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ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO DIANTE DA HIPERTENSÃO NA GESTAÇÃO ¹

Elisangela Surlo ²
Janaina Bernabé ²
3
Ivan Paulino
RESUMO

Há várias concepções literárias que definem Saúde da Mulher abordando os


aspectos biológicos e anatomia do corpo feminino, tendo a função reprodutiva e
maternidade, como principal atributo. A gestação é caracterizada por alterações
fisiológicas, físicas e emocionais, vivenciada de forma distinta por cada mulher,
decorrentes de fatores hormonais e mecânicos, e devem ser considerados normais
durante o estado gravídico. Na gestação, à hipertensão arterial é definida como o
aumento da pressão sistólica (PS) ≥ 140 mmHg e da pressão diastólica (PD) ≥ 90
mmHg. Mulheres hipertensas que engravidam têm maior risco de desenvolver pré-
eclâmpsia/eclâmpsia. Neste contexto assistencial a saúde da mulher, a assistência
ao pré-natal precisa ser acompanhada sistematicamente, mediante a utilização dos
conhecimentos técnico-científicos existentes e dos meios e recursos disponíveis. O
artigo analisa a atuação do enfermeiro diante da hipertensão na gestação, tendo
como objetivos específicos: a definição de gestação, a caracterização do pré-natal e
do apoio a gestante, com a especificação dos fatores de risco reprodutivo, a
qualificação da hipertensão arterial, a categorização das síndromes hipertensivas da
gestação, focalizando a terapia anti-hipertensiva e descrevendo a assistência de
enfermagem a gestante hipertensa. Trata-se de uma pesquisa com o tema Saúde da
Mulher, por referências bibliográficas, exploratória, explicativa com abordagem
qualitativa, com coleta de dados secundários, direcionado a profissionais que atuam
com o programa de Hipertensão na Gestação. Concluímos que à assistência as
gestantes hipertensas requerem muita atenção e conhecimento sobre a patologia
instalada, enfermeiro é o desencadeador de cuidados na primeira assistência,
ouvindo-as de forma individualmente e esclarecendo suas dúvidas e medos a cerca
da gestação, passando-a juntamente com a equipe multidisciplinar prestar a
assistência ao pré-natal de alto risco com honestidade, respeito, ética e
humanização no ato de cuidar, a fim de promover o equilíbrio e bem estar tanto
materno e fetal, reduzindo o risco de morbimortalidade materna e fetal.

PALAVRAS-CHAVES: Assistência. Gestação. Hipertensão Arterial.

ABSTRACT

There are several literary concepts that define Women's Health addressing the
biological and female body anatomy, and reproductive function and motherhood, as
the primary attribute. Pregnancy is characterized by physiological, physical and
emotional changes experienced differently by every woman, due to hormonal and
mechanical factors, and should be considered normal during pregnancy status.

___
¹ Artigo Científico Original. Trabalho de Conclusão de Curso.
² Acadêmicas do 10º Período do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade Capixaba de Nova Venécia - MULTIVIX
– Nova Venécia.
³ Mestre em Enfermagem e Professor Orientador da Faculdade MULTIVIX – Nova Venécia.
During pregnancy, the blood pressure is defined as the increase in systolic blood
pressure (SBP) ≥ 140 mmHg and diastolic blood pressure (DBP) ≥ 90 mmHg.
Hypertensive women who become pregnant are at increased risk of developing pre-
eclampsia / eclampsia.In this context assistance to women's health, assistance to
prenatal needs to be accompanied systematically by using existing technical and
scientific knowledge and the means and resources available. The article analyzes the
work of nurses in front of hypertension in pregnancy, with the following objectives:
the definition of pregnancy, the characterization of prenatal care and support for
pregnant women, with the specification of reproductive risk factors, classification of
hypertension, the categorization of hypertensive disorders of pregnancy, focusing on
anti-hypertensive therapy and describing the nursing care of hypertensive pregnant.
This is a survey of the Health theme of Women, by references, exploratory and
explanatory qualitative approach, with secondary data collection, aimed at
professionals who work with the program Hypertension in Pregnancy. We conclude
that the assistance to hypertensive pregnant women require a lot of attention and
knowledge of the installed condition , the nurse is the trigger of care in first aid ,
hearing so individually and clarifying their doubts and fears about pregnancy ,
passing it along with multidisciplinary team provide assistance to prenatal high risk
with honesty, respect, ethics and humanization in caring , in order to promote
balance and well- being of both mother and fetus , reducing the risk of maternal and
fetal morbidity and mortality.

