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A busca do conhecimento

AULA 2 Fazer perguntas é algo natural desde que somos crianças. Descobrir a verdade
das coisas parece ser um impulso instintivo da natureza humana. E os primei-
ros estudos de Filosofia concentram-se justamente em conhecer a si mesmo e
o mundo.

Grandes filósofos que transformaram o mundo

Tales e o campo matemático Platão e o mundo das formas


Tales foi um dos primeiros pensadores Discípulo de Sócrates, com a con-
a alterar conceitos observando fenô- cepção da Teoria das Formas, busca
menos da natureza, considerado um distinguir o mundo sensível (apre-
dos iniciadores da geometria demons- endido pelos sentidos) como parte do
trativa. mundo real.

Sócrates e a metodologia do saber Aristóteles e a busca da felicidade


Sócrates é creditado como fundador Aluno de Platão, Aristóteles destaca-
da Filosofia ocidental, desenvolvendo -se em muitos ramos da ciência. No
o método socrático que usa a pergun- sistema aristotélico a ética é a ciência
ta como técnica de investigação filo- das condutas, que permite a conquista
sófica. da felicidade.

Filosofia 1 - Aula 2 13 Instituto Universal Brasileiro


Filosofia Antiga e Filosofia Medieval
Sistematização cronológica
A sistematização histórica da Filosofia, como toda divisão cronológica, é uma opção didática,
para organizar o estudo, estabelecendo características que definem os períodos e o pensamento
filosófico de uma época para facilitar a identificação da abordagem filosófica.

Estudando-se as características gerais e as particularidades de cada filósofo, a divisão que se


faz em muito se assemelha às divisões clássicas da própria história.

No contexto histórico, podemos fazer uma subdivisão cronológica na linha do tempo, conside-
rando como ponto de partida a Filosofia antiga, e ponto de chegada a atualidade com a Filosofia con-
temporânea. Cada época tem suas referências e principais filósofos representantes que, de alguma
maneira, influenciaram o pensamento e a reflexão crítica do homem.

FILOSOFIA FILOSOFIA FILOSOFIA FILOSOFIA


ANTIGA MEDIEVAL MODERNA CONTEMPORÂNEA

Contextualização histórico-geográfica Divisão do Império Romano em 271 d. C.


Devemos lembrar que nenhuma pessoa
existe no vazio, cada cidadão vive em um lu-
gar e em um tempo. Assim também aconte-
Império Romano
ceu com os filósofos, eles são um produto do Oriental
tempo e do lugar onde viveram e da vida que
levaram. Muitos sofreram influências do pen-
Constantinopla
samento de filósofos anteriores, mas também
influenciaram outros depois deles. Roma
Os gregos antigos possuíam um grande
interesse pelas ciências e eram bons em quase
tudo. O fato de tentarem explicar o mundo cien- Império Romano
tificamente é o que os tornou filósofos. Essa é Ocidental
a caracterização do primeiro período da Filoso-
fia que se denomina Antiga. Antes disso, tudo o
que acontecia era explicado através de lendas A queda do Império Romano Ocidental
ou mitos, ou pela vontade de um deus. (século V) marca o início da Idade Média. O
A Filosofia antiga ficou mais restrita ao término do período medieval coincide com
mundo grego, enquanto uma mudança de a Queda de Constantinopla que determina
paradigma acontecia com a expansão dos o fim do Império Romano do Oriente (sécu-
grandes impérios como o Império Romano lo XV). A questão chave que vai atravessar
Ocidental e Oriental. A Igreja muda o cená- todo o pensamento filosófico medieval é a
rio, a maneira de encarar o mundo e a vida, harmonização entre as esferas da fé e da
influenciando todo o pensamento da época. razão.
Filosofia 1 - Aula 2 14 Instituto Universal Brasileiro
Filosofia & Globalização Revendo a contagem dos séculos

Mesmo dis- A Filosofia antiga se estende por um longo


tantes do mundo período, passando pelos séculos antes e depois
grego, presencia- de Cristo. Entender as regras da contagem dos
mos mudanças séculos pode ajudar a identificar com maior facili-
que nos levam dade a que século pertence o ano de referência.
a refletir sobre • Lembre-se de que século correspon-
novas formas de de ao período de cem anos. Portanto, o sé-
viver, de pensar culo I se inicia no ano 1 e termina no ano
etc.Podemos 100; o século II se inicia no ano 101 e termi-
considerar o fenômeno da globalização, na no ano 200 e assim por diante.
inicialmente gerado pela necessidade de • Por convenção da sociedade, os
maior dinâmica no capitalismo, como o ca- séculos no ocidente são denominados em
talizador das mudanças e das formas de algarismos romanos (I, II, III, IV etc.), tendo
interação entre os países, aproximando sempre como referência o nascimento de
pessoas, interligando o mundo, levando Cristo. Os anos são identificados em alga-
em consideração aspectos econômicos, rismos arábicos (1, 15, 1954, 2012 etc.).
sociais, culturais e políticos. • Na linha do tempo, os séculos depois
Sem dúvida, a globalização é um pro- de Cristo (d.C.) são numerados em ordem cres-
cesso típico do século XXI, mas para alguns cente >> e, normalmente, vêm sem a indicação
estudiosos pode ser vista como um fenôme- d.C. Já os séculos antes de Cristo (a.C.) são
no cíclico na história da civilização humana, organizados em ordem decrescente << e vêm
considerando-se as diferentes condições obrigatoriamente com a indicação a.C.
de cada época. Neste sentido, com as de- • Por isso, o período de anos ou séculos
vidas proporções, poderia se considerar a a.C. são identificados na ordem inversa, por
expansão, primeiramente, da cultura grega exemplo: do ano 300 a.C. ao ano 240 a.C. ou
e, depois, da romana, avançando em dire- do século III ao I a.C., sempre voltados para
ção a outros povos e territórios, como um o nascimento de Cristo.
primeiro exercício de remoção de fronteiras • Observe na linha do tempo um exem-
nas relações comerciais e no intercâmbio plo da contagem de quatro séculos, identifi-
dos conhecimentos de Filosofia e da ciên- cados em algarismos romanos, antes << e
cia, com características semelhantes às do depois >> de Cristo, com o período de anos
império da globalização atual. correspondentes logo abaixo.

