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Idade Média: um longo período histórico

AULA 5 Um período de 1.000 anos de história – do século V ao século XV. São muitas
as imagens que povoam o imaginário: castelos medievais, bárbaros, nobreza,
clero, cruzadas, guerra, fome, peste. Um período em que a Europa, lentamen-
te, transita do feudalismo (servidão) ao capitalismo (livre comércio) e inaugu-
ram-se as grandes navegações.

Ocidente e Oriente: os dois lados das Cruzadas

No dia 27 de novembro de 1095, o papa Urbano II fez um discurso, tentando convencer os es-
pectadores a embarcar numa missão que parecia impossível: cruzar três mil quilômetros até a cidade
santa de Jerusalém e expulsar os muçulmanos, que dominavam o lugar desde 638. Depois desse
sermão, o mundo nunca mais seria o mesmo.
No século XI, não havia dúvidas: o islã era uma religião forte. Tinha conquistado a Península
Arábica, o norte da África, a Ásia Central e parte da Europa e da Índia. Não era uma hegemonia
apenas religiosa. Os muçulmanos se destacavam em ramos como a Matemática, a Medicina e a
Química. Não havia cidade europeia que se comparasse aos centros islâmicos.
As primeiras cruzadas foram derrotadas. Somente em abril de 1097, que cavaleiros equipados
com escudos e armaduras, venceram vários obstáculos e partiram em direção a Jerusalém. Após
um mês de cerco, em 1099, os cruzados conseguiram finalmente entrar na cidade santa e vencer as
últimas resistências.
Mas em 1187, sob a liderança do sultão Saladino, os muçulmanos reconquistaram o Reino
de Jerusalém. A perda de Jerusalém foi um choque para a Europa cristã, apesar de Saladino ter
permitido peregrinações ao Santo Sepulcro. Dali em diante, houve pelo menos mais quatro grandes
cruzadas em direção à Terra Santa, mas os cristãos colecionaram apenas derrotas.
Qual foi a herança das cruzadas? Segundo os historiadores, muitas marcas como a separa-
ção da Igreja do Ocidente e do Oriente. Mas é inegável que a Europa, apesar de não ter conquista-
do seus objetivos, saiu fortalecida. As cruzadas reforçaram a autoridade dos reis e impulsionaram
o comércio com o Oriente.
Superinteressante. Maio de 2005. Texto adaptado.

História 1 - Aula 5 47 Instituto Universal Brasileiro


Idade Média: do feudalismo à ascensão da burguesia
Nesta aula, veremos que a Europa sofreu grandes transformações a partir do século V da
era cristã. O mundo conhecido pelos europeus tornou-se bem diferente da Antiguidade e esse
período ficou conhecido como Idade Média. Por séculos, a Idade Média foi considerada como
uma época insignificante no campo científico, tecnológico e artístico, chegando a ser chamada
de “Idade das Trevas”.
No entanto, estudaremos a herança deixada pelo período medieval, sobretudo na religio-
sidade e na formação das monarquias nacionais e também sobre o poder dos senhores que se
consideravam Deus na Terra, até o século XV, início dos tempos modernos, quando o homem
foi se libertando de uma rígida estrutura social, de padrões econômicos ultrapassados e de ho-
rizontes limitados pelo pensamento religioso.

Idade Média – Quase 1.000 anos de história

(início) 476 – século V 1453 – século XV (fim)


Queda do Império Romano Ocidental Queda de Constantinopla Império Bizantino
Alta Idade Média (do séc. V ao IX) Baixa Idade Média (do séc. X ao XV)

