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Orientação 29/10/2019

‘’Construção’’
Última trincheira para o réquiem carioca

Amou daquela vez como se fosse a última Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
Beijou sua mulher como se fosseEatropeçou
última no céu como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse
E cada filho seu como se fosse o único sábado
E atravessou a rua com seu passoE setímido
acabou no chão feito um pacote tímido Agonizou no meio do passeio
Subiu a construção como se fosse máquina náufrago
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas Morreu na contramão atrapalhando o público
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento Amou
e lágrima
daquela vez como se fosse máquina Beijou sua mulher como se fosse
Sentou pra descansar como se fosse sábado lógico
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
Dançou e gargalhou como se ouvisse música E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado E se acabou no chão feito um pacote bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro Morreu na contramão atrapalhando o sábado
E se acabou no chão feito um pacote flácido Agonizou no meio do passeio
público Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir
Morreu na contramão, atrapalhando o tráfego A certidão pra nascer e a concessão pra sorrir
Por me deixar respirar, por me deixar existir
Amou daquela vez como se fosse o último Deus lhe pague
Beijou sua mulher como se fosse a única Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir
E cada filho seu como se fosse o pródigo Pela fumaça e a desgraça que a gente tem que
E atravessou a rua com seu passo bêbado Subiu a construção como se fosse tossir
sólido Pelos andaimes pingentes que a gente tem que cair
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas Tijolo com tijolo num desenho Deus lhe pague
lógico Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir
Seus olhos embotados de cimento e tráfego E pelas moscas bicheiras a nos beijar e cobrir
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo Deus lhe pague
Bebeu e soluçou como se fosse máquina

Chico Buarque

Prelúdio
1- Primeiro ato: Construção
1.1 ‘’Subiu a construção como se fosse máquina. Ergueu no patamar quatro
paredes sólidas’’
1.2 ‘’Subiu a construção como se fosse sólido. Ergueu no patamar quatro
paredes mágicas’’

1.3 ‘’Ergueu no patamar quatro paredes flácidas’’

2-Segundo Ato – Ultima trincheira

2.1 A laje

2.2 o boteco
2.3 ruína projetada

‘’Pela fumaça e a desgraça que a gente tem que tossir’’

3-Segundo Ato Ao caminho do requiem, a espera Ogum

4-Epílogo

A mudança do escopo do trabalho ocorre principalmente pelo desejo expandir a


dissertação a algo além da abordagem historicista da produção arquitetónica
carioca. Aproveito este momento de crise pelo qual passa a sociedade brasileira
para ser um catalisador da busca por soluções e respostas as demandas críticas
das cidades brasileiras. É necessário, no sentido prático, r Ao caminho do
requiem, a espera Ogum

Prelúdio
A Obra, do radical latim opus, está na etimologia da palavra ópera. Chico Buarque ao
retornar do exílio em 1971 compõe esta ópera da tragédia de um operário
brasileiro. Música ganhou forte conotação de um manifesto crítico social. Segundo o
compositor a intenção era apenas estruturar a letra em blocos, como uma construção.
Frisa Chico, o repertório que permitiu essa interpretação crítica da música, é o seu
repertório de ver e viver cidade. Assim, não obstante, refletiu o contexto citadino das
cidades brasileiras.
O presente trabalho busca, através da revisão crítica da arquitetura carioca, traçar um
panorama contextualizado de decisões que reverberam aos dias atuais. Sobre este
cenário, levantar ‘’fatos urbanos’’ latentes que possam ser caracterizados como uma
última fronteira de uma distopia. No terceiro ato, partindo da caracterização dos fatos
urbanos, buscamos escrutiná-los de forma prospectiva. Ao explorar esses elementos
constatados como última fronteira, investigar-se-á eixos que possam auxiliar a
arquitetura no resgate da cidade. Elaboro este trabalho como um mergulho em águas
que outrora foram cristalinas. Busco na realidade turva, filtrar desígnios da arquitetura
carioca. O produto extraído daqui será essencialmente o processo investigativo. Este
poderá ter um objeto definido como resultado ou perguntas para uma futura pesquisa
mais aprofundada.
A objetificação da arquitetura é uma síndrome de recorte daquele elemento de seu
contexto, agregando-o valor e tornando-a uma commodity. Assim como descrito por
Kengo Kuma em anti-object, a valorização do trabalho interno, em pequena escala,
situacional previne da objetificação mercadológica da arquitetura. Neste caso,
arquitetura adquire o sentido de ferramenta política através da prática como meio de
evitar a objetificação.

