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UNIDADE 1 – Crescimento e Desenvolvimento

Ciclos de Crescimento económico

As economias não crescem de forma contínua e regular, mas sim por fases. Geralmente, a
períodos de crescimento rápido seguem-se outros de crescimento mais lento ou, até, de
decrescimento da produção e riqueza do país.

A expressão ciclo económico refere-se às flutuações (momentos ascendentes e des-


cendentes) do produto, dos preços, das taxas de juro, rendimento e emprego nacionais a longo
prazo, envolvendo uma alternância entre períodos de crescimento relativamente rápidos –
expansão e prosperidade, e períodos de relativa estagnação ou declínio – recessão ou depres-
são com consequências em termos de expansão e contratação na generalidade dos setores da
economia.

Algumas teorias procuram atribuir a explicação a causas exclusivamente externas (teorias exó-
genas) ou meramente internas (teorias endógenas) à própria economia.

 As teorias exógenas identificam ciclos externos, explicando a sua formação com base
nas flutuações de fatores exteriores ao sistema económico (guerras, revoluções, perío-
dos de eleição, preço do petróleo, inovações tecnológicas…);

 As teorias endógenas referem ciclos internos, ou seja, recorrem a mecanismos do inte-


rior do próprio sistema económico para explicar a origem destas flutuações (explica
como variações no investimento, no comércio internacional, na despesa pública e nos
impostos podem afetar o produto e o emprego…).
exemplo: Teoria do multiplicador-acelerador (ver pág 65)

Na explicação desta temática, muitos autores consideram que as economias tendem para o
equilíbrio a longo prazo, sendo, no entanto, afastadas desse equilíbrio por choques ou impul-
sos.

Estes choques podem ocorrer do lado da procura, manifestando aspetos como:

 O aumento da confiança dos consumidores e empresários;


 O aumento da procura externa;
 Alterações da política monetária ou orçamental.

Também pode assistir-se a choques do lado da oferta, causados por aspetos como:

 Fenómenos naturais que afetam a produção;


 Aumentos nos preços de matérias-primas essenciais, como o petróleo;
 Aumentos significativos de produtividade.

Perspetiva de Schumpeter & Processo de destruição criativa

Destruição criativa – O empresário reconhece uma fase onde as antigas “inovações” perdem procura,
implicando a sua substituição por outras, pelo que desvia o investimento das atividades ultrapassadas
para novos produtos. Elimina, por um lado, (postos de trabalho, empresas sem agilidade), promovendo,
por outro lado (empresas inovadoras, a orientação dos agentes económicos para as novas tecnologias e
novas preferências dos clientes, novas oportunidades de trabalho e novos negócios).

Para Schumpeter, o desenvolvimento económico está fundamentada em três fatores principais (as ino-
vações tecnológicas, o crédito bancário e o empresário inovador). (ver pág. 65)

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Schumpeter defende que as economias saem do estado de equilíbrio devido à inova-
ção num processo que se designa por destruição criativa.

- Períodos de prosperidade relacionam-se com o facto de existirem empreendedores inovado-


res que, ao criarem novos produtos, são imitados por um largo conjunto de empreendedores
não inovadores. Assim, verifica-se um intenso investimento por parte destes empresários,
observando-se um boom, em termos de produção e emprego.

- À medida que as inovações são introduzidas ou as antigas são absorvidas pelo mercado, o
consumo generaliza-se, a taxa de crescimento económico diminui e tem início um período
recessivo, com redução do investimento e a diminuição do emprego.

Para Schumpeter, um ciclo económico corresponde à vida de uma inovação. Uma inovação
pode ser um novo produto no mercado (por exemplo, os telemóveis), a descoberta de uma
nova forma de produzir (novas tecnologias) ou de comercializar os bens (por exemplo, o
comércio eletrónico), a conquista de novas fontes de matéria-prima (como a descoberta de
tecidos sintéticos) ou a alteração da estrutura de um mercado (como a abolição de um mono-
pólio – como as poderosas multinacionais).

Ciclos de Kondratieff

 É uma classificação dos ciclos económicos, de acordo com a sua duração, que identifi-
ca ciclos (ou ondas longas) – de Kondratieff – com duração de 45 a 60 anos. São os
ciclos mais amplos, que compreendem uma visão mais abrangente da realidade.

