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FUNÇÃO QUADRÁTICA NOS LIVROS DIDÁTICOS: UMA

ANÁLISE A LUZ DA TEORIA ANTROPOLÓGICA DO DIDÁTICO

Andreza dos Santos Viana


Andreza Thalia Menezes Monteiro
Thainá Castro de Brito

INTRODUÇÃO

O livro didático é um importante recurso no processo de ensino e


aprendizagem, pois ele auxilia e algumas vezes orienta o professor durante o
planejamento de sua aula e é também um instrumento acessível para a
autoaprendizagem do aluno, desse modo, identificamos e analisamos a
matemática proposta e a forma como ela é estudada nos livros didáticos.
Para Santos e Martins (2011) o livro didático é um instrumento que
dissipa conhecimento para o mundo, o que pode provocar transformações
sociais no indivíduo, “pois lhe dá uma oportunidade de acesso para o mundo
letrado e literário” (p. 14). Além disso, os autores acreditam que esse
instrumento é um “manual de instrução” para o professor, visto que ele tem a
função de ajudar na elaboração e execução das aulas do educando e não
padroniza-la. Desse modo, nossa preocupação em analisar livros didáticos
considera o fato de que esse recurso apresenta relevância tanto para aquisição
de conhecimento dos alunos quanto para orientar os professores em suas
escolhas metodológicas, além disso, representa, em muitos casos, o único
instrumento usado em sala de aula.
Quando voltamos nosso olhar para os Livros Didáticos de Matemática,
identificamos que o conteúdo de Funções, sobretudo da Função Quadrática
tem uma amplitude no ensino, bem como às diversas aplicações que o assunto
tem em diferentes situações. Nesse sentido, de acordo com os Parâmetros
Nacionais Curriculares - PCN (BRASIL, 1999) o conceito de Função
desempenha um papel importante para descrever e estudar por meio da leitura,
interpretação e construção de gráficos, o comportamento de fenômenos tanto
do cotidiano, como de outras áreas do conhecimento, como a Física, Geografia
ou Economia. Assim, é possível compreender que o estudo desse conteúdo vai
para além da área de Matemática, por isso se faz necessário que o aluno
compreenda o conceito para que possa usar esse conhecimento em.outros
contextos.

Diante do exposto, nossa intenção nesse trabalho é fazer uma análise de


três livros didáticos do ensino médio apontados pelo PNLD 2018, na
perspectiva da Teoria Antropológica do Didático (TAD), de Yves Chevallard,
para identificar as tarefas, técnicas, tecnologias e teorias de questões
resolvidos e propostos acerca do conteúdo Função Quadrática.
Nesse sentido, delineamos a questão de pesquisa a seguir: Quais tarefas
são apresentadas em livros didáticos do ensino médio acerca do conteúdo
Função Quadrática? Para responder a tal questão analisamos três livros
didáticos de Matemática do Ensino Médio, dos autores Souza e Garcia (2016),
Dante (2016) e Iezzi, Dolce, Degenszajn, Périgo e Almeida (2016).

NOÇÕES TEÓRICAS

Pesquisas Correlatas
No âmbito da Educação Matemática diversas pesquisas versam sobre o
ensino e aprendizagem de Funções, sendo assim, buscamos alguns trabalhos
a respeito do ensino desse conteúdo. Destacaremos aqui os trabalhos de Jorge
e Saviolli (2016) e Soares (2013) que desenvolveram estudos sobre as
dificuldades no ensino de Função Quadrática.
O estudo de Jorge e Savioli (2016), tinha por objetivo verificar as
dificuldades apresentadas por estudantes sobre a representação gráfica do
objeto matemático Função, precisamente, Função Quadrática. Em sua
pesquisa os autores utilizaram a análise de dados, na qual foram propostas
algumas atividades para os estudantes, buscando perceber a sua
compreensão de função. A organização para analisar as atividades foi dividida
em três etapas, a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos
resultados e a sua interpretação.
Os autores descrevem uma atividade composta de produções escritas
em que haviam questões de responder e representar graficamente. Eles
observaram que os estudantes tinham dificuldade em construir gráficos e
esboços, por meio de Funções algébricas; compreender a distribuição da reta
numérica nos eixos; noção de escala; a posição dos pontos no plano
cartesiano; a orientação da concavidade da parábola e a orientação dos eixos
do plano cartesiano. Para Jorge e Savioli (2016) o conceito de Função ainda
não havia sido compreendido e segundo eles, os alunos não tinham
habilidades em construir gráficos, sendo assim, ainda faziam confusão entre o
objeto e sua representação, o que acarretar em uma perda de compreensão e
os conhecimentos, que são adquiridos, tornando-se inutilizáveis durante o
processo de aprendizagem.
Um segundo trabalho, que se destinou a examinar essa questão, foi a
dissertação de Soares (2013), a fim de apresentar a Função Quadrática e suas
propriedades a partir de problemas que contém equações do segundo grau e
da técnica de completar quadrados. O autor procurou construir todo o assunto
e justificou cada passo e desse modo abandonou as formas decoradas, pois
prezou pelo raciocínio. Soares (2013) acredita que é importante para o
professor explorar essa prática de resolver problemas por tentativa, e que o
aluno seja independente para procurar soluções sem utilizar seu caderno,
incentivando o raciocínio lógico. Assim sendo, seu estudo oferece uma nova
estratégia metodológica para o ensino de Função Polinomial do Segundo Grau.
O norte teórico do nosso estudo foi a Teoria Antropológica do Didático,
porém, compreendemos que um levantamento de pesquisas como a de Jorge
e Savioli (2016) e a de Soares (2013), a respeito da temática levantada mostra-
se relevante ao nosso estudo. Essa verificação também nos possibilitou
identificar algumas dificuldades no ensino e aprendizagem de Função
Quadrática.

