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Terra, planeta água

AULA 6 Provavelmente você já deve ter escutado a canção “Planeta água”, de Gui-
lherme Arantes, cujo refrão é justamente o título que dá início a essa aula
“Terra, planeta água”. É assim que se refere ao nosso planeta, comumente
chamado de “Planeta Terra”. Mas o compositor tem razão de chamar a Terra
dessa forma?

Planeta terra: são 71% de água e 29% de terras emersas

Como se distribuem as quantidades de água e terras emersas no planeta?

Se observarmos uma imagem de satélite da Terra, ou seja, uma foto do planeta tirada do espa-
ço astronômico, concluiremos que Guilherme Arantes tem toda a razão em chamar o nosso planeta
de “planeta água”, pois a parte iluminada da Terra (onde é dia) apresenta a cor predominante de
azul, que corresponde à água. Em termos matemáticos, a água ocupa 71% da superfície terrestre,
localizando-se principalmente nos mares e oceanos.
O hemisfério sul concentra a maior parte das águas que formam a superfície terrestre (82% do
total). Já no hemisfério norte ocorre a maior concentração de terras emersas (continentes e ilhas),
que ocupam cerca de 40% de toda a sua área. Contudo, as águas predominam até mesmo no he-
misfério norte, ocupando cerca de 60% de sua área total.
A vida teve origem nos oceanos e todas as suas formas (animais e vegetais) necessitam de
água para sobreviver. É esse o motivo pelo qual o primeiro elemento a ser buscado pelos cien-
tistas quando eles fazem uma investigação para verificar se existe vida em outros planetas, por
exemplo, é a água na forma líquida. Esse elemento, principalmente na forma líquida, é fundamen-
tal para a vida.

Superinteressante. Agosto de 1998. Texto adaptado.

Geografia 1 - Aula 6 65 Instituto Universal Brasileiro


O espaço natural: hidrosfera
Com o calor gerado pela irradiação so-
Nesta aula vamos aprender como lar, as águas existentes na Terra evaporam,
se distribuem as águas e as terras emer- aumentando a quantidade de vapor de água
sas na superfície terrestre. Veremos que presente na atmosfera. Também as plantas
a água está em constante movimento, contribuem para esse processo, pois elas ab-
provocando o ciclo hidrológico. Para isso, sorvem água por meio de suas raízes e, pelo
vamos estudar quais são os principais processo chamado evapotranspiração, per-
oceanos no mundo e os tipos de mares, dem água pelas folhas, que acabarão nova-
além de entender que muitas espécies mente evaporando.
marinhas estão desaparecendo por cau- Esse vapor de água sobe, então, para
sa da poluição das águas oceânicas. Va- a atmosfera e, ao encontrar menores tempe-
mos discutir as razões por que as marés raturas em altitudes mais elevadas, acaba se
são provocadas pela força de atração que condensando e se precipitando na superfície
a Lua e o Sol exercem sobre o planeta em forma de chuva, neve, granizo, orvalho ou
e por que as correntes marítimas interfe- geada. A água das precipitações retorna para
rem na vida humana. Vamos entender o os rios e mares ou se infiltra no subsolo, ali-
que é um rio e quais são as suas partes. mentando as fontes de águas subterrâneas.
Será mostrado, ainda, que os lençóis de Estas, por sua vez, serão extraídas através
águas são fontes de água potável e que de poços ou irão aflorar naturalmente na su-
a distribuição da água pelo planeta não é perfície, muitas vezes dando origem a rios ou
homogênea. riachos, que irão desaguar em outros rios,
no mar ou em algum lago, possibilitando que
essa água evapore novamente.
Até mesmo as geleiras se derretem,
Por que precisamos de água para viver?
pelo menos em parte, com o calor dos ve-
A água é utilizada pelos seres humanos rões e acabam voltando de forma líquida
de várias maneiras. Como exemplo, para be- para os rios e mares. Esse é o ciclo da água,
ber, cozinhar, tomar banho, fazer higiene pes- o movimento constante das águas na super-
soal, lavar roupas e objetos, navegar, nadar, fície da Terra.
produzir energia elétrica, extrair fontes de ali-
mentos e recursos presentes nos mares, rios Ciclo da água
e lagos entre outros. Esse é o motivo de prati-
camente todas as cidades localizarem-se pró- Nuvem
ximos a rios, mares ou lagos.
Neve e gelo
Solo descampado Fontes
Ciclo Hidrológico Torrente
Lago

A água está em constante movimen-


to na superfície terrestre, provocada ou pela Evaporação
mudança de seu estado físico (sólido, líquido, Lençol
freático
gasoso) ou pela mudança de lugar (movimen-
Floresta
ta-se das áreas mais altas para as mais bai- Mar Estuário e laguna Rio
xas, cai da atmosfera sobre a superfície, sai
do subsolo através das fontes ou nascentes
etc.). Esse movimento constante da água é Escoamento das águas subterrâneas

chamado de ciclo hidrológico.


Geografia 1 - Aula 6 66 Instituto Universal Brasileiro
As águas marinhas
Como vimos no item anterior, a presença mostra que a água doce, necessária à vida
de água é uma característica marcante do pla- humana e às atividades econômicas, repre-
neta Terra. E onde se encontra a maior parte senta uma porcentagem muito pequena do
da água na superfície terrestre? Para respon- total mundial, e mesmo essa parcela não é de
der, observe a tabela abaixo. fácil uso e acesso, já que sua maior parte está
congelada ou no subsolo.
Água no planeta Terra
% sobre o total de % sobre o total
Locais
água do planeta de água doce
Oceanos e mares 97,47 0
Glaciares e geleiras 1,74 68,71
Subsolo 0,78 30,95 Os oceanos e mares, portanto, pos-
Lagos e rios 0,008 0,27 suem a quase totalidade da água existen-
Outros 0,0004 0,07 te no planeta. Ao observarmos um mapa-
Fonte: ONU, Rede Internacional de Organizações
múndi ou o globo terrestre, verificamos
das Bacias. 2002. que todos os oceanos se comunicam (e
também grande parte dos mares). Porém,
Embora a superfície da Terra tenha dois resolveu-se dar nomes diferentes para
terços de sua extensão cobertos por água, a cada parte desse imenso volume de água
maior parte dela não é de fácil utilização pela salgada que circunda os continentes.
humanidade, já que é salgada. A tabela acima

Principais oceanos

• Oceano Pacífico, com 165.384.000 km²;


• Oceano Atlântico, com 82.217.000 km²;
• Oceano Índico, com 73.481.000 km²;
• Oceano Glacial Ártico, circundando o polo Norte e o Oceano Glacial Antártico ou Austral, ao
redor do continente da Antártida.