KEYWORDS: Assistance. Gestation. Arterial hypertension.

1 INTRODUÇÃO

Há várias concepções literárias que definem Saúde da Mulher abordando os


aspectos biológicos e anatomia do corpo feminino tendo a função reprodutiva e
maternidade como principal atributo.

Em 1984, o Ministério da Saúde elaborou o Programa de Assistência Integral a


Saúde da Mulher (PAISM)

O novo programa incluía ações educativas, preventiva, de diagnóstico,


tratamento e recuperação, englobando a assistência á mulher em clínica
ginecológica, no pré-natal, parto e puerpério, no climatério, ao planejamento
familiar, DST, câncer de colo de útero e de mama, além de outras
necessidades identificadas a partir do perfil populacional das mulheres
(BRASIL, 1984).

A gestação é caracterizada por alterações fisiológicas, físicas e emocionais,


vivenciada de forma distinta por cada mulher, decorrentes de fatores hormonais e
mecânicos, e devem ser considerados normais durante o estado gravídico.
Na gestação, à hipertensão arterial é definida como o aumento da pressão sistólica
(PS) ≥ 140 mmHg e da pressão diastólica (PD) ≥ 90 mmHg. Mulheres hipertensas
que engravidam têm maior risco de desenvolver pré-eclâmpsia/eclâmpsia.

Neste contexto assistencial a saúde da mulher, a assistência ao pré-natal precisa


ser acompanhada sistematicamente, mediante a utilização dos conhecimentos
técnico-científicos existentes e dos meios e recursos disponíveis.

O trabalho tem como proposta apresentar a atuação do enfermeiro diante a


hipertensão na gestação, abordando o papel do enfermeiro e a importância deste
profissional frente aos cuidados à gestante.

A justificativa para realização desta pesquisa foi pautada na necessidade de


promover uma assistência integral a Saúde da Mulher, voltada para minimizar os
riscos as gestantes hipertensas, mostrando a importância do acompanhamento das
atividades do controle pré-natal realizados por profissionais da saúde atentos a
todas as etapas de anamnese, exame físico, orientando sobre as mudanças de
hábitos a gestante, a fim de garantir uma gestação segura e de qualidade.

O presente trabalho delimita-se em abordar a atuação do enfermeiro diante a


hipertensão na gestação, visando proporcionar uma assistência segura, diminuído
os riscos à gestação, com ênfase na qualidade do serviço de enfermagem.

O artigo analisa a atuação do enfermeiro diante da hipertensão na gestação e define


gestação; disserta sobre a atenção ao pré-natal/apoio a gestante; especifica os
fatores de risco reprodutivo; qualifica hipertensão arterial; categoriza as síndromes
hipertensivas da gestação; focaliza a terapia anti-hipertensiva; descreve a
assistência de enfermagem a gestante hipertensa.

Diante do tema Saúde da Mulher, surge a seguinte indagação: Qual a importância


da atuação do enfermeiro diante a hipertensão na gestação?

O profissional de enfermagem tem como responsabilidade identificar as situações de


risco o mais cedo possível, impedindo a evolução da doença para as formas mais
graves e alcançar a maturidade fetal.

A realização de uma anamnese minuciosa juntamente com o diagnostico de


enfermagem faz se essencial, pois é importante para promoção de um plano de
cuidados à gestante com hipertensão, tendo o objetivo de interromper o ciclo da
patologia.

Segundo Barros; Lehfeld (2007, p.81) “pesquisar é um fator natural e necessário a


todos os indivíduos”.