Arquitetura como dispositivo operativo na prática da governança. O objeto no sentido


construído por Kengo Kuma mesmo, como ferramenta de coerção, controle e promoção
da democracia. Anti objeto ( em suspenso)
Exploração da cidade através da ‘’fatos urbanos’’ que nos permite uma visão mais
aproximada de uma questão e, partindo de associações a ela, o todo é destrinchado.

1º Ato: Construção

Estabelecer recorte funcional e programático. Consolidar o temporal


como da semana de 22 ao incendio de 2018

Possibilidades:

Habitação- vargas/ditadura/MCMV

Infraestruturas- aterro do flamengo/rodovias/favela bairro


1.1 ‘’Subiu a construção como se fosse máquina. Ergueu no patamar quatro
paredes sólidas’’
Anos 20 a 1940. ‘’Tupi or not tupi’’. Construção da identidade nacional e valorização
das raízes brasileiras. Arquitetura como forma de representação da imagem e
propaganda do Estado Novo de Vargas. Consolidação do parque industrial do país e
da lógica do progresso mecanicista. Prática de projeto pela vanguarda da até então
Escola Nacional de Belas Artes, que rompe com o ensino clássico da arquitetura, sob
influência de Corbusier. Arquitetura reflexo do momento socioeconômico do momento.
1.2 ‘’Subiu a construção como se fosse sólido. Ergueu no patamar quatro
paredes mágicas’’
1940-1965 – Inauguração do Capanema e consolidação de uma ‘’Escola Carioca’’.
Publicação do ‘’Brazil Builds’’. Apogeu e consolidação da arquitetura Brasileira com a
inauguração de Brasília (1960) e do Aterro do Flamengo (1965). Utopia projetada da
Escola Carioca, as questões sociais seriam resolvidas ao tempo com o desenho para
uma sociedade idílica. Diferente da vertente paulista que buscou ‘’pousar’’ a forma e
encarar as demandas sociais através da arquitetura.

1.3 ‘’Ergueu no patamar quatro paredes flácidas’’


1965-2018 Vácuo de produção e crítica durante a ditadura. O projeto que se distancia
da abordagem crítica do espaço e é cooptado como discurso e propaganda do ‘’Milagre
Econômico’’, durante o golpe. Na redemocratização a prática se perde na tentativa de
uma interpretação acelerada do pós-modernismo e aos ecos do moderno. Produção
tímida de um ‘’maneirismo modernista’’. Uma Escola (Carioca) que nunca foi.
Precarização do trabalho na primeira cidade a receber o título de Patrimônio da
Humanidade e sede da União Internacional dos Arquitetos 2020

Intermezzo

2ºAto: Última trincheira


‘’Pela fumaça e a desgraça que a gente tem que tossir’’

A arquitetura é um aspecto de uma realidade maior e mais complexa das estruturas


particulares das cidades, que também são cunhadas por outros autores e disciplinas.
Contudo, também é um dado físico deste sistema, que é passível de ser analisado,
sendo eficiente como objeto de estudo. Arquitetura é a parte concreta, o sentido objetivo
diferente de variáveis como o aspecto de lugar, a memória, vínculos afetivos dentre
outros elementos subjetivos. (Rossi, 2001)

Os dados físicos desse sistema pertencem, a grosso modo, a dois núcleos particulares
e antagônicos, os elementos da esfera pública e privada.

Rossi os classifica (‘’fatos urbanos’’) como pertencentes a esfera pública como


primários, que tem potencial catalisador das transformações do solo urbano. Apesar da
massa urbana construída ser predominantemente privada, o elemento primário,
nomeadamente o chão público, é a base, orientação e o seio da cidade.