Oceano Glacial Ártico


Círculo Polar Ártico

Oceano
Trópico de Câncer
Atlântico Oceano
Pacífico
Equador

Oceano Oceano
Pacífico Oceano Índico
Trópico de Capricórnio Atlântico

Círculo Polar Antártico Oceano Glacial Antártico

Geografia 1 - Aula 6 67 Instituto Universal Brasileiro


Qual é a diferença entre mares e oceanos?
Considera-se que os mares, salvo em algumas exceções (aqueles que se encontram dentro
dos continentes), são partes ou prolongamentos dos oceanos. Trata-se de massas líquidas salgadas
que se situam próximas dos continentes. Existem três tipos de mares: os abertos ou costeiros; os
interiores ou mediterrâneos; e os fechados ou isolados.
Mares abertos ou costeiros. Comunicam-se facilmente com os oceanos de origem, não ha-
vendo delimitação entre eles. Sofrem a influência destes últimos e apresentam, por vezes, as mes-
mas características deles. São mares costeiros o de Omã (ou da Arábia), no Oceano Índico; o de
Bering, no Pacífico; e o do Norte, no Atlântico.
Mares interiores ou mediterrâneos. São os que se acham quase inteiramente cercados
por terras e comunicam-se com os oceanos por intermédio de passagens estreitas. Estes mares
recebem muito a influência do clima e dos rios da região em que se encontram. Entre as terras da
Europa, da Ásia e da África, temos um tipo característico desses mares, o Mediterrâneo, que, por
sua vez, vai formar outros mares interiores, como o Negro e o Adriático. O Mediterrâneo liga-se ao
Atlântico pelo estreito de Gibraltar numa largura de 15 km, apresentando uma profundidade de 300
metros. Há ainda o Báltico e o Vermelho, este último entre a Ásia e a África.
Mares fechados ou isolados. São os que aparecem no interior dos continentes, cercados
pelas terras, e não se comunicam com o oceano. São verdadeiros lagos de água salgada e tendem
a desaparecer com o tempo, pois seu volume de água poderá sucumbir a uma forte evaporação ou
infiltração. Exemplos: Mar Cáspio (26 metros abaixo do nível do mar) e Mar de Aral (48 metros acima
do nível do mar).

Tipos de Mares
rte
No
do
ar
M

Mar Béltico Mar de


Mar Adriático Bering
Mar de Aral
Mares abertos
Mar Cáspio
Mar Negro Mares interiores
Mares fechados
Mar Mediterrâneo

Mar de
Mar Vermelho
Omã

A salinidade das águas marinhas A salinidade de cada porção de oceano ou


mar varia muito em função de uma série de fatores,
As águas marinhas (dos mares e ocea- como quantidade de chuvas (se chove muito, o teor
nos) possuem uma maior quantidade de sais de sal diminui), evaporação (se faz muito calor, com
e outros minerais do que as águas doces dos intensa evaporação de água, o teor de sal aumen-
rios e lagos, por isso ela é salgada. Por ter ta), localização dessas águas entre outros.
uma grande presença de sais, a água do mar é As regiões intertropicais dos oceanos
mais densa (pesada) do que a água doce. Em e mares, por serem quentes, apresentam
média, cada litro de água marinha contém 36 elevados índices de evaporação, o que pro-
gramas de sal, principalmente cloreto de sódio, voca uma maior concentração de sais mine-
conhecido como sal de cozinha. rais. Assim, os oceanos e mares localizados
Geografia 1 - Aula 6 68 Instituto Universal Brasileiro
nessa faixa apresentam as maiores taxas de ponto de referência na superfície terrestre,
salinidade e isso diminui nas áreas onde as mais as águas dessas regiões vão se elevar.
águas dos rios e do mar se misturam, como, É a chamada maré alta. Pouco a pouco, a
por exemplo, na foz do rio Amazonas. maré vai abaixando, conforme o movimento
de rotação terrestre que faz a Lua se distan-
ciar desse ponto. É a chamada maré baixa.
Ondas e marés • De águas vivas e de águas mortas - Por
As águas do mar estão em constante mo- ocasião da Lua cheia e da Lua nova, quando
vimento. Às vezes, elas nos parecem tão calmas a atração dos dois astros é conjunta, ocorrem
que a superfície se assemelha a um espelho; não as marés de águas vivas, isto é, o Sol e a
se nota um movimento sequer, por mais leve que Lua exercem atração no mesmo sentido, fa-
seja, dando-nos a impressão de que toda a massa zendo que as águas do mar se levantem aci-
líquida está imóvel. Mas, se jogarmos à superfície ma do nível comum.
um objeto que flutue, logo vemos um movimento No quarto crescente e quarto minguan-
muito leve, quase imperceptível: é o marulho, que te, porém, estando a Terra, a Lua e o Sol em
indica que o vento está soprando num ponto bem posição de quadratura, ocorrem as marés fra-
afastado; mas, como a massa líquida é uma só, o cas, as chamadas marés de águas mortas,
movimento ondulatório se propaga, até chegar ao isto porque a atração da Lua não se faz no
ponto em que se dá o marulho. mesmo sentido que a do Sol.
Outras vezes, soprando o vento à super-
fície das águas, produz-se uma oscilação, e as
As correntes marítimas
partículas da água imediatamente entram num
movimento circulatório, do qual participam, uma Correntes marítimas são espécies de
a uma, todas as moléculas, surgindo então as rios que correm nos mares e oceanos. São
ondas. Elas se apresentam em tamanhos va- deslocamentos contínuos de massas de
riáveis, segundo a força do vento, e podem ser águas marinhas que seguem na mesma dire-
circulares, superficiais e de propagação ho- ção e com igual velocidade, comportando-se
rizontal. A formação das ondas depende muito como se fossem rios. As correntes marítimas
da ação dos ventos. Todavia, outras podem ser são resultados da ação de ventos constantes
suas causas, como algum fenômeno vulcânico e do movimento de rotação da Terra e se dife-
ou abalo sísmico formando um maremoto (cha- renciam das águas ao seu redor por apresen-
mado assim por acontecer no oceano), o movi- tarem temperatura e salinidade diferentes.
mento dos cascos dos navios etc.
Já as marés são movimentos constantes Correntes quentes e frias
de elevação e rebaixamento das águas mari-
nhas. Essas águas apresentam, a cada dia, Nas proximidades da linha do Equador,
dois movimentos de elevação do seu nível (o alguns ventos constantes, que migram para
fluxo da maré) e dois movimentos de rebaixa- as zonas temperadas, provocam a formação
mento (o refluxo da maré). Nesses processos, de correntes marítimas quentes, que se di-
as marés são provocadas pela força de atração rigem a essas áreas temperadas ou de mé-
que a Lua e o Sol exercem sobre a massa de dias latitudes. Nas proximidades da Antártida,
água líquida do planeta. Apesar do seu relativo formam-se correntes marítimas frias, que se-
tamanho, comparado ao do Sol, a atração da guem em direção à área equatorial.
Lua é maior, em virtude de se achar mais próxi- As correntes marítimas ajudam a mudar
ma da Terra do que o astro rei. o clima nas áreas para as quais se dirigem,
porque podem provocar aumento da tempe-
Tipos de marés ratura quando são quentes e seguem para as
áreas temperadas ou, ao contrário, provocar
• Alta e Baixa - Quanto mais próxima queda da temperatura quando são frias e se
estiver a Lua em relação a um determinado aproximar de regiões tropicais.
Geografia 1 - Aula 6 69 Instituto Universal Brasileiro
Correntes marinhas
Corrente da Oceano Glacial Ártico

