sonda, correção da patologia de
base, a promoção do fluxo urinário, facilitando a remoção da bactéria da bexiga e a
remoção de sondas vesicais, quando possível (MARINI, etal., 1999).

3.2 CATETERISMO VESICAL DE DEMORA

O cateterismo vesical representa o procedimento médico mais utilizado, tendo


um grande valor para o diagnóstico e tratamento de vários processos patológicos.
Podendo também ter várias complicações se utilizado sem os cuidados básicos de
instrumentação urológica. O uso de instrumentos inseridos pela uretra vem das
antigas civilizações. A primeira utilização desse tipo de material foi na civilização
egípcia (3000 a 1440 a.C.), que utilizava tubos ocos de cobre e laca. Uma das
colaborações mais importantes para o cateterismo vesical de demora foi a
disponibilização do látex mole para a confecção do cateter de Foley, tão útil e eficaz
na prática urológica diária. Teve um melhoramento na confecção do cateter de Foley
com a inclusão do uso de silicone na sua fabricação, diminuindo as complicações do
cateterismo de demora (LENZ, 2006).
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Nos aspectos anatômicos a uretra está ligada diretamente com o meio


externo e constantemente ameaçada de invasão bacteriana. Em um indivíduo sadio,
o seu aparelho urinário é estéril, exceto os centímetros distais da uretra, tanto da
masculina como da feminina, onde apresenta uma flora uretral formada por bactérias
patogênicas e não patogênicas. A uretra masculina mede aproximadamente de 18 a
20 cm, já a uretra feminina tem um comprimento de 3,5 a 4,0 cm aproximadamente.
Devido a essas características a infecção urinária é mais comum nas mulheres do
que nos homens, devido a curta extensão da uretra feminina e a forma anatômica da
genitália, cujo meato uretral é localizado no vestíbulo vaginal, ficando mais exposto a
colonização de bactérias da flora intestinal (LENZ, 2006).
O cateterismo vesical é um transportador da flora bacteriana uretral, para o
interior da bexiga, podendo iniciar uma infecção urinária, exigindo cuidados na
seleção dos candidatos a um cateterismo. Para a prática do cateterismo vesical é
necessário estar atento aos cuidados que acompanha esse procedimento, com a
finalidade de diminuir as possíveis complicações que podem ocorrer no ato da
instrumentação como o traumatismo uretral e a dor devido ao atrito do cateter na
uretra pela falta de lubrificação, e um falso trajeto. A invasão bacteriana em uma
mucosa uretral lesada por um cateterismo mal conduzido pode provocar uma
infecção local como uma bacteremia. Sendo mais comuns em pacientes com uretras
alteradas, caracterizando clinicamente com a presença de febre e calafrios que
ocorrem após a instrumentação (LENZ, 2006; NISHIURA, 2009).

Incontestavelmente, a infecção urinária é a complicação mais frequente


definida pelo cateterismo vesical, podendo originar graves consequências. As
complicações devem ser investigadas, em relação à prática de um cateterismo
simples ou de um cateterismo de demora. A taxa de infecção urinária relacionada a
um simples cateterismo realizado por pessoas sadias é baixa, comparando com a
incidência da infecção urinária relacionada ao uso do cateterismo em pacientes
hospitalizados, grávidas, idosos, pacientes debilitados ou que tenham alguma
alteração urológica. O cateterismo de demora é um problema diferente do
cateterismo simples, pois apresenta complicações mais sérias como a infecção
hospitalar, sepses e morte. O cateterismo vesical de demora realizado com o cateter
de Foley tem as principais indicações como: a drenagem vesical por obstrução
crônica, disfunção vesical (bexiga neurogênica), drenagem vesical após cirurgias
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urológicas e pélvicas, medida de diurese em pacientes graves, garantir a higiene


perineal e o conforto de pacientes incontinentes de urina e comatosos. Após a
introdução do cateter de demora, a passagem de bactérias colonizadas no meato
uretral para a bexiga pode acontecer pela via extraluminal, no qual o micro-
organismo colonizado sobe para a bexiga, entre o cateter e a mucosa uretral,
ocorrendo mais em mulheres, ou pela via intraluminal (LENZ, 2006; NETO, 2008).

Vários fatores de risco estão presentes para uma alta prevalência da


bacteriúria associada ao cateter de demora. Entre esses elementos estão os que
podem ser alterados como a indicação para o cateterismo, duração do cateterismo,
sendo esse um dos principais fatores de risco, os cuidados e a contaminação
cruzada entre o profissional de saúde com os pacientes. Todos esses fatores podem
ser mudados para diminuir as taxas de incidência e as complicações relacionadas à
infecção urinária e o uso do cateter de demora (LENZ, 2006; STAMM, 1999).

3.3 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

O enfermeiro é considerado um administrador da unidade, atuando no


planejamento, direção, execução de cuidados de enfermagem e treinamento da sua
equipe, mantendo um contato direto com seus pacientes, no qual se torna um
elemento de grande importância na prevenção e controle das infecções (GOMES,
1988). Dentre as principais metas do planejamento devem incluir o alívio da dor e
desconforto, conhecimento do tratamento, medidas preventivas e ausência de
complicações. A dor associada a ITU é aliviada com o inicio do tratamento
antimicrobiano. As orientações com o autocuidado devem ser fornecidas pelo
enfermeiro ajudando o paciente a aprender como evitar ou tratar uma ITU. As
orientações são em relação a higiene pessoal, ingestão de grandes quantidades de
líquidos, sendo a água a melhor opção, para lavar as bactérias dentro do trato
urinário, evitar líquidos como café, chá, refrigerante, entre outros que possam irritar
o trato urinário, criar hábitos de micção durante o dia, esvaziando a bexiga
promovendo o fluxo de urina, retirando as bactérias do trato urinário (SMELTZER,
2009).
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Durante o período de internação de pacientes na UTI a infecção urinária está