Filosofia Antiga
[Nascimento de Cristo]
Séculos a.C. (antes de Cristo) Séculos d.C. (depois de Cristo)

V IV III II I I II III IV
◄400 a 301◄300 a 201◄200 a 101◄100 a 1◄Período em anos►1 a 100►101 a 200►201 a 300►301 a 400►

Compreende o período que vai desde o século VI a.C. até os primeiros tempos da Era Cristã (depois de Cristo).
As cidades-estado da Grécia serviram como espaços iniciais, porém seu desenvolvimento atingiu várias cidades do
Império Romano e o norte da África. Pela enorme dimensão temporal, encontramos grupos distintos quanto às ideias.
Assim, para facilitar a compreensão, iremos analisá-los separadamente.

Filosofia 1 - Aula 2 15 Instituto Universal Brasileiro


Os filósofos pré-socráticos
Os pré-socráticos são aqueles que viveram
antes de Sócrates e, como se interrogavam sobre
a natureza (physis), foram também chamados de
físicos (physikós). Preocupavam-se em descobrir Filósofos ou matemáticos?
o que a realidade é realmente, ousando procurar
uma explicação científica. Os filósofos passaram T a l e s,
A A’
a usar o poder do pensamento para tentar des- considerado o
cobrir a verdade e, com isso, iniciaram a relação primeiro filó-
B B’
entre o conhecimento e a realidade. Esta busca sofo a pensar
foi o início da Filosofia ocidental. de forma ra-
C C’ cional as pro-
Escolas AB A’B’ blemáticas do
=
BC B’C’ mundo, também
O principal objeto de investigação dos figura como um dos primeiros matemáti-
pré-socráticos era o cosmo. Diferentes escolas cos. A partir da observação das pirâmides
filosóficas marcaram esta época, cada uma de- do Egito e suas projeções de sombra, de-
las com foco em uma questão particular, mes- senvolveu o Teorema de Tales, importante
mo tendo o tema da cosmologia em comum. para determinar medidas de proporciona-
• A Escola Jônica tem representantes lidade: retas paralelas, cortadas por retas
como os filósofos de Mileto, Tales e Anaxíme- transversais, formam segmentos proporcio-
nes, aproximadamente 624 a.C. - 556 a.C., nalmente equivalentes.
que buscaram este princípio no âmbito do visí-
vel. Tales considerava a água como substân- Pitágoras,
hipotenusa
cia primordial para a constituição do universo, filósofo, funda-
enquanto Anaxímenes dizia ser o ar. Para He- dor da escola
ráclito de Éfeso, a physis é o fogo primordial. pitagórica, afir-
• Pitágoras de Samos (aproximadamen- mava haver uma
te 571a.C. - 496 a.C.), da Escola Pitagórica, 90° relação matemá-
seguiu caminho inverso, pensando a estabili- tica entre as coi-
dade e a unidade a partir do invisível, conside- sas. O Teorema de Pitágoras, um dos
rando os números como princípio do cosmos. mais célebres da Matemática, estabele-
• Apresentamos dois nomes da Escola Ele- ceu uma relação simples entre os lados
ata: Parmênides e Zenão. Parmênides de Eleia de um triângulo retângulo: a soma dos
(cerca de 530 a.C. - 460 a.C.), que acreditava que quadrados dos catetos (os menores la-
a realidade era composta de uma substância que dos) é igual ao quadrado da hipotenusa
imaginou ser imutável e que estaria em todos os (o lado mais longo).
lugares, desenvolveu o princípio da identidade do
ser. Zenão de Eleia (495 a.C. - 430 a.C.) usava Portanto, Tales e Pitágoras são
os princípios dialéticos como método. considerados ao mesmo tempo filó-
• A Escola Pluralista afirmava que a reali- sofos e matemáticos, demonstrando,
dade só poderia ser explicada pela multiplicida- em primeira instância, a ligação entre
de dos elementos, como o fogo, ar, terra e água. estes dois campos do conhecimento.
Entre os pluralistas destacam-se os atomistas Historicamente, Filosofia e Matemática
para quem a realidade era composta por infini- continuam a caminhar conjuntamente,
tas partículas imutáveis, denominadas átomos. evidenciando que estas ciências po-
Em Abdera, na Grécia Antiga, Leucipo elaborou dem ter mais pontos em comum do que
a teoria dos átomos, desenvolvida posterior- se imagina.
mente por Demócrito.
Filosofia 1 - Aula 2 16 Instituto Universal Brasileiro
Cidade de origem vira sobrenome
A geografia da Grécia Antiga era constituída por várias comunidades independentes espalhadas desde
a Jônia – atual Turquia – na Ásia Menor até o sul da Itália. Na época, a cidade de origem podia aparecer como
sobrenome. Os primeiros pré-socráticos pertencem à colônia grega de Mileto, no litoral da Ásia Menor. Por
isso, a identificação: Tales de Mileto, Anaxímenes de Mileto. Pitágoras nasceu na ilha de Samos, portanto, Pi-
tágoras de Samos. O pré-socrático Zenão (495 a.C. - 430 a.C.) viveu em Eleia, colônia grega no sul da Magna
Grécia – atual Itália – e é identificado como Zenão de Eleia. A identificação permite não confundir esse pré-
-socrático com outro grande filósofo de mesmo nome, Zenão de Cítio (Ilha de Chipre), que viveu entre os anos
336 a.C. e 264 a.C. e fundou o estoicismo, uma grande corrente filosófica do período helenístico.
Geografia da Grécia Antiga
14° 18° 22° 26° Apolônia 30°

