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Cinemática Escalar & Vetorial

AULA 6 O que é mesmo Cinemática? De maneira simplificada, pode-se dizer que é a


parte da Mecânica que estuda o movimento. A Cinemática escalar estuda as
grandezas com tratamento numérico escalar dos movimentos, em apenas uma
coordenada; a Cinemática vetorial, com tratamento vetorial dos movimentos,
mais de uma coordenada.

Diferença entre a Cinemática escalar e a Cinemática vetorial

A Cinemática escalar estuda as A Cinemática vetorial estuda as


grandezas: posição, deslocamento, veloci- mesmas grandezas, mas dando a elas um
dade média, velocidade instantânea, ace- tratamento vetorial. Nesse estudo, nossa
leração média e instantânea, dando a elas maior preocupação será com o módulo, a
um tratamento apenas numérico, escalar. direção e o sentido dessas grandezas.

Física 1 - Aula 6 57 Instituto Universal Brasileiro


Cinemática vetorial
Como vimos, existem a Cinemática no referencial escolhido e extremidade na
escalar e a Cinemática vetorial. Os princí- posição ocupada pelo ponto A.
pios da Cinemática permitem conhecer e
descrever variados tipos de movimentos e
é possível calcular, por exemplo, o tempo
gasto em viagens a partir de uma ou mais
coordenadas.
Identificamos esse vetor por ra

{
Vetor Posição
Vamos considerar num certo instan- Direção: reta que contém A e O.
te uma partida de futebol. Para identificar a ra = Sentido: de O para A.
posição dos jogadores, vamos utilizar a ban- Módulo: distância AO.
deira do escanteio como nosso referencial
(ponto O, de origem do movimento) e adotar
eixos cartesianos nas linhas laterais do cam-
po, como na figura a seguir. Deslocamento vetorial
No mesmo exemplo, considere que
o jogador A controlava a bola e, em dado
instante, passa-a para o jogador B. A bola
então sofre um deslocamento que também
pode ser representado como uma grande-
za vetorial, como um vetor com origem em
A e extremidade em B. Veja na figura a
seguir.

A ∆r • B
Jogador A Jogador B •

ra
rb


O
O

Esse vetor corresponde à diferen-


No instante levado em conta, cada jo- ça entre o vetor posição ao final do des-
gador (considerado como um ponto material) locamento (r b) e o vetor posição inicial
tem sua posição definida por um segmento (r a):
de reta com origem em O, e extremidade na
posição do jogador. Essas posições, portan-
to, podem ser representadas por uma gran- ∆r = rb - ra
deza vetorial. Assim, definimos o vetor posi-
ção de um ponto A como o vetor com origem
Física 1 - Aula 6 58 Instituto Universal Brasileiro
A aceleração tangencial at possui as se-
guintes características.

l at l = l a l (módulo da
Módulo aceleração escalar)
Observe que o vetor deslocamento in-
depende da trajetória de fato, seja ela retilínea Direção
Tangente à trajetória
ou curvilínea, depende somente da posição (a mesma de v)

final e inicial. O vetor deslocamento apenas


- Igual ao de v, quando
indica a variação do vetor posição. acelerado.
Sentido - Oposto ao de v, quando
retardado.
Velocidade vetorial média (vm)
É o quociente entre o vetor desloca-
mento d e o correspondente intervalo de tem-
v
po ∆t.

d at
Vm =
∆t
Sentidos iguais
Acelerado
Vm tem a mesma direção e o mesmo
sentido de d.

Velocidade vetorial instantânea v


A velocidade vetorial (v) de um móvel Sentidos opostos
at
num instante t tem as seguintes características: Retardado
• Módulo: igual ao módulo da velocidade
escalar no instante t.

V = V

• Direção: da reta tangente à trajetória


pelo ponto P (posição que o móvel ocupa no
instante t).
• Sentido: do movimento.
Nos movimentos uniformes, a velocida-
de não varia e, portanto, a aceleração tangen-
P V cial é nula, ou seja, at = 0. A aceleração tan-
gencial só se faz presente em movimentos
Sentido do variados (acelerado ou retardado) e inde-
movimento Trajetória pende da trajetória (retilínea ou curvilínea).