Após síndrome de Brasília, os fatos urbanos passam a ser embasados como uma visão
nostálgica e revivalista através da interpretação de modelos externos -europeus e norte
americanos- irreais a complexidade das metrópoles latino americanas. Isso se reflete
na nossa incapacidade de articulação entre um futuro especulado - ou espetacular- com
as pré-existências. A camada histórica como é parte fundamental no processo de
formação da identidade cultural. Mas há de se ir além, superar um revisionismo
historicista ou um palimpsesto genérico.

Como mecanismo operativo para prosseguimento da investigação recorre-se a


desconstrução, aplicada aqui como método para entendimento dos casos em particular.
É válida a ressalva que Derrida destaca a desconstrução como a metafísica da presença
ou logocentrismo.Para ele, as palavras não têm a capacidade de expressar tudo o que
por elas quer se exprimir. Ou seja, a predisposição ocidental de colocar o logos como
centro do discurso. Em outras palavras, o fundamento racional centraliza a
interpretação face outras variáveis, anulando desconstrução como método. Diferente
dele, a abordagem desconstrutiva aqui aplicada, não busca a verdade única mas
desmontar o elemento em análise com o objetivo de extrair informações mascaradas.

Assim, poderia a forma arquitetónica ser uma ferramenta política, o objeto como indutor
de uma reflexão crítica.

Desconstrução: ideia de Heidegger em explorar categorias e conceitos que foram


aplicados a uma palavra e a história por trás dela. Como dito por Entendimento
infraestrutural do projeto arquitetônico segundo Fernando Ramirez,2015 ou um
urbanismo infraestrutural como Stan Allen (1996). Teoria Geral da Urbanização (1867),
de Ildefons Cerdà. Aqui a técnica de desmontar em partes para uma compreensão mais
apurada para entendimentos sociais, como dito por Foucault.

2.1 A laje: Prosseguimos com uma arquitetura mambembe. No momento de explosão


das cidades brasileiras e hiper-urbanização, a arquitetura limita-se a incorporações
imobiliárias e se ausenta da prática como meio de discutir cidade e política. Ao final da
primeira década do milénio a arquitetura que se destaca é a da precária autoconstrução
em meio a Metropolis. As favelas tornam-se a representação de meios de construir,
habitar e fazer política de uma forma particular. As dinâmicas do térreo e o convívio
público passaram para o alto, a laje. A laje da favela é a multiplicação do térreo. É em
um território altamente densificado, com ausência de lugares de convívio, se apropriar
de todas as superfícies possíveis pelo conhecimento popular.

Destacar o direito do uso do solo e com

Ricardo Lira, direito a favelar, direito a existência das lajes como solo urbano e

2.2 O boteco/ bloco: Resistência das cidades a ameaça fascista é feita na mesa de
boteco e no bloco de carnaval. A rua como púlpito político durante o carnaval e de
militância pelo público no boteco da esquina.

“Como os fatos urbanos são relacionáveis às obras de arte? Todas as grandes manifestações
da vida social têm em comum com a obra de arte o fato de nascerem da vida inconsciente ,
esse nível é coletivo no primeiro caso e , individual no segundo, mas a diferença é secundária,
porque umas são produzidas pelo público, as outras para o público, mas é precisamente o
público que lhes fornece um denominador comum” (Rossi, p. 19, 1966)

2.3 A ruína projetada: Desleixo com o patrimônio, memória e história virando cinzas.
Operações instantâneas sobre as ruínas transformando-as em palimpsesto
inconsequentes. A dificuldade em lidar com a memória e com o discurso implícito em
suas visibilidades insere objetos arquitetônicos em ciclos entrópicos. O panorama atual
revela que o ciclo só é rompido quando ‘’raspado’’ ao tornar-se um entrave. E assim se
induz a uma lógica urbana hereditária do rompimento abrupto com a memória ao invés
de entendê-la como como reflexo e testemunha de um período. (do morro do Castelo
ao caso DOPS/museu nacional)
Preenchendo o vazio, relação do vazio como discurso vide Gordon Matta Clarck. Fazer
espaços sem construir, anarquitetura de matta clark é aproximação operativa de não
materiais na construção do vazio