Abdera
Stagira Cizico Nicea
Tarento 40°
Eleia Lampsaco
ASIA
MENOR
Ereso
Crotona Pérgamo

GRÉCIA Chios Clazômenas


MAGNA Locri Tebas 38°
Colofão
GRÉCIA Megara Éfeso
Élis Corinto Atenas Samos
Agrigento Aegina Mileto
Olímpia
Siracusa Cos
Esparta Perga
Cnido
0 200km
36°
100mi

Grandes filósofos gregos – Período socrático


Sócrates Com Sócrates, o homem passa a ser alvo
(470 a.C. - 399 a.C.) da reflexão filosófica. A Filosofia sistemática,
desenvolvida por Sócrates, tem como repre-
Figura central da Fi- sentantes Platão e Aristóteles, principais nomes
losofia grega, muito em- deste período.
bora nunca tenha escrito
nada. Foi a partir de Só-
crates que as questões
humanas ganharam mais
importância que o princípio ordenador da natu-
reza. Acreditava que a felicidade vinha de se
Frases de Sócrates
levar uma boa vida e questionava, constante-
mente, sobre o que é bom e o que é ruim. • “Só sei que nada sei” – frase atribuída à
Pelo seu método de questionamento in- resposta de Sócrates ao ser apontado como ho-
tenso, até a exaustão, denominado maiêutica, mem mais sábio do mundo, pelo Oráculo de Delfos.
acreditava que se chegaria a um conceito. O • O credo de Sócrates afirmava que “Uma
fato de interrogar àqueles que diziam conhecer vida sem questionamentos não vale a pena
ser vivida” e, por acreditar nisso, rejeitou a alter-
a verdade até a conclusão de que não a conhe-
nativa de exílio como opção à morte, mantendo-
ciam realmente, e de formular outras questões -se coerente ao seu estilo de vida e de filosofar.
desafiadoras, fez com que Sócrates ganhasse • Acreditava que a sabedoria não vinha so-
muitos inimigos. Acusado de corromper a mente mente da observação, mas também da introspecção,
dos jovens, Sócrates foi condenado a tomar ci- daí seu famoso lema: “Conhece-te a ti mesmo.”
cuta, uma espécie de veneno.
Filosofia 1 - Aula 2 17 Instituto Universal Brasileiro
Platão
(428 a.C. - 347 a.C.)

