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“Preconceito” e “arrogância”: Pequim critica lei dos EUA sobre Hong... https://www.publico.pt/2019/11/28/mundo/noticia/preconceito-arrogan...

HONG KONG

Inês Chaíça • 28 de Novembro de 2019, 9:12

Hong Kong tem sido palco de fortes protestos REUTERS/LEAH


MILLIS

A lei estava na calha desde Junho,


mas foi promulgada por Donald
Trump nesta quarta-feira à noite —
e foi encarada como um apoio claro
aos manifestantes pró-democracia
em Hong Kong. Algo que não caiu
bem em Pequim, com o ministro
dos Negócios Estrangeiros chinês a
classificá-la como uma “grave

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violação do direito internacional e


das normas básicas que regem as
relações internacionais” e cheia de
“arrogância e preconceito”, num
comunicado tornado público nesta
quinta-feira.

Chama-se Lei dos Direitos


Humanos e Democracia e prevê a
realização de uma certificação anual
para apurar se Hong Kong mantém
autonomia suficiente para justificar
o seu estatuto especial junto dos
EUA. “A [revisão anual] deverá
perceber se a China erodiu as
liberdades cívicas de Hong Kong e
se o Estado de Direito de Hong
Kong está protegido pela Lei
Básica”, cita a BBC.

A lei prevê também sanções em caso


de violação dos direitos humanos
por parte da China ou pelos
responsáveis de Hong Kong. Entre
outras coisas, as sanções aplicadas à
China pelos EUA não vão afectar a
região de Hong Kong e os cidadãos
vão continuar a poder candidatar-se
a um visto para os EUA, mesmo que
tenham sido detidos durante os
protestos.

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Foi ainda aprovada uma segunda


lei, que proíbe a exportação de
material antimotim para a polícia de
Hong Kong – como gás pimenta ou
balas de borracha.

“As leis estão a ser promulgadas na


esperança de que os líderes e os
representantes da China e de Hong
Kong sejam capazes de acabar com
as suas diferenças de forma
amigável, dando origem a paz e
prosperidade para todos”, alegou
Trump.

Apesar de Trump ter afirmado que


aprovou as leis “com respeito pelo
Presidente Xi [Jinping], China e
pelas pessoas de Hong Kong”, a
notícia não foi bem recebida na
China. O ministro dos Negócios
Estrangeiros da China respondeu-
lhe e acenou com “duras medidas”
se os EUA continuarem a interferir
na questão de Hong Kong.

As duas potências ainda vivem em


clima de tensão, apesar de, neste

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momento, estarem a tentar chegar a


um acordo para terminar com a
guerra comercial que se arrasta
desde 2018.

Nesta quinta-feira, o gabinete de


Wang Yi afirmou que a lei assinada
pelo Presidente norte-americano é
uma “grave interferência nos
assuntos de Hong Kong, que são
assuntos internos da China, e uma
grave violação do direito
internacional e das normas básicas
que regem as relações
internacionais”. Deixou ainda um
aviso: os EUA vão arcar com a fúria
chinesa se continuarem a “agir de
forma arbitrária” no que respeita a
Hong Kong.

“Os EUA estão a ignorar os factos e


a distorcer a verdade”, lê-se no
comunicado. “Esta lei, que foi
condenada pelo povo chinês,
incluindo os compatriotas de Hong
Kong, está cheia de arrogância e
preconceito. Trata Hong Kong com
intimidações e ameaças”, cita o
jornal britânico The Guardian. "O
plano norte-americano está
destinado ao falhanço”, cita a
Reuters.

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A diplomacia chinesa acusou


Washington de apoiar “abertamente
criminosos violentos que destruíram
instalações, incendiaram e
agrediram civis inocentes, abalaram
o Estado de direito e ameaçaram a
ordem social”.

O vice-ministro dos Negócios


Estrangeiros chinês, Le Yucheng,
pediu uma reunião com o
embaixador norte-americano
Terry Branstad e que os EUA parem
de interferir imediatamente nos
assuntos internos chineses.

Em Hong Kong as reacções foram


mistas. Junto do executivo da região
de autonomia especial chinesa
entende-se que “a resolução envia a
mensagem errada aos
manifestantes”.

Já Joshua Wong, um dos líderes do


movimento pró-democracia, disse
que a lei era uma “conquista
notável” para todos os que vivem em
Hong Kong.

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Trump nunca se comprometeu


sobre a decisão de promulgar a lei –
por um lado mostrava-se ao lado de
Hong Kong, enquanto dizia que Xi
Jinping era “um tipo incrível”.
Quanto aos protestos, em Agosto
referiu-se a eles como “motins”, um
assunto chinês. Na semana passada
manteve a designação de “motim”,
mas pediu à China que encarasse
esta questão “de forma humana”.

A legislação assinada por Trump foi


aprovada de forma unânime pelo
Senado norte-americano e por
quase toda a Câmara dos
Representantes — à excepção de um
membro — na semana passada.

Desde 1992 que os EUA têm uma política que estabelece um estatuto e uma relação especial
com Hong Kong em diversas áreas, nomeadamente no comércio — independentemente da
vontade da China (ou do Reino Unido, à época). Num acordo bilateral, os EUA
comprometeram-se em ter um papel activo “na manutenção da confiança e prosperidade de
Hong Kong”. “Os direitos humanos servem também como uma base para a prosperidade
continuada de Hong Kong”, lê-se no documento de 1992.

No campo dos negócios, uma das maiores vantagens deste estatuto especial é que Hong
Kong continua a ser uma zona alfandegária e comercial separada da China — e as sanções
não se aplicam no território.

Ficou, então, estabelecida uma relação económica privilegiada entre as duas partes. De
acordo com os números do Congresso norte-americano citados pela Bloomberg, o maior
excedente comercial bilateral de mercadorias registado em 2018 foi com Hong Kong: 31,1 mil
milhões de dólares (pouco mais do que 28 mil milhões de euros).

De acordo com o Departamento de Estado norte-americano, cerca de 85 mil cidadãos norte-


americanos viviam em Hong Kong em 2018 e operavam no território asiático mais de 1300
empresas dos EUA.

Para além disso, a moeda oficial ainda é uma cotação do dólar americano, o que o vincula ao
sistema financeiro norte-americano.

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A lei foi introduzida em Junho, no


início dos protestos de Hong Kong,
e diz de forma clara que “Hong
Kong é uma parte da China”, mas
“tem sistemas legais e económicos
muito diferentes”. Em Junho, os
protestos ainda eram contra uma
proposta de lei que permitia a
extradição de presos para a China.
Desde então já se transformou num
protesto pró-democracia que
degenerou em violência nos
confrontos com a polícia.

No último domingo, Hong Kong foi


palco de eleições que serviriam, em
teoria, como barómetro da
popularidade dos ideais pró-
democracia da população. E
mostraram uma vitória por larga
margem desse movimento.

A China está, também, neste


momento sob os holofotes
mediáticos por outra questão:
os campos e programas de
reeducação de minorias
muçulmanas, onde se encontram
cerca de um milhão de uigures e
cazaques, minorias étnicas
muçulmanas. Documentos
secretos revelados a 24 de
Novembro pelo Consórcio
Internacional de Jornalistas de
Investigação (ICIJ), mostram a
extensão do programa chinês de
lavagem cerebral destas minorias:

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os detidos são encarcerados,


punidos e sujeitos a um programa
para alterar comportamentos e
crenças.

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