3º Ato: Ao caminho do requiem, a espera Ogum


‘’E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir’’

‘’De qualquer modo, é no conceito de tipologia arquitetônica que se manifesta mais clara e
profundamente, em Rossi, a influência do estruturalismo. Tal conceito não se relaciona com as
questões funcionais ou construtivas, mas com a estrutura espacial básica do edifício dentro da
trama da cidade. A 'crítica tipológica', tal como nomeou Manfredo Tafuri, reelaborou, a partir da
nova ótica do estruturalismo, o conceito acadêmico de 'tipo', definido por Quatremère de Quincy."

Lugares de inquietude, dissolução arquitetônica.

Projeto de ruína contemporânea nas cidades brasileiras é velado refletindo na forma


física as instituições públicas. O grau de entropia da arquitetura carioca, estabelece não
intencionalmente, um paralelo com o valor de ruína, preconizado por Albert Speer.
Nossas ruínas contemporâneas, são projetadas no sentido do aceite do processo de
arruinamento. Acabamos assim, pela tomada de decisões na conformação de nossas
cidades, num constante processo de projeto de ruína.

Concomitante ao processo de decomposição ‘’arquitetônica-institucional’’ cresce em


grandeza escalar, a demanda urbana por preceitos basilares da dignidade humana,
nomeadamente a habitação e saneamento. A floresta de tijolos e lajes performa uma
unidade em tensão com bordas e rupturas socio-morfológicas, urbanas e ambientais.
Urge a demanda por infraestruturas em um território sensível e saturado definhando
enquanto território e sociedade. Nesse contexto, há de ponderar, que historicamente,
operamos sobre a cidade do Rio como uma tábula rasa, em um projeto de arquitetura
que, de maneira metafórica, se eleva sobre os problemas em uma solução ‘’top-down’.
A antítese é a arquitetura topográfica, assentando lajes em um terreno escavado criando
uma arquitetura de plataformas respondendo pelo projeto a necessidades sociais e
condensando urbanidades. A construção da rodoviária de Brasília é um exemplo prático
de projeto tipológico infraestruturante ‘’controladamente flexível’’.

Qual deveria ser o grau de definição projetual no caso de uma arquitetura de


infraestrutura. Há de se ter consciência que, devido a escalas, é pertinente que o objeto
possa se metabolizar com o tempo. Uma estrutura aberta…

‘’Devemos propor uma arquitetura que seja capaz de separar o que permanece do que
muda, onde se estabeleçam claramente as responsabilidades nas diversas escalas do
projeto urbano e arquitetónico’’

O projeto infraestrutural deve considerar deve gerar uma inserção simbiótica no tecido
urbano seccionado, seja ele em consolidação ou consolidado. Deve induzir a
articulações e relações de cicatrização da matriz, respeitando, previamente, a
identidade local. Assim o projeto de infraestrutura surge como possibilidade estratégica
de catalização das dinâmicas sociais locais. A opção pela adoção de abordagem não
tecnocrática e ‘’top-down’’ subverte a operação de imposição de dinâmicas externas
funcionando mais como plataforma para as pré-existências.

Epílogo:Conjecturas e devaneios

Eduardo Galeano famously suggested, “our [Latin American] wealth has always
generated our poverty by nourishing the prosperity of others

Crença da longínqua arquitetura como a Brasília e as cidades de Albert Speer

Refletir sobre a produção espacial pós redemocratização e

 Um breve panorama de equipamentos publicos construidos em três recortes


específicos: da semana de 22 ao fim do estado novo de vargas; de 45 até a
ditadura 64; de 64 a redemocratização e início de 90, e por ultimo 2000 até
atualmente. Isto proporcionará repertório para explorar a produção desses
equipamentos nos anos recentes e como a arquitetura se expressou
localmente.

Apesar dos grandes espaços públicos construídos no século XX.

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