Trata-se de uma pesquisa com o tema Saúde da Mulher, por referências


bibliográficas, exploratória, explicativa com abordagem qualitativa, com coleta de
dados secundários, direcionado a profissionais que atuam com o programa de
Hipertensão na Gestação.
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.1 GESTAÇÃO

De acordo com MONTENEGRO; REZENDE (2012, p. 24) “principia o


desenvolvimento com a fecundação, quando o espermatozoide se funde com óvulo
para dar origem ao ovo, célula que representa o inicio do novo ser”.

Nessa nova etapa, o corpo da gestante passa por inúmeras transformações,


incluindo alterações físicas, hormonais e psicológicas.

2.2 ATENÇÃO AO PRÉ-NATAL/APOIO A GESTANTES

A atenção do pré-natal é de suma importância para orientar sobre os novos hábitos


de vida, evidenciando o cuidado com a higiene e o acompanhamento psicológico a
gestante (MONTENEGRO; REZENDE, 2012).

A assistência pré-concepcional tende a acolher durante uma consulta a mulher que


deseja engravidar, com finalidade de identificar fatores de risco ou doenças que
podem alterar a evolução normal de uma futura gestação.

Deste modo, a assistência ao pré-natal possui como alvo acolhimento da gestante


desde o início da gestação, de forma que a atenção ao pré-natal seja de forma
qualificada e humanizada.

Para dar entrada nesta assistência ao pré-natal, primeiramente deve ser


diagnosticada a gravidez, observando pelo atraso ou irregularidade menstrual,
náuseas, crescimento abdominal, devendo ser avaliado o dia da ultima
menstruação, atividade sexual e o ciclo menstrual, solicitando o teste de gravidez
(Beta-HCG), obtendo o resultado positivo, dando início ao acompanhamento da
gestante, com base em um roteiro, com finalidade de coletar dados informativos
(BRASIL, 2000).

Segundo BRASIL (2000, p.15 á 17) o roteiro de entrevista a gestante deve adotar os
seguintes passos:
 Preenchimento dos dados da ficha e cartão (idade, cor, naturalidade,
procedência, endereço atual);
 Dados socioeconômicos e culturais (grau de instrução; profissão/ocupação;
situação conjugal; número e idade de dependentes; renda familiar per capita;
pessoas da família que participam da força de trabalho; condições de moradia
(tipo, nº de cômodos, alugada/própria); condições de saneamento (água,
esgoto, coleta de lixo);
 Antecedentes familiares, especial atenção para hipertensão, diabetes,
doenças congênitas, gemelaridade, câncer de mama, hanseníase,
tuberculose e outros contatos domiciliares (anotar a doença e o grau de
parentesco);
 Antecedentes pessoais, especial atenção para hipertensão arterial,
cardiopatias, diabetes, doenças renais crônicas, anemia, transfusões de
sangue, doenças neuropsiquiátricas, virose (rubéola e herpes), alergia;
 Sexualidade (inicio da atividade sexual – idade da primeira relação;
dispareunia – dor ou desconforto durante o ato sexual; prática sexual nesta
gestação ou em gestações anteriores; número de parceiros);
 Antecedentes ginecológicos (ciclos menstruais – duração, intervalo e
regularidade; uso de métodos contraceptivos – quais, por quanto tempo e
motivo do abandono; doenças sexualmente transmissíveis – tratamentos
realizados, inclusive do parceiro; última colpocitologia oncótica – Papanicolau
ou “preventivo”, data e resultado);
 Antecedentes obstétricos (número de gestações; numero de partos; numero
de abortamentos; número de filhos vivos; idade da primeira gestação;
intervalo entre as gestações – em meses; gestação atual – data do primeiro
dia da ultima menstruação – DUM, anotar certeza ou dúvida; data provável do
parto – DPP; sinais e sintomas na gestação em curso; medicamentos usados
na gestação; a gestação foi ou não desejada; hábitos – fumo: numero de
cigarro/dia, álcool e uso de drogas ilícitas; ocupação habitual – esforço físico
intenso, exposição a agentes químicos e físicos potencialmente nocivos,
estresse).
 Gestação atual (data do primeiro dia da ultima menstruação – DUM; data
provável para parto – DPP; sinais e sintomas da gestação em curso;
medicamentos usados na gestação; se à gestação foi ou não desejada; se
apresenta hábitos como fumo (número de cigarros/dia), álcool e uso de
drogas ilícitas; ocupação atual (se faz algum esforço físico intenso, se há
exposição a agentes químicos e físicos potencialmente nocivos; estresse)).