A Noção da Teoria Antropológica do Didático

A Teoria Antropológica do Didático (TAD) é um instrumento que contribui


extremamente dentro da área da Didática da Matemática, uma vez que é uma
teoria que possibilita compreender o aprendizado das pessoas em relação ao
conteúdo matemático e que segundo Almouloud (2015), a teoria estuda o
homem frente ao saber matemático, e mais especificamente, frente a situações
matemáticas.
Desse modo a Teoria Antropológica do Didático, revela-se como uma
importante via para se analisar as ações e práticas voltadas para o ensino de
matemática, visto que a teoria estuda as organizações praxeológicas didáticas
para o ensino e aprendizagem do saber matemático.
Segundo Chevallard (2001, apud PANTOJA 2017, p. 60), toda atividade
humana, entre elas a atividade matemática, é constituída de duas partes
dependentes uma da outra: a prática (do grego práxis) e o saber (do grego
logos). Dessa maneira para a execução da TAD é fundamental existir um
conjunto de atividades que resultam na praxeologia. Como mostra Pantoja
(2017):
A práxis está relacionada ao saber fazer em meio a um bloco de (tarefas e
técnicas); enquanto que o logos, refere-se ao entendimento desse saber
fazer através de outro bloco que envolve (tecnologia e teoria). Quando
juntas as palavras gregas práxis e logos, resultam na palavra praxeologia,
que é o modelo da atividade humana na TAD. (p.60).

A atividade praxeológica é organizada e simbolizada, com a realização


de uma determinada tarefa (𝑡) que sempre vem acompanhada por um verbo e
que pertence a um conjunto de tarefas do mesmo tipo (T), usou uma técnica (𝜏)
para representar a maneira como a tarefa será realizada, sendo justificada por
uma tecnologia (θ), que por sua vez, é fundada por uma teoria (Θ).

Acreditamos que a TAD é um modelo importante de análise na área da


Educação Matemática, pois possibilita analisar a organização matemática e
didática dos livros didáticos, sendo assim, utilizaremos a análise praxeológica
para examinar o livro didático.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Nesta pesquisa utilizamos uma metodologia de caráter qualitativa por


meio de uma pesquisa bibliográfica de viés documental, conforme destaca Gil
(2008), uma vez que envolve a obtenção de dados descritivos e processos
interativos pelo contato direto do pesquisador com a situação estudada. Desse
modo, procuramos em nossa pesquisa compreender os fenômenos segundo a
perspectiva da Teoria Antropológica do Didático, ou seja, análise praxeológicas
presentes nos livros didáticos (LD).
A escolha dos livros didáticos se deu mediante aos livros apontados pelo
Plano Nacional do Livro Didático- PNLD 2018 tendo como critérios de análises
as questões resolvidas e as questões propostas pelo LD. Sendo assim,
analisamos as seguintes obras:
Livro 1 (L1): #Contato Matemática, Volume 1- Ensino Médio

Fonte: Souza; Garcia (2016)

Livro 2 (L2): Matemática Contexto e Aplicações, Volume 1- Ensino Médio

Fonte: Dante (2016)