Foi um dos maio-


res discípulos de Sócra-
tes. Acreditava que os Entenda melhor os conceitos:
bons líderes não nas- doxa e episteme
ciam prontos e tinham
Platão fazia a oposição entre doxa (opinião/
de receber uma educa-
crença) e episteme (conhecimento/ciência). Para
ção adequada. Como ilustrar esta oposição, Platão escreveu o Mito da
Sócrates não havia registrado seus ensina- Caverna que faz uma alegoria distinguindo dois gru-
mentos, Platão o fez por meio de diálogos pos de pessoas: os que veem apenas as sombras
em que seu mestre ocupava o papel princi- projetadas na caverna e os que conseguem ver o
pal; em cada diálogo ele abordava a nature- mundo como ele é realmente. Com esta metáfora,
za de um conhecimento. Em Apologia, um Platão estabelece a distinção entre as formas da
dos primeiros, apresentou o discurso de Só- aparência e do conhecimento no campo das ideias.
crates perante o júri ateniense que o conde- Considerando a alegoria da caverna, o que
nou. Em O banquete, abordou a natureza do parece ser a realidade sensível na opinião de quem
vê apenas as sombras (doxa), é um elemento da
amor. Em A república, expressou suas opi-
realidade mais ampla que inclui os elementos ex-
niões sobre a estrutura de uma sociedade.
ternos da caverna, como o sol e sua luz que projeta
Platão acreditava que o trabalho dos as sombras (episteme). Entretanto, aqueles que
filósofos era abrir os olhos das pessoas e conhecem apenas o mundo ilusório sensível das
ajudá-las a procurar a perfeição e que, por sombras podem não alcançar o mundo das ideias
serem sábios, seriam os melhores líderes gerais e imutáveis revelados pela luz.
para governar. Acreditava que em uma so- Esses dois conceitos indicam ainda o percur-
ciedade ideal as pessoas deveriam perma- so do conhecimento no campo das ideias que tem
necer fixas em seus papéis, assim, seria como ponto de partida a opinião parcial injustificada
impróprio um agricultor governar o Estado doxa, para se chegar à episteme, que representa
e um filósofo arar a terra. O ideal platônico o conhecimento justificado global autêntico.
Episteme dá origem à teoria do conheci-
previa que toda cidade-estado fosse gover-
mento ou epistemologia, que estuda a origem, os
nada por um cidadão dotado de rigorosa for-
métodos e a validade do conhecimento.
mação filosófica.
Sua obra é marcada pela questão do
conhecimento e associada com a atividade
política, pois dizia que a Filosofia é a filha
da cidade (polis), estando ao mesmo tem-
po à margem dela. Os diálogos platônicos,
através da argumentação e do impulso, des- Amor platônico tem
pertavam o pensamento e o conhecimento a ver com Platão?
autêntico (episteme) que ultrapassavam as Não há dúvidas de que o conceito tem ori-
aparências (doxa). gem na Grécia, com Platão, que em um de seus
Platão concebia a existência de dois diálogos escreve sobre o “amor” como expres-
mundos: o primeiro seria aquele que é são da inteligência, que transcende o interesse
apreendido por nossos sentidos e que ou percepção material e pertence ao mundo das
está em constante mutação – o mun- ideias. Neste sentido, o adjetivo “platônico” refe-
do sensível; o outro seria o mundo das re-se ao amor segundo as concepções de Platão.
ideias, imutável, independente do tempo Mas, na atualidade, a expressão “amor platônico”
e do espaço, que nos é acessível somen- é usada com sentido modificado, para definir um
sentimento que não tem expressão na vida real,
te pelo intelecto – considerado como o
mas que pertence à esfera do mundo interior.
mundo real.
Filosofia 1 - Aula 2 18 Instituto Universal Brasileiro
Aristóteles separa a ética da política e
Aristóteles
apresenta uma divergência com Platão, pois
(384 a.C. - 322 a.C.)
Aristóteles acreditava que um grupo interme-
Aristóteles, gran- diário forte deveria estar no comando, criando
de filósofo grego, foi um equilíbrio entre tirania e democracia.
aluno de Platão por
vinte anos e compar-
tilhou muitas de suas
ideias. Todavia, Aristóteles era muito mais
ligado à terra que Platão. O mundo natural
fascinava Aristóteles, que adorava observar Filosofia de consultório
plantas e insetos. Após a morte de seu mes- Antes de engolir uma pílula para acalmar os ner-
vos, olhe no espelho e pergunte-se: “Por que existo?”
tre, abriu uma escola denominada Liceu, onde
“Afinal, o que é correto?” Filosofar em plena crise pode
se estudava e criticava a filosofia de Platão. parecer coisa de louco, mas filósofos acreditam que esse
Para Aristóteles as coisas materiais eram é o primeiro passo para resolver nossos problemas e ava-
a realidade, e sua forma, parte da realidade; liar o que realmente queremos da vida. Para eles, saber
assim, o mundo real está no âmbito externo e usar ideias pensadas e repensadas por milênios pode ser
o melhor remédio para os grandes dilemas atuais – ne-
não na esfera da mente, pensamento típico do
nhum problema é novo, alguém já passou por ele. Por
grupo dos materialistas. Também acreditava isso, cada vez mais pessoas estão deixando seus divãs
que as pessoas deveriam se esforçar para se- e buscando respostas de filósofos como Aristóteles ou
rem boas e que todas as coisas vivas têm uma Platão. Autor do best-seller Mais Platão, Menos Prozac
alma que as anima, tornando-as diferentes de e do recém-lançado Pergunte a Platão, o canadense e
professor na Universidade de Nova York, Lou Marinoff,
substâncias como pedra, água ou terra. Dizia
53 anos, tornou-se o papa nesse assunto. Seu objetivo é
que as pessoas eram um organismo humano trazer de volta uma sabedoria esquecida pelo homem – e
constituído por matéria física e espiritual. da qual ele precisa. Leia trechos da entrevista de Marinoff
Descreveu as áreas básicas para a inves- à Revista Superinteressante, em Nova York.
tigação da realidade, identificando cada uma
delas, de forma que a Filosofia aristotélica com- Por que pessoas estão buscando cada
põe um sistema, ou seja, há relação e conexão vez mais a prática filosófica?
entre as várias áreas da lógica, psicologia, biolo- A orientação filosófica desapareceu da nossa
gia, ética, política, retórica, poética etc. cultura, mas certamente é necessária. As pessoas sa-
bem que está faltando Filosofia em suas vidas. O mun-
Ética é um dos conceitos gregos que se do é um lugar muito conturbado – e está cada vez mais
refere ao modo de ser, tratando do comporta- volátil, instável, complicado, perigoso e também mais
mento humano e dos valores que o orientam. próspero. Então as pessoas precisam de mais recur-
No campo da ética, Aristóteles destaca que sos para administrar o que acontece ao seu redor.
a finalidade da vida do homem é a felicidade
que pode ser alcançada por meio de um longo Você uma vez mencionou a expressão
“grande bem”. O que é isso?
aprendizado da prática da virtude.
É a forma de achar a sua excelência, o seu ta-
Leia este trecho de Ética a Nicômano,
lento. Para que você está aqui? Qual o seu propósito
principal obra de Aristóteles sobre o assunto: na vida? E o que você faz para sentir que está real-
mente vivo? Para um atleta, é executar seu esporte
… há duas espécies de excelência: a com sucesso e se sentir bem com isso. E, segundo
intelectual e a moral. Em grande parte a exce- Aristóteles, todos, sem exceção, têm talento para al-
lência intelectual deve tanto o seu nascimento guma coisa. É preciso buscar essa excelência, desen-
volvê-la e – aí sim – a pessoa poderá sentir-se satis-
quanto o seu desenvolvimento à instrução (por feita consigo mesma. Mas não vivemos sozinhos – há
isto ela requer experiência e tempo); quanto a de haver um “grande bem” para a sociedade. Então,
excelência moral, ela é o produto do hábito. é preciso saber também o que é o melhor para as fa-
mílias e sociedades, não apenas para cada indivíduo.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Os pensadores.
São Paulo: Editora Abril Cultural, 1973. Superinteressante. Julho de 2005. Texto adaptado.