do Labrador
Groelândia
o Círculo Polar Ártico
te d éxico
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Corrente da nte Cor o do M o
rre f


Califórnia Co Gol

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Trópico Corrente Norte-equatorial

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Correntes de Humbo

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Corrente
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Corrente
Círculo Polar Antártico
de Falklands
Correntes

Correntes quentes Correntes frias

As correntes marítimas contribuem para tornar alguns lugares do mundo extremamente pisco-
sos, ou seja, ricos em peixes. Isso ocorre porque as correntes transportam o plâncton, minúsculos
animais ou vegetais que vivem nas águas. Como o plâncton é o principal alimento de peixes e ma-
riscos, as porções da superfície oceânica em que duas diferentes correntes marítimas se encontram
são áreas de grande atividade dessas espécies.

1. Leva e traz

A Corrente do Golfo leva água aquecida


do Equador, que esquenta o ar na Europa. As-
A Europa vai entrar numa fria sim, esfria e retorna aos trópicos.

Apesar de ser uma cidade fria no in- 2. Como é hoje…


verno, Londres raras vezes enfrentou ne-
vascas muito fortes no passado. Mas, den- Perto do polo norte, a corrente fica mais
tro de apenas um século, vê-la coberta por salgada e densa. Com isso, afunda. O mergulho
grossas camadas de neve poderá virar roti- força o rio submarino a fazer uma curva e a vol-
na para os londrinos. Cientistas alemães e tar, por águas profundas, para os trópicos. Cria-
noruegueses acharam evidências de que o se, assim, um ciclo de água transcontinental.
gelo do Ártico está derretendo e enchendo
o norte do Oceano Atlântico de água doce - 3. …e como pode ficar
já que o gelo não contém sal. Isso tende a
interromper a Corrente do Golfo, que leva Mas essa corrida em círculos está sendo
para a Europa um pouco do calor dos trópi- quebrada pela água doce gerada pelo derreti-
cos. Em consequência, o inverno europeu mento do gelo da calota polar. São 3 bilhões
ficará muito mais rigoroso, disse à SUPER de litros, todos os anos, que tornam a corrente
Stefan Rahmstorf, do Instituto de Pesquisa menos salgada. Aí, ela não afunda, não faz a
do Clima de Potsdam, na Alemanha. “As curva de retorno e o ciclo se interrompe.
temperaturas médias podem cair até cinco
graus Celsius”, calcula ele. Superinteressante. Edição 148. Janeiro de 2000.

Geografia 1 - Aula 6 70 Instituto Universal Brasileiro


O relevo submarino b) Zona pelágica

Durante muito tempo pensou-se que Atinge profundidades de 3.000 a 5.000 m.


o relevo submarino, do fundo dos mares e É a maior extensão do relevo submarino, cor-
oceanos, fosse totalmente plano. Foi somen- respondendo a 80% da área total dos oceanos.
te no século XX, depois de muitas pesqui- É a zona onde se encontram restos de seres
sas, que se descobriu que existe um relevo marinhos (como algas e os protozoários), de ar-
submarino muito variado, semelhante ao dos gila muito fina e de lavas procedentes de erup-
continentes. ções vulcânicas no interior dos oceanos.
De maneira bastante simplificada, pode- O relevo dessa área é formado por gran-
mos reconhecer três grandes áreas no relevo des vulcões, isolados ou dispostos em linha,
submarino: a plataforma continental, a zona cujas lavas originaram, muitas vezes, ilhas oce-
pelágica e a zona abissal. ânicas. Como exemplo, temos as ilhas do Ha-
vaí, no Pacífico. O relevo compreende também
os montes submarinos, principalmente nas pro-
ximidades das dorsais mesoceânicas.
CORDILHEIRA

Plataforma As dorsais mesoceânicas elevam-se entre


TALUDE

Continental 1.000 e 2.000 m acima do nível da zona pelágica.


