Você está na página 1de 321

Avelino Alves Filho, prof. Dr.

Elementos Finitos
A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear - Avelino Alves Filho - 1ª Edição
2 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear - Avelino Alves Filho - 1ª Edição
3

Avelino Alves Filho

Elementos Finitos
A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

1ª Edição

[!Jér1ca Saraiva

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear - Avelino Alves Filho - 1ª Edição
4 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação {CIP)


{Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Alves Filho, Avelino


Elementos finitos: a base da tecnologia CAE: análise não linear/ Avelino Alves Filho
1. ed. -- São Paulo: Érica, 2012.

Bibliografia.
ISBN 978-85-365-1972-2

1. Engenharia auxiliada por computador 2. Método dos elementos finitos


I. Título.

12-03459 Editado também como livro impresso CDD-620.00151535

Índice para catálogo sistemático:


1. Elementos finitos : Método : Análise não linear : Engenharia 620.00151535
2. Método dos elementos finitos : Análise não linear : Engenharia 620.00151535

Copyright© 2012 da Editora Érica Ltda.


Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem prévia autorização da
Editora Érica. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei n!I 9.610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal.

Coordenação Editorial: Rosana Arruda da Silva


Capa: Maurício S. de França
Editoração e Finalização: Adriana Aguíar Santoro
Carla de Olíveíra Moraís
Grazíele Karina Líbomi
Rosana Ap. A. dos Santos

O Autor e a Editora acreditam que todas as informações aqui apresentadas estão corretas e podem ser utílízadas para qualquer fim legal. Entre-
tanto, não exíste qualquer garantia, explícita ou implícita, de que o uso de taís informações conduzirá sempre ao resultado desejado. Os nomes
de sítes e empresas, porventura mencionados, foram utilizados apenas para ilustrar os exemplos, não tendo v ínculo nenhum com o livro, não
garantindo a sua existência nem divulgação. Eventuais erratas estarão disponíveis para download no síte da Editora Érica.

Conteúdo adaptado ao Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, em execução desde 1Qde janeiro de 2009.

A Ilustração de capa e algumas imagens de míolo foram retiradas de <www.shutterstock.com>, empresa com a qual se mantém contrato ativo na
data de publicação do livro. Outras foram obtidas da Coleção MasterClips/MasterPhotos© da IMSI, 100 Rowland Way, 3rd floor Novato, CA 94945,
USA, e do CorelDRAW X5 e X6, Corei Gallery e Corei Corporation Samples. Copyright© 2013 Editora Érica, Corei Corporation e seus lícenciadores.
Todos os díreítos reservados.

Todos os esforços foram feítos para creditar devidamente os detentores dos direitos das imagens utilizadas neste lívro. Eventuais omissões de
crédito e copyright não são íntencíonaís e serão devidamente solucionadas nas próximas edições, bastando que seus proprietários contatem os
editores.

Seu cadastro é muito importante para nós


Ao preencher e remeter a ficha de cadastro constante no site da Editora Érica, você passará a receber informações sobre nossos
lançamentos em sua área de preferência.
Conhecendo melhor os leitores e suas preferências, vamos produzir títulos que atendam suas necessidades.

1! Edição

Editora Érica Ltda. 1Uma Empresa do Grupo Saraiva


Rua Henrique Schaumann, 270
Pinheiros - São Paulo - SP - CEP: 05413-01O
Fone: ( 11) 3613-3000
www.editoraerica.com.br

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Línear - Avelino Alves Fílho - 1ª Edíção
5

Dedicatória

Aos meus filhos Gabriela e Pedro, e ao meu netinho Benício;


'
A minha mulher Silvana;
'
A memória do meu querido pai Avelino, fonte de exemplos;
'
As minhas queridas mãe e irmã, Lídia e Carmen Lídia.

"Em tudo vos tenho mostrado que assim,


trabalhando, convém acudir os fracos e
lembrar-se das palavras do Senhor Jesus,
, porquanto ele mesmo disse:
E maior felicidade dar que receber!"

Atos dos Apóstolos 20, 35

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
6 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

Agradecimentos

Ao professor Nikolaj Lebedev, que desempenhou papel fundamental na minha formação profissional, esteja onde esti-
ver. Mostrou-me os caminhos e não atalhos.
Ao professor doutor Carlos Alberto Nunes Dias, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, pelo apoio amigo
'
e orientação de sempre. A memória deste grande ser humano, esteja onde estiver. Pelo que fez e pelas suas atitudes só
pode estar em um lugar bom.
Aos colaboradores do NCE. Em particular ao Sr. Eduardo Camargo pelo apoio na condução das multitarefas do nosso
dia a dia, na Engenharia e nos Treinamentos do NCE, e a Sra. Daniela de Sousa pelo apoio nos nossos Programas de
Treinamento em CAE.
,
Aos profissionais da Editora Erica pela dedicação, compreensão, boa vontade e respeito ao autor, na realização dos
trabalhos deste livro. O meu contato com os profissionais desta editora, desde o primeiro livro nesta área, só tem me
trazido satisfação.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
7

Sumário

Capítulo 1 - Introdução ao Estudo dos Fenômenos não Lineares em Análise Estrutural pelo Método dos
Elementos Finitos.................................................................................................................................... 17
1.1 O M'lllldo é não Linear ............................................................................................................................................. 17
1.2 Por que a Rigidez da Estrutura Varia? ..................................................................................................................... 24
1.3 Não Linearidades Associadas ao Material ............................................................................................................... 27
1.4 Não Linearidades Associadas a Alterações de Propriedades Físicas e Grandes Defonnações ................................ 28
1.5 Não Linearidades Associadas a Alterações de Geometria - Grandes Deslocamentos ............................................. 30
1.6 Não Linearidades Associadas à Mudança das Condições de Contorno: O Problema de Contato ........................... 32
1.7 Primeira Ideia de como Atualizar a Rigidez: Entenda o que Vem Adiante.............................................................. 33
1.8 Já que o Mundo é não Linear, por que Muitas Vezes o Tratamos como Linear? ..................................................... 38

Capítulo 2 - Solução de Problemas Básicos não Lineares ........................................................................................ 43


2. 1 Introdução ............................................................................................................................................................... 43
2.2 O Problema Básico da Plasticidade -Alteração da Matriz de Rigidez da Estrutura com o Carregamento ............. 44
2.3 O Problema Básico da não Linearidade Geométrica: Quando as Grandes Deflexões Alteram a Equação
de Equilíbrio ao longo do Carregamento e a Rigidez Varia .................................................................................... 55
2.4 Quando a não Linearidade Geométrica Vem Acompanhada de Instabilidade da Estrutura - Os Deslocamentos
Aumentam sem o Aumento da Carga ...................................................................................................................... 57
2.5 Nos Problemas com Muitos Graus de Liberdade, em que não há Solução Analítica, como Detenninar
a Evolução dos Deslocamentos em Função da Carga? Preparo da Abordagem dos Casos Gerais ......................... 63
2.6 O Problema Básico do Contato: Quando as Condições de Contorno Definidas no Início
da Análise se Alteram - Como o Software Entende Isso no Meio do Processo de Análise? ................................... 65
2. 7 Exercício - Aplicação Numérica de GAP/Contato ................................................................................................... 68

Capítulo 3 - Não Linearidade Geométrica: Entendimento do Conceito a partir dos Elementos


Unidimensionais - Generalizações ......................................................................................................... 85
3.1 Introdução ................................................................................................................................................................ 85
3.2 Entenda o Acoplamento entre Cargas Axiais e Flexão a partir do Elemento de Viga: Matriz de Rigidez
Geométrica - Generalizando.................................................................................................................................... 90
3.3 Uma Aplicação Prática da Teoria Utilizando a Ferramenta Computacional: Grandes Deflexões em Viga ............ 97
3.4 Mais uma Aplicação Prática da Teoria Utilizando a Ferramenta Computacional: Grandes Deflexões em
Placa - Matriz de Rigidez Geométrica ................................................................................................................... 108
3.5 Mais uma Aplicação Importante: A Instabilidade Estrutural ("Flambagem") - Método do Autovalor.................. 118
3.6 Aplicação Prática do Método do Autovalor: Flambagem de Coluna Simples ....................................................... 121

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
8 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

3. 7 O Estudo das Grandes Deformações - Primeira Abordagem ................................................................................. 126


3.8 Por que Utilizar Diferentes Tipos de Tensões? A Tensão de Cauchy e a 1ª Tensão de Piola-Kirchhoff ............... 130
3.9 Uma Aplicação das Grandes Deformações - Materiais Hiperelásticos: A Elasticidade da Borracha .................... 138
3.1 OObservações Finais ao Estudo das Grandes Deformações: Sistema Corrotacional - Uma Ideia Inicial ............. 149

Capítulo 4 - Formulação Geral do Método dos Elementos Finitos para Análise não Linear:
Introdução da Notação Tensorial ........................................................................................................ 151
4.1 Introdução .............................................................................................................................................................. 151
4.2 A Caminho da Formulação Geral do Método - O Tensor Gradiente de Deformação e a
Abordagem Lagrangiana................ ....... ....... ....... .............. ....... ....... ....... ................................................................205
4.2.1 Conceitos Iniciais .............................. ....... .............. ....... ....... ....... ....... ....... ....... ........................................ ...205
4.2.2 Generalização do Tensor Gradiente de Deformação ...................................................................................214
4.2.3 Teorema da Decomposição Polar de Cauchy ..............................................................................................218
4.3 Formulação Geral do Método dos Elementos Finitos ............................................................................................220

Capítulo 5 - Complementos sobre Plasticidade e Contato ..................................................................................... 231


5. 1 Introdução ..................................................................................................... .............. ....... ....... ....... ....... ....... ....... .231
5.2 Introdução aos Tópicos de Plasticidade .................................................................................................................231
5.3 Critérios de Escoamento ........................................................................ ....... ....... ....... .............. .............................233
5.3 .1 Critério de Von Mises para Materiais Dúcteis ............................................................................................23 3
5.3 .2 Critério de Tresca - Tensão de Cisalhamento Máxima ...............................................................................238
5.3 .3 Representação Geométrica dos Critérios ....................................................................................................238
5.3.4 Tensão Efetiva e Deformação Efetiva .........................................................................................................240
5.4 Relações Plásticas de Tensão e Deformação ..........................................................................................................240
5.5 Lei da Decomposição ......... ....... ....... ....... ....... ....... ....... .................................................................... ....... ....... ....... .241
5.6 Equações entre Deformações e Tensões na Plasticidade - Regra de Escoamento .................................................243
5.6.1 Equações de Levy-Mises - Sólido Plástico Ideal ........................................................................................243
5.6.2 Equações de Prandtl-Reuss - Sólido Elastoplástico ....................................................................................245
5.7 Lei de Encru.amento ........... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....................................................... 247
5.8 Uma Aplicação Prática Numérica Utilizando a Ferramenta Computacional - Não Linearidade
Envolvendo Plasticidade .... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ............................................... ....... .249
5.9 Alguns Comentários Adicionais sobre Contato .....................................................................................................253
5.9. 1 Introdução ...................... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ....... ................................. ....... .253
5.9 .2 Conceitos Associados ao Conta.to ............................................................................................................... 254
5.9.3 Uma Aplicação Prática Numérica Utilizando a Ferramenta Computacional - Aplicação de Contato ........255

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
9

Capítulo 6 - Uma Introdução a Alguns Problemas não Lineares Dinâmicos ....................................................... 261
6. 1 Introdução ..............................................................................................................................................................261
6.2 Integração Direta - Métodos Explícitos - Diferença Central .................................................................................263
6.3 Integração Direta - Métodos Implícitos .................................................................................................................27 5

Capítulo 7 - Introdução aos Métodos Iterativos ...................................................................................................... 279


7. 1 Introdução ..............................................................................................................................................................279
7.2 Um pouco dos Recursos Computacionais..............................................................................................................281
7.3 O Método de Newton-Raphson .............................................................................................................................282
7.4 Aplicação Numérica do Método de Newton-Raphson...........................................................................................289
7.5 Sugestões para Estudos de Outros Métodos ..........................................................................................................293

Apêndice A - Modelos em Cores - Revisão dos Conceitos Estudados no Livro.................................................... 297

Bibliografia ••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 313


,
lndice Remissivo••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••••• 315

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
10 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear - Avelino A lves Filho - 1ª Edição
11

Prefácio

Este trabalho corresponde à continuidade natural dos conceitos estudados nos livros Elementos Finitos - A Base da
Tecnologia CAE e Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/Análise, Dinâmica. A partir deles, entraremos no
fascinante e imprevisível mundo da análise não linear estática e dinâmica. E o mundo no qual as respostas são obtidas
por tentativas e iterações e sujeitas à ocorrência de instabilidades.
A estrutura conceitua! do presente texto aproveita, a partir de exemplos simples, o entendimento geral do problema não
linear, para posteriormente, de forma segura, imergir nas generalizações do método.
Um dos pontos mais importantes e que contribui comprovadamente para o sucesso e progresso no uso dos recursos de
CAE, e que tive a oportunidade de verificar nestes anos trabalhando nessa área, está relacionado aos conceitos fundamen-
tais obrigatórios na utilização da tecnologia CAE. A base conceitua! é fundamental para o aprendizado do método dos
elementos finitos e consequentemente para o manuseio de programas. Justifica-se, portanto, a filosofia de abordagem:
Se o engenheiro não sabe modelar o problema sem ter o computador, ele não deve fazê-lo tendo o computador.
Se no estudo das análises lineares estática e dinâmica isso é verdade, com muito mais propriedade podemos aplicar essa
filosofia no estudo da análise não linear. Vivemos hoje no mundo da terceirização. Sem exagero, muitos usuários ''ter-
ceirizam'' com os softwares a execução dos seus modelos. Devemos ''terceirizar'' e deixar para os softwares as rotinas
numéricas. O entendimento do problema fisico é responsabilidade do usuário. Sem ele, sem nenhum exagero, qualquer
análise não linear toma-se uma temeridade. Este é então o foco deste trabalho. Oferecer esse conhecimento que sirva
como alicerce para o uso da ferramenta computacional.
Com vistas a superar essas dificuldades, ao longo do texto introduzimos não só as técnicas matriciais envolvidas na aná-
lise não linear, como os processos incrementais e iterativos, mas também oferecemos uma revisão dos conceitos-chave
dos fenômenos a serem tratados, sem os quais o entendimento do método dos elementos finitos em análise não linear
ficaria comprometido.
Espero que este trabalho possa contribuir para a formação daqueles que iniciam seus estudos nas aplicações do método
dos elementos finitos não lineares e para aqueles que queiram fazer uma revisão dos seus conceitos.

Avelino Alves Filho

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
12 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear - Avelino A lves Filho - 1ª Edição
13

Apresentação

Este livro aborda o método dos elementos finitos em análise não linear com uma visão equilibrada entre os fenômenos
fisicos e os recursos da matemática aplicada, aliando o rigor científico exigido a uma linguagem clara e precisa.
Do ponto de vista didático podemos enxergar a divisão deste livro em duas partes:
Primeira Parte: Capítulos 1 e 2
O estudo do método dos elementos finitos em análise não linear se inicia pela apresentação dos diversos tipos de não
linearidades no capítulo 1. Aproveitando a apresentação do capítulo 1, o capítulo 2 introduz diversos exercícios de modo
que o leitor possa manualmente entender e verificar como controlar os problemas das grandes deflexões, plasticidade e
contato entre partes de uma estrutura.
Segunda Parte: Capítulos 3 a 7
São estudados os diversos conceitos aplicados aos casos mais gerais de elementos finitos. A aplicação da não linearidade
geométrica é feita a partir do elemento de viga para posteriores generalizações. São tratadas as questões referentes às
instabilidades e aplicações de grandes deformações em materiais. A formulação geral do método é tratada com o apoio
do estudo dos tensores. Esse estudo em particular é visto sempre pelos leitores como algo intratável pela linguagem
compacta que é normalmente introduzida sem muita cerimônia. Para facilitar a vida do leitor, partimos do caso contro-
lado da aplicação unidimensional na qual o conceito é bem visível, alçando voos maiores até o caso tridimensional. Aí
surge o entendimento do porquê da utilização da notação tensorial ou indicia!. Desta forma, mostramos ao leitor que ela
é incluída para facilitar a sua vida e não complicá-la. O problema é que muitas vezes este tema é introduzido pelo seu
final, como se fosse uma coisa óbvia, e realmente não é.
Exercícios ao Longo do Texto: Aplicações de Solução Manual e Computacional
Este livro de análise não linear é sem dúvida um dos temas mais desafiadores de elementos finitos. Para facilitar, procu-
ramos seguir exatamente a mesma linha ou a mesma ''lógica'' dos dois livros anteriores. Colocamos, ao longo do texto,
exercícios cuja solução é manual ou uma aplicação numérica computacional, portanto exercícios para que o usuário de
um software qualquer possa encaminhar a solução do mesmo problema à plataforma com que ele trabalha, qualquer que
ela seja.
Assim, vamos aos detalhes:
Capítulo 1: é uma introdução e não tem exercícios, pois apresenta os fenômenos de não linearidades a serem estudados
no livro todo.
Capítulo 2: nele já começam os exercícios, a saber:
• Exercício de plasticidade
• Exercício de não linearidade geométrica
• Exercício de não linearidade geométrica com instabilidade
• Aplicação numérica de GAP - exercício computacional
• Exercício de aplicação numérica de GAP - exercício numérico de solução completa manual
• Exercício de aplicação numérica de contato com solução manual - Quadro III
• Aplicação numérica de contato com solução computacional - Quadro IV

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
14 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

Capítulo 3: tem uma parte teórica mais geral, pois introduz conceitos mais pesados do método, após o capítulo 2 ter de-
senvolvido a teoria básica praticamente somente com exercícios, para introduzir este tema tão complexo de modo mais
agradável ao leitor. A rigor, tudo que foi feito no capítulo 2 agora é efetuado de maneira mais formal.
)( Aplicação numérica de não linearidade geométrica com ferramenta computacional - vigas
)( Mais uma aplicação numérica de não linearidade geométrica com ferramenta computacional - placas
)( Mais uma aplicação computacional - aplicação prática numérica de um vagão: caso real
)( Exercício de não linearidade geométrica com solução manual
Capítulo 4: aborda uma das partes mais complexas da não linearidade, pois envolve a linguagem tensorial. Os exercí-
cios presentes neste capítulo são de verificação computacional.
)( Aplicação numérica de estado uniaxial de tensões e de ferramenta computacional - Quadro X
)( Aplicação numérica de estado biaxial de tensões e de ferramenta computacional - Quadro X
)( Aplicação numérica de estado triaxial de tensões e de ferramenta computacional - Quadro X
)( Exercício de tensor gradiente de deformação - solução completa manual
)( Exercício de tensor gradiente de deformação - solução completa manual de interpretação do significado do tensor
)( Exercício de tensor gradiente de deformação - solução completa manual de interpretação do significado do tensor
bidimensional
)( Exercício de tensor gradiente de deformação e teorema de decomposição de Cauchy
Capítulo 5: aborda a plasticidade, que já foi estudada com exemplos simples no capítulo 2.
)( Aplicação numérica de plasticidade com ferramenta computacional
)( Aplicação numérica de contato com ferramenta computacional
Capítulo 6: apresenta a dinâmica não linear.
)( Exercício de análise dinâmica não linear com solução manual - método explícito
)( Exercício de análise dinâmica não linear com solução computacional - método explícito
)( Exercício de análise dinâmica não linear com solução computacional - método implícito e comparação com o mé-
todo explícito
Capítulo 7: descreve os métodos iterativos.
)( Exercício numérico manual do método de Newton-Raphson
Apêndice: Alguns exemplos práticos - modelos em cores - revisão dos conceitos estudados no livro.
No apêndice, a título de ilustração, são mostrados alguns modelos em elementos finitos de casos práticos, com o objetivo
de motivar o leitor a enxergar nas aplicações representadas o uso da teoria.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
15

Sobre o Autor

Avelino Alves Filho, nascido em Santos, é engenheiro, mestre e doutor em Engenharia pela Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo. Foi professor dos cursos de pós-graduação do Programa de Educação Continuada em En-
genharia (PECE) da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, na área de Elementos Finitos durante 17 anos. Já
publicou 12 livros na área de Ciências Físicas.
,
E diretor geral do Núcleo de Cálculos Especiais (NCE, www.nce.com.br), empresa de treinamento, implantação de tec-
nologia CAE e fornecedora de serviços na área de CAE.
Possui grande vivência em transferência de conceitos do método dos elementos finitos, em função de sua experiência
prática durante 37 anos em projetos de engenharia utilizando o método, aliada a uma eficiente estrutura didática, unindo
a visão conceitua! ao software aplicativo e aos projetos piloto para empresas.
Utilizando esta filosofia de abordagem, implantou a tecnologia CAE e desenvolveu programas de treinamento nas se-
guintes empresas: Petrobrás, Volkswagen Caminhões, Metrô de São Paulo, DaimlerChrysler (Mercedes-Benz), MWM
Motores Diesel, Embraer, Tupy Fundições, Grupo Maxion, OPP Petroquímica, Ford Brasil, Pirelli Pneus, Samsung,
Nokia, Indústrias Villares etc.
Tem grande experiência em serviços de análise estrutural, aplicando os recursos do método dos elementos finitos na
simulação do comportamento de navios, ônibus, caminhões, chassi de veículos, vagões, carros de metrô, estruturas
metálicas e componentes mecânicos em geral. Tem prestado serviços nessa área, por intermédio do NCE, para as em-
presas Volkswagen Caminhões, Metrô de São Paulo, Bombardier, DaimlerChrysler (Mercedes-Benz), MWM Motores
Diesel, Grupo Maxion, OPP Petroquímica, Dana Industrial, Motores Cummins, Eaton do Brasil e Inglaterra, Ford Brasil,
ZF do Brasil etc.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
16 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear - Avelino A lves Filho - 1ª Edição
.-·••• ····
.••••
.••
1

Introdução ao Estudo dos Fenômenos


não Lineares em Análise Estrutural
pelo Método dos Elementos Finitos

Estabelecer a base para a análise não linear a partir de exemplos simples.


Construir os primeiros modelos para a discretização de problemas não lineares.

1.1 O Mundo é não Linear


No estudo das análises estruturais estática e dinâmica, normalmente é focalizada a atenção na concepção dos modelos
de cálculo lineares que permitem determinar os deslocamentos, as deformações e as tensões atuantes nos elementos de
uma estrutura e nos componentes mecânicos em geral. O conhecimento dessas respostas é fundamental para a avaliação
da resistência mecânica da estrutura.
Na análise estática, a carga não variava com o tempo, ou variava tão lentamente, que estávamos apenas interessados no
seu valor máximo, ou seja, o tempo de duração do fenômeno era irrelevante. Assim, as forças de inércia eram descon-
sideradas. Do ponto de vista energético, sabemos que as forças atuantes na estrutura, ao deslocarem os seus pontos de
aplicação, realizam trabalhos que contabilizam em última instância a energia transferida à estrutura por meio delas. Em
uma análise estática toda essa energia é transferida à estrutura e armazenada como energia de deformação, ou seja, as
forças externas F atuando na estrutura são equilibradas internamente pelas forças elásticas (k · u), em que u representa o
deslocamento. Por isso escrevemos que F = k · u. Este é o sentido fisico desta equação. Em um sistema de um simples
grau de liberdade, a manipulação desta expressão é simples, é a fisica básica, matematicamente representada por uma
simples equação algébrica. Para muitos graus de liberdade, necessitamos estabelecer uma administração mais eficiente.
Surge então a necessidade de dispor da ferramenta matricial como apoio aos trabalhos no computador, e a expressão
anterior é então apresentada matricialmente como {F} = [KJ · {U}, um sistema de equações algébricas lineares. Porém,
em ambos os casos, o significado fisico é o mesmo. A Figura 1.1 sintetiza essa ideia.
Na análise dinâmica, a carga variava rapidamente com o tempo. A rapidez com que a carga era aplicada, nesse caso,
era muito importante. Ou seja, não bastava conhecer o valor máximo da carga atuante, mas a duração da aplicação dela.
Mas sabemos que a questão da rapidez é relativa. A referência tomada para se estabelecer o quão rápido ou lento é o
carregamento é a definição das características dinâmicas básicas da estrutura, contabilizadas por intermédio das suas
frequências naturais ou, em termos de tempo, pelos seus períodos naturais. Assim, na análise dinâmica, as forças de
inércia eram consideradas e definiam a principal característica do problema dinâmico. Do ponto de vista energético,
sabemos que as forças atuantes, ao deslocarem os seus pontos de aplicação, realizam trabalhos que contabilizam em
última análise a energia transferida à estrutura por meio delas. Em uma análise dinâmica, toda essa energia é transferida
à estrutura, porém ela é armazenada não somente como energia de deformação. Entram em jogo a energia cinética, asso-
ciada aos movimentos, e a parcela referente ao amortecimento. Ou seja, as forças externas F(t) atuando na estrutura são
equilibradas internamente não somente pelas forças elásticas (k.u), mas entram em cena as parcelas das forças de inércia
m · ü e de amortecimento c.u, sendo ü eu, respectivamente, as representações da aceleração e da velocidade. Por isso
escrevemos que m · ü + c · u+ k · u = F(t). Este é o sentido fisico desta equação. Em um sistema de um simples grau de
liberdade, a manipulação desta expressão é "simples" , é a fisica básica das vibrações que utiliza o recurso matemático
das equações diferenciais lineares. A equação anterior é uma equação diferencial linear não homogênea de segunda
ordem a coeficientes constantes. Lembre-se, é linear, e sabemos como resolvê-la. Ocupamo-nos da solução dela no
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
18 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

livro de dinâmica. Para muitos graus de liberdade, necessitamos estabelecer, de novo, uma administração mais eficiente.
Então surge a necessidade de dispor da ferramenta matricial como apoio aos trabalhos no computador, e a expressão
anterior é apresentada matricialmente como {M] · {Ü} + {C] · {Ú} + {KJ · {U} = { F(t) }, um sistema de equações dife-
renciais lineares não homogêneas de segunda ordem. Porém, em ambos os casos, o significado físico é o mesmo. A
Figura 1.2 sintetiza essa ideia da análise dinâmica linear.

Força externa = Força interna X

"-.. / / s ixo de
F=K·U referência

'J
Força externa

> ... Força interna


,' e ' ,
, _ .,L,L.

--- -
-''
'
\
\
1
I
I
1
1
Modelo 1
1
Montage1n de elementos 1
1
1
\
\
\

''
Matriz de rigidez de cada elemento i
[K]e i
' ---------------------~ z
X

Eixos de
referência locais
Matriz de rigidez da estrutura a partir dos seus elementos do elen1ento
~
[KJ = L [K}e i \
\

', "Chapa"
Sistema de equações ''' ---- .... ' '
'
,, .., , / i~\
/

{F} = {K} . {U} (Equilíbrio entre forças externas e internas) /

[K]e i ~
,.,z_/
~&/ I

Condições de contorno Biblioteca de / \


/
/

elementos / /
/
/
'' ....... __.... /
/

Restrições e forças aplicadas Jf

,/_,---f~'-:
/
/
/
/
/

Cálculo dos desloca1nentos


I Elementos
-...e'
Gr--.·,,'
--- ---...
1
{U} = [KJ- 1 · {F} z ---- - - - - - - - 1
\
\
,,,,, -- .....
'\
l:
/ /
,... ' / I
e Viga ,_ __ _ _ .,... ,,,,-- I1 '\

Reações de apoio I \
X - -- - -------
-----· - - _
- ..., ....
,I
1
1
\
\
1
1

........ ., ,
......... ..._ 1 1
Elementos
1 1
Forças interna nos elementos -Rigidez- \ I
\ I
Tensões \
\ I
I

' ' -- /
/
/

Mola
/

Figura 1. 1. Análise estática linear. Eo mundo da proporcionalidade entre efeitos e causas e da adição dos efeitos e das causas.
Nas análises lineares, após o cálculo da estrutura ter sido efetuado para diferentes carregamentos isolados, a resposta à ação
conjunta deles, cada um afetado por um diferente fator de carga, é obtida pelo simples procedimento de combinação linear das
respostas obtidas. Esta é a grande facilidade do mundo linear. Na análise não linear; como veremos, essa facilidade não existe.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
Introdução ao Estudo dos Fenômenos não Lineares em Análise Estrutural pelo Método dos Elementos Finitos 19

Nos estudos anteriores, estáticos e dinâmicos, estavam presentes os conceitos-chave do método dos elementos finitos,
aos quais destinamos a atenção para entendê-los e, com critério, aplicá-los na prática. Esses conceitos envolviam as téc-
nicas de discretização de sistemas contínuos, interpolação de deslocamentos,formulação do elemento finito traduzida
pela sua função de interpolação ou função de forma, que objetivava, em última análise, a partir do conceito fisico de
rigidez do elemento, determinar a rigidez da estrutura. Este era o passaporte para compreender o comportamento do
todo, a partir do entendimento do comportamento de cada uma de suas partes! Vimos que os softwares de elementos
finitos oferecem uma biblioteca de elementos do programa com diversos elementos, cada qual tentando representar
um diferente comportamento físico conhecido da mecânica estrutural (placas, cascas, membranas, sólidos, vigas etc.).
Esse comportamento é descrito por intermédio de funções matemáticas que, em última instância, contabilizam a rigidez
daquele elemento individual, por intermédio da sua matriz de rigidez [k]e. Ao montarmos o modelo da estrutura, subdi-
vidindo a estrutura em elementos, determinamos a matriz de rigidez da estrutura [KJ a partir da matriz de rigidez de cada
elemento. Na análise dinâmica, adicionalmente, entram em cena as matrizes de massa [M] e amortecimento [C]. As
Figuras 1.1 e 1.2 resumem os passos principais da montagem dos problemas estáticos e dinâmicos até agora estudados.
Em todas essas abordagens, uma hipótese foi tomada como o alicerce de todo o conhecimento desenvolvido até então.
Consideramos que os fenômenos estudados são lineares, ou seja, para nós o mundo era linear. Veremos agora que nem
sempre essa hipótese é realística. Falemos um
,
pouco mais sobre os sistemas lineares e em que circunstâncias o mundo
que nos rodeia foge desse comportamento. E importante identificar isso nas aplicações da engenharia, pois assumir essa
hipótese da linearidade, em alguns casos, pode ser um tanto caro para o desenvolvimento dos projetos, e em outros,
muito inconveniente para o bolso e para a segurança.
Os engenheiros têm uma visão bastante prática a respeito da linearidade em estruturas. O conceito mais imediato en-
volve a relação entre forças atuantes na estrutura e os correspondentes deslocamentos observados devido à ação delas.
Aliás, toda a "energia" gasta nos primeiros estudos de elementos finitos era para determinar o campo de deslocamentos
na estrutura, a partir do conhecimento da sua rigidez. Em uma estrutura que apresente comportamento linear, ao dobrar a
intensidade da carga atuante nela, os deslocamentos seguem a mesma proporção, ou seja, dobram. Se triplicarmos a car-
ga, os deslocamentos triplicam e assim sucessivamente. Vale o mesmo raciocínio para ,os demais efeitos que avaliamos
como resposta da análise, tais como deformações, tensões etc. Este é o mundo linear. E o mundo da proporcionalidade
entre efeitos e causas. Se a excitação é multiplicada por um certo fator numérico, a resposta também o será. E também
é o mundo da adição dos efeitos e das causas. A resposta a duas excitações simultâneas presentes no sistema pode ser
obtida pela soma das respostas a cada uma das excitações calculadas separadamente. Se não corresponde à realidade,
com exatidão, em alguns casos, dentro da precisão aceitável na engenharia, pode ser considerada uma boa solução. E
o caso prático, por exemplo, abordado no estudo da análise estática para pequenas deflexões em estruturas no regime
elástico, sem a presença de instabilidades. Já falamos um pouco disso nos livros anteriores, mas vamos discutir com
mais propriedade essas questões neste livro. Evidentemente, esses fenômenos,
, olhados em princípio pela relação mais
direta da relação causa-efeito, têm uma descrição formal matemática. E a linguagem da engenharia. Os engenheiros
sempre procuram extrair dessa linguagem, expressa por intermédio de equações, o sentido fisico mais direto que elas
representam.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear -Avelino A lves Filho - 1ª Edição
20 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

------------- -------- '---------------,


I
/
/
- F(t)
' \
1
1
1 .., Força externa 1
I
I
F(t) \
\ I
Massa \ I

\
\
----. m \
I
I
\
I
1 grau de liberdade 1
1
I
Força externa I
1
I

--- -
----
I

-
I
I
// I
// 1
Mola /
/ K·u 1
,
I ,/ 1
/ 1
~ k 1 o
\
, Força elástica C·U
--_,•._ Força de 1
1
\ amortecimento :
\ 1

c \
\
\
1
1
1
Diagrama de

A1nortecedor
/ corpo livre
\
1
'1
11
Resultante
,/
I
1
1

J1
1 1

:1
/
F(t) - e · u- k · u = m · ü :
1
1

I
// ~ I
I1

N graus de liberdade / J
I /

:/ [ m · ü +e· U+ k · u = F(t) 1 ,/

\ I
\ I
\
' ' ,__ /
I
I

---- -------- -------------------------~ /

/
/
.,,.--------------------------------------------- .... ' '
I \
\
I \
I \
1 •• O 1
: [M]- {U}+[C]- {U}+[K]-{U} ={F(t)} :

35 ~~~~~~~~~~~~~~~~
. .. 1
\
\ I
I
/

\ I
30 ,--r-T--r- T-,-- r-, -r-,--r- , --r- , --r-
1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1

..---'\ \ I
25. iJ --:- - +--:--f - -:- - t--: -:L-J--L-J
__ L_J __ L _l ,__ L_ J
- :--: - !-__-:L _J
-:-__-:-L -_ \
\
I
I
20 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1
.l_ _.1 __ 1__ 1 I__ L _J L_.J __ L_ .J __ L_ .1 __1__
15
10
1
.l_
1
--'
1 1
L
1 1
'-- L -
1
.L
1 1
_.J _ _ _ .J __ L_
1 1 1 1
.1 __1_
/ \ Sistema de equações diferenciais lineares :
5
1 1
__ I
1 1
-
1
1__ 1.
1
- - -- _ J _
1 1 1
L_ J. _
1 1
1 1 1 1 1 1 1 1
§' Ü - 1- 1 - - - I - 1 - I- 1 1 1 1 ~ :
N graus de
1
1
1
1
S -5
.._,
- 1- -
1
- - .&--
1
- -1 - -
1 1 1 1
- I--
1 1 1
-u -1 0 - - t- -
I
- 1-- + --
l i 1
--1--
1111
-1 - -
I
~ --1--
l i
liberdade 1 1
~
........
- 15 - -1--
1
-1
l
--+--
i
-+-- -t --
1 1111
... - ~--
1 1
-.--1
1 1
-- 1 1
-20 - -r-
1
- 1--1"- -
1 1 1
-~-
1
-1-- 4 --
1111
;--
1 1
"1"--1- -
1 1
: A solução deste sistema linear \
-25 - - r- - -1-- T --1 - r -,--r -,--r -, - - r - - , --1--

-30 - 1
-r - 1 1
-r- T-, 1 1 1 111
- r -,--r--i--r
1 1
, --r-- , --r- 1 1 J é efetuada em duas etapas \
1 11 1 1 1 11 11 1 1 1 1
1 1
-35 - -r - - -1- - T - -1 - r - , - - r - , - - r - , - - r - ' T - -1- - I \
40 - --r- --r -r-, -r-, -- r-, --r-,--r -,--r -
1
1

1
1

1
1

1
1

1
1

1
1 1111

1 111
1 1 1 1

1 1 1 1 I
/ 1
\
-45 - 1 - -. - 1 - - 1 - - , - - 1 - - 1 - 1--1 - 1--, - . --I - . --1-- I \
-50 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 ' 1 / 1
Tetnpo (seg.) / 1
0,4s
,' 1ª - Cálculo de modos e frequências naturais \
/ 1
// det ([K] - Â-i [M]) = Oe ([K] - Â.i [M] · {<!>}={O} ,
/ 1
/ / /" Determinação das características básicas de estrutura :
//
/- -- --------- 11
1
; I
/
/ I
I /
I I
/ 2ª - Cálculo da resposta dinâmica por combinação linear dos modos - A superposição modal. /
: Resposta dinâmica = ( 12 modo) · Y 1 + (22 modo) · Y2 + (32 modo) · Y3 + ................................ /
\ I
\ I
\ /
\ /
' .... -- - - -- - --- -- ------
.... __
/