Fases do Ciclo Económico

Pico Expansão
Pico
Recessão
Pico

Baixa

Baixa

 FASE DE EXPANSÃO

Ocorre quando a economia regista taxas de crescimento do produto elevadas, verificando-


se uma tendência otimista e uma evolução favorável na generalidade das variáveis econó-
micas.

(Características típicas da fase de expansão…)

 o consumo aumenta – os consumidores, confiantes no desempenho da sua economia e


esperando aumentos salariais, aumentam as suas despesas de consumo;

 a produção aumenta – devido ao clima de confiança sentido e respondendo às solicitações


dos consumidores, as empresas aumentam a sua produção;

 o investimento aumenta – dadas as expetativas de expansão, o risco de investimento dimi-


nui e o investimento aumenta imediatamente;

 o emprego aumenta – a procura de trabalhadores aumenta;

 as ações sobem – com os lucros a aumentar, o valor das ações tende a subir.

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 a inflação pode aumentar – com o aumento de consumo e o dinamismo da atividade eco-
nómica, a inflação pode apresentar valores mais altos, se a produtividade não acompanhar os
aumentos salariais;

FASE DE PROSPERIDADE
Verifica-se quando, na fase de expansão, é atingido o valor mais elevado relativamente ao
produto, rendimento, consumo, investimento e emprego, considera-se que atingiu o pico ou
ponto máximo. Trata-se de uma situação na qual a taxa de desemprego atinge o valor mínimo,
a economia opera em plena potência e os recursos de capital e trabalho disponíveis estão a
ser utilizados na produção, conduzindo a um auge de crescimento económico.

 FASE DE RECESSÃO

É um período contínuo de declínio da taxa de crescimento do produto, do rendimento e do


emprego, perdurando de seis meses a um ano. Caracteriza-se por contrações alargadas a
muitos setores.

Podemos falar em recessão técnica quando uma economia apresenta taxas mais baixas
de crescimento económico em dois trimestres consecutivos.

(Características típicas da fase de recessão…)

 o consumo diminui – os consumidores, com receio da crise que se avizinha, cortam nas
suas despesas de consumo;

 a produção cai – não conseguindo escoar o produto, as empresas acumulam stocks, pelo
que irão diminuir a sua produção;

 o investimento cai – dadas as expetativas de crise, o risco do investimento aumenta e este


retrai-se imediatamente;

 a inflação diminui – com a redução do consumo e o abrandamento da atividade económica,


a inflação apresenta valores reduzidos, podendo transformar-se em deflação;

 as ações/lucro caem – com os lucros a diminuir, o valor das ações entra em queda.

FASE DE DEPRESSÃO

Uma economia está em depressão quando atinge o menor crescimento do produto (ponto
mínimo do ciclo económico - baixa), consistindo num prolongamento de um período de crise,
traduzindo-se na falência de inúmeras empresas, crescimento acentuado do desemprego, difi-
culdades de acesso ao crédito, baixos níveis de produção e investimento, redução das transa-
ções comerciais, deflação ou hiperinflação generalizada.

Trata-se portanto de uma fase mais severa do que a recessão e, em regra, considera-se como
elementos para a sua redução drástica – cerca de 10% - do PIB ou uma recessão que se
estende por três ou quatro anos.

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AS PRINCIPAIS CRISES ECONÓMICAS

Períodos Causas
Pré-Industrial Superprodução (fatores naturais/políticos)
Séc. XIX Superprodução
Séc. XX (década de 30) Superprodução
Séc. XX (década de 70) Inflação e Desemprego
Séc. XXI (anos 2008-2009) Financeira

Relação Crise de 1929 e alteração do papel do estado

Após a crise de 1929, o Estado alterou o seu papel liberal, passando a adotar medidas inter-
vencionistas necessárias para o desenvolvimento económico e social, atendendo ao pedido da
população, que esperava uma intervenção que lhes garantisse condições mínimas de susten-
tabilidade.

Bolha especulativa – forma-se quando o nível dos preços de troca num mercado (mercado de ativos
financeiros, mercado de câmbios, mercado imobiliário, mercado de matérias-primas, etc.) se estabelece
muito acima do valor financeiro intrínseco (ou fundamental) dos bens ou ativos permutados. Neste tipo de
situação, os preços afastam-se da valorização económica habitual, com base numa crença manifestada
pelos compradores. Nestas situações, a progressão do mercado é sustentada unicamente pela entrada
de novos participantes.

