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UMA CONVERSA FRANCA .......................................................................................

1
SOBRE O NOSSO GRUPO DO WHATSAPP ................................................................. 2
SOBRE A SUA ENTREVISTA PÓS-APROVAÇÃO .......................................................... 2
SOBRE O NOSSO CURSO .............................................................................................................. 2
CALENDÁRIO DE AULAS ................................................................................................................ 3
1. PSICOLOGIA DA SAÚDE: FUNDAMENTOS E PRÁTICA. ............................................ 4
EXTRA: TÉCNICAS DE ACOLHIMENTO E ESCUTA NA SAÚDE MENTAL ................................................ 13
MATRICIAMENTO ...................................................................................................................... 23
INTERCONSULTA ...................................................................................................................... 24
PROJETO TERAPÊUTICO SINGULAR ............................................................................................. 25
2. INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA EM NÍVEIS DE ATENÇÃO PRIMÁRIA, SECUNDÁRIA E
TERCIÁRIA EM SAÚDE: COMPETÊNCIAS E RESPONSABILIDADES. ............................. 26
PROMOÇÃO, PREVENÇÃO E REABILITAÇÃO. .................................................................................. 28
PREVENÇÃO PRIMÁRIA (UNIVERSAL, SELETIVA E INDICADA) ............................................................. 29
PARA FINALIZARMOS.... ............................................................................................................. 31
3. POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO BÁSICA. ........................................................ 33
MUDANÇAS NA ATUALIZAÇÃO DA PNAB (2017)................................................................... 80
QUESTÕES ......................................................................................................... 81
QUESTÕES COMENTADAS E GABARITADAS ............................................................ 89

Uma conversa franca


Como é bom estar aqui com vocês! Nessa primeira aula iremos entrar
direto em nosso material. O presente curso intensivo será voltado para o concurso
da PREFEITURA DE VITÓRIA - ES. O edital acabou de ser lançado (27 de setembro) e
a banca é o Instituto AOCP. O nosso compromisso é com o preenchimento das 2
vagas ofertadas + CR para a área da psicologia! Estamos falando do concurso da
SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DO MUNICÍPIO DE VITÓRIA.
Daqui a pouco falaremos de nosso curso, primeiro, eis os principais dados
do concurso até o presente momento:

Sobre o seu concurso


Edital: http://www.institutoaocp.org.br/concurso.jsp?id=246

PSICÓLOGO
Vagas: 2+CR
Remuneração Inicial: R$ 4.853,88
Cargo: Psicólogo
Horas semanais: 40 horas
Inscrições: 30/09/2019 até 30/10/2019

1
Prova: 01/12/2019
Prova Objetiva (50 questões):
Conhecimentos Gerais
Língua Portuguesa (10 questões, peso 1,5)
Informática Básica (5 questões, peso 1)
Ética e Legislação na Administração Pública (5 questões, peso 1)
Conhecimentos Básicos de Saúde Pública (10 questões, peso 2,5)
Conhecimentos Específicos (20 questões, peso 2,5)
Dissertativa: não tem.
Títulos: tem (máximo de 10 pontos).
Curso de Formação Profissional: não tem.
Tempo de prova: 4 horas

Requisitos e Atribuições
CARGO 437: Psicólogo
Requisitos: Ensino Superior em Psicologia. Registro no Conselho Regional
da Classe.
Descrição Sumária: Coordenar e/ou desenvolver estudos, pesquisas e
levantamentos nas áreas de Psicologia Organizacional ou Aplicada ao
Trabalho, Clínica, Educacional, Social e outras, bem como realizar análise,
diagnóstico e terapêutica de indivíduos com distúrbios psíquicos ou com
problemas de comportamento familiar ou social.

Queremos em nosso curso os alunos honestos e guerreiros. Precisamos de


bons profissionais e boas pessoas no serviço público. Dedique-se ao nosso curso
assim como sei que você irá se dedicar ao seu novo trabalho em breve. =]

Sobre o nosso grupo do WhatsApp


Não é obrigatório, mas recomendo muuuuuito! Se você não está, fale com
o Batman. O que ocorre no grupo do WhatsApp, fica no grupo do WhatsApp.

Sobre a sua entrevista pós-aprovação


Não é obrigatório, mas também recomendo muuuuuito! =]

Sobre o nosso curso


Carga Horária Total do Curso: 15 horas/aula (30 blocos de 25 minutos
cada).
Início da liberação das aulas gravadas e escritas: 04/10/2019
Certificado ao final do curso: Sim (após 80% de visualização do
conteúdo).

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Preço do certificado: Gratuito.
Professor: Alyson Barros
O curso será ministrado através de videoaulas e pdfs.

Calendário de aulas

Aula Conteúdo Data da


Liberação
1 1. Psicologia da saúde: fundamentos e prática. 04/10/2019
2. Intervenção psicológica em níveis de atenção primária,
secundária e terciária em saúde: competências e
responsabilidades.
3. Política Nacional de Atenção Básica.
2 4. Política Nacional de Saúde Mental. 11/10/2019
5. RAPS – Rede de Atenção Psicossocial: política
antimanicomial e normativas pós Reforma Psiquiátrica.
6. Programas em saúde: atuação em programas assistenciais
de prevenção e tratamento, intervenção em grupos vivenciais
e de promoção da saúde.
3 7. Tratamento e prevenção da dependência química e uso 18/10/2019
prejudicial de álcool e outras drogas.
8. Aspectos emocionais da doença crônica.
9. Educação em saúde.
10. Trabalho em equipe multiprofissional e interdisciplinar e a
Clínica Ampliada.
4 11. Psicoterapia breve e outras técnicas psicoterapêuticas. 25/10/2019
12. Psicopatologia e psicofarmacologia.
5 13. Laudos, pareceres, relatórios e outros documentos 01/11/2019
psicológicos.
14. Estudos de caso, produção de informações e avaliação
psicológica.
15. Planejamento, organização, gestão, monitoramento e
avaliação de programas em saúde.
16. Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
6 17. Estatuto do Idoso. 08/11/2019
18. Estatuto da Pessoa com Deficiência.
19. Ética, Direitos Humanos e relações interpessoais.
20. Código de Ética Profissional do Psicólogo.

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Em função da disponibilidade do professor e da necessidade do curso, poderão
ocorrer eventuais mudanças de calendário. Essas mudanças serão sempre
comunicadas aos alunos.

Vamos começar com o assunto mais legal de nosso edital!

1. Psicologia da saúde: fundamentos e prática.


... a Psicologia da Saúde é a aplicação dos
conhecimentos e das técnicas psicológicas à
saúde, às doenças e aos cuidados de saúde,
visando a promoção e manutenção da saúde e
a prevenção da doença. A finalidade principal
da Psicologia da Saúde é compreender como é
possível, através de intervenções psicológicas,
contribuir para a melhoria do bem-estar dos
indivíduos e das comunidades.
Fonte: Almeira e Malagris, 2011.

Futuros servidores da Prefeitura de Vitória, não é redundante usar a


expressão “psicologia da saúde”? Talvez, pois toda atuação do psicólogo é
voltada – em maior ou menor grau – para a saúde. Porém, essa concepção
simplista não nos é útil para o nosso concurso. Precisamos saber desse tópico as
suas definições, seu objeto, seus objetivos e seu campo de atuação. Para isso, farei
uso indiscriminado de um excelente artigo nomeado de “A prática da psicologia da
saúde”, de Raquel Ayres Almeida e Lúcia E. Novaes Malagris, que Segundo Richard
veremos adiante. Straub (2014),
Segundo o sobrinho do Aurélio, o irmão do Google, o tal do psicologia da saúde é a
Wikipédia, a Psicologia da Saúde é a aplicação dos conhecimentos aplicação dos princípios
e das técnicas psicológicas à saúde, às doenças e aos cuidados de e pesquisas
saúde. Decorrente desse aforisma wiki, podemos começar a psicológicos para a
desenhar nossos conceitos. Já podemos definir que o foco de melhoria da saúde e a
atuação é o processo saúde-doença e que esse processo é prevenção e o
multifatorial. Também podemos definir que é necessário um tratamento de doenças.
conjunto de conhecimentos e técnicas psicológicas para dar conta
do recado.
Matarazzo, lá no início da década de 1980, em meio a efervescência do
movimento sanitarista no Brasil, definiu a Psicologia da Saúde como: “...o
conjunto de contribuições educacionais, científicas e profissionais específicas da
Psicologia para a promoção e manutenção da saúde, prevenção e tratamento das
doenças, na identificação da etiologia e diagnósticos relacionados à saúde, à

| 4
doença e às disfunções, bem como no aperfeiçoamento do sistema de políticas da
saúde”. Essa perspectiva é claramente comprometida com o viés social.
Segundo a Associação de Psicologia Americana, a intervenção de
psicólogos na saúde, além de contribuir para a melhoria do bem-estar psicológico
e da qualidade de vida dos clientes dos serviços de saúde, pode também
contribuir para a redução de internações hospitalares, diminuição da utilização de
medicamentos e utilização mais adequada dos serviços e recursos de saúde.
O surgimento da psicologia da saúde remonta ao ano de 1978, na American
Psychological Association (APA), com a criação da divisão de psicologia da saúde
(Divisão 38). Quatro anos depois, foi publicado o primeiro volume de seu periódico
oficial, Health Psychology. Nessa edição, Joseph Matarazzo, o primeiro presidente
da divisão, estabeleceu quatro objetivos do novo campo (Straub, 2014):
1. Estudar de forma científica as causas e as origens de determinadas
doenças.
2. Promover a saúde
3. Prevenir e tratar doenças
4. Promover políticas de saúde pública e o aprimoramento do sistema
de saúde pública.
Observe que a atual psicologia da saúde não deve ser confundida com a
medicina psicossomática1 e nem com a medicina comportamental2.
A psicologia da saúde é um campo relativamente novo e que, além de
superar as dicotomias entre saúde-doença e corpo-mente, considera o contexto
social e o fator histórico nos processos de saúde e de doença da população. A
doença e a saúde têm, nessa perspectiva, um estado subjetivo afetado e
decorrente da própria consciência da doença e que pode expressar sofrimento
assim como pode determinar a aderência ao tratamento ou a prevenção.
Deixamos a visão dualista na saúde, psiquismo separado do corpo, para
adotarmos uma perspectiva integrada de mente e corpo e, além disso, sociedade.
Passamos a estudar, também, os processos de adoecimento relacionados ao
gênero e à idade. Para Richard Straub (2014), passamos a adotar uma teoria
sistêmica, que pressupõe que toda a natureza é mais bem compreendida como
uma hierarquia de sistemas, na que cada um deles é composto de modo
simultâneo por subsistemas e por uma parte de sistemas maiores e mais
abrangentes.
Sobre isso, Sebastini (s.d.) define:
Doença: processo fisiopatológico determinante do estado de
disfunção.

1
Medicina Psicossomática: ramo da medicina que se concentra no diagnóstico e tratamento de
doenças físicas causadas por processos mentais deficientes. Obteve maior ênfase a partir da
década de 1940, com Franz Alexander.
2
Medicina comportamental: campo interdisciplinar que integra as ciências comportamentais e
biomédicas para promover a saúde e tratar doenças. Surge a partir da década de 1970, com Neal
Miller.

| 5
Enfermidade: estado subjetivo do indivíduo afetado e decorrente
da própria conscientização.
Anormalidade: papel de doente que a pessoa assume na sociedade,
ou seja, à correspondente disfunção social e que, portanto, afeta o
seu relacionamento com os demais indivíduos normais.
Perceba que tanto a enfermidade quanto a anormalidade possuem um
forte componente psicossocial. Nesse ponto reside o trabalho do Psicólogo da
Saúde e de outros profissionais. Isso ocorre pois tendemos a encarar a doença em
sentido mais amplo atualmente. Isso significa que não só o indivíduo participa dos
cuidados básicos ou da manutenção da doença, como também a sociedade é uma
dimensão responsável por essa caracterização. Isso está insculpido na nossa
Constituição Federal e nas Leis orgânicas da Saúde (Lei 8.080/90 e Lei 8142/90).
A saúde-doença é vista atualmente como um fenômeno multidimensional e
de causa multifatorial. Esse é um novo paradigma, que exploraremos mais
adiante, que orienta as ações de atenção à saúde. Isso representa uma mudança
de pensamento decorrente do modelo médico para o modelo também psicológico
e social da condição humana nos processos de saúde e doença. Isso ocorre, pois o
modelo médico de saúde-doença é insuficiente para dar conta da realidade.

...a Psicologia da Saúde tem sido considerada como um campo de


trabalho da Psicologia que nasce para dar resposta a uma demanda
sócio-sanitária. Os Psicólogos da Saúde, procedentes em sua
maioria (no Brasil) da Psicologia Clínica, da Medicina
Psicossomática e da Psicologia Social Comunitária estão adaptando
seus enquadres e técnicas a um novo campo de aplicação, que
integra os aportes provenientes de suas fontes.
Fonte: Ricardo Werner Sebastiani (s.d.) em Psicologia da Saúde no
Brasil: 50 anos de história.

Dito isto, fica claro que o enfoque da psicologia da saúde3 ultrapassa a


perspectiva individualista e de simples técnicas clínicas para abordar ações
educativas, sociais, culturais, e psicológicas de forma integrada.
Aprofundando esse assunto, temos que:
A Psicologia da Saúde é uma área recente, desenvolvida principalmente a
partir da década de 70, cujas pesquisas e aplicações, respectivamente, visam a
compreender e atuar sobre a inter-relação entre comportamento e saúde e
comportamento e doenças. (Miyazaki, Domingos & Caballo, 2001; Barros, 2002).
Também são objetos de estudo os funcionamentos psicológicos habitualmente
saudáveis envolvidos em situações que, mesmo implicando ajuste emocional, não

3
Observe que a especialidade de psicologia da saúde ainda não foi regulamentada no Brasil. Assim,
atuam nessa área os psicólogos clínicos e hospitalares.

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acarretam alterações no estado de saúde, como por exemplo, a gravidez e o
envelhecimento (Barros, 1999).
A Psicologia da Saúde não está interessada diretamente pela situação, que
cabe ao foro médico. Seu interesse está na forma como o sujeito vive e
experimenta o seu estado de saúde ou de doença, na sua relação consigo mesmo,
com os outros e com o mundo. Objetiva fazer com que as pessoas incluam no seu
projeto de vida, um conjunto de atitudes e comportamentos ativos que as levem a
promover a saúde e prevenir a doença, além de aperfeiçoar técnicas de
enfrentamento no processo de ajustamento ao adoecer, à doença e às suas
eventuais consequências (Barros, 1999).
Dessa forma, a Psicologia da Saúde busca compreender o papel das
variáveis psicológicas sobre a manutenção da saúde, o desenvolvimento de
doenças e seus comportamentos associados. Além de desenvolver pesquisas
sobre cada um desses aspectos, os psicólogos da saúde realizam intervenções
com o objetivo de prevenir doenças e auxiliar no manejo ou no enfrentamento das
mesmas (Miyazaki, Domingos & Caballo, 2001).
[...]
Segundo De Marco (2003), o termo "psicologia da saúde" tem sido utilizado
para denominar o conjunto de atividades exercidas por profissionais da área de
psicologia no campo da saúde, não somente nas formas de assistência e pesquisa,
mas também na forma de ensino.
Trindade e Teixeira (1998, 2002) afirmam que o domínio da Psicologia da
Saúde diz respeito ao papel da Psicologia, como ciência e como profissão, nos
campos da saúde e da doença, incluindo as saúdes física e mental e abrange todo
o campo da Medicina, mas ultrapassando-o ao levar em conta os fatores sociais,
culturais e ambientais relacionados com a saúde e com a doença, uma vez que as
significações e os discursos sobre a saúde e as doenças são diferentes consoantes
com o estatuto socioeconômico, o gênero e a diversidade cultural.
Assim, dando relevância à promoção e manutenção da saúde e à prevenção
da doença, a finalidade principal da Psicologia da Saúde é compreender como é
possível, através de intervenções psicológicas, contribuir para a melhoria do bem-
estar dos indivíduos e das comunidades (Trindade & Teixeira, 2002). Matarazzo
elaborou uma definição de Psicologia da Saúde que é até hoje a mais conhecida,
como pode ser visto abaixo nas palavras do autor:
P.S. é o conjunto de contribuições educacionais, científicas e
profissionais específicas da Psicologia, utilizadas para a
promoção e manutenção da saúde, prevenção e tratamento
das doenças, identificação da etiologia e diagnóstico (de
problemas) relacionados à saúde, doença e disfunções, para
a análise do sistema de atenção à saúde e formação de
políticas de saúde (1980, p. 815).
Dessa forma a área se distingue da Psicologia Clínica por compreender o
comportamento no contexto da saúde e doença. Embora possa ser importante

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distinguir saúde mental e física, a Psicologia da Saúde focaliza principalmente os
aspectos físicos da saúde e doença e os modelos empregados em saúde mental
nem sempre são os mais indicados (Kerbauy, 2002).
[..]
Os psicólogos da saúde se direcionam para a compreensão da forma como
os fatores biológicos, comportamentais e sociais influenciam a saúde e a doença.
Podem estar centrados na promoção da saúde e prevenção de doença,
trabalhando com os fatores psicológicos que fortalecem a saúde e que reduzem o
risco de adoecer, podem disponibilizar serviços clínicos a indivíduos saudáveis ou
doentes em diferentes contextos e, podem ainda, estar envolvidos em pesquisa e
investigação, no ensino e formação (Teixeira, 2004).
As funções dos profissionais de Psicologia da Saúde estão se expandindo à
medida que o campo amadurece. A maioria dos psicólogos da saúde trabalham
em hospitais, clínicas e departamentos acadêmicos de faculdades e universidades
onde eles podem fornecer ajuda direta e indireta aos pacientes. Na atuação
clínica, podem fornecer atendimento para pacientes com dificuldades de
ajustamento à condição de doente, como por exemplo, na redução de
sentimentos de depressão no paciente internado. Pode-se também ensinar aos
pacientes métodos psicológicos para ajudá-los a manejar ou gerir os problemas de
saúde, como aprender a controlar as condições de dor (Sarafino, 2004).
A intervenção em Centros de Saúde e Hospitais deve levar em consideração
uma tripla dimensão de intervenção: os pacientes, seus familiares e os
profissionais de saúde. (Romano, 1999; Ismael, 2005). Os campos de atuação
clínica podem ser: prestação de cuidados de saúde na atenção básica e de média
complexidade, unidades de internação hospitalar (alta complexidade), serviços de
saúde mental, unidades de dor, oncologia, serviços de saúde pública, serviços de
saúde ocupacional, consultas de supressão do tabagismo, serviços de reabilitação,
entre outros (Teixeira, 2004).
Fonte: Almeida e Malagris, 2011.
Em suma, o que fazem os profissionais de psicologia da saúde então?
Integram e empregam esse conhecimento sistêmico em suas ações de prevenção e
promoção à saúde.

Referência indicada para leitura: ALMEIDA, Raquel Ayres de; MALAGRIS, Lucia
Emmanoel Novaes. A prática da psicologia da saúde. Rev. SBPH, Rio de
Janeiro, v. 14, n. 2, dez. 2011 . Disponível em
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-
08582011000200012&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 2 fev. 2014.

Ainda sobre esse assunto, é fundamental destacar uma preleção bastante


simples e que mostra o quanto o Brasil é bagunçado:
Características da psicologia da saúde no Brasil

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No Brasil autores importantes como Spink (Spink 1992; Spink, 2003; Spink,
Menegon, Gamba & Lisboa, 2007) vinculam a psicologia da saúde ao modelo da
psicologia social e comunitária. Para Spink (2003) a Psicologia da saúde é
considerada um novo campo de saber que se reestrutura a partir da inserção de
psicólogos na Rede de atenção à saúde pública e a abertura de novos campos de
atuação do psicólogo. Tal contexto vem introduzindo transformações qualitativas
na prática profissional que requer novas perspectivas teóricas. O novo Campo de
saber, como pretende Spink, situa as questões de saúde entre o individual e o
social, e configura-se como área de especialização da psicologia social.
A configuração da psicologia da saúde como área de especialização da
psicologia social é problemática e não consensual. Analisando a produção de
Spink foi possível identificar que estas ideias foram elaboradas entre os anos 1990
e 2000, em um momento em que o Sistema Único de Saúde (SUS) do Brasil estava
estruturando-se e se inaugurava a entrada dos psicólogos nos serviços de APS,
fato que desvelou a fragilidade da formação de psicólogos em termos de seu
preparo para atuar na saúde pública em nível de atenção primária. Em seus
escritos Spink critica as práticas de psicólogos emigradas da clínica
individual/privada cujo modelo de intervenção se ancora na psicoterapia. A crítica
assegura que o discurso da clínica individual deve ser superado em favor de uma
construção mais condizente com o campo da psicologia da saúde.
Spink (2003), ressalta a falta de preparo dos psicólogos para intervir em
saúde pública e mostra que a formação desse profissional, assim como sua prática
tradicional, foram fundados na psicologia clínica individual, com ênfase na clínica
privada e no modelo médico/psiquiátrico. A perspectiva de Spink é pertinente no
que se refere à predominância das assistências clínicas em todos os níveis de
atenção de saúde, mas, problemática no que se refere à afirmação de que a
psicologia da saúde seja uma área de especialização da psicologia social. Spink
(2003) se refere à Psicologia Social e Saúde como suficiente para incorporar a
psicologia da saúde. Esta perspectiva confunde Psicologia da Saúde com a práxis
inapropriada de psicólogos em atuação no campo da saúde pública e
principalmente em APS.
Isso aconteceu porque o contexto encontrado por Spink, naquele
momento, indicava pouca clareza com respeito ao início do processo de
institucionalização das práticas de psicólogos na rede de saúde pública, fato que
desvelou a falta de preparo destes psicólogos para compreender seu papel nas
instituições que passaram a recebê-los. Ou seja, os profissionais levaram as
mesmas práticas clínicas tradicionais para os setores recém-criados que pediam
uma intervenção psicossocial e amparada na psicologia da saúde.
O problema da inadequação das práticas do psicólogo no campo de saúde
pública ainda é visível e precisa ser superado. Sem embargo, para definir o campo
da psicologia da saúde será necessário acessar outros argumentos baseados nas
práticas, experiências e desenvolvimentos teóricos de investigadores de várias

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partes do mundo, que vêm investindo desde décadas em estudos científicos sobre
a delimitação teórico-prática da psicologia da saúde.
Yamamoto e Cunha (1998), também se opõem ao discurso de Spink (1992),
com respeito a não haver necessidade de construir um novo corpo de
conhecimentos para a psicologia da saúde, já que esta deveria constituir-se mais
como uma ampliação dos conhecimentos subordinados à psicologia social que,
propriamente, a construção de uma nova e distinta área de atuação. Outra
questão problemática é a identificação da psicologia da saúde com psicologia
hospitalar. Em investigações realizadas por Yamamoto e Cunha (1998) e
Yamamoto, Trindade e Oliveira (2002), existe, entre os psicólogos brasileiros que
atuam no contexto hospitalar, uma identificação da psicologia da saúde como
sinônima da psicologia hospitalar. E, também, a defesa da psicologia hospitalar
como campo próprio ou autônomo, tal como quer Angerami-Camon (1994). Para
Yamamoto e Cunha (1998) a psicologia hospitalar não deveria ser compreendida
como nova área, ou como campo autônomo, já que designaria um local aonde
desenvolver a intervenção profissional, e não um campo de atuação.
Yamamoto e Cunha (1998) e Campos (1988), encontraram em suas
investigações, naquele momento, psicólogos atuando em hospitais utilizando
práticas clínicas muito pouco modificadas das práticas mais tradicionais. Para
Yamamoto e Cunha (1998) o trabalho realizado no âmbito hospitalar, com suas
peculiaridades em razão de sua inserção nesse novo espaço de atuação
profissional, deveria ser mais bem considerado como uma vertente das ações do
campo da saúde. Para eles, o trabalho feito no contexto hospitalar deveria estar
situado dentro da perspectiva da psicologia da saúde, entendida em termos mais
amplos sem enquadrá-la nos limites de uma especialização. Isto favoreceria a
formação profissional com relação à necessidade de uma melhor
instrumentalização técnica, fundamentada em aportes teóricos mais consistentes,
de modo a subsidiar as ações e ampliar-lhes os limites tradicionais.
Tais visões, resumidas acima, levaram a que o Brasil fosse identificado
como diferente do resto do mundo. Pais Ribeiro (2011), por exemplo, afirmou que
a psicologia da saúde no Brasil tem uma organização distinta do resto do mundo,
sendo identificada pela psicologia hospitalar.
Para Gorayeb (2010) é inadequado utilizar o termo psicologia hospitalar,
como sinônimo de psicologia da saúde, já que são conceitos distintos. A confusão
de termos é apenas encontrada no Brasil. O certo é que a psicologia da saúde é
mais ampla e a psicologia hospitalar deveria ser uma área de aplicação da
psicologia da saúde. Tal equívoco foi amparado Conselho Federal de Psicologia
[CFP](2007), ao instituir uma psicologia hospitalar como área de especialização da
psicologia e não da psicologia da saúde.
A perspectiva teórica assumida pelos autores deste artigo e baseada em
Alves (2008) é a de que a psicologia da saúde não deverá estar vinculada a uma
relação de pertencimento nem à psicologia clínica nem tampouco à psicologia
social. Como já não está em relação à medicina comportamental. Ainda que não

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se possa reivindicar sua pureza teórica. Ao contrário, a compreensão da psicologia
da saúde deve ser como uma disciplina autônoma, mas essencialmente
interdisciplinar. Tal perspectiva é utilizada para propor que a psicologia da saúde,
considerada como campo de saberes e de práticas, se desenvolve sobre uma base
multi e interdisciplinar já que se articula entre os saberes e práticas originados de
múltiplas disciplinas, como: a psicologia clínica, a psicologia social, a psicologia
comunitária, a saúde pública/comunitária, a epidemiologia, a antropologia, a
sociologia, a medicina comportamental, entre outras. Assim, a psicologia da saúde
tem na construção de sua base teórica o conhecimento produzido por estas
disciplinas. Para poder atuar com tal diversidade recomenda-se a superação das
visões extremas. Para poder reconhecer a construção do conhecimento como um
processo dinâmico - porque não para de desenvolver-se e mudar, e flexível –
porque entende que não há nada de essencialmente novo -, senão que todo saber
é construído a partir de outros saberes já estabelecidos (sejam eles científicos ou
populares).
Conceitos da Psicologia da Saúde
O contexto da psicologia da saúde discutido até agora mostra sua
complexa conjuntura. Lovelle (2003) alerta que o conceito de psicologia da saúde
apresenta uma história curta e, ainda, se encontra num período embrionário de
seu desenvolvimento.
Ruiperez (1997) define a psicologia da saúde como a “ciência que estuda o
comportamento no campo da saúde/enfermidade” (p.27). Para ele esta disciplina
se refere aos aspectos da psicologia relacionados com a experiência da saúde e da
enfermidade, ou com as condutas que intervêm na determinação e explicação da
saúde. A psicologia da saúde também constitui a aplicação da teoria e das práticas
psicológicas aos sistemas de saúde com o objetivo de solucionar seus problemas e
questões fundamentais.
Santacreu (1991) afirma ser o objetivo da psicologia da saúde o estudo
sobre a saúde e a intervenção na prevenção da enfermidade. Na definição da
American Psychological Association (APA) a psicologia da saúde inclui as
contribuições educacionais, científicas e profissionais da disciplina psicologia à
promoção e a manutenção da saúde, a prevenção e o tratamento das
enfermidades, a identificação da etiologia e o diagnóstico dos componentes
associados à saúde, à doença, à análise do sistema de saúde e ao planejamento da
política de saúde (Castro & Bornholdt, 2004). Carrobles (1993), apesar de
reconhecer a dificuldade para delimitar o conceito de psicologia da saúde,
defende que a psicologia da saúde deve ser entendida como disciplina e propõe o
seguinte conceito:
A psicologia da saúde é o campo de especialização da psicologia que centra
seu interesse no âmbito dos problemas de saúde, especialmente físicos ou
orgânicos, com a principal função de prevenir a ocorrência dos mesmos ou de
tratá-los ou reabilitá-los, utilizando para isso a metodologia, os princípios e os
conhecimentos da atual psicologia científica, sobre a base de que a conduta

| 11
constitui, junto com as causas biológicas e sociais, os principais determinantes
tanto da saúde como da maior parte das enfermidades e problemas humanos de
saúde existentes da atualidade (p.17).
Tanto a perspectiva da APA como a de Carrobles são genéricas e implica a
ideia de uma psicologia da saúde apta a ser praticada nos diversos níveis de
assistência. Rodríguez – Marín (1999) argumenta que a psicologia da saúde, em
nível conceitual, ainda não está totalmente explicada. Além da diversidade de
conceitos, algumas vezes ela é confundida com a psicologia clínica, com terapia
comportamental e por último com medicina comportamental. O autor insiste em
que ainda que as relações entre todas elas sejam inegáveis, é necessário
estabelecer as diferenças entre elas.
Para Simón (1993) a psicologia da saúde é a “confluência das contribuições
específicas das diversas parcelas do saber psicológico (psicologia clínica,
psicologia básica, psicologia social, psicobiologia), tanto à promoção e
manutenção da saúde como à prevenção e tratamento da enfermidade” (p. 19).
Nesta definição Simón destaca a diversidade teórica da psicologia da saúde mais
circunscrita aos âmbitos da psicologia que ao campo interdisciplinar.
Pérez (1991) estabelece uma diferenciação entre a psicologia da saúde e a
psicologia clínica. A primeira se dedica aos assuntos psicológicos que estão nas
bases dos problemas fisiológicos, e a segunda, se ocupa dos problemas
psicológicos por si mesmos.
Rodríguez-Marín (1999) compartilha a opinião de Pérez e amplia a parte
correspondente à psicologia da saúde. Diz que a psicologia da saúde “se ocupa
com as consequências psicológicas que possam ter problemas fisiológicos
incluindo nestes os comportamentos a interação com o sistema de provisão de
cuidados sanitários” (p. 180). O mesmo autor segue afirmando que a psicologia da
saúde tem a ver com os aspectos cognitivos, emocionais e comportamentais
associados a saúde-enfermidade física. Se trata de uma aplicação da psicologia ao
campo da saúde-enfermidade física que tem como uma das principais
características o sistema sanitário como contexto de trabalho. “Assim, a psicologia
da saúde não só dirige sua atenção ao indivíduo cuja saúde está em questão,
senão ao conjunto complexo de instituições e forças dentro das quais se persegue
a saúde” (p.181). Ainda com Rodríguez-Marín (1999), a psicologia da saúde é uma
disciplina que se ampara de teorias e métodos de outras disciplinas psicológicas
básicas, constituindo-se como uma área de prática profissional, implicada com os
problemas do campo da saúde, os contextos e problemas do sistema sanitário.
Alves (2008) definiu a psicologia da saúde, como um campo autônomo de
aplicação da psicologia. Recém delimitado em comparação ao da clínica, no
âmbito das disciplinas da saúde. Se dedica às práticas de promoção de saúde e de
prevenção de enfermidades e tem na APS seu campo de aplicação prioritário. Se
orienta à saúde geral, aos problemas físicos e sua vinculação aos fatores
psicossociais. Seu principal objetivo é a saúde dos indivíduos em seus meios
sociais. É realizada através de programas institucionais cuja base de sua

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elaboração deverá ser o conhecimento epidemiológico da população a ser
assistida. Nesta definição a psicologia da saúde mantém sua aplicação prioritária,
mas não exclusiva, na APS.
Mediante a consideração da psicologia da saúde como disciplina matizada
por vários conceitos, é possível ver que há muito que fazer para sedimentá-la e
dar-lhe um caráter de especialidade da psicologia. O principal parece ser a
delimitação do corpo teórico ao que se embasará para padronizar as atuações dos
profissionais nesse campo. De modo que não é adequado recorrer aos mesmos
conceitos da psicologia clínica para atuar em psicologia da saúde, não estabelecer
uma relação de subordinação nem com a psicologia no contexto hospitalar e nem
com a psicologia social.
É preciso trabalhar com o novo marco teórico que é o que pode dar suporte
a estas práticas, ainda, emergentes no caso do Brasil. Uma recomendação
importante para começar seria reconhecer as áreas e as intervenções do
profissional dedicado a este campo. Conhecer bem a saúde pública/comunitária,
no que se refere às políticas de saúde e as formas de intervir nos níveis de atenção
de saúde (primário, secundário e terciário).
Fonte: ALVES, Railda et al . Atualidades sobre a psicologia da saúde e a realidade
Brasileira. Psic., Saúde & Doenças, Lisboa , v. 18, n. 2, p. 545-555, ago. 2017
. Disponível em
<http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1645-
00862017000200021&lng=pt&nrm=iso>. acessos
em 03 abr. 2018. http://dx.doi.org/10.15309/17psd180221.