Através das informações colhidas juntamente com o exame físico que irá ser feito, é
de estrema importância para a formulação de um histórico de enfermagem, a partir
deste, irá direcionar orientações para práticas educativas, mudanças de hábitos
alimentares e agendamento odontologia e obstétrico (BRASIL, 2000).

BRASIL (2000, pag. 17) informa que durante o exame físico da gestante, deve-se:
 Determinar o peso, e o estado nutricional da gestante;
 Medida e estatura;
 Determinação dos sinais vitais (frequência do pulso, respiração, pressão
arterial e temperatura);
 Inspeção da pele e mucosas;
 Inspeção da tireoide;
 Ausculta cardiopulmonar;
 Inspeção do abdome (observando a formação de estrias gravídicas);
 Avaliação das mamas direcionando o aleitamento materno;
 Medida da altura uterina;
 Ausculta do BCF;
 Inspeção dos genitais externos se há presença do corrimento – coloração,
odor, se chega a sujar a calcinha.

Durante a consulta de enfermagem, o enfermeiro pode solicitar exames laboratoriais


de rotina padronizados como: teste de gravidez, exame de urina rotina e urocultura
com antibiograma, hemograma, glicemia em jejum e pós dextrosol, grupo sanguíneo
e fator RH, IgM (Imunoglobulina M) e IgG (Imunoglobulina G) para toxoplasmose,
VDRL (teste de identificação de Sífilis), pesquisa de HBsAg (teste de identificação
de hepatite B), anti HIV (BRASIL, 2000).

2.3 FATORES DE RISCO REPRODUTIVO

De acordo com PAULINO (2008) para implementar as atividades de normatização


do controle do pré-natal dirigido à gestantes, é necessário dispor de um instrumento
que permita identificá-las no contexto amplo de suas vidas e mapear os riscos a que
cada uma delas esta exposta, com intenção de avaliar os fatores de riscos
reprodutivos permitindo a orientação e o encaminhamento adequado em cada
momento da gravidez.

Deste modo, BRASIL (2000) comenta sobre os fatores de risco na gravidez podendo
ser racionados em:
 Características biopsicossociais e culturais (idade menor que 15 e maior que
35 anos; ocupação: esforço físico, carga horária, rotatividade de horário,
exposição a agentes físicos, químicos e biológicos, estresse; situação
conjugal instável; renda familiar baixa; baixa escolaridade (menos de 5 anos);
condições ambientais desfavoráveis; altura menor que 1,45 m; peso menor
que 45 kg e maior que 75 kg; dependência de drogas lícitas ou ilícitas;
condições psicológicas alteradas);
 História reprodutiva anterior (morte perinatal explicada e inexplicada; recém-
nascido com crescimento retardado, pré-termo ou malformado; abortamento
habitual; esterilidade/infertilidade; intervalo interpartal menor que 2 anos ou
maior que 5 anos; nuliparidade e multiparidade; síndrome hemorrágica ou
hipertensiva; cirurgia uterina anterior);
 Doença obstétrica na gravidez atual (desvio quanto ao crescimento uterino,
número de fetos e volume de liquido amniótico; trabalho de parto prematuro e
gravidez prolongada; ganho ponderal inadequado; pré-eclâmpsia/eclâmpsia;
amniorrexe prematura; hemorragias da gestação; óbito fetal);
 Intercorrências clínicas (cardiopatias; pneumopatias; nefropatias;
endocrinopatias; hemopatias; hipertensão arterial; epilepsia; doenças
infecciosas; doenças autoimunes; ginecopatias; entre outros).

2.4 HIPERTENSÃO ARTERIAL

Para BRASIL (2001) “hipertensão arterial é, portanto, definida como uma pressão
arterial sistólica maior ou igual a 140 mmHg e uma pressão arterial diastólica maior
ou igual a 90 mmHg, em indivíduos que não estão fazendo uso de medicação anti-
hipertensiva”.