Desigualdades atuais de desenvolvimento

Observamos que em todos os países do mundo há um acréscimo da prosperidade de alguns


(que vivem numa situação de bem-estar, conforto e excesso), acompanhado, lamentavelmente,
por um aumento da pobreza extrema de outros (que vivem numa situação de carência extrema
e falta de condições).

Pobreza absoluta e pobreza relativa

Por limiar de pobreza entende-se a despesa mínima necessária à manutenção da mera saúde
física, referindo-se a aspetos como a alimentação, habitação, vestuário, luz, combustíveis,
entre outros.

Pobreza absoluta

A pobreza absoluta é uma conceção normativa que se encontra associada à incapacidade de


satisfazer um conjunto de necessidades básicas, ou seja, encontra-se totalmente associada ao
conceito de subsistência.

Assim, numa situação de pobreza absoluta verifica-se a incapacidade de compra de bens de 1ª


necessidade (alimentação, vestuário e habitação), observando-se a manutenção da sobrevi-
vência ao mais baixo nível, ou secundária se o rendimento do indivíduo é suficiente mas a sua
má administração acaba por impedir que estas necessidades sejam satisfeitas.

É vítima de pobreza absoluta qualquer indivíduo que se encontre abaixo deste limiar universal.

Pobreza relativa

A pobreza relativa é uma conceção que defende que uma família ou indivíduo é considerado
pobre quando não possui recursos suficientes para sustentar um nível de vida que é generali-
zado e aceite na sociedade em que se insere, referindo-se a aspetos de estatuto e exclusão
social.

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Assim, segundo esta abordagem, existe pobreza quando um indivíduo ou família, apesar de
possuir o mínimo necessário para subsistir, não consegue viver de acordo com o meio social
em que se insere nem manter um estatuto social comparável com os restantes elementos da
mesma sociedade.

Exemplo 1 – situação de pobreza absoluta. Exemplo 2 – situação de pobreza relativa.

Diferentes níveis de desenvolvimento

Globalização e desigualdade

A globalização é um conceito lato, podendo dividir-se em:

 Globalização das empresas – diz respeito à abertura de filiais ou instalações de seg-


mentos de produção noutros países, bem como a cedência de marcas por franchising;

 Globalização das trocas – abrange a livre circulação de bens, serviços, pessoas e


capitais por um vasto número de países;

 Globalização financeira – refere-se à livre circulação de capitais pelo mundo, aos


financiamentos internacionais e à compra e venda de ações de empresas cotadas nas
Bolsas de Valores mundiais.

A relação da globalização com as desigualdades não é um tema consensual, no entanto, conti-


nuam a existir grandes disparidades de níveis de desenvolvimento entre países e regiões, bem
como um desajustamento entre o crescimento económico e a melhoria significativa das condi-
ções de vida e de bem-estar da população.

Ao longo do globo e mesmo dentro de um país são observáveis bolsas onde se concentram
pessoas riquíssimas e outras de precariedade, e carência - “bolsas de pobreza”.

As vantagens da globalização centram-se essencialmente ao nível dos países mais desenvol-


vidos (com tecnologias mais avançadas ou bases que permitam a sua internacionalização).

Características dos países em desenvolvimento

Revisão: Países em Desenvolvimento (PED)

- Reduzido nível de industrialização;


- Grande parte da população dedica-se a atividades do setor primário;
- Nível de rendimento médio muito baixo;
- Falta de cuidados de saúde e educação de baixa qualidade.

Os países emergentes são aqueles que apresentam um rápido processo de crescimento eco-
nómico e industrialização, enquadrando-se nos países em desenvolvimento porque se encon-
tram num processo de transição que não lhes permite ainda serem considerados desenvolvi-
dos.

