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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS

CENTRO DE CIÊNCIAS EXATAS E DE TECNOLOGIA


DEPARTAMENTO DE MATEMÁTICA

Néder Soares Felipe

POLIEDROS DE PLATÃO E A RELAÇÃO DE EULER

São Carlos
2016
Néder Soares Felipe

POLIEDROS DE PLATÃO E A RELAÇÃO DE EULER

Trabalho de conclusão de curso apresentado como


parte das atividades para obtenção do título de
especialista, do curso de Especialização em
Ensino de Matemática no Ensino Médio da
Universidade Federal de São Carlos.

Orientador: Prof. Dr. Marcus Vinicius de Araújo


Lima

São Carlos
2016
Néder Soares Felipe

POLIEDROS DE PLATÃO E A RELAÇÃO DE EULER

Trabalho de conclusão de curso apresentado como parte das atividades para obtenção do título
de especialista, do curso de Especialização em Ensino de Matemática no Ensino Médio da
Universidade Federal de São Carlos.

Aprovado em: 23 de julho de 2016.

BANCA EXAMINADORA

__________________________________________
Prof. Leonardo Anselmo Perez

__________________________________________
Prof. Dr. Marcus Vinicius de Araújo Lima (orientador)
Dedico esse trabalho a minha esposa Renata
Rodrigues Gomes Felipe que proporciona todo
o suporte necessário à minha busca pelo
aperfeiçoamento profissional e também aos
meus filhos Giulia Gomes Felipe (em
memória), Gabriel Gomes Felipe e Lívia
Gomes Felipe que me inspiram a ser melhor.
AGRADECIMENTOS

Agradeço ao meu orientador Prof. Dr. Marcus


Vinicius de Araújo Lima pela sua imensa
paciência, disposição e principalmente por ter
estado sempre presente nos diversos
momentos deste trabalho, iluminando minhas
indagações com a sua experiência.
RESUMO

Este trabalho tem como tema principal Poliedros de Platão e a Relação de Euler. Um dos
objetivos desse trabalho foi utilizar estratégias que auxiliassem o processo de ensino
aprendizagem destes conteúdos. Foi feita uma breve análise das características dos Poliedros
de Platão e apresentadas algumas considerações históricas a respeito deles. Também foi
utilizado o software Poly a fim de facilitar a visualização de certos elementos dos Poliedros de
Platão. Além disso, foram elaborados materiais concretos, esqueletos poliédricos
confeccionados com linha e canudos, e atividades conduzidas de forma a favorecer uma
aprendizagem empírica da Relação de Euler. Verificamos que tais conteúdos se encontram em
certos documentos oficiais (Orientações Curriculares e Parâmetros Curriculares Nacionais),
inclusive com algumas semelhanças na metodologia de ensino adotada. Essa proposta de
ensino foi aplicada e dessa aplicação foram feitas análises dos pontos positivos e negativos.
Concluiu-se que com o desenvolvimento do trabalho foi possível aos alunos compreender
melhor as características dos Poliedros Platônicos e a Relação de Euler.

Palavras-chave: Poliedros; Relação de Euler


ABSTRACT

This work has as the main theme Platonic Solids and Euler´s Formula. One of the goals of this
study was to look for resources that support the teaching and learning process of this content.
A brief analysis of the characteristics of Platonic Solids was made and presented some
historical considerations about them. It was also used Poly software to facilitate the viewing
of certain elements of the Platonic Solids. In addition, concrete materials were prepared,
polyhedral skeletons made of line and straws, and activities conducted in order to favor an
empirical learning of the Euler´s Formula. Found that such contents are in some official
documents, including some similarities in teaching methodology adopted. This educational
proposal has been applied and that application was made analysis of positive and negative
points. It is concluded that the development work was possible to better understand the
characteristics of Platonic Solids and Euler´s Formula.

Keywords: Platonic Solids and Euler´s Formula.


SUMÁRIO

Sumário
1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 11
2. SAINDO DA ZONA DE CONFORTO ............................................................................... 13
2.1 Motivador ....................................................................................................................... 13
2.2 Estratégias pedagógicas .................................................................................................. 16
2.3 Planejamento .................................................................................................................. 16
2.3.1 Apresentação dos Poliedros de Platão ......................................................................... 17
2.3.2 Confecção do material concreto .................................................................................. 19
2.3.3 Propriedades dos Poliedros de Platão .......................................................................... 20
2.3.4 Tabela de faces, arestas e vértices ............................................................................... 24
2.3.5 Construção empírica da Relação de Euler ................................................................... 25
2.3.6 Resolução de exercícios............................................................................................... 26
2.3.7 Revisão dos conceitos aprendidos ............................................................................... 27
2.3.8 Questionário avaliativo da atividade ........................................................................... 27
3. APLICAÇÃO DA AULA INÉDITA ................................................................................... 28
4. ANÁLISE DA AULA INÉDITA ......................................................................................... 34
4.1 Pontos com necessidades de alterações .......................................................................... 34
4.2 Pontos positivos .............................................................................................................. 36
4.3 Análise das atividades .................................................................................................... 37
4.4 Considerações finais da aplicação da aula ...................................................................... 41
5. CONCLUSÃO ...................................................................................................................... 42
5.1 Resumo da pesquisa........................................................................................................ 42
5.2 Ideias principais da proposta didática ............................................................................. 42
5.3 Conexão da proposta didática com o PCN e autores ...................................................... 42
5.4 Resumo da análise da aplicação ..................................................................................... 43
5.5 Modificações no produto didático pós-aplicação ........................................................... 44
5.6 Sugestões de novas aulas ................................................................................................ 45
5.7 Conclusão final ............................................................................................................... 45
6. REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA ................................................................................... 47
7. ANEXOS .............................................................................................................................. 48
Anexo I – Passo a Passo ................................................................................................... 49
Anexo II – Faces, Arestas e Vértices................................................................................ 51
Anexo III – Possíveis perguntas para induzir os alunos a perceber a Relação de Euler .. 52
Anexo IV – Exercícios ..................................................................................................... 53
Anexo V – Questionário Avaliativo ................................................................................. 55
1. INTRODUÇÃO