De acordo com SILVA; SILVA (2013):

A pressão ou tensão arterial depende da força de contração do


coração, da quantidade de sangue circulante e da resistência das
paredes do vaso. Ao medir a pressão arterial, consideramos que a
pressão máxima ou sistólica é o resultado da contração dos
ventrículos para ejetar o sangue nas grandes artérias, e a pressão
mínima ou diastólica é a que ocorre assim que o coração relaxa na
sua contratilidade.
Ao avaliar a pressão arterial, carecemos assegurar de que o aparelho de pressão
esteja calibrado, comentando o procedimento à gestante, com intuito de criar um elo
de confiança entre o paciente e o profissional.

De acordo com BRASIL (2005), temos que certificar de que a gestante:

 Não está com a bexiga cheia;


 Não praticou exercícios físicos;
 Não ingeriu bebidas alcoólicas, café, alimentos ou fumou até 30 minutos
antes da medida.

BRASIL (2005) destaca que para a realização da aferição da pressão arterial, a


gestante deve estar decúbito lateral esquerdo ou sentada, após um período de
repouso de no mínimo cinco minutos, apoiando o antebraço numa superfície, com a
palma da mão voltada para cima, à altura do coração. O profissional de enfermagem
desnuda o braço da gestante, localizando a artéria braquial por palpação, pôr o
manguito ao redor do braço da gestante, ajustando-o acima da dobra do cotovelo,
apalpando artéria na dobra do cotovelo e colocar a campânula do estetoscópio
sobre ela, com leve pressão no local. Solicitar à gestante que medida que ocorre o
procedimento procure não dialogar, alocar as olivas do estetoscópio nos ouvidos,
inflando o manguito, desinflando-o lentamente, proceder à leitura e anotar o
resultado na ficha e no cartão da gestante.
Não se identifica que a gestante é hipertensa apenas com a manobra de aferição de
pressão arterial. Com advento da Rede Cegonha (é uma rede de cuidados que visa
assegurar às mulheres o direito ao planejamento reprodutivo e a atenção
humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério) incluiu vários exames como a
proteinúria, sendo fundamental para o diagnóstico de hipertensão gestacional,
possibilitando o manejo precoce das gestantes, diminuindo riscos de
morbimortalidade materna e fetal.

2.5 SINDROMES HIPERTENSIVAS DA GRAVIDEZ

Para SANTOS (apud BRANDÃO et al, 2006), “as Síndromes Hipertensivas


Gestacionais (SHG) é uma doença obstétrica, exclusivamente humana,
multissistêmica, heterogênea na fisiopatologia e de etiologia desconhecida”.

Portanto SANTOS (apud WANNMACHER, 2004) “as síndromes hipertensivas


podem complicar no transcorrer da gravidez por duas formas de hipertensão:
hipertensão preexistente (hipertensão crônica) e a hipertensão induzida pela
gravidez”.

2.5.1 Hipertensão arterial crônica

MONTENEGRO; REZENDE (pág. 448, 2012) “Na gestação, a hipertensão crônica é


definida como o aumento da pressão sistólica ≥140 mmHg e da pressão diastólica ≥
90 mmHg”. BRASIL (2005, pag.92) complementa que “a hipertensão crônica se faz
presente antes da gravidez ou diagnosticada até a 20ª semana de gestação”.
Entretanto, para WANNMACHER (2004) diz que a hipertensão crônica se faz
presente:

[...] antes da gestação ou é diagnosticada até a vigésima semana em


gestantes que desconheciam valores anteriores de sua pressão
arterial, perdurando além da sexta semana pós-parto. Apresenta pior
prognóstico e mais risco de evoluir para pré-eclâmpsia.

Para MONTENEGRO; REZENDE (pág. 448, 2012) a hipertensão arterial crônica:


[...] pode ser divida em hipertensão primária (ou essencial),
hipertensão secundária. A hipertensão primária é, sem dúvida, a mais
frequente na gravidez (90%). Em 10% dos casos a hipertensão
crônica é secundária a outros distúrbios, eg., doença renal
(glomerulonefrite, nefrite intersticial, rins policísticos, estenose de
artéria renal), doenças vasculares do colágeno (lupo, esclerodermia),
distúrbios endócrinos (diabete melito com envolvimento vascular,
feocromocitoma, tireotoxicose, doença de Cushing,
hiperaldosteronismo primário) e coartação da aorta.