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Algumas características que justificam as limitações do desenvolvimento vividas pelos países
subdesenvolvidos apresentam raízes históricas, concretamente:

1. A explosão demográfica

Contrariamente ao que se verifica nos países desenvolvidos, onde a população estabiliza ou


regride, nos países em desenvolvimento registam-se elevadas taxas de crescimento popula-
cional. As elevadas taxas de natalidade devem-se à falta de informação e de planeamento
familiar adequado, bem como a motivos culturais, visto que nestes países um elevado número
de filhos ainda é sinónimo de força de trabalho.
Elevada Diminuição da taxa de
Explosão Insuficiência
taxa de mortalidade por
demográfica de recursos
natalidade intervenção de ONG's
O facto de o ritmo de produção não acompanhar este crescimento torna-se um problema.

2. A escassez de capital

A falta de capital impede, desde logo, a realização de infraestruturas básicas (vias de comuni-
cação, saneamento, hospitais, escolas, etc…). Estas deficiências implicam uma fraca capaci-
dade produtiva e falta de investimentos à produção (as empresas tendem, desde logo a não se
fixar nestas regiões), necessários para gerar emprego e aumentar a riqueza.

Além disto, nestas regiões a desigualdade na repartição dos rendimentos é muito significativa,
visto que a maioria das populações não ganha o suficiente para sobreviver, enquanto uma
pequena parte é extremamente rica e opta por colocar essa riqueza no exterior.

3. A impreparação da mão de obra

Os fracos índices de alfabetização e educação, a dificuldade de acesso a meios de informação


e o reduzido número de equipamentos são fatores que implicam baixa produtividade.

Como a educação é escassa ou disfuncional as atividades estão focalizadas no setor primário


(como a exploração de recursos minerais, agricultura, pecuária, etc…); no entanto, desconhe-
cem-se técnicas modernas e adequadas ao progresso deste setor. Nos restantes setores pre-
domina uma atividade tradicional, com base em tecnologias rudimentares e pouco produtivas.

4. A estrutura económica deformada

As economias destes países apresentam várias deformações, muitas vezes causadas pelo
facto de terem sido colónias. Essas distorções têm origem, na maioria dos casos, em econo-
mias que se dirigem para a monoprodução, monoexportação e monomercado.

A monoprodução diz respeito A monoexportação refere-se à O monomercado traduz a situa-


ao desenvolvimento unilateral e exportação de um ou dois produ- ção de relações comerciais, tanto
relativamente exagerado de um tos do setor primário, cujas recei- de exportação quanto de impor-
ou dois ramos de produção per- tas são a grande fonte de divisas, tação, com um único país desen-
tencentes ao setor primário ou à o que causa grande dependência volvido, ao qual se encontram
indústria extrativa dos mercados externos. ligados por razões históricas.

Os colonizadores, ao chegarem ao país verificavam quais as suas potencialidades, em termos


de recursos naturais, levando à exploração desses recursos. Atualmente estas colónias encon-
tram-se ainda muito ligadas à extração unicamente destes recursos, conduzindo aos fenóme-
nos acima assinalados, que refletem uma elevada fragilidade das suas economias.

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5. O dualismo económico

Associado à estrutura económica deformada,


muitas vezes verifica-se a existência em simul-
tâneo, de duas realidades totalmente opostas:
por um lado uma sociedade rural tradicional;
por outro lado, uma sociedade moderna com
agricultura mecanizada, virada para as expor-
tações e geralmente explorada por grandes
empresas estrangeiras.
Figura 3 – contraste económico observável no Brasil.

Exemplo: uma determinada empresa estrangeira, na zona onde se fixa pode construir vias de
comunicação, habitações para os seus trabalhadores, clínicas de saúde, levando a que esta
zona contraste com a realidade económica do resto do país.

6. A dependência estrutural

A dependência estrutural é a incapacidade de um país, por si só, superar as lacunas que o


colocam à mercê do exterior. Essa dependência pode manifestar-se nos seguintes aspetos:

 Dependência comercial: os países em desenvolvimento continuam a exportar, essen-


cialmente, produtos agrícolas, minerais e combustíveis enquanto os países desenvolvi-
dos exportam, sobretudo, produtos manufaturados e tecnologias de elevado valor
acrescentado;

 Dependência tecnológica: dado que estes países não possuem a capacidade para
criar as suas próprias inovações tecnológicas, têm de importar estes produtos, sejam
bens de consumo ou bens de capital, assim como adquirir patentes e licenças aos paí-
ses mais desenvolvidos para conseguirem modernizar os seus aparelhos produtivos;

