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TEORIA GERAL DO ESTADO

Prof. Charles Duvoisin

REGIMES POLÍTICOS

Introdução – A expressão “regime político” designa o modo efetivo por que se


exerce o poder num determinado Estado.

Conceitos : “Conjunto de elementos que, de fato ou de direito, concorrem para a


tomada das decisões coletivas essenciais” (Georges Vedel, citado na Enciclopédia
Saraiva).

“Compreende os elementos que concernem ao fundamento do


poder, à escolha dos governantes, à estrutura do governo, à limitação deste”
(Maurice Duverger).

Regime político, na ciência política, é o nome que se dá ao conjunto de instituições


políticas por meio das quais um estado se organiza de maneira a exercer o seu poder
sobre a sociedade. Cabe notar que esta definição é válida mesmo que o governo seja
considerado ilegítimo.

Tais instituições políticas têm por objectivo regular a disputa pelo poder
político e o seu respectivo exercício, inclusive o relacionamento entre aqueles que detêm o
poder político (autoridade) e os demais membros da sociedade (administrados).

O regime político adoptada por um Estado não deve ser confundida com a sua
forma de Estado (Estado unitário ou federal) ou com o seu sistema de governo
(presidencialismo ou parlamentarismo, dentre outros)1.

É de se destacar que o termo “regime” se refere sempre à realidade.


Toma em consideração todas, e tão somente, as instituições que efetivamente
pesam na estruturação e no exercício do poder. Opõe-se o termo “regime”, portanto,
a “sistema”. Este inspira, ou o mais das vezes, traduz, abstratamente, um “regime”.
É, na verdade, o sistema político um conjunto de princípios como deve ser
estruturado o poder e, em consequência, exercido. Por essa razão, o “sistema” está
vinculado à ideologias.

1
http://pt.wikipedia.org/wiki/Regime_Pol

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Da “forma de governo” decorre o “sistema político” que se concretiza
na constituição formal, com a mínima adaptação às condições de um povo,
redundando no “regime político”.

Regimes Políticos Contemporâneos (Governos Monocráticos e Deliberativos)


– classificação realista segundo Georges Burdeau:

Governos monocráticos: são aqueles em que a totalidade do poder está


concentrada em um só órgão, que não reconhece nem tolera oposição e que, em
nome de uma ideologia, pretende reorganizar completamente a sociedade, mesmo
empregando a força. Dividem-se em Monocracia autoritária e monocracia
popular.

Autoritária quando o poder é exercido por um indivíduo que o conquistou por golpe
de Estado ou revolução, e popular quando a totalidade da força política reside
oficialmente, isto é, de acordo com o Direito Constitucional vigente, em um partido
único.

Governos deliberativos: são aqueles onde existe oposição, garantida pela


Constituição, e por isso todas as decisões são tomadas após deliberação e
discussão, sendo aquelas quase sempre o resultado de um entendimento entre a
maioria e a minoria. Nos governos deliberativos o Poder Legislativo é exercido ou
formado por representantes de inúmeros partidos políticos, e nas quais o objetivo é
o aperfeiçoamento gradual da organização social por meio de reformas sucessivas
e não de revolução. Estamos diante do chamado Regime Político Democrático,
que representa a grande maioria dos países, contemporaneamente. Neste grupo
enquadram-se as democracias ocidentais (EUA, Brasil, etc.). Existe o
reconhecimento da titularidade do Poder Constituinte junto ao povo, ainda que o
exercício deste direito ocorra através de mandatários. Estamos diante da
representatividade política, onde o cidadão se faz ouvir por intermédio de
representantes eleitos pelo voto direto, universal e secreto.

Regimes Pluralistas e regimes de partido único. Os primeiros configuram as


democracias ocidentais sendo os outros os regimes que só admitem um partido,
como o ex. da Alemanha, da Itália (Facismo) e o comunismo na Rússia.

DITADURA

“A ditadura não é a corrupção da monarquia, a tirania na classificação de


Aristóteles. Mais se assemelha à monarquia absoluta, da qual no entanto difere. A
ditadura não é a tirania porque esta, por definição, é um mau governo, que visa
exclusivamente o interesse do governante em prejuízo dos interesses dos

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governados; ao passo que a ditadura pode ser boa ou má, conforme procura
realizar ou não o bem geral.” (Darcy Azambuja). Como característica de governo
deve cumular as funções do legislativo e executivo, sendo a ditadura normalmente
transitória.

O próprio Montesquieu falava que é necessário que o povo perca


momentaneamente a liberdade para depois goza-la.

TOTALISTARISMO

O Estado moderno, segundo Max Weber, consiste no processo de monopólio do


uso da força física ou de sua exclusividade diante de determinados segmentos,
como o da comunicação, segurança, etc. E neste conceito, o ato de votar acaba por
delegar a outros o uso do poder, como se autorizasse inclusive o uso da violência
do Estado sobre a Sociedade. Pautando sempre que este regime de governo invoca
a participação da massa popular como um todo.

Hannah Arendt2 incrementa a concepção weberiana de Estado, difundindo o


conceito de totalitarismo menciona que não é apenas o monopólio do uso da força
(Estado x Sociedade), mas a difusão ordenada do medo generalizado e reproduzido
por instituições específicas, como a polícia ou o exército, agindo para torturar, matar
ou até mesmo exterminar em massa. E neste diapasão podemos citar Hitler e Stálin,
o primeiro pregando o anti-semitismo e o segundo perseguindo opositores de seu
pensamento político.

Mas não foi por acaso que Hitler perseguiu os Judeus, os quais foram acusados de
espoliar as riquezas do povo alemão, além de não terem qualquer vínculo afetivo
(raízes) com o Estado, levando ao raciocínio de que estavam preocupados tão
somente em defender os seus interesses particulares.

Enfim, de posse dos meios de comunicação e por intermédio da prática do terror,


difundindo o medo e a dor, acaba neutralizando a ação política dos opositores,
liberando os grupos repressores a transitarem sem impedimentos.

Os regimes totalitários têm ascendência normalmente em países que passam por


momentos políticos e econômicos delicados. Quando existe alto índice de
desemprego, inflação descontrolada, governo sem reconhecimento popular, etc. Em
ambientes como este, onde a insatisfação popular é fato, os regimes totalitários
ganham ênfase e normalmente buscam saídas populistas, como a geração de
2
ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo. Editora Companhia das Letras. São Paulo, 1989.

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empregos a qualquer custo (sem programação), fato que envolveu a Alemanha
nazista. Naquela oportunidade incentivou-se a produção industrial de armamentos,
mediante financiamentos externos, sem uma melhor organização ou planejamento
interno. Tudo visando angariar renda aos trabalhadores e com isso apoio das
minorias para à causa nazista.

Os regimes totalitários não se limitam apenas em inviabilizar o homem do campo


político, mas seguem adiante e destroem a vida privada deste, isolando-o, tornando-
o impotente diante da faceta moldada pelo Estado.

Características do totalitarismo:

I – possui uma ideologia oficial;


II - possui normalmente um partido único, controlado por uma oligarquia;
III - monopólio governamental dos meios de difusão e propaganda para as massas;
IV – monopólio governamental dos armamentos;
V – economia planejada e centralizada;
VI – sistema de terror policial.

Enfim, o totalitarismo pode ser definido como poder político concentrado e absoluto,
desde que nessa expressão se entenda que o poder submete totalmente os
indivíduos e as coisas suscetíveis de ser submetidos, fazendo uso da força e do
medo para atingir os seus objetivos. Em outras palavras: suprime toda a liberdade
das pessoas e possui todos os bens materiais.