Livro 3 (L3): Matemática Ciência e Aplicações, Volume 1 – Ensino Médio

Fonte: Iezzi; Dolce; Degenszajn; Périgo; Almeida (2016)


ANÁLISE DOS RESULTADOS

Na análise realizada nos livros didáticos buscamos verificar como o


conteúdo de Função Quadrática é desenvolvido nos livros e enfatizamos como
são discorridos os exercícios propostos e os exercícios resolvidos.
Em nossas análises, identificamos os seguintes tipos de tarefas
presentes nos LD:
T1: Construir o gráfico da Função Quadrática
T2: Determinar a lei de formação da Função Quadrática
T3: Determinar o zero da função
T4: Determinar os valores de máximo e mínimo
T5: Estudar a variação do sinal da função
Percebemos que na análise disciplinar, ou seja, a análise dos
conteúdos, o L1 aborda uma situação sobre a ocupação de terrenos baldios
por meio de hortas comunitárias com canteiros retangulares e em seguida
utiliza os dados da horta para construir a Função e dessa forma, o autor define
a Função Quadrática. Em L2, o assunto de Função Quadrática é iniciado com
perguntas sobre área e perímetro de um retângulo. Por meio dessa ideia, o
autor do livro induz o aluno a pensar em valores que possam satisfazer o que
foi dado, por exemplo, ele deu o perímetro de um retângulo e pede possíveis
valores para os lados dessa figura. Identificamos em L2 uma linguagem
compreensível e que sempre incentiva o aluno a pensar, em quadros de “você
sabia?” ou “para refletir”, além de apresentar dicas para resolver algumas
questões ou relembrar algum assunto que é necessário para resolva-la. No
Livro L3, o autor desenvolve os conceitos e apresenta as propriedades e
definições contextualizando o assunto de Função Quadrática, por meio de
problemas do cotidiano, a exemplo da abordagem de uma situação em que
associa a ideia do cálculo do total de jogos que serão realizados em um
campeonato de futebol à construção de uma função quadrática. Verificamos
que L3 apresenta uma linguagem compreensível e direta, incentiva o aluno a
pensar. Possui exercícios tanto contextualizados quanto diretos, em relação às
respostas dos exercícios, ele mostra resultados prontos, mas explica os passos
para a resolução, e apresenta situações problemas com questões simples
A seguir apresentaremos o exercício resolvido no L1, conforme a figura
1.
Figura 4: Exercício Resolvido (R7) de L1

Fonte: Souza; Garcia (2016, p.117)

Esse exercício resolvido foi dado logo após a ideia de que para
determinar os zeros da Função é preciso fazer 𝑓(𝑥) = 0 e resolver a equação
do 2º grau 𝑎𝑥 2 + 𝑏𝑥 + 𝑐 = 0 e ressalta que essa equação pode ser resolvida
por meio da fórmula:
−𝑏±√∆
𝑥= , na qual ∆= 𝑏 2 − 4𝑎𝑐
2𝑎

Identificamos a partir da figura 4 a seguinte análise praxeológica:


Tarefa (𝑡): Determinar os zeros da função 𝑓(𝑥) = 𝑥 2 − 𝑥 − 12.
Técnica 1 (𝜏): Utilizar a fórmula da soma e produto
Técnica2 (𝜏): Substituir os valores de a, b e c nas respectivas fórmulas
encontrando os valores de 𝑥1 𝑒 𝑥2 .
Tecnologia (θ): Fórmula de soma e produto
Teoria (Θ): Por meio da fórmula para se resolver equações do 2º grau, se
chegou na fórmula de soma e produto para encontrar os zeros da Função
Quadrática.
Dentre as questões propostos, destacamos o exercício 20 indicado a
seguir.
Figura 5: Exercício Proposto 20 de L1

Fonte: Souza; Garcia (2016, p. 118)