Aceleração tangencial (at) Aceleração centrípeta (acp)


É a aceleração que indica a variação É a aceleração que indica variação na
no módulo da velocidade vetorial. Existe direção da velocidade vetorial. Existe acelera-
aceleração tangencial nos movimentos va- ção centrípeta sempre que o móvel percorre
riados. trajetória curva.
Física 1 - Aula 6 59 Instituto Universal Brasileiro
A aceleração centrípeta ac possui as se- Movimento circular
guintes características: uniformemente variado
Pelo fato de a velocidade variar tanto
v em intensidade quanto em direção, esse
movimento possui aceleração tangencial e
R aceleração centrípeta, sendo a aceleração
vetorial do movimento a resultante de at e
ac ac. Ou seja:

{
a = at + ac
v2 v: velocidade escalar
Módulo ac = R: raio instantâneo
R da curva

Como at é perpendicular a ac , temos:


Direção Perpendicular a v

a = √at2 + ac2
Orientado para o centro
Sentido
da curva

Nos movimentos retilíneos, a direção


da velocidade não varia e, portanto, a acele-
at
ração centrípeta é nula. A aceleração centrí-
peta só existe em movimentos de trajetórias v
curvas e independe do tipo de movimento a
(uniforme ou variado).

ac R
Aceleração vetorial resultante
Sabemos que a velocidade (v) pode variar
em intensidade e em direção. Por esta razão, o MCUV
vetor aceleração ( Ɣ ) de um móvel num certo acelerado
instante é decomposto em duas acelerações
perpendiculares: a aceleração tangencial at,
que indica a variação da intensidade de v e a
aceleração centrípeta ac , que indica a varia- v
ção da direção de v. Desse modo, a aceleração
instantânea ( Ɣ ) fica definida pela adição veto-
rial desses componentes. at ac

R
at a

MCUV
ac R retardado

Física 1 - Aula 6 60 Instituto Universal Brasileiro


Análise vetorial de movimentos
Vamos, agora, identificar a aceleração v
vetorial em certos tipos de movimento e sua
orientação com o vetor velocidade.
ac
Movimento retilíneo uniforme R

É o único movimento que não possui


MCU
aceleração vetorial, pois sua velocidade man-
tém-se constante em intensidade (uniforme) e
em direção (trajetória retilinea). Ou seja: v2
a = ac a = ac = (constante)

{
R
ar = 0 v (constante)
a= 0
ac = 0 MRU
Movimento circular
uniformemente variado

Movimento retilíneo Pelo fato de a velocidade variar tanto em


uniformemente variado intensidade quanto em direção, esse movi-
mento possui aceleração tangencial e acele-
A velocidade varia apenas em intensida- ração centrípeta, sendo a aceleração vetorial
de, pois é variado em trajetória retilínea. Logo, do movimento a resultante de at e ac . Ou seja:
não possui aceleração centrípeta, ou seja, sua
aceleração vetorial é tangencial (apenas para a = ar + ac
acelerar ou retardar).

Como at é perpendicular a ac , temos:


ar v

MRUV acelerado a = √a2r + ac2

ar v ar
v a
MRUV retardado
ac
MCUV
a = ar a = ar = lal (constante) acelerado

v
Movimento circular uniforme
ar
A velocidade tem intensidade constan- ac
te, pois o movimento é uniforme. Logo, não
a
possui aceleração tangencial. Entretanto, sua
velocidade varia em direção (pois a trajetória MCUV
é curva), ou seja, sua aceleração vetorial é retardado
centrípeta.
Física 1 - Aula 6 61 Instituto Universal Brasileiro
Velocidade Aceleração
Módulo Direção at acp a
MRU constante constante nula nula nula
MRUV variável constante não nula nula a = at
MCU constante variável nula não nula a = acp
MCUV variável variável não nula não nula a = at + acp

Aceleração centrípeta (acp)


É a aceleração que indica variação na direção
da velocidade vetorial. Existe aceleração centrípeta
sempre que o móvel percorre trajetória curva.
Cinemática vetorial
Aceleração vetorial resultante
Há a Cinemática escalar e a Cinemática ve-
torial. Os princípios da Cinemática permitem co- Sabemos que a velocidade (v) pode variar
nhecer e descrever variados tipos de movimentos em intensidade e em direção. Por esta razão, o
e é possível calcular, por exemplo, o tempo gasto vetor aceleração ( Ɣ ) de um móvel num cer-
em viagens a partir de uma ou mais coordenadas. to instante é decomposto em duas acelerações
perpendiculares.
Vetor Posição
Identificamos esse vetor por ra Análise vetorial de movimentos

ra =
{ Direção: reta que contém A e O.
Sentido: de O para A.
Módulo: distância AO.
Movimento retilíneo uniforme