Durante a gravidez, a hipertensão crônica qualifica-se em baixo risco e alto risco,


MONTENEGRO; REZENDE (pág.448, 2012) afirma “são de baixo risco as
hipertensas leves sem complicação em órgão-alvo ou perdas fetais anteriores. São
de alto risco aquelas com hipertensão secundária, níveis tensionais ≥ 180/110
mmHg, história de perdas fetais e lesão em órgãos-alvo: disfunção ventricular
esquerda, retinopatia, dislipidemia, derrame cerebral).

2.5.2 Pré-eclâmpsia

Segundo PASCOAL (2002) pré-eclâmpsia definido como:

É uma doença hipertensiva peculiar à gravidez humana, que ocorre


principalmente em primigestas após a 20ª semana de gestação.
Caracteriza-se a pré-eclâmpsia com o desenvolvimento gradual da
hipertensão acompanhada de proteinúria, edema generalizado,
podendo desaparecer até 12 semanas pós-parto.

BRASIL (2012, pág. 27 a 28) descreve “a proteinúria é definida como a excreção de


0,3g de proteínas ou mais em urina de 24 horas, ou 1+ ou mais na fita em duas
ocasiões, em uma determinação de amostra única sem evidência de infecção. [...] a
pré-eclâmpsia pode ser classificada em leve ou grave, de acordo com o grau do
comprometimento”.

Segundo VASCONCELLOS et al (2002) classifica pré-eclâmpsia leve:

[...] cuja hipertensão abaixo de 160/110 mmHg, em pelo menos duas


aferições, que acontecem após a 20ª semana de gestação em
paciente que nunca apresentou manifestação hipertensiva
acompanhada de proteinúria entre 300mg e 2g em 24 horas.

VASCONCELLOS et al (2002) cita o quadro pré-eclâmpsia como grave e


observando sinais e sintomas juntamente com as alterações laboratoriais:

 Pressão arterial igual ou maior a 160/110 mmHg;


 Proteinúria igual ou maior a 2 gramas / 24 horas;
 Níveis creatinina sérica acima de 1,2 mg/dL;
 Cefaleia persistente e/ou dor epigástrica e/ ou distúrbios visuais;
 Alterações do comportamento habitual (mudança de humor);
 Anasarca;
 Sinais de anemia micro angiopática e/ou elevação das enzimas hepáticas;
 Plaquetopenia (< 100.000mm3);
 Eclâmpsia.

PASCOAL (2002) expõe a presença na pré-eclâmpsia de uma variante, que


compreende:

[...] síndrome HELLP, constitui uma emergência que, na maioria das


vezes, requer a interrupção da gravidez. Entretanto, em pacientes
apresentando apenas discreta elevação da pressão arterial, pequena
diminuição do número de plaquetas, modesta elevação das enzimas
hepáticas e nenhuma alteração da função renal.

2.5.3 Eclâmpsia

VASCONCELLOS et al (2002) caracteriza como “eclâmpsia pela presença de crise


convulsiva de características tônico-clônicas, sendo precedida pelo agravamento do
quadro hipertensivo”.

A gestante com convulsões, segundo VASCONCELLOS et al (2002):

Inicia em torno da boca com contrações faciais que evoluem para


contração rígida e generalizada de todos os músculos do corpo,
acompanhada de breve parada respiratória. Após 20 segundos,
iniciam-se movimentos tônicos e clônicos de toda musculatura com
abertura e fechamento da mandíbula, flexão e extensão dos
membros. O episódio dura 1 minuto e regride espontaneamente. A
repetição destas convulsões leva ao coma e à morte. Ao recuperar a
consciência, a paciente não tem lembrança de nada que aconteceu.

Portanto BRASIL (2012) explica que “a eclâmpsia pode ocorrer na gravidez, no parto
e no puerpério imediato”.