A primeira vez que me vi a frente de uma sala de aula foi uma experiência
inesquecível! Lembro-me perfeitamente de, em poucos segundos, visualizar na mente toda a
minha trajetória na graduação, afinal, há poucos anos eu estava exatamente na mesma posição
deles, e agora, ali estava eu, sendo “o professor”.
Após aquela primeira aula, fiquei muito pensativo quanto a minha prática pedagógica
e notei que havia estudado muito os conteúdos matemáticos e outros tópicos da educação, mas
pouca ênfase tinha sido dada na prática pedagógica. Nesse momento notei que ser graduado
em um curso de licenciatura não me fazia plenamente um professor, eu precisava agora
transformar todo aquele conhecimento em estratégias de ensino/aprendizagem adequados às
turmas sob minha responsabilidade.
Esse desafio me motiva a buscar experiências que enriqueçam minha prática
pedagógica, de forma a mediar a construção do conhecimento com práticas prazerosas e que
produzam um efeito de aprendizagem duradouro.
A rotina de trabalho tem me apresentado alunos cada vez mais defasados quanto ao
conhecimento geométrico então, a fim de preparar-me para recebê-los, escolhi para
desenvolver este trabalho, um tema de Geometria que particularmente atrai a minha atenção
por sua simplicidade e ao mesmo tempo genialidade e que se encontra em consonância com as
propostas pedagógicas elaboradas pelo MEC. “O estudo de poliedros, o Teorema de Euler e a
classificação dos poliedros platônicos compõem um interessante tópico, em que a construção
dos poliedros [...] pode ser uma atividade de grande satisfação estética.” (BRASIL,
Orientações Curriculares, vol2, pag. 93)

Geometria espacial: elementos dos poliedros, sua


classificação e representação; [...] Compreender o
significado de postulados ou axiomas e teoremas e
reconhecer o valor de demonstrações para perceber a
Matemática como ciência com forma específica para
validar resultados. (Brasil, Parâmetros Curriculares
Nacionais, pag. 125)

Apliquei uma sequência de ensino que favoreceu uma revisão de conceitos tais como:
Vértices, Arestas, Faces e Convexidade, além de uma abordagem construtiva da Relação de
Euler para poliedros, objeto principal deste trabalho de conclusão de curso.
Escolhi trabalhar com os Sólidos de Platão por ser um subconjunto de poliedros com

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características favoráveis às etapas de aprendizagem planejadas para se ensinar o referido
tema, tais como: frequência no currículo; intrigante contexto histórico; presença real na
natureza e sua regularidade.
Ao longo desse trabalho faço um relato completo de todas as fases desta jornada que
tanto enriqueceu minha prática pedagógica. No Capítulo 2 “Saindo da zona de conforto”,
registro o planejamento de uma aula inédita com minha motivação para iniciar este trabalho,
as expectativas quanto aos resultados, as estratégias pedagógicas adotadas e uma detalhada
descrição de cada momento da aula. No Capítulo 3 “Aplicação da aula inédita”, faço um
relato a respeito da aplicação prática da aula planejada anteriormente, e exponho minhas
considerações sobre cada momento. No Capítulo 4 “Análise da aula inédita”, destaco os
pontos positivos e negativos detectados durante a aplicação da aula e menciono as alterações
necessárias para o aperfeiçoamento da prática. No Capítulo 5 “Conclusão”, exponho minhas
ultimas observações, avalio se minhas expectativas foram atendidas e destaco as alterações
necessárias no planejamento.
Posso adiantar que esta jornada me proporcionou uma experiência maravilhosa de
aprendizado, onde pude vislumbrar novos horizontes e diferentes formas do processo de
ensino e aprendizagem.

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2. SAINDO DA ZONA DE CONFORTO

Com o passar do tempo, sinto que a experiência vai me deixando um pouco


acomodado quanto a minha prática pedagógica, começo a entrar em uma rotina de ensino,
usando sempre a mesma didática, com pequenas variações. Isso de alguma forma afeta meu
prazer em ensinar e me incomoda de tal maneira que praticamente sinto obrigação de mudar.
Neste Capítulo faço um relato detalhado do fruto de uma destas minhas buscas por
algo “diferente”. Evidencio um pouco mais da minha motivação, apresento as estratégias
pedagógicas escolhidas e descrevo o planejamento.

2.1 Motivador
Tenho um particular apreço pela Geometria, talvez por estarmos envolvidos por um
mundo de formas, onde para qualquer lugar que fixarmos nossos olhos, as ideias geométricas
estarão presentes, seja na natureza, nas artes, em arquiteturas ou outras áreas do
conhecimento. A Geometria nos dá a compreensão do mundo tridimensional, assim podemos
nos localizar no espaço através de seus conceitos. É uma área do conhecimento intrigante aos
meus pensamentos e talvez seja essa razão de ter optado por usá-la de base para este trabalho.
É comum ouvir relatos de companheiros de trabalho, afirmando que os alunos se
esquecem com muita facilidade de alguns conteúdos. Isso geralmente ocorre porque não
houve uma aprendizagem significativa. Para Moreira (2011), de acordo com David Ausubel
(1963), o conhecimento prévio do aluno é a chave para a aprendizagem significativa.

Aprendizagem significativa é o processo através do qual


uma nova informação (um novo conhecimento) se relaciona
de maneira não arbitrária e substantiva (não-literal) à
estrutura cognitiva do aprendiz. É no curso da
aprendizagem significativa que o significado lógico do
material de aprendizagem se transforma em significado
psicológico para o sujeito. Para Ausubel (1963, p. 58), a
aprendizagem significativa é o mecanismo humano, por
excelência, para adquirir e armazenar a vasta quantidade de
idéias e informações representadas em qualquer campo de
conhecimento. (MOREIRA, 2011, pag. 26)
As ideias geométricas estão presentes em nosso cotidiano, em nossa percepção