Contexto histórico
aros
No contexto histórico da Idade Mé- s rb

do

dia destacam-se:
Go

• Invasões bárbaras e o Império


Bizantino;
• Expansão do Império Árabe;
Antigo Império Romano
• Feudalismo;
• O poder da Igreja Católica em Entre os povos germânicos bárbaros, o
Roma; Reino Franco teve maior influência no desen-
volvimento europeu. A história do Reino Franco
• Transição do feudalismo para o esteve sob a dinastia dos Merovíngios (século
capitalismo; V ao século VIII) e dinastia dos Carolíngios (sé-
• Ascensão da burguesia e for- culo VIII ao século IX). As sucessivas subdivi-
mação das monarquias. sões do Império Carolíngio e demais invasões
da Europa contribuíram para a descentraliza-
ção política e a formação do feudalismo.
Após a queda do Império Romano do
Invasões bárbaras e o Império Bizantino
Ocidente, os visigodos, um dos ramos dos
A Europa, que na Antiguidade era domínio povos germânicos godos, tiveram um papel
do Império Romano, viu-se invadida por diferen- importante na Europa, particularmente na pe-
tes grupos, entre eles os bárbaros (península nínsula Ibérica, onde substituíram o domínio
Itálica), os godos e os muçulmanos (penín- romano na Hispânia, reinando de 418 até 711,
sula Ibérica). Os bárbaros acabaram por levar data da invasão muçulmana, que substituiria o
o Império Romano do Ocidente à ruína. reino visigodo pelo Al-Andalus.
História 1 - Aula 5 48 Instituto Universal Brasileiro
Apenas o Império Romano do Oriente ou O Feudalismo
Império Bizantino manteve seu poder ao longo
do milênio da Idade Média, depois da queda Feudalismo foi o sistema político, social e
de Roma. A civilização bizantina tornou-se a econômico que predominou na Europa ocidental,
principal referência contra a expansão muçul- (do século XI ao século XIII) atingindo seu auge
mana, preservando a cultura greco-romana e nesse último século e, a seguir, entrou em proces-
os conhecimentos do mundo antigo, como a so de decadência. Caracterizava-se pela doação
literatura grega e o direito romano. Quando o de feudos ou terras. O senhor que doava essas
imperador Constantino transferiu a capital do terras era o suserano (rei), que exigia em troca
Império para a cidade de Bizâncio, ela passou uma série de obrigações e serviços de seu vassa-
a ser conhecida como Constantinopla (atual- lo; este, ao receber o feudo, fazia um juramento
mente Istambul – capital da Turquia). de fidelidade, comprometendo-se a auxiliar mili-
tarmente seu senhor sempre que fosse preciso.
Essa cerimônia era chamada homenagem.
Expansão do Império Árabe
A invasão muçulmana no século VIII pro- Da escravidão à servidão
piciou a expansão islâmica do Império Árabe
na Europa, estabelecendo o contato entre as O servo ou camponês era um trabalhador
culturas do Oriente e do Ocidente. A conso- semilivre, ou seja, o senhor feudal não era o seu
lidação do Império Árabe trouxe mudanças dono, mas usufruía do seu trabalho e produção em
econômicas no cenário europeu como o do- troca da sobrevivência do servo. Contudo, o servo
mínio do comércio no mar Mediterrâneo. não poderia abandonar as terras do senhor. Caso
O controle do islamismo foi passado aos isso acontecesse, o senhor ou nobre teria o direito
califas, que deveriam descender diretamente de perseguir e castigar severamente o servo.
da linhagem de Maomé. Mas, no século VIII,
com a ascensão da dinastia Abássida, a uni- Sociedade medieval
dade do mundo muçulmano foi quebrada com A sociedade medieval era estamental,
a formação de outros califados em Bagdá isto é, as pessoas não podiam mudar de classe
(Ásia), Cairo (África) e Córdoba (Europa). social. Os ricos por nascimento não poderiam
casar-se com os mais pobres. Desde então,
havia o preconceito e a discriminação social.
Córdoba