No exercício proposto apresentado acima (figura 5), temos a recorrência
da tarefa solicitada, por esse motivo comentaremos e resolveremos aqui
apenas a alternativa ‘a’.
Resolução:
𝑓(𝑥) = 𝑥 2 − 7𝑥 + 10
𝑏 7
𝑥1 + 𝑥2 = − = − = 7
𝑎 1
𝑐 10
𝑥1 ∙ 𝑥2 = = = 10
𝑎 1
Neste caso, os dois números cujo a soma é 7 e o produto é 10 são 2 e 5,
ou seja, 𝑥1 = 2 𝑒 𝑥2 = 5. Sendo assim, existem os zeros da função.
Desse modo, como base na questão proposta na figura 5, identificamos
a análise praxeológica abaixo:
Tarefa (𝑡): Determinar os zeros da função 𝑓(𝑥) = 𝑥 2 − 7𝑥 + 10.
Técnica 1 (𝜏): Utilizar a fórmula da soma e produto
Técnica2 (𝜏): Substituir os valores de a, b e c nas respectivas fórmulas
encontrando os valores de 𝑥1 𝑒 𝑥2 .
Tecnologia (θ): Fórmula de soma e produto
Teoria (Θ): Por meio da fórmula para se resolver equações do 2º grau, se
chegou na fórmula de soma e produto para encontrar os zeros da Função
Quadrática.

Ainda entre as questões propostos, verificamos o exercício 24, o qual


destacamos abaixo.
Figura 6: Exercício Proposto 24 de L1

Fonte: Souza; Garcia (2016, p.118)

Na figura 6 mostramos outra questão proposta escolhida para resolver e


analisar a sua praxeológia.
Resolução:
𝑔(𝑥) = 𝑎𝑥 2 + 𝑏𝑥 + 𝑐
Como 𝑔(0) = −2 , então 𝑐 = −2, logo
𝑐 −2 1
𝑥1 𝑥2 = ⇒ (−6) ∙ 1 = ⇒𝑎=
𝑎 𝑎 3
−𝑏 𝑏 5
𝑥1 + 𝑥2 = ⇒ −6 + 1 = − ⇒ 𝑏 =
𝑎 1 3
3
1 5
Portanto, 𝑔(𝑥) = 𝑥 2 + 𝑥 − 2
3 3

Tarefa (𝑡): Determinar a lei de formação da função 𝑔(𝑥) = 𝑎𝑥 2 + 𝑏𝑥 + 𝑐


Técnica 1 (𝜏): Aplicar os valores dados na fórmula da soma e produto.
Técnica2 (𝜏): Encontrar os valores de a e b para determinar a lei de formação
da função quadrática.
Tecnologia (θ): Envolvimento da fórmula de soma e produto na lei de formação.
Teoria (Θ): Por meio da fórmula de soma e produto foi possível encontrar os
valores de a e b que substituídos geraram a lei de formação da Função
Quadrática.
Em semelhança ao L1, o L2 usa exercícios da forma determine e
encontre, para ilustrar destacamos a seguir a (figura 7).
Figura 7: Exercício Resolvido (2) do L2

Fonte: Dante (2016, p.108)


Esse exercício resolvido foi dado após mostrar que os zeros da função
quadrática correspondem a f(x) = 0 e para resolver a equação do 2º grau deve
−𝑏±√𝑏2 −4𝑎𝑐
ser utilizada a fórmula: 𝑥 = .
2𝑎

Por meio da figura 7 foi feita a seguinte análise praxeológica.

Tarefa (𝑡): Determinar os zeros da função quadrática 𝑓(𝑥) = 𝑥 2 − 12𝑥 + 35.


Técnica 1 (𝜏): Utilizar a fórmula de Bhaskara.
Técnica 2 (𝜏): Substituir os valores dos coeficientes a, b e c fórmula,
encontrando os valores de 𝑥 ′ e 𝑥 ′′ .
Tecnologia (θ): Fórmula Bhaskara.
Teoria (Θ): Mediante os conceitos de equação do 2º grau, o autor chegou à
fórmula de Bhaskara.
No que se refere às questões propostos, apresentamos o exercício 15
indicado a seguir.
Figura 8: Exercício do livro L2

Fonte: Dante (2016, p.109)


No exercício proposto apresentado acima (Figura 8), há uma repetição
da tarefa solicitada, por isso será comentada e resolvida apenas à alternativa
“c”.