2.5.4 Pré-eclâmpsia associada à hipertensão crônica

BRASIL (2000, p. 92) discorre que “a mulher hipertensa com proteinúria, 20


semanas antes da gestação, com súbito aumento de duas a três vezes na
proteinúria”.

BRASIL (2012, p. 29) enuncia “[...] pode surgir trombocitopenia (plaquetas


<100.000/mm³) e ocorrer aumento nas enzimas hepáticas”.

2.5.5 Hipertensão gestacional

WANNMACHER (2004) salienta que a hipertensão gestacional:

Ocorre em cerca de 10% das gravidezes em primíparas normotensas.


Consiste em pressão arterial elevada que aparece após a vigésima
semana da gravidez e costuma desaparecer até dez dias após o
parto (hipertensão transitória). Não se acompanha de proteinúria e,
em geral, tem bom prognóstico, mas pode progredir para pré-
eclâmpsia ou eclâmpsia (uma em cada quatro gestantes com esse
tipo de hipertensão).

Porém, VASCONCELOS et al (2002) diz que a “hipertensão detectada pela primeira


vez no final da gestação, sem estar acompanhada de proteinúria, retornando aos
níveis tensionais normais após o parto”, entretanto será detectada tardiamente caso
a gestante não procure os serviços de saúde ou não ocorre busca ativa das
gestantes faltosas na atenção ao pré-natal.

2.6 TERAPIA ANTI-HIPERTENSIVA

(BRASIL, 2005) indica que “como qualquer portador de hipertensão arterial, a


gestante hipertensa deve ser direcionada para a adesão ao tratamento e
consequente controle da hipertensão”.

De acordo com BRASIL (2005):

A educação em saúde é o primeiro passo a ser dado na tentativa de


desenvolver e estimular o processo de mudanças de hábitos e
transformação no modo de viver. Porém, isso não é tarefa fácil diante
de vários fatores que influenciam o comportamento e determinam as
mudanças necessárias para o controle efetivo da doença.

As gestantes com hipertensão ou pré-eclâmpsia deve-se manter o repouso no leito


em casa ou mesmo internadas, facilitando a investigação e supervisão rigorosa das
gestações, gestações estás que geram custos financeiros extras a gestante e a
família (MURRY et al, 2005).

Menciona MURRAY (2005, p. 69) sobre a medicação anti-hipertensiva como


primeira escolha “a metildopa é a droga mais utilizada em mulheres hipertensas”, de
fato “[...] o uso de metildopa em mulheres com hipertensão moderada reduz o risco
de elas desenvolverem hipertensão grave”.

RANG et al (2007, p. 311) ressalta sobre a metildopa na gestação:

[...] para a hipertensão na gravidez em razão da falta de efeitos


adversos documentados sobre o bebê (contrariamente aos inibidores
da ECA, satarnas e antagonistas dos receptores β-adrenérgicos de
escolha, que são contraindicados durante a gravidez).

MURRAY (2005, p. 69) cita outra medicação anti-hipertensiva, o labetalol, o qual:

[...] reduzirá incidência de hipertensão grave, mas há sugestão de que


pode aumentar o risco de restrição ao crescimento intrauterino. [...]
Os betabloqueadores são anti-hipertensivos efetivos, que reduzem o
débito cardíaco, e é possível que esse efeito seja desfavorável na
gravidez, pois a perfusão adequada da circulação materna e
uteroplacentária depende da manutenção do debito cardíaco elevado
na gravidez.

MURRAY (2005, p. 70) exemplifica:


A hidralazina é o anti-hipertensivo mais usado para mulheres com
hipertensão gestacional grave e pré-eclâmpsia, seguida de labetalol e
o nifedipino. A metildopa também é usada, embora tenha a
desvantagem de um inicio de ação relativamente lenta (cerca de
quatro horas).

BRASIL (2005, p. 98) afirma que “nenhum efeito adverso de curto prazo foi descrito
quanto à exposição à metildopa, hidralazina, propranolol e labetalol, que são os
preferidos se houver indicação de betabloqueadores”.