-------------------- --
------------- -------- ---- .,..., ,..,,

Figura 1.2. Análise dinâmica linear. A análise modal utilizada para determinar os modos e frequências naturais de vibração
da estrutura reflete o comportamento dinâmico básico dela e constitui uma indicação de como a estrutura responderá ao
carregamento dinâmico agente sobre ela. A chave para a determinação da resposta dinâmica está fundamentada na
hipótese da superposição modal. Ela considera a combinação linear dos modos naturais de vibração da estrutura para obter
a resposta dinâmica. Cada modo é multiplicado por um 11peso" ou fator de participação, e a partir do conhecimento dos modos,
frequências e desses fatores, o problema dinâmico linear está resolvido. Então, a questão central da análise dinâmica linear é a
determinação dos fatores de participação de cada modo na resposta para a execução da superposição linear dos modos.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
Introdução ao Estudo dos Fenômenos não Lineares em Análise Estrutural pelo Método dos Elementos Finitos 21

Tudo aquilo que discutimos no parágrafo anterior, e que pudéssemos ser testemunhas oculares na prática do trabalho de
uma estrutura, a qual seria passível de medições, instrumentações etc., seria descrito provavelmente de outra forma por
um matemático, com a maior pureza e rigor da linguagem matemática, embora o fenômeno objeto de análise fosse o
mesmo, e "sem que a estrutura soubesse" sequer que está sendo alvo dessa análise. Se perguntássemos a um matemático
o que é um sistema linear, talvez ele nos respondesse muito à vontade que é aquele que pode ser matematicamente
expresso por uma equação diferencial linear a coeficientes constantes. Um colega mais rigoroso ainda diria que os
coeficientes da equação diferencial linear poderiam ser até variáveis, como, por exemplo, com o tempo, e a equação não
deixaria de ser linear por isso.
Voltemos ao exemplo simples da mola, que normalmente é o ponto de partida do estudo da análise linear, fundamental
para o entendimento das estruturas lineares. A mola será fundamental também para darmos início ao entendimento das
aplicações do mundo não linear.
O ponto central era a relação entre forças nodais e deslocamentos nodais para cada elemento individual. Essa ideia
fundamental está relacionada ao conceito de rigidez. A constante elástica da mola, que é a medida quantitativa da rigidez
dela, é expressa por intermédio da relação entre a força aplicada e o deslocamento medido na extremidade da mola,
como indica a Figura 1.3. A constante elástica da mola pode ser entendida como um coeficiente de rigidez, pois é o
coeficiente que relaciona força e deslocamento na relação F = k · d. A situação mais simples e que foi de grande interesse
prático correspondeu ao caso em que essa relação era linear.
,
E importante relembrarmos um aspecto conceitua! que estará sempre presente no cálculo dos deslocamentos da es-
trutura, tanto para a análise linear que já estudamos, quanto para a análise não linear que estamos agora iniciando. A
determinação de K, ou o conhecimento da rigidez da estrutura, constitui a tarefa fundamental da análise. Se consi-
derarmos que no caso particular da mola a sua rigidez é expressa pela constante elástica k, essa ideia toma-se clara. Por
exemplo, se a constante elástica da mola vale J00 Kgflmm, o significado fisico dela é que épreciso aplicar uma força de
100 Kgfpara obter um deslocamento de 1mm. Ou seja, a rigidez da mola fornece a/orça para se obter um desloca-
mento unitário e, como consequência, a possibilidade de calcular a sua deformação.
Assim, ao conhecer a rigidez da estrutura, a relação força x deslocamento já está previamente definida. Se soubermos
o valor de força para proporcionar um deslocamento unitário, saberemos para qualquer outro valor de deslocamento,
dentro do âmbito linear. Assim, a partir do conhecimento de K, o deslocamento U decorre imediatamente. Na análise
linear, isso é verdade, pois a rigidez da estrutura não se altera à medida que o carregamento se manifesta. Ou seja, K é
constante.
Ao pensarmos na montagem de um modelo discretizado em elementos finitos, o primeiro passo consiste em subdividir
a estrutura em uma montagem de elementos, de sorte que a rigidez do conjunto possa ser adequadamente contabiliza-
da. Terminada essa tarefa, podemos dizer que o ''problema já foi resolvido no âmbito dos deslocamentos unitários" à
semelhança do raciocínio da mola. Se a rigidez foi bem representada, o cálculo dos deslocamentos, que decorre imedia-
tamente, será representativo do problema fisico; caso contrário, não. Assim, no mundo linear, quando o analista acabou
de ''fazer a malha e aplicou as condições de contorno", o problema já está resolvido, no âmbito dos deslocamentos
unitários, e nesse mundo proporcional, para qualquer valor do campo de deslocamentos. O gráfico representativo da
relação entre a intensidade da força F e do deslocamento U é uma reta e matematicamente representado por uma fun-
ção linear. A inclinação da curva F x U sempre se mantém, e esta é a característica do mundo linear. Tudo é previsível
a partir da determinação da rigidez da estrutura a partir da rigidez de cada um dos seus elementos. Um bom analista,
sabendo dentro de que limites essa hipótese é aceitável, tira grande proveito da análise linear. Quem estabelece esses
limites e até que ponto se deve acreditar nos números obtidos da análise é o analista, nunca o software. Na análise não
linear isso é ainda mais pertinente.
As Expressões 1.1 representam matematicamente o que acabamos de relembrar. Para um mesmo valor de K em (a),
aumentos de F resultam aumentos proporcionais de U, pois K é constante. Em (b) a linearidade entre F e U é garantida
porque K é constante.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
22 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

Ou seja, o grande responsável pela hipótese do comportamento linear da estrutura é a garanâa de que a sua rigidez
sempre se mantém inalterada durante todo o processo de carregamento dela, independente dos deslocamentos. Se
isso não for verdade, a linearidade não pode ser garantida. E mais que isso, esse comportamento previsível, proporcio-
nal, deixará de existir.
Força

Reta - - - _ _ Função linear


' '
3 ..F. --------------------- --
2-F

F
Deslocamento
o 1 1

u 2-U
1
3-U
1

K:
F=O
U= O 1
K
F
u 1
1
1

2-F liJii
K:
2-U

3-F K

3-U

F 2F 3F
tg a = U = u = U = K = Constante
2 3

Comportamento linear~ K Constante!


~----- -------------------------------------1
Figura 1.3. Comportamento de uma mola linear. O conhecimento da rigidez da mola, por intermédio da sua constante k,
permite determinar os deslocamentos para os diversos incrementas de carga. Em uma estrutura que apresente
comportamento linear, ao dobrar a intensidade da carga atuante nela, os deslocamentos seguem a mesma
proporção, ou seja, dobram. Se triplicarmos a carga, os deslocamentos triplicam e assim sucessivamente.

Matematicamente, a representação entre F e U deixa de ser indicada graficamente por uma reta. Para o caso de uma
simples mola não linear, o gráfico indicativo da relação F x U seria representado, por exemplo, pela curva da Figura
1.4, cuja inclinação varia ponto a ponto à medida que o carregamento é aplicado, e essa inclinação é uma quantificação
da rigidez da mola. Uma ideia prática poderia ser visualizada em um conjunto de molas em que, à medida que a estru-
tura se deforma, mais molas trabalham no conjunto, aumentando a rigidez da estrutura à medida que os incrementos de
carga vão sendo aplicados, como indica a Figura 1.4. Poderíamos imaginar esse conjunto sendo representado por uma
só mola, com a característica que nos diversos trechos de aplicação da carga a sua rigidez fosse diferente da rigidez do
trecho anterior. Ou seja, na mecânica estrutural, um problema é não linear quando a rigidez da estrutura depende
dos deslocamentos. Não há quem não tenha tomado em mãos um pequeno elástico e provocado a sua deformação. Nos
'
primeiros aumentos de carga, o elástico deforma-se facilmente, ele se apresenta ''pouco rígido". A medida que aplica-
mos incrementos de força, o elástico não se deforma na mesma proporção; sentimos claramente que ele se toma "mais
rígido". Os deslocamentos observados em sua extremidade não crescem na mesma proporção dos aumentos de carga.
Falando de outra forma, a rigidez da estrutura é dependente do estágio do carregamento em que ela se encontra. Este
é apenas um caso das inúmeras manifestações do comportamento não linear das estruturas.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Introdução ao Estudo dos Fenômenos não Lineares em Análise Estrutural pelo Método dos Elementos Finitos 23

Como a rigidez depende dos deslocamentos, e esses deslocamentos não são conhecidos, pois são as incógnitas do pro-
blema, como avaliar as mudanças de rigidez da estrutura? Esta é a questão central da análise não linear em estruturas.
Vamos ter de desenvolver técnicas numéricas voltadas para esse fim. Olhando para o futuro, os conceitos de métodos
incrementais e métodos iterativos estarão presentes como os maiores protagonistas desta nova caminhada.

Conjunto de
1 K 7 molas
Móvel constituintes da
estrutura.
K '
A medida que a
1 força é aplicada
K e o carro se
Força .
move, mais
molas trabalham
e a rigidez do
Força /
conjunto aumenta
K
a3

/
/
/
/
/

/
/
/
Deslocamento
/
/
,, /

, K:
1 1

Representação do
sistema de molas por
-------)-· ª1
--
_':: _________ - Deslocamento
intermédio de un1a
mola equivalente de
rigidez variável.
A rigidez da estrutura
tg ª 1= K1 Força aumenta à medida
tg ª2 = K 2
que o campo de
tg a 3 = K 3
deslocamento
au111enta
, ___ _--- --- ---

Deslocan1ento

r--------------------------------------------1
1
: Comportamento não linear~ K variável!!!! :1
'--------------------------------------------~
Figura 1.4. Comportamento não linear de um sistema de várias molas. O conhecimento da rigidez do conjunto, por intermédio
da sua constante k, nesse caso variável, permite determinar os deslocamentos para os diversos incrementas de carga. Diferentemente
do que ocorre em uma estrutura linear, em uma estrutura que apresente comportamento não linear, ao dobrar a intensidade da carga
atuante nela, os deslocamentos não seguem na mesma proporção, ou seja, não dobram. Se triplicarmos a carga, os deslocamentos não
triplicam e assim sucessivamente. Neste caso simples, podemos imaginar o conjunto representado por uma só mola, que apresenta
rigidez variável à medida que a carga vai sendo aplicada na estrutura, ou seja, à medida que os deslocamentos vão se manifestando, a
rigidez da estrutura se altera. Em outras palavras, a rigidez depende dos deslocamentos, o que não ocorre em um problema linear.

K=f_ (b) (1.1)


u
Uma questão é clara. A não linearidade manifesta-se em decorrência da variação da rigidez da estrutura à medida que
o carregamento atua. Surgem então as questões fundamentais da análise não linear.
Primeiramente, por que a rigidez da estrutura varia? E, em segundo lugar, como quantificar a variação da rigidez
dela?
Ao observar o gráfico não linear da Figura 1.4, poderíamos argumentar de forma simples: este comportamento poderia
ser representado por inúmeros trechos lineares, utilizando todo o conhecimento até agora desenvolvido da análise linear
sequencialmente. Assim, o comportamento não linear manifestado ao longo do carregamento da estrutura poderia ser

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear- Avelino A lves Filho - 1ª Edição
24 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

dividido em trechos lineares, e em cada trecho teríamos uma rigidez diferente. Essa ideia é conceitualmente correta, e é
o grande motivador do que faremos adiante. Porém, as coisas não são tão imediatas assim. Estamos admitindo, ou "com-
binando com a estrutura", que a curva não linear entre carga e deflexão é conhecida. Esta é a grande questão da análise
não linear. Essa curva é a resposta do problema, não é conhecida a priori, estamos buscando por intermédio do processo
de análise não linear, é a incógnita do problema, portanto é desconhecida. Só podemos determinar esses deslocamentos
e, como consequência, essa curva carga x deflexão, se soubermos como a rigidez varia à medida que o carregamento
se manifesta. Mas essa informação não é conhecida. Só conhecemos a rigidez da estrutura no estágio inicial da análise.
Daí para frente, estamos diante de um fenômeno em que o comportamento linear, proporcional, não existe mais. Então,
a análise não linear apresenta a característica da "imprevisibilidade".
Assim, a determinação de K, ou o conhecimento da rigidez da estrutura durante uma análise não linear, constitui no-
vamente a tare/a fundamental da análise, porém essa rigidez varia com o carregamento.
Vale ressaltar que na quase totalidade dos problemas a serem analisados pelo método dos elementos finitos, à seme-
lhança do que ocorreu nas análises lineares estática e dinâmica, as soluções analíticas não são conhecidas, ou seja, não
dispomos da solução exata dos problemas. O problema só pode ser resolvido por intermédio da discretização do sistema
contínuo, objeto de análise. Para problemas discretos com milhares de graus de liberdade, ao contrário de uma sim-
ples mola, a variação da rigidez do sistema estrutural não pode ser expressa analiticamente. Esta é a questão prática
mais importante e constitui a maior dificuldade. Conhecemos a rigidez da estrutura, obtida a partir do conhecimento da
rigidez de cada um dos seus elementos, válida somente para o estágio inicial das cargas aplicadas e dos consequentes
deslocamentos.
'
A medida que a carga aumenta, os deslocamentos não aumentam na mesma proporção das cargas, o que indica que a
rigidez não se mantém constante. Ou seja, aquela rigidez da estrutura, obtida pelo processo de montagem, tal como
estudado no livro sobre análise linear ao efetuar a "malha" de elementos finitos, só vale nos primeiros estágios em que
a estrutura se deforma. Ela não pode ser utilizada para prever deslocamentos, deformações e tensões ao longo de toda a
história do carregamento. Ela deve ser atualizada, ou melhor, corrigida. A questão central é como fazer essa atualização
ou correção da rigidez a partir do conhecimento do valor inicial dela, obtido assim que acabamos de montar o modelo e
aplicar as condições de contorno. Esse valor inicial da rigidez sofrerá contínua alteração. Este é o grande desafio agora.
Resumindo as ideias anteriormente discutidas:

Análise não Linear de Estruturas


)( A rigidez varia ao longo do carregamento.
,
)( E necessário saber porque a rigidez varia, ou seja, quem são os parâmetros relacionados a essa variação.
,
E necessário saber quantificar essa variação de rigidez.

1.2 Por que a Rigidez da Estrutura Varia?


Ao montarmos um modelo em elementos finitos, a tarefa fundamental da análise consiste em determinar a matriz de rigi-
dez da estrutura a partir da matriz de rigidez de cada um dos seus elementos. Já sabemos que a escolha do tipo e tamanho
de cada elemento constituinte do conjunto estrutural influi na definição da rigidez dos diversos trechos da estrutura e,
como consequência, na rigidez da estrutura inteira.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
Introdução ao Estudo dos Fenômenos não Lineares em Análise Estrutural pelo Método dos Elementos Finitos 25

Já sabemos também que, para a definição dos elementos finitos constituintes do modelo, devemos definir primeira-
mente as características do material de cada elemento. Por exemplo, nas análises lineares mais simples, devemos
fornecer o módulo de elasticidade E do material e o coeficiente de Poisson (v). Assim, dois elementos idênticos em
termos de geometria, e que apresentem diferentes módulos de elasticidade, deformam-se diferentemente para as mes-
mas intensidades de cargas aplicadas neles. Vigas idênticas de aço e alumínio deformam-se diferentemente para as
mesmas cargas aplicadas. A viga de alumínio sofre maiores deflexões devido ao seu menor módulo de elasticidade
2 2
(Eaço = 21000 Kgflmm ; Ealumínio = 7000 Kgflmm ).
,
Além do material, outra característica define a rigidez de um dado elemento. E a sua propriedade física. Esse importante
parâmetro é definido ao acessarmos a biblioteca de elementos do software. Por exemplo, ao definirmos a propriedade
fisica de um elemento de treliça, devemos fornecer a área da seção transversal da barra (A). Com o módulo de elas-
ticidade do material (E), com a seção transversal da barra (A) e com o comprimento dela (L) definido ao posicionar
o elemento no modelo entre dois nós, define-se a sua rigidez axial contabilizada na matriz de rigidez pelo parâmetro
(E· A)/L. Da mesma forma ocorre com um elemento de viga. De posse do comprimento da viga, define-se a sua rigidez
à flexão contabilizada na sua matriz de rigidez pelos parâmetros (E · I)/L 3 nas duas direções principais, assim como a
rigidez à torção pelo parâmetro (G · J)/L e a rigidez axial já conhecida por (E· A)/L. Esses parâmetros já são conhecidos
do estudo da análise linear. Para definirmos a rigidez de um trecho de chapa por intermédio de um elemento, devemos
fornecer a propriedade fisica associada ao elemento por intermédio da sua espessura, o material por intermédio do mó-
dulo de elasticidade do material, bem como as dimensões do "elemento de chapa". A definição dos elementos sólidos já
estudados segue a mesma lógica.
Assim, a rigidez dos elementos e, consequentemente, da estrutura, depende das características do material, das pro-
priedades físicas e de caracterísâcas geométricas.
Em uma aplicação, quando as características do material se alteram à medida que o carregamento atua, as rigidezes
expressas nas matrizes de rigidez dos elementos e da estrutura também se alteram. Isso então dá origem a um compor-
tamento não linear da estrutura, ou do ponto de vista do modelo, do conjunto de elementos que representa a estrutura.
Quando as propriedades fisicas se alteram, isso também é uma fonte de não linearidades.
Da mesma forma, alterações na geometria podem ser outra fonte de geração de não linearidades.
Veremos a seguir uma ideia inicial de como identificar essas alterações nos diversos problemas fisicos que fazem parte
do dia a dia das análises estruturais, e que necessitam de uma abordagem não linear para descrevê-los adequadamente.
Os capítulos seguintes tratam essas questões com ferramentas matemáticas adequadas. A Figura 1.5 resume as ideias
anteriormente introduzidas. Assim, em uma primeira abordagem, temos as seguintes fontes de não linearidades, apro-
fundadas nos capítulos seguintes, complementadas com alguns outros conceitos e aplicações de análise não linear:

Alteração das características do material


durante a evolução do carregamento

Análise não linear Alteração de propriedades fisicas

Alteração de geometria

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
26 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

/
,, ,, -- -- - -- - - -' '
I
/ Modelo em '\
\
elementos I
1

'' fi nitos ,, /
,, ,,
------i-- ---'

,, ~--- ----- -y__________ ,


,, ,,,' A rigidez do conjunto é
,, ,,
/
/
/
determinada a partir do
I
/
conhecimento da rig idez
I
1 :_____________________
de cada elemento !1
1
1
1
1
1
\
\
\
\
\
\
\
\
\
\

'
~~ ---------------------------------------,
: A definição da rigidez de cada ele1nento exige
:1_ a definição de dois parâmetros fundan1entais
___________________,,,,, - ____________________ 1 I

/
/ ''
/ ''
/
/
'
/ '' '
,, " /
', Propriedade
/ '
Material ,, ,, " ' ',
'
/
/
/
''
/ ' Element / Property Type
/
/ '',
/
/ '' [ ] Parabolíc Elements
/
/ '
/ Líne Elemen ts Plane Elements
/
/
/
/ Ü Rod é) Shear Panei

Define Material - JSOTROPJC " ô Tube


(1 Curved Tube
Q Membrane
ô Bendíng Only
-----------, O Bar Plate
ID 1 Title AÇO Colar 55 1Palette ••• j Layer 1 1Type ••• 1 Escolha do
IÔ I

(.1 Beam 0 Lamínate


General Function References Nonlínear Creep
tipo de 6 Línk
Electrícal/Optical Phase O Plane Strain
elemento 0 Curved Beam
Stiffness Limit Stress O Axisymmetríc Shell
na biblioteca ô
Youngs Modulus, E 21000 l Tensíon o,
de elementos Ô
Spríng/Damper
DOF Spring
ô PlotOnly
Shear Modulus, G 8076
l Compressíon O, do software. Ü Gap
Volume Elements

Poísson's Ratio, nu o, 3
l Shear o, Geon1etria e 0 PlotOnly O Axisymmetric
Thermal
formulação () Solid
do elemento Other Elements
Expansion Coeff, a O,
Conduc:tivity, k
-------~
O,
Mass Density [±,97E-10I l ':) Mass

Damping, 2.C/Co o, () Mass Matrix ( l Slide Une


Speáfic Heat, Cp o, Ô Rigid () Weld/Fastener
Reference Temp O,
Heat Generation Factor o, 0 Stiffness Matrix

-------------------------------------------------------------------- ,
: Se as características do material de cada elemento se alteram durante a análise, ou :
: as propriedades do elemento também se alteram, então a rigidez de cada elemento :
: se altera, e a rigidez da estrutura não se mantém constante. Este é um dos motivos :
: da existência da análise não linear. Veremos outros adiante. :
l--------------------------------------------------------------------

Figura 1.5. A origem de alguns comportamentos não lineares em análise estrutural. Ao montarmos o modelo em
elementos finitos de uma estrutura, necessitamos definir o material a ser utilizado em cada elemento. Do ponto de
vista prático, ao utilizarmos o software de análise ,cada diferente tipo de elemento é especificado na biblioteca de
elementos do software e as propriedades do elemento devem ser fornecidas. O comportamento não linear da estrutura
decorre do fato de que a sua rigidez altera-se à medida que o carregamento vai sendo aplicado. Isso pode ser, por exemplo,
decorrência das mudanças dos parâmetros de definição do material durante a análise, ou das alterações de propriedade física
dos elementos. Além disso, outros fatos podem ser geradores de não linearidades, como veremos e equacionaremos adiante.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
Introdução ao Estudo dos Fenômenos não Lineares em Análise Estrutural pelo Método dos Elementos Finitos 27

1.3 Não Linearidades Associadas ao Material


Nos estudos de análise linear, normalmente são revisadas as equações que envolvem deformações e deslocamentos, que
são relações essencialmente geométricas. Em seguida, revisamos as relações entre os efeitos observados - as deforma-
ções - e suas causas - as tensões. Para isso, foi considerada a propriedade do material. Ela estava presente na equação
constitutiva. Considerando somente materiais elásticos isotrópicos, que apresentam propriedades elásticas iguais nas
diferentes direções, vimos que bastam apenas dois coeficientes para descrever as relações entre tensões e deformações:
o módulo de elasticidade e o coeficiente de Poisson.
Em particular, alguns materiais, como, por exemplo, o aço, para pequenas deformações, apresentam comportamento
linear entre tensões e deformações. Essa relação pode ser observada no gráfico obtido a partir de um ensaio de tração de
um corpo de prova de aço, representado na Figura 1.6(a). Ou seja, se o material trabalha na estrutura apenas até o limite
de proporcionalidade, de O a P, o módulo de elasticidade se mantém constante. Durante todo o processo de análise, a
matriz de rigidez não é afetada pela propriedade do material. Se as outras causas de não linearidades citadas anterior-
mente também não estiverem presentes, a análise pode ser tratada como linear. Um pouco acima do limite de propor-
cionalidade temos o limite de escoamento do material, representado pelo ponto E, em que o corpo de prova liberado da
carga atuante apresenta uma deformação permanente de 0,2%, como convencionado.
Para propósitos práticos consideram-se os pontos P e E coincidentes. Se a estrutura se deforma de sorte que algumas re-
giões dela, ou a sua totalidade, passam a trabalhar acima do limite de escoamento do material, o módulo de elasticidade
do material se modifica em função do estágio em que o carregamento se encontra. O gráfico da Figura 1.6(c) mostra que
após o limite de escoamento ser ultrapassado, os valores do módulo de elasticidade vão se alterando, e são dados nume-
ricamente pelas tangentes à curva. Em uma estrutura em que as tensões se distribuem de modo não uniforme, podemos
ter regiões que estão no regime elástico e outras no regime plástico. Os elementos representativos dessas regiões devem
ter seus módulos de elasticidade constantemente atualizados durante a análise. A rigidez de cada trecho da estrutura pode
variar durante a análise e, como consequência, a rigidez da estrutura inteira.
O procedimento de cálculo deve atualizar a matriz de rigidez da estrutura durante a análise, que é então não linear, pois
a rigidez não se mantém constante. Isso indica em primeira instância que a atualização da rigidez precisa ser feita por
etapas, já que para os diversos incrementos ou aumentos de carga a rigidez da estrutura varia. Por este motivo vamos
estudar adiante um conceito-chave da análise por elementos finitos não linear: a análise incremental. A correção da
rigidez da estrutura é feita nos diferentes "trechos" em que a carga vai sendo aplicada. Ou seja, ao aplicarmos, por exem-
plo, uma carga de 5000 Kgf em uma estrutura, pensamos que ela pode ser aplicada em 20 intervalos de 250 Kgf, e em
cada um desses intervalos efetua-se a correção da rigidez. A escolha do número de intervalos é uma questão conceituai
importante em análise não linear e está vinculada ao conhecimento da natureza fisica do problema por parte do analista.
E como fazer isso? Veremos adiante. Como dissemos antes, a rigidez da estrutura varia e não temos solução analítica
conhecida nos modelos discretizados, então entra outra estratégia importantíssima utilizada na análise não linear: o
problema não é resolvido dentro de um incremento de carga de uma só vez; são necessárias algumas repetições, ou ite-
rações, até conseguir atingir o equilíbrio da estrutura naquele "trecho" de carga. São os métodos iterativos introduzidos
para esse fim. Vamos estudar essa estratégia também adiante.
I
I
I
I
/ cr 1 - limite de escoamento
I
I

<Jp
p tga = 8 =
p
E = constante
crp
1/
1
/: crp - limite de proporcionalidade
/ 1
/ 1
1
I

I
I 1 a
1
I 1
I
1
o tp t
(a)

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
28 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

a,

I
1
1
/
ª1
/
,... ,... ,... .-- ,...
-
--ª2
1 / - .a.3
(J /, E2
I
I /
/
/
----
~~-;.,..::--=-.=..:::._----
-------·
,...,...,...
.,..-----
,... ,... - ,... -- - - - - - -
----- 0,4

~l // --
- -r?::.::..
/ /
-- E3
/I
I

//
/
/
1
-
--
1
EI I
I
/
/
CJp - -/- 1
~ / 1
I I ,... .,- 1 1
1 I ,... .t.:
1 1
I I 1 1
1
1 I
I 1 1 tga = E
1 1
1 I 1 1
1
tga.1 = E1
1 1
1 a, tga.2 = E2
1
1
1
1
tga.3 = E3
1
1
1
1 tga.4 = E4
1 €p 1 :

./
1 1
/1

...
1
Elástico
1
1
... 1
1--.-1
: ...,.... ---•\-----•: 1

Elástico Plástico

(b) (e)

Figura 1.6. A origem de alguns comportamentos não lineares do material em análise estrutural. O comportamento não linear
decorre do fato de que o módulo de elasticidade altera-se à medida que o material é submetido a tensões cada vez
maiores. Isso pode acontecer; por exemplo, quando da ocorrência de plasticidade(c) ou material elástico não linear (b).

Se o cálculo estrutural pretende oferecer subsídios quanto ao trabalho da estrutura até a ruptura, objetivando o enten-
dimento do seu estado limite último, ou a deformação permanente até a carga final, devemos realizar uma análise não
linear, em que o fornecimento apenas do módulo de elasticidade no regime elástico é insuficiente. Devemos fornecer
também o limite de escoamento e a curva tensão-deformação após o regime elástico, e outras informações referentes ao
modo como a deformação plástica se manifesta, como veremos adiante. Com essas informações é possível atualizar a
matriz de rigidez da estrutura.
Outra possibilidade é representada na Figura 1.6(b). Embora o material se mantenha elástico, é possível que a sua curva
tensão deformação do material apresente-se como não linear. Isso acarreta mudança de rigidez da estrutura durante o
carregamento, portanto a análise será não linear.

1.4 Não Linearidades Associadas a Alterações de Propriedades Físicas e


Grandes Deformações
Embora adiante façamos a abordagem das não linearidades de forma mais rigorosa, é interessante observar por intermé-
dio de uma aplicação prática simples o quanto é importante observar alguns parâmetros indicativos do comportamento
não linear. Vimos no volume de análise estática linear que a tensão no caso uniaxial se relaciona com a deformação
pela lei de Hooke. Na Figura 1.7, para deformações no eixo x da barra podemos escrever <Jx =FIA= E· ex. Uma
barra tracionada deforma-se longitudinalmente, mas ao mesmo tempo apresenta uma contração lateral, que é uma
fração da deformação longitudinal. Já sabemos que essa fração é o coeficiente de Poisson (v). Assim, (v) = (ey/ ex) ou
ey = V. ex =V. (Jx/ E.
Há casos em que as variações dimensionais são pequenas, como na deformação elástica. Por outro lado, há situações
em que as variações dimensionais são grandes, como, por exemplo, em processos de conformação como a trefilação,
e a peça pode apresentar variações sensíveis na área de seção transversal (A). Isso quer dizer que a seção transversal
da barra, que é uma característica de propriedade fisica associada ao elemento, deve ser atualizada durante a análise. A
forma simples de tratamento utilizada na análise linear já não se aplica. Como incorporar este fato à análise não linear é
objeto do que faremos adiante. Por ora, é importante identificar a presença deste problema e onde cabe a sua aplicação.
As deformações podem ser muito grandes, ocasionando inclusive variações consideráveis no comprimento do corpo e
deformações plásticas. Esse tipo de fenômeno é estudado adiante com detalhes, e para isso vamos utilizar ferramentas
matemáticas adequadas. A Figura 1.7 ilustra a barra na configuração antes e depois de deformada. Os conceitos de ten-
são e deformação, já estudados na análise linear, merecem um tratamento mais cuidadoso. Vimos que a tensão axial é
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Introdução ao Estudo dos Fenômenos não Lineares em Análise Estrutural pelo Método dos Elementos Finitos 29

calculada por intennédio do cociente entre a intensidade da força atuante e a área da seção transversal da barra. A área
original da barra era tomada como referência para efetuar esse cálculo. Não havia necessidade de se avaliar a redução de
área devido à contração lateral, pois as defonnações eram pequenas nos fenômenos cobertos pela análise linear. A defor-
mação era calculada por intennédio do cociente entre a variação total do comprimento da barra e o comprimento inicial.
A análise linear presumia que a defonnação, que mede a taxa de variação do comprimento em relação ao comprimento
inicial, tenha taxa de crescimento constante durante todo o processo de carregamento. Vimos no exemplo antes citado do
"elástico", que à medida que a carga vai aumentando, para maiores valores de carga, o elástico toma-se mais "rígi,do ".
Ou seja, a variação de comprimento da barra, para iguais incrementos de carga aplicados, é diferente em função do valor
do comprimento em que a barra se encontra. Ou seja, o conceito de defonnação, que antes era aplicado em relação ao
valor inicial do comprimento da barra, deve ser introduzido considerando o comprimento atual da barra.
Ludwik, P. foi o primeiro a propor a definição de deformação verdadeira ou deformação natural, em que a variação
do comprimento é relacionada ao comprimento instantâneo do corpo de prova em vez do comprimento original, como
ilustra a Figura 1.7. Da mesma fonna, a tensão que resulta da divisão do valor da força pela área original na análise linear
é obtida pela divisão da força pela área atual.
..--r Antes
Depois
L 0 - comprimento original Seção antes

---------------------.-----,,__--F--------,,~
F
,---tL~-~-=-=-~-~-=--~-=-~-~-=-=-~-~--~-~-=-~-~-~-=w-~_±::::::::::::::::::=::::::t::A:._~__, Ao
L Seção depois
jM =L-L0
"" 1-- 1

,---- - - ---- - ---- - ---- - ---- - -,


'-------
L

Antes Depois
Muito depois !!! dL

--------------------------------

Defonnação linear média 6.L


-=
L-Lo Neste pequeno aumento de comprimento da barra ocorreu uma deformação (dL/L).

~
-
(Deformação de engenharia) Lo Lo Considerando todos os trechos dL do início ao fim da defonnação, a deformação total
será o so1natório de todos os "pequenos" (dL/L), ou seja, urna integral dada por

cr-_ Tensão média


'
Area JLdL
original L0 L
1ª Tensão de Piola - Kirchoff

Quando a deformação é pequena, ao submetermos


a barra a uma sucessão de "trechos" de deformação,
a deformaçãototal acumulada é dada pela variação
do comprimento total da barra dividida pelo
comprimento inicial. Defor1nação verdadeira total é a soma das
deformações verdadeiras incrementais
Verdadeira
Tensão Ç, Curva tensão-defonnação
verdadeira
Tensão Força F o

de cr = - - ,... V •

Área atual A ~ / Curva tensão-defonnação


cauchy
de engenharia
Deformação

Figura 1. 7. A ocorrência de grandes deformações é uma das mais importantes fontes de não linearidades. Os conceitos
de deformação e tensão, sempre referidos aos valores de comprimento inicial e seção inicial do corpo na análise
linear, devem ser tratados com mais cuidado. Isso será abordado com detalhes nos próximos capítulos.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
30 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

A Figura 1.7 ilustra os conceitos de deformação anteriormente mencionados, bem como de tensão. Trataremos essas
questões em profundidade adiante, quando focalizarmos o estudo das grandes deformações, uma importantíssima fonte
de não linearidade.
Embora seja o objetivo mais adiante, nesta primeira abordagem do presente capítulo é essencial ter uma visão geral
,
das
fontes mais importantes de não linearidades, de sorte a estabelecer a necessidade futura desse tipo de análise. E bom
sempre termos em mente que faz parte do processo de modelagem da estrutura a definição do tipo de análise que mais se
adequa ao problema de engenharia que se quer resolver. Esta é uma tarefa que jamais será terceirizada com o software;
é uma decisão de engenharia.
A título de complemento nesta abordagem inicial, vale mencionar que, ao trabalharmos com pequenas deformações
(< 4 %), as diferenças entre distintas medições delas, ou seja, deformações verdadeiras ou deformações de engenharia,
são ignoradas, pois os seus valores são muito próximos. Faremos essas comparações adiante. A utilização do conceito de
deformação verdadeira toma-se obrigatória ao trabalhar com materiais que exibem por excelência comportamento não
linear. Um exemplo clássico é o caso de elastômeros, como a borracha, espumas etc.

1.5 Não Linearidades Associadas a Alterações de Geometria -


Grandes Deslocamentos
A Figura 1.8 representa um caso simples de uma viga engastada, sujeita à ação das forças F1 e F2 . Durante os cursos
básicos de estática, estudamos o equilíbrio desse tipo de estrutura, considerando o conhecido diagrama de corpo livre. A
consideração do diagrama de corpo livre de uma parte da estrutura e de cada elemento desempenhou papel fundamental
nas montagens de elementos finitos estudadas no livro sobre análise linear. Foi um recurso importante para estabelecer
o entendimento das equações de equilíbrio e compatibilidade das montagens de elementos.
Uma questão muito importante, e que tem grande repercussão nos estudos das não linearidades, refere-se às hipóteses
adotadas ao considerar o diagrama de corpo livre. Não nos ocorria fazer a pergunta: devemos montar o diagrama de
corpo livre representando a estrutura, indeformada ou deformada para a montagem das equações de equilíbrio? Normal-
mente, desconsideramos este fato. E o caso representado na Figura 1.8(a). No caso (a), as equações de equilíbrio da
viga inteira e de uma parte dela foram montadas sem considerar a configuração deformada da estrutura. Os valores de
reações de apoio ou de forças internas foram obtidos pelas equações de equilíbrio 1. Este é o procedimento comum que
utilizamos nos cursos básicos de resistência dos materiais.
A observação atenta e cuidadosa da Figura 1.8(b) pode revelar algumas surpresas. Tanto no caso do cálculo das reações
de apoio como na determinação das forças internas, alguns termos adicionais surgem nas equações de equilíbrio, que
não foram contabilizados na Figura 1.8(a). Por exemplo, na base da estrutura, além do momento fletor F1 • H, surge
um termo adicional dado por F2 • ~- Ou seja, a força de compressão F2 também contribui para a flexão da viga. Os
valores de reações de apoio ou de forças internas agora são obtidos pelas equações de equilíbrio li. Essa contribuição
não foi contabilizada anteriormente, pois as equações de equilíbrio foram montadas na condição indeformada. Muitas
vezes adotamos essa hipótese simplificadora na prática e desenvolvemos projetos com base nessa limitação. O que dá
confiança de trabalharmos com segurança é que, para que isso possa ser considerado, devemos adotar que as deflexões
sejam pequenas. Assim, o deslocamento ~, é uma fração muito pequena de H, de modo que o termo F2- ~ é considera-
do desprezível em face da outra parcela. E por isso que em certas normas de cálculo de vigas em estruturas metálicas
impõe-se que a flecha máxima não ultrapasse uma certa porcentagem do vão livre. Esta é a garantia de que as equações
utilizadas e disponíveis nas tabelas de resistência dos materiais possam ser aplicadas dentro dos limites da análise linear,
pois para deflexões pequenas a proporcionalidade entre efeitos e causas se mantém. Se os valores de flechas ultrapassam
os valores limites aceitáveis para a análise linear, as equações desta não se aplicam. Se quisermos utilizar as equações
da análise linear, devemos reforçar a estrutura e verificar novamente as deflexões. Se estão dentro dos valores recomen-
dados, os
,
resultados são válidos. Caso contrário, são números ''frios" que não têm nenhuma vinculação com a realidade
fisica. E importante mencionar que existe, sim, a possibilidade de calcular a estrutura sob os efeitos de valores grandes
de ~ ou seja, grandes de.flexões, porém as equações de equilíbrio da análise linear não se aplicam. Devemos considerar
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Introdução ao Estudo dos Fenômenos não Lineares em Análise Estrutural pelo Método dos Elementos Finitos 31

as equações de equilíbrio II. Então surgem novas questões, que são o ponto central da discussão do exemplo represen-
tado na Figura 1.8(b).
(a) (b)

; iF,p
:-
, """"'"'illll~r"l-r - - - - .
1
1 : 1
1 1 1 1
1 1 1 1
1 1
h 1 1
1
1
1
1
1
1
h
H 1' 1
1
1 :o e,
1

H
Q
+--fi":"" --A----------
1 1
1 1

--1 :
:
----7-- -
Q :A
--,--- -
1
1
1/ N 1
1
,, I M Ai
1 1 1
' 'N
1 1
1 R ,, / MA2
o 11 o
- Q_,_.___ _ __.,_J-----~~-------------
R, Rzt Mo1
~ Mo '--~Mo2

E quilíbrio I Equilíbrio 11

Diagrama de corpo livre da viga inteira - PO: Diagran1a de corpo livre da viga inteira - PO:
R1 = F 1 ; Rz = F2 ; Mo = F1 . H R 1 = F 1 ; R2 = F2 ; M0 = M0 1 + M0 2 = F 1 · H + F2 . Ll
Diagrama de corpo livre do trecho PA: Diagra1na de corpo livre do trecho PA:
Q = F 1 ;N = F2 ;MA=F 1 -h Q = F 1 ; N = F2 ; MA = MAi + MA2 = F 1 · h + F2 · e

Figura 1.8. Não linearidade geométrica. As equações de equilíbrio da estrutura são afetadas
pela condição deformada dela. A rigidez da estrutura se altera à medida que a estrutura se deforma.