Filosofia 1 - Aula 2 19 Instituto Universal Brasileiro


Lógica em Aristóteles
O incansável caminho da pesquisa levou Aristóteles a desenvolver o primeiro sistema lógico da
Filosofia ocidental: o silogismo, transformando a argumentação em ferramenta para se verificar uma
verdade. Um exemplo de silogismo seria a proposição:
1. “Se todos os homens são mortais.
2. E Sócrates é um homem.
3. Então, Sócrates é mortal.“
Assim, o raciocínio parte de, no mínimo, duas proposições que permitem uma conclusão lógica.
Aristóteles acreditava que o silogismo fosse o caminho para se chegar a um conhecimento absoluto
e dá exemplos da construção silogística em forma de hipótese, que tem muitas aplicações na Mate-
mática. O exemplo dado anteriormente pode ter uma construção silogística em forma de hipótese:
1. “Se A é B.
2. E C é A.
3. Então, C é B.”

Outras Correntes de Pensamento – Período helenístico


A Filosofia deixa de ser centrada no mundo de “filósofos de jardim”. O lema deles era:
grego, ultrapassando fronteiras a partir do domí- “Não se preocupe, seja feliz”, e a ideia de pra-
nio macedônio e, depois, pelos romanos. Neste zer estava associada às coisas simples da
período, identificamos vários grupos, ou corren- vida, como ter tempo para relaxar e pensar
tes, de pensamento, dentre eles o estoicismo, duas vezes antes de fazer algo que pudesse
o epicurismo, o ceticismo e o neoplatonismo. O trazer tristeza; até mesmo se apaixonar, pois
estoicismo e o epicurismo são duas linhas de poderia resultar em um coração partido. Para
pensamento com fundamentos morais. eles, a ideia de prazer era a ausência da dor.
Acreditavam que a existência humana era
Estoicismo – Zenão de Cítio uma junção aleatória de átomos que se sepa-
(336 a.C. - 264 a.C.) ravam após a morte, redistribuindo-se através
do cosmo.
O estoicismo foi uma das escolas da Fi-
losofia que tiveram grande influência na forma- Transição: do Período
ção da cultura primitiva cristã. Zenão, nascido helenístico à Era Cristã
em Cítio (Ilha de Chipre), foi o fundador do es-
toicismo no centro de Atenas e acreditava fazer ◄Século III (a.C.) ao século IV (d.C.)►
parte de um plano divino, tudo o que acontecia
tinha de ser assim. Para ele, uma vida boa era O período denominando “helenístico” –
uma vida virtuosa, o que significava elevar-se palavra de origem grega que significa “viver
além da paixão, ver a dor e o prazer com in- como os gregos” – refere-se ao período de
diferença e ajudar os outros. A atitude estoica 323 a.C. a 146 a.C. Neste período, o reino
apresenta uma postura de coragem e sereni- helenístico foi se integrando ao domínio de
dade diante das circunstâncias adversas. Roma, dando origem, a partir de 27 a.C., ao
Império Romano do Ocidente e do Oriente. Na
Epicurismo – Epicuro de Samos Era Cristã, há uma disputa entre o cristianismo
(341 a.C. - 270 a.C.) nascente e as tradições do helenismo, com o
objetivo de atrair pagãos através de um diálogo
Epicuro nasceu em Atenas, foi criado em entre a fé e a razão. O aprofundamento dessas
Samos e fundou sua escola em um jardim de relações marcava a transição do final do perío-
Atenas, por isso, seus alunos eram chamados do antigo para o período medieval.
Filosofia 1 - Aula 2 20 Instituto Universal Brasileiro
Filosofia Medieval
Linha do Tempo através dos séculos - Idade Média