EXTRA: Técnicas de Acolhimento e Escuta na


saúde mental
Podemos dizer, de acordo com a Cartilha da Política Nacional de
Humanização (Ministério da Saúde, 2010):
Acolher é dar acolhida, admitir, aceitar, dar ouvidos, dar crédito a,
aga- salhar, receber, atender, admitir (FERREIRA, 1975). O acolhimento
como ato ou efeito de acolher expressa, em suas várias definições, uma
ação de aproximação, um “estar com” e um “estar perto de”, ou seja, uma
atitude de inclusão.
Essa atitude implica, por sua vez, estar em relação com algo ou
alguém. É exatamente nesse sentido, de ação de “estar com” ou “estar
perto de”, que queremos afirmar o acolhimento como uma das diretrizes
de maior relevância ética/estética/política da Política Nacional de
Humanização do SUS:

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• ética no que se refere ao compromisso com o reconhecimento do
outro, na atitude de acolhê-lo em suas diferenças, suas dores, suas
alegrias, seus modos de viver, sentir e estar na vida;
• estética porque traz para as relações e os encontros do dia-a-dia a
invenção de estratégias que contribuem para a dignificação da vida
e do viver e, assim, para a construção de nossa própria humanidade;
• política porque implica o compromisso coletivo de envolver-se
neste “estar com”, potencializando protagonismos e vida nos
diferentes encontros.

Vamos por partes. Eu nunca encontrei uma lista de técnicas de escuta e de


acolhimento psicológico. No limiar da minha curta paciência posso dizer que
temos muito conteúdo produzido sobre isso, mas quase nada de ciência (incluindo
o scielo). Quase todos associados à psicanálise. Assim: não temos uma lista de
técnicas de acolhimento e escuta, mas “reflexões”. Não espero que isso caia
copiado e colado em sua prova, mas que, pelo menos, você aprenda a falar a
linguagem desse pessoal.
Podemos ainda salvar o assunto, claro, com alguns trechos que podem dar
uma boa base para qualquer questão sobre o assunto. Estudaremos acolhimento
e escuta juntos.
Na saúde mental, a escuta, o acolhimento e o vínculo caracterizam-se
como ações preponderantes para as intervenções, sendo tecnologias estratégicas
para o cuidado no território, permitindo uma “intimidade terapêutica” no sentido
de o trabalhador estar aberto à escuta das necessidades de saúde do usuário, em
uma postura mais acolhedora.
Considera a escuta indispensável para sua vida e que se a mesma estivesse
presente desde cedo teria alcançado mais resultados positivos, relacionados à sua
terapêutica. Quando a escuta é permeada de liberdade de expressão, torna-se
decisiva para o tratamento.
Considera-se que, na saúde mental, o uso do eu do terapeuta é
fundamental na relação com o sujeito em sofrimento psíquico, na qual a escuta
serve enquanto um dos elementos dessa relação e é estabelecida no encontro face
a face entre o terapeuta e o usuário, ou seja, quando ambos se comunicam
compartilhando o mesmo tempo e o mesmo espaço.
Há componentes básicos para comunicação eficiente na clínica,
denominadas habilidades não seletivas de escuta, como comportamento verbal e
não verbal; e habilidades seletivas, como realizar perguntas abertas, evitando
reprimir o usuário com os ‘porquês’; parafrasear o conteúdo; exprimir
sentimentos; concretizar e resumir a história contada.
Esta escuta fortalece os laços vinculares, na medida em que valoriza e
permite a expressão do sofrimento, das necessidades, das dúvidas e dos afetos.
Também produz alívio e a sensação de resolutividade diante das demandas,
essencial no trabalho em saúde, particularmente em saúde mental, quando se dá

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voz ao sofrimento do outro, propondo-se a auxiliá-lo na busca da resolução de seu
problema.
Fonte: MAYNART, Willams Henrique da Costa et al . A escuta qualificada e o
acolhimento na atenção psicossocial. Acta paul. enferm., São Paulo , v. 27, n.
4, p. 300-304, Aug. 2014 . Available from
<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
21002014000400003&lng=en&nrm=iso>. access
on 18 Apr. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/1982-0194201400051.

Sobre a “escuta” que vai cair em sua prova.


Freud inaugura novos tempos: o tempo da palavra como forma de acesso
por parte do homem ao desconhecido em si mesmo e o tempo da escuta que
ressalta a singularidade de sentidos da palavra enunciada. Ocupa-se, em suas
produções teóricas e em seu trabalho clínico, de palavras que desvelam e velam;
que produzem primeiro descargas e depois associações. Palavras que evidenciam
a existência de um outro-interno, mas que também proporcionam vias de contato
com um outro-externo quando qualificado na sua escuta. Esses tempos em Freud
inauguram a singularidade de uma situação de comunicação entre paciente e
analista. Um chega com palavras que demandam um desejo de ser compreendido
em sua dor, o outro escuta as palavras por ver nestas as vias de acesso ao
desconhecido que habita o paciente. A situação analítica é, por excelência,
uma situação de comunicação: nela circulam demandas nem sempre lógicas ou de
fácil deciframento, mas as quais, em seu cerne, comunicam o desejo e a
necessidade de serem escutadas.
A capacidade de ir além da ciência de sua época está intimamente ligada à
possibilidade de Freud de buscar nas palavras de seus pacientes e em suas
próprias – mais do que padrões de adaptação à moral e costumes vigentes – uma
fala atravessada pelo inconsciente e pela sexualidade: mensagens cifradas e
enigmáticas que demandaram outra qualidade de escuta para serem
compreendidas. Ao se deparar com o sofrimento histérico, Freud põe-se a escutar
um corpo que fala; nos sonhos descobre a capacidade dos elementos se
condensarem e se deslocarem, criando uma outra cena; nos lapsos percebe a
expressão de algo, via uma inesperada inabilidade na execução de atos ou falas
até então exitosas. Ao dar cada vez mais espaço para o que escutava de forma
diferente, no contato com seus pacientes, Freud pôde construir “tanto um novo
ramo do conhecimento quanto um método terapêutico” (1940[1938], p. 91).
A psicanálise surge e se desenvolve na escuta e a partir da escuta singular à
qual se propõe. Buscamos neste artigo resgatar e percorrer a história e o
desenvolvimento do processo de escuta como recurso da técnica psicanalítica e
suas implicações na psicanálise como teoria. À medida que o campo psíquico
pode ser equiparado a um sistema aberto, a escuta destaca-se como ponto
fundamental no campo intersubjetivo, característico do encontro analítico.

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A palavra que se impõe
A psicanálise surge em reação ao niilismo terapêutico dominante na
psiquiatria alemã do final do século XIX, que preconizava a observação do enfermo
sem escutá-lo e a classificação da patologia sem o intuito de oferecer-lhe
tratamento (Roudinesco e Plon, 1998). Freud inquieta-se com tal conduta. Mesmo
tendo formação médica e estando imerso em um contexto científico de caráter
positivista, a conduta psiquiátrica da época não o satisfaz. Freud propõe a todo
tempo – e desde o início de sua experiência clínica no Hospital Salpêtrière com
Charcot – que o paciente fosse escutado. Embora ainda distante de fundar a
psicanálise, já começa a demarcar o importante papel que atribuiria à palavra.
Cabe ressaltar que estamos falando de uma palavra que lhe abriria novas
possibilidades de compreensão do sofrimento humano. Desta forma, dois
trabalhos se impõem: o de escutar a palavra do outro e o de produzir palavras que
viessem ao encontro dessa demanda de ajuda. Talvez se demarque, desde esses
tempos iniciais, uma característica essencial da psicanálise como método e
técnica: estar aberta à singularidade desse outro que fala, seja na dimensão
referente a seu sofrimento e pedido de ajuda, seja no que diz respeito ao efeito de
sua ação terapêutica sobre ele. Ao abrir caminhos para que o homem repense sua
história, a própria psicanálise escreve sua história de transformações e
ampliações.
Os tempos iniciais são os de emprego da hipnose. Em estado hipnótico o
paciente descreve cenas, conecta-se com o material traumático. Cabe ao médico,
então, comunicar-lhe o que havia sido dito e descrito, uma vez que retornando do
transe o paciente de nada se lembra. Os sintomas são esbatidos pelo uso desse
método, mas o sujeito não se apropria ativamente de sua história. Então, no
decorrer de seus trabalhos, Freud vai abandonando a hipnose e se direcionando à
necessidade de criar outra forma de escutar. Surge a associação livre.
Também no trabalho de desconstrução e construção a palavra do paciente
tem um efeito na teoria e na técnica. Emmy Von N. lhe pediu, certa vez, que não a
tocasse, não a olhasse e nada falasse; queria apenas ser escutada. A palavra se
impõe, apontando uma mudança no caminho de Freud: a cura viria por ela, mas
não mais a palavra de um sujeito ausente, que delegava ao terapeuta uma função
de memória de seus conteúdos traumáticos e que colocava em ação um recurso
que priorizava a sugestão. Agora, é por meio das narrativas ativas de um
sujeito acordado , de seu discurso cheio de lacunas, da presença e ausência da
palavra que o paciente passa a ser escutado. Ao retirar a palavra do que a
nosografia diz sobre o paciente, Freud entrega a palavra ao próprio paciente para
que ele fale sobre si mesmo. Surge então a psicanálise, marcada pelo convite a
que o analisando, em uma posição ativa diante de seu processo de cura,
comunique-se e associe livremente.
Introduzindo o conceito de inconsciente, Freud desloca a fala até um outro
lugar, muito além da intenção consciente de comunicar algo: ao falar, o sujeito
comunica muito mais do que aquilo a que inicialmente se propôs. O inconsciente

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busca ser escutado e ter seus desejos satisfeitos, comunicando-se por meio de
complexas formações: sonhos, sintomas, lapsos, chistes, atos-falhos; fenômenos
que apontam para esse “desconhecido” que habita o sujeito. E assim abre-se na
palavra a dimensão do que escapa ao próprio enunciante.
O campo da patologia é o primeiro espaço no qual Freud observa a
existência do inconsciente, ao focar o olhar sobre os sintomas durante seus
trabalhos com as histéricas. Anos depois essa observação amplia-se, abrangendo
também o que é da ordem dos processos psicológicos normais: os sonhos
apontam para a existência universal do inconsciente. Por meio deles Freud
depara-se com a imperiosa necessidade da escuta na prática clínica: são as
associações do paciente que possibilitam o acesso aos significados de seus
sonhos. Distancia-se, assim, a psicanálise de uma idéia de “código universal de
deciframento”, uma vez que no processo de compreensão das produções do
inconsciente a palavra terá que ser dada ao paciente.
Ao tratar da psicopatologia da vida cotidiana, Freud escreve a respeito de
“falhas” que operam no discurso: palavras esquecidas, palavras trocadas, palavras
suprimidas, palavras equivocadas. E o inconsciente mostra-se operante não
apenas no dormir, mas também na vida de vigília. Ao tratar dos chistes, Freud
detém-se em trocadilhos, piadas, aforismos: palavras que sob a égide da comédia
podem ser ditas. E o inconsciente mostra-se operante na vida de vigília, não
somente por meio da falha, mas também como “criador de novidade” (Hornstein,
2003, p. 151). Os textos freudianos dessa primeira década da psicanálise retratam,
em última análise, o domínio permanente do inconsciente sobre a totalidade da
vida consciente.
E assim a associação livre ganha destaque fundamental. De fato, a análise
dos fenômenos psicológicos normais e patológicos só se mostra possível por meio
dela, exigindo do analista, em contrapartida, uma capacidade de escuta que não
reduza os espaços simbólicos que a associação livre viabiliza. Ao paciente cabe
comunicar tudo o que lhe ocorre, sem deixar de revelar algo que lhe pareça
insignificante, vergonhoso ou doloroso, enquanto que ao analista cabe escutar o
paciente sem o privilégio, a priori , de qualquer elemento de seu discurso. Na
efetivação dessa regra fundamental instaura-se a situação analítica, abrindo
possibilidades do desvelamento da palavra.
No seio da associação livre vai se produzindo um deslocamento da
imagem, do fato como fixo, e este vai se incluindo em múltiplas imagens
caleidoscópicas cujas combinações possíveis se multiplicam e onde o ritmo, a
cadência, a intensidade maior de alguns fonemas, a excitação explícita no
gaguejar de uma palavra, o sentido duvidoso de uma frase mal construída, tudo
isso vai dando tonalidades diferentes a estas figuras que não passam
desapercebidas à escuta sutil da atenção flutuante. Ao mesmo tempo, ao ser
escutado pelo analista, o próprio sujeito que fala se escuta (Alonso, 1988, p. 2).
Associando, o paciente fala de um outro – o inconsciente – que lhe é
desconhecido e irrompe em sua fala quando a lógica consciente se rompe. Torna-

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se presente, em algum determinado momento da fala do paciente, a lógica do
inconsciente, do processo primário. A partir de sonhos, atos-falhos, chistes,
esquecimentos, ambigüidades, contradições, essa lógica vai se desvelando e os
conteúdos sendo significados com a ajuda da interpretação.
Nestes primeiros tempos da psicanálise Freud apresenta o aparelho
psíquico dentro de um modelo tópico, composto de três “lugares” – consciente,
pré-consciente e inconsciente –, que se organizam em dois sistemas, com
princípios reguladores e de funcionamento completamente distintos. Esses
construtos teóricos sustentam uma técnica psicanalítica, a qual designa ao
analista o trabalho de tornar consciente o inconsciente. O analista atua como
um decifrador, que com seus recursos técnicos é capaz de traduzir e revelar ao
sujeito seus desejos, fornecendo-lhe sentido desconhecido. A escuta analítica, sob
este preceito técnico de tornar consciente o inconsciente, fica revestida de um
saber e de um poder, ou utilizando a expressão lacaniana, o analista fica em um
lugar de sujeito do suposto saber. Lugar que quando delegado pelo paciente pode,
nos momentos iniciais da análise, auxiliar que palavras sejam enunciadas a esse
outro, visto pelo paciente como possuidor de um saber pleno e absoluto.
Entretanto, na medida em que o processo avança, cabe ao analista a recusa da
ocupação desse lugar. A condução do processo analítico deve possibilitar a
descoberta, por parte do paciente, de que ele é quem sabe de si: um saber que é
patrimônio de um território desconhecido de si mesmo. Para alcançá-lo, além de
ser escutado, o paciente deverá escutarse. É somente ao assumir a posição de
quem não sabe a respeito de quem chega com uma demanda de ajuda que o
analista poderá efetivamente exercitar a escuta analítica.
À medida que avança em suas formulações teóricas, Freud vai construindo,
modificando e reconstruindo concepções técnicas, de forma a garantir a validade
da psicanálise como método terapêutico. Em seus artigos sobre a técnica
psicanalítica podemos acompanhar seus dilemas. Como pensar “regras” para os
procedimentos psicanalíticos sem cair em uma esterilização da técnica? Como
construir um método – caminho a seguir – sem perder de vista a singularidade do
encontro entre paciente e analista? O risco era o de propor regras que passassem a
ser tomadas como verdades absolutas – às quais não caberia nenhum
questionamento –, levando a um distanciamento dos preceitos de autonomia,
liberdade e singularidade da psicanálise. De fato, Freud sempre salienta que o
domínio da técnica é alcançado principalmente pela experiência clínica, a qual
não diz respeito apenas ao atendimento de pacientes, mas também, e
fundamentalmente, à experiência clínica da análise pessoal. O cuidado com a
escuta de si mesmo aparece no texto freudiano como condição sine qua non para a
possibilidade de exercer uma escuta em relação ao outro.

De uma arte interpretativa à escuta da repetição


São as aventuras clínicas, com seus fracassos e sucessos terapêuticos, e as
aventuras da psicanálise aplicada 1que vão conduzindo Freud a importantes

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formulações teóricas. A introdução de conceitos como narcisismo e transferência,
bem como a constatação do fenômeno da repetição são decisivos para evolução a
um novo tempo da técnica psicanalítica. Em Além do princípio do prazer , Freud
analisa essa evolução, salientando que no princípio a psicanálise era, acima de
tudo, uma arte interpretativa. Isto é, o intento do psicanalista reduzia-se em
descobrir, decifrar, reunir e comunicar o material inconsciente do paciente,
combatendo permanentemente as resistências imbuídas a esse processo.
Tornou-se cada vez mais claro que o objetivo que fora estabelecido – que o
inconsciente deve tornar-se consciente – não era completamente atingível através
desse método. O paciente não pode recordar a totalidade do que nele se acha
recalcado, e o que não é possível recordar pode ser exatamente a parte essencial
(1920, p. 31).
A conceitualização da pulsão de morte e da compulsão à repetição como
sua manifestação clínica impuseram uma nova demanda técnica: além de ter
alcance sobre o que não é acessível devido ao recalcamento, é preciso alcançar
também o que é inacessível por ser desligado, não representado. E assim a escuta
psicanalítica transforma-se e amplia-se radicalmente: a tarefa do psicanalista não
mais consiste em recuperar uma história, mas também em possibilitar
simbolizações estruturantes.
Neste sentido, a transferência ganha força como espaço privilegiado do
trabalho analítico. Nela a palavra dirigida ao analista terá que ser remetida às suas
originais determinações, evidenciando o valor de uma história sempre única e
singular. Talvez aí se faça presente com mais clareza o que está além da palavra
escutada no processo analítico: a transferência como ferramenta técnica
fundamental só é possível na medida em que Freud vai valorizando o complexo
encontro que ocorre entre o paciente e o analista. Fora do papel de decifrador, o
analista depara-se com um psiquismo aberto, que produz e reproduz
continuamente efeitos de uma história.
Em Análise terminável e interminável, Freud (1937) aponta o efeito da
escuta no campo analítico: a análise é um processo terminável enquanto se refere
ao uso da capacidade de escuta do analista, mas interminável enquanto se refere à
capacidade adquirida pelo paciente de escutar-se. O processo analítico, a partir da
escuta do psicanalista, envolve a instrumentalização da escuta do paciente em
relação a si mesmo.

O encontro na clínica psicanalítica


Luis Hornstein (2003), psicanalista argentino, ao trabalhar as relações entre
intersubjetividade e clínica psicanalítica ressalta o quão importantes são os
suportes teóricos do analista, uma que vez que são eles que caracterizam e
sustentam a práxis. É desde seus preceitos teóricos que o analista enxerga o
paciente como ser psíquico e sustenta sua escuta diante dele.
A ciência, em um primeiro momento, preconizava a possibilidade de
predizer toda a realidade do mundo, à medida que fossem estabelecidas as leis

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gerais de funcionamento da natureza. Entretanto, a física – ciência da qual Freud
se vale para suas formulações sobre o funcionamento do aparelho psíquico –
passa, desde a época freudiana, por transformações radicais em muitos de seus
construtos, abrindo espaço para o quântico, o relativo, o complexo, o instável, o
criativo. Transformações que levam ao questionamento da visão determinista do
mundo, ao renascimento da noção de imprevisto e à incorporação, pela ciência,
da noção de probabilidade. Transformações que levam à quebra do paradigma do
determinismo, o qual minimiza a criação e a liberdade. Conduzindo tais
transformações e suas implicações ao terreno psicanalítico, é possível
compreender o psiquismo como um sistema aberto , que tem uma organização
determinada, mas que pode modificar-se e adquirir novas propriedades. “Pensar o
sujeito como um sistema aberto à intersubjetividade, não somente no passado,
senão na atualidade, exige refletir sobre as tramas relacionais e seus efeitos
constitutivos da subjetividade” (Hornstein, 2003, p. 97). O que é da ordem da
relação ganha destaque, acima de tudo a partir de seus efeitos sobre o sujeito,
uma vez que esta concepção de psiquismo como sistema aberto pressupõe um
permanente intercâmbio e uma complexa rede de inter-relações entre sujeito e
objeto.
A busca pela historização do indivíduo torna-se imprescindível. Freud
sempre manteve a aspiração de recuperar a verdade histórica a partir da narrativa
do paciente. Hornstein aponta para a possibilidade de articulação dos
acontecimentos históricos significativos com as montagens fantasmáticas que
acompanham suas representações psíquicas. Encontrar relações entre
circunstâncias reais e fantasmáticas e articulá-las com a interpretação que o
sujeito elaborou acerca do vivenciado. Historizar implica considerar que a história
não é uma estrutura invariável, nem um conjunto de acontecimentos
imprevisíveis.
Desde a primeira sessão a história oficial é confrontada com aquela que o
analista ajuda a construir, analisando as formações de compromisso. Os
testemunhos do passado são os sintomas, as transferências, as repetições, as
formações de caráter, os sonhos e também as recordações (2003, p. 102).
Justifica-se, então, a análise dos suportes teóricos que sustentam a práxis
do analista. Considerar o psiquismo como um sistema aberto, considerar que o
psiquismo produz e reproduz continuamente efeitos de uma história, implica
colocar a escuta em um campo intersubjetivo, ou seja, no campo da transferência.
Entretanto, ainda que analista e analisando estejam incluídos no mesmo campo,
não há entre eles uma relação de simetria. É a capacidade de escuta do analista
que garante a assimetria necessária ao processo. Escuta da pulsão, que insiste no
alicerce de cada palavra. Escuta da pulsão evocada em cada palavra. Vivência
pulsional reatualizada, repetida, insistente na busca por satisfação. Escuta que
mantém a transferência, mas não se confunde com ela, não cede à convocatória
constante do paciente.

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O analisando se dirige ao analista como sendo o único destinatário de sua
palavra, o que não é mais que a tentativa que o analisando faz de articular seu
desejo a uma presença concreta. De atribuir ao desejo um objeto para não
reconhecer que o desejo, em sua impossibilidade de satisfazer-se, implica em uma
falta, em uma ausência (Alonso, 1988, p. 3).
Escuta que pressupõe a abstinência do analista, impedindo uma satisfação
substituta do desejo e remetendo o sujeito às origens infantis de seu amor.
Desejos, que ao não serem satisfeitos, abrem a possibilidade de ressignificação.

Análise: interjogo de possibilidades e limites da escuta


A importância da escuta na psicanálise vai se evidenciando na medida em
que percorremos os textos freudianos. As recomendações da técnica, assim como
os desenvolvimentos teóricos, apontam sempre para a preocupação de Freud de
que a psicanálise não perca o que a diferenciava das demais possibilidades
terapêuticas: o valor dado ao autoconhecimento e à liberdade pessoal. O que visa
ser escutado na psicanálise resulta em uma psicanálise da escuta. Os lapsos, os
sonhos, as repetições, os sintomas; enfim, as formas de subjetividade – livres de
uma classificação ou de rótulos – abrem espaços de singularidade.
A teoria psicanalítica não pode ocupar o lugar da história de vida do
paciente. Os fantasmas do analista não podem ensurdecê-lo no encontro com o
paciente. Desta forma, o famoso tripé – formação teórica, atividade de
supervisionar-se e análise pessoal – constitui os recursos na qualificação do
processo de escutar o outro. A própria história da psicanálise, nos relatos clínicos
de Anna O. e Dora, atestam os riscos da “surdez” do analista. Como bem assinala
Hornstein:
É possível pretender que fórmulas simples permitam compreender o
processo analítico? Não, analisar é hipercomplexo: escutar com atenção flutuante,
representar, fantasiar, experimentar afetos, identificar-se, recordar, auto-analisar-
se, conter, assinalar, interpretar e construir (2003, p. 105).
De fato, a preocupação com a formação do analista está presente desde os
tempos iniciais. Quando Jung, a partir de seu trabalho em parceria com Bleuer na
Clínica do Burghölzli, tem a idéia de “tratar os alunos como pacientes”
(Roudinesco e Plon, 1998, p. 17) está lançada a semente para o que depois tornar-
se-ia a exigência da análise didática na formação de futuros analistas. É
fundamental destacar, porém, que em 1925, quando foi instituída na Associação
Psicanalítica Internacional (IPA), a obrigatoriedade da análise pessoal para a
formação psicanalítica visava a socialização entre professor e aluno, e o
afastamento das práticas de idolatria e imitação a Freud. Parece que, todavia, o
intuito inicial distorceu-se, já que:
ao longo dos anos, a IPA se havia transformado num vasto aparelho
atormentado pelo culto da personalidade (...). Reencontrou-se,
assim, na análise didática, o poder da sugestão que Freud havia
banido da prática da Psicanálise. Em conseqüência disso, seus

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herdeiros passaram a correr o risco de se transformar em discípulos
devotos de mestres medíocres, quer por se tomarem por novos
profetas, quer por aceitarem em silêncio a esclerose institucional (p.
18).
Talvez aí tenha se perdido o que deveria ser o ponto maior de identificação
com Freud: a liberdade de pensamento. Percebe-se, assim, que na intenção de
criar regras de qualificação do analista em sua escuta clínica, outros temas foram
se interpondo entre o processo de ser escutado para ser um psicanalista e o
cumprimento das exigências para ter autorização de ser um psicanalista. Mas
criam-se sombras frente aos temas que aludem à questão da análise pessoal, e
que tentam permanecer disfarçadas atrás dela. Sombras que, uma vez existentes,
parecem transformá-la muito mais em uma busca em atender expectativas pré-
estabelecidas e institucionais do que em uma busca em cuidar de si próprio
como condição fundante da própria capacidade analítica.
Alonso (1988) demarca com propriedade que os mesmos fatores que
podem oferecer possibilidades ao analista em relação à sua escuta também
podem limitá-la. Em torno do analista estão seu fantasma, sua história pessoal,
sua teoria e ainda a história e a atualidade do movimento psicanalítico. Escutar-se
de fato em sua análise pessoal permite a instrumentalização do analista e oferece,
conseqüentemente, a possibilidade de utilização de todos estes fatores como
recursos que incrementam sua capacidade de escuta e de verdadeira sustentação
do seu lugar. Em contrapartida, a adesão dogmática e a conversão em um
estereótipo de psicanalista provocam, inevitavelmente, a limitação: o “fantasma
torna-se limite para a escuta nos pontos cegos. A teoria passa a ser limitadora da
escuta quando entra na sessão para ser aplicada ou confirmada” (p. 5).
Assim, o alcance da escuta do analista também está intrinsecamente
vinculado a um processo de historização, a qual implica a apropriação de um
fazer-se psicanalista, a compreensão que este é um processo complexo, contínuo
e interminável. E o reconhecimento que:
a possibilidade de escuta está no próprio desejo do analista, recuperado a cada
momento pelo trânsito das associações que lhe permitem reconhecer seu desejo
pessoal em jogo para poder a ele renunciar, levando-o a não ter a necessidade de
querer assegurar seu lugar – nem pela rigidez do setting , nem pela rigidez do gesto
(p. 4).
Ao propormos percorrer a história da escuta na psicanálise, chegamos à
escuta da psicanálise. Ao lançarmos nosso olhar para a importância dada pelo
analista às palavras de seu analisando, demarcou-se o fundamental papel da
escuta do analista em relação a si próprio, em sua análise pessoal. De fato, a
escuta da psicanálise encontra sua vitalidade na capacidade do analista
reconhecer o valor e a necessidade de ser ele próprio escutado, promovendo em si
uma capacidade que está fora do domínio da rigidez ou da padronização, e que
por isto abre vias de acesso à escuta do outro. Assim, recupera-se no tempo de
cada analista a criatividade e a vitalidade dos novos tempos inaugurados por

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Freud: o reconhecimento do inconsciente e dos recursos de acesso à compreensão
de seus efeitos.
Fonte: MACEDO, Mônica Medeiros Kother; FALCAO, Carolina Neumann de Barros. A
escuta na psicanálise e a psicanálise da escuta. Psychê, São Paulo , v. 9, n. 15, p.
65-76, jun. 2005 . Disponível em
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-
11382005000100006&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 02 abr. 2019.

Matriciamento
Segundo o Guia Prático de Matriciamento em Saúde Mental:
1.1 O QUE é MATRICIAMENTO
Matriciamento ou apoio matricial é um novo modo de produzir saúde em
que duas ou mais equipes, num processo de construção compartilhada, criam
uma proposta de intervenção pedagógico-terapêutica.
No processo de integração da saúde mental à atenção primária na
realidade brasileira, esse novo modelo tem sido o norteador das experiências
implementadas em diversos municípios, ao longo dos últimos anos. Esse apoio
matricial, formulado por Gastão Wagner Campos (1999), tem estruturado em
nosso país um tipo de cuidado colaborativo entre a saúde mental e a atenção
primária.
Tradicionalmente, os sistemas de saúde se organizam de uma forma
vertical (hierárquica), com uma diferença de autoridade entre quem encaminha
um caso e quem o recebe, havendo uma transferência de responsabilidade ao
encaminhar. A comunicação entre os dois ou mais níveis hierárquicos ocorre,
muitas vezes, de forma precária e irregular, geralmente por meio de informes
escritos, como pedidos de parecer e formulários de contrarreferência que não
oferecem uma boa resolubilidade.
A nova proposta integradora visa transformar a lógica tradicional dos
sistemas de saúde: encaminhamentos, referências e contrarreferências,
protocolos e centros de regulação. Os efeitos burocráticos e pouco dinâmicos
dessa lógica tradicional podem vir a ser atenuados por ações horizontais que
integrem os componentes e seus saberes nos diferentes níveis assistenciais.
Na horizontalização decorrente do processo de matriciamento, o sistema
de saúde se reestrutura em dois tipos de equipes:
♦equipe de referência;
♦equipe de apoio matricial.
Na situação específica do Sistema Único de Saúde (SUS) no Brasil, as
equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) funcionam como equipes de
referência interdisciplinares, atuando com uma responsabilidade sanitária que
inclui o cuidado longitudinal, além do atendimento especializado que realizam
concomitantemente. E a equipe de apoio matricial, no caso específico desse guia
prático, é a equipe de saúde mental.

| 23
Segundo Campos e Domitti (2007, p. 400), a relação entre essas duas
equipes constitui um novo arranjo do sistema de saúde:
apoio matricial e equipe de referência são, ao mesmo tempo,
arranjos organizacionais e uma metodologia para gestão do
trabalho em saú- de, objetivando ampliar as possibilidades
de realizar-se clínica amplia- da e integração dialógica entre
distintas especialidades e profissões.
O apoio matricial é distinto do atendimento realizado por um especialista
dentro de uma unidade de atenção primária tradicional. Ele pode ser entendido
com base no que aponta Figueiredo e Campos (2009): “um suporte técnico
especializado que é ofertado a uma equipe interdisciplinar em saúde a fim de
ampliar seu campo de atuação e qualificar suas ações”.
O matriciamento deve proporcionar a retaguarda especializada da assis-
tência, assim como um suporte técnico-pedagógico, um vínculo inter- pessoal e o
apoio institucional no processo de construção coletiva de projetos terapêuticos
junto à população. Assim, também se diferencia da supervisão, pois o matriciador
pode participar ativamente do projeto terapêutico.
Matriciamento não é:
• encaminhamento ao especialista
• atendimento individual pelo profissional de saúde mental
• intervenção psicossocial coletiva realizado apenas pelo
profissional de saúde mental
Fonte: CHIAVERINI, D. H. (org.) et al. Guia Prático de Matriciamento em Saúde
Mental. Brasília - DF: Ministério da Saúde - Centro de Estudo e Pesquisa em Saúde
Coletiva, 2011.