Para calcularmos os momentos fletores na base e em qualquer ponto da viga, e os esforços internos, decorrentes da
ação da força normal F2 , é obrigatório o conhecimento, respectivamente, de fl e õ, já que a excentricidade e é dada por
e = fl - ô, e os momentos são dados por F2 • fl e F2 • e. Mas esses valores são dependentes do carregamento, o que não
era considerado no exemplo (a), pois as equações de equilíbrio não dependiam de fl. Mas para cada valor diferente de fl e
õ, que depende do carregamento, temos esforços internos diferentes, pois eles são dependentes de fl e õ. Esses valores de
deslocamentos não são conhecidos, pois são as incógnitas do problema. Em outras palavras, estamos verificando que à
medida que a estrutura se deforma, as equações de equilíbrio dela se alteram. Surgem termos adicionais que não estavam
presentes na hipótese das pequenas deflexões.
Então temos um fato importante gerador de não linearidade: a relação entre forças e deslocamentos que é indicativa da
rigidez da estrutura, expressa pela sua matriz de rigidez. À medida que a estrutura se deforma, novos termos de força sur-
gem nas equações de equilíbrio. Se novos termos surgem à medida que os deslocamentos vão se manifestando, significa
que a relação entre forças e deslocamentos se altera, portanto a rigidez da estrutura também se altera. Ou seja, a rigidez
da estrutura se modifica pelo fato de haver a presença de grandes de.flexões. A geometria deformada da estrutura
altera as equações de equilíbrio e devido a isso chamamos essa dependência de não linearidade geométrica.
Para atualizarmos a rigidez da estrutura, que varia com a configuração deformada, devemos conhecer como os desloca-
mentos evoluem, pois as equações de equilíbrio dependem da condição deformada. Para podermos conhecer como é a
evolução dos deslocamentos, necessitamos conhecer a rigidez da estrutura em cada estágio do carregamento, porém ela
depende dos deslocamentos. Esta é a dificuldade que nos aguarda na resolução dos problemas não lineares de modelos
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
32 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

,
discretizados. E como um animal que "corre atrás do próprio rabo". A solução desta questão será desenvolvida por
intermédio dos métodos iterativos, abordados nos capítulos seguintes.

A rigidez da estn1tura varia porque


Não linearidade
a configuração geo1nétrica defonnada
geométricaidade
dela altera as equações de equilíbrio

1.6 Não Linearidades Associadas à Mudança das Condições de Contorno:


o Problema de Contato
A Figura 1.9 representa dois problemas básicos, cuja solução é normalmente obtida nos estudos da análise linear está-
tica. O tratamento matemático mais formal e de aplicação geral é estudado a partir de um exemplo simples, tomando
como base as leis fundamentais apresentadas no estudo da análise linear, e assim podemos montar a matriz de rigidez
da estrutura a partir da matriz de rigidez de cada um de seus elementos, contabilizando em última análise a rigidez da
estrutura inteira. O fato de a estrutura ser constituída por muitos elementos ou por dois elementos apenas como o pre-
sente exemplo considera não altera o conceito fisico de "rigidez equivalente", apenas envolve um trabalho maior de
manipulação das equações. O exemplo introduzido é suficiente para introdução do conceito que interessa. Em seguida
são feitas as generalizações cabíveis. E assim procederemos igualmente para introduzir um importante conceito presente
na análise não linear: o contato.
"GAP" entre C e a parede

Fl
(b)
B ~"'~"'""H"-4t-'----'

1
,~~~~~ 1


1 1

' UA.
1 1


1 1 1 1

•'u
1

1

•'Us •
1
•'U • •
A Uc• B Uc
Problema 1 Problema 2
1- - - - - - - - - - - - - - - - -1 1- - - - - - - - - - - - - - - - - ,
1
A
I_ - - -
1
B __ :c
_l_--- ,_-- -
1
_1
1
1
A I ·
B :e, 1
- - - - -L- - - - --1- - - - -
r-- r--
1
FA - - 1ua- - - -- tta- - - -a- - UA '1 A '1 FA
1
- laª-
1
- - --kã - - - (}- - UA : A:
1 - -~ 1 1 --~
Fs - - 'k{/ k{/ + kb
1
- kb Us
1
,n:
1- - -
(1.2) F B = - ~a ka + kb - ~b U8
1
, B:
1- - -
(1.4)
Fc 0 1
- kb kb Uc ,e'
1__ , 1
Fe - f - - - ---kb - - "*í; - Uc e:,
:__

Com a restrição em A, a equação para o cálculo dos Com as restrições em A e C, a equação para o cálculo
deslocamentos, eliminando-se as linhas e colunas que dos deslocamentos, e eliminando-se as linhas e colunas
passam por A na matriz de rigidez, fica: que passam por A e C na matriz de rigidez, fica:

[KJ2
(1.3) Quando o nó C encosta na {F2 } =l[k0 + kJI· {U8 } (1.5)
parede rígida em D, ocorre
contato. O problema 1
se transforma no problema 2 .
Mudam as condições de
Matriz de rigidez da estrutura, contorno. A 1natriz de rigidez da Matriz de rigidez da eshutura
enquanto o ponto C não estrutura muda de [KJ 1 para [KJ 2 . após o ponto C encostar
encosta na parede rígida. A rigidez da estrutura se na parede rígida.
altera à 1nedida que os
desloca1nentos se manifestam
e o problema é não linear.

Figura 1.9. Não linearidade devido à estrutura entrar em contato com outro corpo durante o seu deslocamento.
A rigidez da estrutura se altera e então o problema é não linear. A questão é, além do entendimento
do problema físico, quantificar essa transformação do problema 1 no problema 2.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Introdução ao Estudo dos Fenômenos não Lineares em Análise Estrutural pelo Método dos Elementos Finitos 33

Partindo da condição representada no problema 1, podemos determinar os deslocamentos da estrutura, de acordo com
a equação matricial válida para o problema 1 e representada na Figura 1.9 pelas Equações 1.2 e 1.3. Para o valor da
força F1, podemos calcular o valor do deslocamento do ponto C, representado por Uc. Se esse deslocamento for maior
que ô (Uc >ô), que é a distância livre a ser vencida pelo ponto C, também conhecida nos softwares de análise como o
''GAP'' entre o nó C e a parede, não haverá sentido fisico no valor calculado, a não ser que a mola penetre a parede
sem que ela nem a parede ''percebam" a ocorrência desse fato. Aliás, é isso que ocorre ao fazermos uma análise linear
sem estabelecer essa possibilidade de ocorrer contato entre duas partes. Um corpo penetra no outro, calcula-se um valor
do deslocamento de C que não apresenta nenhum significado fisico. Pode ser que antes de atingir o valor máximo da
força F1, a parede rígida já tenha sido atingida pelo ponto C, e a Equação 1.3 não mais se aplica. Deve-se então iniciar
a solução de um novo problema. O valor da força que deve ser aplicada adicionalmente para atingir o valor total da
força F1, ou seja, F2, será aplicado a uma nova condição de contorno, representada pelo problema 2, em que a matriz de
rigidez da estrutura sob a nova condição de contorno é diferente daquela do problema 1. A estrutura está sob efeito de
novas condições de contorno, cujos resultados serão adicionados aos resultados da análise anterior. Ou seja, o problema
2 é resolvido com a condição inicial que corresponde ao final do problema 1. Temos de "combinar com o software" de
análise quando um problema termina e o outro começa.
O procedimento numérico a ser introduzido em um problema de não linearidade e, em particular, o caso do contato entre
partes, deve verificar de incrementos em,
incrementos de carga se o ''GAP'' entre os corpos já foi vencido, e a partir daí
assumir a nova condição de contorno. E a análise incremental anteriormente citada. Como fazer isso veremos adiante,
e constitui uma das questões mais importantes do estudo das não linearidades. Ou seja, deve-se introduzir uma condição
adequadamente no modelo de sorte que a rigidez naquele ponto da estrutura seja atualizada devido à presença do conta-
to. Como a representação da rigidez é feita na matriz por intermédio de coeficientes de rigidez kij, que representam forças
associadas a deslocamentos unitários, e que em última análise representam "molas", os métodos numéricos buscam a
forma mais eficiente de representar esses coeficientes, levando em conta a rigidez dos elementos adjacentes. Lembre-se
de que, quando dizemos que a parede é rígida, significa que a sua rigidez é muito, mas muito maior que a mola que a
atinge. Numericamente, esse dado deve ser definido no processo de análise.
Os métodos que definem essas rigidezes a serem introduzidas no problema de contato oferecem os valores numéricos
adequados para a definição das rigidezes envolvidas, como, por exemplo, nesse caso da parede. Ou seja, como quantifi-
car esses valores de modo que não ocorram penetrações entre corpos. O caso de um corpo encontrar uma parede rígida
pode ser um tanto óbvio, mas esse conceito é mais geral, pois se aplica a corpos elásticos, em que ambos se deslocam e se
deformam, um pouco diferente do caso da parede que é rígida. Exercitaremos isso no capítulo seguinte em um exemplo
numérico simples. Depois, de uma maneira mais sutil, veremos como podemos generalizar esse conceito pelo método
das penalidades, que define o famoso ''penalty factor''. Muitos usuários de software, ao aplicarem análises não lineares
de contato, utilizam valores "default" dos fatores de penalidade sugeridos pelo software, sem sequer desconfiarem de
que estão definindo, em última instância, uma constante de mola.

Alterações nas Alterações na


Con1portamento
condições de contorno matriz de rigidez
não linear
da estrutura

Exemplo Contato

1. 7 Primeira Ideia de como Atualizar a Rigidez: Entenda o que Vem Adiante


Nos capítulos seguintes vamos introduzir a linguagem matemática adequada para descrever e quantificar os fenômenos
não lineares em análise estrutural. O entendimento
,
das ideias que norteiam o caminho a ser percorrido nessa análise é
fundamental para os passos que serão dados. E importante definir a estratégia
,
a ser seguida e o alicerce, base para todas
as operações matemáticas que vamos efetuar nas análises não lineares. E preciso entender claramente o conceito fisico
e, com base nele, entender a lógica das operações que serão propostas. Elas darão forma matemática às ideias fisicas
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
34 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

introduzidas agora, que a rigor constituem a essência da estratégia da solução dos problemas não lineares. Poderíamos
ser tentados a transformar o curso de elementos finitos no estudo de um conjunto de técnicas numéricas matemáticas.
Nas aplicações de elementos finitos poderíamos tratar diversas questões no âmbito da fisica aplicada e da engenharia
como matemática pura, mas não é como matemática pura que a fisica é importante.
A ideia central vem, a rigor, do estudo que fizemos na análise linear. O conceito mais simples e importante da análise
era traduzido pela equação de equilíbrio. Ela estabelece que as forças internas e as forças externas estão em equilíbrio,
quando a estrutura está deformada nessa configuração. A Figura 1.1 Orepresenta essa ideia para o caso simples de uma
mola linear, em que a sua constante elástica k e, portanto, a sua rigidez, são conhecidas. A diferença no caso da análise
linear é, como já comentamos, que a rigidez da mola não se altera com o carregamento, e o problema, então, já está
resolvido no âmbito dos deslocamentos unitários, e assim para qualquer campo de deslocamentos ao qual o sistema for
submetido.
Desde que as forças externas F que atuam na estrutura são equilibradas internamente pelas forças elásticas (k · u), a
tradução matemática desse conceito fisico é expressa por F = k · u.
O mesmo conceito pode ser expresso de outra forma, em termos de energia. Refere-se à conservação da energia, ou à
equivalência entre o trabalho externo e o trabalho interno, tal como já abordamos na análise linear. A energia introdu-
zida por intermédio da ação da força externa na mola, ou em caráter mais geral, na estrutura, é expressa pelo trabalho da
força externa, quando o seu ponto de aplicação se desloca. Esse movimento é contabilizado pelo deslocamento nodal.
Assim, o trabalho externo no caso da mola pode ser traduzido matematicamente por f F · dU.
A energia introduzida é armazenada na forma de energia de deformação, que corresponde ao trabalho interno. A partir
do gráfico da força interna em função da variação do comprimento da mola representado na Figura 1.1 O, traduzida por
u, podemos calcular a energia de de/ormação da mola, dada por ½ • k · u2 . Assim, os trabalhos interno e externo são
• •
1gua1s.
No estudo da análise linear, vimos que a equivalência entre os trabalhos externo e interno, no âmbito de um elemento
ou da estrutura inteira, era o procedimento geral para determinar a rigidez de cada elemento e também da estrutura. O
procedimento de montagem da matriz de rigidez da estrutura, obtida a partir da matriz de rigidez de cada elemento,
decorria da aplicação desse conceito.
Embora no início do curso de análise linear tivéssemos introduzido a matriz de rigidez dos elementos por um processo
direto, os elementos bi e tridimensionais mereceram uma consideração mais sutil, tomando como base os conceitos de
trabalho externo e trabalho interno.
Nos elementos mais simples era possível calcular os deslocamentos dentro do elemento a partir dos deslocamentos no-
dais de forma exata. O método direto permitia visualizar o significado fisico dos termos kij presentes na matriz de rigidez
de um elemento ou da estrutura. Eles representam a força no grau de liberdade i devido a um deslocamento unitário
no grau de liberdade j , mantendo os demais graus de liberdade bloqueados.
Nos elementos bidimensionais e tridimensionais esses conceitos fisicos de rigidez do elemento e rigidez da estrutura
continuam presentes, como anteriormente estudado para os elementos unidimensionais, porém a questão está em como
determiná-los. O método direto não era viável. Então introduzimos as técnicas matemáticas de interpolação, trabalho
realizado por uma força, energia de deformação e transformações de energia. Assumíamos uma configuração deforma-
da para a estrutura, atribuindo um valor arbitrário aos deslocamentos, e calculávamos o trabalho das forças externas
associadas a esse campo de deslocamentos nodais. Interpolávamos os deslocamentos dentro dos elementos a partir dos
deslocamentos nodais. Com essa condição deformada da estrutura, elemento por elemento, calculávamos o trabalho in-
terno. Como o deslocamento proposto para a estrutura era arbitrário, assumíamos que os deslocamentos eram unitários.
Igualando os trabalhos interno e externo, calculávamos a rigidez dos elementos e, como consequência, da estrutura.
Nesse caso, a rigidez da estrutura não se alterava com os deslocamentos. O sucesso na determinação da rigidez de cada
elemento estava condicionado à forma como o campo de deslocamentos era interpolado, ou seja, à escolha de sua fun-
ção de interpolação, que estava "amarrada" ao número de graus de liberdade do elemento. Esse número de graus de

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Introdução ao Estudo dos Fenômenos não Lineares em Análise Estrutural pelo Método dos Elementos Finitos 35

liberdade do elemento estava associado à sua fonna geométrica e, portanto, ao seu número de,
nós. Vimos também que
o número de graus de liberdade por nó era uma questão vinculada à teoria da elasticidade. E bom sempre lembrar que
o método dos elementos finitos não propõe uma nova teoria da elasticidade, que é exata, apenas a aplica em um campo
de deslocamentos, este sim, aproximado. Daí a aproximação do método dos elementos finitos.

Deslocamento
da estrutura ~

?
' Força externa
1 1
Nó 1
1
1
1
1 1
--- .... '
.... "

--- ----- --- --- 1 ''


1 '

-- -- -- 1
1
'
\
/ -- 1
\
\
Nó I
/
1 \
1 \
l 1 \
1 1 \
/ 1 1
Força interna ---------,,..• J \ \
' ., 1 1
'' ' ..,..,. -- ·No' ' '
~----- - - - l 1
--------- - --- - - - - - - - - - - '• 11 /l
// e-, 1 /
/ J ' /
I I / /
C--,
I
I
J =k•U 1
l,-/
/

II _, --~1
I .,...,..,,,. ..
I ' ,... .,.,

----- --
I ~---
I
/
-- - --
'' F
1 ------- '

1
------ F=O '
1 / --
1 /
/
1 /
1 /
1
\ __ ., /
'\ No' .,-- ,,
\
'' __ ., /
/

'' -- ''
' .... .... -- -- -- '
-
1
--
.... .... ....
.... __
---- -- ,, .-, --
'
',1

U - Deslocamento nodal

u - Variação de comprimento do elemento k-u

{ Equilíbrio de forças: F = k · u (Força externa = Força interna)

Trabalho externo J
= F · dU
..
•,
I
u

/
u
Trabalho interno = Energia de deformação = -1. · k · u2 = Área - - - - - - - - - -
- -- -- --
2

Figura 1. 1O. Estrutura (mola) em equilíbrio. As forças externas estão em equilíbrio


com as forças internas. O trabalho externo é igual ao trabalho interno.

A ideia a ser aplicada na análise não linear é basicamente a mesma, porém neste caso a rigidez da estrutura varia à medi-
da que o carregamento se manifesta. Como a rigidez da estrutura varia a cada trecho, esse procedimento energético utili-
zado para a detenninação da rigidez deveria ser feito em "pequenos" incrementos ou trechos de carga ou deslocamento.
Daí a necessidade de se utilizar um processo incremental. Porém, como a rigidez da estrutura varia e não sabemos no
próximo trecho qual é o seu valor, não temos a possibilidade de utilizar a rigidez para calcular os deslocamentos do
próximo trecho, pois ela é desconhecida. Começa a realidade da análise não linear. Podemos admitir que a estrutura se
desloque em um trecho seguinte, propondo uma tentativa para os deslocamentos. As forças internas associadas a essa
condição deformada proposta devem ser consistentes com os deslocamentos assumidos ou, do ponto de vista energé-
tico, o trabalho interno deve ser igual ao trabalho externo. Como a configuração proposta não se verifica nessa primeira

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
36 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

tentativa, devemos repetir diversas tentativas até que em uma delas as forças internas equilibrem as forças externas ou,
alternativamente, o trabalho externo esteja em correspondência com o trabalho interno. Por isso os processos são ditos
iterativos. Poder-se-ia pensar que esta é uma tarefa de milhares de tentativas ao acaso, mas essa abordagem é feita com
metodologia adequada, que são as técnicas numéricas utilizadas para buscar a convergência da solução. Algumas técni-
cas matemáticas utilizadas são estudadas nos cursos de cálculo em engenharia. Uma delas é a famosa série de Taylor,
em que a partir do conhecimento do valor de uma função em dado ponto é possível avaliar o valor dela depois de um
incremento da variável independente. Partindo do princípio que os deslocamentos variam à medida que a carga vai sendo
aplicada e que são uma função dela, a série de Taylor pode ser um recurso interessante para "prever" o valor da função
dos deslocamentos a partir do conhecimento dela em um ponto do seu domínio. Esse recurso é bastante utilizado, por
exemplo, nas análises dinâmicas não lineares, abordadas adiante. Os processos iterativos são feitos também utilizando
ferramentas consagradas e adotadas nos cursos de cálculo numérico. Um deles é o famoso método deNewton-Raphson.
Outros serão discutidos no momento adequado. Por intermédio dos métodos iterativos podemos, dentro de um intervalo
ou incremento, interagir inúmeras vezes até que as forças externas e internas se equilibrem, ou os trabalhos externo e
interno se igualem. Terminada a solução dentro de um intervalo, a condição de equilíbrio ao final deste passa a ser a
condição inicial para o próximo intervalo, ou incremento.
: Incremento : P - Carga
: de carga de :
1 1
OaP
p --~_ _ u_a>t~I •---~!~ ~L--
.______ Força externa
aplicada no nó
y
Zero
••

•• --_f _t~~=--T-em-po•

Ant~~
•º~,-=:::: -=:::::::

-- --- ---<>----- ----- --- -· I... .,1


v
,,Antes

Depois
' ,, ( \
,
,
'.lil / /
I
I
I
I \
\
,,
\
\ -- -----''--------------- -------- --~• ',,
.......
I
I
I
I \
\
\
/
/
/
'
1
\
1
-..;:

I
I
I

I
/
I
-
I I ------Depois
I I
I /
I / ,
I / 1
I /
I I 1

I
I
I
I ., 1
1 1
I I /
/
.,.__ 1 1
I I \ / /
I I / /
\
I / \ /
/
/
/
~F2
I
I
,
/ \
,., \ / /

ô -----------------------
/ /

,b) --- --- - --- -- -- -- ---


o'v"'
Forças internas aplicadas pelos
Deformada proposta elementos no nó, que devem estar em

• equilíbrio com a força externa P 1


aplicada no mesmo nó.
(Se for uma condição de equilíbrio!!!)

A carga vai sendo progressivamente aplicada na estrutura, a partir do valor zero. Para o incremento de carga de zero a P 1,
atribui-se uma condição deformada proposta, decorrente dos deslocamentos assumidos. Essa deformada proposta
pressupõe uma geometria deformada dos elementos, que geram forças internas. A força externa P 1, em correspondência
com os deslocamentos propostos, deve equilibrar nó a nó as forças internas. Caso esse equilíbrio não se verifique, esta não
é uma condição de equilíbrio. O processo deve ser repetido várias vezes até encontrar-se a condição de equilíbrio. Somente
após ter-se encontrado a condição de equilíbrio, parte-se para o estudo do próximo incremento. Esse processo é efetuado a
forma racional utilizando-se os 1nétodos iterativos adequados para se efetuar essa busca.

Figura 1.11. Na análise não linea" a configuração de equilíbrio é atingida por incrementos e iterativamente.
Propõe-se uma configuração deformada por intermédio de um campo de deslocamentos assumidos no incremento.
Os deslocamentos são assumidos porque a rigidez não é conhecida, pois ela depende dos deslocamentos e
então não podemos determiná-los. Efetuam-se diversas iterações na busca da condição de equilíbrio.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Introdução ao Estudo dos Fenômenos não Lineares em Análise Estrutural pelo Método dos Elementos Finitos 37

QUADRO I - UM EXEMPLO MUITO SIMPLES DE MÉTODO INTERATIVO


1. A solução exata de uma equação
A função y = x2 - 6 · x + 8 assume diversos valores y para os diferentes valores de x do domínio da função, os quais
podem ser representados no gráfico descrito em seguida. Em particular, dois valores são muito importantes ao estudar
essa função. São as raízes da equação x 2 - 6 · x + 8 = O, que representam os valores de x que tornam a função y nula.
Essas raízes podem ser determinadas pelos procedimentos exatos já estudados nos cursos básicos de matemática.
Em alguns fenômenos fisicos, cuja expressão matemática seja efetuada por uma equação desse tipo, o ''zero'' da
função, associado aos valores das raízes da equação, pode traduzir, por exemplo, uma dada condição de equilíbrio
a ser determinada para o sistema fisico objeto de estudo. Em particular, para este exemplo simples, as raízes seriam
determinadas por:
y
/ Reta r
I
Função parabólica
do segundo grau a
/
/
/ A
24 -----~----·~------------- ---- ---
/

6±-J36- 4x8 6±14


XI 2
, = 2 2

o 2 4 X
B ,,
Valor atribuído

2. A solução aproximada da equação - por tentativas - efetuar iterações


Por exemplo, substituindo x = 8 na função em estudo, temos y = 82 - 6 · 8 + 8 = 24. Ou seja, se x = 8 não ''zera'' a
função, então o número oito não é raiz dessa equação. Ou, na linguagem de um fenômeno fisico que seria traduzido
por essa função, esta não representa uma ''condição de equilíbrio''. Por muitas tentativas e erros poderíamos buscar
a raiz, ou a "condição de equilíbrio", substituindo os valores de x atribuídos e calculando os y até que, se tivermos
y = O, a raiz
,
foi encontrada e o "equilíbrio" atingido. Um procedimento de busca poderia ser efetuado de forma mais
racional. E o que mostramos, por exemplo, a partir de um primeiro valor x = 8, que constitui uma tentativa inicial ou
um "chute" para a variável x, e nesse caso o valor da função seria y = 24, cuja visão gráfica corresponde ao ponto A.
Pelo ponto A traçamos a tangente à curva, que encontra o eixo x no ponto B. Essa reta tangente é representada por
uma função linear cujo coeficiente angular ("inclinação'? é o valor da tg a, que é o valor da derivada da função y em
A. A primeira derivada de y = x2 - 6 · x + 8 é dada por y' = 2 · x - 6. Assim, o valor dessa derivada para x = 8 será
y'= 2 · 8- 6 = 10 =tg a. Desta forma, a função que representa a reta ré dada pory, =tg a· x + b = 10· x + b, em que
b é o coeficiente linear, que representa a coordenaday do ponto onde a reta r intercepta o eixo y.
Para x = 8, a função linear representativa da reta r também assume o valor y = 24, pois a reta r é tangente ao gráfico
de y nesse ponto. Substituindo na equação, temos:
Reta r: y, = 10. x + b, e substituindo o par (x = 8, y = 24), temos 24 = 10 · 8 + b, resultando em b = - 56. Portanto:
Equação da reta r: y, = 10 · x- 56. A partir deste ponto se inicia a primeira iteração. Assim:
O ponto B está localizado na posição x de sorte que y, =O.Assim, O= 10 · x- 56, portanto xB = 5,6.
A partir deste estágio repetimos o processo. A partir do ponto B localizamos o ponto na curva que permite calcular
o valor da função parabólica para xB = 5,6, representado pelo ponto C. A figura seguinte deste quadro reproduz esse
. , .
rac1ocm10.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
38 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

QUADRO I - UM EXEMPLO MUITO SIMPLES DE MÉTODO INTERATIVO (CONTINUAÇÃO)


Segunda iteração
A primeira derivada de y = x2 - 6 · x + 8 é dada por y' = 2 · x - 6. Assim, o valor dessa derivada para x = 5,6 será
y' = 2 · 5,6- 6 = tg a1 = 5,2. Desta forma, a reta r1 terá equação dada por Yrl = tg a1 • x + b = 5,2 · x + b.
Equação da reta r1 : Yrl = 5,2 · x + b1. Na função parabólica, comx = 5,6 => y = 5,62 - 6 • 5,6 + 8 => y = 5,76.
Reta r1 : Yrl = 5,2. x + b1, e substituindo o par (x=5,6, y=5,76), teremos 5,76 = 5,2 · 5,6 + b1, resultando b1 = - 23,36.
Portanto, equação da reta r1 : Yrl = 5,2 · x- 23,36 .
O ponto D está localizado na posição x de sorte que Yrl =O.Assim, O= 5,2 · x- 23,36, portanto x» = 4,49 .

Podemos observar que o valor obtido encontra-se mais próximo do valor procurado igual a 4. Poderíamos repetir o
processo "buscando" o ponto E e pela utilização da derivada, chegar ao ponto F, mais próximo da solução. Matema-
ticamente é só repetir as operações anteriores, na terceira iteração, a saber:
y = 4,492 - 6 · 4,49 + 8 => y = 1,22. Valor da derivada para x = 4,49 => y' = 2 · 4,49 - 6 = tg a2 = 2,98
Reta r2 : Yr2 = 2,98 · x + b:z, e substituindo o par (x = 4,49, y = 1,22) => 1,22 = 2,98 · 4,49 + b2 => b2 = - 12,16

Equação da reta r2 : Yr2 = 2,98 · x-12,16. Ponto F => Yr2 =O.Assim, O= 2,98 .x - 12,16, portanto Xp = 4,08
y

.
/ Reta r 1
I
I
I
I
I

,
576 - ----------------- - ~ - - - ---------------- ---------- ·

1,22 ª 2 1
'B
o 2
,,,,,' F \
5,6 X

I
4,49

Ao final dessa iteração, determinamos por aproximação o valor 4,08 para a raiz cuja solução exata é 4. Podemos
continuar o processo até convergir com um mínimo de erro estabelecido para o cálculo. Evidentemente, não entramos
no mérito do cálculo da outra raiz. Este exemplo apresenta apenas, em termos didáticos, a ideia do método iterativo.
Ao abordarmos técnicas numéricas adiante, este assunto será tratado mais rigorosamente.

1.8 Já que o Mundo é não Linear, por que Muitas Vezes o Tratamos como Linear?
Pelos exemplos apresentados anteriormente, temos uma boa ideia inicial da razão pela qual efetuar uma análise não
linear de tensões. As aplicações na engenharia são inúmeras.
Muitas análises de tensões desenvolvidas pelo método dos elementos finitos são efetuadas com base na hipótese da
análise linear estática ou dinâmica. Normalmente muitas estruturas são projetadas para trabalhar nas condições de pe-

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Introdução ao Estudo dos Fenômenos não Lineares em Análise Estrutural pelo Método dos Elementos Finitos 39

quenas deflexões, que permitem abordá-las dessa forma. Evidentemente, essa hipótese, que em muitos casos pode ser
conservadora, apresenta muitas vantagens ao analista, como citado a seguir:

Vantagens da Análise Linear


• Podemos obter , soluções diretas e simples, sem a necessidade de desenvolver as trabalhosas soluções incrementais
e iterativas. E claro que com os recursos computacionais hoje disponíveis as aplicações não lineares tomam-se cada
vez mais viáveis em termos de custo-beneficio, mas a facilidade da análise linear deve ser sempre avaliada, levando
em conta a necessidade de resposta breve e a pertinência da sua aplicação.
• As soluções para vários casos de carregamento podem ser superpostas.
• O número de constantes do material requerido para descrever o comportamento constitutivo é pequeno na aná-
lise linear.
• Uma boa análise de Engenharia requer habilidade de introduzir aproximações. Em muitos casos a hipótese da
análise linear constitui uma idealização razoável do comportamento estrutural.

Necessidade de Aplicação da Análise não Linear


,
• Há projetos em que os requisitos estabelecidos estão condicionados à alta performance da estrutura. E necessário
determinar com precisão o estado limite de resistência da estrutura até o colapso. Normalmente, nessas con-
dições, a estrutura pode atingir estágios em que as tensões ultrapassam o regime elástico, e então a análise requer
considerações mais sofisticadas. Da mesma forma, a estrutura pode trabalhar dentro de limites em que são obser-
vadas grandes deflexões na sua utilização, e o equacionamento desse tipo de fenômeno baseia-se em considerações
de não linearidade. Em resumo, justifica-se a adoção de análises não lineares quando se quer avaliar estados limite
de resistência e utilização.
• Necessidade de avaliar estruturas existentes para determinação dos reais limites que estejam condicionando o
seu uso com segurança. A integridade da estrutura pode estar em dúvida devido à presença de dano visível (trinca
etc.), cargas especiais que não estavam previstas no projeto, presença de sobrecargas ou condições em que o estado
limite de utilização tenha sido excedido, então deve-se responder à questão crucial: a estrutura é segura?
• Em caso de colapso ou acidente estrutural, a análise não linear pode ser vital e constituir ajuda para estabelecer
as causas da falha estrutural.
• Simulação de processos, tais como estampagem, trefilação, laminação, materiais etc.
• Situações em que todas as possibilidades de falha estão presentes simultaneamente, escoamento, instabilidades,
grandes deflexões, considerações de dinâmica altamente não linear, como em "crash tests".

Consequências da Análise não Linear


• A utilização dos recursos das análises não lineares requer do engenheiro de projetos alguns cuidados ou atenções
especiais. Normalmente nas aplicações mais simples, submetidas às análises lineares, temos disponíveis algumas
facilidades. A partir de alguns casos básicos de carregamentos podemos estabelecer previsões para outras condições
de carga. Isso não é verdade nas análises não lineares, ou seja:
• O princípio da superposição não pode ser aplicado. O resultado dos diversos casos de carregamento não
pode ser multiplicado e combinado como na análise linear.
• Somente um caso de carregamento pode ser resolvido de cada vez. Podemos trabalhar com diversas cargas
atuando simultaneamente, porém todas fazem parte de um mesmo caso de carregamento que vai evoluindo desde
o início da aplicação da carga até o final dessa ação. Algumas cargas podem atuar a partir de um certo estágio do
carregamento e fazem parte do conjunto de cargas atuantes, mas a cada intervalo em que as cargas agem, elas são
consideradas parte de uma mesma ação na estrutura. Se uma dada carga agisse sozinha, e depois outra na mesma
condição isolada, a ação conjunta das duas não seria dada pela soma dos efeitos de cada uma delas em separado.
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
40 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

• A história do carregamento, ou seja, a sequência de aplicação das cargas pode ser importante, o que não ocor-
ria na análise linear. Por exemplo, o comportamento de vaso de pressão, quando aquecido e depois pressurizado, é
diferente de quando a sequência do carregamento é alterada.

1 e = õ/t] Antes de deformar


l/
I
," ,-.,..q
-+ :'4~õ
.
D . d d '-'
epo1s e e1ormar
',' D
111

I
I
I
I
I
I
I
I
I

: L
'
----~ Depois de deformar

Antes de deformar

Figura 1. 12a. Os componentes de borracha, como nesta tubulação, apresentam comportamentos altamente não lineares. A figura
representa a configuração deformada na proporção rea'1 e não em escala aumentada para efeitos de visualização. Neste caso, a
relação ML é bastante grande e caracteriza o caso de grandes deflexões, pois o deslocamento máximo é grande se comparado
com a dimensão característica L do componente. Para termos uma ideia, pequenas deflexões consideradas em análises lineares
trabalham com a relação ML muito pequena, por exemplo, da ordem de 1/300. Neste exemplo ML é da ordem de 1/5, portanto
muito longe das pequenas deflexões. Além disso, outra característica não linear está presente no caso da borracha, que são as grandes
deformações. Para elas a relação 8/I é grande e, como vimos anteriormente, são medidas contabilizando a relação 8/I quanto ao
comprimento no estágio deformado em que a fibra do material se encontra e não em relação à dimensão I inicial. Neste exemplo
da borracha, é interessante mencionar, como veremos adiante, que a relação constitutiva também é não linear. Nas aplicações
lineares das pequenas deformações, como, por exemplo, o aço nas aplicações elásticas, a equação que traduz a correspondência entre
tensões cr e deformações e é linear, dada por cr = e · E. No caso dos materiais hiperelásticos, como a borracha, a relação entre tensões e
deformações envolve a derivada da energia de deformação, que é dada por um polinômio não linear, como veremos adiante.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
Introdução ao Estudo dos Fenômenos não Lineares em Análise Estrutural pelo Método dos Elementos Finitos 41

(a)

(b)

(e)

(d)

(e)

Figura 1. 12b. Esta viga de aço trabalha sob ação de carga distribuída. A primeira figura (a) representa o modelo em elementos de casca
da viga. A figura (b) representa a viga deformada, porém em escala aumentada para observar a forma da estrutura quando deformada,
e assim avaliar a coerência da condição deformada em relação às expectativas quanto ao comportamento previsto. A figura (c)
mostra a viga deformada na sua escala real, tal como vemos normalmente nas construções metálicas que trabalham nas condições de
pequenas deflexões e no regime elástico. A relação b./L é realmente bastante pequena, pois a estrutura trabalha dentro das condições
das pequenas deflexões. As figuras (d) e (e) representam a estrutura típica de uma asa de avião. Neste último caso as deformações são
pequenas, porém as deflexões são grandes, o que caracteriza o comportamento não linear diferente do caso (a).