Resolução: Em 𝑓(𝑥) = −𝑥 2 + 2𝑥 + 8, temos: a= −1; b = 2; c = 8

Como ∆ = b2 − 4ac, então ∆ = 22 − 4. (−1). 8. Logo, ∆ = 4 + 32 = 36


∆ = 36 → ∆ > 0 ( há 2 raízes reais e diferentes).
−𝑏 + √∆ −2 + √36 −2 + 6
𝑥′ = = = = −2
2𝑎 2. (−1) −2
−𝑏 − √∆ −2 − √36 −2 − 6
𝑥′ = = = =4
2𝑎 2. (−1) −2
Portanto, os zeros da função 𝑓(𝑥) = −𝑥 2 + 2𝑥 + 8 são -2 e 4, ou seja,
𝑓(−2) = 0 e 𝑓(4) = 0.
Em vista disso, identificamos a seguinte análise praxeológica.
Tarefa (𝑡): Determinar os zeros da função quadrática 𝑓(𝑥) = −𝑥 2 + 2𝑥 + 8.
Técnica 1 (𝜏): Utilizar a fórmula de bhaskara.
Técnica 2 (𝜏): Substituir os valores dos coeficientes a, b e c na fórmula,
encontrando os valores de 𝑥 ′ e 𝑥 ′′ .
Tecnologia (θ): Fórmula de Bhaskara.
Teoria (Θ): Uso dos conceitos de equação do segundo grau, chegamos na
fórmula de Bhaskara.
Ainda nos exercícios propostos, verificamos o exercício 21, o qual
destacamos abaixo.
Figura 9: Exercício do livro L2

Fonte: Dante (2016, p.109)


O exercício proposto acima (Figura 9) é uma situação-problema que
envolve os zeros de uma Função Quadrática.
Resolução:
Como os alunos estão dispostos de forma retangular, então a área é
dada por: B.H = 180
Admitindo o número de alunos em cada fila como a altura H do
retângulo, temos que:
H = B + 8 ou B= H – 8
Juntando as equações, fica:
𝐵. 𝐻 = 180
(𝐻 − 8). 𝐻 = 180
𝐻 2 − 8𝐻 − 180 = 0
Temos: a= 1; b = −8; c = −180
∆ = b2 − 4ac
∆ = (−8)2 − 4.1. (−180)
∆ = 64 + 720 = 784
∆ = 784 → ∆ > 0 ( há 2 raízes reais e diferentes).
−𝑏 + √∆ −(−8) + √784 8 + 28
𝑥′ = = = = 18
2𝑎 2.1 2
−𝑏 − √∆ −(−8) − √784 8 − 28
𝑥′ = = = = −10
2𝑎 2.1 2
Dessa forma, já que não pode ter número negativo de alunos, e portanto
há 18 alunos em cada fila.
Em vista da resolução apresentada, distinguimos a seguinte análise
praxeológica para a questão da figura 9.
Tarefa (𝑡): Determinar o número de alunos em cada fila por meio da função
quadrática 𝐻 2 − 8𝐻 − 180 = 𝑓(𝐻)
Técnica 1 (𝜏): Identificar a função quadrática na situação problema.
Técnica 2 (𝜏): Substituir os valores dos coeficientes a, b e c na fórmula,
encontrando os valores de 𝑥 ′ e 𝑥 ′′ .
Tecnologia (θ): Fórmula da área de um retângulo e fórmula de Bhaskara.
Teoria (Θ): Uso de conceitos de área de figuras planas e conceito de equações
do segundo grau, chegamos na fórmula da área do retângulo e fórmula de
Bhaskara.
No terceiro livro analisado, encontramos que a apresentação do assunto
dos zeros da Função é por meio da fórmula de Bhaskara, conforme identificado
no exercício (figura 10) apresentado abaixo.
Figura 10: Exercício Resolvido de L3

Fonte: Iezzi; Dolce; Degenszajn; Périgo; Almeida; (2016 p. 98)

Para apresentar o exercício resolvido, o autor mostrou a definição de


zeros de uma Função Quadrática e fez uma demonstração da fórmula:
−𝑏± √𝑏2 −4𝑎𝑐
𝑥= .
2𝑎

Identificamos por meio da (figura 10) a seguinte análise praxeológica:


Tarefa (𝑡): Determinar os zeros da função 𝑓(𝑥) = 𝑥 2 − 5𝑥 + 6.
Técnica 1 (𝜏): Utilizar a fórmula de bhaskara
Técnica 2 (𝜏): Substituir os valores de a, b e c na respectiva fórmula
encontrando os valores de 𝑥1 𝑒 𝑥2 .
Tecnologia (θ): Fórmula bhaskara
Teoria (Θ): uso dos conceitos da equação do 2º grau.
Figura 11: Exercício Proposto 4 de L3

Fonte: Iezzi et al (2016 p. 100)


No exercício proposto apresentado acima (figura 11), temos a
recorrência da tarefa solicitada, por esse motivo comentaremos e resolveremos
aqui apenas a alternativa ‘a’.
Resolução:
Da Função y=2x²−3x+1, temos que: a = 2; b = - 3; c = 1
−𝑏± √𝑏2 −4𝑎𝑐 −(−3)±√9−8 3±1 𝑥1 = 1
𝑥= = = = {𝑥 = 1
2𝑎 2.2 4 2 2
1
Assim, obtemos os zeros da função 𝑥1 = 1 𝑒 𝑥2 =
2

