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PROJETO DE LEI Nº , DE 2015.

(Do Sr. Giovani Cherini)

Regulamenta a profissão de
Arteterapeuta e dá outras
providências.

O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º O exercício da Arteterapia obedecerá às disposições desta lei.

Art. 2º Arteterapeuta é o profissional que se utiliza dos recursos expressivos de


artes visuais, música, dança, canto, teatro, literatura, como elementos capazes de favorecer o
processo terapêutico das pessoas, buscando o autoconhecimento, a autoexpressão, o
desenvolvimento humano, a criatividade, a prevenção e a reabilitação de doenças mentais e
psicossomáticas.

Art. 3º O exercício da profissão de Arteterapeuta é assegurado:

I – ao portador de diploma de graduação em arteterapia, conferido por instituição


de ensino reconhecida oficialmente;

II – ao portador de diploma de nível superior em Arteterapia ou equivalente,


conferido por estabelecimento estrangeiro de ensino segundo as leis do respectivo país,
registrado em virtude de acordo ou convênio internacional ou revalidado no Brasil como
diploma de bacharel em Arteterapia ou equivalente;

III – ao profissional que tiver concluído o terceiro grau e que tenha curso de
formação ou de pós-graduação em Arteterapia, seguindo os parâmetros curriculares
estabelecidos por entidade reconhecida na Classificação Brasileira de Ocupações - CBO; e

IV – aos profissionais que, até o início da vigência desta Lei, comprovem, pelo
menos, quatro anos de exercício de atividades próprias ao Arteterapeuta, nos termos a serem
estabelecidos por órgão regulador competente.

Art. 4º O exercício da profissão e a utilização do título de Arteterapeuta em


desrespeito aos ditames desta lei configura exercício ilegal de profissão.

Art. 5º O regulamento estabelecerá o órgão responsável pela fiscalização do


exercício da atividade de Arteterapeuta.

Art. 6º Compete ao Arteterapeuta:

I – avaliar, planejar e executar o atendimento arterapêutico por meio da aplicação


de procedimentos específicos da arteterapia;
II – orientar pacientes, familiares e cuidadores no atendimento arteterapêutico;

III – exercer atividades técnico-científicas através da realização de pesquisas, de


trabalhos específicos e de organização e participação em eventos científicos;

IV – coordenar a área de Arteterapia integrante da estrutura básica das


instituições, empresas e organizações afins;

V – realizar consultoria, auditoria e emitir parecer técnico sobre a área de atuação


do Arteterapêuta;

VI – participar do planejamento, da execução e da avaliação dos programas de


saúde pública;

VII – compor equipes multi e interdisciplinares de saúde, atuando em cooperação


com os demais profissionais;

VIII – encaminhar o paciente para os demais profissionais de saúde, atuando em


associação ou colaboração com os mesmos;

IX – coordenar e dirigir cursos de graduação em Arteterapia e demais cursos de


educação e saúde em instituições públicas e privadas;

X – exercer a docência nas disciplinas de formação específica em Arteterapia e


outras disciplinas com interface; e

XI – participar de bancas examinadoras e da elaboração de provas seletivas em


concursos para provimento de cargo ou contratação de Arteterapeuta.

Art. 7º Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

Câmara Federal, outubro de 2015.

Deputado Federal Giovani Cherini - PDT


JUSTIFICAÇÃO

Arteterapia caracteriza-se por ser transdisciplinar tendo sua atuação,


principalmente, nas áreas das artes, da educação e da psicologia. Ela possui história e teorias
próprias. Na prática, a Arteterapia consiste o uso de recursos artísticos/visuais ou expressivos
como elementos terapêuticos.

A Arteterapia é uma atividade já reconhecida como profissão em diversas partes


do mundo. Existem associações de arteterapeutas na Itália, no Canadá, nos Estados Unidos,
em Portugal, no Brasil, entre outros. Cabe destacar que, em países europeus, a arteterapia
consta inclusive nos planos de saúde.