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
.
- ·· ····· ····· ····· ·············· ····· ····· ·············· ····· ····· ····· ·············· ····· ····· ·············· ····· ····· ····· ·············· ····· ····· ·············· ····· ····· ····· ·········· ····· ····· ·················· ····· ····· ·················· ····· ···········~······ ····· ········· ·········· ····· ····· ····· ·············· ····· ····· ·············· ····· ····· ····· ·············· ····· ····
••

Anotações

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear -Avelino A lves Filho - 1ª Edição
.-·••• ····
.••••
.••
1

Solução de Problemas
Básicos não Lineares

Introduzir a solução analítica dos principais problemas não lineares com exemplos simples.
Entender, a partir deles, a estratégia para resolver os problemas não lineares de muitos graus de liberdade.

2.1 Introdução
Este capítulo inicia o estudo dos principais problemas não lineares, já comentados no capítulo 1. Embora essa aborda-
gem seja introduzida utilizando como ''pano de fundo" alguns exemplos "simples" que admitem solução analítica, ela
é, como veremos, a base ou o alicerce para entendermos o que acontece nos problemas de muitos graus de liberdade,
tal como se apresentam os modelos de elementos finitos não lineares. Assim, a partir desses exemplos simples, e com o
auxílio adicional das técnicas numéricas que serão estudadas adiante, podemos estabelecer as generalizações cabíveis.
A diferença essencial é que os problemas "bem comportados" admitem solução analítica e exata. Embora os problemas
de muitos graus de liberdade não sejam passíveis desse tipo de solução, o entendimento da sua natureza física vale tanto
para o caso simples como para o caso de um modelo discretizado.
Esse ponto é fundamental, pois a primeira questão ao iniciar a montagem de um modelo em elementos finitos está rela-
cionada ao tipo de análise que será efetuada para a solução do problema de engenharia estrutural que queremos resolver.
A escolha do tipo de análise faz parte da estratégia de modelagem e constitui uma decisão do engenheiro, e mais uma
vez, nunca do software. E isso só pode ser feito com segurança se conhecermos a natureza física dos problemas que
podemos encontrar no desenvolvimento de um projeto. O entendimento dessas questões permite, como consequência,
enxergar de forma clara o porquê da existência de algumas estratégias numéricas diferentes a serem aplicadas nos
diversos problemas que se apresentam no dia a dia das análises não lineares. Assim, abriremos o caminho para o enten-
dimento das rotinas que constituem a base para a implementação computacional do método, em análise não linear. Por
isso a existência de alguns métodos numéricos, tais como o método de Newton-Raphson, método de Newton-Raphson
Modificado, método do comprimento de arco constante (''Arc-Length Method''), técnica do comprimento de arco elíp-
tico, técnica do comprimento de arco esférico, técnica do comprimento de arco cilíndrico, técnica do comprimento de
arco linearizado etc.
Vunos no capítulo 1 que o conceito mais simples e importante da análise era traduzido pela equação de equilíbrio. Ela
estabelece que as forças internas e externas estão em equilíbrio, quando a estrutura está deformada nessa configuração.
Em uma análise não linear, a estrutura evolui passo a passo até atingir uma configuração final de equilíbrio, passando por
sucessivas condições de equilíbrio intermediárias que devem ser determinadas. A determinação da condição de equilí-
brio seguinte pressupõe a determinação do equilíbrio no estágio anterior do carregamento. Ou seja, em uma análise não
linear deve-se prever cada estágio de equilíbrio da estrutura até a aplicação da carga total agente nela. Os métodos nu-
méricos ajudam a fazer essa previsão durante a evolução de uma análise não linear, e mostrar quais são essas condições
intermediárias de equilíbrio até se atingir o estágio final.
A análise linear é um caso muito particular, pois a partir de uma condição inicial, e com o conhecimento da rigidez, o
comportamento que se observa em seguida é previsível, como já sabemos. O gráfico carga x deslocamento é represen-
tado na Figura 2. l(a). A carga cresce, o deslocamento cresce, e sempre na mesma proporção. O que determina essa pro-

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
44 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

porção é a rigidez da estrutura, determinada quando o processo de definição do modelo é concluído. Tudo é previsível.
Antes de iniciar uma análise linear, quando o modelo está pronto e as condições de contorno definidas, o problema já
está resolvido, no âmbito dos deslocamentos unitários e, portanto, para qualquer campo de deslocamentos, enquanto a
hipótese da linearidade for aceitável na representação do problema fisico.
Os exemplos das Figuras 2.1 (b), 2.1 (c) e 2.1 (d) mostram que não há uma proporção entre crescimento de cargas e deslo-
camentos. Cada um desses gráficos representa situações fisicas que teremos oportunidade de discutir adiante. Em alguns
deles, quando o deslocamento cresce, não é verificado em correspondência um crescimento de carga. Esse fenômeno,
estudado posteriormente, está associado a situações fisicas nas quais ocorrem instabilidades na estrutura, e temos de
prevê-las por intermédio das estratégias numéricas. Alguns métodos numéricos "só sabem" representar crescimentos de
deslocamentos acompanhados de crescimentos de carga. Eles falham diante da representação dos fenômenos fisicos em
que ocorrem instabilidades, por isso a existência de diferentes estratégias numéricas abordadas adiante.

Carga
Carga
Comportan1ento
linear Co1nportamento
3 .F --------------- não linear

2-F
Trajetória de equilíbrio
F Deslocamento
Ü--1"'-------L--.-------,-----+-------+
,U ,2-U 1 3-U Deslocamento
• • 1

(a) (b)

Carga Carga Comportamento


Comportamento
não linear
não linear
-----;,.;;.------------

Deslocamento Deslocamento

(e) (d)

Figura 2. 1. Análises linear e não linear. O mundo da proporcionalidade entre efeitos e causas e da adição
dos efeitos e das causas só é válido nas análises lineares, como representado no gráfico a. A previsão
da "trajetória de equilíbrio" constitui o maior desafio da análise não linea" e depende da aplicação de
técnicas numéricas adequadas para cada caso de não linearidade, como ilustram os gráficos b, c e d.

2.2 O Problema Básico da Plasticidade -Alteração da Matriz de Rigidez da


Estrutura com o Carregamento
Vamos introduzir o fenômeno da plasticidade por intermédio da solução de um problema elastoplástico com um grau
de liberdade. A Figura 2.2 representa um conjunto de três barras (a, b e c) submetidas à ação de forças axiais, ou seja,
vamos considerar a estrutura composta por três elementos. O objetivo deste exemplo simples é examinar o colapso da
estrutura devido a deformações plásticas progressivas nos elementos da estrutura, decorrentes da mudança de rigidez do
conjunto, pelo fato de a rigidez de cada elemento alterar-se à medida que a plasticidade se manifesta em cada um deles.
A teoria plástica é baseada na curva cr x s idealizada, "elástica - perfeitamente plástica", Figura 2.2, muito adequada
para o aço médio com ponto de escoamento definido, e é conservadora, pois ignora o subsequente endurecimento por
deformação do material. Veja os comentários introdutórios sobre plasticidade no Quadro II deste capítulo.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 45

L= 21 00 rmn

ÁreaA 1 = l rmn2
,

~
I

I
I
Curva real (a) P = 90 Kgf

I
I
I
I

/
--- ---------- Área A 2 = l mm2 ..
cre
~
, , '
~ (b)

A Área A3 = 1 mm2 B
..__ Curva idealizada
~ (e)
-\..
\1

cr, • ,/ / Material 3
cre3 ,- - - - - - - ....,,_ _ _ _ _ _____._ _
Carga P
/ Material 2

ª e2 ,- - - - - - - - - - - - - - - - - -
/ Material 1 90 Kgf

e,e 1 ,- - - - /-------------
+--,,...._;;;_ _ _ ____,.;........,.,-=

Tempo
.

B

Figura 2.2. Conjunto de três barras submetidas à ação de força axial externa. As barras a, b e c são constituídas de
materiais que têm, respectivamente, tensões de escoamento cre 1 =20 Kgf/mm 2, cre2 =30 Kgf/mm 2 e cre3 = 40 Kgf/mm 2 .
Os três materiais têm o mesmo módulo de elasticidade, E=21.000 Kgf/mm 2, porém com diferentes tensões de escoamento.
As curvas tensão-deformação são lineares no regime elástico, e após atingir o limite de escoamento, admite-se que o material é
perfeitamente plástico, isto é, não apresenta resistência à deformação plástica após a tensão de escoamento ser atingida, ou,
em outras palavras, o material não apresenta resistência a acréscimos de carga atuantes sobre ele. As cargas atuantes
nas barras são apenas axiais. Estados de tensão com tensões atuantes em várias direções são estudados adiante.

Neste exemplo é considerado o fenômeno de escoamento sob condições de tensões uniaxiais. Posteriormente estudare-
mos o critério de escoamento para materiais dúcteis e outros, estabelecendo a previsão das condições em que se inicia
o escoamento do material quando ele se encontra submetido a um estado multiaxial de tensões ou a uma combinação
de tensões em várias direções.

Resolução
Nesta aplicação, o entendimento do comportamento da estrutura em termos de deslocamentos, deformações e tensões
segue os mesmos passos da estratégia elaborada no estudo da análise linear. Ou seja, para conhecer o comportamento
da estrutura deformada, necessitamos conhecer a sua rigidez. A questão da análise não linear, como já sabemos, é que
a rigidez varia à medida que a carga é progressivamente aplicada, e os deslocamentos, em consequência, vão sendo
calculados tomando-se como base a rigidez atualizada. Neste caso, à medida que a estrutura é solicitada progressiva-
mente pelo aumento de carga, existe a possibilidade de alguns elementos da estrutura atingirem o limite de escoamento
do material antes dos demais, pois esses limites são diferentes para cada uma das barras. A partir desse ponto, a barra que
se encontrar nessa condição terá a rigidez alterada, pois o seu material vai se comportar plasticamente, e o seu módulo
de elasticidade sofrerá alteração. Portanto, a contribuição da rigidez desse elemento para a rigidez do conjunto será di-

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
46 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

'
ferente, e a rigidez da estrutura sofrerá alteração. A medida que a carga aumenta, outras barras podem estar submetidas
à mesma condição de atingir a tensão de escoamento e, de novo, a rigidez da estrutura sofrerá alteração, decorrente da
mudança de rigidez de um elemento individual.
A estratégia para resolver esta questão é ''acompanhar'' passo a passo o aumento da carga e ''monitorar'' cada um dos
elementos para identificar em que estágio do carregamento ocorrerão mudanças de rigidez desses elementos decor-
rentes da plastificação e, como consequência, mudança de rigidez da estrutura. Note que neste exemplo temos apenas
três elementos para efetuar esse monitoramento. Em um modelo de milhares de elementos, a lógica de efetuar esse
controle continua a mesma, mas é preciso dispor de técnicas numéricas para esse fim, de sorte a contabilizar "continua-
mente", ou em pequenos intervalos, essa mudança de rigidez da estrutura a partir das mudanças de rigidez de cada um
dos seus elementos. Isso pelo fato de ocorrer plastificação em diferentes regiões da estrutura, as quais são representadas
pelos elementos que descrevem os comportamentos fisicos dessas regiões, contabilizados pelas características do ma-
terial associado ao elemento e pelas ''properties" ou propriedades fisicas associadas a eles. Essas propriedades fisicas,
como sabemos, vêm incorporadas aos elementos na biblioteca de elementos do software de análise por elementos finitos
(molas, treliças, vigas, estado plano de tensões, placas, cascas, sólidos etc.). Daí a necessidade de efetuar esse processo
passo a passo, "step by step", ou seja, a análise não linear é efetuada por incrementos, em um processo passo a passo.
Desta forma, o primeiro passo é contabilizar a rigidez de cada elemento de barra de treliça do modelo objeto de análise,
com base no conhecimento que temos da biblioteca de elementos, tal como resume a Figura 2.3. Cada passo do processo
de cálculo define um estágio de evolução da estrutura, em que se observam deslocamentos decorrentes dos incrementos
de carga.

r------, -------------~ / / / //1\\\'-.. '


Elemento linear de barra 1 Forças 1 : Desloca1nentos :
1 • 1

1 ----------------------
l nodais
1, _ _ _ _ _ _ .J1

i
nodais
Dentro da hipótese linear

1
1
1
I
:
1
1
1
1 • Ul
L
f1 -- ..,__ _ _____. __ f? 2
1
1
1--+ U2
-
:
1
1
11=
1
>
li
= [~} * 1
n
r-----------------------, 1 Elemento de barra
1
1
'.
L ... '
,
: h '
,,
De1,tormaçao
.
-
- u 1
- _2 _ _
- u '
1
,
de treliça
, axta1 - 8 - L ,
I_ - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - J
1 1
1 1
------------------------~ A·E A·E
L L
Matriz de rigidez A·E A·E
L - ---.
do ele1nento, - ~ L L

Comportamento linear elástico Força axial na barra de seção A


r--------------------------
1 1 ~--------------------,
1 1
r------------,
1 1
l'T'
1
-
1ensao _ E _ E u 2 - u 1
: Axial - · 8 - · L
_
- cr :
1
, :F _
1 . -(j ·
A -- E·A/
L 1U2-U1 ):1 : F = E·A.o:
1 L 1
1 1 1
1 1 1 1 1
--------------------------' ---------------------- ~------------
Figura 2.3. Relação entre forças nodais e deslocamentos nodais em elemento de barra de treliça.
O parâmetro de rigidez axial é (E.A)/L, contido na matriz de rigidez do elemento, que contabiliza a característica
do material por intermédio do módulo de elasticidade E, e a propriedade física por intermédio da área A.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 47

QUADRO II - COMENTÁRIOS INICIAIS SOBRE PLASTICIDADE


1. Plasticidade
Apresentamos no capítulo 1 uma pequena introdução à plasticidade, observando a curva obtida por intermédio de um
ensaio de tração uniaxial em um corpo de prova. A ocorrência de escoamento é uma das causas do comportamento
não linear em estruturas. O comportamento plástico dos materiais apresenta algumas características importantes que
merecem destaque:
A deformação plástica não é um processo reversível como a deformação elástica. Durante a ação do carregamen-
to, se o material atinge a região plástica, ao liberarmos a estrutura da ação dele, ocorrem deformações permanen-
tes nela e ela não recupera a configuração inicial.
A deformação elástica depende apenas dos estados inicial e final de tensão e deformação.
)( A deformação plástica depende da maneira como é exercida a solicitação mecânica para se atingir o estado final.
Não há uma constante facilmente mensurável relacionando a e E, como o módulo de elasticidade E na deforma-
ção elástica.
)( O fenômeno de encruamento é dificilmente incorporado à teoria da plasticidade sem introduzir um grau consi-
derável de complexidade matemática.
)( Anisotropia plástica, histerese elástica e o fato de a tensão de escoamento estar associada ao caminho e à direção
do carregamento, o conhecido efeito Bauschinger, não são facilmente tratáveis.

2. Curva de escoamento
A curva u x e (carga axial) tem interesse na plasticidade quando expressada em termos de tensão verdadeira e defor-
mação verdadeira, comentadas no capítulo 1.
)( Lei de Hooke é válida até cre (J' •

)( Após ªe--+ deformação plástica I


I

I
I
)( A maioria dos metais encrua nesta região --+ maiores defor- I
I

mações necessitam valores de tensão a> ªe


<Je - - - - - - -
,,.
I

I
I
I
)( Em A --+ retirando a carga --+ existe uma parte de deforma- I
I
I

I
ção elástica recuperável (E 1 --+ E2)
•-- S3
/
'
É1 . S

A deformação final deste descarregamento não é toda plástica permanente. Dependendo do metal e da temperatura,
desaparece com o tempo uma pequena quantidade de deformação plástica (e2 --+ e3 ), o que se conhece como compor-
tamento anelástico, normalmente desprezado nas teorias matemáticas da plasticidade.
A curva real é mostrada na figura seguinte. A "trajetória" no descarregamento real não é a rigor paralela à curva do car-
regamento representativo da parte elástica. Após o descarregamento, a tensão de escoamento à compressão é diferente
da tensão de escoamento à tração (efeito Bauschinger). A teoria da plasticidade considera aª= ªb·

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
48 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

QUADRO II - COMENTÁRIOS INICIAIS SOBRE PLASTICIDADE (CONTINUAÇÃO)

Fornece a tensão necessária para


Curva a x E Curva de causar escoamento plástico do
verdadeira escoamento 1netal a qualquer nível de deformação. Descarregamento real,
r1--•
1
• curva não paralela à
parte elástica.
Várias tentativas têm sido feitas para ajustar
equações matemáticas a esta curva.

Mais comum Li,nite


escoamento
Tensão para Coeficiente de
E= l encrua1nento

Real!!!
-~ /

Ioga = log (K · E'~ ~ Ioga = /ogK +log E" ~, logcr = logK + n · foge 1

logcr

n ~ Inclinação do gráfico log.log

Equação só é válida do começo


do escoamento plástico até a
carga máxiina onde o corpo
inicia a formação do pescoço.
iogE

A equação a= Eº, ao ser manipulada com as equações gerais da teoria da plasticidade que veremos adiante, implica
enorme dificuldade matemática. No sentido de evitar essa intratabilidade, são introduzidas algumas simplificações,
com vistas a tomar o tratamento matemático factível. Decorrentes disso surgem algumas curvas de escoamento
idealizadas.
As figuras seguintes apresentam três modelos de curva de escoamento normalmente considerados.

~---------------------------------~ r---------------------------------~
Metal elástico perfeitamente plástico
Metal rígido perfeitamente plástico

' • (J
(J ••
Aço-carbono - elongação
O"e ,.. - - -- , - - - - - bem definida em relação ao
limite de escoamento cre .
.e
.
•8
r---------------------------------~
Elástico com encruamento linear
Corpo de prova de tração completamente rígido
(J
(deformação elástica nula) até cre ~ deformação
Abordagem n1ais
plástica a tensão constante (encruamento nulo).
realística considerando
Metal dúctil em condição de elevada regiões elástica e plástica.
deformação a frio.

Retomando a ideia de que as forças externas aplicadas na estrutura estão em equilíbrio com as forças internas:
Aplica-se a carga externa P => a carga externa deve ser equilibrada pelas forças internas em cada elemento, como
mostra a Figura 2.4.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 49

Sendo u - deslocamento na extremidade livre de cada elemento, teremos:

Deformação axial = s = !!_ ; tensão axial = a = E · s = E · !!_ A i (a)


L L fa 1

I
I
I

Assim, a/orça interna f em cada elemento será dada por: I


I
I

fb I (b) p
1
...
1
f = ( tensão axial) . (área) =a· A= E· A·!!_ \
\

L fc \
\
(e)

''
A condição de equilíbrio permite escrever fa +f,, +fc = P, e substituindo
os valores das forças internas em função do deslocamento, tal como ante-
Figura 2.4. Barras rigidamente fixadas
riormente, teremos: em uma extremidade e soldadas no carrinho
que pode somente sofrer translação
EA EA
3EA 3EAEA
u -+ + - =P~u---=P~P=--*u
L L L L L
,
E interessante observar que poderíamos, tal como é feito nas aplicações lineares, utilizar o procedimento de montagem
para obtenção da matriz de rigidez do conjunto das três barras a partir do conhecimento da matriz de rigidez de cada
um dos elementos, por intermédio dos vetores de localização. Como as três barras "trabalham" na estrutura entre A e B,
as suas matrizes de rigidez, já localizadas na montagem, serão dadas por:
r-------~-------,1
r-------~-------, r-------~-------,
1 1 1 1
1 A 1 B 1
1 - - - - - - - - ' - - - - - - - _,
1 A 1 B
1
1
1
A 1 B
, _ - - - - - - - '- - - - - - - - 1
,. - - -
, _ - - - - - - -'- - - - - - - - 1
r-- -
1 1
r---
1 1 1 1
EA EA 1 1
EA EA 1 1
EA EA 1 1
'A '
1 1 'A'
1 1 'A '
1 1
L L 1 1
L L 1 1
L L 1 1

[K]ª -
1 1
- --i
1 1 [Kjb - 1
---i
1
1
1 [KJC =
1
- --i
1
1
1
EA EA 1 1
EA EA 1 1
EA EA 1 1

'B '
1 1 'B '
1 1 'B '
1 1
L L 1
1
1
1 L L 1
1
1
1 L L 1
1
1
1
L -- - L--- L- - -

Elemento a Elemento b Elemento e

A estrutura inteira também "trabalha" entre A e B, e podemos efetuar o procedimento de montagem da matriz de rigidez
da estrutura.
,,-------------------~-------------------~
1
A , B 1
, 1
--------y--------
1 A 'I B '
1
,_ - - -- -- - -- --- -- -- - --'-- --- -- -- - -- -- - -- -- _, --------1--------
1 1

r- - - r- - -
1 1 1 1

EA +EA +EA) (-EA _EA _EA)


1 1
3EA .1 - 3EA
1 1

( L 'A'
1 1 'A'
1 1

[K]Estrutura = L L L L L 1
1
- --i
1
1
L L
........................... ................................
,) '
1
1
- --i
1
1
1 1 1 1

(-_EA _EA _EA) (EA +EA +EA)


1 1

'1 B 1' 3EA 3EA 1

' B 1'
1

1 1 1 1
L L L L L L 1 1 L L 1
1 1
l - - - l - - -

Como o grau de liberdade (nó) A está restrito, a parte da matriz de rigidez da estrutura a ser considerada para o cálculo
dos deslocamentos é a parte que corresponde ao grau de liberdade (nó) B. Assim, a equação matricial que permite o
cálculo dos deslocamentos nodais (que neste caso particular é somente um!) será:

{F}B ={PJ= [K]B · {A}B = [3 · E· AIL] · uB

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
50 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

O termo [3 ·E· AILJ representa a matriz de rigidez da estrutura constituída pelas três barras, associada aos graus de liber-
dade que se movem e tomam a matriz não singular. Neste caso é apenas um grau de liberdade, o deslocamento B. Ou
· esta u' 1tuna
seJa, · equaçao
- e' a antenor
· p =- - ·u . De acordo com os ca'lcu1os desenvo1v1ºdos no estudo da ana'l.1se 1·1-
JEA
L
near, a força interna transmitida pelo elemento de barra de treliça é dada por /interna= (E· AIL) · (uB - uA). Assim, como
uA = O, pois a estrutura está restrita em A, e sendo uB = u, a força interna em cada barra será:

Como a soma das forças internas equilibra a força externa (la + fi, + fc = P) e cada uma dessas forças internas é
dada pelo produto da tensão axial pela área, podemos também escrever o equilíbrio da seguinte forma alternativa:
A. (aª+ ab + ac) - P= O. Assim, cada barra estará submetida inicialmente a uma força dada por/= o-·A.
As barras a, b e c são constituídas de material com tensão de escoamento respectivamente iguais a ae1 =20 Kgflmm 2,
ae2=30 Kgflmm 2 e ae3 = 40 Kgflmm2.

Primeiro estágio ou incremento de carga - /l - incremento 1


Quando a força P é aplicada desde o valor zero e de forma crescente no conjunto das três barras que constituem a
estrutura, o comportamento do conjunto é inicialmente elástico para as três barras submetidas à mesma tensão axial,
'
pois elas possuem os mesmos valores de forças fa = f,, = fc. A medida que a carga sobre o conjunto é aumentada, a
tensão no elemento (a) atinge a tensão de escoamento do seu material antes das barras (b) e (c), pois apresenta menor
tensão de escoamento. Assim, o elemento (a) escoa, e como por hipótese o material é perfeitamente plástico, esse
elemento não pode sofrer nenhum acréscimo de tensão. Assim, à medida que a carga aplicada vai sendo aumentada com
o objetivo de atingir o seu valor máximo, a rigidez da estrutura sofre alteração. Então, devemos avaliar cada trecho de
carregamento considerando a rigidez nesse trecho. A estrutura será avaliada para um incremento de carga e não para
a carga total. Desta forma, quando o incremento de força interna no elemento (a) for suficiente para que ele atinja a
tensão de escoamento, ele não poderá trabalhar mais e o valor máximo desse incremento será dado por (flfa) 1 = ( ez • A). ª
Portanto, o elemento (a) não terá rigidez para absorver qualquer acréscimo de carga a partir do valor dado por
(flfa) 1 = (20 Kgflmm2 • 1 mm2) = 20 Kgf. A partir dessa condição a rigidez da estrutura deve ser atualizada, pois
acréscimos de carga acarretam acréscimos de deslocamentos segundo uma proporção diferente, definida pela rigidez
da estrutura, e ela se alterou porque uma das barras "não trabalha mais", vencido esse estágio ou incremento. A Figura
2.5 indica como os deslocamentos crescem à medida que a carga externa é aplicada na estrutura, enquanto a barra
(a) não ultrapassa o limite de escoamento do material que a constitui. O deslocamento apresentado pelo conjunto na
condição em que se inicia o escoamento da barra (a) será obtido a partir da equação válida para o incremento (1)
(M) 1 = (flfa) 1 + (flf,,) 1+(flfc)1 = (3 ·E· AIL) · (fluB)z, ou seja:

60 = (3 · 21000 · 1 I 2100) · fluB => (flua) 1 = 2 mm= Deslocamento da estrutura após o 1º incremento de carga

Curva carga x deslocamento


Carga
----------------
.... - '
I \
1
I

1° estágio - 1° incremento
1 1
'3EA 1
P = '\-L- I1*u : Todas as barras elásticas
\ I 1
'
-- .... 1
1
I
I
I

1
1
.... , A primeira
L _ __ ___. Rigidez tangencial KT / . . ,. . . barra escoa
I
_-.,."'-...._
k ..
60 Kgf
3EA
Kr = tga = L = 30 Kgf/mm
_.... 1
1
'
a: 1

2 mn1 Deslocamento

Figura 2.5. Antes de ocorrer o escoamento da barra (1), as três barras contribuem para a rigidez do conjunto.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 51

A partir do instante em que a barra (a) atinge o limite de escoamento de seu material, ou que a estrutura apresenta deslo-
camento do ponto B dado por uB= ( flu JJ 1 = 2 mm, somente as barras (b) e (c) resistirão à acréscimos de carga. Assim,
a partir desse instante, um ''novo problema se inicia'', com uma nova rigidez, cuja condição inicial é a condição final
dada pelo cálculo da estrutura na qual as três barras trabalhavam. Passemos agora então a nos preocupar com o novo
, . . . . .
estagio, ou incremento que se inicia.

Segundo estágio ou incremento de carga - tJ. - incremento 2


Necessitamos calcular o incremento de deslocamento (fluB) 2 que será somado ao deslocamento até agora deter-
minado. Para a determinação desse incremento de deslocamento (fluJJ 2, como só duas barras trabalharão, devemos
contabilizar a nova rigidez da estrutura a partir desse estágio. O raciocínio é idêntico. Deve-se obter a rigidez da
estrutura para o cálculo desses incrementos como foi feito anteriormente, mas somente com duas barras e utilizando a
técnica do vetor de localização. A Figura 2.6 resume essa sequência. Quando a tensão no elemento (b) atingir a tensão
de escoamento do material da barra (b) - ae2 = 30 Kgflmm2, o elemento (2) não terá rigidez para absorver qualquer
acréscimo de carga. Como calculado anteriormente, no início do estágio em que somente as barras (b) e (c) estavam
aptas a trabalhar na estrutura, a tensão na barra (b) já era 20 Kgflmm2 e o limite de escoamento do material dessa barra
é 30 Kgf/mm2. Assim, essa barra só terá capacidade de absorver um acréscimo de tensão de (flub) 2 = 10 Kgflmm 2, ao
qual (flub) 2 está associado um acréscimo de força (flf,,) 2 = (flub) 2 · (A)~ (fl/J 2 = (10 Kgflmm 2) • (1 mm2) = 10 Kg{.
A Figura 2.6 indica como os deslocamentos crescem à medida que a carga externa é aplicada na estrutura em função da
sua nova rigidez, enquanto a barra (b) não ultrapassa o limite de escoamento do material que a constitui. O deslocamento
apresentado pelo conjunto na condição em que se inicia o escoamento da barra (b) será obtido a partir da equação que
traduz a correspondência entre forças e deslocamentos nesse incremento, ou seja, a equação que contabiliza a rigidez
nesse trecho, apresentada na Figura 2.6 utilizando os vetores de localização.

r------------------,------------------,
, A , B ,
.--- --- --""T'"- -- - -- - ..
1 I 1 : A : B :
-------------------~------------------- '- - - - - - - _, _- - - - - - -'
,- - - ,- - -
(Et +Et +o} (-Et-Et-o)
1

, A,
1
1
1
1 2EA 2EA 1
1
'A'
1
1
1

1 1
L L 1 1

[K]Estrutura = 1
1- - - i
1 1
1- - - i
1

(-Et-Et-o} (Et+Et +o}


1
1
'B'
1 1
1
1 2EA 2EA 1

,B ,
1

1
1
1

1
1
, _ - _1
1 L L 1
1 _ - _I
1

O grau de liberdade (nó) A está restrito. A parte da matriz de rigidez da estrutura a ser considerada para o cálculo dos deslocamentos é a que corresponde ao
grau de liberdade (nó) B. Assim, a equação matricial que permite o cálculo dos incrementos de deslocamentos nodais (que neste caso é somente um!) será:

A partir do escoamento da 1ª barra


Carga

2° estágio - 2° incremento
Só as barras (b) e (c) resistem a acréscimos de carga

/ ... ,. A segunda
,'-........\ I•,... barra escoa
,- - - - - - - - - -, I-
li 1\ '-...
: 2EA : I
,1 Kr = L ,1 I
I

1 1 60Kgf

2mm Deslocamento

Figura 2.6. Antes de ocorrer o escoamento da barra (2), as barras (2) e (3) contribuem para a
rigidez do conjunto. A barra (1) não resiste mais a acréscimos de carga depois de ter escoado.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear -Avelino A lves Filho - 1ª Edição
52 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

A relação entre esse acréscimo de força e o acréscimo de deslocamento (flu~ 2 é contabilizada pela rigidez da estrutura,
que agora é atualizada para esse incremento de carga e permite calcular o incremento de deslocamento, conside-
rando que a barra (a) não contribui para a rigidez da estrutura nesse segundo estágio. A montagem da matriz é efetuada
como antes foi feito para as três barras, porém sem a contribuição da barra (a), como indica a Figura 2.6.
O acréscimo ou incremento de deslocamento apresentado pelo conjunto na condição em que se inicia o escoamento da
barra (b) será obtido a partir da equação válida para o incremento (2):

(M') 2 = (flf,,)2 + (flfc) 2 = 20 = ( 2 · 21000 · 1 I 2100) · fluB => (flu~ 2 = 1 mm

Assim, o deslocamento após o segundo incremento de carga será dado pela soma do deslocamento obtido no primeiro
incremento e do incremento de deslocamento obtido no segundo incremento. Ou seja:

Deslocamento da estrutura após o 2º incremento de carga = 2 mm + 1 mm = 3 mm


Carga total aplicada na estrutura até este estágio = 60 Kgf + 20 Kgf = Total= 80 Kgf
Tensão nas ballas (b) e (c) = 20 Kgflmm2 (final do 1° estágio) + 1OKgflmm2 (incremento no 2º estágio) = 30 Kgflmm2

Terceiro estágio ou incremento de carga - !3. - incremento 3


Necessitamos, finalmente, calcular o incremento de deslocamento (fluB) 3 que será somado ao deslocamento até agora
calculado. Para isso, como somente uma barra trabalhará, devemos contabilizar a nova rigidez da estrutura a partir
desse estágio. Deve-se obter a rigidez da estrutura para o cálculo desse incremento como foi feito anteriormente, mas
somente com uma barra e utilizando a técnica do vetor de localização. A Figura 2.7 resume essa sequência. Quando a
tensão no elemento (c) atingir a tensão de escoamento do material da barra (c) - ae3 = 40 Kgflmm 2 - o elemento (c) não
terá rigidez para absorver qualquer acréscimo de carga. Porém, como calculado anteriormente, no início do estágio
no qual somente a barra (c) estava apta a trabalhar na estrutura, a tensão na barra (c) já era 30 Kgflmm2 e o limite de
escoamento do material dessa barra é 40 Kgf/mm2. Assim, essa barra só terá capacidade de absorver um acréscimo
de tensão de (fluc)3 = 10 Kgf/mm 2, ao qual (fluc)3 está associado um acréscimo de força (flfc) 3 = (fluc )3 • (A) --+
(flfc) 3 = (10 Kgflmm2) • (1 mm2) = 10 Kg{. A Figura 2.7 indica como os deslocamentos crescem à medida que a carga
externa é aplicada na estrutura em função da nova rigidez dela, enquanto a barra (c) não ultrapassa o limite de escoamen-
to do material que a constitui. O deslocamento apresentado pelo conjunto na condição em que se inicia o escoamento da
barra (c) será obtido a partir da equação que traduz a correspondência entre forças e deslocamentos nesse Incremento,
ou seja, a equação que contabiliza a rigidez nesse trecho, apresentada na Figura 2. 7 utilizando os vetores de localização.
A relação entre esse acréscimo de força e o de deslocamento (fluB) 3 é contabilizada pela rigidez da estrutura, que agora
é atualizada para esse incremento de carga e permite calcular o incremento de deslocamento, considerando que as
barras (a) e (b) não contribuem para a rigidez da estrutura nesse terceiro estágio. A montagem da matriz é efetuada como
antes foi feito para as três barras, porém sem a contribuição das barras (a) e (b), como indica a Figura 2.7.
O acréscimo ou incremento de deslocamento apresentado pelo conjunto na condição em que se inicia o escoamento da
barra (c) é obtido a partir da equação válida para o incremento (3):

Assim, o deslocamento após o terceiro incremento de carga será dado pela soma do deslocamento obtido no final do
segundo incremento e do incremento de deslocamento obtido no terceiro incremento. Ou seja:

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 53

Deslocamento da estrutura após o 3a incremento de carga = 3 mm + 1 mm = 4 mm


Carga total aplicada na estrutura até esse estágio = 80 Kgf + 1OKgf = Total= 90 Kgf
Tensão na barra (c) = 30 Kgflmm 2 (final do 2a estágio)+ 10 Kgflmm 2 (incremento no 2a estágio)= 40 Kgflmm 2

___________________ T __________________ _

'
1 A 'I B '
1 :
....
A
..:
--- -- -- - ----- --.
B :
-------------------·-------------------
1 1

r- - -
1_ - - - - - - - ... __ - - - - __ 1

r- - -
1 1 1 1

[K]Estrutura =
(E:+ O+ O) (-E: -O- O) 1

'A'
1
1
1
- - --t
1

1
1
1
EA
L
EA
L
1

'A'
1
1
1
1
1
1
1

- - - -t
1 1 1 1

(-E: -O- O) {E1 +o+o} 1

'B'
1
1
1
1

1
1
1
EA
L
EA
L
1

' B 11'
1
1
1
1

1
L- - - 1, _ - -

O grau de liberdade (nó) A está restrito. A parte da matriz de rigidez da estrutura a ser considerada para o cálculo dos deslocamentos é a que corresponde ao grau
de liberdade (nó) B. Assim, a equação matricial que permite o cálculo dos incrementos de deslocamentos nodais (que neste caso particular é somente um!) será:

A partir do escoamento da 2ª barra


Carga

A terceira
barra escoa
'-.. \/
Só a barra (c) resiste a acréscimos de carga 90Kgf
---------- 1
1
80Kgf
: EA :
: KT = L
60Kgf
I_ - - - - - - - - -

2 mm 3 mm 4 mm Deslocamento

Figura 2.7. Antes de ocorrer o escoamento da barra (b), as barras (b) e (c) contribuem para a
rigidez do conjunto. A barra (1) não resiste mais a acréscimos de carga depois de ter escoado.

Ao final do terceiro incremento, todas as barras atingem a tensão de escoamento dos materiais que as constituem. Como
os materiais são idealmente plásticos, a estrutura não terá capacidade de suportar qualquer acréscimo de carga a ela,
então atingiu a carga de colapso. Essa situação é representada graficamente pelo diagrama carga x deslocamento da
Figura 2.8.
Carga

A terceira
barra escoa
'-.. \/
90Kgf -------------- - = - t ~ - - - - -
A partir do A estrutura fica 1'\"
Nenhuma barra resiste 80Kgf
escoamento da completamente
a acréscitnos de carga
terceira barra sem rigidez

o 60Kgf Colapso!!!