Desse modo, com base na questão proposta na figura 11, identificamos


a análise praxeológica abaixo:
Tarefa (𝑡): Determinar os zeros da função 𝑦 = 2𝑥 2 − 3𝑥 + 1.
Técnica 1 (𝜏): Utilizar a fórmula de bhaskara
Técnica 2 (𝜏): Substituir os valores de a, b e c na respectiva fórmula
encontrando os valores de 𝑥1 𝑒 𝑥2 .
Tecnologia (θ): Fórmula Bhaskara
Teoria (Θ): uso dos conceitos da equação do 2º grau
Em relação ao exercício proposto, verificamos o exercício 8, o qual
destacamos abaixo.
Figura 12: Exercício Proposto 8 de L3

Fonte: Iezzi et al (2016 p. 100)


O exercício proposto da (figura 12) traz uma situação-problema que
envolve os zeros de uma função. Em seguida apresentaremos a resolução
desse exercício.
Resolução:
Por intermédio da interpretação da questão retiramos os dados: AR =
621 cm2 e em relação aos lados, chamemos a medida de um dos lados de x
então vamos ter que os dois lados da figura medem respectivamente x e x + 4.
Temos que: AR = b.a, ao substituirmos os valores ficamos com 621 =
x.(x+4) e com o desenvolvimento da equação obtemos a função 𝑓(𝑥) = 𝑥 2 +
4𝑥 − 621. A partir disso, podemos substituir os valores a, b e c na fórmula de
Bhaskara:
−𝑏± √𝑏2 −4𝑎𝑐 −4 ±√16+2484 −4 ± 50 𝑥 = 23
𝑥= = = = {𝑥 1= −27
2𝑎 2.1 2 2

Então os lados do retângulo medem 23 e 27(já que não pode ter área
negativa) e o perímetro é a soma dos lados, logo, p = 50.
Desse modo, como base na questão proposta na figura 12, identificamos
a análise praxeológica abaixo:
Tarefa (𝑡): Determinar o perímetro do retângulo por meio da função 𝑓(𝑥) =
𝑥 2 + 4𝑥 − 621.
Técnica 1 (𝜏): Identificar a função quadrática na situação problema
Técnica 2 (𝜏): Substituir os valores de a, b e c na respectiva fórmula
encontrando os lados do retângulo 𝑥1 𝑒 𝑥2 .
Técnica 3 (𝜏): calcular o perímetro do retângulo
Tecnologia 1 (θ): Fórmula da área de um retângulo
Tecnologia 2 (θ): Fórmula de bhaskara
Tecnologia 3 (θ): Fórmula do perímetro
Teoria (Θ): uso dos conceitos da equação do 2º grau e dos conceitos de áreas
de figuras planas.
Nos livros analisados é possível perceber que os autores utilizam a
mesma linha de pensamento em relação aos tipos de tarefas e as técnicas
utlizadas. Desse modo, é possível inferir que o aluno pode utilizar o exercício
resolvido para resolver as questões propostas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo deste trabalho era fazer uma análise de três livros didáticos
do ensino médio apontados pelo PNLD 2018, na perspectiva da Teoria
Antropológica do Didático (TAD), foram analisadas uma questão resolvida e
duas propostas de cada livro por meio da atividade praxeológica.
A Teoria Antropológica do Didático junto com a atividade praxeológica se
mostraram eficaz para analisar os pontos positivos e negativos do LD, pois
sabemos que os mesmos contribuem para o processo de construção do
conhecimento de uma aprendizagem mais significativa, e como estes livros
sofrem várias modificações, há uma necessidade de analisá-los.
Por meio da análise concluímos que as tarefas dos livros L1, L2 e L3
apresentam similaridades de raciocínio e que levam o aluno a uma
compreensão adequada do que deve ser feito nas questões, ou seja, as
questões resolvidas auxiliam os alunos a resolverem as questões propostas,
assim sendo, podemos considerar os livros didáticos como um orientador dos
alunos.

REFERÊNCIAS

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PANTOJA, L.F.L. TRANSPOSIÇÃO DIDÁTICA INTERNA: as transformações


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SANTOS, Vanessa; MARTINS, Liziane. A Importância Do Livro Didático.
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