Bagdá clero
Cairo nobreza

Império Bizantino servos


Expansão Império Árabe
vilões

Legenda
Clero: formado por membros da Igreja Católica.
Nobreza: possuía título de nobreza, eram os
Além do processo de fragmentação políti- proprietários dos feudos e muitos se dedicavam ao trei-
ca, surgiram duas correntes de interpretação do namento militar tornando-se cavaleiros.
islamismo: os xiitas e os sunitas. Os xiitas conti- Servos ou camponeses: eram trabalhadores
nuaram a defender a política de que somente os semilivres que estavam presos à terra e praticavam a
agricultura de subsistência.
descendentes diretos de Maomé deveriam estar Vilões: eram homens livres que se dedicavam a
no poder. Os sunitas se tornaram fiéis seguidores todo tipo de afazeres como marceneiros, ferreiros, carpin-
da Suna, livro sagrado sobre a vida de Maomé. teiros. Pagavam tributos ou impostos para o senhor feudal.

História 1 - Aula 5 49 Instituto Universal Brasileiro


A economia feudal Tribunal do Santo Ofício
ou Inquisição
A agricultura foi a grande fonte de sub-
sistência da Europa ocidental. Os servos tra- A Igreja estabelecia como chefe o Papa,
balhavam em terra arável, que se estendia em considerado o sucessor de São Pedro. A ex-
faixas. Embora não tivessem grandes métodos comunhão ou expulsão da Igreja foi lançada
para empregar na agricultura, a Idade Média foi pelos papas e era aplicada àqueles que por
responsável por importantes avanços, sobre- qualquer motivo deixassem de obedecer e se-
tudo na produção agrícola. Inventaram o moi- guir as leis da Igreja ou dogmas considerados
nho, o arado, técnicas de adubação e rodízio de verdades inabaláveis e indiscutíveis.
terras. O comércio era reduzido e as moedas A intolerância em nome da fé, alegando
eram muito pouco utilizadas. As trocas eram em seguir os preceitos de Deus, levou a Igreja Ca-
“espécie” realizadas entre os feudos. tólica a criar o Tribunal do Santo Ofício ou In-
quisição, responsável pela condenação, tortu-
ra e mortes de milhares de pessoas na Europa,
O poder da Igreja Católica em Roma
consideradas hereges ou pecadoras por terem
No caos político, social e econômico que cometido algum tipo de heresia ou pecado.
dominou a crise de Roma e o começo da Idade
Média, a Igreja Católica conseguiu estabele-
cer-se como a instituição religiosa unificadora da Transição do feudalismo para
Europa. Com forte estrutura religiosa, difundiu o o capitalismo
cristianismo entre os povos bárbaros e teve pa-
pel preponderante na consolidação do feudalis- Assinatura da Magna Carta
mo, devido à ligação do clero com os nobres. na Inglaterra

Cruzadas No século XIII, a nobreza inglesa se re-


voltou contra os abusos do rei João, o João
Um dos fato- Sem Terra, que acabou aceitando a exigên-
res que promove- cia dos vassalos e assinou a Magna Carta,
ram as grandes mu- que assegurava as antigas garantias a uma
danças na Europa minoria privilegiada, mas, ao mesmo tempo,
foram as Cruzadas, veiculava os princípios de liberdade política. A
expedições militares Magna Carta simbolizou a limitação dos pode-
de caráter religioso convocadas pela Igreja res do soberano inglês, em favor de privilégios
Católica em direção ao Oriente. O símbolo aos senhores feudais.
do cristianismo é a cruz; daí advém o nome
cruzadas, que eram realizadas por nobres Desenvolvimento comercial
europeus, identificados como templários de
Cristo. As cruzadas tiveram importantes con- Lentamente, o feudalismo foi se enfra-
sequências no contexto europeu: quecendo, dando passagem a um novo sis-
• O mar Mediterrâneo, utilizado pe- tema econômico e social onde o acúmulo de
los árabes como rota marítima, passou a capital determinava a posição social do indi-
ser domínio dos italianos; víduo e o lucro gerado pela retomada do co-
• Retomada ou renascimento co- mércio na Europa ocidental conduzia a uma
mercial e urbano na Europa ocidental; nova era. O comércio teve papel de destaque
• Ruína financeira de muitos no- na transição do feudalismo para o capitalis-
bres depois das cruzadas; mo. Entre os séculos XIV e XV, três fatores
• Aumento do prestígio político dos foram os principais responsáveis pelo fim do
reis em relação aos senhores feudais. feudalismo: a Guerra dos Cem Anos, a fome
e a peste negra.
História 1 - Aula 5 50 Instituto Universal Brasileiro
A Guerra dos Cem Anos a fome e a peste levaram à morte cidadãos
de todas as classes sociais e a população da
De 1337 a 1453, mais de cem anos mar- Europa declinou em aproximadamente 30%.
cam o conflito militar entre França e Inglaterra Foram tantas as mortes que o flagelo da peste
pela disputa e posse da região comercial de negra foi associado ao fim dos tempos.
Flandres, atual Bélgica. Nesta guerra desta-
cou-se a heroína francesa Joana d’Arc, que
foi condenada à morte na fogueira pelo tribu- Ascensão da burguesia
nal da Santa Inquisição, acusada de cometer e formação das monarquias
bruxaria. Morreu aos 19 anos de idade.
O surgimento dos burgos