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espacial e na educação ela é um elo entre a matemática e diversas outras áreas do saber.
Alguns exemplos:
 Artes: Muitas das grandes obras clássicas têm figuras geométricas como base;
Pontos, linhas, curvas e outros conceitos geométricos; Tangram; Mosaicos.
 Geografia: Cartografia (mapas); A necessidade de se localizar no espaço
(GPS).
 Biologia: Formas geométricas são amplamente encontradas na natureza, como
as abelhas que usam a forma de hexágonos em suas colmeias. Relações
simétricas podem ser notadas em borboletas, flores, etc.
 História: A própria história da geometria traz consigo inúmeras curiosidades
sobre a evolução do conhecimento humano como, por exemplo, o fato de
Kepler ter usado os Sólidos Platônicos em um modelo do Sistema Solar,
Cristovão Colombo questionando que a Terra não seria quadrada e sim
esférica, etc.
 Física: A óptica (estuda a luz e seus fenômenos) é um exemplo de aplicação de
conceitos da Geometria Trigonométrica; Órbita dos planetas.
 Química: Muitas moléculas possuem uma forma geométrica em sua estrutura.
A Geometria Molecular estuda a disposição dos átomos para então classificar a
molécula em Linear, Triangular, Piramidal, Tetraédrica ou Octaédrica.
Vejo o pensamento geométrico como um facilitador na compreensão de muitos
conceitos matemáticos e excelente para ampliar o poder de abstração, algo essencial à
consolidação do pensamento matemático. Alguns exemplos:
 Frações: Figuras geométricas auxiliam na compreensão do que vem a ser uma
fração.
 Demonstrações: Matemáticos fazem uso de conceitos geométricos em diversas
demonstrações. A Fórmula de Bhaskara, por exemplo, pode ser demonstrada
com recursos geométricos.
Meu desejo foi elaborar uma proposta pedagógica que resgatasse conceitos
geométricos anteriores, para dar-lhes as condições necessárias de progredir para um novo
nível de compreensão das relações geométricas à partir dos Sólidos de Platão. A escolha deste
subconjunto de sólidos se deu por:
 Frequência no currículo: São sólidos frequentemente abordados em diversos
conteúdos do currículo (poliedros, características de um poliedro, poliedros

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convexo e não convexos, poliedros regulares, relação de Euler, etc).
 Intrigante contexto histórico. Por exemplo: Platão relacionou esses objetos a
construção do universo, associando cada um deles a um determinado elemento
da natureza, sendo: Tetraedro (fogo), Hexaedro ou cubo (terra), Octaedro (ar),
Icosaedro (água) e o Dodecaedro (Universo). Kepler os usou como base para
um modelo do sistema solar.
 Presença real na natureza em estruturas químicas. Por exemplo: As estruturas
cristalinas do minério de chumbo e sal de rocha são hexaédricas. A fluorita
forma cristais octaédricos. A granada forma cristais dodecaédricos. Os cristais
de ferro pirita são encontrados em todas essas três formas. A forma cristalina
básica dos silicatos (que formam cerca de 95% das rochas na crosta terrestre) é
representada pelo menor dos sólidos regulares triangulares, o tetraedro. Os 60
átomos da molécula conhecida como “buckyball” são dispostos como os
vértices de um icosaedro truncado.
 Regularidade: Por serem poliedros regulares, tornam mais simples a
construção do material concreto a ser utilizado como facilitador da
aprendizagem.
Minha expectativa era de que os alunos apreciassem o conteúdo – revisão de algumas
características dos poliedros e a Relação de Euler – usufruindo da metodologia de ensino
adotada – envolvendo uma sequência de ensino com colaboração em grupo, recursos
tecnológicos, curiosidades históricas, confecção e manuseio de material concreto – tendo a
oportunidade de fixar os conceitos de forma mais eficiente, para que nos diversos momentos
de suas vidas, em que tais conceitos se façam necessários eles estejam vívidos em suas
mentes, dando suporte às suas estratégias na resolução de situações problemas.

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2.2 Estratégias pedagógicas
A estratégia pedagógica está pautada em uma sequência didática, com cada etapa
pensada para que não fiquem lacunas no conhecimento proposto a ser desenvolvido ao longo
das atividades.
Valoriza-se uma aprendizagem colaborativa, em grupo e autônoma, desta forma a
vivência de cada aluno é potencializada quando somada à dos integrantes de seu grupo,
favorecendo uma aprendizagem pela troca de experiência entre os mesmos.
A proposta prevê que o aluno produza o seu próprio material de aprendizagem, e neste
processo de confecção e manipulação de materiais concretos ele desenvolve diversas
habilidades e adquire conhecimentos pela observação de conceitos e regularidades.
Também são usados elementos históricos e recursos tecnológicos, ambos com o intuito
de estimular a curiosidade e ampliar o desejo de aprender e por consequência proporcionar
uma aprendizagem efetiva e duradoura.
Todos estes procedimentos e recursos necessitam da sensibilidade do professor para
efetuar intervenções sempre que necessário a fim de manter a dinâmica da aprendizagem de
forma favorável às necessidades da turma.

2.3 Planejamento
Utilização de 3 aulas (50 minutos cada aula) para aplicar cada uma das 8 etapas da
aula, conforme a tabela a seguir:
MOMENTOS DA AULA TEMPO
1º Apresentar através do Software Poly, os Poliedros de Platão 5
2º Confecção do material concreto 50
3º Algumas “características” dos Poliedros de Platão 15
Registrar as quantidades de faces, vértices e arestas dos sólidos
4º 10
construídos
Iniciar uma discussão, conduzindo o diálogo para que eles notem por
5º 20
si mesmos a Fórmula de Euler
6º Revisão dos conceitos aprendidos 10
7º Resolução de uma breve lista de exercícios 20
8º Preencher o questionário avaliativo da atividade 10
Tempo total estimado da aula em minutos 140

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2.3.1 Apresentação dos Poliedros de Platão
Apresentação dos Poliedros de Platão utilizando a tecnologia como um motivador, a
fim de cativar a atenção do aluno, instigando sua curiosidade. Espera-se que nesta etapa os
alunos aprendam:
 Quantos e quais são os Poliedros de Platão;
 Como é a planificação destes poliedros;
 Observem sua visão tridimensional;
 Notem o que são arestas, vértices e faces;
 Conheçam algumas curiosidades históricas destes poliedros, com ênfase aos
significados que os antigos davam a essas figuras, associando-as a elementos
da natureza.
A seguir, algumas imagens construídas com o Software Poly (à esquerda o sólido e à
direita sua planificação):

Tetraedro

Octaedro

17
Hexaedro ou Cubo

Dodecaedro

Icosaedro

18
2.3.2 Confecção do material concreto
Os grupos devem construir um esqueleto de cada um dos Poliedros de Platão.
Material necessário:

Varetas “pega balão” (ideal)


A ) ou
Canudinhos de pirulito

Linha Urso (ideal)


B ) ou
Linha 10 de pipa

C ) Folha “passo a passo” (ver anexo)

Montagem dos grupos da seguinte forma:


 Dividir os alunos em grupos de 6 alunos, sendo que cada trio fica responsável
por uma sequência de confecção do material concreto. Sendo:
 Sequência 1 : Octaedro e Dodecaedro
 Sequência 2 : Tetraedro, o Cubo e Icosaedro.