Interconsulta
A interconsulta psicológica é um instrumento utilizado pelo profissional
para compreender e aprimorar a assistência ao paciente no hospital geral. [...]
A presença da atividade de interconsulta é mais forte em hospitais
universitários (Rossi, 2008), e, a partir do maior desenvolvimento e
reconhecimento da psicologia hospitalar, nas últimas décadas, como área de
atuação da psicologia, com um modelo próprio de atuação, adaptado à realidade
institucional hospitalar, os psicólogos inseridos nesse contexto foram cada vez
mais chamados à prestação desse serviço.
Segundo Rossi (2008), a interconsulta psicológica tem como objetivos
auxiliar profissionais de outras áreas no diagnóstico e tratamento de pacientes
com problemas psiquiátricos ou psicossociais (situações emocionais emergentes)
e intermediar a relação entre os envolvidos na situação (equipe de saúde,

| 24
pacientes e familiares), facilitando a comunicação, a cooperação e a elaboração
de conflitos.
Nogueira-Martins (1995) descreve assim os passos da interconsulta
psicológica: 1. coleta de informações com médicos, enfermeiros, paciente,
familiares e outros; 2. elaboração de diagnósticos situacionais; 3. devolução e
assessoramento; e 4. acompanhamento diário da evolução da situação.
Considerando as reais necessidades dos pacientes, incluindo atenção ao
contexto em que estão inseridos e a relação com a equipe que o atende, é
importante que o psicólogo interconsultor possa, inicialmente, realizar uma
análise funcional do ambiente e das demandas impostas por paciente e equipe
(Gorayeb, 2001). A partir de tais avaliações e do entendimento sobre o
funcionamento do paciente, da família e equipe, e sua inter-relação
contextualizada no ambiente hospitalar, as estratégias de intervenção podem ser
traçadas e colocadas em prática.
Diferentes motivos podem ser determinantes da solicitação de uma
interconsulta psicológica por médicos e outros membros da equipe. Alguns dos
mais frequentemente encontrados em estudos realizados no Brasil (Botega, 2002;
Smaira, Kerr-Corrêa & Contel, 2003) são: colaboração para o diagnóstico
diferencial de patologias orgânicas e psicológicas, persistência de comportamento
queixoso do paciente, comportamento de paciente que altera o funcionamento da
enfermaria, sensibilização da equipe pelas atitudes do paciente, dificuldade da
equipe em lidar com sentimentos e reações decorrentes do adoecer, risco e/ou
tentativa de suicídio, pacientes com transtornos psiquiátricos e desajustes na
relação médico-paciente.
Dessa forma, ao se constituir como uma modalidade de intervenção que
permite considerar a demanda institucional que inclui a subjetividade nas
relações da equipe e a assistência psicológica aos pacientes e seus familiares, a
interconsulta psicológica é uma das formas mais visíveis da aplicação do conceito
de interdisciplinaridade. A interdisciplinaridade pode ser considerada como uma
troca intensa de saberes profissionais em diversos campos, exercendo, dentro de
um mesmo cenário, uma ação de reciprocidade, mutualidade, que pressupõe uma
atitude diferenciada diante de um determinado caso (Oliveira et al., 2011).
Fonte: GAZOTTI, Thaís de Castro; PREBIANCHI, Helena Bazanelli. Caracterização
da interconsulta psicológica em um hospital geral.Psicol. teor. prat., São Paulo
, v. 16, n. 1, p. 18-30, abr. 2014 . Disponível em
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-
36872014000100002&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 05 out. 2019.

Projeto Terapêutico Singular


Se liga ai!
O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é um recurso de clínica ampliada e da
humanização em saúde. Segundo Carvalho e Cunha (2006), o uso do termo

| 25
“singular” em substituição a “individual”, outrora mais utilizado, baseia-se na
premissa de que nas práticas de saúde coletiva – e em especial na atenção
primária – é fundamental levar em consideração não só o indivíduo, mas todo o
seu contexto social.
Os projetos podem ser familiares, coletivos e até territoriais, o que restringe
o uso da palavra “individual”. E ainda que o centro de um projeto terapêutico
singular seja, de fato, um indivíduo apenas, olhar para os cuidados de alguém –
em especial na saúde mental – exige um foco abrangente que incluiu o seu
entorno familiar e territorial. Essa concepção é extremamente importante para um
matriciador quando ele aborda algum caso com a equipe de referência.
Durante a coleta dessas informações e no diálogo com a Equipe de Saúde
da Família (ESF), é muito importante não fazer julgamentos bruscos, cuidando
sempre para reforçar atitudes positivas, especialmente aquelas que denotem
autonomia com responsabilidade e clareza técnica. Além disso, em toda discussão
devemos buscar uma formulação diagnóstica, lembrando que na saúde mental os
diagnósticos são frequentemente temporários e que, mais importante do que
acertar o código diagnóstico, é compreender a situação em suas várias facetas.
O uso de diagnósticos sindrômicos amplos é perfeitamente aceitável no
campo da ESF. No entanto, vale destacar os itens que devemos ter em mente ao
formular um diagnóstico ampliado multiaxial. Não falamos aqui dos critérios do
manual diagnóstico americano, o DSM-IV, mas sim de uma adaptação para a
Atenção primária à Saúde (APS). Não estamos, em absoluto, restringindo-nos ao
diagnóstico psiquiátrico, mas abrindo uma agenda interdisciplinar.
Formulação diagnóstica multiaxial
• Sintomas mentais e transtornos mentais
• Estilo de personalidade e transtornos de personalidade e do desenvolvimento
• Problemas de saúde em geral
• Avaliação de incapacidade
• Problemas sociais
Fonte: CHIAVERINI, D. H. (org.) et al. Guia Prático de Matriciamento em Saúde
Mental. Brasília - DF: Ministério da Saúde - Centro de Estudo e Pesquisa em Saúde
Coletiva, 2011.

2. Intervenção psicológica em níveis de atenção primária,


secundária e terciária em saúde: competências e
responsabilidades.
Excelente tópico! Primeiro vou explicar alguns pontos que sempre
confundem aquele candidato que está há mais tempo nessa área e que ainda
mantém alguns vícios. Ação básica de saúde é a mesma coisa que níveis de

| 26
atenção à saúde e níveis de prevenção à saúde. O Ministério da Saúde passou a
adotar a terminologia de nível básico, de média complexidade e de alta
complexidade no início da década de 1990 em função da precisão dos termos
utilizados.
Podemos fazer, então, a seguinte associação:

Nível de atenção à saúde Ação


Prevenção primária Promoção e Prevenção
Prevenção secundária Diagnóstico e Tratamento
Prevenção terciária Reabilitação

É fundamental que comecemos pelos níveis de assistência à saúde do


ponto de vista do Sistema Único de Saúde – SUS. No SUS, o cuidado com a saúde
está ordenado em níveis de atenção, que são a básica, a de média complexidade e
a de alta complexidade. Essa estruturação visa a melhor programação e
planejamento das ações e serviços do sistema. Não se deve, porém, considerar um
desses níveis de atenção mais relevante que outro, porque a atenção à Saúde deve
ser integral.
A atenção básica é o ponto de contato preferencial dos usuários com o
SUS e seu primeiro contato, realizado pelas especialidades básicas da Saúde, que
são: clínica médica, pediatria, obstetrícia, ginecologia, inclusive as emergências
referentes a essas áreas. Cabe também à atenção básica proceder aos
encaminhamentos dos usuários para os atendimentos de média e alta
complexidade. Uma atenção básica bem organizada garante resolução de cerca
de 80% das necessidades e problemas de saúde da população de um município e
consolida os pressupostos do SUS: eqüidade, universalidade e integralidade. A
estratégia adotada pelo Ministério da Saúde, como prioritária para a organização
da atenção básica é a estratégia Saúde da Família, que estabelece vínculo sólido
de corresponsabilização com a comunidade adscrita. A responsabilidade pela
oferta de serviços de atenção básica à saúde é da gestão municipal, sendo o
financiamento para as ações básicas à saúde de responsabilidade das três esferas
de governo.
A média complexidade compõem-se por ações e serviços que visam
atender aos principais problemas de saúde e agravos da população cuja prática
clínica demande disponibilidade de profissionais especializados e o uso de
recursos tecnológicos de apoio e diagnóstico terapêutico. A alta complexidade,
por sua vez, é um conjunto de procedimentos que, no contexto do SUS, envolve
alta tecnologia e alto custo, objetivando propiciar à população acesso a serviços
qualificados, integrando-os aos demais níveis de atenção à saúde (atenção básica
e de média complexidade).
Vejamos onde cada uma dessas ações se organiza originalmente.
Atenção básica à Saúde Média Complexidade Alta complexidade
Programa de Saúde da Família Ambulatórios Hospitais

| 27
e Unidade Básica de Saúde
(postos de saúde).
Atenção: O que está descrito na tabela retrata o local de atuação preferencial dos
tipos de atenção à saúde. Perceba que um posto de saúde pode ter ações de
reabilitação e de ação sobre a patologia em si, assim como os níveis de média e
alta complexidade podem trabalhar com prevenção a agravos ou à instalação de
doenças (apesar deste não ser seu fim precípuo).

Promoção, Prevenção e Reabilitação.


A prevenção é definida como uma ação antecipada, baseada no
conhecimento da história natural a fim de tornar improvável o progresso posterior
da doença. A prevenção apresenta-se em três fases. A prevenção primária é a
realizada no período de pré-patogênese. O conceito de promoção da saúde
aparece como um dos níveis da prevenção primária, definido como “medidas
destinadas a desenvolver uma saúde ótima”. Um segundo nível da prevenção
primária seria a proteção específica “contra agentes patológicos ou pelo
estabelecimento de barreiras contra os agentes do meio ambiente”. A fase da
prevenção secundária também se apresenta em dois níveis: o primeiro,
diagnóstico e tratamento precoce e o segundo, limitação da invalidez. Por fim, a
prevenção terciária que diz respeito a ações de reabilitação.

Esquematicamente, podemos definir:


Promoção Prevenção Reabilitação
Educação em saúde, bons No campo da As ações de recuperação
padrões de alimentação e proteção à saúde, à saúde envolvem o
nutrição, adoção de estilos são exemplos de diagnóstico e o tratamento
de vida saudáveis, uso ações: vigilância de doenças, acidentes e
adequado e epidemiológica, danos de toda natureza, a
desenvolvimento de vacinações, limitação da invalidez e a
aptidões e capacidades, saneamento básico, reabilitação. Essas ações são
aconselhamentos vigilância sanitária, exercidas pelos serviços
específicos, como os de exames médicos e públicos de saúde

| 28
cunho genético e sexual. odontológicos (ambulatoriais e
Por meio dessas ações, são periódicos, entre hospitalares
estimuladas as práticas da outros A reabilitação à saúde
ginástica e outros exercícios consiste na recuperação
físicos, os hábitos de parcial ou total das
higiene pessoal, domiciliar e capacidades no processo de
ambiental e, em doença e na reintegração do
contrapartida, indivíduo ao seu ambiente
desestimulados o social e à sua atividade
sedentarismo, o tabagismo, profissional. Com essa
o alcoolismo, o consumo de finalidade, são utilizados
drogas, a promiscuidade não só os serviços
sexual. hospitalares, como os
comunitários, visando à
reeducação e ao
treinamento, ao reemprego
do reabilitado ou à sua
colocação seletiva, através
de programas específicos
junto às indústrias e ao
comércio, para a absorção
dessa mão de obra
Campanhas educativas no Identificação de Recuperação, readaptação e
trabalho problemas no reabilitação
trabalho

Prevenção primária (universal, seletiva e


indicada)
Ainda dentro desse campo, precisamos definir os três tipos de prevenção
primária: universal, seletiva e indicada.
Sobre isso:
Nesse sentido, a prevenção e a promoção da saúde, em particular da saúde
mental, devem contemplar a avaliação da presença de fatores
protetores/indicadores positivos para além dos indicadores de risco e de doença
(Jessor, Turbin & Costa, 1998; Iglesias, 2002; Substance Abuse and Mental Health
Services Administration [SAMHSA], 2002; Keyes, 2006; World Health Organization
[WHO], 2004).
No que se refere à prevenção do consumo de substâncias psicoativas, o
Institute of Medicine (IOM), com base nos modelos compreensivos e de influência
social, preconiza que a intervenção preventiva deve ser operacionalizada através
da avaliação dos fatores de risco associados dos indivíduos, tendo proposto um

| 29
modelo operacional para o desenho das intervenções que contempla os níveis:
universal, seletiva e indicada (IOM, 1994, 2009).
A Prevenção Universal é dirigida à população geral sem prévia análise do
grau de risco individual. Toda a população é considerada como tendo o mesmo
nível de risco em relação ao abuso de substâncias e como podendo beneficiar dos
programas de prevenção. Os programas de prevenção universal variam no tipo,
estrutura e duração. Os seus componentes contemplam a informação e o
desenvolvimento de competências entre outros.
A Prevenção Seletiva é dirigida a subgrupos ou segmentos da população
geral com características específicas identificadas como de risco para o consumo
de substâncias psicoativas. O risco é avaliado em função dos fatores que o grupo
apresenta em relação ao abuso de substâncias, não sendo avaliado o grau de risco
individual. Os programas de prevenção seletiva são de média ou longa duração,
variam no tipo e estrutura e os componentes contemplam a informação e o
desenvolvimento de competências, entre outros.
A Prevenção Indicada dirige-se a indivíduos com comportamentos de
risco, que exibem sinais de uso de substâncias psicoativas ou que apresentam
outros comportamentos de risco ou problemáticos de dimensão subclínica. É
avaliado o nível de risco individual. Os programas de prevenção indicada são de
longa duração, variam no tipo e estrutura e os componentes contemplam tal
como nos níveis anteriores a informação e o desenvolvimento de competências,
entre outros (IOM, 1994, 2009).
Prevenção Ambiental
Mais recentemente tem sido desenvolvida outra abordagem em prevenção,
designada Prevenção Ambiental, que visa a alteração das normas sociais, através
de estratégias globais que intervêm ao nível da sociedade e dos sistemas sociais.
Estas estratégias preconizam a transformação dos ambientes culturais, sociais,
físicos e económicos, que interferem com as escolhas individuais do uso de
substâncias psicoativas. Neste âmbito, inserem-se medidas legislativas nacionais
e internacionais relativas ao consumo e venda de substâncias psicoativas ilícitas e
lícitas, como por exemplo, a taxação fiscal de produtos como o álcool e o tabaco, a
exposição a mensagens publicitárias, o controlo da idade de venda dos mesmos
ou ainda medidas em contextos particulares, como o meio escolar, que
regulamentam o seu uso para toda a comunidade escolar (alunos, professores,
profissionais e responsáveis pelos alunos) (EMCDDA, 2011).
Fonte: Prevenção. Serviço Nacional de Saúde de Portugal. Disponível em:
http://www.sicad.pt/PT/Intervencao/PrevencaoMais/SitePages/Home%20Page.as
px

Ainda sobre isso:


O que é? Onde se aplica?
Intervenção universal – são Intervenção universal – na comunidade,
programas destinados à população em ambiente escolar e nos meios de

| 30
geral, supostamente sem qualquer comunicação.
fator associado ao risco.
Intervenção seletiva – são ações Intervenção seletiva – por exemplo, em
voltadas para populações com um ou grupos de crianças, filhos de dependentes
mais fatores associados ao risco de químicos.
uso de substâncias.
Intervenção indicada – são Intervenção indicada – em programas que
intervenções voltadas para pessoas visem diminuir o consumo de álcool e
identificadas como usuárias ou com outras drogas, mas também a melhora de
comportamentos de risco aspectos da vida do indivíduo como, por
relacionados direta ou indiretamente exemplo, desempenho acadêmico e
ao uso de substâncias, como por reinserção social.
exemplo, alguns acidentes de trânsito.

Para finalizarmos....
Sigerist (1946) definiu quatro tarefas como essenciais a medicina:
promoção da saúde, a prevenção das doenças, a recuperação e a reabilitação. É
necessário esclarecer as diferenças entre promoção e prevenção. As bases
conceituais do movimento da medicina preventiva foram sistematizada no livro de
Leavel e Clark “Medicina Preventiva” (1976, com primeira edição em 1958). Os
principais fundamentos são:
a) A “tríade ecológica” que delineia o modelo de causalidade das doenças
a partir das relações entre agente, hospedeiro e meio-ambiente.
b) O conceito de história natural das doenças “todas as interrelações do
agente, do hospedeiro e do meio ambiente que afetam o processo global e seu
desenvolvimento, desde as primeiras forças que criam o estímulo patológico no
meio ambiente ou em qualquer outro lugar (pré-patogênese), passando pela
resposta do homem ao estímulo, até às alterações que levam a um defeito,
invalidez, recuperação ou morte (patogênese)” (Leavel e Clark 1976:15). - O
conceito de prevenção definido como “ação antecipada, baseada no
conhecimento da história natural a fim de tornar improvável o progresso posterior
da doença” (Leavel e Clark, 1976:17). A prevenção contaria com três etapas:
primária secundária e terciária A prevenção primária é a efetivada no período de
pré-patogênese. O conceito de promoção da saúdem nesse contexto,consistiria em
um dos níveis da prevenção primária, definido como “medidas destinadas a
desenvolver uma saúde ótima” . Uma segunda dimensão da prevenção primária
seria a proteção específica “contra agentes patológicos ou pelo estabelecimento
de barreiras contra os agentes do meio ambiente”. A etapa da prevenção
secundária também se apresenta em dois níveis: o primeiro, diagnóstico e
tratamento precoce e o segundo, limitação da invalidez. Por fim, a prevenção
terciária que diz respeito a ações de reabilitação (,Leavel e Clark 1976).

| 31
Como se pode notar, propostas de promoção da saúde em Leavell& Clark
privilegiavam ações educativas normativas voltadas para indivíduos, famílias e
grupos (Buss, 2003). O ideário da medicina preventiva acabou por reduzir os
aspectos sociais do processo saúde e doença, criando modelos a-históricos de
explicação do adoecimento humano (Arouca, 1975). Assim, as ações de promoção
da saúde, apresentadas como componente da prevenção primária, estão bem
aquém da incisiva compreensão da relação entre saúde e sociedade propagada
nos estudos de medicina social no século XIX.
Em 1974, surgiu no Canadá o movimento pela promoção da saúde,
divulgado através do documento O movimento de promoção da saúde surgiu no
Canadá, em 1974 “A new perspective on the health of Canadians”, também
chamado de como Informe Lalonde. A realização deste estudo teve como base a
verificação dos os custos crescentes da assistência a saúde e o questionamento do
modelo medico-centrado no manejo das doenças crônicas, visto que as práticas
em saúde usando esta perspectiva demonstravam resultados apresentados pouco
significativos (Buss, 2003). O Informe Lalonde deixava claro que o ambiente, o
estilo de vida e não apenas os aspectos biológicos estavam envolvidos na gênese
na morbidade e mortalidade no Canadá. A divulgação desse documento
possibilitou a realização da I Conferencia Internacional sobre Cuidados Primários
de Saúde, em 1978, em Alma-Ata que teve ampla influência em quase todos os
sistemas de saúde ao redor do mundo (Buss, 2003). Em 1986, aconteceu a I
Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde, que deu origem a Carta de
Ottawa. De acordo com este documento, “promoção da saúde e o nome dado ao
processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria de sua qualidade
de vida e saúde, incluindo uma maior participação no controle deste processo.
Para atingir um estado de completo bem-estar físico, mental e social (...) Nesse
sentido, a saúde e um conceito positivo, que enfatiza os recursos sociais e
pessoais, bem como as capacidades físicas. Assim, a promoção da saúde não e
responsabilidade exclusiva do setor saúde vai para além de um estilo de vida
saudável, na direção de um bem-estar global” (Carta de Ottawa, 1986, p.1).
Desde esta publicação, o conceito de promoção em saúde veio se
modificando e atualmente relaciona-se a valores tais como vida, saúde,
solidariedade, equidade, democracia, cidadania, desenvolvimento, participação e
parceria. Além disso, está associado também a ideia de “responsabilização
múltipla”, pois abrange ações do Estado (políticas publicas saudáveis), das
pessoas (desenvolvimento de habilidades pessoais), do sistema de saúde
(reorientação do sistema de saúde) e de parcerias intersetoriais (Buss, 2003). As
ações preventivas pro outro lado, dizem respeito a intervenções feitas no sentido
de evitar doenças específicas, com objetivo de reduzir sua incidência e prevalência
na população. Para tanto, fundamentam-se no conhecimento epidemiológico
sobre as doenças e outros agravos específicos (Czeresnia, 2003). A prevenção
compreende então, as ações de detecção, controle e enfraquecimento dos fatores

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de risco de enfermidades, tendo como foco as doenças e os mecanismos para
tratá-las. (BUSS, 2003).
A recuperação e a reabilitação, por sua vez, não são medidas
antecipatórias aos agravos e doenças. Assim, são processos que ocorrem após a
ocorrência destes. A Reabilitação é um processo de no qual há implantação de fins
terapêuticos específicos. Estes fins podem ser os mais diversos e desta forma, esta
não é uma área de que seja exclusiva de qualquer profissional, e sim uma proposta
de atuação multiprofissional voltada para a recuperação e o bem-estar bio-psico-
social do indivíduo. A reabilitação ocorre para que a recuperação do indivíduo se
materialize, ou seja, a recuperação pode ocorrer a partir das atividades
executadas no processo de reabilitação. Tem por objetivo restaurar movimentos e
funções comprometidas depois de uma doença, agravo ou acidente, para que o
indivíduo se torne mais funcional.
Na reabilitação psicossocial, a equipe de saúde mental deve ter me mente
que há três aspectos básicos a serem considerados nesse processos: casa,
trabalho e lazer. Nesta perspectiva, a reabilitação consiste em um conjunto de
estratégias que propiciam o resgate da singularidade, da subjetividade e do
respeito à pessoa com sofrimento psíquico, proporcionando lhe qualidade de vida
mais elevada. Cabe à equipe de saúde mental compreender o indivíduo de
maneira integral. Para isso, é necessário construir um novo paradigma de
saúde/doença mental que busque o desenvolvimento de uma relação saudável.
Finalmente, pode-se afirmar que os quatro processos (promoção, prevenção,
reabilitação e recuperação) tem um fim comum: o estabelecimento da saúde em
todas as suas dimensões.
Fonte: Ministério da Saúde. Curso de Aperfeiçoamento em Implementação da
Política Nacional de Promoção da Saúde: Programa Academia da Saúde. Brasília –
DF. 2015.

3. Política Nacional de Atenção Básica.


Portaria nº 2.436, de 21 de setembro de 2017
Aprova a Política Nacional de Atenção Básica

Art. 1º Esta Portaria aprova a Política Nacional de Atenção Básica - PNAB, com
vistas à revisão da regulamentação de implantação e operacionalização vigentes,
no âmbito do Sistema Único de Saúde - SUS, estabelecendo-se as diretrizes para a
organização do componente Atenção Básica, na Rede de Atenção à Saúde – RAS.
Parágrafo único. A Política Nacional de Atenção Básica considera os termos
Atenção Básica - AB e Atenção Primária à Saúde - APS, nas atuais concepções,
como termos equivalentes, de forma a associar a ambas os princípios e as
diretrizes definidas neste documento.
Art. 2º A Atenção Básica é o conjunto de ações de saúde individuais, familiares
e coletivas que envolvem promoção, prevenção, proteção, diagnóstico,

| 33
tratamento, reabilitação, redução de danos, cuidados paliativos e vigilância
em saúde, desenvolvida por meio de práticas de cuidado integrado e gestão
qualificada, realizada com equipe multiprofissional e dirigida à população em
território definido, sobre as quais as equipes assumem responsabilidade
sanitária.
§1º A Atenção Básica será a principal porta de entrada e centro de
comunicação da RAS, coordenadora do cuidado e ordenadora das ações e
serviços disponibilizados na rede.
§ 2º A Atenção Básica será ofertada integralmente e gratuitamente a todas
as pessoas, de acordo com suas necessidades e demandas do território,
considerando os determinantes e condicionantes de saúde.
§ 3º É proibida qualquer exclusão baseada em idade, gênero, raça/cor,
etnia, crença, nacionalidade, orientação sexual, identidade de gênero,
estado de saúde, condição socioeconômica, escolaridade, limitação física,
intelectual, funcional e outras.
§ 4º Para o cumprimento do previsto no § 3º, serão adotadas estratégias
que permitam minimizar desigualdades/iniquidades, de modo a evitar
exclusão social de grupos que possam vir a sofrer estigmatização ou
discriminação, de maneira que impacte na autonomia e na situação de
saúde.

Art. 3º São Princípios e Diretrizes do SUS e da RAS a serem operacionalizados na


Atenção Básica:
I – Princípios:

a) Universalidade;

b) Equidade; e

c) Integralidade.

II – Diretrizes:

a) Regionalização e Hierarquização:
b) Territorialização;

c) População Adscrita;
d) Cuidado centrado na pessoa;

e) Resolutividade;

f) Longitudinalidade do cuidado;

g) Coordenação do cuidado;

h) Ordenação da rede; e
i) Participação da comunidade.

Art. 4º A PNAB tem na Saúde da Família sua estratégia prioritária para expansão e
consolidação da Atenção Básica.
Parágrafo único. Serão reconhecidas outras estratégias de Atenção Básica, desde
que observados os princípios e diretrizes previstos nesta portaria e tenham caráter

| 34
transitório, devendo ser estimulada sua conversão em Estratégia Saúde da
Família.
Art. 5º A integração entre a Vigilância em Saúde e Atenção Básica é condição
essencial para o alcance de resultados que atendam às necessidades de saúde da
população, na ótica da integralidade da atenção à saúde e visa estabelecer
processos de trabalho que considerem os determinantes, os riscos e danos à
saúde, na perspectiva da intra e intersetorialidade.
Art. 6º Todos os estabelecimentos de saúde que prestem ações e serviços de
Atenção Básica, no âmbito do SUS, de acordo com esta portaria serão
denominados Unidade Básica de Saúde – UBS.
Parágrafo único. Todas as UBS são consideradas potenciais espaços de
educação, formação de recursos humanos, pesquisa, ensino em serviço, inovação
e avaliação tecnológica para a RAS.

CAPÍTULO I
DAS RESPONSABILIDADES
Art. 7º São responsabilidades comuns a todas as esferas de governo:
I - contribuir para a reorientação do modelo de atenção e de gestão com
base nos princípios e nas diretrizes contidas nesta portaria;
II - apoiar e estimular a adoção da Estratégia Saúde da Família - ESF como
estratégia prioritária de expansão, consolidação e qualificação da Atenção
Básica;
III - garantir a infraestrutura adequada e com boas condições para o
funcionamento das UBS, garantindo espaço, mobiliário e equipamentos,
além de acessibilidade de pessoas com de ciência, de acordo com as
normas vigentes;
IV - contribuir com o financiamento tripartite para fortalecimento da
Atenção Básica;
V - assegurar ao usuário o acesso universal, equânime e ordenado às ações
e serviços de saúde do SUS, além de outras atribuições que venham a ser
pactuadas pelas Comissões Intergestores;
VI - estabelecer, nos respectivos Planos Municipais, Estaduais e Nacional de
Saúde, prioridades, estratégias e metas para a organização da Atenção
Básica;
VII - desenvolver mecanismos técnicos e estratégias organizacionais de
qualificação da força de trabalho para gestão e atenção à saúde, estimular
e viabilizar a formação, educação permanente e continuada dos
profissionais, garantir direitos trabalhistas e previdenciários, qualificar os
vínculos de trabalho e implantar carreiras que associem desenvolvimento
do trabalhador com qualificação dos serviços ofertados às pessoas;
VIII - garantir provimento e estratégias de fixação de profissionais de saúde
para a Atenção Básica com vistas a promover ofertas de cuidado e o

| 35
vínculo;
IX - desenvolver, disponibilizar e implantar os Sistemas de Informação da
Atenção Básica vigentes, garantindo mecanismos que assegurem o uso
qualificado dessas ferramentas nas UBS, de acordo com suas
responsabilidades;
X - garantir, de forma tripartite, dispositivos para transporte em saúde,
compreendendo as equipes, pessoas para realização de procedimentos ele
vos, exames, dentre outros, buscando assegurar a resolutividade e a
integralidade do cuidado na RAS, conforme necessidade do território e
planejamento de saúde;
XI - planejar, apoiar, monitorar e avaliar as ações da Atenção Básica nos
territórios;
XII - estabelecer mecanismos de autoavaliação, controle, regulação e
acompanhamento sistemático dos resultados alcançados pelas ações da
Atenção Básica, como parte do processo de planejamento e programação;
XIII - divulgar as informações e os resultados alcançados pelas equipes que
atuam na Atenção Básica, estimulando a utilização dos dados para o
planejamento das ações;
XIV - promover o intercâmbio de experiências entre gestores e entre
trabalhadores, por meio de cooperação horizontal, e estimular o
desenvolvimento de estudos e pesquisas que busquem o aperfeiçoamento
e a disseminação de tecnologias e conhecimentos voltados à Atenção
Básica;
XV - estimular a participação popular e o controle social;
XVI - garantir espaços físicos e ambientes adequados para a formação de
estudantes e trabalhadores de saúde, para a formação em serviço e para a
educação permanente e continuada nas Unidades Básicas de Saúde;
XVII - desenvolver as ações de assistência farmacêutica e do uso racional
de medicamentos, garantindo a disponibilidade e acesso a medicamentos
e insumos em conformidade com a RENAME, os protocolos clínicos e
diretrizes terapêuticas, e com a relação específica complementar estadual,
municipal, da união, ou do distrito federal de medicamentos nos pontos de
atenção, visando a integralidade do cuidado;
XVIII - adotar estratégias para garantir um amplo escopo de ações e
serviços a serem ofertados na Atenção Básica, compatíveis com as
necessidades de saúde de cada localidade;
XIX - estabelecer mecanismos regulares de auto avaliação para as equipes
que atuam na Atenção Básica, a m de fomentar as práticas de
monitoramento, avaliação e planejamento em saúde; e
XX - articulação com o subsistema Indígena nas ações de Educação
Permanente e gestão da rede assistencial.

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Art. 8º Compete ao Ministério da Saúde a gestão das ações de Atenção Básica no
âmbito da União, sendo responsabilidades da União:
I - definir e rever periodicamente, de forma pactuada, na Comissão
Intergestores Tripartite (CIT), as diretrizes da Política Nacional de Atenção
Básica;
II - garantir fontes de recursos federais para compor o financiamento da
Atenção Básica;
III - destinar recurso federal para compor o financiamento tripartite da
Atenção Básica, de modo mensal, regular e automático, prevendo, entre
outras formas, o repasse fundo a fundo para custeio e investimento das
ações e serviços;
IV - prestar apoio integrado aos gestores dos Estados, do Distrito Federal e
dos municípios no processo de qualificação e de consolidação da Atenção
Básica;
V - definir, de forma tripartite, estratégias de articulação junto às gestões
estaduais e municipais do SUS, com vistas à institucionalização da
avaliação e qualificação da Atenção Básica;
VI - estabelecer, de forma tripartite, diretrizes nacionais e disponibilizar
instrumentos técnicos e pedagógicos que facilitem o processo de gestão,
formação e educação permanente dos gestores e profissionais da Atenção
Básica;
VII - articular com o Ministério da Educação estratégias de indução às
mudanças curriculares nos cursos de graduação e pós-graduação na área
da saúde, visando à formação de profissionais e gestores com perfil
adequado à Atenção Básica; e
VIII - apoiar a articulação de instituições, em parceria com as Secretarias
de Saúde Municipais, Estaduais e do Distrito Federal, para formação e
garantia de educação permanente e continuada para os profissionais de
saúde da Atenção Básica, de acordo com as necessidades locais.

