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INSTITUTO BRASILEIRO DE ESTUDOS TRIBUTÁRIOS

QUESTIONÁRIO DO SEMINÁRIO I
Isenções Tributárias e Regra-Matriz de Incidência Tributaria

Palmas/TO
09 de agosto de 2019
QUESTÃO 01

Existem várias teorias, conforme a doutrina, que busca apresentar uma definição
para o conceito de isenção tributária. Mas, a meu ver, a teoria que exprime com exatidão
é a apresentada pelo professor Paulo de Barros Carvalho.
Dessa forma, isenção seria uma norma de estrutura (e não de conduta) que investe
modificações no âmbito da Regra-Matriz de Incidência Tributária, isto é, investe contra
um ou mais dos critérios da norma padrão, mutilando-os parcialmente.
Poderá atingir pela hipótese: o critério material, pela desqualificação do verbo; o
critério material, pela subtração do complemento; o critério espacial; e o critério temporal.
Em contrapartida, poderá atingir pelo consequente: o critério pessoal, pelo sujeito ativo;
o critério pessoal, pelo sujeito passivo; o critério quantitativo, pela base de cálculo; e o
critério quantitativo, pela alíquota.1

QUESTÃO 02

Isenção Imunidade Não-Incidência Anistia Remissão


Norma de Dispositivo Na sua forma simples, é Perdão da falta Ocorre quando o
estrutura que constitucional quando não existe cometida pelo infrator legislador
investe contra um que restringe a competência para de deveres tributários tributário perdoa o
ou mais dos competência tributar certo fato, ou até e também quer dizer o débito do tributo,
critérios da norma tributária, pode possuí-la, porém perdão da penalidade abrindo mão do
padrão, impedindo, escolhe não a exercer. a ele imposta por ter seu direito de
mutilando-os dessa forma a Em sua forma infringido percebê-lo.
parcialmente. incidência da qualificada, ocorre mandamento legal. Retroage às
norma quando a própria Então, é o perdão do relações jurídicas
tributária. Constituição reprime a ilícito (ato da já constituídas.
competência do ente infração) ou o perdão
federativo, impedindo-o da multa
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de definir algumas (penalidade).
situações como Retroage às relações
hipóteses de incidência jurídicas já
de tributos (ou seja, é a constituídas.
própria imunidade.2
Lei Norma Independe de previsão Lei Lei
infraconstitucional constitucional ou decorre de lei infraconstitucional infraconstitucional
constitucional (em sua
forma qualificada)

1
CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. Capítulo XV.
2
ALEXANDRE, Ricardo. Direito Tributário. 11.ed. Salvador: JusPodivm, 2017, p. 201.
3
CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. Capítulo XV.
QUESTÃO 03

Não, porque crédito tributário, para a isenção, será aquele débito que não foi
constituído ainda. Isto porque somente haverá a incidência de uma norma, se ela passou
por todos os critérios da RMIT, desse modo, se compreendemos que a isenção investe
contra um ou mais desses critérios, obrigatoriamente, sua existência se dará antes da
incidência da norma. Sua existência se dará antes do fato jurídico e, consequentemente,
da constituição do débito.
Por outro lado, crédito tributário, para a anistia, se relacionará a um débito já
existente. Já houve o fato jurídico (o fato social já entrou no meio jurídico). Terá caráter
retroativo, operando em relações jurídicas já constituídas.

QUESTÃO 04

(i) Não, uma vez que isenção condicionada seria aquela sob condição de
controle administrativo, em que o agente público competente apreciará o
preenchimento dos requisitos básicos que a lei ou o contrato (nos termos
da lei) estipular. Já a isenção incondicionada, é a condição concedida em
caráter geral, independente de expedientes da administração. É certo que
uma dessas condições expostas na isenção condicionada poderia ser um
determinado prazo, mas isso não quer dizer que tal condição deve ser,
necessariamente, tal período de tempo.

(ii) Apenas restabelecerá sua eficácia, uma vez que a isenção somente investia
contra um ou mais critérios da norma padrão, não tirando, assim, sua
capacidade de produzir efeitos e extinguir a validade. No entanto, deve-se
dar atenção ao princípio da anterioridade, de modo que tal extinções só
devem entrar em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em
que forem publicados.4 E, conforme o art. 179, § 2° do CTN, como é
inerente aos atos administrativos, o que concede ou reconhece a isenção
não gera direito adquirido.

QUESTÃO 05

Não acredito que os dois institutos sejam semelhantes em tudo, no entanto acredito
que a alíquota 0% é um dos tipos existentes de isenção tributária.
Relembre-se que há 8 variações de isenções: o critério material, pela desqualifi-
cação do verbo; o critério material, pela subtração do complemento; o critério espacial; o
critério temporal; o critério pessoal, pelo sujeito ativo; o critério pessoal, pelo sujeito
passivo; o critério quantitativo, pela base de cálculo; e o critério quantitativo, pela
alíquota.

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CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. Capítulo XV.
E seria então, por esta última modalidade, que surgiria a chamada Alíquota 0%.
Não, porque, como já dito anteriormente na isenção e na alíquota zero (um tipo de
isenção) a norma não irá alcançar determinadas pessoas ou instituições justamente por
causa da mutilação de alguns pontos da RMIT. Desse modo, o crédito tributário não chega
a existir, a ser constituído. Não entra no mundo jurídico. Não mudaria a resposta se o
produto for adquirido na ZFM, isto porque a isenção continuaria existindo, só mudando
seu critério, que agora será espacial.

QUESTÃO 06

a) Não, já que não se deve confundir subtração do campo de abrangência do


critério da RMIT (isenção) com a mera redução da base de cálculo ou da
alíquota que não as anule. Não existe isenção parcial. Essa mera diminuição
do critério quantitativo sem fazer desaparecer por completo o objeto da
obrigação tributária não é isenção. Quando a base de cálculo somente é
reduzida, chegou a existir a incidência tributária, algo que não acontece com
a isenção.
b) Não, não seria possível, já que o art. 155, § 2°, II diz respeito aos casos de
isenção ou não incidência, casos que não bates com uma mera redução da base
de cálculo do imposto incidente na operação de saída da mercadoria.

QUESTÃO 07

Sim, já que o dispositivo legal supracitado somente informa que caberá à lei
complementar regular a forma como, mediante deliberação dos Estados e do DF,
isenções, incentivos e benefícios ficais serão concedidos e revogados. A Lei criada foi a
LC n. 24/75, a qual diz que “isenções do imposto sobre operações relativas à circulação
de mercadorias serão concedidas ou revogadas nos termos de convênios celebrados e
ratificados pelos Estados e pelo Distrito Federal”. Desse modo, se o convênio foi
celebrado e ratificado pelos Estados, cabe à população depender de sua aprovação.

QUESTÃO 08