Estes são os esqueletos dos poliedros a serem reproduzido pelos alunos:

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2.3.3 Propriedades dos Poliedros de Platão
Discussão dos seguintes assuntos com o auxílio de slides através de um Datashow:
 Slide 1 e 2 - O que é um poliedro;
 Slide 2 - O que são as arestas, os vértices e as faces;
 Slide 3 - O que é um poliedro convexo e não convexo;
 Slide 4 - Condições para um sólido poliédrico;
 Slides 5 e 6 - Duas rápidas atividades para fixar os conceitos abordados;
 Slide 7 - Quais são os poliedros regulares;
 Slide 8 - Porque existem apenas cinco poliedros regulares;

Slide 1

Imagens do Software Poly

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Slide 2

Matem@tica na Pr@tica. In Geometria Espacial. Pag. 16

Slide 3

Matem@tica na Pr@tica. In Geometria Espacial. Pag. 22

21
Slide 4

Matem@tica na Pr@tica. In Geometria Espacial. Pag. 16 e 18

Slide 5

Matem@tica na Pr@tica. In Geometria Espacial. Pag. 17

22
Slide 6

Matem@tica na Pr@tica. In Geometria Espacial. Pag. 19

Slide 7

23
Slide 8

Matem@tica na Pr@tica. In Geometria Espacial. Pag. 36 e 37

2.3.4 Tabela de faces, arestas e vértices


Nesta etapa, os alunos irão manusear livremente as construções a fim de preencher
uma tabela com as seguintes informações a respeito de cada um dos 5 poliedros:
 Nome do Poliedro
 Forma das Faces
 Nº de Faces (F)
 Nº de Vértices (V)
 Nº de Arestas (A)
 Nº de Arestas que se encontram em cada Vértice do Poliedro
Obs. Ver a tabela no anexo.

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2.3.5 Construção empírica da Relação de Euler
Manuseando as estruturas dos Poliedros de Platão construídas pelos alunos:
1) Imagine-se preso em uma face. Seu objetivo será passear por todas as outras
faces do poliedro;
a) Regras:
i) Deve-se andar sempre na superfície, é proibido entrar no interior do
poliedro;
ii) Para passar de uma face à outra, é obrigatório que uma aresta seja
“rompida”;
b) Qual a relação entre a quantidade de faces “acessadas” e a quantidade de
arestas rompidas para chegar a estas faces? Note que:
i) Sendo F (total de faces do poliedro), passamos por F-1 faces, que é
exatamente a mesma quantidade de arestas rompidas;
2) Fixe-se em um vértice (P) qualquer e caminhe até outro vértice qualquer
diferente de P, andando sempre por uma aresta.
a) Regras:
i) Não se pode andar sobre uma aresta rompida.
b) Há quantas possibilidades de caminhos para ir de P até outro vértice
qualquer, diferente de P?
i) Os estudantes devem constatar experimentalmente que há somente uma
maneira de ir até outro vértice qualquer por uma aresta não rompida.
Ou seja há uma correspondência biunívoca entre as arestas não cortadas
e o número de vértices distintos de P.
3) Sendo R o número de arestas rompidas e D o número de vértices distintos de P,
temos que A = R + D.
a) Como R = F - 1 e D = V – 1, temos A = (F - 1) + (V - 1), que é a relação de
Euler, pois A = (F - 1) + (V - 1) => A = F + V – 2 ou V + F – A = 2.

Obs. Para esta atividade é importante que os alunos tenham uma caneta, ou qualquer
outro material que possibilite marcar as arestas “rompidas” das estruturas.

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Modelo da folha de exercícios desta atividade

2.3.6 Resolução de exercícios


Este é momento de avaliar a aprendizagem dos alunos. Através da resolução dos
exercícios o professor terá um indicativo da qualidade da aprendizagem e terá posteriormente
uma oportunidade de reforçar os pontos que julgar necessários.

Modelo da folha de exercícios desta atividade

26
2.3.7 Revisão dos conceitos aprendidos
Fazer a correção dos exercícios, esclarecendo as eventuais dúvidas que surgirem.
Permitir que os alunos expressem suas opiniões sobre a atividade, mencionando o que
aprenderam.

2.3.8 Questionário avaliativo da atividade


Visando um aperfeiçoamento contínuo desta proposta didática, os alunos irão avaliar a
atividade sob diversos aspectos distintos, para que o professor possa ter condições de efetuar
as alterações necessárias de forma mais efetiva, para uma próxima oportunidade de aplicação.

Modelo da folha do questionário avaliativo

27
3. APLICAÇÃO DA AULA INÉDITA

Havia na escola uma “Sala de Reuniões” já equipada com computador, DataShow,


cadeiras mais confortáveis e amplo espaço. Este ambiente foi excelente para as dinâmicas da
atividade.

Foto do ambiente utilizado na aplicação das atividades

No início, mencionando minha participação em um curso de pós-graduação, fiz uma


breve apresentação dos objetivos da aula, comentando que durante o planejamento a
preocupação estava em abordar um conteúdo matemático de forma diferente, motivadora e
que proporcionasse uma aprendizagem duradoura. De forma bem sucinta apresentei cada
etapa da aula e então iniciamos as atividades.
O uso da tecnologia (Software Poly) atingiu as expectativas. Os alunos ficaram
impressionados com a visualização tridimensional de cada um dos poliedros e se
maravilharam ao verem os poliedros “se abrindo” formando suas respectivas planificações,
ficando bem animados para produzirem o material.