~----c_o_Ia_p_so_da_es_t_ru_t_u_ra_ _ _ _ ~I V ~I_ _K_T_º_~


2mm 3 mn1 4 ID111 Deslocamento
Figura 2.8. Após ocorrer o escoamento das barras (a), (b) e (c), a estrutura entra em colapso.
Não há mais rigidez na estrutura para suportar cargas adicionais. A carga de colapso foi atingida.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
54 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

Algumas observações práticas


Nos modelos constituídos por muitos graus de liberdade, esse processo incremental é aplicado a todos os elementos
do modelo, checando-os quanto à mudança de propriedades. A curva carga x deslocamento para a estrutura poderia
ser representada por trechos onde a alteração de rigidez de um trecho para outro não daria um "salto" tão grande como
nesse exemplo das três barras. Um caso interessante corresponde à flexão de uma chapa em seu próprio plano sob a
ação de uma carga em sua extremidade, como representado a seguir. Sabemos que essa flexão produz tração na parte
superior e compressão na parte inferior da chapa. Antes de atingir a tensão de escoamento nas partes superior e inferior,
o material comporta-se dentro do regime elástico, mas à medida que a carga aumenta, as regiões extremas superior e
inferior na região do engastamento ficam sujeitas a tensões maiores e plastificam antes das regiões internas da chapa.
Se considerássemos o material idealmente plástico, o diagrama de tensões na chapa à medida que as fibras externas fos-
sem plastificadas seria representado progressivamente como na figura seguinte, até que toda a seção plastificaria, não
haveria nenhuma capacidade adicional de resistir à carga externa e a estrutura da chapa entraria em colapso. Esse
momento máximo que corresponde à total plastificação da seção da chapa é o momento plástico MP. O momento em
que se inicia o escoamento das fibras da extremidade da chapa é Me, sendo ue a tensão de escoamento do material.
Quando um elemento se plastifica, a sua rigidez se altera, bem como a da estrutura. Neste caso, a estrutura vai perdendo
progressivamente a sua rigidez até o colapso. O diagrama carga x deflexão ilustra a variação da rigidez da estrutura, que
varia à medida que a carga cresce.
Engastamento Os elementos das extremidades iniciam antes a plastificação

fillt::f• Carga na
1K
....
' ;t:
; :{,
extremidade
:;:
iU
1 2!
:{,
~
:f!
1:
; ;t,

,li:* p
,i .~


Diagra ma de tensões normais na seção engastada
O" O" = O"e O" = O"e O" = O"e

r-1 r--1 r-1 I• •I


Momento
, plástico da ( MP)
seção
Linha neutra
.......... . ... .. . . . . . . . . . 7
------ ------- ................~ : : : : : !
,
, L:.

Seção sünétrica M < Me M = Me Me < M < M p M = Mp

Carga P
,•
K2
,
,
K3
,
,• ,

,•

. .. . . ...
. , ,
,
,,
••
.. . ..
.• . •
,•
••
K0 - Rigidez no primeiro trecho - antes da plastificação •
• •
• .• •

...
, ,
,""


., .
, ,.
, ,
K1 - Rigidez no segundo trecho - após início da plastificação . , •

.. . ..::.. . '''
,
''
, ''
K?- - Rigidez no terceiro trecho - após início da plastificação . . ..• '
'
.

,. .
, .•. . •

"
,
. '
'
• •
'
'

K,1 - Rigidez no n-ésimo trecho - após início da plastificação •





• • •
• • •
• • •






Deflexão t,. na
• • •









• extremidade livre
• • • • •
• • • • •

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 55

2.3 O Problema Básico da não Linearidade Geométrica:


Quando as Grandes Deflexões Alteram a Equação de Equilíbrio
ao longo do Carregamento e a Rigidez Varia
Vamos introduzir o fenômeno da não linearidade geométrica por intermédio da solução de um problema simples, que
admite solução analítica e permite entender como a rigidez se altera à medida que o carregamento é aplicado na estru-
tura. Ou seja, à medida que a carga vai sendo aplicada, os deslocamentos obtidos não crescem na mesma proporção
que o aumento da carga. O objetivo, por intermédio deste exemplo simples, é examinar como a relação entre força e
deslocamento, que contabiliza a rigidez da estrutura, vai se alterando à medida que a carga é aplicada. Vamos considerar
no exemplo uma viga em balanço com apoio elástico na extremidade, uma mola torcional linear, de acordo com a Fi-
gura 2.9. A força P mantém-se sempre na vertical, por hipótese. A mola reage às ações externas produzindo uma reação
M = k · @, em que k é conhecida.

Resolução
Na Figura 2.9, se a estrutura mantém-se em equilí- L
brio para qualquer valor de P, podemos montar as
equações que traduzem o equilíbrio entre forças e
- -------------------------------------------
momentos que agem na estrutura. Neste caso, fare-
mos um diagrama de corpo livre da estrutura inteira,
M=k·
e a força externa P e o momento causado por ela no
ponto de apoio devem ser equilibrados pelas reações
de apoio. p p
O momento causado pela ação da força P no apoio
é calculado a partir do conhecimento do compo-
nente da força P perpendicular à linha do centroide Figura 2.9. Viga em balanço com apoio
da viga, representada na Figura 2.1 Oe cujo valor é elástico de mola torciona/ de constante k.
P · cos 0. Assim:
Equilíbrio do momento causado por P no apoio:

k-0
(P • cosO) · L = M ~ P · cosO · L = k · @ ou P= - - -
L·cos0

Esta última equação permite observar a relação entre a carga aplicada e o ângulo obtido na extremidade da viga
onde está o apoio elástico, - mola torcional - que segue uma relação não linear. Não existe uma relação de propor-
cionalidade entre P e 0. A medida que P aumenta, o ângulo 0 não cresce na mesma proporção, mas depende do
cos 0, que constitui um termo não linear.

0
M = (P · cos 0) · L P. cose
p

Figura 2.10. Equilíbrio da estrutura em uma condição deformada qualquer definida pelo ângulo 0.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
56 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

Somente em um pequeno intervalo poderíamos considerar a existência de uma relação linear entre P e 0. Ou seja,
em uma condição muito especial, o aumento da carga P resultaria aumento do ângulo 8 na mesma proporção. Quando
os ângulos 0 obtidos devido à ação da carga P são muito pequenos, temos uma condição especial. Da matemática,
sabemos que para 0 ~ 5° 44' temos tg 0 ~ sen 0 ~ 0Radianos e adicionalmente, podemos considerar nessa faixa em
que a estrutura trabalha com ângulos pequenos - cos 0 ~ J. Fisicamente, dizemos que a estrutura está nas condições de
pequenas de.flexões, então temos:

k-0 k A relação entre P e 0 para pequenas de.flexões, ou seja,


P=- P=-·0 =C-0
L L ângulos 0 muito pequenos, é linear, P = C · 0

A Figura 2.11 representa as duas relações entre carga P e ângulo 8 graficamente, de sorte a enxergar como o ângulo 8
cresce à medida que a carga é aplicada desde os primeiros estágios até valores maiores. Fica clara a relação não linear
quando os ângulos 8 são grandes. Vale ressaltar que, sendo /1 o valor da deflexão, como sen 0 = /1 / L, uma relação
não linear também se aplica à correspondência entre carga e deflexão, ou seja, elas não mantêm uma proporção di-
reta. Como a relação entre carga e deflexão é a contabilização da rigidez da estrutura, a rigidez varia. Assim, grandes
deflexões proporcionam mudança de rigidez da estrutura, o que toma o problema não linear. A questão central é que,
se a rigidez não varia, a linearidade entre cargas e deflexões se mantém e, para um incremento de carga conhecido, o
incremento dos deslocamentos já está previamente determinado.
A rigidez da estrutura está disponível quando se acaba de preparar o modelo em elementos finitos. Porém, se ela varia
e não conhecemos previamente como essa alteração se processa, como determinar os deslocamentos reais da estrutura?
Esta é a grande questão das não linearidades em estruturas reais, de geometrias complexas. Neste exemplo particular, de
solução analítica disponível, não haveria maiores dificuldades, mas nos problemas reais de estruturas com milhares de
graus de liberdade, a solução requer algumas ''previsões" a respeito de como a rigidez da estrutura se altera à medida que
o carregamento é aplicado nela. Já mencionamos antes que os métodos incrementais e iterativos ajudam a prever como
essa alteração se processa. Como os deslocamentos variam à medida que a carga é aplicada, e constituem, portanto, uma
função, temos de utilizar algumas técnicas para prever como determinar o valor de uma função, a partir do conhecimento
dela em um estágio anterior. Nesse ponto recorremos aos recursos da matemática, mas isso deve ser feito tendo claros
os objetivos, senão corremos o risco de dar enfoque, no estudo do método dos elementos finitos na análise não linear,
apenas a técnicas matemáticas, sem visão física. Faremos isso adiante tomando esse cuidado.
r---------------------,
,A figura ao lado representa a condição, PL 20
: de equilíbrio para a condição de : e:;> K
pequenos ângulos e ângulos maiores ...1
1.___ 15
--------- ----------
, 10
' '•
PL PL - 0
=0
K K cose

l l
Equação de equilíbrio
não linear, decorrente da Não linearidade
mudança de geometria geométrica
afetando a equação de equilíbrio

Figura 2.11. Para pequenos ângulos, as soluções linear e não linear apresentam resultados muito
próximos, porém à medida que o ângulo 0 cresce, e com ele crescem em consequência os
deslocamentos, os resultados obtidos pelas equações linear e não linear são muito diferentes.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 57

2.4 Quando a não Linearidade Geométrica Vem Acompanhada de Instabilidade


da Estrutura - Os Deslocamentos Aumentam sem o Aumento da Carga
A Figura 2.12 representa uma estrutura treliçada sujeita à carga P. Vamos estudar o comportamento dela à medida que,
estaticamente, a estrutura vai sendo carregada até atingir uma carga máxima. Este problema é muito semelhante aos
problemas ocorridos em estruturas como cúpulas que, sujeitas à pressão, instabilizam repentinamente. O objetivo é
equacionar todos os passos observados à medida que o carregamento é aplicado lentamente, e identificar as sucessivas
posições de equilíbrio da estrutura conforme a deformação dela se manifesta. O problema da treliça permite solução
analítica. O seu entendimento permite fazer algumas generalizações para as estruturas de muitos graus de liberdade, em
que as soluções numéricas por intermédio dos modelos discretizados estarão disponíveis e as soluções analíticas não,
como o caso da Figura 2.12. Quando pressionamos lentamente a "cúpula" da garrafa plástica, ela repentinamente dá um
"salto" (snap-through). Durante a ocorrência desse salto os deslocamentos (11) aumentam significativamente, e não é
necessário aumento de força para isso. Após o repentino afundamento da "cúpula", e o salto para a nova posição em que
observamos o afundamento dela, para continuar deformando localmente a garrafa, necessitamos aumentar progressiva-
mente a força aplicada. Obter a relação entre a carga P e o deslocamento 11.

A força em cada barra é dada por Fb(t) = K · ô, em


que K é constante e ô = variação de comprimento da
barra. A hipótese de que K é constante é válida para (a) A
pequenas deformações. Embora as deflexões sejam
grandes, as deformações são pequenas. Deformações
15°
grandes, como, por exemplo, o caso da borracha, são P(t)
estudadas adiante.
o
i 2

Como a estrutura da Figura 2.12(a) é simétrica e o car- A


regamento também, podemos avaliar, devido à condição (b)
de simetria, somente metade da estrutura com metade da 15° Estudo de metade da estrutura,
carga, tal como mostra a Figura 2.12(b). o decorrente da condição de simetria

Figura 2.12. Estrutura na forma de arco simples com duas barras sujeita a
grandes deslocamentos, que configura a não linearidade geométrica.

Resolução
A questão central da não linearidade geométrica reside no fato de que a equação de equillbrio se altera à medida que
a estrutura se deforma. Ou seja, não é a mesma coisa montar as equações de equilíbrio da estrutura na condição inde-
formada e na condição deformada. Nos problemas básicos de estática da resistência dos materiais, sempre montavam-se
as equações de equilíbrio na condição indeformada da estrutura, ou seja, não havia diferença entre as duas situações
mencionadas anteriormente. Agora, na presença de grandes deflexões, para avaliarmos essa nova situação, só temos
uma alternativa: montar as equações de equillbrio da estrutura considerando a deformação dela e identificando as
variáveis que possam representar essa condição, e que não apareciam na condição indeformada, como normalmente são
tratados os problemas lineares. Assim:
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
58 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

Problema de O equilíbrio da estrutura é determinado na


grandes deslocamentos configuração deformada em um dado instante t.

Na condição deformada da Figura 2.13, deve-se considerar o ângulo P(t) e os correspondentes 11(t) e e(t) que decorrem
do fato de que o equilíbrio não mais se manifesta no ângulo fixo de 15°, mas no ângulo ~(t), que assume diferentes valo-
res à medida que a carga é lentamente aplicada ao longo do tempo t. Em um problema de estática linear, com pequenas
deflexões, o ângulo ~(t) nem entraria nesta discussão e, consequentemente, na montagem das equações. Montaríamos
a configuração de equilíbrio para o ângulo de 15° e pronto. Em resumo, no problema linear, 15° + P(t):::: 15°, pois P(t)
, . , , .
e mmto pequeno ate a carga maxuna.
A montagem do problema não linear passa estrategicamente sempre por duas condições:
• Identificar a geometria deformada da estrutura e nela reconhecer como os elementos se deformam. Na Figura
2.13.a, podemos identificar na condição deformada que a barra encurtou o seu comprimento. A geometria deforma-
da dela mostra claramente esse fato. Já sabemos que as expressões que quantificam as deformações são relações
essencialmente geométricas. De posse da deformação da barra, e conhecendo a equação constitutiva que relaciona
deformações e forças internas (que neste caso é Fb(t) = K. ô), podemos calcular a força interna que solicita a
barra nessa condição deformada.
• Em segundo lugar, temos a condição de equilíbrio que deve ser satisfeita, nessa condição deformada. O pon-
to C, bem como todos os pontos da estrutura, deve estar em equilíbrio. A barra aplica uma força
,
no ponto C,
que é Fb. Essa força surgiu da força de compressão que a barra sofre devido à sua deformação. E então uma força
interna, que deve estar necessariamente em equilíbrio com a força externa. Ou seja, a segunda condição é o
equilíbrio de forças interna e externa. A Figura 1.13.b mostra essa situação de equilíbrio.

Condição geométrica Condição física

Esta força aplicada no


Antes ponto C surgiu porque
a barra se deformou, Esta força aplicada no
encurtou e está ponto C surgiu da ação
P(t)
comprimida. E' uma do carregamento externo.
o~ ---=---- força interna. 2 e '
E uma força externa.
B ,, "l~
ÇX, ~~
Depois 1
1 '"'
1
1

A barra que antes estava indeformada passa para a situação


deformada depois da ação do carregamento. A observação
das duas geometrias permite avaliar a deformação, já que esta é I \

uma relação essencialmente geométrica. Ou seja, "olhando" para /777777


a figura e usando os conhecimentos de geometria, sabemos o Essas duas forças devem estar em equilíbrio!!!
quanto a barra encurtou. En1 seguida, de posse da equação O componente vertical da força Fb deve equilibrar
constitutiva, sabemos a força interna na barra associada a esta a força vertical P(t)/2. É importante conhecer B(t)
deformação. Nesse caso, e(t) define o encurtamento da barra. para defmir esse componente.

Figura 2.13. Geometria deformada da estrutura e forças externa e interna em equilíbrio.

Assim, a discussão anterior permite estabelecer uma condição que se repetirá nos casos mais gerais de sistemas com
muitos graus de liberdade, e que exprime uma condição jisica. Para uma estrutura em equillbrio, as forças externas
aplicadas nos diversos pontos dela (esses pontos nos modelos de elementos finitos são os nós!) devem estar em equi-
líbrio com as forças internas aplicadas pelos elementos nesses mesmos nós. Uma importante condição sempre está
presente na análise não linear envolvendo grandes deslocamentos:
Problema de O equilíbrio da barra é determinado na
grandes deslocamentos configuração deformada em um dado instante t.

Apliquemos então as duas condições anteriormente mencionadas.


Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 59

Condição Geométrica
A barra OA tem comprimento L antes de se deformar. A sua projeção horizontal é OB e pode ser obtida, pois a barra
forma um ângulo de 15° com a horizontal. Depois de se deformar, a barra tem comprimento OC, mas sua projeção ho-
rizontal também é OB e pode ser equacionada, pois a barra forma um ângulo de P(t) com a horizontal. A geometria dos
dois triângulos gerados, OAB e OCB, permite identificar os senos e cossenos dos ângulos envolvidos nas situações antes
e depois da deformação. As relações geométricas são construídas a partir dessas geometrias. Assim:
(I) (As projeções das barras deformada OC e indeformada OA no eixo
[L - e(t)] · cos /3 ( t) = L · cos 15º
horizontal são iguais)
[L - e(t)] · sen/3 ( t) = L · senl 5º - .1(t) (II) (Projeção da barra deformada OC no eixo vertical)

L · senl 5° -,1(t)
sen /3( t ) = - - - - - - (III) (Seno do ângulo P(t) no triângulo retângulo OBC)
L- e(t)
,
E importante quantificar esse ângulo P(t) à medida que o carregamento é aplicado, ou seja, à medida que e(t) e 11(t), que
estão relacionados um ao outro, evoluem, pois como foi visto na Figura 2.13, o componente vertical da força Fb, que
atua na direção dada pelo ângulo P(t), vai equilibrar a força vertical P(t)/2 .

,,,
.... ----- ... '
L - e(t) ,,, ,
-- -,--' -
1,
Variáveis

''
_.., . geométricas e
configuração
'' 1 1 deformada no
1 ~(t)
' 1 1 instante t.
' -h
~
\ -~-------::=-~
------ ------- e, ~
L · senl 5°
_--: : ____ :::::,--1s ~
-J P(t) :
t
0
- - - - -
- - - - - _ _ _J_

~--------------------' B
L · cos15º -
_ - e(t)J · senP(t)_....-,,-
(-.... [L
--- - Relações
----------- geométricas

Figura 2.14. Representação da geometria da estrutura nas condições indeformada e deformada. A


observação das duas situações
, permite identificar a mudança de comprimento da barra e, como consequência,
a sua deformação. Esempre bom lembrar que deformações são obtidas de relações essencialmente
geométricas. Evidentemente existe um responsável por ela, que está relacionado pela equação constitutiva.

Assim, é interessante relacionar e(t) com 11(t) na Expressão (III), de forma que nesta o sen P(t) estará relacionado apenas
com 11(t). Desta forma, ao aplicarmos a equação de equilíbrio entre força interna e força externa no nó C, vamos obter a
relação entre P(t) e 11(t), a qual representa em última análise a relação entre força aplicada na estrutura e deslocamento
da estrutura, que é o objetivo final.
Já que o passo mais importante foi dado em termos de entendimento da condição geométrica, faremos algumas mani-
pulações nas equações com o intuito de obter as relações de geometria. Nestas passagens seguintes, para simplificar a
notação, vamos eliminar o símbolo de tempo (t), adotando-o somente na expressão final.

[ L - e] · cos f3 = L · cos 15° (a) [ L - e] 2 • cos 2 f3 = L2 • cos 2 15º (a)


[L-e] ·sen/3 =L·sen15º -,1 (b) [L-e] 2 ·sen 2 /3 =[L·sen15º -.1] 2 (b)

Adicionando as expressões anteriores (a) e (b) ~ [L - e]2 · cos2 p + [L- e]2 · sen2 p = L2 · cos2 15° + [L · sen 15° -11)2
[ L - e ) 2 · {cos2 p + sen2 PJ = L2 · cos2 15° + L2 · sen2 15° + 112 - 2 · 11 · L · senl 5°
[ L- e ) 2 · {cos2 p + sen2 PJ= L2 · [cos2 15° + sen2 · 15° J + 112 -2 · 11 · L · senl5°, e como sen2 x + cos2 x = 1, sendo
x um ângulo qualquer, teremos:

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
60 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

[ L- e ]2 = L2 + ~ 2 - 2. ~. L. senl 5° e portanto, L2 - 2. L. e+ e2 = L2 + ~ 2 - 2. ~. L. senl 5°, resultando:


e2 - 2 . L . e - (~ 2 - 2 . ~ . L . senl 5°) = O Esta corresponde a uma equação do segundo grau e apresenta duas raízes:

2
e= 2L±~4-I! +4·1·(/J. -2·L·IJ.·sen15º) =L±~
2

Neste caso, como a barra está sendo comprimida e reduzirá o seu comprimento, adotamos a solução que corresponde à
diminuição do tamanho da barra, utilizando a raiz obtida pela subtração de L pelo termo da raiz quadrada. Assim:

/ 2 A( ) L · senl 5º -li( t)
2
e(t) =L-\JL +li (t)-2·L·li(t)·sen15º) (2.1) sen,-., t = - - - - - (2.2)
_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ ___:_L:_:-e(t)

O ângulo P(t) obtido à medida que a carga é aplicada está relacionado ao estágio em que o carregamento se encontra,
guardando uma relação imediata com ~(t) por intermédio do sen P(t). Se substituirmos e(t) de 2.1 na Expressão 2.2,
obteremos a relação imediata entre o deslocamento~ e o ângulo~-

Condição Física
A condição tisica, como já discutido, traduz equilíbrio entre as forças internas e externas. Para estabelecer o equilí-
brio no instante t, as cargas externas nodais e as forças nodais que correspondem às tensões nos elementos (ou seja,
associadas aos elementos deformados, e que transferem forças aos nós) devem se equilibrar.
A Figura 2.15 representa o equilíbrio de forças. Como as equações que traduzem o equilíbrio de forças envolvem as
direções delas que, dadas neste caso pelo ângulo P(t), estão relacionadas ao deslocamento, conseguimos estabelecer para
este problema a relação entre carga e deslocamento atuante na estrutura.

Força externa
Força
aplicada Força externa
externa

~ P(t) P(t)
2
2
Força e
,,,, "I·"-
,_N
interna

~F
b ... '--"''
......
...... ~...... 90- p :
... ...
~~~~~~ P(t)
...
9-.._--------------- Forças internas
I \

/7777§ componentes

Figura 2.15. Equilíbrio entre força externa aplicada no nó e força interna aplicada pelo elemento no mesmo nó.

A condição de equilíbrio aplicada ao nó no ponto C na direção vertical permite escrever (L Forças Verticais= O):

P(t) = Fb(t) · sen/3 • P(t) = 2 · Fb(t) · sen~(t) P(t) = 2 · k · e(t) · sen~(t) (2.3)
2 ••

RJ/t) = Fb(t). cos~(t) - (Equilíbrio na direção horizontal- o nó em C não se movimenta nessa direção)

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 61

A Expressão 2.3 pennite finalmente relacionar a força externa atuante na estrutura, P(t), com o deslocamento fl,
substituindo o sen P(t) nela.
O raciocínio então está montado para a solução completa do problema. O ponto fundamental, visando as aplicações
mais gerais, é o entendimento claro de que temos duas questões presentes na montagem da solução, sendo a condição
geométrica e a condição fisica. O que necessitamos agora fazer é uma mera manipulação algébrica, substituindo 2.1
em 2.2. Isso feito, devemos substituir 2.1 e 2.2 na Equação 2.3, e assim será obtida finalmente a relação entre carga e
deslocamento da estrutura. Essa manipulação matemática deixamos a cargo do leitor, até porque não é a questão mais
importante deste exemplo. Vamos sim, a partir da solução dele, efetuar algumas generalizações para os cálculos não
lineares pelo método dos elementos finitos nos sistemas com milhares de graus de liberdade, e as condições geométrica
e fisica estarão presentes. Assim, essa manipulação resultará:

P(t) 1
- 1 + - - - - - - - - - - - · senl5° - ~(t) (2.4)
2-k·L 2 L
~(t) ~(t)
J-2 · - - ·senl5º+
L L

A Equação 2.4 envolve a relação entre carga e deslocamento da estrutura, e é uma relação não linear, pois envolve a
raiz quadrada do deslocamento e do quadrado do deslocamento. Para que este problema tenha caráter geral, a Expressão
2.4 contabiliza a carga P(t) medida por unidade de rigidez k da, barra e comprimento L dela em função do deslocamento
medido em relação ao comprimento inicial da barra (fl / L). E interessante que nos problemas de estruturas metálicas,
o comportamento linear pode ser adotado para o caso das pequenas deflexões, ou seja, (fl / L) pequeno. Na prática isso
se reflete na aplicação de algumas nonnas, que estipulam flechas máximas em relação ao vão livre L. Essa garantia é
exigida para que, se aplicannos a teoria linear válida para pequenas deflexões, ela só seja aceitável se esses limites de
deflexões (fl/ L) forem garantidos. Portanto, como a relação envolve fl/ L, seria esperado que, quando essa relação fosse
muito pequena, a solução representasse o problema linear como um caso particular. Na prática, podemos, sem dúvida,
equacionar e estabelecer também as condições para a estrutura trabalhar dentro da não linearidade, como neste exemplo.
Apenas necessitamos saber que para esse caso a solução matemática linear não se aplica.
A Figura 2.16 representa em um diagrama carga x deslocamento (corrigido, como anterionnente comentado) o gráfico
correspondente à Equação 2.4. A observação desse gráfico pennite tirar algumas conclusões importantes, o que fazemos
em seguida.
P(t) ( J0-3)
2-k·L
Comportamento linear

6
Nesta faixa da aplicação
do carregamento, a Comportamento não linear
relação ~/L é muito
pequena, e a solução 4
M
linear oferece a mesma ---- N
resposta da não linear.
Para M grande as
soluções são muito
diferentes.
-O ~(t) ( 10-1;
L
2 4 6

-2

-4 "Snap-through" de M até N

Figura 2.16. Comportamento não linear entre carga e deslocamento para a estrutura da treliça.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
62 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

A Figura 2.16 mostra um comportamento tisico da estrutura muito interessante e semelhante ao exemplo da cúpula citado
no início deste exercício. Para um mesmo nível de carga na estrutura, ela apresenta dois deslocamentos muito diferentes.
A observação do gráfico da resposta indica que o deslocamento ''saltou" de AM (ponto M no gráfico) para AN (ponto N no
gráfico), sem aumento de carga. Em outras palavras, para um mesmo valor de carga temos dois deslocamentos muito dife-
rentes, ou em consequência, duas configurações deformadas diferentes. Fisicamente, a estrutura instabilizou e partiu da con-
figuração dada por M para a configuração dada por N, sem aquela progressão lenta e gradual do carregamento na estrutura.
A Figura 2.17 faz uma analogia entre este caso da treliça, que permite solução analítica, e o caso da cúpula. O caso da
cúpula permite solução numérica aproximada pelo método dos elementos finitos, e a estratégia para a construção dessa
solução numérica será em uma primeira instância mencionada após terminarmos este exercício, até porque a lógica de
tratar a solução numérica aproximada será a mesma desenvolvida neste exercício, ou seja, entender a montagem das
condições geométrica e flsica. Apenas são apoiados em algumas técnicas matemáticas que permitem resolver o proble-
ma com aproximação aceitável.
Carga
Salto!!!

Aumento gradual da
" Aumento gradual da
carga e do deslocamento
carga e do deslocamento

Deflexão
o
Trecho
inicial , Após o
1
, salto
:1
1
1
>
1
1
1

Salto!!!

Carga

Neste trecho inicial de O a M, a


carga vai aumentando lentamente Neste trecho, após atingir
e os desloca1nentos crescem o ponto N, a carga vai aumentando
' .
controladamente. A medida que os lentamente e os deslocamentos
deslocamentos vão aumentando, o crescem controladamente de novo.
comportamento deixa de ser linear, O comportamento estrutural se
até que seja atingida a condição altera. Antes do salto, essa região
dada pelo ponto M, e ocorre o estava comprimida, agora tracionada.
salto repentino de M para N.

Compressão
Tração

Figura 2.17. Evolução da estrutura no comportamento não linear com instabilidade.


Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 63

2.5 Nos Problemas com Muitos Graus de Liberdade, em que não há Solução
Analítica, como Determinar a Evolução dos Deslocamentos em Função da Carga?
Preparo da Abordagem dos Casos Gerais
A questão fundamental do equilíbrio da estrutura nas sucessivas posições que ocupa, à medida que o carregamento é
aplicado lentamente em uma análise estática, está, em termos de técnica de abordagem, resolvida. O exemplo anterior,
embora simples e de possível solução analítica, deixa como herança as duas questões fundamentais que ocorrem sempre
no cálculo do equilíbrio da estrutura: a condição geométrica e a condição fisica.
Para a estrutura na condição deformada, a geometria dos elementos se altera, eles se "encurtam" ou se "expandem"
e a consequência dessa condição de geometria alterada é que contabilizamos deformações, determinadas pela mera
observação atenta e cuidadosa da geometria da estrutura nessa nova condição deformada. A geometria deformada dos
elementos tem associação com os deslocamentos nodais. Aliás, grande parte dos cursos de estática de elementos finitos
é destinada a relacionar os deslocamentos nodais às deformações dentro de elementos, pelo velho e conhecido processo
da interpolação. A essas deformações estão associadas forças internas, tensões, contabilizadas pela equação constitutiva,
e ao serem aplicadas nos nós do modelo, equilibram as forças externas aplicadas neles.
Em um problema linear, ao terminarmos a "malha" de elementos finitos, o problema já está resolvido no âmbito dos
deslocamentos unitários. Ou seja, a rigidez da estrutura já está definida e como ela não sofrerá alteração, a partir dela
podemos calcular os deslocamentos para qualquer carga dentro dos limites da análise linear. Ou seja, ao terminarmos de
preparar a "malha", temos uma rigidez de partida, que será utilizada para calcular os deslocamentos. A questão é que em
um problema linear a rigidez
,
de partida não se altera, e é a garantia de que podemos calcular os deslocamentos para
qualquer valor da carga. E bom lembrar que não há possibilidade de cálculo de deslocamentos sem o conhecimento da
rigidez da estrutura.
Aí começam a surgir questões interessantes e desafiadoras da análise não linear. Nela a rigidez não se mantém cons-
tante. A rigidez de partida se modifica à medida que a estrutura é carregada. Já falamos anteriormente que devemos
dividir a carga em incrementos. Porém, mesmo em um primeiro incremento de carga, a rigidez de partida não avaliaria
corretamente os deslocamentos, como mostra a Figura 2.18. Então, como calcular os deslocamentos se a rigidez varia
e não há como equacionar analiticamente essa variação, pois temos milhares de graus de liberdade? Ou seja, em
uma análise não linear a rigidez se altera e não sabemos a priori como isso acontece, então não podemos calcular os
deslocamentos, pois esse cálculo depende da rigidez, e só conhecemos a rigidez de partida. A curva representativa do
comportamento não linear da estrutura não é conhecida; ela é o que se procura conhecer, é a resposta do problema, pois
com ela os deslocamentos são calculados. Na análise linear essa curva já é conhecida a priori, quando acabamos de
fazer a"malha".
Como resolver essa questão aparentemente sem solução? Entram os conceitos da condição geométrica e da condição
fisica. Temos como certo que, para a estrutura sob a ação da carga AP1 conhecida, a estrutura estará deformada, e em
consequência seus elementos estarão sujeitos às forças internas, e estas serão transferidas aos nós, como no problema
anterior. Essas forças internas transferidas pelos elementos aos nós equilibram as forças externas aplicadas neles, desde
que a estrutura esteja em equilíbrio. Não existe equilíbrio sem igualdade de forças internas e externas.
Já que não conhecemos a condição deformada que corresponderia ao deslocamento ANL da Figura 2.18 provocado por
AP1, pois não conhecemos a rigidez, surge a principal estratégia da análise não linear: "chutamos" uma configuração
deformada, vizinha da condição inicial, que achamos ser representativa da deformação que seria produzida por AP1_Cer-
tamente, não parece elegante para um engenheiro utilizar o termo "chutar". Digamos que vamos ''atribuir'' à estrutura
uma configuração deformada que é uma tentativa de representar a estrutura deformada para a carga AP1 conhecida.
Nessa estrutura deformada, os elementos estão entre os nós, que ocupam novas posições, e a distância entre eles não é
a mesma que tinham antes de aplicar AP1 . A condição geométrica, que já sabemos como funciona, vai permitir calcular
as forças internas nos elementos para essa nova situação. Essas forças internas devem ser comparadas às externas apli-
cadas nos mesmos nós. Se a estrutura está em equilíbrio, necessariamente essas forças devem se equilibrar. Como essa

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
64 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

deformada foi apenas uma tentativa, essas forças provavelmente não se equilibrarão, e isso quer dizer que a estrutura
não está em equilíbrio, ou seja, a tentativa inicial de reproduzir o equilíbrio não foi feliz.
Poderíamos tentar diversas outras, até achar uma configuração deformada de sorte que as forças internas equilibrassem
as forças externas. Finalmente, teríamos achado a configuração deformada que atende à condição de equih'brio, para
esse pequeno incremento de Carga AP1. Essas inúmeras tentativas não são feitas ao acaso. Existem técnicas numéricas
para efetuar sucessivas iterações de modo que, a partir de uma dada tentativa inicial, busquemos a condição de equilí-
brio. Essas técnicas, algumas das quais se aprendem nos estudos de cálculo numérico, são os métodos iterativos, alguns
tomados como apoio adiante. No primeiro capítulo deste livro, apresentamos um exemplo muito simples de resolução
de uma equação por sucessivas iterações.
Rigidez de partida------------.
Curva representativa
Carga ,' do comportamento linear

Carga total a
ser aplicada
1
1
,,..---
,' Rigidez de partida Curva representativa do
con1portamento não linear
Rigidez real 1
1
1 1
1 1

p 1
1
1 Ko

-- -- -- -- -- 1

++
1

--
1
1 ,, 1 1

-- --
1 ,,

-- --
1

Deslocamento
6.L - Deslocan1ento obti do pela
rigidez de partida, cons iderando
(b) análise linear
Prime iro estágio (a)
ou incren1ento Deslocamento real que seria
6 NL -
obtido co1IJ a hi pótese da não linearidade

Figura 2. 18. Neste caso de um exemplo de estrutura não linear; para um pequeno incremento de carga AP 1,
os deslocamentos calculados dentro da hipótese da linearidade diferem dos deslocamentos reais. Isso
porque a rigidez da estrutura se altera, e o modelo linear não leva isso em conta. Ou seja, necessitamos
corrigir a rigidez de partida da estrutura à medida que o carregamento atuante nela vai sendo aplicado.

Ao final de um incremento de carga, quando a solução do equilíbrio foi obtida a partir de sucessivas iterações, inicia-se
então um próximo incremento, buscando dentro da mesma lógica o equilíbrio no final desse novo incremento. Como
podemos observar, esses incrementos de carga necessitam ser adequadamente escolhidos em função do problema a ser
estudado. Se a curva carga x deslocamento, que não é conhecida a priori, representar uma variação de rigidez muito
acentuada, incrementos grandes podem acarretar muitas dificuldades na busca da condição de equilíbrio. Alguns méto-
dos numéricos apresentam a capacidade de definir de forma automática a correção dos passos dados na análise.
Dentro das estratégias de solução do equilíbrio de sistemas não lineares temos duas condições presentes em geral na
busca das soluções. Os métodos são incrementais, pelos motivos já citados, e iterativos, pois efetuamos tentativas na
busca da condição de equilíbrio da estrutura. Estudaremos também, adiante, a solução dos problemas dinâmicos não
lineares. A essência deles consiste na solução de milhares de equações diferenciais, em que a variável é o tempo com a
presença de forças de inércia. Essas equações necessitam ser integradas no domínio do tempo, então temos de dispor
de algoritmos para esse fim. Assim, a solução dos problemas não lineares mais gerais, que envolvem também dinâmi-
ca, passam pelo entendimento dos três pilares que constituem a essência dos procedimentos de solução em análise não
linear, a saber:

Formulações incrementais- soluções iterativas - algoritmos de integração no tempo

A Figura 2.19 representa um trecho de uma estrutura com vários graus de liberdade. Nela, podemos visualizar a condição
geométrica e a busca da condição de equilíbrio. A ideia das sucessivas iterações dentro de um incremento constitui a
ideia central. A maneira de operar essa estratégia numérica será abordada adiante, mas é fundamental entender os concei-
tos que são os pilares dessa abordagem, a condição geométrica e a condição física, aplicadas dentro de um incremento
de carga e iterativamente.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 65

: Incremento : P - Carga
: de carga de :
: Oa P :
p --~_ _ u_.i~I ----"Çt~~~!- ,.__________ Força externa
aplicada no nó
y
Zer~ j

••
• ---f- t~~=-----~-em
- po•


~ Antes
/-

Antes
' ,---.., 1___
1• - - - __
- - _- - - - - - - - - - + - -- - -- 0 - - - -- ----i, .,'
'' 1, (
'•-" ~
\
Depois
' I / \ \ V
, I I \ \
'li I I \ \
I I \ \
I I \

I
I
I

I
I
I
-
I I
I I
I I
I I ,
I I
I I
I I
I I
/

I
I
I

I
I
I
/
/
/

/
,......_
\
/ /
I I \ / /
I I \
I
I
l
I ' \/
\
/ /
/
/
/
/

-- ---- -- --- ---- -- -- -- - .


.
,.•-, ' v /
-.

fJ
• ,•
-- -- -- -- --- ---- -- -- '••"

D eformada proposta
Forças internas aplicadas pelos elementos no nó,
e que devem estar em equilíbrio com a força
externa t.P 1 aplicada no mesmo nó.
A carga vai sendo progressivan1ente aplicada na estn1tura, a partir do valor zero. (Se esta for uma condição de equilíbrio!)
Para o incremento de carga de zero a t.P 1 , atribui-se uma condição deformada Essas forças são calculadas a partir da condição deformada
proposta, decorrente dos deslocamentos assumidos. Essa deformada proposta proposta que imaginamos estar associada ao incremento de
pressupõe uma geo1netria defonnada dos elementos, que gera forças internas. carga t.P 1. O obj etivo é encontrar uma deformada na
A força externa t.P 1, em correspondência co1n os deslocamentos propostos, deve qual as forças internas e externas se equilibrem. No
equilibrar nó a nó as forças internas. Caso esse equilíbrio não se verifique, esta não é caso as sucessivas iterações dentro do incremento
uma condição de equilíbrio. O processo deve ser repetido várias vezes até encontrar-se resultaram no "acerto" da condição de equilíbrio
a condição de equilíbrio. Somente após ter-se encontrado a condição de equilíbrio,
parte-se para o estudo do próxitno incre1nento. Esse processo é efetuado de forma
racional utilizando-se os métodos iterativos adequados para se efetuar essa busca.

Condição geométrica Condição física A condição de


Condição inicial Propõe deformada para a Verifica se a estrutura está em equilíbrio >---+< Sim
equilíbrio foi
conhecida estrutura dentro do incremento para a geometria defonnada proposta verificada??

---- - - - - - - - - - - - - - - - - - { Não
Repete o processo
dentro do mesmo
Inicia o próximo incremento
incremento
e propõe a deformada para
este novo Üicremento até
encontrar a condição de
equilíbrio

Figura 2.19. Na análise não linear, a configuração de equilíbrio é atingida por incrementas e iterativamente. Propõe-se uma
configuração deformada por intermédio de um campo de deslocamentos assumidos no incremento. Na matemática há alguns
recursos disponíveis que permitem, conhecendo-se o valor de uma função (por exemplo, os deslocamentos), determinar
o valor dela depois de um incremento. A série de Taylor possibilita essa abordagem. Veremos como usar esse recurso adiante.

2.6 O Problema Básico do Contato: Quando as Condições de Contorno Definidas


no Início da Análise se Alteram - Como o Software Entende Isso no Meio do
Processo de Análise?
A Figura 2.20(a) representa uma estrutura que se deforma sob ação do carregamento externo. No âmbito das pequenas
deflexões, este problema tem solução bastante conhecida nas aplicações da análise linear. No âmbito das grandes defle-
xões, os estudos de não linearidades geométricas que estamos iniciando vão mostrar o caminho para obtenção da respos-
ta. Lembremos inicialmente o caso da solução linear. Ela passa pela subdivisão da estrutura em elementos. O software
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
66 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

monta a matriz de rigidez da estrutura a partir da matriz de rigidez de cada elemento. Para isso, utiliza o procedimento
de montagem, identificando os elementos nessa montagem, por intermédio dos vetores de localização.
Vale lembrar que a solução matemática do sistema de equações é "terceirizada" com o software. Ele é "pago" apenas
para fazer as "contas", ou seja, resolver as milhares de equações algébricas que resultam do processo de montagem.
Quando essa árdua tarefa é transferida ao software, o sistema de equações deve ter solução possível e determinada.
Não transferimos a ele uma tarefa impossível de ser resolvida. Para que isso ocorra, uma das condições-chave é que o
sistema não apresente movimento de corpo rígido. Essa garantia é assegurada quando fornecemos as condições de apoio
da estrutura, as restrições, também conhecidas como condições de contorno essenciais ou geométricas, que impedem
qualquer dos seis movimentos de corpo rígido. Essenciais porque sem elas o problema não tem solução. Quem garante
isso é o analista, nunca o software. O software elimina as linhas e colunas dos graus de liberdade restritos que foram
informados pelo usuário, de modo que a matriz de rigidez não seja singular, ou seja, o seu determinante não seja zero.
Quando montamos um modelo em elementos finitos e não damos essa garantia ao software, ele interrompe as "contas"
e informa que houve um erro fatal (fatal errors ! !!), o que tira o sono de muitos analistas.
(a) (b)
A extremidade da viga

E = 21000 Kgf/mm2 ____________ u_______ _


se movimenta livremente
- - - - - -- - - - - - -,
p o="GAP"
........ . A
/SB------·
-
-
~

. A
•:
1
1
A

-
'
.~ - - - - - -- - _:.:i - - - - - - - - - - - - - ..!..
. 1000 mm .
.

.p A extremidade da viga entra


em contato com o apoio
Contato!!!
íJãWE ~!M1~!00!111 !tit! W;-!WltiffU
L CorteA-A
----------- --------------,
••
Momento de ----- - - - - -r _- -_-_-_- _- ---------1~:~:'J~t~
' +-8--~GAP"
100 ffilll
inércia de seção
I = (4. 1003)/12
~~~~-~~+
.... ._ ··"
.·" '
_____ _
• I = (106/3) mm4 A extremidade da viga continua : ... A=B
' 1
em contato com o apoio 1 Contato!!!
. . 1