 Dependência política: muitos países em desenvolvimento obtiveram a sua indepen-


dência com a descolonização. No entanto, as fragilidades económicas acabaram por
causar muitos conflitos internos, provocando dependência em termos militares e políti-
cos. Existem muitos países que necessitaram de ajuda para a sua transição democráti-
ca, outros encontram-se ainda longe de dar esse passo;

 Dependência cultural: é relativamente comum que a parte mais rica estude fora do
país, em países europeus ou nos EUA, regressando mais tarde com novos hábitos e
padrões de comportamento, o que frequentemente conduz a um “efeito imitação” gene-
ralizado a toda a população. Além disto, este “efeito imitação” verificou-se também com
os hábitos, tradições e religião no caso das colónias relativamente ao país colonizador.

Classificação dos países

A classificação de países desenvolvidos e de países em desenvolvimento não é totalmente


unânime, procurando-se uma certa uniformidade pelo recurso a um conjunto de indicadores,
preferencialmente compostos, consoante os organismos ou entidades que efetuam a análise e
o tipo de informações que pretendem obter ou relacionar.

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O PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento - de 2013 recorre aos indica-
dores IDH, IDH ajustado à desigualdade, IDG e IPM, distinguindo, essencialmente, quatro
níveis de desenvolvimento: muito elevado, elevado, médio e baixo. (ver páginas 83 e 84)

Nota: O PNUD é o órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) que tem por mandato promover o
desenvolvimento e erradicar a pobreza no mundo.

Apesar de o IDH ser o indicador mais comummente utilizado nestas classificações, concreta-
mente pelo PNUD, existem outras classificações feitas por diversas organizações internacio-
nais, salientando-se:

 FMI, que procede à classificação dos países de acordo com critérios de natureza geo-
gráfica e económica, distinguindo os países avançados dos países em desenvolvimen-
to emergentes, bem como as maiores zonas monetárias;

Nota: FMI é a sigla utilizada para designar o Fundo Monetário Internacional, criado em julho de 1944
numa conferência da ONU. O objetivo dos 44 governos representados naquela conferência era criar um
quadro de cooperação económica para impedir a recorrência do ciclo vicioso de desvalorizações competi-
tivas que tinham contribuído para a Grande Depressão de 1929.

 Banco Mundial, que procede a uma classificação por grupos de rendimento e região.

Nota: O Banco Mundial é uma instituição financeira internacional que efetua empréstimos a países em
desenvolvimento. A missão do banco é alcançar o duplo objetivo de erradicar a pobreza extrema e de
construir uma prosperidade compartilhada.

Desigualdades dentro dos países desenvolvidos

Existem acentuadas desigualdades em diversos indicadores que refletem as condições de vida


das populações, mesmo ao nível dos países desenvolvidos, quer ao nível dos rendimentos per
capita, quer em termos de escolaridade e saúde, entre outros indicadores de bem-estar.
(ver páginas 85 e 86)

Desigualdades dentro dos países em desenvolvimento

Nos países em desenvolvimento, os contrastes são bastante mais preocupantes, apresentando


algumas destas nações níveis bastante baixos de desempenho em termos de saúde, educa-
ção, e habitação, o que revela condições de vida precárias e de grande vulnerabilidade à
pobreza extrema.
(ver páginas 86 a 88)

Note-se: o estudo do desenvolvimento de um país deter ter por base um conjunto amplo de indicadores,
pois há indicadores que, quando isolados, nos conduzem a erro, no que se refere ao desenvolvimento de
um determinado país.

Principais grupos de países

BRICS

Os BRICS são um exemplo concreto de que uma situação de crescimento económico, por si
só, não significa necessariamente desenvolvimento, já que a distribuição das riquezas geradas
pelo crescimento não é automática nem equilibrada.

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Trata-se de um grupo de países emergentes (com um acentuado crescimento económico) que
incluí o Brasil, a Rússia, a Índia, a China e a Africa do Sul, que partilham algumas característi-
cas semelhantes:

 estabilidade económica relativamente recente;


 situação política estável;
 mão de obra abundante e em processo de qualificação;
 níveis de produção e exportação em franco crescimento;
 boas reservas de recursos minerais;
 investimentos na construção de infraestruturas;
 PIB em crescimento;
 índices sociais em processos de melhoria;
 diminuição, embora de forma lenta, das desigualdades sociais;
 rápido acesso da população a sistemas de comunicação;
 mercado de capitais a receber grandes investimentos estrangeiros;
 investimentos de empresas estrangeiras nos diversos setores da economia.