28
Foto: Apresentação do Icosaedro com o software Poly através de um DataShow

Foto: Alunas analisando as instruções das construções

29
A próxima etapa foi a confecção do material concreto. Os alunos foram divididos em
grupos, receberam as instruções e todo o material necessário para as construções.

Foto: Colaboração em grupo

Foto: Grupo exibindo suas construções

30
Na etapa seguinte, recorri novamente a tecnologia, e com o auxilio de slides, abordei
algumas características dos Poliedros de Platão.

Foto: Inicio da apresentação de slides

Foto: Alunos preenchendo as atividades

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As últimas etapas foram compostas por atividades escritas.
 Os alunos anotaram em uma tabela dados como arestas, vértices e faces de
todos os Poliedros de Platão.
 Iniciamos uma dinâmica para que notassem de forma empírica a Relação de
Euler nos Poliedros que estavam manuseando.
 Resolução de uma breve lista de exercícios.
 Correção das atividades, com uma breve revisão dos conceitos trabalhos.
 Avaliação da atividade, na opinião dos alunos.

Foto: Alunas manuseando as folhas de atividades

32
Foto: Alunos se ajudando para fazerem as contagens necessárias para atividade da Relação de Euler

Foto: Alunas respondendo o questionário avaliativo

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4. ANÁLISE DA AULA INÉDITA
Neste primeiro contato entre a atividade idealizada e sua aplicação com os alunos, a
experiência foi excelente, enriquecendo minha bagagem pedagógica. A execução prática
proporcionou a oportunidade de detectar os pontos que precisam de modificações para uma
próxima oportunidade de aplicação.
No momento das construções, fiquei muito feliz com o empenho dos alunos,
praticamente todos os presentes estavam totalmente envolvidos, mas no momento das
atividades o empenho deles não atingiu minhas expectativas.

4.1 Pontos com necessidades de alterações


 Material das construções
 Canudos (arestas)
 As varetas do tipo pega-balão não eram viáveis financeiramente, como alternativa
utilizei canudinhos de pirulito. Uma das vantagens é o comprimento, todos na
mesma medida e com um tamanho ideal para as construções. A desvantagem é a
espessura do orifício, são mais finos em relação às varetas de pega-balão, e isso
atrapalhou bastante as construções.
 Solução: 1ª alternativa seria solicitar com antecedência que os alunos
providenciassem a compra de um pacotinho de Varetas Pega-Balão, desta
forma não se onera financeiramente nenhum participante e podemos trabalhar
com o material mais adequado. 2ª alternativa, providenciar algo para funcionar
como agulha (pode ser um fio de cobre fininho), de forma a facilitar a
introdução e passagem da linha pelos canudinhos.
 Linhas
 No início das construções, a linha apresentou uma rigidez bem abaixo do esperado,
a qual, porém, foi ficando mais firme conforme íamos utilizando mais linha do
carretel.
 Solução: Cortar os primeiros pedaços para as construções mais fáceis
(Tetraedro e Cubo), assim, quando cortar os pedaços para as construções mais
complexas, o ponto da linha no carretel já estará mais próximo do esperado
para a qualidade da linha. Outra forma de solucionar eventuais dificuldades
com a linha é cortar o pedaço que perdeu rigidez durante o manuseio.

34
 Tempo
 Como as construções estavam mais difíceis, o tempo para a execução delas não foi
suficiente. E isso interferiu de forma muito negativa no conteúdo da aula, tendo
pouquíssimo tempo para sua abordagem, bem como para as atividades de fixação. O
tempo que ficou para as atividades foi insuficiente. Pouquíssimos alunos puderam
conclui-las, o que de certa forma prejudicou parte da análise da aula.
 Solução: Aplicando as melhorias sugeridas quando aos canudos e a linha, o
tempo será otimizado no momento das construções, de forma a garantir um
tempo adequado para as outras atividades.
 Grupos
 Escolher grupos de 6 alunos foi ótimo, porém, a dinâmica dentro dos grupos não foi a
melhor. Três alunos fizeram o tetraedro, o cubo e o octaedro, enquanto os outros três
alunos faziam o icosaedro e o dodecaedro. Percebi que a experiência nas construções
auxiliava bastante, ou seja, os trios que fizeram o tetraedro (fácil), o cubo (fácil) e o
octaedro (médio), foram muito bem, pois havia uma evolução no grau de suas
construções. Porém, os trios que fizeram o icosaedro (difícil) e o dodecaedro (difícil),
tiveram muita dificuldade por não terem um contato anterior com a dinâmica das
construções.
 Solução: A dinâmica de montagem dos grupos deve ser da seguinte forma:
Dividir os alunos em grupos de seis alunos, sendo que cada trio fica
responsável por uma sequência de confecção do material concreto. Sendo:
Sequência 1 : Octaedro e o Dodecaedro. Sequência 2 : Tetraedro, Cubo e o
Icosaedro.

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4.2 Pontos positivos
1. Espaço físico
a. A escola dispunha de uma sala de vídeo, já equipada com Datashow. Era uma
sala ampla, possibilitando uma disposição excelente ao posicionamento dos
grupos, de forma que as discussões em um grupo, não interferiam na
concentração dos outros grupos.
b. Notei que o simples sair da sala de aula convencional, já deixou os alunos mais
felizes e animados.
2. Construções
a. O passo-a-passo das construções, que explicava como fazer as construções foi
praticamente suficiente, minhas intervenções foram bem raras ao longo das
construções.
b. A participação dos alunos nas construções foi bem acima das minhas
expectativas. Quando notei as dificuldades com a linha e a espessura dos
canudos, imaginei que eles fossem desanimar, porém, o desafio funcionou
como um agente motivador e eles se mantiveram bem animados.