. .
4 mm

Figura 2.20. Estrutura sob ação do carregamento. Na figura (a), a estrutura em balanço se movimenta e o único
vínculo é o engastamento. Na figura (b) ela se movimenta 11/ivremente11 apenas enquanto a extremidade livre não
atinge o apoio. A partir desse instante temos uma nova condição de contorno; a estrutura passa a ser engastada em
uma extremidade e apoiada na outra. Como a condição de apoio se alterou, a matriz de rigidez também se alterou.

Resumindo, a decisão de fornecer a condição de contorno é do usuário e não do software. Se nos esquecermos de forne-
cer essa informação, o software não decide por nós no meio dos cálculos. Ele não cria uma restrição durante a execução
das "contas". Se houver movimento de corpo rígido porque a estrutura não está completamente fixada, ele interrompe
o processamento, informa o ''fatal error" e transfere o problema de volta para o usuário. Se não houver movimento de
corpo rígido, mas as restrições fornecidas não representarem adequadamente a situação real, ele responde com ,
uma
solução que não tem nenhuma relação com a realidade fisica, o que, convenhamos, pode ser até muito pior. E apenas
um "número frio" sem nenhuma associação com a estrutura que estamos calculando. Em outras palavras, o software
elimina as linhas e colunas que não representam as necessidades do problema real, e os deslocamentos calculados não
representam o nosso real interesse.
Imaginemos agora a situação fisica representada na Figura 2.20.b. Quando a extremidade livre atinge o apoio fixo ("base
rígida''), uma nova restrição vale a partir desse instante, que em princípio não estava prevista no início da análise. Os
graus de liberdade restritos a partir desse estágio não são mais aqueles que havíamos informado no início da análise, pois
a "extremidade livre" agora está apoiada e não tem mais movimento na direção vertical. Neste caso particular da Figura
2.20.b, mais uma linha e coluna da matriz deveriam ser eliminadas, pois o grau de liberdade associado ao movimento

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 67

vertical do ponto extremo agora está restrito. Assim, as linhas e colunas da matriz de rigidez eliminadas no início da
solução não previam o contato com o apoio, e temos mais uma linha e coluna a serem eliminadas. Em resumo, o usuário
"não combinou isso com o software", ele não informou que essas linhas deveriam ser eliminadas, até porque, a priori,
não sabia em que estágio do carregamento isso aconteceria.
A realidade é que o procedimento de solução deve contabilizar a nova rigidez da estrutura a partir do contato estabeleci-
do entre a estrutura e o apoio, e neste caso não é uma mera atualização do material nem das propriedades geométricas. A
condição de contorno se alterou durante a solução. Esta é a questão que devemos resolver. Vejamos a primeira ideia de
efetuar esse controle. Certamente, com base nas considerações anteriores, começamos a perceber que essa decisão deve
ser tomada antes do processo de análise iniciar, antes dos cálculos. De alguma forma a atualização da rigidez deve ser
feita por algum elemento que já faça parte da malha e no modelo essa restrição também já deve existir originalmente, e
só se manifestar no momento oportuno. Ou seja, o procedimento de solução já começa com as restrições definidas desde
o início sem sofrer alteração durante o processo de análise, e a rigidez é atualizada a partir do instante em que o deslo-
camento obtido, nesse caso na extremidade da viga, atinja a distância, a folga ou o ''GAP'' ô entre a extremidade e o
apoio. A partir dessa condição o elemento colocado entre a extremidade e o apoio começaria a trabalhar. Logicamente,
então deve-se testar sucessivamente se essa distância não ultrapassa o apoio, e se isso ocorrer, não seria aceitável, pois
a viga penetraria no apoio sem impedimento, o que corresponde a uma evidente impossibilidade fisica, já que a base é
rígida. Esse teste só pode ser feito se o procedimento for incremental, verificando a evolução passo a passo do desloca-
mento da extremidade.
O elemento que representa essa condição é o elemento de GAP, que estabelece a verificação da evolução do desloca-
mento entre os pontos A e B, até se estabelecer o contato entre A e B. Enquanto a extremidade A não atinge o ponto B,
não há nenhuma resistência ao movimento da extremidade, é como se houvesse entre A e B uma "mola'' de rigidez zero.
Quando a extremidade atinge o ponto B, ela não se movimenta mais, pois o apoio é rígido, impenetrável. Podemos dizer
então que entre a extremidade da viga e o apoio temos um elemento com rigidez zero enquanto a extremidade não
encosta no apoio, e com rigidez infinita quando a extremidade encosta no apoio. Certamente não podemos informar
uma rigidez infinita ao software, mas podemos informar uma rigidez dele muito maior que a rigidez da extremidade da
viga na direção vertical, por exemplo, 106 vezes a rigidez da viga. Isso quer dizer que, ao atingir o apoio, o GAP, ao ser
solicitado, tendo rigidez infinita, praticamente não apresenta mais deslocamentos, ou ainda, numericamente, o desloca-
mento adicional é um número muito pequeno, ou seja, representa muito aproximadamente o apoio rígido, pois a função
deste é não permitir o deslocamento adicional daquele nó.
Assim, quando iniciamos o processo de análise, o elemento de GAP (ou contato entre dois nós!) já faz parte do modelo,
porém ele só começa a trabalhar a partir do instante em que o GAP inicial é atingido. Não mudamos a condição de
contorno nesse caso, mas a rigidez do elemento, ou sua propriedade fisica, e de tal sorte que o seu valor numérico infi-
nito proporcione deslocamento praticamente zero para o ponto A, que em termos práticos faz o papel do apoio. Assim, a
rigidez do elemento varia com os deslocamentos; neste caso particular, ela dá um "salto" de zero até "infinito", quando
a viga tem o seu deslocamento de extremidade igual ao GAP, o que caracteriza, como sabemos, um comportamento não
linear. Faremos um exercício inicial com elementos de mola a seguir para testar esse conceito e fazer as generalizações
cabíveis. Essa aplicação da viga em balanço será mostrada por intermédio de um exemplo prático no software de análise
no Quadro IV. A Figura 2.21 representa a ideia e o modo simbólico da ação do GAP. Constitui um elemento unidimen-
sional que permite representar a aproximação ou afastamento entre dois nós, e o consequente contato entre eles após uma
dada condição estabelecida. No caso representado na Figura 2.21, após o ponto A deslocar-se da distância ô, o elemento
unidimensional de GAP passa a ter uma rigidez axial à compressão como se fosse uma mola, sendo essa rigidez muitas
vezes maior que a da viga, como comentado anteriormente. Entretanto, se o movimento ascendente do ponto A ocorrer,
a extremidade da viga não ''puxa e arranca" o apoio; isso seria uma evidente impossibilidade fisica. Assim, o elemento
deve ter a capacidade de representar essa situação real. Isso é feito definindo uma rigidez axial à tração nula. Se a distân-
cia que separa as duas extremidades é de 1Omm, como mostra a figura, o GAP inicial é 1Omm (lnitial Gap = 1Omm).
A rigidez vertical da viga no ponto A, como vimos em aplicações anteriores, pode ser avaliada por (3 · E · I) /
(L)3 = (3 · 21000 · 106 / 3) / (1000)3 = 21 Kgf/mm. Como mostra a Figura 2.21, o elemento de GAP foi definido por
intermédio das propriedades apresentadas de modo que o GAP inicial é 1Omm, a rigidez à compressão é 106 vezes a
rigidez vertical da viga nesse ponto (21 x 106 Kgf/mm) e a rigidez à tração é nula (Tension Stiffeness).
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
68 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

p
------------~ ---------------,
---------------- ---------
. . -ji.-_ . . ô = "GAP" A

Define Property • GAP Element Type :_ . j\B-.:--
.
---- - - - -...
--
-L-
I
r ~:-----r--
.. .. '
' • .•
1D 1 Tille GAP ·VIGA· SOLO

Colo, 11 O IPeletle... j 10 mm
Elemento
EJ Drientation CSys '
deGAP ''
Property Values

l nitial Gap 1O

Compresso, Stiffness@_OOOOOO

Tensoo Stiffness O. GAP inicial


Tren$ve,se Stiffne11 O.

Y F,iction Coefficient O,
Rigidez do GAP, 106 vezes a rigidez da viga
Z F,iction Coefficient O,
no ponto A, ou seja, k = 21 x 106 Kgf/ mm - "infinita"
Preload Force O,

Figura 2.21. Estrutura deformando e condição em que a extremidade atinge o apoio. O elemento de
CAP representa o início desse contato e o posterior comportamento da estrutura após essa condição.

A rigor, no caso mais geral, este é o conceito físico presente no contato entre corpos. Não apenas entre dois pontos será
definida essa condição de aproximação e consequente contato. Diversos nós das duas partes podem entrar em contato. E
como fica sugerido a partir deste exemplo simples, a questão central do contato é a definição dessa rigidez entre as duas
partes, até porque uma dos pontos vitais é representar a situação física real que impeça de um corpo penetrar no outro.
No fundo, estamos voltando ao velho conceito, o primeiro de todos, o elemento de mola. Essa ideia está aqui presente.
Existem alguns critérios para a definição dessas rigidezes ,no contato. Uma das formas de definir esse conceito é por
intermédio do método das penalidades (Penalty Method). E interessante observar que muitos usuários de softwares de
elementos finitos várias vezes fazem a representação automática de condições de contato, com os chamados "software
amigos - userfriends ", sem sequer desconfiar que estão definindo, no fundo, molas para representar essa situação física.
Muitas vezes, alguns problemas numéricos de convergência desses modelos estão associados a valores não adequados
desses parâmetros, ou seja, das molas, ou em outras palavras, dos tais "fatores de penalidade". O próximo exercício será
muito útil para começarmos essa discussão.

2.7 Exercício -Aplicação Numérica de GAP/Contato


A Figura 2.22 mostra uma estrutura constituída por dois elementos de mola e sujeita à carga P, que é aplicada estatica-
mente até atingir o valor máximo fornecido no gráfico representado no diagrama P x t. Pede-se estudar o comportamento
do conjunto, avaliando a possibilidade de estabelecer o contato entre a extremidade C e a parede rígida D. Avaliar a
rigidez axial do GAP adotado para indicar o contato entre C e a parede D. A força P, as dimensões de comprimento e
os valores das rigidezes dos elementos de mola são fornecidos em um sistema coerente de unidades e expressos pelos
valores numéricos da figura. Os valores fornecidos e todos os cálculos são considerados com a precisão de quatro casas
decimais.

p 8=5
1111
k2 = 4 KGAP
k 1 =2
B e 1
/ -- ' \
p

,J 20 --------
A
UA = O (1) (2)
\
' -- D

t t
• ... uB + •

Figura 2.22. Estrutura sob a ação de carga que atua de forma crescente. , Se houver contato entre C e D, a rigidez
da estrutura sofre alteração, e a matriz de rigidez deve ser atualizada. Enecessário avaliar para os incrementos
de carga adotados o instante a partir do qual o deslocamento Uc atinge ô. Então, um "novo" problema se inicia.
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 69

Resolução
Neste caso de aplicação será resolvido um modelo estrutural constituído por uma montagem de elementos de mola,
como indica a Figura 2.22. Embora seja um exemplo simples, em que os deslocamentos ocorrem somente em uma di-
reção, vamos desenvolvê-lo de modo sistemático, aplicando numericamente todas as etapas tratadas anteriormente em
uma análise não linear. A partir deste exemplo podemos estabelecer algumas generalizações importantes para as aplica-
ções práticas de elementos finitos utilizadas no dia a dia com os softwares de análise. Neste caso, a questão fundamental
é controlar a evolução dos deslocamentos de modo a localizar em qual estágio da aplicação da carga ocorre o contato
entre o ponto C da ''malha'' de elementos finitos e o ponto D da parede.
Embora neste caso simples tenhamos um "controle" maior da estrutura, nos casos mais gerais ,
esse controle de como
crescem os deslocamentos só pode ser efetuado por um processo incremental passo a passo. E necessário avaliar para
os incrementos de carga adotados o instante a partir do qual o deslocamento Ue ultrapassa ô. Este é dos critérios nos
casos mais gerais para detectar se houve contato entre duas partes, que vale também neste exemplo simples. Se monito-
rarmos os deslocamentos Ue, podemos controlar a distância entre C e D, dada por:

dD =õ-UC (2.5)

Só ocorre contato se Ue atingir ô. Se Ue ultrapassar ô, significa que o ponto C "entrou na parede rígida - penetrou",
portanto teremos dn < O, o que corresponde a uma evidente impossibilidade física. Nos estudos mais gerais de contato, é
estabelecida a condição de impenetrabilidade, a qual faz parte de uma condição mais geral, que restringe a possibilidade de
haver penetração. Nos casos em que ocorrem movimentos, tais como problemas de dinâmica, em que existe a possibilidade
de escorregamento e movimento entre partes, a presença de forças de atrito também deve ser monitorada. Assim, os estudos
mais gerais envolvem os ''constraints'' de impenetrabilidade e de atrito. O Quadro III introduz uma primeira visão de
conceitos associados ao problema de contato, usados nos casos mais gerais.
Voltando à aplicação imediata da Figura 2.22, devemos montar a rigidez da estrutura a partir da matriz de rigidez de
cada um dos seus elementos. Neste exemplo simples, temos somente a possibilidade de o GAP ser comprimido. Ele se
comporta como um elemento de ''mola'' de constante elástica K6 AP porém essa mola tem rigidez nula (K6 AP = O) en-
quanto o deslocamento Ue não ultrapassar ó. Assim, se Ue< õ, ou seja, dn = õ - Ue> O, temos a garantia de que o nó C
não penetrou na parede. Por outro lado, essa mola terá rigidez K6 AP "infinita" quando o deslocamento Ue ultrapassar õ.
Se Uc > õ, ou seja, dn = õ - Uc <O, significa que o nó C penetrou na parede. Assumindo KGAP "infinita" a partir do
instante em que o nó C atingiu D, e como a partir desse instante a rigidez do GAP passará a ser infinita, o deslocamento
do ponto C praticamente será zero, o que representa na prática uma restrição, sem a necessidade de definir uma nova
condição de contorno, pois no início da análise já foi assumido que o nó D está restrito. Apenas a rigidez foi atualizada
por intermédio da atualização da propriedade física do elemento, como "combinado" no início da análise.
Montemos então a rigidez de partida da estrutura, utilizando o velho conhecido vetor de localização. Primeiramente,
estão representadas a seguir as matrizes de rigidez dos elementos, em seguida a montagem da matriz de rigidez da es-
trutura a partir deles.
---------, r - - - -- - - - -, ----------------
1 1 1
1' A 1i B 1i B : C i C D
1----- I ____ ...1 ___ ,
i 1 I 1
, _ - - _ 1_ - - - ~
- - -, I ______ - 1 - ______ 1
- - -,
2 -2 i1 Ai1
1
4 -4
1
i
1
B i
1
=
- KGAP :
1

- - -1
C:
[Kjl = j" - -1 [Kj2 = j" - - 1 [KjGAP
-2 2 i
1
B 1
i -4 4 1 e1
1___ 11 KGAP
1
I D 1
1
1

- - _1 - - _1

i - - - - - - - -,- - - - - - - - - -T- - - - - - - - - - 1- - - - - - - - - ,
1
~
A I
B
I __________ II ___________I__________ 1I
________ C I D
- 1--- 1
1
2 : -2 : O : O I
1
A 1
--------~----------~----------r-------- --- 1
1
1 1 1 1
-2 1 2+4 1 -4 1, O IB 1 Pedaço da 111atriz utilizada para
{K]Estrutura = - - - - - - - -}- - - - - - - - - - -}- - - - - - - - - - - ~.,._ - - - - - - - r - -1 o cálculo dos deslocan1entos
0 : -4 : 4 + KGAP : -KGAP : C :
1 1 1 1_ - _ 1
--------r---------- r ---------- r-------- i '

0 : 0 : -KGAP : KGAP _ : D:
L-- 1

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
70 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

Nessa montagem, os graus de liberdade A e D estão bloqueados e correspondem às restrições do modelo. As linhas e
colunas da matriz de rigidez serão eliminadas no processo de montagem da matriz não singular utilizada para o cálculo
dos deslocamentos nodais. Portanto, para a finalidade do cálculo dos deslocamentos, somente a parte da matriz cor-
respondente aos termos B e C da matriz vai sobreviver, destacada anteriormente. Assim, para propósito de cálculo dos
deslocamentos, teremos:
~--------r-------
1
l ________
1
e 1

B Il _______
1
1
1
I
- -- -,1
1

6 -4 1
1
B 1
1

[K]Estrutura = 1
f- - - -
1 (rigidez de partida da estrutura) (2.6)
-4 4 +KGAP
1
1
1
e 1
1
1
1 1
--- _ J

Enquanto Ue < 8, ou seja, dn = 8 - Ue > O, essa matriz não sofre alteração, e neste intervalo do processo de análise o
comportamento da estrutura é linear. A equação matricial que governa o comportamento do sistema é dada por:

p
• Enquanto o nó C não atinge o nó D, teremos nessa matriz K6 AP = O (2.7)
o

Neste caso, como K 6 AP = O, a matriz de rigidez da estrutura será dada por:

[ K ]Estrutura = 6 -4
(2.8)
-4 4

Desde que essa rigidez valha enquanto o nó C não atingir o nó D, poderemos utilizar essa matriz para o cálculo dos des-
locamentos e verificar a condição de que só ocorrerá contato se Ue atingir ô. A partir desse estágio a rigidez da estrutura
sofre alteração. A equação que traduz a correspondência entre cargas e deslocamentos enquanto o nó C não atinge
o nó D é dada por:

p 6 M 6

O -4 O -4 (forma incremental) (2.9)

Nesta última equação poderíamos colocar Uc = 5 e verificar o valor que P deveria assumir para o ponto C encostar na
parede. A partir deste estágio, atualizaríamos a nova rigidez da estrutura, considerando que o elemento de GAP com a
sua rigidez à compressão, agora não nula, começaria a trabalhar. Assim, nesta aplicação particular, com dois incrementos
resolveríamos o problema. Como o objetivo é entender com uma aplicação simples a estratégia geral, faremos um pouco
diferente. Vamos aproveitar este exemplo simples para enxergar o método mais geral utilizado nos modelos de milhares
de graus de liberdade. Normalmente, como já sabemos, esse processo é incremental. Verificaremos como a estrutura
responde a pequenos incrementos de carga, avaliando ao final de cada incremento se a parede já foi atingida. Assim, o
deslocamento total desde a posição inicial pode ser verificado e também a condição dn = ô - Ue > O(a garantia de que
o nó C não penetrou na parede).
Vamos dividir o carregamento em dez passos, o que significa que faremos o incremento de carga M= 2,já que a carga
total a ser aplicada é igual a 20. As equações que traduzem a correspondência entre carga e deslocamentos são obtidas
a partir de 2.9. Efetuando a multiplicação de matrizes, teremos:

(2.10)

(2.11)

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 71

A partir de 2.11 concluímos que liUB = liUe. Este resultado está coerente com a realidade fisica, pois enquanto a ex-
tremidade C da mola (2) não encosta na parede D, essa mola não se deforma, portanto os deslocamentos de suas duas
extremidades são iguais. Substituindo li UB = li Ue na Equação 2.1 O, temos:

(2.12)

Comecemos então o processo incremental pelo início do carregamento, no qual a carga parte de zero (P0 = O):
Primeiro incremento (1) - liP = 2 - carga no final do primeiro incremento = P1 = PO + liP = O+ 2 = 2
De 2.12 temos que liP = 2. liUc--4 2 = 2 • Uc --4 liUc = 1. Assim, como no início do carregamento não havia desloca-
mento do nó C, ou seja, Uc(O) = O, o deslocamento ao final desse incremento será Uc(l) = Uc(O) +li Ue= O+ 1 = 1 --4
,
Uc(l) = 1 . E importante observar que dn = 5-1 = 4 > O, portanto no final do primeiro incremento ainda não ocorreu
contato. Podemos escrever também que UB(l) = 1.
Segundo incremento (2) - liP = 2 - carga no final do segundo incremento = P2 = P1 + liP = 2 + 2 = 4
De 2.12 temos que liP = 2 - liUc--4 2 = 2 · Uc--4 liUc = 1. Assim, como no fim do primeiro incremento o desloca-
mento do nó C era Uc(l) = 1, o deslocamento ao final desse incremento será Uc(2) = Uc(l) + liUe --4 Uc(2) = 1 + 1 --4
,
Uc(2) = 2 . E importante observar que dn = 5 - 2 = 3 > O, portanto no final do segundo incremento ainda não ocorreu
contato. Podemos escrever também que UB(2) = 2.
Terceiro incremento (3) - liP = 2 - carga no final do terceiro incremento = P3 = P2 + liP = 4 + 2 = 6
De 2.12 temos que liP = 2 - liUc --4 2 = 2 • Uc --4 liUc = 1. Assim, como no fim do segundo incremento o desloca-
mento do nó C era Uc(2) = 2, o deslocamento ao final desse incremento será Uc(3) = Uc(2) +li Ue --4 Uc(3) = 2 + 1 --4
,
Uc(3) = 3 . E importante observar que dn = 5 - 3 = 2 > O, portanto no final do terceiro incremento ainda não ocorreu
contato. Podemos escrever também que UB(3) = 3.
Quarto incremento (4) - liP = 2 - carga no final do quarto incremento= P4 = P3 + liP = 6 + 2 = 8
De 2.12 temos que liP = 2 . liUe --4 2 = 2 • Ue --4 li Ue= 1. Assim, como no fim do terceiro incremento o desloca-
mento do nó Cera Uc(3) = 3, o deslocamento ao final desse incremento será Uc(4) = Uc(3) + liUc --4 Uc(4) = 3 + l --4
,
Uc(4) = 4. E importante observar que dn = 5- 4 = 1 > O, portanto no final do quarto incremento ainda não ocorreu
contato. Podemos escrever também que UB(4) = 4.
Quinto incremento (5) - liP = 2 - carga no final do quinto incremento = P5 = P4 + liP = 8 + 2 = 1O
De 2.12 temos que liP = 2 · liUc --4 2 = 2 • Uc --4 liUc = 1. Assim, como no fim do quarto incremento o desloca-
mento do nó C era Ue(4) = 4, o deslocamento ao final desse incremento será Ue(5) = Ue(4) +li Ue --4 Ue(5) = 4 + 1 --4
,
Ue(5) = 5. Portanto, podemos escrever também que UB(5) = 5 . E importante observar que dn = 5 - 5 = O e> dn = O
Desta forma, ao final do quinto incremento, a distância entre C e D é nula. Qualquer acréscimo de carga faz com que
o ponto C comece a ''empurrar'' a parede em D. Como C não pode penetrar na parede, esta passa a fornecer uma
reação de apoio, já que o grau de liberdade D está restrito. A partir desse estágio o GAP vai começar a trabalhar, portanto
a rigidez da estrutura deve ser atualizada.
Deveríamos continuar com o processo incremental, porém com a rigidez à compressão do GAP trabalhando efetiva-
mente. Pela Equação 2. 7 temos:
p 6 -4
(2.13)
o -4 4 +KGAP

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
72 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

Essa equação deve ser aplicada aos incrementos de carga que serão considerados a partir do instante em que C atingiu
a parede. Como o GAP deve ter uma rigidez à compressão muito maior que os elementos vizinhos que se deformam,
podemos fazer algumas tentativas quanto ao valor que atribuiremos ao valor de KGAP·
Essa mola terá rigidez K6 AP "infinita", de modo que o acréscimo de deslocamento calculado para essa matriz de rigidez
atualizada deve ser muito pequeno, e dentro da precisão do problema, praticamente nulo. Vamos reescrever a Equação
2.13 para incrementos de carga Af> aplicados a partir do estágio em que C atinge D. Assim:

(2.14)
6 -4

o -4 4 +KGAP (2.15)

Se multiplicarmos os dois membros da Equação 2.14 por 2/3 e somarmos com a Equação 2.15, eliminamos ~UB e po-
demos calcular~ Ue
2/3 · ~p = (2/3) · 6 · ~Us-(2/3) · 4 · ~Uc
(2.16)

Resolvendo 2.16, e com 2.15, teremos: ~Uc = 2.M (2.17) e


liUB = ( 4 + KGAP).liUe
(2.18)
4 +3.KGAP 4

Com essas duas expressões podemos calcular o valor do deslocamento Ue em função da constante de ''mola'' ou
rigidez à compressão atribuída ao GAP. Esse valor de rigidez à compressão do GAP será adotado tomando como re-
ferência para essa tentativa a rigidez dos elementos vizinhos ao GAP. Ou seja, ao definir o modelo de cálculo, é preciso
definir a rigidez do GAP pela sua propriedade fisica. De acordo com esse valor adotado ao fazer a "malha", podemos
avaliar o que acontecerá com a resposta dos deslocamentos. Pela mera substituição em 2.17 e 2.18 podemos verificar
os resultados na Tabela 2.1. A Figura 2.23 exibe a situação fisica representativa do contato que se estabelece e como o
GAP trata numericamente essa questão.
Adicionalmente, deveríamos propor incrementos de carga Af> aplicados a partir do estágio em que C atinge D. Como a
partir desse estágio a estrutura não sofre nenhuma alteração de rigidez, pois não haverá a possibilidade de contatos
adicionais, vamos, para facilitar o trabalho de cálculo, considerar apenas mais um incremento de carga. Como no
último incremento tínhamos atingido a carga de P5 = 1O, faltam mais dez unidades de carga para atingir a carga total
20, portanto adotaremos Af> = 1O.

Sexto incremento (6) - Af> = 1O- carga no final do sexto incremento = P6 = P5 + Af> = 1O+ 1O= 20

Tabela 2. 1. Deslocamentos em 8 e C a partir do contato, em função da rigidez à compressão do CAP e para L1P = 1O.

Kc;AP ~Uc ~UB Observações


Após o ponto C atingir a parede e ser aplicado ~p = 10, ele
K2 / 10 = 0,4 3,846 4,2306 penetra 3,846 a parede. Esse valor de GAP não representa
adequadamente o problema tisico do contato.
Após o ponto C atingir a parede e ser aplicado ~p = 10, ele
K2 /1 = 4 1,25 2,5 penetra 1,25 a parede. Esse valor de GAP não representa
adequadamente o problema tisico do contato.
Após o ponto C atingir a parede e ser aplicado ~p = 10, ele
K2 · 10 = 40 0,161290 1,77419 penetra 0,161290 a parede. Esse valor de GAP não repre-
senta adequadamente o problema tisico do contato.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 73

Kc;AP ~Uc ~UB Observações


Após o ponto C atingir a parede e ser aplicado ~p = 10, ele
K2 · 102 = 400 0,016611 1,677711 penetra 0,016611 a parede. Esse valor de GAP não repre-
senta adequadamente o problema tisico do contato.
Após o ponto C atingir a parede e ser aplicado ~p = 10, ele
K2 · 103 = 4000 0,00166611 1,667776 penetra 0,00166611 a parede. Esse valor de GAP não re-
presenta adequadamente o problema tisico do contato.
Após o ponto C atingir a parede e ser aplicado ~p = 10, ele
K2 · 104 = 40.000 0,0001666611 1,66677766 penetra 0,0001666611 a parede. Esse valor de GAP não
representa adequadamente o problema físico do contato.
Não penetra! Dentro da precisão proposta de quatro casas
p,OOOQl 6666611 ,1,6666)77767
K2 · 105 = 400.000 - - decimais, o deslocamento do ponto C, após este ter atingi-
4 casas 4 casas do a parede, é zero!
Não penetra! Dentro da precisão proposta de quatro casas
K2 · 106 = 4.000.000
p,OOOQ0166666611
-
J,666~67777
- decimais, o deslocamento do ponto C, após este ter atingi-
4 casas 4 casas
do a parede, é zero!

Portanto, o deslocamento do ponto B para P = 20 será UB(6) = UB(5) + ~UB = 5 + 1,6666 = 5,6666

Como podemos observar, o valor do GAP adotado para simular o contato da estrutura com a parede rígida afeta profun-
damente a determinação acurada do campo de deslocamentos da estrutura, neste caso particular, os pontos B e C. Dentro
da precisão adotada no cálculo de quatro casas decimais, as duas últimas linhas da Tabela 2.1 indicam deslocamentos
nulos para o ponto C, que corresponde à expectativa do comportamento fisico do ponto C ao encontrar a parede. Note
que, nestes dois casos, os deslocamentos calculados para o ponto B ''convergem'' para o valor de 1,6666, dentro da
precisão adotada para o problema.
Existe uma ''penalidade'' na adoção da rigidez do GAP para representar esse contato entre a mola e a parede rígida.
Esse GAP só ''funciona bem" para certos valores atribuídos à sua rigidez. Acima de determinados valores de rigidez os
resultados obtidos são consistentes. Um valor de referência interessante é adotar a rigidez do GAP 106 vezes a rigidez
do elemento deformável adjacente, como mostra esse exemplo. Nos casos mais gerais, o estabelecimento dessa ''penali-
dade" depende das rigidezes dos corpos que entram em contato, e ambos podem ser deformáveis nos casos mais gerais.
Os métodos numéricos que definem nos casos mais gerais essas condições de contato, indicam os ''penalty f actors ''
adequados para representar as situações de contato entre componentes de rigidezes conhecidas. Eles, indiretamente,
determinam a rigidez da estrutura na região de contato. O interessante de observar é que essa determinação de fatores de
penalidade remete aos antigos conceitos de rigidez normalmente estudados nas aplicações iniciais de elementos finitos:
o velho conhecido elemento de mola.
Outra observação importante é a determinação da força interna no elemento de GAP:
A rigor, houve uma pequena pene-
For ainternanoGAP=K . (U -U) =4.000.000x(0-0,00000166666611) traçã_o,poisporintermédiodelafoi
ç GAP D e '----~• poss1vel calcular a força de contato.
" Caso contrário, a rigidez deveria ser
infinita (oo), e numericamente para
Força interna no GAP = - 6,6666 (sinal negativo indicativo de compressão) fins computacionais seriam geradas
instabilidades.

Esse valor de compressão no GAP é transmitido ao apoio, portanto deve ser o valor da intensidade da reação de apoio.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
74 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

Início Contato Evolução após contato

.. ------ ----- . ..
• •
• ••

• Uc •
8=5 •

li ... •

:..•f------.. :
• •

.. •• •


e •
• D
• •



¾AP ••
'
•'
•• •

.
• •

.-. • • •
• •
.. •• •


• Uo - o •

e •

• •

----- ----- ... •
: :-r1
• •





••
••

• •
• •
• ô - o ••
••

• ...
••
••
.... •
D

• . .. . . . . - . . . . . - - . -
.•_ _ _ _ J'

:'I - - - -, ... .,,.'>


....
... ce •





-------~> Uc = 3,84 6



D. Penetra


•• !~
·1----..
• •

,,_ - --->
:


Penetra
Uc = 1,25
: Penetra
Uc = 0,16 1290

S)

Uc = 0,000016666611
Não penetra!!! •

~ Uc = 0,00000166666611

Figura 2.23. Deslocamentos Uc calculados após C ter atingido a parede em D. Escolhendo adequadamente
a rigidez do CAP, levando em conta a rigidez dos elementos vizinhos, não ocorre penetração.

///////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////////// Observação ,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,,


O problema que começa a ser resolvido a partir do estágio em que se manifesta o contato entre C e a parede é básico de análise
linear, em que são definidas as duas restrições nas extremidades A e C. Eliminando as linhas e colunas correspondentes aos
graus de liberdade bloqueados, como indica a Figura 2.24, podemos resolver o deslocamento do ponto B e, posteriormente, a
reação de apoio em C.

LlP = 10
---,
1
1' A 1'
1- - 1
uB 1' .B 1'
,--1 1
1


1
Uc ___ ,'
'C
1 1
1
1 1 1

•'u • A
•'u • B Uc

Figura 2.24. A partir do contato entre C e D a estrutura comporta-se linearmente até a ação da carga máxima.