Art. 9º Compete às Secretarias Estaduais de Saúde e ao Distrito Federal a


coordenação do componente estadual e distrital da Atenção Básica, no âmbito de
seus limites territoriais e de acordo com as políticas, diretrizes e prioridades
estabelecidas, sendo responsabilidades dos Estados e do Distrito Federal:
I - pactuar, na Comissão Intergestores Bipar te (CIB) e Colegiado de Gestão
no Distrito Federal, estratégias, diretrizes e normas para a implantação e
implementação da Política Nacional de Atenção Básica vigente nos Estados
e Distrito Federal;
II - destinar recursos estaduais para compor o financiamento tripartite da
Atenção Básica, de modo regular e automático, prevendo, entre outras
formas, o repasse fundo a fundo para custeio e investimento das ações e
serviços;
III - ser corresponsável pelo monitoramento das ações de Atenção Básica

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nos municípios;
IV - analisar os dados de interesse estadual gerados pelos sistemas de
informação, utilizá-los no planejamento e divulgar os resultados obtidos;
V - verificar a qualidade e a consistência de arquivos dos sistemas de
informação enviados pelos municípios, de acordo com prazos e fluxos
estabelecidos para cada sistema, retornando informações aos gestores
municipais;
VI - divulgar periodicamente os relatórios de indicadores da Atenção
Básica, com intuito de assegurar o direito fundamental de acesso à
informação;
VII - prestar apoio institucional aos municípios no processo de
implantação, acompanhamento e qualificação da Atenção Básica e de
ampliação e consolidação da Estratégia Saúde da Família;
VIII - definir estratégias de articulação com as gestões municipais, com
vistas à institucionalização do monitoramento e avaliação da Atenção
Básica;
IX - disponibilizar aos municípios instrumentos técnicos e pedagógicos que
facilitem o processo de formação e educação permanente dos membros
das equipes de gestão e de atenção;
X - articular instituições de ensino e serviço, em parceria com as Secretarias
Municipais de Saúde, para formação e garantia de educação permanente
aos profissionais de saúde das equipes que atuam na Atenção Básica; e
XI - fortalecer a Estratégia Saúde da Família na rede de serviços como a
estratégia prioritária de organização da Atenção Básica.

Art. 10 Compete às Secretarias Municipais de Saúde a coordenação do


componente municipal da Atenção Básica, no âmbito de seus limites territoriais,
de acordo com a política, diretrizes e prioridades estabelecidas, sendo
responsabilidades dos Municípios e do Distrito Federal:
I - organizar, executar e gerenciar os serviços e ações de Atenção Básica, de
forma universal, dentro do seu território, incluindo as unidades próprias e
as cedidas pelo estado e pela União;
II - programar as ações da Atenção Básica a partir de sua base territorial de
acordo com as necessidades de saúde identificadas em sua população,
utilizando instrumento de programação nacional vigente;
III - organizar o fluxo de pessoas, inserindo-as em linhas de cuidado,
instituindo e garantindo os fluxos definidos na Rede de Atenção à Saúde
entre os diversos pontos de atenção de diferentes configurações
tecnológicas, integrados por serviços de apoio logístico, técnico e de
gestão, para garantir a integralidade do cuidado.
IV - estabelecer e adotar mecanismos de encaminhamento responsável
pelas equipes que atuam na Atenção Básica de acordo com as
necessidades de saúde das pessoas, mantendo a vinculação e coordenação

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do cuidado;
V - manter atualizado mensalmente o cadastro de equipes, profissionais,
carga horária, serviços disponibilizados, equipamentos e outros no Sistema
de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde vigente, conforme
regulamentação específica;
VI - organizar os serviços para permitir que a Atenção Básica atue como a
porta de entrada preferencial e ordenadora da RAS;
VII - fomentar a mobilização das equipes e garantir espaços para a
participação da comunidade no exercício do controle social;
VIII - destinar recursos municipais para compor o financiamento tripartite
da Atenção Básica;
IX - ser corresponsável, junto ao Ministério da Saúde, e
Secretaria Estadual de Saúde pelo monitoramento da utilização dos
recursos da Atenção Básica transferidos aos município;
X - inserir a Estratégia de Saúde da Família em sua rede de serviços como a
estratégia prioritária de organização da Atenção Básica;
XI - prestar apoio institucional às equipes e serviços no processo de
implantação, acompanhamento, e qualificação da Atenção Básica e de
ampliação e consolidação da Estratégia Saúde da Família;
XII - definir estratégias de institucionalização da avaliação da Atenção
Básica;
XIII - desenvolver ações, articular instituições e promover acesso aos
trabalhadores, para formação e garantia de educação permanente
continuada aos profissionais de saúde de todas as equipes que atuam na
Atenção Básica implantadas;
XIV - selecionar, contratar e remunerar os profissionais que compõem as
equipes multiprofissionais de Atenção Básica, em conformidade com a
legislação vigente;
XV - garantir recursos materiais, equipamentos e insumos suficientes para
o funcionamento das UBS e equipes, para a execução do conjunto de ações
propostas;
XVI - garantir acesso ao apoio diagnóstico e laboratorial necessário ao
cuidado resolutivo da população;
XVII - alimentar, analisar e verificar a qualidade e a consistência dos dados
inseridos nos sistemas nacionais de informação a serem enviados às outras
esferas de gestão, utilizá-los no planejamento das ações e divulgar os
resultados obtidos, a m de assegurar o direito fundamental de acesso à
informação;
XVIII - organizar o fluxo de pessoas, visando à garantia das referências a
serviços e ações de saúde fora do âmbito da Atenção Básica e de acordo
com as necessidades de saúde das mesmas; e
IX - assegurar o cumprimento da carga horária integral de todos os
profissionais que compõem as equipes que atuam na Atenção Básica, de

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acordo com as jornadas de trabalho especificadas no Sistema de Cadastro
Nacional de Estabelecimentos de Saúde vigente e a modalidade de
atenção.

Art. 11 A operacionalização da Política Nacional de Atenção Básica está detalhada


no Anexo a esta Portaria.
Art. 12 Fica revogada a Portaria no 2.488/GM/MS, de 21 de outubro de 2011.

Art. 13. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.

ANEXO - 
POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO BÁSICA OPERACIONALIZAÇÃO



CAPÍTULO I
- DAS DISPOSIÇÕES GERAIS DA ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE
A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) é resultado da experiência
acumulada por um conjunto de atores envolvidos historicamente com o
desenvolvimento e a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS), como
movimentos sociais, população, trabalhadores e gestores das três esferas de
governo.
Esta Portaria, conforme normatização vigente no SUS, que de ne a
organização em Redes de Atenção à Saúde (RAS) como estratégia para um
cuidado integral e direcionado às necessidades de saúde da população, destaca a
Atenção Básica como primeiro ponto de atenção e porta de entrada preferencial
do sistema, que deve ordenar os fluxos e contra fluxos de pessoas , produtos e
informações em todos os pontos de atenção à saúde.
Esta Política Nacional de Atenção Básica tem na Saúde da Família sua
estratégia prioritária para expansão e consolidação da Atenção Básica. Contudo
reconhece outras estratégias de organização da Atenção Básica nos territórios,
que devem seguir os princípios e diretrizes da Atenção Básica e do SUS,
configurando um processo progressivo e singular que considera e inclui as
especificidades locorregionais, ressaltando a dinamicidade do território e a
existência de populações específicas, itinerantes e dispersas, que também são de
responsabilidade da equipe enquanto es verem no território, em consonância com
a Política de promoção da equidade em saúde A Atenção Básica considera a
pessoa em sua singularidade e inserção sociocultural, buscando produzir a
atenção integral, incorporar as ações de vigilância em saúde - a qual constitui um
processo contínuo e sistemático de coleta, consolidação, análise e disseminação
de dados sobre eventos relacionados à saúde - além disso, visa o planejamento e a
implementação de ações públicas para a proteção da saúde da população, a
prevenção e o controle de riscos, agravos e doenças, bem como para a promoção
da saúde.
Destaca-se ainda o desafio de superar compreensões simplistas, nas quais,
entre outras, há dicotomia e oposição entre a assistência e a promoção da saúde.

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Para tal, deve-se partir da compreensão de que a saúde possui múltiplos
determinantes e condicionantes e que a melhora das condições de saúde das
pessoas e coletividades passa por diversos fatores, os quais grande parte podem
ser abordados na Atenção Básica.

1- PRINCÍPIOS E DIRETRIZES DA ATENÇÃO BÁSICA


Os princípios e diretrizes, a caracterização e a relação de serviços ofertados na
Atenção Básica serão orientadores para a sua organização nos municípios,
conforme descritos a seguir:

1.1- Princípios
- Universalidade: possibilitar o acesso universal e contínuo a serviços de
saúde de qualidade e resolutivos, caracterizados como a porta de entrada
aberta e preferencial da RAS (primeiro contato), acolhendo as pessoas e
promovendo a vinculação e corresponsabilização pela atenção às suas
necessidades de saúde. O estabelecimento de mecanismos que assegurem
acessibilidade e acolhimento pressupõe uma lógica de organização e
funcionamento do serviço de saúde que parte do princípio de que as
equipes que atuam na Atenção Básica nas UBS devem receber e ouvir todas
as pessoas que procuram seus serviços, de modo universal, de fácil acesso
e sem diferenciações excludentes, e a partir daí construir respostas para
suas demandas e necessidades.
- Equidade: ofertar o cuidado, reconhecendo as diferenças nas condições
de vida e saúde e de acordo com as necessidades das pessoas,
considerando que o direito à saúde passa pelas diferenciações sociais e
deve atender à diversidade. Ficando proibida qualquer exclusão baseada
em idade, gênero, cor, crença, nacionalidade, etnia, orientação sexual,
identidade de gênero, estado de saúde, condição socioeconômica,
escolaridade ou limitação física, intelectual, funcional, entre outras, com
estratégias que permitam minimizar desigualdades, evitar exclusão social
de grupos que possam vir a sofrer estigmatização ou discriminação; de
maneira que impacte na autonomia e na situação de saúde.
- Integralidade: É o conjunto de serviços executados pela equipe de saúde
que atendam às necessidades da população adscrita nos campos do
cuidado, da promoção e manutenção da saúde, da prevenção de doenças e
agravos, da cura, da reabilitação, redução de danos e dos cuidados palia
vos. Inclui a responsabilização pela oferta de serviços em outros pontos de
atenção à saúde e o reconhecimento adequado das necessidades
biológicas, psicológicas, ambientais e sociais causadoras das doenças, e
manejo das diversas tecnologias de cuidado e de gestão necessárias a estes
fins, além da ampliação da autonomia das pessoas e coletividade.

1.2- Diretrizes

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I - Regionalização e Hierarquização: dos pontos de atenção da RAS, tendo
a Atenção Básica como ponto de comunicação entre esses. Considera-se
regiões de saúde como um recorte espacial estratégico para fins de
planejamento, organização e gestão de redes de ações e serviços de saúde
em determinada localidade, e a hierarquização como forma de organização
de pontos de atenção da RAS entre si, com fluxos e referências
estabelecidos.
II - Territorialização e Adstrição: de forma a permitir o planejamento, a
programação descentralizada e o desenvolvimento de ações setoriais e
intersetoriais com foco em um território específico, com impacto na
situação, nos condicionantes e determinantes da saúde das pessoas e
coletividades que constituem aquele espaço e estão, portanto, adstritos a
ele. Para efeitos desta portaria, considera-se Território a unidade
geográfica única, de construção descentralizada do SUS na execução das
ações estratégicas destinadas à vigilância, promoção, prevenção, proteção
e recuperação da saúde. Os Territórios são destinados para dinamizar a
ação em saúde pública, o estudo social, econômico, epidemiológico,
assistencial, cultural e identitário, possibilitando uma ampla visão de cada
unidade geográfica e subsidiando a atuação na Atenção Básica, de forma
que atendam a necessidade da população adscrita e ou as populações
específicas.
III - População Adscrita: população que está presente no território da UBS,
de forma a estimular o desenvolvimento de relações de vínculo e
responsabilização entre as equipes e a população, garantindo a
continuidade das ações de saúde e a longitudinalidade do cuidado e com o
objetivo de ser referência para o seu cuidado.
IV - Cuidado Centrado na Pessoa: aponta para o desenvolvimento de
ações de cuidado de forma singularizada, que auxilie as pessoas a
desenvolverem os conhecimentos, aptidões, competências e a confiança
necessária para gerir e tomar decisões embasadas sobre sua própria saúde
e seu cuidado de saúde de forma mais efetiva. O cuidado é construído com
as pessoas, de acordo com suas necessidades e potencialidades na busca
de uma vida independente e plena. A família, a comunidade e outras
formas de coletividade são elementos relevantes, muitas vezes
condicionantes ou determinantes na vida das pessoas e, por consequência,
no cuidado.
V - Resolutividade: reforça a importância da Atenção Básica ser resolutiva,
utilizando e articulando diferentes tecnologias de cuidado individual e
coletivo, por meio de uma clínica ampliada capaz de construir vínculos
positivos e intervenções clínica e sanitariamente efetivas, centrada na
pessoa, na perspectiva de ampliação dos graus de autonomia dos
indivíduos e grupos sociais. Deve ser capaz de resolver a grande maioria
dos problemas de saúde da população, coordenando o cuidado do usuário

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em outros pontos da RAS, quando necessário.
VI.- Longitudinalidade do cuidado: pressupõe a continuidade da relação
de cuidado, com construção de vínculo e responsabilização entre
profissionais e usuários ao longo do tempo e de modo permanente e
consistente, acompanhando os efeitos das intervenções em saúde e de
outros elementos na vida das pessoas , evitando a perda de referências e
diminuindo os riscos de iatrogenia que são decorrentes do
desconhecimento das histórias de vida e da falta de coordenação do
cuidado.
VII.- Coordenar o cuidado: elaborar, acompanhar e organizar o fluxo dos
usuários entre os pontos de atenção das RAS. Atuando como o centro de
comunicação entre os diversos pontos de atenção, responsabilizando-se
pelo cuidado dos usuários em qualquer destes pontos através de uma
relação horizontal, contínua e integrada, com objetivo de produzir a gestão
compartilhada da atenção integral. Articulando também as outras
estruturas das redes de saúde e intersetoriais, públicas, comunitárias e
sociais.
VIII.- Ordenar as redes: reconhecer as necessidades de saúde da população
sob sua responsabilidade, organizando as necessidades desta população
em relação aos outros pontos de atenção à saúde, contribuindo para que o
planejamento das ações, assim como, a programação dos serviços de
saúde, parta das necessidades de saúde das pessoas.
IX.- Participação da comunidade: estimular a participação das pessoas, a
orientação comunitária das ações de saúde na Atenção Básica e a
competência cultural no cuidado, como forma de ampliar sua autonomia e
capacidade na construção do cuidado à sua saúde e das pessoas e
coletividades do território. Considerando ainda o enfrentamento dos
determinantes e condicionantes de saúde, através de articulação e
integração das ações intersetoriais na organização e orientação dos
serviços de saúde, a partir de lógicas mais centradas nas pessoas e no
exercício do controle social.

2- A ATENÇÃO BÁSICA NA REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE


Esta portaria, conforme normatização vigente do SUS, de ne a organização
na RAS, como estratégia para um cuidado integral e direcionado às necessidades
de saúde da população. As RAS constituem- se em arranjos organiza vos formados
por ações e serviços de saúde com diferentes configurações tecnológicas e
missões assistenciais, articulados de forma complementar e com base territorial, e
têm diversos atributos, entre eles, destaca-se: a Atenção Básica estruturada como
primeiro ponto de atenção e principal porta de entrada do sistema, constituída de
equipe multidisciplinar que cobre toda a população, integrando, coordenando o
cuidado e atendendo as necessidades de saúde das pessoas do seu território. O
Decreto no 7.508, de 28 de julho de 2011, que regulamenta a Lei no 8.080/90, de ne

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que "o acesso universal, igualitário e ordenado às ações e serviços de saúde se
inicia pelas portas de entrada do SUS e se completa na rede regionalizada e
hierarquizada". Para que a Atenção Básica possa ordenar a RAS, é preciso
reconhecer as necessidades de saúde da população sob sua responsabilidade,
organizando-as em relação aos outros pontos de atenção à saúde, contribuindo
para que a programação dos serviços de saúde parta das necessidades das
pessoas, com isso fortalecendo o planejamento ascendente.
A Atenção Básica é caracterizada como porta de entrada preferencial do
SUS, possui um espaço privilegiado de gestão do cuidado das pessoas e cumpre
papel estratégico na rede de atenção, servindo como base para o seu
ordenamento e para a efetivação da integralidade. Para tanto, é necessário que a
Atenção Básica tenha alta Resolutividade, com capacidade clínica e de cuidado e
incorporação de tecnologias leves, leve duras e duras (diagnósticas e
terapêuticas), além da articulação da Atenção Básica com outros pontos da RAS.
Os estados, municípios e o distrito federal, devem articular ações intersetoriais,
assim como a organização da RAS, com ênfase nas necessidades locorregionais,
promovendo a integração das referências de seu território. Recomenda-se a
articulação e implementação de processos que aumentem a capacidade clínica
das equipes, que fortaleçam práticas de microrregulação nas Unidades Básicas de
Saúde, tais como gestão de filas próprias da UBS e dos exames e consultas
descentralizados/programados para cada UBS, que propiciem a comunicação
entre UBS, centrais de regulação e serviços especializados, com pactuação de
fluxos e protocolos, apoio matricial presencial e/ou a distância, entre outros.
Um dos destaques que merecem ser feitos é a consideração e a
incorporação, no processo de referenciamento, das ferramentas de telessaúde
articulado às decisões clínicas e aos processos de regulação do acesso. A
utilização de protocolos de encaminhamento servem como ferramenta, ao mesmo
tempo, de gestão e de cuidado, pois tanto orientam as decisões dos profissionais
solicitantes quanto se constituem como referência que modula a avaliação das
solicitações pelos médicos reguladores.
Com isso, espera-se que ocorra uma ampliação do cuidado clínico e da
Resolutividade na Atenção Básica, evitando a exposição das pessoas a consultas
e/ou procedimentos desnecessários. Além disso, com a organização do acesso,
induz-se ao uso racional dos recursos em saúde, impede deslocamentos
desnecessários e traz maior e ciência e equidade à gestão das listas de espera. A
gestão municipal deve articular e criar condições para que a referência aos
serviços especializados ambulatoriais, sejam realizados preferencialmente pela
Atenção Básica, sendo de sua responsabilidade:
a. Ordenar o fluxo das pessoas nos demais pontos de atenção da RAS;
b. Gerir a referência e contrarreferência em outros pontos de atenção; e
c. Estabelecer relação com os especialistas que cuidam das pessoas do
território.

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3- INFRAESTRUTURA, AMBIÊNCIA E FUNCIONAMENTO DA ATENÇÃO BÁSICA
Este item refere-se ao conjunto de procedimentos que objetiva adequar a
estrutura física, tecnológica e de recursos humanos das UBS às necessidades de
saúde da população de cada território.

3.1. Infraestrutura e ambiência


A infraestrutura de uma UBS deve estar adequada ao quantitativo de
população adscrita e suas especificidades, bem como aos processos de trabalho
das equipes e à atenção à saúde dos usuários. Os parâmetros de estrutura devem,
portanto, levar em consideração a densidade demográfica, a composição, atuação
e os tipos de equipes, perfil da população, e as ações e serviços de saúde a serem
realizados. É importante que sejam previstos espaços físicos e ambientes
adequados para a formação de estudantes e trabalhadores de saúde de nível
médio e superior, para a formação em serviço e para a educação permanente na
UBS.
As UBS devem ser construídas de acordo com as normas sanitárias e tendo
como referência as normativas de infraestrutura vigentes, bem como possuir
identificação segundo os padrões visuais da Atenção Básica e do SUS. Devem,
ainda, ser cadastradas no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de
Saúde (SCNES), de acordo com as normas em vigor para tal.
As UBS poderão ter pontos de apoio para o atendimento de populações
dispersas (rurais, ribeirinhas, assentamentos, áreas pantaneiras, etc.), com
reconhecimento no SCNES, bem como nos instrumentos de monitoramento e
avaliação. A estrutura física dos pontos de apoio deve respeitar as normas gerais
de segurança sanitária. A ambiência de uma UBS refere-se ao espaço sico
(arquitetônico), entendido como lugar social, profissional e de relações
interpessoais, que deve proporcionar uma atenção acolhedora e humana para as
pessoas, além de um ambiente saudável para o trabalho dos profissionais de
saúde.
Para um ambiente adequado em uma UBS, existem componentes que
atuam como modificadores e qualificadores do espaço, recomenda-se
contemplar: recepção sem grades (para não intimidar ou dificultar a comunicação
e também garantir privacidade à pessoa), identificação dos serviços existentes,
escala dos profissionais, horários de funcionamento e sinalização de fluxos,
conforto térmico e acústico, e espaços adaptados para as pessoas com de ciência
em conformidade com as normativas vigentes.
Além da garantia de infraestrutura e ambiência apropriadas, para a
realização da prática profissional na Atenção Básica, é necessário disponibilizar
equipamentos adequados, recursos humanos capacitados, e materiais e insumos
suficientes à atenção à saúde prestada nos municípios e Distrito Federal.

3.2. Tipos de unidades e equipamentos de Saúde


São considerados unidades ou equipamentos de saúde no âmbito da

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Atenção Básica:
a) Unidade Básica de Saúde
Recomenda-se os seguintes ambientes: consultório médico e de enfermagem,
consultório com sanitário, sala de procedimentos, sala de vacinas, área para
assistência farmacêutica, sala de inalação coletiva, sala de procedimentos, sala de
coleta/exames, sala de curativos, sala de expurgo, sala de esterilização, sala de
observação e sala de atividades coletivas para os profissionais da Atenção Básica.
Se forem compostas por profissionais de saúde bucal, será necessário consultório
odontológico com equipo odontológico completo; a área de recepção, local para
arquivos e registros, sala multiprofissional de acolhimento à demanda espontânea
, sala de administração e gerência, banheiro público e para funcionários, entre
outros ambientes conforme a necessidade.

b) Unidade Básica de Saúde Fluvial


Recomenda-se os seguintes ambientes:
a. consultório médico; consultório de enfermagem; área para assistência
farmacêutica, laboratório, sala de vacina; sala de procedimentos; e, se forem
compostas por profissionais de saúde bucal, será necessário consultório
odontológico com equipo odontológico completo;
b. área de recepção, banheiro público; banheiro exclusivo para os
funcionários; expurgo; cabines com leitos em número suficiente para toda a
equipe; cozinha e outro ambientes conforme necessidade.

c) Unidade Odontológica Móvel


Recomenda-se veículo devidamente adaptado para a finalidade de atenção
à saúde bucal, equipado com: Compressor para uso odontológico com sistema de
filtragem; aparelho de raios-x para radiografias periapicais e interproximais;
aventais de chumbo; conjunto peças de mão contendo micro-motor com peça reta
e contra ângulo, e alta rotação; gabinete odontológico; cadeira odontológica,
equipo odontológico e refletor odontológico; unidade auxiliar odontológica;
mocho odontológico; autoclave; amalgamador; fotopolimerizador; e refrigerador.

3.3 – Funcionamento
Recomenda-se que as Unidades Básicas de Saúde tenham seu
funcionamento com carga horária mínima de 40 horas/semanais, no mínimo 5
(cinco) dias da semana e nos 12 meses do ano, possibilitando acesso facilitado à
população. Horários alterna vos de funcionamento podem ser pactuados através
das instâncias de participação social, desde que atendam expressamente a
necessidade da população, observando, sempre que possível, a carga horária
mínima descrita acima. Como forma de garantir a coordenação do cuidado,
ampliando o acesso e Resolutividade das equipes que atuam na Atenção Básica,
recomenda-se :
i.- População adscrita por equipe de Atenção Básica (eAB) e de Saúde da

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Família (eSF) de 2.000 a 3.500 pessoas, localizada dentro do seu território,
garantindo os princípios e diretrizes da Atenção Básica.
Além dessa faixa populacional, podem existir outros arranjos de
adscrição, conforme vulnerabilidades, riscos e dinâmica
comunitária, facultando aos gestores locais, conjuntamente com as
equipes que atuam na Atenção Básica e Conselho Municipal ou
Local de Saúde, a possibilidade de definir outro parâmetro
populacional de responsabilidade da equipe, podendo ser maior ou
menor do que o parâmetro recomendado, de acordo com as
especificidades do território, assegurando-se a qualidade do
cuidado.
ii) - 4 (quatro) equipes por UBS (Atenção Básica ou Saúde da Família), para
que possam a ngir seu potencial resolutivo.
iii) - Fica es pulado para cálculo do teto máximo de equipes de Atenção
Básica (eAB) e de Saúde da Família (eSF), com ou sem os profissionais de
saúde bucal, pelas quais o Município e o Distrito Federal poderão fazer jus
ao recebimento de recursos financeiros específicos, conforme a seguinte
fórmula: População/2.000.
iv.- Em municípios ou territórios com menos de 2.000 habitantes, que uma
equipe de Saúde da Família (eSF) ou de Atenção Básica (eAB) seja
responsável por toda população; Reitera-se a possibilidade de definir outro
parâmetro populacional de responsabilidade da equipe de acordo com
especificidades territoriais, vulnerabilidades, riscos e dinâmica comunitária
respeitando critérios de equidade, ou, ainda, pela decisão de possuir um
número inferior de pessoas por equipe de Atenção Básica (eAB) e equipe de
Saúde da Família (eSF) para avançar no acesso e na qualidade da Atenção
Básica.

Para que as equipes que atuam na Atenção Básica possam atingir seu
potencial resolutivo, de forma a garantir a coordenação do cuidado, ampliando o
acesso, é necessário adotar estratégias que permitam a definição de um amplo
escopo dos serviços a serem ofertados na UBS, de forma que seja compatível com
as necessidades e demandas de saúde da população adscrita, seja por meio da
Estratégia Saúde da Família ou outros arranjos de equipes de Atenção Básica
(eAB), que atuem em conjunto, compartilhando o cuidado e apoiando as práticas
de saúde nos territórios. Essa oferta de ações e serviços na Atenção Básica devem
considerar políticas e programas prioritários, as diversas realidades e
necessidades dos territórios e das pessoas, em parceria com o controle social.

As ações e serviços da Atenção Básica, deverão seguir padrões essenciais e


ampliados:
Padrões Essenciais - ações e procedimentos básicos relacionados a condições
básicas/essenciais de acesso e qualidade na Atenção Básica; e - Padrões

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Ampliados - ações e procedimentos considerados estratégicos para se avançar e
alcançar padrões elevados de acesso e qualidade na Atenção Básica,
considerando especificidades locais, indicadores e parâmetros estabelecidos nas
Regiões de Saúde. A oferta deverá ser pública, desenvolvida em parceria com o
controle social, pactuada nas instâncias interfederativas, com financiamento
regulamentado em normativa específica. Caberá a cada gestor municipal realizar
análise de demanda do território e ofertas das UBS para mensurar sua capacidade
resolutiva, adotando as medidas necessárias para ampliar o acesso, a qualidade e
Resolutividade das equipes e serviços da sua UBS.
A oferta de ações e serviços da Atenção Básica deverá estar disponível aos
usuários de forma clara, concisa e de fácil visualização, conforme padronização
pactuada nas instâncias gestoras. Todas as equipes que atuam na Atenção Básica
deverão garantir a oferta de todas as ações e procedimentos do Padrão Essencial e
recomenda-se que também realizarem ações e serviços do Padrão Ampliado,
considerando as necessidades e demandas de saúde das populações em cada
localidade. Os serviços dos padrões essenciais, bem como os equipamentos e
materiais necessários, devem ser garantidos igualmente para todo o país,
buscando uniformidade de atuação da Atenção Básica no território nacional. Já o
elenco de ações e procedimentos ampliados deve contemplar de forma mais
flexível às necessidades e demandas de saúde das populações em cada localidade,
sendo definido a partir de suas especificidades locorregionais. As unidades devem
organizar o serviço de modo a otimizar os processos de trabalho, bem como o
acesso aos demais níveis de atenção da RAS. Toda UBS deve monitorar a
satisfação de seus usuários, oferecendo o registro de elogios, críticas ou
reclamações, por meio de livros, caixas de sugestões ou canais eletrônicos. As UBS
deverão assegurar o acolhimento e escuta ativa e qualificada das pessoas, mesmo
que não sejam da área de abrangência da unidade, com classificação de risco e
encaminhamento responsável de acordo com as necessidades apresentadas,
articulando-se com outros serviços de forma resolutiva, em conformidade com as
linhas de cuidado estabelecidas. Deverá estar a fixado em local visível, próximo à
entrada da UBS:
- Identificação e horário de atendimento;
- Mapa de abrangência, com a cobertura de cada equipe;

- Identificação do Gerente da Atenção Básica no território e dos componentes de
cada equipe da UBS;
- Relação de serviços disponíveis; e

- Detalhamento das escalas de atendimento de cada equipe.


3.4- Tipos de Equipes:


1.- Equipe de Saúde da Família (eSF): É a estratégia prioritária de atenção à
saúde e visa à reorganização da Atenção Básica no país, de acordo com os
preceitos do SUS. É considerada como estratégia de expansão, qualificação e
consolidação da Atenção Básica, por favorecer uma reorientação do processo de

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trabalho com maior potencial de ampliar a Resolutividade e impactar na situação
de saúde das pessoas e coletividades, além de propiciar uma importante relação
custo-efetividade.
Composta no mínimo por médico, preferencialmente da especialidade
medicina de família e comunidade, enfermeiro, preferencialmente especialista em
saúde da família; auxiliar e/ou técnico de enfermagem e agente comunitário de
saúde (ACS). Podendo fazer parte da equipe o agente de combate às endemias
(ACE) e os profissionais de saúde bucal: cirurgião-dentista, preferencialmente
especialista em saúde da família, e auxiliar ou técnico em saúde bucal. O número
de ACS por equipe deverá ser definido de acordo com base populacional, critérios
demográficos, epidemiológicos e socioeconômicos, de acordo com definição local.
Em áreas de grande dispersão territorial, áreas de risco e vulnerabilidade social,
recomenda-se a cobertura de 100% da população com número máximo de 750
pessoas por ACS.
Para equipe de Saúde da Família, há a obrigatoriedade de carga horária de
40 (quarenta) horas semanais para todos os profissionais de saúde membros da
ESF. Dessa forma, os profissionais da ESF poderão estar vinculados a apenas 1
(uma) equipe de Saúde da Família, no SCNES vigente.

2.- Equipe da Atenção Básica (eAB): esta modalidade deve atender aos princípios
e diretrizes propostas para a AB. A gestão municipal poderá compor equipes de
Atenção Básica (eAB) de acordo com características e necessidades do município.
Como modelo prioritário é a ESF, as equipes de Atenção Básica (eAB) podem
posteriormente se organizar tal qual o modelo prioritário.
As equipes deverão ser compostas minimamente por médicos
preferencialmente da especialidade medicina de família e comunidade,
enfermeiro preferencialmente especialista em saúde da família, auxiliares de
enfermagem e ou técnicos de enfermagem. Poderão agregar outros profissionais
como dentistas, auxiliares de saúde bucal e ou técnicos de saúde bucal, agentes
comunitários de saúde e agentes de combate à endemias. A composição da carga
horária mínima por categoria profissional deverá ser de 10 (dez) horas, com no
máximo de 3 (três) profissionais por categoria, devendo somar no mínimo 40
horas/semanais. O processo de trabalho, a combinação das jornadas de trabalho
dos profissionais das equipes e os horários e dias de funcionamento devem ser
organizados de modo que garantam amplamente acesso, o vínculo entre as
pessoas e profissionais, a continuidade, coordenação e longitudinalidade do
cuidado.
A distribuição da carga horária dos profissionais é de responsabilidade do
gestor, devendo considerar o perfil demográfico e epidemiológico local para
escolha da especialidade médica, estes devem atuar como generalistas nas
equipes de Atenção Básica (eAB). Importante ressaltar que para o funcionamento
a equipe deverá contar também com profissionais de nível médio como técnico ou
auxiliar de enfermagem.