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4.3 Análise das atividades
 Anexo II – Faces, Arestas e Vértices: Nesta atividade era para anotarem o caminho
percorrido para concluírem a Relação de Euler.
 Conforme eles faziam suas marcações nos poliedros e me respondiam as
quantidades, fui registrando suas observações no Datashow e organizando os
pensamentos de forma a guia-los para a Relação de Euler.
 Todos fizeram essa atividade, porém nenhum deles registrou o caminho
percorrido para chegarem a Fórmula de Euler. A maioria registrou um teste da
fórmula em alguns dos poliedros de Platão. A seguir segue dois exemplos
desta atividade respondida pelos alunos.

Imagens da atividade de dois alunos

37
 Anexo IV – Exercícios: Nesta atividade o professor verifica o quanto de conhecimento foi
construído ao longo da aula e o aluno pode fixar e testar sua própria aprendizagem,
verificando e sanando suas dúvidas.
o 2 alunos concluíram 100% desta atividade;
 Ambos demonstraram ter aprendido de forma satisfatória a Relação de
Euler e também os outros conhecimentos correlacionados que foram
abordados ao longo da aula.
o 4 alunos fizeram de 20% a 30% da atividade;
 Aprenderam de forma satisfatória a Relação de Euler, porém, não se pode
afirmar se também aprenderam os outros conhecimentos correlacionados.
o 4 alunos fizeram de 10% á 20% da atividade;
 Aparentemente, algo foi aprendido sobre a Relação de Euler.
o 12 alunos não chegaram a 10% da atividade;
 Não é possível concluir o quanto de conhecimento eles construíram.

Imagens da atividade de um dos alunos

38
Imagens da atividade de um dos alunos

Imagens da atividade de dois alunos que responderam parcialmente

39
 Anexo VI – Questionário Avaliativo: Onde os alunos iriam registrar suas opiniões quanto
a qualidade da aula e também elencar os conhecimentos adquiridos. Ao invés de cada
aluno fazer sua própria avaliação, ela foi realizada por grupo.
o Apenas um grupo mencionou ter aprendido a Relação de Euler, e foi justamente o
grupo formado pelos que concluíram mais 100% das atividades. Os outros grupos
elencaram como conhecimento adquirido: Poliedros, Arestas, Faces e Vértices.
o Um dos grupos relatou algo preocupante: Disse que não tinha visto poliedros há
muito tempo. Isto me fez pensar um pouco sobre o quanto de contato esses alunos
estão tendo com o conhecimento geométrico.
o A maioria registrou que:
 Obteve um bom desempenho na atividade;
 As construções foram difíceis;
 A manipulação do material concreto facilitou a aprendizagem;
 O conteúdo abordado era difícil;

Imagens da atividade avaliativa de um dos grupos

40
Imagens da atividade avaliativa de um dos grupos

4.4 Considerações finais da aplicação da aula


Considero que os procedimentos da aula estavam claros, e os alunos estavam
realmente gostando. Estava tão feliz com a participação deles, que acabei não atentando para
o tempo avançado! Foi decepcionante que a qualidade do material atrapalhasse tanto o
andamento da aula. Como professor, eu deveria ter decidido por interromper as construções,
para ter tido um tempo hábil para as discussões e a execução das outras atividades.
Ao tomar a decisão de interromper as construções, os alunos não ficaram felizes, eles
queriam concluir todas elas, levou um tempo para todos pararem e darem atenção para
continuarmos as outras etapas da aula. Quando comecei a abordar os conteúdos, era nítido que
eles não estavam plenamente concentrados, estavam divididos, uma parte deles ainda estavam
mentalmente com o foco nas construções.
Ciente do pouco tempo que restava, acelerei um pouco as discussões, para que
pudessem ter os conhecimentos necessários para as atividades seguintes. Mesmo assim, eles
não tiveram tempo suficiente para responderem as atividades de fixação.
O planejamento da atividade previa a utilização de 3 aulas, porém, com todas as
dificuldades já mencionadas, mesmo utilizando 4 aulas, não foi possível concluir todo o
planejado, tendo as atividades prejudicadas por falta de tempo.

41
5. CONCLUSÃO
5.1 Resumo da pesquisa
O objetivo era elevar a percepção geométrica através de um material concreto
construído pelos próprios alunos, de forma a facilitar suas observações quanto a relação que
há entre as faces (F), os vértices (V) e as arestas (A) dos Sólidos de Platão, fazendo-os
concluírem que V + F – A = 2 é válido para cada um dos 5 poliedros estudados.

5.2 Ideias principais da proposta didática


Trata-se de uma fórmula de fácil compreensão, mas se abordada de forma puramente
tradicional, ela facilmente esvaece na mente dos alunos. Por isso, buscou-se uma abordagem
dinâmica, que promovesse uma aprendizagem significativa e duradoura, através da construção
de material concreto, de recursos tecnológicos e também de elementos históricos.
O uso do Software Poly1, de uso livre, foi também uma etapa importante deste
trabalho, possibilitando uma abordagem diferente de alguns dos conceitos dos Poliedros de
Platão, deixando os alunos prontos para prosseguirem e aprenderem conteúdos novos
(Relação de Euler).
Formou-se uma proposta didática que valorizou a obtenção da Relação de Euler
através da manipulação de material concreto, construído pelos próprios alunos.

5.3 Conexão da proposta didática com o PCN e autores


O MEC aconselha que os tópicos abordados neste trabalho sejam realizados através da
construção e manipulação dos poliedros e suas planificações com o uso de régua e compasso.
A metodologia adotada, embora não contemple o uso de régua e compasso, está em
consonância com as orientações do MEC pelo uso das construções dos sólidos geométricos e
por proporcionar ao aluno meios de compreender a Relação de Euler e não somente a
memorizar.