Estima-se que, em poucos anos, este grupo de países representará um quinto da economia
mundial, caminhando no sentido de ultrapassar o G7. ( O G7 é um grupo internacional constituído
pelas sete economias mais desenvolvidas do mundo: os EUA, o Japão, a Alemanha, o Reino Unido, a
França, a Itália e o Canadá.)

Motivos que justificam os diferentes percursos dos BRICS

 A China é a única economia emergente capaz de se converter numa economia dominan-


te, embora ainda revele enormes lacunas na qualidade de vida proporcionada aos seus
cidadãos e esteja longe de atingir os níveis de desenvolvimento dos países avançados. A
destruição da sua economia socialista fez surgir uma combinação de autoritarismo políti-
co com uma condução firme da sua economia para uma economia de mercado, que
parece traduzir um único caso na História, mas com resultados eficazes.

 A Rússia viu reduzir drasticamente os seus territórios com a queda do regime comunista
e desmembramento da URSS, perdendo recursos naturais e humanos, parecendo ainda
distante de recuperar a importância estratégica e política de outros tempos (auge em
finais de 1970), apesar de continuar com um enorme arsenal nuclear e poderio militar.

 O Brasil possui uma vantagem demográfica, isto é, apresenta a melhor relação possível
entre a população ativa e as variáveis económicas, no entanto, ainda tem graves lacunas
ao nível da qualificação técnica e educacional da sua população e dificuldades em estabi-
lizar alguns aspetos económicos, como a inflação e o câmbio.

 A Índia pode vir a dominar os serviços eletrónicos, possuindo grandes potencialidades a


este nível. Contudo ainda apresenta uma economia excessivamente planeada pelo Esta-
do, medidas protecionistas e milhões de camponeses continuam ligados a sistemas rudi-
mentares.

 A África do sul viveu o apartheid durante mais de 40 anos, sofrendo, por isso, um gran-
de isolamento internacional. A queda deste regime foi permitindo a sua reconstrução. A
maioria dos seus investimentos tem origem asiática, nomeadamente, dos restantes
BRICS que procuram, deste modo, obter vantagens para o seu próprio desenvolvimento.
Ao integrar os BRICS, passou a desempenhar um papel de “porta de entrada” para o con-
tinente onde se insere. Página | 9
NPI – Novos países industrializados

Os novos países industrializados, NPI, são um grupo ou conjunto de nações que tiveram um
enorme desenvolvimento industrial, a partir de 1950, podendo agrupar-se estes países emer-
gentes em dois subconjuntos, tendo em conta a sua localização geográfica: os que se locali-
zam na América Latina e os que se localizam na Ásia Oriental e Sudeste Asiático.

Um dos maiores responsáveis por este fenómeno foi a difusão das empresas transacionais,
que se instalaram, principalmente, em países de mão de obra abundante e barata, grande
mercado consumidor, facilidade na obtenção de matérias-primas a baixos custos e, em alguns
casos, benefícios fiscais.

Estratégia de crescimento económico dos NPI Latino-Americanos

Os NPI da América-Latina apostaram numa estratégia de crescimento económico


baseada na substituição de importações (ISI), ou seja, começaram a produzir internamente o
que de antes importavam e, mais tarde, na internacionalização do mercado. As trajetórias de
industrialização destes países tiveram uma participação decisiva do Estado.

Limitações dos NPI Latino americanos

Estas nações apresentam inúmeras limitações difíceis de contornar, no que diz respeito à con-
versão do seu crescimento económico em desenvolvimento, nomeadamente:

 uma grande dependência face ao exterior;


 situações de pobreza e exclusão social;
 persistência de violações dos direitos humanos;
 problemas ambientais causados por uma industrialização não sustentável.

Estratégia de crescimento económico dos NPI Asiáticos

Os NPI Asiáticos optaram por uma industrialização orientada para as exportações


(IOE), isto é, por um modelo em que as indústrias estabelecidas nesses países adotaram estra-
tégias voltadas para a exportação dos seus produtos.