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3.- Equipe de Saúde Bucal (eSB): Modalidade que pode compor as equipes que
atuam na atenção básica, constituída por um cirurgião-dentista e um técnico em
saúde bucal e/ou auxiliar de saúde bucal. Os profissionais de saúde bucal que
compõem as equipes de Saúde da Família (eSF) e de Atenção Básica (eAB) e de
devem estar vinculados à uma UBS ou a Unidade Odontológica Móvel, podendo se
organizar nas seguintes modalidades: Modalidade I: Cirurgião-dentista e auxiliar
em saúde bucal (ASB) ou técnico em saúde bucal (TSB) e; Modalidade II: Cirurgião-
dentista, TSB e ASB, ou outro TSB.
Independente da modalidade adotada, os profissionais de Saúde Bucal são
vinculados a uma equipe de Atenção Básica (eAB) ou equipe de Saúde da Família
(eSF), devendo compartilhar a gestão e o processo de trabalho da equipe, tendo
responsabilidade sanitária pela mesma população e território adstrito que a
equipe de Saúde da Família ou Atenção Básica a qual integra.
Cada equipe de Saúde de Família que for implantada com os profissionais
de saúde bucal ou quando se introduzir pela primeira vez os profissionais de saúde
bucal numa equipe já implantada, modalidade I ou II, o gestor receberá do
Ministério da Saúde os equipamentos odontológicos, através de doação direta ou
o repasse de recursos necessários para adquiri-los (equipo odontológico
completo).

4- Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf-AB)


Constitui uma equipe multiprofissional e interdisciplinar composta por
categorias de profissionais da saúde, complementar às equipes que atuam na
Atenção Básica. É formada por diferentes ocupações (profissões e especialidades)
da área da saúde, atuando de maneira integrada para dar suporte (clínico,
sanitário e pedagógico) aos profissionais das equipes de Saúde da Família (eSF) e
de Atenção Básica (eAB).
Busca-se que essa equipe seja membro orgânico da Atenção Básica,
vivendo integralmente o dia a dia nas UBS e trabalhando de forma horizontal e
interdisciplinar com os demais profissionais, garantindo a longitudinalidade do
cuidado e a prestação de serviços diretos à população. Os diferentes profissionais
devem estabelecer e compartilhar saberes, práticas e gestão do cuidado, com uma
visão comum e aprender a solucionar problemas pela comunicação, de modo a
maximizar as habilidades singulares de cada um.
Deve estabelecer seu processo de trabalho a partir de problemas,
demandas e necessidades de saúde de pessoas e grupos sociais em seus
territórios, bem como a partir de dificuldades dos profissionais de todos os tipos
de equipes que atuam na Atenção Básica em suas análises e manejos. Para tanto,
faz-se necessário o compartilhamento de saberes, práticas intersetoriais e de
gestão do cuidado em rede e a realização de educação permanente e gestão de
coletivos nos territórios sob responsabilidade destas equipes.
Ressalta-se que os Nasf-AB não se constituem como serviços com unidades

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físicas independentes ou especiais, e não são de livre acesso para atendimento
individual ou coletivo (estes, quando necessários, devem ser regulados pelas
equipes que atuam na Atenção Básica). Devem, a partir das demandas
identificadas no trabalho conjunto com as equipes, atuar de forma integrada à
Rede de Atenção à Saúde e seus diversos pontos de atenção, além de outros
equipamentos sociais públicos/privados, redes sociais e comunitárias. Compete
especificamente à Equipe do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção
Básica (Nasf- AB):
a. Participar do planejamento conjunto com as equipes que atuam
na Atenção Básica à que estão vinculadas;
b. Contribuir para a integralidade do cuidado aos usuários do SUS
principalmente por intermédio da ampliação da clínica, auxiliando
no aumento da capacidade de análise e de intervenção sobre
problemas e necessidades de saúde, tanto em termos clínicos
quanto sanitários; e
c. Realizar discussão de casos, atendimento individual,
compartilhado, interconsulta, construção conjunta de projetos
terapêuticos, educação permanente, intervenções no território e na
saúde de grupos populacionais de todos os ciclos de vida, e da
coletividade, ações intersetoriais, ações de prevenção e promoção
da saúde, discussão do processo de trabalho das equipes dentre
outros, no território.
Poderão compor os NASF-AB as ocupações do Código Brasileiro de
Ocupações - CBO na área de saúde: Médico Acupunturista; Assistente Social;
Profissional/Professor de Educação Física; Farmacêutico; Fisioterapeuta;
Fonoaudiólogo; Médico Ginecologista/Obstetra; Médico Homeopata; Nutricionista;
Médico Pediatra; Psicólogo; Médico Psiquiatra; Terapeuta Ocupacional; Médico
Geriatra; Médico Internista (clinica médica), Médico do Trabalho, Médico
Veterinário, profissional com formação em arte e educação (arte educador) e
profissional de saúde sanitarista, ou seja, profissional graduado na área de saúde
com pós- graduação em saúde pública ou coletiva ou graduado diretamente em
uma dessas áreas conforme normativa vigente. A definição das categorias
profissionais é de autonomia do gestor local, devendo ser escolhida de acordo
com as necessidades do territórios.

5- Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde (EACS):


É prevista a implantação da Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde
nas UBS como uma possibilidade para a reorganização inicial da Atenção Básica
com vistas à implantação gradual da Estratégia de Saúde da Família ou como uma
forma de agregar os agentes comunitários a outras maneiras de organização da
Atenção Básica. São itens necessários à implantação desta estratégia:
a. a existência de uma Unidade Básica de Saúde, inscrita no SCNES vigente
que passa a ser a UBS de referência para a equipe de agentes comunitários

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de saúde;
b. o número de ACS e ACE por equipe deverá ser definido de acordo com
base populacional (critérios demográficos, epidemiológicos e
socioeconômicos), conforme legislação vigente.
c. o cumprimento da carga horária integral de 40 horas semanais por toda a
equipe de agentes comunitários, por cada membro da equipe; composta
por ACS e enfermeiro supervisor;
d. o enfermeiro supervisor e os ACS devem estar cadastrados no SCNES
vigente, vinculados à equipe;
e. cada ACS deve realizar as ações previstas nas regulamentações vigentes
e nesta portaria e ter uma microárea sob sua responsabilidade, cuja
população não ultrapasse 750 pessoas;
f. a atividade do ACS deve se dar pela lógica do planejamento do processo
de trabalho a partir das necessidades do território, com priorização para
população com maior grau de vulnerabilidade e de risco epidemiológico;
g. a atuação em ações básicas de saúde deve visar à integralidade do
cuidado no território; e
h. cadastrar, preencher e informar os dados através do Sistema de
Informação em Saúde para a Atenção Básica vigente.

3.5- Equipes de Atenção Básica para Populações Específicas


Todos os profissionais do SUS e, especialmente, da Atenção Básica são
responsáveis pela atenção à saúde de populações que apresentem
vulnerabilidades sociais específicas e, por consequência, necessidades de saúde
específicas, assim como pela atenção à saúde de qualquer outra pessoa. Isso
porque a Atenção Básica possui responsabilidade direta sobre ações de saúde em
determinado território, considerando suas singularidades, o que possibilita
intervenções mais oportunas nessas situações específicas, com o objetivo de
ampliar o acesso à RAS e ofertar uma atenção integral à saúde. Assim, toda equipe
de Atenção Básica deve realizar atenção à saúde de populações específicas. Em
algumas realidades, contudo, ainda é possível e necessário dispor, além das
equipes descritas anteriormente, de equipes adicionais para realizar as ações de
saúde à populações específicas no âmbito da Atenção Básica, que devem atuar de
forma integrada para a qualificação do cuidado no território.
Aponta-se para um horizonte em que as equipes que atuam na Atenção
Básica possam incorporar tecnologias dessas equipes específicas, de modo que se
faça uma transição para um momento em que não serão necessárias essas
equipes específicas, e todas as pessoas e populações serão acompanhadas pela
eSF.
São consideradas equipes de Atenção Básica para Populações Específicas:
[A legislação não listou!]

3.6- ESPECIFICIDADES DA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA

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1.- Equipes de Saúde da Família para o atendimento da População Ribeirinha da
Amazônia Legal e Pantaneira: Considerando as especificidades locorregionais, os
municípios da Amazônia Legal e Pantaneiras podem optar entre 2 (dois) arranjos
organizacionais para equipes Saúde da Família, além dos existentes para o
restante do país:
a. Equipe de Saúde da Família Ribeirinha (eSFR): São equipes que
desempenham parte significativa de suas funções em UBS construídas e/ou
localizadas nas comunidades pertencentes à área adstrita e cujo acesso se
dá por meio fluvial e que, pela grande dispersão territorial, necessitam de
embarcações para atender as comunidades dispersas no território. As eSFR
são vinculadas a uma UBS, que pode estar localizada na sede do Município
ou em alguma comunidade ribeirinha localizada na área adstrita.
A eSFR será formada por equipe multiprofissional composta por, no
mínimo: 1 (um) médico, preferencialmente da especialidade de Família e
Comunidade, 1 (um) enfermeiro, preferencialmente especialista em Saúde da
Família e 1 (um) auxiliar ou técnico de enfermagem, podendo acrescentar a esta
composição, como parte da equipe multiprofissional, o ACS e ACE e os
profissionais de saúde bucal: 1 (um) cirurgião dentista, preferencialmente
especialista em saúde da família e 1 (um) técnico ou auxiliar em saúde bucal.
Nas hipóteses de grande dispersão populacional, as ESFR podem contar,
ainda, com: até 24 (vinte e quatro) Agentes Comunitários de Saúde; até 12 (doze)
microscopistas, nas regiões endêmicas; até 11 (onze) Auxiliares/Técnicos de
enfermagem; e 1 (um) Auxiliar/Técnico de saúde bucal. As ESFR poderão, ainda,
acrescentar até 2 (dois) profissionais da área da saúde de nível superior à sua
composição, dentre enfermeiros ou outros profissionais previstos nas equipes de
Nasf-AB.
Os agentes comunitários de saúde, os auxiliares/técnicos de enfermagem
extras e os auxiliares/técnicos de saúde bucal cumprirão carga horária de até 40
(quarenta) horas semanais de trabalho e deverão residir na área de atuação. As
eSFR prestarão atendimento à população por, no mínimo, 14 (quatorze) dias
mensais, com carga horária equivalente a 8 (oito) horas diárias.
Para as comunidades distantes da UBS de referência, as eSFR adotarão
circuito de deslocamento que garanta o atendimento a todas as comunidades
assistidas, ao menos a cada 60 (sessenta) dias, para assegurar a execução das
ações de Atenção Básica. Caso necessário, poderão possuir unidades de apoio,
estabelecimentos que servem para atuação das eSFR e que não possuem outras
equipes de Saúde da Família vinculadas. Para operacionalizar a atenção à saúde
das comunidades ribeirinhas dispersas no território de abrangência, a eSFR
receberá incentivo financeiro de custeio para logística, que considera a existência
das seguintes estruturas:
a) até 4 (quatro) unidades de apoio (ou satélites), vinculadas e informadas
no Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde vigente, utilizada(s) como
base(s) da(s) equipe(s), onde será realizada a atenção de forma descentralizada;

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eb) até 4 (quatro) embarcações de pequeno porte exclusivas para o deslocamento
dos profissionais de saúde da(s) equipe(s) vinculada( s)s ao Estabelecimento de
Saúde de Atenção Básica. Todas as unidades de apoio ou satélites e embarcações
devem estar devidamente informadas no Cadastro Nacional de Estabelecimento
de Saúde vigente, a qual as eSFR estão vinculadas.
Equipes de Saúde da Família Fluviais (eSFF): São equipes que
desempenham suas funções em Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF),
responsáveis por comunidades dispersas, ribeirinhas e pertencentes à área
adstrita, cujo acesso se dá por meio fluvial. A eSFR será formada por equipe
multiprofissional composta por, no mínimo: 1 (um) médico, preferencialmente da
especialidade de Família e Comunidade, 1 (um) enfermeiro, preferencialmente
especialista em Saúde da Família e 1 (um) auxiliar ou técnico de enfermagem,
podendo acrescentar a esta composição, como parte da equipe multiprofissional,
o ACS e ACE e os profissionais de saúde bucal: 1 (um) cirurgião dentista,
preferencialmente especialista em saúde da família e 1 (um) técnico ou auxiliar em
saúde bucal. Devem contar também, com um (01) técnico de laboratório e/ou
bioquímico. Estas equipes poderão incluir, na composição mínima, os
profissionais de saúde bucal, um (1) cirurgião dentista, preferencialmente
especialista em saúde da família, e um (01) Técnico ou Auxiliar em Saúde Bucal.
Poderão, ainda, acrescentar até 2 (dois) profissionais da área da saúde de
nível superior à sua composição, dentre enfermeiros ou outros profissionais
previstos para os Nasf – AB Para as comunidades distantes da Unidade Básica de
Saúde de referência, a eSFF adotará circuito de deslocamento que garanta o
atendimento a todas as comunidades assistidas, ao menos a cada 60 (sessenta)
dias, para assegurar a execução das ações de Atenção Básica.
Para operacionalizar a atenção à saúde das comunidades ribeirinhas
dispersas no território de abrangência, onde a UBS Fluvial não conseguir aportar,
a eSFF poderá receber incentivo financeiro de custeio para logística, que considera
a existência das seguintes estruturas:
a. até 4 (quatro) unidades de apoio (ou satélites), vinculadas e
informadas no Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde
vigente, u lizada(s) como base(s) da(s) equipe(s), onde será
realizada a atenção de forma descentralizada; e
b. até 4 (quatro) embarcações de pequeno porte exclusivas para o
deslocamento dos profissionais de saúde da(s) equipe(s) vinculada(
s)s ao Estabelecimento de Saúde de Atenção Básica.

1.- Equipe de Consultório na Rua (eCR) - equipe de saúde com composição


variável, responsável por articular e prestar atenção integral à saúde de pessoas
em situação de rua ou com características análogas em determinado território, em
unidade fixa ou móvel, podendo ter as modalidades e respectivos regramentos
descritos em portaria específica.
São itens necessários para o funcionamento das equipes de Consultório na

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Rua (eCR):
a. Realizar suas atividades de forma itinerante, desenvolvendo ações na rua, em
instalações específicas, na unidade móvel e também nas instalações de Unidades
Básicas de Saúde do território onde está atuando, sempre articuladas e
desenvolvendo ações em parceria com as demais equipes que atuam na atenção
básica do território (eSF/eAB/UBS e Nasf-AB), e dos Centros de Atenção
Psicossocial, da Rede de Urgência/Emergência e dos serviços e instituições
componentes do Sistema Único de Assistência Social entre outras instituições
públicas e da sociedade civil;
b. Cumprir a carga horária mínima semanal de 30 horas. Porém seu horário de
funcionamento deverá ser adequado às demandas das pessoas em situação de
rua, podendo ocorrer em período diurno e/ou noturno em todos os dias da
semana; e
c. As eCR poderão ser compostas pelas categorias profissionais especificadas em
portaria específica. Na composição de cada eCR deve haver, preferencialmente, o
máximo de dois profissionais da mesma profissão de saúde, seja de nível médio ou
superior. Todas as modalidades de eCR poderão agregar agentes comunitários de
saúde. O agente social, quando houver, será considerado equivalente ao
profissional de nível médio. Entende-se por agente social o profissional que
desempenha atividades que visam garantir a atenção, a defesa e a proteção às
pessoas em situação de risco pessoal e social, assim como aproximar as equipes
dos valores, modos de vida e cultura das pessoas em situação de rua.
Para vigência enquanto equipe, deverá cumprir os seguintes requisitos:
I - demonstração do cadastramento da eCR no Sistema de Cadastro Nacional de
Estabelecimentos de Saúde (SCNES); e
II - alimentação de dados no Sistema de Informação da Atenção Básica vigente,
conforme norma específica. Em Municípios ou áreas que não tenham Consultórios
na Rua, o cuidado integral das pessoas em situação de rua deve seguir sendo de
responsabilidade das equipes que atuam na Atenção Básica, incluindo os
profissionais de saúde bucal e os Núcleos Ampliados à Saúde da Família e equipes
de Atenção Básica (Nasf- AB) do território onde estas pessoas estão concentradas.
Para cálculo do teto das equipes dos Consultórios na Rua de cada município, serão
tomados como base os dados dos censos populacionais relacionados à população
em situação de rua realizados por órgãos o ciais e reconhecidos pelo Ministério da
Saúde. As regras estão publicadas em portarias específicas que disciplinam
composição das equipes, valor do incentivo financeiro, diretrizes de
funcionamento, monitoramento e acompanhamento das equipes de consultório
na rua entre outras disposições.

1.- Equipe de Atenção Básica Prisional (eABP): São compostas por equipe
multiprofissional que deve estar cadastrada no Sistema Nacional de
Estabelecimentos de Saúde vigente, e com responsabilidade de articular e prestar
atenção integral à saúde das pessoas privadas de liberdade.Com o objetivo de

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garantir o acesso das pessoas privadas de liberdade no sistema prisional ao
cuidado integral no SUS, é previsto na Política Nacional de Atenção Integral à
Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP), que os
serviços de saúde no sistema prisional passam a ser ponto de atenção da Rede de
Atenção à Saúde (RAS) do SUS, qualificando também a Atenção Básica no âmbito
prisional como porta de entrada do sistema e ordenadora das ações e serviços de
saúde, devendo realizar suas atividades nas unidades prisionais ou nas Unidades
Básicas de Saúde a que es ver vinculada, conforme portaria específica.

4- ATRIBUIÇÕES DOS PROFISSIONAIS DA ATENÇÃO BÁSICA


As atribuições dos profissionais das equipes que atuam na Atenção Básica
deverão seguir normativas específicas do Ministério da Saúde, bem como as
definições de escopo de práticas, protocolos, diretrizes clínicas e terapêuticas,
além de outras normativas técnicas estabelecidas pelos gestores federal, estadual,
municipal ou do Distrito Federal.

4.1. Atribuições Comuns a todos os membros das Equipes que atuam na


Atenção Básica:
I- Participar do processo de territorialização e mapeamento da área de atuação da
equipe, identificando grupos, famílias e indivíduos expostos a riscos e
vulnerabilidades;
II- Cadastrar e manter atualizado o cadastramento e outros dados de saúde das
famílias e dos indivíduos no sistema de informação da Atenção Básica vigente, u
lizando as informações sistematicamente para a análise da situação de saúde,
considerando as características sociais, econômicas, culturais, demográficas e
epidemiológicas do território, priorizando as situações a serem acompanhadas no
planejamento local;
III- Realizar o cuidado integral à saúde da população adscrita, prioritariamente no
âmbito da Unidade Básica de Saúde, e quando necessário, no domicílio e demais
espaços comunitários (escolas, associações, entre outros), com atenção especial
às populações que apresentem necessidades específicas (em situação de rua, em
medida socioeducativa, privada de liberdade, ribeirinha, fluvial, etc.).
IV- Realizar ações de atenção à saúde conforme a necessidade de saúde da
população local, bem como aquelas previstas nas prioridades, protocolos,
diretrizes clínicas e terapêuticas, assim como, na oferta nacional de ações e
serviços essenciais e ampliados da AB;
V. Garantir a atenção à saúde da população adscrita, buscando a integralidade por
meio da realização de ações de promoção, proteção e recuperação da saúde,
prevenção de doenças e agravos e da garantia de atendimento da demanda
espontânea, da realização das ações programáticas, coletivas e de vigilância em
saúde, e incorporando diversas racionalidades em saúde, inclusive Práticas
Integrativas e Complementares;
VI. Participar do acolhimento dos usuários, proporcionando atendimento

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humanizado, realizando classificação de risco, identificando as necessidades de
intervenções de cuidado, responsabilizando- se pela continuidade da atenção e
viabilizando o estabelecimento do vínculo;
VII. Responsabilizar-se pelo acompanhamento da população adscrita ao longo do
tempo no que se refere às múltiplas situações de doenças e agravos, e às
necessidades de cuidados preventivos, permitindo a longitudinalidade do
cuidado;
VIII. Praticar cuidado individual, familiar e dirigido a pessoas, famílias e grupos
sociais, visando propor intervenções que possam influenciar os processos saúde-
doença individual, das coletividades e da própria comunidade;
IX. Responsabilizar-se pela população adscrita mantendo a coordenação do
cuidado mesmo quando necessita de atenção em outros pontos de atenção do
sistema de saúde;
X. Utilizar o Sistema de Informação da Atenção Básica vigente para registro das
ações de saúde na AB, visando subsidiar a gestão, planejamento, investigação
clínica e epidemiológica, e à avaliação dos serviços de saúde;;
XI. Contribuir para o processo de regulação do acesso a partir da Atenção Básica,
participando da definição de fluxos assistenciais na RAS, bem como da elaboração
e implementação de protocolos e diretrizes clínicas e terapêuticas para a
ordenação desses fluxos;
XII. Realizar a gestão das filas de espera, evitando a prática do encaminhamento
desnecessário, com base nos processos de regulação locais (referência e
contrarreferência), ampliando-a para um processo de compartilhamento de casos
e acompanhamento longitudinal de responsabilidade das equipes que atuam na
atenção básica;
XIII. Prever nos fluxos da RAS entre os pontos de atenção de diferentes
configurações tecnológicas a integração por meio de serviços de apoio logístico,
técnico e de gestão, para garantir a integralidade do cuidado;
XIV. Instituir ações para segurança do paciente e propor medidas para reduzir os
riscos e diminuir os eventos adversos;
XV. Alimentar e garantir a qualidade do registro das atividades nos sistemas de
informação da Atenção Básica, conforme normativa vigente;
XVI. Realizar busca ativa e notificar doenças e agravos de no cação compulsória,
bem como outras doenças, agravos, surtos, acidentes, violências, situações
sanitárias e ambientais de importância local,
considerando essas ocorrências para o planejamento de ações de prevenção,
proteção e recuperação em saúde no território;
XVII. Realizar busca ativa de internações e atendimentos de urgência/emergência
por causas sensíveis à Atenção Básica, a m de estabelecer estratégias que
ampliem a Resolutividade e a longitudinalidade pelas equipes que atuam na AB;
XVIII. Realizar visitas domiciliares e atendimentos em domicílio às famílias e
pessoas em residências, Instituições de Longa Permanência (ILP), abrigos, entre
outros tipos de moradia existentes em seu território, de acordo com o

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planejamento da equipe, necessidades e prioridades estabelecidas;
XIX. Realizar atenção domiciliar a pessoas com problemas de saúde
controlados/compensados com algum grau de dependência para as atividades da
vida diária e que não podem se deslocar até a Unidade Básica de Saúde;
XX. Realizar trabalhos interdisciplinares e em equipe, integrando áreas técnicas,
profissionais de diferentes formações e até mesmo outros níveis de atenção,
buscando incorporar práticas de vigilância, clínica ampliada e matriciamento ao
processo de trabalho cotidiano para essa integração (realização de consulta
compartilhada - reservada aos profissionais de nível superior, construção de
Projeto Terapêutico Singular, trabalho com grupos, entre outras estratégias, em
consonância com as necessidades e demandas da população);
XXI. Participar de reuniões de equipes afim de acompanhar e discutir em conjunto
o planejamento e avaliação sistemática das ações da equipe, a partir da utilização
dos dados disponíveis, visando a readequação constante do processo de trabalho;
XXII. Articular e Participar das atividades de educação permanente e educação
Continuada;
XXIII. Realizar ações de educação em saúde à população adstrita, conforme
planejamento da equipe e u lizando abordagens adequadas às necessidades deste
público;
XXIV. Participar do gerenciamento dos insumos necessários para o adequado
funcionamento da UBS;
XIV Promover a mobilização e a participação da comunidade, estimulando
conselhos/colegiados, constituídos de gestores locais, profissionais de saúde e
usuários, viabilizando o controle social na gestão da Unidade Básica de Saúde;
XXV Identificar parceiros e recursos na comunidade que possam potencializar
ações intersetoriais; XXVI Acompanhar e registrar no Sistema de Informação da
Atenção Básica e no mapa de acompanhamento do Programa Bolsa Família (PBF),
e/ou outros programas sociais equivalentes, as condicionalidades de saúde das
famílias beneficiárias; e
XXVII Realizar outras ações e atividades, de acordo com as prioridades locais,
definidas pelo gestor local.

4.2. São atribuições específicas dos profissionais das equipes que atuam na
Atenção Básica:

4.2.1 – Enfermeiro:
I.- Realizar atenção à saúde aos indivíduos e famílias vinculadas às equipes e,
quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços
comunitários (escolas, associações entre outras), em todos os ciclos de vida;
II.- Realizar consulta de enfermagem, procedimentos, solicitar exames
complementares, prescrever medicações conforme protocolos, diretrizes clínicas e
terapêuticas, ou outras normativas técnicas
estabelecidas pelo gestor federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal,
observadas as disposições legais da profissão;

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III.- Realizar e/ou supervisionar acolhimento com escuta qualificada e classificação
de risco, de acordo com protocolos estabelecidos;
IV.- Realizar estra cação de risco e elaborar plano de cuidados para as pessoas que
possuem condições crônicas no território, junto aos demais membros da equipe;
V.- Realizar atividades em grupo e encaminhar, quando necessário, usuários a
outros serviços, conforme fluxo estabelecido pela rede local;
VI.- Planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas pelos técnicos/auxiliares
de enfermagem, ACS e ACE em conjunto com os outros membros da equipe;
VII.- Supervisionar as ações do técnico/auxiliar de enfermagem e ACS;
VIII.- Implementar e manter atualizados rotinas, protocolos e fluxos relacionados a
sua área de competência na UBS; e
IX.- Exercer outras atribuições conforme legislação profissional, e que sejam de
responsabilidade na sua área de atuação.

4.2.2 - Técnico e/ou Auxiliar de Enfermagem:


I.- Participar das atividades de atenção à saúde realizando procedimentos
regulamentados no exercício de sua profissão na UBS e, quando indicado ou
necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas,
associações, entre outros);
II.- Realizar procedimentos de enfermagem, como curativos, administração de
medicamentos, vacinas, coleta de material para exames, lavagem, preparação e
esterilização de materiais, entre outras atividades delegadas pelo enfermeiro, de
acordo com sua área de atuação e regulamentação; e
III.- Exercer outras atribuições que sejam de responsabilidade na sua área de
atuação.
4.2.1- Médico:

I.- Realizar a atenção à saúde às pessoas e famílias sob sua responsabilidade;
II.- Realizar consultas clínicas, pequenos procedimentos cirúrgicos, atividades em
grupo na UBS e, quando indicado ou necessário, no domicílio e/ou nos demais
espaços comunitários (escolas, associações entre outros); em conformidade com
protocolos, diretrizes clínicas e terapêuticas, bem como outras normativas
técnicas estabelecidas pelos gestores (federal, estadual, municipal ou Distrito
Federal), observadas as disposições legais da profissão;
III.- Realizar estra cação de risco e elaborar plano de cuidados para as pessoas que
possuem condições crônicas no território, junto aos demais membros da equipe;
IV.- Encaminhar, quando necessário, usuários a outros pontos de atenção,
respeitando fluxos locais, mantendo sob sua responsabilidade o
acompanhamento do plano terapêutico prescrito;
V.- Indicar a necessidade de internação hospitalar ou domiciliar, mantendo a
responsabilização pelo acompanhamento da pessoa;
VI.- Planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS e ACE em
conjunto com os outros membros da equipe; e
VII.- Exercer outras atribuições que sejam de responsabilidade na sua área de

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atuação.

4.2.2- Cirurgião-Dentista:
I.- Realizar a atenção em saúde bucal (promoção e proteção da saúde, prevenção
de agravos, diagnóstico, tratamento, acompanhamento, reabilitação e
manutenção da saúde) individual e coletiva a todas as famílias, a indivíduos e a
grupos específicos, atividades em grupo na UBS e, quando indicado ou necessário,
no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas, associações entre
outros), de acordo com planejamento da equipe, com resolubilidade e em
conformidade com protocolos, diretrizes clínicas e terapêuticas, bem como outras
normativas técnicas estabelecidas pelo gestor federal, estadual, municipal ou do
Distrito Federal, observadas as disposições legais da profissão;
II.- Realizar diagnóstico com a finalidade de obter o perfil epidemiológico para o
planejamento e a programação em saúde bucal no território;
III.- Realizar os procedimentos clínicos e cirúrgicos da AB em saúde bucal,
incluindo atendimento das urgências, pequenas cirurgias ambulatoriais e
procedimentos relacionados com as fases clínicas de moldagem, adaptação e
acompanhamento de próteses dentárias (elementar, total e parcial removível);
IV.- Coordenar e Participar de ações coletivas voltadas à promoção da saúde e à
prevenção de doenças bucais;
V.- Acompanhar, apoiar e desenvolver atividades referentes à saúde com os
demais membros da equipe, buscando aproximar saúde bucal e integrar ações de
forma multidisciplinar;
VI.- Realizar supervisão do técnico em saúde bucal (TSB) e auxiliar em saúde bucal
(ASB);
VII.- Planejar, gerenciar e avaliar as ações desenvolvidas pelos ACS e ACE em
conjunto com os outros membros da equipe;
VIII. Realizar estra cação de risco e elaborar plano de cuidados para as pessoas que
possuem condições crônicas no território, junto aos demais membros da equipe; e
IX.- Exercer outras atribuições que sejam de responsabilidade na sua área de
atuação.

4.2.3- Técnico em Saúde Bucal (TSB):


I.- Realizar a atenção em saúde bucal individual e coletiva das famílias, indivíduos
e a grupos específicos, atividades em grupo na UBS e, quando indicado ou
necessário, no domicílio e/ou nos demais espaços comunitários (escolas,
associações entre outros), segundo programação e de acordo com suas
competências técnicas e legais;
II.- Coordenar a manutenção e a conservação dos equipamentos odontológicos;
III.- Acompanhar, apoiar e desenvolver atividades referentes à saúde bucal com os
demais membros da equipe, buscando aproximar e integrar ações de saúde de
forma multidisciplinar;
IV.- Apoiar as atividades dos ASB e dos ACS nas ações de prevenção e promoção da

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saúde bucal;
V.- Participar do treinamento e capacitação de auxiliar em saúde bucal e de
agentes multiplicadores das ações de promoção à saúde;
VI.- Participar das ações educativas atuando na promoção da saúde e na
prevenção das doenças bucais;
VII.VII - Participar da realização de levantamentos e estudos epidemiológicos,
exceto na categoria de examinador;
VIII.- Realizar o acolhimento do paciente nos serviços de saúde bucal;

IX.- Fazer remoção do biofilme, de acordo com a indicação técnica definida pelo
cirurgião-dentista;
X.- Realizar fotografias e tomadas de uso odontológico exclusivamente em
consultórios ou clínicas odontológicas;
XI.- Inserir e distribuir no preparo cavitário materiais odontológicos na restauração
dentária direta, sendo vedado o uso de materiais e instrumentos não indicados
pelo cirurgião-dentista;
XII.- Auxiliar e instrumentar o cirurgião-dentista nas intervenções clínicas e
procedimentos demandados pelo mesmo;
XIII.- Realizar a remoção de sutura conforme indicação do Cirurgião Dentista;
XIV.- Executar a organização, limpeza, assepsia, desinfecção e esterilização do
instrumental, dos equipamentos odontológicos e do ambiente de trabalho;
XV.- Proceder à limpeza e à antissepsia do campo operatório, antes e após atos
cirúrgicos;
XVI.- Aplicar medidas de biossegurança no armazenamento, manuseio e descarte
de produtos e resíduos odontológicos;
XVII.- Processar filme radiográfico;

XVIII.- Selecionar moldeiras;

XIX.- Preparar modelos em gesso;

XX.- Manipular materiais de uso odontológico.