A princípio, os burgueses não pas-


savam de comerciantes que percorriam as
cidades medievais para vender suas mer-
cadorias. Desde o século X, ficaram conhe-
cidos como burgueses os habitantes dos
burgos. Como ainda havia o risco de ata-
ques e invasões, as cidades medievais fo-
ram surgindo ao redor dos feudos, perto de
castelos, onde as casas eram construídas
próximas às áreas com altas muralhas. Daí
a denominação de burguês para o habitan-
te do burgo.
Estátua de Joana d’Arc, Paris – França.
Ascensão da burguesia
As consequências da Guerra dos Cem
Anos foram a vitória da França sobre a Inglater- Com a crise do século XV, a Europa oci-
ra e a centralização política nas mãos dos reis. dental passou por grandes transformações
Os reis passaram a ocupar uma posição de su- econômicas e políticas, impulsionadas pelas
premacia em relação aos senhores feudais. inovações tecnológicas da época que levaram
à retomada do comércio e das cidades, pro-
A fome movendo a ascensão da burguesia. As cruza-
das foram responsáveis pela aproximação do
A fome e a miséria nos campos europeus mundo ocidental e o oriental.
levaram à morte milhares de pessoas. A que-
da na produtividade ocorreu devido às perdas Formação das monarquias
nas colheitas provocadas por fatores climáticos
como o frio intenso europeu; por vezes, as se- No período compreendido do século XI
cas, o uso inadequado do solo etc. Todas essas ao século XV deu-se a formação das monar-
causas levaram à fome, à subnutrição e à morte quias nacionais que consistiam na centrali-
de parte da população mais pobre da Europa. zação do poder nas mãos de único gover-
nante, o rei. A realeza contou com o apoio da
A peste negra burguesia. Para ambas era interessante que
houvesse a unificação dos reinos e, portan-
A peste bubônica ou peste negra (1347- to, a formação de uma unidade nacional ou
1350) foi uma epidemia que veio do Oriente país, a organização de leis, pesos, medidas
e que chegou à Europa por um navio vindo e de uma moeda padrão, que facilitassem as
de Gênova, um importante centro comercial transações comerciais e a obtenção do lucro
italiano. Entre os séculos XIV e XV, a guerra, gerado com o comércio.
História 1 - Aula 5 51 Instituto Universal Brasileiro
Revolução de Avis
• Os cavaleiros da Távola Redon-
A história de Portugal como nação remon- da (1953)
ta à Baixa Idade Média. Entre 1383 e 1385, Por-
• Excalibur (1981)
tugal passa pela chamada Revolução de Avis,
conseguindo a separação do reino de Castela, • O nome da rosa (1986)
tornando-se um Estado autônomo e centraliza-
do, o que permite a união de interesses do rei • As Brumas de Avalon (2001)
e da burguesia. Portugal atinge a formação de
Estado com um único rei, um século antes de • Coração de cavaleiro (2001)
países como a França, Espanha e Inglaterra.
• Tristão e Isolda (2006)

