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Teste 12.

º ano
outubro 2019

PROPOSTA DE CORREÇÃO
GRUPO I
EDUCAÇÃO LITERÁRIA
A
1. O sujeito poético reconhece o seu lado emotivo.
Na verdade, admite que chega a convencer-se de que é regido por emoções, por
sentimentos (“Tenho tanto sentimento / Que é frequente persuadir-me / De que sou
sentimental.”), mas acaba por afirmar que esse sentimento não é nada mais do que
pensamento que não sentiu na realidade, é uma emoção racionalizada, como comprova a
expressão ”tudo isso é pensamento”.
Concluindo, o “eu” tem consciência da construção da sua emotividade.
2. O eu lírico reconhece alguma semelhança entre si e os outros.
Assim, em todos os outros, como nele, há dualidade entre uma vida vivida e uma
vida pensada, entre o sentimento e a razão, mas que “a única vida que temos / É essa
que é dividida / Entre a verdadeira e a errada.”.
Em suma, a vida está dividida entre dois polos: a realidade e a imaginação.
3. O sujeito poético manifesta dúvida quanto à vida vivida e à vida pensada.
Efetivamente, não sabe explicar, como ninguém sabe, qual das duas vidas, a
sentida ou a pensada, é a verdadeira ou a errada. No entanto, opta, nos dois últimos
versos, por admitir que a nossa vida “É a que tem que pensar”.
Em conclusão, o sujeito parece admitir a inevitabilidade de se pensar sobre a
nossa vida.

B
4. O estado de espírito do sujeito poético é influenciado pela cidade de Lisboa.
Na verdade, ao percorrer as ruas de Lisboa, perceciona a cidade como um espaço
de aprisionamento, conotado com a escuridão e com o valor simbólico negativo da
noite: “sombras” (v.3), “gaiolas” (v.13), “morcegos” (v.15). Ao deambular, sente que o
ambiente soturno e melancólico da cidade o afeta física e psicologicamente, despertando
nele uma morbidez, “um desejo absurdo de sofrer” (v.4). Há, portanto, uma relação
causa/consequência entre o espaço exterior e o estado de alma do sujeito poético
expressa pela subordinação “Há tal soturnidade (…) que as sombras (…) despertam-
me” (vv. 2 a 4).
Em suma, os aspetos negativos da cidade interferem com e estado emocional do
sujeito.
5. Neste excerto de “O Sentimento dum Ocidental” estão presentes algumas das
características temáticas da poesia de Cesário Verde.
Na verdade, por um lado, Lisboa é-nos apresentada a partir da deambulação do
sujeito poético, que se embrenha “por boqueirões, por becos” ou erra pelo “cais”. Por
outro lado, a cidade, lugar de atração e de repulsa, que asfixia, que apresenta o binómio
oprimidos/ociosos, condiciona o desejo de libertação, no espaço e no tempo, por parte
do sujeito poético (“Felizes!” (v.10) os que partem e, por isso, “Ocorrem-me (…)
Madrid, Paris, Berlim, S. Petersburgo”).
Assim, em resultado das sensações que recebe do ambiente que o rodeia, o “eu”
dá conta de uma cidade que, simultaneamente, o incomoda, asfixia e aprisiona, mas
também o inspira.

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Teste 12.º ano
outubro 2019

6. a) 3; b) 4.
C
7. Fernando Pessoa concebe a arte poética enquanto processamento estético das
emoções.
Na verdade, cria um sistema altamente intelectualizado que o impede de atingir de
forma espontânea a felicidade. Devido à sua extrema lucidez, Pessoa é incapaz de sentir
apenas, não consegue experimentar momentos de inconsciência, como tanto deseja.
Paradoxalmente, gostaria de “Ter […] alegre inconsciência, / E a consciência disso”, daí
ser uma pessoa infeliz, experimentando a dor de pensar. O sujeito poético afirma que
“Cansa sentir quando se pensa”, pelo que sonha com momentos de espontaneidade e,
consequentemente, de felicidade.
Concluindo, condenado a ser lúcido, a sentir com a imaginação, inveja a
ingenuidade de quem não tem consciência da sua vida dura, mas, contudo, é feliz.
(118 palavras)

GRUPO II
LEITURA|GRAMÁTICA

Item
1. (D)
2. (A)
3. (B)
4. (D)
5. (B)
6. a) Complemento indireto.
7. b) Complemento do nome.
7. Oração subordinada adjetiva relativa explicativa.

Grupo III
ESCRITA
Tópicos sugeridos

 emotividade
 impulsividade
 sentimentos conscientes
 geradora de escolhas racionais (estudos de neurocientistas: António
Damásio)
 …
 racionalidade
 cálculo de riscos
 decisões prévias
 eficiência
 …