V VI VII VIII IX X XI XII XIII XIV XV


Alta Idade Média Baixa Idade Média

Contexto e Características demonstrando vitalidade e equilíbrio nas pro-


duções artísticas.
A Filosofia me- O traço mais marcante da mentalidade me-
dieval, diferente da dieval é a religiosidade, que encontra expressão
sua antecessora, na vida social e cultural impregnando todos os
desenvolveu-se nos ambientes. A vida espiritual era o modelo da vida
mosteiros e ordens social, inspirando condutas e formas de agir.
religiosas onde a Há uma fusão entre o caráter espiritual
Igreja tinha hege- e o senso prático, um grande respeito pelos
monia, isto é, po- costumes, pela tradição, pelas experiências.
der. Todavia, também houve manifestações Trata-se de uma época marcada pelo empiris-
no mundo árabe e judeu. Compreende o perí- mo, que se traduz em prudência e obediência
odo entre o século V e o século XIV. aos preceitos religiosos.
O período inicial da Filosofia medieval
(século V ao VIII) é denominado patrística, re- Principais representantes
presentando a cultura cristã por meio do pen- da Filosofia Medieval
samento dos padres da Igreja. São represen-
tantes deste período Santo Irineu, Tertuliano, Os representantes mais significativos da
Basílio Magno, com destaque especial para Filosofia medieval sintetizam em suas reflexões
Santo Agostinho. O último período (século o pensamento da época: Santo Agostinho, maior
IX ao XV), marcado pela criação de universi- representante da patrística; e Tomás de Aquino,
dades, de debates intensos e discussões so- nome mais significativo da escolática.
bre a relação entre fé e razão, foi denominado
escolástica, com filósofos como Boaventura,
Alberto Magno, Mestre Eckart e a figura mar- Santo Agostinho
cante de Tomás de Aquino. (354 - 430)
O saber ficou separado em dois campos
de conhecimento: o campo da Teologia que Influenciado pelas
investigava questões relativas a Deus e tidas ideias de Platão, está
como superiores; e o campo da Filosofia que entre um dos últimos
abordava os outros conhecimentos, inclusive representantes da An-
sobre a natureza. Teologia, em seu sentido li- tiguidade e primeiro da
teral, é o estudo sobre Deus (do grego theos, época medieval. Ele
“Deus” + logos, “palavra” por extensão, estudo). procurou combinar a fé
cristã com a razão, além de se interessar pela
Religiosidade como traço marcante natureza do tempo, cujo início ocorreu quando
da mentalidade medieval Deus criou o mundo; logo, Deus existe antes
da criação do tempo.
Os estudos referentes à época medieval Agostinho de Hipona, como também é
revelam um conjunto de traços característicos chamado, foi um dos primeiros filósofos a tra-
que identificam a chamada mentalidade me- tar sobre a questão do tempo. Segundo suas
dieval. Particularmente nos séculos XIII e XIV, reflexões, a percepção humana capta o tempo
houve uma acentuada manifestação cultural, presente, que se chama “agora”.
Filosofia 1 - Aula 2 21 Instituto Universal Brasileiro
Santo Agostinho, pertencente à escola
patrística, foi o primeiro filósofo cristão e um
dos fundadores da Teologia. Em suas refle-
xões busca entender a Filosofia de Platão e,
em essência, cristianizá-la para que se ade- Filosofia Antiga (século VI a.C.
quasse ao dogma cristão. Sua linha de pensa- até século IV d.C.)
mento se denomina platonismo agostiniano.
Contexto
Inicia-se nas cidades-estados da Grécia e
Tomás de Aquino atinge cidades do Império Romano e Norte da África.
(1225 - 1274) A busca pela verdade, descobrindo a relação entre o
conhecimento e a realidade foi o início da Filosofia.
Tomás de Aquino Filósofos pré-socráticos
fez a síntese entre a Também denominados físicos, são aqueles
religião cristã e os en- que viveram antes de Sócrates e interrogavam sobre
sinamentos de Aristó- a natureza (physis), considerando os elementos natu-
rais: água, fogo, terra e ar. Principais representantes
teles, aproximando fé de diferentes escolas: Tales de Mileto, Pitágoras de
e razão. Para ele, fé e Samos, Parmênides de Eleia, Leucipo de Abdera etc.
razão eram dois cami-
Grandes filósofos gregos
nhos para um mesmo
fim, e seu objetivo era provar a existência de •Sócrates. Filósofo central da Filosofia grega
criou um método de questionamento intenso, a “mai-
Deus por meio da razão, ferramenta do filóso- êutica”, acreditando chegar a um conceito verdadei-
fo, e para isto elaborou cinco provas da exis- ro. Foi acusado de corromper a mente dos jovens,
tência de Deus, grande sucesso na época, que por isso, condenado à morte por envenenamento.
constam em seu livro •Platão. Discípulo de Sócrates, registrou seus
: o movimento, a causa, a contingência, a ensinamentos por meio de diálogos. Acreditava
perfeição e a ordem. numa sociedade ideal em que pessoas permanece-
riam fixas em seus papéis. Dizia que a Filosofia é a
Aquino dividiu o conhecimento em dois filha da cidade (pólis).
estágios: o sensível, simples conhecimen- •Aristóteles. Criador da escola Liceu e fasci-
to de algo, como uma pedra; e o inteligente, nado pelo mundo natural. Acreditava que as pesso-
compreensão do conceito abstrato da pedra. as eram organismo humano constituído por matéria
Dividiu a inteligência em três processos: abs- e espírito. Na política divergia de Platão.
tração, julgamento e raciocínio. Outras correntes de pensamento e Período
O trabalho de Tomás de Aquino tornou- de transição entre a Filosofia antiga e medieval
-se a Filosofia aprovada pela Igreja após a A Filosofia ultrapassa as fronteiras do mundo
sua morte, linha de pensamento denominada grego e, no período helenístico, surgem outras corren-
tes de pensamento (como estoicismo, epicurismo).
tomismo ou aristotelismo tomista. Um pen-
sador que tentou explicar as doutrinas cristãs Filosofia Medieval (século V até século XV)
à luz da antiga Filosofia grega e pertenceu à Contexto e características
escolástica, cujas ideias dominaram a Filoso- Desenvolveu-se nos mosteiros onde a igreja
fia por centenas de anos. detinha o poder. A religiosidade foi um traço marcante
desta época, e a Filosofia busca harmonizar fé e razão.
Importância da Filosofia Antiga e Medieval Principais representantes da Filosofia Medieval
•Santo Agostinho. Primeiro filósofo cristão com-
A caracterização dos períodos históricos binou a fé cristã com a razão. Procurou entender a Filo-
permite compreender o processo evolutivo do sofia de Platão adequando-a ao dogma cristão. Repre-
pensamento filosófico. Podemos afirmar que sentante da escola patrística.
os períodos relativos à Filosofia antiga e à Fi- •Tomás de Aquino. Fez a síntese entre a religião
losofia medieval concentram conceitos essen- cristã e os ensinamentos de Aristóteles. Dividiu o co-
ciais tanto para o campo filosófico como para nhecimento em três processos: abstração, julgamento e
as disciplinas da ciência. raciocínio. Representante da escolástica.