Linha do tempo – Principais fatos do


período da Idade Média Período das Grandes Navegações

482 Início do Reino Franco Os europeus planejavam se aventu-


rar pelos mares e oceanos em busca de
630 Surgimento do Império Árabe
riquezas e terras. Navegar era preciso...
Era a época dos descobrimentos marí-
timos. Os europeus acabaram por desco-
1000 Consolidação do feudalismo brir terras que nunca tinham ouvido falar,
um “novo mundo” ou América.
1096 Início das cruzadas

1215 Assinatura da Magna Carta


O pioneirismo português
inglesa Portugal foi o primeiro país da Europa
a iniciar a expansão marítima do século XV,
1231 Formação do Tribunal do Santo por determinação do governo português em
Ofício ou Inquisição levar adiante o projeto das navegações marí-
timas, apoiado pela burguesia que financiava
1337 Início da Guerra dos Cem Anos as expedições.
Esse país se sobressaiu nas áreas tec-
1385 Revolução de Avis - Início da nológica e militar. Na época, o nobre portu-
monarquia portuguesa guês D. Henrique incentivou as pesquisas
náuticas, a construção de caravelas e a cria-
1453 Tomada de Constantinopla ção de instrumentos que auxiliassem a na-
marca o fim da Idade Média vegação em alto-mar, como a bússola, o as-
trolábio, o quadrante, que eram os principais
inventos.

Navegar era preciso

O comércio com o Oriente era extre-


mamente lucrativo, sobretudo o realizado
Há vários filmes com ambientação
pelos árabes através da rota marítima que
medieval que se tornaram clássicos. Des-
utilizava o mar Mediterrâneo. Era de Cali-
tacam-se entre eles:
cute, nas Índias, que vinham as famosas e
• Ivanhoé, o vingador do rei (1952) caras especiarias.
Especiarias eram os temperos utiliza-
História 1 - Aula 5 52 Instituto Universal Brasileiro
dos na culinária da época. Como não havia
refrigeração, os temperos eram utilizados AMÉRICA
DO NORTE
EUROPA
ÁSIA
por conservar os alimentos. O sal, o açúcar, Açores
Ceuta
o gengibre, a pimenta, o orégano são alguns Cabo Bojador
Calicute
exemplos das especiarias que eram consu- Cabo Verde
ÁFRICA
midas pelos europeus.
AMÉRICA
DO SUL OCEANO
Rumo ao Atlântico OCEANO
Brasil Cabo da Boa ÍNDICO

PACÍFICO Esperança
OCEANO
As rotas marítimas que ligavam o mar ATLÂNTICO

Mediterrâneo às Índias eram controladas por


comerciantes italianos, oriundos de impor- Portugal
tantes cidades comerciais da Itália: Gênova, Expedições marítimas portuguesas
Veneza e Pisa, que compravam as merca-
dorias diretamente dos árabes. Portugal não
via vantagem nessas transações comerciais,
pois pagavam mais caro para consumirem as A Descoberta da América
mercadorias vindas do Oriente.
Em 1453, um acontecimento aumen- “Um navegante atrevido
tou as dificuldades em utilizar o Mediterrâ- Saiu de Palos um dia
neo como rota marítima, pois as rotas co-
merciais entre a Europa e o Oriente foram Vinha com três caravelas a Pinta, a Nina
interrompidas. A cidade de Constantinopla e a Santa Maria
que era um importante centro comercial foi Em terras americanas
tomada pelos turcos otomanos. Então, um
novo desafio para a realeza portuguesa foi Saltou feliz certo dia
o de buscar uma nova rota ou caminho ma- Vinha com três caravelas
rítimo para o Oriente, utilizando o Oceano
Atlântico. A Pinta, a Nina e a Santa Maria.”