Limitações dos NPI Asiáticos

Os principais fatores enfrentados pelos NPI asiáticos, que podem constituir fatores de limitação
ao seu desenvolvimento, são:

 regimes políticos autoritários que violam os direitos humanos;


 condições de trabalho duras, e débeis sistemas de segurança social;
 assimetrias entre os mais ricos e os mais pobres cada vez mais acentuadas;
 problemas ambientais decorrentes da elevada industrialização e urbanização;
 perda de competitividade, devido a reivindicações dos trabalhadores, que conduziram a
aumentos salariais.

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CEI – Comunidade dos Estados Independentes

A comunidade dos Estados Independentes é uma organi-


zação governamental composta pelas antigas repúblicas da
União Soviética.

Os principais objetivos que foram acompanhando esta organização de países podem ser inu-
merados da seguinte forma:

 estabelecer diálogos nas áreas económica, política e militar entre os estados-membro;


 possibilitar a cooperação entre os países-membros, principalmente em termos de
democratização e prevenção do crime;
 definição de uma política externa e de defesa comum.

Na altura da sua criação, um dos principais objetivos desta comunidade era manter os laços e
as relações de cooperação entre os novos países formados a partir do desmembramento da
URSS, porém manteve sempre uma forte influência do bloco mais poderoso, a Rússia.

É de notar que na fase das antigas repúblicas socialistas da União Soviética verificou-se a pri-
vação de algumas liberdades fundamentais, pelo que após o fim da URSS, de modo a resolver
algumas divergências, estes organizaram-se em estados independentes, formando a CEI.

Quando surgiu, a CEI não era um bloco económico, pois não havia acordos nem políticos nem
comerciais entre os Estados-membros. Além de não existir integração económica, não se defi-
nia legislação comercial comum, nem mesmo ao nível de reduções ou isenções de tarifas
alfandegárias. No entanto, os seus objetivos foram evoluindo e alguns esforços têm sido
empreendidos no sentido de conseguir um acordo estável, aceite e cumprido por todos, no
âmbito do comércio livre.

OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico

A OCDE atua ao nível da promoção de políticas para um crescimento económico sustentável,


apoio ao comércio mundial e à expansão económica sólida dos seus estados-membros ao
nível da coesão social na promoção do acesso à educação e à saúde e, por fim, desenvolve
um trabalho conjunto com os vários governos para partilhar informações e experiências e
desenvolver programas de cooperação e controlar a sua implementação.

ONU – Organização das Nações Unidas

A ONU é uma organização internacional cujos objetivos são: facilitar a cooperação em matéria
de direito internacional, segurança internacional, desenvolvimento económico, progresso
social, direitos humanos, e contribuir para a realização da paz mundial.

Esta organização é composta por diversos órgãos, entre os quais:

 a Assembleia Geral, a quem compete adotar resoluções que, não sendo vinculativas,
servem apenas como recomendação;

 o Secretariado, dirigido por um secretário-geral, eleito pela Assembleia Geral, por perío-
dos de cinco anos, que representa a organização junto dos estados-membros e com
poder executivo na aplicação das resoluções adotadas;

 o Tribunal Internacional de Justiça, órgão judicial que resolve as questões de caráter jurí-
dico colocadas pelos membros.

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A ação da ONU desenvolve-se em três domínios essenciais:

- Na manutenção da paz e segurança internacionais;


- No desenvolvimento económico e social;
- Na proteção dos direitos humanos, o que inclui um apoio aos refugiados;

As metas propostas em 2000 por esta organização (na Declaração do Milénio), para alcançar
até 2015 foram os seguintes:

 erradicar a pobreza extrema e a fome;


 alcançar a educação primária universal;
 promover a igualdade de género e capacitar as mulheres;
 reduzir a mortalidade infantil;
 melhorar a saúde materna;
 combater doenças como o VIH/SIDA, a malária, entre outras;
 assegurar a sustentabilidade ambiental;
 desenvolver uma parceria global rumo ao desenvolvimento.

Observando as páginas 100 a 110 é possível verificar que os indicadores recolhidos e analisa-
dos pela ONU revelam melhorias consideráveis, mas muito trabalho se encontra ainda por
fazer, sendo necessário um esforço de todas as nações e uma intensa cooperação com os
países mais desfavorecidos.

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