Zona São elevações estreitas e sinuosas do terreno
Pelágica
submarino - verdadeiras cadeias montanhosas -,
Zona
Abissal Zona que se caracterizam por apresentar forte e pro-
Abissal
fundo enrugamento em seus paredões rochosos.
Essas cadeias montanhosas submarinas sofrem
Relevo marinho: plataforma continental,
zona pelágica e zona abissal. constantemente grandes transformações por
causa das placas tectônicas, responsável pela
dinâmica interna da Terra.
a) Plataforma continental
c) Zona abissal
Tem uma largura média de 70 km (po-
dendo atingir até 1.000 km em algumas áre- Vem logo em seguida à região pelágica. É
as) e uma profundidade máxima de 200 m. a zona dos abismos submarinos, com profundi-
É um prolongamento da área continental dades superiores a 5.000 metros. Caracteriza-se
emersa, apresentando-se na forma de uma por apresentar fossas submarinas localizadas
planície submersa que margeia todos os nas proximidades das cadeias de montanhas.
continentes. Nessa parte dos oceanos exis- Da mesma forma que as dorsais, as fossas oce-
tem depósitos de origem continental, pois é ânicas resultam do deslizamento de uma placa
aí onde se acumulam os sedimentos carre- tectônica sobre outra, o que provoca erupções
gados pelos rios. vulcânicas nas profundezas dos oceanos.
A plataforma continental é a parte mais
Na zona abissal a luz solar é incapaz de
importante do relevo submarino. A luz solar
chegar. Considerada o maior ecossistema do
consegue penetrar até essa profundidade,
planeta, abriga uma gama de criaturas nada
garantindo o processo de fotossíntese e a convencionais. Estes seres desenvolveram es-
formação do plâncton (conjunto de peque- tratégias de sobrevivência sofisticadas para dri-
nos seres vegetais e animais que vivem em blar as condições de frio, escuridão, pouca dis-
suspensão em águas marinhas). O plâncton ponibilidade de alimentos e dificuldades quanto
é indispensável à alimentação de peixes e à reprodução. Devido a estas adaptações, a
mariscos. Portanto, é nessa zona onde se aparência destes animais chega a ser bizarra!
localizam as principais áreas pesqueiras do Disponível em: http://www.mundoeducacao.com/biolo-
mundo, além de jazidas de petróleo e de ou- gia/peixes-abissais.htm.
Acesso em: 14.01.2014. Texto adaptado.
tros recursos minerais.
Geografia 1 - Aula 6 71 Instituto Universal Brasileiro
marinha. Os oceanos são imensos - mas o rit-
mo da poluição causada pela ação humana é
intenso. A Grande Mancha de Lixo, como é cha-
mada a sopa de detritos no Oceano Pacífico,
é exemplo do que se pode fazer para estragar
O lixão dos mares
o mar. A 2.000 quilômetros do litoral do Havaí,
entre o arquipélago e a Califórnia, ela consti-
Três milhões de toneladas de detritos
tui o maior dos depósitos marinhos de lixo. Ali,
concentrados em um ponto do Pacífico sina-
pedaços de plástico, restos de redes de pesca,
lizam o impacto devastador da ação humana
roupas, garrafas e uma infinidade de detritos
sobre os oceanos.
produzidos pelo homem superam em seis ve-
Vista do espaço, a água predomina na zes o peso total dos zooplânctons, os organis-
Terra. Os oceanos cobrem 71% da superfície mos minúsculos que estão na base da cadeia
do planeta, com profundidade média de 3.795 alimentar marinha. São 3 milhões de toneladas
metros. Todas as elevações da terra exposta de lixo, uma quantidade que São Paulo leva
poderiam facilmente ser escondidas nas pro- seis meses para produzir. Depósitos flutuantes
fundezas dos mares. É difícil acreditar que a de lixo são um fenômeno natural formado pelo
poluição humana seja capaz de ameaçar tal movimento circular das correntes marinhas, os
imensidão. Mas vastas áreas do leito marinho chamados giros oceânicos. Já a Grande Man-
são de terra estéril, pouco capaz de sustentar a cha de Lixo, que pode ser avistada de avião,
vida. Para sobreviverem e prosperarem, os ani- é o sinal de degradação ambiental. O impac-
mais marinhos dependem de nichos ecológicos to nefasto da ação humana sobre os oceanos
ricos em alimentos e biodiversidade. Os recifes se dá de várias formas. As mais significativas
de corais, verdadeiros viveiros marinhos, são são: poluição causada por resíduos sólidos e
um exemplo bem conhecido. líquidos; dilapidação dos estoques de frutos do
Quando a ação predatória da humanidade mar; aquecimento da água, aumentando as zo-
avança sobre esses nichos de biodiversidade nas mortas dos oceanos; acidificação da água,
ou depreda os estoques de peixes comerciais, decorrente da absorção de gás carbônico.
está colocando em risco a cadeia alimentar Fonte: Diego Schelp. Revista Veja. Edição 2071. 30.07.2008.

O maior depósito de lixo dos oceanos

As correntes circulares, os chamados giros oceânicos, concentram lixo em vários pontos dos mares.
O maior deles é o lixão existente entre o Havaí e a Califórnia (área assinalada em vermelho no mapa).

Europa América
Ásia
do Norte

África América
Central

América
do Sul
Oceania

Fonte: Idem. Ibidem.