(Trecho de Três caravelas, versão de Las três carabe-


las, de A. Algueró e G. Moreau, cantada por Caetano
Século XV - Expedições Veloso e Gilberto Gil)
marítimas portuguesas
Os versos fazem referência à expe-
1415 Tomada de Ceuta, ao norte da dição navegadora de Cristóvão Colombo
África. a serviço do rei da Espanha, partindo do
1418/ porto de Palos na Espanha em direção às
1432 Ocupação das ilhas de Açores.
Índias.
1434 Gil Eanes dobra o Cabo Bojador. Após a expulsão dos árabes da Espa-
nha, os espanhóis manifestaram interesse
1460 Descoberta das ilhas de Cabo pela navegação marítima. Cristóvão Colom-
Verde. bo organizou seu próprio plano de navega-
1488
ção. Acreditando na esfericidade da Terra,
Bartolomeu Dias dobra o Cabo
da Boa Esperança.
Colombo pretendia atingir as Índias nave-
gando pelo ocidente.
1498 Vasco da Gama atinge Calicu- Em 1492 a monarquia espanhola
te, nas Índias. apoiou o italiano Colombo, que numa via-
1500 Cabral oficializa a posse sobre gem pelo Atlântico buscando atingir as Ín-
o Brasil. dias, acabou descobrindo as terras da Amé-
rica em 12 de outubro.
História 1 - Aula 5 53 Instituto Universal Brasileiro
Veja no mapa as conquistas
das expedições espanholas

AMÉRICA EUROPA
DO NORTE ÁSIA
Américo Vespúcio, piloto e geógrafo,
México
também empreendeu várias viagens à América e
Descobre
a América
anunciou a existência de uma parte desconheci-
ÁFRICA da do mundo: aquela em que Colombo estivera.
Peru
Em sua homenagem, essas terras foram batiza-
AMÉRICA
DO SUL
OCEANO das de “América” ou “Novo Mundo”.
ÍNDICO
OCEANO
PACÍFICO OCEANO Viagem de
Viagem de ATLÂNTICO circunavegação
circunavegação

Espanha
Expedições marítimas espanholas
A disputa entre Portugal e Espanha pe-
las terras da América gerou um conflito que
1492 Cristávão Colombo descobre a foi mediado pelo papa Alexandre VI. O papa
América. estabeleceu a Bula Inter Coetera que deter-
1519/ minava a parte das terras que caberia a cada
Primeira viagem de circunave- um dos países. Posteriormente, em 1494, re-
1522
gação feita por Fernão de Ma- presentantes dos dois países se reuniram na ci-
galhães e Sebastián Elcano. dade de Tordesilhas, na Espanha, e assinaram
1519 Hermán Cortés conquista o Mé- o Tratado de Tordesilhas. Esse tratado dividiu
xico. o mundo através do meridiano a 370 léguas a
oeste do arquipélago do Cabo Verde; as terras
1531 Francisco Pizarro inicia a con- localizadas a oeste caberiam aos espanhóis e
quista do Peru. as que ficavam a leste, aos portugueses.

Idade Média: do feudalismo à ascensão da burguesia


Idade Média – Quase mil anos de história
(início) 476 – século V 1453 – século XV (fim)
Queda do Império Romano Ocidental Queda de Constantinopla Império Bizantino
Alta Idade Média (do séc. V ao IX) Baixa Idade Média (do séc. X ao XV)

Contexto histórico Período das Grandes Navegações


No contexto histórico da Idade Média des- • Século XV (de 1415 a 1500) - Con-
tacam-se: quistas das expedições portuguesas:
Ceuta, Açores, Cabo Bojador, Cabo Verde,
► Invasões bárbaras e o Império Bizantino; Cabo da Boa Esperança (África), Índias e
► Expansão do Império Árabe; Brasil.
► Feudalismo;
► O poder da Igreja Católica em Roma; • Séculos XV e XVI (de 1492 a 1531)
► Transição do feudalismo para o capitalismo; - Conquistas das expedições espanho-
► Ascensão da burguesia e formação das las: América, viagem de circunavegação,
monarquias. México e Peru.