O estudo de poliedros, o Teorema de Euler e a classificação


dos poliedros platônicos compõem um interessante tópico,
em que a construção dos poliedros, via planificações feitas
com régua e compasso, pode ser uma atividade de grande
satisfação estética. Na direção de valorização da
Matemática, no seu aspecto estético, existem alguns vídeos

1
O Software Poly, pode ser baixado em http://poly-pro.softonic.com.br/download

42
que podem servir como ponto de partida de discussão de
assuntos tais como simetrias, fractais, o número de ouro,
etc. (BRASIL, Orientações Curriculares, vol2, pag. 93)

Geometria espacial: elementos dos poliedros, sua


classificação e representação; sólidos redondos;
propriedades relativas à posição: intersecção, paralelismo e
perpendicularismo; inscrição e circunscrição de sólidos. •
Usar formas geométricas espaciais para representar ou
visualizar partes do mundo real, como peças mecânicas,
embalagens e construções. • Interpretar e associar objetos
sólidos a suas diferentes representações bidimensionais,
como projeções, planificações, cortes e desenhos. • Utilizar
o conhecimento geométrico para leitura, compreensão e
ação sobre a realidade. • Compreender o significado de
postulados ou axiomas e teoremas e reconhecer o valor de
demonstrações para perceber a Matemática como ciência
com forma específica para validar resultados. (Brasil,
Parâmetros Curriculares Nacionais, pag. 125)

5.4 Resumo da análise da aplicação


No que tange a parte prática da atividade, que eram as construções dos sólidos, o
desempenho dos estudantes foi satisfatório, mesmo não tendo sido todas concluídas, as
construções atingiram o objetivo de facilitar uma revisão dos pré-requisitos para explorar a
Relação de Euler. Porém, quanto às atividades o sucesso não foi o mesmo, devido ao pouco
tempo. Os alunos aprenderam a Relação de Euler, isso pode ser notado na resolução das
atividades, porém, creio que o objetivo de tornar essa aprendizagem duradoura não foi
plenamente alcançado.

43
5.5 Modificações no produto didático pós-aplicação
Houve uma alteração significativa nos tempos de cada etapa da aula e também na
dinâmica dos grupos. O planejamento previa ambos da seguinte forma:
MOMENTOS DA AULA TEMPO
1º Apresentar através do Software Poly, os Poliedros de Platão 5
2º Confecção do material concreto 50
3º Algumas “características” dos Poliedros de Platão 15
Registrar as quantidades de faces, vértices e arestas dos sólidos
4º 10
construídos
Iniciar uma discussão, conduzindo o diálogo para que eles notem por
5º 20
si mesmos a Fórmula de Euler
6º Revisão dos conceitos aprendidos 10
7º Resolução de uma breve lista de exercícios 20
8º Preencher o questionário avaliativo da atividade 10
Tempo total estimado da aula em minutos 140
Dinâmica dos grupos: Escolher grupos de seis alunos. Três alunos fazem o tetraedro, o
cubo e o octaedro, enquanto os outros três alunos fazem o icosaedro e o dodecaedro.

Após a aplicação da aula detectou-se alterar os tempos e os grupos da seguinte forma:


MOMENTOS DA AULA TEMPO
1º Apresentação dos Poliedros de Platão 10
2º Confecção do material concreto 60
3º Propriedades dos Poliedros de Platão 20
4º Tabela de faces, vértices e arestas 10
5º Construir empiricamente a Relação de Euler 30
6º Resolução de exercícios 25
7º Revisão dos conceitos aprendidos 20
8º Questionário avaliativo da atividade 15
Tempo total estimado da aula em minutos 190

44
Dinâmica dos grupos: Apresento duas opções de formação e distribuição dos grupos:
Escolher grupos de 6 alunos. Três alunos fazem o Octaedro e o Dodecaedro, enquanto o outro
trio faz o Tetraedro, o Cubo e o Icosaedro.
Separar inicialmente em grupos de 3 alunos, todos fazem o Tetraedro, o Cubo e o Octaedro.
Os grupos que acabarem primeiro recebem o dodecaedro e depois o icosaedro. Deve-se fixar
um tempo limite para as construções (evitando desta forma desprender muito tempo nesta
etapa da atividade). Assim, espera-se que todos os grupos construam as figuras poliédricas
mais fáceis, e aqueles que não conseguirem fazer os mais complicados são redivididos nos
grupos para a contagem de arestas, etc. Após, faz-se a atividade de andar pelas faces. Com
essa dinâmica, é provável que um grupo ou estudante que não se saiu bem em uma etapa pode
ter aproveitamento melhor em outra, porém, todos participam.

5.6 Sugestões de novas aulas


Com mais esta experiência, participando de todo o processo de planejamento de uma
aula diferenciada, é grande o desejo de fazer outras produções.
Minha próxima “aventura” será com jogos educacionais. É muito comum encontrar
jogos para os anos iniciais, porém não são tão comuns para o Ensino Médio. Acredito que o
aprender brincando seja uma prática pedagógica eficiente.

5.7 Conclusão final


É bem desproporcional o tempo de planejamento de um trabalho como este para o
tempo de aplicação, passam-se dias planejando e algumas poucas horas aplicando. Mas
considerando o tempo em que uma aprendizagem oriunda de um trabalho como este pode
permanecer na mente do aluno, é com certeza recompensadora. Isso porque não é estimulada
uma memorização momentânea, mas sim a construção e a manipulação dos objetos
construídos que podem propiciar uma aprendizagem efetiva com efeito duradouro.
Tenho certeza de que com as devidas alterações já sugeridas, a proposta desta aula é
proveitosa, e trará o sucesso desejado por qualquer professor, ou seja, que seus alunos se
interessem pela aula, participem e aprendam.
Acredito que o compartilhamento de experiências é enriquecedor e contribui
imensamente ao crescimento intelectual de uma sociedade, portanto, coloco esse trabalho sob
domínio público, podendo ser usado e adaptado sem ônus.

45
46
6. REFERÊNCIAS E BIBLIOGRAFIA

BERLINGHOFF, William P.; GOUVÊA, Fernando Q.. A Matemática Através dos Tempos.
2ª Ed. Blucher, 2012. 279p.

BRASIL. Orientações Curriculares para o Ensino Médio. Brasília: Ministério da


Educação, Secretaria de Educação Básica, 2006. Disponível em
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/book_volume_02_internet.pdf Consultado em
29/06/2016.

BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (PCNEM). Brasília:


Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2006. Disponível em
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/CienciasNatureza.pdf Consultado em 29/06/2016.

DIAS, C. C.; SAMPAIO, J. C. V.; MARLUSA, B. R.; BARROS, T, E. Geometria Espacial.


In Matem@atica na Pr@tica. Cuiabá: Editora Central de Texto, 2013.