É o único movimento que não possui


aceleração vetorial, pois sua velocidade man-
Deslocamento vetorial tém-se constante em intensidade (uniforme) e
Esse vetor corresponde à diferença entre o em direção (trajetória retilnea).
vetor posição no final ao final do deslocamento (rb)
e o vetor posição inicial (ra). Movimento retilíneo
Velocidade vetorial média (Vm) uniformemente variado
É o quociente entre o vetor deslocamen- A velocidade varia apenas em intensidade,
to d e o correspondente intervalo de tempo ∆t. pois é variado em trajetória retilínea. Logo, não possui
Velocidade vetorial instantânea aceleração centrípeta, ou seja, sua aceleração veto-
rial é tangencial (apenas para acelerar ou retardar).
A velocidade vetorial (v) de um móvel
num instante t tem as seguintes características: Movimento circular uniforme
• Módulo: igual ao módulo da velocidade A velocidade tem intensidade constante,
escalar no instante t. pois o movimento é uniforme. Logo, não possui
aceleração tangencial. Entretanto, sua velocida-
• Direção: da reta tangente à trajetória pelo de varia em direção (pois a trajetória é curva), ou
ponto P (posição que o móvel ocupa no instante t). seja, sua aceleração vetorial é centrípeta.
• Sentido: do movimento. Movimento circular uniformemente variado

Aceleração tangencial (at) Pelo fato de a velocidade variar tanto em


intensidade quanto em direção, esse movimento
É a aceleração que indica a variação no possui aceleração tangencial e aceleração cen-
módulo da velocidade vetorial. Existe acelera- trípeta, sendo a aceleração vetorial do movimen-
ção tangencial nos movimentos variados. to a resultante de at e ac .

Física 1 - Aula 6 62 Instituto Universal Brasileiro


Destas, a grandeza escalar é:

a) ( ) I
b) ( ) II
c) ( ) III
1. Em um jogo de futebol, um atleta bate d) ( ) IV
uma falta comunicando à bola uma velocida-
de inicial V0 que forma um ângulo de 45° com 4. Quando dizemos que a velocidade
o plano do chão. A bola, após um tempo de de uma bola é de 20 m/s, horizontal e para a
voo de 2s, bate na parte superior da trave que direita, estamos definindo a velocidade como
está a uma altura de 2 m do chão. uma grandeza:
Adote g = 10 m/s² e despreze o efeito do ar.
A altura máxima atingida pela bola é um a) ( ) escalar.
valor mais próximo de: b) ( ) algébrica.
c) ( ) linear.
a) ( ) 3 m d) ( ) vetorial.
b) ( ) 4 m
c) ( ) 5 m 5. Um menino chuta uma bola de futebol
d) ( ) 7 m segundo um ângulo θ com a horizontal, com
uma velocidade inicial V0= 20 m/s, como mos-
2. A distância entre Brasília e Uberlândia é tra a figura abaixo. Considere a aceleração da
de 400 km, e entre Uberlândia e São José dos gravidade g = 10 m/s2. Sendo sen θ = 0,80 e
Campos é de 700 km. Certa vez, Tardelli estava cos θ = 0,60, a altura máxima h de um obstá-
viajando entre Brasília e São José dos Campos. culo colocado a 12 m do menino, a fim de que
Sabendo que Tardelli percorreu o trecho Brasília a bola consiga ultrapassá-lo, é:
– Uberlândia com uma velocidade média de 80
km/h, ficou parado em Uberlândia durante 2 ho-
ras para visitar uns amigos e depois percorreu o
trecho Uberlândia - São José dos Campos em 8
horas. Qual a velocidade média aproximada de- v0
senvolvida por Tardelli durante todo o percurso? h
θ
Brasília
Uberlândia
400 km