No Brasil, podemos citar várias organizações associativas, entre elas a União


Brasileira das Associações de Arteterapia – UBAAT.

A arteterapia é um procedimento terapêutico que funciona como um recurso que


busca interligar os universos interno e externo de um indivíduo, por meio da sua simbologia. É
uma arte livre, conectada a um processo terapêutico, transformando-se numa técnica especial,
não meramente artística. É uma forma de usar a arte como uma forma de comunicação entre
o profissional e um paciente, buscando uma produção artística a favor da saúde.

Embora seja uma atividade milenar, a arteterapia somente teve as suas técnicas
terapêuticas devidamente reconhecidas, no início do século XIX, pelo médico alemão Johann
Reil. Ele cunhou um procedimento terapêutico, com finalidade psiquiátrica, no qual utilizou-se
de formas artísticas, como desenhos, sons e textos. Posteriormente, estudos mais profundos
encontraram conexões entre a arte e a psiquiatria. O célebre Jung também passou a trabalhar
com a arte, como uma forma de atividade criativa, que poderia expressar a personalidade do
indivíduo. No Brasil, o psiquiatra Ulysses Pernambucano, em São Paulo, e Nise da Silveira, no
Rio de Janeiro, no início do século XX, desenvolveram trabalhos que estimulavam a expressão
artística dos pacientes.

Hoje, a arteterapia se desenvolveu bastante, estando introduzida em diversos


campos. A formulação de critérios mínimos que guiam a formação deste profissional e que
integra as atuais associações estaduais de arteterapia, proposta pela União Brasileira das
Associações de Arteterapia – UBAAT, contribuíram bastante para esse desenvolvimento.

Os fundamentos teóricos e práticos da arteterapia são multidisciplinares,


interdisciplinares e transdisciplinares, tendo a origem de sua base estrutural nas áreas do
conhecimento da Psicologia, Arte, Criatividade, Educação, Fisioterapia, Filosofia, Antropologia
e Sociologia, inserindo-se, portanto, na área das Ciências Humanas.

De acordo com a abordagem tomada pelo arteterapeuta, os conceitos usados por


ele podem se apresentar de forma distinta. Na psicologia analítica de Jung, por exemplo, a arte
tem o objetivo criativo, fazendo com que a psique do indivíduo possa ser expressa através de
imagens ou de símbolos, colocando ali seus sentimentos mais intensos e profundos.

Partindo do princípio de que é muito difícil para uma pessoa conseguir falar sobre
alguns de seus conflitos pessoais ou traumas, a arteterapia se utiliza desses recursos artísticos
para que essas expressões possam ser delineadas e analisadas, sempre buscando obter uma
maior compreensão do indivíduo, trabalhando com o fulcro de encontrar uma espécie de
libertação emocional, em que o indivíduo possa manifestar seus sentimentos de dor numa
plataforma mais evasiva. O procedimento criativo envolvido na atividade artística pode ser
terapêutico e enormemente enriquecedor à qualidade de vida dos pacientes. Por intermédio
da expressão artística do pensar sobre os produtos resultantes, pessoas podem dilatar o
conhecimento sobre si mesmas, aprendendo a lidar melhor com sintomas de stress e
experiências traumáticas, melhorar seus recursos cognitivos, além de poderem usufruir das
propriedades revitalizantes da produção artística. Uma obra de arte pode, por si só, imprimir
emoções como alegria, desespero e dor, de uma forma completamente particular, relacionada
ao estado mental em que se encontra aquele indivíduo.

A implementação da arteterapia se traduz em uma forma eficaz para resolução de


conflitos pessoais. Traz a possibilidade da catarse emocional, de forma direta e não
intencional, desenvolvendo programas de prevenção, promoção da saúde e qualidade de vida,
devendo, por isso, ser devidamente reconhecida por meus pares, para o que, desde já, os
conclamo.

Câmara Federal, outubro de 2015.

Deputado Federal Giovani Cherini - PDT

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