Geografia 1 - Aula 6 72 Instituto Universal Brasileiro


Rios e lagos
Rios recebendo águas de chuvas e de afluentes (rios
que deságuam em um rio principal). O trecho fi-
Um rio é uma corrente de água doce que se nal do rio é chamado de curso inferior.
forma a partir de uma precipitação (chuva ou neve), O leito ou canal é a faixa de terra, abaixo
de um lago ou das fontes conhecidas como “olhos das áreas vizinhas, por onde o rio corre. Com o
d’água”. São diferentes das enxurradas, que são tempo, ao longo de milhares ou milhões de anos,
correntes de água provisórias formadas durante cada rio vai escavando o seu leito.
as chuvas. Os rios são permanentes, mesmo que, As margens de um rio são as faixas de ter-
em áreas desérticas, às vezes sequem em deter- ra firme situadas de cada um dos lados do seu
minado período do ano. leito. Se nos posicionarmos de costas para a nas-
Quando os rios são menores, com me- cente do rio, ou seja, olhando na direção em que
nos volume de água, recebem outras denomi- o rio corre, teremos à nossa direita a margem di-
nações, que variam de acordo com a região: reita e, do outro lado, a margem esquerda.
riacho, arroio, ribeirão, córrego etc. Ao conjunto formado por um rio principal e
seus afluentes e subafluentes (isto é, afluentes
Todo rio é composto de uma nas- dos afluentes) chamamos bacia hidrográfica.
cente, um curso, uma foz, um leito ou Duas bacias hidrográficas estão separadas
canal e duas margens. uma da outra pelo trecho situado e altitudes mais
elevadas, denominado divisor de águas.
Nascente ou montante. É o ponto onde
o rio nasce, situado sempre em uma área mais Nascente Afluente
elevada do terreno. ou montante
Foz ou desembocadura. É o ponto onde
o rio termina, geralmente desaguando no mar,
num lago ou em outro rio. Mas nem sempre a
foz de um rio é igual a de outro. Tipos de terre-
no, profundidade do leito, volume de água são
Divisor de
características que tornam possível a existên- águas
cia de vários tipos de foz.
As principais são a foz em estuário e Leito ou canal
a foz em delta. Na foz em estuário, o rio lança
suas águas num único canal sem obstáculos. Curso inferior
Já na foz em delta, quando a quantidade de
sedimentos transportados pelas águas dos rios
é muito grande, formam-se, em sua desembo-
Foz ou
cadura, pequenas ilhas que dividem as águas desembocadura
em vários canais. A forma triangular da foz do
rio Nilo lembra a letra grega delta. Por esse
motivo, todo tipo de foz constituída por vários
Lagos
canais recebe esse nome.
Lagos são grandes massas de água cer-
Bacia hidrográfica cados de terras. Existem lagos de água doce e
de água salgada. Os de água doce são aque-
O curso é o caminho que o rio percorre, les que possuem um rio emissário, ou seja, que
da nascente até a foz. Nesse trajeto, os rios nasce nesse lago, que, por sua vez, ao escoar
aumentam o volume de suas águas, porque vão parte de suas águas, as mantêm doces. Por
Geografia 1 - Aula 6 73 Instituto Universal Brasileiro
outro lado, os de água salgada, em geral, são A escassez de água superficial de fácil aces-
lagos que por não terem por onde escoar suas so aumentou a importância desses reservatórios
águas sofrem o efeito da evaporação, o que subterrâneos. Atualmente, já são retirados quase
torna as águas salgadas. Já as lagoas são con- 200 bilhões de m3 de água dessas fontes por ano,
sideradas lagos de menor extensão. o que tem determinado o rebaixamento do nível
Muitos rios deságuam em lagos e, às ve- de lençóis freáticos em diversos locais.
zes, foram até os seus formadores. Dessa for-
ma, os lagos são geralmente alimentados por Aquífero Guarani
rios, embora recebam também água das chu-
vas. O excesso de água em relação ao seu ter- Na América do Sul, encontra-se um dos
reno faz um lago transbordar, ou melhor, ceder maiores aquíferos do mundo, o Guarani, com
uma parte de seu volume. Os lagos, portanto, mais de um milhão de quilômetros quadrados, em
produzem ou dão origem a rios que são chama- sua maior parte dentro do território brasileiro.
dos rios emissários. Por exemplo, o rio Nilo, o
único rio a atravessar o Saara, o maior deserto Um mar de água doce debaixo
do mundo, nasce no lago Vitória, que se localiza de nossos pés
na parte centro-leste do continente africano.
Além do grande volume de águas super-
ficiais, o Brasil tem extensas reservas de águas
As águas subterrâneas subterrâneas – 27 aquíferos, ao todo. O prin-
cipal reservatório é o Aquífero Guarani. De 1,2
Conforme observamos na tabela sobre a milhão de quilômetros quadrados de área total,
distribuição de água no planeta Terra, mais de 70% ficam em subsolo brasileiro, estendendo-
68% da água doce do mundo está congelada e se por oito estados: Goiás, Mato Grosso, Mato
mais de 30% encontra-se no subsolo. Isso signi- Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Pa-
fica que menos de 2% do total de água doce está raná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os
facilmente disponível para a humanidade. restantes 30% dividem-se pelos territórios uru-
O maior volume desses 2% está em re- guaio, paraguaio e argentino. Estima-se que o
servatórios naturais e subterrâneos de água grande lago guarde 45 mil quilômetros cúbicos
de água de excelente qualidade, o suficiente
que se formam em rochas porosas. Entre as
para abastecer de maneira sustentável 500 mi-
rochas que formam o solo existem espaços lhões de pessoas, mais que o dobro da atual
vazios, denominados poros, que são ligados população do Mercosul.
entre si. Absorvida pelo solo, que funciona
como uma esponja, a água, graças à força da
gravidade, passa por esses poros e atinge ca-
madas mais profundas, armazenando-se em
um reservatório onde circula lentamente.

Aquíferos
Rio Paraná
Toda formação geológica capaz de arma-
zenar água em seus espaços vazios é denomi-
nada aquífero. Existem dois tipos de aquífero.
O primeiro, denominado livre ou freático, está Extensão da reserva

mais próximo da superfície e pode ser facil- Brasil: 840 mil km2
mente aproveitado. No segundo tipo, a água Paraguai: 58,5 mil km2
fica armazenada em profundidade e “presa”
Uruguai: 58,5 mil km2
entre duas camadas de rochas impermeáveis.
São os aquíferos confinados, explorados atra- Argentina: 255 mil km2

vés de poços artesianos, que usam bombas e Total: 1,2 milhão km2
compressoras para extrair a água.
Geografia 1 - Aula 6 74 Instituto Universal Brasileiro
Por exemplo, um norte-americano utiliza
No Brasil em média 500 litros de água por dia, ou seja,
0,5 m³, ao passo que um habitante do continen-
O aquífero se estende pelos estados
te africano utiliza em média apenas 50 litros de
de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Ge-
água por dia, ou seja, dez vezes menos.
rais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e
Rio Grande do Sul. Dois terços da área sub-
terrânea ficam em território brasileiro. Uso mundial de água por setores,
nos últimos 60 anos
4
Água: um recurso esgotável
Como vimos anteriormente, a água é um 3

recurso extremamente limitado para o consu-


mo humano, devido à maior parte ser salga- 2

da. Aliado a isso, temos o grande crescimento


populacional do mundo, a expansão das cida- 1
des, das indústrias e da agricultura. Tudo isso
torna o uso da água cada vez mais intenso, 0
contribuindo para uma crescente escassez de 1940 1950 1960 1970 1980 1990 2000

água potável no mundo.