XXI. Exercer outras atribuições que sejam de responsabilidade na sua área de
atuação.

4.2.4- Auxiliar em Saúde Bucal (ASB):


I.- Realizar ações de promoção e prevenção em saúde bucal para as famílias,
grupos e indivíduos, mediante planejamento local e protocolos de atenção à
saúde;
II.- Executar organização, limpeza, assepsia, desinfecção e esterilização do
instrumental, dos equipamentos odontológicos e do ambiente de trabalho;
III.- Auxiliar e instrumentar os profissionais nas intervenções clínicas IV - Realizar o
acolhimento do paciente nos serviços de saúde bucal;
V.- Acompanhar, apoiar e desenvolver atividades referentes à saúde bucal com os
demais membros da equipe de Atenção Básica, buscando aproximar e integrar
ações de saúde de forma multidisciplinar;
VI.- Aplicar medidas de biossegurança no armazenamento, transporte, manuseio e

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descarte de produtos e resíduos odontológicos;
VII.-Processar filme radiográfico;
VIII.- Selecionar moldeiras;
IX.- Preparar modelos em gesso;
X.- Manipular materiais de uso odontológico realizando manutenção e
conservação dos equipamentos;
XI.- Participar da realização de levantamentos e estudos epidemiológicos, exceto
na categoria de examinador; e
XII. Exercer outras atribuições que sejam de responsabilidade na sua área de
atuação.

4.2.5- Gerente de Atenção Básica


Recomenda-se a inclusão do Gerente de Atenção Básica com o objetivo de
contribuir para o aprimoramento e qualificação do processo de trabalho nas
Unidades Básicas de Saúde, em especial ao fortalecer a atenção à saúde prestada
pelos profissionais das equipes à população adscrita, por meio de função técnico-
gerencial. A inclusão deste profissional deve ser avaliada pelo gestor, segundo a
necessidade do território e cobertura de AB.
Entende-se por Gerente de AB um profissional qualificado,
preferencialmente com nível superior, com o papel de garantir o planejamento em
saúde, de acordo com as necessidades do território e comunidade, a organização
do processo de trabalho, coordenação e integração das ações. Importante
ressaltar que o gerente não seja profissional integrante das equipes vinculadas à
UBS e que possua experiência na Atenção Básica, preferencialmente de nível
superior, e dentre suas atribuições estão:
I.- Conhecer e divulgar, junto aos demais profissionais, as diretrizes e normas que
incidem sobre a AB em âmbito nacional, estadual, municipal e Distrito Federal,
com ênfase na Política Nacional de Atenção Básica, de modo a orientar a
organização do processo de trabalho na UBS;
II.- Participar e orientar o processo de territorialização, diagnóstico situacional,
planejamento e programação das equipes, avaliando resultados e propondo
estratégias para o alcance de metas de saúde, junto aos demais profissionais;
III.- Acompanhar, orientar e monitorar os processos de trabalho das equipes que
atuam na AB sob sua gerência, contribuindo para implementação de políticas,
estratégias e programas de saúde, bem como para a mediação de conflitos e
resolução de problemas;
IV.- Mitigar a cultura na qual as equipes, incluindo profissionais envolvidos no
cuidado e gestores assumem responsabilidades pela sua própria segurança de
seus colegas, pacientes e familiares, encorajando a identificação, a no cação e a
resolução dos problemas relacionados à segurança;
V.- Assegurar a adequada alimentação de dados nos sistemas de informação da
Atenção Básica vigente, por parte dos profissionais, verificando sua consistência,
estimulando a utilização para análise e planejamento das ações, e divulgando os

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resultados obtidos;
VI.- Estimular o vínculo entre os profissionais favorecendo o trabalho em equipe;
VII. Potencializar a utilização de recursos físicos, tecnológicos e equipamentos
existentes na UBS, apoiando os processos de cuidado a partir da orientação à
equipe sobre a correta utilização desses recursos;
VIII.- Qualificar a gestão da infraestrutura e dos insumos (manutenção, logística
dos materiais, ambiência da UBS), zelando pelo bom uso dos recursos e evitando o
desabastecimento;
IX.- Representar o serviço sob sua gerência em todas as instâncias necessárias e
articular com demais atores da gestão e do território com vistas à qualificação do
trabalho e da atenção à saúde realizada na UBS;
X.- Conhecer a RAS, Participar e fomentar a participação dos profissionais na
organização dos fluxos de usuários, com base em protocolos, diretrizes clínicas e
terapêuticas, apoiando a referência e contrarreferência entre equipes que atuam
na AB e nos diferentes pontos de atenção, com garantia de encaminhamentos
responsáveis;
XI.- Conhecer a rede de serviços e equipamentos sociais do território, e estimular a
atuação intersetorial, com atenção diferenciada para as vulnerabilidades
existentes no território;
XII.- Identificar as necessidades de formação/qualificação dos profissionais em
conjunto com a equipe, visando melhorias no processo de trabalho, na qualidade
e Resolutividade da atenção, e promover a Educação Permanente, seja
mobilizando saberes na própria UBS, ou com parceiros;
XIII.- Desenvolver gestão participativa e estimular a participação dos profissionais
e usuários em instâncias de controle social;
XIV.- Tomar as providências cabíveis no menor prazo possível quanto a
ocorrências que interfiram no funcionamento da unidade; e
XV.- Exercer outras atribuições que lhe sejam designadas pelo gestor municipal ou
do Distrito Federal, de acordo com suas competências.

4.2.6- Agente Comunitário de Saúde (ACS) e Agente de Combate a Endemias


(ACE)
Seguindo o pressuposto de que Atenção Básica e Vigilância em Saúde devem se
unir para a adequada identificação de problemas de saúde nos territórios e o
planejamento de estratégias de intervenção clínica e sanitária mais efetivas e
eficazes, orienta-se que as atividades específicas dos agentes de saúde (ACS e ACE)
devem ser integradas.
Assim, além das atribuições comuns a todos os profissionais da equipe de AB, são
atribuições dos ACS e ACE:
a) Atribuições comuns do ACS e ACE
I.- Realizar diagnóstico demográfico, social, cultural, ambiental, epidemiológico e
sanitário do território em que atuam, contribuindo para o processo de
territorialização e mapeamento da área de atuação da equipe;

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II.- Desenvolver atividades de promoção da saúde, de prevenção de doenças e
agravos, em especial aqueles mais prevalentes no território, e de vigilância em
saúde, por meio de visitas domiciliares regulares e de ações educativas individuais
e coletivas, na UBS, no domicílio e outros espaços da comunidade, incluindo a
investigação epidemiológica de casos suspeitos de doenças e agravos junto a
outros profissionais da equipe quando necessário;
III.- Realizar visitas domiciliares com periodicidade estabelecida no planejamento
da equipe e conforme as necessidades de saúde da população, para o
monitoramento da situação das famílias e indivíduos do território, com especial
atenção às pessoas com agravos e condições que necessitem de maior número de
visitas domiciliares;
IV.- Identificar e registrar situações que interfiram no curso das doenças ou que
tenham importância epidemiológica relacionada aos fatores ambientais,
realizando, quando necessário, bloqueio de transmissão de doenças infecciosas e
agravos;
V.- Orientar a comunidade sobre sintomas, riscos e agentes transmissores de
doenças e medidas de prevenção individual e coletiva;
VI. Identificar casos suspeitos de doenças e agravos, encaminhar os usuários para
a unidade de saúde de referência, registrar e comunicar o fato à autoridade de
saúde responsável pelo território;
VII.- Informar e mobilizar a comunidade para desenvolver medidas simples de
manejo ambiental e outras formas de intervenção no ambiente para o controle de
vetores;
VIII.- Conhecer o funcionamento das ações e serviços do seu território e orientar as
pessoas quanto à utilização dos serviços de saúde disponíveis;
IX.- Estimular a participação da comunidade nas políticas públicas voltadas para a
área da saúde;
X.- Identificar parceiros e recursos na comunidade que possam potencializar ações
intersetoriais de relevância para a promoção da qualidade de vida da população,
como ações e programas de educação, esporte e lazer, assistência social, entre
outros; e
XI.- Exercer outras atribuições que lhes sejam atribuídas por legislação específica
da categoria, ou outra normativa instituída pelo gestor federal, municipal ou do
Distrito Federal.
b) Atribuições do ACS:
I- Trabalhar com adscrição de indivíduos e famílias em base geográfica
definida e cadastrar todas as pessoas de sua área, mantendo os dados
atualizados no sistema de informação da Atenção Básica vigente,
utilizando-os de forma sistemática, com apoio da equipe, para a análise da
situação de saúde, considerando as características sociais, econômicas,
culturais, demográficas e epidemiológicas do território, e priorizando as
situações a serem acompanhadas no planejamento local;
II - Utilizar instrumentos para a coleta de informações que apoiem no

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diagnóstico demográfico e sociocultural da comunidade;
III - Registrar, para fins de planejamento e acompanhamento das ações de
saúde, os dados de nascimentos, óbitos, doenças e outros agravos à saúde,
garantido o sigilo ético;
IV - Desenvolver ações que busquem a integração entre a equipe de saúde e
a população adscrita à UBS, considerando as características e as
finalidades do trabalho de acompanhamento de indivíduos e grupos
sociais ou coletividades;
V - Informar os usuários sobre as datas e horários de consultas e exames
agendados;
VI - Participar dos processos de regulação a partir da Atenção Básica para
acompanhamento das necessidades dos usuários no que diz respeito a
agendamentos ou desistências de consultas e exames solicitados;
VII - Exercer outras atribuições que lhes sejam atribuídas por legislação
específica da categoria, ou outra normativa instituída pelo gestor federal,
municipal ou do Distrito Federal.
Poderão ser consideradas, ainda, atividades do Agente Comunitário de
Saúde, a serem realizadas em caráter excepcional, assistidas por profissional de
saúde de nível superior, membro da equipe, após treinamento específico e
fornecimento de equipamentos adequados, em sua base geográfica de atuação,
encaminhando o paciente para a unidade de saúde de referência.
I - aferir a pressão arterial, inclusive no domicílio, com o objetivo de
promover saúde e prevenir doenças e agravos;
II - realizar a medição da glicemia capilar, inclusive no domicílio, para o
acompanhamento dos casos diagnosticados de diabetes mellitus e
segundo projeto terapêutico prescrito pelas equipes que atuam na Atenção
Básica;
III- aferição da temperatura axilar, durante a visita domiciliar;
IV - realizar técnicas limpas de curativo, que são realizadas com material
limpo, água corrente ou soro fisiológico e cobertura estéril, com uso de
coberturas passivas, que somente cobre a ferida; e
V - orientação e apoio, em domicílio, para a correta administração da
medicação do paciente em situação de vulnerabilidade.
Importante ressaltar que os ACS só realizarão a execução dos
procedimentos que requeiram capacidade técnica específica se de verem a
respectiva formação, respeitada autorização legal.
c) Atribuições do ACE:
I - Executar ações de campo para pesquisa entomológica, malacológica ou
coleta de reservatórios de doenças;
II.- Realizar cadastramento e atualização da base de imóveis para
planejamento e definição de estratégias de prevenção, intervenção e
controle de doenças, incluindo, dentre outros, o recenseamento de animais
e levantamento de índice amostral tecnicamente indicado;

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III. Executar ações de controle de doenças u lizando as medidas de controle
químico, biológico, manejo ambiental e outras ações de manejo integrado
de vetores;
IV.- Realizar e manter atualizados os mapas, croquis e o reconhecimento
geográfico de seu território; e
V.- Executar ações de campo em projetos que visem avaliar novas
metodologias de intervenção para prevenção e controle de doenças; e
VI.- Exercer outras atribuições que lhes sejam atribuídas por legislação
específica da categoria, ou outra normativa instituída pelo gestor federal,
municipal ou do Distrito Federal.
O ACS e o ACE devem compor uma equipe de Atenção Básica (eAB) ou uma
equipe de Saúde da Família (eSF) e serem coordenados por profissionais de saúde
de nível superior realizado de forma compartilhada entre a Atenção Básica e a
Vigilância em Saúde. Nas localidades em que não houver cobertura por equipe de
Atenção Básica (eAB) ou equipe de Saúde da Família (eSF), o ACS deve se vincular
à equipe da Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde (EACS). Já o ACE, nesses
casos, deve ser vinculado à equipe de vigilância em saúde do município e sua
supervisão técnica deve ser realizada por profissional com comprovada
capacidade técnica, podendo estar vinculado à equipe de atenção básica, ou
saúde da família, ou a outro serviço a ser definido pelo gestor local.

5- DO PROCESSO DE TRABALHO NA ATENÇÃO BÁSICA


A Atenção Básica como contato preferencial dos usuários na rede de
atenção à saúde orienta-se pelos princípios e diretrizes do SUS, a partir dos quais
assume funções e características específicas. Considera as pessoas em sua
singularidade e inserção sociocultural, buscando produzir a atenção integral, por
meio da promoção da saúde, da prevenção de doenças e agravos, do diagnóstico,
do tratamento, da reabilitação e da redução de danos ou de sofrimentos que
possam comprometer sua autonomia.
Dessa forma, é fundamental que o processo de trabalho na Atenção
Básica se caracteriza por:
I.- Definição do território e Territorialização - A gestão deve definir o território
de responsabilidade de cada equipe, e esta deve conhecer o território de atuação
para programar suas ações de acordo com o perfil e as necessidades da
comunidade, considerando diferentes elementos para a cartografia: ambientais,
históricos, demográficos, geográficos, econômicos, sanitários, sociais, culturais,
etc.
Importante refazer ou complementar a territorialização sempre que necessário, já
que o território é vivo. Nesse processo, a Vigilância em Saúde (sanitária, ambiental,
epidemiológica e do trabalhador) e a Promoção da Saúde se mostram como
referenciais essenciais para a identificação da rede de causalidades e dos
elementos que exercem determinação sobre o processo saúde-doença, auxiliando
na percepção dos problemas de saúde da população por parte da equipe e no

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planejamento das estratégias de intervenção.
Além dessa articulação de olhares para a compreensão do território sob a
responsabilidade das equipes que atuam na AB, a integração entre as ações de
Atenção Básica e Vigilância em Saúde deve ser concreta, de modo que se
recomenda a adoção de um território único para ambas as equipes, em que o
Agente de Combate às Endemias trabalhe em conjunto com o Agente Comunitário
de Saúde e os demais membros da equipe multiprofissional de AB na identificação
das necessidades de saúde da população e no planejamento das intervenções
clínicas e sanitárias.
Possibilitar, de acordo com a necessidade e conformação do território, através de
pactuação e negociação entre gestão e equipes, que o usuário possa ser atendido
fora de sua área de cobertura, mantendo o diálogo e a informação com a equipe
de referência.
II.- Responsabilização Sanitária - Papel que as equipes devem assumir em seu
território de referência (adstrição), considerando questões sanitárias, ambientais
(desastres, controle da água, solo, ar), epidemiológicas (surtos, epidemias, no
cações, controle de agravos), culturais e socioeconômicas, contribuindo por meio
de intervenções clínicas e sanitárias nos problemas de saúde da população com
residência fixa, os itinerantes (população em situação de rua, ciganos, circenses,
andarilhos, acampados, assentados, etc) ou mesmo trabalhadores da área
adstrita.
III.- Porta de Entrada Preferencial - A responsabilização é fundamental para a
efetivação da Atenção Básica como contato e porta de entrada preferencial da
rede de atenção, primeiro atendimento às urgências/emergências, acolhimento,
organização do escopo de ações e do processo de trabalho de acordo com
demandas e necessidades da população, através de estratégias diversas
(protocolos e diretrizes clínicas, linhas de cuidado e fluxos de encaminhamento
para os outros pontos de atenção da RAS, etc). Caso o usuário acesse a rede
através de outro nível de atenção, ele deve ser referenciado à Atenção Básica para
que siga sendo acompanhado, assegurando a continuidade do cuidado.
IV.- Adscrição de usuários e desenvolvimento de relações de vínculo e
responsabilização entre a equipe e a população do seu território de atuação,
de forma a facilitar a adesão do usuário ao cuidado compartilhado com a equipe
(vinculação de pessoas e/ou famílias e grupos a profissionais/equipes, com o
objetivo de ser referência para o seu cuidado).
V.- Acesso - A unidade de saúde deve acolher todas as pessoas do seu território de
referência, de modo universal e sem diferenciações excludentes. Acesso tem
relação com a capacidade do serviço em responder às necessidades de saúde da
população (residente e itinerante). Isso implica dizer que as necessidades da
população devem ser o principal referencial para a definição do escopo de ações e
serviços a serem ofertados, para a forma como esses serão organizados e para o
todo o funcionamento da UBS, permitindo diferenciações de horário de
atendimento (estendido, sábado, etc), formas de agendamento (por hora

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marcada, por telefone, e-mail, etc), e outros, para assegurar o acesso. Pelo mesmo
motivo, recomenda-se evitar barreiras de acesso como o fechamento da unidade
durante o horário de almoço ou em períodos de férias, entre outros, impedindo ou
restringindo a acesso da população. Destaca-se que horários alterna vos de
funcionamento que atendam expressamente a necessidade da população podem
ser pactuados através das instâncias de participação social e gestão local.
Importante ressaltar também que para garantia do acesso é necessário
acolher e resolver os agravos de maior incidência no território e não apenas as
ações programáticas, garantindo um amplo escopo de ofertas nas unidades, de
modo a concentrar recursos e maximizar ofertas.
VI.- O acolhimento deve estar presente em todas as relações de cuidado, nos
encontros entre trabalhadores de saúde e usuários, nos atos de receber e escutar
as pessoas, suas necessidades, problematizando e reconhecendo como legítimas,
e realizando avaliação de risco e vulnerabilidade das famílias daquele território,
sendo que quanto maior o grau de vulnerabilidade e risco, menor deverá ser a
quantidade de pessoas por equipe, com especial atenção para as condições
crônicas.
Considera-se condição crônica aquela de curso mais ou menos longo ou
permanente que exige resposta e ações continuas, proativas e integradas do
sistema de atenção à saúde, dos profissionais de saúde e das pessoas usuárias
para o seu controle efetivo, e ciente e com qualidade. Ressalta-se a importância de
que o acolhimento aconteça durante todo o horário de funcionamento da UBS, na
organização dos fluxos de usuários na unidade, no estabelecimento de avaliações
de risco e vulnerabilidade, na definição de modelagens de escuta (individual,
coletiva, etc), na gestão das agendas de atendimento individual, nas ofertas de
cuidado multidisciplinar, etc. A saber, o acolhimento à demanda espontânea na
Atenção Básica pode se constituir como:
a. Mecanismo de ampliação/facilitação do acesso - a equipe deve atender
todos as pessoas que chegarem na UBS, conforme sua necessidade, e não
apenas determinados grupos populacionais, ou agravos mais prevalentes
e/ou fragmentados por ciclo de vida. Dessa forma a ampliação do acesso
ocorre também contemplando a agenda programada e a demanda
espontânea, abordando as situações conforme suas especificidades,
dinâmicas e tempo.
b. Postura, atitude e tecnologia do cuidado - se estabelece nas relações
entre as pessoas e os trabalhadores, nos modos de escuta, na maneira de
lidar com o não previsto, nos modos de construção de vínculos
(sensibilidade do trabalhador, posicionamento ético situacional), podendo
facilitar a continuidade do cuidado ou facilitando o acesso sobretudo para
aqueles que procuram a UBS fora das consultas ou atividades agendadas.
c. Dispositivo de (re)organização do processo de trabalho em equipe - a
implantação do acolhimento pode provocar mudanças no modo de
organização das equipes, relação entre trabalhadores e modo de cuidar.

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Para acolher a demanda espontânea com equidade e qualidade, não basta
distribuir senhas em número limitado, nem é possível encaminhar todas as
pessoas ao médico, aliás o acolhimento não deve se restringir à triagem
clínica. Organizar a partir do acolhimento exige que a equipe reflita sobre o
conjunto de ofertas que ela tem apresentado para lidar com as
necessidades de saúde da população e território. Para isso é importante
que a equipe de na quais profissionais vão receber o usuário que chega;
como vai avaliar o risco e vulnerabilidade; fluxos e protocolos para
encaminhamento; como organizar a agenda dos profissionais para o
cuidado; etc. Destacam-se como importantes ações no processo de
avaliação de risco e vulnerabilidade na Atenção Básica o Acolhimento com
Classificação de Risco (a) e a Estra cação de Risco (b). a) Acolhimento com
Classificação de Risco: escuta qualificada e comprometida com a avaliação
do potencial de risco, agravo à saúde e grau de sofrimento dos usuários,
considerando dimensões de expressão ( física, psíquica, social, etc) e
gravidade, que possibilita priorizar os atendimentos a eventos agudos
(condições agudas e agudizações de condições crônicas) conforme a
necessidade, a partir de critérios clínicos e de vulnerabilidade disponíveis
em diretrizes e protocolos assistenciais definidos no SUS.
O processo de trabalho das equipes deve estar organizado de modo a
permitir que casos de urgência/emergência tenham prioridade no atendimento,
independentemente do número de consultas agendadas no período. Caberá à UBS
prover atendimento adequado à situação e dar suporte até que os usuários sejam
acolhidos em outros pontos de atenção da RAS.
As informações obtidas no acolhimento com classificação de risco deverão
ser registradas em prontuário do cidadão (físico ou preferencialmente eletrônico).
Os desfechos do acolhimento com classificação de risco poderão ser
definidos como:
1- consulta ou procedimento imediato;
1. consulta ou procedimento em horário disponível no mesmo dia;
2. agendamento de consulta ou procedimento em data futura, para usuário
do território;
3. procedimento para resolução de demanda simples prevista em
protocolo, como renovação de receitas para pessoas com condições
crônicas, condições clínicas estáveis ou solicitação de exames para o
seguimento de linha de cuidado bem definida;
4. encaminhamento a outro ponto de atenção da RAS, mediante contato
prévio, respeitado o protocolo aplicável; e
5. orientação sobre territorialização e fluxos da RAS, com indicação
específica do serviço de saúde que deve ser procurado, no município ou
fora dele, nas demandas em que a classificação de risco não exija
atendimento no momento da procura do serviço.
b) Estratificação de risco: É o processo pelo qual se utiliza critérios clínicos,

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sociais, econômicos, familiares e outros, com base em diretrizes clínicas,
para Identificar subgrupos de acordo com a complexidade da condição
crônica de saúde, com o objetivo de diferenciar o cuidado clínico e os fluxos
que cada usuário deve seguir na Rede de Atenção à Saúde para um cuidado
integral. A estra cação de risco da população adscrita a determinada UBS é
fundamental para que a equipe de saúde organize as ações que devem ser
oferecidas a cada grupo ou estrato de risco/vulnerabilidade, levando em
consideração a necessidade e adesão dos usuários, bem como a
racionalidade dos recursos disponíveis nos serviços de saúde.
VII.- Trabalho em Equipe Multiprofissional - Considerando a diversidade e
complexidade das situações com as quais a Atenção Básica lida, um
atendimento integral requer a presença de diferentes formações
profissionais trabalhando com ações compartilhadas, assim como, com
processo interdisciplinar centrado no usuário, incorporando práticas de
vigilância, promoção e assistência à saúde, bem como matriciamento ao
processo de trabalho cotidiano. É possível integrar também profissionais
de outros níveis de atenção.
VIII.- Resolutividade - Capacidade de Identificar e intervir nos riscos,
necessidades e demandas de saúde da população, atingindo a solução de
problemas de saúde dos usuários. A equipe deve ser resolutiva desde o
contato inicial, até demais ações e serviços da AB de que o usuário
necessite. Para tanto, é preciso garantir amplo escopo de ofertas e
abordagens de cuidado, de modo a concentrar recursos, maximizar as
ofertas e melhorar o cuidado, encaminhando de forma qualificada o
usuário que necessite de atendimento especializado.
Isso inclui o uso de diferentes tecnologias e abordagens de cuidado
individual e coletivo, por meio de habilidades das equipes de saúde para a
promoção da saúde, prevenção de doenças e agravos, proteção e
recuperação da saúde, e redução de danos. Importante promover o uso de
ferramentas que apoiem e qualifiquem o cuidado realizado pelas equipes,
como as ferramentas da clínica ampliada, gestão da clínica e promoção da
saúde, para ampliação da Resolutividade e abrangência da AB.
Entende-se por ferramentas de Gestão da Clínica um conjunto de
tecnologias de microgestão do cuidado destinado a promover uma atenção
à saúde de qualidade, como protocolos e diretrizes clínicas, planos de
ação, linhas de cuidado, projetos terapêuticos singulares, genograma,
ecomapa, gestão de listas de espera, auditoria clínica, indicadores de
cuidado, entre outras. Para a utilização dessas ferramentas, deve-se
considerar a clínica centrada nas pessoas; efetiva, estruturada com base
em evidências cientícas; segura, que não cause danos às pessoas e aos
profissionais de saúde; e ciente, oportuna, prestada no tempo certo;
equitativa, de forma a reduzir as desigualdades e que a oferta do
atendimento se dê de forma humanizada.

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VIII.- Promover atenção integral, contínua e organizada à população
adscrita, com base nas necessidades sociais e de saúde, através do
estabelecimento de ações de continuidade informacional, interpessoal e
longitudinal com a população. A Atenção Básica deve buscar a atenção
integral e de qualidade, resolutiva e que contribua para o fortalecimento da
autonomia das pessoas no cuidado à saúde, estabelecendo articulação
orgânica com o conjunto da rede de atenção à saúde. Para o alcance da
integralidade do cuidado, a equipe deve ter noção sobre a ampliação da
clínica, o conhecimento sobre a realidade local, o trabalho em equipe
multiprofissional e transdisciplinar, e a ação intersetorial.
Para isso pode ser necessário realizar de ações de atenção à saúde nos
estabelecimentos de Atenção Básica à saúde, no domicílio, em locais do
território (salões comunitários, escolas, creches, praças, etc.) e outros
espaços que comportem a ação planejada.
IX.- Realização de ações de atenção domiciliar destinada a usuários que
possuam problemas de saúde controlados/compensados e com
dificuldade ou impossibilidade física de locomoção até uma Unidade
Básica de Saúde, que necessitam de cuidados com menor frequência e
menor necessidade de recursos de saúde, para famílias e/ou pessoas para
busca ativa, ações de vigilância em saúde e realizar o cuidado
compartilhado com as equipes de atenção domiciliar nos casos de maior
complexidade.
X.- Programação e implementação das atividades de atenção à saúde de
acordo com as necessidades de saúde da população, com a priorização de
intervenções clínicas e sanitárias nos problemas de saúde segundo critérios
de frequência, risco, vulnerabilidade e resiliência. Inclui-se aqui o
planejamento e organização da agenda de trabalho compartilhada de
todos os profissionais, e recomenda- se evitar a divisão de agenda segundo
critérios de problemas de saúde, ciclos de vida, gênero e patologias
dificultando o acesso dos usuários. Recomenda-se a utilização de
instrumentos de planejamento estratégico situacional em saúde, que seja
ascendente e envolva a participação popular (gestores, trabalhadores e
usuários).
XI.- Implementação da Promoção da Saúde como um princípio para o
cuidado em saúde, entendendo que, além da sua importância para o olhar
sobre o território e o perfil das pessoas, considerando a determinação
social dos processos saúde-doença para o planejamento das intervenções
da equipe, contribui também para a qualificação e diversificação das
ofertas de cuidado. A partir do respeito à autonomia dos usuários, é
possível estimular formas de andar a vida e comportamentos com prazer
que permaneçam dentro de certos limites sensíveis entre a saúde e a
doença, o saudável e o prejudicial, que sejam singulares e viáveis para cada
pessoa. Ainda, numa acepção mais ampla, é possível estimular a

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transformação das condições de vida e saúde de indivíduos e coletivos,
através de estratégias transversais que estimulem a aquisição de novas
atitudes entre as pessoas, favorecendo mudanças para modos de vida mais
saudáveis e sustentáveis.
Embora seja recomendado que as ações de promoção da saúde estejam
pautadas nas necessidades e demandas singulares do território de atuação
da AB, denotando uma ampla possibilidade de temas para atuação,
destacam-se alguns de relevância geral na população brasileira, que devem
ser considerados na abordagem da Promoção da Saúde na AB:
alimentação adequada e saudável; práticas corporais e atividade física;
enfrentamento do uso do tabaco e seus derivados; enfrentamento do uso
abusivo de álcool; promoção da redução de danos; promoção da
mobilidade segura e sustentável; promoção da cultura de paz e de direitos
humanos; promoção do desenvolvimento sustentável.
XII.- Desenvolvimento de ações de prevenção de doenças e agravos em
todos os níveis de acepção deste termo (primária, secundária, terciária e
quartenária), que priorizem determinados per s epidemiológicos e os
fatores de risco clínicos, comportamentais, alimentares e/ou ambientais,
bem como aqueles determinados pela produção e circulação de bens,
prestação de serviços de interesse da saúde, ambientes e processos de
trabalho. A finalidade dessas ações é prevenir o aparecimento ou a
persistência de doenças, agravos e complicações preveníveis, evitar
intervenções desnecessárias e iatrogênicas e ainda estimular o uso racional
de medicamentos.
Para tanto é fundamental a integração do trabalho entre Atenção Básica e
Vigilância em Saúde, que é um processo contínuo e sistemático de coleta,
consolidação, análise e disseminação de dados sobre eventos relacionados à
saúde, visando ao planejamento e a implementação de medidas de saúde pública
para a proteção da saúde da população, a prevenção e controle de riscos, agravos
e doenças, bem como para a promoção da saúde.
As ações de Vigilância em Saúde estão inseridas nas atribuições de
todos os profissionais da Atenção Básica e envolvem práticas e processos de
trabalho voltados para:
a. vigilância da situação de saúde da população, com análises que
subsidiem o planejamento, estabelecimento de prioridades e
estratégias, monitoramento e avaliação das ações de saúde pública;
b. detecção oportuna e adoção de medidas adequadas para a
resposta de saúde pública;
c. vigilância, prevenção e controle das doenças transmissíveis; e
d)
vigilância das violências, das doenças crônicas não transmissíveis e
acidentes.
A AB e a Vigilância em Saúde deverão desenvolver ações integradas visando
à promoção da saúde e prevenção de doenças nos territórios sob sua

| 72
responsabilidade. Todos profissionais de saúde deverão realizar a no cação
compulsória e conduzir a investigação dos casos suspeitos ou confirmados de
doenças, agravos e outros eventos de relevância para a saúde pública, conforme
protocolos e normas vigentes. Compete à gestão municipal reorganizar o
território, e os processos de trabalho de acordo com a realidade local.
A integração das ações de Vigilância em Saúde com Atenção Básica,
pressupõe a reorganização dos processos de trabalho da equipe, a integração das
bases territoriais (território único), preferencialmente e rediscutir as ações e
atividades dos agentes comunitários de saúde e do agentes de combate às
endemias, com definição de papéis e responsabilidades.
A coordenação deve ser realizada por profissionais de nível superior das
equipes que atuam na Atenção Básica.
XIII.- Desenvolvimento de ações educativas por parte das equipes que atuam na
AB, devem ser sistematizadas de forma que possam interferir no processo de
saúde-doença da população, no desenvolvimento de autonomia, individual e
coletiva, e na busca por qualidade de vida e promoção do autocuidado pelos
usuários.
XIV.- Desenvolver ações intersetoriais, em interlocução com escolas,
equipamentos do SUAS, associações de moradores, equipamentos de
segurança, entre outros, que tenham relevância na comunidade,
integrando projetos e redes de apoio social, voltados para o
desenvolvimento de uma atenção integral;
XV.- Implementação de diretrizes de qualificação dos modelos de atenção e
gestão, tais como, a participação coletiva nos processos de gestão, a
valorização, fomento a autonomia e protagonismo dos diferentes sujeitos
implicados na produção de saúde, autocuidado apoiado, o compromisso
com a ambiência e com as condições de trabalho e cuidado, a constituição
de vínculos solidários, a identificação das necessidades sociais e
organização do serviço em função delas, entre outras;
XVI.- Participação do planejamento local de saúde, assim como do
monitoramento e a avaliação das ações na sua equipe, unidade e
município; visando à readequação do processo de trabalho e do
planejamento frente às necessidades, realidade, dificuldades e
possibilidades analisadas.