700 km São José


dos Campos a) ( ) 6 m
b) ( ) 8 m
a) ( ) 72,5 km/h c) ( ) 11 m
b) ( ) 73,5 km/h d) ( ) 14 m
c) ( ) 80 km/h
d) ( ) 50 km/h 6. Um automóvel percorre 6 km para
o norte e, em seguida, 8 km para o leste. A
3. Considere as grandezas físicas: intensidade do vetor posição, em relação ao
ponto de partida, é:
I. Velocidade
II. Temperatura a) ( ) 10 km
III. Quantidade de movimento b) ( ) 14 km
IV. Deslocamento c) ( ) 2 km
V. Força d) ( ) 12 km
Física 1 - Aula 6 63 Instituto Universal Brasileiro
Comentário. Como neste exercício estamos
informando uma direção que a bola deve seguir, isso
caracteriza uma grandeza vetorial.

1. d) ( x ) 7 m 5. c) ( x ) 11 m
Comentário. A posição vertical em cada ins- Comentário. Este problema pode causar di-
tante é dada por: ficuldade, por ser um problema incomum. Porém, é
uma decomposição de vetores, como tantos outros,
y = v0t - 1 gt2
y
y = v0senθ - 1 gt2 mais simples. Veja o esquema:
2 2
Com t = 2s; θ = 45°; y = 2 m Vy = 0 V
V Vyx
temos:
Vy hmáx Vy
2 = v0 . √2 - 1 .10 . 22 4 = √2v0 - 20 θ
2 2
Vx
v0 = 24 = 12 √2
√2 A diferença é que temos um obstáculo, vermelho,
y
A altura máxima ocorre quando vy = 0 y = v0t - gt a 12 metros de distância. E observe que, neste instante,
Ou ainda (por derivação): a bola já começou a cair. Decompondo os vetores:
v . sen2 θ
2
ymax = 0
2g Vy = V . senθ = 20 . 0,8 = 16 m/s
(12√2)2 (sen 45º)2 Vx = V . cosθ = 20 . 0,6 = 12 m/s
ymáx =
2.10 Agora, com esta velocidade, calculamos o

(( ((
2
√2 2 tempo que a bola gasta para percorrer os 12 m na
horizontal, VX.
ymáx = 122. 2 2 = 144 . 2 4
2.10 20 t = d = 12 = 1s
144 Vx 12
= = 7,2 m Aproximadamente 7 m.
20 Finalmente, a que altura a bola estará após
1s? Vamos ver o que acontece? Aliás, retiro o que
2. b) ( x ) 73,5 km/h disse: pelo tempo, a bola ainda estará é subindo!
Comentário. Para resolver este problema de- Quase na altura máxima!
vemos aplicar as expressões conhecidas.
h = V0y . t + g . t2 = 16 . 1 - 10 . 12 = 11 m
Para o espaço percorrido, temos:
2 2
∆s = 400 + 700 ∆s = 1.100 km
Para o intervalo de tempo: 6. a) ( x ) 10 km.
- No trecho Brasília - Uberaba: Comentário. Neste caso devemos montar o
seguinte esquema:
∆s
Vm = 80 = 400/∆t ∆t = 5h 6 km Aplicando Pitágoras
∆t
Logo, o tempo total gasto é: ∆t = 5 + 2 + 8 = 15h Como no exemplo abaixo
Então: Teorema de Pitágoras
8 km "O quadrado da hipotenusa
∆s
Vm = Vm = 1.100/ 15 km/h = 73,33 km/h é igual à soma dos quadra-
∆t dos dos catetos."

{ hipotenusa a=? a2 = b2 + c2 a2 = 122 + 52


3. b) ( x ) II
∆ABC cateto b = 12 cm a = 144 + 25
2
a2 = 169
Comentário. Como sabemos, força, velocida- a = √169
cateto c = 5 cm
de, aceleração etc. devem ter direção e sentido, o que a = 13 cm
classificamos como medidas vetoriais. Já a tempera-
tura é uma medida que independe de direção e senti- Procedimento: elevamos cada distância ao
do, portanto trata-se de uma grandeza escalar. quadrado, depois somamos seus valores e final-
mente extraímos a raiz quadrada obtendo o valor
4. d) ( x ) vetorial. vetorial correspondente a 10 km.
Física 1 - Aula 6 64 Instituto Universal Brasileiro

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