Total Indústria
O acesso à água potável não é bem dis-
Agricultura Município
tribuído no mundo, existindo grandes diferen-
ças em relação ao consumo de água no plane-
Fonte: Teixeira, Toledo, Fairchild e Taioli. Decifrando a
ta. Salvo poucas exceções, o consumo é maior Terra. São Paulo: Oficina de Textos. 2000.
nos países ricos e menor nos países pobres.

Acesso à água potável (2002)

Domicílios com acesso à água potável (%)


Menos de 60 De 80 a 90 100
De 60 a 80 De 90 a 100 Sem dados

Geografia 1 - Aula 6 75 Instituto Universal Brasileiro


Conforme você pode observar no mapa Recursos hídricos no Brasil
acima, atualmente a maioria dos países
que sofrem de escassez de água situa-se O Brasil, felizmente, é um país bem servi-
no continente africano e no Oriente Médio, do de recursos hídricos. Calcula-se que, no terri-
embora também exista carência de água em tório brasileiro, exista aproximadamente 12% do
inúmeras outras partes do globo, como na volume total de água doce do planeta, embora
China e na Índia, os dois países mais popu- a distribuição e, em especial, a apropriação dos
losos do mundo. recursos, não sejam homogêneas.
Muitas pesquisas evidenciaram que Examine o gráfico “Desafios da Gestão da
hoje, no planeta, há 1,4 bilhão de pessoas Água no Brasil” e verifique as particularidades de
que não possuem água tratada em suas re- cada região brasileira. O que nos chama a atenção
sidências, o que pode provocar uma série são os dois extremos no tocante ao déficit (falta) de
de doenças, como diarreia e a esquistos- água e de esgotamento sanitário. Enquanto a re-
somose. Em algumas regiões da África, as gião Sudeste, a mais rica do Brasil, possui 93,53%
pessoas têm de andar vários quilômetros dos municípios com acesso à água e 70,45% com
para buscar água em alguma fonte. acesso a esgotamento sanitário, na região Norte,
Em outras regiões do planeta, existem apesar de ter abundância de água devido à pre-
verdadeiras disputas por água potável, nas sença da bacia amazônica em seu território, os
quais são travadas discussões para decidir municípios dessa região sofrem com a falta de
a posse de determinados lençóis subterrâ- água e de esgotamento sanitário. Segundo os
neos ou para definir quem tem direito de dados apresentados, 98,28% dos municípios não
utilizar a água de rios que cortam diversos possuem esgotamento sanitário e 32,53% dos mu-
países. nicípios não possuem acesso à água potável.
Desafios da Gestão da Água no Brasil
Déficit de
Região brasileira
saneamento em %

Norte
32,53
Apesar da abundância de água per capita, há problemas de sanea-
mento básico, controle de atividades de pesca e manutenção da biodi-
98,28 versidade terrestre e aquática.

Nordeste
21,74
Há escassez de água, salinização de águas superficiais e aquíferos,
doenças de veículação hídrica e necessidade da disponibilização de
86,78 água para população na zona rural e em pequenos municípios.

Sudeste
6,47
Os desafios são a recuperação de rios, lagos e represas, a redução
dos custos do tratamento e a proteção dos mananciais e aquíferos, e o
29,55 reuso da água. Pela urbanização, há menos disponibilidade per capita.

Sul
9,38
Intensa urbanização e uso agrícola da água. Os principais desafios
são a proteção de mananciais, a proteção da biodiversidade em alaga-
82,15 dos e o estímulo ao reuso da água.

20,29 Centro-Oeste
Um dos principais desafios é a proteção do Pantanal. Isso envolve a
conservação da biodiversidade e o controle da pesca, além da manu-
66,73
tenção da sustentabilidade do sistema.

Déficit de
24,07 água
Brasil
Média do país. Déficit de
62,17 esgoto

Fonte: CLARKE, Robin; KING, Jannet. O Atlas da Água. São Paulo: Publifolha, 2005.