DIAS, C. C. et al. Trabalho de Conclusão de Curso. In Matem@atica na Pr@tica. Cuiabá:


Editora Central de Texto, 2013.

MATOS, F. R. P.; ROSA, M. B.; GIRALDO, V. A. Conteúdo e Prática: Olhar Conceitual


na Sala de Aula. In Matem@atica na Pr@tica. Cuiabá: Editora Central de Texto, 2013.

MOREIRA, Marco Antonio. Aprendizagem Significativa: Um Conceito Subjacente.


Instituto de Física da UFRGS. Porto Alegre. 2011. Disponível em:
http://www.if.ufrgs.br/asr/artigos/Artigo_ID16/v1_n3_a2011.pdf Consultado em 28/06/2016.

47
7. ANEXOS

48
Anexo I – Passo a Passo

ICOSAEDRO

OCTAEDRO

HEXAEDRO-CUBO

49
DODECAEDRO

TETRAEDRO

50
Anexo II – Faces, Arestas e Vértices

Nº de
Arestas
Nº de que se
Poliedro Nº de Nº de
Forma das Faces Vértices encontram
Regular Faces (F) Arestas (A)
(V) em cada
Vértice do
Poliedro

De acordo com os dados acima, estabeleça uma relação entre a quantidade de Faces,
Vértices e Arestas, em cada um dos poliedros.
Anote suas conclusões:

_________________________________________________________________________________________________________________

_________________________________________________________________________________________________________________

_________________________________________________________________________________________________________________

_________________________________________________________________________________________________________________

_________________________________________________________________________________________________________________

_________________________________________________________________________________________________________________

Faça aqui seus rascunhos:

51
Anexo III – Possíveis perguntas para induzir os alunos a perceber a Relação de
Euler

Manuseando as estruturas dos Poliedros de Platão construídas pelos alunos:


1) Imagine-se preso em uma face. Seu objetivo será passear por todas as outras
faces do poliedro;
a) Regras:
i) Deve-se andar sempre na superfície, é proibido entrar no interior do
poliedro;
ii) Para passar de uma face à outra, é obrigatório que uma aresta seja
“rompida”;
b) Qual a relação entre a quantidade de faces “acessadas” e a quantidade de
arestas rompidas para chegar a estas faces? Note que:
i) Sendo F (total de faces do poliedro), passamos por F-1 faces, que é
exatamente a mesma quantidade de arestas rompidas;
2) Fixe-se em um vértice (P) qualquer e caminhe até outro vértice qualquer
diferente de P, andando sempre por uma aresta.
a) Regras:
i) Não se pode andar sobre uma aresta rompida.
b) Há quantas possibilidades de caminhos para ir de P até outro vértice
qualquer, diferente de P?
i) Os estudantes devem constatar experimentalmente que há somente uma
maneira de ir até outro vértice qualquer por uma aresta não rompida.
Ou seja há uma correspondência biunívoca entre as arestas não cortadas
e o número de vértices distintos de P.
3) Sendo R o número de arestas rompidas e D o número de vértices distintos de P,
temos que A = R + D.
a) Como R = F - 1 e D = V – 1, temos A = (F - 1) + (V - 1), que é a relação de
Euler, pois A = (F - 1) + (V - 1) => A = F + V – 2 ou V + F – A = 2.

Obs. Para esta atividade é importante que os alunos tenham uma caneta, ou qualquer outro
material que possibilite marcar as arestas “rompidas” das estruturas.

52
Anexo IV – Exercícios

1) Use seus conhecimentos para completar a tabela a seguir:


Poliedro Forma
Vértices Arestas Faces
Regular das faces
30 12
4 6
12 20
12 8
8 6
2) De acordo com os esquemas abaixo, responda:

a) Quais são os poliedros representados acima?

I)_________________________________________________________________________________________

II)________________________________________________________________________________________

III)________________________________________________________________________________________

IV)_______________________________________________________________________________________

V)________________________________________________________________________________________

53
b) Observe o esquema IV. Ele poderia representar as arestas planificadas do octaedro regular
ou do cubo?

__________________________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________________________

c) Você acha que o esquema V poderia representar as arestas planificadas do cubo?

__________________________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________________________

d) Você acha que o esquema V poderia representar as arestas planificadas do octaedro


regular?

__________________________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________________________

3) Relacione cada poliedro com sua respectiva representação segundo a concepção dos
pitagóricos.

( 1 ) Tetraedro // ( 2 ) Hexaedro (Cubo) // ( 3 ) Octaedro // ( 4 ) Icosaedro // ( 5 ) Dodecaedro

( ) Terra ( ) Água ( ) Universo ( ) Fogo ( ) Ar

4) O que é um poliedro convexo?


__________________________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________________________

5) Porque só existem 5 Poliedros de Platão?


__________________________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________________________

__________________________________________________________________________________________

54
Anexo V – Questionário Avaliativo

Avalie a atividade respondendo as questões abaixo

Nome:______________________________________________Série:___________
1 – Seu desempenho na atividade foi:
( ) Ruim ( ) Bom ( ) Excelente

2 – A construção dos sólidos foi:


( ) Muito Difícil ( ) Difícil ( ) Fácil

3 – A manipulação do material concreto, favoreceu sua aprendizagem?


( ) Não ( ) Sim

4 – Você já tinha conhecimento das curiosidades históricas apresentadas?


( ) Não ( ) Sim
Quais:______________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

5 – Quanto aos conteúdos estudados, você os considera:


( ) Fáceis ( ) Difíceis

6 – Você acredita que se lembrará do que foi estudado? Por quanto tempo? E Porque?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

7 – Dê uma nota (0 a 10) para as estratégias pedagógicas utilizadas na atividade.


___________________________________________________________________________

55
8 – Descreva alguma sugestão para melhorar a atividade.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

9 – Dê uma nota (0 a 10) a condução da aula pelo professor.


___________________________________________________________________________

10 – Descreva alguma sugestão para o professor.


___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

11 – De qual momento da aula você mais gostou?


___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

12 – Relacione abaixo todos os conhecimentos relevantes que você aprendeu ao longo da


atividade.
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

56
57