O planejamento ascendente das ações de saúde deverá ser elaborado de


forma integrada nos âmbitos das equipes, dos municípios, das regiões de saúde e
do Distrito Federal, partindo-se do reconhecimento das realidades presentes no
território que influenciam a saúde, condicionando as ofertas da Rede de Atenção
Saúde de acordo com a necessidade/demanda da população, com base em
parâmetros estabelecidos em evidências científicas, situação epidemiológica,
áreas de risco e vulnerabilidade do território adscrito.
As ações em saúde planejadas e propostas pelas equipes deverão considerar o

| 73
elenco de oferta de ações e de serviços prestados na AB, os indicadores e
parâmetros, pactuados no âmbito do SUS.
As equipes que atuam na AB deverão manter atualizadas as informações
para construção dos indicadores estabelecidos pela gestão, com base nos
parâmetros pactuados alimentando, de forma digital, o sistema de informação de
Atenção Básica vigente;
XVII.- Implantar estratégias de Segurança do Paciente na AB, estimulando
prática assistencial segura, envolvendo os pacientes na segurança, criando
mecanismos para evitar erros, garantir o cuidado centrado na pessoa,
realizando planos locais de segurança do paciente, fornecendo melhoria
contínua relacionando a identificação, a prevenção, a detecção e a redução
de riscos.
XVIII.- Apoio às estratégias de fortalecimento da gestão local e do controle
social, participando dos conselhos locais de saúde de sua área de
abrangência, assim como, articular e incentivar a participação dos
trabalhadores e da comunidade nas reuniões dos conselhos locais e
municipal; e
XIX.- Formação e Educação Permanente em Saúde, como parte do processo
de trabalho das equipes que atuam na Atenção Básica. Considera-se
Educação Permanente em Saúde (EPS) a aprendizagem que se desenvolve
no trabalho, onde o aprender e o ensinar se incorporam ao cotidiano das
organizações e do trabalho, baseando-se na aprendizagem significativa e
na possibilidade de transformar as práticas dos trabalhadores da saúde.
Nesse contexto, é importante que a EPS se desenvolva essencialmente em
espaços institucionalizados, que sejam parte do cotidiano das equipes
(reuniões, fóruns territoriais, entre outros), devendo ter espaço garantido
na carga horária dos trabalhadores e contemplar a qualificação de todos
da equipe multiprofissional, bem como os gestores.
Algumas estratégias podem se aliar a esses espaços institucionais em que
equipe e gestores refletem, aprendem e transformam os processos de
trabalho no dia-a-dia, de modo a potencializá- los, tais como Cooperação
Horizontal, Apoio Institucional, Tele Educação, Formação em Saúde.
Entende-se que o apoio Institucional deve ser pensado como uma função
gerencial que busca a reformulação do modo tradicional de se fazer
coordenação, planejamento, supervisão e avaliação em saúde. Ele deve
assumir como objetivo a mudança nas organizações, tomando como
matéria-prima os problemas e tensões do cotidiano Nesse sentido,
pressupõe-se o esforço de transformar os modelos de gestão verticalizados
em relações horizontais que ampliem a democratização, autonomia e
compromisso dos trabalhadores e gestores, baseados em relações
continuas e solidárias.
A Formação em Saúde, desenvolvida por meio da relação entre
trabalhadores da AB no território (estágios de graduação e residências,

| 74
projetos de pesquisa e extensão, entre outros), bene ciam AB e instituições
de ensino e pesquisa, trabalhadores, docentes e discentes e, acima de
tudo, a população, com profissionais de saúde mais qualificados para a
atuação e com a produção de conhecimento na AB.
Para o fortalecimento da integração entre ensino, serviços e comunidade
no âmbito do SUS, destaca-se a estratégia de celebração de instrumentos
contratuais entre instituições de ensino e serviço, como forma de garantir o
acesso a todos os estabelecimentos de saúde sob a responsabilidade do
gestor da área de saúde como cenário de práticas para a formação no
âmbito da graduação e da residência em saúde no SUS, bem como de
estabelecer atribuições das partes relacionadas ao funcionamento da
integração ensino-serviço- comunidade.
Além dessas ações que se desenvolvem no cotidiano das equipes, de forma
complementar, é possível oportunizar processos forma vos com tempo
definido, no intuito de desenvolver reflexões, conhecimentos,
competências, habilidades e atitudes específicas, através dos processos de
Educação Continuada, igualmente como estratégia para a qualificação da
AB. As ofertas educacionais devem, de todo modo, ser indissociadas das
temáticas relevantes para a Atenção Básica e da dinâmica cotidiana de
trabalho dos profissionais.

6- DO FINANCIAMENTO DAS AÇÕES DE ATENÇÃO BÁSICA


O financiamento da Atenção Básica deve ser tripartite e com detalhamento
apresentado pelo Plano Municipal de Saúde garantido nos instrumentos conforme
especificado no Plano Nacional, Estadual e Municipal de gestão do SUS. No âmbito
federal, o montante de recursos financeiros destinados à viabilização de ações de
Atenção Básica à saúde compõe o bloco de financiamento de Atenção Básica
(Bloco AB) e parte do bloco de financiamento de investimento e seus recursos
deverão ser u lizados para financiamento das ações de Atenção Básica.
Os repasses dos recursos da AB aos municípios são efetuados em conta
aberta especificamente para este m, de acordo com a normatização geral de
transferências de recursos fundo a fundo do Ministério da Saúde com o objetivo de
facilitar o acompanhamento pelos Conselhos de Saúde no âmbito dos municípios,
dos estados e do Distrito Federal.

O financiamento federal para as ações de Atenção Básica deverá ser


composto por:
I.- Recursos per capita; que levem em consideração aspectos
sociodemográficos e epidemiológicos;
II.- Recursos que estão condicionados à implantação de estratégias e
programas da Atenção Básica, tais como os recursos específicos para os
municípios que implantarem, as equipes de Saúde da Família (eSF), as
equipes de Atenção Básica (eAB), as equipes de Saúde Bucal (eSB), de

| 75
Agentes Comunitários de Saúde (EACS), dos Núcleos Ampliado de Saúde da
Família e Atenção Básica (Nasf-AB), dos Consultórios na Rua (eCR), de
Saúde da Família Fluviais (eSFF) e Ribeirinhas (eSFR) e Programa Saúde na
Escola e Programa Academia da Saúde;
III.- Recursos condicionados à abrangência da oferta de ações e serviços;
IV. IV - Recursos condicionados ao desempenho dos serviços de Atenção
Básica com parâmetros, aplicação e comparabilidade nacional, tal como o
Programa de Melhoria de Acesso e Qualidade;
V.- Recursos de investimento;

Os critérios de alocação dos recursos da AB deverão se ajustar conforme a


regulamentação de transferência de recursos federais para o financiamento das
ações e serviços públicos de saúde no âmbito do SUS, respeitando especificidades
locais, e critério definido na LC 141/2012.
I- Recurso per capita:
O recurso per capita será transferido mensalmente, de forma regular e
automática, do Fundo Nacional de Saúde aos Fundos Municipais de Saúde
e do Distrito Federal com base num valor multiplicado pela população do
Município. A população de cada município e do Distrito Federal será a
população definida pelo IBGE e publicada em portaria específica pelo
Ministério da Saúde.
II- Recursos que estão condicionados à implantação de estratégias e
programas da Atenção Básica

1. Equipe de Saúde da Família (eSF): os valores dos incentivos financeiros para


as equipes de Saúde da Família implantadas serão prioritário e superior,
transferidos a cada mês, tendo como base o número de equipe de Saúde da
Família (eSF) registrados no sistema de Cadastro Nacional vigente no mês anterior
ao da respectiva competência financeira. O valor do repasse mensal dos recursos
para o custeio das equipes de Saúde da Família será publicado em portaria
específica
2. Equipe de Atenção Básica (eAB): os valores dos incentivos financeiros para as
equipes de Atenção Básica (eAB) implantadas serão transferidos a cada mês,
tendo como base o número de equipe de Atenção Básica (eAB) registrados no
Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde vigente no mês
anterior ao da respectiva competência financeira. O percentual de financiamento
das equipes de Atenção Básica (eAB), será definido pelo Ministério da Saúde, a
depender da disponibilidade orçamentária e demanda de credenciamento.
3. Equipe de Saúde Bucal (eSB): Os valores dos incentivos financeiros quando as
equipes de Saúde da Família (eSF) e/ou Atenção Básica (eAB) forem compostas por
profissionais de Saúde Bucal, serão transferidos a cada mês, o valor
correspondente a modalidade, tendo como base o número de equipe de Saúde
Bucal (eSB) registrados no Sistema de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de

| 76
Saúde vigente no mês anterior ao da respectiva competência financeira. O repasse
mensal dos recursos para o custeio das Equipes de Saúde Bucal será publicado em
portaria específica.
4. Equipe Saúde da Família comunidades Ribeirinhas e Fluviais
4.1. Equipes Saúde da Família Ribeirinhas (eSFR): os valores dos
incentivos financeiros para as equipes de Saúde da Família Ribeirinhas
(eSFR) implantadas serão transferidos a cada mês, tendo como base o
número de equipe de Saúde da Família Ribeirinhas (eSFR) registrados no
sistema de Cadastro Nacional vigente no mês anterior ao da respectiva
competência financeira. O valor do repasse mensal dos recursos para o
custeio das equipes de Saúde da Família Ribeirinhas (eSFR) será publicado
em portaria específica e poderá ser agregado um valor nos casos em que a
equipe necessite de transporte uvial para acessar as comunidades
ribeirinhas adscritas para execução de suas a vidades.
4.2. Equipes de Saúde da Família Fluviais (eSFF): os valores dos incen
vos financeiros para as equipes de Saúde da Família Fluviais (eSFF)
implantadas serão transferidos a cada mês, tendo como base o número de
Unidades Básicas de Saúde Fluviais (UBSF) registrados no sistema de
Cadastro Nacional vigente no mês anterior ao da respectiva competência
financeira.
O valor do repasse mensal dos recursos para o custeio das Unidades
Básicas de Saúde Fluviais será publicado em portaria específica. Assim como, os
critérios mínimos para o custeio das Unidades preexistentes ao Programa de
Construção de Unidades Básicas de Saúde Fluviais.
4.3. Equipes Consultório na Rua (eCR)
Os valores do incentivo financeiro para as equipes dos Consultórios
na Rua (eCR) implantadas serão transferidos a cada mês, tendo como base
a modalidade e o número de equipes cadastradas no sistema de Cadastro
Nacional vigente no mês anterior ao da respectiva competência financeira.
Os valores do repasse mensal que as equipes dos Consultórios na Rua (eCR)
farão jus será definido em portaria específica.
5. Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB)
O valor do incentivo federal para o custeio de cada NASFAB, dependerá da
sua modalidade (1, 2 ou 3) e será determinado em portaria específica. Os valores
dos incentivos financeiros para os NASF-AB implantados serão transferidos a cada
mês, tendo como base o número de NASF-AB cadastrados no SCNES vigente.

6. Estratégia de Agentes Comunitários de Saúde (ACS)


Os valores dos incentivos financeiros para as equipes de ACS (EACS)
implantadas são transferidos a cada mês, tendo como base o número de Agentes
Comunitários de Saúde (ACS), registrados no sistema de Cadastro Nacional
vigente no mês anterior ao da respectiva competência financeira. Será repassada
uma parcela extra, no último trimestre de cada ano, cujo valor será calculado com

| 77
base no número de Agentes Comunitários de Saúde, registrados no cadastro de
equipes e profissionais do SCNES, no mês de agosto do ano vigente.

A efetivação da transferência dos recursos financeiros descritos no item B


tem por base os dados de alimentação obrigatória do Sistema de Cadastro
Nacional de Estabelecimentos de Saúde, cuja responsabilidade de manutenção e
atualização é dos gestores dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, estes
devem transferir os dados mensalmente, para o Ministério da Saúde, de acordo
com o cronograma definido anualmente pelo SCNES.

III (I) - Do credenciamento


Para a solicitação de credenciamento dos Serviços e de todas as equipes que
atuam na Atenção Básica, pelos Municípios e Distrito Federal, deve-se obedecer
aos seguintes critérios:
I - Elaboração da proposta de projeto de credenciamento das equipes que
atuam na Atenção Básica, pelos Municípios/Distrito Federal;
a. O Ministério da Saúde disponibilizará um Manual com as orientações
para a elaboração da proposta de projeto, considerando as diretrizes da
Atenção Básica;
b. A proposta do projeto de credenciamento das equipes que atuam na
Atenção Básica deverá estar aprovada pelo respectivo Conselho de Saúde
Municipal ou Conselho de Saúde do Distrito Federal; e
c. As equipes que atuam na Atenção Básica que receberão incentivo de
custeio fundo a fundo devem estar inseridas no plano de saúde e
programação anual.
II - Após o recebimento da proposta do projeto de credenciamento das eABs, as
Secretarias Estaduais de Saúde, conforme prazo a ser publicado em portaria
específica, deverão realizar:
a. Análise e posterior encaminhamento das propostas para aprovação da
Comissão Intergestores Bipar te (CIB); e
b. após aprovação na CIB, encaminhar, ao Ministério da Saúde, a Resolução
com o número de equipes por estratégia e modalidades, que pleiteiam
recebimento de incentivos financeiros da atenção básica.
Parágrafo único: No caso do Distrito Federal a proposta de projeto de
credenciamento das equipes que atuam na Atenção Básica deverá ser diretamente
encaminhada ao Departamento de Atenção Básica do Ministério da Saúde.
III.- O Ministério da Saúde realizará análise do pleito da Resolução CIB ou do
Distrito Federal de acordo com o teto de equipes, critérios técnicos e
disponibilidade orçamentária; e
IV.- Após a publicação de Portaria de credenciamento das novas equipes no Diário
Oficial da União, a gestão municipal deverá cadastrar a(s) equipe(s) no Sistema de
Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde , num prazo máximo de 4
(quatro) meses, a contar a partir da data de publicação da referida Portaria, sob

| 78
pena de descredenciamento da(s) equipe(s) caso esse prazo não seja cumprido.
Para recebimento dos incentivos correspondentes às equipes que atuam na
Atenção Básica, efetivamente credenciadas em portaria e cadastradas no Sistema
de Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde, os Municípios/Distrito
Federal, deverão alimentar os dados no sistema de informação da Atenção Básica
vigente, comprovando, obrigatoriamente, o início e execução das atividades.

1. Suspensão do repasse de recursos do Bloco da Atenção Básica


O Ministério da Saúde suspenderá o repasse de recursos da Atenção Básica aos
municípios e ao Distrito Federal, quando:
I - Não houver alimentação regular, por parte dos municípios e do Distrito Federal,
dos bancos de dados nacionais de informação, como:
a. inconsistência no Sistema de Cadastro Nacional de
Estabelecimentos de Saúde (SCNES) por duplicidade de
profissional, ausência de profissional da equipe mínima ou erro no
registro, conforme normatização vigente; e
b. não envio de informação (produção) por meio de Sistema de
Informação da Atenção Básica vigente por três meses consecutivos,
conforme normativas específicas.
- identificado, por meio de auditoria federal, estadual e municipal, malversação ou
desvio de finalidade na utilização dos recursos. Sobre a suspensão do repasse dos
recursos referentes ao item II :
O Ministério da Saúde suspenderá os repasses dos incentivos referentes às
equipes e aos serviços citados acima, nos casos em que forem constatadas, por
meio do monitoramento e/ou da supervisão direta do Ministério da Saúde ou da
Secretaria Estadual de Saúde ou por auditoria do DENASUS ou dos órgãos de
controle competentes, qualquer uma das seguintes situações:
I.- inexistência de unidade básica de saúde cadastrada para o
trabalho das equipes e/ou;
II.- ausência, por um período superior a 60 dias, de qualquer um dos
profissionais que compõem as equipes descritas no item B, com
exceção dos períodos em que a contratação de profissionais esteja
impedida por legislação específica, e/ou;
III.- descumprimento da carga horária mínima prevista para os
profissionais das equipes; e
< >- ausência de alimentação regular de
dados no Sistema de Informação da Atenção Básica vigente.
Especificamente para as equipes de saúde da família (eSF) e equipes de
Atenção Básica (eAB) com os profissionais de saúde bucal.
As equipes de Saúde da Família (eSF) e equipes de Atenção Básica (eAB) que
sofrerem suspensão de recurso, por falta de profissional conforme previsto acima,
poderão manter os incentivos financeiros específicos para saúde bucal, conforme
modalidade de implantação.
Parágrafo único: A suspensão será mantida até a adequação das irregularidades

| 79
identificadas.

6.2- Solicitação de crédito retroativo dos recursos suspensos Considerando


a ocorrência de problemas na alimentação do SCNES e do sistema de informação
vigente, por parte dos estados, Distrito Federal e dos municípios, o Ministério da
Saúde poderá efetuar crédito retroativo dos incentivos financeiros deste recurso
variável. A solicitação de retroativo será válida para análise desde que a mesma
ocorra em até 6 meses após a competência financeira de suspensão. Para solicitar
os créditos retroativos, os municípios e o Distrito Federal deverão:
< >- preencher o formulário de solicitação, conforme será disponibilizado em
manual específico;- realizar as adequações necessárias nos sistemas vigentes
(SCNES e/ou SISAB) que jus quem o pleito de retroativo; e- enviar o cio à Secretaria
de Saúde de seu estado, pleiteando o crédito retroativo , acompanhado do anexo
referido no item I e documentação necessária a depender do motivo da
suspensão.
Parágrafo único: as orientações sobre a documentação a ser encaminhada na
solicitação de retroativo constarão em manual específico a ser publicado.
As Secretarias Estaduais de Saúde, após analisarem a documentação
recebida dos municípios, deverão encaminhar ao Departamento de Atenção
Básica da Secretaria de Atenção à Saúde, Ministério da Saúde (DAB/SAS/MS), a
solicitação de complementação de crédito dos incentivos tratados nesta Portaria,
acompanhada dos documentos referidos nos itens I e II. Nos casos em que o
solicitante de crédito retroativo for o Distrito Federal, o ofício deverá ser
encaminhado diretamente ao DAB/SAS/MS.
O DAB/SAS/MS procederá à análise das solicitações recebidas, verificando a
adequação da documentação enviada e dos sistemas de informação vigentes
(SCNES e/ou SISAB), bem como a pertinência da justificativa do gestor, para
deferimento ou não da solicitação.

MUDANÇAS NA ATUALIZAÇÃO DA PNAB (2017)


Reconhecimento de outros formatos de equipe
No atual texto da PNAB, as equipes de outros formatos apareciam sem definição
específica e sem financiamento. A proposta traz obrigações que atendam os
princípios e diretrizes propostas para a Atenção Básica. A gestão municipal poderá
compor equipes de AB de acordo com características e necessidades locais e
deverão ser compostas minimamente por médicos, enfermeiros, auxiliares de
enfermagem e ou técnicos de enfermagem. A mudança englobaria as equipes que
já existem e são financiadas apenas pelo município. De acordo com o SISAB,
cobrem 10% da população do país.
Gerente de Unidade Básica de Saúde (UBS)

| 80
Recomenda-se a inclusão do Gerente de Atenção Básica com o objetivo de
contribuir para o aprimoramento e qualificação do processo de trabalho nas UBS,
em especial ao fortalecer a atenção à saúde prestada pelos profissionais das
equipes à população adscrita. A inclusão deste profissional deve ser avaliada pelo
gestor, segundo a necessidade do território e cobertura de AB.
Prazo de implantação
Não havia período definido para implantação de equipes depois da publicação do
credenciamento em Portaria. A proposta define o prazo máximo de quatro meses
para que o gestor municipal implante a equipe de saúde.
Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf)
O Nasf foi criado com o objetivo de ampliar a abrangência e o escopo das ações da
Atenção Básica, bem como sua resolutividade. A minuta propõe que essas equipes
multiprofissionais passem a complementar não só equipes de Saúde da Família,
mas também equipes de AB “tradicionais”. Por isso, o nome mudaria para Núcleo
Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (Nasf-AB).
Teto populacional
O texto proposto reduz a população adscrita por equipe de Atenção Básica e de
Saúde da Família de quatro mil pessoas localizadas dentro do seu território para
2.000 a 3.500, garantindo os princípios e diretrizes da AB.
Incorporação do Registro Eletrônico em Saúde
Para a atualização da PNAB, o texto reforça e garante a continuidade do uso dos
sistemas de informação em saúde da estratégia e-SUS AB, colocando como
responsabilidades dos entes federados desenvolver, disponibilizar e implantar
essas ferramentas e o prontuário eletrônico. A diretriz está em conformidade com
o plano de informatização das UBS, uma das prioridades do Ministério da Saúde.
Integração Vigilância em Saúde e Atenção Básica
Essa medida pressupõe a reorganização dos processos de trabalho da equipe, a
integração das bases territoriais (território único), o que melhoraria a cobertura, e
a discussão das ações e atividades dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e dos
Agentes de Combate às Endemias (ACE), com definição de papéis e
responsabilidades. Desta forma, abriria a possibilidade do ACE de compor a
equipe de AB para ampliar o atendimento à população.

Questões
1. INSTITUTO AOCP - UFPB – Psicólogo – 2019
Dentre os dispositivos clínicos utilizados pelo psicólogo, há aquele entendido
como uma proposta voltada para a melhoria das relações entre os serviços de

| 81
saúde e os usuários do serviço, primando-se pela escuta, pelo processamento da
demanda dos sujeitos e, quando possível, pela resolução imediata do problema.
Assinale a alternativa que corresponde a esse dispositivo.
A Integralidade.
B Acolhimento.
C Formação de vínculo.
D Aliança terapêutica.
E Humanização.

2. Instituto AOCP - TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - Analista Judiciário – Psicologia –


2018
O matriciamento, ou apoio matricial em saúde mental, foi formulado a partir do
reconhecimento da necessidade de envolver a atenção básica para a efetivação
das mudanças propostas pela reforma psiquiátrica, sobretudo fortalecendo o
vínculo no território. Em relação ao matriciamento em saúde mental, é correto
afirmar que
A se constitui enquanto intervenção psicossocial coletiva realizada apenas pelo
profissional de saúde mental.
B se caracteriza por realizar encaminhamento ao profissional especializado.
C é formado pelas seguintes equipes: núcleo de apoio, equipe de referência e
equipe de apoio matricial.
D o PTS (Projeto Terapêutico Singular) não é considerado organizador das ações
em saúde.
E a interconsulta é o principal instrumento do apoio matricial na atenção primária,
sendo uma ação colaborativa entre profissionais de diferentes áreas.

3. Instituto AOCP - EBSERH - Psicólogo Hospitalar - 2015


Sobre a ética aplicada à prática da saúde mental, o psicólogo inserido nestas
equipes hospitalares tem uma ética própria que se aplica ao aspecto
A moral.
B da escuta.
C da responsabilidade.
D da escuta e da responsabilidade.
E do dever.

4. CESPE – EBSERH – Psicólogo Hospitalar – 2018


Julgue os itens a seguir, acerca do trabalho do psicólogo na área de psicologia da
saúde, no contexto hospitalar.
Os conhecimentos que o psicólogo utiliza na sua atuação em hospitais incluem
conteúdos da psicopatologia, fisiologia, neurociência, psicologia social e
abordagens comportamentais e cognitivas.
( ) Certo ( ) Errado

| 82
5. CESPE – EBSERH – Psicólogo Hospitalar – 2018
A teoria sistêmica do comportamento não é mais utilizada no trabalho de
psicologia da saúde porque é fundamentada no modelo biomédico.
( ) Certo ( ) Errado

6. CESPE – EBSERH – Psicólogo Hospitalar – 2018


O trabalho do psicólogo junto a portadores de doenças crônicas inclui cuidados
preventivos nos níveis secundário e terciário de assistência.
( ) Certo ( ) Errado

7. CESPE – EBSERH – Psicólogo Hospitalar – 2018


A prevenção de doenças e a promoção da saúde em pediatria devem acontecer
desde o nascimento da criança, usando-se as premissas da psicoeducação para
treinar pais e cuidadores no manejo dos diferentes aspectos ambientais e
comportamentais da criança, conforme a realidade de cada família.
( ) Certo ( ) Errado

8. CESPE – STJ – Psicólogo – 2018


Julgue os próximos itens, relativos à psicologia da saúde.
A intervenção psicológica em recaída de alcoolismo baseia-se em
estratégias terapêuticas de prevenção, tais como a monitoração dos estados
afetivos ou cognitivos do paciente associado ao desejo do uso; devendo-se evitar
elogios pelo sucesso obtido, devido às frustrações em casos de recaída.
( ) Certo ( ) Errado

9. CESPE – STJ – Psicólogo – 2018


Na prevenção primária relacionada ao uso e consumo de substâncias, a
intervenção breve, que pode ser aplicada, entre outros, por médicos, psicólogos e
enfermeiros, apresenta-se como um instrumento eficaz com foco na prevenção ou
promoção de saúde e na concepção de saúde ampliada.
( ) Certo ( ) Errado

10. CESPE – STJ – Psicólogo – 2018


O paradigma biopsicossocial amplia o significado sobre saúde-doença,
proporcionando uma visão integral do ser e do adoecer, e compreende as
dimensões físicas, psicológicas e sociais.
( ) Certo ( ) Errado

11. CESPE – STJ – Psicólogo – 2018


Na investigação de pensamentos, planos e comportamentos suicidas, deve-se
evitar indagar especificamente sobre a presença de ideias de insatisfação com a

| 83
vida, pois, quanto mais intenso for o desejo de morrer e menor a ambivalência
entre morrer e viver, maior será́ o risco de suicídio.
( ) Certo ( ) Errado

12. CESPE - TCE-PA - Auditor de Controle Externo - Psicologia - 2016


Acerca da psicologia da saúde, julgue o próximo item.
Os psicólogos da saúde trabalham a partir de uma perspectiva biopsicossocial da
doença, ou seja, reconhecem que a saúde e a doença, no indivíduo, relacionam-se
a fatores psicológicos e socioculturais.
( ) Certo ( ) Errado

13. CESPE - TCE-PA - Auditor de Controle Externo - Psicologia - 2016


Acerca da psicologia da saúde, julgue o próximo item.
A prevenção secundária envolve ações para conter ou retardar os danos causados
pela doença em estágios avançados e para proporcionar às pessoas o maior nível
possível de reabilitação.
( ) Certo ( ) Errado

14. CESPE – TRE/BA – Psicologia – 2009.


Julgue os itens que se seguem, relativos ao papel do psicólogo na equipe
de cuidados básicos à saúde.
O psicólogo da saúde incluído em equipes multidisciplinares exerce sua
prática clínica com as pessoas da comunidade, auxiliando, ainda, no processo
educacional dos agentes de saúde por meio de dinâmicas de grupos e debates
acerca dos assuntos daquela comunidade.
( ) Certo ( ) Errado

15. CESPE – TRE/BA – Psicologia – 2009.


A abordagem comportamental coleta e registra as contingências do
programa de saúde, por meio de análises funcionais do comportamento, do
mapeamento de estimulação aversiva e da falta de repertório comportamental, e
oferece psicoterapia para a comunidade e para os membros do programa, com o
objetivo de modificar comportamentos alvos.
( ) Certo ( ) Errado

16. CESPE – TRE/BA – Psicologia – 2009.


O profissional com especialidade em psicologia do trabalho faz levantamentos
acerca da estrutura e funcionamento do programa de cuidados básicos à saúde
junto a médicos e coordenadores, pesquisa assuntos pertinentes à motivação dos
técnicos e seleciona e capacita os agentes de saúde segundo as necessidades da
comunidade.
( ) Certo ( ) Errado

| 84
17. CESPE – TRE/BA – Psicologia – 2009.
A abordagem psicanalítica investiga dados pertinentes à relação dos
indivíduos e suas influências nos conflitos, realiza psicoterapia especificamente
grupal, baseada na psicodinâmica, identifica sintomas que indiquem aspectos da
subjetividade do sujeito e promove grupos de reflexão entre membros do
programa e da comunidade.
( ) Certo ( ) Errado

18. CESPE – TRE/BA – Psicologia – 2009.


O psicólogo educacional planeja programas de educação em prevenção e
promoção de saúde da criança —, relativos à educação sexual — e da mulher —
nos cuidados com a gravidez e com os filhos — e delega aos agentes a atuação
junto à comunidade, organizando atividades de lazer, eventos contra estresse e
atividades relativas à qualidade de vida na terceira idade.
( ) Certo ( ) Errado

19. CESPE – TRE/BA – Psicologia – 2009.


A abordagem psicodramática descreve como se dá a relação dos sujeitos
como seres no mundo, procurando compreender não apenas a casualidade, mas
também maneira como esta se estruturou, e promovendo reflexões críticas acerca
de temas diversos entre membros do programa e da comunidade.
( ) Certo ( ) Errado

20. CESPE – TRE/BA – Psicologia – 2009.


A abordagem fenomenológica promove debates em grupos, com a
finalidade de construir melhores relações entre sujeitos inseridos em suas famílias
e na comunidade, mediante de dinâmicas de grupos e outras técnicas de
psicoterapia em grupo.
( ) Certo ( ) Errado

21. CESPE – MPU – Psicólogo – 2013


Embora as estratégias de enfrentamento a doenças sejam específicas para
cada indivíduo, as pessoas reagem da mesma maneira diante de qualquer
processo de adoecimento.
( ) Certo ( ) Errado

22. CESPE – MPU – Psicólogo – 2013


A oferta de um serviço de assistência em grupo para tratamento do
tabagismo é uma iniciativa de cuidados terciários que pode prevenir a ocorrência
de câncer e doenças pulmonares.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: E
Comentários: Se é para prevenir, é atenção primária e não terciária.

| 85
23. COMPERVE – UFRN - Psicólogo Clínico – 2017
Na perspectiva da clínica, a psicologia da saúde pode ser compreendida como
a) o modelo de abordagem interdisciplinar, restrita ao nível secundário de
atendimento e com atuação limitada a hospitais, característica de atuação
institucional, na qual o trabalho do psicólogo é independente do serviço médico.
b) a área que aplica conhecimentos científicos específicos da psicologia sobre as
interrelações entre componentes emocionais, cognitivos, sociais e biológicos da
saúde e da doença para promoção e manutenção da saúde, prevenção,
tratamento e reabilitação da doença e da incapacidade.
c) a abordagem baseada na premissa de que conflitos internos ou estilos de
personalidade causam doenças e, desequilibram a dimensão emocional dos
indivíduos, o que acarreta danos nos planos comportamentais, cognitivos e
sociais.
d) o campo interdisciplinar em que médicos e psicólogos trabalham com base na
pesquisa, atuando de forma independente, na área específica de suas atribuições
e competências, de modo a favorecer a saúde do individuo de maneira holística.

24. COMPERVE – UFRN - Psicólogo Clínico – 2015


Em 2004, o Ministério da Saúde implementa o PNH (Projeto Nacional de
Humanização), publicando a cartilha sobre a Clínica Ampliada, dentro do Projeto
HumanizaSUS, reconhecendo que o fator humano estava ausente do nosso
sistema de saúde. Assim, a clínica ampliada em Psicologia consiste em
a) uma prática que envolve atendimento multidisciplinar à problemática
vivenciada pelo paciente.
b) uma prática que pode envolver várias abordagens psicológicas , de acordo com
o paciente em questão.
c) uma prática comprometida com o contexto sócio-político-cultural das pessoas,
considerando especificidades dos significados e sentidos, e com os aspectos
ambientais, culturais, sociais, etc.
d) uma prática que está atenta para além das queixas psicológicas, integrando
também os aspectos biológicos.

25. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Clínico – 2015


Todos os anos são registrados cerca de 10.000 suicídios no Brasil, o que é
considerado um grave problema de saúde pública. Os principais fatores de risco
dessa problemática são:
A) presença de doença mental, ser do sexo feminino, relato de pensamento suicida
e conflitos familiares.
B) tentativa prévia de suicídio, presença de doença mental, sentimento de
desesperança e ser do sexo masculino.
C) história familiar de suicídio, depressão, ser do sexo feminino, ser de meia idade.
D) ser jovem, fazer uso de drogas, introversão e isolamento social.

| 86
26. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009
O conceito atual de saúde é
A) expressão de felicidade e prazer constantes.
B) resultado da produção social expressa pela qualidade de vida individual ou
coletiva.
C) condição de existência das pessoas no seu aspecto individual.
D) conseqüência de acesso a bens de consumo e lazer.

27. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


Na relação entre o terapeuta e o paciente, nos serviços ambulatoriais de saúde
mental, verifica-se que
A) o paciente, ao escolher o profissional, está ciente das diferenças culturais que
existem.
B) os pacientes, em sua maioria, verbalizam a existência de conflito, com clara
demanda de atendimento psicológico.
C) a autoridade atribuída ao terapeuta, por seu saber, é recoberta fortemente pela
marca do poder de sua classe.
D) as características vinculadas ao modo de inserção na escala social são
compartilhadas por ambos.

28. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


Ao longo de sua história, o hospital tem desempenhado diferentes atribuições.
Atualmente,
A) no entanto, ele ainda age, prioritariamente, como um controlador social de
produção.
B) ele consiste em uma prática concreta, mas foi transformado num mecanismo
coordenador de atenção.
C) os trabalhos de equipe possibilitam que os agentes mantenham controle global
do trabalho no hospital.
D) o claro domínio na relação médico-paciente não existe mais, no hospital.

29. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


O acompanhamento psicológico conduzido em ambulatórios de hospitais gerais é
proposto a pacientes
A) cujo problema emocional guarde estreita ligação com a patologia orgânica.
B) que apresentem uma demanda por atenção primária em saúde mental.
C) cuja questão psicológica não seja conseqüência de uma patologia funcional
orgânica.
D) que tenham sido encaminhados por serviços de saúde mental de sua região.

30. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009

| 87
A interconsulta, como uma das formas de atuação do psicólogo nas instituições de
saúde, tem como principal objetivo
A) oferecer atendimento terapêutico aos psicólogos que atuam nessas
instituições.
B) avaliar administrativamente o desempenho da equipe.
C) estimular os profissionais de saúde a promoverem sua auto-análise.
D) avaliar os serviços prestados pela equipe à instituição.

31. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


A atuação do psicólogo em atendimento a um paciente em estágio terminal de
uma doença, inclui
A) levar o paciente a aderir melhor ao tratamento.
B) permitir o prolongamento da vida.
C) trabalhar com o material que o paciente manifestar.
D) orientar familiares quanto à evolução do estado psíquico do paciente.

32. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


O papel fundamental da atuação do psicólogo, em uma equipe multiprofissional, é
A) integrar os profissionais da equipe, possibilitando ações de tratamento
conjuntas.
B) ensinar os psicólogos a trabalharem em equipe nas diversas ações terapêuticas.
C) desmistificar preconceitos e resistências dos psicólogos da equipe quanto à
terapêutica.
D) desmistificar os preconceitos e as resistências quanto à atividade do psicólogo.

33. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


São os seguintes os três tipos de discursos estratégicos que, no Brasil, desenharam
as linhas no campo da Saúde Mental:
A) psiquiátrico, organicista e institucional.
B) organicista, preventivista e psicoterápico.
C) sociológico, institucional e psicológico.
D) sociogenético, psicogenético e organicista.

34. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


No Brasil, atualmente, a assistência em Saúde Mental procura romper com uma
prática ambulatorial centrada na avaliação diagnóstica e na medicalização.
Esse processo de ruptura pode ser entendido como uma
A) construção de um novo paradigma.
B) modernização do modelo atual, em relação ao anterior.
C) humanização do sistema de saúde.
D) metamorfose em um modelo ambulatorial.

35. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009

| 88
Em suas atividades de contato com as pessoas, o psicólogo pode deparar com
copping, que é a
A) alteração da expressão afetiva.
B) capacidade de auto-reconhecimento.
C) alteração de personalidade esquizóide.
D) capacidade de enfrentamento.

Questões Comentadas e Gabaritadas


1. INSTITUTO AOCP - UFPB – Psicólogo – 2019
Dentre os dispositivos clínicos utilizados pelo psicólogo, há aquele entendido
como uma proposta voltada para a melhoria das relações entre os serviços de
saúde e os usuários do serviço, primando-se pela escuta, pelo processamento da
demanda dos sujeitos e, quando possível, pela resolução imediata do problema.
Assinale a alternativa que corresponde a esse dispositivo.
A Integralidade.
B Acolhimento.
C Formação de vínculo.
D Aliança terapêutica.
E Humanização.
Gabarito: B
Comentário: Falou em acolhimento e resolutividade em. uma única frase,
identifique sempre: acolhimento.

2. Instituto AOCP - TRT - 1ª REGIÃO (RJ) - Analista Judiciário – Psicologia –


2018
O matriciamento, ou apoio matricial em saúde mental, foi formulado a partir do
reconhecimento da necessidade de envolver a atenção básica para a efetivação
das mudanças propostas pela reforma psiquiátrica, sobretudo fortalecendo o
vínculo no território. Em relação ao matriciamento em saúde mental, é correto
afirmar que
A se constitui enquanto intervenção psicossocial coletiva realizada apenas pelo
profissional de saúde mental.
B se caracteriza por realizar encaminhamento ao profissional especializado.
C é formado pelas seguintes equipes: núcleo de apoio, equipe de referência e
equipe de apoio matricial.
D o PTS (Projeto Terapêutico Singular) não é considerado organizador das ações
em saúde.
E a interconsulta é o principal instrumento do apoio matricial na atenção primária,
sendo uma ação colaborativa entre profissionais de diferentes áreas.
Gabarito: E

| 89
Comentário: Conforme estudamos: Matriciamento ou apoio matricial é
um novo modo de produzir saúde em que duas ou mais equipes, num processo de
construção compartilhada, criam uma proposta de intervenção pedagógico-
terapêutica.

3. Instituto AOCP - EBSERH - Psicólogo Hospitalar - 2015


Sobre a ética aplicada à prática da saúde mental, o psicólogo inserido nestas
equipes hospitalares tem uma ética própria que se aplica ao aspecto
A moral.
B da escuta.
C da responsabilidade.
D da escuta e da responsabilidade.
E do dever.
Gabarito: D
Comentário: Seu compromisso é com o cliente, com o demandante. Nesse
sentido, ele deve atuar eticamente não por ser o seu dever, mas pelo
entendimento do outro. Assim, sua ética parte da escuta e da responsabilidade.
Tá, minha explicação ficou meio fraquinha, não foi? Ok, eles copiaram e
colaram daqui:

No que diz respeito aos aspectos éticos em psiquiatria, Pitta (2001) aponta
a escuta e a responsabilidade como os dois principais pontos. O ato psicológico de
ouvir o outro e buscar decifrar seus códigos, nem sempre claros, relaciona-se a
necessidade de uma escuta ativa, de não fazer-se indiferente. Com relação à ética
da responsabilidade, faz-se necessário o fornecimento da assistência tanto do
ponto de vista jurídico, técnico e administrativo, como a reflexão e discussão das
intervenções objetivando seu aprimoramento.

A Psicologia da Saúde, além da visão interdisciplinar, direciona-se para os


aspectos de qualidade de vida do ser humano no processo saúde-doença. Essa
preocupação refere-se a um movimento dentro das ciências humanas e biológicas
no sentido de valorizar princípios éticos tanto quanto o controle de sintomas, a
diminuição da mortalidade ou aumento da expectativa de vida (Seidl & Zannon,
2004).

Fonte: CALVETTI, Prisla Ucker; FIGHERA, Jossiele; MULLER, Marisa Campio. A


bioética nas intervenções em psicologia da saúde. Psic, São Paulo , v. 9, n. 1, p.
115-120, jun. 2008 . Disponível em
<http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1676-
73142008000100014&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 05 out. 2019.

4. CESPE – EBSERH – Psicólogo Hospitalar – 2018

| 90
Julgue os itens a seguir, acerca do trabalho do psicólogo na área de psicologia da
saúde, no contexto hospitalar.
Os conhecimentos que o psicólogo utiliza na sua atuação em hospitais incluem
conteúdos da psicopatologia, fisiologia, neurociência, psicologia social e
abordagens comportamentais e cognitivas.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Certo
Comentários: Absolutamente correto. Praticamente toda a psicologia entra em
ação na área da psicologia da saúde e em hospitais.

5. CESPE – EBSERH – Psicólogo Hospitalar – 2018


A teoria sistêmica do comportamento não é mais utilizada no trabalho de
psicologia da saúde porque é fundamentada no modelo biomédico.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Errado
Comentários: Primeiro, a teoria sistêmica não é fundamentada no modelo
biomédico. Segundo, ela ainda é bastante utilizada.

6. CESPE – EBSERH – Psicólogo Hospitalar – 2018


O trabalho do psicólogo junto a portadores de doenças crônicas inclui cuidados
preventivos nos níveis secundário e terciário de assistência.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Certo
Comentários: Sim, a banca elaborou mal essa assertiva. Ela é de 2018 e ainda
chama atenção à saúde como se chamava antigamente, creio que para maltratar
mesmo. A palavra preventivo tem o sentido de “nível de atenção”. Não é a
primeira vez que a banca faz isso e não será a última. Ah, quais os níveis de
“prevenção/atenção à saúde” que o psicólogo desenvolve no hospital? Somente o
secundário e terciário.

7. CESPE – EBSERH – Psicólogo Hospitalar – 2018


A prevenção de doenças e a promoção da saúde em pediatria devem acontecer
desde o nascimento da criança, usando-se as premissas da psicoeducação para
treinar pais e cuidadores no manejo dos diferentes aspectos ambientais e
comportamentais da criança, conforme a realidade de cada família.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Certo
Comentários: O trabalho do psicólogo nos níveis primários de atenção à saúde
(prevenção e promoção à saúde) em pediatria inclui o envolvimento da
família/cuidadores e a sua orientação.

8. CESPE – STJ – Psicólogo – 2018

| 91
Julgue os próximos itens, relativos à psicologia da saúde.
A intervenção psicológica em recaída de alcoolismo baseia-se em
estratégias terapêuticas de prevenção, tais como a monitoração dos estados
afetivos ou cognitivos do paciente associado ao desejo do uso; devendo-se evitar
elogios pelo sucesso obtido, devido às frustrações em casos de recaída.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Errada
Comentários: Evitar elogios? De onde?

9. CESPE – STJ – Psicólogo – 2018


Na prevenção primária relacionada ao uso e consumo de substâncias, a
intervenção breve, que pode ser aplicada, entre outros, por médicos, psicólogos e
enfermeiros, apresenta-se como um instrumento eficaz com foco na prevenção ou
promoção de saúde e na concepção de saúde ampliada.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Certo
Comentários: Não sei justificar essa. De verdade. Se souber, dá um help. O que é
essa djaba de intervenção breve?

10. CESPE – STJ – Psicólogo – 2018


O paradigma biopsicossocial amplia o significado sobre saúde-doença,
proporcionando uma visão integral do ser e do adoecer, e compreende as
dimensões físicas, psicológicas e sociais.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Certo
Comentários: É a visão atual. Se liga ai, tudo para a banca é multiprofissional, bio-
psico-social e sistêmico.

11. CESPE – STJ – Psicólogo – 2018


Na investigação de pensamentos, planos e comportamentos suicidas, deve-se
evitar indagar especificamente sobre a presença de ideias de insatisfação com a
vida, pois, quanto mais intenso for o desejo de morrer e menor a ambivalência
entre morrer e viver, maior será́ o risco de suicídio.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Errada
Comentários: No trabalho com suicidas deve-se ser direto, isso inclui perguntar
em toda sessão se o paciente possui planos de se matar.

12. CESPE - TCE-PA - Auditor de Controle Externo - Psicologia - 2016


Acerca da psicologia da saúde, julgue o próximo item.
Os psicólogos da saúde trabalham a partir de uma perspectiva biopsicossocial da
doença, ou seja, reconhecem que a saúde e a doença, no indivíduo, relacionam-se
a fatores psicológicos e socioculturais.

| 92
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Certo
Comentários: Definição cristalina. Digna de grifo.

13. CESPE - TCE-PA - Auditor de Controle Externo - Psicologia - 2016


Acerca da psicologia da saúde, julgue o próximo item.
A prevenção secundária envolve ações para conter ou retardar os danos causados
pela doença em estágios avançados e para proporcionar às pessoas o maior nível
possível de reabilitação.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: Errado
Comentários: Essa é a prevenção terciária.

14. CESPE – TRE/BA – Psicologia – 2009.


Julgue os itens que se seguem, relativos ao papel do psicólogo na equipe
de cuidados básicos à saúde.
O psicólogo da saúde incluído em equipes multidisciplinares exerce sua
prática clínica com as pessoas da comunidade, auxiliando, ainda, no processo
educacional dos agentes de saúde por meio de dinâmicas de grupos e debates
acerca dos assuntos daquela comunidade.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: C
Comentários: Nas equipes multidisciplinares, apesar do CESPE não se deter
sempre na diferenciação dos conceitos de transdisciplinaridade e
interdisciplinaridade, temos o psicólogo utilizando seu referencial integrado de
sujeito e adoecimento – a partir de uma perspectiva sistêmica – para integrar às
ações básicas de saúde. Desse modo, ações educativas são próprias da
intervenção do psicólogo em equipes básicas de saúde.

15. CESPE – TRE/BA – Psicologia – 2009.


A abordagem comportamental coleta e registra as contingências do
programa de saúde, por meio de análises funcionais do comportamento, do
mapeamento de estimulação aversiva e da falta de repertório comportamental, e
oferece psicoterapia para a comunidade e para os membros do programa, com o
objetivo de modificar comportamentos alvos.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: C
Comentários: Essa é a definição clara do comportamentalismo aplicado às
atividades do psicólogo em nível básico.

16. CESPE – TRE/BA – Psicologia – 2009.


O profissional com especialidade em psicologia do trabalho faz levantamentos
acerca da estrutura e funcionamento do programa de cuidados básicos à saúde

| 93
junto a médicos e coordenadores, pesquisa assuntos pertinentes à motivação dos
técnicos e seleciona e capacita os agentes de saúde segundo as necessidades da
comunidade.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: C
Comentários: Correto novamente, veja que estamos diante de ações primárias em
um contexto multidisciplinar.

17. CESPE – TRE/BA – Psicologia – 2009.


A abordagem psicanalítica investiga dados pertinentes à relação dos
indivíduos e suas influências nos conflitos, realiza psicoterapia especificamente
grupal, baseada na psicodinâmica, identifica sintomas que indiquem aspectos da
subjetividade do sujeito e promove grupos de reflexão entre membros do
programa e da comunidade.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: E
Comentários: A base psicanalítica é fundamentalmente uma abordagem
orientada para reminiscências do passado através da livre associação e, além
disso, sua atuação é eminentemente individual e não grupal.

18. CESPE – TRE/BA – Psicologia – 2009.


O psicólogo educacional planeja programas de educação em prevenção e
promoção de saúde da criança —, relativos à educação sexual — e da mulher —
nos cuidados com a gravidez e com os filhos — e delega aos agentes a atuação
junto à comunidade, organizando atividades de lazer, eventos contra estresse e
atividades relativas à qualidade de vida na terceira idade.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: E
Comentários: Essa parte de delegar aos agentes competências é parte das
atribuições do Psicólogo do Trabalho no contexto da atenção básica da saúde.
Veja:
Quanto a campos de Atuação:
Psicólogo da Saúde: Atuação voltada a equipe multidisciplinar no sentido
de contribuir com a promoção e prevenção de Saúde nas comunidades e
suas Famílias, podendo ainda, estender suas técnicas psicoterapias aos
outros técnicos do PSF como por exemplo, promovendo dinâmicas de
grupos com finalidade de aprendizado, debates e discussões sobre
assuntos da comunidade, contribuindo com pesquisas sobre a área da
Saúde, enfim, auxiliando nos processos Educacionais dos Agentes de
Saúdes, entre outras possibilidades
Psicólogo do Trabalho: Realizar levantamentos acerca da estrutura e
funcionamento do PFS junto a Médicos e Gerentes, no sentido de alinhar os
outros membros da equipe as necessidades da comunidade, pesquisar

| 94
assuntos pertinentes a motivação dos técnicos, escolha e captação de
agentes de saúde segundo as necessidades da comunidade local, realizar
pesquisas acerca do desempenho prestados pelos mais diferentes PSFs
com a finalidade de igualar e melhorar a qualidade no atendimento e
prestação de serviços, uma padronização, etc.
Psicólogo Educacional: Planejamento de Programas de educação com
foco de prevenção e promoção de saúde à crianças (Higiene bucal,
educação sexual, etc.), à mulheres (cuidados com a gravidez, cuidados com
crianças, etc.) à adolescentes (Uso e abuso de drogas, violência, etc.) à
comunidade em geral (Mutirões contra doenças infecto – contagiosas e
degenerativas, contra estresse, promoção de lazer e qualidade de vida,
etc.) à idosos (qualidade de vida na 3º idade, relação com a família, etc.), à
famílias com membros excepcionais (Suas limitações, o mercado – de –
trabalho, etc.), enfim, muitas possibilidades de atuação com práticas
educacionais dentro do PSF que contribuiriam significativamente com o
impacto positivo deste programa nas comunidades e suas famílias.
Fonte: Silva, D., Perestrelo, D., Alencar, E. Programa de saúde da família – PSF:
Uma reflexão crítica dos PSFs sob a ótica da disciplina “Psicologia e Saúde
Coletiva” da graduação de Psicologia do Centro Universitário Nove de Julho –
UNINOVE. 2006. Disponível em: http://www.redepsi.com.br/2006/09/04/programa-
de-sa-de-da-fam-lia-psf-uma-reflex-o-cr-tica-dos-psfs-sob-a-tica-da-disciplina-
psicologia-e-sa-de-coletiva-da-gradua-o-de-psicologia-do-centro-universit-rio-
nove-de-julho-uninove/

19. CESPE – TRE/BA – Psicologia – 2009.


A abordagem psicodramática descreve como se dá a relação dos sujeitos
como seres no mundo, procurando compreender não apenas a casualidade, mas
também maneira como esta se estruturou, e promovendo reflexões críticas acerca
de temas diversos entre membros do programa e da comunidade.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: E
Comentários: Essa é a abordagem fenomenológica.

20. CESPE – TRE/BA – Psicologia – 2009.


A abordagem fenomenológica promove debates em grupos, com a
finalidade de construir melhores relações entre sujeitos inseridos em suas famílias
e na comunidade, mediante de dinâmicas de grupos e outras técnicas de
psicoterapia em grupo.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: E
Comentários: Essa é a abordagem psicodramática. Como eu sei de tudo isso? Uai,
descobri a fonte de onde eles tiraram essas definições (tortas):
Quanto a Uso de abordagens teóricas:

| 95
Abordagem comportamental: Coleta e registro de dados de ambiente Físico
e Social buscando ordem entre os eventos que se relacionam entre a
sociedade x PSF x famílias x Indivíduos, levantamento de contingências
relevantes através de análises funcionais do comportamento humano para
promoção de saúde e qualidade de vida. Mapeamento de estimulação
aversiva e falta de repertório comportamental diretamente ligado a
comunidade e aos membros do próprio PSF, produção de pesquisas na área
de Saúde sobre a ótica comportamental, psicoterapia baseado na
modificação de comportamentos alvos, sujeito único e linha de base.
Abordagem Psicanalítica: Coleta de dados pertinentes a relação dos
indivíduos e suas influências (Internas x externas), pesquisas sob a ótica
psicanaílica, psicoterapia baseado na dinâmica e estrutura da psiquê (ID –
EGO – SUPEREGO), buscar função das pulsões e estruturação de doenças
psicológicas (Neurose, Psicose, etc.), buscar sintomas que se manifestam
indicando aspectos da subjetividade de indivíduos, identificar relatos
relevantes para Análises mais profundas, promover grupos de reflexão entre
membros do PSF x Comunidade, orientação individual e coletiva de sujeitos e
famílias.
Abordagem Fenomenológica: Descrever fielmente como se dá a relação dos
sujeitos enquanto ser-no-mundo, procurando compreender não apenas a
casualidade, mas o “como” desta casualidade, ou seja, buscando de que
maneira se estruturou esta casualidade, como se dá as relações humanas em
determinados locais, realizar pesquisas sob a ótica fenomenológica, promover
reflexões críticas acerca de temas diversos entre membros do PSF e da
comunidade, etc.
Abordagem Psicodramática: Através de dinâmicas de grupos, roly – play, e
outras técnicas de psicoterapia em grupo, promover a qualidade de vida e a
promoção de saúde a membros do PSF e da comunidade, promover debates e
reflexões em grupos com a finalidade de construir melhores relações entre os
membros enquanto sujeitos inseridos em suas famílias e estas inseridas na
comunidade, pesquisas sob a ótica psicodramática, etc.
Fonte: Silva, D., Perestrelo, D., Alencar, E. Programa de saúde da família – PSF:
Uma reflexão crítica dos PSFs sob a ótica da disciplina “Psicologia e Saúde
Coletiva” da graduação de Psicologia do Centro Universitário Nove de Julho –
UNINOVE. 2006. Disponível em: http://www.redepsi.com.br/2006/09/04/programa-
de-sa-de-da-fam-lia-psf-uma-reflex-o-cr-tica-dos-psfs-sob-a-tica-da-disciplina-
psicologia-e-sa-de-coletiva-da-gradua-o-de-psicologia-do-centro-universit-rio-
nove-de-julho-uninove/

21. CESPE – MPU – Psicólogo – 2013


Embora as estratégias de enfrentamento a doenças sejam específicas para
cada indivíduo, as pessoas reagem da mesma maneira diante de qualquer
processo de adoecimento.

| 96
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: E
Comentários: Negativo, as pessoas reagem de forma diferenciada e própria ao
processo de adoecimento. Isso leva em conta não só a subjetividade do indivíduo,
como também seu histórico, a doença e a perspectiva de cura.

22. CESPE – MPU – Psicólogo – 2013


A oferta de um serviço de assistência em grupo para tratamento do
tabagismo é uma iniciativa de cuidados terciários que pode prevenir a ocorrência
de câncer e doenças pulmonares.
( ) Certo ( ) Errado
Gabarito: E
Comentários: Se é para prevenir, é atenção primária e não terciária.

23. COMPERVE – UFRN - Psicólogo Clínico – 2017


Na perspectiva da clínica, a psicologia da saúde pode ser compreendida como
a) o modelo de abordagem interdisciplinar, restrita ao nível secundário de
atendimento e com atuação limitada a hospitais, característica de atuação
institucional, na qual o trabalho do psicólogo é independente do serviço médico.
b) a área que aplica conhecimentos científicos específicos da psicologia sobre as
interrelações entre componentes emocionais, cognitivos, sociais e biológicos da
saúde e da doença para promoção e manutenção da saúde, prevenção,
tratamento e reabilitação da doença e da incapacidade.
c) a abordagem baseada na premissa de que conflitos internos ou estilos de
personalidade causam doenças e, desequilibram a dimensão emocional dos
indivíduos, o que acarreta danos nos planos comportamentais, cognitivos e
sociais.
d) o campo interdisciplinar em que médicos e psicólogos trabalham com base na
pesquisa, atuando de forma independente, na área específica de suas atribuições
e competências, de modo a favorecer a saúde do individuo de maneira holística.
Gabarito: D
Comentários: A psicologia da saúde é um campo multidisciplinar e de foco
primário, secundário e terciário. Sim, o psicólogo atua de forma independente, ou
seja, pode trabalhar sozinho. Mas, o ideal é que considere o trabalho de seus
colegas de equipe interdisciplinar.

24. COMPERVE – UFRN - Psicólogo Clínico – 2015


Em 2004, o Ministério da Saúde implementa o PNH (Projeto Nacional de
Humanização), publicando a cartilha sobre a Clínica Ampliada, dentro do Projeto
HumanizaSUS, reconhecendo que o fator humano estava ausente do nosso
sistema de saúde. Assim, a clínica ampliada em Psicologia consiste em
a) uma prática que envolve atendimento multidisciplinar à problemática
vivenciada pelo paciente.

| 97
b) uma prática que pode envolver várias abordagens psicológicas , de acordo com
o paciente em questão.
c) uma prática comprometida com o contexto sócio-político-cultural das pessoas,
considerando especificidades dos significados e sentidos, e com os aspectos
ambientais, culturais, sociais, etc.
d) uma prática que está atenta para além das queixas psicológicas, integrando
também os aspectos biológicos.
Gabarito: C
Comentários: A “clínica ampliada” é um conceito de clínica que vai além da saúde
e que considera o contexto social da população atendida. Ou seja, além de
considerar todos os níveis de saúde, considera aspectos sócio-políticos e culturais
das pessoas com que trabalha.

25. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Clínico – 2015


Todos os anos são registrados cerca de 10.000 suicídios no Brasil, o que é
considerado um grave problema de saúde pública. Os principais fatores de risco
dessa problemática são:
A) presença de doença mental, ser do sexo feminino, relato de pensamento suicida
e conflitos familiares.
B) tentativa prévia de suicídio, presença de doença mental, sentimento de
desesperança e ser do sexo masculino.
C) história familiar de suicídio, depressão, ser do sexo feminino, ser de meia idade.
D) ser jovem, fazer uso de drogas, introversão e isolamento social.
Gabarito: B
Comentários: Fator de risco para o suicídio... Sem dúvida nenhuma, das variáveis
apresentadas, a tentativa prévia tem maior força para, estatisticamente causar
preocupação em novas tentativas.

26. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


O conceito atual de saúde é
A) expressão de felicidade e prazer constantes.
B) resultado da produção social expressa pela qualidade de vida individual ou
coletiva.
C) condição de existência das pessoas no seu aspecto individual.
D) conseqüência de acesso a bens de consumo e lazer.
Gabarito: B
Comentários: Como aprendi na própria UFRN, é um conceito bio-psico-social.

27. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


Na relação entre o terapeuta e o paciente, nos serviços ambulatoriais de saúde
mental, verifica-se que
A) o paciente, ao escolher o profissional, está ciente das diferenças culturais que
existem.

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B) os pacientes, em sua maioria, verbalizam a existência de conflito, com clara
demanda de atendimento psicológico.
C) a autoridade atribuída ao terapeuta, por seu saber, é recoberta fortemente pela
marca do poder de sua classe.
D) as características vinculadas ao modo de inserção na escala social são
compartilhadas por ambos.
Gabarito: C
Comentários: Não cabe ao paciente estar ciente das diferenças culturais, mas ao
profissional. Nem todo paciente expressa demandas claras. Sim, a autoridade é
atribuída ao terapeuta.

28. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


Ao longo de sua história, o hospital tem desempenhado diferentes atribuições.
Atualmente,
A) no entanto, ele ainda age, prioritariamente, como um controlador social de
produção.
B) ele consiste em uma prática concreta, mas foi transformado num mecanismo
coordenador de atenção.
C) os trabalhos de equipe possibilitam que os agentes mantenham controle global
do trabalho no hospital.
D) o claro domínio na relação médico-paciente não existe mais, no hospital.
Gabarito: B
Comentários: O hospital deixa de ser puramente uma instituição de oferta de
serviços secundários para ajudar a coordenar redes de saúde (em níveis primário e
terciário). Sim, temos de marcar a “menos estranha” aqui.

29. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


O acompanhamento psicológico conduzido em ambulatórios de hospitais gerais é
proposto a pacientes
A) cujo problema emocional guarde estreita ligação com a patologia orgânica.
B) que apresentem uma demanda por atenção primária em saúde mental.
C) cuja questão psicológica não seja conseqüência de uma patologia funcional
orgânica.
D) que tenham sido encaminhados por serviços de saúde mental de sua região.
Gabarito: A
Comentários: O acompanhamento psicológico em ambulatórios é direcionado e
focado na patologia que o levou ao ambulatório.

30. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


A interconsulta, como uma das formas de atuação do psicólogo nas instituições de
saúde, tem como principal objetivo
A) oferecer atendimento terapêutico aos psicólogos que atuam nessas
instituições.

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B) avaliar administrativamente o desempenho da equipe.
C) estimular os profissionais de saúde a promoverem sua auto-análise.
D) avaliar os serviços prestados pela equipe à instituição.
Gabarito: D
Comentários: A Interconsulta é uma segunda opinião profissional.

31. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


A atuação do psicólogo em atendimento a um paciente em estágio terminal de
uma doença, inclui
A) levar o paciente a aderir melhor ao tratamento.
B) permitir o prolongamento da vida.
C) trabalhar com o material que o paciente manifestar.
D) orientar familiares quanto à evolução do estado psíquico do paciente.
Gabarito: C
Comentários: Qual o objetivo da atuação do psicólogo nesses casos? Sempre
trabalhar com o material que o paciente manifestar, e dar suporte à família.

32. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


O papel fundamental da atuação do psicólogo, em uma equipe multiprofissional, é
A) integrar os profissionais da equipe, possibilitando ações de tratamento
conjuntas.
B) ensinar os psicólogos a trabalharem em equipe nas diversas ações terapêuticas.
C) desmistificar preconceitos e resistências dos psicólogos da equipe quanto à
terapêutica.
D) desmistificar os preconceitos e as resistências quanto à atividade do psicólogo.
Gabarito: D
Comentários: Apesar da banca ter divulgado que o gabarito é a letra D, a A é a
correta, em minha modesta opinião.

33. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


São os seguintes os três tipos de discursos estratégicos que, no Brasil, desenharam
as linhas no campo da Saúde Mental:
A) psiquiátrico, organicista e institucional.
B) organicista, preventivista e psicoterápico.
C) sociológico, institucional e psicológico.
D) sociogenético, psicogenético e organicista.
Gabarito: B
Comentários: Vejamos:
As ideias psiquiátricas, de acordo com o autor, foram produzidas ao longo da
história com compromissos político-ideológicos distantes da problemática da
saúde mental. Isto pôde ser observado nos três momentos pelos quais passou a
Psiquiatria no Brasil: o do discurso organicista, o preventivista e o psicoterápico.
No primeiro momento, situado na década de 30, buscou-se encontrar os

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elementos orgânicos constitutivos dos indivíduos como explicação para os
transtornos mentais. Foi a época das noções de higiene psíquica e racial, na qual
as práticas eugênicas triunfaram. Acreditava-se que existia uma natureza humana
e a decifração das leis de hereditariedade permitiriam a regeneração dos doentes
mentais.
A Psiquiatria preventivista, da década de 60 e, mais fortemente, da década de 70,
trouxe como proposta a possibilidade de retirar os atendimentos dos consultórios
privados e dos asilos para levá-los à comunidade. Seu objeto de estudo era a
saúde mental e não a doença, seu objetivo era a prevenção da doença mental, o
sujeito de tratamento passou a ser a coletividade e não mais os indivíduos, os
profissionais não eram somente os psiquiatras, mas as equipes comunitárias, e o
espaço de tratamento passou a ser a comunidade. Um novo conceito de
personalidade também foi adotado; o indivíduo tornou- se a unidade
biopsicossocial.
Já o discurso psicoterápico, está presente na atualidade, propondo o tratamento
individualizado, de volta aos consultórios, agregando os conhecimentos da
Psicologia, na multiplicidade de seus campos teórico-práticos.
Fonte: A PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO PSICOLÓGICO- PSIQUIÁTRICO EM SAÚDE
MENTAL: CONSIDERAÇÕES A PARTIR DE UM TEXTO EXEMPLAR
Aline Frollini Lunardelli Lara

34. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


No Brasil, atualmente, a assistência em Saúde Mental procura romper com uma
prática ambulatorial centrada na avaliação diagnóstica e na medicalização.
Esse processo de ruptura pode ser entendido como uma
A) construção de um novo paradigma.
B) modernização do modelo atual, em relação ao anterior.
C) humanização do sistema de saúde.
D) metamorfose em um modelo ambulatorial.
Gabarito: A
Comentários: Para romper é preciso de um novo paradigma.

35. COMPERVE – UFRN – Psicólogo Social – 2009


Em suas atividades de contato com as pessoas, o psicólogo pode deparar com
copping, que é a
A) alteração da expressão afetiva.
B) capacidade de auto-reconhecimento.
C) alteração de personalidade esquizóide.
D) capacidade de enfrentamento.
Gabarito: D
Comentários: Coping = capacidade de enfrentamento.

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Bons estudos! =]
Professor Alyson Barros

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