Filosofia 1 - Aula 2 22 Instituto Universal Brasileiro


( ) Aqueles que conhecem apenas o
mundo ilusório sensível das sombras podem
não alcançar o mundo das ideias gerais e imu-
táveis revelados pela luz.
( ) É possível atingir as ideias imutáveis
1. A Filosofia antiga (século VI a.C. até ao se superar as percepções aparentes cap-
século d.C.): tadas pelos sentidos.
I – compreende os períodos pré-socráti-
co, socrático e helenista. a) ( ) V V
II – caracteriza-se por buscar explica- b) ( ) F F
ções científicas para a realidade. c) ( ) F V
III – de início, fica mais restrita ao mun- d) ( ) V F
do grego; posteriormente, se expande por
toda região. 5. As alternativas abaixo trazem informa-
ções corretas sobre o filósofo Aristóteles, exceto:
a) ( ) Apenas as afirmativas II e III estão
corretas. a) ( ) A filosofia aristotélica compõe um
b) ( ) Apenas as afirmativas I e II estão sistema, com conexões entre as áreas de es-
corretas. tudo.
c) ( ) Todas as afirmativas estão corretas. b) ( ) Aristóteles destaca que a finali-
d) ( ) Todas as afirmativas estão incorretas. dade da vida do homem é conquistar a feli-
cidade.
2. Leia com atenção e assinale a alterna- c) ( ) Aristóteles não apresenta crítica ou
tiva que sintetiza as características do pensa- divergência em relação a seu mestre Platão.
mento dos filósofos pré-socráticos. d) ( ) Segundo Aristóteles, há duas es-
pécies de excelência: a intelectual e a moral.
a) ( ) Preocupavam-se em descobrir o
que é a realidade, buscando explicações cien- 6. Sobre a Filosofia medieval, pode-se
tíficas . afirmar que:
b) ( ) O principal objeto de investigação I – De maneira geral divide-se em patrística
dos pré-socráticos era o cosmo. (século V ao VIII) e escolástica (século IX ao XV).
c) ( ) Água, terra, fogo e ar foram consi- II – Os filósofos medievais não apresen-
deradas substância primordial ou physis. tam nenhuma ligação com filósofos gregos.
d) ( ) Todas as alternativas estão corre-
tas e se completam. a) ( ) I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a afirmativa I está correta.
3. “Só sei que nada sei.” Esta frase é atri- c) ( ) Somente a afirmativa II está correta.
buída ao filósofo grego ao ser apontado como d) ( ) I e II estão incorretas
o homem mais sábio do mundo, pelo Oráculo
de Delfos. Trata-se de: 7. Mesmo se a tradição agostiniana tenha
sido marcada pelo platonismo, e a tomista, pelo
a) ( ) Sócrates. aristotelismo, ambos mantêm um traço comum:
b) ( ) Platão. a) ( ) o conhecimento apreendido pela
c) ( ) Aristóteles. experiência ou pelos sentidos.
d) ( ) Nicômaco. b) ( ) a inteligência como única saída
para as questões da razão.
4. Considerando o Mito da Caverna, ale- c) ( ) o tempo e sua criação como expli-
goria criada por Platão, identifique as afirma- cação para as questões de fé.
tivas como Verdadeiras (V) ou Falsas (F) e d) ( ) a busca pela harmonização entre
assinale a alternativa correta. fé e razão.
Filosofia 1 - Aula 2 23 Instituto Universal Brasileiro
mais sábio de sua época, por sua consciência do
não saber expressa na frase em questão.