História 1 - Aula 5 54 Instituto Universal Brasileiro


3. (Cefet/PR. Adaptada) Na metade
do século 15, ocorreu na Europa ocidental
uma violenta epidemia que ficou conheci-
da como a Peste Negra. Calcula-se que
a epidemia tenha eliminado um terço da
1. (Fuvest. Adaptada) Sobre as invasões população europeia. Sua principal conse-
dos “bárbaros” na Europa Ocidental, ocorridas quência foi:
entre os séculos 3 e 9, é correto afirmar que:
a) ( ) incentivar os europeus a se lan-
a) ( ) foi uma ocupação militar violenta çarem nas grandes navegações, buscando
que, causando destruição e barbárie, acarre- novas terras livres de doença.
tou a ruína das instituições romanas. b) ( ) promover o enfraquecimento das
b) ( ) se, por um lado, causaram des- monarquias europeias, facilitando as inva-
truição e morte, por outro, contribuíram, de- sões árabes, principalmente na Espanha e
cisivamente, para o nascimento de uma nova em Portugal.
civilização, a da Europa Cristã. c) ( ) recompor sua força de traba-
c) ( ) se não fossem elas, o Império Ro- lho, os europeus procurarem utilizar a mão
mano não teria desaparecido, pois, superada de obra escrava que era fornecida pelos
a crise do século 3, passou a dispor de uma árabes, que dominavam o tráfico há vários
estrutura socioeconômica dinâmica e de uma séculos.
constituição política centralizada. d) ( ) a morte de milhões de pessoas,
d) ( ) os godos foram os povos menos principalmente de camponeses, alterou as
importantes, pois quase não deixaram marcas relações de produção econômica, aceleran-
de sua presença. do a decadência do feudalismo.

