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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ

PSICOLOGIA

TEORIAS E TÉCNICAS PSICOTERÁPICAS

RAPHAEL FERREIRA DE AVILA

ROSANGELA BORRÉ C. GRATIVOL

ANÁLISE DE UM ESTUDO DE CASO

Rio de Janeiro
2019
Esta análise busca refletir sobre um estudo de caso, a partir das premissas e
pressupostos de Wilhelm Reich, tendo por objetivo construir um entendimento dinâmico do
caso, com perspectivas de intervenção terapêuticas eticamente orientada.
Segundo Reich (2004), o adoecimento psíquico pode estar intimamente ligado à
satisfação sexual e orgástica de uma pessoa.

A gravidade de todas as formas de enfermidade psíquica está diretamente


relacionada com a gravidade da perturbação genital [...] As probabilidades de cura e
o sucesso da cura dependem diretamente da possibilidade de estabelecer a
capacidade para a satisfação genital plena. (REICH, 2004, p.90).

Reich, em sua teoria, defende o princípio básico da indissociabilidade entre corpo e


mente, o que nos dará suporte para entendermos a saúde emocional. Ele delineou em sua tese
que cada parte do corpo danificada promove um tipo de reação psicoemocional.
Ao utilizar a anamnese sobre o histórico familiar, histórico afetivo, social, profissional
e de saúde, buscou-se articular as representações de seu sofrimento às manifestações de
adoecimento, a partir da descrição a seguir: “mulher branca, 27 anos, recém-formada em
Licenciatura de Química, atualmente desempregada, mãe de criança com 6 meses, mantém
união estável, mas passando por processo de separação. Acaba sempre se envolvendo em
mais coisas do que conseguia dar conta, segundo estudo de caso.”
Para Reich, sentir é perceber um movimento interno, se não há movimento, não há
sentimento. Nessas circunstâncias, em situações vividas como amedrontadoras ou dolorosas,
inconscientemente, o ser humano se contrai.
Na sequência dos fatos, “a paciente sofreu episódios de surtos recentes envolvendo
ansiedade, pânico e modos agressivos. Apresenta medo de perder o filho, dificuldade em
lidar com problemas, dependente da mãe inclusive financeiramente. Passa impressão de
ingenuidade e de ser menos inteligente do que realmente é. Sua linguagem é pobre
eventualmente, troca termos comuns. Aponta comportamento impulsivo e imprevisível, e
sofre de insônia. Demonstra nervosismo o dia inteiro, logo surgiram episódios de violência e
agressão ao companheiro, que buscava se defender, segundo estudo de caso.”
Reich assegura que a quantidade de energia que uma pessoa tem e como a usa
determinam o modo como responde às situações da vida. Se as circunstâncias ou os outros
não permitem que a pessoa descarregue a energia que possui através de atividades saudáveis
e prazerosas, ela, através da fúria e da revolta, extravasará essa energia ou a represará em
alguns pontos do corpo, criando nódulos de tensão.
“Depois da separação passou a parar de cuidar de si, sem tomar banho, lavar cabelos
ou trocar de roupas. Emagreceu bastante e depois, começou a engordar e se isolou. Mãe
manipuladora e sempre tiveram vários conflitos. Vários episódios de ansiedade. Relata
sensação de sufocamento, segundo estudo de caso.”
Na teoria de Reich, as emoções de bem-estar estão relacionadas aos fatos que nos
proporcionam prazer, que nos é agradável. Por outro lado, as emoções que nos causam mal-
estar – o medo, a raiva, e o ódio nascem da experiência e da antecipação da dor.
“Havia noites que saia nas ruas apenas com as roupas do corpo, quando alguém a
olhava forte, ficava meio paralisada, meio tonta e perdia a noção da memória por momentos, e
por segundos sentia tonteira e perdia a noção. Já teve comportamento suicida. Aparentemente
para sua mãe não apresentava problemas. A paciente desorientou, segundo estudo de caso.”
Com base nas formulações reichianas do encouraçamento, o endurecimento emocional
leva ao bloqueio do livre fluxo de energia corporal, criando tensões decorrentes da estagnação
da energia. Dessa forma, são manifestações patológicas, no sentido em que bloqueiam o
funcionamento vital, a troca energética do indivíduo com seu meio ambiente, com as pessoas
ao seu redor, bem como, entre seus orgãos internos.
Numa análise bem fundamentada dentro dos pressupostos reichianos, que visa
salvaguardar a capacidade natural do sujeito, cooperando para que ele busque saciá-la,
permitindo-lhe sair em busca da descoberta. Nesse sentido, denota a importância de um
diagnóstico fiel aos métodos de avaliação psicológica, bem como a necessidade de um
procedimento humanitário considerando o sujeito como algo mutável, dinâmico e
multideterminado, imerso num contexto mais amplo além da consulta psicológica.
É preciso inferir que a incumbência da avaliação não é rotular e simplesmente apontar
o que o sujeito é, mas sim descrever suas características considerando o seu desenvolvimento
e buscando compreender o contexto de vida desse sujeito.

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