Geografia 1 - Aula 6 76 Instituto Universal Brasileiro


Dilapidação dos estoques marinhos

Nos últimos cinquenta anos, a popu-


lação mundial dobrou, enquanto o consu-
Sobre as consequências de ações
mo de frutos do mar aumentou cinco vezes.
humanas em oceanos e praias
A natureza não está conseguindo repor os
estoques pesqueiros. Das 200 espécies de
peixe com maior interesse comercial, 120
são exploradas além da capacidade de
recuperação das populações. A frota pes-
queira mundial é de 4 milhões de barcos, o
dobro do recomendável. Se continuar nes-
se ritmo, a indústria da pesca entrará em
colapso em 2050 com o esgotamento do
Poluição
estoque de peixes comercializáveis.
A poluição é a face mais conhecida
Aquecimento da água
da sujeira lançada ao mar. São 4,5 mi-
lhões de toneladas de petróleo que vazam
A temperatura média dos oceanos
por ano nos oceanos. Os danos causados
acompanha a tendência da mudança climá-
pelos resíduos sólidos são igualmente in-
tica global: está mais quente. Um dos efeitos
tensos. Cerca de 70% dos sacos plásticos,
é o aumento das zonas mortas nos oceanos,
latas, garrafas e pneus são depositados
porções dos mares nas quais a concentra-
no fundo do mar. O restante navega pela
ção de oxigênio é insuficiente para a manu-
superfície ou fica preso nos grandes giros
tenção da vida, com a exceção de algumas
oceânicos. Esses lixões são devastadores
bactérias. As zonas mortas também são cau-
para a vida marinha. Golfinhos, focas e tar-
sadas pela decomposição de algas, que pro-
tarugas ficam presos em redes de pesca
liferam devido aos resíduos orgânicos produ-
e morrem sufocados. Peixes e pássaros
zidos pelo homem e despejados no mar. O
engolem pedaços de plástico e de metal e
número de zonas mortas aumentou de três
também perdem a vida. Estima-se que o
para 150 nas últimas cinco décadas.
lixo acumulado nos mares seja o respon-
sável direto pela morte de 1 milhão de aves
Acidificação da água
e mamíferos marinhos por ano. Quase
todo esse lixo chega aos oceanos levado
O mar absorve parte do gás carbônico
pelas águas dos rios ou é arrastado pela
acumulado na atmosfera. Como a concentra-
maré de praias sujas. São despejadas 675
ção do gás aumentou, em consequência da
toneladas de resíduos sólidos por hora no
poluição humana, sua absorção pelos ocea-
mar – e 70% desse total são constituídos
nos também cresceu, deixando a água mais
de objetos feitos de plástico. E há também
ácida. A acidez provoca a descalcificação
os pellets que são grânulos ou bolinhas de
de espécies marinhas como os moluscos e
plástico de meio centímetro de diâmetro
destrói os corais, que, apesar de cobrirem
que servem de matéria-prima para a in-
apenas 1% do solo dos oceanos, servem de
dústria de plásticos e que, atualmente, es-
abrigo para 25% da vida marinha. Como re-
tão entre os resíduos mais abundantes na
sultado, estima-se que 16% das espécies de
areia litorânea do mundo todo. Ingeridos
coral estejam ameaçadas de extinção.
por peixes, crustáceos e moluscos, esses
pellets afetam não só esses animais como Fonte: Diego Schelp. Revista Veja, 30 de julho de
a alimentação humana. 2008. Texto adaptado.

Geografia 1 - Aula 6 77 Instituto Universal Brasileiro


De maneira bastante simplificada, po-
demos reconhecer três grandes áreas no
relevo submarino: a plataforma continen-
A água ocupa 73% da superfície ter- tal, a zona pelágica e a zona abissal.
restre, localizando-se principalmente nos
mares e oceanos.
O hemisfério sul concentra a maior parte

CORDILHEIRA
das águas que formam a superfície terrestre Plataforma

TALUDE
Continental
(82% do total). Já no hemisfério norte ocorre
Zona
as maiores concentrações de terras emersas Pelágica
(continentes e ilhas), que ocupam cerca de Zona
Zona
40% de toda a sua área. Contudo, as águas Abissal
Abissal
predominam até mesmo no hemisfério norte,
ocupando cerca de 60% de sua área total.
Á água está em constante movimento Ao conjunto formado por um rio prin-
na superfície terrestre, provocada ou pela cipal e seus afluentes e subafluentes (isto
mudança de seu estado físico (sólido, líqui- é, afluentes dos afluentes) chamamos ba-
do, gasoso) ou pela mudança de lugar (mo- cia hidrográfica.
vimenta-se das áreas mais altas para as Os lagos são grandes massas de
mais baixas, cai da atmosfera sobre a su- água cercados de terras. Existem lagos
perfície, sai do subsolo através das fontes de água doce e de água salgada.
ou nascentes etc.). Esse movimento cons- Toda formação geológica capaz de
tante da água é chamado de ciclo da água. armazenar água em seus espaços vazios
Embora a superfície da Terra tenha dois é denominada aquífero.
terços de sua extensão cobertos por água, Na América do Sul, encontra-se um
a maior parte dela não é de fácil utilização dos maiores aquíferos do mundo, o Gua-
pela humanidade, já que é salgada. rani, com mais de um milhão de quilôme-
Considera-se que existem três principais tros quadrados, em sua maior parte den-
oceanos: o Pacífico, com 165.384.000 km2; o tro do território brasileiro.
Atlântico, com 82.217.000 km2; o Índico, com A água é um recurso extremamente
73.481.000 km2. Existe ainda, o oceano Glacial limitado para o consumo humano, devido
Ártico, circundando o polo Norte e o oceano à maior parte ser salgada. Aliado a isso,
Austral ou Glacial Antártico, ao redor do conti- temos o grande crescimento populacional
nente da Antártida. do mundo, a expansão das cidades, das
Considera-se que os mares, salvo em indústrias e da agricultura.
algumas exceções (aqueles que se encontram O acesso à água potável não é bem
dentro dos continentes), são partes ou prolon- distribuído no mundo, existindo grandes
gamentos dos oceanos. Trata-se de massas diferenças em relação ao consumo de
líquidas salgadas que se situam próximas dos água no planeta. Salvo poucas exceções,
continentes. Existem três tipos de mares: os o consumo é maior nos países ricos e me-
abertos, os interiores e os fechados. nor nos países pobres.
As correntes marítimas ajudam a mu- O Brasil é um país bem servido de
dar o clima nas áreas para as quais se di- recursos hídricos. Calcula-se que, no ter-
rigem, porque podem provocar aumento da ritório brasileiro, exista aproximadamente
temperatura quando são quentes e seguem 12% do volume total de água doce do pla-
para as áreas temperadas ou, ao contrário, neta, embora a distribuição e, em espe-
provocar queda da temperatura quando são cial, a apropriação dos recursos, não se-
frias e se aproximam de regiões tropicais. jam homogêneas.

Geografia 1 - Aula 6 78 Instituto Universal Brasileiro


c) ( ) do Golfo.
d) ( ) Norte-Pacífica.