Para o cálculo do incremento do deslocamento nodal em B, a partir do instante em que se estabelece o contato, podemos
escrever:

Este último resultado coincide com o valor obtido para ~U8 , considerando o valor de rigidez "infinita" do GAP, obtendo-se a
convergência, como observado na Tabela 2.1. A questão é, como comentamos anteriormente, que o software "não sabe" mudar
a condição de contorno durante o processo. Obtém-se a mesma resposta atualizando a rigidez da estrutura.
A reação de apoio em C será dada por:

Essa força tem intensidade exatamente igual ao valor que havíamos obtido para a força de compressão no GAP, e que é
transferida ao apoio. O sentido negativo indica que essa reação está em sentido contrário ao eixo de referência, ou seja, em
sentido contrário à carga aplicada na estrutura.
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 75

QUADRO III-ALGUNS COMENTÁRIOS INICIAIS SOBRE CONTATO


O estudo mais geral dos problemas de contato envolve diversas aplicações, desde os casos de pequenos deslocamentos
nos quais o efeito da não linearidade manifesta-se exclusivamente depois de o contato ser estabelecido, pois havia um
pequeno GAP inicial entre as partes, até condições mais complexas com grandes deflexões e deformações plásticas
e movimentos rápidos entre partes, tais como em colisões. Neste último caso as partes que estão comprimidas e se
movimentam relativamente, e geram forças de atrito dinâmico.
Os conceitos introduzidos anteriormente com o exemplo de GAP são fundamentais para o posterior entendimento
dos fenômenos mais gerais de contato. O tratamento matemático desses problemas pode ser inserindo na formulação
geral da análise não linear que envolve conceitos de trabalho externo e interno, como é normalmente desenvolvido nos
estudos da análise estática e da análise dinâmica por elementos finitos.
Já sabemos que a condição de equivalência entre os trabalhos interno e externo constitui uma forma alternativa de
determinar a rigidez dos elementos e da estrutura, quando a solução exata não está disponível. Nos casos gerais, a
formulação dos elementos bi e tridimensionais é efetuada de forma aproximada, utilizando esse recurso do cálculo dos
trabalhos interno e externo. Nos casos em que a formulação aproximada do método considera as forças de contato,
estas devem ser contabilizadas no cômputo do trabalho das forças que deformam a estrutura. As forças de contato são
mais uma classe dessas forças, inseridas no conceito mais geral de trabalho.
A questão é que, nos problemas não lineares, a rigidez varia e então é preciso fazer o cálculo da equivalência de forma
incremental. Devemos estabelecer as variações do trabalho externo e do trabalho interno em um dado incremento para
que a rigidez da estrutura que varia com os deslocamentos seja determinada por trechos. Daí a importância da forma
variacional do princípio dos trabalhos virtuais, ferramenta utilizada para a determinação da rigidez dos elementos e,
em consequência, da estrutura em problemas não lineares. Nessa formulação variacional, as forças de contato são
inseridas como mais um participante da formulação geral que veremos adiante.

Antes
A Figura 2.25 representa esquematicamente GAPs
1n1c1a1s
dois corpos na condição de ocorrência de diferentes
contato entre eles. Note que, antes do con-
tato, existem diversos GAPs entre os pon-
tos que depois da aproximação entram em ---./
''
/---·
/
~\
1 /\ 1'
li '1 '~
li \
__
__,
..........,,

contato. Assim, no caso mais geral, diversos Contato!!!


'
pontos da superficie dos dois corpos esta-
riam na condição do exercício que fizemos Depois
anteriormente, ou seja, deveríamos definir
as rigidezes desses pontos que se aproxi- Figura 2.25. O contato no caso mais geral envolve conceitos semelhantes ao
CAP, já estudado. Os diversos pontos, inicialmente as distâncias diferentes,
mam, e entre eles indicar uma rigidez para ou GAPs iniciais diferentes, se aproximam. A partir do contato estabelecido,
que os corpos não penetrem um no outro. é fundamental definir a rigidez dos elementos colocados entre os nós que se
encontram, para que o fenômeno seja representado adequadamente.

No caso mais geral dos contatos estabelecidos ponto a ponto - e no caso do modelo discreto, nó a nó - é necessário
definir as rigidezes dos elementos que serão colocados entre os nós que entrarão em contato, ou seja, o conceito é
muito semelhante ao caso que acabamos de abordar no contato mola - parede rígida, porém essa nova situação mere-
ce algumas observações adicionais em relação ao caso da mola e da parede rígida. Ambos os corpos que entram em
contato são deformáveis, e deve ser razoável supor que a rigidez assumida entre eles deva considerar as rigidezes dos
vizinhos que se aproximam, pois poderia ocorrer penetração de um corpo no outro pelos motivos semelhantes aos já
detalhados no exercício anterior.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
76 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

QUADRO III -ALGUNS COMENTÁRIOS INICIAIS SOBRE CONTATO (CONTINUAÇÃO)


Essa situação pode ser visualizada em um exemplo simples de molas, em que os dois corpos que entram em contato
são deformáveis. A Figura 2.26 representa essa situação.

A
F = 500 Kgf
• ••
• •

• A
• • Corpo 1
• •
• •
• • •
• •

• ' •• •

•'
•'
•'
-... Corpo 1 K1 = 100
'•
• •
• •
• •

(1)
• • • '


•• •
• •'