relacionada ao uso do cateterismo vesical, e aos seguintes fatores: técnica imprópria
de lavagem das mãos; inserção do cateter urinário sem a execução da técnica e a
assepsia corretamente; sonda vesical desconectada do coletor de urina; saída do
coletor de urina, tocando a superfície contaminada; urina na sonda vesical ou no
coletor de urina podendo retornar para a bexiga (refluxo); irrigações repetidas da
sonda vesical com soluções; o uso indiscriminado de cateterismo vesical, sem que
haja indicação necessária; a permanência aumentada da sonda vesical, além da
necessidade do paciente; a dimensão do cateter maior do que a apropriada para o
paciente, onde lesa os tecidos e favorece a colonização de bactérias; uso de
balonetes maiores que o ideal, faz com que aumente a quantidade de urina residual,
aumentando a probabilidade de infecções (HEILBERG, 2003; VIEIRA, 2009).
Diante desses fatores que propõe o surgimento de infecções na UTI, o
enfermeiro necessita executar algumas atitudes de prevenção e tratamento,
adotando medidas para reduzir a incidência dessas infecções relacionadas ao
cateterismo vesical. Para que ocorra essa diminuição de riscos para infecção, após
padronização de técnicas assépticas na inserção e manutenção do cateter vesical
de demora, é necessário estratégias para a prevenção da infecção do trato urinário.
As seguintes estratégias são: Uma equipe devidamente treinada para a realização
do cateterismo de demora de forma asséptica; realizar a técnica de lavagem das
mãos antes e após a manipulação do sistema; realizar higiene do meato uretral mais
de uma vez ao dia; desprezar a urina do coletor de acordo com as normas e horários
da unidade, cumprindo os intervalos; permanecer com o coletor fechado, sendo
trocado se for vedada a sua integridade; o sistema não deve ser desconectado, ao
menos que haja necessidade de irrigação; deve-se coletar a urina dos pacientes
com sonda vesical, na parte final para a realização de urocultura. Ao desprezar a
urina do coletor, sempre lavar as mãos, utilizar luvas de procedimento, desprezando
cada urina separadamente, lavando as mãos nos intervalos, evitando a
contaminação cruzada; ao transportar o paciente, a bolsa coletora deve ficar presa a
maca ou cadeira, evitando o refluxo de urina; critério para indicação do cateterismo
vesical e a duração de acordo com o tratamento proposto (VIEIRA, 2009; LENZ,
2006).
Essas estratégias favorecem a equipe de enfermagem trabalhar com maior
conhecimento, tornando a assistência individualizada e plenamente eficaz, no que
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torna possível a redução dos índices de infecção urinária, relacionada ao uso do


cateter vesical de demora. Isso confirma que o enfermeiro desenvolve um papel
essencial na prevenção e combate à infecção hospitalar através do treinamento dos
profissionais de enfermagem, uma educação continuada, uma melhor interação e
comunicação com a equipe médica, comissão de controle hospitalar (CCIH) e de
seu serviço. No que torna claro a implantação de políticas que previnam a infecção
hospitalar, pois a prevenção permanece como a melhor estratégia para reduzir os
custos das infecções urinárias (VIEIRA, 2009).

CONCLUSÃO

O estudo revela os fatores predisponentes para o desenvolvimento da


infecção do trato urinário, onde o sexo feminino e o diabetes são os fatores de risco
mais apontados nos artigos. Entre os agentes etiológicos responsáveis, a Eschirichia
coli é a principal responsável por 80 a 90% das infecções comunitárias e a Candida
Sp se destaca sendo a espécie mais prevalente em pacientes hospitalizados. É
notável a complexidade das questões relacionadas a infecção urinária e as
complicações que podem evoluir devido ao mal acompanhamento e ao cuidado
deficiente. O assunto abordado é bastante discutido entre diversos autores e obras,
mas na realidade nem todas as orientações e cuidados descritos são realizados
como devem. Nesse contexto emerge a necessidade de uma assistência mais
direcionada aos cuidados e a prevenção da infecção urinária.
Identifica-se que nas obras há distintas opiniões dos autores acerca da infecção
urinária. No entanto, todas convergem para a mesma linha de raciocínio, ressaltando
o cateterismo vesical de demora como um elemento principal para o
desenvolvimento da infecção urinária, além dos fatores de riscos, que também
contribuem para o surgimento da infecção. Assim é necessário investir no
conhecimento para uma melhor assistência ao paciente em uso do cateter vesical de
demora garantindo a segurança do paciente no que torna possível a assistência
individualizada e eficaz.
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REFERÊNCIAS

AUN, Frederico e et al.; Mario Ramos. Terapia Intensiva em Enfermagem. Rio de


Janeiro. São Paulo: Atheneu, 1989.

SMELTZER Suzanne C.; BARE, Brenda G. Tratado de Enfermagem Médico-


Cirúrgica. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan. 2009.

GOMES, Alice Martins. Enfermagem na Unidade de Terapia Intensiva. 2. ed. São


Paulo. EPU, 1988.

HINRICHSEN, Sylvia Lemos. DIP Doenças Infecciosas e Parasitárias. 1. ed. São


Paulo. Guanabara Koogan Medsi, 2005.

HEILBERG, Ita Pfeferman; SCHOR, Nestor. Abordagem diagnóstica e terapêutica


na infecção do trato urinário: ITU. Rev. Assoc. Med. Bras. [online]. 2003, vol.49,
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