3. Na dinâmica da natureza, a água é


foco de inúmeros debates repletos de preocu-
1. Considere os dados da tabela abaixo pações com o futuro. Nesse contexto, o Aquífe-
sobre a distribuição de água no planeta Terra, ro Guarani ganha real importância. Sobre essa
assinale a alternativa correta. realidade e os conhecimentos acerca da água,
todas as alternativas estão corretas, exceto:
Água no planeta Terra

Locais
% sobre o total de % sobre o total a) ( ) A água tornou-se matéria-prima
água do planeta de água doce cada vez mais importante, pois é fator deter-
Oceanos e mares 97,47 0 minante na agricultura, atendida pela irriga-
Glaciares e geleiras 1,74 68,71 ção, como vem ocorrendo no Nordeste brasi-
leiro.
Subsolo 0,78 30,95
b) ( ) O Brasil é um país com abundân-
Lagos e rios 0,008 0,27 cia de bacias hidrográficas, razão pela qual
Outros 0,0004 0,07 não passou, até hoje, por racionamentos em
Fonte: ONU, Rede Internacional de Organizações das Bacias. 2002. nenhuma parte do seu território.
c) ( ) As reservas hídricas vão se tornan-
a) ( ) Os estoques de água doce repre- do estratégicas pelo fato de estarem desigual-
sentam uma ínfima parcela do montante geral mente distribuídas no planeta e poderão ser, no
das águas no planeta e, além disso, sua distri- futuro, a riqueza que motivará guerras.
buição é muito desigual. d) ( ) O Aquífero Guarani, reservatório de
b) ( ) Pela tabela, verifica-se que a maior proporções gigantescas, tem sua maior ocorrên-
parte do estoque de água doce está presente cia em território nacional, incluindo Santa Catari-
nos lagos e rios, o que facilita os processos de na, além de outros estados brasileiros.
captação pelo ser humano, além do que torna-
se quase dispensável o tratamento da água. 4. (UFGO) O desenho a seguir repre-
c) ( ) A tabela mostra que os esto- senta, esquematicamente, uma bacia hidro-
ques de água doce no planeta são enormes gráfica. Assinale a alternativa que apresenta,
em comparação ao total; o problema é que a pela ordem crescente, o nome dos elementos
maior parte desses estoques está congelada numerados.
ou em ambientes subterrâneos.
d) ( ) O montante inexpressivo de 3
águas subterrâneas no conjunto geral do ciclo
da água demonstra que não vale a pena en-
frentar os altos custos para sua extração, pois 5
1
os resultados seriam pouco vantajosos. 2
O
4
2. (Mackenzie) Essa corrente marítima
quente atua no litoral ocidental e setentrional da
Europa, amenizando as amplitudes térmicas da a) ( ) Foz, divisor de águas, nascente,
fachada Atlântica do continente e provocando afluente, delta.
altos índices pluviométricos. Sua ação também b) ( ) Nascente, delta, curso inferior, di-
evita o congelamento das águas oceânicas na visor de águas, afluente.
costa norueguesa. Trata-se da corrente: c) ( ) Nascente, foz, afluente, divisor
de águas, curso inferior.
a) ( ) de Humboldt. d) ( ) Foz, nascente, divisor de águas,
b) ( ) do Labrador. afluente, curso inferior.
Geografia 1 - Aula 6 79 Instituto Universal Brasileiro
za o clima desta região, inclusive, evitando
o congelamento das águas oceânicas de
alguns países da costa da península es-
candinava. Por influência do aquecimento
global, essa corrente pode ser alterada ge-
1. a) ( x
) Os estoques de água rando uma alteração climática nos países
doce representam uma ínfima parcela europeus.
do montante geral das águas no planeta
e, além disso, sua distribuição é muito 3. b) ( x ) O Brasil é um país com
desigual. abundância de bacias hidrográficas, ra-
zão pela qual não passou, até hoje, por
Água no planeta Terra
racionamentos em nenhuma parte do seu
Locais
% sobre o total de % sobre o total território.
água do planeta de água doce

Oceanos e mares 97,47 0 Comentário. Na questão deve-se as-


sinalar a alternativa incorreta. Apesar de
Glaciares e geleiras 1,74 68,71
o Brasil ser um país com aproximadamen-
Subsolo 0,78 30,95 te 12% do volume total de água doce do
Lagos e rios 0,008 0,27
planeta, acompanhamos, quase que dia-
riamente pela imprensa, municípios brasi-
Outros 0,0004 0,07 leiros com racionamento de água devido a
Fonte: ONU, Rede Internacional de Organizações das Bacias. 2002. inúmeros fatores, em especial, a falta de
investimento na infraestrutura de abasteci-
Comentário. Partindo-se da interpre- mento de água por parte do poder público.
tação da tabela e do conhecimento geral Vale a pena você rever o gráfico “Desafios
acerca da questão da água, conclui-se que: da Gestão da Água no Brasil”, presente no
1) percentualmente, os estoques de água último item da aula, em que há interessan-
doce são pequenos em relação ao total da tes estatísticas sobre o esgotamento sani-
água existente (apenas 2,52%); 2) a distri- tário e o acesso à água potável nas cinco
buição de água no planeta é desigual, e os regiões brasileiras.
maiores estoques, em ordem de grandeza,
são: oceanos e mares, glaciares e geleiras, 4. d) ( x ) Foz, nascente, divisor de
subsolo, lagos e rios e o restante (outros) águas, afluente, curso inferior.
está presente na atmosfera, no solo entre
outros; 3) o volume de água em litros é 3
muito grande, mesmo que percentualmente
seja pequeno, o que compensa o “alto cus-
to” da sua exploração. 5
1
2
2. c) ( x ) do Golfo. O
4

Comentário. As correntes marítimas


conseguem influenciar o clima de uma re- Comentário. O ponto 1, onde o rio de-
gião em função das características térmicas semboca, é a foz. O ponto 2, onde ele come-
das águas que as compõe. Quando uma ça, é a nascente (origem - O). O ponto 3 é o
corrente se forma em uma região quente, trecho de topografia mais elevada, que o se-
ela levará consigo estas características e para de outra bacia, denominado divisor de
influenciará locais longínquos. É o caso águas. O ponto 4 representa um afluente; e
da corrente do Golfo que vem do México, o ponto 5 marca o trecho final do rio, ou seja,
chega até o continente europeu e ameni- seu curso inferior.
Geografia 1 - Aula 6 80 Instituto Universal Brasileiro

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