2. (PUC-SP. Adaptada.) “O camponês


nunca bebe o produto de suas vinhas, nem 4. (Fuvest) “Os cosmógrafos e nave-
prova uma migalha do bom alimento: muito fe- gadores de Portugal e Espanha procuraram
liz será se puder ter seu pão preto e um pouco situar estas costas e ilhas da maneira mais
de sua manteiga e queijo...” conveniente aos seus propósitos. Os espa-
(HUBERMAN, Leo. História da Riqueza do Homem. nhóis situam-nas mais para o Oriente: os
Rio de Janeiro: LTC, 1986.) portugueses, por sua vez, situam-nas mais
Marque a alternativa correta em relação para o Ocidente, pois deste modo entrariam
ao texto que traduz o tratamento do campo- em sua jurisdição.”
nês no período do feudalismo. (Adaptação da Carta de Robert Thorne, comerciante
inglês, ao rei Henrique VIII, em 1527.)
a) ( ) Os camponeses, chamados de ser-
vos, exerciam a função de escravos, pois podiam O texto remete diretamente:
ser vendidos junto com as propriedades de terras.
b) ( ) O sistema de deveres e obrigações a) ( ) à competição entre os países
sobre a posse da terra tornava os servos livres retardatários na corrida pelos descobri-
para usufruir, como quisessem, de suas terras. mentos.
c) ( ) Os servos eram livres, possuíam b) ( ) às disputas entre países euro-
terras produtivas em abundância, pois tinham peus, decorrentes do Tratado de Tordesi-
liberdade de produzir e utilizar seus instru- lhas.
mentos de trabalho. c) ( ) à aliança das duas monarquias
d) ( ) A obrigação de trabalhar, sem pa- ibéricas na exploração marítima.
gamento, somente garantir a sua subsistên- d) ( ) aos esforços dos cartógrafos
cia nas terras dos seus senhores os colocava para mapear com precisão as novas des-
numa vida miserável. cobertas.
História 1 - Aula 5 55 Instituto Universal Brasileiro
3. d) ( x ) a morte de milhões de pes-
soas, principalmente de milhões de cam-
poneses, alterou as relações de produ-
ção econômica, acelerando a decadência
do feudalismo.
1. c) ( x ) se não fossem elas, o Im-
pério Romano não teria desaparecido, Comentário. A crise do século XIV
pois, superada a crise do século 3, pas- motivada pela fome, guerras e a peste ne-
sou a dispor de uma estrutura socioeco- gra aceleraram a crise do feudalismo. A
nômica dinâmica e de uma constituição peste bubônica ou peste negra (1347-1350)
política centralizada. foi uma epidemia que veio do Oriente e que
chegou à Europa por um navio vindo de
Comentário. Entre os fatores determi- Gênova, um importante centro comercial
nantes da ruína do Império Romano estão as italiano. A população da Europa declinou
invasões bárbaras que ocorreram por causa em aproximadamente 30% e foram tantas
das migrações de povos vindos do norte da as mortes que o flagelo da peste negra foi
Europa – migrações nem sempre violentas. associado ao fim dos tempos. As pessoas
Entre os diferentes grupos destacam-se os abandonavam as cidades e nos campos
bárbaros na península Itálica e os godos, de- muitas aldeias foram abandonadas. O mo-
pois os muçulmanos, na península Ibérica. Os vimento das cruzadas favoreceu a expan-
godos, citados na alternativa d, sobretudo os são para novas terras. A Igreja Católica
visigodos, um dos ramos dos povos germâ- oferecia proteção e incentivava os nobres
nicos godos, tiveram um papel importante na que se aventuravam nas cruzadas. Sem
Europa, particularmente na península Ibérica, dúvida, as populações da Europa medie-
onde substituíram o domínio romano na Hispâ- val se sentiram atraídas pelo Oriente, pois
nia, reinando de 418 até 711, ano em que os se sabia que a região era das mais ricas e
muçulmanos invadiram a península Ibérica. prósperas. Era o início de uma nova fase: a
do capitalismo.
2. d) ( x ) A obrigação de trabalhar,
sem pagamento, somente garantir a sua 4. b) ( x ) às disputas entre países
subsistência nas terras dos seus senho- europeus, decorrentes do Tratado de Tor-
res os colocava numa vida miserável. desilhas.

Comentário. O camponês ou servo Comentário. O texto faz referência


era um trabalhador semilivre que estava à assinatura do Tratado de Tordesilhas de
condicionado a servir o seu senhor feudal 1494 entre Portugal e Espanha. Este trata-
em troca de subsistência e a ter uma vida do foi assinado para solucionar as dispu-
miserável. Em relação ao escravo, a dife- tas entre os dois países, quanto à posse
rença é que o servo não era propriedade de das novas terras. O tratado estabelecia a
ninguém e não podia ser vendido. Garantia divisão do mundo em duas partes, a partir
ao senhor a maior parcela daquilo que era de uma linha imaginária que ficava a 370
produzido nos feudos. Não era possível se léguas a oeste das ilhas de Cabo Verde.
ausentar do feudo, pois estava preso a la- As terras já encontradas, ou que viessem a
ços de servidão. Caso isso acontecesse, o sê-lo, a oeste desse marco pertenceriam à
senhor ou nobre teria o direito de perseguir Espanha. As terras situadas a leste perten-
e castigar severamente o servo. Os servos ceriam a Portugal. Os demais países eu-
constituíam a grande massa da população ropeus como Inglaterra, França e Holanda
e viviam o grande conflito de não terem a retardaram o início do processo de nave-
propriedade da terra e, ao mesmo tempo, gações, pois se encontravam ocupados em
não poderem abandoná-la. resolver problemas internos.
História 1 - Aula 5 56 Instituto Universal Brasileiro

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