MURRAY (2005, p. 70) contrapõe a citação acima, de modo que:

[...] todos os fármacos usados no tratamento a hipertensão na


gravidez, atravessam a placenta, e portanto podem afetar o feto
diretamente, por meio de sua ação na circulação fetal, ou
indiretamente, por seu efeito sobre a perfusão uteroplacentária. Pelo
que se sabe a respeito dos efeitos adversos diretos e indiretos sobre
o feto e o recém-nascido, a hidralazina parece ser relativamente
segura. O labetalol pode causar bradicardia fetal e neonatal grave e
prolongada, particularmente após altas doses.

Conforme Pascoal (2002) orienta a “redução excessiva da pressão arterial deve ser
evitada, para não comprometer o fluxo sanguíneo uteroplacentário e, assim,
predispor a complicações, tais como o descolamento prematuro da placenta”.

2.7 ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM A GESTANTE HIPERTENSA

O profissional de enfermagem carece ter conhecimentos sobre as síndromes


hipertensivas, impedindo a falha de sua assistência, para contribuir à avaliação da
gestação considerada de alto risco.

De acordo com PEIXOTO et al (2008) o enfermeiro deve interver a gestante:

 Estabelecer um vínculo de confiabilidade entre a gestante e o enfermeiro;


 Oferecer um atendimento de qualidade, com recursos que a referência não
ofereceu;
 Facilitar acesso aos exames, dando prioridade a essa gestante;
 Orientar as mulheres e suas famílias sobre a importância do pré-natal, da
amamentação (quando possível devido interação medicamentosa),
vacinação, preparo para o parto e puerpério;
 Realizar atividades com grupos de gestantes semanais e/ou quinzenais,
reforçando a importância da participação das mesmas; abordando assuntos,
como aleitamento materno, medicações, vacinação, alimentação (evitar
gordura e frituras, restringir uso de sal, orientar quanto à importância de uma
dieta balanceada com todos os nutrientes, vitaminas e sais minerais),
autocuidado (repouso com as pernas elevadas, uso de sapatos de saltos
baixos e confortáveis, roupas leves e folgadas, calcinhas de algodão com
sustentação para evitar outras complicações, meias elásticas indicadas para
gestante, cuidados com os seios) e esclarecimento de possíveis dúvidas que
possam surgir;
 Fornecer o cartão da gestante devidamente atualizado a cada consulta.
 Orientar a gestante quanto aos sinais e aos sintomas que possam surgir
durante a gravidez, e que providências tomar.
 Fazer acompanhamento e controle dos sinais vitais, priorizando a medição da
PA, diariamente, na UBS.
 Realizar visitas domiciliares, reforçando o vínculo estabelecido entre a
gestante e a UBS, sendo de caráter integral e abrangente sobre a gestante,
família e o contexto social;
 Periodicidade da visita domiciliar: auxiliar de enfermagem ou técnico, de 5 em
5 dias; agente comunitário de saúde (ACS), de 2 em 2 dias; enfermeiro(a), de
10 em 10 dias. Isso pode ser modificado de acordo com a demanda de cada
PSF, não devendo ser inferior ao proposto acima;
 Orientar e acompanhar quanto à dieta hipossódica e hipoprotéica;
 Sugerir repouso e encaminhar a gestante para a consulta de pré-natal de alto
risco, em casos de aumento da PA (acima 140/90 mmHg) ou edema;
 Orientar quanto ao ganho exagerado de peso. A equipe deverá atentar
quanto à retenção de líquido por parte dessa gestante.
 Orientar quanto à necessidade da coleta de exame citopatológico após o
término da assistência pré-natal (42 dias após o parto).

3 CONCLUSÃO

Concluímos que à assistência as gestantes hipertensas requerem muita atenção e


conhecimento sobre a patologia instalada, enfermeiro é o desencadeador de
cuidados na primeira assistência, ouvindo-as de forma individualmente e
esclarecendo suas dúvidas e medos a cerca da gestação, passando-a juntamente
com a equipe multidisciplinar prestar a assistência ao pré-natal de alto risco com
honestidade, respeito, ética e humanização no ato de cuidar, a fim de promover o
equilíbrio e bem estar tanto materno e fetal, reduzindo o risco de morbimortalidade
materna e fetal.

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