____:~---~~: ___l__ _ Q-"""_! _____t__ o= O


• '
'
• •
••
• - • _/ Contato!!!
. e:><- ---~----- -------------------- - ---~ ',
~ GAP inicial = ~·..
BC _..,,,~~---
.. - ------- ----------------------,~ -- Kc = 10
--- ~------
------- ......
-
--·
Contato!!!. -· ·
-----
......
~~~--- --· 0=0
I --
Rigidez atribuída ao
••
~
--------t -·
• •
• •
contato neste ponto.
• • •







Esta 1nola Kc começa
• Corpo 2 ·.• Corpo 2



• •
• a trabalhar quando a
• • • •
• • • • distância entre os
•'
• •• •
• •
'
'
' pontos B e C se torna (2)
• • • •'
• • •


• nula. É atribuído um

•• • • valor para esta rigidez.
• •
• - • •
. ..

Figura 2.26. Analogia para estudo de contato entre dois corpos deformáveis por intermédio de exemplo simples de molas. O corpo
1, de cima, e o corpo 2, de baixo, são representados por molas. Quando o corpo de cima (mola) entra em contato com o corpo de
baixo (mola), a rigidez Kc é introduzida de modo a transmitir a força de contato entre eles, e com valor adequado para evitar que o
corpo de cima penetre no corpo de baixo. No exemplo dessa figura a força é dada em Kgf e as rigidezes das molas em Kgf/mm.

Para a situação das três molas (incluindo a representação da rigidez Kc do contato) foram considerados os valores
das constantes K1 = 100 Kgflmm, K2 = 200 Kgflmm e Kc=JO Kgflmm, apenas para ter uma visão numérica. O objetivo
dessa aplicação numérica é ter uma dimensão inicial do quanto a escolha de Kc, que se manifesta apenas quando B
atinge C, pode interferir na representação correta do fenômeno fisico. Assim, passemos ao já conhecido processo de
montagem com os vetores de localização, para calcular a rigidez da estrutura a partir do estabelecimento do contato.
r-----.-----, r----.------, r-----.----,
, A , B 1 B
11_____ • _____ 11 , e c •I _____
1_____ D 1
'-----·-----',- - , ,- - , ,- - 1
e1
[ K1l
1
-
100 - 100 1A
1
1
- 100 100 1 B 1
I1
--•1 [KJC=
- 10
10 - 10 1B
1
1
10 1 e 1
I1
- -•1 [ K12
1
-
200
- 200
- 200
200
1
1
--
1
1 D
. 1

1
1
1_ - J 1_ - J 1_ - J

1
1
A I
1
B ,
1
C I
1
D ,
1
r - -
100 : -1 00 : O : O :A :
1
- - - - - - - - - -
4
- - - - - ~ ;,;=--=--.;.+· -:=-=----- Pedaço da 1natriz utilizada para
11 O : -1 O : O
[K]Estrutura = - - - - -1- - - - - J _ - - - - 1- - - - - . :f -B- :
-100 : o cálculo dos deslocamentos
o : -10 : 210 : -200
-----~----.l-----1----- ·
:e:
--l
O I O 1 - 200 1 200 : o:
L- -

500 100 -100 0 UA 500 = 100.UA -100.UB +O.Uc (2.19)


o -100 110 -10 UB O =-100.UA + 110.U B-10.Uc (2.20)
o O -10 210 Uc O= O.UA -10.UB + 210.Uc (2.21)

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 77

QUADRO III-ALGUNS COMENTÁRIOS INICIAIS SOBRE CONTATO (CONTINUAÇÃO)


Resolvendo esse sistema simples pelos métodos já conhecidos, teremos:
23
U e = UB ( diretamente da Equação 2.21 ); U A = .UB (substituindo o resultado de 2.21 em 2.20)
21 21
UA = 5 7, 5 mm ( obtido por intermédio da Equação 2.19, utilizando as conclusões anteriores)

Assim, teremos UB = 52,5 mm e Uc = 2,5 mm


,
E interessante observar na Figura 2.27 o significado fisico dos deslocamentos calculados e, em particular, a importante
conclusão, dado que partimos da condição de que a distância entre B e C inicialmente era nula, pois ô = O.

Corpo 1

•'
T - - - •

•• ,•
• .' •

B B
Corpo 2
Corpo 2

Início do contato! Após a aplicação de F = 500 Kgf Antes!!! Depois!!!


Antes!!! Depois!!!

A 1nola ( 1) penetrou na mola (2) - Corpo ( 1) entrou no corpo (2) - o que constitui evidente impossibilidade física.

Figura 2.27. Significado físico dos deslocamento calculados.

Fica claro, com este exemplo numérico, que a escolha da rigidez atribuída à representação do contato afeta profun-
damente o resultado obtido, à semelhança do estudo que fizemos no elemento de GAP. Existe uma ''penalidade'' na
escolha dessa rigidez, podendo implicar na perda do significado fisico do trabalho da estrutura. Este exemplo simples
permite entender o conceito fisico da representação do contato.
Escolha da rigidez do contato para não haver penetração
,
E interessante observar que as equações de equilíbrio 2.19, 2.20 e 2.21 poderiam ser montadas para um valor de Kc
qualquer, e à medida que atribuirmos valores de Kc diferentes, a solução obtida permite verificar que para determina-
dos valores da rigidez assumida, dentro de uma precisão estabelecida, não haveria penetração, utilizando um raciocí-
nio semelhante àquele utilizado no exemplo do GAP e consolidado na Tabela 2.1. As equações ficariam então:

5 00 = ]00 · U A - ] 00 · U B + 0 · U e (2.22)
0=-100-UA +(JOO+Kc)·U 8 -Kc ·Uc (2.23)
O= O.UA -Kc ·U8 +(200+Kc)·Uc (2.24)

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
78 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

QUADRO III -ALGUNS COMENTÁRIOS INICIAIS SOBRE CONTATO (CONTINUAÇÃO)

_(200+KcJ.u
A partir da Equação 2.24, podemos obter: U B- C
Kc

Com este exemplo podemos começar a entender a questão da ''penalidade'' imposta ao valor de Kc para que não
haja penetração, isto é, para que os deslocamentos dos pontos B e C praticamente sejam iguais. As molas, ou os dois
corpos, podem evidentemente se deformar na região de contato, mas um não pode penetrar no outro.
No exemplo numérico que acabamos de discutir, tínhamos Kc = 1O. Podemos atribuir a Kc outros valores e a relação
'
entre os deslocamentos de B e C se modifica. A medida que Kc aumenta, o numerador (200 + Kc) e o denominador
Kc são mais próximos, e a divisão entre eles tende para 1. Assim:
)( Para Kc=lO---+ UB=[(200+10)/10]· Uc---+ UB=21- Uc
)( Para Kc=lOO---+ UB=f(200+100)/100]· Uc---+ UB=3· Uc
)( Para Kc = 1000---+ UB = [ (200 + 1000) I 1000 J · Uc---+ UB = 1,2 · Uc
)( Para Kc = 10.000---+ UB = [ (200 + 10.000) 110.000 J · Uc---+ UB = 1,02 · Uc
)( Para Kc = 100.000---+ UB = [ (200 + 100.000) I 100.000 J · Uc---+ UB = 1,002 · Uc
)( Para Kc = 1.000.000---+ UB = [ (200 + 1000.000) I 1000.000 J · Uc---+ UB = 1,0002 · Uc
Neste caso, considerando uma precisão de três casas após a vírgula, para Kc = 1.000.000 não haveria penetração.

Alguns comentários de caráter geral em relação aos problemas de contato


Os exemplos anteriormente introduzidos permitem ter uma primeira abordagem dos problemas de contato em elemen-
tos finitos. Voltaremos a abordar esta questão ao tratarmos da formulação geral do método em problemas não lineares.
Apesar da simplicidade dos exemplos discutidos, é importante ter essa visão fisica que será, sem dúvida, importante
ao estudar certas questões de forma generalizada, como é prática comum na vasta literatura disponível sobre este
assunto. Muitas vezes, os métodos associados a problemas de contato passam pelo estudo dos fatores de penalização,
multiplicadores de Lagrange, e o leitor aborda diversos recursos matemáticos, sem nenhum vínculo com o sentido
fisico que essas equações gerais representam.
Como observamos nesses exemplos simples, o método de penalização impõe que as condições de contato se verifi-
quem de forma aproximada, por meio de fatores de penalização que no fundo definem a rigidez do contato. Do ponto
de vista prático, o problema fundamental desse método está na escolha de um valor apropriado para tal fator. Esse
valor depende da precisão do computador, número total de incógnitas do sistema de equações e da rigidez do menor
dos elementos envolvidos no contato. Na prática, um fator de penalização muito pequeno pode levar a penetrações
inaceitáveis de um sólido em outro.

Entendimento inicial de algumas condições ou restrições que afetam


a definição do contato - os ''constraints '' de contato
Nos exemplos anteriores vimos que a representação do contato passa pela escolha da rigidez adequada para a repre-
sentação do fenômeno, e a manipulação dos exemplos simples deu uma boa ideia inicial do significado das grandezas
envolvidas. Normalmente, definimos o que chamamos de ''constraints'' de impenetrabilidade e de atrito. Como no
contato entre partes surgem forças normais e se houver possibilidade de escorregamento entre partes, são geradas
forças de atrito que dependem dessas forças normais e do coeficiente de atrito, costuma-se definir o ''vetor'' das ten-
sões nas direções normal e tangencial. Além disso, como vimos nas aplicações simples, a distância normal entre as
partes que entram em contato deve ser monitorada durante os diversos incrementos e também em função do que foi
mencionado anteriormente, na possibilidade de existência de atritos, o escorregamento tangencial.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 79

QUADRO III-ALGUNS COMENTÁRIOS INICIAIS SOBRE CONTATO (CONTINUAÇÃO)


Nonnalmente, efetua-se a decomposição dos vetores em componentes nonnais à superficie de contorno e tangencial.
Ou seja:

-
- = N-- + T--
f .' 1 1
N1-

~
... ...
••
• • •
Ponto i do contorno ..... 1 ,· . _.._
., . .' .... .'.·......
,-:. ... ,
.,
\

' . ..
'' 1
',
'

A condição de impenetrabilidade considera que:


• Em um modelo contínuo não é possível que dois pontos ocupem a mesma posição no espaço.
• Para diferentes e múltiplos corpos, essa questão reduz-se à colocação da condição de que nenhum ponto do con-
torno do primeiro corpo possa penetrar no outro corpo (como foi estudado nos casos anteriores mais simples).
• Assim, o problema completo de contato reduz-se a um problema de contorno, em que o sinal da distância de
qualquer ponto do primeiro corpo seja não negativo em relação ao outro. No caso do exercício desenvolvido no
item 2.7, correspondia a dn = ó - Uc- Se Uc ~ t5 ~ dn = t5 - Uc '?:. O.
• A condição para o ''constraint'' de contato pode ser colocada da seguinte fonna:
.- -....... ------------------------------- . - . --- ....................................... ------------'
' '

:.----t Condição que estabelece que não pode ocorrer penetração.


' '
' '
!
'
'
- - ,'
'
Condição que estabelece que a tensão normal '
'
'
O'n (i) < O de contato deve ser compressiva.
'
'
'
'
'
'
'
'
'
Ni. dn (i) = O Condição complementar. Se não há contato, nenhuma '
'
'
'
'
compressão pode ocorrer. Alternativamente, se não há '
'
'
'
'
compressão, então a distância deve ser positiva. '
'

... .. .. .. .. .. .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ~
- ~ -··
..................................... ---- .. --
'
'
' '
' '
..• --

.
' '
'---,


•. .••
"

Condições de Karush-Kuhn-Tucker

A condição do ''constraint'' de atrito considera que:


• O atrito de Coulomb é uma/unção da velocidade e/ou pressão. Leis mais gerais de atrito podem ser introduzidas.
• O "vetor" tangencial trabalha no sentido oposto ao escorregamento.
• Não ocorre escorregamento se o ''vetor'' tangencial não atingir um máximo local e, se ocorrer escorregamen-
to, então ele atingiu o seu máximo.
Algumas curiosidades valem ser citadas ao final deste tópico introdutório sobre contato. Veremos uma aplicação
numérica posterionnente. Quando um corpo vai entrar em contato com outro, ele "busca" uma superfície alvo a
ser atingida no outro corpo. A superficie dele que vai "encontrar" a superficie alvo do outro é a superfície contatora.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
80 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

QUADRO III -ALGUNS COMENTÁRIOS INICIAIS SOBRE CONTATO (CONTINUAÇÃO)


Alguns algoritmos efetuam busca de contatos para determinar qual superficie alvo está sendo contatada por qual su-
perficie contatora. Um deles é mencionado a seguir:
Método da ordenação cúbica: esse algoritmo de cálculo divide a região da superficie alvo em cubos. Nós do modelo
em contato podem contatar qualquer segmento da superficie alvo no mesmo cubo ou em cubos adjacentes. O método
de ordenação cúbica é extremamente robusto, mas pode ficar um pouco mais lento se a superficie alvo contém elevado
número de elementos.
Após o contato ser localizado, é utilizado o método de penalização, cuja ideia em última instância é atribuir a rigidez
aos contatos estabelecidos, de forma semelhante aos conceitos anterionnente discutidos neste capítulo. Assim, tenta-se
assegurar que não aconteçam penetrações entre os sólidos que interagem. Sem uma rigidez de contato, os corpos
passariam um através do outro, como foi mostrado no exemplo anterior. A relação de contato é gerada por uma mola
elástica colocada entre os dois corpos que colidem, em que a força de contato é igual ao produto da rigidez de contato
(k) e a penetração ('5). A quantidade de penetração ('5), ou incompatibilidade entre os dois corpos, depende, portanto,
da rigidez k. Idealmente não deveria haver penetração entre corpos, mas isso implicaria uma rigidez infinita (k = oo),
o que leva à instabilidade numérica. Essa questão também foi mostrada numericamente nos exercícios anteriores mais
simples, em que só dois nós entravam em contato, mas o sentido fisico fica inalterado.
A título de ilustração inicial, temos:

Escolha do fator de penalidade para segmentos


1
sobre elementos sólidos e casca
/
1

,----------,
\
Ís. A2. K J; ·área· K E
k = -------- !e = - - - - - - - - - - K =-----
volume do elemento min. diagonal do elemento 3 · (1 - 2 · v)
••
k - rigidez de contato;
A - área do segmento de contato;
K - compressão volumétrica ("Bulk Modulus"); - - - - - - - - - - - ~
f5 - fator de penalidade.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 81

QUADRO IV - UM EXEMPLO COMPUTACIONAL DE GAP- VERIFICAÇÃO NA PRÁTICA


Um exemplo semelhante àquele introduzido no item 2.6 foi submetido à solução por intermédio do software de aná-
lise. Foi processada inicialmente uma análise linear com a viga em balanço e a extremidade livre. O deslocamento
máximo na direção vertical observado é de t = 9,3415 mm e a tensão máxima na extremidade engastada na direção
longitudinal da tira de chapa é de 42,64 Kgf/ mm2 . As dimensões da chapa são as mesmas do item 2.6. Após essa
análise, processou-se uma análise não linear sob nova condição. Na direção vertical e abaixo do ponto inferior da
extremidade livre da chapa, coloca-se um apoio distando t = 9,3415 I 2 mm= 4,67 mm, correspondente à metade do
máximo deslocamento da viga na situação livre. Definindo a rigidez do GAP tal como no item 2.6 e com GAP inicial
de 4,67 mm, podemos observar o deslocamento do ponto da extremidade da viga em balanço. A tabela representada
neste quadro mostra que, quando o deslocamento atinge o valor de 4,67mm, não se observam deslocamentos adicio-
nais desse nó, pois o GAP inicial já foi atingido, e como esse tem rigidez à compressão infinita e a outra extremidade
está fixada, simula-se desta forma o encontro da extremidade livre com o solo rígido.

Node67
Coord( O) = 1000,, O., O.

rD t
DefCS : O OutCS = O
Display CSys = O
Total Tra nslation = 9.359438
:'__________:' ~
TI Translation = -057845
I 9,3415 mm T2 Translation = -9.341546
T3 Translation: O.

37.31
31.98
..---- 3 cargas nodais de 150 kg

15.99
Element 1- PLATE
Property 1 · C4 10.66
Material 1 · AÇO-J UNHO 5.331
PIate Top X Normal Stress= 33.97359
O.
Node 1 = 42.64458
Node 2 = 42.64458 -5.331
Node 133 = 26.95726
-10.66
No de 132 = 25.3026
-1 5.99
-21.32
-26.65
-31.98
-37.31
·42.64
-------- -
_
,.
---'
......,,_+
,.
--'
- - - - - - - - - l'
'
/ ''
I
I
' \
I \
1 . . • I \
' ' ' 1
• .
. 1
1
f.- ' f.-
'
'
. . '
. . '
1
1
I

!'
\
\ I

GAP inicial = 4,67 mm _ '. _ _ _ _ _ _ _ _+_


_.... . -1 1- / /4,67 mm
Estrutura antes de se deformar ', '- L ~ /-~ -

--- - - - - - - --
' , , _ - "Apoio

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
82 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

,,,,, , ,.
QUADRO IV - UM EXEMPLO COMPUTACIONAL DE GAP- VERIFICAÇAO NA PRATICA (CONTINUAÇAO)
Deslocamentos do nó 67 em função dos incrementos de carga

Tl T2 T3
OutputSet Time Notas
(Deslocamento x) (Deslocamento y) (Deslocamento z)
1 0.05 -2.904670E-2 --4.671079E-1 o O nó se 67 movimenta
2 0.10 -5.834184E-2 -9.342766E-1 o O nó se 67 movimenta
3 0.15 -8.788550E-2 - 1.401505E+O o O nó se 67 movimenta
4 0.20 - 1.176778E-1 - 1.868794E+O o O nó se 67 movimenta
5 0.25 - 1.477185E-1 -2.336143E+O o O nó se 67 movimenta
6 0.30 - 1.780085E-1 -2.803549E+O o O nó se 67 movimenta
7 0.35 -2.085476E-1 -3.271017E+O o O nó se 67 movimenta
8 0.40 -2.393349E-1 -3.738539E+O o O nó se 67 movimenta
9 0.45 -2.703722E-1 --4.206123E+O o O nó se 67 movimenta
10 0.50 -3.013559E-1 --4.670000E+O o
11 0.55 -2.952075E-1 --4.670001E+O o A partir deste estágio
12 0.60 -2.890640E-1 --4.670001E+O o o GAP começou a
13 0.65 -2.829256E-1 --4.670002E+O o trabalhar. Como a
14 0.70 -2.767922E-1 --4.670002E+O o sua rigidez é "infinita",
o deslocamento desse
15 0.75 -2.706636E-1 --4.670002E+O o nó 67 não aumenta
16 0.80 -2.64540 lE-1 --4.670003E+O o com o aumento da
17 0.85 -2.58421E-1 --4.670003E+O o carga. Então simula-se
18 0.90 -2.523083E-1 --4.670004E+O o o contato com o
"chão rígido".
19 0.95 -2.461998E-1 --4.670004E+O o
20 1.00 -2.400963E-1 --4.670005E+O o

Define Property - GAP Element Type Li]_,)

10_1
2 __ Title [ • ______.] Material[ ... j[
___, Gi,J
Calor 11 0 1Palette ... ] Layer-, -----..) [~-
El-em-/P-ro-pe-rty-Ty-pe-
... ~ ]

[EJ Orientation CS_ys '-ID_.B_as_ic_Re_ct_an_gu_lar_ _ _ ___,


... I
Property Values Additional NAS TRAN Options

lnitial Gap 4,67 ' ~ Adaptive Max Penetration O, ]

Compression Stiffness 21000000, MaxAdjustment Ratio -O_- --.]


Tension Stiffness O, Min Penetration Ratio O, '
Y Friction = Static, Z Friction = Kinetic
Transverse Stiffness O,
1 nterface Element Options
1
Y Friction Coefficient O,
Normal X O, Width or Area
Z Friction Coefficient O,
y O, O,
Preload Force O,
1 Z O,

Load... ] [ Save...
1 1 Cop_y.. ] [ OK ] [ Cancel ]

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
Solução de Problemas Básicos não Lineares 83

... ... ,
QUADRO IV - UM EXEMPLO COMPUTACIONAL DE GAP- VERIFICAÇAO NA PRATICA (CONTINUAÇAO)
Definição das propriedades do elemento de GAP neste exemplo do Quadro IV
Após a introdução do elemento de GAP (de fonna a representar o "batente" entre a extremidade da viga e o apoio
rígido em sua extremidade), os deslocamentos, após a extremidade da viga atingir o apoio, não crescem mais. O car-
regamento total foi dividido em 20 passos. Ao se atingir o passo 1O, como mostra a tabela anterior, o GAP já foi atin-
gido e não ocorrerá mais aumento do deslocamento da extremidade da viga. As figuras seguintes representam para o
passo 20 o deslocamento máximo da extremidade, que se mantém em 4,67 mm, que é o GAP inicial, e a tensão nonnal
na direção do comprimento da viga.
O.
-0.292
"Output Set 20" - passo 20
-0.585 -

11
-1 462
·1 754
-2.046
-2.339
·2.631
-2.923
-3.215
-3.508
-3.8
·4.092
-4.385
·4.677

21.68
"Output Set 20" - passo 20
18.97
16. 26 jiiiiiii

Tensão longitudinal máxima =+ 21,68 Kgf/mm 2

8.13
5.421
2.712
0.00222
·2 707
.5 417
-8.126
-10.84

Tensão longitudinal mínima= - 21,67 Kgf/mm 2 -13.54


-16.25
-18.96
-21.67

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
.
- ·· ····· ····· ····· ·············· ····· ····· ·············· ····· ····· ····· ·············· ····· ····· ·············· ····· ····· ····· ·············· ····· ····· ·············· ····· ····· ····· ·········· ····· ····· ·················· ····· ····· ·················· ····· ···········~······ ····· ········· ·········· ····· ····· ····· ·············· ····· ····· ·············· ····· ····· ····· ·············· ····· ····
••

Anotações

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear -Avelino A lves Filho - 1ª Edição
.-·
•• · ···

.••••
.••
1

Não Linearidade Geométrica:


Entendimento do Conceito
a partir dos Elementos
Unidimensionais - Generalizações

Formular a não linearidade geométrica a partir do equacionamento dos elementos de viga, a base para os casos
mais gerais. Preparar a formulação geral do método dos elementos finitos para aplicações gerais não lineares.

3.1 Introdução
Este capítulo inicia o estudo da não linearidade geométrica utilizando como "pano de fundo" o elemento de viga que
já havíamos formulado na análise linear. O elemento de viga foi o terceiro elemento finito que definimos no estudo da
'
análise linear e que passou a fazer parte da biblioteca de elementos que construímos nesse estudo. A semelhança do
procedimento adotado na análise linear, mais uma vez aproveitaremos o estudo de um elemento simples para identificar
muitas propriedades da análise não linear que são válidas para os elementos finitos mais gerais, fazendo as generaliza-
ções cabíveis.
Porém, neste caso da análise não linear, teremos uma novidade em relação ao elemento finito de viga das análises linea-
res. A ideia da superposição de comportamentos fisicos independentes em um mesmo elemento e a contabilização destes
também de forma independente na montagem da sua matriz de rigidez não são aplicáveis na análise não linear. Existe um
"acoplamento" entre esses comportamentos, e a relação matemática que traduz a relação entre eles é não linear.
Por exemplo, na teoria das pequenas deflexões de uma viga, os deslocamentos decorrentes da flexão da viga não vêm
acompanhados de deslocamentos apreciáveis na direção axial gerados por essa flexão. Ou seja, não é contabilizada a
contração da, viga decorrente da flexão. Em outras palavras, os esforços decorrentes da flexão da viga não geram forças
axiais nela. E verdade que, na viga, podem conviver no mesmo elemento forças axiais e esforços decorrentes da flexão,
porém esses esforços foram gerados por causas diferentes; eles não estão acoplados. Ou seja, um não tem responsabili-
dade da existência do outro.
Assim, a aplicação de uma força axial na viga gera contração ou aumento dela e as consequentes tensões normais decor-
rentes da presença da rigidez axial contabilizada por (E. A/ L), e este é o único efeito dessa ação. Na análise não linear,
a presença de uma força axial pode gerar flexão, como veremos a seguir.
As aplicações de cargas perpendiculares ao eixo do centroide da viga, nos planos principais, geram flexões independen-
tes nesses planos (rigidez à flexão E· I / L3) e consequentes deformações associadas à curvatura e tensões normais de
flexão, mas não geram forças axiais. Os efeitos são calculados separadamente e depois superpostos. De novo, na análise
não linear esse conceito deve ser repensado.
O conceito a ser introduzido sobre acoplamento entre os fenômenos anteriormente citados para o elemento de viga, e
que tomam o problema não linear, é útil para o entendimento de outros elementos a serem estudados posteriormente na
análise não linear, como, por exemplo, o elemento de placa, a ser desenvolvido no estudo dos elementos bidimensionais,
dentro do âmbito não linear.
No item 2.4 aproveitamos um exemplo "simples" da não linearidade geométrica para equacionar a condição de equilí-
brio da estrutura à medida que o carregamento atuante sobre ela se manifesta, inclusive com a presença de instabilidade.
Vunos que a questão central era contabilizar o equilíbrio entre forças externas e forças internas. A Figura 3.1 relembra
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
86 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

a identificação desses tennos. Agora vamos tentar generalizar esse conceito para as aplicações de elementos finitos
mais gerais, bem como nos socorrer da análise incremental já aplicada em exercício do capítulo anterior e do processo
iterativo que já mencionamos anterionnente, discutindo também a sua importância nas estratégias de abordagem dos
problemas não lineares. A Figura 3.1, embora visualize o caso particular abordado no capítulo 2, introduz esse conceito
também de fonna mais geral.

Força externa
Força
aplicada Força externa
externa

~ P(t) P(t)
2
2
Força e •

--1-~
inte~rna . ?",,(·j~~ ........................ ~ _.;
1
., ., ......... /
.,,,,. .. / \ '
,

F b ., '---1"1
Fb(t) ... :--;-:.---
,,,,. .,,,,. .. ' .,,,,.
.,,,,. ., .,,, ., 90 - ~ 1 .,,,, .,.. •,,,,.-;,---
,,,,. ,,,,,..,
,,,,. 1
, ,,,,,.. .. .,, ..,,,,.
., ., ., ., 1 ..,
... . .,
_

... :,:.:.:.--~ ~(t) 1


.- • • --··f-'---------·- .......... ! ··········-----··-····
9-.._. ---------------..... 1• ••••••••••••••••••• : ..•.. -:. • • • • • •• • •• -: •••••
, , . Forças internas :
/7777J componentes :
'
'
'

Problema básico na Encontrar o estado de equilíbrio da estrutura


análise não linear geral correspondente às cargas aplicadas

Condição de
Sendo as cargas externas
{P(t)} - {F(t)} = O
aplicadas em função do tempo equilíbrio

Vetor das forças nodais Vetor das forças nodais correspondentes às


externas no instante t tensões nos elementos nesta configuração -
forças internas

Figura 3.1. Equilíbrio entre força externa e força interna à medida que o carregamento externo é aplicado na estrutura.
Tanto no caso simples da treliça, já estudada no capítulo 2, como nas aplicações mais gerais de elementos finitos, a questão
central reside na 11busca" do equilíbrio entre forças externas e internas à medida que a estrutura evolui sob a ação da carga externa.

No estudo da análise linear, os primeiros elementos finitos estudados pennitiram identificar por intennédio de exem-
plos simples as propriedades gerais associadas aos sistemas discretos padrão. Essa abordagem ofereceu uma visão mais
didática do método, superando as dificuldades que se colocavam à medida que os elementos com maiores sofisticações
em suas fonnulações eram definidos.
Em oposição a essa ideia, muitas abordagens do método dos elementos finitos introduzem os conceitos de fonna mais
ampla, identificando propriedades gerais que se aplicam a todos os elementos e, posterionnente, analisam os casos parti-
culares objeto de interesse. Embora absolutamente rigorosa, essa abordagem muitas vezes toma-se um tanto árida, pois
o entendimento físico dos fenômenos fica, até certo ponto, dificultado.
Após tennos estudado os elementos finitos na análise linear, elemento por elemento, e as particularidades dos elementos
mais utilizados no âmbito da mecânica estrutural por intennédio das funções de fonna, introduzimos no final do estudo
a fonnulação geral do método dos elementos finitos, para aplicações da análise estrutural linear.
A principal ideia utilizada na fonnulação geral do método dos elementos finitos no âmbito da análise linear estava
assentada no princípio dos trabalhos virtuais. Tínhamos aplicado esse princípio no âmbito isolado de um elemento de
viga, e pela condição de equivalência de energia detenninamos a sua matriz de rigidez. A energia externa fornecida a um
elemento é annazenada como energia de defonnação. Aproveitamos em seguida e aplicamos o mesmo conceito, porém
no âmbito de toda a estrutura.
Esse caminho mais geral permite descobrir o procedimento de obtenção da matriz de rigidez da estrutura a partir da
matriz de rigidez de cada um dos seus elementos. Foi interessante observar que chegamos ao mesmo procedimento de
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Não Linearidade Geométrica: Entendimento do Conceito a partir dos Elementos Unidimensionais - Generalizações 87

montagem obtido com as aplicações dos simples elementos de mola pela aplicação direta das equações de equil1õrio e
compatibilidade. Ou seja, é bom lembrannos que equivalência de energia é o procedimento que permite determinar a
rigidez de uma estrutura, bem como de cada um dos seus elementos, nos casos mais gerais.
Poderíamos pensar no mesmo procedimento para o desenvolvimento das aplicações não lineares. A ideia realmente é
a mesma, porém devemos lembrar que nesse caso a rigidez varia à medida que a estrutura evolui. Ou seja, a cada
incremento de carga, a rigidez se altera. Como o objetivo é detenninar essa rigidez ao longo do carregamento, para
posterior detenninação da configuração defonnada, a equivalência de energia deve ser feita a cada incremento, de
sorte a determinar a rigidez da estrutura em cada trecho ou incremento de carga. Ou seja, a equivalência de energia
deve ser feita por trechos.
A aplicação do princípio dos trabalhos virtuais na forma incremental será nossa aliada mais importante para a tare/a
fundamental da análise, que é determinar a rigidez da estrutura. Na análise não linear, ela varia a cada incremento
de carga.
A partir dos comentários anteriores, em se tratando de análise não linear, efetuaremos o cálculo do trabalho externo, pro-
vocado por um incremento de carga. Esse trabalho externo acarreta um incremento de energia na estrutura defonnada,
associado ao incremento das forças internas causado pelo incremento das correspondentes forças externas. Com isso
calcularemos a rigidez da estrutura nesse incremento.
Para calcular as forças internas que gerem esse trabalho no incremento associado, devemos conhecer a configuração
defonnada, e ela não é conhecida, pois não temos a rigidez nesse trecho. Só temos uma alternativa, que já mencionamos
antes. Atribuiremos uma condição defonnada, uma tentativa, à estrutura, ou seja, um "chute". Calculamos o trabalho
externo referente a esse incremento na configuração deformada da estrutura. Como essa condição deformada gera defor-
mações associadas a essa geometria deformada assumida e, consequentemente, forças internas, calcularemos o trabalho
interno. Se esses não forem iguais, significa que a configuração deformada proposta ("chutada'') não é a verdadeira,
decorrente do incremento de carga externa aplicado. Então tentamos de novo, sucessivas vezes. Aí entram os recursos
dos métodos iterativos para, de fonna "inteligente", efetuar esses "chutes", até a convergência do processo, naquele
trecho ou incremento. De incremento em incremento, com sucessivas iterações, chega-se à configuração defonnada da
estrutura no seu comportamento não linear. Enfim, encontramos uma configuração defonnada proposta na qual o traba-
lho interno coincide com o externo.
Nessa contabilização trecho a trecho, os conceitos já introduzidos de forças concentradas, forças de superficie e forças
de volume continuam vivos e, por consequência, as conhecidas cargas nodais equivalentes; apenas que esses conceitos
aplicam-se a incrementos de carga. Assim, nos casos mais gerais de análise não linear que fonnularemos adiante, temos
. , .
o segumte cenar10:

A geometria do corpo se altera à medida


No caso geral da análise não linear
que ele muda de posição. Essa nova geometria
envolvendo grandes deflexões,
defonnada é desconhecida. Da mesma fonna,
grandes defonnações ...
as tensões são desconhecidas, Figura 3.2.

Antes do carregamento Depois do carregamento ~ -


.-::::::::::~ co1no estrutura como era ...=:::=- ""---~ como estrutura como é;,___.o..

Condição do corpo
em um dado instante t Condição do corpo em um
dado instante (t + Lit) (t + Lit)
t
Solução conhecida! # --- -- ...
L1t ?•
Figura 3.2. No caso mais geral do comportamento não linear de um corpo sujeito à ação de forças externas,
a condição assumida ao longo do tempo deve ser determinada. O segmento AB transforma-se em A18 1•
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
88 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE/ Análise não Linear

Considera o equilíbrio do sistema na geometria deformada no instante t. Esse


A equação equilíbrio deve considerar todas as não linearidades mencionadas até agora.
Além disso, se o problema for dinâmico, as forças de inércia devem ser consi-
deradas. Essa equação deve ser satisfeita ao longo da história completa da apli-
{P(t)} - {F(t)} = O cação da carga.
Em muitos casos, a sequência de aplicação da carga é importante e deve-se deter-
(3.1) minar a resposta da estrutura em todo intervalo em que a carga é aplicada, e não
somente em um dado instante final.

Justifica-se então a análise incremental passo a passo com um detenninado


número de passos de carga até finalmente atingir a carga total aplicada.

A partir do conhecimento do comportamento da estrutura para um dado instante


Abordagem básica t (por exemplo, o instante inicial), devemos determinar a solução no instante
seguinte (t + Lit). O incremento de tempo Lit deve ser adequadamente escolhido,
levando em conta o conhecimento do fenômeno em estudo. Assim, em uma se-
quência de passos escolhida, determina-se o que ocorre no instante seguinte a
partir do conhecimento do que ocorre no instante anterior. Os procedimen-
tos para ter sucesso nessa abordagem são estudados adiante.

A equação de equihôrio no instante t+~t será:

{P(t + ~t)} - {F(t + M)} = O (3.2)

Se a solução é conhecida em um dado instante t, nesse instante as forças internas representadas {F(t)} são conheci-
das. Em um instante seguinte (t + ~t), a força interna sofre alteração e assume o valor {F(t + ~t)}, que será dado pelo
valor da força interna no instante anterior {F(t)} e mais um acréscimo de/orça interna {F}. Assim, podemos escrever:

{F(t + ~t)} = {F(t)} + {F} (3.3)

A Figura 3.3 mostra a visão gráfica para um componente desse vetor. A relação entre {F(t)} e os deslocamentos{~} é
contabilizada pela rigidez da estrutura representada pela sua matriz, dado que a força interna está em equilíbrio com a
força externa. Do gráfico, o valor numérico da tangente é igual ao valor numérico da rigidez. Na análise linear a rigidez
não varia e o valor da tangente se mantém constante durante o carregamento (a). Na análise não linear (b), a rigidez varia
com os deslocamentos, como já sabemos, e a relação força x deslocamento é não linear, então surge o conceito da matriz
de rigidez tangente [ Kr] que varia ao longo do carregamento, ou do tempo, e simbolizamos por [K(t)], que contabiliza
como é a taxa de crescimento dos deslocamentos naquele estágio do carregamento ao qual a estrutura está submetida.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Não Linearidade Geométrica: Entendimento do Conceito a partir dos Elementos Unidimensionais - Generalizações 89

(a) (b)
Linear ] 1 Não linear 1 Tentativa
F(t) F(t)
Incremento real
A "tentativa" e o B
Real real coincidem F (t + flt) i ...<1111---R_
ea_l -----------------
F(t + flt) -----<111-
-F (t + flt) 14<111~-- Tentativa · -
-- ------------ -_-.~-: ___ -- -- --- -
F . . . -F F
F(t)
A a t
----- . ······--·-·r··· ----
F(t)
A
·········~:::: ....... ····t................

· a
.··) :•


'

.. 8 ....• .... ----'---......


.......


:• Tentativa

i-
. Incremento de forças F F
Incremento de forças
tgu = Kr = Incremento dos deslocamentos = 8 tgu = K(t) =
Incremento dos deslocamentos
- -
8
{F} = [KiJ. {8} Na análise linear Kr é constante -
{F} = [K(t)J. {8} Na análise não linear [K(t)J varia

.~ Nésiina tentativa para [K(t)] no intervalo 8,


(c) •
.. ·· .....-- na qual se obté1n a convergência no ponto B.


••
B .·· lt, .. ··~ .............._. 3ª tentativa para [K(t)J no intervalo 8
F(t + flt) -----------------------------------------.: --------~'------- .. .
. ··- -----------.
.
... ~~ · · · ..... · · · ·~----- --------- 2ª tentativa para [K(t)J no intervalo 8
••
•• .:.·· ..·.·.·... ··t·.·__ ..... ··~--·--·-·-··-·- 1ª tentativa para [K(t)} no intervalo 8
• -.:...... -
. .. .... . -· F
••
. .. ...•
.• ...

A ....... :·.-··
. . •

F(t) . . . . . . . . . . . . '-:~'::::: .................. :•................................. .


.
-··.
.. ·- .. •
• - " " : . ..
... ,.
.. '
1 ..

'
'
'
.
..
'
' ..
'
' .


8 Ili>:

Figura 3.3. Relação entre forças e deslocamentos nas análises linear e não linear. Na análise linear; os deslocamentos crescem
a uma taxa constante, contabilizada pela matriz de rigidez que não varia durante a análise. Na análise não linear; a rigidez
varia à medida que o carregamento é aplicado, ou seja, os deslocamentos crescem de forma não proporcional aos incrementos
de carga ou de forças internas. Em cada estado de equilíbrio, as forças internas estão em equilíbrio com as forças externas.

O vetor que representa o acréscimo de força interna {F} pode ser aproximado usando a matriz tangente no instante t.
No caso mais geral de análise não linear, deve-se levar em conta a condição em que se encontra o material e a geometria
da estrutura.
Assim, da Figura 3.3.b e dos comentários anteriores, podemos escrever:

{ft} =[K(t)].{8} (3.4)

em que {õ} é o vetor dos deslocamentos nodais. Note que o acréscimo de força interna dado por (3.4) é uma aproxi-
mação, desde que para os deslocamentos {õ} considerados tenha sido utilizada a matriz tangente [K(t)J, e o acréscimo
de força interna não reproduziu o ponto B que corresponderia à configuração de equilíbrio, como mostra a Figura 3.3
(casos b e e). Na análise linear, como indica a Figura 3.3.a, o equilíbrio já é atingido na ''primeira tentativa", pois [Kr]
é constante. Assim, podemos escrever:

{F(t + 11t)} = {F(t)} + [K(t)] · {ô} (3.5)

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
90 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

De posse do valor da força interna F(t + ~t), que deveria estar em equilíbrio com a força externa, dado que temos uma
condição de equilíbrio, podemos substituir esse valor na equação de equilíbrio (3.2). Assim:

{P(t + ~t)} - {F(t + ~t)} = O => {P(t + ~t)} - {F(t)} - [K(t)] · {o} = O

A partir desta última expressão podemos determinar o incremento de deslocamento {õ}. Assim:

{P(t + M)} - {F(t)} = [K(t)] · {o} =>

(3.6)

Esse incremento {o} está associado ao incremento de carga


, e é um valor aproximado, pois como mostra a Figura
3.3, a matriz de rigidez utilizada é uma aproximação. E apenas a ''rigidez de partida'' no início desse intervalo.
Como o deslocamento no final do intervalo é a soma do deslocamento no final do intervalo anterior com o incremento
de deslocamento {õ}, e este último é aproximado, temos também uma aproximação para o deslocamento ao final desse
intervalo. Assim:

{U(t + ~t)} ~ {U(t)} + {o}


Aproximação para os deslocamentos no instante (t + Ât).
1 1
Corresponde a uma aproximação, pois foi utilizado {ô} obtido
(3.7) de 3. 6, que é aproximado.

Os deslocamentos A configuração deformada São calculadas aproximações para


são aproximados é aproximada as tensões e as correspondentes
forças nodais no instante (t + At)

A partir desse deslocamento aproximado, poderíamos iniciar o cálculo do próximo incremento At, porém como o
deslocamento é aproximado (3.7), a solução poderia apresentar erros significativos, e dependendo dos passos utili-
zados (no tempo ou na carga), a solução poderia ser até instável.
Surge então a necessidade prática de resolver o problema iterativamente, até que a solução da equação de equilíbrio
seja efetuada com suficiente precisão naquele intervalo. Aí sim, deveríamos passar para a solução do próximo inter-
valo. Como já mencionamos anteriormente, abordaremos os métodos iterativos adiante.

3.2 Entenda o Acoplamento entre Cargas Axiais e Flexão a partir do Elemento de


Viga: Matriz de Rigidez Geométrica - Generalizando...
Daremos agora o primeiro passo para entender o comportamento não linear decorrente das grandes de.flexões apre-
sentadas por uma estrutura, e para isso utilizaremos inicialmente o elemento de viga, o qual, considerado na análise não
linear de estruturas reticuladas, pode ajudar de forma muito didática na demonstração de todos os princípios básicos da
análise não linear pelo método dos elementos finitos, para efetuarmos posteriormente as generalizações cabíveis. Com
base nas discussões iniciais feitas até agora, podemos resumir as principais ideias da não linearidade em estruturas:

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Não Linearidade Geométrica: Entendimento do Conceito a partir dos Elementos Unidimensionais - Generalizações 91

Em estruturas - principais tipos de não linearidades

, . '
,1,
Geométricas Do material Contato
, . ' . ' .
As cargas na estrutura alteram a Plasticidade A estrutura altera a sua
geometria dela, o suficiente para rigidez devido à mudança
alterar o estado de equilíbrio. ' . da condição de contorno
• As deflexões da estrutura são A estrutura pode ser durante a análise
grandes ao comparar com suas carregada acima do
dimensões originais. limite de escoamento
• Quando a estrutura deforma, do material
ocorrem mudanças na rigidez
e na carga. ' .
Pode-se modelar uma
curva cr x s não linear

As cargas na estrutura são
redistribuídas quando a
estrutura escoa

Inicialmente, desenvolveremos o estudo da interação entre carga axial e lateral não considerada na análise linear de vigas. Esse acopla1nento dá
origem a termos extras na matriz de rigidez, que dependem das forças nos elementos, que por sua vez dependem dos deslocamentos nodais que
são desconhecidos, pois como sabemos, a rigidez varia com o carregamento. Isso torna a análise não linear.
Teremos termos extras na matriz de rigidez, dando orige1n ao que chamamos de matriz de rigidez geométrica [~], que é aditiva à matriz ordinária já
conhecida. Essa matriz, e111 última análise, contabiliza o efeito na mudança da rigidez da estrutura decorrente de sua deformação, ou seja,
decorrente do fato de as grandes deflexões serem determinantes na contabilização da rigidez da estlutura. E' o processo que permite a atualização da
rigidez da estrutura à medida que vai sendo carregada.
Aí surge a necessidade da análise por elementos finitos iterativa. Vamos iniciah11ente introduzir a interação entre carga axial e deflexão, para
conceituar matriz de rigidez geométrica .

A questão central no entendimento e equacionamento do acoplamento entre as cargas axiais e a flexão no elemento de
viga passa por um ponto básico, que poderia ser despercebido no equacionamento do elemento de viga já estudado na
análise linear. Quando calculamos os efeitos da flexão no elemento de viga linear decorrentes apenas da ação de flexão,
não eram geradas forças axiais decorrentes da flexão. Como sabemos, as forças axiais são calculadas a partir da relação
FAXIAL= [(E· A) I L] · ó, em que ó representa a variação de comprimento da viga. Portanto, foi assumido na análise
linear que, devido à ação isolada da flexão, temos 8 ~O.Ou seja, a variação do comprimento da viga, no comportamento
linear, é tão pequena que a força axial gerada é desprezível.
Isto é, se contabilizarmos o comprimento da viga antes da flexão dado por LANTES e contabilizarmos o comprimento da
viga depois da flexão dado por LDEPOIS, dentro das hipóteses da análise linear teremos que LANTES ~ LDEPOIS· Assim,
na condição deformada da viga sob ação de flexão, consideramos que os comprimentos dela antes e depois são iguais.
Como a deformação é calculada pela condição geométrica, discutida no capítulo anterior, e ela não considera a defor-
mação axial uniforme na seção da viga, não teremos o acoplamento entre carga axial e flexão.
Na análise não linear, porém, as deflexões são grandes. Os comprimentos da viga deformada antes e depois da flexão
podem ser diferentes. Em outras palavras, são geradas forças axiais decorrentes dessa flexão. Além disso, como vimos
no capítulo 1, essas forças axiais na presença de excentricidades podem gerar momentos fletores secundários que não
eram contabilizados na análise linear. Enfim, esse novo cenário merece tratamento matemático mais adequado. Então
entra em cena a matriz de rigidez geométrica.
Qual o caminho lógico para isso? Em primeiro lugar já sabemos que a deformação pode ser calculada a partir do
conhecimento da estrutura antes e depois da deformação, mais especificamente, das geometrias indeformada e defor-
mada, pois deformações são relações essencialmente geométricas. Para começarmos o desenvolvimento dessas rela-
ções, a primeira tarefa é desenhar a estrutura indeformada e depois de/ormada, porém nesse esquema devemos consi-
derar na geometria deformada que o comprimento de um trecho de viga se alterou. Fazendo isso, teremos condições
de calcular as forças axiais e, por extensão, os eventuais efeitos delas, gerando flexões na presença de excentricidades.
A Figura 3.4 representa uma viga antes e depois da deformação. Isolamos para análise um pequeno trecho dessa viga,
uma fibra, de sorte que ao identificarmos as suas geometrias indeformada e deformada, possamos aplicar as relações
matemáticas cabíveis que, como já sabemos do capítulo anterior, são essencialmente geométricas.
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino A lves Filho - 1ª Edição
92 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

----- -- ------ --- --


carga
- --- -- - -- -, O deslocamento dv de uma

y .i.i.i . i.i.i.i.i.i.i.i.i. i. i. X
/-

,,,,--~~~r~-ª~~---~---~~---!----- ',,,,,
pequena fibra dx ocorre na
direção vertical y. Ocorre uma
deformação axial da fibra dx
I
I ,
,• .......................1 (-
l \
\ devido à deflexão lateral.
I --------- ----- '
I I I dV -> \ Devido a essa deformação
a axial da fibra, o comprimento
L
dela se altera de dx para ds
\
\
\ I
na posição deslocada. Porén1,
O deslocamento /J,. da viga é considerável \
\ I
I embora as deflexões sejam
em relação ao co1nprimento L da viga. ' /
grandes, as deformações são
''
Desta fonna, as deflexões são grandes. ''
-- --- /
/

pequenas, dx se alterou, mas


' '
-- -- ---- ---- ------- --- -- - ds não é 1nuito maior que dx.

Figura 3.4. Grandes deflexões em viga durante flexão. Neste caso, embora as def/exões sejam grandes, pois ô é
um valor apreciável em relação ao comprimento L da viga, as deformações são pequenas, pois cada uma das
fibras de comprimento dx apresenta pequena variação de comprimento em relação a esse comprimento inicial.

Assim, identificando na Figura 3.4 os comprimentos inicial e final da fibra, antes e depois da deformação, podemos cal-
cular a deformação dessa fibra pertencente à seção transversal da viga. Essa fibra terá deformações no caso mais geral,
decorrentes de três ações diferentes que são representadas na Figura 3.5, e permitirão entender como elas interagem
entre si. Os diferentes comportamentos fisicos são representados a seguir, a saber:
• Efeito direto da ação de uma força axial, agindo sobre a viga no eixo do centroide, e já estudado na análise linear.
• Efeito direto da ação de momento fletor, agindo na seção transversal da viga, e já estudado na análise linear.
• Efeito da mudança de comprimento da fibra, decorrente da ação de flexão, e não estudado na análise linear.
1
fibra 1 fibra
1 êconstante êvariável
•• '•
'------------ ' ------------

-----L----l===i-- ~

Força axial agindo no centroide Mo1nento fletor na seção transversal

Lantes
-- ------------------------ .. --•

• •




dx
h

- - - - . . . . . . . . . . . . . . . . . - - - - - - -•
' .• Ldepois
-..... .·-...

Devido à ação da carga axial agindo


isoladamente, não há curvatura e a Ldepois > Lantes
deforn1ação é dada pela prin1eira -
1 =
d2v = v"(x)
derivada do deslocamento. p dx 2 Devido à ação do momento fletor isoladamente, nas
' ..
. ... .·-...
-- ' condições de grandes deflexões, ocorre o au1nento do
comprimento da viga. Assin1, as deformações axiais,
Devido à ação do momento fletor que fazem as fibras mudarem de comprimento, não
du
ê =- isoladamente, há curvatura, e a foran1 neste caso causadas pela ação de forças axiais,
X dX deformação é dada pela segunda 1nas de ação secundária do momento fletor. Veja abaixo:
Deformação devido derivada do desloca1nento. Só existe ...•
.' -.•.·-.

apenas à ação da deformação por flexão se há curvatura,
- -•Variação de
"'
e esta é contabilizada pela segunda
força axial ----~-- comprimento
derivada do deslocamento.
..
-. -
'
',_ .. 8X
= (ds-dx) da fibra
.
• -. •
dx
Deformação devido +--'______..___ Comprünento
Deformação devido apenas à ex = y · ( ~:~)
-
apenas a' açao inicial da fibra
ação do momento fletor .--__,.......____ ___.. secundária do
momento tletor
Figura 3.5. Ação conjunta de força axial aplicada diretamente na viga mais momento fletor aplicado
diretamente na viga, e a presença de deformações axiais decorrentes das grandes deflexões.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Não Linearidade Geométrica: Entendimento do Conceito a partir dos Elementos Unidimensionais - Generalizações 93

Para vigas de proporções normais, sendo desprezíveis as deformações por cisalhamento, as deformações são longitudi-
nais, e são dadas pela soma das três parcelas detalhadas na Figura 3.5.

(3.8)

Deformação Componente da deformação


Axial Flexional
longitudinal associada ao acoplamento
das ações flexional a axial
(A) (B) (C)
,
Vamos desenvolver a Expressão (C), que é uma das parcelas da deformação calculada por 3.8. E a deformação extra,
causada pela deflexão lateral. Portanto, levando em conta somente o efeito do deslocamento lateral, teremos:

2
ds = ( dx ) + ( dv ) ~ ds = ~( dx ) + ( dv ) . dx ~ ds = 1 + -
2 2 2 2 dv 2 dv ,
.dx ~ Como e pequeno
dx dx dx

pois as deformações são pequenas:

2 2
dv 1 dv
ds= l+ .dx -: : , 1 +-. .dx (aproximação matemática conhecida do cálculo)
dx 2 dx

Assim:

2 2 2 2
1 dv 1 dv 1 dv ds - dx 1 dv
ds~ J+ - . .dx~ ds ~ dx+ - . .dx ~ ds ~dx+ - . .dx ~ -: : , - .
2 dx 2 dx 2 dx dx 2 dx
(3.9)

A parcela dada pela Expressão 3.9 corresponde ao componente da deformação associada ao acoplamento das ações
flexional a axial. Assim:

2
1 dv
+- . (3.10)
2 dx
~
Este termo é não linear no deslocamento
Termos lineares transversal v. A segunda derivada do
já conhecidos deslocamento é do segundo grau

Portanto, a análise da viga nas condições de grandes de.flexões constitui uma análise não linear. A questão central é
então a atualização da matriz de rigidez da estrutura, pois ela varia com o campo de deslocamentos. Dado que em cada
intervalo, desde o início da análise, sob condições iniciais fornecidas, é conhecida a ''rigidez de partida'' no início de
cada intervalo, devemos atualizá-la para poder, com a rigidez no início de cada intervalo e com a correção proposta, de-
terminar a rigidez correta para permitir o cálculo do incremento de deslocamentos verdadeiro para a estrutura nesse
intervalo. A Figura 3.6 ilustra esquematicamente a ideia da correção e atualização da matriz de rigidez em cada intervalo
desde o início da análise. A relação entre forças aplicadas na estrutura e correspondentes deslocamentos dela dada por
{F} = [ K J· { 11.} deve ser entendida por incrementos. Em cada incremento a rigidez é atualizada. Em outras palavras:
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
94 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

fKJIncremento = fKJInício de incremento + fKJCorreção

fKJIncremento = fKJInício de incremento + fKJGeométrica

fKJIncremento = fKJO + fKJG

Rigidez verdadeira

Rigidez de partida no Correção - Matriz de
atualizada início do intervalo rigidez geométrica

Força - F

[Kl1ncremento = [KJo + [KJc


{F} = [KJ1ncre111ento · (!::,.} ' '
' '
''
' '
''
[KJo ''
' '\
,
1

/
,,. /

/
/
I
I

--- ---- ------ 1

'1 ------ --- 1


\
''

I
/ -
-~:::::::~=~~~==~-~-~-~--~-~-;~,- -_------={=K=J
i- ___ - - - - - - - - - - - - - ,, ,, ,, ,, ,,.
P=a=rh=·
dc:1 ---'~,l--~:!
Deslocamento - ':

I
t::,.

1 I

1[K] Partida k:=::;>1 !::,. = O


Figura 3.6. A' medida que a estrutura é carregada, a rigidez é atualizada para permitir o cálculo adequado dos deslocamentos.
No início de um incremento de carga a matriz de rigidez é conhecida [Klo- e corrigida para esse intervalo por intermédio da
matriz de rigidez geométrica, ou seja, [KJ,NCREMENTO = [K.] 0 + [Klc- A cada novo incremento, tendo a rigidez corrigida
no final do incremento anterior, efetua-se a correção da matriz de rigidez novamente. No início da análise, assim que o
modelo de elementos finitos está definido, é conhecida a rigidez da estrutura a partir da rigidez de cada elemento, que é a
rigidez de partida. Antes da aplicação do carregamento, essa rigidez já é conhecida, e os deslocamentos são nulos (A = O).

Para um incremento de carga {F} na estrutura, que corresponde a um incremento dos deslocamentos {11), podemos
escrever:

{F} = ([KJ0 + [K]6 ). {11) (3.11)

Note que, quando a estrutura estiver na "condição de partida", pronta para começar a receber os incrementos de carga,
teremos [KJ6 = [O]. Isso era esperado do ponto de vista fisico, pois a matriz de rigidez geométrica representa a correção
da rigidez da estrutura decorrente da sua geometria deformada, pelo fato de as equações de equilíbrio sofrerem alteração
decorrente dessa configuração deformada. Como no início do processo de carregamento da estrutura ela não está ainda
deformada, a matriz de rigidez geométrica tem contribuição nula na rigidez do conjunto. A' medida que a estrutura for
carregada, forças internas se manifestam dentro dela, e essas forças internas, estando associadas às deformações da
estrutura, devem estar presentes na contabilização de [KJ6 .
No Quadro V demonstramos a expressão da matriz de rigidez geométrica para o elemento de viga à flexão, em um dos
planos principais em que esta ocorre. No outro plano perpendicular, a ideia é a mesma, apenas alterando-se o momento
de inércia da viga. Essa demonstração é desenvolvida por intermédio da aplicação do princípio dos trabalhos virtuais, o
qual já utilizamos para o elemento de viga da análise linear. Apenas que, neste caso, como já mencionado anteriormente,
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Não Linearidade Geométrica: Entendimento do Conceito a partir dos Elementos Unidimensionais - Generalizações 95

a aplicação é feita na forma incremental, pois a rigidez varia conforme o incremento. O leitor pode efetuar o acom-
panhamento dessa demonstração neste momento ou até posteriormente, sem prejuízo do entendimento dos conceitos
até agora expostos. Evidentemente, utilizando os conhecimentos armazenados até aqui, a partir dos estudos da análise
linear, enfatizam-se as manipulações matemáticas necessárias para tal demonstração do Quadro V Não fazemos nessa
sequência para não desviar o foco dos conceitos expostos.
Para um elemento de viga, apresentamos a matriz de rigidez de um elemento levando, em conta os efeitos de forças axiais
e flexão, e o acoplamento entre elas contabilizado na matriz de rigidez geométrica. E feita uma comparação com a matriz
de rigidez da viga para o caso da análise linear.

Análise linear - elemento de viga com rigidez axial, flexão em um plano, e sem efeitos de acoplamento entre ambos
,---------------[ _______ [ _______ [ _______ [ _______ ,
l---!---_:_ ---~ --- ---~ --- ---~--- ---~--- ---~---]
,---1
E·A E·A 1
1
1

o o o o 1
1
1
1
1
1
L L 1
---7
1

12EI 6EI 12EI 6EI


o o 2
L3 L2 L3 L2 F1 Antes
6EI 4EI 6EI 2EI M, : xi
o o 3 . - - - p:=c:c:::c::::c:::c:::r:::::c::r::::::r::::::r:.,..._---+...!.._+
J} L L2 L
X

L
E·A E·A
o o o o 4
L L
12EI 6EI 12EI 6EI
o L3 L2
o L3 L2 5 5 6
4
6EI 2EI 6EI 4EI
o 2
o 2 6
L L L L
'----
Numeração dos graus de liberdade

Rearranjando a posição dos graus de liberdade na matriz de rigidez, termos:


... - - - - - - - ""T"" - - - - - - - 1- - - - - - - r - - - - - - - T - - - - - - - 1 - - - - - - - ...

: 1 : 4 1
1________ i _ _ _ _ _ _ _ _ [ _ _ _ _ _ _ _ - ·' - _ _ _ _ _ _ _
2 ! 3 Il ________
5 6
1l ________ : 1

1--- -
E-A E-A 1 1

O O O O : 1: Parte da matriz
L
E.A E.A
L
--------------~ ~+ 1 1

1
1
associada somente à
rigidez axial - [K]u
o o o o 4:
L L 1
1

12EI 6EJ 12EI 6EJ 1


1
o o L3 L2 2 : [K]u ! [O]
L3 J} e
[K]e= [K] = ------ r--- - --
o o
6EI 4EI 6EI 2EI [O] : [K]v
L2 L L2 L
12EI 6EI 12EI 6EI :
o o --- 5: Parte da matriz
L3 L2 L3 i---: +
L2 - 1---- associada somente à
rigidez à flexão - [KJv
1 1
6EJ 2EI 6EI 4EI :
o o
1
1 6 1

L2 L L2 L
1
1
1_ - - -
1
1

Análise não linear - elemento de viga com rigidez axial, flexão em um plano, e contabilizando os efeitos de
acoplamento entre os comportamentos axial e flexão, caracterizando a não linearidade geométrica
A demonstração da expressão que relaciona forças e, deslocamentos para um elemento de viga, considerando a não li-
nearidade geométrica, é desenvolvida no Quadro V. E importante identificar os termos dentro dessa matriz.
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
96 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

. . ------r------,
1 1
,______1 ,______ ,1 ---~
1 4
{f}u [k1 [O] {u} EA EA 1
1
1
1
1

,. •
1 1
1 1
1 4
{f}v [O] [kJv+[kJv,G {V} L
[k]u = EA
L 1 1

• ...
EA 1

4:
L L ----
~ - - - - - - - - - - - - - - - -+ Matriz de rigidez usual para o elemento de viga em flexão
Matriz de rigidez geométrica - [k]v,G - -- --- -,- -- -- - -- - -- --,-- - -- --
1
1
2 1
I
3 1
I
5 1
I
6 1
1
1_ - - - - - - .. - - - - - - - · - - - - - - - .. - - - - - - _ ,
- ----,
Considera a interação entre força axial no elemento de viga 12EI 6EI 12EI 6EI 1
1
1
1
1
e os deslocamentos de flexão. L3 L2 L3 L2 1
1
2'1
Um dos casos importantes de não linearidade geométrica 1 1

ocorre quando as grandes deflexões acontecem de forma 6EI 4EI 6EI 2EI 1
1
1

1 3:
instável e elasticamente. L2 L L2 L 1 1

[kJv
l.--~

Assim, a matriz [k1vc pode considerar esses efeitos de = 12EI 1


1
1

' , 6EI 12EI 6EI 1


1 5:
1

instabilidade, como veremos a seguir. E o caso que estudamos L3 L2 L3 L2


1

anteriormente, só que de forma analítica, no Exemplo 2.4, 1


1
1
1

quando a não linearidade geométrica vem acompanhada de 6EJ 2EI 6EI 4EI 1
1 6:
1 1

instabilidade da estrutura. Os deslocamentos aumentam L2 L L2 L


, _ - - J

sem o aumento da carga.


Essa matriz constitui uma correção na matriz de rigidez
básica de flexão [k]v-
~ ' - - - - - --

- - - - - -1 - - - - --1 - - - - -1 - - - - -1
1
1
2 11 3 11 5 11 6 11
- -- ---- --- -- ----- ----- 1---7
1

Força interna 36 3L - 36 - 3L :2 11
~ 3L 4L2 -3L - L2
L.--~

i2
[k]
V,G
- Fx •

30-L - 36 - 3L 36 - 3L
1
1

1
1
3
5
1
. _ __""1
1 1

1
(3.12) Ç: sl+J
1 1 3
L.--~

- 3L - L2 - 3L 4L2
1
1
1
6 1
1
L.---'

,
E importante observar que essa matriz é adicionada à matriz usual para o elemento de viga em flexão. Ou seja, a parte
da matriz de rigidez que incorpora as propriedades de flexão tem um termo que representa a força axial. Essa matriz
depende da força interna que se manifesta na barra axialmente, ou seja, o efeito da força axial interna é contabilizado no
comportamento à flexão da viga. Portanto,flexão e força axial no elemento são acopladas.

Fica claro que quando a estrutura não está ainda carregada• Fx =O. ~I
[k]v, 6 = O Ou seja, a matriz de rigidez 1.
geométrica só contribui para a rigidez da estrutura à medida que a estrutura estiver sendo carregada e, consequen-
temente, deformada. Com a geometria deformada da estrutura, a rigidez associada a essa configuração deformada está
sendo levada em conta. À medida que a carga externa aumenta e a estrutura tem as forças internas axiais crescendo, a
matriz de rigidez geométrica vai sendo atualizada, e a correção na matriz de rigidez dos elementos e da estrutura será
considerada.
Os termos individuais da matriz de rigidez geométrica só dependem de parâmetros geométricos, como era de se es-
perar. Não dependem de propriedades de materiais nem fisicas. Como pode ser verificado no Quadro V, a matriz de
rigidez geométrica está associada ao trabalho realizado pela força axial na flexão.

Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
Não Linearidade Geométrica: Entendimento do Conceito a partir dos Elementos Unidimensionais - Generalizações 97

Já sabemos que a matriz de rigidez da estrutura é montada a partir da matriz de rigidez de cada um de seus elementos,
que considera a parcela da matriz de rigidez geométrica no termo de flexão, como acabamos de verificar. Podemos
concluir que a matriz de rigidez geométrica de toda a estrutura deve levar em conta a matriz de rigidez geométrica
de cada um de seus elementos. O procedimento de montagem é o mesmo, considerando os já conhecidos ''vetores de
localização''.
Da mesma forma efetuada na análise linear, o procedimento de montagem da matriz de rigidez geométrica da estrutura
a partir da matriz de rigidez geométrica de cada um de seus elementos deve ser feita com alguns cuidados. Para efetuar
o procedimento de montagem em cada incremento de carga, a matriz de rigidez geométrica de cada elemento deve ser
apresentada no sistema global de coordenadas, ou seja, o sistema de referência que vale para a estrutura como um todo.
Só após essa etapa o procedimento de montagem pode ser efetuado. Resumindo:

[KG ]e= [T]T ·[kv,G ]·[T. (3.13)


----:=:=====:::::Ili!:.,__ _ _ ___,
Matriz de transformação, que
Matriz de rigidez geométrica Matriz de rigidez geométrica transforma o equilíbrio do elemento
do elemento no sistema do elemento no sistema do sistema local de coordenadas para
global de coordenadas local de coordenadas o sistema global de coordenadas

(3.14)

Montagem da matriz de rigidez geométrica da estrutura a partir das


matrizes de rigidez geométricas de cada um de seus elementos

{F} =([K]+[KG ])·{.1} (3.15)

Sistema de equações algébricas que representa o equilíbrio da estrutura. Esta expressão pode ser entendida para as
aplicações gerais de elementos finitos. Foi utilizado o elemento de viga para a construção desse conceito, e demons-
trado no Quadro V pelo princípio dos trabalhos virtuais. Poderíamos aplicar esse procedimento para outros elementos
e obter as correspondentes matrizes de rigidez geométricas. Evidentemente, cada elemento terá a sua particular matriz,
que traduz o conceito anteriormente exposto. Da mesma forma, as Expressões 3.13 e 3.14 também têm caráter geral.

3.3 Uma Aplicação Prática da Teoria Utilizando a Ferramenta Computacional:


Grandes Deflexões em Viga
A Figura 3.7 representa uma viga de aço (E= 21.000 Kgflmm 2) sob ação de carga distribuída uniformemente ao longo
de seu comprimento. A máxima deflexão apresentada pela estrutura, neste caso, está fora dos padrões considerados para
pequenas deflexões, sendo melhor representada pela teoria não linear. Na prática, quando efetuamos uma análise linear
e constatamos a presença de grandes deflexões, sabemos que os resultados obtidos não se aplicam, pois a teoria linear
aplica-se somente até um certo limite. Se as pequenas deflexões forem uma exigência da condição de trabalho da estru-
tura, para atendimento a alguma norma existente, deveríamos reforçá-la para que as deflexões diminuíssem, e com isso,
se quiséssemos trabalhar no limite das pequenas deflexões, a aplicação da teoria linear seria válida. Por outro lado, se o
critério de projeto da estrutura admitir deflexões maiores que aquelas representadas adequadamente pela teoria linear,
devemos aplicar a análise não linear, cujos conceitos anteriormente introduzidos devem estar presentes. Neste caso, deve
ser considerada a contribuição da matriz de rigidez geométrica.
Editora Érica - Elementos Finitos: A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear-Avelino Alves Filho - 1ª Edição
98 Elementos Finitos - A Base da Tecnologia CAE / Análise não Linear

A solução numérica linear foi considerada e comparada posteriormente com a solução numérica não linear. Em ambos
os casos, foi feita a comparação das soluções numéricas, por elementos finitos, com as soluções analíticas disponíveis
na literatura.
,
E importante observar que, quando as deflexões aumentam significativamente, ocorre a tendência de aproximação das
extremidades da viga. Os apoios, opondo-se a essa tendência, aplicam forças axiais na viga, impedindo a aproximação
das extremidades dela. São geradas então forças axiais e tensões axiais constantes ao longo da seção da viga. Essas for-
ças axiais têm uma natureza bastante diferente daquelas estudadas na análise linear, em que as forças axiais e as flexões
eram independentes, e uma não causava aparecimento da outra. Não havia acoplamento entre forças axiais e flexões.
Nas aplicações não lineares, devido à ação dessas cargas axiais, as curvaturas apresentadas ao longo da viga, ocasiona-
das pela flexão, diminuem, e observamos menores deflexões. As tensões de flexão, que variam ao longo da seção da viga,
e que são mais intensas nas fibras extremas, também tendem a diminuir, pois estão associadas às curvaturas, que agora
são menores. O que podemos verificar a partir dessa aplicação numérica é que as tensões axiais constantes que surgem
devido ao efeito da carga axial decorrente da tendência de aparecimento de grandes deflexões são superpostas às tensões
de flexão ocasionadas com essa diminuição da curvatura. Ou seja, neste caso, devido à presença da rigidez geométrica,
a estrutura estará sujeita à força axial e flexão, dependentes uma da outra.
A Figura 3.8 representa a solução numérica linear e a comparação com a solução analítica linear. A Figura 3.9 mostra a
solução não linear pelo método dos elementos finitos, utilizando a ferramenta computacional. Como dissemos, a matriz
de rigidez geométrica é demonstrada no Quadro V.
q = 4 Kgf/mm
--- ---- --- -
---- - . -- -- --• •-- -- --• --- espessuras = 2 mm
• ' •
'• • ' •
' • '• • ' • ' ' • ' • ' •
Propriedades da seção da viga