4. a) ( x ) V V
Comentário. As duas afirmativas são
1. c) ( x ) Todas as afirmativas estão verdadeiras. O Mito da Caverna é uma alegoria
corretas. em que Platão simboliza a visão distorcida da
Comentário. A Filosofia antiga compre- realidade aparente e mutável do mundo sensí-
ende um longo período de tempo que tem início vel que só pode ser depurada quando se sai da
na Grécia, século VI a.C. – período pré-socrático; caverna e se observa o mundo das ideias ge-
avança no século V a.C. – período socrático; e se rais e imutáveis revelado pela luz. Aqueles que
expande com a cultura grega pelas fronteiras da Eu- não conhecem outra realidade que aquela per-
ropa, da Ásia Menor e norte da África. Pela grande cebida pelos sentidos, no interior da caverna,
dimensão temporal, são identificados muitos grupos não podem alcançar o mundo das ideias justifi-
com diferentes correntes de pensamento. O perío- cadas pelo conhecimento geral e imutável.
do helenístico caracteriza a transição entre a Filoso-
fia antiga e a medieval – entre os séculos III a.C. e 5. c) ( x ) Aristóteles não apresenta crítica
IV d.C. Neste período, os gregos valorizavam as ou divergência em relação a seu mestre Platão.
descobertas científicas como explicação para os fe- Comentário. Exceto a alternativa c, todas
nômenos naturais e as questões humanas. as outras alternativas se referem a Aristóteles e
estão corretas. O grande filósofo grego foi aluno
2. d) ( x ) Todas as alternativas estão de Platão e compartilhou muitas de suas ideias.
corretas e se completam. Ao longo do tempo, continua a estudar e passa
Comentário. Os filósofos pré-socráticos, as- a fazer críticas às ideias do mestre. Aristóteles
sim chamados por vir cronologicamente antes de separa a ética da política e apresenta divergên-
Sócrates, ousavam buscar explicações científicas cias com o ideal platônico que previa que toda
para a realidade, e como se interrogavam sobre a cidade-estado fosse governada por um único
natureza – physis, em grego –, são também cha- cidadão. Para Aristóteles, um grupo intermedi-
mados físicos. Mesmo que a cosmologia fosse o ário forte deveria estar no comando, criando um
ponto central da investigação de diferentes escolas equilíbrio entre tirania e democracia.
filosóficas dessa época, cada uma delas foca um
aspecto particular. A Escola Jônica faz seus estu- 6. b) ( x ) Somente a afirmativa I está
dos no âmbito do visível, considerando ora um, ora correta.
outro elemento como água, ar e fogo; já a Escola Comentário. A Filosofia medieval, generi-
Pitagórica parte do invisível e usa os números para camente, pode ser dividida em duas correntes:
explicar o cosmo; a Escola Eleata imaginou uma patrística e escolástica. A afirmativa II está in-
substância imutável que estaria em todos os luga- correta, pois uma das principais preocupações
res; a Escola Pluralista afirmava que a realidade só dos filósofos medievais foi desenvolver argu-
poderia ser explicada pela multiplicidade dos ele- mentações com base na razão e nas contribui-
mentos; destacando-se os atomistas, que intuíram ções dos gregos, para justificar as questões da
que a realidade era composta por átomos. fé e das verdades cristãs. Tanto que na patrís-
tica, Santo Agostinho se refere a Platão; e na
3. a) ( x ) Sócrates. escolástica, Tomás de Aquino revê Aristóteles.
Comentário. “Só sei que nada sei” é uma
das frases clássicas do filósofo, citada por Platão 7. d) ( x ) a busca pela harmonização
em Apologia de Sócrates. Neste diálogo, Sócra- entre fé e razão.
tes mesmo faz sua defesa em relação às acusa- Comentário. O ponto em comum entre
ções de corromper a juventude. Entre outros ar- estes dois filósofos é a busca pela harmoniza-
gumentos, cita a afirmação feita pelo Oráculo de ção entre fé e razão, características que mar-
Delfos sobre o fato de ser considerado o homem cam toda a trajetória da Filosofia medieval.
Filosofia 1 - Aula 2 24 Instituto Universal Brasileiro

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